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Conteudista: Prof. Me. Claudio Donizetti Brites da Silva Revisão Textual: Esp. Laís Otero Fugaitti Objetivos da Unidade: Rever conceitos basilares da definição de saúde mental segundo a Organização Mundial da Saúde e outros modelos de definição de saúde; Refletir sobre o conceito de saúde mental no contexto da saúde coletiva; Dissertar sobre os impactos das estruturas econômicas, políticas e sociais na saúde mental; Apresentar a estrutura do Sistema Único de Saúde na sua relação com saúde mental. 📄 Contextualização 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Conceitos e Reflexões sobre Saúde Mental O Brasil é um país de idosos? Essa é uma perspectiva muito comum atualmente. Durante muito tempo, o Brasil foi classificado como um país jovem ou de “meia-idade”. Contudo, diante de um cenário no qual a tecnologia e os recursos necessários à manutenção da vida e à longevidade se ampliam, e as pessoas vêm tendo cada vez menos filhos, essa realidade vai mudando e o número de idosos vai crescendo exponencialmente. Segundo a fundação Previva, em 2019, o número de idosos no Brasil chegou a 32,9 milhões. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a tendência de envelhecimento da população vem se mantendo e o número de pessoas com mais de 60 anos no país já é superior ao de crianças com até 9 anos de idade. Para compreender melhor esse cenário, é importante o estudo do assunto e de seu impacto na saúde mental da população adulta e idosa. Página 1 de 4 📄 Contextualização Vídeo Até 2050, o Brasil Terá Mais de 30% de Idosos Indicamos o vídeo a seguir. Nele, o médico Alexandre Kalache apresenta números e comenta sobre o rápido envelhecimento da população, principalmente no Brasil, e o impacto disso no cenário global. Até 2050, o Brasil terá mais de 30% de idososAté 2050, o Brasil terá mais de 30% de idosos https://www.youtube.com/watch?v=MI43UyFfaOI Introdução A Agência Brasil publicou em 2022 que o levantamento de 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que pessoas com 60 anos ou mais já representavam, naquele ano, 14,7% da população residente no Brasil. Esse é um aumento de 39,8% nos últimos nove anos (RODRIGUES, 2022). A partir do mesmo levantamento, o IBGE pontua uma tendência de queda na população jovem, em números absolutos. Esse cenário indica o peso econômico gerado em torno da faixa economicamente ativa e a pouca distribuição em diversas fases etárias. Obviamente esse impacto econômico é também social, e cada vez mais pessoas idosas são responsáveis pela manutenção de famílias inteiras e todas as responsabilidades em torno disso, o que não correspondia a cenários anteriores. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Página 2 de 4 📄 Material Teórico Leitura Contingente de Idosos Residentes no Brasil Aumenta 39,8% em 9 Anos https://bit.ly/3RG2PHV E por que trazer a questão econômica e da responsabilidade social na introdução deste material a respeito de saúde mental? Veremos aqui que a saúde mental está diretamente correlacionada a fatores econômicos, políticos, culturais e de relações sociais, principalmente na fase adulta. Embora tais quesitos sempre estejam presentes no cuidado com a saúde mental dos indivíduos, em todas as idades, a responsabilidade em torno de dar conta da vida econômica dos familiares e da sociedade como um todo é fonte de diversas demandas mentais, o que causa estresse e ansiedade, entre outros afetos e emoções. Quando falamos da pessoa idosa, então, continuar nessa posição de responsável pela sustentação da família é também motivo de frustração. Isso porque, culturalmente, espera-se entrar em uma fase de estabilidade, cuidado pessoal e descanso depois de anos dedicados ao trabalho, principalmente depois dos 60-65 anos, data inicialmente aceita no Brasil como da fase de aposentadoria. Romper com essa expectativa gera amplo mal-estar e tem resultado evidente nas ações de cuidado com saúde mental nessa faixa etária, mas também antes, pois as pessoas como um todo precisam rever seus planos a respeito do futuro diante da insegurança do envelhecimento. Aliás, a imagem do aposentado tranquilo é uma cena de cinema já não tão corrente. Hoje temos filmes e seriados nos quais pessoas acima dos 60 anos se colocam em histórias que interrompem a tranquilidade de suas aposentadorias, como na série Grace e Frank, na qual duas mulheres precisam empreender depois de um divórcio que acontece por volta dos 75 anos de idade, exigindo que as duas se reinventem. Na década de 1980, mais precisamente em 1985, filmes como Cocoon, que questionavam a imagem do idoso no asilo esperando a morte, eram raros; um idoso ativo, com desejo sexual e vontade de se divertir era algo alienígena. Hoje, por conta das tecnologias em torno da Medicina e da Farmacêutica, entre outras – cada vez mais centradas em dar conta da longevidade, e surtindo efeito positivo –, não é fora do comum ver uma pessoa com 80 ou 90 anos aparentando de 20 a 30 anos a menos, tanto na aparência “esperada” – a figura cheia de rugas e cabelos brancos – quanto na disposição, característica que se espera somente na “juventude”. Percebe quantos paradigmas temos a respeito do amadurecer e do envelhecer? Figura 1 – Pôster do filme Cocoon, de 1985 Fonte: Divulgação #ParaTodosVerem: pôster do filme Cocoon, com um píer no mar à noite, com a luz refletindo na água. Fim da descrição. Filme Cocoon A formação em saúde mental, especificamente na área do adulto e idoso, é fundamental para que diversos profissionais da saúde tenham a capacidade de lidar com problemas cada vez mais comuns no cenário da área, como a presença de transtornos mentais e seus impactos, além de prepará-los para lidar com questões específicas relacionadas ao envelhecimento, como a perda de habilidades e a dependência. Essas questões não estão presentes só em instituições próprias ao cuidado em saúde mental, mas também em hospitais gerais, clínicas de saúde particulares, Unidades Básicas de Saúde (UBS), escolas e empresas. Pensar nisso é mais do que necessário. Se não compreendermos o processo de ressignificação que a ciência está promovendo em relação às fases da vida, principalmente da vida adulta e da pessoa idosa no século XXI – já que a infância e a adolescência foram tema de retrabalho durante grande parte do século XX Conhece o filme Cocoon, de 1985? Além de divertida, essa ficção científica nos ajuda a perceber algo do que seria a problematização do etarismo, que tomaria conta dos debates do século XX. Cocoon (Trailer)Cocoon (Trailer) https://www.youtube.com/watch?v=HHamE8gmA8Q –, iremo-nos pautar em parâmetros de saúde, progresso, qualidade de vida e desenvolvimento social completamente desatualizados e fora dos limites expandidos que esse novo cenário promove – no que diz respeito tanto a ganhos quanto a perdas, soluções e problemas. Se vamos viver tanto, precisamos repensar o consumo de recursos, a estrutura das cidades, da prestação de serviços, das relações afetivas, entre tantos outros temas. Contudo, antes de falarmos mais sobre a questão etária e sua relação com a saúde mental, delinearemos aqui os conceitos de saúde e de saúde mental, para que você possa compreender o que estamos falando quando tratamos desses termos. Definir a cronologia que marca o envelhecimento ou, ainda, que nos permite dizer quando uma pessoa pode ser chamada de idosa é cada vez mais difícil, mesmo estando aparados em leis que tentam organizar essa parametrização, até por conta das políticas públicas em torno do assunto. Isso também vale para o conceito de saúde: veremos que sua caracterização é diversa e pede que façamos uma escolha, a qual nos indicará inclusive o caminho a seguir na hora de pensar a questão etária. Isso mesmo, escolher a nossa visão de saúde também nos ajudará a elencar o que entendemos por vida adulta e envelhecimento. Saúde e Saúde Mental em Diversos Modelos de Saúde A OrganizaçãoMundial da Saúde (OMS, 1946) define saúde como um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de doença ou enfermidade. Essa definição foi adotada pela OMS em 1948 e se baseia em uma visão holística e abrangente da saúde, que inclui aspectos físicos, mentais e sociais. A origem desse conceito tem raízes nas teorias da medicina tradicional, como a medicina ayurveda da Índia e a medicina tradicional chinesa, que reconhecem a importância de equilibrar o corpo, a mente e o espírito para alcançar o bem-estar. Outras fontes conceituais incluem a filosofia grega antiga, que enfatizava a harmonia entre o corpo e a mente, e a medicina naturalista, que enfatizava a importância da natureza e do meio ambiente para a saúde. A OMS também se baseou em conceitos desenvolvidos por pensadores e profissionais de saúde do século XX, que tinham a importância da saúde pública como centro do seu pensamento, destacando a saúde enquanto direito humano inalienável, devendo ser vista como um recurso para o desenvolvimento econômico e social. Tal definição foi essencial para guiar as políticas e programas de saúde da OMS e aqueles que ela validaria, incluindo a promoção de estilos de vida saudáveis, o acesso universal aos cuidados de saúde e a melhoria do meio ambiente para a saúde. Atualmente, essa definição ainda é usada como base para as ações de saúde no mundo todo, inclusive no Brasil, e é considerada uma visão basilar do conceito. Embora tenha uma importância inquestionável, porque tira a saúde do campo exclusivamente médico e sanitário, fica evidente o quanto esse equilíbrio do qual fala a OMS é algo muito aquém da realidade da maioria das pessoas no mundo. Embora seja um horizonte a ser seguido, parece algo distante, o que nos faz questionar, a partir dele, se existiria alguém saudável em todo o planeta quando consideramos esse quadro. Por conta disso, a definição da OMS é muito criticada e outras são elencadas atualmente quando queremos pensar conceitualmente o termo. Inclusive, se saúde seria um conceito possível de ser esquadrinhado pela ciência. Em 1986, em Ottawa, no Canadá, foi realizada a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. Desse evento surgiu a Carta de Ottawa, a qual retoma e aprofunda o conceito da OMS e o completa quarenta anos depois. Também é de 1986 a VIII Conferência Nacional de Saúde, que promoveu em território nacional as ideias que foram trabalhadas no Canadá. Como nos trazem Backes et al. (2009), esses eventos destacam a imagem da saúde como algo para além da ausência de doença, mas um estado humano complexo, orientador da própria vida, das decisões humanas e das relações sociais. Leitura Carta de Ottawa A Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em novembro de 1986, apresentou um documento de Carta de Intenções que, seguramente, contribuiu para diversas reflexões no campo da saúde depois do evento – tanto que o conceito de prevenção e promoção da Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE A vida se manifesta por meio dos estados de saúde e doença, os quais envolveriam o que recentemente é denominado qualidade de vida, por exemplo, conceito que abrange diversos determinantes, como paz, tranquilidade, segurança, educação, ecossistema estável, equidade e justiça social. Assim, é fácil perceber que, dentro da organização humana, a promoção em saúde, conceito também recente, necessitaria do envolvimento em rede das diversas instituições que cuidam de realizar esses desejos sociais. Diante disso, os autores também afirmam o já citado aqui: a dificuldade que o conceito traz, mesmo sendo importante para guiar teorias e práticas, diante do fato de delinear uma saúde em múltiplas dimensões, o que, nas palavras desses autores, não tem como ser abarcado em toda sua totalidade por nenhuma teoria. saúde passou a ser presente pelas próximas décadas no campo dos estudos em saúde, até hoje. - BACKES et al., 2009, p. 112 “Nesse sentido, direito à saúde significa a garantia, pelo Estado, de condições dignas de vida e de acesso universal e igualitário às ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, em todos os seus níveis, a todos os habitantes do território nacional, levando ao desenvolvimento pleno do ser humano em sua individualidade.” https://bit.ly/3teF6V7 “E para que, então, insistir em um conceito como o da OMS, de valor mundial?”, você deve estar se perguntando. Utilizamos novamente as palavras de Backes et al. (2009, p. 112): “[…] sendo a vida mais complexa do que os conceitos que lhe são atribuídos, é justamente através dos conceitos que as intervenções operativas são viabilizadas”. Viabilizar o cuidado em saúde e as ações propostas nos ajuda a compreender o conceito em si e, mais do que isso: a que e a quem ele serve. Vale a pena destacar: “[…] sendo a vida mais complexa do que os conceitos que lhe são atribuídos, é justamente através dos conceitos que as intervenções operativas são viabilizadas” (BACKES et al., 2009, p. 112). Um documento importante que nos ajudará a pensar o tema das proposições em saúde e o impacto dessas é a declaração final da Conferência Internacional de Assistência Primária à Saúde, realizada na cidade Alma-Ata, na qual a OMS traz diversas decisões a respeito das estratégias para combater as diferenças no cuidado com a saúde. Scliar (2007, p. 38) elenca os seguintes pontos do documento: “1) as ações de saúde devem ser práticas, exequíveis e socialmente aceitáveis; 2) devem estar ao alcance de todos, pessoas e famílias – portanto, disponíveis em locais acessíveis à comunidade; 3) a comunidade deve participar ativamente na implantação e na atuação do sistema de saúde; 4) o custo dos serviços deve ser compatível com a situação econômica da região e do país.” Esses pontos orientarão as ações em saúde, principalmente na atenção primária, das quais falaremos mais a seguir. Por ora, no entanto, precisaremos pensar um pouco sobre o conceito de saúde mental. Vídeo O que é Saúde? O programa Ciência e Letras, do Canal Saúde Oficial, parceria entre a Editora Fiocruz e o Canal Saúde, conversa com o escritor e professor Naomar de Almeida Filho e a professora Dina Czeresnia, ambos especialistas em Saúde Pública, sobre o conceito de saúde de forma crítica e reflexiva. Ciência e Letras - O que é Saúde?Ciência e Letras - O que é Saúde? https://www.youtube.com/watch?v=NtuyPB6DZwA A OMS define saúde mental como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro, ser produtivo e contribuir com a sua comunidade” (SAÚDE, s.d., n.p.). Essa definição se alinha com a visão holística e abrangente de saúde da OMS, que inclui aspectos físicos, mentais e sociais, mas denota que saúde mental seria um estado que leva a um fazer, ou seja, tanto a habilidade de estar no mundo e saber lidar com ele quanto no processo em que esse fazer é possível. A OMS enfatiza que a saúde mental é uma parte vital do bem-estar geral e é cada vez mais reconhecida como um componente crítico da saúde e do desenvolvimento humano, enfatizando ser essa um direito humano, também sendo vista como um recurso para desenvolvimento econômico e social. Assim como no campo da saúde geral, a OMS também tem o objetivo de promover a saúde mental por meio de medidas preventivas e de tratamento, e tem trabalhado para aumentar a conscientização sobre a importância disso, reduzir o estigma e a discriminação associados às doenças mentais e defender que as nações forneçam acesso a tratamentos eficazes e estilo de vida saudáveis. Para tanto, é importante em saúde mental, e no campo da saúde geral, adotar abordagens integradas, multidisciplinares, ou seja, que incluem a colaboração entre diferentes setores, como saúde, educação, trabalho e assistência social, para garantir que as necessidades dos indivíduos sejam atendidas de forma eficaz. O conceito de “saúdemental”, assim, é multifacetado e tem sido definido de diferentes maneiras por diferentes organizações e profissionais. Embora essas definições variem ligeiramente, todas elas enfatizam a importância da capacidade do indivíduo para lidar com as tensões normais da vida, trabalhar de forma produtiva e fazer uma contribuição positiva para a comunidade. Com essas diversas definições, cada vez mais o assunto sai da seara da Medicina, à qual sempre se atrelou historicamente. Mas esse não é um caminho simples; o modelo biomédico, pautado na saúde como ausência de doença, ainda é muito presente, embora em países como o Brasil, no campo da saúde mental, tenhamos cada vez mais presente o olhar biopsicossocial de saúde, que reconhece saúde mental como área complexa e multidisciplinar, abrangendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais, sendo essa uma reintegração da dimensão psicossocial ao ensino e às práticas em saúde. Modelo biomédico, modelo biopsicossocial: veja, como informado no começo desta Unidade, que o conceito de saúde ao qual aderimos determina não só uma forma de pensar o assunto, mas um modo de praticar as ações no campo e nos quais ele toca. Esse pacote de teorias e práticas, propostas e fazeres, é um modelo de saúde que orientará o trabalho em saúde. Segundo Puttini, Pereira Junior e Oliveira (2010), o modelo biomédico clássico está centrado na compreensão dos fenômenos de saúde e doença com base nas ciências da vida, tendo como ponto de partida a Biologia. A doença é desajuste, falta de mecanismos de adaptação do organismo ao meio ou, ainda, presença de perturbações da estrutura viva, como transtornos na função de um órgão, sistema ou organismo. Assim, as doenças são: Desse modo, tal modelo cria uma percepção linear e unicausal da etiologia do adoecimento, na busca por conhecimentos que sejam universais. Ainda segundo esses autores, temos, em um primeiro momento, a partir do surgimento da definição da OMS, o desenvolvimento por Leavell e Clark do modelo multicausal da história natural das doenças. Nesse, ganha força a ideia de prevenção, buscando evitar a chegada ao tratamento, ou seja, ao estado de adoecimento. A coletividade é compreendida como parte do processo, não mais o indivíduo, pois as ações em saúde partem das ações que serão organizadas e promovidas coletivamente. Aqui, o conhecimento da história natural da doença toma o lugar da razão quase matemática de “ausência de doença” do modelo biomédico. - PUTTINI; PEREIRA JUNIOR; OLIVEIRA, 2010, p. 755 “definidas pela ação de agentes patogênicos; e o agente etiológico será entendido sempre como o causador de toda doença. Ao longo do tempo, o modelo biomédico foi assimilado pelo senso comum, tendo como foco principal a doença infecciosa causada por um agente.” Esse processo natural evolui em períodos consecutivos: o pré-patogênico, em que a patologia ainda não está manifestada, e o período patogênico, no qual o processo já se instaurou. Em ambos, as ações em saúde exigirão atenções próprias, que pautam pesquisas epidemiológicas, cuidados variados, ações educativas e criação de dispositivos de saúde, entre outros. Nas palavras de Puttini, Pereira Junior e Oliveira (2010, p. 756), o “conceito de saúde ganha estruturação explicativa proporcionada pelo esquema da tríade ecológica (agente, hospedeiro e meio ambiente)”. O adoecimento é entendido enquanto processo, e os domínios possíveis de promoção de saúde se dividem em dois: “o meio externo, de onde interagem determinantes e agentes em relação com o meio ambiente; e o meio interno, onde se desenvolve a doença no organismo vivo”. Seguindo a classificação promovida por esses três autores, temos ainda o modelo da determinação social da doença. O fenômeno da saúde está radicado na organização social, e a posição do indivíduo no processo produtivo é levada em consideração para além das especificações biológicas individuais ou características da natureza da doença. Nesse modelo, conhecer as condições sociais, tanto para compreender o adoecimento quanto para promover ações em saúde, é pressuposto primordial. Desenvolvido junto à Medicina Social, em grande parte na América Latina, esse modelo não só critica o reducionismo biologicista biomédico, mas também o preventivista presente no modelo da história natural da doença, o qual ignora a realidade da necessidade de um contexto de construção democrática em saúde. Nessa construção, teremos então o olhar biopsicossocial, que se constitui enquanto modelo. Temos um processo que se dá não mais linearmente, como os anteriores, por mais que esses possam considerar intersecções entre as linhas de investigação. Temos um modelo que, como nos trazem Puttini, Pereira Junior e Oliveira (2010, p. 763), é circular e auto-organizado, sendo uma sugestão para que: Temos aqui uma reflexão e um processo de investigação dialético, espiralado, em constante mudança de qualidade, o qual considera a complexidade biopsicossocial dos seres humanos. Atualmente, na Psicologia e nas áreas afeitas à saúde mental, esse é o caminho mais considerado, pois chega próximo da diversidade de questões em torno do que é saúde mental e de como podemos dar conta de propostas reais e funcionais de cuidado nesse campo. A busca, então, é ter a saúde como questão conceitual, mas também como fato humano, como algo que pode ser avaliado, que tem certo valor conforme o contexto e que determinará uma práxis tanto no campo da saúde quanto fora desse. Psicologia e Saúde Coletiva em Saúde Mental O que seria Saúde Coletiva? Vieira-da-Silva, Paim e Scharaiber (2014) destacam que, por ser uma área recente de investigação, é comum confundi-la com saúde pública, não havendo preocupação por essa distinção. De início, os autores a definem como um campo de produção de conhecimentos, ou seja, um espaço social mais amplo e complexo que uma simples área, por abarcar em si diversas áreas. Esse campo produz conhecimentos voltados à compreensão da saúde e à explicação de seus determinantes sociais, mas não só. De acordo com o que já trouxemos aqui, consideram-se também a promoção em saúde, a prevenção e os cuidados de agravos e doenças, tendo como diferença de outras concepções de saúde o fato de tomar por objeto não apenas indivíduos, mas, sobretudo, grupos sociais, entendidos pelos autores como a coletividade. Essa ação é de extrema importância e vai ao encontro de um olhar em Saúde Coletiva sem as dicotomias formadoras de uma relação social e histórica pautadas na divisão arbitrária entre indivíduos e sociedade, trazendo para a pauta a fala atribuída a Freud de que toda a saúde mental, em si, é social. A ideia, assim “[…] se desfaça, no plano conceitual, a oposição estanque entre os domínios da realidade biológica e humano-social, enfocando-se então os domínios de intersecção constituídos pelos processos biológicos socialmente moldados, assim como relações humanas embasadas em processos biológicos.” como nos trazem Escóssia e Kastrup (2005, p. 297), é “dar visibilidade a uma outra lógica – uma lógica atenta ao engendramento, ao processo que antecede, integra e constitui os seres”. Nesse cenário, trazemos para a pauta em saúde pública a noção de rede, amplamente usada, mas pouco entendida, no campo das políticas e práticas em saúde. Para tal, evocamos também a leitura dessas autoras da noção de rede de Latour, fundamental, segundo elas, para “a formulação de um conceito de coletivo que busca problematizar e superar as dicotomias”. Sendo assim: Essa visão ampla e significativa de Saúde Coletiva, quando pensamos a formação de profissionais da Medicina Psiquiátrica, Psicologia e saúde no geral, na graduação e depois, como pertencentes à rede, resulta em uma retificação subjetiva, uma implicação com o processo de formação e com as ações derivadas da atuação obrigatória no campo. - ESCÓSSIA; KASTRUP, 2005, p. 301 “Com Latour, a ciência e a técnica são concebidas, assim como qualquer outra entidade, como emergentes deum coletivo heterogêneo, de um híbrido de homens e coisas. A noção de sociedade como reunião de indivíduos é frontalmente rejeitada, uma vez que esta é composta não apenas de indivíduos, mas de uma infinidade de materiais heterogêneos. […] Toda entidade é uma rede, e todas as entidades são co-extensivas e indiscerníveis das redes de que participam.” “Embora partam da realidade concreta e do contexto profissional de cada agente, as propostas de intervenção, elaboradas ao longo do curso, possuem um caráter hipotético e irreal, dado que não contam com a reação da comunidade às determinações do projeto No Brasil, a Saúde Coletiva vem se consolidando como um espaço privilegiado; enquanto campo, abarca as atuações do Sistema Único de Saúde (SUS) em toda a estrutura social que lhe dá suporte, no campo da saúde geral e da saúde mental. Desde a fundação da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, em 1979, diversos cursos de pós-graduação se formaram, em diversos níveis, e atualmente cursos de graduação vêm ganhando forma. Essa consolidação, segundo Vieira-da-Silva, Paim e Scharaiber (2014), se dá em um contexto no qual Saúde Coletiva é vista como espaço multiprofissional, interdisciplinar e ampliado, ultrapassando em seus estudos e preocupações as possíveis barreiras de seu próprio campo e com objetivo específico de abarcar: Economia, Política e Sociedade na Constituição da Saúde Mental Do ponto de vista social, o estigma e a discriminação associados às doenças mentais podem afetar negativamente a qualidade de vida dos indivíduos que sofrem de problemas dessa ordem, impedindo-os de buscar tratamento e apoio, ou mesmo estudos e trabalho. Isso pode levar a problemas sociais como - ANSARA; DANTAS, 2010, p. 96 - VIEIRA-DA-SILVA, PAIM; SCHARAIBER, 2014, p. 10 nem com sua participação no processo de elaboração, em virtude das restrições pedagógico-institucionais.” “[…] a saúde no âmbito dos grupos e classes sociais e com práticas também específicas, voltadas para a análise de situações de saúde que incorpora o conhecimento produzido sobre os determinantes sociais e biológicos da saúde-doença, a formulação de políticas e a gestão de processos voltados para o controle desses problemas no nível populacional.” isolamento social e exclusão, o que pode aumentar a carga de doença. Além disso, a falta de compreensão pode levar a problemas sociais como violência doméstica e suicídio. Esse olhar crítico a respeito da saúde mental é pautado, como você deve perceber, em um olhar psicossocial, como tratamos anteriormente. A força desse modelo, quando abordamos saúde mental, vem auxiliando na renovação das políticas públicas em torno do tema no país. Esse movimento ganha força com a Reforma Sanitária e a Reforma Psiquiátrica. Um documento importante nas reformas no campo específico da saúde mental é a Declaração de Caracas, de 1990, desenvolvida pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e pela OMS, que a partir da contribuição de profissionais da área e juristas, entre outros, pensa a reestruturação dos sistemas locais de saúde na América Latina já dentro do posicionamento crítico que vinha repensando o próprio atendimento em saúde geral no continente, como já citamos. Esse movimento traz a luta antimanicomial, presente no mundo a partir da Itália desde 1970, para o centro da discussão na América Latina, buscando salvaguardar a dignidade das pessoas em sofrimento psíquico e seus direitos, algo longe do cenário geral no campo. Em 2005, no Brasil, seria criada a Declaração de Caracas, documento que avalia os resultados desde 1990 no país, a partir da instituição dos serviços de - PUTTINI; PEREIRA JUNIOR; OLIVEIRA, 2010, p. 759 “Historicamente, desde a década de 1970, as críticas à epidemiologia clássica ganharam força significativa no movimento sanitarista brasileiro e fundamentaram a constituição de um novo campo de conhecimento, o da Saúde Coletiva. Essa reflexão e construção teórica repercutiram, também, nos movimentos sociais e lutas políticas dos últimos 25 anos. No Brasil, um grande movimento pela Reforma Sanitária tem lugar e se faz presente desde a Constituinte de 1988. A Constituição Federal estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado e as bases fundadoras do SUS, o Sistema Único de Saúde.” atenção psicossocial que seriam instituídos desde 2001 e a criação de leitos de cuidados psiquiátricos em hospitais gerais, ações práticas do governo brasileiro na adesão do sistema de saúde nacional à renovação proposta pela Reforma Psiquiátrica. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Essa ação de desinstitucionalização tem sua importância porque a saúde mental era marcada pelo preconceito social e econômico em seus parâmetros de internação. Durante muito tempo, o campo psiquiátrico seria usado como aquele designado a “limpar a escória das ruas”, removendo dos espaços públicos tudo o que incomodava a moral vigente desde o Brasil Colônia. Paradigmática nesse cenário da luta antimanicomial é a história do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, um exemplo comum da situação dos cuidados em saúde mental no mundo, especialmente no Brasil. São registradas, em linhas gerais, cerca de 60.000 mortes em Barbacena, em que a maioria dos internos eram alcoólatras, homossexuais e mães solteiras, entre outras pessoas longe de serem diagnosticadas com transtornos mentais, as quais eram mantidas em condições degradantes. Ou seja, lugares como Barbacena serviam para remover da comunidade, dos territórios, os indesejáveis. Leitura Declaração de Caracas – Documento que Marca as Reformas na Atenção à Saúde Mental nas Américas https://bit.ly/3rEC0JJ Sendo assim, conceitualmente, a desinstitucionalização é um movimento político a favor de uma visão de saúde inclusiva e que não existiria sem a demarcação de territórios objetivamente democráticos. Como nos traz Hirdes (2009, p. 299, grifos do original): Clique no botão para conferir o conteúdo. Leitura Barbacena, a Cidade-Manicômio que Sobreviveu à Morte Atroz de 60.000 Brasileiros Leia mais sobre a Colônia Psiquiátrica de Barbacena no material a seguir. Há ainda um documentário sobre a colônia em canais de streaming. “O termo desinstitucionalização significa deslocar o centro da atenção da instituição para a comunidade, distrito, território. Este termo tem sua origem no movimento italiano de reforma psiquiátrica. Para Rotelli e colaboradores, o mal obscuro da psiquiatria está em haver separado um objeto fictício, a 'doença', da 'existência global complexa e concreta' dos pacientes e do corpo social. Sobre esta separação artificial se constrói um conjunto de aparatos científicos, legisladores, administrativos (precisamente a 'instituição'), todos referidos à 'doença'.” ACESSE A Reforma Psiquiátrica no Brasil criou mudanças significativas no modelo de atenção à saúde mental no país, com seus princípios de humanização, desinstitucionalização, atenção integral e participação social, mas a implementação desses princípios tem sido realizada por meio da criação de políticas públicas, programas e projetos, além da capacitação de profissionais e a construção de redes de atenção. Contudo, do ponto de vista político e social, ela é barrada por problemas sociais e econômicos, derivados do investimento dedicado pelo Estado ao campo da saúde mental, que ainda vê o assunto como “gasto”. No entanto, a falta de acesso a tratamentos eficazes e de apoio pode resultar em uma carga econômica para os indivíduos, suas famílias e a sociedade como um todo, incluindo custos com tratamento, perda de renda e absenteísmo no trabalho. Além disso, a falta de políticas e programas eficazes para a saúde mental pode levar a problemas como a criminalidade e a violência. Contudo, devemos problematizar colocar no centro da necessidade de intervenção em saúde o “economiquês” e a produtividade no trabalho. Para além desses fatores, é importante destacar que a saúde mental é um direito humano fundamental,e é responsabilidade das sociedades garantir que todas as pessoas, independentemente da idade, tenham acesso a cuidados de saúde mental de qualidade. Investir em saúde mental é uma forma de garantir esse direito e contribuir para uma sociedade mais justa e equânime. Saúde Mental e o Sistema Único de Saúde Já indicamos, em linhas gerais, que a formação do SUS se dá em um contexto de reforma em saúde, alimentando-se de todo movimento social no mundo que buscava a descentralização do modelo de saúde biologicista e biomédico. O SUS é resultado de um trabalho longo, que tem seu início legal com a Constituição Federal de 1988 e a regulamentação realizada pelas Leis 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde) e 8.142/1990. Também é resultado de um trabalho conjunto de reflexão e estruturação no qual saúde se dá em contexto democrático, ou seja, coletivo e estruturado em rede, buscando atingir a todos os indivíduos. Nesse contexto, o acesso à saúde enquanto campo social de cuidados deve ser algo para todos, e o investimento https://bit.ly/3F3MVQ4 nessa frente é obrigatório aos gestores do país, o que exige ainda que eles compreendam o impacto positivo nos demais setores quando esse objetivo é alcançado. Muitos têm a visão do SUS simplesmente como uma estrutura que abarca os cuidados da saúde quando pensamos nos aparelhos específicos do setor, como UBS e hospitais, mas cabe aos SUS o zelo por cuidados em vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental também. Como nos trazem Teixeira, Souza e Paim (2014, p. 121): Vídeo SUS – Sistema Único de Saúde Nesta excelente aula, o professor Fábio explica em linhas gerais o SUS, como ele funciona enquanto ideia, quais são seus princípios e ações. “A imensa maioria dos brasileiros constitui a parcela da população que depende exclusivamente do SUS para ter acesso a ações e serviços necessários a proteção, manutenção e assistência à saúde. Mesmo os que pensam não “depender” do SUS, na medida em que pagam direta ou indiretamente por sua assistência médico-hospitalar por meio dos planos de saúde privados, são usuários do SUS, consumindo serviços que são produzidos para garantir condições epidemiológicas, sanitárias e ambientais saudáveis para toda a população.” A manutenção de um sistema como esse é um desafio nacional, que passa pelo próprio desafio de manter a democracia no país no seu sentido mais amplo. A saúde mental seria abarcada pelo SUS, mas a atuação efetiva nesse campo, como falamos anteriormente, ganhou forma somente em 2001, a partir da implantação enquanto lei da Reforma Psiquiátrica no país e uma política nacional de saúde mental. Com citado, parte da implantação da reforma resultou na criação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços de saúde de caráter aberto e comunitário voltados para o atendimento especializado ao sofrimento psíquico. Dentro de uma visão biopsicossocial de saúde mental, esses estabelecimentos são multiprofissionais, empregando diversas estratégias de acolhimento e atendimento, embora criados com o objetivo de ampliar o acesso à saúde mental e promover a inclusão social de pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. De acordo com dados do Ministério da Saúde (BRASIL, 2021), atualmente existem mais de 1.800 CAPS no país, atendendo aproximadamente 2,5 milhões de pessoas por ano. Apesar de terem sido considerados um grande avanço na área da saúde mental no Brasil, ainda existem desafios para seu pleno funcionamento, como falta de recursos financeiros e de profissionais capacitados. Segundo dados do SUS - Sistema Único de SaúdeSUS - Sistema Único de Saúde https://www.youtube.com/watch?v=x0MTn3Gcel0 Ministério da Saúde, cerca de 20% da população brasileira sofre com algum transtorno mental, e apenas 25% desses indivíduos têm acesso a tratamento adequado (BRASIL, [s.d.]). OMS Divulga Informe Mundial de Saúde Mental: Transformar a Saúde Mental para Todos Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Portaria nº 336, de 19 de Fevereiro de 2002 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Contudo, o subfinanciamento do SUS e a ideia de uma universalidade que muitas vezes é mais excludente do que inclusiva, porque parece desconsiderar os contextos mais pobres do país e valorizar aqueles mais ricos, tornam o cuidado com saúde mental no sistema imensamente fragilizado. Além disso, a integralidade do atendimento necessário à saúde mental evoca ainda mais a conexão do SUS em rede, para além do Leitura Saiba mais sobre o Informe Mundial de Saúde mental e conheça os CAPS e sua legislação. https://bit.ly/3tfU5yj https://bit.ly/3LH7ghN campo da saúde, em uma relação entre os serviços sociais e de educação, por exemplo. O cenário hoje é de profissionais de saúde mental em escassez, mesmo nos serviços especializados, ainda mais na atenção primária. Há pouca preparação para a compreensão do sofrimento psíquico e seu impacto, centrando ainda a prevenção e o atendimento em ações medicocentradas e medicalizantes. Isso torna os serviços dos CAPS isolados da rede como um todo, o que faz com que esses espaços, em vez de integrar as pessoas ao território e à comunidade, se tornem novamente espaços de exclusão e segregação, embora agora a céu aberto. Em Síntese A Reforma Psiquiátrica no Brasil, iniciada nos anos 1980, buscou mudar a forma como a saúde mental era tratada no país, acabando com os antigos hospitais psiquiátricos e implementando novos modelos de atenção, como os CAPS. Contudo, mesmo com essas mudanças, ainda há muitos desafios a serem superados, como a falta de recursos financeiros e de profissionais capacitados, a dificuldade de acesso às políticas de saúde mental e a dificuldade em definirmos o conceito de saúde, tendo em vista sua complexidade. Pensar saúde é algo que envolve o conhecimento para além do campo da área. Como tentamos abarcar nesta Unidade, a saúde é um conceito complexo, para além da visão de um estado orgânico no qual o sofrimento da doença, seja ela física ou mental, não está presente. Saúde é um contexto de estudo político, que abarca ações pragmáticas de cuidado com as pessoas. É um contexto de estudo e ações profissionais, mas também uma forma de pensar a própria concepção que temos de seres humanos e de democracia, pois nos orienta a aderir ou não a contextos de cuidado variado. Quando determinamos o conceito de saúde que nos orienta, determinamos, de certa forma, como encaramos a nossa relação com a vida, a nossa vida e a dos outros. Ter isso em mente é necessário para que possamos ampliar de alguma forma nossa formação no campo e nossa busca em torno do debate das conquistas realizadas até aqui, inclusive quando pensamos, no contexto brasileiro, sobre o cuidado necessário na preservação e na transformação para melhor do SUS, muitas vezes ameaçado de desmantelamento. Pensar a saúde é pensar a vida. Escolher os parâmetros e conceitos que nos orientam acaba determinando também como encaramos o processo de amadurecimento e envelhecimento das pessoas, essencial às políticas de atendimento em saúde geral e saúde mental. Sendo assim, futuramente abordaremos conceitos orientadores tanto para o estudo quanto para a ação em saúde mental do adulto e da pessoa idosa. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeo Saúde Mental na Atenção Básica A Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) promovem uma conversa ampla sobre a atenção mental no contexto da atenção básica, com os médicos Morris Pimenta e Souza e Daniel Almeida Gonçalvez, e a psicóloga Lumena Furtado. Página 3 de 4 📄 Material Complementar Filme Holocausto Brasileiro Documentário sobre a realidade da Colônia Psiquiatra de Barbacena. O filme sintetiza o livro de mesmo nome, da escritora Daniela Arbex. Tenha acesso a uma das realidades mais paradigmáticas da reforma psiquiátrica nacional. Saúde Mental na Atenção Básica | Primeiro BlocoSaúde Mentalna Atenção Básica | Primeiro Bloco https://www.youtube.com/watch?v=q6DY8tmsQCE Leitura Entre a Saúde Coletiva e a Saúde Mental: um Instrumental Metodológico para Avaliação da Rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Sistema Único de Saúde Artigo de Onock-Campos e Furtado que traz uma discussão preliminar, mas importante, sobre a possível instrumentalização para a pesquisa avaliativa da rede de atenção psicossocial no SUS, o que nos permitiria investir ainda mais na melhora dessa rede como um todo. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Holocausto BrasileiroHolocausto Brasileiro https://bit.ly/46cEaz7 https://www.youtube.com/watch?v=2wgvA2dvHLw Desafios para Saúde Coletiva no Século XXI Livro que traz um apanhado importante sobre o cenário da saúde mental no século XXI no Brasil, seus desenvolvimentos e dificuldades. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://bit.ly/3F3PL7G ANSARA, S.; DANTAS, B. S. A. Intervenções psicossociais na comunidade: desafios e práticas. Psicologia & Sociedade, Recife, v. 22, n. 1, p. 95-103, abr. 2010. Disponível em: . Acesso em: 03/03/2023. BACKES, M. T. S. et al. Conceitos de saúde e doença ao longo da História sob o olhar epidemiológico e antropológico. Revista de Enfermagem da UERJ, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 111-117, jan.-mar. 2009. Disponível em: . Acesso em: 03/03/2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Centro de Atenção Psicossocial – CAPS, Brasília, 06/10/2021. Disponível em: . Acesso em: 03/03/2022. BRASIL. Ministério da Saúde. OMS divulga Informe Mundial de Saúde Mental: transformar a saúde mental para todos. Biblioteca Virtual em Saúde, Brasília, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 03/03/2023. COUTINHO, J. S. L. et al. Compreensão da relação entre a saúde mental do idoso e seu ambiente familiar: uma revisão integrativa. 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