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17 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO 1 CUSTOS: CONCEITOS, ELEMENTOS E CLASSIFICAÇÃO A questão do custo é inerente ao funcionamento de uma empresa. Nas Ciências Contá- beis, organizam-se receitas e despesas; na Microeconomia, têm-se lançamentos de receitas e custos para a formação da taxa de lucro. Na Administração de Empresas, esses conceitos são, a seu modo, organizados de forma unificada, a fim de estimar as condi- ções de crescimento de uma organização e viabilizar a sua sustentação a longo prazo. No entanto, é preciso ir além da realidade mais comum aos custos da empresa, que é a necessidade de desembolsos para a sua cobertura. Um item de custo apresen- ta informações importantes sobre o produto ou serviço que a empresa transaciona; esses custos são importantes para determinar o preço de venda, porém, a real condi- ção de venda, ou seja, a possibilidade de a empresa vender o seu produto mediante o preço determinado, depende diretamente das condições gerais do mercado. Desse modo, a apuração dos custos de produção viabiliza a tomada de decisões por parte da empresa e cria condições para o seu efetivo gerenciamento. Essa apuração faz parte de uma contabilidade de custos, de modo a avaliar corretamente os tipos de despesa que compõem indústrias, empresas comerciais e prestadoras de serviços, ou seja, em todos os ramos de atividade. INTRODUÇÃO DA UNIDADE A Gestão de Custos é um dos temas das Ciências Sociais Aplicadas que encontra mais aderências entre a vida pessoal e a vida profissional de um estudante ou um gestor. De fato, o noticiário econômico menciona constantemente o aumento do custo de vida das famílias; os reajustes de tarifas públicas impactam diretamente no preço de venda de itens básicos, e acabam por forçar readequações na cesta de consumo; há diferentes itens de despesa na atualidade que eram incomuns há algu- mas décadas atrás (como Planos de TV, internet e telefonia, planos de saúde privados, seguros automobilísticos, etc.). 18 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Todos esses itens de discussão podem ser unificados de acordo com pontos em comum. O primeiro deles é o fato de envolverem desembolsos, ou seja, implicam despesas que devem ser honradas pelos seus contratantes, a prazos definidos. Dessa forma, mediante as receitas esperadas, cada agente econômico (empresas, famílias, poder público) deve organizar-se a fim de fazer frente aos seus custos operacionais e evitar descapitalização ou, ainda pior, um endividamento progressivo, situação esta que afeta uma parcela importante das empresas e, em especial, das famílias, no contexto econômico atual. A partir dessa apresentação geral, nesta unidade serão apresentados alguns itens e conceitos mais importantes, relativos à Gestão de Custos. Expressões como ‘custo’, ‘despesa’, ‘perdas’, ‘desperdício’ e ‘desembolso’ serão desenvolvidas, para que você possa classificar, analisar, e operacionalizar, processos de formação de custos que impactam diretamente nas decisões de investimento de uma organização. 1.1 CUSTOS E OUTRAS IDENTIDADES: CONCEITOS BÁSICOS Para entender o processo de Gestão de Custos e os seus desdobramentos teóricos, é preciso discutir algumas terminologias mais utilizadas no cotidiano das empresas; elas resumem os processos de formulação e gerenciamento dos custos. Desse modo, a distinção entre custos e despesas, por exemplo, é matéria obrigatória. Realizando uma recapitulação histórica, encontramos uma referência interessante a respeito dessa dinâmica, no texto bíblico: Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcu- lar os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la? Para que, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele, dizendo: Este homem principiou a edifi- car, mas não pode terminar. (Lc 14, 28-30) 19 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO 1.1.1 CUSTOS Um ‘custo’ corresponde ao montante de recursos que é utilizado durante o processo de produção/elaboração de um bem ou de um serviço; com essa utilização, a empre- sa, ou o agente econômico, espera auferir (obter) algum tipo de utilidade ou benefí- cio, seja no período imediato (produção/consumo), ou num momento futuro, após a conclusão das etapas produtivas e a venda desse bem (LINS; SILVA, 2017). A utilidade é um conceito da Microeconomia, que mede (ainda que de modo abstrato) o grau de satisfação de um agente em relação a um bem ou servi- ço. A maximização da utilidade (satisfação) é o objetivo constante do agente econômico. Perceba que, embora possa parecer uma categoria abstrata – um ‘custo’ não é um produto, um bem, uma matéria-prima –, cada item consumido na produção de um bem representa um desembolso de recursos, logo, o custo assume expressão real a partir de cada um desses itens (que são denominados ‘itens de custo’). Em uma empresa, um custo representa um certo investimento; trata-se de uma alocação de recursos da organização em alguma etapa do processo produtivo, a fim de gerar uma atividade transformadora, de criação de um novo bem ou serviço (CREPALDI; CREPALDI, 2018). 20 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A literatura econômica e administrativa denomina a indústria como o setor onde produtos e bens são, realmente, criados e transformados, mediante a conversão de matéria-prima em mercadorias acabadas. O setor de serviços, embora também ofereça soluções ao cliente, não realiza essa atividade trans- formadora; no comércio, os bens são comprados e vendidos no mercado. Um item de custo pode apresentar diferentes funções e atribuições ao longo do processo produtivo: em uma etapa, esses itens podem ser investimentos; e, em outra, determinam custos de produção. No momento em que uma empresa realiza um investimento em matéria- -prima, essa decisão é abrigada na contabilidade de custos como um custo de produção; contudo, o estoque de produtos acabados, gerado a partir da matéria-prima, irá se tornar fonte de receitas que, espera-se, sejam superio- res aos custos de produção. A decisão de produzir um bem e transacioná-lo envolve diferentes etapas, que em conjunto geram um ciclo operacional (HOJI, 2017). 21 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO Um ciclo operacional inicia-se, na indústria, pela compra de matérias-pri- mas, que são estocadas para serem transformadas em mercadorias prontas. Uma vez vendidas, essas mercadorias são pagas mediante os prazos conce- didos pela empresa. O ciclo operacional se encerra quando as receitas de venda são, finalmente, percebidas. Ao longo desse ciclo, são consumidos recursos para gerar um produto a ser vendido por um valor superior (espera-se) ao montante que foi efetivamente ‘sacrificado’ nas fases de produção (SANTOS, 2017). FIGURA 1 - EXPRESSÃO GRÁFICA DE UM CICLO OPERACIONAL Ciclo operacional Compra de matéria-prima Venda de mercadoria pronta Estocagem de mercadorias $ para fornecedores $ para a empresa Prazo de pagamento Recebimento de receita de venda Fonte: Elaborada pelo autor. Esse valor deve ser suficiente para permitir que a empresa tenha lucros; no entanto, se houver outros concorrentes, é preciso manter custos baixos para sustentar posição no mercado. 22 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O conceito de‘concorrência’ pode abranger diversas classificações. Uma expressão desse conceito, no qual todas as empresas competem livremente, sem que uma empresa possa, sozinha, definir os preços de mercado, deno- mina-se ‘concorrência perfeita’. Nesse modelo, as empresas não recebem lucros, uma vez que produzem itens iguais e com o mesmo preço, umas em relação às outras. Essa expressão é relativamente abstrata, uma vez que não há, como você pode imaginar, mercados no qual todas as empresas tenham as mesmas dimensões e práticas de negócio. O modelo que mais se aproximaria do ‘mundo real’ seria o de ‘concor- rência monopolística’, onde as empresas produzem itens razoavelmente semelhantes dentro de um mesmo mercado, e cada empresa é responsá- vel pela gestão da sua marca ou produto, de modo a auferir lucros com a sua atividade. Assim sendo, todo item de custos envolve o uso de ativos que pertencem à empresa, sejam eles na forma de produtos (matérias-primas) ou recursos em espécie (dinhei- ro), que são necessários à aquisição de outros bens e serviços de igual necessidade (CREPALDI; CREPALDI, 2018). 1.1.2 DESPESAS Embora aparentemente semelhantes (e muitas empresas colocam-nos sob o mesmo ‘guarda-chuva’ analítico), uma despesa distingue-se de um item de custo. Como apre- sentado anteriormente, um custo diz respeito diretamente ao processo de produção. 23 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO Uma despesa, por sua vez, ainda que seja um recurso que também é utilizado pela empresa para viabilizar suas atividades, não está relacionada diretamente com o processo produtivo (LINS; SILVA, 2017). Em outras palavras, uma despesa é um recurso consumido através da aquisição de bens e serviços, com o objetivo de gerar receitas futuras à empresa; no entanto, a despesa está relacionada com atividades paralelas à produção de bens, mas que fazem parte da rotina da empresa, como despesas com telefone, seguros, pagamen- tos a entregadores, alimentação de funcionários, etc. A distinção entre custo e despesa é inerente ao modelo da empresa e ao perfil do mercado em que ela atua. Desembolsos para o pagamento de liga- ções telefônica podem consistir em despesas para uma oficina mecânica; no entanto, em uma empresa de telemarketing – onde o atendimento telefô- nico é a sua atividade-fim – esses mesmos desembolsos constituem-se, na verdade, em custos. Em geral, as empresas no Brasil (especialmente as micro e pequenas empresas, e ainda mais, os microempreendedores individuais, os MEIs) não efetuam uma distin- ção objetiva entre despesas e custos. Na verdade, na falta de uma gestão administra- tiva eficiente, é comum que um empresário aloque todos os elementos que geram gasto de recursos sob uma única categoria, seja ela na forma de custo, ou de despesa (LINS; SILVA, 2017). 24 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO FIGURA 2 - DIFERENCIAÇÃO ENTRE CUSTOS E DESPESAS Custos Mão de obra Matéria-prima Lubrificantes e implementos Encargos sobre produção Encargos trabalhistas, etc. Despesas Servidor de internet Manutenção predial Aluguéis Vigilância patrimonial Fretes, etc. Fonte: Elaborada pelo autor. Essa prática dificulta a identificação de eventuais ‘gargalos’ onde a empresa possa estar efetuando gastos acima da média, levando-a a tentar economizar em outros setores, muito mais importantes. A imobiliária Irmãos Camarinha Ltda. está estabelecida no mercado há alguns anos e presta serviços de aluguel e venda de imóveis. No caso dessa organização, podemos perceber que sua estrutura de custos é formada, essencialmente, a partir do pagamento de seus funcionários (com encar- gos e impostos em anexo). Outros itens de desembolso importantes, como o pagamento de aluguel do prédio, serviço de monitoramento de alarmes e internet, são enquadrados como despesas. 1.1.3 PERDAS Uma perda corresponde ao consumo involuntário de um bem ou serviço dentro de uma empresa; não se trata, portanto, de um consumo que a firma deseje realizar, ainda que possa em alguns casos ser inevitável, de acordo com as características da produção. 25 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO Há dois tipos de perdas em uma empresa, a saber (LINS; SILVA, 2017): • Perdas normais: são inerentes ao funcionamento da organização e/ou ao processo de produção, tais como resíduos não aproveitados, sobras, rebarbas de material, etc. Tais perdas podem ser previstas e, em algumas situações, recuperadas pela empresa, ao menos em parte. A operação de um torno, em uma ferramentaria, gera rebarbas de metal, que, embora sejam sucata (inaproveitáveis para a empresa), podem ser comer- cializados junto a empresas de reciclagem, de modo a recuperar parte do prejuízo gerado pela não utilização (esperada) desses materiais. Situação semelhante ocorre em empresas de marcenaria, onde os resíduos de madeira (serragem) podem ser recolhidos para ser comercializados como substrato higiênico para roedores. Na pecuária, as perdas com as partes menos nobres do boi (vísceras, ossos) são contabilizadas; no entanto, essas partes podem ser revendidas a empre- sas fabricantes de ração animal. • Perdas anormais: não são previstas pela empresa, tampouco desejadas pela mesma, como incêndios, inundações, raios, degradação de estoque e/ou de produtos vendidos, etc. O cálculo das perdas deve ser repassado à formação do custo de produção. Se perda pode ser prevista, ela tem condições de ser quantificada, de modo que o produto final absorva os desembolsos realizados pelas perdas. 26 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Suponha que a empresa JKL, que fabrica panelas, recebe uma chapa de aço de 2,20 x 1,30m. Trata-se, portanto, de uma chapa retangular. Nessa chapa, são cortados discos para a fabricação do ‘fundo’ das panelas. Por mais que a empresa maximize o uso da chapa, haverá sobras, que são esperadas e, portanto, incorporadas ao custo de produção. Se cada chapa custa R$ 700,00, e são produzidos vinte ‘fundos’ de panela com ela, já assomadas as perdas, cada ‘fundo’ tem um custo igual a 700 20 35 00=R$ , No entanto, se uma perda anormal for registrada, a empresa deve incorporá- -las ao resultado do período como despesas; ainda que parte dessa despesa possa ser amortizada através de alguma recuperação (revenda de sucatas, etc.) (CREPALDI; CREPALDI, 2018). Um defeito na usinagem das chapas de aço da empresa JKL fez com que adquirisse uma chapa inviável para comercialização, pois oxidava com faci- lidade. Embora esse prejuízo, de R$ 700,00, seja uma despesa, a empresa conseguiu revender a chapa como sucata, ao preço de R$ 140,00. Esse valor, portanto, reduz em 20% o total dos prejuízos assumidos como despesa (uma vez que, deduzido o valor da venda, a despesa total seria igual a R$ 560,00). 27 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO 1.1.4 DESEMBOLSOS Os desembolsos correspondem aos pagamentos em espécie (dinheiro) relacionados à aquisição de bens e serviços indispensáveis ao funcionamento da empresa. Há desembolsos, nesse sentido, que ocorrem antes do recebimento dos bens adqui- ridos (como sinal para a compra de matéria-prima, por exemplo); outros que ocorrem durante a entrada dos produtos comprados (como no caso da prestação de serviços diretos, como fretes e entregas); e por fim, outros que se sucedem à compra desses mesmos bens (tais como impostos a serem pagos e comissões sobre vendas a serem creditados em folha,por exemplo) (LINS; SILVA, 2017). 1.1.5 PREÇO A definição do preço, em cenários de livre concorrência, independe da vontade do produtor: na verdade, é o consumidor que definiria o preço que está disposto a pagar por uma mercadoria, a partir da utilidade que ela lhe representa (LINS; SILVA, 2017). Retomando o modelo microeconômico de concorrência perfeita, a utilida- de é determinante para saber o quanto o agente econômico está disposto a pagar por um bem. Se ele considera que ele irá maximizar sua utilidade, estará, inclusive, disposto a pagar mais do que o preço de mercado para poder tê-lo – este preço é denominado ‘preço de reserva’, e é muito utilizado no setor de entretenimento: os primeiros ingressos de um show são vendi- dos a preços altos para captar os fãs, e depois sofrem reduções para abranger o restante do público. 28 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Nessas circunstâncias, as empresas teriam de definir o preço a praticarem a partir do volume de mercado que teriam condições de ocupar. Ou seja, de acordo com o seu potencial de competitividade: caso a empresa consiga produzir de modo a vender com um preço atrativo, ela será competitiva; se não, será fatalmente expulsa do mercado (SANTOS, 2017). Para elaborar o preço de venda, uma forma simples é a abordagem do custo-meta, que abrange uma taxa de lucro esperada e os diferentes custos de produção (LINS; SILVA, 2017). A empresa GHJ fabrica baterias de automóveis. É sabido que os custos totais com matéria-prima, funcionários, impostos e outros encargos, quando distri- buídos pela produção, giram em torno de R$ 120,00 por unidade. A polí- tica da empresa é arbitrar uma margem de lucro de 30% sobre os custos, logo essa margem corresponde a R$ 120,00*0,3=R$ 36,00. Somando essa margem aos custos, tem-se que o preço de venda de baterias deve ser igual a R$ 156,00. Uma segunda empresa, a YUI, está entrando no mercado e ainda não tem uma noção precisa sobre as margens de lucro que pode arbitrar, sabe, no entanto, que o seu custo de fabricação é igual a R$ 135,00 e os clientes não estão dispostos a pagar mais do que R$ 162,00 por uma bateria (empresas que praticavam preços maiores faliram). Logo, o maior valor de lucro possível seria igual a 162 – 135 = R$ 27,00. Esse valor corresponde à seguinte margem de lucro: M emarg , %= = = 27 135 0 2 20 29 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO Há dois itens intrinsecamente associados à formação de preços, quais sejam: quali- dade e desperdício. Dentro do conceito de qualidade, abrigam-se as necessidades e expectativas dos clientes em relação a um determinado produto, em relação às suas características técnicas, condições de pagamento, políticas da empresa em relação a suporte pós-venda, etc. (PINHEIRO; CRIVELARO, 2014). Assim sendo, muitas empresas buscam implementar processos de melhoria de quali- dade, a fim de evitar perdas na produção que gerem desembolsos desnecessários. Dentre os fatores que podem ser geradores de perdas na produção e desembolsos, em decorrência de falta de qualidade, pode-se enfatizar: • Manutenções corretivas decorrentes de mau uso ou imperícia. • Trocas e devoluções. • Geração de sucata e outros materiais inservíveis. • Atendimento pós-venda ineficiente. • Falhas geradoras de retrabalho, etc. FIGURA 3 - PERDA DE QUALIDADE E DESEMBOLSOS INEFICIENTES DESEMBOLSOSImperícia Trocas e devoluções Sucata e inservíveis Ineficiência de pós-venda Retrabalho Fonte: Elaborada pelo autor. 30 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O segundo conceito, o de desperdício, remete diretamente aos gastos que a empresa realiza, e que não adicionam valor ao produto através de incrementos de qualidade. Justamente por esse fato, quando esses desembolsos são agregados ao preço final de venda de um produto, o encarecimento geral desse bem faz com que os consumido- res potenciais afastem-se do produtor, gerando prejuízo ao mesmo. Itens de desperdício, portanto, podem ser eliminados sem que a qualidade final do projeto seja alterada, mediante remanejamentos de alguns itens de custo e de orga- nização interna da empresa (LINS; SILVA, 2017). Dentre eles, é possível mencionar: • Gastos com auditorias externas independentes em função de falhas de gestão interna. • Despesas com estocagem. • Capacidade ociosa de equipamentos, etc. FIGURA 4 - FATORES DE DESPERDÍCIO DE RECURSOS NA ORGANIZAÇÃO Desembolsos/desperdício Capacidade ociosa Estocagem excessiva Falhas de gestão Fonte: Elaborada pelo autor. 31 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO A capacidade ociosa é medida pela relação entre o volume efetivo de produ- ção de um bem de capital (um produto direcionado à produção de outros bens, como máquinas e equipamentos industriais) e a capacidade instalada desse bem. Por exemplo, se uma máquina pode produzir oitocentos copos por hora, porém produz apenas seiscentos, há duzentos copos sem serem produzidos: a capacidade ociosa é igual a 200/800 = 25%. Os desperdícios, assim como as perdas, oneram o processo produtivo, logo, as empre- sas procuram reduzir a zero o montante desses desembolsos. 1.2 CLASSIFICAÇÕES DE CUSTOS Como você pôde observar até o momento, os elementos geradores de custos têm diferentes origens, propostas e finalidades, e distribuem-se ao longo de toda a cadeia produtiva. É imperativo que a empresa realize uma taxonomia, ou seja, uma classi- ficação das operações de desembolso costumeiramente efetuadas ao longo de seu ciclo operacional. Essa classificação pode ser realizada tomando-se por base os objetos de custo ou o volume de produção. Neste tópico, discutiremos as formas pelas quais essa classifi- cação é realizada, a partir de uma divisão entre custos diretos e indiretos, e também entre custos fixos e variáveis. Você poderá, desse modo, entender de que modo essas categorias representam os processos de desembolso de recurso nas empresas. 32 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1.2.1 CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS Os custos diretos e indiretos dizem respeito ao objeto de custo, ou seja, à forma pela qual se identificam esses custos nas etapas produtivas. Nesse sentido, um custo dire- to é aquele que pode ser rápido e facilmente identificado, de acordo com uma medi- da específica (horas de trabalho, quantidades de mercadoria ou matérias-primas, compra de materiais etc.). Os custos indiretos, por sua vez, são aqueles que representam desembolsos para a organização, no entanto, sua identificação ao longo do ciclo operacional é mais difícil. Em outras palavras, todo custo que diga respeito às atividades da empresa, mas que não esteja ligado diretamente ao ciclo operacional (e, portanto, possa ser mensura- do), corresponde a um custo indireto (SANTOS, 2017). A elaboração de uma pizza tem custos diretos: lenha, horas de trabalho do pizzaiolo, ingredientes; todos esses itens podem ser quantificados em cada pizza produzida. No entanto, as despesas de telefone, aluguel do prédio, energia elétrica, embora associadas à produção, não têm condição viável de serem identificadas em relação a cada objeto produzido. Uma solução para arbitrar um custo indireto é recorrer ao rateio, ou seja, fazer uma média ponderada dos desembolsos com esses custos indiretos em relação a cada atividade da organização. 33 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017Gestão de Custos SUMÁRIO Para o caso da pizzaria mencionada no exemplo anterior, pode-se fazer um rateio em relação a cada área da empresa: se o setor de atendimento ao cliente ocupa 5% da área total do estabelecimento, então, 5% dos desem- bolsos com aluguel estão associados a essa área. Embora muito subjetiva, é uma medida que permite alocar os custos de acordo com a realidade da produção. Naturalmente, é necessário que o gestor recorra ao bom senso para arbitrar a exis- tência de custos diretos e indiretos: há vários itens de custo que podem ser tomados como diretos, como, por exemplo, os gastos para o pagamento de tarifas de energia elétrica. Uma empresa tem conhecimento do consumo das suas principais máqui- nas, e se organiza para isso na forma de custos diretos, através de padrões de energia próprios (LINS; SILVA, 2017). No entanto, a tarefa paralela de alinhar cada lâmpada, carregador de celular, forno elétrico ou bebedouro de uma empresa, para avaliar a quantidade de energia consu- mida em cada setor, pode ser tão complexa (e envolver vários investimentos adicio- nais), que esse custo acaba sendo tomado como indireto, e inserido nos preços de venda segundo critérios que são inerentes a cada organização. 34 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O sistema de classificação de custos diretos e indiretos é aplicado em dife- rentes empresas e organizações, nos setores público e privado. Um exem- plo pode ser encontrado no artigo de Valderilio Azevedo et al., denomina- do “Custos diretos e indiretos do tratamento de pacientes com espondilite anquilosante pelo sistema público de saúde brasileiro”. Nesse trabalho, são demonstrados os custos diretos (exames, procedimentos, etc.) e indiretos (gastos com aposentadorias e pensões) relativos aos pacientes que apresen- tam a enfermidade. 1.2.2 CUSTOS FIXOS E VARIÁVEIS Uma segunda classificação dos custos toma por referência o volume de produção e o perfil de gasto envolvido, a fim de determinar se o custo pode ser diluído ao longo da produção de bens ou incorporado individualmente em cada unidade produzida pela empresa. Nessa classificação, observa-se a existência de custos fixos e variáveis. Os custos fixos são assim classificados quando os desembolsos totais para a sua cobertura não varia de forma proporcional ao volume de itens produzidos, ou seja, eles correspondem a um montante fixo, que é amortizado nos bens produzidos à medida que se desenvolvem os ciclos operacionais (CREPALDI; CREPALDI, 2018). Se a empresa adquire uma máquina que produz um item, ou 5.000 itens, o custo total será o mesmo; mas esse custo será dividido ao longo de todos os itens que forem produzidos. 35 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO Uma ‘frangueira’, isto é, uma máquina para assar frangos, tem condições de assar 70 frangos ao dia, em um ciclo de cinco horas de trabalho. Supo- nha que o empreendedor pretende usar a máquina aos sábados e domin- gos, durante cinquenta semanas, ao longo de quatro anos, e depois doar a máquina para uma instituição de caridade. O preço dessa máquina, à vista, é de R$ 2.800,00. Ou seja, tem-se: 70 frangos*2 dias*50 semanas=7.000 frangos por ano → 4 anos=28.000 frangos Considerando que a máquina custa R$ 2.800,00 para ser adquirida, o custo fixo relativo a ela, para cada frango assado, é igual a: 2 800 28 000 0 10. . $ ,=R Ou seja, de acordo com a produção esperada de 28.000 frangos, observamos que cada frango assado deve incluir, no seu preço de venda, o valor de R$ 0,10 para cobrir o custo da máquina, que é um custo fixo. No entanto, se a produção for menor que a produção esperada, o custo da máquina deverá ser diluído da mesma forma, e, nesse caso, teremos um outro custo fixo, maior que o original: se, ao invés de produzir 28.000 frangos, o empreendedor assasse apenas 14.000, o custo fixo seria igual a: 2 800 14 000 0 20. . $ ,=R Ou seja, um volume menor de produção acaba implicando em custos fixos mais elevados. 36 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Observa-se, portanto, que o peso dos custos fixos, em cada unidade elaborada de um bem, acaba se reduzindo conforme a produção cresce. Caso haja uma alteração na capacidade instalada (uma mudança na capacidade de produção da empresa), os custos fixos acompanharão a mesma tendência, e devem ser reprogramados para a composição dos custos unitários de cada produto (SANTOS, 2017). Os custos variáveis, como o nome indica, alteram-se à medida que o volume de produção também se altera, de modo que uma unidade a mais, ou a menos, que seja produzida, altera todo o custo de produção da empresa. Nessa linha, um custo variável se observa quando a empresa necessita realizar desem- bolsos para cada etapa do processo, agregando recursos à produção: esses recursos podem ser observados na forma de matérias-primas, pagamento de mão de obra, despesas com energia, etc. (PINHEIRO; CRIVELARO, 2014). Observe que, em uma classificação, os desembolsos com energia elétrica representam um custo indireto. No entanto, o mesmo desembolso pode estar associado ao consumo de energia, ou seja, constitui-se como custo variável. Assim sendo, é imperativo que cada empresa eleja o método de classificação que lhe pareça mais conveniente. Assim sendo, à medida que a produção aumenta, o montante de recursos consumi- dos com a cobertura dos custos variáveis também irá aumentar. 37 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO A máquina de assar frangos, destacada em exemplos anteriores, apresenta um ciclo de produção onde cada queimador consome 140 g de gás por hora de trabalho. Sabendo-se que há cinco queimadores na máquina, o consumo é de 700 g/hora, o que corresponde a 3,5 kg (3.500 g) de gás a cada cinco horas trabalhadas. Esse é um custo variável, que se altera na medida em que há produção efeti- va. Em outras palavras, o custo do gás é variável, uma vez que o gás somente será usado no momento em que os frangos são assados; logo, seu consumo varia de acordo com a produção. Se o consumo em cinco horas é igual a 3,5 kg de gás, serão consumidos 7 kg a cada dez horas, e assim por diante. Se podem ser produzidos 70 frangos em cinco horas, logo, são consumidos cerca de 50 g de gás a cada frango assado. Sabendo-se que um botijão de 13 kg (ou seja, com 13.000 gramas de gás) custa R$ 70,00, e sabendo-se que 50 g de gás correspondem a 0,38% desse botijão (uma vez que o resultado da divisão 50/13.000 é igual a 0,38%), logo, o custo do gás que deve ser alocado em cada frango é igual a: R$ 70,00*0,38% ≌ R$ 0,27 Entenda, portanto, que o custo variável somente ocorre na presença de produção: o empresário somente desembolsa R$ 0,27 para assar um frango quando há produ- ção de frangos. Essa é a diferença principal em relação aos custos fixos, que em geral remetem a itens de custo já contratados anteriormente à produção (na forma de compra de máquinas, pagamento de funcionários, etc.), e que precisam ser pagos, havendo produção ou não. 38 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Mediante o cômputo dos custos fixos e custos variáveis, a empresa pode estimar o custo total de um produto e, assim, arbitrando uma margem de lucro, obter seu preço de venda, conforme discutimos no início desta unidade (LINS; SILVA, 2017). Suponha que, para produzir um frango assado, são necessários apenas três elementos: o próprio frango; uma máquina para assar; e gás de cozinha.O frango tem o custo unitário de R$ 12,00 para o empreendedor. O custo da máquina é igual a R$ 0,20 para um ciclo de produção de 14.000 frangos; o custo do gás é igual a R$ 0,27. Logo, o custo total, por frango, é igual a R$ 12,00 + 0,20 + 0,27 = R$ 12,27 Se o empreendedor quer obter 50% de lucro, deverá acrescentar uma margem de 50% sobre o custo total, para obter o preço de venda: Preço de venda=custo total+margem de lucro=12,27+(0,5*12,27) ≌ R$18,40 1.3 INVESTIMENTOS: UM RÁPIDO OLHAR Em uma primeira aproximação, pode parecer confusa a ideia de elencar a categoria dos ‘investimentos’ em conjunto com custos ou despesas. Afinal, uma empresa inves- te com o objetivo de gerar mais receita. No entanto, é importante lembrar que um investimento, embora tenha realmente essa finalidade – gerar mais receita mediante a ampliação da capacidade produtiva da empresa – representa um gasto no primeiro momento, ou seja, um desembolso de recursos (e que, normalmente, é de um valor importante) que irá adquirir bens e serviços a serem utilizados durante toda uma vida útil desses produtos, ou seja, ao longo de diferentes ciclos operacionais (HOJI, 2017). 39 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO FIGURA 5 - CICLO DE VIDA DE UM INVESTIMENTO Vida útil do investimento Depreciação Geração de receita Criação de produto Desembolso de capital Decisão de investir Fonte: Elaborada pelo autor. Esses investimentos mencionados consistem, portanto, em investimentos produtivos: dizem respeito à ampliação da capacidade instalada de produção da empresa. Há uma outra categoria de investimento, ou seja, aquele que é realizado junto a insti- tuições financeiras. Esse tem o objetivo de aumentar as reservas da empresa na forma de capital, de dinheiro, mediante aplicações em fundos de investimentos, ações, deri- vativos e outras opções disponíveis no mercado financeiro. O fator de arbítrio, ou seja, o fator que define se uma empresa realiza, ou não, uma decisão de investimento produtivo, é a taxa de juros praticada na economia. Se a taxa de juros que remunera investimentos financeiros for maior que os retornos esperados pela empresa, na forma de receitas geradas, a decisão de investimento mais acertada é aplicar o dinheiro no mercado financeiro (HOJI, 2017). 40 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A taxa de juros é o fator de remuneração dos investimentos; no entanto, o agente econômico precisa estar atento à realidade do mercado e às suas características: juros altos simbolizam maior potencial de risco e de perdas mediante a decisão de investir. O oposto ocorre quando as entradas de recursos esperadas são superiores à renta- bilidade dos investimentos financeiros: nesse momento, é razoável que a empresa realize um investimento produtivo, em equipamentos e maquinário especializado. Considere que uma empresa que produz fraldas descartáveis recebeu uma oferta para a compra de uma máquina que irá custar R$ 240.000,00. Com ela, a empresa espera fabricar (e vender) 100.000 fraldas mensais a R$ 0,70 por unidade, com uma margem de lucro de 3% sobre cada fralda. A outra opção é investir o dinheiro da máquina no mercado financeiro a juros fixos de 1,2% ao mês. Logo, a opção da compra da máquina trará um rendimento médio de: 100.000*0,70*0,03=R$ 2.100,00 E a opção de manter o investimento financeiro a juros de 1,2% a.m. gera um rendimento de: 240.000*0,012=R$2.880,00 Diante dessas opções, é coerente que a empresa mantenha o dinheiro apli- cado em investimentos no mercado financeiro. 41 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Gestão de Custos SUMÁRIO BIBLIOGRAFIA COMENTADA Veja, a seguir, algumas indicações de obras que complementarão seu conhecimento sobre os assuntos abordados na disciplina. HOJI, Masakazu. Administração financeira e orçamentária: matemática financeira aplicada, estratégias financeiras, orçamento empresarial. Atlas, 2017. Essa obra realiza uma importante articulação entre ferramentas de gestão financeira, particularmente utilizadas no dia a dia de empresas de diferentes portes e perfis de atuação. Trata-se de um manual importante à administração de uma empresa, por meio da definição e apresentação de conceitos que resumem as interfaces financeira e administrativa das empresas. O autor apresenta, nesse sentido, a importância do planejamento financeiro como forma de garantia do crescimento das organizações, sobretudo, no tocante à articulação de recursos para a produção, dentro do conceito de ciclo operacional, que está descrito no tópico 1.3, denominado “Fluxo de opera- ções e cálculo do ciclo operacional”. BRUNI, Adriano Leal; FAMÁ, Rubens. Gestão de custos e formação de preços. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. Os autores realizam uma ponte importante entre conceitos teóricos e suas aplica- ções práticas, sobretudo, mediante o uso de calculadoras financeiras. São descritos diferentes exercícios, em diferentes graus de dificuldade, para o cálculo dos procedi- mentos de Gestão de Custos, com uma abordagem simplificada, a fim de gerar uma boa síntese sobre os processos de finanças das empresas. Analise o primeiro capítulo, porém, mais especialmente o tópico 1.4, “definições e conceitos”. 42 Gestão de Custos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO CONCLUSÃO Conforme as abordagens desta unidade temática, o conceito de ‘custo’ pode assumir múltiplos significados, sentidos e determinações, a depender do contexto em que é utilizado nas rotinas produtivas de uma organização. Há categorias de custos dire- tos e indiretos; custos fixos e variáveis; despesas, perdas normais, perdas anormais, desembolsos e investimentos. Todos esses referenciais analíticos, no entanto, convergem para um ponto em comum: a existência de gastos, de sacrifícios financeiros que obrigatoriamente têm de ser feitos pela empresa a fim de que a mesma possa financiar suas atividades. Vale destacar que, mesmo que certos desembolsos em princípio sejam absolutamen- te indesejáveis (como no caso das perdas anormais e dos desperdícios), os mesmos podem se converter, de algum modo, em fontes de receita: a quebra de uma máqui- na gera a necessidade de uma manutenção corretiva que, embora possa ter um custo significativo, recupera a sua capacidade produtiva, de modo a reduzir os custos de operação, especialmente os custos fixos, mediante a melhora da produtividade e a retomada da eficiência produtiva. Portanto, é necessário que uma empresa apresente fórmulas de gestão que sejam eficazes, ou seja, que cumpram com seus objetivos, delineando adequadamente cada item de custo, a fim de determinar as margens de lucro e preços de venda que permitam que a empresa possa colocar seus produtos no mercado de forma competitiva.