Prévia do material em texto
ANATOMIA HUMANA - TEORIA EAD DIRIGENTES EDIÇÃO: ABRIL/2020 | PRESIDÊNCIA Prof. Dr. Clèmerson Merlin Clève | REITORIA Profa. Dra. Lilian Pereira Ferrari | DIRETORIA ACADÊMICA EAD Profa. Me. Daniela Ferreira Correa | DIRETORIA ACADÊMICA PRESENCIAL Profa. Me. Márcia Maria Coelho | DIRETORIA DE PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Dra. Liya Regina Mikami | DIRETORIA EXECUTIVA Profa. Esp. Silmara Marchioretto | COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DE GRADUAÇÃO EAD Prof. Me. João Marcos Roncari Mari | COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DE PÓS-GRADUAÇÃO EAD Prof. Me. Marcus Vinícius Roncari Mari | AUTORA Profa. Esp. Claudia Cristina Batista Evangelista Coimbra | COORDENAÇÃO DA PRODUÇÃO DE MATERIAIS EAD Esp. Janaína de Sá Lorusso | PROJETO GRÁFICO Esp. Janaína de Sá Lorusso Esp. Cinthia Durigan | DIAGRAMAÇÃO Esp. Cinthia Durigan | REVISÃO Esp. Ísis C. D’Angelis Esp. Idamara Lobo Dias | PRODUÇÃO AUDIOVISUAL Eudes Wilter Pitta Paião Estúdio NEAD (Núcleo de Educação a Distância) - UniBrasil | ORGANIZAÇÃO NEAD (Núcleo de Educação a Distância) - UniBrasil FICHA TÉCNICA EAD SUMÁRIO UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A UNIDADE 01 - INTRODUÇÃO À ANATOMIA HUMANA E SISTEMA NERVOSO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................05 INTRODUÇÃO ......................................................................................06 1. O ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA ..........................................06 1.1 Conceitos gerais ............................................................................08 1.2 Posição anatômica, terminologia anatômica, planos e princípios cor- póreos .........................................................................................08 2. SISTEMA NERVOSO ....................................................................11 2.1 Organização e divisões do sistema nervoso ...................................11 2.2 Sistema Nervoso Central (SNC) .....................................................14 2.3 Ventrículos e líquido cerebrospinal (LCE) ......................................18 2.4 Sistema Nervoso Periférico ...........................................................18 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................19 UNIDADE 02 - APARELHO LOCOMOTOR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................21 INTRODUÇÃO ......................................................................................22 1. SISTEMA ESQUELÉTICO E ARTICULAR ........................................22 1.1 Distribuição dos ossos por segmento corporal ..............................23 1.2 Divisão do esqueleto ....................................................................26 1.3 Articulações ..................................................................................30 2. SISTEMA MUSCULAR ..................................................................33 2.1 Condições de importância clínica ..................................................36 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................36 UNIDADE 03 - SISTEMA CARDIOVASCULAR, SISTEMA LINFÁTICO E SIS- TEMA RESPIRATÓRIO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................38 INTRODUÇÃO ......................................................................................39 SUMÁRIO UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 1. SISTEMA CARDIOVASCULAR E SISTEMA LINFÁTICO ..................39 1.1 Anatomia do coração ....................................................................39 1.2 Vasos sanguíneos ..........................................................................42 1.3 Circulação do sangue ....................................................................44 1.4 Rede vascular linfática e linfonodos ..............................................45 1.5 Circulação da linfa ........................................................................45 1.6 Órgãos linfáticos ...........................................................................46 2. SISTEMA RESPIRATÓRIO .............................................................47 2.1 Divisões do Sistema Respiratório ..................................................47 2.2 Via aérea superior ........................................................................47 2.3 Via aérea inferior ..........................................................................50 2.4 Mecânica da respiração ................................................................53 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................54 UNIDADE 04 - SISTEMAS DIGESTÓRIO E URINÁRIO; APARELHO REPRODUTOR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................56 INTRODUÇÃO ......................................................................................57 1. SISTEMA DIGESTÓRIO ................................................................57 1.1 Segmentos do tubo digestório ......................................................58 1.2 Glândulas anexas ..........................................................................62 1.3 Processo de digestão ....................................................................65 2. SISTEMA URINÁRIO ....................................................................66 2.1 Rins ..............................................................................................67 2.2 Via urinária ...................................................................................67 3. APARELHO REPRODUTOR ...........................................................68 3.1 Sistema Genital Feminino .............................................................69 3.2 Sistema Genital Masculino ............................................................72 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................74 REFERÊNCIAS ......................................................................................76 UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE https://qrgo.page.link/FTnxF https://qrgo.page.link/P3bsW https://qrgo.page.link/3eaMm 01 INTRODUÇÃO À ANATOMIA HUMANA E SISTEMA NERVOSO » Compreender a organização da estrutura macroscópica do corpo humano; » Descrever a posição anatômica e sua importância; » Aplicar os termos anatômicos na descrição de estruturas do corpo humano; » Caracterizar os componentes dos segmentos do SNC; » Correlacionar a localização e as funções dos componentes do SNC e do SNP. https://qrgo.page.link/FTnxF https://qrgo.page.link/P3bsW https://qrgo.page.link/3eaMm U N ID A D E 0 1 6 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A INTRODUÇÃO A anatomia humana é uma das áreas da Biologia que estuda a forma e a estrutura do organismo humano. A palavra anatomia tem origem nos termos gregos: ana = partes e tome = cortar (significando “cortar em partes”). E a palavra dissecar tem origem latina (dis = separar e secare = cortar). Como base da compreensão do organismo humano, o estudo da anatomia humana deve ser relacionado diretamente com o estudo da superfície do corpo, palpação das regiões corporais e observação de estruturas. A anatomia como ciência vem sendo estudada desde a pré-história, pois o homem sempre teve a necessidade de conhecimento do corpo para a sua sobrevivência. A história da anatomia humana é semelhante à da medicina. O estudo do corpo humano de ma- neira mais adequada foi iniciado pelos filósofos gregos, com destaque para Empédocles (495-435 a.C.) e Demócrito (460-370 a.C.). O primeiro a realizar descrições sistemáticas foi Hipócrates (460- 377 a.C.). Outros destaques importantes são os anatomistas Aristóteles, Herófilo, Galeno e Celsus. É necessário dominar a organização e os centros de controle do corpo humano para compreen- der as situações clínicas referentesU N ID A D E 0 3 45 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Na circulação pulmonar, o sangue venoso (com alta concentração de dióxido de carbono) que está no átrio direito é conduzido para o ventrículo direito através do óstio atrioventricular direito. Do ventrículo direito, o sangue atravessa o tronco pulmonar, que se divide em artérias pulmona- res direita e esquerda, que por sua vez, transportam o sangue para os pulmões. O processo de oxigenação do sangue é denominado de hematose e ocorre nos pulmões. O sangue oxigenado, agora denominado sangue arterial, sai dos pulmões pelas veias pulmonares direitas e esquerdas a atingem o átrio esquerdo, dando início à circulação sistêmica. Na circulação sistêmica, o sangue arterial que está no átrio esquerdo é conduzido para o ven- trículo esquerdo através do óstio atrioventricular esquerdo. E o ventrículo esquerdo, bombeia o sangue para a artéria aorta, que distribui para as artérias sistêmicas, e estas farão a irrigação dos tecidos. Gradativamente, o sangue arterial (com alta concentração de oxigênio) se torna venoso, e será transportado de volta para o coração, pelas veias cavas superior e inferior e seio coronário. 1.4 REDE VASCULAR LINFÁTICA E LINFONODOS A linfa é coletada pelos capilares linfáticos nos tecidos e depois circula por uma rede de vasos até chegar aos ductos linfáticos. Na maioria dos tecidos, a linfa é transparente e sem cor. Em con- traste, a linfa do intestino delgado é densa e leitosa, refletindo a presença de gotículas lipídicas derivadas da gordura absorvida pelo epitélio mucoso. Os capilares linfáticos são responsáveis pela coleta da linfa, semelhantes aos capilares sanguí- neos, são vasos microscópicos e neste caso se unem para formar os vasos linfáticos. Embora os vasos linfáticos também sejam semelhantes aos vasos sanguíneos, apresentam um sistema de valvas mais numeroso. Esses vasos são nomeados conforme a região em que se encontram, apre- sentando os mesmos mecanismos que ajudam no retorno venoso. Assim como no sistema cardiovascular, os vasos linfáticos também possuem válvulas que garan- tem a circulação da linfa em uma direção única. Os linfonodos são pequenas estruturas responsá- veis pela filtração da linfa, auxiliando o sistema imune na defesa do organismo. Estão localizados no trajeto do vaso linfático e se apresentam em estratos superficiais e profundos. 1.5 CIRCULAÇÃO DA LINFA A linfa é formada a partir do líquido intersticial, que é derivado do plasma sanguíneo por inter- médio da microcirculação, e grande parte desse líquido é retornada ao sistema venoso. À medida que a linfa é coletada pelos ca- pilares linfáticos, é conduzida para os vasos linfáticos, que por sua vez transportam até os linfonodos. Nos linfonodos ocorre filtração da linfa e outros vasos linfáticos recebem e transportam a linfa filtrada até os ductos lin- fáticos, que desembocam nas veias subclávias esquerda e direita. Entenda mais sobre “A dinâmica dos fluidos e a formação da Linfa” assista ao vídeo em: https://bit.ly/2wP7Nva. Acesso em 12 abr. 2020. VÍDEO https://bit.ly/2wP7Nva U N ID A D E 0 3 46 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 1.6 ÓRGÃOS LINFÁTICOS Os órgãos linfáticos não participam da circulação da linfa, mas são responsáveis pela produção de linfócitos e anticorpos, atuando na defesa do organismo. Os órgãos linfáticos que estudaremos nesta Unidade são: baço, timo e tonsilas. O maior dos órgãos linfáticos é o baço e se localiza na cavidade abdominal, situado posterior ao estômago. Além de servir como reservatório de sangue, também atua na defesa do organismo, realiza destruição de hemácias velhas (hemocaterese), serve como local de maturação de linfóci- tos e, produz anticorpos. Sua coloração é vermelho-escura, apresenta duas faces: diafragmática e visceral (figura 6). FIGURA 6 - BAÇO Fonte: Netter (2021, p. 319). O timo, também pertence ao sistema endócrino, por produzir o hormônio timosina. É um órgão bilobado, de formato piramidal e achatado, está localizado na cavidade torácica, posteriormente ao osso esterno e cartilagens costais, superior a base do coração. Suas funções são: maturação dos linfócitos e da formação e maturação do sistema imunológico. U N ID A D E 0 3 47 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A As tonsilas que estão localizadas na nasofaringe, são chamadas de tonsilas faríngeas (conheci- das adenoide); as que estão localizadas na fossa tonsilar, são chamadas de tonsilas palatinas (co- nhecidas amígdalas) e as que estão localizadas na raiz da língua, são denominadas tonsilas linguais. Realizam uma atividade fagocítica, atuando contra a invasão bacteriana. 2. SISTEMA RESPIRATÓRIO 2.1 DIVISÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO O sistema respiratório (figura 7) pode ser dividido de acordo com sua estrutura anatômica em via aérea superior e inferior, e funcionalmente em porção condutora e respiratória. A via aérea superior é composta pelo nariz, cavidade nasal, faringe e laringe, enquanto que a via aérea inferior é composta pela traqueia, brônquios e pulmões. Na porção condutora do ar consta o tubo respiratório (do nariz até os brônquios) e somente os pulmões compõem a porção respiratória (alvéolos pulmonares). FIGURA 7 – SISTEMA RESPIRATÓRIO Fonte: Larosa (2023, p. 201). 2.2 VIA AÉREA SUPERIOR O nariz é formado por uma parte óssea (ossos nasais e maxilares) e a outra parte cartilaginosa (cartilagem hialina). » Regiões do nariz: raiz, dorso, ápice, asas e narinas. U N ID A D E 0 3 48 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A » Septo nasal: separa a cavidade nasal em duas partes. Esse septo é formado por uma parte óssea (vômer e etmoide) e uma parte cartilaginosa. A cavidade nasal apresenta três projeções denominadas de conchas nasais superior, média e inferior (figura 8). E os espaços entre as conchas nasais chamam-se meatos nasais superior, médio e inferior. No revestimento da cavidade nasal é observado uma mucosa, que apresenta um epitélio especial, relacionado ao olfato. A cavidade nasal tem como funções: purificação, aquecimento e umedecimento do ar inspira- do; serve como caixa de ressonância, modificando as vibrações da fala. FIGURA 8 – ANATOMIA DA CAVIDADE NASAL Fonte: Netter (2021, p. 47). Situações de inflamação e irritação da mucosa nasal e mucosa dos seios paranasais são conheci- das como rinite e sinusite, respectivamente. Leia mais sobre essas condições clínicas no Capítulo 8 - Cabeça, página 943, do livro: MOORE, Keith L.; DALLEY, Arthur F.; AGU, Anne M. R. Anatomia Orientada para Clínica. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/ LEITURA https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/ U N ID A D E 0 3 49 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A A faringe é um tubo muscular que permite a passagem do ar e do alimento, portanto, pertence aos sistemas respiratório e digestório. Em sua constituição apresenta musculatura esquelética e revestimento por mucosa. Apresenta forma semelhante a um funil, sendo dividida em três partes ou regiões: nasofaringe, orofaringe e laringofaringe (figura 9). A. Nasofaringe ou parte nasal da faringe, possui comunicação com a cavidade nasal e com ore- lha média, através do óstio faríngeo da tuba auditiva; B. Orofaringe ou parte oral da faringe, possui comunicação com a cavidade oral; C. Laringofaringe ou parte laríngea da faringe, possui comunicação com a laringe e com o esôfago. FIGURA 9 – ANATOMIA DA FARINGE Fonte: Standring (2010, p. 567). A laringe é um tubo cartilaginoso e muscular, apresenta revestimento por mucosa. Está locali- zada na face anterior do pescoço, superior a traqueia. Em sua constituição observam-se cartilagenspares (aritenoidea, cuneiforme e corniculada) e cartilagens ímpares (tireóidea, cricoidea e epiglote). No interior da cavidade da laringe encontram-se dois pares de saliências músculo-mucosas de- nominadas pregas vestibulares e pregas vocais. Entre as funções da laringe, atua na condução do ar e participa da produção da voz (fonação). E também impede que o alimento e objetos estranhos entrem na via respiratória. U N ID A D E 0 3 50 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 10 - ESTRUTURA DA LARINGE Fonte: Moore; Dalley; Agur (2022, p. 1001). 2.3 VIA AÉREA INFERIOR A traqueia apresenta um arcabouço constituído aproximadamente por 20 anéis cartilagíneos incompletos, denominados de cartilagens traqueais. Entre as cartilagens traqueais observa-se a presença de ligamentos anulares. É um tubo bifurcado (figura 11) que se estende inferiormente à laringe até a cavidade torácica, está situado medianamente e anterior ao esôfago. A parede posterior da traqueia é membranácea. Em sua porção inferior onde há bifurcação, observa-se a origem de dois brônquios principais, sendo um direito e outro esquerdo. No revestimento interno da traqueia há um epitélio ciliado (mucosa). A traqueia, além de conduzir o ar, os cílios do seu epitélio de revestimento participam da expul- são de mucosidades e corpos estranhos. Saiba mais lendo o artigo “Efeitos do cigarro sobre o epitélio respiratório e sua participação na rinossinusite crônica”. Disponível em: https://bit.ly/3cnf6t2. Acesso em 12 abr. 2020. LEITURA https://bit.ly/3cnf6t2 U N ID A D E 0 3 51 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 11 - ESTRUTURA TRAQUEIA E SEGMENTAÇÃO BRÔNQUICA Fonte: Netter (2021, p. 230). Os brônquios resultam da bifurcação da traqueia e estão localizados na cavidade torácica. São tubos segmentados que podem ser extrapulmonares (brônquios principais) e intrapulmonares (brônquios lobares, brônquios segmentares e bronquíolos). U N ID A D E 0 3 52 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O brônquio principal direito é mais vertical, mais curto e com maior calibre do que o esquerdo. O brônquio principal esquerdo é mais comprido e com menor calibre. Como a traqueia, os brôn- quios principais contêm anéis de cartilagem incompletos. À medida que os brônquios principais entram no hilo dos pulmões correspondentes, subdivi- dem-se em nos brônquios lobares. Os brônquios lobares subdividem-se em brônquios segmenta- res, cada um destes distribuindo-se a um segmento pulmonar (figura 12). Os brônquios dividem-se respectivamente em tubos cada vez menores denominados bronquíolos. FIGURA 12 – SEGMENTOS PULMONARES VISTA ANTERIOR Fonte: Netter (2021, p. 228). A porção respiratória representada pelos pulmões realiza a troca gasosa (hematose). Os pulmões estão localizados na cavidade torácica, apresenta forma triangular, com duas regi- ões: um ápice e uma base. Os envoltórios do pulmão são denominados de pleura visceral e pleura parietal. Entre suas faces, observa-se a face costal, face diafragmática e a face mediastinal. Há diferenças morfológicas entre o pulmão direito (figura 13) possui duas fissuras horizontal e oblíqua; apresenta três lobos, sendo um superior, médio e inferior. Já o pulmão esquerdo (figura 14) possui apenas uma fissura oblíqua, separando os lobos superior e inferior. O pulmão esquerdo é considerado menor que o direito, devido à inclinação do coração, e por isto não apresenta o lobo médio, que é substituído pela presença da língula do pulmão. U N ID A D E 0 3 53 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 13 – CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DO PULMÃO DIREITO Fonte: Sabotta (2019, p. 116 e 118). FIGURA 14 – CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DO PULMÃO ESQUERDO Fonte: Sabotta (2019, p. 116-117). 2.4 MECÂNICA DA RESPIRAÇÃO Durante o processo de respiração ocorrem as etapas de inspiração → troca gasosa → expiração. Para o oxigênio chegar aos pulmões ele é conduzido pelos segmentos da porção condutora do ar. Para ocorrer esse processo é necessário a ação dos músculos inspiratórios e do músculo dia- fragma, durante a inspiração há um aumento no diâmetro da caixa torácica, as costelas se elevam, o esterno se projeta anteriormente e os pulmões se expandem. Na expiração os músculos relaxam e a caixa torácica diminui o diâmetro e os pulmões retraem (figura 15). U N ID A D E 0 3 54 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O processo de troca gasosa ocorre em nível alveolar por difusão. FIGURA 15 – MECÂNICA DA RESPIRAÇÃO Fonte: Fonte: Tortora; Derrickson (2017, p. 459). CONSIDERAÇÕES FINAIS Relembrando, o coração é um órgão muscular responsável pelo bombeamento de sangue e os vasos sanguíneos irrigam e drenam os tecidos do corpo. À medida que o sangue circula pelo organismo, durante a irrigação gera oxigenação dos tecidos e durante a drenagem gera a retirada de dióxido de carbono. Se acontecer um acúmulo de líquido intersticial pode acarretar prejuízo ao tecido. Alterações no ritmo cardíaco são denominadas de arritmias cardíacas, que são variações na frequência cardí- aca. As principais causas de arritmia são: alcoolismo, tabagismo, excesso no consumo de café etc. Todo o oxigênio necessário para a manutenção da vida, é adquirido do meio externo. O sistema respiratório foi desenvolvido com a função de realizar a hematose (processo de trocas de gases entre o meio interno e externo). Nesta troca, o gás carbônico é liberado pelos alvéolos, junto com o ar que é expirado, enquanto o oxigênio inspirado entra nos capilares sanguíneos e é conduzido U N ID A D E 0 3 55 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A para o lado esquerdo do coração. Com o bombeamento do sangue do ventrículo esquerdo para a aorta. A aorta distribui para as outras artérias, até os capilares arteriais, liberando esse sangue para os tecidos. Nos capilares teciduais ocorre a liberação do oxigênio para o líquido intersticial e depois para o interior das células. Logo após o gás carbônico ser produzido pelos tecidos, é retirado pelos capi- lares venosos, transportado pelas veias e liberado no átrio direito. Esse então libera o sangue para o ventrículo direito, que o leva para as artérias pulmonares, até os alvéolos pulmonares, para que ocorra a hematose. Enquanto ocorre a troca de sangue nos tecidos, há a produção do líquido intersticial, que quan- do drenado pelos capilares linfáticos é chamado de linfa. O sistema linfático é responsável pela circulação linfática e participa da defesa do organismo. Para que ocorra a entrada de oxigênio é preciso de uma via de captação, condução e purifica- ção do ar. O oxigênio e o gás carbônico é conduzido por uma via condutora do ar. A troca gasosa (hematose) é responsabilidade dos pulmões, que faz parte da via respiratória. O conhecimento integrado sobre esses três sistemas ajudará na compreensão nos processos da circulação e respiração. ANOTAÇÕES UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE https://qrgo.page.link/UerV2 https://qrgo.page.link/iwwE8 https://qrgo.page.link/xTna8 04 SISTEMAS DIGESTÓRIO E URINÁRIO; APARELHO REPRODUTOR » Reconhecer a morfologia dos segmentos do tubo digestório; » Reconhecer a anatomia das glândulas anexas ao sistema digestório; » Descrever a anatomia dos rins e da via urinífera; » Descrever a anatomia dos órgãos genitais masculino e feminino. https://qrgo.page.link/UerV2 https://qrgo.page.link/iwwE8 https://qrgo.page.link/xTna8 U N ID A D E 0 4 57 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A INTRODUÇÃO Nesta Unidade estudaremos as características anatômicas e funcionais dos sistema digestório, urinário e o aparelho reprodutor. O sistema digestório está dividido em porção supradiafragmática (boca, cavidade oral, fauces, faringe e esôfago), porçãoinfradiafragmática (estômago, intestino delgado e intestino grosso) e glândulas anexas (glândulas salivares, fígado e pâncreas). Os alimentos (macromoléculas) são conduzidos pelo tubo digestório, sofrem transformações físicas e químicas, até que atingirem pequenos tamanhos (micromoléculas) para que possam ser absorvidos. A digestão mecânica refere-se aos movimentos peristálticos (movimentos propulsores) e de segmentação (movimento de mistura) ao longo do tubo digestório. Enquanto que a digestão quí- mica depende da ação enzimática por meio da saliva, suco gástrico, bile e suco pancreático. O sistema urinário regula o volume e os componentes presentes no líquido extracelular. Para desempenhar suas funções, necessita de mecanismos desenvolvidos pelos rins, referentes à filtra- ção seletiva do sangue, eliminação de algumas substâncias e absorção de outras. Além dos rins, outras estruturas compõem as vias do trato urinário: ureter, bexiga urinária e uretra. Na urina encontramos ácido úrico, ureia, sódio, potássio, bicarbonato etc. Também será estudado nesta Unidade a anatomia dos órgãos que compõem o sistema genital feminino e o sistema genital masculino. Estes sistemas formam o aparelho reprodutor. Todo sistema genital possui obrigatoriamente uma gônada (órgão responsável por produzir o gameta e hormônios sexuais) e um gameta (ovócito ou espermatozoide). A reprodução sexuada ocorre a partir da união de gametas. Geralmente, metade das caracterís- ticas dos descendentes é oriunda do gameta masculino, e outra metade do gameta feminino. Uma das vantagens da reprodução sexuada é a variabilidade genética. A reprodução é imprescindível para a manutenção das espécies. As obras de Tortora, Spence, Moore e Miranda-Neto foram bases sólidas de pesquisa para as descrições a seguir. 1. SISTEMA DIGESTÓRIO O homem por ser heterótrofo, capaz de realizar transformações fí- sicas e químicas no alimento, a fim de reduzir os nutrientes a micromo- léculas para que ocorra maior efici- ência no processo de absorção. FIGURA 1 – PROCESSO DE ALIMENTAÇÃO Ingestão de Alimento Processo Digestivo Processo Absortivo grandes moléculas moléculas menores utilização Fonte: A autora (2020). U N ID A D E 0 4 58 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O sistema digestório é dividido em porção supradiafragmática (boca, cavidade oral, fauces, faringe e esôfago) e porção infradiafragmática (estômago, intestino delgado e intestino grosso). Também apresenta glândulas anexas: glândulas salivares, fígado e pâncreas. 1.1 SEGMENTOS DO TUBO DIGESTÓRIO Primeiramente, foram descritos os segmentos da porção supradiafragmática. A boca é formada pelos lábios superior e inferior, que são acionados pelo músculo orbicular da boca. Entre os lábio há uma fenda denominada de rima da boca. A cavidade oral (figura 2) se divide em vestíbulo da boca (porção anterior aos dentes e gengiva) e cavidade própria da boca (porção posterior aos dentes e gengiva). No teto da cavidade própria da boca encontra-se o palato duro (ósseo) e palato mole (muscular). As paredes laterais são as bochechas (músculo bucinador) e o soalho é representado pelo músculo milo-hioide. FIGURA 2 – INSPEÇÃO DA CAVIDADE ORAL Fonte: Netter (2021, p. 69). Os dentes são estruturas rígidas inseridas nos alvéolos dentais por meio de uma articulação fibrosa (gonfose), participam da digestão mecânica (mastigação e trituração do alimento ingerido). Os dentes incisivos cortam, os caninos perfuram, os pré-molares e molares moem e trituram os alimentos. A função de cada dente depende da borda ou do formato da coroa. U N ID A D E 0 4 59 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Em um humano adulto há 32 dentes, sendo: 8 incisivos; 4 caninos; 8 pré-molares e 12 molares. A língua repousa no soalho da cavidade oral, é um órgão muscular e móvel. Apresenta três partes principais (figura 3): ápice da língua (extremidade anterior e livre), corpo da língua e raiz da língua (extremidade posterior e fixa). Na superfície da língua se identifica as papilas linguais filiformes, fungiformes, folhadas e circun- valadas, que estão relacionadas com a gustação. Além da gustação, a língua participa dos proces- sos de mastigação, deglutição e fonação. FIGURA 3 – REGIÕES DA LÍNGUA, PAPILAS LINGUAIS Fonte: Netter (2021, p. 75). A região de transição entre a cavidade oral e a orofaringe é denominada de fauces. Nesta re- gião, observa-se a úvula palatina e as tonsilas palatinas. A faringe representa um tubo muscular que pertence aos sistemas respiratório e digestório. Permite a passagem do ar durante a respiração e do alimento durante a deglutição. Está dividida em três regiões ou partes: » nasofaringe (parte nasal da faringe); » orofaringe (parte oral da faringe); » laringofaringe (parte laríngea da faringe). U N ID A D E 0 4 60 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A As características da faringe foram estudas na Unidade 3, é muito importante revisá-las. O esôfago (figura 4) é um tubo miomembranáceo que atravessa a cavidade torácica e o mús- culo diafragma. Tem em torno de 25 cm de comprimento e se estende do pescoço até à cavidade abdominal. Apresenta três regiões: cervical, torácica e abdominal. O primeiro terço do esôfago, é constituí- do por fibras musculares estriadas esqueléticas, que exercem movimentos voluntários, nos outros 2/3, há fibras musculares lisas, exercendo movimentos involuntários. A função do esôfago é conduzir o bolo alimentar da laringofaringe até o estômago. O diâmetro do esôfago não é o mesmo ao longo de todo o seu trajeto. Apresenta três estreitamentos provo- cados por estruturas adjacentes O diâmetro do esôfago não é o mesmo ao longo de todo o seu trajeto. Os estreitamentos são provocados por estruturas adjacentes. Lembrando que a porção infradiafragmática é formada pelo estômago, intestino delgado e intestino grosso. O estômago está localizado na cavidade abdominal e representa a porção mais dilatada do sistema digestório. Em sua morfologia externa (figura 4) observa-se as seguintes regiões: cárdia, corpo, fundo e parte pilórica. Para evitar o refluxo alimentar, há dois esfíncteres (esfíncter cárdico e esfíncter pilórico). FIGURA 4- ESÔFAGO E ESTÔMAGO Fonte: Adaptado de Dangelo e Fattini (2007, p. 163). U N ID A D E 0 4 61 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A A cavidade do estômago é revestida por uma mucosa espessa, que apresenta glândulas responsá- veis pela secreção de suco gástrico e muco. Entre outras funções, participa da digestão química e me- cânica dos alimentos, elabora o quimo e absorve alguns medicamentos e substâncias, como álcool. Em determinadas condições, a produção de ácido clorídrico é muito intensa e acaba gerando lesões na parede do estômago, desenvolvendo uma doença denominada de gastrite, que pode se tornar mais grave e evoluir para úlcera gástrica. O intestino é formado por um tubo longo que se estende da cavidade abdominal até à cavidade pélvica. Está dividido em intestino delgado e intestino grosso (figura 5). O intestino delgado apresenta três partes: duodeno, o jejuno e o íleo. Tem aproximadamente 6 metros de comprimento. O duodeno (figura 5) está aderido à parede posterior do abdome por uma prega peritoneal. Possui comunicação com o estômago através do óstio pilórico, e segue contínuo ao jejuno-íleo após a flexura duodeno-jejunal. Sua forma é semelhante à letra “C”, com aproximadamente 25 cm. FIGURA 5 – PARTES DO DUODENO Fonte: Tank; Gest (2009, p. 237). O jejuno e o íleo, são formados por alças intestinais e se ligam por meio do mesentério. Esses segmentos do intestino delgado desempenham importante função na absorção de aminoácidos, ácidos graxos e glicose. Após atravessar o intestino delgado, os restos alimentares não digeridos seguem para o intes- tino grosso. U N ID A D E 0 4 62 UNIB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O intestino grosso (figura 6) mede 1,5 metros de comprimento, é dividido em ceco, colo as- cendente, colo transverso, colo descendente, colo sigmoide, reto e canal anal. Apresenta maior calibre, fibras musculares longitudinais (tênias do colo), apêndices omentais do colo e saculações do colo. Entre o íleo e o ceco há um ponto de comunicação chamado de óstio íleal. No ceco observa-se a presença de um divertículo cilindroide rico em folículos linfáticos, essa es- trutura é denominada de apêndice vermiforme e está localizada na região póstero-medial do ceco. O reto mede 15 cm de comprimento e apresenta a ampola do reto, parte mais dilatada que permite o acúmulo de fezes. O canal anal com 3 cm de comprimento possibilita a eliminação das fezes. Sua abertura é chamada de ânus, formado pelo músculo esfíncter interno (com controle involuntário) e músculo esfíncter externo (com controle voluntário). Entre as funções do intestino grosso estão: a absorção de água, sais minerais e medicamentos; formação, armazenamento, transporte e eliminação de fezes (defecação). FIGURA 6 - PARTES DO INTESTINO DELGADO E INTESTINO GROSSO Fonte: Tank; Gest (2009, p. 222). 1.2 GLÂNDULAS ANEXAS As glândulas salivares são classificadas como exócrinas, podem ser denominadas de glândulas salivares menores e glândulas salivares maiores. As glândulas salivares menores não são nomina- U N ID A D E 0 4 63 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A das especificamente, mas as glândulas salivares maiores são em pares e (Figura 7) são chamadas de parótidas, submandibulares e sublinguais. A saliva atua no início da digestão e possui a função de lubrificar o alimento, atua na limpeza da cavidade oral e participa da gustação. É produzida pelas glândulas salivares menores e maiores. As glândulas parótidas estão localizadas na região anterior à orelha externa, sobre o músculo masseter, o ducto excretor se abre no vestíbulo da boca. São consideradas as maiores das glândulas salivares. Já as glândulas submandibulares estão localizadas inferior ao terço médio da mandíbula e seu ducto se abre na carúncula sublingual. E por fim as glândulas sublinguais estão localizadas inferiormente à língua, apresenta ductos múltiplos, que se abrem na prega sublingual. FIGURA 7 – POSIÇÃO DAS GLÂNDULAS SALIVARES Fonte: Adaptado de Netter (2015, p. 103). O fígado está localizado na cavidade abdominal, tem coloração vermelha escura e, atua no me- tabolismo de glicídios, lipídeos e peptídeos, armazena glicogênio, além de secretar a bile. Apresen- ta uma face diafragmática e uma face visceral. E é formado por quatro lobos, sendo denominados de lobo direito, lobo esquerdo, lobo quadrado e lobo caudado. Entre os lobos direito e esquerdo, na face diafragmática, observa-se o ligamento falciforme. A vesícula biliar é uma bolsa muscular que fica alojada na fossa da vesícula biliar do lobo qua- drado, na face visceral do fígado, sendo responsável por armazenar e concentrar a bile. É uma bolsa muscular com revestimento mucoso responsável por armazenar e concentrar a bile. U N ID A D E 0 4 64 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 8 - FÍGADO. A. FACE DIAFRAGMÁTICA B. FACE VISCERAL. Fonte: Sobotta (2019, p. 326). O pâncreas está localizado na cavidade abdominal, no hipocôndrio esquerdo, situado posterior ao estômago. É considerado uma glândula mista, por apresentar parte endócrina (responsável pela secreção de insulina e glucagon) e parte exócrina (responsável pela secreção de suco pancreá- tico). Apresenta regiões distintas (figura 5), sendo a cabeça uma parte mais volumosa do pâncreas alojada na concavidade do duodeno. A cauda é uma região afilada do pâncreas que se relaciona com o baço. O corpo é a parte mais longa, localizado entre a cabeça e a cauda. A B U N ID A D E 0 4 65 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Saiba mais sobre os aparelho digestivo, leia o artigo: “Alterações do Sistema Digestório” em Her- lihy e Maebius (2002), p. 414. HERLIHY, B.; MAEBIUS, N. K. Anatomia e Fisiologia do Corpo Humano Saudável e Enfermo. Ma- nole: São Paulo, 2002. LEITURA 1.3 PROCESSO DE DIGESTÃO Resumidamente, durante a digestão mecânica ocorrem dois movimentos: segmentação (mo- vimento de mistura) e peristaltismo (movimento propulsor). Entre os processos mecânicos desta- cam-se: » Mastigação: trituração do alimento e formação do bolo alimentar; » Deglutição: movimentação do bolo alimentar ao longo do tubo, movimenta o bolo alimentar para a faringe. Músculos constritores da faringe movimentam o bolo para o esôfago. A luz do esôfago, aumenta durante a passagem do bolo alimentar, o qual é impulsionado por contrações da musculatura de sua parede. Estes movimentos, que são próprios de todo restante do tubo digestório, são denominados movimentos peristálticos, e a capacidade de realizá-los dá-se o nome de peristaltismo; » Motilidade gástrica: o estômago armazena o alimento ingerido, mistura o alimento com as secreções gástricas e movimenta o alimento para o duodeno. Elabora o quimo; » Motilidade intestinal: no intestino delgado ocorre tanto segmentação quanto peristaltismo. Esta motilidade é afetada pela quantidade, pela acidez e pela concentração do quimo. E no intestino grosso, a movimentação é mais lenta (peristaltismo em massa), movimentam o conte- údo do colo em direção ao reto. Ocorre distensão do reto e inicia o reflexo da defecação. Na digestão química estuda-se os processos químicos que também ocorrem ao longo do tubo digestório: » Digestão na cavidade oral: ação da amilase salivar. » Digestão no estômago: ação da pepsina ativa e fraciona as proteínas. » Digestão no intestino delgado: ocorre a digestão de carboidratos, proteínas e gorduras. O fim do processo químico da digestão se dá no duodeno, com a ação das enzimas presente no suco pancreático e na bile. Após a digestão ocorre a absorção dos nutrientes no intestino delgado (jejuno-íleo). U N ID A D E 0 4 66 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 2. SISTEMA URINÁRIO O sistema urinário (figura 9) é constituído pelos rins, pelve renal, ureteres, bexiga urinária e ure- tra. Este sistema é responsável pela produção, transporte, armazenamento e eliminação da urina. Didaticamente é melhor dividir o sistema urinário em órgãos uropoiéticos (os rins) e a via urinária, composta por pelve renal, ureter, bexiga e uretra. FIGURA 9 - COMPONENTES DO SISTEMA URINÁRIO. Fonte: Silverthorn (2017, p. 592). Há variação entre os sistemas urinários no homem e na mulher? O sistema urinário masculino e feminino apresentam os mesmos órgãos. Portanto, se você anali- sar esse sistema em pessoas de sexos diferentes encontrará: dois rins, dois ureteres, uma bexiga urinária e uma uretra. Entretanto, algumas diferenças podem ser observadas: » A bexiga está localizada em frente ao reto. Nos homens, essa se separa do reto pelas vesículas seminais, enquanto na mulher, observa-se a presença da vagina e útero. » A uretra no homem apresenta outra função além de garantir a eliminação da urina. Nesse sexo, a uretra dá passagem também ao sêmen durante a ejaculação. No sexo feminino, por sua vez, a uretra é considerada um órgão exclusivo do sistema urinário. » A uretra masculina é maior que a uretra feminina. Enquanto a uretra masculina possui cerca de 20 cm, a feminina apresenta apenas 4 cm. Fonte: SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “Sistema urinário”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/sistema-excretor.htm. Acesso em 17 de abril de 2020. SAIBA MAIS https://brasilescola.uol.com.br/biologia/sistema-excretor.htm U N ID A D E 0 4 67 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 2.1 RINS Os rins estão localizados na cavidade abdominal, sendo que o direito está posicionadomais inferiormente em relação ao rim esquerdo. São considerados órgãos uropoiéticos (responsáveis pela produção da urina). Os rins estão na parede posterior da cavidade abdominal, atrás do peritônio, são considerados retroperitoneais. Na morfologia externa é observada duas faces: anterior e posterior. Apresenta dois polos, sendo um superior e outro inferior; duas margens: lateral e medial. No polo superior de cada rim encontra-se a glândula suprarrenal e na margem medial há um hilo que apresenta um conjunto de estruturas que participam da via excretora da urina (pedículo renal). A unidade produtora de urina do rim é denominada de néfron, cada rim contém cerca de 1 mi- lhão de néfrons. O néfron é considerada a unidade morfofuncional do sistema urinário. Na morfologia interna dos rins, pode ser identificado uma região mais periférica denominada de córtex renal; uma a estrutura triangular que pertence a medula renal, chamada de pirâmide renal. Entre as pirâmides observa-se as colunas renais (extensões do córtex). O ápice de cada pirâ- mide está direcionada para a pelve renal, que é responsável pela coleta urina. As margens em forma de “taça” da pelve renal, que envolvem as pirâmides são chamadas de cálices renais menores, e em conjunto de dois ou três formam os cálices maiores. A pelve renal recebe a urina dos cálices renais maiores e a conduz para o ureter. Resumidamente, as funções dos rins são: filtração seletiva do sangue, regulação da composição iônica do sangue, regulação da pressão arterial, regulação do pH do sangue, liberação de hormô- nios e excreção de resíduos nitrogenados, como ureia, amônia e creatinina. 2.2 VIA URINÁRIA Esta via é responsável pela eliminação da urina. Os ureteres conectam os rins à bexiga urinária, são dois tubos musculares, longos e delgados, com aproximadamente 30 cm de comprimento, se estendem da cavidade abdominal até a cavidade pélvica, penetram a parede da bexiga urinária. A urina se move no interior dos ureteres em resposta à gravidade e aos movimentos peristálticos. Apresentam três regiões distintas: parte abdominal, parte pélvica e parte intramural. O reser- vatório temporário de urina é a bexiga urinária, está localizada na cavidade pélvica, posterior à sínfise púbica. É considerado um órgão miomembranáceo, ímpar, oco e mediano. Nos homens encontra-se anterior ao reto e nas mulheres está anterior ao útero e vagina. Anatomicamente, a bexiga apresenta regiões denominadas: ápice, corpo, colo e fundo. O ápice representa a região superior; o corpo é a região média e mais volumosa da bexiga; o colo é a re- gião mais estreita e inferior, o fundo é a região posterior da bexiga. No colo da bexiga masculina, encontra-se aderida a glândula prostática. Internamente, a cavidade é revestida por uma mucosa e quando a bexiga está vazia, sua muco- sa apresenta-se pregueada, e no soalho da bexiga há uma região triangular denominada de trígo- no da bexiga e está limitada pelos óstios dos ureteres direito e esquerdo e óstio interno da uretra. U N ID A D E 0 4 68 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A No sistema urinário, a uretra é o único segmento que é diferente entre os sexos, onde a uretra masculina participa dos sistema urogenital, isto é, serve tanto para a eliminação da urina quanto para a ejaculação; enquanto que nas mulheres, a uretra tem função exclusiva de eliminar a urina. Na mulher, a uretra se inicia no interior da bexiga, atravessa o músculo esfíncter (que controla a micção) e se abre no pudendo feminino, através do óstio externo da uretra, mede mais ou menos 4 centímetros. E nos homens a uretra se inicia no interior da bexiga, atravessa a próstata, todo o corpo esponjoso do pênis e abre-se no óstio externo da uretra, que está situado na glande do pê- nis, tem em torno de 20 centímetros. A uretra masculina é formada por três regiões, sendo ela parte prostática da uretra, parte mem- branácea da uretra e pare esponjosa da uretra. A uretra prostática, ou parte prostática da uretra, representa a região mais larga e dilatável da uretra masculina. É o trecho da uretra masculina que sai da bexiga (a partir do óstio interno da uretra) e atravessa a glândula próstata. A uretra membra- nácea ou parte membranácea da uretra é contínua a uretra prostática que atravessa a musculatura do períneo. A uretra esponjosa ou parte esponjosa da uretra é a continuação da uretra membraná- cea, que atravessa todo o corpo esponjoso do pênis até o óstio externo da uretra. 3. APARELHO REPRODUTOR No gênero feminino e masculino, os órgãos sexuais são anatomicamente distintos, são adapta- dos para a produção de gametas, facilitando a fertilização e, nas mulheres, sustentando o cresci- mento do embrião e do feto. No quadro 1 consta os componentes dos sistemas genitais que constituem o aparelho reprodutor. QUADRO 1 – COMPONENTES DO APARELHO REPRODUTOR SISTEMA ÓRGÃOS INTERNOS ÓRGÃOS EXTERNOS Genital feminino » Vagina; » Ovários; » Tubas uterinas; » Útero. Pudendo feminino ou Vulva (monte do púbis, clitóris, vestíbulo, lábios maiores do pudendo e lábios menores do pudendo) Genital masculino Glândulas anexas (próstata, glândula seminal, glândula bulbouretral); Parte da uretra. » Testículo; » Epidídimo; » Escroto; » Parte da uretra; » Pênis. Fonte: A autora (2020). Por que uma infecção “ignorada” na bexiga urinária (cistite) pode causar infecção renal? Pois uma infeção da bexiga tratada inadequadamente pode “subir” e afetar os rins, evoluindo para uma pielonefrites (inflação dos rins) e evoluir para uma septicemia (infecção generalizada). REFLITA U N ID A D E 0 4 69 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 3.1 SISTEMA GENITAL FEMININO Os ovários são considerados gônadas femininas, pois têm a função do desenvolvimento dos ovócitos e a produção de hormônios sexuais femininos (estrógeno e progesterona). Apresentam formato oval e estão localizados na cavidade pélvica, posteriormente ao ligamento largo do útero, em uma depressão denominada fossa ovárica. Os ovários ficam presos à porção súperolateral do útero pelo ligamento útero-ovárico. A superfície dos ovários se apresenta lisa e brilhante até a puberdade, depois vai gradativamen- te ficando rugoso, devido à expulsão dos ovócitos (ovulação). As tubas uterinas (figura 10) são dois órgãos tubulares localizadas na cavidade pélvica, sendo um direito e outro esquerdo. O diâmetro da tuba uterina é irregular e vai aumentando à medida que se distancia do útero. Podem-se distinguir as seguintes regiões ou segmentos em cada tuba uterina: intramural (parte uterina) encontrada na espessura da parede uterina, o istmo (parte próxima do útero), ampola (região que serve como local de fecundação) e infundíbulo (parte distal) onde é encontrado o óstio abdominal da tuba uterina. É na ampola da tuba uterina que normalmente, a fecundação. As margens do infundíbulo apresentam projeções semelhantes a uma “franja” e são denominadas de fímbrias. Após a liberação do ovócito, as tubas são responsáveis pela condução do ovócito para o útero. O útero (figura 10) é um órgão muscular, semelhante a uma pera pequena, está localizado na cavidade pélvica, anterior ao reto e posterior à bexiga urinária. O útero fica preso pelos ligamentos largo, redondo e útero-sacral. O fundo do útero é a região superior; o corpo é a região mais volumosa, que está localizado entre o fundo e o colo do útero; o colo é a mais região inferior e estreita do útero, que se divide em duas porções: porção supravaginal do colo e porção vaginal do colo. Fonte: Shutterstock. U N ID A D E 0 4 70 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 10 - ÓRGÃOS GENITAIS INTERNOS FEMININOS Fonte: Netter (2021, p. 391). Na estratigrafia da parede uterina, pode se identificar três estratos: perimétrio, miométrio e endométrio. O perimétrio é formado por uma camada serosa, que além de revestir a superfície do útero,também contribui para a formação dos ligamentos (fixadores da posição do útero). O miométrio é a camada muscular onde além de fibras musculares, se encontram fibras elásticas e fibras colágenas dispostas em um sistema espiral. O endométrio é o estrato mucoso que reveste a cavidade do útero, sofre ação hormonal e se modifica durante o ciclo menstrual. Possui dois estra- tos, sendo um basal (mais profundo) e funcional (mais superficial). A vagina é considerada o órgão copulador feminino, é um tubo miomembranáceo, que supe- riormente está inserido no contorno da parte média do colo do útero. Está situada posteriormente ao colo da bexiga urinária e à uretra, anteriormente ao reto e canal anal. Apresenta comunicação com o útero através do óstio uterino; em sua porção inferior se abre no vestíbulo da vagina e comunica-se com o meio externo através do óstio vaginal. As paredes da vagina ficam acopladas constituindo uma cavidade virtual que só se dilata por ocasião do parto e do ato sexual. U N ID A D E 0 4 71 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O óstio vaginal representa o orifício de comunicação da vagina com o meio externo. Em algu- mas mulheres, é parcialmente obliterado pela presença de uma membrana delgada e pouco vas- cularizada, denominada hímen. Há vários tipos de himens, geralmente apresenta uma perfuração central, mas pode se apresentar crivado, em meia lua, sem orifícios ou pode estar ausente. A vagina além de ser considerada o órgão copulador feminino, participa da eliminação da mens- truação e serve de canal de parto. A genitália externa ou vulva é denominada de pudendo feminino está localizada no períneo, posterior à sínfise púbica, sendo representada por uma abertura fusiforme formada pelo monte do púbis, lábios maiores do pudendo, lábios menores do pudendo, clitóris, vestíbulo e glândulas vestibulares (Figura 11). FIGURA 11 - PUDENDO FEMININO Fonte: Netter (2021, p. 394). U N ID A D E 0 4 72 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 3.2 SISTEMA GENITAL MASCULINO Os testículos são as gônadas masculinas, responsáveis pela espermatogênese (formação do espermatozoide) e secreção da testosterona (hormônio sexual masculino). Os dois testículos têm forma oval e se localizam fora da cavidade abdominal, alojados no interior de uma bolsa miomem- branácea denominada escroto. Os testículos apresentam duas margens (anterior e posterior), uma face medial e uma face la- teral, dois polos, sendo um superior e outro inferior. O escroto é uma bolsa de pele localiza-se suspenso à região anterior do períneo e posterior ao pênis. Sua constituição proporciona aos testículos uma temperatura inferior à temperatura corpórea. Os espermatozoides são coletados nos túbulos seminíferos e percorrem uma série de vias con- dutoras, onde amadurecem e depois são transportados do testículo até o meio externo. Os epidídimos são órgãos pares, responsáveis pelo armazenamento de espermatozoides, é densamente enovelado e está localizado sobre a superfície do testículo, entre seu polo superior e inferior, estendendo-se por sua margem posterior. As regiões do epidídimo são: cabeça, corpo e cauda. A cauda do epidídimo continua-se com o ducto deferente, que por sua vez, são dois tubos de aproximadamente 45 cm de comprimento, com a função de conduzir o espermatozoide até ao ducto ejaculatório. Quando alcançam a cavi- dade pélvica e dirigem-se para a região póstero-inferior da bexiga urinária, onde se unem com os ductos provenientes das glândulas seminais, formando, assim, os ductos ejaculatórios. Os ductos ejaculatórios direito e esquerdo penetram a próstata e desembocam na uretra. É im- portante revisar anatomia da uretra, descrita no sistema urinário. É importante lembrar, que neste caso, a uretra desempenha função dupla, realizando a eliminação da urina e do sêmen, porém nunca simultaneamente. O pênis é o órgão copulador masculino, representado por uma estrutura cilindroide fixada à região anterior do períneo, anteriormente ao escroto. As regiões do pênis são: raiz, corpo, colo e glande (extremidade dilatada, onde se abre o óstio externo da uretra). O corpo do pênis contém três colunas de tecido erétil, os corpos cavernosos e o corpo esponjoso. O prepúcio que cobre a glande apresenta uma extensão variável. É uma camada de pele desli- zante, que se expande numa prega cutaneomucosa e se fixa medianamente na glande, por meio de uma prega sagital denominada frênulo do prepúcio. As glândulas anexas do sistema genital masculino são: as glândulas seminais, próstata e as glându- las bulbouretrais. As glândulas seminais (direita e esquerda) são responsáveis pela secreção de parte do líquido seminal. Estão localizadas na cavidade pélvica, inferiormente ao trígono da bexiga urinária. A próstata envolve a uretra prostática, localizada na cavidade pélvica, fixada junto ao colo da bexiga urinária. As glândulas bulbouretrais são duas pequenas massas localizadas na espessura da musculatura do períneo. As secreções adicionadas aos espermatozoides à medida que progridem pelas vias U N ID A D E 0 4 73 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A condutoras provêm das glândulas exócrinas anexas ao sistema genital masculino. FIGURA 12 - SISTEMA GENITAL MASCULINO. Fonte: Tank; Gest (2009). O quadro 2 resume a importância do Aparelho Reprodutor: U N ID A D E 0 4 74 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A QUADRO 2 - COMPARAÇÃO FUNCIONAL ENTRE OS SISTEMAS COMPONENTES DO APARELHO REPRODUTOR SISTEMA GENITAL FEMININO SISTEMA GENITAL MASCULINO » Os ovários produzem os ovócitos e os hormônios sexuais femininos. » As tubas uterinas transportam os ovócitos secun- dários e os ovos fertilizados até o útero. » O útero serve de local de desenvolvimento embrio- nário e fetal. » A vagina serve de receptáculo para o pênis durante a relação sexual. » Os testículos produzem espermatozoides e o hor- mônio sexual masculino. » Os ductos transportam, armazenam e auxiliam na maturação dos espermatozoides. » As glândulas sexuais anexas secretam a maior par- te da porção líquida do sêmen. » A uretra, permite a passagem urina e do sêmen. » O pênis é o órgão copulador. Fonte: A autora (2020). CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo desta Unidade, foram estudadas as características anatômicas do tubo digestório e suas glândulas anexas; dos rins e a via de eliminação da urina, órgãos genitais que formam o apa- relho reprodutor. Neste momento é importante para você saber que é necessário um estudo aprofundado da ana- tomia do corpo humano para os estudantes da área de saúde. Entender a organização, a constituição e as funções de cada órgão de forma integrada fará a diferença em sua formação profissional. Resumindo o que aprendemos aqui, o principal objetivo do sistema digestório é fragmentar o alimento (física e quimicamente) em substâncias capazes de ser absorvidas. Os produtos finais são absorvidos pelo intestino e os restos não digeridos são eliminados na defecação. Para realizar essas funções, o sistema digestório conta com segmentos que forma o tubo digestório e glândulas anexas. Uma das funções mais importantes do sistema urinário é manter o estado de homeostasia do organismo, removendo os resíduos nitrogenados, regulando os líquidos e eletrólitos. Disfunções nos componentes deste sistema podem ocorrer em qualquer idade e com graus variados de in- tensidade. A reprodução sexuada é uma das mais fortes funções biológicas, e para desempenhar esta im- portante função, é necessário que os sistemas genitais masculino e feminino executem seu papel na produção, nutrição e transporte dos gametas. O aparelho reprodutor compreende o sistema genital feminino e masculino, onde os órgãos se- xuais podem ser agrupados por funções específicas. As gônadas, ovários nas mulheres, testículos nos homens, são responsáveis pela produção de gametas esecretam hormônios sexuais. Diversos U N ID A D E 0 4 75 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A ductos armazenam e transportam os gametas, e as glândulas sexuais acessórias secretam substân- cias que protegem os gametas e facilitam sua mobilidade. Finalmente, as estruturas como o pênis e o útero, auxiliam na transferência e união de gametas, e, nas mulheres, no desenvolvimento do feto durante a gravidez. ANOTAÇÕES 76 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A REFERÊNCIAS COLICIGNO, P.R.C. et al. Atlas Fotográfico de Anatomia Humana. São Paulo, 2009. DALAKAS, M.C. Doenças do músculo e da junção neuromuscular. Tradução de Soraya I. Oliveira. ACP Medicine, Ontário, CA, 2011. Disponível em: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/ acp-medicine/5485/doencas_do_musculo_e_da_juncao_neuromuscular_%E2%80%93_mari- nos_c_dalakas.htm. Acesso em: 9 fev. 2020. DANGELO, J.G.; FATTINI, C.A. Anatomia humana: sistêmica e segmentar. 3. ed. Atheneu, 2007. HANSEN, J.T. Netter: anatomia para colorir. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. HERLIHY, B.; MAEBIUS, N.K. Anatomia e fisiologia do corpo humano saudável e enfermo. São Paulo: Manole, 2002. LAROSA, Paulo Ricardo R. Anatomia humana: texto e atlas. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koo- gan, 2023. MARIEB, E. M. Anatomia Humana. 7. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. MARIEB, E. M.; HOEHN, H. Anatomia e fisiologia. 3ª Ed. Artmed, 2008. MARTIN, J.H. Neuroanatomia: texto e atlas. São Paulo: Grupo A, 2013. MENESES, M. Neuroanatomia aplicada. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. MIRANDA NETO, M.H. et al. Anatomia Humana: aprendizagem dinâmica. Maringá: Clichetec, 2008. ____________. Anatomia Humana: aprendizagem dinâmica. Maringá: Clichetec Ltda, 2018. MOORE, K.L.; DALLEY, A.F. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. MOORE, K.L.; DALLEY, A.F.; AGUR, A.M.R Anatomia orientada para a clínica. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. NETTER, F.H. Atlas de Anatomia Humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. PAULSEN, Friedrich; WASCHKE, Jens. Sobotta: atlas prático de anatomia humana. Tradução Mar- celo Narciso. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. PUTZ, R., PABST, R. In: SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. SBA – Sociedade Brasileira de Anatomia. Terminologia anatômica. São Paulo: Manole, 2001. SOBOTTA J. Atlas de Anatomia Humana. 21. ed. Vol. 1 e 2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. _________. Atlas de Anatomia Humana. 24. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 77 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana - Uma Abordagem Integrada. 7. ed. Artmed: 2017. STANDRING, S. Gray’s Anatomia: a base anatômica da prática clínica. Tradução de Denise Costa Rodrigues. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. SCHÜNKE, M.; SCHULTE, E.; SCHUMACHER, U. Atlas de Anatomia: Prometheus. 4 ed. GEN, 2019. TANK, P.W.; GEST, T.R. Atlas de Anatomia Humana. ARTMED, 2009. TORTORA, G.J.; GRABOWSKI, S.R. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Gua- nabara Koogan, 2013. TORTORA; Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 14 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. TORTORA; G.J.; DERRIKSON, B. Corpo Humano: Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 10 Ed. Artmed, 2017. UNIFAL-MG. Histologia interativa. Disponível em: https://www.unifal-mg.edu.br/histologiaintera- tiva/medula-ossea/. Acesso em: 8 fev. 2020. WASCHKE, Jens. et al. Sobotta anatomia clínica. [tradução Diego Alcoba et al.]. 1 ed. Rio de Ja- neiro: Elsevier, 2019. EADà sua formação profissional. O sistema capaz de interpretar e desencadear respostas adequadas aos estímulos aplicados à superfície do corpo, controlando as funções de todos os órgãos corporais, é denominado de sistema nervoso. Esse sistema é formado por um tecido especializado, constituído por elementos celulares responsáveis pela adequação e pelo controle de cada órgão e sistema corporal. Nesta primeira Unidade serão abordadas a organização sistêmica e macroscópica do corpo hu- mano, a importância da aplicação da terminologia anatômica e os fundamentos básicos da ana- tomia, além da caracterização morfofuncional dos componentes do sistema nervoso central e do periférico. O texto foi baseado nas publicações dos autores de Neuroanatomia e Anatomia Huma- na Básica, como: Martin (2013); Miranda Neto et al. (2008); Tortora e Grabowisnk (2007); Moore e Dalley (2014). 1. O ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA Anatomia é a ciência que estuda a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados, ou seja, é o estudo da estrutura do corpo (DANGELO; FATTINI, 2007; MOORE; DALLEY, 2014). Ini- cialmente, foi estudada por dissecação (dis = separar; secção = cortar), que se refere à separação por cortes das estruturas do corpo, com o intuito de estudar suas relações. Atualmente, variadas técnicas de imagem contribuem para o conhecimento anatômico. O corpo humano está dividido em regiões específicas, que podem ser identificadas na superfí- cie corporal da seguinte forma: U N ID A D E 0 1 7 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A » Cabeça: crânio e face; » Pescoço; » Tronco: tórax, abdome e dorso; » Membros: superior e inferior. Cada membro apresenta uma parte radicular (cíngulo) e uma parte livre. O membro superior está dividido em ombro (cíngulo escapular), braço, antebraço e mão. O membro inferior está divi- dido em quadril (cíngulo pélvico), coxa, joelho, perna e pé. A Figura 1, a seguir, ilustra a divisão do corpo humano em regiões. FIGURA 1 - PRINCIPAIS REGIÕES DO CORPO HUMANO Fonte: Hansen (2015). Conheça mais sobre termos regionais lendo o Capítulo 1 da obra Anatomia e fisiologia do corpo humano saudável e enfermo, de Herlihy e Maebius (2002). Atente-se principalmente à página 11 desse livro. HERLIHY, B.; MAEBIUS, N. K. Anatomia e fisiologia do corpo humano saudável e enfermo. São Paulo: Manole, 2002. LEITURA U N ID A D E 0 1 8 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 1.1 CONCEITOS GERAIS Em medicina, considera-se normal o indivíduo que apresenta condições ideais de saúde. Do ponto de vista morfológico, considera-se como normalidade a forma mais adaptada a uma função, que ocorre com maior frequência numa população ou na natureza. As variações anatômicas são desvios na forma, na localização e no trajeto de certas estruturas, porém tais variações não geram prejuízo ao organismo. Há fatores de variação anatômica que de- vem ser observados, como idade, gênero, etnia e biotipos. Quando os desvios afetam a faixa da normalidade, gerando alterações na forma e na função, são considerados anomalias. A anomalia demasiadamente acentuada é considerada monstruo- sidade, pois foge dos padrões da normalidade, sendo incompatível com a vida e incluindo-se na teratologia (malformações ligadas a uma perturbação do desenvolvimento embrionário ou fetal). 1.2 POSIÇÃO ANATÔMICA, TERMINOLOGIA ANATÔMICA, PLANOS E PRINCÍPIOS CORPÓREOS A posição padrão do corpo humano nas descrições anatômicas tem o objetivo de evitar con- fusão nos estudos. O indivíduo deve ser imaginado em pé, ereto, com posição ortostática. Com a face voltada anteriormente, o olhar direcionado para o horizonte, com os membros superiores estendidos ao longo do tronco e com as palmas das mãos voltadas anteriormente, os membros inferiores unidos e as pontas dos pés dirigidas anteriormente. A anatomia humana tem sua linguagem própria, que obedece à International Anatomical Ter- minology e, no Brasil, a tradução dos termos anatômicos é de responsabilidade da Comissão de Terminologia Anatômica da Sociedade Brasileira de Anatomia. Em 2001, houve uma atualização na terminologia anatômica, com a extinção dos epônimos (estruturas corporais que receberam os nomes das pessoas que as descobriram ou descreveram). Esses epônimos (Quadro 1) são ineficientes do ponto de vista descritivo; o prefácio da Terminolo- gia Anatômica (SBA, 2001) contempla a importância de os médicos e cientistas em todo o mundo usarem o mesmo nome para cada estrutura. Gêmeos siameses se desenvolvem quando um embrião precoce se separa parcialmente para for- mar dois indivíduos. A maioria dos gêmeos siameses é natimorto ou morre logo após o nascimento. Considere o caso de bebês que nasceram ligados pelo tórax e compartilham alguns órgãos. Eles sobreviveram e serão separados por cirurgia. Pode-se afirmar que esse caso é uma variação ana- tômica? Anomalia ou monstruosidade? REFLITA U N ID A D E 0 1 9 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A QUADRO 1 - ATUALIZAÇÃO DE ALGUNS EPÔNIMOS EXTINTOS EPÔNIMOS EXTINTOS TERMOS ATUAIS Feixe de His Fascículo atrioventricular Trompas de Falópio Tubas uterinas Pomo-de-Adão Proeminência laríngea Trompas de Eustáquio Tubas auditivas Tendão de Aquiles Tendão Calcâneo Cápsula de Bowman Cápsula do glomérulo renal Fundo de saco de Douglas Escavação retouterina Bola gordurosa de Bichat Corpo adiposo da bochecha Plexo de Meissner Plexo submucoso do intestino Forame de Monro Forame interventricular Bainha de Schwann Neurilema Círculo de Willis Círculo arterial do cérebro Aqueduto de Sylvius Aqueduto do mesencéfalo Fonte: Adaptado de Piatto et al. (2000); Bezerra; Bezerra (2000); SBA (2001). As descrições anatômicas expressam a relação da posição anatômica baseada nos planos de secção do corpo humano. » Plano de Secção Mediano – divide o corpo em duas metades: direita e esquerda; » Plano de Secção Frontal – divide o corpo em duas metades: ventral/anterior e dorsal/posterior; » Plano de Secção Horizontal (ou Transversal) – divide o corpo em duas metades: superior e inferior. FIGURA 2 - PLANOS DE SECÇÃO [1] Plano Mediano. [2.] Plano Frontal. [3.] Plano Horizontal. Fonte: Shutterstock. 3 2 1 Ventral ou anterior Dorsal ou posterior U N ID A D E 0 1 10 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Os termos anatômicos são termos gerais que direcionam as partes do corpo. Eles podem ser termos de relação, de comparação e de lateralidade. » Termos anatômicos de relação: • Superior (cranial): em direção à cabeça. • Inferior (caudal ou podálico): em direção aos pés. • Anterior (ventral): voltado à fronte. • Posterior (dorsal): voltado ao dorso. • Medial: próximo da linha mediana. • Lateral: distante da linha mediana. » Termos anatômicos de comparação: • Proximal: localizado próximo à parte radicular de um membro. • Distal: distante da parte radicular de um membro. • Médio(a): estrutura que se localiza entre as estruturas proximal e distal ou anterior e posterior. • Intermédio: estrutura que se localiza entre as estruturas medial e lateral. » Termos de lateralidade: • Ipsilateral: termo utilizado para indicar o mesmo lado do corpo. • Contralateral: termo utilizado para indicar o lado oposto do corpo. Outros termos anatômicos são usados para membros, vasos, nervos e órgãos: • Interno: localizado no interior de um órgão ou cavidade. • Externo: localizado fora de um órgão ou cavidade. • Superficial: localizado na superfície externa do corpo. • Profundo: localizado de forma distante da superfície do corpo. A organização estrutural segue alguns princípios ou planos fundamentais de construção corpórea dos vertebrados, os quais são denominados de: antimeria, metameria, paquimeria e estratigrafia. Antimeria: Consiste no princípio de construção da simetria bilateral, no qual é possível dividir o corpohumano em duas metades semelhantes (antímeros direito e esquerdo). A semelhança entre os antímeros diz respeito à forma, à função e à localização. Metameria: Consiste no princípio da construção em superposição longitudinal de segmentos (metâmeros) semelhantes. Paquimeria: Consiste no princípio de construção de duas cavidades (paquímeros), sendo uma ventral e a outra dorsal. O paquímero ventral é denominado paquímero visceral (corresponde às cavidades torácica, abdominal e pélvica). O paquímero dorsal é denominado paquímero neural (corresponde ao canal vertebral e à cavidade do crânio). U N ID A D E 0 1 11 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Estratigrafia: Consiste no princípio da construção em superposição de camadas (estratos) de diferentes tecidos. 2. SISTEMA NERVOSO A Neuroanatomia deve ser estudada de modo progressivo, de modo a possibilitar uma memo- rização adequada e a correlação entre os conhecimentos de estrutura e função dos componentes do sistema nervoso. 2.1 ORGANIZAÇÃO E DIVISÕES DO SISTEMA NERVOSO O tecido nervoso é formado por dois componentes celulares: neurônios (unidade morfofuncio- nal) e células da glia. Os neurônios são células especializadas na transmissão do impulso nervoso e as células da glia são responsáveis pela sustentação, nutrição e defesa do tecido nervoso. Os neurônios têm a propriedade especial de responder a alterações do meio em que se encon- tram, com modificações na diferença de potencial elétrico existente entre as superfícies externa e interna da membrana celular. Os neurônios possuem um plano morfológico (Figura 3) composto de quatro regiões especí- ficas: corpo celular, dendritos, axônio (envolto pela bainha de mielina) e ramificações terminais. A comunicação entre dois neurônios, ou entre um neurônio e uma célula efetora, ocorre em um local denominado sinapse. FIGURA 3 - PARTES COMPONENTES DE UM NEURÔNIO MULTIPOLAR Fonte: Shutterstock. DENTRITOS AXÔNIO + BAINHA DE MIELINA CORPO CELULAR RAMIFICAÇÃO TERMINAL Para complementar as informações sobre esta introdução ao estudo da anatomia, assista ao vídeo “Posição anatômica, divisões do corpo, planos e cortes”. Disponível em: https://bit.ly/2ygKydw. Acesso em: 01 fev. 2020. VÍDEO https://bit.ly/2ygKydw U N ID A D E 0 1 12 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Em cortes transversais do encéfalo ou da medula espinal, observa-se substância cinzenta e substância branca. Na substância cinzenta há um predomínio de corpos celulares de neurônios, enquanto a substância branca é formada por axônios mielinizados e células da glia – a coloração mais clara está relacionada com a presença da mielina. Na medula espinal, a substância branca ocupa posição periférica, enquanto a substância cinzenta medular apresenta forma semelhante à uma letra “H”. No encéfalo, a substância branca ocupa posição central e a substância cinzenta é periférica, formando o córtex (Figura 4). FIGURA 4 - DISTRIBUIÇÃO DA SUBSTÂNCIA BRANCA E SUBSTÂNCIA CINZENTA NA MEDULA ESPINAL E NO ENCÉFALO Fonte: Tortora; Grabowski (2013). 2.1.1 DIVISÃO ANATÔMICA E FUNCIONAL DO SISTEMA NERVOSO Considerando a divisão anatômica do sistema nervoso (Figuras 5 e 6), temos o encéfalo e me- dula espinal, que compõem o Sistema Nervoso Central (SNC) e estão protegidos pelo crânio e coluna vertebral. Os nervos, gânglios nervosos e terminações nervosas que compõem o Sistema Nervoso Periférico (SNP) estão amplamente distribuídos pelo corpo, fora do canal vertebral e na cavidade do crânio. U N ID A D E 0 1 13 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O organismo e o ambiente estão funcionalmente inter-relacionados, e o sistema nervoso gera uma percepção consciente, um controle motor e uma interação de informações (integração). FIGURA 5 – ESQUEMA DA DIVISÃO ANATÔMICA DO SISTEMA NERVOSO SISTEMA NERVOSO ENCÉFALO MEDULA ESPINAL NERVOS CRANIANOS E ESPINAIS GÂNGLIOS NERVOSOS TERMINAÇÕES NERVOSAS » CÉREBRO » CEREBELO » TRONCO ENCEFÁLICO • DIENCÉFALO • TELENCÉFALO • MESENCÉFALO • PONTE • BULBO CENTRAL PERIFÉRICO Fonte: A autora (2020). FIGURA 6 – ILUSTRAÇÃO REPRESENTANDO A DIVISÃO DA PARTE CENTRAL DO SISTEMA NERVOSO Fonte: Shutterstock. Na divisão funcional do sistema nervoso, temos: Sistema Nervoso Somático (SNS) e Sistema Nervoso Visceral (SNV). O SNS é responsável pela relação do organismo com o ambiente. Vias sensitivas (vias aferentes) levam impulsos dos receptores localizados nos órgãos do sentido, em músculos e articulações, e continuam em direção ao SNC, por vias motoras (vias eferentes), responsáveis por conduzir os im- pulsos do SNC para o músculo estriado esquelético, resultando em contração voluntária. O SNV também apresenta vias aferentes e eferentes. Porém, a via aferente (componente sen- sorial) parte dos receptores localizados nas vísceras e se estende até o SNC; e a via eferente (com- TELENCÉFALO TRONCO ENCEFÁLICO MEDULA ESPINAL CEREBELO DIENCÉFALO U N ID A D E 0 1 14 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A ponente motor), também denominada de Sistema Nervoso Autônomo (SNA), é responsável por conduzir impulsos do SNC para o músculo estriado cardíaco, o músculo liso e as glândulas. 2.2 SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) O SNC é formado pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e pela medula espinal. O encéfalo e a medula espinal estão envoltos por membranas protetoras denominadas meninges (Figura 7). Além da proteção, as meninges auxiliam na sustentação do sistema nervoso e também permitem a passagem de suprimento sanguíneo. A meninge mais externa é denominada de dura-máter. A dura-máter encefálica está aderida aos ossos do crânio, apresentando dois folhetos (interno e externo), o que a diferencia da dura- -máter espinal, que contém somente um folheto, contínuo com o folheto interno da dura-máter encefálica. A meninge mais interna é chamada de pia-máter e está em contato íntimo com o tecido nervoso. Há mais uma membrana, com aspecto esponjoso ou de teia de aranha, situada entre a dura-máter e a pia-máter: é a meninge aracnoide-máter. O espaço entre a aracnoide e a pia-máter é denominado espaço subaracnoideo e encontra-se cheio de líquido cerebroespinal (líquor). FIGURA 7 – VISTA SUPEROLATERAL DO ENCÉFALO COM DURA-MÁTER (FOI ABERTA UMA JANELA DEMONSTRANDO A PIA-ARACNOIDE ENCEFÁLICA) Fonte: Coligno et al. (2009). O cérebro representa 2/3 do encéfalo e se divide em: telencéfalo e diencéfalo. O telencéfalo é formado por dois hemisférios cerebrais, sendo um direito e outro esquerdo, separados pela fissura U N ID A D E 0 1 15 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A longitudinal do cérebro. Os hemisférios estão ligados parcialmente por meio de um feixe de fibras nervosas, denominado corpo caloso. Cada hemisfério apresenta três polos (extremidades), sendo um polo frontal (anterior), um polo occipital (posterior) e um polo temporal (lateral). Em sua superfície, há numerosos giros, que estão separados por sulcos. Há uma variação dos giros e sulcos de um encéfalo para outro, mas a maioria é constante e utilizada como ponto de referência na organização do hemisfério em lobos. O hemisfério cerebral é organizado em cinco lobos: lobo frontal, lobo parietal, lobo occipital, lobo temporal e lobo insular. O lobo frontal é considerado o maior dos lobos e está localizado anteriormente ao sulco cen- tral. Tem como funções intelectuais o controle da fala, do comportamento sexual e agressivo, do raciocínio e memória. Também se relaciona com o controle de movimentos voluntários. O lobo parietal está localizado posteriormente ao sulco central e anteriormente ao sulco parie- to-occipital. Apresenta córtex somatossensorial (relacionado a sensações gerais). O lobo temporal está localizado inferiormente ao sulco lateral. Suas funções estão relacionadas com: audição,fala, memória, emoções (raiva e comportamento sexual) e seleção da atenção. O lobo occipital está localizado posteriormente ao sulco parieto-occipital. Fundamentalmente, é relacionado com a visão. Já o lobo da ínsula representa o lobo interno e está relacionado com as respostas emocionais. O diencéfalo encontra-se encoberto pelo telencéfalo e está relacionado com as funções vege- tativas, como regulação da secreção endócrina, frequência cardíaca, sono, vigília etc. As quatro regiões constituintes do diencéfalo são: » Tálamo: formado por duas massas cinzentas ovoides que se comunicam por meio da aderência in- tertalâmica. Representa o local de recepção e integração da maioria dos impulsos sensitivos que se direcionam para o córtex cerebral; participa das funções de controle motor e controle das emoções. » Hipotálamo: localizado ântero-inferiormente ao tálamo, é formado por vários núcleos hipo- talâmicos que atuam na regulação da homeostasia, controle do SNA, controle da hipófise, re- gulação endócrina, regulação da temperatura corporal, regulação da frequência cardíaca e da pressão arterial, além de participar do controle das emoções e do comportamento sexual. Vale destacar que, entre as estruturas hipotalâmicas, além da hipófise, há o quiasma óptico e os corpos mamilares. » Epitálamo: região posterior do diencéfalo que apresenta duas porções, sendo uma endócrina (responsável por secretar melatonina) e outra não endócrina (participa do controle das emo- ções). Com a secreção da melatonina, a glândula pineal organiza os ciclos circadianos, auxilian- do no controle do sono e da vigília. » Subtálamo: área de transição entre o tálamo e o mesencéfalo. Os núcleos subtalâmicos têm um importante papel no controle dos movimentos corporais. U N ID A D E 0 1 16 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A A Figura 8 ilustra a distribuição dessas regiões do encéfalo: FIGURA 8 – REGIÕES DO DIENCÉFALO Fonte: Shutterstock. O cerebelo é a segunda maior parte do encéfalo. Está alojado na fossa cerebelar do osso occi- pital, situado posteriormente ao tronco encefálico. Suas funções principais estão relacionadas ao controle do equilíbrio, regulação do tônus muscular e coordenação motora. O cerebelo é formado por dois hemisférios cerebelares (Figura 9), ligados por uma estrutura mediana denominada de verme (ou vermis) cerebelar. Filogeneticamente, o cerebelo é subdividi- do em arquicerebelo, paleocerebelo e neocerebelo: » Arquicerebelo: é responsável pela manutenção do equilíbrio e recebe impulsos da orelha, os quais garantem a noção de posição do corpo humano; » Paleocerebelo: responsável pelo controle do tônus muscular e pela manutenção da postura; » Neocerebelo: responsável pela coordenação motora. FIGURA 9 - HEMISFÉRIOS CEREBELARES Fonte: Netter (2015). 1 2 3 4 1. Tálamo 2. Subtálamo 3. Hipotálamo 4. Epitálamo U N ID A D E 0 1 17 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O mesencéfalo, a ponte e o bulbo formam o tronco encefálico. Na face anterior, há uma porção fechada onde está bem delimitada cada região. Na face posterior, há uma porção aberta denomi- nada fossa romboide, que serve como assoalho do IV ventrículo. O tronco encefálico está localizado inferiormente ao diencéfalo e anteriormente ao cerebelo. O bulbo e a medula espinal são contínuos e apresentam características semelhantes. O forame magno limita esses dois segmentos do SNC. Internamente, há uma estrutura organizada chamada de formação reticular (rede neuronal), que estabelece comunicações com a medula espinal, o cerebelo e o cérebro e participa da ativa- ção do córtex cerebral. Tem como principais funções: integração de reflexos; controle das frequên- cias cardíaca e respiratória; controle vasomotor, entre outras. » O mesencéfalo representa o segmento superior do tronco encefálico que está ligado ao diencé- falo. O sulco pontino superior limita a ponte e o mesencéfalo. Em um corte transversal, obser- va-se um canal denominado aqueduto do mesencéfalo, os núcleos rubros e a substância negra. » A ponte é a região intermediária que consiste em uma elevação na superfície anterior do tronco encefálico, localizada entre o bulbo e o mesencéfalo. Em sua face anterior apresenta o sulco basilar. O segmento mais caudal do SNC é a medula espinal, que está alojada no canal vertebral e se estende até a segunda vértebra lombar (L2). A medula espinal é uma via de transmissão de infor- mações sensitivas e motoras e também serve como centro integrador para os reflexos. As lesões medulares podem gerar perda do controle motor. Em sua morfologia externa, apresenta forma cilindroide, achatada no sentido ânteposterior, com dois sulcos que são denominados de fissura mediana anterior e sulco mediano posterior. Ao fim do cone medular, estende-se um filamento único denominado filamento terminal e, inferior- mente a L2 até o cóccix, observa-se a presença de filamentos que, em conjunto, formam a chama- da cauda equina. As intumescência cervical e a intumescência lombossacral representam um aumento no diâme- tro da medula espinal, dando origem à inervação dos membros superiores e inferiores. Na superfície da medula espinal é possível observar a conexão de filamentos nervosos deno- minados filamentos radiculares. A união desses filamentos forma os 31 pares de nervos espinais. Cada região medular conectada a um par de nervo espinal é chamada de segmento medular. Como são 31 pares de nervos espinais, há também 31 segmentos medulares. Esses segmentos são: oito segmentos medulares cervicais, doze segmentos medulares torácicos, cinco segmentos medulares lombares, cinco segmentos medulares sacrais e um segmento medular coccígeo. VÍDEO Para compreender sobre os reflexos medulares, assista ao vídeo “Sistema Nervoso/Neuroanato- mia – Arco Reflexo: reflexo de estiramento e de retirada”. Disponível em: https://bit.ly/2Vw8666. Acesso em: 02 fev. 2020. https://bit.ly/2Vw8666 U N ID A D E 0 1 18 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Para revisão dos conteúdos apresentados até aqui, leia o texto “Sistema Nervoso”. DANTAS, H. A. O. Sistema Nervoso. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3bfQxyc. Acesso em: 02 fev. 2020. LEITURA 2.2 VENTRÍCULOS E LÍQUIDO CEREBROSPINAL (LCE) As cavidades presentes no encéfalo são conhecidas como ventrículos, descritos como: ventrí- culos laterais (I e II ventrículo), localizados no telencéfalo; III ventrículo, localizado no diencéfalo; e IV ventrículo, localizado entre o tronco encefálico e o cerebelo. O líquido cerebrospinal (LCE), também conhecido como líquor, é produzido nos plexos corioi- deos (células ependimárias e vasos sanguíneos da pia-máter). É um líquido incolor, constituído por proteínas, ácido láctico, ureia, glicose e alguns linfócitos. Responsável pela proteção do sistema nervoso central contra lesões físicas e químicas, tem como funções: a proteção contra possíveis impactos dos ossos com o SNC, a eliminação de detritos, o fornecimento de nutrientes para o SNC, além de proteger contra microrganismos. É capaz, também, de levar oxigênio e outras substâncias necessárias do sangue para os neurônios e as células da glia. 2.3 SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP) Seus elementos componentes estão conectados ao SNC, recebem as informações de estímulo e são responsáveis pela condução dos impulsos nervosos. O SNP é constituído por nervos (feixes de fibras nervosas), gânglios nervosos (conjunto de cor- pos de neurônios) e terminações nervosas (dispositivos presentes na extremidade do nervo). Os nervos são cordões esbranquiçados, formados por fibras nervosas, sendo que cada fibra é envolta pelo endoneuro. Cada feixe nervoso (conjunto de fibras nervosas) é envolto pelo peri- neuro. Para formar os nervos, os feixes nervosos são envoltos por um revestimento denominado epineuro. Os nervos que apresentam conexão com o encéfalo são conhecidos como nervoscranianos, e os nervos que apresentam conexão com a medula espinal são os nervos espinais. Há 12 pares de nervos cranianos e 31 pares de nervos espinais. Os nervos são classificados como motores (eferentes), sensitivos (aferentes) e mistos. » Nervos motores: o impulso é conduzido do SNC para a periferia; » Nervos sensitivos: o impulso é conduzido da periferia para o SNC; » Nervos mistos: o impulso é conduzido nos dois sentidos. https://bit.ly/3bfQxyc U N ID A D E 0 1 19 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Os nervos espinais são denominados conforme a conexão com os segmentos medulares: oito pares de nervos cervicais, doze pares de nervos torácicos, cinco pares de nervos lombares, cinco pares de nervos sacrais e um par de nervos coccígeos (Figura 10). Os nervos espinais são classificados como mistos, pois são resultantes da união das fibras ner- vosas da raiz sensitiva e da raiz motora da medula espinal. FIGURA 10 - REPRESENTAÇÃO DOS PARES DE NERVOS CRANIANOS Fonte: Netter (2015). Os 12 pares de nervos cranianos são denominados: (I) olfatório, (II) óptico, (III) oculomotor, (IV) troclear, (V) trigêmeo, (VI) abducente, (VII) facial, (VIII) vestibulococlear, (IX) glossofaríngeo, (X) vago, (XI) acessório e (XII) hipoglosso. A maioria dos nervos cranianos apresenta conexão com o tronco encefálico, exceto os dois primeiros pares (I e II). CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo e a compreensão da anatomia básica e o seu direcionamento às áreas das ciências biológicas e da saúde norteam a formação acadêmica para melhor entender a organização do cor- po humano e sua futura aplicação na prática profissional. U N ID A D E 0 1 20 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Os termos anatômicos devem ser aplicados nas descrições relacionadas às estruturas do corpo humano, para melhor localizá-las e posicioná-las. A posição anatômica é padrão de referência para as descrições anatômicas e deve ser conside- rada nos estudos teórico-práticos. Quando o estudante consegue entender a posição de cada par- te constituinte do corpo, também consegue pontuar questões sobre a delimitação dos eixos e dos planos nas extremidades, intersecções, em simetria e geometria nas divisões do corpo humano. Em relação ao olhar sobre o conteúdo de sistema nervoso, é possível enxergar linhas impor- tantes do controle sistêmico, para maior compreensão do funcionamento do corpo humano. Os estudos anatômicos revelam as conexões entre regiões específicas do corpo e o SNC, sendo impor- tante, desse modo, estabelecer a relação entre os componentes de controle e as áreas ou funções controladas. ANOTAÇÕES UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE https://qrgo.page.link/dPL1z https://qrgo.page.link/ZDYMt https://qrgo.page.link/MP8UT 02 APARELHO LOCOMOTOR » Identificar os ossos do esqueleto axial e do esqueleto apendicular; » Caracterizar a estrutura interna e externa dos ossos; » Entender a classificação dos ossos; » Entender as diferenças entre os tipos de articulação; » Diferenciar os tipos de músculos; » Descrever a organização macroscópica do músculo estriado esquelético. https://qrgo.page.link/dPL1z https://qrgo.page.link/ZDYMt https://qrgo.page.link/MP8UT U N ID A D E 0 2 22 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A INTRODUÇÃO O aparelho locomotor é formado pela integração de três sistemas: esquelético, articular e mus- cular. Esses sistemas atuam na promoção do movimento, sendo que os músculos são componen- tes ativos do movimento, enquanto as articulações e os ossos representam o componente passivo. O esqueleto representa o conjunto de ossos do corpo. No indivíduo adulto, há aproximadamen- te 206 ossos, enquanto em um recém-nascido existe em torno de 270 ossos. Os ossos do corpo humano se juntam por meio das articulações e são responsáveis por oferecer um apoio ao sistema muscular, permitindo aos indivíduos executar vários movimentos. Aproximadamente 99% do cálcio do corpo está armazenado nos ossos, e muitos ossos possuem uma cavidade central que contém a medula óssea amarela. A medula óssea vermelha preenche os espaços internos da maioria dos ossos, apresentando capacidade hematopoiética (produção de células sanguíneas vermelhas). O sistema articular consiste no conjunto de articulações do corpo humano, sendo responsável por garantir movimentos como flexão, extensão, abdução, adução, circundução, rotação etc. O sistema muscular é responsável por modelar o corpo, pela locomoção e movimento de subs- tâncias, entre outras funções. A energia requerida pela contração muscular é fornecida por um composto chamado trifosfato de adenosina (ATP), substância produzida pelas células e largamente usada por elas numa variedade de processos que requerem gasto de energia. Em muitos animais, o tecido muscular é o tecido mais abundante. É um tecido especializado para contração e permite movimentos variados. Histologicamente, os músculos são constituídos por três tipos de tecido muscular: estriado esquelético, estriado cardíaco e liso ou visceral. O conteúdo apresentado nesta Unidade II foi baseado nas publicações de autores de Anatomia Hu- mana Básica, como: Miranda Neto et al. (2008); Tortora e Grabowski (2013); Moore e Dalley (2014). 1. SISTEMA ESQUELÉTICO E SISTEMA ARTICULAR Os ossos e as articulações formam o esqueleto humano. Eles servem para auxiliar os movimentos corporais, sustentar partes moles do corpo, proteger de órgãos vitais, produzir elementos do sangue e armazenar sais minerais e triglicerídeos, além de amortecerem impactos e evitarem o atrito. Na organização microscópica do tecido ósseo, observa-se a presença de substância óssea com- pacta e substância óssea esponjosa (Figura 1). Fonte: Shutt erstock. U N ID A D E 0 2 23 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 1 – ESTRUTURA DO OSSO LONGO Fonte: Moore; Dalley; Agur (2022, p. 22). 1.1 DISTRIBUIÇÃO DOS OSSOS POR SEGMENTO CORPORAL A. CABEÇA » Crânio: frontal, occipital, esfenoide, etmoide, parietais e temporais. » Face: nasais, lacrimais, maxilas, palatinos, zigomáticos, conchas nasais inferiores, vômer e mandíbula. B. PESCOÇO E TRONCO » Osso hioide. » Coluna vertebral: vértebras cervicais (I-VII); vértebras torácicas (I-XII); vértebras lombares (I-V); vértebras sacrais (I-V); e vértebras coccígeas (I- IV). » Caixa torácica: osso esterno e 12 pares de costelas. C. MEMBRO SUPERIOR » Ombro: escápula e clavícula (cíngulo escapular). » Braço: úmero. » Antebraço: rádio e ulna. » Mão: ossos do carpo (escafoide, semilunar, piramidal, pisiforme, trapézio, trapezoide, capitato e hamato), do metacarpo e falanges. U N ID A D E 0 2 24 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A D. MEMBRO INFERIOR » Quadril: ílio, ísquio e púbis (cíngulo pélvico). » Coxa: fêmur. » Joelho: patela. » Perna: tíbia e fíbula. » Pé: ossos do tarso (calcâneo, tálus, navicular, cuboide e cuneiformes medial, intermédio e late- ral), do metatarso e falanges. FIGURA 2 – OSSOS DO CORPO HUMANO Fonte: Larosa (2023, p. 29). O endósteo reveste a estrutura interna dos ossos, e, na estrutura externa, é encontrada uma membrana de revestimento chamada periósteo. A osteologia usa alguns critérios para classificação dos ossos (Figura 3), considerando suas di- mensões – como comprimento, largura ou espessura –, a presença de cavidades preenchidas por ar e o número geral. Os ossos contidos no interior de tendões são chamados de sesamoides, como, por exemplo, a patela e o pisiforme. O Quadro 1, a seguir, contempla as características dos ossos conforme sua classificação. U N ID A D E 0 2 25 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A QUADRO 1 - CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS CLASSIFICAÇÃO CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS LONGOS Maior comprimento em relação à largu-ra e à espessura. Presença de cavidade medular. Fêmur, tíbia, úmero, rádio. CURTOS Comprimento, espessura e largura se- melhantes. Ossos do carpo e do tarso. PLANOS Comprimento e largura maiores quando comparados à espessura. Parietal, esterno, ílio, escápula. ALONGADOS Maior comprimento em relação à largu- ra e à espessura. Ausência de cavidade medular. Costelas. IRREGULARES Sem forma definida. Vértebras, zigomático, mandíbula. PNEUMÁTICOS Apresentam uma ou mais cavidades no seu interior, revestidas por mucosa e preenchidas por ar. Temporal e seios paranasais (fron- tal, maxila, esfenoide e etmoide). Fonte: A autora (2020). FIGURA 3 – TIPOS DE OSSOS COM BASE NO FORMATO Fonte: Tortora; Derricks (2019, p. 200). U N ID A D E 0 2 26 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Medula óssea “A medula óssea é um órgão difuso, no entanto volumoso e muito ativo. No adulto saudável, pro- duz por dia aproximadamente de 2,5 bilhões de eritrócitos (hemácias), 2,5 bilhões de plaquetas e 1,0 bilhão de granulócitos por kg de peso corporal. Essa formação é ajustada com exatidão às necessidades do organismo. É encontrada no canal medular dos ossos longos e nas cavidades dos ossos esponjosos. Diferen- ciam-se da medula óssea vermelha, hematógena, que tem essa cor graças a numerosos eritróci- tos (hemácias) em diversos estágios de maturação; já a medula óssea amarela é abundante em células adiposas e que não apresentam células sanguíneas. [...] A medula óssea é uma fonte de células-tronco para outros tecidos, onde podem produzir diversos tecidos, e não apenas células sanguíneas. Possuindo um grande potencial de diferenciação, essas células tornam viável a produção de células especializadas que não são rejeitadas pelo organismo, uma vez que se originam da medula da própria pessoa. Depois de coletadas da medula óssea e isoladas por meio de marcadores específicos, as células-tronco são cultivadas em um meio que dirige a diferenciação para que possam originar as células especializadas que se anseia transplan- tar. Desse modo, podem ser então utilizadas para substituir as células de que o paciente carece. Nesse caso, o doador e o receptor são a mesma pessoa, e existe total histocompatibilidade, o que reduz exponencialmente a possibilidade de rejeição. Todos esses estudos ainda estão em desenvolvimento, porém os resultados parecem promissores.” Fonte: UNIFAL-MG (2020). 1.2 DIVISÃO DO ESQUELETO Didaticamente, o esqueleto humano é dividido em esqueleto axial (ossos da cabeça, coluna vertebral e cai- xa torácica) e esqueleto apendicular (ossos dos mem- bros superiores e inferiores). 1.2.1 CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DO ESQUELETO AXIAL O crânio (Figura 4) é um estojo ósseo dividido em neu- rocrânio (crânio neural) e viscerocrânio (crânio visceral). A cúpula do neurocrânio é chamada de calvária (Figura 5) e, na cavidade do crânio, observam-se três compartimen- tos: fossa anterior, fossa média e fossa posterior. Enquan- to o neurocrânio protege parte do SNC, o viscerocrânio abriga algumas vísceras do sistema respiratório, do siste- ma digestório e dos órgãos sensoriais. Fonte: Shutterstock. U N ID A D E 0 2 27 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 4 – VISTA FRONTAL DO CRÂNIO Fonte: Larosa (2023, p. 34). FIGURA 5 – CALVÁRIA – VISTA SUPERIOR DO CRÂNIO Fonte: Waschke et al. (2019, p. 417). U N ID A D E 0 2 28 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A No crânio do feto e do recém-nascido a ossificação é incompleta, pois as áreas de tecido fibroso que conecta os ossos da cabeça são mais amplas, denominadas de fontículos. À medida que a ida- de avança, pode ocorrer ossificação do tecido interposto (sinostose), fazendo com que as suturas desapareçam. Por sua vez, a caixa torácica (Figura 6) é um arcabouço ósseo constituído pelo osso esterno, por 12 pares de costelas, por cartilagens costais e por 12 vértebras torácicas. Ela aloja e protege órgãos como o coração, os pulmões, parte do esôfago etc. Os 12 pares de costelas podem ser classificados, conforme sua articulação com o osso esterno, como: costelas verdadeiras (I a VII); costelas falsas (VIII a X); e costelas flutuantes (XI e XII). Consi- derando a sua morfologia, pode-se classificar as costelas como típicas e atípicas. As costelas são consideradas típicas da III à X, pois apresentam acidentes ósseos semelhantes, enquanto que as costelas atípicas I, II, XI e XII são morfologicamente diferentes. FIGURA 6 - CAIXA TORÁCICA – VISTA ANTERIOR Fonte: Tortora; Derricks (2019, p. 231). A coluna vertebral (Figura 7) é o principal eixo de sustentação do corpo. Possui forma semelhan- te à letra “S”, com curvaturas normais (Quadro 2), conhecidas como lordoses e cifoses. Apresenta um canal ósseo, denominado canal vertebral, que aloja e protege a medula espinal. É constituída por 33 vértebras: sete vértebras cervicais, doze vértebras torácicas, cinco vértebras lombares, e pelos ossos sacro (cinco vértebras sacrais) e coccígeo (quatro vértebras sacrais). U N ID A D E 0 2 29 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 7 - VISTA POSTERIOR DA COLUNA VERTEBRAL Fonte: Tortora; Derrickson (2019, p. 219). As curvaturas da coluna podem sofrer alterações por má postura. Quando acentuadas, essas al- terações resultam em desvios patológicos, que, por sua vez, podem gerar compressão das raízes dos nervos espinais. Os principais desvios são conhecidos como: hipercifose (curvatura primária acentu- ada); hiperlordose (curvatura secundária acentuada); e escoliose (desvio lateral da coluna vertebral). QUADRO 2 - COMPARAÇÃO DAS CURVATURAS PRESENTES NA COLUNA VERTEBRAL DE UM ADULTO NORMAL CURVATURAS CARACTERÍSTICA DENOMINAÇÃO 1. CERVICAL Possui concavidade posterior (curvatura secundária). Lordose 2. TORÁCICA Possui concavidade anterior (curvatura primária). Cifose 3. LOMBAR Possui concavidade posterior (curvatura secundária). Lordose 4. SACROCOCCÍGEA Possui concavidade anterior (curvatura primária). Cifose Fonte: A autora (2020). U N ID A D E 0 2 30 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Assista ao vídeo “Lordose e Cifose: conheça as curvaturas da coluna vertebral” para entender mais sobre esses desvios posturais: Disponível em: https://bit.ly/3sIXRN5. Acesso em: 31 out. 2022. VÍDEO 1.2.2 CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DO ESQUELETO APENDICULAR Os membros apresentam um cíngulo (parte radicular, presa ao tronco) e outra parte livre. No membro superior, os ossos que formam o ombro são a escápula e a clavícula, as quais, em conjunto, formam o cíngulo escapular, que representa a raiz do membro superior. Os ossos do braço (úmero), antebraço (rádio e ulna) e da mão (carpo, metacarpo e falanges) formam a parte livre do membro superior. No membro inferior, os ossos do quadril (ílio, ísquio e púbis) formam o cíngulo pélvico, que re- presenta a raiz do membro inferior. Os ossos da coxa (fêmur), joelho (patela), perna (tíbia e fíbula) e do pé (tarso, metatarso e falanges) formam a parte livre do membro inferior. 1.3 ARTICULAÇÕES Após o entendimento da estrutura e organização dos ossos, é importante o estudo das articu- lações. Articulações representam a união entre dois ou mais ossos e têm as seguintes funções: compor o esqueleto; permitir que o crescimento ósseo ocorra; mudar de forma durante o parto; e capacitar a movimentação corporal em resposta à contração muscular. Os principais movimentos articulares são flexão, extensão, adução, abdução, deslizamento, rotação e circundução. Um esqueleto humano saudável representa 14% do peso corporal, sendo que mais da metade dos ossos está presente nas mãos e nos pés. O único osso que não se liga a nenhum outro é o hioide, situado abaixo do maxilar, sendo suportado apenas pelos músculos do pescoço. SAIBA MAIS Como podemos diferenciar o esqueleto de uma mulher do esqueletode um homem? As diferenças básicas entre o esqueleto feminino e o masculino é que, nos homens, o tórax, o sacro e o comprimento dos ossos dos membros são maiores que nas mulheres. A pelve é menor e mais estreita nos homens em relação à das mulheres. Já os ossos cranianos do homem têm sali- ências e sua fronte é achatada, enquanto o crânio da mulher é mais liso e a fronte é reta. REFLITA https://bit.ly/3sIXRN5 U N ID A D E 0 2 31 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A As articulações apresentam certos aspectos estruturais e funcionais em comum, que permitem classificá-las em três grandes tipos: fibrosas, cartilagíneas e sinoviais. O critério para essa classifi- cação é a diferença no tecido conectivo e a mobilidade. As articulações fibrosas se subdividem em suturas, sindesmoses e gonfoses. Do ponto de vista funcional, são imóveis, denominadas como sinartroses e têm como tecido conectivo o tecido con- juntivo fibroso. Essas articulações conferem elasticidade entre as peças ósseas envolvidas. » Suturas: encontradas somente entre os ossos do crânio, apresentando formas variáveis, poden- do ser: serrátil ou serrilhada; escamosa ou retilínea; » Sindesmoses: encontradas entre ossos que estão unidos por uma faixa longa de tecido conjun- tivo fibroso, formando uma membrana interóssea; » Gonfoses: encontradas entre as raízes dos dentes e seus respectivos alvéolos dentais. FIGURA 8 – SUBTIPOS E EXEMPLOS DA ARTICULAÇÃO FIBROSA Fonte: Tortora; Derrickson (2019, p. 264). U N ID A D E 0 2 32 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Para entender melhor sobre as suturas em recém-nascidos, acesse o material “Fontanelas e fon- tículos”, que apresenta texto, imagens e vídeo a esse respeito. ACADEMIA PAPEL E CANETA. Fontanelas e fontículos. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3U3ao9I. Acesso em: 05 fev. 2020. SAIBA MAIS QUADRO 3 - TIPOS DE CARTILAGENS ENCONTRADAS NAS ARTICULAÇÕES TIPO CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS CARTILAGEM HIALINA Formada por densas fibras colágenas. Flexibilidade; Sustentação. Cartilagem epifisária; Sincondrose esternocostal. CARTILAGEM FIBROSA Formada por fibras colágenas de alta densidade, suporta altas pressões. Resistência; Elasticidade. Cartilagem epifisária; Fonte: A autora (2020). As articulações cartilagíneas apresentam tipos de cartilagem diferentes (Quadro 3). São consi- deradas semimóveis e denominadas de anfiartroses e têm a cartilagem como tecido conectivo. A cartilagem hialina caracteriza as sincondroses e a cartilagem fibrosa caracteriza as sínfises. As articulações sinoviais apresentam seis subtipos, de acordo com a forma em que as peças ósseas se articulam. Do ponto de vista funcional, são móveis e denominadas como diartroses. As articulações móveis apresentam uma estrutura complexa e anexos articulares. Essa estrutura é caracterizada pela presença de cápsula articular, cartilagem articular, líquido articular e cavidade articular. Os anexos estão presentes em algumas articulações sinoviais; entre eles, estão os meniscos, ligamentos e discos articulares. Os principais subtipos (Figura 9) de articulações sinoviais são classificados conforme o formato das faces articulares envolvidas. » Esferoide: articula-se por meio de uma superfície esférica com uma determinada cavidade; » Gínglimo: o lado convexo do osso se liga ao lado côncavo do seu correspondente; » Trocoide: a face semicilíndrica de um osso se liga em um anel formado parcialmente por osso e parcialmente por ligamentos; » Selar: parte côncava de um osso em direção à parte convexa de outro; » Condilar: possui uma face articular saliente (côndilo), que se articula com a cavidade de outro osso. » Plana: faces planas, que se deslizam umas sobre as outras. https://bit.ly/3U3ao9I U N ID A D E 0 2 33 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 9 - PRINCIPAIS ARTICULAÇÕES Fonte: Moore; Dalley; Agur (2022, p. 27). 2. SISTEMA MUSCULAR Os músculos representam o componente ativo do aparelho locomotor, pois possuem capa- cidade contrátil. Entre suas principais funções, estão: produção de calor, modelação do corpo, locomoção, estabilização das posições corporais, regulação do volume dos órgãos e movimento de substâncias. U N ID A D E 0 2 34 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Os músculos são classificados de acordo com o controle nervoso (músculos voluntários e invo- luntários) e de acordo com a organização histológica (músculo liso, músculo estriado cardíaco e músculo estriado esquelético). O músculo liso não possui estriações transversais. Apresenta controle autônomo e, por isso, é considerado involuntário, sendo encontrado nas paredes das vísceras ocas. Já o músculo estriado cardíaco possui estriações transversais, apresenta controle autônomo e é involuntário. Está presente na camada média da parede do coração, denominada miocárdio. E o músculo estriado esquelético possui estriações transversais, na maioria das vezes é voluntário e está preso ao esqueleto. Nesta Unidade, será destacado especificamente o músculo estriado esquelético. As fibras musculares esqueléticas estão organizadas em feixes, que são envolvidos por uma cama- da de tecido conjuntivo, o epimísio. Do epimísio partem septos muito finos, chamados de perimísio, que se dirigem para o interior do músculo, dividindo-o em fascículos. Cada fibra muscular, por sua vez, é envolvida por uma camada muito fina de fibras reticulares, formando o endomísio (Figura 10). FIGURA 10 - ENVOLTÓRIOS DOS MÚSCULOS Fonte: Tortora; Derrickson (2019, p. 199). A unidade motora representa a menor parte de um músculo capaz de contrair-se isoladamente. Do ponto de vista morfológico, é o conjunto de fibras musculares inervadas pela arborização ter- minal de um único neurônio motor. Durante a contração muscular, na contração isométrica não ocorre movimento de qualquer segmento do esqueleto. Há um aumento na tensão das fibras musculares e se mantém o com- primento do músculo. Na contração isotônica, as fibras musculares se encurtam, o tamanho do músculo é diminuído e a tensão de suas fibras não é alterada. Macroscopicamente, é possível diferenciar, no músculo esquelético, o ventre muscular e as conexões terminais. U N ID A D E 0 2 35 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A A porção carnosa e avermelhada do músculo é chamada de ventre muscular, representando a porção contrátil (ativa). As conexões terminais são as extremidades do músculo que podem ser denominadas de tendões e aponeuroses. A origem e a inserção dos músculos representam os pontos de fixação muscular. Os tendões são fixados em acidentes ósseos, em cartilagens e em estratos da pele, sendo que, durante o mo- vimento, a origem permanece fixa e a inserção se desloca. O músculo estriado esquelético pode ser classificado de acordo com a forma, a produção de mo- vimentos, a localização, a organização dos feixes musculares e a quantidade de cabeças e ventres. QUADRO 4 - CLASSIFICAÇÃO ANATÔMICA DOS MÚSCULOS ESQUELÉTICOS CRITÉRIO DE CLASSIFICAÇÃO CARACTERÍSTICAS Forma Apresenta formato semelhante a uma forma geométrica. Produção de movimentos Podem ser flexores, extensores, adutores, abdutores, pronadores etc. Localização Músculos cutâneos estão localizados abaixo da pele. Músculos profundos estão localizados abaixo da fáscia superficial. Organização dos feixes musculares Apresentam arranjos: circular, paralelo, fusiforme, convergente, uni- penado, bipenado e multipenado. Número de cabeças Apresentam duas ou mais extremidades e um ventre. Podem ser classificados como bíceps, tríceps e quadríceps. Número de ventres Digástricos (dois ventres). Poligástrico (três ou mais ventres). Fonte: A autora (2020). No indivíduo adulto, por volta dos 30 anos, começa uma progressiva e contínua perda de massa muscular esquelética, que será substi-tuída em grande parte por tecido conjuntivo fibroso e por tecido adiposo. Em parte, esse declínio ocorre devido ao aumento da inati- vidade, pois a quantidade de massa muscular depende da atividade física do sujeito. O en- velhecimento também resulta em declínio da força muscular e dos reflexos musculares. Sobre os músculos presentes em diferentes par- tes do corpo e seus critérios de nomenclatura, in- dicamos o estudo das páginas 111 a 116 da obra Anatomia humana: aprendizagem dinâmica, de Miranda Neto et al. (2008). MIRANDA NETO, M. H. et al. Anatomia humana: aprendizagem dinâmica. Maringá: Clichetec, 2008. LEITURA Para complementar as informações aqui apresentadas sobre o sistema muscular, assista ao vídeo “Anatomia Humana – Sistema Muscular – Introdução”. Disponível em: https://bit.ly/3ckmWUh. Acesso em: 06 fev. 2020. VÍDEO https://bit.ly/3ckmWUh U N ID A D E 0 2 36 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A 2.1 CONDIÇÕES DE IMPORTÂNCIA CLÍNICA As doenças do músculo e da junção neuromuscular constituem um grupo heterogêneo de dis- túrbios adquiridos e hereditários. Quando se manifestam, os sintomas são variados e incluem fadi- gabilidade, enfraquecimento da musculatura esquelética, atrofia, cãibras musculares ou mialgias e comprometimento da função dos músculos respiratórios, faríngeos, faciais e oculares. Em geral, os músculos proximais (os mais próximos do tronco) são mais severamente afetados do que os músculos distais (os mais afastados do tronco ou do ponto de origem) (DALAKAS, 2011). Os indivíduos afetados costumam relatar uma dificuldade crescente para executar as tarefas diárias que requerem predominantemente o uso da musculatura proximal, como levantar-se de uma cadeira, subir escadas, levantar objetos. Os movimentos motores precisos, que dependem da força dos músculos distais, como abotoar uma camisa, agarrar objetos, elevar os pés, são afe- tados em fases mais tardias do curso das doenças. O enfraquecimento crônico quase sempre está associado ao desgaste muscular (DALAKAS, 2011). A seguir, estão descritas algumas das condições clínicas mais relevantes. I. Osteoporose: É um quadro clínico em que uma redução da densidade dos ossos enfraquece os ossos, tornando-os suscetíveis à fratura. II. Artrite: É a inflamação em uma ou mais articulações. III. Atrofia muscular: É a redução de tamanho dos músculos devido a diminuição e morte das cé- lulas musculares, pode ser generalizada ou localizada. IV. Cãibras: São contrações musculares involuntárias e dolorosas, que demoram para relaxar, po- dendo ocorrer durante um exercício ou no descanso. Podem ser causadas por baixo suprimento de oxigênio nos músculos, por estimulação do sistema nervoso ou por exercícios pesados (de- vido aos baixos níveis de íons sódio e cloreto no sangue). V. Distrofia muscular: Refere-se a um grupo de doenças caracterizadas pelo progressivo enfra- quecimento muscular, devido à degeneração das células musculares, aumento de tecido con- juntivo ou substituição de células musculares por tecido adiposo. VI. Miastenia grave: É uma condição crônica caracterizada por extremo enfraquecimento mus- cular. É causada por uma resposta anormal do sistema imunitário do corpo, que provoca uma interferência na transmissão do impulso nervoso ao nível da junção neuromuscular. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os ossos, as articulações e os músculos são componentes passivos e ativos da locomoção do corpo, além de gerarem sustentação e proteção, entre outras funções. Os ossos do esqueleto podem variar quanto a fatores etários, fatores individuais e critérios de contagem (ossos supranumerários). Podem ser classificados como: osso longo, osso curto, osso plano, osso irregular, osso pneumático e osso sesamoide. U N ID A D E 0 2 37 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A O sistema articular é formado por articulações ou junturas que estão diretamente responsá- veis por realizar diversos movimentos de vários segmentos do nosso corpo. Apesar das variações entre as articulações, observamos alguns aspectos estruturais e funcionais em comum a todas elas. Os três grandes grupos são: as articulações fibrosas (sinartroses) ou imóveis; as cartilagíneas (anfiartroses) ou com movimentos limitados; e as sinoviais (diartroses), que são as articulações de movimentos amplos. Os músculos são estruturas anatômicas de formas e comprimentos variáveis, caracterizados pela contração, sendo ligados aos ossos por meio de tendões. Esse sistema é de grande importân- cia para o funcionamento do corpo, pois constantemente estamos usando os músculos de maneira voluntária, como por exemplo, ao levantar um objeto, e involuntariamente, no caso dos movimen- tos peristálticos de alguns órgãos do abdome e os batimentos do coração. ANOTAÇÕES UNIDADE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM VÍDEOS DA UNIDADE https://qrgo.page.link/Z6mmy https://qrgo.page.link/jU2pz https://qrgo.page.link/Twq5G 03 SISTEMA CARDIO- VASCULAR, SISTEMA LINFÁTICO E SISTEMA RESPIRATÓRIO » Identificar e reconhecer a morfologia interna e externa do coração; » Descrever o trajeto do sangue da circulação sistêmica e pulmonar; » Caracterizar a rede vascular linfática; » Descrever a anatomia da via aérea superior e via aérea inferior; » Reconhecer a morfologia dos segmentos do sistema respiratório; » Compreender a mecânica da respiração. https://qrgo.page.link/Z6mmy https://qrgo.page.link/jU2pz https://qrgo.page.link/Twq5G U N ID A D E 0 3 39 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A INTRODUÇÃO O sangue é considerado um tipo especial de tecido conjuntivo, que apresenta funções de trans- porte, regulação e defesa. Transporte de oxigênio para as células do corpo e dióxido de carbono para os pulmões. Também, é responsável por transportar nutrientes e hormônios. Regulação, au- xilia na homeostasia dos líquidos corporais, regulação do pH e da temperatura corporal. Proteção, como o sangue é capaz de coagular, gera assim, proteção contra sua própria perda, em detrimento de possíveis lesões. Além de terem a proteção dos leucócitos, responsáveis pela fagocitose de mi- crorganismos e ainda possuem proteção através de proteínas como anticorpos. Para que ocorra a circulação do sangue há um sistema fechado de vasos sanguíneos e uma bomba propulsora, o coração. Durante a troca gasosa nos tecidos, os capilares sanguíneos são responsáveis pela troca de subs- tâncias entre os tecidos e o sangue, no entanto, não são todas as substâncias que conseguem ser re- tiradas pelos capilares sanguíneos. E o líquido que fica acumulado é denominado líquido intersticial. Quando o líquido intersticial é drenado é chamado de linfa, que é coletado e devolvido para a corrente sanguínea. O sistema responsável pela drenagem e circulação da linfa é conhecido como sistema linfático. O sistema linfático compreende uma rede vascular responsável pela drenagem do líquido intersticial, linfonodos e órgãos linfáticos. Além da drenagem da linfa, esse sistema atua na defesa do organismo e tem um papel importante na absorção intestinal de gorduras e de vita- minas lipossolúveis. A zona respiratória dos pulmões é a região que contém os alvéolos (pequenos sacos aéreos, com paredes finas onde ocorrem as trocas gasosas). Os gases (oxigênio e gás carbônico) passam entre alvéolos e capilares pulmonares por difusão, através da membrana respiratória. No sistema respiratório, serão descritas as características anatômicas dos pulmões e da via condutora do ar. Esta Unidade foi baseada nas publicações dos autores de Anatomia Humana Básica como Mi- randa Neto et al. (2008); Standring (2010), Tortora (2017), Moore (2014). 1. SISTEMA CARDIOVASCULAR E SISTEMA LINFÁTICO 1.1 ANATOMIA DO CORAÇÃO O coração está alojado na cavidade torácica, localizado no mediastino, entre os dois pulmões, ocupa posição oblíqua com leve inclinação para a esquerda (figura 1). Apresenta formato semelhantea um cone invertido, com duas regiões distintas: base do coração e ápice do coração. Em sua mor- U N ID A D E 0 3 40 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A fologia externa se observam as faces (esternocostal, pulmonar e diafragmática) e os vasos da base. Entre os vasos da base observa-se a veia cava superior, tronco pulmonar, artérias pulmonares, veias pulmonares, artéria aorta, artérias carótidas comuns e artérias subclávias. FIGURA 1 - LOCALIZAÇÃO E REGIÕES DO CORAÇÃO Fonte: Marieb (2014, p. 587). Em sua morfologia interna (Figura 2), o coração apresenta as câmaras cardíacas denominadas de átrios e ventrículos. São dois átrios (AD e AE) e dois ventrículos (VD e VE). Os átrios estão separados pelo septo interatrial, enquanto que os ventrículos estão separados pelo septo interventricular. A comunicação entre o átrio direito (AD) e ventrículo direito (VD) ocorre através do óstio atrio- ventricular direito e a comunicação entre o átrio esquerdo (AE) e ventrículo esquerdo (VE) por meio do óstio atrioventricular esquerdo. Os óstios de comunicação entre átrio e ventrículo apresentam valvas para controle do fluxo san- guíneo. Sendo que as três válvulas encontradas no óstio atrioventricular direito, formam a valva atrioventricular direita. E no óstio atrioventricular esquerdo, há duas lâminas triangulares, cha- madas de válvula cúspide, que formam a valva atrioventricular esquerda. U N ID A D E 0 3 41 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A FIGURA 2 - ESTRUTURA INTERNA DO CORAÇÃO Fonte: Tortora; Derrickson (2019, p. 699). Considerando a estratigrafia, o cora- ção tem três estratos, denominados de: » Endocárdio: é o estrato interno, re- presenta a camada mais delgada que reveste a estrutura interna do cora- ção. É uma membrana impermeável ao sangue; » Miocárdio: é o estrato muscular, re- presenta a camada média e mais es- pessa do coração, constituída por fi- bras musculares estriadas cardíacas; » Pericárdio: é o estrato externo, repre- senta uma membrana (figura 3) que envolve e protege o coração. Apresen- ta lâminas distintas sendo, uma fibrosa e duas serosas. FIGURA 3 - VISTA ANTERIOR DAS VÍSCERAS TORÁCICAS DE UM ADULTO (FOI FEITA UMA JANELA NO PERICÁRDIO FIBROSO) Fonte: Colicigno et al. (2009, p. 151). U N ID A D E 0 3 42 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A As fibras cardíacas especializadas na propagação de potenciais de ação que formam o sistema excito-condutor do coração determinam a contração do coração. Macroscopicamente não é pos- sível distinguir os elementos intrínsecos, mas sabe-se que algumas regiões onde as fibras são mais numerosas e são denominadas de nodo sinoatrial (marcapasso natural situado na parede do AD, próximo ao óstio da veia cava superior), nodo atrioventricular (situado na parede do AD próximo ao septo interatrial), feixe atrioventricular (situado na extensão do septo interventricular) e plexo subendocárdico (ramificações do feixe atrioventricular distribuídos nas paredes dos ventrículos). O controle do ritmo cardíaco também é realizado pela inervação extrínseca do coração, que é formada por elementos simpático e parassimpático do sistema nervoso autônomo (SNA) e os núcleos do centro de controle da frequência cardíaca. Arritmias são alterações no ritmo cardíaco causados pelo alcoolismo, tabagismo, excesso no consumo de café, íons, hormônios e algumas doenças. 1.2 VASOS SANGUÍNEOS Os vasos sanguíneos são túbulos cilíndricos responsáveis pela circulação do sangue no corpo humano. São chamados de capilares sanguíneos, veias e artérias. Os capilares sanguíneos são vasos microscópicos que apresentam uma extremidade arterial e uma extremidade venosa. Os capilares formam uma extensa rede responsável pela troca do san- gue com os tecidos. À medida que o sangue arterial passa pelos capilares sanguíneos, as trocas vão ocorrendo, e o sangue vai tornando-se gradativamente venoso. As veias são vasos aferentes, realizam o retorno venoso. Podem ser musculares (grande e mé- dio calibre) e as menores veias são chamadas vênulas. A maioria das veias participa da drenagem dos tecidos corporais. As veias são estruturas cilíndricas responsáveis por recolher o sangue que sofreu trocas gasosas com os tecidos do corpo de volta ao coração. As veias podem ser divididas pelo grande, médio e pequeno calibre e vênulas. Elas são menos calibrosas e em maior quantidade do que as artérias. Para entender melhor sobre a atividade elétrica do coração, assista ao vídeo “Atividade elétrica do coração”. Disponível em: https://bit.ly/2z6tIyE. Acesso em 12 abr. 2020. REFLITA VÍDEO Durante a ausculta dos sons do coração, pode se ouvir os ruídos do funcionamento das valvas car- díacas. Caso ausculte sons anômalos deste funcionamento, pode ocorrer alteração do fluxo do san- gue? Por quê? Acesse o link: https://bit.ly/3gXKNRp e entenda por que! Acesso em 12 abr. 2020. https://bit.ly/2z6tIyE https://bit.ly/3gXKNRp U N ID A D E 0 3 43 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A As artérias são vasos eferentes, que se originam direta ou indiretamente da aorta e do tronco pulmonar. Podem ser elásticas (grande calibre), musculares (médio calibre) e as menores artérias são chamadas arteríolas. A maioria das artérias participa da irrigação dos tecidos corporais. As artérias são tubos cilindroides e elásticos que conduzem o sangue oxigenado do coração para as demais estruturas corpóreas. As artérias têm uma elasticidade que se adapta à demanda de fluxo sanguíneo e permite o controle dos níveis pressóricos. Sua espessura está diretamente re- lacionada à composição tecidual das camadas que formam este tipo de vaso. De acordo com esta composição, elas podem dividir-se em artérias de grande, médio e pequeno calibre e arteríolas. O pulso arterial é mais facilmente palpável nas artérias: radial, carótida comum, temporal su- perficial, femoral, poplítea e dorsal do pé. Tanto as veias quanto as artérias se encontram em estratos profundos e superficiais no corpo, são nomeadas conforme a região corporal ou órgão ou víscera onde se localizam (Figura 4). Anastomose é a comunicação entre os vasos sanguíneos que são responsáveis por fazer com que o sangue atinja algum lugar no corpo, por caminhos diferentes, ou ainda, quando necessário, um maior volume de sangue pode chegar mais rapidamente em algum órgão ou tecido. FIGURA 4 - PRINCIPAIS VEIAS E ARTÉRIAS DO CORPO HUMANO Fonte: Moore; Dalley; Agur (2022, p. 39). U N ID A D E 0 3 44 UN IB RA SI L EA D | A NA TO M IA H UM AN A - T EO RI A Para entender sobre a distribuição e denominações das principais veias e artérias, leia o Capítulo 21 - Sistema Circulatório - Vasos sanguíneos e hemodinâmica, do Livro: TORTORA, Gerard J.; DER- RICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 14 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527728867 LEITURA 1.3 CIRCULAÇÃO DO SANGUE O sangue flui por circuitos separados, denominados de circulação pulmonar e circulação sistê- mica venosa e arterial. Cada circuito tem trajetos distintos, começa e termina no coração e contem artérias, capilares e veias. Observe na figura 5, que as setas indicam a direção do fluxo sanguíneo no interior de cada circuito. A pequena circulação é chamada de circulação pulmonar e a grande circulação é chamada de circulação sistêmica. É importante observar que na circulação pulmonar o sangue venoso, do átrio direito é conduzido para os pulmões e retorna como sangue arterial, após processo de oxigenação, para o átrio esquerdo. Na circulação sistêmica, o sangue arterial é distribuído para os tecidos do corpo e retorna com o sangue venoso para o átrio direito. FIGURA 5 - VISÃO GERAL DAS CIRCULAÇÕES PULMONAR E SISTÊMICA Fonte: Silverthorn (2017). https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527728867