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Sumário 
 
Introdução 2 
1. Erro! Indicador não definido. 
Mapa Mental sobre Socialização: 5 
2. Erro! Indicador não definido. 
Mapa mental sobre Direitos e Cidadania 15 
3. Erro! Indicador não definido. 
Mapa Mental sobre Meio Ambiente 21 
4. 38 
Mapa Mental sobre Mundo do Trabalho 34 
5. 59 
Mapa Mental sobre Mobilidade urbana 47 
 
 
 
 
 
 
 
 2 
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INTRODUÇÃO 
 
Aqui está um dos diferenciais do nosso curso: conteúdo de excelência focado em temas 
quentes. Com as rodadas temáticas, vamos aprofundar assuntos de forma que você amplie o seu 
repertório sociocultural e consiga desenvolver boas reflexões e argumentos consistentes. 
A melhor forma de você usufruir das rodadas temáticas é fazer os seus próprios resumos 
e mapas mentais, de forma que eles sirvam para consultas quando você for treinar as 
suas redações. 
Todos os conteúdos são apresentados de forma didática, objetiva e alinhada com produções 
acadêmicas da área de ciências humanas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 
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1. SOCIEDADE DOS INDIVÍDUOS 
 
Se analisarmos as sociedades tribais (indígenas), as sociedades da Antiguidade (grega e 
romana) e a sociedade medieval, vamos perceber que a concepção de indivíduo era associada ao 
grupo ao qual cada um pertencia (família, Estado, clã, estamento). 
A ideia de indivíduo como nós a conhecemos, como um ser “livre” e “autônomo”, que busca 
a sua liberdade, começou a ser desenvolvida no século XVI a partir do Renascimento e da Reforma 
Protestante. No século XVIII, com as ideias iluministas e o desenvolvimento do capitalismo, a 
concepção de indivíduo e individualismo se consolidou por meio do pensamento liberal 
(liberalismo), pois coloca a felicidade humana no centro. Essa felicidade é entendida como 
expressão material, isto é, a pessoa é proprietária de sua própria força de trabalho, de 
propriedades e de bens. 
Identidade do sujeito conforme Stuart Hall, em “Identidade cultural na pós-
modernidade”: 
 
O livro "A identidade cultural na pós-modernidade" de Stuart Hall aborda questões 
relacionadas à identidade cultural em um contexto de pós-modernidade. Hall argumenta 
que a noção de identidade não é fixa ou essencial, mas sim fluida e construída 
socialmente. Ele explora como a ideia de indivíduo e identidade se transformou em 
resposta às mudanças culturais, sociais e políticas da era pós-moderna. 
Hall começa discutindo a visão tradicional de identidade, que era baseada em 
características fixas, como raça, gênero e nacionalidade. Essa perspectiva considerava a 
identidade como algo inato e estável. Para o autor, a pós-modernidade trouxe consigo a 
desconstrução da identidade essencialista. A identidade tornou-se mais fluida e sujeita a 
 
 
 
 
 
 4 
76 
transformações. Ele enfatiza que as identidades são construídas por meio de processos 
sociais e culturais, sendo fortemente influenciadas pela Globalização nesse processo. 
Além disso, ele introduz o conceito de hibridismo, sugerindo que as identidades 
contemporâneas são frequentemente híbridas, resultantes da mistura de influências 
culturais e da interseção de diferentes elementos identitários. Isso desafia noções rígidas 
de identidade. Nesse sentido, a identidade não é um estado fixo, mas um processo em 
constante evolução. As pessoas constroem e reconstruem suas identidades ao longo da 
vida, em resposta a experiências e contextos variados. Por fim, o autor destaca a 
importância da política como meio de afirmação da identidade e de luta para a validação 
de identidade diversas (relativas à religião, orientação sexual, etnia, etc). 
 
A partir das considerações realizadas, há uma separação entre indivíduo e sociedade, no 
entanto ambos fazem parte de uma mesma “’engrenagem”, já que um influencia o outro por meio 
das relações sociais: os indivíduos formam a sociedade e são formados por ela. O nome sociológico 
para esse processo é conhecido como “socialização”. 
Quando nascemos, já encontramos valores, normas, costumes e práticas sociais que 
independem de nossa vontade, como a língua utilizada para se expressar, as leis, a moeda e os 
hábitos de determinado grupo social em que estamos inseridos. Portanto, aquilo que achamos que 
é individual está relacionado com o social. 
Veja um exemplo prático: 
Vamos imaginar uma cidade com 500 mil trabalhadores. Se 5 mil estiverem 
desempregados, é um problema pessoal, que pode ser resolvido com a qualificação 
individual de cada um desses trabalhadores. Contudo, se tivermos 50 mil desempregados, 
passa a ser uma questão social, porque nesse caso não depende de uma ação individual, 
mas sim ação política e econômica. 
 
 
 
 
 
 5 
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A História nos mostra vários outros exemplos. A crise econômica de especulação 
financeira nos EUA de 2008, além de influenciar sua própria sociedade, causou 
consequências em outros países. Isso foi resultado de uma configuração econômica e 
social criada por decisão de algumas pessoas e instituições, as quais provocaram 
consequências coletivas. 
Cada indivíduo em seu processo de socialização insere-se e se desenvolve por meio do 
contato com diversos grupos sociais e instituições. Ao conviver com a família, ao ter 
contato com as pessoas do bairro, ao assistir à TV, ao acessar à internet, ao ir à escola e 
à Igreja, o indivíduo vai se socializando e, com isso, interioriza e exterioriza palavras, 
significados, estilos de vida do grupo social ao qual pertence. 
 
O que isso tudo quer dizer? 
Duas coisas básicas: 1) o indivíduo molda a sociedade e é moldado por ela e 2) há formas 
diferentes de socialização, as quais geram oportunidades sociais distintas: nascer em uma família 
pobre que mora em uma favela é bem diferente de nascer em uma família rica que mora em um 
condomínio fechado, da mesma maneira que se desenvolver em um país com controle da 
sexualidade e da liberdade dos sujeitos conduz a uma formação identitária diferente daquela que 
seria desenvolvida ao se morar em um país em que se é livre para se expressar. 
Essa tensão entre identidade pessoal do sujeito e influência do meio é muito relevante para 
enfrentar os temas da FGV. Como exemplo recente, os dois temas cobrados no concurso do MP-
RJ (2025) permitiam a abordagem temática por meio dessa discussão. No cargo de técnico, a 
pergunta formulada foi: “Quais são os limites da interferência dos pais na vida dos filhos?”, recorte 
que contou com um texto motivador direcionado à discussão sobre o preparo dos infantes para a 
sociedade. No cargo de analista, a correlação é ainda mais clara: “Como equilibrar os benefícios e 
malefícios da solidão?” foi a pergunta formulada pela banca. 
 
 
 
 
 
 
 6 
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Da teoria à prática: 
O aluno Gustavo Veiga aplicou o conceito de socialização da seguinte forma: 
 
 
Veja um exemplo prático de tema e de redação sobre a tensão entre indivíduo e sociedade 
(tema da apostila de temas inéditos): 
 
“O que aqui se julga saber, o que aqui se glorifica com seu louvor e seu reproche, e se 
qualifica de bom, é o instinto do animal de rebanho homem: o qual irrompeu e adquiriu prevalência 
e predominância sobre os demais instintos, fazendo-o cada vez mais, conforme a crescente 
aproximação e assimilação fisiológica de que é sintoma. Moral é hoje (...) moral de animal de 
rebanho”. 
O trecho acima pertence à obra Além do Bem e do Mal, do filósofo alemão Friedrich 
Nietzsche. Como se vê, Nietzsche considerava o ser humano como alguém propenso a seguir as 
decisões e a moralidade das pessoas à sua volta, simplesmente obedecendo ao que lhe é imposto 
e sem se questionar sobre o valor das normas cumpridas. 
Qual é a sua opinião sobre isso? Você acha que o ser humano é um animal de rebanho, 
como pensava o filósofo, ou que é, por essência, um sujeito livre para decidir e construir sua própria 
moralidade? Redija um texto de 20 a 30 linhas no qual você deverá expor sua opinião sobre essano país. Outro dado do IBGE importante para entendermos a dinâmica 
do mundo do trabalho é a taxa de informalidade, a qual alcançou, em outubro de 2024, a marca de 
38,9%. Em termos absolutos, são 40,281 milhões de pessoas. 
 
Índice de economia subterrânea: os prejuízos da informalidade 
A economia subterrânea compreende todos os serviços prestados e bens vendidos sem 
nota fiscal e, consequentemente, sem arrecadação de impostos. Quanto maior o índice de 
economia subterrânea, medido em proporção ao PIB, maior o papel da informalidade no 
trabalho do país, incluindo desde vendedores ambulantes até profissionais da saúde que 
atendem sem fornecer recibo. 
Essa taxa vinha decaindo desde o início dos anos 2000. Porém, a partir de 2014, com a crise 
econômica, o montante movimentado pela informalidade voltou a crescer, alcançando 
patamares elevados durante a pandemia de covid-19. Em 2022, a economia subterrânea 
representava 17,8% do PIB, segundo os institutos FGV, Ibre e Etco. O valor chega a 1,7 
trilhão, valor próximo ao PIB da Suécia. 
Ou seja: a informalidade não é ruim apenas para os trabalhadores, que ficam desprovidos 
dos direitos previstos em lei (seguro-desemprego, férias e descanso remunerado, décimo 
terceiro, afastamento remunerado em caso de doenças etc.), mas também para o país, já 
que a arrecadação é menor, e, por isso, há menos recursos a serem empregados nas 
prioridades do país. 
 
 
 
 
 
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Evolução do índice, segundo o ETCO (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial): 
 
 
Outro fenômeno importante é a "uberização do trabalho". Esse termo foi criado com o escopo 
de indicar a transição para o modelo de negócio sob demanda caracterizado pela relação informal 
de trabalho. Tal modelo opera por meio de um aplicativo criado e gerenciado por uma empresa de 
tecnologia, a qual conecta os fornecedores de serviços diretamente aos clientes. 
No Brasil, o Poder Judiciário não reconhece o vínculo empregatício entre os motoristas e as 
empresas de aplicativo, contudo, no Reino Unido, em março de 2021, a justiça britânica reconheceu 
que há ligação trabalhista entre os motoristas e o app Uber - isso pode influenciar a legislação 
brasileira em breve. 
No caso da corte inglesa, houve reconhecimento de que há a relação de subordinação e 
dependência, ou seja, o app exerce controle dominante sobre as horas de trabalho, alocação das 
viagens, penalidades e tarifas. Assim, ficou decidido que esses motoristas terão direito a férias, 
aposentadoria e não poderão receber menos que um salário mínimo. 
Em novembro de 2021, o MPT ajuizou ações contra as empresas 99, Rappi, Uber e 
Lalamove requerendo à Justiça o reconhecimento do vínculo empregatício de motoristas, ciclistas 
e entregadores. Na ação, há o pedido de garantias trabalhistas, securitárias e previdenciárias 
mesmo àqueles que possuem CNPJ como microempreendedor individual. Além disso, existe a 
requisição de melhores condições de saúde e de proteção das atividades exercidas. 
Os responsáveis pelos aplicativos afirmam que essa questão está pacificada, já que o STJ 
não reconhece o vínculo empregatício. Todavia, o MPT reforça que as atividades são frequentes; 
 
 
 
 
 
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a definição do preço e das entregas, as punições e as regras são estabelecidas e controladas pelas 
empresas, o que reforça ainda mais o vínculo. No momento da redação deste texto, há mais de 600 
inquéritos civis em tramitação e 8 ações civis públicas exigindo a regulamentação desse tipo de 
trabalho. 
Outra reforma importante foi a da previdência (parte dela) em 2019. Mais uma reforma que 
o mercado apontou como necessidade absoluta para conter os gastos públicos e assim reduzir a 
inflação e gerar crescimento econômico. 
Uma das principais críticas às mudanças implementadas se dirige às alterações na idade 
mínima, uma vez que não houve o cuidado de perceber que a expectativa de vida é distinta nas 
regiões brasileiras. Além disso, a proposta aprovada não atendeu especificidades laborais: o 
sistema de aposentadoria não pode ser o mesmo para todas as categorias profissionais, por 
exemplo, um pedreiro e um trabalhador de escritório. O trabalho manual pesado e as condições 
mais insalubres afetam substancialmente a primeira categoria profissional. Outra crítica foi que 
diversos grupos permaneceram com os seus privilégios, a exemplo das Forças Armadas e de altos 
funcionários dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, caindo a conta mais uma vez no lombo 
dos trabalhadores mais pobres. 
 
 
 
 
 
 
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Fonte: https://pp.nexojornal.com.br/dados/2024/10/01/expectativa-de-vida-brasil-2024-grafico 
 
Fonte: https://pp.nexojornal.com.br/dados/2024/10/01/expectativa-de-vida-brasil-2024-grafico 
 
https://pp.nexojornal.com.br/dados/2024/10/01/expectativa-de-vida-brasil-2024-grafico
https://pp.nexojornal.com.br/dados/2024/10/01/expectativa-de-vida-brasil-2024-grafico
 
 
 
 
 
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Relembre as principais mudanças da reforma previdenciária de 2019: 
- fixação de idade mínima para se aposentar (65 anos para homens e 62 anos para 
mulheres); 
- tempo mínimo de contribuição (15 anos para mulheres e 20 para homens no setor 
privado; e 20 para homens e mulheres no caso de servidores públicos); 
- regras de transição para o trabalhador ativo tanto do setor privado quanto do setor 
público; 
- o valor da aposentadoria do setor privado e de servidores públicos será calculado com 
base na média de todo o histórico de contribuições do trabalhador (e não descartando os 
20% de contribuições mais baixas, como era feito); 
- para servidores públicos, a regra é semelhante à regra do INSS, mas valerá apenas para 
quem ingressou após 2003; para aqueles que ingressaram até 31 de dezembro de 2003, a 
integralidade da aposentadoria (valor do último salário) será mantida para quem se 
aposentar aos 65 anos (homens) ou 62 (mulheres); 
- o valor descontado do salário de cada trabalhador (quem ganha menos vai contribuir 
menos para o INSS; quem ganha mais vai contribuir mais). 
 
O sociólogo Robert Castel mostra que o trabalho e a previdência social já não significam 
segurança, o que tem causado transtornos sociais e individuais. Ele destaca quatro aspectos de 
nossa atualidade que estão se generalizando mundo afora: 
 
A desestabilização dos estáveis: antes uma pessoa entrava numa empresa, “crescia” nela, 
passava por várias áreas e se aposentava na mesma empresa (modelo fordista). Hoje, isso é 
 
 
 
 
 
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praticamente inexistente. As pessoas passam por várias empresas e, devido a reformas 
previdenciárias e no processo produtivo, correm o risco de nem aposentarem ou de terem seus 
direitos precarizados (modelo toyotista). 
 
A precariedade do trabalho: o mercado de reserva de mão de obra tem aumentado, gerando 
desemprego constante. A maioria dos que conseguem emprego encontram-se em situações 
instáveis, informais, de baixa remuneração, ocupando postos de trabalho que não têm nada a 
ver com sua formação. 
 
Déficit de Lugares: as pessoas consideradas mais “velhas” (com mais de 50 anos) são 
consideradas inúteis para a maioria das funções, o que gera também o reforço do etarismo 
(aversão aos mais velhos). Jovens encontram dificuldades para entrar no mercado de trabalho 
devido à inexperiência. É incentivado aos desempregados que se qualifiquem, imputando-lhes 
uma responsabilidade individual quando ela é, sobretudo, coletiva: a sua requalificação 
permanente e adaptação às novas exigências do mercado. 
 
Qualificação do emprego: o mercado de trabalho é cada vez mais exigente com a qualificação 
do profissional, inclusive para atividades que nem necessitam de conhecimento formal, para as 
quais bastaria simplesmente a experiência. 
 
Outro teórico importante nessa discussão é o sociólogo italiano Domenico De Masi. Ele 
reflete sobre a necessidade do “ócio criativo”, cada vez mais raro em uma sociedade queidolatra a 
produtividade como valor econômico e moral. 
 
 
 
 
 
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O sistema capitalista incentiva que as pessoas produzam sempre, mesmo não estando em 
seu ambiente de trabalho, o que gera uma centralização do tempo laboral, reduzindo as atividades 
de repouso e lazer. Para De Masi, é essencial que os indivíduos tenham tempo para o repouso, 
para passear com a família, assistir a um filme ou ler um livro. Ele chama esse descanso de 
ócio criativo, tão necessário para o alcance da felicidade individual e da saúde mental. Além 
disso, o sociólogo italiano defende a redução da jornada de trabalho para seis horas, pois, em seus 
estudos, demonstra-se que isso permitiria o ócio criativo aos trabalhadores ao mesmo tempo que 
o resultado voltaria em produtividade para as empresas, uma vez que pessoas mais felizes e 
qualificadas tendem a produzir mais. De Masi ainda propõe que as empresas adotem o teletrabalho 
para viabilizar a redução da jornada laboral e permitir que o trabalhador passe mais tempo perto da 
família. 
 
A filosofia de Byung-Chul Han 
Byung-Chul Han é um dos pensadores mais populares da atualidade, sendo reconhecido 
em todo o mundo por suas obras e entrevistas. Para as nossas discussões atuais, destaca-
se o livro “Sociedade do Cansaço”, no qual o pensador faz uma crítica à sociedade 
contemporânea, presa às promessas de felicidade relacionadas ao esforço incessante pela 
produtividade. 
Para Han, vive-se hoje sob uma Ética do Desempenho, ou seja, as pessoas são estimuladas 
a demonstrarem o melhor desempenho em tudo, especialmente no que se refere ao 
trabalho. Desse modo, as pessoas mais valorizadas são aquelas que colocam as funções 
laborais em primeiro lugar, dedicando-se por diversas horas semanais a suas tarefas 
laborais, renunciando ao repouso e ao lazer em favor de maior produtividade – a típica 
imagem do empreendedor contemporâneo que se dedica integralmente ao seu negócio. 
Tal cenário é tão entranhado na sociedade que assumimos essa perspectiva sem nem 
perceber: consideramos alguém que passa os finais de semana produzindo como uma 
pessoa digna de respeito e admiração, validando quem cumpre tarefas até tarde da noite 
e quem tem a agenda cheia de compromissos. 
 
 
 
 
 
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Ocorre, no entanto, que essa ética do desempenho resulta em uma sociedade 
cronicamente exausta, que se sente cansada para fazer qualquer outra coisa que não seja 
parte de suas obrigações. Além disso, não sobra tempo para outras atividades, como cuidar 
da saúde, cozinhar a própria comida ou sair para dar um passeio em um lugar verde: o 
tempo é destinado ao trabalho sempre, seja no cumprimento de deveres, seja na produção 
de conteúdos para redes, seja em cursos de especialização. Como consequência, surgem 
diversas patologias, principalmente as doenças neurais, entre as quais Han destaca a 
ansiedade, a depressão e a síndrome de burnout – esgotamento resultante do trabalho 
excessivo. 
Se liga na dica marota sobre Sociedade do Cansaço: 
 
 
Para encerrarmos esta seção, não poderiam faltar as discussões sobre o trabalho análogo 
à escravidão. Esse tema ainda está presente em pleno o século XXI. Mesmo após 131 anos da Lei 
Áurea, que colocou fim à escravidão, ainda há condições de trabalho análogas ao passado 
escravocrata. 
No Código Penal brasileiro, artigo 149, o Estado reconhece que reduzir alguém à condição 
análoga à de escravo, por meio de trabalhos compulsórios ou de jornadas exaustivas, sujeitando a 
pessoa a condições degradantes, se assemelha ao trabalho escravo do período colonial e imperial. 
O trabalho escravo contemporâneo vai além de uma mera infração trabalhista, porque é um 
crime contra o princípio básico da Constituição de 1988, a saber, a dignidade humana, ferindo, 
assim, os direitos humanos. São elementos que definem o trabalho escravo contemporâneo: 
 
 
 
 
 
 52 
76 
 
Trabalho forçado; 
Jornada exaustiva; 
Servidão por dívida; e 
Condições degradantes. 
 
O Estado brasileiro reconhece que há, em várias regiões, o trabalho escravo de maneira que 
o Brasil foi uma das primeiras nações a reconhecer isso perante a Organização Internacional do 
Trabalho (OIT). Embora seja empregada em atividades econômicas concentradas na zona rural 
(pecuária, produção de carvão, plantio de cana-de-açúcar, soja e algodão), há casos encontrados 
em zonas urbanas que empregam o trabalho escravo, principalmente, na produção têxtil e na 
construção civil. Em números absolutos, o Brasil está em 11º lugar no ranking da escravidão 
moderna, elaborado pela Walk Free – grupo internacional de direitos humanos sediado na Austrália. 
 
 
 
 
 
 
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A maioria das pessoas submetidas ao trabalho escravo nas zonas rurais são do sexo 
masculino e exercem tarefas musculares. Essas pessoas, em sua maioria, migram de regiões 
pobres para áreas de expansão agrícola, nas quais o agronegócio predomina. Já nas zonas 
urbanas, é comum o trabalho de imigrantes, como bolivianos, peruanos, haitianos e venezuelanos. 
Ademais, cabe destacar a prostituição infantil que, infelizmente, cada vez mais é explorada em 
regiões pobres como sustento familiar. 
 
 Exemplo concreto da realidade social: 
Aos trabalhadores, foi prometido um salário de 4 mil reais, mas receberam choques 
elétricos para trabalhar, agressões físicas com cassetetes e violência verbal. Tornaram-se 
escravos por dívida: precisavam pagar pela passagem para saírem da Bahia e irem trabalhar 
no Rio Grande do Sul, nas vinícolas que os empregaram. Viveram em condições 
degradantes de higiene e pagaram pela própria comida, muitas vezes, estragada. Mal 
podiam reclamar da comida, caso contrário, apanhavam. O caso chocou o Brasil pelos 
jornais e podcasts. 
 
 
 
 
 
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Essas condições foram descritas pelos trabalhadores resgatados pelo Ministério Público. 
Infelizmente, esse não é um episódio isolado. De acordo com a Justiça do Trabalho, entre 
2020 e 2021, o número de ações contra casos de trabalho análogo à escravidão no Brasil 
aumentou 41%. O número de denúncias assusta ainda mais. Apenas de 2020 para 2021, 
houve o aumento de 70% das denúncias de casos como esse no país. No ano de 2023, 3.151 
trabalhadores foram resgatados de condições laborais análogas à escravidão – o maior 
número já registrado na série histórica. 
O aumento desses casos pode ser entendido por uma das situações apontadas pela 
Organização Internacional do Trabalho: quanto maior a vulnerabilidade financeira da 
população, maior a probabilidade de as pessoas caírem em grandes esquemas de trabalho 
forçado. O Brasil da atualidade é, portanto, um prato cheio para as armadilhas do trabalho 
análogo à escravidão. 
Fazendo uma analogia histórica, podemos retomar a década de 1850, quando o senador 
Vergueiro fez larga propaganda no exterior a fim de atrair imigrantes italianos, alemães e 
portugueses para o Brasil. À época, o trabalho estava vinculado às teorias do 
embranquecimento, ou seja, trabalhador bom é trabalhador branco, pois iria, aos poucos, 
fazer com que o Brasil fosse um país com menor quantidade de negros. A ideologia racista 
era acompanhada por um cruel sistema de parceria pelo qual os trabalhadores precisavam 
pagar sua própria passagem de navio para o Brasil, suas ferramentas e sua comida. Só 
descobriram isso quando chegaram aqui. Uma armadilha. Apenas após muitas reclamações 
de países estrangeiros, deixou-se de adotar essa arapuca para imigrantes no Brasil. 
Vemos que, na atualidade, as marcas do passado e do presente se misturam: o racismo 
prevalece, as elites, desta vez, direcionam pobres e populações em situação de 
vulnerabilidade social a esquemas de armadilhas similares aos do passado. 
 
De acordo com dados do antigo Ministério do Trabalho, nas últimas duas décadas, foram 
encontradas e resgatadas mais de 50 mil pessoas em situação semelhante à escravidão.56 
76 
Em 2014, o Congresso aprovou a PEC do Trabalho Escravo, tornando a lei rigorosa ao 
contar, por exemplo, com a previsão de que as terras e os imóveis nos quais fossem flagrados 
trabalhadores em condições semelhantes à escravidão seriam expropriados e destinados à reforma 
agrária e aos programas de habitação popular, além de prever punições penais aos responsáveis. 
Contudo, aqui é Brasil: até hoje a lei não entrou em vigor, haja vista a resistência, principalmente, 
da bancada ruralista no Congresso Nacional. 
 
Conheça a PEC: 
 https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/105791 
 
Modelo de Redação: A busca pelo trabalho decente 
 
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca que o maior desafio global no 
que se refere ao labor é a garantia de trabalho decente. De fato, condições adequadas e 
dignas para o exercício da função social são essenciais, havendo leis no Brasil para garantir 
essa prerrogativa. Entretanto, a persistência de condições precárias de ocupação ainda 
perpetua ciclos de exploração. 
 Em primeiro plano, a história dos direitos do trabalhador é marcada por lutas e 
conquistas. Nesse sentido, o sociólogo Thomas Marshall afirma, em seu ensaio “Cidadania 
e Classe Social”, que a condição de cidadão compartilhada por um povo só se efetiva a 
partir da organização e da luta por melhorias sociais as quais devem ser garantidas em lei 
e efetivadas na prática. A exemplo disso, pode-se citar a aprovação em 1943, no Brasil, da 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a qual, embora tendo sofrido modificações, 
atendeu à demanda do crescente operariado nacional e continua sendo a base de proteção 
do empregado no país. 
https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/105791
 
 
 
 
 
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 Contudo, há diversas situações em que não há o cumprimento efetivo das leis de 
proteção ao funcionário. Prova disso é a recente denúncia das empresas Salton, Garibaldi 
e Aurora por se valerem do trabalho escravo para a produção de uvas: os colaboradores 
foram encontrados vivendo em galpões, com comida em condições precárias e sem a 
devida remuneração. Com isso, o labor, que deveria ser pautado pela dignidade, 
assemelha-se ao “Trabalho de Sísifo”, mito grego cujo personagem principal é obrigado a 
subir com uma pedra até o topo de um monte somente para vê-la cair e ser obrigado a 
recomeçar a tarefa, marcada pela exaustão e pela ausência de resultados. 
 Portanto, para que o trabalho no Brasil seja decente, afastando-se do tormento 
imposto a Sísifo, não são necessárias novas leis, mas sim o devido cumprimento da 
legislação vigente. Assim, será possível efetivar a cidadania de todos e cumprir com os 
objetivos determinados pela OIT no país. 
 
 
 
 
 
 
 
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Mapa Mental sobre Mundo do Trabalho 
 
 
 
 
 
 
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5. DIREITO À CIDADE 
 
O filósofo Aristóteles conferia à cidade certo destaque em suas reflexões. Para ele, não era 
possível pensar o ser humano deslocado ou dissociado da ideia de cidade. Lembrando que, para 
esse filósofo, o ser humano é um animal político e social. Isto é, vive em sociedade e estabelece 
relações com seus pares. 
Em sua etimologia, cidade vem de pólis que está associada à ideia de política e cidadania. 
Ora, então já podemos estabelecer um pressuposto importante, qual seja: há uma relação 
intrínseca entre as políticas urbanas e a cidadania e, por conseguinte, a qualidade de vida 
das pessoas. 
 
As palavras cidadania e qualidade de vida são palavras-chave que podem ser aplicadas 
em praticamente todas as redações e todos os temas. 
 
Diferentemente da época de Aristóteles, as cidades passaram a ter maior importância e 
preponderância a partir do século XVIII. Isso não é à toa. É justamente nesse século que temos a 
1ª Revolução Industrial (a partir de 1750), que, juntamente com a Revolução Francesa (1789-1799), 
vai dar forma àquilo que ficou conhecido como Idade Contemporânea. 
A Revolução Industrial iniciada na Inglaterra produziu um primeiro efeito: uma migração da 
população campesina para os centros urbanos que surgiam em busca de empregos e melhores 
condições de vida. 
De lá para cá, o processo de urbanização se intensificou em escala mundial – atualmente 
está num ritmo acelerado. Segundo dados da ONU, já somos mais de 7,6 bilhões de habitantes e 
a maioria vive nas cidades. 
 
 
 
 
 
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76 
Esse rápido crescimento tem colocado desafios na agenda política que são objetos de estudo 
de diversos especialistas. 
A 3ª Conferência da ONU sobre “Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável”, realizada 
em 2015, preocupou-se em discutir como enfrentar as desigualdades sociais e a pobreza. 
Chegaram a dezessete ações, cujos países signatários deveriam implementá-las nos próximos 
vinte anos. 
Essas ações direcionam o debate para o Direito à Cidade. 
Guarde isso! 
A expressão DIREITO À CIDADE precisa aparecer na sua redação se o tema for urbanização 
ou mobilidade urbana! 
 
Quando falamos em direito à cidade, isto quer dizer que é preciso pensar como garantir à 
população uma melhor qualidade de vida por meio da apropriação da riqueza gerada, dos bens e 
serviços produzidos, do acesso aos bens patrimoniais e culturais. Essa preocupação advém do fato 
de que cada vez mais a sociedade está desigual nos aspectos econômicos, simbólicos e culturais. 
Poucas pessoas conseguem se apropriar desses direitos, o que leva a uma segregação 
socioespacial intensificada pelo aceleramento da urbanização. 
O impacto da segregação socioespacial é visível, principalmente, na vida daquelas pessoas 
da camada popular que habitam regiões periféricas na cidade. Precisam, por exemplo, fazer 
grandes deslocamentos para trabalhar e estudar, perdendo tempo considerável de seu dia. 
Ademais, há um aumento dos custos e piores condições na qualidade de vida. A tendência é que 
as regiões periféricas fiquem sem equipamentos e serviços públicos essenciais, como linhas de 
transporte coletivo, postos de saúde, escolas, creches, etc., ou seja, não conseguem crescer na 
mesma proporção da demanda. Além disso, o acesso aos bens patrimoniais, turísticos e 
culturais da cidade ficam distantes dos bairros periféricos, o que fere o direito à cidade. 
 
 
 
 
 
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76 
Um caso emblemático são as políticas habitacionais, a exemplo do Programa “Minha Casa, 
Minha Vida”. É uma política pública, a meu ver, muito importante, que pretende diminuir o déficit 
habitacional muito alto no Brasil (segundo dados da Fundação João Pinheiro, há um déficit de mais 
de 6 milhões de residências, e cerca de 12 milhões de domicílios encontram-se inadequados para 
se viver no Brasil). Por outro lado, as construções do “Minha Casa, Minha Vida” são realizadas, 
geralmente, em bairros mais distantes do centro da cidade, e não há um planejamento prévio dos 
municípios em ofertar às regiões que receberam ou recebem o programa mencionado. Assim, 
nessas áreas, a população carece de escolas e creches próximas à residência; muitas vezes não 
há postos de saúde, o que faz com que se recorra a outros bairros, congestionando a rede de 
atendimento; os horários das linhas do transporte coletivo são precários; e a segurança dos 
moradores se torna um grande problema – muitos conjuntos habitacionais são invadidos e viram 
pontos do tráfico de drogas. 
Outros dois efeitos da segregação socioespacial são a gentrificação e a construção de 
condomínios fechados, que atendem à demanda de segurança da classe média tradicional e da 
elite econômica. 
A gentrificação é um processo de valorização (especulação) imobiliária de uma região que 
leva à expulsão das famílias de renda mais baixa. Vou dar um exemplo concreto que aconteceu na 
minha cidade (Juiz de Fora/MG), mas, por meio dele, com certeza você vai identificar situação 
semelhante em outras cidades de médio e grande porte. Aqui temos um bairro chamado Dom 
Bosco. Ele possuiuma população próxima a 18 mil habitantes, formada, em sua maioria, por 
pessoas negras, de baixa escolaridade e menor poder aquisitivo. A partir de 2005, a região passou 
por uma intensa especulação imobiliária, tendo como marco a instalação de um shopping center e 
a retirada de um dos espaços de lazer dos moradores - um campo de futebol de terra, que deu 
espaço a uma área verde que fica em frente ao shopping. Em seguida, foram construídas outras 
obras: um hospital privado, prédios comerciais, hotel, faculdade particular, etc. Isso fez com que os 
preços dos aluguéis e dos produtos na região aumentassem, expulsando parte da população do 
bairro e fazendo com que outra parte literalmente subisse o morro, para o que ficou conhecido como 
“Chapadão”. Neste, não há rede de esgoto nem coleta seletiva. 
 
 
 
 
 
 
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Já os condomínios fechados têm sido a “vedete” das construtoras que realizam 
empreendimentos para a classe A. São formas de isolar determinado espaço do contato exterior 
“violento” para garantir a segurança de seus moradores. É comum disponibilizarem dentro dos 
condomínios uma rede de serviços, como segurança privada, academia de ginástica, espaço de 
lazer, ou seja, há uma intensificação da separação de classes sociais ou grupos sociais no espaço 
geográfico das cidades. 
 
Desafios: 
Econômicos Ambientais Sociais 
Uma vez que há 
uma migração para os 
centros urbanos, a 
economia formal 
apresenta dificuldades 
para absorver a força 
de trabalho, o que faz 
com que pessoas 
pobres e de menos 
qualificação encontrem 
sua sobrevivência na 
economia informal. Isso 
sem nenhuma garantia 
trabalhista ou proteção 
social. 
A poluição, os constantes 
congestionamentos, a falta de saneamento 
básico são problemas dos países menos 
desenvolvidos economicamente; 
Como há uma alta taxa de migração 
interna, como acontece, por exemplo, no Brasil, 
de pessoas do Norte e Nordeste para o Sudeste 
em busca de melhores condições de vida somada 
a outros fatores de exclusão, aumentam as áreas 
“subnormais”, isto é, o processo de “favelização”. 
São áreas sem regulamentação, sem 
planejamento habitacional e com ausência de 
serviços básicos: coleta de lixo, iluminação, 
saneamento básico, etc.; 
Com o aceleramento da urbanização, os 
recursos naturais têm sido exauridos e coloca-se 
em debate a sustentabilidade. Sustentabilidade 
essa que, segundo Bauman, não se preocupa 
com o meio ambiente em si, mas com a 
A pobreza 
tem sido discutida 
frequentemente 
pelos organismos 
internacionais, uma 
vez que é um 
problema crônico 
do sistema 
capitalista e de 
difícil amenização; 
Os serviços 
públicos não 
conseguem 
satisfazer as 
demandas para o 
atendimento de 
saúde, emprego, 
planejamento 
familiar, educação. 
 
 
 
 
 
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continuidade de uma sociedade capaz de 
produzir sempre para o consumo. 
 
Outra característica de nossa atualidade são as megacidades (população superior a 10 
milhões de pessoas). Aliás, 12% da população mundial já vive em uma megacidade – as cidades 
de São Paulo e do Rio de Janeiro são megacidades. Algumas delas, como as de Tóquio, Nova York 
e Londres, além de serem megacidades, são consideradas também como cidades globais, uma 
vez que reúnem um complexo financeiro, de serviços (principalmente consultoria 
especializada), tecnológico e cultural que influenciam outras cidades. 
Nessa era de globalização, uma outra preocupação da agenda internacional é com a 
sustentabilidade e com a governança. Nesse cenário, surgem as “cidades inteligentes” (smart 
cities), que são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e 
financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria na qualidade de vida. Para 
isso, a ideia de cidades inteligentes está estruturada em dois eixos principais: 
- uso estratégico de informação e comunicação na gestão urbana; 
- desenvolvimento sustentável e uso de soluções tecnológicas. 
As mais famosas smart cities são: Songdo (Coreia do Sul), que produziu novas alternativas 
para a mobilidade urbana, como táxis aquáticos, espaços verdes e sistema pneumático de gestão 
de resíduos; Copenhague (Dinamarca), que, além de seus deliciosos chocolates rsrs, se baliza pelo 
conceito de carbono zero, criando uma infraestrutura para o uso de bicicletas como o principal meio 
de transporte; e Santa Ana (EUA), que tem um sistema de água reutilizável, inclusive a do vaso 
sanitário. 
No que se refere à governança das cidades, a administração pública municipal ganha 
destaque, principalmente a liderança de prefeitos. Isso porque os Estados-Nações, cada vez mais, 
se mostram incapazes de lidar com as tendências globais e transferem aos municípios várias 
responsabilidades na chamada política de descentralização ou municipalização. Nesse sentido, 
 
 
 
 
 
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para muitos especialistas como Manuel Castells, “as cidades globais tendem a resolver problemas 
econômicos e socioculturais de maneira muito mais efetiva”. 
À medida que as cidades assumem uma nova importância no sistema global, o papel dos 
prefeitos muda. Ganham destaque e podem ser agentes capazes de mobilizar agendas urbanas e 
melhorar o perfil internacional da cidade. As cidades de Lisboa e Barcelona, que se tornaram 
exemplo de centros urbanos bem planejados, são um indicativo da importância dos prefeitos nesse 
novo cenário globalizado, porque foram eles que lideraram os debates, as alternativas e a busca 
de financiamento. 
Por fim, destaco a relação entre esporte e revitalização urbana. Eventos mundiais como 
as Olimpíadas e a Copa do Mundo tendem a impulsionar mudanças urbanas nos países que vão 
sediá-los. Um bom exemplo foi a cidade de Londres quando sediou as Olimpíadas em 2012. Lá, 
conseguiram regenerar em torno de 500 acres de terra em regiões pobres (Zona Leste de Londres), 
trazendo melhorias de serviços, de transporte e de empregos. Por outro lado, mesmo que o esporte 
tenda a impulsionar a revitalização urbana, isso nem sempre gera consequências positivas. As 
Olimpíadas (2016) e a Copa do Mundo (2014) no Brasil mostraram que não ocorreram as mudanças 
urbanas esperadas: não existiram melhorias significativas na mobilidade urbana, muitas obras 
viraram “elefantes brancos”, há casos de superfaturamento e aumento do déficit do orçamento 
público em diversas cidades e estados. 
Por fim, sintetizo aqui nossas reflexões sobre urbanização com as palavras do sociólogo 
Anthony Giddens: 
“Assim como a globalização, a urbanização tem dois lados e é contraditória. Ela tem 
efeitos criativos e destrutivos sobre as cidades. Por um lado, permite a concentração de 
pessoas, bens, serviços e oportunidades, mas, ao mesmo tempo, fragmenta e enfraquece 
a coerência dos lugares, tradições e redes existentes”. 
 
Principais Leis que norteiam as políticas urbanas no Brasil: 
 
 
 
 
 
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As principais leis que regulamentam a política urbana no Brasil são: o Estatuto da Cidade, o 
Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. 
O Estatuto da Cidade é uma legislação federal que norteia normas de ordem pública e de 
interesse social, regulamentando o uso da propriedade em prol do bem coletivo, da segurança e do 
bem-estar dos cidadãos, bem como o equilíbrio ambiental. 
Já o Plano Diretor é aplicado nos estados e nos municípios. É o instrumento básico da 
política urbana e do planejamento estratégico, visando à qualidade de vida e ao estudo 
aprofundado sobre o estado ou a cidade, apontando os seus limites, o que é preciso fazer nos 
próximos anos (geralmente é válido por dez anos) e onde e como as cidades podem crescer. Avalia 
também os impactos de vizinhança e ambiental, devido aos grandes empreendimentos previstos. 
Por último, temos a Lei de Uso e Ocupação do Solo, que é uma legislação de âmbito 
municipal. Ela precisa seguir os princípios do Estatuto da Cidade e estar de acordo com o previstono Plano Diretor. Estabelece critérios e parâmetros de uso e ocupação do solo, isto é, o que pode 
ser construído, em quais condições e onde. Portanto, é uma forma de controlar o crescimento 
urbano e prever a necessidade de novos equipamentos públicos. 
Já a mobilidade urbana está na agenda pública há bastante tempo, afinal, um dos maiores 
desafios das cidades de médio e grande porte são as políticas urbanas, especificamente, o 
planejamento da mobilidade urbana. É válido ressaltar as famosas “Manifestações de Junho” de 
2013. Começaram com uma demanda bem específica que envolve a mobilidade urbana: protestos 
contra o aumento da passagem na cidade de São Paulo, reivindicações para a melhoria do 
transporte coletivo e passe livre estudantil. Por tudo isso, é um tema sempre potencial, que pode 
ser cobrado na prova discursiva. 
De forma bem sucinta, são as condições de deslocamento da população no espaço 
geográfico das cidades. 
Quando falamos de cidade, podemos lembrar dos seguintes filósofos: Sócrates, Platão e 
Aristóteles. Para eles, felicidade está relacionada ao bem comum dos cidadãos. Nessa 
perspectiva e associado ao contexto social em que vivemos, o transporte coletivo deve se 
sobrepor ao transporte individual, visando à cidade como um espaço de todos, 
 
 
 
 
 
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compartilhado e democrático. Assim, mobilidade urbana não é só o fluir do trânsito e o 
deslocamento da população, mas, sobretudo, um espaço de convivência democrática com os 
diversos tipos de locomoção, incluindo pessoas com deficiência e priorizando a segurança 
dos pedestres. 
Pensar a mobilidade urbana como ressaltamos é também pensar a inclusão. Como as 
pessoas com deficiência (cadeirantes, cegos, surdos) ou com mobilidade reduzida podem ter uma 
cidade que permita um deslocamento mais seguro e inclusivo? Baita argumento, né? Pois é, use-o 
na sua produção textual! 
Outros desafios: diminuir o congestionamento e a poluição; evitar e controlar o 
adensamento urbano (ocupação intensa e desordenada do solo); garantir transporte público mais 
rápido, confortável e com preço justo; e criar infraestrutura por meio de planejamento exequível. 
Dentro do escopo das discussões sobre a mobilidade nas cidades e entre as diferentes 
regiões do Brasil, é essencial destacar um cenário complexo: o grande número de acidentes de 
trânsito em solo nacional e em todo o mundo. De fato, o modelo rodoviarista, que privilegia o uso 
do carro individual, bem como fatores diversos, como irresponsabilidade ao volante, consumo de 
álcool, ausência ou inadequação na instalação de radares, criam ambiente favorável para que 
prejuízos materiais e a perda de vidas figurem como consequências do caos na mobilidade urbana 
do país. 
Segundo o professor Roberto Andrés, no livro “A Razão dos Centavos”, em que é explorada 
a crise da circulação de pessoas nas cidades e a emersão das chamadas “Jornadas de Junho” em 
2013, a expansão do automóvel se deu no Brasil de maneira muito mais rápida do que a 
regulamentação de seu uso. Por isso, era comum, até a segunda metade do século passado, que 
veículos se locomovessem em velocidades completamente incompatíveis com as vias. Os 
motoristas, em vez de pararem para deixar os pedestres circularem, frequentemente buzinavam 
para alertá-los a sair da frente (fato surpreendente: em diversos tribunais, condutores eram 
inocentados das mortes causadas pela direção perigosa se houvesse testemunhas que 
comprovassem que houve um sinal de buzina feito antes do acidente!). Por isso, há um histórico 
de irresponsabilidade e leniência em relação a esse tipo de crime. 
 
 
 
 
 
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No ano de 2021 (dados mais recentes disponíveis), o Brasil contabilizou 33.813 mortes por 
sinistros de trânsito. Levando em conta que no mesmo ano a taxa de homicídios no Brasil foi de 
47.847, fica evidente que não se trata de um problema pequeno, mas sim uma questão que rivaliza 
com uma das mazelas mais discutidas e temidas no país. Nesse esteio, embora as mortes no 
trânsito sejam um problema global (cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem no mundo por ano 
em acidentes, segundo a OMS), o Brasil figura tragicamente no quinto lugar mundial em óbitos 
desse tipo, atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos e Nigéria. Observe abaixo a evolução 
dos índices nos últimos anos: 
 
Fonte: https://www.onsv.org.br/comunicacao/brasil-tem-aumento-de-mortes-no-transito-em-2021 
 
 Em teoria, esperava-se que o Brasil tivesse redução sensível no número de óbitos nas vias, 
levando em consideração o compromisso assumido pelo país na ONU: Em 2010, a Organização 
das Nações Unidas lançou a campanha 1ª Década de Ação pela Segurança no Trânsito e convocou 
países a adotarem medidas para redução em 50% da mortalidade até 2020. Como se pode 
depreender dos dados apresentados, nosso país ficou longe de cumprir a meta estabelecida. Diante 
do fracasso internacional, a ONU lançou a 2ª década com o mesmo objetivo, recomendando a 
adoção de transporte multimodal, melhorias na infraestrutura das vias, realização de auditorias e 
 
 
 
 
 
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mapeamentos dos sinistros, estabelecimento de normas de segurança dos veículos, emprego de 
tecnologia de fiscalização das vias, entre outras medidas. 
 Um estudo divulgado pelo Ipea em 2023 oferece informações mais detalhadas sobre as 
mortes no trânsito no Brasil entre 2010 e 2019, período em que as medidas recomendadas pela 
ONU deveriam ter sido adotadas para prevenir acidentes. Conforme os dados, 83% das mortes são 
de homens; 1/3 das vítimas são jovens de até 15 anos de idade, com concentração de mortes na 
faixa até 50 anos. Entre os pedestres, os idosos figuram como as maiores vítimas fatais. O estudo 
também aponta que o número de mortes entre motociclistas é o que teve crescimento mais 
acentuado, cenário que pode ser compreendido não apenas pela insegurança inerente às motos 
quando comparadas aos carros, mas também pelo aumento substancial da frota desses veículos 
na década em estudo no Brasil, dada a maior acessibilidade financeira em comparação com outras 
opções e o crescimento paulatino de serviços de entregas, que tiveram aumento ainda maior a 
partir de 2020, fora do escopo do estudo. 
 
Fonte https://www.bbc.com/portuguese/brasil-61181312 
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-61181312
 
 
 
 
 
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Além das perdas irreparáveis de vidas, os acidentes também geram custos enormes para o 
país: ainda de acordo com o Ipea, estimam-se mais de 50 bilhões de reais em gastos com custos 
hospitalares, danos patrimoniais e consequências negativas à produção, visto que sinistros de 
trânsito podem causar engarrafamentos e mesmo impedir a circulação de carros em rodovias por 
horas até que as devidas providências possam ser tomadas. 
Especificamente com relação às rodovias, em que os acidentes tendem a ser fatais, a Polícia 
Rodoviária Federal coletou dados os quais mostram que a falta de atenção ou de reação dos 
motoristas e pedestres são as principais causas das ocorrências de sinistros (36% dos casos). A 
desobediência às regras de trânsito e às placas de sinalização aparecem em segundo lugar 
(14,4%), seguida do excesso de velocidade (10%) e do uso de álcool (5%). A colisão frontal nas 
vias é a causa da maior parte das mortes, responsável pela taxa de 40%. 
Digno de nota é o baixo percentual de óbitos relacionados ao consumo de álcool, uma das 
consequências positivas da implantação da Lei Seca (Lei 11.705 de 2008): as mortes caíram 32% 
comparando os índices de 2010 a 2021. Entretanto, esse continua sendo um problema grave no 
que se refere à motivação dos acidentes, principalmente no interior das cidades: A OMS estima que 
36,7% dos acidentes de trânsito no Brasil estejam relacionados com o consumo de bebidas 
alcoólicas. Além disso, embora tenha havido redução de mortes, o Centro de Informações sobre 
Saúde e Álcool (CISA) aponta que as internações decorrentesda direção sob estado alterado 
aumentaram em 34% no mesmo período. Percebe-se, portanto, que a legislação específica teve 
efeito positivo sobre o problema, mas não foi capaz, sozinha, de impedir a combinação perigosa de 
bebida e direção, sendo necessárias medidas de conscientização e melhores condições de 
fiscalização (ampliação dos equipamentos e de efetivo policial). Também é possível pensar em 
aumento da severidade das penas: no Japão, um motorista que tenha causado uma morte 
embriagado é punido com prisão perpétua, enquanto no Brasil a pena pode chegar a 8 anos. 
 
 
 
 
 
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 Um outro aspecto da discussão que, inclusive, causa controvérsia entre motoristas é a 
instalação de radares. À parte os debates acalorados, todas as pesquisas indicam que os radares 
são eficientes na redução do número de sinistros nas vias: em São Paulo, estudo da USP sobre 
acidentes ocorridos entre 2016 e 2019 mostra que acidentes a até 50 metros de locais com radares 
acontecem em proporção muito menor do que os ocorridos longe desses equipamentos. Em Minas 
Gerais, o Departamento de Estradas e Rodagens (DER-MG) aponta uma queda de até 77% de 
acidentes em locais monitorados pelos radares. Com base nos dados disponibilizados pelos 
equipamentos, o especialista em mobilidade Guilherme Araújo afirma que é possível comprovar 
uma redução de até 35 vezes no comportamento irregular de motoristas em áreas com instalação 
do equipamento, resultando em queda no número de mortes por desrespeito à sinalização e por 
excesso de velocidade. 
 Por fim, uma reflexão sobre o investimento em mecanismos de prevenção dos acidentes nas 
vias: a partir de 2014, houve contingenciamento sobre os recursos destinados a evitar os sinistros. 
O Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito (Funset), que deveria, em tese, ser 
composto por 5% dos valores arrecadados com multas, sofreu contingenciamento de 
aproximadamente 75% desse ano em diante. Ademais, o DPVAT, seguro que era obrigatório aos 
motoristas e deixou de ser compulsório no ano de 2019, passou a arrecadar valores muito menores, 
prejudicando o atendimento das vítimas de sinistros no SUS (que recebe 45% dos repasses do 
tributo) e o Sistema Nacional de Trânsito, destinatário de 5% dos valores arrecadados. 
 
 
 
 
 
 
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Modelo de Redação: 
 
A importância da mobilidade urbana como garantia do direito de ir e vir 
 
De acordo com o sociólogo britânico Thomas Marshall, a cidadania é determinada 
pela conquista e pelo gozo de direitos. Desse modo, pode-se dizer que a prerrogativa de ir 
e vir livremente pelas cidades é uma das condições basilares para que o indivíduo possa ser 
considerado um cidadão. No entanto, tal direito não tem sido plenamente ofertado à 
população brasileira, visto que o uso excessivo de automóveis, adquiridos como símbolos 
de status e prestígio social, tem gerado congestionamentos que impedem o exercício do 
direito à cidade. 
De fato, a posse de um veículo individual é uma opção de conforto e de liberdade em 
termos de deslocamento. Contudo, a hipertrofia de automóveis nos centros urbanos 
ocorre não por uma necessidade generalizada, e sim pela percepção coletiva em termos de 
valor social dos carros. Nesse sentido, o filósofo polonês Zygmunt Bauman faz uma crítica 
à sociedade contemporânea que pode ser aplicada ao fenômeno em questão: segundo ele, 
o consumo deixou de ser um ato realizado para sanar necessidades, assumindo um papel 
de estratégia existencial e de pertencimento. Por isso, as pessoas adquirem veículos e 
outros bens em virtude do valor simbólico atribuído às posses. 
Como consequência, há um número excessivo de automóveis nas ruas, gerando 
complicações de deslocamento e limitação da circulação pelas urbes. Como exemplo, a 
cidade de São Paulo já chegou a ter 1206 km de vias paradas em decorrência da enorme 
quantidade de veículos individuais, segundo o jornal Folha de São Paulo. Com isso, há um 
desrespeito ao direito à cidade, conceito criado pelo filósofo Henri Lefebvre que se refere 
às prerrogativas de movimentação pelos municípios e ao gozo das possibilidades que cada 
centro urbano tem a oferecer. Em virtude desse fato, a redução do número de carros em 
circulação se torna condição necessária para garantir a todos o direito de ir e vir. 
 
 
 
 
 
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Dessa maneira, medidas devem ser tomadas para que o valor dado ao direito de 
circulação seja maior do que o atribuído à posse de automóveis. Para isso, é imprescindível 
que haja maior investimento no transporte público, de modo a tornar essa opção desejável 
e eficaz para a população. Com isso, o direito de ir e vir e a cidadania serão assegurados no 
Brasil. 
Aprofundamento: A geografia de Milton Santos aplicada à redação 
 
Milton Santos (1926-2001) foi, até hoje, o mais conhecido e prestigiado geógrafo 
brasileiro. Nasceu no interior da Bahia em uma família de professores, 
aprendendo desde cedo as primeiras letras. Foi para um colégio interno aos 10 
anos, onde começou a se destacar e, até mesmo, dar aulas a partir dos 13. 
Despertou, então, um interesse genuíno pela Geografia. Formou-se em Direito na Universidade 
Federal da Bahia, mas não se interessou pelo exercício da profissão: atuou como jornalista, 
professor e pesquisador. 
Na década de 1950, foi convidado a realizar seu doutorado na França, onde morou por três 
anos. De volta ao Brasil, realizou diversos trabalhos ligados à área da Geografia e se preparou para 
ingressar como professor na mesma universidade em que se formou; contudo, o golpe militar de 
1964 frustrou seus planos. Ele foi encarcerado por algum tempo e cumpriu seis meses de prisão 
domiciliar; depois disso, aceitou um dos diversos convites do exterior para atuar como docente – 
só para se ter uma ideia, Milton deu aulas em Sorbonne, Toulouse-Le Mirail, Toronto e no MIT; 
trabalhou para a ONU em diversos países e para a Organização Internacional do Trabalho na 
América Latina. Devido às suas valiosas contribuições à área, ganhou, em 1994, o prêmio Vautrin 
Lud, considerado o Nobel da Geografia. É o único latino-americano que já recebeu a honraria. 
 Para Milton Santos, o espaço não poderia ser definido exclusivamente pela paisagem ou 
pelas construções existentes; ele é, na verdade, um conjunto indissociável de objetos e relações. 
Isso significa que as ações executadas em cada local, a relação afetiva, econômica e social que os 
habitantes têm entre si e em relação ao espaço, e, finalmente, a relação do lugar com outros 
ambientes determinam, em conjunto, o sentido de cada localidade. 
 
 
 
 
 
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Podemos pensar nesses termos quando refletimos, por exemplo, sobre uma praça ou um 
parque na sua cidade. Se for um ambiente público abandonado, mal iluminado e perigoso aos 
passantes, ele será totalmente diferente de um local com presença maciça de pessoas e atividades. 
No primeiro caso, o espaço oferecerá, talvez, medo às pessoas e a sensação de estranhamento, 
ficará exposto à prática de crimes e atividades prejudiciais à sociedade e terá uma imagem negativa 
entre a população, o que define, em última instância, o seu sentido social. Quando uma praça é 
aproveitada, por outro lado, para atividades de interesse coletivo, como feiras ao ar livre, 
apresentações artísticas e culturais ou mesmo conversas entre amigos, estando frequentemente 
ocupada, sua função na sociedade é completamente diferente e a percepção dos habitantes é 
positiva – em muitos casos, a praça é, de fato, o espaço prioritário de lazer e diversão, 
principalmente em cidades de pequeno porte, sendo um ambiente de encontro. Eis um bom 
exemplo para compreendermos como o espaço se define não só pelos bancos, barracas de lanches 
ou árvores presentes, mas, principalmente, pelas relações estabelecidas em seu interior e entre ele 
e outros locais da cidade. 
Podemos, ainda, refletir acerca da situação de comunidades periféricas emque o 
narcotráfico ou a milícia assumem o domínio local. Há características de insuficiência estrutural, 
como a ausência de serviços básicos (saneamento, luz elétrica, asfaltamento) e a precariedade de 
boa parte das moradias. Porém, só se pode entender as favelas dominadas pelo poder paralelo 
quando levamos em consideração a situação de abandono dos moradores; a ausência histórica e 
persistente do Estado; a possibilidade de emersão de um líder (pelo carisma, pelo auxílio aos 
moradores ou pela violência); a construção de redes de contato, trabalho coletivo e proteção mútua; 
e, por fim, a própria identidade da comunidade diante dos outros espaços da cidade, marcada, via 
de regra, pelo status da marginalidade. 
Com esse segundo exemplo, percebemos claramente a importância da noção de espaço 
para Milton Santos e, ainda, damos alguns passos para compreender um conceito de vital 
importância para o eminente geógrafo brasileiro: as relações entre centro e periferia. Veja bem: 
Milton foi o primeiro a formular a ideia de que a urbanização brasileira foi tardia e acelerada, 
gerando, como consequência, inviabilidade de ampliar a oferta de serviços e condições de vida 
para a imensa gama de pessoas que desaguavam nos centros urbanos. As populações mais pobres 
e sem condições acabaram por ocupar as áreas periféricas, onde os custos eram mais baixos, e os 
 
 
 
 
 
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serviços, precários ou inexistentes. Isso pode parecer um desdobramento direto da desigualdade 
do país, entretanto, para Milton, esse modelo amplia as diferenças sociais existentes e cria mais 
pobreza. Vamos entender como isso funciona. 
A princípio, podemos pensar nos espaços periféricos como, eles mesmos, bolsões de 
pobreza. Pensemos em um local sem saneamento básico, sem luz e sem atendimento à saúde. A 
falta desses direitos fundamentais é, em si mesma, uma marcação da pobreza, uma vez que ser 
pobre não significa apenas não possuir rendimentos adequados, mas também não ter acesso aos 
requisitos básicos para uma vida digna. Assim, o morador dessa comunidade estará exposto a 
doenças (como cólera, leptospirose e esquistossomose) em decorrência da ausência de esgoto 
tratado; não poderá estender atividades diárias para além do pôr do sol, exceto se com o uso de 
velas; e não terá meios de ser atendido com prontidão em casos de doenças ou dores 
incapacitantes, exigindo-se um deslocamento difícil e custoso aos enfermos. 
Porém, o processo de ampliação e criação da pobreza vai ainda além disso, pois a relação 
centro-periferia é sempre uma relação entre um espaço com ampla circulação de capitais e serviços 
e outro espaço desprovido dessas benesses. Por isso, via de regra, o morador de um bairro mais 
pobre, afastado do centro, precisará circular pelas regiões centrais da cidade se quiser trabalhar, ir 
ao médico ou resolver assuntos burocráticos. Para chegar ao centro, será necessária uma longa 
caminhada – muitas vezes praticamente impossível de ser feita – ou o pagamento de passagens. 
Dos dois modos, há subtração de tempo do periférico, que não precisaria ocorrer se as ofertas de 
emprego e serviços estivessem disponíveis na sua localidade de origem. Caso se trate de um 
emprego na região central, parte do salário do morador da periferia estará sempre comprometido, 
bem como uma, duas ou até três horas de ônibus ou outros meios, para ir e voltar. Não raro ouvimos 
pessoas dizerem que vão “tirar o dia para ir à cidade”, pois, dado o preço e o desgaste do 
deslocamento, aqueles que habitam longe da região central tiram um dia para resolver o máximo 
possível de questões na localidade que apresentar os serviços necessários e possibilidades 
disponíveis. Essa situação faz com que o morador da periferia consuma seus recursos e energias 
no trânsito para as áreas endinheiradas, limitando suas possibilidades de crescimento pessoal e 
econômico. 
A periferia, inclusive, está sempre em expansão: quando o mercado imobiliário e os donos 
do dinheiro nos ambientes urbanos miram uma área para ser valorizada, são feitos investimentos 
 
 
 
 
 
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76 
em construções, áreas de lazer e lojas de padrão financeiro altíssimo, o que eleva o custo de vida 
na região, incluindo aluguéis, IPTU e valores dos produtos, fazendo com que a parcela mais pobre 
residente ali seja compelida a se mudar. 
Para além do ambiente urbano, também são criadas relações centro-periferia entre cidades, 
estados e países. É possível dizer que há cidades periféricas às grandes urbes e países periféricos 
às nações ricas, situação que ganhou força imensa com o processo de globalização. Essas 
relações, em todas as suas dimensões, são marcadas pela submissão das periferias ao centro, de 
modo que elas apenas oferecem o que é demandado pelos espaços com maior circulação de 
capital. Dentro das cidades, vimos como um bairro afastado acaba sendo repositório de mão de 
obra, principalmente, para serviços nas regiões centrais. Em termos de nações, fenômenos 
semelhantes se dão: os países mais pobres acabam criando espaços derivados, ou seja, locais 
construídos ou modificados não para atender as necessidades de sua população, mas sim as 
demandas das áreas centrais. Um entre muitos exemplos que podem ser citados é a produção de 
soja no Brasil: o grão, maior produto agrícola do país, não é usado para consumo interno, mas para 
exportação em larga escala. Seu cultivo ocupa 35 milhões de hectares, uma área do tamanho da 
Alemanha, e é realizado para satisfazer necessidades dos países ricos. 
 
 
 
 
 
 
 
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76 
Mapa mental sobre mobilidade urbanaquestão. 
 
 
 
 
 
 
 7 
76 
Modelo de redação: 
A visão de Nietzsche sobre o ser humano como um "animal de rebanho" suscita uma reflexão 
profunda sobre a natureza dessa espécie e sua propensão ao comportamento coletivo. Nesse 
sentido, é destacável a tendência de adequação aos grupos, mas isso não significa que o sujeito é 
condenado à falta de liberdade. 
Em primeiro plano, o ser humano tem a tendência a abrir mão de convicções e 
comportamentos pessoais para aderir ao pensamento do grupo em que está inserido. Tal 
perspectiva é defendida por Sigmund Freud em “Psicologia das Massas e Análise do Eu”, 
corroborando a perspectiva nietzscheana relativa à condição de “rebanho” da humanidade. 
Contudo, isso não implica que todos estão fadados à submissão estrita ao meio. De acordo 
com o filósofo Jean-Paul Sartre, ao contrário, as pessoas estão condenadas a serem livres. Sob 
esse viés, aqueles que apenas reproduzem códigos morais e comportamentos do próprio grupo 
social o fazem por ser a opção mais fácil, o que não os exime da responsabilidade de tomar 
decisões e governar a própria vida. 
Portanto, é preciso reconhecer a existência da pressão e da influência do grupo para que 
possa ser possível ir além da mera reprodução de formas de viver e pensar coletivas. Desse modo, 
será possível gestar o “super-homem” pensado por Nietzche, livre de influências e dono do próprio 
destino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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76 
Mapa Mental sobre Socialização: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2. CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS 
 
Antes de iniciarmos esta aula, lá vai uma dica de ouro que pode salvar sua redação: as 
bancas não gostam de argumentos que desrespeitem os direitos humanos, uma vez que o 
princípio da dignidade humana perpassa toda a Constituição Federal de 1988. Eu sei que é um 
tema que gera debates acalorados, mas é importante seguir o que dispõe a nossa lei máxima e 
ficar por dentro dos debates acadêmicos. 
Nesta aula, vamos entender o que são os direitos humanos, sua relação com a cidadania e 
seu processo de construção. 
O debate sobre direitos humanos e sobre cidadania ocupa lugar de destaque na agenda 
política e no cotidiano de todos nós. Parte da população, a meu ver, sem o exercício da reflexão 
crítica e influenciada muitas vezes pelo senso comum, denomina os direitos humanos como algo 
de intelectuais de esquerda para proteger bandidos, o que revela desconhecimento e reducionismo 
sobre o assunto. 
A concepção de direitos humanos é vinculada à concepção de cidadania. Ambas fazem 
referência a uma composição de diversos direitos (civis, políticos e sociais) que atendem, cada vez 
mais, a todos (mulheres, negros, crianças, adolescentes, consumidores, idosos, etc.). 
Tanto os direitos humanos como o conceito de cidadania na concepção supracitada surgem 
a partir do Estado Moderno, principalmente com o Estado de bem-estar social e consolidado no 
Estado Democrático de Direito, ambos de fundamentação liberal calcados na defesa das liberdades 
individuais e na igualdade de todos perante a Lei. Ou seja, podemos desconstruir a ideia de que 
direitos humanos é uma concepção do pensamento de esquerda em sua origem. 
É comum, não somente no Brasil, partidos considerados de esquerda ou de centro-esquerda 
incorporarem em suas lutas a defesa dos direitos humanos, enquanto partidos considerados de 
direita se aproximam do conservadorismo político e/ou religioso, os quais têm dificuldade em aceitar 
e reconhecer alguns dos direitos humanos. 
 
 
 
 
 
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76 
Outro senso comum é que os direitos humanos são destinados à defesa de bandidos, além 
de não existirem direitos para os “humanos direitos” – esses bordões são utilizados em programas 
sensacionalistas de televisão para difundir essa ideia. Pelo contrário, os direitos humanos 
reconhecem a dignidade a todos e a aplicação da Lei a todos. Assim, para evitar barbárie, 
destruição de um pelo outro ou arbitrariedades do próprio Estado é que se defende a 
aplicação do que é disposto no conjunto de leis. 
Alguns podem pensar: “mas se uma pessoa mata ou estupra, como considerá-la humana, 
portadora de direitos?” Certamente são questões complexas que geram muitos debates. Os direitos 
humanos, como veremos, vão muito além da questão penal (crimes) e têm como ponto de partida 
que todos são portadores de direitos. Nesses casos, o primeiro impulso é o revide com violência, 
raiva e aniquilamento do outro, isto é, “fazer justiça com as próprias mãos”. No entanto, o Estado 
não pode permitir a barbárie dos cidadãos e de seus agentes, muito menos a “correção de um erro 
com outro”. Deve-se aplicar aquilo que é disposto em seu conjunto de leis e nos tratados 
internacionais dos quais o Estado é signatário, de forma que o objetivo idealizado 
institucionalmente, no caso penal, é a ressocialização daquele que infringiu as regras sociais, por 
mais hediondo que um crime seja. 
Ressalto, os Direitos Humanos vão muito além da questão penal. É uma iniciativa de 
reconhecer a dignidade inerente a todos, evitar a barbárie, promover a igualdade e a liberdade de 
todos independente de raça, de religião e de gênero. 
Em âmbito mundial, é com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, que se 
estende a liberdade e a igualdade de direitos a todos, em vários aspectos: econômico, social e 
cultural. Esses direitos estão acima de qualquer poder existente e, em caso de violação, os 
responsáveis devem ser punidos. 
A Declaração de 1948 condenou qualquer tipo de escravidão e de tortura, estabeleceu o 
direito à liberdade de expressão e de consciência, o direito de ir e vir assim como o direito à 
educação e à cidadania. 
Esse documento é excelente para ser citado na introdução ou na fundamentação de algum 
argumento. 
 
 
 
 
 
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76 
Conheça os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos de 1948, criada pela Assembleia Geral da Organização das 
Nações Unidas (ONU). 
 
Conquistas de direitos e exercício da cidadania estão associados às sociedades modernas 
e democráticas. Ao estudar a concepção de cidadania, o sociólogo Thomas Marshall (1893-1981) 
afirma que cidadania não nasce pronta e acabada, mas é uma construção gradativa de novos 
direitos, conquistados por diferentes atores sociais ao longo da sociedade capitalista. 
 
 
 
 
Marshall valoriza a cidadania como elemento de mudança social. Define três tipos de 
direitos (civis, políticos e sociais), que configuram as garantias aos cidadãos – suas reflexões 
partem do desenvolvimento da sociedade inglesa. 
Direitos Descrição 
Direitos Civis - XVIII Esse tipo de direito surge no século XVIII. 
Defende as liberdades pessoais, de expressão e de culto religioso, o 
direito à propriedade, à liberdade contratual e de Justiça para 
mediar as relações e garantir os direitos. 
Direitos Políticos - XIX Esse tipo de direito aparece no século XIX, com o Estado liberal 
baseado na representatividade. 
Para Thomas Marshall, 
cidadania é a conquista de 
novos direitos. 
http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf
http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf
 
 
 
 
 
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76 
São criadas formas de participação política que, por meio de 
movimentos sociais, se efetivaram no século XIX, com a ampliação 
do direito ao voto por grande parte da população. 
Direitos Sociais - XVIII 
Esse tipo de direito é resultado das lutas do século XX. 
Visa garantir uma proteção básica ao cidadão: educação, assistência 
à saúde, transporte coletivo, sistema previdenciário, amplo acesso 
ao sistema judiciário, etc. 
 
Os direitos civis, políticos e sociais estão fundamentados no princípio da igualdade, mas não 
podem ser considerados universais – o processo de construção desses direitos não se deu de 
forma igual em outros países e muitas nações não têm esse tipo de configuração. 
Como o próprio Marshall disse, cidadania é uma construção queperpassa a luta e a 
obtenção de novos direitos. No final do século XX e início do século XXI podemos perceber que 
outros direitos estão se consolidando, especificamente no que se refere a consumidores (Código 
de Defesa do Consumidor), idosos (Estatuto do Idoso), crianças e adolescentes (Estatuto da 
Criança e do Adolescente – ECA), LGBTQIA+ (reconhecimento, em 2011, da união de pessoas do 
mesmo sexo pelo STF), animais (medidas protetivas), etc. 
Em resumo, nas sociedades democráticas, cidadão é aquele que tem a garantia dos direitos 
civis, políticos e sociais, cuja construção é constante e inserida em várias disputas. Para o pleno 
exercício da cidadania, é importante lembrar que não basta estar no papel, mas sim ser 
concretizada de fato e estendida a todos. 
 
Podemos indagar se esses direitos são realmente acessíveis e praticados por todos. 
 
 
 
 
 
 
 13 
76 
Na sociedade contemporânea, os capitais econômicos, políticos e simbólicos têm 
distribuição desigual entre as pessoas e entre os grupos sociais. Assim, a divisão dos direitos do 
cidadão em civis, políticos e sociais nem sempre dá conta de explicar a dinâmica social. Uma 
outra forma de pensar a cidadania em sua concretude são as concepções de cidadania formal e 
substantiva. 
A cidadania formal é aquela que é garantida pelas leis e que institui a igualdade das pessoas 
perante a lei, isto é, faculta ao cidadão a luta jurídica pelo reconhecimento de determinados direitos. 
Isso é importante porque evita a tirania e reconhece que todos merecem tratamento igual. Por outro 
lado, temos a cidadania substantiva, qual seja, aquela vivenciada no cotidiano, que muitas vezes 
impede a prática cidadã de fato. Nesse último tipo de cidadania, entende-se que pode até existir a 
igualdade jurídica, a qual também é bastante questionável, mas, principalmente, apontam-se as 
diversas desigualdades entre as pessoas em seus direitos básicos, como educação de qualidade, 
acesso à moradia e reconhecimento de suas demandas específicas, como acontece com as 
mulheres, com os negros, com as pessoas deficientes e com as pessoas LGBTQIA+. 
Os direitos em sua concretização real (não somente na lei) são vivenciados de formas 
diferentes, dependendo do grupo social a que se pertence. Um exemplo é o direito clássico de ir e 
vir. Alguns espaços públicos são apropriados por particulares, que impedem a entrada de outras 
pessoas, como já aconteceu em alguns casos de condomínios fechados os quais proibiram a 
passagem em determinada via pública, impedindo a circulação livre dos cidadãos. Outro exemplo 
são os magnatas que tentam se apropriar de parte de algumas praias as quais perpassam suas 
mansões, impedindo o acesso de outras pessoas. Assim, temos várias outras situações, como 
é o caso dos shoppings centers que contratam seguranças e vigias para barrarem qualquer 
pessoa a qual, aparentemente, pode trazer algum transtorno por se apresentar de forma “não 
condizente”, isto é, aparentar não possuir poder de consumo. 
A defesa dos direitos humanos convive com a sua violação e, muitas vezes, com um 
entendimento limitado do que esses direitos são realmente. A diminuição do fosso que há entre 
aquilo que está previsto (cidadania formal) e aquilo que realmente acontece (cidadania substantiva) 
só será possível à medida que houver mais debates públicos, lutas constantes, fortalecimento das 
instituições democráticas e atuação dos movimentos sociais. 
 
 
 
 
 
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76 
Os movimentos sociais têm papel fundamental nesse processo de luta em defesa e 
conquista de direitos. São atores engajados em ações coletivas que visam manter ou mudar 
determinada situação, podendo ter atuação local, regional, nacional ou até internacional. 
E sobre o Brasil, especificamente, o que temos a dizer? 
Refletir sobre os direitos e a cidadania no Brasil é fazer uma reflexão “histórica a contrapelo”. 
Se na Europa, de Marshall, os direitos foram desenvolvidos na sequência direitos civis, políticos e 
sociais, no Brasil, segundo o historiador e cientista político José Murilo de Carvalho, não se 
desenvolveu assim. Para ele, aqui, tivemos primeiro os direitos sociais e depois os direitos políticos 
e civis. 
Por muito tempo, o Brasil desconheceu a noção liberal de liberdade individual e de igualdade 
perante a lei. A escravidão durou praticamente quatro séculos e os homens considerados livres 
tinham direitos civis e políticos restritos e muitos desses direitos ficavam só no papel. Os coronéis 
da República Velha (1889-1930) estavam acima da lei e ditavam suas influências naquilo que ficou 
denominado de oligarquia. O direito de ir e vir, a inviolabilidade de domicílios e a proteção da 
integridade física estavam submetidos aos seus mandos. 
Somente em meados da República Velha que começaram algumas conquistas como o 
direito de organização dos trabalhadores para a realização de greve, no entanto, aos olhos da 
oligarquia e dos governantes, a questão social e as reivindicações eram um “caso de polícia”, de 
repressão. 
Outro fator é a restrição do direito de votar e ser votado, de escolher. O critério censitário e 
a exigência de alfabetização que vieram desde o Brasil Império faziam com que poucos pudessem 
fazer parte das eleições – essas ainda eram controladas pelos coronéis no chamado voto de 
cabresto, na República Velha. 
Os direitos civis, políticos e sociais praticamente inexistiam no período colonial, imperial e na 
primeira república. A assistência social ficava sob responsabilidade das irmandades religiosas ou 
de sociedade de auxílio mútuo organizadas por pessoas leigas. Essas instituições funcionavam 
para quem contribuía, oferecendo empréstimos e garantindo auxílios em caso de doenças. Ou seja, 
o Estado não se envolvia nessas questões. 
 
 
 
 
 
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76 
Os direitos dos trabalhadores, que ganharam muita força nas cidades industrializadas, como 
nas capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo, mesmo quando previstos, não eram respeitados. As 
autoridades faziam vistas grossas, como foi o caso da regulamentação da mão de obra infantil 
(1891) e do direito às férias (1926). No campo, as condições ainda eram piores. Os trabalhadores 
rurais eram totalmente dependentes dos proprietários desde sua alimentação até o acesso a um 
remédio, em uma relação paternalista. 
Embora previsto na Constituição Monarquista de 1824, a educação primária como obrigação 
do Estado nunca foi efetivada. Depois, com a Constituição Republicana de 1891, essa obrigação 
foi retirada e deixada para ser uma questão particular. Para se ter uma ideia, o Estado só se 
comprometeu com a educação obrigatória do ensino básico (o que hoje equivale ao ensino 
fundamental) no período da Ditadura Militar, em 1971. Nesse contexto, precisava de mão de obra 
para o desenvolvimento da indústria. Não é à toa que nosso país encontra ainda hoje vários 
desafios educacionais, como o alto índice de analfabetismo funcional. 
De 1930 a 1985, os direitos civis e os direitos políticos variaram bastante, sendo alguns 
restritos e outros abolidos. Na Constituição de 1946, houve avanços nos direitos políticos, com a 
extensão do voto tanto para homens como para mulheres maiores de 18 anos (excluídos os 
analfabetos), o que fez o nível de participação aumentar: em 1945 era de 13,4% da população. Em 
1950 era de 15,9% e em 1960 de 18%. Embora ainda baixo, o índice de participação estava 
crescendo. 
Os direitos sociais tiveram certa evolução, embora sempre controlados e supervisionados 
pelo Estado. Essa configuração fez o sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos chamar o status 
brasileiro de “cidadania regulada”, isto é, uma cidadania restrita e sempre vigiada pelo Estado, do 
ponto de vista legal e/ou policial. 
Em plena a Ditadura do Estado Novo (1937-1945), alguns direitos sociais foram 
implementados, como a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e com a 
Consolidação das Leis do Trabalho (1943),que estabeleceu um grande marco e, atualmente, está 
passando por modificações. Dentre as conquistas, foi estabelecida a jornada de 8 horas diárias, a 
regulamentação do trabalho feminino e infantil, férias remuneradas e salário-mínimo. 
 
 
 
 
 
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76 
Para garantir o que dispunha a CLT, foi montada uma estrutura jurídica (Justiça do Trabalho), 
sindical e previdenciária (Instituto de Aposentadorias e Pensões). Nessa fase, os sindicatos ficaram 
sob a tutela do Estado, caso contrário não eram reconhecidos e poderiam perder as proteções a 
que tinham direito. Assim, acabavam perdendo a liberdade em agir de forma crítica e reivindicatória. 
No período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985), os direitos civis e políticos foram 
restringidos. Por meio dos Atos Institucionais, tornou-se lei a falta de direitos, portanto podemos 
concluir que lei nem sempre corresponde a direitos, a justiça. A partir de 1978, no Governo Geisel, 
começou a abertura lenta e gradual. Foi votado o fim do AI-5 e, em 1979, foi sancionada a Lei 
de Anistia, que permitiu a volta dos brasileiros exilados. 
Se, no período da Ditadura Civil-Militar, os direitos civis e políticos foram extintos, alguns 
direitos sociais foram criados para transparecer um mínimo de cidadania para as autoridades 
internacionais. Foi implementado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que abrangia o 
trabalhador rural, os empregados domésticos e os trabalhadores autônomos. Foi nesse contexto 
que se criou o regime próprio para o funcionalismo público. Estabeleceu-se como obrigatoriedade 
do Estado a garantia do ensino por meio do crédito facilitado. 
 
Na redemocratização, pós-1985, pela primeira vez na História de nosso país, os direitos 
civis, políticos e sociais foram garantidos e estendidos a todos em lei, com a Constituição 
de 1988. Esses direitos humanos estão acima dos governos e legalmente definidos. 
 
Acesso aos direitos no Brasil, segundo Gilberto Dimenstein 
 
 
 
 
 
 
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76 
 
O livro "O Cidadão de Papel", de Gilberto Dimenstein, 
aborda a discrepância entre os direitos previstos na 
Constituição de 1988 e sua efetivação prática. Publicada em 
1994 e vencedora do prêmio Jabuti (o mais importante da 
literatura nacional) naquele ano, a obra nasce da desilusão 
do autor diante dos diversos direitos conquistados ao longo 
dos anos anteriores, os quais, na prática, não eram validados 
aos brasileiros. 
A Constituição de 1988 foi promulgada após intenso e longo debate da Constituinte, com 
participação da sociedade civil. Dois anos depois, o Estatuto da Criança e do Adolescente 
(1990) foi promulgado no Brasil, trazendo esperança de dias melhores aos cidadãos. 
Entretanto, conforme notou Dimenstein, as prerrogativas previstas nos documentos, 
como acesso à educação de qualidade, à cultura, ao lazer, à saúde, entre outras, estavam 
muito distantes da efetivação concreta, principalmente no que se referia às novas 
gerações. Por isso, Dimenstein concluiu que o Brasil tinha cidadãos de papel, os quais, na 
letra da lei, possuíam direitos de primeiro mundo; contudo, na prática, eram privados do 
acesso às prerrogativas fundamentais. 
Além disso, o autor busca reconhecer as causas do problema, concluindo que a principal 
razão para a perpetuação desse cenário era a falta de conhecimento da população acerca 
do que estava previsto na legislação. Desse modo, sem ter informações sobre como 
funciona a lógica do Estado Democrático de Direito e sem conhecer a Constituição e as 
demais leis do país, a população não reconhece os deveres do Estado e, por isso, não luta 
pela efetivação dos direitos. 
 
 
 
 
 
 
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76 
Dica marota: cidadania em Thomas Marshall 
 
 
 
Modelo de Redação: 
A importância da Constituição Cidadã, marco da democracia brasileira 
 
Nos anos de 1987 e 1988, o Congresso Nacional do Brasil passou por uma fase de 
imensa importância: a Constituinte. Com o objetivo de formular um documento 
constitucional democrático e de afastar a recente imagem autoritária deixada pelos 
governos militares, centenas de parlamentares se reuniram sob a liderança de Ulysses 
Guimarães, discutindo, analisando demandas populares e, por fim, construindo a Carta 
Magna da nação. Contudo, embora seja uma conquista histórica fundamental, a 
Constituição Cidadã não é plenamente efetivada por causa do desconhecimento da 
população sobre ela, ameaçando, por conseguinte, a cidadania dos indivíduos. 
A princípio, é possível perceber como diversas conquistas previstas na mais 
importante legislação do país não são efetivamente asseguradas a todos, como saúde, 
educação e moradia de qualidade. Essa situação foi analisada pelo jornalista Gilberto 
Dimenstein, para quem os brasileiros têm pouca capacidade para exigir os seus direitos, 
 
 
 
 
 
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76 
pois sequer conhecem as garantias previstas na Carta Magna. Desse modo, tornam-se 
apenas “cidadãos de papel”, uma vez que as prerrogativas constitucionais só estão 
presentes na letra da lei, e não na vida prática da coletividade. 
Como consequência, boa parcela da população fica privada da cidadania. Segundo o 
sociólogo Thomas Marshall, essa condição é alcançada quando uma sociedade é capaz de 
submeter todos os seus membros a um igual conjunto de direitos, efetivando as garantias 
aprovadas como leis de forma equânime para todos. Dentro dessa perspectiva, a baixa 
qualidade do atendimento em saúde, a falta de vagas em escolas e a alta taxa de pessoas 
sem ter onde morar são exemplos que demonstram o não cumprimento da Constituição 
Cidadã e a ruptura da condição de cidadão para os marginalizados. 
Portanto, para que os brasileiros conheçam seus direitos e possam viver como 
legítimos cidadãos de seu país, é preciso popularizar a Carta Magna. Assim, cabe às escolas 
discutirem a Constituição do país por meio de aulas interdisciplinares, com o objetivo de 
possibilitar condições para que todos possam lutar pela efetivação do que está previsto no 
mais importante documento legislativo do Brasil. Assim, o legado deixado pelos 
parlamentares da Constituinte permanecerá vivo entre nós. 
 
 
 
 
 
 
 
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76 
Mapa mental sobre direitos e cidadania 
 
 
 
 
 
 
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76 
3. QUESTÕES AMBIENTAIS 
 
Desde o período conhecido como Pré-História, os homens enfrentam diversos riscos, 
principalmente aqueles de ordem natural, como as secas, os terremotos, os raios, as tempestades, 
os vulcões, as enchentes, os tsunamis, etc. Atualmente, muitos desses fenômenos podem ser 
previstos e ter seus efeitos reduzidos. 
Diferentemente de outros períodos históricos, a sociedade contemporânea intensificou 
os riscos de uma outra ordem, ou seja, aqueles produzidos pela própria ação dos homens. 
As formas de relação entre técnica/ tecnologia com a natureza tem impactado drasticamente o meio 
ambiente. 
 
Esses dois parágrafos acima são excelentes para você colocar na introdução de temas 
relacionados ao meio ambiente! 
 
No modo de produção capitalista, que necessita constantemente de inovação e de 
recursos naturais para impulsionar a produção e o consumo em massa – característica 
intensificada pelo sistema produtivo fordista-taylorista do início do século XX –, implica-se a 
produção em larga escala a preços competitivos. As mudanças no meio ambiente se aceleraram 
e se intensificaram, devido à exploração massiva de recursos naturais. Como consequência, 
espécies da flora e da fauna foram extintas. Reservas de recursos minerais começaram a se 
esgotar, e o solo ficou cada vez mais degradado. 
Aquela promessa iluminista da modernidade de que os avanços técnico-científicos 
contribuiriam para a emancipação social, isto é, que o ser humano superaria a rudeza do trabalho 
e da dominação social por ser dotado de inteligência, vontade e liberdade, não se concretizou. Ao 
 
 
 
 
 
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76 
contrário do esperado, a modernização acelerada gerou novas formas deexploração do 
trabalho e novos riscos, como as guerras químicas, guerras nucleares, falta de água potável, 
escassez de alimentos em diversas partes do mundo, etc. 
O sociólogo alemão Ulrich Beck denominou as últimas décadas do século XX de 
“sociedade de risco”, na qual os bens coletivos não estão mais garantidos. A produção 
social das riquezas é acompanhada pela produção de riscos sociais e ambientais. Viver em 
uma sociedade de risco implica viver uma era de incertezas. A produção em massa a serviço de 
interesses econômicos pode alterar a vida no planeta, dificultando a sobrevivência humana. 
São muitos os efeitos das mudanças resultantes da relação que os seres humanos 
estabelecem entre si e a natureza, por exemplo: a poluição do ar, que gera como consequência 
problemas de saúde (respiratórios, cânceres e doenças pulmonares); a poluição hídrica, a qual 
afeta, principalmente, a população mais pobre, desencadeando diarreia, disenteria e hepatite; a má 
gestão dos resíduos sólidos, que contribui para a poluição hídrica e proliferação de doenças; e o 
aquecimento global. Os ambientalistas sempre destacam o aquecimento global, então, todo 
cuidado é pouco! O aquecimento global é causado pelas ações humanas, como a queima de 
petróleo e de carvão, a destruição de florestas e a emissão de diversos tipos de gases, os quais 
levam à concentração de gases no chamado efeito estufa. Esses gases retêm o calor na atmosfera 
terrestre, um efeito essencial para a vida, desde que seja em níveis adequados. Dessa forma, com 
a emissão de quantidades de gases excessivas, há o aumento gradual da temperatura média na 
Terra. 
Só para se ter uma ideia, de acordo com a National Oceanic & Atmospheric Administration, 
a taxa de carbono na atmosfera, há cerca de 13 mil anos, era de 180 partes por milhão (ppm). 
Milênios depois, no século XVIII, antes das revoluções industriais, a taxa passou para 280 ppm. De 
lá até aqui, com pouco mais de 300 anos de diferença, o nível de carbono atingiu a impressionante 
marca de 424 ppm em maio de 2023 – ou seja, um aumento extraordinariamente elevado para o 
tempo decorrido, o que indica com clareza que a emissão dos gases resultantes da queima de 
carvão e petróleo (atividades iniciadas respectivamente na Primeira e na Segunda Revolução 
Industrial) faz com que a atmosfera seja modificada em velocidade muito maior do que a natural 
em decorrência da ação humana. 
 
 
 
 
 
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Por causa do aumento da temperatura, blocos de gelo derretem, fazendo com que o nível 
do mar suba, assim como gerando sérias consequências ambientais. Para conter esse processo, é 
preciso um pacto entre as nações para reduzir a emissão de gases nocivos que são produzidos 
pelas indústrias e por produtos que utilizamos no nosso cotidiano. Esse pacto, em teoria, foi firmado 
por 195 países, em 2015, no Acordo de Paris (COP21), porém a redução de danos de cada nação 
é determinada de maneira autônoma pelos seus líderes. Especialistas indicam que as metas 
apresentadas estão longe de alcançar o objetivo de impedir que a temperatura se eleve além de 
1,5 grau até o final do século. 
A emissão dos gases estufa, relacionados com o problema global mais grave da atualidade, 
não é a única preocupação no que se refere à poluição atmosférica. De acordo com a ONU, em 
2021, 8,1 milhões de pessoas morreram no mundo em decorrência da poluição, taxa comparável 
às mortes causadas por cigarro. Tais mortes são causadas por material particulado, principalmente 
pelas chamadas PM2,5 – partículas que, com o diâmetro minúsculo de 2,5 micrômetros, adentram 
os pulmões e passam para a corrente sanguínea. Essas partículas são produzidas por meios de 
transporte e estão presentes na fumaça de incêndios florestais. 
 
Cubatão: de “vale da morte” a exemplo de recuperação 
Cubatão, localizada no estado de São Paulo, foi uma das cidades mais industrializadas do 
Brasil durante a segunda metade do século XX. No entanto, essa industrialização trouxe 
consigo sérios problemas ambientais, levando a cidade a ser conhecida como o "Vale da 
Morte". Nos anos 1980, Cubatão foi considerada uma das cidades mais poluídas do mundo, 
com níveis alarmantes de poluição do ar, da água e do solo, resultando em graves 
problemas de saúde para a população e danos significativos ao meio ambiente. 
A degradação ambiental de Cubatão começou na década de 1950, quando grandes 
indústrias químicas, siderúrgicas e petroquímicas se instalaram na região privilegiada – a 
cidade é próxima à capital e ao porto de Santos. A ausência de regulamentações ambientais 
rigorosas e o rápido crescimento industrial sem controle adequado resultaram em 
 
 
 
 
 
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emissões massivas de poluentes. A poluição atmosférica era tão severa que, 
frequentemente, causava uma névoa tóxica a qual pairava sobre a cidade. Além disso, os 
rios da região foram contaminados com resíduos industriais, afetando a fauna e a flora 
locais e comprometendo a saúde dos moradores. 
A situação crítica de Cubatão atraiu a atenção nacional e internacional, gerando pressão 
pública e ações governamentais para enfrentar o problema. Na década de 1980, o governo 
brasileiro, juntamente com as indústrias locais, implementou um conjunto de medidas para 
reduzir a poluição e promover a recuperação ambiental da cidade. Estavam entre as ações 
adotadas a instalação de filtros e sistemas de controle de emissões nas fábricas, a 
despoluição dos rios, a replantação de áreas desmatadas e a adoção de práticas industriais 
mais limpas e sustentáveis. 
Além das medidas tecnológicas e regulatórias, a recuperação de Cubatão envolveu um 
forte engajamento da comunidade e a implementação de programas de educação 
ambiental. A criação de áreas verdes e parques também fez parte dos esforços para 
melhorar a qualidade de vida dos habitantes e restaurar o ecossistema local. Essas 
iniciativas foram complementadas por políticas de fiscalização ambiental mais rigorosas, 
que asseguraram o cumprimento das novas normas e a continuidade dos progressos 
alcançados. 
Como resultado desses esforços, Cubatão conseguiu reverter boa parte dos danos 
ambientais sofridos e melhorar significativamente a qualidade do ar e da água. A cidade, 
que antes era um símbolo de poluição e degradação ambiental, tornou-se um exemplo de 
recuperação ambiental: Cubatão é reconhecida não apenas por seu passado sombrio, mas 
também pela transformação bem-sucedida que a colocou no caminho da sustentabilidade 
ambiental. 
 
Outro aspecto em debate é sobre o uso da água. Assim surge o conceito de “água virtual", 
o qual se refere à quantidade de água utilizada na produção de bens e serviços, mas que não é 
 
 
 
 
 
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76 
visível ou diretamente consumida pelos usuários finais. É chamada de "virtual", porque a água é 
usada no processo de produção de produtos, mas não é necessariamente visível no produto. 
Por exemplo, para produzir uma xícara de café, é necessário utilizar água para irrigar as 
plantações de café, lavar os grãos, processá-los, embalá-los e transportá-los para o consumidor 
final. Toda essa água utilizada durante o processo de produção é considerada água virtual. O 
conceito ajuda a pensar como um país faz a gestão de todo o seu recurso hídrico, e não apenas a 
água que ele usa diretamente para matar a sede e lavar as coisas. Assim, ele ajuda, por exemplo, 
a pensar acerca da realidade da água no Brasil. 
O Brasil é o quinto maior exportador de água virtual do mundo, principalmente na forma de 
produtos agrícolas (fonte: Water Footprint Network). O setor agropecuário é responsável por cerca 
de 72% da água virtual utilizada no Brasil, seguido pelos setores de energia e manufatura (fonte: 
ANA). A cada 100 litros de água tratada produzidos no Brasil, 72 vão para o agronegócio. Isso 
significa dizer que mais do que 70% do abastecimento é endereçado à agricultura e à pecuária, 
segundo dados recentes daAgência Nacional de Águas (ANA). A população mesmo consome 
apenas 4%, sabia? 
O Brasil sozinho representa 19% do estoque mundial de água doce (ONU), mas a maior 
parte da água virtual disponível é direcionada à agroexportação e exportação pecuária, e, não raro, 
o país passa por crises hídricas. Isso nos leva à seguinte reflexão: a gestão dos recursos hídricos 
é uma questão ambiental e econômica, uma vez que, em situações de escassez, é necessário 
alocar a água para onde possa gerar maiores benefícios para a sociedade. No entanto, como a 
água é um bem público, o mercado não é o único fator determinante. A escolha de como utilizar a 
água, seja para produzir alimentos para a população, para culturas ligadas a biocombustíveis ou 
para plantações de commodities para exportação, é uma decisão política. Arjen Hoekstra, criador 
do conceito de "pegada hídrica", destaca a importância da escolha política na gestão da água. 
Os países mais desenvolvidos economicamente são aqueles que mais causam danos ao 
meio ambiente, já que são grandes consumidores e exploradores de recursos naturais, enquanto 
os países mais pobres pagam “o pato”, porque, além de sofrerem as consequências, que são 
mundiais, precisam se industrializar e não possuem, em sua maioria, legislação protetiva rigorosa. 
Além disso, muitos são receptáculos de lixo eletrônico e lixo tóxico. Esse processo é conhecido 
 
 
 
 
 
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76 
como “dumping ecológico”, isto é, instalações de filiais de empresas poluidoras de 
determinados países em outros, nos quais as leis ambientais são menos rígidas. 
Dados de Pesquisa: 
 Apenas 9% é o volume de resíduos plásticos produzidos no mundo, desde a década 
de 1950, que realmente foi reciclado (ONU). Sobra muito, né? O que acontece é que os 
países ricos enviam imensas quantidades de lixo para países mais pobres com a justificativa 
de que é doação para reciclagem. Não há, contudo, nenhuma certeza de que esse lixo 
realmente seja reciclado ou que o país tenha tecnologia para reciclá-lo. Sabe o que vem 
acontecendo? 
 Um movimento sem lei e sem escrúpulos de envio do lixo de países ricos aos mais 
pobres. Em 2017, a China resolveu parar de receber plástico não industrial internacional, e 
o mundo se tornou um lugar ainda mais caótico com o excesso de lixo internacional, sendo 
direcionado para países como Vietnã e Malásia. 
 Em 2019, a Malásia, que havia se tornado um destino popular para os resíduos após a 
proibição da China, devolveu 3.000 toneladas de lixo para países como Austrália, Canadá e 
Estados Unidos. 
 Em 2021, o Líbano se tornou o mais recente país a enfrentar uma crise de lixo, com 
enormes pilhas de resíduos se acumulando nas ruas de Beirute. O governo do Líbano 
atribuiu a crise a um atraso na importação de peças de reposição para seus caminhões de 
coleta de lixo, mas muitos críticos acreditam que a falta de planejamento e infraestrutura 
adequados também contribuíram para o problema. 
 Com o intuito de tentar combater esse problema, foi assinado um novo acordo para 
limitar o tipo de lixo plástico que pode ser enviado para outro país, é uma renovação no 
Acordo de Basileia de 1989. Brasil, Estados Unidos e Argentina estão entre os países que se 
recusaram a assinar a nova convenção. O tema retoma uma expressão que usamos desde 
nossas casas até as relações entre os países: “jogar fora”. Nossa relação com lixo é pautada 
 
 
 
 
 
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pela vontade de logo “se livrar” de objetos aparentemente inúteis. A expressão "jogar fora" 
é uma forma comum de descrever o ato de se livrar de algo que não é mais desejado ou 
necessário. No entanto, essa noção é errada quando se trata de lixo, pois não existe 
realmente um "fora". Quando descartamos algo, esse objeto não desaparece 
magicamente, mas sim é enviado para algum lugar, um aterro sanitário, uma usina de 
incineração ou um local de reciclagem. 
 O problema é que muitas vezes não consideramos o destino final do nosso lixo e o 
impacto que ele pode ter no meio ambiente e na saúde pública. Aterros sanitários, por 
exemplo, podem contaminar o solo e a água subterrânea com produtos químicos tóxicos, 
enquanto a incineração de resíduos pode liberar gases de efeito estufa e poluentes 
atmosféricos nocivos. 
 
Enquanto os mais ricos são os maiores causadores de impactos ao meio ambiente, os mais 
pobres são aqueles que sofrem mais diretamente os efeitos das mudanças climáticas. Isso está 
relacionado ao conceito “racismo ambiental”, termo cunhado por Benjamin Chavis nos anos 
1980, referindo-se às práticas e políticas que colocam comunidades de minorias raciais em 
situações de maior vulnerabilidade ambiental. Esse conceito destaca como grupos marginalizados, 
especialmente afro-americanos, latinos e indígenas, são desproporcionalmente afetados por 
poluição, desastres ambientais e falta de acesso a recursos naturais de qualidade. 
Chavis, um ativista dos direitos civis e ambientalista, definiu racismo ambiental como a 
imposição de políticas ambientais, práticas ou regulamentos sobre comunidades minoritárias, 
resultando em condições de vida prejudiciais à saúde e ao bem-estar desses grupos. Essa 
imposição é frequentemente motivada pela discriminação racial, resultando em uma distribuição 
desigual dos benefícios ambientais e dos ônus. Por exemplo, indústrias poluentes são 
frequentemente instaladas em áreas habitadas por minorias, e estas comunidades têm menos 
poder político e econômico para combater essas decisões. 
 
 
 
 
 
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O conceito de racismo ambiental também abrange a iniquidade na aplicação das leis 
ambientais. Comunidades de minorias frequentemente enfrentam uma aplicação menos rigorosa 
das leis ambientais, permitindo que poluidores escapem das punições que seriam aplicadas em 
áreas mais privilegiadas. Isso resulta em uma maior exposição dessas comunidades a toxinas, à 
poluição do ar e da água e a outros riscos ambientais. Além disso, essas comunidades, geralmente, 
têm menor acesso a parques, áreas verdes e outros recursos naturais que promovem a saúde e o 
bem-estar. 
Esse conceito traz à luz a interseção entre direitos civis e questões ambientais, enfatizando 
a necessidade de políticas inclusivas e equitativas que protejam todas as comunidades de riscos 
ambientais e garantam um ambiente saudável para todos. 
Como podemos perceber, as possíveis soluções são de âmbito global, carecendo de pactos 
efetivos entre as nações. É fundamental pensar numa nova ética, que ficou denominada de 
ecoética, isto é, uma relação respeitável e responsável dos seres humanos com o planeta, 
considerando uma forma de cidadania terrestre. Essa visão mostra que todos são 
corresponsáveis pela proteção e preservação do meio ambiente. 
No Brasil, Aílton Krenak, jornalista, ambientalista e ativista indígena atuante há décadas no 
país, é um defensor de uma ética diversa na relação do ser humano com a natureza. Sua atuação 
em favor dos povos indígenas é histórica: em 1987, por ocasião da Constituinte, fez uma dura fala 
no Congresso Nacional em favor dos direitos dos povos indígenas, exigindo a demarcação das 
terras das populações tradicionais enquanto passava no rosto tinta de jenipapo – usada por sua 
etnia em situações de luto. Para ele, o povo branco e os habitantes originários do país permanecem 
em uma guerra que começou no início da colonização e se perpetua até a atualidade, por meio de 
ataques a grupos indígenas, ocupação indevida de suas terras e contaminação de suas reservas 
naturais – a esse respeito, é digno de nota que a etnia Krenak habita, há séculos, às margens do 
Rio Doce, o qual consideram uma entidade viva e parente da população. Esse rio, em 2014, foi 
contaminado pelos resíduos que escaparam da barragem de rejeitos da Samarco, empresa que 
opera para a mineradora Vale, desastre que até hoje causa danos os quais demorarão para serem 
revertidos.29 
76 
 
Para Krenak, a sociedade branca acelera o fim do mundo por meio do modelo produtivo 
devastador e do entendimento da natureza como recurso a ser explorado, e não bem a ser 
preservado. Na sua opinião, é necessário poder contar outras histórias que não aquela ditada 
pela globalização, pautada justamente nesse processo de extração excessiva, produção em larga 
escala e geração imensa de resíduos. Ouvir as histórias dos povos tradicionais, que dialogam com 
as montanhas, com os rios e com as nuvens; respeitar o ponto de vista dessas sociedades; e trazer 
os saberes indígenas de preservação ambiental para a atualidade (as terras indígenas no Brasil 
são as que detêm a maior parte da sua cobertura vegetal incólume) é preservar o futuro, um futuro 
que só terá lugar se for ancestral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Bem-vindo ao Antropoceno! 
 
Antropoceno é um termo usado por alguns cientistas para descrever o período mais 
recente na história do planeta. 
 
O início desse período foi discutido por anos, tendo sido aventado o século XVIII, quando 
as atividades humanas começaram a ter um impacto global significativo no clima da Terra 
e no funcionamento dos seus ecossistemas. Essa data coincide com abundante uso de 
combustíveis fósseis e com a Segunda Revolução Industrial. 
No ano de 2023, uma nova definição dos cientistas indicou o início do Antropoceno em 
meados do século XX. Com base em análises do Lago Crawford, novo marco geológico 
para os estudos do período, percebeu-se que a década de 1950 marca a introdução, nos 
resíduos do lago, de plutônio e outros materiais radioativos, os quais só existem na 
natureza por terem sido dispersados pelo ser humano. Junto com o acúmulo de plástico, 
as mudanças atmosféricas e o esgotamento de recursos, a geração de lixo nuclear marca 
a entrada nessa nova era. 
Perante o alcance das consequências da ação do homem na evolução do planeta, o 
Antropoceno é reconhecido e classificado como uma nova época geológica, em que o ser 
humano se torna a força ambiental dominante no planeta, capaz de gerar alterações 
climáticas, biológicas e geológicas. 
Essa nova era carrega consequências para um sem número de questões ambientais: 
aumento da concentração de CO2 na atmosfera e, consequentemente, da temperatura 
global; acidificação e criação de zonas mortas nos oceanos; acúmulo de material sintético 
 
 
 
 
 
 31 
76 
produzido pelo homem, incluindo plástico; aceleração indômita da taxa de extinção, 
especialmente entre artrópodes e moluscos; fim ou rarefação de matérias-primas 
excessivamente extraídas; mudanças nos regimes de chuvas; empobrecimento dos solos; 
contaminação da água; instabilidade de condições de vida, levando milhões de pessoas a 
se tornarem refugiados climáticos; entre outros. 
O termo Antropoceno foi usado pela primeira vez de maneira informal pelo nobel de 
química Paul Crutzen para se referir justamente ao tamanho do impacto humano atual. 
Hoje, a linha de frente dos estudos sobre o tema no mundo é conduzida por um largo 
grupo de cientistas, liderado pelo geólogo islandês Jan Zalasiewicz. 
 
Greta Thunberg e o ativismo climático 
 
Greta Thunberg é uma jovem sueca que inesperadamente tornou-se um dos maiores ícones 
contemporâneos da luta ambiental. Nascida em 2003, seu ativismo inclui atuação nas redes 
sociais e participação em encontros e projetos de proteção ao meio ambiente. Ela chamou a 
atenção do mundo em 2018: naquele ano, ondas de calor, incêndios e outros problemas 
decorrentes das mudanças climáticas assolaram a Suécia; a partir daí, ela resolveu, sozinha, fazer 
um protesto nas escadas do parlamento do seu país todos os dias até as eleições gerais: seu 
objetivo era pressionar os políticos pela redução das emissões de carbono. 
Após o pleito eleitoral, ela continuou realizando manifestações às sextas-feiras, inspirando 
primeiro outros suecos e, depois, jovens e adultos do mundo inteiro a se mobilizarem em torno 
da pauta climática, tendo, em setembro de 2019, ampla repercussão no mundo todo. No dia 23 
do mesmo mês, ela foi convidada a discursar na Cúpula do Clima das Nações Unidas, onde fez 
duras críticas aos governantes que não endossavam a transição para um modelo verde. Sua 
 
 
 
 
 
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76 
atuação gerou inúmeras reações negativas, especialmente da ala dos “negacionistas” (pessoas 
que “não acreditam” em aquecimento global). 
Greta foi homenageada e premiada por diversas instituições nos últimos dois anos: uma 
indicação ao Nobel da Paz, presença na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista 
Time e o Prêmio Embaixador da Consciência, concedido pela ONG Anistia Internacional, uma das 
mais ativas e importantes do mundo. Gerando controvérsias, sendo dura e buscando viver 
conforme suas palavras, Greta é um exemplo de ativismo contemporâneo em busca de um 
despertar global diante das questões climáticas, sendo constantemente multada e levada a 
delegacias simplesmente por protestar contra mineração de carvão, queima de combustíveis 
fósseis para geração de energia, entre outros. 
Desastres ambientais: as chuvas no Rio Grande do Sul 
As chuvas intensas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 trouxeram graves 
consequências para a população e para o meio ambiente. Os volumes de precipitação 
recordes resultaram em enchentes, deslizamentos de terra e destruição de ecossistemas 
locais, evidenciando a fragilidade ambiental da região diante de eventos climáticos 
extremos. 
Para se ter uma ideia, o fluxo de precipitação se deu entre os dias 27 de abril e 2 de 
maio, quando o índice pluviométrico atingiu entre 500 e 700 mm, uma taxa que 
corresponde a um terço da chuva esperada para o ano todo! Cerca de 14 trilhões de litros 
de água foram escoados pelo rio Guaíba, causando, evidentemente, o transbordamento do 
corpo d’água. Os números são todos superlativos: 478 municípios foram afetados, cerca de 
442 mil pessoas tiveram que deixar suas casas e mais de 640 mil residências ficaram sem 
abastecimento de água potável. 
Um dos principais fatores ambientais relacionados a essa tragédia é o desmatamento 
e a ocupação desordenada do solo. O desmatamento reduz a capacidade do solo de 
absorver a água da chuva, aumentando o escoamento superficial e, consequentemente, o 
 
 
 
 
 
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risco de enchentes e deslizamentos. Além disso, a urbanização sem planejamento 
adequado compromete a drenagem natural das águas pluviais, agravando o impacto das 
chuvas. 
As mudanças climáticas também desempenham um papel crucial nesse cenário. O 
aumento da temperatura global influencia os padrões de precipitação, tornando eventos 
extremos, como tempestades e períodos prolongados de chuvas, mais frequentes e 
intensos. Nesse sentido, pesquisa da World Weather Attribution estimou que a atual 
temperatura do planeta aumentou em duas vezes a probabilidade de ocorrer um evento 
como as chuvas do Rio Grande do Sul. 
Outro impacto ambiental relevante é a contaminação da água e do solo. As enchentes 
arrastam resíduos sólidos, produtos químicos e esgoto para rios e lagos, comprometendo 
a qualidade da água e afetando a biodiversidade aquática. Em decorrência disso, o estado 
contabilizou mais de 6500 notificações de potencial contração de leptospirose, que 
levaram à morte ao menos 25 pessoas. 
Ademais, a destruição de áreas agrícolas e a erosão do solo reduzem a fertilidade da 
terra, prejudicando a produção de alimentos e a economia local. Algumas lavouras ficaram 
totalmente imersas na água, e o arroz foi o gênero mais prejudicado. Além do prejuízo 
evidente, o prejuízo ao cultivo de alimentos foi um dos fatores responsáveis para que o 
preço da comida sofresse inflação acima da média do IPCA. 
Diante desse cenário, torna-se essencial adotar políticas públicas eficazes para 
enfrentar os desafios ambientais associados às chuvas extremas. Investimentos em 
infraestruturaverde, reflorestamento, preservação de áreas de mata ciliar e planejamento 
urbano sustentável são medidas fundamentais. A negligência das autoridades diante dos 
avisos de que haveria chuvas intensas e diante do conhecimento a respeito dos riscos das 
mudanças climáticas deve ser enfrentada se quisermos minimizar os impactos futuros. 
Uma alternativa interessante para o escoamento de água é reconstruir as cidades 
para que se tornem cidades-esponja. O conceito baseia-se na ideia de que as áreas urbanas 
 
 
 
 
 
 34 
76 
devem ser projetadas para absorver, armazenar e reutilizar a água da chuva de maneira 
eficiente, reduzindo o escoamento superficial e minimizando os impactos das inundações. 
Para alcançar esse objetivo, as cidades-esponja incorporam diversas soluções 
baseadas na natureza e em infraestrutura sustentável. Entre as principais estratégias estão 
a criação de áreas verdes permeáveis, como parques e jardins de chuva, o uso de 
pavimentos porosos, a recuperação de rios e nascentes e a instalação de telhados e 
fachadas verdes. Essas medidas permitem que a água seja absorvida pelo solo, 
recarregando os lençóis freáticos e reduzindo a sobrecarga nos sistemas de drenagem 
tradicionais. 
O conceito de cidade-esponja ganhou destaque especialmente em países como a 
China, que implementou projetos-piloto em diversas metrópoles para lidar com os desafios 
das mudanças climáticas e da urbanização acelerada. Cidades ao redor do mundo também 
têm adotado essa abordagem a fim de tornar os centros urbanos mais sustentáveis e 
preparados para eventos climáticos extremos. 
Além de reduzir enchentes, as cidades-esponja trazem benefícios adicionais, como a 
melhoria da qualidade do ar, a regulação da temperatura urbana, a promoção da 
biodiversidade e a criação de espaços de lazer e bem-estar para a população. 
 
 
 
 
 
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76 
 
 
Parque Jinhua Yanweizhou, na cidade de Jinhua, China. 
Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/05/o-que-e-uma-cidade-esponja-e-como-ela-
funciona-para-evitar-enchentes 
 
Modelo de Redação: Importância da Amazônia 
 
A Amazônia, maior bioma do mundo, sofre anualmente a drástica redução de sua 
área original em decorrência da expansão de atividades ilegais e de extremo prejuízo para 
a floresta: o desmatamento e as queimadas. Nesse sentido, faz-se relevante analisar os 
impactos causados por essas atividades em âmbito ambiental e econômico, além de propor 
ações para combater a destruição da Floresta Amazônica. 
https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/05/o-que-e-uma-cidade-esponja-e-como-ela-funciona-para-evitar-enchentes
https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2024/05/o-que-e-uma-cidade-esponja-e-como-ela-funciona-para-evitar-enchentes
 
 
 
 
 
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Em princípio, os danos ambientais causados pela devastação de áreas verdes são 
imensos. A retirada da cobertura vegetal afeta animais de diversos portes que vivem no 
local, os quais são forçados a migrar para outras áreas e sobreviver em territórios cada vez 
menores. Além disso, o solo amazônico não é naturalmente fértil, fazendo com que a 
derrubada ou a queima de árvores não deixe condições favoráveis para a recuperação da 
floresta. 
Ademais, as consequências negativas para a nação chegam também ao âmbito 
financeiro. Isso ocorre porque o Brasil tem sido admoestado internacionalmente pela 
leniência no cuidado com seu patrimônio natural, afinal, depois da assinatura do Tratado 
de Paris, em 2015, o Brasil se comprometeu a realizar uma gestão ambiental responsável. 
Como consequência do descaso estatal em relação às queimadas e ao desmatamento da 
Amazônia, alguns países já relutam em comprar mercadorias ou efetivar acordos 
comerciais com o Brasil. 
Portanto, faz-se necessário que medidas sejam postas em prática para limitar os 
impactos ambientais e econômicos das queimadas e do desmatamento. Para tanto, o 
governo deve ampliar o efetivo de fiscais do Ibama e do ICMBio na região da Floresta 
Amazônica, principalmente nas áreas em que há histórico de repetição dessas atividades. 
Ainda, essa ação deve ser acompanhada pela atuação de ONGs internacionais na região, 
como o Greenpeace, para atestar a ampliação dos cuidados e resgatar a confiança 
 
 
 
 
 
 
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Mapa Mental sobre Meio Ambiente 
 
 
 
 
 
 
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4. MUNDO DO TRABALHO 
 
De modo mais geral, trabalho pode ser entendido como dispêndio de energia (física e mental) 
para a realização de uma determinada ação e para satisfazer necessidades individuais e coletivas. 
Na Antiguidade, a partir de reflexões dos filósofos Platão e Aristóteles, o trabalho manual 
era desprezado, inferiorizado, porque se assemelhava à atividade dos animais e não permitia tempo 
para a contemplação e o exercício da cidadania. Por sua vez, o trabalho intelectual era o mais 
valorizado e desejado, visto que, a partir dele, era possível o exercício da cidadania, o ócio e a 
contemplação. 
Na Idade Média, período esse em que a sociedade está dividida em três estamentos 
principais - 1) clérigos (aqueles que oram); 2) nobres (aqueles que guerreiam); e 3) servos (aqueles 
que trabalham) -, continua a valorização do trabalho intelectual. O trabalho estaria associado à 
provação e ao fortalecimento do espírito para alcançar o reino celeste. Segundo um dos filósofos 
medievais mais influentes, São Tomás de Aquino (1221-1274), o trabalho é um bem árduo por meio 
do qual o indivíduo se tornaria um ser humano melhor. 
Com o advento da Idade Moderna, a mentalidade começa a ser transformada. Uma das 
influências foi a Reforma Protestante (XVI), que mudou a visão religiosa perante o trabalho. Na 
perspectiva protestante, o trabalho é bom e deve ser estimulado a todos, que devem buscar uma 
vida de sucesso econômico, uma vida ativa e lucrativa. Para o sociólogo Max Weber (1864-1920), 
a ética protestante valorizava o trabalho e a busca da riqueza, o que pode ser observado na vertente 
protestante do Calvinismo. O desenvolvimento do capitalismo se deu justamente naqueles países 
em que houve a predominância desses valores. 
Na Idade Contemporânea, temos vários autores que irão refletir sobre o trabalho, entre eles: 
 
 
 
 
 
 
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Hegel: recupera o sentido do trabalho como algo positivo, associado à autoconstrução do ser 
humano. Seria uma forma de aperfeiçoamento, mas também de libertação pelo domínio que o 
ser humano exerce sobre a natureza. 
 
Karl Marx: diferentemente de Hegel, enfatiza o aspecto negativo do trabalho nas sociedades 
capitalistas, de maneira que, pela primeira vez na História, o homem foi visto de modo separado 
dos meios de produção, encontrando-se obrigado a vender sua força de trabalho para sobreviver. 
Ademais, Marx mostra que quem explora (compra essa força de trabalho) é quem, de fato, 
enriquece. Analisou as condições degradantes às quais os trabalhadores estavam submetidos 
naquele contexto. 
 
A forma de organização do trabalho em linhas de operação e montagem do início do século 
XX, colocando o operário em uma função específica no processo de produção (etapas), gerou uma 
fragmentação do trabalho e do saber, fazendo com que o trabalhador perdesse a noção do conjunto 
do processo produtivo. Essa organização da produção produtiva ficou denominada de fordismo-
taylorismo: o operário sempre repete as mesmas operações, produzindo bens estranhos à sua 
consciência, aos seus desejos e às suas necessidades. O resultado não é garantir suas 
potencialidades, tampouco contemplar suas satisfações, mas sim suprir as necessidades do 
mercado, de outras pessoas. Muitas vezes, produzem algo que não conhecem e que não terão 
condições de adquirir. 
Em seus estudos sobre o sistema capitalista, Karl Marx observou que produção é, ao mesmo 
tempo, consumo, já que há o consumo das forças vitais nesse trabalho, além do uso de matéria-
prima e de instrumentos de produção.Consumo também é produção, pois os homens se produzem 
por intermédio desse ato, seja nos aspectos biológicos (alimentação, cuidado com o corpo), seja 
nos aspectos intelectuais e emocionais. 
 
 
 
 
 
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Já para o filósofo Jean Baudrillard (1929-2007), a lógica do consumo no mundo capitalista 
se baseia exatamente na impossibilidade de que todos consumam. Para ele, o consumo funciona 
como uma forma de afirmar a diferença de status entre os indivíduos. A propaganda trata de 
assegurar essa distinção ao associar determinadas marcas consideradas de grife a 
comportamentos e padrões inacessíveis à maioria da população. 
Essa necessidade de produzir para um consumo alienado pode ficar evidente na produção 
de objetos que logo ficam ultrapassados (obsolescência programada), como ocorre com os 
celulares, os computadores, as roupas, etc. Muitos desses objetos já têm um período de vida 
estimável, porque logo depois é estimulada sua troca por versões mais atualizadas. 
Uma mudança significativa no mundo do trabalho ocorreu no pós-Segunda Guerra Mundial 
(1939-1945), quando a organização produtiva começou a mudar suas características de uma 
concepção fordista-taylorista para a concepção toyotista. 
Com a crise de superprodução na década de 1930 nos EUA e com a crise do petróleo na 
década de 1970, começaram a surgir novas formas de organização da produção, objetivando 
aumentar a produtividade e a eficiência dos trabalhadores, além de expandir os lucros. 
Esse conjunto de modificações ficou conhecido como toyotismo, que, atualmente, é o 
modelo predominante na produção das grandes indústrias. Está fundamentado na flexibilização dos 
processos de trabalho e de produção, bem como na mobilidade dos mercados de trabalho. 
Por meio do conceito de automação, no qual as máquinas não precisam ser vigiadas por 
algum trabalhador, há a eliminação do controle manual. O trabalhador agora é multitarefa, isto é, 
precisa aprender a desenvolver várias funções, a lidar com várias máquinas e a adaptar-se às 
incertezas do mercado. O engenheiro é um dos profissionais mais valorizados nesse processo, por 
causa de sua operação de planejamento e de intervenção eletrônica. 
Os produtos seguem a lógica do just in time, isto é, produção sob demanda, sem desperdício, 
produzindo somente o que é necessário e no tempo acordado, evitando estoques (crise de 
superprodução). As matérias-primas são compradas nos locais de menor custo, inclusive muitas 
empresas vão se instalar em países cuja remuneração é baixa e as leis trabalhistas flexíveis para 
 
 
 
 
 
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baratear a produção. Há uma busca por qualidade total e exigências de habilidades e competências, 
como: disciplina, concentração, resiliência, foco, criatividade, concorrência interna, etc. 
Essas características se ramificam não somente para a indústria, mas para todas as outras 
áreas de produção. Hoje há uma substituição crescente do emprego regular pelos chamados 
“terceirizados” e “temporários”. As leis trabalhistas e a segurança (estabilidade) passam a ser 
substituídas pela ideia de empreendedorismo e parcerias, meios nos quais o trabalhador, sem 
garantias, presta serviços de sua própria casa, de forma autônoma, sem vínculo empregatício. 
Como desdobramento do toyotismo, hoje se fala em Indústria 4.0, a qual é marcada pela 
junção das tecnologias de automação e fluxo de dados. Cada vez mais, o emprego de expressões 
e conceitos como a internet das coisas (tudo conectado à internet), dados em nuvem e ciberespaço 
é comum. 
 
A Indústria 4.0 visa à execução de "fábricas inteligentes", altamente conectadas. As 
estruturas são modulares, as informações e os processos são registrados na nuvem e as 
decisões são descentralizadas. Essas mudanças visam agregar valor à produção, 
proporcionar experiências personalizadas aos clientes, reduzir investimentos e aumentar 
a produtividade. 
 
Como o tratamento dos dados e a informação são essenciais nesse modelo, o termo big data 
passou a ser a expressão da vez: refere-se ao armazenamento de informações e de análise para 
detectar tendências e padrões. Nesse sentido, é empregada também a inteligência artificial, 
que promove processos inteligentes, antes tipicamente humanos, para executar tarefas 
complexas, capazes de, inclusive, reagir a emoções. 
As mudanças estão em curso, mas, certamente, o grande debate gira em torno dos efeitos 
que a Indústria 4.0 causará nos postos de trabalho. Há especialistas que apontam o crescente 
 
 
 
 
 
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aumento da informalidade e o desaparecimento de diversos postos de trabalho. Por outro lado, os 
defensores desse fenômeno alegam que haverá novas profissões e novas oportunidades de 
qualificação. Para além dessa questão, há também o debate ético sobre a relação homem-máquina, 
já que o controle das informações pode manipular o comportamento e ferir as liberdades individuais. 
Nesse contexto, os governos têm a tendência de seguir a lógica capitalista e cedem às 
exigências do mercado. Vários países têm permitido flexibilizações trabalhistas que foram 
conquistas históricas dos trabalhadores, a exemplo do Brasil. As reformas trabalhista e 
previdenciária estão inseridas em contexto no qual os empresários argumentam a necessidade de 
redução de gastos a fim de terem capacidade de reinvestimento e contratação para, por 
conseguinte, alcançarem o crescimento econômico. Outro argumento para essa precarização é que 
o mais importante é a empregabilidade, isto é, não adianta ter direitos e não ter emprego. Nessa 
perspectiva, de acordo com as reflexões do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, 
as mudanças atuais no mundo do trabalho estão entre os reflexos da “modernidade líquida”, 
que é marcada por incertezas, insegurança e desemprego em massa; um contexto no qual, 
conforme Bauman, os interesses dos grandes capitalistas ditam os governos e geram 
instabilidades sociais, políticas e econômicas. 
Nessa lógica de incentivos ao empresariado e cortes de direitos, o governo apostou que 
haveria facilidade na contratação de novos funcionários (geração de empregos), contudo nem isso 
foi realidade. A Lei 13.467/2017 já vai para o seu sexto aniversário, e os empregos não vieram - 
isso desde antes do contexto de pandemia. De acordo com o IBGE, em 2016, o país tinha 10,1 
milhões de empregados sem carteira no setor privado e 22,4 milhões de trabalhadores por conta 
própria. Já em 2019, eles eram 11,6 milhões e 24,2 milhões, respectivamente. 
 
 
 
 
 
 
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Relembre as principais mudanças da reforma trabalhista de 2017: 
1. Acordos coletivos passaram a prevalecer sobre a legislação, permitindo acordos diretos 
entre patrão e empregados; 
2. A contribuição sindical, referente a um dia de trabalho, deixou de ser obrigatória; 
3. A jornada de trabalho pode ser pactuada em 12 horas (antes o limite era de 8 horas); 
4. As férias de 30 dias corridos por ano podem ser fracionadas em até três vezes; 
5. Possibilidade do trabalho intermitente. 
 
Outra movimentação recente de mudanças é o incentivo de que as pessoas se tornem 
“CNPJ”, isto é, microempreendedores individuais que prestam serviços para empresas sem a 
exigência de contratação formal via carteira de trabalho, garantindo, assim, redução de custos com 
salário, previdência social, férias, 13º, FGTS, etc. Essa "pejotição" faz com que se aumente a 
instabilidade, uma vez que o trabalhador fica sem direitos trabalhistas e se torna responsável por 
 
 
 
 
 
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custear seus direitos sociais, além de não possuir nenhum tipo de vínculo que lhe garanta a 
continuidade na prestação de serviço. 
O número de microempreendedores individuais vem crescendo cada vez mais. Dados do 
governo federal mostram que, em 2020, das 3.359.750 empresas abertas, 2.6663.309 eram MEIs. 
No final de 2022, o Brasil registrou 14.6 milhões de MEIs, o que representa 56,7% do total de 
negócios em funcionamento

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