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Capítulo 9 | Pescoço Estudo de caso 9.1 A avó de uma menina de 4 anos de idade notou que ela estava mantendo a cabeça virada para um lado. A mãe da menina levou-a ao pediatra, que confirmou a observação da avó. No exame físico, o pediatra verificou que a cabeça da criança estava inclinada para a direita com o occipício rodado para o ombro e o queixo rodado para a esquerda e elevado. O pediatra também detectou a presença de massa palpável na parte inferior do músculo esternocleidomastóideo da criança. O restante do músculo era proeminente em todo o seu trajeto no pescoço. Ele diagnosticou torcicolo muscular congênito. PERGUNTAS: 1. Qual é a causa comum dessa anomalia? 2. Quando costuma ocorrer? 3. Por que demorou tanto tempo para o torcicolo se desen- volver? 4. Essa lesão pode ser diagnosticada durante o primeiro ano de vida e tratada antes de o torcicolo se desenvolver? 5. Se o torcicolo não for tratado, quais outras anomalias do desenvolvimento podem ocorrer? Estudo de caso 9.2 Após a retirada de um tumor maligno da região posterossu- perior direita do pescoço de um homem de 52 anos de idade, o cirurgião decidiu realizar uma dissecção radical do pescoço para remover linfonodos aumentados de volume. Um linfo- nodo aumentado estava localizado no trígono submandibular, profundamente à extremidade superior do músculo esterno- cleidomastóideo. Após a cirurgia, o paciente informou ao cirurgião que sentia dificuldade em encolher o ombro direito e virar a face para a esquerda contra resistência. PERGUNTAS: 1. Qual nervo foi provavelmente lesionado durante a retirada cirúrgica dos linfonodos aumentados de tamanho? 2. Qual é a relação desse nervo com a extremidade superior do músculo esternocleidomastóideo? Descreva a evolução e a função desse nervo. 3. Quais linfonodos você acredita que o cirurgião removeu? 4. De quais áreas esses linfonodos recebem linfa? 5. Se células malignas provenientes desses linfonodos metas- tatizarem, para quais linfonodos elas mais provavelmente iriam? Estudo de caso 9.3 Uma mulher de 42 anos de idade conta ao médico que recen- temente percebeu uma tumefação na parte anterior do pescoço. Ela também informou que sua respiração parecia anormal. O exame físico revelou uma tumefação de consis- tência firme no lado esquerdo da glândula tireoide, que se movia para baixo e para cima durante a deglutição. A ultras- sonografia revelou um nódulo sólido no lobo esquerdo da glândula tireoide. Uma biopsia com agulha mostrou altera- ções malignas nas células coletadas. PERGUNTAS: 1. Por que essa tumefação nodular se movia para cima e para baixo quando a paciente fazia movimentos de deglutição? 2. Por que a respiração dela foi afetada? 3. Com base no seu conhecimento sobre os vasos linfáticos da glândula tireoide, para quais linfonodos você acredita que as células cancerosas mais provavelmente metasta- tizariam? Estudo de caso 9.4 Um homem de 62 anos de idade procura assistência médica por cau sa de dificuldade de deglutição e respiração. Ele informa que a esposa também estava preocupada com a tume- fação na parte anterior do seu pescoço, que ela acreditava ser um bócio. O exame físico, uma ultrassonografia e uma biopsia Estudos de caso 2 Anatomia Orientada para a Clínica com agulha revelaram que o paciente tinha câncer de tireoide. Optou-se pela realização de tireoidectomia e dissecção do pescoço para pesquisar e retirar linfonodos aumentados de tamanho. PERGUNTAS: 1. O que é um bócio? 2. Por que esse paciente apresenta dificuldade de respiração e deglutição? 3. Por que uma tireoidectomia total não costuma ser reali- zada? 4. Como se poderia evitar a lesão dos nervos durante uma tireoidectomia? Estudo de caso 9.5 Uma mulher de 65 anos de idade procurou seu médico por causa de fraqueza muscular, anorexia, náuseas, constipação intestinal e poliúria (eliminação de grandes volumes de urina). Após uma anamnese meticulosa e um exame físico cuidadoso, o médico solicitou exames laboratoriais de sangue e urina. O laudo do laboratório revelou concentrações séricas elevadas de cálcio e de paratormônio e excreção urinária elevada de cálcio. Foi feito um diagnóstico de adenoma de paratireoide. Optou-se por ressecção da(s) glândula(s) paratireoide(s) aumentada(s) de tamanho. A cirurgiã localizou as glândulas paratireoides superiores sem dificuldade e constatou que o tamanho delas era normal. Ela só conseguiu localizar uma glândula paratireoide inferior. Como estava aumentada de tamanho e uma biopsia por congelamento sugeria hiperplasia da paratireoide e adenoma da paratireoide, a glândula foi retirada. A cirurgiã investigou sistematicamente a parte ante- rior do pescoço à procura da quarta glândula paratireoide, mas não conseguiu encontrá-la. A busca continuada resultou na detecção da glândula. PERGUNTAS: 1. Quantas glândulas paratireoides são geralmente encon- tradas? 2. Onde você esperaria encontrar uma glândula paratireoide ectópica? 3. Se a glândula paratireoide ectópica não fosse detectada no pescoço, onde você acha que a cirurgiã deveria procurar por ela? 4. Como você explicaria o deslocamento dessas glândulas? 5. Qual(is) glândula(s) paratireoide(s) é(são) mais provavel- mente encontrada(s) em uma posição ectópica? Estudo de caso 9.6 Um recém-nascido foi encaminhado para a pediatra pelo médico de família por causa de angústia respiratória e sali- vação excessiva. O recém-nascido estava t ossindo e engas- gando durante a amamentação. Durante o exame físico, a pediatra observou quantidade excessiva de secreção mucosa e saliva na boca do lactente. Ela também observou que o lactente apresentava alguma dificuldade respiratória e distensão gástrica. Como não conseguiu introduzir muito o tubo nasogástrico no esôfago, ela informou à mãe que o recém-nascido tinha uma anomalia esofágica. PERGUNTAS: 1. Qual anomalia congênita do esôfago você acredita que o recém-nascido apresenta? 2. Qual outra anomalia costuma acompanhar esse tipo de anomalia esofágica? Descreva essa condição. 3. Em sua opinião, qual poderia ter sido a causa da distensão gástrica associada às anomalias esofágica e traqueal do recém-nascido? Estudo de caso 9.7 Um menino de 6 anos de idade foi levado ao médico de família para tratamento de dor de garganta persistente. Durante o exame físico, o médico observou infecção e hiper- trofia das tonsilas e das adenoides. Ele também detectou um linfonodo tonsilar aumentado de tamanho. Embora as tonsilas do garoto fossem sede de infecção crônica, ele relutou em recomendar uma tonsilectomia e adenoidectomia. PERGUNTAS: 1. Qual linfonodo é comumente referido como linfonodo tonsilar? 2. Onde esse linfonodo está localizado? 3. Por causa da vascularidade das tonsilas palatinas, a tonsi- lectomia pode ser perigosa. Quais vasos podem sangrar após uma tonsilectomia? Estudo de caso 9.8 Um homem jovem recebeu um ferimento profundo por faca na parte média da região cervical lateral direita. O corte terminava anteriormente à parte média do músculo esterno- cleidomastóideo. O sangramento foi interrompido, e a ferida foi suturada. O paciente, que era destro, queixou-se poste- riormente de dificuldade em pentear o cabelo e inclinar a cabeça para a direita. PERGUNTAS: 1. Qual vaso sanguíneo foi provavelmente seccionado? 2. Quais nervos importantes foram provavelmente lesio- nados? Descreva o trajeto desses nervos. 3. Explique por que o paciente sentia dificuldade em pentear o cabelo e flexionar lateralmente a cabeça. Estudo de caso 9.9 Durante um acidente automobilístico, o pescoço de um homem de 82 anos de idade foi lesionado pelo cinto de segu- rança quando o veículo parou subitamente. Ele se queixava de dificuldade para respirar e dolorimento na proeminência laríngea (pomo de Adão). O médico que o examinou julgou necessário realizar uma cricotireoidotomia de emergência para garantir desobstrução da via respiratória. PERGUNTAS: 1. Quais estruturas na parte anterior do pescoço/ENU >> /Namespace [ (Adobe) (Common) (1.0) ] /OtherNamespaces [ > > > /FormElements true /GenerateStructure false /IncludeBookmarks false /IncludeHyperlinks true /IncludeInteractive false /IncludeLayers false /IncludeProfiles true /MarksOffset 6 /MarksWeight 0.250000 /MultimediaHandling /UseObjectSettings /Namespace [ (Adobe) (CreativeSuite) (2.0) ] /PDFXOutputIntentProfileSelector /UseName /PageMarksFile /RomanDefault /PreserveEditing true /UntaggedCMYKHandling /LeaveUntagged /UntaggedRGBHandling /LeaveUntagged /UseDocumentBleed false >> ] >> setdistillerparams > setpagedeviceforam mais provavelmente lesionadas pelo cinto de segurança durante o acidente automobilístico? Como isso poderia provocar dificuldade respiratória? 2. Por que o esqueleto laríngeo é fraturado mais facilmente em adultos mais velhos? Estudos de caso | Capítulo 9 • Pescoço 3 3. Qual estrutura é incisada para penetrar na traqueia durante uma cricotireoidotomia? 4. Qual procedimento cirúrgico você acha que seria realizado para assegurar uma via respiratória desobstruída durante um período prolongado? 5. Com base nos seus conhecimentos das relações da traqueia, quais estruturas seriam lesionadas durante esse procedi- mento? Estudo de caso 9.10 Um homem de 58 anos de idade consultou seu médico por causa de dificuldade de deglutição. Ele afirma que, primeiro, sentiu dificuldade em deglutir alimentos sólidos, mas, recen- temente, passou a apresentar dificuldade para deglutir alimentos de consistência mole e líquidos. Também informa que perdeu muito peso nos últimos 2 meses. O exame físico do pescoço do paciente revelou um nódulo grande e de consistência firme localizado profundamente em relação à margem anterior do músculo esternocleidomastóideo. Uma biopsia do tumor e dos tecidos circundantes revela um tumor maligno da parte cervical do esôfago que começou a infiltrar os tecidos periesofágicos. PERGUNTAS: 1. Qual é a causa da disfagia desse paciente? 2. Qual é, na sua opinião, a causa do grande nódulo localizado profundamente em relação ao músculo esternocleidomas- tóideo? 3. Descreva a drenagem linfática da parte cervical do esôfago. 4. Quais tecidos periesofágicos o câncer infiltraria? Estudo de caso 9.11 Um homem de 20 anos de idade com febre moderada e dor de garganta notou uma tumefação na parte lateral da face, anteriormente à orelha. Ele também estava preocu- pado com outra tumefação que surgiu sob a mandíbula. Ele marcou rapidamente uma consulta com seu médico de família. D urante o exame físico, o médico observou aumento das glândulas parótida e submandibular direitas. A palpação da glândula parótida provocou dor. O exame da cavidade oral revelou vermelhidão das aberturas das glândulas parótida e submandibular direitas. A dor na glân- dula parótida edemaciada piorou quando o médico pediu ao paciente para beber suco de limão. O médico fez o diagnóstico de parotidite. PERGUNTAS: 1. No trígono de qual região do pescoço está localizada a glândula submandibular? 2. Onde se abrem os ductos das glândulas submandibulares? 3. Qual é o motivo da tumefação dolorosa da glândula paró- tida, especialmente durante a mastigação? Qual nervo transmite essa dor? Estudo de caso 9.12 Um menino de 3 anos de id ade estava brincando com algumas moedas que ele encontrou no chão. Ele colocou uma moeda na boca e acidentalmente a engoliu. Subitamente ele começou a tossir, salivar e engasgar. Foi levado rapidamente ao hospital. Uma radiografia do pescoço (incidência lateral) revelou que a moeda estava alojada em seu esôfago. PERGUNTAS: 1. Onde provavelmente se alojou a moeda na parte cervical do esôfago? 2. Se a moeda tivesse avançado ainda mais no esôfago (para a parte torácica), onde poderia se alojar? 3. Por que a criança se engasgou? 4. Como a moeda poderia ser extraída? Estudo de caso 9.13 Um homem de 30 anos de idade estava jantando e subita- mente começou a se engasgar com o peixe que estava comendo. Ele disse à esposa que acreditava ter uma espinha de peixe presa na garganta. Ela o levou ao departamento de emergência de um hospital. Um médico examinou a laringe desse homem com um espelho laríngeo, mas não conseguiu ver a espinha do peixe. Em seguida, ele inseriu um endos- cópio na laringofaringe (parte laríngea da faringe segundo a Terminologia Anatômica) e conseguiu localizar e extrair a espinha de peixe. PERGUNTAS: 1. Onde estava alojada a espinha de peixe? 2. Qual estrutura poderia ser lesionada se a espinha de peixe perfurasse a túnica mucosa? 3. Qual seria o resultado da lesão dessa estrutura? Estudo de caso 9.14 A mãe de uma menina de 11 anos de idade procurou o médico por causa de uma tumefação na face anterior do pescoço da criança. Embora a tumefação fos se indolor, a mãe estava preocupada porque ela estava aumentando lentamente. O médico explicou que essa tumefação do pescoço é comum nas crianças e que representam, com frequência, anomalias do d esenvolvimento que só se tornam evidentes na infância, na adolescência ou na vida adulta (adulto jovem). Ele também afirmou que essas massas na linha mediana tendem a ser benignas (não malignas). • Exame físico: o exame físico revelou que nenhum linfo- nodo cervical estava aumentado de tamanho ou dolorido. O médico observou que a tumefação estava localizada um pouco abaixo do osso hioide e era cística e livremente móvel (ver Figura 9.1). O médico segurou a tumefação delicadamente entre o polegar e o indicador e pediu a criança para engolir em seco. A tumefação se moveu para cima durante a deglutição. Em seguida, o médico pediu para a criança projetar a língua para fora da boca o máximo possível e depois retraí-la. Ele observou uma tração superior definida da massa quando a língua da criança estava projetada para fora da boca. O médico aspirou líquido da tumefação para investigação labora- torial. • Laudo do laboratório: o líquido consistia em uma subs- tância aquosa contendo material gelatinoso. • Diagnóstico: cisto do ducto tireoglosso. 9 4 Anatomia Orientada para a Clínica PERGUNTAS: 1. Explique a base embriológica desse cisto. 2. Onde esses cistos são geralmente encontrados? 3. Qual é a base anatômica do movimento para cima do cisto quando a criança engoliu em seco e projetou a língua para fora da boca? 4. Qual tecido glandular está associado a esse tipo de cisto? 5. Como essa condição seria denominada se existisse uma abertura na linha mediana do pescoço para o cisto? Estudo de caso 9.15 Uma estudante de medicina de 27 anos de idade consultou sua preceptora por causa de uma tumefação indolor, com formato de ameixa, na região cervical anterior, inferior ao ângulo da mandíbula (ver Figura 9.2). Como seu terceiro molar inferior ainda não irrompeu, ela acreditava que a tume- fação poderia ser causada por um abscesso dentário no trígono submandibular porque sentia um pouco de dor na região do tercei ro dente molar. Ela também temia que a tumefação pudesse ser um tumor na glândula submandibular ou um linfonodo jugulodigástrico aumentado do tamanho. • Anamnese: a médica fez algumas perguntas à estudante: • Quando você observou o nódulo pela primeira vez? Eu observei o nódulo pela primeira vez há aproximada- mente 3 meses • O nódulo é doloroso? Não, mas a tumefação está aumentando de tamanho lentamente • Você teve alguma infecção de garganta ou otite recen- temente? Não, mas eu tive um resfriado há aproxima- damente 2 semanas • Você percebeu rouquidão desde o aparecimento dessa tumefação? Não. • Exame físico: a médica palpou o nódulo no pescoço e disse à estudante que se tratava de uma tumefação cística logo anterior ao terço superior do músculo esternocleidomas- tóideo esquerdo. Ela aspirou líquido do cisto para inves- tigação laboratorial. A médica examinou o terceiro molar esquerdo da estudante e disse que este estava impactado e que a gengiva estava discretamente inflamada, todavia, garantiu que a infecção no dente não estava relacionada com a tumefação no pescoço. • Laudo laboratorial: o cisto contém líquido turvo e saturado com cristais de colesterol. • Diagnóstico: cisto branquial. • Tratamento cirúrgico: a médica marcou a retirada cirúrgica do cisto (cistectomia). Durante a excisão do cisto, foi observada uma fístula superior a este. A fístula foi dissecada cuidadosamente e removida. PERGUNTAS: 1. Explique a base embriológica de um cisto branquial. 2. Onde a fístula provavelmente termina? 3. Qual nervo poderia ser lesionado durante a cistectomia? 4. Quais sinais seriam encontrados se esse nervo fosse lesio- nado? 5.Se a fístula avançasse inferiormente, onde provavelmente se abriria? 6. Se a tumefação cística fosse dolorosa à palpação, você acre- dita que poderia ser um cisto branquial? Estudo de caso 9.16 Após concluir seu primeiro exame de anatomia, seu pai decide celebrar isso e o leva para jantar. Após alguns drinques, você observou que seu pai estava comendo o filé rapidamente e a fala dele era mal articulada. Mais tarde, você observou que a face de seu pai mudou rapidamente. Ele apresentava uma expressão aterrorizada e, em seguida, caiu ao solo. Primeiro, você suspeitou que ele tivesse desmaiado, mas, ao examiná-lo mais cuidadosamente, você pensou que ele tivesse sofrido um acidente vascular cerebral, um infarto do miocárdio ou uma convulsão. Seu exame também revelou que o pulso dele estava forte, mas a face começou a ficar azulada. Nesse momento, você percebeu que seu pai apresentava asfixia. Você abriu bem a boca de seu pai e observou um grande pedaço de carne na parte posterior da garganta. Primeiro você introduziu o dedo indicador na boca de seu pai e tentou puxar o pedaço de carne. Quando não conseguiu, você colocou seu pai em decúbito ventral e realizou a manobra de Heimlich. O aumento da pressão intra-abdominal e o deslo- camento do diafragma para cima forçaram o ar para fora dos pulmões, e o pedaço de carne foi expelido. PERGUNTAS: 1. Onde mais provavelmente estava alojado o pedaço de carne? 2. Debata as causas comuns de obstrução laríngea. Figura 9.1 Cisto do ducto tireoglosso Figura 9.2 Músculo esternocleidomastóideo Cisto branquial Tendão do músculo esternocleidomastóideo Estudos de caso | Capítulo 9 • Pescoço 5 3. Se a manobra de Heimlich não tivesse sido bem-sucedida e um médico tivesse chegado para lhe ajudar, quais medidas você acredita que ele poderia ter realizado? Estudo de caso 9.17 Uma mulher de 30 anos de idade estava preocupada por causa de uma tumefação na parte anterior do pescoço, nervosismo e perda ponderal. Ela informou ao médico que a família afirma que ela está irritável e nervosa e que chora facilmente. • Exame físico: o médico detectou u ma tumefação de cada lado do pescoço dela, inferior à laringe. Durante a palpação do pescoço da paciente a partir de uma posição posterior, o médico notou que a glândula tireoide estava aumentada e que ela se movia para cima e para baixo durante a deglu- tição. Os seguintes sinais também for am detectados: protrusão dos bulbos dos olhos, pulso rápido, tremor dos dedos, palmas das mãos úmidas e perda ponderal. • Diagnóstico: hipertireoidismo (bócio com exoftalmia, doença de Graves). Quando a paciente não respondeu ao tratamento farmacológico, foi realizada uma tireoidec- tomia subtotal. Após a operação, a paciente se queixou de rouquidão. PERGUNTAS: 1. Qual é a base racional da retirada de tecido tireóideo dessa paciente? 2. Qual é a base anatômica de a glândula tireoide aumentada de tamanho se mover para cima e para baixo durante a deglutição? 3. Visto que a glândula tireoide da paciente estava aumentada de tamanho, quais nervos poderiam ser comprimidos? 4. Quais déficits poderiam resultar de lesão desses nervos? 5. Quais são as outras causas possíveis da rouquidão da paciente? 6. Se fosse realizada uma tireoidectomia total, quais outras estruturas importantes poderiam ser inadvertidamente removidas? 7. O que resultaria desse erro cirúrgico? Estudo de caso 9.18 Um menino 10 anos de idade foi hospitalizado por causa de dor de garganta e otalgia. Ele apresentava febre alta (tempe- ratura = 40,5°C), frequência de pulso rápida e frequência respiratória alta. • Exame físico: no exame da garganta do menino pelo médico que o atendeu foram encontradas vermelhidão difusa e tumefação da faringe, especialmente nas tonsilas palatinas. A membrana timpânica da criança também estava protrusa. A anamnese revelou que a criança apre- sentava sinais/sintomas crônicos de inflamação da mucosa nasal (rinite), incluindo as tonsilas faríngeas (adenoidite), resultando em respiração bucal de suplência persistente. • Diagnóstico: tonsilite (inflamação das tonsilas), sobretudo das tonsilas palatinas. • Tratamento: após antibioticoterapia, a infecção foi debe- lada. Por causa da história patológica pregressa do menino, foi decidido que ele será reinternado após 3 ou 4 meses para tonsilectomia e adenoidectomia. PERGUNTAS: 1. Qual é o significado do termo “tonsilas”? Qual é a sua função? 2. Explique a base anatômica da otalgia da criança. 3. Qual linfonodo provavelmente estaria edemaciado e dolo- roso nesse caso? 4. Qual é a fonte provável de hemorragia durante uma tonsi- lectomia? 5. A compressão de qual vaso controlaria um sangramento arterial importante no leito tonsilar? RESPOSTAS Estudo de caso 9.1 1. Lesões do músculo esternocleidomastóideo podem resultar de posicionamento fixo da cabeça e do pescoço no útero que dilacera fibras musculares e provoca fibrose (formação de tecido fibroso como processo de reparo ou de reação). O estiramento excessivo do pescoço durante um parto vaginal difícil também pode provocar ruptura de fibras e sangramento no músculo esternocleidomas- tóideo. O hematoma resultante é contido no próprio compartimento fascial e isso resulta em pressão aumentada sobre as fibras musculares. A consequência é lesão do músculo e uma área de isquemia. As fibras musculares lesionadas gradativamente sofrem fibrose. 2. De modo geral, o torcicolo muscular congênito ocorre ao nascimento. 3. O torcicolo se desenvolve lentamente à medida que ocorrem fibrose e contração do músculo esternocleido- mastóideo. Só é percebido quando a criança tem 4 a 6 anos de idade. 4. Um exame meticuloso revelaria um hematoma no terço inferior do músculo esternocleidomastóideo. Se essa tume- fação fosse massageada e exercícios de alongamento passivo do pescoço fossem realizados diariamente, o hema- toma desapareceria e não ocorreriam fibrose e encurta- mento do músculo esternocleidomastóideo. 5. Se o torcicolo muscular não for corrigido, o resultado será desenvolvimento assimétrico dos ossos da face. Também podem ocorrer deformidades cuneiformes das vértebras cervicais. Estudo de caso 9.2 1. Mais provavelmente ocorreu lesão do nervo espinal (NC XI). 2. Esse nervo perfura a superfície profunda da parte superior do músculo esternocleidomastóideo e o supre. O NC XI cruza, então, a região cervical lateral e supre o músculo trapézio. O músculo esternocleidomastóideo inclina a cabeça lateralmente e gira o pescoço; portanto, isso explica a dificuldade do paciente de virar a cabeça. O músculo trapézio eleva, retrai e gira a escápula, daí a dificuldade do paciente de encolher o ombro. 3. Os linfonodos aumentados de tamanho que o cirurgião removeu seriam os linfonodos submandibulares, locali- zados sob a lâmina pré-vertebral da fáscia cervical. 9 6 Anatomia Orientada para a Clínica 4. Os linfonodos submandibulares recebem linfa de uma área ampla, incluindo vasos linfáticos dos grupos submentual, bucal e lingual de linfonodos. 5. Vasos linfáticos eferentes provenientes dos linfonodos submandibulares vão para os linfonodos cervicais supe- riores e inferiores profundos. Consequentemente, esses linfonodos também aumentariam de tamanho por causa da propagação de células malignas do tumor primário. Estudo de caso 9.3 1. A glândula tireoide e sua tumefação nodular estão envoltas pela lâmina pré-traqueal da fáscia cervical, que insere a cápsula da tireoide na cartilagem cricóidea e nos anéis traqueais. Consequentemente, quando a paciente engole, a glândula tireoide e o nódulo em seu interior se deslocam para cima e para baixo quando a laringe e a parte superior da traqueia são elevadas e, depois, abaixadas pelos músculos supra e infra-hióideos, respectivamente. 2. Sua respiração foi impactada porque cada lobo da glândula tireoide está muito perto da traqueia. Portanto, um lobo aumentado de tamanho por causa de um tumor grande provavelmente comprimea traqueia e oclui parcialmente seu lúmen, provocando dispneia. 3. Visto que havia células malignas no nódulo da tireoide, estas provavelmente metastatizariam para os linfonodos pré-laríngeos, pré-traqueais e paratraqueais. A partir desses linfonodos, as células malignas iriam provavelmente para os linfonodos cervicais inferiores profundos. Estudo de caso 9.4 1. O termo bócio descreve o aumento de tamanho da glân- dula tireoide que resulta em uma tumefação na parte anterior do pescoço. 2. O paciente apresentava dispneia e disfagia porque a glân- dula tireoide aumentada de tamanho estava comprimindo a traqueia e o esôfago e ocluía parcialmente seus lumens. 3. De modo geral, não se realiza tireoidectomia total por causa do risco de lesão dos nervos laríngeos recorrentes e de retirada inadvertida de todas as glândulas paratireoides. Medialmente, os nervos laríngeos recorrentes estão muito próximos da parte posterior da cápsula da glândula tireoide. As glândulas paratireoides, quando estão em sua locali- zação habitual, ficam muito próximas da face posterior da glândula tireoide, fora de sua cápsula fibrosa, mas dentro de sua bainha fascial. 4. Os cirurgiões evitam lesionar os nervos laríngeos recor- rentes durante uma tireoidectomia se não cortarem através da face posterior da cápsula fibrosa da glândula tireoide, sobretudo medialmente onde esses nervos se localizam nos sulcos traqueoesofágicos. Estudo de caso 9.5 1. Tipicamente, o ser humano tem quatro glândulas parati- reoides; entretanto, mais de quatro glândulas são encon- tradas em aproximadamente 5% da população. 2. Uma glândula paratireoide ectópica é comumente encon- trada em associação ao timo ou embebida na parte inferior da glândula tireoide. 3. Se a glândula paratireoide não estiver no pescoço, o cirur- gião poderia explorar o mediastino superior. 4. As glândulas paratireoides superiores provêm do quarto par de bolsas faríngeas e as glândulas paratireoides infe- riores são derivadas do terceiro par de bolsas faríngeas, como o timo. À medida que o embrião se desenvolve, o timo desce e, em geral, separa-se das glândulas parati- reoides inferiores. A separação costuma ocorrer quando estas se situam posteriormente ao lobo inferior da glândula tireoide. 5. Essa migração é extremamente variável; portanto, é mais provável que as glândulas paratireoides inferiores estejam em uma posição ectópica. Estudo de caso 9.6 1. A incapacidade de introduzir um cateter no esôfago de um recém-nascido até o estômago indica que existe atresia esofágica. 2. A atresia esofágica em um recém-nascido está frequente- mente associada a fístula traqueoesofágica (FTE). O esôfago forma, na maioria dos casos, uma bolsa com fundo cego, e a parte distal do esôfago está conectada à árvore traqueobronquial logo acima da carina – a crista que separa as aberturas dos brônquios principais direito e esquerdo na sua junção com a traqueia. 3. A FTE força a passagem de ar para o sistema digestório, provocando distensão gástrica, que precipita a passagem do conteúdo gástrico para a traqueia e para os brônquios. Estudo de caso 9.7 1. A linfa da tonsila palatina drena para os linfonodos cervi- cais superiores profundos, sobretudo o linfonodo jugulo- digástrico, frequentemente denominado na prática clínica linfonodo tonsilar. 2. O linfonodo jugulodigástrico fica localizado sobre a veia jugular interna no ponto onde o ventre posterior do músculo digástrico cruza a veia jugular interna. 3. Algumas vezes, a artéria tonsilar, um ramo da artéria facial, precisa ser ligada quando ocorre sangramento após uma tonsilectomia. O sangramento resulta, com frequência, da incisão de veias do plexo venoso faríngeo, sobretudo a grande veia palatina externa. Estudo de caso 9.8 1. Muito provavelmente a veia jugular externa foi seccionada. Esse grande vaso passa inferolateralmente através do músculo esternocleidomastóideo e perfura a lâmina pré- vertebral da fáscia cervical logo acima da clavícula. 2. O nervo cervical transverso foi, provavelmente, seccio- nado porque circunda o meio da margem posterior do músculo esternocleidomastóideo e cruza o músculo profundamente em relação ao músculo platisma. Em seguida, divide-se em ramos que suprem a pele das partes lateral e anterior do pescoço. Acima do meio da margem posterior do músculo esternocleidomastóideo, o nervo espinal (NC XI) cruza obliquamente a região cervical lateral, suprindo os músculos esternocleidomastóideo e trapézio. Estudos de caso | Capítulo 9 • Pescoço 7 3. O paciente apresenta dificuldade em pentear o cabelo porque a faca seccionou seu NC XI, paralisando o músculo trapézio. Para levantar a mão até a cabeça, o músculo trapézio, auxiliado pelo músculo serrátil anterior, precisa girar a escápula de modo que a cavidade glenoidal fique voltada superolateralmente. O paciente sente alguma difi- culdade em inclinar a cabeça para o lado direito por causa da paralisia do músculo esternocleidomastóideo, que também é suprido pelo nervo espinal. Estudo de caso 9.9 1. As cartilagens da laringe, em especial a protrusa cartilagem tireóidea, foram provavelmente fraturadas. As lâminas deslocadas da cartilagem tireóidea provavelmente bloque- aram as vias respiratórias. Além disso, edema da submu- cosa da laringe obstruiu a passagem do ar. 2. A fratura do esqueleto da laringe, em especial a cartilagem tireóidea, é a que mais facilmente acomete pessoas idosas por causa da ossificação das cartilagens. 3. Para viabilizar a respiração, a membrana cricotireóidea foi, provavelmente, incisada e um pequeno tubo de traqueos- tomia foi inserido na traqueia. 4. Quando é necessário um período prolongado de suporte das vias respiratórias, em geral é feita uma traqueostomia. Esse procedimento pode ser realizado acima ou abaixo do istmo da glândula tireoide. A divisão do istmo possibilita a exposição da parte superior da traqueia (ou seja, entre o primeiro e o segundo anéis da traqueia). Alguns cirur- giões preferem fazer uma incisão vertical através do segundo, do terceiro e do quarto anéis da traqueia. 5. Quando uma incisão na traqueia é estendida muito poste- riormente, a parede posterior da traqueia e o esôfago podem ser lesionados, sobretudo em crianças. Em alguns casos, pode ocorrer lesão dos nervos laríngeos recorrentes durante uma traqueostomia. Estudo de caso 9.10 1. A disfagia ocorre em aproximadamente 80% dos pacientes com tumor maligno do esôfago e é causada por compressão gradativa e fechamento do lúmen esofágico pelo tumor. 2. De modo geral, a disfagia é progressiva. O nódulo de consistência dura localizado profundamente em relação ao músculo esternocleidomastóideo era, provavelmente, um linfonodo cervical canceroso profundo que estava loca- lizado próximo à veia jugular interna. O processo maligno metastatizou para esse linfonodo pelos vasos linfáticos. 3. A drenagem linfática da parte cervical do esôfago se dá para linfonodos cervicais inferiores profundos e para os linfonodos paratraqueais. 4. A invasão da traqueia ou dos brônquios principais é provável no câncer de esôfago em estágio avançado. Estudo de caso 9.11 1. A glândula submandibular está localizada na parte poste- rior do trígono submandibular, uma das quatro subdivisões da região cervical anterior. 2. O ducto submandibular apresenta um a três orifícios na pequena papila sublingual ao lado do frênulo da língua. 3. A inflamação da glândula parótida (parotidite) é dolorosa porque esta glândula é envolta por uma cápsula resistente que é contínua com a lâmina pré-vertebral da fáscia cervical e a cápsula resiste ao aumento da glândula. A pele sobrejacente também é muito estirada. O nervo auricular magno supre a bainha da glândula parótida e a pele sobrejacente. De modo geral, a dor é mais intensa durante a mastigação porque a glândula parótida está enrolada em torno da margem posterior do ramo da mandíbula e comprimida contra o processo mastoide quando a boca é aberta.Estudo de caso 9.12 1. A moeda se alojaria, mais provavelmente, no ponto onde a laringofaringe (parte laríngea da faringe segundo a termi- nologia anatômica) se une à extremidade superior do esôfago, que está localizada no nível da margem inferior da cartilagem cricóidea. 2. Se a moeda avançasse até a parte torácica do esôfago, provavelmente se alojaria na segunda constrição no nível do arco da aorta. 3. A asfixia resultaria de compressão da laringe ou da traqueia pelo aumento localizado do esôfago. 4. A extração da moeda seria realizada provavelmente sob visualização direta com um esofagoscópio. Estudo de caso 9.13 1. A espinha de peixe estava, provavelmente, alojada na fossa piriforme entre a prega ariepiglótica e a parede lateral da laringofaringe. Corpos estranhos como espinhas de peixe e ossos de galinha chegam a esses recessos piriformes porque, ao passar pela laringofaringe durante a deglutição, o alimento precisa fluir através desses recessos. Objetos pontiagudos podem se alojar nesses recessos e perfurar os seus assoalhos. 2. O nervo laríngeo interno pode ser lesionado porque seu trajeto é imediatamente abaixo da túnica mucosa que reveste o recesso. 3. Esse nervo supre as fibras sensitivas para a mucosa da laringe acima das pregas vocais, incluindo a face superior das pregas vocais. A túnica mucosa da parte superior da laringe é sensível, e o contato com um corpo estranho provoca tosse explosiva para expeli-lo. A perda da sensi- bilidade nessa túnica mucosa resultante de lesão de um nervo poderia possibilitar a entrada de alimento na laringe e causar asfixia. Estudo de caso 9.14 1. Um cisto do ducto tireoglosso se desenvolve a partir de um resquício do ducto tireoglosso embrionário que conecta a glândula tireoide com a base da língua no embrião. Normalmente o ducto tireoglosso atrofia e degenera, enquanto a glândula tireoide desce para sua localização final no pescoço. 2. Resquícios desse ducto podem persistir em qualquer ponto ao longo da linha mediana anterior do pescoço entre o forame cego da língua e a glândula tireoide. Esses 9 8 Anatomia Orientada para a Clínica resquícios podem dar origem a cistos na língua ou no pescoço, mas geralmente estão localizados logo abaixo do osso hioide. 3. Com frequência, o cisto está em íntimo contato com a parte anterior do osso hioide. O cisto pode estar conectado superiormente por um ducto ao forame cego, inferior- mente com um lobo piramidal e/ou com o istmo da glân- dula tireoide. Portanto, os cistos tireoglossos podem se mover para cima e para baixo durante a deglutição e quando a língua é projetada para fora da boca. 4. Algumas vezes, o tecido tireóideo está associado a um cisto do ducto tireoglosso, e, em casos incomuns, toda a glândula tireoide está conectada ao cisto porque não desceu para sua posição normal durante o período embrionário. 5. Um cisto do ducto tireoglosso pode desenvolver uma aber- tura na superfície do pescoço (fístula do ducto tireoglosso). Esta resulta de erosão dos tecidos do pescoço após infecção e ruptura do cisto. Estudo de caso 9.15 1. Todas as condições lembradas pela estudante poderiam causar a tumefação existente no lado do pescoço dela. De modo geral, os cistos branquiais são derivados dos resquí- cios do seio cervical, do segundo sulco faríngeo ou da segunda bolsa faríngea. Embora possam estar associados a seios branquiais, como nesse caso, e possam drenar através deles, esses cistos frequentemente estão localizados no pescoço logo abaixo do ângulo da mandíbula. Eles surgem, em geral, ao longo da margem anterior do músculo esternocleidomastóideo. O cisto pode se estender profun- damente até esse músculo e envolver outras estruturas. 2. Nesse caso, o cisto era, provavelmente, derivado de um resquício do seio cervical embrionário. A fístula que corria superiormente ao cisto era, provavelmente, derivada da segunda bolsa faríngea. Provavelmente passava entre as artérias carótidas interna e externa e terminava na fenda tonsilar da fossa palatina ou perto dela, o derivado no adulto da cavidade da segunda bolsa faríngea. 3. A excisão cirúrgica dos seios ascendentes associados aos cistos branquiais pode lesionar o nervo hipoglosso, provocando paralisia unilateral da língua temporária ou prolongada. 4. A paralisia unilateral da língua resultante de lesão do nervo hipoglosso seria indicada por hemiatrofia da língua e desvio da língua para o lado paralisado quando projetada para fora da boca; um resultado da ação sem oposição dos músculos da língua do outro lado. 5. Se a fístula avançasse inferiormente, abriria provavelmente no terço inferior do pescoço, ao longo da margem anterior do músculo esternocleidomastóideo. 6. Um seio branquial que se abre externamente é derivado, provavelmente, de resquícios do segundo sulco faríngeo. Se a tumefação fosse dolorosa durante o exame físico, o cisto poderia estar infectado secundariamente (p. ex., resultante de extravasamento de líquido dele para os tecidos circundantes). Estudo de caso 9.16 1. O pedaço de carne estava, provavelmente, alojado no ádito da laringe. 2. Engasgar com alimentos é uma causa comum de obstrução da laringe, sobretudo em crianças, pessoas que consu- miram muito álcool etílico e pessoas com comprometi- mento neurológico. Já foi constatado que muitas mortes em restaurantes atribuídas a infarto do miocárdio foram, na verdade, causadas por asfixia. Pessoas com próteses dentárias e/ou com comprometimento dos reflexos em decorrência de consumo excessivo de álcool etílico não conseguem mastigar seus alimentos de modo apropriado nem detectar que o pedaço a ser engolido é grande demais. A túnica mucosa da parte superior da laringe é sensível, e o contato com um corpo estranho, como um pedaço de carne, provoca tosse explosiva imediata para expeli-lo. Todavia, o comprometimento neurológico ou consequente ao consumo excessivo de álcool etílico poderia reduzir ou eliminar essa resposta. Algumas vezes um corpo estranho penetra na fossa piri- forme ou passa pela laringe e se aloja na traqueia ou em um brônquio principal. De modo geral, como ocorreu nesse caso, o pedaço de carne está localizado apenas parcialmente na laringe, mas reduz bastante a entrada de ar na traqueia e nos pulmões. O paciente morreria, prova- velmente, em 5 minutos, quase certamente antes de ele chegar a um hospital, se o pedaço de carne não tivesse sido deslocado pela manobra de Heimlich, que restabeleceu a respiração adequada. 3. Se o seu procedimento de emergência não tivesse sido bem-sucedido, o médico provavelmente teria tentado retirar o pedaço de carne da laringe do paciente com uma colher longa ou um garfo fino. Se esses procedi- mentos falhassem, o médico provavelmente teria reali- zado uma laringotomia inferior de emergência (incisão cirúrgica da laringe). Se o médico tivesse consigo uma agulha calibrosa, ele poderia introduzi-la através do liga- mento cricotireóideo mediano. Se ele não tivesse, prova- velmente usaria um canivete ou uma faca de cortar carne para fazer uma incisão através da linha mediana do pescoço até o ligamento cricotireóideo mediano (crico- tireotomia). Estudo de caso 9.17 1. O tratamento cirúrgico do hipertireoidismo consiste na retirada de parte de cada lobo da glândula tireoide (tireoi- dectomia subtotal), deixando assim menos tecido glandular secretando hormônios. 2. A glândula tireoide aumentada de tamanho responsável pela tumefação no pescoço desloca-se para cima e para baixo durante a deglutição porque a glândula está inserida na camada respiratória da lâmina pré-vertebral da fáscia cervical. A camada respiratória (laringe e traqueia) e a faringe são elevadas durante a deglutição pelos músculos supra-hióideos e, depois, são abaixadas (de volta às suas posições originais) pela gravidade. 3. A tireoidectomia pode lesionar os nervos laríngeos recor- rentes porque eles estão muito próximos da glândula tireoide e da traqueia, e, pertodos polos inferiores da glândula tireoide, estão intimamente relacionados com as artérias tireóideas inferiores. Os nervos podem cruzar anterior ou posteriormente a essas artérias ou entre seus Estudos de caso | Capítulo 9 • Pescoço 9 ramos antes de ascenderem no sulco entre a traqueia e o esôfago ou perto dele. O nervo laríngeo recorrente esquerdo é mais vulnerável a traumatismo e doença que o nervo direito por causa de seu trajeto mais longo ao redor do arco da aorta. 4. Os nervos laríngeos recorrentes suprem todos os músculos da laringe com exceção dos músculos cricoti- reóideos. A lesão ou o seccionamento de um dos nervos poderia comprometer seriamente a fala (p. ex., provo- cando rouquidão, como nesse caso, ou uma alteração na qualidade da voz, que se torna desagradável). Algumas pessoas também sentem dificuldade para pigarrear. A lesão dos dois nervos laríngeos recorrentes (algo incomum) pode paralisar por completo os músculos intrínsecos, comprometendo substancialmente a respi- ração e a fala porque as pregas vocais permanecem parcialmente aduzidas. Nesse caso, a rima da glote não está plenamente aberta. 5. A disfunção temporária dos nervos laríngeos recorrentes também pode resultar de edema pós-operatório. Uma causa comum de rouquidão temporária após cirurgia é traumatismo da túnica mucosa da laringe pelo tubo endotraqueal que os anestesistas inserem para garantir a ventilação. Se os nervos forem comprimidos como resultado de inflamação ou acúmulo de líquido, o comprometimento respiratório e da fala normalmente desaparece após a cicatrização e a drenagem do local da cirurgia. 6. As glândulas paratireoides poderiam ser removidas. Tipi- camente, as glândulas paratireoides estão localizadas na face posterior da glândula tireoide; portanto, as partes posteriores dos lobos são deixadas para prevenir a retirada inadvertida dessas glândulas. Pelo menos uma glândula paratireoide é essencial para a secreção de paratormônio (PTH), que mantém o nível normal de cálcio no sangue e nos líquidos corporais. 7. A retirada das glândulas paratireoides provoca um trans- torno convulsivo conhecido como tetania. Os sinais são nervosismo, abalos e espasmos nos músculos faciais e dos membros. Estudo de caso 9.18 1. Existem numerosos agregados de tecido linfoide nas paredes faríngeas. Agregados significativos desse tecido são denominados tonsilas. A menos que haja referência em contrário, o termo tonsilas refere-se às tonsilas palatinas. As outras tonsilas são as linguais, faríngeas e tubárias. Cole- tivamente, todas as tonsilas formam um anel tonsilar em torno do istmo das fauces, onde a parte oral da faringe (conhecida como orofaringe na prática clínica) se comunica com a parte nasal da faringe (conhecida como nasofaringe na prática clínica). Embora frequentemente seja dito que o anel tonsilar atua como barreira às infecções, sua função não é claramente compreendida. Todavia, é certo que esse tecido linfoide é importante na reação imune às infecções. 2. Nesse caso, a infecção se propagou ao longo da tuba auditiva até a orelha média, produzindo otite média e protrusão da membrana timpânica. Essa protrusão seria, provavelmente, a principal causa da otalgia do menino. Ramos do nervo glossofaríngeo suprem as tonsilas, e, como o ramo timpânico desse nervo supre a túnica mucosa da cavidade timpânica, parte da dor relacionada com a tonsilite também é referida para a orelha. Quando a abertura da tuba auditiva é fechada, como provavelmente ocorreu nesse caso, as alterações pres- sóricas na orelha média também podem provocar otalgia. 3. Os numerosos vasos linfáticos das tonsilas penetram na parede faríngea e terminam principalmente no linfonodo jugulodigástrico na cadeia profunda de linfonodos cervi- cais. O aumento desse linfonodo tonsilar está comumente associado a tonsilite. 4. A veia palatina externa é, geralmente, a principal fonte de hemorragia após tonsilectomia. Essa veia importante e, ocasionalmente, calibrosa desce do palato mole e está imediatamente relacionada com a face lateral da tonsila antes de perfurar o músculo constritor superior da faringe. 5. Nos casos de sangramento intenso e descontrolado (p. ex., do ramo tonsilar da artéria facial), a hemorragia pode ser controlada por compressão ou clampeamento da artéria carótida externa em sua origem. Essa artéria irriga as arté- rias tonsilares. 9 > /ColorImageDict > /JPEG2000ColorACSImageDict > /JPEG2000ColorImageDict > /AntiAliasGrayImages false /CropGrayImages false /GrayImageMinResolution 150 /GrayImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleGrayImages true /GrayImageDownsampleType /Bicubic /GrayImageResolution 300 /GrayImageDepth -1 /GrayImageMinDownsampleDepth 2 /GrayImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeGrayImages true /GrayImageFilter /DCTEncode /AutoFilterGrayImages true /GrayImageAutoFilterStrategy /JPEG /GrayACSImageDict > /GrayImageDict > /JPEG2000GrayACSImageDict > /JPEG2000GrayImageDict > /AntiAliasMonoImages false /CropMonoImages false /MonoImageMinResolution 1200 /MonoImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleMonoImages true /MonoImageDownsampleType /Bicubic /MonoImageResolution 600 /MonoImageDepth -1 /MonoImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeMonoImages true /MonoImageFilter /CCITTFaxEncode /MonoImageDict > /AllowPSXObjects true /CheckCompliance [ /None ] /PDFX1aCheck false /PDFX3Check false /PDFXCompliantPDFOnly false /PDFXNoTrimBoxError true /PDFXTrimBoxToMediaBoxOffset [ 0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXSetBleedBoxToMediaBox true /PDFXBleedBoxToTrimBoxOffset [0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXOutputIntentProfile (U.S. Web Coated \050SWOP\051 v2) /PDFXOutputConditionIdentifier (CGATS TR 001) /PDFXOutputCondition () /PDFXRegistryName (http://www.color.org) /PDFXTrapped /False /CreateJDFFile false /Description /BGR /CHS /CHT /CZE /DAN /DEU /ESP /ETI /FRA/GRE /HEB /HRV /HUN /ITA (Utilizzare queste impostazioni per creare documenti Adobe PDF adatti per visualizzare e stampare documenti aziendali in modo affidabile. 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