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1 
 
INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES. MORA. PERDAS E DANOS. 
JUROS LEGAIS. CLÁUSULA PENAL. ARRAS OU SINAL. 
 
 
 
 
 
Material elaborado por Cícero Caldart Vieira como base da aula 11 da disciplina de Direito das Obrigações 
e Responsabilidade Civil, ULBRA Campus Torres / RS, Ano/Semestre: 2025/2. 
 
Vigora no ordenamento jurídico brasileiro o princípio da força obrigatória dos 
contratos que, resumidamente, quer dizer que o contrato faz lei entre as partes (pacta 
sunt servanda). Isso significa dizer que a obrigação assumida deve ser cumprida e que 
seu descumprimento voluntário autoriza a execução forçada através do Poder 
Judiciário. Assim sendo, a manifestação de vontade validamente emitida vincula a parte, 
inclusive com seu patrimônio (art. 3911 do Código Civil). Essa regra garante segurança 
jurídica aos negócios em geral e, por isso, pode-se dizer que a principal consequência 
do direito das obrigações é garantir ao credor a possibilidade de exigir o cumprimento 
da obrigação. O adimplemento é justamente isso, o cumprimento da obrigação, 
enquanto o inadimplemento, por sua vez, é o descumprimento. 
 
O inadimplemento é, portanto, o descumprimento da obrigação. Contudo, não 
é qualquer descumprimento, apenas aquele que decorre da culpa do devedor. Culpa no 
sentido latu sensu, independente do elemento subjetivo de ter ou não a intenção de 
descumprimento. Não se exige o dolo como requisito, bastando o elemento culpa, ou 
seja, quando o descumprimento possa ser imputado ao devedor. Caso do locatário que 
não paga o aluguel, do marceneiro que não entrega o móvel, do faxineiro que não realiza 
a limpeza e do parceiro comercial que viola clausula de confidencialidade, por exemplo. 
Enfim, o inadimplemento é o descumprimento de qualquer das modalidades das 
obrigações, com culpa atribuível ao devedor. 
 
Pode ser classificado em inadimplemento absoluto e relativo. Será absoluto 
quando o cumprimento da obrigação se tornar impossível ou quando não possa ser feito 
de forma útil ao credor, autorizando a resolução contratual, o desfazimento do negócio 
e a responsabilização patrimonial (art. 3892 do Código Civil). 
 
1 “Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor”. 
2 “Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros, atualização 
monetária e honorários de advogado. Parágrafo único. Na hipótese de o índice de atualização monetária 
não ter sido convencionado ou não estar previsto em lei específica, será aplicada a variação do Índice 
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado e divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (IBGE), ou do índice que vier a substituí-lo”. 
2 
 
Será relativo, quando a prestação é realizada de forma incompleta, 
denominado, por isso, de cumprimento imperfeito da obrigação. Ocorre quando o 
devedor não observa o tempo, o lugar e/ou a forma convencionada para o cumprimento 
da obrigação, mas ainda poderá fazê-lo3, exatamente o conceito que o art. 3944 do 
Código Civil atribui à mora. Dessa forma, é correto dizer que inadimplemento relativo é 
sinônimo de mora. 
 
O inadimplemento, seja absoluto ou relativo, implica na mesma consequência 
jurídica, que é o surgimento do dever de reparar, independente de qual for a obrigação, 
de dar algo certo ou incerto; de fazer ou de não fazer. Contudo, as obrigações de não 
fazer possuem característica distintas, pois exigem uma conduta negativa. Nesse caso, 
o descumprimento significa que o devedor praticou o ato que tinha se comprometido de 
não fazer, de se abster. E, como possui característica específica, o Código Civil fixa que 
o inadimplemento, nessas modalidades de obrigações, se opera desde o dia da 
execução do ato que deveria ter se abstido (art. 3905 do Código Civil). 
 
Por outro lado, o inadimplemento se opera de forma distinta nas obrigações 
envolvendo os chamados contratos benéficos (gratuitos) e onerosos. Conforme 
intepretação do art. 3926 do Código Civil, nos contratos onerosos (onde a carga 
obrigacional é distribuída entre as partes e ambos ganham benefícios com 
contraprestações recíprocas) o inadimplemento segue a regra geral, ou seja, ambos 
contratantes respondem por culpa e/ou dolo. Já nos contratos gratuitos (benéficos - 
onde toda a carga obrigacional fica para apenas um dos contratantes), enquanto aquele 
que aufere os benefícios também responde por culpa e/ou dolo, o contratante que aufere 
apenas os sacrifícios responderá pelo inadimplemento apenas se demonstrado o dolo, 
ou seja, se for provada a intenção de descumprir a obrigação assumida. 
 
A culpa é, portanto, o elemento indispensável para caracterizar o 
inadimplemento, que deve decorrer de algo que possa ser imputado ao devedor. 
 
3 Enunciado 162 da162 da III Jornada de direito civil do Conselho de Justiça Federal: “A inutilidade da 
prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser aferida objetivamente, 
consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do sinalagma, e não de acordo com o mero interesse 
subjetivo do credor”. 
4 “Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser 
recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer”. 
5 “Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o 
ato de que se devia abster”. 
6 “Art. 392. Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o contratante, a quem o contrato aproveite, 
e por dolo aquele a quem não favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por culpa, 
salvo as exceções previstas em lei”. 
3 
 
No entanto, existem situações onde o cumprimento da obrigação se torna 
impossível por fatos que não podem ser imputados ao devedor, como no caso de força 
maior e no caso fortuito, que são excludentes de responsabilidade (art. 3937 do Código 
Civil). Força maior está relacionada a eventos extraordinários, imprevisíveis e 
inevitáveis, como desastres naturais (enchentes / furacões), guerras e epidemias / 
pandemias, por exemplo. O caso fortuito também se relaciona com eventos 
imprevisíveis e inevitáveis, mas não necessariamente extraordinários, pois podem 
ocorrer de forma mais usual, visto que, de regra, estão relacionados ao comportamento 
humano. Em resumo, são aquelas situações que, além e imprevisíveis, possuem efeitos 
que não poderiam ser evitados ou impedidos. 
 
Ainda sobre essas excludentes de responsabilidade, importa destacar que o 
art. 393 do Código Civil autoriza que o devedor renuncie a elas, assumindo, de forma 
expressa, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação, mesmo em caso fortuito 
ou de força maior. 
 
MORA. 
 
Mora significa estar em atraso no cumprimento da obrigação, seja em relação 
ao tempo, mas também em relação ao lugar e a forma. Por isso, o cumprimento 
imperfeito da obrigação também induz em mora. Contudo, se não houver qualquer ação 
ou omissão atribuível ao devedor, não estará em mora (art. 3968 do Código Civil). Isso 
porque, como visto, a culpa é um elemento indispensável para a caracterização do 
inadimplemento. E, se não houver culpa atribuível ao devedor, não haverá 
inadimplemento relativo (mora), tanto que o c. STJ9 já decidiu que a cobrança de 
encargos indevidos afasta a mora do devedor e impede e aplicação da multa. 
 
No estudo das fontes das obrigações e aprende que decorrem tanto de atos de 
vontade das partes, de forma unilateral (promessa, por exemplo) ou bilateral (contratos), 
quanto de atos de vontade do Estado, seja porque a lei cria a obrigação (alimentos, por 
exemplo) ou através do atos ilícitos, que são aqueles causam danos a outrem por 
negligência, imperícia ou imprudência (art. 186 do Código Civil). 
 
7 “Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se 
expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafoúnico. O caso fortuito ou de força 
maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir”. 
8 “Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora”. 
9 “MORA. Multa. Cobrança do indevido. Crédito Rural. - Considera-se indevida a multa uma vez que se 
reconheceu ter o devedor motivo para não efetuar o pagamento nos termos pretendidos. Art. 71 do DL 
167/67. - Embargos rejeitados. (EREsp n. 163.884/RS, relator Ministro Barros Monteiro, relator para 
acórdão Ministro Ruy Rosado de Aguiar, Segunda Seção, julgado em 23/5/2001, DJ de 24/9/2001, p. 
234)”. 
4 
 
Pois bem, em se tratando de obrigações surgidas da manifestação de vontade 
das partes, o já referido art. 394 do Código Civil estipula que incide sempre que não for 
observado o tempo, lugar e forma contratada. Contudo, no caso dos atos ilícitos, a mora 
surge a partir do ato causador do dano, não dependendo de prazo, lugar ou forma (art. 
39810 do Código Civil). 
 
Existem duas espécies de mora: (1) do devedor e; (2) do credor. 
 
A mora do devedor, em latim, chama-se mora debitoris, também chamada de 
mora solvendi (mora de pagar). Configura-se sempre que houver atraso ou o 
cumprimento imperfeito da obrigação, por parte do devedor. Pode ser dividida em mora 
ex ré e mora ex persona. A mora ex ré se opera de imediato, de pleno direito e sem a 
necessidade de qualquer ação do credor. Caso das obrigações que tem uma data certa 
para ser cumprida, um termo estipulado, motivo pelo qual o devedor incorre em mora 
desde o vencimento da obrigação (caput, art. 39711, CCB). Por exemplo, na locação de 
01 ano, quando vencido o prazo e não devolvido o imóvel, o locatário incorrerá 
automaticamente em mora. Também é o caso da obrigação decorrente de ato ilícito, 
cuja mora se opera desde a prática do ato (art. 398 do Código Civil), situações onde a 
doutrina define que ocorre a mora presumida12. Por outro lado, todas as obrigações do 
devedor que não tiverem um termo previamente estipulado, são chamadas de mora ex 
persona, exigindo do credor uma ação para constituí-lo em mora, ação que se realiza 
através de uma notificação judicial ou extrajudicial (§Ú, art. 39713, Código Civil). 
 
A mora do devedor acarreta efeitos distintos dependendo da possibilidade ou 
não do cumprimento da prestação. No caso do inadimplemento relativo, como persiste 
a possibilidade do cumprimento da obrigação, na prática, o credor poderá exigir a 
prestação acrescida de juros moratórios enquanto perdurar o atraso, correção 
monetária, eventual cláusula penal e, ainda, a reparação de todo e qualquer prejuízo 
(caput do art. 39514 do Código Civil). 
 
10 “Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o 
praticou”. 
11 “Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em 
mora o devedor. 
12 ALVIM, Agostinho. Da inexecução das obrigações e suas consequências. 3 ed. São Paulo: Editora 
Jurídica e Universitária, 1965 pág. 140. 
13 “Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou 
extrajudicial”. 
14 “Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos 
valores monetários e honorários de advogado”. 
5 
 
Se a mora implicar na impossibilidade do cumprimento da obrigação ou esta 
deixar de ser útil ao credor, o inadimplemento será considerado absoluto e implicará na 
resolução do negócio. Por isso, na prática, o credor poderá exigir perdas e danos, 
cláusula penal e reparação de todo e qualquer prejuízo (§Ú, art. 39515, Código Civil). 
 
Como visto, o devedor incorre em inadimplemento se tiver culpa no atraso ou 
cumprir de forma imperfeita a obrigação, salvo se o descumprimento decorrer de força 
maior ou caso fortuito, que não induzem em mora, na forma do art. 393 do Código Civil. 
No entanto, o devedor em mora perde essas excludentes e só será eximido de 
responsabilidade se provar que não teve culpa pelo atraso no cumprimento da obrigação 
ou que o prejuízo surgiu antes de incorrer em mora (art. 39916 do Código Civil). 
 
Além do devedor, o credor também pode incidir em mora. E a mora do credor, 
em latim se chama mora creditoris. Também é chamada de mora accipiendi (mora de 
receber) e se configura sempre que o credor recusar o cumprimento da obrigação, 
desde que essa recusa seja ilegítima e injustificada (segunda parte do art. 39417 do 
Código Civil). Se a obrigação for ofertada de forma distinta ou em local diferente, o 
credor não é obrigado a recebê-la. caso em que a recusa será legítima, pois tem o direito 
de receber a integralidade da prestação, na forma e tempo ajustado (arts. 31318 e 31419 
do Código Civil). 
 
A mora do credor exime o devedor de responsabilidade pelos prejuízos 
advindos do atraso no cumprimento da obrigação e responsabiliza o credor pelas 
despesas de conservação da coisa (art. 40020 do Código Civil). Importante esclarecer 
que incorre em dolo o devedor que, verificando a mora do credor, abandona a coisa 
causando seu perecimento ou deterioração, caso que, por agir com dolo, seguirá 
responsável pelos danos causados ao bem. 
 
15 “Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e 
exigir a satisfação das perdas e danos” 
16 “Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade 
resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de 
culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada”. 
17 “Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser 
recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer”. 
18 “Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais 
valiosa”. 
19 “Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a 
receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou”. 
20 “Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da 
coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela 
estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o 
da sua efetivação”. 
6 
 
A diferença da mora para o inadimplemento absoluto é justamente a 
possibilidade de a obrigação ser cumprida, através da purgação da mora. Purgar a mora 
significa neutralizar seus efeitos. Para o devedor, ocorrerá mediante o cumprimento da 
obrigação acrescida de todos os encargos moratórios e, para o credor, por sua vez, 
ocorrerá quando se disponibilizar a receber a prestação e ressarcir as despesas geradas 
ao devedor (art. 40121 do Código Civil). 
 
PERDAS E DANOS. 
 
O descumprimento da obrigação pode causar prejuízos ao contratante que 
cumpre pontualmente sua obrigação. Normalmente esse prejuízo será material, mas 
também poderá se dar na esfera moral quando, de alguma forma, atinge o psicológico 
do indivíduo. Dentre esses possíveis prejuízos se encontra as perdas e danos, que 
podem ser entendidas como todos os prejuízos materiais suportados em razão do 
descumprimento da obrigação. 
 
Segundo art. 40222 do Código Civil existem duas modalidades de perdas e 
danos, denominadas de danos emergentes e lucros cessantes. 
 
O dano emergente consistente no prejuízo efetivamente suportado, o valor 
exato da redução do patrimônio do credor em razão do descumprimento. Representa o 
resultado do patrimônio que a vítima tinha antes do descumprimento e o que passou a 
ter depois dele. Por exemplo, se em razão do inadimplemento a parte teve de pagar R$ 
1.000,00 para um terceiro finalizar o serviço contratado, significa que sofreu mil reais dedanos emergentes. Quando o artigo faz constar a palavra efetivamente, deixa bem claro 
que o dano emergente não se presume, deve restar provado. Não pode ser meramente 
hipotético ou mesmo futuro, deve ter sido suportado e estar provado. 
 
Os lucros cessantes, por sua vez, consistem no ganho financeiro que o credor 
teria se tivesse recebido a prestação do devedor no tempo e forma pactuada. Quando 
o artigo fala em aquilo que “razoavelmente deixou de lucrar”, afasta meras expectativas 
de ganhos futuros, compreendendo apenas aquilo que, dentro da normalidade, poderia 
ser presumido que o credor lucraria se não houvesse o descumprimento da obrigação. 
 
21 “Art. 401. Purga-se a mora: I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos 
prejuízos decorrentes do dia da oferta; II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento 
e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data”. 
22 “Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor 
abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar”. 
7 
 
Como decidido pelo c. STJ23, o lucro cessante corresponde àquilo que “até 
prova em contrário, se admite que o credor haveria de lucrar aquilo que o bom senso 
diz que lucraria, existindo a presunção de que os fatos se desenrolariam dentro do seu 
curso normal”. Por exemplo, um taxista que fica impossibilitado de utilizar seu carro por 
culpa do devedor, impedindo que trabalhe por 60 dias. É presumível que com seu 
trabalho ganharia remuneração e, por isso, pode ser indenizado na média que ganhou 
nos meses anteriores, como lucro cessante. 
 
O art. 40324 do Código Civil traz de forma expressa o que Carlos Roberto 
Gonçalves definiu como “teoria dos danos diretos e imediatos”. Basicamente, que as 
perdas e danos só incluem os danos sofridos diretamente do descumprimento da 
obrigação ou, em outras palavras, veda que se inclua nas perdas e danos prejuízos 
indiretos ou reflexos. Dano indireto também é chamado de “dano remoto”, aqueles que 
possuem outros fatores determinantes para sua ocorrência e não são uma 
consequência exclusiva e direta do descumprimento da obrigação. Portanto, o dano 
indireto não pode ser incluído nas perdas e danos, mesmo no caso de dolo do devedor, 
ou seja, mesmo que tenha descumprido a obrigação de propósito. 
 
Por se tratar da maneira mais comum de pagamento, o Código Civil regrou de 
forma específica as perdas e danos em caso de obrigação de entregar quantia em 
dinheiro. Fez constar que, nessa modalidade de obrigação, as perdas e danos serão 
pagas com atualização monetária e juros, acrescida de custas, honorários do advogado 
e da pena convencional que houver sido contratada (art. 40425 do Código Civil). 
 
Neste aspecto, relevante destacar as recentes alterações realizadas no Código 
Civil através da Lei 14.905 de 2024. 
 
23 “DIREITO CIVIL. ACIDENTE DE VEICULOS. LUCROS CESSANTES. CABIMENTO. DOUTRINA. 
PRECEDENTE DO STF. RECURSO NÃO CONHECIDO. I- A EXPRESSÃO "O QUE RAZOAVELMENTE 
DEIXOU DE LUCRAR", CONSTANTE DO ART. 1.059 DO CODIGO CIVIL, DEVE SER INTERPRETADA 
NO SENTIDO DE QUE, ATE PROVA EM CONTRARIO, SE ADMITE QUE O CREDOR HAVERIA DE 
LUCRAR AQUILO QUE O BOM SENSO DIZ QUE LUCRARIA, EXISTINDO A PRESUNÇÃO DE QUE OS 
FATOS SE DESENROLARIAM DENTRO DO SEU CURSO NORMAL, TENDO EM VISTA OS 
ANTECEDENTES. II- O SIMPLES FATO DE UMA EMPRESA RODOVIARIA POSSUIR FROTA DE 
RESERVA NÃO LHE TIRA O DIREITO AOS LUCROS CESSANTES, QUANDO UM DOS VEICULOS SAIR 
DE CIRCULAÇÃO POR CULPA DE OUTREM, POIS NÃO SE EXIGE QUE OS LUCROS CESSANTES 
SEJAM CERTOS, BASTANDO QUE, NAS CIRCUNSTANCIAS, SEJAM RAZOAVEIS OU POTENCIAIS. 
(REsp n. 61.512/SP, relator Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, julgado em 
25/8/1997, DJ de 1/12/1997, p. 62757)”. 
24 “Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos 
efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual”. 
25 “Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização 
monetária, juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional”. Parágrafo único. 
Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz 
conceder ao credor indenização suplementar”. 
8 
 
Em relação à atualização monetária, que antes se dava usualmente através da 
utilização do índice IGP-M, com a atual redação do parágrafo único do art. 38926 do 
Código Civil passou-se a utilizar do IPCA. 
 
Quanto aos juros, se antes utilizava 1% ao mês, com a atual redação do art. 
406 e seu §1º27, passou a ser utilizada a taxa SELIC, a incidir desde a citação do devedor 
(art. 40528 do Código Civil). 
 
Sobre as custas, compreenderão todas as despesas suportadas para exigir o 
cumprimento da prestação ou o ressarcimento das perdas e danos, como, por exemplo, 
taxa de protesto e custas judiciais, dentre outros inúmeros exemplos que poderiam ser 
citados. 
 
Especificamente em relação aos honorários, apesar de estarem 
expressamente referidos no art. 404 do Código Civil, existe entendimento jurisprudencial 
no sentido de que os honorários contratuais não podem ser incluídos como perdas e 
danos porque constituem liberalidade do credor para acesso à justiça e para o exercício 
do contraditório e da ampla defesa29. 
 
Por fim, pena convencional é, resumidamente, uma cláusula que fixa uma multa 
atribuída àquele que descumprir a obrigação. 
 
26 “Parágrafo único. Na hipótese de o índice de atualização monetária não ter sido convencionado ou não 
estar previsto em lei específica, será aplicada a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor 
Amplo (IPCA), apurado e divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou 
do índice que vier a substituí-lo”. 
27 “Art. 406. Quando não forem convencionados, ou quando o forem sem taxa estipulada, ou quando 
provierem de determinação da lei, os juros serão fixados de acordo com a taxa legal. §1º A taxa legal 
corresponderá à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), deduzido o índice 
de atualização monetária de que trata o parágrafo único do art. 389 deste Código”. 
28 “Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação inicial”. 
29 “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 
CONTRATUAIS. INCLUSÃO NO VALOR DA INDENIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. "AUSÊNCIA DE DANO 
INDENIZÁVEL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA REJEITADOS. 1. "A contratação de advogados para 
defesa judicial de interesses da parte não enseja, por si só, dano material passível de indenização, porque 
inerente ao exercício regular dos direitos constitucionais de contraditório, ampla defesa e acesso à Justiça" 
(AgRg no AREsp 516277/SP, QUARTA TURMA, Relator Ministro MARCO BUZZI, DJe de 4/9/2014). 2. No 
mesmo sentido: EREsp 1155527/MS, SEGUNDA SEÇÃO, ReMinistro SIDNEI BENETI, DJe de 28/06/2012; 
AgRg no REsp 1.229.482/RJ, TERCEIRA TURMA, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, DJe 
de 23/11/2012; AgRg no AREsp 430399/RS, QUARTA TURMA, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, DJe de 
19/12/2014; AgRg no AREsp 477296/RS, QUARTA TURMA, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, 
DJe de 02/02/2015; e AgRg no REsp 1481534/SP, QUARTA TURMA, Rel. Ministra MARIA ISABEL 
GALLOTTI, DJe de 26/8/2015. 3. A Lei n.º 8.906/94 e o Código de Ética e Disciplina da OAB, 
respectivamente, nos arts. 22 e 35, § 1.º, prevêem as espécies de honorários de advogado: os honorários 
contratuais/convencionais e os sucumbenciais. 4. Cabe ao perdedor da ação arcar com os honorários de 
advogado fixados pelo Juízo em decorrência da sucumbência (Código de Processo Civil de 1973, art. 20, 
e Novo Código de Processo Civil, art. 85), e não os honorários decorrentes de contratos firmados pela parte 
contrária e seu procurador, em circunstâncias particulares totalmentealheias à vontade do condenado. 5. 
Embargos de divergência rejeitados." (EREsp 1507864/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, CORTE 
ESPECIAL, julgado em 20/4/2016, DJe 11/5/2016)”. 
9 
 
JUROS LEGAIS. 
 
Os juros podem ser definidos como o rendimento de determinando capital. 
Enquanto a correção monetária representa a atualização do valor em combate à 
inflação, visando impedir a perda do poder de compra e a desvalorização do dinheiro, 
os juros representam o pagamento realizado pelo uso do dinheiro ao longo do tempo. 
Silvio Rodrigues30 ensina que “juro é o preço do uso do capital”. 
 
Podem ser estipulados juros remuneratórios e moratórios. Os juros 
remuneratórios, também são chamados de juros compensatórios, são devidos como 
retribuição ao uso do capital que pertence a outra pessoa, como no exemplo de um 
empréstimo de R$ 50.000,00 de forma parcelada e que a cada parcela é acrescido o 
valor dos juros que incidiriam no período. Nesse exemplo, os juros são devidos pelo uso 
do dinheiro e não possuem nenhuma relação com a mora, pois são fruto da 
manifestação de vontade das partes e, por isso, devem necessariamente estar previstos 
de forma expressa. Por fim importante entender que, apesar de livre pactuação, os juros 
remuneratórios não podem exceder o limite dos juros legais (art. 59131 do Código Civil). 
 
Os juros moratórios, por sua vez, incidem em razão do atraso no cumprimento 
da obrigação, como no caso do empréstimo em que as parcelas não são pagas no 
vencimento e, por isso, começa a incidir juros periódicos enquanto perdurar o atraso. 
Nesse exemplo os juros são devidos em razão da mora, como resultado dela e não 
dependem de previsão contratual, pois decorrem da lei (art. 40732 do Código Civil). 
Surgem a partir da constituição em mora e, como vimos, nos casos da mora ex ré 
(quando houver um termo previamente estabelecido) incidirão desde o implemento do 
termo pactuado. No entanto, no caso de mora ex persona (quando não há um termo 
certo), a constituição em mora depende da iniciativa do credor, mediante notificação. 
Tudo na forma do art. 39733 do Código Civil. 
 
 
30 RODRIGUES, Silvio. Direito Civil, v2, p. 257. 
31 “Art. 591. Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros. Parágrafo único. Se 
a taxa de juros não for pactuada, aplica-se a taxa legal prevista no art. 406 deste Código”. 
32 “Art. 407. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão 
assim às dívidas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor 
pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes”. 
33 “Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em 
mora o devedor. Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial 
ou extrajudicial”. 
10 
 
Os juros moratórios podem ser estipulados entre as partes. Contudo, mesmo 
se não o forem, incidirão dentro dos limites estabelecidos pela lei, na forma do caput do 
art. 40634 do Código Civil. Por sua vez, a taxa dos juros legais que vigorou nos últimos 
anos foi de 1% ao mês, fruto da interpretação da antiga redação do art. 406 do Código 
Civil. No entanto, desde a vigência da Lei 14.905 de 2024 se estipulou que a taxa legal 
dos juros consiste, conforme atual redação do §1°35 do mesmo art. 406 do Código Civil, 
no resultado obtido do valor da taxa SELIC menos o valor do IPCA enquanto correção 
monetária. Isso porque na aplicação da taxa SELIC “não é possível cumulá-la com 
correção monetária, porquanto já embutida em sua formação36”. A taxa SELIC é 
resultado de um cálculo realizado através do BACEN (§2°37 do art. 406 do Código Civil), 
mas se resultar em valor negativo, será computada como zerada para não prejudicar o 
direito do credor (§3°38 do art. 406 do Código Civil). 
 
Por fim, no caso de inadimplemento por descumprimento de obrigação, os juros 
incidem desde a constituição em mora. Entretanto, se a obrigação for decorrente de ato 
ilícito, incidiram desde a prática do ato danoso, conforme súmula 5439 do STJ. 
 
CLÁUSULA PENAL. 
 
A cláusula penal é uma pena, multa estipulada em razão do inadimplemento 
e/ou mora (art. 40840 do Código Civil). Trata-se de uma obrigação acessória e 
secundária, que não decorre da lei, sendo fruto da manifestação de vontade, motivo 
pelo qual deve ser expressamente pactuada. 
 
34 “Art. 406. Quando não forem convencionados, ou quando o forem sem taxa estipulada, ou quando 
provierem de determinação da lei, os juros serão fixados de acordo com a taxa legal”. 
35 §1º A taxa legal corresponderá à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia 
(Selic), deduzido o índice de atualização monetária de que trata o parágrafo único do art. 389 deste 
Código. 
36 “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO 
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 406 DO CC/2002. TAXA SELIC. COISA 
JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. DECISÃO MANTIDA. 1. "A taxa de juros moratórios a que se 
refere o art. 406 do Código Civil de 2002, segundo precedente da Corte Especial (EREsp 727842/SP, Rel. 
Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 08/09/2008), é a SELIC, não sendo 
possível cumulá-la com correção monetária, porquanto já embutida em sua formação" (EDcl no REsp 
1025298/RS, Relator Ministro MASSAMI UYEDA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, 
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/11/2012, DJe 01/02/2013). 2. A alegação de ofensa à coisa julgada não 
pode ser apreciada porque não houve manifestação do Tribunal de origem a esse respeito, bem como não 
existem nos autos elementos suficientes para se decidir acerca do tema. 3. Agravo regimental a que se 
nega provimento. (AgRg nos EDcl no AgRg no AREsp n. 573.927/DF, relator Ministro Antonio Carlos 
Ferreira, Quarta Turma, julgado em 17/4/2018, DJe de 24/4/2018)”. 
37 §2º A metodologia de cálculo da taxa legal e sua forma de aplicação serão definidas pelo Conselho 
Monetário Nacional e divulgadas pelo Banco Central do Brasil. 
38 §3º Caso a taxa legal apresente resultado negativo, este será considerado igual a 0 (zero) para efeito de 
cálculo dos juros no período de referência”. 
39 ENUNCIADO “Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade 
extracontratual. (SÚMULA 54, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/09/1992, DJ 01/10/1992, p. 16801)”. 
40 “Art. 408. Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, culposamente, deixe de 
cumprir a obrigação ou se constitua em mora”. 
11 
 
Tem uma dupla finalidade. Primeiro de antecipar possível perdas e danos e a 
segunda de intimidar ou coagir o cumprimento da obrigação. Por conceito, Nelson 
Rosenvald ensinou que “A cláusula penal é uma estipulação negocial aposta a uma 
obrigação, em que qualquer das partes, ou uma delas apenas, compromete-se a efetuar 
certa prestação em caso de ilícita e inexecução da obrigação principal”41. 
 
Por exemplo, num contrato de compra e venda parcelado que se estipula uma 
cláusula penal de 10% sobre a totalidade do valor do negócio em caso de 
inadimplemento de quaisquer das partes ou, num contrato de construção em que se 
estipula uma cláusula penal num valor certo por cada mês de atraso no prazo de entrega 
da obra. 
 
Enfim, multa em que se atribui um valor em pecúnia para punir o 
inadimplemento e/ou a mora. Em razão do inadimplemento absoluto, o art. 41042 do 
Código Civil autoriza que o credor a exija quando a obrigação se tornar impossível ou 
inútil para ele. Em razão da mora, o art. 41143 do Código Civil deixa a critério do credor 
exigir tanto a multa quanto a obrigação principal. 
 
Trata-se de uma obrigação acessória que pode ser ajustada em conjunto com 
a obrigação principal ou até mesmo em um ato futuro (art. 40944 do Código Civil). Tem 
por natureza antecipar uma possível liquidação de perdas e danos,mas sua 
exigibilidade não depende de prova ou mesmo alegação de prejuízo, incidindo tão 
somente em razão do inadimplemento (caput do art. 41645 do Código Civil). Apenas se 
a cláusula penal não se mostrar suficiente para cobrir o prejuízo que será devida 
diferença, incumbindo ao prejudicado provar que os danos ultrapassam o limite da pena 
convencional (§Ú46 do art. 416 do Código Civil). Em contrapartida, se a cláusula penal 
for moratória, para punir o inadimplemento relativo, poderá ser cumulada com as perdas 
e danos, conforme decidiu a 3ª Turma do c. STJ no REsp 1.355.554-RJ, em 6.12.201247. 
 
41 ROSENVALD, Nelson. A cláusula penal: a pena privada nas relações negociais. Rio de Janeiro, Lumen 
Juris, 2007, p. 35. 
42 “Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta 
converter-se-á em alternativa a benefício do credor”. 
43 “Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra 
cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o 
desempenho da obrigação principal”. 
44 “Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-
se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora”. 
45 “Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. 
46 “Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir 
indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da 
indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente”. 
47 EMENTA DIREITO CIVIL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO. 
INADIMPLEMENTO PARCIAL. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. MORA. CLÁUSULA PENAL. 
12 
 
Não há uma previsão legal absoluta estabelecendo o valor da cláusula penal. 
Existem leis que limitam a 10% sobre o valor do débito ou do valor em atraso, caso do 
inciso V do art. 26 da Lei 6766/7948, que trata dos compromissos e cessões de compra 
e venda envolvendo imóveis em loteamento. O Código de Defesa do Consumidor, por 
sua vez, limita a multa moratória em até 2% do valor em atraso (§1° do art. 52 do CDC49). 
 
Por outro lado, o Código Civil estipula um limite máximo sem fixar um valor 
específico, pois no art. 412 apenas determina que “o valor da cominação imposta na 
cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal”. Portanto, a única certeza é 
que a cláusula penal jamais poderá ser superior ao valor da obrigação principal. 
Acontece que no artigo subsequente o Legislador fez constar que o(a) Juiz(a) deve 
adequar a multa sempre que considerada excessiva (art. 41350 do Código Civil), sem 
indicar critério objetivo para verificar o que seria uma cláusula excessiva. A análise deve 
se dar no campo da ponderação, do bom senso, proporcionalidade e razoabilidade. E, 
com base nesses critérios, os Tribunais entendem como possível a fixação de cláusula 
penal entre 10% e 25%, alguns, sobre o valor pago, especialmente quando se trata de 
relação de consumo, outros sobre o valor total da transação, dependendo das 
características do caso. 
 
Havendo pluralidade de devedores a cláusula penal será aplicada de forma 
diferente, de acordo com a natureza da obrigação. 
 
 
PERDAS E DANOS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. - A obrigação de indenizar é corolário natural 
daquele que pratica ato lesivo ao interesse ou direito de outrem. Se a cláusula penal compensatória 
funciona como pre-fixação das perdas e danos, o mesmo não ocorre com a cláusula penal moratória, que 
não compensa nem substitui o inadimplemento, apenas pune a mora. 2.- Assim, a cominação contratual de 
uma multa para o caso de mora não interfere na responsabilidade civil decorrente do retardo no 
cumprimento da obrigação que já deflui naturalmente do próprio sistema. 3.- O promitente comprador, em 
caso de atraso na entrega do imóvel adquirido pode pleitear, por isso, além da multa moratória 
expressamente estabelecida no contrato, também o cumprimento, mesmo que tardio da obrigação e ainda 
a indenização correspondente aos lucros cessantes pela não fruição do imóvel durante o período da mora 
da promitente vendedora. 4.- Recurso Especial a que se nega provimento. 
48 “Art. 26. Os compromissos de compra e venda, as cessões ou promessas de cessão poderão ser feitos 
por escritura pública ou por instrumento particular, de acordo com o modelo depositado na forma do inciso 
VI do art. 18 e conterão, pelo menos, as seguintes indicações: (...) V - taxa de juros incidentes sobre o 
débito em aberto e sobre as prestações vencidas e não pagas, bem como a cláusula penal, nunca 
excedente a 10% (dez por cento) do débito e só exigível nos casos de intervenção judicial ou de mora 
superior a 3 (três) meses”. 
49 “Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de 
financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e 
adequadamente sobre: (...) §1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu 
termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação”. 
50 “Art. 413. A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido 
cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a 
natureza e a finalidade do negócio”. 
13 
 
Se a obrigação for divisível, não há discussão. Apenas quem tiver culpa pelo 
inadimplemento responde pela cláusula penal e até o limite de sua quota parte, na forma 
do art. 41551 do Código Civil. Todavia, nas obrigações indivisíveis (aquelas que não 
podem ser divididas sem desnaturalizar seu objeto), quando houver pluralidade de 
devedores, a cláusula penal poderá ser integralmente exigida daquele que tiver culpa 
pelo inadimplemento ou mora. Os demais serão responsáveis apenas pela sua quota 
parte (art. 414 do Código Civil52). Isso porque a pena convencional possui natureza 
indenizatória e é entendida como uma prévia liquidação das perdas e danos em pecúnia, 
cuja natureza é divisível. Por isso, cada devedor responde por sua quota parte. 
 
ARRAS OU SINAL 
 
O último assunto que trataremos em aula sobre obrigações diz respeito às arras 
/ ao sinal, que sinônimos. São considerados uma garantia de conclusão do negócio 
jurídico ou uma pena previamente estipulada para garantir o direito de arrependimento. 
 
Diferencia-se de uma entrada, porque neste caso o negócio principal já foi 
firmado. A arras é um contrato acessório e preliminar ao contrato principal, que não 
existem sozinhas e se vinculam a um negócio jurídico futuro. 
 
O art. 41753 do Código Civil deixa claro que a arras pode se dar através da 
entrega de dinheiro ou bem móvel, indicando para sua natureza de contrato real, onde 
a simples pactuação não conclui o contrato (característica dos contratos consensuais). 
Para a formalização do sinal é necessária a efetiva entrega da coisa ou do dinheiro 
(característica dos contratos reais), que deverá ser restituído quando da formalização 
do contrato principal ou, no mínimo, amortizado / deduzido do principal. 
 
A arras pode ser dividida em: (1) confirmatórias ou (2) penitenciais. 
 
 
51 “Art. 415. Quando a obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que 
a infringir, e proporcionalmente à sua parte na obrigação”. 
52 “Art. 414. Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores, caindo em falta um deles, incorrerão na 
pena; mas esta só se poderá demandar integralmente do culpado, respondendo cada um dos outros 
somente pela sua quota. Parágrafo único. Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra 
aquele que deu causa à aplicação da pena”. 
53 “Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou 
outrobem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação 
devida, se do mesmo gênero da principal”. 
14 
 
Será confirmatória aquela prestada para tornar obrigatória a conclusão do 
contrato principal, ou seja, que servem para confirmar a pactuação futura e afastar a 
possibilidade de arrependimento. E, sempre que não houver previsão em contrário, as 
arras serão confirmatórias. Nessa hipótese, quaisquer dos contratantes que descumprir 
o contrato responderá por perdas e danos E, se a parte que deu o sinal der causa à 
inexecução do contrato principal, perderá a arras (inciso I do art. 418 do Código Civil54). 
Se for a parte que recebeu o sinal que deu causa a inexecução do contrato terá de 
devolvê-lo devidamente atualizado (II do art. 418 do Código Civil55). 
 
A arras confirmatória serve como uma prévia fixação das perdas e danos, 
cabendo à parte prejudicada retê-las no desfazimento do negócio. Acontece que o 
Código Civil traz outras duas possibilidades à parte prejudicada. A primeira seria pedir 
eventuais perdas e danos complementares e a segunda executar o contrato com as 
perdas e danos (art. 41956 do Código Civil). 
 
Em contrapartida, a arras será penitencial quando estipulada para viabilizar o 
direito de arrependimento, servindo como uma quantificação antecipada das perdas e 
danos pelo desfazimento do negócio. Nesses casos, a parte que se utilizar do direito de 
arrependimento será responsabilizada (art. 42057 do Código Civil). Se foi quem deu a 
arras, as perderá em favor da outra parte e, se foi quem as recebeu, terá de devolvê-las 
com juros e correções. 
 
54 “Art. 418. Na hipótese de inexecução do contrato, se esta se der: I - por parte de quem deu as arras, 
poderá a outra parte ter o contrato por desfeito, retendo-as”. 
55 “Art. 418. Na hipótese de inexecução do contrato, se esta se der: (...) II - por parte de quem recebeu as 
arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito e exigir a sua devolução mais o equivalente, com 
atualização monetária, juros e honorários de advogado”. 
56 “Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as 
arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e 
danos, valendo as arras como o mínimo da indenização”. 
57 “Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras 
ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra 
parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a 
indenização suplementar”.

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