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SUMÁRIO 
1 APRESENTAÇÃO .................................................................................... 5 
2 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 6 
3 FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA CIENTÍFICA ............................... 4 
3.1 O conceito de ciência ............................................................................... 4 
3.1.1 Conhecimento científico e popular ......................................................... 7 
3.1.2 Método científico .................................................................................... 9 
3.1.3 Métodos de abordagem ......................................................................... 9 
3.1.4 Método fenomenológico ....................................................................... 10 
3.1.5 Método dialético ................................................................................... 11 
3.1.6 Método dedutivo ................................................................................... 12 
3.1.7 Método indutivo .................................................................................... 13 
3.1.8 Método hipotético-dedutivo .................................................................. 15 
3.1.9 Métodos de procedimentos .................................................................. 16 
3.1.10 Método histórico ................................................................................... 16 
3.1.11 Método experimental ............................................................................ 17 
3.1.12 Método observacional .......................................................................... 18 
3.1.13 Método comparativo ............................................................................. 18 
3.1.14 Método estatístico ................................................................................ 19 
3.1.15 Método clínico ...................................................................................... 21 
3.1.16 Método monográfico ou estudo de caso .............................................. 22 
3.1.17 Método etnográfico............................................................................... 22 
3.1.18 Método de pesquisa-ação .................................................................... 23 
3.1.19 Método qualitativo ................................................................................ 24 
3.1.20 Método quantitativo .............................................................................. 25 
4 BASES TEÓRICAS DA PESQUISA CIENTÍFICA .................................. 26 
 
 
 
4.1 Teorias da pesquisa científica ................................................................ 26 
4.1.1 Funcionalismo ...................................................................................... 27 
4.1.2 Estruturalismo ...................................................................................... 27 
4.1.3 Materialismo Histórico .......................................................................... 28 
4.1.4 Etnometodologia .................................................................................. 29 
4.1.5 Compreensão/Hermenêutica ............................................................... 30 
4.2 Pesquisa................................................................................................. 31 
4.2.1 Tipologias da pesquisa ......................................................................... 32 
4.2.2 Natureza da pesquisa .......................................................................... 33 
4.2.3 Objetivos da pesquisa .......................................................................... 34 
4.2.4 Técnicas de pesquisa ........................................................................... 35 
4.2.5 Abordagem da pesquisa ...................................................................... 36 
4.3 Fases da pesquisa ................................................................................. 38 
4.3.1 Tema da pesquisa ................................................................................ 38 
4.3.2 Referencial teórico ............................................................................... 38 
4.3.3 Justificativa ........................................................................................... 39 
4.3.4 Delimitação do problema ...................................................................... 39 
4.3.5 Objetivos .............................................................................................. 40 
4.3.6 Hipóteses ............................................................................................. 40 
4.3.7 Variáveis .............................................................................................. 41 
4.3.8 Metodologia .......................................................................................... 41 
4.3.9 Levantamento de dados ....................................................................... 42 
4.3.10 Instrumentos de pesquisa .................................................................... 44 
4.3.11 Tratamento dos dados ......................................................................... 45 
4.3.12 Considerações finais ............................................................................ 46 
4.3.13 Cronograma ......................................................................................... 46 
4.3.14 Orçamento ........................................................................................... 47 
 
 
 
4.3.15 Referências .......................................................................................... 47 
5 TRABALHOS ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS...................................... 48 
5.1 Cursos de pós-graduação ...................................................................... 49 
5.1.1 Trabalhos científicos ............................................................................ 49 
5.1.2 Trabalhos monográficos ....................................................................... 50 
5.1.3 Normas para os trabalhos científicos ................................................... 53 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. 54 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 APRESENTAÇÃO 
Prezado(a) aluno(a)! 
O Grupo Educacional FAVENI reafirma o compromisso de oferecer uma 
formação de excelência, reconhecendo que a modalidade de Educação a Distância 
(EAD) confere ao aluno autonomia e flexibilidade para organizar seus estudos de 
acordo com suas necessidades e rotina. Nesse contexto, é fundamental que o 
estudante estabeleça uma rotina de estudos disciplinada e consistente, reservando 
horários para leitura, reflexão e realização das avaliações propostas. 
Reiteramos ainda que o ambiente virtual é equiparável ao presencial no que 
concerne à troca de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas. Assim como em 
sala de aula, onde a interação acontece espontaneamente, na EAD o diálogo deve 
acontecer por meio dos canais disponíveis no Portal do Aluno. Incentivamos você a 
utilizar esses recursos para questionar, esclarecer dúvidas e aprofundar seu 
entendimento sobre os conteúdos abordados, pois suas perguntas serão respondidas 
de forma ágil e eficiente pelo nosso suporte. 
Lembre-se de que a autonomia no processo de aprendizagem implica também 
responsabilidade. A gestão do seu tempo, o cumprimento dos prazos e a organização 
das tarefas são essenciais para o seu crescimento acadêmico. Aproveite a 
flexibilidade que o curso oferece, estabelecendo uma rotina compatível com seus 
compromissos pessoais e profissionais. 
Desejamos sucesso em sua jornada de estudos e reforçamos nossa disposição 
em apoiá-lo(a) na construção de um aprendizado sólido e significativo. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 INTRODUÇÃO 
Os fundamentoscompreender 
que atitudes pautadas pela integridade e respeito aos valores morais são essenciais 
durante todas as etapas do processo investigativo. Primeiramente, é necessário 
prezar pela honestidade intelectual, o que significa apresentar os dados, análises e 
resultados de forma transparente, sem manipulações ou omissões que possam 
comprometer a veracidade do trabalho. 
Outro aspecto relevante refere-se ao tratamento das obras e ideias de outros 
autores. A utilização adequada das fontes garante o reconhecimento devido às 
contribuições alheias, evitando a apropriação indevida que infringe direitos autorais, 
prática que contraria direitos éticos e legais. Além disso, é indispensável que haja 
fidelidade na referência às bases bibliográficas consultadas, garantindo que as 
 
32 
 
informações transmitidas sejam corretas e sejam passíveis de verificação por outros 
pesquisadores. 
No âmbito formal, o cumprimento das diretrizes da Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (ABNT) fornece uniformidade e clareza na apresentação dos 
trabalhos científicos, facilitando a leitura e a compreensão, bem como o respeito aos 
critérios acadêmicos estabelecidos. Nessa visão, para investigações que envolvem 
seres humanos, a Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, orienta sobre os 
procedimentos éticos necessários, solicitando a aprovação e aprovação dos Comitês 
de Ética em Pesquisa. Essa norma busca proteger os participantes, garantindo que 
seus direitos, dignidade e bem-estar sejam preservados ao longo da investigação. 
4.2.1 Tipologias da pesquisa 
A pesquisa tem como propósito investigar um tema específico com o intuito de 
encontrar soluções para determinados questionamentos ou problemas. Trata-se de 
um processo que deve ser prolongado de forma sistêmica, buscando contribuir para 
o progresso social e humano. Sob diferentes perspectivas, a investigação apresenta 
características como interesse pessoal, autonomia intelectual, espírito crítico, 
criatividade, originalidade, além da importância social e científica que confere ao 
conhecimento produzido. 
Este exercício promove uma investigação no âmbito acadêmico, estabelecendo 
uma relação entre educadores, estudantes e o meio universitário. Conforme o objeto 
de estudo, a pesquisa pode ser definida de diversas maneiras, considerando os 
métodos trabalhados, especificamente traçados e a natureza do conhecimento que se 
pretende gerar, conforme planejado por Fazenda (2022). Deste modo, compreender 
essas categorias auxilia na orientação do processo investigativo e na definição de 
suas estratégias. 
A classificação das pesquisas acadêmicas pode ser realizada a partir de 
diferentes critérios, destacando-se: 
• Natureza da pesquisa: pode ser básica, quando o objetivo é expandir o 
conhecimento teórico sem buscar aplicações práticas imediatas, ou aplicadas, 
que visa a criação ou aprimoramento de produtos, processos ou técnicas a 
partir de conhecimentos já existentes. 
 
33 
 
• Objetivos da investigação: dividir-se em exploratória, cujo foco é a 
familiarização inicial com o tema ou problema; descritiva, específica a detalhar 
características e estabelecer relações entre variações; e explicativa, que 
procura identificar as causas e os efeitos relacionados às características 
treinadas. 
• Procedimentos metodológicos: consulte-se às técnicas e estratégias 
adotadas para coleta e análise dos dados, abrangendo abordagens como 
pesquisa documental, revisão bibliográfica, experimentação, pesquisa 
operacional, estudo de caso, pesquisa-ação, pesquisa participante e ex-post-
facto. 
4.2.2 Natureza da pesquisa 
A pesquisa acadêmica pode ser categorizada sob diferentes perspectivas, o 
que possibilita um entendimento mais claro sobre seus propósitos e formas de 
condução. De acordo com Fazenda (2022), a distinção entre natureza, objetivos e 
procedimentos metodológicos auxilia na organização do trabalho investigativo e 
orienta as escolhas que o pesquisador deve fazer, conforme a finalidade do estudo. 
• A pesquisa básica ou pura tem por objetivo o avanço do conhecimento 
científico, buscando compreender princípios, teorias e leis que expliquem 
questões sem preocupação imediata com sua aplicação prática. Essa 
investigação tem caráter geral e visa consolidar fundamentos teóricos que 
sustentam o desenvolvimento científico. 
• Uma pesquisa aplicada direcionada à utilização de conhecimentos gerados, 
enfocando a solução de problemas concretos que afetam indivíduos ou grupos 
sociais. Nesse sentido, seu foco é produzir resultados com possíveis 
consequências práticas que podem ser empregadas para melhorar processos, 
produtos ou condições de vida. 
Em resumo, compreender esses aspectos é indispensável para planejar uma 
pesquisa que atenda aos objetivos propostos e que respeite os critérios metodológicos 
do rigor científico. Esse conhecimento não apenas orienta o pesquisador em decisões 
essenciais, mas também contribui para a construção de trabalhos que acrescentam 
 
34 
 
valor ao campo do conhecimento, promovendo avanços importantes em diversas 
áreas. 
4.2.3 Objetivos da pesquisa 
A pesquisa constitui um processo essencial para a produção do saber científico, 
envolvendo diferentes abordagens e metodologias que se adequam ao objetivo 
pretendido. Compreender as diversas classificações da investigação possibilita ao 
pesquisador definir o caminho mais adequado para a abordagem do tema proposto. 
Entre as categorias mais relevantes, destacam-se as pesquisas exploratórias, 
descritivas e explicativas, cada uma com características específicas que orientam 
desde a definição do problema até a análise dos resultados. A seguir, serão 
apresentadas as principais características de cada tipo, facilitando a compreensão e 
aplicação no desenvolvimento científico e científico. 
• Pesquisa exploratória: tem como principal função ampliar o conhecimento 
sobre determinado tema, contribuindo para a definição mais precisa do foco a 
ser investigado. É empregada na etapa inicial de projetos mais amplos e 
apresenta um planejamento flexível. Utiliza-se levantamento bibliográfico, 
entrevistas e análise de casos, buscando identificar os objetivos, hipóteses ou 
áreas promissoras para aprofundamento. Geralmente, encontra-se em 
pesquisas bibliográficas e estudos de caso. 
• Pesquisa descritiva: tem como propósito apresentar e registrar fatos sem 
interferir nas ocorrências observadas. Dedica-se a detalhar, categorizar e 
relacionar atributos de grupos sociais, situações ou situações específicas. Para 
coleta de dados, são frequentemente usados questionários, formulários, 
entrevistas e observações sistemáticas, técnicas agrupadas sob a 
denominação de levantamento, conforme sugere Almeida (2022). 
• Pesquisa explicativa: apresenta maior complexidade para buscar 
compreender as causas, os fatores envolvidos e as consequências das 
consequências estudadas. Além de descrever e classificar, analisa e interpreta 
os dados de forma aprofundada, buscando o entendimento dos porquês. 
Muitas vezes, utiliza métodos experimentais e ex-post-facto, que permitem 
manipular variáveis para avaliar seu impacto na investigação, conforme 
destaca Soares (2020). 
 
35 
 
4.2.4 Técnicas de pesquisa 
Os procedimentos técnicos para obtenção de dados em uma pesquisa podem 
ser organizados em dois grandes grupos, conforme a fonte de onde os dados serão 
obtidos. O primeiro grupo abrange pesquisas que envolvem fontes indiretas, como 
documentos financeiros e públicos; enquanto o segundo envolve dados fornecidos 
diretamente por indivíduos ou observações no campo. 
• Pesquisa bibliográfica: baseia-se na análise de materiais já publicados, tais 
como livros, artigos científicos, jornais, monografias, teses, dissertações, 
cartografia, periódicos e até mesmo conteúdo disponíveis na internet. O 
pesquisador estabelece contato com informações que tratam do tema em 
estudo,cuidando para validar a veracidade e a confiabilidade das fontes 
consultadas. Essa abordagem é frequentemente necessária para embasar 
teoricamente a investigação (Fazenda, 2022). 
• Pesquisa documental: embora por vezes confundida com a bibliográfica, 
distingue-se por utilizar documentos que não passaram por tratamento analítico 
prévio. São considerados documentos oficiais (leis, relatórios, anuários, 
ofícios), arquivos públicos e privados, materiais jurídicos, registros particulares, 
iconografia, entre outros, abrangendo fontes como acervos institucionais, 
arquivos proprietários, e documentos eclesiásticos ou financeiros (Oliveira, 
2021). 
• Pesquisa experimental: caracterizar-se pelo controle das variações 
envolvidas na investigação, buscando observar os efeitos provocados por 
alterações específicas. Essa modalidade é comum nas ciências exatas, 
biológicas e tecnológicas, mas também pode ser aplicada às ciências humanas 
e sociais, com experimentos realizados em cenários naturais. 
• Levantamento: esse tipo é típico quando a coleta de dados depende da 
interação direta com as pessoas envolvidas, geralmente por meio de 
questionários ou formulários. Normalmente, não se investiga toda a população, 
mas uma amostra selecionada conforme estatísticas técnicas, sendo muito 
utilizada em pesquisas sociais para obtenção de dados descritivos. 
• Pesquisa de campo: trata da coleta de informações diretamente no ambiente 
onde a ocorrência ocorre, cooperando interação real com o objeto de estudo. 
 
36 
 
Utilize-se observações, entrevistas, questionários e outras ferramentas para 
captar dados que retratem fielmente o contexto. 
• Estudo de caso: consiste em um exame detalhado e profundo de uma 
determinada especificidade, grupo ou indivíduo, objetivando um conhecimento 
abrangente e abrangente. Geralmente em conformidade com as pesquisas 
aplicadas, esse método pode ser adotado em investigações exploratórias, 
descritivas ou explicativas, para compreender e solucionar problemas 
concretos. 
• Pesquisa ex-post-facto: neste tipo, o pesquisador analisa acontecimentos 
que já ocorreram, buscando compreender as causas e consequências das 
situações passadas, sem interferir diretamente nos fatos. 
• Pesquisa-ação: envolve uma colaboração ativa entre pesquisadores e 
participantes, focando na resolução conjunta de problemas coletivos ou 
necessidades específicas. Por meio desse processo participativo, ambos os 
atores se envolvem no diagnóstico, intervenção e avaliação dos resultados. 
• Pesquisa participante: caracterizar-se pela interação contínua e próxima 
entre o investigador e os agentes envolvidos na situação científica, 
compreensão aprofundada por meio da vivência compartilhada. 
 
Conforme apontam Pátaro e Oliva (2023) os procedimentos técnicos 
empregados na coleta de dados refletem a multiplicidade de abordagens disponíveis 
para o pesquisador, cada uma com suas descobertas, vantagens e limitações. A 
seleção adequada desses métodos depende da natureza do problema investigado, 
do tipo de dados necessários e dos recursos disponíveis. Procedimentos baseados 
em fontes documentais oferecem uma fundamentação teórica e contextualizada, 
enquanto métodos que envolvem interação direta e experimentação permitem a 
análise específica e a intervenção controlada sobre as especificidades. 
4.2.5 Abordagem da pesquisa 
A definição da forma de abordagem na pesquisa é um passo essencial no 
delineamento do estudo, pois orienta os métodos e técnicas a serem empregados na 
coleta e análise dos dados. As abordagens qualitativas, quantitativas e mistas 
 
37 
 
apresentam diferentes fundamentos epistemológicos e metodológicos que direcionam 
a investigação conforme a natureza das especificidades e os objetivos pretendidos. 
Compreender as particularidades de cada uma dessas abordagens e a 
possibilidade de sua combinação possibilita ao pesquisador adotar estratégias 
investigativas que proporcionem maior profundidade e consistência ao trabalho 
científico. A seguir, serão apresentadas as características centrais de cada 
modalidade para facilitar sua compreensão e aplicação. 
• Pesquisa qualitativa: tem como foco a interpretação detalhada das 
especificações, considerando as múltiplas significações atribuídas aos sujeitos 
e a relação existente entre o mundo externo e a experiência individual. Não se 
apoia em métodos estatísticos ou matemáticos, utilizando o contexto como 
fonte primária para coleta de dados. Essa abordagem privilegiadamente 
profunda, valendo-se de técnicas como trabalho de campo, etnografia análise, 
subjetiva e observação naturalista para apreender a essência e a natureza dos 
fatos treinados. 
• Pesquisa quantitativa: parte do princípio de que as especificações podem ser 
mensuradas por meio de dados numéricos, analisadas com o auxílio de 
ferramentas estatísticas como porcentagens, médias, modas, desvios-padrão 
e medianas. Essa abordagem é amplamente empregada em diversos tipos de 
investigações, possibilitando a análise das relações entre variáveis e a 
classificação dos processos dinâmicos que ocorrem em diferentes grupos 
sociais, conferindo objetividade e soluções às ações. 
• Pesquisa quali-quantitativa: combina abordagens qualitativas e quantitativas, 
utilizando métodos de ambas para promover uma análise mais abrangente e 
aprofundada. Embora muitas vezes estudadas separadamente, essas duas 
perspectivas podem ser integradas para definir necessidades e 
complementaridades nos dados encontrados, enriquecendo a compreensão 
das características investigadas e ampliando o alcance interpretativo dos 
resultados (Gomes Neto, Albuquerque e Silva, 2024). 
 
38 
 
4.3 Fases da pesquisa 
Realizar uma pesquisa não é uma tarefa complexa, mas exige organização e 
rigor na sua concepção. A investigação científica deve seguir normas e procedimentos 
estruturados, que exigem planejamento cuidadoso, coleta sistemática de informações, 
análise crítica, interpretação dos dados, apresentação dos resultados e elaboração do 
relatório final (Soares; Souza, 2022). 
Para garantir a eficiência do processo, o pesquisador precisa definir etapas que 
podem variar em sua formalização, tais como: seleção do tema; formulação do 
problema; desenvolvimento de hipóteses e objetivos; planejamento metodológico; 
operacionalização dos conceitos e variáveis; definição da amostra; escolha e 
aplicação dos instrumentos para coleta de dados; análise das informações obtidas; e 
preparação do documento conclusivo. Dessa maneira, o planejamento detalhado 
orienta o pesquisador a conduzir o estudo com clareza e precisão, garantindo a 
validade dos resultados e a contribuição para o conhecimento. 
4.3.1 Tema da pesquisa 
O tema representa o objeto central a ser investigado, pensado e desenvolvido 
ao longo do trabalho acadêmico. Para que seja considerado adequado, deve 
apresentar propostas, tradução na facilidade de acesso a referências bibliográficas, 
disponibilidade para condução do estudo e compatibilidade com as habilidades do 
pesquisador. Além disso, deve possuir relevância científica, fornecer informações 
originais e possibilitar a geração de novos conhecimentos e questionamentos. De 
acordo com Oliveira et al. (2022), essa etapa inicial orienta todo o processo de 
elaboração de um trabalho monográfico, conferindo-lhe direção e foco. 
4.3.2 Referencial teórico 
A etapa de revisão da literatura visa identificar quem já pesquisou o tema 
escolhido, quais aspectos foram envolvidos e onde existem lacunas a serem 
exploradas no campo de estudo. Essa fase é essencial para situar a investigação 
dentro da área específica, conferindo embasamento teórico sólido e justificando a 
relevância do trabalho. A seleção criteriosa de autores pertinentes exige ampla leitura, 
o que contribui para a formação de uma base conceitual consistente, permitindo ao 
 
39 
 
pesquisador construir uma linhateórica clara que sustente a pesquisa e oriente seu 
desenvolvimento. 
4.3.3 Justificativa 
A justificativa de um projeto consiste em expor a importância e a necessidade 
da proposta de investigação, evidenciando as razões que motivam seu 
desenvolvimento. Trata-se de argumentar sobre a relevância do trabalho para 
compreensão e solução de questões humanas, sociais e científicas, demonstrando 
sua visão e aplicação prática na sociedade (Fazenda, 2022). É fundamental que essa 
parte do projeto aponte as contribuições originais que a pesquisa pretende oferecer, 
destacando a inovação metodológica ou teórica. Além disso, deve apresentar 
fundamentos que sustentam a escolha do tema, relacionando-os com exigências 
contextuais e lacunas existentes no conhecimento. 
Dessa forma, a justificativa garante que o estudo esteja baseado em aspectos 
que justifiquem sua realização, apoiando a adição e o interesse pelo projeto. Ao 
elaborar uma justificativa eficaz para um trabalho acadêmico, é essencial responder 
às questões que esclarecem o propósito da pesquisa e sua importância. 
Primeiramente, deve-se explicitar as motivações que levam à escolha do tema, 
indicando o interesse pessoal e a relevância da investigação para o campo estudado. 
Também é necessário demonstrar por que o estudo merece a atenção dos leitores, 
mostrando como ele contribui para ampliar o entendimento sobre o assunto abordado. 
A justificativa deve ainda destacar o valor das informações que o trabalho 
fornecerá, como dados encontrados, entrevistas realizadas ou análises realizadas, 
evidenciando o aporte empírico e teórico que sustenta a pesquisa. Compreender e 
definir quem é o público-alvo ajuda a direcionar o conteúdo para atender às 
expectativas e necessidades específicas, tornando o estudo mais significativo. Sendo 
Assim, a justificativa não só fundamenta a execução da pesquisa como também 
estabelece uma conexão clara entre os objetivos do trabalho e sua contribuição para 
a comunidade acadêmica e social. 
4.3.4 Delimitação do problema 
Ao definir o problema de investigação, é imprescindível considerar aspectos 
que envolvem a coerência na formulação e a delimitação precisa do tema. O problema 
 
40 
 
deve expressar a dificuldade que o pesquisador procura resolver por meio da 
investigação. Carvalho (2022) sugere algumas perguntas para garantir que o 
problema escolhido seja pertinente: É possível apresentá-lo na forma de uma questão 
clara? Pode ser objeto de análise científica? Suas consequências são passíveis de 
observação ou comprovação? Está relacionado a interesses sociais, pessoais ou 
acadêmicos? Oferece uma oportunidade viável para a pesquisa? Responder a essas 
questões ajuda a estabelecer um foco definido e consistente, garantindo que o estudo 
responda a um problema real, relevante e passível de investigação com rigor 
metodológico. 
4.3.5 Objetivos 
Os objetivos de um estudo derivam da questão central que orienta a pesquisa. 
Compreenda aquilo que será investigado e desenvolvido para solucionar o problema 
apresentado. Esses objetivos estão diretamente ligados ao propósito da tese 
desenvolvida pelo pesquisador, expressando seus interesses e metas dentro do 
trabalho. Em geral, os objetivos se dividem em dois tipos: o geral, que oferece uma 
perspectiva ampla e abrangente sobre o tema, demonstrando a pretensão principal 
da investigação; e os específicos, que abordam aspectos mais detalhados e práticos, 
com foco em etapas ou procedimentos concretos para alcançar o objetivo maior. 
Na formulação dos objetivos, utiliza-se verbos no infinitivo, como distinguir, 
verificar, apresentar, demonstrar, entre outros, o que confere clareza e precisão às 
intenções da pesquisa. Dessa forma, os objetivos orientam o desenvolvimento do 
estudo, estabelecendo o caminho para que o problema seja tratado de maneira 
estruturada e consistente. Essa divisão facilita a compreensão dos propósitos do 
trabalho e contribui para a organização metodológica ao longo da pesquisa (Fazenda; 
Tavares; Godoy, 2022). 
4.3.6 Hipóteses 
A hipótese tem o papel de sugerir soluções possíveis para o problema 
investigado, orientando o caminho para sua resolução por meio da transmissão por 
meio de dados empíricos. Ela surge a partir da análise de fatos observados, da 
intuição, dos fundamentos teóricos ou da revisão de pesquisas anteriores. A fase de 
 
41 
 
investigação determinará se a hipótese está confirmada ou refutada, fornecida 
respaldo ao processo investigativo. 
Segundo Pereira (2021), pode-se dividir as hipóteses em básicas, que 
apresenta a suposição principal sobre o problema, e em hipóteses secundárias, que 
funcionam como proposições complementares ao longo do estudo. Vale destacar que 
hipóteses se configuram como afirmações que orientam a pesquisa, não constituindo 
perguntas, mas direcionando os caminhos para a seleção das especificidades em 
questão. 
4.3.7 Variáveis 
Para compreender o conceito de variáveis, é necessário considerar que, em 
cada detalhe específico, existe um espaço onde as variações podem ocorrer. 
Fazenda, Tavares e Godoy (2022) explicam que todas as hipóteses são formadas por 
uma proposição que estabelece uma relação entre duas ou mais variáveis, as quais 
podem ser investigadas por meio de valores como quantidade, características, 
qualidades ou intensidades. 
Desta forma, as variáveis funcionam como elementos que permitem identificar 
diferenças e alterações dentro das especificidades do estudo, possibilitando que as 
hipóteses sejam testadas a partir da observação dessas mudanças ou padrões. Nessa 
visão, a articulação entre variáveis confere à pesquisa uma base para explorar as 
relações e os efeitos que emergem no contexto investigado. 
4.3.8 Metodologia 
A seção de metodologia apresenta de forma detalhada o conjunto de 
procedimentos adotados ao longo da investigação, permitindo que o leitor 
compreenda os caminhos percorridos para alcançar os resultados. Nessa etapa, são 
explicitados aspectos essenciais como o delineamento da pesquisa, as técnicas 
aplicadas para a coleta das informações e os métodos utilizados para organizar e 
analisar esses dados. 
Apresentar com esclarecer esses elementos é fundamental para conferir 
transparência ao processo investigativo, evidenciando a sistematização e o rigor que 
orientaram o trabalho. Dessa forma, a metodologia atua como um guia que demonstra 
 
42 
 
a forma pela qual o estudo foi estruturado e cronológico, facilitando a replicação e a 
avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica. 
 
4.3.9 Levantamento de dados 
A coleta de informações para pesquisa é realizada por meio de consultas em 
bibliotecas ou outros centros de armazenamento de dados. Uma pesquisa 
bibliográfica pode constituir uma etapa dentro de uma monografia ou mesmo ser o 
foco principal do estudo, útil ainda como base para outras modalidades investigativas, 
como as experimentais ou de campo. 
Durante essa fase, o pesquisador deve identificar as fontes relevantes, localizar 
os documentos necessários, registrar as informações encontradas e organizar essas 
anotações de forma sistemática. De acordo com Demo (2021) cada uma dessas 
etapas é essencial para garantir que o levantamento de dados seja eficiente e permita 
um embasamento sólido para o desenvolvimento do trabalho. 
• Identificação de fontes 
Nesta etapa inicial do processo de pesquisa, o objetivo é refletir e selecionar os 
materiais que fornecerão subsídios para o desenvolvimento do estudo. Para tanto, 
busque acessar diversos tipos de referência, tais como vocabulários especializados, 
enciclopédias, revistas e catálogos. Também são consideradas as fontes 
bibliográficas, que englobam documentos, livros, artigos, teses, monografias e 
periódicos. Além disso, elementos visuais e documentais como mapas, plantas, 
cartazes, fotografias, palestras e aulas complementam o conjunto de informações 
relevantespara o tema investigado (Carvalho, 2022). 
• Documentação 
Consiste na obtenção e organização de materiais relacionados ao objeto de 
pesquisa. Entre estes, podem estar documentos escritos, registros originais, 
microfilmes e fotocópias que contenham dados pertinentes. Embora as anotações 
feitas diretamente nos textos sejam válidas, o uso de fichas e resumos contribui para 
ordenar o conteúdo, facilitando a compreensão, o armazenamento e a recuperação 
das informações durante o estudo (Marsolik, 2020). 
• Fichamento 
 
43 
 
Consulte-se à prática de registrar de maneira objetiva as principais ideias e 
dados extraídos das fontes consultadas. Estes registros são organizados em fichas 
físicas, tradicionalmente pautadas em diversos formatos, ou em arquivos digitais, que 
devem ser mantidos separados dos demais documentos. A elaboração do fichamento 
deve priorizar a clareza e a precisão na exposição dos conteúdos, contemplando os 
dados bibliográficos essenciais. Tal procedimento apoia a análise crítica e o 
aprofundamento no tema abordado, promovendo maior controle sobre o material 
coletado (Meira, 2023). 
No universo do fichamento, distinguem-se três modalidades principais, cada 
uma com objetivo específico: 
• Fichamento bibliográfico: nesta forma, realiza-se uma descrição detalhada 
do conteúdo, acompanhada de comentários críticos sobre o texto e os temas 
envolvidos. O pesquisador interpreta e avalia as ideias apresentadas, 
facilitando a compreensão e a análise aprofundada do material. 
• Fichamento de resumo: consiste em uma síntese organizada das ideias 
centrais da obra. O objetivo é reunir os pontos essenciais em poucas linhas, 
oferecendo um panorama claro e direto dos argumentos e conceitos tratados. 
• Fichamento de citação: dedicado à transcrição exata de fragmentos 
selecionados da fonte, este tipo registra as passagens textuais relevantes para 
a pesquisa, sempre acompanhadas da indicação precisa da página para 
facilitar futuras consultas. 
Cada ficha apresenta três componentes estruturais imprescindíveis: 
• Título da ficha: nome que indica de forma genérica o tema ou o assunto 
principal abordado. 
• Referência bibliográfica: registro completo das informações possíveis para 
identificar a obra, incluindo autor, título, local de publicação, editora e demais 
dados essenciais. 
• Corpo da ficha: espaço destinado ao conteúdo principal, podendo conter 
resumos, especificações literárias, esquemas, notas sobre as ideias-chave e 
breves observações pessoais. As instruções devem ser acompanhadas do 
número da página de onde foram extraídas, garantindo precisão e facilitando o 
uso correto em trabalhos posteriores. 
 
44 
 
A categorização dos tipos de fichamento evidencia a diversidade de estratégias 
para sistematizar as informações extraídas das fontes pesquisadas, contemplando 
aspectos descritivos, sintéticos e transcricionais. Essa estrutura formalizada facilita o 
manejo do acervo documental, garantindo rigor metodológico e qualidade na 
construção do conhecimento científico. Além disso, a delimitação clara dos 
componentes garante a consistência e a rastreabilidade dos dados, requisitos 
imprescindíveis para a integridade dos trabalhos acadêmicos. 
4.3.10 Instrumentos de pesquisa 
Conforme Oliveira et al. (2022), os instrumentos de pesquisa envolvem os 
meios empregados para a fornecimento de dados e compõem a etapa de coleta. É 
fundamental que o leitor saiba, de forma detalhada, como os dados serão coletados 
para responder ao problema investigativo; além disso, os procedimentos escolhidos 
devem estar alinhados aos objetivos específicos, a fim de possibilitar a solução 
proposta. Entre os instrumentos mais utilizados destacam-se: 
• Entrevista: consiste numa conversa direcionada aos participantes com o 
propósito de acessar informações, sobretudo de caráter subjetivo. Pode 
assumir diferentes formatos: livre ou não-diretivo, sem roteiro prévio; 
estruturada ou cláusula, com perguntas definidas pelo pesquisador para obter 
respostas específicas; e semiestruturada ou semi‑diretiva, em que existe um 
roteiro orientado, mas oferece suporte a configurações conforme o 
desenvolvimento da interação. 
• Questionário: instrumento composto por um conjunto de perguntas, aplicado 
de modo presencial ou por meio digital, cuja resposta cabe ao informante. 
Recomendamos realizar um pré-teste em uma pequena amostra para 
identificar e corrigir possíveis falhas no instrumento. O questionário deve vir 
acompanhado de uma carta de apresentação que informe sobre os objetivos 
da pesquisa, instruções de preenchimento, procedimentos de devolução e 
agradecimentos. A identificação pessoal do entrevistado deve ser removida 
quando necessário, e o instrumento pode combinar perguntas abertas e 
fechadas de acordo com as necessidades do estudo. 
• Observação: antes de iniciar a coleta por observação, o pesquisador deve 
analisar o ambiente e definir claramente os aspectos e as características que 
 
45 
 
merecem atenção. A observação pode revelar novas perspectivas e 
ocorrências imprevistas, que precisam ser registradas. Quando forem usados 
registros audiovisuais — como fotografias, filmes ou vídeos — a captura e a 
divulgação desses materiais devem ser contadas com a autorização dos 
participantes envolvidos. 
4.3.11 Tratamento dos dados 
De acordo com Fazenda (2022), após a coleta dos dados, torna-se necessário 
realizar uma seleção criteriosa do material que será utilizado na pesquisa. Para guiar 
essa escolha, é essencial estabelecer uma conexão entre o referencial teórico e as 
informações obtidas, considerando tanto as análises quantitativas quanto as 
qualitativas. Isso significa que os dados devem ser organizados, categorizados e 
interpretados de maneira a responder aos problemas investigativos, alinhando-se aos 
objetivos específicos, bem como aos conceitos e teorias propostas no estudo. 
A interpretação dos dados deve contemplar discussões fundamentadas, 
contemplando diferentes perspectivas de autores que convergem ou divergem em 
relação ao tema, sustentadas em bases científicas, com vistas a identificar quais 
argumentos se aproximam mais dos propósitos da pesquisa. A análise pode ser 
realizada quantitativamente, utilizando ferramentas estatísticas e matemáticas para 
mensuração e comparação, ou qualitativamente, compreendendo a natureza dos 
dados, os instrumentos de coleta aplicados e os referenciais teóricos orientados do 
trabalho. Dessa forma, a pesquisa avança para um exame sistemático dos dados 
obtidos, que pode ser sintetizado conforme ilustrado na Figura 1. 
Figura 4 - Métodos de análise de dados 
 
Fonte: Almeida, 2022. 
 
46 
 
4.3.12 Considerações finais 
Conforme Meira (2023), uma conclusão é elaborada a partir da análise 
cuidadosa dos dados coletados, sintetizando os resultados alcançados pela pesquisa. 
Nessa etapa, destaca-se as contribuições decorrentes da solução do problema 
investigado, evidenciando o atendimento das questões propostas, além do alcance 
dos objetivos ou da confirmação e refutação das hipóteses levantadas. Este momento 
também contempla o posicionamento crítico do pesquisador em relação ao 
desenvolvimento do estudo e seus propósitos. 
Esta seção, apresentada como considerações finais, realiza uma avaliação 
detalhada dos resultados em relação aos objetivos da pesquisa, verificando se as 
apresentações são adequadas para responder às questões levantadas. São 
registradas as dificuldades sofridas durante o percurso investigativo e sugeridas 
abordagens para trabalhos futuros, promovendo o aprofundamento do tema e 
orientando pesquisas subsequentes na área. 
A revista científica deve observar as especificidades de cada tipo de trabalho, 
seja monografia, artigo, dissertação ou tese, em conformidade com as normas 
estabelecidas pela instituição ou pelo jornal responsável pela publicação. De forma 
geral, a estruturainclui a exposição clara do problema, a descrição da metodologia 
empregada para coleta e análise dos dados, a apresentação dos resultados e a 
finalização com as considerações finais, que resumem as principais contribuições e 
implicações do estudo. 
4.3.13 Cronograma 
O cronograma de atividades define o momento em que cada fase da pesquisa 
deve ocorrer, respondendo à pergunta “quando?”. Para organizá-lo, é necessário 
dividir o estudo em etapas, estipulando o período médio dedicado a cada uma. 
Algumas fases são realizadas ao mesmo tempo, enquanto outras desativam atenção 
específica e podem concluir as tarefas anteriores; por exemplo, a análise dos dados 
só pode ser iniciada após a coleta e a organização das informações. A delimitação do 
tempo pode variar, podendo ser feita em dias, semanas, meses ou outros intervalos, 
conforme particularidades do estudo e sua complexidade conforme ilustrado na Figura 
5. 
 
47 
 
Figura 5 - Cronograma de atividade 
 
Fonte: adaptado de Meira, 2023. 
4.3.14 Orçamento 
Organizar o orçamento de uma pesquisa consiste em distribuir os custos 
previstos para as diversas fases do trabalho, considerando tanto as despesas 
relacionadas ao pessoal quanto às referentes a materiais. Essa estimativa financeira 
abrange o período desde a concepção do projeto até sua finalização, sendo 
importante considerar que o orçamento deve ser flexível para se adequar a possíveis 
variações durante o desenvolvimento (Meira, 2023). A apresentação desse 
planejamento deve ser feita em formato de tabela, com discriminação clara dos 
gastos, subdividindo-os em categorias como recursos humanos e materiais de 
consumo, contemplando itens de consumo como transporte, alimentação, materiais 
de escritório, colheita, folhas, cópias e encadernação, entre outros. 
4.3.15 Referências 
No desenvolvimento de um projeto de pesquisa e demais trabalhos científicos, 
é necessário incluir uma lista de autores e obras que fornecem o embasamento teórico 
para o estudo. Essas referências fundamentam o trabalho, garantindo suporte 
conceitual indicado ao tema selecionado. As fontes abarcar uma variedade ampla, 
 
48 
 
como jornais online, livros, artigos científicos, jornais, monografias, dissertações, entre 
outros documentos pertinentes à área de investigação. 
As obras consultadas desde a elaboração do projeto até a finalização devem 
ser organizadas em uma lista de referências, dispostas em ordem alfabética pelo 
sobrenome do autor. Essa listagem deve seguir as normas da Associação Brasileira 
de Normas Técnicas, especificamente a norma NBR 6023, que padroniza o formato 
para apresentação dos dados bibliográficos. O atendimento a essas regras assegura 
a clareza, a padronização e a revisão do trabalho acadêmico, facilitando a localização 
das fontes utilizadas pelos leitores e pesquisadores. 
5 TRABALHOS ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS 
Trabalhos acadêmicos e científicos são produções que expressam 
conhecimento elaborado com base em pesquisa, rigor metodológico e critérios formais 
reconhecidos pela comunidade acadêmica. Esses trabalhos devem seguir normas 
específicas para garantir clareza, organização e credibilidade, destacando-se itens 
como a escolha do tema, a fundamentação teórica, os métodos de pesquisa, a análise 
dos dados e a apresentação dos resultados. 
No contexto brasileiro, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 
fornece um conjunto de regras padronizadas para a elaboração, formatação e 
apresentação de trabalhos acadêmicos e científicos. As normas ABNT definem como 
devem ser estruturados títulos, sumários, citações e referências bibliográficas, 
promovendo uniformidade e facilitando a compreensão e a avaliação dos trabalhos. 
Além disso, a ABNT estabelece orientações precisas para as referências 
bibliográficas, essenciais para dar crédito às fontes consultadas, evitar plágio e 
permitir que leitores localizem as obras utilizadas. A norma mais importante para 
referências é a NBR 6023, que especifica a ordem e a formatação dos elementos, 
incluindo o autor, título, local, editora e ano de publicação. Cada tipo de documento 
— livro, artigo, tese, site, entre outros — possui um formato adaptado conforme essa 
norma. 
 
49 
 
5.1 Cursos de pós-graduação 
A pós-graduação no Brasil apresenta-se em duas modalidades principais: Lato 
Sensu e Stricto Sensu (Meira, 2023). No caso da modalidade Lato Sensu, o foco está 
no aprimoramento profissional por meio de cursos que aprofundam conhecimentos 
em áreas específicas do mercado de trabalho. Para concluir, é obrigatória a 
participação nas atividades acadêmicas, como aulas e seminários, além da 
elaboração de um trabalho monográfico. Ao final do processo, o aluno poderá receber 
o título de Especialista, específico dos cursos de especialização. 
Já a modalidade Stricto Sensu tem como objetivo o desenvolvimento 
acadêmico e científico do estudante por meio do estudo avançado em um campo 
definido do saber. Os programas são compostos por disciplinas regulares, seminários 
de pesquisa, produção de artigos científicos e exames de qualificação. O percurso 
culmina na elaboração de um trabalho final, que pode ser uma dissertação, no caso 
do Mestrado, ou uma tese, no Doutorado. A conclusão dessas etapas confere ao aluno 
os títulos de Mestre ou Doutor, respectivamente. 
5.1.1 Trabalhos científicos 
Oliveira et al. (2022) sistematizam os diferentes formatos textuais utilizados no 
âmbito da produção científica, apresentando suas definições, características 
essenciais e objetivos específicos. Conforme pode ser visualizado no Quadro 1, cada 
tipo de trabalho possui particularidades que orientam sua estruturação, linguagem e 
especificamente comunicativa, sendo fundamental a compreensão desses conceitos 
para a elaboração adequada e apresentação de produções acadêmicas. 
Quadro 3 - Tipologias de produção textual científica 
Tipo de Trabalho Características Essenciais Objetivo Principal 
Sinopse Redigida pelo autor, acompanha o 
trabalho, pode ser bilíngue. 
Apresentar o tema e a proposta do 
texto. 
Resumo Síntese objetiva das ideias centrais, 
requer leitura detalhada. 
Proporcionar visão geral do conteúdo. 
Resenha Crítica Combina resumo com opinião 
fundamentada sobre a obra. 
Avaliar e comentar o conteúdo e estilo 
da obra. 
Papel Texto para apresentação oral, focado 
em resultados de pesquisas. 
Comunicar descobertas em eventos 
científicos. 
Cartaz/Painel Apresentação visual concisa, com 
elementos gráficos e texto sintético. 
Expor conteúdo de forma acessível e 
dialogada. 
 
50 
 
Artigo Científico Estrutura formal completa com vários 
estoques (resumo, metodologia, etc.). 
Divulgar estudo aprofundado e 
fundamentado. 
Fonte: adaptado de Oliveira et al., 2022. 
Observa-se uma diversidade significativa nas modalidades de textos 
científicos, cada uma estruturada para atender requisitos específicos de comunicação 
e divulgação do conhecimento acadêmico. Enquanto alguns formatos priorizam a 
síntese informativa para rápida apreensão do conteúdo, outros propiciam análises 
mais aprofundadas, incluindo posicionamentos críticos e argumentativos. Pátaro e 
Oliva (2023) relatam que a adequação do tipo textual ao contexto e objetivo da 
pesquisa é determinante para a efetividade na transmissão das ideias e no diálogo 
científico, ressaltando a importância da escolha criteriosa conforme a natureza do 
estudo e o público-alvo. 
5.1.2 Trabalhos monográficos 
A monografia configura-se como um trabalho final de curso que consiste em 
uma investigação detalhada sobre um tema específico, conduzida por meio de um 
método específico que segmenta o estudo em fases distintas. Conforme Almeida 
(2022), trata-se de uma análise aprofundada sobre determinados objetos, alicerçada 
em um referencial teórico baseado em autores reconhecidos. Caracterize-se por: 
• Fundamentar-se na metodologia científica. 
• Utilizar linguagemformal. 
• Constituir um trabalho sistematizado, completo e original. 
• Explorar multifacetadamente o tema escolhido, trazendo relevância acadêmica. 
Sua estrutura é dividida em três grandes grupos: 
• Elementos pré-textuais: (introduzem o trabalho formalmente e são 
obrigatórios ou adicionais): 
• Capa: indispensável e contém dados institucionais, do autor, orientador, título, 
local e dados; 
• Folha de rosto: contém informações semelhantes à capa, inclusive breve 
descrição do tipo de trabalho; 
• Folha de aprovação: obrigatória para trabalhos de conclusão, apresenta 
dados do banco examinador e aprovação; 
 
51 
 
• Dedicatória, agradecimentos e epígrafe: elementos facultativos para 
personalização e agradecimentos; 
• Resumo: obrigatório, exposto em língua vernácula e em idioma estrangeiro; 
• Listas: (de figuras, tabelas etc.); 
• Sumário: obrigatório, enumerar todas as divisões internas do trabalho em 
ordem. 
Elementos textuais (parte central do trabalho): 
• Introdução: expõe o tema, delimita o problema, apresenta justificativa, 
objetivos, objeto de estudo e metodologia de forma clara e objetiva, com 
embasamento no referencial teórico. 
• Desenvolvimento: seção onde se fundamenta teoricamente o estudo, conduz 
a uma análise lógica do tema, contemplando discussões, comparações e 
aprofundamentos relevantes. 
• Conclusão: espaço destinado à avaliação dos resultados, à proposição de 
soluções e possíveis aplicações práticas decorrentes da pesquisa. 
Elementos pós-textuais (complementares e finais, conforme normas ABNT): 
• Referências bibliográficas; 
• Apêndices e anexos, quando houver, para suporte adicional. 
 
Essa divisão (Figura 6) atende às normas técnicas da ABNT (NBR 14724) para 
trabalhos acadêmicos, assegurando organização e padronização, facilitando 
compreensão e avaliação do conteúdo científico apresentado. Sendo assim, a 
elaboração da monografia exige rigor metodológico, clara na exposição das ideias e 
adaptação estrutural, objetivos que reafirmam a sua importância no contexto 
acadêmico e científico. 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
Figura 6 - Estrutura de uma monografia/tese 
 
Fonte: adaptado de Meira, 2023. 
Os elementos pós-textuais compõem a etapa final de um trabalho acadêmico, 
oferecendo informações complementares essenciais para a organização e a revisão 
da pesquisa. De acordo com as normas da ABNT, destacam-se: 
• Referências: são obrigatórios e reúnem todos os autores, documentos e 
publicações utilizadas na elaboração do estudo. Sua organização deve seguir 
rigorosamente o padrão estabelecido pela norma NBR 6023, garantindo lisura 
e facilidade de consulta. 
• Anexos: seção opcional que inclui materiais suplementares modificados por 
terceiros, os quais auxiliam na compreensão do conteúdo principal, sem terem 
sido produzidos pelo autor do trabalho. 
• Apêndices: também adicionais, agrupam documentos ou informações 
adicionais criadas pelo próprio autor para complementar a pesquisa. 
• Glossário: elemento facultativo destinado a explicar termos específicos, 
expressões técnicas ou verbos apresentados no trabalho, facilitando a 
compreensão do leitor. 
 
53 
 
A inserção dos elementos pós-textuais deve ser realizada com avaliação 
criteriosa sobre sua contribuição para o aprimoramento do trabalho. Esses 
componentes não são meros acessórios, mas ferramentas que enriquecem o 
conteúdo, facilitam o entendimento e ampliam a extensão da pesquisa. A organização 
correta segundo a norma NBR 6023 assegura uniformidade, possibilitando que outros 
pesquisadores localizem as obras citadas com facilidade e confiança. 
5.1.3 Normas para os trabalhos científicos 
No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é responsável 
por sistematizar e divulgar as diretrizes para a elaboração de documentos acadêmicos 
e científicos, adaptando essas normas em conformidade com as demandas locais. A 
NBR 10520 da ABNT especifica os procedimentos para a elaboração de trabalhos 
científicos, devendo consultar sempre sua versão vigente, que é submetida a revisões 
periódicas. 
Para a formatação do trabalho, utilize-se papel no formato A4 (21 cm x 29,7 
cm), devendo a impressão ou escrita ser feita apenas em um dos lados da folha. As 
fontes indicadas são Times New Roman ou Arial, com tamanho 12 para o texto 
principal. Em casos de exigências extensas (mais de quatro linhas), notas de rodapé 
e resumos, o tamanho deve ser reduzido para 10. O espaçamento entre linhas deve 
ser 1,5, enquanto os parágrafos devem manter espaçamento zero antes e depois, 
garantindo uma apresentação equilibrada e legível. 
As margens configuram-se da seguinte forma: 3 centímetros nas bordas 
superior e esquerda, e 2 centímetros nas margens inferior e direita. Essa disposição 
favorece a harmonia visual do documento e facilita procedimentos como a 
encadernação. Além dessas especificações, orientações fornecidas relacionadas às 
especificações, resumos, referências e demais aspectos estruturais devem ser 
consultados nas normas da ABNT aplicáveis. Seguir essas diretrizes garante a 
uniformidade e a conformidade dos textos acadêmicos, contribuindo para sua clareza 
e qualidade formal. 
 
 
54 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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Iniciante. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2022. 
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e documentação: estabelece os critérios para a elaboração de referências 
bibliográficas em trabalhos acadêmicos e documentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2012. 
BOAS, F. Antropologia cultural. São Paulo: Contexto, 2023. 
BRASIL. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova as seguintes 
diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos; 
revoga as (RES. 196/96) [...]. Brasília - DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: 
https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos-
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WATSON, R.; GASTALDO, É. Etnometodologia e análise da conversa. 1. ed. São 
Paulo: Vozes, 2015. 
 
56 
 
ZANETTI, C. E. Os quatro discursos de Lacan e a construção do caso clínico: 
método heurístico, neurose modelo e ato analítico. 1. ed. Curitiba: Appris, 2023.da metodologia científica constituem o alicerce para a 
produção de conhecimento sistematizado e rigoroso, fundamental para qualquer área 
do saber. É por meio desses fundamentos que o pesquisador é capaz de estruturar 
todo o processo investigativo, conduzindo sua pesquisa com clareza, organização e 
critérios técnicos que garantem a validade dos resultados. A metodologia não se limita 
a um conjunto fixo de etapas, mas compreende o uso de princípios e ferramentas que 
orientam a formulação de problemas, a escolha dos métodos mais adequados, a 
coleta e análise dos dados, bem como a apresentação articulada dos achados. 
Ao estudar as bases teóricas da pesquisa científica, o pesquisador encontra o 
suporte intelectual que fundamenta suas investigações. Essa base é composta por 
teorias, conceitos e estudos prévios pertinentes ao objeto de estudo, os quais são 
criteriosamente selecionados para contextualizar a pesquisa dentro do conhecimento 
existente. Esse processo não apenas situa o trabalho no panorama científico, mas 
também evidencia lacunas e possibilidades inéditas para investigação. A elaboração 
sólida dessa base teórica é imprescindível, pois orienta a construção do referencial 
que guiará toda a pesquisa, evitando abordagens superficiais e garantindo densidade 
analítica. 
Os trabalhos acadêmicos e científicos configuram-se como o meio pelo qual o 
conhecimento produzido é divulgado, validado e incorporado ao acervo científico. Eles 
devem seguir rigorosos padrões técnicos e éticos, englobando a definição clara do 
tema, a fundamentação teórica, a metodologia aplicada, a análise crítica dos dados e 
as conclusões relevantes ao campo estudado. A observância dessas normas, como 
as estabelecidas pela ABNT para a normalização de textos e referências, assegura a 
uniformidade, a transparência e a confiabilidade das pesquisas apresentadas, 
facilitando a compreensão e o posterior aproveitamento das contribuições pelos 
demais pesquisadores. Em suma, o estudo aprofundado dos fundamentos da 
metodologia científica, das bases teóricas e das características dos trabalhos 
acadêmicos e científicos forma a espinha dorsal do desenvolvimento do conhecimento 
acadêmico. 
 
 
4 
 
3 FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA CIENTÍFICA 
O termo "Metodologia" deriva de "método", palavra originada do latim 
methodus, que significa o caminho ou a via para realizar algo. O método compreende 
o conjunto de procedimentos utilizados para alcançar determinado conhecimento ou 
resultado. Assim, uma metodologia consiste no estudo dos meios e estratégias que 
orientam a investigação, permitindo o desenvolvimento do conhecimento sobre 
características sociais ou naturais. Conforme Oliveira (2021), a metodologia auxilia na 
organização das etapas do estudo e na fundamentação das escolhas feitas pelo 
pesquisador, assegurando a coerência e a validade dos resultados obtidos. 
Entenderemos a Metodologia como uma disciplina que se dedica ao estudo, 
análise e compreensão dos diferentes procedimentos que fundamentam uma 
investigação científica. Seu papel é examinar, sistematizar e avaliar as diversas 
técnicas utilizadas para a coleta e análise de dados, com o propósito de conduzir a 
pesquisa rumo à solução de problemas ou à elucidação de questões específicas. Essa 
disciplina orienta a seleção e aplicação de instrumentos que facilitam a quantificação, 
organização e interpretação das informações contidas, contribuindo para a construção 
sólida e confiável do conhecimento científico. 
A Metodologia consiste na aplicação organizada de métodos e procedimentos 
que auxiliam na observação, na execução e na coleta de informações, permitindo a 
obtenção de resultados ou validações fáceis. Esse conjunto de técnicas pode ser 
utilizado em diferentes áreas sociais, ampliando seu alcance. Para compreender 
completamente o processo investigativo, é imprescindível dominar o conceito de 
ciência, visto que a literatura acadêmica apresenta uma variedade extensa de 
definições e abordagens sobre o tema. Isso contribui para a construção de uma 
compreensão sólida sobre a natureza e as bases do conhecimento produzido. 
3.1 O conceito de ciência 
A ciência pode ser compreendida como o conjunto organizado de 
conhecimentos que compõem um campo específico de estudo, possibilitando ao ser 
humano explorar e usufruir das potencialidades oriundas do saber e da técnica. Ela 
 
5 
 
envolve uma observação detalhada e sistematizada das características que ocorrem 
em determinados contextos, bem como a formulação de princípios gerais que 
explicam tais eventos. 
Além disso, a ciência representa o saber adquirido por meio da leitura, reflexão 
e análise, incluindo também o conjunto de conhecimentos práticos aplicados com um 
propósito definido. Trata-se, ainda, do acervo total dos conhecimentos humanos, 
estruturados conforme sua própria natureza. Finalmente, a ciência pode ser vista 
como um sistema racional que permite ao indivíduo relacionar-se com o mundo 
natural, buscando alcançar resultados positivos e controlados. 
A partir do que expõe Nery (2019), a ciência pode ser definida como um 
conhecimento sistematizado, organizado para estudar e explicar características 
observadas por meio de processos racionais e objetivos. Ela se fundamenta na 
observação rigorosa, no estabelecimento de leis que regem tais especificações e na 
formulação de explicação por meio de uma linguagem clara e precisa, muitas vezes 
aprimorada na matemática. 
O conhecimento científico é resultado de um sistema consistente, não quais 
ideias estão interligadas e submetidas a verificações constantes por meio de 
experimentação e análise crítica, garantindo a validade e a confiabilidade dos 
resultados. A ciência busca compreender o comportamento das especificações, 
permitindo a elaboração de teorias geralmente universais, que podem ser testadas, 
adaptadas ou refutadas diante de novas evidências. 
Essa característica torna o conhecimento científico falível, admitindo revisão e 
aprimoramento contínuo. Além disso, a ciência é metódica, envolveu planejamento e 
técnicas específicas para coleta e interpretação de dados, promovendo o avanço 
acumulativo do saber humano. Dessa forma, o conhecimento científico se diferencia 
de outras formas de saber pela rigorosidade e sistematicidade dos processos 
investigativos, que garantem maior segurança e profundidade na compreensão do 
mundo. 
No campo científico, torna-se mais claro distinguir o que não pertence ao 
conhecimento legítimo dessa área, facilitando a delimitação do que este saber não 
representa. O conhecimento científico não se confunde com o senso comum, nem 
tampouco com a sabedoria popular ou o bom-senso. Da mesma forma, não deve ser 
confundido com ideologias ou preso a um único modelo explicativo fixo. 
 
6 
 
Ao contrário, o desenvolvimento científico ocorre por meio da tensão entre 
diferentes paradigmas, que se desafiam e se modificam mutuamente. Esse 
movimento constante impede que o conhecimento científico seja considerado algo 
definitivo ou fechado, configurando-o como um processo dinâmico, em constante 
renovação e aprimoramento. Tal característica distingue a ciência de outras formas 
de compreensão. No âmbito da produção científica, existem critérios formais que 
permitem identificar um discurso como científico perante a coletividade, distinguindo-
o de outras formas de saber, como a sabedoria popular, o senso comum e as 
ideologias. Saviani (2021) apresenta características essenciais para definir esse tipo 
de conhecimento: 
• Objetividade: o conhecimento deve retratar a realidade de forma independente 
das opiniões ou interesses do investigador. 
• Sistematicidade: as ideias precisam ser organizadas de maneira racional, 
permitindo que se analise a totalidade a partir de suas partes. 
• Definição clara do objeto de estudo: é necessário delimitar com precisão 
aquilo que será analisado, observado,interpretado ou verificado. 
• Controle e observação das observações: deve haver rigor na coleta e na 
qualidade dos dados, garantindo a confiabilidade dos processos envolvidos. 
• Originalidade: o discurso científico carrega a expectativa de apresentar 
contribuições inovadoras que agreguem valor à sociedade. 
• Coerência e consistência: o texto deve ser apresentado bem estruturado, 
com argumentação lógica fundamentada em teorias, métodos e dados 
devidamente tabulados. 
• Verificabilidade: permite a comprovação da veracidade das informações 
apresentadas. 
• Linguagem precisa: é importante utilizar termos em seus sentidos exatos, 
evitando o uso excessivo de qualificativos subjetivos. 
• Ética: a produção do conhecimento científico deve visar o benefício coletivo, 
preservando princípios que impeçam que os meios se tornem fins em si 
mesmos e que assegurem sua utilidade também para grupos minoritários. 
Existem diversas maneiras de caracterizar o conhecimento científico, mas 
apresentamos aqui algumas perspectivas essenciais para orientar a compreensão e 
 
7 
 
a formalização desse saber. Oliveira (2021) destaca que a ciência abrange tudo aquilo 
que pode ser formalizado e analisado em suas partes constituintes. Mesmo assim, a 
realidade não se restringe apenas aos aspectos formalizados, pois também é 
composta por elementos concretos em sua totalidade. 
O racionalismo lógico, ao priorizar a experiência sistemática, tende a impor 
resultados rígidos e critérios metodológicos estruturados de forma hierárquica e 
ordenada. Esse tipo de conhecimento é conhecido pela expressão “ditadura do 
método”, que indica a forte imposição de procedimentos científicos como norma 
dominante na construção do saber. 
3.1.1 Conhecimento científico e popular 
O ser humano possui uma especialização natural para compreender o universo 
que o rodeia, utilizando-se de suas capacidades cognitivas para essa finalidade. A 
busca pelo saber ocorre por meio de diversas vias que despertam sua atenção para 
o descobrimento, entre as quais se destacam as sensações, os sentimentos, a 
memória, a imaginação, a intuição, o raciocínio e a linguagem. Cada um desses 
elementos contribui para a apreensão da realidade, seja captando informações, 
atribuindo significados ou processando e comunicando ideias. 
Em análise de Oliveira et al. (2022) esses variados recursos revelam a 
complexidade do processo cognitivo humano, no qual se combinam percepções 
imediatas e faculdades intelectuais, conectando o indivíduo ao mundo à sua volta de 
forma dinâmica e interativa. A compreensão do real não se limita à simples 
observação, mas envolve uma construção contínua a partir das experiências vívidas 
e da reflexão crítica, o que permite ampliar o compreender e aprofundar o 
conhecimento em diferentes níveis. 
Tanto o saber científico quanto o conhecimento popular exercem papéis 
importantes no progresso social. Conforme Oliveira (2021), o conhecimento científico 
oferece ferramentas valiosas para observar, examinar e estabelecer a plausibilidade 
dos fatos e fenômenos, sejam eles de natureza social ou natural. Segundo Carvalho 
(2022), a atividade científica gera saberes que têm relevância direta para a vida em 
sociedade, pois se caracterizam por sua capacidade analítica, possibilidade de 
comunicação e função preditiva — ao compreender o passado, é possível projetar 
cenários futuros. Adicionalmente, as descobertas científicas podem reestruturar 
 
8 
 
modos antigos de compreender o convívio social, promovendo transformações no 
pensamento coletivo. 
A distinção entre os paradigmas do conhecimento é essencial para a 
compreensão da produção e validação do saber humano (Carvalho, 2022). Conforme 
pode ser visualizado no Quadro 1, são apresentadas as características principais que 
diferenciam o conhecimento popular do conhecimento científico, enfatizando suas 
bases epistemológicas, organização e critérios de verificação. Tal sistematização 
promove uma visão crítica que permite entender as funções e limitações inerentes a 
cada tipo de saber nas práticas sociais e acadêmicas. 
Quadro 1 - Paradigmas do conhecimento popular e científico 
Aspectos Comparativos Conhecimento Popular Conhecimento Científico 
Base Epistemológica Fundamento em valores e 
experiências pessoais 
Fundamentação em fatos 
empíricos e verificados 
Natureza do Saber Reflexivo e subjetivo Empírico, contingente e objetivo 
Estrutura Informal e não sistematizada Organizado e metodicamente 
sistematizado 
Critério de Verificação Verificável dentro do cotidiano, 
porém com limitações 
Verificável e comprovado por 
métodos rigorosos 
Grau de Confiabilidade Passível de erros e imprecisões Passível de revisão, com alto 
grau de aproximação à verdade 
Fonte: elaborado pelo autor. 
De acordo com o Quadro 1, observa-se que o conhecimento popular se apoia 
em valores subjetivos e apresenta uma estrutura menos formalizada, com um alcance 
de verificação restrito às vivências cotidianas, o que implica maior susceptibilidade a 
erros e imprecisões. Por outro lado, o conhecimento científico adota uma metodologia 
sistemática e rigorosa, alicerçada em evidências verificáveis, o que assegura maior 
confiabilidade e possibilita revisões contínuas. Essa distinção reforça a importância 
de reconhecer a complementaridade entre esses saberes para enriquecer a 
compreensão e a explicação dos fenômenos sociais e naturais. 
O conhecimento científico apoia-se em um conjunto organizado de 
procedimentos intelectuais e técnicos com o propósito de alcançar os objetivos da 
investigação. Nesse contexto, os métodos científicos configuram-se como o conjunto 
de processos e operações cognitivas aplicados durante a pesquisa. Eles orientam a 
sequência lógica do raciocínio que guiará o estudo. Entre os principais métodos 
empregados destacam-se o dialético, o fenomenológico, o dedutivo, o indutivo e o 
 
9 
 
hipotético-dedutivo. Vale salientar que é possível combinar mais de um método em 
um mesmo trabalho, de modo a fortalecer a abordagem investigativa e ampliar a 
compreensão do fenômeno em análise. 
3.1.2 Método científico 
O método científico deve ser compreendido como elemento essencial para a 
condução e a conclusão de uma investigação, pois fornece a orientação necessária 
para o desenvolvimento do estudo, indicando quais procedimentos deverão ser 
adotados e de que maneira proceder. Sob essa perspectiva, o método atua como guia 
para alcançar os objetivos da pesquisa e obter resultados consistentes. Diversas 
abordagens metodológicas podem ser empregadas para conduzir o trabalho, 
permitindo que o problema central seja analisado e respondido com clareza e rigor. 
De acordo com Carvalho (2022), os métodos científicos são definidos conforme 
o objeto investigado e os propósitos do resultado esperado. Ao longo do avanço do 
conhecimento científico e das transformações sociais, diversos intelectuais, como 
filósofos, sociólogos e outros integrantes da comunidade acadêmica, contribuíram 
para o desenvolvimento e a renovação de técnicas e abordagens para analisar 
fenômenos ou objetos específicos. 
Nesse contexto, destacam-se dois grupos principais de métodos essenciais 
para a elaboração de artigos científicos, pesquisas e projetos acadêmicos: os métodos 
de abordagem e os métodos de procedimentos. Esses agrupamentos metodológicos 
orientam a estruturação e o desenvolvimento dos estudos, assegurando rigor e 
clareza na investigação. 
3.1.3 Métodos de abordagem 
O método de abordagem pode ser compreendido como o caminho ou a forma 
que orienta o processo de pensamento na investigação científica, fornecendo os 
fundamentos para a construção de uma base coerente e sólida para o estudo. Por 
meio desses métodos, o pesquisador estabelece diretrizes que permitem distinguir 
claramente os objetivos próprios da ciência daqueles vinculados ao senso comum, 
adotando procedimentosracionais que são aplicáveis a diferentes áreas do 
conhecimento. 
 
10 
 
O método de abordagem oferece ao pesquisador a possibilidade de delimitar a 
extensão da investigação, definindo as ideias generalizadoras, explicando os 
fenômenos e estabelecendo as normas para essa explicação (Oliveira, 2021). Entre 
os métodos utilizados podem ser destacados: o fenomenológico, o dialético, o 
dedutivo, o indutivo e o hipotético-dedutivo. Cada um desses procedimentos está 
associado a uma tradição filosófica específica, conforme ilustrado no Quadro 2, o que 
fundamenta a perspectiva adotada para a análise e a interpretação dos dados. 
Quadro 2 - Métodos científicos e suas abordagens filosóficas 
Métodos 
Científicos 
Correntes Filosóficas 
Correspondentes 
Descrição da Abordagem Filosófica 
Dialético Materialismo Dialético Foca na análise da realidade como dinâmica e 
contraditória, enfatizando o processo de mudança e 
conflito na natureza e sociedade. 
Fenomenológico Fenomenologia Estuda as experiências vividas buscando 
compreender a essência dos fenômenos sem pré-
concepções. 
Hipotético-dedutivo Neopositivismo Baseia-se na formulação de hipóteses testáveis, 
privilegiando a verificação empírica e a lógica 
formal. 
Dedutivo Racionalismo Parte de princípios gerais para explicar casos 
particulares, valorizando a razão e o raciocínio 
lógico. 
Indutivo Empirismo Constrói conceitos a partir da observação repetida 
de fatos particulares, enfatizando a experiência 
sensível. 
Fonte: elaborado pelo autor. 
Essa relação entre método e corrente filosófica configura a base epistemológica 
da investigação, permitindo ao pesquisador organizar o raciocínio investigativo de 
forma coerente e alinhada aos pressupostos teóricos subjacentes ao estudo. Assim, 
a escolha do método de abordagem não apenas orienta a condução da pesquisa, mas 
também define o modo como os resultados serão compreendidos e validados dentro 
do contexto científico. 
3.1.4 Método fenomenológico 
O método fenomenológico dedica-se à análise dos dados e dos aspectos 
essenciais do fenômeno, procurando compreender como ele é percebido na 
experiência direta, sem recorrer a deduções adicionais ou abordagens empíricas 
 
11 
 
convencionais. Baseia-se na intuição e na observação pura do fenômeno, focando-se 
no dado percebido, independentemente de sua natureza fictícia ou concreta 
(Carvalho, 2022). A proposta é apreender o fenômeno tal como ele se manifesta de 
forma imediata e natural, sem influências externas, por meio de uma análise rigorosa 
que assegure a apresentação clara dos dados e uma explicação alinhada ao que foi 
observado, evitando interferências que possam distorcer sua essência. 
O método fenomenológico tem como objetivo principal explorar a relação entre 
a essência e o fenômeno, buscando acessar o que se encontra por trás da realidade 
aparente, sem impor pressupostos ou subjetividades do pesquisador. As estratégias 
de investigação ligam-se ao caráter qualitativo e à flexibilidade estrutural, permitindo 
que a realidade seja compreendida sob múltiplas perspectivas. Dessa maneira, a 
fenomenologia admite diversas interpretações e compreensões, reconhecendo a 
pluralidade das formas pelas quais o fenômeno pode ser revelado e sentido. 
Na perspectiva fenomenológica, a redução fenomenológica consiste em 
suspender temporariamente todas as crenças, pressupostos, conceitos e teorias 
previamente adquiridos — como se fossem guardados em um ambiente isolado, 
apagando suas influências momentaneamente. Esse procedimento busca que o 
investigador se despoje de preconceitos e conheça o fenômeno em sua pureza, 
permanecendo receptivo a novas formas de entendimento e interpretação, permitindo 
que a experiência se revele em sua essência autêntica. 
3.1.5 Método dialético 
O método dialético fundamenta-se na ideia de que a realidade está em 
constante transformação, na qual processos de mudança ocorrem por meio de ciclos 
em que elementos novos emergem, desconstruindo e modificando o que se encontra 
ultrapassado. O conceito de dialética tem origem na Antiguidade, atribuindo uma 
dimensão científica ao discurso que o utiliza. Esse conceito alcançou sua forma mais 
desenvolvida com a filosofia de Hegel (Saviani, 2021) e foi posteriormente adotado 
por Karl Marx, buscando interpretar a sociedade sob a premissa de que todos os 
fenômenos apresentam contradições internas que coexistem e não podem ser 
separadas (Cunha; Sousa; Silva, 2023). 
O método dialético destaca que as transformações presentes na natureza 
ocorrem por meio de um ciclo de contradições, no qual todos os elementos que 
 
12 
 
compõem um fenômeno estão inter-relacionados. Para compreender um determinado 
objeto ou fenômeno, o pesquisador deve analisá-lo sob múltiplas perspectivas, 
buscando apreendê-lo em sua integralidade. Cunha, Sousa e Silva (2023) identificam 
princípios essenciais à dialética, dentre os quais se encontram: 
• Princípio da unidade e luta dos contrários (unidade dos opostos): os 
fenômenos manifestam características contraditórias que são inseparáveis. 
Essa oposição gera uma tensão contínua, provocando o desenvolvimento 
social e a transformação dos processos envolvidos. 
• Princípio da transformação das mudanças quantitativas em qualitativas: 
a qualidade e a quantidade são atributos inerentes aos objetos e fenômenos, 
estando interligados de modo que variações quantitativas acabam por 
promover alterações qualitativas. 
• Princípio da negação da negação: o processo de desenvolvimento segue um 
ciclo no qual uma realidade é superada por modificações, e esta superação por 
sua vez é rejeitada em um segundo momento, conduzindo à transformação e 
à evolução dialética daquilo que se investiga. 
A dialética enfatiza as transformações qualitativas, minimizando a 
predominância do aspecto quantitativo nas análises. Dessa forma, as investigações 
que adotam essa perspectiva proporcionam um debate teórico aprofundado, o qual 
contrapõe-se às abordagens positivistas, que privilegiam a quantificação e o 
tratamento matemático dos dados. Essa distinção evidencia a diferença entre um 
olhar preocupado com a compreensão complexa dos fenômenos sociais e históricos 
e outro focado em mensurações estatísticas e empirismo estrito. 
3.1.6 Método dedutivo 
O método dedutivo baseia-se em um processo de raciocínio que se inicia em 
princípios universais ou em leis gerais, para então alcançar conclusões específicas. 
Por meio dessa lógica, busca-se compreender casos particulares a partir de teorias 
amplas ou verdades consideradas universais. Essa abordagem é amplamente 
empregada em áreas como Física, Matemática e Lógica. Contudo, sua aplicação nas 
Ciências Sociais é mais restrita, pois concentra-se unicamente na razão como 
caminho para a obtenção do conhecimento. 
 
13 
 
De acordo com Oliveira et al. (2022), o uso do racionalismo, da lógica coerente, 
dos argumentos fundamentados e do princípio da não contradição é adequado para 
garantir a validade das conclusões obtidas. O raciocínio lógico deve ser estruturado 
por meio de premissas claras e fundamentadas, que conduzam a uma conclusão 
legítima. A seguir, a Figura 1 apresenta o esquema clássico empregado para ilustrar 
o funcionamento do método dedutivo. 
Figura 1 - Esquema de silogismo dedutivo 
 
Fonte: Oliveira et al. 2022. 
O método dedutivo possibilita interpretar e concluir uma mesma proposição de 
diferentes maneiras, porém apresenta uma limitação: não acrescenta novo 
conhecimento ao partir da premissa universal já estabelecida. A validade da conclusão 
depende do conhecimento pré-existente do pesquisador, que precisa assumir como 
verdadeira a afirmação geral (premissa maior). Por conseguinte, surge uma crítica 
sobre a origem desse saber, pois a convicção de que “todo homem é mortal” não se 
fundamenta na observação de casos concretos, mas na aceitação prévia de uma 
proposta,configurando uma postura dogmática no processo investigativo. 
3.1.7 Método indutivo 
O método indutivo caracteriza-se por sua capacidade de estabelecer 
generalizações a partir da análise de casos específicos, invertendo a lógica do 
raciocínio dedutivo. Conforme Oliveira et al. (2022), esse procedimento consiste em 
observar particularidades para, progressivamente, construir explicações e teorias de 
âmbito mais amplo. Nessa visão, as condições e características observadas em 
situações concretas servem como base para a formulação de princípios ou leis gerais 
que orientam o entendimento dos fenômenos investigados. 
 
14 
 
O método indutivo exige um processo rigoroso de verificação, observação e 
experimentação, partindo das manifestações dos fenômenos para identificar suas 
causas subjacentes. Trata-se de um procedimento cognitivo que, a partir da análise 
de dados singulares, fundamenta uma proposição de ordem geral e universal. Ou seja, 
o raciocínio desloca-se do específico para o abrangente, a partir de premissas 
particulares que sustentam a construção do conhecimento mais amplo. A seguir, 
apresenta-se uma representação didática do funcionamento desse método na Figura 
2. 
Figura 2 - Exemplo de raciocínio indutivo 
 
Fonte: Oliveira et al. 2022. 
As conclusões derivadas do processo indutivo baseiam-se em observações 
que transcendem as premissas iniciais, diferentemente do método dedutivo, no qual 
a conclusão é necessariamente verdadeira desde que as premissas sejam 
verdadeiras. Na indução, as conclusões obtidas possuem caráter probabilístico, 
indicando uma alta plausibilidade, mas não absoluta certidão. 
Essa abordagem revelou-se de grande relevância para as Ciências Sociais, 
pois orientou pesquisadores a valorizarem a observação sistemática como 
procedimento essencial para a construção do conhecimento científico. 
Consequentemente, foram desenvolvidas variadas técnicas de coleta de dados e 
instrumentos metodológicos voltados para a análise detalhada dos fenômenos sociais 
(Carvalho, 2022). 
 
15 
 
3.1.8 Método hipotético-dedutivo 
O método hipotético-dedutivo foi sistematizado em 1935 por Karl Popper 
(1972), que destacou lacunas no entendimento das hipóteses e no desenvolvimento 
do raciocínio dedutivo. Esse método consiste em formular hipóteses que explicam 
determinado fenômeno e, em seguida, submeter essas proposições à verificação, 
buscando identificar possíveis falhas ou inconsistências no processo. Dessa forma, é 
caracterizado como uma abordagem baseada na formulação de conjecturas e na 
eliminação gradual de erros, promovendo o avanço do conhecimento científico por 
meio do teste rigoroso das hipóteses propostas (Cunha; Sousa; Silva, 2023). 
A hipótese representa uma suposição considerada plausível antes de sua 
validação, funcionando como uma proposição preliminar a ser confirmada ou refutada. 
Trata-se de uma interpretação provisória do problema investigado, que propõe uma 
possível solução ou explicação mediante uma conjectura destinada a ser verificada 
por meio de evidências empíricas. 
Considerando Carvalho (2022), a formulação da hipótese configura uma etapa 
essencial dentro do método científico, orientando o desenvolvimento da investigação 
ao direcionar quais observações ou experimentos serão necessários para testar a 
veracidade da suposição apresentada. A hipótese, portanto, proporciona uma base 
inicial que guia o processo de coleta e análise dos dados, conforme ilustrado no 
esquema elaborado pelo autor. 
Figura 3 - Esquema do método hipotético-dedutivo 
 
Fonte: Carvalho, 2022. 
No método hipotético-dedutivo, o processo de investigação inicia-se com a 
definição de um problema, que deve ser formulado de maneira clara, precisa e 
objetiva, permitindo a delimitação dos principais aspectos que orientarão o estudo. Em 
seguida, o pesquisador examina o contexto no qual o objeto está inserido ou o 
universo da pesquisa. A partir dessa análise, elaboram-se hipóteses que serão 
submetidas a verificação por meio de testes, observações e experimentações 
cuidadosas. Dependendo dos resultados obtidos, as hipóteses podem ser ajustadas 
 
16 
 
ou mantidas, dando origem a novos ciclos investigativos até que se alcance a 
coerência entre as proposições teóricas e os dados empíricos observados. 
3.1.9 Métodos de procedimentos 
Os métodos de procedimentos apresentam menor grau de subjetividade em 
comparação aos métodos de abordagem, pois estão diretamente relacionados às 
técnicas e estratégias específicas que o pesquisador emprega para atingir os objetivos 
da investigação. A seleção de um determinado procedimento influencia não apenas a 
coleta, mas também a análise dos dados e a interpretação dos resultados, pois integra 
as etapas práticas da pesquisa. 
Conforme Rodrigues e Silva (2022), tais métodos são frequentemente 
aplicados no estudo dos fenômenos sociais, sendo característicos da pesquisa social. 
Não é incomum a conjugação de mais de um procedimento em um único trabalho, 
visto que um método isolado nem sempre consegue conduzir todo o desenvolvimento 
do estudo de maneira adequada. Dentre as técnicas mais utilizadas destacam-se: o 
histórico, o observacional, o estatístico, o clínico, o monográfico e o comparativo. A 
combinação desses métodos possibilita uma abordagem mais abrangente e eficaz 
para compreender os fenômenos investigados. 
3.1.10 Método histórico 
O método histórico estrutura-se na investigação criteriosa de acontecimentos, 
processos, personagens, ideias e instituições que marcaram períodos anteriores, a 
fim de identificar suas origens, transformações e repercussões. Seu objetivo central é 
compreender não apenas fatos isolados, mas interpretar como elementos sociais, 
culturais, econômicos e políticos se inter-relacionam ao longo do tempo, influenciando 
o presente e delineando possíveis caminhos futuros. 
Esse método adota como premissa a dinamicidade das instituições e práticas 
humanas, reconhecendo que estruturas sociais e valores modificam-se conforme as 
condições culturais, políticas e tecnológicas de cada época. Ao abordar documentos, 
relatos, registros oficiais, obras literárias, vestígios materiais e até tradições orais, a 
análise histórica busca estabelecer conexões entre passado e contexto social, 
interpretando fontes segundo critérios de autenticidade, veracidade e 
representatividade. 
 
17 
 
O procedimento histórico não se restringe à mera cronologia ou descrição 
factual; privilegia a interpretação crítica das transformações em sociedades, 
relacionando causas e consequências, identificando permanências, rupturas e 
adaptações. Essa perspectiva permite ao pesquisador perceber os sentidos atribuídos 
pelos sujeitos aos eventos que vivenciaram, bem como compreender a historicidade 
dos conceitos, práticas e instituições estudadas. 
No campo das ciências sociais, o método histórico revela-se indispensável para 
explicar como estruturas institucionais—tais como família, Estado, escola, igreja ou 
sistema jurídico—adaptam-se a mudanças culturais, disputas de poder, avanços 
tecnológicos e movimentos sociais. Por meio dessa abordagem, é possível desvendar 
singularidades culturais de um período, problematizar narrativas oficiais e dar voz a 
sujeitos historicamente silenciados. 
De acordo com Rodrigues e Silva (2022), ao se apoiar em procedimentos 
qualitativos, o pesquisador histórico prioriza a contextualização ampla dos fenômenos, 
evitando análises anacrônicas e interpretações lineares. Desse modo, o método 
histórico destaca-se não só pela reconstituição de fatos passados, mas também pela 
capacidade de iluminar processos de mudança social e cultural que ainda reverberam 
no presente. 
3.1.11 Método experimental 
O método experimental se caracteriza pela prática rigorosa de manipular e 
controlar as variáveis que influenciam o fenômeno em estudo, visando identificar 
relações de causae efeito. Ao contrário de abordagens meramente observacionais, 
que registram eventos sem interferência, esse método promove a criação de 
condições específicas e controladas, nos chamados ambientes experimentais, para 
testar hipóteses com maior precisão. 
A definição clara das variáveis é essencial: distinguem-se variáveis 
independentes, que são manipuladas pelo pesquisador, e variáveis dependentes, que 
são observadas e medidas para avaliar o impacto das modificações. O controle de 
variáveis externas ou interferentes assegura que os resultados possam ser atribuídos 
aos fatores investigados, minimizando vieses e garantindo maior validade interna ao 
estudo. 
 
18 
 
Além disso, o método experimental emprega procedimentos padronizados para 
garantir a reprodutibilidade dos experimentos, condição fundamental para a 
confirmação dos achados científicos. Esse rigor metodológico permite não só a 
verificação da hipótese inicial, como também a generalização dos resultados para 
situações similares, desde que respeitadas as condições impostas. 
Nas Ciências Naturais e Físicas, a experimentação oferece um caminho direto 
para testar teorias e explicações, contribuindo para o avanço do conhecimento por 
meio da validação empírica e da refutação de suposições incorretas. Entretanto, sua 
aplicação em Ciências Sociais é mais complexa, devido à dificuldade de controlar 
múltiplas variáveis sociais e culturais, e à influência dos contextos humanos. 
Carvalho (2022) enfatiza que o método experimental também pode envolver 
delineamentos distintos, tais como experimentos laboratoriais, de campo ou naturais, 
cada um com suas particularidades e graus variados de controle e manipulação. A 
escolha do delineamento adequado deve considerar os objetivos da pesquisa, a 
natureza do fenômeno estudado e as limitações práticas que o pesquisador enfrenta. 
3.1.12 Método observacional 
O método observacional é amplamente explorado nas investigações das 
Ciências Sociais, destacando-se por sua antiguidade aliada à relevância 
contemporânea. Tal abordagem assegura elevada precisão na análise das tendências 
sociais, diferenciando-se do método experimental ao não interferir nos 
acontecimentos estudados. O investigador limita-se a registrar e interpretar fatos que 
ocorrem ou que ocorrem, sem manipular variações ou influenciar a situação. A adoção 
do método observacional como foco central em diversas pesquisas sociais evidencia 
sua importância, ainda que, em muitos casos, seja combinada com outras 
metodologias para enriquecer e complementar a compreensão dos objetos 
investigativos (Cunha; Sousa; Silva, 2023). 
3.1.13 Método comparativo 
O método comparativo fundamenta-se na investigação sistemática e detalhada 
de diferentes unidades de análise, como grupos sociais, instituições, eventos ou 
especificidades, buscando identificar tantas convergências quanto divergências entre 
eles. Essa técnica permite extrair padrões e contrastes que enriquecem a 
 
19 
 
compreensão das estruturas e dinâmicas sociais, favorecendo a construção de 
explicações mais complexas e contextualizadas. 
No âmbito das Ciências Sociais, a análise comparativa é especialmente útil 
para possibilitar a avaliação de realidades distintas que podem estar separadas por 
distâncias geográficas, históricas ou culturais. Ao confrontar esses contextos, o 
pesquisador pode refletir sobre processos comuns, diferenças significativas e até 
fatores determinantes que influenciam o desenvolvimento social, político, econômico 
ou cultural de cada grupo ou sociedade (Terra; Terra, 2023). 
Além disso, o método comparativo oferece um recurso importante para a 
formulação e validação de teorias sociais, pois possibilita testar hipóteses em 
múltiplos ambientes, conferindo maior robustez e abrangência às conclusões. A 
comparação cuidadosa evita generalizações apressadas, estimulando uma análise 
crítica que leva em conta a especificidade dos contextos estudados. 
É relevante destacar que esta abordagem requer um trabalho específico de 
delimitação dos critérios comparativos e das variáveis verificadas, garantindo que as 
comparações sejam significativas e fundamentadas. O pesquisador deve estar atento 
às diferenças contextuais para não errar em análises simplistas ou invejadas, 
desenvolvendo, assim, uma investigação sensível às particularidades de cada caso. 
Dessa forma, a utilização do método comparativo enriquecedor o campo das 
Ciências Sociais ao ampliar os horizontes analíticos, promovendo a compreensão de 
características complexas a partir do exame simultâneo de múltiplas realidades. Sua 
flexibilidade metodológica favorece tanto pesquisas quantitativas, ao comparar 
indicadores entre grupos, quanto qualitativos, ao interpretar significados e contextos 
específicos. 
3.1.14 Método estatístico 
O método estatístico dedica-se à análise quantitativa das especificações 
sociais, permitindo organizar e interpretar dados numéricos encontrados por meio de 
diferentes técnicas, como censos, inquéritos, pesquisas e registros administrativos. 
Por meio do uso de cálculos probabilísticos e diversas ferramentas de estatísticas, o 
pesquisador busca identificar padrões, tendências e relações entre variações que 
compõem a realidade social investigada. 
 
20 
 
Fazenda, Tavares e Godoy, (2022) destacam que uma das principais 
contribuições desse método reside na sua capacidade de sintetizar grandes volumes 
de dados de forma sistemática, facilitando a compreensão de especificações 
específicas com base em evidências quantitativas. A aplicação de medidas como 
médias, medianas, variâncias, correlações e regressões permite não apenas 
caracterizar o objeto de estudo, mas também testar hipóteses e construir modelos que 
possam explicar as dinâmicas sociais observadas. 
Cumpre destacar que, embora o método estatístico proporcione análises de 
elevado grau de precisão, seus resultados são interpretados dentro do regime de 
probabilidade, o que implica necessariamente em margem de incerteza. Nesse 
sentido, os estudos baseados nessa abordagem não apresentam verdades definitivas, 
mas indicam a probabilidade de ocorrência de determinadas características ou 
relações entre variáveis, exigindo, assim, um olhar crítico e contextualizado por parte 
do pesquisador. 
Além disso, o uso de amostras representativas é fundamental para garantir a 
validade e a generalização das instruções extraídas. Uma técnica amostral deve ser 
cuidadosamente planejada para evitar vieses e garantir que os dados encontrados 
sejam refletidos especificamente para a população estudada. Instrumentos 
metodológicos como testes de significância, intervalos de confiança e análise 
multivariada fortalecem a robustez da investigação. 
Na dimensão prática, o método estatístico oferece ferramentas essenciais para 
elaboração de políticas públicas, avaliação de programas e pesquisas acadêmicas, 
necessária tanto para descrever situações quanto para prever comportamentos 
futuros. Sua aplicação abrange diversas áreas, desde educação e saúde até 
economia e sociologia, tornando-se necessária para a compreensão da sociedade em 
suas diversas facetas. 
Portanto, a combinação entre rigor matemático e aplicação crítica permite que 
o método estatístico contribua de maneira significativa para o avanço do 
conhecimento nas Ciências Sociais, ampliando o alcance e a profundidade das 
análises realizadas. Dessa forma, os pesquisadores oferecem interpretações mais 
justificadas, fundamentadas em dados quantitativos que enriquecem as discussões 
teóricas e práticas no campo social. 
 
21 
 
3.1.15 Método clínico 
O método clínico enfatiza uma relação direta e profunda entre o pesquisador e 
o sujeito da pesquisa, o que em síntese o torna uma estratégia metodológica focada 
na compreensão das experiências individuais e das relações sociais em sua 
especificidade. Tal abordagem não busca generalizações,mas sim apreender as 
singularidades de cada caso, valorizando a experiência subjetiva e o contexto vívido 
pelo indivíduo. 
Zanetti (2023) situa o método clínico no campo da psicologia, sobretudo na 
psicologia clínica francesa, onde ele está historicamente ligado à psicanálise e à 
proposta de uma "unidade da psicologia". Essa conferência conecta ao método uma 
base teórica que privilegia a investigação exaustiva dos casos particulares por meio 
de entrevistas aprofundadas, testes projetivos, observações das respostas afetivas e 
verbais, além da análise do desenvolvimento histórico do sujeito. A clínica psicológica, 
nesse sentido, busca compreender o ser humano em sua totalidade e em sua situação 
vívida, identificando os conflitos internos e suas interações com o meio social. 
O método clínico difere das metodologias experimentais por não manipular 
variáveis nem controlar ambientes. Onde estas últimas procuram estabelecer relações 
causais por meio da intervenção, a abordagem clínica se fundamenta na escuta atenta 
e na interpretação detalhada das manifestações psíquicas e comportamentais do 
sujeito. Segundo Trinca (2023), essa abordagem metodológica permite uma 
investigação dinâmica, interrelacional e genética da pessoa, considerando não 
apenas os aspectos atuais do comportamento, mas também sua evolução histórica e 
a configuração global da personalidade. 
Dessa forma, o método clínico ilumina as dimensões subjetivas da experiência 
humana, oferecendo insights valiosos para a prática terapêutica, o aconselhamento 
psicológico e a intervenção em saúde mental. Apesar da prevalência de métodos 
experimentais e quantitativos na psicologia contemporânea, o método clínico 
conserva seu papel indispensável por sua capacidade de captar as complexidades do 
sujeito singular e de suas vivências, o que enriquece o conhecimento científico e a 
prática profissional na área. 
 
22 
 
3.1.16 Método monográfico ou estudo de caso 
O estudo de caso, conforme assinalado por Meira (2023), caracteriza-se pela 
análise intensa e detalhada de um específico, proporcionando um exame minucioso 
de todos os seus aspectos relevantes. Esse tipo de investigação promove debates 
aprofundados sobre o tema abordado, considerando diferentes atores sociais, tais 
como grupos, indivíduos, instituições ou comunidades. A intenção do pesquisador ao 
conduzir essa pesquisa consiste em mapear minuciosamente os elementos 
envolvidos, compreendendo suas relações e impactos dentro do contexto estudado. 
Essa abordagem possibilita uma introspecção aprofundada nos fatores que 
compõem o objeto de estudo, valorizando tanto as particularidades quanto as 
interações complexas entre suas partes. Tal abordagem permite capturar a 
singularidade dos casos, oferecendo contribuições significativas para a compreensão 
detalhada das especificações investigadas, ampliando a riqueza do conhecimento 
gerado (Gerring, 2019). 
Nessa visão, o estudo de caso não apenas descreve o objeto de análise, mas 
ainda promove uma reflexão crítica que auxilia em formulações teóricas e práticas, 
demonstrando-se um recurso específico para áreas que exigem compreensão 
aprofundada de situações específicas e contextuais. Essa modalidade é comum em 
estudos sociais, psicológicos e educacionais, nos quais as dinâmicas particulares 
exigem uma análise minuciosa e contextualizada. 
3.1.17 Método etnográfico 
O método etnográfico, tal como desenvolvido por Boas (2023) consolida-se 
como um dos pilares centrais da investigação antropológica, orientando o pesquisador 
para o contato direto, prolongado e reflexivo com o grupo treinado. A descrição 
minuciosa dos costumes, mitos, práticas alimentares e modos de classificação social 
das comunidades deve respeitar a singularidade de cada cultura, rejeitando qualquer 
tentativa de hierarquização ou universalização. 
Para ele, é necessário registrar detalhadamente a diversidade de versões, 
práticas e interpretações internas à própria comunidade, pois só assim é possível 
compreender, de fato, o mosaico cultural que compõe a humanidade. Essa 
perspectiva situada nas bases do relativismo cultural e reinventou o olhar 
 
23 
 
antropológico ao privilegiar as culturas no plural, registrando-as como sistemas 
complexos e exclusivos em relação a padrões externos. 
No campo prático, Boas (2023) também sublinhou que o material de pesquisa 
etnográfica é, por natureza, fragmentário, uma vez que muitos aspectos centrais da 
vida cultural, como linguagem, organização social e mitologias, costumam 
desaparecer com o passar das gerações. Assim, o antropólogo deve investigar não 
apenas à observação participante, mas também à escuta das narrativas locais, à 
análise de objetos materiais e ao registro dos rituais cotidianos, sempre atento à 
multiplicidade de versões e sentidos atribuídos pelos próprios membros do grupo 
desenvolvido. 
Ampliando esse horizonte, Trinca (2023) enfatiza uma etnografia como 
abordagem metodológica qualitativa, voltada para a tradição no cotidiano dos grupos 
investigados. O pesquisador assume o papel de observador-participante, engajando-
se nas práticas, valores e dinâmicas dos sujeitos, para então construir proteção densa 
e interpretativas sobre seus universos simbólicos, relações e modos de viver. A 
etnografia, nesse sentido, exige disposição para a convivência e para o diálogo 
constante, permitindo capturar elementos implícitos, ambiguidades e sutilezas 
culturais que dificilmente aparecem em métodos distanciados ou puramente 
quantitativos. 
A valorização da voz dos sujeitos, a busca por significados a partir da 
perspectiva interna do grupo e da pluralidade metodológica são características 
fundantes dessa abordagem. Observações, entrevistas, análise documental, registros 
audiovisuais e participação ativa no contexto pesquisado são recursos que viabilizam 
uma compreensão profunda dos modos de agir, sentir, produzir e interpretar o mundo 
em diferentes culturas (Boas, 2023; Trinca, 2023). Ao privilegiar a descrição densa e 
a análise dialógica, a etnografia se firma como estratégia incontornável para revelar a 
riqueza e a diversidade das experiências humanas. 
3.1.18 Método de pesquisa-ação 
O método de pesquisa participativa e qualitativa, conforme apresentado por 
Marsolik (2020), caracteriza-se por sua natureza colaborativa, onde os sujeitos 
envolvidos participam ativamente em todas as fases do processo investigativo. Essa 
abordagem orienta-se para a resolução de problemas concretos, envolvendo os 
 
24 
 
participantes não apenas na análise da questão, mas também na construção conjunta 
de soluções e no planejamento de ações que visem mudanças efetivas na realidade 
social. Trata-se de um processo dialógico e coletivo, que integra a produção do 
conhecimento à prática transformadora, reconhecendo a experiência e o engajamento 
dos atores diretamente ligados ao tema estudado. 
Marsolik (2020) destaca que essa metodologia valoriza a participação plena 
dos envolvidos, rompendo com o modelo tradicional de pesquisa em que os sujeitos 
são meramente observados ou analisados. Em vez disso, eles assumem papel de co-
pesquisadores, contribuindo para o diagnóstico do problema e para a implementação 
das intervenções propostas. Nesse contexto, a pesquisa torna-se um espaço de 
empoderamento e conscientização, fomentando a capacidade dos participantes de 
atuarem sobre sua própria realidade. 
Além disso, esse método promove um ciclo contínuo de reflexão e ação, no 
qual as etapas de investigação, discussão e intervenção se alternam e se 
complementam, possibilitando ajustes e aprimoramentos durante o curso do trabalho. 
Essa dinâmica favorece a construção de soluções contextualizadas e sustentáveis, 
baseadas no diálogo entre saberes científicos e práticos. Portanto, a abordagem 
participativa e qualitativa representa uma estratégia metodológica que alia o rigor da 
pesquisa àprática social, configurando-se como uma ferramenta poderosa para a 
transformação coletiva e a construção de conhecimento significativo. 
3.1.19 Método qualitativo 
O método qualitativo fundamenta-se na observação, análise e interpretação 
dos dados a partir de uma perspectiva psicossocial, confirmando a existência de uma 
relação entre o sujeito e a realidade concreta. Essa abordagem privilegia o diálogo 
entre a subjetividade do indivíduo e o mundo objetivo, aspectos que uma simples 
quantificação numérica não consegue abarcar de forma satisfatória (Kaplan, 2024). 
Diferentemente da pesquisa quantitativa, não exige o uso de fórmulas matemáticas 
ou técnicas estatísticas, uma vez que seu foco está na compreensão dos significados, 
experiências e contextos sociais que moldam as audiências investigadas. 
Nas ciências sociais e na psicologia, essa metodologia privilegia o contato 
direto e a interação entre pesquisador e participantes, focando na construção do 
conhecimento por meio de processos dialógicos. O investidor qualitativo busca captar 
 
25 
 
as interpretações e sentidos atribuídos pelos sujeitos, valorizando a riqueza dos dados 
subjetivos e contextualizados. O método qualitativo contribui para uma análise 
profunda das preferências sociais, trazendo à luz aspectos que muitas vezes 
permanecem invisíveis à abordagem quantitativa, como valores, apenas, práticas 
culturais e representações sociais. 
3.1.20 Método quantitativo 
O método quantitativo, segundo Punch (2021), utiliza intensamente dados 
numéricos e ferramentas matemáticas como base para examinar e interpretar a 
realidade social de forma estruturada e sistemática. Por meio do trabalho de técnicas 
estatísticas, como o cálculo de porcentagens, coeficiente de apresentação, médias e 
desvios padrão, torna-se possível descrever, relacionar e mensurar variáveis com 
precisão, o que favorece a identificação de padrões e tendências em tendências 
treinadas. 
A força dessa abordagem reside na capacidade de transformar observações 
em informações objetivas e quantificáveis, conferindo maior clareza e consistência 
aos resultados. Além disso, o método quantitativo segue um caminho logicamente 
ordenado, baseado em hipóteses que são testadas por meio da coleta e análise de 
dados numéricos, geralmente utilizando amostras representativas para garantir a 
validade dos resultados. 
Este procedimento é amplamente empregado em Ciências Sociais para 
investigar comportamentos, manifestações sociais e relações em grande escala, 
permitindo projeções e comparações numéricas que enriquecem a compreensão das 
características. A análise estatística permite ainda avaliar a confiabilidade e a 
significância das descobertas, fortalecendo a base empírica das conclusões. 
No entanto, Punch (2021) destaca que mesmo com a precisão e o rigor 
associados ao método quantitativo, os resultados devem ser interpretados 
considerando um grau de probabilidade, não como verdades absolutas, pois a 
incerteza inerente à análise estatística exige uma leitura e contextualizada dos dados. 
Assim, a pesquisa quantitativa constitui uma ferramenta essencial para a produção de 
conhecimento contribuindo para a formulação e atualização de teorias nas Ciências 
Sociais por meio da análise numérica rigorosa e sistemática. 
 
 
26 
 
4 BASES TEÓRICAS DA PESQUISA CIENTÍFICA 
A fundamentação teórica representa o alicerce intelectual que sustenta 
qualquer pesquisa científica. Consiste na análise cuidadosa e crítica de teorias, 
conceitos e estudos já produzidos sobre o tema de interesse conforme mencionado 
por Oliveira et al. (2022). Essa estrutura oferece ao pesquisador um conjunto coerente 
de referências que orientam a formulação de hipóteses e justificam as metodologias 
adotadas, além de situar o trabalho no contexto do conhecimento vigente, 
identificando áreas que ainda carecem de investigação. 
Ao construir essa base, o pesquisador conhece o desenvolvimento do campo 
investigado, dialoga com autores relevantes e evita a repetição de investigações já 
realizadas. A fundamentação teórica também auxilia na interpretação dos resultados, 
conferindo maior consistência às discussões elaboradas ao longo do estudo. Para 
compor esse embasamento, recomenda-se o uso criterioso de fontes confiáveis, como 
livros acadêmicos, artigos científicos e dissertações, organizadas de forma lógica e 
articulada para estabelecer conexão direta com o problema central da pesquisa. 
4.1 Teorias da pesquisa científica 
Na investigação nas Ciências Sociais, as teorias representam o alicerce para 
compreender, definir conceitos, formular hipóteses e estruturar todo o processo 
investigativo, contribuindo também para racionalizar e explicar as implicações sociais. 
Conforme análise de Oliveira (2021), entre as principais teorias destaca-se: 
• Funcionalismo: que enxerga a sociedade como um sistema composto de 
partes inter-relacionadas, cada uma com uma função que contribui para a 
estabilidade e o equilíbrio social. 
• Estruturalismo: que enfatiza o estudo das estruturas subjacentes às 
especificidades sociais, buscando identificar padrões que organizam a cultura, 
a linguagem e as relações sociais. 
• Materialismo Histórico: inspirado em Marx, que interpreta os processos 
históricos e sociais a partir das condições materiais e econômicas, 
considerando que as mudanças sociais decorrem das contradições nas 
relações de produção. 
 
27 
 
• Etnometodologia: que focaliza as práticas cotidianas e o modo como os 
indivíduos constroem a ordem social em suas interações diárias. 
• Teoria da Compreensão: que valoriza o entendimento aprofundado do 
significado das ações e experiências sociais a partir da perspectiva dos 
próprios atores. 
Essas abordagens teóricas estruturaram a construção do conhecimento social, 
orientando o delineamento das pesquisas e a interpretação dos dados, estabelecendo 
conexões entre as evidências empíricas e as explicações conceituais. A teoria, 
portanto, não apenas fundamenta a investigação, mas atua como uma lente de análise 
que possibilita a inserção das informações em contextos mais amplos de significado 
e explicação, conforme as reflexões de Oliveira (2021). 
4.1.1 Funcionalismo 
O funcionalismo concentra sua análise nas interações entre indivíduos e na 
forma como essas relações se organizam dentro de uma cultura ou sociedade. De 
origem positivista, tendo Émile Durkheim como um dos maiores representantes, 
sobretudo em sua obra “As regras do método sociológico” (1895), o funcionalismo 
sustenta que toda atividade social ou cultural cumpre funções indispensáveis para o 
equilíbrio do sistema social. A sociedade é entendida como um conjunto estruturado, 
não quais ações, instituições e relações sociais se interconectam e dependem umas 
das outras para manter a estabilidade. 
Cada parte do sistema exerce uma função específica que contribui para o 
funcionamento harmonioso de todo. A partir do que expõe Brotherhood (2024), essa 
perspectiva metodológica é amplamente aplicada nas Ciências Humanas — 
Psicologia, Antropologia e Filosofia, entre outras — e busca explicar tanto as práticas 
sociais individuais quanto as manifestações coletivas, valorizando a compreensão do 
papel que cada componente assume para garantir a coesão e continuidade da vida 
social. 
4.1.2 Estruturalismo 
O Estruturalismo centra-se na análise de características por meio da 
compreensão da inter-relação entre suas múltiplas dimensões, recuperando 
 
28 
 
simultaneamente aspectos concretos e abstratos em um todo integrado. Essa 
perspectiva sustenta que cada elemento de um sistema não existe isoladamente, mas 
em conexão com os demais e com a totalidade que organiza e dá sentido à sua 
existência. Assim, a explicação da realidade deve tomar como base a estrutura que 
subjaz e articular as partes entre si. 
Rodrigues e Silva (2022) ressaltam que, dentro dessa abordagem,não há fatos 
isolados, pois tudo compõe um conjunto interdependente no qual as partes possuem 
relações internas mútuas. Cada componente influencia e é influenciado pelos demais, 
configurando um sistema onde as conexões e as relações internas são essenciais 
para compreender as características como um todo, e não apenas seus fragmentos 
dissociados. Esse entendimento contribui para uma visão mais complexa e integrada 
da realidade social e cultural, superando análises fragmentárias. 
Do ponto de vista teórico e metodológico, o Estruturalismo se preocupa com os 
padrões de organização das estruturas subjacentes às específicas, numa articulação 
que transcende o mero empírico e alcança os princípios que governam o sistema. 
Essa abordagem tem sido aplicada em diferentes áreas das Ciências Humanas, 
auxiliando a revelar a lógica interna que sustenta desde os processos culturais até as 
instituições e as relações sociais, conforme refletido nas análises de Oliveira et al. 
(2022). 
4.1.3 Materialismo Histórico 
O materialismo dialético, conforme delineado por Karl Marx e Friedrich Engels, 
fundamenta a ideia de que a base da sociedade é fornecida pelas condições de 
materiais de produção e troca de bens, em qualquer período histórico (Moreland et al., 
2022). Essa abordagem filosófica parte do princípio de que os processos econômicos 
e técnicos determinam a estrutura social e cultural, compreendendo a realidade social 
como um sistema em constante transformação, marcado por contradições 
internacionais que geram mudanças. Marx e Engels situam a produção de material 
como elemento central para entender as dinâmicas sociais, rejeitando explicações 
idealistas que colocam as ideias como motor principal da história. 
Nesse sentido, o materialismo dialético analisa a sociedade considerando 
relações de classe, modos de produção e suas transformações históricas, enfatizando 
que a luta entre classes sociais é um motor da história. A dialética aplicada nesta 
 
29 
 
teoria consiste na interação entre opções, como produção e troca, que, ao 
contradizerem-se, provocam movimentos e transformações. Portanto, a explicação 
social não se restringe a fatos isolados, mas é compreendida a partir da interconexão 
de condições materiais, econômicas e técnicas que compõem o tecido social em seus 
diversos níveis, fornecendo um método para interpretar a evolução das sociedades 
por meio de suas contradições internas e seus processos históricos. 
4.1.4 Etnometodologia 
O materialismo dialético, conforme abordado por Watson e Gastaldo (2015), 
tem sua base teórica nas contribuições de Marx e Engels, pensadores dos séculos 
XVII e XVIII, que afirma que a produção e a troca de bens específica o fundamento da 
estrutura social em qualquer período histórico. Essa perspectiva entende que a 
realidade social está enraizada em condições materiais, econômicas e técnicas, que 
moldam as relações humanas e as instituições. A sociedade não é vista apenas em 
seus aspectos ideais ou simbólicos, mas como uma preocupação profundamente 
ligada às forças produtivas e às relações econômicas que regem a produção material. 
Essa abordagem filosófica e metodológica analisa o desenvolvimento social 
como um processo dinâmico e contraditório, no qual as transformações derivadas da 
interação entre opções presentes nas condições materiais de existência. Marx e 
Engels destacam que a dialética permite compreender a mudança histórica a partir do 
conflito e da síntese entre contradições, evidenciando que o movimento da sociedade 
decorre dessas diferenças internas. Por meio dessa lente, a produção e a troca de 
mercadorias não são fatos isolados, mas partes integradas de um sistema complexo 
de relações que determinam a configuração social, política e cultural em diferentes 
épocas. 
O materialismo dialético rejeita as explicações idealistas e enfatiza a 
centralidade do trabalho humano e das condições materiais para a explicação das 
características históricas. Assim, a análise das estruturas econômico-sociais deve 
observar as contradições internas que impulsionaram as transformações e o 
desenvolvimento histórico, considerando as interações entre os modos de produção, 
as classes sociais e as condições técnicas disponíveis. Essa compreensão amplia a 
visão sobre as bases materiais que sustentam a vida coletiva, oferecendo um método 
 
30 
 
para interpretar as mudanças e continuidades presentes na evolução das sociedades 
ao longo do tempo (Watson; Gastaldo, 2015). 
4.1.5 Compreensão/Hermenêutica 
A Hermenêutica, conforme exposta por Santiago (2023), dá destaque ao papel 
ativo do sujeito envolvido na ação, confirmando que a visão do observador é sempre 
parcial e condicionada pelo seu contexto. Essa abordagem busca desvendar sentidos 
profundos e intrínsecos ao objeto de estudo, por meio do exame atento dos múltiplos 
elementos que especificamente o método hermenêutico, utilizando a interpretação 
como ferramenta essencial. 
Podemos entender a hermenêutica como um elo entre linguagem, 
entendimento e interpretação rigorosa, cujo objetivo é desvendar os significados 
presentes em textos, discursos ou especificidades específicas. O método promove 
uma articulação crítica entre o que é expresso e a percepção do intérprete, exigindo 
um movimento constante entre a compreensão e a interpretação, para captar a 
complexidade dos sentidos envolvidos. 
Além disso, essa abordagem consistente que qualquer ato interpretativo é 
influenciado pelas experiências, valores e posicionamentos do sujeito que interpreta, 
o que torna necessária uma consciência reflexiva sobre essas influências. Dessa 
forma, a Hermenêutica se firma como uma disciplina que valoriza o diálogo entre o 
conhecimento prévio do intérprete e o conteúdo desenvolvido, estabelecendo uma 
relação dinâmica e reciproca que enriquece a compreensão. 
Ao mediar a relação entre linguagem e compreensão, a Hermenêutica 
possibilita acessar camadas mais profundas do significado, permitindo que o processo 
interpretativo vá além da superfície textual ou fenomenológica, alcançando um 
entendimento mais completo e contextualizado das características sociais e culturais 
onde se manifesta. Assim, ela contribui para a elaboração de análises enriquecidas, 
tanto no campo das ciências humanas quanto em outras áreas que exigem 
interpretação crítica e reflexiva. 
 
31 
 
4.2 Pesquisa 
É comum que estudantes, independentemente do grau de escolaridade, 
realizem investigações científicas. Para que esse trabalho seja significativo, é 
necessário compreender o método escolhido, sua essência e seus objetivos. Soares 
(2020) destaca que a pesquisa pode ser entendida como um processo de produção 
do conhecimento e também como uma via de aprendizagem, compondo parte 
relevante do que chamamos de entrega do saber. Dessa forma, a pesquisa ultrapassa 
o simples ato de coletar informações, configurando-se como um movimento sonoro 
que promove a reflexão crítica e o aprofundamento do entendimento acerca do tema 
explorado. 
A pesquisa pode ser investigada como o ato de investigar questões, buscar 
respostas ou solucionar problemas, ou que correspondam à busca pelo 
conhecimento. Quando conversamos em pesquisa científica, referimo-nos à 
realização dessa investigação por meio da aplicação de métodos e procedimentos 
rigorosos, previamente treinados, para garantir a confiabilidade dos resultados 
obtidos. 
Esse processo exige um planejamento cuidadoso que considere a necessidade 
de proporcionar mudanças sempre que pertinentes. É importante refletir sobre o local 
onde a pesquisa será conduzida, o momento de proteção para a execução, bem como 
os recursos humanos e materiais que estarão disponíveis. São diversas as questões 
que precisam ser avaliadas e organizadas para garantir que o estudo seja 
desenvolvido de forma consistente e eficiente. 
Ao abordar a ética em pesquisas acadêmicas, é imprescindível

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