Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado (a) aluno (a)! 
 
A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) é um conjunto de ações 
cujo objetivo é melhorar o ambiente e a comunidade ao redor da empresa. 
Assim, ela tem como intuito capacitar e inspirar as pessoas, trazendo novas 
oportunidades de negócios para os públicos. 
A responsabilidade social no ambiente corporativo permite que a 
empresa humanize suas práticas e enxergue além do crescimento financeiro. 
Nesse viés, consegue potencializar os vínculos profissionais com os 
funcionários, fornecedores e acionistas. 
 
Bons estudos! 
AULA 05 –
RESPONSABILIDADE SOCIAL 
EMPRESARIAL/ 
ORGANIZACIONAL 
 
 
 
5 A IMPORTÂNCIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DENTRO DAS 
ORGANIZAÇÕES 
Na atualidade, o propósito de uma empresa vai além do mero lucro. Enquanto 
uma entidade econômica com a missão de criar riqueza, a empresa também assume 
um papel social, responsável não apenas pelo seu desempenho econômico, mas 
também pelo impacto social e ambiental de suas atividades. Devido às 
transformações sociais ocorridas nas últimas décadas, a sociedade passou a focalizar 
nas empresas como entidades sociais, indo além de sua dimensão econômica, 
conforme discutido por Primolan (2004). 
Nesse contexto, "a responsabilidade social corporativa se baseia em três 
pilares essenciais, que são: ética empresarial, preservação dos recursos naturais e 
respeito aos trabalhadores" (SOARES, 2004, p. 4). As empresas, como grandes 
centros de poder munidos de recursos financeiros e humanos substanciais, exercem 
um papel fundamental ao enfrentar tais desafios. O ônus social adquire uma amplitude 
que abrange as várias dimensões de responsabilidade ao longo da cadeia produtiva 
da empresa: clientes, colaboradores, fornecedores, bem como a comunidade, o meio 
ambiente e a sociedade como um todo. No entanto, a atividade empresarial pode ser 
ampla e preocupante (SCHROEDER, 2004). 
A principal preocupação reside no fato de que obstaculizar a construção de 
sociedades sustentáveis e mais humanas decorre do fato de que algumas empresas 
não estão cumprindo seus papéis sociais. As corporações constituem centros de 
poder político e econômico significativos, exercendo influência direta sobre a ação 
coletiva. Dessa forma, assumindo suas responsabilidades sociais, as empresas 
devem retribuir à sociedade uma parte dos recursos humanos, naturais e financeiros 
que consomem ao lucrar com suas atividades. Esse cenário tem motivado diversos 
atores sociais a endossar a importância da responsabilidade social no contexto 
corporativo. 
Assim, uma empresa-cidadã faz da promoção da cidadania e do 
desenvolvimento da comunidade os seus diferenciais competitivos. Busca, dessa 
maneira, distinguir-se de seus concorrentes por adotar uma nova postura empresarial: 
torna-se uma empresa que investe recursos financeiros, tecnológicos e de mão de 
obra em projetos comunitários de interesse público. A empresa-cidadã constrói uma 
 
 
imagem de excelência por sua atuação junto à sociedade, o que se traduz em um 
aumento da confiança, do respeito e da admiração por parte de seus consumidores 
(SANTOS, 2004). 
Diante da dinâmica da globalização dos mercados e do correspondente 
aumento da competição, bem como da volatilidade e personalização de produtos e 
serviços, os conceitos de responsabilidade social, cidadania empresarial, 
preocupação ambiental e desenvolvimento sustentável emergem como elementos 
estratégicos para as empresas. É crucial observar que, em um horizonte próximo, as 
empresas precisarão apresentar compromisso cada vez maior com a sustentabilidade 
e responsabilidade social, indo além dos produtos e seviços, pois, o compromisso 
crescente com a sustentabilidade e responsabilidade social reflete uma mudança 
significativa na maneira como empresas, organizações e indivíduos abordam suas 
atividades. 
Esse movimento se concentra não apenas na busca por resultados 
econômicos, mas também na preocupação com o impacto ambiental e social de suas 
ações. Sustentabilidade implica em práticas que preservem os recursos para as 
gerações futuras, enquanto a responsabilidade social envolve contribuir ativamente 
para o bem-estar da sociedade. 
Esses princípios são adotados por diversos setores, promovendo uma 
abordagem mais ética, consciente e holística em relação ao meio ambiente e à 
comunidade. Essa tendência demonstra um reconhecimento cada vez maior de que 
o sucesso deve ser medido não apenas pelo lucro, mas também pelo impacto positivo 
gerado no planeta e na vida das pessoas. A imagem que uma empresa deve ‘vender’ 
é a sua identidade, inicialmente buscando ser reconhecida e causar uma impressão 
positiva, além de estabelecer uma opinião sobre si mesma (PRIMOLAN, 2004). 
Os indivíduos que integram as organizações buscam não apenas um salário 
digno, mas também anseiam por representar empresas e marcas que lhes inspirem 
orgulho. Por sua vez, as empresas têm a responsabilidade de fomentar esse 
sentimento nas pessoas, mantendo-as motivadas e alinhadas com seus objetivos. 
Isso revela que essa abordagem não se trata de uma tendência efêmera, mas sim de 
um modelo de gestão empresarial em evolução. 
Cada organização precisa encontrar maneiras de se ajustar a esse modelo, 
visto que a globalização evidencia cada vez mais os desafios emergentes. Em um 
 
 
cenário onde o desenvolvimento econômico avança a todo vapor, as organizações 
empresariais têm o potencial e a obrigação de contribuir positivamente para esse 
crescimento econômico (RUTESKI, 2013). 
A ligação entre uma empresa e a sociedade é fundamentada em um contrato 
social que se desenvolve em consonância com as transformações sociais e as 
correspondentes expectativas da sociedade. Nesse contexto, a empresa tem suas 
atividades reconhecidas e estabelece certos limites para suas operações dentro dos 
parâmetros legais. Isso, por sua vez, concede à sociedade o direito de ajustar sua 
abordagem em relação aos negócios como um instrumento de natureza social. 
À medida que as transformações do século XXI requerem uma revisão no 
contrato social entre a sociedade e as empresas, as organizações estão passando a 
compreender que atender às novas exigências demanda assumir responsabilidades 
e, por conseguinte, questionar sua abordagem em relação a esse aspecto. A 
introdução da incerteza distingue qual é a verdadeira responsabilidade de uma 
empresa para com a sociedade e quais são os limites da atuação empresarial nessas 
esferas (BERTONCELLO, 2007). 
Na mesma linha, Perrini (2006), argumenta que as dimensões econômicas, 
sociais e ambientais devem ser igualmente integradas às estratégias de negócios, 
ferramentas de gestão e todas as atividades corporativas, representando um desafio 
significativo para as pequenas e médias empresas. Isso implica fundamentalmente 
em adotar um modelo de gestão empresarial diferenciado. Nesse sentido, é essencial 
um enfoque contínuo que leve em consideração e incorpore as preocupações do 
planejamento estratégico da empresa para alcançar a sustentabilidade social e a 
preservação dos recursos naturais e culturais. 
A interação entre as organizações e todas as partes interessadas deve se 
basear em um comportamento ético que culmine em uma troca recíproca benéfica. 
Esse princípio é relevante em todas as dimensões das negociações e relações com 
clientes e fornecedores. Ele também é aplicável aos colaboradores, demandando 
respeito pela individualidade e sensibilidades coletivas, incluindo a consideração pelas 
representações sindicais, como uma norma fundamental. Os mesmos valores são 
estendidos à comunidade e a qualquer entidade ou indivíduo conectado à organização 
(KARKOTLI, 2002). 
 
 
 
 
Evidencia-se que a implementação de ações socialmente responsáveis requer 
a integração detodos os colaboradores da empresa, garantindo sua eficácia. Quando 
se aborda uma organização, sua significância transcende a mera oferta de bens e 
serviços; uma organização é composta por indivíduos para indivíduos, e são esses 
que concebem e nutrem a cultura de cada empresa (RUTESKI, 2013). 
 A incorporação de práticas de responsabilidade social amplia a reputação da 
empresa junto aos consumidores e gera numerosos benefícios. No entanto, sua 
relevância ultrapassa a mera estratégia de atratividade mercadológica. De maneira 
ainda mais significativa, o marketing social incorpora valor e cultura organizacional, 
originando-se na gestão estratégica e tornando-se parte intrínseca e constante dos 
objetivos da empresa. 
Quando uma empresa direciona sua atenção para as questões ambientais e o 
bem-estar social, demonstrando claramente preocupações éticas, ela aumenta suas 
perspectivas de sobrevivência. Isso ocorre porque a sociedade passa a perceber essa 
organização de maneira positiva. À medida que adotam uma abordagem menos 
exploratória e agressiva, todos saem beneficiados, embora as motivações 
subjacentes a essa postura nem sempre sejam altruístas. Pode-se dizer que, ao 
aplicar uma espécie de "ética do egoísmo", essas empresas conseguem, como 
resultado secundário, impactar de forma positiva a sociedade como um todo. Esse 
movimento é muitas vezes referido como a "responsabilidade social" de empresas e 
organizações (KARKOTLI, 2002, p. 37). 
Ao adotar essas práticas, as empresas devem concentrar-se na interação entre 
suas iniciativas nas áreas de educação, lazer, cultura e meio ambiente. Esse foco lhes 
possibilitará contribuir para o desenvolvimento sustentável. Além disso, é crucial que 
essas entidades tenham mecanismos para avaliar o impacto de suas ações, 
permitindo ajustes sempre que julgarem necessário e fortalecendo as ações que 
geram resultados positivos. Dentro dessa perspectiva, a busca por um mundo mais 
equitativo e sustentável parece ter sido abraçada, e cada empresa e consumidor 
devem desempenhar seu papel nesse processo (BORDIN, 2013). 
 
 
5.1 O papel que a organização pode desempenhar na sociedade 
Diante de todas essas situações às quais as organizações estão sujeitas, torna-
se essencial que os empreendedores reavaliem o impacto que desejam causar e o 
impacto que efetivamente exercem na sociedade. Para tal, a empresa deve adotar 
uma mentalidade estratégica, procurar compreender o mercado no qual está inserida, 
identificar as empresas concorrentes com as quais terá de competir e também 
discernir quando o cliente passará a ter influência e por quanto tempo essa interação 
pode perdurar (CUSTÓDIO, 2013). 
Devido ao seu papel social, as organizações são incentivadas a contribuir para 
a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar da sociedade. Torna-se interessante 
refletir e examinar o impacto que a empresa exerce na vida das pessoas e na 
comunidade, tanto em nível local quanto global, considerando que as pessoas vivem, 
trabalham e estruturam suas vidas no contexto das organizações (LOURENÇO, 
2019). 
Para alcançar esse objetivo, a organização deve adotar uma mentalidade 
estratégica, compreender o mercado em que está inserida, identificar as empresas 
com as quais deve competir e também reconhecer o momento em que o cliente 
começa a interagir e a duração provável dessa interação. É crucial fazer uma análise 
abrangente do mercado e de seus influenciadores (CUSTÓDIO, 2013). 
Entretanto, uma empresa não se limita apenas a satisfazer as necessidades 
dos clientes e a gerar lucro. Elas desempenham um papel ainda mais significativo. 
Assim como recebem influências de seus clientes para identificar e atender suas 
necessidades, as empresas também exercem influência sobre a sociedade. Essa 
influência abrange diversos aspectos sociais e ambientais. Além de criar empregos e 
movimentar a renda, as empresas contribuem para o desenvolvimento social e 
ambiental do país. As organizações são participantes ativas na sociedade, assumindo 
o papel de agentes de transformação social (HALL, H. RICHARD,1971). 
Não é essencial que uma grande empresa exerça um papel de grande impacto; 
até mesmo a simples prática de separar os resíduos de seus processos é uma valiosa 
contribuição para o meio ambiente. Contudo, para que uma empresa adote tais 
medidas, é necessário que ela tenha um autoconhecimento sólido, compreendendo 
seus valores, visão e o impacto que deseja gerar na sociedade. 
 
 
5.2 A diferença de responsabilidade social e filantropia 
Apesar do enfoque no bem-estar das pessoas ao nosso redor, esses dois 
conceitos refletem diferenças que determinam a maneira como os classificamos. 
Adicionalmente, a filantropia tem a possibilidade de ser realizada tanto por indivíduos 
quanto por empresas. A responsabilidade social engloba um conjunto de medidas com 
o propósito de aprimorar a qualidade de vida de um determinado grupo de indivíduos. 
Por outro lado, a Filantropia é caracterizada como doações e atos de caridade, nos 
quais organizações contribuem financeiramente ou por meio de outros recursos para 
fins sociais e entidades assistenciais (MOVIMENTO BEM MAIOR, 2019). 
 A filantropia origina-se de ações individuais e voluntárias, apresentando 
inúmeros méritos. Entretanto, a responsabilidade social transcende as vontades 
individuais – evolui para se tornar o somatório das intenções que formam um conceito, 
uma obrigação moral e econômica que vincula o comportamento de todos os que 
participam da convivência em sociedade (NETO; FROES, 2002). 
 A distinção entre caridade e responsabilidade social é evidente, uma vez 
que uma doação corporativa não estabelece um valor fixo. A filantropia é 
frequentemente considerada por muitos profissionais como uma abordagem menos 
eficaz para abordar os desafios sociais. Por outro lado, a responsabilidade social tem 
como objetivo assegurar que a organização construa relações sólidas com seus 
colaboradores, clientes e fornecedores. 
 Além disso, auxilia a empresa a cumprir regulamentações legais, gerenciar 
riscos, fortalecer a marca, incrementar as vendas e facilitar a tomada de decisões, 
além de motivar tanto os colaboradores internos quanto os externos. A 
responsabilidade social é uma ação estratégica para as empresas, podendo ser 
voltada para o marketing ou a fidelização de clientes, sempre visando a obtenção de 
resultados. Veja o exemplo abaixo no quadro 1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 01 – Diferenças entre Filantropia e Compromisso Social 
 
 
 Fonte: (ALESSIO, 2008). 
Contudo, as distinções entre filantropia e compromisso social são marcantes. 
Enquanto a filantropia muitas vezes se manifesta como ação individual e voluntária, 
com doações sem valores pré-definidos, o compromisso social abrange uma 
abordagem mais abrangente e estratégica. A responsabilidade social, não apenas 
visa construir relacionamentos sólidos com stakeholders, mas também envolve o 
cumprimento de leis, a gestão de riscos, a melhoria da imagem da marca e a 
promoção de um ambiente de tomada de decisões ético e motivador. A filantropia, 
embora possa ter méritos, é frequentemente considerada menos eficaz para resolver 
problemas sociais complexos. 
Por outro lado, o compromisso social é uma busca contínua por impactos 
positivos, integrando princípios éticos e ações concretas no âmbito da gestão 
empresarial. Em última análise, a responsabilidade social emerge como uma 
abordagem mais abrangente e estratégica, com implicações tanto no bem-estar da 
sociedade quanto no sucesso e sustentabilidade das empresas. 
 
 
 
5.3 Orientação ética e responsabilidade social das empresas 
Segundo Jesus (2017), no sentido mais comum, o termo ‘ética’ frequentemente 
se refere a um conjunto de regras destinadas a governar ou orientaro comportamento, 
às vezes explicitado em códigos de ética ou conduta. No entanto, ao retroceder mais 
de 2500 anos, a formulação de códigos éticos era uma tarefa atribuída aos moralistas 
ou legisladores. Por um lado, a reflexão ética estava principalmente preocupada com 
aspectos mais amplos e abstratos, como os princípios gerais que subjazem aos 
comportamentos éticos e antiéticos. Por outro lado, os filósofos se empenhavam em 
descobrir a origem e os fundamentos da ética. 
Na filosofia moral, é comum fazer uma distinção entre as doutrinas teleológicas 
e as doutrinas deontológicas. As doutrinas teleológicas, explicam fenômenos com 
base em suas finalidades, incluindo as teorias éticas consequencialistas, que avaliam 
moralmente as consequências das ações humanas levando em consideração seus 
efeitos. Por outro lado, as doutrinas deontológicas, que tratam dos deveres, englobam 
teorias que pressupõem um imperativo moral anterior à avaliação dos efeitos da ação. 
A ética prudencial transcende as doutrinas teleológicas e deontológicas, uma 
vez que coloca o caráter moral do ser humano como elemento central, considerando-
o um ser racional. Seu foco moral recai sobre o comportamento racional, envolvendo 
uma aprendizagem sobre como tomar decisões adequadas para alcançar a felicidade 
humana. Isso implica refletir sobre o caráter individual e as circunstâncias específicas, 
em vez de aderir a princípios ou regras universais de conduta. 
A ética aplicada abrange a utilização das abordagens e conclusões da ética em 
diversos âmbitos da vida social, como política, medicina, economia e empresas. 
Quando aplicada à profissão de gestor ou contabilista, surgem questões éticas 
relacionadas a práticas de contabilidade criativa e à responsabilidade social 
empresarial (RSE). A base filosófica oferece um critério racional para abordar essas 
questões, levando em consideração as particularidades das atividades empresariais 
e da sociedade em geral. 
Existem numerosos pontos de interseção entre a ética empresarial e a 
Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Em relação à ética empresarial, percebe-
se, por um lado, que as empresas possuem uma identidade única que afeta e é 
afetada por seus diversos elementos, conferindo-lhes a capacidade de agir de 
maneira moral. Por outro lado, embora tenham uma certa autonomia, as empresas 
 
 
são entidades em constante evolução, influenciadas pelo contexto no qual operam e 
interligadas a ele. Esse contexto molda suas ações e estabelece relações de 
interdependência. 
Considerando que as sociedades contemporâneas são formadas por 
organizações e que o sujeito moral abrange não apenas o indivíduo, mas também o 
sujeito coletivo, que é a empresa, os desafios enfrentados pelas organizações e o 
estabelecimento de culturas éticas dentro delas representam importantes questões no 
campo da ética empresarial. 
No que se refere à relação entre ética empresarial e RSE, observam-se 
profundos pontos de convergência, chegando mesmo à sobreposição total em alguns 
casos. Nesse sentido, considera-se que a origem da ética empresarial coincide com 
a da RSE em sua aplicação prática, excluindo os fundamentos teóricos. A RSE, 
enraizada em princípios filosóficos, influencia a maioria dos comportamentos 
empresariais, servindo como o pilar central de todo o campo da ética empresarial. Ela 
também oferece uma análise crítica sobre como as empresas buscam seus objetivos, 
os meios que empregam e o impacto que têm sobre o bem-estar da sociedade. 
Portanto, ao relacionar ética e RSE, a questão não reside no objetivo de lucratividade 
das empresas, mas sim na maneira como elas operam em sociedade. 
As correntes de pensamento ético da responsabilidade social empresarial 
(RSE) englobam diferentes abordagens sobre como as empresas devem se 
posicionar em relação aos aspectos éticos e sociais, conforme o quadro 2 mencionado 
abaixo: 
 
Quadro 2. Correntes de pensamento ético 
 
No que diz respeito à base teórica da RSE, optou-se pela abordagem proposta 
por Almeida (2014), que explora a RSE à luz das correntes éticas das teorias mais 
 
 
pertinentes no âmbito da ética aplicada à gestão empresarial, conforme ilustrado no 
quadro 2. 
Tabela 1. A empresa segundo a ética teleológica, deontológica e das virtudes. 
 Fonte: Adaptado de Almeida (2014). 
 Consideramos as perspectivas do utilitarismo de Mill (SIMÕES, 2016), o egoísmo 
ético, a ética de Kant (2015), a teoria da justiça de Rawls (2008), e o pensamento de 
Aristóteles (2009), sobre as virtudes humanas, explorando suas implicações no 
contexto organizacional, conforme detalhado na Tabela 1. Em relação às implicações 
do utilitarismo no âmbito organizacional, estas podem se traduzir na busca pela 
 
 
maximização da eficiência, ou seja, na obtenção da máxima produção com o menor 
uso de recursos, visando a maximização dos lucros. No entanto, é importante ressaltar 
que a eficiência é apenas um valor instrumental, um meio para alcançar um fim 
específico, o que levanta desafios relacionados à mensuração da utilidade. 
Por um lado, o utilitarismo pode não considerar inaceitável o tratamento 
desigual de uma minoria ou pode permitir práticas de contabilidade criativa em 
determinados contextos, desde que, em detrimento da transparência, resultem em 
benefícios para os detentores de capital e outras partes interessadas, incluindo a 
comunidade local. 
Neste contexto, Rego et al. (2007), e Almeida (2014), distinguem duas formas 
de utilitarismo: o utilitarismo dos atos e o utilitarismo das regras ou normas. O 
utilitarismo dos atos, correspondendo à versão original do utilitarismo, considera que 
devem ser realizados atos que contribuam para o maior bem da maioria das pessoas, 
admitindo a existência de regras que podem não ser seguidas sempre que as 
circunstâncias aconselharem outra abordagem. 
O utilitarismo considera regras de aplicação universal avaliadas e definidas com base 
nas consequências. Neste contexto, torna-se evidente a complexidade e as limitações 
das teorias utilitaristas. A ética, muitas vezes, é vista como uma fonte de sucesso 
comercial e financeiro. 
Assim, os seus princípios sustentam uma postura de responsabilidade empresarial 
que vai além do objetivo estritamente lucrativo das empresas. Portanto, uma vez que 
os princípios éticos permitem justificar o sacrifício parcial ou temporário dos lucros, a 
RSE deve transcender a busca pelo lucro exclusivamente, e está associada a uma 
boa qualidade de vida para todos. Consoante a Almeida (2014), isso representa um 
fundamento ético incontestável para a cidadania empresarial. 
Quando se trata das implicações do egoísmo ético no contexto organizacional, 
observa-se que é no ambiente empresarial que essa abordagem encontra maior 
adesão. Isso ocorre porque em um mercado altamente competitivo e de livre 
concorrência, muitos acreditam que as empresas devem agir primordialmente em 
função de seus próprios interesses. A justificativa comum é que, ao alcançar o 
sucesso econômico, as empresas estão diretamente contribuindo para o bem-estar 
social. 
 
 
Os gestores, no contexto empresarial, geralmente tomam decisões em função de seus 
próprios interesses e dos interesses da empresa. Eles buscam satisfazer suas 
necessidades pessoais e proteger suas carreiras. Nesse cenário, as transações 
comerciais tendem a não resultar em conflitos, mas sim em benefícios que atendem 
a um maior número de pessoas, especialmente dentro de um contexto competitivo. 
Dessa forma, como discutido por Rego et al., (2007), essa doutrina, apesar de ser 
amplamente aceita no mundo dos negócios e de servir como base teórica para a 
economia de mercado, entra em conflito com muitas doutrinas éticas e também é 
criticada por seus efeitos potencialmente prejudiciais. 
No contexto empresarial, as implicações da ética kantiana direcionama 
empresa para a finalidade de contribuir para os objetivos das pessoas, por meio de 
práticas morais que se baseiam na lógica e respeitam as liberdades individuais, tanto 
positivas quanto negativas. Isso inclui atender às necessidades de todas as partes 
interessadas de forma igualitária, permitindo que todos participem na definição das 
políticas e regras da empresa. 
No que diz respeito à Responsabilidade Social Empresarial (RSE), as 
empresas devem realizar ações por um senso genuíno de dever de beneficiar a 
sociedade por meio de assistência. No entanto, a ética kantiana rejeita o uso de 
emoções e sentimentos como motivadores válidos para o comportamento moral, e 
não coloca uma ênfase particular na Natureza, considerando-a um meio para os 
objetivos humanos. 
No contexto da organização, as implicações da justiça como equidade, 
conforme proposto por Rawls (2008), defendem que o papel da empresa deve ser 
baseado em princípios distributivos sociais, seguindo um modelo capitalista. No 
entanto, no âmbito da Responsabilidade Social Empresarial (RSE), isso implica um 
controle rigoroso do impacto ambiental e a adoção de uma obrigação moral de justiça. 
Nesse sentido, a empresa deve esforçar-se para evitar, minimizar e corrigir quaisquer 
efeitos adversos de suas ações que possam comprometer a liberdade das partes 
interessadas. Ela deve orientar suas ações para o benefício de todas as partes 
envolvidas, mas, em casos de desigualdade, dar prioridade aos mais necessitados. 
No âmbito da organização, as implicações das virtudes aristotélicas, como a 
Magnanimidade, Magnificência, Liberdade e Justa Indignação, ganham destaque. 
 
 
 
Cultivar essas virtudes morais no contexto empresarial é uma maneira 
adequada de aproximar a empresa da grandeza. Além disso, de acordo com Almeida 
(2014), surge a questão sobre a nobreza e a sabedoria associadas à doação de 
recursos que possibilitem o bem-estar e o desenvolvimento social. Nesse contexto, a 
virtude da liberdade requer que as empresas e seus líderes encontrem um equilíbrio, 
assegurando que as riquezas sejam distribuídas de forma justa e direcionadas para 
as pessoas adequadas. 
Adicionalmente, uma empresa pode se destacar das demais ao se envolver em 
ações sociais por motivos estratégicos ou motivada por uma justa indignação, que é 
uma sensibilidade que resulta em uma solidariedade cativa diante do sofrimento 
alheio. Conforme observado por Almeida (2014), essa abordagem da ética 
empresarial minimiza o papel dos princípios universais na determinação das ações 
aceitáveis e concentra-se nas virtudes morais que os líderes e funcionários devem 
possuir. Isso pressupõe que tais virtudes terão, necessariamente, impacto na natureza 
das práticas empresariais. 
Estabelecendo uma conexão, os princípios da Responsabilidade Social 
Empresarial devem necessariamente desencadear uma transformação nas 
empresas, levando-as a agir movidas por uma justa indignação e uma compreensão 
da nobreza ligada à liberdade. Como resultado, os princípios da RSE evidenciam as 
virtudes dos indivíduos que concebem a empresa como uma comunidade inserida em 
outra comunidade, marcada por relações interdependentes entre ambas. 
Portanto, observa-se que os diversos fundamentos teóricos compartilham 
elementos comuns nos princípios gerais da Responsabilidade Social Empresarial 
(RSE). Esses fundamentos têm suas raízes na filosofia e, na maioria dos casos, 
exercem influência sobre a maioria dos comportamentos empresariais, constituindo 
assim o núcleo central da ética empresarial. Em linha com a perspectiva de Almeida 
(2014), esses fundamentos parecem contribuir para o aprimoramento da consciência, 
promovendo relações humanas mais justas e solidárias. Isso argumenta a favor de 
uma visão da RSE que vai além da busca pelo lucro e do cumprimento das leis. 
Enfim, você pôde compreender que a orientação ética e responsabilidade social 
das empresas desempenham um papel fundamental na sociedade contemporânea. A 
importância da Responsabilidade Social Empresarial/Organizacional transcende a 
mera busca pelo lucro, pois, envolve ações voltadas para o bem-estar das pessoas e 
 
 
do planeta. Essas práticas não apenas fortalecem a imagem das empresas, mas 
também contribuem para o desenvolvimento sustentável, promovendo uma sociedade 
mais justa e equitativa. 
Quando as empresas adotam uma abordagem ética e se comprometem com a 
responsabilidade social, estão agindo como agentes de mudança positiva. Elas 
reconhecem sua influência na vida das pessoas, comunidades e no meio ambiente, 
assumindo um papel ativo na melhoria da qualidade de vida de todos os envolvidos. 
Além disso, a Responsabilidade Social Empresarial/Organizacional não é 
apenas uma estratégia de marketing, mas sim um compromisso contínuo com a 
integridade, transparência e a ética nos negócios. Isso não apenas atrai consumidores 
conscientes, mas também cria um ambiente de trabalho mais saudável e motivador 
para os colaboradores. 
Em resumo, a importância da Responsabilidade Social Empresarial/ 
Organizacional está em sua capacidade de criar um impacto positivo duradouro na 
sociedade. À medida que mais empresas adotam essa abordagem, podemos aspirar 
a um futuro onde os negócios não apenas prosperem, mas também promovam o bem 
comum e a sustentabilidade em todas as suas ações. 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALESSIO, R. Responsabilidade Social das empresas no Brasil: reprodução de 
postura ou novos rumos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. 
ALMEIDA, F. Ética, valores humanos e responsabilidade social das empresas. 
Cascais: Princípia Editora, 2014. 
 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
BERTONCELLO, S. L. T; CHANG J, J. A importância da responsabilidade social 
corporativa como fator de diferenciação. FACOM–Revista da Faculdade de 
comunicação da FAAP. v. 17, p. 70-76, 2007. 
CUSTÓDIO, J. A importância das organizações na sociedade. 2013. Disponível em: 
https://repositorio.ifgoiano.edu.br/bitstream/prefix/2621/1/A%20Import%C3%A2ncia%
20da%20Responsabilidade%20Social%20para%20as%20Organiza%C3%A7%C3%
B5es.pdf. Acesso em:24 nov. 2023. 
HALL, Richard H. (1971). "O Conceito de Burocracia: Uma Contribuição 
Empírica", in: Edmundo Campos (Org.). Sociologia da Burocracia. Rio de Janeiro: 
Zahar Editores (Tradução portuguesa de "The Concept of Bureaucracy: An Empirical 
Assessent", The American Journal of Sociology, Vol. 69, nº 1, 1962). 
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. Tradução de P. Galvão. 1. 
ed. Lisboa: Edições 70, 2015. 
KARKOTLI, G. R. Importância da responsabilidade social para implementação do 
marketing social nas organizações. 2002. Dissertação (Mestrado em Engenharia 
de Produção) Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – Santa Catarina, 
2002. Disponível em: 
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/83062/185436.pdf?sequence=
1&isAllowed=y. Acesso em: 24 nov. 2023. 
JESUS, T. A; SARMENTO, M; DUARTE, M. Ética e responsabilidade social. Dos 
Algarves: A Multidisciplinary e-Journal, n.º 29, p 3-30 , 2017. Disponível em: 
https://www.dosalgarves.com/rev/N29/2rev29.pdf. Acesso em: 24 nov. 2023. 
LOURENÇO, L. A importância da responsabilidade social nas empresas. 2019. 
Disponível em: 
https://sguweb.unicentro.br/app/webroot/arquivos/atsubmissao/TCC_FINAL-15.pdf. 
Acesso em: 24 nov. 2023. 
MELO NETO, F. P. FROES, C de. Empreendedorismo Social: a Referências 
Transição para a Sociedade Sustentável. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. 
PERRINI, F. SMEs and CSR theory: evidence and implications from an italian 
perspective. Journal of Business Ethics, v. 67, p. 305-316, 2006. 
PRIMOLAN, L. V. A responsabilidade social corporativa como um fator de 
https://repositorio.ifgoiano.edu.br/bitstream/prefix/2621/1/A%20Import%C3%A2ncia%20da%20Responsabilidade%20Social%20para%20as%20Organiza%C3%A7%C3%B5es.pdfhttps://repositorio.ifgoiano.edu.br/bitstream/prefix/2621/1/A%20Import%C3%A2ncia%20da%20Responsabilidade%20Social%20para%20as%20Organiza%C3%A7%C3%B5es.pdf
https://repositorio.ifgoiano.edu.br/bitstream/prefix/2621/1/A%20Import%C3%A2ncia%20da%20Responsabilidade%20Social%20para%20as%20Organiza%C3%A7%C3%B5es.pdf
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/83062/185436.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/83062/185436.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://www.dosalgarves.com/rev/N29/2rev29.pdf
https://sguweb.unicentro.br/app/webroot/arquivos/atsubmissao/TCC_FINAL-15.pdf
 
 
diferenciação na competitividade das organizações. Revista Ibero-Americana de 
Estratégia, v. 3, n. 1, p. 125-134, 2004. 
QUAL A DIFERENÇA ENTRE FILANTROPIA E RESPONSABILIDADE SOCIAL? 
Movimento Bem Maior, 2019. Disponível em: 
https://movimentobemmaior.org.br/qual-a-diferenca-entrefilantropia-e-
responsabilidade-social/> Acesso em: 24 nov. 2023. 
 
RAWLS, John. Uma teoria da Justiça. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008. 
REGO, A; CUNHA, M. P. E; COSTA, N. G. D; GONÇALVES, H; CABRAL-CARDOSO, 
C. Gestão ética e socialmente responsável. Lisboa: RH, 2007. 
RUTESKI, D. Estudo de caso: A importância da responsabilidade social na economia 
global. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v.7, n.1, p.48-69, 
2013. 
SCHROEDER, J. T; SCHROEDER, I. Responsabilidade social corporativa: limites 
e possibilidades. RAE eletrônica, v. 3, 2004. 
SIMÕES, M. C. Filosofia moral de John Stuart Mill: Utilitarismo e liberalismo. 1. ed. 
São Paulo: Editora Ideias e Letras, 2016. 
SOARES, G. M.P. de. Responsabilidade social corporativa: por uma boa causa!? 
RAE eletrônica, v. 3, 2004. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
F

Mais conteúdos dessa disciplina