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Introdução ao Serviço Social - Unidade 2

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Unidade II
Regulamentação da profissão 
de Serviço Social
Introdução ao 
Serviço Social
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
EMILLY KÉSSIA DA COSTA CAVALCANTI
SILVIA CRISTINA DA SILVA 
AUTORIA
Emilly Késsia da Costa Cavalcanti
Olá! Sou graduada em Serviço Social pela Universidade Norte do 
Paraná (Unopar) (2015) e em Administração Pública pela Universidade 
Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) (2020). Também sou especialista 
em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) (2018), em 
Serviço Social e Gestão de Projetos Sociais pela FAVENI (2018) e em Auditoria 
e Controladoria pela Instituto Século XXI (2021). Sou apaixonado pelo que faço 
e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em 
suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
Silvia Cristina da Silva 
Olá! Sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente e 
Sociedade pela Centro Universitário das Faculdades Associadas de 
Ensino (UNIFAE), com participação docente e discente no mestrado 
em Análise do Discurso pela Universidade Federal de Buenos Aires e 
especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação pela 
Faculdade Campos Elíseos. Também sou pós-graduanda em EaD pela 
Faculdade Campos Elíseos, graduada em Ciências Jurídicas e Sociais 
pela UNIFEOB e vice-diretora acadêmica na Agência Nacional de Estudos 
em Direito ao Desenvolvimento (ANEDD). Além disso, sou especialista 
em Investigação de Antecedentes em instituições públicas e privadas; 
docente e conteudista em diversas instituições educacionais para cursos 
de graduação e pós-graduação; elaboradora de questões para concursos 
públicos em várias organizadoras; degravadora, redatora, tradutora e 
intérprete da língua espanhola. Sou apaixonada pelo que faço e adoro 
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas 
profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova 
competência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando necessárias 
observações ou 
complementações 
para o seu 
conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas 
e links para 
aprofundamento do 
seu conhecimento;
REFLITA:
se houver a 
necessidade de 
chamar a atenção 
sobre algo a ser 
refletido ou discutido;
ACESSE: 
se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem 
for aplicada;
TESTANDO:
quando uma 
competência for 
concluída e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
O projeto social e o projeto profissional ............................................ 10
O projeto societário ....................................................................................................................... 10
O projeto profissional .................................................................................................................... 12
Projeto social e sua relação com projeto profissional do Assistente 
social ......................................................................................................................................................... 17
Construção do projeto ético-político do serviço social .............22
O processo de construção do projeto profissional do Serviço Social ...... 22
Projeto ético político e os campos de atuação no serviço 
social ................................................................................................................ 33
Os campos de atuação do Assistente Social e suas atribuições .................33
Assistência Social ........................................................................................................ 36
Educação ...........................................................................................................................37
Saúde ................................................................................................................................... 38
Justiça ................................................................................................................................... 41
Habitação ...........................................................................................................................42
Regulamentação da profissão e a lei nº 8.662/93 ........................45
A história da Regulamentação da profissão ................................................................45
Apontamentos aos pressupostos das leis de regulamentação da 
profissão ................................................................................................................................................ 48
A Lei nº 8.662/93 – Regulamentação da profissão .............................................. 50
7
UNIDADE
02
Introdução ao Serviço Social
8
INTRODUÇÃO
Olá, seja bem-vindo(a) a mais uma unidade do nosso estudo sobre 
a Introdução ao Serviço Social. No estudo de hoje, vamos conhecer 
melhor a diferença entre projeto societário e projeto profissional e o 
projeto profissional do assistente social, além de conhecer os principais 
campos de atuação profissional e se aprofundar na lei de regulamentação 
da profissão. Assim, ao final do estudo da unidade, você será capaz 
de: discernir sobre as diferenças entre o projeto social e o projeto do 
profissional no âmbito do Serviço Social; aplicar o processo de construção 
do Projeto Ético-Político do Serviço Social; reconhecer as áreas e 
campos de atuação profissional presentes no Projeto Ético-Político, 
descrevendo suas atribuições e principais atividades; e interpretar a lei 
de regulamentação da profissão (Lei nº 8.662, de 07 de junho de 1993), 
identificando seus parâmetros no que concerne a direitos, deveres e 
obrigações do profissional da área de Serviço Social. Entendeu? Ao longo 
desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo!
Introdução ao Serviço Social
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Discernir sobre as diferenças entre o projeto social e o projeto do 
profissional no âmbito do Serviço Social.
2. Aplicar o processo de construção do Projeto Ético-Político do Serviço 
Social.
3. Reconhecer as áreas e campos de atuação profissional presentes 
no projeto Ético-Político, descrevendo suas atribuições e principais 
atividades.
4. Interpretar a Lei de regulamentação da profissão (Lei nº 8.662/93), 
identificando seus parâmetros no que concerne a direitos, deveres e 
obrigações do profissional da área de Serviço Social.
Introdução ao Serviço Social
10
O projeto social e o projeto profissional
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de discernir 
sobre as diferenças entre o projeto social e o projeto do 
profissional no âmbito do Serviço Social. E então? Motivado 
para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. 
Avante!
O projeto societário 
A teoria social crítica deixada pela tradição marxista demonstrou que 
a sociedadeIntrodução ao Serviço Social
49
da profissão liberal de Assistência Social, de natureza técnico-científica” 
(BRASIL, 1962, on-line), previsto em dois de seus artigos (2º e 5º), tarefas 
gerais ou particulares pertencentes aos profissionais dessa área. 
IMPORTANTE:
Na verdade, esta é uma das principais funções da legislação 
profissional: garantir o monopólio sobre o desempenho de 
certos atributos e tarefas inerentes ao trabalho profissional 
por meio dos poderes reguladores do Estado. Nessa 
direção, pode-se afirmar que o processo legislativo garante 
uma reserva de mercado ou um monopólio de intervenção 
e prestação de serviços com base em credenciais 
educacionais (FELIPPE, 2018).
Com base nessas premissas, certos elementos e inconsistências 
já eram consagrados em textos de 1950, principalmente ao avaliar as 
projeções da atividade profissional do assistente social. O artigo 5º da Lei 
nº 3.252, de 27 de agosto de 1957, utilizava “privilégio” e “atributo” e não 
definia explicitamente se esses termos tinham o mesmo valor semântico. 
Lembre-se de que o termo “privilégio” refere-se a vantagens significativas 
para pessoas físicas ou jurídicas (FERREIRA, 1999). Logo, o entendimento 
de que esses atributos ou privilégios são, na verdade, as ações exclusivas 
dos assistentes sociais.
Percebe-se que, na primeira legislação, os legisladores utilizaram 
os termos: matérias, procedimentos específicos e expressões de assuntos 
de serviço social. Mais uma vez, não determinaram exatamente o que 
esses termos significavam (FELIPPE, 2018).
SAIBA MAIS:
Planejar, gerenciar, assessorar, fazer perícias e pareceres são 
tarefas compartilhadas por várias categorias profissionais. 
Eles precisam esclarecer mais elementos para poderem 
tornar-se exclusivas do Serviço Social. Essa legislação de 
1950 ficou válida até a década de 1990, quando ocorreu a 
aprovação da Lei nº 8.662 em 1993. 
Introdução ao Serviço Social
50
No entanto, novos instrumentos jurídicos foram aprovados durante 
um período de consolidação da fundamentação teórica e política do 
Serviço Social, pois também houve pouco progresso na definição de 
serviços sociais após sua reconceituação. 
Ou seja, 
A Lei nº 8.662 de 1993 manteve algumas indefinições 
de 1957, além de ter adicionado outras imprecisões, 
especialmente no que se definiu como competências e 
como atribuições privativas nos artigos 4º e 5º. Segundo 
parecer jurídico elaborado por Terra (1998) a pedido do 
CFESS, as competências e as atribuições estão em artigos 
diferentes porque o legislador pretendeu diferenciar o 
significado desses termos. Para Terra (1998) e Iamamoto 
(2012), o artigo 4º (competências) descreve atividades 
possíveis de serem executadas por assistentes sociais e 
por outros profissionais, sendo, desse modo, genéricas. 
Por outro lado, o artigo 5º (atribuições privativas) enumera 
uma série de ações reservada aos assistentes sociais. 
(FELIPPE, 2018, p. 32)
Embora os comentários de Terra (1998 apud FELIPPE, 2018) e o 
texto de Iamamoto (2012 apud FELIPPE, 2018) identifiquem esses erros 
e afirmem que tais atribuições devem ser consideradas de propriedade 
profissional do assistente social, seus posicionamentos não têm força 
legal para dissuadir outros profissionais de não os executar. Legalmente, 
apenas as atribuições previstas no art. 5º da Lei nº 8.662/93 são exclusivas 
dos assistentes sociais. 
A Lei nº 8.662/93 – Regulamentação da 
profissão 
O Serviço Social é uma profissão liberal regulamentada no Brasil por 
meio da Lei Federal nº 8.662/1993. 
Introdução ao Serviço Social
51
Figura 10 – Lei nº 8.662/1993
Fonte: Freepik 
Foi a primeira carreira reconhecida no campo social pelos governos 
estaduais na década de 1950, pela Lei nº 3.252 e pelo Decreto nº 994, de 
15 de maio de 1962. No entanto, as dúvidas permanecem frequentes (em 
leigos e profissionais) sobre os papéis e funções desempenhados pelos 
profissionais. 
Para sanar tais dúvidas, vamos conhecer melhor a lei de 
regulamentação da profissão. 
Logo, em seu art. 1º, traz a liberdade de o profissional atuar em todo 
o território nacional. Para complementar tal artigo, o art. 2º aborda quem 
pode exercer a profissão:
Art. 2º Somente poderão exercer a profissão de Assistente 
Social:
I - Os possuidores de diploma em curso de graduação 
em Serviço Social, oficialmente reconhecido, expedido 
por estabelecimento de ensino superior existente no País, 
devidamente registrado no órgão competente;
II - os possuidores de diploma de curso superior em 
Serviço Social, em nível de graduação ou equivalente, 
expedido por estabelecimento de ensino sediado em 
países estrangeiros, conveniado ou não com o governo 
brasileiro, desde que devidamente revalidado e registrado 
em órgão competente no Brasil;
Introdução ao Serviço Social
52
III - os agentes sociais, qualquer que seja sua denominação 
com funções nos vários órgãos públicos, segundo o 
disposto no art. 14 e seu parágrafo único da Lei nº 1.889, 
de 13 de junho de 1953.
Parágrafo único. O exercício da profissão de Assistente 
Social requer prévio registro nos Conselhos Regionais que 
tenham jurisdição sobre a área de atuação do interessado 
nos termos desta lei. (BRASIL, 1993, on-line) 
Logo, diante dos pressupostos do art. 2º, observa-se que o 
profissional, além da obtenção do diploma em instituição reconhecida 
pelo Ministério da Educação (MEC), necessita do registro do profissional 
nos conselhos regionais para a plena atuação na área. 
VOCÊ SABIA?
Os assistentes sociais são profissionais formados em 
Serviço Social (em programa credenciado pelo MEC) 
e cadastrados no Conselho Regional de Serviço Social 
(CRESS) do estado em que atuam. Já o Serviço Social é 
uma profissão de nível superior regulamentada pela Lei 
nº 8.662/1993. O termo “Serviço Social” também refere-se 
aos cursos de graduação que os estudantes universitários 
fazem para se tornarem assistentes sociais (ADJUTO, 2016).
Partindo, então, para o art. 4º da lei, nele conhecemos as 
competências dos profissionais, o qual prevê:
I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas 
sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou 
indireta, empresas, entidades e organizações populares;
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, 
programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do 
Serviço Social com participação da sociedade civil;
III - encaminhar providências, e prestar orientação social a 
indivíduos, grupos e à população;
IV - (Vetado);
V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos 
sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso 
dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;
Introdução ao Serviço Social
53
VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços 
Sociais;
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam 
contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar 
ações profissionais;
VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da 
administração pública direta e indireta, empresas privadas 
e outras entidades, com relação às matérias relacionadas 
no inciso II deste artigo;
IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em 
matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na 
defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
X - planejamento, organização e administração de Serviços 
Sociais e de Unidade de Serviço Social;
XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários 
para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da 
administração pública direta e indireta, empresas privadas 
e outras entidades. (BRASIL, 1993, on-line)
Logo, o art. 4º apresenta de forma clara todas as competências 
que concernem aos profissionais, sendo permitido pelo seu Código de 
Ética Profissional (art. 3º, alínea c) negar a atuação em ações que fujam de 
suas competências e atribuições e que sejam contrárias à sua ética como 
profissional.Figura 11 – Orientação ao usuário (competência V)
Fonte: Pixbay 
Introdução ao Serviço Social
54
Ainda sobre a lei de regulamentação, ela traz as atribuições 
privativas dos profissionais no art. 5º da lei, que são:
Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente 
Social:
I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar 
estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área 
de Serviço Social;
II - planejar, organizar e administrar programas e projetos 
em Unidade de Serviço Social;
III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração 
Pública direta e indireta, empresas privadas e outras 
entidades, em matéria de Serviço Social;
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, 
informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social;
V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível 
de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções 
que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso 
de formação regular;
VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de 
estagiários de Serviço Social;
VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de 
Serviço Social, de graduação e pós-graduação;
VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de 
estudo e de pesquisa em Serviço Social;
IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames 
e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de 
seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos 
conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos 
assemelhados sobre assuntos de Serviço Social;
XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos 
Federal e Regionais;
XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em 
entidades públicas ou privadas;
XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da 
gestão financeira em órgãos e entidades representativas 
da categoria profissional. (BRASIL, 1993, on-line)
Introdução ao Serviço Social
55
IMPORTANTE:
O art. 5º da Lei nº 8.662/93 é importante e necessário, 
pois outros profissionais podem se habilitar a atuar diante 
de algumas competências que devem ser apenas dos 
assistentes sociais. Diante dessa questão, o art. 5º veta a 
execução das atribuições previstas nesse artigo por outros 
profissionais. 
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre 
a Lei nº 8.662/93, a conhecida lei de regulamentação da 
profissão. Estudamos o percurso histórico para a aprovação 
de lei, desde seu processo de projeto, até sua finalização e 
aprovação em 1993. Estudamos também alguns entraves 
nos textos normativos das leis anteriores e da lei em vigor, que 
apresentam algumas falhas nas terminologias utilizadas, o 
que pode confundir o entendimento dos profissionais. Além 
de estudar alguns artigos da lei atual, focando os deveres, 
direitos e competências profissionais, sendo uma normativa 
que auxilia no entendimento e direcionamento profissional. 
Esse capítulo foi muito normativo, trazendo os textos de lei 
que são primordiais para o aprendizado do aluno, futuro 
profissional. Logo, é de suma importância a leitura atenta e 
crítica desse capítulo, para melhor conhecer seus direitos e 
deveres como profissional de Serviço Social.
Introdução ao Serviço Social
56
REFERÊNCIAS
ADJUTO, D. Serviço Social, assistência social, assistente social: você 
sabe a diferença. CFESS, 2016. Disponível em: http://www.cfess.org.br/
visualizar/noticia/cod/1267. Acesso em: 11 jul. 2022. 
ALMEIDA, D. A efetivação das competências e atribuições 
legais na atividade profissional dos assistentes sociais da Secretaria 
Municipal de Assistência Social da prefeitura de Londrina — PR. 
Dissertação (Mestrado em Serviço Social) — UEL, Londrina, 2006. 
ALMEIDA, N. L. T. de. O Serviço Social na educação. Revista Inscrita, 
n. 6, p. 19-24, 2000. 
ALVES, I. M. S. Desafios e possibilidades de atuação do assistente 
social: a área da educação como espaço sócio-ocupacional. In: 
CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, 13., Brasília, 2010. 
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AVILA, A. L. F. S. Projeto ético-político do Serviço Social brasileiro e 
o trabalho profissional. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE SERVIÇO SOCIAL, 
TRABALHO E POLÍTICAS SOCIAIS, 2., 2017, Florianópolis. Anais [...]. 
Florianópolis: UFSC, 2017.
BRAGA, A. L. C. et al. A perspectiva de atuação do assistente social 
na defesa do acesso à moradia e sua relação com o direito à cidade. 
CRESSPR, 2014. 
BRASIL. Lei nº 8.662, de 7 de junho de 1993. Dispõe sobre a profissão 
de assistente social e dá outras providências. Diário Oficial da União. 
Brasília, DF: Presidência da República, [1993]. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8662.htm. Acesso em: 08 ago. 2022.
BRASIL. Lei nº 3.252 de 27 de agosto de 1957. Regulamenta o 
exercício da profissão de assistente social. Diário Oficial da União. Brasília, 
DF: Presidência da República, [1957]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/ bleis/L3252. htm. Acesso em: 09 fev. 2017.
Introdução ao Serviço Social
http://www.cfess.org.br/visualizar/noticia/cod/1267
http://www.cfess.org.br/visualizar/noticia/cod/1267
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8662.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8662.htm
57
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 
[2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
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Social no tribunal de justiça de São Paulo: entre rupturas e (re)atualizações 
em tempos de judicialização e criminalização da pobreza. In: ENCONTRO 
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Anais [...]. Vitória: UFES, 2018.
CFESS – CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Parâmetros 
para atuação de Assistentes Sociais na Política de Assistência Social. 
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CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL (CFESS). Resolução 
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Sociais. 13 de março de 1993.
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Introdução ao Serviço Social
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KRUGER, T. R. Serviço social e saúde: espaços de atuação a partir 
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IAMAMOTO, M. Projeto Profissional, espaços ocupacionais e 
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social em questão. Brasília: CFESS, 2012
MANFRENDI, A. L. L. D. et al. Reconhecimento dos espaços de 
Atuação do Assistente Social. Revista Maiêutica, Indaial, v. 3, n. 1, p. 105-
110, 2016. 
NALIN, N. M. O trabalho do assistente social na política de 
habitação de interesse social: o direito à moradia em debate. 252 f. 
Monografia (Especialização em Serviço Social) – Universidade Católica do 
Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.
NETTO, J.P. A construção do projeto ético‐político do Serviço Social. 
In: BRAVO, M.I.Z. et al. Saúde e Serviço Social: Formação e trabalho 
profissional. São Paulo: Cortez, 2006. 
PEIXOTO, V.B. Projeto Profissional do Serviço Social: as expressões 
da dimensão ético-político no exercício profissional dos gestores da 
secretaria municipal de Assistência Social de Fortaleza. 2009. 125 f. 
Dissertação (Mestrado em Serviço Social) - Universidade Federal de 
Pernambuco, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Recife, 2009. 
SECRETÁRIA DE GESTÃO DE PESSOAS (CSPS). Serviço Social: 25 
anos do Código de Ética Profissional. 1 ed. 2018. 
SILVA, K. S. do N. Projeto Ético-Político do Serviço Social: tensões 
e dilemas de um projeto de execução. 2010. 94 f. Dissertação (Mestrado 
em Serviço Social) - Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências 
Humanas Letras e Artes, João Pessoa - PB, 2010. 
Introdução ao Serviço Social
59
SILVA, J. A. O código de Ética do/a Assistencia Social e o projeto 
ético-político: uma trajetória de mudanças. Seminário Nacional de 
Serviço Social, 2015.
VASCONCELOS, A. M. de. A/O Assistente Social na Luta de 
Classes: projeto profissional e mediações teórico-praticas. 1.ed. São Paulo: 
Cortez, 2015.
TJES – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. 
Serviço Social: 25 anos Do Código De Ética Profissional. Vitória: TJES, 2018. 
Disponível em: http://www.tjes.jus.br/wp-content/uploads/Cartilha-
Servi%C3%A7o-Social-25-anos-1.pdf. Acesso em: 08 ago. 2022.
Introdução ao Serviço Socialnão é uma entidade de natureza intencional ou teleológica, 
ou seja, a sociedade não tem objetivo ou propósito, ela existe apenas 
como um mero fato próprio. 
Contudo, essa teoria enfatiza que os membros da sociedade, 
homens e mulheres, sempre agem de maneira teleológica, o que significa 
que o comportamento humano é sempre orientado com fins, propósitos 
e metas (NETTO, 2006 ).
Assim, o comportamento humano, seja individual ou coletivo, 
fundamentado nas necessidades e interesses, significa sempre um 
projeto, em suma, uma antecipação ideal de um fim a ser alcançado, 
invocando os valores que o legitimam e opta por alcançá-lo.
Portanto, existem os projetos individuais e os coletivos, contudo, 
neste estudo, os projetos pelos quais vamos estudar e compreender são 
os projetos sociais, também chamados de projetos societários. 
IMPORTANTE:
Os projetos societários mostram a imagem da sociedade 
a ser construída, reivindicam determinados valores para 
justificá-la e privilegiam determinados meios (materiais e 
culturais) para alcançá-la.
Introdução ao Serviço Social
11
Figura 1 – Representação de um projeto para todos 
Fonte: Pixabay 
Projetos sociais são projetos coletivos, contudo, são únicos, por 
se estruturarem como macroprojetos, como propostas para a sociedade 
como um todo. Só eles têm essa característica, outros projetos coletivos 
(por exemplo, projetos profissionais, que discutiremos mais adiante) não 
têm esse grau de abrangência e inclusão. 
Assim, considerando as diversas mudanças trazidas com o sistema 
capitalista, o qual intensificou os pesos das classes sociais e seus 
antagonismos na dinâmica social, os projetos sociais devem conter uma 
dimensão política na qual as relações de poder estão envolvidas. É claro 
que essa dimensão não pode ser equiparada diretamente às posições 
partidárias, embora os partidos políticos sejam considerados instituições 
indispensáveis e insubstituíveis para a organização democrática da vida 
social capitalista contemporânea. 
SAIBA MAIS:
A experiência histórica mostrou que o cerne dos 
projetos sociais sempre esteve centrado nos interesses 
básicos das classes sociais, constituindo-se estruturas 
flexíveis: combinam novas necessidades e aspirações, 
transformando-se e renovando-se de acordo com as 
situações históricas e política.
Introdução ao Serviço Social
12
Por fim, não é difícil entender que a competição entre diferentes 
projetos sociais é um fenômeno peculiar à democracia política. No 
contexto da ditadura, a vontade política das classes sociais que exercem 
o poder político utiliza mecanismos e meios particularmente coercitivos 
e repressivos para implementar seus projetos corporativos. Somente 
quando as liberdades políticas fundamentais (de expressar e expressar 
ideias, associar-se, votar e ser votado etc.) são conquistadas e garantidas, 
os diferentes projetos sociais podem se confrontar e disputar a filiação 
dos membros da sociedade.
No entanto, a experiência histórica também mostra que, na ordem 
capitalista, por razões econômicas, sociais e culturais, inclusive no âmbito 
da democracia política, projetos sociais que atendam aos interesses das 
classes trabalhadoras e populares nem sempre são vantajosos quanto 
os projetos voltados para as classes politicamente dominantes (NETTO, 
2006). 
O projeto profissional 
No âmbito dos projetos coletivos, os projetos de cunho profissional, 
especialmente aqueles previstos em lei que pressupõem formação 
em intervenções teóricas e/ou técnicas, são geralmente de alto nível 
acadêmico. 
IMPORTANTE:
O projeto profissional demonstra uma autoimagem 
profissional, seleciona os valores que o legitimam na 
sociedade, define e prioriza seus objetivos e funções, 
formula os requisitos (teoria, prática e instituições) para 
seu exercício e prevê o comportamento do profissional 
regulador. Os projetos profissionais estabelecem a base 
para as relações com os usuários dos serviços, outras 
ocupações e organizações e instituições sociais públicas 
e privadas, incluindo os estados responsáveis pelo 
reconhecimento legal das regulamentações ocupacionais.
Introdução ao Serviço Social
13
Assim, os projetos profissionais são instituídos por um órgão 
coletivo, o respectivo órgão profissional (ou classe), que não inclui apenas 
os profissionais da área ou prática, mas deve ser encarado como um 
conjunto de membros que confere validade a essa profissão. O corpo 
profissional prepara seu projeto diante de sua organização (incluindo 
profissionais, instituições que os compõem, pesquisadores da região, 
professores e alunos, suas empresas, grupos acadêmicos e sindicais etc.).
IMPORTANTE:
Se levarmos em consideração o Serviço Social no Brasil, 
essas organizações incluem o sistema CFESS/CRESS, 
ABEPSS, ENESSO, sindicatos e outras associações de 
assistentes sociais. Para os usuários dos serviços prestados 
pela profissão, é necessário ter um corpo profissional 
organizado em sua base.
Os projetos profissionais também são estruturas dinâmicas 
que respondem às mudanças no sistema de demandas sociais que 
a profissão opera, às mudanças econômicas, históricas e culturais, aos 
desenvolvimentos teóricos e práticos da própria profissão e às mudanças 
na sociedade. 
Por tudo isso, os projetos profissionais também são atualizados e 
revisados. É importante ressaltar que os projetos profissionais também têm 
uma dimensão política incontornável, tanto no sentido amplo (referente à 
sua relação com os projetos sociais) quanto no sentido estrito (referente 
às visões específicas da profissão). 
No entanto, essas dimensões nem sempre são claras, especialmente 
quando apontam para uma direção conservadora ou reacionária. Um 
dos aspectos mais característicos do conservadorismo é a negação das 
dimensões políticas e ideológicas. 
Introdução ao Serviço Social
14
VOCÊ SABIA?
A afirmação e a consolidação de um projeto profissional 
dentro de si não eliminam diferenças e contradições. Essa 
afirmação deve vir pelo debate, discussão, persuasão, 
enfim, pelo confronto de ideias, não por mecanismos de 
coerção e exclusão. 
No entanto, sempre haverá um setor profissional que propõe 
projetos alternativos, portanto, até um projeto de conquista da hegemonia 
nunca será exclusivo. Assim, a elaboração e a afirmação (ou, se preferir, a 
construção e a consolidação) de um projeto profissional deve reconhecer 
claramente que a diversidade é um elemento factual da vida social e da 
própria profissão, e isso deve ser respeitado. 
Mas esse respeito não deve ser confundido com a tolerância liberal 
ao ecletismo, que não suprime a luta de ideias. Ao contrário, o verdadeiro 
debate intelectual só pode ser plenamente fundamentado no pluralismo, 
que, por sua vez, pressupõe o respeito à hegemonia da conquista legítima. 
IMPORTANTE:
A atenção a essas questões é ainda mais importante quando 
se considera a relação entre projetos profissionais e projetos 
sociais. Enquanto os projetos sociais hegemônicos e o 
projeto hegemônico de um determinado grupo profissional 
muitas vezes coincidem, podem ocorrer situações de 
conflito ou até de contradição entre eles. 
Projetos sociais hegemônicos podem ser contestados em momentos 
precisos por projetos profissionais que conquistam a hegemonia em suas 
respectivas instituições. Isso é mais provável quando essas instituições 
se tornam sensíveis aos interesses dos trabalhadores e das classes mais 
baixas.
Nesses grupos profissionais, essa situação agrava as disparidades 
e divisões entre os vários departamentos profissionais que os compõem. 
Obviamente, essas diferenças só podem ser resolvidas no âmbito dos 
órgãos profissionais. 
Introdução ao Serviço Social
15
Seu direcionamento positivo requer analisar os movimentos sociais 
(ou seja, movimentos de classes e estratos sociais) e construir relações e 
alianças com outros grupos profissionais e estratos sociais (incluindo os 
usuários de serviçosprofissionais), especialmente aqueles relacionados à 
classe que tem o potencial de criar uma sociedade/projeto para substituir 
as classes proprietárias e dominantes. 
Deve-se notar que esse tipo de projeto profissional colide com o 
projeto de uma sociedade hegemônica, e esse confronto tem seus limites 
em uma sociedade capitalista (NETTO, 2006). 
A menos que se queira eliminar o messianismo (cujo oposto é o 
fatalismo), até os programas profissionais críticos e avançados devem 
levar em conta esses constrangimentos, cujos limites mais gritantes se 
consubstanciam nas condições institucionais do mercado de trabalho. 
SAIBA MAIS:
Como se pode inferir das características do projeto 
profissional acima descritas, ele envolve uma gama de 
diferentes componentes: a imagem ideal da profissão, os 
valores que a legitimam, sua função social e objetivos, as 
teorias do conhecimento, intervir no conhecimento, nas 
normas, nas práticas etc. Portanto, o projeto profissional 
apresenta vários aspectos que devem ser expressos de 
forma coerente. Essa expressão básica da hegemonia do 
projeto profissional é complexa e não pode ser realizada 
em um curto período (NETTO, 2006). 
Portanto, a construção de um projeto profissional requer recursos 
políticos e organizacionais, processos de debate e exposição, investigação 
teórico-prática etc. Por outro lado, levando em conta a diversidade 
profissional, o projeto hegemônico de um determinado grupo profissional 
pressupõe um acordo entre seus membros: um acordo sobre os aspectos 
do projeto que são necessários e indicativos. 
As ordens são os componentes obrigatórios para todos os que 
exercem a profissão (esses componentes são, muitas vezes, objeto de 
regulamentação estatal legal). As diretivas são aquelas que não têm um 
Introdução ao Serviço Social
16
consenso mínimo para garantir a todos os membros do corpo profissional 
o cumprimento estrito e idêntico.
Se considerarmos o serviço social no Brasil, lembramos que a 
formação acadêmica é credenciada pelo Ministério da Educação (ou seja, 
em instituições de ensino superior credenciadas e de acordo com os 
padrões curriculares mínimos estabelecidos) e a inscrição nas respectivas 
organizações profissionais são componentes essenciais.
No entanto, até para os componentes necessários reconhecidos, 
há discordância. 
EXEMPLO: Um exemplo eloquente tem a ver com o código de 
ética profissional: apesar de ser parte necessária da prática profissional 
(inclusive, na maioria das vezes, ter força de lei), é comum o debate e a 
divergência sobre alguns de seus princípios e significados. Isso constitui 
mais um indicador das controvérsias e tensões que estão ocorrendo 
dentro dos órgãos profissionais (NETTO, 2006).
As referências ao Código de Ética são importantes quando se 
trata dos componentes de um projeto profissional para esclarecer dois 
aspectos relacionados. A primeira é que os projetos profissionais sempre 
exigem um fundamento claro de valores de natureza ética, porém, esse 
fundamento, que está colocado no Código, não se limita a eles, ou seja: 
a avaliação ética abrange o projeto profissional como um todo, não se 
constitui uma parte específica dele. O segundo problema é que os 
elementos éticos dos projetos profissionais não se limitam à especificação 
da ética e/ou direitos e deveres: envolvem também as escolhas teóricas, 
ideológicas e políticas do profissional. 
O projeto profissional como política ética revela sua plena razão, 
na qual as diretrizes éticas ganham validade historicamente específica 
apenas quando combinadas com uma orientação política profissional.
Introdução ao Serviço Social
17
Projeto social e sua relação com projeto 
profissional do assistente social 
É de fundamental importância que os profissionais de Serviço 
Social tenham o conhecimento sobre a diferença entre projetos sociais e 
os projetos profissionais. 
Como estudado nos tópicos anteriores, os projetos sociais são 
projetos coletivos direcionados a toda sociedade, e não apenas a grupos 
específicos, como bem pontuou Avila (2017):
O projetos societários são coletivos, pressupõe uma 
imagem de sociedade a ser construída, são projetos 
macroscópicos voltados para a sociedade; os projetos 
profissionais são coletivos, apresentam a autoimagem da 
profissão e norteiam as relações do profissional com todos 
os atores envolvidos na sua atuação profissional. (AVILA, 
2017, p.2)
Já os projetos profissionais são aqueles criados para direcionar os 
profissionais. No caso do assistente social, seu projeto profissional é seu 
projeto ético político. 
Portanto, os projetos sociais estão vinculados ao projeto profissional 
do assistente social, por sem um projeto que visa à transformação da 
sociedade em favor das classes mais vulneráveis, os quais apresentam 
projetos coletivos, que transparecem as atuações dos profissionais de 
Serviço Social. 
VOCÊ SABIA?
Em todas as atividades do assistente social, tais como: 
“processos de supervisão, plantões sociais, elaboração 
e execução de projetos”, entre outros, o direcionamento 
do projeto ético-político profissional deve estar embutido 
(AVILA, 2017, p. 3). 
O projeto ético-político do assistente social tem como valor central 
a liberdade em termos de emancipação e expansão do indivíduo na 
Introdução ao Serviço Social
18
sociedade e autonomia dos sujeitos e profissionais, expressos em seus 
onze princípios, que podemos ver a seguir: 
I. Reconhecimento da liberdade como valor ético central 
e das demandas políticas a ela inerentes - autonomia, 
emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; 
II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do 
arbítrio e do autoritarismo; 
III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada 
tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à 
garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes 
trabalhadoras; 
IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto 
socialização da participação política e da riqueza 
socialmente produzida; 
V. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, 
que assegure universalidade de acesso aos bens e 
serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem 
como sua gestão democrática; 
VI. Empenho na eliminação de todas as formas de 
preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à 
participação de grupos socialmente discriminados e à 
discussão das diferenças;
VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes 
profissionais democráticas existentes e suas expressões 
teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento 
intelectual; 
VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao 
processo de construção de uma nova ordem societária, 
sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero; 
IX. Articulação com os movimentos de outras categorias 
profissionais que partilhem dos princípios deste Código e 
com a luta geral dos/as trabalhadores/as; 
X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados 
à população e com o aprimoramento intelectual, na 
perspectiva da competência profissional; 
XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, 
nem discriminar, por questões de inserção de classe 
social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação 
Introdução ao Serviço Social
19
sexual, identidade de gênero, idade e condição física. 
(BRASIL, 1993, on-line) 
Figura 2 – Princípios ético-políticos 
Fonte: TJES (2018, p. 11). 
É importante mencionar que os princípios do assistente social 
não são os únicos determinantes presentes em seu projeto profissional. 
Contudo, foram aqui expressos pois causam um impacto diante de sua 
leitura e análise, por apresentarem diferentes atuações profissionais, que 
favorecem diferentes projetos societários. 
Consequentemente, esse compromisso não se apresenta como 
uma unidade no cotidiano, pois os projetos profissionais se apresentam 
como percursos desenvolvidos de forma diversa e se baseiam emescolhas conscientes ou inconscientes no cotidiano (VASCONCELOS, 
2015 ).
Ainda segundo o mesmo autor, nossos projetos se baseiam em 
linhas de desenvolvimento que fornecem orientação social para escolhas 
estratégicas e intervenções profissionais no dia a dia profissional. 
Introdução ao Serviço Social
20
SAIBA MAIS:
Cabe destacar que copiar um projeto ético-político como 
afirmação de hegemonia, sem identificá-lo como síntese 
de múltiplas decisões, pode levar a equívocos na ação 
cotidiana e na análise teórica. Quais são eles? Projetos 
influenciados pela tradição marxista, projetos de natureza 
tecnocrática, projetos fundamentados em vertentes 
conservadoras e projetos que se constituem uma vertente 
distintamente radical.
Assim, para uma melhor compreensão, vamos entender brevemente 
o surgimento do projeto profissional do Serviço Social, pois o seu processo 
de construção será mais bem detalhado mais adiante. 
Portanto, o nascimento do projeto se deu mediante o 
conservadorismo presente na atuação profissional. Diante das críticas 
da busca por mudanças nesse cenário, iniciou-se entre 1970 e 1980 a 
intenção de ruptura, que, segundo Vasconcelos (2015): 
nomeado Projeto Ético-Político do Serviço Social 
Brasileiro (década de 1990, até os dias atuais). No meu 
entender, este projeto toma como base, antes de tudo, 
os princípios do Código de Ética do assistente social (que, 
não fragmentados, lhes servem de preceito) e o projeto 
de formação da ABEPSS, que traz explícita a referência na 
teoria social crítica – Marx e o marxismo. Ou seja, nos onze 
princípios do Código de Ética tomados como totalidade [...] 
rumo à emancipação humana. (VASCONCELOS, 2015, p.297)
Por fim, como premissa deste estudo, partindo do reconhecimento 
de que os projetos profissionais transcendem os direitos e a cidadania 
burguesa, esse projeto é compreendido como um processo histórico de 
construção permanente na direção da emancipação humana. 
Introdução ao Serviço Social
21
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que existem os projetos societários e os projetos 
profissionais. Os projetos sociais são coletivos, contudo, 
envolvem a sociedade como um todo e não grupos 
específicos, ou seja, mostram a imagem da sociedade a ser 
construída, reivindicam determinados valores para justificá-
la e privilegiam determinados meios (materiais e culturais) 
para alcançá-la. Já os projetos profissionais são construídos 
especificamente para categorias profissionais, dando 
direcionamento, metas e objetivos a seguir. No caso dos 
profissionais de Serviço Social, seu projeto profissional é o 
seu Código de Ética, no qual, dentre muitos determinantes, 
destacam-se os seus 11 princípios, pois são os únicos 
determinantes presentes em seu projeto profissional. 
Contudo, foram aqui expressos pois causam um impacto 
diante de sua leitura e análise, por apresentarem diferentes 
atuações profissionais, que favorecem diferentes projetos 
societários.
Introdução ao Serviço Social
22
Construção do projeto ético-político do 
Serviço Social
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de aplicar 
o processo de construção do projeto ético-político do 
Serviço Social. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então, vamos lá. Avante!
O processo de construção do projeto 
profissional do Serviço Social
O projeto ético-político do Serviço Social foi construído no Brasil a 
partir do final da década de 1970, sendo marcado por um momento de 
questionamento pelo conservadorismo social, já que a categoria criticava 
seus fundamentos tradicionais. Eles podem ser entendidos como o 
Serviço Social tradicional, com a prática burocrática, em que profissionais 
estavam pautados na ética liberal burguesa, cuja teleologia incluía como 
ferramenta de “correção” a ação psicossocial – de um ponto de vista 
funcionalista – sobre o que é indesejável e inadequado dos imperativos 
conceituais ideais e mecanicistas com uma perspectiva dinâmica da 
socialidade do capital (AVILA, 2017).
IMPORTANTE:
O desafio de entender o projeto profissional do Serviço 
Social, que, para diversos autores, é chamado de projeto 
ético-político, consiste em uma análise profunda da 
realidade na qual ele foi gerado. O entendimento das 
determinações econômicas, sociais, políticas e culturais 
do país, especialmente nos anos 1980 e 1990, é essencial 
para a compreensão do processo de evolução teórica, 
metodológica, operativa, técnica, política e ética dessa 
profissão (PEIXOTO, 2009 ).
Introdução ao Serviço Social
23
Ainda de acordo com Peixoto (2009), os debates sobre programas 
profissionais em Serviço Social progrediram em meados da década de 
1980, período em que as discussões de filosofia ética e moral surgiram 
simultaneamente em ambientes profissionais.
Além disso, esse é um momento para aprofundar o conhecimento 
teórico e crítico, amadurecendo sua compreensão do marxismo, e 
usá-lo como referência teórica e prática. Atualmente, por um lado, os 
programas profissionais em Serviço Social são frequentemente utilizados 
para legitimar ações, programas e políticas sociais, como forma de 
reconhecimento da identidade política e crítica da profissão.
SAIBA MAIS:
Os projetos profissionais caracterizam-se por associações 
com projetos sociais coletivos, assim como diferentes 
estruturas e mudanças com o movimento da sociedade. 
A base do projeto profissional está ligada à base da 
acumulação capitalista e ao processo de estruturação ou 
reorganização dos interesses da classe dominante em 
detrimento dos trabalhadores. Esses projetos mostram a 
imagem social a ser construída, que requer determinados 
valores, dotados de determinados modos de vida e meios 
(materiais e culturais) para alcançá-la (SILVA, 2010 ).
Ainda de acordo com Silva (2010), os projetos profissionais 
demonstram uma autoimagem profissional, escolhendo os valores que 
os legitimam na sociedade, definindo e priorizando seus objetivos e 
funções e formulando os requisitos (teoria, instituições e práticas) para 
seu exercício.
Logo, componentes estruturais, ambientais, sociais, econômicos, 
políticos e culturais são essenciais para a construção de projetos 
profissionais, pois devem analisar constantemente as realidades sociais 
para que suas ações possam impactar efetivamente a sociedade.
Dessa forma, o projeto profissional de Serviço Social é um conjunto 
de decisões construídas coletivamente, para as quais é necessária uma 
compreensão crítica da realidade e intervenções condizentes com a 
Introdução ao Serviço Social
24
prática. Também se destaca que, para a execução e implementação do 
projeto, deve haver uma ação politicamente consciente, organizada e 
coerente com ideologias que rejeitam e criticam o conservadorismo e o 
capitalismo, além de conter o mesmo propósito social do projeto.
Com o movimento das intenções de separação do início dos anos 
1980, os projetos profissionais ganharam novo fôlego e assumiram a principal 
bandeira contra o modelo político ditatorial, com referências à liberdade 
política, à democracia e a não opressão dos trabalhadores, enfrentando o 
sistema capitalista. Além disso, a Secretaria de Assistência Social passou 
por uma mudança de abordagem teórica, buscando contribuir para a 
implementação de conteúdos mais críticos e com foco nas necessidades 
sociais e políticas da classe trabalhadora (PEIXOTO, 2009).
O projeto ético-político do Serviço Social, que prioriza o conceito de 
emancipação e rejeita a linha positivista, teve origem no final da década de 
1970 e ao longo da década de 1980, incluindo um período da história do Brasil 
marcado por um governo de orientação política e a administração militar. 
Teve como pano de fundo a repressão, a tortura e a censura do 
poder políticopor parte da junta militar que as frentes de resistência 
surgiram na sociedade. Assim, para compreendê-lo, é necessário avaliar 
a situação sócio histórica do país, incluindo eventos anteriores aos anos 
1980, como o cenário político anterior aos anos 1980, e o limiar para 
encontrar a construção do projeto profissional atual.
Figura 3 – Período de repressão ditatorial 
Fonte: Pixabay 
Introdução ao Serviço Social
25
Pode-se argumentar que, na década de 1960, uma grande 
proporção de assistentes sociais ainda estava aliada a projetos sociais, 
que, por sua vez, privilegiavam a burguesia. As organizações políticas 
populares se opuseram a esses fatores predominantes na sociedade na 
década de 1960 e exigiram modos alternativos de produção e reprodução 
das relações econômicas e sociais. 
Surgiram movimentos que até então eram minorias desfavorecidas 
e sem expressão social (estudantes, raciais e, principalmente, movimentos 
feministas), os quais avançaram na luta e ampliaram seus laços com a 
tradição, pautados por princípios socialistas e disputando questões e 
costumes que promovem valores conflitantes.
Expressões de tendências comunistas inspiradas na teoria marxista 
explodiriam com o Serviço Social para superar seu preconceito caritativo, 
humanismo tomista e sua ligação direta com a moral religiosa. Por 
isso, o cenário da política mundial na década de 1960 foi considerado 
revolucionário para grande parte da sociedade mundial, pois era um 
momento de transformação nos problemas enfrentados pelo atual 
sistema capitalista nos países ditos de primeiro mundo.
A partir desse período, os fundamentos teóricos e práticos do 
Serviço Social começaram a mudar, rompendo gradativamente com 
o conservadorismo e conquistando uma posição autônoma do lado 
católico. Esse período de secularização coincidiu com a introdução da 
teoria marxista como uma nova ferramenta teórica para a profissão, ainda 
que de alcance limitado, enquadrado pelo althusserismo. 
IMPORTANTE:
Chama-se a atenção para uma série de pausas, em 1960, 
que são um fato importante sobre as dimensões éticas 
e morais da profissão. Assim, o serviço social não ganha 
potencial crítico relacionado a temas morais e éticos, 
limitando sua crítica competitiva a modelos burgueses 
envolvendo política e economia.
Com isso em mente, o projeto profissional do Serviço Social, 
denominado projeto ético-político, está vinculado ao projeto social 
Introdução ao Serviço Social
26
de transformação da ordem social vigente e capitalista. Esse projeto 
profissional está associado a um projeto de renovação da sociedade e 
precisa de orientação moral e política rofissional para a intervenção 
profissional, pois a atuação se dá em um movimento contraditório de 
classe (SILVA, 2015 ).
O projeto ético-político é o compromisso de uma profissão com 
a classe trabalhadora, sendo originado no final da década de 1970, por 
meio do movimento reconceituado. Esse movimento lança luz sobre o 
processo de ruptura da carreira teórica e política do conservadorismo e 
da ética neutra com o design profissional, que foi progredindo na década 
de 1980, consolidado em 1990, com a implementação da CE/93, e, 
atualmente, encontra-se em construção. Tal projeto de especialização 
trata-se da categoria da organização social e, em sua teoria e política, 
a atuação profissional não é mais pautada pelo conservadorismo, mas 
pelas outras leituras, como a ontologia social de Marx.
IMPORTANTE:
O projeto é alcançado por meio da ação profissional do 
dia a dia, sendo identificadas três dimensões, desde que 
articuladas e constituídas com a importância do programa 
ético-político do Serviço Social, sendo essas dimensões, 
respectivamente: dimensões de produção de conhecimento 
dos assistentes sociais, dimensões da organização política 
e política jurídica na categoria profissional.
A primeira dimensão refere-se ao modelo teórico metodológico da 
profissão, que a produção de conhecimento expressa a própria criação 
do profissional, com uma crítica teórica do pensamento social e, portanto, 
em desacordo com os pressupostos filosóficos conservadores que 
pretendem manter a ordem.
A segunda dimensão é a forma política de como organizar a 
profissão por meio de uma entidade representativa, como: Associação 
Educacional Brasileira de Serviços Sociais Federais e Regionais (CFESS/
CRESS) e Estudos de Serviço Social (ABEPSS), dentre outras associações 
políticas e movimentos estudantis representados pelo Centro Acadêmico 
Introdução ao Serviço Social
27
(CA) e pela administração da Academia Nacional de Estudantes de Serviço 
Social (ENESSO).
A terceira dimensão é a dimensão jurídico-política, que apresenta 
as instituições jurídicas, sendo uma série de leis e resoluções que 
estabelecem serviços sociais, tais como: o Código de Ética, a Lei de 
Regulamentação Profissional de 1993 (Lei nº 8.662/93), um guia para 
cursos de formação profissional e uma série de leis, como a Constituição 
Federal de 1988, Capítulo VIII, Ordem Social. Esse pacote de legislação 
defende a autonomia profissional e reforça o exercício profissional 
garantido.
IMPORTANTE:
O projeto profissional do Serviço Social busca, por meio das 
três dimensões, alcançar a construção de uma nova ordem 
social, superando os aspectos sociais e econômicos, sendo 
apresentada como uma política hegemônico-capitalista de 
tradição marxista, entendendo sua metodologia teórica e 
base ético-política. Trata-se do projeto de política moral, que 
defende valores universais libertadores e, especialmente, a 
política e a libertação humana. 
Assim, pode ser entendido como uma emancipação política no 
contexto de afirmação da sociedade capitalista, por outro lado, a plena 
realização da emancipação humana somente pode ser alcançada se 
houver uma ordem social.
O cotidiano ocupacional reproduzido no capitalismo, a liberdade 
e os valores éticos fundamentais apresentam-se como uma questão 
profissional, devido à incapacidade de valor, sendo vivenciados nas 
realidades de intervenções profissionais específicas.
Logo, a liberdade entra em conflito com a dinâmica social capitalista, 
que, por sua vez, limita a liberdade. O confronto direto com esse modo 
de produção promove dificuldade na implementação do projeto, pois 
o alcance das metas depende de minar os valores conservadores do 
profissional e superar parte da sociedade capitalista (SILVA, 2015).
Introdução ao Serviço Social
28
A preservação desse item está intimamente dependente da vontade 
dos profissionais de Serviço Social, pelo fortalecimento da democracia 
e dos movimentos populares e pela renovação de valores que orientam 
a ação, fortalecendo teoria, organização e política ética do trabalho e 
reafirmando o apoio à classe trabalhadora, resultados e intervenções 
éticas qualificadas e socialmente comprometidas (SILVA, 2015).
IMPORTANTE:
É necessário um novo perfil profissional, informado, crítico 
e propositivo, apostando no protagonista do sujeito social, 
sendo capaz de perceber o potencial masculino, além 
de ser capaz de formular, projetar, avaliar e organizar 
propostas de política social para empoderar a política social 
sociedade civilizada. 
Para que os profissionais contribuam com a viabilização do projeto 
político e ético, deve-se ter métodos teóricos, políticas éticas, operações 
técnicas e habilidades de intervenção para atender e/ou mediar às 
necessidades sociais, reproduzindo novas perspectivas profissionais.
Orientados pelo código de ética vigente, com a implementação 
desse projeto, os assistentes sociais se apresentam como formuladores 
de políticas públicas e executores de políticas dos movimentos sociais, 
devendo entender as necessidades sociais e, em uma série de movimentos 
sociais, realizar seus serviços. 
Dessa forma, pode-se visualizar o amadurecimento da categoria 
profissional na superação de tradições inerentemente conservadoras, 
ideias católicase positivistas que influenciaram a ética do trabalho nos 
primórdios da nação história do Serviço Social.
Segundo Peixoto (2009), se considerarmos que o atual debate 
ético no Serviço Social só começou a decolar a partir do Código de 1993, 
podemos considerá-lo ainda jovem, com quase 15 anos, e passível de 
muitas análises, avaliações e até mudanças. 
Seria reducionista engajar-se em tal debate reeditando as 
regulamentações existentes, ainda que essa reedição tenha ocorrido ao 
Introdução ao Serviço Social
29
mesmo tempo que o processo de transformação do guia de curso ocorreu 
e as leis que regulamentam o setor foram formalmente endossadas.
SAIBA MAIS:
O que aconteceu nas últimas duas décadas é o 
amadurecimento e a ampliação das discussões éticas no 
sentido filosófico e teórico e, portanto, no âmbito da prática, 
crucial para a composição dos profissionais que atuam 
na defesa e salvaguarda dos direitos sociais, políticos e 
humanos. 
O que antes era visto como uma questão ética e desvinculada 
de todo histórico e da especificidade do Serviço Social, é considerado 
essencial no dia a dia da profissão. Esse processo avançou na academia 
e se expandiu para incluir fóruns e conferências nessa categoria, além de 
um curso descentralizado sobre ética e prática profissional, que envolve 
vários docentes, produzindo livros amplamente divulgados e adotados 
nas unidades de ensino de todo o Brasil (PEIXOTO, 2009).
Na questão da dimensão ética, portanto, a moral é parte integrante 
da vida cotidiana, constituindo-se um espaço privilegiado nos projetos 
profissionais que permanecem legalmente objetivado. A ética, portanto, 
só é expressiva quando seus fundamentos ontológicos se fundem com o 
mais humano da política e da liberdade.
IMPORTANTE:
Os elementos éticos dos projetos profissionais não se 
limitam à ética e/ou à provisão de direitos e obrigações, 
mas também às escolhas teóricas, ideológicas e políticas 
de categorias e profissionais. Logo, a designação 
contemporânea de projetos profissionais, como a ética 
de projeto, revelam questões políticas. Toda a razão de 
ser trata-se das diretrizes éticas que ganham validade 
historicamente específica apenas quando combinadas 
com uma orientação política profissional (PEIXOTO, 2009).
Introdução ao Serviço Social
30
A reflexão sobre os fundamentos ontológicos da ética abriu um 
espaço privilegiado nos ambientes profissionais apenas na década de 
1990, de modo que as tentativas de estabelecer identidades profissionais 
relacionadas à consciência ética são inerentes ao processo de renovação 
do Serviço Social. A maturidade teórica e política da profissão facilita a 
aproximação e o aprofundamento da consciência crítica, mas é preciso 
enfatizar que a maturidade crítica e o desenvolvimento da consciência 
política são diferentes dos processos que ocorrem na compreensão 
filosófica ética (PEIXOTO, 2009).
Esse último, embora tenha sido discutido e objetivado em Códigos 
de Ética anteriores, como os de 1947, 1965, 1975 e 1986 (embora este último 
seja político e consciente da especificidade do progresso morfológico), só 
ganhou popularidade política teórica nas décadas de 1990 e 2000, além 
de apoiar legalmente os assistentes sociais no uso de suas ferramentas 
teóricas e políticas para combater todo tipo de exploração e opressão 
capitalista e política, seja em formas econômicas, culturais, políticas ou 
morais.
O Código de Ética aprovado em 1986 prenunciou um novo repensar 
crítico e histórico do Serviço Social. Além de apontar novos horizontes, 
principalmente no exercício profissional dos assistentes sociais, sendo 
um marco expressivo na inserção da profissão no processo democrático 
que avança no país. Embora o Código de 1986 representasse uma 
ruptura política com as visões neotomistas e expressasse uma ação 
secular relacionada ao avanço das forças democráticas populares, ainda 
apresentava algumas deficiências teóricas e filosóficas (PEIXOTO, 2009).
Segundo Peixoto (2009), o Código expressa uma concepção 
mecanicista da ética, ao derivar a moral diretamente da produção 
econômica e dos interesses de classe, não compreendendo a mediação, 
o caráter e a dinâmica da ética. Sem negar a importância do Código 
de 1986, pode-se dizer que está muito distante dos avanços teórico-
metodológicos e políticos alcançados na década de 1980. Ao mesmo 
tempo, esses avanços ainda não se traduziram em um debate e elaboração 
de literatura específica.
Introdução ao Serviço Social
31
IMPORTANTE:
Os códigos morais nascem de construções coletivas e 
críticas. Assim, é preciso mudar e melhorar a si próprio ano 
após ano para apoiar a liberdade e a libertação humana. A 
categoria profissional aposta no intensivo para a construção 
de projeções éticas e políticas de trabalho que fortaleçam 
o trabalho diário do projeto político profissional e ético por 
meio da compreensão e do reconhecimento de valores 
recomendados pelo atual código de ética.
O projeto ético-político realiza-se por meio de estratégias políticas 
profissionais, competências políticas, criticidade e criatividade para criar 
condições para o exercício da liberdade nos espaços coletivos cotidianos 
e nas áreas de luta. Para realmente implementar isso, o projeto tem 
muitos desafios e limitações atualmente, por meio do modo de produção 
capitalista.
A construção do projeto ético- político do serviço social revela a 
profundidade entre ele e o projeto hegemônico da sociedade atual, pois 
exige dos assistentes sociais uma formação contínua, crítica e orientada 
para acabar com a exploração de classe. Se o Serviço Social não rompeu 
efetivamente com as práticas conservadoras, foi um projeto hegemônico 
da classe dominante que contribuiu com a reforma das práticas tradicionais 
(SILVA, 2010). 
Diante disso, uma série de desafios têm sido levantados para o 
Serviço Social, como: garantir o diálogo com os movimentos sociais que 
a classe trabalhadora luta e defende, manter a orientação hegemônica 
dos projetos profissionais, desenvolver uma estratégia de apreensão do 
grupo para nortear a lógica de projeto de ética política do Serviço Social. 
A contradição na construção de uma sociedade politicamente liberada 
envolve a compreensão dessas questões (SILVA, 2010).
Introdução ao Serviço Social
32
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que o projeto ético e político do Serviço Social 
teve sua construção em âmbito nacional no ano de 1970, 
sendo marcado por um momento de questionamento por 
conta do conservadorismo social, cuja categoria critica 
seus fundamentos tradicionais. Logo, foi possível ainda 
apresentar a definição de projetos profissionais, os quais 
caracterizam-se por associações de projetos coletivos 
sociais, com alterações e estruturas distintas, em que a base 
do projeto profissional é ligada ao acúmulo capitalista e ao 
processo de reorganização e estruturação de interesses 
de classe dominante em detrimento dos trabalhadores. 
Logo, contempla-se que tal projeto é atingido mediante 
uma ação profissional diária, sendo ainda identificadas três 
dimensões, desde que sejam compostas e articuladas 
com a importância e relevância do projeto ético e político 
do Serviço Social, sendo essas dimensões a produção de 
conhecimento dos assistentes sociais, política jurídica na 
categoria profissional e dimensões da organização política.
Introdução ao Serviço Social
33
Projeto ético político e os campos de 
atuação no Serviço Social
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de reconhecer 
as áreas e campos de atuação profissional presentes no 
Projeto Ético-Político, descrevendo suas atribuições e 
principais atividades. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então, vamos lá. Avante!
Os campos de atuaçãodo Assistente Social 
e suas atribuições 
As atribuições e as finalidades dos profissionais de Serviço Social, sejam 
eles implementados nas políticas de assistência social ou em outros espaços 
sócio ocupacionais, tem como base os direitos e as obrigações do Código de 
Ética Profissional e da Lei de Regulação Profissional, que devem ser seguidos 
e respeitados tanto pelo profissional quanto pelo seu empregador.
Figura 4 – Principais campos de atuação profissional 
Habitação
Campos de 
atuação
Justiça Saúde
Educação
Assistencia 
Social
Fonte: Elaborado pelas autoras (2022). 
Introdução ao Serviço Social
34
Contudo, antes de iniciar a abordagem sobre os campos de atuação, 
vamos entender os direitos e os deveres dos profissionais. Sobre os 
direitos dos profissionais, eles podem ser verificados no art. 2º do Código 
de Ética dos profissionais, o qual assegura: 
Art. 2º - Constituem direitos do assistente social: 
a) garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, 
estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão e 
dos princípios firmados neste código; 
b) livre exercício das atividades inerentes à profissão; 
c) participação na elaboração e gerenciamento das 
políticas sociais e na formulação e implementação de 
programas sociais; 
d) inviolabilidade do local de trabalho e respectivos 
arquivos e documentação, garantindo o sigilo profissional; 
e) desagravo público por ofensa que atinja a sua honra 
profissional; 
f) aprimoramento profissional de forma contínua, 
colocando-o a serviço dos princípios deste código; 
g) pronunciamento em matéria de sua especialidade, 
sobretudo quando se tratar de assuntos de interesse da 
população; 
h) ampla autonomia no exercício da profissão, não sendo 
obrigado a prestar serviços profissionais incompatíveis 
com as suas atribuições, cargos ou funções; 
i) liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, 
resguardados os direitos de participação de indivíduos ou 
grupos envolvidos em seus trabalhos. (CFESS, 2013, p. 19 ) 
Introdução ao Serviço Social
35
IMPORTANTE:
Diante dos direitos do assistente social, destaca-se 
a liberdade na sua atuação, o que lhe permite negar 
a execução de ações que são divergentes das suas 
atribuições dentre dos diferentes campos de atuação 
profissional.
Sobre os deveres dos assistentes sociais, eles estão previstos em 
seu Código de Ética, no art. 3º, o qual prevê: 
Art. 3º - São deveres do assistente social: 
a) desempenhar suas atividades profissionais, com 
eficiência e responsabilidade, observando a legislação em 
vigor; 
b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no 
exercício da profissão; 
c) abster-se, no exercício da profissão, de práticas que 
caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o 
policiamento dos comportamentos, denunciando sua 
ocorrência aos órgãos competentes; 
d) participar de programas de socorro à população em 
situação de calamidade pública, no atendimento e defesa 
de seus interesses e necessidades. (CFESS, 2013, p. 20)
Observa-se, que dentre os deveres profissionais, destaca-se aquele 
que veda ao profissional atuar de forma a censurar ou limitar a liberdade, 
sendo sua obrigação denunciar os casos em que essas práticas ocorrem, 
dentro de seus diversos campos de atuação. 
Portanto, voltando aos campos de atuação do assistente social, 
dentro daqueles que foram apresentados na Figura 4 (saúde, educação, 
justiça, habitação, relações de trabalho e assistência social), podemos 
mencionar outros, tais como: lazer, previdência, meio ambiente, 
comunicação social, segurança, dentre outros, todos com a finalidade de 
atuar em prol do acesso do cidadão aos direitos sociais (MANFRENDI et 
al., 2016). 
Introdução ao Serviço Social
36
Assistência Social
O trabalho assistencial acontece em espaços institucionais e de 
mediação social de movimentos sociais e populares. Valores, ideologias, 
relações sociais e políticas constituem as práticas que acontecem nesses 
espaços. 
Figura 5 – Serviço Social na assistência social 
Fonte: Freepik 
A luta pela competência profissional é fruto do trabalho coletivo e 
da mobilização social para a garantia dos direitos dos trabalhadores, a 
universalização dos direitos sociais e a consolidação da assistência social 
como política pública e obrigação do Estado (CFESS, 2011).
IMPORTANTE:
Na assistência social, a atuação profissional se dá em 
grande medida por duas instituições principais, sendo elas 
os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e os 
Centros de Referência Especializada da Assistência Social 
(CREAS). 
Introdução ao Serviço Social
37
Sobre as atribuições no CREAS, o assistente social atua nos diferentes 
espaços, intervindo nas diferentes realidades que são apresentadas no 
dia a dia do CREAS, em que desenvolve ações cotidianas para atuar nas 
práticas contra a violação de direitos, visando resgatar a autonomia dos 
usuários e, assim, fortalecer os vínculos familiares e comunitários.
Educação
No campo da educação, o assistente social, por meio de sua 
aparência distinta, apresenta-se como um auxiliar em diversas partes 
desse campo de atuação, que buscam uma educação de qualidade que 
seja benéfica a todos e que permita que o aluno permaneça na escola. 
Figura 6 – Serviço Social na educação 
Fonte: Pixabay 
Os assistentes sociais não apenas diagnosticam, mas também 
propõem alternativas para os problemas sociais que muitas crianças 
vivenciam. Um dos problemas mais comuns é a evasão, que é um grande 
desafio para os profissionais da escola hoje. 
Introdução ao Serviço Social
38
SAIBA MAIS:
O trabalho social na educação ainda enfrenta um obstáculo 
para estabelecer práticas de qualidade que apoiem a 
igualdade e a justiça social nos ambientes educacionais. 
As escolas enfrentam barreiras para contornar a demanda 
por grandes vagas, que nem sempre são proporcionais ao 
número disponível na rede pública (ALVES, 2010).
A presença de assistentes sociais nos ambientes escolares, por 
meio de programas, informações e encaminhamentos das instituições 
que frequentam, facilita o acesso das crianças das famílias mais pobres 
aos serviços sociais e assistenciais no dia a dia. 
Assim, o trabalho realizado pelos assistentes sociais não deve ser 
confundido com o trabalho dos educadores. Embora sua ação tenha uma 
dimensão socioeducativa, sua inserção se deu no sentido de fortalecer as 
redes sociais e os processos de acesso aos serviços e instituições sociais 
(ALMEIDA, 2000).
Saúde
Na saúde, os serviços sociais têm um espaço de atuação próprio e 
tradicional, mas com o SUS, muitas outras áreas se abriram também no 
âmbito da gestão e do planejamento de políticas, nas quais os assistentes 
sociais podem realizar ações não privativas dos profissionais. 
Figura 7 – Assistência social na saúde
Fonte: Pixabay 
Introdução ao Serviço Social
39
Na área de vigilância em saúde, diversos programas têm sido 
desenvolvidos, como higiene, epidemiologia, meio ambiente, saúde 
do trabalhador, doenças não transmissíveis, alimentação e nutrição, 
prevenção da violência e assistência às drogas e saúde mental, que 
historicamente também tem sido uma área de saúde. Devido a isso, há 
um afastamento do assistente social, por um não reconhecimento de sua 
atuação nessas áreas. 
IMPORTANTE:
É no campo da vigilância em saúde que os aspectos 
sociais dos processos de saúde e doença podem ser mais 
claramente compreendidos. No entanto, devido à tradição 
de implementação da política social, os assistentes sociais 
têm encontrado dificuldades de utilizar sistemas de 
informação e indicadores epidemiológicos e deles extrair 
indicadores estratégicos e cruzar dados. Esses dados 
ajudam os profissionais a sustentar seus argumentos, 
reconhecer determinantes sociais da saúde, debater 
processos de planejamento, articular o trabalho intersetorial 
e até articular coletivamente as necessidades dos usuários 
(KRUGER, 2010).Portanto, a missão do Serviço Social dentro de unidades de 
saúde é intervir nos aspectos associados às doenças, promovendo 
condições para a reabilitação do paciente, reduzindo o choque com 
fatores socioeconômicos, culturais e ambientais que afetam o bem-estar 
do indivíduo. Sua maior responsabilidade está em dar o apoio social, 
desenvolvendo uma relação de apoio e ajuda na gestão da doença, 
criar formas de combater às incapacidades provenientes da doença, 
informar o doente e seus familiares das respostas e cuidados que devem 
prestar diante da situação, fazer planejamento da alta social, avaliando as 
necessidades do doente e indicando como dar continuidade aos cuidados 
com a sua doença, além de fazer a defesa dos direitos e a promoção de 
representatividade.
O acolhimento, a organização do plano individual de cuidados, o 
acompanhamento e a preparação da continuidade dos cuidados são os 
Introdução ao Serviço Social
40
quatro elementos que desenvolvem o trabalho do assistente social. Em 
todas as áreas de prestação e cuidados de saúde, como internamento, 
ambulatório e urgência, o Serviço Social enquadra-se dentro dessa 
orgânica hospitalar como estrutura de suporte e prestação de cuidados 
com a saúde.
Para pensar e realizar uma atuação competente e crítica do 
Serviço Social na área da saúde, ele deve estar sintonizado e articulado 
ao movimento dos trabalhadores e usuários que lutam pela efetivação 
do SUS. É necessário conhecer a realidade da vida dos trabalhadores 
usuários, esclarecendo os determinantes sociais que interferem no 
processo saúde-doença. Consiste na intervenção do assistente social na 
saúde, assegurar o acesso do usuário aos serviços de saúde.
IMPORTANTE:
O assistente social tem como competências levar as 
questões de cunho econômico, social e cultural que 
possam comprometer a eficiência dos programas de 
promoção, proteção e recuperação da saúde. O profissional 
é muito importante e necessário para a promoção e 
atenção à saúde. Constitui-se dever do assistente social 
desempenhar suas atividades profissionais com eficiência 
e responsabilidade, seguindo e observando a legislação 
em vigor.
Os assistentes sociais iniciaram suas atividades com a saúde a partir 
da manifestação das doenças transmissíveis e hereditárias que, na época, 
eram chamadas de serviço social médico.
Por conta da importância do capitalismo monopolista, desenvolveu-
se a prática do Serviço Social na saúde para estruturar com sofisticação as 
atividades do assistente social.
São exemplos claros de que a Consolidação dos Princípios de 
Reforma Sanitária permanece como desafio contemporâneo da política 
de saúde, com dificuldades ao acesso dos Serviço Sociais na saúde, 
formação de projetos e integralidade, retenção de valores na equidade 
Introdução ao Serviço Social
41
financeira dos setores, falta do exercício no controle de articulações nos 
movimentos sociais etc.
Implantado em diversos hospitais para fortalecer a personalidade 
do doente e ajudar os médicos e suas atividades, a atuação do assistente 
social na saúde desenvolveu-se no início do século XX, nos Estados 
Unidos. Historicamente, o assistente social é um dos agentes profissionais 
que implementam políticas sociais, especialmente políticas públicas.
Justiça
O trabalho do assistente social na justiça, além do Judiciário, 
também inclui gabinetes da Defensoria Pública, Ministérios Públicos, 
prisões e sistemas de segurança, organizações que implementam 
medidas socioeducativas para adolescentes, dentre outros. 
Figura 8 – Serviço Social no campo da justiça
Fonte: Pixabay 
Esses espaços de atuação profissionais facilitam as ações 
conservadoras, que significam essencialmente controle e penalidades 
estaduais.
Introdução ao Serviço Social
42
IMPORTANTE:
A atuação do assistente social na justiça é voltada, na maioria 
das vezes, a demandas sociais que permeiam o cotidiano 
das varas da infância e juventude, varas da família e das 
sucessões e, mais recentemente, das varas criminais. O 
assistente social intermedeia ações judiciais que envolvem 
crianças e adolescentes que necessitam de medidas 
protetivas, jovens autores de atos infracionais, famílias em 
situação de conflito etc. Nessa intervenção, principalmente, 
oferece subsídios sociais à autoridade judiciária, mediante 
relatórios, laudos e pareceres (CARDOSO; OLIVEIRA, 2018). 
Portanto, a função central da assistência social na justiça é executar 
pesquisa social, sistematizando-a por meio de relatórios, laudos e 
pareceres, objetivando fornecer orientação social sobre procedimentos 
judiciais, julgamentos e sentenças. 
Habitação
Outra área que visa auxiliar a sociedade e pode ser um espaço de 
atuação dos assistentes sociais é a política habitacional. O setor deu sinais 
de problemas sociais na crise habitacional, que passou por instabilidade, 
infraestrutura inadequada e falta de moradia. Os assistentes sociais 
podem atuar na gestão, implementação e monitoramento das políticas 
habitacionais com uma concepção de direito à moradia coerente com 
um compromisso ético-político, com base em princípios de justiça social, 
equidade, democracia e cidadania (BRAGA, 2014).
Introdução ao Serviço Social
43
Figura 9 – Serviço Social na habitação
Fonte: Pixabay 
O direito social à moradia integra o direito a um padrão de vida 
adequado. Tem extrema e essencial relevância para a construção de uma 
sociedade justa, sendo considerado viés da igualdade material, e não 
se resume a apenas um teto e quatro paredes, mas ao direito de toda 
pessoa ter acesso a um lar e a uma comunidade segura para viver em 
paz, com dignidade e saúde física e mental. A moradia adequada deve 
incluir: segurança da posse, disponibilidade de serviços, infraestrutura e 
equipamentos públicos, custo acessível, habitabilidade, não discriminação 
e priorização de grupos vulneráveis, localização adequada e adequação 
cultural. 
SAIBA MAIS:
Está previsto na Constituição Federal, em seu art. 6º, que: 
“São direitos sociais: à educação, à saúde, à alimentação, 
o trabalho, à moradia, o lazer, à segurança, à previdência 
social, à proteção à maternidade e à infância, à assistência 
aos desamparados” (BRASIL, 2017, p. 23). 
Introdução ao Serviço Social
44
É no direito à moradia que está a dignidade humana, assim, 
na medida em que o direito à moradia é reconhecido como direito 
fundamental do homem, infere-se que esse direito deve ser tratado como 
inerente à personalidade do indivíduo.
Portanto, ao analisar o trabalho do assistente social inserido na 
Política de Habitação de Interesse Social nas três esferas de governo, 
cabe contextualizar o Estado e, com ele, as políticas públicas, pois esse 
profissional firma-se na perspectiva de garantia de direitos e nos meios 
de exercê-los. Portanto, perpassa pelo Estado, que, a priori, representa 
o interesse coletivo de todos os cidadãos e as políticas públicas que 
representam sua concretização (NALIN, 2013).
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os 
assistentes sociais têm uma grama de espaços de atuação 
profissionais, não estando apenas atrelada ao serviço 
público, ocupando, assim, áreas como: saúde, educação, 
justiça, relações de trabalho, habitação e assistência social, 
os quais estudamos ao longo desse capítulo. Contudo, 
apesar de muitos campos de atuação, em todos o trabalho 
do assistente social se assemelha à preservação dos 
direitos dos usuários, ou seja, é o profissional representante 
do cidadão. Assim, o assistente social necessita estar muito 
atento para vincular processos e sua ação profissional 
cotidiana nos diversos campos de atuação, principalmente 
nas questões micro e macrossocietárias. Ainda, deve 
compreender as limitações do fazer profissional na funçãodas políticas públicas implementadas resultantes da opção 
política adotada pelos governantes, sem perder de vista a 
capacidade de questionar, refletir e socializar, apontando 
sempre as perspectivas de garantir e ampliar direitos.
Introdução ao Serviço Social
45
Regulamentação da Profissão e a Lei nº 
8.662/93
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de interpretar 
a lei de regulamentação da profissão (Lei nº 8.662/93), 
identificando seus parâmetros no que concerne a 
direitos, deveres e obrigações do profissional da área de 
Serviço Social. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então, vamos lá. Avante!
A história da regulamentação da profissão 
A atual Lei nº 8.662 de 1993 é fruto de um longo processo legislativo 
iniciado pelo Projeto de Lei nº 3.903/1989, de autoria das deputadas 
federais Benedita da Silva (PT) e Maria de Lourdes Abadia (PSDB). A 
proposta propunha um conjunto de 28, que foi reduzido para 24 após as 
mudanças promovidas pelo Congresso Nacional e, posteriormente, para 
23, devido ao veto presidencial do artigo 21 (FELIPPE, 2018).
IMPORTANTE:
Embora esse assunto não tenha sido abordado em 
produções acadêmicas de destaque no interior da profissão, 
as alterações promovidas certamente materializaram um 
conjunto de perdas significativas para a categoria. No projeto 
inicial, constavam vários itens que, se aprovados, teriam 
fortalecido tanto o exercício profissional quanto a fiscalização 
por parte do CFESS e do CRESS (FELIPPE, 2018).
A justificativa das autoras do projeto para aprovar as novas 
regulamentações do Serviço Social no Brasil é que seriam ampliadas em 
relação ao progresso acadêmico e a reconceituação da profissão no país. 
Sua atribuição tinha como base a existência e o estabelecimento de novas 
capacidades nas profundas mudanças sociais ocorridas desde 1957. Desse 
ponto de vista, é clara a construção do referido projeto. Sua fundamentação 
Introdução ao Serviço Social
46
está transcrita abaixo e conta com a consulta e o reconhecimento da 
entidade representativa da profissão. Afinal, foi discutida e aprovada pela 
XVII Conferência CFAS/CRAS em 1989 (ALMEIDA, 2000).
Nos anos 60, a profissão passa por profundas críticas, 
expressando-se tanto na vertente modernizadora modelada 
nos marcos do desenvolvimentismo nos quais se reforça 
o perfil tradicional da profissão, como na vertente crítica 
que identificará o significado social da profissão nas lutas 
pela igualdade de direitos e pela superação da pobreza e 
da exploração humana peculiares à sociedade brasileira, 
indicando as possibilidades objetivas da profissão se 
posicionar no horizonte dos interesses dos trabalhadores. 
[...] É nesse contexto da prática profissional que emerge 
da categoria uma reivindicação no sentido de amparar 
legalmente suas novas atribuições e competências, fruto 
dos avanços realizados pela profissão, dando uma nova 
qualidade à prática. (BRASIL, 1989, on-line)
Assim, em prol de diferenciar a legislação de 1957, apenas sete 
seções do art. 5º são dedicadas à determinação de tarefas relacionadas 
a essa profissão. O Projeto de Lei nº 3.903/1989 listava um conjunto de 
25 incisos distribuídos entre os arts. 5º e 6º (posteriormente traduzidos 
para os arts. 4º e 5º da Lei nº 8.662/93), que propõe definir atividades que 
se enquadram no campo de atuação do assistente social, tais como as 
competências profissionais e as atribuições privativas deles. 
SAIBA MAIS:
O lado positivo de projeto foi a ampliação das possibilidades 
dos campos de atuação profissional, abordando, além 
da competência profissional, planejamento e gestão de 
políticas sociais, atividades de pesquisa, consultoria etc. 
O projeto deveria ser aprovado pela Câmara dos Deputados. 
Assim, inicialmente foi encaminhado a duas comissões parlamentares: a 
Comissão Constitucional e Judiciária e de Redação (junho de 1990) e a 
Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Público (novembro de 
1990) (BRASIL, 1990 ). 
Introdução ao Serviço Social
47
Segundo Felippe (2018), em ambos os espaços, a iniciativa das 
autoras fora reconhecida e endossada, sendo feitas poucas alterações no 
texto original. 
Não obstante, o relator da Comissão de Constituição e Justiça e 
Redação, Messias Góis (então PFL, hoje denominado Democratas) propôs 
alterar o art. 4º da lei, o qual foi excluído por considerar desnecessária sua 
redação. Originalmente, o seguinte texto apresentava a seguinte redação:
Revoga a Lei n. 3.252, de 27 de agosto de 1957 e dispõe 
sobre a regulamentação da profissão de assistente social. 
[...] Art. 4º A profissão de assistente social será exercida: 
I — mediante contrato de trabalho regido pela Consolidação 
das Leis do Trabalho (CLT); 
II — em regime estatutário no âmbito federal, estadual e 
municipal, de acordo com a legislação em vigor; 
III — de forma autônoma. (BRASIL, 1990, p. 13. 335)
Assim, a ementa foi substituída por “dispõe sobre a profissão de 
assistente social e dá outras providências”, sendo que os demais artigos 
foram todos renumerados após a exclusão do art. 4º. Contudo, tal exclusão 
não apresentou perdas significativas para a profissão, principalmente no 
quesito “atribuições”. 
SAIBA MAIS:
Um ponto digno de nota no documento emitido pelo 
representante é o reconhecimento da contribuição 
do assistente social no processo de formulação e 
implementação de políticas sociais no país, justificando seu 
parecer favorável no relatório da Comissão Constitucional 
e Judiciária e de Redação e Comissão de Trabalho, de 
Administração e Serviço Públicos. 
No entanto, quando o projeto passou para a Câmara de 
Deputados Federais, foi quando se iniciaram as grandes modificações, 
que promoveram mudanças importantes na definição de disposições 
competência e pertencimento pessoal. 
Introdução ao Serviço Social
48
Também existem partes importantes dos textos que foram excluídas, 
especialmente os artigos cuja existência é garantida aos assistentes 
sociais em certas agências que prestam serviços sociais.
No que concerne às atribuições e às competências 
profissionais, a grande modificação promovida foi a 
retirada do inciso II do artigo 5º e a sua inclusão no artigo 
4º como inciso XI. Desse modo, a realização de estudos 
socioeconômicos para fins de benefícios e serviços sociais 
deixou de ser uma possível tarefa exclusiva da categoria 
dos assistentes sociais para se tornar uma competência, 
consequentemente aberta para a execução por outros 
profissionais. Também foi eliminado o inciso III do mesmo 
artigo 5º, o qual previa como privativa dos assistentes 
sociais a ocupação de “cargos efetivos ou em comissão, 
funções de assessoria técnica, consultiva, direção, chefia, 
supervisão e execução em entidades públicas ou privadas 
cujas atribuições sejam pertinentes ao Serviço Social”. 
(FELIPPE, 2018, p. 39)
Curiosamente, em todos os documentos disponíveis no Diário 
do Congresso Nacional, não há razão para incluir a seção de pesquisa 
socioeconômica como competência, e não como atribuições privativas. 
Pelo contrário, essa modificação não teve quase visibilidade, ficou quase 
que despercebida, pois não houve nenhuma nota entre o relator e o 
presidente da comissão. 
Para excluir o terceiro item do art. 5º, ele baseou-se no argumento 
de que ocupar um cargo efetivo ou exercer um cargo (atividades que 
envolvam liderança, direção, supervisão) e fornecer conselhos de 
atribuição “relacionados ao trabalho social”) requer treinamento tecnologia 
compatível (visão política, conhecimento da gestão pública e privada), 
que geralmente não é encontrada entre os assistentes sociais. 
Apontamentos aos pressupostos das leis de 
regulamentação da profissão
A primeira legislação brasileira a regulamentar o trabalho dos 
profissionais de Serviço Social foi o Decreto nº 994, de 15 de maio de 1962, 
o qual estabelecia em seu art. 1º que: “ o Serviço Social constitui o objeto

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