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Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul
Comarca de Campo Grande 
1ª Vara Criminal Residual
Endereço: Rua da Paz, nº 14, Jardim dos Estados - 1º andar - Bloco II - CEP 79002-919, Fone: 3317-3460, Campo 
Grande-MS - E-mail: cgr-1vcrim@tjms.jus.br 1
TERMO DE ASSENTADA
Autos n. 0028418-76.2016.8.12.0001
Aos 24/10/2016, às 14:15h, cidade e comarca de 
Campo Grande, Estado de Mato Grosso do Sul, Fórum local, sala das 
audiências, presidida pelo MM. Juiz de Direito da 1.ª Vara Criminal Residual, 
onde se achava presente o Dr. Roberto Ferreira Filho, comigo, Estagiária, 
adiante nomeada e no final assinado, foi feito o pregão no processo Ação 
Penal - Procedimento Ordinário sob nº 0028418-76.2016.8.12.0001, onde 
consta como autor o Ministério Público Estadual e, como réu Endril Diego 
Torquetti. PRESENTES: a representante do Ministério Público Estadual, Drª. 
Grazia Strobel da Silva Gaifatto, o representante da Defensoria Pública, Dr. 
Marcus Vinicius Carromeu Dias, o réu Endril Diego Torquetti e as testemunhas 
Fabio Gomes Lara, Lucas da Silva Piezer AUSENTE: Roberto Martins Chuzun. 
ABERTA A AUDIÊNCIA, pelo MM. Juiz foi determinado que o depoimento das 
testemunhas Fabio Gomes Lara, Lucas da Silva Piazer, Daniela Martins Athia 
e o interrogatório do réu fossem gravados pelo sistema de gravação 
audiovisual do SAJ, sendo que, a partir desta data, as mídias digitais 
permanecerão à disposição para acesso. Fica consignado, outrossim, que, a 
pedido, as declarações da testemunha Daniela Martins Athia, foram colhidas 
na ausência do acusado, o que foi deferido pelo MM. Juiz de Direito com base 
no art. 217 do CPP.As partes desistem da oitiva da testemunha ausente 
Roberto Martins Chuzun.Ao final, não houve formulação de requerimentos (art. 
402 do CPP).Encerrada a instrução do feito, foi dada a palavra às partes para 
apresentação de suas alegações finais orais, que foram registradas pelo 
sistema se gravação audiovisual do SAJ. EM SEGUIDA, PELO MM. JUIZ 
DE DIREITO FOI PROFERIDA A SEGUINTE SENTENÇA: Vistos, 
etc.O Ministério Público denunciou ENDRIL DIEGO TORQUETTI, qualificado 
nos autos, como incurso nas penas do artigo 155, § 4º, I, do Código Penal. A 
denúncia foi recebida às fls. 60/61. O réu foi pessoalmente citado e apresentou 
defesa prévia pela DPE. Foi dado prosseguimento ao feito. Houve a juntada 
das certidões de antecedentes criminais. Nesta audiência foram ouvidas duas 
testemunhas, com a dispensa da outra, a vítima e o réu. Nada requerido na 
etapa do artigo 402 do CPP. Alegações finais orais. Relatei. Decido. Imputa-
se ao réu o cometimento do crime de furto qualificado pelo arrombamento. 
Compulsando os autos tenho que a pretensão ministerial é medida que se 
impõe. O réu, sempre que ouvido, confessou o crime, inclusive confessando, 
ao menos em parte, a qualificadora do arrombamento. A confissão foi 
corroborada pelos depoimentos dos PM Fabio e Lucas que disseram, em 
suma, que o réu, cerca de uma quadra e pouco do local do furto, foi 
encontrado na posse de parte da res furtiva, indicou o local onde o restante 
estava guardado, além de ter confessado o crime. O primeiro policial, demais, 
citou que compareceu ao local do furto e confirmou a existência de 
arrombamento da grade da frente e de uma porta lateral. A vítima, de igual 
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modo, confirmou que ocorreu o furto, que houve o arrombamento e que a res 
furtiva foi integralmente recuperada. A materialidade do delito, por sua vez, se 
assenta nos autos de exibição e apreensão de fls. 23/24, avaliação de fls. 
25/26 e entrega de fls. 27/28. Em relação à qualificadora do arrombamento, 
denoto, de fato, mormente pelo contido no relatório de fls. 36-40, que a perícia 
restou prejudicada porque o arrombamento havia sido reparado no dia da 
diligência policial a esse respeito. Todavia, excepcionalmente, pelo farto 
conjunto probatório colhido a respeito, tenho que a ausência de laudo pericial 
foi suprido e, por isso, a qualificadora pode e deve ser reconhecida. Esclareço. 
Do citado relatório de fls. 36-40, restou consignado que representante da 
empresa informou os pontos (porta e portão) em que o arrombamento se deu, 
entregou ao policial uma barra de ferro utilizada para tal (objeto apreendido às 
fls. 41, além de ser possível, pela fotografia de fls. 38, no que toca à fechadura 
da porta arrombada, confirmar sua ocorrência. Além disso, os policiais militares 
que foram ouvidos na instrução, especialmente Fábio, confirmaram que foram 
ao local do furto e atestaram o arrombamento. Cito, ainda, que eles informaram 
que com o réu (especialmente Fábio) foi apreendida uma chave de fenda 
(apreendida às fls. 23-24), utilizada para o arrombamento da porta. Também 
destaco que a vítima confirmou o arrombamento, além de ter dito que a já 
mencionada barra de ferro, de cor verde, foi encontrada defronte ao seu 
estabelecimento comercial e que, na grade arrombada, havia marcas da 
mesma cor da barra. Desta forma, e, ainda, considerando que os reparos nos 
locais eram inevitáveis para o devido e regular funcionamento do comércio 
vítima, palco de furtos anteriores, como dito nesta oportunidade pela vítima, 
tenho que a ausência do laudo foi suprimida por diversas provas, todas no 
mesmo sentido, na forma do que estabelece e autoriza o artigo 167 do CPP. 
Neste mesmo sentido, para ilustrar, cito, como precedentes: o EI 
001495.24.2014 – TJMS, rel. Des. Francisco Gerardo de Souza, data do 
julgamento: 14.9.16; Apelação Criminal 0002094.07.2011, TJMS, 3ª Câmara 
Criminal, Rel. Des. Dorival Moreira dos Santos, j. 8.9.16. Esclareço, de outro 
lado, que não há se falar, com a devida vênia à defesa, em desclassificação 
para crime tentado, visto que o réu conseguiu, ainda que por breve período, 
inverter a posse da res furtiva, já que detido uma quadra e pouco após o local 
do furto, com tempo suficiente, aliás, conforme relatado por ele mesmo e pelos 
policiais ouvidos, para esconder parte da res, circunstâncias estas que obstam 
que se reconheça a modalidade tentada do delito. Demais, o fato do imóvel 
constar com sistema de vigilância não impede, como não impediu, apenas 
dificulta, a consumação do delito, tanto que parte da res, reafirmo, já havia sido 
escondida pelo acusado, a demonstrar, então, que não há se falar nem em 
crime tentado nem em eventual crime impossível pela ineficácia do meio. 
Também não há se falar em insignificância e consequente atipicidade material 
do furto ou furto privilegiado, visto que o valor da res furtiva não é ínfimo e nem 
de pequeno valor, qual seja, R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), 
conforme auto de avaliação de fls. 25-26. Por fim, reconheço em favor do réu a 
atenuante da confissão espontânea, prevista no artigo 65, III, "d", do CP, e que 
serviu de fundamento para a condenação do réu, nos termos da Súmula 545 
do STJ, não havendo agravantes, nem mesmo reincidência, conforme se infere 
das certidões de fls. 125-127. DISPOSITIVO: Isto posto e mais o que dos 
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autos consta, julgo procedente o pedido contido na denúncia para condenar 
ENDRIL DIEGO TORQUETTI como incurso nas penas do artigo 155, § 4º, I, 
do CP. 1) DA PENA-BASE: Considerando as circunstâncias judiciais do artigo 
59 do Código Penal, a culpabilidade, normal à espécie (o arrombamento, que 
eleva sua culpabilidade, já serviu para qualificar o crime); os antecedentes, 
inexistentes, já que, até a data dos fatos, não registrava qualquer condenação 
anterior; a falta de dados sobre a conduta social e a personalidade, 
esclarecendo que eventual dependência de drogas é motivo de saúde pública 
e nada tem a ver como fundamento para elevar a reprimenda; os motivos, 
comuns ao tipo; as circunstâncias, desfavoráveis, pois cometeu o delito em 
plena luz do dia, demonstrando maior ousadia neste cometimento; as 
consequências, dentro da normalidade; o comportamento da vítima, que não 
concorreu para o crime,fixo a pena-base em 2 (dois) anos e 2 (dois) meses 
de reclusão e 11 (onze) dias-multa, à razão de um trigésimo do salário 
mínimo vigente à data do fato cada dia multa. 2) DAS ATENUANTES E 
AGRAVANTES/PENA DEFINITIVA: Presentes a confissão espontânea e 
ausentes agravantes, motivo pelo qual reduzo a pena e a torno definitiva em 2 
(dois) anos de reclusão e 10 (dez) dias-multa, à razão de um trigésimo do 
salário mínimo vigente à data do fato cada dia multa. 3) DO REGIME 
PRISIONAL: Pela primariedade e bons antecedentes do réu, pelo quantum da 
pena, inferior a 4 (quatro) anos e pela natureza não hedionda do delito, 
estabeleço o regime aberto para o início do cumprimento da pena, nos 
termos do artigo 33, § 2º, "c" e § 3º do CPP. 4) DA SUBSTITUIÇÃO E DO 
SURSIS: O réu faz jus à substituição de pena, haja vista preencher todos os 
requisitos do artigo 44 do CP. A substituição, então, pelo quantum da pena, 
superior a 1 (um) ano, se dá por duas restritivas de direitos, consistentes em: 
a) prestação de serviços à comunidade, pelo mesmo tempo de duração da 
pena, mas sem prejuízo do disposto no § 4º do artigo 46 do CP; b) limitação de 
final de semana, pelo mesmo tempo de duração da pena de prisão, nos termos 
do artigo 48 do CP. A forma de cumprimento das penas será estabelecida pelo 
Juízo da 2ª VEP. Pelo critério da prejudicialidade não há se falar em sursis. 5) 
OUTRAS CONSIDERAÇÕES: Isento o réu do pagamento das custas do 
processo, posto hipossuficiente, atendido pela DPE. Poderá recorrer em 
liberdade, posto condenado ao cumprimento de penas restritivas de direito. 
Com o trânsito em julgado, procedam-se às devidas anotações e 
comunicações, inclusive intimando-se o réu para, em 10 (dez) dias, pagar a 
multa, pena de inscrição do débito em dívida ativa, bem como expedindo-se 
GR, encaminhando-se-a à 2ª VEP. Por falta de comprovação de efetivo 
prejuízo financeiro, deixo de lançar mão do disposto no artigo 387, IV, do CPP. 
EXPEÇA-SE, INCONTINENTI, ALVARÁ DE SOLTURA CLAUSULADO EM 
FAVOR DESTE ACUSADO, E OFICIE-SE À DEFENSORIA PÚBLICA QUE 
ATUA NO PETRAN PARA, CASO O RÉU PERMANEÇA PRESO POR 
OUTROS PROCESSOS, QUE, A PEDIDO DELE, QUE INDICOU RISCO 
EFETIVO DE VIDA, SEJA TRANSFERIDO PARA OUTRO 
ESTABELECIMENTO PRISIONAL. Sentença publicada em audiência, saindo 
os presentes intimados. Registre-se.Eu, Talitha Palermo Félix, subscrevi.
Roberto Ferreira Filho
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 Juiz de Direito
 (Assinatura Digital)1
1 Documento assinado na forma do art. 27, § 1º, do Provimento 70, de 9 de janeiro de 2012, da 
Corregedoria-Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul (DJMS 2575, de 25.1.2012)
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