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ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL Prezado (a) aluno (a)! A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) é um conjunto de ações cujo objetivo é melhorar o ambiente e a comunidade ao redor da empresa. Assim, ela tem como intuito capacitar e inspirar as pessoas, trazendo novas oportunidades de negócios para os públicos. A responsabilidade social no ambiente corporativo permite que a empresa humanize suas práticas e enxergue além do crescimento financeiro. Nesse viés, consegue potencializar os vínculos profissionais com os funcionários, fornecedores e acionistas. Bons estudos! AULA 05 – RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL/ ORGANIZACIONAL 5 A IMPORTÂNCIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES Na atualidade, o propósito de uma empresa vai além do mero lucro. Enquanto uma entidade econômica com a missão de criar riqueza, a empresa também assume um papel social, responsável não apenas pelo seu desempenho econômico, mas também pelo impacto social e ambiental de suas atividades. Devido às transformações sociais ocorridas nas últimas décadas, a sociedade passou a focalizar nas empresas como entidades sociais, indo além de sua dimensão econômica, conforme discutido por Primolan (2004). Nesse contexto, "a responsabilidade social corporativa se baseia em três pilares essenciais, que são: ética empresarial, preservação dos recursos naturais e respeito aos trabalhadores" (SOARES, 2004, p. 4). As empresas, como grandes centros de poder munidos de recursos financeiros e humanos substanciais, exercem um papel fundamental ao enfrentar tais desafios. O ônus social adquire uma amplitude que abrange as várias dimensões de responsabilidade ao longo da cadeia produtiva da empresa: clientes, colaboradores, fornecedores, bem como a comunidade, o meio ambiente e a sociedade como um todo. No entanto, a atividade empresarial pode ser ampla e preocupante (SCHROEDER, 2004). A principal preocupação reside no fato de que obstaculizar a construção de sociedades sustentáveis e mais humanas decorre do fato de que algumas empresas não estão cumprindo seus papéis sociais. As corporações constituem centros de poder político e econômico significativos, exercendo influência direta sobre a ação coletiva. Dessa forma, assumindo suas responsabilidades sociais, as empresas devem retribuir à sociedade uma parte dos recursos humanos, naturais e financeiros que consomem ao lucrar com suas atividades. Esse cenário tem motivado diversos atores sociais a endossar a importância da responsabilidade social no contexto corporativo. Assim, uma empresa-cidadã faz da promoção da cidadania e do desenvolvimento da comunidade os seus diferenciais competitivos. Busca, dessa maneira, distinguir-se de seus concorrentes por adotar uma nova postura empresarial: torna-se uma empresa que investe recursos financeiros, tecnológicos e de mão de obra em projetos comunitários de interesse público. A empresa-cidadã constrói uma imagem de excelência por sua atuação junto à sociedade, o que se traduz em um aumento da confiança, do respeito e da admiração por parte de seus consumidores (SANTOS, 2004). Diante da dinâmica da globalização dos mercados e do correspondente aumento da competição, bem como da volatilidade e personalização de produtos e serviços, os conceitos de responsabilidade social, cidadania empresarial, preocupação ambiental e desenvolvimento sustentável emergem como elementos estratégicos para as empresas. É crucial observar que, em um horizonte próximo, as empresas precisarão apresentar compromisso cada vez maior com a sustentabilidade e responsabilidade social, indo além dos produtos e seviços, pois, o compromisso crescente com a sustentabilidade e responsabilidade social reflete uma mudança significativa na maneira como empresas, organizações e indivíduos abordam suas atividades. Esse movimento se concentra não apenas na busca por resultados econômicos, mas também na preocupação com o impacto ambiental e social de suas ações. Sustentabilidade implica em práticas que preservem os recursos para as gerações futuras, enquanto a responsabilidade social envolve contribuir ativamente para o bem-estar da sociedade. Esses princípios são adotados por diversos setores, promovendo uma abordagem mais ética, consciente e holística em relação ao meio ambiente e à comunidade. Essa tendência demonstra um reconhecimento cada vez maior de que o sucesso deve ser medido não apenas pelo lucro, mas também pelo impacto positivo gerado no planeta e na vida das pessoas. A imagem que uma empresa deve ‘vender’ é a sua identidade, inicialmente buscando ser reconhecida e causar uma impressão positiva, além de estabelecer uma opinião sobre si mesma (PRIMOLAN, 2004). Os indivíduos que integram as organizações buscam não apenas um salário digno, mas também anseiam por representar empresas e marcas que lhes inspirem orgulho. Por sua vez, as empresas têm a responsabilidade de fomentar esse sentimento nas pessoas, mantendo-as motivadas e alinhadas com seus objetivos. Isso revela que essa abordagem não se trata de uma tendência efêmera, mas sim de um modelo de gestão empresarial em evolução. Cada organização precisa encontrar maneiras de se ajustar a esse modelo, visto que a globalização evidencia cada vez mais os desafios emergentes. Em um cenário onde o desenvolvimento econômico avança a todo vapor, as organizações empresariais têm o potencial e a obrigação de contribuir positivamente para esse crescimento econômico (RUTESKI, 2013). A ligação entre uma empresa e a sociedade é fundamentada em um contrato social que se desenvolve em consonância com as transformações sociais e as correspondentes expectativas da sociedade. Nesse contexto, a empresa tem suas atividades reconhecidas e estabelece certos limites para suas operações dentro dos parâmetros legais. Isso, por sua vez, concede à sociedade o direito de ajustar sua abordagem em relação aos negócios como um instrumento de natureza social. À medida que as transformações do século XXI requerem uma revisão no contrato social entre a sociedade e as empresas, as organizações estão passando a compreender que atender às novas exigências demanda assumir responsabilidades e, por conseguinte, questionar sua abordagem em relação a esse aspecto. A introdução da incerteza distingue qual é a verdadeira responsabilidade de uma empresa para com a sociedade e quais são os limites da atuação empresarial nessas esferas (BERTONCELLO, 2007). Na mesma linha, Perrini (2006), argumenta que as dimensões econômicas, sociais e ambientais devem ser igualmente integradas às estratégias de negócios, ferramentas de gestão e todas as atividades corporativas, representando um desafio significativo para as pequenas e médias empresas. Isso implica fundamentalmente em adotar um modelo de gestão empresarial diferenciado. Nesse sentido, é essencial um enfoque contínuo que leve em consideração e incorpore as preocupações do planejamento estratégico da empresa para alcançar a sustentabilidade social e a preservação dos recursos naturais e culturais. A interação entre as organizações e todas as partes interessadas deve se basear em um comportamento ético que culmine em uma troca recíproca benéfica. Esse princípio é relevante em todas as dimensões das negociações e relações com clientes e fornecedores. Ele também é aplicável aos colaboradores, demandando respeito pela individualidade e sensibilidades coletivas, incluindo a consideração pelas representações sindicais, como uma norma fundamental. Os mesmos valores são estendidos à comunidade e a qualquer entidade ou indivíduo conectado à organização (KARKOTLI, 2002). Evidencia-se que a implementação de ações socialmente responsáveis requer a integração detodos os colaboradores da empresa, garantindo sua eficácia. Quando se aborda uma organização, sua significância transcende a mera oferta de bens e serviços; uma organização é composta por indivíduos para indivíduos, e são esses que concebem e nutrem a cultura de cada empresa (RUTESKI, 2013). A incorporação de práticas de responsabilidade social amplia a reputação da empresa junto aos consumidores e gera numerosos benefícios. No entanto, sua relevância ultrapassa a mera estratégia de atratividade mercadológica. De maneira ainda mais significativa, o marketing social incorpora valor e cultura organizacional, originando-se na gestão estratégica e tornando-se parte intrínseca e constante dos objetivos da empresa. Quando uma empresa direciona sua atenção para as questões ambientais e o bem-estar social, demonstrando claramente preocupações éticas, ela aumenta suas perspectivas de sobrevivência. Isso ocorre porque a sociedade passa a perceber essa organização de maneira positiva. À medida que adotam uma abordagem menos exploratória e agressiva, todos saem beneficiados, embora as motivações subjacentes a essa postura nem sempre sejam altruístas. Pode-se dizer que, ao aplicar uma espécie de "ética do egoísmo", essas empresas conseguem, como resultado secundário, impactar de forma positiva a sociedade como um todo. Esse movimento é muitas vezes referido como a "responsabilidade social" de empresas e organizações (KARKOTLI, 2002, p. 37). Ao adotar essas práticas, as empresas devem concentrar-se na interação entre suas iniciativas nas áreas de educação, lazer, cultura e meio ambiente. Esse foco lhes possibilitará contribuir para o desenvolvimento sustentável. Além disso, é crucial que essas entidades tenham mecanismos para avaliar o impacto de suas ações, permitindo ajustes sempre que julgarem necessário e fortalecendo as ações que geram resultados positivos. Dentro dessa perspectiva, a busca por um mundo mais equitativo e sustentável parece ter sido abraçada, e cada empresa e consumidor devem desempenhar seu papel nesse processo (BORDIN, 2013). 5.1 O papel que a organização pode desempenhar na sociedade Diante de todas essas situações às quais as organizações estão sujeitas, torna- se essencial que os empreendedores reavaliem o impacto que desejam causar e o impacto que efetivamente exercem na sociedade. Para tal, a empresa deve adotar uma mentalidade estratégica, procurar compreender o mercado no qual está inserida, identificar as empresas concorrentes com as quais terá de competir e também discernir quando o cliente passará a ter influência e por quanto tempo essa interação pode perdurar (CUSTÓDIO, 2013). Devido ao seu papel social, as organizações são incentivadas a contribuir para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar da sociedade. Torna-se interessante refletir e examinar o impacto que a empresa exerce na vida das pessoas e na comunidade, tanto em nível local quanto global, considerando que as pessoas vivem, trabalham e estruturam suas vidas no contexto das organizações (LOURENÇO, 2019). Para alcançar esse objetivo, a organização deve adotar uma mentalidade estratégica, compreender o mercado em que está inserida, identificar as empresas com as quais deve competir e também reconhecer o momento em que o cliente começa a interagir e a duração provável dessa interação. É crucial fazer uma análise abrangente do mercado e de seus influenciadores (CUSTÓDIO, 2013). Entretanto, uma empresa não se limita apenas a satisfazer as necessidades dos clientes e a gerar lucro. Elas desempenham um papel ainda mais significativo. Assim como recebem influências de seus clientes para identificar e atender suas necessidades, as empresas também exercem influência sobre a sociedade. Essa influência abrange diversos aspectos sociais e ambientais. Além de criar empregos e movimentar a renda, as empresas contribuem para o desenvolvimento social e ambiental do país. As organizações são participantes ativas na sociedade, assumindo o papel de agentes de transformação social (HALL, H. RICHARD,1971). Não é essencial que uma grande empresa exerça um papel de grande impacto; até mesmo a simples prática de separar os resíduos de seus processos é uma valiosa contribuição para o meio ambiente. Contudo, para que uma empresa adote tais medidas, é necessário que ela tenha um autoconhecimento sólido, compreendendo seus valores, visão e o impacto que deseja gerar na sociedade. 5.2 A diferença de responsabilidade social e filantropia Apesar do enfoque no bem-estar das pessoas ao nosso redor, esses dois conceitos refletem diferenças que determinam a maneira como os classificamos. Adicionalmente, a filantropia tem a possibilidade de ser realizada tanto por indivíduos quanto por empresas. A responsabilidade social engloba um conjunto de medidas com o propósito de aprimorar a qualidade de vida de um determinado grupo de indivíduos. Por outro lado, a Filantropia é caracterizada como doações e atos de caridade, nos quais organizações contribuem financeiramente ou por meio de outros recursos para fins sociais e entidades assistenciais (MOVIMENTO BEM MAIOR, 2019). A filantropia origina-se de ações individuais e voluntárias, apresentando inúmeros méritos. Entretanto, a responsabilidade social transcende as vontades individuais – evolui para se tornar o somatório das intenções que formam um conceito, uma obrigação moral e econômica que vincula o comportamento de todos os que participam da convivência em sociedade (NETO; FROES, 2002). A distinção entre caridade e responsabilidade social é evidente, uma vez que uma doação corporativa não estabelece um valor fixo. A filantropia é frequentemente considerada por muitos profissionais como uma abordagem menos eficaz para abordar os desafios sociais. Por outro lado, a responsabilidade social tem como objetivo assegurar que a organização construa relações sólidas com seus colaboradores, clientes e fornecedores. Além disso, auxilia a empresa a cumprir regulamentações legais, gerenciar riscos, fortalecer a marca, incrementar as vendas e facilitar a tomada de decisões, além de motivar tanto os colaboradores internos quanto os externos. A responsabilidade social é uma ação estratégica para as empresas, podendo ser voltada para o marketing ou a fidelização de clientes, sempre visando a obtenção de resultados. Veja o exemplo abaixo no quadro 1. Quadro 01 – Diferenças entre Filantropia e Compromisso Social Fonte: (ALESSIO, 2008). Contudo, as distinções entre filantropia e compromisso social são marcantes. Enquanto a filantropia muitas vezes se manifesta como ação individual e voluntária, com doações sem valores pré-definidos, o compromisso social abrange uma abordagem mais abrangente e estratégica. A responsabilidade social, não apenas visa construir relacionamentos sólidos com stakeholders, mas também envolve o cumprimento de leis, a gestão de riscos, a melhoria da imagem da marca e a promoção de um ambiente de tomada de decisões ético e motivador. A filantropia, embora possa ter méritos, é frequentemente considerada menos eficaz para resolver problemas sociais complexos. Por outro lado, o compromisso social é uma busca contínua por impactos positivos, integrando princípios éticos e ações concretas no âmbito da gestão empresarial. Em última análise, a responsabilidade social emerge como uma abordagem mais abrangente e estratégica, com implicações tanto no bem-estar da sociedade quanto no sucesso e sustentabilidade das empresas. 5.3 Orientação ética e responsabilidade social das empresas Segundo Jesus (2017), no sentido mais comum, o termo ‘ética’ frequentemente se refere a um conjunto de regras destinadas a governar ou orientaro comportamento, às vezes explicitado em códigos de ética ou conduta. No entanto, ao retroceder mais de 2500 anos, a formulação de códigos éticos era uma tarefa atribuída aos moralistas ou legisladores. Por um lado, a reflexão ética estava principalmente preocupada com aspectos mais amplos e abstratos, como os princípios gerais que subjazem aos comportamentos éticos e antiéticos. Por outro lado, os filósofos se empenhavam em descobrir a origem e os fundamentos da ética. Na filosofia moral, é comum fazer uma distinção entre as doutrinas teleológicas e as doutrinas deontológicas. As doutrinas teleológicas, explicam fenômenos com base em suas finalidades, incluindo as teorias éticas consequencialistas, que avaliam moralmente as consequências das ações humanas levando em consideração seus efeitos. Por outro lado, as doutrinas deontológicas, que tratam dos deveres, englobam teorias que pressupõem um imperativo moral anterior à avaliação dos efeitos da ação. A ética prudencial transcende as doutrinas teleológicas e deontológicas, uma vez que coloca o caráter moral do ser humano como elemento central, considerando- o um ser racional. Seu foco moral recai sobre o comportamento racional, envolvendo uma aprendizagem sobre como tomar decisões adequadas para alcançar a felicidade humana. Isso implica refletir sobre o caráter individual e as circunstâncias específicas, em vez de aderir a princípios ou regras universais de conduta. A ética aplicada abrange a utilização das abordagens e conclusões da ética em diversos âmbitos da vida social, como política, medicina, economia e empresas. Quando aplicada à profissão de gestor ou contabilista, surgem questões éticas relacionadas a práticas de contabilidade criativa e à responsabilidade social empresarial (RSE). A base filosófica oferece um critério racional para abordar essas questões, levando em consideração as particularidades das atividades empresariais e da sociedade em geral. Existem numerosos pontos de interseção entre a ética empresarial e a Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Em relação à ética empresarial, percebe- se, por um lado, que as empresas possuem uma identidade única que afeta e é afetada por seus diversos elementos, conferindo-lhes a capacidade de agir de maneira moral. Por outro lado, embora tenham uma certa autonomia, as empresas são entidades em constante evolução, influenciadas pelo contexto no qual operam e interligadas a ele. Esse contexto molda suas ações e estabelece relações de interdependência. Considerando que as sociedades contemporâneas são formadas por organizações e que o sujeito moral abrange não apenas o indivíduo, mas também o sujeito coletivo, que é a empresa, os desafios enfrentados pelas organizações e o estabelecimento de culturas éticas dentro delas representam importantes questões no campo da ética empresarial. No que se refere à relação entre ética empresarial e RSE, observam-se profundos pontos de convergência, chegando mesmo à sobreposição total em alguns casos. Nesse sentido, considera-se que a origem da ética empresarial coincide com a da RSE em sua aplicação prática, excluindo os fundamentos teóricos. A RSE, enraizada em princípios filosóficos, influencia a maioria dos comportamentos empresariais, servindo como o pilar central de todo o campo da ética empresarial. Ela também oferece uma análise crítica sobre como as empresas buscam seus objetivos, os meios que empregam e o impacto que têm sobre o bem-estar da sociedade. Portanto, ao relacionar ética e RSE, a questão não reside no objetivo de lucratividade das empresas, mas sim na maneira como elas operam em sociedade. As correntes de pensamento ético da responsabilidade social empresarial (RSE) englobam diferentes abordagens sobre como as empresas devem se posicionar em relação aos aspectos éticos e sociais, conforme o quadro 2 mencionado abaixo: Quadro 2. Correntes de pensamento ético No que diz respeito à base teórica da RSE, optou-se pela abordagem proposta por Almeida (2014), que explora a RSE à luz das correntes éticas das teorias mais pertinentes no âmbito da ética aplicada à gestão empresarial, conforme ilustrado no quadro 2. Tabela 1. A empresa segundo a ética teleológica, deontológica e das virtudes. Fonte: Adaptado de Almeida (2014). Consideramos as perspectivas do utilitarismo de Mill (SIMÕES, 2016), o egoísmo ético, a ética de Kant (2015), a teoria da justiça de Rawls (2008), e o pensamento de Aristóteles (2009), sobre as virtudes humanas, explorando suas implicações no contexto organizacional, conforme detalhado na Tabela 1. Em relação às implicações do utilitarismo no âmbito organizacional, estas podem se traduzir na busca pela maximização da eficiência, ou seja, na obtenção da máxima produção com o menor uso de recursos, visando a maximização dos lucros. No entanto, é importante ressaltar que a eficiência é apenas um valor instrumental, um meio para alcançar um fim específico, o que levanta desafios relacionados à mensuração da utilidade. Por um lado, o utilitarismo pode não considerar inaceitável o tratamento desigual de uma minoria ou pode permitir práticas de contabilidade criativa em determinados contextos, desde que, em detrimento da transparência, resultem em benefícios para os detentores de capital e outras partes interessadas, incluindo a comunidade local. Neste contexto, Rego et al. (2007), e Almeida (2014), distinguem duas formas de utilitarismo: o utilitarismo dos atos e o utilitarismo das regras ou normas. O utilitarismo dos atos, correspondendo à versão original do utilitarismo, considera que devem ser realizados atos que contribuam para o maior bem da maioria das pessoas, admitindo a existência de regras que podem não ser seguidas sempre que as circunstâncias aconselharem outra abordagem. O utilitarismo considera regras de aplicação universal avaliadas e definidas com base nas consequências. Neste contexto, torna-se evidente a complexidade e as limitações das teorias utilitaristas. A ética, muitas vezes, é vista como uma fonte de sucesso comercial e financeiro. Assim, os seus princípios sustentam uma postura de responsabilidade empresarial que vai além do objetivo estritamente lucrativo das empresas. Portanto, uma vez que os princípios éticos permitem justificar o sacrifício parcial ou temporário dos lucros, a RSE deve transcender a busca pelo lucro exclusivamente, e está associada a uma boa qualidade de vida para todos. Consoante a Almeida (2014), isso representa um fundamento ético incontestável para a cidadania empresarial. Quando se trata das implicações do egoísmo ético no contexto organizacional, observa-se que é no ambiente empresarial que essa abordagem encontra maior adesão. Isso ocorre porque em um mercado altamente competitivo e de livre concorrência, muitos acreditam que as empresas devem agir primordialmente em função de seus próprios interesses. A justificativa comum é que, ao alcançar o sucesso econômico, as empresas estão diretamente contribuindo para o bem-estar social. Os gestores, no contexto empresarial, geralmente tomam decisões em função de seus próprios interesses e dos interesses da empresa. Eles buscam satisfazer suas necessidades pessoais e proteger suas carreiras. Nesse cenário, as transações comerciais tendem a não resultar em conflitos, mas sim em benefícios que atendem a um maior número de pessoas, especialmente dentro de um contexto competitivo. Dessa forma, como discutido por Rego et al., (2007), essa doutrina, apesar de ser amplamente aceita no mundo dos negócios e de servir como base teórica para a economia de mercado, entra em conflito com muitas doutrinas éticas e também é criticada por seus efeitos potencialmente prejudiciais. No contexto empresarial, as implicações da ética kantiana direcionama empresa para a finalidade de contribuir para os objetivos das pessoas, por meio de práticas morais que se baseiam na lógica e respeitam as liberdades individuais, tanto positivas quanto negativas. Isso inclui atender às necessidades de todas as partes interessadas de forma igualitária, permitindo que todos participem na definição das políticas e regras da empresa. No que diz respeito à Responsabilidade Social Empresarial (RSE), as empresas devem realizar ações por um senso genuíno de dever de beneficiar a sociedade por meio de assistência. No entanto, a ética kantiana rejeita o uso de emoções e sentimentos como motivadores válidos para o comportamento moral, e não coloca uma ênfase particular na Natureza, considerando-a um meio para os objetivos humanos. No contexto da organização, as implicações da justiça como equidade, conforme proposto por Rawls (2008), defendem que o papel da empresa deve ser baseado em princípios distributivos sociais, seguindo um modelo capitalista. No entanto, no âmbito da Responsabilidade Social Empresarial (RSE), isso implica um controle rigoroso do impacto ambiental e a adoção de uma obrigação moral de justiça. Nesse sentido, a empresa deve esforçar-se para evitar, minimizar e corrigir quaisquer efeitos adversos de suas ações que possam comprometer a liberdade das partes interessadas. Ela deve orientar suas ações para o benefício de todas as partes envolvidas, mas, em casos de desigualdade, dar prioridade aos mais necessitados. No âmbito da organização, as implicações das virtudes aristotélicas, como a Magnanimidade, Magnificência, Liberdade e Justa Indignação, ganham destaque. Cultivar essas virtudes morais no contexto empresarial é uma maneira adequada de aproximar a empresa da grandeza. Além disso, de acordo com Almeida (2014), surge a questão sobre a nobreza e a sabedoria associadas à doação de recursos que possibilitem o bem-estar e o desenvolvimento social. Nesse contexto, a virtude da liberdade requer que as empresas e seus líderes encontrem um equilíbrio, assegurando que as riquezas sejam distribuídas de forma justa e direcionadas para as pessoas adequadas. Adicionalmente, uma empresa pode se destacar das demais ao se envolver em ações sociais por motivos estratégicos ou motivada por uma justa indignação, que é uma sensibilidade que resulta em uma solidariedade cativa diante do sofrimento alheio. Conforme observado por Almeida (2014), essa abordagem da ética empresarial minimiza o papel dos princípios universais na determinação das ações aceitáveis e concentra-se nas virtudes morais que os líderes e funcionários devem possuir. Isso pressupõe que tais virtudes terão, necessariamente, impacto na natureza das práticas empresariais. Estabelecendo uma conexão, os princípios da Responsabilidade Social Empresarial devem necessariamente desencadear uma transformação nas empresas, levando-as a agir movidas por uma justa indignação e uma compreensão da nobreza ligada à liberdade. Como resultado, os princípios da RSE evidenciam as virtudes dos indivíduos que concebem a empresa como uma comunidade inserida em outra comunidade, marcada por relações interdependentes entre ambas. Portanto, observa-se que os diversos fundamentos teóricos compartilham elementos comuns nos princípios gerais da Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Esses fundamentos têm suas raízes na filosofia e, na maioria dos casos, exercem influência sobre a maioria dos comportamentos empresariais, constituindo assim o núcleo central da ética empresarial. Em linha com a perspectiva de Almeida (2014), esses fundamentos parecem contribuir para o aprimoramento da consciência, promovendo relações humanas mais justas e solidárias. Isso argumenta a favor de uma visão da RSE que vai além da busca pelo lucro e do cumprimento das leis. Enfim, você pôde compreender que a orientação ética e responsabilidade social das empresas desempenham um papel fundamental na sociedade contemporânea. A importância da Responsabilidade Social Empresarial/Organizacional transcende a mera busca pelo lucro, pois, envolve ações voltadas para o bem-estar das pessoas e do planeta. Essas práticas não apenas fortalecem a imagem das empresas, mas também contribuem para o desenvolvimento sustentável, promovendo uma sociedade mais justa e equitativa. Quando as empresas adotam uma abordagem ética e se comprometem com a responsabilidade social, estão agindo como agentes de mudança positiva. Elas reconhecem sua influência na vida das pessoas, comunidades e no meio ambiente, assumindo um papel ativo na melhoria da qualidade de vida de todos os envolvidos. Além disso, a Responsabilidade Social Empresarial/Organizacional não é apenas uma estratégia de marketing, mas sim um compromisso contínuo com a integridade, transparência e a ética nos negócios. Isso não apenas atrai consumidores conscientes, mas também cria um ambiente de trabalho mais saudável e motivador para os colaboradores. Em resumo, a importância da Responsabilidade Social Empresarial/ Organizacional está em sua capacidade de criar um impacto positivo duradouro na sociedade. À medida que mais empresas adotam essa abordagem, podemos aspirar a um futuro onde os negócios não apenas prosperem, mas também promovam o bem comum e a sustentabilidade em todas as suas ações. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALESSIO, R. Responsabilidade Social das empresas no Brasil: reprodução de postura ou novos rumos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. ALMEIDA, F. Ética, valores humanos e responsabilidade social das empresas. Cascais: Princípia Editora, 2014. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 1. ed. 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