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Políticas Públicas naPolíticas Públicas na Educação BásicaEducação Básica AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Bem vindo(a)! Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a) à disciplina de Políticas Públicas da Educação Básica. O objetivo geral desta disciplina é contribuir para sua formação acadêmica, por meio do debate e conhecimento das políticas públicas de educação existentes e em vigor no país. É de suma importância que você seja capaz de tirar as vendas que cobrem seus olhos quando o assunto é política. Ela é tão fundamental para nossa sociedade que até parece uma brincadeira (de muito mal gosto) que as pessoas acreditem que não seja necessário compreendê-la. No nosso caso, vamos nos debruçar sobre as políticas públicas de educação, de maneira geral, e, especi�camente, sobre a educação básica. Para isso, devemos estar abertos a novos saberes e conhecimentos. Como estamos em constante construção, espero contribuir para o seu aperfeiçoamento como cidadão(ã) e também como professor(a) ou futuro(a) pro�ssional da educação. Assim sendo, o que pretendo revelar a você é que a política faz parte do nosso cotidiano e, por isso, precisa ser interpelada e questionada a todo mundo. Dessa maneira, seu material didático está dividido da seguinte forma: Na Unidade I vamos conversar um pouco sobre conceitos e concepção do que é política. Perpassando pela história �losó�ca e social de toda a construção conceitual. Veremos ainda que a política demanda uma teoria especí�ca e seu estudo é realizado por uma ciência, chamada de Ciência Política. Esse recorte teórico nos auxiliará a re�etir sobre as noções de poder e dominação. Dando sequência às nossas discussões adentraremos na Unidade II, que continuará re�etindo sobre a questão tão política, porém, agora, de maneira mais especí�ca, apresentando o conceito de políticas públicas de educação e os seus desdobramentos na legislação nacional. Re�etiremos, mesmo que de maneira sucinta, sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, assim como das especi�cações sobre educação existentes na Constituição Federal de 1988. Porém, até chegarmos a essas resoluções mais recentes, vamos fazer um breve apanhado histórico sobre as leis e decretos de políticas públicas em nosso país, a partir da década de 1930. Já na Unidade III iremos debater sobre as questões de �nanciamentos da educação brasileira e o peso das organizações e agências internacionais sobre esse processo. Por �m, na Unidade IV vamos re�etir sobre as políticas públicas de educação relacionadas à formação e à valorização docente da educação básica. Para nos aproximarmos ainda mais das discussões realizadas recentemente vamos tomar por base o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Diante dessa primeira exposição, espero que você possa compreender que estudar política é uma necessidade e que compreendê-la faz parte da formação não só de um(a) professor(a) crítico(a) e engajado(a), mas de um(a) cidadão(ã) que conhece e defende a “coisa pública”. Sumário Essa disciplina é composta por 4 unidades, antes de prosseguir é necessário que você leia a apresentação e assista ao vídeo de boas vindas. Ao termino da quarta da unidade, assista ao vídeo de considerações �nais. Unidade 1 Política: concepções e princípios Unidade 2 Políticas Públicas: aspectos legais da educação básica no Brasil Unidade 3 Financiamento da educação brasileira Unidade 4 Pro�ssionais da educação básica Unidade 1 Política: Concepções e Princípios AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Introdução Você já deve ter ouvido e até mesmo falado nas rodas de amigos ou familiares que: “Política é algo que não se discute”. Será que essa a�rmativa é mesmo verdadeira? Nessa unidade vamos re�etir sobre a importância de entender o que é política, sua relação com o Estado, poder e dominação. A partir do olhar advindo da área responsável por seus inúmeros estudos, chamada de Ciências Políticas. O importante nessa nossa caminhada por essa temática é estarmos abertos para novas descobertas, transformação de pensamento e, principalmente, a inquietação para questionar. Tudo isso é imprescindível para que você possa compreender a política baseada em análises críticas, teóricas e cientí�cas e não se manter apenas no achismo. Quando estamos re�etindo sobre questões políticas, nos voltamos para o entendimento da sociedade, suas necessidades e dilemas. Só assim, é possível lutar para que haja modi�cações para a realidade de muitos grupos sociais. Por isso a política deve ser debatida SIM! Não baseada apenas no gosto de cada um por partido ou candidato, mas baseado em todo o processo político, propostas e ações que possam modi�car a realidade. Convido você a entender política por uma outra ótica. Pelo olhar do cidadão, que, consciente do seu lugar, pode sugerir e opinar em sua própria sociedade. Bons estudos! A�nal, o que é Política? AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Você já parou para pensar na importância de se compreender o que é política? Já se perguntou por que ela é tão necessária para a nossa sociedade? Já quis ser um político? Ou, mediante a realidade, tem um certo desânimo em falar qualquer coisa que se relacione à política? São questões que muitas vezes estão no nosso dia a dia, porém não somos capazes de aprofundar nossas inquietações e passamos a viver em uma realidade que não entendemos, mas também não sabemos como modi�car. Estudar Política é necessário, pois nos ajuda a entender que somos parte de uma sociedade, re�etidos e re�exos da vivência social que possuímos, começando em um primeiro processo de socialização que ocorre, inicialmente, na família e depois nos encaminha para o segundo processo que será efetivado nas instituições sociais, como: Estado, Igreja e Escola. Todos esses espaços sociais tendem a nos revelar características particulares, repleto de regras e de ações que serão direcionadas como direitos e deveres. Por essa razão, é que a política é fundamental para a dinâmica social. Segundo Ribeiro (2010), o termo política tem como princípio o exercício de diferentes formas de poder e suas inúmeras consequências. Entretanto, esse poder muitas vezes não é tão visível, mas está ali inserido pelas ações e atitudes dos indivíduos. Até as discussões realizadas por Michael Foucault (2014) sobre a ideia de microfísicas do poder, considerava-se que ao falarmos de poder estávamos nos referindo apenas à questão política, porém veremos mais adiante, que o poder é exercido de maneira variada pelos indivíduos sobre o outro. A complexidade do poder é que nos faz compreender a ação da política. Pois, a política está interligada com o poder, este tem por objetivo modi�car o comportamento das pessoas por meio de atos políticos, baseado em decisões e nos interesses próprios de um grupo ou sujeito social. Não se engane, a política é um jogo de interesse em que os envolvidos precisam saber jogar para se tornarem aptos a não serem iludidos por quem diz fazer o que as pessoas desejam, mas acaba não fazendo nada. Por exemplo, te convido a pensar em quais pessoas você votou nas últimas eleições. Quais delas podem satisfazer seus interesses? Quando você foi à urna, você pensou que estava votando em alguém que poderia entender suas necessidades? Se a sua resposta foi negativa para essas questões, talvez, e infelizmente, você não consiga entender como alinhar seus interesses com o do seu candidato pode ser, de fato, o que leva à uma mudança social. Para quem faz parte da educação, outro exemplo: é necessário estar atento(a) aos planos de educação ou projeto que os candidatos apresentam, só assim é possível modi�car algo. Quando votamos apenas por “gostamos” do candidato, muitas vezes esquecemos o que ele poderá fazer por nós. Por isso muitas vezes nos sentimos enganados. A partir do momento em que temos consciência da realidade e do que necessitamos, é que nos tornamos seres pensantes socialmente e podemos atuar como cidadãos conscientes. Assim, o ato político de votar transforma-se numa açãodeterminante para manter ou modi�car a sociedade. @Vladdeep em Envato Assim, ao pensarmos em política, percebemos o quando ela é imposta pelos interesses pessoais ou sociais, que são transformados em objetivos, que se tornam decisões importantes para todos. Será que você já compreendeu que toda e qualquer disputa política é permeada por variados interesses? Talvez, quando nos damos conta disso, somos capazes de entender o que move os políticos e suas ações. Todas as vezes que vemos uma campanha eleitoral ou o discurso de um político, precisamos entender como ele poderá nos ajudar em nossos interesses pessoais, se ele não for capaz de suprir nossas vontades pessoais ou de grupos, não será digno de votos. Além disso, Ribeiro (2010) acredita que política está muito relacionado a quem manda, por que manda e como manda, pois mandar não é nada mais, nada menos do que decidir e isso requer apoio, anuência e, muitas vezes, submissão do outro. O que não é um processo nada fácil ou simples de ser feito. A Política, então, pode ser vista como a arte da razão, ou a arte da negociação, ou apenas a arte de governar. Assim, quem a pratica deve ter um “dom” especial para governar, uma espécie de vocação para compreender o outro e alinhar todos os interesses daquele que a rege com aqueles que possibilitam a tomada de poder. Nesse sentido, veremos mais adiante que ela é uma ciência, pois quando decidimos entender os processos que a desenvolvem e a constroem, vamos entendê-la de maneira sistematizada, �losó�ca e social. Mas, antes disso, devemos a�rmar que política também é uma forma de pro�ssão. Os cargos políticos hoje são almejados por conta de sua rentabilidade. Em nosso país, podemos dizer que eles se tornaram “cabides de empregos”, o que nos revela que deixaram de ter um valor de fato, para transformar a realidade em nome de um bem comum a todos. Passaram a ser apenas uma pro�ssão que se dedica a in�uenciar a coletividade em razão de seus interesses próprios e não da comunidade. É importante frisar que mesmo repetindo sempre que detesta política, a todo momento a fazemos de alguma forma. Em constantes tomadas de decisões do dia a dia estamos fazendo política, porque tudo se resume a conquistar os nossos interesses em detrimento da aceitação e submissão do outro. @drobotdean em Freepik Assim, quando você diz que odeia política, na verdade, você não se transforma em um ser “apolítico”, mas sim indiferente em relação a sua realidade e sociedade . Ignorando tantas coisas que precisam ser realizadas para que a sua própria realidade venha a ser modi�cada. A forma como as decisões são tomadas nos apresenta o que elas carregam, ou seja, qual o maior interesse ali envolvido, assim, a apatia ou uma “atitude blasé”, não nos parece a melhor saída para as questões políticas (RIBEIRO, 2010). O fazer político nos permite viver em sociedade, determinando as regras e como as ações devem ser direcionadas. O ser político deve ser aquele que compreende a ideia de coletivo, sociedade, da vivência nas cidades ou pólis – como eram chamadas na Grécia Antiga –, podendo viver em comunidade sem extrapolar o espaço do outro. Ideais como fraternidade, liberdade e igualdade, utilizados durante a revolução francesa, nos mostram o quanto é importante lutar por uma sociedade mais igualitária, capaz de respeitar a diversidade e a convivência entre todos. Porém, é claro que diante de sociedades desiguais, essas ações parecem utópicas e só acentuam ainda mais a diferença entre aqueles que mandam e os que obedecem. Por isso o fazer político não pode se distanciar da realidade, pois, querendo ou não, ele entra em todas as nossas relações, determinando a forma como agimos no mundo. O processo político deve estar atento a todas as formas de variáveis sociais, senão corremos o risco de realizar apenas o interesse de algumas pessoas. Por exemplo, quando pensamos em educação, alguns sujeitos sociais acreditam que ela pode ser entendida por meio do mérito, nada mais, nada menos. Quando pensamos nas aprovações em exames de vestibulares, podemos observar quão discrepante é a realidade do aluno que teve melhores condições de estudos em relação àquele vindo de uma periferia. Há quem diga que não existem diferenças cognitivas, e realmente muitas vezes não há mesmo, porém a realidade em que vivem faz toda a diferença. Te explico o porquê: não é apenas a vontade de estudar que conta para o sucesso de alguém, mas também entender a sua realidade, como as oportunidades de estudos podem ser ofertadas e, principalmente, qual a sua condição �nanceira. Por isso, após a divulgação de resultados de processos seletivos, vemos que o �lho da empregada, do pedreiro, da dona de casa festeja a sua aprovação como se algo impossível de acontecer. É porque ele conseguiu alcançar uma meta que, muitas vezes, era descartada por conta da sua questão social. Esse esforço todo não pode ser visto como mérito, mas como uma exceção, que, infelizmente, não é para todos. Mas como isso tudo tem a ver com o processo político? Ora, se o governo não é capaz de dar condições educacionais que não diferenciem as pessoas, ele é culpado pelo fato de que a universidade pública é ocupada por alunos oriundos de escolas particulares, enquanto as faculdades privadas, estão repletas de pessoas vindas das classes mais baixas. Você pode estar pensando, mas no �nal todo mundo está na sala de aula... E eu posso te a�rmar, mediante a um processo injusto e inexistente de decisões coerentes para uma educação para todos, a forma como esses alunos adentram a universidade é completamente diferente. Volto a repetir, não é uma questão de cognição, mas de como o próprio Estado, por meio de seus processos políticos, tem prometido uma educação laica, gratuita e de qualidade para todos. Será que esse exemplo �cou confuso? Talvez você esteja se perguntando o que a política pode fazer pelas pessoas, se ela é marcada por tanta corrupção e ações desonestas. Pois bem, quando entendemos que somos nós que fazemos política, �ca mais claro pensar que, ao escolher um candidato, estou escolhendo também a forma como ele pode interferir na maneira em que vejo, compreendo e entendo o mundo e isso pode ser manipulado, conforme ele perceba o meu processo de conscientização da realidade. a Política não se ocupa de todos os processos de formulação e tomada de decisões, mas somente daqueles que afetem, de alguma forma, a coletividade. A maior parte desses processos, como se pode imaginar, é extremamente complicada. [...] A Política não é, pois, apenas uma coisa que envolve discursos políticos, promessas, eleições e, como se diz frequentemente, “muita sujeira”. Não é uma coisa distinta de nós. É a condução de nossa própria existência coletiva, com re�exos imediatos sobre nossa existência individual, nossa prosperidade ou pobreza, nossa educação ou falta de educação, nossa felicidade ou infelicidade (RIBEIRO, 2010, p. 25-26). Dessa maneira, odiar política e não querer compreendê-la pode ser um ato que não tende a prejudicar o outro, mas a você mesmo e o fato de viver em coletividade. A Política precisa ser debatida e re�etida a todo momento para que as tomadas de decisões possam ser realizadas de maneira coerente e consciente. Ciências Políticas AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Segundo Bonavides (2000, p. 42): “A Ciência Política, em sentido lato, tem por objeto o estudo dos acontecimentos, das instituições e das idéias políticas, tanto em sentido teórico (doutrina) como em sentido prático (arte), referido ao passado, ao presente e às possibilidades futuras”. É uma ciência que tem como propósito pensar os processos políticos e de como podem afetar a sociedade. A Ciências Políticas tem como objetivo conhecer e re�etir sobre as instituições, dos fatos e de tudo que tem a ver com as práticas políticas que competem questões �losó�cas, jurídicas e sociais. No caso da Filoso�a, os estudos realizados dão ênfases a investigar a origem, essências, justi�cação e os �ns do Estado, que possibilitem compreendera gestão e atuação do Poder. Esse que vai permear toda a discussão em relação a formação do Estado. Já diante de um olhar sociológico, a ideia de Ciências Política é a que permeia toda essa unidade. Para a Sociologia, a compreensão da política se dá através do Estado baseado no fenômeno político, tendo em Max Weber seu maior expoente que introduz discussões que vão desde a racionalização do poder, aparato burocrático administrativo, compreende o tipo de autoridades que estão presente no quadro de poder, questiona a administração pública e como in�uencia os interesses transformados em atos legislativos. Weber, ao pensar no Estado, divide a sua percepção por meio do aparato administrativo e da violência legítima. Segundo ele, todo ser administrativo perpassa por uma burocratização e racionalização de suas ações, enquanto a violência legítima se revela pelas ações policiais inquestionáveis a favor do Estado. Como isso seria possível? Podemos citar alguns exemplos de quando a ação violenta policial se tornou uma violência legitimada pelo Estado. Exemplo 1: a ação dos policiais, em 2016, diante de um protesto de professores no Estado do Paraná. Diante de uma manifestação contrária aos desmandos do Estado sobre a previdência de seus servidores, muitos professores se reuniram na cidade de Curitiba para protestar; autorizados pelo Estado, policiais atacaram os professores com balas de borrachas, gás lacrimogêneo, agressões com cassetetes e até armas de fogo. Professores �caram feridos e a ação foi considerada abusiva e desastrosa. Porém, até 2020, ninguém foi preso pela ação. Em alguns casos, policiais foram inocentados em nome do Estado. Exemplo 2: cidade do Rio de Janeiro, 2019, em uma ação desastrosa a polícia militar atira 82 vezes em um carro branco que conduzia uma família para uma festa, em um domingo à tarde. Até o momento ninguém foi preso ou acusado da morte do motorista e morador da região que não tinha nenhum problema com a polícia. É dessa maneira que a violência do Estado é tida como legítima. Em todos os casos esses policiais estavam a serviço dele e, em seu dever, pode valer tudo, mesmo vidas inocentes. As Ciências Políticas, entendidas pela ótica sociológica, foram referenciadas por diferentes autores, cada um acrescentou um pouco mais de riqueza a essa discussão. Autores que compreenderam o quanto a própria história das mudanças políticas revela que tipo de análise pode ser feita. Cada tempo, época, período e contexto tende a demandar uma atenção singular sobre as questões relacionadas aos processos políticos. Nesses estudos revela-se a ideia de um estado cada vez mais dividido por classes sociais e que acentuam as injustiças, segregações sociais e espaciais. Além disso, a análise sobre os partidos políticos e seus interesses vão evidenciar a importância de cada voto almejado nas eleições. Os estudos ainda irão chamar atenção para os movimentos sociais e sua e�cácia dentro do Estado. Movimentos que vão promover mudanças ou conservar a visão do Estado para inúmeras questões sociais. Chegamos aos estudos ligados às mudanças sociais, que apontam à busca de uma sociedade mais igualitária e utópica. Perpassam pela própria história da constituição do Estado, que pode ser absolutista, liberal, nacional, neoliberal, de bem-estar social, democrático, totalitário ou ditatorial. O propósito do estudo das Ciências Políticas é mostrar as facetas do Estado e como a sua construção pode ser compreendida mediante aos processos escolhidos. Ao entender os processos do Estado, podemos compreender como os seus interesses estão ali expostos. Por exemplo, a questão da arte ou da cultura no Brasil passa, na atualidade, por um desgastante reconhecimento de sua importância. Mas, a�nal, para que serve a arte? Em alguns momentos da história, a arte foi usada como um recurso revolucionário, conscientizador, em outros como manipulador e a favor de um Estado muitas vezes autoritário. Pois bem, compreendendo as políticas de Estado é possível entender quais os interesses de seus governantes. Assim, a Ciências Política existe por meio da descrição, interpretação, crítica aos fenômenos que correspondem às práticas do Estado. Tudo muito especí�co. Estudar política por essa perspectiva é entendê-la como um campo único. Um cientista político será muito diferente de um cientista natural, ele tem por “missão” a crítica e re�exão de um objeto mutável o tempo todo. Suas interpretações sobre as questões do Estado são pontuais ao momento observado. Assim, não é uma ciência capaz de determinar o futuro, mas pode sim pensá-lo. Por essa razão, em diferentes períodos históricos foi questionada sua necessidade e/ou autoridade. Entretanto, o fato de ter como objeto os processos políticos baseados na ideia do poder e interesse do Estado, permite com que a política seja vista como um objeto a ser investigado, que demanda seu próprio método. Importante na Ciência política não é rea�rmar perspectivas históricas, psicológicas de seus envolvidos, mas sim re�etir sobre o Estado como um todo, em seus processos que tendem a afetar o coletivo. Assim, ao tentarem aproximar sua discussão de uma Sociologia Política, pode-se perceber que essa seria apenas uma rami�cação dos próprios originários da Ciências Política, assim os objetivos de ambas as abordagens são bem semelhantes sobre a ênfase do que interessa ao debate dessa ciência: @twenty20photos em Envato As Ciências Políticas também podem ser entendidas pelo viés jurídico. É a compreensão do Direito Constitucional, a própria formação das normas e regras do Estado, nascendo, assim, uma Teoria Geral do Estado. Para Montenegro (1959, p. 208), “O papel da ciência política, portanto, será o de fornecer elementos de conhecimento do mundo real em ação ampla que supera o simples atavismo ou mera militância” . Mediante esses tópicos, podemos entender que tudo que envolve o processo de formação, expansão e consolidação do Estado faz parte do entendimento da política e de sua ação mediante as decisões tomadas com o propósito do benefício do coletivo. a) o poder político, o comportamento político (indivíduos e grupos), as manifestações de autoridade (carismática, tradicional e legal, segundo Max Weber), a legalidade e legitimidade do poder político; b) os fatores materiais do poder político: o território e a população; c) as origens sociais do Estado e sua penosa evolução, consagrando institutos que se desdobram historicamente, da escravidão à liberdade, do Estado de conquista ao Estado de cidadania livre (Oppenheimer); d) a política cientí�ca, volvida basicamente para a racionalização do poder (a função política, econômica e social das burocracias no Estado moderno), a tecnocracia; e) os grupos de pressão de todo o gênero, lícitos e ilícitos, que atuam à sombra dos parlamentos e dos ministérios, e in�uem nos atos legislativos e medidas do poder executivo; f) a luta de classes e seus efeitos políticos, as tensões sociais, os antagonismos políticos de toda espécie; g) a crise dos sistemas de governo, os regimes políticos, as ideologias, as utopias, a liberdade e a autoridade e h) o inconformismo social, as reformas, as revoluções e os golpes de Estado (BONAVIDES, 2000, p. 61). Poder e estado AUTORIA Renata Oliveira dos Santos No que compete aos estudos da Ciências Políticas, sem dúvida que o conceito de Poder é um dos mais pesquisados e de maior interesse, tanto para cientistas políticos como sociólogos. Em sua de�nição mais corrente, ele pode ser de�nido como um fator externo, que pode ser exercido por uma pessoa ou um grupo de pessoas, ainda de caráter institucional, pessoal e também simbólico. Anteriormente, comentei que o poder pode estar em diferentes estantes, como é o caso das relações entre pais e �lhos, professores e alunos, che�as e funcionários, nesse sentido seu signi�cado se “encaixa” na perspectiva Foucaultiana de microfísica do poder. Você deve estar pensando: “então existe poder em todos os lugares e relações?”. Basicamente, sim. Tudo quefazemos está permeado por alguma relação de poder, a ideia de quem manda e quem obedece permanece forte, mesmo que “invisível”. Sociologicamente falando, o poder existe em todas as relações sociais, se manifestando tanto na esfera pública quanto privada. Em relação aos estudos da Ciências Políticas, o poder é visto como aquele que constitui todo tipo de governo e que necessita ser controlado para que não possa se tornar autoritário. Um bom governo precisa estar ciente de sua relação entre diferentes grupos de interesses e preservar a autonomia de cada um deles, que impeça que alguns indivíduos sejam prejudicados. Assim, busca-se promover o bem comum, em que o poder seria baseado em uma justiça equilibrada. O fato é que quando nos atrevemos a falar sobre poder, não podemos deixar de citar o pai da Filoso�a Política moderna, Nicolau Maquiavel, que escreveu uma obra clássica, chamada O Príncipe, que pode ser entendido como uma espécie de manual que busca instruir o príncipe não apenas a conquistar o poder, mas também de promover sua manutenção, compreendendo os meios necessários para se atingir aquilo que é necessário para si. Além de ser uma obra que pode ser entendida como um manual para o governante, o livro também serve para ser interpretado pelo povo contra os possíveis abusos de poder daqueles que os governam. A abordagem proposta por Maquiavel estava baseada na noção de VIRTÚ, não numa virtude de origem moral, mas sim de poderes e funções que envolviam o domínio políticos. Poderia ser entendido também como o sucesso de um Estado que deveria ser admirado e imitado pelos demais governantes. Nesse sentido, tudo que fosse necessário para a manutenção desse bem-estar deveria ser realizado em nome do Estado, os meios utilizados deveriam justi�car as ações desse monarca. Em uma das partes mais signi�cativas de O Príncipe, Maquiavel “aconselha” que esse precisa ter uma relação de equilíbrio com o seu povo. Precisa ser tanto amado quanto temido, e se não conseguir autocontrole, é preferível que seu povo tenha medo de suas ações, pois, segundo Maquiavel, ser temido é muito mais garantido do que amado, pois o amor pode ser traiçoeiro. Por isso, quando necessário, a violência deveria ser aplicada para demonstrar o poderio do governante. Além da virtú, que seria a capacidade de se conduzir um governo, para Maquiavel, o príncipe também deveria ter FORTUNA, para saber lidar com as mais variáveis circunstâncias que desa�am a estabilidade do político, uma relação estreita e muito pontual com o acaso, o azar e a sorte. Dessa maneira, aquele que possui a virtú consegue controlar os imprevistos da fortuna e isso o faz ser um governante completo e atento para todas as suas funções dentro do seu reinado que, quanto mais vitorioso e próspero, se expande para novas conquistas. Ao longo da história, após os escritos iniciais de Maquiavel, a questão de pensar o poder por meio da política foi se tornando relevante para outros autores, que vão dar origem à formação do Estado Moderno, que cada vez mais irá se distanciar da �gura de um rei ou monarca absoluto e ver surgir novas formas de organização. Destacam-se, a partir dos séculos XVI - XVII, os chamados contratualistas, representados por Thomas Hobbes, John Locke, Jean-Jacques Rousseau e Charles- Louis Montesquieu, cada um deles irá pensar a ideia de Estado e política em suas particularidades. Vejamos, de maneira sucinta, pontos importantes de suas teorias: Thomas Hobbes - (1588-1679): para esse autor, os homens são guiados pelo sentimento egoísta que se revela em seu estado de natureza, assim a�rma que: “O homem é o lobo do próprio homem”. Para solucionar uma possível constância de estado de guerra, ele sugere que para viverem em harmonia, os homens deveriam renunciar ao seu estado de natureza, para sua autopreservação. Deveriam preservar o estado de paz, mantido por um Estado poderoso, acima de tudo e de todos. John Locke - (1632-1704): conhecido como o “pai” do liberalismo político, acredita que o Estado deve ser pensado preservando o conjunto de individualidade de cada um, assim como a propriedade privada. Por isso, defende um governo com limites, visto como um agente mediador e regulador. Jean-Jacques Rousseau - (1712-1778): sua teoria se baseia na ideia de um contrato social, em que a�rma que o ser humano seria um “bom selvagem”, entretanto, a sociedade política seria responsável por corrompê-lo. Por isso, deveria ser construída uma sociedade por meio de contrato, ou seja, o consenso entre as partes envolvidas, uma associação justa. Charles-Louis Montesquieu - (1689-1755): pensando em uma sociedade civil organizada, era necessário re�etir sobre a distribuição dos poderes. Se já não existe mais um monarca que toma conta de tudo, se fez fundamental o surgimento, proposto, por esse pensador de uma teoria dos três poderes. Essa separação fez surgir o Estado moderno liberal, pensado por meio dos poderes básicos: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Existentes até hoje, cada um deve ser preservado em sua particularidade e autonomia. Porém, como percebemos essa divisão, infelizmente, não tem garantido que seja exercido com bom funcionamento e sem corrupção. En�m, quando pensamos no poder precisamos também analisar como, em contextos diferentes, ele vai se a�rmando de maneiras diversas. A constituição dos primeiros pensadores sobre o conceito e sua ação prática nos permite ver o quanto a ideia de poder ainda é existente em nosso cotidiano, por isso precisamos entender cada vez mais sua ação no que compete às políticas públicas. Poder x Dominação AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Para �nalizar a nossa unidade, vamos nos aprofundar um pouquinho mais nessa ideia de poder, mas com outra forma de olhar e perceber como ele se estabelece em sociedade. Vimos, anteriormente, como Max Weber foi importante para pensar a ideia de Estado e sociedade, já em meados do século XX, nos apresentando uma forma particular de entender a sociedade. Bom, nesse momento vamos recorrer novamente ao autor para ver como ele diferenciou os conceitos de poder e dominação. A primeira coisa que devemos relembrar dos estudos já realizados sobre Weber, é que esse autor defendia que o indivíduo era responsável por moldar a sociedade. Para ele, somos nós, com nossas ações sociais, que determinamos a sociedade. Por essa razão, seu conceito de Ação Social nos revela que somos movidos por sentidos e signi�cados individuais para nossas atitudes e todas elas podem ser explicadas de maneira subjetiva. Para ele, a ação social pode ser pensada a partir de quatro tipos: Ação social racional em relação à �ns - Tudo que realizamos tem como objetivo um �m, por exemplo, ao estudar você busca um diploma, não é mesmo? Pois bem, é por causa da certi�cação que você passa por todos os desa�os de fazer uma graduação. Ação social racional em relação à valores - Para Weber, ser honesto e gentil, por exemplo, são ações que racionalizamos a partir dos valores sociais que estão embutidos em nossos princípios morais, familiares ou de crenças. Ação Afetiva - Os nossos sentimentos não são racionais, por isso, amor e raiva são vistos como ações afetivas marcadas pelo impulso subjetivo de cada um. Ação tradicional - São ações que mantemos por costumes ou hábitos, apenas repetindo o que os outros fazem, sem questionamento. Por exemplo, o ato de pedir a benção para familiares, muitas pessoas ainda o fazem, porém será que conseguem compreender seu real signi�cado? Weber ainda nos ajuda a pensar que essas ações, quando compartilhadas por outras pessoas, podem se tornar relações sociais que nos permitem viver em coletividade. Ao pensar na coletividade, Weber se deparou com o Estado, formado por diferentes indivíduos e interesses. A comunidade é formada por uma divisão de poderes que forma um conjunto de esferas autônomas, com suas próprias regras, sistemas de valores, crenças etc. Assim, o autor re�etiu sobre: classes, estamentos e partidos, para pensar a distribuição de poder. Classes: não serávista ainda como uma divisão social. Para o autor, a classe signi�ca a aquisição de bens e serviços que são próprios de um mesmo grupo. Podemos pensar como uma classe de aula, por exemplo, nela as pessoas estarão “unidas” por um interesse comum, ser aprovado no ano letivo, terão suas regras particulares. Nesse sentido, classe é fazer parte desse grupo de pessoas. Estamentos: pode ser pensado como um status, ou seja, o espaço social que ocupamos a partir do que possuímos e como essas aquisições nos oferecem um lugar na sociedade. Partidos: esses são responsáveis apenas pela busca ou posse do poder institucional, por meio das eleições e do voto. Ao pensar a sociedade de caráter racionalizado e burocrático, Weber nos permitiu compreendê-la em sua organização. Assim, seus estudos no campo político �zeram com que o entendimento sobre o Estado, em seus diferentes níveis, pudesse ser visto desde a área administrativa até as questões de território. Entendeu que o poder se estabelece na esfera pública, através da racionalidade burocrática e também por meio da forma como o líder domina o seu povo. Nesse momento, o autor nos convida a entender que poder e dominação são coisas completamente diferentes, embora sejam muito parecidos em seus propósitos. O que o autor identi�ca como poder, a imposição de sua própria vontade sobre o outro, a ideia genuína de quem manda e quem deve obedecer, a opressão em relação ao outro. Já a dominação é uma imposição de poder que pode ser “disfarçada” pela maneira como ela se revela ao outro. Dominar é a capacidade de fazer com que uma vontade pessoal, subjetiva, se transforme e se compartilhe como vontade individual de outras pessoas. Dessa maneira, a dominação irá exercer um poder que muitas vezes passa despercebido por quem apenas a re�ete como sendo sua própria vontade. Ficou confuso? Vamos então aos tipos de dominação legítimas, propostas pela análise de Weber: Dominação Carismática: o líder carismático é aquele aclamado pelo povo por seu “dom” ou “dádiva”, que o diferencia dos demais sujeitos da sociedade. Ele possui um convencimento retórico. São atribuídos a ele poderes “especiais”, é visto como um herói ou heroína por ter algo que o diferencia dos demais seres humanos. Esse tipo de líder pode ser identi�cado em diferentes esferas sociais. Pode ser o atleta, a atriz, o político, a cantora, o padre, o pastor, o professor. São pessoas que, pelo seu carisma, podem convencer os outros sem muito esforço. Dominação Racional-Legal: essa é legitimada pela questão legal, ou seja, as regras e leis impostas que promovem uma racionalização nos processos governamentais. São as normas que devemos seguir sem muitos questionamentos. Dominação Tradicional: assim como na ação tradicional, aqui o processo de persuasão ocorre mediante os costumes, valores e hábitos de�nidos de maneira hierárquica que estabelece a relação do líder e de seus subordinados. Por �m, a dominação tem como ação promover que o poder possa ser exercido por meio de questões ideológicas que tendem a esconder a realidade ou até mesmo incentivar a não existência de um pensamento mais crítico. Quando dominados, deixamos de questionar o que nos parece ser a nossa própria vontade, mas que, na verdade, tem sido manipulada para o melhor aproveitamento e realização daqueles que estão no poder. Por isso a importância de compreender os processos do campo político para identi�carmos se estamos contribuindo para uma dominação que tende a nos incapacitar para o entendimento da realidade. SAIBA MAIS Você sabia que a obra O Príncipe foi escrita em 1513, enquanto Maquiavel se encontrava exilado? Entretanto, seu livro só foi publicado em 1532, cinco anos após a sua morte. O livro, que é um manual sobre a arte de governar, foi inspirado no estilo político de César Bórgia, que foi um dos mais ambiciosos comandantes italianos, e que Maquiavel trabalhou junto por cinco meses quando foi embaixador. Fonte: a autora. REFLITA O Analfabeto Político - Bertold Brecht “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”. Ao ler o poema, você consegue re�etir se é um analfabeto político? Fonte: Portal Raízes (2016, on-line). Antes de entrarmos de cabeça na temática das políticas públicas de educação, optamos por uma breve re�exão sobre como se desenvolveram os conceitos de: política, ciências políticas, poder, Estado e dominação. Partimos do pressuposto de que era de relevante importância fazer esse primeiro caminhar para que as próximas descobertas �zessem ainda mais sentido para o nosso estudo. Sobre o conceito de política podemos perceber que estamos cotidianamente inseridos nessa ação. Fazemos política o tempo todo, pois estamos sempre em contato com o outro, negociando alguma coisa. Sendo ela uma arte da razão, nos permite direcionar a forma como vemos a vida e entendemos a nossa relação com o outro. Por isso entender política é tão importante, porque ela nos faz perceber de que maneira as tomadas de decisões são realizadas, baseadas em que tipo de interesse. A�nal, a política é também um processo individual que se desenvolve numa proposta de coletividade. Nesse sentido, entender os processos políticos deve ser feito por meio de métodos e teorias que priorizem uma compreensão fora da ideia de “achismos” ou gostos pessoais. Hoje estamos vivendo uma polarização política que tem nos impedido de fazer, de fato, uma re�exão crítica sobre os processos e a formação do Estado, isso porque as pessoas não usam as ferramentas ou realizam as leituras indicadas por aqueles que transformaram o campo político em uma ciência, chamada de: Ciências Políticas. Como ressaltamos, pensar a política brasileira ou mundial não é algo que podemos fazer apenas “gostando ou não” de um determinado partido político, mas sim sendo capazes de entender a dimensão dos processos políticos. Conclusão - Unidade 1 Esses processos estão sempre repletos de formas de poder, que não pode ser de�nido como um conceito único e imutável. O Poder existe em todos os lugares e, para os pensadores da Sociologia, qualquer relação social é mantida por uma relação de poder. Como a�rma Foucault (2014), o poder se multiplica em suas microfísicas, ou seja, nas relações humanas em que haja a propensão de alguém mandar enquanto o outro obedece. Por �m, vimos que o poder pode ser entendido em uma outra “roupagem”, através da dominação, essa não é apenas exercida pela vontade particular, mas sugerida como uma vontade de todos. Leitura Complementar Quando falamos de política, podemos compreendê-la em suas diferentes representações. Uma das formas mais recentes de entendê-la pode ser através de um fenômeno político chamado de Ativismo digital. Livro Filme Unidade 2 Políticas Públicas: aspectos legais da educação básica no Brasil AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Introdução Ao continuar as nossas descobertas sobre o “mundo” das Ciências Políticas e da Política de maneira geral, vamos nos aprofundar cada vez mais nas chamadas políticas públicas relacionadas à educação brasileira. Para isso, iniciaremos a nossa discussão aprendendo sobre o conceito de políticas públicas, para compreendermos qual a diferença e importância delas em relação às demais políticas realizadas pelo governo. Depois vamos re�etir sobre as diferenças entre políticas públicas e políticas públicas de educação, com o objetivo de percebermos que cada esfera social demanda uma necessidade, um olhar mais aguçado sobre a realidade que a rodeia. Sabemos que a educação semprefoi um projeto político, mas que muito ainda falta a ser feito para que ela possa, de fato, ser entendida como uma prioridade de qualquer governo. Por isso, é muito importante re�etir sobre como esse projeto político tem sido desenvolvido em nosso país. Para isso, vamos fazer um breve histórico sobre as políticas públicas de educação no Brasil e seu desenvolvimento até a chegada da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996. Assim, ao pensarmos historicamente sobre esse tipo de política, poderemos perceber de que maneira ela é imprescindível para o desenvolvimento do país e de toda a população. A�nal, não é de hoje que concluímos que a educação deve ser uma prioridade governamental, mas que precisa ser pensada na realidade existente para que, de fato, possa ser para TODOS. Bons estudos! Políticas Públicas: o que são? AUTORIA Renata Oliveira dos Santos O exercício que �zemos anteriormente foi pensar sobre a Política. Vimos que ela pode ser entendida como arte da razão ou a arte de governar. Sendo assim, quando falamos de Política pública estamos utilizando de uma expressão que tem por objetivo determinar uma situação especí�ca da política. Por isso, se quisermos conhecer sua de�nição, se faz necessário entendermos a etimologia das palavras que compõem essa expressão. Assim, quando falamos de Política remetemos a palavra em sua origem grega, politikó, que revela a condição de participação da pessoa que, sendo livre nas decisões, pode tomar as decisões necessárias em relação aos rumos da cidade, a pólis. Vale ressaltar que, no período grego, a liberdade não era uma coisa para todos, muito menos a condição de cidadão, esse era um privilégio apenas de homens atenienses e de posses. No que compete à palavra pública, sua origem revela-se latina, e tem como signi�cado “povo” e “do povo”. Dessa maneira, a expressão política pública, do ponto de vista etimológico das palavras que a compõem, refere-se à participação do povo nas decisões da cidade e do território. Entretanto, sabemos que esse tipo de participação assumiu feições distintas, no tempo e no lugar, cada contexto histórico tem sua particularidade e, assim, ela tem se apresentado de forma direta ou indireta (por representação). Mas o que devemos ter sempre em mente é que, para que ela possa ser concretizada, é imprescindível a presença de um estado. Um mundo cada vez mais globalizado fez surgir uma sociedade cada vez mais antenada com as suas necessidades. Diante disso, o conhecimento e re�exão sobre as questões das políticas públicas tem se modi�cado a cada nova década, pois estamos vivendo em governos de caráter democrático que proporcionam, ou pelo menos deveriam proporcionar, uma maior participação do povo nas questões governamentais. A parceria entre o povo e o Estado é o que permite que o governo possa ter estabilidade para governar, por isso é necessário que as políticas públicas sejam pensadas e exercidas para o bem de todos. Assim como outros conceitos de�nem as políticas públicas em uma única expressão é muito complicado, por essa razão optamos por poder reproduzir duas maneiras que se complementam ao pensarmos sobre elas. Para Souza (2003, p. 13), a de�nição estaria relacionada ao Campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações e ou entender por que o como as ações tomaram certo rumo em lugar de outro (variável dependente). Em outras palavras, o processo de formulação de política pública é aquele através do qual os governos traduzem seus propósitos em programas e ações, que produzirão resultados ou as mudanças desejadas no mundo real. Então, ao pensarmos em políticas públicas, podemos a�rmar que elas seriam a expressão máxima dos governos, que necessitam do povo para entender suas particularidades e colocar em prática aquilo que precisa ser modi�cado. Por isso, é essencial que haja uma organização social capaz de permitir uma relação clara entre governo e povo, em que esse possa compreender seu espaço nas decisões políticas e o governo entender o que seu povo deseja. Voltamos a pensar que a política é feita de interesses, mas precisamos saber de quem. Mas será que existem apenas um tipo de políticas públicas? Para Azevedo (2003), elas podem ser entendidas em três categorias: as redistributivas, as distributivas e as regulatórias. Vejamos as especi�cidades de cada uma: @larm em Unsplash Já para Azevedo (2003, p. 38), “política pública é tudo o que um governo faz e deixa de fazer, com todos os impactos de suas ações e de suas omissões” . Mediante a esse fragmento, é possível compreendermos que as políticas públicas são as ações governamentais pensadas e realizadas para o bem comum. Assim, se não somos capazes de entender sobre política e suas rami�cações, podemos acabar sendo dominados por governos autoritários e corruptos, sem nenhuma realização efetivada de transformação ou mudança na sociedade. Redistributivas: são aquelas relacionadas que permitem a redistribuição de renda por meio de �nanciamentos de serviços e equipamentos. Elas podem ser compreendidas por meio dos programas como: FIES, bolsa família, renda mínima para água e luz, Minha Casa - Minha Vida e tantos outros programas que contribuem para diminuição das desigualdades sociais. Elas deveriam ser �nanciadas por aqueles que possuem renda maior que a grande parte da população, entretanto acaba sendo incorporada aos gastos de projetos da união e, assim, há um maior gasto na conta do Estado. Muitos acabam achando que esses programas sociais, quando não usufruídos por ele, são onerosos demais para a sociedade, se colocam contra a essas bolsas como se elas fossem desnecessárias. Distribuitivas: são as ações cotidianas de qualquer governo, representadas pela oferta de equipamentos e serviços públicos, de forma pontual ou setorial, e que são determinadas pela necessidade social ou a pressão dos grupos de interesse. Nesse sentido, obras em escolas ou creches, manutenção da limpeza da cidade com podas de árvores, rios e córregos, o desenvolvimento de programas de conscientização ambiental são alguns dos exemplos das políticas públicas distributivas. Regulatórias: Essas são responsáveis pela elaboração das leis que irão autorizar os governos a fazerem ou não determinada política pública redistributiva ou distributiva. Assim, se elas necessitam da ação do poder executivo para serem realizadas, a política pública regulatória é fundamental na ação do poder legislativo. Por isso, é importante que estejamos atentos a esse tipo de política pública, pois ela revela o quanto o governo vê “necessidade” ou não em sua execução. Nada mais é que aquelas possíveis leis, que lutamos e achamos fundamentais para o andamento da sociedade e que permanecem anos sem nenhuma resolução. Ao entendermos a necessidade da ação política, começamos a perceber o quanto ainda os interesses governamentais ou de grupos majoritários podem prejudicar a execução de uma determinada política pública. Podemos concluir então, que as políticas públicas devem ser entendidas pela relação direta entre sociedade e governo. Este, sendo capaz de ouvir as necessidades de seu povo, tende a promover maneiras para que as desigualdades sociais e a justiça social possam ser encaradas como um ato prioritário para a manutenção de sua governabilidade. Por isso, como ressalta Oliveira (2010, p. 9), O que distingue política pública da política, de um modo geral, é que esta também é praticada pela sociedade civil, e não apenas pelo governo. Isso quer dizer que política pública é condição exclusiva do governo, no que se refere a toda a sua extensão (formulação, deliberação, implementação e monitoramento). Assim, um governo que busca ser mais igualitário tem, nas políticas públicas, um caminho para a realização de projetos que atendam as mais variadas inquietações relacionadas às múltiplas questões sociais existentes, sendo incapaz de fechar os olhospara elas. Políticas Públicas de educação AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Espero que você tenha compreendido a importância das políticas públicas, em especial, que tenha �cado bem claro que elas são tudo aquilo que o governo pode ou não fazer em prol das necessidades de sua população. Novamente gostaria de ressaltar a importância que existe na relação entre governo e sociedade. Porque é ouvindo a sociedade/seu povo que o governante consegue se manter no poder ou dar continuidade a sua governabilidade. Por essa razão, mesmo que não seja o foco desse material, é necessário dizer o quão fundamentais são os Movimentos Sociais. Esses, de caráter dinâmico, mutável, diverso, têm protagonizados o início de inúmeros diálogos entre governo e povo. Dessa maneira, não podemos enxergar essas manifestações como ações de reprovações, porque é a partir delas que o governo pode vislumbrar a sociedade e também dialogar com ela. Muitas das políticas públicas existentes hoje no Brasil são frutos desses movimentos sociais, pois foram executadas após mais reivindicações necessárias para o funcionamento da sociedade. Assim, se você deseja entender uma lei posta em sociedade ou a sua modi�cação, �ca a dica de procurar antes por sua história, conhecer os grupos sociais envolvidos e compreender de que maneira a luta empreendida levou a um novo direcionamento de ações para a transformação social. As políticas públicas podem mudar seu bairro, sua cidade, seu país e servirem de exemplos para o mundo, como uma espécie de modelo para o que seja preciso para que haja uma modi�cação geral/global da sociedade. @anniespratt em Unsplash Quando uma política pública é aprovada, ela carrega em si, e deve carregar sempre, resquícios das ideias de muitas pessoas, envolvidas diretamente com a injustiça e desigualdade social. Você já reparou que para algo mudar em nosso cotidiano, às vezes, é preciso muito barulho? Pois bem, o barulho causado pelos movimentos sociais tem como propósito, justamente, acordar o mundo para coisas importantes que estão sendo esquecidas, principalmente, por aqueles que estão no poder. Para qualquer esfera social existe um tipo de política pública, de caráter econômico, para a segurança pública, de saúde etc. Nos interessa, nesse momento, aprender um pouco mais sobre as chamadas políticas públicas de educação. Mas, a�nal, o que seriam elas? Podemos compreender que as políticas públicas de educação terão como interesses as questões escolares e também acadêmicas, esse será o foco central dessas políticas. Pensar a escola, as universidades e faculdades, re�etir sobre como elas se desenvolvem e o que é necessário para esse desenvolvimento será a perspectiva encarada pelas políticas públicas de educação. A ação governamental sobre elas deve estar sempre ao alcance do nosso entendimento, para que possamos cumprir o que a Constituição Federal Cidadã de 1988 prioriza em seu artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua quali�cação para o trabalho”. (BRASIL, 1988, Art. 205). Diante disso é que o “fazer educacional” deve ser visto como essencial para sociedade. Escolas, universidades e faculdades devem ser pensadas em toda sua complexidade, que perpassam as questões de ensino-aprendizagem a professores, família, comunidade e ações do estado. Essas poderão ser realizadas por meio das obras estruturais, contratação de pro�ssionais, valorização da formação de professores, o desenvolvimento das matrizes curriculares, re�exões sobre a gestão escolar, além de muitas discussões sobre a avaliação e da qualidade do ensino. @mclee em Unsplash Segundo Oliveira (2010, p. 04), “Se ‘políticas públicas’ é tudo aquilo que um governo faz ou deixa de fazer, políticas públicas educacionais é tudo aquilo que um governo faz ou deixa de fazer em educação” . Entretanto, nos lembra o autor que “educação é um conceito muito amplo”, porém ao pensarmos em políticas públicas de educação estamos direcionando e afunilando a maneira como pensar as questões educacionais. Tudo isso deve estar presente nas discussões de políticas públicas de educação, pois a formação escolar não incide apenas no fazer em sala de aula, mas em todos os fatores e aspectos que permitem que o ato desse fazer, que deve ser pensado em suas inúmeras particularidades. Entende-se por políticas públicas educacionais aquelas que regulam e orientam os sistemas de ensino, instituindo a educação escolar. Essa educação orientada (escolar) moderna, massi�cada, remonta à segunda metade do século XIX. Ela se desenvolveu acompanhando o desenvolvimento do próprio capitalismo, e chegou na era da globalização resguardando um caráter mais reprodutivo, haja vista a redução de recursos investidos nesse sistema que tendencialmente acontece nos países que implantam os ajustes neoliberais (OLIVEIRA, 2010, p. 09). A crítica que o autor faz está muito relacionada ao fato de que as políticas públicas educacionais revelam o quanto os governos desejam ou não o seu desenvolvimento. Historicamente falando, o desenvolvimento das sociedades modernas, a partir do século XX, baseadas cada vez mais na crescente expansão da globalização e de novas formas de governos adeptos pelo Neoliberalismo, tem revelado o quanto essa “�loso�a política” tende a fazer da educação, assim como de outras esferas sociais, meios de privatizações estatais, ou seja, retirar do Estado sua maior responsabilidade. Assim, se não cabe ao Estado, a exclusividade das decisões sobre saúde, segurança ou educação, como tudo será feito? Essa questão é muito importante a ser pensada, pois como alguns blocos mundiais se destacam, mais in�uências eles conseguem exercer em países economicamente menores e que vão aderir a programas de educação, por exemplo, em que nada bene�ciariam a nossa realidade, pois esses são projetados para sociedades diferentes. Falaremos disso mais adiante quando iremos pensar sobre avaliações e qualidade de ensino, porém é preciso já começarmos a re�etir de que maneira, os nossos problemas educacionais são diferentes, de uma suposta homogeneização mundial sobre educação. Políticas Públicas de educação no Brasil (I) AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Como vimos até agora, a ideia de política pública está baseada na máxima de que o Estado deve estar em ação. No caso, da educação, essas políticas seriam reveladas a partir da ideia de um Estado em ação em relação às questões educacionais. Elas estão relacionadas com tudo aquilo que incide sobre educação, ou seja, em âmbito escolar, desde a sua estrutura até a formação dos professores, planos de carreiras etc. Para entendermos o desenvolvimento histórico das políticas públicas de educação no Brasil, se faz necessário compreendermos a nossa própria história. Não podemos jamais esquecer os meandros que formaram a nossa trajetória histórica e como tudo isso incide na formação de uma nação tardiamente. Quando recorremos ao nosso passado histórico, devemos nos lembrar que somos um país que durante 388 anos foi palco apenas para colônia portuguesa, um governo de exportação e exploração, marcado pela dizimação dos indígenas e a escravidão maciça de escravos advindos da África. Durante todo esse período, falar sobre educação no Brasil é compreendê-la por meio das obras Jesuíticas, comandadas pela igreja católica, com o objetivo de catequizar e educar a todos por meio do evangelho. Em nada essa primeira educação no Brasil tem a ver com algum tipo de política pública de Estado, era apenas a demonstração do poder baseado na colonização portuguesa. Depois disso, alguns outros formatos de educação vão surgir, mas serão destinadas apenas àqueles que podem “pagar”, ou seja, a educação era um privilégio para a classe mais rica brasileira, que, além de não se importar com o desenvolvimento de educação para toda população, possuía recursos para enviar seus �lhos para estudarfora do país. Com a abolição da escravatura em 1888, e a Proclamação da República em 1889, uma nova con�guração surge no país. Sendo uma república, passamos agora a não mais sermos governados por um rei ou monarca, mas temos a constituição de uma forma de governo, que, em sua origem, tem como objetivo a formação de um Estado que tem no povo seu governador/representante soberano. Dentro dessa nova lógica é que os estudos, pesquisas sobre a questão das políticas públicas no Brasil, datando do �nal do século XIX e início do século XX, mostram uma preocupação com a área da educação ou com políticas voltadas para uma educação que deveria ser almejada e alcançada por qualquer cidadão brasileiro. Nomes importantes fazem parte desse movimento em prol da educação brasileira, um deles é Anísio Teixeira, que irá buscar com outras pessoas, pensar a inserção de políticas educacionais que possam acabar com a falta de educação no país. A própria aura instalada por Getúlio Vargas, com um projeto de Nacionalismo no país, permite vislumbrar a educação como essencial para o desenvolvimento, como um todo, do Brasil. Como dito anteriormente, é muito importante que a gente possa atrelar todas as mudanças ocorridas à ação de movimentos sociais que, em cada período e contexto histórico, dão o tom necessário às ações políticas. Não seria diferente na década de 1930, podemos destacar o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova que, encabeçados por �guras como Fernando de Azevedo e Anísio Teixeira, vão descortinar as necessidades da educação brasileira. Um documento que priorizava a administração escolar como importante e as medidas que deveriam ser tomadas a longo prazo para o desenvolvimento de uma educação nacional. Ele exaltava o exercício dos direitos dos cidadãos brasileiros no que compete à educação, pautada numa educação pública, única, laica, gratuita e obrigatória. É possível a�rmar que foi a partir de 1930 que as políticas públicas de educação brasileira passaram a ser encaradas como um projeto de governo, implementada pela Reforma Francisco Campo várias decisões foram tomadas pelo governo. Destacam-se alguns decretos, segundo Santos (2011): A situação política no Brasil, nesse período, é marcada em 1937, pela instalação de Vargas no poder e o fechamento do Congresso Nacional. Criou-se, nesse período, as chamadas “Leis Orgânicas de Ensino”, que tiveram um peso importante na ampliação e �exibilização da reforma anterior. Entre os decretos propostos (SANTOS, 2011): Decreto 19.850, de 11 de abril de 1931, que criou o Conselho Nacional de Educação; Decreto 19.851, de 11 de abril de 1931, que dispôs sobre a organização do ensino superior no Brasil e adotou o regime universitário. Decreto 19.852, de 11 de abril de 1931, que dispôs sobre a organização da Universidade do Rio de Decreto 19.890, de 18 de abril de 1931, que dispôs sobre a organização do ensino secundário. Decreto 19.941, de 30 de abril de 1931, que instituiu o ensino religioso como matéria facultativa nas escolas públicas do país. Decreto 20.158, de 30 de junho de 1931, que organizou o ensino comercial e regulamentou a pro�ssão de contador. Decreto 21.241, de 14 de abril de 1932, que consolidou as disposições sobre a organização do ensino secundário. Diante desse contexto histórico, de um país submerso a um governo autoritário e que permaneceria no poder até 1945, com o apoio de formas conservadoras, as questões educacionais começaram a ser permeadas sobre a ideia de que seriam elas as grandes “salvadoras” dos problemas nacionais. Uma a�rmação que, infelizmente, permanece até hoje sem nenhuma mudança que a faça ser realidade. No período que compete à década de 1940 até 1961, as discussões sobre a educação no Brasil ganharam força na oposição entre aqueles que viam na educação um lugar de conservação da tradição e dos “bons costumes” do país versus os movimentos sociais que se dedicavam a uma educação libertadora e emancipadora, baseados na educação popular e outros projetos que emergiram da necessidade pujante de uma educação para todos no país. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1961 foi instaurada mediante a muitos protestos, mesmo tendo saído do papel, ela não cumpria a ideia proposta de pensar uma educação para todos. Pelo contrário, ela fortaleceu o ensino privado e limitou a expansão do ensino público (SANTOS, 2011). Em 1962, foi proposto o primeiro Plano Nacional de Educação, para ser cumprido em oito anos. Entretanto, é importante mais uma vez retornarmos à história do Brasil, para lembramos que, em 1964, as questões políticas no país tomaram um novo rumo, instalou-se no poder a Ditadura Militar, que permaneceria até 1985. Nesse período, é importante dizer que as agências internacionais como: Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização das Nações Unidas (ONU) e Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD) passaram a interferir Decreto-lei 4.048, de 22 de janeiro de 1942, Lei Orgânica do Ensino Industrial. Decreto-lei 4.073, de 30 de janeiro de 1942, que cria o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Decreto-lei 4.244, de 9 de abril de 1942, Lei Orgânica do Ensino Secundário. Decreto-lei 6.141, de 28 de dezembro de 1943, Lei Orgânica do Ensino Comercial. Decretos-leis 8.529 e 8.530, de 2 de dezembro de 1946, Lei Orgânica do Ensino Primário e Normal, respectivamente. Decreto-lei 8.621 e 8.622, de 10 de janeiro de 1946, cria o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Decreto-lei 9.613, de 20 de agosto de 1946, Lei Orgânica do Ensino Agrícola. muito nas resoluções de vários setores brasileiros e isso não seria diferente em relação à educação. As recomendações dessas agências deveriam ser absorvidas pelo regime militar, que priorizou, neste momento, uma política desenvolvimentista para a reorganização do Estado. Alguns dispositivos foram criados para educação (SANTOS, 2011): Além dessas Leis, devemos citar a de número: 5.692/71, que provocou transformações profundas que foram modi�cadas a pouco tempo no país, são elas: ampliação da obrigatoriedade escolar para 8 anos; instituição da obrigatoriedade da faixa etária de 7 aos 14 anos; pro�ssionalização automática no segundo grau; extinção do exame de admissão no ginásio. Porém, como o regime começou a dar sinais de sua falência, ainda no �nal da década de 1970, é possível constatar que as mudanças não proporcionaram um maior investimento na educação. A política baseada no chamado “milagre econômico” não foi capaz também de promover uma educação melhor para o país. Essa constatação virou uma das maiores bandeiras dos Movimentos Sociais da década de 1980. Algumas entidades cientí�cas foram abertas e elas levantaram a bandeira de luta priorizando alguns pontos decisivos para uma mudança educacional: melhoria da qualidade na educação, valorização e quali�cação dos pro�ssionais da educação, democratização da gestão, �nanciamento, ampliação da escolaridade obrigatória (SANTOS, 2011). Novamente, vários campos sociais se uniram e, assim como ocorrido em 1932, com o Manifesto dos Pioneiros, após a retirada do poder dos militares em 1985, a sociedade civil percebeu sua importância para lutar pela educação. De novo, os caminhos Lei 4.464, de 9 de novembro de 1964, que regulamentou a participação estudantil. Lei 4.440, de 27 de outubro de 1964, que institucionalizou o salário- educação. Decreto 57.634, de 14 de janeiro de 1966, que suspendeu as atividades da UNE. Lei 5.540, de 28 de novembro de 1968, que �xou as normas de organização e funcionamento do ensino superior. Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971, que �xou as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus. históricos do Brasil vão nos ajudar a pensar sobre essas políticas, a partir da Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. Política de educação no Brasil (II) AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Seguimos nosso resgate histórico e chegamos a 1988, na efervescência após a derrocada da ditadura militar.Vivemos o momento necessário para uma nova constituição, estamos inseridos num processo de redemocratização que promete devolver ao povo seu lugar de direito, em uma sociedade democrática. Sendo assim, a Constituição de 1988, chamada de Constituição Cidadã, emergirá como o documento indispensável para a reconstrução da história do país, em todos os seus aspectos e esferas sociais. Segundo o MEC, ao olharmos a constituição, a partir do Capítulo III: Da Educação, Da Cultura e Do Desporto, podemos vislumbrar o que o documento nos permite pensar sobre a educação. Já citamos o artigo 205 até o artigo 214, somos convidados a re�etir sobre a educação em diferentes estâncias, como um projeto escolar, em suas funções em relação à gestão escolar, as tarefas reservadas à universidade e, por �m, a questão dos investimentos, marcados pela presença ou não da iniciativa privada. A Constituição Federal Cidadã, sem dúvida, é um documento muito importante para pensarmos o país como um todo, no caso da educação, reacendeu a esperança de mudanças necessárias para que, �nalmente, saísse do papel a ideia de uma educação para todos. Assim, a década de 1990 foi marcada pela emergência de movimentos pró educação, que se alinhavam aos desejos e lutas já travadas por muitos pesquisadores na década anterior. Nesse sentido, a construção de uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi disputada por dois grupos diferentes. Não podemos dizer que eram grupos opostos, mas cada um deles tinha uma maneira distinta de pleitear as reformas educacionais. Depois de muitas disputas, a LDB, aprovada em 1996, foi a defendida pelo então Senador, Darcy Ribeiro (PDT/RJ), que não atendeu inúmeras reivindicações propostas pelos grupos sociais na década de 1980: Várias bandeiras que foram levantadas durante o movimento acabam distorcidas ou completamente descaracterizadas de sua ideia original, como por exemplo: capacitação de professores foi traduzida em pro�ssionalização; participação da sociedade civil assumiu a forma de articulação com empresários e ONGs; descentralização signi�cou desobrigação do Estado; autonomia ganhou contorno de liberdade para captação de recurso; melhoria da qualidade da educação traduziu-se em adequação ao mercado, sendo que o aluno transformou-se em consumidor (SANTOS, 2011, p. 08). A partir da Lei nº 9394/96 (LDB) de�niu-se a abrangência da educação brasileira da seguinte maneira: Novamente, não podemos esquecer a própria história política do país, o período da década de 1990 foi marcado pela primeira eleição para presidência, pós ditadura, sendo eleito o Presidente Fernando Collor de Mello, que, em 1992, sofreu um impeachment por inúmeras denúncias de corrupção. Assumiu em seu lugar, o vice, Itamar Franco. Em 1994, com novas eleições, assumiu o Presidente Fernando Henrique Cardoso, esse promoveu o delinear de um novo governo, ancorado nas questões econômicas, tendo o Plano Real como sua maior contribuição à sociedade brasileira. Em relação à educação, o governo estava cada vez mais alinhado aos Organismos Internacionais – como vimos anteriormente, FMI, ONU, BIRD –, essas agências vão dar a tônica de como será pensada a educação brasileira. Temos que ressaltar que a proposta do governo FHC seguia as orientações dessas agências, que projetavam a necessidade de um governo que priorizasse a diminuição dos gastos públicos, a privatização das empresas estatais e os serviços prestados pelo Estado e que fosse capaz de encontrar novas fontes de renda. Talvez agora você compreenda o que Santos (2011) nos propõe re�etir na citação, de que as ideias iniciais sobre a educação tomaram uma nova dimensão, isso ocorre justamente por a política nacional está baseada nesses organismos/agências de fomentos internacionais, cuja orientação era deixar de lado a proposta de uma Estado de bem-estar social, em que o governo seria responsável pelas questões básicas sociais para um governo caracterizado pelo Estado Mínimo. Isso signi�cava dar uma autonomia cada vez maior aos Estados e Municípios a gerência de seus recursos: Educação infantil constituída pela creche para crianças de zero a três anos e pré-escolas para crianças de quatro a seis anos; Ensino fundamental constituído por oito anos; Ensino médio constituído por três séries. O governo passa, por meio das avaliações, a gerenciar o “rendimento” escolar, ou seja, as provas serão feitas como uma forma de medir a aplicabilidade de recursos e seus resultados. Falar em qualidade da educação passa a estar diretamente relacionado com os seus resultados, mas o que isso tende a revelar? Com a chegada, em 2003, do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, novamente haverá modi�cação na educação nacional. Em um primeiro momento essas modi�cações não puderam ocorrer, pois muitas ações ainda estavam atreladas aos acordos realizados entre o governo FHC e as agências nacionais. Ao longo desse governo, muitas coisas foram se modi�cando, no caso da educação, foram propostas ações de médio e longo prazo, encabeçadas, a princípio, pelo Ministro da Educação Tarso Genro e, posteriormente, Fernando Haddad. Para Santos (2011) destacam-se nesse governo as seguintes propostas: O Programa Universidade para Todos (PROUNI), lançado em 2004, consiste na concessão de bolsas de estudo para alunos de graduação em universidades privadas. O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), lançado em 2007, objetiva a ampliação de vagas nas Universidades e a redução das taxas de evasão nos cursos presenciais de graduação. A instituição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização do Magistério (FUNDEB), em vigor desde janeiro de 2007, É com este foco que a LDB de 1996, Lei nº 9.394/96, sinalizou claramente para mudanças nas responsabilidades dos entes federados quanto à manutenção e ao desenvolvimento do ensino em seus diferentes níveis. O teor da citada lei induz fortemente à descentralização da educação, direcionando os seus gastos por intermédio da criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e da Valorização do Magistério – FUNDEF (Oliveira, 2008). A atenção do FUNDEF voltada, exclusivamente, para o Ensino Fundamental, somada à de�nição de Parâmetros Curriculares Nacionais e à instituição do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) parecem mostrar quais os direcionamentos do governo em relação à política educacional na época. Ou seja, direcionam-se os gastos para o Ensino Fundamental como estratégia de preparação de mão-de-obra para o mercado de trabalho; ao mesmo tempo, instituíram-se os Parâmetros Curriculares e o Sistema Nacional de avaliação, de maneira que um certo tipo de controle fosse mantido pelo governo (SANTOS, 2011, p.10). encaminha recursos para toda a Educação Básica, substituindo o FUNDEF, que vigorou de 1997 até 2006. O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em 2007, sob o qual se alinham os demais programas e ações do governo para toda a educação (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, educação superior e pós-graduação). Podemos constatar que foi um período de intensas mudanças na educação nacional, o governo Lula priorizou a retomada de um Estado de Bem-Estar Social, em que assumia novamente a responsabilidade de desenvolvimento das questões estatais, baseadas nas necessidades sociais. Destaca-se ainda nesse momento o chamado Plano de Desenvolvimento da Educação – 2007 (PDE), que veremos mais detalhadamente na próxima unidade. SAIBA MAIS Você sabia que na avaliação educacional realizada pelo PISA com 79 países, em 2018, os números do desempenho brasileiro são preocupantes? Divulgados no quarto trimestre de 2019, os resultados não são muito animadores para o Brasil: entre 58º e 60º lugar em leitura, entre 66º e 68º em ciências e entre 72º e 74º em matemática. A variação existe por conta da margem de erro adotada pela pesquisa. A nota de escolas particulares de elite do Brasil colocaria o país na 5ª posição do rankingmundial de leitura do PISA. Já o resultado isolado de escolas públicas estaria 60 posições abaixo, na 65º entre 79 países. A nota geral do Brasil está entre as mais baixas do mundo nas três áreas avaliadas – leitura, matemática e ciências. Quase metade dos estudantes não chega nem ao nível básico em nenhuma delas, destoando do desempenho dos alunos de escolas particulares do Brasil. Fonte: Lyceum (2019). REFLITA Como as políticas públicas de educação podem modi�car a realidade da educação pública no Brasil? Fonte: © Amâncio. Re�etir sobre Políticas e ainda mais sobre Políticas Públicas de Educação é um desa�o que mexe com a gente, não é mesmo? Na verdade, a compreensão dos processos políticos deveria ser proferida como matérias, disciplinas obrigatórias para o entendimento da nossa sociedade. Quanto mais vamos nos aventurando a entender a realidade que nos cerca, mas ações políticas percebemos que são necessárias. Se política é a arte da razão e de governar, faz-se necessário compreendermos como são tomadas as decisões e os interesses que a cercam. Isso só é possível se somos capazes de olhar para ela e não mais desviarmos os nossos olhos. Nesse sentido é que toda a unidade foi pensada, com o propósito de nos adentrarmos cada vez mais fundo na compreensão em relação ao conceito de políticas públicas e como ele se rami�ca, até se tomar uma política pública de educação. Como vimos, as políticas públicas podem ser pensadas como a ação do Estado, de responsabilidade dele e que possibilita as transformações necessárias à sociedade. Sua atuação passa a ser baseada no ouvir a sociedade civil e regulamentar o que precisa ser modi�cado. Ela pode ter o caráter redistributivo, distributivo e regulatório, possibilitando a diminuição das desigualdades e injustiças sociais. As políticas públicas de educação são políticas voltadas para o âmbito escolar e acadêmico, resoluções que competem não apenas o ensino-aprendizagem, como também toda a estrutura física e legal que envolve o processo educativo. Podemos compreender, mesmo que de maneira sucinta, a trajetória das políticas públicas de educação no Brasil e perceber que elas não podem caminhar, senão atreladas às próprias conjunturas políticas, essas sendo dinâmicas, estão em eternas mudanças. Conclusão - Unidade 2 Assim, daremos continuidade a compreensão dessas políticas na atualidade e como elas vêm modi�cando as atuações governamentais sobre a educação brasileira, o que será que nos aguarda? Leitura Complementar Artigo: Políticas Públicas Educacionais: Apontamentos sobre o direito social da qualidade na educação. Autores: Cleide Simone Ferreira; Everton Neves dos Santos. “As Políticas Públicas Educacionais enquanto direcionadoras na construção de uma escola que oferece uma formação cidadã”, foi o tema debatido neste artigo. O objetivo foi analisar a importância das Políticas Públicas Educacionais, para quali�car a educação pública no Brasil, ampliando a qualidade do ensino fundamental. Para o alcance do objetivo traçado foi desenvolvida uma pesquisa bibliográ�ca com análise qualitativa, a qual permitiu a construção de considerações �nais, sem contudo, ousar o fechamento do assunto, que envolve-se num contexto de complexidade, necessitando o aporte do Direito. O estudo considerou na essência que a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente promulgado em 1990 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/1998, foram a base da construção do conceito de qualidade na educação enquanto direito social” ACESSAR http://www.periodicos.ufc.br/labor/article/view/6627 Livro Filme Unidade 3 Financiamento da educação brasileira AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Introdução Todas as vezes que conversamos sobre educação, é imprescindível pensarmos sobre como custeá-la e também de onde virão esses recursos. Por essa razão, essa unidade tem como prioridade a compreensão do que é �nanciamento para educação brasileira, qual sua importância e como ele tem sido pensado na atualidade. Assim, vamos propor um resgate histórico dos marcos regulatórios que determinaram e continuam a determinar qual o papel da União, Distrito Federal, Estados e Município no que compete o custeio da educação brasileira. É de suma importância analisar atentamente essa questão, pois se falarmos de qualidade e e�cácia da educação, as políticas públicas devem ser pensadas também mediante a ideia de valorização dos pro�ssionais da educação, assim como de tudo que cerca estruturalmente ensino e aprendizagem. Analisar a educação nacional é poder enxergá-la cercada de diferentes fatores que, conjugados, se tornam determinantes para o desenvolvimento de uma educação de qualidade e gratuita, que possa chegar a todos. O �nanciamento da educação revela não somente números, mas também a necessidade da equidade social para que o acesso não seja prejudicado por falta de recurso ou ainda pior, por falta de repasse de recursos. O fato é que os repasses para educação são tão importantes que muitos casos de corrupção, nos últimos anos, são resultados justamente da má administração desses recursos e quem tem a sofrer ainda mais é a população brasileira, que vê da janela de casa obras paradas, crianças nas ruas e, sem consciência, acreditam que não podem fazer nada. Por isso, desejo que sejamos capazes de compreender conceitualmente o que signi�ca o �nanciamento para educação e aplicar esse conhecimento na defesa de uma escola cada vez mais de qualidade e respeito que faz o uso dos recursos públicos de maneira consciente e necessária. Bons estudos! Financiamento da educação brasileira: o que é? AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Quando debatemos sobre a educação brasileira, devemos pensar em todos os aspectos que podem conduzi-la para sua melhor e�cácia. O sistema educacional brasileiro é complexo e isso se re�ete na capacidade de compreensão de todas as necessidades dele. Muitas vezes as pessoas, ao criticar a estrutura da educação no Brasil, se esquecem que ela não perpassa apenas pelo chão da escola e a atuação dos professores, mas que está se construindo de inúmeros detalhes, e um deles é a questão do �nanciamento. A�nal, de quem deve ser a responsabilidade �nanceira da educação? Como esses recursos são destinados? Qual a maneira de pensar sua aplicabilidade? Assim, quando falamos de �nanciamento da educação nacional estamos nos referindo ao uso e �scalização da aplicação dos recursos �nanceiros responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção da educação infantil, o ensino fundamental e ensino médio. No caso brasileiro, esse �nanciamento destinado à educação pública do Brasil, ocorre por meio de recursos advindos das três esferas de governo – Federal, Estadual e Municipal. É distribuída da seguinte maneira: educação infantil, tanto a oferta dessa modalidade quanto o �nanciamento são de responsabilidade municipal. Já ao que compete ao ensino médio, este é de responsabilidade estadual e do Distrito Federal. Por �m, o ensino fundamental, a oferta e os �nanciamentos são divididos em dois: municípios, estados e o Distrito Federal são responsáveis diretos, quanto à União cabe apenas o papel redistributivo e supletivo do �nanciamento. Assim, como toda a história da educação no Brasil está atrelada à própria história do desenvolvimento da sociedade brasileira, quando pensamos em �nanciamento também devemos pensar nas mudanças sócio-históricas como instrumentos de transformação na educação nacional. Os avanços datados dos últimos 30 anos nos auxiliam a perceber que sem um �nanciamento ancorado na distribuição de rendas da União, Estado, Municípios e o Distrito Federal, a educação no país ainda precisa de recursos adequados para seu funcionamento. São tão importantes esses recursos que, nos últimos anos, infelizmente, tivemos que acompanhar inúmeros casos de corrupção em relação aos desvios de verbas, justamente, da e para educação. Desvios esses que revelavam e ainda revelam grandes esquemas de lavagem de dinheiro, que prejudicam o andamentodas instituições de ensino. Foram muitas denúncias de desvios de verbas em relação à construção de prédios escolares, merendas e materiais didáticos. Os repasses de verbas são importantes porque muitas vezes pequenos municípios não conseguem manter as instituições de ensino sem esses recursos. Por isso, a junção de União, Estados, Municípios e Distrito Federal pode dizer a quem esses recursos deverão ser destinados e de que maneira eles serão melhor aplicados, ou seja, além do �nanciamento é muito importante que haja um controle de como será utilizado e se auxilia a cumprir as metas da educação a serem alcançadas. A falta de recursos implica na ausência de estruturas de ensino adequadas, alimentação para alunos e servidores, valorização e formação dos pro�ssionais na educação. Temos muitos exemplos de alunos e professores exercendo suas funções em lugares inimagináveis, sem água, luz, carteiras ou merendas. Essa realidade tão perversa ainda existe em nosso país, pois os recursos destinados, muitas vezes, nem chegam até esses lugares. Como sabemos, a corrupção que move o Brasil se dá através dos recursos públicos. Mas por que isso continua acontecendo? Infelizmente, a falta de uma educação política revela o quanto, na maioria das vezes, esses cidadãos prejudicados, não conseguem ter a capacidade de entender que precisam lutar por seus direitos. Continuaremos a�rmando que o entendimento político permite que as ações prometidas sejam cumpridas. Por isso que, ao entendermos o que cabe às instâncias governamentais, compreendemos também o quanto de direito e deveres compete a nós, mas em especial, nesse caso, ao Estado. Sendo o �nanciamento marcado também pela história de nosso país, veremos a seguir como essa história tem se desenrolado, principalmente após a Constituição de 1988. Aspectos históricos do �nanciamento da educação no Brasil AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Segundo Macedo e Dias (2011), é recente a história de �nanciamento das instituições de educação básica no Brasil. Mesmo que pensar a educação, como um todo, no país seja algo de caráter histórico, novamente, é inegável a a�rmação que, há pouco mais de 30 anos, isso vem se modi�cando e sendo efetivado no país. O fato é que as mudanças de caráter urbano, as novas atribuições às famílias e a chegada de cada vez mais mulheres ao mercado de trabalho vão revelando um novo panorama de necessidades sociais. Além disso, o mundo também está se transformando, nesse sentido, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, de 1959, e a Convenção Mundial dos Direitos da Criança, de 1989, vão determinar que o acesso à educação seja uma prioridade para o desenvolvimento infantil. Novamente, é muito importante ressaltar a importância da nova Constituição Federal, de 1988, como um marco regulatório de tudo que estamos desenvolvendo nos últimos anos. Impulsionados por ela, os movimentos sociais emergiram na década de 1990, cobrando do Estado que fossem cumpridos os direitos fundamentais para a educação infantil. Tudo vai culminar na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9394/96) que determinou à educação infantil um novo reconhecimento, assim ela passou a ser vista como a primeira etapa da educação básica. O fato é que essa mudança nada mais é do que o resultado da obrigatoriedade da educação posta na Constituição como indispensável para a formação de todos e essa especi�cação para educação básica nos mostra o quanto é importante de�nir ações particulares a cada nível de ensino no Brasil. A educação infantil veio de encontro com as necessidades sociais, a entrada cada vez maior de mulheres no mercado de trabalho possibilitou políticas públicas de educação, que fossem capazes de suprir as demandas apontadas por muitos movimentos sociais. Não sei se você sabe, mas as creches, por exemplo, é uma realidade muito recente. Por isso, ainda hoje, temos problemas com a quantidade de vagas e tudo mais. Muitas mulheres foram às ruas, na década de 1990, exigir do Estado a construção de espaços para educação infantil, pois isso daria a possibilidade de sua inserção no mercado de trabalho. Vamos ressaltar que a educação infantil é um direito da criança e precisa ser efetivada. Talvez, você deva estar se perguntando, mas a�nal o que, de fato, a Constituição e a LDB �zeram pelo �nanciamento da educação? No caso da Constituição de 1998, o percentual a ser aplicado na educação passou de 13 para 18% a ser retirado dos impostos: “A decisão de aumentar o percentual de aplicação mínima signi�cava uma medida política para que se cumprisse aquilo que estava anunciado na própria Carta no tocante à construção de uma educação pública de qualidade” (MACEDO; DIAS, 2011, p. 169). Além disso, a Constituição determinava que era necessária a elaboração, democraticamente, de um plano nacional de educação, já especi�cando a junção da União, Estado, Municípios e Distrito Federal para uma melhor articulação em todas as etapas de ensino. Nesse sentido, a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e da Valorização do Magistério (Fundef), lei n. 9.424/96 e pelo decreto n. 2.264/97, permitiu uma nova resolução e implementação de recursos para educação nacional: A nova lei alterou o artigo 60 da ADCT2, subvinculando 15% (60% dos 25%) da receita oriunda de impostos e transferências: ICMS, IPI Exportação, FPE, FPM e Compensação Financeira da lei complementar n. 87/96 (Lei Kandir), pelos estados e municípios, prioritariamente para o ensino fundamental e proporcional às respectivas matrículas neste nível de ensino (MACEDO; DIAS, 2011, p. 169). @jcomp em freepik Não somente a Constituição a�rmou as questões de �nanciamento, isso �cará ainda mais determinado com a LDB/96 (lei n. 9394/96) que manteve os percentuais já postos como necessários, ressaltando, em seu artigo 69, os valores a serem utilizados: Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), que deveriam ser de�nidos na CF, assim como nas leis orgânicas de Estados e Municípios (MACEDO; DIAS, 2011). Sem dúvida, a LDB/96 foi um marco para a regulamentação proposta pela CF/88. No que tange o �nanciamento educacional , ela pode expandir ainda mais os propósitos dos recursos e as metas a serem atingidas pela sua aplicabilidade. Um fato muito importante que você precisa compreender é que essas mudanças não são apenas de âmbito nacional, na verdade os interesses políticos da época, aliados a interesses internacionais, de órgãos e agências, também são responsáveis por essas transformações. Então, não acredito que elas foram pensadas apenas em favor da questão pública, mas são re�exos de toda uma política internacional que via em países da América Latina, espaços para aplicabilidade de suas propostas políticas. Muitas delas fora da nossa realidade. Assim, o FUNDEF surge como uma proposta de �nanciamento que vem para revolucionar o que tínhamos até então, mas sua concretização vai esbarrar em necessidades muito particulares da realidade de Estado e Municípios e é nisso que as políticas públicas de educação precisam estar atentas. Em relação à qualidade dos serviços prestados à população de 0 a 5 anos de idade, até 2007 os sistemas municipais não tinham recursos vinculados para manterem adequadamente e ampliarem a educação infantil. Sendo assim, com algumas exceções, não houve uma melhoria no atendimento, sobretudo no tocante às creches, mas apenas uma mudança de sistema/órgão. Neste caso, as creches continuam funcionando de forma precária no Brasil, sobretudo nas regiões mais pobres do país, onde a grande maioria dos municípios sobrevive do repasse de verbas federais, como o Fundo de Participação dos Municípios (MACEDO; DIAS, 2011, p.175). Diante dessa realidade, em 2007, percebendo a necessidade de uma mudança de ação, o governo federal criou o Fundeb, que ampliou sua ação ao incluir as creches, mas também precisou repensar a formação e a valorização de professores para a educação infantil. Mas, qual a diferença do Fundef para o Fundeb? Fundeb - Fundo de manutençãoe desenvolvimento da educação básica e valorização dos pro�ssionais da educação AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Segundo o portal do MEC (BRASIL, 2017, on-line), é possível entender o Fundeb da seguinte maneira: [...] é um fundo especial, de natureza contábil e de âmbito estadual (um fundo por estado e Distrito Federal, num total de vinte e sete fundos), formado, na quase totalidade, por recursos provenientes dos impostos e transferências dos estados, Distrito Federal e municípios, vinculados à educação por força do disposto no art. 212 da Constituição Federal. Além disso, o Fundeb possibilita uma complementação com recursos federais aos Estados que não alcançarem, por aluno, o valor mínimo instituído nacionalmente. Vale ressaltar ainda que, independentemente da origem, todo recurso deve ser redistribuído sempre para educação básica. Outro dado importante, no portal do MEC (BRASIL, 2017, on-line), é que: O aporte de recursos do governo federal ao Fundeb, de R$ 2 bilhões em 2007, aumentou para R$ municípios (FPM, FPE, ICMS, IPIEXP), no Fundeb ele aumentou para 20% e incluiu outros impostos forma ilícitos nos repasses como: ITCMD, IPVA, IRmun, IRest, ITR). Com uma participação maior de recursos vindo da União, esperava-se que houvesse uma maior redução das desigualdades regionais. Assim, se antes a União estava comprometida com apenas 2% de repasse de recursos, após a instalação do Fundeb essa margem foi elevada para 10%, o que permitiu gerar as condições necessárias para a instalação, por exemplo, do piso salarial nacional para os professores e todos aqueles envolvidos na educação. Antecipando o que veremos na próxima unidade, essa elevação de recursos destinados à valorização do pro�ssional da educação contribuiria para uma nova maneira de se tratar esse tipo de pro�ssional. Pensando em plano de carreira e oportunizando uma formação contínua e continuada, isso também incidiria na qualidade da educação brasileira. O fato é que o Fundeb, ao substituir o Fundef, deu uma nova face aos recursos destinados à educação e como eles seriam pensados de maneira mais especí�ca, as particularidades regionais de um país tão imenso quanto o nosso. Você já deve ter entendido que ao se fazer uma política pública, seja ela de que caráter for, é muito importante que haja o conhecimento real das necessidades, se isso não ocorre, as distorções são realizadas da maneira mais cruel possível, tirando daqueles que precisam o auxílio necessário para o seu desenvolvimento. Nesse sentido, será que você já parou para pensar o impacto de se atrelar, por exemplo, o bolsa família à educação? A reparação histórica por meio das cotas raciais para as universidades? Os programas governamentais como SISU, PROUNI, FIES? Pois bem, te convido a investigar mais de perto essas políticas públicas, programas e ações para perceber que em suas particularidades, elas são extremamente importantes para o desenvolvimento do país. Lima (2015), ressalta que, embora uma novidade e ação expressiva, a maneira como o Fundeb foi criado não agradou a todos, principalmente porque, mesmo que ele tivesse o propósito a uma maneira sistêmica de pensar a educação, o que competia à educação infantil de 0 a 3 anos, as creches e todo o auxílio necessário para essa faixa etária �cou de fora desse documento. Entende-se que essa faixa etária cabe aos municípios a responsabilidade, porém, dentro da demanda crescente dos últimos anos, é perceptível que muitas cidades não deram conta de absorver o contingente existente. Talvez você more ou até mesmo conheça lugares em que há �las gigantescas de espera para a matrícula em creche ou Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), não é mesmo? Pois bem, se faz necessário repensar, nesse momento, a abrangência, mais uma vez, do Fundeb. Fundeb - Fundo de manutenção e desenvolvimento da educação básica e valorização dos pro�ssionais da educação - atualidade AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Quando pensamos no Fundeb, mesmo que de maneira sucinta, a re�exão vai se estendendo por vários campos. Podemos pensar em arrecadação, repasse, responsabilidades governamentais, valorização dos pro�ssionais da educação, mudanças do cenário nacional da educação. Esse tipo de política pública permite pensar não somente o �nanciamento, mas todos os caminhos que levam até ele e como está sendo pensado e percorrido. Parece imperdoável ver a mudança do Fundef para o Fundeb e mesmo assim não termos recursos necessários, por exemplo, para incluir a educação de crianças de 0 a 3 anos. Bom, mas isso está com os dias contados para mudar. Devemos ressaltar que o Fundeb, dessa maneira como vemos, precisou ser repensado, substituído ou melhorado até dezembro de 2020. Esse é o prazo vigente desde seu início em 2007. Desde 2015 está em tramitação no Congresso Nacional a PEC 015/15, que tem por objetivo tornar o Fundeb permanente, os que defendem sua continuidade de maneira �xa, acreditam que a continuidade e o aprimoramento dessa política de educação venham a colaborar para o fortalecimento e uma maior equidade educacional. A importância da manutenção e expansão do Fundeb é tamanha que muitos órgãos da sociedade civil têm se unido em nome desse debate. Isso porque, ao se aproximar a data de sua expiração, espera-se que o governo federal possa dialogar com todos os setores da sociedade para uma melhor resolução. Nesse sentido, destacamos o movimento Todos pela Educação, descrito como uma “organização da sociedade civil, sem �ns lucrativos, plural e suprapartidária”. Tem como objetivo, através da educação básica de qualidade e equidade, transformar o país. Por isso, acredita que o diálogo para o avanço das políticas públicas educacionais exige urgência. Para o Todos pela Educação, o debate e a aprovação da PEC 015/15 são muito importantes e devem ter como base quatro pontos: Mais seguro: que seja permanente na Constituição Federal; Mais justo e mais redistributivo: bene�ciando quem tem menos recursos; Mais e�ciente: com a correção de todas as distorções no atual modelo; Maior: com aumento da complementação da União. Ao re�etir sobre a PEC 015/15, as principais modi�cações propostas estão ancoradas nas noções de “proibição de retrocesso” na política pública e de “planejamento social” na Constituição, propõe ainda a inclusão de outras fontes de recursos, como também o aumento do repasse da União para os estados. Caso essa PEC seja aprovada, as mudanças que ocorreram aproximaram ainda mais a sociedade civil de todo o processo de seu planejamento, cabendo também a ela, re�etir, discutir, �scalizar e avaliar as ações do Fundeb à luz da realidade e dos resultados obtidos. Rea�rmando a importância dessa emenda constitucional, torna-se uma política pública permanente e de caráter de Estado, não podendo ser negada por nenhum governo, �xada de maneira legal, se assegura que ela não venha a ser substituída no futuro por “caprichos governamentais”, assim �cará garantido o direito social à educação. Por �m, ao aumento progressivo dos percentuais de recursos a serem destinados à educação, assim como a inclusão de outras fontes de recursos deverão garantir a e�cácia cada vez maior do fundo para a transformação da educação básica de qualidade e de equidade social. Podemos perceber que o processo de diálogo em 2020 deve ser acelerado, a�nal para muitos especialistas, pesquisadores e participantes da sociedade civil seria um retrocesso não concretizar a permanência do Fundeb, depois de mais de uma década de seu surgimento. Talvez você esteja se perguntando, mas, a�nal, o que de fato o Fundeb �nancia? Bom, segundo o jornal Nexo (VICK, 2019), o recurso advindo do Fundeb, deve ser utilizado para o �nanciamento de todos os níveis da educação básica, de diferentes etapas e modalidades. Além disso, pelo menos 60% de toda a arrecadação deve ser aplicada a salários de professores ativos da rede pública. Pode ser usado no pagamento de outros pro�ssionais da educação, no transporte escolar, material didático, reformas ou construçõesde novas escolas. Entretanto, esse fundo não deve ser utilizado no pagamento da alimentação escolar, muito menos para pro�ssionais da educação que não estejam exercendo suas funções dentro das escolas ou para remunerar pro�ssionais da área de educação que não estejam trabalhando em escolas. O fato é que todas as proibições estão claras e descritas no artigo 71 da LDB. Vale lembrar que, por estar vinculado à arrecadação tributária, cada ano o valor do Fundeb pode variar, assim quando a nossa economia não “vai bem”, os recursos são menores, caso aumente, os recursos também serão maiores. Por isso é que a cada ano o governo estabelece ou repensa o valor de cada aluno de escola pública, tudo está baseado não apenas na educação em si, mas atrelado também a questões econômicas do país. Dessa forma, a nossa missão, como futuros e pro�ssionais da educação, é estarmos atentos a todas as propostas e mudanças que vão se desenrolar em 2020 e que poderão atingir positiva e negativamente o trabalho docente e todas as suas implicações no que compete à escola no Brasil. A�nal, já dizia Gilberto Gil e Caetano Veloso, na canção Divino Maravilhoso: “É preciso estar atento e forte”. Somos cidadãos e tudo deve perpassar por nossas percepções, interesses e perspectivas no que compete às ações dos Estados, Municípios e da União. SAIBA MAIS Em 2020 pode ser o último ano do Fundeb, para que isso não ocorra, a sociedade civil tem se mobilizado, um desses movimentos sociais é marcado pelo “Todos Pela Educação”. Em seu portal on-line, você poderá acessar e conhecer como pensam e quem são esses cidadãos preocupados com o futuro da educação nacional. Qual seria a proposta deles em relação ao �nanciamento da educação? Para saber um pouco mais, você pode acessar o link: ACESSAR REFLITA O valor mínimo nacional por aluno/ano dos anos iniciais do ensino fundamental urbano foi estimado para 2019 em R$ 3.238,52, correspondendo a um aumento de 6,2% em relação ao estimado para 2018, que foi de R$ 3.048,73. Por que ainda possuímos falta de escolas e de uma educação de qualidade para todos? Fonte: a autora. https://todospelaeducacao.org.br/pag/educacaoja-financiamento Quando re�etimos sobre a educação, são tantos pontos a serem debatidos, discutidos, avaliados e pensados, que acabamos nos envolvendo sempre um pouco mais em todas as suas nuances. Talvez por isso seja tão desa�ador quando nos propomos a entendê-la para além da sala de aula e dos muros escolares. Não que esses dois lugares não sejam importantes e carentes de todas as re�exões possíveis, mas ir além é poder perceber até como eles próprios são construídos. O que foi proposto para essa unidade era nos atentarmos para o �nanciamento da educação brasileira, como ele ocorre e está sendo pensado. Já estamos cientes que todo tipo de resolução que compete à educação vem acompanhado dos tramites legais, como também as questões históricas e governamentais. Assim, não podemos ser ingênuos em acreditar que todas as decisões não possam ser baseadas nos interesses de cada época, que podem ser marcados, por exemplo, pela inserção dos órgãos e das agências internacionais, in�uenciando, dessa maneira, em como as ações serão conduzidas. Vimos também como a mudança do Fundef para o Fundeb teve um impacto muito grande em nossa educação nos últimos anos. Mesmo sendo passivo de críticas, o Fundeb é defendido por especialistas e pela sociedade civil como uma política pública importante para o funcionamento da educação nacional com o objetivo de torná-la ainda mais de qualidade, sendo capaz de promover uma equidade social. Por isso, o Fundeb deve ser pensado por meio das especi�cidades regionais, onde houver mais necessidades de recursos cabe à União fazer um repasse maior de verbas, proporcionando, assim que haja, uma equiparação de valores necessários para cada caso. Entendendo a importância do Fundeb, compreendemos também que 2020 é um ano decisivo para o seu funcionamento, como também para o seu aperfeiçoamento. O movimento Todos Pela Educação nos mostrou como a sociedade civil organizada prioriza o debate sobre o Fundeb e espera ser ouvida pelo governo. Nesse momento, o que todos desejam é que a PEC 015/15 possa ser aprovada, com isso, uma emenda Conclusão - Unidade 3 constitucional será criada, o que proporcionará tornar o Fundeb um fundo permanente de recursos para educação brasileira, independentemente de qualquer governo. Tornando-se uma política de Estado. Leitura Complementar MACHADO, Denise Lenise. Financiamento da educação- Fundeb: Uma análise sobre os investimentos na educação. ACESSAR Livro https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/23762_12134.pdf Filme Unidade 4 Pro�ssionais da educação básica AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Introdução Para �nalizar as nossas discussões, vamos conversar sobre a importância da formação e da valorização dos pro�ssionais da educação. Por meio da análise de importantes documentos de políticas públicas educacionais que remetem a essa questão, ainda tão debatida atualmente. Será que todos os professores deveriam ter um teto salarial? Ter rendimentos que pudessem permitir que eles trabalhassem apenas em uma instituição? Como deveria ser pensado o plano de carreira para essa categoria? Bom, sempre que falamos em qualidade de educação, temos a tendência de pensar apenas no desenvolvimento dos alunos. Você já deve ter escutado muitas vezes que as notas baixas e uma educação tão precária deve ser culpa do professor, não é mesmo? Pois bem, a culpa não pode ser atribuída apenas ao professor, mas ela precisa ser debatida em prol de que todos os envolvidos possam se responsabilizar pela formação tanto de alunos, como também de professores. Por essa razão, vamos debater um pouco sobre qual a importância da formação contínua e continuada do professor e também de sua valorização como um pro�ssional necessário para todo o desenvolvimento da educação. Não é de hoje que ouvimos e vemos relatos na televisão, redes sociais e em outros veículos de comunicação que chamam a atenção para a precarização do trabalho do professor. Muitas vezes esse pro�ssional exerce sua função sem uma formação adequada e recebendo honorários que não permitem que possa investir em seu saber. Algumas situações nos mostram como o professor utiliza até mesmo de sua renda pessoal para manter os alunos em sala de aula, seja comprando materiais escolares, alimentos e água potável. A precariedade da educação no Brasil ainda pode ser sentida em muitos Estados e Municípios. Em consequência disso, vários pro�ssionais da educação, para exercer a sua função, precisam ir além da sala de aula. Chamados muitas vezes de heróis ou heroínas, o que eles querem de verdade é apenas exercer a sua função, tendo, no Estado, a segurança necessária para exercê-la, em nome de alunos e alunas que, sem educação, não podem vislumbrar nenhum tipo de futuro social, a não ser o da vivência de uma sociedade sem futuro. Continuamos defendendo que o futuro para um país próspero, perpassa, antes de tudo, pela educação de qualidade, responsável e valorizada. Bons Estudos!! Professor ou professora: quem é você? AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Ser professor é um ato de coragem? Por que será que muitas vezes quando dissemos que somos ou estamos nos formando para sermos professores, alguém sempre diz que é uma pro�ssão que exige coragem? Todas as vezes que ouço isso, quase me imagino como uma super-heroína dos desenhos em quadrinhos ou uma bombeira em meio a situações de risco, de vida ou morte. Penso que chamar a gente de herói é uma forma que a sociedade encontrou de nos dizer que é uma pro�ssão que aquele ou aquela que a escolheu precisa estar disponível a qualquer tipo de situação. Mas será que é isso mesmo? Não podemos admitir que a nossa situação é só essa e pronto. Uma pro�ssional muitas vezes mal remunerada e valorizada. “É uma pro�ssão ‘bonita’, mas eu jamais seria professor”, não é isso que ouvimos muitas vezes em roda de conversas de amigos ou almoços familiares?É, nossa pro�ssão passa por uma desvalorização que esbarra em questões �nanceiras, assim como em fatores sociais e culturais, ainda muito enraizados. Um dos educadores brasileiros mais importantes da história da educação do Brasil, Paulo Freire, diz em sua obra Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa (2017, p. 47), que “Ensinar não é transferir conhecimento”. O que ele queria dizer com isso? Bom, para esse exemplar educador, o ato de ensinar deveria ser a abertura de um mundo no qual os alunos pudessem criar e produzir seu próprio conhecimento, tendo o auxílio necessário para o desenvolvimento de sua criatividade e também criticidade. Paulo Freire nos inspira a pensar em que tipo de educador ou educadora decidimos ser ao adentrarmos em sala de aula. Como devemos pensar a nossa atuação e ação e até mesmo como sermos críticos em relação às práticas pedagógicas que desenvolvemos em sala de aula. São tantas obras importantes que esse educador nos deixou que �ca difícil pensar somente em uma. Assim, nossas discussões neste tópico estão pautadas tanto na obra já citada, Pedagogia da Autonomia (2017), quanto no livro Pedagogia do Oprimido (2018). É muito importante que a gente reconheça a necessidade do nosso papel como educador e como ele é indispensável para o desenvolvimento da sociedade. Para isso, Freire defendia que a educação não deveria ser do tipo “Bancária”, mas sim “Libertadora”. Ao discorrer sobre uma Educação Bancária, em Pedagogia do Oprimido (2018), o educador debate sobre a maneira como a educação brasileira estava pautada em meados das décadas de 1950-1960. Ele nos mostra que o ato de o professor se considerar apenas o detentor do saber, de não dialogar com os alunos e nem de conhecer sua realidade, permitia um tipo de educação que apenas depositava conhecimento na cabeça dos alunos, estes deveriam apenas memorizar o conteúdo programático, sem questionamentos ou dúvidas. A Educação Bancária era realizada apenas entre aquele que sabia e o que não sabia, que era o pensador e o que o pensado, o que conhecia tudo e o que não conhecia nada. Assim, o professor era o “ser supremo”. Para romper com esse tipo de educação tida, até então, como tradicional, Paulo Freire propôs uma Educação Libertadora, baseada na Pedagogia do Oprimido. [...] aquela que tem de ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação da humanidade. Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objeto de re�exão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por uma libertação, em que essa pedagogia se fará e refará (FREIRE, 2018, p. 43). Esse tipo de educação nos apresenta uma nova maneira de estabelecer relação entre o professor e os alunos, ela se baseia na participação tanto do educador como do educando em todo o processo de formação. Responsabilizando, assim, a todos para o desenvolvimento de um tipo de ensino-aprendizagem que tem como meio a interação com a realidade de cada indivíduo, a valorização de múltiplos saberes, a indagação e a curiosidade como ferramentas do conhecimento. Sendo proposta dessa maneira, é muito importante a gente pensar que tipo de professor Paulo Freire acredita ser necessário para o exercício de uma educação que liberte a mente e incentive a nossa capacidade criativa, questionadora e crítica. O que o educador defende é uma educação que possa ter sentido e signi�cado, ao ponto que mostre ao aluno como ele faz parte de todo o processo educacional e, mais do que isso, que tudo aquilo que ele já sabe também passa a ser valorizado como um conhecimento necessário para sua formação. Assim, o educador que se propõe a promover um ensino-aprendizagem libertador, entende que precisa estar sempre à disposição do seu aluno, estabelecendo com ele uma relação de amorosidade, bom senso, responsabilidade, liberdade e ética. Falando em ação, é muito importante que o professor se paute na ética e no bom senso, dizer e fazer devem estar correlacionados. O professor que dá exemplo de conduta é aquele que, em sua fala, realiza aquilo que faz e vice-versa. Por isso, o professor precisa estar atento e ser sempre sincero. Além disso, o professor deve conhecer a sua sala de aula, para ensinar precisa ouvir, silenciar e saber falar quando necessário. Freire (2017) nos ensina que todo professor deixa marcas em seus alunos, algumas podem ser positivas e outras negativas. Com certeza você se lembra de algum professor, não é mesmo? Pois bem, ao nos tornarmos professores precisamos saber que tipo de marcas queremos deixar. Outra coisa muito importante para esse educador é que a sala de aula deve ser um lugar de liberdade e também de autoridade. Liberdade, para ele, não signi�ca indisciplina e autoridade, muito menos autoritarismo, por isso é necessário um equilíbrio nas relações, a verdade e a conscientização dos indivíduos. Ainda como professores libertários, críticos, democráticos e conscientes, devemos promover uma aula que impeça a manifestação de atos discriminatórios e preconceituosos. Faz-se necessário que o professor entenda que ele se move como gente e que fala, atua para gente, assim ele precisa gostar de ser e de estar com gente, senão transformará sua sala de aula em um lugar que possa ser habitado apenas por um tipo especí�co de pessoas. @jcomp em freepik Paulo Freire (2017) nos ajuda a re�etir sobre o papel do professor e quais devem ser as bases para a construção de sua ação em sala de aula. É muito importante, para o educador que possa gerar con�ança e segurança ao aluno, assim, este pode compartilhar seus saberes e suas angústias em relação ao mundo e a sua própria realidade. Essa relação só poderá ser possível se o professor estiver aberto ao diálogo e também a se mostrar ao aluno. Freire não defende uma “amizade” sem respeito ou responsabilidades entre professor e aluno, mas a�rma a necessidade de o aluno também conhecer o professor, sua maneira de pensar e agir . Paulo Freire nos ensina que, para ser professor, é preciso rigorosidade metódica, pesquisar, estudar e ir além do que já se sabe. É entender a máxima do �lósofo Sócrates que diz: “Só sei que nada sei”, por isso nunca deixar de aprender. Por �m, ao pensar na relação entre professor e aluno, Paulo Freire nos ensina que é necessário querermos bem ao próximo, saber ouvir, estarmos dispostos ao diálogo, entender as situações, debater, gerar con�ito, repensar atitudes e ações. Diante de tudo isso, o professor também precisa ter consciência que faz parte de uma categoria pro�ssional que está em permanente luta, seus alunos precisam saber por que ele luta para que sejam capazes de compreender a complexidade de ser um professor, em um país que nos valoriza, tanto �nanceiramente como simbolicamente, tão pouco. O herói ou a heroína nacional necessita de condições dignas de trabalho para viver em sociedade. Será que os governantes têm pensado nisso??? Políticas da formação e valorização do professor - um breve histórico AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Segundo o documento o�cial do MEC (BRASIL, 2019), atualizado em 18 de setembro de 2019, sobre as políticas públicas de formação e valorização do professor, é possível a�rmar que nos últimos 30 anos muitas resoluções, decretos e normativas foram realizadas em prol dessa temática. Sendo �el ao documento, o que você irá ler a partir desse momento está descrito, na íntegra, no Relatório entregue pelo MEC e disponível em sua página, na internet, para consulta pública. Por se tratar de dados históricos, considero pertinente que ele possa ser reproduzido aqui em sua totalidade. Assim, torna-se possível re�etir como o próprio MEC entende e reconhece a importância da trajetória histórica dessas políticas. Vamos conhecê-la, então? Como vimos, anteriormente, a Constituição Federal de 1988 foi um marco decisório para o desenvolvimento das políticas públicas de educação no país. Destacamos o Art. 205, que de�niu a educação como um direito de todos, um dever do Estado e da família, essencialpara formação para cidadania e o mercado de trabalho. Destacam-se na década de 1990: A década de 2000 e a mudança governamental acentuaram ainda mais as mudanças. Foram criados nesse período: Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, alterando dispositivos da Lei nº 4.024/1961, que criou o Conselho Nacional de Educação - Educação básica e Superior; Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, de�niu novas Diretrizes e Bases da Educação Nacional, com fundamento no Inciso XXIV do 22 da Constituição Federal, enfatizando, no § 2º do seu art. 1º, que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”, bem como ressaltando, em seu Art. 67, que “os Sistemas de Ensino promoverão a 114 valorização dos Pro�ssionais da Educação [...]”; Resolução CNE/CEB nº 3/1998 das Diretrizes Curriculares Nacionais Para O Ensino Médio. O primeiro Plano Nacional de Educação, aprovado pela Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 117 2001, objetivou a concretização dos preceitos constitucionais sobre o Direito à Educação, “em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos”, nos termos do §1º do Art. 87 da 119 LDB, contemplando dispositivos sobre a inclusão de capítulos especí�cos sobre o magistério da educação básica e sobre a educação a distância e novas tecnologias, incidindo diretamente na formação de professores. Fóruns das Licenciaturas se constituíram como importantes espaços de debates nas universidades para discutir políticas de expansão e projetos pedagógicos articulados para as licenciaturas. A Rede Nacional de Formação Continuada foi criada em 2004, pelo MEC, visando a criação de uma maior organicidade entre os programas e os gestores responsáveis pelas políticas de formação continuada. Programas de apoio à formação docente foram instituídos, merecendo destaque o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), e o Programa de Consolidação das licenciaturas (Prodocência), além do apoio dado a cursos de segunda licenciatura e cursos experimentais destinados à formação de professores direcionados à educação do campo e indígena. A Comissão Bicameral foi criada no âmbito do CNE para tratar das normas e diretrizes para a formação de pro�ssionais do magistério da educação básica. Entre 2012 e 2014, em particular, importantes debates e apresentações de estudos foram realizados, reunindo importantes subsídios no âmbito das políticas e experiências internacionais para a formação de professores, que culminaram com a Resolução CNE/CP N o 137 02/2015. Conae(s) 2010 e 2014 apresentaram importantes contribuições: vale aqui registrar os documentos produzidos nas Conferências Nacionais de Educação de 2010 e 2014 sobre formação inicial e continuada de professores rea�rmando a necessidade de vinculá- la ao conjunto de esforços no campo pleno da valorização do magistério. DCNs para o curso de Pedagogia representa novo marco normativo: trazendo inovações importantes para a formação de professores. Merece ser ressaltada, ainda, a amplitude da perspectiva formativa proposta por essas Diretrizes Curriculares ao prever que, para o curso de Pedagogia, aplicam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, e em cursos de Educação Pro�ssional na área de serviços e apoio escolar, bem como em A partir de 2010, a participação do Estado para as políticas pública de educação continuou a ser tratada como uma prioridade. Vamos entender o que mais foi instituído: outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. Rede Federal de Educação Pro�ssional, Cientí�ca e Tecnológica e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia: conforme está posto na Resolução CNE/CP N o 150 02/15, a partir 4 de 2008, intensi�ca-se a ampliação das ações formadoras com a instituição da Rede Federal de 152 Educação Pro�ssional, Cientí�ca e Tecnológica e a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008), indicando que a expansão de cursos dessas Instituições Educacionais deveria reservar 20% (vinte por cento) das vagas para cursos de licenciaturas, especialmente em cursos da área de ciências de modo a enfrentar a falta de 156 professores nessas áreas da Educação Básica. Lei do FUNDEB e Lei do Piso Salarial: deram organicidade às políticas de valorização dos pro�ssionais do magistério, mediante a Lei nº 11.494/2007, que instituiu o Fundo de Manutenção 159 e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Pro�ssionais da Educação – Fundeb, bem como a Lei nº 11.738/2008, que instituiu o Piso Salarial Nacional dos Pro�ssionais do Magistério da Educação Básica. Decreto nº 6.755/2009: instituiu a Política Nacional da Formação de Pro�ssionais do Magistério da Educação Básica e disciplinou a atuação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes no fomento a programas orientados para a formação inicial e continuada de Professores da Educação Básica. Portaria MEC nº 1.087/2011: institui o Comitê Gestor da Política Nacional de Formação Inicial e Continuada de Pro�ssionais da Educação Básica, responsável pela formulação, coordenação e avaliação das ações e programas do MEC, Capes e FNDE, no âmbito da Política Nacional de Formação de Pro�ssionais da Educação Básica. Portaria MEC nº 1.328/2011: conforme está posto na Resolução CNE/CP No 02/15, esta Portaria formaliza a “Rede Nacional da Formação Continuada dos Pro�ssionais do Magistério da Educação Básica Pública”, de modo a apoiar as ações destinadas à formação continuada de pro�ssionais do magistério da educação básica e em atendimento às demandas da formação continuada, tal qual formuladas nos planos estratégicos de que tratam os artigos 4º, 5º, e 6º do Decreto nº 6.755, de 29 de janeiro de 2009. Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024: que dedica quatro (15, 16, 17 e 18) das suas 20 metas à valorização dos pro�ssionais do magistério e à formação inicial e continuada de docentes. Porém, mais do que isso, este PNE, inaugura um novo tempo para as políticas educacionais brasileiras, dando diretrizes claras para tais políticas mediante dez Incisos do Artigo 2°, e que merecem aqui ser explicitados: I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação; IV - melhoria da qualidade da educação; V - formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade; VI - promoção do princípio da gestão democrática da educação pública; VII - promoção humanística, cientí�ca, cultural e tecnológica do País; VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do Produto Interno Bruto - PIB, que assegure atendimento às necessidades de expansão, com padrão de qualidade e equidade; IX - valorização dos(as) pro�ssionais da educação; X - promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental. Fóruns Estaduais e Distrital Permanentes de Apoio à Formação dos Pro�ssionais da Educação Básica: dentre outras responsabilidades destaca-se aquela relativa à formulação e pactuação de planos estratégicos que contemplam diagnóstico da formação inicial e continuada de professores. Decreto nº 8.752 de 09 de maio de 2016 que dispõe sobre a Política Nacional de Formação dos Pro�ssionais da Educação Básica. É muito importante destacar que entre todos esses documentos, decretos e leis destacados de cada período histórico, dos últimos 30 anos, que dois estão em destaque para a continuidade da década de 2020. São eles o Plano Nacional de Educação, vigência - 2014-2024 e a Base Nacional Comum Curricular - 2018. Vamos ver como esses dois documentos lidam com a questão da formação docente?PNE e a formação / valorização docente AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Pensar uma política pública de valorização e formação docente é compreender que a partir do momento em que os pro�ssionais da educação – pedagogos, educadores e professores – tiverem acesso às ferramentas para quali�cação e formação contínua e continuada, poderão promover uma educação emancipadora. Compreendendo a educação básica e a escola pública como cenário ideal para atuação desses pro�ssionais de maneira mais crítica e e�caz, baseado na presença da União, Estado e Municípios, por meio de subsídios necessários para a ascensão teórica e �nanceira desses pro�ssionais. Nesse sentido, Visando atender as mais diversas demandas educacionais, o PNE em vigência precisa ser sempre re�etido e compreendido se suas metas estão ou não cumpridas. Percebemos que os novos cenários políticos, a partir de 2016, com o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, têm trazido à tona novas resoluções e até mesmo o congelamento das ações relacionadas à educação nacional e isso tem prejudicado o andamento do PNE. Atualmente, muitas medidas propostas pelo PNE estão paralisadas, assim como inúmeras demandas do MEC, que, em 2019, passou por mudanças de Ministros e corpo administrativo duas vezes. É inegável que existe um cenário muito preocupante para a educação brasileira. Os olhos do Estado voltaram-se para as discussões em nível do Ensino Superior, o programa Future-se foi o contemplado do ano de 2019, enquanto as questões da educação básica e da escola pública �caram à margem. Mesmo assim, é muito importante ressaltar, que o PNE está em vigor até o ano de 2024. Mais uma vez, devemos a�rmar que ele não é uma política que deve ser vista apenas como de governo, mas sim de Estado, por isso, deve ser continuada e realizada, independente do partido que está no poder. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pela Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, constitui um marco fundamental para as políticas públicas brasileiras. Suas 20 metas conferiram ao País um horizonte para o qual os esforços dos entes federativos e da sociedade civil devem convergir com a �nalidade de consolidar um sistema educacional capaz de concretizar o direito à educação em sua integralidade, dissolvendo as barreiras para o acesso e a permanência, reduzindo as desigualdades, promovendo os direitos humanos e garantindo a formação para o trabalho e para o exercício autônomo da cidadania (BRASIL, 2015, p. 11). Em relação às questões voltadas aos pro�ssionais da educação, o documento traz nas metas 15, 16, 17 e 18 os “caminhos” necessários para a valorização. Convido você a conhecer essas metas e re�etir sobre elas, pensando em todo o contexto histórico e educacional que estamos vivendo e se elas estão ou não sendo cumpridas. Vamos lá? Novamente, optamos por transcrever o que o PNE traz em sua íntegra para que nada seja entendido senão pela forma como o documento foi redigido e se encontrou em vigência. META 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos pro�ssionais da educação que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 6 da Lei Nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, assegurando que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação especí�ca de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. Essa meta nos ajuda a re�etir sobre a necessidade de que possam atuar em sala de aula, aqueles professores que possuam uma formação adequada para o exercício de sua função. No documento do PNE, estão detalhadas as áreas que hoje necessitam cada vez mais de pro�ssionais, as regiões do país que mais possuem ou não pro�ssionais quali�cados. Nesse sentido, somos um país que ainda possui, em sala de aula e escolas, pro�ssionais com pouca formação superior e esse é dos elementos que precisam ser modi�cados. META 16: Formar, em nível de pós-graduação, 50% dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos (as) os (as) pro�ssionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino. É muito importante que o professor tenha o direito e incentivos para continuar O PNE tem como pressuposto que os avanços no campo educacional devem redundar no fortalecimento das instituições (escolas, universidades, institutos de ensino pro�ssionalizante, secretarias de educação, entre outras) e de instâncias de participação e controle social. Isso se materializa em suas estratégias, que demandam ações provenientes de estados, municípios e da União, atuando de forma conjunta para a consolidação do Sistema Nacional de Educação (BRASIL, 2015, p. 16). a estudar. Sabemos que estar em sala de aula não é uma tarefa fácil e nem muito menos estática. Oportunizar que os pro�ssionais da educação possam aprender e conhecer cada vez mais é uma necessidade para que os saberes sejam a todo momento renovados. META 17: Valorizar os (as) pro�ssionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos (as) demais pro�ssionais com escolaridade equivalente, até o �nal do sexto ano de vigência deste PNE. A valorização dos pro�ssionais do magistério sempre esteve em pauta nas mais diferentes propostas de políticas públicas de educação, isso porque é de entendimento de todos os baixos salários recebidos por professores em diferentes Estados e Municípios brasileiros. Assim como é necessária a criação de um plano de carreira que possibilite uma renda mais justa para aqueles que tiveram uma formação maior. No caso, se as metas 15 e 16 forem cumpridas, o salário poderá ser equiparado para todos. Do contrário, ainda existem pro�ssionais mais quali�cados que outros. O piso salarial, instituído pela Lei no 11.738, de 16 de julho de 2008, deve entrar em vigor em 2020, o que você tem acompanhado sobre esse assunto? META 18: Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os (as) pro�ssionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos (as) pro�ssionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional pro�ssional, de�nido por Lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal. A meta 18 acentua ainda mais a importância tanto da educação continuada como do piso salarial, a combinação dessas duas ações permitirá que os pro�ssionais da educação possam ter uma valorização mais digna. Nesse sentido, e para �nalizar esse tópico, espero que você tenha conseguido perceber que uma meta não pode funcionar sem o cumprimento da outra e isso é muito signi�cativo, já que se faz necessário que as resoluções sobre a valorização de professores sejam combinadas e realizadas de maneira conjunta, União, Distrito Federal, Estados e Municípios precisam pensar juntos a questão de como �nanciar essa valorização e como subsidiar as ações necessárias para uma formação cada vez mais quali�cada de pedagogos, educadores e professores da rede básica de ensino do país. BNCC e a formação de professores AUTORIA Renata Oliveira dos Santos Chegamos ao �nal de nossa disciplina e também de discussões pertinentes sobre as políticas públicas de educação e sua trajetória histórica, social e cultural no Brasil. Para encerrarmos nossos estudos vamos conhecer um pouco mais sobre a Base Nacional Comum Curricular, conhecida como BNCC. Aliás, você já ouviu falar da BNCC? Há quem acredite que a BNCC é uma criação recente, mais especi�camente, do governo Michel Temer, porém quando nos debruçamos sobre os documentos de educação, constatamos que ela está presente há muito tempo no horizonte das mudanças educacionais no país. Ela já estava prevista tanto na Constituição, de 1988, quanto na LDB, de 1996. Mas, a�nal, o que é a BNCC? Bom, a Base NacionalComum Curricular é um documento que determina os conhecimentos fundamentais que todos os alunos da Educação Básica têm o direito de aprender. Como está prevista em lei, ela deve ser obrigatoriamente analisada para elaboração e implementação de currículos das redes de ensino públicas e privadas, urbanas e rurais. Para o MEC, ao delimitar com clareza o que os alunos têm o direito de aprender, a BNCC poderá auxiliar na melhoria da qualidade do ensino em todo o Brasil. Pois, servirá de referência comum para todos os sistemas de ensino, contribuindo para a promoção da equidade educacional. Entretanto, embora a BNCC tenha instaurado uma forma geral para a construção dos conteúdos em todo país, ela também propõe que o direito ao aprendizado fosse contextualizado. Por isso é importante aliar os conhecimentos propostos com a realidade e especi�cidade vivenciada em cada região do país. Segundo o MEC, A BNCC deve, não apenas fundamentar a concepção, formulação, implementação, avaliação e revisão dos currículos e das propostas pedagógicas das instituições escolares, como também deve contribuir para a coordenação nacional do devido alinhamento das políticas e ações educacionais, especialmente a política para formação inicial e continuada de professores. Assim, é imperativo inserir o tema da formação pro�ssional para a docência no contexto de mudança que a implementação da BNCC desencadeia na Educação Básica (BRASIL, 2019, p. 01). Torna-se relevante dizer que o documento tem também como pretensão estabelecer Diretrizes Curriculares Nacionais e uma Base Nacional Comum para a Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica permeado pelas demandas educacionais contemporâneas e das sugestões constantes na BNCC. Ao pensar sobre essas necessidades, a BNCC espera que os professores desenvolvam um conjunto de competências pro�ssionais, que possamos quali�car, mediante os desa�os propostos pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), um compromisso �rmado pelo nosso país (BRASIL, 2019). A formação de professores deve ser entendida, diretamente relacionada com as necessidades de ensino e aprendizagem. O relatório de 2019, sobre essa questão, a�rma que todas as ações estão baseadas nas seguintes leis e decretos existentes na legislação brasileira: A Lei N o 37 9.394/1996 (LDB) prevê a adequação curricular dos cursos, programas ou ações da formação inicial e continuada de professores ao estabelecido na BNCC, quando, no § 8º do seu Artigo 62 dispõe que “os currículos dos cursos da formação de docentes terão por referência a Base Nacional Comum Curricular”. II) A Lei Nº 13.005/2014, que instituiu o Plano Nacional de Educação (PNE) prevê a revisão e melhoria dos currículos do ensino superior para formação de professores da educação básica (meta 13, estratégia 13.4): promover a melhoria da qualidade dos cursos de pedagogia e licenciaturas, por meio da aplicação de instrumento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior - CONAES, integrando-os às demandas e necessidades das redes de educação básica, de modo a permitir aos graduandos a aquisição das quali�cações necessárias a conduzir o processo pedagógico de seus futuros alunos(as), combinando formação geral e especí�ca com a prática didática, além da educação para as relações étnico-raciais, a diversidade e as necessidades das pessoas com de�ciência. Na Meta 15 do PNE, estratégia 15.6, prevê: promover a reforma curricular dos cursos de licenciatura e estimular a renovação pedagógica, de forma a assegurar o foco no aprendizado do (a) aluno (a), dividindo a carga horária em formação geral, formação na área do saber e didática especí�ca e incorporando as modernas tecnologias de informação e comunicação, em articulação com a base nacional comum dos currículos da educação básica. A Lei 13.415/2017, ao incluir novo parágrafo no Art. 62 da LDB (§8º), estabelece em seu Artigo 11, o prazo de 2 (dois) anos, contados da data de homologação da BNCC, para que referida adequação curricular da formação docente seja implementada. O §1º do Artigo 5º, das Resoluções CNE/CP Nº 02/2017 e Nº 4/2018, estabelece que: A BNCC deve fundamentar a concepção, formulação, implementação, avaliação e revisão dos currículos e consequentemente das propostas pedagógicas das instituições escolares, contribuindo desse modo para a articulação e coordenação de políticas e ações educacionais desenvolvidas em âmbito federal, estadual distrital e municipal, especialmente em relação à formação de professores, à avaliação da aprendizagem, à de�nição de recursos didáticos e aos critérios de�nidores de infraestrutura adequada para o pleno desenvolvimento da oferta de educação de qualidade. Documento “Proposta para Base Nacional Comum da Formação de Professores da Educação Básica”, produzido pelo Ministério da Educação, em 2018, e enviado ao Conselho Nacional de Educação para que este analisasse e emitir parecer e formulasse resolução regulamentando uma Base Nacional Comum da Formação É importante ressaltar que essas atribuições ao documento foram deliberadas a partir de 2016. Pois, até o governo Dilma Rousseff, a BNCC foi pensada em um conjunto de ações que davam sequência às proposições pelo PNE. Segundo Aguiar; Dourado (2019, p. 2): Sob o governo do presidente Michel Temer, as políticas educacionais em curso são interrompidas e/ou tomam nova con�guração... Mudanças também fez o novo governo no processo de construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Com efeito, sob o comando do MEC pelo titular José Mendonça Filho, a BNCC vai ser redirecionada, com a ruptura da concepção de educação básica, que tinha sido uma conquista da sociedade brasileira. Rompe-se, assim, com a organicidade da educação básica, e o MEC constituiu um Comitê Gestor, coordenado pela Secretaria Executiva, que vai apresentar ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a 3ª versão da BNCC relativa à educação infantil e ensino médio, consagrando, então, a divisão. Além desse redirecionamento todo, o Governo Federal instaurou, ainda em 2016, como Medida Provisória e depois como Lei permanente, a efetivação da reforma do Ensino Médio, o que desconsiderava o que já vinha sendo feito pelas gestões anteriores, sendo encaminhado ao Conselho Nacional de Educação (CNE), a BNCC do ensino médio, rea�rmando a divisão da educação básica. Sob o último relatório para a formação de professores, 2019, chama a atenção a política de formação de professores. Ela deverá ser executada mediante compreensão de que só é possível uma formação se União, Distrito Federal, Estados Docente. Este documento foi encaminhado ao MEC, por solicitação em 2019, e agora reenviado a este CNE. Como consequência, este egrégio CNE entendeu que a regulação da formação docente, com base na Portaria e Resolução CNE/CP No 02/2015, precisava ser revista e atualizada de acordo com as recentes mudanças. Além disso, entendeu, com a devida anuência do Ministério da Educação, que deveria, também, tratar da elaboração de referenciais que devem constituir a formação de professores para a implantação da BNCC em todas as etapas e modalidades da Educação Básica (BRASIL, 2019, p. 02). e Municípios se relacionem em conjunto. É preciso pensar em qualidade para essa formação, responsabilidade e continuidade, somente assim será possível garantir uma formação adequada ao professor. Essa deverá ser baseada nas competências que deverão ser necessárias para o professor: conhecimento pessoal, prática pro�ssional, engajamento pro�ssional. A BNCC deixa bem claro como essas questões deverão ser apreendidas dando o direcionamento para como deverão ser estabelecidos os planos para a formação de professores da educação básica. A carga horária dos cursos de formação inicial de professores para a Educação Básica, em nível superior, é constituída de 3.200 horas (três mil e duzentas), tendo por referência o projeto curricular do curso, com duração de, no mínimo, 08 (oito) semestres ou 04 (quatro) anos, sendo dedicadas ao desenvolvimentodas competências pro�ssionais nas três dimensões: conhecimento, prática e engajamento, assim divididas: 800 horas (oitocentas horas) de base comum de aprendizagem dos conteúdos cientí�cos, educacionais e pedagógicos que fundamentam a educação, e suas articulações com os sistemas, escolas e práticas educacionais – Grupo I; 1600 horas (mil e seiscentas horas) dedicadas à aprendizagem dos conteúdos especí�cos das áreas e componentes da BNCC, e do domínio pedagógico desses conteúdos – Grupo II; 800 horas (oitocentas horas) de prática pedagógica sendo 400h em situação real de trabalho em ambiente de ensino e aprendizagem (monitoria/atividades de iniciação à docência/estágio/residência pedagógica/prática clínica), em projeto de�nido pela IES e constantes do seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e 400h distribuídas ao longo do curso entre os conteúdos dos itens anteriores – Grupo III” (BRASIL, 2019, p. 28). Além dessas diretrizes, a BNCC ainda discute a formação docente para educação básica também na chamada Segunda licenciatura, uma outra maneira de o professor adquirir, em um curto prazo, o aprendizado e a certi�cação para estar apto a lecionar outras disciplinas, diferentes de sua primeira graduação. Formação também para gestão escolar e uma formação continuada por meio de cursos oferecidos pelo Estado. O fato é que ser professor é estar em constante formação, por isso é muito importante estarmos atentos aos passos e às resoluções governamentais, pois elas implicam diretamente em nosso cotidiano. SAIBA MAIS Você já parou para pensar na Saúde do Professor? Segundo uma pesquisa realizada on-line, com cerca de 5.000 professores, pela Revista Nova escola, em Agosto de 2018, 66% dos participantes já tiveram que se afastar da sala aula. Mais de 87% atribuíram esse afastamento às condições das salas de aula. Entre os problemas que aparecem com maior frequência estão a ansiedade, que afeta 68% dos educadores; estresse e dores de cabeça (63%); insônia (39%); dores nos membros (38%) e alergias (38%). Além disso, 28% deles a�rmaram que sofrem ou já sofreram de depressão. Fonte: Teixeira (2018). REFLITA A frase a seguir revela um pensamento de um importante educador contemporâneo brasileiro: Mário Sérgio Cortella. “O conhecimento serve para encantar pessoas, não para humilhá-las.” De que maneira a educação, o saber e o conhecimento devem servir para a formação da sociedade por meio da relação entre as pessoas? Fonte: a autora. Espero que você tenha compreendido que falar sobre formação e valorização do professor não é uma discussão nada fácil. Por isso, alguns governos têm tentado produzir documentos que rea�rmem resoluções que já deveriam ter sido contempladas a muito tempo em nosso cotidiano pro�ssional. É muito importante que você se interesse pelas “coisas públicas”, ou seja, pelas políticas que as cercam para entender o que está sendo realizado. Será que você sabia que a ideia de uma Base Nacional Comum Curricular já estava prevista tanto na Constituição como na LDB? Será que você já tinha re�etido sobre algumas Metas do Plano Nacional de Educação? E se já tivesse feito tudo isso, parou para pensar por que ainda não estamos caminhando para uma educação de qualidade? Pois bem, são questionamentos e indagações que precisam fazer parte do nosso cotidiano, senão corremos o risco de sempre imaginarmos que a “culpa” pelo mal desempenho de nossos alunos está baseada apenas em nós, professores. Porém, será que o Estado também não tem a sua parcela de culpa ao não realizar as demandas necessárias para a formação docente para a educação básica? Gostaria muito que, ao �nal de toda nossa disciplina, você pudesse chegar à conclusão de que política não é algo “chato” ou “desinteressante”, que as políticas públicas de educação precisam ser entendidas de perto, para que o seu futuro possa ser permeado pela qualidade e por oportunidades educacionais que impulsionem uma educação brasileira e�caz, coerente e conscientizadora. Ao �nalizar nossos estudos, anseio que sua curiosidade tenha sido aguçada e desejo que tenha �cado muito claro que ser professor demanda curiosidade, rigorosidade metódica, competência pro�ssional e engajamento, para que as lutas necessárias sejam apreendidas da maneira que devem ser, visando sempre o melhor para o bem comum. Conclusão - Unidade 4 Leitura Complementar Você já deve ter percebido que é uma tarefa árdua e decisiva a formação incessante do professor, não é mesmo? Pois bem, te convido a aprofundar ainda mais seu conhecimento, precisamos de elementos que nos ajudem a promover a formação e a valorização do pro�ssional da educação por diferentes meios. Leia: ANDRÉ, Marli. Práticas inovadoras para a formação de professores. São Paulo: Editora Papirus, 2016. Livro Filme Caro(a) aluno(a), que viagem incrível ao mundo do conhecimento e, especi�camente, da política vivenciamos não é mesmo? Muitas descobertas, novas bagagens de saber na mente, outros destinos e, ao mesmo tempo, tudo isso sem sairmos da nossa realidade, do cotidiano. Devemos pensar sobre política dessa maneira, aquilo que está em nosso dia a dia, que precisa ser re�etido constantemente, pois nos afeta tanto indireta, quanto diretamente. Já pensou quantos interesses podem envolver uma ação política, aliás depois de todo conhecimento adquirido, você já consegue pensar quais são os seus próprios interesses em relação à política? Será mesmo que ela não deve ser discutida? É possível viver em uma sociedade sem pensar como deverá ser melhor o seu desenvolvimento? Ao longo de toda nossa aventura nessa disciplina de Políticas Públicas da Educação Básica, pudemos pensar sobre questões históricas, sociais, econômicas e culturais que norteiam as decisões relativas à educação nacional. Pudemos nos inteirar de questões importantes para a e�cácia e o funcionamento de uma educação que cumpra seu papel constitucional de ser para todos. Descobrimos o quanto a educação está relacionada aos mandos e desmando de governos, quando, necessariamente, ela deveria ser uma política de Estado, em que as resoluções tomadas a longo prazo deveriam ser continuadas, independente da ideologia partidária. Infelizmente, descobrimos que muitas coisas estão confusas e paralisadas no que compete às políticas públicas de educação, no momento atual de nosso país. Por isso precisamos fazer um resgate histórico de todas as medidas tomadas em anos e governos anteriores, para podermos cobrar o que ainda não foi solucionado. Considerações Finais Você deve ter percebido o quanto as questões da educação são dilemas complexos que fazem parte da história de nosso país e também re�etido que é preciso uma junção entre União, Distrito Federal, Estados e Municípios para que ela se realize de maneira concreta e responsável. Além disso, é de suma importância os �nanciamentos, assim como a participação da sociedade civil em todas as suas resoluções e ações. Por �m, nos detemos a pensar sobre a formação e valorização dos pro�ssionais da educação. Sabemos que estamos muito distantes de salários e oportunidades de estudos que sejam compatíveis às nossas necessidades. Por essa razão, acredito que se você entendeu a importância da política, se tornou, então, um(a) cidadão(ã) mais consciente e engajado(a) para transformar a nossa realidade e sociedade. Muito obrigada pela companhia e nos vemos em uma nova viagem pelo conhecimento! 00 - capa 01 - Introdução 02 - Afinal, o que é política_ 03 - Ciências Políticas 04 - Poder e estado 05 - Poder x Dominação 06 - Conclusão 07 - Introdução 08 - Políticas Públicas_ o que são_ 09 - Políticas Públicas de educação 10 - Políticas Públicas de educação no Brasil (I) 11 - Política de educação no Brasil (II) 12 - Conclusão 13 - Introdução 14 - Financiamento da educação brasileira_ o que é_ 15 - Aspectos históricos do financiamento da educação no Brasil 16 - Fundeb - Fundo de manutenção e desenvolvimento da educação básica e valorização dos profissionais da educação 17 - Fundeb - Fundode manutenção e desenvolvimento da educação básica e valorização dos profissionais da educação - atualidade 18 - Conclusão 19 - Introdução 20 - Professor ou professora_ quem é você_ 21 - Políticas da formação e valorização do professor - um breve histórico 22 - PNE e a formação _ valorização docente 23 - BNCC e a formação de professores 24 - Conclusão 25 - Considerações Finais