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Melhorias e Gerenciamento de Processos Gestão e qualidade dos processo O objetivo central é manter a rotina estável e, ao mesmo tempo, promover melhorias na qualidade dos processos. Medir para qualificar Algumas questões básicas para você, gerente de uma operação ou processo: 1. Quantas medidas há no seu processo? 2. Quantos indicadores de performance você possui para gerenciar o processo? 3. Qual o principal indicador de performance que você deve gerenciar? 4. Quantas vezes por ano você verifica junto aos seus clientes o grau de satisfação com a sua operação? 5. Que indicadores você usa para controlar a qualidade das saídas do processo? Para quem busca aperfeiçoar-se na gestão de processos ou promover melhorias, essas questões são um exercício mental valioso. Afinal, sem parâmetros de medição não é possível gerenciar, muito menos implementar melhorias nos processos. Nem devem ser vistos com conceitos de achismos A conformidade Gestão e qualidade dos processo Cadeira de valor em processos Reengenharia de Processos Gestão de Processos de Negócios Gerenciando Processos com BSC Melhorias e Gerenciamento de Processos 1 Outro fator que tem colocado em evidência o estabelecimento de regras na gestão de processos é o fato de ter se tornado um requisito para o reconhecimento da qualidade organizacional. Os sistemas de gestão exigem esse comportamento como condição para integrar o seleto grupo de empresas qualificadas. Como exemplos, destacam-se o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ/FNQ) e as Normas da Série ISO 9000. 💡 Qualidade é um conceito subjetivo, é o modo de ser, é a propriedade de qualificar os mais diversos serviços, objetos, indivíduos. Tanto o PNQ quanto a ISO têm como base os conceitos de qualidade. Para a International Standards Organization (ISO), qualidade significa estar adequado ao uso e em conformidade com as especificações. 💡 Significado de conformidade: Estado de duas ou de várias coisas iguais entre si, semelhança. O objetivo de um padrão normativo é garantir que o processo seja executado exatamente conforme o planejado. Referencial de conformidade Melhorias e Gerenciamento de Processos 2 A padronização conceitual, aplicada a diversos segmentos da indústria, baseia-se em um modelo de referência de processo. Trata-se de um entendimento teórico das entidades e de suas relações em determinado tema ou atividade, que serve de esboço para o desenvolvimento de modelos mais concretos, capazes de serem aplicados e implementados na organização. ISO 9000: Já houve publicação sobre 21.631 padrões internacionais que cobrem quase todos os aspectos da tecnologia e da manufatura. ANS E ANVISA: A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) são órgãos atuantes na área de qualidade. A Anvisa é uma autarquia de regime especial, presente em todo o território nacional por meio de coordenações em portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegados. Já a ANS é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde, responsável pela regulação do setor de planos de saúde no Brasil. FNQ / PNQ: A Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade (FPNQ) é uma entidade sem fins lucrativos criada para administrar o Prêmio Nacional da Qualidade® (PNQ) e as atividades decorrentes de seu processo de premiação em todo o território nacional. Esses temas estão cada vez mais ligados ao atendimento das necessidades e expectativas dos stakeholders e dos clientes de uma organização. Isso estabelece uma relação direta entre qualidade, conformidade e processos: sem processos definidos, implementados e utilizados, não há conformidade, nem qualidade. Sem qualidade, os resultados tornam-se insignificantes, comprometendo a sustentabilidade financeira, econômica e social da organização. Qualidade dos processos Melhorias e Gerenciamento de Processos 3 Se conduzidos adequadamente, os produtos ou serviços gerados devem ser capazes de: 1. Responder a uma necessidade ou utilização objetivamente definida. 2. Satisfazer plenamente os clientes ou usuários para os quais se destinam. 3. Atender a determinadas normas ou especificações. 4. Envolver custos adequados e preços compatíveis. Garantir a efetividade e a qualidade dos processos exige a consideração de determinados aspectos e procedimentos. A seguir, os principais aspectos e procedimentos da qualidade Padrão: Referência de desempenho; inclui métodos, procedimentos e habilidades. Requisitos: Condições essenciais para o sucesso de processos, produtos ou serviços. Requisitos do cliente: Especificações de como o cliente deseja receber o produto/serviço. Normalização: Estabelecimento e aplicação de padrões e regras para atividades ordenadas. Indicadores: Medidas que acompanham e melhoram produtos e processos. Indicadores de processos: Avaliam o desempenho e esforço das atividades ao longo do tempo. Problema: Diferença entre situação atual e desejada; envolve erros, falhas ou desvios. Análise crítica: Avaliação global de processos ou produtos para identificar problemas e soluções. Memória administrativa: Registro de documentos legais, técnicos e históricos para referência e avaliação. As cinco Principais Abordagens na Definição de Qualidade: Melhorias e Gerenciamento de Processos 4 Transcendental: Excelência máxima; qualidade conhecida pela experiência, difícil de definir. Produto: Diferença de qualidade = quantidade de atributos desejados. Usuário: Capacidade de satisfazer desejos; adequação ao uso. Produção: Conformidade com exigências, especificações ou projetos. Valor: Excelência a preço aceitável; melhor solução para o cliente. A conceituação do termo qualidade ainda pode ser expandida em elementos básicos: Desempenho: Funções operacionais básicas do produto. Característica: Funções secundárias que complementam o desempenho. Confiabilidade: Probabilidade de não apresentar falhas. Conformidade: Grau de adequação a padrões preestabelecidos. Durabilidade: Vida útil considerando aspectos econômicos e técnicos. Atendimento: Rapidez, cortesia e facilidade de reparo/substituição. Estética: Julgamento pessoal e preferências individuais. Qualidade Percebida: Opinião subjetiva do usuário sobre o produto. Cadeira de valor em processos O princípio da noção de cadeia surgiu a partir de análises relacionadas ao valor, percebendo-se que certos custos aumentam a qualidade de um produto, elevando a satisfação do cliente, enquanto em outros produtos o efeito pode ser menor. Melhorias e Gerenciamento de Processos 5 Trata-se de uma cadeia de atividades inter-relacionadas desenvolvidas por uma empresa para atender, de forma completa, às necessidades de seus clientes ou consumidores. Essa cadeia envolve os macroprocessos da organização, que se relacionam de forma hierárquica. Visão geral: A Cadeia de Valor representa o conjunto de atividades que uma organização realiza para criar valor para seus clientes. Ela integra todos os macroprocessos da empresa, desde a aquisição de insumos até a entrega do produto ou serviço final, permitindo analisar como cada etapa contribui para a geração de valor e vantagem competitiva. Principais Características: Integração de atividades – Conecta todas as etapas necessárias para transformar insumos em produtos ou serviços de valor. Foco no cliente – Todas as atividades visam atender às necessidades e expectativas dos clientes. Hierarquia de processos – Os macroprocessos se organizam de forma hierárquica, permitindo visão do todo e detalhamento das operações. Criação de valor – Cada atividade contribui para aumentar o valor percebido pelo cliente final. Base para melhorias – Facilita a identificação de gargalos, ineficiências e oportunidades de otimização. Relação custo-benefício – Permite avaliar como os custos impactam a qualidade e a satisfação do cliente.Vantagens e desvantagens: Vantagens: 1. Foco no cliente – Ajuda a entender e atender melhor às necessidades e expectativas dos clientes. 2. Identificação de valor agregado – Permite perceber quais atividades realmente contribuem para criar valor. Melhorias e Gerenciamento de Processos 6 3. Otimização de processos – Facilita a análise de gargalos, redundâncias e oportunidades de melhoria. 4. Suporte à tomada de decisão – Fornece informações estratégicas sobre custos, qualidade e desempenho. 5. Integração organizacional – Conecta macroprocessos e promove visão sistêmica da empresa. Desvantagens: 1. Complexidade de implementação – Pode ser difícil mapear e integrar todas as atividades e processos. 2. Custo inicial elevado – Análise detalhada e integração podem demandar tempo e recursos significativos. 3. Resistência interna – Mudanças nos processos podem encontrar resistência de colaboradores ou setores. 4. Risco de foco excessivo – Concentração apenas no valor percebido pelo cliente pode negligenciar outros aspectos estratégicos, como sustentabilidade interna ou conformidade regulatória. A empresa é dividida em nove atividades de criação de valor, permitindo compreender melhor o comportamento dos custos: Melhorias e Gerenciamento de Processos 7 A estruturação de processos Vamos apresentar essa estrutura em quatro fases distintas: A estrutura da cadeia de valor: Representa a maneira como uma empresa organiza seus processos — macroprocessos, processos e subprocessos — com o objetivo de gerar valor para as partes interessadas. Esse ordenamento abrange tanto as operações principais quanto as operações de apoio da organização. Ao construir uma Cadeia de Valor, o primeiro passo é promover o entendimento básico do negócio e da organização, identificando o fluxo de valor, as partes interessadas e suas necessidades, a estrutura organizacional e os objetivos estratégicos da empresa. São passos norteadores claros, resumidos em poucas palavras de comando: definir, entender o modelo, entender o modo, elaborar e aprovar. Melhorias e Gerenciamento de Processos 8 A Cadeia de Valor funciona como um sistema vivo, cujos componentes podem ser subjetivos (culturais e humanos, como clientes) ou objetivos (processos). Ela possui capacidade de retroalimentação por meio de feedbacks fornecidos pelos clientes e pela sociedade em geral. Desdobramento da cadeia de valor: Após estruturar a Cadeia de Valor, deve-se detalhar ao máximo os processos que a compõem, até o nível necessário para que suas rotinas possam ser executadas pelas respectivas áreas. O cerne do desdobramento da Cadeia de Valor é conhecer todos os processos e identificar aqueles que possuem maior importância para a organização. Visão Geral do Processo de uma Cadeia de Valor: Melhorias e Gerenciamento de Processos 9 Como uma organização geralmente possui muitos processos, não é possível estruturá-los ou melhorá-los todos simultaneamente. É recomendável avaliar a maturidade dos processos e, em seguida, definir uma sequência de melhoria, priorizando os processos críticos com base nas diretrizes estratégicas e em outros parâmetros relevantes da empresa. O objetivo é fornecer condições para que a empresa defina e implemente sua estratégia, tanto atual quanto futura. Avaliação da maturidade dos processos: A avaliação de maturidade apoia a análise do cenário interno durante o ciclo de revisão estratégica, permitindo direcionar esforços e recursos de forma mais assertiva para alavancar os processos com foco estratégico. Melhorias e Gerenciamento de Processos 10 Uma das metodologias disponíveis para utilização é a matriz de qualidade x maturidade, após avaliação dos processos: Nessa matriz, devem ser mapeadas as variáveis de qualidade — considerando as práticas exemplares no mercado de atuação — em relação à maturidade, avaliada como robustez, repetibilidade e integração de indicadores à estratégia. Critérios para Posicionamento na Matriz: Os critérios são os parâmetros definidos para alcançar a qualidade do processo. Os critérios variam do nível totalmente sem padronização até o mais alto, voltado à inovação. Ao seguir um critério, a organização consegue se modernizar de forma mais rápida: Melhorias e Gerenciamento de Processos 11 Priorização dos processos: Nessa fase de priorização, a maturidade dos processos serve como base para a avaliação dos resultados Processos críticos: Os processos críticos são aqueles que causam maior impacto na organização, tanto no presente quanto no futuro, afetando diretamente seus objetivos estratégicos e a satisfação das partes interessadas. Após consolidar as informações sobre os processos prioritários, chega-se a outra fase importante: validá-las junto à alta gestão da organização. Com o consenso alcançado, é o momento de implementar as melhorias. Melhorias e Gerenciamento de Processos 12 Agregação de valor na gestão de processos A noção de valor engloba o conjunto de atividades e fluxos de informações que uma empresa utiliza em todas as suas operações. Isso torna necessário que as organizações aprimorem seus processos de trabalho, a fim de aumentar sua eficiência e sua capacidade de atuação estratégica. Valor do Produto O valor não se mede apenas pelos custos envolvidos em sua produção. O critério mais relevante é a perspectiva do cliente: o valor de um produto corresponde ao montante que os compradores estão dispostos a pagar pelo que a empresa oferece. Em um processo, o valor é calculado como a diferença entre o valor do produto (na saída do processo) e a soma dos valores das entradas (matérias-primas ou insumos). Essa diferença é definida como valor agregado, ou seja: 💡 Valor Agregado = Valor do Produto – Σ Valores de Entrada O valor de um produto está mais relacionado ao que o cliente ou consumidor está disposto a pagar para obter satisfação do que aos custos incorridos pela empresa para produzi-lo. Valor para o Cliente O valor para o cliente é percebido segundo uma hierarquia de quatro níveis: básico, esperado, desejado e inesperado. Hierarquia de valor para o cliente: Básico – Compreende os componentes essenciais exigidos pelo negócio. Melhorias e Gerenciamento de Processos 13 Esperado – Envolve aquilo que os clientes normalmente esperam de um determinado negócio. Desejado – Valor adicional que os clientes conhecem e apreciam, mas não esperam. Inesperado – Aspectos que surpreendem, indo além das expectativas e desejos do cliente ao realizar o negócio. Reengenharia de Processos Essa abordagem se caracteriza por uma reformulação brusca e radical dos processos nas empresas que a adotam, sendo conhecida também por termos como reengenharia ou redesenho. Trata-se de uma metodologia que propõe à organização começar do zero. Propõe começar do zero, abandonando procedimentos tradicionais e reavaliando o trabalho para oferecer aos clientes exatamente o que desejam. A revolução da produtividade Novos modelos de gestão surgiram para aumentar a produtividade das empresas, entre eles a Reengenharia. Desde seu surgimento, havia grande expectativa em relação aos benefícios que poderia trazer. A Reengenharia pode ser entendida como uma iniciativa de redesenhar tarefas de negócio, antes especializadas e hierarquizadas, transformando-as em processos enxutos e integrados. Vantagens da Reengenharia para as organizações: Decisões tomadas pelos próprios empregados. Redução de custos. Fluxos de processos com menos esperas. Maior agilidade para responder a mudanças nos requisitos. Menor necessidade de monitorar e controlar fluxos e regras do processo. Causas de insucesso na aplicação da Reengenharia: Falha em focar nas necessidades estratégicas do negócio. Melhorias e Gerenciamento de Processos 14 Alta gerência confunde ou abdica de suas responsabilidades. Aceitação de soluções pouco fundamentadas.Falha em reconhecer a natureza única da Reengenharia de processos de negócios. Falta de orientação por tecnologia na Reengenharia. Ausência de experiência antes de iniciar os esforços de Reengenharia. Acreditar que a Reengenharia oferece soluções imediatas. Desconsiderar a medição de desempenho. Ignorar a gestão da mudança. Falhar em manter o rumo durante a implementação. Exemplos de empresas que obtiveram sucesso ao adotar a Reengenharia em seus processos incluem: IBM Credit Corporation, Ford Motor, Kodak, Hallmark, Capital Holding Corporation e Bell Atlantic. Objetivo Trata-se de um conjunto de medidas voltadas ao aprimoramento intenso dos métodos e processos organizacionais, buscando reduzir custos e aumentar a produtividade de forma radical. Características da Reengenharia: 1. Foco nos clientes – Grande atenção aos clientes internos e externos da organização. 2. Redesenho de processos – Reestruturação dos processos para melhorar a produtividade e reduzir o tempo dos ciclos. 3. Reorganização estrutural – Quebra das hierarquias funcionais tradicionais, formando times multifuncionais e promovendo o desenvolvimento organizacional. 4. Sistemas de mensuração e tecnologia – Uso de tecnologia avançada para mensuração, distribuição de dados e suporte à tomada de decisão, integrando informações e qualidade. Melhorias e Gerenciamento de Processos 15 Metodologia São consideradas as seguintes etapas para o aperfeiçoamento de processos de negócios: 1. Desenvolver a visão de processo – Definir o objetivo e a direção desejada para os processos. 2. Identificar a questão crítica do negócio – Reconhecer problemas ou oportunidades que impactam os resultados. 3. Selecionar o processo crítico – Escolher o processo que terá maior impacto na organização. 4. Compreender o processo – Desenvolver mapas de relacionamentos que descrevam o estado atual de cada processo e suas interações. 5. Redefinir o processo – Criar o mapa ideal do processo, representando melhorias e otimizações. 6. Visualizar, projetar e implementar – Executar o novo processo, garantindo que as mudanças sejam efetivas. Fatores contrários à Reengenharia: 1. Insucesso de algumas empresas – Algumas organizações enfrentaram dificuldades ao implantar a Reengenharia, devido a softwares muito caros e de aplicação limitada. 2. Impacto drástico no fator humano – A adoção generalizada de novas tecnologias nos processos produtivos, aliada à Reengenharia, pode reduzir significativamente oportunidades de emprego na agricultura, indústria e serviços. Aspectos favoráveis à Reengenharia: 1. Preceitos já implementados – Muitos princípios da Reengenharia já estão presentes, como nos serviços de compra e venda online. 2. Mudança de atitude dos altos executivos – A maioria utiliza ferramentas tecnológicas avançadas (computadores, celulares Melhorias e Gerenciamento de Processos 16 com softwares sofisticados) para gestão e tomada de decisão. 3. TI como essência estratégica – A tecnologia da informação deixou de ser apenas um serviço de suporte e passou a ser central na estratégia da empresa. Atualmente, as organizações não apenas reestruturam processos existentes, mas também consideram eliminar processos inteiros para criar soluções totalmente novas, explorando ao máximo o potencial da TI. A adoção radical e equivocada da Reengenharia por muitas empresas pode gerar problemas estruturais sérios. Podemos compreender que é fundamental ter cautela ao tomar decisões sobre a implantação da Reengenharia nas organizações. Gestão de Processos de Negócios Uma organização orientada por processos é uma estrutura organizada, mensurada e gerenciada com foco em seus processos de negócios. Gestor do processo de negócio Uma peça fundamental para o sucesso ou fracasso de uma organização é o gestor de processos, responsável pela condução da gestão do processo. Entre os diversos papéis, destacam-se o gerente de processo e o analista de processo. Gerente de Processo – Coordena e gerencia o desempenho dos processos no dia a dia, além de liderar iniciativas de transformação de processos. Analista de Processos – Realiza análises detalhadas dos processos e apoia o desenho de novos processos em iniciativas de transformação. O gerente de processos é responsável pela administração do processo, enquanto o analista de processos tem a incumbência Melhorias e Gerenciamento de Processos 17 de estabelecer os parâmetros do processo, podendo também criar e aprimorar processos, sempre visando sua melhoria contínua. Escritório de gestão por processos Recomenda-se a implementação de um Escritório de Gestão por Processos (EGP), que é a estrutura utilizada pelas empresas para institucionalizar a gestão por processos em seu ambiente interno. Em uma organização, diversas áreas executam ações relacionadas aos processos da empresa. Essa multiplicidade dificulta a obtenção de informações unificadas, consistentes e integradas, com uma visão única do processo. Responsabilidades de um Escritório de Gestão por Processos (EGP): Definir princípios, práticas e padrões para a gestão de processos. Melhorias e Gerenciamento de Processos 18 Proporcionar ferramentas e métodos comuns para toda a organização. Formar e educar colaboradores sobre práticas e princípios de gerenciamento de processos de negócio. Fornecer orientação, mentoria e treinamento em melhores práticas e padrões. Prover recursos humanos e ferramentas para projetos de análise e desenho de processos. Três grandes objetivos do Escritório de Gestão por Processos (EGP): 1. Atuar como elo entre o planejamento estratégico e as áreas funcionais Foco principal nas áreas funcionais. Garante que decisões estratégicas estejam alinhadas e incorporadas às ações de melhoria e inovação nos processos, por meio de iniciativas de transformação. 2. Estruturar um processo de governança do portfólio de processos Estabelece padrões de acompanhamento de desempenho, grau de maturidade, níveis de detalhamento e documentação de processos. Consolida responsabilidades e procedimentos de avaliação, aprovação e monitoramento de iniciativas de processos. Define critérios para seleção de ferramentas, técnicas e métodos. 3. Operacionalizar o processo de governança Dissemina conhecimento em processos e metodologias de solução de problemas por meio de seminários, workshops e treinamentos. Melhorias e Gerenciamento de Processos 19 Comunica e operacionaliza a governança por meio de comitês operacionais e executivos, gerindo o portfólio de processos. Acompanha a execução e implementação das iniciativas, com foco na gestão de mudanças e nos benefícios pós- implantação. Podemos observar alguns exemplos de interação entre o Escritório de Processos (EGP) e outras áreas da organização: Estrutura e formação da área de processos Muitas organizações são estruturadas antes da definição de seus processos, obrigando gestores a operá-los dentro das estruturas existentes. Essa prática, comum em várias empresas, pode gerar ineficiência, problemas de qualidade e trabalhos desconectados dos objetivos organizacionais. Melhorias e Gerenciamento de Processos 20 Estrutura Funcional: Organização baseada na especialização do trabalho, permitindo economias de escala e simplificação da coordenação. Desvantagens: pode atrasar a tomada de decisão e o tempo de resposta a mudanças. Foco principal em metas internas, sem ênfase no cliente. A necessidade das instituições se estruturarem para gerenciar seus processos é crescente, devido à complexidade e ao alcance ampliado dos processos organizacionais. As responsabilidades de uma área de mapeamento e melhoria de processos incluem: Traduzir a visão estratégica para a operacional. Promover a melhoria contínua dos processos. Fomentar inovação e criatividade nas ações de processos. Coordenar atividades de melhoria e inovaçãopor meio de gestão de portfólio de processos. Acompanhar os benefícios entregues a partir da melhoria e da gestão diária dos processos. Definir e manter métodos e ferramentas de apoio às iniciativas de gestão de processos. Apoiar atividades de gestão da mudança durante projetos de melhoria de processos. Fornecer recursos internos para estudo, pesquisa e evolução da gestão de processos na organização. Apoiar o uso de sistemas e tecnologias relacionadas à gestão de processos. Compartilhar e disseminar conhecimentos sobre processos e resultados bem-sucedidos, como no Banco Nacional de Processos. Melhorias e Gerenciamento de Processos 21 Passos necessários para a estruturação de uma área de processos Os passos estratégicos para estruturar uma área de processos são definidos pelas metodologias utilizadas. Elas fornecem visibilidade gradual dos processos, exigem planejamento e tempo, e cujos resultados nem sempre são imediatos. Formatos de atuação na área de processos: 1. Normativo Colaborativo: Atua estrategicamente na governança de processos, controle de qualidade e custos, melhoria contínua e atividades de suporte. 2. Coordenador ou Normativo: Foca em atividades operacionais relacionadas à gestão de processos, principalmente acompanhamento e controle. 3. Coordenador: Integra as duas abordagens anteriores, reunindo atividades estratégicas e operacionais. Gerenciando Processos com BSC Temática com aplicações orientadas para o gerenciamento de processos. Gerenciando e mensurando processos com BSC A gestão estratégica atual vai além dos resultados financeiros, incorporando a perspectiva dos processos internos por meio de indicadores críticos. Essa abordagem fortalece a melhoria contínua, alinha operações aos objetivos estratégicos e garante maior satisfação dos clientes. Assim como não confiaríamos em um avião guiado por um único instrumento, nas organizações os incentivos, embora relevantes, não bastam. É preciso informação, comunicação e alinhamento para garantir uma visão estratégica mais ampla e segura. As quatro visões estratégicas do Balanced Scorecard (BSC) são: Melhorias e Gerenciamento de Processos 22 1. Financeira – Mede resultados econômicos e retorno para os acionistas. 2. Clientes – Avalia a satisfação, fidelização e valor percebido pelo cliente. 3. Processos Internos – Analisa a eficiência e a qualidade dos processos que geram valor. 4. Aprendizado e Crescimento – Foca em pessoas, inovação, cultura e tecnologia para sustentar melhorias futuras. O Painel de Controle ou BSC deriva da visão estratégica da organização e tem como objetivo definir indicadores de desempenho, avaliando se os resultados estão sendo alcançados. Ele traduz a missão e a visão em objetivos e métricas claras e mensuráveis, desdobrando-os para todos os processos e áreas. Assim, torna-se uma ferramenta valiosa para gestores e Melhorias e Gerenciamento de Processos 23 colaboradores, ao proporcionar visão integrada e compreensão geral do negócio. Categorias de medidas em processos: a) Medidas gerais – Retratam o aspecto mais macro e abrangente do processo. b) Medidas de valor – Indicam o valor financeiro gerado ou processado pela operação. c) Medidas de retrabalho – Mostram o desperdício ou falhas que impactam o processo. d) Medidas de produtividade – Avaliam a capacidade de produção ou eficiência da operação. Para alcançar um melhor desempenho em um processo, o ponto inicial é compreender todas as suas etapas: início, processamento e entrega do produto ao cliente interno ou externo. Para isso, utilizam-se quatro principais categorias de medidas: 1. Medidas gerais – Visão macro do processo. 2. Medidas de valor – Valor financeiro gerado ou processado. 3. Medidas de retrabalho – Desperdícios ou falhas no processo. 4. Medidas de produtividade – Eficiência e capacidade de produção da operação. O objetivo do BSC é alinhar a estratégia da organização com a sua performance, utilizando os processos como meio de medir e atingir os resultados esperados. Aplicabilidade do Balanced Scorecard O Balanced Scorecard ajuda os gerentes a compreender as inter- relações entre processos e áreas, ultrapassando barreiras funcionais tradicionais. Isso contribui para uma melhor tomada de decisão e resolução de problemas, mantendo a empresa focada Melhorias e Gerenciamento de Processos 24 no avanço rumo aos objetivos estratégicos, em vez de retroceder: 1. Alinhar estratégia e operação – Traduzir objetivos estratégicos em metas e ações concretas. 2. Monitorar desempenho – Acompanhar indicadores financeiros e não financeiros de processos, clientes, aprendizado e crescimento. 3. Melhoria contínua – Identificar pontos críticos para otimização de processos e serviços. 4. Comunicação interna – Compartilhar objetivos e métricas com todas as áreas da organização, garantindo compreensão e engajamento. 5. Tomada de decisão baseada em dados – Fornecer informações estratégicas para decisões gerenciais mais assertivas. Com a aplicação do BSC, a capacidade de medir e acompanhar o desempenho da organização é ampliada, permitindo que todos os pontos críticos da cadeia produtiva sejam monitorados. Isso proporciona maior compreensão em toda a empresa sobre como a alta gestão avalia a estratégia e o nível de envolvimento de cada colaborador nos processos. Melhorias e Gerenciamento de Processos 25 Melhorias e Gerenciamento de Processos 26