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N2 – Técnica de Necropsia SISTEMA RESPIRATÓRIO Dividido em parte superior e inferior: Superior narinas e cavidade nasal, faringe e laringe; Inferior traqueia, pulmões, brônquios, bronquíolos, ductos alveolares e alvéolo. Porção: Condução Transição (entre a porção condutora e respiratória) Respiração Epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado com células caliciformes tem grande importância, pois é extremamente sensível. Quando esse epitélio é lesionado, todo o sistema de defesa do trato respiratório fica comprometido. Um exemplo são animais expostos à fumaça, como: os que ficam próximos a incêndios (por ex, em áreas do pantanal) ou até mesmo que convivem com pessoas fumantes (se tornam fumantes passivos). A fumaça tóxica e quente danifica o epitélio ciliado, que é responsável pelo batimento dos cílios e pela remoção do muco. Além da fumaça, VÍRUS também podem causar lesões nesse epitélio. Esses agentes patológicos, que são leves, geralmente penetram pelas vias aéreas (via erógena), replicam-se nas células do epitélio e o destroem. Com a destruição do epitélio, o sistema mucociliar deixa de funcionar adequadamente, dificultando a eliminação do muco e das impurezas. Assim, bactérias oportunistas conseguem se instalar, levando a infecções secundárias com exsudato purulento, que podem evoluir para pneumonias, especialmente pneumonias mais tardias. É essencial haver integridade do epitélio respiratório em toda a porção condutora. A mucosa tem papel protetor, pois o muco retém partículas e impurezas. As narinas, por sua vez, são altamente vascularizadas por isso sangram facilmente e ajudam na termorregulação, aquecendo o ar inspirado. Quando o ar frio entra sem ser aquecido, pode causa lesões no trato respiratório. Por isso, a respiração nasal é fundamental: ela aquece o ar, filtra impurezas e facilita a eliminação posterior do muco (o “catarro”), mantendo o sistema respiratório saudável. A porção respiratória se localiza dentro dos alvéolos pulmonares, que são estruturas muito finas, altamente vascularizadas. Nessa região há vasos sanguíneos que permitem a troca gasosa (hematose). Cada alvéolo é como um pequeno “saquinho” que deve conter apenas ar, em seu interior para que as trocar ocorram corretamente. O pulmão normal apresenta coloração rosa claro, resultando da mistura entre o sangue capilar e o ar. Quando ocorre espessamento da parede alveolar, seja por processos inflamatórios ou por edema, a barreira hematoaérea se torna mais espessa, dificultando a hematose (passagem de oxigênio e gás carbônico entre o ar e o sangue). Bactérias oportunistas O trato respiratório superior dos animais é naturalmente contaminado, ou seja, essas bactérias habitam normalmente a cavidade seu causar lesões. O problema ocorre quando há queda de imunidade ou condições predisponentes, permitindo que elas se aproveitem e causem infecções graves, como pneumonias. Principais bactérias comensais: Mannheimia haemolytica bovinos. Pasteurella multocida gato, bovinos e suínos. Responsável pela rinite atrófica em suínos. Bordetella bronchiseptica caninos e suínos. Fatores de agressão contínua ao trato respiratório O TR está continuamente exposto a agressões externas, tais como: Agentes alérgicos, como pólen. Micro-organismos (bactérias, vírus, parasitas – ex: Oestrus ovis). Estruturas vegetais, como grimpas de pinheiro. Gases irritantes, por ex: ambientes sujos (bezerreiros, apriscos, areia de gatos); acúmulo de amônia proveniente de urina e fezes no chão. Esses gases e partículas irritam e lesionam o epitélio nasal, predispondo à entrada de bactérias. Essas agressões são comuns no dia a dia (poeira, pólen), mas podem facilitar o desenvolvimento de infecções secundárias por bactérias já presentes no TR. Equinos = 2000m2 de superfície de contato pulmonar. Muita área sujeita a sofrer lesão. Mecanismos de defesa do Sistema Respiratório Defesas estruturais – sistema mucociliar. É o principal mecanismo de defesa. Ele produz muco, onde as partículas ficam presas (retenção), e os cílios realizam o batimento (limpeza), levando o muco até a faringe. O animal pode escarrar ou engolir esse muco, e ao engolir, o ácido estomacal destrói os MO contidos nele (vírus e bactérias). Etapas do sistema mucociliar: 1. Deposição: as partículas se depositam sobre o epitélio; 2. Retenção: o muco prende essas partículas; 3. Limpeza: o batimento ciliar remove o muco para fora do trato respiratório. Tamanho das partículas e onde se depositam: 10μm retidas nas vias nasais (partículas grandes) 2 a 10μm alcançam a traqueia (partículas médias) Menores que 2μm chegam até o pulmão (partículas muito pequenas, como vírus). Exemplos: Vírus 0,01 a 0,45μm partículas leves, ficam suspensas no ar. Ex: vírus da raiva – pode ser inalado em cavernas com colônias de morcegos infectados. Bactérias 0,3 a 15μm partículas mais pesadas *Isso determina o tipo de pneumonia que o animal tem. Geralmente as broncopneumonias são causadas por coisas pesadas bactérias! Pneumonias intersticiais geralmente são causadas por vírus! Pólen 10 a 100μm partículas grandes, irritantes (ex: pólen de pinus [pó amarelo] ou flores). Podem causar asma em cavalos e gatos. Além das estruturas (cílios, muco, células caliciformes/epitélio), temos: Defesas celulares inespecíficas Mesmo com o sistema mucociliar atuando, algumas partículas podem chegar até os alvéolos, onde há células de defesa residentes, provenientes do: Tecido linfoide associado aos brônquios (BALT); Macrófagos residentes que ficam dentro do parênquima pulmonar (dentro do alvéolo). Se algo passou por todo esse sistema anterior e foi parar dentro do pulmão, ainda tem o macrófago pra tentar fazer fagocitose, proveniente desse tecido do BALT. Principais células: Macrófagos Neutrófilos: também realizam fagocitose Linfócitos: modulam a resposta imune, produzem imunoglobulinas (anticorpos) e ativam outras células (como linfócitos T). Pulmão é um órgão aberto ao ambiente externo, constantemente exposto ao ar, por isso é tão vulnerável a infecções. Defesas celulares específicas Envolvem a produção de anticorpos (imunoglobulinas), que reconhecem e neutralizam agentes infecciosos específicos. CAVIDADES E SEIOS NASAIS Anomalias do desenvolvimento Fenda palatina (palatosquise) Se caracteriza por uma comunicação buco-nasal, ou seja, uma abertura entre cavidade oral e o TR, resultante da ausência do palato (céu da boca). O principal problema é a formação de FALSA VIA, levando à pneumonia por aspiração. Quando o animal mama come ou bebe, o alimento e os líquidos passam para o TR, indo parar nos pulmões. É uma condição grave e comum em neonatos, muitas vezes não identificada logo após o nascimento. Como identificar em animal vivo: recém-nascido que não se alimenta; durante a mamada, o leite sai pelo nariz, sinal clássico da comunicação entre boca e cav. nasal; o correto é abrir a boca e observar o palato, o que geralmente não é feito. Congestão e hiperemia Podem acometer as cavidades nasais e seios nasais; Durante a necropsia, geralmente não se abre essa região, pois exige o uso de serra pra cortar a cabeça; No entrando, em suínos, se costuma abrir o crânio na altura do terceiro molar para observar os cornetos nasais, devido à rinite atrófica. Em outras espécies, essa prática é menos comum, mas deveria ser feita quando o animal apresenta sinais como: epistaxe (sangramento nasal), cólica, dificuldade respiratória, ruídos nasais (ronqueira). Esses sinais podem indicar tumores, infecçõesfúngicas ou outras lesões na cavidade nasal. Hemorragia nasal (epistaxe) É o sangramento pelas narinas, podendo ter varias causas: Úlceras, traumatismos, neoplasias, diapedese (extravasamento de hemácias por aumento de pressão). Cavalo bolsa gutural inflamada causa o garrotilho. Bovinos intoxicação por samambaia. Irritação nasal por poeira ou substancias químicas. Ex: poeira levantada no cocho durante a alimentação, às vezes é até utilizado bicarbonato para acidose, esse pó irrita a mucosa nasal. Quando o sangue sai por apenas uma narina, o problema geralmente é localizado (naquela cavidade nasal). Quando sai pelas duas narinas, indica lesão mais profunda, como em traqueia, laringe ou pulmão, embora também possa ser de origem nasal bilateral. Hematoma Etmoidal Progressivo (Equinos) Alteração comum em cavalos, associada a esforço físico excessivo ou trauma. Ocorrem sangramentos na região etmoidal, formando um hematoma que cresce progressivamente, podendo obstruir as vias respiratórias. Pode causar epistaxe recorrente. Em cavalos atletas, também é comum a hemorragia pulmonar induzida pelo exercício o animal sangra pelo nariz durante a prova, mas o sangramento cessa em repouso. Hemorragia pulmonar Envolvido na epidemiologia de varias doenças. Um exemplo importante é Síndrome da Veia Cava Caudal (inferior) em bovinos: Fisiopatologia: ocorre acidose ruminal, permitindo a migração de bactérias do rúmen para o fígado no fígado, essas bactérias formam abscessos os abscessos drenam para a veia cava caudal, levando à formação de trombos sépticos esses trombos segue até o coração (lado direito – gera uma endocardite) e depois vai para o pulmão, onde ocluem vasos a ruptura de um desses vasos pode causa hemorragia pulmonar intensa, levando o animal à morte. Em bovinos, epistaxe também pode indicar intoxicação por samambaia, causa frequente de sangramentos nasais. Fisiopatologia: a intoxicação aguda por samambaia causa hemorragias múltiplas em razão de alterações na coagulação sanguínea e aumento da fragilidade capilar. A planta contém substancias tóxicas (como a ptaquilosina) que afetam a medula óssea, reduzindo a produção de plaquetas e células sanguíneas. Com isso, o animal desenvolve trombocitopenia e distúrbios na coagulação, resultando em sangramentos espontâneos por diversos orifícios (nariz, boca e reto). Essas lesões hemorrágicas também podem ser observadas em órgãos internos, especialmente pulmões e trato digestivo. Inflamação De acordo com a localização anatômica: Rinite – inflamação das vias nasais. Sinusite – inflamação dos seios nasais. Podem ser inespecíficas ou especificas, de acordo com os exsudatos (fase e gravidade): Serosa líquido, semelhante à coriza (fase inicial da inflamação). Catarral presença de muito muco. Purulenta presença de pus (infecção bacteriana). Fibrinosa presença de fibrina, associada à lesão vascular e maior gravidade. Granulomatosa inflamação crônica. Inflamações em rinite e sinusite podem gerar: Broncopneumonia o exsudato “desce” para os pulmões. Otite devido à proximidade anatômica entre ouvido médio e cavidade nasal. Encefalite pela migração de MO através da base óssea até o encéfalo. A sinusite pode evoluir para encefalite pela proximidade óssea e migração bacteriana, tornando-se uma complicação grave. Inflamações por espécies Bovinos Rinotraqueite infecciosa bovina (RIB ou IBR) Agente etiológico: Herpesvírus bovino tipo 1 (BHV-1) É uma das doenças contempladas nas vacinas reprodutivas, pois está associada ao aborto. Existem três formas clínicas nervosa, respiratória e reprodutiva. No Brasil, a forma reprodutiva é a mais prevalente. Nos EUA, devido ao confinamento intenso, a forma resp. é a que mais preocupa. Por isso, nos EUA o foco das vacinas é prevenir inflamações do TR enquanto no Brasil preocupa mais o impacto reprodutivo (abordos, retorno ao cio, descarte de vacas) O vírus causa rinite ulcerativa. Ela se multiplica no epitélio do TR, levando à morte celular e formação de úlceras. Os animais apresentam secreções nasais abundantes. É um vírus leve, que penetra facilmente, destrói os cílios do epitélio e dilui o muco. Em uma infecção normal, o muco é pegajoso, ajudando a reter bactérias; já na infecção viral, o muco se torna mais líquido, perdendo essa função protetora. Assim, o vírus abre portas para infecções bacterianas secundárias, pois deprime os mecanismos de defesa. As principais bactérias oportunistas são: Mycoplasma bovis e Mannheimia haemolytica. Essas bactérias causam os quadros mais graves e geralmente são as responsáveis pela morte do animal. Lesões: Traqueíte ulcerativa presença de placas fibrino- necróticas na traqueia. A traqueia que normalmente é branquinha fica com áreas necróticas devido à ação das bactérias oportunistas. O raciocínio é semelhante ao da cinomose em cães: o vírus entra primeiro, e o ATB é usado para prevenir e tratar as infecções bacterianas secundárias (como pneumonia), não o vírus em si. Rinite ulcerativa Pode ser causada pela IBR, mas também pode ocorrer em outras doenças com lesões semelhantes (diagnósticos diferenciais): Febre Aftosa – Picornavírus *notificação obrigatória Ectima Contagioso – Parapoxvírus Estomatite Papular – Rabdovírus (vesiculovírus, “primo” do vírus da raiva, mas não causa raiva e sim estomatite). Essas doenças causam feridas no nariz, plano nasal e mucosa nasal. FCM – Febre Catarral Maligna Agente etiológico: Herpesvírus. No Brasil, a variante mais comum é a da ovelha, que pode afetar bovinos que convivem com ovinos no mesmo piquete. Também é diagnostico diferencial das outras doenças ulcerativas do TR. Provoca feridas extensas, muitas secreção nasal, crostas espessas, além de sinusite e rinites intensas. Suínos Rinite atrófica O focinho reto do suíno o torna muito predisposto a doenças respiratórias (e também entéricas). Por isso, o porco é “virado em pneumonia e diarreia”. Formas: progressiva e não progressiva. Não progressiva: causa apenas por Pasteurella multocida. Progressiva: ocorre a associação sinérgica entre Bordetella bronchiseptica e Pateurella multocida, uma potencializa a ação da outra, causando lesões mais graves. Dica pra prova “pastel e mortadela” (Pasteurella + Bordetella). ;) Transmissão: pode afetar animais de todas as idades, mas é comum em leitões recém-nascidos, pois a porca infectada (portadora assintomática) transmite o agente durante o contato ao mamar e fuçar. Patogenia: as bactérias produzem toxinas dermonecróticas que destroem os cornetos nasais (turbinas). Esses cornetos tem função de aquecer e filtrar o ar; sem eles, o ar entra direto nos pulmões, levando vírus e bactérias, o que predispõe à pneumonia. A destruição dos cornetos varia de leve a severa, podendo: causar deformação do focinho (nariz torto); ou quando ambos os lados estão acometidos, o focinho não entorta, mas o nariz fica inchado e grosso. Lesões: necrose dos cornetos nasais, com perda da estrutura de proteção; e deformidade facial visível em casos severos. A porca é a principal fonte de infecção, portadora crônica e assintomática. Pra fazer o diagnostico, serra o focinho do suíno entre o 2 e 3º pré-molar para avaliar a integridade dos cornetos. Os frigoríficos tem monitoria de abate: serram o focinho do porco, identificam se tem rinite atrófica verificar na granja se o problema está em vacina, falha de biosseguridade... Fazem monitorias de condena! Rinite porCorpúsculo de Inclusão Causada por um citomegalovírus Acomete leitões entre 2 e 4 semanas de idade Não causa deformação do focinho Além da forma respiratória, pode causar alterações reprodutivas, como morte embrionária. Diagnóstico diferencial: Produz corpúsculos basofílicos intranucleares (inclusões virais). Se forem observados corpúsculos em um porco de focinho torto, o correto é diagnosticar rinite por corpúsculo de inclusão, e não rinite atrófica. A rinite atrófica hoje é bem controlada com vacinação obrigatória e medidas de biosseguridade (higiene, manejo e organização das granjas). Equinos Garrotilho Agente: Streptococcus equi Garrotilho é exclusivamente a inflamação da bolsa gutural causa por S. equi. Qualquer inflamação da bolsa gutural por outro agente não deve ser chamada de garrotilho! A bolsa gutural é uma cavidade que deve estar vazia. Quando há infecção por S. equi, ocorre acúmulo de secreção purulenta, que pode fistular (abrir caminho para fora), escoando secreção pelo nariz e pelos olhos. O nome garrotilho vem de garrote, pois a bolsa inflamada e inchada dá o aspecto de pescoço estrangulado (animal fica ‘garroteado’). Lesões/achados secreção purulenta espessa dentro da bolsa gutural; pode haver fístulas drenando pus na região da garganta; inflamação intensa, com risco de compressão de estruturas do pescoço (como vasos e nervos). Mormo (Farcino ou Lamparão) Agente: Burkholderia mallei (Pseudomonas mallei, A. mallei, M, mallei). É zoonose! Transmissão ocorre por contato com secreções infectadas. O cavalo pode ser contaminado ao ingerir alimentos ou água contaminados com secreção nasal de outro animal doente (ex: pingando no cocho). Pessoas também podem se contaminar o agente penetra por pequenas feridas na pele, ex: em dedos ou mãos sem luvas durante o manejo. Patogenia o agente forma nódulos piogranulomatosos que ulceram e drenam pus, tanto nas cavidades nasais quanto nos vasos linfáticos (especialmente em membros). Ao longo do tempo, ocorre formação de cicatrizes estreladas na mucosa nasal – lesão patognomônica do mormo. Também pode causar lesões cutâneas com úlceras e secreção purulenta. Cavalo com suspeita de mormo não deve ser aberto em necropsia comum, é doença de notificação obrigatória e a investigação deve ser feita pela CIDASC. Anemia e Mormo são exigidos exames. Outras bactérias que não são consideradas mormo, por exemplo: Pseudomormo (Melioidose) Agente: Pseudoburkholderia mallei (Pseudomonas pseudomallei) É semelhante ao mormo, mas não é a mesma doença. Diferença: Burkholderia mallei (mormo verdadeiro) é não flagelada. A Pseudoburkholderia mallei (pseudomormo) é flagelada. Outros patógenos virais: Herpesvírus equino tipo 1 e tipo 4 (EHV-1 e EHV-4) Citomegalovírus Parainfluenza tipo 3 Influenza A e B, Rinovírus e Reovírus Esses vírus respiratórios agem como facilitadores, pois danificam o epitélio e o muco respiratório, abrindo porta para infecções bacterianas secundárias – semelhante ao que ocorre na IBR dos bovinos. Felinos Rinotraqueite infecciosa felina Causada pelo Herpesvirus felino tipo 1 Pode ocorrer associação com o Calicivírus felino O Calicivírus é geralmente autolimitante, ou seja, tende a regredir sozinho. Causa úlceras na mucosa oral, principalmente na língua e gengiva. Morte com 12 semanas ou FeLV (fator agravante) Pneumonia intersticial mononuclear: ocorre como infecção secundária, geralmente associada à ação de neutrófilos (PMN). Inflamações inespecíficas Rinite alérgica: causada por alérgenos ambientais, como pólen e poeira. Rinosporidiose: causada pelo Rhinosporidium seeberi. Infecção fúngica crônica, caracterizada pela formação de pólipos e massa granulomatosa na mucosa nasal. Pólipo é um crescimento benigno e sangrante. Ocorre princ. em equinos e bovinos. Rinite granulomatosa: geralmente causada por fungos. O que caracteriza um granuloma? é a presença de macrófagos ativados, que podem se fundir e formar células gigantes multinucleadas. Essas células aparecem porque o agente é difícil de destruir, então os macrófagos tentam fagocitar repetidamente para eliminá-lo. Como é um processo crônico, o organismo tem tempo de organizar a resposta, tentando isolar o agente por meio de fibrose ou até calcificação. Mesmo assim, o tto costuma ser difícil, justamente por essa resistência e persistência do agente. Principais agentes por espécie: o Cães – Aspergillus e Penicilium (fungos comuns) o Gatos – Cryptococcus e esporotricose o Bovinos – Actinomyces e Actinobacillus (queixada grumosa) o Ovinos – Conidiobolus, que pode causar sinais neurológicos, pois a infecção inicia no nariz, atravessa a lâmina cribriforme, e alcança o encéfalo. Forma como se fosse uma carne dentro da cavidade nasal. Fungo é difícil de tratar, ainda mais dentro do nariz! Fungos são angiogênicos tem afinidade por vasos sanguíneos, o que facilita sua chegada ao cérebro, por ser uma região rica em vascularização. Em bovinos, o uso de tabuletas pode causar feridas que servem como porta de entrada para bactérias oportunistas. A evolução de uma rinite pode levar à pneumonia (pela migração bacteriana ao pulmão) ou até hipofisite, quando o processo infeccioso alcança a hipófise. Criptococose (nariz de palhaço) Esporotricose Oestrus ovis: parasitose causada pela larva que se alimenta do muco da cavidade nasal de ovinos. Neoplasias Adenocarcinomas: podem ocorrer em gatos devido à exposição solar. Em cavalos brancos despigmentados, também há predisposição. Tumor etmoidal: associado à infecção com o vírus Maedi-visna. TVT: Tumor Venéreo Transmissível, comum em cães. Durante o cio, o macho cheira a vulva da fêmea infectada, e as células tumorais se implantam por contato direto. O tumor pode atingir a cavidade nasal, não ocorre apenas na genitália, podendo ser encontrado também em nariz, cav. oral e mucosas. FARINGE, LARINGE E TRAQUEIA Mal formações Síndrome da vida respiratória braquicefálica: ocorre em raças como Bulldog, Boxer, Boston Terrier e Pequinês. Esses caes roncam bastate devido à dificuldade respiratória, causada por alterações anatômicas como palato mole alongado e excesso de tecido na faringe e laringe. No calor, esse tecido pode inchar e obstruir parcialmente a passagem de ar, levando a angústia respiratória. O proprietario dever ser orientado que esses animais não toleram calor. O tto pode envolver cirurgia corretiva, retirando o excesso de tecido. Anomalias Colapso de traqueia: A traqueia é mais mole e menos rígida em algumas raças, podendo colabar e causar síndrome da angústia respiratória. O “espirro reverso” é na verdade uma tentativa de inspirar durante o colapso traqueal. Mais comum em raças toy como Yorkshire e Bichon Frisé. Também pode ocorrer em cães adultos e obesos, devido ao acúmulo de gordura que dificulta a ventilação. Doenças degenerativas Paralisia laringiana equina – Cornagem Síndrome do cavalo roncador. Causa distinta, podendo ser idiopática ou secundária à traumas ou garrotilho (Streptococcus equi) A inflamação da bolsa gutural pode comprimir o nervo laríngeo recorrente esquerdo, levando à atrofia da musculatura laríngea. Como resultado, apenas um lado da laringe abre e fecha, produzindo o ruído característico (ronco) ao respirar Paralisia laringiana dos cães Semelhante à dos equinos. Pode ter fator genético. Raças predispostas: Labrador retriever, Setter irlandês, Dogue Alemão e Husky Siberiano. Congestão,hiperemia e hemorragia Podem ser observadas alterações circulatórias como congestão e hiperemia, hemorragia e edema de glote e laringe. Causadas por: choque anafilático por ex, ou Peste suína clássica (PSC). Laringite e traqueíte Inflamação da laringe e/ou traqueia. Principais causas: o Panleucopenia felina (Parvovírus felino) o Traumatismos o Tuberculose o Inflamação dos sacos guturais (garrotilho) o Laringe necrótica: fusobacterium necrophorum (em bezerros); bactéria comum que pode gerar até abscessos hepáticos secundários à acidose ruminal. o Traqueobronquite infecciosa canina (tosse dos canis): causada por Bordetella bronchiseptica associada a vírus respiratórios. Transmitida por contato direto entre cães, especialmente não vacinados. Traqueíte primária e secundária → causada por Rhodococcus equi, especialmente em potros, formando múltiplos piogranulomas na traqueia. Uma rinite, sinusite, pode descer pra traqueia e gerar uma infecção secundária (vai ter pus, catarro dentro da traqueia). Durante a necropsia, é essencial abrir e avaliar a traqueia, que ser branca, lisa e elástica. Se houver fibrina, pus, espuma ou exsudato, indica inflamação. Lavar a traqueia pode ajudar a diferenciar hemorragia verdadeira de contaminação post mortem (por refluxo de conteúdo gástrico, sangue ou líquido ruminal). Se após lavar, a mucosa continuar vermelha e espessada se confirma realmente uma traqueíte. Neoplasias Os tumores raramente tem origem primária na traqueia, mas neoplasias adjacentes podem invadi-la e estreitá-la, causando obstrução. Ex: linfoma em gatos e leucose em bovinos. Sistema Respiratório – Parte 2 PULMÕES Não lesões Achados não patológicos. Espessamento de pleura: comum em cavalos e bovinos. Pulmão um pouco mais claro: pode ocorrer devido ao espessamento pleural, dando aspecto esbranquiçado. A pleura é uma “capa” de tecido conjuntivo que reveste e protege o pulmão; pode ficar mais fibrosa. Pulmão escurecido (preto): pode indicar pseudomelanose, decorrente do apodrecimento pós-morte. Apesar da coloração, não se trata de lesão verdadeira, e sim de alteração cadavérica. Lembrar dessas alterações não patológicas para não interferir no diagnóstico! Anomalias Malformações pulmonares congênitas são raras. O mais comum é o problema de insuflação pulmonar, caracterizado por atelectasia e enfisema pulmonar. Atelectasia Colabamento dos alvéolos Os alvéolos são pequenas estruturas saculares que devem conter ar e surfactante (para evitar que grudem). Quando colabam, o pulmão fica amassado, pesado e incapaz de realizar hematose. Alvéolos grudam entre si o pulmão perde a aparência esponjosa. Pode ocorrer em doenças pulmonares (como pneumonias em suínos e bovinos) Quando há pus e bactéria nas áreas de atelectasia, ocorre hepatização pulmonar, em que o pulmão fica com aspecto de fígado (escuro congesto e brilhante). Com isso, a troca gasosa fica severamente prejudicada. Pulmão sem ar afunda no formol (deveria boiar). Ou até mesmo por edema afunda. Pulmão colabado pesado, denso e escuro. Áreas de atelectasia podem persistir mesmo após cura de pneumonia. O grau de comprometimento é descrito em porcentagem (ex: 70% do pulmão acometido = grave) A atelectasia fetal congênita ocorre em animais prematuros, pois o pulmão não amadureceu e não produz surfactante. O recém-nascido tenta respirar, mas o pulmão colaba. Em casos de cesárea antecipada, é necessário administrar corticoides para acelerar a maturação pulmonar. Podem ser: Congênita: o animal já nasce com os pulmões colabados. Adquirida: ocorre ao longo da vida devido a patologias, congestão, edema, tumores etc. Tipos de atelectasia: Atelectasia compressiva Ocorre por compressão mecânica do pulmão, como: gases, líquidos (hidrotórax, piotórax), tumores, massas, etc. Ex: hérnia diafragmática, em que vísceras e alças intestinais entram na cavidade torácica e comprimem o pulmão, deixando-o congesto e colabado. Cav. torácica tem pressão negativa, a hérnia pode vir a ocorrer por um atropelamento por ex fura diafragma. Esmaga pulmão o obriga a grudar colaba não respira mais. Atelectasia obstrutiva Provocada por obstrução de vias aéreas ou vasos, como: tumores, pneumonias, trombos, que impedem a passagem de ar. A falta de ventilação e irrigação leva ao colabamento alveolar. Atelectasia congestiva Acontece secundariamente à congestão pulmonar intensa: o problema começa com o acúmulo de sangue (congestão), que impede a expansão alveolar. Ou seja, primeiro há estase sanguínea, depois o pulmão colapsa. Pode ser até por uma ICE por ex. Basicamente o sangue não consegue sair do pulmão, levando a congestão e compressão dos alvéolos. O pulmão fica escuro, rígido, edematoso e sem ar. Um pulmão normal deve ser leve, elástico e ao corte fazer um som de esponja. Na congestão, sai líquido, espuma ou sangue na necropsia, e o órgão perde a elasticidade. Porque uma congestão poderia causar uma atelectasia? Porque não consegue sair o sangue venoso do pulmão (que ia fazer a troca gasosa e também irrigação do próprio pulmão que tem dupla circulação – brônquica e pulmonar). O sangue ocupa o espaço alveolar e prejudica a hematose. Atelectasia – microscopia Alvéolos colabados e sem ar. Gera insuficiência respiratória, especialmente se mais de 50% do parênquima estiver afetado. Deixa o pulmão sólido! Enfisema Pulmonar Acúmulo anormal de ar nos tecidos pulmonares, deixando o órgão crepitante (parece plástico- bolha). Tipos: Enfisema alveolar Ruptura dos alvéolos o ar escapa para o interior do pulmão Pode ocorrer por irritantes inalatórios (ex: pó de bicarbonato em cocheiras). O ar acumulado distende o parênquima pulmonar, tornando-o volumoso e fofo (armado). Bovinos com PIRS (complexo de vírus respiratório bovino), esse vírus causa lesão nos alvéolos, facilitando o escape do ar e a formação do enfisema alveolar. Microscopicamente: se observa o alvéolo de bordo em clave (alvéolo dilatado com bordas arredondadas) Como o ar escapa, ele pode se disseminar e formar enfisema subcutâneo, acumulando-se sob a pele (vídeo da vaca tipo travesseiro). Causa insuficiência respiratória progressiva o animal respira, mas a troca gasosa é ineficiente devido à ruptura da barreira hematoaérea (parede dos alvéolos). Pulmão adquire aspecto pálido, cheio de ar e bordos arredondados. Mesmo respirando, o oxigênio não chega adequadamente ao sangue, e o animal sente falta de ar (dispneia). Em humanos: fumantes crônicos com enfisema pulmonar dependem de oxigênio e se cansam facilmente, pois o pulmão perde elasticidade e capacidade de oxigenação. É uma condição progressiva e irreversível, semelhante a uma IRC. Enfisema intersticial O ar se acumula nos septos interlobulares (tecido conjuntivo entre os lóbulos pulmonares) que separam o parênquima pulmonar. Ocorre mais em bovinos e suínos, que possuem septo bem definidos. Esse tipo de organização faz com que, em casos de infecção localizada, o processo fique restrito a um lóbulo – o que dá o aspecto de “tabuleiro de xadrez” visto na necropsia. À necropsia, observa-se dilatação dos septos e presença de bolhas de ar. Pode se estender até a pleura (subpleural) Lesão de tabuleiro de xadrez: aspecto observado em pulmões de bovinos/suínos devido à separação dos lóbulos por septos de tecido conjuntivo – um lado pode estar afetado e outro preservado. Enfisema bolhoso Formação de grandes bolhas de ar no tecido pulmonar. Pode ser causado porFusarium solani (fungo da batata-doce mofada). Esse fungo produz toxinas que causam enfisema alveolar severo em bovinos. O enfisema bolhoso seria o estágio mais avançado do enfisema intersticial. Ele começa como intersticial, quando o ar se acumula nos septos de tecido conjuntivo. Com o tempo, esse ar dilata muito esses espaços, formando grandes bolhas. O enfisema alveolar afeta o parênquima pulmonar (tecido funcional), enquanto o enfisema intersticial ocorre nos septos conjuntivos, fora do parênquima. Entender pra prova então Diferença de enfisema alveolar e intersticial. O que é atelectasia e tipos de atelectasia. Distúrbios do metabolismo Amiloidose acúmulo anormal de uma proteína amiloide (estranha), que é produzida em excesso. Ocorre principalmente em rins, pulmões e linfonodos. Recebe o nome amiloide porque lembra o amido – se corar com iodo, reage de forma semelhante (rosinha). Pode ter causa genética (cães Sharpei) ou ocorrer secundariamente a processos inflamatórios graves e crônicos, que aumentam a produção dessa proteína. Mineralização (Calcificação) depósito anormal de sais de cálcio nos tecidos. Metastática: disseminada por todo o corpo, associada a aumento de cálcio no sangue. Distrófica: localizada, geralmente em áreas de necrose tecidual. Pulmão de pedra- pomes: aspecto característico de pulmão calcificado visto principalmente em casos de insuficiência renal crônica (IRC). Mecanismo da IRC Na IRC, a amônia não é excretada adequadamente, sendo eliminada pelas mucosas respiratórias e digestivas. A amônia é tóxica e, ao causar lesão crônica nas vias respiratórias, induz a calcificação do tecido pulmonar e pleura, deixando o pulmão com aparência esbranquiçada e rígida. É comum em gato com IR e cães idosos. A uremia é o único quadro em que ocorrem os dois tipos de calcificação (metastática e distrófica); metastática devido ao aumento sistêmico de cálcio no sangue; distrófica devido às lesões locais (como as feridas na mucosa oral). Hemorragias Por erosão vascular (bovinos): Associada à síndrome da veia cava caudal, comum em animais de confinamento com acidose ruminal crônica. Fisiopatologia: ocorre acidose ruminal, permitindo a migração de bactérias do rúmen para o fígado no fígado, essas bactérias formam abscessos os abscessos drenam para a veia cava caudal, levando à formação de trombos sépticos esses trombos segue até o coração (lado direito – gera uma endocardite) e depois vai para o pulmão, onde ocluem vasos a ruptura de um desses vasos pode causa hemorragia pulmonar intensa, levando o animal à morte. Em equinos atletas induzida por exercício causada pela alta pressão intratorácica e vascular durante o esforço, levando à ruptura de capilares pulmonares e sangramento. Congestão Pulmonar e Hiperemia A congestão pulmonar geralmente ocorre por ICE. Já a direita causa ascite. O pulmão congesto fica pesado, escuro, brilhante, fluido ao corte e pode apresentar impressões das costelas na superfície (sinal de compressão). Por que a congestão causa edema pulmonar? Aumentar a pressão intravascular, dificultando a drenagem do sangue. A água “escapa” dos vasos para o interstício e os alvéolos, causando acúmulo de líquido. O pulmão fica armado e rígido quando tira da cavidade torácica. Edema pulmonar Causa imediata de morte, pois leva à insuficiência respiratória aguda os alvéolos ficam cheios de líquido e não ocorre troca gasosa. Isso ocorre porque o pulmão, que deveria ser vazio e esponjoso para permitir a entrada de ar e realizar a hematose, fica cheio de líquido que ocupa o espaço alveolar e impede a entrada de ar, bloqueando a oxigenação do sangue. O líquido presente é plasma, e na microscopia, o espaço alveolar aparece rosado (pela presença de proteínas plasmáticas). O oxigênio inspirado é essencial para as mitocôndrias realizarem a fosforilação oxidativa, processo que gera ATP, a principal fonte de energia do corpo. Sem oxigênio, as células não conseguem produzir ATP e entram rapidamente em falência energética, o que leva a morte celular e falência de órgãos vitais. No formol o pulmão com edema também vai para o fundo, pois está com água, e ao corte flui líquido. Na microscopia celular aparecem também células da falha cardíaca. Fisiopatologia: na ICE, ocorre hipertensão pulmonar (aumento de pressão pela congestão que expulsa eritrócitos do vaso) e extravasamento de hemácias. Macrófagos alveolares fagocitam essas hemácias, tornando-se células cheias de pigmento (hemossiderina). Essas células são chamadas de células da falha cardíaca, achado patognomônico da ICE. Causas do edema pulmonar: Hemodinâmico: por alterações no fluxo sanguíneo (ex: ICE) Inflamatório: por aumento da permeabilidade vascular (ex: pneumonias, inflamações). Presença de espuma na traqueia indica edema pulmonar – resultado da mistura de ar e liquido dentro dos alvéolos. Porque uma lesão de vaso vai gerar trombose? Quando ocorre uma lesão vascular, o endotélio (camada interna do vaso) é danificado. O endotélio íntegro é essencial para manter o sangue fluido e evitar a coagulação. Ao se “esfregar” ou romper, ele expõe o colágeno subendotelial, que é altamente trombogênico. Essa exposição ativa plaquetas, que começam a se aderir e agregar, além de estimular a ativação da cascata de coagulação, formando um trombo. Esse trombo pode aumentar de tamanho, obstruir o fluxo sanguíneo local ou até se fragmentar, liberando êmbolos que viajam pela circulação e podem entupir outros vasos em regiões distantes. Se ele for formado por ex em uma veia sistêmica, ele vai seguir o fluxo venoso até o coração direito, e de lá será bombeado para os pulmões. Ao chegar lá, ele fica preso em um vaso pulmonar, provocando o que chamamos de tromboembolismo pulmonar. Embolia pulmonar A trombose é a solidificação do sangue em vida, e é altamente patogênica. Embolia é qualquer material sólido circulando no sangue (pode ser trombo, gordura, tumor, etc.) Já a Tromboembolia é a disseminação, em vida, de pedaços de trombo pela corrente sanguínea, o que não é normal. Coágulo = pós-morte (normal) Trombo = ante-mortem (patológico e pode causar morte) Tipos de Êmbolos Êmbolos sépticos: ocorrem em casos de sepse, com bactérias circulando no sangue em forma de trombos. Êmbolos gordurosos: ocorre, por ex, em fraturas de ossos longos (como o fêmur), quando a gordura da medula amarela é liberada para os vasos sanguíneos e chega aos pulmões, causando embolia gordurosa. Êmbolos tumorais: grupos de células neoplásicas que se desprendem do tumor primário (sítio primário) e viajam pela CS (metástase), podendo se instalar no pulmão. Trombose na jugular em equinos: “cutucar” cateter pode lesar o endotélio flebite tromboflebite fragmentos podem migrar para o coração (direito) e pulmões, causando embolia pulmonar. Todo o sangue passa pelos pulmões para ser oxigenado, então qualquer êmbolo tende a parar no pulmão. Irfarto é uma área de isquemia secundária à obstrução de vasos, como ocorre em tromboembolias. Tipo de necrose associada: Necrose de coagulação, devido à falta de oxigênio. Pode evoluir para calcificação distrófica posteriormente. Metástase Pulmonar: Carcinoma mamário: cadelas têm nódulos umbilicados na mama, o que indica malignidade. Na necropsia, tem padrão “metástase em chuveiro”, que se refere a múltiplos nódulos disseminados pelo pulmão, lembrando gotas de um chuveiro. Inflamação A inflamação é nomeada pelo sufixo – ite. Pulmão: pode ser chamada de pneumonite, mas o termo maiscomum é pneumonia. Pneumonite química – associada à inalação de gás tóxico. Outras estruturas: Brônquios: bronquite; Bronquíolos: bronquiolite; Alvéolos: alveolite (mas geralmente entra no grupo “pneumonia”). Essas inflamações podem ser agudas ou crônicas. Exemplo de Doenças: Bronquite crônica canina: também conhecida como tosse dos canis (bronquite infecciosa) Bronquite crônica felina Complexo enfisema/bronquiolite crônica. Bronquiectasia Bronquiectasia: envolve bronquíolos (condutos que levam o ar até os alvéolos) Brônquios ficam espessos, fibrosados e com lúmen fechado (ectasia). Resultado de inflamação crônica. Causada por irritação constante (pó, alérgenos, poluentes). Há hiperplasia do tecido conjuntivo e redução da complacência pulmonar (pulmão rígido). Os redondinhos mais branquinhos é proliferação de tecido conjuntivo que compõe a parede do brônquio. Pneumonias Infecção dos pulmões. Quanto à lesão: Hiperaguda, aguda, subaguda ou crônica. Ex de agente que causa pneumonia crônica: tuberculose (Mycobacterium bovis), fungos, poeiras minerais – todos difíceis de eliminar. Organismo não consegue fagocitar esses agentes, leva a uma inflamação persistente. Quanto ao tipo de exsudato: O tipo de exsudato se relaciona com o tipo de agente e a fase (aguda x crônica). Purulento: com pus (bactérias) Fibrinoso: presença de fibrina indica lesão vascular. Granulomatoso: típico de processos crônicos (agente difícil de destruir). Ex: tuberculose, leishmaniose, criptococose, fungos, sílica. Podem se combinar (ex: fibrinopurulento, fibrino- hemorrágico). Quanto à etiologia: Viral: geralmente causa pneumonia intersticial (difusa) Bacteriana: costuma causar broncopneumonia, mais localizada. Química: ocorre por ex quando o animal aspira substancias irritantes. Ex do gato que jogaram querosene: ele por si só já intoxica, mas o gato lambeu grandes quantidades, fez falsa via e causou pneumonia aspirativa. Da parte cranial do pulmão, foi se disseminando a lesão até que morre. Tóxica: inalação de gases ou fumaça de incêndio. O calor e os compostos tóxicos queimam o epitélio respiratório, formando bolhas, necrose e podendo gerar sequelas graves e até câncer. Neoplásica: pode ocorrer por infiltração tumoral no parênquima pulmonar. Quanto à distribuição: Focal: um único foco no pulmão. Difusa (broncopneumonia): acomete todo o parênquima pulmonar. Multifocal ou coalescente: varias áreas se unido, formando lesões amplas e mais graves. DESENHO DO BOVINO QUADRO! Padrão anatômico da lesão conforme o agente: Pneumonias bacterianas / por falsa via: as bactérias e líquidos (como leite, vomito, medicamentos oleosos) são pesados. Quando entram no trato respiratório, “caem” rapidamente nas regiões crânio-ventrais do pulmão. A medida que se disseminam pelos brônquios, ficam restritas à parte da frente e ventral, respeitando o padrão anatômico dos lóbulos. Esse tipo é chamado de pneumonia crânio-ventral, típica de agentes bacterianos ou aspiração de líquidos. Pneumonias virais: as partículas virais são muito leves. Quando o animal respira, o vírus alcança facilmente as partes mais profundas e dorsocaudais do pulmão. Por isso, a lesão inicia na região dorso-caudal e tende a se torna difusa, acometendo grande parte ou todo o pulmão. Bacteriana/falsa via crânio-ventral (parte anterior e inferior do pulmão) Viral dorso-caudal e difusa (parte posterior e profunda do pulmão). Tipos de pneumonia Broncopneumonia Ocorre quando o agente chega pelos brônquios, atingindo o parênquima pulmonar. Pode ser: Supurativa (lobular): múltiplos focos separados por septos, geralmente causados por bactérias. Em bovinos e suínos. Fibrinosa (lobar): acomete um lobo inteiro, com presença de fibrina, indicando lesão vascular e maior gravidade. Distribuição típica: crânio-ventral porque as partículas pesadas (bactérias, líquidos, vômito ou alimento) tendem a se depositar nas partes ventrais e anteriores do pulmão durante a inspiração. Por isso, a broncopneumonia é comum em casos de falsa via alimentar ou aspirativa. A broncopneumonia causa áreas de consolidação pulmonar e atelectasia (colapso alveolar), conhecidas como hepatização pulmonar, em que o pulmão adquire aparência semelhante à do fígado devido à compactação do tecido. Durante cirurgias, faz-se jejum para evitar pneumonia aspirativa – o conteúdo gástrico, rico em ácido, pode destruir o tecido pulmonar se for aspirado. Em bovinos com Hipocalcemia ou Cetose, o decúbito prolongado com a cabeça baixa pode favorecer regurgitação do conteúdo ruminal, levando à aspiração. O liquido ruminal é extremamente contaminando por bactérias e destrói o tecido pulmonar, causando pneumonia gangrenosa ou cavernosa, geralmente purulenta e fétida. Broncopneumonia abscedativa: se caracteriza pela presença de múltiplos abscessos com pus dentro do pulmão. Esse tipo de lesão é resultado de infecção bacteriana persistente, levando à formação de cavidades purulentas (abscessos). Broncopneumonia fibrinosa (lobar): geralmente de origem bacteriana, é chamada “lobar” porque atinge lobos inteiros do pulmão. É uma forma mais grave e aguda de broncopneumonia, com evolução clínica fulminante. O processo inflamatório é intenso, com produção de pus, fibrina e liberação de toxinas bacterianas. Causa lesão vascular intensa, com saída de fibrina dos vasos essa fibrina recobre a pleura e o parênquima pulmonar. O pulmão fica endurecido, pesado e coberto por uma camada amarelada (fibrina). Quando o animal sobrevive, essa fibrina é substituída por tecido fibroso, formando aderências pleurais (fibrose entre o pulmão e a parede torácica). Mecanismo a fibrina, proteína plasmática, ao extravasar dos vasos sanguíneos, forma pontes de aderências entre a pleura pulmonar e a parede torácica. Ex: em suínos destinados ao abate, costelas com aderência pleural são condenadas, pois indicam inflamação prévia observado na monitoria de abate. Broncopneumonia crônica: ocorre quando o agente infeccioso não é completamente eliminado, e o estímulo inflamatório persiste por longos períodos. Como resposta, o organismo tenta tornar o tecido mais resistente, resultando em espessamento e endurecimento dos brônquios, que reduz a complacência pulmonar. A fibrina da fase aguda se transforma em fibrose, gerando aderências pleurais firmes e permanentes (pulmão fica grudado na parede torácica (costelas) devido à inflamação crônica). Essas aderências reduzem a capacidade de expansão pulmonar, comprometendo a função respiratória do animal em longo prazo. É o resultado da persistência da inflamação, seja por um agente que não foi eliminado ou por sequelas de uma forma aguda anterior (como a fibrinosa). Pneumonia Intersticial Afeta o interstício pulmonar, ou seja, as paredes dos alvéolos (e não o interior deles). Pode ser causada por vírus (como cinomose em cães ou PIRS em bovinos) e geralmente apresenta distribuição difusa, pois o agente se dissemina amplamente pelo sangue (via hematógena) ou pelo ar (via aerógena). Pode evoluir desde a forma hiperaguda até crônica, e com o tempo pode haver calcificação do tecido afetado. Diferença da bronco: na broncopneumonia, o exsudato ocupa o interior dos alvéolos, enquanto a intersticial, a inflamação espessa as paredes alveolares, dificultando as trocas gasosas. Ex da bronco: supurativa, bacteriana – Mannheimia haemolytica. Broncopneumonia é crânio ventral. Exemplo intersticial: as virais. Ex: cinomose. Em bovinos aquele PIRS também. Intersticialé difusa. No micro: inflama as paredes dos alvéolos. Pneumonia Aspirativa Ocorre quando há entrada de substâncias estranhas nas vias respiratórias, levando à inflamação pulmonar. Pode evoluir para pneumonia gangrenosa, devido à necrose tecidual intensa e à proliferação bacteriana. A gangrena pode ser: Úmida: em órgãos com muita irrigação (como pulmão e intestino). Seca: em locais com pouca irrigação, como extremidades de membros. Gasosa: ocorre quando há proliferação de bactérias produtoras de gás (ex: carbúnculo). Uma grimpa (espinho vegetal) pode ser inalada pelo animal, migrar até o pulmão e causar uma reação inflamatória grave. O organismo tenta expulsar o corpo estranho, podendo até formar fístulas (como o caso relatado de uma vaca tentou eliminar a grimpa por baixo do braço). Pneumonia embólica Ocorre quando êmbolos sépticos ou neoplásicos chegam ao pulmão pela CS, obstruindo vasos. Pode ser focal, multifocal ou coalescente, sendo tanto mais grave quanto maior a extensão das áreas afetadas. Ex: pneumonia tromboembólica com consolidação multifocal. Essas embolias podem se originar de infecções sistêmicas (êmbolos sépticos) ou de células tumorais que se desprendem do sitio primário (êmbolos metastáticos), atingindo o pulmão pela circulação. Pneumonia Granulomatosa Se caracteriza pela presença de granulomas, formados por macrófagos gigantes que se fundem para tentar conter agentes difíceis de eliminar. Pode ser focal ou difusa. É típica de infecções crônicas causadas por tuberculose (Micobacterium bovis), fungos (como Aspergillus) ou Leishmania. A tuberculose é uma zoonose graves: o Micobacterium bovis sobrevive dentro dos macrófagos, destruindo-os e continuando a se multiplicar. Por isso, o tratamento em animais não é indicado, e o correto é o sacrifício sanitário. Característica da inflamação crônica granuloma! . Pneumonia Supurativa É lobular ou seja, em vários focos pequenos, separados pelos septos do pulmão. Tem pus (exsudato purulento) dentro dos alvéolos, e o agente geralmente é bacteriano. É a broncopneumonia supurativa, muito comum em bovinos e suínos. Evolução: pode ser aguda fulminante (a mais comum) ou crônica. Como respeita os lóbulos, o pulmão fica com aquele aspecto de “tabuleiro de xadrez”, lóbulos afetados intercalados com lóbulos preservados. O tecido conjuntivo interlobular (septo) limita a disseminação da infecção, impedindo que o pus ou as bactérias se espalhem por todo o pulmão. Também são observadas áreas de atelectasia (colapso dos alvéolos). Pneumonia Fibrinosa É uma forma mais grave de broncopneumonia fibrinosa. Atinge lobos inteiros e está associada à evolução aguda e fulminante. Gera exsudato rico em fibrina e pus, além de toxinas bacterianas que danificam vasos sanguíneos. Com o tempo, pode deixar aderências (fibrose pleural). Um exemplo clássico é a pneumonia causada por Mannheimia haemolytica (Pasteurella), conhecida como febre dos transportes, comum em bovinos submetidos a estresse. Pneumonia viral + bacteriana Em casos como cinomose, o vírus destrói o epitélio respiratório, permitindo a instalação de bactérias oportunistas, o que causa pneumonia abscedativa (com pus). Por isso, animais com cinomose geralmente precisam de antibióticos – não para o vírus, mas para controlar as infecções secundarias. PROVA. Diferencie broncopneumonia de pneumonia intersticial? De exemplo de doença. E de lesão de necropsia. E cite agentes etiológicos.