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Magali Aparecida Camazano
Contabilidade atuarial
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AL
A Série Universitária foi desenvolvida pelo Senac São Paulo 
com o intuito de preparar profissionais para o mercado de 
trabalho. Os títulos abrangem diversas áreas, abordando 
desde conhecimentos teóricos e práticos adequados às 
exigências profissionais até a formação ética e sólida.
Contabilidade atuarial traz um tema de extrema 
relevância para profissionais e estudantes das áreas 
atuarial e contábil-financeira, mas pouco elucidado por 
autores e, consequentemente, carente de referências 
bibliográficas. Sem a pretensão de esgotar o tema, este 
livro tem por objetivo proporcionar uma contribuição 
contemporânea acerca dos conceitos essenciais 
relacionados ao setor securitário, sua regulamentação 
e a contabilidade aplicável às principais operações 
das seguradoras, notadamente os prêmios de seguros 
(emissão direta, cosseguro aceito e resseguro) e 
respectivas provisões de prêmios não ganhos (PPNG); 
ativos garantidores e provisões para sinistros (avisados e 
não avisados). A obra apresenta uma abordagem de fácil 
assimilação, atualizada com as normas internacionais 
de contabilidade aplicáveis às entidades de seguros e 
referendadas pela Superintendência de Seguros Privados 
(Susep) até o exercício de 2023.
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.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Simone M. P. Vieira – CRB 8a/4771)
Camazano, Magali Aparecida.
  Contabilidade atuarial / Magali Aparecida Camazano. – São Paulo: 
Editora Senac São Paulo, 2024. (Série Universitária)
  Bibliografia.
  e-ISBN 978-85-396-4589-3 (ePub/2024)
  e-ISBN 978-85-396-4588-6 (PDF/2024)
  1. Ciência atuarial 2. Seguro 3. Legislação contábil I. Título. 
II. Série.
24-2144r CDD – 657
 BUS001000
Índice para catálogo sistemático:
1. Contabilidade 657
CONTABILIDADE 
ATUARIAL
Magali Aparecida Camazano
Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo
Presidente do Conselho Regional
Abram Szajman
Diretor do Departamento Regional
Luiz Francisco de A. Salgado
Superintendente Universitário e de Desenvolvimento
Luiz Carlos Dourado
Editora Senac São Paulo
Conselho Editorial
Luiz Francisco de A. Salgado 
Luiz Carlos Dourado 
Darcio Sayad Maia 
Lucila Mara Sbrana Sciotti 
Luís Américo Tousi Botelho
Gerente/Publisher
Luís Américo Tousi Botelho 
Coordenação Editorial
Verônica Pirani de Oliveira
Prospecção
Dolores Crisci Manzano
Administrativo
Marina P. Alves
Comercial
Aldair Novais Pereira
Coordenação de Arte
Antonio Carlos De Angelis
Coordenação de E-books
Rodolfo Santana
Coordenação de Revisão de Texto
Marcelo Nardeli
Acompanhamento Pedagógico
Otacília da Paz Pereira
Designer Educacional
Ágatha Veiga
Revisão Técnica
Marta Aparecida Martins Xavier
Preparação e Revisão de Texto
Cibele Machado
Projeto Gráfico
Alexandre Lemes da Silva 
Emília Corrêa Abreu
Capa
Antonio Carlos De Angelis
Editoração Eletrônica e Ilustrações
Leonardo Miyahara
Imagens
Adobe Stock Photos
Proibida a reprodução sem autorização expressa.
Todos os direitos desta edição reservados à
Editora Senac São Paulo
Av. Engenheiro Eusébio Stevaux, 823 – Prédio Editora
Jurubatuba – CEP 04696-000 – São Paulo – SP
Tel. (11) 2187 4450
editora@sp.senac.br
https://www.editorasenacsp.com.br
© Editora Senac São Paulo, 2024
Sumário
Capítulo 1
Atividade atuarial, 7
1 Ciência atuarial, 8
2 Campo de atuação da atuária, 8
3 Sistema Financeiro Nacional 
(SFN) e mercado segurador, 9
4 Órgãos de regulamentação 
e supervisão do mercado 
segurador, 11
5 Entidades supervisionadas 
pela Susep: uma visão geral, 12
6 O papel dos profissionais: 
atuários versus contadores, 15
Considerações finais, 16
Referências, 16
Capítulo 2
Operações de seguros, 19
1 Seguro: conceitos fundamentais, 20
2 Prêmio de seguro e sinistro, 20
3 Cosseguro aceito e cedido, 
resseguro e retrocessão, 21
4 Risco e solvência, 23
5 Provisões técnicas, 23
6 Ativos garantidores, 25
Considerações finais, 25
Referências, 26
Capítulo 3
Normas e aspectos contábeis 
aplicáveis às entidades 
supervisionadas pela Susep, 29
1 Legislação contábil e 
convergência aos padrões 
internacionais de contabilidade, 30
2 Hierarquia dos normativos 
do arcabouço contábil aplicável 
às entidades supervisionadas 
pela Susep, 31
3 Plano de contas e demonstrações 
contábeis (DCs), 32
4 Formulário de informações 
periódicas (FIP), 33
5 Nota técnica atuarial, 34
6 Auditoria atuarial, 34
Considerações finais, 35
Referências, 35
Capítulo 4
Reconhecimento inicial e 
mensuração subsequente 
das principais operações 
de seguros – Parte 1, 37
1 Contabilização de operações 
de seguros: prêmios, receitas, 
IOF, despesa de comercialização 
diferida, PPNG, 38
2 Contabilização de operações 
de cosseguro cedido e aceito, 43
3 Contabilização de operações 
de resseguro cedido, 45
4 Cancelamento de apólice, 48
Considerações finais, 48
Referências, 49
6 Contabilidade atuarial
Capítulo 5
Reconhecimento inicial e 
mensuração subsequente 
das principais operações de 
seguros – Parte 2, 51
1 Ativos garantidores, 52
2 Reconhecimento de 
sinistros e pagamento, 55
3 Salvados e ressarcidos, 58
Considerações finais, 60
Referências, 61
Capítulo 6
Seguros: estudo de 
caso contábil, 63
1 Contabilização de operações 
de seguros: emissão direta, 64
2 Apresentação das 
demonstrações contábeis da 
seguradora ABC S. A., 69
Considerações finais, 70
Referências, 71
Capítulo 7
Benefícios a empregados, 73
1 CPC 33 – Benefícios a 
empregados: conceitos e 
definições essenciais, 74
2 Tipos de benefícios a 
empregados: conceitos e 
fundamentos contábeis, 74
Considerações finais, 79
Referências, 80
Capítulo 8
Contratos de seguros, 81
1 Contrato de seguro: fase I, 82
2 Contrato de seguro: fase II, 83
Considerações finais, 86
Referências, 87
Sobre a autora, 91
M
aterial para uso exclusivo de aluno m
atriculado em
 curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com
partilham
ento digital, sob as penas da Lei. ©
 Editora Senac São Paulo. 7
Capítulo 1
Atividade atuarial
O presente capítulo tem por objetivo apresentar os conceitos introdu-
tórios acerca do segmento securitário, notadamente acerca das opera-
ções de seguros, servindo como apoio conceitual para a compreensão 
dos conteúdos vindouros nos demais capítulos da obra, que pretendem 
traçar um panorama dos fundamentos práticos da contabilidade aplicá-
vel às operações de seguros, habitualmente designada como contabili-
dade atuarial.
Para tanto, servimo-nos das bases de constituição e regulamentação 
do Sistema Financeiro Nacional (SFN) quanto ao que concerne o mer-
cado segurador que, conceitualmente, além das operações de seguros, 
8 Contabilidade atuarial
abrange também as operações de previdência complementar aberta ou 
fechada, capitalização e resseguros.
Por fim, procuramos delimitar os papéis e responsabilidades dos pro-
fissionais contador e atuário, que habitualmente interagem de forma 
sinérgica. 
1 Ciência atuarial
A ciência atuarial ou simplesmente atuária é o ramo do conhecimento 
dedicado à mensuração e à gestão de riscos financeiros por meio do 
emprego de teorias econômicas, modelos matemáticos e estatísticos, 
probabilísticos, de finanças, etc. 
A ciência atuarial teve início há séculos, quando não havia uma clara 
definição acerca do risco. Igualmente, o entendimento do seguro mais 
se assemelhava a um jogo de azar e somente com os avanços matemá-
ticos foi possível a evolução da atividade de seguros e consequente for-
mação dos critérios atuariais aplicáveis nos dias atuaisR$ 1.022,20
 • Marcação a mercado – MtM: R$ 9,70 (R$ 1.022,20 – R$ 1.012,50)
ATIVO
Banco conta movimento
5.000,00 1.000,00SI
ATIVO
Aplicação financeira
1.000,00
12,50
9,70
91,20①
②
③
①
RESULTADO
Receita financeira
12,50 ②
RESULTADO
Ajuste a valor justo
9,70 ③
Aquisição do título em 31/03/X0
Reconhecimento da renda do título pela curva, em 30/04
Reconhecimento da marcação a mercado (MtM), em 30/04
Mensalmente, os lançamentos contábeis se repetem até a negocia-
ção (venda) do papel. Caso o papel fosse classificado ao valor justo por 
meio de ORA, o tratamento contábil seria idêntico, exceto pela contrapar-
tida da marcação a mercado, que seria lançada contra Outros Resulta-
dos Abrangentes (ORA) no Patrimônio Líquido.
Caso o papel fosse classificado ao custo amortizado, o tratamento 
contábil seria idêntico até o reconhecimento mensal do ganho pela curva, 
sem a existência de marcação a mercado.
55Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 2
PARA SABER MAIS 
Recomenda-se a leitura do Pronunciamento Técnico CPC 48 para maio-
res detalhes acerca dos conceitos relacionados aos instrumentos finan-
ceiros (CPC, 2016).
2 Reconhecimento de sinistros e pagamento
O sinistro pode ser compreendido como a materialização do risco 
coberto pelo seguro, no decorrer de sua vigência. Por exemplo, no caso 
de um seguro do ramo auto, a colisão ocorrida com o veículo segurado 
configura-se como o sinistro.
A seguradora deverá constituir duas provisões técnicas relacionadas 
aos sinistros, pela sua melhor expectativa de mensuração, já que a Susep 
não determina uma metodologia de cálculo, sendo esta de responsabi-
lidade do atuário técnico responsável.
Conforme estabelecido pela Resolução CNSP n° 432/2021 e Circular 
Susep nº 648/2021 e alterações posteriores as seguradoras devem 
constituir:
2.1 PSL – Provisão de seguros a liquidar
A PSL – Provisão de Seguros a Liquidar deve ser constituída men-
salmente e é destinada à cobertura dos valores esperados a liqui-
dar relativos aos sinistros avisados (pelo segurado) até a data-base 
de cálculo e não pagos, incluindo os sinistros administrativos e 
judiciais. A PSL inclui os riscos assumidos em emissões diretas, 
as operações de cosseguro aceito, brutos das operações de res-
seguro e líquidos das operações de cosseguro cedido.
56 Contabilidade atuarial
A seguir representamos o esquema contábil relacionado à PSL (Cal-
das, 2016; Susep, 2022, 2023.):
2.1.1 Sinistro sem indenização integral
Estimativa inicial de indenização
Por ocasião do aviso do sinistro (data efetiva do aviso, a constar em 
sistema) pelo segurado a seguradora constituirá a PSL:
Débito Sinistros ocorridos – indenizações avisadas (resultado)
Crédito Provisões técnicas – seguros e resseguros/provisão de sinistros a liquidar (PSL) (passivo)
Pagamento de sinistros
Após o aviso de sinistro tem início o processo de regulação do sinis-
tro; quando houver a liquidação financeira do sinistro a PSL será baixada, 
sendo:
Débito Provisões técnicas – seguros e resseguros/provisão de sinistros a liquidar (PSL) (passivo)
Crédito Disponível (ativo)
Baixa de sinistros encerrados sem indenização
Eventualmente pode não ocorrer o pagamento de indenização, caso 
as condições contratuais não sejam cumpridas pelo segurado ou seja 
identificada uma fraude, por exemplo. Caso não ocorra a indenização do 
sinistro, a seguradora deve reverter a PSL constituída anteriormente.
Débito Provisões técnicas – seguros e resseguros/provisão de sinistros a liquidar (PSL) (passivo)
Crédito Sinistros ocorridos – indenizações avisadas (resultado)
57Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 2
Despesas de sinistros
Caso a seguradora incorra em despesas adicionais em decorrência 
do sinistro, sua contabilização será:
Débito Sinistros – despesas de sinistros (resultado)
Crédito Provisão de sinistros a liquidar (PSL)(passivo)
2.1.2 Sinistros com indenização integral
Caso ocorra um sinistro com indenização integral, a seguradora fará 
o encerramento da apólice de seguro, revertendo todo o valor constante 
na PPNG para o resultado, como receita, contra a rubrica contábil Varia-
ção das Provisões Técnicas. 
Caso haja valores reconhecidos no ativo, no caso do resseguro cedido, 
haverá sua baixa em contrapartida ao resultado.
A título de exemplo, em uma apólice de seguro de automóvel, cujo veí-
culo foi roubado ou danificado com perda total, na data da ocorrência do 
sinistro a cobertura da apólice será encerrada, sendo que todos os valo-
res relacionados à apólice devem ser baixados do ativo e do passivo da 
seguradora, em contrapartida ao resultado. Adicionalmente, será cons-
tituída a Provisão de Sinistros a Liquidar (PSL), conforme anteriormente 
exposto (Malacrida, 2018).
2.2 INBR – Incurred but not reported
A IBNR - Incurred But Not Reported, destinada à cobertura dos valo-
res esperados a liquidar relativos a sinistros ocorridos e não avi-
sados (pelo segurado) até a data-base de cálculo, incluindo os 
sinistros administrativos e judiciais. Trata-se de uma estimativa 
que abrange valores brutos das operações de resseguro e líquidos 
das operações de cosseguro cedido e incluídos os riscos 
58 Contabilidade atuarial
assumidos em operações de cosseguro aceito. Verifica-se que a 
IBNR é um “esforço” do regulador para fazer cumprir o regime de 
competência, ainda que por estimativa, já que é comum a comu-
nicação de sinistros bastante tempo após sua ocorrência. A segu-
radora desenvolve o método estatístico mais adequado às carac-
terísticas de suas operações e a SUSEP analisa a consistência dos 
valores constituídos, podendo determinar os ajustes necessários 
e aplicar sanções em caso de inadequações (SUSEP, 2023).
Contabilização do IBNR 
Débito
Sinistros Ocorridos/Variação da Provisão de Sinistros Ocorridos mas Não Avisados/Provisão de 
Sinistros Ocorridos mas Não Avisados (resultado)
Crédito
Provisões Técnicas – Seguros e Resseguros/Provisões Técnicas/Provisão de Sinistros 
Ocorridos mas Não Avisados (passivo)
3 Salvados e ressarcidos
Conforme previsão expressa no art. 786 do Código Civil Brasileiro (Bra-
sil, 2002), uma vez paga a indenização, a seguradora adquire o direito do 
segurado, nos limites do valor indenizado, junto ao terceiro responsável 
pelo dano sofrido e indenizado. Excetua-se o caso em que, salvo dolo, o 
dano foi causado pelo cônjuge do segurado, seus descendentes ou ascen-
dentes, consanguíneos ou afins. 
Do exposto surgem (Susep, 2005):
a. O SALVADO, caracterizado pelos bens que se consegue resgatar 
de um sinistro e que ainda possuem valor econômico (tanto os 
bens que tenham ficado em perfeito estado, como os que estejam 
parcialmente danificados pelos efeitos do sinistro); 
b. O RESSARCIDO, referente ao reembolso dos prejuízos suportados 
pela seguradora ao indenizar dano causado por terceiros.
59Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 2
Conforme orientações da Susep às supervisionadas (Susep, 2023), 
até o momento da liquidação financeira do sinistro, os montantes esti-
mados de recuperação de salvados e ressarcimentos ajustarão às pro-
visões de sinistros de forma subtrativa (IBNR e PSL, estudadas no item 
anterior), desde que tais estimativas possam ser mensuradas de forma 
confiável. 
Uma vez realizada a liquidação financeira do sinistro e consequente 
aquisição dos direitos em relação a salvados ou a ressarcimentos, a segu-
radora passa a ter um ativo sob o seu controle e, por conseguinte, deverá 
reconhecê-lo contabilmente, desde que haja a possibilidade de realização 
de benefícios econômicos futuros e seja possível sua mensuração de 
forma confiável, conforme previsão dos padrões internacionais de conta-
bilidade (IFRS); a mensuração do ativo deve ser feita pelo seu valor reali-
zável líquido dos custos necessários para sua realização, tais como des-
pesas de regularização de documentos, estadias,honorários, etc., com 
metodologia especificada em nota técnica atuarial (Susep, 2023).
Na hipótese de a seguradora mensurar de forma confiável a estima-
tiva de valores de salvados ou ressarcimentos, sua contabilização será 
conforme segue.
3.1 Reconhecimento dos direitos a ressarcimentos 
Referido registro equivale a um “estorno” (total ou parcial) na despesa 
com sinistro anteriormente reconhecida.
Débito
Títulos e créditos a receber/ Créditos a receber/ Ressarcimentos a receber – Estimados (ativo)
ou
Realizável a longo prazo/ Títulos e créditos a receber/ Créditos a receber/ Ressarcimentos a 
receber – Estimados (ativo)
Crédito
Sinistros ocorridos/ Ressarcimentos/ Variação da estimativa de ressarcimentos – Direto 
(resultado)
60 Contabilidade atuarial
3.2 Reconhecimento dos direitos a salvados 
Quando a seguradora consegue mensurar de forma confiável seu 
direito aos salvados, sendo que os bens ainda não estão disponíveis para 
venda, sua contabilização será (Caldas, 2016; Susep, 2022, 2023):
Débito
Outros valores e bens/ Outros valores e bens/ Salvados não disponíveis para a venda – 
Estimados (ativo)
ou
Realizável a longo prazo/ Outros valores e bens/ Salvados não disponíveis para a venda – 
Estimados (ativo)
Crédito
Sinistros ocorridos/ Salvados/ Variação da estimativa de valor corrente de saída salvados – 
Direto (resultado)
3.3 Reconhecimento dos salvados recuperados 
e mantidos à venda 
Quanto aos salvados recuperados e disponíveis para venda nas con-
dições em que se encontram, sua contabilização será (Caldas, 2016; 
Susep, 2022, 2023):
Débito Outros valores e bens/ Ativos não circulantes mantidos para venda/ Salvados à venda (ativo)
Crédito Sinistros ocorridos/ Salvados/ Salvados/ Direto (resultado)
Uma vez que os valores de salvados e ressarcidos tenham sido reco-
nhecidos contabilmente como ativos, eles não mais ajustam a PSL no 
passivo.
Considerações finais
Neste capítulo estudamos as condições para a classificação e o res-
pectivo tratamento contábil aplicável aos ativos garantidores das provi-
sões técnicas da seguradora à luz das determinações emanadas pelas 
61Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 2
entidades de regulação e supervisão, CNSP e Susep, respectivamente, 
em observância aos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis (CPC) aplicáveis aos instrumentos financeiros.
Na sequência, abordamos o tratamento contábil dispensado aos sinis-
tros avisados e não avisados, visando à observância do regime de com-
petência no reconhecimento das despesas correspondentes.
Por fim, detivemo-nos na compreensão operacional e contábil dos 
elementos denominados salvados e ressarcidos, característicos das ati-
vidades securitárias cujos efeitos impactam diretamente no resultado 
das operações das seguradoras, suavizando-o.
Referências
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário 
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n. 8, p. 1-74, 11 jan. 2002. Disponível 
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. 
Acesso em: 5 nov. 2023.
CALDAS, G.; CURVELLO, R.; RODRIGUES, A. Contabilidade dos contratos de 
seguro. Rio de Janeiro: ENS, 2016. 316 p. (Série Textos Didáticos). 
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). CPC 48: instrumentos 
financeiros. CPC, 2016. Disponível em: https://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=106. Acesso em: 8 abr. 2024.
CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS (CNSP). Resolução CNSP nº 
432, de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas, ativos redutores 
da necessidade de cobertura das provisões técnicas, capitais de risco, patrimônio 
líquido ajustado, capital mínimo requerido, planos de regularização, limite de 
retenção, critérios para a realização de investimentos, normas contábeis, auditoria 
contábil e auditoria atuarial independentes e Comitê de Auditoria aplicáveis a 
sociedades seguradoras, entidades abertas de previdência complementar, 
sociedades de capitalização e resseguradores. Diário Oficial da União: Brasília, 
DF, p. 89, 19 nov. 2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/
bnweb/bnmapi.exe?router=upload/27400. Acesso em: 28 set. 2023.
62 Contabilidade atuarial
MALACRIDA, M. J. C. Contabilidade de seguros: fundamentos e contabilização 
das operações. São Paulo: Atlas, 2018.
PADOVEZE, C. Contabilidade atuarial: fundamentos – seguro e previdência, 
contabilização e tributação, noções de cálculo atuarial. Curitiba: Intersaberes, 
2019.
SOUZA, S. Contabilidade atuarial. Curitiba: Intersaberes, 2016.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Circular Susep nº 306, 
de 17 de novembro de 2005. Regulamenta as regras de funcionamento e os 
critérios para operação do seguro popular de automóvel usado e estabelece as 
condições contratuais padronizadas. Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 33, 
18 nov. 2005. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/
bnmapi.exe?router=upload/6058. Acesso em: 5 nov. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Circular Susep n° 648, 
de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas; teste de adequação 
de passivos; ativos redutores; capitais de risco; constituição de banco de dados 
de perdas operacionais; planos de regularização; registro, custódia e movimentação 
de ativos, títulos e valores mobiliários garantidores das provisões técnicas; envio 
de informações periódicas; normas contábeis; auditoria contábil independente; 
exame de certificação e educação profissional continuada do auditor contábil 
independente; e sobre os pronunciamentos técnicos elaborados pelo Instituto 
Brasileiro de Atuária (IBA). Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 112, 19 nov. 
2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/bnmapi.
exe?router=upload/25996. Acesso em: 12 jan. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de orientações 
sobre provisões técnicas. Rio de Janeiro: Susep, 2022. (Vigência: a partir de 
janeiro de 2023. Versão: janeiro de 2023). Disponível em: https://www.gov.br/
susep/pt-br/arquivos/arquivos-regulacao-prudencial/manual-de-provisoes-tecni 
cas. Acesso em: 15 out. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de práticas e 
procedimentos contábeis do mercado segurador. Rio de Janeiro: Susep, 2023. 
(Versão dezembro de 2023. Vigência janeiro de 2024). Disponível em: https://
www.gov.br/susep/pt-br/arquivos/arquivos-regulacao-prudencial/manual-de-con 
tabilidade-do-mercado-supervisionado-pela-susep-versao-dez23-vigencia-jan24-v-2.
pdf. Acesso em: 12 jan. 2024.
M
aterial para uso exclusivo de aluno m
atriculado em
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Capítulo 6
Seguros: estudo 
de caso contábil
O presente capítulo tem por objetivo apresentar uma simulação de 
um caso de emissão direta de seguro pela seguradora fictícia Segura-
dora ABC S.A., envolvendo desde a emissão do prêmio de seguro e a res-
pectiva constituição das provisões técnicas pertinentes; o recebimento 
parcial do prêmio e os respectivos desembolsos correlatos.
Também abordamos em nosso case a aquisição de ativo garantidor 
para cobertura de provisão técnica e seu tratamento contábil conforme 
regulamentação vigente.
Por fim, o case pretende demonstrar os efeitos em contas contábeis 
patrimoniais e contas de resultado, simulando os efeitos reais vivencia-
dos pelas entidades seguradoras.
64 Contabilidade atuarial
1 Contabilização de operações de seguros: 
emissão direta
Consideremos a seguinte situação hipotética de emissão direta1 de 
prêmio de seguro pela Seguradora ABC S. A.:
Seguro de automóvel
 • Vigência de 1 ano – 31/12/20X0 a 31/12/20X1 (inicia-se às 0h de 
01/01/20X1).
 • Prêmio comercial: R$ 1.800,00.
 • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): 7,38%sobre o prêmio 
– R$ 132,84.
 • Apólice emitida no mesmo dia do início da cobertura.
 • Comissão de corretor de 12% sobre o prêmio: R$ 216,00.
 • Condição financeira: quatro parcelas iguais sem acréscimo
1.1 Lançamentos contábeis em 01/01/X1
1.1.1 Prêmio de seguro
Em 01/01/20X1 será realizado o registro contábil referente ao reco-
nhecimento do prêmio de seguro:
ATIVO
Prêmios a receber
1.932,84①
PASSIVO
IOF a recolher
132,84 ①
RESULTADO
Prêmio – risco emitido
1.800,00 ①
1 Emissão direta significa que a captação do seguro é da própria Seguradora ABC, não sendo proveniente 
de cosseguro aceito.
65Seguros: estudo de caso contábil
Tendo em vista que no lançamento (1) foi reconhecida uma receita 
pelo valor integral do prêmio comercial, devemos realizar um lançamento 
simultâneo, ainda em 01/01/20X1, referente à “reversão” de tal receita 
de prêmio, que deverá ser reconhecida em resultado somente em fun-
ção da passagem do tempo (conforme vigência da cobertura do seguro), 
e consequente constituição da provisão de prêmio não ganho (PPNG):
RESULTADO
Variação prov. técnicas
1.800,00②
PASSIVO
PPNG
1.800,00 ②
1.1.2 Despesa de comercialização diferida
Em 01/01/20X1 serão realizados os registros contábeis referentes à 
comissão a ser paga ao corretor de seguros, bem como o seu diferimento 
para reconhecimento como despesa conforme a passagem do tempo:
RESULTADO
Comissão sobre prêmios
216,00③
PASSIVO
Comissão a pagar
216,00 ③
ATIVO
Custo aquisição diferido
216,00④
RESULTADO
Var. custo aq. diferido
216,00 ④
1.1.3 Ativo garantidor
Considerando que a Seguradora ABC necessita dar cobertura às suas 
provisões técnicas com ativos garantidores, em 01/01/20X1 será reali-
zado o registro contábil pela aquisição de um título de renda fixa prefi-
xado no valor de R$ 1.800,002, com taxa de juros (curva do papel) de 
1,20% ao mês.
2 Para simplificação didática, estamos considerando que o valor do título equivale ao valor do prêmio emi-
tido pela Seguradora ABC, contudo, conforme regulamentação aplicável, podem ser considerados alguns ati-
vos redutores da necessidade de cobertura das provisões técnicas.
66 Contabilidade atuarial
ATIVO
Banco conta movimento
50.000,00 1.800,00SI ⑤
ATIVO
Aplicação financeira
1.800,00⑤
1.1.4 Provisão para sinistro IBNR (incurred but not reported) 
Considerando a possibilidade de atraso entre a ocorrência de um sinis-
tro e sua comunicação pelo segurado, a Seguradora ABC constituirá a 
IBNR por estimativa.
O cálculo da IBNR se dá por meio de premissas atuariais (sob respon-
sabilidade do profissional atuário), assim, didaticamente, consideremos 
um valor estimado de R$ 50,00 a título de IBNR, com a seguinte 
contabilização:
PASSIVO
50,00 ⑥
RESULTADO
50,00⑥
Sinistros ocorridos/
Variação da provisão 
de sinistros ocorridos 
mas não avisados
Provisões técnicas –
Provisão de sinistros 
ocorridos mas 
não avisados
1.2 Lançamentos contábeis em 10/01/X1
Consideremos que em 10/01/20X1 ocorreram os seguintes movimen-
tos financeiros decorrentes do prêmio emitido em 01/01/X1:
1.2.1 Prêmio de seguro: recebimento
O segurado pagou a primeira parcela do prêmio de seguro (parcela 
¼) à Seguradora ABC S. A., acrescido do valor do IOF, no montante de R$ 
582,84:
67Seguros: estudo de caso contábil
ATIVO
Prêmios a receber
1.932,84
1.350,00
582,84① ⑦
ATIVO
Banco conta movimento
50.000,00
582,84
1.800,00SI
⑦
⑤
1.2.2 Comissão de seguro: pagamento parcial
A Seguradora ABC S. A. pagou cinquenta por cento (50%) do valor da 
comissão devida ao corretor de seguros no montante de R$ 108,00:
PASSIVO
Comissão a pagar
108,00 216,00
108,00
⑧ ③
ATIVO
Banco conta movimento
50.000,00
582,84
1.800,00
108,00
SI
⑦
⑤
⑧
1.2.3 Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): recolhimento
A Seguradora ABC S. A. recolheu ao governo federal o valor total de 
IOF sobre prêmio de seguro no montante de R$ 132,84:
PASSIVO
IOF a recolher
132,84 132,84
0,00
⑨ ①
ATIVO
Banco conta movimento
50.000,00
582,84
48.542,00
1.800,00
108,00
132,84
SI
⑦
⑤
⑧
⑨
68 Contabilidade atuarial
1.3 Lançamentos contábeis em 31/01/X1
Em 31/01/20X1 a Seguradora ABC S. A. deverá proceder aos ajustes 
referentes à apropriação da receita de prêmio ganho e da despesa de 
comissão pelo regime de competência, haja vista o primeiro mês da 
cobertura de risco decorrido. 
Adicionalmente, será realizada a mensuração subsequente do ativo 
garantidor das provisões técnicas.
1.3.1 Prêmio ganho: receita de prêmio reconhecida no primeiro 
mês de vigência do risco
Cálculo pro rata do valor da receita ganha no mês jan/X1:
Cálculo da variação da PPNG . , ,
365
31
1 800 00 152 88#= =
PASSIVO
PPNG
152,88 1.800,00
1.647,12
⑩ ②
RESULTADO
Variação prov. técnicas
1.800,00
1.647,12
152,88② ⑩
1.3.2 Despesa de corretagem: despesa de comissão reconhecida 
no primeiro mês de vigência do risco
Cálculo pro rata do valor da despesa de corretagem do mês jan/X1:
Cálculo da despesa de comissão , ,
365
31
00 1216 8 35#= =
69Seguros: estudo de caso contábil
RESULTADO
Var. custo aq. diferido
18,35 216,00
197,65
⑪ ④
ATIVO
Custo aquisição diferido
216,00
197,65
18,35④ ⑪
1.3.3 Ativo garantidor: reconhecimento de ganho e marcação 
a mercado (MtM)
Considerando que o título de renda fixa prefixado tenha sido classifi-
cado ao valor justo por meio do resultado quando do seu reconhecimento 
inicial, devemos reconhecer o ganho do mês com base na curva do papel, 
no valor de R$ 21,60 (R$ 1.800,00 × 1,2%) e ajustar seu saldo pelo valor 
justo em 31/01/20X1 (supondo valor de mercado a R$ 1.824), com a 
seguinte contabilização:
ATIVO
Aplicação financeira
1.800,00
21,60
2,40
1.824,00
⑤
⑫
⑬
RESULTADO
Receita financeira
21,60
21,60
⑫
RESULTADO
Ajuste a valor justo
2,40
2,40
⑬
2 Apresentação das demonstrações 
contábeis da seguradora ABC S. A.
Tomando por base os eventos contábeis realizados em nosso case, 
apresentamos o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração do Resul-
tado do Exercício (DRE) considerando o modelo Susep para as entida-
des supervisionadas.
70 Contabilidade atuarial
Tabela 1 – Balanço patrimonial (BP)
ATIVO PASSIVO
Circulante Circulante
Disponível 48.542 Comissões a pagar 108
Aplicações financeiras 1.824 Provisão de prêmios não ganhos – 
PPNG
1.647
Prêmios a receber 1.350 Provisão de sinistros – IBNR 50
Custos de aquisição diferidos 198 Patrimônio líquido
Capital social 50.000
Reservas de lucros 109
Total ativo 51.914 Total passivo + PL 51.914
Tabela 2 – Demonstração do resultado do exercício (DRE)
DESCRIÇÃO R$
Prêmios emitidos 1.800
Variação provisões técnicas –1.647
Provisão sinistros – IBNR –50
Custo de aquisição –18
Resultado financeiro 24
Lucro líquido 109
Considerações finais
Tomando por base o arcabouço regulatório contábil emanado pelas 
entidades de regulação e supervisão, CNSP e Susep, respectivamente, 
quanto ao que concerne à emissão de normas contábeis aplicáveis às 
71Seguros: estudo de caso contábil
entidades supervisionadas, abordamos, especificamente para as opera-
ções das entidades seguradoras, as contabilizações essenciais 
envolvendo:
 • Emissão (direta) de prêmios de seguro (com efeitos patrimoniais 
e em resultado), suas provisões técnicas relacionadas;
 • Os tratamentos contábeis relacionados ao recebimento de prêmio 
e liquidação financeira de IOF e comissão de corretagem;
 • O registro contábil inicial de ativo garantidor e sua mensuração 
subsequente.
Visando demonstrar os efeitos patrimoniais e em resultado, elabora-
mos, a partir do case estudado, o Balanço Patrimonial (BP) e a Demons-
tração do Resultado do Exercício (DRE), permitindo-nos vislumbrar a dinâ-
mica das operações das entidades seguradoras e a formação do seu 
resultado. 
Referências
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Circular Susep n° 648, 
de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas; teste de adequação 
de passivos; ativos redutores; capitais de risco; constituição de banco de dados 
de perdasoperacionais; planos de regularização; registro, custódia e movimentação 
de ativos, títulos e valores mobiliários garantidores das provisões técnicas; envio 
de informações periódicas; normas contábeis; auditoria contábil independente; 
exame de certificação e educação profissional continuada do auditor contábil 
independente; e sobre os pronunciamentos técnicos elaborados pelo Instituto 
Brasileiro de Atuária (IBA). Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 112, 19 nov. 
2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/bnmapi.
exe?router=upload/25996. Acesso em: 12 jan. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de orientações 
sobre provisões técnicas. Rio de Janeiro: Susep, 2022. (Vigência: a partir de 
janeiro de 2023. Versão: janeiro de 2023). Disponível em: https://www.gov.br/
72 Contabilidade atuarial
susep/pt-br/arquivos/arquivos-regulacao-prudencial/manual-de-provisoes-tecnicas. 
Acesso em: 15 out. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de práticas e 
procedimentos contábeis do mercado segurador. Rio de Janeiro: Susep, 2023. 
(Versão dezembro de 2023. Vigência janeiro de 2024). Disponível em: https://
www.gov.br/susep/pt-br/arquivos/arquivos-regulacao-prudencial/manual-de-
contabilidade-do-mercado-supervisionado-pela-susep-versao-dez23-vigencia-
jan24-v-2.pdf. Acesso em: 12 jan. 2024.
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Capítulo 7
Benefícios a 
empregados
O presente capítulo tem por objetivo apresentar os fundamentos con-
ceituais acerca dos denominados benefícios a empregados, conforme 
determinado pelo CPC 33 (R1) – Benefícios a empregados.
Adicionalmente, abordaremos os fundamentos contábeis de tais bene-
fícios, sem a pretensão de esgotarmos ou detalharmos casos particula-
res, de forma a proporcionarmos uma compreensão genérica conceitual 
e contábil acerca de tais benefícios, que são amplos quanto às suas 
possibilidades.
Cabe mencionar que, muitas vezes, estudamos os conceitos e as res-
pectivas contabilizações de alguns dos benefícios tratados no escopo 
do CPC 33 (R1), contudo, sem nos referirmos à citada norma. 
74 Contabilidade atuarial
Do exposto, teremos a oportunidade de relacionarmos os benefícios 
já estudados anteriormente, inserindo-os no contexto da norma sob 
estudo neste capítulo.
1 CPC 33 – Benefícios a empregados: 
conceitos e definições essenciais
Conforme disposição do CPC 33 (R1) – Benefícios a empregados, os 
benefícios a empregados compreendem as formas de remuneração con-
cedidas por uma entidade aos seus colaboradores em decorrência dos 
serviços prestados por estes àquela ou ainda pela rescisão do contrato 
de trabalho (CPC, 2012).
Cabe salientar que o alcance do CPC 33 (R1) volta-se à entidade empre-
gadora/patrocinadora, não envolvendo a contabilização elaborada pelos 
fundos de pensão (mais detalhes em 2.2), bem como os benefícios a 
empregados, tratados no âmbito do CPC 10 – Pagamento baseado em 
ações.
O CPC 33 (R1) estabelece a contabilização e a divulgação de pratica-
mente todos os benefícios concedidos aos empregados, que normal-
mente abrangem (mas não se limitam a): salários; férias; décimo terceiro 
salário; participação nos lucros; benefícios não monetários tais como 
assistência médica, moradia, carros, telefones e bens ou serviços gratui-
tos ou subsidiados; benefícios pós-emprego, tais como planos de apo-
sentadoria e assistência médica (Almeida, 2018).
2 Tipos de benefícios a empregados: 
conceitos e fundamentos contábeis
Em um contexto geral, a contabilização dos benefícios requer que a 
entidade reconheça um passivo quando o empregado prestou o serviço 
em troca de benefícios a serem pagos no futuro, e uma despesa quando 
75Benefícios a empregados
a entidade se utiliza do benefício econômico proveniente do serviço rece-
bido do empregado em troca de benefícios a esse empregado (Caval-
canti, 2018) em observância ao regime de competência. Vejamos:
 • D – Despesa – DRE (quando a entidade se utiliza do benefício eco-
nômico proveniente do serviço recebido do empregado);
 • C – Passivo – PC/PNC (quando o empregado presta o serviço em 
troca dos benefícios a serem pagos no futuro).
Conforme o CPC 33 (R1), os benefícios a empregados incluem as 
seguintes categorias: (a) benefícios de curto prazo a empregados; (b) 
benefícios pós-emprego; (c) outros benefícios de longo prazo aos empre-
gados; e (d) benefícios rescisórios, cujas características são (Santos, 
2022):
Quadro 1 – Benefícios a empregados
BENEFÍCIOS 
DE CURTO PRAZO
BENEFÍCIOS 
PÓS-EMPREGO
OUTROS BENEFÍCIOS 
DE LONGO PRAZO
BENEFÍCIOS 
RESCISÓRIOS
Benefícios (exceto 
benefícios rescisórios) 
que se espera que 
sejam integralmente 
liquidados em até 12 
meses após o período 
a que se referem 
as demonstrações 
contábeis em que os 
empregados prestarem 
o respectivo serviço.
Incluem benefícios de 
aposentadoria e pensão 
e outros pagáveis a 
partir do final do vínculo 
empregatício (ex.: 
assistência médica 
e seguro de vida na 
aposentadoria; planos 
de benefícios).
Benefícios de longo 
prazo, os quais se 
espera que sejam 
integralmente 
liquidados após 12 
meses do fim do 
período de prestação 
de serviço pelos 
empregados.
Benefícios pagáveis 
devido à decisão de 
a entidade terminar o 
vínculo empregatício 
antes da data de 
aposentadoria ou à 
decisão do empregado 
de aceitar a demissão 
voluntária em troca 
desses benefícios. 
Fonte: adaptado de Santos (2022).
2.1 Benefícios de curto prazo
São exemplos de benefícios de curto prazo (Santos, 2022): 
76 Contabilidade atuarial
a. Ordenados, salários e contribuições para seguridade social.
b. Ausências remuneradas permitidas de curto prazo e esperadas 
dentro de 12 meses após o final do período em que os emprega-
dos prestam o serviço (exemplo: férias, licença anual e licença por 
doença, remuneradas).
c. 13º salário.
d. Participação nos lucros e gratificações que serão pagas no prazo 
de 12 meses após o final do período em que os empregados pres-
tam o serviço.
e. Benefícios não monetários para os atuais empregados (exemplo: 
assistência médica, moradia e outros bens ou serviços gratuitos 
ou subsidiados).
O fato gerador da obrigação é a prestação do serviço, sendo sua con-
tabilização representada pelo reconhecimento de uma despesa, em con-
trapartida a um passivo (e não uma provisão), já que a obrigação é líquida 
e certa. 
2.2 Benefícios pós-emprego
Nesta classificação de benefício, habitualmente encontramos planos 
de benefícios envolvendo uma entidade patrocinadora que realiza con-
tribuições financeiras ao longo do tempo (normalmente anos) e uma enti-
dade separada de previdência (aberta ou fechada) que recebe as contri-
buições, administra os recursos e paga os benefícios aos beneficiários, 
no futuro, quando forem atingidas as condições para tal. Vejamos:
77Benefícios a empregados
Figura 1 – Representação contábil de patrocinadora versus fundo de previdência
Balanço patrimonial – Patrocinadora
Passivo
Obrigação
PL
Despesa
Balanço patrimonial – Fundo de previdência
Passivo
Obrigação
Ativo
Direito
Os planos de benefícios podem ser na modalidade:
a. Planos de contribuição definida: são planos de benefícios pós-em-
prego nos quais a entidade patrocinadora paga contribuições fixas 
a uma entidade separada (fundo), não tendo nenhuma obrigação 
legal ou construtiva de pagar contribuições adicionais se o fundo 
não possuir ativos suficientes para pagar todos os benefícios aos 
empregados relativamente aos seus serviços do período corrente 
e anterior (CPC, 2012); e
b. Planos de benefício definido: são planos de benefícios pós-em-
prego que não sejam planos de contribuição definida (CPC, 2012).
Pelas definições apresentadas, verifica-se que os planos de benefício 
definido geram riscosexpressivos para a entidade patrocinadora caso 
os ativos do fundo não sejam suficientes para a cobertura dos benefí-
cios futuros, logo, são necessários cálculos atuariais para estabelecer 
os valores das contribuições ao fundo. Por sua vez, os planos de contri-
buição definida são limitados quanto à responsabilidade da patrocina-
dora, não sendo necessários cálculos atuariais para o estabelecimento 
das contribuições ao fundo. Ressalta-se que não é nosso escopo o estudo 
de tais aspectos neste capítulo. 
78 Contabilidade atuarial
Genericamente, a contabilização das contribuições mensais na patro-
cinadora envolve o reconhecimento de uma despesa pelo regime de com-
petência (quando o empregado faz jus ao benefício devido à sua presta-
ção de serviço à empresa patrocinadora do plano de benefício), contra 
uma saída de caixa (pelo efetivo pagamento da contribuição ao fundo 
de previdência) ou uma obrigação no passivo. Conforme comentado no 
item 1, supracitado, o CPC 33 (R1) trata exclusivamente da contabiliza-
ção das entidades patrocinadoras.
2.3 Outros benefícios de longo prazo
São exemplos de benefícios de longo prazo (Santos, 2022):
a. Licenças remuneradas de longo prazo.
b. Jubileu ou outros benefícios por tempo de serviço.
c. Benefícios por invalidez de longo prazo.
d. Participação nos lucros e bônus.
e. Remuneração diferida.
Genericamente, a contabilização envolve o reconhecimento de uma 
despesa pelo valor líquido (a valor presente) da obrigação, contra uma 
obrigação no passivo.
2.4 Benefícios rescisórios
Os benefícios rescisórios estão vinculados à existência e condição de 
uma rescisão do contrato de trabalho, e não a uma prestação de serviço 
pelo empregado, logo, seu fato gerador, para o reconhecimento contábil, 
se origina quando a entidade não puder mais cancelar uma oferta de 
benefício rescisório já realizada (CPC, 2012).
79Benefícios a empregados
 A empresa não pode mais cancelar uma oferta que dependa da deci-
são do empregado de aceitá-la quando o empregado concorda com a 
oferta ou quando uma restrição (uma exigência legal, regulatória ou con-
tratual ou outra restrição) impeça que ela cancele a oferta. Uma empresa 
não pode mais cancelar os benefícios rescisórios resultantes de sua pró-
pria decisão em rescindir o contrato de trabalho do empregado quando 
ela tiver comunicado aos empregados afetados um plano detalhado de 
rescisão (Santos, 2022).
Assim, temporalmente, o reconhecimento contábil se dá pelo registro 
de uma despesa contra uma obrigação no passivo quando não mais puder 
ocorrer o cancelamento dos benefícios nos termos acima expostos.
Considerações finais
Tomando por base os conceitos e orientações contidos no CPC 33 
(R1) – Benefícios a empregados, foi possível compreender que os deno-
minados benefícios a empregados estão classificados em três modali-
dades de benefícios, considerando a questão temporal, a saber:
 • Benefícios de curto prazo;
 • Benefícios de longo prazo; e
 • Benefícios pós-emprego.
Não obstante a natureza dos benefícios diferir de forma significativa 
entre si, o reconhecimento contábil se dá de forma genérica pelo reco-
nhecimento de uma despesa contra uma obrigação que, invariavelmente, 
está vinculada ao fato de a entidade ter consumido o benefício propor-
cionado pelos serviços já prestados pelo empregado, em observância 
ao regime de competência. 
80 Contabilidade atuarial
Referências
ALMEIDA, M. C. Contabilidade intermediária em IFRS e CPC. 2. ed. São Paulo: 
Atlas, 2018.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento Técnico 
CPC 33 (R1). Benefícios a empregados. Correlação às Normas Internacionais de 
Contabilidade – IAS 19 (IASB – BV, 2012). CPC, 2012. Disponível em: http://static.
cpc.aatb.com.br/Documentos/350_CPC_33_R1_rev%2006.pdf. Acesso em: 19 
nov. 2023.0
SANTOS, A. dos; et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as 
sociedades, de acordo com as normas internacionais e do CPC. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2022.
M
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 Editora Senac São Paulo. 81
Capítulo 8
Contratos 
de seguros
Este capítulo tem por objetivo apresentar os aspectos essenciais e 
conceituais acerca dos contratos de seguro, considerando a regulação 
internacional contábil, conforme o padrão do International Financial Repor-
ting Standards (IFRS).
Teremos a oportunidade de compreender o nível de complexidade 
existente para que a contabilidade reflita e transmita, de forma fidedigna, 
os efeitos das transações com contratos de seguro realizadas pelas enti-
dades, dada a sofisticação dos produtos de seguros na atualidade.
Por fim, pretendemos posicionar o leitor sobre o atual momento con-
ceitual sobre o tema, sob uma perspectiva temporal que já supera os 20 
anos de esforços por parte dos órgãos de regulação contábil.
82 Contabilidade atuarial
1 Contrato de seguro: fase I
Há mais de 20 anos, o International Accounting Standards Board (IASB) 
se debruça sobre estudos acerca de princípios contábeis utilizados para 
avaliação de contratos de seguro no mundo.
As operações de seguros são extremamente complexas e se tornam 
mais sofisticadas com o passar do tempo, motivo pelo qual o IASB dividiu 
o seu trabalho em fase I e fase II (a ser abordada no item 2 do capítulo). 
A fase I foi um trabalho preliminar e simplificado para promover melho-
rias limitadas às práticas contábeis para o reconhecimento de contratos 
de seguros e divulgação de informações mínimas sobre as incertezas 
nos fluxos de caixa, riscos e posição patrimonial das seguradoras (Mou-
rad; Paraskevopoulos, 2009).
O documento gerado na fase I é o IFRS 4 – Insurance contracts (vigente 
a partir de 1º de janeiro de 2005 na União Europeia) cuja equivalência, 
no Brasil, é o CPC 11 – Contratos de seguro, vigente desde 2008. O IFRS 
4 representou uma espécie de norma de transição até que a fase II dos 
estudos do IASB estivesse concluída.
Conforme definição do CPC 11, o contrato de seguro é um contrato 
segundo o qual uma parte (a seguradora) aceita um risco de seguro sig-
nificativo de outra parte (o segurado), aceitando indenizar o segurado no 
caso de um evento específico, futuro e incerto (evento segurado) afetar 
adversamente o segurado (CPC, 2008). O IFRS 4 se aplica a qualquer 
entidade que detenha um contrato de seguro segundo a norma interna-
cional, e não apenas a seguradoras.
No Brasil, a adoção das disposições e critérios estabelecidos no Pro-
nunciamento CPC 11 é aplicável às supervisionadas desde 2010. Entre 
as disposições trazidas pelo CPC 11, merece destaque a exigência de 
um teste de adequação dos passivos (TAP) provenientes dos contratos 
de seguro no qual as seguradoras deverão comparar os passivos 
83Contratos de seguros
existentes (as provisões técnicas) com estimativas de fluxos de caixa 
futuros a partir de premissas atuais. Referido aspecto deve-se à neces-
sidade de confrontar os volumes de provisões técnicas constituídas pelas 
supervisionadas com a sua real expectativa de fluxos de caixa futuros 
trazidos a valor presente como forma de avaliar e representar de forma 
fidedigna as reais expectativas das obrigações assumidas pelas 
supervisionadas.
A Susep, considerando sua autonomia para regulação contábil, esta-
beleceu regras específicas para a realização do teste de adequação de 
passivos (TAP) contidas na Circular Susep nº 648/21 (Susep, 2021) e 
alterações posteriores e orientação da Susep específica sobre o TAP.
Caso seja identificada uma insuficiência na provisão de prêmios não 
ganhos (PPNG) deverá ser constituída no passivo a provisão comple-
mentar de cobertura (PCC) pela diferença de valores, com reflexo ime-
diato contra resultado. Caso haja uma insuficiência nas provisões rela-
cionadas a sinistros, o ajuste deve ser realizado contra a respectiva 
provisão, com a contrapartida emdespesa (Susep, 2023). 
Vejamos o lançamento aplicável à PPNG:
 • D – Prêmios ganhos/ Variação das provisões técnicas/ Outras pro-
visões técnicas/ Provisão complementar de cobertura (DRE).
 • C – Provisões técnicas – Seguros e resseguros/ Provisões técni-
cas/ Outras provisões/ Provisão complementar de cobertura/ Teste 
de adequação de passivo (P).
2 Contrato de seguro: fase II 
Conforme reportado no item 1, fase I, o trabalho do IASB foi dividido 
em duas fases, sendo que a fase II introduziu modificações robustas aos 
padrões e critérios para o reconhecimento contábil dos contratos de 
seguro. 
84 Contabilidade atuarial
O maior desafio para o IASB residiu na necessidade de tornar as 
demonstrações contábeis das entidades seguradoras comparáveis em 
qualquer lugar do mundo, uma vez que, por simplificação, o IFRS 4 (no 
mercado brasileiro o CPC 11) permitiu que os passivos das supervisio-
nadas adotassem os critérios locais dos órgãos reguladores (no mer-
cado brasileiro a Susep) de mensuração e representação contábil.
Em maio de 2017, o IASB publicou a norma IFRS 17 – Contratos de 
seguro, cuja vigência na União Europeia se deu a partir de 1º de janeiro 
de 2023 (Monti et al., 2023), sendo que, no Brasil, seu equivalente é o CPC 
50 – Contratos de seguro, com divulgação ao mercado brasileiro em 
agosto de 2021, contudo, ainda não referendado pela Susep e sem pre-
visão de sua entrada em vigor (até o fechamento desta edição). 
O IFRS 17 complementa os dispositivos trazidos pela IFRS 4, bus-
cando maior uniformização das demonstrações contábeis das compa-
nhias de seguros (Monti et al., 2023) ao fornecer um modelo global e 
abrangente para a contabilidade dos contratos de seguros. Os passivos 
de seguros passam a ser apresentados a valores de mercado. Em com-
paração à IFRS 4, a própria definição acerca de contrato de seguro sofreu 
modificação segundo a IFRS 17, a saber:
Contrato de seguro é o contrato de acordo com o qual uma parte 
(a emitente) aceita risco de seguro significativo da outra parte (o 
titular da apólice), concordando em indenizar o titular da apólice 
caso determinado evento futuro incerto (o evento segurado) afete 
adversamente o titular da apólice (CPC, 2021).
A figura 1 demonstra a trajetória percorrida pela IFRS 17, conside-
rando a posição mundo e a expectativa no mercado brasileiro (que não 
se realizou conforme previsão inicial).
85Contratos de seguros
Figura 1 – Cronograma de implementação da IFRS 17
2017
Publicação da
normativa no
mercado europeu
2019
CPC 50 (tradução
da norma) e
expectativa de
pronunciamento
da Susep
2022
Opening balance
(31/12/22) para
comparabilidade
dos resultados
2023
Reporte na IFRS 17,
mandatário na UE
a partir de
1º jan. 23
A IFRS 9 (financial 
instruments) entra em 
vigor concomitantemente
Fonte: adaptado de Monti (2023).
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), em seu propósito de 
produzir documentos técnicos considerando a convergência da conta-
bilidade brasileira aos padrões internacionais ofereceu, em abril de 2019, 
à audiência pública, a minuta do CPC 50 – Contratos de seguro (CPC, 
2019), para a substituição do CPC 11 (que está baseado nas políticas 
locais vigentes).
A vigência do pronunciamento CPC 50 deve ser estabelecida pelos 
órgãos reguladores que o aprovarem, sendo que para o pleno atendi-
mento às normas internacionais de contabilidade, a entidade deve apli-
car o CPC 50 para períodos anuais iniciados em ou após 1º de janeiro de 
2023 (CPC, 2021).
Até o fechamento deste capítulo, apenas a Comissão de Valores Mobi-
liários (CVM) havia referendado o teor do CPC 50 por meio da Resolução 
CVM nº 42, de 22 de julho de 2021. Referida resolução estabelece a obri-
gatoriedade, para as companhias abertas (listadas em bolsas de valores 
mobiliários), a partir de 1º de janeiro de 2023, da adoção do Pronuncia-
mento Técnico CPC 50 – Contratos de seguros, que estabelece princí-
pios para o reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação de 
contratos de seguro (CVM, 2021). Ressalta-se que a adoção não se aplica 
apenas às entidades seguradoras listadas em bolsa, mas a entidades lis-
tadas de qualquer segmento, desde que possuam contratos de seguro 
caracterizados conforme os conceitos da norma internacional.
86 Contabilidade atuarial
Especificamente sobre a Susep, o mercado segurador aguarda suas 
orientações acerca da adoção e implementação do CPC 50, que pode 
ser integral ou de forma modificada, haja vista sua autonomia para regu-
lação contábil.
Por fim, declaramos que não obstante a expectativa do mercado sobre 
a adoção, a partir de 2024, tanto do CPC 48 – Instrumentos financeiros, 
como do CPC 50 – Contratos de seguro, por parte do mercado segura-
dor, apenas o CPC 48 (CPC, 2016) foi referendado pela Susep para ado-
ção obrigatória, a partir de 2024, pelas entidades supervisionadas.
Considerações finais
Procuramos posicionar o leitor, de forma temporal acerca das ques-
tões técnicas que perpassam os contratos de seguro sob a ótica 
contábil. 
Verificamos que a norma internacional no padrão IFRS enfrentou desa-
fios técnicos para melhor representar a essência contábil das transações 
com contratos de seguro, tendo dividido seus estudos em duas fases.
A fase I, por meio da IFRS 4, procurou atender às necessidades ime-
diatas para a mensuração e apresentação das transações com contra-
tos de seguro, permitindo que os órgãos locais de regulação nas diver-
sas jurisdições mundo afora orientassem suas entidades supervisionadas 
conforme suas regulações específicas, haja vista a complexidade do 
tema. Especificamente, no mercado brasileiro, a Susep referendou o CPC 
11 (Susep, 2008) com modificações.
A fase II, por meio da IFRS 17, trouxe modificações consideráveis na 
mensuração e apresentação das transações com contratos de seguro e 
veio complementar a IFRS 4, revogando-a. Na expectativa de uma melhor 
representação, os passivos de seguros serão mensurados a valores de 
mercado. 
87Contratos de seguros
No Brasil, a IFRS 17 tem sua representação pelo CPC 50 – Contratos 
de seguro (CPC, 2021), que ainda aguarda a manifestação formal por 
parte da Susep para sua adoção e implementação pelas entidades 
supervisionadas.
Por fim, merece destaque o fato de a CVM ter referendado o CPC 50 
por meio da Resolução CVM Nº 42, de 22 de julho de 2021, aplicável às 
entidades listadas em bolsas de valores mobiliários. 
Referências
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Resolução CVM Nº 42, de 22 de 
julho de 2021. Aprova o pronunciamento técnico CPC 50 – Contratos de seguros. 
CVM, 2021. Disponível em: https://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/
legislacao/resolucoes/anexos/001/resol042.pdf Acesso em: 6 dez. 2023.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento técnico 
CPC 11. Contratos de seguro. Correlação às Normas Internacionais de 
Contabilidade – IFRS 4. CPC, 2008. Disponível em: https://s3.sa-east-1.amazonaws.
com/static.cpc.aatb.com.br/Documentos/215_CPC_11_rev%2020.pdf. Acesso 
em: 6 dez. 2023.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento técnico 
CPC 48. Instrumentos financeiros. Correlação às Normas Internacionais de 
Contabilidade – IFRS 9. CPC, 2016. Disponível em: https://s3.sa-east-1.amazonaws.
com/static.cpc.aatb.com.br/Documentos/530_CPC_48_rev_19.pdf. Acesso em: 
6 dez. 2023.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Edital de audiência pública 
N.º 01/2019 – Pronunciamento Técnico CPC 50 – Contratos de Seguro. CPC, 
2019. Disponível em: https://www.cpc.org.br/CPC/Audiencias-e-Consultas/CPC/
Audiencia?Id=148. Acesso em: 6 dez. 2023. 
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento técnico 
CPC 50. Contratos de seguro. Correlação às Normas Internacionais de 
Contabilidade – IFRS 17. CPC, 2021. Disponível em: https://s3.sa-east-1.
amazonaws.com/static.cpc.aatb.com.br/Documentos/604_CPC_50.pdf. Acesso 
em: 6 dez. 2023.
88 Contabilidade atuarial
BRASIL. Ministério da Fazenda. Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). 
ResoluçãoCNSP nº 388, de 08 de setembro de 2020. Estabelece a segmentação 
das sociedades seguradoras, sociedades de capitalização, resseguradores locais 
e entidades abertas de previdência complementar (EAPCs) para fins de aplicação 
proporcional da regulação prudencial. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 10 set. 
2020. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/bnmapi.
exe?router=upload/27401. Acesso em: 06 dez. 2023. 
MONTI, J. M. et al. Contratos de seguro: IFRS 17 – CPC 50. Barueri, SP: Atlas, 
2023.
MOURAD, N. A.; PARASKEVOPOULOS, A. IFRS 4: introdução à contabilidade 
internacional de seguros. São Paulo: Saraiva, 2009.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Circular Susep n° 648, 
de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas; teste de adequação 
de passivos; ativos redutores; capitais de risco; constituiçã o de banco de dados 
de perdas operacionais; planos de regularizaçã o; registro, custódia e movimentação 
de ativos, títulos e valores mobiliários garantidores das provisões técnicas; envio 
de informaçõ es periódicas; normas contábeis; auditoria contábil independente; 
exame de certificaçã o e educaçã o profissional continuada do auditor contábil 
independente; e sobre os pronunciamentos técnicos elaborados pelo Instituto 
Brasileiro de Atuária (IBA). Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 112, 19 nov. 
2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/bnmapi.
exe?router=upload/25996. Acesso em: 28 set. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de práticas e 
procedimentos contábeis do mercado segurador. Rio de Janeiro: Susep, 2023. 
(Versão dezembro de 2023. Vigência janeiro de 2024). Disponível em: https://
www.gov.br/susep/pt-br/arquivos/arquivos-regulacao-prudencial/manual-de-
contabilidade-do-mercado-supervisionado-pela-susep-versao-dez23-vigencia-
jan24-v-2.pdf. Acesso em: 8 out. 2023.
91
Sobre a autora
Magali Aparecida Camazano é bacharel em ciências contábeis e ciên-
cias econômicas e MBA controller pela Fipecafi/USP. Professora convi-
dada em programas de graduação e pós-graduação em instituições como 
FGV, FIA, Saint Paul e Fipecafi e docente do EaD do Senac.
Principais áreas de atuação: contabilidade societária; contabilidade 
internacional (IFRS); contabilidade de instituições financeiras e segura-
doras; controladoria; auditoria; análise das demonstrações contábeis; 
gestão de riscos e controles internos; governança corporativa; mercado 
financeiro. Atuou como coordenadora de cursos de MBA, pós-graduação 
e graduação. Tabalhou também como auditora durante 17 anos no Itaú 
Unibanco, tendo atuado no Brasil e na Argentina.
	CON_ATU_01_ACE_2024
	Capítulo 1
	Atividade atuarial
	1	Ciência atuarial
	2	Campo de atuação da atuária 
	3	Sistema Financeiro Nacional (SFN) e mercado segurador
	4	Órgãos de regulamentação e supervisão do mercado segurador 
	5	Entidades supervisionadas pela Susep: uma visão geral 
	6	O papel dos profissionais: atuários versus contadores 
	Considerações finais
	Referências
	Capítulo 2
	Operações de seguros
	1	Seguro: conceitos fundamentais
	2	Prêmio de seguro e sinistro
	3	Cosseguro aceito e cedido, resseguro e retrocessão
	4	Risco e solvência
	5	Provisões técnicas
	6	Ativos garantidores
	Considerações finais
	Referências
	Capítulo 3
	Normas e aspectos contábeis aplicáveis às entidades supervisionadas pela Susep
	1	Legislação contábil e convergência aos padrões internacionais de contabilidade
	2	Hierarquia dos normativos do arcabouço contábil aplicável às entidades supervisionadas pela Susep
	3	Plano de contas e demonstrações contábeis (DCs)
	4	Formulário de informações periódicas (FIP)
	5	Nota técnica atuarial
	6	Auditoria atuarial
	Considerações finais
	Referências
	Capítulo 4
	Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 1
	1	Contabilização de operações de seguros: prêmios, receitas, IOF, despesa de comercialização diferida, PPNG
	2	Contabilização de operações de cosseguro cedido e aceito
	3	Contabilização de operações de resseguro cedido
	4	Cancelamento de apólice
	Considerações finais
	Referências
	Capítulo 5
	Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 2
	1	Ativos garantidores
	2	Reconhecimento de sinistros e pagamento
	3	Salvados e ressarcidos
	Considerações finais
	Referências
	Capítulo 6
	Seguros: estudo de caso contábil
	1	Contabilização de operações de seguros: emissão direta
	2	Apresentação das demonstrações contábeis da seguradora ABC S. A.
	Considerações finais
	Referências
	Capítulo 7
	Benefícios a empregados
	1	CPC 33 – Benefícios a empregados: conceitos e definições essenciais
	2	Tipos de benefícios a empregados: conceitos e fundamentos contábeis
	Considerações finais
	Referências
	Capítulo 8
	Contratos de seguros
	1	Contrato de seguro: fase I
	2	Contrato de seguro: fase II 
	Considerações finais
	Referências
	Sobre a autora
	CON_ATU_02_ACE_2024
	CON_ATU_03_ACE_2024
	CON_ATU_04_ACE_2024
	CON_ATU_05_ACE_2024
	CON_ATU_06_ACE_2024
	CON_ATU_07_ACE_2024
	CON_ATU_08_ACE_2024(Malacrida, 2019).
2 Campo de atuação da atuária 
A atuária se desenvolveu fortemente devido à sua capacidade de esti-
mar a probabilidade (expectativa) futura de materialização de riscos, que 
é o cerne das operações das seguradoras e entidades de previdência 
complementar, abertas ou fechadas.
Contudo, sendo a ciência atuarial uma área de conhecimento multi-
disciplinar, seus conceitos são empregados em diversos segmentos, tais 
como seguros, previdência, capitalização, saúde, gestão de riscos, perí-
cia, entre outros.
9Atividade atuarial
3 Sistema Financeiro Nacional (SFN) 
e mercado segurador
Conforme estabelece a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 
192 (Brasil, 1988), o Sistema Financeiro Nacional (SFN) está “estruturado 
de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir 
aos interesses da coletividade”.
O desenvolvimento econômico e social do país só é possível devido 
à organização estruturada do SFN, em que instituições financeiras e não 
financeiras promovem a intermediação financeira, marcada pela troca 
de recursos entre credores (agentes superavitários) e devedores (agen-
tes deficitários) que desejam aplicar e tomar recursos financeiros, 
respectivamente.
O SFN está organizado em uma espécie de hierarquia de papéis e res-
ponsabilidades, com agentes de regulamentação e supervisão, bem como 
operadores que observam normas rígidas e disciplinadoras da atividade 
financeira e securitária no país.
Figura 1 – Composição do SFN
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CMN
Conselho Monetário Nacional
BCB CVM
Bolsas de valores
Administradoras
de consórcios
Bancos e caixas 
econômicas
Bolsas de mercadorias
e futuros
Corretoras e
distribuidoras
Cooperativas
de crédito
Demais instituições
não bancárias
Instituições
de pagamento*
CNPC
Conselho Nacional de
Previdência Complementar
CNSP
Conselho Nacional
de Seguros Privados
Previc
Superintendência 
Nacional de Previdência 
Complementar
Susep
Superintendência
de Seguros Privados
Seguradoras e
resseguradoras
Entidades fechadas de 
previdência complementar 
(fundos de pensão)
Entidades abertas 
de previdência 
complementar
Sociedades de
capitalização
Atual estrutura do SFN:
órgãos normativos;
entidades supervisoras e
operadores do sistema.
* As instituições de pagamento não compõem o SFN, mas são reguladas e fiscalizadas pelo 
BCB, conforme diretrizes estabelecidas pelo CMN.
Fonte: adaptado de BCB [s. d.].
10 Contabilidade atuarial
É possível verificar que assim como o Conselho Monetário Nacional 
(CMN) é a autoridade máxima quanto à normatização que rege as insti-
tuições financeiras, temos o Conselho Nacional de Seguros Privados 
(CNSP) e o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), 
que regem as atividades do mercado segurador privado (seguro, resse-
guro, previdência aberta e capitalização) e do mercado de previdência 
fechada, respectivamente. 
IMPORTANTE 
Cumpre-nos salientar que as instituições que compõem o segmento 
securitário não são instituições financeiras, como muitos equivocada-
mente afirmam.
Tais instituições contribuem de forma relevante para a formação e a capi-
talização da poupança de longo prazo, contudo, de forma indireta, enquanto 
as instituições bancárias a executam de forma direta, captando e empres-
tando recursos às pessoas física e jurídica.
Entre as instituições não financeiras estão as seguradoras e as enti-
dades abertas e fechadas de previdência complementar, que desempe-
nham papel relevante no processo de intermediação financeira de forma 
indireta, pois são caracterizadas como investidores institucionais1.
Concentraremos os nossos estudos nas entidades supervisionadas 
pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), a saber:
 • Seguradoras;
 • Resseguradoras;
1 Conforme definido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o investidor institucional é aquele que faz 
a gestão de recursos de terceiros; exemplo: as seguradoras, entidades de previdência e capitalização, ban-
cos, etc.
11Atividade atuarial
 • Entidades abertas de previdência complementar (EAPC);
 • Sociedades de capitalização.
4 Órgãos de regulamentação e supervisão 
do mercado segurador 
O mercado segurador brasileiro é regulado pelo Decreto-Lei n° 73, de 
21 de novembro de 1966 (Brasil, 1966), que dispõe sobre o Sistema Nacio-
nal de Seguros Privados, regulando as operações de seguros (seguros 
de coisas, pessoas, bens, responsabilidades, obrigações, direitos e garan-
tias), bem como as operações de cosseguro, resseguro e retrocessão.
O Sistema Nacional de Seguros Privados é constituído pelo Conselho 
Nacional de Seguros Privados (CNSP) e pela Superintendência de Segu-
ros Privados (Susep).
Compete ao CNSP fixar as diretrizes e as normas da política de segu-
ros privados, regulando a constituição, a organização, o funcionamento 
e a fiscalização dos setores de seguros, resseguros, previdência comple-
mentar aberta e capitalização.
O CNSP é composto por representantes dos Ministérios da Fazenda 
(Presidente), da Justiça, da Previdência e Assistência Social, da Susep, 
do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Susep, por sua vez, é uma autarquia vinculada ao Ministério da 
Fazenda e cumpre um importante papel de executora da política traçada 
pelo CNSP por meio da supervisão e do monitoramento da regulação 
dos mercados.
Cumpre destacar sua competência para zelar pela liquidez e solvên-
cia das sociedades que integram o mercado como forma de preserva-
ção da poupança popular que se efetua por meio das operações de 
12 Contabilidade atuarial
seguro, previdência privada aberta, de capitalização e resseguro (Susep, 
2022a).
A missão e os valores da Susep mostram claramente sua responsa-
bilidade junto aos cidadãos, vejamos:
Missão: “Estimular o desenvolvimento dos mercados de seguros, 
resseguros, previdência complementar aberta e capitalização, 
garantindo a livre concorrência, estabilidade e o respeito ao con-
sumidor” (Susep, 2022a).
Valores: “Ética, transparência, responsabilidade social, produtivi-
dade, meritocracia” (Susep, 2022a). 
PARA SABER MAIS 
A Susep possui sua cadeia de valor – disponível no site da instituição 
(Susep, 2022b) –, que traduz seus papéis e responsabilidades por meio 
de suas ações. 
5 Entidades supervisionadas pela Susep: 
uma visão geral 
A partir da composição do SFN, notadamente quanto ao segmento 
segurador, identificamos a existência de instituições específicas, a 
depender dos seus segmentos de atuação, as quais detalharemos na 
sequência.
5.1 Seguradora
São intrínsecos ao ser humano o desejo e a necessidade de sentir-se 
seguro, protegido, seja com relação à sua vida e bem-estar (saúde), seja 
quanto ao seu patrimônio (bens materiais).
13Atividade atuarial
Dessa forma, uma seguradora é uma sociedade anônima com finali-
dades lucrativas, cujo negócio é “prometer” indenizar os eventuais pre-
juízos involuntários verificados no patrimônio de outrem ou eventos alea-
tórios que não trazem necessariamente prejuízos, mediante o recebimento 
de prêmios (o “preço” cobrado pelo seguro). A essência do seguro é a 
transferência de riscos a terceiros.
A seguradora vende seguros (ou “compra riscos”), que nada mais são 
do que “contratos mediante os quais uma pessoa denominada Segura-
dor, se obriga, mediante o recebimento de um prêmio, a indenizar outra 
pessoa, denominada Segurado, do prejuízo resultante de riscos futuros, 
previstos no contrato” (Susep, 2022a).
A contratação de um seguro é consequência direta de “querer brincar 
de Deus” por parte do segurado, ou seja, querer controlar o que não tem 
controle, já que o “risco é um evento futuro e incerto, de natureza súbita 
e imprevista, independente da vontade do Segurado, cuja ocorrência pode 
provocar prejuízos de natureza econômica” (Susep, 2022a). Essa é a 
forma básica como uma seguradora ganha dinheiro: suas receitas são 
os prêmios recebidos e seus custos são as indenizações (sinistros) even-tualmente pagas:
prêmio – sinistro = ganho bruto
A ciência atuarial estima a probabilidade de materialização do risco 
(sinistro) e estabelece o valor do prêmio a partir de tal expectativa.
5.2 Entidade aberta de previdência complementar (EAPC)
A EAPC é uma sociedade anônima com finalidades lucrativas cujo 
negócio é instituir e operar planos previdenciários privados na forma de 
renda continuada (aposentadoria) ou pagamento único a pessoas natu-
rais. São planos de benefícios de caráter previdenciário e têm por 
14 Contabilidade atuarial
objetivo complementar os benefícios oferecidos pelo regime geral de pre-
vidência social (Susep, 2022a).
Conceitualmente, os planos de previdência privada se justificam pelo 
colapso financeiro da previdência pública (governamental), que apresenta 
restrições financeiras para se sustentar no longo prazo e, por conse-
guinte, para cumprir seu papel social de prover benefícios satisfatórios 
aos cidadãos aposentados. 
5.3 Sociedade de capitalização
Sociedade de capitalização é uma sociedade anônima com finalida-
des lucrativas, que negocia contratos (títulos de capitalização) que têm 
por objeto o depósito periódico de prestações pecuniárias pelo contra-
tante, o qual terá, depois de cumprido o prazo contratado, o direito de 
resgatar parte dos valores depositados corrigidos por uma taxa de juros 
estabelecida contratualmente; conferindo, ainda, quando previsto, o direito 
de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro (Bacen, [s. d.]).
5.4 Resseguradora
As seguradoras têm, por força de regulamentação, um limite técnico 
de retenção de riscos em suas operações de seguros, visando à sua soli-
dez e pulverização de riscos. Como decorrência, é necessário que as 
seguradoras transfiram parte dos seus riscos assumidos por meio de 
uma operação de resseguro, que pode ser automática ou facultativa. 
Nesse contexto, surge a resseguradora, uma sociedade anônima com 
finalidades lucrativas que assume parte dos riscos (e recebe parte dos 
prêmios) da carteira de seguros das seguradoras em geral. A ressegura-
dora funciona como a “seguradora das seguradoras”.
15Atividade atuarial
6 O papel dos profissionais: atuários versus 
contadores 
O exercício da profissão de atuário, conforme regulamentado pelo 
Decreto n° 66.408, de 3 de abril de 1970 (Brasil, 1970), estabelece que as 
atividades próprias do campo da atuária são privativas de profissionais 
diplomados com registro profissional na área do conhecimento atuarial 
e envolve todas as atividades técnicas pertinentes à atuária.
“Entende-se por atuário o técnico especializado em matemática 
superior que atua [...] em seguro privado e social, calculando pro-
babilidades de eventos, avaliando riscos e fixando prêmios, inde-
nizações, benefícios e reservas matemáticas” (Brasil, 1970).
O exercício da profissão de contador, conforme regulamentado pelo 
Decreto n° 9.295, de 27 de maio de 1946 (Brasil, 1946), estabelece que 
os trabalhos técnicos de contabilidade são privativos de contadores diplo-
mados com registro profissional e abrange todos os temas da matéria 
contábil.
Conforme regulamentação CNSP e Susep, todas as entidades super-
visionadas requerem auditoria contábil independente2 e auditoria atua-
rial independente3 que devem, obrigatoriamente, ser realizadas por pro-
fissionais distintos e devidamente qualificados e registrados em seus 
respectivos órgãos competentes.
Do exposto, verificamos que os profissionais contador e atuário tra-
balham de forma harmônica e sinérgica nas entidades supervisionadas, 
contudo, cada qual cumprindo aquilo que lhe compete tecnicamente.
2 A auditoria contábil independente é prerrogativa de profissional contábil habilitado por órgão competente.
3 A auditoria atuarial independente é prerrogativa de profissional atuário habilitado por órgão competente.
16 Contabilidade atuarial
Considerações finais
O capítulo apresentou os elementos essenciais necessários à com-
preensão do mercado securitário quanto às suas operações, papéis e 
responsabilidades, linhas de negócios, regulamentação e supervisão.
Foram apresentados os conceitos e o campo de atuação da ciência 
atuarial inserida no contexto das atividades das entidades supervisiona-
das pela Susep, bem como a atuação do profissional atuário quanto ao 
que lhe compete tecnicamente no exercício de sua profissão.
Por fim, pudemos perceber o quão importante são tais instituições 
para o desenvolvimento da economia e da sociedade, dado seu papel de 
investidores institucionais que movimentam expressivos montantes finan-
ceiros, recebendo e aplicando recursos no mercado financeiro, ainda que 
não sejam caracterizadas como instituições financeiras.
Referências
BANCO CENTRAL DO BRASIL (BCB). Site institucional. BCB, [s. d.]. Disponível em: 
https://www.bcb.gov.br. Acesso em: 15 set. 2023.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: 
Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 set. 2023.
BRASIL. Decreto-Lei n° 9.295, de 27 de maio de 1946. Cria o Conselho Federal 
de Contabilidade, define as atribuições do contador e do guarda-livros, e dá outras 
providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 7889, 28 maio 1946. 
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del9295.htm. 
Acesso em: 15 set. 2023.
BRASIL. Decreto-Lei n° 73, de 21 de novembro de 1966. Dispõe sobre o Sistema 
Nacional de Seguros Privados, regula as operações de seguros e resseguros e 
dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 22 
17Atividade atuarial
novembro 1966. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-
lei/del0073.htm. Acesso em: 15 set. 2023.
BRASIL. Decreto n° 66.408, de 3 de abril de 1970. Dispõe sobre a regulamentação 
do exercício da profissão de atuário, de acordo com o Decreto-lei nº 806, de 4 
de setembro de 1969. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 6 abr. 1970. Disponível 
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1970-1979/d66408.htm. 
Acesso em: 15 set. 2023.
MALACRIDA, M. J. C.; LIMA, G. A. S. F. de; COSTA, J. A. Contabilidade de seguros: 
fundamentos e contabilização das operações. São Paulo: Atlas, 2019.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Sobre a Susep. Susep, 
2022 [2022a]. Disponível em: https://www.gov.br/susep/pt-br/acesso-a-informa 
cao/institucional/sobre-a-susep. Acesso em: 15 set. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Cadeia de valor. Supep, 
2022. [2022b]. Disponível em: https://www.gov.br/susep/pt-br/acesso-a-informa 
cao/institucional/cadeiadevalorSusep.png. Acesso em: 15 set. 2023.
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Capítulo 2
Operações 
de seguros
Este capítulo tem por objetivo apresentar os conceitos basilares rela-
cionados às operações de seguros, cosseguros e resseguros, notada-
mente quanto aos seus aspectos operacionais e os consequentes refle-
xos na contabilidade das entidades seguradoras.
Serão apresentados, associados às principais operações realizadas 
pelas entidades seguradoras, o desfecho do risco intrínseco às suas ati-
vidades por meio da compreensão do conceito das provisões técnicas 
e seus respectivos ativos garantidores.
Tais conceitos são fundamentais para compreender a representa-
ção contábil das operações de seguros, que serão oportunamente 
estudadas.
20 Contabilidade atuarial
1 Seguro: conceitos fundamentais
Conforme menciona Padoveze (2019), seguro está ligado à proteção, 
sendo útil quando se deseja uma proteção financeira para uma possível 
(mas não provável) ocorrência de evento futuro aleatório negativo capaz 
de afetar de forma adversa os objetivos de pessoas ou empresas.
Verifica-se, portanto, que o seguro funcionacomo um mitigador de 
riscos conhecidos e incertos que podem vir a se materializar, sendo sua 
probabilidade de ocorrência passível de mensuração por meio de mode-
los estatísticos (objeto da ciência atuarial).
Sob a ótica do regulador, o seguro pode ser compreendido como um 
contrato mediante o qual uma pessoa denominada Segurador, se obriga, 
mediante o recebimento de um prêmio, a indenizar outra pessoa, deno-
minada Segurado (aquele que contrata o seguro), do prejuízo resultante 
de riscos futuros, previstos no contrato (Susep, 2022). A formalização 
do contrato de seguro se dá por meio da proposta e da apólice onde cons-
tam todas as condições do seguro.
Do exposto, verificamos que a seguradora assume o risco do segu-
rado, que pode ser pessoa física ou jurídica, mediante o recebimento de 
um prêmio, que representa sua principal fonte de receita.
Conforme disposição do Código Civil, os seguros são classificados 
em seguros de danos (subdividido em seguros de coisas e de responsa-
bilidade civil) e seguro de pessoas (subdividido em seguro de vida e de 
acidentes pessoais).
2 Prêmio de seguro e sinistro
O prêmio se constitui no “preço” cobrado para a assunção do risco, 
conforme especificado no contrato (apólice) da seguradora. 
21Operações de seguros
O valor do prêmio é calculado em função dos elementos essenciais 
do seguro, tais como prazo de cobertura, importância segurada, exposi-
ção ao risco (estabelecido atuarialmente), bem como de outros fatores 
intrínsecos à operação da seguradora enquanto empresa com finalida-
des lucrativas, como: despesas administrativas, custos de produção e 
comercialização (comissões e agenciamentos), impostos e remunera-
ção pelo capital dos acionistas. 
O sinistro representa a materialização do risco (por exemplo: o roubo 
de um veículo ou a morte de um segurado), que pode ou não ocorrer 
durante a vigência do seguro. Caso ocorra, a seguradora deverá pagar 
ao segurado uma indenização estabelecida no contrato de seguro; o sinis-
tro representa a principal fonte de despesa (custo) de uma seguradora. 
3 Cosseguro aceito e cedido, resseguro 
e retrocessão
As seguradoras têm como atividade-fim a assunção de riscos, con-
tudo, há um limite técnico regulatório acerca do nível de risco que poderá 
ser retido por elas. Adicionalmente, o limite de retenção de risco de cada 
seguradora também será influenciado pelo modelo corporativo de ges-
tão de riscos da seguradora, ao que chamamos de apetite a risco.
Como decorrência de tal limite, a seguradora compartilhará parte dos 
riscos assumidos com outras seguradoras, ao que se convenciona cha-
mar de cosseguros, ou a resseguradores.
A operação de cosseguro é a divisão de um risco segurado entre várias 
seguradoras, cada uma das quais se responsabiliza por uma quota-parte 
determinada do valor total do seguro, sendo que uma delas, indicada na 
apólice e denominada líder, assume a responsabilidade de administrar o 
contrato e representar todas as demais no relacionamento com o segu-
rado, inclusive em caso de sinistro (Susep, 2022). 
22 Contabilidade atuarial
Como exemplo, consideremos que uma seguradora Alfa (líder) tenha 
emitido um seguro do ramo XX e tenha compartilhado 20% de seu risco 
com outra seguradora, Beta, repassando também 20% do prêmio rece-
bido do segurado.
O cosseguro aceito por uma seguradora A é a fração do risco rece-
bido de outra seguradora B (líder), que também lhe repassará parte do 
prêmio recebido do segurado, enquanto cosseguro cedido é o repasse, 
pela seguradora A (líder), da fração de um risco, a outra seguradora B, 
com o consequente repasse de parte do prêmio recebido do segurado. 
No caso da ocorrência de sinistro, as indenizações também serão com-
partilhadas entre as seguradoras A e B na proporção do risco retido por 
cada uma.
Quanto ao resseguro, é a transferência de riscos (parcial ou total) de 
uma cedente (seguradora), com vistas à sua própria proteção, para um 
ou mais resseguradores por meio de contratos automáticos ou faculta-
tivos (Susep, 2022), com o consequente compartilhamento de prêmio e 
pagamento de indenização no caso da ocorrência de sinistro. 
Assim como as seguradoras, os agentes resseguradores também 
possuem limites técnicos de retenção de riscos, sendo necessário trans-
feri-los a outros resseguradores ou para sociedades seguradoras locais 
utilizando contratos automáticos ou facultativos (Susep, 2022) por meio 
da denominada operação de retrocessão, com o consequente compar-
tilhamento de prêmio e pagamento de indenização no caso da ocorrên-
cia de sinistro. As operações de cosseguro aceito e retrocessão geram 
receitas de prêmios às seguradoras.
IMPORTANTE 
O resseguro é o seguro da seguradora.
23Operações de seguros
4 Risco e solvência
Conforme exposto anteriormente, o negócio das seguradoras é a 
assunção de riscos. O risco de subscrição é um dos mais relevantes para 
as seguradoras, pois representa a possibilidade de ocorrerem perdas 
motivadas pela não realização de suas expectativas quanto às bases 
técnicas e atuariais utilizadas para cálculo de prêmios, contribuições e 
provisões técnicas decorrentes de suas operações. 
Basicamente, a solvência diz respeito à capacidade financeira da segu-
radora para cumprir os compromissos assumidos junto aos segurados 
e beneficiários. Visando mitigar tal risco, a Susep realiza a regulação pru-
dencial por meio do estabelecimento de regras que visem a resguardar 
a solvência das sociedades e entidades supervisionadas, mesmo em 
face de eventuais acontecimentos desfavoráveis. Seu objetivo é reduzir 
a probabilidade de eventos de insolvência (embora seja impossível garan-
tir sua completa eliminação) e, caso estes ocorram, mitigar seus impac-
tos para os segurados, o mercado segurador e o sistema financeiro. 
Alguns dos principais temas tratados no contexto da regulação pru-
dencial são provisões técnicas, ativos, requerimentos de capital, gover-
nança, gestão de riscos, controles internos e contabilidade (Susep, 2022).
PARA SABER MAIS 
Mais detalhes acerca da regulação prudencial podem ser conhecidas no 
site da Susep (2023).
5 Provisões técnicas
As provisões técnicas estão intimamente relacionadas às obrigações 
futuras diversas assumidas pela seguradora junto aos segurados e/ou 
24 Contabilidade atuarial
beneficiários, devendo obrigatoriamente ser constituídas segundo dis-
posições da Resolução CNSP Nº 432/2021 (CNSP, 2021) e Circular Susep 
Nº 648/2021 (Susep, 2021) e alterações posteriores.
Para garantia de suas operações, uma entidade seguradora deverá 
constituir, sempre que necessário, as seguintes provisões técnicas:
I. Provisão de prêmios não ganhos (PPNG);
II. Provisão de sinistros a liquidar (PSL);
III. Provisão de sinistros ocorridos e não avisados (IBNR);
IV. Provisão matemática de benefícios a conceder (PMBAC); 
V. Provisão matemática de benefícios concedidos (PMBC); 
VI. Provisão complementar de cobertura (PCC);
VII. Provisão de despesas relacionadas a produtos estruturados em 
regime financeiro de repartição simples (PDR);
VIII. Provisão de excedentes técnicos (PET);
IX. Provisão de excedentes financeiros (PEF);
X. Provisão de resgates e outros valores a regularizar (PVR); e
XI. Provisão de despesas relacionadas a produtos estruturados em 
regime financeiro de capitalização ou repartição de capitais por 
cobertura (PDC).
Especificamente, as provisões mais representativas nas operações 
de seguros e que sempre serão necessariamente constituídas são a 
PPNG – provisão de prêmios não ganhos, a PSL – provisão de sinistros 
a liquidar e a IBNR – provisão de sinistros ocorridos e não avisados. As 
demais provisões elencadas poderão ou não ser constituídas, a depen-
der da natureza das operações da entidade seguradora.
25Operações de seguros
Referidas provisões têm como objetivo a garantia da estabilidade eco-
nômico-financeira das seguradoras, uma vez que são exigidos ativos 
para garantir tais obrigações, os denominados ativos garantidores (Cal-
das; Curvello;Rodrigues, 2016). 
6 Ativos garantidores
Os ativos garantidores (caracterizados por instrumentos financeiros 
registrados no ativo da seguradora, como ações e fundos de investi-
mento) visam dar cobertura às provisões técnicas (registradas no pas-
sivo da seguradora), servindo como mecanismo de gestão de riscos 
atuariais. 
A seguradora deve direcionar obrigatoriamente os fundos recebidos 
dos prêmios pagos pelos segurados adquirindo ativos financeiros tais 
como ações e fundos de investimento, entre outros, seguindo as diretri-
zes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional por meio da Reso-
lução CMN n° 4.993/2022 (CMN, 2022).
Referidos ativos constituem os maiores saldos na composição dos 
ativos no balanço patrimonial da entidade seguradora, podendo estar 
registrados no ativo circulante e no ativo não circulante, a depender dos 
prazos das obrigações representadas pelas provisões técnicas, que 
podem ser de curto ou de longo prazo. 
Considerações finais
O capítulo apresentou os aspectos elementares acerca das opera-
ções de seguros, bem como as operações de cosseguros e resseguros 
como forma de pulverização de riscos característicos das atividades de 
seguros.
26 Contabilidade atuarial
Na sequência, foi abordada a tríade relativa ao risco de insolvência, 
oriundo da não concretização das expectativas das entidades de segu-
ros quanto às suas premissas atuariais; das provisões técnicas e dos 
seus respectivos ativos garantidores, visando estabelecer solidez e sol-
vência no mercado securitário. 
Por fim, procuramos elucidar, de forma simples, neste primeiro momento, 
os efeitos nas demonstrações contábeis das entidades de seguros, pro-
venientes de suas operações tradicionais.
Referências
CALDAS, G.; CURVELLO, R.; RODRIGUES, A. Contabilidade dos contratos de 
seguro. Rio de Janeiro: ENS, 2016. (Série Textos Didáticos). 
CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL (CMN). Resolução CMN n° 4.993, de 24 de 
março de 2022. Dispõe sobre as normas que disciplinam a aplicação dos recursos 
das reservas técnicas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras, 
das sociedades de capitalização, das entidades abertas de previdência 
complementar e dos resseguradores locais, sobre as aplicações dos recursos 
exigidos no País para a garantia das obrigações de ressegurador admitido e sobre 
a carteira dos Fundos de Aposentadoria Programada Individual (Fapi). Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, p. 28-32, 28 mar. 2022. Disponível em: 
https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolução%20
CMN&numero=4993. Acesso em: 29 set. 2023.
CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS (CNSP). Resolução CNSP nº 
432, de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas, ativos redutores 
da necessidade de cobertura das provisões técnicas, capitais de risco, patrimônio 
líquido ajustado, capital mínimo requerido, planos de regularização, limite de 
retenção, critérios para a realização de investimentos, normas contábeis, auditoria 
contábil e auditoria atuarial independentes e Comitê de Auditoria aplicáveis a 
sociedades seguradoras, entidades abertas de previdência complementar, 
sociedades de capitalização e resseguradores. Diário Oficial da União, Brasília, 
DF, p. 89, 19 nov. 2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/
bnweb/bnmapi.exe?router=upload/27400. Acesso em: 28 set. 2023. 
27Operações de seguros
PADOVEZE, Clóvis. Contabilidade atuarial: fundamentos – seguro e previdência, 
contabilização e tributação, noções de cálculo atuarial. [S. l.]: InterSaberes, 2019.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Circular Susep n° 648, 
de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas; teste de adequação 
de passivos; ativos redutores; capitais de risco; constituição de banco de dados 
de perdas operacionais; planos de regularização; registro, custódia e movimentação 
de ativos, títulos e valores mobiliários garantidores das provisões técnicas; envio 
de informações periódicas; normas contábeis; auditoria contábil independente; 
exame de certificação e educação profissional continuada do auditor contábil 
independente; e sobre os pronunciamentos técnicos elaborados pelo Instituto 
Brasileiro de Atuária (IBA). Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 112, 19 nov. 
2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/bnmapi.
exe?router=upload/25996. Acesso em: 28 set. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Sobre a Susep. Susep, 
27 out. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/susep/pt-br/acesso-a-informacao/
institucional/sobre-a-susep. Acesso em: 29 set. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Regulação prudencial. 
Susep, 14 ago. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/susep/pt-br/assuntos/
informacoes-ao-mercado/solvencia-regulacao-prudencial-1. Acesso em: 29 set. 
2023.
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Capítulo 3
Normas e aspectos 
contábeis aplicáveis 
às entidades 
supervisionadas 
pela Susep
O presente capítulo tem por objetivo apresentar as principais obriga­
ções regulatórias aplicáveis às entidades supervisionadas pela Susep 
quanto ao que concerne ao envio de informações periódicas de caráter 
contábil.
Apresentaremos uma visão geral e contemporânea acerca da regu­
lação contábil emanada pelos órgãos de regulação e supervisão, bem 
como a influência do padrão das normas internacionais de contabilidade 
(IFRS) aplicável às entidades supervisionadas.
Ainda, apresentaremos as demonstrações contábeis exigidas e sua 
respectiva periodicidade para elaboração e divulgação, bem como as 
30 Contabilidade atuarial
informações periódicas mensais consubstanciadas no formulário de 
informações periódicas (FIP).
Por fim, abordaremos os aspectos essenciais acerca da auditoria 
atuarial como processo complementar à divulgação das demonstrações 
contábeis.
1 Legislação contábil e convergência aos 
padrões internacionais de contabilidade
Compete ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) fixar nor­
mas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas socie­
dades seguradoras (Brasil, 1966), sendo a Superintendência de Seguros 
Privados (Susep) responsável por fiscalizar a execução de tais normas. 
Assim, o CNSP outorgou à Susep, por meio da Resolução CNSP nº 432, 
de 12 de novembro de 2021 e anteriores, poderes para a edição de regu­
lamentação contábil específica (CNSP, 2021).
O reconhecimento, a mensuração e a evidenciação das operações 
realizadas pelas entidades supervisionadas pela Susep estão previstos 
na Resolução CNSP nº 432/2021 (CNSP, 2021) e na Circular Susep n° 
648, de 12 de novembro de 2021, que determina, em seu art. 96, que as 
supervisionadas1 deverão observar as normas contábeis ali estabeleci­
das e nos manuais específicos divulgados no website da Susep (Susep, 
2021).
O processo de convergência ao padrão das normas internacionais de 
contabilidade (IFRS), cuja adoção obrigatória no Brasil está previsto na 
Lei nº 11.638/07, foi iniciado pela Susep em 2008, com a recepção das 
normas emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). 
1 São as entidades de seguros, entidades abertas de previdência complementar, entidades de capitalização, 
resseguradores e sociedades seguradoras de propósito específico.
31Normas e aspectos contábeis aplicáveis às entidades supervisionadas pela Susep
A Susep é responsável pelo enforcement (recepção) dos pronuncia­
mentos, interpretações e revisões emitidos pelo CPC (Susep, 2023), tendo 
convergido sua regulação a praticamente todos os pronunciamentos do 
CPC, com algumas ressalvas ou requisitos adicionais, eventualmente 
(Caldas, 2016). As entidades supervisionadas, ao serem constituídas na 
forma de sociedades por ações, também estão sujeitas aos ditames da 
Lei nº 6.404/76 de forma subsidiária(Susep, 2023).
Quadro 1 – Normas e orientações contábeis aplicadas ao mercado segurador
NORMA ASSUNTO
Resolução CNSP nº 432/21
Delega à Susep poder de normatizar a contabilidade 
aplicável às entidades supervisionadas.
Circular Susep nº 648/21 Estabelece as normas contábeis aplicáveis às supervisionadas.
Manual de práticas e 
procedimentos contábeis 
do mercado segurador
Orientação para a elaboração das demonstrações contábeis 
exigidas pela Susep de suas supervisionadas.
Manual – elenco de contas 
e modelos de publicação
Listagem das rubricas contábeis de uso das supervisionadas.
Lei nº 6.404/76 Dispõe sobre as sociedades por ações.
Fonte: adaptado de Susep (2023).
2 Hierarquia dos normativos do arcabouço 
contábil aplicável às entidades 
supervisionadas pela Susep
A escrituração contábil das supervisionadas pela Susep deve obede­
cer às normas estipuladas pelo CPC, desde que não sejam contrárias ao 
estabelecido nas normas básicas, no elenco de contas e nos modelos 
de publicação, previstos na circular Susep n° 648/2021. 
32 Contabilidade atuarial
As normas básicas prevalecem sobre o elenco de contas, que pre­
pondera em relação aos modelos de publicação. Estes, por sua vez, pre­
dominam sobre as recepções dos padrões internacionais de contabili­
dade emitidos pelo CPC e recepcionados pela Susep (2023).
3 Plano de contas e demonstrações 
contábeis (DCs)
O elenco de contas das entidades supervisionadas é composto por 
um conjunto de rubricas contábeis estabelecido pela Susep, que servirá 
de suporte para a elaboração das demonstrações contábeis.
As classificações do elenco de contas são as seguintes: 
1. Contas patrimoniais de ativo.
2. Contas patrimoniais de passivo.
3. Contas de resultado.
O exercício social da supervisionada coincidirá com o ano civil e a 
data de seu encerramento, 31 de dezembro, será fixada em estatuto.
As supervisionadas deverão encerrar suas DCs duas vezes ao ano, 
sendo: (i) entre 01/jan e 30/jun (demonstrações intermediárias) e (ii) entre 
01/jan e 31/dez (demonstrações anuais).
As DCs individuais anuais comparativas, na data-base 31/dez, deve­
rão abranger: relatório da administração, balanço patrimonial, demons­
tração do resultado do período, demonstração de resultado abrangente, 
demonstração das mutações do patrimônio líquido, demonstração dos 
fluxos de caixa, notas explicativas e o correspondente relatório do audi­
tor independente sobre as DCs, devendo ser publicadas conforme Lei nº 
6.404/1976 (Brasil, 1976) até o dia 28 de fevereiro de cada ano. Referi­
das DCs deverão ser enviadas eletronicamente à Susep até o dia 15 de 
março para divulgação em seu site.
33Normas e aspectos contábeis aplicáveis às entidades supervisionadas pela Susep
PARA SABER MAIS 
As supervisionadas enquadradas como companhia fechada com receita 
bruta anual de até R$ 78.000.000,00 poderão realizar suas publicações 
de forma eletrônica na central de balanços do Sistema Público de Escri-
turação Digital (Sped) nos termos da legislação em vigor.
As DCs individuais intermediárias comparativas, na data­base 30/jun, 
deverão abranger: relatório da administração, balanço patrimonial, demons­
tração do resultado do período, demonstração de resultado abrangente, 
demonstração das mutações do patrimônio líquido, demonstração dos 
fluxos de caixa, notas explicativas e o correspondente relatório do audi­
tor independente sobre as DCs, devendo ser enviadas à Susep até o dia 
31 de agosto de cada ano para divulgação em seu site; é facultada a 
publicação das DCs intermediárias pelas supervisionadas.
As DCs individuais das supervisionadas pela Susep deverão ser acom­
panhadas da opinião de auditor independente que aborde, entre outros 
assuntos, a adequação às práticas contábeis adotadas no Brasil, aplicá­
veis às instituições autorizadas pela Susep a funcionar (Susep, 2021).
4 Formulário de informações periódicas (FIP)
O formulário de informações periódicas (FIP) é um conjunto de infor­
mações que precisam ser prestadas periodicamente à Susep por meio 
de quadros estatísticos visando ao processo de fiscalização e supervi­
são do mercado. 
Referidas informações são de natureza econômico-financeira, opera­
cionais e dados cadastrais, extraídas de sistemas contábeis e operacio­
nais da entidade supervisionada.
34 Contabilidade atuarial
Conforme disposição da Circular Susep nº 648/2021, os quadros deve­
rão ser enviados, em sua maioria, até o dia 20 do mês subsequente ao 
de referência.
5 Nota técnica atuarial
A nota técnica atuarial é o documento que formaliza e detalha a meto­
dologia e as premissas consideradas no cálculo das provisões técnicas. 
Para cada provisão técnica deverá haver uma nota técnica atuarial assi­
nada pelo atuário responsável técnico, devendo estar à disposição da 
Susep para eventuais solicitações, a nota técnica deverá ser encami­
nhada à Susep em até cinco dias úteis (Susep, 2021).
6 Auditoria atuarial
As entidades supervisionadas estão sujeitas a duas atividades de 
auditoria independente que se complementam. São elas: a auditoria con­
tábil e a auditoria atuarial. 
Especificamente, a auditoria atuarial independente ocorrerá sempre 
que as supervisionadas, na data-base de 31 de dezembro, tiverem obri­
gações caracterizadas como provisões técnicas (CNSP, 2021).
O atuário independente, na realização do seu trabalho, basicamente 
deverá opinar acerca da adequação das provisões técnicas, dos ativos 
de resseguro e retrocessão e créditos com ressegurador e retrocessio­
nário, produzindo os seguintes documentos:
I. Relatório da auditoria atuarial independente;
II. Parecer atuarial; e
III. Outros documentos solicitados pela Susep.
35Normas e aspectos contábeis aplicáveis às entidades supervisionadas pela Susep
O parecer atuarial deverá ser publicado em conjunto com as DCs 
anuais da supervisionada.
Considerações finais
Neste capítulo, pudemos compreender a relação hierárquica e sobe­
rana das entidades de regulação e supervisão, CNSP e Susep, respecti­
vamente, quanto ao que concerne à emissão de normas contábeis apli­
cáveis às entidades supervisionadas.
Compreendemos as principais exigências regulatórias de caráter con­
tábil aplicáveis às entidades supervisionadas pela Susep, tais como as 
demonstrações contábeis periódicas e o formulário de informações perió­
dicas (FIP).
Por fim, abordamos os aspectos essenciais acerca da auditoria atua­
rial e sua importância para proporcionar uma posição fidedigna das 
demonstrações contábeis das entidades supervisionadas, complemen­
tarmente à auditoria contábil.
Referências
BRASIL. Decreto­Lei n° 73, de 21 de novembro de 1966. Dispõe sobre o Sistema 
Nacional de Seguros Privados, regula as operações de seguros e resseguros e 
dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 22 novembro 1966. 
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto­lei/del0073.htm. 
Acesso em: 15 set. 2023.
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades 
por ações. Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 1, 17 dezembro 1976. Disponível 
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 08 
out. 2023
CALDAS, G.; CURVELLO, R.; RODRIGUES, A. Contabilidade dos contratos de 
seguro. Rio de Janeiro: ENS, 2016. (Série Textos Didáticos). 
36 Contabilidade atuarial
CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS (CNSP). Resolução CNSP nº 
432, de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas, ativos redutores 
da necessidade de cobertura das provisões técnicas, capitais de risco, patrimônio 
líquido ajustado, capital mínimo requerido, planos de regularização, limite de 
retenção, critérios para a realização de investimentos, normas contábeis, auditoria 
contábil e auditoria atuarial independentes e Comitê de Auditoria aplicáveis a 
sociedades seguradoras, entidades abertas de previdência complementar, 
sociedades de capitalização e resseguradores. Diário Oficial da União: Brasília, 
DF, p. 89, 19 nov. 2021.Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/
bnweb/bnmapi.exe?router=upload/27400. Acesso em: 28 set. 2023.
CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS (CNSP). Resolução CNSP nº 
453, de 19 de dezembro de 2022. Dispõe sobre a emissão de letra de risco de 
seguro por meio de sociedade seguradora de propósito específico e dá outras 
providencias. Susep, 2022. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/
bnportal/internet/en/search/52067. Acesso em: 8 out. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Circular Susep n° 648, 
de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas; teste de adequação 
de passivos; ativos redutores; capitais de risco; constituição de banco de dados 
de perdas operacionais; planos de regularização; registro, custódia e movimentação 
de ativos, títulos e valores mobiliários garantidores das provisões técnicas; envio 
de informações periódicas; normas contábeis; auditoria contábil independente; 
exame de certificação e educação profissional continuada do auditor contábil 
independente; e sobre os pronunciamentos técnicos elaborados pelo Instituto 
Brasileiro de Atuaria (IBA). Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 112, 19 nov. 
2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/bnportal/internet/pt­BR/
search/50474. Acesso em: 28 set. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de práticas e 
procedimentos contábeis do mercado segurador. Rio de Janeiro: Susep, 2023. 
(Versão dezembro de 2023. Vigência janeiro de 2024). Disponível em: https://
www.gov.br/susep/pt­br/arquivos/arquivos­regulacao­prudencial/manual­de­
contabilidade-do-mercado-supervisionado-pela-susep-versao-dez23-vigencia-
jan24­v­2.pdf. Acesso em: 8 out. 2023.
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Capítulo 4
Reconhecimento 
inicial e mensuração 
subsequente 
das principais 
operações de 
seguros – Parte 1
O presente capítulo tem por objetivo apresentar as contabilizações 
essenciais das entidades seguradoras quanto ao que concerne às ope-
rações de seguros por ocasião da emissão de prêmios (emissões dire-
tas) e mensuração subsequente envolvendo os efeitos em sua posição 
patrimonial e em seu resultado. Adicionalmente, serão mencionados seus 
tratamentos contábeis em situações de cancelamento de apólices emi-
tidas, com ou sem o recebimento de prêmios.
38 Contabilidade atuarial
Também abordaremos as contabilizações relacionadas às operações 
de cosseguro cedido e aceito, bem como as operações de resseguro 
cedido, igualmente evidenciando os efeitos patrimoniais e em resultado.
1 Contabilização de operações de 
seguros: prêmios, receitas, IOF, despesa 
de comercialização diferida, PPNG
A “história” da contabilização de uma operação de seguro tem início 
com a emissão de seu prêmio, sendo que diversas contabilizações decor-
rem e ocorrem durante toda a vigência do seguro.
Em essência, os prêmios comerciais de seguros serão apropriados 
como receitas ao resultado, linearmente, conforme a fluência do prazo 
de cobertura do risco. Os custos de aquisição, desde que variáveis e dire-
tamente relacionados com o valor do prêmio comercial (as comissões 
de corretagem), serão apropriados ao resultado, linearmente, pelo prazo 
de cobertura do risco (Susep, 2023).
Prêmio de seguro: por ocasião da emissão da apólice, o primeiro 
registro contábil refere-se ao reconhecimento do prêmio, que equivale à 
principal receita da seguradora1. 
Consideremos o seguinte exemplo de prêmio de seguro emitido, 
baseado em Malacrida (2018):
 • Seguro de automóvel:
 ◦ Vigência de 1 ano – 31/12/20X0 a 31/12/20X1 (inicia-se à 0h 
de 01/01/20X1).
 ◦ Prêmio comercial: R$ 1.500,00.
1 Equivale à receita de venda em uma empresa industrial ou comercial, por exemplo.
39Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 1
 ◦ IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): 7,38% sobre o prê-
mio – R$ 110,70.
 ◦ Apólice emitida no mesmo dia do início da cobertura.
 ◦ Comissão de corretor de 12% sobre o prêmio: R$ 180,00.
1.1 Emissão de prêmio de seguro – 01/01/20X1
O valor a receber do segurado equivale ao valor do prêmio acrescido 
do valor do IOF2, que deverá ser repassado ao governo federal, logo, o 
valor do IOF não contempla a receita da seguradora.
ATIVO
Prêmios a receber
1.610,70①
PASSIVO
IOF a recolher
110,7 ①
RESULTADO
Prêmio – risco emitido
1.500,00 ①
RESULTADO
IMPORTANTE 
O fato gerador da receita dos produtos de risco, para fins de reconheci-
mento inicial, é o início da vigência do risco (Susep, 2021).
O recebimento do prêmio (parcelado ou integral) e o pagamento do 
IOF serão baixados contra o grupo contábil de disponível, em suas res-
pectivas datas de recebimento e recolhimento, respectivamente.
2 O IOF é devido quando do recebimento do prêmio emitido; caso o pagamento do prêmio pelo segurado 
seja parcelado, o IOF será cobrado na primeira parcela.
40 Contabilidade atuarial
1.2 Provisão de prêmio não ganho (PPNG) – 01/01/20X1
A PPNG é uma provisão técnica das mais representativas no passivo 
da seguradora. Sob a ótica atuarial, a PPNG representa o valor esperado 
a pagar relativo a despesas e sinistros a ocorrerem. Na prática, a provi-
são se relaciona diretamente com o valor do prêmio registrado na con-
tabilidade e se caracteriza pelo diferimento dos prêmios utilizados como 
base de cálculo. Como forma de simplificação, determinou-se a utiliza-
ção do diferimento linear desses valores como regra para a constituição 
da provisão (Susep, 2022).
Dessa forma, como o prêmio, a priori, foi integralmente reconhecido 
no resultado quando da emissão da apólice (receita de prêmio – risco 
emitido), deve ser feita sua reversão para o passivo na forma de PPNG, 
representando os valores a serem reconhecidos como receita futura-
mente, em função da passagem do tempo.
RESULTADO
Variação prov. técnicas
1.500,00②
PASSIVO
PPNG
1.500,00 ②
A constituição da PPNG deve ser registrada no Passivo Circulante, 
contas Provisões Técnicas – Danos ou Provisões Técnicas – Pessoas, 
ambas do subgrupo Provisões Técnicas – Seguros e Resseguros, e no 
Passivo Não Circulante, subgrupo Provisões Técnicas – Seguros e Res-
seguros, contas Provisões Técnicas – Danos ou Provisões Técnicas 
– Pessoas.
1.3 Comissão de corretagem – 01/01/20X1
A comissão paga ao corretor de seguros equivale a uma despesa de 
comercialização e, assim como a receita de prêmio, deve ser diferida 
41Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 1
durante o período de cobertura do seguro (vigência do seguro), sendo 
apropriada ao resultado pelo regime de competência3.
RESULTADO
Comissão sobre prêmios
180,00③
PASSIVO
Comissão a pagar
180,00 ③
ATIVO
Custo aquisição diferido
180,00④
RESULTADO
Var. custo aq. diferido
180,00 ④
O pagamento da comissão ao corretor pelo valor integral será baixado 
contra o grupo contábil de disponível, na data estabelecida, conforme 
política da seguradora.
1.4 Prêmio ganho: receita de prêmio reconhecida 
no primeiro mês de vigência – 31/01/20X1
Decorrido o primeiro mês de cobertura do risco, a seguradora deve 
reconhecer a receita (classificada como prêmio ganho) proporcional pelo 
regime de competência.
Cálculo pro rata da variação da PPNG (receita a ser reconhecida) do 
mês jan/X1:
Cálculo da variação da PPNG . , ,
365
31
1 500 00 127 40#= =
3 Entre os custos de aquisição, apenas aqueles para os quais é possível estabelecer uma relação ao mesmo 
tempo direta (alocação direta, sem critério de rateio) e variável (variação na razão direta com o nível de ati-
vidade) com uma apólice podem ser reconhecidos como custos de aquisição diferidos. Todos os demais 
custos diferentes desse tipo deverão ser reconhecidos imediatamente como despesa no resultado (Susep, 
2023).42 Contabilidade atuarial
RESULTADO
Variação prov. técnicas
1.500,00 127,40② ⑤
PASSIVO
PPNG
127,40 1.500,00⑤ ②
Lançamentos similares serão realizados a cada mês decorrido até o 
término de vigência do seguro.
1.5 Despesa com comissão reconhecida no primeiro mês 
de vigência – 31/01/20X1
Decorrido o primeiro mês de cobertura do risco, a seguradora deve 
reconhecer a despesa com comissão (classificada como custos de aqui-
sição diferidos) proporcional pelo regime de competência.
Cálculo pro rata da variação do valor da despesa de comissão do mês 
jan/X1:
Cálculo da despesa de comissão , ,
365
31
1 0 00 18 5 29#= =
ATIVO
Custo aquisição diferido
180,00 15,29④ ⑥
RESULTADO
Var. custo aq. diferido
15,29 180,00⑥ ④
Lançamentos similares serão realizados a cada mês decorrido até o 
término de vigência do seguro.
43Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 1
2 Contabilização de operações de cosseguro 
cedido e aceito
O cosseguro equivale à operação de seguro em que duas ou mais 
sociedades seguradoras, com anuência do segurado, distribuem entre 
si os riscos de determinada apólice (CNSP, 2022). Consideremos o seguinte 
exemplo de cosseguro cedido (Malacrida, 2018):
Seguro contra incêndio
 • Vigência de 1 ano – 31/10/20X0 a 31/10/20X1 (inicia-se às 0h do 
dia 01/11/20X0).
 • Prêmio comercial: R$ 912,00.
 • IOF: 7,38% sobre o prêmio – R$ 67,31.
 • Apólice emitida no mesmo dia de início da cobertura.
 • Comissão de 10% sobre o prêmio: R$ 91,20.
 • Prêmio cedido em cosseguro: 40% – R$ 364,80.
 • Comissão de cosseguro4: 10% sobre o prêmio cedido – R$ 36,48.
2.1 Emissão de prêmio de seguro com cessão 
de cosseguro – 01/11/20X0
A seguradora receberá do segurado o valor de R$ 979,31, sendo: R$ 
912,00 do prêmio emitido + R$ 67,31 referentes ao IOF cobrado do segu-
rado na operação.
4 É a comissão que pode ser paga à seguradora líder, nos contratos com cosseguro, pelas demais socieda-
des seguradoras, pela administração e operação da apólice (CNSP, 2022).
44 Contabilidade atuarial
ATIVO
Prêmios a receber
979,31①
PASSIVO
IOF a recolher
67,31 ①
RESULTADO
Prêmio – risco emitido
912,00 ①
2.2 Provisão de prêmio não ganho (PPNG) – 01/11/20X0
Devido à cessão de cosseguro de 40% do prêmio (R$ 364,80) a PPNG 
será constituída apenas sobre o percentual de 60% de prêmio retido pela 
líder (R$ 912,00 – R$ 364,80 = R$ 547,20).
RESULTADO
Variação prov. técnicas
547,20②
PASSIVO
PPNG
547,20 ②
2.3 Prêmio e comissão cedidos a congêneres – 
01/11/20X0
A seguradora líder pagará à sua congênere o equivalente a 40% do 
prêmio emitido (R$ 912,00 × 40% = R$ 364,80) e “receberá” daquela valor 
de comissão equivalente a 10% do prêmio cedido (R$ 364,80 × 10% = 
R$ 36,48). O montante líquido5 a ser pago à congênere é de R$ 328,32 
(R$ 364,80 – R$ 36,48).
Os valores de “prêmio repassado” e “comissão recuperada” serão lan-
çados como reversões no resultado em relação às suas contas de ori-
gem de receita e despesa, respectivamente:
5 Habitualmente, a liquidação entre congêneres ocorre por valores líquidos.
45Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 1
RESULTADO
Custo de aquisição – rec.
comissão – cos. cedido
36,48 ③
PASSIVO
Seguradora – cosseguro
cedido emitido
328,32 ③
RESULTADO
Prêmios de seguros –
cosseguros cedidos
364,80③
2.4 Comissão de corretagem – 01/11/20X0
Conforme exposto em 1.3, a despesa de comissão deve ser diferida 
durante a vigência do seguro, contudo, em razão da “recuperação” de 
parte da comissão, o valor a ser registrado no ativo será de R$ 54,72 (R$ 
91,20 – R$ 36,48 = R$ 54,72).
RESULTADO
Comissão sobre prêmios
91,20④
PASSIVO
Comissão a pagar
91,20 ④
ATIVO
Custo aquisição diferido
54,72⑤
RESULTADO
Var. custo aq. diferido
54,72 ⑤
2.5 Contabilização das operações de cosseguro aceito
No cosseguro aceito são realizados os mesmos lançamentos de uma 
emissão direta (conforme subitem 1); a alteração está nas subcontas 
utilizadas para registro: emissão direta ou cosseguro aceito. Não há inci-
dência de IOF. Há valor de prêmio a receber de congênere, e não de segu-
rado, além de comissão a pagar a congênere, e não a corretor (Malacrida, 
2018).
3 Contabilização de operações de resseguro 
cedido
O resseguro representa a transferência de riscos de uma seguradora 
para um ou mais resseguradores (CNSP, 2022).
46 Contabilidade atuarial
Consideremos o seguinte exemplo de resseguro cedido, baseado em 
Malacrida (2018):
Seguro contra incêndio
 • Vigência de 1 ano – 31/10/20X0 a 31/10/20X1 (inicia-se às 0h do 
dia 01/11/20X0).
 • Prêmio comercial: R$ 912,00.
 • IOF: 7,38% sobre o prêmio – R$ 67,31.
 • Apólice emitida no mesmo dia de início da cobertura.
 • Comissão de 10% sobre o prêmio: R$ 91,20.
 • Prêmio cedido em resseguro: 40% – R$ 364,80.
 • Comissão de resseguro: 10% sobre o prêmio cedido – R$ 36,48.
3.1 Emissão de prêmio de seguro com cessão de 
resseguro – 01/11/20X0
Conforme lançamentos realizados no subitem 2.1.
3.2 Provisão de prêmio não ganho (PPNG) – 01/11/20X0
A PPNG será constituída pelo valor bruto de prêmio emitido sem a 
subtração do prêmio de resseguro cedido.
RESULTADO
Variação prov. técnicas
912,00②
PASSIVO
PPNG
912,00 ②
Observação: realizamos os lançamentos 
contábeis com a referência (2), considerando 
que os lançamentos do item 3.1 são a 
referência (1)
47Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 1
3.3 Comissão de corretagem – 01/11/20X0
Diferentemente do que ocorre no cosseguro cedido, no resseguro 
cedido a base para diferimento dos custos de aquisição é de 100% do 
valor da comissão.
RESULTADO
Comissão sobre prêmios
91,20③
PASSIVO
Comissão a pagar
91,20 ③
ATIVO
Custo aquisição diferido
91,20④
RESULTADO
Var. custo aq. diferido
91,20 ④
3.4 Prêmio e comissão de resseguro cedido – 01/11/20X0
A seguradora pagará à resseguradora o equivalente a 40% do prêmio 
emitido (R$ 912,00 x 40% = R$ 364,80) e “receberá” daquela valor de 
comissão equivalente a 10% do prêmio cedido (R$ 364,80 x 10% = R$ 
36,48). O montante líquido6 a ser pago à resseguradora é de R$ 328,32 
(R$ 364,80 – R$ 36,48).
Os valores de “prêmio repassado” e “comissão recuperada” serão lan-
çados como reversões no resultado em relação às suas contas de ori-
gem de receita e despesa, respectivamente:
RESULTADO
Despesas com
resseguros – comissões
36,48 ⑤
PASSIVO
Resseguradoras –
prêmios cedidos
328,32 ⑤
RESULTADO
Despesas com
resseguros – prêmios
364,80⑤
6 Habitualmente, a liquidação entre a seguradora e a resseguradora ocorre por valores líquidos.
48 Contabilidade atuarial
3.5 Prêmio e comissão de resseguro cedido: 
diferimento – 01/11/20X0
São utilizadas as mesmas rubricas contábeis para prêmios e 
comissões.
ATIVO
Ativo de resseguros –
prêmios e
comissões diferidos
364,80 36,48⑥ ⑦
RESULTADO
Variação prov. técnicas –
resseguradoras
(prêmio – comissão)
36,48 364,80⑦ ⑥
4 Cancelamento de apólice
Cancelamento de apólice antes do recebimento do prêmio: haverá o 
estorno dos lançamentos feitos na emissão e que estavam pendentes 
de recebimento até a data do cancelamento, em subconta “Prêmios Can-
celados” (Malacrida, 2018).
Cancelamento de apólice após o recebimento de parcelas de prêmio: 
haverá a restituição de prêmios, devendo ser realizados os seguintes lan-
çamentos (Malacrida, 2018):
Prêmios de seguro Comissão sobre os prêmios emitidos
Débito: prêmios restituídos (resultado)
Crédito: prêmios a restituir (passivo)
Débito: corretores de seguros (ativo)
Crédito: comissão sobre prêmios emitidos (resultado)
Considerações finais
Tomando por base o arcabouço regulatório contábil emanado pelas 
entidades de regulação e supervisão, CNSP e Susep, respectivamente, 
quanto ao que concerne à emissão de normas contábeis aplicáveis às 
49Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 1
entidades supervisionadas,abordamos, especificamente para as ope-
rações das entidades seguradoras, as contabilizações essenciais 
envolvendo:
 • Emissão (direta) de prêmios de seguro (com efeitos patrimoniais 
e em resultado);
 • Emissão de prêmios de seguro com cessão de cosseguro (com 
efeitos patrimoniais e em resultado);
 • Emissão de prêmios de seguro com cessão de resseguro (com 
efeitos patrimoniais e em resultado);
 • Os tratamentos contábeis fundamentais em cancelamento de apó-
lices, com ou sem recebimentos de parcelas de prêmios.
Referida abordagem nos permitiu compreender como estão demons-
trados direitos e obrigações provenientes das atividades características 
das entidades seguradoras, bem como a formação do resultado de suas 
operações. 
Referências
CALDAS, G.; CURVELLO, R.; RODRIGUES, A. Contabilidade dos contratos de 
seguro. Rio de Janeiro: ENS, 2016. (Série Textos Didáticos). 
CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS (CNSP). Resolução CNSP nº 
451, de 19 de dezembro de 2022. Dispõe sobre as operações de cessão e aceitação 
de resseguro e retrocessão e sua intermediação, as operações de cosseguro, as 
operações em moeda estrangeira e as contratações de seguro no exterior. Diário 
Oficial da União: Brasília, DF, 21 dez. 2022, p.221. Disponível em: https://www2.
susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/bnmapi.exe?router=upload/26908. Acesso 
em: 15 out. 2023.
MALACRIDA, M. J. C.; LIMA, G. A. S. F. de; COSTA, J. A. Contabilidade de seguros: 
fundamentos e contabilização das operações. São Paulo: Atlas, 2018.
50 Contabilidade atuarial
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Circular Susep n° 648, 
de 12 de novembro de 2021. Dispõe sobre provisões técnicas; teste de adequação 
de passivos; ativos redutores; capitais de risco; constituição de banco de dados 
de perdas operacionais; planos de regularização; registro, custódia e movimentação 
de ativos, títulos e valores mobiliários garantidores das provisões técnicas; envio 
de informações periódicas; normas contábeis; auditoria contábil independente; 
exame de certificação e educação profissional continuada do auditor contábil 
independente; e sobre os pronunciamentos técnicos elaborados pelo Instituto 
Brasileiro de Atuária (IBA). Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 112, 19 nov. 
2021. Disponível em: https://www2.susep.gov.br/safe/scripts/bnweb/bnmapi.
exe?router=upload/25996. Acesso em: 12 jan. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de orientações 
sobre provisões técnicas. Rio de Janeiro: Susep, 2022. (Vigência: a partir de 
janeiro de 2023. Versão: janeiro de 2023). Disponível em: https://www.gov.br/
susep/pt-br/arquivos/arquivos-regulacao-prudencial/manual-de-provisoes-tecni 
cas. Acesso em: 15 out. 2023.
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (SUSEP). Manual de práticas e 
procedimentos contábeis do mercado segurador. Rio de Janeiro: Susep, 2023. 
(Versão dezembro de 2023. Vigência janeiro de 2024). Disponível em: https://
www.gov.br/susep/pt-br/arquivos/arquivos-regulacao-prudencial/manual-de-con 
tabilidade-do-mercado-supervisionado-pela-susep-versao-dez23-vigencia-jan24-v-2.
pdf. Acesso em: 12 jan. 2024.
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 Editora Senac São Paulo. 51
Capítulo 5
Reconhecimento 
inicial e mensuração 
subsequente das 
principais 
operações de 
seguros – Parte 2
Este capítulo tem por objetivo apresentar as contabilizações essen-
ciais das entidades seguradoras quanto ao que concerne as operações 
de seguros envolvendo o reconhecimento inicial e mensuração subse-
quente dos ativos garantidores das provisões técnicas, conforme suas 
classificações. Também serão abordadas as características e o trata-
mento contábil de sinistros avisados e não avisados e sua consequente 
necessidade de constituição de provisões técnicas. Por fim, como con-
sequência da ocorrência de sinistros, são apresentadas as definições e 
o tratamento contábil de salvados e ressarcimentos com efeitos na des-
pesa de sinistros.
52 Contabilidade atuarial
1 Ativos garantidores
Os ativos garantidores (ativo da seguradora) estão vinculados à garan-
tia das provisões técnicas (passivo da seguradora) conforme as diretri-
zes estabelecidas pela Resolução CNSP nº 432/2021 e pela Circular 
Susep nº 648/2021. Os ativos garantidores devem estar registrados na 
Susep, não podendo ser alienados sem sua prévia e expressa autoriza-
ção, e devem estar livres e desembaraçados de ônus ou gravames judi-
ciais ou extrajudiciais de qualquer natureza (Susep, 2021).
Conforme disposição da Circular Susep nº 648/2021 e alterações pos-
teriores, os instrumentos financeiros das supervisionadas (entre os quais 
os ativos garantidores das provisões técnicas) devem observar os crité-
rios contábeis de reconhecimento, mensuração, apresentação e eviden-
ciação contidos no pronunciamento técnico do Comitê de Pronuncia-
mentos Contábeis CPC 48 – Instrumentos Financeiros1 a partir de janeiro 
de 2024. Especificamente, ressalta-se que o CPC 48 correspondente ao 
IFRS 9, foi emitido em dezembro de 2016, com início de aplicação mun-
dial em janeiro de 2018 (por entidades não emitentes de contratos de 
seguros), mas com opção para as entidades que emitem contratos de 
seguros de iniciar a aplicação em janeiro de 2023, contudo, a Susep deter-
minou sua aplicação somente a partir de janeiro de 2024, visando con-
ceder prazo adequado de adaptação às supervisionadas (Susep, 2023).
Em observância aos preceitos do CPC 48, os ativos garantidores das 
entidades supervisionadas, no reconhecimento inicial, devem ser men-
surados ao valor justo2. Subsequentemente, os ativos garantidores devem 
ser mensurados por uma das seguintes categorias:
a. Ao custo amortizado;
1 Esse pronunciamento deve ser aplicado a todas as entidades e a todos os tipos de instrumentos financei-
ros com algumas exceções dispostas em seu conteúdo.
2 Para maiores detalhes sobre os conceitos acerca de valor justo, vide CPC 46 – Valor justo.
53Reconhecimento inicial e mensuração subsequente das principais operações de seguros – Parte 2
b. Ao valor justo por meio de outros resultados abrangentes (ORA); 
ou 
c. Ao valor justo por meio do resultado.
A classificação dos ativos financeiros como subsequentemente men-
surados ao custo amortizado, ao valor justo por meio de outros resulta-
dos abrangentes ou ao valor justo por meio do resultado toma por base 
tanto (a) o modelo de negócio da entidade para a gestão dos ativos finan-
ceiros; quanto (b) as características de fluxo de caixa contratual de tal 
ativo financeiro. 
A classificação inicial dos ativos determinará seu tratamento contá-
bil e respectiva forma de mensuração subsequente após o reconheci-
mento inicial, se ao custo amortizado (curva3 do papel) ou ao valor justo 
(valor de mercado – MtM na data da mensuração), podendo ser sinteti-
zado conforme segue:
Quadro 1 – Classificação de instrumentos financeiros ativos (CPC 48)
CLASSIFICAÇÃO RENDIMENTO 
RECONHECIDO COMO
MARCAÇÃO A MERCADO 
RECONHECIDA COMO
Custo amortizado Sim, curva (DRE) Não
Valor justo por meio de ORA Sim, curva (DRE) Sim (ORA/PL)
Valor justo por meio do resultado Sim, curva (DRE) Sim (DRE)
Consideremos o seguinte exemplo de aquisição de instrumento finan-
ceiro para cobertura das provisões técnicas, classificado ao valor justo 
por meio do resultado:
3 Curva do papel é um jargão utilizado no mercado financeiro e representa a taxa do papel prometida pelo 
seu emissor, representando sua remuneração (por exemplo, 15% ao ano).
54 Contabilidade atuarial
Título de renda fixa público
 • Valor investido: R$ 1.000,00
 • Data da aplicação: 31/03/20X0
 • Taxa de juros (curva do papel): 1,25% ao mês (juros compostos)
 • Valor do título pelo custo amortizado (curva do papel), em 30/04/
X0: R$ 1.012,50 (R$ 1.000 x 1,25% = R$ 12,50)
 • Valor de mercado (valor justo) do título, em 30/04/X0:

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