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SISTEMAS DE ENSINO, 
LEGISLAÇÃO E GESTÃO 
DEMOCRÁTICA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Katia Cristina Dambiski Soares 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, vamos abordar a questão do financiamento na área da 
educação, mas, primeiramente, quero conversar com você sobre a importância 
do financiamento na vida em geral. Quando falamos em financiamento, a 
primeira coisa que vem à cabeça é a questão do dinheiro? 
Pois bem! Quase tudo o que precisamos fazer diariamente necessita de 
algum tipo de financiamento. Para tornar realidade algo que planejamos, 
geralmente é necessário ter noção do quanto será preciso investir, calcular os 
custos, estabelecer metas e estratégias de como alcançar o nosso objetivo. 
Podemos citar alguns exemplos de coisas que as pessoas costumam querer: 
fazer uma reforma na casa, realizar uma viagem, comprar um carro, concluir um 
curso… Esses são exemplos aleatórios do cotidiano. Podemos presumir que não 
são coisas fáceis de se realizar, dependendo das condições econômicas de cada 
um. Além desses exemplos da vida cotidiana, vários âmbitos da organização da 
vida em sociedade também necessitam de financiamento para a sua 
implementação, entre os quais destacamos as ações e programas voltados à 
área educacional. A mera existência de políticas públicas na área da educação 
não é suficiente para que essas políticas se tornem realidade. O financiamento 
é condição sine qua non para a realização das políticas educacionais. Convido 
você a refletir sobre este assunto! 
TEMA 1 – FUNDEB: ESTRUTURA, REDISTRIBUIÇÃO DE RECURSOS E 
IMPACTO NA EDUCAÇÃO 
A área das políticas públicas para a educação estabelece diversos planos 
para realizar ações e programas educacionais. Podemos citar que, neste 
contexto, estão presentes o atendimento das necessidades para garantir o 
acesso, a permanência e a qualidade da educação no nosso país, nos seus 
diferentes níveis, etapas, fases e modalidades de ensino. 
De modo geral, as políticas educacionais se direcionam para o 
desenvolvimento de programas que buscam atender à estrutura física das 
escolas, aos materiais didáticos, ao transporte escolar, ao pagamento e à 
formação dos professores, entre outros. 
Para compreender melhor a questão da importância do financiamento, 
vamos refletir sobre a responsabilidade pela oferta da educação pública, ou seja, 
 
 
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sobre quem arca com os custos e quem financia. No Brasil, normalmente, os 
municípios são responsáveis pelo desenvolvimento da Educação Infantil e do 
Ensino Fundamental; os estados se responsabilizam pelo Ensino Fundamental 
e Ensino Médio, e o governo federal se dirige para o desenvolvimento do Ensino 
Superior. Entretanto, é definido por lei que os entes da federação devem atuar 
em regime de colaboração, o que nem sempre acontece. O que isso significa? 
Significa que, por exemplo, se um município não tem condições de arcar com a 
oferta da educação infantil para todas as crianças na faixa etária indicada 
legalmente, os estados e a União poderiam também auxiliar no atendimento 
dessa demanda. 
O Brasil é um país muito grande, com dimensões continentais e uma 
grande desigualdade econômica entre os diversos municípios e estados que o 
compõem. Com o objetivo de auxiliar para que todos os municípios consigam 
atender, na medida do possível, às demandas na área educacional, foi criado 
em 2020, em caráter permanente, o FUNDEB, Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da 
Educação. 
O FUNDEB veio substituir o FUNDEF, que era o Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, 
regulamentado em 1997. Entretanto, o FUNDEF só abrangia o Ensino 
Fundamental, e não toda a Educação Básica, além de se restringir à valorização 
do magistério (professores) e não de todos os profissionais da educação. O 
FUNDEB, por sua vez, foi criado em 2007, mas transformado em permanente e 
regulamentado pela Lei n. 14.113, de 25 de dezembro de 2020. 
O FUNDEB é um fundo especial, de natureza contábil e de âmbito 
estadual, formado por um total de vinte e sete Fundos, com recursos 
provenientes de impostos vinculados à educação e transferências dos estados, 
Distrito Federal e municípios, conforme disposto no art. 212 da Constituição 
Federal. A União precisa complementar o Fundo quando o valor por aluno em 
cada estado não alcançar o mínimo definido nacionalmente. De acordo com 
Farenzena e Pinto (2024, p. 7), a complementação total da União tem crescido 
desde 2021, quando iniciou a implementação do FUNDEB permanente, estando 
em 19% em 2024, devendo chegar a 23% em 2026. 
Hoje, é incontestável a importância do FUNDEB, como fundo contábil 
permanente, para custear a educação pública no país e incentivar o 
 
 
4 
desenvolvimento das políticas educacionais. Entretanto, ainda há muito a ser 
ampliado em termos de investimento na educação. Conforme alertam com 
preocupação Farenzena e Pinto (2024, p. 16-17), dados recentes demonstram 
que, embora esteja havendo um avanço significativo para equalizar os recursos 
disponíveis por aluno entre os entes da federação e um aumento real no valor 
por aluno, essa melhora esteve associada mais à queda na matrícula, quando 
deveria estar crescendo, e a remuneração do magistério tampouco, de fato, 
avançou nos últimos anos. 
TEMA 2 – ORÇAMENTO PÚBLICO PARA A EDUCAÇÃO: LEI DE 
RESPONSABILIDADE FISCAL E PERCENTUAIS CONSTITUCIONAIS 
Iniciamos este tópico ressaltando os objetivos do FUNDEB, que são, de 
acordo com Farenzena e Pinto (2024, p. 4): 
[…] manter e desenvolver a educação básica, em suas distintas etapas 
e modalidades, e a preservação dos fundos em cada UF, com 
redistribuição de parte da receita de impostos vinculada à manutenção 
e ao desenvolvimento do ensino e à fixação de percentuais mínimos 
de complementação da União. 
A partir desses objetivos, cabe buscar entender um pouco sobre as 
definições do orçamento público para a educação, em especial, a respeito da Lei 
de Responsabilidade Fiscal e dos percentuais constitucionais mínimos de 
complementação da União na área educacional. Para melhor entendimento, 
importa considerar que a questão do orçamento para a educação modificou-se 
substancialmente no Brasil a partir da criação das políticas dos fundos contábeis, 
inicialmente com o FUNDEF, na medida em que se passou a atuar com base na 
redistribuição de recursos: 
A política de fundos contábeis inaugurada com a criação do Fundo de 
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de 
Valorização do Magistério (Fundef), em 1996, representou uma forte 
mudança no padrão de financiamento da educação básica no país, no 
que se refere à distribuição de responsabilidades federativas pela 
oferta educacional, bem como quanto ao padrão de gasto por 
estudante nas redes de ensino municipais e estaduais. Desde então, 
consolidou-se um processo de transferência para os municípios das 
matrículas estaduais no ensino fundamental e daquelas ainda 
remanescentes na educação infantil, de tal forma que a participação 
da rede municipal na matrícula pública da educação básica saiu de um 
patamar histórico de 38%, em 1996, passando a 53%, em 2007, 
primeiro ano de vigência do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento 
da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 
(Fundeb), chegando a 62%, em 2023, já na vigência do Fundeb 
permanente. Cabe ainda acrescentar que, embora generalizado, esse 
 
 
5 
processo de municipalização foi mais intenso nos estados e municípios 
mais pobres, aumentando os desafios de ampliação do atendimento, 
especialmente na educação infantil. Por outro lado, com o Fundeb 
vigente de 2007 a 2020, graças à ampliação efetiva da 
complementação federal (promessa descumprida pela União no 
Fundef), os dados apontam para uma maior equalização dos valores 
de gastos por estudante, seja no interior dos estados, sejaentre as 
unidades da federação. (Farenzena; Pinto, 2024, p. 2) 
A partir da referida citação, podemos inferir, de maneira simples, que o 
FUNDEB tem como missão a equalização dos recursos, de modo a dar a cada 
município, de acordo com as suas necessidades, redistribuir. Ou seja, um 
município pode até arrecadar mais impostos, mas tem menos estudantes 
matriculados e receberá, por meio do Fundo, um valor menor do que um 
município que arrecade menos, mas tenha maior necessidade de recursos para 
a manutenção da sua rede de ensino, de acordo com o número de estudantes 
que precisa atender. 
É necessário, neste ponto, fazer referência à Lei Complementar n. 
101/2000 (Brasil, 2000), denominada comumente de Lei de Responsabilidade 
Fiscal (LRF), que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a 
responsabilidade na gestão fiscal. De acordo com esta lei, no art. 1º, parágrafo 
1º: 
A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e 
transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes 
de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de 
metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites 
e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas 
com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e 
mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, 
concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. 
Como podemos observar pelo que é prescrito legalmente, planejamento 
e transparência nas ações, cumprimento de metas com equilíbrio nas contas 
públicas, respeito aos limites percentualmente estabelecidos são fundamentais 
quando se trata de operações que transitam na esfera pública, em todos os 
setores, inclusive no educacional. 
A respeito do FUNDEB, todo recurso que é gerado é redistribuído para 
ser aplicado exclusivamente na manutenção e no desenvolvimento da educação 
básica da rede pública de ensino, bem como na valorização dos profissionais da 
educação, incluindo a questão salarial. Além dos impostos e das transferências 
constitucionais dos municípios, estados e Distrito Federal, integram o Fundo os 
 
 
6 
recursos provenientes da União, como complementação para atingir o valor 
mínimo necessário por aluno/ano. De acordo com o MEC: 
A contribuição da União neste novo Fundeb sofrerá um aumento 
gradativo, até atingir o percentual de 23% (vinte e três por cento) dos 
recursos que formarão o Fundo em 2026. Passará de 10% (dez por 
cento), do modelo do extinto Fundeb, cuja vigência se encerrou em 31 
de dezembro de 2020, para 12% (doze por cento) em 2021; em 
seguida, para 15% (quinze por cento) em 2022; 17% (dezessete por 
cento) em 2023; 19% (dezenove por cento) em 2024; 21% (vinte e um 
por cento) em 2025; até alcançar 23% (vinte e três por cento) em 2026. 
Os investimentos realizados pelos governos dos Estados, Distrito 
Federal e Municípios e o cumprimento dos limites legais da aplicação 
dos recursos do Fundeb são monitorados por meio das informações 
declaradas no Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em 
Educação (Siope), disponível no sítio do FNDE, no endereço 
eletrônico: Siope — Fundo Nacional de Desenvolvimento da 
Educação. (Brasil/MEC, 2025) 
Na medida em que temos conhecimento da importância do financiamento 
na educação e buscamos saber como funciona o FUNDEB, como se dá a 
arrecadação e redistribuição dos recursos que são aplicados na área 
educacional, precisamos agora conhecer alguns programas de financiamento 
federal atualmente desenvolvidos em busca da ampliação da qualidade do 
ensino no nosso país. 
TEMA 3 – PROGRAMAS DE FINANCIAMENTO FEDERAL 
Atualmente, vários programas e ações em âmbito federal se voltam ao 
atendimento de diversas necessidades da rede educacional pública, como 
questões relacionadas a merenda, transporte e infraestrutura das escolas. Você 
pode conhecer detalhadamente cada um desses programas acessando o site do 
MEC em: . 
 
 
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Vamos conhecer aqui algumas dessas ações e programas, que vinculam 
recursos federais e que podem ser desenvolvidos pelos estados e municípios? 
1) Programa Caminho da Escola: é destinado aos estudantes de áreas rurais 
e regiões ribeirinhas das escolas públicas da Educação Básica. Visa 
possibilitar o acesso e a permanência deste público na escola. Oferece 
transporte escolar por meio de ônibus, bicicletas ou embarcações. 
2) PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar: destinado aos 
estudantes matriculados em todas as etapas e modalidades da educação 
básica da rede pública de ensino municipal, estadual, distrital, federal e 
de instituições qualificadas como filantrópicas ou por elas mantidas em 
escolas confessionais sem fins lucrativos e em escolas comunitárias 
conveniadas. O programa visa à formação de hábitos saudáveis de 
alimentação, além de acompanhamento nutricional durante todo o ano 
letivo. 
3) PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola: este programa visa à 
melhoria da infraestrutura das escolas. Por meio dele, são destinados 
recursos às instituições anualmente, em caráter suplementar. O programa 
busca atender às necessidades prioritárias das instituições escolares, 
garantir seu funcionamento e permitir melhorias na infraestrutura física e 
na parte pedagógica. Além disso, o programa incentiva a autogestão e a 
participação da comunidade nas definições que interferem no 
funcionamento de cada instituição. 
 
 
8 
4) PROINFÂNCIA – Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de 
Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil: este 
programa visa o acesso das crianças às creches e pré-escolas, além da 
garantia de infraestrutura nos estabelecimentos. Por meio do programa, é 
oferecida assistência técnica e financeira para construção dos prédios 
escolares. Também auxilia na aquisição de mobiliário e equipamentos que 
enriqueçam a qualidade do trabalho desenvolvido com esta faixa etária: 
mesas, cadeiras, geladeiras, bebedouros etc. 
5) PNLD – Programa Nacional do Livro e do Material Didático: por meio 
desse programa, são disponibilizadas obras didáticas, pedagógicas e 
literárias, ocorrendo periodicamente e de forma gratuita. Podem participar 
do programa as escolas da rede pública e as instituições federais que 
tenham aderido à proposta do governo federal. Os materiais adquiridos 
chegam diretamente às mãos dos estudantes e dos professores das 
escolas para enriquecer o trabalho pedagógico desenvolvido. 
6) PBLE – Programa Banda Larga nas Escolas: o programa prevê o 
atendimento de todas as escolas nas etapas do Ensino Fundamental e 
Ensino Médio, além de instituições de ensino públicas voltadas à 
formação de professores. O acesso para as instituições escolares 
urbanas é automático e realizado por meio do controle do censo escolar. 
A implementação do programa é realizada em conjunto pelo FNDE, 
ANATEL e Secretarias de Educação. 
7) PROINFO – Programa Nacional de Informática na Educação: objetiva 
incentivar o uso pedagógico das tecnologias da informação e da 
comunicação nas escolas de Educação Básica do nosso país. O 
programa se destina a atender professores e estudantes da rede pública. 
É necessário que as secretarias de educação estaduais ou municipais 
realizem o cadastro para adesão ao programa, que dará a possibilidade 
de aquisição de equipamentos de informática a serem utilizados nas 
instituições escolares. 
Você já conhecia esses programas desenvolvidos pelo MEC e que podem 
ter a adesão de estados e municípios da rede pública de ensino? É necessário 
que as secretarias de educação também conheçam os programas, editais, 
prazos e façam a adesão para que possam participar. É preciso conhecimento a 
 
 
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respeito das possibilidades existentes; só assim podemos utilizar ao máximo os 
recursos na direção da melhoria da qualidade da educação. 
TEMA4 – PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS NA EDUCAÇÃO: LIMITES E 
POSSIBILIDADES LEGAIS 
Na busca pela melhoria da qualidade da educação ofertada em nosso 
país, inúmeras práticas e discursos têm se manifestado, hoje em dia, na direção 
da parceria público-privada. 
As parcerias entre os setores público e privado são reconhecidas como 
uma possível opção para a prestação de serviços na área educacional. 
Patrinos, Barrera-Osorio e Guáqueta (2009), dentre outros autores, 
demonstram que os serviços podem variar desde a construção, gestão 
e manutenção dos espaços até a execução pedagógica de fato. 
(Fernandez et al., 2019, p. 289) 
Este é um tema bastante polêmico, pois expressa com muita força toda a 
contraditoriedade presente na sociedade capitalista, contraditoriedade esta 
manifestada nos interesses antagônicos que se colocam na relação 
capital/trabalho. Dito de outra maneira, em determinados contextos, os 
interesses da esfera privada podem ser opostos aos interesses da esfera 
pública. Neste sentido, há que se ter cuidado no âmbito das políticas públicas 
com o desenvolvimento de parcerias público-privadas: 
As parcerias público-privadas (PPPs) são um instrumento de política 
pública de um Estado neoliberal, especificamente determinadas pela 
lógica da acumulação de capital, apontando no sentido da ideologia da 
privatização e terceirização, elementos fundantes do neoliberalismo. 
(Mazetto, 2015, p. 1) 
Você conhece alguma iniciativa no campo das políticas educacionais, na 
região onde reside ou trabalha, que se desenvolva na forma de parceria entre os 
setores público e privado? 
Se sua resposta for sim, poderá buscar mais informações a respeito, além 
de aprofundar os estudos que nos dão base teórica para confrontar os dados da 
realidade e buscar compreender para qual caminho tal prática da parceria pode 
estar se dirigindo. Caso sua resposta seja não, ainda há a possibilidade de vir a 
conhecer mais a esse respeito e aprimorar seu entendimento sobre esta temática 
tão presente atualmente. 
 
 
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Com vistas ao aprofundamento deste assunto, trazemos aqui a citação de 
Aranha e Oliveira (2023, p. 8), que explicam que a parceria pode servir a 
diferentes objetivos e formalizar-se por diferentes instrumentos jurídicos: 
a. Forma de delegação da execução de serviços públicos a 
particulares, pelos instrumentos da concessão e permissão de serviços 
públicos, ou das parcerias público-privadas (concessão patrocinada e 
concessão administrativa, criadas pela Lei n. 11.079, de 30-12-2004); 
e por meio do contrato de gestão com organizações sociais, quando 
estas prestam serviço público; 
b. Meio de fomento à iniciativa privada de interesse público, efetivando-
se por meio de convênio, contrato de gestão, termo de parceria, termo 
de colaboração, termo de fomento ou acordo de cooperação; 
c. Forma de cooperação do particular na execução de atividades 
próprias da Administração Pública, pelo instrumento da terceirização 
(contratos de prestação de serviços, obras e fornecimento, sob a forma 
de empreitada regida pela Lei n. 8.666, de 21-6-1993, ou de concessão 
administrativa, regida pela Lei n. 11.079/2004); 
d. Instrumento de desburocratização e de instauração da chamada 
Administração Pública gerencial, por meio dos contratos de gestão. 
Para suscitar a discussão sobre o tema, lembramos uma passagem 
famosa da obra clássica de literatura Alice no País das Maravilhas, de Lewis 
Carroll, quando a personagem Alice, perdida em frente a uma bifurcação na 
estrada, pergunta para o gato qual caminho seguir. O gato responde-a 
indagando: — Para onde quer ir? Se trouxermos a reflexão sobre este trecho da 
literatura para o debate a respeito da parceria público-privada, podemos sair 
apenas da constatação de ser a favor ou contra e pensar para qual direção esta 
parceria está nos levando? Se for para a direção da privatização e da 
terceirização dos serviços públicos ou mesmo a utilização desta estratégia para 
fortalecer o discurso de que o serviço público é ineficiente, talvez não estejamos 
no caminho certo. 
A respeito das possibilidades legais das parcerias público-privadas, 
destaca-se a lei das concessões, que: 
[…] em 1995, foi implantada a Lei Federal n. 8.987 (Lei das 
Concessões), que se refere à prestação de serviços públicos por parte 
de um agente do setor privado por tempo determinado, selecionado 
por meio de processo licitatório, e que permite a alocação dos riscos 
do projeto tanto ao governo quanto ao setor privado. Sequencialmente, 
em 30 de dezembro de 2004, foi assinada a Lei Federal n. 11.079, que 
institui normas gerais para licitação e contratação de PPPs no âmbito 
da administração pública. Trata-se de uma ampliação do modelo de 
concessão, na qual, para viabilizar empreendimentos públicos que não 
seriam economicamente viáveis apenas pela cobrança de tarifas dos 
usuários, o poder público passa a ser responsável, em parte ou no 
todo, pelo pagamento ao privado de um montante que remunere tanto 
 
 
11 
os investimentos realizados quanto sua operação. A possibilidade de 
pagamento ao privado diretamente pelo setor público permitiu que 
serviços pelos quais o usuário não paga tarifas também passassem a 
ser objeto de contratos de longo prazo, as chamadas concessões 
administrativas. (Fernandez et al., 2019, p. 391) 
A modalidade destacada por Fernandez (2019) diz respeito ao 
estabelecimento da relação de concessão entre o poder público e a iniciativa 
privada, com a seguinte compreensão: 
[…] o Estado conserva a titularidade do bem público, mas transfere a 
sua execução para o ente privado. Nessa perspectiva, o ente público 
atuaria como um regulador e fiscalizador do serviço prestado pelo setor 
privado. É importante destacar que o termo parceria entre ente público 
e setor privado é tratado de modo mais abrangente por uma gama de 
autores que estudam a participação desse último setor na prestação 
de serviços educacionais. Conforme Borghi, Adrião e Garcia (2011), 
Adrião et al. (2012), Domiciano (2011) e Peroni (2012; 2013a; 2013b), 
essas parcerias consistem em associações entre os referidos setores 
para o desenvolvimento de um projeto ou para a prestação de um 
serviço que era tipicamente executado pelo estado. (Fernandez et al., 
2019, p. 392) 
Finalizamos este tópico considerando as possibilidades legais para o 
estabelecimento de parcerias público-privadas na educação, mas, ao mesmo 
tempo, levando em consideração os limites dessa estratégia no seio das 
determinações da organização social atual no Brasil, perpassada pela ideologia 
neoliberal. É preciso ter muito cuidado, pois a parceria público-privada necessita 
ser compreendida em sua complexidade e exige um arcabouço teórico 
consistente que possibilite a apreensão crítica deste processo no campo das 
políticas educacionais. 
TEMA 5 – CONTROLE SOCIAL DO FINANCIAMENTO: CONSELHOS DE 
ACOMPANHAMENTO E FISCALIZAÇÃO 
Após conhecer o que é o FUNDEB (Fundo Nacional de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da 
Educação) e compreender sua importância para a manutenção e 
desenvolvimento das redes públicas de ensino no Brasil, vamos tratar sobre o 
controle social do financiamento. É importante saber que existem mecanismos 
que possibilitam o acompanhamento e a fiscalização de todo o processo voltado 
para a implementação de políticas públicas, principalmente do financiamento 
delas, já que se trata de destinação de verbas públicas para a área da educação. 
 
 
12 
Quando se trata do controle social do financiamento de políticas públicas 
na educação, o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais 
Anísio Teixeira) é o órgão do governo responsável por publicar estudos e 
indicadores que orientem a distribuição dos recursos do FUNDEB, desde que 
aprovados pela Comissão Intergovernamental de Financiamento da Educação 
Básica de Qualidade. 
Uma vez que os dados sejam publicizados, para serpossível realizar a 
análise dos resultados apresentados, ressaltamos a importância de parâmetros 
confiáveis que permitam compreender o que os números expressam, de modo 
que seja possível estabelecer os caminhos a serem seguidos a partir da 
avaliação realizada. Dentre os parâmetros existentes e confiáveis na atualidade, 
destacamos o CAQ (Custo Aluno Qualidade). O CAQ está previsto em 
estratégias da meta 20 do Plano Nacional de Educação (PNE, Lei n. 
13.005/2014) e deveria ser implementado de forma gradual, por meio do 
estabelecimento do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi) para se chegar ao 
CAQ. “A ideia do CAQi é estabelecer valores que garantam os insumos materiais 
mínimos e condições de trabalho necessárias para que os/as professores/as 
possam ensinar e os estudantes possam aprender” (FINEDUCA, 2023, p. 6). 
Ficou curioso e quer saber mais a respeito do CAQ? Por meio do SimCAQ 
(), um sistema computacional disponível na internet e 
gratuito, é possível estimar o custo da oferta de ensino em condições de 
qualidade. 
Também é interessante saber que existe o Conselho de 
Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB (CACS-FUNDEB), que é um 
colegiado com a função de acompanhar e controlar a distribuição, a transferência 
e a aplicação dos recursos do Fundo nas esferas municipais, estaduais e federal. 
E qual a real importância deste monitoramento e controle social dos dados 
do financiamento em educação? Respondemos a esta questão em concordância 
com o posicionamento a seguir: 
Nota-se que as gestoras e gestores estaduais e municipais terão em 
mãos um sólido instrumento para planejar e avaliar o atendimento 
educacional e para a definição de políticas de cooperação federativa 
no setor. Por sua vez, os órgãos de controle estatal — como Ministérios 
Públicos, Tribunais de Contas, parlamentos — e de controle social — 
como conselhos de acompanhamento e controle social e de educação 
—, comunidades escolares e diversas outras instâncias terão em mãos 
parâmetros mais concretos para fiscalizar, controlar e monitorar o 
atendimento nas diversas dimensões educacionais. (FINEDUCA, 
2023, p. 16) 
 
 
13 
Concluímos este tópico com destaque para a importância do papel do 
controle social do financiamento da educação. Gestores e gestoras (municipais 
e estaduais); órgãos de controle estatal (Ministério Público, Tribunal de Contas, 
Câmara de Vereadores, Câmara de Deputados, Senado); Conselhos de 
Acompanhamento e Controle Social (como o CACS-FUNDEB); os Conselhos de 
Educação (municipais, estaduais e nacional) e os Conselhos Escolares são 
todos fundamentais para monitorar o processo de busca pela melhoria da 
qualidade da educação no Brasil. Assim, cada um de nós, exercendo a 
cidadania, deve participar ativamente da sociedade em que vivemos e 
acompanhar as discussões a respeito do que tem sido definido e implementado 
na área do financiamento educacional. 
NA PRÁTICA 
Para colocar em prática os conhecimentos desta etapa, propomos que 
você busque saber mais sobre os programas educacionais que podem ser 
desenvolvidos nos municípios de todo o país a partir do que é ofertado pelo 
governo federal, conforme vimos no tópico 3 desta etapa. Vamos lá? Siga estes 
passos: 
1) Acesse o site do MEC: . 
2) Escolha um dos programas apresentados no site do MEC que seja 
desenvolvido também no município onde você reside. Para fazer isso, 
pode averiguar as informações no site da Secretaria de Educação do seu 
município, fazer uma busca na internet ou até visitar a própria secretaria 
ou uma escola pública da Educação Básica e solicitar informações. 
3) Registre o que descobrir: qual é o programa? Desde quando está sendo 
desenvolvido no local? Quais têm sido os benefícios? E outros aspectos 
que considerar importantes. 
4) Registre, na forma de texto, tudo o que descobriu e envie no link tutoria 
da disciplina. Ficaremos contentes em saber mais sobre os programas 
educacionais desenvolvidos na sua região e que você aproveitou o 
conteúdo desta etapa. 
 
 
 
14 
FINALIZANDO 
Esta etapa abordou um tema muito importante para quem se interessa por 
educação: o financiamento. A respeito do financiamento, vimos o que é o 
FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de 
Valorização dos Profissionais da Educação) e seu papel fundamental na 
redistribuição de recursos para a manutenção e o desenvolvimento da qualidade 
da educação nas escolas públicas brasileiras. Também falamos sobre o 
orçamento público para a área educacional, ressaltando a lei de 
responsabilidade fiscal e a definição de percentuais constitucionais para o 
investimento neste campo. 
A partir do desenvolvimento das políticas públicas na educação, 
indicamos que há programas desenvolvidos pelo governo federal (MEC), dos 
quais podem participar estados e municípios, por adesão. Estes programas têm 
finalidades diversas, como investir na qualidade e no incremento da merenda 
escolar, ofertar transporte escolar, melhorar a infraestrutura das escolas em 
diferentes etapas da Educação Básica. Também abordamos um tema atual e 
polêmico: a questão das parcerias público-privadas, indicando alguns limites 
dessas propostas, bem como as principais definições legais a respeito. 
Finalizando esta etapa, ressaltamos a necessidade do controle social do 
financiamento, por meio dos Conselhos de acompanhamento e fiscalização, 
como é o caso do CACS-FUNDEB. 
Esperamos que esta etapa tenha proporcionado reflexões a respeito do 
financiamento na educação e da importância da participação de todos nos 
processos de discussão das políticas públicas, implantação, desenvolvimento e 
avaliação dos programas educacionais, além de não esquecer o quanto o 
financiamento é essencial para que as políticas educacionais se concretizem. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
ARANHA, R. da S. L.; OLIVEIRA, S. S. B. de. Sistema de parceria público-
privada na educação: estratégias mercantilistas para o ensino público de 
Manaus. Revista Brasileira de Educação, v. 28, p. e280113, 2023. 
FINEDUCA – Associação Nacional De Pesquisa Em Financiamento Da 
Educação. Campanha Nacional Pelo Direito À Educação. Fundeb com custo 
aluno qualidade: no caminho da justiça federativa, igualdade e qualidade na 
educação brasileira. Estimativas de Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi). Nota 
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BRASIL. Lei Complementar n. 101, de 04 de maio de 2000. Disponível em: 
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