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Simulado de Linguagens
IT0286 - (Enem)
O progresso
 
Eu queria não ver todo o verde da terra morrendo
E das águas dos rios os peixes desaparecendo
Eu queria gritar que esse tal de ouro negro
Não passa de um negro veneno
E sabemos que por tudo isso vivemos bem menos.
ROBERTO CARLOS; ERASMO CARLOS. Roberto Carlos. Rio
de Janeiro: CBS, 1976 (fragmento).
 
O trecho da letra da canção avalia o uso de combustíveis
fósseis com base em sua potencial contribuição para
aumentar o(a) 
a) base da pirâmide etária. 
b) alcance da fronteira de recursos. 
c) degradação da qualidade de vida. 
d) sustentabilidade da matriz energética. 
e) exploração do trabalho humano. 
GR0078 - (Espm)
Os fenômenos da linguagem examinavam-se
outrora apenas à luz da gramática e da lógica, e já era
muito se a análise reconhecia como palavras expletivas
ou de realce os termos sobejantes 1unidos à oração ou
nela encravados.
Hoje que a ciência da linguagem investiga os
fatos sem deixar-se pear 2por antigos preconceitos, já
não podemos levar essas expressões à conta das
superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decorativo,
o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no
discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante
justamente no falar desataviado de
todos os dias.
Uma coisa é dirigirmo-nos à coletividade, a
pessoas desconhecidas, de condições diversas, e que nos
ouvem caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto,
falar e ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em
atenção a essa pessoa que está diante de nós, para que
fique sempre bem impressionada com as nossas palavras.
(Said Ali, Meios de Expressão e Alterações Semânticas,
RJ)
 
1 sobejantes: demasiados, excessivos, de sobras.
2 pear: prender.
 
No segundo parágrafo, no segmento: ...nem ainda
atribuir-lhes papel decorativo..., o pronome pessoal
oblíquo “lhes” tem como referência no texto:
a) essas expressões
b) palavras expletivas
c) os fatos
d) antigos preconceitos
e) superfluidades
L0234 - (Ufsm)
Os versos destacados a seguir fazem parte de “Uma
didática da invenção” (1993), poema de Manoel de
Barros.
 
No tratado das grandezas do ínfimo estava escrito:
 
Poesia é quando a tarde está competente para dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
[...]
Poesia é voar fora da asa.
 
A partir do último verso, pode-se concluir que a poesia 
a) aliena o leitor, ensina-o a fugir do real. 
b) está relacionada com a grandiosidade, o inatingível, o
que revela a impossibilidade de o leitor compreendê-
la. 
c) fornece ao leitor lições de resistência, ideia reforçada
pela imagem do pardal. 
d) revela ao leitor a grandiosidade, uma dimensão que
transborda o cotidiano. 
e) está ligada ao sentimento de impotência, se for
considerada a impossibilidade de a palavra poética
direcionar o leitor para além do cotidiano. 
IT0085 - (Enem)
Aí pelas três da tarde
 
1@professorferretto @prof_ferretto
Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde
invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do
mundo, aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e
do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre
problemas que afligem o homem moderno (espécie da
qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um
tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a
sua volta, componha uma cara de louco quieto e
perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais
escribas mais severos, dê um largo “ciao” ao trabalho do
dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda
pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita,
os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos
armários, que você não sabia antes como era conduzida.
Convém não responder aos olhares interrogativos,
deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que
se instala. Mas não exagere na medida e suba sem
demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos
sapatos, tirando a roupa do corpo como e retirasse a
importância das coisas, pondo-se enfim em vestes
mínimas, quem sabe até em pelo, mas sem ferir o decoro
(o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo,
como boa verdade provisória, toda mudança de
comportamento.
NASSAR, R. Menina a caminho. São Paulo: Cia. das Letras.
1997.
 
Em textos de diferentes gêneros, algumas estratégias
argumentativas referem-se a recursos linguístico-
discursivos mobilizados para envolver o leitor. No texto,
caracteriza-se como estratégia de envolvimento a 
a) prescrição de comportamentos, como em: “[...] largue
tudo de repente sob os olhares a sua volta [...]”. 
b) apresentação de contraposição, como em: “Mas não
exagere na medida e suba sem demora ao quarto
[...]”. 
c) explicitação do interlocutor, como em: “[...] (espécie
da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta
um tanto excluído) [...]”. 
d) descrição do espaço, como em: “Nesta sala atulhada
de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis
escreventes dividiram entre si o bom-senso do mundo
[...]”. 
e) construção de comparações, como em: “[...]
libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a
roupa do corpo como se retirasse a importância das
coisas [...]”. 
IT0165 - (Enem)
O hoax, como é chamado qualquer boato ou farsa na
internet, pode espalhar vírus entre os seus contatos.
Falsos sorteios de celulares ou frases que Clarice
Lispector nunca disse são exemplos de hoax. Trata-se de
boatos recebidos por e-mail ou compartilhados em redes
sociais. Em geral, são mensagens dramáticas ou
alarmantes que acompanham imagens chocantes, falam
de crianças doentes ou avisam sobre falsos vírus. O
objetivo de quem cria esse tipo de mensagem pode ser
apenas se divertir com a brincadeira (de mau gosto),
prejudicar a imagem de uma empresa ou espalhar uma
ideologia política.
Se o hoax for do tipo phishing (derivado de fishing,
pescaria, em inglês) o problema pode ser mais grave: o
usuário que clicar pode ter seus dados pessoais ou
bancários roubados por golpistas. Por isso é tão
importante ficar atento.
VIMERCATE, N. Disponível em: www.techtudo.com.br.
Acesso em: 1 maio 2013 (adaptado).
 
Ao discorrer sobre os hoaxes, o texto sugere ao leitor,
como estratégia para evitar essa ameaça,
a) recusar convites de jogos e brincadeiras feitos pela
internet.
b) analisar a linguagem utilizada nas mensagens
recebidas.
c) classificar os contatos presentes em suas redes sociais.
d) utilizar programas que identifiquem falsos vírus.
e) desprezar mensagens que causem comoção.
L0144 - (Uepa)
Texto I
 
MEC quer rever veto a livro de Monteiro Lobato
 
O ministro da Educação, Fernando Haddad, pedirá que
(sic) o CNE (Conselho Nacional de Educação) reveja o
parecer que recomendou restrições à distribuição do
livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, em
escolas públicas. O Conselho de Educação quer vetar livro
de Monteiro Lobato em escolas.
Como revelou a Folha, o conselho sugeriu que a obra não
seja distribuída pelo governo ou, caso isso seja feito, que
contenha uma “nota explicativa”, devido a um suposto
teor racista.
Haddad disse ter recebido diversas reclamações de
educadores e especialistas contra a decisão do CNE.
“Foram muitas manifestações para que o MEC afaste
qualquer hipótese de censura a qualquer obra”, afirmou.
Ele disse não ver racismo na obra, mas ainda assim não
descartou o contexto em que determinada obra foi
escrita quando isso for considerado necessário. Para o
ministro, qualquer que seja a decisão do CNE, ela deverá
valer para todos os livros e não para apenas um
específico.
(PINHO, Angela. In:
http://www.substantivoplural.com.br/monteiro-lobato-e-
2@professorferretto @prof_ferretto
a-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em
09/09/2011)
 
Texto II
 
Monteiro Lobato e a proibição da “Caçada de Pedrinho”
 
Meus amigos e amigas,
Estou muito preocupado com essa proibição ao livro
“Caçadas de Pedrinho”, escrito por Monteiro Lobato em
1933. Estou aqui com as obras completas do Lobato e já
consultei o seu grande biógrafo Edgard Cavalheiro e não
vejo razão para essa proibição. Aprendi a gostar de ler
com Monteiro Lobato. Li o D. Quixote dasCrianças do
Lobato e nunca mais deixei de ler a grande obra prima de
Cervantes. Vasculhei o céu com Lobato numa “Viagem ao
Céu”. Li sobre o explorador Hans Staden e me encantei
com Os Doze Trabalhos de Hércules recontado por esse
grande escritor e editor.
Monteiro Lobato reinventou o Brasil. Em alguns aspectos
inventou-o. Foi um grande nacionalista e lutou pelo
nosso petróleo e recursos minerais. Foi um grande editor
quando no Brasil quase não havia editoras. Um grande
tradutor que lutou incansavelmente pelo Brasil. As
Aventuras do Picapau Amarelo foram transportadas para
a televisão e ainda hoje encantam gerações de todas as
idades. 
Com relação à obra proibida “Caçadas do Pedrinho”, e a
justificativa das palavras preconceituosas e estereotipas
“trepar” e “negra”, que não ajudariam na educação com
base “nos estudos atuais e críticos que discutem a
presença de estereótipos raciais na literatura“ acho a
justificativa sem propósito e um grave atentado contra a
livre expressão e ao fazer literário e artístico.
Por isso mesmo meus protestos contra essa agressão a
um dos mais criativos e nacionalistas escritores do Brasil.
Urubu é negro, macaco trepa; assim como tem gente
negra e que trepa. Não vejo razão para colocar a obra
num índex proibitivo. E são negros os olhos da minha
amada. Cacemos Pedrinho! Vou fazer a minha perna de
pau e colocar sebo para a onça não pegar.
(MATA, João da. In:
http://www.substantivoplural.com.br/monteiro-lobato-
ea-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em
09/09/2011)
 
No Texto II, a frase que revela uma opinião do autor
sobre a proibição do livro de Monteiro Lobato “Caçadas
de Pedrinho" é: 
a) estou muito preocupado com essa proibição ao livro
“Caçadas de Pedrinho”. 
b) foi um grande nacionalista e lutou pelo nosso petróleo
e recursos minerais. 
c) a noite é negra sem luar e ninguém pode mudar a
natureza. 
d) um grave atentado contra a livre expressão e ao fazer
literário e artístico. 
e) vou fazer a minha perna de pau e colocar sebo para a
onça não pegar. 
IT0198 - (Uel)
Leia o texto a seguir.
O Concretismo teve sua origem no Brasil a partir da I
Bienal de São Paulo, em 1951, quando foram premiados
artistas brasileiros e estrangeiros que desenvolviam
pesquisas orientadas na direção da Arte Concreta. Max
Bill recebeu o 1º prêmio de escultura com a
famosa Unidade Tripartida, uma escultura em aço
inoxidável estruturada no espaço através de uma forma
orgânica e dinâmica. Lygia Clark e Hélio Oiticica
assumiram radicalmente a ruptura com as linguagens
tradicionais, integrando a participação do corpo na
constituição da obra, desencadeando o movimento
neoconcreto. Lygia Clark explorou a experiência tátil e
Oiticica explorou formas e cores no espaço e criou
os Ambientes e Parangolés.
Adaptado de: RIBEIRO, M. A. Neovanguardas: Belo
Horizonte anos 60. Belo Horizonte: Cia das Artes, 1997.
p.58-61.
 
Assinale a alternativa que apresenta, correta e
respectivamente, as obras de Max Bill, Lygia Clark e Hélio
Oiticica.
3@professorferretto @prof_ferretto
a)
b)
c)
d)
e)
IT0088 - (Enem)
O humor e a língua
 
Há algum tempo, venho estudando as piadas, com ênfase
em sua constituição linguística. Por isso, embora a
afirmação a seguir possa parecer surpreendente, creio
que posso garantir que se trata de uma verdade quase
banal: as piadas fornecem simultaneamente um dos
melhores retratos dos valores e problemas de uma
sociedade, por um lado, e uma coleção de fatos e dados
impressionantes para quem quer saber o que é e como
funciona uma língua, por outro. Se se quiser descobrir os
problemas com os quais uma sociedade se debate, uma
coleção de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade,
etnia/raça e outras diferenças, instituições (igreja, escola,
casamento, política), morte, tudo isso está sempre
presente nas piadas que circulam anonimamente e que
são ouvidas e contadas por todo mundo em todo o
mundo. Os antropólogos ainda não prestaram a devida
atenção a esse material, que poderia substituir com
vantagem muitas entrevistas e pesquisas participantes.
Saberemos mais a quantas andam o machismo e o
4@professorferretto @prof_ferretto
racismo, por exemplo, se pesquisarmos uma coleção de
piadas do que qualquer outro corpus.
POSSENTI. S. Ciência Hoje, n. 176, out. 2001 (adaptado).
 
A piada é um gênero textual que figura entre os mais
recorrentes na cultura brasileira, sobretudo na tradição
oral. Nessa reflexão, a piada é enfatizada por 
a) sua função humorística. 
b) sua ocorrência universal. 
c) sua diversidade temática. 
d) seu papel como veículo de preconceitos. 
e) seu potencial como objeto de investigação. 
L0049 - (Enem)
No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a
personagem, critica sutilmente um outro estilo de época:
o Romantismo.
“Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis
anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e,
com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe
coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do
tempo, porque isto não é romance, em que o autor
sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e
espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o
rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca,
saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário
e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os
fins secretos da criação.”
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Rio de Janeiro: Jackson,1957.)
 
A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador
ao romantismo está transcrita na alternativa:
a) “… o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às
sardas e espinhas …”
b) “… era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça …”
c) “Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia
daquele feitiço, precário e eterno, …”
d) “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou
dezesseis anos … “
e) “… o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins
secretos da criação.”
IT0060 - (Enem)
No texto, os recursos verbais e não verbais empregados
têm por objetivo 
5@professorferretto @prof_ferretto
a) divulgar informações científicas sobre o uso
indiscriminado de aparelhos celulares. 
b) influenciar o leitor a mudar atitudes e hábitos
considerados prejudiciais às crianças. 
c) relacionar o uso da tecnologia aos efeitos decorrentes
da falta de exercícios físicos. 
d) indicar medidas eficazes para desestimular utilização
de telefones pelo público infantil. 
e) sugerir aos pais e responsáveis a substituição de
dispositivos móveis por atividades lúdicas.
IT0131 - (Enem)
Eu sobrevivi do nada, do nada
Eu não existia
Não tinha uma existência
Não tinha uma matéria
Comecei existir com quinhentos milhões e quinhentos mil
anos
Logo de uma vez, já velha
Eu não nasci criança, nasci já velha
Depois é que eu virei criança
E agora continuei velha
Me transformei novamente numa velha
Voltei ao que eu era, uma velha
PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org.). Reino dos bichos e
dos animais é meu nome.
Rio de Janeiro: Azougue, 2009.
 
Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da
expressão lírica manifesta-se na 
a) representação da infância, redimensionada no resgate
da memória. 
b) associação de imagens desconexas, articuladas por
uma fala delirante. 
c) expressão autobiográfica, fundada no relato de
experiências de alteridade. 
d) incorporação de elementos fantásticos, explicitada por
versos incoerentes. 
e) transgressão à razão, ecoada na desconstrução de
referências temporais.
IT0007 - (Enem)
Sinhá
 
Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem
 
Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
[…]
Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me tira a luz.
CHICO BUAROUE; JOÃO BOSCO. Chico. Rio de Janeiro:
Biscoito Fino, 2011 (fragmento).
 
No fragmento da letra da canção, o vocabulário
empregadoe a situação retratada são relevantes para o
patrimônio linguístico e identitário do país, na medida
em que 
a) remetem à violência física e simbólica contra os povos
escravizados. 
b) valorizam as influências da cultura africana sobre a
música nacional. 
c) relativizam o sincretismo constitutivo das práticas
religiosas brasileiras. 
d) narram os infortúnios da relação amorosa entre
membros de classes sociais diferentes. 
e) problematizam as diferentes visões de mundo na
sociedade durante o período colonial. 
GR0123 - (Uems)
Infinito Particular
1 - Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
5 - Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
10 - Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
15 - O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
6@professorferretto @prof_ferretto
Vem cá, não tenha medo
20 - A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
 
Assinale a alternativa em que ocorrem simultaneamente
uma colocação pronominal e um vocábulo inaceitáveis do
ponto de vista do padrão gramatical culto:
a) Eis o melhor e o pior de mim.
b) Faça sua parte.
c) Só não se perca ao entrar.
d) Eu sou daqui e não sou de Marte.
e) Vem, cara, me retrate.
IT0135 - (Enem)
Contranarciso
 
em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
 
o outro
que há em mim
é você
você
e você
 
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras.
2013.
 
A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição
literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No
poema, essa nova dimensão revela a 
a) ausência de traços identitários. 
b) angústia com a solidão em público. 
c) valorização da descoberta do “eu” autêntico. 
d) percepção da empatia como fator de
autoconhecimento. 
e) impossibilidade de vivenciar experiências de
pertencimento. 
L0119 - (Fgvrj)
Algum tempo hesitei se devia abrir estas
memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em
primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.
Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas
considerações me levaram a adotar diferente método: a
primeira é que eu não sou propriamente um autor
defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi
outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais
galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua
morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença
radical entre este livro e o Pentateuco.
 Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma
sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela
chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos,
rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos
contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
 
Ao configurar as Memórias póstumas de Brás
Cubas como narrativa em primeira pessoa, conforme se
verifica no trecho, Machado de Assis 
a) deu um passo decisivo em direção ao Realismo,
adotando os procedimentos mais típicos dessa
escola. 
b) visa a criticar o subjetivismo romântico e os excessos
sentimentalistas em que este incorrera. 
c) deu a palavra ao proprietário escravista e rentista
brasileiro do Oitocentos, para que ele próprio exibisse
sua desfaçatez. 
d) parodia as Memórias de um sargento de milícias,
retomando o registro narrativo que as caracterizava. 
e) confere confiabilidade aos juízos do narrador, uma vez
que este conhece os acontecimentos de que
participou. 
IT0153 - (Enem)
Expostos na web desde a gravidez
Mais da metade das mães e um terço dos pais ouvidos
em uma pesquisa sobre compartilhamento paterno em
mídias sociais discutem nas redes sociais sobre a
educação dos filhos. Muitos são pais e mães de primeira
viagem, frutos da geração Y (que nasceu junto com a
7@professorferretto @prof_ferretto
internet) e usam esses canais para saberem que não
estão sozinhos na empreitada de educar uma criança. Há,
contudo, um risco no modo como as pessoas estão
compartilhando essas experiências. É a chamada
exposição parental exagerada, alertam os pesquisadores.
De acordo com os especialistas no assunto, se você
compartilha uma foto ou vídeo do seu filho pequeno
fazendo algo ridículo, por achar engraçadinho, quando a
criança tiver seus 11, 12 anos, pode se sentir
constrangida. A autoconsciência vem com a idade.
A exibição da privacidade dos filhos começa a assumir
uma característica de linha do tempo e eles não
participaram da aprovação ou recusa quanto à veiculação
desses conteúdos. Assim, quando a criança cresce, sua
privacidade pode já estar violada.
OTONI, A. C. O Globo, 31 mar. 2015 (adaptado).
 
Sobre o compartilhamento parental excessivo em mídias
sociais, o texto destaca como impacto o(a)
a) interferência das novas tecnologias na comunicação
entre pais e filhos.
b) desatenção dos pais em relação ao comportamento
dos filhos na internet.
c) distanciamento na relação entre pais e filhos é
provocado pelo uso das redes sociais.
d) fortalecimento das redes de relações decorrente da
troca de experiências entre as famílias.
e) desrespeito à intimidade das crianças cujas imagens
têm sido divulgadas nas redes sociais.
GR0237 - (Fmabc)
Leia o trecho do livro O fim da Terra e do Céu, de Marcelo
Gleiser.
 Durante toda a história da humanidade, a passagem
do tempo sempre foi vista com um misto de fascínio e
terror. Como todos os seres vivos, nós nascemos,
atingimos a maturidade, procriamos e morremos. Mas,
aparentemente, apenas nós temos consciência de nossa
mortalidade. Essa consciência é uma bênção e uma
maldição. Na tentativa de produzir um legado que,
esperamos, sobreviva à nossa curta vida, nós criamos
obras de arte e teorias, temos filhos e ajudamos aqueles
que sofrem necessidades. No entanto, indiferente às
nossas criações e paixões, a morte continua a causar
desespero, lágrimas e gritos contra a injustiça,
comprovando nossa derrota final diante da onipotência
da Natureza em criar e destruir. Para aliviar o medo da
morte e a dor de perder uma pessoa amada, as religiões
do Leste e do Oeste transformaram o fim da vida em um
evento que vai muito além da mera incapacidade de um
corpo continuar a funcionar. Algumas designam a vida e a
morte como etapas igualmente importantes de um
eterno ciclo de existência, enquanto outras prometem a
vida eterna no Paraíso para aqueles que seguirem seus
preceitos.
(O fim da Terra e do Céu, 2011.)
 
"Para aliviar o medo da morte e a dor de perder uma
pessoa amada, as religiões do Leste e do Oeste
transformaram o fim da vida em um evento que vai
muito além da mera incapacidade de um corpo continuar
a funcionar."
No contexto em que se insere, o trecho sublinhado
expressa ideia de
a) consequência.
b) concessão.
c) proporção.
d) causa.
e) finalidade.
IT0072 - (Enem)
8@professorferretto @prof_ferretto
 
Nesse texto, busca-se convencer o leitor a mudar seu
comportamento por meio da associação de verbos no
modo imperativo à 
a) indicação de diversos canais de atendimento. 
b) divulgação do Centro de Defesa da Mulher. 
c) informação sobre a duração da campanha. 
d) apresentação dos diversos apoiadores. 
e) utilização da imagem das três mulheres. 
IT0155 - (Enem)
A rede é, antes de tudo, um instrumento de comunicação
entre pessoas, um laço virtual em que as comunidades
auxiliam seus membros a aprender o que querem saber.
Os dados não representam senão a matéria-prima de um
processo intelectual e social vivo, altamente elaborado.
Enfim, toda inteligência coletiva do mundo jamais
dispensará a inteligência pessoal, o esforço individual e o
tempo necessário para aprender, pesquisar, avaliare
integrar-se a diversas comunidades, sejam elas virtuais
ou não. A rede jamais pensará em seu lugar, fique
tranquilo.
LÉVY, P. A máquina universo: criação, cognição e cultura
informática. Porto Alegre: Artmed, 1998.
 
No contexto das novas tecnologias de informação e
comunicação, a circulação de saberes depende da
a) otimização do tempo.
b) confiabilidade dos sites.
c) contribuição dos usuários.
d) quantidade de informação.
e) colaboração de intelectuais.
IT0201 - (Enem)
A instalação Dengo transformou a sala do MAM-SP em
um ambiente singular, explorando como principal
característica artística a 
a) participação do público na interação lúdica com a
obra. 
b) distribuição de obstáculos no espaço da exposição. 
c) representação simbólica de objetos oníricos. 
d) interpretação subjetiva da lei da gravidade. 
e) valorização de técnicas de artesanato. 
IT0018 - (Enem)
De domingo
 
–– Outrossim...
–– O quê?
–– O que o quê?
–– O que você disse.
9@professorferretto @prof_ferretto
–– Outrossim?
–– É.
–– O que é que tem?
–– Nada. Só achei engraçado.
–– Não vejo a graça.
–– Você vai concordar que não é uma palavra de todos os
dias.
–– Ah, não é. Aliás, eu só uso domingo.
–– Se bem que parece mais uma palavra de segunda-
feira.
–– Não. Palavra de segunda-feira é “óbice”.
–– “Ônus”.
–– “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”.
–– “Resquício” é de domingo.
–– Não, não. Segunda. No máximo terça.
–– Mas “outrossim”, francamente...
–– Qual o problema?
–– Retira o “outrossim”.
–– Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás é uma palavra
difícil de usar. Não é qualquer um que usa “outrossim”.
VERISSIMO, L. F. Comédias da vida privada.
Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento).
 
No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas
palavras da língua portuguesa. Esse uso promove o(a) 
a) marcação temporal, evidenciada pela presença de
palavras indicativas dos dias da semana. 
b) tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de
palavras empregadas em contextos formais. 
c) caracterização da identidade linguística dos
interlocutores, percebida pela recorrência de palavras
regionais. 
d) distanciamento entre os interlocutores, provocado
pelo emprego de palavras com significados pouco
conhecidos. 
e) inadequação vocabular, demonstrada pela seleção de
palavras desconhecidas por parte de um dos
interlocutores do diálogo. 
L0118 - (Famerp)
Leia o trecho do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo,
para responder à questão a seguir.
 
Junto dela pôs-se a trabalhar a Leocádia, mulher de um
ferreiro chamado Bruno, portuguesa pequena e socada,
de carnes duras, com uma fama terrível de leviana entre
suas vizinhas.
Seguia-se a Paula, uma cabocla velha, meio idiota, a
quem respeitavam todos pelas virtudes de que só ela
dispunha para benzer erisipelas e cortar febres por meio
de rezas e feitiçarias. Era extremamente feia, grossa,
triste, com olhos desvairados, dentes cortados à navalha,
formando ponta, como dentes de cão, cabelos lisos,
escorridos e ainda retintos apesar da idade. Chamavam-
lhe “Bruxa”.
Depois seguiam-se a Marciana e mais a sua filha Florinda.
A primeira, mulata antiga, muito séria e asseada em
exagero: a sua casa estava sempre úmida das
consecutivas lavagens. Em lhe apanhando o mau humor
punha-se logo a espanar, a varrer febrilmente, e, quando
a raiva era grande, corria a buscar um balde de água e
descarregava-o com fúria pelo chão da sala. A filha tinha
quinze anos, a pele de um moreno quente, beiços
sensuais, bonitos dentes, olhos luxuriosos de macaca.
Toda ela estava a pedir homem, mas sustentava ainda a
sua virgindade e não cedia, nem à mão de Deus Padre,
aos rogos de João Romão, que a desejava apanhar a
troco de pequenas concessões na medida e no peso das
compras que Florinda fazia diariamente à venda.
O cortiço, 2007.
 
Uma relação correta entre o trecho apresentado e o
movimento literário em que O cortiço está inserido é: 
a) a referência cuidadosa e delicada à sexualidade dos
personagens é parte de um esforço, típico do
Realismo, para apresentar o ser humano em sua
totalidade sem sobrecarregar um de seus aspectos. 
b) a caracterização dos personagens como indivíduos
únicos e isolados da coletividade, deixando em
segundo plano suas relações sociais, é um traço típico
do Naturalismo. 
c) a preferência dos personagens pela razão e seu
desprezo pela fé, em uma estratégia para valorizar a
ciência e a objetividade e desvalorizar a religião, são
características do Realismo. 
d) a valorização da vida perto da natureza, com
personagens que abrem mão dos métodos e dos
objetos frutos da tecnologia para se ligarem à
tranquilidade de uma vida sem máquinas, é uma
característica do Naturalismo. 
e) a descrição das características vulgares dos
personagens e a frequente associação entre homens e
animais, que ajudam a estabelecer uma concepção
biológica do mundo, são características do
Naturalismo. 
IT0041 - (Enem)
Emagrecer sem exercício?
Hormônio aumenta a esperança de perder gordura sem
sair do sofá. A solução viria em cápsulas.
O sonho dos sedentários ganhou novo aliado. Um estudo
publicado na revista científica Nature, em janeiro, sugere
que é possível modificar a gordura corporal sem fazer
exercício. Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute
e da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA, isolaram
em laboratório a irisina, hormônio naturalmente
10@professorferretto @prof_ferretto
produzido pelas células musculares durante os exercícios
aeróbicos, como caminhada, corrida ou pedalada. A
substância foi aplicada em ratos e agiu como se eles
tivessem se exercitado, inclusive com efeito protetor
contra o diabetes.
O segredo foi a conversão de gordura branca – aquela
que estoca energia inerte e estraga nossa silhueta – em
marrom. Mais comum em bebês, e praticamente
inexistente em adultos, esse tipo de gordura serve para
nos aquecer. E, nesse processo, gasta uma energia
tremenda. Como efeito colateral, afinaria nossa silhueta.
A expectativa é que, se o hormônio funcionar da mesma
forma em humanos, surja em breve um novo
medicamento para emagrecer. Mas ele estaria longe de
substituir por completo os benefícios da atividade física.
“Possivelmente existem muitos outros hormônios
musculares liberados durante o exercício e ainda não
descobertos”, diz o fisiologista Paul Coen, professor
assistente da Universidade de Pittsburgh, nos EUA. A
irisina não fortalece os músculos, por exemplo. E para
ficar com aquele tríceps de fazer inveja só o
levantamento de controle remoto não daria conta.
LIMA, F. Galileu. São Paulo, n. 248, mar. 2012
Para convencer o leitor de que o exercício físico é
importante, o autor usa a estratégia de divulgar que
a) a falta de exercício físico não emagrece e desenvolve
doenças.
b) se trata de uma forma de transformar a gordura
branca em marrom e de emagrecer.
c) a irisina é um hormônio que apenas é produzido com
o exercício físico.
d) o exercício é uma forma de afinar a silhueta por
eliminar a gordura branca.
e) se produzem outros hormônios e há outros benefícios
com o exercício.
GR0119 - (Famerp)
Leia o trecho do conto “As caridades odiosas”, de Clarice
Lispector, para responder à questão.
Foi uma tarde de sensibilidade ou de
suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa,
emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes
acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma
coisa se enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se
tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um
menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom
quente de pele. O menino estava de pé no degrau da
grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras
meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição.
Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de
compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida
eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o
que me ceifara os pensamentos.
– Um doce, moça, compre um doce para mim.
Acordei finalmente. O que estivera eu pensando
antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido
deste pareceu cumular uma lacuna,dar uma resposta
que podia servir para qualquer pergunta, assim como
uma grande chuva pode matar a sede de quem queria
uns goles de água.
Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem
querer espiar as mesas da confeitaria onde
possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei,
fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe
explicar: um doce para o menino.
(A descoberta do mundo, 1999.)
 
“Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer
espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum
conhecido tomava sorvete”. A preposição destacada
assume valor semântico semelhante ao que se verifica na
frase:
a) A crítica tem Machado de Assis por um grande autor. 
b) Há ainda algumas questões por fazer. 
c) Ficaremos na Europa por cinco dias. 
d) As tropas cercaram os inimigos por terra e por mar. 
e) Muitas pessoas vão cedo para casa por medo.
IT0023 - (Enem)
Azeite de oliva e óleo de linhaça: uma dupla imbatível
 
Rico em gorduras do bem, ela combate a obesidade, dá
um chega pra lá no diabete e ainda livra o coração de
entraves
 
Ninguém precisa esquentar a cabeça caso não seja
possível usar os dois óleos juntinhos, no mesmo dia.
Individualmente, o duo também bate um bolão. Segundo
um estudo recente do grupo EurOlive, formado por
instituições de cinco países europeus, os polifenóis do
azeite de oliva ajudam a frear a oxidação do colesterol
LDL, considerado perigoso. Quando isso ocorre, reduz-se
o risco de placas de gordura na parede dos vasos, a
temida aterosclerose - doença por trás de encrencas
como o infarto.
MANARINI, T. Saúde é vital. n. 347, fev. 2012 (adaptado).
 
Para divulgar conhecimento de natureza científica para
um público não especializado, Manarini recorre à
associação entre vocabulário formal e vocabulário
informal. Altera-se o grau de formalidade do segmento
no texto, sem alterar o sentido da informação, com a
substituição de 
11@professorferretto @prof_ferretto
a) “dá um chega pra lá no diabete” por “manda embora o
diabete”. 
b) “esquentar a cabeça” por “quebrar a cabeça”. 
c) “bate um bolão” por “é um show”. 
d) “juntinhos” por “misturadinhos”. 
e) “por trás de encrencas” por “causadora de
problemas”. 
L0193 - (Enem)
Texto I
 
Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O
que o segurava era a família. Vivia preso como um
novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente.
Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o
pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao
pescoço. Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória
dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns
brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as
reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados,
machucados por um soldado amarelo.
Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23ª
ed., 1969, p. 75.
 
Texto II
 
Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro,
enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma
tentativa de incorporação dessa figura no campo da
ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis
soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando
uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma
constituição de narrador em que narrador e criaturas se
tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o
debate acontece porque, para a intelectualidade
brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de
aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto
como um ser humano de segunda categoria, simples
demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente
complexos. O que "Vidas Secas" faz é, com pretenso não
envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta
de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam
plenamente capazes.
Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes.In: Teresa. São
Paulo: USP, nº 2, 2001, p. 254. 
 
No texto II, verifica-se que o autor utiliza 
a) linguagem predominantemente formal, para
problematizar, na composição de "Vidas Secas", a
relação entre o escritor e o personagem popular. 
b) linguagem inovadora, visto que, sem abandonar a
linguagem formal, dirige-se diretamente ao leitor. 
c) linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma
história que apresenta o roceiro pobre de forma
pitoresca. 
d) linguagem formal com recursos retóricos próprios do
texto literário em prosa, para analisar determinado
momento da literatura brasileira. 
e) linguagem regionalista, para transmitir informações
sobre literatura, valendo-se de coloquialismo, para
facilitar o entendimento do texto. 
IT0287 - (Enem)
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro
CHICO BUARQUE. Paratodos. 1993. Disponível em:
www.chicobuarque.com.br. Acesso em: 29 jun. 2015
(fragmento).
 
A característica familiar descrita deriva do seguinte
aspecto demográfico: 
a) Migração interna. 
b) População relativa. 
c) Expectativa de vida. 
d) Taxa de mortalidade. 
e) Índice de fecundidade. 
IT0032 - (Enem)
Futebol: “A rebeldia é que muda o mundo”
 
Conheça a história de Afonsinho, o primeiro jogador do
futebol brasileiro a derrotar a cartolagem e a conquistar
o Passe Livre, há exatos 40 anos 
 
Pelé estava se aposentando pra valer pela primeira vez,
então com a camisa do Santos (porque depois voltaria a
atuar pelo New York Cosmos, dos Estados Unidos), em
1972, quando foi questionado se, finalmente, sentia-se
um homem livre. O Rei respondeu sem titubear:
— Homem livre no futebol só conheço um: o Afonsinho.
Este sim pode dizer, usando as suas palavras, que deu o
grito de independência ou morte. Ninguém mais. O resto
é conversa. 
12@professorferretto @prof_ferretto
Apesar de suas declarações serem motivo de chacota por
parte da mídia futebolística e até dos torcedores
brasileiros, o Atleta do Século acertou. E provavelmente
acertaria novamente hoje.
Pela admiração por um de seus colegas de clube daquele
ano. Pelo reconhecimento do caráter e personalidade de
um dos jogadores mais contestadores do futebol
nacional. E principalmente em razão da história de luta —
e vitória — de Afonsinho sobre os cartolas.
ANDREUCCI, R. Disponível em:
http://carosamigos.terra.com.br. Acesso em: 19 ago.
2011.
 
O autor utiliza marcas linguísticas que dão ao texto um
caráter informal. Uma dessas marcas é identificada em: 
a) “[...] o Atleta do Século acertou.” 
b) “O Rei respondeu sem titubear [...]”. 
c) “E provavelmente acertaria novamente hoje.” 
d) “Pelé estava se aposentando pra valer pela primeira
vez [...]”. 
e) “Pela admiração por um de seus colegas de clube
daquele ano.” 
L0225 - (Puccamp)
Tiradentes era alguém com todas as características e
ressentimentos de um revolucionário. Além do mais, ele
se apresentava para o martírio ao proclamar sua
responsabilidade exclusiva pela inconfidência. Era óbvia a
sedução que o enforcamento do alferes representava
para o governo português: pouca gente levaria a sério um
movimento chefiado por um simples Tiradentes (e as
autoridades lusas, depois de outubro de 1790,
invariavelmente se referiam ao alferes por seu apelido de
Tiradentes).
MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa. A
Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750-1808. São
Paulo: Paz e Terra, 1995, p. 216.
 
A poesia arcádica, frequentada ao tempo
de Tiradentes, foi lembrada com ênfase e vigor, a par das
ideias revoltosas da época, num grande poema do século
XX, 
a) misto de lirismo e de épica histórica, composto por
Cecília Meireles. 
b) em tom de solene nacionalismo, fruto de parceria
entre Mário de Andrade e Cassiano Ricardo. 
c) já em linguagem de vanguarda, por Haroldo de
Campos e Augusto de Campos. 
d) montado em estrutura teatral, pelo poeta maranhense
Ferreira Gullar. 
e) a que não falta um tom de tragédia, concebido como
épica moderna por Manuel Bandeira. 
IT0071 - (Enem)
 
Nessa campanha, a principal estratégia para convencer o
leitor a fazer a reciclagem do lixo é a utilização da
linguagem não verbal como argumento para
a) reaproveitamento de material. 
b) facilidade na separação do lixo. 
c) melhoriada condição do catador. 
d) preservação de recursos naturais. 
e) geração de renda para o trabalhor. 
L0232 - (Famerp)
13@professorferretto @prof_ferretto
Leia os versos de Manoel de Barros.
 
Escrever nem uma coisa
Nem outra –
A fim de dizer todas –
Ou, pelo menos, nenhumas.
 
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar –
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.
(Poesia completa, 2013.)
 
Tanto na forma quanto no conteúdo, o poema 
a) descreve uma maneira de fazer poesia que consiste
em criar um enigma, a ser resolvido pelo leitor, que
revelará o significado do poema. 
b) prescreve uma escrita que consiste em subtrair das
palavras seu sentido rígido usual, fazendo aparecer
nelas significados inusitados. 
c) defende que a poesia deve ser construída com
elementos bem encadeados da realidade, de modo a
formular uma crítica social fundamentada. 
d) critica a poesia espontânea e ingênua que não se
preocupa em utilizar corretamente os elementos da
linguagem prescritos pela gramática. 
e) argumenta em favor de uma poesia libertária, que
expresse os estados de espírito mais extremos do ser
humano. 
L0050 - (Mackenzie)
A natureza, nessa estrofe:
“Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.”
Gonçalves Dias
 
Obs.:
tamarindo = árvore frutífera; o fruto dessa mesma planta
bogari = arbusto de flores brancas
a) é concebida como uma força indomável que submete
o eu lírico a uma experiência erótica instintiva.
b) expressa sentimentos amorosos.
c) é representada por divindade mítica da tradição
clássica.
d) funciona apenas como um quadro cenográfico para o
idílio amoroso.
e) é recriada objetivamente, com base em elementos da
fauna e da flora nacionais.
IT0163 - (Enem)
O consumidor do século XXI, chamado de novo
consumidor social, tende a se comportar de modo
diferente do consumidor tradicional. Pela associação das
características apresentadas no diagrama, infere-se que
esse novo consumidor sofre influência da
a) cultura do comércio eletrônico.
b) busca constante pelo menor preço.
c) divulgação de informações pelas empresas.
d) necessidade recorrente de consumo.
e) postura comum aos consumidores tradicionais.
IT0017 - (Enem)
TEXTO I
Terezinha de Jesus
De uma queda foi ao chão
Acudiu três cavalheiros
Todos os três de chapéu na mão
O primeiro foi seu pai
O segundo, seu irmão
O terceiro foi aquele
A quem Tereza deu a mão
BATISTA, M. F. B. M.; SANTOS, I. M. F. (Org.). Cancioneiro
da Paraíba. João Pessoa: Grafset, 1993 (adaptado).
 
TEXTO II
 
14@professorferretto @prof_ferretto
Outra interpretação é feita e partir das condições sociais
daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem
cantava a cantiga, e música falava do casamento como
um destino natural na vida da mulher, na sociedade
brasileira do século XIX, marcada pelo patriarcalismo. A
música prepara a moça para o seu destino não apenas
inexorável, mas desejável; o casamento, estabelecendo
uma hierarquia de obediência (pai, irmão mais velho,
marido), de acordo com a época e circunstâncias de sua
vida.
Disponível em: http://provsjose.blogspot.com.br. Acesso
em: 5 dez. 2012.
 
O comentário do Texto II sobre o Texto I evoca a
mobilização da língua oral que, em determinados
contextos, 
a) assegura existência de pensamentos contrários à
ordem vigente. 
b) mantém a heterogeneidade das formas de relações
sociais. 
c) conserva a influência sobre certas culturas. 
d) preserva a diversidade cultural e comportamental. 
e) reforça comportamentos e padrões culturais.
IT0029 - (Enem)
Censura moralista 
 
Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em
crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a
precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta
de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da
falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos
livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de
carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas
acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente
assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que
as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também
de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado
a peito investir em livros e em leitura.
LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso
em: 2 dez. 2013 (fragmento).
 
Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou
escritos, posicionam-se frente a assuntos que geram
consenso ou despertam polêmica. No texto, a autora 
a) ressalta a importância de os professores incentivarem
os jovens às práticas de leitura. 
b) critica pesquisas tradicionais que atribuem a falta de
leitura à precariedade de bibliotecas. 
c) rebate a ideia de que as políticas educacionais são
eficazes no combate à crise de leitura. 
d) questiona a existência de uma crise de leitura com
base nos dados de pesquisas acadêmicas. 
e) atribui a crise da leitura à falta de incentivos e ao
desinteresse dos jovens por livros de qualidade. 
L0115 - (Fuvest)
I. Cinquenta anos! Não era preciso confessá-lo. Já se vai
sentindo que o meu estilo não é tão lesto* como nos
primeiros dias. Naquela ocasião, cessado o diálogo com o
oficial da marinha, que enfiou a capa e saiu, confesso que
fiquei um pouco triste. Voltei à sala, lembrou-me dançar
uma polca, embriagar-me das luzes, das flores, dos
cristais, dos olhos bonitos, e do burburinho surdo e
ligeiro das conversas particulares. E não me arrependo;
remocei. Mas, meia hora depois, quando me retirei do
baile, às quatro da manhã, o que é que fui achar no
fundo do carro? Os meus cinquenta anos.
 
*ágil
 
II. Meu caro crítico,
Algumas páginas atrás, dizendo eu que tinha cinquenta
anos, acrescentei: “Já se vai sentindo que o meu estilo
não é tão lesto como nos primeiros dias”. Talvez aches
esta frase incompreensível, sabendo-se o meu atual
estado; mas eu chamo a tua atenção para a sutileza
daquele pensamento. O que eu quero dizer não é que
esteja agora mais velho do que quando comecei o livro. A
morte não envelhece. Quero dizer, sim, que em cada fase
da narração da minha vida experimento a sensação
correspondente. Valha-me Deus! É preciso explicar tudo.
 
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.
 
A passagem final do texto II – “Valha-me Deus! é preciso
explicar tudo.” – denota um elemento presente no estilo
do romance, ou seja, 
a) o realismo, visto no rigor explicativo dos fatos. 
b) a religiosidade, que se socorre do auxílio divino. 
c) o humor, capaz de relativizar as ideias. 
d) a metalinguagem, que imprime linearidade à
narração. 
e) a ironia, própria do discurso positivo. 
GR0114 - (Fgv)
15@professorferretto @prof_ferretto
Vários estudos têm alertado que tanto a
população da Terra quanto os níveis de consumo crescem
mais rapidamente do que a capacidade de regeneração
dos sistemas naturais. Um dos mais recentes, o relatório
Planeta Vivo elaborado pela ONG internacional WWF,
estima que atualmente três quartos da população
mundial vivem em países que consomem mais recursos
do que conseguem repor.
Só Estados Unidos e China consomem, cada um,
21% dos recursos naturais do planeta. Até 1960, a maior
parte dos países vivia dentro de seus limites ecológicos.
Em poucas décadas do atual modelo de produção e
consumo, a humanidade exauriu 60% da água disponível
e dizimou um terço das espécies vivas do planeta.
"O argumento de que o crescimento econômico
é a solução já não basta. Não há recursos naturais para
suportar o crescimento constante. A Terra é finita e a
economia clássica
sempre ignorou essa verdade elementar", afirma o
ecoeconomista Hugo Penteado. Ele não está sozinho. A
urgência dos problemas ambientais e suas implicações
para a economia das nações têm sido terreno fértil para o
desenvolvimento da ecoeconomia, ou economia
ecológica, que não é exatamente nova. Seus principais
expoentes começaram a surgir na década
de 1960. Hoje, estão paulatinamente ganhando projeção
graças à visibilidade que o tema sustentabilidadeconquistou.
Para essa escola, as novas métricas para medir o
crescimento não bastam, embora sejam bem-vindas em
um processo de transição. Para a ecoeconomia, é preciso
parar de crescer em níveis exponenciais e reproduzir – ou
"biomimetizar" – os ciclos da natureza: para ser
sustentável, a economia deve caminhar para ser cada vez
mais parecida com os processos naturais.
"A economia baseada no mecanicismo não
oferece mais respostas. É preciso encontrar um novo
modelo, que dê respostas a questões como geração de
empregos, desenvolvimento com qualidade e até mesmo
uma desmaterialização do sistema. Vender serviços, não
apenas produtos, e também produzir em ciclos fechados,
sem desperdício", afirma o professor Paulo Durval
Branco, da Escola Superior de Conservação Ambiental. De
acordo com ele, embora as empresas venham repetindo
a palavra sustentabilidade como um mantra, são
pouquíssimas as que fizeram mudanças efetivas em seus
modelos de negócio. O desperdício de matérias-primas, o
estímulo ao consumismo e a obsolescência programada
(bens fabricados com data certa para serem substituídos)
ainda ditam as regras.
(Texto adaptado do artigo de Andrea Vialli. O
Estado de S. Paulo, H4 Especial, Vida &Sustentabilidade,
15 de maio de 2009)
 
O mesmo tipo de conjunção que substitui os dois pontos
em - E, apesar das promessas de que o crescimento do
PIB reduziria a pobreza, as desigualdades econômicas se
mantêm: a cada US$ 160 milhões produzidos no mundo,
só US$ 0,60 chega efetivamente aos mais pobres. - pode
ser aplicado em:
a) Os ecoeconomistas só alimentam um propósito:
poupar os recursos ambientais.
b) Hugo Penteado disse: “a Terra é finita e a economia
clássica sempre ignorou essa verdade elementar”.
c) Os ecoeconomistas apontam os vícios das empresas: o
desperdício de matérias-primas, o estímulo ao
consumismo e a obsolescência programada.
d) A ecoeconomia não é exatamente nova: seus
princípios exponenciais começaram a surgir na década
de 70.
e) Paulo Durval Branco foi enfático ao afirmar: “as
empresas vêm repetindo a palavra sustentabilidade
como um mantra.”
IT0084 - (Enem)
A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma
narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao
perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a
Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de
1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe
comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o
irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde
um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto
morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa
cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a
menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo
com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
 
A vida ao redor é a pseudorrealidade criada em torno do
culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica
celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. A
Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom
leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a
infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um
sucesso absoluto – e raro – de crítica e público.
Disponível em: www.odevoradordelivros.com. Acesso
em: 24 jun. 2014.
 
Os gêneros textuais podem ser caracterizados, dentre
outros fatores, por seus objetivos. Esse fragmento é
um(a) 
16@professorferretto @prof_ferretto
a) reportagem, pois busca convencer o interlocutor da
tese defendida ao longo do texto. 
b) resumo, pois promove o contato rápido do leitor com
uma informação desconhecida. 
c) sinopse, pois sintetiza as informações relevantes de
uma obra de modo impessoal. 
d) instrução, pois ensina algo por meio de explicações
sobre uma obra específica. 
e) resenha, pois apresenta uma produção intelectual de
forma crítica.
IT0070 - (Enem)
 
A internet proporcionou o surgimento de novos
paradigmas sociais e impulsionou a modificação de
outros já estabelecidos nas esferas da comunicação e da
informação. A principal consequência criticada na tirinha
sobre esse processo é a 
a) criação de memes. 
b) ampliação da blogosfera. 
c) supremacia das ideias cibernéticas. 
d) comercialização de pontos de vista. 
e) banalização do comércio eletrônico. 
L0594 - (Unicamp)
Em “Sonhos para adiar o fim do mundo”, o pensador
Ailton Krenak conta-nos que um pajé Xavante sonhou
que a terra ficaria desolada diante da ação predatória dos
homens brancos. Escreve Krenak no livro:
 
“Foi ali que eu atinei que tinha algo na perspectiva
dos povos indígenas, em nosso jeito de observar e
pensar, que poderia abrir uma fresta de entendimento
nesse entorno que é o mundo do conhecimento. Naquele
tempo eu comecei a visitar as florestas (...) e, por todos
os lados, os pajés diziam: ‘vocês precisam tomar cuidado
porque o mundo dos brancos está invadindo a nossa
existência.’ Invadindo.”.
(KRENAK, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia
das Letras, p. 35-36, 2020.)
 
No trecho, as preocupações dos pajés evocam 
a) o trauma de variados povos indígenas das florestas,
decorrente das frestas de entendimento sobre o
passado colonial extrativista.
b) a adoção da diversidade de perspectivas, embora os
homens brancos reconheçam a falibilidade do sistema
de dominação presente.
c) a diferença de perspectivas na relação homem-
natureza, com a valorização da busca de um
conhecimento não predatório.
d) a resistência indígena a partir do sonho de que os
homens brancos deixem de ameaçar a existência dos
povos originários.
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