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DIREITO TRIBUTÁRIO - RESUMO
	
RESUMO
TRIBUTÁRIO
TRIBUTOS ESTADUAIS
EDUARDO SABBAG
 20 Aulas
ORGANIZAÇÃO: LEANDRO LOREDO
Sumário
IPVA: Fundamentos Essenciais e Novidades da Reforma Tributária	3
Reforma Tributária e o IPVA: Novas Regras e Impactos	5
Imposto ITCMD: Fundamentos, Fato Gerador e Competência	7
ITCMD: Transmissões no Exterior e a EC 132/23	9
IPVA: Fundamentos Essenciais e Novidades da Reforma Tributária
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1. Nomen Juris e Previsão Constitucional
O IPVA é o "Imposto sobre a propriedade de veículos automotores". Sua previsão constitucional está no Art. 155, III, da Constituição Federal (CF).
2. Natureza e Origem
· Imposto Estadual: O IPVA é um imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal. 
· Ausência no CTN: Diferentemente de muitos impostos, o IPVA não tem previsão expressa no Código Tributário Nacional (CTN). Sua criação data de 1985, com a promulgação da Emenda Constitucional n. 27/85, substituindo a antiga Taxa Rodoviária Única (TRU). Foi recepcionado pela CF/88 (art. 34, § 3º, ADCT). 
· Citação: "O IPVA não tem previsão expressa no Código Tributário Nacional". (VUNESP, TJ-AL, 2023)
3. Competência e Sujeito Ativo
· Estados e Distrito Federal: Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre a propriedade de veículos automotores, conforme o Art. 155, III, da CF. 
· As leis ordinárias estaduais são responsáveis por instituir os respectivos IPVAs em cada unidade federativa. 
4. Elemento Temporal do Fato Gerador
· Anual e Contínuo: O fato gerador do IPVA é anual, configurando um fato gerador contínuo ou continuado. É estabelecido por uma ficção jurídica, geralmente em 1º de janeiro de cada ano, ou em outra data definida por lei estadual. 
· Veículo Novo e Importado: 
· Veículo novo: O fato gerador ocorre na data da aquisição.
· Veículo importado: O fato gerador ocorre na data do desembaraço aduaneiro.
Caso Emblemático (ADI n. 5.282/PR): O STF, em 2022, entendeu que a postergação da data do fato gerador do IPVA pelo Estado do Paraná (Lei n. 18.371/2014) para 1º de abril de 2015 (a lei majoradora foi publicada em 18-12-2014) respeitou as regras de anterioridade anual e nonagesimal. Não houve desvio de finalidade na alteração temporal para viabilizar a tributação pela alíquota majorada no exercício financeiro seguinte à publicação da lei. 
Este caso demonstra que, por estratégia legislativa, é possível alterar a data da ficção jurídica do fato gerador para que a majoração do imposto seja aplicada respeitando as anterioridades no mesmo exercício financeiro. 
5. Elemento Espacial do Fato Gerador
· Regra Geral: O IPVA é devido no local em que o veículo deva ser registrado e licenciado, inscrito ou matriculado perante as autoridades de trânsito, independentemente do domicílio do proprietário ou possuidor. 
· Exceção/Jurisprudência (Empresas de Locação de Veículos - RE 1.016.605 - Tema 708/STF): Para empresas de locação de veículos, a cobrança do IPVA somente pode ser realizada pelo Estado em que o contribuinte mantém sua sede ou domicílio tributário. Esta orientação do Pleno do STF, de 2020, prevalece sobre a regra do licenciamento para essa situação específica. 
(Questão CEBRASPE, SEFAZ-SE, 2022): "A empresa GX1, que tem sede e domicílio tributário no município de Aracaju – SE... Embora a GX1 seja sediada em Sergipe, os veículos por ela locados são licenciados no município de Londrina – PA. Nessa situação hipotética, de acordo com a delimitação constitucional da repartição de receitas tributárias e com a jurisprudência do STF, a competência para exigir o IPVA sobre os veículos de propriedade da empresa GX1 será apenas do Estado de Sergipe". 
6. Instituição do IPVA e Papel da Lei Complementar
· Normas Gerais: O Art. 146, III, "a", da CF, estabelece que as normas gerais sobre fato gerador, base de cálculo e contribuintes dos impostos devem ser definidas por Lei Complementar. 
· Ausência de Lei Complementar: No entanto, não existem normas gerais relativas ao IPVA em Lei Complementar Federal. 
· Competência Legislativa Plena: Diante dessa lacuna, os Estados e o Distrito Federal exercem a competência legislativa plena para instituir e regular o IPVA, conforme o Art. 24, § 3º, da CF. 
· Citação (CF, Art. 24, § 3º): "Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades." 
7. Sujeito Passivo
· Proprietário do Veículo: O sujeito passivo (devedor) do IPVA é o proprietário de veículo automotor, que pode ser pessoa física ou jurídica. 
· Presunção: Presume-se como proprietário aquele em cujo nome o veículo esteja licenciado. 
8. Fato Gerador do IPVA: A Propriedade
· Propriedade, não uso/detenção: O fato gerador do IPVA é a propriedade (e não o "uso", a "detenção" ou a "posse") de veículo automotor de qualquer espécie. 
· Exemplo: Fábricas e revendedores não pagariam IPVA desde a industrialização ou importação, pois não se trata de posse ou detenção. 
· Prova da Propriedade: A propriedade é provada pelo CRV (Certificado de Registro de Veículo), sendo também aceito o documento de licenciamento do ano anterior. 
9. Conceito de Veículo Automotor
· Ampla Definição: Veículo automotor é qualquer veículo aéreo, terrestre, aquático ou anfíbio dotado de força-motriz própria, ainda que complementar ou alternativa de fonte de energia natural. 
· Exemplos: Automóveis, motocicletas, caminhões, embarcações e aeronaves. 
10. Reforma Tributária (EC 132/23) e Novidades
· A Emenda Constitucional 132/23 da Reforma Tributária trouxe alterações significativas, especificamente em relação ao IPVA incidente sobre veículos aquáticos e aéreos e suas imunidades específicas. Este tópico será aprofundado em um bloco futuro, mas já destaca a relevância dessas categorias de veículos para o imposto. 
Resumo das ideias mais importantes:
· O IPVA é um imposto estadual que incide sobre a propriedade de veículos automotores.
· Sua origem é mais recente que o CTN, não estando previsto neste código, mas sim na CF/88.
· O fato gerador é anual e contínuo, geralmente em 1º de janeiro, mas leis estaduais podem alterar essa data, respeitando as anterioridades, conforme decisão do STF.
· Para empresas de locação, o local do domicílio tributário do contribuinte define a competência para a cobrança do IPVA, e não o local de licenciamento do veículo.
· Na ausência de Lei Complementar federal, os Estados e o DF exercem competência legislativa plena para tratar do IPVA.
· O sujeito passivo é o proprietário, e a incidência se dá sobre a propriedade, não sobre o uso, posse ou detenção.
· A Reforma Tributária (EC 132/23) trouxe inovações importantes para o IPVA, especialmente em relação a veículos aquáticos e aéreos.
Reforma Tributária e o IPVA: Novas Regras e Impactos
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1. Ampliação da Incidência do IPVA (Art. 155, § 6º, III da CF)
A EC 132/23 encerrou um longo debate sobre a tributação de veículos não terrestres pelo IPVA, ampliando explicitamente a competência tributária dos Estados e do Distrito Federal.
· Antiga Controvérsia: Havia "um longo ciclo de controvérsias acerca da incidência ou não do IPVA sobre tais veículos: se a aeronave era ou não um veículo automotor; se o imposto deveria alcançar apenas os veículos de circulação terrestre; entre outras hesitações." 
· Nova Realidade: O IPVA agora "incidirá sobre a propriedade de veículos automotores terrestres, aquáticos e aéreos" (Art. 155, § 6º, III, CF, incluído pela EC nº 132/23).
· Justiça Fiscal: Essa mudança corrige "distorções incômodas, tais como a não incidência do IPVA sobre iates e jatinhos particulares de abastados proprietários, em contraponto, por exemplo, à incidência do imposto sobre o modesto veículo utilizado para o sustento de um trabalhador assalariado." 
· Necessidade de Novas Leis Estaduais: "Frise-se que todos os Estados necessitam elaborar leis novas após a Reforma Tributária para cobrar o IPVA de navios e aeronaves." 
2. Imunidades Específicas à Incidência do IPVA
Apesar da ampliação da incidência,base de cálculo", fenômeno conhecido como ICMS "por dentro". Isso significa que o valor do ICMS já está incluído no preço final da mercadoria ou serviço, compondo sua própria base de cálculo.
Conclusão
O ICMS é um imposto de alta complexidade, com constantes desdobramentos jurisprudenciais e particularidades em seu fato gerador e base de cálculo. É fundamental compreender as distinções entre serviços de comunicação e seus acessórios, a aplicabilidade do ISS sobre publicidade em sites, a não afetação da exigibilidade do imposto pela inadimplência do consumidor, os momentos específicos do fato gerador e a composição detalhada da base de cálculo, incluindo as especificidades da importação e a legitimidade das pautas fiscais e do cálculo "por dentro". O domínio desses temas é essencial para a correta aplicação e compreensão do imposto.
ICMS: Base de Cálculo e Alíquotas Detalhadas
I. Base de Cálculo do ICMS: O Cálculo "Por Dentro"
A base de cálculo do ICMS é um tema fundamental, caracterizado pelo fenômeno do ICMS "por dentro", onde o próprio montante do imposto integra sua base de cálculo.
· Definição e Fundamentação:
· O art. 13, § 1º, I, da LC n. 87/96 estabelece que "o montante do ICMS integra a própria base de cálculo, fenômeno a que se dá o nome de ICMS “por dentro”."
· Este mecanismo implica que o preço final de um produto na prateleira já inclui diversas despesas do comerciante (funcionários, manutenção, aluguel, seguros, lucro) e, fundamentalmente, os impostos, incluindo o ICMS já calculado.
· O valor do ICMS é incluído no "VALOR DA OPERAÇÃO", utilizando o termo "cálculo por dentro".
· Exemplo Prático:
· Se o valor da operação é R$ 100.000,00 e a alíquota do ICMS é de 12%, o valor da mercadoria é R$ 88.000,00 e o valor do ICMS será de R$ 12.000,00. A base de cálculo é o valor da operação (R$ 100.000,00), e não o valor da mercadoria (R$ 88.000,00) ou a soma da mercadoria com o imposto (R$ 112.000,00). Este é um ponto crucial de "pegadinha" em concursos.
· Chancela Constitucional e Jurisprudencial:
· Constitucionalidade (STF/2011): Para o Supremo Tribunal Federal (STF), a inclusão do ICMS em sua própria base de cálculo é constitucional (RE 582.461 – Rep. Geral, rel. Min. Gilmar Mendes, Pleno, j. em 18-05-2011). O STF não considera que haja dupla tributação ou afronta ao princípio da não cumulatividade.
· Emenda Constitucional (EC n. 33/2001): A EC n. 33/2001 inseriu a alínea "i" no inciso XII do § 2º do art. 155 da CF, estipulando que cabe à lei complementar "fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço." A palavra "também" implica que o cálculo "por dentro" já era aplicado às operações internas.
· Testes de Concurso (Exemplos FGV/2024 e IF-TO/2024):
· FGV/2024 (Auditor de Controle Externo TCE-PA): Item correto afirma que "Compõe a base de cálculo do ICMS o valor do próprio ICMS incidente."
· IF-TO/2024 (Contador): Em uma operação de venda interestadual de R$ 50.000,00 com alíquota de 12%, a base de cálculo do ICMS é o valor da operação, ou seja, R$ 50.000,00. As alternativas que somam ou deduzem o ICMS do valor da operação para determinar a base de cálculo estão incorretas.
II. Alíquotas do ICMS
O estudo das alíquotas do ICMS é regulamentado principalmente pelo art. 155, § 2º, incisos IV, V e VI, da Constituição Federal.
· Alíquotas Interestaduais e de Exportação (Art. 155, § 2º, IV, CF):
· É OBRIGATÓRIO ao Senado Federal fixar as alíquotas aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação.
· Não se fala em alíquotas mínimas ou máximas aqui; o Senado fixa o valor exato.
· Iniciativa: Presidente da República OU 1/3 dos senadores (ex: 27 senadores de um total de 81).
· Aprovação: Maioria absoluta dos senadores (ex: 41 senadores).
· Ato Normativo: As alíquotas são estabelecidas por Resolução do Senado Federal, e não por Lei Complementar ou pelo Congresso Nacional (uma "pegadinha clássica" em concursos).
· Resolução do Senado n. 22/89: Estabelece uma alíquota "geral" interestadual de 12%, e uma alíquota "especial" de 7% para operações das Regiões Sul e Sudeste destinadas às Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e ao Estado do Espírito Santo.
· Resolução do Senado n. 13/2012: Fixa a alíquota de 4% para operações interestaduais com bens e mercadorias importados do exterior.
· Alíquotas Internas (Art. 155, § 2º, V, CF):
· É FACULTADO ao Senado Federal estabelecer alíquotas mínimas e máximas nas operações internas.
· a) Alíquotas Mínimas nas Operações Internas:Iniciativa: 1/3 dos senadores.
· Aprovação: Maioria absoluta dos senadores.
· b) Alíquotas Máximas nas Operações Internas:Serve APENAS PARA RESOLVER CONFLITO ESPECÍFICO que envolva interesse de Estados. É vedada a fixação de alíquota interna máxima genérica.
· Iniciativa: Maioria absoluta dos senadores.
· Aprovação: 2/3 de seus membros.
· Ato Normativo: Também por Resolução do Senado Federal.
· Alíquotas usuais: As alíquotas internas são livremente estipuladas pelos Estados-membros, usualmente entre 17% ou 18%, e via de regra, são maiores que as alíquotas interestaduais.
· Vedação de Alíquotas Internas Inferiores às Interestaduais (Art. 155, § 2º, VI, CF):
· "Salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do disposto no inciso XII, “g”, as ALÍQUOTAS INTERNAS, nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, não poderão ser inferiores às [alíquotas] previstas para as operações interestaduais."
· Isso significa que, em geral, a alíquota interna não pode ser menor que 12% ou 7%.
· Exemplo (STF/2021): O STF, na ADI 4.565, considerou inconstitucional uma lei do Piauí que determinava alíquotas internas de 4,5% a 10%, pois eram inferiores às alíquotas interestaduais definidas pelo Senado Federal.
· Quórum do Senado Federal:
· O Senado Federal possui 81 senadores.
· 1/3 = 27 senadores.
· Maioria absoluta = 41 senadores.
· 2/3 = 54 senadores.
III. Pontos Essenciais para Memorização:
· ICMS "por dentro": O imposto integra sua própria base de cálculo. A base de cálculo é o valor da operação.
· Constitucionalidade: O STF chancela o cálculo "por dentro", rechaçando alegações de dupla tributação.
· Senado Federal: Responsável por fixar (obrigatório) alíquotas interestaduais e de exportação, e por facultar o estabelecimento de alíquotas mínimas e máximas internas.
· Ato Normativo: As alíquotas do ICMS são definidas por Resoluções do Senado Federal, não por Leis Complementares ou atos do Congresso Nacional.
· Alíquotas Interestaduais: Geralmente 12%, 7% (Sul/Sudeste para Norte/Nordeste/Centro-Oeste/ES) ou 4% (importados).
· Alíquotas Internas: Usualmente 17% ou 18%, e não podem ser inferiores às alíquotas interestaduais.
· Alíquota Máxima Interna: Exclusivamente para resolver conflitos específicos entre Estados, não de forma genérica.
· Quóruns: Conhecer os quóruns de iniciativa e aprovação para cada tipo de alíquota é fundamental (1/3, maioria absoluta, 2/3 dos senadores).
ICMS: Resolução do Senado e Alíquotas Interestaduais
1. Contexto e Importância do Tema
Os materiais enfatizam a relevância do tema das alíquotas do ICMS, especialmente aquelas aplicáveis a operações e prestações interestaduais, por ser frequentemente cobrado em concursos públicos, como evidenciado pelo teste da FGV. O professor destaca a profundidade do tema e as "pegadinhas" que podem confundir os candidatos.
· "O tema da RESOLUÇÃO DO SENADO E A ALÍQUOTA DO ICMS foi cobrado em prova de concurso realizado pela FGV (Cargo: Auditor-Fiscal/SEFAZ-ES), em 2021..." (13 - Imposto Estadual ICMS.pdf)
· "...o tema da resolução do Senado ou resoluções do Senado, né? E a alíquota ou alíquotas do ICMS foi cobrado em prova de concurso realizado pela FGV, cargo auditor fiscalfaz do Espírito Santo em 2021..." (13 ICMS VIII.mp3)
· "Tudo que você aprendeu comigo de alíquota do IMS que você viu, a profundidade do tema, as pegadinhas, tudo vai vir agora." (13 ICMS VIII.mp3)
2. Processo de Alteração das Alíquotas Interestaduais do ICMS via Resoluçãodo Senado
O foco principal dos materiais é o mecanismo de alteração das alíquotas do ICMS aplicáveis às operações e prestações interestaduais por meio de um projeto de Resolução do Senado Federal.
2.1. Iniciativa para o Projeto de Resolução
A iniciativa para propor um projeto de Resolução que majore as alíquotas do ICMS interestaduais é restrita.
· Quem pode propor: A iniciativa "demanda a atuação do Presidente da República ou de 1/3 dos Senadores, à luz do art. 155,§ 2º, IV, CF". (13 - Imposto Estadual ICMS.pdf - Alternativa A)
· Erro comum: Não pode ser proposto por "um senador" isoladamente. (13 - Imposto Estadual ICMS.pdf - Alternativa B)
2.2. Quórum de Aprovação
O quórum necessário para a aprovação desse tipo de projeto de Resolução é específico e rigoroso.
· Quórum exigido: O quórum de aprovação é de "maioria absoluta dos membros do Senado". (13 - Imposto Estadual ICMS.pdf - Alternativa C e D)
· Erros comuns: Não é de "maioria simples" nem de "dois terços dos membros do Senado" para este caso específico de alteração de alíquotas interestaduais. O quórum de 2/3 é associado a outras situações, como as alíquotas máximas e mínimas.
2.3. Princípio da Anterioridade Tributária
Após a aprovação, a Resolução se submete ao princípio da anterioridade tributária.
· Submissão à anterioridade: "A Resolução, se aprovada, se submete ao princípio da anterioridade tributária." (13 - Imposto Estadual ICMS.pdf - Alternativa E)
· Justificativa: O ICMS, em sua regra geral, "respeita a anterioridade", tanto anual quanto nonagesimal. (13 - Imposto Estadual ICMS.pdf - Alternativa E)
· Exceção: A única exceção ao princípio da anterioridade para o ICMS mencionada é o "ICMS combustível", que segue a mesma regra do IPI, sendo exceção à anterioridade anual, mas regra para a anterioridade nonagesimal (90 dias). (13 ICMS VIII.mp3)
3. Metodologia de Estudo e Retenção do Conhecimento
O professor enfatiza a importância da revisão constante para a retenção do conhecimento, especialmente em temas complexos como o ICMS.
· Retenção vs. Aprendizado: "Uma coisa é aprender a matéria, outra coisa é reter. Vocês aprenderam comigo? O que eu estou falando agora é retenção, é outra coisa. Como que vocês vão reter matéria? Revisitando, tá?" (13 ICMS VIII.mp3)
· Estratégia de Revisão: Sugere-se ler os artigos da legislação "toda semana" ou "em 10, em 10 dias" para consolidar a informação. (13 ICMS VIII.mp3)
4. Destaques Adicionais
· Teste FGV: O teste da FGV é utilizado como uma "aula" para ilustrar as nuances do tema e as "pegadinhas" de prova.
· Art. 155, § 2º, IV, CF: Este artigo da Constituição Federal é a base legal para a iniciativa do Presidente da República ou de 1/3 dos Senadores na proposição de projetos de Resolução para majorar as alíquotas do ICMS interestaduais.
ICMS: DIFAL, Não Cumulatividade e Imunidades em Jurisprudência
1. DIFAL (Diferencial de Alíquotas do ICMS)
O Diferencial de Alíquotas do ICMS (DIFAL) tem sido um tema central na jurisprudência recente, especialmente em relação à sua aplicação e aos princípios tributários.
1.1. DIFAL e Anterioridade Tributária (STF/2023)
O Supremo Tribunal Federal (STF), em 2023 (ADIs 7.066/DF, 7.070/DF e 7.078/CE, rel. Min. Alexandre de Moraes), pacificou o entendimento de que a aplicação da Lei Complementar n. 190/2022, que regulamentou a cobrança do DIFAL, não precisa observar os prazos constitucionais de anterioridade anual e nonagesimal.
· Fundamento: O STF considerou que a LC n. 190/2022 "não houve instituição ou majoração de tributo".
· Exceção: "No entanto, o legislador complementar pode determinar o prazo de 90 dias para a cobrança do Difal/ICMS, de forma a garantir maior previsibilidade para os contribuintes."
· Relevância para Provas: A banca examinadora enfatiza que este é um ponto crucial, pois apenas quem conhece a jurisprudência recente do STF sobre o tema conseguirá acertar as questões, que frequentemente buscam confundir o candidato com o princípio da anterioridade.
1.2. DIFAL para Empresas do Simples Nacional (STF/2021 e 2023)
A aplicação do DIFAL para empresas optantes pelo Simples Nacional foi objeto de importantes decisões do STF.
· Constitucionalidade da Cobrança (STF/2021 - RE 970.821, Tema 517 RG):Em 2021, o STF entendeu que "é constitucional a imposição tributária de Diferencial de Alíquota do ICMS (DIFAL-ICMS) pelo estado-membro de destino, na entrada de mercadoria em seu território, devido por sociedade empresária aderente ao Simples Nacional, independentemente da posição desta na cadeia produtiva ou da possibilidade de compensação dos créditos".
· Teste CESPE/2023 (Procurador do Estado - PGE-PA): Confirmou esse entendimento, reproduzindo a tese do STF.
· Necessidade de Lei Estadual Específica (STF/2023 - ARE 1.460.254/GO, Tema 1.284 RG):Em 2023, o STF adicionou um requisito fundamental: "a cobrança do ICMS-DIFAL de empresas optantes do Simples Nacional deve ter fundamento em lei estadual em sentido estrito".
· Implicação: Não basta a previsão em lei complementar federal (como a LC 190/2022) ou previsões legislativas gerais. A cobrança deve ser "prevista em lei estadual em sentido estrito, não bastando previsão em lei complementar federal que autorize a cobrança do DIFAL nem mesmo previsões legislativas gerais que deixam de estabelecer todos os critérios capazes de instituir a obrigação tributária".
· Teste CESPE/2024 (Analista Técnico II – SEBRAE-NACIONAL) e FGV/2024 (Juiz de Direito Substituto TJ-SC): Ambos os testes confirmam a necessidade de lei estadual específica para a cobrança do DIFAL de empresas do Simples Nacional, mesmo que a empresa seja optante pelo regime.
2. Princípio da Não Cumulatividade do ICMS
O princípio da não cumulatividade é fundamental para o ICMS, permitindo a compensação do imposto pago nas operações anteriores com o devido nas operações seguintes, evitando o efeito cascata.
2.1. Desdobramento do Princípio
O ICMS é um imposto plurifásico, ou seja, incide em diversas etapas da cadeia de produção e comercialização. A não cumulatividade se manifesta na possibilidade de abater o crédito do imposto pago na aquisição (operação anterior) do débito do imposto devido na venda (operação posterior).
· Exemplo Simplificado:Operação 1: Venda de 10.000 (ICMS 20% = 2.000)
· Operação 2: Venda de 12.000 (ICMS 20% = 2.400). ICMS a recolher = 2.400 (débito) - 2.000 (crédito da Op. 1) = 400.
· Operação 3: Venda de 15.000 (ICMS 20% = 3.000). ICMS a recolher = 3.000 (débito) - 2.400 (crédito da Op. 2) = 600.
· Total ICMS a recolher = 2.000 + 400 + 600 = 3.000.
2.2. Isenções e Não Incidências na Não Cumulatividade (Art. 155, § 2º, II, da CF)
A Constituição Federal estabelece regras específicas para a não cumulatividade em caso de isenção ou não incidência do ICMS, salvo determinação em contrário da legislação:
· Não implicará crédito: "para compensação com o montante devido nas operações seguintes".
· Acarretará a anulação do crédito: "relativo às operações anteriores".
· Memorize:(ISENÇÃO / NÃO INCIDÊNCIA) NÃO IMPLICA CRÉDITO OPERAÇÕES SEGUINTES
· (ISENÇÃO / NÃO INCIDÊNCIA) ANULA CRÉDITO OPERAÇÕES ANTERIORES
· Exemplo Aplicado: Se a Operação 2 for isenta, o ICMS dela é ZERO.
· Não haverá crédito da Operação 1 (os 9 iniciais) para ser usado na Operação 2.
· Não haverá débito de ICMS da Operação 2 para anular o crédito da Operação 3.
· Conclusão: "Nem gera crédito de 9, nem gera débito de 12." (Referindo-se aos valores hipotéticos do exemplo).
· O total a recolher seria a soma do ICMS da Operação 1 e da Operação 3 (9 + 14 = 22 no exemplo fornecido), pois a operação isenta "quebra" a cadeia de créditos e débitos.
· Teste CEBRASPE/2021 (Auditor Fiscal SEFAZ-AL): "Caso uma empresa venda determinada mercadoria com isenção de ICMS, não havendo dispositivo específico em sentido contrário, tal isenção provocará a anulação do crédito relativo às operações anteriores". (Item considerado CORRETO).
2.3. Creditamento de ICMS: Insumos e Ativo Permanente (STJ/2019, 2020 e STF/2021)
A jurisprudência tem delimitado o que pode gerar direito a creditamento de ICMS.
· InsumosEssenciais (STJ/2019 e 2020):O STJ (REsp 1.830.894-RS, rel. Min. Benedito Gonçalves; AgInt no REsp 1.802.032/RS, rel. Min. Mauro Campbell Marques) entendeu que sacolas plásticas fornecidas aos clientes para transporte e bandejas de isopor não são insumos essenciais à atividade dos supermercados, não gerando creditamento de ICMS.
· Em contraste, "sacos e filmes plásticos que envolvem e protegem os produtos perecíveis" geram creditamento, pois são considerados essenciais ao processo produtivo, "incorporam-se ao produto final de forma a modificar a maneira como este se apresenta, representando parte essencial do processo produtivo".
· Bens do Ativo Permanente Cedidos em Comodato (STJ/2017 e STF/2021):O STJ (AgInt no AREsp 748.359/RS, rel. Min. Assusete Magalhães) em 2017 e o STF (RE 1.141.756/RS – ED, Tema 1.052 RG, rel. Min. Marco Aurélio) em 2021, fixaram o entendimento de que podem ser objeto de creditamento de ICMS os bens adquiridos para integrar o ativo permanente da empresa, mesmo que posteriormente cedidos a terceiros em regime de comodato, desde que sejam inerentes à atividade do estabelecimento.
· Tese do STF: "Observadas as balizas da Lei Complementar n. 87/96, é constitucional o creditamento de ICMS cobrado na entrada, por prestadora de serviço de telefonia móvel, considerado aparelho celular posteriormente cedido, mediante comodato". Este tema é de repercussão geral e é frequentemente cobrado em provas.
3. Imunidades de ICMS (Art. 155, § 2º, X, da CF)
As imunidades são normas constitucionais de não incidência tributária, que impedem a tributação de determinadas operações pelo ICMS. O Art. 155, § 2º, X, da CF lista as seguintes imunidades:
· a) Exportações: "não incidirá: sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores".
· Objetivo: Incentivar as exportações, desonerando a cadeia produtiva que resulta em produtos exportados.
· b) Petróleo, Derivados e Energia Elétrica entre Estados: "sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica".
· Contexto: Visa evitar a cumulatividade excessiva e distorções na tributação de produtos essenciais em operações interestaduais. É crucial entender que esta imunidade se aplica especificamente a operações interestaduais desses produtos.
· c) Ouro (ativo financeiro/cambial): "sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, § 5º".
· Especificidade: O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, não é tributado pelo ICMS, mas sim pelo IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O ouro mercadoria (ex: joias) é tributado pelo ICMS.
· d) Serviços de Comunicação Gratuitos: "nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita".
· Foco: A imunidade se restringe aos serviços de comunicação que são "livres e gratuitos", como as transmissões de rádio e televisão aberta. Serviços pagos (ex: TV a cabo) não gozam dessa imunidade.
Conclusão Geral
A compreensão do ICMS exige não apenas o conhecimento da legislação (Constituição Federal, Lei Complementar), mas também um aprofundamento na vasta e dinâmica jurisprudência do STF e STJ. Temas como DIFAL e Simples Nacional, os desdobramentos da não cumulatividade em isenções e a correta aplicação das imunidades são constantemente atualizados e cobrados, demandando atenção especial aos entendimentos mais recentes das Cortes Superiores.
Imunidades de ICMS: Exportação, Combustíveis e Energia Elétrica
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1. Introdução às Imunidades de ICMS
O Art. 155, §2º, X, da Constituição Federal, estabelece diversas imunidades tributárias para o ICMS. É fundamental distinguir imunidade de isenção: "onde você vir não incide. Aí, lembrando que o comando é constitucional, pode rotular, pode apelidar de imunidade. Não é isenção, hein? Isenção tem previsão em lei. Isso aqui é imunidade." As hipóteses previstas neste dispositivo constitucional são consideradas imunidades tributárias para o ICMS.
2. Imunidade nas Operações de Exportação (Alínea 'a')
2.1. Dispositivo Constitucional:
"Art. 155. (...) § 2º O imposto previsto no inciso II [ICMS] atenderá ao seguinte: (...) X – não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores;"
2.2. Fundamento e Racional:
A não incidência do ICMS sobre exportações é um princípio que visa garantir a competitividade dos produtos e serviços brasileiros no mercado internacional. "nós não podemos exportar tributos, né? Nós perderíamos competitividade."
2.3. Testes e Interpretação:
· Teste IADES/2023 (Incorreto): "O ICMS, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior, incidirá sobre operações que destinem mercadorias para o exterior". O item é incorreto, pois o ICMS não incide nessas operações.
2.4. Jurisprudência do STF (Tema 633 - 2024):
O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 662.976/RS, cancelou o Tema 619 e aplicou o Tema 633, que esclarece o alcance da imunidade na exportação:
"A imunidade a que se refere o art. 155, § 2º, X, 'a', CF/88 não alcança, nas operações de exportação, o aproveitamento de créditos de ICMS decorrentes de aquisições de bens destinados ao uso e consumo da empresa, que depende de lei complementar para sua efetivação."
· Contexto: Uma empresa exportadora buscava manter créditos de ICMS relativos à aquisição de bens do ativo fixo (maquinário de produção), alegando que esses bens estavam ligados ao processo produtivo do produto final exportado.
· Decisão do STF: O STF negou o aproveitamento de créditos de ICMS nessas situações. "o STF entendeu necessário negar ao contribuinte o aproveitamento de créditos do ICMS em exportação."
· Conclusão: A imunidade de ICMS nas exportações assegura a manutenção e o aproveitamento do imposto cobrado nas operações anteriores, mas não se estende aos créditos de ICMS decorrentes da aquisição de bens para uso e consumo da própria empresa exportadora.
3. Imunidade nas Remessas Interestaduais de Combustíveis e Energia Elétrica (Alínea 'b')
3.1. Dispositivo Constitucional:
"Art. 155. (...) § 2º O imposto previsto no inciso II [ICMS] atenderá ao seguinte: (...) X – não incidirá: b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica;"
3.2. Regra Geral de Não Incidência (Imunidade):
A alínea 'b' do Art. 155, §2º, X, da CF/88, estabelece uma imunidade para as operações interestaduais de petróleo, derivados (lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos) e energia elétrica. "Nessas operações interestaduais de petróleo, derivados de petróleo, energia elétrica, imunidade de ICMS".
· Teste FUVEST/2023 (Correto): "O ICMS não incide sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica."
3.3. Exceções à Imunidade e Incidência do ICMS (Doutrina e LC 87/96):
A imunidade da alínea 'b' não se aplica irrestritamente a "qualquer fim". A Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir) detalha as condições para a não incidência ou incidência do imposto:
· Não incidência (Imunidade): "Essa não incidência valerá tão somente quando tais bens forem destinados à industrialização ou à comercialização (art. 3º, III, da LC n. 87/96)".
· Exemplo: Uma distribuidora de combustíveis de São Paulo vende gasolina para um posto de gasolina de Uberaba/MG, que vai comercializar o produto. Neste caso, há imunidade.
· Incidência: "haverá a incidência sobre a entrada no Estado destinatário daquelas mercadorias quando o destino for para seu próprio consumo, cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente(art. 2º,§ 1º, III, da LC n. 87/96)".
· Exemplo: Uma distribuidora de combustíveis de São Paulo vende gasolina para uma empresa prestadora de serviços de transporte intramunicipal de Uberaba/MG, que usará o combustível em seus próprios veículos. Neste caso, há incidência.
· LC 87/96, Art. 2º, §1º, III: "O IMPOSTO INCIDE TAMBÉM: (...) III - sobre a entrada, no território do Estado destinatário, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e de energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou à industrialização, decorrentes de operações interestaduais, cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente."
3.4. Contribuintes Adicionais (LC 87/96, Art. 4º, §1º, IV):
Mesmo sem habitualidade ou intuito comercial, será também contribuinte do ICMS a pessoa física ou jurídica que: "adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização."
· Teste CESPE/2013 (Correto): Confirma a incidência do ICMS sobre a entrada de petróleo e energia elétrica no estado destinatário quando não destinados à comercialização ou industrialização, cabendo o imposto ao estado do adquirente.
3.5. ICMS Monofásico (CF, Art. 155, §2º, XII, 'h' e LC 192/2022):
A Constituição Federal prevê que a imunidade do Art. 155, §2º, X, 'b' poderá ser afastada por lei complementar, instituindo o ICMS monofásico para determinados combustíveis.
· CF, Art. 155, §2º, XII, 'h': "cabe à lei complementar: (...) h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no inciso X, b".
· LC 192/2022: Esta lei complementar define os combustíveis sujeitos ao ICMS monofásico, afastando a imunidade original.
· Combustíveis abrangidos: Gasolina e etanol anidro combustível; diesel e biodiesel; gás liquefeito de petróleo (inclusive derivado de gás natural).
· Princípio: O imposto incidirá uma única vez (monofásico), "qualquer que seja sua finalidade".
· Contribuinte: "o produtor e aqueles que lhe sejam equiparados e o importador dos combustíveis." Isso inclui pessoas que produzem combustíveis de forma residual, formuladores por mistura mecânica, centrais petroquímicas e bases de refinarias.
· Teste FGV/2023 (Correto): Confirma que uma empresa que atua na formulação de combustíveis por mistura mecânica é "contribuinte do imposto" (ICMS monofásico).
3.6. Destino do ICMS Monofásico (CF, Art. 155, §4º):
O §4º do Art. 155 da CF/88 detalha a destinação do ICMS na hipótese do ICMS monofásico (§2º, XII, 'h'):
· Lubrificantes e combustíveis derivados de petróleo: O imposto caberá ao estado onde ocorrer o consumo.
· Gás natural e derivados, lubrificantes e combustíveis não incluídos no inciso I (entre contribuintes): O imposto será repartido entre os estados de origem e destino, mantendo a proporcionalidade das demais mercadorias.
· Gás natural e derivados, lubrificantes e combustíveis não incluídos no inciso I (destinados a não contribuinte): O imposto caberá ao estado de origem.
3.7. Não Incidência de Outros Impostos (CF, Art. 155, §3º):
O Art. 155, §3º, da CF/88 estabelece uma imunidade para a incidência de outros impostos sobre energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. Excepcionam-se dessa imunidade os impostos sobre importação (II), exportação (IE) e o próprio ICMS.
· "À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País."
· Incidência prevista: II, IE e ICMS (além de PIS/COFINS, conforme Súmula n. 659, STF).
· Teste CESPE/2012 (Falso): "O ICMS é o único tributo incidente sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicação, derivados de petróleo, combustível e mineral." (Incorreto, pois também incidem II e IE).
· Teste CESPE/2008 (Verdadeiro): As operações relativas a derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País submetem-se apenas à incidência dos impostos sobre circulação de mercadorias e serviços, importação de produtos estrangeiros e exportação.
· Teste IADES/2023 (Incorreto): "O ICMS não poderá incidir sobre operações relativas a derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País". (Incorreto, o ICMS poderá incidir, juntamente com II e IE).
4. Imunidade do Ouro como Ativo Financeiro (Alínea 'c')
· "não incidirá: (...) c) sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153,§ 5º;" (O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, está sujeito exclusivamente ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), afastando a incidência do ICMS).
5. Imunidade de Serviços de Comunicação (Alínea 'd')
· "não incidirá: (...) d) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita." (Afastando o ICMS de serviços de comunicação específicos, de acesso livre e gratuito).
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ICMS: Imunidades, Software e Lei Complementar
1. Imunidades de ICMS: Ouro como Ativo Financeiro (Alínea 'C')
A tributação do ouro é um ponto crucial, pois ele pode receber dois tratamentos tributários distintos: como mercadoria ou como ativo financeiro.
· Ouro como Ativo Financeiro ou Instrumento Cambial:
· Imposto Exclusivo: Sujeita-se exclusivamente à incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
· Fundamentação: Art. 153, § 5º da CF e Art. 36 do Decreto nº 6.306/2007.
· Definição: O decreto especifica que "entende-se por ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial, desde sua extração, inclusive, o ouro que, em qualquer estado de pureza, em bruto ou refinado, for destinado ao mercado financeiro ou à execução da política cambial do País, em operação realizada com a interveniência de instituição integrante do Sistema Financeiro Nacional, na forma e condições autorizadas pelo Banco Central do Brasil."
· Repartição de Receita (IOF-Ouro):30% para o Estado, Distrito Federal ou Território de origem.
· 70% para o Município de origem. (Conforme Art. 153, § 5º da CF).
· Teste da FCC (2022) e CESPE (2008): Demonstraram que mesmo barras de ouro ou ouro de garimpo podem ser considerados ativo financeiro se transacionados sob essa ótica e destinados ao mercado financeiro ou ao Banco Central, afastando a incidência do ICMS.
· Ouro como Produto ou Mercadoria:
· Imposto Incidente: Sujeita-se à incidência exclusiva do ICMS.
· Exemplos: Ouro destinado à fabricação de joias (brincos, anéis), barras de ouro sem finalidade financeira específica, ou ouro utilizado em odontologia/medicina.
· Jurisprudência STJ (1996): "O ouro, transformado em lingote ou barras, mediante processo metalúrgico de fundição que não altera sua identidade química, passa a integrar o elenco de produtos industrializados, subordinando-se à competência tributária do Estado e, por conseguinte, ao ICMS."
· Assertiva Capciosa: A afirmação "o ICMS não incide sobre operações com ouro" é INCORRETA, pois ignora a hipótese do ouro como mercadoria.
2. Imunidades de ICMS: Serviços de Comunicação (Alínea 'D')
A imunidade do ICMS para serviços de comunicação não é universal, sendo aplicada sob condições específicas:
· Imunidade: Não incide ICMS "nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita." (Art. 155, § 2º, X, 'd' da CF).
· Condição Essencial: A imunidade depende estritamente da característica de recepção livre e gratuita para ouvintes e telespectadores.
· Tributação (ICMS Devido):Serviços de comunicação com recepção restrita e acesso oneroso (pagos) estão sujeitos ao ICMS.
· Exemplo Prático: Televisão por assinatura (TV fechada) incide ICMS, pois é um serviço oneroso.
· JurisprudênciaSTJ (2015): "As empresas de TV por assinatura são consideradas prestadoras de serviços de comunicação e, por isso, pagam ICMS sobre a atividade desenvolvida."
3. ICMS e Softwares
Houve uma longa disputa sobre a tributação de softwares (ISS ou ICMS), que foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.
· Entendimento STF (2021): Incide apenas o ISS (Imposto Sobre Serviços), e não o ICMS, nas operações de fornecimento de programas de computador mediante contrato de licenciamento ou cessão do direito de uso.
· Abrangência: Aplica-se tanto a softwares padronizados (de prateleira) quanto a softwares personalizados (por encomenda).
· Meio de Transferência: Independe do meio utilizado para a transferência, seja por download ou por acesso "em nuvem".
· Fundamentação Legal: Subitem 1.05 da lista anexa à Lei Complementar nº 116/2003.
· Jurisprudência: RE n. 688.223/PR (Tema n. 590 – RG) consolidou a constitucionalidade da incidência do ISS para softwares personalizados.
4. IPI na Base de Cálculo do ICMS
A inclusão ou não do IPI na base de cálculo do ICMS depende da natureza da operação e dos contribuintes envolvidos.
· Operações Entre Contribuintes:
· Quando uma "Empresa Industrial" vende produto para outra "Empresa Industrial" (ou seja, entre contribuintes do IPI), o IPI não integra a base de cálculo do ICMS.
· Exemplo: Produto R$1.000,00; IPI 10% (R$100,00); ICMS 20%. O ICMS será calculado sobre R$1.000,00 (20% de R$1.000,00 = R$200,00).
· Operações Entre Contribuinte e Não Contribuinte (Consumidor Final):
· Quando uma "Empresa Industrial" vende produto para um "Consumidor Final" (não contribuinte do IPI), o IPI integra a base de cálculo do ICMS.
· Exemplo: Produto R$1.000,00; IPI 10% (R$100,00); ICMS 20%. O ICMS será calculado sobre R$1.100,00 (20% de R$1.100,00 = R$220,00).
5. O Papel da Lei Complementar no ICMS
A Constituição Federal (Art. 155, § 2º, XII) delega à Lei Complementar a responsabilidade de disciplinar diversos aspectos cruciais do ICMS.
· Temas Regulados pela Lei Complementar (LC):Definição de contribuintes (alínea 'a').
· Disposição sobre substituição tributária (alínea 'b').
· Regime de compensação do imposto (alínea 'c').
· Local das operações e prestações de serviços (alínea 'd').
· Exclusão da incidência do imposto nas exportações (alínea 'e').
· Casos de manutenção de crédito (alínea 'f').
· Regulação da concessão e revogação de isenções, incentivos e benefícios fiscais (alínea 'g').
· Definição de combustíveis e lubrificantes sujeitos a tributação única (alínea 'h').
· Fixação da base de cálculo, incluindo o montante do imposto, na importação (alínea 'i').
· Principal Lei Complementar: A Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir) é a "matriz" ou "mãe" que regulamenta inúmeros dispositivos constitucionais afetos ao ICMS, disciplinando temas como contribuintes (Art. 4º), substituição tributária (Arts. 6º a 10), compensação (Arts. 19 a 26) e local das operações (Art. 11).
· Outras LCs: Outras Leis Complementares, como a 190 e a 192, também tratam de aspectos específicos do ICMS, mas a LC 87/96 é a base das normas gerais.
Em suma, a compreensão das nuances do ICMS exige uma análise detalhada das distinções entre tipos de bens (como o ouro), a natureza dos serviços (como comunicação e softwares), as partes envolvidas nas operações e o papel fundamental da Lei Complementar na definição das regras gerais do imposto.
Aspectos Essenciais do ICMS: Isenções, Combustível e Importação
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1. ICMS e o Papel da Lei Complementar nas Isenções
A concessão e revogação de isenções, incentivos e benefícios fiscais relativos ao ICMS são temas complexos e estritamente regulados pela Constituição Federal e legislação complementar.
· Fundamento Legal: O artigo 155, § 2º, XII, “g”, da Constituição Federal estabelece que "Cabe à lei complementar regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados".
· Lei Complementar nº 24/75: Esta lei complementar, recepcionada pela Constituição de 1988, está em pleno vigor e disciplina as isenções de ICMS. Conforme o material, "a LC n. 24/75 está em pleno vigor, disciplinando o intrincado terreno dos atos isencionais concernentes ao ICMS."
· Convênios CONFAZ: Para conceder isenções de ICMS, os Estados e o Distrito Federal devem firmar previamente convênios no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ). Esses convênios são deliberações prévias conjuntas dos estados e do Distrito Federal. Uma questão do CESPE/2021 considerada CORRETA afirma: "As isenções relativas ao ICMS dependem de deliberações prévias conjuntas dos estados e do Distrito Federal."
· Inconstitucionalidade de Decretos Estaduais: Decretos estaduais não podem versar sobre incentivos fiscais de ICMS. O STF, na ADI 6.479/PA (2021), considerou inconstitucional um "decreto estadual que veicula, para o ICMS-ST, benefícios fiscais e, ainda, regime especial de recolhimento antecipado," como no caso do Decreto nº 4.676/01 do Estado do Pará.
· Constitucionalidade de Lei Estadual com Amparo em Convênio CONFAZ: É constitucional a lei estadual ou distrital que, com amparo em convênio do CONFAZ, conceda remissão de créditos de ICMS oriundos de benefícios fiscais anteriormente julgados inconstitucionais (Tema 817-RG do STF, RE n. 851.421/DF, 2021). A diferença crucial é a existência de uma lei, não apenas um decreto.
· Antecipação de Pagamento do ICMS: O regime de antecipação de pagamento do ICMS não é considerado um benefício fiscal que exija regulamentação por lei complementar (STF, ADI 2.805/RS, 2024). Isso ocorre porque a antecipação tributária altera o momento do recolhimento do tributo, não configurando uma redução da carga tributária, mesmo que possa representar um "favor" para alguns contribuintes.
· Internalização de Convênios CONFAZ: A internalização de um convênio do CONFAZ na legislação tributária estadual exige a aprovação de uma lei pela Assembleia Legislativa. Os convênios CONFAZ têm natureza meramente autorizativa, sendo "imprescindível a submissão do ato normativo que veicule quaisquer benefícios e incentivos fiscais à apreciação da Casa Legislativa" (STF, RE 579.630-AgR, 2016). Um decreto puro e simples do executivo não é suficiente para internalizar um benefício.
2. ICMS-Combustível: Mitigação da Legalidade e Exceção à Anterioridade Tributária
O ICMS sobre combustíveis (ICMS monofásico) possui regimes especiais que mitigam o princípio da legalidade e excepcionam a anterioridade tributária anual.
· Mitigação da Legalidade Tributária: A Emenda Constitucional nº 33/01 ampliou o rol de tributos que atenuam a legalidade tributária, incluindo o ICMS-Combustível (art. 155, § 4º, IV, “c”, CF) e a CIDE-Combustível. Ao todo, são seis tributos (cinco federais e um estadual) que se enquadram como exemplos de mitigação do princípio da legalidade: II, IE, IPI, IOF, CIDE-COMBUSTÍVEL e ICMS-COMBUSTÍVEL. Isso significa que suas alíquotas podem ser alteradas por ato do Poder Executivo estadual (para o ICMS-Combustível).
· Exceção à Anterioridade Tributária Anual: O ICMS-Combustível foge à anterioridade anual, mas respeita a anterioridade nonagesimal. Isso significa que, após a publicação da lei que o institui ou aumenta, o imposto pode ser cobrado após 90 dias, mesmo que seja no mesmo exercício financeiro. Um teste do TJ/RO (2011) considerado CORRETO exemplifica: "O ICMS poderá ser aumentado no mesmo exercício financeiro em que foi publicada a lei que o instituiu ou aumentou, quando se tratar de combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez."
· ICMS "Puro" vs. ICMS-Combustível: É importante destacar que o ICMS "puro" (que não é sobre combustíveis) segue a regra geral e respeita ambas as anterioridades tributárias: anual e nonagesimal.
· Redução de Benefício Fiscal e Anterioridades Tributárias: A redução de um benefício fiscal que implica aumento de tributos provoca a observância dos princípios da anterioridade geral e nonagesimal. O STF (AgR no RE564.225/RS, 2014; RE 1.253.706-AgR/RS, 2020) entende que a redução de benefício fiscal se equipara a um "aumento indireto de tributo", exigindo a observância das anterioridades. Contudo, a mera revogação de isenção, segundo o STF, repele o princípio da anterioridade tributária. Testes recentes (FUNDATEC/2024 e FGV/2024) confirmam este entendimento.
3. ICMS-Importação e o Desembaraço Aduaneiro
O ICMS-Importação incide sobre a entrada de bens e mercadorias importados, com regras específicas sobre o fato gerador e o sujeito ativo.
· Incidência: O ICMS incide sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, "ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior" (CF, art. 155, § 2º, IX, "a").
· Fato Gerador (Aspecto Temporal): O fato gerador do ICMS-Importação ocorre no momento do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior (LC nº 87/96, Art. 12, IX). Este entendimento foi consolidado pelo STF nas Súmulas nº 661 e Súmula Vinculante nº 48, que afirmam: "Na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro." Essa posição superou a antiga Súmula nº 577 do STF, que considerava o fato gerador na entrada da mercadoria no estabelecimento do importador.
· Sujeito Ativo (Aspecto Espacial): O imposto "cabendo ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço" (CF, art. 155, § 2º, IX, "a"). Isso significa que o ICMS-Importação é devido ao estado do destinatário jurídico da mercadoria, que pode ser diferente do estado por meio do qual o bem ingressou no Brasil. Por exemplo, se uma importação é feita por São Paulo, mas o importador está em Mato Grosso do Sul, o ICMS será recolhido para o estado de Mato Grosso do Sul.
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ICMS: Casos Específicos e Questões Controvertidas
1. ICMS-Importação e Desembaraço Aduaneiro
1.1. Sujeito Ativo do Imposto (Estado Credor)
· Fundamento Constitucional: O Art. 155, § 2º, IX, "a", da CF estabelece que o ICMS incidirá sobre a entrada de bens ou mercadorias importados do exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço.
· Definição do Sujeito Ativo: O sujeito ativo é o estado-membro onde está localizado o "destinatário jurídico" da mercadoria importada. O destinatário jurídico pode não ser o próprio importador.
· Citação: "O SUJEITO ATIVO será o estado-membro em que estiver localizado o domicílio ou o estabelecimento do 'destinatário jurídico' da mercadoria importada."
· Distinção entre Local de Desembaraço e Destinatário Jurídico: O local do desembaraço aduaneiro não se confunde com o local do destinatário jurídico. O desembaraço aduaneiro refere-se ao aspecto do fato gerador, enquanto o destinatário jurídico define o sujeito ativo da obrigação tributária.
· Exemplo: Uma importação de bens para uma empresa em Palmas, Tocantins, com desembarque no Porto de Santos, São Paulo, resultará no recolhimento do ICMS para o Estado do Tocantins, e não para o Estado de São Paulo.
· Citação: "Portanto, em uma importação de bens, por exemplo, realizada por empresa de PALMAS, Estado do TOCANTINS, cujo desembarque tenha se dado no Porto de Santos, em São Paulo, ensejará o recolhimento ao ESTADO DO TOCANTINS, e não ao Estado do referido desembarque (ESTADO DE SÃO PAULO)."
1.2. Importação Própria ou por Encomenda
· Natureza da Operação: Nesse cenário, a empresa importadora ou trading não atua como mera intermediária ou prestadora de serviço, mas sim realiza duas operações distintas.
1. Importação da mercadoria do exterior em seu próprio nome.
2. Venda posterior desse bem no mercado interno para o solicitante.
· Incidência Dupla de ICMS: Consequentemente, haverá duas incidências de ICMS:
1. ICMS-Importação sobre o fato jurídico da importação (Art. 155, § 2º, IX, "a", da CF).
2. ICMS sobre a posterior venda no mercado interno (Art. 155, caput da CF).
· Destinatário Jurídico: Na importação própria, sob encomenda, o destinatário jurídico da mercadoria é o próprio estabelecimento importador.
· Citação: "Na IMPORTAÇÃO PRÓPRIA, SOB ENCOMENDA, o destinatário jurídico da mercadoria é o estabelecimento importador. Nesse tipo de IMPORTAÇÃO (A PRÓPRIA, SOB ENCOMENDA), a empresa importadora ou trading não é uma mera intermediária ou prestadora de serviço, realizando duas operações..."
1.3. Sujeito Passivo do Imposto (Devedor)
· Ampla Abrangência: A Lei Complementar nº 87/96, Art. 4º, § 1º, I, estabelece que é contribuinte a pessoa física ou jurídica que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial, importe mercadorias ou bens do exterior, qualquer que seja a sua finalidade.
· Citação: "LC n. 87/96, Art. 4º § 1º É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial: I – importe mercadorias ou bens do exterior, qualquer que seja a sua finalidade;"
· Emenda Constitucional nº 33/2001: Esta emenda ampliou a sujeição passiva nas importações, reforçando que o ICMS incide sobre bens ou mercadorias importados por pessoa física ou jurídica, "ainda que não sejam contribuintes habituais do imposto."
1.4. Base de Cálculo do ICMS-Importação
· Base "Turbinada": A base de cálculo do ICMS-Importação é "turbinada", ou seja, é composta pela soma de diversas parcelas, conforme o Art. 13, V, da LC nº 87/96.
1. Composição da Base de Cálculo:Valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação.
2. Imposto de Importação (II).
3. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
4. Imposto sobre Operações de Câmbio (IOF).
5. Quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras.
· Citação: "LC n. 87/96. Art. 13. A BASE DE CÁLCULO do imposto é: (...) V - na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação... b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras;"
· Cálculo "Por Dentro": A EC nº 33/2001 inseriu a alínea "i" no inciso XII do § 2º do art. 155 da CF, estipulando que a lei complementar deve "fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço." Isso confirma que o ICMS é calculado "por dentro" também nas importações.
2. ICMS e os Salvados de Sinistros
2.1. Não Incidência (Transferência para Seguradoras)
· Previsão Legal: O Art. 3º, IX, da LC nº 87/96 (com redação dada pela LC nº 194/2022) estabelece que o imposto "NÃO INCIDE sobre: (...) IX - operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras."
· Doutrina: A aquisição dos salvados pelas seguradoras após o pagamento de indenizações por perda total do bem sinistrado não gera incidência de ICMS.
2.2. Revenda de Salvados por Seguradoras: Virada Jurisprudencial
· Entendimento Anterior (STJ - Súmula nº 152/1996): O STJ entendia que na venda de bens salvados de sinistro por seguradoras, o ICMS deveria incidir, pois as seguradoras agiriam como comerciantes comuns.
· Citação (Súmula nº 152 do STJ): "Na venda pelo segurador, de bens salvados de sinistros, incide o ICMS."
· Entendimento Prevalecente (STF - Súmula Vinculante nº 32/2011): O STF superou o entendimento do STJ, decidindo que o ICMS não incide sobre a alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras. Para o STF, essas vendas integram a própria operação de seguro e constituem "recuperação de receitas", e não "atividade mercantil".
· Citação (Súmula Vinculante nº 32 do STF): "O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras."
· Consolidação: Testes de concursos recentes (FGV 2023) confirmam a prevalência do entendimento do STF, considerando correta a afirmação de que não incide ICMS nessaoperação.
3. ICMS e a Apreensão de Mercadorias (Sanções Políticas)
3.1. Proibição de Sanções Políticas
· Princípio Constitucional: São proibidas as sanções políticas em matéria tributária, entendidas como qualquer restrição ao direito fundamental de exercício de atividade econômica ou profissional lícita.
· Fundamento: Tais sanções violam o Art. 170 da CF, bem como os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, configurando "cobranças indiretas do tributo."
· Jurisprudência: Tanto o STJ quanto o STF rechaçam a aplicação de sanção política em matéria tributária.
3.2. Apreensão de Mercadorias como Meio Coercitivo
· Súmula nº 323 do STF: "É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos."
· Finalidade da Apreensão: A apreensão de mercadoria (e a lavratura do auto de infração) é permitida quando desacompanhada de nota fiscal, para fins de identificação do bem e quantificação do tributo devido. No entanto, não pode se tornar um meio de forçar o pagamento do tributo.
· Citação (Doutrina): "Nada obsta a que o Fisco proceda à apreensão de mercadoria transportada, quando desacompanhada de nota fiscal, lavrando-se o auto de infração, numa providência imediata, a fim de levar a efeito as atividades identificatórias do bem, no entorno da materialidade do fato. Caso contrário, se tal embaraço ganhar foro de eternização, traduzir-se-á em meio coativo de percepção de tributos, não podendo ser tolerado..."
· Testes de Concurso: Provas (CESGRANRIO 2018) reforçam a ilegalidade da retenção de mercadorias para forçar o pagamento de ICMS.
3.3. Restrição à Emissão de Notas Fiscais
· Sanção Política: O STF considera sanção política e cobrança indireta de tributo a prática de "condicionar a expedição de notas fiscais a fiança, garantia real ou fidejussória por parte do contribuinte." (RE 565.048, STF, 2014).
· Testes de Concurso: Concursos (FMP 2017) validam a inconstitucionalidade dos procedimentos que apreendem mercadorias ou não permitem a emissão de notas fiscais para devedores do Fisco.
4. ICMS e o Arrendamento Mercantil (Leasing)
4.1. Conceito e Não Incidência Prevalecente
· Conceito Simples: Leasing é o aluguel de um bem por um tempo, com opção de compra ao final do período.
· Jurisprudência: A jurisprudência do STJ e do STF oscilou, mas vem prevalecendo a não incidência do ICMS sobre as operações de arrendamento mercantil.
· Razão: O arrendamento mercantil não implica necessariamente a transferência de titularidade do bem, o que é um pressuposto para a incidência do ICMS (circulação de mercadoria).
· Caso das Aeronaves: É um exemplo comum onde não incide ICMS na importação de aeronaves via leasing.
· Citação: "Em se tratando de importação de mercadoria (aeronave) mediante o negócio jurídico denominado leasing, não deve incidir o ICMS."
4.2. Arrendamento Mercantil Internacional
· Não Incidência: O STF, em 2014 (RE 540.829), entendeu que não incide o ICMS-importação na operação de arrendamento mercantil internacional.
· Exceção: A incidência pode ocorrer na "hipótese de antecipação da opção de compra (uma transferência para o ativo fixo, por exemplo)."
· Testes de Concurso: Provas (VUNESP 2023, FCC 2022) confirmam a não incidência do ICMS sobre arrendamento mercantil, inclusive o internacional.
4.3. Distinção com o ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza)
· Leasing Operacional: Não incidência do ISS, conforme Súmula Vinculante nº 31. O fabricante do bem o loca para uso.
· Leasing Financeiro: Prevalece a incidência do ISS, afastando a Súmula Vinculante nº 31.
5. ICMS e o Fornecimento de Água Potável por Concessionárias
5.1. Não Incidência do ICMS
· Natureza do Serviço: O fornecimento de água potável por empresas concessionárias de serviço público não é tributável por meio do ICMS.
· Fundamento: As águas em estado natural são bens públicos e seu fornecimento tratado à população por concessionárias não caracteriza uma operação de circulação de mercadoria.
· Citação: "O fornecimento de água potável por empresas concessionárias desse serviço público não é tributável por meio do ICMS."
· Citação: "O fornecimento de água tratada à população por empresas concessionárias, permissionárias ou autorizadas não caracteriza uma operação de circulação de mercadoria."
· Jurisprudência: Testes de concurso (CEBRASPE 2021) corroboram que a cobrança de ICMS sobre serviços de fornecimento de água potável por concessionárias viola a CF/88.
5.2. Distinção com Água Engarrafada
· Incidência: A não incidência se refere ao serviço público de fornecimento de "água natural encanada" ou "tratada". A venda de água envasada, por outro lado, é considerada mercadoria e é passível de circulação, havendo incidência de ICMS.
6. ICMS e a Energia Elétrica
6.1. Incidência Geral do ICMS sobre Energia Elétrica
· Caracterização como Mercadoria: O ICMS incide sobre a tarifa de energia elétrica, pois a energia elétrica, ainda que incorpórea, foi estatuída como exemplo de mercadoria pelo legislador constituinte (Art. 155, § 3º, da CF).
· Citação: "A energia elétrica, ainda que se revele como bem incorpóreo, foi estatuída como exemplo de mercadoria pelo legislador constituinte, ao expressamente incluí-la no campo de incidência do imposto, nos termos do art. 155,§ 3º, da Constituição Federal."
· Fato Gerador: O fato gerador se caracteriza pela circulação (aspecto material) e consumo (aspecto temporal) de energia elétrica, pressupondo uma transferência de propriedade. O imposto incide a partir do "efetivo fornecimento" da energia elétrica que ingressa no estabelecimento do consumidor, registrado no relógio de medição.
· Base de Cálculo: É o valor correspondente à demanda efetivamente consumida, ou seja, o valor da operação (e acréscimos).
· Súmula nº 391 do STJ (2009): "O ICMS incide sobre o valor da tarifa de energia elétrica correspondente à demanda de potência efetivamente utilizada."
· Testes de Concurso: Provas (FGV 2024) reforçam que a demanda de potência elétrica não é tributável por si só, mas sim os valores referentes ao "efetivo consumo de energia elétrica pelo consumidor."
6.2. Incidência sobre TUST e TUSD
· TUST e TUSD: Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão e Tarifa de Uso de Distribuição. Correspondem a encargos de conexão e uso das redes, faturadas separadamente do fornecimento de energia. Historicamente, discutia-se sua dissociação da compra e venda de energia.
· Virada Jurisprudencial (STJ - 2017): A 1ª Turma do STJ, no REsp 1.163.020/RS, entendeu que o processo de fornecimento de energia elétrica é indissociável em suas fases de geração, transmissão e distribuição. Concluiu, assim, que o ICMS incide sobre a TUSD e a TUST. O relator considerou que todas as fases integram o preço total da operação mercantil, não sendo atividades-meio.
· Referendo do STF (ADI 7.195 MC-Ref/DF - 2023): O Pleno do STF referendou a decisão que concedeu medida cautelar para suspender os efeitos do Art. 3º, X, da LC 87/96, que previa a não incidência sobre esses serviços. A suspensão permitiu a inclusão da TUSD e TUST na base de cálculo do ICMS.Citação (Art. 3º, X, da LC 87/96, incluído pela LC nº 194/2022, cujos efeitos foram suspensos): "Art. 3o O imposto não incide sobre: (...) X – serviços de transmissão e distribuição e encargos setoriais vinculados às operações com energia elétrica."
· Consolidação (STJ - Tema 986 - 2024): A 1ª Seção do STJ (Recursos Especiais n. 1.699.851-TO, 1.692.023-MT, 1.734.902-SP e 1.734.946-SP) assentou que a TUST e/ou a TUSD, quando lançadas na fatura de energia elétrica como encargo direto do consumidor final, integram a base de cálculo do ICMS.
· Conclusão Simplificada: O ICMS incide sobre as tarifas de uso dos sistemas de distribuição (TUSD) e de transmissão (TUST) de energia.
ICMS: Jurisprudência Essencial e Não Incidência
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1. Inconstitucionalidade do "Adicional de ICMS" ao Fundo Estadual do Transporte (FET) do Tocantins
O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADI 6.365/TO (rel. Min. Luiz Fux) em 2024, declarou a inconstitucionalidade de dispositivosda Lei n. 3.617/19 do Estado do Tocantins. Essa lei determinava o recolhimento de um percentual incidente sobre o valor destacado em documentos fiscais de operações de saídas interestaduais ou com destino à exportação de produtos de origem vegetal, animal ou mineral para o Fundo Estadual do Transporte (FET).
Principais razões da inconstitucionalidade:
· Natureza Jurídica de Imposto e Violação ao Princípio da Não Afetação: A "Contribuição ao FET" foi caracterizada como um "adicional de ICMS", com fato gerador (operações de saída de mercadorias de origem vegetal, mineral ou animal) e base de cálculo (valor destacado no documento fiscal) idênticos aos do ICMS. Isso violou o inciso IV do art. 167 da Constituição Federal (CF), que veda a vinculação da receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. O professor reforça a importância desse princípio, "o princípio da não afetação dos impostos, né, que é o 167. inciso quarto".
· Proibição de Criação de Adicionais sobre Alíquotas Interestaduais: Estados-membros estão proibidos de criar adicionais sobre as alíquotas interestaduais do ICMS, pois estas são regulamentadas por resolução do Senado Federal (Art. 155, §2º, IV, CF). O professor destaca: "os estados membros estão proibidos de criar adicionais sobre as alíquotas interestaduais do ICMS. Claro. Por quanto as alíquotas do ICMS a volta com tratamento em que nós que estudamos as alíquotas do ICMS do Senado."
· Restrição Indevida a Imunidades Constitucionais: A lei tocantinense impunha restrições às hipóteses de imunidade estabelecidas na CF, como a imunidade do ICMS para operações que destinem mercadorias ao exterior (Art. 155, § 2º, X, ‘a’, CF).
2. Isenção Parcial de ICMS no Espírito Santo para Pessoas com Deficiência na Compra de Automóveis
Em agosto de 2024, o Pleno do STF, na ADI 3.495/ES (rel. Min. Cristiano Zanin), decidiu manter a validade da Lei Complementar nº 298/2004 do Estado do Espírito Santo. Esta norma prevê a isenção parcial do ICMS na compra de automóveis de fabricação nacional por pessoas com deficiência física, visual e mental severa ou profunda.
Detalhes da Isenção:
· Limite de Valor: A isenção é parcial, limitada a R$ 70.000,00, para veículos novos com valor de até R$ 120.000,00.
· Cálculo: Se o veículo custar R$ 120.000,00, o ICMS incidirá apenas sobre R$ 50.000,00 (R$ 120.000,00 - R$ 70.000,00). Se o veículo custar R$ 70.000,00 ou menos, não haverá imposto a pagar.
· Registro: O veículo deve ser adquirido e registrado no Detran-ES em nome do beneficiário.
· O professor ressalta a relevância desta jurisprudência: "se você for fazer uma prova no Espírito Santo, e digo mais, de repente pode pedir isso em outro concurso que não seja do Espírito Santo, é jurisprudência atualíssima do STF."
3. Casos Legalmente Previstos de Não Incidência do ICMS (Art. 3º da LC 87/96)
O Art. 3º da Lei Complementar 87/96 (Lei Kandir) elenca dez incisos que especificam as hipóteses em que o ICMS não incide:
· I - Operações com livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão: Caracterizado como imunidade constitucional.
· II - Operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias (inclusive produtos primários e semi-elaborados) ou serviços: Outra forma de imunidade prevista constitucionalmente.
· III - Operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo (incluindo lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados) quando destinados à industrialização ou comercialização: Imunidade, com ICMS incidindo apenas no consumo final.
· IV - Operações com ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial: Também uma das quatro imunidades constitucionais.
· V - Operações relativas a mercadorias utilizadas na prestação de serviço de qualquer natureza sujeito ao ISS de competência dos Municípios: Ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar (referente às operações mistas de prestação de serviço e fornecimento de mercadoria).
· VI - Operações de qualquer natureza que resultem na transferência de propriedade de estabelecimento industrial, comercial ou de outra espécie: Conforme discutido, a movimentação de bens entre matriz e filial não configura circulação para fins de ICMS.
· VII - Operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia, inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor: Este ponto foi destacado em questão de prova recente da FGV (SEFAZ-RS, 2025).
· VIII - Operações de arrendamento mercantil, não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário: Aborda a não incidência no contrato de leasing, exceto na venda final do bem.
· IX - Operações de qualquer natureza que resultem na transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras: Redação dada pela LC nº 194/2022, reafirmando a não incidência do ICMS sobre salvados de sinistro, "prevalecendo até com súmula vinculante a não incidência do ICMS sobre salvado de sinistro."
· X - Serviços de transmissão e distribuição e encargos setoriais vinculados às operações com energia elétrica: ATENÇÃO: Este inciso está atualmente suspenso por medida liminar na ADI 7.195. O STJ, no Tema Repetitivo 986, decidiu que a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) integram a base de cálculo do ICMS sobre energia elétrica, ou seja, o ICMS incide sobre elas, contrariando o que se poderia inferir da redação suspensa do inciso.
4. Impacto em Concursos Públicos
O professor ressalta a importância de estar atualizado com a jurisprudência, especialmente a do STF, pois questões de prova podem rapidamente se tornar desatualizadas. Um exemplo é a questão de 2023 da SEFAZ-RR sobre a incidência do ICMS em serviços de transmissão e distribuição de energia elétrica, cujo gabarito original seria considerado incorreto à luz das decisões atuais do STJ e da suspensão do inciso X do Art. 3º da LC 87/96. "hoje hoje nós já teríamos um gabarito diferente nessa questão."
Conclusão:
Este briefing destaca a dinâmica e a complexidade da legislação e jurisprudência do ICMS no Brasil. É crucial acompanhar as decisões do STF e do STJ para entender a correta aplicação do imposto, especialmente em temas como a vinculação de receitas, isenções para grupos específicos e a incidência em setores estratégicos como o de energia elétrica.
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ICMS e DIFAL: Operações Interestaduais e Responsabilidade Tributária
1. Introdução ao ICMS e DIFAL
O Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) é um tributo de competência estadual, caracterizado por variações significativas nas alíquotas entre os diferentes estados brasileiros. Para lidar com as complexidades das operações interestaduais, especialmente com o crescimento do e-commerce, foi introduzida a Emenda Constitucional nº 87, de 2015, que estabeleceu o Diferencial de Alíquotas (DIFAL).
O DIFAL (ou ICMS-DIFAL) é um mecanismo tributário que visa "promover a igualdade tributária entre os Estados", garantindo que tanto o estado de origem quanto o estado de destino das mercadorias participem da arrecadação do ICMS em operações interestaduais. Ele corresponde à diferença entre a alíquota interna do estado destinatário e a alíquota interestadual do remetente.
2. O Comando Constitucional - CF, Art. 155, § 2º, VII e VIII
A base legal para o DIFAL está delineada no Art. 155, § 2º, da Constituição Federal, especificamente nos incisos VII e VIII:
· Inciso VII (Cálculo do ICMS): "nas operações e prestações que destinem bens e serviços a CONSUMIDOR FINAL, contribuinte ou não do imposto, LOCALIZADO EM OUTRO ESTADO, adotar-se-á a ALÍQUOTA INTERESTADUAL e caberá ao Estado de localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual".
· Este inciso estabelece que, em operações interestaduais destinadas a consumidor final (contribuinte ou não), o ICMS será dividido: umaparte calculada pela alíquota interestadual para o estado de origem e outra parte (o DIFAL) para o estado de destino.
· Inciso VIII (Responsabilidade pelo Recolhimento): "a responsabilidade pelo recolhimento do imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual de que trata o inciso VII será atribuída:
· a) ao destinatário, quando este for contribuinte do imposto;
· b) ao remetente, quando o destinatário não for contribuinte do imposto."
· Este inciso define quem é o responsável por recolher o valor do DIFAL, diferenciando se o consumidor final é ou não contribuinte do imposto.
3. O Conceito de DIFAL
Conforme o Prof. Eduardo Sabbag, "O DIFAL (ou ICMS-DIFAL) corresponde à diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual do remetente, revelada quando uma pessoa jurídica realiza uma operação interestadual e o Estado de destino exige uma alíquota interna superior àquela interestadual fixada pelo Estado de origem." A finalidade principal do DIFAL é "promover a igualdade tributária entre os Estados, mecanismo que se tornou necessário em razão da elevação das vendas em e-commerce." Trata-se de uma "mera modalidade de cobrança do tributo".
4. Aplicação Prática e Exemplos
O cálculo do ICMS em operações interestaduais com DIFAL envolve duas etapas principais:
1. Cálculo do DIFAL para o Estado de Destino (DIFALDEST):
· Determina-se a diferença percentual entre a alíquota interna do estado de destino e a alíquota interestadual.
· Aplica-se esse percentual à base de cálculo da operação.
· Exemplo: Alíquota Interna Destinatário (AL) 18% - Alíquota Interestadual 12% = 6% (DIFAL). Para uma base de R$ 100.000, o DIFALDEST seria 6% x R$ 100.000 = R$ 6.000 (para Alagoas).
1. Cálculo do ICMS para o Estado de Origem (INTERESTORI):
· Aplica-se a alíquota interestadual à base de cálculo da operação.
· Exemplo: Alíquota Interestadual 12%. Para uma base de R$ 100.000, o INTERESTORI seria 12% x R$ 100.000 = R$ 12.000 (para Pernambuco).
Conclusão do Cálculo: Em uma operação de R$ 100.000, o estado de origem (Pernambuco) receberia R$ 12.000 (INTERESTORI), e o estado de destino (Alagoas) receberia R$ 6.000 (DIFALDEST).
5. Responsabilidade pelo Recolhimento do DIFAL
A responsabilidade pelo recolhimento do DIFAL varia de acordo com a condição do destinatário:
· Destinatário Contribuinte do Imposto: O próprio destinatário é o responsável pelo recolhimento do DIFAL.
· Exemplo (Exercício 1): Uma concessionária de tratores (PE) vende para uma loja de veículos (AL). A loja de veículos é contribuinte. O DIFAL de R$ 6.000 para Alagoas será recolhido pela loja de veículos (destinatário).
· Destinatário Não Contribuinte do Imposto: O remetente (vendedor) é o responsável pelo recolhimento do DIFAL.
· Exemplo (Exercício 2): Uma concessionária de tratores (PE) vende para um fazendeiro (AL), que é consumidor final e não contribuinte. O DIFAL de R$ 6.000 para Alagoas será recolhido pela concessionária de tratores (remetente).
6. Fórmula de Memorização (Sugestão do Professor)
Para facilitar a memorização, o professor sugere a seguinte fórmula:
COFI (Não) Contribuinte = INTERESTORI + DIFALDEST
· COFI: Consumidor Final (contribuinte ou não).
· INTERESTORI: Alíquota interestadual para o Estado de Origem.
· DIFALDEST: Diferencial de alíquota (DIFAL) para o Estado de Destino.
7. Dicas Adicionais e Importância
· O tema do DIFAL é considerado "importantíssimo" e "cai demais" em concursos públicos para carreiras fiscais, jurídicas e de tribunais.
· As bancas examinadoras frequentemente solicitam cálculos do ICMS em operações interestaduais e a identificação do responsável pelo recolhimento do DIFAL.
· A jurisprudência do STF sobre o DIFAL é um ponto crucial e será abordada em profundidade.
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Página 1 | 1a EC 132/23 estabeleceu expressamente quatro categorias de veículos imunes ao IPVA, consideradas "imunidades específicas" presentes na Constituição (Art. 155, § 6º, III, alíneas 'a' a 'd'):
· a) Aeronaves agrícolas e de operador certificado para prestar serviços aéreos a terceiros.
Exemplos: "aeronaves de táxi aéreo ou das conhecidas e robustas empresas de aviação civil". 
· b) Embarcações de pessoa jurídica que detenha outorga para prestar serviços de transporte aquaviário ou de pessoa física ou jurídica que pratique pesca industrial, artesanal, científica ou de subsistência.
Exemplos: "embarcações para transporte aquaviário (cruzeiros e cargueiros); embarcações para pesca artesanal e de subsistência (jangadas)".
· Importante: Não estão abrangidas pela imunidade a propriedade de embarcações ligadas a "pesca recreativa" ou "pesca esportiva".
· c) Plataformas suscetíveis de se locomoverem na água por meios próprios, inclusive aquelas cuja finalidade principal seja a exploração de atividades econômicas em águas territoriais e na zona econômica exclusiva e embarcações que tenham essa mesma finalidade principal.
Exemplos: "plataformas que se locomovem na água para extração de petróleo em águas territoriais".
· d) Tratores e máquinas agrícolas.
Exemplos: "aeronave passou a ser tributada com a emenda da reforma, menos trator e máquina agrícola."
· Ponto Curioso: "Não está abrangida pela imunidade específica em apreço a propriedade de veículos ligados a 'serviço de transporte terrestre'." Isso significa que veículos de transporte terrestre são tributados, salvo isenção específica.
3. Alíquotas do IPVA
· Fixação: A alíquota do IPVA é estabelecida por "lei ordinária estadual". 
· Limite Mínimo: A Constituição Federal (Art. 155, § 6º, I) determina que o IPVA "terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal".
· Erro Comum em Provas: Bancas costumam tentar confundir, trocando "Senado Federal" por "Congresso Nacional" ou "mínimas" por "máximas". É crucial memorizar que é o Senado Federal quem fixa as alíquotas mínimas. 
· Proporcionalidade: A alíquota "deverá ser proporcional, não existindo 'limite máximo' a ser fixado." 
4. Novos Critérios de Variação de Alíquotas (Art. 155, § 6º, II da CF)
A EC 132/23 introduziu novos critérios para a diferenciação de alíquotas do IPVA, reforçando sua função extrafiscal.
· Critérios Atuais: O IPVA "poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do valor, da utilização e do impacto ambiental" (Art. 155, § 6º, II, CF, com redação dada pela EC nº 132/23).
· Novidades da Reforma: Os critérios de "valor" e "impacto ambiental" são as adições da EC 132/23. Antes, a diferenciação era apenas por tipo e utilização.
· Implicação da Variação por Valor: A possibilidade de variar a alíquota em razão do valor do veículo sugere uma "progressividade" para o imposto, buscando a "justiça fiscal" e o "princípio da capacidade contributiva" (Art. 145, §1º, CF) e "isonomia tributária" (Art. 150, II, CF). 
· Debate Doutrinário: A "progressividade" não é explícita no texto constitucional como em outros impostos (IPTU, IR, ITR, ITCMD) e que "os rótulos de 'progressividade' e 'seletividade' para o IPVA não são aceitos generalizadamente na doutrina." A sugestão é focar nos critérios de variação e nos princípios da justiça fiscal e capacidade contributiva.
· Implicação da Variação por Impacto Ambiental: A variação de alíquotas conforme o impacto ambiental do veículo "confirma a necessidade de termos um meio ambiente ecologicamente equilibrado" (Art. 225, CF) e se alinha aos dispositivos da EC 132/23 que visam a "redução de emissão de carbono". Este critério está em consonância com o novo princípio tributário expresso de defesa do meio ambiente. 
5. Base de Cálculo do IPVA
· Definição: A base de cálculo é o "valor venal do veículo ou o preço comercial de tabela (= valor de mercado)." 
· Tabelas: Utilizam-se "tabelas anuais elaboradas e publicadas pelo poder tributante, que se baseia em publicações especializadas." 
· Exceção à Anterioridade Nonagesimal: A alteração na base de cálculo do IPVA é uma exceção ao princípio da anterioridade nonagesimal (Art. 150, §1º, CF, parte final, EC nº 42/2003).
· Significado: Isso significa que a modificação do valor venal de um veículo automotor no final do ano pode ser aplicada "no 1º dia do exercício financeiro seguinte," ou seja, em 1º de janeiro. Embora não respeite os 90 dias, respeita a anterioridade anual. 
· Distinção: É crucial diferenciar da alíquota do IPVA, que respeita ambas as anterioridades (anual e nonagesimal).
6. Tipo de Lançamento do IPVA
· Lançamento de Ofício: O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp 1.320.825/RJ (2016), pacificou que o IPVA "é lançado de ofício no início de cada exercício (art. 142 do CTN)." 
· Cientificação: A cientificação do contribuinte para o recolhimento do IPVA pode ser feita por "qualquer meio idôneo, como o envio de carnê ou a publicação de calendário de pagamento, com instruções para a sua efetivação." 
7. Repartição de Receita Tributária do IPVA (Art. 158, III da CF)
A EC 132/23 também alterou as regras de repartição do IPVA, especificamente para veículos aquáticos e aéreos.
· Regra Geral: Pertencem aos Municípios "50% (cinquenta por cento) do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios." 
· Novidade (Veículos Aquáticos e Aéreos): Em relação a "veículos aquáticos e aéreos, cujos proprietários sejam domiciliados em seus territórios." (Art. 158, III, CF, com redação dada pela EC nº 132/23).
· Significado: Para barcos e aviões, o critério para a repartição dos 50% do IPVA com os municípios não é o licenciamento do veículo, mas sim o domicílio do proprietário. Isso pode impactar significativamente a arrecadação de municípios com proprietários de bens de alto valor.
Conclusão
· A Reforma Tributária da EC 132/23 promoveu alterações substanciais no IPVA, visando maior justiça fiscal, modernização da tributação e alinhamento com a sustentabilidade ambiental. 
· As principais mudanças incluem a ampliação da incidência para veículos aquáticos e aéreos (com imunidades específicas), a introdução de novos critérios para diferenciação de alíquotas (valor e impacto ambiental), e a modificação das regras de repartição da receita para veículos não terrestres. 
· É fundamental que os Estados elaborem novas leis para adequar a cobrança do IPVA a essas inovações constitucionais.
Imposto ITCMD: Fundamentos, Fato Gerador e Competência
1. Nomen Juris e Fundamentação Legal
O ITCMD, ou Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, é um imposto estadual que incide sobre dois eventos principais:
· Transmissão Causa Mortis: Referente a heranças e legados decorrentes do falecimento de uma pessoa natural.
· Doação: Transmissão gratuita de quaisquer bens ou direitos.
Citação: "ITCMD = Imposto sobre... - transmissão causa mortis e - doação de quaisquer bens ou direitos." 
A fundamentação legal para o ITCMD encontra-se nos Arts. 35 e seguintes do CTN e no Art. 155, I, da CF/88.
2. Histórico e Bipartição de Competência (ITCMD vs. ITBI)
Antes da Constituição Federal de 1988, tanto o ITCMD quanto o ITBI (Imposto sobre Transmissão Inter Vivos) estavam sob a competência dos Estados (Art. 23, I, da CF/69 e Art. 35 do CTN).
Citação: "O ITCMD [...] e o ITBI [...] até a CF de 1988, estavam na competência dos Estados (art. 23, I, da CF/69 e art. 35 do CTN)." 
A CF/88 promoveu uma bipartição de competência:
· ITCMD (Competência Estadual): Transmissões decorrentes de eventos causa mortis ou não onerosos (doações) de bens móveis ou imóveis (CF, art. 155, I).
· ITBI (Competência Municipal): Transmissões inter vivos e de caráter oneroso de bens imóveis (CF, art. 156, II).
Citação: "Não houve, portanto, uma 'criação de imposto', mas um simples desdobramento de tributo já existente." 
3. Previsão Constitucional e Competência
A Constituição Federal estabelece claramente a competência para instituir o ITCMD:
Citação: "CF, Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituirimpostos sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;" 
Embora a sigla mais comum seja ITCMD, variações como ITCD ou ITD também são utilizadas pelos estados.
4. Sujeito Passivo (Devedor) do ITCMD
Os sujeitos passivos (devedores) do ITCMD variam conforme o evento gerador:
· Transmissões Causa Mortis: O herdeiro ou o legatário.
· Doações: Qualquer das partes envolvidas na doação (o doador ou o donatário), conforme a legislação específica de cada estado.
Citação: "a) herdeiro ou o legatário (nas transmissões causa mortis); b) qualquer das partes adstritas à doação (doador ou donatário), na forma da lei." 
5. Fato Gerador do ITCMD
O fato gerador do ITCMD é a transmissão NÃO ONEROSA da propriedade de quaisquer bens (imóveis, móveis, veículos, valores financeiros, títulos de crédito, etc.), por força de:
· Falecimento de seu titular (Heranças): Transmissão causa mortis.
· Transmissão e cessão gratuitas (Doações): Atos de liberalidade.
Citação: "CONCEITO DE TRANSMISSÃO é a passagem jurídica da propriedade ou de bens e direitos de uma pessoa para outra. No âmbito do ITCMD, ocorre em caráter não oneroso, seja pela ocorrência da morte (transmissão causa mortis), ou por atos de liberalidade (transmissão por doação)." 
Importante: Conforme o Art. 35, parágrafo único, do CTN, nas transmissões causa mortis, ocorrem tantos fatos geradores distintos quantos sejam os herdeiros ou legatários. É incorreta a afirmação de que o ITCMD incide uma única vez sobre o valor global dos bens transferidos, independentemente da quantidade de herdeiros ou legatários.
6. Elemento Espacial do Fato Gerador e Reforma Tributária (EC n. 132/23)
A Emenda Constitucional n. 132/23 (Reforma Tributária) trouxe alterações significativas em relação à competência para tributação de bens móveis.
| Tipo de Bem | Antes da EC 132/23 | Após a EC 132/23 (Atualizado) ---
Caso Prático (I): José faleceu no Rio de Janeiro. Seu domicílio é em Minas Gerais. Possui um apartamento em São Paulo e um automóvel no Rio Grande do Sul.
Gabarito:
· Apartamento (Bem Imóvel): ITCMD para São Paulo (Estado da situação do bem).
· Automóvel (Bem Móvel): ITCMD para Minas Gerais (Estado do domicílio do de cujus).
Citação: "GABARITO: recolher-se-á o ITCMD para São Paulo, quanto ao apartamento; e, quanto ao automóvel, haverá o recolhimento para Minas Gerais." 
Caso Prático (II): Clara, domiciliada no Pará, faleceu em São Paulo, deixando uma casa no Pará, um apartamento no Pará e um apartamento e um carro no Ceará.
Assertiva (CORRETA, adaptada à EC n. 132/23): "Nessa situação hipotética, o ITCMD deverá ser pago no Estado do Pará, relativamente à casa de Salinópolis, ao apartamento em Belém e ao carro." 
Análise:
· Casa de Salinópolis (Imóvel no Pará): ITCMD para o Pará (situação do bem).
· Apartamento em Belém (Imóvel no Pará): ITCMD para o Pará (situação do bem).
· Carro (Móvel): ITCMD para o Pará (domicílio da de cujus).
· Apartamento em Fortaleza (Imóvel no Ceará): ITCMD para o Ceará (situação do bem).
Nota importante: A assertiva apresentada no material é considerada correta apenas para os bens que indica, e implica que o ITCMD do apartamento em Fortaleza-CE seria devido ao Ceará.
7. ITCMD e o Papel da Lei Complementar (Doações e Heranças no Exterior – EC n. 132/23)
A Reforma Tributária (EC n. 132/23) também impacta as doações e heranças instituídas no exterior, tema que será aprofundado em um bloco posterior, envolvendo o papel da Lei Complementar.
ITCMD: Transmissões no Exterior e a EC 132/23
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1. Competência Legislativa e a Necessidade de Lei Complementar
A Constituição Federal (CF) atribui aos Estados-membros (e ao Distrito Federal) a competência para instituir o ITCMD. No entanto, impõe "limites" importantes, estabelecendo que cabe a uma lei complementar – e não a leis estaduais – regular tal competência em casos específicos:
· Doador com domicílio ou residência no exterior (art. 155, § 1º, III, “a”, CF);
· "De cujus" (falecido) possuía bens, era residente ou domiciliado, ou teve seu inventário processado no exterior (art. 155, § 1º, III, “b”, CF).
1.1. Entendimento Jurisprudencial (STF - Tema 825)
Em 2021, o Plenário do STF, no RE 851.108 (rel. Min. Dias Toffoli), com repercussão geral reconhecida (Tema 825), pacificou o entendimento de que os Estados-membros e o Distrito Federal não possuem competência legislativa para instituir o ITCMD nas hipóteses de doações e heranças instituídas no exterior na ausência de lei complementar federal.
Citação do texto: "Desse modo, os estados-membros (e o DF) não possuem competência legislativa para instituir o ITCMD nas seguintes e específicas hipóteses: doações e heranças instituídas no exterior."
Mesmo diante da omissão do legislador nacional em editar a referida lei complementar, os Estados-membros e o DF não podem editar leis ordinárias instituindo a cobrança com base na competência legislativa concorrente.
Citação do texto: "Desse modo, mesmo diante da omissão do legislador nacional acerca da matéria, os estados-membros (e o DF) não podem editar leis ordinárias instituindo a cobrança do gravame estadual, com base na competência legislativa concorrente."
1.2. Omissão Legislativa e Ações Estaduais
É importante notar que, desde 1988, o Congresso Nacional nunca editou a lei complementar sobre o tema, um período que se estende por mais de 30 anos. Em virtude dessa "procrastinação", 23 Estados-membros editaram suas leis ordinárias prevendo a cobrança do ITCMD nessas modalidades, o que é considerado, pelo material, uma ação "açodada e temerária". Esses estados incluem Pernambuco, Pará, Tocantins, Maranhão, Paraíba, Santa Catarina, Rondônia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Piauí, Alagoas, Acre, São Paulo, Goiás, Espírito Santo, Distrito Federal, Ceará, Bahia, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Citação do texto: "A título de curiosidade, de 1988 até hoje – logo, passados mais de 30 anos –, o Congresso nunca editou a indigitada lei complementar sobre o tema, e, em virtude da procrastinação desse processo legislativo, 23 (vinte e três) estados-membros* editaram suas leis ordinárias prevendo a cobrança da exação e exercendo – a nosso ver, açodada e temerariamente – as prerrogativas tributárias para essa modalidade de ITCMD."
Exemplos de provas de concurso público reforçam esse entendimento:
· FGV (Auditor-Fiscal/SEFAZ-ES, 2021): Considerou correta a afirmação de que uma lei estadual que disciplina a cobrança do ITCMD sobre bens no exterior, na ausência de lei complementar federal, é "formalmente inconstitucional".
· FCC (Procurador do Estado do Amazonas, 2022): Considerou correta a afirmação de que os Estados "podem instituir, por lei, o ITCMD sobre transmissão ‘causa mortis’ de bens situados no exterior, desde que haja previsão em lei complementar federal".
2. A Solução Transitória da EC n. 132/23
A Emenda Constitucional n. 132/23, publicada em 21 de dezembro de 2023, introduziu nos seus Artigos 16 e 17 uma "solução transitória" ou "regra temporária" para a temática do ITCMD em casos envolvendo o exterior, até que ocorra a edição da lei complementar indicada na Carta Magna.
2.1. Regras Transitórias (Art. 16 da EC n. 132/23)
O Art. 16 da EC 132/23 estabelece as seguintes regras de competência para o ITCMD nas hipóteses de que trata o art. 155, § 1º, III, da CF, ou seja, quando doador ou "de cujus" estão no exterior:
· I - Bens Imóveis e respectivos direitos: Competirá ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal.
· Exemplo: Tício (residente em Montevidéu) falece e deixa imóveis em MG e SC. ITCMD devido a MG e SC.
· Exemplo: Tício (residente em Montevidéu) doa imóveis em RR e AM. ITCMD devido a RR e AM.
· Importante: Este é o critério principal para bens imóveis localizados no território nacional.
· II - Se o doador tiver domicílio ou residência no exterior (ITCMD-Doação):
· a) Doador no exterior e Donatário no Brasil: Competirá ao Estado onde tiver domicílio o donatário ou ao Distrito Federal.
· Exemplo: Tício (Paris) doa joia (em Montevidéu)para neto (Espírito Santo). ITCMD devido ao ES.
· b) Doador no exterior e Donatário no exterior, com o bem no território nacional: Competirá ao Estado em que se encontrar o bem ou ao Distrito Federal.
· Exemplo: Tício (Paris) doa veículo (no Amazonas) para neto (Holanda). ITCMD devido ao AM.
· Não há ITCMD devido ao Brasil se doador, donatário e bem estiverem no exterior.Exemplo: Tício (Paris) doa livro raro (em Portugal) para neto (Holanda). Não há ITCMD devido a nenhum estado brasileiro.
· III - Relativamente aos bens do ‘de cujus’ (ITCMD-Causa Mortis):
· "De cujus" domiciliado no Brasil e bens (móveis ou imóveis) no exterior: Competirá ao Estado onde o "de cujus" era domiciliado.
· Exemplo: Tício (Paraná) falece e deixa apartamento em Buenos Aires. ITCMD devido ao PR.
· "De cujus" domiciliado ou residente no exterior e bens (móveis ou imóveis) no exterior: Competirá ao Estado onde tiver domicílio o sucessor ou legatário ou ao Distrito Federal.
· Exemplo: Tício (Miami) falece e deixa apartamento em Buenos Aires para herdeiro (Tocantins). ITCMD devido ao TO.
· Não há ITCMD devido ao Brasil se "de cujus" for residente no exterior, herdeiro for residente no exterior e o bem transacionado não estiver no Brasil.Exemplo: Tício (Miami) falece e deixa joia rara (em Buenos Aires) para herdeiro (Dubai). Não há ITCMD devido a nenhum estado brasileiro.
2.2. Vigência das Alterações (Art. 17 da EC n. 132/23)
As alterações introduzidas pela EC n. 132/23 (especialmente as relativas ao art. 155, § 1º, II, da CF) aplicam-se às sucessões abertas a partir da data de publicação da Emenda Constitucional, ou seja, 21 de dezembro de 2023.
Citação do texto: "EC 132/23 - Art. 17. A alteração do art. 155, § 1º, II, da CF, promovida pelo art. 1º desta Emenda Constitucional, aplica-se às sucessões abertas a partir da data de publicação desta Emenda Constitucional [= 21 de dezembro de 2023]."
3. Elemento Temporal do Fato Gerador
O momento do fato gerador do ITCMD é a transmissão, conforme o art. 35 do CTN, ou conforme estabelecido pela lei ordinária estadual competente.
· Bens Imóveis: O momento do fato gerador é o registro da escritura de transmissão no cartório, pois é quando a transmissão da propriedade se opera em relação a terceiros perante o Direito Civil.
· Doação: O momento do fato gerador é a celebração do contrato de doação.
4. Base de Cálculo do ITCMD
Segundo o art. 38 do CTN, a base de cálculo do ITCMD é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos e da doação. Este valor, em princípio, representa o valor de mercado do bem, não devendo superá-lo.
O cálculo é feito sobre o valor dos bens na data da avaliação, observada a alíquota vigente na data da abertura da sucessão.
Além disso, o imposto não é exigível antes da homologação do cálculo.
4.1. Jurisprudência do STF sobre a Base de Cálculo:
Três Súmulas do STF reiteram esses princípios:
· SÚMULA n. 112, STF: "O imposto de transmissão “causa mortis” é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão."
· SÚMULA n. 113, STF: "O imposto de transmissão “causa mortis” é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação."
· SÚMULA n. 114, STF: "O imposto de transmissão “causa mortis” não é exigível antes da homologação do cálculo."
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ITCMD: Análise Essencial e Reforma Tributária
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1. Base de Cálculo e Alíquota
· Súmulas do STF:Súmula n. 112, STF: "O imposto de transmissão “causa mortis” é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão."
· Súmula n. 113, STF: "O imposto de transmissão “causa mortis” é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação."
· Súmula n. 114, STF: "O imposto de transmissão “causa mortis” não é exigível antes da homologação do cálculo."
· Item CORRETO (IESES, 2019): O ITCMD é "calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação, enquanto a alíquota aplicável é a vigente ao tempo da abertura da sucessão".
· Exigibilidade: O imposto não pode ser exigido antes da homologação do cálculo.
2. Alíquotas Máximas e Fixação
· Competência: O Art. 155, § 1º, IV da CF estabelece que o ITCMD "terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal".
· Resolução do Senado: As alíquotas máximas são fixadas pelo Senado Federal, por meio da Resolução n. 9/92, no percentual de 8% (oito por cento).
· Fixação pelos Estados: Os Estados têm liberdade para fixar suas alíquotas, desde que respeitem o teto estabelecido pelo Senado.
· Item CORRETO (IADES, 2023): "O ITCMD terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal".
3. Progressividade do ITCMD
· Conceito de Progressividade: Técnica de incidência de alíquotas variadas, cujo aumento (não proporcional) ocorre em virtude da majoração da base de cálculo do tributo.
· Evolução da Jurisprudência (STF):Tradicionalmente, havia recusa à progressividade do ITCMD.
· Em 2013, o STF mudou seu entendimento, declarando constitucional a progressividade do ITCMD (AgR-RE 542.485, rel. Min. Marco Aurélio, 1ª T., j. em 19-02-2013). Esta decisão aproximou o pensamento brasileiro de países europeus como Espanha, Itália e Alemanha.
· Reforma Tributária (EC 132/23):A Emenda Constitucional nº 132/23 tornou a progressividade do ITCMD explícita, expressa e taxativa na Constituição.
· Art. 155, §1º, VI, CF: O ITCMD "será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação".
· Obrigatoriedade: O que antes era facultado pela Resolução do Senado e abonado pelo STF, agora é um mandamento constitucional. Estados que ainda aplicam alíquotas fixas (como AM, RR, AP, MS, SP, PR, MG, ES, AL e RN) deverão se adequar e adotar a progressividade.
· Importante Diferenciação: "ATENÇÃO: ITCMD É PROGRESSIVO, PORÉM RELEMBRE QUE O ITBI NÃO O É!"
· Súmula n. 656 do STF: "É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel."
· Quatro Impostos Progressivos na CF: IR, IPTU, ITR e ITCMD (após a EC 132/23).
4. Morte Presumida e ITCMD
· Súmula n. 331 do STF: "É legítima a incidência do imposto de transmissão causa mortis no inventário por morte presumida."
· A doutrina sobre o instituto da ausência legitima a exigência do ITCMD neste contexto.
5. ITCMD e Transferência de Ações (Contexto Causa Mortis vs. Doação em Vida)
· Súmula n. 435 do STF (APENAS Contexto Causa Mortis): "O imposto de transmissão causa mortis pela transferência de ações é devido ao estado em que tem sede a companhia."
· A competência tributária é do Estado onde a companhia tem sede, pois é lá que se aperfeiçoa a alienação dos títulos.
· Para ações nominativas, a transferência se opera na sede da sociedade. Para ações ao portador, a transferência se dá pela simples tradição (onde estiverem custodiadas).
· Doação em Vida de Ações:Não se aplica a Súmula n. 435.
· Aplica-se a regra do Art. 155, § 1º, II, da CF, segundo a qual o imposto (ITCD) compete ao Estado-membro onde tiver domicílio o doador, quando se trata de bens móveis (como as ações).
· Exemplo (OAB 2019): "Otávio, domiciliado no Estado X, (...) decide doar parte da sua participação acionária a Mário, seu filho, então domiciliado no Estado Z. (...) o ente competente para exigir o ITCD na operação em análise é o Estado X, onde tem domicílio o doador."
6. Decadência Tributária do ITCMD (Tema 1.048 STJ)
· TESE (REsp 1.841.798/MG, 2021): "O Imposto de Transmissão “Causa Mortis” e Doação – ITCMD, referente a doação não oportunamente declarada pelo contribuinte ao fisco estadual, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observado o fato gerador, em conformidade com os arts. 144 e 173, I, ambos do CTN."
· Quando a declaração do ITCMD não é prestada no prazo, o fisco deve proceder ao lançamento de ofício, com prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte à data do fato gerador (Art. 149, II, e 173, I, do CTN).
7. Imunidade de ITCMD para Instituições sem Fins Lucrativos (Reforma Tributária - EC 132/23)
· Art. 155, §1º, VII, CF (Incluído pela EC n. 132/23): O ITCMD "não incidirásobre as transmissões e as doações para as instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, e por elas realizadas na consecução dos seus objetivos sociais, observadas as condições estabelecidas em lei complementar."
· Essa imunidade visa desonerar transmissões e doações que atendem ao interesse público e social, considerando a ausência de sentido em tributar tais operações.
· Uma lei complementar ainda será editada para detalhar as condições para o aproveitamento desta imunidade.
8. Não Inclusão do Plano VGBL na Base de Cálculo do ITCMD
· Entendimento do STJ (REsp 1.961.488/RS, 2021): O seguro de vida VGBL não integra a base de cálculo do ITCMD.
· Justificativa: Os valores recebidos pelo beneficiário em decorrência da morte do segurado nesse tipo de plano são "diversos do conceito de “herança”", para todos os efeitos de direito (Art. 794 do CC/02).
· Portanto, não se tratando de transmissão causa mortis para fins de herança, o VGBL é excluído da base de cálculo do ITCMD.
ICMS: Guia Detalhado e Análise Jurisprudencial
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1. Nomen Juris e Base de Incidência
O ICMS é um imposto estadual que incide sobre:
· Operações relativas à circulação de mercadorias.
· Prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal.
· Prestações de serviços de comunicação.
É importante notar que "circulação" e "mercadoria", assim como "prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal" e "prestação de serviço de comunicação", são conceitos jurídicos específicos que requerem estudo aprofundado para sua compreensão no contexto do imposto.
2. Comandos Normativos Principais
A regulamentação do ICMS é fundamentada em uma série de comandos normativos, destacando-se:
· Art. 155, II, da Constituição Federal (CF): Estabelece a competência dos Estados e do Distrito Federal para instituir o imposto. O artigo detalha a abrangência da incidência, incluindo operações e prestações que se iniciem no exterior:
· "Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;"
· Lei Complementar (LC) n. 24/75
· Resolução do Senado Federal nº 22/89
· Lei Complementar (LC) n. 87/96 (Lei Kandir): Esta lei é de grande importância e pode ser exigida com profundidade em concursos, especialmente para Secretarias de Fazenda (cargo Auditor-Fiscal).
· Emenda Constitucional (EC) n. 87/2015
· Lei Complementar (LC) 190/2022
3. Atributos Fundamentais do ICMS
O ICMS possui características essenciais que o definem juridicamente:
· Estadual: Imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal.
· Real: Incide sobre bens, operações e serviços, independentemente das condições pessoais do contribuinte. "as condições da pessoa são irrelevantes".
· Proporcional: As alíquotas não são progressivas (não aumentam conforme a base de cálculo). "não é imposto progressivo".
· Fiscal: Seu principal objetivo é a arrecadação. "sobressai o cunho arrecadatório, e não 'regulatório'". Embora possa ter uma "pegada extrafiscal" em certas situações, é predominantemente fiscal.
· Plurifásico (Não Cumulativo): Incide em diversas fases da cadeia produtiva, mas obedece ao princípio da não cumulatividade (Art. 155, § 2º, I, CF). Isso significa que "o imposto só recai sobre o valor acrescentado em cada fase da circulação do produto, evitando assim a ocorrência do chamado 'efeito cascata', decorrente da incidência do imposto sobre imposto, ou sobreposição de incidências". Para o ICMS, a regulamentação desse princípio exige lei complementar (Art. 155, § 2º, XII, “c”, CF).
· A FCC, em prova para Procurador do Estado de Mato Grosso (PGE/MT) em 2016, considerou correto que "O ‘princípio da não cumulatividade’ é princípio de tributação por meio do qual se pretende evitar a assim chamada ‘tributação em cascata’ que onera as sucessivas operações e prestações com bens e serviços sujeitos a determinado tributo”.
4. ICMS e a Seletividade Tributária
A seletividade é uma técnica de variação de alíquotas baseada na essencialidade do bem ou serviço:
· Conceito: A seletividade busca concretizar o princípio da capacidade contributiva (Art. 145, §1º, CF), estabelecendo "alíquotas diferenciadas para certos produtos e/ou serviços, para mais ou para menos, em função da essencialidade do bem, e não em razão de critério aleatório".
· "trata-se de técnica de variação de alíquotas na RAZÃO INVERSA DA ESSENCIALIDADE do bem. Desse modo, quanto mais essencial for o bem, menor deverá ser a alíquota do imposto seletivo; e quanto menos essencial for o bem, maior deverá ser a alíquota do imposto seletivo."
· Facultatividade para o ICMS: Para o ICMS, a seletividade é facultativa (Art. 155, §2º, III, CF), ou seja, a Constituição não obriga os entes competentes a adotá-la. Contraste com o IPI, onde a seletividade é obrigatória (Art. 153, §3º, I, CF).
· Ponderação Criteriosa: Caso um Estado ou o Distrito Federal decida adotar a seletividade para o ICMS, o legislador deve realizar uma "ponderação criteriosa das características intrínsecas do bem ou serviço em razão de sua essencialidade com outros elementos, como a capacidade econômica do consumidor final, a destinação do bem ou serviço, e a justiça fiscal, tendente à menor regressividade desse tributo indireto".
5. Jurisprudência Recente sobre Seletividade no ICMS
O Supremo Tribunal Federal (STF) tem se posicionado sobre a aplicação da seletividade no ICMS, especialmente em relação a bens essenciais:
· Inconstitucionalidade de Alíquotas Elevadas para Bens Essenciais: Em junho de 2022 (ADIs ns. 7.117/SC e 7.123/DF, Rel. Min. Dias Toffoli), e ratificado em agosto de 2022 (ADIs ns. 7.111-PA, 7.113-TO, 7.116-MG, 7.119-RO e 7.122-GO, Rel. Min. Edson Fachin), o STF "entendeu que é inconstitucional a norma distrital ou estadual que, mesmo adotando a técnica da seletividade, prevê alíquota de ICMS – sobre itens essenciais (energia elétrica e serviços de comunicação) – mais elevada do que a alíquota geral (incidente sobre as operações em geral)".
· Contexto: A alíquota geral do ICMS varia tipicamente entre 17% e 19% nas operações internas, conforme definição estadual.
· Implicação: Leis estaduais que estabeleçam alíquotas de ICMS para energia elétrica e serviços de comunicação (considerados essenciais) acima da alíquota geral do estado são inconstitucionais. O CESPE/CEBRASPE em 2023 considerou INCORRETO a afirmação de que "É constitucional norma distrital ou estadual que preveja alíquota mais elevada de ICMS sobre energia elétrica e serviços de comunicação do que a incidente sobre as operações em geral, desde que a alíquota maior esteja alinhavada em objetivos extrafiscais razoáveis, vedada a interferência do Poder Judiciário no mérito dessa decisão política”.
6. Síntese dos Atributos do ICMS
Em resumo, o ICMS é um imposto com as seguintes características:
· Real
· Proporcional
· Fiscal
· Plurifásico (Não Cumulativo)
· Seletivo (Facultativo)
7. Importância para Concursos
O ICMS é um tema de "incidência gigantesca em todos os concursos, quer sejam eles da área jurídica, da área fiscal, da área de tribunais". Dada sua complexidade e a extensão da legislação pertinente, o estudo aprofundado é essencial, especialmente para cargos como Auditor-Fiscal. A atenção à jurisprudência recente do STF é crucial para questões de ponta.
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ICMS: Fundamentos e Sujeição Passiva
1. Natureza e Características do ICMS
O ICMS é caracterizado como um imposto:
· Real: Incide sobre bens e operações, independentemente da capacidade econômica do contribuinte.
· Proporcional: Sua alíquota é proporcional ao valor da operação.
· Fiscal: Tem como principal objetivo a arrecadação de recursos para o Estado.
· Plurifásico (não cumulativo): Incide em váriasetapas da cadeia de produção e circulação, mas o contribuinte pode compensar o imposto pago nas etapas anteriores.
· Seletivo: Sua alíquota pode variar de acordo com a essencialidade do bem ou serviço.
2. O Papel da Lei Complementar na Regulamentação do ICMS
A Constituição Federal (CF), em seu Art. 155, § 2º, XII, determina a necessidade de uma lei complementar específica para regulamentar a matéria do ICMS. Esta exigência se justifica pela complexidade do imposto, que envolve operações interestaduais e intermunicipais, e pela necessidade de evitar a guerra fiscal e a insegurança jurídica entre os estados e o Distrito Federal.
A Lei Complementar nº 87/96 (também conhecida como Lei Kandir) é a legislação que cumpre esse papel, estabelecendo as normas gerais sobre o imposto.
2.1. Temas a serem Definidos por Lei Complementar (CF, Art. 155, § 2º, XII):
A CF estabelece que a lei complementar deve:
· a) "definir seus contribuintes";
· b) "dispor sobre substituição tributária";
· c) "disciplinar o regime de compensação do imposto";
· d) "fixar, para efeito de sua cobrança e definição do estabelecimento responsável, o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços";
· e) "excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e outros produtos além dos mencionados no inciso X, “a”";
· f) "prever casos de manutenção de crédito, relativamente à remessa para outro Estado e exportação para o exterior, de serviços e de mercadorias";
· g) "regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados";
· h) "definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no inciso X, “b”"; (Esta alínea introduz a possibilidade do ICMS monofásico para esses produtos, apesar da regra geral de plurifasicidade).
· i) "fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço." (Conhecido como ICMS "por dentro").
A LC nº 87/96, ao regulamentar esses dispositivos constitucionais, detalha temas como:
· Contribuintes: Definidos no Art. 4º.
· Substituição Tributária: Abordada nos Arts. 6º a 10.
· Compensação: Regulada nos Arts. 19 a 26.
· Local das Operações: Definido no Art. 11.
Importância em Concursos: A lista de tópicos que a CF exige que sejam tratados por lei complementar é um tema recorrente em concursos, exigindo a memorização das alíneas do Art. 155, § 2º, XII.
3. Sujeito Ativo do ICMS
O sujeito ativo, ou credor do ICMS, é o ente federativo a quem compete instituir e arrecadar o imposto. Conforme o Art. 155, II, da CF:
"Art. 155. Compete aos ESTADOS E AO DISTRITO FEDERAL instituir impostos sobre: (...) II – operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior."
Portanto, o ICMS é um imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal. É crucial notar a menção ao Distrito Federal, pois bancas de concurso podem apresentar a afirmação de que o imposto é de competência apenas dos Estados como incorreta, por ser incompleta.
4. Sujeito Passivo do ICMS (Devedor)
O sujeito passivo é o devedor do imposto. A CF (Art. 155, § 2º, XII, "a") expressamente delega à lei complementar a função de "definir seus contribuintes".
4.1. Definição de Contribuintes (Art. 4º da LC nº 87/96):
De acordo com o Art. 4º da LC nº 87/96, o sujeito passivo do ICMS pode ser:
· a) Pessoas que pratiquem operações relativas à circulação de mercadorias.
· b) Importadores de bens de qualquer natureza.
· c) Prestadores de serviços de transporte interestadual e intermunicipal.
· d) Prestadores de serviços de comunicação.
4.2. Contribuintes Adicionais (Art. 4º, § 1º da LC nº 87/96, atualizado pela LC nº 190/2022):
O § 1º do Art. 4º da LC nº 87/96 amplia a definição de contribuinte, incluindo pessoas físicas ou jurídicas que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial:
· I – "importe mercadorias ou bens do exterior, qualquer que seja a sua finalidade";
· II – "seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior"; (Aplicável a serviços de comunicação e transporte).
· III – "adquira em licitação mercadorias ou bens apreendidos ou abandonados";
· IV – "adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização." (Atenção à negativa "quando não destinados", pois bancas frequentemente invertem essa condição).
4.3. Sujeição Passiva na Importação:
A Emenda Constitucional nº 33/2001 alterou o Art. 155, § 2º, IX, “a”, da CF, ampliando a sujeição passiva nas importações. O ICMS passou a incidir sobre bens e mercadorias importados do exterior por pessoa física ou jurídica, "ainda que não sejam contribuintes habituais do imposto".
Este ponto é crucial e frequentemente cobrado em concursos. Um exemplo prático seria a importação de um carro de luxo para uso pessoal, onde o ICMS é devido mesmo que o importador não seja um comerciante habitual.
Exemplo de Questão FGV/2022 (SEFAZ-AM - INCORRETA): "O ICMS não incide sobre a entrada de mercadoria ou bens importados do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade." (Afirmativa incorreta, pois o ICMS incide nessas situações).
4.4. A Figura do Responsável Tributário no ICMS:
Além do contribuinte direto, o polo passivo da relação jurídica do ICMS pode incluir o Responsável Tributário. O responsável é a pessoa escolhida por lei para pagar o tributo, mesmo sem ter realizado o fato gerador (Art. 121, parágrafo único, II, do CTN).
O ICMS se destaca pela sistemática da Substituição Tributária, que pode ser:
· Progressiva (para frente): Ocorre quando o responsável (substituto) antecipa o pagamento do imposto que seria devido nas etapas futuras da cadeia de circulação.
· Regressiva (para trás): Ocorre quando o responsável (substituto) recolhe o imposto referente a operações passadas, por exemplo, na entrada da mercadoria no estabelecimento.
A responsabilidade tributária é um tema fundamental e aprofundado em aulas específicas sobre o assunto, sendo essencial para compreender que o devedor do ICMS não se limita apenas ao contribuinte que realiza o fato gerador diretamente. O "substituto" tributário assume o papel de responsável pelo pagamento.
Fato Gerador do ICMS: Constituição e Lei Kandir
1. Introdução ao Fato Gerador do ICMS
O Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) é um imposto estadual complexo, cujo fato gerador é o cerne de sua incidência. Conforme destacado nas fontes, "o cerne do fato gerador é a circulação de mercadoria ou prestação de serviços interestadual ou intermunicipal de transporte e de comunicação, ainda que iniciados no exterior (art. 155, II, CF)".
2. Abrangência Constitucional (Art. 155, II, CF)
A Constituição Federal, em seu Art. 155, II, define as competências para a instituição do ICMS, que podem ser sintetizadas como "QUATRO IMPOSTOS" dentro do ICMS:
· Imposto sobre a circulação de mercadorias.
· Imposto sobre a prestação de serviços de transporte interestadual.
· Imposto sobre a prestação de serviços de transporte intermunicipal.
· Imposto sobre a prestação de serviços de comunicação.
É importante notar que o serviço de transporte intramunicipal não é fato gerador do ICMS, mas sim do ISS (Imposto Sobre Serviços), sendo uma "pegadinha" comum em provas.
3. Abrangência pela Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir)
A Lei Complementar nº 87/96 (LC 87/96) amplia a definição do fato gerador do ICMS, detalhando e adicionando hipóteses de incidência.
Art. 2º da LC 87/96- O IMPOSTO INCIDE SOBRE:
· I - Operações relativas à circulação de mercadorias: Inclui explicitamente o fornecimento de alimentação e bebidas em bares, restaurantes e estabelecimentos similares.
· II - Prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal: Abrange qualquer via (pessoas, bens, mercadorias ou valores).
· III - Prestações onerosas de serviços de comunicação: Detalha as operações, incluindo "a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza".
· IV - Fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios: Aborda as operações mistas, onde o serviço não está na lista de serviços sujeitos ao ISS.
· V - Fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços, de competência dos Municípios, quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual: Refere-se a casos em que, mesmo havendo ISS, a lei complementar específica determina a incidência do ICMS.
§ 1º do Art. 2º da LC 87/96 - O IMPOSTO INCIDE TAMBÉM:
· I – Sobre a entrada de mercadoria ou bem importados do exterior: Abrange tanto pessoa física quanto jurídica, mesmo que não seja contribuinte habitual, independentemente da finalidade.
· II - Sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior.
· III - Sobre a entrada, no território do Estado destinatário, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e de energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou à industrialização, decorrentes de operações interestaduais, cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente.
4. Materialidades Principais do Fato Gerador do ICMS (Resumo)
Em termos resumidos, o ICMS se concentra em três (ou quatro, dependendo da sintetização) materialidades principais:
· a) Na circulação de mercadorias.
· b) Na prestação de serviço de transporte (interestadual e intermunicipal).
· c) Na prestação de serviço de comunicação.
5. Conceito de "Circulação de Mercadoria" e Jurisprudência Relevante
A "circulação de mercadoria" é um conceito fundamental e frequentemente mal interpretado. É crucial entender que:
· Conceito de Circulação: "é a mudança de titularidade jurídica do bem (não é mera movimentação “física”, mas circulação jurídica do bem). O bem sai da titularidade de um sujeito e passa à titularidade definitiva de outro."
Fatos que NÃO configuram Fato Gerador do ICMS (Não Circulação Jurídica):
· Saída de bens "para mostruário": Não há mudança de titularidade jurídica, apenas movimentação física.
· Mera movimentação física de bens "entre matriz e filial": Não ocorre a transferência de propriedade.
Jurisprudência de Destaque:
· Súmula n. 166 do STJ: "não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte."
· STF (Tema 1.099 da repercussão geral - ARE 1.255.885-RG, j. em 14-08-2020): "não incide ICMS no deslocamento de bens de um estabelecimento para outro do mesmo contribuinte, localizados em ESTADOS DISTINTOS, visto não haver a transferência da titularidade ou a realização de ato de mercancia". Este ponto é crucial e tem sido cobrado em concursos, como evidenciado pelo teste do CESPE/CEBRASPE 2023, que considerava incorreta a afirmação de incidência do ICMS em deslocamento entre estados distintos.
Implicações: A autuação de uma empresa por transferência de mercadorias entre seus próprios estabelecimentos, mesmo que em estados distintos, não se sustenta, pois não configura circulação jurídica. A ocorrência do fato imponível exige a circulação jurídica da mercadoria com a transferência da propriedade.
ICMS: Mercadoria, Circulação e Operações Mistas
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1. Materialidade do ICMS: A Circulação de Mercadoria
A materialidade do ICMS é a circulação de mercadoria, sendo o conceito de "circulação" fundamental para a sua incidência.
1.1. Conceito de "Circulação" - STF/2020 e Jurisprudência
O Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2020, ao apreciar o Tema 1.099 de repercussão geral, estabeleceu que:
“não incide ICMS no deslocamento de bens de um estabelecimento para outro do mesmo contribuinte, localizados em ESTADOS DISTINTOS, visto não haver a transferência da titularidade ou a realização de ato de mercancia” (ARE 1.255.885-RG, rel. Ministro Presidente, Tribunal Pleno, j. em 14-08-2020).
Essa orientação foi reafirmada em testes de concurso público, como o do CESPE/CEBRASPE (PGE-PA, 2023) e da FCC (PGE-AM, 2022), onde itens que afirmavam a incidência do ICMS nessa situação foram considerados INCORRETOS.
1.2. Não Incidência em Consignação de Veículos - STJ/2013
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2013, abordou a não incidência do ICMS na mera consignação de veículos em agências de automóveis. A ementa do STJ (REsp 1.321.681/DF) esclarece que:
"a mera consignação do veículo cuja venda deverá ser promovida por agência de automóveis não representa circulação jurídica da mercadoria, porquanto não induz à transferência da propriedade ou da posse da coisa, inexistindo, dessa forma, troca de titularidade a ensejar o fato gerador do ICMS. Nesse negócio, não há transferência de propriedade (domínio) à agência de automóveis, pois, conforme assentado pelo acórdão recorrido, ela não adquire o veículo de seu proprietário, mas, apenas, intermedeia a venda da coisa a ser adquirida diretamente pelo comprador. De igual maneira, não há transferência de posse, haja vista que a agência de automóveis não exerce nenhum dos poderes inerentes à propriedade (art. 1.228 do Código Civil)."
A consignação é entendida como "mera detenção precária da mercadoria para fins de exibição", sem que a agência possa usar, gozar ou dispor do bem.
2. Conceito de "Mercadoria" e o Art. 110 do CTN
O conceito de mercadoria para fins de ICMS é restrito e fundamental para a correta aplicação do imposto.
2.1. Definição e Restrição
· Mercadoria (do latim merx): é a coisa que se constitui objeto de uma venda.
· A Constituição define implicitamente mercadoria em seu sentido estrito, e somente nesse conceito ela deve ser considerada para o fato gerador do ICMS.
· Art. 110 do CTN: "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." Este artigo impede o fisco de ampliar o conceito de mercadoria para aumentar a arrecadação.
· Características da mercadoria:
· Bem ou coisa móvel.
· Caracterizada pela destinação (aptidão ao comércio).
· Adquirida com intuito de revenda ou venda (mercancia).
· A atividade deve ser habitual.
· Não são mercadorias: as coisas que o empresário adquire para "uso ou consumo próprio".
· Saída eventual de bens do ativo fixo/imobilizado: Não configura circulação "de mercadorias", mas "de bens" desgastados pelo uso. Exemplo: A venda de um ônibus usado por uma empresa de turismo não incide ICMS, pois o negócio da empresa não é vender ônibus, mas prestar serviço de transporte.
Resumo: Mercadoria (sentido estrito) = Produto + intuito de mercancia (decorrente da habitualidade ou do volume típico de comércio na aquisição do bem).
3. A Mercadoria/ICMS e as Operações Mistas (ISS ou ICMS?)
A tributação de serviços que envolvem o fornecimento de mercadorias (operações mistas) é uma questão complexa que depende da aplicação de três parâmetros, conforme a LC n. 87/96 ("Lei Kandir") e a LC n. 116/2003.
3.1. Art. 12 da LC n. 87/96 ("Lei Kandir")
Define que o fato gerador do ICMS ocorre no fornecimento de mercadoria com prestação de serviços:
· a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios;
· b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competênciaestadual, como definido na lei complementar aplicável.
3.2. Três Parâmetros para Definir a Tributação
1. Só paga o ISS: Se os serviços estiverem incluídos na Lista anexa à LC n. 116/2003 (art. 1º, § 2º), ficam sujeitos apenas ao ISSQN, ainda que sua prestação envolva o fornecimento de mercadorias.
· Exemplo: Serviços odontológicos (Subitem 4.12 da LC n. 116/2003), mesmo com fornecimento de material, incide apenas ISSQN.
· Jurisprudência STF (RE 605.552/RS, 2020 - Tema 379-REP. GERAL): Incide ISS sobre as operações de venda de medicamentos preparados por farmácias de manipulação sob encomenda.
1. Só paga o ICMS: Se os serviços NÃO estiverem incluídos na Lista anexa à LC n. 116/2003, porém houver o fornecimento de mercadorias, incidirá o ICMS exclusivamente. A base de cálculo do ICMS será o VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO (valor do serviço + valor da mercadoria).
· Exemplo: Restaurantes (Súmula n. 163 do STJ: "O fornecimento de mercadorias com a simultânea prestação de serviços em bares, restaurantes e estabelecimentos similares constitui fato gerador do ICMS a incidir sobre o valor total da operação").
· Jurisprudência STF (RE 605.552/RS, 2020 - Tema 379-REP. GERAL): Incide ICMS sobre as operações de venda de medicamentos ofertados ao público consumidor em prateleira por farmácias de manipulação (ou convencionais).
1. Pagam-se o ISS e, ainda, o ICMS: Em determinados casos expressamente constantes da Lista anexa à LC n. 116/2003, haverá a incidência do ISS, e também a incidência do ICMS sobre o fornecimento de mercadorias.
· Hipóteses da Lista (Subitens):
· 7.02 (Obras de construção civil, etc.): Exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS.
· 7.05 (Reparação, conservação e reforma de edifícios, etc.): Exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador dos serviços, fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS.
· 14.01 (Lubrificação, limpeza, conserto, manutenção, etc.): Exceto peças e partes empregadas, que ficam sujeitas ao ICMS.
· 14.03 (Recondicionamento de motores): Exceto peças e partes empregadas, que ficam sujeitas ao ICMS.
· 17.11 (Organização de festas e recepções; bufê): Exceto o fornecimento de alimentação e bebidas, que fica sujeito ao ICMS.
· Teste FUNCAB - 2014 (SEFAZ/BA): Itens que afirmavam a incidência exclusiva do ISS para serviços de reparação de edifícios com fornecimento de mercadorias produzidas fora do local e para organização de festas com fornecimento de alimentação e bebidas foram considerados INCORRETOS, pois, nestes casos, incide ICMS sobre as mercadorias.
ICMS: Serviços de Transporte e Comunicação
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1. ICMS vs. ISS: Compatibilização da Tributação de Serviços
A tributação de serviços no Brasil apresenta um desafio de compatibilização entre o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), de competência estadual, e o ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza), de competência municipal.
· ICMS como Imposto Estadual sobre Serviços: O ICMS incide sobre a prestação de serviços, similar ao ISS. A letra "S" em ICMS denota "serviços", indicando sua abrangência sobre determinadas prestações de serviço.
· ISS como Imposto de Abrangência Residual: Para evitar conflitos de competência, o ISS incide sobre os serviços "não compreendidos no art. 155, II, da CF [próprios do âmbito do ICMS], definidos em lei complementar". Assim, o ISS é considerado um imposto de "abrangência residual". A Lei Complementar 116/2003, com sua lista anexa, enumera taxativamente os serviços sujeitos ao ISSQN, trazendo segurança jurídica a um universo que, de outra forma, seria muito amplo.
2. ICMS na Prestação de Serviços de Transporte
A tributação de serviços de transporte é um ponto crucial na distinção entre ICMS e ISS.
· ICMS: Transporte Interestadual e Intermunicipal:A materialidade do ICMS sobre serviços de transporte se aplica a "PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE INTERESTADUAL e INTERMUNICIPAL".
· O Supremo Tribunal Federal (STF), em 2014, ratificou que "é devido o ICMS nas operações ou prestações de serviço de TRANSPORTE terrestre interestadual e intermunicipal de passageiros e de cargas" (ADI n. 2.669/DF).
· Exemplo: Um ônibus urbano que sai de São Paulo para Guarulhos (intermunicipal) é sujeito ao ICMS.
· ISS: Transporte Intramunicipal:O ISS, por sua vez, incide sobre o "SERVIÇO DE TRANSPORTE INTRAMUNICIPAL".
· O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2008, firmou o entendimento de que "o ISSQN incide sobre a prestação de serviço de transporte que comece e termine no território de um único Município [INTRAMUNICIPAL], ainda que, por uma questão de traçado de ruas, o veículo transportador acabe perpassando, em alguns trechos do percurso, pelos lindes de outro Município, o que não retira a natureza estritamente municipal do contrato de transporte celebrado entre o prestador e o tomador do serviço" (REsp 879.797/MG).
· Exemplo: O transporte urbano de ônibus dentro da cidade de São Paulo é alvo do ISS.
· Exceção: Transporte Aéreo de Passageiros:Em 2001, o STF "declarou a inconstitucionalidade do ICMS sobre a prestação de serviços (intermunicipal e interestadual) de TRANSPORTE aéreo de passageiros" (ADI n. 1.600). Esta é uma "maldade do concurso" e um ponto de atenção para os examinandos.
3. Não Incidência do ICMS em Serviços de Transporte Destinados ao Exterior
Existe um importante caso de não incidência do ICMS ligado ao serviço de transporte.
· Fundamentação Legal: O Art. 3º, II, da Lei Complementar 87/96 estabelece que "O imposto não incide sobre: (...) II - operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semielaborados, ou serviços".
· Princípio da Desoneração do Comércio Exterior: Este dispositivo visa desonerar o comércio exterior, promovendo a competitividade do país e o desenvolvimento nacional. A lógica é que "não existe exportação de tributo".
· Súmula 649 do STJ: Em 2021, foi editada a Súmula 649 do STJ, segundo a qual "não incide ICMS sobre o serviço de transporte interestadual de mercadorias destinadas ao exterior". Esta súmula sedimenta o entendimento de que a norma de isenção deve abranger o transporte interestadual de mercadorias com destino à exportação.
4. ICMS na Prestação de Serviços de Comunicação
A prestação de serviços de comunicação é a terceira materialidade do ICMS abordada nas fontes.
· Previsão Constitucional: A Constituição Federal, no Art. 155, II, atribui aos Estados e ao Distrito Federal a competência para instituir impostos sobre "prestações de serviços (...) DE COMUNICAÇÃO, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior".
· Detalhes na Lei Complementar 87/96: A Constituição não detalha os serviços de comunicação, deixando para a lei complementar. A Lei Complementar 87/96, Art. 2º, III, especifica que o imposto incide sobre "prestações onerosas de serviços de comunicação, por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza."
· Distinção entre Atividade-Fim e Serviços Conexos/Acessórios:Atividade-Fim (Incidência do ICMS): O ICMS incide sobre o "serviço de telecomunicação propriamente dito", ou seja, o "processo de transmissão" (emissão ou recepção) de informações de qualquer natureza.
· Serviços Conexos/Acessórios (Não Incidência do ICMS): O STJ e o STF consolidaram o entendimento de que "a prestação de serviços conexos ao de comunicação por meio da telefonia móvel (que são preparatórios, acessórios ou intermediários da comunicação) NÃO se confunde com a prestação da atividade-fim [...] esta, sim, passível de incidência pelo ICMS" (REsp 1.176.753/RJ, STJ/2012, e RE 572.020/DF, STF/2014).
· Exemplos de Serviços Acessórios/Suplementares onde o ICMS NÃO incide:Troca de titularidade, aparelho ou número de celular.
· Fornecimento de conta detalhada.
· Mudança de endereço de cobrança.
· Troca de área de registro ou plano deserviço.
· Bloqueio de DDD e DDI.
· Serviço de habilitação e religação de telefone celular.
· Serviço de provedores de acesso à internet.
· Prestação ou provimento de capacidade de satélite.
· Súmulas do STJ:Súmula 334 do STJ: "O ICMS não incide no serviço dos provedores de acesso à Internet."
· Súmula 350 do STJ: "O ICMS não incide sobre o serviço de habilitação de telefone celular."
· Entendimento Recente sobre Capacidade de Satélite: Em 2021, o STJ (REsp n. 1.473.550/RJ) reiterou que "não incide ICMS-COMUNICAÇÃO sobre o serviço de prestação ou provimento de capacidade de satélite." Isso porque o "provimento de capacidade espacial" é considerado uma "atividade-meio" ou "serviço suplementar", significando o "oferecimento de recursos de órbita e espectro radioelétrico à prestadora de serviços de telecomunicações", e não o serviço de comunicação propriamente dito.
Conclusão
O ICMS, em sua abrangência sobre serviços, demonstra uma complexa interação com o ISS e uma série de entendimentos jurisprudenciais que delimitam sua incidência. A distinção entre serviços de transporte interestadual/intermunicipal (ICMS) e intramunicipal (ISS), a não incidência sobre transporte aéreo de passageiros e exportação de mercadorias, e a clara separação entre a atividade-fim de comunicação e seus serviços acessórios, são pontos cruciais para o domínio da matéria. A constante atualização com a legislação (LC 87/96) e as súmulas e precedentes do STJ e STF é indispensável para a correta aplicação e compreensão deste imposto.
ICMS: Fato Gerador e Base de Cálculo em Detalhe
1. Fato Gerador do ICMS: Prestação de Serviços de Comunicação e Serviços Acessórios
A análise do ICMS em relação aos serviços de comunicação é um ponto crucial, com importantes distinções jurisprudenciais.
1.1. Não Incidência em Serviços Acessórios e de Habilitação
· Serviço de habilitação de telefone celular: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidaram o entendimento de que "o ICMS não incide sobre o serviço de habilitação de telefone celular." (FCC/2018).
· Serviços de provedores de acesso à Internet: A jurisprudência dos tribunais superiores aponta que "o ICMS não incide sobre os serviços dos provedores de acesso à Internet." (VUNESP/2023, item incorreto). Este é um ponto que as bancas de concurso frequentemente cobram devido à sua natureza "capciosa" e à distinção entre serviços de telecomunicação e serviços acessórios ou intermediários.
1.2. Não Incidência em Espaço para Publicidade em Sites (STJ e STF 2022)
· Visão do STJ: Em 2022, a 1ª Turma do STJ (AREsp n. 1.598.445/SP) decidiu que "o ICMS não incide sobre o serviço de inserção de publicidade e veiculação de propaganda em sites da internet." A controvérsia residia em determinar se a cessão de espaço em sítio eletrônico para divulgação publicitária configurava um "SERVIÇO DE (TELE)COMUNICAÇÃO" sujeito ao ICMS. O STJ concluiu que não, aplicando-se o Imposto Sobre Serviços (ISS).
· Visão do STF: Corroborando o entendimento do STJ, o STF, em março de 2022 (ADI 6.034), firmou que "é constitucional o subitem 17.25 da lista anexa à LC n. 116/03, incluído pela LC n. 157/16, no que propicia a incidência do ISS, afastando a do ICMS-Comunicação, sobre a prestação de serviço de inserção de textos, desenhos e outros materiais de propaganda e publicidade em qualquer meio (exceto em livros, jornais, periódicos e nas modalidades de serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita)". Isso reforça que o serviço de publicidade em meios digitais, mesmo em plataformas de comunicação, não é considerado fato gerador de ICMS-Comunicação, mas sim de ISS.
1.3. Inadimplência do Consumidor e Exigibilidade do ICMS (STJ 2016 e STF 2021)
· STJ (REsp 1.308.698/SP, 2016): Entendeu que "Ainda que as prestações de serviços de comunicação sejam inadimplidas pelo consumidor-final (contratante), não cabe a recuperação dos valores pagos pela prestadora (contratada) a título de ICMS-comunicação incidentes sobre o serviço". A inadimplência do contratante é considerada "situação estranha ao fenômeno da incidência tributária."
· STF (RE 1.003.758, Tema 705 RG, 2021): No mesmo sentido, o Pleno do STF decidiu que o "inadimplemento obrigacional não afasta para esse contribuinte a exigibilidade do ICMS sobre os serviços de telecomunicações." A corte argumentou que "Admitir a inadimplência como excludente legal do tributo... representa patente violação ao princípio da legalidade tributária, disposto no art. 150, § 6º, c/c art. 155, § 2º, XII, “g”, ambos da CF." Este ponto é crucial, pois desvincula a exigibilidade do imposto do efetivo pagamento pelo consumidor final. O fato gerador (prestação do serviço) ocorreu, independentemente da inadimplência.
2. Aspecto Temporal do Fato Gerador do ICMS (LC n. 87/96, Art. 12)
O Artigo 12 da Lei Complementar nº 87/96 estabelece os momentos em que se considera ocorrido o fato gerador do ICMS para diversas situações:
· I - da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte;
· II - do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; (Momento do fornecimento)
· III - da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente;
· IV - da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente;
· V - do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza;
· VI - do ato final do transporte iniciado no exterior;
· VII - das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; (Momento da prestação onerosa)
· VIII - do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: (No caso de operações mistas, o ICMS é devido se o serviço não estiver na lista da LC 116/03, ou ambos podem ser devidos em subitens específicos, como em serviços de buffet onde se paga ISS pelo serviço e ICMS pela mercadoria).
· IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior;
· XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados;
3. Base de Cálculo do ICMS (LC n. 87/96, Art. 13)
A base de cálculo do ICMS varia conforme a materialidade do fato gerador.
3.1. Termos Gerais
· Circulação de mercadoria: "o valor da operação"
· Transporte (interurbano e interestadual) e de comunicação: "o preço do serviço"
· Importação (inciso IX do Art. 12): "a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação...; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras;"
3.2. Importação (detalhes importantes - Inciso XI do Art. 12)
· Aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados: A base de cálculo é "o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente". É notável como a base de cálculo do ICMS na importação é "turbinada", incorporando outros impostos e despesas.
3.3. Pautas Fiscais
· A utilização de pautas fiscais para a fixação de uma "BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA OU ESTIMADA" na Substituição Tributária Progressiva (ICMS-ST) "não é incompatível com o sistema de substituição tributária." (FGV/2024, item incorreto que afirmava ser incompatível). As pautas fiscais são uma prática adotada por alguns Estados-membros para facilitar a cobrança antecipada do ICMS, especialmente em mercadorias sujeitas à substituição tributária progressiva, conforme o art. 150, §6º, da CF.
3.4. Cálculo "Por Dentro"
· O Art. 13, § 1º, I, da LC n. 87/96 estabelece que "o montante do ICMS integra a própria

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