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03Aula O papel da comunidade em relação ao meio ambiente Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • definir ecologia; • inteirar-se dos problemas ambientais brasileiros, incluindo fauna e flora; • refletir sobre os benefícios da Constituição de 1988 para o meio ambiente; • perceber o tamanho da responsabilidade do homem com seu ambiente. Nesta aula abordaremos sobre a responsabilidade de cada um em relação ao meio ambiente. Bons estudos! 22Educação e Sustentabilidade Ambiental 1- Somos parte do planeta e também integramos a ecologia 2- O homem pode interagir ou destruir o seu meio 1 - Somos parte do planeta e também integramos a ecologia O tráfico de vida silvestre é a terceira maior atividade ilegal do mundo, depois das armas e das drogas. Estima-se que movimente anualmente de 10 a 20 bilhões de dólares (WEBB, 2001 apud Santos; Câmara, Org. 2002). Esses dados correspondem apenas à fauna, mas o crime atinge também a flora, que além do contrabando sofre com a destruição advinda da exploração insensata das matas; da derrubada de árvores, cujo ciclo vital ainda não atingiu seu pico; dos incêndios voluntários, involuntários ou naturais; entre outros problemas que vêm acabando com nossas florestas em ritmo bastante acelerado. O Brasil se inclui entre as maiores vítimas dos crimes ambientais, embora possua uma legislação ambiental das mais completas do mundo. Existe lei para tudo, mas os crimes ambientais continuam acontecendo. A fauna, a flora, os rios, o solo, o ar, enfim, os ecossistemas de modo geral sofrem agressões de todos os lados e em níveis alarmantes. E esse não é um problema exclusivo do Estado, como também de toda a sociedade. Cada um de nós deve ser um educador e ajudar a sensibilizar as pessoas que vivem ao nosso redor, da sua responsabilidade sobre o que acontece no planeta, as consequências do desrespeito ao meio ambiente, e que é necessário preservar hoje para não faltar amanhã. A conservação depende da atitude de cada um. Pequenos gestos, como o de fechar a torneira na hora de escovar os dentes, fazer a barba, lavar a louça, tomar banho, contribuem muito para o meio ambiente e para preservar um dos bens mais preciosos, sem o qual não haveria vida no planeta. Infelizmente, a maioria das pessoas não se atém sobre esse fato e, por isso, há muito desperdício. Basta observar a quantidade de calçadas lavadas todos os dias somente com a utilização de mangueira, sem o valioso auxílio da vassoura. Usar a mangueira para lavar calçada, ou mesmo o carro, uma vez por semana, durante 15 minutos, consome 1.700 litros de água por ano, um desperdício que pode ser evitado se prevalecer o bom senso, valendo-se de balde e vassoura, conforme dados do site: http://www.saaeitabira.com.br/Portals/6/flash/ comoeconomizar.htm. Melhor ainda é reutilizar a água que sobra da lavagem de roupas, por exemplo, para esses e outros fins. A maioria das pessoas ainda não acredita que a água pode acabar. É mesmo difícil, pois existe água aos montes nos oceanos, rios, lagos, lagoas, geleiras, fontes, aquíferos..., porém, embora o volume seja grande, não tem qualidade. A água doce, própria para o consumo, corresponde a menos de 1% de todo esse volume. O resto é salobra, contaminada ou salgada. Leiam a informação que se segue com um espírito crítico; Seções de estudo parem alguns segundos para pensar no quanto o homem ainda precisa evoluir para aprender o valor das coisas. Estamos no século XXI, vivendo uma era rica em desenvolvimento tecnológico, mas pobre de sensibilidade, compaixão, empatia. Bem, depois desse discurso, vamos continuar com o conteúdo. Saber Mais Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cada pessoa precisa de 110 litros de água por dia para atender suas necessidades de consumo e higiene. O brasileiro gasta, em média, quase o dobro: aproximadamente 200 litros/dia, ou 73 mil litros/ano (Disponível em: http://www.saaeitabira.com.br/Portals/6/fl ash/comoeconomizar.htm. Acesso em: 09 set. 2012.). Isso fora o desperdício frequente nas redes de distribuição, cuja maior parte carece de recursos tecnológicos suficientes para detectar os vazamentos subterrâneos, e de infraestrutura para efetuar os devidos reparos imediatamente. Por essa e outras razões é que as pessoas precisam exercer a sua cidadania e saber que, por exemplo, ao se deparar com um vazamento de água no meio da rua, deve comunicar o fato aos órgãos competentes. Não importa se o problema é ou não na sua casa ou no seu bairro. Não é difícil economizar água. Basta ter boa vontade. Por exemplo: a água da lavagem de roupas, em vez de ir direto para o esgoto, pode ser aproveitada para limpeza da casa, do quintal, para lavar tapetes ou mesmo despejada no vaso sanitário. Ao lavar as verduras, a água pode ser aparada em um recipiente e servir para regar as plantas. Nunca deixar a torneira aberta enquanto se escova os dentes, faz a barba, lava as mãos, a louça, toma banho etc. Consertar tudo que apresenta defeito e contribui para o desperdício de água como torneiras, chuveiros, descargas, canos, caixas d’água, mangueiras, entre outros é fundamental. Observem bem como a maioria das mangueiras desperdiça uma enorme quantidade de água no percurso que vai da torneira até o bico de saída da água, ou porque é a mangueira que não se encaixa na torneira, ou porque parece uma peneira de tanto furo, ou as duas coisas juntas. Apagar a luz, desligar o ventilador, o ar condicionado, seja da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro lugar onde há algo ligado, também terá reflexos no meio ambiente porque a produção de energia elétrica, proveniente de termelétrica, hidrelétrica ou de usina nuclear, cada uma na sua proporção, causa impactos ambientais. O ar condicionado pode, por exemplo, ser desligado 10 a 15 minutos antes de você sair do ambiente, principalmente se ele estiver em uma temperatura muito baixa, sem prejudicar o seu conforto e bem-estar. Fazendo isso todos os dias já vai economizar muito na sua conta de luz e também ajudar o meio ambiente. Aliás, é bom lembrar que o ar condicionado gelado, como muita gente gosta, prejudica a saúde. A não ser em casos excepcionais, ou seja, quando se trabalha com equipamentos que exigem baixas temperaturas, não é necessário manter o ar condicionado tão frio. Querer criar um clima de inverno em pleno verão, reduzindo exageradamente a temperatura do ar condicionado, contraria as leis da natureza. Depois de um tempo, evidentemente, sente-se frio. Em vez de desligar o aparelho 23 ou aumentar a temperatura, alguns preferem se agasalhar, chegando a usar edredom para dormir. Ambientes fechados fazem mal à saúde. Por isso, sempre que tiver oportunidade, abra portas e janelas, sinta o frescor do ar natural, bem mais saudável para você, para o bolso e para o meio ambiente. O mesmo se diz sobre os combustíveis. Como eles são muito poluentes, rodar menos com o carro ajuda a reduzir a quantidade de dióxido de carbono despejado na atmosfera. Uma forma de não ficar indo e voltando com o carro é organizar um roteiro do que se precisa fazer na rua. Quando possível, pegue uma carona ou dê carona a alguém que vai para a mesma direção. E se não for tão longe assim e não estiver com muita pressa, que tal ir caminhando ou de bicicleta? Faz bem à saúde. Quem usa álcool ou biodiesel no carro deve achar que não está causando impacto ambiental. Ocorre que os biocombustíveis, como são chamados, dependem de terra para produzir sua matéria-prima, no caso a cana-de-açúcar, milho, mamona, girassol, são considerados os principais. E como já foi dito, a agricultura também causa impactos ambientais, seja pela derrubada das florestas, pela exploração do solo em si ou pela utilização de produtos químicos. No caso da cana, ainda existe a queima na hora de colher, outro agravante em relação à cultura que deverá ser extinto quando a colheita for totalmente mecanizada. Podemostambém ajudar a diminuir o lixo, tido como um grande problema para o planeta. As embalagens descartáveis são muito práticas para o consumo, porém, elas se transformam em um problemão em termos de poluição porque, quando jogados na natureza, levam anos para se decompor. Uma embalagem de refrigerante pet, por exemplo, fica mais de 500 anos poluindo. Multiplique isso por outros milhões de embalagens e o resultado chega a ser desesperador. Por isso, é muito importante que cada um faça a sua parte. Reciclar latas, vidros, plásticos, papéis, papelões, roupas e até mesmo matéria orgânica é imprescindível, mas é o último recurso a ser utilizado. Outras atitudes podem ser tomadas antes disso, colocando-se em prática o princípio dos “Rs”: reavaliar, repensar, reeducar, reorientar, reduzir, recusar, reutilizar, reaproveitar e reciclar, do qual falaremos mais detalhadamente na seção 2. Quando fechamos a torneira ao escovar os dentes ou usamos uma sacola retornável para ir às compras, estamos reduzindo o consumo de água e de embalagens descartáveis. Isso significa que ao deixarmos de consumir um recurso natural ou de produzir lixo, é melhor do que reutilizar ou reciclar, porque os benefícios são muito maiores. Além do mais, reciclar custa caro. Só para vocês terem uma ideia “processar e reciclar uma tonelada de sacos plásticos custa 4 mil dólares, enquanto que a mesma quantidade é vendida no mercado de matériasprimas a 32 dólares” (Disponível em: http://www.blumar.com.br/ images/site/sacos_plasticos.pdf. Acesso em: 09 set. 2012.). O site mostra imagens do triste destino dos milhões de sacos plásticos espalhados pelo mundo: 24Educação e Sustentabilidade Ambiental Nos casos em que não se pode evitar o consumo, reutilizar ou reciclar é a saída. Quando um recurso ou material não mais pode ser reutilizado, aí sim ele é destinado à reciclagem. A reciclagem transforma o que deveria ser lixo em matéria- prima para a fabricação de novos produtos. Devemos, então, encaminhar tudo que não for reutilizável para a reciclagem, quando possível. Algumas cidades dispõem de cooperativas de catadores que arrecadam embalagens para reciclagem. As localidades que não contam com esses serviços devem cobrar do poder público, impedindo assim que sua cidade futuramente se transforme em um lixão. Aquilo que não lhe serve mais, pode ser útil a alguém. Então, em vez de jogar no lixo, passe adiante. Pior do que as de alimentos são as embalagens de agrotóxicos, porque os produtos que elas carregam possuem um alto grau de toxidade e a embalagem não pode ser reutilizada. Há pouco tempo ficavam todas jogadas na natureza, poluindo solos e rios. Hoje, por força de uma lei que obriga sua devolução aos postos de coleta, boa parte delas vai para a reciclagem. Ainda não é tudo. Bom mesmo será quando cem por cento forem recicladas. O resultado de todo consumo é o lixo. Para refletir O brasileiro já produz a mesma quantidade de lixo que um europeu. A melhoria do poder de compra dos brasileiros está fazendo com que a população do país gere cada vez mais lixo inorgânico, como embalagens, ao mesmo tempo em que a implantação de programas de coleta seletiva e os níveis de reciclagem não crescem na mesma medida. A média de geração de lixo no Brasil hoje é de 1,152 kg por habitante por dia, padrão próximo aos dos países da União Europeia, cuja média é de 1,2 kg por dia por habitante. Nas grandes capitais, esse volume cresce ainda mais: Brasília é a campeã, com 1,698 kg de resíduos coletados por dia, seguida do Rio, com 1,617 kg/dia, e São Paulo, com 1,259 kg/dia. Além disso, o volume de lixo cresceu 7,7% em 2009 – foram 182 mil toneladas/dia geradas em 2009, ante 169 mil toneladas/dia no ano anterior. Os dados fazem parte do estudo “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2009″ [...] (Disponível em: http://tudoglobal.com/blog/ capa/52206/brasil-se-igualaa-europa-na-producao-de-lixo.html. Acesso em: 09 set. 2010.). E tudo que não é reciclado vai para os lixões, que na maioria das vezes são mantidos a céu aberto, pois a maior parte deles não conta com suporte necessário capaz de prevenir a contaminação do solo e, consequentemente, do lençol freático (água). Menos nocivos ao meio ambiente são os aterros sanitários, dotados de infraestruturas como as camadas impermeabilizantes que impedem a infiltração do chorume, resíduo líquido resultante da decomposição do material orgânico, e de ductos para a liberação dos gases produzidos nesse processo. Isso significa que até a comida que se joga no lixo faz muito estrago na natureza. Aliás, falando em comida, quanto desperdício! Os adultos precisam se reeducar para assim educar as crianças a não desperdiçarem alimentos. Quando uma criança come somente a metade de um biscoito, ou deixa comida no prato, por exemplo, é importante alertá-la de que não se deve jogar comida fora. Que milhões de pessoas ainda morrem de fome. Aos poucos ela irá absorvendo isso, até colocar em prática. Os adultos são responsáveis por dar o exemplo, do contrário, de nada adianta falar. Se você ensina seu filho, mas deixa resto de comida no prato, alimentos se estragando na geladeira e na despensa, corre o risco de não vê-lo colocar em prática seus ensinamentos, já que as atitudes valem mais que as palavras. Por isso, não deixe os alimentos se estragarem, coloque menos comida no prato, compre apenas o que vai realmente consumir, fique de olho na data de validade dos produtos, calcule bem se vai comer antes do vencimento os vinte quilos de arroz que comprou na promoção. Reaproveite as sobras, que com criatividade podem se transformar em novos e deliciosos pratos. E se você é um daqueles que torcem o nariz para receitas com sobras de comida, está na hora de reavaliar seus conceitos e preconceitos. Ainda com relação ao lixo, o cidadão contribui muito com o meio ambiente quando tem uma atitude de respeito por onde passa, ou seja, não joga lixo nas ruas e calçadas, estradas, beira de rios, córregos, praias, pontos turísticos em geral. É muito comum depararmos com esse tipo de comportamento reprovável, por parte de pessoas que ainda não se sensibilizaram que o ambiente externo é uma extensão da sua casa. O lixo jogado em qualquer lugar entope bueiros, contribui para causar enchentes, criar animais e insetos transmissores de doenças, além de ser muito desagradável de se ver. Um ambiente sujo torna-se propício às doenças, mas infelizmente, ainda encontramos muita sujeira por aí porque as pessoas não colaboram. Até mesmo nas escolas, onde se deveria ter um comportamento exemplar, sujam pisos e paredes, rabiscam e quebram carteiras, depredam banheiros, instalações elétricas e hidráulicas, entre outras atitudes reprováveis. Funcionários da manutenção não dão conta da limpeza porque simplesmente não há colaboração por parte dos usuários. Podemos incluir entre a sujeira, as pichações feitas em casas, prédios, monumentos históricos, praças, orelhões, viadutos, pontes, passarelas, entre outros, porque isso também causa má impressão e é uma prova da falta de cidadania, de respeito ao patrimônio público e privado, de respeito ao meio ambiente. Bem pessoal, encerramos a seção 1 certos de que muita coisa mudou na maneira de pensar de cada um, agora o que falta é atitude, ou seja, começar a agir. Vamos à seção 2 para aprofundar mais o assunto. 2 - O homem pode interagir ou destruir o seu meio Cada um faz a sua escolha Na sessão, anterior frisamos o problema do lixo e suas consequências, principalmente quando a ele não é dado o destino certo, ou seja, a reciclagem. Mas mais importante do que reciclar é reduzir a sua produção. Então, antes de sair por aí produzindo esses resíduos tão indesejáveis, lembre-se do princípio dos “Rs”. Aqui vai um resumo dos cinco principais: 25 Ações que podemos adotar para diminuir a quantidade de lixo produzida Repensar | Reduzir | Reutilizar | Reaproveitar | Reciclar I - Repensar: - Realmenteprecisamos de determinados produtos que compramos ou ganhamos? - Compramos produtos duráveis/resistentes, evitando comprar produtos descartáveis? - Evitamos a compra de produtos que possuem elementos tóxicos ou perigosos? - Enterramos o nosso lixo, se não houver coleta do mesmo no bairro? - Evitamos queimar o lixo? - Lemos os rótulos dos produtos para conhecer as suas recomendações ou informações ambientais? - Usamos detergentes e produtos de limpeza biodegradáveis? - Utilizamos pilhas recarregáveis? - Não compramos produtos provenientes de trabalho escravo? - Não compramos produtos produzidos por crianças que são obrigadas a trabalhar? - Não compramos produtos de origem duvidosa? - Evitamos a compra de caderno e papéis que usam cloro no processo de branqueamento? - Pegamos emprestado ou alugamos aparelhos/equipamentos que não usamos com frequência, ao invés de comprá-los? - Não jogamos no lixo remédios, injeções e curativos feitos em casa, procurando uma farmácia ou um posto de saúde como uma alternativa de descarte? - Consertamos produtos em vez de descartá-los e substituí-los por novos? - Deixamos os pneus velhos nas oficinas de trocas, pois elas são responsáveis pelo seu destino adequado? - Deixamos a bateria usada do carro no local onde adquirimos a nova, certifi cando que existe um sistema de retorno ao fabricante? - Evitamos as pilhas de alto teor de chumbo, cadmo e mercúrio ou então, após o uso, descartamos nos coletores próprios para lixo tóxico? - Junto aos outros consumidores, exigimos produtos sem embalagens desnecessárias, assim como vasilhames? - Damos preferência a produtos e serviços que não agridem ao ambiente, tanto na produção, quanto na distribuição, no consumo e no descarte final? - Escolhemos produtos de empresas certificadas, isto é, que desenvolvam programas sócio-ambientais e/ou que sejam responsáveis pelo produto após consumo? II - Reduzir: - Comprando produtos duráveis; - Adotando um consumo mais racional; - Comprando produtos que tenham refil; - Diminuindo a quantidade de pacotes e embalagens; - Evitando gastos desnecessários de papel para embrulhar presentes; - Levando sacolas ou carrinhos de feira para carregar compras, em substituição as sacolas oferecidas pelas lojas e supermercados; e - Dividindo com outras pessoas alguns materiais como: jornais, revistas e livros. III - Reutilizar: - Comprando produtos cujas embalagens são reutilizáveis e/ou recicláveis; - Usando o verso da folha de papel para escrever; - Pintando móveis antigos, fazendo-os parecer novos; - Guardando, para uso posterior, envelopes pardos que já foram usados, mas que continuam perfeitos; - Fazendo a limpeza em objetos antigos, sem uso, para começar a reutilizá-los; - Doando produtos que possam servir as outras pessoas, como: revistas, livros, roupas, móveis, utensílios domésticos, etc; e - Consertando brinquedos. IV - Reaproveitar: - Não comprando sacos de lixo. Ao invés disto, utilizar as embalagens das compras para jogar o lixo fora; - Procurando comprar produtos que tenham embalagens que podem ter outro uso; - Aproveitando caixas de sapato que são ótimas para porta-trecos; potes de plástico ou de vidro são boas opções para guardar pregos, parafusos, chips etc.; caixas de papelão poderão ser utilizadas para colocar produtos de limpeza; - Usando envelopes para guardar documentos ou fotografias; - Recortando ou tingindo roupas usadas. V - Reciclar: - Comprando produtos reciclados; - Comprando produtos cujas embalagens sejam feitas de materiais reciclados; - Participando de campanhas para coleta seletiva de lixo; - Organizando em seu trabalho, escola, bairro, rua, comunidade, igreja ou casa um projeto de separação de materiais para coleta seletiva; - Entrando em contato com uma Associação de Catadores do seu bairro, distrito ou município para juntos traçarem um plano de trabalho que deverá ser desenvolvido no seu local de ação; - Fazendo e incentivando a coleta seletiva de “lixo”. Os materiais que poderão ser coletados, de modo geral, são: jornais, papéis, papelões, livros, vidros, plásticos, alumínio, outros materiais. Disponível em: http:// www.trt9.jus.br/internet_base/pagina_geral.do?secao=4&pagina=5%20 Rs. Acesso em: 07 jul. 2012. O descarte puro e simples custa caro ao planeta, tanto pela matéria-prima empregada na fabricação do produto, como também pelo lixo produzido. Uma folha de papel, que na concepção da grande maioria não tem nenhum valor, resulta de uma atividade industrial altamente poluente, com riscos para a saúde e o meio ambiente. Segundo José Maria Gusman Ferraz, doutor em Ecologia e pesquisador da Embrapa Meio Ambiente: Para produzir 1 tonelada de papel são necessárias 2 a 3 toneladas de madeira, uma grande quantidade de água (mais do que qualquer outra atividade industrial), e muita energia (está em quinto lugar na lista das que mais consomem energia). O uso de produtos químicos atamente tóxicos na separação e no branqueamento da celulose também representa um sério risco para a saúde humana e para o meio ambiente, comprometendo a qualidade da água, do solo e dos alimentos (Disponível em: http://www.cnpma.embrapa.br/down_ hp/408.pdf. Acesso em: 07 jul. 2012.). 26Educação e Sustentabilidade Ambiental Saber Mais O alto consumo de papel e a maior parte sendo produzida com métodos insustentáveis está entre as atividades humanas mais impactantes do planeta. O consumo mundial de papel cresceu mais de seis vezes desde a metade do século XX, segundo dados do Worldwatch Institute, podendo chegar a mais de 300 kg per capita ao ano em alguns países. E nesta escalada de consumo, cresce também o volume de lixo, que é outro grande problema em todos os centros urbanos (Ferraz) Disponível em: http://www.cnpma.embrapa.br/down_hp/408.pdf. Acesso em: 07 jul. 2012. Com base nos dados apresentados pelo pesquisador, pensar duas vezes antes de pegar uma folha de papel em branco para anotar um número de telefone, um simples recado, ou qualquer outra coisa, ainda é pouco. Como já se repetiu aqui, é preciso haver uma grande mudança, incluindo transformações de pensamento, atitude, comportamento, paradigma ou o que se pode chamar de uma mudança de cultura, mesmo! Já basta o fato de o Brasil fazer todo “trabalho sujo” da produção de papel. Conforme Ferraz, os países europeus transferiram grande parte de sua indústria de produção de polpa de papel para os países periféricos, onde a fragilidade das leis ambientais e a necessidade de gerar divisas se mostraram ávidos por acolher uma das mais impactantes indústrias. Depois de ficarem com os ônus da produção exportam a polpa de papel para os países centrais, que desta forma ficam livres dos efeitos danosos da produção. produção (Disponível em: http:// www.cnpma.embrapa.br/down_hp/408.pdf. Acesso em: 07 jul. 2012.). Contudo, à mercê das leis, o processo de destruição continua, haja vista o Brasil, que possui uma das legislações mais completas do mundo, mas é onde há muitos problemas ambientais, incluindo poluição dos mananciais hídricos, do ar, da água; devastação das florestas, com muitos prejuízos para todas as espécies da nossa fauna; desperdícios; pirataria de animais e plantas, entre outros. Tais mazelas podem ser atribuídas a diversos fatores, entre os quais a má gestão das leis, agravado por algo ainda pior, a corrupção. A educação ambiental depende mais de um processo do que de leis. Segundo o sociólogo Paulo Freire (2005, p. 27-28), Todos os processos de educação devem ser iniciados com a identificação das situações que a população local vivencia com emoções como entusiasmo, esperança, medo, ansiedade ou raiva. [...] é extremamente importante iniciar o processo pedagógico refletindo e tomando conhecimento sobre o mundo em que vivemos. [...] o educador ambiental deve conduzir a comunidade a reconhecer as relações entre os problemas e as possíveis soluções que contemplem a melhoria daquele determinado ambiente. A função do educador é auxiliaro indivíduo e a comunidade a desenvolverem a capacidade e o compromisso com as mudanças individual e social. Legislação e meio ambiente Vejam a seguir as 17 leis ambientais existentes no Brasil. Não há necessidade de decorá-las. Caso queiram conhecê-las em detalhe acessem o site: http://www.planetaorganico.com. br/17leisamb.htm. 1 - Lei da Ação Civil Pública - número 7.347 de 24/07/1985 Lei de interesses difusos, trata da ação civil pública de responsabilidades por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio artístico, turístico ou paisagístico. 2 - Lei dos Agrotóxicos - número 7.802 de 10/07/1989 A lei regulamenta desde a pesquisa e fabricação dos agrotóxicos até sua comercialização, aplicação, controle, fiscalização e também o destino da embalagem. Exigências impostas: obrigatoriedade do receituário agronômico para venda de agrotóxicos ao consumidor; registro de produtos nos Ministérios da Agricultura e da Saúde; registro no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA- o descumprimento desta lei pode acarretar multas e reclusão. 3 - Lei da Área de Proteção Ambiental - número 6.902 de 27/04/1981 Lei que criou as “Estações Ecológicas “, áreas representativas de ecossistemas brasileiros, sendo que 90 % delas devem permanecer intocadas e 10 % podem sofrer alterações para fins científicos. Foram criadas também as “Áreas de Proteção Ambiental” ou APAS, áreas que podem conter propriedades privadas e onde o poder público limita as atividades econômicas para fins de proteção ambiental. 4 - Lei das Atividades Nucleares - número 6.453 de 17/10/1977 Dispõe sobre a responsabilidade civil por danos nucleares e a responsabilidade criminal por atos relacionados com as atividades nucleares. Determina que se houver um acidente nuclear, a instituição autorizada a operar a instalação tem a responsabilidade civil pelo dano, independente da existência de culpa. Em caso de acidente nuclear não relacionado a qualquer operador, os danos serão assumidos pela União. Esta lei classifica como crime produzir, processar, fornecer, usar, importar ou exportar material sem autorização legal, extrair e comercializar ilegalmente minério nuclear, transmitir informações sigilosas neste setor, ou deixar de seguir normas 27 de segurança relativas à instalação nuclear. 5 - Lei de Crimes Ambientais - número 9.605 de 12/02/1998 Reordena a legislação ambiental brasileira no que se refere às infrações e punições. A pessoa jurídica, autora ou coautora da infração ambiental, pode ser penalizada, chegando à liquidação da empresa, se ela tiver sido criada ou usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. A punição pode ser extinta caso se comprove a recuperação do dano ambiental. As multas variam de R$ 50,00 a R$ 50 milhões de reais. Para saber mais: www.ibama.gov.br. 6 – Lei da Engenharia Genética – número 8.974 de 05/01/1995 Esta lei estabelece normas para aplicação da engenharia genética, desde o cultivo, manipulação e transporte de organismos modificados (OGM) , até sua comercialização, consumo e liberação no meio ambiente. A autorização e fiscalização do funcionamento das atividades na área e da entrada de qualquer produto geneticamente modificado no país, é de responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente, da Saúde e da Agricultura. Toda entidade que usar técnicas de engenharia genética é obrigada a criar sua Comissão Interna de Biossegurança, que deverá, entre outros, informar trabalhadores e a comunidade sobre questões relacionadas à saúde e segurança nesta atividade. 7 – Lei da Exploração Mineral – número 7.805 de 18/07/1989 Esta lei regulamenta as atividades garimpeiras. Para estas atividades é obrigatória a licença ambiental prévia, que deve ser concedida pelo órgão ambiental competente. Os trabalhos de pesquisa ou lavra, que causarem danos ao meio ambiente são passíveis de suspensão, sendo o titular da autorização de exploração dos minérios responsável pelos danos ambientais. A atividade garimpeira executada sem permissão ou licenciamento é crime. Para saber mais: www.dnpm.gov.br. 8 – Lei da Fauna Silvestre – número 5.197 de 03/01/1967 A lei classifica como crime o uso, perseguição, captura de animais silvestres, caça profissional, comércio de espécies da fauna silvestre e produtos derivados de sua caça, além de proibir a introdução de espécie exótica (importada) e a caça amadorística sem autorização do Ibama. Criminaliza também a exportação de peles e couros de anfíbios e répteis em bruto. Para saber mais: www.ibama.gov.br. 9 – Lei das Florestas – número 4.771 de 15/09/1965 Determina a proteção de florestas nativas e define como áreas de preservação permanente (onde a conservação da vegetação é obrigatória) uma faixa de 30 a 500 metros nas margens dos rios, de lagos e de reservatórios, além de topos de morro, encostas com declividade superior a 45 graus e locais acima de 1.800 metros de altitude. Também exige que propriedades rurais da região Sudeste do país preservem 20% da cobertura arbórea, devendo tal reserva ser averbada em cartório de registro de imóveis. 10 – Lei do Gerenciamento Costeiro – número 7.661 de 16/05/1988 Define as diretrizes para criar o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, ou seja, define o que é zona costeira como espaço geográfico da interação do ar, do mar e da terra, incluindo os recursos naturais e abrangendo uma faixa marítima e outra terrestre. Permite aos estados e municípios costeiros instituírem seus próprios planos de gerenciamento costeiro, desde que prevaleçam as normas mais restritivas. Este gerenciamento costeiro deve obedecer as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). 11 – Lei da criação do IBAMA – número 7.735 de 22/02/1989 Criou o Ibama, incorporando a Secretaria Especial do Meio Ambiente e as agências federais na área de pesca, desenvolvimento florestal e borracha. Ao Ibama compete executar a política nacional do meio ambiente, atuando para conservar, fiscalizar, controlar e fomentar o uso racional dos recursos naturais. 12 – Lei do Parcelamento do Solo Urbano – número 6.766 de 19/12/1979. Estabelece as regras para loteamentos urbanos, proibidos em áreas de preservação ecológicas, naquelas onde a poluição representa perigo à saúde e em terrenos alagadiços. 13 – Lei Patrimônio Cultural - decretolei número 25 de 30/11/1937 Lei que organiza a Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, incluindo como patrimônio nacional os bens de valor etnográfico, arqueológico, os monumentos naturais, além dos sítios e paisagens de valor notável pela natureza ou a partir de uma intervenção humana. A partir do tombamento de um destes bens, ficam proibidas sua demolição, destruição ou mutilação sem prévia autorização do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, SPHAN. 14 – Lei da Política Agrícola - número 8.171 de 17/01/1991 Coloca a proteção do meio ambiente entre seus objetivos e como um de seus instrumentos. Define que o poder público deve disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora; realizar zoneamentos agroecológicos para ordenar a ocupação de diversas atividades produtivas, desenvolver programas de educação ambiental, fomentar a produção de mudas de espécies nativas, entre outros. 15 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – número 6.938 de 17/01/1981 É a lei ambiental mais importante e define que o poluidor é obrigado a indenizar danos ambientais que causar, independentemente da culpa. O Ministério Público pode propor ações de responsabilidade civil por danos ao meio ambiente, impondo ao poluidor a obrigação de recuperar e/ou indenizar prejuízos causados. Esta lei criou a obrigatoriedade dos estudos e respectivos relatórios de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). 28Educação e Sustentabilidade Ambiental 16 – Lei de Recursos Hídricos – número 9.433 de 08/01/1997 Institui a Política Nacional de RecursosHídricos e cria o Sistema Nacional de Recursos Hídricos. Define a água como recurso natural limitado, dotado de valor econômico, que pode ter usos múltiplos (consumo humano, produção de energia, transporte, lançamento de esgotos). A lei prevê também a criação do Sistema Nacional de Informação sobre Recursos Hídricos para a coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão. 17 – Lei do Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição – número 6.803 de 02/07/1980 Atribui aos estados e municípios o poder de estabelecer limites e padrões ambientais para a instalação e licenciamento das indústrias, exigindo o Estudo de Impacto Ambiental. Disponível em: http://www.planetaorganico.com. br/17leisamb.htm. Paulo Affonso Leme Machado, professor da UNESP – Campus de Rio Claro – SP. Autor do livro “Direito Ambiental Brasileiro”. Ao encerrarmos esta aula esperamos ter conseguido sensibilizá-los, queridos alunos, para um problema que é meu, é seu, é nosso, é de todos os mais de sete bilhões de habitantes do planeta Terra, do qual apenas somos inquilinos e, por sinal, maus inquilinos, passíveis de deixar a casa destruída e vazia para os próximos moradores. A forma mais viável de poupar o planeta da destruição é a sensibilização das pessoas, mas como isso não acontece ainda em relação à maioria dos seres humanos, torna-se necessária a elaboração de leis que regulamentem a relação homem/meio ambiente. O problema está em fazer com que sejam cumpridas, pois existe mais gente querendo driblar as leis do que gente disposta a cumpri-las. Parece que estamos indo bem. Então, para encerrar esse tópico, vamos recordar: Retomando a aula 1 - Somos parte do planeta e também integramos a ecologia Se somos parte do planeta, como podemos destruí-lo? Temos uma grande responsabilidade em nossas mãos, que é a de cuidar bem do nosso habitat. 2 - O homem pode interagir ou destruir o seu meio É mais lucrativo interagirmos com o nosso meio, pois sua destruição significa a nossa ruína. Ufa, acabou. Qualquer dúvida, estou à disposição através do quadro de avisos. Até a próxima aula. Disponível em: http://www.planetaorganico.com.br/ meioamb.htm. FERRAZ, José Maria Gusman. O papel nosso de cada dia. Disponível em: http://www.cnpma.embrapa.br/down_ hp/408.pdf.Acesso em: 05 abr. 2012. Disponível em: http://www.planetaorg anico. com. br/17leisamb.htm. Acesso em: 15 mar. 2012. Disponível em: http://www.saaeitabira.com.br/ Portals/6/flash/comoeconomizar.htm. Acesso em: 11 mar. 2012. Disponível em: http://www.blumar.com.br/images/ site/sacos_plasticos.pdf. Acesso em: 04 abr. 2012. Disponível em: http://tudoglobal.com/blog/ capa/52206/brasil-se-iguala-a-europa-na-producao-de-lixo. html. Disponível em:http://www.trt9.jus.br/internet_base/ pagina_geral.do?secao=4&pagina=5%20Rs. Acesso em: 07 jul.2012. Vale a pena acessar Ponto de mutação Vale a pena assistir MORAES, A. C. R. Meio ambiente e ciências humanas. 4. ed. São Paulo: Annablume, 2005. FREIRE, Paulo. A Linha Pedagógica: a compreensão e a reflexão crítica de Paulo Freire. In: MATHEUS, Carlos Eduardo; MORAES, America Jacintha de; CAFFAGNI, Carla Wanessa do Amaral. Educação ambiental para o turismo sustentável: vivências integradas e outras estratégias metodológicas. São Carlos: RiMa, 2005, p. 27-28. SANTOS, T. C. C.; CÂMARA, J. B. D. (orgs.). O estado do meio ambiente no Brasil. In: SANTOS, T. C. C.; CÂMARA, J. B. D. (orgs.). Geo Brasil 2002: Perspectivas do Meio Ambiente no Brasil. Brasília, DF: Ibama, 2002, p. 23 a 218. Vale a pena ler Vale a pena