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Sumário
Princípios Fundamentais e a Função Social	2
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES	4
Art. 6º – Efeitos do pedido de recuperação ou falência	4
ADMINISTRADOR JUDICIAL	14
Assembleia-Geral de Credores (AGC)	24
RECUPERAÇÃO JUDICIAL	29
Meios de recuperação (art. 50)	41
RECUPERAÇÃO DE MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (ME E EPP)	58
HIPÓTESES DE DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA DURANTE A RECUPERAÇÃO JUDICIAL	61
FALENCIA	64
RECUPERAÇAO EXTRAJUDICIAL (RE)	70
 Princípios Fundamentais e a Função Social
O principal objetivo da recuperação judicial é viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor (Art. 47 da LREF).
· Princípio da Preservação da Empresa: É o pilar. A recuperação só se justifica se a empresa for economicamente viável (sanável), permitindo que continue operando, gerando empregos, tributos e riqueza. A falência deve ser a ultima ratio (último recurso).
· Função Social da Empresa: A LREF reconhece que a empresa transcende o interesse dos sócios, englobando empregados, credores, o Fisco e a comunidade. A preservação da empresa é, em última análise, um interesse social.
· Papel do Código Civil: O Código Civil (Lei nº 10.406/2002) define o empresário (Art. 966) e a sociedade empresária, que são os sujeitos ativos da recuperação e falência (Art. 1º da LREF).
1. Princípio da Preservação da Empresa
Este é o princípio-mor, o mais importante da LREF, e está expresso no Art. 47:
"A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica."
· Fundamento: Reconhece que a empresa (enquanto atividade organizada) tem um valor que transcende a figura dos sócios e credores, afetando a economia, o emprego e a arrecadação de tributos.
· Implicação Jurídica (Jurisprudência): Justifica o stay period (suspensão das ações e execuções) e a possibilidade de o juízo da recuperação, em casos excepcionais e desde que essenciais à atividade, impedir a retirada de bens por credores não sujeitos à recuperação (como o fiduciário), aplicando o princípio da essencialidade.
2. Princípio da Função Social da Empresa
A preservação da empresa é o meio pelo qual se atinge sua função social, conceito consagrado pelo Código Civil (Art. 421-A) e elevado a princípio constitucional.
· Fundamento: A empresa deve conciliar o lucro privado com o bem-estar coletivo. A crise de uma empresa não é um problema apenas do empresário, mas de toda a sociedade.
· Implicação Jurídica (Doutrina): A recuperação judicial é um instrumento de política econômica e social. É por isso que o pagamento dos créditos trabalhistas recebe tratamento prioritário na LREF (devem ser pagos em até um ano), garantindo a subsistência dos empregados e suas famílias.
3. Princípio da Soberania da Assembleia Geral de Credores (AGC)
Este princípio confere aos credores o poder de decisão sobre o destino da empresa em crise.
· Fundamento: São os credores, titulares dos créditos, quem mais diretamente suportarão os riscos da recuperação ou da falência. Portanto, são eles quem devem decidir se o Plano de Recuperação Judicial (PRJ) é viável.
· Implicação Jurídica (Jurisprudência - STJ): O Enunciado 46 da I Jornada de Direito Comercial/CJF e a jurisprudência consolidada do STJ estabelecem que: "Não compete ao juiz fiscalizar a viabilidade econômica da devedora; a Assembleia de Credores é soberana para decidir sobre a aprovação, rejeição ou modificação do plano." O juiz deve apenas verificar a legalidade formal do plano.
4. Princípio do Par Conditio Creditorum (Igualdade de Credores)
Embora não signifique tratar a todos da mesma forma, este princípio exige que os credores de uma mesma classe sejam tratados de maneira equânime.
· Fundamento: Busca-se evitar que o devedor beneficie credores específicos em detrimento dos demais.
· Implicação Jurídica: Embora a LREF estabeleça classes de credores com diferentes prioridades (trabalhistas, garantias reais, quirografários, etc.), dentro de uma mesma classe, o tratamento no plano de recuperação deve ser isonômico. A Lei nº 14.112/2020 mitigou levemente esse princípio ao permitir o tratamento diferenciado entre classes e dentro das classes, desde que justificado e aprovado.
5. Princípio da Transparência (ou da Boa-Fé Objetiva)
A recuperação judicial exige que o empresário atue com lealdade e revele sua real situação financeira.
· Fundamento: A recuperação é um benefício legal; em contrapartida, o devedor deve agir com transparência e ética perante o juízo e os credores.
· Implicação Jurídica: O devedor deve instruir a petição inicial com uma vasta documentação, incluindo balanços, demonstrações financeiras e a exposição das causas concretas da situação patrimonial e das razões da crise (Art. 51 da LREF). A omissão ou a fraude podem levar à convolação da recuperação em falência e até mesmo à responsabilização dos administradores.
6. Princípio da Novação Condicional
Este princípio trata do efeito jurídico central do Plano de Recuperação Judicial (PRJ) sobre as dívidas.
· Fundamento: O plano aprovado substitui as obrigações antigas por novas obrigações, prazos e condições (Art. 59 da LREF).
· Implicação Jurídica (Jurisprudência - STJ): A novação é condicional à execução bem-sucedida do PRJ. Se o devedor não cumprir o plano, o juiz decreta a falência, e as obrigações e garantias anteriores voltam a valer (ex tunc), conforme previsão expressa do Art. 61, § 2º, da LREF. Isso protege o credor no caso de insucesso da recuperação.
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor.
Art. 2º Esta Lei não se aplica a:
I – empresa pública e sociedade de economia mista;
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.
Art. 3º É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil.
Os créditos que não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial estão previstos, principalmente, nos parágrafos do $\text{Art. 49}$ da $\text{Lei n}^{\circ}$ 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial e Falência - $\text{LRF}$) e em legislações específicas.
Embora o caput do $\text{Art. 49}$ estabeleça que, como regra, todos os créditos existentes na data do pedido estão sujeitos à $\text{RJ}$, as exceções são:
1. Créditos Extracursais (Posteriores ao Pedido de RJ)
Não estão sujeitos à recuperação judicial os créditos que surgirem após o pedido de recuperação judicial (ou seja, aqueles cujo fato gerador ocorreu depois do protocolo do pedido). Estes são considerados créditos extraconcursais e devem ser pagos no vencimento, sem a necessidade de inclusão no Plano de Recuperação Judicial ($\text{PRJ}$).
2. Créditos com Garantias Específicas (Não Suspensão, mas Submissão Parcial)
A lei exclui da sujeição à a execução de determinados contratos e seus respectivos créditos, garantindo aos credores a possibilidade de buscar o bem dado em garantia, mas com uma ressalva importante:
· Titular de Propriedade Fiduciária (crédito com alienação fiduciária).
· Arrendador Mercantil (credor com contrato de arrendamento mercantil).
· Proprietário ou Promitente Vendedor de imóvel com cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade.
· Titular de Reserva de Domínio.
· Credor com garantia em cessão fiduciária de direitos creditórios e negócios de securitização.
A exceção está no $\text{Art. 49}$, $\S 3^{\circ}$, da $\text{LRF}$, que permite a tais credores a retenção,de balanço por contador dá maior segurança ao juiz/creditores quanto à veracidade dos números.
 Art. 48-A — exigência para companhia aberta (Lei 14.112/2020)
Texto resumido: em recuperação judicial de companhia aberta, é obrigatória a formação e funcionamento do conselho fiscal (nos termos da Lei das S.A.) enquanto durar a recuperação, inclusive no período de cumprimento do plano.
Finalidade prática: aumentar governança, transparência e fiscalização em empresas de capital aberto, protegendo investidores e credores durante o processo de reestruturação.
Efeito prático: a companhia deverá restabelecer/acionar o conselho fiscal, com membros habilitados nos termos da Lei nº 6.404/76; custos e dinâmica de governança adicionais; o conselho fiscal acompanha a execução do plano.
Exemplo: companhia aberta em RJ tem de convocar ou manter conselho fiscal ativo, apresentar relatórios periódicos ao conselho sobre cumprimento do plano, e este acompanhará a administração e possíveis operações relevantes.
Consequências práticas do descumprimento dos requisitos do art. 48
· Indeferimento liminar do pedido por ilegitimidade/causa de inadmissibilidade (falta dos 2 anos; falência não extinta; condenação criminal; recuperações recentes em prazo vedado).
· Possibilidade de impugnação por credores/MP na fase de processamento.
· Cautela para produtores rurais: se não comprovarem por ECF/DIRPF/LCDPR, risco de indeferimento.
Exemplo: pessoa física produtora rural que não possui LCDPR nem DIRPF tempestiva terá dificuldade em provar os 2 anos → pedido pode ser indeferido.
 Exemplos práticos consolidados
· Caso A (empresa urbana): “Mecânica Alfa Ltda.” — constituída em 2016, sem histórico de falência, sem recuperações anteriores, sem sócios condenados → cumpre art.48 caput e incisos; pedido de RJ cabível; juntar balanços e certidões.
· Caso B (produtor rural pessoa física): Sr. Pedro explora 5.000 ha, tem DIRPF e LCDPR de 2019–2023, comprovando atividade contínua → cumpre §§3–4; pode requerer RJ com provas contábeis adequadas.
· Caso C (falência não extinta): Empresa X teve falência decretada em 2021 e não houve sentença extintiva transitada em julgado → não pode pedir RJ enquanto responsabilidades não extintas.
· Caso D (recuperação recente): Empresa Y obteve plano especial em 2022 (ME) → não poderá pedir novo plano especial até 2027 (inciso III), nem nova recuperação geral em 5 anos (inciso II) conforme hipótese.
Questão – Estilo OAB (Recuperação Judicial – Requisitos do Art. 48 LREF)
A sociedade empresária AgroVale Ltda., constituída em março de 2023, exerce regularmente a atividade de cultivo e comercialização de grãos. Em abril de 2025, em razão de forte crise de mercado e alta do custo de insumos, decide ingressar com pedido de recuperação judicial. Consta que a empresa nunca foi falida, não obteve recuperação anterior e nenhum de seus sócios possui condenações criminais. O advogado anexa os documentos contábeis do último exercício, elaborados por contador habilitado. Com base na Lei nº 11.101/2005 (com alterações da Lei nº 14.112/2020), assinale a alternativa correta quanto à possibilidade de deferimento do pedido.
a) O pedido deve ser deferido, pois a empresa comprovou situação de crise econômico-financeira e não há impedimentos legais, bastando a demonstração de viabilidade do plano.
b) O pedido deve ser indeferido, pois a empresa ainda não exerce atividade há mais de dois anos, requisito indispensável previsto no art. 48, caput, da Lei nº 11.101/2005.
c) O pedido deve ser deferido, pois a comprovação de apenas um exercício fiscal regular é suficiente para caracterizar a continuidade das atividades.
d) O pedido poderá ser deferido, desde que os sócios substituam o administrador judicial, em razão da ausência de apresentação da Escrituração Contábil Fiscal (ECF).
✅ Gabarito: Letra B
Nos termos do art. 48, caput, da Lei nº 11.101/2005, só pode requerer recuperação judicial o devedor que exerça regularmente suas atividades há mais de dois anos. A AgroVale Ltda., constituída em março de 2023, não preenche o requisito temporal mínimo ao formular pedido em abril de 2025 (exerce há pouco mais de 2 anos civis, mas sem comprovação de dois exercícios fiscais completos). Trata-se de requisito cumulativo e objetivo, cuja ausência impede o deferimento inicial do processamento da recuperação judicial.
Questão – Estilo OAB (Recuperação Judicial do Produtor Rural – Lei 14.112/2020)
O produtor rural Carlos Menezes, pessoa física, exerce sua atividade agrícola há vários anos, porém não possui registro na Junta Comercial. Em julho de 2025, enfrentando sérias dificuldades financeiras, pretende requerer recuperação judicial. Para demonstrar o exercício regular da atividade, Carlos apresenta:
· Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR) e Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) dos anos de 2022, 2023 e 2024, ambos entregues tempestivamente;
· balanço patrimonial elaborado por contador habilitado.
Com base na Lei nº 11.101/2005, com as alterações da Lei nº 14.112/2020, assinale a alternativa correta.
a) O pedido deve ser indeferido, pois o produtor rural pessoa física precisa estar inscrito na Junta Comercial há pelo menos dois anos para comprovar o exercício da atividade.
b) O pedido deve ser indeferido, pois o produtor rural pessoa física não pode requerer recuperação judicial sem constituir pessoa jurídica.
c) O pedido pode ser deferido, pois a comprovação do exercício da atividade rural pode ser feita por meio do LCDPR, da DIRPF e do balanço patrimonial, entregues tempestivamente.
d) O pedido deve ser indeferido, pois o art. 48, §3º, da Lei nº 11.101/2005, exige a apresentação da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e não do LCDPR.
✅ Gabarito: Letra C
Conforme o art. 48, §3º, da Lei nº 11.101/2005, o produtor rural pessoa física pode requerer recuperação judicial mediante comprovação do exercício da atividade rural por meio do LCDPR, DIRPF e balanço patrimonial entregues tempestivamente. O registro na Junta Comercial não é requisito obrigatório, bastando a demonstração contábil regular. Assim, o pedido de recuperação judicial é cabível.
Alternativa correta: letra C.
Art. 49 — Caput
“Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos.”
Regra geral: tudo que for crédito do devedor e existir em razão de negócios jurídicos firmados antes da data de distribuição do pedido de RJ integra o universo recuperacional — mesmo que o vencimento ocorra depois.
Objetivo: evitar preferências indevidas (alguém que tenha crédito a vencer pouco depois do pedido não pode ser tratado melhor que os demais). Promove igualdade entre credores e permite que o plano trate dívidas futuras, organizando o fluxo a vencer.
Exemplo: contrato de fornecimento celebrado em jan/2024, com parcelas vencendo a partir de jan/2026. Se a empresa pede RJ em jun/2025, essas parcelas (créditos não vencidos) ficam sujeitas ao processamento e ao eventual plano.
§ 1º — Direitos contra coobrigados, fiadores e obrigados de regresso
“Os credores do devedor em recuperação judicial conservam seus direitos e privilégios contra os coobrigados, fiadores e obrigados de regresso.”
A suspensão das execuções (art. 6º) e a novação/reestruturação produzidas pelo plano incidem sobre a pessoa do devedor. Terceiros que prestaram garantia (fiadores, avalistas, coobrigados, responsáveis de regresso) não são automaticamente protegidos pela RJ: o credor pode, em regra, prosseguir contra eles.
Razão: preservar o direito de regresso do credor e evitar transferir ao garantidor o ônus da reestruturação sem sua anuência.
Exemplo: Banco emprestou R$1.000.000 com aval de pessoa física. Empresa entra em RJ. O banco, mesmo com stay sobre a recuperanda, pode executar o avalista para satisfazer o crédito.
Jurisprudência/Prática: Tribunais superiores têm firmado que execuções contra fiadores continuam, salvo previsão expressa no plano que alcance e beneficie o garantidor.
Cautela para devedor: incluir cláusulas no plano que prevejam tratamentode garantidores exige negociação com estes (ou que o plano expresse a extensão, com risco de impugnação).
§ 2º — Condições contratuais até o plano (status quo salvo previsão contrária)
“As obrigações anteriores à recuperação judicial observarão as condições originalmente contratadas ou definidas em lei ... salvo se de modo diverso ficar estabelecido no plano.”
Interpretação:
Enquanto o plano não for aprovado, as obrigações vigem nas condições originais — juros, garantias e prazos permanecem como pactuados.
Após aprovação do plano, este pode alterar condições (redução de juros, alongamento, perdão parcial) desde que homologado.
Exemplo: Contrato de aluguel com cláusula de reajuste anual. Enquanto não houver plano homologado, o locador pode cobrar os encargos contratuais; se o plano aprovado trouxer carência ou parcelamento, as novas condições passam a prevalecer.
§ 3º — Créditos de titular fiduciário, leasing, reserva de domínio, cláusulas irrevogáveis/irretratáveis
(trecho longo — ideia central:) quem detém propriedade fiduciária, é arrendador mercantil, proprietário/promitente vendedor com cláusula de irrevogabilidade/irretratabilidade, ou vendedor com reserva de domínio, não está sujeito aos efeitos da RJ; prevalecem seus direitos reais sobre o bem. Porém, durante o stay period (art. 6º, §4º) não é permitida a retirada ou venda dos bens de capital essenciais ao estabelecimento do devedor.
Interpretação:
Direito real prevalece: se o bem ainda tecnicamente pertence ao credor (fiduciário, arrendador com arrendamento mercantil, vendedor com reserva de domínio), esse credor pode reaver a coisa ou fazê-la valer, porque não está sujeito à novação pelo plano.
Limitação prática: o legislador equilibra preservação da atividade: não se permite ao credor retirar bens de capital essenciais (ex.: máquinas indispensáveis) durante a suspensão de 180 dias, para não inviabilizar a empresa e prejudicar a massa credora como um todo.
Exemplos:
Máquina comprada sob alienação fiduciária: o banco é proprietário fiduciário — o crédito do banco não entra no plano; porém, banco não pode retirar a máquina essencial nos primeiros 180 dias (exceto se demonstrar que não é essencial).
Empresa locou caminhões via arrendamento mercantil (leasing). O arrendador mantém propriedade; ele pode buscar a retomada dos caminhões, mas não se procederá à retirada que inviabilize a atividade no período de suspensão.
Cautela prática: Difícil e controvertido definir “bens de capital essenciais” — juiz decidirá com base em prova técnica. Credor que pretende retirada pode pedir autorização judicial e demonstrar que o bem não é essencial.
§ 4º — Referência ao inciso II do art. 86 (importâncias não sujeitas)
“Não se sujeitará aos efeitos da recuperação judicial a importância a que se refere o inciso II do art. 86 desta Lei.”
O que é (contexto):
O art. 86 trata de créditos que têm preferência especial na ordem de pagamentos após a falência (ex.: custas, créditos trabalhistas com limites, etc.). O inciso II menciona importâncias arrecadadas ou valores que, por lei, não integram a massa (ver redação específica do art.86).
Assim, certas importâncias previstas naquele inciso ficam fora dos efeitos da RJ.
Exemplo prático: valores recolhidos para determinada destinação legal que não integram o ativo recuperacional não se sujeitam ao regime da RJ.
Observação: necessário consultar art. 86 para ver a natureza exata do inciso referido (gera efeitos sobre prioridades e exclusões).
§ 5º — Créditos garantidos por penhor sobre títulos, direitos creditórios, aplicações financeiras ou valores mobiliários
“... poderão ser substituídas ou renovadas as garantias liquidadas ou vencidas durante a recuperação judicial e, enquanto não renovadas ou substituídas, o valor eventualmente recebido em pagamento das garantias permanecerá em conta vinculada durante o período de suspensão ...”
Interpretação:
Quando a garantia consiste em ativos financeiros (títulos, aplicações), e estes vencem ou são liquidados durante a RJ, o valor percebido não é liberado ao credor imediatamente: permanece em conta vinculada durante o stay period (180 dias).
O devedor e o credor podem renovar ou substituir a garantia; até que isso ocorra, o valor fica protegido na conta vinculada, evitando prejuízo imediato ou desvirtuamento do processo.
Exemplo:
Devedor deu em penhor CDBs ao banco; durante a RJ os CDBs vencem e o banco recebe o valor. Por força do §5º, esse montante ficará retido em conta vinculada até que haja decisão sobre destino/renovação, não podendo o banco retirar e usar imediatamente.
Finalidade prática: proteger a massa, permitir que o juiz/administrator avalie melhor uso dos valores e evitar que credores financeiros saquem aplicações e levem vantagem indevida durante a fase de suspensão.
§ 6º — Créditos rurais nas hipóteses do art. 48 §§2º e 3º (Lei 14.112/2020)
“Nas hipóteses de que tratam os §§ 2º e 3º do art. 48 ... somente estarão sujeitos à recuperação judicial os créditos que decorram exclusivamente da atividade rural e estejam discriminados nos documentos ...”
Interpretação:
Para produtor rural (pessoa física ou jurídica) que usa os meios especiais de comprovação (ECF, LCDPR, DIRPF), só os créditos relacionados exclusivamente à atividade agrícola e discriminados na documentação poderão ser sujeitos à RJ.
Protege credores que tenham créditos de natureza diversa (p.ex.: dívidas pessoais do produtor) e evita que o produtor misture passivos particulares com empresariais.
Exemplo:
Produtor pessoa física com débito de financiamento rural (atividade) e dívida pessoal por cartão de crédito (não rural). Na RJ só entram os créditos rurais discriminados (financiamento), não a dívida do cartão (salvo se houver vinculação empresarial comprovada).
Cuidado: documentação incompleta pode levar indeferimento quanto a inclusão desses créditos.
§ 7º e § 8º — Recursos controlados (Lei n. 4.829/1965) — inclusão/exclusão conforme renegociação anterior
§ 7º: recursos controlados nos termos dos arts. 14 e 21 da Lei 4.829/1965 não se sujeitam aos efeitos da RJ.
§ 8º: porém, os recursos referidos no §7º estarão sujeitos à RJ se não tiverem sido objeto de renegociação entre o devedor e a instituição financeira antes do pedido, na forma de ato do Poder Executivo.
Explicação (contexto rural/custeio):
A Lei 4.829 trata de créditos rurais com recursos controlados (programas de crédito com intervenção do Executivo). A LREF passou a excluir esses recursos dos efeitos da RJ, em princípio, protegendo o financiamento público.
Exceção: se tal crédito controlado não foi renegociado administrativamente antes do pedido, passa a entrar na RJ — ou seja, o devedor que não buscou renegociação prévia com a instituição e o Executivo pode ver esses créditos incluídos no processo.
Exemplo prático:
Producer com crédito subsidiado pelo BNDES: se houve ato administrativo de renegociação anterior ao pedido → crédito fica fora da RJ. Se não houve renegociação administrativa e o crédito é do tipo controlado → pode entrar na RJ (conforme §8º).
Objetivo: forçar o devedor a tentar solução administrativa/preliminar para créditos públicos antes de buscar proteção judicial; evita transferir custos ao sistema.
§ 9º — Exclusão das dívidas contraídas nos últimos 3 anos para aquisição de propriedade rural
“Não se enquadrará ... aquele relativo à dívida constituída nos 3 (três) últimos anos ... com a finalidade de aquisição de propriedades rurais, bem como as respectivas garantias.”
Interpretação:
Dívidas contraídas nos últimos 3 anos anteriores ao pedido, com finalidade específica de comprar imóvel rural, e suas garantias, não entram na recuperação judicial.
Finalidade: evitar que produtores usem a RJ para postergar/neutralizar créditos tomados recentemente para aquisição de terras — prevenir abuso / especulação fundiária.
Exemplo:
Produtor adquiriu fazenda em 2023 financiada por crédito específico; pede RJ em 2025. A dívida de compra e as garantias não serão sujeitas à RJ (estão excluídas por §9º).
Efeito prático: credores vinculados aessas operações podem exigir suas garantias e não ficarão vinculados ao plano.
Questão — Recuperação Judicial (art. 49 da LREF)
A sociedade empresária TecnoMaq Indústria Ltda., fabricante de equipamentos agrícolas, teve deferido o processamento de sua recuperação judicial em abril de 2025. Entre seus principais credores, estão:
I — o Banco Alfa, com contrato de alienação fiduciária de máquinas usadas na produção;
II — a Comercial Beta Ltda., fornecedora de insumos, com duplicatas vencidas em janeiro de 2025;
III — o Banco Delta, que possui crédito garantido por penhor de CDBs vencidos em maio de 2025;
IV — João, fiador em contrato de financiamento firmado pela empresa em 2023.
Com base na Lei nº 11.101/2005, considerando as alterações da Lei nº 14.112/2020, assinale a alternativa correta.
A) Todos os créditos acima se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial, pois foram constituídos antes do pedido, ainda que possuam garantias.
B) Apenas os créditos das empresas Comercial Beta e Banco Delta se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial.
C) Somente os créditos dos itens I e IV não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial.
D) Os créditos dos itens I e III não se submetem à recuperação judicial, mas os demais sim.
✅ Gabarito: D
🧠 Resposta padrão (5 linhas — estilo OAB)
De acordo com o art. 49, caput e §§ 1º, 3º e 5º, da Lei nº 11.101/2005, os créditos existentes na data do pedido estão sujeitos à recuperação judicial, exceto os de titular fiduciário, arrendador mercantil e vendedor com reserva de domínio (§3º), bem como os créditos com penhor sobre aplicações financeiras ou títulos, que não se submetem até a substituição da garantia (§5º). Assim, os créditos dos itens I e III não se submetem, enquanto II e IV se sujeitam à recuperação.
Questão 1 — Fiador e coobrigado
A sociedade Móveis Delta Ltda. está em recuperação judicial. Um de seus contratos de financiamento conta com garantia pessoal de seu sócio Carlos, que assinou como fiador. O banco credor deseja prosseguir a execução contra o fiador, mesmo com o deferimento do processamento da recuperação. À luz da Lei nº 11.101/2005, assinale a alternativa correta:
A) A execução deve ser suspensa, pois o deferimento da recuperação judicial estende-se ao fiador.
B) O fiador somente poderá ser executado após a homologação do plano de recuperação judicial.
C) O credor pode continuar a execução contra o fiador, pois seus direitos contra coobrigados são preservados.
D) A execução contra o fiador depende de autorização do juízo da recuperação.
✅ Gabarito: C
🧠 Resposta padrão (5 linhas): Conforme o art. 49, §1º, da Lei nº 11.101/2005, o deferimento da recuperação judicial não impede o credor de exercer seus direitos contra coobrigados, fiadores e obrigados de regresso. A suspensão das execuções e o plano atingem apenas o devedor principal.
Logo, o credor pode continuar a execução contra o fiador, independentemente da recuperação judicial.
🧩 Questão 2 — Crédito fiduciário e bem essencial
A empresa AgroMáquinas S/A adquiriu um trator por alienação fiduciária junto ao Banco Verde. Após entrar em recuperação judicial, o banco pretende retomar o trator, alegando inadimplência. Conforme o art. 49 da LREF, o banco:
A) Pode retirar imediatamente o bem, pois o crédito fiduciário não se submete à recuperação judicial.
B) Não pode retirar o bem enquanto durar o período de suspensão, se ele for essencial à atividade da empresa.
C) Deve esperar a homologação do plano de recuperação para exercer seus direitos.
D) Está sujeito integralmente ao plano de recuperação judicial.
✅ Gabarito: B
🧠 Resposta padrão (5 linhas): O art. 49, §3º, exclui o credor fiduciário dos efeitos da recuperação judicial, preservando seu direito de propriedade. Contudo, durante o prazo de suspensão (art. 6º, §4º), não se permite a retirada de bens de capital essenciais à atividade empresarial. Assim, o Banco Verde não poderá retirar o trator enquanto durar o período de stay.
🧩 Questão 3 — Créditos rurais e documentação contábil
O produtor rural Pedro Alves, pessoa física, requereu recuperação judicial em 2025.
Ele apresentou débitos bancários relativos à compra de maquinário e também dívidas pessoais de cartão de crédito. Com base no art. 49, §6º, assinale a alternativa correta:
A) Todos os débitos do produtor estão sujeitos à recuperação judicial.
B) Apenas os créditos decorrentes da atividade rural e devidamente discriminados em seus registros podem se submeter à recuperação judicial.
C) Os créditos pessoais e rurais do produtor se submetem igualmente à recuperação.
D) Apenas dívidas vencidas antes do pedido podem ser incluídas na recuperação.
✅ Gabarito: B
🧠 Resposta padrão (5 linhas): Segundo o art. 49, §6º, apenas os créditos que decorrem da atividade rural e constam nos documentos contábeis exigidos (ECF, LCDPR, DIRPF, balanço) se submetem à recuperação.
Débitos de natureza pessoal ou não comprovadamente ligados à atividade rural não entram.
Assim, somente as dívidas da atividade rural de Pedro se submetem à RJ.
🧩 Questão 4 — Penhor sobre aplicações financeiras
A empresa Metalúrgica Rios Ltda. ofereceu CDBs em penhor como garantia de empréstimo bancário.
Durante sua recuperação judicial, esses CDBs venceram e foram pagos ao banco.
Com base no art. 49, §5º, assinale a alternativa correta:
A) O banco pode livremente levantar o valor dos CDBs.
B) O valor recebido deve ficar em conta vinculada até substituição ou renovação da garantia, durante o período de suspensão.
C) O crédito deve ser totalmente incluído no plano de recuperação.
D) O banco deve devolver o valor à recuperanda.
✅ Gabarito: B. De acordo com o art. 49, §5º, quando o crédito é garantido por penhor sobre títulos ou aplicações financeiras, as garantias vencidas podem ser substituídas ou renovadas, e o valor recebido permanece em conta vinculada durante o período de suspensão do art. 6º, §4º.
Assim, o banco não pode sacar os valores até a substituição ou decisão judicial.
🧩 1. Requisitos para pedir recuperação judicial
A sociedade “Comércio de Grãos Sol Nascente Ltda.”, regularmente registrada há 1 ano e meio, pretende ingressar com pedido de recuperação judicial.Conforme o art. 48, a empresa:
A) Pode requerer recuperação, pois está inscrita no registro público.
B) Não pode requerer, pois não exerce atividade há mais de 2 anos.
C) Pode requerer, desde que apresente balanço anual auditado.
D) Não pode requerer, pois não é sociedade anônima.
✅ Gabarito: B. Fundamentação: O art. 48 exige exercício regular da atividade há mais de 2 anos. Assim, empresas com menos tempo não preenchem o requisito temporal para pedir recuperação judicial.
🧩 2. Extensão dos efeitos da recuperação
Durante o processamento da recuperação judicial da empresa “Alfa Têxtil Ltda.”, o banco credor deseja continuar a execução contra o fiador do contrato. Conforme a Lei 11.101/2005, o banco:
A) Não pode prosseguir, pois a recuperação suspende execuções contra fiadores.
B) Pode prosseguir contra o fiador.
C) Depende de autorização judicial.
D) Deve aguardar a homologação do plano.
✅ Gabarito: B Fundamentação: Art. 49, §1º — os credores conservam direitos contra fiadores e coobrigados; a suspensão e o plano não os alcançam.
🧩 6. Dívida para aquisição de propriedade rural
A empresa rural “Fazenda Esperança” contraiu dívida em 2023 para comprar uma fazenda. Pediu recuperação judicial em 2025. Conforme o art. 49, §9º:
A) Essa dívida está sujeita à recuperação.
B) Não está sujeita à recuperação judicial.
C) Depende da concordância do credor.
D) Pode ser novada pelo plano.
✅ Gabarito: B Fundamentação: O §9º exclui dívidas contraídas nos três anos anteriores ao pedido, para aquisição de propriedades rurais, e suas garantias.
🧩 7. Recursos controlados (Lei 4.829/65)
Os recursos obtidos por produtor rural em programas de crédito controlado do Governo Federal estão sujeitos à recuperação judicial?
A) Sim, todos.
B) Não, conforme o §7º do art. 49.
C) Apenas se o banco autorizar.
D) Somente após a homologação do plano.
✅ Gabarito: B Fundamentação: O §7º excluida recuperação os recursos controlados regidos pela Lei 4.829/65 (créditos rurais oficiais).
🧩 9. Créditos existentes e vencidos
O art. 49 caput afirma que estão sujeitos à recuperação judicial:
A) Apenas os créditos vencidos na data do pedido.
B) Somente os posteriores ao pedido.
C) Todos os créditos existentes, ainda que não vencidos, na data do pedido.
D) Apenas os trabalhistas.
✅ Gabarito: C Fundamentação: O caput abrange todos os créditos existentes na data do pedido, vencidos ou não, garantindo abrangência total da recuperação.
🧩 10. Obrigações anteriores ao pedido
As obrigações anteriores à recuperação judicial devem seguir as condições:
A) Do plano, sempre.
B) Originalmente contratadas ou legais, salvo modificação no plano.
C) Definidas pelo juiz.
D) Negociadas entre credores e devedor sem homologação.
✅ Gabarito: B Fundamentação: Art. 49, §2º — obrigações anteriores mantêm as condições originais até que o plano estabeleça modificações aprovadas e homologadas.
Meios de recuperação (art. 50) 
Art. 50 (caput e incisos I–XVIII; §§) — lista (não exaustiva) os meios que podem compor o plano de recuperação (a redação foi ampliada pela Lei nº 14.112/2020). Entre os meios mais usados e relevantes:
· I — concessão de prazos e condições especiais para pagamento (reestruturação, haircut/deságio, parcelamento).
Exemplo: alongamento de dívida bancária de 24 para 84 meses, com desconto parcial do principal.
· II — cisão, incorporação, fusão, transformação, criação de subsidiária (reorganização societária para saneamento).
Exemplo: transferência de ramo deficitário para SPE e venda desta.
· III e seguintes — operações societárias e contratuais (cessão, alienação, dação em pagamento, cessão de créditos, constituição de garantia etc.).
· XVI — constituição de SPE (sociedade de propósito específico) para pagamento a credores (permite entregar ativos da devedora a credores mediante SPE).
Exemplo: credores recebem parte do ativo operacional através de SPE que assume controle de uma planta.
· XVII — conversão de dívida em capital social (inclusão expressa trazida por 14.112/2020).
Exemplo prático: credor bancário aceita receber participação societária em troca da extinção parcial do crédito.
· XVIII — venda integral da devedora (ou UPI — unidade produtiva isolada), desde que credores não sujeitos ou não aderentes tenham tratamento, no mínimo, equivalente ao que teriam em falência. (introduzida/ajustada por 14.112).
Exemplo: venda da unidade têxtil inteira a comprador que assume operação — vigente a regra de proteção dos demais credores.
Parágrafo relevante (art. 50, § 3º, incluído/ratificado por 14.112): não haverá sucessão ou responsabilidade por dívidas a terceiro credor, investidor ou novo administrador em razão da mera conversão de dívida em capital, aporte de recursos ou substituição de administradores (isso cria segurança jurídica para novos aportes/entradas).
Explicação: a mudança estimulou aportes e reestruturações societárias, porque diminuiu risco de responsabilização posterior de quem entrar com aporte ou substituir administradores — contudo, há limites e discussões doutrinárias/jurisprudenciais (p.ex., responsabilidades por atos dolosos, ambientais ou obrigações patrimoniais específicas podem persistir conforme interpretação e vetos).
Exemplo: investidor que recebe ações em troca de reduzir crédito não será, em regra, responsabilizado pelas dívidas anteriores apenas por ter entrado como acionista. 
Pedido e documentos (art. 51)
Regra: a petição inicial de recuperação judicial deve ser instruída com documentação robusta que permita ao juiz, ao administrador judicial e aos credores avaliar a crise, a viabilidade e a composição do passivo/ativo.
Finalidade: transparência, permitir verificação prévia, evitar pedidos temerários e possibilitar medidas de fiscalização imediata.
Incisos do caput — documento por documento (I a XI)
I – Exposição das causas concretas da situação patrimonial e das razões da crise
O que é: narrativa técnica e factual explicando por que a empresa entrou em crise (queda de receita, perda de cliente, choque de custos, inadimplência de grandes devedores, sinistro, desabastecimento, etc.). Deve demonstrar relação entre fatos e insolvência.
Por que importa: orienta o juiz e credores sobre medidas propostas e viabilidade.
Exemplo: perda de contrato com montadora explicou queda de 70% na receita; anexar cópia do cancelamento do contrato e projeção de receitas.
Dica: incluir cronologia (timeline), documentos probatórios (cartas de rescisão, e-mails, contratos, demonstrativos de vendas).
II – Demonstrações contábeis dos 3 últimos exercícios e balanços levantados especialmente
Composição obrigatória:
a) Balanço patrimonial;
b) Demonstração de resultados acumulados;
c) Demonstração do resultado desde o último exercício social;
d) Relatório gerencial de fluxo de caixa e sua projeção;
e) Descrição das sociedades do grupo (incluído pela Lei 14.112/2020).
O que significa: são as peças centrais para provar insolvência/viabilidade. O fluxo de caixa projetado é crítico: mostra se, com reestruturação, há chance de pagamento. A descrição do grupo explica vínculos; relevante para teoria do grupo e responsabilização.
III – Relação nominal completa dos credores (endereço físico/e-mail, natureza do crédito, valor atualizado, origem, regime de vencimentos)
IV – Relação integral dos empregados (função, salários, verbas, mês de competência e valores pendentes)
V – Certidão de regularidade no Registro Público de Empresas, ato constitutivo atualizado e atas de nomeação dos atuais administradores
O que é: comprovação formal da legitimidade da pessoa jurídica e dos poderes dos administradores.
Por que: evita representação viciada; o juiz checa quem pode praticar atos no processo.
VI – Relação dos bens particulares dos sócios controladores e dos administradores
VII – Extratos atualizados das contas bancárias e aplicações financeiras
VIII – Certidões de protesto nos cartórios das comarcas relevantes
IX – Relação de ações judiciais e arbitrais (incl. trabalhistas) com estimativa de valores
O que é: inventário de litígios, atores, estimativas de condenação.
X – Relatório detalhado do passivo fiscal
O que é: demonstrativo de tributos federais, estaduais, municipais — parcelamentos, execuções fiscais, multas.
XI – Relação do ativo não circulante (bens e direitos), inclusive os não sujeitos à recuperação, acompanhada dos negócios jurídicos com credores do §3º do art.49
O que é: inventário do ativo imobilizado, intangíveis, UPIs e contratos vinculados a credores que possuem propriedade fiduciária, leasing ou reserva de domínio.
Parágrafos (procedimental e complementares)
§ 1º — Escrituração e relatórios auxiliares à disposição do juízo e administrador; acesso mediante autorização judicial
O que significa: livros contábeis eletrônicos e relatórios ficam disponíveis para o juiz e administrador; terceiros (creditores) só com autorização judicial.
Efeito prático: protege dados sensíveis, mas permite fiscalização judicial; administrador terá acesso amplo.
Dica: preparar cópias eletrônicas organizadas e indexadas; manter backup.
§ 2º — ME/EPP: escrituração simplificada permitida
O que significa: microempresas e empresas de pequeno porte podem apresentar livros e escrituração simplificados conforme legislação específica (Simples/LC).
§ 3º — Juiz pode determinar depósito em cartório dos documentos
(Há referência: actually §3º in original is judge's power to deposit?)
Efeito prático: protege documentos originais, facilita consulta pública restrita.
Dica: mantenha cópias autenticadas prontas.
§ 4º — Balanço prévio quando pedido feito antes do prazo de entrega do balanço anual
O que significa: se o pedido vem antes de fechar o exercício, junta-se balanço prévio e o definitivo será juntado no prazo societário.
Exemplo: sociedade pede RJ em fevereiro; último exercício fecha em março — anexa balanço prévio e depois juntará o balanço anual.
§ 5º — Valor da causa = montante total dos créditos sujeitos à recuperação
O que significa:serve para cálculo das custas iniciais e competência; o valor é o agregado dos créditos do caput do art.49.
Efeito prático: processos de grande monta terão custas elevadas; atenção ao correto somatório e atualização monetária.
§ 6º — Requisitos e provas específicas para produtores rurais (art.48 §§3)
Aplica-se quando pedido está relacionado ao produtor rural (referência ao §3 do art.48). Contém dois incisos:
I — Exposição deve comprovar crise por insuficiência de recursos/patrimônio com liquidez
O que significa: não basta dizer “crise”; é preciso demonstrar insolvência objetiva (fluxo de caixa negativo, impossibilidade de honrar vencimentos).
Exemplo: demonstrar fluxo de caixa projetado negativo; comprovantes de contratos cancelados.
II — Requisitos do inciso II (demonstrações contábeis dos 3 anos) serão substituídos pelos documentos de comprovação rural relativos aos últimos 2 anos (LCDPR, DIRPF, ECF etc.)
O que significa: simplifica provas para rural — atender ao art.48 §§2–4.
Art. 51-A — constatação prévia pelo juiz (nomeação de profissional de confiança)
Caput — juiz pode nomear profissional técnico para constatar condições de funcionamento e regularidade documental
O que é: juiz pode, logo após distribuição, nomear perito/auxiliar para vistoriar empresa (físico/operacional) e conferir documentos porque evita pedidos fraudulentos, verifica existência física, condição operacional, estoques, máquinas e confere veracidade documental.
§1º — remuneração do profissional será arbitrada após apresentação do laudo, considerando complexidade
Efeito prático: custo judicial, que pode ser imputado à massa; deve ser razoável.
§2º — prazo máximo de 5 dias para apresentação do laudo (curto prazo)
Efeito prático: agiliza decisão sobre processamento; laudo rápido, objetivo e técnico.
§3º — constatação poderá ser feita sem ouvir a outra parte e sem quesitos; juiz pode determinar diligência sem prévia ciência do devedor
Importante: permite surpresa para evitar frustração de diligência (risco de ocultação/remoção de bens).
§4º — devedor será intimado do resultado da constatação ao mesmo tempo da decisão que defere/indefere/manda emendar inicial; pode impugnar por recurso
Garantia processual: direito de contraditório após ciência; possibilidade de recurso.
§5º — constatação é apenas documental/funcional; vedado indeferir processamento com base em análise de viabilidade econômica
Crucial: o juiz verifica regularidade documental e condições de funcionamento, mas não pode indeferir por impossibilidade econômica (não analisará a viabilidade como razão para indeferir). Viabilidade será examinada ao longo do processo (plano e assembleia).
§6º — se houver indícios contundentes de fraude, juiz poderá indeferir petição inicial e oficiar MP para providências criminais
Efeito prático: ferramenta de controle — actio pauliana, fraude à execução, ocultação de bens, simulação — juiz pode indeferir e encaminhar ao MP.
§7º — se constatar que o estabelecimento principal não é da competência do juízo, remessa urgente ao juízo competente
Prática: correção de competência territorial.
QUESTÃO 1
Em relação à petição inicial da recuperação judicial, de acordo com o art. 51 da Lei 11.101/2005, assinale a alternativa CORRETA:
A) O devedor poderá deixar de apresentar a relação nominal dos credores se comprovar a dificuldade de acesso às informações contábeis.
B) A petição inicial deve ser instruída com balanço patrimonial e demonstração de resultados apenas do último exercício social.
C) O relatório gerencial de fluxo de caixa e sua projeção integram obrigatoriamente os documentos contábeis exigidos.
D) As certidões de protestos são exigidas somente do domicílio do devedor, não se aplicando às filiais.
✅ Gabarito: C
Justificativa: O inciso II, alínea “d”, do art. 51 exige relatório gerencial de fluxo de caixa e sua projeção.
As demais alternativas estão incorretas: a lista de credores é obrigatória (III), os documentos são dos três últimos exercícios (II) e as certidões de protestos são da comarca do domicílio e das filiais (VIII).
🧩 QUESTÃO 2
Nos termos da Lei 11.101/2005, qual das alternativas abaixo é dispensada apenas para microempresas e empresas de pequeno porte?
A) A apresentação das demonstrações contábeis dos últimos três exercícios.
B) A apresentação de certidões de protesto.
C) A exposição das causas da situação patrimonial.
D) A relação dos bens dos sócios controladores.
✅ Gabarito: A
Justificativa: Conforme o § 2º do art. 51, as ME e EPP podem apresentar livros e escrituração contábil simplificados, nos termos da legislação específica (Lei Complementar 123/2006).
🧩 QUESTÃO 3
Sobre a constatação prévia prevista no art. 51-A, assinale a afirmativa CORRETA:
A) A constatação prévia é obrigatória em toda recuperação judicial.
B) O laudo deve analisar a viabilidade econômica do devedor.
C) O juiz pode determinar a diligência sem prévia ciência do devedor.
D) O juiz deve ouvir o Ministério Público antes de nomear o profissional de constatação.
✅ Gabarito: C
Justificativa: O § 3º do art. 51-A permite que o juiz determine a realização da diligência sem prévia ciência do devedor, se entender que o conhecimento antecipado poderia frustrar o objetivo da constatação.
O laudo não analisa viabilidade econômica (vedação expressa no § 5º).
🧩 QUESTÃO 4
De acordo com o art. 51, § 5º, da Lei 11.101/2005, o valor da causa na recuperação judicial deverá corresponder:
A) Ao capital social integralizado.
B) Ao ativo total da empresa.
C) Ao valor dos créditos sujeitos à recuperação judicial.
D) À soma do ativo e passivo circulantes.
✅ Gabarito: C Justificativa: O § 5º do art. 51 é claro: “O valor da causa corresponderá ao montante total dos créditos sujeitos à recuperação judicial.”
🧩 QUESTÃO 5
Durante a análise do pedido de recuperação judicial, o juiz verifica que a empresa tem sede em comarca diversa da sua competência territorial. Conforme o art. 51-A, qual providência deve adotar?
A) Indeferir a petição inicial.
B) Remeter os autos, com urgência, ao juízo competente.
C) Determinar a correção do endereço empresarial no processo.
D) Intimar o Ministério Público para manifestação prévia.
✅ Gabarito: B
Justificativa: Conforme o § 7º do art. 51-A, constatada a incompetência territorial, o juiz deve determinar a remessa dos autos, com urgência, ao juízo competente.
Deferimento do processamento e efeitos iniciais (art. 52)
Texto-resumo: uma vez verificadas as exigências documentais do art. 51, o juiz defere o processamento da recuperação judicial e, no mesmo ato, pratica uma série de medidas processuais e administrativas previstas nos incisos I–V.
Sentido prático: o deferimento marca o início formal do regime recuperacional — gera efeitos protetivos (stay), aciona o administrador judicial, impõe deveres ao devedor e obriga publicidade e comunicação aos órgãos interessados.
Caput — “Estando em termos a documentação… o juiz deferirá o processamento… e, no mesmo ato:”
Interpretação: o juiz confere apenas se a documentação exigida (art. 51) está em termos — isto é, mínima e formalmente suficiente. Não é momento de exame profundo de mérito/viabilidade econômica (essa verificação virá depois, via plano/assembleia), salvo indícios de fraude ou vícios graves.
Exemplo prático: petição com balanços, fluxo de caixa e relação de credores corretamente anexados → juiz defere processamento e passa a tutela do caso ao administrador judicial.
Inciso I — nomeação do administrador judicial (art. 21)
O que determina: nomeação imediata de administrador judicial (pessoa física ou jurídica), observando requisitos do art. 21 (capacitação, idoneidade, remuneração, impedimentos).
Função do administrador: fiscalizar a gestão, elaborar quadro-geral de credores, acompanhar atividades e plano, prestar contas, propor medidas, convocar assembleia quando necessário.
Efeito prático: o administrador tem acesso amplo à contabilidade e pode pedir diligências.
Exemplo: juiz nomeia escritório especializado em recuperação; este solicita extratos bancários, inventário de máquinas e prepararelação de credores.
Inciso II — dispensa de apresentação de certidões negativas para exercício das atividades
Texto: “determinará a dispensa da apresentação de certidões negativas…” (redação 14.112/2020).
O que significa: para que a empresa continue operando (contratar, participar de licitação, emitir notas), o juiz pode afastar a exigência de certidões negativas que, de outra forma, impediriam o exercício do objeto social, observando limites constitucionais (art. 195 §3º CF trata de seguridade/social? — a redação remete a normas constitucionais) e art. 69 LREF.
Finalidade prática: evitar que formalidades burocráticas (proibições administrativas baseadas em certidões) impeçam a atividade e dificultem recuperação.
Exemplo: empresa com execução fiscal pendente pode, por decisão judicial, continuar fornecendo a clientes públicos/privados sem que a ausência de certidões impeça contratos; mas limitações legais (ex.: impedimentos para certas licitações) devem ser observadas.
Inciso III — suspensão de todas as ações/execuções (art. 6º) e exceções
O que determina: ordena suspensão (stay) de ações e execuções contra o devedor, conforme art. 6º — geralmente 180 dias. Os autos permanecem nos juízos onde tramitam.
Exceções listadas: ações previstas nos §§ 1º, 2º e 7º do art. 6º (por exemplo: execuções para satisfação de garantias reais em certos casos, execuções trabalhistas até limites, medidas cautelares relacionadas; conferir o texto legal para cada hipótese) e créditos excluídos conforme art.49 §§3 e 4 (ex.: créditos fiduciários, alguns recursos controlados).
Efeito prático: proteção temporária para negociar plano sem pressão de execuções que inviabilizem a empresa; execuções contra coobrigados/fiadores seguem (art.49 §1º). Autos não são remetidos ao juízo da recuperação — ficam no juízo originário para prosseguirem sem medidas de constrição, salvo autorização.
Exemplo: protestos e execuções de fornecedores ficam suspensos; entretanto, execução para cobrança de crédito garantido por alienação fiduciária pode prosseguir quanto ao bem (com limitações de retirada se bem for essencial).
Inciso IV — apresentação de contas demonstrativas mensais
O que determina: o juiz determina que o devedor apresente contas demonstrativas mensais enquanto durar a recuperação judicial; o descumprimento implica risco de destituição dos administradores.
Finalidade: transparência contínua; credores e administrador acompanham execução do plano, fluxo de caixa, pagamentos.
Inciso V — intimação eletrônica do MP e Fazendas Públicas nas unidades onde houver estabelecimento
Texto: “ordenará a intimação eletrônica do Ministério Público e das Fazendas Públicas federal e de todos os Estados, DF e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento…”
Finalidade: garantir ciência imediata aos entes públicos para que informem créditos fiscais/tributários e participem da formação do quadro de credores.
Efeito prático: orienta a apuração do passivo fiscal (art.51, inc. X) e evita surpresa posterior; Fazendas podem já manifestar débitos e parcelamentos. MP recebe ciência para proteger interesses sociais/trabalhistas.
Exemplo: empresa com filiais em três estados → juiz ordena intimação eletrônica das Procuradorias Fiscais de cada ente para que informem débitos, execuções fiscais e acordos existentes.
§ 1º — expedição de edital (conteúdo mínimo)
O que obriga: o juiz manda publicar edital no órgão oficial contendo:
I) resumo do pedido e da decisão deferitiva;
II) relação nominal de credores com valor atualizado e classificação;
III) advertência sobre prazos para habilitação e para impugnação/objeção ao plano (art.7 §1 e art.55).
Efeito prático: publicidade amplia transparência e protege terceiros; abre prazos processuais importantes (habilitação de créditos, impugnação de valores, eventual oposição ao plano).
§ 2º — convocação de assembleia para constituição/substituição do Comitê de Credores
O que diz: após deferimento, os credores podem requerer convocação de assembleia para constituir o Comitê de Credores ou substituir membros, observando regras do art.36 §2.
Função do Comitê: interlocutor entre devedor e credores; acompanha execução do plano; representa interesses coletivos; tem poderes previstos na lei/assembleia.
Exemplo prático: credores bancários pedem assembleia para eleger representantes do Comitê que acompanharão a gestão do fluxo de caixa.
§ 3º — obrigação do devedor comunicar a suspensão aos juízos competentes
O que determina: o devedor (não o juiz) deve comunicar aos juízos onde tramitam execuções sobre a suspensão determinada (inciso III).
§ 4º — desistência do pedido após deferimento só com aprovação em assembleia
O que determina: após deferimento do processamento, o devedor não pode desistir do pedido unilateralmente; só com aprovação da desistência em assembleia-geral de credores.
Finalidade: evitar abusos e manobras para manipular prazos/execuções — por exemplo, pedir, obter stay e depois desistir para prejudicar credores; garantia de estabilidade processual.
Exemplo prático: devedor tenta revogar pedido para permitir pagamento seletivo a alguns credores — assembleia poderá vetar desistência.
Inter-relações práticas e exemplos integrados
Caso prático integrado
Empresa “AutoPeças S/A” pede RJ; juiz defere processamento (art.51 ok). Imediatamente:
· juiz nomeia administrador (I);
· determina que empresa opere sem necessidade de certidões negativas para contratos em andamento (II);
· suspende execuções por 180 dias (III);
· determina que a empresa entregue demonstrativos mensais de caixa (IV);
· intima MP e Fazendas Estaduais para que informem créditos (V).
Administrador elabora quadro de credores, publica edital (§1) e credores formam comitê (§2). Devedor comunica a suspensão a varas cíveis e trabalhistas (§3). O devedor não pode desistir sem aprovação em assembleia (§4).
🧩 QUESTÃO 1
Após o deferimento do processamento da recuperação judicial, o juiz deve nomear o administrador judicial. Sobre este administrador, assinale a alternativa correta:
A) O administrador pode ser qualquer empregado da empresa devedor, independentemente de qualificação.
B) O administrador judicial deve obrigatoriamente ser advogado do devedor.
C) O administrador deve ter capacidade técnica e idoneidade, observando o art. 21 da Lei 11.101/2005.
D) O administrador judicial só atua se houver assembleia-geral de credores.
✅ Gabarito: C Justificativa: O art. 52, I, e art. 21 exigem capacitação técnica e idoneidade; não há obrigatoriedade de ser advogado ou empregado.
🧩 QUESTÃO 2
Sobre a suspensão de ações e execuções após deferimento do processamento, conforme art. 52, III, assinale a correta:
A) Todas as execuções, inclusive fiduciárias, ficam suspensas sem exceção.
B) Execuções relativas a créditos excetuados nos §§ 3º e 4º do art. 49 não se suspendem.
C) O devedor não precisa comunicar os juízos sobre a suspensão.
D) A suspensão dura indefinidamente até aprovação do plano.
✅ Gabarito: B. Justificativa: O art. 52, III, prevê suspensão das execuções, mas exclui créditos específicos (ex.: fiduciários, recursos controlados). O devedor tem obrigação de comunicar os juízos (ver §3).
🧩 QUESTÃO 3
De acordo com o art. 52, IV, sobre a apresentação de contas mensais pelo devedor, assinale a alternativa correta:
A) O descumprimento implica destituição imediata do juiz.
B) O descumprimento pode levar à destituição dos administradores.
C) As contas mensais são facultativas, a critério do devedor.
D) O descumprimento não gera consequência formal.
✅ Gabarito: B Justificativa: O art. 52, IV, impõe obrigação contínua de prestação de contas; descumprimento pode levar à destituição de administradores e medidas coercitivas.
🧩 QUESTÃO 4
O edital a ser publicado após deferimento, nos termos do §1º do art. 52, deve conter:
A) Relação nominal de credores e valor atualizado, sem menção à classificação do crédito.
B) Resumo do pedido do devedor, advertência sobre prazos para habilitação de créditos e impugnação ao plano, e relação nominal de credores com classificação e valores.C) Apenas o resumo do pedido do devedor.
D) Apenas a decisão do juiz deferindo a recuperação judicial.
✅ Gabarito: B. justificativa: §1º obriga o edital a conter resumo do pedido, classificação e valor dos créditos e advertência sobre prazos (habilitação e objeção ao plano).
🧩 QUESTÃO 5
Após o deferimento do processamento, o devedor deseja desistir do pedido. Considerando o art. 52, §4º, assinale a alternativa correta:
A) O devedor pode desistir unilateralmente, sem qualquer condição.
B) O devedor só pode desistir se obtiver aprovação da assembleia-geral de credores.
C) O juiz pode autorizar a desistência independentemente da assembleia.
D) A desistência é vedada em qualquer hipótese, mesmo com assembleia.
✅ Gabarito: B. Justificativa: O art. 52, §4º, prevê que apenas a assembleia-geral de credores pode aprovar a desistência do pedido de recuperação judicial após deferimento.
QUESTÃO 1 — Constatação prévia e documentos iniciais
O juiz, ao receber o pedido de recuperação judicial, verifica os documentos previstos no art. 51 e, se necessário, pode nomear profissional de sua confiança para realizar constatação prévia (art. 51-A). Sobre essa constatação, assinale a correta:
A) O laudo de constatação prévia pode analisar a viabilidade econômica do devedor.
B) O devedor é ouvido antes da diligência de constatação, que depende de apresentação de quesitos.
C) O objetivo é verificar exclusivamente a regularidade documental e reais condições de funcionamento da empresa.
D) O juiz pode indeferir a petição inicial baseado na constatação de risco de insolvência econômica.
✅ Gabarito: C. Justificativa: Conforme art. 51-A, §5º, a constatação prévia não analisa viabilidade econômica, mas verifica regularidade documental e funcionamento real. O juiz pode determinar diligência sem prévia ciência do devedor (§3º), e indeferimento por fraude é excepcional (§6º).
🧩 QUESTÃO 2 — Stay e comunicação aos juízos
Após o deferimento do processamento, o art. 52, III e §3º determinam a suspensão de ações e execuções e comunicação aos juízos competentes. Sobre isso, assinale a correta:
A) O stay aplica-se apenas a ações cíveis; execuções fiscais continuam normalmente.
B) O devedor é responsável por comunicar a suspensão aos juízos onde tramitam as ações e execuções.
C) O juiz automaticamente comunica todos os juízos, não sendo necessária atuação do devedor.
D) O stay é opcional, podendo o devedor decidir se suspende ou não ações.
✅ Gabarito: B
Justificativa: O art. 52, §3º estabelece que cabe ao devedor comunicar a suspensão; o stay não é opcional e não dispensa atuação do devedor.
🧩 QUESTÃO 3 — Comitê de Credores
Após o deferimento, os credores podem requerer a convocação de assembleia para constituição ou substituição de membros do Comitê de Credores. Sobre o tema, assinale a correta:
A) O Comitê de Credores é formado exclusivamente por credores trabalhistas.
B) A assembleia pode ser convocada a qualquer tempo após deferimento, desde que respeitado o art. 36, §2º.
C) O Comitê de Credores substitui o administrador judicial na fiscalização da empresa.
D) Apenas o juiz pode determinar a formação do Comitê, sem requerimento dos credores.
✅ Gabarito: B. Justificativa: Art. 52, §2º: credores podem solicitar assembleia para formação ou substituição do Comitê a qualquer tempo; o Comitê não substitui o administrador, apenas acompanha e representa interesses.
🧩 QUESTÃO 4 — Intimação de órgãos públicos
De acordo com o art. 52, V, após deferimento do processamento, o juiz ordena a intimação eletrônica do MP e das Fazendas Públicas. Sobre esse procedimento, assinale a alternativa correta:
A) A intimação se limita apenas ao órgão federal e à Fazenda Nacional.
B) Apenas os órgãos tributários podem se manifestar; o Ministério Público não participa.
C) A intimação é extensiva a todos os entes federativos onde o devedor possui estabelecimento, para informar créditos e participação no quadro de credores.
D) A intimação eletrônica dispensa o envio de certidões fiscais pelo devedor.
✅ Gabarito: C. Justificativa: Art. 52, V: MP e Fazendas (federal, estadual, DF, municipal) são intimados eletronicamente para informar créditos e garantir transparência; não dispensa envio de documentos contábeis ou fiscais pelo devedor.
🧩 QUESTÃO 5 — Desistência do pedido
Após deferimento do processamento da recuperação judicial, o devedor deseja desistir do pedido. Considerando o art. 52, §4º, assinale a correta:
A) O devedor pode desistir unilateralmente a qualquer momento.
B) A desistência depende de aprovação da assembleia-geral de credores.
C) O juiz pode autorizar a desistência sem necessidade de assembleia.
D) Não é possível desistir em nenhuma hipótese, mesmo com assembleia.
✅ Gabarito: B. Justificativa: Art. 52, §4º: desistência após deferimento só é possível com aprovação da assembleia-geral de credores, garantindo segurança jurídica e proteção aos credores.
Art. 53 – Apresentação do plano de recuperação judicial
“O plano de recuperação será apresentado pelo devedor em juízo no prazo improrrogável de 60 (sessenta) dias da publicação da decisão que deferir o processamento da recuperação judicial, sob pena de convolação em falência…”
Explicação detalhada:
Prazo de 60 dias: contados a partir da publicação da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial (art. 52).
Improrrogável: não há possibilidade de extensão; descumprimento acarreta convolação automática em falência.
Sentido prático: força o devedor a apresentar o plano rapidamente, evitando procrastinação que prejudique credores.
Exemplo: empresa AutoPeças S/A tem deferimento publicado em 1º de janeiro → prazo final para entrega do plano: 1º de março. Se não apresentar → juiz converte RJ em falência.
Inciso I – Discriminação dos meios de recuperação
“…discriminação pormenorizada dos meios de recuperação a ser empregados, conforme o art. 50 desta Lei, e seu resumo;”
Explicação detalhada:
· Deve detalhar cada medida de recuperação escolhida pelo devedor, por exemplo:
· Refinanciamento de dívidas com credores
· Venda de ativos não essenciais
· Novos aportes de capital
· Renegociação de contratos comerciais
· Deve conter resumo fácil de compreender, permitindo que credores avaliem impacto.
· Exemplo prático: devedor propõe vender imóvel não essencial, refinanciar dívidas bancárias e renegociar fornecedores; cada medida deve ser quantificada e detalhada.
Inciso II – Demonstração da viabilidade econômica
“…demonstração de sua viabilidade econômica;”
Explicação detalhada:
O plano não pode ser fictício; precisa mostrar, por meio de projeções de fluxo de caixa, balanço patrimonial e orçamento, que é possível cumprir obrigações e retomar a empresa à operação saudável.
Exemplo prático: planilha projetando receitas futuras, despesas, pagamentos de credores e lucro líquido esperado para os próximos 3 anos.
Inciso III – Laudo econômico-financeiro
“…laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos do devedor, subscrito por profissional legalmente habilitado ou empresa especializada.”
Finalidade: demonstrar o valor dos ativos da empresa, garantindo transparência e que o plano de recuperação é factível. Deve ser elaborado por contador, economista ou empresa especializada.
Exemplo: avaliação de máquinas, imóveis, estoques e participações societárias para estimar patrimônio disponível.
Parágrafo único
“O juiz ordenará a publicação de edital contendo aviso aos credores sobre o recebimento do plano de recuperação e fixando o prazo para a manifestação de eventuais objeções, observado o art. 55 desta Lei.”
Art. 54 – Limites de pagamento de créditos trabalhistas
“O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a 1 (um) ano para pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido de recuperação judicial.”
§ 1º – Créditos salariais recentes
“O plano não poderá prever prazo superior a 30 (trinta) dias para o pagamento, até o limite de 5 salários-mínimos por trabalhador, dos créditos de natureza estritamentesalarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores ao pedido de recuperação judicial.”
Explicação detalhada:
· Trata-se de créditos salariais recentes, vencidos nos últimos 3 meses.
· Prazo máximo: 30 dias, com limite de 5 salários-mínimos por trabalhador.
· Finalidade: proteger salários de baixa renda, considerados essenciais.
· Exemplo prático: trabalhador recebe R$ 3.000,00 de salário atrasado → empresa deve pagar no máximo R$ 5.000 (limite legal) em 30 dias.
§ 2º – Possibilidade de extensão do prazo até 2 anos
“O prazo estabelecido no caput deste artigo poderá ser estendido em até 2 (dois) anos, se o plano atender cumulativamente aos requisitos…”
Explicação detalhada:
· Exceção ao limite de 1 ano: é possível estender para 2 anos se:
1. Garantias suficientes apresentadas e aprovadas pelo juiz (ex.: hipoteca, penhor, seguro de pagamento).
2. Aprovação dos credores trabalhistas (art. 45 §2º) — credores votam favoravelmente ao prazo maior.
3. Garantia de integralidade do pagamento — todos os créditos trabalhistas devem ser integralmente pagos, mesmo que parcelados.
Exemplo prático: empresa negocia parcelamento das verbas salariais e apresenta hipoteca sobre imóvel; assembleia de credores trabalhistas aprova plano → juiz pode autorizar prazo de 2 anos.
QUESTÃO 1 — Prazo de apresentação do plano
Após deferimento do processamento da recuperação judicial, o devedor tem prazo de 60 dias para apresentar o plano. Sobre isso, assinale a alternativa correta:
A) O prazo de 60 dias é prorrogável pelo juiz a pedido do devedor.
B) O descumprimento do prazo implica convolação automática em falência.
C) O prazo começa a contar da data do protocolo do pedido de recuperação judicial.
D) O plano pode ser apresentado após 60 dias desde que haja justificativa plausível do devedor.
✅ Gabarito: B Justificativa: Art. 53 caput prevê prazo improrrogável de 60 dias, e o não cumprimento acarreta conversão automática em falência. Não há previsão de prorrogação.
🧩 QUESTÃO 2 — Conteúdo do plano de recuperação
Sobre o conteúdo obrigatório do plano, conforme art. 53, assinale a alternativa correta:
A) O plano deve conter apenas a discriminação resumida dos meios de recuperação.
B) Deve conter discriminação detalhada dos meios, viabilidade econômica e laudo econômico-financeiro dos bens do devedor.
C) O plano só precisa conter demonstrações contábeis e balanço patrimonial.
D) O plano pode conter apenas promessas verbais do devedor sobre recuperação futura.
✅ Gabarito: B Justificativa: Art. 53 I, II e III exige meios detalhados, viabilidade econômica e laudo econômico-financeiro, garantindo transparência e segurança jurídica.
🧩 QUESTÃO 3 — Publicação e objeções
O parágrafo único do art. 53 determina que o juiz ordenará a publicação do edital. Sobre essa publicação, assinale a correta
A) O edital é opcional, podendo o juiz dispensar sua publicação.
B) O edital comunica o recebimento do plano e fixa prazo para manifestação de objeções pelos credores.
C) O edital substitui a necessidade de intimação dos credores individualmente.
D) O edital serve apenas para publicidade, não sendo relevante para contagem de prazos.
✅ Gabarito: B Justificativa: Parágrafo único do art. 53 prevê edição de edital para informar credores e permitir manifestação de objeções, em conformidade com art. 55.
🧩 QUESTÃO 4 — Limites de pagamento de créditos trabalhistas
Sobre o art. 54 e §1º, assinale a alternativa correta:
A) O plano pode prever qualquer prazo para pagamento de créditos trabalhistas vencidos, desde que aprovado pelo devedor.
B) Créditos salariais vencidos nos últimos 3 meses têm prazo máximo de 30 dias, até limite de 5 salários-mínimos por trabalhador.
C) Créditos trabalhistas vencidos até a data do pedido podem ser pagos em até 5 anos.
D) Não há distinção entre créditos trabalhistas recentes e antigos no plano de recuperação.
✅ Gabarito: B Justificativa: Art. 54 caput e §1º protegem salários recentes e créditos de acidentes de trabalho: 30 dias e limite de 5 salários-mínimos.
🧩 QUESTÃO 5 — Extensão do prazo de pagamento
O art. 54, §2º prevê possibilidade de extensão do prazo máximo de pagamento de créditos trabalhistas. Assinale a alternativa correta:
A) O prazo pode ser estendido para até 2 anos se houver garantias suficientes, aprovação dos credores e integralidade do pagamento.
B) O prazo pode ser estendido para 10 anos independentemente da aprovação dos credores.
C) A extensão do prazo é automática, sem necessidade de garantias ou votação.
D) A extensão só é possível para créditos salariais vencidos nos últimos 3 meses.
✅ Gabarito: A . Justificativa: §2º exige cumprimento cumulativo de três condições: garantias, aprovação dos credores e pagamento integral dos créditos, para autorizar extensão até 2 anos.
Art. 55 – Objeção ao plano
Contexto: Após a apresentação do plano de recuperação judicial pelo devedor, os credores podem concordar ou se opor.
Caput: Qualquer credor tem 30 dias a partir da publicação da relação de credores para apresentar objeção.
exemplo: Uma empresa credora percebe que o plano não prevê pagamento integral de seu crédito; ela registra objeção dentro do prazo.
Parágrafo único: Se o aviso de recebimento do plano (art. 53, § único) não foi publicado, o prazo começa a contar a partir de sua publicação.
Exemplo: Se houve atraso na publicação do aviso, o prazo só começa a contar depois que ele efetivamente for publicado.
Art. 56 – Assembleia-geral de credores
Contexto: A assembleia decide sobre a aprovação ou rejeição do plano, quando houver objeções.
§1º: Assembleia deve ocorrer até 150 dias do deferimento da recuperação.
Ex.: Recuperação deferida em janeiro → assembleia até maio.
§2º: Assembleia aprovada → pode indicar membros do Comitê de Credores, responsável por fiscalizar a execução do plano.
§3º: O plano pode ser alterado na assembleia, com concordância do devedor, sem prejudicar credores ausentes.
§4º e §5º: Plano rejeitado → novos credores podem apresentar novo plano em 30 dias, aprovado por mais da metade dos créditos presentes.
§6º: Para ser votado, o plano de credores precisa:
0. Não preencher requisitos do art. 58
0. Atender requisitos do art. 53 (viabilidade, laudos)
0. Apoio mínimo de 25% do total de créditos ou 35% dos presentes
0. Não criar novas obrigações para os sócios
0. Garantias pessoais apenas para credores favoráveis
0. Não impor sacrifício maior que a falência.
· §7º: Credores podem propor capitalização de créditos, alterando o controle da empresa.
· §8º: Plano rejeitado ou requisitos não cumpridos → falência.
· §9º: Suspensão da assembleia deve ser resolvida em até 90 dias.
Art. 56-A – Aprovação antecipada do plano
· Caput: Devedor pode apresentar termo de adesão com aprovação dos credores antes da assembleia (até 5 dias antes).
· §1º: Credores têm 10 dias para opor-se.
· §2º: Devedor tem 10 dias para se manifestar; administrador judicial tem 5 dias.
· §3º: Oposição só pode tratar de: quórum, procedimento, irregularidades do termo, ilegalidades do plano.
Exemplo contextual: Se todos os credores assinam o termo de adesão, a assembleia pode ser dispensada, agilizando o processo.
Art. 57 – Certidões negativas
· Contexto: Após aprovação ou decurso do prazo sem objeção, devedor deve apresentar certidões negativas tributárias (federais, estaduais, municipais).
· Exemplo: INSS, FGTS, tributos municipais quitados ou parcelados.
Art. 58 – Concessão da recuperação judicial
· Caput: Juiz concede a recuperação judicial se o plano for aprovado ou não houver objeções.
· §1º: Pode ser concedida mesmo sem aprovação formal, desde que:
1. Mais da metade dos créditos presentes aprovem
2. Aprovação de 3 classes de credores ou 2 se só houver 3 classes, ou 1 se houver 2 classes
3. Na classe que rejeitou, mais de 1/3 votos favoráveis
· §2º: Não pode haver tratamento diferenciado para a classe rejeitante.
· §3º: Intimações eletrônicas do MP e Fazendas Públicas.
Art. 58-A – Falência em caso de rejeição
· Se o plano for rejeitado ou não preencher requisitos, o juiz convola em falência.
· Agravo de instrumento cabível.
Art.59 – Novação dos créditos
· Caput: Plano implica novação dos créditos anteriores, obrigando devedor e credores.
· §1º: A decisão judicial é título executivo.
· §2º: Agravo cabível contra a decisão.
· §3º: Intimação das Fazendas Públicas.
Art. 60 e 60-A – Alienação judicial de filiais
· Caput: Se o plano envolver alienação de filiais/unidades produtivas isoladas, juiz autoriza e regulamenta (art. 142).
· Parágrafo único: Arrematante não responde por dívidas do devedor.
· 60-A: Unidade produtiva pode incluir bens, direitos, ativos e participações dos sócios.
Exemplo: Venda de uma fábrica isolada, sem assumir dívidas trabalhistas ou ambientais.
Art. 61 – Período de cumprimento
· Devedor em recuperação até 2 anos após concessão, descumprimento → falência.
· §2º: Falência → credores reconstituem direitos, deduzindo valores pagos.
Art. 62 – Execução pós-prazo
· Descumprimento após período → execução ou falência.
Art. 63 – Encerramento da recuperação
· Juiz encerra recuperação após cumprimento do plano:
1. Pagamento de honorários
2. Apuração custas
3. Relatório do administrador
4. Dissolução do Comitê
5. Comunicação a órgãos públicos
· Parágrafo único: Encerramento independe do quadro de credores.
Art. 64 e 65 – Conduta e afastamento do devedor
· Devedor pode ser mantido ou afastado se houver Crimes, fraude, descapitalização, omissão de créditos, negativa de informações.
· Parágrafo único: Juiz destitui administrador irregular.
· Art. 65: Assembleia escolhe gestor judicial se devedor afastado.
Art. 66 e 66-A – Alienação de bens
· Devedor não pode alienar ativos sem autorização.
· Credores >15% podem pedir assembleia para deliberar sobre venda.
· Alienação autorizada judicialmente não pode ser anulada.
Art. 67 – Créditos extraconcursais
· Obrigações contraídas durante recuperação são extraconcursais.
· Parágrafo único: Fornecedores que continuarem fornecendo podem ter tratamento diferenciado.
Art. 68 – Parcelamento tributário
· Fazendas Públicas e INSS podem parcelar créditos.
· Micro e pequenas empresas têm 20% prazo adicional.
Art. 69 – Publicidade
· Todos os atos e contratos devem incluir expressão "em Recuperação Judicial".
· Juiz manda registrar a recuperação nos órgãos públicos e Receita Federal
RECUPERAÇÃO DE MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (ME E EPP)
§ 1º — Plano especial na petição inicial
“As microempresas e as empresas de pequeno porte [...] poderão apresentar plano especial de recuperação judicial, desde que afirmem sua intenção de fazê-lo na petição inicial [...]”
Se a empresa quiser seguir o rito simplificado (plano especial), deve declarar isso logo no início do processo — ou seja, na petição inicial de recuperação judicial (art. 51).
 Exemplo: Uma padaria (EPP) entra com pedido de recuperação judicial. No pedido, ela deve dizer:
“A empresa pretende seguir o plano especial previsto nos arts. 70 a 72 da Lei nº 11.101/05.”
Se não fizer isso, será submetida ao procedimento comum, mais complexo e demorado.
§ 2º — Credores não atingidos
“Os credores não atingidos pelo plano especial não terão seus créditos habilitados na recuperação judicial.”
Explicação: Alguns credores ficam fora do plano especial — e, portanto, podem cobrar normalmente.
Esses “não atingidos” incluem, por exemplo: Créditos fiscais (tributos); Créditos com garantia fiduciária (ex: leasing, alienação fiduciária); Outros não abrangidos pelos arts. 49 §§ 3º e 4º.
 Exemplo: Uma ME que tem:
· Dívidas trabalhistas: incluídas no plano;
· Dívidas tributárias com a União: não incluídas (segue cobrança normal);
· Dívidas com banco com garantia fiduciária: não incluídas (pode executar o bem).
Art. 70-A — Produtor rural
“O produtor rural [...] poderá apresentar plano especial [...] desde que o valor da causa não exceda a R$ 4.800.000,00.”
Explicação: A Lei 14.112/2020 ampliou o benefício do plano especial para produtores rurais (pessoa física) — desde que o valor total das dívidas não ultrapasse R$ 4,8 milhões.
 Exemplo: Um produtor de soja com R$ 3,5 milhões em dívidas bancárias pode usar o plano especial simplificado. Mas, se tiver R$ 6 milhões de dívida, deve seguir o procedimento comum.
Art. 71 — Conteúdo do plano especial “O plano especial [...] limitar-se-á às seguintes condições:”
Esse artigo define as regras fixas que o plano especial deve seguir. Não há liberdade para o devedor negociar condições diferentes (como há na recuperação comum).
I — Créditos abrangidos
“Abrangerá todos os créditos existentes na data do pedido [...] excetuados os decorrentes de repasse de recursos oficiais, os fiscais e os previstos nos §§ 3º e 4º do art. 49.”
Explicação: O plano incluirá todas as dívidas existentes na data do pedido, mesmo que ainda não vencidas, com três exceções:
1. Recursos oficiais: como financiamentos do BNDES repassados por bancos;
2. Créditos fiscais: tributos (impostos, taxas);
3. Créditos com alienação fiduciária, arrendamento mercantil, etc. (art. 49 §§ 3º e 4º).
Exemplo: Uma pequena gráfica tem:
· Dívida com banco sem garantia → incluída;
· Dívida de leasing de impressora → não incluída;
· Dívida de ICMS → não incluída.
II — Parcelamento
“Preverá parcelamento em até 36 parcelas mensais, iguais e sucessivas, acrescidas de juros SELIC, podendo conter proposta de abatimento do valor das dívidas.”
Explicação: O devedor pode pagar suas dívidas em até 36 parcelas mensais (3 anos), com juros pela taxa SELIC. Pode ainda propor descontos (abatimento) no valor da dívida.
Exemplo: Uma EPP deve R$ 360 mil a diversos credores.
· Pode propor pagar em 36 parcelas de R$ 10 mil + juros SELIC.
· Ou pedir abatimento de 20% e pagar R$ 288 mil em 36 vezes.
III — Primeira parcela
“Preverá o pagamento da 1ª parcela no prazo máximo de 180 dias [...]”
Explicação: A empresa tem até 180 dias (6 meses) após o pedido de recuperação para começar a pagar.
Esse prazo é para reorganizar o caixa e retomar as operações.
Exemplo: Se o pedido foi feito em 1º de fevereiro, a primeira parcela pode ser paga até 30 de julho.
IV — Aumento de despesas e contratações
“Estabelecerá a necessidade de autorização do juiz [...] para o devedor aumentar despesas ou contratar empregados.”
Explicação: Durante a recuperação, a empresa só pode aumentar custos (contratar novos empregados, fazer grandes compras, etc.) com autorização judicial, após ouvir o administrador judicial e o Comitê de Credores (se houver).
Exemplo: Uma EPP quer abrir uma nova filial durante a recuperação. Precisa pedir autorização ao juiz, justificando que isso ajudará a recuperar a empresa.
Parágrafo único do Art. 71
“O pedido [...] não acarreta a suspensão [...] de créditos não abrangidos pelo plano.”
Explicação: As ações e execuções sobre créditos fora do plano não param. Ou seja, se um credor não foi incluído no plano (ex: banco com alienação fiduciária), pode continuar cobrando normalmente.
Exemplo: O banco pode retomar um veículo alienado, mesmo que a empresa esteja em recuperação especial.
Art. 72 — Concessão sem assembleia
“Caso o devedor [...] opte pelo plano especial [...] não será convocada assembleia-geral de credores [...]”
 Explicação: No plano especial, não há assembleia de credores (diferente do procedimento comum). Se o plano respeitar as regras da lei, o juiz concede a recuperação diretamente.
 Exemplo: Uma loja de confecções EPP apresenta plano especial com 36 parcelas. Juiz verifica que tudo está conforme a lei. Não há votação dos credores. O juiz homologa e a recuperação é concedida.
Parágrafo único do Art. 72
“O juiz também julgará improcedente [...] e decretará a falência [...] se houver objeções [...] de credores titulares de mais da metade de qualquer uma das classes de créditos [...]”
Explicação: Se mais da metade dos credores de qualquer classe (trabalhistas, com garantia, quirografários, etc.) se opuserem, o juiz nega a recuperação e decreta a falência.
Exemplo: Se a maioria dos credores trabalhistas discorda do plano especial apresentado, o juiz não pode conceder a recuperação — declara a falência da empresa.
HIPÓTESES DE DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA DURANTE A RECUPERAÇÃOJUDICIAL
A convolação da recuperação judicial em falência é o ato pelo qual o juiz transforma o processo de recuperação judicial em processo de falência, por ocorrerem determinadas situações que demonstram a inviabilidade do soerguimento da empresa ou o descumprimento de deveres legais.
As hipóteses de convolação em falência estão previstas, principalmente, no Art. 73 da Lei nº 11.101/2005 (LREF), com as alterações posteriores, notadamente a Lei nº 14.112/2020. Tais hipóteses são consideradas taxativas (rol fechado), ou seja, a convolação só pode ocorrer se houver enquadramento em uma delas.
De acordo com o Art. 73 e outros dispositivos correlatos da LREF, a convolação em falência ocorre quando o devedor:
1. Não apresentar o Plano de Recuperação Judicial no prazo legal.
· O devedor deve apresentar o plano no prazo improrrogável de 60 (sessenta) dias da publicação da decisão que deferir o processamento da recuperação judicial (Art. 53, caput).
2. Tiver seu Plano de Recuperação Judicial rejeitado pela Assembleia Geral de Credores (AGC), e não tiver havido a concessão da recuperação judicial por meio do cram down (Art. 58, $\S$ 1º, que permite ao juiz conceder a recuperação judicial mesmo com a rejeição, se preenchidos certos requisitos).
3. Descumprir qualquer obrigação assumida no plano de recuperação judicial durante o período de vigilância judicial (que vai até o cumprimento de todas as obrigações vencidas até 2 (dois) anos após a concessão da recuperação - Art. 61, $\S$ 1º).
4. Descumprir o parcelamento de créditos tributários concedido na forma do Art. 68 da LREF ou descumprir a transação prevista no Art. 10-C da Lei nº 10.522/2002.
5. Quando identificado o esvaziamento patrimonial da devedora que implique liquidação substancial da empresa, em prejuízo de credores não sujeitos à recuperação judicial, inclusive as Fazendas Pública1s (hipótese trazida pela Lei nº 14.112/2020 - Art. 73, VI).
6. Nos casos de Recuperação Judicial para Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP): Além das hipóteses gerais, a convolação ocorrerá se o plano especial for rejeitado pelos credores (Art. 70-E).
Art. 73 – Hipóteses de decretação da falência durante a recuperação judicial
Esse artigo lista seis hipóteses em que o juiz deve decretar a falência, mesmo que a empresa esteja em recuperação judicial. A ideia central é: a recuperação judicial é um benefício condicionado à boa-fé e ao cumprimento das regras. Se o devedor age de má-fé, é negligente ou inviabiliza a execução do plano, a falência é decretada.
Inciso I – Deliberação da assembleia de credores
“Por deliberação da assembleia-geral de credores, na forma do art. 42 desta Lei.”
Explicação: A assembleia-geral de credores (AGC) tem poder para decidir pela falência do devedor, quando entender que a empresa não é viável ou que o plano de recuperação é insustentável.
· O art. 42 prevê que as deliberações da assembleia são tomadas pelas maiorias legais (por valor e por cabeça, conforme a classe de credores).
· A decisão pela falência é, portanto, uma manifestação coletiva da vontade dos credores.
Exemplo: Uma empresa de confecção apresenta plano de recuperação. Durante a assembleia, a maioria dos credores vota contra a continuidade da recuperação e delibera pela falência. O juiz, diante dessa decisão soberana, decreta a falência, com base no art. 73, I.
Inciso II – Falta de apresentação do plano no prazo legal
“Pela não apresentação, pelo devedor, do plano de recuperação no prazo do art. 53 desta Lei.”
Explicação: O art. 53 estabelece que o plano de recuperação deve ser apresentado em até 60 dias contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. Se o devedor não apresentar o plano nesse prazo, a recuperação é convolada em falência automaticamente.
Exemplo: Uma empresa de transporte tem o pedido de recuperação deferido em 1º de abril. O prazo final para apresentar o plano seria 30 de maio. Se não apresenta nada até essa data, o juiz decreta a falência (art. 73, II).
Inciso III – Rejeição do plano pelos credores ou falta de aplicação das regras do art. 56
“Quando não aplicado o disposto nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 56 desta Lei, ou rejeitado o plano [...] nos termos do § 7º do art. 56 e do art. 58-A [...]”
Explicação: O art. 56 trata da votação do plano de recuperação e o art. 58-A regula a possibilidade de aprovação forçada do plano (cram down).
Assim, a falência ocorrerá quando:
· o plano não for votado corretamente;
· ou quando o plano for rejeitado e não houver condições para aplicação do cram down.
Exemplo: A empresa apresenta o plano; a assembleia de credores o rejeita. O juiz analisa se é possível aplicar o cram down (aprovação forçada mesmo contra parte dos credores).
Se não for possível, deve decretar a falência (art. 73, III).
Inciso IV – Descumprimento do plano
“Por descumprimento de qualquer obrigação assumida no plano de recuperação, na forma do § 1º do art. 61 desta Lei.”
Explicação: O art. 61, § 1º diz que o descumprimento das obrigações do plano (como pagamento das parcelas aos credores) enseja a decretação da falência a pedido de qualquer credor ou do Ministério Público.
Exemplo: Uma empresa promete pagar 24 parcelas mensais aos credores. Após pagar apenas 5 parcelas, para de pagar por 8 meses. Os credores pedem ao juiz a decretação da falência. O juiz decreta a falência com base no art. 73, IV.
Inciso V – Descumprimento de parcelamentos fiscais ou transação tributária
“Por descumprimento dos parcelamentos referidos no art. 68 [...] ou da transação prevista no art. 10-C da Lei nº 10.522/2002.”
Explicação: A Lei 14.112/2020 trouxe essa hipótese nova: Caso a empresa não cumpra os acordos fiscais firmados durante a recuperação judicial — como parcelamentos de tributos federais ou transações tributárias — o juiz poderá decretar a falência.
Exemplo Uma EPP firma transação tributária com a Receita Federal, prometendo pagar R$ 500 mil em 60 parcelas. Após 10 parcelas, deixa de pagar e não regulariza. O juiz decreta a falência, com base no art. 73, V.
Inciso VI – Esgotamento patrimonial (liquidação substancial)
“Quando identificado o esvaziamento patrimonial [...] em prejuízo de credores não sujeitos à recuperação [...] inclusive as Fazendas Públicas.”
Explicação: Essa hipótese é nova e muito importante. Se o juiz verificar que a empresa vendeu a maior parte de seus ativos, de forma que não restam bens suficientes para continuar operando, ele pode decretar a falência, mesmo que a empresa esteja em recuperação.
Exemplo: Uma indústria em recuperação vende quase todo o maquinário e veículos para pagar credores sujeitos ao plano, restando apenas dívidas fiscais e nenhum ativo produtivo. O juiz entende que houve liquidação substancial e decreta a falência (art. 73, VI).
§ 1º – Falência por outras causas (fora da recuperação)
“O disposto neste artigo não impede a decretação da falência por inadimplemento de obrigação não sujeita à recuperação judicial [...]”
Explicação: Mesmo durante a recuperação, a empresa pode ter falência decretada por outros motivos, previstos no art. 94:
· Inciso I: execução frustrada (não paga dívida líquida e certa);
· Inciso II: atos de falência (ex: fuga, esvaziamento de bens);
· Inciso III: prática de atos fraudulentos.
Exemplo: Durante a recuperação, a empresa deixa de pagar aluguel de um imóvel que não estava sujeito ao plano, e o locador prova atos de falência (fraude, ocultação de bens). O juiz pode decretar a falência com base no art. 94, mesmo dentro da recuperação (art. 73, §1º).
§ 2º – Consequência da liquidação substancial
“A hipótese prevista no inciso VI [...] não implicará a invalidade [...] e o juiz determinará o bloqueio do produto [...]”
Explicação: Quando há liquidação substancial (inciso VI), os atos praticados não são automaticamente anulados. O juiz apenas:
· bloqueia o produto da venda de bens;
· determina a devolução dos valores ainda não distribuídos;
· e mantém esses valores à disposição do juízo falimentar.
Exemplo: Se a empresa vendeu máquinas e recebeu R$ 2 milhões, mas o juiz decretaposse ou restituição dos bens e a continuidade da execução de seus contratos, salvo se o bem for considerado essencial à atividade empresarial.
Importante: A exceção atinge apenas o valor do crédito coberto pela garantia. Se o valor do bem não for suficiente para cobrir o total da dívida, o saldo remanescente (não garantido) se sujeita à recuperação judicial como crédito quirografário (Art. 49, § 5º, da LRF).
3. Créditos de Natureza Fiscal (Tributos)
As obrigações tributárias (impostos, taxas, contribuições) são expressamente excluídas dos efeitos da recuperação judicial, não se submetendo ao $\text{PRJ}$. A $\text{LRF}$ remete a sua renegociação às normas específicas do $\text{Código Tributário Nacional}$ ($\text{CTN}$) e leis federais sobre parcelamento de débitos fiscais (Art. 6º, § 7º e Art. 191-A do $\text{CTN}$).
4. Créditos Decorrentes de Adiantamento a Contrato de Câmbio ($\text{ACC}$)
Os créditos decorrentes de $\text{Adiantamento a Contrato de Câmbio}$ destinados à exportação não se sujeitam à recuperação judicial (Art. 49, § 4º, da LRF).
5. Contratos e Obrigações de Cooperativas
Pela $\text{Lei n}^{\circ}$ 14.112/2020, que alterou a $\text{LRF}$, não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial os contratos e obrigações decorrentes dos atos cooperativos praticados pelas sociedades cooperativas com seus cooperados (Art. 49, $\S 13$).
Abaixo estão listados alguns dos principais prazos, focando nos mais relevantes para o procedimento de recuperação judicial e falência:
I. Na Recuperação Judicial
	Ato ou Fase
	Prazo (dias)
	Observações e Fundamento Legal (L. 11.101/05)
	Suspensão das Ações e Execuções (Stay Period)
	180
	Contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. Prorrogável por igual período (mais 180 dias), uma única vez, conforme o art. $6^{\circ}$, $\S 4^{\circ}$ (redação Lei $14.112/20$).
	Apresentação do Plano de Recuperação Judicial (PRJ)
	60
	Prazo improrrogável para o devedor apresentar o PRJ, contado da publicação da decisão que deferir o processamento. A inobservância implica na convolação em falência (art. $53$, caput).
	Publicação da Relação de Credores pelo Administrador Judicial
	45
	Contados da data de sua nomeação, o Administrador Judicial deve publicar a relação de credores no órgão oficial (art. $7^{\circ}$, $\S 1^{\circ}$).
	Habilitação ou Divergência Administrativa de Créditos
	15
	Contados da publicação da primeira relação de credores pelo Administrador Judicial (art. $7^{\circ}$, $\S 1^{\circ}$).
	Impugnação de Créditos
	10
	Contados da publicação da segunda relação de credores (relação consolidada) pelo Administrador Judicial (art. $8^{\circ}$).
	Objeção ao Plano de Recuperação Judicial (PRJ)
	30
	Contados da publicação do aviso de recebimento do PRJ (art. $55$). Se houver objeção, será convocada a Assembleia Geral de Credores (AGC).
	Prazo para pagamento de créditos trabalhistas (plano)
	1 ano
	Prazo máximo no PRJ para pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido (art. $54$, caput).
	Pagamento de Salários Estritamente Salariais
	30
	Prazo máximo no PRJ para pagamento, até o limite de 5 salários-mínimos por trabalhador, dos créditos de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 meses anteriores ao pedido (art. $54$, $\S 1^{\circ}$).
	Período de Fiscalização
	2 anos
	Prazo máximo para fiscalização do cumprimento do PRJ pelo Administrador Judicial, contado da concessão da recuperação judicial (art. $61$, caput, alterado pela Lei $14.112/20$).
II. Na Falência
	Ato ou Fase
	Prazo (dias)
	Observações e Fundamento Legal (L. 11.101/05)
	Habilitação de Crédito (após sentença de falência)
	15
	Contados da publicação do edital previsto no art. $99$, parágrafo único, para os credores apresentarem suas habilitações ou divergências ao Administrador Judicial (art. $7^{\circ}$, $\S 1^{\circ}$).
	Prazo Decadencial para Habilitação Retardatária
	3 anos
	O credor deverá apresentar pedido de habilitação ou de reserva de crédito em, no máximo, 3 anos, contados da data de publicação da sentença que decretar a falência, sob pena de decadência (art. $10$, $\S 10$, incluído pela Lei $14.112/20$).
	Prestação de Contas pelo Administrador Judicial
	30
	Prazo para o Administrador Judicial apresentar suas contas, contados da data em que for extinta sua responsabilidade (art. $154$, caput).
Créditos Extraconcursais (art 84 da lei 11.101):
1- Despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à administração da falência + Trabalhistas até 5 salários mínimos / trabalhador vencidos até 3 meses à decretação
2- Valor efetivamente entregue ao devedor em recuperação judicial pelo financiador (Dip Financing), seguindo a teoria da preservação da empresa
3- Restituição em Dinheiro (bens arrecadados durante o procedimento que não pertecem à massa falida)
4- Remuneração do administrador e sua equipe
5- Obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial
6- Quantias fornecidas à massa falida pelos credores
7- Despesas com arrecadação, administração, realização do ativo, distribuição do seu produto e custas do processo de falência
8- Custas judiciais relativas às ações e às execuções em que a massa falida tenha sido vencida
9- Tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência
Passamos aos créditos concusais (art 83 da lei 11.101)
1- Os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho
2- Os créditos gravados com direito real de garantia até o limite do valor do bem gravado
3- Os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de constituição, exceto os créditos extraconcursais e as multas tributárias
4- Os créditos quirografários
5- As multas contratuais e as penas pecuniárias
6- Os créditos subordinados
7- Os juros vencidos após a decretação da falência
	Característica
	Consolidação Processual
	Consolidação Substancial
	Natureza Jurídica
	Litisconsórcio Ativo Facultativo.
	Exceção à regra da autonomia patrimonial.
	Finalidade
	Coordenar Atos Processuais para racionalizar e centralizar a tramitação (economia e celeridade processual).
	Unificar Ativos e Passivos devido à confusão patrimonial, para fins de recuperação.
	Autonomia Patrimonial
	Mantida. Preserva-se a independência dos devedores, de seus ativos e de seus passivos. (Art. 69-I, caput).
	Extinta (para fins da recuperação). Ativos e passivos são tratados como se pertencessem a um único devedor. (Art. 69-K).
	Requisitos
	Pertencer ao mesmo grupo sob controle societário comum (Art. 69-G).
	Comprovação de Confusão Patrimonial Grave entre as devedoras, como interconexão e interdependência, garantias cruzadas, ou identidade de ativos e passivos. (Art. 69-J).
	Plano de Recuperação
	Planos Individuais. Cada devedor apresenta individualmente o seu plano de recuperação. (Art. 69-I, $\S$ 2º).
	Plano Unitário. Apresentação de um único plano para o grupo. (Art. 69-L).
	Votação (Assembleia)
	Deliberações Individuais. Os credores de cada devedor votam em assembleias ou quóruns separados.
	Deliberação Unificada. Convocação de uma única Assembleia Geral de Credores com quórum unitário para o grupo. (Art. 69-L).
	Créditos Intercompanhias
	Mantidos. Os créditos e débitos recíprocos entre as empresas do grupo continuam válidos.
	Extintos Imediatamente. Há a extinção imediata de garantias fidejussórias e de créditos detidos por um devedor em face de outro. (Art. 69-K).
	Resultado do Processo
	Pode ser diferente. É possível que alguns devedores obtenham a recuperação judicial e outros tenham a falência decretada. (Art. 69-I, $\S$ 4º).
	Geralmente Único. A rejeição do plano implica a convolação em falência de todos os devedores sob consolidação substancial.
	Concessão
	Pode ser requerida pelos devedores (facultativa).
	Depende de decisão judicial, mediante pedido das devedoras ou do administrador judicial, comprovando a confusão patrimoniala falência por liquidação substancial: O juiz bloqueia os R$ 2 milhões e transfere o controle para o processo de falência, sem invalidar os contratos de venda já feitos de boa-fé.
§ 3º – Conceito de liquidação substancial
“Considera-se substancial [...] quando não forem reservados bens [...] suficientes à manutenção da atividade econômica [...]”
Explicação: Define quando há liquidação substancial: Quando a empresa não mantém bens, direitos ou fluxo de caixa suficientes para continuar operando. O juiz pode determinar perícia contábil para comprovar isso.
Exemplo: Uma construtora vende todos os terrenos e equipamentos, sem deixar nada para futuras obras — nem contratos em andamento. Perícia confirma ausência de fluxo de caixa e ativos. O juiz reconhece a liquidação substancial e decreta a falência (art. 73, §3º).
Art. 74 – Validade dos atos praticados na recuperação
“Na convolação da recuperação em falência, os atos de administração [...] praticados durante a recuperação judicial presumem-se válidos, desde que realizados na forma desta Lei.”
Explicação: Quando a recuperação é convertida em falência, os atos que o administrador da empresa realizou durante o processo — como vendas, contratações ou empréstimos — continuam válidos, desde que tenham seguido a lei. Essa regra protege a segurança jurídica de quem contratou com a empresa de boa-fé durante a recuperação.
Exemplo: Durante a recuperação, uma empresa vende um caminhão a outra empresa, com autorização judicial. Meses depois, a recuperação é convertida em falência. Essa venda continua válida; o comprador não perde o caminhão, pois o ato foi feito legalmente.
FALENCIA
I. Objetivos da Falência (Art. $75$)
O objetivo da falência foi reformulado para focar não apenas na satisfação dos credores, mas também na otimização dos ativos e no fomento ao empreendedorismo.
· Novos Princípios/Objetivos:
· Preservação e Otimização da utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos do devedor, inclusive os intangíveis.
· Permitir a liquidação célere das empresas inviáveis.
· Fomentar o empreendedorismo e o retorno célere do empreendedor falido à atividade econômica.
II. Extensão da Responsabilidade e Desconsideração da Personalidade Jurídica
A Lei $14.112/20$ buscou reforçar a proteção do patrimônio de terceiros ligados à empresa falida, restringindo a extensão automática da falência.
· Vedação à Extensão da Falência (Art. $82$-A): É expressamente vedada a extensão da falência ou de seus efeitos aos sócios de responsabilidade limitada, aos controladores e aos administradores da sociedade falida, em decorrência do mero inadimplemento de obrigações.
· Desconsideração da Personalidade Jurídica: Embora a extensão da falência seja vedada, a lei admite a desconsideração da personalidade jurídica se presentes os pressupostos do Código Civil ($\text{art. 50}$) e do Código de Defesa do Consumidor. A instauração do incidente de desconsideração compete ao Juízo Falimentar.
III. Habilitação de Créditos e Prazos
A reforma introduziu um prazo de natureza decadencial na falência.
· Prazo Decadencial (Art. $10$, $\S 10$): O credor que não se habilitou no prazo inicial (15 dias) e que precisa de habilitação retardatária ou reserva de crédito terá, no máximo, 3 (três) anos, contados da publicação da sentença que decretar a falência, sob pena de decadência do seu direito.
IV. Venda de Ativos na Falência
O procedimento de venda de ativos foi ajustado para torná-lo mais eficiente e célere.
· Prazo Máximo para Venda (Art. $140$, $\S 2^{\circ}$): O Administrador Judicial tem um prazo máximo de 180 dias (contados da juntada do auto de arrecadação) para realizar a venda de todos os bens da massa falida, sob pena de destituição, salvo por impossibilidade fundamentada e reconhecida judicialmente.
· Venda Livre de Ônus (Free and Clear): A venda dos bens na falência ocorre livre de qualquer ônus (judiciais ou extrajudiciais), sendo vedada a sucessão do adquirente nas dívidas do falido, inclusive as de natureza tributária e trabalhista ($\text{Art. 141}$, $\text{II}$).
V. Extinção das Obrigações do Falido (Discharge)
O legislador facilitou o chamado discharge, que é a extinção das obrigações do falido, permitindo o seu retorno mais rápido ao mercado.
· Hipóteses de Extinção das Obrigações (Art. $158$): As obrigações do falido são consideradas extintas nas seguintes hipóteses (entre outras):
1. Pagamento de mais de 25% (vinte e cinco por cento) dos créditos quirografários (antes era $50\%$).
2. Decurso do prazo de 3 (três) anos contado da decretação da falência, independentemente da realização do ativo e do pagamento aos credores. (Redução de 5 para 3 anos).
3. Encerramento da falência.
PROCEDIMENTO DA FALÊNCIA
Etapas principais:
1. Pedido e instauração
· Pode ser feito por credor, pelo devedor (autofalência) ou pelo Ministério Público (em alguns casos).
· O juiz analisa os requisitos e, se presentes, decreta a falência (art. 99).
2. Efeitos imediatos da sentença de falência (art. 99 e seguintes)
1. Suspensão de todas as ações e execuções individuais (exceto trabalhistas e fiscais);
2. Vencimento antecipado das dívidas do devedor;
3. Inabilitação do falido para administrar bens ou exercer atividade empresarial;
4. Nomeação do administrador judicial;
5. Abertura do prazo para habilitação de créditos (15 dias);
6. Arrecadação dos bens do falido.
 O PROCESSO DE LIQUIDAÇÃO
Após a decretação:
· O administrador judicial arrecada os bens, elabora o quadro geral de credores, e promove a alienação dos bens (leilão, pregão eletrônico etc.).
· O produto da venda é distribuído conforme a ordem de pagamento (ver abaixo).
ORDEM DE PAGAMENTO DOS CRÉDITOS (art. 83)
1. Créditos trabalhistas (até 150 salários mínimos por credor) e acidentes de trabalho;
2. Créditos com garantia real (até o limite do bem dado em garantia);
3. Créditos tributários;
4. Créditos quirografários (sem garantia);
5. Multas contratuais e penas pecuniárias;
6. Créditos subordinados (ex: sócios, administradores).
 Após a reforma de 2020, honorários advocatícios têm tratamento mais claro dentro das classes (art. 83, §4º-A).
 ENCERRAMENTO E REABILITAÇÃO (arts. 132 a 135)
· Encerrada a liquidação, o juiz julga as contas do administrador e encerra a falência.
· O empresário pode pedir reabilitação (readquirir direito de exercer atividade empresarial) após 5 anos da sentença que encerrar a falência.
Art. 75 — Finalidade social e econômica da falência
Texto resumido: A falência, ao afastar o devedor de suas atividades, visa:
I) preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens e recursos da empresa (incl. intangíveis);
II) permitir a liquidação célere das empresas inviáveis, para realocação eficiente de recursos;
III) fomentar o empreendedorismo, viabilizando o retorno célere do empreendedor falido à atividade econômica.
Enquadramento geral: a redação deixa claro que a falência não é um “castigo” meramente punitivo, mas um mecanismo econômico-jurídico com finalidades práticas: proteger valor econômico, liberar recursos e, até, criar condições para que o empreendedor volte a empreender. A ênfase de 2020 é tornar a falência mais eficiente e menos estigmatizante.
Inciso I — preservar/otimizar utilização produtiva (bens, ativos, intangíveis):
Alcance: O objetivo é evitar que ativos úteis (máquinas, contratos, marcas, tecnologia, carteira de clientes) fiquem parados ou se deteriorem enquanto o processo corre. Favorece soluções que maximizem o valor (venda organizada, continuidade temporária da atividade por administrador, alienação com garantias).
Exemplo: Em vez de leiloar uma fábrica em condições ruins, o administrador judicial negocia venda por unidade produtiva para um concorrente que a reativa — preserva emprego e valor.
Inciso II — liquidação célere das empresas inviáveis:
Alcance: Quando a empresa não tem viabilidade, a falência deve liquidar o patrimônio rápido para devolver recursos ao mercado (pagamento de credores, liberação de ativos). A velocidade evita perda de valor.
Exemplo: Empresa de transporte cujos caminhõesperdem valor com o tempo: a venda organizada imediata garante maior retorno do que esperar anos por uma resolução judicial.
Inciso III — fomentar empreendedorismo e retorno do falido:
Alcance: Incentiva políticas/processos que facilitem a retomada do empreendedor (por exemplo, desonerar pessoal de dívidas antigas que impossibilitem recomeço, permitir alienação rápida de bens que financiem um novo negócio). Não significa perdão automático de débitos, mas sinal de que o instituto visa readequação econômica.
Exemplo: Um empresário que tem seus bens liquidados rapidamente e paga proporcionalmente credores pode, passado o processo e resolvidas responsabilidades legais, recompor atividade empreendedora.
Princípios (§1º): o processo de falência deve observar celeridade e economia processual, sem violar o contraditório e ampla defesa (CPC).
Efeito prático: Procedimentos mais ágeis e decisões com prazos objetivos; contudo, ninguém perde chance de defesa.
Exemplo: Prazo firme para impugnação de habilitação; decisões de arrecadação e alienação realizadas em calendário curto, mas com garantias de contraditório.
§2º — Falência como mecanismo de preservação de benefícios sociais/econômicos: reforça que a falência busca proteger a utilidade social da atividade empresarial ao acelerar liquidação e realocação de ativos.
Exemplo prático: Evitar que estoque de produtos perecíveis de uma indústria fique estocado até perder valor — venda célere garante retorno econômico e acesso ao mercado.
Art. 76 — Competência do juízo da falência
Texto resumido: O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido, salvo causas trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas na Lei em que o falido for autor ou litisconsorte ativo.
Parágrafo único: Todas as ações, inclusive as excetuadas, prosseguirão com o administrador judicial, que deve ser intimado para representar a massa falida, sob pena de nulidade.
Juízo indivisível / centralizador: O processo falimentar concentra a competência para litígios relativos aos bens e negócios do falido, evitando decisões conflitantes e dispersão de medidas que prejudiquem a massa.
Limite: Há exceções — ações trabalhistas e execuções fiscais têm regras próprias (competência especializada), e ações em que o falido seja autor podem seguir em outros foros conforme a lei.
Representação pela massa e administrador judicial (parágrafo único):
Obrigatoriedade de intimação: o administrador judicial deve ser intimado para atuar como representante da massa nas ações que prossigam, inclusive nas exceções — essa representação é essencial: sem intimá-lo, o processo pode ser nulo.
Exemplo: Um credor propõe ação de cobrança sobre bem que integra a massa — o juiz deve intimar o administrador judicial para que ele atue representando a massa; se não intimar e decidir sem a presença do AJ, pode haver nulidade por cerceamento.
Art. 77 — Vencimento antecipado, abatimento proporcional de juros e conversão de créditos em moeda nacional
Texto resumido: A decretação da falência vence antecipadamente as dívidas do devedor e dos sócios ilimitados, com abatimento proporcional dos juros; converte créditos em moeda estrangeira para a moeda nacional pelo câmbio do dia da decisão.
Vencimento antecipado:
Significado: Obrigações que estavam com prazo futuro tornam-se imediatamente exigíveis para fins do processo falimentar; facilita apuração do passivo para inclusão no quadro-geral.
Exemplo: Nota promissória com vencimento daqui a 6 meses: ao decretar falência, ela passa a integrar o passivo como dívida vencida.
Abatimento proporcional de juros: Evitar que os juros corroam demais o montante, e tornar mais justa a distribuição entre credores. Juros futuros são reduzidos proporcionalmente ao tempo.
Conversão de créditos em moeda estrangeira: Para efeitos do quadro de credores e distribuição, créditos em moeda estrangeira convertem-se para reais pelo câmbio do dia da decisão que decreta a falência.
Art. 78 — Distribuição obrigatória dos pedidos de falência
Texto resumido: Os pedidos de falência são distribuídos obrigatoriamente, respeitada a ordem de apresentação. O juízo que receber primeiro o pedido terá preferência para processamento; evita concorrência entre petições e disputa de jurisdição.
Exemplo prático: Dois credores pedem falência em dias diferentes — o primeiro processo distribuído terá prioridade; o segundo ficará dependente do juízo prevento (prevenção).
Art. 79 — Preferência processual dos processos de falência
Texto resumido: Processos de falência e incidentes preferem (têm prioridade) sobre todos os outros feitos, em qualquer instância.
Efeito prático: Prazo e prioridade de julgamento maiores — atos processuais vinculados à falência devem ser agilizados.
Exemplo: Em um balcão de distribuição, petições relativas à falência tramitarão com prioridade sobre ações civis comuns.
Art. 80 — Habilitação de créditos remanescentes da recuperação judicial
Texto resumido: Serão considerados habilitados na falência os créditos remanescentes da recuperação judicial quando definitivamente incluídos no quadro-geral; prosseguem habilitações em curso.
Contexto: Se a empresa entrou em recuperação e depois houve convolação em falência, os créditos que já estavam no quadro da recuperação são trazidos para a falência quando definitivamente incluídos. Processos de habilitação iniciados continuam a tramitar no juízo falimentar.
Exemplo: Credor que teve crédito reconhecido provisoriamente na recuperação terá seu crédito convertido para a falência quando as formalidades se encerrarem.
Art. 81 — Falência dos sócios ilimitados e efeitos sobre retirados/excluídos
Caput: A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios ilimitados acarreta a falência destes; eles ficam sujeitos aos mesmos efeitos e deverão ser citados para contestar, se quiserem.
§1º: Alcance aos sócios que se retiraram/excluídos há menos de 2 anos — aplica-se a dívidas existentes na data do arquivamento da alteração contratual, se não pagas até a decretação da falência.
§2º: Sociedades falidas são representadas por seus administradores ou liquidantes, que têm os mesmos direitos e obrigações do falido.
Explicação e exemplos:
Sócios ilimitados: Em sociedades em que responsabilização é ilimitada (ex.: sociedade em nome coletivo), a falência da pessoa jurídica contamina o patrimônio pessoal dos sócios, que passam a responder solidariamente.
Exemplo: Sociedade com sócios ilimitados entra em falência; credores habilitam créditos também contra bens pessoais dos sócios.
Sócio retirado/excluído há menos de 2 anos (§1º): protege credores contra manobras de retirada para evitar responsabilidade; se a retirada foi recente (menos de 2 anos), as dívidas anteriores continuam atingindo o ex-sócio.
Exemplo: Sócio A se retira da sociedade e arquiva alteração contratual; dois anos depois a sociedade faliu — se as dívidas datam de antes do arquivamento e não foram quitadas, A pode ser alcançado.
Representação por administradores/liquidantes (§2º): assegura que quem responde pela sociedade (gestores) poderá praticar atos necessários à defesa e à liquidação, estando sujeitos às mesmas penas se agirem mal.
Exemplo: O liquidante que deixa de prestar contas pode ser responsabilizado como falido.
Art. 82 — Responsabilidade pessoal de sócios de limitada, controladores e administradores
Caput: A responsabilidade pessoal prevista em leis específicas será apurada no juízo da falência, independentemente da realização do ativo e prova de insuficiência para cobrir o passivo, observado o procedimento ordinário do CPC.
§1º: Prescrição: 2 anos contados do trânsito em julgado da sentença que encerra a falência, para a ação de responsabilização.
§2º: O juiz pode, de ofício ou a requerimento, ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus, em quantidade compatível com o dano, até o julgamento da ação.
Responsabilização no juízo falimentar: quando há indícios de irregularidades (desvio patrimonial, abuso do direito societário, fraude),a ação de responsabilização contra sócios/controladores/administradores acontece no próprio juízo falimentar, com rito ordinário do CPC. Isso evita multiplicação de foros e centraliza apuração.
Exemplo: Verificou-se que administrador desviou recursos para empresa do sócio — ação de responsabilização ajuizada no processo falimentar.
Prescrição (2 anos): cria prazo razoável para credores ou massa moverem ação contra responsáveis; conta a partir do trânsito em julgado da sentença de encerramento da falência (quando há certeza sobre encerramento do processo).
Exemplo prático: Falência encerrada em 1º/1/2023 (com trânsito em julgado). A ação de responsabilização prescreverá em 1º/1/2025.
Indisponibilidade de bens (§2º): poder cautelar do juiz para assegurar futuro ressarcimento — ordem de indisponibilidade proporcional ao dano alegado. Pode ser adotada de ofício.
Exemplo: Se indícios mostram que administrador transferiu R$ 500.000, o juiz pode indispor bens na mesma ordem de magnitude para garantir futura execução.
Art. 82-A — Vedação à extensão automática da falência aos sócios de limitada, controladores e administradores; desconsideração da personalidade jurídica
Caput: Veda-se a extensão automática da falência (ou de seus efeitos) aos sócios de limitada, controladores e administradores; contudo admite-se a desconsideração da personalidade jurídica.
Parágrafo único: A desconsideração da personalidade jurídica, para responsabilizar terceiros (sócio, grupo, administrador), só pode ser decretada pelo juízo falimentar observando o art. 50 do CC e os arts. 133–137 do CPC; não se aplica a ela a suspensão prevista no §3º do art. 134 do CPC.
Explicação e exemplos:
Vedação à extensão automática: evita responsabilização coletiva e automática de pessoas por mera decretação da falência; princípio da separação patrimonial continua sendo regra.
Exemplo: Empresa limitada faliu — os sócios não são automaticamente “arrastados” pela falência para pagamento de dívidas, salvo prova em contrário.
Admissão da desconsideração da personalidade jurídica: mantém a ferramenta jurídica para responsabilizar sócios/administradores quando comprovado abuso (confusão patrimonial, desvio de finalidade, fraude). Mas condiciona-a a rito e requisitos específicos.
Art. 50 do CC (síntese): trata da desconsideração quando há abuso (desvio de finalidade ou confusão patrimonial).
Arts. 133–137 do CPC: regulam procedimento incidental de desconsideração, medidas e tutela provisória. A exigência de observância desses dispositivos protege garantias processuais.
Exclusão da suspensão (§ único final): diz que a suspensão do art.134, §3º do CPC (que trata em geral de efeitos de tutela) não se aplica — ou seja, a desconsideração deve observar rito, mas não ficará submetida a aquela suspensão (tratamento especial no processo falimentar).
Exemplo prático completo: Uma sociedade limitada faliu. Há evidências de que o controlador utilizou recursos da empresa para fins pessoais (contas confusas, transferências a empresas do mesmo grupo). O juízo falimentar pode, mediante procedimento autônomo previsto no CPC e com prova, desconsiderar a personalidade e alcançar bens do controlador para ressarcir a massa. Mas não pode simplesmente estender a falência sem essa apuração. 
DA FALÊNCIA REQUERIDA PELO PRÓPRIO DEVEDOR
Art. 105. Requisitos para a Autofalência
Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue não atender aos requisitos para pleitear sua recuperação judicial deverá requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes documentos:
Explicação: Este artigo estabelece a obrigação legal (um dever, e não apenas uma faculdade) para o empresário ou sociedade empresária que se encontra em crise e não preenche os requisitos para pedir a recuperação judicial (ou que, mesmo preenchendo, reconhece a inviabilidade de sua continuidade) de requerer sua própria falência. Essa é a chamada autofalência.
Conceitos-chave:
· Devedor em Crise Econômico-Financeira: Significa que a empresa não consegue honrar suas obrigações e sua situação patrimonial é grave.
· Não atender aos requisitos para pleitear sua recuperação judicial: Pode ser por ter obtido recuperação judicial há menos de 5 ou 8 anos (dependendo do caso) ou por ter sido condenado por crime falimentar, ou simplesmente por julgar que sua atividade não tem mais como ser salva (invabilidade econômica).
· Expondo as razões da impossibilidade: O devedor deve justificar tecnicamente ao juiz por que a falência é o único caminho.
Exemplo: A empresa de tecnologia "Byte Extinto S.A." não consegue pagar seus credores há meses e, após consultar seus auditores, conclui que não há mais mercado para seu produto e que não possui fluxo de caixa para um plano de reestruturação. Ela deve requerer a autofalência, explicando que a insolvência é irreversível.
I – Demonstrações Contábeis
I – demonstrações contábeis referentes aos 3 (três) últimos exercícios sociais e as levantadas especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita observância da legislação societária aplicável e compostas obrigatoriamente de:
Explicação: Exige-se um histórico financeiro-contábil detalhado para que o juízo, o administrador judicial e os credores possam entender a evolução da crise e a real situação patrimonial da empresa no momento do pedido.
Exemplo: Se o pedido de autofalência for feito em outubro de 2025, a empresa deve apresentar as demonstrações anuais de 2022, 2023 e 2024, além de um balanço recente levantado especificamente para o pedido.
· a) balanço patrimonial;
· Explicação: O retrato da situação financeira da empresa em um dado momento (ativos, passivos e patrimônio líquido).
· Exemplo: O Balanço Patrimonial de 2024 demonstra que o Passivo Excede o Ativo, evidenciando a situação de insolvência.
· b) demonstração de resultados acumulados;
· Explicação: O histórico de lucros ou prejuízos que foram acumulados no patrimônio líquido.
· Exemplo: A DRE Acumulada mostra um prejuízo líquido nos últimos 5 anos, consumindo todo o capital social da empresa.
· c) demonstração do resultado desde o último exercício social;
· Explicação: A demonstração que informa a formação do lucro ou prejuízo do período entre o último exercício fechado e a data do pedido.
· Exemplo: A DR (Demonstração do Resultado) parcial de 2025 já aponta um novo prejuízo de R$ 5 milhões, confirmando o agravamento da crise.
· d) relatório do fluxo de caixa;
· Explicação: Relatório que detalha as entradas e saídas de caixa, mostrando a real capacidade da empresa de gerar liquidez.
· Exemplo: O Fluxo de Caixa demonstra que a empresa não tem mais capacidade de gerar caixa operacional para pagar as despesas básicas mensais, indicando o colapso financeiro.
II – Relação Nominal de Credores
II – relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, natureza e classificação dos respectivos créditos;
Explicação: Lista completa de todas as pessoas e entidades a quem a empresa deve, detalhando o tipo de dívida (natureza) e sua prioridade de pagamento (classificação), conforme o $\text{Art. 83}$ da Lei.
Exemplo: A lista deve incluir: João da Silva (crédito trabalhista, R$ 10.000,00); Banco Alfa (crédito com garantia real, R$ 500.000,00); Fornecedor Beta (crédito quirografário, R$ 80.000,00). Essa relação é fundamental para que o Administrador Judicial inicie a verificação de créditos.
III – Relação dos Bens e Direitos (Ativo)
III – relação dos bens e direitos que compõem o ativo, com a respectiva estimativa de valor e documentos comprobatórios de propriedade;
Explicação: Lista completa do patrimônio da empresa (móveis, imóveis, veículos, máquinas, estoques, contas a receber, etc.) e sua valoração, comprovando que tais bens de fato pertencem ao devedor.
Exemplo: A empresa lista: Um galpão (imóvel, valor estimado R$ 1 milhão, com cópia da matrícula do imóvel); Uma máquina CNC (bem móvel, valor estimado R$ 300 mil, com cópia da nota fiscal de aquisição); Contas a Receber (R$ 50mil, com a relação de notas fiscais emitidas).
IV – Prova da Condição Empresarial e Dados Societários
IV – prova da condição de empresário, contrato social ou estatuto em vigor ou, se não houver, a indicação de todos os sócios, seus endereços e a relação de seus bens pessoais;
Explicação: O pedido deve demonstrar que o devedor é um empresário (individual ou sociedade empresária) legalmente constituído. A exigência de listar os bens pessoais dos sócios é uma medida cautelar importante, pois o juízo falimentar pode, posteriormente, decretar a desconsideração da personalidade jurídica (Art. $82$-A) se comprovada fraude ou confusão patrimonial.
Exemplo: A empresa anexa a cópia do Contrato Social devidamente registrado na Junta Comercial e a relação detalhada dos bens particulares de cada sócio, para o caso de a massa falida ser insuficiente para cobrir as despesas do processo.
V – Livros e Documentos Contábeis Obrigatórios
V – os livros obrigatórios e documentos contábeis que lhe forem exigidos por lei;
Explicação: Trata-se da entrega de todos os registros formais da empresa (livros Diário, Razão, etc.), essenciais para que o Administrador Judicial possa fiscalizar as operações da empresa, identificar possíveis atos fraudulentos e reconstituir o histórico financeiro e comercial.
Exemplo: A empresa entrega seus livros contábeis devidamente autenticados, conforme exigido pela legislação comercial, para que o Administrador Judicial verifique a regularidade da gestão e se há bens não contabilizados.
VI – Relação de Administradores
VI – relação de seus administradores nos últimos 5 (cinco) anos, com os respectivos endereços, suas funções e participação societária.
Explicação: Permite rastrear os responsáveis pela gestão da empresa durante o período que antecedeu a falência. Essa informação é crucial para apurar responsabilidade civil e penal (crimes falimentares) dos administradores e controladores.
Exemplo: A empresa deve listar o nome, endereço, a função e o percentual de cotas de todos os diretores e administradores que estiveram no comando nos 5 anos anteriores, pois eles são os potenciais responsáveis pelo colapso.
Art. 106. Emenda da Inicial
Art. 106. Não estando o pedido regularmente instruído, o juiz determinará que seja emendado.
Art. 107. Decisão e Aplicação da Lei
Art. 107. A sentença que decretar a falência do devedor observará a forma do art. 99 desta Lei.
Explicação: A sentença de autofalência deve seguir os mesmos requisitos formais da sentença que decreta a falência em um pedido feito por um credor (falência requerida por terceiros). O $\text{Art. 99}$ determina que a sentença deve ser detalhada, contendo a nomeação do Administrador Judicial, a determinação de lacração dos bens, a data-termo legal da falência, a intimação do Ministério Público e as medidas necessárias para a arrecadação.
Exemplo: A sentença não apenas dirá "Decreto a falência", mas também especificará: (1) O Dr. Fulano de Tal é o Administrador Judicial; (2) A data da quebra retroage a 90 dias antes do pedido; (3) Os credores devem ser habilitados em 15 dias.
Parágrafo Único
Parágrafo único. Decretada a falência, aplicam-se integralmente os dispositivos relativos à falência requerida pelas pessoas referidas nos incisos II a IV do caput do art. 97 desta Lei.
Explicação: Após a decretação da falência, não há diferença processual se ela foi requerida pelo próprio devedor (autofalência) ou por um credor. Todos os procedimentos subsequentes (arrecadação, verificação de créditos, realização do ativo, pagamento dos credores e encerramento) são regidos pelas regras gerais de falência.
Exemplo: Após a sentença, o Administrador Judicial deverá seguir os procedimentos de venda dos ativos (Art. $140$ e seguintes) e o quadro-geral de credores (Art. $14$ e seguintes), como se a falência tivesse sido decretada a pedido de um credor ou do Ministério Público.
RECUPERAÇAO EXTRAJUDICIAL (RE)
A Recuperação Extrajudicial é um dos meios de superação da crise econômico-financeira de uma empresa, disciplinado pela Lei 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial e Falência - LRF), que sofreu importantes alterações com a Lei 14.112/2020.
O cerne deste instituto é a negociação direta entre o devedor (empresário ou sociedade empresária) e seus credores, resultando em um Plano de Recuperação Extrajudicial (PRE) que, após ser formalizado e aprovado por um quórum específico de credores, pode ser homologado judicialmente para produzir efeitos legais mais amplos, incluindo a sujeição dos credores dissidentes (o chamado cram down extrajudicial).
O Processo de Recuperação Extrajudicial
A Recuperação Extrajudicial está detalhada nos Arts. 161 a 167 da LRF. As modificações da Lei 14.112/2020 a tornaram mais atrativa e eficaz, principalmente ao permitir a inclusão de mais classes de credores.
1. Negociação e Adesão dos Credores (Fase Extrajudicial)
A primeira e mais crucial fase é a negociação direta entre o devedor e os credores de determinadas classes, resultando na elaboração do Plano de Recuperação Extrajudicial (PRE).
· Créditos Sujeitos (Art. 161, caput): A Recuperação Extrajudicial se destina a credores de qualquer espécie, exceto aqueles expressamente excluídos pela lei (Art. 161, § e Art. 49, § e § ).
· Avanço da Lei 14.112/2020 (Créditos Trabalhistas): A alteração mais significativa foi a possibilidade de incluir os créditos trabalhistas e os de acidentes de trabalho.
Art. 161, § (Parte final): O plano poderá contemplar a totalidade dos créditos ou classes de credores, mas não abrangerá créditos de natureza tributária, os derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho.
Art. 161, § (Inclusão Trabalhista): O plano pode prever o tratamento dos créditos trabalhistas e de acidentes de trabalho, desde que haja negociação com o sindicato da categoria e adesão expressa da maioria absoluta dos credores titulares desses créditos, por classe.
Exemplo: Uma construtora em crise (Devedora) negocia o alongamento do prazo de pagamento de seus fornecedores e bancos (créditos quirografários). Ela também negocia com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e consegue a aprovação da maioria absoluta (50% + 1) dos trabalhadores para o parcelamento de dívidas salariais atrasadas.
Art. 162 — pedido de homologação e documentação exigida
Texto-chave: O devedor poderá requerer a homologação em juízo do plano, juntando justificativa, documento com termos e assinaturas dos credores que aderiram. (caput). 
Explicação detalhada / documentos essenciais (art. 162 + art.163, §6):
Para pedir homologação o autor deve juntar o plano assinado pelos aderentes e documentos comprobatórios (demonstrações contábeis, exposição da situação patrimonial, relação nominal dos credores, prova de poderes dos signatários etc.). O legislador exige transparência e prova de legitimidade. 
Efeito processual: a sentença de homologação constitui título executivo judicial (art. 162/163, §6), o que dá meios executivos contra quem descumprir o plano depois da homologação. 
Exemplo: Ao pedir homologação, Alfa junta balanço atualizado, laudo de viabilidade, relação com os bancos signatários e procura-ção dos representantes bancários.
A homologação é o ato judicial que confere ao plano a eficácia erga omnes (oponível contra todos) e a força de lei, sujeitando os credores dissidentes (o cram down).
· Petição Inicial (Art. 162): O devedor deve protocolar o pedido de homologação judicial, juntando o PRE, a demonstração do quórum de adesão e outros documentos (livros, demonstrações contábeis, etc.).
· Publicidade e Impugnação (Art. 164, § e ): O juiz determinará a publicação do aviso para que os credores possam tomar conhecimento e, se for o caso, apresentarem impugnação (objeção). O prazo para impugnação é de 30 dias.
· Decisão Judicial (Art. 164, e ): O juiz homologará o plano se verificar o preenchimento das exigências legais (principalmente o quórum e a regularidade do processo) e, de acordo com a jurisprudência, a viabilidade da empresa e a legalidade das cláusulas.
· Jurisprudênciado STJ: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem reiteradamente afirmado que o controle judicial deve se limitar à legalidade do plano e ao respeito ao quórum e não pode se imiscuir na análise econômica de mérito do plano, sob pena de violar o princípio da soberania da vontade dos credores (REsp /SP e outros).
· Efeitos da Homologação (Art. 165):
· O plano constitui novação e obriga todos os credores sujeitos a ele.
· A sentença de homologação produz efeitos imediatamente.
Art. 163 — homologação que obriga toda a classe (quórum e parágrafos)
Texto-chave (mudança crucial pela Lei 14.112/2020):
· Caput (nova redação): o plano que obriga todos os credores da classe pode ser homologado se assinado por credores que representem mais da metade dos créditos de cada espécie abrangida 
· §7º (novo): permite apresentar pedido com anuência de pelo menos 1/3 dos créditos da espécie, desde que o devedor se comprometa, em 90 dias, a atingir o quórum da maioria (ou converter o pedido em recuperação judicial).
· §8º (novo): aplica-se desde o pedido a suspensão prevista no art. 6º (stay) exclusivamente em relação às espécies de crédito abrangidas, e essa suspensão só será ratificada pelo juiz se comprovado o quórum inicial do §7º. 
Explicação detalhada dos parágrafos já existentes (resumo dos principais):
· §1º: o plano pode abranger a totalidade de uma ou mais espécies de créditos previstas em art.83 (ex.: créditos quirografários, créditos com garantia real etc.) e, uma vez homologado, obriga todos os credores dessas espécies quanto a créditos constituídos até a data do pedido. 
· §2º: não contam para o cálculo do percentual os créditos não incluídos no plano (isto é, quem não foi chamado para o acordo não pode ter seu crédito computado). 
· §3º: regras de conversão de créditos em moeda estrangeira e quem não se computa no cálculo (pessoas relacionadas do art.43). 
· §4º: supressão/substituição de garantias reais só com anuência expressa do credor garantidor. Não se pode, portanto, extinguir hipoteca/penhor sem a concordância daquele que detém a garantia. 
· §5º: variação cambial nos créditos em moeda estrangeira só pode ser afastada com aprovação expressa do credor. 
· §6º: lista documental (exposição patrimonial, demonstrações contábeis etc.) que o devedor deve juntar para homologação. 
Impacto prático das mudanças (14.112):
· Quórum reduzido ( maioria simples) torna mais viável a homologação que obrigue toda a classe (cria maior potencial de “cram-down” contratual).
· O §7º permite iniciar homologação com 1/3 e prazo de 90 dias para completar a adesão; isso dá instrumento de barganha mas exige compromisso concreto.
· O §8º é novidade: possibilita, desde o pedido, a suspensão das execuções (o chamado “stay”) apenas em relação às espécies de crédito abrangidas, se preenchido o requisito do §7º e ratificado pelo juiz — isto é, a recuperação extrajudicial passa a poder obter proteção executória temporária em relação aos créditos incluídos, algo antes restrito à recuperação judicial. 
Exemplos numéricos:
· Classe A (créditos bancários) total R$ 1.000.000. Para homologar e vincular toda a classe, antes era necessário > R$ 600.000 (3/5). Com 14.112, basta mais da metade → > R$ 500.000 (por exemplo R$ 500.001).
· Se o devedor conseguir só R$ 350.000 (1/3), pode pedir homologação com compromisso de atingir >R$500.000 em 90 dias. Se dentro do prazo conseguir, o juiz ratifica a suspensão; se não, o pedido pode ser convertido em recuperação judicial ou indeferido. 
Observação de ordem prática / de risco:
· Mesmo com homologação que atinge “erga omnes” a classe, a novação e a extensão do plano alcançam os créditos até a data do pedido (não atinge créditos posteriores). Verificar também garantias e coobrigados.
Art. 164 — procedimento, edital e impugnações
Resumo legal: após o pedido de homologação o juiz publica edital convocando credores; credores têm 30 dias para impugnar, juntando prova do crédito; na impugnação o devedor tem 5 dias para se manifestar; o juiz decidirá em 5 dias. (art. 164 e seus §§). 
Explicação prática:
· O rito é sumaríssimo: publicação + prazo de 30 dias para oposição (só podem impugnar por limites estritos: falta do quórum, prática de atos vedados, vícios formais, simulação etc.). O juiz tem decisão célere (5 dias) — a lei busca acelerar a homologação. 
· Exemplo: Após distribuição, editais em Diário Oficial e jornal local; credor que não foi incluído tem 30 dias para contestar que o quórum não foi preenchido
Para que o devedor possa pedir a homologação judicial do PRE, ele precisa demonstrar que já obteve a adesão de uma parte significativa dos credores de cada classe envolvida no plano:
· Art. 164, caput (Homologação Facultativa): O devedor pode requerer a homologação se apresentar o plano com a assinatura de credores que representem mais de 50% dos créditos de cada classe por ele abrangida.
· Exemplo: Em uma classe de bancos com milhões em créditos, o devedor precisa de credores que assinem o plano e detenham, no mínimo, em créditos.
· Art. 163, (Homologação Impositiva - Cram Down Extrajudicial): A lei estabelece um quórum de adesão menor para que o plano comece a produzir efeitos na fase extrajudicial (sem ainda sujeitar os dissidentes) e, após atingir um quórum maior, sujeitará todos os credores da classe:
1. Adesão Mínima de : O devedor que tiver a adesão de credores que representem mais de (um terço) dos créditos de cada classe abrangida pelo plano pode ajuizar a petição de homologação (Art. 163, ).
2. Adesão de Mais de (Homologação Impositiva): Se o quórum chegar a mais da metade dos créditos de cada classe, a homologação judicial sujeitará todos os credores daquela classe, mesmo os que não assinaram o plano ou se opuseram a ele (Art. 163, c/c Art. 164).
Art. 165 — efeitos do plano / efeitos antecipados (signatários)
Texto-chave: “O plano de recuperação extrajudicial produz efeitos após sua homologação judicial.” (caput). §1º: é lícito que o plano estabeleça produção de efeitos anteriores à homologação, mas somente em relação aos credores signatários; se o juiz depois rejeitar o plano, devolver-se-á aos credores signatários o direito de exigir os créditos nas condições originais (deduzidos valores pagos). 
Explicação:
· Regra: efeitos erga omnes só após homologação. Mas as partes (devedor e credores signatários) podem pactuar efeitos entre si antes da homologação (p.ex. pagamentos ou moratória acordada), com risco: se o juiz rejeitar, o credor signatário recupera seu direito original, descontando o que já recebeu. 
Exemplo prático: Banco assinou acordo com devedor para receber 20% agora e o restante parcelado — e o devedor pede homologação. Se o juiz rejeitar o plano, o banco volta a ter o crédito original (com desconto do que já foi pago).
Art. 166 — alienação de filiais / unidades produtivas isoladas
Regra resumida: se o plano homologado envolver alienação judicial de filiais ou unidades produtivas isoladas, o juiz ordenará sua realização (observando regras do art.142 sobre alienação). 
Exemplo: Plano homologado prevê venda de uma unidade produtiva isolada para capitalizar a empresa — o juiz determinará o procedimento de alienação judicial previsto na lei.
Art. 167 — compatibilidade com outros acordos privados
Regra resumida: nada impede que o devedor e credores celebrem outras modalidades de acordo privado fora do capítulo (art.167). A recuperação extrajudicial não afasta acordos bilaterais estritamente privados entre partes
Doutrina e Tendências
A doutrina moderna (como Sacramone, Coelho, Donizete) vê a recuperação extrajudicial como a forma ideal de solução de crise, por ser menos custosa, mais rápida e mais flexível que a judicial, reforçando a autonomia da vontade das partes e a desjudicialização.
A Lei 14.112/2020 reforçou essa tendência ao incluir:
· Conciliação e Mediação (Art. 20-A e seguintes da LRF): O legislador incluiu toda uma seção para estimular os meios autocompositivos, permitindo que a negociação extrajudicial (que é a essência da RE) possa ser conduzida com o auxíliode conciliadores ou mediadores, inclusive antecedentes ao ajuizamento.
Em suma, a Recuperação Extrajudicial é o mecanismo que permite ao empresário, por meio de um acordo privado (o PRE) com adesão qualificada dos credores, obter a validação judicial para impor o plano à minoria que se opõe, garantindo a reestruturação da dívida e a preservação da atividade econômica.
2(obrigatória/judicial) ou por deliberação dos credores no plano (voluntária).
A situação do sócio de responsabilidade ilimitada é tratada de forma específica e rigorosa pela Lei n.º 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial e Falência).
A principal distinção reside no tipo de processo:
1. Na Falência da Sociedade (Art. 81 da Lei 11.101/05)
Esta é a situação mais drástica e onde a responsabilidade ilimitada se manifesta em sua plenitude:
· Falência do Sócio Automática: A decisão judicial que decreta a falência da sociedade também acarreta a falência do sócio ilimitadamente responsável.
· Patrimônio Pessoal Atingido: O sócio passa a ser um falido, e seu patrimônio pessoal é arrecadado para o pagamento das dívidas da sociedade, juntamente com o patrimônio da própria empresa (a massa falida).
· Mesmos Efeitos: O sócio falido fica sujeito aos mesmos efeitos jurídicos da falência aplicados à sociedade, como a inabilitação para exercer atividade empresarial.
Essa regra se aplica a tipos societários onde a responsabilidade dos sócios é, por natureza, ilimitada (como nas sociedades em nome coletivo ou nos sócios comanditados na sociedade em comandita simples).
2. Na Recuperação Judicial (RJ) da Sociedade
A situação é diferente, pois o objetivo é preservar a empresa, e não liquidá-la:
· Créditos Contra o Sócio Não São Suspensos: O deferimento da Recuperação Judicial da empresa não suspende as ações de execução individual movidas pelos credores diretamente contra o sócio ilimitadamente responsável (coobrigado, fiador, etc.).
· O Sócio Não Pede RJ: Quem pede e se submete à Recuperação Judicial é a sociedade empresária, e não o sócio individualmente (a não ser que o próprio sócio seja um empresário individual, o que é outra figura).
· Vinculação Parcial: Embora o sócio não tenha sua execução suspensa, se o plano de recuperação da empresa for bem-sucedido e as dívidas forem novadas (substituídas por novas condições), o sócio pode se beneficiar indiretamente, uma vez que a obrigação principal da sociedade terá sido reestruturada.
Art. 5º – Obrigações não exigíveis do devedor
Esse artigo lista dívidas que não podem ser cobradas do devedor em recuperação judicial ou falência.
I – Obrigações a título gratuito
Significado: São obrigações que o devedor assumiu sem receber nada em troca.
Exemplo: uma doação, um patrocínio, ou um compromisso assumido apenas por liberalidade.
Motivo: Como o devedor está em crise, ele deve priorizar pagar credores que forneceram bens, serviços ou crédito real, e não obrigações feitas por generosidade.
Exemplo prático: Uma empresa doou R$ 10.000 a uma ONG. Depois, entrou em recuperação judicial.
 A ONG não pode exigir o pagamento dessa doação, pois foi uma obrigação gratuita.
II – Despesas feitas por credores para participar da recuperação ou falência
Significado: Os credores que gastarem para participar do processo (advogados, viagens, etc.) não podem cobrar esses gastos do devedor.
Exceção: Custas judiciais (taxas de processo) podem ser cobradas se forem resultado de litígio com o devedor (ex: uma ação trabalhista).
💡Exemplo prático: Um credor paga um advogado para habilitar seu crédito na falência. Ele não pode cobrar esses honorários da massa falida. Mas, se ele processar a empresa e ganhar, as custas do processo podem ser reembolsadas.
 Art. 6º – Efeitos do pedido de recuperação ou falência
Esse artigo define o que acontece automaticamente quando: o juiz decreta a falência, ou deferir o processamento da recuperação judicial (primeira etapa do processo).
Inciso I – Suspensão da prescrição
Significado: A contagem do prazo para o credor cobrar judicialmente uma dívida fica suspensa.
Motivo: Garante que o credor não perca o direito de cobrar enquanto o processo está em andamento.
Exemplo: Um crédito prescreve em 5 anos, e já se passaram 4. Se o devedor entra em recuperação judicial, o prazo para de correr até o fim do processo.
Inciso II – Suspensão das execuções
Significado: Todos os processos de execução contra o devedor (cobranças, penhoras) são suspensos.
Inclui até execuções contra sócios solidários, se o crédito for sujeito à recuperação.
Exemplo: Um fornecedor move execução para receber R$ 100 mil. Com o deferimento da recuperação, o processo fica paralisado até o plano ser analisado.
Inciso III – Proibição de penhora, arresto, sequestro, busca e apreensão
Significado: Nenhum bem do devedor pode ser retido, penhorado ou apreendido por ações judiciais ou extrajudiciais relacionadas a dívidas sujeitas à recuperação. Isso protege o patrimônio da empresa, permitindo que continue operando.
Exemplo: Um banco tenta apreender caminhões da empresa de transporte. O juiz suspende o ato, pois esses caminhões são essenciais à atividade empresarial.
§ 1º – Ações que buscam quantia ilíquida
Significado: Se uma ação ainda não definiu o valor exato do crédito, ela continua tramitando normalmente no juízo original. Depois, quando o valor for fixado, o crédito entra na lista da recuperação/falência.
Exemplo: Um ex-funcionário move ação pedindo danos morais, mas o valor ainda não foi definido.
 O processo continua até definir quanto ele tem a receber.
§ 2º – Créditos trabalhistas
Significado: As ações trabalhistas continuam na Justiça do Trabalho até apurar o valor do crédito. Depois de definida a quantia, o crédito é inscrito na lista de credores.
Exemplo: Um ex-empregado ganha R$ 50 mil na Justiça do Trabalho. Esse valor será incluído no quadro geral de credores trabalhistas.
§ 3º – Reserva de valor
Significado: O juiz pode determinar que o administrador judicial reserve uma quantia estimada para pagar o crédito, enquanto o processo trabalhista ou cível ainda está sendo julgado.
Exemplo: Um processo trabalhista ainda está em recurso. O juiz da recuperação manda reservar R$ 60 mil, até o valor ser confirmado.
§ 4º – Prazo de suspensão (stay period)
Significado: As suspensões e proibições (I, II e III) duram 180 dias, podendo ser prorrogados uma única vez por mais 180 dias, se o devedor não tiver culpa pelo atraso.
Finalidade: Dar tempo para negociar com credores sem ser pressionado por execuções.
Exemplo: Durante esses 180 dias, nenhum credor pode executar bens da empresa, dando espaço para o plano de recuperação ser negociado.
§ 4º-A – Plano alternativo dos credores
Se o plano do devedor não for votado dentro dos 180 dias, os credores podem apresentar seu próprio plano.
I – Se os credores não apresentarem plano em 30 dias: As suspensões acabam, e os credores podem voltar a cobrar.
II – Se os credores apresentarem plano: As suspensões continuam por mais 180 dias.
Exemplo: O devedor não apresenta plano, e os credores criam outro para salvar a empresa. Enquanto isso, a proteção contra execuções é mantida.
§ 5º – Aplicação à Justiça do Trabalho
As regras trabalhistas (§2º) valem durante o período de suspensão do §4º.
§ 6º – Comunicação de novas ações
Qualquer nova ação contra o devedor deve ser comunicada ao juízo da recuperação/falência.
Exemplo: Um juiz recebe nova ação contra a empresa → deve avisar o juiz da recuperação.
O devedor também deve comunicar assim que for citado.
§ 7º-A – Exceção: bens de capital essenciais
As suspensões (I, II, III) não se aplicam a certos créditos com garantias reais, mas o juiz da recuperação pode suspender constrições sobre bens essenciais à empresa.
Exemplo: O banco tem garantia sobre máquinas industriais. O juiz pode suspender a penhora dessas máquinas se elas forem essenciais à produção.
§ 7º-B – Exceção: execuções fiscais
A Fazenda Pública pode continuar cobrando tributos, mas o juiz pode substituir penhoras se atingirem bens essenciais à empresa.
Exemplo: A Receita tenta penhorar caminhões da empresa. O juiz da recuperação substitui por outro bem ou valor.
§ 8º – Prevenção de jurisdição
O juiz que recebeu o primeiro pedido de falência/recuperação tem competência exclusiva sobre esse devedor.
Exemplo: Dois credores pedem falência em estados diferentes. Só o juiz que recebeu o primeiro pedido continua com o caso.
§ 9º – Arbitragem
A recuperação/falência nãosuspende cláusulas de arbitragem (método privado de solução de conflitos).
Exemplo: Um contrato com cláusula arbitral continua válido, mesmo que a empresa entre em recuperação.
§ 11 – Execuções trabalhistas específicas
Aplica-se a execuções fiscais e trabalhistas automáticas (como contribuições previdenciárias). Proíbe a expedição de certidão de crédito para habilitação na recuperação.
§ 12 – Antecipação de efeitos
O juiz pode antecipar os efeitos do deferimento da recuperação, conforme o art. 300 do CPC (quando há urgência).
Exemplo: Antes da decisão formal, o juiz pode suspender execuções para evitar penhoras imediatas.
§ 13 – Cooperativas
As obrigações entre cooperativas e cooperados não se sujeitam à recuperação judicial.
Exemplo: Uma cooperativa médica (como Unimed) em recuperação não afeta o vínculo contratual com os médicos cooperados.
Art. 6º-A – Proibição de distribuição de lucros
A empresa não pode distribuir lucros ou dividendos aos sócios antes da aprovação do plano.
Se fizer, aplica-se a penalidade do art. 168 (crime falimentar).
Exemplo: A empresa em crise não pode pagar dividendos aos acionistas enquanto ainda negocia com credores.
Art. 6º-B – Tributação sobre ganhos de capital
Dispensa o limite de compensação de prejuízos fiscais quando a empresa vende bens judicialmente (para pagar dívidas).
Exemplo: Se a empresa vende um imóvel e tem lucro, pode compensar integralmente com prejuízos fiscais, pagando menos IR e CSLL. Mas não vale se a venda for para empresa ligada (controladora, sócio etc.).
 Art. 6º-C – Responsabilidade de terceiros
Não se pode responsabilizar sócios ou administradores apenas porque a empresa não pagou suas dívidas. Só há responsabilidade se houver fraude, má gestão ou abuso.
Exemplo: A empresa faliu por crise econômica, não por fraude. Os sócios não respondem com seus bens pessoais, salvo se comprovado dolo.
Questão Adaptada 1 (estilo OAB / FGV)
Enunciado: Durante o processamento da recuperação judicial de uma sociedade empresária, foi decretada suspensão de todas as execuções contra o devedor relativas a créditos sujeitos à recuperação. Em relação a execuções fiscais que sua filha, órgão público, já havia iniciado contra a empresa antes da recuperação, assinale a alternativa correta:
A) As execuções fiscais são suspensas até o término da recuperação judicial.
B) As execuções fiscais não são suspensas.
C) As execuções fiscais são suspensas apenas por 180 dias, prorrogáveis por igual período.
D) As execuções fiscais são extintas com o deferimento da recuperação judicial.
Comentário e gabarito:
A Lei de recuperação/falência (Lei 11.101/2005, artigo 6º e seus parágrafos) prevê que as execuções em geral são suspensas (inciso II).
Contudo, para execuções fiscais, existe uma exceção: não se aplica integralmente a suspensão automática prevista nos incisos I, II e III. Isso é tratado no § 7º-B do art. 6º.
O juiz da recuperação pode substituir atos de constrição que recaiam sobre bens essenciais à empresa, mas não se suspende automaticamente como para execuções comuns.
Portanto, a alternativa correta é B) As execuções fiscais não são suspensas (isto é, não há a suspensão automática plena).
 Questão Adaptada 2 (estilo concurso público)
Enunciado: Com a decretação da falência ou com o deferimento do processamento da recuperação judicial, ocorre:
I. Suspensão do curso da prescrição das obrigações sujeitas à lei.
II. Suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor por créditos sujeitos à lei.
III. Proibição de penhora, arresto ou sequestro sobre bens do devedor afetados por créditos sujeitos à lei.
São corretas:
A) Apenas I e II
B) Apenas I e III
C) Apenas II e III
D) I, II e III
Comentário e gabarito:
· Esses três efeitos correspondem aos incisos I, II e III do artigo 6º da Lei 11.101/2005.
· Logo, todas as três proposições são verdadeiras.
Resposta: D) I, II e III
🧾 Questão Adaptada 3 (estilo OAB)
Enunciado: Em recuperação judicial, se transcorridos os 180 dias do § 4º do art. 6º sem que tenha havido deliberação sobre o plano, os credores podem:
A) Reaver os bens penhorados no curso da recuperação.
B) Apresentar plano alternativo em 30 dias.
C) Exigir execução contra o devedor.
D) Declaração automática de falência.
Comentário e gabarito:
· O § 4º-A do art. 6º prevê que, se não houver deliberação no prazo dos 180 dias, os credores podem apresentar plano alternativo em até 30 dias.
· Essa apresentação suspende novas cobranças, se feita no prazo legal.
· Portanto, a alternativa B) Apresentar plano alternativo em 30 dias é a correta.
SEÇÃO: DA VERIFICAÇÃO E DA HABILITAÇÃO DE CRÉDITOS
Art. 7º — Verificação dos créditos
Conteúdo:
A verificação é feita pelo administrador judicial, que analisa:
· a contabilidade e documentos do devedor;
· os documentos enviados pelos credores.
Ele pode contratar profissionais especializados (como contadores ou peritos).
Função: Determinar quem realmente é credor, quanto é devido e qual é a classificação (trabalhista, quirografário, com garantia real, tributário etc.).
 Exemplo: Uma empresa entra em recuperação judicial. O administrador analisa o livro-caixa e nota fiscal da empresa X que forneceu materiais. Ele confirma o crédito e o inclui na lista provisória de credores.
§ 1º Após a publicação do edital (art. 52 §1º na recuperação judicial ou art. 99, parágrafo único, na falência), os credores têm 15 dias para:
· apresentar habilitações (caso não estejam na lista);
· ou apresentar divergências (caso discordem do valor ou classificação do crédito listado).
Exemplo: O credor aparece na lista como “quirografário” (sem garantia), mas possui hipoteca. Ele tem 15 dias para contestar.
§ 2º O administrador judicial tem 45 dias após o prazo anterior para publicar um novo edital com a relação de credores, informando:
· local e horário para consulta dos documentos;
· prazo comum para interessados (art. 8º).
Exemplo: Após receber habilitações, o administrador consolida tudo e publica uma nova lista. Se houver erro, o credor ainda pode impugnar (art. 8º).
Art. 7º-A — Incidente de Classificação de Crédito Público (Incluído pela Lei 14.112/2020 — uma das maiores inovações da reforma)
Esse artigo criou um procedimento específico para créditos tributários e do poder público (Fazenda Pública) na falência.
Caput : O juiz deve instaurar de ofício (sem pedido):
· Um incidente para cada Fazenda Pública (União, Estado, Município ou DF);
· Para que ela apresente, em 30 dias, a relação completa dos créditos em dívida ativa, com:
· valores atualizados,
· classificação,
· situação atual.
Exemplo: Na falência da empresa Alfa, o juiz abre um incidente para a Receita Federal, que informa R$ 2 milhões de IRPJ e R$ 500 mil de PIS/COFINS, com cálculos e certidões da dívida ativa.
§ 1º Fazenda Pública credora é aquela:
· que aparece no edital do art. 99 §1º, ou
· que, após intimação, alega em 15 dias ter crédito.
Exemplo: O Município não estava no edital, mas é comunicado e diz em 15 dias que a empresa devia IPTU — torna-se Fazenda credora.
§ 2º Créditos ainda não constituídos (sem lançamento definitivo, não inscritos ou com exigibilidade suspensa) podem ser informados depois.
Exemplo: Se há auto de infração ainda em discussão administrativa, o Fisco poderá informar mais tarde.
§ 3º Depois do prazo de 30 dias:
· I – Falido, credores e administrador têm 15 dias para contestar cálculos e classificação;
· II – Fazenda Pública tem 10 dias para esclarecer as contestações;
· III – Créditos rejeitados terão reserva integral até decisão final;
· IV – Créditos incontroversos entram imediatamente no quadro-geral de credores;
· V – Antes de homologar o quadro, o juiz dá prazo comum de 10 dias ao administrador e à Fazenda para confirmar a situação dos créditos.
Exemplo: Se há divergência sobre juros de multa fiscal, o crédito fica reservado. Mas o valor principal, se incontroverso, entra na lista.
§ 4º — Regras complementares : Explica a competência e regras gerais:
I – Juízo falimentar decide sobre cálculos, classificação e pagamentos.
II – Juízo da execução fiscal decide sobre existência,exigibilidade e valor do crédito.
III – Aplica-se a ressalva do art. 76 (separação entre juízo universal e o da execução fiscal).
IV – Deve-se respeitar a presunção de certeza e liquidez da CDA (art. 3º da Lei 6.830/1980).
V – As execuções fiscais ficam suspensas até o fim da falência, podendo prosseguir contra corresponsáveis.
VI – Restituições e compensações são preservadas.
VII – Créditos retardatários seguem o art. 10.
Exemplo prático: Mesmo suspensa a execução fiscal, o Fisco pode seguir contra sócios solidários. O crédito fiscal entra na lista de falência, respeitando a ordem legal.
§ 5º Se a Fazenda não apresentar a relação no prazo, o incidente é arquivado, podendo ser reaberto depois, conforme o art. 10 (como crédito retardatário).
§ 6º As regras também se aplicam a execuções fiscais e de ofício previstas no art. 114, VII e VIII da CF, ou seja, contribuições previdenciárias e FGTS.
§ 7º Aplica-se também aos créditos do FGTS.
§ 8º Não há honorários de sucumbência nesse incidente.
Art. 8º — Impugnação da Relação de Credores
Após a publicação da relação do art. 7º §2º, em 10 dias, o Comitê, qualquer credor, o devedor, seus sócios ou o Ministério Público podem impugnar a lista:
· por ausência de crédito;
· por discordar do valor, legitimidade ou classificação.
Exemplo: O credor Beta impugna a inclusão do crédito da empresa Gama, alegando que foi pago antes da recuperação.
Parágrafo único: A impugnação é autuada em processo separado, mas segue os arts. 13 a 15.
Art. 9º — Requisitos da Habilitação de Crédito
A habilitação deve conter:
I – identificação e endereço do credor;
II – valor atualizado até a data do pedido/falência, origem e classificação;
III – documentos comprobatórios;
IV – indicação de garantias;
V – especificação de bens dados em garantia.
Parágrafo único: Os documentos devem ser originais ou cópias autenticadas.
Exemplo: Banco Delta habilita R$ 300.000 com contrato de empréstimo e hipoteca registrada — juntando cópia autenticada.
Art. 10 — Habilitações Retardatárias
Se o credor perde o prazo de 15 dias (art. 7º §1º), sua habilitação é retardatária.
§ 1º e § 2º Na recuperação e na falência, não terão direito a voto na assembleia (salvo se já constarem no quadro-geral até a assembleia).
§ 3º Na falência, perdem direito a rateios anteriores e pagam custas.
§ 4º Podem pedir reserva de valor.
§ 5º e § 6º Antes da homologação do quadro, são tratadas como impugnações. Depois, seguem o rito do CPC (ação autônoma).
§ 7º a § 9º Incluem habilitações e impugnações retardatárias no quadro, com reserva de valor.
A recuperação pode ser encerrada mesmo sem o quadro consolidado, e os pedidos tardios viram ações autônomas.
§ 10 O prazo máximo para pedir habilitação ou reserva é 3 anos após a sentença de falência → prazo decadencial.
Exemplo: O credor acha uma nota promissória 2 anos após a falência. Pode pedir inclusão, mas sem direito aos rateios já feitos.
Art. 11 a 13 — Procedimento das Impugnações
· Art. 11: O credor impugnado tem 5 dias para se defender.
· Art. 12: Depois, o devedor e o comitê se manifestam (5 dias), e o administrador dá parecer em mais 5 dias.
· Art. 13: Impugnação é feita por petição, com provas, e cada uma é autuada separadamente.
Exemplo: Se um credor apresenta título falso, o administrador e o MP se manifestam, e o juiz decide após o parecer.
Art. 14 — Homologação do Quadro de Credores
Se não houver impugnações, o juiz homologa a relação do art. 7º §2º como quadro-geral, respeitando o art. 7º-A (créditos públicos).
Art. 15 — Julgamento das Impugnações
Após defesas e manifestações, o juiz:
I – inclui créditos não impugnados;
II – julga impugnações claras;
III – fixa pontos controversos;
IV – designa audiência se necessário.
Parágrafo único: Impugnação parcial não impede pagamento da parte incontroversa.
Art. 16 — Quadro-Geral de Credores e Rateio
Deve conter:
· créditos não impugnados,
· impugnações julgadas,
· habilitações retardatárias decididas até então.
§1º — Se houver habilitação não julgada, o valor é reservado.
§2º — Pode haver rateio mesmo sem quadro completo, desde que todos os da classe tenham sido impugnados em tempo.
Exemplo: Pagamentos a credores trabalhistas podem ocorrer antes do julgamento de impugnações de quirografários.
Art. 17 — Recurso
Da decisão sobre impugnação cabe agravo.
O relator pode dar efeito suspensivo ou determinar que o crédito participe da assembleia.
Art. 18 — Consolidação do Quadro-Geral
Feita pelo administrador judicial, homologada pelo juiz.
Deve conter valor e classificação de cada crédito, ser assinado e publicado em 5 dias após sentença.
Art. 19 — Retificação de Créditos
Até o encerramento do processo, é possível corrigir o quadro por:
· falsidade, dolo, fraude, erro, documentos novos.
§1º — A ação é proposta no juízo da recuperação/falência.
§2º — O pagamento do crédito contestado só ocorre com caução.
Exemplo: Descobre-se que um crédito foi incluído com base em documento falsificado — pode-se pedir exclusão.
Art. 20 — Credores do Sócio Ilimitadamente Responsável
Aplica-se o mesmo procedimento da seção.
Exemplo: Se a sociedade é em nome coletivo e o sócio responde com o próprio patrimônio, os credores dele seguem o mesmo rito de habilitação.
ADMINISTRADOR JUDICIAL
1. Conceito e requisitos legais
O administrador judicial é um auxiliar do juiz, pessoa (ou pessoa jurídica) nomeada para ajudar na condução do processo de recuperação judicial ou falência. Ele deve ser idôneo, isto é, apresentar requisitos de probidade, capacidade técnica. Preferencialmente, advogado, economista, administrador de empresas ou contador. Pessoas jurídicas especializadas também podem ser nomeadas. 
2. Nomeação e impedimentos
Quem escolhe é o juiz, dentre os candidatos apresentados, ou por sugestão de credores ou partes interessadas, conforme o procedimento. 
· Impedimentos:
Quem nos últimos 5 anos foi destituído de administrador judicial ou membro do comitê, deixou de prestar contas dentro dos prazos legais ou teve suas contas desaprovadas. 
Quem tiver relação de parentesco ou afinidade até terceiro grau com o devedor, seus controladores, administradores ou representantes legais, ou for amigo, inimigo ou dependente. Isso para evitar conflito de interesses. 
Se não assinar termo de compromisso no prazo legal (48h após nomeação), será destituído o administrador, e nomeado outro. 
O juiz pode destituir o administrador judicial e/ou os membros do comitê quando houver desobediência à lei, omissão, negligência, prática de ato lesivo ao devedor, massa falida ou terceiros. 
3. Atribuições e deveres
A Lei 11.101/2005 dedica um artigo específico para as atribuições do administrador judicial: Artigo 22. Ele define uma série de competências, que algumas são comuns a recuperação judicial e falência, outras específicas.
Atribuições comuns (falência + recuperação judicial)
Alguns exemplos:
· Arrecadar os bens da falida ou os bens do devedor em recuperação. 
· Verificar a relação de credores apresentada pelo devedor. Apurar valores, legitimidade, classificação. 
· Publicar editais de relação de credores, convocar assembleias (quando for o caso). 
· Fiscalizar os atos da empresa em recuperação, verificando conformidade com o plano aprovado, com as decisões judiciais. 
· Gerir os bens da massa falida ou da empresa em recuperação, inclusive vendas, alienações, contratos que produzam renda para a massa. 
Atribuições exclusivas da recuperação judicial
· Verificar o cumprimento dos requisitos legais do pedido de recuperação (documentos exigidos, plano apresentado, regularidade). 
· Acompanhar o devedor em seus atos, diligenciar junto a ele que cumpra as obrigações provisórias até a aprovação do plano. 
· Apresentar relatórios periódicos sobre andamento, desempenho econômico-financeiro. 
Atribuições exclusivas da falência
· Organizar a massa falida, fazer o levantamento dos bens, assegurar a preservação dos direitos dos credores. 
· Vender bens, cuidar das operações de liquidação, etc. 
4. Responsabilidades legais
· O administrador judicial responde por dolo ou culpa por prejuízoscausados à massa falida, ao devedor ou aos credores. 
· Deve assinar termo de compromisso, no qual assume responsabilidades de bem e fielmente desempenhar suas funções. 
· Se não apresentar contas ou relatórios nos prazos legais, pode ser destituído. 
· Se suas contas forem desaprovadas, não terá direito à remuneração. 
5. Remuneração
· Fixa-se pelo juiz, considerando complexidade do trabalho e valores de mercado para atividades semelhantes. 
· Há limites:
· Até 5% do valor devido aos credores submetidos à recuperação judicial ou do valor de venda dos bens na falência. 
· Para microempresa ou empresa de pequeno porte, esse limite cai para 2%. Essa mudança decorre da Lei 14.112/2020. 
· A remuneração é paga pela massa falida ou pelo devedor (no caso da recuperação judicial). 
· Parte da remuneração pode ser reservada para ser paga após atendimento de credores conforme arts. 154 e 155 da Lei. 
6. Alterações pela Lei 14.112/2020
A Lei 14.112/2020 trouxe modernizações e ajustes no regime de recuperação judicial/falência, que alteram também a atuação do administrador judicial. Alguns pontos relevantes:
· A redução do limite de remuneração para micro e pequenas empresas, como mencionado (2% em vez de 5%) para remunerar o administrador. 
· Maior ênfase em eficiência, transparência, prazos, obrigações de relatórios e fiscalização. 
· Existe discussão (doutrinária/jurídica) de que a nova lei reforçou o papel do administrador judicial em supervisionar, controlar e até antecipar efeitos, em certas situações. 
8. Jurisprudência recente e pontos controvertidos
Alguns casos recentes que ilustram como se aplicam os deveres do administrador judicial ou onde há debate:
· Honorários advocatícios prestados durante recuperação judicial: O STJ tem decidido que esses honorários podem ter natureza extraconcursal, ou seja, não ficam submetidos aos efeitos do plano ou da ordem de pagamento, sendo exigíveis diretamente. Isso implica que o administrador judicial deve apurar essas situações. 
· Busca e apreensão de bens essenciais: Tribunais têm decidido proteger bens essenciais à atividade empresarial do recuperando, suspendendo medidas judiciais ou extrajudiciais que atinjam esses bens — o administrador judicial participa desse controle. 
· O STJ publicou “Jurisprudência em Teses” sobre temas como constrição de bens não abrangidos pelo plano, data de constituição do crédito etc. Isso é relevante para o trabalho do administrador judicial na verificação e classificação dos créditos. 
Questão 1 — QConcursos / CESPE / SEFAZ-RJ (2025)
Enunciado (abrev.):
“Compete ao administrador judicial, por força de lei, tanto nos casos de recuperação judicial quanto na falência, …”
Alternativas:
A) Consolidar o quadro-geral de credores.
B) Fiscalizar as tratativas entre credores e devedor.
C) Elaborar o auto de arrecadação dos bens e documentos do devedor.
D) Praticar os atos necessários à realização do ativo.
E) Examinar a escrituração do devedor.
Resposta segundo o site: Alternativa D (“praticar os atos necessários à realização do ativo”)
Comentário:
O administrador judicial tem o dever de “praticar os atos necessários à realização do ativo” da massa falida ou dos bens do devedor para efetivar vendas, alienações etc., tanto em falência como, em parte, em recuperação judicial (para bens da massa ou ativos a alienar). A alternativa A (“consolidar o quadro-geral de credores”) é mais incidente especificamente em falência; a B é um dever mais genérico (fiscalizar), mas “fiscalizar tratativas credores/devedor” não está textual na lei. A C (“auto de arrecadação”) é mais específico da falência, embora a arrecadação de bens e documentos também seja função do administrador, mas “auto de arrecadação” não é expressão típica da lei para ambos os institutos. E “examinar a escrituração” seria uma faculdade ou dever de fiscalização, mas menos central.
Questão 2 — QConcursos / VUNESP (2023)...................................................................................
“A Lei nº 14.112/20 provocou significativas alterações na Lei de Falência e Recuperação Judicial, entre elas, os institutos da consolidação processual e da consolidação substancial. Envolvendo tais institutos, é correto afirmar:”
Alternativas:
A) Na consolidação processual, os devedores proporão meios de recuperação independentes e específicos para cada passivo, admitida a apresentação em plano único.
B) Na consolidação processual, ativos e passivos de devedores serão tratados como se pertencessem a um único devedor.
C) Na consolidação processual, além dos requisitos previstos para pedido de recuperação judicial, deverão as devedoras integrar grupo sob controle societário comum e comprovar a interconexão e confusão entre ativos ou passivos, de modo que não seja possível identificar sua titularidade sem excessivo dispêndio de tempo ou recursos.
D) A consolidação processual impede que alguns devedores obtenham recuperação judicial enquanto outros tenham falência decretada.
E) A consolidação substancial necessita de realização de assembleia geral para sua autorização.
Gabarito comentado (segundo o site):
A alternativa correta é C.
A consolidação processual (uma das inovações da Lei 14.112/2020) exige que os devedores façam parte de um grupo econômico sob controle comum e que haja confusão ou interconexão, de modo que não seja viável individualizar determinadas obrigações ou ativos facilmente. A alternativa B (“tratados como se pertencessem a um único devedor”) é uma afirmação exagerada ou incorreta, pois a consolidação processual controla, mas não faz fusão automática.
Questão 4 — QConcursos / FGV (2024)
“O plano de recuperação judicial da sociedade empresária Paiaguá & Nobres Ltda. foi rejeitado pelos credores na assembleia-geral convocada para deliberar sobre ele. Das três classes de credores presentes, o plano obteve aprovação por 88% dos credores trabalhistas, mas foi rejeitado pelas demais classes (credores quirografários e classe IV). Considerando esse cenário, é correto afirmar que:”
Alternativas:
A) O administrador judicial encaminhará a ata da assembleia ao juiz para que ele decrete a convolação da recuperação judicial em falência.
B) O administrador judicial submeterá, após a votação em que ficou constatada a rejeição, proposta de deliberação da assembleia no sentido de convolar a recuperação.
C) O administrador judicial submeterá à assembleia, após a votação, proposta de apresentação, no prazo de 30 dias, de plano de recuperação pelos credores.
D) O administrador judicial encaminhará a ata ao juiz para que este declare a retomada das execuções contra a devedora.
E) O administrador judicial encaminhará a ata da assembleia ao juiz para que este avalie se a recuperação judicial pode ser imposta aos credores das classes que rejeitaram.
Comentário / Gabarito (fonte de provas comentadas):
A alternativa correta é C. Com a Lei 14.112/2020, se o plano do devedor for rejeitado, os credores podem apresentar plano alternativo no prazo de 30 dias para evitar a convolação em falência, desde que respeitadas as regras dos §§ do art. 6º e art. 56. É função do administrador judicial organizar essa proposta e submetê-la à assembleia, se os credores propuserem.
A alternativa A é incorreta porque a convolação não é automática logo após rejeição, salvo ausência de proposta alternativa no prazo. A B versa em “submeter proposta de deliberação de convolação” — mas não é papel do administrador esse encaminhamento direto para convolação sem antes possibilidade de plano alternativo. A D e E não refletem corretamente o regime novo.
Essa questão mostra como o administrador judicial interage no novo regime de plano alternativo. 
1- Com base na Lei nº 11.101/2005, atualizada pela Lei nº 14.112/2020, é correto afirmar que o Administrador Judicial:
A) É representante legal do devedor em recuperação judicial.
B) Atua como fiscal do juízo, com imparcialidade.
C) Age como procurador dos credores.
D) Pode ser nomeado apenas se for advogado.
E) Substitui o devedor na administração da empresa em recuperação.
 Gabarito:B) Comentário: O Administrador Judicial é auxiliar do juízo (art. 21), devendo atuar com imparcialidade e independência, fiscalizando o cumprimento do plano e a regularidade dos atos. Não representa nem o devedor, nem os credores.
2-Conforme o art. 21 da Lei nº 11.101/2005 (atualizado), o juiz poderá nomear como Administrador Judicial:
A) Apenas advogado inscrito na OAB.
B) Qualquer pessoa maior de 25 anos e de notória idoneidade.
C) Profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador.
D) Servidor público concursado na área contábil.
E) Somente pessoa jurídica credenciada pelo CNJ.
 Gabarito: C) Comentário: A lei determina que o AJ seja profissional idôneo, com preferência para determinadas formações técnicas. Pode ser pessoa física ou jurídica especializada (Lei 14.112/2020).
3-Sobre as atribuições do Administrador Judicial na recuperação judicial, é correto afirmar que:
A) Deve administrar diretamente a empresa recuperanda.
B) Atua como gestor judicial provisório.
C) Fiscaliza as atividades do devedor e o cumprimento do plano.
D) Decide sobre a alienação de ativos.
E) Elabora o plano de recuperação.
 Gabarito: C) Comentário: O AJ fiscaliza o cumprimento do plano e acompanha as atividades do devedor, sem substituir a administração da empresa (art. 22, II, “a”, da Lei 11.101/2005).
4-Em falência, o Administrador Judicial:
A) Apenas monitora as contas da massa falida.
B) Assume a administração dos bens e negócios do falido.
C) Atua como mediador entre credores.
D) Não tem acesso aos livros contábeis do falido.
E) Depende de autorização dos credores para praticar qualquer ato.
 Gabarito: B) Comentário: Na falência, o AJ tem função de gestor da massa falida, arrecadando bens, representando-a em juízo e realizando o ativo (art. 22, III).
5-De acordo com o art. 24, a remuneração do Administrador Judicial:
A) É livremente fixada entre as partes.
B) Deve ser fixada pelo juiz, até o limite de 10% dos créditos habilitados.
C) É fixada pelo juiz, até 5% do valor devido aos credores.
D) É percentual sobre o faturamento mensal.
E) Não pode superar o salário mínimo.
 Gabarito: C) Comentário: O juiz fixa a remuneração conforme a capacidade econômica do devedor e a complexidade do trabalho, limitada a 5% do valor dos créditos sujeitos ao processo.
6- Conforme a Lei 14.112/2020, pode ser nomeada pessoa jurídica como Administradora Judicial?
A) Não, pois o cargo é personalíssimo.
B) Sim, desde que o juiz aprove e haja responsável técnico identificado.
C) Apenas em casos de falência.
D) Somente se todos os credores concordarem.
E) Apenas se o devedor for sociedade anônima.
Gabarito: B) Comentário: O art. 21 permite expressamente a nomeação de pessoa jurídica especializada, desde que indique profissional responsável técnico, para garantir transparência e responsabilidade.
7- Na recuperação judicial, o Administrador Judicial deve:
A) Realizar o quadro-geral de credores de ofício.
B) Convocar e presidir a assembleia-geral de credores.
C) Apresentar o plano de recuperação.
D) Representar a empresa em juízo.
E) Homologar o plano.
✅ Gabarito: B) Comentário: Cabe ao AJ convocar, instalar e presidir a assembleia-geral de credores, prestando informações e esclarecimentos necessários (art. 22, II, “c”).
8- O Administrador Judicial responde civilmente:
A) Apenas se agir com dolo.
B) Apenas se agir com culpa grave.
C) Por dolo, culpa ou má-fé.
D) Apenas perante os credores.
E) Apenas perante o juiz da falência.
Gabarito: C) Comentário: O art. 32 dispõe que o AJ responde por dolo, culpa ou má-fé, podendo ser destituído e responsabilizado pelos prejuízos que causar.
9-Em caso de negligência comprovada do Administrador Judicial:
A) Ele deve ser apenas advertido.
B) O juiz pode destituí-lo e nomear substituto.
C) Somente os credores podem pedir sua destituição.
D) A penalidade é aplicada pelo Ministério Público.
E) O processo deve ser extinto.
Gabarito: B) Comentário: O art. 31 prevê a destituição pelo juiz, de ofício ou a requerimento, caso o AJ aja com negligência, desídia, parcialidade ou má conduta.
10- Durante a recuperação judicial, o AJ deve apresentar relatórios mensais:
A) Ao devedor.
B) Ao juiz e ao comitê de credores.
C) Apenas ao Ministério Público.
D) Ao contador judicial.
E) À junta comercial.
Gabarito: B) Comentário: O AJ deve encaminhar relatórios mensais ao juiz e ao comitê de credores, acompanhando a execução do plano e a situação financeira do devedor (art. 22, II, “b”).
11- A função do Administrador Judicial é incompatível com:
A) Ser advogado de credor.
B) Ser contador.
C) Ser professor de direito comercial.
D) Ser perito judicial.
E) Ser servidor público concursado.
Gabarito: A) Comentário: Há incompatibilidade se o AJ mantiver vínculo ou interesse com o devedor ou credores, o que fere a imparcialidade exigida (art. 30).
12- Na falência, compete ao Administrador Judicial:
A) Definir os valores dos créditos habilitados.
B) Propor ação de execução fiscal.
C) Representar a massa falida ativa e passivamente em juízo.
D) Homologar a venda dos bens.
E) Fiscalizar o plano de recuperação.
Gabarito: C) Comentário: Conforme art. 22, III, “n”, o AJ representa a massa falida em juízo e fora dele, praticando todos os atos necessários à defesa dos interesses coletivos da massa.
13- O Administrador Judicial não pode:
A) Elaborar o quadro-geral de credores.
B) Solicitar informações contábeis do devedor.
C) Fixar sua própria remuneração.
D) Arrecadar bens da massa.
E) Fiscalizar o cumprimento do plano.
Gabarito: C) Comentário: A remuneração é fixada pelo juiz, conforme art. 24. O AJ não pode estipulá-la ou alterá-la unilateralmente.
14- Durante a recuperação judicial, quem fiscaliza o Administrador Judicial?
A) Apenas o juiz.
B) O juiz e o comitê de credores.
C) Apenas o devedor.
D) A assembleia de credores.
E) O Ministério Público exclusivamente.
Gabarito: B) Comentário: O AJ é fiscalizado pelo juiz e pelo comitê de credores, conforme arts. 26 e 27 da Lei 11.101/2005.
15- De acordo com a jurisprudência do STJ, o Administrador Judicial:
A) É parte no processo de recuperação.
B) Age como representante dos credores.
C) É auxiliar do juízo, com dever de neutralidade.
D) Deve decidir conflitos entre credores.
E) Pode apresentar o plano de recuperação.
Gabarito: C) Comentário: STJ (REsp 1.829.835/SP, 2021) — o AJ atua como auxiliar do juízo, com função técnica e fiscalizatória, e não representa interesses de partes.
16- A substituição do Administrador Judicial pode ocorrer:
A) Apenas mediante voto da assembleia de credores.
B) Somente por motivo de falência culposa.
C) Por decisão judicial fundamentada, de ofício ou a requerimento.
D) Mediante petição do devedor, automaticamente.
E) Após aprovação do Ministério Público.
Gabarito: C) Comentário: O art. 31 permite ao juiz substituir o AJ de ofício ou a pedido, se houver negligência, má conduta ou perda de confiança.
17-O limite máximo de 5% de remuneração do AJ é calculado sobre:
A) O ativo arrecadado.
B) O patrimônio líquido do devedor.
C) O valor devido aos credores sujeitos ao processo.
D) O valor do passivo total.
E) O lucro líquido do exercício.
Gabarito: C) Comentário: O art. 24 fixa o teto de 5% sobre o valor devido aos credores sujeitos à recuperação ou falência, não sobre o ativo ou faturamento.
18- Segundo a doutrina de Fábio Ulhoa Coelho, o Administrador Judicial é:
A) O substituto legal do devedor.
B) O “olho do juiz” no processo, atuando com imparcialidade.
C) Um representante dos credores na assembleia.
D) Responsável pela contabilidade da empresa.
E) Um órgão consultivo sem poderes legais.
✅ Gabarito: B) Comentário: Fábio Ulhoa Coelho o define como o “olho do juiz”, ou seja, um agente técnico e fiscal, que garante o equilíbrio entre credores e devedor.
19- A destituição do Administrador Judicial não impede:
A) A anulação de seus atos válidos.
B) A responsabilização civil por prejuízos causados.
C) A devolução integral da remuneração recebida.
D) A substituição imediata por outro sem nomeação judicial.
E) O encerramentoda falência.
Gabarito: B) Comentário: Mesmo destituído, o AJ pode responder civil e criminalmente pelos danos causados durante sua atuação (art. 32).
20- Conforme a Lei 14.112/2020, durante o processamento da recuperação judicial, é vedado ao devedor:
A) Pagar tributos federais.
B) Distribuir lucros ou dividendos a sócios e acionistas.
C) Contratar novos empregados.
D) Pagar dívidas trabalhistas.
E) Apresentar balanço contábil.
Gabarito: B) Comentário: Art. 6º-A (inserido pela Lei 14.112/2020) — até a aprovação do plano, o devedor não pode distribuir lucros ou dividendos, sob pena de infração punida pelo art. 168.
Assembleia-Geral de Credores (AGC)
A AGC é o órgão colegiado em que os credores habilitados deliberam sobre o plano de recuperação judicial (aprovação, rejeição, alteração), decidem sobre concessão de prazo para apresentação de plano alternativo pelos credores, podem autorizar certas medidas e exercem fiscalização política-coletiva sobre o processo recuperacional. É o momento em que a autonomia privada (acordos entre credores e devedor) interage com a tutela judicial. 
2 — Composição / classes de credores (art. 41 LREF)
A AGC é organizada em quatro classes, conforme art. 41:
· Classe I — créditos trabalhistas (inclui acidentes de trabalho).
· Classe II — credores detentores de garantias reais (até o limite do bem gravado).
· Classe III — credores quirografários, com privilégio especial, geral ou subordinado.
· Classe IV — microempresa e empresa de pequeno porte (créditos enquadrados como tal). 
Essa divisão importa porque a aprovação do plano é analisada por classes e há quóruns distintos conforme cada classe (ver abaixo).
3 — Convocação da AGC (quando e por quem)
Quando: Havendo objeção de qualquer credor ao plano, o juiz convoca a assembleia para deliberar sobre o plano (art. 56). Antes disso o plano é publicado e abre-se prazo para objeções (art. 53 e 55). 
Prazos relevantes:
· O devedor tem 60 dias (improrrogáveis) para apresentar o plano, contado da publicação da decisão que deferiu o processamento. (art. 53). 
· Qualquer credor pode manifestar objeção ao plano no prazo de 30 dias contado da publicação do edital com a relação de credores (art. 55). 
· O juiz designará data para a AGC: essa data não poderá exceder 150 dias contados do deferimento do processamento da recuperação (art. 56, §1º). (Prática: o prazo visa dar tempo para habilitações, cálculos e convocação
4 — Instalação da AGC (quórum de instalação)
· 1ª convocação: instala-se com a presença de credores titulares de mais da metade do valor dos créditos de cada classe (computados pelo valor).
· 2ª convocação: instala-se com qualquer número de credores (ou seja, quorum aberto).
· Cada credor deve assinar a lista de presença, que será encerrada no momento da instalação da AGC. (art. 41, §2º e §3º). 
5 — Representação dos credores na AGC (procuração, sindicatos, prazos)
Quem pode representar: credores podem participar pessoalmente ou por procurador. Para créditos trabalhistas, a lei permite a representação por sindicatos nos termos do art. 37, §6º (com requisitos formais).
Documentação: normalmente exige-se procuração com poderes específicos e documentos que comprovem habilitação; em geral há prazos mínimos para juntada de documentos de representação (por exemplo, para representação da classe trabalhista costuma exigir-se apresentação de documentos com antecedência — doutrina e prática adotam prazos como 10 dias, veja normas locais/práticas do juízo). 
6 — Regras de votação e quóruns para aprovação do plano (art. 45 e ss.)
Regra geral (art. 45): as deliberações sobre o plano exigem aprovação por todas as classes previstas no art. 41 — mas a lei detalha quóruns distintos por classe:
· Classes II e III (garantia real e quirografários) — exigem dupla maioria:
1. Mais da metade do valor total dos créditos presentes na assembleia (por valor); e
2. Maioria simples dos credores presentes (por cabeça).
· Classes I e IV (trabalhistas; micro/pequena empresa) — aprovação por maioria simples dos credores presentes, independentemente do valor do crédito.
(Art. 45, §§1º e 2º). 
Observação prática: isso cria efeitos horizontais (entre credores da mesma classe) e verticais (peso do valor do crédito). Por isso, grandes credores (por valor) têm grande influência, especialmente nas classes II/III.
7 — Se o plano for rejeitado: prazo de 30 dias / plano alternativo dos credores (novidade da Lei 14.112/2020)
A Lei 14.112/2020 introduziu mecanismos importantes:
Se o plano do devedor for rejeitado, o administrador judicial submeterá, no ato, à votação da AGC a concessão de prazo de 30 dias para que os credores apresentem um plano alternativo (§4º do art. 56). A concessão desse prazo exige aprovação por credores que representem mais da metade dos créditos presentes. 
Regras para que o plano dos credores seja posto em votação: o plano alternativo só será colocado em votação se atendidas cumulativamente condições previstas no §6º do art. 56 (apoio prévio mínimo por escrito — ex.: mais de 25% do total dos créditos sujeitos à recuperação ou >35% dos presentes — ausência de imposição de obrigações novas a sócios, previsão de isenção de garantias pessoais, não impor sacrifício maior do que o da liquidação etc.). Essas condições limitam planos abertos e protegem sócios e terceiros. 
Se não houver plano alternativo ou for rejeitado, o juiz convolará a recuperação em falência (§8º do art. 56). 
8 — Cram-down / aprovação judicial do plano rejeitado (art. 58 e alterações)
Mesmo que uma ou mais classes tenham rejeitado o plano, a lei prevê hipótese de aprovação judicial do plano (o chamado cram-down), desde que preenchidos requisitos legais cumulativos (art. 58, §1º). Com a reforma de 2020, os requisitos foram ajustados — entre os principais modernos estão:
· Voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos os créditos presentes, independentemente de classe; E
· Aprovação de determinado número de classes (a redação pós-2020 elevou a exigência: pretendendo reduzir o poder de minorias; atual redação exige, em regra, aprovação de 3 (três) das classes — ou regras alternativas quando existam menos classes), E
· Na classe que rejeitou, mais de 1/3 dos credores (calculados conforme art.45) deve ter votado favoravelmente; E
· O plano não pode impor tratamento diferenciado entre credores da mesma classe que a tenha rejeitado (proibição de discriminação horizontal). 
Efeito prático: o juiz pode homologar o plano mesmo com rejeição formal em alguma(s) classe(s), mas só se estiver convencido de que estão preenchidos os requisitos legais (viabilidade, proteções a minorias, tratamento horizontal). A jurisprudência do STJ reconhece essa possibilidade, mas impõe limites estritos. 
9 — Competências/atribuições do Administrador Judicial relativas à AGC
O administrador judicial (AJ) tem papel ativo antes, durante e depois da AGC:
· Elaboração da relação de credores (verificação dos créditos) e publicação do edital — etapa prévia imprescindível para habilitação à AGC. (art. 7º e art. 52). 
· Recebimento das divergências e habilitações dos credores e elaboração do quadro-geral (com valores provisórios) que servirá de base à assembleia. 
· Convocação e presidência da assembleia (o AJ convoca/organiza e presta informações; costuma presidir, com o juiz mantendo poder de supervisão). Na prática, o AJ organiza logística, lista de presença, boletins de votação e ata. 
· Apuração dos votos e elaboração da ata e envio imediato ao juízo (a ata é documento decisivo para efeitos de homologação e recursos). 
· Se o plano for rejeitado, apresenta à AGC a proposta de concessão do prazo de 30 dias para plano alternativo, e verifica condições para apresentação de plano pelos credores (art. 56 §§4-6).
10 — Homologação judicial do resultado da AGC e seus efeitos (arts. 57 e 58)
· Após a juntada aos autos do plano aprovado pela AGC (ou decorrido o prazo para objeções sem impugnação), o juiz homologa e dará sequência ao processo, autorizando a execução do plano (art. 57).· Se o plano aprovado respeitar a lei, o juiz o homologa e ele vincula credores (inclusive os dissidentes), observadas as limitações legais (tratamento uniforme na mesma classe, respeitar garantias etc.). 
11 — Formalidades essenciais / atos práticos que valem para validade da AGC
1. Publicação prévia da relação de credores e edital (prazo para objeções de 30 dias). (art. 55 e art. 53). 
2. Lista de presença e encerramento no momento da instalação (art. 41). A data-base (fechamento da lista) é essencial para apurar quem votou. 
3. Procurações e documentos de representação juntados dentro dos prazos exigidos pelo juízo (prática: atenção para prazos específicos, ex.: 10 dias para documentos de representação da classe trabalhista em órgãos que exigem isso). 
4. Ata clara e imediata contendo resultado por classe (valor e número) e clausulado sobre eventuais reservas de voto — a ata é peça central para homologação ou recurso. 
12 — Recursos, nulidades e controle judicial da AGC
· Nulidades procedimentais (falta de edital, erros na lista de presença, ausência de oportunidade de habilitação) costumam ser objeto de impugnação e podem levar o juiz a anular deliberação ou determinar nova assembleia. Tribunais analisam com rigor a observância das formalidades mínimas. 
· O juiz tem poder de supervisão: pode, em casos excepcionais e motivados, determinar suspensão ou encerramento da assembleia, ou avaliar a possibilidade de homologar plano apesar de rejeição (cram-down), sempre com motivação e observância dos requisitos legais. A jurisprudência do STJ tem fixado limites para esse controle judicial. 
13 — Principais pontos controvertidos e dicas práticas (doutrina/jurisprudência)
· Cram-down: muito debatido — o STJ admite, mas impõe requisitos rígidos (proteção da minoria, tratamento uniforme). Não é “salto” automático do interesse do devedor sobre os credores. 
· Prazo de 150 dias: a lei prevê, mas não estabelece sanção expressa se não cumprido; contudo, o descumprimento pode gerar litígio sobre nulidade/violação do devido processo. 
· Plano alternativo pelos credores (14.112/2020): inovou o sistema, dando uma segunda chance antes da convolação em falência; atenção aos requisitos formais (apoio mínimo por escrito, normas sobre garantias pessoais, não impor sacrifício maior que a liquidação). 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
Art. 47 (caput) — objetivo da recuperação judicial: viabilizar a superação da crise econômico-financeira do devedor, preservando a empresa como fonte de produção, a função social e os empregos.
Explicação: a lei tem finalidade preservacionista (modelo “going concern”): prioriza reestruturação e continuidade em vez de liquidação imediata. Isso orienta toda interpretação (ex.: prioridade para medidas que mantenham a atividade). Exemplo: fábrica de calçados com alto endividamento e pedidos cumpríveis propõe plano que alonga prazos e atrai novo investidor para manter produção e empregos. 
Quem pode pedir (art. 48)
Texto resumido: só pode requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerce regularmente suas atividades há mais de 2 anos e cumpra os requisitos do artigo.
Finalidade prática: evitar pedidos especulativos/tardios de empresas recém-constituídas; garantir mínimo de historicidade econômica para avaliar viabilidade. É filtro de admissibilidade: quem não comprovar o tempo pode ter o pedido indeferido por ilegitimidade.
Prova/documentos típicos: contrato social, atos constitutivos, inscrições na Junta Comercial, declarações de faturamento, balanços, ECF/Livro Caixa/IR (conforme atividade — ver §§ 2–4).
Exemplo: sociedade criada em jan/2024 pede RJ em out/2024 → indeferimento por não cumprir 2 anos. Empresa criada em 2015: requisito cumprido.
Inciso I — “não ser falido” (limpeza de passivo falencial)
Texto resumido: o requerente não pode estar em situação de falência; se já foi falido, a falência deve ter sido extinta por sentença transitada em julgado (reabilitação).
Interpretação: empresa com falência decretada e ainda pendente a extinção das responsabilidades não pode pedir RJ — é medida lógica: não se admite recuperação de quem ainda responde por falência não extinta. Se houve sentença transitada em julgado que extinguiu responsabilidades (reabilitação), então pode pedir.
Exemplo: sociedade falida em 2018, com processo de falência extinto por sentença transitada em julgado em 2022 → pode pedir RJ em 2023. Se extinção ainda pendente → indeferimento.
 Inciso II — vedação temporal: recuperação anterior em 5 anos
Texto resumido: o devedor não pode ter obtido concessão de recuperação judicial nos últimos 5 anos.
Finalidade: evitar uso repetido do mecanismo para postergar indefinidamente obrigações (moratória serial). É critério objetivo de repetição.
Inciso III — vedação específica para plano especial (LC 147/2014)
Texto resumido: não pode ter obtido, há menos de 5 anos, concessão de recuperação judicial com base no plano especial (destinado a ME/EPP).
Interpretação prática: a lei protege contra reiterações do benefício especial concedido a micro/pequenas empresas, preservando o caráter excepcional do plano especial.
Exemplo: ME que obteve plano especial em 2021 não pode pleitear novo plano especial antes de 2026.
Inciso IV — vedação por condenação por crimes da Lei
Texto resumido: o devedor (ou seu administrador / sócio controlador) não pode ter condenação por crimes previstos na LREF (ex.: fraude à execução, crime falimentar).
Finalidade: afastar má-fé e condutas dolosas que fragilizem credibilidade do pedido. Serve para proteger credores e integridade do instituto.
Consequência prática: condenação transitada em julgado do sócio controlador por crime falimentar impede pedido; condenação anterior do administrador também afasta legitimidade.
Exemplo: sócio condenado por crime de gestão fraudulenta impede que a sociedade requeira RJ enquanto a condenação estiver vigente.
§ 1º — legitimidade supletiva (cônjuge, herdeiros, inventariante, sócio remanescente)
Texto: permite que cônjuge sobrevivente, herdeiros, inventariante ou sócio remanescente requeiram a recuperação.
Interpretação prática: útil em casos de empresa cujo titular faleceu ou sócio majoritário saiu; mantém continuidade do negócio e proteção patrimonial enquanto se organiza sucessão.
 §§ 2º–5º — comprovação do requisito dos “2 anos” para atividades rurais (Lei 14.112/2020)
As alterações da Lei 14.112/2020 trouxeram regras específicas para atividade rural e para a forma de comprovação do exercício por pessoa jurídica e pessoa física.
§ 2º — pessoa jurídica que exerce atividade rural
Texto: admite-se comprovar os 2 anos por meio da ECF (Escrituração Contábil Fiscal) ou substituto legal entregue tempestivamente.
Interpretação prática: produtor rural pessoa jurídica que mantém ECF entregue pode provar antiguidade por esse meio; evita necessidade de outros documentos.
Exemplo: sociedade agrícola com ECF entregue em prazo regular (declarações) prova que atua há mais de 2 anos.
§ 3º — pessoa física que exerce atividade rural
Texto: para pessoa física, o cálculo do período leva em conta o Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR), DIRPF e balanço patrimonial, entregues tempestivamente.
Interpretação: produtor pessoa física usa LCDPR e DIRPF para comprovar atividade contínua; é adequado para produtores familiares e independentes.
Exemplo: produtor rural pessoa física que mantém LCDPR e DIRPF dos últimos 3 anos comprova os 2 anos exigidos.
§ 4º — período pré-LCDPR
Texto: se período não exigia LCDPR, admite-se apresentação do livro-caixa utilizado para elaboração da DIRPF.
Interpretação prática: solução transitória para épocas em que não havia obrigação do LCDPR.
§ 5º — padrão contábil e regime de competência
Texto: as informações contábeis (receitas, bens, despesas, custos, dívidas) devem obedecer a legislação e padrão contábil correlato, com regime de competência, e balanço elaborado por contador habilitado.
Interpretação prática: evita prova contábil frágil e exige que a contabilidade siga padrões profissionais. Exigência

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