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1 Os espermatozoides e oócitos são gametas com 23 cromossomos, formados por meiose durante a gametogênese. A meiose reduz o número de cromossomos de diploide para haploide, garante a variabilidade genética pela troca de segmentos cromossômicos (crossing over) e distribui aleatoriamente os cromossomos maternos e paternos nos gametas. Na espermatogênese, as espermatogônias se dividem na puberdade e passam por duas divisões meióticas, gerando quatro espermatozoides. Na oogênese, as oogônias se transformam em oócitos primários ainda no feto, e após a puberdade, o oócito primário completa a primeira divisão meiótica, formando um oócito secundário, que só finaliza a segunda divisão meiótica se houver fertilização. 2 Durante a capacitação, um período de condicionamento que ocorre no trato reprodutor feminino, o espermatozoide passa pela reação acrossômica. Utilizando o ouriço-do-mar como exemplo para explicar esse processo, quando o espermatozoide entra em contato com a camada gelatinosa do ovo, ocorrem dois eventos importantes. Primeiro, há a ruptura da membrana acrossômica anterior e da membrana plasmática do espermatozoide, que se fundem, liberando o conteúdo acrossômico na camada gelatinosa do ovo, o que caracteriza a reação acrossômica. Esse evento parece ser desencadeado por um mucopolissacarídeo sulfatado presente na camada gelatinosa. Quando o espermatozoide toca nesse mucopolissacarídeo, ocorre uma despolarização da sua membrana plasmática, permitindo a entrada de íons Ca²⁺. O segundo evento é a formação do processo acrossômico. A entrada de Ca²⁺ cria um gradiente osmótico que atrai água para o interior do espermatozoide e, simultaneamente, a α-actina, presente sob a membrana acrossômica, polimeriza-se em β-actina. Isso gera uma invaginação em forma de "dedo de luva" na membrana posterior do acrossomo, que se projeta em direção à camada vitelina do ovo, formando o processo acrossômico. 3 Barreiras Inespecíficas: A primeira barreira é o ambiente ácido da vagina, que é altamente hostil aos espermatozoides. O pH vaginal é naturalmente ácido, o que serve como uma defesa contra infecções. Entretanto, essa acidez também é prejudicial para os espermatozoides, matando uma grande parte deles pouco após a ejaculação. O sêmen, que possui uma natureza alcalina, atua temporariamente como um tampão, neutralizando o pH ácido e permitindo que alguns espermatozoides sobrevivam e avancem para o colo do útero. No colo do útero, os espermatozoides enfrentam o muco cervical, que age como uma barreira física adicional. Durante a maior parte do ciclo menstrual, sob a influência da progesterona, o muco cervical é denso e dificulta a passagem dos espermatozoides. No entanto, no período próximo à ovulação, a elevação dos níveis de estrógeno provoca mudanças no muco, tornando-o menos viscoso e mais propício para a passagem dos espermatozoides. Nessa fase, o muco facilita a movimentação dos espermatozoides, ajudando-os a atravessar o canal cervical e seguir em direção ao útero. Barreiras Específicas: Após superarem essas barreiras iniciais, os espermatozoides que chegam às trompas de Falópio precisam enfrentar a zona pelúcida, uma camada glicoproteica espessa que envolve o ovócito. A zona pelúcida não só protege o ovócito, mas também atua como um filtro biológico, permitindo que apenas espermatozoides viáveis e com alta motilidade cheguem ao processo de fertilização. A interação com a glicoproteína ZP3 da zona pelúcida é crítica nesse ponto. A ZP3 age como um receptor, reconhecendo os espermatozoides e desencadeando a reação acrossômica, um processo no qual a membrana do acrossomo (na cabeça do espermatozoide) se rompe, liberando enzimas que facilitam a penetração através da zona pelúcida. Além disso, ao atravessar essa camada, o espermatozoide ainda precisa completar o processo de capacitação, uma série de alterações fisiológicas que aumentam a sua capacidade de fertilizar o óvulo. Entre essas mudanças está a hiperativação da motilidade e a remoção de proteínas que inibem sua interação com o ovócito. A fusão final das membranas do espermatozoide e do ovócito depende de proteínas específicas, como Izumo1 no espermatozoide e Juno e CD9 no ovócito, que garantem o reconhecimento e a fusão celular necessária para a fertilização bem-sucedida 4 As alterações moleculares que explicam a capacitação ainda são desconhecidas (veja Yanigamachi, 1994), mas existem quatro conjuntos de alteraçõess moleculares que podem ser importantes. Primeiro, a membrana da célula espermática pode se alterar, mudando sua composição de lipídios. A concentração de colesterol no espermatozóide é diminuída durante a capacitação do espermatozóide em várias espécies (Davis, 1981), e duas proteínas encontradas tanto no soro como no trato reprodutivo feminino (albumina e proteína 1 de transferência lipídica), foram verificadas remover colesterol do espermatozóide humano (Langlais et al., 1988; Ravnik et al., 1992). Em segundo lugar, certas proteínas ou carboidratos na superfície do espermaozóide são perdidos durante a capacitação (Poirier e Jackson, 1981; Lopez et al., 1985; Wilson e Oliphant, 1987). É possível que essas entidades perdidas durante a capacitação estivessem bloqueando locais de reconhecimento para as proteínas que se ligam à zona pelúcida. Em terceiro lugar, certas proteínas são fosforiladas por um caminho cAMP-dependente. O AMP cíclico pode induzir artificialmente a competência através da proteína quinase cAMP-dependente (PKA), que é necessária tanto para a aquisição de competência como para a fosforilação de tirosino-quinases. É possível que o trato reprodutivo feminino estimule a adenilciclase do espermatozóide a produzir mais cAMP e que esse ative a proteína quinase que inicia a cascata de fosforilação, terminando na fosforilação e ativação das proteínas envolvidas na ligação do espermatozóide à zona pelúcida e mediando a exocitose da vesícula acrossômica (Leyton e Saling, 1989a; Visconti et al., 1995a,b). Em quarto lugar, o potencial da membrana do espermatozóide é dramaticamente reduzido (de cerca de – 30 para –50 mV; Zeng et al., 1995). Porém, ainda é incerto se esses eventos são independentes um do outro e até que ponto cada um deles produz capacitação do espermatozóide. 6 A proteína ZP3, presente na zona pelúcida do camundongo e conhecida como ZPC em mamíferos, tem dois papéis essenciais durante a fertilização: ligar-se ao espermatozoide e iniciar a reação acrossômica após essa ligação. A ZP3 pode se conectar a pelo menos três proteínas adesivas na membrana do espermatozoide, e milhares desses sítios de ligação são necessários para garantir que as duas células não se separem. As três proteínas envolvidas são a proteína ligante de galactose, a galactosiltransferase e a quinase do receptor da zona. Essas proteínas desempenham funções específicas e, em alguns aspectos, sobrepostas na adesão do espermatozoide à zona pelúcida e na reação acrossômica. A galactosiltransferase, por exemplo, é uma enzima da membrana do espermatozoide que atua como receptor da ZP3, reconhecendo o açúcar N-acetilglicosamina presente nessa proteína. A agregação dessas galactosiltransferases na superfície do espermatozoide resulta na ativação de uma proteína G, que parece ser fundamental para iniciar a reação acrossômica. Esse tipo de ligação também abre canais de cálcio, aumentando a concentração desse íon dentro do espermatozoide, o que é crucial para o processo. O aumento dos níveis de cálcio no interior do espermatozoide é um dos fatores que facilita a exocitose do acrossomo, embora o mecanismo exato pelo qual ZP3 atua e a subsequente exocitose do acrossomo permaneçam controversos. Uma possível via envolvida é a trajetória de IP3 (inositol trifosfato), que pode regular a liberação de cálcio intracelular e, consequentemente, a reação acrossômica. Dessa forma, essas interações coordenadas entre ZP3 e as proteínas do espermatozoide não apenas promovem a ligação firme entre o espermatozoide e a zona pelúcida, mas também desencadeiam os processos necessáriospara a fertilização. 7 Em mamíferos, as coberturas extracelulares do óvulo estão divididas em duas regiões: A zona pelúcida e o cumulus. O termo corona radiata refere-se àquelas células foliculares imediatamente adjacentes à zona pelúcida; são as células mais internas do cumulus. Bovino não tem. 8 O BLOQUEIO RÁPIDO DA POLISPERMIA rápido à polispermia é um mecanismo essencial para garantir a fertilização adequada, impedindo que mais de um espermatozoide fecunde o óvulo. Esse processo ocorre pela alteração do potencial elétrico da membrana do óvulo, que age como uma barreira seletiva entre o citoplasma e o ambiente externo. No estado de repouso, a concentração de íons, particularmente de sódio e potássio, difere significativamente entre o interior do óvulo e seu ambiente externo. Quando o primeiro espermatozoide se liga à membrana do óvulo, ocorre uma rápida mudança no potencial da membrana, tornando-o positivo em um intervalo de 1 a 3 segundos. Essa alteração é fundamental para o bloqueio imediato de novos espermatozoides. Se, por algum motivo, não houver sódio suficiente para gerar essa mudança positiva no potencial da membrana, pode ocorrer a polispermia, onde mais de um espermatozoide entra no óvulo, o que resulta em anormalidades no desenvolvimento embrionário. Embora não esteja completamente elucidado como essa alteração no potencial de membrana impede a entrada de outros espermatozoides, acredita-se que o espermatozoide, ao se ligar ao óvulo, transfere um componente, possivelmente uma proteína fusogênica carregada positivamente. A inserção dessa proteína na membrana do óvulo provavelmente é regulada pela carga elétrica transmembrana. Esse bloqueio elétrico à polispermia é observado em várias espécies, como rãs, mas provavelmente não é um mecanismo dominante na maioria dos mamíferos. O BLOQUEIO LENTO DA POLISPERMIA. O bloqueio lento da polispermia é um mecanismo mais duradouro e robusto que complementa o bloqueio rápido, garantindo que apenas um espermatozoide fecunde o óvulo. Enquanto o bloqueio rápido altera o potencial da membrana de maneira transitória, essa mudança não é suficiente para prevenir a polispermia de forma permanente. Pesquisas demonstraram que, mesmo após o bloqueio rápido, a polispermia pode ocorrer se os espermatozoides ligados ao envoltório vitelínico não forem removidos de maneira eficaz. A remoção dos espermatozoides adicionais é feita através da reação dos grânulos corticais, um processo mecânico mais lento que começa cerca de um minuto após a primeira fecundação bem-sucedida. Assim que o espermatozoide entra no óvulo, os grânulos corticais se fundem com a membrana plasmática e liberam seu conteúdo no espaço entre a membrana e o envoltório vitelínico. O conteúdo liberado pelos grânulos corticais contém várias proteínas que atuam para bloquear a polispermia de forma definitiva. Entre as primeiras proteínas liberadas estão as proteases, enzimas que dissolvem as conexões entre o envoltório vitelínico e a membrana celular, cortando receptores de bindina e removendo espermatozoides ligados ao envoltório. Além das proteases, mucopolissacarídeos também são liberados, gerando um gradiente osmótico que permite a entrada de água no espaço entre a membrana e o envoltório vitelínico. Isso faz com que o envoltório vitelínico se expanda, transformando-se no chamado envoltório de fertilização. Esse envoltório começa a se formar no local de entrada do espermatozoide e se espalha ao redor do óvulo, ajudando a liberar espermatozoides indesejados. Outra proteína crucial nesse processo é a peroxidase, que enrijece o envoltório de fertilização ao criar ligações cruzadas entre resíduos de tirosina em proteínas adjacentes, tornando a barreira mais resistente. O processo se inicia cerca de 20 segundos após a entrada do espermatozoide e se completa em aproximadamente um minuto. Por fim, uma quarta proteína, chamada hialina, forma uma camada ao redor do óvulo, na qual as microvilosidades da célula se fixam. Essa camada de hialina oferece suporte para os blastômeros durante a clivagem. Além da reação cortical, o bloqueio lento também envolve uma modificação na zona pelúcida, uma camada extracelular ao redor do óvulo. Essa alteração, conhecida como reação da zona, modifica as glicoproteínas ZP3 e ZP2, impedindo que novos espermatozoides se liguem à zona pelúcida, selando definitivamente o óvulo contra a polispermia. 10 A clivagem é um processo essencial no desenvolvimento embrionário, caracterizado por uma série de divisões mitóticas que transformam o grande volume citoplasmático do ovo em pequenas células nucleadas. Dependendo da quantidade de vitelo presente, diferentes padrões de clivagem podem ser observados. Quando o ovo possui pouca quantidade de vitelo, ocorrem quatro tipos principais de clivagem holoblástica: radial, espiral, bilateral e rotacional. Clivagem Holoblástica Radial: Nesse tipo de clivagem, os sulcos de divisão ocorrem de forma paralela e perpendicular ao eixo animal-vegetal do ovo. É um padrão observado em organismos como equinodermos (como ouriços-do-mar) e no protocordato Amphioxus, além de rãs e salamandras. Clivagem Holoblástica Espiral: Característica de anelídeos, platelmintos turbelários, nemertinos e a maioria dos moluscos, a clivagem espiral ocorre em ângulos oblíquos, gerando uma disposição espiral dos blastômeros. Esse tipo de clivagem resulta em uma interação mais estreita entre as células do que na clivagem radial, formando uma disposição semelhante ao empacotamento de bolhas de sabão. Em embriões de clivagem espiral, o destino das células pode ser mapeado, uma vez que essas divisões são altamente consistentes entre diferentes indivíduos de uma mesma espécie. Os embriões formados são denominados estereoblástulas, por não apresentarem uma blastocele. Clivagem Holoblástica Bilateral: Nos ascídios (tunicados), a clivagem bilateral é caracterizada pela formação de um plano de simetria que divide o embrião em lados direito e esquerdo. As divisões subsequentes seguem esse plano, criando uma imagem espelhada entre as metades do embrião. Um exemplo desse tipo de clivagem é o tunicado Styela partita. A simetria bilateral é evidente à medida que as divisões continuam e as diferenças no tamanho e forma dos blastômeros se acentuam. Clivagem Holoblástica Rotacional: Observada em mamíferos, a clivagem rotacional é singular por sua lentidão e a orientação diferenciada dos blastômeros. A primeira clivagem é meridional, enquanto a segunda é caracterizada por uma divisão meridional em um blastômero e equatorial no outro. Uma particularidade é a falta de sincronização entre as divisões, o que resulta em embriões com números ímpares de células em estágios precoces. Além disso, o genoma dos mamíferos é ativado precocemente, já no estágio de duas células, substituindo o controle maternal. Quando há grande quantidade de vitelo no ovo, como nos casos de clivagem meroblástica, dois tipos principais podem ocorrer: clivagem discoidal e superficial. Clivagem Discoidal: Comum em aves, peixes e répteis, a clivagem ocorre apenas em um pequeno disco de citoplasma, o blastodisco, que repousa sobre a massa de vitelo. As primeiras divisões formam um blastoderma, que se organiza em várias camadas celulares. No estágio inicial, as células permanecem contínuas com o vitelo subjacente, mas à medida que o desenvolvimento prossegue, o blastoderma é separado do vitelo pela cavidade subgerminal. Clivagem Superficial: Típica de insetos, como na Drosophila, onde a clivagem é restrita à periferia citoplasmática do ovo, já que o vitelo ocupa a região central. As divisões nucleares ocorrem sem a formação imediata de membranas celulares, criando um blastoderma sincicial. Após a migração dos núcleos para a periferia, as células polares se formam e dão origem às células germinativas, essenciais para a reprodução. Eventualmente, uma camada de células envolve o núcleo do ovo, formando o blastoderma celular. Além dos padrões de clivagem, é importante mencionar a formação de gêmeos humanos, que podem ser classificadoscomo monozigóticos (idênticos) ou dizigóticos (fraternos). Os gêmeos idênticos resultam da separação de blastômeros precoces ou da massa celular interna do blastocisto em duas regiões. Dependendo de quando ocorre a cisão, os gêmeos podem ter seus próprios sacos amnióticos e córion ou compartilhar essas membranas extra-embrionárias. 11 Gêmeos humanos são classificados em dois grandes grupos: gêmeos monozigóticos (um ovo ou idênticos) e gêmeos dizigóticos (dois ovos ou fraternos). Gêmeos fraternos são o resultado de dois eventos separados de fertilização, ao passo que, gêmeos idênticos são formados de um único embrião cujas células, de alguma forma, dissociam uma da outra. Gêmeos idênticos são provavelmente produzidos pela separação de blastômeros precoces ou mesmo pela separação da massa celular interna em duas regiões no mesmo blastocisto. Diagrama mostrando a relação entre a formação de gêmeos monozigóticos humanos e as membranas extra-embrionárias. (A) A cisão ocorre antes da formação da trofectoderma, de modo que cada gêmeo tem o seu próprio cório e âmnio. (B) A cisão ocorre após a formação da trofectoderma, porém, antes da formação do âmnio, resultando em gêmeos que têm sacos amnióticos individuais, porém, compartilhando um cório. (C) Cisão após a formação do âmnio conduz a gêmeos em um saco amniótico, e um único cório. 12 A blastocele é uma cavidade cheia de líquido que se forma no interior da blástula, uma estrutura embrionária primitiva, durante o desenvolvimento inicial de um embrião. A blástula é formada após várias divisões celulares (clivagens) a partir do zigoto, e a blastocele aparece à medida que as células externas se organizam ao redor de uma cavidade central cheia de líquido. 13 A neurulação é um processo fundamental no desenvolvimento embrionário dos tetrápodes, que dá início à organogênese, a formação de órgãos e tecidos específicos. Uma das interações mais importantes nesse processo ocorre entre o mesoderma dorsal e o ectoderma que o recobre. Essa interação é essencial porque o cordomesoderma (ou notocorda), localizado no mesoderma dorsal, envia sinais ao ectoderma sobrejacente, estimulando-o a formar o tubo neural, uma estrutura que se desenvolverá para formar o cérebro e a medula espinhal. Durante a neurulação primária, o ectoderma original se transforma e se organiza em três diferentes conjuntos de células. O primeiro é o tubo neural, que se posiciona internamente e dará origem ao cérebro e à medula espinhal. O segundo é a camada externa de células que formará a epiderme da pele, e o terceiro é composto pelas células da crista neural, que migram da região entre o tubo neural e a epiderme. Essas células são responsáveis por gerar os neurônios periféricos, as células gliais, as células pigmentadas da pele e outros tipos celulares. Esse fenômeno de indução embrionária, no qual o mesoderma dorsal influencia o ectoderma, é crucial para iniciar a neurulação e guiar a formação do sistema nervoso na parte dorsal do embrião, sendo um processo central na organização inicial dos principais tecidos do corpo