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LEI Nº 7.366, DE 29 DE MARÇO DE 1980 Dispõe sobre o Estatuto dos Servidores da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul. CAPÍTULO I – DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º – Esta Lei disciplina o regime jurídico dos servidores da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul. Parágrafo único – Aplica-se aos servidores da Polícia Civil, em tudo o que não contrariar esta Lei, o Estatuto do Funcionário Público Civil do Estado e a legislação complementar. Art. 2º – São servidores da Polícia Civil: I – os ocupantes dos cargos de que trata o art. 1º da Lei nº 5.950, de 31 de dezembro de 1969; II – os ocupantes dos cargos do Quadro Geral dos Funcionários Públicos, de lotação privativa na Polícia Civil. Parágrafo único – Os funcionários públicos lotados ou colocados à disposição da Polícia Civil ficam submetidos ao regime deste Estatuto para fins disciplinares e de estágio probatório. CAPÍTULO II – DO PROVIMENTO DOS CARGOS E FUNÇÕES POLICIAIS Seção I – Da Seleção e Formação Art. 8º – A Escola de Polícia manterá cursos de formação e cursos de aperfeiçoamento técnico-profissional para os servidores da Polícia Civil. Parágrafo único – Mediante convênio com entidades públicas ou particulares, a Escola de Polícia poderá promover cursos extraordinários. Seção II – Da Nomeação e Posse Art. 9º – Os servidores nomeados deverão tomar posse no prazo de 15 dias, contados da publicação do ato de nomeação. Parágrafo único – O prazo pode ser prorrogado por mais 15 dias mediante pedido fundamentado e decisão do Superintendente dos Serviços Policiais. A nomeação será tornada sem efeito se o nomeado não tomar posse no prazo. Art. 10 – A apresentação do diploma de Bacharel em Direito é requisito para a posse no cargo de Delegado de Polícia. Art. 11 – A posse será solene, compreendendo: – o Compromisso Policial; – a assinatura da ata; – a entrega das credenciais e arma de uso pessoal. § 1º – O ato será presidido pelo Superintendente dos Serviços Policiais ou autoridade designada. § 2º – Compromisso Policial: “PROMETO OBSERVAR E FAZER OBSERVAR RIGOROSA OBEDIÊNCIA ÀS LEIS, DESEMPENHAR MINHAS FUNÇÕES COM DESPRENDIMENTO E PROBIDADE, BEM COMO CONSIDERAR INERENTES À MINHA PESSOA A REPUTAÇÃO E HONORABILIDADE DA CORPORAÇÃO POLICIAL, A QUE AGORA PASSO A SERVIR.” Seção III – Do Exercício Art. 12 – O exercício terá início em até 15 dias após a posse. Parágrafo único – No interesse do serviço, o início pode ser determinado de imediato. Art. 13 – Os funcionários das carreiras policiais terão exercício, em princípio, no interior enquanto não concluírem o estágio probatório. Art. 14 – O Delegado da classe mais elevada terá exercício em órgão da Capital. Seção IV – Do Estágio Probatório Art. 15 – A estabilidade será adquirida após 730 dias de efetivo exercício. § 1º – Semestralmente, o chefe da unidade enviará relatório sobre: – idoneidade moral, – assiduidade, – disciplina, – dedicação, – eficiência. § 2º – Em caso de movimentação, novo relatório será enviado. § 3º – O Conselho Superior de Polícia decidirá pelo merecimento ou não. § 4º – Se a decisão for contrária, o servidor terá 5 dias para defesa. § 5º – Após a defesa, o Conselho decidirá pela exoneração ou confirmação. § 6º – Ao servidor que tenha deixado cargo efetivo para assumir estágio probatório, será assegurado o retorno ao cargo anterior em caso de exoneração. Seção V – Dos Cargos em Comissão e Funções Gratificadas Art. 16 – O exercício de cargos em comissão e funções gratificadas na estrutura da Polícia Civil é privativo de servidores da ativa, podendo funções de assessoramento serem exercidas por inativos. (Os itens vetados são suprimidos conforme pedido.) CAPÍTULO III – DAS REMOÇÕES E SUBSTITUIÇÕES Art. 17 – O funcionário policial poderá ser removido: I – a pedido; II – ex officio, por conveniência do serviço; III – por conveniência da disciplina. § 1º – Remoção a pedido não gera ajuda de custo. § 2º – Remoção ex officio só após 1 ano na localidade, salvo necessidade imperiosa. Art. 18 – O período de trânsito será computado como efetivo serviço e terá duração de até 15 dias. Parágrafo único – Pode ser prorrogado por mais 15 dias. Art. 19 – Delegados só podem ser removidos entre municípios conforme classificação legal. Parágrafo único – Excepcionalmente, podem ser lotados em delegacia de classificação superior. Art. 20 – Servidor estudante só será removido para localidade com escola do mesmo nível, salvo necessidade do serviço ou imperativo disciplinar. § 1º – Deve comprovar matrícula e frequência semestralmente. § 2º – Não se aplica ao servidor reprovado dois semestres seguidos. § 3º – É vedada remoção ex officio se o servidor estiver cursando a Escola de Polícia e a mudança impedir a frequência. Art. 21 – Competentes para remover: a) Secretário da Segurança Pública; b) Superintendente dos Serviços Policiais. Art. 22 – A substituição do Delegado titular será feita por Delegado. § 1º – Em caráter excepcional, Comissário, Inspetor ou Escrivão poderá responder por Delegacia de 1ª categoria. Art. 23 O substituto responderá pelos atos praticados pelo substituído. Parágrafo único – A substituição gera direito à percepção da diferença de vencimentos quando superior a 30 dias consecutivos. CAPÍTULO IV – DO REGIME DE TRABALHO Art. 24 O regime normal de trabalho dos servidores da Polícia Civil compreenderá 40 horas semanais, em turnos, escalas ou plantões. Art. 25 O servidor policial é obrigado a atender prontamente às convocações da autoridade competente, mesmo durante o descanso, folga ou férias, quando houver necessidade de serviço. Art. 26 Por necessidade do serviço, o servidor poderá ser convocado para serviço extraordinário. Parágrafo único – O serviço extraordinário será indenizado conforme legislação própria. Art. 27 A duração do trabalho poderá ser prorrogada ou reduzida em caso de emergência, calamidade pública ou necessidade imperiosa da segurança pública. Art. 28 O comparecimento a instruções, cursos e treinamentos determinados pela administração será computado como efetivo exercício. CAPÍTULO V – DOS DIREITOS E VANTAGENS Seção I – Das Férias Art. 29 O servidor policial terá direito a 30 dias de férias por ano, acrescidas de 1/3 da remuneração. Parágrafo único – As férias poderão ser parceladas em até 3 períodos, por necessidade do serviço. Art. 30 As férias podem ser interrompidas por motivo de: I – calamidade pública; II – comoção interna; III – necessidade imperiosa do serviço policial. Art. 31 O servidor removido no curso das férias apresentará-se na nova lotação após sua conclusão. Seção II – Das Licenças Art. 32 Aplicam-se aos servidores da Polícia Civil as licenças previstas no Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado. Seção III – Dos Vencimentos e Vantagens Art. 33 Os vencimentos e vantagens dos servidores policiais serão fixados em lei. Art. 34 O servidor policial fará jus a adicional de periculosidade, conforme regulamentação. Art. 35 O tempo de serviço prestado em missão policial de risco será computado em dobro para fins de aposentadoria especial, conforme lei específica. Seção IV – Da Assistência Art. 36 A Polícia Civil poderá manter serviços de assistência ao servidor e sua família: – assistência médica; – assistência jurídica; – assistência social. Seção V – Da Promoção Art. 37 As promoções obedecerão aos critérios estabelecidos em lei própria. Seção VI – Das Recompensas Art. 38 As recompensas destinadas aos servidores policiais são: I – elogio; II – prêmio; III – condecoração. Art. 39 As recompensas serão registradas no assentamento individual do servidor. Seção VII – Das Disposições Diversas Art. 40 O servidorpolicial terá direito ao porte de arma, inclusive fora do serviço, conforme legislação federal e estadual. CAPÍTULO VI – DOS DEVERES, PROIBIÇÕES E RESPONSABILIDADES Seção I – Dos Deveres Art. 41 São deveres do servidor policial: I – cumprir as leis e regulamentos; II – atuar com probidade e zelo; III – manter conduta compatível com a moralidade administrativa; IV – atender prontamente às requisições da autoridade competente; V – guardar sigilo sobre assuntos da instituição; VI – zelar pelo patrimônio público; VII – desempenhar suas funções com urbanidade e respeito. Seção II – Das Proibições Art. 42 É proibido ao servidor policial: I – valer-se do cargo para proveito próprio; II – participar de movimentos políticos-partidários em serviço; III – ingressar em serviço embriagado; IV – exercer comércio ou atividade incompatível com a função policial; V – divulgar informações sigilosas; VI – ausentar-se do serviço sem autorização. Seção III – Da Responsabilidade Art. 43 O servidor policial responde administrativamente, civilmente e penalmente por seus atos. Art. 44 A responsabilidade administrativa não exclui a civil nem a penal, podendo cumular-se. Art. 45 O servidor será responsabilizado quando agir com dolo, culpa ou omissão. CAPÍTULO VII – DO REGIME DISCIPLINAR Seção I – Das Disposições Gerais Art. 46 O regime disciplinar visa assegurar a regularidade dos serviços e a disciplina interna da Polícia Civil. Art. 47 Constituem transgressões disciplinares as ações ou omissões contrárias aos deveres funcionais definidos em lei ou regulamento. Seção II – Das Penalidades Art. 48 As penalidades disciplinares são: I – advertência; II – repreensão; III – suspensão; IV – demissão; V – cassação de aposentadoria; VI – destituição de função. Art. 49 A aplicação da pena considerará: – a natureza da infração; – os danos ao serviço público; – os antecedentes; – a repercussão social; – o grau de responsabilidade do servidor. Seção III – Do Processo Administrativo Art. 50 O processo administrativo será instaurado sempre que a falta não possa ser apurada de plano. Art. 51 O servidor será citado para apresentar defesa no prazo de 10 dias. Art. 52 A autoridade poderá determinar diligências para apuração dos fatos. Art. 53 Encerrada a instrução, o servidor terá 5 dias para alegações finais. Art. 54 A decisão será fundamentada e publicada oficialmente. Art. 55 Da decisão caberá recurso no prazo de 10 dias, dirigido à autoridade imediatamente superior. Art. 56 A prescrição da ação disciplinar regular-se-á pelo Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado. CAPÍTULO VIII – DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 57 A Escola de Polícia poderá realizar cursos de formação e aperfeiçoamento em convênio com outras instituições públicas ou privadas de ensino ou treinamento. Art. 58 Para os efeitos deste Estatuto, considera-se: I – missão policial: serviço que obrigue o servidor a atuar fora de sua repartição, sempre que envolva risco; II – exercício operacional: serviço policial que envolva perseguição, captura ou outras atividades de risco imediato. Art. 59 Os servidores das carreiras policiais ficam sujeitos à apresentação de exame médico periódico, conforme regulamentação. Art. 60 A contagem do tempo de serviço policial obedecerá às disposições gerais aplicáveis ao funcionalismo público, observadas as normas especiais desta Lei. Art. 61 As despesas decorrentes desta Lei correrão à conta das dotações orçamentárias próprias. Art. 62 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 63 Revogam-se as disposições em contrário.