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Unidade II Regulamentação da profissão de Serviço Social Introdução ao Serviço Social Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria EMILLY KÉSSIA DA COSTA CAVALCANTI SILVIA CRISTINA DA SILVA AUTORIA Emilly Késsia da Costa Cavalcanti Olá! Sou graduada em Serviço Social pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) (2015) e em Administração Pública pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) (2020). Também sou especialista em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) (2018), em Serviço Social e Gestão de Projetos Sociais pela FAVENI (2018) e em Auditoria e Controladoria pela Instituto Século XXI (2021). Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Silvia Cristina da Silva Olá! Sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente e Sociedade pela Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino (UNIFAE), com participação docente e discente no mestrado em Análise do Discurso pela Universidade Federal de Buenos Aires e especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação pela Faculdade Campos Elíseos. Também sou pós-graduanda em EaD pela Faculdade Campos Elíseos, graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela UNIFEOB e vice-diretora acadêmica na Agência Nacional de Estudos em Direito ao Desenvolvimento (ANEDD). Além disso, sou especialista em Investigação de Antecedentes em instituições públicas e privadas; docente e conteudista em diversas instituições educacionais para cursos de graduação e pós-graduação; elaboradora de questões para concursos públicos em várias organizadoras; degravadora, redatora, tradutora e intérprete da língua espanhola. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO O projeto social e o projeto profissional ............................................ 10 O projeto societário ....................................................................................................................... 10 O projeto profissional .................................................................................................................... 12 Projeto social e sua relação com projeto profissional do Assistente social ......................................................................................................................................................... 17 Construção do projeto ético-político do serviço social .............22 O processo de construção do projeto profissional do Serviço Social ...... 22 Projeto ético político e os campos de atuação no serviço social ................................................................................................................ 33 Os campos de atuação do Assistente Social e suas atribuições .................33 Assistência Social ........................................................................................................ 36 Educação ...........................................................................................................................37 Saúde ................................................................................................................................... 38 Justiça ................................................................................................................................... 41 Habitação ...........................................................................................................................42 Regulamentação da profissão e a lei nº 8.662/93 ........................45 A história da Regulamentação da profissão ................................................................45 Apontamentos aos pressupostos das leis de regulamentação da profissão ................................................................................................................................................ 48 A Lei nº 8.662/93 – Regulamentação da profissão .............................................. 50 7 UNIDADE 02 Introdução ao Serviço Social 8 INTRODUÇÃO Olá, seja bem-vindo(a) a mais uma unidade do nosso estudo sobre a Introdução ao Serviço Social. No estudo de hoje, vamos conhecer melhor a diferença entre projeto societário e projeto profissional e o projeto profissional do assistente social, além de conhecer os principais campos de atuação profissional e se aprofundar na lei de regulamentação da profissão. Assim, ao final do estudo da unidade, você será capaz de: discernir sobre as diferenças entre o projeto social e o projeto do profissional no âmbito do Serviço Social; aplicar o processo de construção do Projeto Ético-Político do Serviço Social; reconhecer as áreas e campos de atuação profissional presentes no Projeto Ético-Político, descrevendo suas atribuições e principais atividades; e interpretar a lei de regulamentação da profissão (Lei nº 8.662, de 07 de junho de 1993), identificando seus parâmetros no que concerne a direitos, deveres e obrigações do profissional da área de Serviço Social. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo! Introdução ao Serviço Social 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Discernir sobre as diferenças entre o projeto social e o projeto do profissional no âmbito do Serviço Social. 2. Aplicar o processo de construção do Projeto Ético-Político do Serviço Social. 3. Reconhecer as áreas e campos de atuação profissional presentes no projeto Ético-Político, descrevendo suas atribuições e principais atividades. 4. Interpretar a Lei de regulamentação da profissão (Lei nº 8.662/93), identificando seus parâmetros no que concerne a direitos, deveres e obrigações do profissional da área de Serviço Social. Introdução ao Serviço Social 10 O projeto social e o projeto profissional OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de discernir sobre as diferenças entre o projeto social e o projeto do profissional no âmbito do Serviço Social. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! O projeto societário A teoria social crítica deixada pela tradição marxista demonstrou que a sociedadeIntrodução ao Serviço Social 49 da profissão liberal de Assistência Social, de natureza técnico-científica” (BRASIL, 1962, on-line), previsto em dois de seus artigos (2º e 5º), tarefas gerais ou particulares pertencentes aos profissionais dessa área. IMPORTANTE: Na verdade, esta é uma das principais funções da legislação profissional: garantir o monopólio sobre o desempenho de certos atributos e tarefas inerentes ao trabalho profissional por meio dos poderes reguladores do Estado. Nessa direção, pode-se afirmar que o processo legislativo garante uma reserva de mercado ou um monopólio de intervenção e prestação de serviços com base em credenciais educacionais (FELIPPE, 2018). Com base nessas premissas, certos elementos e inconsistências já eram consagrados em textos de 1950, principalmente ao avaliar as projeções da atividade profissional do assistente social. O artigo 5º da Lei nº 3.252, de 27 de agosto de 1957, utilizava “privilégio” e “atributo” e não definia explicitamente se esses termos tinham o mesmo valor semântico. Lembre-se de que o termo “privilégio” refere-se a vantagens significativas para pessoas físicas ou jurídicas (FERREIRA, 1999). Logo, o entendimento de que esses atributos ou privilégios são, na verdade, as ações exclusivas dos assistentes sociais. Percebe-se que, na primeira legislação, os legisladores utilizaram os termos: matérias, procedimentos específicos e expressões de assuntos de serviço social. Mais uma vez, não determinaram exatamente o que esses termos significavam (FELIPPE, 2018). SAIBA MAIS: Planejar, gerenciar, assessorar, fazer perícias e pareceres são tarefas compartilhadas por várias categorias profissionais. Eles precisam esclarecer mais elementos para poderem tornar-se exclusivas do Serviço Social. Essa legislação de 1950 ficou válida até a década de 1990, quando ocorreu a aprovação da Lei nº 8.662 em 1993. Introdução ao Serviço Social 50 No entanto, novos instrumentos jurídicos foram aprovados durante um período de consolidação da fundamentação teórica e política do Serviço Social, pois também houve pouco progresso na definição de serviços sociais após sua reconceituação. Ou seja, A Lei nº 8.662 de 1993 manteve algumas indefinições de 1957, além de ter adicionado outras imprecisões, especialmente no que se definiu como competências e como atribuições privativas nos artigos 4º e 5º. Segundo parecer jurídico elaborado por Terra (1998) a pedido do CFESS, as competências e as atribuições estão em artigos diferentes porque o legislador pretendeu diferenciar o significado desses termos. Para Terra (1998) e Iamamoto (2012), o artigo 4º (competências) descreve atividades possíveis de serem executadas por assistentes sociais e por outros profissionais, sendo, desse modo, genéricas. Por outro lado, o artigo 5º (atribuições privativas) enumera uma série de ações reservada aos assistentes sociais. (FELIPPE, 2018, p. 32) Embora os comentários de Terra (1998 apud FELIPPE, 2018) e o texto de Iamamoto (2012 apud FELIPPE, 2018) identifiquem esses erros e afirmem que tais atribuições devem ser consideradas de propriedade profissional do assistente social, seus posicionamentos não têm força legal para dissuadir outros profissionais de não os executar. Legalmente, apenas as atribuições previstas no art. 5º da Lei nº 8.662/93 são exclusivas dos assistentes sociais. A Lei nº 8.662/93 – Regulamentação da profissão O Serviço Social é uma profissão liberal regulamentada no Brasil por meio da Lei Federal nº 8.662/1993. Introdução ao Serviço Social 51 Figura 10 – Lei nº 8.662/1993 Fonte: Freepik Foi a primeira carreira reconhecida no campo social pelos governos estaduais na década de 1950, pela Lei nº 3.252 e pelo Decreto nº 994, de 15 de maio de 1962. No entanto, as dúvidas permanecem frequentes (em leigos e profissionais) sobre os papéis e funções desempenhados pelos profissionais. Para sanar tais dúvidas, vamos conhecer melhor a lei de regulamentação da profissão. Logo, em seu art. 1º, traz a liberdade de o profissional atuar em todo o território nacional. Para complementar tal artigo, o art. 2º aborda quem pode exercer a profissão: Art. 2º Somente poderão exercer a profissão de Assistente Social: I - Os possuidores de diploma em curso de graduação em Serviço Social, oficialmente reconhecido, expedido por estabelecimento de ensino superior existente no País, devidamente registrado no órgão competente; II - os possuidores de diploma de curso superior em Serviço Social, em nível de graduação ou equivalente, expedido por estabelecimento de ensino sediado em países estrangeiros, conveniado ou não com o governo brasileiro, desde que devidamente revalidado e registrado em órgão competente no Brasil; Introdução ao Serviço Social 52 III - os agentes sociais, qualquer que seja sua denominação com funções nos vários órgãos públicos, segundo o disposto no art. 14 e seu parágrafo único da Lei nº 1.889, de 13 de junho de 1953. Parágrafo único. O exercício da profissão de Assistente Social requer prévio registro nos Conselhos Regionais que tenham jurisdição sobre a área de atuação do interessado nos termos desta lei. (BRASIL, 1993, on-line) Logo, diante dos pressupostos do art. 2º, observa-se que o profissional, além da obtenção do diploma em instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), necessita do registro do profissional nos conselhos regionais para a plena atuação na área. VOCÊ SABIA? Os assistentes sociais são profissionais formados em Serviço Social (em programa credenciado pelo MEC) e cadastrados no Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) do estado em que atuam. Já o Serviço Social é uma profissão de nível superior regulamentada pela Lei nº 8.662/1993. O termo “Serviço Social” também refere-se aos cursos de graduação que os estudantes universitários fazem para se tornarem assistentes sociais (ADJUTO, 2016). Partindo, então, para o art. 4º da lei, nele conhecemos as competências dos profissionais, o qual prevê: I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; IV - (Vetado); V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; Introdução ao Serviço Social 53 VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo; IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades. (BRASIL, 1993, on-line) Logo, o art. 4º apresenta de forma clara todas as competências que concernem aos profissionais, sendo permitido pelo seu Código de Ética Profissional (art. 3º, alínea c) negar a atuação em ações que fujam de suas competências e atribuições e que sejam contrárias à sua ética como profissional.Figura 11 – Orientação ao usuário (competência V) Fonte: Pixbay Introdução ao Serviço Social 54 Ainda sobre a lei de regulamentação, ela traz as atribuições privativas dos profissionais no art. 5º da lei, que são: Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social: I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social; III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social; IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social; V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular; VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social; VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação; VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social; IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social; X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social; XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais; XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas; XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional. (BRASIL, 1993, on-line) Introdução ao Serviço Social 55 IMPORTANTE: O art. 5º da Lei nº 8.662/93 é importante e necessário, pois outros profissionais podem se habilitar a atuar diante de algumas competências que devem ser apenas dos assistentes sociais. Diante dessa questão, o art. 5º veta a execução das atribuições previstas nesse artigo por outros profissionais. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido sobre a Lei nº 8.662/93, a conhecida lei de regulamentação da profissão. Estudamos o percurso histórico para a aprovação de lei, desde seu processo de projeto, até sua finalização e aprovação em 1993. Estudamos também alguns entraves nos textos normativos das leis anteriores e da lei em vigor, que apresentam algumas falhas nas terminologias utilizadas, o que pode confundir o entendimento dos profissionais. Além de estudar alguns artigos da lei atual, focando os deveres, direitos e competências profissionais, sendo uma normativa que auxilia no entendimento e direcionamento profissional. Esse capítulo foi muito normativo, trazendo os textos de lei que são primordiais para o aprendizado do aluno, futuro profissional. Logo, é de suma importância a leitura atenta e crítica desse capítulo, para melhor conhecer seus direitos e deveres como profissional de Serviço Social. Introdução ao Serviço Social 56 REFERÊNCIAS ADJUTO, D. Serviço Social, assistência social, assistente social: você sabe a diferença. CFESS, 2016. Disponível em: http://www.cfess.org.br/ visualizar/noticia/cod/1267. Acesso em: 11 jul. 2022. ALMEIDA, D. A efetivação das competências e atribuições legais na atividade profissional dos assistentes sociais da Secretaria Municipal de Assistência Social da prefeitura de Londrina — PR. Dissertação (Mestrado em Serviço Social) — UEL, Londrina, 2006. ALMEIDA, N. L. T. de. 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Disponível em: http://www.tjes.jus.br/wp-content/uploads/Cartilha- Servi%C3%A7o-Social-25-anos-1.pdf. Acesso em: 08 ago. 2022. Introdução ao Serviço Socialnão é uma entidade de natureza intencional ou teleológica, ou seja, a sociedade não tem objetivo ou propósito, ela existe apenas como um mero fato próprio. Contudo, essa teoria enfatiza que os membros da sociedade, homens e mulheres, sempre agem de maneira teleológica, o que significa que o comportamento humano é sempre orientado com fins, propósitos e metas (NETTO, 2006 ). Assim, o comportamento humano, seja individual ou coletivo, fundamentado nas necessidades e interesses, significa sempre um projeto, em suma, uma antecipação ideal de um fim a ser alcançado, invocando os valores que o legitimam e opta por alcançá-lo. Portanto, existem os projetos individuais e os coletivos, contudo, neste estudo, os projetos pelos quais vamos estudar e compreender são os projetos sociais, também chamados de projetos societários. IMPORTANTE: Os projetos societários mostram a imagem da sociedade a ser construída, reivindicam determinados valores para justificá-la e privilegiam determinados meios (materiais e culturais) para alcançá-la. Introdução ao Serviço Social 11 Figura 1 – Representação de um projeto para todos Fonte: Pixabay Projetos sociais são projetos coletivos, contudo, são únicos, por se estruturarem como macroprojetos, como propostas para a sociedade como um todo. Só eles têm essa característica, outros projetos coletivos (por exemplo, projetos profissionais, que discutiremos mais adiante) não têm esse grau de abrangência e inclusão. Assim, considerando as diversas mudanças trazidas com o sistema capitalista, o qual intensificou os pesos das classes sociais e seus antagonismos na dinâmica social, os projetos sociais devem conter uma dimensão política na qual as relações de poder estão envolvidas. É claro que essa dimensão não pode ser equiparada diretamente às posições partidárias, embora os partidos políticos sejam considerados instituições indispensáveis e insubstituíveis para a organização democrática da vida social capitalista contemporânea. SAIBA MAIS: A experiência histórica mostrou que o cerne dos projetos sociais sempre esteve centrado nos interesses básicos das classes sociais, constituindo-se estruturas flexíveis: combinam novas necessidades e aspirações, transformando-se e renovando-se de acordo com as situações históricas e política. Introdução ao Serviço Social 12 Por fim, não é difícil entender que a competição entre diferentes projetos sociais é um fenômeno peculiar à democracia política. No contexto da ditadura, a vontade política das classes sociais que exercem o poder político utiliza mecanismos e meios particularmente coercitivos e repressivos para implementar seus projetos corporativos. Somente quando as liberdades políticas fundamentais (de expressar e expressar ideias, associar-se, votar e ser votado etc.) são conquistadas e garantidas, os diferentes projetos sociais podem se confrontar e disputar a filiação dos membros da sociedade. No entanto, a experiência histórica também mostra que, na ordem capitalista, por razões econômicas, sociais e culturais, inclusive no âmbito da democracia política, projetos sociais que atendam aos interesses das classes trabalhadoras e populares nem sempre são vantajosos quanto os projetos voltados para as classes politicamente dominantes (NETTO, 2006). O projeto profissional No âmbito dos projetos coletivos, os projetos de cunho profissional, especialmente aqueles previstos em lei que pressupõem formação em intervenções teóricas e/ou técnicas, são geralmente de alto nível acadêmico. IMPORTANTE: O projeto profissional demonstra uma autoimagem profissional, seleciona os valores que o legitimam na sociedade, define e prioriza seus objetivos e funções, formula os requisitos (teoria, prática e instituições) para seu exercício e prevê o comportamento do profissional regulador. Os projetos profissionais estabelecem a base para as relações com os usuários dos serviços, outras ocupações e organizações e instituições sociais públicas e privadas, incluindo os estados responsáveis pelo reconhecimento legal das regulamentações ocupacionais. Introdução ao Serviço Social 13 Assim, os projetos profissionais são instituídos por um órgão coletivo, o respectivo órgão profissional (ou classe), que não inclui apenas os profissionais da área ou prática, mas deve ser encarado como um conjunto de membros que confere validade a essa profissão. O corpo profissional prepara seu projeto diante de sua organização (incluindo profissionais, instituições que os compõem, pesquisadores da região, professores e alunos, suas empresas, grupos acadêmicos e sindicais etc.). IMPORTANTE: Se levarmos em consideração o Serviço Social no Brasil, essas organizações incluem o sistema CFESS/CRESS, ABEPSS, ENESSO, sindicatos e outras associações de assistentes sociais. Para os usuários dos serviços prestados pela profissão, é necessário ter um corpo profissional organizado em sua base. Os projetos profissionais também são estruturas dinâmicas que respondem às mudanças no sistema de demandas sociais que a profissão opera, às mudanças econômicas, históricas e culturais, aos desenvolvimentos teóricos e práticos da própria profissão e às mudanças na sociedade. Por tudo isso, os projetos profissionais também são atualizados e revisados. É importante ressaltar que os projetos profissionais também têm uma dimensão política incontornável, tanto no sentido amplo (referente à sua relação com os projetos sociais) quanto no sentido estrito (referente às visões específicas da profissão). No entanto, essas dimensões nem sempre são claras, especialmente quando apontam para uma direção conservadora ou reacionária. Um dos aspectos mais característicos do conservadorismo é a negação das dimensões políticas e ideológicas. Introdução ao Serviço Social 14 VOCÊ SABIA? A afirmação e a consolidação de um projeto profissional dentro de si não eliminam diferenças e contradições. Essa afirmação deve vir pelo debate, discussão, persuasão, enfim, pelo confronto de ideias, não por mecanismos de coerção e exclusão. No entanto, sempre haverá um setor profissional que propõe projetos alternativos, portanto, até um projeto de conquista da hegemonia nunca será exclusivo. Assim, a elaboração e a afirmação (ou, se preferir, a construção e a consolidação) de um projeto profissional deve reconhecer claramente que a diversidade é um elemento factual da vida social e da própria profissão, e isso deve ser respeitado. Mas esse respeito não deve ser confundido com a tolerância liberal ao ecletismo, que não suprime a luta de ideias. Ao contrário, o verdadeiro debate intelectual só pode ser plenamente fundamentado no pluralismo, que, por sua vez, pressupõe o respeito à hegemonia da conquista legítima. IMPORTANTE: A atenção a essas questões é ainda mais importante quando se considera a relação entre projetos profissionais e projetos sociais. Enquanto os projetos sociais hegemônicos e o projeto hegemônico de um determinado grupo profissional muitas vezes coincidem, podem ocorrer situações de conflito ou até de contradição entre eles. Projetos sociais hegemônicos podem ser contestados em momentos precisos por projetos profissionais que conquistam a hegemonia em suas respectivas instituições. Isso é mais provável quando essas instituições se tornam sensíveis aos interesses dos trabalhadores e das classes mais baixas. Nesses grupos profissionais, essa situação agrava as disparidades e divisões entre os vários departamentos profissionais que os compõem. Obviamente, essas diferenças só podem ser resolvidas no âmbito dos órgãos profissionais. Introdução ao Serviço Social 15 Seu direcionamento positivo requer analisar os movimentos sociais (ou seja, movimentos de classes e estratos sociais) e construir relações e alianças com outros grupos profissionais e estratos sociais (incluindo os usuários de serviçosprofissionais), especialmente aqueles relacionados à classe que tem o potencial de criar uma sociedade/projeto para substituir as classes proprietárias e dominantes. Deve-se notar que esse tipo de projeto profissional colide com o projeto de uma sociedade hegemônica, e esse confronto tem seus limites em uma sociedade capitalista (NETTO, 2006). A menos que se queira eliminar o messianismo (cujo oposto é o fatalismo), até os programas profissionais críticos e avançados devem levar em conta esses constrangimentos, cujos limites mais gritantes se consubstanciam nas condições institucionais do mercado de trabalho. SAIBA MAIS: Como se pode inferir das características do projeto profissional acima descritas, ele envolve uma gama de diferentes componentes: a imagem ideal da profissão, os valores que a legitimam, sua função social e objetivos, as teorias do conhecimento, intervir no conhecimento, nas normas, nas práticas etc. Portanto, o projeto profissional apresenta vários aspectos que devem ser expressos de forma coerente. Essa expressão básica da hegemonia do projeto profissional é complexa e não pode ser realizada em um curto período (NETTO, 2006). Portanto, a construção de um projeto profissional requer recursos políticos e organizacionais, processos de debate e exposição, investigação teórico-prática etc. Por outro lado, levando em conta a diversidade profissional, o projeto hegemônico de um determinado grupo profissional pressupõe um acordo entre seus membros: um acordo sobre os aspectos do projeto que são necessários e indicativos. As ordens são os componentes obrigatórios para todos os que exercem a profissão (esses componentes são, muitas vezes, objeto de regulamentação estatal legal). As diretivas são aquelas que não têm um Introdução ao Serviço Social 16 consenso mínimo para garantir a todos os membros do corpo profissional o cumprimento estrito e idêntico. Se considerarmos o serviço social no Brasil, lembramos que a formação acadêmica é credenciada pelo Ministério da Educação (ou seja, em instituições de ensino superior credenciadas e de acordo com os padrões curriculares mínimos estabelecidos) e a inscrição nas respectivas organizações profissionais são componentes essenciais. No entanto, até para os componentes necessários reconhecidos, há discordância. EXEMPLO: Um exemplo eloquente tem a ver com o código de ética profissional: apesar de ser parte necessária da prática profissional (inclusive, na maioria das vezes, ter força de lei), é comum o debate e a divergência sobre alguns de seus princípios e significados. Isso constitui mais um indicador das controvérsias e tensões que estão ocorrendo dentro dos órgãos profissionais (NETTO, 2006). As referências ao Código de Ética são importantes quando se trata dos componentes de um projeto profissional para esclarecer dois aspectos relacionados. A primeira é que os projetos profissionais sempre exigem um fundamento claro de valores de natureza ética, porém, esse fundamento, que está colocado no Código, não se limita a eles, ou seja: a avaliação ética abrange o projeto profissional como um todo, não se constitui uma parte específica dele. O segundo problema é que os elementos éticos dos projetos profissionais não se limitam à especificação da ética e/ou direitos e deveres: envolvem também as escolhas teóricas, ideológicas e políticas do profissional. O projeto profissional como política ética revela sua plena razão, na qual as diretrizes éticas ganham validade historicamente específica apenas quando combinadas com uma orientação política profissional. Introdução ao Serviço Social 17 Projeto social e sua relação com projeto profissional do assistente social É de fundamental importância que os profissionais de Serviço Social tenham o conhecimento sobre a diferença entre projetos sociais e os projetos profissionais. Como estudado nos tópicos anteriores, os projetos sociais são projetos coletivos direcionados a toda sociedade, e não apenas a grupos específicos, como bem pontuou Avila (2017): O projetos societários são coletivos, pressupõe uma imagem de sociedade a ser construída, são projetos macroscópicos voltados para a sociedade; os projetos profissionais são coletivos, apresentam a autoimagem da profissão e norteiam as relações do profissional com todos os atores envolvidos na sua atuação profissional. (AVILA, 2017, p.2) Já os projetos profissionais são aqueles criados para direcionar os profissionais. No caso do assistente social, seu projeto profissional é seu projeto ético político. Portanto, os projetos sociais estão vinculados ao projeto profissional do assistente social, por sem um projeto que visa à transformação da sociedade em favor das classes mais vulneráveis, os quais apresentam projetos coletivos, que transparecem as atuações dos profissionais de Serviço Social. VOCÊ SABIA? Em todas as atividades do assistente social, tais como: “processos de supervisão, plantões sociais, elaboração e execução de projetos”, entre outros, o direcionamento do projeto ético-político profissional deve estar embutido (AVILA, 2017, p. 3). O projeto ético-político do assistente social tem como valor central a liberdade em termos de emancipação e expansão do indivíduo na Introdução ao Serviço Social 18 sociedade e autonomia dos sujeitos e profissionais, expressos em seus onze princípios, que podemos ver a seguir: I. Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela inerentes - autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo; III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras; IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida; V. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática; VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças; VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual; VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero; IX. Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral dos/as trabalhadores/as; X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional; XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação Introdução ao Serviço Social 19 sexual, identidade de gênero, idade e condição física. (BRASIL, 1993, on-line) Figura 2 – Princípios ético-políticos Fonte: TJES (2018, p. 11). É importante mencionar que os princípios do assistente social não são os únicos determinantes presentes em seu projeto profissional. Contudo, foram aqui expressos pois causam um impacto diante de sua leitura e análise, por apresentarem diferentes atuações profissionais, que favorecem diferentes projetos societários. Consequentemente, esse compromisso não se apresenta como uma unidade no cotidiano, pois os projetos profissionais se apresentam como percursos desenvolvidos de forma diversa e se baseiam emescolhas conscientes ou inconscientes no cotidiano (VASCONCELOS, 2015 ). Ainda segundo o mesmo autor, nossos projetos se baseiam em linhas de desenvolvimento que fornecem orientação social para escolhas estratégicas e intervenções profissionais no dia a dia profissional. Introdução ao Serviço Social 20 SAIBA MAIS: Cabe destacar que copiar um projeto ético-político como afirmação de hegemonia, sem identificá-lo como síntese de múltiplas decisões, pode levar a equívocos na ação cotidiana e na análise teórica. Quais são eles? Projetos influenciados pela tradição marxista, projetos de natureza tecnocrática, projetos fundamentados em vertentes conservadoras e projetos que se constituem uma vertente distintamente radical. Assim, para uma melhor compreensão, vamos entender brevemente o surgimento do projeto profissional do Serviço Social, pois o seu processo de construção será mais bem detalhado mais adiante. Portanto, o nascimento do projeto se deu mediante o conservadorismo presente na atuação profissional. Diante das críticas da busca por mudanças nesse cenário, iniciou-se entre 1970 e 1980 a intenção de ruptura, que, segundo Vasconcelos (2015): nomeado Projeto Ético-Político do Serviço Social Brasileiro (década de 1990, até os dias atuais). No meu entender, este projeto toma como base, antes de tudo, os princípios do Código de Ética do assistente social (que, não fragmentados, lhes servem de preceito) e o projeto de formação da ABEPSS, que traz explícita a referência na teoria social crítica – Marx e o marxismo. Ou seja, nos onze princípios do Código de Ética tomados como totalidade [...] rumo à emancipação humana. (VASCONCELOS, 2015, p.297) Por fim, como premissa deste estudo, partindo do reconhecimento de que os projetos profissionais transcendem os direitos e a cidadania burguesa, esse projeto é compreendido como um processo histórico de construção permanente na direção da emancipação humana. Introdução ao Serviço Social 21 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que existem os projetos societários e os projetos profissionais. Os projetos sociais são coletivos, contudo, envolvem a sociedade como um todo e não grupos específicos, ou seja, mostram a imagem da sociedade a ser construída, reivindicam determinados valores para justificá- la e privilegiam determinados meios (materiais e culturais) para alcançá-la. Já os projetos profissionais são construídos especificamente para categorias profissionais, dando direcionamento, metas e objetivos a seguir. No caso dos profissionais de Serviço Social, seu projeto profissional é o seu Código de Ética, no qual, dentre muitos determinantes, destacam-se os seus 11 princípios, pois são os únicos determinantes presentes em seu projeto profissional. Contudo, foram aqui expressos pois causam um impacto diante de sua leitura e análise, por apresentarem diferentes atuações profissionais, que favorecem diferentes projetos societários. Introdução ao Serviço Social 22 Construção do projeto ético-político do Serviço Social OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de aplicar o processo de construção do projeto ético-político do Serviço Social. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! O processo de construção do projeto profissional do Serviço Social O projeto ético-político do Serviço Social foi construído no Brasil a partir do final da década de 1970, sendo marcado por um momento de questionamento pelo conservadorismo social, já que a categoria criticava seus fundamentos tradicionais. Eles podem ser entendidos como o Serviço Social tradicional, com a prática burocrática, em que profissionais estavam pautados na ética liberal burguesa, cuja teleologia incluía como ferramenta de “correção” a ação psicossocial – de um ponto de vista funcionalista – sobre o que é indesejável e inadequado dos imperativos conceituais ideais e mecanicistas com uma perspectiva dinâmica da socialidade do capital (AVILA, 2017). IMPORTANTE: O desafio de entender o projeto profissional do Serviço Social, que, para diversos autores, é chamado de projeto ético-político, consiste em uma análise profunda da realidade na qual ele foi gerado. O entendimento das determinações econômicas, sociais, políticas e culturais do país, especialmente nos anos 1980 e 1990, é essencial para a compreensão do processo de evolução teórica, metodológica, operativa, técnica, política e ética dessa profissão (PEIXOTO, 2009 ). Introdução ao Serviço Social 23 Ainda de acordo com Peixoto (2009), os debates sobre programas profissionais em Serviço Social progrediram em meados da década de 1980, período em que as discussões de filosofia ética e moral surgiram simultaneamente em ambientes profissionais. Além disso, esse é um momento para aprofundar o conhecimento teórico e crítico, amadurecendo sua compreensão do marxismo, e usá-lo como referência teórica e prática. Atualmente, por um lado, os programas profissionais em Serviço Social são frequentemente utilizados para legitimar ações, programas e políticas sociais, como forma de reconhecimento da identidade política e crítica da profissão. SAIBA MAIS: Os projetos profissionais caracterizam-se por associações com projetos sociais coletivos, assim como diferentes estruturas e mudanças com o movimento da sociedade. A base do projeto profissional está ligada à base da acumulação capitalista e ao processo de estruturação ou reorganização dos interesses da classe dominante em detrimento dos trabalhadores. Esses projetos mostram a imagem social a ser construída, que requer determinados valores, dotados de determinados modos de vida e meios (materiais e culturais) para alcançá-la (SILVA, 2010 ). Ainda de acordo com Silva (2010), os projetos profissionais demonstram uma autoimagem profissional, escolhendo os valores que os legitimam na sociedade, definindo e priorizando seus objetivos e funções e formulando os requisitos (teoria, instituições e práticas) para seu exercício. Logo, componentes estruturais, ambientais, sociais, econômicos, políticos e culturais são essenciais para a construção de projetos profissionais, pois devem analisar constantemente as realidades sociais para que suas ações possam impactar efetivamente a sociedade. Dessa forma, o projeto profissional de Serviço Social é um conjunto de decisões construídas coletivamente, para as quais é necessária uma compreensão crítica da realidade e intervenções condizentes com a Introdução ao Serviço Social 24 prática. Também se destaca que, para a execução e implementação do projeto, deve haver uma ação politicamente consciente, organizada e coerente com ideologias que rejeitam e criticam o conservadorismo e o capitalismo, além de conter o mesmo propósito social do projeto. Com o movimento das intenções de separação do início dos anos 1980, os projetos profissionais ganharam novo fôlego e assumiram a principal bandeira contra o modelo político ditatorial, com referências à liberdade política, à democracia e a não opressão dos trabalhadores, enfrentando o sistema capitalista. Além disso, a Secretaria de Assistência Social passou por uma mudança de abordagem teórica, buscando contribuir para a implementação de conteúdos mais críticos e com foco nas necessidades sociais e políticas da classe trabalhadora (PEIXOTO, 2009). O projeto ético-político do Serviço Social, que prioriza o conceito de emancipação e rejeita a linha positivista, teve origem no final da década de 1970 e ao longo da década de 1980, incluindo um período da história do Brasil marcado por um governo de orientação política e a administração militar. Teve como pano de fundo a repressão, a tortura e a censura do poder políticopor parte da junta militar que as frentes de resistência surgiram na sociedade. Assim, para compreendê-lo, é necessário avaliar a situação sócio histórica do país, incluindo eventos anteriores aos anos 1980, como o cenário político anterior aos anos 1980, e o limiar para encontrar a construção do projeto profissional atual. Figura 3 – Período de repressão ditatorial Fonte: Pixabay Introdução ao Serviço Social 25 Pode-se argumentar que, na década de 1960, uma grande proporção de assistentes sociais ainda estava aliada a projetos sociais, que, por sua vez, privilegiavam a burguesia. As organizações políticas populares se opuseram a esses fatores predominantes na sociedade na década de 1960 e exigiram modos alternativos de produção e reprodução das relações econômicas e sociais. Surgiram movimentos que até então eram minorias desfavorecidas e sem expressão social (estudantes, raciais e, principalmente, movimentos feministas), os quais avançaram na luta e ampliaram seus laços com a tradição, pautados por princípios socialistas e disputando questões e costumes que promovem valores conflitantes. Expressões de tendências comunistas inspiradas na teoria marxista explodiriam com o Serviço Social para superar seu preconceito caritativo, humanismo tomista e sua ligação direta com a moral religiosa. Por isso, o cenário da política mundial na década de 1960 foi considerado revolucionário para grande parte da sociedade mundial, pois era um momento de transformação nos problemas enfrentados pelo atual sistema capitalista nos países ditos de primeiro mundo. A partir desse período, os fundamentos teóricos e práticos do Serviço Social começaram a mudar, rompendo gradativamente com o conservadorismo e conquistando uma posição autônoma do lado católico. Esse período de secularização coincidiu com a introdução da teoria marxista como uma nova ferramenta teórica para a profissão, ainda que de alcance limitado, enquadrado pelo althusserismo. IMPORTANTE: Chama-se a atenção para uma série de pausas, em 1960, que são um fato importante sobre as dimensões éticas e morais da profissão. Assim, o serviço social não ganha potencial crítico relacionado a temas morais e éticos, limitando sua crítica competitiva a modelos burgueses envolvendo política e economia. Com isso em mente, o projeto profissional do Serviço Social, denominado projeto ético-político, está vinculado ao projeto social Introdução ao Serviço Social 26 de transformação da ordem social vigente e capitalista. Esse projeto profissional está associado a um projeto de renovação da sociedade e precisa de orientação moral e política rofissional para a intervenção profissional, pois a atuação se dá em um movimento contraditório de classe (SILVA, 2015 ). O projeto ético-político é o compromisso de uma profissão com a classe trabalhadora, sendo originado no final da década de 1970, por meio do movimento reconceituado. Esse movimento lança luz sobre o processo de ruptura da carreira teórica e política do conservadorismo e da ética neutra com o design profissional, que foi progredindo na década de 1980, consolidado em 1990, com a implementação da CE/93, e, atualmente, encontra-se em construção. Tal projeto de especialização trata-se da categoria da organização social e, em sua teoria e política, a atuação profissional não é mais pautada pelo conservadorismo, mas pelas outras leituras, como a ontologia social de Marx. IMPORTANTE: O projeto é alcançado por meio da ação profissional do dia a dia, sendo identificadas três dimensões, desde que articuladas e constituídas com a importância do programa ético-político do Serviço Social, sendo essas dimensões, respectivamente: dimensões de produção de conhecimento dos assistentes sociais, dimensões da organização política e política jurídica na categoria profissional. A primeira dimensão refere-se ao modelo teórico metodológico da profissão, que a produção de conhecimento expressa a própria criação do profissional, com uma crítica teórica do pensamento social e, portanto, em desacordo com os pressupostos filosóficos conservadores que pretendem manter a ordem. A segunda dimensão é a forma política de como organizar a profissão por meio de uma entidade representativa, como: Associação Educacional Brasileira de Serviços Sociais Federais e Regionais (CFESS/ CRESS) e Estudos de Serviço Social (ABEPSS), dentre outras associações políticas e movimentos estudantis representados pelo Centro Acadêmico Introdução ao Serviço Social 27 (CA) e pela administração da Academia Nacional de Estudantes de Serviço Social (ENESSO). A terceira dimensão é a dimensão jurídico-política, que apresenta as instituições jurídicas, sendo uma série de leis e resoluções que estabelecem serviços sociais, tais como: o Código de Ética, a Lei de Regulamentação Profissional de 1993 (Lei nº 8.662/93), um guia para cursos de formação profissional e uma série de leis, como a Constituição Federal de 1988, Capítulo VIII, Ordem Social. Esse pacote de legislação defende a autonomia profissional e reforça o exercício profissional garantido. IMPORTANTE: O projeto profissional do Serviço Social busca, por meio das três dimensões, alcançar a construção de uma nova ordem social, superando os aspectos sociais e econômicos, sendo apresentada como uma política hegemônico-capitalista de tradição marxista, entendendo sua metodologia teórica e base ético-política. Trata-se do projeto de política moral, que defende valores universais libertadores e, especialmente, a política e a libertação humana. Assim, pode ser entendido como uma emancipação política no contexto de afirmação da sociedade capitalista, por outro lado, a plena realização da emancipação humana somente pode ser alcançada se houver uma ordem social. O cotidiano ocupacional reproduzido no capitalismo, a liberdade e os valores éticos fundamentais apresentam-se como uma questão profissional, devido à incapacidade de valor, sendo vivenciados nas realidades de intervenções profissionais específicas. Logo, a liberdade entra em conflito com a dinâmica social capitalista, que, por sua vez, limita a liberdade. O confronto direto com esse modo de produção promove dificuldade na implementação do projeto, pois o alcance das metas depende de minar os valores conservadores do profissional e superar parte da sociedade capitalista (SILVA, 2015). Introdução ao Serviço Social 28 A preservação desse item está intimamente dependente da vontade dos profissionais de Serviço Social, pelo fortalecimento da democracia e dos movimentos populares e pela renovação de valores que orientam a ação, fortalecendo teoria, organização e política ética do trabalho e reafirmando o apoio à classe trabalhadora, resultados e intervenções éticas qualificadas e socialmente comprometidas (SILVA, 2015). IMPORTANTE: É necessário um novo perfil profissional, informado, crítico e propositivo, apostando no protagonista do sujeito social, sendo capaz de perceber o potencial masculino, além de ser capaz de formular, projetar, avaliar e organizar propostas de política social para empoderar a política social sociedade civilizada. Para que os profissionais contribuam com a viabilização do projeto político e ético, deve-se ter métodos teóricos, políticas éticas, operações técnicas e habilidades de intervenção para atender e/ou mediar às necessidades sociais, reproduzindo novas perspectivas profissionais. Orientados pelo código de ética vigente, com a implementação desse projeto, os assistentes sociais se apresentam como formuladores de políticas públicas e executores de políticas dos movimentos sociais, devendo entender as necessidades sociais e, em uma série de movimentos sociais, realizar seus serviços. Dessa forma, pode-se visualizar o amadurecimento da categoria profissional na superação de tradições inerentemente conservadoras, ideias católicase positivistas que influenciaram a ética do trabalho nos primórdios da nação história do Serviço Social. Segundo Peixoto (2009), se considerarmos que o atual debate ético no Serviço Social só começou a decolar a partir do Código de 1993, podemos considerá-lo ainda jovem, com quase 15 anos, e passível de muitas análises, avaliações e até mudanças. Seria reducionista engajar-se em tal debate reeditando as regulamentações existentes, ainda que essa reedição tenha ocorrido ao Introdução ao Serviço Social 29 mesmo tempo que o processo de transformação do guia de curso ocorreu e as leis que regulamentam o setor foram formalmente endossadas. SAIBA MAIS: O que aconteceu nas últimas duas décadas é o amadurecimento e a ampliação das discussões éticas no sentido filosófico e teórico e, portanto, no âmbito da prática, crucial para a composição dos profissionais que atuam na defesa e salvaguarda dos direitos sociais, políticos e humanos. O que antes era visto como uma questão ética e desvinculada de todo histórico e da especificidade do Serviço Social, é considerado essencial no dia a dia da profissão. Esse processo avançou na academia e se expandiu para incluir fóruns e conferências nessa categoria, além de um curso descentralizado sobre ética e prática profissional, que envolve vários docentes, produzindo livros amplamente divulgados e adotados nas unidades de ensino de todo o Brasil (PEIXOTO, 2009). Na questão da dimensão ética, portanto, a moral é parte integrante da vida cotidiana, constituindo-se um espaço privilegiado nos projetos profissionais que permanecem legalmente objetivado. A ética, portanto, só é expressiva quando seus fundamentos ontológicos se fundem com o mais humano da política e da liberdade. IMPORTANTE: Os elementos éticos dos projetos profissionais não se limitam à ética e/ou à provisão de direitos e obrigações, mas também às escolhas teóricas, ideológicas e políticas de categorias e profissionais. Logo, a designação contemporânea de projetos profissionais, como a ética de projeto, revelam questões políticas. Toda a razão de ser trata-se das diretrizes éticas que ganham validade historicamente específica apenas quando combinadas com uma orientação política profissional (PEIXOTO, 2009). Introdução ao Serviço Social 30 A reflexão sobre os fundamentos ontológicos da ética abriu um espaço privilegiado nos ambientes profissionais apenas na década de 1990, de modo que as tentativas de estabelecer identidades profissionais relacionadas à consciência ética são inerentes ao processo de renovação do Serviço Social. A maturidade teórica e política da profissão facilita a aproximação e o aprofundamento da consciência crítica, mas é preciso enfatizar que a maturidade crítica e o desenvolvimento da consciência política são diferentes dos processos que ocorrem na compreensão filosófica ética (PEIXOTO, 2009). Esse último, embora tenha sido discutido e objetivado em Códigos de Ética anteriores, como os de 1947, 1965, 1975 e 1986 (embora este último seja político e consciente da especificidade do progresso morfológico), só ganhou popularidade política teórica nas décadas de 1990 e 2000, além de apoiar legalmente os assistentes sociais no uso de suas ferramentas teóricas e políticas para combater todo tipo de exploração e opressão capitalista e política, seja em formas econômicas, culturais, políticas ou morais. O Código de Ética aprovado em 1986 prenunciou um novo repensar crítico e histórico do Serviço Social. Além de apontar novos horizontes, principalmente no exercício profissional dos assistentes sociais, sendo um marco expressivo na inserção da profissão no processo democrático que avança no país. Embora o Código de 1986 representasse uma ruptura política com as visões neotomistas e expressasse uma ação secular relacionada ao avanço das forças democráticas populares, ainda apresentava algumas deficiências teóricas e filosóficas (PEIXOTO, 2009). Segundo Peixoto (2009), o Código expressa uma concepção mecanicista da ética, ao derivar a moral diretamente da produção econômica e dos interesses de classe, não compreendendo a mediação, o caráter e a dinâmica da ética. Sem negar a importância do Código de 1986, pode-se dizer que está muito distante dos avanços teórico- metodológicos e políticos alcançados na década de 1980. Ao mesmo tempo, esses avanços ainda não se traduziram em um debate e elaboração de literatura específica. Introdução ao Serviço Social 31 IMPORTANTE: Os códigos morais nascem de construções coletivas e críticas. Assim, é preciso mudar e melhorar a si próprio ano após ano para apoiar a liberdade e a libertação humana. A categoria profissional aposta no intensivo para a construção de projeções éticas e políticas de trabalho que fortaleçam o trabalho diário do projeto político profissional e ético por meio da compreensão e do reconhecimento de valores recomendados pelo atual código de ética. O projeto ético-político realiza-se por meio de estratégias políticas profissionais, competências políticas, criticidade e criatividade para criar condições para o exercício da liberdade nos espaços coletivos cotidianos e nas áreas de luta. Para realmente implementar isso, o projeto tem muitos desafios e limitações atualmente, por meio do modo de produção capitalista. A construção do projeto ético- político do serviço social revela a profundidade entre ele e o projeto hegemônico da sociedade atual, pois exige dos assistentes sociais uma formação contínua, crítica e orientada para acabar com a exploração de classe. Se o Serviço Social não rompeu efetivamente com as práticas conservadoras, foi um projeto hegemônico da classe dominante que contribuiu com a reforma das práticas tradicionais (SILVA, 2010). Diante disso, uma série de desafios têm sido levantados para o Serviço Social, como: garantir o diálogo com os movimentos sociais que a classe trabalhadora luta e defende, manter a orientação hegemônica dos projetos profissionais, desenvolver uma estratégia de apreensão do grupo para nortear a lógica de projeto de ética política do Serviço Social. A contradição na construção de uma sociedade politicamente liberada envolve a compreensão dessas questões (SILVA, 2010). Introdução ao Serviço Social 32 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o projeto ético e político do Serviço Social teve sua construção em âmbito nacional no ano de 1970, sendo marcado por um momento de questionamento por conta do conservadorismo social, cuja categoria critica seus fundamentos tradicionais. Logo, foi possível ainda apresentar a definição de projetos profissionais, os quais caracterizam-se por associações de projetos coletivos sociais, com alterações e estruturas distintas, em que a base do projeto profissional é ligada ao acúmulo capitalista e ao processo de reorganização e estruturação de interesses de classe dominante em detrimento dos trabalhadores. Logo, contempla-se que tal projeto é atingido mediante uma ação profissional diária, sendo ainda identificadas três dimensões, desde que sejam compostas e articuladas com a importância e relevância do projeto ético e político do Serviço Social, sendo essas dimensões a produção de conhecimento dos assistentes sociais, política jurídica na categoria profissional e dimensões da organização política. Introdução ao Serviço Social 33 Projeto ético político e os campos de atuação no Serviço Social OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de reconhecer as áreas e campos de atuação profissional presentes no Projeto Ético-Político, descrevendo suas atribuições e principais atividades. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Os campos de atuaçãodo Assistente Social e suas atribuições As atribuições e as finalidades dos profissionais de Serviço Social, sejam eles implementados nas políticas de assistência social ou em outros espaços sócio ocupacionais, tem como base os direitos e as obrigações do Código de Ética Profissional e da Lei de Regulação Profissional, que devem ser seguidos e respeitados tanto pelo profissional quanto pelo seu empregador. Figura 4 – Principais campos de atuação profissional Habitação Campos de atuação Justiça Saúde Educação Assistencia Social Fonte: Elaborado pelas autoras (2022). Introdução ao Serviço Social 34 Contudo, antes de iniciar a abordagem sobre os campos de atuação, vamos entender os direitos e os deveres dos profissionais. Sobre os direitos dos profissionais, eles podem ser verificados no art. 2º do Código de Ética dos profissionais, o qual assegura: Art. 2º - Constituem direitos do assistente social: a) garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão e dos princípios firmados neste código; b) livre exercício das atividades inerentes à profissão; c) participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais e na formulação e implementação de programas sociais; d) inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, garantindo o sigilo profissional; e) desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional; f) aprimoramento profissional de forma contínua, colocando-o a serviço dos princípios deste código; g) pronunciamento em matéria de sua especialidade, sobretudo quando se tratar de assuntos de interesse da população; h) ampla autonomia no exercício da profissão, não sendo obrigado a prestar serviços profissionais incompatíveis com as suas atribuições, cargos ou funções; i) liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os direitos de participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos. (CFESS, 2013, p. 19 ) Introdução ao Serviço Social 35 IMPORTANTE: Diante dos direitos do assistente social, destaca-se a liberdade na sua atuação, o que lhe permite negar a execução de ações que são divergentes das suas atribuições dentre dos diferentes campos de atuação profissional. Sobre os deveres dos assistentes sociais, eles estão previstos em seu Código de Ética, no art. 3º, o qual prevê: Art. 3º - São deveres do assistente social: a) desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando a legislação em vigor; b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da profissão; c) abster-se, no exercício da profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos, denunciando sua ocorrência aos órgãos competentes; d) participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no atendimento e defesa de seus interesses e necessidades. (CFESS, 2013, p. 20) Observa-se, que dentre os deveres profissionais, destaca-se aquele que veda ao profissional atuar de forma a censurar ou limitar a liberdade, sendo sua obrigação denunciar os casos em que essas práticas ocorrem, dentro de seus diversos campos de atuação. Portanto, voltando aos campos de atuação do assistente social, dentro daqueles que foram apresentados na Figura 4 (saúde, educação, justiça, habitação, relações de trabalho e assistência social), podemos mencionar outros, tais como: lazer, previdência, meio ambiente, comunicação social, segurança, dentre outros, todos com a finalidade de atuar em prol do acesso do cidadão aos direitos sociais (MANFRENDI et al., 2016). Introdução ao Serviço Social 36 Assistência Social O trabalho assistencial acontece em espaços institucionais e de mediação social de movimentos sociais e populares. Valores, ideologias, relações sociais e políticas constituem as práticas que acontecem nesses espaços. Figura 5 – Serviço Social na assistência social Fonte: Freepik A luta pela competência profissional é fruto do trabalho coletivo e da mobilização social para a garantia dos direitos dos trabalhadores, a universalização dos direitos sociais e a consolidação da assistência social como política pública e obrigação do Estado (CFESS, 2011). IMPORTANTE: Na assistência social, a atuação profissional se dá em grande medida por duas instituições principais, sendo elas os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializada da Assistência Social (CREAS). Introdução ao Serviço Social 37 Sobre as atribuições no CREAS, o assistente social atua nos diferentes espaços, intervindo nas diferentes realidades que são apresentadas no dia a dia do CREAS, em que desenvolve ações cotidianas para atuar nas práticas contra a violação de direitos, visando resgatar a autonomia dos usuários e, assim, fortalecer os vínculos familiares e comunitários. Educação No campo da educação, o assistente social, por meio de sua aparência distinta, apresenta-se como um auxiliar em diversas partes desse campo de atuação, que buscam uma educação de qualidade que seja benéfica a todos e que permita que o aluno permaneça na escola. Figura 6 – Serviço Social na educação Fonte: Pixabay Os assistentes sociais não apenas diagnosticam, mas também propõem alternativas para os problemas sociais que muitas crianças vivenciam. Um dos problemas mais comuns é a evasão, que é um grande desafio para os profissionais da escola hoje. Introdução ao Serviço Social 38 SAIBA MAIS: O trabalho social na educação ainda enfrenta um obstáculo para estabelecer práticas de qualidade que apoiem a igualdade e a justiça social nos ambientes educacionais. As escolas enfrentam barreiras para contornar a demanda por grandes vagas, que nem sempre são proporcionais ao número disponível na rede pública (ALVES, 2010). A presença de assistentes sociais nos ambientes escolares, por meio de programas, informações e encaminhamentos das instituições que frequentam, facilita o acesso das crianças das famílias mais pobres aos serviços sociais e assistenciais no dia a dia. Assim, o trabalho realizado pelos assistentes sociais não deve ser confundido com o trabalho dos educadores. Embora sua ação tenha uma dimensão socioeducativa, sua inserção se deu no sentido de fortalecer as redes sociais e os processos de acesso aos serviços e instituições sociais (ALMEIDA, 2000). Saúde Na saúde, os serviços sociais têm um espaço de atuação próprio e tradicional, mas com o SUS, muitas outras áreas se abriram também no âmbito da gestão e do planejamento de políticas, nas quais os assistentes sociais podem realizar ações não privativas dos profissionais. Figura 7 – Assistência social na saúde Fonte: Pixabay Introdução ao Serviço Social 39 Na área de vigilância em saúde, diversos programas têm sido desenvolvidos, como higiene, epidemiologia, meio ambiente, saúde do trabalhador, doenças não transmissíveis, alimentação e nutrição, prevenção da violência e assistência às drogas e saúde mental, que historicamente também tem sido uma área de saúde. Devido a isso, há um afastamento do assistente social, por um não reconhecimento de sua atuação nessas áreas. IMPORTANTE: É no campo da vigilância em saúde que os aspectos sociais dos processos de saúde e doença podem ser mais claramente compreendidos. No entanto, devido à tradição de implementação da política social, os assistentes sociais têm encontrado dificuldades de utilizar sistemas de informação e indicadores epidemiológicos e deles extrair indicadores estratégicos e cruzar dados. Esses dados ajudam os profissionais a sustentar seus argumentos, reconhecer determinantes sociais da saúde, debater processos de planejamento, articular o trabalho intersetorial e até articular coletivamente as necessidades dos usuários (KRUGER, 2010).Portanto, a missão do Serviço Social dentro de unidades de saúde é intervir nos aspectos associados às doenças, promovendo condições para a reabilitação do paciente, reduzindo o choque com fatores socioeconômicos, culturais e ambientais que afetam o bem-estar do indivíduo. Sua maior responsabilidade está em dar o apoio social, desenvolvendo uma relação de apoio e ajuda na gestão da doença, criar formas de combater às incapacidades provenientes da doença, informar o doente e seus familiares das respostas e cuidados que devem prestar diante da situação, fazer planejamento da alta social, avaliando as necessidades do doente e indicando como dar continuidade aos cuidados com a sua doença, além de fazer a defesa dos direitos e a promoção de representatividade. O acolhimento, a organização do plano individual de cuidados, o acompanhamento e a preparação da continuidade dos cuidados são os Introdução ao Serviço Social 40 quatro elementos que desenvolvem o trabalho do assistente social. Em todas as áreas de prestação e cuidados de saúde, como internamento, ambulatório e urgência, o Serviço Social enquadra-se dentro dessa orgânica hospitalar como estrutura de suporte e prestação de cuidados com a saúde. Para pensar e realizar uma atuação competente e crítica do Serviço Social na área da saúde, ele deve estar sintonizado e articulado ao movimento dos trabalhadores e usuários que lutam pela efetivação do SUS. É necessário conhecer a realidade da vida dos trabalhadores usuários, esclarecendo os determinantes sociais que interferem no processo saúde-doença. Consiste na intervenção do assistente social na saúde, assegurar o acesso do usuário aos serviços de saúde. IMPORTANTE: O assistente social tem como competências levar as questões de cunho econômico, social e cultural que possam comprometer a eficiência dos programas de promoção, proteção e recuperação da saúde. O profissional é muito importante e necessário para a promoção e atenção à saúde. Constitui-se dever do assistente social desempenhar suas atividades profissionais com eficiência e responsabilidade, seguindo e observando a legislação em vigor. Os assistentes sociais iniciaram suas atividades com a saúde a partir da manifestação das doenças transmissíveis e hereditárias que, na época, eram chamadas de serviço social médico. Por conta da importância do capitalismo monopolista, desenvolveu- se a prática do Serviço Social na saúde para estruturar com sofisticação as atividades do assistente social. São exemplos claros de que a Consolidação dos Princípios de Reforma Sanitária permanece como desafio contemporâneo da política de saúde, com dificuldades ao acesso dos Serviço Sociais na saúde, formação de projetos e integralidade, retenção de valores na equidade Introdução ao Serviço Social 41 financeira dos setores, falta do exercício no controle de articulações nos movimentos sociais etc. Implantado em diversos hospitais para fortalecer a personalidade do doente e ajudar os médicos e suas atividades, a atuação do assistente social na saúde desenvolveu-se no início do século XX, nos Estados Unidos. Historicamente, o assistente social é um dos agentes profissionais que implementam políticas sociais, especialmente políticas públicas. Justiça O trabalho do assistente social na justiça, além do Judiciário, também inclui gabinetes da Defensoria Pública, Ministérios Públicos, prisões e sistemas de segurança, organizações que implementam medidas socioeducativas para adolescentes, dentre outros. Figura 8 – Serviço Social no campo da justiça Fonte: Pixabay Esses espaços de atuação profissionais facilitam as ações conservadoras, que significam essencialmente controle e penalidades estaduais. Introdução ao Serviço Social 42 IMPORTANTE: A atuação do assistente social na justiça é voltada, na maioria das vezes, a demandas sociais que permeiam o cotidiano das varas da infância e juventude, varas da família e das sucessões e, mais recentemente, das varas criminais. O assistente social intermedeia ações judiciais que envolvem crianças e adolescentes que necessitam de medidas protetivas, jovens autores de atos infracionais, famílias em situação de conflito etc. Nessa intervenção, principalmente, oferece subsídios sociais à autoridade judiciária, mediante relatórios, laudos e pareceres (CARDOSO; OLIVEIRA, 2018). Portanto, a função central da assistência social na justiça é executar pesquisa social, sistematizando-a por meio de relatórios, laudos e pareceres, objetivando fornecer orientação social sobre procedimentos judiciais, julgamentos e sentenças. Habitação Outra área que visa auxiliar a sociedade e pode ser um espaço de atuação dos assistentes sociais é a política habitacional. O setor deu sinais de problemas sociais na crise habitacional, que passou por instabilidade, infraestrutura inadequada e falta de moradia. Os assistentes sociais podem atuar na gestão, implementação e monitoramento das políticas habitacionais com uma concepção de direito à moradia coerente com um compromisso ético-político, com base em princípios de justiça social, equidade, democracia e cidadania (BRAGA, 2014). Introdução ao Serviço Social 43 Figura 9 – Serviço Social na habitação Fonte: Pixabay O direito social à moradia integra o direito a um padrão de vida adequado. Tem extrema e essencial relevância para a construção de uma sociedade justa, sendo considerado viés da igualdade material, e não se resume a apenas um teto e quatro paredes, mas ao direito de toda pessoa ter acesso a um lar e a uma comunidade segura para viver em paz, com dignidade e saúde física e mental. A moradia adequada deve incluir: segurança da posse, disponibilidade de serviços, infraestrutura e equipamentos públicos, custo acessível, habitabilidade, não discriminação e priorização de grupos vulneráveis, localização adequada e adequação cultural. SAIBA MAIS: Está previsto na Constituição Federal, em seu art. 6º, que: “São direitos sociais: à educação, à saúde, à alimentação, o trabalho, à moradia, o lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e à infância, à assistência aos desamparados” (BRASIL, 2017, p. 23). Introdução ao Serviço Social 44 É no direito à moradia que está a dignidade humana, assim, na medida em que o direito à moradia é reconhecido como direito fundamental do homem, infere-se que esse direito deve ser tratado como inerente à personalidade do indivíduo. Portanto, ao analisar o trabalho do assistente social inserido na Política de Habitação de Interesse Social nas três esferas de governo, cabe contextualizar o Estado e, com ele, as políticas públicas, pois esse profissional firma-se na perspectiva de garantia de direitos e nos meios de exercê-los. Portanto, perpassa pelo Estado, que, a priori, representa o interesse coletivo de todos os cidadãos e as políticas públicas que representam sua concretização (NALIN, 2013). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os assistentes sociais têm uma grama de espaços de atuação profissionais, não estando apenas atrelada ao serviço público, ocupando, assim, áreas como: saúde, educação, justiça, relações de trabalho, habitação e assistência social, os quais estudamos ao longo desse capítulo. Contudo, apesar de muitos campos de atuação, em todos o trabalho do assistente social se assemelha à preservação dos direitos dos usuários, ou seja, é o profissional representante do cidadão. Assim, o assistente social necessita estar muito atento para vincular processos e sua ação profissional cotidiana nos diversos campos de atuação, principalmente nas questões micro e macrossocietárias. Ainda, deve compreender as limitações do fazer profissional na funçãodas políticas públicas implementadas resultantes da opção política adotada pelos governantes, sem perder de vista a capacidade de questionar, refletir e socializar, apontando sempre as perspectivas de garantir e ampliar direitos. Introdução ao Serviço Social 45 Regulamentação da Profissão e a Lei nº 8.662/93 OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de interpretar a lei de regulamentação da profissão (Lei nº 8.662/93), identificando seus parâmetros no que concerne a direitos, deveres e obrigações do profissional da área de Serviço Social. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! A história da regulamentação da profissão A atual Lei nº 8.662 de 1993 é fruto de um longo processo legislativo iniciado pelo Projeto de Lei nº 3.903/1989, de autoria das deputadas federais Benedita da Silva (PT) e Maria de Lourdes Abadia (PSDB). A proposta propunha um conjunto de 28, que foi reduzido para 24 após as mudanças promovidas pelo Congresso Nacional e, posteriormente, para 23, devido ao veto presidencial do artigo 21 (FELIPPE, 2018). IMPORTANTE: Embora esse assunto não tenha sido abordado em produções acadêmicas de destaque no interior da profissão, as alterações promovidas certamente materializaram um conjunto de perdas significativas para a categoria. No projeto inicial, constavam vários itens que, se aprovados, teriam fortalecido tanto o exercício profissional quanto a fiscalização por parte do CFESS e do CRESS (FELIPPE, 2018). A justificativa das autoras do projeto para aprovar as novas regulamentações do Serviço Social no Brasil é que seriam ampliadas em relação ao progresso acadêmico e a reconceituação da profissão no país. Sua atribuição tinha como base a existência e o estabelecimento de novas capacidades nas profundas mudanças sociais ocorridas desde 1957. Desse ponto de vista, é clara a construção do referido projeto. Sua fundamentação Introdução ao Serviço Social 46 está transcrita abaixo e conta com a consulta e o reconhecimento da entidade representativa da profissão. Afinal, foi discutida e aprovada pela XVII Conferência CFAS/CRAS em 1989 (ALMEIDA, 2000). Nos anos 60, a profissão passa por profundas críticas, expressando-se tanto na vertente modernizadora modelada nos marcos do desenvolvimentismo nos quais se reforça o perfil tradicional da profissão, como na vertente crítica que identificará o significado social da profissão nas lutas pela igualdade de direitos e pela superação da pobreza e da exploração humana peculiares à sociedade brasileira, indicando as possibilidades objetivas da profissão se posicionar no horizonte dos interesses dos trabalhadores. [...] É nesse contexto da prática profissional que emerge da categoria uma reivindicação no sentido de amparar legalmente suas novas atribuições e competências, fruto dos avanços realizados pela profissão, dando uma nova qualidade à prática. (BRASIL, 1989, on-line) Assim, em prol de diferenciar a legislação de 1957, apenas sete seções do art. 5º são dedicadas à determinação de tarefas relacionadas a essa profissão. O Projeto de Lei nº 3.903/1989 listava um conjunto de 25 incisos distribuídos entre os arts. 5º e 6º (posteriormente traduzidos para os arts. 4º e 5º da Lei nº 8.662/93), que propõe definir atividades que se enquadram no campo de atuação do assistente social, tais como as competências profissionais e as atribuições privativas deles. SAIBA MAIS: O lado positivo de projeto foi a ampliação das possibilidades dos campos de atuação profissional, abordando, além da competência profissional, planejamento e gestão de políticas sociais, atividades de pesquisa, consultoria etc. O projeto deveria ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Assim, inicialmente foi encaminhado a duas comissões parlamentares: a Comissão Constitucional e Judiciária e de Redação (junho de 1990) e a Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Público (novembro de 1990) (BRASIL, 1990 ). Introdução ao Serviço Social 47 Segundo Felippe (2018), em ambos os espaços, a iniciativa das autoras fora reconhecida e endossada, sendo feitas poucas alterações no texto original. Não obstante, o relator da Comissão de Constituição e Justiça e Redação, Messias Góis (então PFL, hoje denominado Democratas) propôs alterar o art. 4º da lei, o qual foi excluído por considerar desnecessária sua redação. Originalmente, o seguinte texto apresentava a seguinte redação: Revoga a Lei n. 3.252, de 27 de agosto de 1957 e dispõe sobre a regulamentação da profissão de assistente social. [...] Art. 4º A profissão de assistente social será exercida: I — mediante contrato de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); II — em regime estatutário no âmbito federal, estadual e municipal, de acordo com a legislação em vigor; III — de forma autônoma. (BRASIL, 1990, p. 13. 335) Assim, a ementa foi substituída por “dispõe sobre a profissão de assistente social e dá outras providências”, sendo que os demais artigos foram todos renumerados após a exclusão do art. 4º. Contudo, tal exclusão não apresentou perdas significativas para a profissão, principalmente no quesito “atribuições”. SAIBA MAIS: Um ponto digno de nota no documento emitido pelo representante é o reconhecimento da contribuição do assistente social no processo de formulação e implementação de políticas sociais no país, justificando seu parecer favorável no relatório da Comissão Constitucional e Judiciária e de Redação e Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Públicos. No entanto, quando o projeto passou para a Câmara de Deputados Federais, foi quando se iniciaram as grandes modificações, que promoveram mudanças importantes na definição de disposições competência e pertencimento pessoal. Introdução ao Serviço Social 48 Também existem partes importantes dos textos que foram excluídas, especialmente os artigos cuja existência é garantida aos assistentes sociais em certas agências que prestam serviços sociais. No que concerne às atribuições e às competências profissionais, a grande modificação promovida foi a retirada do inciso II do artigo 5º e a sua inclusão no artigo 4º como inciso XI. Desse modo, a realização de estudos socioeconômicos para fins de benefícios e serviços sociais deixou de ser uma possível tarefa exclusiva da categoria dos assistentes sociais para se tornar uma competência, consequentemente aberta para a execução por outros profissionais. Também foi eliminado o inciso III do mesmo artigo 5º, o qual previa como privativa dos assistentes sociais a ocupação de “cargos efetivos ou em comissão, funções de assessoria técnica, consultiva, direção, chefia, supervisão e execução em entidades públicas ou privadas cujas atribuições sejam pertinentes ao Serviço Social”. (FELIPPE, 2018, p. 39) Curiosamente, em todos os documentos disponíveis no Diário do Congresso Nacional, não há razão para incluir a seção de pesquisa socioeconômica como competência, e não como atribuições privativas. Pelo contrário, essa modificação não teve quase visibilidade, ficou quase que despercebida, pois não houve nenhuma nota entre o relator e o presidente da comissão. Para excluir o terceiro item do art. 5º, ele baseou-se no argumento de que ocupar um cargo efetivo ou exercer um cargo (atividades que envolvam liderança, direção, supervisão) e fornecer conselhos de atribuição “relacionados ao trabalho social”) requer treinamento tecnologia compatível (visão política, conhecimento da gestão pública e privada), que geralmente não é encontrada entre os assistentes sociais. Apontamentos aos pressupostos das leis de regulamentação da profissão A primeira legislação brasileira a regulamentar o trabalho dos profissionais de Serviço Social foi o Decreto nº 994, de 15 de maio de 1962, o qual estabelecia em seu art. 1º que: “ o Serviço Social constitui o objeto