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Simulado de Linguagens IT0286 - (Enem) O progresso Eu queria não ver todo o verde da terra morrendo E das águas dos rios os peixes desaparecendo Eu queria gritar que esse tal de ouro negro Não passa de um negro veneno E sabemos que por tudo isso vivemos bem menos. ROBERTO CARLOS; ERASMO CARLOS. Roberto Carlos. Rio de Janeiro: CBS, 1976 (fragmento). O trecho da letra da canção avalia o uso de combustíveis fósseis com base em sua potencial contribuição para aumentar o(a) a) base da pirâmide etária. b) alcance da fronteira de recursos. c) degradação da qualidade de vida. d) sustentabilidade da matriz energética. e) exploração do trabalho humano. GR0078 - (Espm) Os fenômenos da linguagem examinavam-se outrora apenas à luz da gramática e da lógica, e já era muito se a análise reconhecia como palavras expletivas ou de realce os termos sobejantes 1unidos à oração ou nela encravados. Hoje que a ciência da linguagem investiga os fatos sem deixar-se pear 2por antigos preconceitos, já não podemos levar essas expressões à conta das superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decorativo, o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante justamente no falar desataviado de todos os dias. Uma coisa é dirigirmo-nos à coletividade, a pessoas desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção a essa pessoa que está diante de nós, para que fique sempre bem impressionada com as nossas palavras. (Said Ali, Meios de Expressão e Alterações Semânticas, RJ) 1 sobejantes: demasiados, excessivos, de sobras. 2 pear: prender. No segundo parágrafo, no segmento: ...nem ainda atribuir-lhes papel decorativo..., o pronome pessoal oblíquo “lhes” tem como referência no texto: a) essas expressões b) palavras expletivas c) os fatos d) antigos preconceitos e) superfluidades L0234 - (Ufsm) Os versos destacados a seguir fazem parte de “Uma didática da invenção” (1993), poema de Manoel de Barros. No tratado das grandezas do ínfimo estava escrito: Poesia é quando a tarde está competente para dálias. É quando Ao lado de um pardal o dia dorme antes. [...] Poesia é voar fora da asa. A partir do último verso, pode-se concluir que a poesia a) aliena o leitor, ensina-o a fugir do real. b) está relacionada com a grandiosidade, o inatingível, o que revela a impossibilidade de o leitor compreendê- la. c) fornece ao leitor lições de resistência, ideia reforçada pela imagem do pardal. d) revela ao leitor a grandiosidade, uma dimensão que transborda o cotidiano. e) está ligada ao sentimento de impotência, se for considerada a impossibilidade de a palavra poética direcionar o leitor para além do cotidiano. IT0085 - (Enem) Aí pelas três da tarde 1@professorferretto @prof_ferretto Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo “ciao” ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como e retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pelo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. NASSAR, R. Menina a caminho. São Paulo: Cia. das Letras. 1997. Em textos de diferentes gêneros, algumas estratégias argumentativas referem-se a recursos linguístico- discursivos mobilizados para envolver o leitor. No texto, caracteriza-se como estratégia de envolvimento a a) prescrição de comportamentos, como em: “[...] largue tudo de repente sob os olhares a sua volta [...]”. b) apresentação de contraposição, como em: “Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto [...]”. c) explicitação do interlocutor, como em: “[...] (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído) [...]”. d) descrição do espaço, como em: “Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom-senso do mundo [...]”. e) construção de comparações, como em: “[...] libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas [...]”. IT0165 - (Enem) O hoax, como é chamado qualquer boato ou farsa na internet, pode espalhar vírus entre os seus contatos. Falsos sorteios de celulares ou frases que Clarice Lispector nunca disse são exemplos de hoax. Trata-se de boatos recebidos por e-mail ou compartilhados em redes sociais. Em geral, são mensagens dramáticas ou alarmantes que acompanham imagens chocantes, falam de crianças doentes ou avisam sobre falsos vírus. O objetivo de quem cria esse tipo de mensagem pode ser apenas se divertir com a brincadeira (de mau gosto), prejudicar a imagem de uma empresa ou espalhar uma ideologia política. Se o hoax for do tipo phishing (derivado de fishing, pescaria, em inglês) o problema pode ser mais grave: o usuário que clicar pode ter seus dados pessoais ou bancários roubados por golpistas. Por isso é tão importante ficar atento. VIMERCATE, N. Disponível em: www.techtudo.com.br. Acesso em: 1 maio 2013 (adaptado). Ao discorrer sobre os hoaxes, o texto sugere ao leitor, como estratégia para evitar essa ameaça, a) recusar convites de jogos e brincadeiras feitos pela internet. b) analisar a linguagem utilizada nas mensagens recebidas. c) classificar os contatos presentes em suas redes sociais. d) utilizar programas que identifiquem falsos vírus. e) desprezar mensagens que causem comoção. L0144 - (Uepa) Texto I MEC quer rever veto a livro de Monteiro Lobato O ministro da Educação, Fernando Haddad, pedirá que (sic) o CNE (Conselho Nacional de Educação) reveja o parecer que recomendou restrições à distribuição do livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, em escolas públicas. O Conselho de Educação quer vetar livro de Monteiro Lobato em escolas. Como revelou a Folha, o conselho sugeriu que a obra não seja distribuída pelo governo ou, caso isso seja feito, que contenha uma “nota explicativa”, devido a um suposto teor racista. Haddad disse ter recebido diversas reclamações de educadores e especialistas contra a decisão do CNE. “Foram muitas manifestações para que o MEC afaste qualquer hipótese de censura a qualquer obra”, afirmou. Ele disse não ver racismo na obra, mas ainda assim não descartou o contexto em que determinada obra foi escrita quando isso for considerado necessário. Para o ministro, qualquer que seja a decisão do CNE, ela deverá valer para todos os livros e não para apenas um específico. (PINHO, Angela. In: http://www.substantivoplural.com.br/monteiro-lobato-e- 2@professorferretto @prof_ferretto a-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em 09/09/2011) Texto II Monteiro Lobato e a proibição da “Caçada de Pedrinho” Meus amigos e amigas, Estou muito preocupado com essa proibição ao livro “Caçadas de Pedrinho”, escrito por Monteiro Lobato em 1933. Estou aqui com as obras completas do Lobato e já consultei o seu grande biógrafo Edgard Cavalheiro e não vejo razão para essa proibição. Aprendi a gostar de ler com Monteiro Lobato. Li o D. Quixote dasCrianças do Lobato e nunca mais deixei de ler a grande obra prima de Cervantes. Vasculhei o céu com Lobato numa “Viagem ao Céu”. Li sobre o explorador Hans Staden e me encantei com Os Doze Trabalhos de Hércules recontado por esse grande escritor e editor. Monteiro Lobato reinventou o Brasil. Em alguns aspectos inventou-o. Foi um grande nacionalista e lutou pelo nosso petróleo e recursos minerais. Foi um grande editor quando no Brasil quase não havia editoras. Um grande tradutor que lutou incansavelmente pelo Brasil. As Aventuras do Picapau Amarelo foram transportadas para a televisão e ainda hoje encantam gerações de todas as idades. Com relação à obra proibida “Caçadas do Pedrinho”, e a justificativa das palavras preconceituosas e estereotipas “trepar” e “negra”, que não ajudariam na educação com base “nos estudos atuais e críticos que discutem a presença de estereótipos raciais na literatura“ acho a justificativa sem propósito e um grave atentado contra a livre expressão e ao fazer literário e artístico. Por isso mesmo meus protestos contra essa agressão a um dos mais criativos e nacionalistas escritores do Brasil. Urubu é negro, macaco trepa; assim como tem gente negra e que trepa. Não vejo razão para colocar a obra num índex proibitivo. E são negros os olhos da minha amada. Cacemos Pedrinho! Vou fazer a minha perna de pau e colocar sebo para a onça não pegar. (MATA, João da. In: http://www.substantivoplural.com.br/monteiro-lobato- ea-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em 09/09/2011) No Texto II, a frase que revela uma opinião do autor sobre a proibição do livro de Monteiro Lobato “Caçadas de Pedrinho" é: a) estou muito preocupado com essa proibição ao livro “Caçadas de Pedrinho”. b) foi um grande nacionalista e lutou pelo nosso petróleo e recursos minerais. c) a noite é negra sem luar e ninguém pode mudar a natureza. d) um grave atentado contra a livre expressão e ao fazer literário e artístico. e) vou fazer a minha perna de pau e colocar sebo para a onça não pegar. IT0198 - (Uel) Leia o texto a seguir. O Concretismo teve sua origem no Brasil a partir da I Bienal de São Paulo, em 1951, quando foram premiados artistas brasileiros e estrangeiros que desenvolviam pesquisas orientadas na direção da Arte Concreta. Max Bill recebeu o 1º prêmio de escultura com a famosa Unidade Tripartida, uma escultura em aço inoxidável estruturada no espaço através de uma forma orgânica e dinâmica. Lygia Clark e Hélio Oiticica assumiram radicalmente a ruptura com as linguagens tradicionais, integrando a participação do corpo na constituição da obra, desencadeando o movimento neoconcreto. Lygia Clark explorou a experiência tátil e Oiticica explorou formas e cores no espaço e criou os Ambientes e Parangolés. Adaptado de: RIBEIRO, M. A. Neovanguardas: Belo Horizonte anos 60. Belo Horizonte: Cia das Artes, 1997. p.58-61. Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, as obras de Max Bill, Lygia Clark e Hélio Oiticica. 3@professorferretto @prof_ferretto a) b) c) d) e) IT0088 - (Enem) O humor e a língua Há algum tempo, venho estudando as piadas, com ênfase em sua constituição linguística. Por isso, embora a afirmação a seguir possa parecer surpreendente, creio que posso garantir que se trata de uma verdade quase banal: as piadas fornecem simultaneamente um dos melhores retratos dos valores e problemas de uma sociedade, por um lado, e uma coleção de fatos e dados impressionantes para quem quer saber o que é e como funciona uma língua, por outro. Se se quiser descobrir os problemas com os quais uma sociedade se debate, uma coleção de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade, etnia/raça e outras diferenças, instituições (igreja, escola, casamento, política), morte, tudo isso está sempre presente nas piadas que circulam anonimamente e que são ouvidas e contadas por todo mundo em todo o mundo. Os antropólogos ainda não prestaram a devida atenção a esse material, que poderia substituir com vantagem muitas entrevistas e pesquisas participantes. Saberemos mais a quantas andam o machismo e o 4@professorferretto @prof_ferretto racismo, por exemplo, se pesquisarmos uma coleção de piadas do que qualquer outro corpus. POSSENTI. S. Ciência Hoje, n. 176, out. 2001 (adaptado). A piada é um gênero textual que figura entre os mais recorrentes na cultura brasileira, sobretudo na tradição oral. Nessa reflexão, a piada é enfatizada por a) sua função humorística. b) sua ocorrência universal. c) sua diversidade temática. d) seu papel como veículo de preconceitos. e) seu potencial como objeto de investigação. L0049 - (Enem) No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo. “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.” (ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson,1957.) A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao romantismo está transcrita na alternativa: a) “… o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas …” b) “… era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça …” c) “Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, …” d) “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos … “ e) “… o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.” IT0060 - (Enem) No texto, os recursos verbais e não verbais empregados têm por objetivo 5@professorferretto @prof_ferretto a) divulgar informações científicas sobre o uso indiscriminado de aparelhos celulares. b) influenciar o leitor a mudar atitudes e hábitos considerados prejudiciais às crianças. c) relacionar o uso da tecnologia aos efeitos decorrentes da falta de exercícios físicos. d) indicar medidas eficazes para desestimular utilização de telefones pelo público infantil. e) sugerir aos pais e responsáveis a substituição de dispositivos móveis por atividades lúdicas. IT0131 - (Enem) Eu sobrevivi do nada, do nada Eu não existia Não tinha uma existência Não tinha uma matéria Comecei existir com quinhentos milhões e quinhentos mil anos Logo de uma vez, já velha Eu não nasci criança, nasci já velha Depois é que eu virei criança E agora continuei velha Me transformei novamente numa velha Voltei ao que eu era, uma velha PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org.). Reino dos bichos e dos animais é meu nome. Rio de Janeiro: Azougue, 2009. Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da expressão lírica manifesta-se na a) representação da infância, redimensionada no resgate da memória. b) associação de imagens desconexas, articuladas por uma fala delirante. c) expressão autobiográfica, fundada no relato de experiências de alteridade. d) incorporação de elementos fantásticos, explicitada por versos incoerentes. e) transgressão à razão, ecoada na desconstrução de referências temporais. IT0007 - (Enem) Sinhá Se a dona se banhou Eu não estava lá Por Deus Nosso Senhor Eu não olhei Sinhá Estava lá na roça Sou de olhar ninguém Não tenho mais cobiça Nem enxergo bem Para que me pôr no tronco Para que me aleijar Eu juro a vosmecê Que nunca vi Sinhá […] Por que talhar meu corpo Eu não olhei Sinhá Para que que vosmincê Meus olhos vai furar Eu choro em iorubá Mas oro por Jesus Para que que vassuncê Me tira a luz. CHICO BUAROUE; JOÃO BOSCO. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2011 (fragmento). No fragmento da letra da canção, o vocabulário empregadoe a situação retratada são relevantes para o patrimônio linguístico e identitário do país, na medida em que a) remetem à violência física e simbólica contra os povos escravizados. b) valorizam as influências da cultura africana sobre a música nacional. c) relativizam o sincretismo constitutivo das práticas religiosas brasileiras. d) narram os infortúnios da relação amorosa entre membros de classes sociais diferentes. e) problematizam as diferentes visões de mundo na sociedade durante o período colonial. GR0123 - (Uems) Infinito Particular 1 - Eis o melhor e o pior de mim O meu termômetro, o meu quilate Vem, cara, me retrate Não é impossível 5 - Eu não sou difícil de ler Faça sua parte Eu sou daqui e não sou de Marte Vem, cara, me repara Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim 10 - Só não se perca ao entrar No meu infinito particular Em alguns instantes Sou pequenina e também gigante Vem, cara, se declara 15 - O mundo é portátil Pra quem não tem nada a esconder Olha minha cara É só mistério, não tem segredo 6@professorferretto @prof_ferretto Vem cá, não tenha medo 20 - A água é potável Daqui você pode beber Só não se perca ao entrar No meu infinito particular Assinale a alternativa em que ocorrem simultaneamente uma colocação pronominal e um vocábulo inaceitáveis do ponto de vista do padrão gramatical culto: a) Eis o melhor e o pior de mim. b) Faça sua parte. c) Só não se perca ao entrar. d) Eu sou daqui e não sou de Marte. e) Vem, cara, me retrate. IT0135 - (Enem) Contranarciso em mim eu vejo o outro e outro e outro enfim dezenas trens passando vagões cheios de gente centenas o outro que há em mim é você você e você assim como eu estou em você eu estou nele em nós e só quando estamos em nós estamos em paz mesmo que estejamos a sós LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras. 2013. A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No poema, essa nova dimensão revela a a) ausência de traços identitários. b) angústia com a solidão em público. c) valorização da descoberta do “eu” autêntico. d) percepção da empatia como fator de autoconhecimento. e) impossibilidade de vivenciar experiências de pertencimento. L0119 - (Fgvrj) Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco. Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. Ao configurar as Memórias póstumas de Brás Cubas como narrativa em primeira pessoa, conforme se verifica no trecho, Machado de Assis a) deu um passo decisivo em direção ao Realismo, adotando os procedimentos mais típicos dessa escola. b) visa a criticar o subjetivismo romântico e os excessos sentimentalistas em que este incorrera. c) deu a palavra ao proprietário escravista e rentista brasileiro do Oitocentos, para que ele próprio exibisse sua desfaçatez. d) parodia as Memórias de um sargento de milícias, retomando o registro narrativo que as caracterizava. e) confere confiabilidade aos juízos do narrador, uma vez que este conhece os acontecimentos de que participou. IT0153 - (Enem) Expostos na web desde a gravidez Mais da metade das mães e um terço dos pais ouvidos em uma pesquisa sobre compartilhamento paterno em mídias sociais discutem nas redes sociais sobre a educação dos filhos. Muitos são pais e mães de primeira viagem, frutos da geração Y (que nasceu junto com a 7@professorferretto @prof_ferretto internet) e usam esses canais para saberem que não estão sozinhos na empreitada de educar uma criança. Há, contudo, um risco no modo como as pessoas estão compartilhando essas experiências. É a chamada exposição parental exagerada, alertam os pesquisadores. De acordo com os especialistas no assunto, se você compartilha uma foto ou vídeo do seu filho pequeno fazendo algo ridículo, por achar engraçadinho, quando a criança tiver seus 11, 12 anos, pode se sentir constrangida. A autoconsciência vem com a idade. A exibição da privacidade dos filhos começa a assumir uma característica de linha do tempo e eles não participaram da aprovação ou recusa quanto à veiculação desses conteúdos. Assim, quando a criança cresce, sua privacidade pode já estar violada. OTONI, A. C. O Globo, 31 mar. 2015 (adaptado). Sobre o compartilhamento parental excessivo em mídias sociais, o texto destaca como impacto o(a) a) interferência das novas tecnologias na comunicação entre pais e filhos. b) desatenção dos pais em relação ao comportamento dos filhos na internet. c) distanciamento na relação entre pais e filhos é provocado pelo uso das redes sociais. d) fortalecimento das redes de relações decorrente da troca de experiências entre as famílias. e) desrespeito à intimidade das crianças cujas imagens têm sido divulgadas nas redes sociais. GR0237 - (Fmabc) Leia o trecho do livro O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser. Durante toda a história da humanidade, a passagem do tempo sempre foi vista com um misto de fascínio e terror. Como todos os seres vivos, nós nascemos, atingimos a maturidade, procriamos e morremos. Mas, aparentemente, apenas nós temos consciência de nossa mortalidade. Essa consciência é uma bênção e uma maldição. Na tentativa de produzir um legado que, esperamos, sobreviva à nossa curta vida, nós criamos obras de arte e teorias, temos filhos e ajudamos aqueles que sofrem necessidades. No entanto, indiferente às nossas criações e paixões, a morte continua a causar desespero, lágrimas e gritos contra a injustiça, comprovando nossa derrota final diante da onipotência da Natureza em criar e destruir. Para aliviar o medo da morte e a dor de perder uma pessoa amada, as religiões do Leste e do Oeste transformaram o fim da vida em um evento que vai muito além da mera incapacidade de um corpo continuar a funcionar. Algumas designam a vida e a morte como etapas igualmente importantes de um eterno ciclo de existência, enquanto outras prometem a vida eterna no Paraíso para aqueles que seguirem seus preceitos. (O fim da Terra e do Céu, 2011.) "Para aliviar o medo da morte e a dor de perder uma pessoa amada, as religiões do Leste e do Oeste transformaram o fim da vida em um evento que vai muito além da mera incapacidade de um corpo continuar a funcionar." No contexto em que se insere, o trecho sublinhado expressa ideia de a) consequência. b) concessão. c) proporção. d) causa. e) finalidade. IT0072 - (Enem) 8@professorferretto @prof_ferretto Nesse texto, busca-se convencer o leitor a mudar seu comportamento por meio da associação de verbos no modo imperativo à a) indicação de diversos canais de atendimento. b) divulgação do Centro de Defesa da Mulher. c) informação sobre a duração da campanha. d) apresentação dos diversos apoiadores. e) utilização da imagem das três mulheres. IT0155 - (Enem) A rede é, antes de tudo, um instrumento de comunicação entre pessoas, um laço virtual em que as comunidades auxiliam seus membros a aprender o que querem saber. Os dados não representam senão a matéria-prima de um processo intelectual e social vivo, altamente elaborado. Enfim, toda inteligência coletiva do mundo jamais dispensará a inteligência pessoal, o esforço individual e o tempo necessário para aprender, pesquisar, avaliare integrar-se a diversas comunidades, sejam elas virtuais ou não. A rede jamais pensará em seu lugar, fique tranquilo. LÉVY, P. A máquina universo: criação, cognição e cultura informática. Porto Alegre: Artmed, 1998. No contexto das novas tecnologias de informação e comunicação, a circulação de saberes depende da a) otimização do tempo. b) confiabilidade dos sites. c) contribuição dos usuários. d) quantidade de informação. e) colaboração de intelectuais. IT0201 - (Enem) A instalação Dengo transformou a sala do MAM-SP em um ambiente singular, explorando como principal característica artística a a) participação do público na interação lúdica com a obra. b) distribuição de obstáculos no espaço da exposição. c) representação simbólica de objetos oníricos. d) interpretação subjetiva da lei da gravidade. e) valorização de técnicas de artesanato. IT0018 - (Enem) De domingo –– Outrossim... –– O quê? –– O que o quê? –– O que você disse. 9@professorferretto @prof_ferretto –– Outrossim? –– É. –– O que é que tem? –– Nada. Só achei engraçado. –– Não vejo a graça. –– Você vai concordar que não é uma palavra de todos os dias. –– Ah, não é. Aliás, eu só uso domingo. –– Se bem que parece mais uma palavra de segunda- feira. –– Não. Palavra de segunda-feira é “óbice”. –– “Ônus”. –– “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”. –– “Resquício” é de domingo. –– Não, não. Segunda. No máximo terça. –– Mas “outrossim”, francamente... –– Qual o problema? –– Retira o “outrossim”. –– Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás é uma palavra difícil de usar. Não é qualquer um que usa “outrossim”. VERISSIMO, L. F. Comédias da vida privada. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento). No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas palavras da língua portuguesa. Esse uso promove o(a) a) marcação temporal, evidenciada pela presença de palavras indicativas dos dias da semana. b) tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de palavras empregadas em contextos formais. c) caracterização da identidade linguística dos interlocutores, percebida pela recorrência de palavras regionais. d) distanciamento entre os interlocutores, provocado pelo emprego de palavras com significados pouco conhecidos. e) inadequação vocabular, demonstrada pela seleção de palavras desconhecidas por parte de um dos interlocutores do diálogo. L0118 - (Famerp) Leia o trecho do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo, para responder à questão a seguir. Junto dela pôs-se a trabalhar a Leocádia, mulher de um ferreiro chamado Bruno, portuguesa pequena e socada, de carnes duras, com uma fama terrível de leviana entre suas vizinhas. Seguia-se a Paula, uma cabocla velha, meio idiota, a quem respeitavam todos pelas virtudes de que só ela dispunha para benzer erisipelas e cortar febres por meio de rezas e feitiçarias. Era extremamente feia, grossa, triste, com olhos desvairados, dentes cortados à navalha, formando ponta, como dentes de cão, cabelos lisos, escorridos e ainda retintos apesar da idade. Chamavam- lhe “Bruxa”. Depois seguiam-se a Marciana e mais a sua filha Florinda. A primeira, mulata antiga, muito séria e asseada em exagero: a sua casa estava sempre úmida das consecutivas lavagens. Em lhe apanhando o mau humor punha-se logo a espanar, a varrer febrilmente, e, quando a raiva era grande, corria a buscar um balde de água e descarregava-o com fúria pelo chão da sala. A filha tinha quinze anos, a pele de um moreno quente, beiços sensuais, bonitos dentes, olhos luxuriosos de macaca. Toda ela estava a pedir homem, mas sustentava ainda a sua virgindade e não cedia, nem à mão de Deus Padre, aos rogos de João Romão, que a desejava apanhar a troco de pequenas concessões na medida e no peso das compras que Florinda fazia diariamente à venda. O cortiço, 2007. Uma relação correta entre o trecho apresentado e o movimento literário em que O cortiço está inserido é: a) a referência cuidadosa e delicada à sexualidade dos personagens é parte de um esforço, típico do Realismo, para apresentar o ser humano em sua totalidade sem sobrecarregar um de seus aspectos. b) a caracterização dos personagens como indivíduos únicos e isolados da coletividade, deixando em segundo plano suas relações sociais, é um traço típico do Naturalismo. c) a preferência dos personagens pela razão e seu desprezo pela fé, em uma estratégia para valorizar a ciência e a objetividade e desvalorizar a religião, são características do Realismo. d) a valorização da vida perto da natureza, com personagens que abrem mão dos métodos e dos objetos frutos da tecnologia para se ligarem à tranquilidade de uma vida sem máquinas, é uma característica do Naturalismo. e) a descrição das características vulgares dos personagens e a frequente associação entre homens e animais, que ajudam a estabelecer uma concepção biológica do mundo, são características do Naturalismo. IT0041 - (Enem) Emagrecer sem exercício? Hormônio aumenta a esperança de perder gordura sem sair do sofá. A solução viria em cápsulas. O sonho dos sedentários ganhou novo aliado. Um estudo publicado na revista científica Nature, em janeiro, sugere que é possível modificar a gordura corporal sem fazer exercício. Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute e da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA, isolaram em laboratório a irisina, hormônio naturalmente 10@professorferretto @prof_ferretto produzido pelas células musculares durante os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida ou pedalada. A substância foi aplicada em ratos e agiu como se eles tivessem se exercitado, inclusive com efeito protetor contra o diabetes. O segredo foi a conversão de gordura branca – aquela que estoca energia inerte e estraga nossa silhueta – em marrom. Mais comum em bebês, e praticamente inexistente em adultos, esse tipo de gordura serve para nos aquecer. E, nesse processo, gasta uma energia tremenda. Como efeito colateral, afinaria nossa silhueta. A expectativa é que, se o hormônio funcionar da mesma forma em humanos, surja em breve um novo medicamento para emagrecer. Mas ele estaria longe de substituir por completo os benefícios da atividade física. “Possivelmente existem muitos outros hormônios musculares liberados durante o exercício e ainda não descobertos”, diz o fisiologista Paul Coen, professor assistente da Universidade de Pittsburgh, nos EUA. A irisina não fortalece os músculos, por exemplo. E para ficar com aquele tríceps de fazer inveja só o levantamento de controle remoto não daria conta. LIMA, F. Galileu. São Paulo, n. 248, mar. 2012 Para convencer o leitor de que o exercício físico é importante, o autor usa a estratégia de divulgar que a) a falta de exercício físico não emagrece e desenvolve doenças. b) se trata de uma forma de transformar a gordura branca em marrom e de emagrecer. c) a irisina é um hormônio que apenas é produzido com o exercício físico. d) o exercício é uma forma de afinar a silhueta por eliminar a gordura branca. e) se produzem outros hormônios e há outros benefícios com o exercício. GR0119 - (Famerp) Leia o trecho do conto “As caridades odiosas”, de Clarice Lispector, para responder à questão. Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos. – Um doce, moça, compre um doce para mim. Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna,dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água. Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino. (A descoberta do mundo, 1999.) “Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete”. A preposição destacada assume valor semântico semelhante ao que se verifica na frase: a) A crítica tem Machado de Assis por um grande autor. b) Há ainda algumas questões por fazer. c) Ficaremos na Europa por cinco dias. d) As tropas cercaram os inimigos por terra e por mar. e) Muitas pessoas vão cedo para casa por medo. IT0023 - (Enem) Azeite de oliva e óleo de linhaça: uma dupla imbatível Rico em gorduras do bem, ela combate a obesidade, dá um chega pra lá no diabete e ainda livra o coração de entraves Ninguém precisa esquentar a cabeça caso não seja possível usar os dois óleos juntinhos, no mesmo dia. Individualmente, o duo também bate um bolão. Segundo um estudo recente do grupo EurOlive, formado por instituições de cinco países europeus, os polifenóis do azeite de oliva ajudam a frear a oxidação do colesterol LDL, considerado perigoso. Quando isso ocorre, reduz-se o risco de placas de gordura na parede dos vasos, a temida aterosclerose - doença por trás de encrencas como o infarto. MANARINI, T. Saúde é vital. n. 347, fev. 2012 (adaptado). Para divulgar conhecimento de natureza científica para um público não especializado, Manarini recorre à associação entre vocabulário formal e vocabulário informal. Altera-se o grau de formalidade do segmento no texto, sem alterar o sentido da informação, com a substituição de 11@professorferretto @prof_ferretto a) “dá um chega pra lá no diabete” por “manda embora o diabete”. b) “esquentar a cabeça” por “quebrar a cabeça”. c) “bate um bolão” por “é um show”. d) “juntinhos” por “misturadinhos”. e) “por trás de encrencas” por “causadora de problemas”. L0193 - (Enem) Texto I Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo. Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23ª ed., 1969, p. 75. Texto II Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que "Vidas Secas" faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes. Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes.In: Teresa. São Paulo: USP, nº 2, 2001, p. 254. No texto II, verifica-se que o autor utiliza a) linguagem predominantemente formal, para problematizar, na composição de "Vidas Secas", a relação entre o escritor e o personagem popular. b) linguagem inovadora, visto que, sem abandonar a linguagem formal, dirige-se diretamente ao leitor. c) linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma história que apresenta o roceiro pobre de forma pitoresca. d) linguagem formal com recursos retóricos próprios do texto literário em prosa, para analisar determinado momento da literatura brasileira. e) linguagem regionalista, para transmitir informações sobre literatura, valendo-se de coloquialismo, para facilitar o entendimento do texto. IT0287 - (Enem) O meu pai era paulista Meu avô, pernambucano O meu bisavô, mineiro Meu tataravô, baiano Vou na estrada há muitos anos Sou um artista brasileiro CHICO BUARQUE. Paratodos. 1993. Disponível em: www.chicobuarque.com.br. Acesso em: 29 jun. 2015 (fragmento). A característica familiar descrita deriva do seguinte aspecto demográfico: a) Migração interna. b) População relativa. c) Expectativa de vida. d) Taxa de mortalidade. e) Índice de fecundidade. IT0032 - (Enem) Futebol: “A rebeldia é que muda o mundo” Conheça a história de Afonsinho, o primeiro jogador do futebol brasileiro a derrotar a cartolagem e a conquistar o Passe Livre, há exatos 40 anos Pelé estava se aposentando pra valer pela primeira vez, então com a camisa do Santos (porque depois voltaria a atuar pelo New York Cosmos, dos Estados Unidos), em 1972, quando foi questionado se, finalmente, sentia-se um homem livre. O Rei respondeu sem titubear: — Homem livre no futebol só conheço um: o Afonsinho. Este sim pode dizer, usando as suas palavras, que deu o grito de independência ou morte. Ninguém mais. O resto é conversa. 12@professorferretto @prof_ferretto Apesar de suas declarações serem motivo de chacota por parte da mídia futebolística e até dos torcedores brasileiros, o Atleta do Século acertou. E provavelmente acertaria novamente hoje. Pela admiração por um de seus colegas de clube daquele ano. Pelo reconhecimento do caráter e personalidade de um dos jogadores mais contestadores do futebol nacional. E principalmente em razão da história de luta — e vitória — de Afonsinho sobre os cartolas. ANDREUCCI, R. Disponível em: http://carosamigos.terra.com.br. Acesso em: 19 ago. 2011. O autor utiliza marcas linguísticas que dão ao texto um caráter informal. Uma dessas marcas é identificada em: a) “[...] o Atleta do Século acertou.” b) “O Rei respondeu sem titubear [...]”. c) “E provavelmente acertaria novamente hoje.” d) “Pelé estava se aposentando pra valer pela primeira vez [...]”. e) “Pela admiração por um de seus colegas de clube daquele ano.” L0225 - (Puccamp) Tiradentes era alguém com todas as características e ressentimentos de um revolucionário. Além do mais, ele se apresentava para o martírio ao proclamar sua responsabilidade exclusiva pela inconfidência. Era óbvia a sedução que o enforcamento do alferes representava para o governo português: pouca gente levaria a sério um movimento chefiado por um simples Tiradentes (e as autoridades lusas, depois de outubro de 1790, invariavelmente se referiam ao alferes por seu apelido de Tiradentes). MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa. A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750-1808. São Paulo: Paz e Terra, 1995, p. 216. A poesia arcádica, frequentada ao tempo de Tiradentes, foi lembrada com ênfase e vigor, a par das ideias revoltosas da época, num grande poema do século XX, a) misto de lirismo e de épica histórica, composto por Cecília Meireles. b) em tom de solene nacionalismo, fruto de parceria entre Mário de Andrade e Cassiano Ricardo. c) já em linguagem de vanguarda, por Haroldo de Campos e Augusto de Campos. d) montado em estrutura teatral, pelo poeta maranhense Ferreira Gullar. e) a que não falta um tom de tragédia, concebido como épica moderna por Manuel Bandeira. IT0071 - (Enem) Nessa campanha, a principal estratégia para convencer o leitor a fazer a reciclagem do lixo é a utilização da linguagem não verbal como argumento para a) reaproveitamento de material. b) facilidade na separação do lixo. c) melhoriada condição do catador. d) preservação de recursos naturais. e) geração de renda para o trabalhor. L0232 - (Famerp) 13@professorferretto @prof_ferretto Leia os versos de Manoel de Barros. Escrever nem uma coisa Nem outra – A fim de dizer todas – Ou, pelo menos, nenhumas. Assim, Ao poeta faz bem Desexplicar – Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes. (Poesia completa, 2013.) Tanto na forma quanto no conteúdo, o poema a) descreve uma maneira de fazer poesia que consiste em criar um enigma, a ser resolvido pelo leitor, que revelará o significado do poema. b) prescreve uma escrita que consiste em subtrair das palavras seu sentido rígido usual, fazendo aparecer nelas significados inusitados. c) defende que a poesia deve ser construída com elementos bem encadeados da realidade, de modo a formular uma crítica social fundamentada. d) critica a poesia espontânea e ingênua que não se preocupa em utilizar corretamente os elementos da linguagem prescritos pela gramática. e) argumenta em favor de uma poesia libertária, que expresse os estados de espírito mais extremos do ser humano. L0050 - (Mackenzie) A natureza, nessa estrofe: “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco, Já solta o bogari mais doce aroma! Como prece de amor, como estas preces, No silêncio da noite o bosque exala.” Gonçalves Dias Obs.: tamarindo = árvore frutífera; o fruto dessa mesma planta bogari = arbusto de flores brancas a) é concebida como uma força indomável que submete o eu lírico a uma experiência erótica instintiva. b) expressa sentimentos amorosos. c) é representada por divindade mítica da tradição clássica. d) funciona apenas como um quadro cenográfico para o idílio amoroso. e) é recriada objetivamente, com base em elementos da fauna e da flora nacionais. IT0163 - (Enem) O consumidor do século XXI, chamado de novo consumidor social, tende a se comportar de modo diferente do consumidor tradicional. Pela associação das características apresentadas no diagrama, infere-se que esse novo consumidor sofre influência da a) cultura do comércio eletrônico. b) busca constante pelo menor preço. c) divulgação de informações pelas empresas. d) necessidade recorrente de consumo. e) postura comum aos consumidores tradicionais. IT0017 - (Enem) TEXTO I Terezinha de Jesus De uma queda foi ao chão Acudiu três cavalheiros Todos os três de chapéu na mão O primeiro foi seu pai O segundo, seu irmão O terceiro foi aquele A quem Tereza deu a mão BATISTA, M. F. B. M.; SANTOS, I. M. F. (Org.). Cancioneiro da Paraíba. João Pessoa: Grafset, 1993 (adaptado). TEXTO II 14@professorferretto @prof_ferretto Outra interpretação é feita e partir das condições sociais daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem cantava a cantiga, e música falava do casamento como um destino natural na vida da mulher, na sociedade brasileira do século XIX, marcada pelo patriarcalismo. A música prepara a moça para o seu destino não apenas inexorável, mas desejável; o casamento, estabelecendo uma hierarquia de obediência (pai, irmão mais velho, marido), de acordo com a época e circunstâncias de sua vida. Disponível em: http://provsjose.blogspot.com.br. Acesso em: 5 dez. 2012. O comentário do Texto II sobre o Texto I evoca a mobilização da língua oral que, em determinados contextos, a) assegura existência de pensamentos contrários à ordem vigente. b) mantém a heterogeneidade das formas de relações sociais. c) conserva a influência sobre certas culturas. d) preserva a diversidade cultural e comportamental. e) reforça comportamentos e padrões culturais. IT0029 - (Enem) Censura moralista Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura. LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 2 dez. 2013 (fragmento). Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou escritos, posicionam-se frente a assuntos que geram consenso ou despertam polêmica. No texto, a autora a) ressalta a importância de os professores incentivarem os jovens às práticas de leitura. b) critica pesquisas tradicionais que atribuem a falta de leitura à precariedade de bibliotecas. c) rebate a ideia de que as políticas educacionais são eficazes no combate à crise de leitura. d) questiona a existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas. e) atribui a crise da leitura à falta de incentivos e ao desinteresse dos jovens por livros de qualidade. L0115 - (Fuvest) I. Cinquenta anos! Não era preciso confessá-lo. Já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto* como nos primeiros dias. Naquela ocasião, cessado o diálogo com o oficial da marinha, que enfiou a capa e saiu, confesso que fiquei um pouco triste. Voltei à sala, lembrou-me dançar uma polca, embriagar-me das luzes, das flores, dos cristais, dos olhos bonitos, e do burburinho surdo e ligeiro das conversas particulares. E não me arrependo; remocei. Mas, meia hora depois, quando me retirei do baile, às quatro da manhã, o que é que fui achar no fundo do carro? Os meus cinquenta anos. *ágil II. Meu caro crítico, Algumas páginas atrás, dizendo eu que tinha cinquenta anos, acrescentei: “Já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto como nos primeiros dias”. Talvez aches esta frase incompreensível, sabendo-se o meu atual estado; mas eu chamo a tua atenção para a sutileza daquele pensamento. O que eu quero dizer não é que esteja agora mais velho do que quando comecei o livro. A morte não envelhece. Quero dizer, sim, que em cada fase da narração da minha vida experimento a sensação correspondente. Valha-me Deus! É preciso explicar tudo. Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas. A passagem final do texto II – “Valha-me Deus! é preciso explicar tudo.” – denota um elemento presente no estilo do romance, ou seja, a) o realismo, visto no rigor explicativo dos fatos. b) a religiosidade, que se socorre do auxílio divino. c) o humor, capaz de relativizar as ideias. d) a metalinguagem, que imprime linearidade à narração. e) a ironia, própria do discurso positivo. GR0114 - (Fgv) 15@professorferretto @prof_ferretto Vários estudos têm alertado que tanto a população da Terra quanto os níveis de consumo crescem mais rapidamente do que a capacidade de regeneração dos sistemas naturais. Um dos mais recentes, o relatório Planeta Vivo elaborado pela ONG internacional WWF, estima que atualmente três quartos da população mundial vivem em países que consomem mais recursos do que conseguem repor. Só Estados Unidos e China consomem, cada um, 21% dos recursos naturais do planeta. Até 1960, a maior parte dos países vivia dentro de seus limites ecológicos. Em poucas décadas do atual modelo de produção e consumo, a humanidade exauriu 60% da água disponível e dizimou um terço das espécies vivas do planeta. "O argumento de que o crescimento econômico é a solução já não basta. Não há recursos naturais para suportar o crescimento constante. A Terra é finita e a economia clássica sempre ignorou essa verdade elementar", afirma o ecoeconomista Hugo Penteado. Ele não está sozinho. A urgência dos problemas ambientais e suas implicações para a economia das nações têm sido terreno fértil para o desenvolvimento da ecoeconomia, ou economia ecológica, que não é exatamente nova. Seus principais expoentes começaram a surgir na década de 1960. Hoje, estão paulatinamente ganhando projeção graças à visibilidade que o tema sustentabilidadeconquistou. Para essa escola, as novas métricas para medir o crescimento não bastam, embora sejam bem-vindas em um processo de transição. Para a ecoeconomia, é preciso parar de crescer em níveis exponenciais e reproduzir – ou "biomimetizar" – os ciclos da natureza: para ser sustentável, a economia deve caminhar para ser cada vez mais parecida com os processos naturais. "A economia baseada no mecanicismo não oferece mais respostas. É preciso encontrar um novo modelo, que dê respostas a questões como geração de empregos, desenvolvimento com qualidade e até mesmo uma desmaterialização do sistema. Vender serviços, não apenas produtos, e também produzir em ciclos fechados, sem desperdício", afirma o professor Paulo Durval Branco, da Escola Superior de Conservação Ambiental. De acordo com ele, embora as empresas venham repetindo a palavra sustentabilidade como um mantra, são pouquíssimas as que fizeram mudanças efetivas em seus modelos de negócio. O desperdício de matérias-primas, o estímulo ao consumismo e a obsolescência programada (bens fabricados com data certa para serem substituídos) ainda ditam as regras. (Texto adaptado do artigo de Andrea Vialli. O Estado de S. Paulo, H4 Especial, Vida &Sustentabilidade, 15 de maio de 2009) O mesmo tipo de conjunção que substitui os dois pontos em - E, apesar das promessas de que o crescimento do PIB reduziria a pobreza, as desigualdades econômicas se mantêm: a cada US$ 160 milhões produzidos no mundo, só US$ 0,60 chega efetivamente aos mais pobres. - pode ser aplicado em: a) Os ecoeconomistas só alimentam um propósito: poupar os recursos ambientais. b) Hugo Penteado disse: “a Terra é finita e a economia clássica sempre ignorou essa verdade elementar”. c) Os ecoeconomistas apontam os vícios das empresas: o desperdício de matérias-primas, o estímulo ao consumismo e a obsolescência programada. d) A ecoeconomia não é exatamente nova: seus princípios exponenciais começaram a surgir na década de 70. e) Paulo Durval Branco foi enfático ao afirmar: “as empresas vêm repetindo a palavra sustentabilidade como um mantra.” IT0084 - (Enem) A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. A vida ao redor é a pseudorrealidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto – e raro – de crítica e público. Disponível em: www.odevoradordelivros.com. Acesso em: 24 jun. 2014. Os gêneros textuais podem ser caracterizados, dentre outros fatores, por seus objetivos. Esse fragmento é um(a) 16@professorferretto @prof_ferretto a) reportagem, pois busca convencer o interlocutor da tese defendida ao longo do texto. b) resumo, pois promove o contato rápido do leitor com uma informação desconhecida. c) sinopse, pois sintetiza as informações relevantes de uma obra de modo impessoal. d) instrução, pois ensina algo por meio de explicações sobre uma obra específica. e) resenha, pois apresenta uma produção intelectual de forma crítica. IT0070 - (Enem) A internet proporcionou o surgimento de novos paradigmas sociais e impulsionou a modificação de outros já estabelecidos nas esferas da comunicação e da informação. A principal consequência criticada na tirinha sobre esse processo é a a) criação de memes. b) ampliação da blogosfera. c) supremacia das ideias cibernéticas. d) comercialização de pontos de vista. e) banalização do comércio eletrônico. L0594 - (Unicamp) Em “Sonhos para adiar o fim do mundo”, o pensador Ailton Krenak conta-nos que um pajé Xavante sonhou que a terra ficaria desolada diante da ação predatória dos homens brancos. Escreve Krenak no livro: “Foi ali que eu atinei que tinha algo na perspectiva dos povos indígenas, em nosso jeito de observar e pensar, que poderia abrir uma fresta de entendimento nesse entorno que é o mundo do conhecimento. Naquele tempo eu comecei a visitar as florestas (...) e, por todos os lados, os pajés diziam: ‘vocês precisam tomar cuidado porque o mundo dos brancos está invadindo a nossa existência.’ Invadindo.”. (KRENAK, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, p. 35-36, 2020.) No trecho, as preocupações dos pajés evocam a) o trauma de variados povos indígenas das florestas, decorrente das frestas de entendimento sobre o passado colonial extrativista. b) a adoção da diversidade de perspectivas, embora os homens brancos reconheçam a falibilidade do sistema de dominação presente. c) a diferença de perspectivas na relação homem- natureza, com a valorização da busca de um conhecimento não predatório. d) a resistência indígena a partir do sonho de que os homens brancos deixem de ameaçar a existência dos povos originários. 17@professorferretto @prof_ferretto