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Capítulo 3 | Membro Superior Estudos de caso Estudo de caso 3.1 Uma mulher de 52 anos de idade passeava de bicicleta em uma pista de saibro. De repente, perdeu o equilíbrio e caiu com o membro direito esticado e a mão espalmada. Ela informa que ouviu um som bem definido de quebra e sentiu uma dor súbita na região do ombro. O marido dela, médico, observou uma deformidade em sua clavícula na junção de seus terços lateral e intermediário e percebeu que ela havia fraturado a clavícula. Também notou deslocamento infero- medial do ombro e do membro superior e elevação do frag- mento medial da clavícula fraturada. Ele fez uma tipoia provisória para ela com sua camiseta. PERGUNTAS: 1. Em que ponto da clavícula costuma ocorrer fratura? 2. As fraturas claviculares são mais comuns em adultos que em crianças? 3. Qual o motivo do deslocamento inferomedial do ombro da paciente? 4. Por que a paciente não luxou a articulação acromioclavi- cular em vez de fraturar a clavícula? 5. Por que ocorreu fratura da clavícula em vez de fratura do punho? Estudo de caso 3.2 Um jogador de beisebol (arremessador), com 35 anos de idade, comentou com um colega do time e com o treinador sobre uma dor de aparecimento gradual que sente no ombro. Ele continuou a jogar, mas precisou parar por causa da dor e da fraqueza muscular, especialmente durante abdução e rotação lateral do braço. Ao ser examinado pelo médico da equipe, foi detectada dor à palpação do músculo supraesternal próximo do tubérculo maior do úmero. A ressonância magnética revelou laceração no manguito rotador do arremessador. PERGUNTAS: 1. Descreva o manguito rotador do ombro. 2. Qual é a causa habitual de estiramento dos tendões do manguito rotador? 3. Que parte do manguito rotador é geralmente rompi- da? 4. Essas lesões ocorrem apenas nos arremessadores de beisebol? 5. Qual movimento do ombro está comprometido e causa dor? Estudo de caso 3.3 Algumas semanas após a dissecção cirúrgica da axila direita de uma mulher de 44 anos de idade para retirada de linfo- nodos para fins de estadiamento e tratamento do câncer de mama, seu marido observou que a escápula direita se proje- tava anormalmente quando ela empurrava a parede durante seus exercícios de alongamento. Ela também tinha dificul- dade em elevar o braço direito acima da cabeça quando penteava o cabelo. Na consulta de retorno ao cirurgião, ela foi informada de que um nervo foi lesionado acidentalmente durante o procedimento cirúrgico diagnóstico, o que provocou a anormalidade escapular e sua incapacidade de elevar o braço. PERGUNTAS: 1. Qual nervo foi provavelmente lesionado? 2. Por que essa lesão provoca “escápula alada” e dificuldade em elevar o braço acima da cabeça? 3. Que outros nervos são vulneráveis à lesão durante a reti- rada dos linfonodos axilares? 4. Quais anormalidades do movimento dos braços prova- velmente ocorreriam como resultado dessas lesões neurais? 5. Alguma área apresentaria anestesia cutânea? 2 Anatomia Orientada para a Clínica Estudo de caso 3.4 Durante uma partida de futebol americano em gramado a rti- ficial, um jogador de 38 anos de idade foi lançado ao chão por outro. Ele caiu com força sobre o ombro direito e mencionou que sentiu dor moderada que piorava quando tentava levantar o braço. O ortopedista observou discreto deslocamento para cima da extremidade acromial da clavícula do paciente. A pressão para baixo da clavícula provocou dor e alguma mobilidade da clavícula no ponto onde se articula com o acrômio. A abdução do braço acima de 90° provocou dor intensa e movimento anormal do acrômio e da clavícula na articulação acromioclavicular (AC). PERGUNTAS: 1. Qual parte da articulação AC atingiu o gramado artifi- cial? 2. Com base em seus conhecimentos anatômicos da articu- lação AC, qual lesão você acredita ser resultado da queda sobre o ombro? 3. Você acredita que a cápsula articular foi lesionada? 4. Quais estruturas são vulneráveis nesse tipo de lesão? Quais achados clínicos são indicativos do tipo de lesão sofrida? 5. Se o jogador tivesse tropeçado na bola e caísse sobre a mão espalmada, que osso poderia ter sido fraturado? Estudo de caso 3.5 Uma mulher de 32 anos de idade, que está aprendendo a jogar tênis, tem praticado todos os dias há aproximadamente 2 semanas. Ela informou ao seu treinador que estava sentindo dor na região lateral do cotovelo que se irradiava para o ante- braço. O treinador, familiarizado com essa queixa dos alunos iniciantes, pediu que ela segurasse a raquete de tênis e esten- desse a mão na altura do punho. Ela não sentiu dor até que ele impôs resistência à extensão da mão. O treinador solicitou que indicasse a área mais dolorosa, e ela colocou o dedo no epicôndilo lateral do úmero. Quando ele comprimiu o epicôn- dilo, ela puxou o cotovelo por causa de dor intensa. O trei- nador comprimiu o tendão extensor comum e, mais uma vez, ela sentiu dor intensa. PERGUNTAS: 1. Que lesão de cotovelo essa mulher sofreu? 2. Quais são os mecanismos dessa lesão? 3. Essa lesão ocorre somente em jogadores de tênis? 4. Onde está localizado o ponto bem definido de dor à palpação nessas lesões? 5. Por que a mulher sentiu irradiação da dor ao longo da face posterolateral do antebraço? 6. Quais outras alterações as radiografias poderiam revelar nos casos crônicos? Estudo de caso 3.6 Um homem de 65 anos de idade procurou assistência médica por causa de dor surda no ombro direito que o acordava frequentemente durante a noite, sobretudo quando ele dormia com o braço direito acima do ombro. Ele informou que a dor intensa algumas vezes se irradiava pelo braço. Um amigo disse que a dor poderia ser um sintoma de doença cardíaca. Durante o exame físico, a médica constatou que ele mantinha o ombro na posição aduzida. Ela pressionou o ombro dele com firmeza logo lateralmente ao acrômio, e isso provocou dor extrema. Pediu, então, que ele elevasse o membro superior direito lentamente. Quando o braço atingiu aproximadamente 50° de abdução, ele informou que estava sentindo dor extrema (ver Figura 3.1). A dor persistiu até o braço estar bem acima do ombro (aproximadamente 130° de abdução). À medida que o braço se aproximava da cabeça, ele disse que a dor desaparecia. Figura 3.1 A B PERGUNTAS: 1. Usando seu conhecimento do manguito rotador da arti- culação do ombro, qual condição inflamatória você acre- dita ter causado esse arco de abdução dolorosa? 2. A inflamação de qual bolsa sinovial exacerbaria a dor? 3. Por que a compressão do ombro lateralmente ao acrômio provocou tanta dor? 4. Explique a base anatômica da síndrome do arco doloroso. Estudo de caso 3.7 Durante um parto difícil, o médico puxou a cabeça do feto enquanto o ombro dele ainda se encontrava no canal de parto. Esse procedimento provocou uma lesão por tração das raízes superiores (ramos anteriores) do plexo braquial. PERGUNTAS: 1. Quais raízes do plexo braquial foram provavelmente lesio- nadas? 2. Qual é o nome da paralisia que resulta dessa lesão? 3. Qual é o aspecto clínico habitual do membro superior quando essa lesão do plexo braquial ocorre? 4. Como essa lesão de nervo costuma ocorrer em adultos jovens? 5. Quais músculos são parcial ou completamente parali- sados por tração excessiva da parte superior do plexo braquial? Estudos de caso | Capítulo 3 • Membro Superior 3 Estudo de caso 3.8 Um ginasta de 28 anos de idade com história de tendinite bicipital e lesão do manguito rotador sentia dor vaga na região anterior da articulação do ombro. Ele descreveu a sensação de estouro du rante a rotina de exercício nas barras paralelas. Durante o exame preliminar, o treinador observou dor à palpação sobre o sulco intertubercular (também conhecido como sulco bicipital), comprometimento da flexão e da supi- nação do antebraço e uma protuberância anormal na parte anterior do braço do ginasta. A radiografia revelou fratura da escápula. PERGUNTAS: 1. Qual músculo foi mais provavelmente lesionado?/HUN /ITA (Utilizzare queste impostazioni per creare documenti Adobe PDF adatti per visualizzare e stampare documenti aziendali in modo affidabile. I documenti PDF creati possono essere aperti con Acrobat e Adobe Reader 6.0 e versioni successive.) /JPN /KOR /LTH /LVI /NLD (Gebruik deze instellingen om Adobe PDF-documenten te maken waarmee zakelijke documenten betrouwbaar kunnen worden weergegeven en afgedrukt. 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Qual é a causa provável da protuberância anormal na parte anterior do braço do ginasta? 5. Qual fratura da escápula poderia estar associada a essa lesão do braço? 6. Em quais outras atividades desportivas poderia ocorrer tendinite bicipital? 7. Discuta o mecanismo dessa lesão. Estudo de caso 3.9 Um golfista profissional consultou seu médico por causa de dor surda no cotovelo e ao longo da face anterior do antebraço. O médico detectou dor extrema à palpação da região do epicôndilo medial e alguma dor quando o grupo flexor- pronad or de músculos do antebraço foi comprimido. O golfista informou que a dor geralmente diminuía depois que ele acabava a partida; contudo, gradativamente tornou-se mais intensa e constante. As radiografias do cotovelo foram normais. PERGUNTAS: 1. Que lesão do cotovelo você acredita que o golfista sofreu? 2. Usando seu conhecimento anatômico do cotovelo e do grupo flexor-pronador dos músculos do antebraço, qual é o mecanismo de lesão neste caso? 3. Qual é a causa mais provável da dor desse golfista? 4. Que outra condição poderia causar esse tipo de dor no cotovelo? 5. Os golfistas são os únicos atletas que provavelmente sofrem esse tipo de lesão? Estudo de caso 3.10 Um carpinteiro de 52 anos de idade procura assistência médica por causa de intensas sensações de “agulhadas” na mão direita. As sensações também ocorriam na face palmar do polegar, do dedo indicador, do dedo médio e metade do dedo anular. Ele informou que a dor es tava piorando progres- sivamente e, com frequência, acordava durante a noite por sua causa. Além disso, ele estava tendo dificuldade em usar suas ferramentas e abotoar a camisa. Durante o exame físico, a médica não detectou comprometimento objetivo da sensibilidade na mão, mas notou discreta fraqueza dos músculos tenares. A médica informou que ele tinha uma síndrome compressiva de nervo. PERGUNTAS: 1. Usando seu conhecimento anatômico do punho, qual nervo foi comprimido? 2. Qual é o nome da síndrome compressiva descrita pelo paciente? 3. Quais condições podem provocar esse tipo de compressão de nervo? 4. Quais movimentos agravariam os sintomas? 5. Se essa condição não for tratada, quais sinais prova vel- mente surgiriam nos meses seguintes? Estudo de caso 3.11 Uma mulher de 25 anos de idade perdeu o controle enquanto estava esquiando e sofreu uma fratura grave da tíbia direita na linha da bota. Como se tratava de uma fratura cominutiva, uma placa metálica foi cirurgicamente colocada na perna da paciente para estabilizar a fratura. A paciente foi i nformada que usaria muletas por aproximadamente 3 meses. Após usar frequentemente as muletas por cerca de 6 semanas, ela apre- sentou dor e parestesia na face posterior do antebraço direito e no dorso da mão direita. Quando relatou isso para o médico, ele afirmou que esses sintomas eram resultado do uso prolon- gado e incorreto das muletas. PERGUNTAS: 1. A compressão de qual nervo provavelmente provocou a dor e a parestesia no antebraço direito e na mão direita da paciente? 2. Por que o médico afirmou que os sintomas neurológicos eram resultado do uso prolongado e incorreto das muletas? 3. Como poderia ser eliminada a compressão desse nervo? 4. Se a causa da compressão do nervo não fosse eliminada, qual seria o resultado em sua opinião? Estudo de caso 3.12 Um homem de 32 anos de idade comprou uma casa velha que precisava muito de reforma e pintura. Enquanto estava pintando o teto de um cômodo de grandes dimensões, ele sentiu dor e formigamento no ombro direito e na parte proximal do braço direito. Durante o exame físico, o médico examinou o pulso radial no punho direito dele e verificou que este diminuía quando ele elevava o braço do paciente acima do nível do ombro. Após o membro superior ser elevado por alguns minutos, o paciente relatou formiga- mento e alguma dor em torno do ombro. O médico observou cianose, edema da mão e distensão das veias superficiais do braço direito do paciente. PERGUNTAS: 1. A compressão de quais estruturas na axila poderia provocar os sinais e sintomas descritos? 2. Qual estrutura óssea poderia comprimir essas estruturas axilares? 3. Como é denominado esse tipo de síndrome compressiva? 3 4 Anatomia Orientada para a Clínica Estudo de caso 3.13 Como estudante que acabou de completar o primeiro semestre da faculdade de medicina, inclusive a disciplina anatomia macroscópica, você aproveitou a oportunidade de acompanhar um médico do atendimento primário durante seus atendimentos em uma clínica. Enquanto observava esse médico realizando um exame físico, você notou que ele colo- cava o polegar na fossa cubital de um paciente, com o cotovelo flexionado, e depois golpeava esse polegar com um martelo de reflexo. Depois disso, ele usava o martelo para golpear a margem radial dos antebraços direito e esquerdo, discreta- mente pronados, cerca de 2 cm proximalmente ao punho. Por fim, com o cotovelo do paciente flexionado aproximada- mente 90°, ele golpeou a face posterior da parte distal do braço, logo acima do cotovelo. PERGUNTAS: 1. Com base em seus conhecimentos de anatomia, quais são as estruturas específicas que o médico tentava estimular com o martelo de reflexo? 2. Que testes estão sendo realizados nessa etapa do exame? 3. Explique a base anatômica dos testes. 4. Para cada reflexo testado, arrole as estruturas específicas que precisam estar íntegras para evocar uma resposta nor mal. 5. O que constituiria uma resposta anormal (achado nega- tivo)? Estudo de caso 3.14 Um homem de 57 anos de idade estava reparando o deque anexado ao seu chalé. Após algumas horas, ele se sentia cansado mas continuou trabalhando. Logo depois, caiu da varanda e quebrou três costelas e os dois punhos. O punho esquerdo apresentava fratura parcial (fissura), enquanto a fratura do punho direito era uma típica fratura de Colles com luxação. Também ocorreu uma fratura do processo estiloide da ulna sem luxação. A fratura do rádio foi reduzida, e o punho do paciente foi imobilizado com um aparelho gessado (ante- braquiopalmar) durante quatro semanas. A fratura estava bem consolidada em 6 semanas. PERGUNTAS: 1. Qual deformidade do punho é encontrada em uma fratura de Colles típica? Explique por que isso ocorre. 2. Por que a fratura de Colles é mais comum em pessoas mais velhas? 3. Qual articulação é subluxada mais frequentemente quando não ocorre consolidação dos fragmentos radiais? 4. Os movimentos de quais outras articulações podem ser comprometidos? Estudo de caso 3.1 5 Durante um parto difícil de um feto macrossômico em apre- sentação pélvica, foi realizada flexão lateral significativa do tronco e do pescoço do feto para liberação de sua cabeça. Desde o nascimento, foram evidentes perda completa da sensibilidade e paralisia completa do membro superior direito. Além disso, o recém-nascido apresentava ptose palpe- bral à direita. PERGUNTAS: 1. Qual lesão provavelmente causou essa grave lesão do membro superior do recém-nascido? 2. Você acredita que esse tipo de lesão braquial possa ser corrigido por cirurgia (p. ex., sutura de nervos)? 3. Qual é a causa da ptose palpebral à direita? 4. Esse defeito palpebral faz parte de qual síndrome? Estudo de caso 3.16 A queixa de um homem de 20 anos de idade é a incapacidade de levantar o membro superior direito. Seu braço direito pende ao lado do corpo com o antebraço e a mão pronados. Ele conta ao médico que foi arremessado da motocicleta há aproximadamente duas semanas e que seu ombro direito colidiu contra uma árvore. Ele também informa dolorimento no pescoço pouco depois do acidente. • Exame físico: no exame, o médico constatou que o paciente não conseguia flexionar, abduzir ou rodar lateralmente o membro superiordireito. Além disso, ele perdeu a capa- cidade de flexionar a articulação do cotovelo. Foi detectada perda da sensibilidade na face lateral do braço e do ante- braço. O médico solicitou radiografias da região cervical e da cintura escapular. • Laudo da radiologia: não foram encontradas fraturas na região cervical, na cintura escapular e na parte proximal do úmero. • Diagnóstico: lesão de nervos oriundos do plexo braquial. PERGUNTAS: 1. Com base em seus conhecimentos anatômicos da iner- vação do membro superior, discuta a causa provável da perda das funções motora e sensitiva desse paciente. 2. Quais músculos foram provavelmente paralisados? 3. É provável que esse paciente recupere plenamente o uso desse membro paralisado? Estudo de caso 3.17 Um metalúrgico sofreu, no local de trabalho, um corte profundo na palma da mão ao longo do dedo médio, mas relutou em comunicar o acidente de trabalho ou notificar o responsável pelo setor. O responsável pelo setor era membro da CIPA e sentia muito orgulho em mostrar o recorde de dias sem acidentes. Embora não tenha lavado o corte, o sangramento profuso convenceu o trabalhador de que a ferida “estava se curando sozinha”. Na semana seguinte, ele colocou curativos que possibilitavam o uso das luvas de segurança. A princípio, a ferida parecia estar cica- trizando de modo satisfatório, mas no terceiro dia após o acidente o dedo da mão estava inflamado, muito edemaciado e extremamente doloroso ao toque ou ao movimento. Nos dias seguintes, a dor espontânea e o edema diminuíram, mas foram substituídos por edema menos notável e menos Estudos de caso | Capítulo 3 • Membro Superior 5 doloroso à palpação na parte central da palma da mão e por edema mais acentuado e generalizado no dorso da mão. Quando o trabalhador pensou que o problema estava melho- rando, a dor na parte central da mão piorou. Logo depois, o edema se propagou para a parte anterior do antebraço e ele apresentou febre. Por insistência de sua esposa, procurou assistência médica. • Exame físico: o dedo médio da mão estava edemaciado e discretamente doloroso. O dorso da mão estava bastante edemaciado, mas indolor ao toque. O lado ulnar da palma da mão e a face anterior do antebraço estavam edemaciados e dolorosos à palpação. O paciente relatou que o edema e a dor no antebraço estavam aumentando. Os linfonodos axilares estavam crescendo e ficando dolorosos à palpação no lado da lesão. A temperatura do paciente era de 38,3°C, e a frequência de pulso era de 84 bpm. • Laudo laboratorial: infecção por Staphylococcus. • Diagnóstico: tenossinovite supurativa (infecção purulenta de uma bainha tendínea) com infecção secundária da bolsa ulnar e do compartimento anterior do antebraço. • Tratamento: foi prescrito um esquema de antibióticos por via intravenosa. Foram realizadas incisões cirúr- gicas: (1) ao longo da face palmar do terceiro dedo da mão até a bainha sinovial; (2) através da palma no sulco palmar (desde a parte proximal até a distal) ou proximal ao mesmo; e (3) ao longo dos 5 cm distais da margem medial da ulna para drenagem do pus. Após a limpeza dos espaços teciduais infectados, foram inseridos tubos de drenagem usando dispositivos de vácuo contínuos. Os tubos foram retirados gradativamente à medida que a drenagem diminuiu, e ocorreu o fechamento da ferida. PERGUNTAS: 1. Identifique a via de infecção desde o local da lesão no terceiro dedo da mão até a parte central da mão. 2. Qual teria sido a evolução se a lesão tivesse ocorrido no dedo indicador? 3. Sabendo que os compartimentos fasciais terminam, tipi- camente, nas articulações, explique como a infecção se disseminou da palma da mão para o antebraço. 4. Como a infecção se propagaria se a lesão tivesse ocorrido no polegar ou no dedo mínimo (quinto dedo)? Em compa- ração com o caso descrito, a propagação da infecção para a face anterior do antebraço teria sido reduzida ou facili- tada (ou seja, é provável que as infecções provenientes do polegar ou do dedo mínimo se propagassem para a face anterior do antebraço mais rapidamente que uma infecção oriunda do dedo médio)? 5. Qual é a causa do edema no dorso da mão? Por que não foram feitas incisões ou colocados tubos de drenagem no dorso da mão do paciente? Estudo de caso 3.18 Um menino de 12 anos de idade caiu do skate e atingiu o cotovelo na calçada. Como ele estava sentindo muita dor no cotovelo e dormência no lado da mão, sua mãe o levou ao pediatra. O menino disse ao médico que tinha caído e acer- tado o cotovelo na calçada e logo depois começou a sentir formigamento no dedo mínimo. • Exame físico: o pediatra constatou que o menino não reagia a picadas de agulha no dedo mínimo da mão direita e na margem medial da mão. O paciente não conseguia segurar uma folha de papel com as pontas dos dedos. Suspeitando de fratura do cotovelo e lesão de nervo periférico, solicitou radiografias do cotovelo do menino. • Laudo da radiologia: foram evidenciados deslocamento (luxação) considerável da epífise do epicôndilo medial do úmero e provável estiramento e compressão de nervo. PERGUNTAS: 1. Qual nervo foi provavelmente lesionado? 2. Explique a dormência no quinto dedo da mão do menino e a incapacidade de ele segurar uma folha de papel com as pontas dos dedos. 3. Quais outros déficits são prováveis? 4. Com base em seus conhecimentos sobre degeneração e regeneração de nervos periféricos, tente prever o provável grau de recuperação das funções motora e sensitiva dessa criança. Estudo de caso 3.19 A regi ão média do úmero esquerdo de um homem jovem foi atingida com força por um taco de hóquei. Ele apresenta dor à palpação, edema, deformidade e movimentos anormais do membro superior esquerdo. • Exame físico: no exame, foram constatadas incapacidade de extensão do punho (queda do punho) e dos dedos da mão e perda da sensibilidade na pele do dorso da mão proximalmente aos dois primeiros dedos. A extensão das articulações interfalângicas foi comprometida. A medida do membro revelou algum encurtamento. Foram solicitadas radiografias do braço esquerdo do paciente. • Laudo da radiologia: a fratura da diáfise do úmero é evidente logo distal ao ponto médio do osso. O fragmento proximal do úmero estava abduzido, e o fragmento distal estava deslocado proximalmente. PERGUNTAS: 1. Com base em seus conhecimentos anatômic os, determine qual nervo periférico foi lesionado e qual artéria foi seccio- nada. 2. A flexão do cotovelo desse paciente estaria comprometida? 3. Explique os efeitos observados nesta lesão de nervo peri- férico. 4. Por que os fragmentos do úmero estão deslocados da maneira descrita? Estudo de caso 3.20 Durante um jogo de bola você cai sobre a mão espalmada com o punho hiperestendido e abduzido (desviado lateral- mente). Você diz aos amigos que apenas torceu o punho e 3 6 Anatomia Orientada para a Clínica não dá muita atenção à lesão durante aproximadamente 2 semanas. Posteriormente, procura assistência médica porque ainda sente dor no punho. Na verdade, a dor está piorando. • Exame físico: quando o ortopedista palpa profundamente sua tabaqueira anatômica, isso provoca dor localizada. Você sentiu dor, sobretudo, na face lateral do punho, principalmente quando o ortopedista pediu para estender o máximo possível o punho. Suspeitando de uma fratura, ele solicitou radiografias do seu punho. • Laudo da radiologia: foi visualizada uma pequena fratura parcial (fissura) sem luxação do maior e mais lateral osso carpal no assoalho da tabaqueira anatômica. PERGUNTAS: 1. Quais ossos carpais estão localizados no assoalho da taba- queira anatômica ? 2. A extremidade distal de qual osso do antebraço também está associada ao assoalho da tabaqueira anatômica? 3. Qual osso é habitualmente fraturado quando há dor à palpação da tabaqueira anatômica após hiperextensão forçada do punho? 4. Por que é difícil detectar a fratura desse osso? 5. Se a fratura não for detectada e imobilizada,qual condição grave pode ocorrer e por quê? Estudo de caso 3.21 Uma adolescente de 15 anos de idade com depressão cortou os punhos com uma lâmina de barbear e foi levada ao depar- tamento de emergência de um hospital. O sangramento moderado de seu punho esquerdo logo foi estancado com compressão leve. Os pequenos jatos de sangue provenientes da face lateral do punho direito foram mais difíceis de controlar. • Exame físico: o exame da mão e do punho esquerdos da adolescente constatou que os movimentos da mão eram normais e que não havia perda de sensibilidade. As seguintes observações foram feitas sobre a mão e o punho direitos: dois tendões superficiais e um nervo grande foram cortados. Ela conseguia aduzir o polegar, mas o movimento de oposição do polegar não era possível. Ela perdeu parte do controle fino dos movi- mentos do segundo e do terceiro dedo, e apresentava anestesia na metade lateral da palma e dos dedos da mão. PERGUNTAS: 1. Por que a tentativa de suicídio não foi fatal? 2. Qual(is) tendão(ões) foi(foram) mais provavelmente seccionado(s)? 3. Qual nervo calibroso foi, sem dúvida alguma, cortado? 4. Tendo em vista sua resposta à pergunta anterior, qual tendão foi certamente seccionado? 5. Qual artéria superficial parece ter sido lacerada? 6. Arrole todas as estruturas específicas afetadas e as perdas funcionais prováveis da mão e dos dedos. 7. A flexão do punho da adolescente seria comprometida? RESPOSTAS Estudo de caso 3.1 1. O local comum de fratura clavicular é a junção dos terços lateral e intermediário, sua parte mais fraca. 2. As clavículas relativamente fortes de adultos são fraturadas com menos frequência que as de crianças. Uma em cada 20 fraturas dos membros superiores envolve a clavícula, e a maioria dessas lesões ocorre em crianças e adultos que participam de esportes de contato. 3. A queda do ombro da paciente quando ela fraturou a clavícula ocorreu porque o fragmento distal (lateral) livre não conseguia mais sustentar o peso do membro superior. O acavalgamento das extremidades fraturadas da claví- cula resultou em encurtamento da clavícula, fazendo com que o membro superior fosse puxado medialmente pelo tônus do músculo peitoral maior e do músculo latíssimo do dorso. 4. Os ligamentos coracoclaviculares que ligam o processo coracoide da escápula à parte lateral da clavícula mantêm a integridade da articulação AC e são muito mais fortes que a clavícula; consequentemente, é menos provável que uma força direta aplicada ao ombro (p. ex., uma queda sobre o ombro) provoque, em vez disso, luxação da arti- culação AC e fratura da clavícula. 5. De modo geral, ocorre fratura da clavícula em um adulto de meia-idade porque a força da queda é transmitida pelos ossos do braço e do antebraço para o cíngulo dos membros superiores (cintura escapular). Nas mulheres mais velhas, a queda de uma bicicleta resultaria provavelmente em fratura da extremidade distal do rádio (fratura de Colles) porque a densidade dos ossos estaria muito diminuída por osteoporose. Estudo de caso 3.2 1. O manguito rotador é a estrutura musculotendínea que circunda a articulação do ombro (também chamada de articulação glenoumeral), sendo formada pelos tendões dos músculos supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular que se fundem com a cápsula da articulação do ombro e a reforçam. Isso confere estabilidade à articu- lação por meio da contração tônica sinérgica dos músculos que tracionam a cabeça do úmero em direção à cavidade glenoidal da escápula. 2. Força indireta aplicada ao braço abduzido (p. ex., durante uma queda enquanto a pessoa está esquiando) e micro- traumatismo frequente da articulação do ombro durante atividade de arremesso (p. ex., beisebol) lesionam o manguito rotador e o dilaceram. 3. A parte que é dilacerada mais inicialmente e mais frequen- temente é a contribuição relativamente avascular para o manguito rotador é o tendão do músculo supraespinal, quando se funde inferiormente ao acrômio para se inserir na tuberosidade maior do úmero. 4. As lesões do manguito rotador podem ocorrer em qualquer pessoa que arremesse um objeto ou caia sobre o braço abduzido. A lesão é comum em pessoas com mais de Estudos de caso | Capítulo 3 • Membro Superior 7 45 anos de idade que se esforçam fisicamente nos fins de semana ou feriados ao realizar atividades como esquiar, surfar e levantar peso. 5. O mecanismo de lesão do manguito rotador é a força indireta aplicada sobre o braço abduzido e o microtrau- matismo repetitivo da articulação do ombro. Quando o manguito rotador é rompido, é difícil iniciar a abdução do braço e a dor é intensa durante a abdução do braço em 70° a 120°. Estudo de caso 3.3 1. O nervo torácico longo para o músculo serrátil anterior foi lesionado. Durante a dissecção cirúrgica axilar, o nervo torácico longo é normalmente identificado e mantido contra a parede torácica enquanto os linfonodos são exci- sados. Entretanto, o nervo pode ser lesionado acidental- mente durante a retirada dos linfonodos. 2. A lesão do nervo torácico longo provoca paralisia do músculo serrátil anterior, o músculo responsável pela prostração da escápula e pela manutenção da margem medial em firme aposição com a parede torácica na maior parte do tempo. O potente músculo serrátil anterior também auxilia o músculo trapézio na rotação da escápula superiormente quando o braço é elevado acima da cabeça. Ao elevar o braço acima da cabeça (abdução de 120°), aproximadamente 80° do movimento ocorrem na articulação do ombro, enquanto 40° do movimento ocorrem como resultado de rotação para cima da escápula. Isso explica por que a paciente tem dificuldade para escovar o cabelo. 3. Os nervos toracodorsal, peitoral e intercostobraquial também são vulneráveis durante intervenções cirúrgicas na parte inferior da axila. 4. O nervo toracodorsal corre inferolateralmente ao longo da parede posterior da axila e penetra no músculo latís- simo do dorso no nível das costelas II e III. A pessoa com paralisia do músculo latíssimo do dorso teria difi- culdade em aduzir e rodar medialmente o braço. Os nervos peitorais suprem os músculos peitorais maior e menor. A paralisia do músculo peitoral maior compro- meteria seriamente a adução e enfraqueceria a rotação medial do braço. 5. Os nervos intercostobraquiais, os nervos cutâneos late- rais do segundo nervo intercostal, ocasionalmente têm de ser sacrificados nas dissecções axilares radicais porque esses nervos passam próximo aos linfonodos axilares até chegarem ao braço. A lesão desses nervos provoca anestesia da pele da axila e da face posterome- dial do braço. Estudo de caso 3.4 1. O acrômio da escápula provavelmente atingiu o gramado artificial (duro) primeiro. O acrômio forma a extremidade óssea do ombro. A face anteromedial do acrômio se arti- cula com a extremidade acromial da clavícula. 2. Tendo em vista o deslocamento relativamente pequeno dos ossos articulados, é provável que a lesão seja uma distensão ou subluxação da articulação AC. 3. A cápsula articular seria estirada, e a parte superior dela provavelmente seria rompida onde a clavícula foi deslo- cada para cima. 4. Se a dor e o alargamento da articulação AC forem os principais achados, muito provavelmente ocorreu luxação acromioclavicular. Nesse caso, o ligamento AC estaria completamente rompido. Se esses achados forem acompanhados por instabilidade considerável da extre- midade acromial da clavícula com assimetria clavicular, é provável que também tenha ocorrido ruptura dos liga- mentos coracoclaviculares; ou seja, uma distensão acro- mioclavicular. Lesões mais graves também ocorrem, envolvendo lesões cada vez mais graves dos músculos deltoide e trapézio. 5. Se o jogador caiu sobre a mão espalmada, ele poderia ter fraturado a clavícula. O mecanismo de lesão é a trans- missão da força traumática através do antebraço e do braço até a cintura escapular. Nesse caso, a força é trans- mitida paraa clavícula e, geralmente, não lesiona a arti- culação AC. Estudo de caso 3.5 1. Os sintomas indicam claramente que se trata de epicon- dilite lateral (cotovelo de tenista), a condição dolorosa mais comum na região do cotovelo. 2. De modo geral, essa lesão do cotovelo resulta de micro- traumatismo repetitivo da origem comum dos músculos extensores do antebraço. A epicondilite lateral representa aproximadamente 70% de todas as lesões desportivas das pessoas com 40 a 50 anos de idade. 3. Ep icondilite lateral também ocorre em pessoas que praticam beisebol, natação, ginástica, esgrima e golfe porque essas atividades exigem uso significativo dos músculos extensores do antebraço. A epicondilite lateral também pode resultar de traumatismo direto no epicôn- dilo lateral (p. ex., golpe com um taco de hóquei em coto- velo sem proteção). 4. O ponto bem definido de dor à palpação nas lesões da parte lateral do cotovelo é imediatamente distal ao epicôn- dilo lateral inflamado. 5. À medida que ocorre inflamação do tendão extensor comum, a dor é referida distalmente ao longo do tendão extensor. 6. Nos casos crônicos, as radiografias revelam calcificação distrófica na área de degeneração da origem do músculo extensor. Estudo de caso 3.6 1. A calcificação do manguito rotador musculotendíneo, sobretudo em sua parte supraespinal, é geralmente a causa da síndrome do arco doloroso. Na tendinite supraespinal calcificada aguda, o cálcio depositado no tendão do músculo supraespinal provoca dor excruciante, em caráter latejante, que não é aliviada pelo repouso. 2. A inflamação da bolsa subacromial, resultante de irritação por calcificação no manguito rotador, agrava a dor no ombro. 3 8 Anatomia Orientada para a Clínica 3. A pressão exercida no ombro lateralmente ao acrômio provocou dor porque está próximo ao tubérculo maior do úmero, onde os depósitos de cálcio frequentemente ocorrem no tendão do músculo supraespinal. 4. A síndrome do arco doloroso pode ser explicada pelo fato de que em 50° a 60° de abdução, a área inflamada do tendão do músculo supraespinal entra em contato com a face inferior do acrômio. Por causa disso, a síndrome também é denominada síndrome de impacto (pinçamento) subacromial. Essa condição é exacerbada pelo desenvol- vimento de osteófitos direcionados para baixo na margem lateral do acrômio, pinçando ainda mais o tendão do músculo supraespinal. Estudo de caso 3.7 1. Os ramos anteriores dos nervos C5 e C6, que se unem para formar o tronco superior do plexo braquial, são rompidos ou significativamente estirados durante a tração da cabeça do feto quando o ombro ainda não foi liberado. 2. A condição clínica é conhecida como paralisia de Erb ou paralisia de Erb-Duchenne. 3. O membro superior paralisado pende ao longo do corpo (aduzido) e rotado medialmente; a articulação do cotovelo está estendida e o antebraço está pronado. Consequente- mente, a face palmar da mão, em vez de estar voltada medialmente, está virada posteriormente (posição de “gorjeta do garçom”) quando o membro superior pende ao lado do corpo na posição aduzida. 4. De modo geral, uma lesão do plexo braquial superior ocorre em adultos jovens quando eles caem sobre o ombro de tal forma que o ombro é deprimido com força e a cabeça e o pescoço são violentamente flexionados para o outro lado do corpo. Essas lesões resultam, com frequência, de acidentes de motocicleta. A lesão do plexo braquial superior pode ocorrer durante um jogo de futebol americano quando um jogador está puxando a bola que outro jogador está levando e um terceiro puxa sua máscara facial de proteção. 5. Os músculos paralisados parcial ou completamente por ruptura das raízes C5 e C6 do plexo braquial são aqueles cuja única inervação ou cuja inervação principal provém de C5 e/ou C6 (p. ex., músculos supraespinal, deltoide, bíceps braquial e supinador). A atrofia do músculo deltoide resulta em desaparecimento do contorno arredondado do ombro e aspecto de queda do ombro. Estudo de caso 3.8 1. Muito provavelmente ocorreu lesão da cabeça longa do músculo bíceps braquial do paciente. 2. A sensação de estouro e a dor à palpação sobre o sulco intertubercular sugerem ruptura do tendão da cabeça longa do músculo bíceps braquial. 3. O comprometimento da flexão e da supinação do ante- braço apoiam a hipótese de que o músculo bíceps braquial foi lesionado porque participa nesses dois movimentos do membro superior. 4. A protuberância é, sem dúvida alguma, formada pelo ventre tonicamente contraído da cabeça longa rompida do músculo bíceps braquial. 5. Uma fratura por avulsão do tubérculo supraglenoidal da escápula, a inserção proximal da cabeça longa do músculo bíceps braquial. Pode ocorrer e possibilitar o deslocamento do tendão do músculo bíceps braquial do sulco intertu- bercular. 6. Tendinite bicipital, a segunda causa mais comum de dor no ombro, ocorre em pessoas que praticam uma ampla gama de desportes com arremesso, natação e uso de raquetes. A ruptura do tendão do músculo bíceps braquial também pode resultar de contração vigorosa súbita contra resistência (p. ex., durante um arremesso de beisebol, softball ou futebol americano). 7. Essa lesão resulta de microtraumatismo repetitivo do tendão do músculo bíceps braquial e de sua bainha sino- vial enquanto desliza no sulco intertubercular do úmero (conhecido na clínica como sulco bicipital) durante flexão e supinação do antebraço. O uso constante do músculo pode causar desgaste, por fim, ruptura do tendão. Estudo de caso 3.9 1. Os sinais e sintomas sugerem que o golfista apresenta uma lesão no cotovelo denominada epicondilite medial (coto- velo do golfista). 2. O mecanismo da lesão que resulta em epicondilite medial é, em geral, sobrecarga (tensão) medial do coto- velo por microtraumatismo repetitivo do grupo flexor- pronador de músculos do antebraço na inserção do tendão comum dos músculos flexores, o epicôndilo medial. 3. A causa provável da dor na epicondilite medial é a infla- mação do epicôndilo medial e do tendão comum do grupo flexor-pronador dos músculos do antebraço. 4. Uma distensão do ligamento colateral ulnar do cotovelo também poderia provocar dor na parte medial do cotovelo. Esse ligamento passa do epicôndilo medial para o processo coronoide e para o olécrano da ulna. 5. Apesar de sua denominação comum (cotovelo do golfista), a epicondilite medial ocorre basicamente em tenistas que sacam com torção. Também resulta da fase de aceleração em esportes de arremesso. Estudo de caso 3.10 1. O nervo mediano foi comprimido no punho no ponto onde passa sob o retináculo dos músculos flexores (também conhecido como ligamento transverso do carpo). 2. Essa condição razoavelmente comum é denominada síndrome do túnel do carpo. 3. Essa síndrome pode ser causada por várias condições: edema de traumatismo agudo e crônico, cisto sinovial no túnel do carpo, osteófitos (projeções dos ossos carpais), lipoma, tenossinovite (inflamação de um tendão e de sua bainha sinovial) e prática excessiva de exercícios físicos. 4. As manifestações da síndrome do túnel do carpo (p. ex., alterações sensitivas na parte lateral da mão, inclusive no dedo indicador, do dedo médio e metade do dedo anular) são agravadas por movimentos do punho. Estudos de caso | Capítulo 3 • Membro Superior 9 5. Se não fosse tratada, a compressão do nervo mediano poderia provocar achados objetivos de perda sensitiva (p. ex., usar ponta de agulha no teste de sensibili dade) e fraqueza e atrofia dos músculos da mão (ver Fi- gura 3.2). Figura 3.2 Estudo de caso 3.11 1. A dor e a parestesia no antebraço e na mão da paciente resultaram, inegavelmente, de compressão neural na axila porque todos os sintomas estão relacionados com a distri- buição do nervo radial. 2. O uso prolongado e incorreto de muletas com apoio axilar coloca a maior parte do peso do corpo na axila em vez de nas mãos. Isso provoca compressão intermitente do nervoradial quando este sai da axila. 3. A pessoa deve ser orientada sobre como usar as muletas do tipo axilar, ou seja, que o peso corporal deve ser susten- tado nas mãos em vez de nas axilas. Todavia, seria melhor optar por muletas com apoio nos cotovelos. 4. Se não for eliminada a compressão do nervo radial (“para- lisia da muleta”), pode ocorrer paralisia dos músculos extensores dos dedos das mãos e do punho. Essa lesão neurológica é totalmente reversível, desde que a causa seja eliminada. Estudo de caso 3.12 1. A compressão de artéria e veia axilares e dos fascículos do plexo braquial poderia provocar os sinais/sintomas descritos pelo paciente: • Compressão do nervo axilar: parestesia no ombro e na parte proximal do membro superior e enfraquecimento da abdução do membro superior • Compressão da artéria axilar: enfraquecimento do pulso radial • Compressão da veia axilar: edema da mão e distensão das veias superficiais do membro superior. 2. As estruturas axilares poderiam ser pinçadas ou compri- midas entre o processo coracoide da escápula e o tendão do músculo peitoral menor durante hiperabdução prolon- gada do braço (ver Figura 3.3). 3. Esse tipo de síndrome compressiva é denominado síndrome de hiperabdução do braço. Os sinais e sintomas dependem de qual(is) fascículo(s) do plexo braquial é(são) comprimido(s). Estudo de caso 3.13 1. O médico está tentando provocar estiramento abrupto dos tendões dos músculos bíceps braquial, braquiorradial e tríceps braquial. 2. O médico está avaliando os reflexos tendinosos profundos ou miotáticos da pessoa no membro superior. Testes seme- lhantes também serão realizados nos membros inferiores. 3. O estiramento abrupto do tendão estimula terminais sensitivos primários (os receptores de estiramento dos fusos musculares) na parte carnosa do músculo, fazendo com que os impulsos nervosos sejam conduzidos para o gânglio espinal sensitivo (raiz posterior) do nervo espinal que supre o músculo. O prolongamento central do neurônio aferente faz sinapse com o neurônio eferente (motor) e o estimula no segmento associado da medula espinal. O neurônio eferente, por sua vez, envia um impulso estimulante para o músculo, evocando uma contração curta. Esses reflexos específicos são simples e monossinápticos (dois neurônios). 4. Em cada reflexo é crucial que o neurônio aferente, o neurônio eferente e o segmento da medula espinal onde fazem sinapse estejam íntegros. No reflexo bicipital, produzindo flexão visível ou palpável do cotovelo, o nervo musculocutâneo conduz fibras aferentes e eferentes. Esse teste avalia os segmentos C5 e C6 da medula espinal. No reflexo braquiorradial, produzindo pronação do antebraço e discreta flexão do cotovelo, o nervo radial carreia fibras aferentes e eferentes, e, ainda, avalia C5 e C6 da medula espinal. No reflexo tricipital, o nervo radial carreia fibras aferentes e eferentes, e os segmentos C6 a C8 da medula espinal são testados. 5. Respostas anormais aos reflexos miotáticos incluem ausência de resposta, resposta alentecida ou diminuída, Músculo escaleno médio Músculo escaleno anterior Plexo braquial Feixe neurovascular Processo coracoide da escápula Artéria subclávia Veia subclávia Músculo peitoral menor Figura 3.3 3 10 Anatomia Orientada para a Clínica resposta hiperativa vigorosa e clônus intermitente ou tran- sitório (contrações e relaxamentos em rápida sucessão). O médico explica que, como regra geral, reflexos miotá- ticos hiperativos sugerem lesões do neurônio motor supe- rior (sistema nervoso central) como as provocadas por acidente vascular cerebral, enquanto reflexos miotáticos hipoativos ou ausentes sugerem lesões do neurônio motor inferior (sistema nervoso periférico) (como as provocadas por traumatismo, hérnia de disco intervertebral ou diabetes melito). Estudo de caso 3.14 1. A anormalidade clínica típica do punho em uma fratura de Colles é a deformidade em dorso de garfo de jantar resultante do deslocamento posterior e inclinação do frag- mento radial distal. Tipicamente, a mão exibe desvio lateral por causa do deslocamento da parte distal do rádio. Os processos estiloides da ulna e do rádio estão no mesmo nível, em vez de o processo estiloide do rádio ser mais distal que o processo estiloide da ulna (posição normal). 2. A fratura de Colles é mais comum em pessoas acima de 50 anos de idade, sobretudo mulheres, porque a densidade óssea está frequentemente diminuída (osteoporose) após a menopausa. 3. A articulação radiulnar distal pode ser subluxada quando não há consolidação satisfatória da fratura de Colles. 4. Os movimentos do punho e da articulação radiulnar podem estar limitados. Estudo de caso 3.15 1. A flexão lateral do dorso e do pescoço do recém-nascido lesionou significativamente todo o plexo braquial e, prova- velmente, rompeu um ou mais de seus troncos. 2. Esse tipo grave de lesão envolvendo todo o plexo braquial não é suscetível à intervenção cirúrgica porque é provável que alguns dos ramos anteriores tenham sofrido avulsão da medula espinal. 3. A queda da pálpebra superior (ptose) foi causada por lesão das fibras simpáticas na raiz do primeiro nervo torácico. A queda da pálpebra superior faz parte da síndrome de Horner; outras manifestações são constrição pupilar (miose) e ausência de sudorese na face (anidrose). Estudo de caso 3.16 1. Quando o homem jovem foi projetado de sua motocicleta e atingiu uma árvore, seu ombro direito foi puxado violen- tamente para longe da cabeça. Isso tracionou o tronco superior do plexo braquial, estirando ou rompendo os ramos primários anteriores dos nervos espinais C5 e C6. Como resultado, os nervos oriundos desses ramos e o tronco superior são comprometidos e ocorre paralisia dos músculos supridos por eles. 2. Os músculos envolvidos seriam o deltoide, o bíceps braquial, o braquial, o braquiorradial, o supraespinal, o infraespinal, o redondo menor e o supinador. O braço do paciente foi rodado medialmente por causa da paralisia dos músculos infraespinal e redondo menor (rotadores laterais do ombro). O antebraço estava pronado em decorrência da paralisia dos músculos supinador e bíceps braquial. A flexão do cotovelo estava comprometida por causa da paralisia dos músculos braquial e bíceps braquial. A incapacidade de flexionar o úmero resultou da paralisia dos músculos deltoide e coracobraquial e, provavelmente, da cabeça clavicular do músculo peitoral maior. A perda da abdução do úmero resultou de paralisia dos músculos supraespinal e deltoide. 3. A paralisia dos músculos do membro seria permanente se as radículas nervosas que formam os ramos de C5 e C6 fossem “puxadas” da medula espinal. Como essas radículas não poderiam ser suturadas na medula espinal, os axônios dos nervos não regenerariam e os músculos supridos por eles atrofiariam. Os movimentos do ombro e do cotovelo serão muito comprometidos, por exemplo a pessoa terá dificuldade de levar um copo à boca com o braço direito. A perda de sensibilidade no braço resultou de lesão às fibras sensitivas de C5 e C6 no nervo cutâneo braquial lateral superior (a partir do nervo axilar), do nervo cutâneo braquial lateral inferior (a partir do nervo radial) e do nervo cutâneo antebraquial lateral (a partir do nervo musculocutâneo). Estudo de caso 3.17 1. O corte no dedo da mão do paciente possibilitou a pene- tração dos estafilococos na bainha fibrosa dos dedos, que, após cicatrização suficiente para reestabelecer um compar- timento fechado, torna-se intumescida com infecção. A infecção acaba rompendo a membrana sinovial na entrada da bainha (proximalmente à cabeça do terceiro meta- carpal), propagando-se para o espaço palmar médio da mão. 2. Se a lesão e a infecção tivessem envolvido o dedo indicador, a infecção teria se propagado para o espaço tenar em vez de para o espaço palmar médio, causando edema no lado radial da palma da mão. 3. A maioria dos compartimentos fasciais acaba nas articula-ções. O túnel do carpo é um caso excepcional, entretanto, proporcionando continuidade entre os espaços palmares e o compartimento anterior do antebraço. 4. As bainhas tendíneas sinoviais do polegar e do dedo mínimo são continuações das bainhas radial e ulnar, respectivamente. Elas são bainhas tendíneas que começam proximalmente ao retináculo dos músculos flexores. Essas vias contínuas permitiriam a propagação mais direta e rápida da infecção para o compartimento anterior do ante- braço. 5. A tumefação evidente sob a pele frouxa no dorso da mão se deve a edema (excesso de linfa) indicando que o sistema linfático tentou (sem sucesso) combater e remover a infecção. A tumefação e a dor à palpação dos linfonodos axilares ipsolaterais também indicam acometimento linfá- tico. É importante lembrar que o local de maior tumefação nem sempre se correlaciona com o local da lesão nem com o local de acúmulo de pus. A linfa se acumula nesse local por causa da natureza frouxa do tecido. Embora fosse necessária remoção da infecção (pus) por método cirúr- gico, as incisões cirúrgicas, geralmente, não são efetivas nem necessárias no tratamento do edema. Estudos de caso | Capítulo 3 • Membro Superior 11 Estudo de caso 3.18 1. Evidentemente o nervo ulnar foi lesionado pela epífise deslocada do epicôndilo medial. O epicôndilo medial não se funde completamente com o lado da diáfise até os 16 anos de idade em homens (14 anos de idade em mulheres). Embora a separação da epífise seja, ocasional- mente, denominada “fratura epifisial” ou fratura-luxação, é melhor descrever essa lesão como descolamento da epífise do epicôndilo medial. Se esse acidente envolvesse uma pessoa com mais de 16 anos de idade, poderia ter ocorrido fratura do epicôndilo medial. Como a lâmina epifisial é mais frágil que o osso circundante nas crianças, um golpe direto que provoca fratura em adolescentes mais velhos e em adultos provavelmente provocará uma lesão na lâmina epifisial nas crianças. 2. Como o nervo ulnar passa posteriormente ao epicôndilo medial e entre o epicôndilo medial e o olécrano, é vulne- rável a lesões no cotovelo. Essa lesão provoca paralisia de músculos e alguma perda de sensibilidade na área de pele suprida pelo nervo ulnar. A percepção de tato leve costuma ser perdida no quinto dedo e na metade medial do quarto dedo, e a resposta a picadas de agulha é perdida no quinto dedo e na margem medial da palma da mão. Sabendo que os músculos interósseos são supridos pelo nervo ulnar, o pediatra verificou se havia fraqueza desses músculos colo- cando um pedaço de papel entre os dedos da mão plena- mente estendidos do menino e pedindo a ele para segurar com o máximo de firmeza possível enquanto tentava puxá-lo (ver Figura 3.4). A incapacidade de aduzir os dedos é um sinal clássico de paralisia dos músculos interósseos palmares e lesão do nervo ulnar. 3. Provavelmente ocorreu perda de outros movimentos musculares, inclusive: • Incapacidade de abduzir os dedos (paralisia dos músculos interósseos dorsais) • Perda da adução do polegar (paralisia do músculo adutor do polegar) • Fraqueza da flexão do quarto e do quinto dedo da mão na altura das articulações metacarpofalângicas (paralisia dos dois músculos lumbricais mediais) • Comprometimento da flexão e da adução do punho (para- lisia do músculo flexor ulnar do carpo) • Preensão insatisfatória do quarto e do quinto dedo da mão (paralisia dos músculos interósseos palmares) • Incapacidade de flexionar as articulações interfalângicas distais (IFD) do quarto e do quinto dedo da mão (paralisia dos músculos lumbricais e interósseos e parte do músculo flexor profundo dos dedos) • Como o nervo ulnar supre todos, com exceção de cinco dos músculos intrínsecos da mão, a lesão desse nervo na altura do cotovelo exerce seus efeitos primários na mão. 4. Visto que foi esmagado em vez de seccionado, o nervo ulnar não exige sutura porque novos axônios podem crescer para a parte do nervo distal à lesão nas bainhas endoneurais originais e nas bainhas de neurilema, reiner- vando os músculos paralisados. Assim, após uma lesão neural por esmagamento, como nesse caso, a restauração da função deve ocorrer em alguns meses com fisioterapia apropriada. Estudo de caso 3.19 1. A incapacidade desse homem jovem de estender a mão na altura do punho (queda do punho) indica lesão do nervo radial. Como a fratura está localizada na diáfise do úmero, é provável que o nervo radial tenha sido lesionado no ponto onde passa diagonalmente através do úmero no sulco do nervo radial. O nervo é especialmente suscetível à lesão nessa localização por causa da proximidade com o úmero. 2. A flexão do cotovelo estaria enfraquecida e dolorosa quando o antebraço está na posição média entre pronação e supinação. Lembre-se de que o nervo radial supre o músculo braquiorradial, um músculo flexor do cotovelo nessa posição. 3. O nervo radial não supre músculos na mão, mas supre músculos cujos tendões passam para a mão; assim, o paciente não consegue estender suas articulações meta- carpofalângicas. Como os músculos lumbricais (supridos pelos nervos mediano e ulnar) e interósseos (supridos pelo nervo ulnar) estão preservados, ele consegue flexionar as articulações metacarpofalângicas e estender as articulações interfalângicas. Todavia, a potência de extensão dos dedos não seria normal. A área de perda sensitiva é, com frequência, mínima após lesão do nervo radial porque seu território de suprimento exclusivo é pequeno. O grau de perda sensitiva varia de uma pessoa para outra, dependendo da superposição dos nervos adjacentes. Algumas vezes não é detectável perda de sensibilidade.Figura 3.4 B. Abdução A. Adução 3 12 Anatomia Orientada para a Clínica 4. O encurtamento do braço do paciente ocorreu porque os fragmentos fraturados foram afastados. A contração do músculo deltoide abduz a parte proximal do úmero. A contração proximal dos músculos tríceps braquial, bíceps braquial e coracobraquial traciona o fragmento distal superiormente. Embora a artéria braquial profunda acompanhe o nervo radial no sulco do nervo radial e possa ser seccionada por fragmentos ósseos, não é provável que os músculos e as estruturas irrigadas por essa artéria (p. ex., o úmero) sofram isquemia por causa das anastomoses da artéria recorrente radial com a artéria braquial profunda. Essa comunicação deve fornecer sangue suficiente para as estruturas irrigadas pela artéria lesionada. Estudo de caso 3.20 1. Os ossos laterais do carpo (escafoide e trapézio) se loca- lizam no assoalho da tabaqueira anatômica. 2. Essa depressão na base do polegar é limitada proximal- mente pelo processo estiloide do rádio e distalmente pela base do primeiro metacarpal. 3. Fratura do osso escafoide é a lesão carpal mais comum e, em geral, resulta de queda sobre a mão, forçando o punho em hiperextensão. 4. Nenhuma outra fratura em adultos é mais frequentemente negligenciada por ocasião da lesão porque essas fraturas são, muitas vezes, fissuras sem perda da congruência arti- cular. A subsequente reabsorção óssea no local da fratura torna a fissura mais radiotransparente e mais evidente após 10 a 14 dias. 5. Por causa da posição e do tamanho relativamente pequeno do osso escafoide, é difícil imobilizá-lo. O movi- mento continuado do punho resulta, com frequência, em ausência de consolidação dos fragmentos ósseos. De modo geral, ocorrem deslocamento e ruptura dos liga- mentos com consequente interferência na irrigação sanguínea de um dos fragmentos. Necrose isquêmica da metade proximal do osso escafoide pode ocorrer. Duas artérias nutrícias costumam irrigar o osso: uma irriga a metade proximal, e a outra irriga a metade distal. Às vezes, as duas artérias irrigam a metade distal, e a metade proximal separada não é irrigada. A isquemia resultante pode retardar a consolidação dos fragmentos ou até mesmo interrompê-la. Estudo de caso 3.21 1. A paciente não cortou opunho profundamente do lado esquerdo; o sangramento discreto provavelmente se deveu ao corte de veias superficiais. Os tendões mais superficiais protegeram as artérias de localização mais profunda. 2. Do lado direito, ela certamente cortou o tendão do músculo palmar longo. Provavelmente, também cortou o tendão do músculo flexor radial do carpo e, muito possivelmente, alguns dos tendões do músculo flexor superficial dos dedos. 3. Tendo em vista os achados no exame físico, é óbvio que o nervo mediano foi seccionado ou substancialmente lesionado. 4. No punho, o nervo mediano está localizado profunda e lateralmente ao tendão do músculo palmar longo. 5. O discreto jato de sangue no punho direito sugere que ela provavelmente cortou o ramo palmar superficial da artéria radial. Esse ramo deriva da artéria radial proximalmente ao punho. 6. O seccionamento do nervo mediano no punho da paciente resultou em paralisia dos seus músculos tenares e dos dois primeiros músculos lumbricais. A paralisia dos músculos tenares explica a incapacidade de oposição do polegar. Como o nervo interósseo posterior (ramo do nervo radial) não foi comprometido, ela poderia abduzir o polegar com seu músculo abdutor longo do polegar, mas algum compro- metimento desse movimento ocorreria por causa da para- lisia do músculo abdutor curto do polegar, suprido pelo ramo recorrente do nervo mediano. A adolescente poderia estender o polegar normalmente usando os músculos extensor longo do polegar e extensor curto do polegar. Uma vez que a inervação do músculo adutor do polegar (pelo ramo profundo do nervo ulnar) estava conservada, ela poderia aduzir o polegar. Por causa da paralisia dos dois primeiros músculos lumbricais e da perda de sensibilidade no polegar e nos dedos adjacentes indicador, médio e metade do anular e nos dois terços radiais da palma da mão, ela perdeu o controle fino (discriminativo) do segundo e do terceiro dedo da mão. Portanto, o seccionamento do nervo mediano provocou grave incapacidade da mão. Em algumas semanas, ocorrerá atrofia dos músculos tenares. 7. A secção dos tendões dos músculos palmar longo e flexor radial do carpo enfraqueceria a flexão do punho dela. Além disso, se ela tentasse flexionar o punho, sua mão seria tracio- nada para o lado ulnar pelo músculo flexor ulnar do carpo, que não foi comprometido por ser suprido pelo nervo ulnar. > /ColorImageDict > /JPEG2000ColorACSImageDict > /JPEG2000ColorImageDict > /AntiAliasGrayImages false /CropGrayImages false /GrayImageMinResolution 150 /GrayImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleGrayImages true /GrayImageDownsampleType /Bicubic /GrayImageResolution 300 /GrayImageDepth -1 /GrayImageMinDownsampleDepth 2 /GrayImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeGrayImages true /GrayImageFilter /DCTEncode /AutoFilterGrayImages true /GrayImageAutoFilterStrategy /JPEG /GrayACSImageDict > /GrayImageDict > /JPEG2000GrayACSImageDict > /JPEG2000GrayImageDict > /AntiAliasMonoImages false /CropMonoImages false /MonoImageMinResolution 1200 /MonoImageMinResolutionPolicy /OK /DownsampleMonoImages true /MonoImageDownsampleType /Bicubic /MonoImageResolution 600 /MonoImageDepth -1 /MonoImageDownsampleThreshold 1.50000 /EncodeMonoImages true /MonoImageFilter /CCITTFaxEncode /MonoImageDict > /AllowPSXObjects true /CheckCompliance [ /None ] /PDFX1aCheck false /PDFX3Check false /PDFXCompliantPDFOnly false /PDFXNoTrimBoxError true /PDFXTrimBoxToMediaBoxOffset [ 0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXSetBleedBoxToMediaBox true /PDFXBleedBoxToTrimBoxOffset [ 0.00000 0.00000 0.00000 0.00000 ] /PDFXOutputIntentProfile (U.S. Web Coated \050SWOP\051 v2) /PDFXOutputConditionIdentifier (CGATS TR 001) /PDFXOutputCondition () /PDFXRegistryName (http://www.color.org) /PDFXTrapped /False /CreateJDFFile false /Description /BGR /CHS/CHT /CZE /DAN /DEU /ESP /ETI /FRA /GRE /HEB /HRV