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Unidade 4
Contratações Públicas e 
Judicialização Licitatória
Licitações Públicas
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria
ELAINE CHRISTINE PESSOA DELGADO 
MILENA BARBOSA DE MELO
AUTORIA
Elaine Christine Pessoa Delgado
Sou formada em Administração de Empresas pela Universidade 
Federal de Campina Grande (2007) e pós-graduada em Direito 
Administrativo pela Faculdade Campos Elíseos (SP), com experiência 
técnico-profissional na área de gerência de empresas há mais de 10 anos. 
Milena Barbosa de Melo
Sou graduada em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, 
mestre e especialista em Direito Comunitário e doutora em Direito 
Internacional pela Universidade de Coimbra. Atualmente, sou professora 
universitária e conteudista. Como jurista, atuo principalmente nas 
seguintes áreas: Direito à Saúde, Direito Internacional Público e Privado, 
Jurisdição Internacional, Direito Empresarial, Direito do Desenvolvimento, 
Direito da Propriedade Intelectual e Direito Digital.
Desse modo, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar 
seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder 
ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Licitações para microempresas, empresas de pequeno porte e 
consórcios públicos .................................................................................. 10
Licitações para microempresas e empresas de pequeno porte ................. 10
Licitações com consórcios públicos ................................................................................. 15
Licitações das empresas públicas e sociedades de economia 
mista ................................................................................................................. 18
Diretrizes, modalidades e tipos ............................................................................................ 21
Procedimento licitatório .............................................................................................................23
Normas gerais aplicáveis às licitações e às contratações de 
serviços de publicidade ...........................................................................28
Procedimento licitatório ............................................................................................................. 31
Infrações e sanções administrativas ..................................................36
7
UNIDADE
04
Licitações Públicas
8
INTRODUÇÃO
O procedimento licitatório tem peculiaridades pertinentes a alguns 
tipos de contratação. Você sabia que as microempresas e as empresas 
de pequeno porte têm tratamento diferenciado nas licitações públicas? E 
que foi instituída uma lei que trata das licitações das empresas públicas 
e sociedades de economia mista? Sabia também que as contratações 
de serviços de publicidade possuem uma lei especial, trazendo normas 
e procedimentos específicos para esse tipo de contratação a serem 
prestados através de agências de propaganda? 
Além disso, os contratados que cometerem irregularidades no 
âmbito das licitações são passíveis de sanções administrativas ou até 
mesmo responder a um processo em casos de infrações consideradas 
crimes. Nesta unidade iremos tratar das licitações com as microempresas 
e empresas de pequeno porte, das licitações das empresas públicas e 
sociedades de economia mista, das normas aplicáveis às contratações 
de serviços de publicidade e das infrações e sanções administrativas nas 
licitações. Esse é o mundo que iremos atravessar nesta unidade. Vamos 
juntos?
Licitações Públicas
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até 
o término desta etapa de estudos:
1. Entender as licitações para microempresas, empresas de 
pequeno porte e consórcios públicos.
2. Compreender o Regime Diferenciado de Contratações Públicas.
3. Identificar as normas gerais aplicáveis às licitações e às 
contratações de serviços de publicidade.
4. Assimilar as sanções administrativas e a tutela judicial. 
Então? Vamos juntos para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento?
Licitações Públicas
10
Licitações para microempresas - empresas 
de pequeno porte e consórcios públicos 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
como funciona as licitações com as microempresas e as 
empresas de pequeno porte, quem elas são e por que 
recebem tratamento diferenciado. Compreenderá também 
como são as licitações com os consórcios públicos e 
as principais características. E então? Motivado para 
desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante!
Licitações para microempresas e empresas 
de pequeno porte
Conforme Scatolino e Trindade (2016), é estabelecido na Constituição 
Federal, em seu art. 170, IX, como princípio da ordem econômica, o 
tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas 
sob as leis brasileiras e que possuam sede e Administração no país. 
A Constituição Federal, em seu art. 179, ainda determina:
Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno 
porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, 
visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações 
administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou 
pela eliminação ou redução destas por meio de lei. (BRASIL, 
1988, p. 57)
A partir da determinação da própria Constituição Federal, foi 
instituído o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno 
Porte, a Lei Complementar nº 123/2006.
De acordo com Alexandrino e Paulo (2012), a Lei Complementar 
nº 123/2006 – Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de 
Pequeno Porte – prevê em seu artigo 47, a possibilidade de a União, 
Licitações Públicas
11
os estados e os municípios, nas contratações públicas, conferirem 
tratamento diferenciado e simplificado para microempresas e empresas 
de pequeno porte com o objetivo de promover o desenvolvimento 
econômico e social no âmbito municipal e regional, a ampliação da 
eficiência das políticas públicas e o estímulo à inovação tecnológica, 
desde que previsto e regulamentado na legislação do respectivo ente. 
Vejamos como é a definição de microempresa e empresa de 
pequeno porte segundo a Lei Complementar nº 123/2006, art. 3º.
Consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte 
(Figura 1) a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa 
individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere 
o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil - Art. 
966. Considera-se empresário quem exerceprofissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviço), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou 
no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, de acordo com o caso, desde que:
 • No caso da microempresa, receba, em cada ano-calendário, 
receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta 
mil reais).
 • No caso de empresa de pequeno porte, receba, em cada ano-
calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e 
sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro 
milhões e oitocentos mil reais).
Figura 1 - Microempresa e empresa de pequeno porte
Microempresa
Receita bruta anual igual ou 
inferior: R$ 360.000,00
Empresa de 
pequeno porte
Receita bruta anual superior 
a R$ 360.000,00 e igual ou 
inferior a R$ 4.800.000,00
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei Complementar nº 123/2006.
Licitações Públicas
12
Scatolino e Trindade (2016) destacam que a LC 123/2006 estabelece 
que nas licitações públicas a comprovação de regularidade fiscal das 
microempresas e empresas de pequeno porte somente será exigida para 
efeito de assinatura do contrato. 
Para instrumentalizar essa regra, a lei determina que essas 
sociedades apresentem, no momento da participação em certames 
licitatórios, toda a documentação exigida para comprovação de 
regularidade fiscal, mesmo que esta contenha alguma restrição. Caso 
exista alguma falha na documentação, deverá ser assegurado às 
microempresas e empresas de pequeno porte o prazo de cinco dias 
úteis para regularização dos documentos, contados do momento em 
que o proponente for declarado vencedor do certame. Esse prazo poderá 
ser prorrogado por igual período, a critério da Administração, explica o 
Tribunal de Contas da União (2010).
São previstos como possibilidades de concessão de tratamento 
diferenciados às microempresas e empresas de pequeno porte a 
realização de processo licitatório, de acordo com a Lei Complementar nº 
123/2006: 
 • Deverá realizar processo licitatório destinado exclusivamente à 
participação de microempresas e empresas de pequeno porte nos 
itens de contratação cujo valor seja de até R$ 80.000,00 (oitenta 
mil reais). 
 • Poderá, em relação aos processos licitatórios destinados à 
aquisição de obras e serviços, exigir dos licitantes a subcontratação 
de microempresa ou empresa de pequeno porte.
IMPORTANTE:
Nessa hipótese, os empenhos e pagamentos do órgão ou 
entidade da administração pública poderão ser destinados 
diretamente às microempresas e empresas de pequeno 
porte subcontratadas, determina a LC 123/2006:
Licitações Públicas
13
 • deverá estabelecer, em certames para aquisição de bens de 
natureza divisível, cota de até 25% (vinte e cinco por cento) do 
objeto para a contratação de microempresas e empresas de 
pequeno porte.
Figura 2: Possibilidades de concessão de tratamento diferenciado
Realização de procedimento licitatório exclusivo 
para ME e EPP para contratações até R$ 80.000,00 
Poderá nos casos de aquisição de obras e 
serviços exigir subcontratação de ME e EPP 
Para bens de natureza divisível, cota de até 25% do 
objeto para contratação de ME e EPP
Microempresa 
e empresa de 
pequeno porte
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei Complementar nº 123/2006.
O valor somado dos objetos das licitações em que são aplicados 
esses tratamentos diferenciados previstos nessas situações, não poderá 
exceder 25% do total licitado em cada ano civil. Apesar de a LC não 
explicitar, o limite deve ser calculado separadamente para cada ente 
federado, ou seja, com base no valor das licitações que o ente federado 
tenha realizado no ano civil, explica Alexandrino e Paulo (2012).
A Lei Complementar nº 123/2006, em seu art. 49, ainda estabelece 
que em qualquer caso não se aplica tratamento diferenciado e 
simplificados nas seguintes situações:
 • Não houver um mínimo de 3 (três) fornecedores competitivos 
enquadrados como microempresas ou empresas de pequeno 
porte sediados local ou regionalmente e capazes de cumprir as 
exigências estabelecidas no instrumento convocatório.
 • O tratamento diferenciado e simplificado para as microempresas e 
empresas de pequeno porte não for vantajoso para a administração 
pública ou representar prejuízo ao conjunto ou complexo do objeto 
a ser contratado.
Licitações Públicas
14
 • A licitação for dispensável ou inexigível, de acordo com a Lei nº 
14.133, de 01 de abril de 2021, excetuando-se as dispensas de 
pequeno valor tratadas na mesma Lei, nas quais a compra deverá 
ser feita preferencialmente de microempresas e empresas de 
pequeno porte, aplicando-se o disposto no inciso I do art. 48. 
I - deverá realizar processo licitatório destinado exclusivamente 
à participação de microempresas e empresas de pequeno 
porte nos itens de contratação cujo valor seja de até R$ 
80.000,00 (oitenta mil reais). (BRASIL, 2006) 
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o 
acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: 
“As licitações exclusivas para microempresas e empresas 
de pequeno porte: regra e exceções” (PEREIRA JUNIOR; 
DOTTI, 2012). Clique aqui.
Outro ponto muito importante é o tratamento nos casos de desempate. 
Segundo Scatolino e Trindade (2016), o Estatuto da microempresa e 
empresa de pequeno porte fixa como critério de desempate a preferência 
de contratação para microempresas e empresas de pequeno porte. Nesse 
caso, entende-se como empate aquelas situações em que as propostas 
apresentadas pelas microempresas e empresas de pequeno porte sejam 
iguais ou até 10% superiores à proposta mais bem classificada.
Na modalidade pregão, o intervalo percentual será de 5% superior 
ao melhor preço. A Lei Complementar nº 123/2006 determina que nas 
hipóteses de empate proceder-se-á da seguinte forma:
 • A microempresa ou empresa de pequeno porte mais bem 
classificada poderá apresentar proposta de preço inferior àquela 
considerada vencedora do certame, situação em que será 
adjudicado em seu favor o objeto licitado.
 • Não ocorrendo a contratação da microempresa ou empresa 
de pequeno porte, de acordo com a situação anterior, serão 
convocadas as remanescentes que porventura se enquadrem na 
Licitações Públicas
https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/149
15
hipótese dos §§ 1º e 2º do art. 44 da Lei Complementar (situações 
em que as propostas apresentadas pelas microempresas e 
empresas de pequeno porte sejam iguais ou até 10% superiores 
à proposta mais bem classificada ou no caso do pregão 5%), na 
ordem classificatória, para o exercício do mesmo direito.
 • No caso de equivalência dos valores apresentados pelas 
microempresas e empresas de pequeno porte que se encontrem 
nos intervalos estabelecidos nos §§ 1º e 2º do art. 44 da Lei 
Complementar, será realizado sorteio entre elas para que se 
identifique aquela que primeiro poderá apresentar melhor oferta.
Esse “direito de preferência” somente será aplicado quando a melhor 
oferta inicial não tiver sido apresentada por microempresa ou empresa de 
pequeno porte, menciona o Tribunal de Contas da União (2010).
Na modalidade pregão, a microempresa ou empresa de pequeno 
porte mais bem classificada será convocada para apresentar nova 
proposta no prazo máximo de 5 minutos após o encerramento dos lances, 
sob pena de preclusão, estabelece a LC 123/2006.
Cabe destacar ainda que nos pagamentos que a Administração 
efetuar, deve ser exigido das empresas optantes pelo Sistema Integrado 
de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das 
Empresas de Pequeno Porte – Simples, juntamente com a nota fiscal/
fatura, o encaminhamento de declaração que comprove essa opção, 
explica o Tribunal de Contas da União (2010).
Licitações com consórcios públicos
Segundo o Tribunal de Contas da União (2010), quando permitido no 
ato convocatório, podem participar da licitação consórciosde licitantes, 
qualquer que seja a forma de constituição.
Mas o que é um consórcio, você sabe? Scatolino e Trindade 
(2016) explicam que o consórcio público é a pessoa jurídica formada, 
exclusivamente, por entes federativos, para a prestação de serviços na 
forma de gestão associada, nos termos do art. 241 da CF. 
Licitações Públicas
16
Art. 241. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e 
os convênios de cooperação entre os entes federados, 
autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem 
como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, 
pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços 
transferidos. (BRASIL, 1988, p. 69)
Em consórcio composto por empresas brasileiras e estrangeiras, 
a liderança competirá obrigatoriamente à empresa brasileira, e essas 
condições de liderança devem estar fixadas no ato convocatório, conforme 
determina o Tribunal de Contas da União (2010).
Quando permitida na licitação a participação de empresas em 
consórcio, as seguintes exigências devem ser cumpridas, de acordo com 
o Tribunal de Contas da União (2010): 
 • Comprovação de compromisso público ou particular de 
constituição de consórcio, assinado pelos consorciados. 
 • Indicação da empresa responsável pelo consórcio que deverá 
atender às condições de empresa líder, obrigatoriamente fixadas 
no ato convocatório.
 • Apresentação dos documentos exigidos nos arts. 62 a 70 da Lei 
nº 14.133/2021 (documentação para habilitação dos licitantes), por 
parte de cada consorciado. Admite-se, para efeito de qualificação 
técnica, o somatório dos quantitativos de cada consorciado e, 
para efeito de qualificação econômico-financeira, o somatório 
dos valores de cada consorciado, na proporção da respectiva 
participação. Nesse caso, a Administração pode estabelecer 
acréscimo de até 30% dos valores exigidos para licitante não 
consorciado. É inexigível esse acréscimo para consórcios 
compostos, na totalidade, por micro e pequenas empresas. 
 • Impedimento de participação de empresa consorciada, na mesma 
licitação, em mais de um consórcio ou isoladamente.
Licitações Públicas
17
 • Responsabilidade solidária dos integrantes pelos atos praticados 
em consórcio, tanto na fase de licitação quanto na de execução 
do contrato. 
É obrigação do vencedor promover, antes da celebração do contrato, 
a constituição e o registro do consórcio, nos termos do compromisso 
firmado pelos consorciados.
SAIBA MAIS:
Aprofunde-se mais nesse tema lendo o artigo “A participação 
de consórcios empresariais em procedimentos licitatórios: 
Livre escolha da Administração licitante?” (RIBEIRO; 
TEIXEIRA, 2015). Clique aqui.
O Tribunal de Contas da União (2010) ainda cita que nas contratações 
para aquisição de bens e serviços comuns para entes públicos ou 
privados, realizadas com recursos públicos da União, repassados por 
meio de celebração de convênios ou instrumentos congêneres ou 
consórcios públicos será obrigatório o emprego da modalidade pregão, 
preferencialmente na forma eletrônica.
RESUMINDO:
Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que 
a Constituição Federal estabelece que deverá ser dado 
tratamento diferenciado para as microempresas e empresas 
de pequeno porte. Assim surgiu a Lei Complementar nº 
123/2006, conferindo esse tratamento e com objetivos 
específicos para essas empresas, incluindo nesses a 
participação das microempresas e empresas de pequeno 
porte nas licitações, com situações que incluem o valor 
da contratação, a subcontratação e cotas para bens de 
natureza indivisível, assim como hipóteses de empate que 
demonstram esse tratamento diferenciado. Por fim, você 
compreendeu as licitações com consórcios públicos e as 
exigências que deverão ser cumpridas nesses casos.
Licitações Públicas
https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/1336
18
Licitações das empresas públicas e 
sociedades de economia mista
OBJETIVO:
Neste capítulo você irá compreender quais as características 
e os principais pontos sobre o procedimento licitatório 
das empresas públicas e sociedades de economia mista. 
Avante!
A competência para dispor sobre normas gerais de licitações e 
contratos pertence à União de acordo com o art. 22, XXVII da Constituição 
Federal de 1988: 
XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas 
as modalidades, para as administrações públicas diretas, 
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal 
e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as 
empresas públicas e sociedades de economia mista, nos 
termos do art. 173, § 1°, III. (BRASIL, 1988, p. 16)
Já o art. 173 determina que a lei estabelecerá o estatuto jurídico da 
empresa pública, da sociedade de economia mista e suas subsidiárias 
devendo dispor sobre licitação e contratação de obras, serviços, compras 
e alienações.
Essa lei trata-se da Lei nº 13.303/2016 (Estatuto das Empresas 
Públicas e Sociedades de Economia Mista), sendo essa de aplicabilidade 
imediata para essas entidades, cabendo ao Estatuto geral (Lei nº 
14.133/2021) a aplicabilidade subsidiária.
Também se aplicam a essas empresas e sociedades as disposições 
sobre aquisições públicas do Estatuto da Microempresa e da Empresa de 
Pequeno Porte (LC 123/2006). 
Esse estatuto alcança toda e qualquer empresa pública e sociedade 
de economia mista de todos os entes federativos (União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios), “que explore atividade econômica de produção 
Licitações Públicas
19
ou comercialização de bens ou de prestação de serviços ainda que a 
atividade econômica esteja sujeita ao regime de monopólio da União ou 
seja de prestação de serviços públicos” (BRASIL, 2016).
A exigência de licitação com as empresas públicas e sociedades 
de economia mista, segundo a Lei nº 13.303/2016, incluem como objeto 
(Figura 3):
 • Contratos com terceiros destinados à prestação de serviços, 
inclusive de engenharia e publicidade.
 • Aquisição e locação de bens.
 • Alienação de bens e ativos integrantes do respectivo patrimônio.
 • Execução de obras a serem integradas a esse patrimônio.
 • Implementação de ônus real sobre seus bens.
Figura 3 - Objeto
Aquisição 
e locação 
de bens
Alienação de 
bens e ativos
Execução 
de obras
Implementação 
de ônus real de 
bens
Lei nº 
13.303/2016
Prestação 
de serviços, 
engenharia e 
publicidade
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei nº 13.303/2016.
Licitações Públicas
20
Conforme Carvalho (2020), é necessário ressaltar que são 
estabelecidas situações de contratações diretas mediante dispensa e 
inexigibilidade de licitação. As hipóteses de licitação dispensável estão 
taxativamente definidas no art. 29, já as de inexigibilidade constam no art. 
30, que são:
Art. 30. A contratação direta será feita quando houver 
inviabilidade de competição, em especial na hipótese de:
I - aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros que só 
possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante 
comercial exclusivo;
II - contratação dos seguintes serviços técnicos especializados, 
com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada 
a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação:
a) estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou 
executivos;
b) pareceres, perícias e avaliações em geral;
c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras 
ou tributárias;
d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
g) restauração de obras de arte e bens de valor histórico. 
(BRASIL, 2016)
Os casos de dispensa trata-se de um rol taxativo, não podendo 
ser ampliado por entendimento da Administração Pública ou doutrina.Já os casos de inexigibilidade são apenas exemplificativos, podendo 
ser utilizado nas situações em que seja demonstrada a inviabilidade de 
competição (CARVALHO, 2020).
Quando for realizada a contratação direta, o processo deverá ser 
instruído com a caracterização da situação emergencial ou calamitosa 
Licitações Públicas
21
que a justifique, quando couber; a razão da escolha do fornecedor ou de 
quem irá realizar; e a justificativa do preço. 
Diretrizes, modalidades e tipos
A Lei nº 13.303/2016 traz uma série de diretrizes que devem ser 
observadas nas licitações e contratos, que são:
 • Padronização do objeto de contratação, dos instrumentos 
convocatórios e das minutas de contratos.
 • Busca de maior vantagem competitiva considerando aspectos 
como custos e benefícios diretos e indiretos, entre outros.
 • Parcelamento do objeto, com vistas a ampliar a participação de 
licitantes.
 • Adoção preferencial da modalidade pregão.
 • Política de integridade nas transações (BRASIL, 2016). 
Diretrizes são os rumos a serem seguidos pelas entidades para 
atingir as metas programadas, sendo formalizadas por instruções e 
orientações veiculadas pelos respectivos órgãos diretivos (CARVALHO 
FILHO, 2019). 
Carvalho (2020) explica que o art. 32, IV da Lei nº 13.303/2016 prevê 
que preferencialmente o pregão deverá ser a modalidade licitatória 
empregada nas contratações realizadas pelas empresas públicas e 
sociedades de economia mista. Perceba que a lei deixa claro o caráter 
preferencial, e não exclusivo dessa modalidade licitatória, que apenas 
será escolhida quando for cabível, nos moldes da legislação vigente, isto 
é, para aquisição de bens e serviços comuns.
Baltar Neto et al. (2020) destacam que essa lei adota um modelo 
procedimental flexível no qual não existem modalidades estáticas. Dessa 
forma, apesar de o texto legal indicar a adoção preferencial do pregão, 
não existem outras modalidades licitatórias indicadas pela lei a serem 
preteridas. Interpretação adequada dessa regra parece ser que, na 
modelagem do processo licitatório, a estatal deve usar, preferencialmente, 
procedimento assemelhado ao do pregão. 
Licitações Públicas
22
SAIBA MAIS:
Aprofunde-se neste tema lendo o artigo “A lei das estatais 
contribui para simplificar e elevar a segurança jurídica de 
licitações e contratos?” (PEREIRA JUNIOR, DOTTI, 2018). 
Clique aqui.
As regras e os princípios aplicáveis às licitações devem ser seguidos 
pelas empresas estatais em seus procedimentos de seleção, razão 
pela qual o instrumento convocatório deve trazer critérios objetivos de 
julgamento, evitando a escolha do vencedor com base em parâmetros 
pessoais. (CARVALHO, 2020). Os critérios de escolha do vencedor (Figura 
4), admitidos na Lei nº 13.303/2021, são:
 • Menor preço.
 • Maior desconto.
 • Melhor combinação de técnica e preço.
 • Melhor técnica.
 • Melhor conteúdo artístico.
 • Maior oferta de preço.
 • Maior retorno econômico.
 • Melhor destinação de bens alienados (BRASIL, 2021).
Figura 4 - Critérios de escolha do vencedor
Menor preço Maior desconto
Melhor combinação 
de técnica e preço
Melhor técnica
Melhor conteúdo 
artítico
Maior oferta de preço
Maior retorno 
econômico
Melhor destinação de 
bens alienados
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei nº 13.303/2016.
Licitações Públicas
https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/1490
23
Nesse sentido, a lei determina que as licitações das estatais poderão 
prever esses critérios de escolha do vencedor, sendo que um deles deve 
estar explícito no edital.
Procedimento licitatório
O procedimento licitatório se desenvolve em dez fases, em que a 
primeira se trata da preparação, que é uma fase interna na qual é elaborado 
o instrumento convocatório e a minuta do contrato. A segunda fase é a 
divulgação e logo depois vem a apresentação de lances ou propostas, 
que poderão ser adotados os modelos de disputa aberto ou fechado, ou 
até mesmo a combinação dos dois (CARVALHO, 2020). 
Com relação à divulgação do instrumento convocatório, a Lei 
nº 13.303/2016 define um prazo entre a efetiva publicidade desse 
instrumento e a apresentação das propostas ou dos lances, a fim de 
garantir a publicidade, competitividade e possibilitar aos participantes a 
elaboração das suas propostas. Podemos observar os prazos mínimos, a 
contar da divulgação do instrumento até a apresentação das propostas ou 
dos lances, no quadro a seguir:
Quadro 1 - Prazos de divulgação do instrumento convocatório
Aquisição de bens
Critério de julgamento menor preço ou 
maior desconto: 5 dias úteis 
Demais hipóteses: 10 dias úteis
Obras e serviços
Critério de julgamento menor preço ou 
maior desconto: 15 dias úteis
Demais hipóteses: 30 dias úteis
Critério de julgamento 
melhor técnica ou 
melhor combinação 
de técnica e preço e 
para licitações com 
contratação semi-
integrada ou integrada
Mínimo de 45 dias úteis
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei nº 14.133/2021.
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24
Através da adoção da junção da licitação clássica e do pregão, 
a lei admitiu os modos de disputa aberto e fechado, assim como sua 
combinação. No primeiro, os licitantes apresentam lances públicos e 
sucessivos, podendo ser crescentes ou decrescentes, de acordo com 
o caso. No segundo, as propostas são sigilosas até o momento em que 
devem ser divulgadas (CARVALHO FILHO, 2019).
A quarta fase é o julgamento e será utilizado o critério previamente 
estabelecido no instrumento convocatório e em seguida ocorrerá a 
verificação da efetividade dos lances ou das propostas, para depois haver 
a negociação. A sétima será a habilitação que deverá preencher requisitos, 
como habilitação jurídica, qualificação técnica, capacidade econômica e 
financeira, entre outros (CARVALHO, 2020). 
A fase da verificação da efetividade é aquela em que obriga ao 
exame da legitimidade da proposta ou do lance, podendo provocar a 
desclassificação do licitante. 
Será aberto prazo para os recursos na fase recursal, que deverá 
ser interposto no prazo de cinco dias úteis a contar da habilitação, para 
depois haver a adjudicação do objeto e logo após a homologação ou a 
revogação, se for o caso.
Carvalho (2020) afirma que na última fase do procedimento 
licitatório (Figura 5), a autoridade máxima do órgão irá analisar se houve 
regularidade no procedimento, para então homologá-lo e encerrá-lo. 
Também se admite a revogação do procedimento com base em razões 
de interesse público supervenientes ao início do certame e anulação em 
casos de vícios devidamente comprovados.
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25
Figura 5 - Fases do procedimento licitatório
Apresentação lances/
propostas
Preparação Divulgação
NegociaçãoJulgamento Verificação
AdjudicaçãoHabilitação Recursos
Homologação ou 
revogação
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei nº 13.303/2016.
Em caso de empate na licitação, a lei define em seu art. 55 que 
deverão ser utilizados critérios sucessivos de desempate, quais sejam:
 • Disputa final, cujos licitantes empatados poderão apresentar nova 
proposta fechada.
 • Avaliação do desempenho contratual prévio dos licitantes desde 
que existam sistema objetivo de avaliação instituído.
 • Bens produzidos no país.
 • Bens ou serviços produzidos ou prestados por empresa brasileira.
 • Bens ou serviços produzidos ou prestados por empresas que 
invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no país.
 • Produzidos ou prestados por empresas que comprovem 
cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para pessoa 
com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que 
atendam às regras de acessibilidade previstas na legislação.
 • Sorteio.
Licitações Públicas
26
Podem ser utilizados ainda procedimentos auxiliares, que são as 
ferramentas que podem ser utilizadas para dar suporte às licitações e 
tornar mais efetivo o certame nas empresas públicas e sociedades de 
economia mista.São procedimentos auxiliares das licitações, conforme a Lei nº 
13.303/2016:
 • Pré-qualificação permanente – busca identificar fornecedores 
devidamente habilitados e produtos com qualidade certificada 
para futuras licitações.
 • Cadastramento – será realizado nos registros cadastrais.
 • Registro de preços – são adotadas as mesmas linhas tratadas na 
Lei nº 14.133/2021.
 • Catálogo eletrônico de padronização – trata-se de um sistema 
informatizado e centralizado que possibilita a padronização dos 
itens a serem adquiridos pelas entidades.
Os atos e procedimentos, das licitações das estatais, serão 
realizados preferencialmente através de meio eletrônico, segundo o 
edital, devendo os avisos conter os resumos dos editais das licitações 
e contratos ser previamente publicados no Diário Oficial da União, do 
Estado ou do Município e na internet, em portal específico mantido pela 
estatal (BALTAR NETO, 2020).
Entretanto, existem casos em que se terá caráter sigiloso, pois 
de acordo com a Lei nº 13.303/2016 o valor estimado do contrato a ser 
celebrado pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista 
será, em regra, sigiloso (ou fechado) para o público em geral, mas sendo 
disponibilizado permanentemente aos órgãos de controle externo e 
interno. De qualquer forma, é possível dar publicidade ao valor estimado, 
desde que com justificativa. Desse modo, embora preferencial, a adoção 
do orçamento sigiloso não é obrigatória, podendo ser, justificadamente, 
afastada complementa o autor.
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27
Importante também compreender que os crimes em licitações 
e contratos presentes no Código Penal abrangem aqueles praticados 
contra empresas públicas e sociedade de economia mista.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Neste capítulo você deve ter compreendido 
como funciona as licitações nas empresas públicas e 
sociedades de economia mista, seu objeto, as hipóteses de 
contratação direta por dispensa e por inexigibilidade. Que a 
Lei nº 13.303/2016 traz diretrizes a serem seguidas nessas 
licitações, sendo uma delas a preferência pela modalidade 
pregão. Conheceu os critérios de escolha do vencedor e as 
fases do procedimento licitatório, dentre eles a divulgação 
do instrumento convocatório e a forma de julgamento das 
propostas e como proceder em caso de empate. Por fim, 
você viu quais os procedimentos auxiliares que podem ser 
utilizados no procedimento licitatório e os casos de sigilo.
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28
Normas gerais aplicáveis às licitações e às 
contratações de serviços de publicidade
OBJETIVO:
Nesta unidade você irá identificar as normas gerais e os 
procedimentos que são aplicados nas contratações de 
serviços de publicidade de acordo com a Lei nº 14.133/2021 
e a Lei nº 12.232/2010. Vamos juntos?
A Lei nº 14.133/2021 estabelece normas gerais sobre licitações e 
contratos. Isso não é nenhuma novidade para nós nesse momento, não 
é mesmo? Mas o que quero mostrar é que essa lei determina que não se 
subordinam ao seu regime as contratações sujeitas a normas previstas 
em legislação própria. Entretanto, em seu art. 186, define que se aplicam 
as disposições dessa lei subsidiariamente à Lei nº 12.232, de 29 de abril de 
2010. Mas nem sempre foi assim. Antes as contratações de publicidade se 
sujeitavam a regras gerais dos procedimentos licitatórios. 
Conforme Alexandrino e Paulo (2012), foi demonstrada grande 
preocupação em mencionar a sujeição obrigatória dos contratos de 
publicidade e divulgação à exigência de licitação, segundo leis anteriores 
de licitações. Contudo, essas preocupações não foram impedimentos 
para que, em todas as esferas de governo, as contratações de agências 
de propaganda para prestação de serviços de publicidade aos órgãos 
e entidades da administração pública fossem frequentes focos de 
denúncias de favorecimentos a publicitários responsáveis pelas 
campanhas de políticos vencedores das eleições da vez, de escândalos 
de superfaturamento etc., fazendo com que a sociedade enxergasse com 
desconfiança esses tipos de contratações.
Dessa forma, foi instituída a Lei nº 12.232/2010 com o intuito de dispor 
sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração 
pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências 
de propaganda, trazendo normas e procedimentos específicos para esse 
tipo de contratação, sendo observadas apenas de forma complementar 
à Lei nº 14.133/2021.
Licitações Públicas
29
A Lei nº 12.232/2010 é de observância obrigatória por parte de 
todos os órgãos e entidades da administração direta e indireta de todos 
os entes federados, inclusive pelas entidades por eles controladas direta 
ou indiretamente, destaca Alexandrino e Paulo (2012). É sobre essa Lei 
que iremos abordar neste capítulo. Alexandrino e Paulo (2012) explicam 
que para os efeitos dessa lei, os serviços de publicidade (Figura 6) 
são a criação de publicidade (execução interna) e a intermediação 
e a supervisão da execução externa, assim como a distribuição de 
publicidade a quaisquer veículos de divulgação, com o objetivo de 
promover a venda de bens ou serviços de qualquer natureza, difundir 
ideias ou informar o público em geral. 
Figura 6 - Serviços de publicidade
Serviços de 
publicidade
Atividades 
complementares
Criação de 
publicidade
Intermediação 
e supervisão da 
execução externa
Criação de 
publicidade
Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Alexandrino e Paulo (2012).
A Lei nº 12.232/2010 ainda define algumas atividades 
complementares:
1o Nas contratações de serviços de publicidade, poderão 
ser incluídos como atividades complementares os serviços 
especializados pertinentes: 
I - ao planejamento e à execução de pesquisas e de outros 
instrumentos de avaliação e de geração de conhecimento 
sobre o mercado, o público-alvo, os meios de divulgação 
nos quais serão difundidas as peças e ações publicitárias ou 
sobre os resultados das campanhas realizadas, respeitado o 
disposto no art. 3o desta Lei; 
Licitações Públicas
30
II - à produção e à execução técnica das peças e projetos 
publicitários criados; 
III - à criação e ao desenvolvimento de formas inovadoras 
de comunicação publicitária, em consonância com novas 
tecnologias, visando à expansão dos efeitos das mensagens 
e das ações publicitárias. (BRASIL, 2010)
De acordo com Naspolini e Sena Junior (2019), conclui-se que os 
contratos de prestação de serviço de publicidade, nos termos da Lei 
nº 12.232/2010, necessariamente visarão a um objetivo específico de 
comunicação para o qual o certame foi realizado, acumulando desde 
o planejamento das ações que serão executadas até a veiculação da 
campanha atinente. Ainda, consoante preconizado pela lei, as atividades 
a serem desenvolvidas no conceito amplo de publicidade compreendem 
as seguintes etapas: 
 • Planejamento e execução de pesquisas e estudos sobre o 
mercado, público-alvo, ações publicitárias e resultados.
 • Produção e execução técnica. 
 • Criação e desenvolvimento de comunicação publicitária.
A Lei nº 12.232/2010 veda a inclusão de qualquer outra atividade 
que não esteja inserida nas citadas anteriormente para os contratos 
de serviços em especial as de assessoria de imprensa, comunicação e 
relações públicas ou as que tenham por finalidade a realização de eventos 
festivos de qualquer natureza, as quais serão contratadas por meio de 
procedimentos licitatórios próprios, respeitado o disposto na legislação 
em vigor.
SAIBA MAIS:
Aprofunde-se mais nesse tema lendo “Lei nº 12.232/10 
- Uma conquista da sociedade” da CENP em revista. 
Clique aqui.
Licitações Públicas
http://www.cenp.com.br/Site/cenp_revista/pdf.php?pdf=EDICAO_23.pdf
31
A Lei nº 12.232/2010, em seu art. 14, determina que apenas pessoas 
físicas ou jurídicas previamente cadastradas pelo contratante poderão 
fornecer ao contratado bens ou serviços especializados relacionadoscom as atividades complementares da execução do objeto do contrato.
Procedimento licitatório
Segundo a Lei nº 12.232/2010, serão utilizadas as modalidades 
constantes na Lei nº 14.133/2021 e serão obrigatórios o uso dos critérios 
de julgamento “melhor técnica” e/ou “técnica e preço”.
Você lembra quais são as modalidades da Lei nº 14.133/2021? Vamos 
relembrar: concurso, concorrência, pregão, leilão e diálogo competitivo. 
Independentemente do tipo de licitação, segundo Alexandrino e 
Paulo (2012) sempre deverá existir (Figura 7):
 • Uma proposta técnica, composta:
 Por um plano de comunicação publicitária.
 Por um conjunto de informações referentes ao proponente, 
padronizadas em quesitos destinados a avaliar a sua capacidade 
de execução do contrato e o nível dos trabalhos por ele realizados 
para seus clientes.
 • Uma proposta de preço, que conterá quesitos representativos das 
formas de remuneração vigentes no mercado publicitário.
Figura 7 - Deverá existir
Plano de comunicação 
plubicitária
Proposta técnica
Informações sobre o 
proponente
Quesitos 
representativos 
das formas de 
remuneração
Proposta de preço
Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Alexandrino e Paulo (2012).
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32
O plano de comunicação publicitária será apresentado em duas 
vias, uma sem identificação de sua autoria e outra com a identificação. As 
propostas serão apresentadas em um invólucro e as propostas técnicas 
em três invólucros distintos, destinados um para a via não identificada do 
plano de comunicação publicitária, um para a via identificada do mesmo 
plano e o terceiro para as demais informações integrantes da proposta 
técnica. Nas licitações do tipo “melhor técnica” devem ser fixados critérios 
objetivos e automáticos de identificação da proposta mais vantajosa para 
a administração, no caso de empate na soma de pontos das propostas 
técnicas, explica Alexandrino e Paulo (2012).
Naspolini e Sena Junior (2019) citam que a licitação que segue 
as diretrizes da Lei nº 12.232/2010 será processada e julgada por uma 
comissão permanente ou especial e por uma subcomissão técnica. 
Essa subcomissão, responsável pela avaliação do conteúdo técnico das 
propostas, será constituída por pelo menos três membros, necessariamente 
formados em comunicação, publicidade ou marketing ou que atuem em 
uma dessas áreas, sendo que pelo menos 1/3 deles não deve manter 
vínculo funcional ou contratual com o órgão promotor da licitação.
A formação da subcomissão deve ser feita por sorteio em sessão 
pública. A exceção é quanto à modalidade de convite empregada nas 
pequenas unidades administrativas, hipótese na qual a subcomissão 
técnica específica poderá ser substituída pela comissão de licitação. 
Nesse caso, a apreciação dos documentos técnicos competirá à própria 
comissão de licitação e, caso esta não exista, a análise técnica deverá 
ser realizada por servidor designado e que tenha conhecimentos na área 
de comunicação, publicidade ou marketing, mencionam Naspolini e Sena 
Junior (2019).
É facultada a adjudicação do objeto da licitação a mais de 
uma agência de propaganda, sem a segregação em itens ou contas 
publicitárias, mediante justificativa no processo de licitação. Quando 
isso ocorrer, a escolha da agência será feita através de procedimento 
de seleção interna entre elas, obrigatoriamente instituído pelo órgão ou 
entidade contratante, cuja metodologia será aprovada pela administração 
e publicada na imprensa oficial, explicitam Alexandrino e Paulo (2012).
Licitações Públicas
33
Alexandrino e Paulo (2012) resumem o procedimento obedecido 
no processo e julgamento da licitação das contratações dos serviços de 
publicidade da seguinte forma:
I. Abertura do invólucro com a via não identificada do plano de 
comunicação e do invólucro que contém as outras informações 
integrantes da proposta técnica, em sessão pública pela 
comissão permanente ou especial.
II. Encaminhamento das propostas técnicas à subcomissão técnica 
para análise e julgamento.
O julgamento das propostas técnicas e de preços e o julgamento 
final do certame serão realizados exclusivamente com base nos 
critérios especificados no instrumento convocatório, estabelece a Lei nº 
12.232/2010:
III. Análise e julgamento pela subcomissão técnica do plano 
de comunicação publicitária, desclassificando-se os que 
desatenderem as exigências legais ou estabelecidas no 
instrumento convocatório.
IV. Encaminhamento à comissão permanente ou especial da 
pontuação atribuída a cada plano de comunicação publicitária, 
fundamentada uma a uma.
V. Análise e julgamento pela subcomissão técnica dos quesitos 
referentes às outras informações integrantes da proposta 
técnica, desclassificando-se as que desatenderem quaisquer das 
exigências legais ou estabelecidas no instrumento convocatório.
VI. Encaminhamento à comissão permanente ou especial da 
pontuação atribuída aos quesitos referidos o item anterior, com a 
correspondente fundamentação.
VII. Realização de sessão pública para apuração, pela comissão 
permanente ou especial, do resultado geral das propostas na 
qual:
 • Serão identificadas as autorias dos planos de comunicação 
publicitária.
Licitações Públicas
34
 • Será elaborada uma planilha com as pontuações atribuídas a cada 
um dos quesitos de cada proposta técnica.
 • Será proclamado o resultado do julgamento geral das propostas 
técnicas, registrando-se em ata as propostas desclassificadas e a 
ordem de classificação.
VIII. Abertura dos invólucros com as propostas de preços em sessão 
pública, adotando-se, conforme o caso, os procedimentos 
previstos na Lei nº 14.133/2021 para os critérios de julgamento 
“melhor técnica” e “técnica e preço” de licitação.
Será aberto prazo de 5 dias úteis para interposição de recurso. 
IX. Publicação do resultado do julgamento final das propostas.
X. Convocação dos licitantes classificados no julgamento final das 
propostas para apresentação dos documentos de habilitação.
XI. Decisão quanto à habilitação ou inabilitação dos licitantes.
XII. Homologação do procedimento e adjudicação do objeto licitado, 
cabendo lembrar que, mediante justificativa no processo de 
licitação, é possível a adjudicação do seu objeto a mais de uma 
agência de propaganda, sem a segregação em itens ou contas 
publicitárias. 
A Lei nº 12.232/2010, em seu art. 12, estabelece que o 
descumprimento, por parte de agente do órgão ou entidade responsável 
pela licitação, dos dispositivos da lei destinados a garantir o julgamento 
do plano de comunicação publicitária sem o conhecimento de sua 
autoria, até a abertura dos invólucros, implicará a anulação do certame, 
sem prejuízo da apuração de eventual responsabilidade administrativa, 
civil ou criminal dos envolvidos na irregularidade.
As informações sobre a execução dos contratos de serviços de 
publicidade, com os nomes dos fornecedores de serviços especializados 
e veículos, serão divulgadas (Figura 8) em sítio próprio, aberto para aquele 
contrato, na rede mundial de computadores, garantido o livre acesso às 
informações por quaisquer interessados. As informações sobre valores 
Licitações Públicas
35
pagos serão divulgadas pelos totais de cada tipo de serviço de fornecedores 
e de cada meio de divulgação, afirmam Alexandrino e Paulo (2012).
Figura 8 – Divulgação
Fonte: Pixabay
A Lei nº 12.232/2010 ainda determina que as agências contratadas 
deverão, durante o período de no mínimo 5 anos após a extinção do 
contrato, manter acervo comprobatório da totalidade dos serviços 
prestados e das peças publicitárias produzidas. 
RESUMINDO:
Neste capítulo você deve ter identificado que existe uma 
lei específica que trata das normas gerais para licitação e 
contratação pela administração pública de serviços de 
publicidade através de agências de propaganda, que é a 
Lei nº 12.232/2010. Apesar de a Lei nº 14.133/2021 mencionar 
que as contratações deveriam serlicitadas, esta só deverá 
ser usada de forma subsidiária. A Lei nº 12.232/2010 explica 
quais são os tipos de serviços de publicidade abarcados 
por ela e veda a inclusão de outros que não estão inseridos 
nas situações descritas, além disso estabelece como deve 
ser todo o procedimento licitatório.
Licitações Públicas
36
Infrações e sanções administrativas
OBJETIVO:
Neste capítulo iremos assimilar as infrações e sanções 
administrativas constantes na Lei nº 14.133/2021, como 
elas são aplicadas no caso concreto e como os licitantes 
poderão se defender e reabilitar-se. Vamos nessa?
A Lei nº 14.133/2021 estabelece em seu artigo 156 as sanções 
administrativas (Figura 9) que podem ser impostas aos contratados. 
Vejamos quais são: 
 • Advertência.
 • Multa.
 • Impedimento de licitar e contratar.
 • Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar.
Figura 9 - Sanções administrativas
Advertência
Multa
Impedimento de licitar e contratar 
Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar
Sanções 
Administrativas 
Lei nº 14.133/2021
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei nº 14.133/2021.
De acordo com o Tribunal de Contas da União (2010), é dever da 
Administração prever no edital ou no contrato a aplicação de multa 
por atraso injustificado na execução do objeto contratado, contudo, a 
aplicação de multa não impede a Administração de extinguir o contrato e 
de impor ao mesmo tempo ao contratado outras sanções previstas na lei.
Licitações Públicas
37
Dessa forma, a Administração Pública poderá extinguir o contrato e 
aplicar mais de uma sanção além da multa na hipótese de o contratado 
atrasar de forma injustificada a realização do objeto licitado.
Importante também destacar que na lei de licitação anterior existia 
a possibilidade de rescindir o contrato, fato que foi modificado na Lei nº 
14.133/2021, passando a ser extinção do contrato. 
Segundo o Tribunal de Contas da União (2010), quanto à cobrança 
de multas, o contrato deve especificar, no mínimo, o seguinte: 
 • Condições e valores.
 • Percentuais e base de cálculo.
 • Prazo máximo para recolhimento, após ciência oficial.
A pena de multa é a única que pode ser aplicada cumulativamente 
com qualquer uma das outras sanções, menciona Scatolino e Trindade 
(2016). 
De acordo com a Lei nº 14.133/2021, a multa (Figura 10) será 
calculada na forma do edital ou contrato, mas não poderá ser inferior 
a 0,5% nem superior a 30% do valor do contrato licitado ou celebrado 
com contratação direta e será aplicada ao responsável por qualquer das 
infrações administrativas definidas na lei. Essas são conhecidas como 
multas por infrações administrativas ou multa compensatória e é esta que 
poderá ser aplicada em conjunto com outras sanções.
Figura 10 - Multa
Não inferior a 0,5% 
nem superior a 30% 
do contrato
Multa 
compensatória
Poderá ser aplicada 
em conjunto com 
outras sanções
Aplicada ao 
responsável pelas 
infrações
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei nº 14.133/2021.
Licitações Públicas
38
Contudo, também poderá ser cobrado outro tipo de multa que é a 
multa de mora, a qual será cobrada na hipótese de atraso injustificado na 
execução do contrato. Nesse caso, a Administração poderá converter a 
multa de mora em multa compensatória e promover a extinção unilateral 
do contrato com a aplicação cumulada de outras sanções (BRASIL, 2021). 
Portanto, a multa compensatória poderá ser cobrada como forma 
de sanção junto com qualquer outro tipo de sanção administrativa, mas 
na hipótese de atraso injustificado poderá também ser cobrada a multa 
de mora.
Você lembra da garantia que poderá ser solicitada dos licitantes 
como condição de habilitação? Elas estão presentes no art. 58 da Lei nº 
14.133/2021. O Tribunal de Contas da União (2010) explica que se a garantia 
prestada for inferior ao valor da multa, o contratado, além de perder o 
valor da garantia, responderá pela diferença, que será descontada dos 
pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou, quando for o 
caso, poderá ser cobrada judicialmente.
Podemos verificar na prática, por exemplo, em uma licitação em 
que a empresa Constrói & Constrói atrasa a obra de construção do 
hospital municipal da cidade de Vida Feliz. Como forma de penalidade, 
a prefeitura poderá reter o valor da garantia do contrato. Contudo, essa 
garantia gira em torno de apenas R$ 100.000,00 e a multa aplicada foi no 
valor de R$ 150.000,00. 
IMPORTANTE:
Além das penalidades citadas, o contratado fica sujeito às 
demais sanções civis e penais previstas em lei, destaca o 
Tribunal de Contas da União (2010).
Essas sanções serão aplicadas às infrações provocadas nas 
licitações. Essas infrações estão elencadas no art. 155 da Lei nº 14.133/2021. 
Para uma melhor compreensão, iremos correlacioná-las com as devidas 
sanções dispostas no art. 156, e poderão ser: 
 • Advertência, exceto se não justificar pena mais grave: Dar causa à 
inexecução parcial do contrato. 
Licitações Públicas
39
 • Multa compensatória: Qualquer das infrações administrativas.
 • Impedimento de licitar e contratar, exceto se não justificar pena 
mais grave: 
- Dar causa à inexecução parcial do contrato que cause grave dano 
à Administração, ao funcionamento dos serviços públicos ou ao 
interesse coletivo.
- Dar causa à inexecução total do contrato.
- Deixar de entregar a documentação exigida para o certame 
(BRASIL, 2021). 
Exemplo: Você lembra da fase de habilitação? Nela são exigidos 
vários documentos necessários para o certame. Desse modo, caso a 
empresa Constrói & Constrói não entregue algum desses documentos 
indispensáveis, ela poderá ficar impedida de licitar, ou até mesmo ter a 
declaração de inidoneidade para licitar e contratar, dependendo do caso, 
assim como aplicação de multa.
 • Não manter a proposta, salvo em decorrência de fato superveniente 
devidamente justificado.
 • Não celebrar contrato ou não entregar a documentação exigida 
para a contratação, quando convocado dentro do prazo de 
validade de sua proposta (BRASIL, 2021). 
Exemplo: Caso a empresa Constrói & Constrói participe de todo 
o procedimento licitatório e quando convocada para assinar o contrato 
dentro do prazo não o faça, estará sujeita à sanção de impedimento 
de licitar, ou até mesmo ter a declaração de inidoneidade para licitar e 
contratar, a depender da situação, e ainda multa correspondente.
 • Ensejar o retardamento da execução ou entrega do objeto da 
licitação sem motivo justificado.
Quando aplicada a sanção nesses casos, o participante ficará 
impedido de licitar e contratar no âmbito da Administração Pública direta 
e indireta do ente federativo que tiver aplicado a sanção no prazo máximo 
de três anos (BRASIL, 2021).
Licitações Públicas
40
 • Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar:
- Apresentar declaração ou documentação falsa exigida para o 
certame ou prestar declaração falsa durante a licitação ou a 
execução do contrato.
- Fraudar a licitação ou praticar ato fraudulento na execução do 
contrato.
- Comportar-se de modo inidôneo ou cometer fraude de qualquer 
natureza.
- Praticar atos ilícitos com vistas a frustrar os objetivos da licitação 
(BRASIL, 2021). 
Exemplo: A empresa Constrói & Constrói foi a vencedora do 
procedimento licitatório, entretanto, depois foi descoberto que na 
execução do objeto houve uma redução da qualidade da obra fazendo 
com que ela se tornasse insegura. Por esse motivo, a Administração 
Pública deverá aplicar a sanção de declaração de inidoneidade para licitar 
ou contratar e ainda aplicar a multa correspondente. 
 • Praticar ato lesivo previsto no art. 5º da Lei nº 12.846/2013.
Art. 5º Constituem atos lesivos à administração pública, 
nacional ou estrangeira, para os fins desta Lei, todos aqueles 
praticados pelas pessoas jurídicas mencionadas no parágrafo 
único do art. 1º, que atentem contra o patrimônio público 
nacional ou estrangeiro,contra princípios da administração 
pública ou contra os compromissos internacionais assumidos 
pelo Brasil. (BRASIL, 2013)
Nas infrações citadas como impedimento de licitar e contratar, 
caso seja justificada pena mais gravosa, esta será a de declaração de 
inidoneidade de licitar e contratar. Para essa sanção, o participante 
também ficará impedido de licitar e contratar no âmbito da Administração 
Pública direta e indireta do ente federativo que tiver aplicado a sanção, só 
que o prazo passa a ser de no mínimo três anos e no máximo de seis anos 
(BRASIL, 2021).
Licitações Públicas
41
O Tribunal de Contas da União poderá declarar a inidoneidade do 
licitante fraudador para participar de licitação na Administração Pública 
Federal quando verificada a ocorrência de fraude comprovada à licitação, 
por até cinco anos, em obediência ao disposto no art. 46 da Lei nº 
8.443/1992 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União). Essa sanção não 
se confunde com a pena de inidoneidade prevista na Lei nº 14.133/2021, 
que pode ser aplicada pela própria Administração contratante, assim 
como não interfere na competência da Administração para aplicar demais 
sanções decorrentes de inexecução total ou parcial de contrato, explana 
o Tribunal de Contas da União (2010).
Pela Lei de Licitações, o licitante declarado inidôneo poderá 
buscar reabilitar-se por meio de ressarcimento dos prejuízos 
resultantes e após transcurso do prazo de dois anos. Por sua 
vez, a declaração de inidoneidade imposta pelo TCU só pode 
ser revista mediante utilização, pelo interessado, dos meios 
recursais disponíveis nas normas regedoras de processos 
do Tribunal de Contas. Além disso, conforme visto, o prazo 
de suspensão que o TCU pode impor é de até cinco anos e 
não de dois anos, conforme estabelecido na Lei de licitações. 
(TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, 2010, on-line)
Na sanção de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar 
será precedida de análise jurídica, e conforme a Lei nº 14.133/2021, terá 
como competência exclusiva:
 • No Poder Executivo – pelo ministro de estado, secretário estadual 
ou municipal e nas autarquias ou fundações será a autoridade 
máxima da entidade.
 • Poder Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria 
Pública (na função administrativa) – nível hierárquico equivalente à 
autoridade máxima da entidade.
E como serão aplicadas essas sanções (Figura 11)? A Lei 14.133/2021 
determina que na aplicação deverão ser considerados:
 • A natureza e a gravidade da infração cometida.
 • As peculiaridades do caso concreto.
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 • As circunstâncias agravantes ou atenuantes.
 • Os danos que afetaram a Administração Pública.
 • A implantação ou o aperfeiçoamento do programa de integridade.
Art. 41. [...] Programa de integridade consiste, no âmbito de uma 
pessoa jurídica, no conjunto de mecanismos e procedimentos 
internos de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de 
irregularidades e na aplicação efetiva de códigos de ética e de 
conduta, políticas e diretrizes com objetivo de detectar e sanar 
desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos praticados contra 
a administração pública, nacional ou estrangeira. (BRASIL, 2015) 
Para a sanção de multa, o interessado poderá apresentar defesa no 
prazo de 15 dias úteis após a intimação. Já para o impedimento de licitar e 
contratar ou para a declaração de inidoneidade de licitar ou contratar será 
mediante a instauração de processo de responsabilização formada por 
uma comissão com dois ou mais servidores estáveis, no qual os fatos e 
as circunstâncias serão avaliados e intimará o licitante ou contratado para 
apresentar defesa escrita no prazo de quinze dias úteis e apresentar suas 
provas (BRASIL, 2021). 
Figura 11 - Aplicação das sanções
Considerar
Multa 
compensatória
Multa
Impedimento ou 
declaração de 
inidoneidade
Natureza e 
gravidade, 
peculiaridades, 
agravantes ou 
atenunates, danos, 
programa de 
integridade
Defesa - 15 dias úteis
Processo de 
responsabilização
Defesa no prazo 
de 15 dias úteis
Fonte: Elaborado pelas autoras com base na Lei nº 14.133/2021.
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No caso de o órgão ou entidade não possuir servidores estatutários, 
este deverá ser formado por dois empregados públicos que façam parte 
do quadro permanente e que de preferência possuam no mínimo três 
anos de tempo de serviço no lugar. 
Prescreverá em cinco anos a partir da ciência da infração pela 
Administração, e de acordo com a Lei nº 14.133/2021, será:
 • Interrompida quando iniciar a instauração do processo de 
responsabilização.
 • Suspensa quando for celebrado acordo de leniência.
 • Suspensa por decisão judicial no qual ficará inviabilizada a 
conclusão da apuração administrativa.
Importante compreender que na interrupção o prazo se inicia 
novamente, passando a correr novamente desde o princípio, já na 
suspensão acontece um tipo de congelamento, assim, quando for sanado 
o que deu a causa da suspensão, o prazo volta a correr do momento em 
que parou. 
SAIBA MAIS:
Para compreender mais sobre o que é o acordo de 
leniência, leia o que diz a Lei nº 12.846/2013 em seu 
capítulo V. Clique aqui.
Poderá ainda haver a desconsideração da personalidade jurídica, 
caso esta seja empegada com abuso de direito para facilitar, encobrir ou 
dissimular a prática dos atos ilícitos previstas na Lei nº 14.133/2021 ou para 
gerar confusão patrimonial. Desse modo, as sanções aplicadas às pessoas 
jurídicas passarão a alcançar também os administradores e sócios que 
possuam os poderes de administração, pessoa jurídica sucessora ou a 
empresa do mesmo ramo com relação de coligação ou controle, de fato 
ou de direito com o sancionado, desde que observados o contraditório e 
a ampla defesa e obrigatoriedade de análise jurídica prévia (BRASIL, 2021).
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12846.htm
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Os órgãos e as entidades de todos os poderes de todos os 
entes federativos deverão ainda no prazo máximo de 15 dias úteis, a 
partir da aplicação da sanção, atualizar os dados no Cadastro Nacional 
de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) e no Cadastro Nacional de 
Empresas Punidas (CNEP) estabelecidos no domínio do Poder Executivo 
Federal.
A Lei nº 14.133/2021, em seu art. 163, traz também a possibilidade 
de o licitante ou contratado poder ser reabilitado perante a própria 
autoridade que aplicou a penalidade, devendo para isso ser exigido de 
forma cumulativa:
 • Reparação integral do dano gerado à Administração Pública.
 • Pagamento de multa.
 • Transcurso do prazo mínimo de um ano para a sanção de 
impedimento de licitar e contratar, e de três anos na hipótese de 
declaração de inidoneidade de licitar ou contratar.
 • Cumprimento das condições de reabilitação estabelecidas no ato 
punitivo.
 • Análise jurídica prévia, com posicionamento conclusivo quanto ao 
cumprimento de todos os requisitos.
Para as infrações de apresentação de declaração ou documentação 
falsa exigida para o certame ou prestar declaração falsa durante a licitação 
ou a execução do contrato e praticar ato lesivo à Administração Pública, 
o licitante ou contratado para reabilitar-se deverá ainda implantar ou 
aperfeiçoar o programa de integridade (BRASIL, 2021).
Para finalizar, é importante também compreender que os crimes 
em licitações e contratos estão dispostos no Código Penal, no capítulo 
II – B, e foram incluídos pela Lei nº 14.133/2021.
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RESUMINDO:
Neste capítulo você deve ter entendido que as sanções 
administrativas cabíveis para os contratados podem ser 
advertência, multa, impedimento de licitar e contratar 
ou a declaração de inidoneidade para licitar ou contratar. 
Que apenas a multa pode ser cumulada com outro tipo 
de sanção, assim como o contratado fica sujeito ainda às 
sanções civis e penais previstas em lei. Que várias infrações 
podem ensejar a aplicaçãodessas sanções, como dar 
causa à inexecução parcial do contrato e que o contratado 
ou licitante terá o prazo para se defender e poderá ainda 
reabilitar-se caso cumpra com as exigências determinadas. 
Além disso, ainda poderá haver a desconsideração da 
personalidade jurídica e a obrigatoriedade de os poderes 
de todos os entes federativos atualizar os dados no CEIS e 
no CNEP.
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REFERÊNCIAS
ALEXANDRINO, M.; PAULO, V. Direito Administrativo 
Descomplicado. 20. ed. São Paulo: Método, 2012.
BALTAR NETO, F. F.; TORRES, R. C. L. Direito Administrativo. 10. ed. 
Salvador: Juspodivm, 2020.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: texto 
constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, compilado 
até a Emenda Constitucional nº 105/2019. Brasília: Senado Federal, 
Coordenação de Edições Técnicas, 2020. 
BRASIL. Decreto nº 8.420, de 18 de março de 2015. Regulamenta a 
Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, que dispõe sobre a responsabilização 
administrativa de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a 
administração pública, nacional ou estrangeira e dá outras providências. 
Disponível em: https://bit.ly/3cCvXdM. Acesso em: 28 abr. 2021.
BRASIL. Tribunal de Contas da União. Licitações e Contratos. 
Orientações e Jurisprudência do TCU. 4. Ed. Brasília: TCU, Secretaria-
Geral da Presidência: Senado Federal, Secretaria Especial de Editoração 
e Publicações, 2010. Disponível em: https://bit.ly/3pAQ8y6. Acesso em: 5 
maio 2020.
BRASIL. Lei nº 14.133 de 01 de abr. de 2021. Lei de Licitações e 
Contratos Administrativos. Disponível em: https://bit.ly/32tgV4G. Acesso 
em: 13 abr. 2021.
BRASIL. Lei nº 12.232 de 29 de abr. de 2010. Dispõe sobre as normas 
gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços 
de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e 
dá outras providências. Disponível em: https://bit.ly/3xegush. Acesso em: 
28 abr. 2021.
Licitações Públicas
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BRASIL. Lei nº 12.846 de 1º de agosto de 2013. Dispõe sobre a 
responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática 
de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, e dá 
outras providências. Disponível em: https://bit.ly/3zlVqlG. Acesso em: 28 
abr. 2021.
BRASIL. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. 
Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno 
Porte; altera dispositivos das Leis no 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 
1991, da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-
Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, da Lei no 10.189, de 14 de fevereiro de 
2001, da Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga as 
Leis no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro de 1999. 
Disponível em: https://bit.ly/3guDwnU. Acesso em: 04 abr. 2021.
CARVALHO FILHO, J. S. Manual de Direito Administrativo. 33. ed. 
São Paulo: Atlas, 2019.
CARVALHO, M. Manual de direito administrativo. 7. ed. Salvador: 
Juspodivm, 2020.
NASPOLINI, S. D. F.; SENA JUNIOR, R. Di. A publicidade e propaganda 
na Administração Pública. Revista Jurídica ESMP-SP, v. 16. 2019. Disponível 
em: https://bit.ly/3gm823s. Acesso em: 28 abr. 2021.
PEREIRA JUNIOR, J. T. As licitações exclusivas para microempresas 
e empresas de pequeno porte: regra e exceções. Revista do TCU. 2012. 
Disponível em: https://bit.ly/3vghUBl. Acesso em: 28 abr. 2021.
SCATOLINO, G.; TRINDADE, J. Manual de Direito Administrativo. 
4. ed. Salvador: Juspodivm, 2016.
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