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SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO .................................................................................... 5 2 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 6 3 FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA CIENTÍFICA ............................... 4 3.1 O conceito de ciência ............................................................................... 4 3.1.1 Conhecimento científico e popular ......................................................... 7 3.1.2 Método científico .................................................................................... 9 3.1.3 Métodos de abordagem ......................................................................... 9 3.1.4 Método fenomenológico ....................................................................... 10 3.1.5 Método dialético ................................................................................... 11 3.1.6 Método dedutivo ................................................................................... 12 3.1.7 Método indutivo .................................................................................... 13 3.1.8 Método hipotético-dedutivo .................................................................. 15 3.1.9 Métodos de procedimentos .................................................................. 16 3.1.10 Método histórico ................................................................................... 16 3.1.11 Método experimental ............................................................................ 17 3.1.12 Método observacional .......................................................................... 18 3.1.13 Método comparativo ............................................................................. 18 3.1.14 Método estatístico ................................................................................ 19 3.1.15 Método clínico ...................................................................................... 21 3.1.16 Método monográfico ou estudo de caso .............................................. 22 3.1.17 Método etnográfico............................................................................... 22 3.1.18 Método de pesquisa-ação .................................................................... 23 3.1.19 Método qualitativo ................................................................................ 24 3.1.20 Método quantitativo .............................................................................. 25 4 BASES TEÓRICAS DA PESQUISA CIENTÍFICA .................................. 26 4.1 Teorias da pesquisa científica ................................................................ 26 4.1.1 Funcionalismo ...................................................................................... 27 4.1.2 Estruturalismo ...................................................................................... 27 4.1.3 Materialismo Histórico .......................................................................... 28 4.1.4 Etnometodologia .................................................................................. 29 4.1.5 Compreensão/Hermenêutica ............................................................... 30 4.2 Pesquisa................................................................................................. 31 4.2.1 Tipologias da pesquisa ......................................................................... 32 4.2.2 Natureza da pesquisa .......................................................................... 33 4.2.3 Objetivos da pesquisa .......................................................................... 34 4.2.4 Técnicas de pesquisa ........................................................................... 35 4.2.5 Abordagem da pesquisa ...................................................................... 36 4.3 Fases da pesquisa ................................................................................. 38 4.3.1 Tema da pesquisa ................................................................................ 38 4.3.2 Referencial teórico ............................................................................... 38 4.3.3 Justificativa ........................................................................................... 39 4.3.4 Delimitação do problema ...................................................................... 39 4.3.5 Objetivos .............................................................................................. 40 4.3.6 Hipóteses ............................................................................................. 40 4.3.7 Variáveis .............................................................................................. 41 4.3.8 Metodologia .......................................................................................... 41 4.3.9 Levantamento de dados ....................................................................... 42 4.3.10 Instrumentos de pesquisa .................................................................... 44 4.3.11 Tratamento dos dados ......................................................................... 45 4.3.12 Considerações finais ............................................................................ 46 4.3.13 Cronograma ......................................................................................... 46 4.3.14 Orçamento ........................................................................................... 47 4.3.15 Referências .......................................................................................... 47 5 TRABALHOS ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS...................................... 48 5.1 Cursos de pós-graduação ...................................................................... 49 5.1.1 Trabalhos científicos ............................................................................ 49 5.1.2 Trabalhos monográficos ....................................................................... 50 5.1.3 Normas para os trabalhos científicos ................................................... 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. 54 1 APRESENTAÇÃO Prezado(a) aluno(a)! O Grupo Educacional FAVENI reafirma o compromisso de oferecer uma formação de excelência, reconhecendo que a modalidade de Educação a Distância (EAD) confere ao aluno autonomia e flexibilidade para organizar seus estudos de acordo com suas necessidades e rotina. Nesse contexto, é fundamental que o estudante estabeleça uma rotina de estudos disciplinada e consistente, reservando horários para leitura, reflexão e realização das avaliações propostas. Reiteramos ainda que o ambiente virtual é equiparável ao presencial no que concerne à troca de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas. Assim como em sala de aula, onde a interação acontece espontaneamente, na EAD o diálogo deve acontecer por meio dos canais disponíveis no Portal do Aluno. Incentivamos você a utilizar esses recursos para questionar, esclarecer dúvidas e aprofundar seu entendimento sobre os conteúdos abordados, pois suas perguntas serão respondidas de forma ágil e eficiente pelo nosso suporte. Lembre-se de que a autonomia no processo de aprendizagem implica também responsabilidade. A gestão do seu tempo, o cumprimento dos prazos e a organização das tarefas são essenciais para o seu crescimento acadêmico. Aproveite a flexibilidade que o curso oferece, estabelecendo uma rotina compatível com seus compromissos pessoais e profissionais. Desejamos sucesso em sua jornada de estudos e reforçamos nossa disposição em apoiá-lo(a) na construção de um aprendizado sólido e significativo. Bons estudos! 2 INTRODUÇÃO Os fundamentoscompreender que atitudes pautadas pela integridade e respeito aos valores morais são essenciais durante todas as etapas do processo investigativo. Primeiramente, é necessário prezar pela honestidade intelectual, o que significa apresentar os dados, análises e resultados de forma transparente, sem manipulações ou omissões que possam comprometer a veracidade do trabalho. Outro aspecto relevante refere-se ao tratamento das obras e ideias de outros autores. A utilização adequada das fontes garante o reconhecimento devido às contribuições alheias, evitando a apropriação indevida que infringe direitos autorais, prática que contraria direitos éticos e legais. Além disso, é indispensável que haja fidelidade na referência às bases bibliográficas consultadas, garantindo que as 32 informações transmitidas sejam corretas e sejam passíveis de verificação por outros pesquisadores. No âmbito formal, o cumprimento das diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) fornece uniformidade e clareza na apresentação dos trabalhos científicos, facilitando a leitura e a compreensão, bem como o respeito aos critérios acadêmicos estabelecidos. Nessa visão, para investigações que envolvem seres humanos, a Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, orienta sobre os procedimentos éticos necessários, solicitando a aprovação e aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa. Essa norma busca proteger os participantes, garantindo que seus direitos, dignidade e bem-estar sejam preservados ao longo da investigação. 4.2.1 Tipologias da pesquisa A pesquisa tem como propósito investigar um tema específico com o intuito de encontrar soluções para determinados questionamentos ou problemas. Trata-se de um processo que deve ser prolongado de forma sistêmica, buscando contribuir para o progresso social e humano. Sob diferentes perspectivas, a investigação apresenta características como interesse pessoal, autonomia intelectual, espírito crítico, criatividade, originalidade, além da importância social e científica que confere ao conhecimento produzido. Este exercício promove uma investigação no âmbito acadêmico, estabelecendo uma relação entre educadores, estudantes e o meio universitário. Conforme o objeto de estudo, a pesquisa pode ser definida de diversas maneiras, considerando os métodos trabalhados, especificamente traçados e a natureza do conhecimento que se pretende gerar, conforme planejado por Fazenda (2022). Deste modo, compreender essas categorias auxilia na orientação do processo investigativo e na definição de suas estratégias. A classificação das pesquisas acadêmicas pode ser realizada a partir de diferentes critérios, destacando-se: • Natureza da pesquisa: pode ser básica, quando o objetivo é expandir o conhecimento teórico sem buscar aplicações práticas imediatas, ou aplicadas, que visa a criação ou aprimoramento de produtos, processos ou técnicas a partir de conhecimentos já existentes. 33 • Objetivos da investigação: dividir-se em exploratória, cujo foco é a familiarização inicial com o tema ou problema; descritiva, específica a detalhar características e estabelecer relações entre variações; e explicativa, que procura identificar as causas e os efeitos relacionados às características treinadas. • Procedimentos metodológicos: consulte-se às técnicas e estratégias adotadas para coleta e análise dos dados, abrangendo abordagens como pesquisa documental, revisão bibliográfica, experimentação, pesquisa operacional, estudo de caso, pesquisa-ação, pesquisa participante e ex-post- facto. 4.2.2 Natureza da pesquisa A pesquisa acadêmica pode ser categorizada sob diferentes perspectivas, o que possibilita um entendimento mais claro sobre seus propósitos e formas de condução. De acordo com Fazenda (2022), a distinção entre natureza, objetivos e procedimentos metodológicos auxilia na organização do trabalho investigativo e orienta as escolhas que o pesquisador deve fazer, conforme a finalidade do estudo. • A pesquisa básica ou pura tem por objetivo o avanço do conhecimento científico, buscando compreender princípios, teorias e leis que expliquem questões sem preocupação imediata com sua aplicação prática. Essa investigação tem caráter geral e visa consolidar fundamentos teóricos que sustentam o desenvolvimento científico. • Uma pesquisa aplicada direcionada à utilização de conhecimentos gerados, enfocando a solução de problemas concretos que afetam indivíduos ou grupos sociais. Nesse sentido, seu foco é produzir resultados com possíveis consequências práticas que podem ser empregadas para melhorar processos, produtos ou condições de vida. Em resumo, compreender esses aspectos é indispensável para planejar uma pesquisa que atenda aos objetivos propostos e que respeite os critérios metodológicos do rigor científico. Esse conhecimento não apenas orienta o pesquisador em decisões essenciais, mas também contribui para a construção de trabalhos que acrescentam 34 valor ao campo do conhecimento, promovendo avanços importantes em diversas áreas. 4.2.3 Objetivos da pesquisa A pesquisa constitui um processo essencial para a produção do saber científico, envolvendo diferentes abordagens e metodologias que se adequam ao objetivo pretendido. Compreender as diversas classificações da investigação possibilita ao pesquisador definir o caminho mais adequado para a abordagem do tema proposto. Entre as categorias mais relevantes, destacam-se as pesquisas exploratórias, descritivas e explicativas, cada uma com características específicas que orientam desde a definição do problema até a análise dos resultados. A seguir, serão apresentadas as principais características de cada tipo, facilitando a compreensão e aplicação no desenvolvimento científico e científico. • Pesquisa exploratória: tem como principal função ampliar o conhecimento sobre determinado tema, contribuindo para a definição mais precisa do foco a ser investigado. É empregada na etapa inicial de projetos mais amplos e apresenta um planejamento flexível. Utiliza-se levantamento bibliográfico, entrevistas e análise de casos, buscando identificar os objetivos, hipóteses ou áreas promissoras para aprofundamento. Geralmente, encontra-se em pesquisas bibliográficas e estudos de caso. • Pesquisa descritiva: tem como propósito apresentar e registrar fatos sem interferir nas ocorrências observadas. Dedica-se a detalhar, categorizar e relacionar atributos de grupos sociais, situações ou situações específicas. Para coleta de dados, são frequentemente usados questionários, formulários, entrevistas e observações sistemáticas, técnicas agrupadas sob a denominação de levantamento, conforme sugere Almeida (2022). • Pesquisa explicativa: apresenta maior complexidade para buscar compreender as causas, os fatores envolvidos e as consequências das consequências estudadas. Além de descrever e classificar, analisa e interpreta os dados de forma aprofundada, buscando o entendimento dos porquês. Muitas vezes, utiliza métodos experimentais e ex-post-facto, que permitem manipular variáveis para avaliar seu impacto na investigação, conforme destaca Soares (2020). 35 4.2.4 Técnicas de pesquisa Os procedimentos técnicos para obtenção de dados em uma pesquisa podem ser organizados em dois grandes grupos, conforme a fonte de onde os dados serão obtidos. O primeiro grupo abrange pesquisas que envolvem fontes indiretas, como documentos financeiros e públicos; enquanto o segundo envolve dados fornecidos diretamente por indivíduos ou observações no campo. • Pesquisa bibliográfica: baseia-se na análise de materiais já publicados, tais como livros, artigos científicos, jornais, monografias, teses, dissertações, cartografia, periódicos e até mesmo conteúdo disponíveis na internet. O pesquisador estabelece contato com informações que tratam do tema em estudo,cuidando para validar a veracidade e a confiabilidade das fontes consultadas. Essa abordagem é frequentemente necessária para embasar teoricamente a investigação (Fazenda, 2022). • Pesquisa documental: embora por vezes confundida com a bibliográfica, distingue-se por utilizar documentos que não passaram por tratamento analítico prévio. São considerados documentos oficiais (leis, relatórios, anuários, ofícios), arquivos públicos e privados, materiais jurídicos, registros particulares, iconografia, entre outros, abrangendo fontes como acervos institucionais, arquivos proprietários, e documentos eclesiásticos ou financeiros (Oliveira, 2021). • Pesquisa experimental: caracterizar-se pelo controle das variações envolvidas na investigação, buscando observar os efeitos provocados por alterações específicas. Essa modalidade é comum nas ciências exatas, biológicas e tecnológicas, mas também pode ser aplicada às ciências humanas e sociais, com experimentos realizados em cenários naturais. • Levantamento: esse tipo é típico quando a coleta de dados depende da interação direta com as pessoas envolvidas, geralmente por meio de questionários ou formulários. Normalmente, não se investiga toda a população, mas uma amostra selecionada conforme estatísticas técnicas, sendo muito utilizada em pesquisas sociais para obtenção de dados descritivos. • Pesquisa de campo: trata da coleta de informações diretamente no ambiente onde a ocorrência ocorre, cooperando interação real com o objeto de estudo. 36 Utilize-se observações, entrevistas, questionários e outras ferramentas para captar dados que retratem fielmente o contexto. • Estudo de caso: consiste em um exame detalhado e profundo de uma determinada especificidade, grupo ou indivíduo, objetivando um conhecimento abrangente e abrangente. Geralmente em conformidade com as pesquisas aplicadas, esse método pode ser adotado em investigações exploratórias, descritivas ou explicativas, para compreender e solucionar problemas concretos. • Pesquisa ex-post-facto: neste tipo, o pesquisador analisa acontecimentos que já ocorreram, buscando compreender as causas e consequências das situações passadas, sem interferir diretamente nos fatos. • Pesquisa-ação: envolve uma colaboração ativa entre pesquisadores e participantes, focando na resolução conjunta de problemas coletivos ou necessidades específicas. Por meio desse processo participativo, ambos os atores se envolvem no diagnóstico, intervenção e avaliação dos resultados. • Pesquisa participante: caracterizar-se pela interação contínua e próxima entre o investigador e os agentes envolvidos na situação científica, compreensão aprofundada por meio da vivência compartilhada. Conforme apontam Pátaro e Oliva (2023) os procedimentos técnicos empregados na coleta de dados refletem a multiplicidade de abordagens disponíveis para o pesquisador, cada uma com suas descobertas, vantagens e limitações. A seleção adequada desses métodos depende da natureza do problema investigado, do tipo de dados necessários e dos recursos disponíveis. Procedimentos baseados em fontes documentais oferecem uma fundamentação teórica e contextualizada, enquanto métodos que envolvem interação direta e experimentação permitem a análise específica e a intervenção controlada sobre as especificidades. 4.2.5 Abordagem da pesquisa A definição da forma de abordagem na pesquisa é um passo essencial no delineamento do estudo, pois orienta os métodos e técnicas a serem empregados na coleta e análise dos dados. As abordagens qualitativas, quantitativas e mistas 37 apresentam diferentes fundamentos epistemológicos e metodológicos que direcionam a investigação conforme a natureza das especificidades e os objetivos pretendidos. Compreender as particularidades de cada uma dessas abordagens e a possibilidade de sua combinação possibilita ao pesquisador adotar estratégias investigativas que proporcionem maior profundidade e consistência ao trabalho científico. A seguir, serão apresentadas as características centrais de cada modalidade para facilitar sua compreensão e aplicação. • Pesquisa qualitativa: tem como foco a interpretação detalhada das especificações, considerando as múltiplas significações atribuídas aos sujeitos e a relação existente entre o mundo externo e a experiência individual. Não se apoia em métodos estatísticos ou matemáticos, utilizando o contexto como fonte primária para coleta de dados. Essa abordagem privilegiadamente profunda, valendo-se de técnicas como trabalho de campo, etnografia análise, subjetiva e observação naturalista para apreender a essência e a natureza dos fatos treinados. • Pesquisa quantitativa: parte do princípio de que as especificações podem ser mensuradas por meio de dados numéricos, analisadas com o auxílio de ferramentas estatísticas como porcentagens, médias, modas, desvios-padrão e medianas. Essa abordagem é amplamente empregada em diversos tipos de investigações, possibilitando a análise das relações entre variáveis e a classificação dos processos dinâmicos que ocorrem em diferentes grupos sociais, conferindo objetividade e soluções às ações. • Pesquisa quali-quantitativa: combina abordagens qualitativas e quantitativas, utilizando métodos de ambas para promover uma análise mais abrangente e aprofundada. Embora muitas vezes estudadas separadamente, essas duas perspectivas podem ser integradas para definir necessidades e complementaridades nos dados encontrados, enriquecendo a compreensão das características investigadas e ampliando o alcance interpretativo dos resultados (Gomes Neto, Albuquerque e Silva, 2024). 38 4.3 Fases da pesquisa Realizar uma pesquisa não é uma tarefa complexa, mas exige organização e rigor na sua concepção. A investigação científica deve seguir normas e procedimentos estruturados, que exigem planejamento cuidadoso, coleta sistemática de informações, análise crítica, interpretação dos dados, apresentação dos resultados e elaboração do relatório final (Soares; Souza, 2022). Para garantir a eficiência do processo, o pesquisador precisa definir etapas que podem variar em sua formalização, tais como: seleção do tema; formulação do problema; desenvolvimento de hipóteses e objetivos; planejamento metodológico; operacionalização dos conceitos e variáveis; definição da amostra; escolha e aplicação dos instrumentos para coleta de dados; análise das informações obtidas; e preparação do documento conclusivo. Dessa maneira, o planejamento detalhado orienta o pesquisador a conduzir o estudo com clareza e precisão, garantindo a validade dos resultados e a contribuição para o conhecimento. 4.3.1 Tema da pesquisa O tema representa o objeto central a ser investigado, pensado e desenvolvido ao longo do trabalho acadêmico. Para que seja considerado adequado, deve apresentar propostas, tradução na facilidade de acesso a referências bibliográficas, disponibilidade para condução do estudo e compatibilidade com as habilidades do pesquisador. Além disso, deve possuir relevância científica, fornecer informações originais e possibilitar a geração de novos conhecimentos e questionamentos. De acordo com Oliveira et al. (2022), essa etapa inicial orienta todo o processo de elaboração de um trabalho monográfico, conferindo-lhe direção e foco. 4.3.2 Referencial teórico A etapa de revisão da literatura visa identificar quem já pesquisou o tema escolhido, quais aspectos foram envolvidos e onde existem lacunas a serem exploradas no campo de estudo. Essa fase é essencial para situar a investigação dentro da área específica, conferindo embasamento teórico sólido e justificando a relevância do trabalho. A seleção criteriosa de autores pertinentes exige ampla leitura, o que contribui para a formação de uma base conceitual consistente, permitindo ao 39 pesquisador construir uma linhateórica clara que sustente a pesquisa e oriente seu desenvolvimento. 4.3.3 Justificativa A justificativa de um projeto consiste em expor a importância e a necessidade da proposta de investigação, evidenciando as razões que motivam seu desenvolvimento. Trata-se de argumentar sobre a relevância do trabalho para compreensão e solução de questões humanas, sociais e científicas, demonstrando sua visão e aplicação prática na sociedade (Fazenda, 2022). É fundamental que essa parte do projeto aponte as contribuições originais que a pesquisa pretende oferecer, destacando a inovação metodológica ou teórica. Além disso, deve apresentar fundamentos que sustentam a escolha do tema, relacionando-os com exigências contextuais e lacunas existentes no conhecimento. Dessa forma, a justificativa garante que o estudo esteja baseado em aspectos que justifiquem sua realização, apoiando a adição e o interesse pelo projeto. Ao elaborar uma justificativa eficaz para um trabalho acadêmico, é essencial responder às questões que esclarecem o propósito da pesquisa e sua importância. Primeiramente, deve-se explicitar as motivações que levam à escolha do tema, indicando o interesse pessoal e a relevância da investigação para o campo estudado. Também é necessário demonstrar por que o estudo merece a atenção dos leitores, mostrando como ele contribui para ampliar o entendimento sobre o assunto abordado. A justificativa deve ainda destacar o valor das informações que o trabalho fornecerá, como dados encontrados, entrevistas realizadas ou análises realizadas, evidenciando o aporte empírico e teórico que sustenta a pesquisa. Compreender e definir quem é o público-alvo ajuda a direcionar o conteúdo para atender às expectativas e necessidades específicas, tornando o estudo mais significativo. Sendo Assim, a justificativa não só fundamenta a execução da pesquisa como também estabelece uma conexão clara entre os objetivos do trabalho e sua contribuição para a comunidade acadêmica e social. 4.3.4 Delimitação do problema Ao definir o problema de investigação, é imprescindível considerar aspectos que envolvem a coerência na formulação e a delimitação precisa do tema. O problema 40 deve expressar a dificuldade que o pesquisador procura resolver por meio da investigação. Carvalho (2022) sugere algumas perguntas para garantir que o problema escolhido seja pertinente: É possível apresentá-lo na forma de uma questão clara? Pode ser objeto de análise científica? Suas consequências são passíveis de observação ou comprovação? Está relacionado a interesses sociais, pessoais ou acadêmicos? Oferece uma oportunidade viável para a pesquisa? Responder a essas questões ajuda a estabelecer um foco definido e consistente, garantindo que o estudo responda a um problema real, relevante e passível de investigação com rigor metodológico. 4.3.5 Objetivos Os objetivos de um estudo derivam da questão central que orienta a pesquisa. Compreenda aquilo que será investigado e desenvolvido para solucionar o problema apresentado. Esses objetivos estão diretamente ligados ao propósito da tese desenvolvida pelo pesquisador, expressando seus interesses e metas dentro do trabalho. Em geral, os objetivos se dividem em dois tipos: o geral, que oferece uma perspectiva ampla e abrangente sobre o tema, demonstrando a pretensão principal da investigação; e os específicos, que abordam aspectos mais detalhados e práticos, com foco em etapas ou procedimentos concretos para alcançar o objetivo maior. Na formulação dos objetivos, utiliza-se verbos no infinitivo, como distinguir, verificar, apresentar, demonstrar, entre outros, o que confere clareza e precisão às intenções da pesquisa. Dessa forma, os objetivos orientam o desenvolvimento do estudo, estabelecendo o caminho para que o problema seja tratado de maneira estruturada e consistente. Essa divisão facilita a compreensão dos propósitos do trabalho e contribui para a organização metodológica ao longo da pesquisa (Fazenda; Tavares; Godoy, 2022). 4.3.6 Hipóteses A hipótese tem o papel de sugerir soluções possíveis para o problema investigado, orientando o caminho para sua resolução por meio da transmissão por meio de dados empíricos. Ela surge a partir da análise de fatos observados, da intuição, dos fundamentos teóricos ou da revisão de pesquisas anteriores. A fase de 41 investigação determinará se a hipótese está confirmada ou refutada, fornecida respaldo ao processo investigativo. Segundo Pereira (2021), pode-se dividir as hipóteses em básicas, que apresenta a suposição principal sobre o problema, e em hipóteses secundárias, que funcionam como proposições complementares ao longo do estudo. Vale destacar que hipóteses se configuram como afirmações que orientam a pesquisa, não constituindo perguntas, mas direcionando os caminhos para a seleção das especificidades em questão. 4.3.7 Variáveis Para compreender o conceito de variáveis, é necessário considerar que, em cada detalhe específico, existe um espaço onde as variações podem ocorrer. Fazenda, Tavares e Godoy (2022) explicam que todas as hipóteses são formadas por uma proposição que estabelece uma relação entre duas ou mais variáveis, as quais podem ser investigadas por meio de valores como quantidade, características, qualidades ou intensidades. Desta forma, as variáveis funcionam como elementos que permitem identificar diferenças e alterações dentro das especificidades do estudo, possibilitando que as hipóteses sejam testadas a partir da observação dessas mudanças ou padrões. Nessa visão, a articulação entre variáveis confere à pesquisa uma base para explorar as relações e os efeitos que emergem no contexto investigado. 4.3.8 Metodologia A seção de metodologia apresenta de forma detalhada o conjunto de procedimentos adotados ao longo da investigação, permitindo que o leitor compreenda os caminhos percorridos para alcançar os resultados. Nessa etapa, são explicitados aspectos essenciais como o delineamento da pesquisa, as técnicas aplicadas para a coleta das informações e os métodos utilizados para organizar e analisar esses dados. Apresentar com esclarecer esses elementos é fundamental para conferir transparência ao processo investigativo, evidenciando a sistematização e o rigor que orientaram o trabalho. Dessa forma, a metodologia atua como um guia que demonstra 42 a forma pela qual o estudo foi estruturado e cronológico, facilitando a replicação e a avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica. 4.3.9 Levantamento de dados A coleta de informações para pesquisa é realizada por meio de consultas em bibliotecas ou outros centros de armazenamento de dados. Uma pesquisa bibliográfica pode constituir uma etapa dentro de uma monografia ou mesmo ser o foco principal do estudo, útil ainda como base para outras modalidades investigativas, como as experimentais ou de campo. Durante essa fase, o pesquisador deve identificar as fontes relevantes, localizar os documentos necessários, registrar as informações encontradas e organizar essas anotações de forma sistemática. De acordo com Demo (2021) cada uma dessas etapas é essencial para garantir que o levantamento de dados seja eficiente e permita um embasamento sólido para o desenvolvimento do trabalho. • Identificação de fontes Nesta etapa inicial do processo de pesquisa, o objetivo é refletir e selecionar os materiais que fornecerão subsídios para o desenvolvimento do estudo. Para tanto, busque acessar diversos tipos de referência, tais como vocabulários especializados, enciclopédias, revistas e catálogos. Também são consideradas as fontes bibliográficas, que englobam documentos, livros, artigos, teses, monografias e periódicos. Além disso, elementos visuais e documentais como mapas, plantas, cartazes, fotografias, palestras e aulas complementam o conjunto de informações relevantespara o tema investigado (Carvalho, 2022). • Documentação Consiste na obtenção e organização de materiais relacionados ao objeto de pesquisa. Entre estes, podem estar documentos escritos, registros originais, microfilmes e fotocópias que contenham dados pertinentes. Embora as anotações feitas diretamente nos textos sejam válidas, o uso de fichas e resumos contribui para ordenar o conteúdo, facilitando a compreensão, o armazenamento e a recuperação das informações durante o estudo (Marsolik, 2020). • Fichamento 43 Consulte-se à prática de registrar de maneira objetiva as principais ideias e dados extraídos das fontes consultadas. Estes registros são organizados em fichas físicas, tradicionalmente pautadas em diversos formatos, ou em arquivos digitais, que devem ser mantidos separados dos demais documentos. A elaboração do fichamento deve priorizar a clareza e a precisão na exposição dos conteúdos, contemplando os dados bibliográficos essenciais. Tal procedimento apoia a análise crítica e o aprofundamento no tema abordado, promovendo maior controle sobre o material coletado (Meira, 2023). No universo do fichamento, distinguem-se três modalidades principais, cada uma com objetivo específico: • Fichamento bibliográfico: nesta forma, realiza-se uma descrição detalhada do conteúdo, acompanhada de comentários críticos sobre o texto e os temas envolvidos. O pesquisador interpreta e avalia as ideias apresentadas, facilitando a compreensão e a análise aprofundada do material. • Fichamento de resumo: consiste em uma síntese organizada das ideias centrais da obra. O objetivo é reunir os pontos essenciais em poucas linhas, oferecendo um panorama claro e direto dos argumentos e conceitos tratados. • Fichamento de citação: dedicado à transcrição exata de fragmentos selecionados da fonte, este tipo registra as passagens textuais relevantes para a pesquisa, sempre acompanhadas da indicação precisa da página para facilitar futuras consultas. Cada ficha apresenta três componentes estruturais imprescindíveis: • Título da ficha: nome que indica de forma genérica o tema ou o assunto principal abordado. • Referência bibliográfica: registro completo das informações possíveis para identificar a obra, incluindo autor, título, local de publicação, editora e demais dados essenciais. • Corpo da ficha: espaço destinado ao conteúdo principal, podendo conter resumos, especificações literárias, esquemas, notas sobre as ideias-chave e breves observações pessoais. As instruções devem ser acompanhadas do número da página de onde foram extraídas, garantindo precisão e facilitando o uso correto em trabalhos posteriores. 44 A categorização dos tipos de fichamento evidencia a diversidade de estratégias para sistematizar as informações extraídas das fontes pesquisadas, contemplando aspectos descritivos, sintéticos e transcricionais. Essa estrutura formalizada facilita o manejo do acervo documental, garantindo rigor metodológico e qualidade na construção do conhecimento científico. Além disso, a delimitação clara dos componentes garante a consistência e a rastreabilidade dos dados, requisitos imprescindíveis para a integridade dos trabalhos acadêmicos. 4.3.10 Instrumentos de pesquisa Conforme Oliveira et al. (2022), os instrumentos de pesquisa envolvem os meios empregados para a fornecimento de dados e compõem a etapa de coleta. É fundamental que o leitor saiba, de forma detalhada, como os dados serão coletados para responder ao problema investigativo; além disso, os procedimentos escolhidos devem estar alinhados aos objetivos específicos, a fim de possibilitar a solução proposta. Entre os instrumentos mais utilizados destacam-se: • Entrevista: consiste numa conversa direcionada aos participantes com o propósito de acessar informações, sobretudo de caráter subjetivo. Pode assumir diferentes formatos: livre ou não-diretivo, sem roteiro prévio; estruturada ou cláusula, com perguntas definidas pelo pesquisador para obter respostas específicas; e semiestruturada ou semi‑diretiva, em que existe um roteiro orientado, mas oferece suporte a configurações conforme o desenvolvimento da interação. • Questionário: instrumento composto por um conjunto de perguntas, aplicado de modo presencial ou por meio digital, cuja resposta cabe ao informante. Recomendamos realizar um pré-teste em uma pequena amostra para identificar e corrigir possíveis falhas no instrumento. O questionário deve vir acompanhado de uma carta de apresentação que informe sobre os objetivos da pesquisa, instruções de preenchimento, procedimentos de devolução e agradecimentos. A identificação pessoal do entrevistado deve ser removida quando necessário, e o instrumento pode combinar perguntas abertas e fechadas de acordo com as necessidades do estudo. • Observação: antes de iniciar a coleta por observação, o pesquisador deve analisar o ambiente e definir claramente os aspectos e as características que 45 merecem atenção. A observação pode revelar novas perspectivas e ocorrências imprevistas, que precisam ser registradas. Quando forem usados registros audiovisuais — como fotografias, filmes ou vídeos — a captura e a divulgação desses materiais devem ser contadas com a autorização dos participantes envolvidos. 4.3.11 Tratamento dos dados De acordo com Fazenda (2022), após a coleta dos dados, torna-se necessário realizar uma seleção criteriosa do material que será utilizado na pesquisa. Para guiar essa escolha, é essencial estabelecer uma conexão entre o referencial teórico e as informações obtidas, considerando tanto as análises quantitativas quanto as qualitativas. Isso significa que os dados devem ser organizados, categorizados e interpretados de maneira a responder aos problemas investigativos, alinhando-se aos objetivos específicos, bem como aos conceitos e teorias propostas no estudo. A interpretação dos dados deve contemplar discussões fundamentadas, contemplando diferentes perspectivas de autores que convergem ou divergem em relação ao tema, sustentadas em bases científicas, com vistas a identificar quais argumentos se aproximam mais dos propósitos da pesquisa. A análise pode ser realizada quantitativamente, utilizando ferramentas estatísticas e matemáticas para mensuração e comparação, ou qualitativamente, compreendendo a natureza dos dados, os instrumentos de coleta aplicados e os referenciais teóricos orientados do trabalho. Dessa forma, a pesquisa avança para um exame sistemático dos dados obtidos, que pode ser sintetizado conforme ilustrado na Figura 1. Figura 4 - Métodos de análise de dados Fonte: Almeida, 2022. 46 4.3.12 Considerações finais Conforme Meira (2023), uma conclusão é elaborada a partir da análise cuidadosa dos dados coletados, sintetizando os resultados alcançados pela pesquisa. Nessa etapa, destaca-se as contribuições decorrentes da solução do problema investigado, evidenciando o atendimento das questões propostas, além do alcance dos objetivos ou da confirmação e refutação das hipóteses levantadas. Este momento também contempla o posicionamento crítico do pesquisador em relação ao desenvolvimento do estudo e seus propósitos. Esta seção, apresentada como considerações finais, realiza uma avaliação detalhada dos resultados em relação aos objetivos da pesquisa, verificando se as apresentações são adequadas para responder às questões levantadas. São registradas as dificuldades sofridas durante o percurso investigativo e sugeridas abordagens para trabalhos futuros, promovendo o aprofundamento do tema e orientando pesquisas subsequentes na área. A revista científica deve observar as especificidades de cada tipo de trabalho, seja monografia, artigo, dissertação ou tese, em conformidade com as normas estabelecidas pela instituição ou pelo jornal responsável pela publicação. De forma geral, a estruturainclui a exposição clara do problema, a descrição da metodologia empregada para coleta e análise dos dados, a apresentação dos resultados e a finalização com as considerações finais, que resumem as principais contribuições e implicações do estudo. 4.3.13 Cronograma O cronograma de atividades define o momento em que cada fase da pesquisa deve ocorrer, respondendo à pergunta “quando?”. Para organizá-lo, é necessário dividir o estudo em etapas, estipulando o período médio dedicado a cada uma. Algumas fases são realizadas ao mesmo tempo, enquanto outras desativam atenção específica e podem concluir as tarefas anteriores; por exemplo, a análise dos dados só pode ser iniciada após a coleta e a organização das informações. A delimitação do tempo pode variar, podendo ser feita em dias, semanas, meses ou outros intervalos, conforme particularidades do estudo e sua complexidade conforme ilustrado na Figura 5. 47 Figura 5 - Cronograma de atividade Fonte: adaptado de Meira, 2023. 4.3.14 Orçamento Organizar o orçamento de uma pesquisa consiste em distribuir os custos previstos para as diversas fases do trabalho, considerando tanto as despesas relacionadas ao pessoal quanto às referentes a materiais. Essa estimativa financeira abrange o período desde a concepção do projeto até sua finalização, sendo importante considerar que o orçamento deve ser flexível para se adequar a possíveis variações durante o desenvolvimento (Meira, 2023). A apresentação desse planejamento deve ser feita em formato de tabela, com discriminação clara dos gastos, subdividindo-os em categorias como recursos humanos e materiais de consumo, contemplando itens de consumo como transporte, alimentação, materiais de escritório, colheita, folhas, cópias e encadernação, entre outros. 4.3.15 Referências No desenvolvimento de um projeto de pesquisa e demais trabalhos científicos, é necessário incluir uma lista de autores e obras que fornecem o embasamento teórico para o estudo. Essas referências fundamentam o trabalho, garantindo suporte conceitual indicado ao tema selecionado. As fontes abarcar uma variedade ampla, 48 como jornais online, livros, artigos científicos, jornais, monografias, dissertações, entre outros documentos pertinentes à área de investigação. As obras consultadas desde a elaboração do projeto até a finalização devem ser organizadas em uma lista de referências, dispostas em ordem alfabética pelo sobrenome do autor. Essa listagem deve seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas, especificamente a norma NBR 6023, que padroniza o formato para apresentação dos dados bibliográficos. O atendimento a essas regras assegura a clareza, a padronização e a revisão do trabalho acadêmico, facilitando a localização das fontes utilizadas pelos leitores e pesquisadores. 5 TRABALHOS ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS Trabalhos acadêmicos e científicos são produções que expressam conhecimento elaborado com base em pesquisa, rigor metodológico e critérios formais reconhecidos pela comunidade acadêmica. Esses trabalhos devem seguir normas específicas para garantir clareza, organização e credibilidade, destacando-se itens como a escolha do tema, a fundamentação teórica, os métodos de pesquisa, a análise dos dados e a apresentação dos resultados. No contexto brasileiro, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) fornece um conjunto de regras padronizadas para a elaboração, formatação e apresentação de trabalhos acadêmicos e científicos. As normas ABNT definem como devem ser estruturados títulos, sumários, citações e referências bibliográficas, promovendo uniformidade e facilitando a compreensão e a avaliação dos trabalhos. Além disso, a ABNT estabelece orientações precisas para as referências bibliográficas, essenciais para dar crédito às fontes consultadas, evitar plágio e permitir que leitores localizem as obras utilizadas. A norma mais importante para referências é a NBR 6023, que especifica a ordem e a formatação dos elementos, incluindo o autor, título, local, editora e ano de publicação. Cada tipo de documento — livro, artigo, tese, site, entre outros — possui um formato adaptado conforme essa norma. 49 5.1 Cursos de pós-graduação A pós-graduação no Brasil apresenta-se em duas modalidades principais: Lato Sensu e Stricto Sensu (Meira, 2023). No caso da modalidade Lato Sensu, o foco está no aprimoramento profissional por meio de cursos que aprofundam conhecimentos em áreas específicas do mercado de trabalho. Para concluir, é obrigatória a participação nas atividades acadêmicas, como aulas e seminários, além da elaboração de um trabalho monográfico. Ao final do processo, o aluno poderá receber o título de Especialista, específico dos cursos de especialização. Já a modalidade Stricto Sensu tem como objetivo o desenvolvimento acadêmico e científico do estudante por meio do estudo avançado em um campo definido do saber. Os programas são compostos por disciplinas regulares, seminários de pesquisa, produção de artigos científicos e exames de qualificação. O percurso culmina na elaboração de um trabalho final, que pode ser uma dissertação, no caso do Mestrado, ou uma tese, no Doutorado. A conclusão dessas etapas confere ao aluno os títulos de Mestre ou Doutor, respectivamente. 5.1.1 Trabalhos científicos Oliveira et al. (2022) sistematizam os diferentes formatos textuais utilizados no âmbito da produção científica, apresentando suas definições, características essenciais e objetivos específicos. Conforme pode ser visualizado no Quadro 1, cada tipo de trabalho possui particularidades que orientam sua estruturação, linguagem e especificamente comunicativa, sendo fundamental a compreensão desses conceitos para a elaboração adequada e apresentação de produções acadêmicas. Quadro 3 - Tipologias de produção textual científica Tipo de Trabalho Características Essenciais Objetivo Principal Sinopse Redigida pelo autor, acompanha o trabalho, pode ser bilíngue. Apresentar o tema e a proposta do texto. Resumo Síntese objetiva das ideias centrais, requer leitura detalhada. Proporcionar visão geral do conteúdo. Resenha Crítica Combina resumo com opinião fundamentada sobre a obra. Avaliar e comentar o conteúdo e estilo da obra. Papel Texto para apresentação oral, focado em resultados de pesquisas. Comunicar descobertas em eventos científicos. Cartaz/Painel Apresentação visual concisa, com elementos gráficos e texto sintético. Expor conteúdo de forma acessível e dialogada. 50 Artigo Científico Estrutura formal completa com vários estoques (resumo, metodologia, etc.). Divulgar estudo aprofundado e fundamentado. Fonte: adaptado de Oliveira et al., 2022. Observa-se uma diversidade significativa nas modalidades de textos científicos, cada uma estruturada para atender requisitos específicos de comunicação e divulgação do conhecimento acadêmico. Enquanto alguns formatos priorizam a síntese informativa para rápida apreensão do conteúdo, outros propiciam análises mais aprofundadas, incluindo posicionamentos críticos e argumentativos. Pátaro e Oliva (2023) relatam que a adequação do tipo textual ao contexto e objetivo da pesquisa é determinante para a efetividade na transmissão das ideias e no diálogo científico, ressaltando a importância da escolha criteriosa conforme a natureza do estudo e o público-alvo. 5.1.2 Trabalhos monográficos A monografia configura-se como um trabalho final de curso que consiste em uma investigação detalhada sobre um tema específico, conduzida por meio de um método específico que segmenta o estudo em fases distintas. Conforme Almeida (2022), trata-se de uma análise aprofundada sobre determinados objetos, alicerçada em um referencial teórico baseado em autores reconhecidos. Caracterize-se por: • Fundamentar-se na metodologia científica. • Utilizar linguagemformal. • Constituir um trabalho sistematizado, completo e original. • Explorar multifacetadamente o tema escolhido, trazendo relevância acadêmica. Sua estrutura é dividida em três grandes grupos: • Elementos pré-textuais: (introduzem o trabalho formalmente e são obrigatórios ou adicionais): • Capa: indispensável e contém dados institucionais, do autor, orientador, título, local e dados; • Folha de rosto: contém informações semelhantes à capa, inclusive breve descrição do tipo de trabalho; • Folha de aprovação: obrigatória para trabalhos de conclusão, apresenta dados do banco examinador e aprovação; 51 • Dedicatória, agradecimentos e epígrafe: elementos facultativos para personalização e agradecimentos; • Resumo: obrigatório, exposto em língua vernácula e em idioma estrangeiro; • Listas: (de figuras, tabelas etc.); • Sumário: obrigatório, enumerar todas as divisões internas do trabalho em ordem. Elementos textuais (parte central do trabalho): • Introdução: expõe o tema, delimita o problema, apresenta justificativa, objetivos, objeto de estudo e metodologia de forma clara e objetiva, com embasamento no referencial teórico. • Desenvolvimento: seção onde se fundamenta teoricamente o estudo, conduz a uma análise lógica do tema, contemplando discussões, comparações e aprofundamentos relevantes. • Conclusão: espaço destinado à avaliação dos resultados, à proposição de soluções e possíveis aplicações práticas decorrentes da pesquisa. Elementos pós-textuais (complementares e finais, conforme normas ABNT): • Referências bibliográficas; • Apêndices e anexos, quando houver, para suporte adicional. Essa divisão (Figura 6) atende às normas técnicas da ABNT (NBR 14724) para trabalhos acadêmicos, assegurando organização e padronização, facilitando compreensão e avaliação do conteúdo científico apresentado. Sendo assim, a elaboração da monografia exige rigor metodológico, clara na exposição das ideias e adaptação estrutural, objetivos que reafirmam a sua importância no contexto acadêmico e científico. 52 Figura 6 - Estrutura de uma monografia/tese Fonte: adaptado de Meira, 2023. Os elementos pós-textuais compõem a etapa final de um trabalho acadêmico, oferecendo informações complementares essenciais para a organização e a revisão da pesquisa. De acordo com as normas da ABNT, destacam-se: • Referências: são obrigatórios e reúnem todos os autores, documentos e publicações utilizadas na elaboração do estudo. Sua organização deve seguir rigorosamente o padrão estabelecido pela norma NBR 6023, garantindo lisura e facilidade de consulta. • Anexos: seção opcional que inclui materiais suplementares modificados por terceiros, os quais auxiliam na compreensão do conteúdo principal, sem terem sido produzidos pelo autor do trabalho. • Apêndices: também adicionais, agrupam documentos ou informações adicionais criadas pelo próprio autor para complementar a pesquisa. • Glossário: elemento facultativo destinado a explicar termos específicos, expressões técnicas ou verbos apresentados no trabalho, facilitando a compreensão do leitor. 53 A inserção dos elementos pós-textuais deve ser realizada com avaliação criteriosa sobre sua contribuição para o aprimoramento do trabalho. Esses componentes não são meros acessórios, mas ferramentas que enriquecem o conteúdo, facilitam o entendimento e ampliam a extensão da pesquisa. A organização correta segundo a norma NBR 6023 assegura uniformidade, possibilitando que outros pesquisadores localizem as obras citadas com facilidade e confiança. 5.1.3 Normas para os trabalhos científicos No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é responsável por sistematizar e divulgar as diretrizes para a elaboração de documentos acadêmicos e científicos, adaptando essas normas em conformidade com as demandas locais. A NBR 10520 da ABNT especifica os procedimentos para a elaboração de trabalhos científicos, devendo consultar sempre sua versão vigente, que é submetida a revisões periódicas. Para a formatação do trabalho, utilize-se papel no formato A4 (21 cm x 29,7 cm), devendo a impressão ou escrita ser feita apenas em um dos lados da folha. As fontes indicadas são Times New Roman ou Arial, com tamanho 12 para o texto principal. Em casos de exigências extensas (mais de quatro linhas), notas de rodapé e resumos, o tamanho deve ser reduzido para 10. O espaçamento entre linhas deve ser 1,5, enquanto os parágrafos devem manter espaçamento zero antes e depois, garantindo uma apresentação equilibrada e legível. As margens configuram-se da seguinte forma: 3 centímetros nas bordas superior e esquerda, e 2 centímetros nas margens inferior e direita. Essa disposição favorece a harmonia visual do documento e facilita procedimentos como a encadernação. Além dessas especificações, orientações fornecidas relacionadas às especificações, resumos, referências e demais aspectos estruturais devem ser consultados nas normas da ABNT aplicáveis. Seguir essas diretrizes garante a uniformidade e a conformidade dos textos acadêmicos, contribuindo para sua clareza e qualidade formal. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, R. M. V. R. Elementos da Escrita Científica para o Pesquisador Iniciante. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6023: informação e documentação: estabelece os critérios para a elaboração de referências bibliográficas em trabalhos acadêmicos e documentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2012. BOAS, F. Antropologia cultural. São Paulo: Contexto, 2023. BRASIL. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova as seguintes diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos; revoga as (RES. 196/96) [...]. Brasília - DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos- normativos/resolucoes/2012/resolucao-no-466.pdf/view. Acesso em: 08 ago. 2025. BROTHERHOOD, K. (org.). Sociologia da Educação. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2024. CARVALHO, M. C. M. de (org.). Construindo o saber: metodologia científica - fundamentos e técnicas. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. CUNHA, C. da; SOUSA, J. V. de; SILVA, M. A. da. (org.). O método dialético na pesquisa em educação. Campinas: Autores Associados, 2023. DEMO, P. Educar pela pesquisa. 1. ed. Campinas: Autores Associados, 2021. FAZENDA, I. (org.). A pesquisa em educação e as transformações do conhecimento. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. FAZENDA, I. C. A.; TAVARES, D. E.; GODOY, H. P. Interdisciplinaridade na pesquisa científica. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. GERRING, J. Pesquisa de estudo de caso: princípios e práticas. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2019. GOMES NETO, J. M. W.; ALBUQUERQUE, R. B. de; SILVA, R. F. da. Estudos de caso: Manual para a pesquisa empírica qualitativa. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2024. KAPLAN, D. Manual de metodologia quantitativa para as Ciências Sociais. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2024. MARSOLIK, L. Pesquisa social e projetos interventivos. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2020. 55 MEIRA, A. C. S. A escrita científica no divã: entre as possibilidades e as dificuldades para com o escrever. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2023. MORELAND, J. P. et al. (ed.). Evolução teísta: uma crítica científica, filosófica e teológica. São Paulo: Vida Nova, 2022. NERY, M. C. R. Sociologia contemporânea. Curitiba: Intersaberes, 2019. OLIVEIRA, A. P. W. L. C. de. Metodologia científica. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2021. OLIVEIRA, C. M. C. B. de. et al. (coord.). Metodologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. 1. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2022. PÁTARO, C. R.; OLIVA, D. C. Construindo a pesquisa: métodos, técnicas e práticas em sociologia. 2. ed. Curitiba: Intersaberes, 2023. PEREIRA, A. F. Escrita científica descomplicada. 1. ed. São Paulo:Labrador, 2021. PUNCH, K. F. Introdução à pesquisa social: abordagens quantitativas e qualitativas. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2021. RODRIGUES, L. G. R.; SILVA, S. C. da. Educação científica com enfoque em CTSA. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2022. SANTIAGO, J. F. Hermenêutica, eclesiologia e teologia pública. 1. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2023. SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 19. ed. Campinas: Autores Associados, 2021. SOARES, E. M. S.; SOUZA, J. E. de (org.). Estudos e horizontes de pesquisa em educação. 1. ed. Porto Alegre: Educs, 2022. SOARES, K. C. D. Pesquisa como princípio educativo. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2020. TERRA, R. R.; TERRA, W. R. Filosofia da ciência: fundamentos históricos metodológicos, cognitivos e institucionais. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2023. TRINCA, W. (org.). A organização do pensamento clínico na psicoterapia. São Paulo: Vetor, 2023. WATSON, R.; GASTALDO, É. Etnometodologia e análise da conversa. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2015. 56 ZANETTI, C. E. Os quatro discursos de Lacan e a construção do caso clínico: método heurístico, neurose modelo e ato analítico. 1. ed. Curitiba: Appris, 2023.da metodologia científica constituem o alicerce para a produção de conhecimento sistematizado e rigoroso, fundamental para qualquer área do saber. É por meio desses fundamentos que o pesquisador é capaz de estruturar todo o processo investigativo, conduzindo sua pesquisa com clareza, organização e critérios técnicos que garantem a validade dos resultados. A metodologia não se limita a um conjunto fixo de etapas, mas compreende o uso de princípios e ferramentas que orientam a formulação de problemas, a escolha dos métodos mais adequados, a coleta e análise dos dados, bem como a apresentação articulada dos achados. Ao estudar as bases teóricas da pesquisa científica, o pesquisador encontra o suporte intelectual que fundamenta suas investigações. Essa base é composta por teorias, conceitos e estudos prévios pertinentes ao objeto de estudo, os quais são criteriosamente selecionados para contextualizar a pesquisa dentro do conhecimento existente. Esse processo não apenas situa o trabalho no panorama científico, mas também evidencia lacunas e possibilidades inéditas para investigação. A elaboração sólida dessa base teórica é imprescindível, pois orienta a construção do referencial que guiará toda a pesquisa, evitando abordagens superficiais e garantindo densidade analítica. Os trabalhos acadêmicos e científicos configuram-se como o meio pelo qual o conhecimento produzido é divulgado, validado e incorporado ao acervo científico. Eles devem seguir rigorosos padrões técnicos e éticos, englobando a definição clara do tema, a fundamentação teórica, a metodologia aplicada, a análise crítica dos dados e as conclusões relevantes ao campo estudado. A observância dessas normas, como as estabelecidas pela ABNT para a normalização de textos e referências, assegura a uniformidade, a transparência e a confiabilidade das pesquisas apresentadas, facilitando a compreensão e o posterior aproveitamento das contribuições pelos demais pesquisadores. Em suma, o estudo aprofundado dos fundamentos da metodologia científica, das bases teóricas e das características dos trabalhos acadêmicos e científicos forma a espinha dorsal do desenvolvimento do conhecimento acadêmico. 4 3 FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA CIENTÍFICA O termo "Metodologia" deriva de "método", palavra originada do latim methodus, que significa o caminho ou a via para realizar algo. O método compreende o conjunto de procedimentos utilizados para alcançar determinado conhecimento ou resultado. Assim, uma metodologia consiste no estudo dos meios e estratégias que orientam a investigação, permitindo o desenvolvimento do conhecimento sobre características sociais ou naturais. Conforme Oliveira (2021), a metodologia auxilia na organização das etapas do estudo e na fundamentação das escolhas feitas pelo pesquisador, assegurando a coerência e a validade dos resultados obtidos. Entenderemos a Metodologia como uma disciplina que se dedica ao estudo, análise e compreensão dos diferentes procedimentos que fundamentam uma investigação científica. Seu papel é examinar, sistematizar e avaliar as diversas técnicas utilizadas para a coleta e análise de dados, com o propósito de conduzir a pesquisa rumo à solução de problemas ou à elucidação de questões específicas. Essa disciplina orienta a seleção e aplicação de instrumentos que facilitam a quantificação, organização e interpretação das informações contidas, contribuindo para a construção sólida e confiável do conhecimento científico. A Metodologia consiste na aplicação organizada de métodos e procedimentos que auxiliam na observação, na execução e na coleta de informações, permitindo a obtenção de resultados ou validações fáceis. Esse conjunto de técnicas pode ser utilizado em diferentes áreas sociais, ampliando seu alcance. Para compreender completamente o processo investigativo, é imprescindível dominar o conceito de ciência, visto que a literatura acadêmica apresenta uma variedade extensa de definições e abordagens sobre o tema. Isso contribui para a construção de uma compreensão sólida sobre a natureza e as bases do conhecimento produzido. 3.1 O conceito de ciência A ciência pode ser compreendida como o conjunto organizado de conhecimentos que compõem um campo específico de estudo, possibilitando ao ser humano explorar e usufruir das potencialidades oriundas do saber e da técnica. Ela 5 envolve uma observação detalhada e sistematizada das características que ocorrem em determinados contextos, bem como a formulação de princípios gerais que explicam tais eventos. Além disso, a ciência representa o saber adquirido por meio da leitura, reflexão e análise, incluindo também o conjunto de conhecimentos práticos aplicados com um propósito definido. Trata-se, ainda, do acervo total dos conhecimentos humanos, estruturados conforme sua própria natureza. Finalmente, a ciência pode ser vista como um sistema racional que permite ao indivíduo relacionar-se com o mundo natural, buscando alcançar resultados positivos e controlados. A partir do que expõe Nery (2019), a ciência pode ser definida como um conhecimento sistematizado, organizado para estudar e explicar características observadas por meio de processos racionais e objetivos. Ela se fundamenta na observação rigorosa, no estabelecimento de leis que regem tais especificações e na formulação de explicação por meio de uma linguagem clara e precisa, muitas vezes aprimorada na matemática. O conhecimento científico é resultado de um sistema consistente, não quais ideias estão interligadas e submetidas a verificações constantes por meio de experimentação e análise crítica, garantindo a validade e a confiabilidade dos resultados. A ciência busca compreender o comportamento das especificações, permitindo a elaboração de teorias geralmente universais, que podem ser testadas, adaptadas ou refutadas diante de novas evidências. Essa característica torna o conhecimento científico falível, admitindo revisão e aprimoramento contínuo. Além disso, a ciência é metódica, envolveu planejamento e técnicas específicas para coleta e interpretação de dados, promovendo o avanço acumulativo do saber humano. Dessa forma, o conhecimento científico se diferencia de outras formas de saber pela rigorosidade e sistematicidade dos processos investigativos, que garantem maior segurança e profundidade na compreensão do mundo. No campo científico, torna-se mais claro distinguir o que não pertence ao conhecimento legítimo dessa área, facilitando a delimitação do que este saber não representa. O conhecimento científico não se confunde com o senso comum, nem tampouco com a sabedoria popular ou o bom-senso. Da mesma forma, não deve ser confundido com ideologias ou preso a um único modelo explicativo fixo. 6 Ao contrário, o desenvolvimento científico ocorre por meio da tensão entre diferentes paradigmas, que se desafiam e se modificam mutuamente. Esse movimento constante impede que o conhecimento científico seja considerado algo definitivo ou fechado, configurando-o como um processo dinâmico, em constante renovação e aprimoramento. Tal característica distingue a ciência de outras formas de compreensão. No âmbito da produção científica, existem critérios formais que permitem identificar um discurso como científico perante a coletividade, distinguindo- o de outras formas de saber, como a sabedoria popular, o senso comum e as ideologias. Saviani (2021) apresenta características essenciais para definir esse tipo de conhecimento: • Objetividade: o conhecimento deve retratar a realidade de forma independente das opiniões ou interesses do investigador. • Sistematicidade: as ideias precisam ser organizadas de maneira racional, permitindo que se analise a totalidade a partir de suas partes. • Definição clara do objeto de estudo: é necessário delimitar com precisão aquilo que será analisado, observado,interpretado ou verificado. • Controle e observação das observações: deve haver rigor na coleta e na qualidade dos dados, garantindo a confiabilidade dos processos envolvidos. • Originalidade: o discurso científico carrega a expectativa de apresentar contribuições inovadoras que agreguem valor à sociedade. • Coerência e consistência: o texto deve ser apresentado bem estruturado, com argumentação lógica fundamentada em teorias, métodos e dados devidamente tabulados. • Verificabilidade: permite a comprovação da veracidade das informações apresentadas. • Linguagem precisa: é importante utilizar termos em seus sentidos exatos, evitando o uso excessivo de qualificativos subjetivos. • Ética: a produção do conhecimento científico deve visar o benefício coletivo, preservando princípios que impeçam que os meios se tornem fins em si mesmos e que assegurem sua utilidade também para grupos minoritários. Existem diversas maneiras de caracterizar o conhecimento científico, mas apresentamos aqui algumas perspectivas essenciais para orientar a compreensão e 7 a formalização desse saber. Oliveira (2021) destaca que a ciência abrange tudo aquilo que pode ser formalizado e analisado em suas partes constituintes. Mesmo assim, a realidade não se restringe apenas aos aspectos formalizados, pois também é composta por elementos concretos em sua totalidade. O racionalismo lógico, ao priorizar a experiência sistemática, tende a impor resultados rígidos e critérios metodológicos estruturados de forma hierárquica e ordenada. Esse tipo de conhecimento é conhecido pela expressão “ditadura do método”, que indica a forte imposição de procedimentos científicos como norma dominante na construção do saber. 3.1.1 Conhecimento científico e popular O ser humano possui uma especialização natural para compreender o universo que o rodeia, utilizando-se de suas capacidades cognitivas para essa finalidade. A busca pelo saber ocorre por meio de diversas vias que despertam sua atenção para o descobrimento, entre as quais se destacam as sensações, os sentimentos, a memória, a imaginação, a intuição, o raciocínio e a linguagem. Cada um desses elementos contribui para a apreensão da realidade, seja captando informações, atribuindo significados ou processando e comunicando ideias. Em análise de Oliveira et al. (2022) esses variados recursos revelam a complexidade do processo cognitivo humano, no qual se combinam percepções imediatas e faculdades intelectuais, conectando o indivíduo ao mundo à sua volta de forma dinâmica e interativa. A compreensão do real não se limita à simples observação, mas envolve uma construção contínua a partir das experiências vívidas e da reflexão crítica, o que permite ampliar o compreender e aprofundar o conhecimento em diferentes níveis. Tanto o saber científico quanto o conhecimento popular exercem papéis importantes no progresso social. Conforme Oliveira (2021), o conhecimento científico oferece ferramentas valiosas para observar, examinar e estabelecer a plausibilidade dos fatos e fenômenos, sejam eles de natureza social ou natural. Segundo Carvalho (2022), a atividade científica gera saberes que têm relevância direta para a vida em sociedade, pois se caracterizam por sua capacidade analítica, possibilidade de comunicação e função preditiva — ao compreender o passado, é possível projetar cenários futuros. Adicionalmente, as descobertas científicas podem reestruturar 8 modos antigos de compreender o convívio social, promovendo transformações no pensamento coletivo. A distinção entre os paradigmas do conhecimento é essencial para a compreensão da produção e validação do saber humano (Carvalho, 2022). Conforme pode ser visualizado no Quadro 1, são apresentadas as características principais que diferenciam o conhecimento popular do conhecimento científico, enfatizando suas bases epistemológicas, organização e critérios de verificação. Tal sistematização promove uma visão crítica que permite entender as funções e limitações inerentes a cada tipo de saber nas práticas sociais e acadêmicas. Quadro 1 - Paradigmas do conhecimento popular e científico Aspectos Comparativos Conhecimento Popular Conhecimento Científico Base Epistemológica Fundamento em valores e experiências pessoais Fundamentação em fatos empíricos e verificados Natureza do Saber Reflexivo e subjetivo Empírico, contingente e objetivo Estrutura Informal e não sistematizada Organizado e metodicamente sistematizado Critério de Verificação Verificável dentro do cotidiano, porém com limitações Verificável e comprovado por métodos rigorosos Grau de Confiabilidade Passível de erros e imprecisões Passível de revisão, com alto grau de aproximação à verdade Fonte: elaborado pelo autor. De acordo com o Quadro 1, observa-se que o conhecimento popular se apoia em valores subjetivos e apresenta uma estrutura menos formalizada, com um alcance de verificação restrito às vivências cotidianas, o que implica maior susceptibilidade a erros e imprecisões. Por outro lado, o conhecimento científico adota uma metodologia sistemática e rigorosa, alicerçada em evidências verificáveis, o que assegura maior confiabilidade e possibilita revisões contínuas. Essa distinção reforça a importância de reconhecer a complementaridade entre esses saberes para enriquecer a compreensão e a explicação dos fenômenos sociais e naturais. O conhecimento científico apoia-se em um conjunto organizado de procedimentos intelectuais e técnicos com o propósito de alcançar os objetivos da investigação. Nesse contexto, os métodos científicos configuram-se como o conjunto de processos e operações cognitivas aplicados durante a pesquisa. Eles orientam a sequência lógica do raciocínio que guiará o estudo. Entre os principais métodos empregados destacam-se o dialético, o fenomenológico, o dedutivo, o indutivo e o 9 hipotético-dedutivo. Vale salientar que é possível combinar mais de um método em um mesmo trabalho, de modo a fortalecer a abordagem investigativa e ampliar a compreensão do fenômeno em análise. 3.1.2 Método científico O método científico deve ser compreendido como elemento essencial para a condução e a conclusão de uma investigação, pois fornece a orientação necessária para o desenvolvimento do estudo, indicando quais procedimentos deverão ser adotados e de que maneira proceder. Sob essa perspectiva, o método atua como guia para alcançar os objetivos da pesquisa e obter resultados consistentes. Diversas abordagens metodológicas podem ser empregadas para conduzir o trabalho, permitindo que o problema central seja analisado e respondido com clareza e rigor. De acordo com Carvalho (2022), os métodos científicos são definidos conforme o objeto investigado e os propósitos do resultado esperado. Ao longo do avanço do conhecimento científico e das transformações sociais, diversos intelectuais, como filósofos, sociólogos e outros integrantes da comunidade acadêmica, contribuíram para o desenvolvimento e a renovação de técnicas e abordagens para analisar fenômenos ou objetos específicos. Nesse contexto, destacam-se dois grupos principais de métodos essenciais para a elaboração de artigos científicos, pesquisas e projetos acadêmicos: os métodos de abordagem e os métodos de procedimentos. Esses agrupamentos metodológicos orientam a estruturação e o desenvolvimento dos estudos, assegurando rigor e clareza na investigação. 3.1.3 Métodos de abordagem O método de abordagem pode ser compreendido como o caminho ou a forma que orienta o processo de pensamento na investigação científica, fornecendo os fundamentos para a construção de uma base coerente e sólida para o estudo. Por meio desses métodos, o pesquisador estabelece diretrizes que permitem distinguir claramente os objetivos próprios da ciência daqueles vinculados ao senso comum, adotando procedimentosracionais que são aplicáveis a diferentes áreas do conhecimento. 10 O método de abordagem oferece ao pesquisador a possibilidade de delimitar a extensão da investigação, definindo as ideias generalizadoras, explicando os fenômenos e estabelecendo as normas para essa explicação (Oliveira, 2021). Entre os métodos utilizados podem ser destacados: o fenomenológico, o dialético, o dedutivo, o indutivo e o hipotético-dedutivo. Cada um desses procedimentos está associado a uma tradição filosófica específica, conforme ilustrado no Quadro 2, o que fundamenta a perspectiva adotada para a análise e a interpretação dos dados. Quadro 2 - Métodos científicos e suas abordagens filosóficas Métodos Científicos Correntes Filosóficas Correspondentes Descrição da Abordagem Filosófica Dialético Materialismo Dialético Foca na análise da realidade como dinâmica e contraditória, enfatizando o processo de mudança e conflito na natureza e sociedade. Fenomenológico Fenomenologia Estuda as experiências vividas buscando compreender a essência dos fenômenos sem pré- concepções. Hipotético-dedutivo Neopositivismo Baseia-se na formulação de hipóteses testáveis, privilegiando a verificação empírica e a lógica formal. Dedutivo Racionalismo Parte de princípios gerais para explicar casos particulares, valorizando a razão e o raciocínio lógico. Indutivo Empirismo Constrói conceitos a partir da observação repetida de fatos particulares, enfatizando a experiência sensível. Fonte: elaborado pelo autor. Essa relação entre método e corrente filosófica configura a base epistemológica da investigação, permitindo ao pesquisador organizar o raciocínio investigativo de forma coerente e alinhada aos pressupostos teóricos subjacentes ao estudo. Assim, a escolha do método de abordagem não apenas orienta a condução da pesquisa, mas também define o modo como os resultados serão compreendidos e validados dentro do contexto científico. 3.1.4 Método fenomenológico O método fenomenológico dedica-se à análise dos dados e dos aspectos essenciais do fenômeno, procurando compreender como ele é percebido na experiência direta, sem recorrer a deduções adicionais ou abordagens empíricas 11 convencionais. Baseia-se na intuição e na observação pura do fenômeno, focando-se no dado percebido, independentemente de sua natureza fictícia ou concreta (Carvalho, 2022). A proposta é apreender o fenômeno tal como ele se manifesta de forma imediata e natural, sem influências externas, por meio de uma análise rigorosa que assegure a apresentação clara dos dados e uma explicação alinhada ao que foi observado, evitando interferências que possam distorcer sua essência. O método fenomenológico tem como objetivo principal explorar a relação entre a essência e o fenômeno, buscando acessar o que se encontra por trás da realidade aparente, sem impor pressupostos ou subjetividades do pesquisador. As estratégias de investigação ligam-se ao caráter qualitativo e à flexibilidade estrutural, permitindo que a realidade seja compreendida sob múltiplas perspectivas. Dessa maneira, a fenomenologia admite diversas interpretações e compreensões, reconhecendo a pluralidade das formas pelas quais o fenômeno pode ser revelado e sentido. Na perspectiva fenomenológica, a redução fenomenológica consiste em suspender temporariamente todas as crenças, pressupostos, conceitos e teorias previamente adquiridos — como se fossem guardados em um ambiente isolado, apagando suas influências momentaneamente. Esse procedimento busca que o investigador se despoje de preconceitos e conheça o fenômeno em sua pureza, permanecendo receptivo a novas formas de entendimento e interpretação, permitindo que a experiência se revele em sua essência autêntica. 3.1.5 Método dialético O método dialético fundamenta-se na ideia de que a realidade está em constante transformação, na qual processos de mudança ocorrem por meio de ciclos em que elementos novos emergem, desconstruindo e modificando o que se encontra ultrapassado. O conceito de dialética tem origem na Antiguidade, atribuindo uma dimensão científica ao discurso que o utiliza. Esse conceito alcançou sua forma mais desenvolvida com a filosofia de Hegel (Saviani, 2021) e foi posteriormente adotado por Karl Marx, buscando interpretar a sociedade sob a premissa de que todos os fenômenos apresentam contradições internas que coexistem e não podem ser separadas (Cunha; Sousa; Silva, 2023). O método dialético destaca que as transformações presentes na natureza ocorrem por meio de um ciclo de contradições, no qual todos os elementos que 12 compõem um fenômeno estão inter-relacionados. Para compreender um determinado objeto ou fenômeno, o pesquisador deve analisá-lo sob múltiplas perspectivas, buscando apreendê-lo em sua integralidade. Cunha, Sousa e Silva (2023) identificam princípios essenciais à dialética, dentre os quais se encontram: • Princípio da unidade e luta dos contrários (unidade dos opostos): os fenômenos manifestam características contraditórias que são inseparáveis. Essa oposição gera uma tensão contínua, provocando o desenvolvimento social e a transformação dos processos envolvidos. • Princípio da transformação das mudanças quantitativas em qualitativas: a qualidade e a quantidade são atributos inerentes aos objetos e fenômenos, estando interligados de modo que variações quantitativas acabam por promover alterações qualitativas. • Princípio da negação da negação: o processo de desenvolvimento segue um ciclo no qual uma realidade é superada por modificações, e esta superação por sua vez é rejeitada em um segundo momento, conduzindo à transformação e à evolução dialética daquilo que se investiga. A dialética enfatiza as transformações qualitativas, minimizando a predominância do aspecto quantitativo nas análises. Dessa forma, as investigações que adotam essa perspectiva proporcionam um debate teórico aprofundado, o qual contrapõe-se às abordagens positivistas, que privilegiam a quantificação e o tratamento matemático dos dados. Essa distinção evidencia a diferença entre um olhar preocupado com a compreensão complexa dos fenômenos sociais e históricos e outro focado em mensurações estatísticas e empirismo estrito. 3.1.6 Método dedutivo O método dedutivo baseia-se em um processo de raciocínio que se inicia em princípios universais ou em leis gerais, para então alcançar conclusões específicas. Por meio dessa lógica, busca-se compreender casos particulares a partir de teorias amplas ou verdades consideradas universais. Essa abordagem é amplamente empregada em áreas como Física, Matemática e Lógica. Contudo, sua aplicação nas Ciências Sociais é mais restrita, pois concentra-se unicamente na razão como caminho para a obtenção do conhecimento. 13 De acordo com Oliveira et al. (2022), o uso do racionalismo, da lógica coerente, dos argumentos fundamentados e do princípio da não contradição é adequado para garantir a validade das conclusões obtidas. O raciocínio lógico deve ser estruturado por meio de premissas claras e fundamentadas, que conduzam a uma conclusão legítima. A seguir, a Figura 1 apresenta o esquema clássico empregado para ilustrar o funcionamento do método dedutivo. Figura 1 - Esquema de silogismo dedutivo Fonte: Oliveira et al. 2022. O método dedutivo possibilita interpretar e concluir uma mesma proposição de diferentes maneiras, porém apresenta uma limitação: não acrescenta novo conhecimento ao partir da premissa universal já estabelecida. A validade da conclusão depende do conhecimento pré-existente do pesquisador, que precisa assumir como verdadeira a afirmação geral (premissa maior). Por conseguinte, surge uma crítica sobre a origem desse saber, pois a convicção de que “todo homem é mortal” não se fundamenta na observação de casos concretos, mas na aceitação prévia de uma proposta,configurando uma postura dogmática no processo investigativo. 3.1.7 Método indutivo O método indutivo caracteriza-se por sua capacidade de estabelecer generalizações a partir da análise de casos específicos, invertendo a lógica do raciocínio dedutivo. Conforme Oliveira et al. (2022), esse procedimento consiste em observar particularidades para, progressivamente, construir explicações e teorias de âmbito mais amplo. Nessa visão, as condições e características observadas em situações concretas servem como base para a formulação de princípios ou leis gerais que orientam o entendimento dos fenômenos investigados. 14 O método indutivo exige um processo rigoroso de verificação, observação e experimentação, partindo das manifestações dos fenômenos para identificar suas causas subjacentes. Trata-se de um procedimento cognitivo que, a partir da análise de dados singulares, fundamenta uma proposição de ordem geral e universal. Ou seja, o raciocínio desloca-se do específico para o abrangente, a partir de premissas particulares que sustentam a construção do conhecimento mais amplo. A seguir, apresenta-se uma representação didática do funcionamento desse método na Figura 2. Figura 2 - Exemplo de raciocínio indutivo Fonte: Oliveira et al. 2022. As conclusões derivadas do processo indutivo baseiam-se em observações que transcendem as premissas iniciais, diferentemente do método dedutivo, no qual a conclusão é necessariamente verdadeira desde que as premissas sejam verdadeiras. Na indução, as conclusões obtidas possuem caráter probabilístico, indicando uma alta plausibilidade, mas não absoluta certidão. Essa abordagem revelou-se de grande relevância para as Ciências Sociais, pois orientou pesquisadores a valorizarem a observação sistemática como procedimento essencial para a construção do conhecimento científico. Consequentemente, foram desenvolvidas variadas técnicas de coleta de dados e instrumentos metodológicos voltados para a análise detalhada dos fenômenos sociais (Carvalho, 2022). 15 3.1.8 Método hipotético-dedutivo O método hipotético-dedutivo foi sistematizado em 1935 por Karl Popper (1972), que destacou lacunas no entendimento das hipóteses e no desenvolvimento do raciocínio dedutivo. Esse método consiste em formular hipóteses que explicam determinado fenômeno e, em seguida, submeter essas proposições à verificação, buscando identificar possíveis falhas ou inconsistências no processo. Dessa forma, é caracterizado como uma abordagem baseada na formulação de conjecturas e na eliminação gradual de erros, promovendo o avanço do conhecimento científico por meio do teste rigoroso das hipóteses propostas (Cunha; Sousa; Silva, 2023). A hipótese representa uma suposição considerada plausível antes de sua validação, funcionando como uma proposição preliminar a ser confirmada ou refutada. Trata-se de uma interpretação provisória do problema investigado, que propõe uma possível solução ou explicação mediante uma conjectura destinada a ser verificada por meio de evidências empíricas. Considerando Carvalho (2022), a formulação da hipótese configura uma etapa essencial dentro do método científico, orientando o desenvolvimento da investigação ao direcionar quais observações ou experimentos serão necessários para testar a veracidade da suposição apresentada. A hipótese, portanto, proporciona uma base inicial que guia o processo de coleta e análise dos dados, conforme ilustrado no esquema elaborado pelo autor. Figura 3 - Esquema do método hipotético-dedutivo Fonte: Carvalho, 2022. No método hipotético-dedutivo, o processo de investigação inicia-se com a definição de um problema, que deve ser formulado de maneira clara, precisa e objetiva, permitindo a delimitação dos principais aspectos que orientarão o estudo. Em seguida, o pesquisador examina o contexto no qual o objeto está inserido ou o universo da pesquisa. A partir dessa análise, elaboram-se hipóteses que serão submetidas a verificação por meio de testes, observações e experimentações cuidadosas. Dependendo dos resultados obtidos, as hipóteses podem ser ajustadas 16 ou mantidas, dando origem a novos ciclos investigativos até que se alcance a coerência entre as proposições teóricas e os dados empíricos observados. 3.1.9 Métodos de procedimentos Os métodos de procedimentos apresentam menor grau de subjetividade em comparação aos métodos de abordagem, pois estão diretamente relacionados às técnicas e estratégias específicas que o pesquisador emprega para atingir os objetivos da investigação. A seleção de um determinado procedimento influencia não apenas a coleta, mas também a análise dos dados e a interpretação dos resultados, pois integra as etapas práticas da pesquisa. Conforme Rodrigues e Silva (2022), tais métodos são frequentemente aplicados no estudo dos fenômenos sociais, sendo característicos da pesquisa social. Não é incomum a conjugação de mais de um procedimento em um único trabalho, visto que um método isolado nem sempre consegue conduzir todo o desenvolvimento do estudo de maneira adequada. Dentre as técnicas mais utilizadas destacam-se: o histórico, o observacional, o estatístico, o clínico, o monográfico e o comparativo. A combinação desses métodos possibilita uma abordagem mais abrangente e eficaz para compreender os fenômenos investigados. 3.1.10 Método histórico O método histórico estrutura-se na investigação criteriosa de acontecimentos, processos, personagens, ideias e instituições que marcaram períodos anteriores, a fim de identificar suas origens, transformações e repercussões. Seu objetivo central é compreender não apenas fatos isolados, mas interpretar como elementos sociais, culturais, econômicos e políticos se inter-relacionam ao longo do tempo, influenciando o presente e delineando possíveis caminhos futuros. Esse método adota como premissa a dinamicidade das instituições e práticas humanas, reconhecendo que estruturas sociais e valores modificam-se conforme as condições culturais, políticas e tecnológicas de cada época. Ao abordar documentos, relatos, registros oficiais, obras literárias, vestígios materiais e até tradições orais, a análise histórica busca estabelecer conexões entre passado e contexto social, interpretando fontes segundo critérios de autenticidade, veracidade e representatividade. 17 O procedimento histórico não se restringe à mera cronologia ou descrição factual; privilegia a interpretação crítica das transformações em sociedades, relacionando causas e consequências, identificando permanências, rupturas e adaptações. Essa perspectiva permite ao pesquisador perceber os sentidos atribuídos pelos sujeitos aos eventos que vivenciaram, bem como compreender a historicidade dos conceitos, práticas e instituições estudadas. No campo das ciências sociais, o método histórico revela-se indispensável para explicar como estruturas institucionais—tais como família, Estado, escola, igreja ou sistema jurídico—adaptam-se a mudanças culturais, disputas de poder, avanços tecnológicos e movimentos sociais. Por meio dessa abordagem, é possível desvendar singularidades culturais de um período, problematizar narrativas oficiais e dar voz a sujeitos historicamente silenciados. De acordo com Rodrigues e Silva (2022), ao se apoiar em procedimentos qualitativos, o pesquisador histórico prioriza a contextualização ampla dos fenômenos, evitando análises anacrônicas e interpretações lineares. Desse modo, o método histórico destaca-se não só pela reconstituição de fatos passados, mas também pela capacidade de iluminar processos de mudança social e cultural que ainda reverberam no presente. 3.1.11 Método experimental O método experimental se caracteriza pela prática rigorosa de manipular e controlar as variáveis que influenciam o fenômeno em estudo, visando identificar relações de causae efeito. Ao contrário de abordagens meramente observacionais, que registram eventos sem interferência, esse método promove a criação de condições específicas e controladas, nos chamados ambientes experimentais, para testar hipóteses com maior precisão. A definição clara das variáveis é essencial: distinguem-se variáveis independentes, que são manipuladas pelo pesquisador, e variáveis dependentes, que são observadas e medidas para avaliar o impacto das modificações. O controle de variáveis externas ou interferentes assegura que os resultados possam ser atribuídos aos fatores investigados, minimizando vieses e garantindo maior validade interna ao estudo. 18 Além disso, o método experimental emprega procedimentos padronizados para garantir a reprodutibilidade dos experimentos, condição fundamental para a confirmação dos achados científicos. Esse rigor metodológico permite não só a verificação da hipótese inicial, como também a generalização dos resultados para situações similares, desde que respeitadas as condições impostas. Nas Ciências Naturais e Físicas, a experimentação oferece um caminho direto para testar teorias e explicações, contribuindo para o avanço do conhecimento por meio da validação empírica e da refutação de suposições incorretas. Entretanto, sua aplicação em Ciências Sociais é mais complexa, devido à dificuldade de controlar múltiplas variáveis sociais e culturais, e à influência dos contextos humanos. Carvalho (2022) enfatiza que o método experimental também pode envolver delineamentos distintos, tais como experimentos laboratoriais, de campo ou naturais, cada um com suas particularidades e graus variados de controle e manipulação. A escolha do delineamento adequado deve considerar os objetivos da pesquisa, a natureza do fenômeno estudado e as limitações práticas que o pesquisador enfrenta. 3.1.12 Método observacional O método observacional é amplamente explorado nas investigações das Ciências Sociais, destacando-se por sua antiguidade aliada à relevância contemporânea. Tal abordagem assegura elevada precisão na análise das tendências sociais, diferenciando-se do método experimental ao não interferir nos acontecimentos estudados. O investigador limita-se a registrar e interpretar fatos que ocorrem ou que ocorrem, sem manipular variações ou influenciar a situação. A adoção do método observacional como foco central em diversas pesquisas sociais evidencia sua importância, ainda que, em muitos casos, seja combinada com outras metodologias para enriquecer e complementar a compreensão dos objetos investigativos (Cunha; Sousa; Silva, 2023). 3.1.13 Método comparativo O método comparativo fundamenta-se na investigação sistemática e detalhada de diferentes unidades de análise, como grupos sociais, instituições, eventos ou especificidades, buscando identificar tantas convergências quanto divergências entre eles. Essa técnica permite extrair padrões e contrastes que enriquecem a 19 compreensão das estruturas e dinâmicas sociais, favorecendo a construção de explicações mais complexas e contextualizadas. No âmbito das Ciências Sociais, a análise comparativa é especialmente útil para possibilitar a avaliação de realidades distintas que podem estar separadas por distâncias geográficas, históricas ou culturais. Ao confrontar esses contextos, o pesquisador pode refletir sobre processos comuns, diferenças significativas e até fatores determinantes que influenciam o desenvolvimento social, político, econômico ou cultural de cada grupo ou sociedade (Terra; Terra, 2023). Além disso, o método comparativo oferece um recurso importante para a formulação e validação de teorias sociais, pois possibilita testar hipóteses em múltiplos ambientes, conferindo maior robustez e abrangência às conclusões. A comparação cuidadosa evita generalizações apressadas, estimulando uma análise crítica que leva em conta a especificidade dos contextos estudados. É relevante destacar que esta abordagem requer um trabalho específico de delimitação dos critérios comparativos e das variáveis verificadas, garantindo que as comparações sejam significativas e fundamentadas. O pesquisador deve estar atento às diferenças contextuais para não errar em análises simplistas ou invejadas, desenvolvendo, assim, uma investigação sensível às particularidades de cada caso. Dessa forma, a utilização do método comparativo enriquecedor o campo das Ciências Sociais ao ampliar os horizontes analíticos, promovendo a compreensão de características complexas a partir do exame simultâneo de múltiplas realidades. Sua flexibilidade metodológica favorece tanto pesquisas quantitativas, ao comparar indicadores entre grupos, quanto qualitativos, ao interpretar significados e contextos específicos. 3.1.14 Método estatístico O método estatístico dedica-se à análise quantitativa das especificações sociais, permitindo organizar e interpretar dados numéricos encontrados por meio de diferentes técnicas, como censos, inquéritos, pesquisas e registros administrativos. Por meio do uso de cálculos probabilísticos e diversas ferramentas de estatísticas, o pesquisador busca identificar padrões, tendências e relações entre variações que compõem a realidade social investigada. 20 Fazenda, Tavares e Godoy, (2022) destacam que uma das principais contribuições desse método reside na sua capacidade de sintetizar grandes volumes de dados de forma sistemática, facilitando a compreensão de especificações específicas com base em evidências quantitativas. A aplicação de medidas como médias, medianas, variâncias, correlações e regressões permite não apenas caracterizar o objeto de estudo, mas também testar hipóteses e construir modelos que possam explicar as dinâmicas sociais observadas. Cumpre destacar que, embora o método estatístico proporcione análises de elevado grau de precisão, seus resultados são interpretados dentro do regime de probabilidade, o que implica necessariamente em margem de incerteza. Nesse sentido, os estudos baseados nessa abordagem não apresentam verdades definitivas, mas indicam a probabilidade de ocorrência de determinadas características ou relações entre variáveis, exigindo, assim, um olhar crítico e contextualizado por parte do pesquisador. Além disso, o uso de amostras representativas é fundamental para garantir a validade e a generalização das instruções extraídas. Uma técnica amostral deve ser cuidadosamente planejada para evitar vieses e garantir que os dados encontrados sejam refletidos especificamente para a população estudada. Instrumentos metodológicos como testes de significância, intervalos de confiança e análise multivariada fortalecem a robustez da investigação. Na dimensão prática, o método estatístico oferece ferramentas essenciais para elaboração de políticas públicas, avaliação de programas e pesquisas acadêmicas, necessária tanto para descrever situações quanto para prever comportamentos futuros. Sua aplicação abrange diversas áreas, desde educação e saúde até economia e sociologia, tornando-se necessária para a compreensão da sociedade em suas diversas facetas. Portanto, a combinação entre rigor matemático e aplicação crítica permite que o método estatístico contribua de maneira significativa para o avanço do conhecimento nas Ciências Sociais, ampliando o alcance e a profundidade das análises realizadas. Dessa forma, os pesquisadores oferecem interpretações mais justificadas, fundamentadas em dados quantitativos que enriquecem as discussões teóricas e práticas no campo social. 21 3.1.15 Método clínico O método clínico enfatiza uma relação direta e profunda entre o pesquisador e o sujeito da pesquisa, o que em síntese o torna uma estratégia metodológica focada na compreensão das experiências individuais e das relações sociais em sua especificidade. Tal abordagem não busca generalizações,mas sim apreender as singularidades de cada caso, valorizando a experiência subjetiva e o contexto vívido pelo indivíduo. Zanetti (2023) situa o método clínico no campo da psicologia, sobretudo na psicologia clínica francesa, onde ele está historicamente ligado à psicanálise e à proposta de uma "unidade da psicologia". Essa conferência conecta ao método uma base teórica que privilegia a investigação exaustiva dos casos particulares por meio de entrevistas aprofundadas, testes projetivos, observações das respostas afetivas e verbais, além da análise do desenvolvimento histórico do sujeito. A clínica psicológica, nesse sentido, busca compreender o ser humano em sua totalidade e em sua situação vívida, identificando os conflitos internos e suas interações com o meio social. O método clínico difere das metodologias experimentais por não manipular variáveis nem controlar ambientes. Onde estas últimas procuram estabelecer relações causais por meio da intervenção, a abordagem clínica se fundamenta na escuta atenta e na interpretação detalhada das manifestações psíquicas e comportamentais do sujeito. Segundo Trinca (2023), essa abordagem metodológica permite uma investigação dinâmica, interrelacional e genética da pessoa, considerando não apenas os aspectos atuais do comportamento, mas também sua evolução histórica e a configuração global da personalidade. Dessa forma, o método clínico ilumina as dimensões subjetivas da experiência humana, oferecendo insights valiosos para a prática terapêutica, o aconselhamento psicológico e a intervenção em saúde mental. Apesar da prevalência de métodos experimentais e quantitativos na psicologia contemporânea, o método clínico conserva seu papel indispensável por sua capacidade de captar as complexidades do sujeito singular e de suas vivências, o que enriquece o conhecimento científico e a prática profissional na área. 22 3.1.16 Método monográfico ou estudo de caso O estudo de caso, conforme assinalado por Meira (2023), caracteriza-se pela análise intensa e detalhada de um específico, proporcionando um exame minucioso de todos os seus aspectos relevantes. Esse tipo de investigação promove debates aprofundados sobre o tema abordado, considerando diferentes atores sociais, tais como grupos, indivíduos, instituições ou comunidades. A intenção do pesquisador ao conduzir essa pesquisa consiste em mapear minuciosamente os elementos envolvidos, compreendendo suas relações e impactos dentro do contexto estudado. Essa abordagem possibilita uma introspecção aprofundada nos fatores que compõem o objeto de estudo, valorizando tanto as particularidades quanto as interações complexas entre suas partes. Tal abordagem permite capturar a singularidade dos casos, oferecendo contribuições significativas para a compreensão detalhada das especificações investigadas, ampliando a riqueza do conhecimento gerado (Gerring, 2019). Nessa visão, o estudo de caso não apenas descreve o objeto de análise, mas ainda promove uma reflexão crítica que auxilia em formulações teóricas e práticas, demonstrando-se um recurso específico para áreas que exigem compreensão aprofundada de situações específicas e contextuais. Essa modalidade é comum em estudos sociais, psicológicos e educacionais, nos quais as dinâmicas particulares exigem uma análise minuciosa e contextualizada. 3.1.17 Método etnográfico O método etnográfico, tal como desenvolvido por Boas (2023) consolida-se como um dos pilares centrais da investigação antropológica, orientando o pesquisador para o contato direto, prolongado e reflexivo com o grupo treinado. A descrição minuciosa dos costumes, mitos, práticas alimentares e modos de classificação social das comunidades deve respeitar a singularidade de cada cultura, rejeitando qualquer tentativa de hierarquização ou universalização. Para ele, é necessário registrar detalhadamente a diversidade de versões, práticas e interpretações internas à própria comunidade, pois só assim é possível compreender, de fato, o mosaico cultural que compõe a humanidade. Essa perspectiva situada nas bases do relativismo cultural e reinventou o olhar 23 antropológico ao privilegiar as culturas no plural, registrando-as como sistemas complexos e exclusivos em relação a padrões externos. No campo prático, Boas (2023) também sublinhou que o material de pesquisa etnográfica é, por natureza, fragmentário, uma vez que muitos aspectos centrais da vida cultural, como linguagem, organização social e mitologias, costumam desaparecer com o passar das gerações. Assim, o antropólogo deve investigar não apenas à observação participante, mas também à escuta das narrativas locais, à análise de objetos materiais e ao registro dos rituais cotidianos, sempre atento à multiplicidade de versões e sentidos atribuídos pelos próprios membros do grupo desenvolvido. Ampliando esse horizonte, Trinca (2023) enfatiza uma etnografia como abordagem metodológica qualitativa, voltada para a tradição no cotidiano dos grupos investigados. O pesquisador assume o papel de observador-participante, engajando- se nas práticas, valores e dinâmicas dos sujeitos, para então construir proteção densa e interpretativas sobre seus universos simbólicos, relações e modos de viver. A etnografia, nesse sentido, exige disposição para a convivência e para o diálogo constante, permitindo capturar elementos implícitos, ambiguidades e sutilezas culturais que dificilmente aparecem em métodos distanciados ou puramente quantitativos. A valorização da voz dos sujeitos, a busca por significados a partir da perspectiva interna do grupo e da pluralidade metodológica são características fundantes dessa abordagem. Observações, entrevistas, análise documental, registros audiovisuais e participação ativa no contexto pesquisado são recursos que viabilizam uma compreensão profunda dos modos de agir, sentir, produzir e interpretar o mundo em diferentes culturas (Boas, 2023; Trinca, 2023). Ao privilegiar a descrição densa e a análise dialógica, a etnografia se firma como estratégia incontornável para revelar a riqueza e a diversidade das experiências humanas. 3.1.18 Método de pesquisa-ação O método de pesquisa participativa e qualitativa, conforme apresentado por Marsolik (2020), caracteriza-se por sua natureza colaborativa, onde os sujeitos envolvidos participam ativamente em todas as fases do processo investigativo. Essa abordagem orienta-se para a resolução de problemas concretos, envolvendo os 24 participantes não apenas na análise da questão, mas também na construção conjunta de soluções e no planejamento de ações que visem mudanças efetivas na realidade social. Trata-se de um processo dialógico e coletivo, que integra a produção do conhecimento à prática transformadora, reconhecendo a experiência e o engajamento dos atores diretamente ligados ao tema estudado. Marsolik (2020) destaca que essa metodologia valoriza a participação plena dos envolvidos, rompendo com o modelo tradicional de pesquisa em que os sujeitos são meramente observados ou analisados. Em vez disso, eles assumem papel de co- pesquisadores, contribuindo para o diagnóstico do problema e para a implementação das intervenções propostas. Nesse contexto, a pesquisa torna-se um espaço de empoderamento e conscientização, fomentando a capacidade dos participantes de atuarem sobre sua própria realidade. Além disso, esse método promove um ciclo contínuo de reflexão e ação, no qual as etapas de investigação, discussão e intervenção se alternam e se complementam, possibilitando ajustes e aprimoramentos durante o curso do trabalho. Essa dinâmica favorece a construção de soluções contextualizadas e sustentáveis, baseadas no diálogo entre saberes científicos e práticos. Portanto, a abordagem participativa e qualitativa representa uma estratégia metodológica que alia o rigor da pesquisa àprática social, configurando-se como uma ferramenta poderosa para a transformação coletiva e a construção de conhecimento significativo. 3.1.19 Método qualitativo O método qualitativo fundamenta-se na observação, análise e interpretação dos dados a partir de uma perspectiva psicossocial, confirmando a existência de uma relação entre o sujeito e a realidade concreta. Essa abordagem privilegia o diálogo entre a subjetividade do indivíduo e o mundo objetivo, aspectos que uma simples quantificação numérica não consegue abarcar de forma satisfatória (Kaplan, 2024). Diferentemente da pesquisa quantitativa, não exige o uso de fórmulas matemáticas ou técnicas estatísticas, uma vez que seu foco está na compreensão dos significados, experiências e contextos sociais que moldam as audiências investigadas. Nas ciências sociais e na psicologia, essa metodologia privilegia o contato direto e a interação entre pesquisador e participantes, focando na construção do conhecimento por meio de processos dialógicos. O investidor qualitativo busca captar 25 as interpretações e sentidos atribuídos pelos sujeitos, valorizando a riqueza dos dados subjetivos e contextualizados. O método qualitativo contribui para uma análise profunda das preferências sociais, trazendo à luz aspectos que muitas vezes permanecem invisíveis à abordagem quantitativa, como valores, apenas, práticas culturais e representações sociais. 3.1.20 Método quantitativo O método quantitativo, segundo Punch (2021), utiliza intensamente dados numéricos e ferramentas matemáticas como base para examinar e interpretar a realidade social de forma estruturada e sistemática. Por meio do trabalho de técnicas estatísticas, como o cálculo de porcentagens, coeficiente de apresentação, médias e desvios padrão, torna-se possível descrever, relacionar e mensurar variáveis com precisão, o que favorece a identificação de padrões e tendências em tendências treinadas. A força dessa abordagem reside na capacidade de transformar observações em informações objetivas e quantificáveis, conferindo maior clareza e consistência aos resultados. Além disso, o método quantitativo segue um caminho logicamente ordenado, baseado em hipóteses que são testadas por meio da coleta e análise de dados numéricos, geralmente utilizando amostras representativas para garantir a validade dos resultados. Este procedimento é amplamente empregado em Ciências Sociais para investigar comportamentos, manifestações sociais e relações em grande escala, permitindo projeções e comparações numéricas que enriquecem a compreensão das características. A análise estatística permite ainda avaliar a confiabilidade e a significância das descobertas, fortalecendo a base empírica das conclusões. No entanto, Punch (2021) destaca que mesmo com a precisão e o rigor associados ao método quantitativo, os resultados devem ser interpretados considerando um grau de probabilidade, não como verdades absolutas, pois a incerteza inerente à análise estatística exige uma leitura e contextualizada dos dados. Assim, a pesquisa quantitativa constitui uma ferramenta essencial para a produção de conhecimento contribuindo para a formulação e atualização de teorias nas Ciências Sociais por meio da análise numérica rigorosa e sistemática. 26 4 BASES TEÓRICAS DA PESQUISA CIENTÍFICA A fundamentação teórica representa o alicerce intelectual que sustenta qualquer pesquisa científica. Consiste na análise cuidadosa e crítica de teorias, conceitos e estudos já produzidos sobre o tema de interesse conforme mencionado por Oliveira et al. (2022). Essa estrutura oferece ao pesquisador um conjunto coerente de referências que orientam a formulação de hipóteses e justificam as metodologias adotadas, além de situar o trabalho no contexto do conhecimento vigente, identificando áreas que ainda carecem de investigação. Ao construir essa base, o pesquisador conhece o desenvolvimento do campo investigado, dialoga com autores relevantes e evita a repetição de investigações já realizadas. A fundamentação teórica também auxilia na interpretação dos resultados, conferindo maior consistência às discussões elaboradas ao longo do estudo. Para compor esse embasamento, recomenda-se o uso criterioso de fontes confiáveis, como livros acadêmicos, artigos científicos e dissertações, organizadas de forma lógica e articulada para estabelecer conexão direta com o problema central da pesquisa. 4.1 Teorias da pesquisa científica Na investigação nas Ciências Sociais, as teorias representam o alicerce para compreender, definir conceitos, formular hipóteses e estruturar todo o processo investigativo, contribuindo também para racionalizar e explicar as implicações sociais. Conforme análise de Oliveira (2021), entre as principais teorias destaca-se: • Funcionalismo: que enxerga a sociedade como um sistema composto de partes inter-relacionadas, cada uma com uma função que contribui para a estabilidade e o equilíbrio social. • Estruturalismo: que enfatiza o estudo das estruturas subjacentes às especificidades sociais, buscando identificar padrões que organizam a cultura, a linguagem e as relações sociais. • Materialismo Histórico: inspirado em Marx, que interpreta os processos históricos e sociais a partir das condições materiais e econômicas, considerando que as mudanças sociais decorrem das contradições nas relações de produção. 27 • Etnometodologia: que focaliza as práticas cotidianas e o modo como os indivíduos constroem a ordem social em suas interações diárias. • Teoria da Compreensão: que valoriza o entendimento aprofundado do significado das ações e experiências sociais a partir da perspectiva dos próprios atores. Essas abordagens teóricas estruturaram a construção do conhecimento social, orientando o delineamento das pesquisas e a interpretação dos dados, estabelecendo conexões entre as evidências empíricas e as explicações conceituais. A teoria, portanto, não apenas fundamenta a investigação, mas atua como uma lente de análise que possibilita a inserção das informações em contextos mais amplos de significado e explicação, conforme as reflexões de Oliveira (2021). 4.1.1 Funcionalismo O funcionalismo concentra sua análise nas interações entre indivíduos e na forma como essas relações se organizam dentro de uma cultura ou sociedade. De origem positivista, tendo Émile Durkheim como um dos maiores representantes, sobretudo em sua obra “As regras do método sociológico” (1895), o funcionalismo sustenta que toda atividade social ou cultural cumpre funções indispensáveis para o equilíbrio do sistema social. A sociedade é entendida como um conjunto estruturado, não quais ações, instituições e relações sociais se interconectam e dependem umas das outras para manter a estabilidade. Cada parte do sistema exerce uma função específica que contribui para o funcionamento harmonioso de todo. A partir do que expõe Brotherhood (2024), essa perspectiva metodológica é amplamente aplicada nas Ciências Humanas — Psicologia, Antropologia e Filosofia, entre outras — e busca explicar tanto as práticas sociais individuais quanto as manifestações coletivas, valorizando a compreensão do papel que cada componente assume para garantir a coesão e continuidade da vida social. 4.1.2 Estruturalismo O Estruturalismo centra-se na análise de características por meio da compreensão da inter-relação entre suas múltiplas dimensões, recuperando 28 simultaneamente aspectos concretos e abstratos em um todo integrado. Essa perspectiva sustenta que cada elemento de um sistema não existe isoladamente, mas em conexão com os demais e com a totalidade que organiza e dá sentido à sua existência. Assim, a explicação da realidade deve tomar como base a estrutura que subjaz e articular as partes entre si. Rodrigues e Silva (2022) ressaltam que, dentro dessa abordagem,não há fatos isolados, pois tudo compõe um conjunto interdependente no qual as partes possuem relações internas mútuas. Cada componente influencia e é influenciado pelos demais, configurando um sistema onde as conexões e as relações internas são essenciais para compreender as características como um todo, e não apenas seus fragmentos dissociados. Esse entendimento contribui para uma visão mais complexa e integrada da realidade social e cultural, superando análises fragmentárias. Do ponto de vista teórico e metodológico, o Estruturalismo se preocupa com os padrões de organização das estruturas subjacentes às específicas, numa articulação que transcende o mero empírico e alcança os princípios que governam o sistema. Essa abordagem tem sido aplicada em diferentes áreas das Ciências Humanas, auxiliando a revelar a lógica interna que sustenta desde os processos culturais até as instituições e as relações sociais, conforme refletido nas análises de Oliveira et al. (2022). 4.1.3 Materialismo Histórico O materialismo dialético, conforme delineado por Karl Marx e Friedrich Engels, fundamenta a ideia de que a base da sociedade é fornecida pelas condições de materiais de produção e troca de bens, em qualquer período histórico (Moreland et al., 2022). Essa abordagem filosófica parte do princípio de que os processos econômicos e técnicos determinam a estrutura social e cultural, compreendendo a realidade social como um sistema em constante transformação, marcado por contradições internacionais que geram mudanças. Marx e Engels situam a produção de material como elemento central para entender as dinâmicas sociais, rejeitando explicações idealistas que colocam as ideias como motor principal da história. Nesse sentido, o materialismo dialético analisa a sociedade considerando relações de classe, modos de produção e suas transformações históricas, enfatizando que a luta entre classes sociais é um motor da história. A dialética aplicada nesta 29 teoria consiste na interação entre opções, como produção e troca, que, ao contradizerem-se, provocam movimentos e transformações. Portanto, a explicação social não se restringe a fatos isolados, mas é compreendida a partir da interconexão de condições materiais, econômicas e técnicas que compõem o tecido social em seus diversos níveis, fornecendo um método para interpretar a evolução das sociedades por meio de suas contradições internas e seus processos históricos. 4.1.4 Etnometodologia O materialismo dialético, conforme abordado por Watson e Gastaldo (2015), tem sua base teórica nas contribuições de Marx e Engels, pensadores dos séculos XVII e XVIII, que afirma que a produção e a troca de bens específica o fundamento da estrutura social em qualquer período histórico. Essa perspectiva entende que a realidade social está enraizada em condições materiais, econômicas e técnicas, que moldam as relações humanas e as instituições. A sociedade não é vista apenas em seus aspectos ideais ou simbólicos, mas como uma preocupação profundamente ligada às forças produtivas e às relações econômicas que regem a produção material. Essa abordagem filosófica e metodológica analisa o desenvolvimento social como um processo dinâmico e contraditório, no qual as transformações derivadas da interação entre opções presentes nas condições materiais de existência. Marx e Engels destacam que a dialética permite compreender a mudança histórica a partir do conflito e da síntese entre contradições, evidenciando que o movimento da sociedade decorre dessas diferenças internas. Por meio dessa lente, a produção e a troca de mercadorias não são fatos isolados, mas partes integradas de um sistema complexo de relações que determinam a configuração social, política e cultural em diferentes épocas. O materialismo dialético rejeita as explicações idealistas e enfatiza a centralidade do trabalho humano e das condições materiais para a explicação das características históricas. Assim, a análise das estruturas econômico-sociais deve observar as contradições internas que impulsionaram as transformações e o desenvolvimento histórico, considerando as interações entre os modos de produção, as classes sociais e as condições técnicas disponíveis. Essa compreensão amplia a visão sobre as bases materiais que sustentam a vida coletiva, oferecendo um método 30 para interpretar as mudanças e continuidades presentes na evolução das sociedades ao longo do tempo (Watson; Gastaldo, 2015). 4.1.5 Compreensão/Hermenêutica A Hermenêutica, conforme exposta por Santiago (2023), dá destaque ao papel ativo do sujeito envolvido na ação, confirmando que a visão do observador é sempre parcial e condicionada pelo seu contexto. Essa abordagem busca desvendar sentidos profundos e intrínsecos ao objeto de estudo, por meio do exame atento dos múltiplos elementos que especificamente o método hermenêutico, utilizando a interpretação como ferramenta essencial. Podemos entender a hermenêutica como um elo entre linguagem, entendimento e interpretação rigorosa, cujo objetivo é desvendar os significados presentes em textos, discursos ou especificidades específicas. O método promove uma articulação crítica entre o que é expresso e a percepção do intérprete, exigindo um movimento constante entre a compreensão e a interpretação, para captar a complexidade dos sentidos envolvidos. Além disso, essa abordagem consistente que qualquer ato interpretativo é influenciado pelas experiências, valores e posicionamentos do sujeito que interpreta, o que torna necessária uma consciência reflexiva sobre essas influências. Dessa forma, a Hermenêutica se firma como uma disciplina que valoriza o diálogo entre o conhecimento prévio do intérprete e o conteúdo desenvolvido, estabelecendo uma relação dinâmica e reciproca que enriquece a compreensão. Ao mediar a relação entre linguagem e compreensão, a Hermenêutica possibilita acessar camadas mais profundas do significado, permitindo que o processo interpretativo vá além da superfície textual ou fenomenológica, alcançando um entendimento mais completo e contextualizado das características sociais e culturais onde se manifesta. Assim, ela contribui para a elaboração de análises enriquecidas, tanto no campo das ciências humanas quanto em outras áreas que exigem interpretação crítica e reflexiva. 31 4.2 Pesquisa É comum que estudantes, independentemente do grau de escolaridade, realizem investigações científicas. Para que esse trabalho seja significativo, é necessário compreender o método escolhido, sua essência e seus objetivos. Soares (2020) destaca que a pesquisa pode ser entendida como um processo de produção do conhecimento e também como uma via de aprendizagem, compondo parte relevante do que chamamos de entrega do saber. Dessa forma, a pesquisa ultrapassa o simples ato de coletar informações, configurando-se como um movimento sonoro que promove a reflexão crítica e o aprofundamento do entendimento acerca do tema explorado. A pesquisa pode ser investigada como o ato de investigar questões, buscar respostas ou solucionar problemas, ou que correspondam à busca pelo conhecimento. Quando conversamos em pesquisa científica, referimo-nos à realização dessa investigação por meio da aplicação de métodos e procedimentos rigorosos, previamente treinados, para garantir a confiabilidade dos resultados obtidos. Esse processo exige um planejamento cuidadoso que considere a necessidade de proporcionar mudanças sempre que pertinentes. É importante refletir sobre o local onde a pesquisa será conduzida, o momento de proteção para a execução, bem como os recursos humanos e materiais que estarão disponíveis. São diversas as questões que precisam ser avaliadas e organizadas para garantir que o estudo seja desenvolvido de forma consistente e eficiente. Ao abordar a ética em pesquisas acadêmicas, é imprescindível