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Sejam bem-vindos! ENGENHARIA CIVIL Obras de terras e contenções Engenharia Civil Obras de terra e contenções Prof. Alan de Paula Almeida E-mail_alan.almeida@fmu.br Aula 2 Obras de terra e contenções na engenharia Empuxo de terra • Tensões Empuxo de terra Definição de Empuxo Entende-se por empuxo de terra a ação horizontal produzida por um maciço de solo sobre as obras com ele em contato. A determinação do valor do empuxo de terra é fundamental para a análise e o projeto de obras como muros de arrimo, cortinas de estacas-prancha, construção de subsolos, encontro de pontes, etc. O valor do empuxo de terra, assim como a distribuição de tensões ao longo do elemento de contenção, depende da interação solo-elemento estrutural durante todas as fases da obra. O empuxo atuando sobre o elemento estrutural provoca deslocamentos horizontais que, por sua vez, alteram o valor e a distribuição do empuxo, ao longo das fases construtivas da obra. Empuxo de terra Empuxo de terra A figura ilustra alguns exemplos de obras de arrimo em que são utilizadas diferentes soluções na estrutura de contenção, a saber: (a) muro em solo-cimento ensacado e compactado, (b) muro em concreto ciclópico, (c) muro em pedras arrumadas manualmente em gaiolas metálicas – gabiões e (d) muro em concreto armado. Muros de contenção ou arrimo: a) solo-cimento, b) concreto ciclópico, c) gabião d) concreto armado Empuxo de terra O cálculo dos empuxos constitui uma das maiores e mais antigas preocupações da engenharia civil; data de 1776 a primeira contribuição efetiva ao tema, em muito anterior ao nascimento da Mecânica dos Solos como ciência autônoma. Trata-se de um problema de grande interesse prático, de ocorrência frequente e de determinação complexa. Empuxo de terra No estudo deste assunto, como na maioria dos problemas sob domínio da Mecânica dos Solos, raras são as situações em que é possível determinar forças e, por conseguinte, tensões com base apenas nas condições de equilíbrio; os problemas são, em geral, estaticamente indeterminados. Para vencer esta dificuldade é imperioso considerar as condições de compatibilidade entre os deslocamentos, o que implica a necessidade de conhecer-se também a variação das tensões com as deformações, ou seja, a curva σ x ε (Vilar e Bueno, 1979). Considerações iniciais sobre empuxo Vilar e Bueno (1979) ressalta que há, em síntese, duas linhas de conduta no estudo dos empuxos de terra. A primeira, de cunho teórico, apoia-se em tratamentos matemáticos elaborados a partir de modelos reológicos (estudo de deformações) que tentam traduzir, tanto quanto possível, o comportamento preciso da relação tensão x deformação dos solos. A segunda forma de abordagem é de caráter empírico-experimental; são recomendações colhidas de observações em modelos de laboratório e em obras instrumentadas. Considerações iniciais sobre empuxo A automatização dos métodos numéricos (diferenças finitas, método dos elementos finitos) através de computadores e a evolução das técnicas de amostragem e ensaios têm propiciado, nos últimos anos, um desenvolvimento significativo dos processos de cunho teórico. Neste capítulo serão tratados apenas os processos clássicos de determinação de empuxos, baseados nas teorias da Elasticidade, de Rankine e de Coulomb. Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação Para a determinação das pressões de empuxo de terra utilizaremos inicialmente os conceitos da teoria de elasticidade no que se refere ao comportamento dos solos e suas características de deformabilidade quando submetido a uma pressão de compressão. Pode-se a partir do gráfico “tensão x deformação” , obtido em um ensaio de compressão, determinar o módulo de elasticidade (E) em um segmento reto (AB - módulo inicial - Lei de Hooke = proporcionalidade tensão-deformação, AC – módulo secante ou CD – módulo tangente). Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação Figura – Deformação de um corpo submetido a um carregamento (Cilindro) Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação Considerando que o corpo de prova de solo sofre uma tensão de compressão, no sentido da altura, este sofre uma deformação neste sentido e consequentemente no sentido de seu raio (diâmetro) R, teremos então: Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação Logo, podemos concluir que: •εv: deformação vertical; •εh: deformação horizontal; •σ: tensão; •E: módulo de deformabilidade do solo; •μ: coeficiente de Poisson. εh = μ * εv = μ * σ𝑣 𝐸 A partir das deformações nos sentidos horizontal e vertical poderemos determinar o Coeficiente de Poisson (μ ). O Coeficiente de Poisson é o parâmetro que reflete o quanto o solo deforma no sentido horizontal em relação à deformação no sentido do carregamento. Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação Então, o que podemos concluir a partir disso? Simples! Percebemos através da relação entre as constantes de elasticidade do material ( μ e E) que existe uma proporcionalidade entre a tensão vertical no solo e sua respectiva tensão horizontal. Logo, a partir desse momento você sabe que os valores de tensões horizontais podem ser calculados através da tensão vertical efetiva no solo para o mesmo ponto: σh=k⋅σ′v Onde: •k: coeficiente de empuxo do solo. Agora que você já entendeu a proporcionalidade entre as tensões e sabe uma fórmula geral para a determinação da tensão horizontal no solo, vamos falar um pouco mais sobre os tipos de empuxo. Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação ** Valores típicos para Módulo de Elasticidade (E) de solos Como ordem de grandeza, podem-se indicar os valores apresentados na Tabela como módulos de elasticidade para argilas sedimentares saturadas, em solicitações rápidas, que não dão margem à drenagem. Tabela – Módulos de elasticidade típicos de argilas saturadas não drenada Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação ** Valores típicos para Módulo de Elasticidade (E) de solos Para as areias, os módulos são os correspondentes à situação drenada, Tabela, pois a permeabilidade é alta, em relação ao tempo de aplicação das cargas. Tabela – Módulos de elasticidade típicos de areias em solicitação drenada (para tensão confinante de 100 kPa) Teoria da Elasticidade - Relação entre Tensão x Deformação ** Valores típicos para coeficiente de Poisson (μ) de solos Para solos, tem-se a seguinte variação: 0,25condição de calcular a resultante deste esforço horizontal que é chamado simplesmente de empuxo, correspondente a área do diagrama de pressões horizontais e agindo no centro de gravidade do mesmo (isto é, no terço inferior da sua altura). Empuxo no repouso Condição em que o plano de contenção não se movimenta Tem-se neste tipo de empuxo, um equilíbrio perfeito em que a massa de solo se mantem absolutamente estável, sem nenhuma deformação na estrutura do solo, isto é, está em equilíbrio elástico. Considerando a massa semi- infinita de solo homogêneo, em uma só camada permeável, sem ocorrência de NA e com o terrapleno horizontal, e estando o solo em equilíbrio elástico, os esforços na direção horizontal podem ser calculados, teoricamente, baseados nas constantes elásticas do material, isto é, dos parâmetros E e μ. Empuxo no repouso O empuxo no repouso é definido pelas tensões horizontais, calculadas para condição de repouso. Neste caso para a condição de semi-espaço infinito horizontal, o empuxo é produto do coeficiente de empuxo lateral no repouso (ko) e da tensão efetiva vertical, acrescido da parcela da poro pressão. Empuxo no repouso O valor de ko depende de vários parâmetros geotécnicos do solo, dentre os quais pode-se citar: ângulo de atrito, índice de vazios, razão de pré-adensamento, etc.). A determinação do coeficiente de empuxo no repouso pode ser feita a partir ensaios de laboratório e ensaios de campo, teoria da elasticidade ou correlações empíricas Empuxo no repouso A determinação experimental pode ser feita através das seguintes técnicas de ensaio: i) ensaio com controle de tensões, tal que h=0. Este ensaio pode ser feito medindo-se as deformações axial e volumétrica e alterando as tensões tal que axial= vol. Alternativamente pode- se medir as deformações horizontais da amostra através de instrumentação e, consequentemente, corrigir as tensões; ii) ensaios de campo (pressiometro, ensaio de fratura hidráulica) iii) instrumentação de campo (células de pressão) Empuxo no repouso i) Ensaios triaxiais (mantendo-se h =0), realizados por Bishop, em areias uniformes (n = 40%) mostraram que na Figura. ii) no descarregamento ko é variavel podendo atingir valores superiores a 1 em solos Pré-adensados não há como estimar ko se OCR varia ao logo do perfil Ko também varia Figura. Variação de ko Empuxo no repouso No entanto, a determinação experimental de ko torna-se difícil principalmente por dois fatores: alteração do estado inicial de tensões e amolgamento, provocados pela introdução do sistema de medidas. Estes dois fatores também influenciam o comportamento de amostras utilizadas em ensaios de laboratório. As proposições empíricas (Tabela abaixo) valem para solos sedimentares. Solos residuais e solos que sofreram transformações pedológicas posteriores, apresentam tensões horizontais que dependem das tensões internas da rocha ou do processo de evolução sofrido. Nestes solos o valor de ko é muito difícil de ser obtido. Empuxo no repouso Tabela. Correlações empíricas para estimativa de ko Empuxo no repouso Tabela. Correlações empíricas para estimativa de ko Empuxo passivo x empuxo ativo Nos problemas de fundações, a interação das estruturas com o solo implica a transmissão de forças predominantemente verticais. Contudo, são também inúmeros os casos em que as estruturas interagem com o solo através de forças horizontais, denominadas empuxo de terra. Neste último caso, as interações dividem- se em duas categorias. A primeira categoria verifica-se quando determinada estrutura é construída para suportar um maciço de solo. Neste caso, as forças que o solo exerce sobre as estruturas são de natureza ativa. O solo “empurra’ a estrutura, que reage, tendendo a afastar-se do maciço. Na Figura estão apresentadas diversas obras deste tipo. Exemplos de obra em que os empuxos são de natureza ativa Empuxo passivo x empuxo ativo Na segunda categoria, ao contrário, é a estrutura que é empurrada contra o solo. A força exercida pela estrutura sobre o solo é de natureza passiva. Um caso típico deste tipo de interação solo-estrutura é o de fundações que transmitem ao maciço forças de elevada componente horizontal, como é o caso de pontes em arco mostrado na figura. Exemplos de obra em que os empuxos são de natureza passiva Empuxo passivo x empuxo ativo Em determinadas obras, a interação solo-estrutura pode englobar simultaneamente as duas categorias referidas. É o caso da Figura , onde se representa um muro-cais ancorado. As pressões do solo suportado imediatamente atrás da cortina são equilibradas pela força Ft de um tirante de aço amarrado em um ponto perto do topo da cortina e pelas pressões do solo em frente à cortina. O esforço de tração no tirante tende a deslocar a placa para a esquerda, isto é, empurra a placa contra o solo, mobilizando pressões de natureza passiva de um lado e pressões de natureza ativa no lado oposto Muro-cais ancorado – caso em que se desenvolvem pressões ativas e passivas. Estados de Equilíbrio Plástico Diz se que a massa de solo esta sob equilíbrio plástico quando todos os pontos estão em situação de ruptura Seja uma massa semi-infinita de solo seco, não coesivo, mostrada na Figura. O elemento está sob condição geostática. e as tensões atuantes em uma parede vertical, imaginaria será calculada com base em: Figura. Estado de equilíbrio plástico Estados de Equilíbrio Plástico Como não existem tensões cisalhantes, os planos vertical e horizontal são planos principais. Supondo que haja um deslocamento do diafragma, haverá uma redução da tensão horizontal (h), sem que a tensão vertical sofra qualquer variação. Se o deslocamento do diafragma prosseguir, a tensão horizontal até que ocorra a condição de ruptura. Neste caso, diz-se que a região esta em equilíbrio plástico e h atingirá seu limite inferior (condição ativa). Tensões horizontais Solo,g v = g z h =? Onde: K= coeficiente de empuxo h = K v Para tensões totais e efetivas K = f (d) d Deslocamento horizontal = z dz Determinação dos coeficientes de empuxo Solo,g ▪ Condição de deformação lateral negativa V h Anteparo vertical dz z H dh - h Decresce até ha Condição ativa Ka = ’ha ’va Ka = coeficiente de empuxo ativo Determinação dos coeficientes de empuxo ▪ Condição de deformação lateral positiva Solo,g V h Anteparo vertical dz z H dh + h Cresce até hp Condição passiva Kp = ’ha ’vaKp = coeficiente de empuxo passivo Determinação dos coeficientes de empuxo E0 Ativo Ea Passivo Ep E 0 CompressãoExpansão (+)(-) Equilíbrio Elástico Métodos para a determinação dos empuxos de terra ▪ Processos clássicos: Métodos de Equilíbrio Limite Cunha de solo: Estados de Plastificação (Ativo ou Passivo) Método de Rankine Método de Coulomb Estruturas de contenção - arrimo sob empuxo em repouso (a), ativo (b) e passivo (c) Próxima Aula Aprenderemos sobre EMPUXO Analisar a influência dos diversos parâmetros do solo e da interação solo-estrutura em estruturas de contenção.