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INVESTIGAÇÃO CRIMINAL E A CIÊNCIA 
Como os insetos podem ajudar na investigação? 
Professora: Crisliane Machado 
 
EMENTA: 
 A proposta dessa eletiva é abordar conceitos da área de investigação forense, 
como impressões digitais, intervalo pós-morte, pegadas e manchas de sangue, 
estimulando o raciocínio investigativo e o pensamento crítico e criativo. Os aspectos 
de uma cena de crime serão analisados e estudados do ponto de vista da ciência, 
utilizando diferentes áreas (biologia, química, física e matemática) para desvendar 
um crime. 
TEMA: 
Entomologia Forense 
É a ciência que aplica o 
estudo da taxonomia 
(Identificação e classificação), 
biologia (estudo do 
desenvolvimento), 
biogeografia ( Distribuição) 
dos insetos e procedimentos 
legais. 
 
Fonte:Minuto Biomedicina 
 As subdivisões da entomologia forense são: 
● Entomologia forense de produtos armazenados: envolve litígios de 
ataque de pragas e produtos armazenados. 
● Entomologia forense Urbana: envolve litígios e ataques de pragas a 
residências, restaurantes etc. 
● Entomologia forense criminal: envolve diversos aspectos entre 
homologia nas investigações criminais . 
Por meio dessa ciência é possível determinar a data da morte (tempo entre a 
morte e a data que o cadáver foi encontrado, o denominado intervalo pós-morte ), 
http://www.minutobiomedicina.com.br/postagens/2015/02/20/resumo-de-trabalho-cientifico-entomologia-forense/
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se o corpo foi movido para um segundo local e também se foi manipulado, e 
possivelmente deduzir as circunstâncias que cercaram o fato antes ou depois do 
ocorrido. 
A estimativa de Intervalo pós-morte, considerando a entomologia, pode 
ocorrer de duas formas: 
● observando-se o substrato onde foi feita a oviposição logo depois da morte e 
● fazendo-se a determinação da idade daqueles insetos, prevendo a sequência 
na sucessão da fauna. 
 
Fonte:https://pontobiologia.com.br/csi-da-vida-real-entomologia-forense/ 
Cada momento da putrefação cadavérica oferece condições e características 
próprias. Isso significa que cada etapa atrai diferentes grupos de insetos. 
A capacidade dos insetos de sentirem odores que os humanos não conseguem 
sentir, faz com que sejam os primeiros a chegar no local de um crime, muitos peritos 
costumam falar que os insetos são as primeiras testemunhas. 
 Os mais comuns são espécies próprias de climas de região tropical, mais uma 
característica que ajudará na elucidação do caso, por exemplo, o perito encontra uma 
espécie não endêmica da região, onde o corpo foi encontrado, ou em casos em que 
o cadáver passou de 72 horas, tornando a aplicação da tanatologia com menor 
eficiência 
https://pontobiologia.com.br/csi-da-vida-real-entomologia-forense/
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Coleta de material entomológico em locais de crime 
 Quando o perito chega no local de crime, faz um breve reconhecimento e 
inspeção visual a fim de identificar os vestígios encontrados(insetos, pupas, ovos). 
Em seguida, deve relatar, especialmente quanto ao tipo de inseto, sua atividade, 
estágio de desenvolvimento, localização no corpo e observar em um raio de 10 
metros, quando possível. As descrições devem ser acompanhadas por fotografias e 
anotações. 
 Estações climáticas, dia, hora na qual o corpo foi descoberto, devem ser 
anotados. Deve ser analisado o tipo de local onde a morte se deu, via pública, dentro 
de uma imóvel ou na área rural, por exemplo. Nas áreas externas deve ser 
observado, se o cadáver estava localizado no sol ou sombra, próximo de fontes de 
água ou pontos de saneamento básico, além de observar a vegetação. 
 Sobre a coleta de material o perito transportará um kit básico para coletar as 
possíveis evidências que serão transportados até o laboratório: 
● Adultos: conservar em álcool 70% 
● Pupas: em frascos com vermiculita( não perfurar a tampa) 
● Larvas: ( 50% vivas e 50% mortas) as vivas em frascos com vermiculita e as 
mortas com água quente ou álcool 70 %. 
● Ovos: em placa de petri com papel filme úmido. 
 
Estudo de decomposição 
 Os peritos entomologistas coletam os materiais e levam ao laboratório, nesse 
momento precisam identificar a espécie e então analisar o padrão de 
desenvolvimento da espécie encontrada. Analisam através de um método chamado 
Grau-Dia acumulado, e determinam os parâmetros de desenvolvimento das espécies, 
baseados na temperatura, umidade e condições ambientais do local. 
 Funções matemáticas são realizadas pelos peritos que permitam, com base 
na espécie, na temperatura ambiente e no peso das larvas, determinar sua idade. 
 No fim do período larval, os insetos costumam deixar o cadáver e procurar o 
solo, onde se enterram, transformando-se em pupas. Só depois emergem como 
formas adultas e aladas. As pupas são importantes para a perícia, pois costumam ser 
mais velhas que as larvas e, por isso, oferecem uma estimativa mais precisa do 
intervalo post-mortem. 
 Os orifícios naturais e as lesões são o principal acesso dos insetos ao corpo.
 A ordem Diptera é a que recebe maior relevância na maioria dos casos 
forense, em razão do fato de que as moscas são as primeiras a encontrarem o corpo, 
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então, sempre estão relacionadas ao estágio inicial da decomposição. A seguir 
imagem de Dípteros de importância na entomologia forense no Brasil.
 
fonte: https://pontobiologia.com.br/csi-da-vida-real-entomologia-forense/ 
Outro grupo de importância para a entomologia forense são os coleópteros, 
que são encontrados após a desidratação do corpo, chamada fase seca da 
decomposição. A imagem a seguir mostra coleópteros. 
https://pontobiologia.com.br/csi-da-vida-real-entomologia-forense/
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fonte:https://pontobiologia.com.br/csi-da-vida-real-entomologia-forense/ 
 
Casos em entomologia forense 
Caso 1 
Insetos ajudam a desvendar homicídios 
 Em 2011 o biólogo José Roberto Pujol Luz, da Universidade de Brasília (UnB), 
fornecia uma informação importante para os peritos. Ele não precisou examinar o 
corpo. Bastaram algumas larvas obtidas do cadáver. 
 Um assassino, no interior de Minas Gerais, arrancava dedos, dentes, olhos, 
orelhas e nariz do cadáver. Sem conseguir identificar a vítima, os policiais utilizaram 
a pista de Pujol para procurar o criminoso nas cidades vizinhas: as larvas pertenciam 
a espécies da mata e não havia florestas no município onde o corpo foi encontrado. 
 "Os insetos funcionam como um cronômetro", aponta Arício Linhares, da 
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considerado o iniciador da 
entomologia forense no País. 
 Graças ao seu aguçado olfato, as primeiras moscas chegam poucos minutos 
após a morte. Normalmente, depositam os ovos em locais protegidos, como os 
https://pontobiologia.com.br/csi-da-vida-real-entomologia-forense/
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ouvidos, o nariz ou a boca. O tempo de desenvolvimento das larvas depende da 
espécie do inseto e da temperatura. 
 
Caso 2 
Janyra Oliveira da Costa, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, no Rio, 
recorda quando foi chamada para periciar um homem enforcado. Apesar do rosto 
desfigurado, o corpo apresentava um estado incomum de conservação. 
 Confusos, os legistas apostaram em uma morte recente. Ao investigar os 
insetos, Janyra percebeu o erro. As larvas mais velhas, aquelas que os peritos 
criminais procuram em primeiro lugar, testemunharam uma morte ocorrida há 
semanas. 
 
caso 3 
 Linhares lembra o caso de uma garota encontrada morta em um canavial no 
interior de São Paulo. O cadáver já não permitia uma estimativa precisa do momento 
do crime. O médico-legista arriscou que o crime havia acontecido no fim de semana 
anterior. O palpite inocentou o namorado da vítima, que possuía um álibi para o 
período. 
A equipe da Unicamp contestou: os insetos mostravam que o crime ocorrera 
dias depois, durante a semana. "Devolvemos o namorado à cena do crime", afirma 
o pesquisador. O rapaz acabou
confessando o assassinato. 
 
Caso 4 
 Alexandre Uruhary trabalhava no laboratório de Pujol, na UnB, quando foi 
chamado para auxiliar a perícia dos locais relacionados a um crime que chocou 
Brasília. "Chegando lá, vi que os insetos contavam uma história com muita clareza", 
afirma Uruhary. 
Os policiais procuravam uma jovem desaparecida. Acompanhando de longe a 
investigação, o assassino percebeu que chegavam cada vez mais perto do corpo e 
resolveu escondê-lo em outro lugar. Uruhary não teve dúvidas ao ver um local repleto 
de pupas de moscas Chrysomya, as primeiras a colonizar o corpo: era o local do 
crime. 
Tudo indicava que o assassino não havia conseguido realizar seu intento de 
transladar o cadáver e o deixou pelo caminho. Larvas de besouros, que só iniciam 
seu trabalho mais tarde, foram achadas onde o corpo havia sido deixado, 
possibilitando estimar quando o criminoso retornou ao local do crime para escondê-
lo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo 
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YouTube: 
www.youtube.com/watch?v=lf7T42BNTyk 
Instagram: 
@peritotorriceli 
 
 
 
 
Referências Bibliográficas 
Gomes, L. 2010. Como ser um entomólogo forense. pp. 506-517. In: Gomes, L. 
(Org.) Entomologia Forense: Novas tendências e tecnologias nas ciências criminais. 
1ª ed. Techinical Books Editora, Rio de Janeiro. 
Oliveira-Costa, J. 2003. Entomologia Forense: Quando os insetos são vestígios. 
Editora Millenium, Campinas, 258p. 
Pessoa, S. & Lane, F. 1941. Coleópteros de interesse médico-legal. Ensaio 
monográfico sobre a família Scarabeidae de São Paulo e regiões vizinhas. Arquivos 
de Zoologia do Estado de São Paulo. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=lf7T42BNTyk

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