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SUMÁRIO Nota da autora Sinopse Playlist Ilustração Prólogo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 Epílogo Série Maple River Agradecimentos Sobre a autora Leia também Perfeito para você Maple River Copyright 2025 por Stefany Nunes Capa por: Bruna Silva Ilustração: Julio César Preparação de texto: Lorena Sílria Todos os direitos reservados. Este livro — ou qualquer parte dele — não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, da autora ou editor, exceto pelo uso de citações breves em resenhas. Esta é uma obra de ficção. Todos os nomes, títulos, lugares e situações ou são frutos da imaginação da autora, ou usados de forma ficcional. Quaisquer similaridades com pessoas, situações, nomes ou fatos reais são meras coincidências. Created with Vellum http://tryvellum.com/created http://tryvellum.com/created http://tryvellum.com/created Nota da Autora Se você gosta de romance, histórias aconchegantes e segundas chances, este livro é para você. Escrever Luke e Brianna foi uma experiência maravilhosa e eu espero que eles te conquistem nas próximas páginas. O livro contém cenas eróticas descritivas, linguagem de baixo-calão e concessões propositais à norma culta da língua portuguesa. Contém temas que podem ser sensíveis para algumas pessoas, como luto, relacionamento abusivo passado e violência física, moral e verbal. A idade de leitura recomendada é +18 anos. Uma boa leitura, Stefany Sinopse PERFEITO PARA VOCÊ B������ H����� ���� �� ����� � M���� R����. D����� �� ���� �� um relacionamento complicado, a contadora que vive em Los Angeles decide retornar para sua cidade natal. Perdida e em busca de um recomeço, Brianna quer descobrir se ainda pertence ao lugar onde nasceu e foi criada. O único problema é que, para isso, ela terá que conviver com seu ex atraente (e também o homem que a magoou e que ela nunca esqueceu). Quando Luke Thorn, o antigo irmão rebelde da família e dono do bar da cidade, fica sabendo que Brianna está de volta, seu mundo vira de ponta cabeça. Luke não está disposto a conviver com a mulher que partiu seu coração, então ele fará o que estiver ao seu alcance para dificultar a estadia da moça. De imensamente apaixonados a inimigos declarados, Brianna e Luke passam a se enfrentar, desafiando um ao outro e escondendo as feridas antigas. Mas quando os dois se veem vivendo sob o mesmo teto, o sentimento que um dia teve que ser sepultado ressurgirá, mais forte do que nunca. Resta saber se esse amor intenso e avassalador ainda tem chances e se eles estão dispostos a perdoarem um ao outro e seguirem em frente. Playlist O��� ���� � ������ ��� ������� � ������� �� “P������� ���� você”. Para as românticas que acreditam em almas-gêmeas e destino. PRÓLOGO 10 ANOS ANTES LUKE E�� ��� ����� ����� ������� �����. Eu estava encarando a passagem de avião em minha frente, ainda sem acreditar no que Brianna me dizia. — Luke? — A voz dela soou trêmula do outro lado da linha. — Você está brincando, né? — Levantei da cama desarrumada e comecei a andar pelo quarto. — Diz que isso é uma maldita brincadeira de mau-gosto, ou… — Não é. Não dá para continuar do jeito que está, Luke. A gente mal se fala. Eu sabia disso. Desde que Brianna partiu para a faculdade do outro lado do país, as coisas não estavam como costumavam ser. Com o trabalho intenso na oficina e os horários das aulas dela, era difícil a gente conseguir conversar. Ela havia se formado há poucos meses, mas minha grana estava curta e não consegui me mudar como combinamos. Estávamos vivendo distantes há muito tempo e eu não aguentava mais. Doente de saudades, voltei a procurar empregos em Los Angeles. Não tinha nada em vista ainda, mas comprei a porra de uma passagem para ir ficar com ela. Só que, do nada, Brianna me ligou e disse que queria terminar. — Amor, deixa eu ir praí. A gente precisa conversar pessoalmente. — Não. — Ela estava chorando agora. — Você vir pra cá vai apenas piorar a situação. Não é justo com nenhum de nós. — Isso não foi o que combinamos! — Elevei meu tom de voz. O desespero crescia e tomava conta de cada parte de mim. Tudo que eu não desejava era perdê-la. A mulher era o amor da minha vida. — Não foi, mas quem começou com isso? — Brianna respondeu no mesmo tom. — Você mudou de ideia primeiro! Deveríamos fazer isso juntos desde o começo, mas você decidiu por nós dois. Eu sabia que não daria certo. — Você está desistindo de nós! O que caralho aconteceu? Conheceu algum cara? Ela ficou muda por um instante. — Não acredito que você está insinuando isso. Acha mesmo que eu trairia você? — O que mais posso fazer, com você agindo desse jeito? — Pode acreditar no que estou dizendo! Faz meses que estamos distantes, mal conseguindo conversar. Estou aqui há mais de quatro anos! Não aguento mais a solidão, Luke. Balancei a cabeça em negativo. Não queria acreditar, mesmo que soubesse que ela estava certa. Eu também me sentia sozinho. Porra, eu sentia uma saudade insana dela. — Olha, tô indo pra Los Angeles e a gente resolve isso cara a cara. — Não, Luke! Não quero que você venha. Vou desligar. — Brianna! — Eu apenas espero que você consiga me entender um dia. — Se você desligar esse telefone, acabou, ok? De vez! Estou falando sério. Mais um segundo de silêncio se seguiu, antes do último golpe: — Me desculpa, Luke. Então ela desligou. Com raiva, encarei o telefone em minha mão e o joguei sobre a cama. Tudo que senti foi um vazio inexplicável. Um que nunca mais foi embora. 1 DIAS ATUAIS BRIANNA M���� R���� ��� ������ �� ���. Depois de ter visitado mais lugares do que posso contar, nenhum deles me traz a sensação de paz como esta cidade. Pela janela do meu quarto, respiro o ar que cheira a torta de maçã e sorrio para a paisagem pacífica. Foi aqui nesse cantinho do mundo que nasci, cresci e sonhei. Que fui criada por minha mãe e minha avó e fiz todos os planos que acabei realizando nos últimos anos. Assim como foi aqui que me apaixonei e que o homem da minha vida partiu meu coração. Ok, talvez essa parte tire minha paz um pouco, especialmente quando penso que posso encontrar Luke Thorn a qualquer instante. Mas não quero pensar em Luke agora, enquanto estou finalmente tranquila pela primeira vez em muitos meses. O barulho do celular vibrando na cômoda do quarto me faz olhar para trás. O nome de Chris aparece na tela, mas o ignoro. De novo, ainda que ele esteja fingindo que não entendeu o recado. Aqui em casa, tudo parece vazio sem a presença de vovó. As coisas dela já não estão mais aqui há muito tempo e, ainda assim, é difícil de acreditar. Ainda consigo sentir o cheirinho doce dela, o calor. Ela morreu faz três anos, depois de um ataque cardíaco. Foi Martha Thorn quem me ligou com a notícia, naquela terça-feira de inverno. Depois do enterro, me despedi dos conhecidos e deixei Maple River trás pela centésima vez. Não retornei mais. Agora estou aqui de novo, perdida, solitária e tentando entender se ainda me encaixo nessa cidade. O celular vibra outra vez. Agora, quem liga é o meu pai, John Howard. Ainda bem. — Oi, pai. — Levo o telefone ao ouvido. — Oi, querida. Como estamos? Cansados e tristes. Um pouco ansiosos. Guardo a resposta sincera para mim. — Cheguei bem e está um sol bonito lá fora. Maple é sempre um charme. — Eu sempre vou me perguntar o que tanto você e sua mãe viam nesse pedacinho de mundo. — É algo maior do que nós, pai. Algo que ele jamais compreenderia, porque por muito tempo não foi um pai presente e nem sequer tentou. — Já falou com a imobiliária? — ele muda de assunto. Ele acha que estou aqui para vender a casa de vovó. Eu mesma disse isso a ele, mas a verdade é que preciso de um tempo para pensar. Minha vida em Los Angeles foi de mal a pior nos últimos meses. Muito aconteceu, e eu precisava escapar daquela loucura que estava me adoecendo. Quando fui demitida, entendi que aquela era a oportunidade e a desculpa perfeita para voltar. Porque somente aquipossibilidade dele perder dinheiro. — Faz o seguinte, Teddy. Não cobra nada dele, mas deixa ele pensar que vai precisar pagar. Assim o Luke sofre um pouco achando que vai gastar um dinheirão e aprende a não ser besta comigo. Ted assente e bate uma continência. — Deixa comigo, Bree. Sorrio, vitoriosa. Parece que Luke e sua moto preciosa estão prestes a descobrir que o jogo virou. LUKE — Que porra é essa, Luke? — Ouço meu irmão mais velho, que apareceu de repente na porta da cozinha do bar. Estou tendo um dia insuportável. Um dos fogões está com defeito, o que vai gerar um gasto inesperado. O comitê do festival fez uma reunião aqui mais cedo e as mulheres tagarelaram a manhã inteira a ponto de me dar uma dor de cabeça e ainda precisei expulsar aquela ratinha de Brianna daqui com minhas próprias mãos. Agora, aquele maldito perfume de rosas está impregnado no meu nariz. — O quê? — Paro de analisar o fogão e encaro Weston. Consigo ouvir os latidos de Thor ao longe e me pergunto se meu irmão estava o levando para passear. — Vai sair com Thor? — Sim, ele está me esperando nos fundos. Mas quero saber que porra é esse anúncio aqui. Por que diabos meu apartamento está nesse site? Analiso a tela do celular dele, com a foto do nosso apartamento tirada por mim ontem à noite. — Ah, isso. Lembra que eu comentei que poderíamos alugar o quarto vago durante o festival? Weston franze a testa. — Eu tinha dito que não. — Na verdade, você não disse nada. Quem cala, consente, irmãozinho. — Volto minha atenção para a boca quebrada do fogão. — Luke, não quero alugar o quarto para ninguém! — Poderíamos ganhar uma grana extra. — Não quero grana extra nenhuma! — Weston toca no meu ombro. — Tira esse anúncio do ar, agora. Mas que velho quadrado meu irmão consegue ser. Poderíamos aproveitar o evento das flores e ainda conhecer gente nova. Eu certamente não me importaria se ele transasse mais e seu humor fosse mais agradável no dia a dia. — Você consegue tirar. Deixei nós dois cadastrados como proprietários. — Não faço ideia de como mexer nesse aplicativo e nem estou com vontade de aprender. Tira logo, Luke. — Vou tirar! — Levanto as mãos sujas para cima. — Mas primeiro vou tentar consertar esse fogão antes do horário do jantar. Como sempre, ele rosna de um jeito que daria inveja em Thor e me deixa sozinho. Alcanço uma chave de fenda e analiso a estrutura metálica, tentando entender o que aconteceu aqui. — Luke? — É a voz de Weston de novo. — Porra, Wes! Já falei que vou tirar! — reclamo ao olhar para ele pela janela da cozinha. — Acho que você vai querer ver isso. — Ele me chama para fora com um aceno de cabeça. — Ver o quê? — Sua moto está sendo guinchada. Como é que é? Intrigado, deixo tudo para trás e vou até a calçada, onde a porcaria do guincho de Ted Wade faz seu trabalho sujo. — Ei, o que tá acontecendo? — pergunto para Wade, que está acompanhando o trabalho com uma prancheta na mão. — Boa tarde, Thorn. Sinto mexer na sua criança aqui, mas regras são regras. — Do que você tá falando, cara? Minha moto tava estacionada no mesmo lugar que a deixo todos dias. — Recebemos um pedido para guinchá-la, já que você infringiu as regras do trânsito. Meu irmão está segurando a coleira de Thor numa mão e, enquanto o cachorro abana rabo, Wes levanta o celular e tira uma foto do circo. — Vou mandar no grupo da família — ele diz, antes de eu sequer perguntar. Idiota… — Olha, Teddy, não sei se você bebeu demais hoje, mas não infringi nenhuma regra de trânsito. — A moto estava na calçada, Luke. — Ted aponta para o meio-fio. — A roda estava bem ali. — Quem demônios se incomodou com isso a ponto de chamar o guincho? Ted fecha os lábios numa linha fina e então olha por sobre meu ombro. Quando me viro para trás, cada pedaço do meu corpo amortece ao contemplar o sorriso vitorioso de Brianna Howard. Ela está com a lateral do corpo encostada num poste, numa posição charmosa pra caralho. Brianna olha para mim, dá um tchauzinho e então me mostra o dedo do meio, antes de jogar o cabelo para trás e caminhar na minha direção como se estivesse numa passarela no New York Fashion Week. — Ora, ora. Que feio, Lucian Thorn. Quebrando as leis de trânsito desse jeito. Estou com os pulsos e os dentes cerrados ao ignorar a provocação e encarar Ted novamente. — Devolve minha moto, Teddy. — Não posso, cara! — Ele dá um tapa nas minhas costas. — Foi mal, mas a lei se aplica para todos. Não se preocupa que vou deixar ela num lugarzinho especial lá no pátio. A taxa pra retirar vai ser suave, também. — Quanto? — 300 dólares. — 300 MALDITOS DÓLARES? — Estou gritando agora. — Você tá maluco, cara? — Epa! Por um acaso você está gritando com Ted enquanto ele cumpre o que está estabelecido por lei? — Brianna aponta para mim. — Olha lá, hein. Não me faça chamar o xerife para você, mocinho. Ouço uma risada escapar do meu irmão e então percebo que temos plateia. — Você entendeu o quanto isso vai me custar? — questiono Brianna. — Eu acho é pouco. — Galera, não precisamos brigar. — Ted se mete entre nós dois e me entrega um pedaço de papel. — Aqui, Luke. Se quiser resgatar sua moto, é só levar esse papel e apresentar pra Dorothy que trabalha no pátio. Ou seja, para a mãe de Teddy. O guincho leva meu bebê para longe e não há nada que eu possa fazer. Preciso me controlar para não amassar o papel quando Brianna cruza os braços para mim e me encara de perto. — Isso é para você aprender a me tratar com respeito. — Você passou dos limites! Acha o que, Brianna? Que posso sair gastando 300 dólares como se não houvesse amanhã? — Acho que você deveria repensar esse seu jogo sujo e aceitar que voltei para cá como os adultos que somos. Eu dou um passo a frente, ficando a poucos centímetros dela. Brianna precisa inclinar o rosto completamente para conseguir me encarar, e eu me lembro de quando costumávamos nos provocar nessa posição, o que sempre terminava em um beijo apaixonado. Afasto a lembrança, tentando me manter imune ao efeito que o maldito perfume dela causa em mim. — Ainda acho que você deveria dar o fora — eu digo. — E eu ainda te acho um babaca. Boa sorte resgatando sua lambreta, Thorn. Brianna me fulmina com o olhar mais uma vez e então me dá as costas, rebolando a bunda empinada para longe. Estou prendendo a respiração quando sinto Thor lamber minha mão suja. — Que vexame, Luke… — Weston comenta. Mas, frustrado como estou, deixo meu irmão sozinho e subo para o apartamento. Preciso pensar em como revidar esse golpe baixo. Me recuso a deixar Brianna ganhar esse jogo ridículo. Se ela pensa que acabou, está muito enganada. 8 BRIANNA N��� ���� ��� ���� ��� ��� ����� ������. Enquanto Maple River fica colorida e agitada com o “Festival das Flores”, sou obrigada a lidar com um problema sério durante a inspeção da casa da vovó. — Como assim, mofo? — Encaro Cinthia, que segura o relatório da inspeção nas mãos. — Achei que o papel de parede descolado estivesse velho. — É mofo, querida. Precisaremos interditar a casa e cuidar disso. Vou entregar a ordem na prefeitura. — Mas… o que eu devo fazer agora? Se a casa ficará interditada, não posso ficar aqui. Isso não seria problema se a cidade estivesse em uma época normal. Acontece que com o festival, todos os Inn’s estão lotados e morar numa cidade vizinha sem ter um carro também não é uma boa opção. — Não há muito o que fazer. Mofo é coisa séria e pode ser prejudicial para sua saúde. Brinco com minha correntinha enquanto penso no que fazer. — Bem, acho que é isso. Quantos dias tenho para sair? — Você vai ter que sair hoje, Bree. — Hoje? Tipo, daqui a pouco? Cinthia assente, me entrega o número da empresa que pode me ajudar com o problema e parte, me deixando perdida nessa casa enorme e que acabo de descobrir que pode estar condenada. Com a mente a milhão, preciso pensar em uma coisa por vez. Primeiro, vou fazer as malas. Hum, mas fazer as malas para ir para onde, exatamente? Quer saber? Vou ligar para Ashley e pedir a ajuda dela, mesmo que eu saiba que ela eJo estejam ocupadas hoje com a barraquinha de tortas. Duas horas depois, já avisei meu pai que precisarei sair daqui e estou terminando de colocar as roupas na mala quando Ashley bate na porta da frente. — Menina, que vida agitada a sua — ela comenta, entrando em casa de mãos dadas com o filho mais novo, Daniel. O garotinho de cinco anos não me reconhece, mas responde meu sorriso com outro e deixa que eu o pegue no colo. — Que lindo você está, Danny! — Eu dou um beijo na bochecha dele. — Oi, amiga. Estou acabando de fazer as malas. Liguei pros Inn’s, só que está mesmo tudo lotado. — Eu tentei pensar numa opção, já que começamos a reformar o quarto de hóspedes para o bebê. — Ashley me acompanha até o segundo andar. — Mas você pode ficar na sala, se quiser. — Imagina, sua casa já está com a rotina modificada. Mandei uma mensagem no grupo dos moradores explicando a situação e Mike me respondeu. Ele tem um quarto livre acima do estúdio. Acho que o antigo espaço de Luke, sei lá. Ashley faz uma careta. — Bem, sei que você está sem opções, mas Mike tem uma vida de solteiro agitada. Apenas imagino que sim. Tento não associar a informação ao fato de que Luke morou lá por muitos anos e de que eles provavelmente compartilhavam do mesmo estilo de vida. Não que isso me interesse. Depois dos meus embates intermináveis com Luke, estou é cansada de fingir que estamos na quinta-série, ainda mais quando tenho problemas de verdade para resolver aqui. Enquanto termino de arrumar as coisas, minha amiga me faz companhia e conversamos sobre as demais novidades dos últimos dias. No fim tomei a decisão de mandar currículo para a vaga sugerida por meu pai, já que ficar aqui em Maple River sem trabalhar em lugar nenhum não me parece uma boa ideia a longo prazo. Não sei como me sinto ao estar de volta. A euforia inicial já passou, mas, de alguma forma, tenho a sensação de que estou de férias e de que a vida real vai retornar para me atormentar a qualquer momento. Isso sem contar os e-mails, mensagens e ligações intermináveis que recebi que de Chris. Ainda que ele venha a perceber, mais do que nunca estou seriamente pensando em bloquear o contato dele, já que mudar o meu me parece um tanto injusto considerando que uso o mesmo número há uma década. Meu celular toca alto e peço para Daniel, que agora está entretido com um dinossauro de plástico ao meu lado no tapete, alcançá-lo para mim. O garotinho sorri e me entrega o aparelho, cuja tela brilha com o nome de Mike. — Oi, Mike. — Levo o telefone ao ouvido. — Estou terminando de arrumar minhas malas. — Oi, Bree. Então… você me desculpa? Ah, não. Conheço esse tom de voz e sinto que estou enrascada. — O que aconteceu? — Não posso te deixar ficar aqui. Ashley está me encarando com expectativa, percebendo que há algo errado. — Foi o Luke, não foi? — pergunto. Mike solta um murmúrio do outro lado da linha. — Não posso ir contra o cara, sabe? A gente foi parceiro muito tempo e… — Olha, Mike. Não se preocupa com isso. — Estou puta, mas Mike é apenas um peão nesse jogo de xadrez que eu e Luke estamos jogando. — De verdade, valeu a intenção. — Foi mal, Bree. Desligo o telefone e me concentro em não falar um palavrão na frente da criança. Nem sei o que sentir. Luke deve mesmo me odiar muito a ponto de me sabotar numa situação sobre a qual não tenho absolutamente controle nenhum. — Luke atacou de novo. — Olho para Ashley, que abre a boca em espanto. — Tá brincando? Ele desceu nesse nível? Dou de ombros, porque depois do episódio com a moto, eu deveria saber que ele tomaria atitudes drásticas. — Estou começando a ficar cansada desses embates. — Relaxo a postura ao encarar minhas malas abertas. — Talvez eu deva procurar um hotel nas cidades vizinhas. Ashley fica reflexiva, como se estivesse ponderando o que me dizer. — O que foi, Ash? — Tá, vou falar, mas você precisa me jurar que não vai revelar que obteve essa informação de mim. — Que informação? Ela pega o celular, desliza o dedo na tela e digita algo. Então o vira para mim, com uma página aberta e a imagem de um apartamento bem bacana em destaque. — O que é isso? — pergunto. — Há um quarto disponível no apartamento do Luke e do Weston — ela diz. — Luke tinha comentado com Tim que pensou em alugá-lo para o festival. — E ninguém alugou? — Não, porque o Weston não permitiu, mas o anúncio ainda está aí. Consegue entender meu plano? — Minha amiga levanta a sobrancelha para mim. E sim, consigo, mas acho que de todas as coisas terríveis que eu poderia fazer, ir viver com Luke Thorn é um tanto… demais. — Não sei, amiga. Se eu e Luke já não suportamos nem nos cruzar na rua, o que ele vai fazer quando eu estiver sob o mesmo teto que ele? — Ele deveria ter pensado nisso antes de ser um babaca e falar com Mike. — Ashley empina o queixo. — Estou cansada dessa atitude dele. Você tem todo o direito de estar aqui e está com a casa interditada, caramba. Ashley está certa. Ainda assim, não sei exatamente como me sentiria dividindo um apartamento com Luke. — Isso não vai dar certo, Ash. Luke teria que me entregar a chave, aprovar a estadia… Ele vai recusar na hora. — Ele ou Weston precisam aprovar. Os dois estão como responsáveis. Analiso o anúncio mais uma vez, cercada por todos os meus pertences e a brochura que Cinthia me entregou mais cedo. — Quer saber? Você está certa. Vou falar com Weston agora mesmo. Hoje é terça-feira e Weston Thorn está treinando o time de hóquei da escola. Ele percebe minha presença assim que me aproximo pela lateral do rinque. — Oi, Wes. O homem tem a estrutura dos Thorns: mais de 1,90 e músculos a perder de vista, mas o rosto dele sempre foi o mais sério de todos os irmãos. Espero que ao menos ele continue sensato, pois vou precisar. — Oi, Brianna. — Preciso falar com você sobre algo importante. — Se tem a ver sobre seu embate com Luke, não quero me meter entre os dois. Vocês precisam crescer e conversar, isso sim. Weston dá uma ordem para os meninos aumentarem a velocidade nos patins, sem tirar o olho do gelo. — Na verdade, é sobre isso e não é. Achei um anúncio do apartamento de vocês online e, como você já deve ter visto no grupo, estou sem um lugar para ficar. Acharam mofo na minha casa. — Porra, o anúncio ainda está lá? — Ele finalmente olha para mim diretamente. — Sim, está. E eu quero que você me deixe alugar o quarto por uns dias. — Nem pensar, Bree. Você quer o quê? O caos completo? Com calma, conto a ele o que Luke aprontou e como sabotou a ajuda de Mike. — Tá de brincadeira? — Weston parece surpreso e inconformado. — Eu bem queria estar. Cinthia me disse que não posso ficar em casa de jeito nenhum e a cidade está lotada com o festival. Ele dá mais um comando para o time e cruza os braços enormes na altura do peito. Esse silêncio chega a ser insano. Me pergunto como a cabeça desse homem funciona. — Olha, Wes. — Cansei de esperar pela resposta. — Você conhece seu irmão. Luke está bravo porque voltei, mas tenho o direito de estar aqui tanto quanto ele. — Sei disso. — Eu não queria uma guerra, mas hoje ele jogou sujo. Estou sem ter para onde ir e mesmo assim ele não se importou com meu bem-estar. Sabia que eu pedi para Teddy não cobrar a taxa para retirar a moto do pátio? — Ele não disse nada a respeito. — Pois é. Pensei que fazê-lo gastar dinheiro era um tanto demais e me ferrei. Por favor, aprova essa estadia para mim. Prometo que deixarei tudo limpinho e organizado e que, assim que minha casa ficar pronta, faço minhas malas e vou embora. Estou desesperada. Weston passa a mão no cabelo e respira fundo. Sei que ele é um sujeito legal, mesmo com toda essa fachada durona. A ideia de Ashley realmente foi certeira. — Como eu aprovo essa merda? Dou um gritinho animado, tomando a liberdade de abraçá-lo em minha euforia. — Obrigada! Juro, Wes. Você é maravilhoso. Ele resmunga como um buldogue idoso. — Vamos ver se você vai manter essa opinião depois de passar a conviver comigo. Mas nem estou preocupada, porque duvido muito que Wes seja pior que o irmão maisnovo dele. — Posso só pedir um favorzinho? — O quê? — Wes levanta uma sobrancelha para mim. Sorrio, quase que de um jeitinho maléfico. — Deixa o Luke me encontrar de surpresa no fim da tarde. Ele trabalhou durante o dia hoje, né? — Ele chega às sete no apartamento. — Perfeito. Às seis e meia, estarei lá. E mal posso esperar para ver a cara de Luke ao chegar em casa. 9 LUKE O��� � ������� �� ������ �� ��� ���� ��� ���, ����� ���� ��� Weston assuma o turno da noite para eu poder descansar. Tive um dia cheio. Treinei o time de basquete dos garotos, entrei em contato com uma empresa especializada para consertar o fogão que quebrou de novo e ainda precisei acertar os últimos detalhes do festival que acontece em dois dias. Mas não é exatamente essa lista de tarefas que pesou em meus ombros, e sim minha última atitude radical em relação à Brianna. Pelo que li no grupo de moradores, a casa de Abigail está com mofo e foi interditada, o que significa que Bree precisa de um local para ficar. Já lidamos com isso em casa uma vez e sei que mofo é uma coisa séria, não há muito o que fazer a não ser seguir as regras da vigilância. Quando vi a mensagem dela e a curtida de Mike, eu sabia que meu amigo iria disponibilizar o quarto vazio para ela. Mike tem um coração de ouro e não a deixaria desabrigada tendo um quarto livre lá no estúdio. Já eu… parece que a raiva é mesmo um combustível perigoso. Eu ainda estava puto por ter tido minha moto guinchada e pelas provocações que se seguiram nos dias seguintes, já que Brianna pareceu aproveitar cada oportunidade que teve para me irritar. Sem pensar muito, liguei para Mike e cobrei todos os favores que ele me devia nos últimos anos para que o cara não oferecesse o quarto a ela. Se Brianna podia usar dessa estratégia com Wade, por que eu não? Funcionou, mas estou me sentindo um filho da puta do caralho agora que horas se passaram e me dei conta de que Brianna pode estar em sérios apuros, sem ter para onde ir. Como meu irmão ainda não apareceu, agarro o celular e ligo para Mike de novo. Meu amigo atende no terceiro toque. — O que foi agora, Thorn? — Falou com ela? — Falei, cacete. Estou até com vergonha, porque a Bree foi super compreensiva. Claro que foi. Brianna é uma pessoa maravilhosa, a ponto de o cômodo se iluminar quando ela chega. O responsável por transformá-la em um dragãozinho de vez em quando sou eu mesmo. — Olha, Mike. Pensei bem e acho que exagerei. Libera o quarto para ela. — Tá de brincadeira, cara? — Mike está irritado. Conheço esse tom de voz. — Eu sei, mas to me sentindo culpado pra caralho. — Com razão, porque a moça tá numa situação complicada. — Eu sei, eu sei. Liga para ela, por favor. Apenas não fala que eu disse nada. Deixa ela pensar que é uma rebeldia da sua parte. — Cara, vocês precisam acertar algumas pendências. Não estou nem um pouco disposto a ouvir os sermões de Mike. Nem mesmo minha mãe, no jantar familiar de ontem, conseguiu tamanha proeza. — Vou desligar — aviso. — Você cuida disso? — Deixa comigo. Desligamos e eu deixo meu celular sobre o balcão. Há três clientes tomando cerveja na mesa dos fundos, mas o movimento de verdade começa em uns quarenta minutos, quando o pessoal que adora um happy-hour vem para cá. Ainda pensando em Brianna, agarro um pano de prato e dou uma limpada no balcão de madeira. Não sei se estou me divertindo tanto assim com nossos duelos constantes. Na verdade, estou cansado. Minha relação com Brianna sempre foi fácil, de baixa manutenção. Gostávamos das mesmas coisas, ouvíamos as mesmas bandas e éramos amigos antes de eu perceber que estava completamente apaixonado por ela e me declarar no último ano do colégio. Ainda me lembro do nosso primeiro beijo na quadra de basquete, de quando eu a chamei para o baile de formatura com um grande gesto romântico na frente de todos os nossos colegas. Àquela altura, Bree já conhecia minha intenção de não fazer um curso superior, apesar de nossos planos iniciais de vivermos juntos na Califórnia. Havíamos decidido fazer funcionar, mesmo que parecesse difícil. A mãe dela morreu de repente, algumas semanas antes da colação de grau. Fiz o possível para apoiá-la e ficamos inseparáveis antes de ela partir, no fim daquele verão. Nenhum de nós dois tinha dinheiro para um celular mais moderno na época, mas ligávamos para o outro todas as noites. Quando ela completou 21, Brianna passou as férias aqui e decidimos viver uma aventura juntos, aproveitar cada segundo antes que ela voltasse para a Califórnia. Nunca mais me senti tão feliz como fui naquelas semanas que fiquei ao lado dela. Tirei uns dias de folga no trabalho e fizemos uma viagem de moto para Las Vegas e LA. Estávamos tão apaixonados e eu tinha uma certeza tão grande de que um dia me casaria com ela que não me preocupei com mais nada além de ouvir aquela gargalhada gostosa e memorizar o rosto lindo para tê-lo bem vívido em minha mente quando ela estivesse longe de novo. Então os turnos na mecânica aumentaram, as provas finais dela se aproximaram. O perfume de rosas sumiu do meu travesseiro mais uma vez. A distância foi crescendo de pouco em pouco; Brianna se formou e arranjou um emprego por lá. Eu não consegui me juntar a ela de novo até que… bem. Aqui estamos nós, dois inimigos declarados, que ainda agem como se tivéssemos dezoito. Meus pensamentos são interrompidos por um novo toque no celular. O nome de Mike aparece e eu estranho. Atendo o telefone e passo a mão no peito na tentativa de me livrar da aflição que as memórias me trouxeram. — Oi, cara. — Liguei para a Brianna. Deixo o guardanapo de lado. — E? — Ela arranjou outro lugar. Franzo a testa, sem entender. — Como assim ela arranjou outro lugar? A cidade está lotada. — Não sei, cara. Ela apenas disse isso. Acho que não precisamos nos preocupar. — Certo. Valeu, Mike. Guardo meu telefone no bolso, intrigado com o que acabei de ouvir. Mike disse que Brianna arranjou um lugar para ficar, o que não significa que ela partiu, certo? Baseado nos últimos dias, eu deveria ficar feliz com a possibilidade, mas não é assim que me sinto. A ideia de ver Brianna partir de novo me sufoca, numa contradição do caralho que não sou capaz de compreender. Talvez eu nem queira. — Luke, cheguei. Weston aparece atrás de mim no balcão e toca no meu ombro. O relógio agora marca sete da noite, o que significa que meu turno acabou. — Tudo sob controle por aqui. O fogão quebrou de novo, vou chamar um técnico que entenda porque já testei todos os meus conhecimentos e não adiantou. — Ok. — Weston me encara e… suspira. Suspira? O que tá acontecendo com o cara? — Tá tudo bem? — pergunto. — Sim. Comigo, sim. Que homem estranho. — Certo. Hoje estou cansado demais para os seus mistérios, então… bom trabalho, irmão. — Pode me fazer um favor? — Ele estende o braço na minha frente. — O quê? — O anúncio do quarto para alugar ainda está no site. Merda. Esqueci completamente de cancelar aquela porcaria do anúncio. — Eu cuido disso. Foi mal, com a confusão dos últimos dias nem me lembrei. Weston move os lábios no que quase poderia ser considerado um sorriso. Estou começando a ficar com medo. — Obrigado, Luke. Arregalo os olhos e deixo meu irmão, a caminho das escadas dos fundos que levam até nosso apartamento. Decido tirar o anúncio do ar de uma vez, antes que Weston perca a paciência. Subo os degraus abrindo o aplicativo, mas estranho o que vejo ali. Deve ser um bug, porque, ao que tudo indica, o quarto está alugado e o hóspede já realizou o check-in. — O quê? Clico para conferir as informações do sujeito e… meu sangue congela e todos os meus músculos tensionam. Pisco e esfrego os olhos, pois não é possível que eu esteja lendo isso. Acelero meus passos e corro para o apartamento, abrindo a porta com tudo. Assim que entro, quase caio para trás. Sentada no meu sofá, vestindo um pijama minúsculo, acariciando a cabeça do meu cachorro, está Brianna. Ela sorri para mim com todo o sarcasmo do mundo e solta uma risadinha, antes de cantarolar: — Olá, Thorn! Adivinha quemconseguiu um lugar para ficar? 10 BRIANNA A ��������� ������������ �� L��� T���� ������� ���� ��� � minha maior alegria nos últimos anos. E sim, talvez minha vida esteja triste demais ultimamente, mas vamos focar no que importa. Estou sorrindo enquanto ele se aproxima de mim, me apontando o dedo indicador. — Você passou dos limites, Brianna! Largue meu cachorro! Rio, porque o adorável Thor está super confortável com a cabeça deitada em meu colo há mais de vinte minutos. — Não vou largar nada. E quem é você, Luke Thorn, para me falar sobre limites? — Você invadiu a minha casa! O tom dele me atinge de um jeito diferente. Acho que, ao “invadir” o lugar seguro de Luke, devo ter despertado seus demônios mais perigosos. Meu Deus, eu sou mais do que apenas uma hóspede indesejada. Sou o mofo inesperado na casa dele. Sei que deveria já estar acostumada com o desprezo de Luke, mas… não consigo ignorar um sentimento tão poderoso quanto esse. Apenas não consigo. — Não invadi. — Gentilmente, tiro Thor do meu colo e me levanto. — Aluguei o quarto com o proprietário do apartamento. Pode conferir no seu aplicativo. Todos os meus dados estão lá. — Merda, Brianna… — as palavras saem entre dentes. — Por que está fazendo isso? Eu? Luke tem mesmo uma cara de pau. Mas se ele pensa que não vou falar as verdades que ele precisa ouvir, está muito enganado. Estou me segurando esse tempo todo, dançando esta valsa ridícula que ele decidiu tocar. Agora chega. Estou cansada de sorrir quando tudo que quero fazer é gritar. — Eu jamais faria isso se você não tivesse sido tão babaca, Luke. Sabe, entendo que conviver comigo seja difícil para você, considerando o quanto me odeia e tal. Mas ligar para o Mike quando eu precisava de um lugar para ficar? Isso realmente me surpreendeu. A casa da minha avó está interditada! Não estou me mudando para cá porque acho divertido ser mal-tratada por você e por essa versão cruel que se tornou, mas apenas para provar que tente o quanto quiser por quanto tempo quiser, não vou sair correndo apenas para que fique satisfeito! Quando paro para respirar, meu rosto está quente e minha cabeça dói. Respiro fundo, me viro e passo por Thor, a caminho do quarto que Weston indicou que seria o meu. Fecho a porta e finalmente posso sentir a tensão correndo por minhas veias, amortecendo meus membros a ponto de me deixar exausta. Meus olhos estão úmidos, mas me recuso a chorar. Talvez brigar com Luke esteja me levando aos limites, mesmo. A alegria de minutos atrás já foi embora, abrindo espaço para essa versão estourada de mim, para a Brianna que só sabe odiar. Não sou assim, não gosto de ser e nem quero aprender. Não sei o que Luke faz pela próxima hora, mas mantenho a porta fechada enquanto guardo minhas roupas na gaveta. Chris me manda duas mensagens genéricas como faz todos os dias e o ignoro, sem paciência para lidar com mais um macho que se acha dono do mundo. Atendo apenas quando Ashley liga, provavelmente para saber como estou. — Oi, amiga. — Conta tudo. Ele já chegou? Sento na beirada do colchão e suspiro. — Sim e já discutimos. Fiquei feliz por dois segundos, mas então ele abriu a boca com aquela repulsa toda e eu apenas… — Minha voz treme. — Como chegamos até aqui? — Oh, Bree. Será que essa ideia foi péssima? Vai ser muito difícil ficar aí? — Não sei. É só que odiar Luke é algo que me exige esforço. Quase me dói. — É claro que sim. Ele foi o seu primeiro amor. Meu único amor, na verdade. Guardo o comentário para mim. — Preciso descansar. Tive um longo dia e estou trancada aqui no quarto enquanto ele lida com essa reviravolta. — Isso aí. Mas, Bree, não insista muito se perceber que isso vai te fazer mal, ok? Você pode vir para cá, se quiser. Sou muito grata à minha amiga, mas acho que preciso honrar meu compromisso com Weston. O cara cedeu a um pedido meu, ainda que soubesse que as coisas entre mim e Luke poderiam se complicar. O jeito é esperar para ver. De qualquer forma, contanto que eu tenha um lugar para dormir e um banheiro limpo para usar, não me importo em passar mais tempo no quarto quando estiver em casa. Sei que Luke alterna os turnos do bar. Uma rotina ocupada facilitará nossa vida. — Obrigada, Ash. Amanhã mesmo vou falar com Cinthia pra verificar quanto tempo precisarei ficar fora. — Beleza, Bree. Dorme bem, tá? — Um beijo, amiga. Desligo e deixo o celular de lado, sentindo-me um tanto mais calma. É sempre bom dividir meus anseios com alguém que me entenda, e Ashley definitivamente me entende. Ela acompanhou toda minha história com Luke. Do momento em que nos declaramos até virarmos esses rivais sanguinários, Ash esteve ao meu lado e me ajudou a superá-lo. O que acabo de perceber que é um conceito um tanto duvidoso. Será que o superei mesmo, ou apenas passei a última década fingindo que meu amor por Luke não me sufoca? Que a ausência dele é tão presente que prefiro me manter em negação todo esse tempo? Reflexiva e desanimada, desisto de ajeitar tudo. Agora estou deitada encarando o teto do quarto e sinto fome, mas ainda estou na dúvida se deveria voltar para a cozinha. Quem garante que não vamos discutir de novo? Como se ouvisse meus pensamentos, ele bate na porta. — Brianna? A voz grave parece calma. Respondo sem me mexer: — O quê? — Pode abrir, por favor? Por favor? Uau, parece que temos uma novidade por aqui. Devagar, ajeito meu cabelo sobre um ombro e me levanto, abrindo a porta como ele pediu. Luke está com um braço forte apoiado no batente e a arrogância de antes parece ter ficado de lado, ao menos por ora. — Se quer brigar agora, estou cansada. Ele suspira e fixa o olhar no meu. — Precisamos conversar. Essa nossa situação está insustentável. Rio, completamente sem humor, embora pareça engraçado. — Conversar sobre o quê? — Não aguento mais, Bree. Essas brigas, essas sabotagens. Essa… versão babaca que me torno quando você está por perto. Ao que parece, Luke não está me acusando de nada. Apenas por isso, estou disposta a escutá-lo. Cruzo os braços na altura do peito, mas não o convido para entrar. — Estou ouvindo. Ele endireita a postura, pensando por um instante. — Eu não deveria ter ligado para o Mike. Foi um exagero da minha parte, algo que fiz porque estava com raiva. — Sim, foi. Especialmente depois que pedi para Teddy não cobrar qualquer taxa de você. Luke faz uma careta de desgosto. — Se faz diferença, liguei pra ele depois e disse que estava arrependido. Hum. Deve ser por isso que Mike me ligou há pouco, dizendo que eu poderia ir para lá se quisesse. Honestamente, não sei como me sentir. — Eu já tinha falado com o Weston quando ele me ligou. Luke assente. — Agora, sei disso. Como foi que descobriu sobre o anúncio? Penso numa resposta rápida que não comprometa minha amiga. — Eu tive a ideia de abrir o aplicativo e procurar. Estava quase saindo para tentar ficar em alguma cidade aqui perto, mas isso me pareceu uma vingança à altura. — E foi, claro. Quantos dias você e Weston acordaram? — Dez, inicialmente. Ele arregala os olhos como se fosse a eternidade. — Saiba que vou ficar aqui enquanto seu irmão permitir — vou logo avisando. — Pode ser que sejam mais. Luke não parece exatamente preocupado com isso. Na verdade, ele parece exausto. Acho que ambos estamos. — Olha, Brianna, eu me rendo. — Ele levanta as mãos na frente do corpo. — Fui eu quem começou esta guerra sem propósito, mas aceito minha derrota como o homem de trinta e três anos que sou. Não tenho mais energia para brigar com você. Quero gritar “aleluia”, mas me contenho. — O que isso significa? Está declarando uma trégua ou… — Significa que preciso encarar a realidade e aprender a lidar com sua presença de novo. Apenas… não é fácil, Brianna. Digamos que passei anos aprendendo a fazer o exato oposto, então… Pela primeira vez desde que retornei para Maple River, consigo enxergar o Luke por quem me apaixonei um dia. Droga. Assim vai ser ainda mais difícil dividir um teto com esse homem. — Não é simples para mim também, Luke. Eu nunca quis nada disso. TalvezLuke não estivesse esperando que eu baixasse a guarda tão cedo. Mas o que posso fazer se, assim como ele, não aguento mais essa situação? — Você jogou bem, Bree. — Foi apenas um reflexo. Você sabe que reajo com vontade quando me sinto ameaçada. Luke quase sorri. É nesse momento que percebo o quanto sinto saudades do sorriso dele. — Isso não mudou, então? Balanço a cabeça de um lado para o outro. — Ao menos isso. Quero acreditar em você, Luke. Minha natureza calma e amigável tem estado em crise nos últimos dias. Mas, se o caminho escolhido por você for o da hostilidade, vou responder à altura. — E se não for? Dou de ombros. — Agora, só quero minha casa de volta livre de qualquer mofo. Minhas ambições estão modestas. — Certo. — Ele passa a mão no cabelo, contraindo o bíceps enorme. — Como a última jogada suja veio de mim, vou tentar me desculpar. Estou indo para o bar pegar algo para comer. Devo trazer algo para você? Meu estômago ronca em resposta. Caramba, estou mesmo com muita fome. — Vou aceitar. Prometo que a partir de manhã eu me viro nas refeições. Vou ficar aqui, mas não pretendo cruzar os limites das terras que me exilaram. Luke franze a testa, demorando um instante para entender. — Ah, você diz o bar? — Claro. Meu nome está na lousa, não está? Ele revira os olhos. — Vou apagar aquela merda amanhã. — Só acredito quando estiver feito — tento não parecer animada. A verdade é que Maple River é um ovo e ser banida do bar prejudicou e muito minha vida social de senhora. — Me dá uns vinte minutos — ele diz. — Volto logo com o jantar. Observo Luke desaparecer no corredor e solto o ar, ainda em dúvida do que acabou de acontecer. Honestamente? Vou bancar a Poliana e acreditar na palavra dele. Por ora, isso é tudo que me resta. 11 BRIANNA D����� ���� ���� ��� ��� L��� ������� �� ��� ��� ���� embalagens descartáveis nas mãos. Enquanto aguardava, resolvi colocar a pouca louça suja na lava-louças e arrumei as almofadas que havia tirado do lugar. Weston e Luke são homens organizados, estou impressionada. O apartamento tem uma cozinha aberta com uma bancada que separa o cômodo da sala de jantar. Os armários são brancos, em madeira. No corredor, há três quartos e um banheiro aos fundos, mas Weston me pediu para ficar à vontade pois ele tem um banheiro próprio. O que significa que terei que dividir o espaço com Luke. O mesmo em que ele fica pelado, uma imagem que minha memória ainda guarda depois de todos esses anos. Não é possível que eu ainda sinta tesão por ele depois de tudo, é? Ele fecha a porta e sorri para Thor, que pula nas pernas dele com um alegria canina de dar gosto. — Peguei macarrão à carbonara — ele me diz. — Eu adoro. Obrigada. Aceito a embalagem, abro o armário da cozinha e alcanço um prato e garfo, juntando tudo e pronta para voltar para o meu quarto. Assim que dou os primeiros passos, ouço Luke me chamar. — O que tá fazendo, Brianna? Olho para ele, sem compreender. — Eu… vou comer no quarto. Achei que você gostaria de jantar em paz. Ele passa a mão nos olhos cansados. — Por favor, fique aqui. Depois dos eventos do dia, consigo sobreviver à droga de um jantar. Não é a declaração mais animada do mundo, mas vou aceitá-la, considerando o quanto não curto muito comer na cama. Puxo uma banqueta na bancada e me acomodo, concentrada em abrir a embalagem e não pensar nesse homem olhando para mim. Luke faz o mesmo, após fazer um carinho na cabeça de Thor e relaxar a postura. A primeira garfada é mágica. Solto um murmúrio de satisfação com a boca cheia enquanto mastigo. — Nossa, que delícia… Luke concorda, comendo também. — Gabriel manda bem, deve ser algo com o nome. Eu sempre brinco que ele poderia conquistar uma estrela Michelin se quisesse. Paro com o garfo cheio de macarrão no ar. — Espere. Isso por um acaso é uma referência a Emily em Paris? Luke continua mastigando ao me encarar, achando graça. — Talvez. — Você assistiu Emily em Paris? — Não consigo acreditar. O homem que namorei nunca curtiu esse tipo de série. Luke é um dos caras de CSI, Dexter ou qualquer coisa que contenha muito sangue e ação. — Torci o tornozelo no verão passado e fiquei de molho por uns dias. Ashley sugeriu a série e dei uma chance. — Mas gostou? — Estou quase me divertindo. Ele dá de ombros. — É legal. Quer dizer, Paris é um lugar bonito. Claro, claro. Rio e coloco mais uma garfada do macarrão na boca. Luke assistindo romance… por essa eu não esperava mesmo. — Vou pegar um pouco de vinho. Quer? — Ele me oferece. Aceito, porque considerando como estamos agora, um pouco de vinho cairia muito bem. Mantenho-me em silêncio enquanto ele serve duas taças e estende uma para mim. — Obrigada. — Bebo um gole talvez largo demais. — E… seu tornozelo melhorou? Luke volta a se sentar e confirma com um aceno de cabeça. — Sim, foi apenas um acidente descendo as escadas do bar com um caixote na mão. — Entendi. Mais silêncio. — Como vai a vida em Los Angeles? — A pergunta agora vem dele. Parece que estamos jogando tênis de mesa. Não com a vontade de conquistar uma medalha olímpica, mas como se estivéssemos matando tempo num domingo à tarde. — Vai… bem. Luke para de comer e endireita a postura ao alcançar a própria taça de vinho. Ele está me analisando, agora. — Tão ruim assim? Droga. Odeio saber que ele ainda me lê com facilidade. — Os últimos meses foram complicados. Eu realmente poderia começar a tagarelar sobre meus inúmeros problemas. Sobre meu término com Chris depois que ele se mostrou um cretino, sobre eu ter sido demitida ou sobre o fato de que estou com 33 e nunca me senti tão perdida como agora. Às vezes penso na minha mãe e no que ela diria ao me ver assim, sem rumo e sem saber em que direção seguir. O aniversário dela seria na semana que vem e a saudade já começou a apertar. Luke sempre me consolava na data, me abraçava e entendia a tristeza que tomava conta de mim. Não duvido que ele pudesse me ajudar mais uma vez, como nos velhos tempos. É só que… estamos “nos dando bem” há apenas quinze minutos. Por mais que me doa admitir, não sei se confio em Luke a ponto de abrir meu coração e alma assim para ele de novo. Não ainda. — Complicados… Mas você gosta de viver lá, certo? — Ele contorna a borda da taça com a ponta do dedo. — LA é uma ótima cidade. É bonita, bem… grande. — Fui até lá há dois anos. Arregalo os olhos em surpresa. Luke foi para Los Angeles? — Sério? — Sim, participei de um workshop que seria interessante para o bar. A informação me causa impacto. Começo a me perguntar se Luke pensou em mim quando estava lá, o que é uma bobagem completa. — O que achou da cidade depois de tanto tempo? Ele dá de ombros. — Tive lembranças. Comigo? Será que ele se lembrou de quando estivemos lá, em nossa viagem para comemorar meu aniversário de 21? Foi… maravilhoso. A melhor viagem da minha vida, não apenas porque eu estava com ele, mas porque acho que aqueles dias foram os mais felizes que passei desde então. — Sei… — Ainda prefiro algo menor. — Como Maple River. Sim, são estilos diferentes. — Bem diferentes. Não sei, talvez vivendo permanentemente numa cidade daquele tamanho eu me sentisse solitário. Esses olhos azuis são poderosos. Não entendo o que Luke está fazendo aqui, mas parece que ele acabou de me despir. — Você não pensou em sair daqui de novo? — pergunto. — Depois de tudo, não. Eu trabalhava demais para pensar em algo que não fosse chegar em casa e capotar. — Eu me lembro — deixo escapar. Não estou mentindo. Um dos motivos que me fizeram tomar a decisão de terminar era que, além de me sentir solitária e impotente, eu sabia o quanto Luke se sacrificava. Ele fazia o melhor que podia, juntava o pouco dinheiro que tinha para conseguir me visitar. Meu orçamento também era apertado, com a mensalidade e o aluguel. Era difícil conseguir voltar para Maple com a frequência que desejávamos. Como a decisão de permanecer em LA foi minha, não achei justo com ele. Com a gente, já que estávamos há quatro anos tentando. Quatro anos em que os momentos de alegria eram lindos, masficavam cada vez mais raros nas rotinas insanas que nos engoliram vivos. Já estávamos com 23, trabalhando feito loucos e mal conseguíamos nos falar. — Você sempre trabalhou muito, Luke. Eu fico muito feliz que tenha conseguido realizar seus sonhos. Ele aperta o garfo com força. — Eu achei que se ressentisse. — Por você trabalhar? — Por eu não ter conseguido ir para LA após sua formatura da faculdade. — Nunca. Claro que não, eu apenas… sentia sua falta. Nossos olhares não se desviam por um instante muito longo. É como se o tempo parasse. — E o mofo em sua casa? — Luke muda de assunto e bebe mais um gole do vinho. — Vi a mensagem no grupo, mas você não entrou em detalhes. — Não sei ainda quão grave é a situação. Cinthia me explicou que vai mandar um profissional analisar as manchas e ver se é algo estrutural. Espero que não ou os gastos serão altos. Isso sem contar a interdição. — Deixo o garfo de lado ao terminar de comer. — Papai me disse que vai dar tudo certo. Vou acreditar nele. — Como está John? — Ele prossegue o diálogo. Luke parece mais relaxado agora, embora eu não acredite que esteja totalmente à vontade. — Está bem. Vai se casar. — Ah, é? Com Joyce? — Sim, com ela. Eles decidiram e parece que papai reservou um dos salões do Plaza para a cerimônia. Luke sorri de lado. — O Plaza… Se aqueles corredores falassem. Coro, porque não estava esperando por esse comentário. As lembranças de Luke e eu nos agarrando nos corredores do hotel, aproveitando cada momentinho de paixão me atinge de jeito. Quase consigo sentir sua pele na minha, o perfume amadeirado em minhas narinas, a sensação de pertencimento e da certeza de que eu havia nascido para amá-lo. Para mim, Luke e eu éramos alma-gêmeas, destinados um ao outro por algo muito maior do que nós. Estou há dez anos sem tocá-lo e ainda me lembro do quanto adormecer nos braços dele era o momento favorito do meu dia. — Pois é! — Suspiro e me levanto em direção à cozinha, porque tenho que fugir dele. Misericórdia, um jantarzinho de nada e estou assim? Meu coração parece acelerado e estou com vontade de chorar. Esse homem vai acabar me enlouquecendo. — Vou colocar essa louça para lavar e dormir. Tive um longo dia, hoje. Pelos próximos segundos, tudo que ouço é o barulho dos pratos tilintando na lava-louças. Luke se levanta também e vem até mim, esperando com paciência ao meu lado enquanto termino de ajeitar tudo. — Pode deixar comigo — ele me diz, quando peço pelo prato dele. Mas estamos perto demais agora e não sou forte o bastante para insistir em realizar a tarefa. — Claro. Eu… vou dormir agora. Ele assente e não olha para mim ao prosseguir com a arrumação da cozinha. Me afasto e termino de esvaziar minha taça de vinho num gole só. Quem dera não ficasse tão indelicado eu levar a garrafa para o quarto. Dou alguns passos corredor adentro e então paro, apenas porque não consigo me conter. — Luke? — Eu me viro de novo. Ele levanta o rosto, me encarando com atenção. — Sim? — Obrigada pelo jantar. E… por tentar. Com calma, ele fecha a lava-louças e engole em seco. — Não quero ser o cara que descreveu mais cedo. Nunca quis ser cruel com você, Brianna. Sei disso. Agora, de frente para ele e essa honestidade toda, não tenho por que duvidar. — Você não é. Eu também não fui um exemplo. Desculpa por jogar a cerveja em você naquele dia. — Acho que mereci. — Sim, mas… desculpa assim mesmo. Luke assente e levanta o canto dos lábios. Por que, Deus, ele precisa ser assim tão lindo? — Boa noite, Bree. — Boa noite, Luke. Então eu o deixo ali, perguntando-me por que estou com a sensação de que algo importante mudou entre nós e o que raios isso significa. LUKE Estou sentado em um degraus da escadaria do apartamento, quase terminando meu cigarro quando Weston surge na porta dos fundos do bar. — Acordado, ainda? — meu irmão me pergunta. — Pensei que tinha largado essa merda. Dou uma última tragada e apago o cigarro no cinzeiro ao meu lado. — Larguei, mas precisava de algum escape esta noite. Weston assente e continua me encarando. Não é preciso ser um gênio para perceber o quanto estou destruído. — Todo mundo vivo lá em casa? — Sim, sua hóspede já foi dormir. Ele põe a mão no bolso da calça. — Você foi longe demais com a história do quarto, Luke. Assinto, primeiro porque é verdade e depois porque estou cansado de discutir. Nas últimas horas, conversei com Brianna de forma civilizada pela primeira vez em anos e me sinto péssimo, de um jeito diferente do que quando brigávamos. Ouvi-la dizer que eu era um cara cruel foi terrível. Não quero ser um babaca, não quero machucá-la. Cacete, eu nunca quis nada disso. Tudo que sei é que estou exausto dessa rivalidade e declarar Brianna como a vencedora de nossos embates talvez tenha sido minha decisão mais inteligente dos últimos tempos. Ainda que eu não faça ideia do que isso significa para nós. — Eu e ela nos acertamos. — Eu me levanto. — Cansei das brigas, cansei de discutir. Eu me rendi. — Se rendeu? — Se Brianna jogou bem e alugou o quarto com você, que seja. Acho que nossa relação nunca vai ser simples. — E o que vai fazer agora? — Weston me pergunta. Fico em silêncio, porque… não faço a menor ideia. Tudo que sei é que preciso arranjar um jeito de sobreviver à presença de Brianna em minha casa nos próximos dias. 12 LUKE O� �������� �� ������� ��� �������� ���������� ���������� ��� mim. Hoje, contudo, me sinto um tanto desconfortável. Eu realmente deveria ter seguido meus instintos e ficado em casa. Enquanto Ethan e Finn se encarregam de preparar a refeição, estou sentado em uma das poltronas da sala de estar do meu irmão caçula, com minhas duas cunhadas me encarando. E eu sei que ambas estão pensando em Brianna. Desde que Bree mudou para o meu apartamento, não se fala em outra coisa na casa dos Thorns. Como se não bastasse ter que sentir o aroma de rosas o tempo todo, ou ter que ouvi-la quando está no chuveiro ou cantarolando músicas antigas ao usar o laptop. Fico duro todas as noites, ao lembrar que ela está no quarto ao lado e que não posso simplesmente puxá-la para perto e matar essa saudade que me enlouquece. Talvez, seja apenas tesão. Estou sem transar há tempo demais e Brianna sempre foi um ponto fraco. Preciso que seja isso ou perderei a cabeça. Preciso parar de inventar moda antes que me ferre de novo. Sou melhor do que isso à esta altura da vida, pelo amor de Deus. — Quer alguma coisa, tio Luke? — minha sobrinha Zoe pergunta, tirando os olhos da tv. — Eu aceito água, Zoe-cat. — Vou pegar. — Ela se levanta e vai até a cozinha. Assim que fico sozinha com as adultas, resolvo ir direto ao assunto. — Ok, chega disso — digo, colocando a tv no mudo. — Vou responder apenas uma pergunta de cada, porque me considero um cara legal. Kate e Norah trocam um olhar. As duas se juntaram a família a menos de um ano, mas minha mãe fez o favor de narrar minha história com Brianna em detalhes no último domingo. Não que eu tenha ficado para ouvir, pois estou farto desse assunto que parece ter dominado a cidade inteira. Morar em um lugar do tamanho de um ovo tem muitas desvantagens. — Três perguntas — Kate fala. — Uma. — Duas, então! — Norah aponta o dedo para mim. — E prometemos não insistir. Respiro fundo e assinto. Essas duas são duronas e não vão me deixar em paz se eu recusar. — Duas. — Vocês ainda estão brigando? — Norah franze as sobrancelhas suavemente. — Não. Kate prossegue: — Soube que você apagou o nome dela da lousa. É verdade? — Sim. — Imagino que essa convivência esteja sendo… — Norah pensa no que vai dizer a seguir — complicada? É uma palavra interessante para definir minha situação. A verdade é que estou fugindo de Brianna o quanto posso. O maldito perfume dela parece ter dominado a casa e só de saber que ela está no quarto ao lado já me enche de tesão e uma urgência de abraçá-la. — Complicada, sim. — O que é complicado? — Finn retorna da cozinha com um pano de prato no ombro. Kate olha para ele e sorri levemente. — Luke concordou em responder duas perguntas decada sobre Brianna. Estou pensando na minha segunda. — Eu tenho uma. — Meu irmão se vira para mim. — Quando vai deixar de ser um idiota e se acertar com ela de vez? As duas mulheres parecem gostar do que ouvem e aguardam minha resposta em expectativa. Como se fosse simples desse jeito. Estou quase respondendo algo mal-educado quando Zoe retorna com minha água. — Aqui, tio Luke. — Valeu, Zoe. — Eu aceito o copo e bebo o líquido de uma vez só. — Você ainda não respondeu, Luke — Kate me lembra. — Respondeu o quê? — Ethan surge na porta da cozinha. Era só o que faltava, ser encurralado desse jeito. Entendo que eles estejam interessados em saber da minha vida, mas me reservo no direito de me preservar. Pensar em Brianna tão próxima e, ao mesmo tempo, tão longe de mim dói pra caralho. Nossa história já era e eu preciso aceitar. Somos apenas memórias de um tempo que não vai retornar e falar sobre isso não vai ajudar em nada. Dou um impulso com as pernas e me levanto. — Eu vou embora — digo, tirando a chave do bolso. — Por que, tio Luke? — Zoe pisca os olhos azuis para mim. — Não estou no meu melhor dia hoje, Zoe-cat. — O que tá acontecendo, cara? — Ethan parece perdido. — Luke, a gente para de te importunar. Finn, fala para ele — Kate cutuca meu irmão, mas Finnick não parece preocupado. — Não me arrependo da pergunta, Luke. Se eu fosse você, levava ela para casa para refletir. Reviro os olhos e viro a chave no dedo, a caminho da porta da frente. — Que pergunta? — Ethan insiste, e Norah se levanta e sussurra no ouvido dele. Ele faz uma careta ao me encarar: — Vai embora por causa disso? — Vejam, eu não quero ser um babaca, mas também não sou feito de ferro, ok? Daqui a pouco nossos pais e Weston chegam e esse interrogatório só vai piorar. Ainda estou digerindo os últimos acontecimentos. Nenhum deles me contradiz. — Vejo vocês depois — me despeço e fecho a porta atrás de mim. A noite está fresca e eu me apresso ao subir na moto e partir, na intenção de não cruzar com a caminhonete de Wes e ter que responder a mais perguntas. No caminho, penso se devo passar em algum lugar ou ir para casa. Decido pela segunda opção. Tim me contou que Brianna jantaria com eles hoje, então ao menos estarei sozinho com Thor. Chego em frente ao apartamento e estaciono a moto junto ao meio fio. Subo as escadas me sentindo péssimo. Nem mesmo a recepção alegre do meu cachorro consegue me ajudar, mas faço um carinho na cabeça dele mesmo assim. — E aí, cara? Levanto o rosto e vejo Brianna no balcão da cozinha, algo que definitivamente não estava esperando. Merda. A mulher está com shorts curto e camiseta, sem sutiã e descalça. Linda pra caralho, para meu eterno tormento. — Luke? Achei que fosse jantar no Ethan hoje. — Ela está igualmente surpresa em me ver. — Eu ia, mas estou com dor de cabeça. Bree concorda com um aceno de cabeça. — Daniel passou mal na escola e Ashley desmarcou. Acabei ficando por aqui. — Certo. Ficamos em silêncio, encarando um ao outro. — Estou fazendo um macarrão instantâneo — ela diz. — Se estiver com fome, faço mais um. Não é tão saboroso, mas fica comestível. — Um sorrisinho aparece em seu rosto. O convite é doce e gentil. Quero aceitar e ouvir sobre como foi o dia dela, apenas não sei se é uma boa ideia. Na verdade, não consigo nem mesmo pensar direito quando estou na presença de Bree. Tudo nela me desestabiliza. Meus órgãos entram em curto-circuito, meus membros amortecem e preciso me lembrar de que ela é apenas minha colega de apartamento temporária. — Acho que vou descansar, Bree. Mas valeu. Outro aceno. — Imagine, Luke. — Ela desvia o olhar e mexe a colher na panela sobre o fogão. — Melhoras para você. Com Thor atrás de mim, sigo até meu quarto com os punhos cerrados. Meu coração martela dentro do peito e fecho os olhos ao fechar a porta atrás de mim, ignorando o quanto meu corpo anseia por estar perto dela. BRIANNA Ainda estou com fome quando ouço as patinhas de Thor contra o piso de madeira. Deitada no sofá enquanto assisto televisão, olho para trás e me surpreendo com Luke se aproximando, caminhando devagar pelo corredor. O homem está fugindo de mim como um vampiro foge do sol. Pensei que ele jantaria fora hoje, por isso tomei a liberdade de ficar à vontade por aqui. Luke claramente ficou surpreso quando me viu, mas achei a desculpa da dor de cabeça uma boa saída para o constrangimento que é dividirmos um cômodo. — Melhorou? — pergunto a ele. — Mais ou menos — Luke vai até a cozinha e tira um copo limpo do armário. — Tá assistindo o quê? Olho para a tela da tv e me situo. — Eu estava apenas mudando de canal. Ele bebe um gole de água e assente. — Posso ficar aqui? — Luke, a casa é sua. — Sento num impulso, livrando dois lugares do sofá. — Pode vir, claro. Eu não mordo, sabia? Os lábios dele se curvam e é como se eu conseguisse ler a mente poluída. Para ser honesta, eu bem queria dar umas mordidas nesse corpo delicioso. Estou com o rosto quente quando ele vem até o sofá e se acomoda. Luke contorna a borda do copo com o dedo, pensando do que dizer. Da minha parte, também não faço ideia do que podemos conversar. — Como vai o bar? — pergunto num impulso. — Vai bem. — Ele me encara. — É o que você pensou que seria? Me lembro bem de quando Luke sonhava alto em ser dono do bar da cidade. Maple River tinha algumas espeluncas, mas nenhuma chegava perto do que ele tinha em mente construir. Luke queria o pacote completo: um lugar com um balcão enorme, uma quantidade significativa de bebidas, mas que também podia servir como restaurante durante o dia. — Eu acho que agora cheguei onde queria, sim. Weston teve ótimas ideias, como a noite de karaokê. A galera da cidade gostou bastante. — Imagino que seja melhor do que trabalhar na mecânica. Luke assobia de um jeito charmoso. — Carl é um cara legal, mas ali estava puxado para mim, Bree. — Em que sentido? — Abraço uma almofada. — Como eu digo isso sem parecer um ingrato? — Luke deixa o copo de lado e coça o queixo. — Digamos… que Carl se recusa a modernizar o negócio. É complicado. — Entendo. O negócio não era seu, certo? — Exatamente. Agora, com o bar, posso agir como quiser. Cometi erros, é claro. Errei pra cacete, na verdade, mas no final o saldo acabou sendo positivo. Um orgulho besta toma conta de mim. Luke Thorn não é mais um jovem sonhador. Ele é um homem completo, agora. Responsável e maduro. Se isso não cruzasse todas as linhas possíveis, eu com certeza o abraçaria. — Que bom, Luke. O bar realmente ficou lindo. E falo como alguém que sentiu o impacto de ser banida, então… Ele ri e eu derreto com o som profundo e rouco. Luke sabe mesmo me deixar rendida, mesmo depois de todos esses anos. — Apaguei seu nome, ok? — Eu sei. E, mesmo com dor de cabeça, está aqui conversando comigo. Ele faz uma careta e bagunça o cabelo. — Porra, Bree… Não dá pra pelo menos fingir que acredita em mim? Quem ri sou eu desta vez. — Eu acreditei! Luke está se fingindo de emburrado quando mudamos de assunto e passamos a falar sobre os Thorns. Ele me conta sobre seus irmãos e novas cunhadas, sobre Zoe e como dividir um apartamento e um cachorro com Weston os aproximou. Os olhos de Luke brilham ao falar da família e minha mente divaga, perguntando-se se um dia Luke vai querer se casar também, se vai querer formar uma família com uma mulher de sorte. Talvez eu tenha pensado nisso demais, pois estou encarando o nada quando ele me diz: — Acho que vou dormir de verdade agora. Volto a olhar para ele. — É. Boa ideia, eu também vou. Atrapalhada, eu desligo a tv e levanto rápido. Luke faz o mesmo, o que resulta em nossos corpos colidindo, um de frente para o outro. Minhas mãos espalmam os músculos fortes do peito dele e eu olho para cima, para o rosto sério. — Descul-pa — gaguejo, nervosa. Luke balança a cabeça e engole em seco. O olhar dele me consome, faz meu coração disparar e eu quase caio quando ele acaricia meu ombro direito devagar, afastando o cabelo dali. Estou a um impulso de ficar na ponta dos pés e unir nossas bocas, defechar os olhos e beijá-lo com o desespero que estou sentindo por dentro. — Vá para o seu quarto, Brianna — ele diz. O encanto é quebrado, mas ele está certo. Meu Deus, o que diabos eu estava pensando? Ficar com Luke, depois de tudo que aconteceu, seria complicado demais. Seria um erro, talvez o pior que já cometemos. Abalada, eu dou um passo para trás e pigarreio. — Boa noite, Luke. Não espero a resposta e o deixo sozinho na sala. Tranco a porta do quarto e somente então consigo respirar de novo. Cacete. Luke Thorn ainda vai acabar comigo. 13 BRIANNA O “F������� ��� F�����” ������� � �� ����� �� ������� �����. Eu e Ashley estamos aqui na barraquinha de tortas da Jo, enquanto o resto de Maple River se divide nas mais variadas atividades. A praça central está organizada em setores com nomes de flores, e tudo é tão colorido e primaveril que é impossível não se contagiar com a alegria dos moradores e visitantes. Tomo um segundo gole da limonada de rosas que Beth inventou (e que tem gosto de sabonete, embora nenhum de nós tenha contado para ela) e relaxo as costas na cadeira, sorrindo para minha amiga enquanto observamos o movimento ao redor. — Como pude ficar longe dessa lindeza por tanto tempo? Ashley sorri de volta, alisando a própria barriga. — Você se culpa demais por ter apenas vivido sua vida, Bree. Adoro como ela me entende sem que eu tenha dito nada. — Será que vovó era solitária? Eu sempre penso nisso. Sinto-me culpada quando me lembro que estava sendo engolida pela rotina da vida adulta. — Sua avó era feliz. Ela estava orgulhosa de você por ter conseguido se formar e pelo emprego. E ninguém é solitário em Maple River, amiga. Ela sempre dizia que você ligava todos os dias. Não esqueça que sua tia viveu aqui nos últimos cinco anos, também. Eu ligava praticamente todos os dias. Tentei de tudo para ser uma neta presente, mesmo que tivesse a sensação de estar falhando de novo e de novo. Convidei ela para viver comigo, mas vovó era muito relutante em deixar sua cidade natal. Minha tia, que é viúva e a irmã gêmea de mamãe, se aposentou e veio morar com ela justamente para que passassem mais tempo juntas. Depois do falecimento, ela preferiu voltar para Denver e hoje vive com a minha prima e a família dela. — Me pergunto se tomei a decisão certa em ficar ali — confesso a ela. — O emprego era ótimo, mas me custou muito. — Qualquer um em seu lugar teria feito o mesmo. E por que estamos assim tão nostálgicas? Dou de ombros, sentindo o cheiro gostoso das flores e ouvindo as risadas soarem ao nosso lado. — Sei lá. Talvez viver com meu ex tenha causado um efeito em mim. — Falando nele… Ashley aponta com a cabeça para direção de Luke. Alto e forte, ele está tirando fotos de Finn e Kate no arco das flores, enquanto Thor abana o rabo ao lado deles. Martha e Tom Thorn estão por ali também, esperando a vez deles de posar. — A família toda está aqui hoje — comento, pois há Thorns em todos os lugares. Weston ficou responsável pela cerveja do evento. Ele é um bom colega de quarto, calado e que não faz muitas perguntas. Não acho que Luke e ele tenham brigado após ele aceitar alugar o quarto para mim, mas, se fizeram, foi de um jeito muito discreto. Ethan, Norah e Zoe também já passaram por aqui. A garotinha sorriu para mim e me deu tchau, antes de começar a brincar com Luke, que descobri ser o tio favorito. Martha também falou comigo mais cedo, me abraçando com tanta ternura que cheguei a ficar emocionada. A verdade é que sinto falta de conviver com os Thorns. Eles foram um grande apoio para mim e vovó quando mamãe faleceu e, com os quatro anos de relacionamento que eu e Luke tivemos, acabaram se tornando minha família também. — Eles continuam animados — digo para Ashley. — E quanto ao Luke… Por que ele precisa ser tão gostoso? Meus olhos correm por cada centímetro desse espécime delicioso de mais de 1,90. Ele está com uma camiseta que deixa os braços musculosos à mostra, assim como as tatuagens. Ashley inclina a cabeça ao analisá-lo. — Ele treina bastante, é verdade. — Não é só isso. Há algo no rosto dele, naquela barba por fazer e nos poucos fios grisalhos que o deixaram… homem, sabe? — Coloco o canudinho na boca. — Acho que preciso transar, Ash. Ela se engasga com a própria limonada e ri. — Com o Luke? — Não! Quer dizer, isso seria uma má-ideia. — Suspiro. — Eu nunca conseguiria ter uma relação com Luke que fosse apenas sexual. Há história demais envolvida. Demais, especialmente porque Luke foi o único homem com quem senti prazer em minha vida. Perdi a virgindade com ele aos 20, quando já estava na faculdade. Ele teve paciência até que eu me sentisse pronta para esse passo, mas quando finalmente transamos… minha nossa, faíscas e fogo para todos os lados. Nossa conexão de peles era maravilhosa, honesta e cheia de paixão. Ainda me lembro do toque das mãos calejadas dele, dos beijos no pescoço e de como Luke memorizou cada contorno do meu corpo. Ele me beijava com necessidade, desespero. Como ficávamos meses sem nos ver, os reencontros eram sempre cheio de saudades, cheio de novas promessas e esperança de que os dias passariam mais rápido para ficarmos juntos de vez. Depois que terminamos, nunca mais me senti assim com ninguém. Nem mesmo com Chris. Digamos que ele tentou, ao menos no começo. Acho que acabei permanecendo com ele por tanto tempo porque estava cansada de ser sozinha, por mais que hoje eu veja que isso foi uma grande bobagem. — E já parou para pensar que vocês poderiam se acertar? — Ashley me pergunta. — Não parei e nem quero. — Oras, mas por que não? — Você por um acaso esqueceu os embates que tivemos até dois dias atrás? Em que mundo funcionaríamos de novo, Ash? Ela dá de ombros. — Minha opinião é que vocês agem assim porque sentem mágoa. Muito aconteceu, os dois se machucaram muito. É natural que se sintam ressabiados. Só acho que você não olharia para ele desse jeito se não existisse mais nada aí dentro. Luke também não disfarça o quanto você o afeta. Vou escolher torcer por essa segunda chance, porque sou uma romântica! Reviro os olhos, porque depois de todos esses anos duvido muito que eu ainda tenha uma gota sequer de romance em mim. O que passei ao lado de Chris foi terrível, a ponto de eu permanecer os próximos dez anos sozinha sob uma justificativa aceitável. — Ele já sabe que você terminou com Chris? — Ashley pergunta. — Não. Na verdade, Luke não sabe de nada, nem mesmo que perdi meu emprego. Ele não me fez perguntas pessoais, e eu não me senti à vontade para contar quase nada, ainda. — Compreensível. — Para ser sincera, nós conversamos poucas vezes e temos nos evitado. Meu contato maior é com Weston e Thor. Ele é um querido, aquele cãozinho. — Vamos mudar de assunto porque ele está vindo para cá. — Ashley me cutuca com o cotovelo. Ajeito minha postura na cadeira quando Tim e Luke se aproximam de nós, conversando. — Olá, meninos. — Ashley sorri para eles e aceita o beijo do marido. Já eu e Luke mal sabemos onde enfiar a cara. — Curtindo o festival? — Ele enfia as mãos nos bolsos. O movimento contrai os músculos desenhados e fecho a boca para não babar. — Bastante. Você? — Sim. — As crianças estão onde, querido? — Ashley pergunta para Tim. — Deixei os garotos brincando no caminho das flores. — Ótimo. Eu e Bree vendemos as tortas e estávamos aqui jogando conversa fora. — Eu preciso levar alguns dos vasos de begônias para minha casa — Luke explica. — Beth disse que elas podem murchar se ficarem aqui e, como todos os depósitos estão lotados, ofereci a construção. — Quer ajuda? — Tim pergunta para ele. — Pode ser, acho que vou precisar. — Nossa, será que a Bree pode ir no lugar do Tim? — Ashley exclama de repente. — Eu preciso da ajudinha dele para um negócio. Sinto meus músculos amortecerem e meus dentes trincarem. O que demônios Ashley está fazendo? — Posso ajudar você se quiser, Ash. — Sorrio amarelo. — Ah, não. Preciso da ajuda do Tim! Luke, mostra pra Brianna onde estão os vasos. Vou no banheiro e vejo vocês depois. — Mas, amor…— Vem, Tim! — Ela o puxa para longe e nos deixa sozinhos. Thor vem correndo na direção do dono e dá um latido como se quisesse se juntar a nós. Dá para ver que ele ficou surpreso também, que está ressabiado com a sugestão de Ashley. — Você não precisa… — Eu faço — o interrompo, ainda que não entenda exatamente porquê. — Onde estão os vasos? Soltando o ar, Luke dá um tapa na perna chamando Thor e me indica o caminho. LUKE — Por aqui. Guio Brianna pela construção vazia, com Thor em nosso encalço enquanto carregamos os vasos de flores para dentro da casa. Não sei o que Ashley estava pensando ao ter a incrível ideia de que sugerir que ela me ajudasse, especialmente quando passei os últimos dias tentando lidar com a presença de Brianna bem ali, tão perto de mim. Resultado? Tive algumas recaídas com o cigarro e praticamente me escondi dentro de casa. Tenho a impressão de que ela fez o mesmo. Brianna deixa os vasos no piso empoeirado perto de uma das paredes e olha para cima, depois de fazer um carinho na cabeça de Thor. — Então… esta é sua casa? Acabo de me dar conta de que estamos aqui de verdade. Nem tinha parado para pensar nisso, perturbado em ficar sozinho com Brianna mais uma vez, depois da última conversa. Quando ela olhou para mim daquele jeito intenso e eu quase perdi o controle. — Sim, é. — Deixo os vasos ao lado dos dela e limpo as mãos na calça jeans. — Está em fase de acabamento, agora. Brianna começa a analisar o ambiente com um sorriso no rosto. As paredes em dry-wall ainda não foram pintadas, o ar cheira a poeira, mas o telhado já foi posto e tenho certeza de que, assim como eu, ela consegue visualizar uma versão terminada da obra sem problemas. — Uau, Luke. É linda. Tem o seu jeitinho. — Que jeito? — Me aproximo um pouco dela. — É térrea, com um quintal gigante. — Bree segue em direção ao gramado dos fundos. — Sabe que cabe uma quadra de basquete nesse espaço imenso, não sabe? — Pensei nisso, mas resolvi deixar o gramado livre ao menos por enquanto. — Por que decidiu construir? Dou de ombros, também olhando ao redor. — A idade, eu acho. Morar com o Mike estava se tornando um pouco cansativo. Percebi que queria um lugar só meu, ainda mais depois de abrirmos o bar. — Uma crise dos 30 como todo bom millennial? Sorrio, porque Brianna adora encaixar nossas atitudes nesse papinho geracional. — Sim, isso. — Eu entendo. Também senti o baque, especialmente depois dos 33. Ela completou 33 anos no último dezembro. Eu nasci em novembro, sou um mês mais velho, e Bree sempre estudou na minha turma na época do colégio. — Sentiu, é? — Digamos que ser demitida ajudou a colocar as coisas em perspectiva. Franzo a testa, pois por essa informação eu não esperava. — Você foi demitida? Brianna arregala os olhos suavemente, como se tivesse percebido que falou demais. — É, eu… foi um corte no meu departamento. Eles acabaram demitindo quem tinha muito tempo de empresa e eu estava lá há dez anos. — É por isso que voltou sem data para ir embora. Ela suspira e assente. — Apliquei o seguro de vida de mamãe, a parte que não usei na faculdade. Consigo sobreviver a uma vida modesta sem trabalhar, mas já mandei alguns currículos para empresas em Las Vegas. Continuo confuso. O que raios ela vai fazer em Las Vegas se tem uma vida e um relacionamento em Los Angeles? Contenho a vontade de fazer mais perguntas e apenas observo enquanto Brianna termina de analisar a casa. O perfume de rosas dela tomou conta do ambiente e eu, por um segundo muito breve, começo a imaginar como seria se essa casa não fosse apenas minha, mas sim, nossa. Falávamos sobre isso quando estávamos juntos, sobre a possibilidade de retornar para Maple River depois de juntar uma grana em LA. Vendo-a aqui, tão à vontade, é meio que impossível repelir essa imagem. Estou completamente vidrado nela quando Brianna toca no batente sem verniz e sorri. — É uma casa linda, Luke. — Os olhos azuis cintilam ao olhar para mim. — Eu espero com todo o meu coração que você seja muito feliz aqui. Se fosse possível, eu teria desmontado. Pela primeira vez desde que ela retornou, consigo enxergar em minha frente a mulher por quem me apaixonei. E eu tenho medo disso, porque se for verdade que Brianna não mudou, que o coração dela continua o mesmo… Estou completamente fodido. Tudo que ela precisa fazer é estalar os dedos e eu estaria de joelhos na frente dela, implorando para que ela acabe com minha agonia e volte para mim de uma vez. Balanço a cabeça e afasto o pensamento. A mulher tem outros planos de vida e um namorado famoso. Ela certamente não fantasia em voltar com o caipira de Maple River. Devo mesmo ser um estúpido do caralho. — Obrigado — pigarreio. — Eu preciso lidar com algumas coisas ainda. Pode levar Thor para casa para mim? Acho que esse terrível ultrapassou os limites quando tentou devorar um dos croissants de lavanda. Ela assente, colocando o cabelo atrás da orelha e chamando por Thor, que a essa altura estava deitado no gramado dos fundos. — Oi, garotão. — Brianna se abaixa e acaricia as orelhas dele. — Vamos para casa? O cachorro abana o rabo e fica parado quando ela pega a coleira dele. Eles se vão e eu fico, sentindo o impacto da palavra “casa” nos lábios dela, do significado de lar. Poucos minutos ao lado dela e estou enlouquecendo outra vez. Que caralho de poder Brianna tem sobre mim? Passo a mão no cabelo e agarro a embalagem de goma de nicotina, colocando uma na boca e mastigando forte. É melhor eu me distanciar de Brianna de novo, antes que minha imaginação chegue longe demais. 14 BRIANNA A� ���������� ����� ���� ���� ��� ���. Enquanto encaro o túmulo de mamãe e deixo um buquê de rosas vermelhas sobre a lápide, me pergunto quem é a alma boa que todos os anos, no que seria seu aniversário, ainda se preocupa em trazer buquês de margaridas para ela. Na última década, consegui vir para a cidade na data do aniversário dela algumas vezes e, sempre que o fiz, as florzinhas delicadas estavam aqui, esperando por mim. No começo cheguei a pensar que fosse a vovó, só que ela sofria muito ao visitar o cemitério e preferia lembrar de mamãe em casa, mesmo. Falhei nos últimos três anos, o que não significa que a data se tornou mais fácil por estar longe. Poucas semanas antes da formatura do colégio, Alice Moore morreu atropelada atravessando a rua em Denver. Mamãe foi fazer uma entrevista de emprego e um carro em alta velocidade a atingiu em cheio. Não houve nem chance de salvá-la, ela morreu na hora e o motorista também. Minha vida mudou completamente depois daquele dia. Segui os planos que havíamos sonhado juntas, mas a ausência dela deixou um vazio inexplicável no meu peito. Um que sempre volta, todas as vezes em que me lembro de como ela morreu tão jovem. Enxugo uma lágrima e corro os olhos pelas letras do nome dela e de vovó. As duas estão enterradas juntas. Não quero chorar aqui ou temo perder o controle. Queria mesmo é conversar, mas este ano não tenho muito a dizer a elas. Não quero aparecer aqui depois de tanto tempo e reclamar, ou confessar como falhei nos últimos tempos. Se estivessem vivas, elas estariam preocupadas. Provavelmente se reuniriam com Martha e Jo no café e pediriam conselhos do que me dizer, de como me ajudar a reencontrar um propósito. Derrotada, eu apenas beijo a ponta dos meus dedos e toco na pedra fria, murmurando que as amo e que estou com saudades. O sol está se pondo em Maple River e, talvez pelo dia triste, sinto mais frio mesmo que estejamos na primavera. Volto para o apartamento e sou recebida por Thor, que abana o rabo comprido ao me ver. — Oi, querido. Pelo silêncio, Luke não está em casa. Ele é outro que tem me tirado do juízo perfeito. Faz três dias desde que fui até a construção e não paro de pensar no que conversamos, em como quase confessei a ele todas as derrotas recentes da minha vida. Vê-lo olhando para mim daquele jeito intenso… é muito. Minha mente não para de rodar e pensar no que poderia ter sido, na vontade que tenho de abraçá-lo e de voltar para ele,de pedir perdão por ter terminado nosso namoro e encerrar de uma vez essa distância entre nós. Como se as coisas fossem simples desse jeito. Não estou com fome, então deixo meu celular no balcão e tomo um copo de água, colocando-o vazio na pia. Devo mesmo estar afetada, pois esbarro no vidro ao me virar e ele cai no chão. Os cacos são poucos, mas se espalham no piso frio e eu me abaixo para juntá-los. Eles são basicamente uma representação perfeita de como me sinto por dentro. Apenas me pergunto se um dia conseguirei me sentir inteira de novo. Coloco os pedaços de vidro na palma da mão e sinto a aflição crescer. Levanto, deixo os estilhaços sobre a pia e, como se o ato desastrado tivesse sido a última gota d’água, perco o controle. As lágrimas descem sem que eu consiga me controlar. Estou trêmula e vulnerável, completamente dominada pelo pranto. Vazia. Perdida. Sozinha. Cubro meu rosto e sinto o focinho gelado de Thor em minha perna. Fico tocada com a preocupação dele e me inclino, acariciando uma orelhinha peluda. — Desculpa, garotão. Os olhos de Thor, atentos, me deixam ainda mais sensibilizada. Volto a chorar e me rendo aos espasmos, encolhendo meu corpo o máximo que consigo. O que acontece a seguir me pega completamente de surpresa. Braços fortes me envolvem, assim como o perfume familiar e que me traz segurança. — Shhh… está tudo bem, Bree. Como se eu não pesasse nada, Luke me pega no colo, levando-me para a sala até que estejamos os dois sentados no sofá. O choro aumenta e eu mergulho contra o peito dele. Não entendo de onde Luke saiu ou quando ele chegou, mas sei que ele também se lembra que dia é hoje. Ele sempre foi meu amparo, não somente quando mamãe morreu, mas em todas as datas difíceis depois disso. As lágrimas marcam o algodão da camiseta. Ele não parece se importar, pois me traz ainda mais para perto e começa a acariciar minhas costas e meu cabelo. Estamos encaixados um no outro, completamente unidos. Leva um bom tempo até que eu me acalme e pare de chorar. Os soluços diminuem aos poucos, a sensação de solidão vai sendo amenizada. Meu peito não está mais comprimido como antes, mas não quero sair daqui. É como se finalmente eu tivesse reencontrado meu lugar. — Eu queria que ela estivesse aqui… — Sinto que preciso me justificar, dizer algo que explique eu não afastá-lo. — Eu sei, linda. — Ele beija o topo da minha cabeça. — Eu sei que sim. — Ela não me viu realizar nada, Luke. — Levanto o rosto e olho para ele. — Todo ano espero que seja mais fácil e nunca é. — Não pense assim. — Ele enxuga os rastros úmidos. — Ela sabe que você está bem. Sabe que está feliz. Isso me deixa apenas mais aborrecida, porque não estou feliz. Nunca me senti tão perdida como agora, e me pergunto se mamãe teria vergonha de mim. — Ela jamais teria vergonha — Luke responde, e somente então percebo que pensei alto. — É normal se sentir perdida, de vez em quando. — Mas ela queria que eu fosse brilhante. — Ela queria que você fosse feliz. — Luke acaricia meu rosto. — Ela estaria tão orgulhosa, Bree. Balanço a cabeça e sinto o queixo tremer, mas ele não permite que eu desvie o olhar. — Ela estaria orgulhosa — ele repete. — Como você sabe? — Porque eu estou orgulhoso! Porque você é forte, linda e maravilhosa. — Luke afasta uma mecha de cabelo do meu rosto. — Você sempre foi maravilhosa, Brianna. Fungo baixinho, quase sem conseguir respirar. Meu coração acelera e é como se estivéssemos flutuando, envolvidos numa bolha onde só nós dois existimos. É quando percebo o quanto ainda preciso dele. O quanto nada mudou, mesmo que tenhamos ficado uma década sem nos tocar. — Me beija, Luke — peço, agarrando o tecido da camiseta dele. Luke respira com dificuldade ao delinear meu rosto, como se estivesse me memorizando. O polegar dele desliza por meu lábio inferior, mas não consigo ler o que ele está pensando. Por um instante, acho que ele vai dizer não. Que vai recusar meu pedido impulsivo e me afastar. Mas Luke não faz nada disso. Ele aproxima o rosto do meu, nossos narizes se roçam e eu sinto o perfume mentolado do hálito quente. Luke cola nossos lábios devagar, quase que com medo, como se eu pudesse quebrar. Estou trêmula e, de um jeito muito dramático e verdadeiro, poderia morrer se ele parasse agora. Ele se afasta e me encara mais uma vez. — Caralho. Senti tanta saudade, Brianna. Quero responder que senti também, mas não posso, porque no segundo seguinte ele praticamente me engole. Somos dominados por um desejo tão forte e intenso, tão poderoso, que mal consigo pensar. Nos braços de Luke, estou em casa. É como se eu nunca tivesse partido, como se ainda fôssemos nós. A língua dele desliza na minha, prova e marca tudo que encontra pela frente. As mãos calejadas me agarram e sentem minha pele, apertam como se Luke estivesse verificando que isto é real, que não estamos sonhando ou delirando. Mudo de posição no colo dele e fico por cima, nossos corpos colados, meus seios duros de tesão contra os músculos fortes. Não estou pensando em nada quando puxo o tecido da camiseta dele e o deixo com o peito nu. Meus olhos correm desde o abdômen trincado até o peitoral maravilhoso e, quando vejo o B tatuado no peito dele, perco a compostura de vez. Me inclino e traço o desenho antigo com a língua, como se pudesse marcá-lo. — Ah, Bree… — ele suspira, antes de deslizar as mãos pelas minhas costas e me deixar nua da cintura para cima também, apenas com o sutiã. Estou arfando ao voltar a olhar para ele, impossibilitada de afastar o toque. Luke me puxa para perto e lambe a curva do meu pescoço, mordisca a pele arrepiada até chegar ao meu ouvido e sussurrar: — Diz que pensou em mim esse tempo todo. — Pensei — a resposta é imediata. — Pensou em nós desse jeito? — Luke continua beijando meu corpo, passa a boca por meus seios arfantes e morde o mamilo por cima do tecido do sutiã. — Nas minhas mãos em você? Nos meus beijos? — Sim, pensei. Fecho meus olhos e jogo a cabeça para trás, me entregando completamente. — Também pensei em você esses anos todos, Brianna. Na sua pele — ele me beija de novo —, nesse perfume. Nessa boceta gostosa apertando meu pau. Luke firma uma mão embaixo do meu cabelo, sem machucar, e me obriga a olhar para ele. Estou rebolando em seu colo, completamente excitada, em busca de atrito e de um alívio para esse desespero que me consome. Ele agarra meus quadris e incentiva os movimentos, me observando de um jeito autoritário, como se amasse me ver assim, tão rendida e desesperada. Luke morde o lábio inferior e dá um impulso contra mim, mostrando que está duro e que não sou a única a perder a cabeça nesta sala. — Luke, por favor — imploro. — Me toca, por favor. Ele desce a mão dos meus lábios ao colo, parando na altura do meu coração descompassado. Sei que ele está sentindo as batidas frenéticas com a ponta dos dedos. — Bree, eu… O barulho da chave virando nos desperta. Ainda atordoada e num reflexo, pulo do colo dele e agarro minha camiseta, vestindo-a de qualquer jeito antes que Weston entre em casa. Assim que nos vê, ele nos encara. Luke ainda está no sofá, sem camisa e ofegante, com os cabelos bagunçados por mim. — Eu… — Weston parece constrangido, mas duvido que ele consiga me vencer nesse quesito. — Desculpem, eu não… — Não tem problema! — exclamo muito mais alto do que gostaria. Meu rosto está quente e quero cavar um buraco no chão. — Eu estava indo dormir. Boa noite. Basicamente corro para o meu quarto e encosto a porta. Solto o ar com dificuldade e apoio as costas na madeira ao pensar no que acabou de acontecer. No que poderia ter acontecido se não tivéssemos sido interrompidos. Estou envergonhada e confusa, lidando com a multiplicidade de emoções que me dominaram hoje. Pelo resto da noite, permaneço ali mesmo, esperando que Luke venha atrás de mim. Esperando que ele bata na minha porta para continuarmos o que estávamos fazendo, ou ao menos para esclarecermos as coisas. Mas as horas passam e ele não vem, e o dia que começou em tristeza acaba em completaeu me sinto segura, embora tenha minhas dúvidas sobre ainda pertencer a este lugar. — Vou falar com eles amanhã — minto. — Certo. Precisa de dinheiro? Hoje em dia, papai se esforça em nossa relação. Desde que mamãe morreu, no último ano do colégio, retomamos o contato e nos falamos com mais regularidade. Não que ele fosse um sujeito ruim, mas com o divórcio papai fez a vida dele em Las Vegas enquanto minha mãe continuou por aqui. — Não preciso. Fiz minha fortuna sozinha, se lembra? — brinco, e ele ri. O que é verdade. Investi o restante do seguro de vida que herdei da minha mãe e consigo viver uma vida modesta somente com os lucros das aplicações. Ter cursado contabilidade tem suas vantagens. — Beleza, garota. Se precisar de mim, me diz. Vai ficar quanto tempo por aí? — Algumas semanas. Não estou com pressa. — Eu me aproximo da janela e observo o movimento da rua. — Não tiro férias há anos e quero aproveitar para relaxar um pouco. Minha avó vivia na avenida principal. Não que isso seja uma grande coisa para uma cidadezinha como Maple River, mas basicamente todos os moradores acabam passando por aqui no decorrer do dia. — Certo. E o Chris? Papai está ciente de que terminei com o traste, embora o sujeito não me deixe em paz. — Ele continua insistindo, mas vou ignorar. — Já pensou em bloquear o número? — Estou seriamente considerando a hipótese, mas não quero que ele perceba. Isso apenas pioraria tudo. — Me mantenha informado, ok? Não deixa esse cara abusar de você. Ah, mas eu já passei dessa fase faz tempo. — Ok. Pode deixar, pai. — Te amo, querida. Se cuida. — Te amo também. Desligo e afasto o telefone do ouvido com um suspiro profundo. O relógio marca uma da tarde e meu estômago barulhento indica que preciso comer. No fim da rua, avisto a fachada do Thorn’s, o bar de Luke e Weston. Eles têm comida boa, mas realmente não sei se devo arriscar encontrá-lo por lá. Pensar em Chris automaticamente me faz pensar em Luke, já que os dois foram meus únicos namorados. Um é um canalha, completamente maluco. O outro… meu coração se parte quando lembro do que éramos e do que viramos hoje. Não é como se eu e Luke nunca mais tivéssemos nos falado depois do término. Vim para cá várias vezes durante os anos, mas nossa relação foi de amor a ódio muito rápido. Fui eu quem terminou o namoro à distância, depois de quase cinco anos tentando e falhando de novo e de novo. Mas me arrependi depois e, quando retornei disposta a pedir perdão para ele… digamos que Lucian Thorn (seu nome de batismo que ele detesta), já havia seguido em frente. Gritamos um com o outro, declaramos ódio eterno e estamos assim desde então. Doía mais antes. Hoje, é quase como se eu estivesse anestesiada. Balanço a cabeça determinada a parar de pensar em Luke. Esse é só o meu segundo dia e preciso, como dizia vovó, sacudir a poeira se quiser seguir em frente. E vou me esforçar ao máximo para que isso aconteça. Ah, se vou. — Brianna Howard! É você? A cafeteria de Jo sempre foi um dos meus lugares preferidos. Sabe aqueles cantinhos que cheiram a café, tem uma decoração nada organizada e colorida e você fica horas ali sem se dar conta? Esse é o lugar. — Oi, Jo. — Me aproximo dela e a abraço. — Que linda você está! Deixa eu ver. — Ela me mede de cima a baixo. — Quanto tempo faz que não vem para cá? — Três anos. Desde o enterro, na verdade. — Nossa, já faz três anos que Abigail se foi? Meu Deus, como o tempo passa. A gente estava com saudades! Mais um detalhe que eu adoro: em Maple, quando falamos por um, basicamente falamos por todos. — Eu também estava. Como estão todos lá em casa? Jo começa a tagarelar sobre a família, sobre os netos recém-nascidos e todas conquistas de seus dois filhos. Eu já sei de tudo isso, pois crescemos juntos e nos seguimos nas redes. Mas admito que a empolgação dela sobre os fatos torna tudo ainda melhor. — E você está ficando onde? — Estou na casa de vovó. Achei a cidade movimentada. — Bem, teremos o festival das flores na primeira semana de abril. Dois hotéis fecharam recentemente e agora os jovens adoram o tal Airbnb. As coisas mudaram por aqui, Bree. — Imagino que sim. Por um acaso… você tem alguma comidinha por aí? Estou morrendo de fome. Jo olha para trás e confere o esquife vazio. — Daqui a umas duas horas, docinho. — Hum. Será que o restaurante do Sr. Johnson ainda tem alguma coisa? Ela balança a cabeça. — Eles estão reformando o lugar. Nesse horário tardio de almoço, todo mundo acaba indo para o Thorn’s. Ah. Isso era tudo que eu não queria ouvir. — Justo o Thorn’s? Não preciso explicar para Jo sobre meu histórico complicado com um dos bonitões da família Thorn. Todo mundo aqui sabe de nosso término dramático. Muitos, inclusive, ficaram contra mim. É claro que Luke sair por aí trepando com todas me ajudou a virar o jogo. — Querida, você e o Luke já passaram dessa fase de se odiarem, não? — Jo levanta uma sobrancelha para mim. E eu queria muito dizer que sim. Que, depois desses dez anos, somos dois adultos maduros que conseguem se tratar com cordialidade. Eu estaria mentindo, é claro. — Se eu puder evitar ir exatamente ao local de trabalho dele no meu primeiro dia na cidade, farei isso. Jo ri. — Bem, então é melhor preparar seu almoço em casa. Que saco. Odeio cozinhar e estou sem energia depois da viagem longa. — Você não disse que tava com saudades, mesmo? — eu a provoco. — Olha, quer uma dica? Vê se a moto dele está lá na frente. Luke tem treinado os moleques do basquete, às vezes você dá sorte de não encontrá- lo. A informação me pega de surpresa. — Ele está treinando o time? — Como voluntário. Depois que o Sr. Thompson teve que operar o joelho, o menino se voluntariou. Preciso segurar o riso. O menino, como ela disse, tem 33 anos, 1,92 de altura e quase cem quilos de puro músculo. Isso sem contar que ele sempre foi o motoqueiro rebelde da família Thorn. — Entendi. Bem, considerando que todos saberão sobre meu retorno até a hora do jantar, acho que não adianta fugir. — Isso mesmo! Seja corajosa! — Ela se inclina para mim. — Mas já aviso que Luke está um charme. Mais do que seu namoradinho famoso. Não se ofenda. Rio. Como vou me ofender com isso? Me despeço de Jo e saio da cafeteria procurando a fachada do bar, que fica logo ali na frente. Eu realmente poderia ter colocado meus óculos hoje, pois o astigmatismo vai me obrigar a chegar pertinho para ver se a bendita moto está estacionada na frente. O sol de primavera brilha no céu azul e a temperatura está agradável. Enquanto caminho até lá, cumprimento os conhecidos que sorriem para mim com sinceridade. Ninguém sorri para ninguém em Los Angeles, então aproveito cada um deles. Paro em frente ao Thorn’s e olho para o letreiro de madeira. Não há nem sinal de qualquer motocicleta por aqui e, embora eu me sinta aliviada, também identifico uma pontada de decepção. Que idiota, principalmente porque não quero vê-lo. Meu estômago ronca mais uma vez, um lembrete do porque estou aqui. E vamos ser sinceros, se estou considerando a possibilidade de voltar para cá, lidar com meu ex será parte da minha rotina. Que se foda meu medo. Respiro fundo e entro no lugar. O cheiro de cevada misturado ao de comida fresca é maravilhoso. Não há funcionários por perto, mas percebo que eles melhoraram a disposição das bebidas comparado à última vez que vim aqui. Abrir um bar sempre foi um sonho de Luke. Na verdade, era nosso sonho, que planejávamos realizar juntos. Não sei por que sou inundada em saudades de algo que nunca sequer chegou a acontecer. Talvez eu esteja muito faminta e muito cansada, mesmo. Me aproximo do balcão e puxo um dos bancos, esperando. Nas duas mesas ocupadas, nenhum dos presentes presta atenção em mim, o que me faz supor que esse horário é realmente tranquilo por aqui. Tiro minha bolsa e a apoio ao meu lado, mas me atrapalho com a alça e a derrubo, murmurando um palavrão ao me abaixar para apanhar a bendita. — Merda… Estou um tanto descabelada ao ficar em pé de novo. — Brianna? A voz de barítono me paralisa.decepção. 15 LUKE O ������� �� B������ ����� ���� ��� ��� �� ������ �� �������, com o maldito nome de Chris Bell brilhando na tela. Encarando a xícara de café, me sinto um idiota. São oito da manhã e ainda estou sentindo o sabor dela, a textura da pele morna em minhas mãos, a saudade que transbordou quando estávamos nos beijando no sofá ontem à noite. Como se ela ainda fosse minha, como se jamais tivéssemos nos separado. Porra, ela gemeu meu nome e me olhou daquele jeito intenso e eu… eu basicamente me perdi. Ela estava em casa, nos meus braços. Comigo. Mal consegui dormir pensando nisso, no que essa surpresa poderia significar para nós. Quis procurá-la, mas fiquei na dúvida se Brianna queria isso. Ela saiu do meu colo e praticamente se escondeu, o que me deixou confuso pra cacete. Enquanto isso, o namorado dela não para de ligar. Passo a mão nos olhos e suspiro, tomando um gole da bebida quente e agradecendo em silêncio por ter tido prudência ontem e não ter batido no quarto dela. O barulho de passos soa no corredor. Levanto o rosto e vejo meu irmão se aproximar. Não discutimos nada ontem, pois eu não estava disposto. — Bom dia — Weston diz. — Bom dia. Ele corre os olhos por mim e leva a mão à nuca. — Seu celular está tocando. — Não é o meu. É o de Brianna. Ela esqueceu aqui, ontem. Weston espia a tela acesa. — Hum. Chris é o… — Namorado. A palavra sai amarga, quase rasgando minha garganta. Cara, eu sou mesmo muito idiota. — Vai me contar o que aconteceu ontem? — Weston entra na cozinha e abre o armário, tirando uma xícara de dentro. O celular de Brianna finalmente para de vibrar. — Não aconteceu nada. Foi um erro. — Um erro… — Ele pega a cafeteira e se serve um pouco de café. — Luke, não é melhor admitir a verdade de uma vez? O celular toca outra vez. Quero jogar essa merda na parede. — Esta é a verdade. — Levanto e aponto para o aparelho. — Eu sou apenas o ex que estava disponível quando ela precisou. — Luke… — Deixa para lá, cara. — Deixo a caneca vazia na pia e volto para o meu quarto. A verdade dói, mas não deixa de ser verdade. Brianna estava vulnerável e precisava de carinho e eu fui a primeira opção que ela encontrou. Enquanto passei a noite com o pau duro, sonhando em fodê-la até espantar a falta que ela me fez nessa última década, esqueci do detalhe mais importante: Brianna não é minha. Não mais. Não há muito tempo. E é melhor eu entender isso de vez antes que acabe me ferrando de novo. BRIANNA Quando acordo na manhã seguinte, Luke já saiu de casa. Ainda não decorei a rotina dele inteira, mas sei que ele gosta de treinar de manhã e cuidar de seus assuntos pessoais. Espero que eu seja um deles hoje, pois acordei determinada a enfrentar o fantasma de nosso passado e conversar com ele sobre o que aconteceu ontem. Tomo um banho rápido, visto uma roupa de ginástica e penso no que fazer primeiro. Preciso falar com Cinthia sobre a reforma. Segundo a inspeção, o mofo não é do tipo estrutural e poderei voltar para casa em seis dias, provavelmente quando retornar de Las Vegas, da festa de casamento de papai nesse fim de semana. O que me lembra que preciso alugar um carro, já que estamos pertinho da data e o preço da passagem área costuma ser altíssimo nessas circunstâncias. Assim que paro na cozinha vazia e alcanço meu celular, que acabei esquecendo aqui na confusão de ontem, vejo as inúmeras chamadas perdidas de Chris. Quer saber? Me cansei dele. O homem não tem bom-senso nenhum e chegou a hora de bloqueá-lo. Odeio fazer isso, porque sei que ele vai perceber e reagir mal, mas honestamente? Não estou assim tão preocupada. Por fim, decido sair para correr no fim da manhã e passar no Thorn’s na hora do almoço, ver se Luke está disponível para uma conversa madura e sincera. Estou nervosa, é claro. Considerando nosso histórico e o que ele sussurrou no meu ouvido, os resultados de um papo honesto com Luke podem ser inúmeros. É só que… a verdade é que acho que podemos tentar de novo, se ele quiser isso. Sei que isso implica em minhas coisas e que talvez seja uma decisão equivocada e apressada, mas estou cansada de negar que Luke ainda segura meu coração nas mãos. O beijo de ontem foi tudo. Fecho os olhos e ainda consigo ouvir a voz rouca sussurrando que sentia minha falta. Consigo ver o brilho nos olhos dele, a maneira como me olhava, a necessidade com que percorria suas mãos por mim. Eu me lembro do amor dele. Ontem à noite, foi como se nada tivesse mudado e eu preciso descobrir o que isso significa. Sigo minha manhã com a expectativa de encontrá-lo. Falo com Cinthia, discuto o que precisaremos fazer em casa e realizo o pagamento do serviço, mas estou mesmo é pensando em Luke e no que vou dizer, em como vou explicar a ele o que estou sentindo. Quando entro no Thorn’s, o relógio ainda não marca meio-dia. O bar está teoricamente vazio. Bob, o gerente, está no balcão depois de seu retorno de férias conversando com um cliente, mas não vejo Luke por perto. A lousa com os menus não marca mais meu nome, o que significa que Luke cumpriu o que disse dias atrás e apagou a proibição de minha presença por aqui. Sorrio de leve. Ao menos agora podemos rir da situação. Assim que me vê, Bob se afasta do cliente e vem para a ponta do balcão. — Oi, Bree! Fiquei sabendo mesmo que tinha voltado. Me aproximo dele e o cumprimento com um beijo no rosto. Adivinhem? Ele também era nosso colega de classe. — Oi, Bobby. Você estava de férias, pelo que fui informada. — Sim, tirei uns dias para viajar para Nova York. Soube que você andou causando por aqui. Rio de novo, porque essa versão dos fatos é um tanto simplória. — Pois é. Foram dias intensos. — O que posso fazer por você? — Ele apoia os antebraços na madeira. — Eu queria falar com o Luke, se ele não estiver ocupado. Bob levanta uma sobrancelha, intrigado. — Claro. Ele está no escritório dos fundos. Luke resolveu se trancar lá a manhã inteira. Cuidado com o cão bravo. Engulo em seco, me perguntando o que isso significa. Agradeço e sigo em direção ao escritório, que fica próximo a escadaria que leva para o apartamento. Bato na porta e ouço Luke me pedindo para entrar. — Bob, eu tô meio enrolado… — ele fala, assim que abro. — Não é o Bob, Luke. Ele levanta o rosto, surpreso, e fica em pé assim que me vê. — Brianna? O que faz aqui? Encosto a madeira atrás de mim e coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha. Estou nervosa, mas agora estamos frente a frente e preciso me concentrar em não me lembrar de quando senti as mãos dele em mim, ontem. Luke está lindo. Ele usa um óculos de armação dourada e fina que o deixa ainda mais sexy, mas parece cansado. Me pergunto se, assim como eu, também teve dificuldade para dormir por ficar pensando no nosso beijo. — Podemos conversar? Ele abre a boca e pensa. — Eu estou um pouco ocupado. Certo. Isso não me parece exatamente animador. — Eu imagino que sim, mas acho que precisamos discutir o que aconteceu ontem, Luke. Ele está tenso e consigo ver a relutância em seu olhar. — Brianna, não precisamos complicar as coisas. As palavras me chocam. Talvez eu estivesse com expectativas demais antes de entrar, mas… como assim, não precisamos complicar as coisas? — O que quer dizer? — Quero dizer que o que aconteceu ontem não significou nada. — Os olhos azuis estão fixos nos meus e ele mantém o queixo erguido. — Você estava triste, num momento vulnerável e eu não deveria ter me aproveitado da situação. Quase rio, porque ele só pode estar ficando louco. Eu estava lá ontem, quando ele murmurou meu nome e me tocou com a mesma saudade que inunda meu peito. Senti o beijo dele, a entrega. É óbvio que o que aconteceu naquele sofá significou algo. — Se aproveitado? Eu pedi que me beijasse. Nós dois sabíamos muito bem o que estávamos fazendo. — Sim, mas fomos pegos de surpresa pelo momento. Talvez, depois de dez anos longe, nos deixamos levar. Isso não muda nada. Um beijo não é capaz de apagar nosso passado nem mudar nosso presente. — Você está me dizendo — dou um passo adiante —, que depois do quehouve ontem, do que aconteceu naquele sofá, nada mudou? Luke respira fundo. — Sabemos que não. Uau. Pensei que tínhamos chegado ao limite. Que, depois de um histórico tão complicado, Luke não poderia me machucar mais. Bem… acabo de descobrir que estava errada. — E se eu ainda quiser conversar? — pergunto. Ele baixa o olhar, ainda relutante. — Finalmente estamos convivendo em paz, Bree. Não quero brigar de novo. Demorei muito tempo para chegar onde estou e honestamente? Não desejo que nada mude. Ou seja, ele não me deseja. Não do jeito que cogitei mais cedo. Luke prefere fingir que nada aconteceu e seguir com sua vida do que enfrentar nossos fantasmas. Porque talvez eles só sirvam para nos assombrar, mesmo. Se o amor ainda fosse uma possibilidade, por que perderíamos tempo brigando, não é mesmo? — Foi tesão, então? — Possivelmente. — Ele dá de ombros. — Sempre fomos atraídos um pelo outro. — Certo. Bem, eu… — Controlo a garganta embargada. Não vou permitir que ele perceba o quanto estou me sentindo uma tola. — Ok, então. Que bom que deixamos tudo claro. Viro e dou alguns passos em direção à porta, mas me detenho. — De qualquer forma, obrigada por ontem. — Eu o encaro. — Por me abraçar quando eu estava chorando, por espantar minha solidão num momento difícil. Pode não ter significado nada para você, mas significou para mim. Luke coça a barba por fazer, só que não quero mais esperar uma resposta. Então eu reúno o pouco de dignidade que me resta e vou embora, perguntando-me como pude sentir esperança mais uma vez. Parece que não aprendo nunca. 16 BRIANNA U� ����� ������ ��� ����, ������� �� ���� �� ����� �� A�����, sem sapatos e largadas no sofá, enquanto conto à minha amiga o que conversei com Luke mais cedo. Passei uma hora sozinha digerindo minha frustração, mas, quando Ashley ligou, expliquei tudo que houve por cima e ela me convidou para vir cá, já que conseguiu sair mais cedo do escritório. — Eu desisto. — Ashley toma um pouco de água. — Sério, não tenho nem o que dizer. As crianças estão na escola e Tim está trabalhando, então temos privacidade para que eu seja sincera sem precisar medir as palavras. Digamos que soltei alguns palavrões neste diálogo. — Amiga, eu também cansei. Estou farta de tentar conversar com Luke e ele continuar me afastando por puro orgulho ferido. Depois do que passei com Chris, não preciso desta energia em minha vida. — Claro que não precisa. Você merece o mundo todinho, Brianna. Ela está exagerando, mas acho que mereço ao menos alguém que queira estar comigo, ou que esteja disposto a tentar. — Tomei uma decisão — anuncio. — Vou aproveitar essa viagem a Las Vegas para o casamento de papai e olhar para a cidade como um possível futuro lar. Já que estou aguardando pela resposta dos currículos que enviei e minha estadia em Maple River está sendo reveladora, acho que é uma boa ideia. — Vai mudar para lá permanentemente? Suspiro, mexendo no cabelo de forma preguiçosa. Do que me adiantaria ficar sofrendo por Luke depois do que ouvi hoje naquele escritório? Posso ter cometido meus erros na vida, mas mereço ser feliz e vou focar minhas energias nisso. — Eu vou. Ao menos meu pai estará lá, poderemos passar mais tempo juntos. Eu adoraria ficar aqui, mas conviver com Luke nessas circunstâncias é mesmo muito difícil. Me sinto uma tonta, Ash. Hoje acordei considerando tantas possibilidades e ele as pegou, jogou no chão e pisoteou todas elas com meia dúzia de palavras. Cansei de Lucian Thorn. Cansei de tudo. — Sim, você deixou isso bem claro. — Ashley dá uma risadinha. Rio também, porque se não fizer isso acabarei chorando no banho em posição fetal. Permaneço com minha amiga mais um tempo até que Tim chegue com os meninos após as quatro. Brinco um pouco com as crianças e então me despeço, pois ainda preciso contratar o carro e fazer as malas para partir para Las Vegas em dois dias. Quando chego no apartamento, não há ninguém ali além de Thor. O cachorro fica animado em me ver e tenho vontade de levá-lo para uma voltinha na rua, mas então me lembro de que ele não é meu e controlo meus impulsos com o animalzinho que me conquistou nos últimos dias. Assim que me sento no sofá e ligo a televisão, ele deita no meu colo e abana o rabo, deixando que eu faça carinho na cabeça peluda. — Acho que estou apaixonada por você, Thor — comento, sorrindo para ele. — Isso é um problema, porque estou indo embora em breve. Ele solta um sonzinho adorável, como se estivesse dizendo que me ama também. Ao menos um dos Thorns ama, penso, antes de voltar minha atenção para a tela da tv. LUKE O treino dos moleques acabou de terminar e estou guardando as bolas de basquete no armário do ginásio enquanto penso em Brianna e no quanto meu coração se partiu por ela mais cedo. Preciso começar a fazer terapia ou alguma merda nesse sentido. Quem sabe assim eu entenderia porque me senti tão canalha ao lembrá-la apenas do óbvio. Ela queria conversar sobre o que aconteceu ontem, mas vamos ser sinceros: do que porra falaríamos? A mulher tem namorado e planos de vida em um lugar que não é aqui. Planos que não são comigo, que não me incluem, do mesmo jeito que tem acontecido nos últimos dez anos. De que adiantaria admitirmos que o beijo de ontem foi maravilhoso? Conheço Brianna e ela provavelmente se sentiu culpada. Sei que ela me leu como um gibi quando afirmei que nosso beijo não significou nada. É claro que eu estava mentindo, mas fingir que essa é a verdade será o melhor para nós dois. Só quero ver como vai ser quando estivermos em casa, convivendo após esse desastre. Fecho a porta de ferro do armário e o tranco. Assim que deixo a quadra em direção ao estacionamento do colégio, onde minha moto me espera, sinto o celular vibrar no bolso. É o Tim que me liga. — Alô? — Oi, Luke. Está saindo do treino de basquete? — Sim, saí agora. — Pode vir aqui em casa? Ashley quer falar com você. Franzo a testa e puxo a chave da moto do bolso da calça. — Sério? Por quê? — Luke, sou eu. — A voz de Ashley soa do outro lado da linha. — Desculpa atrapalhar seu dia, mas se puder vir conversar, prometo que não tomarei mais do que dez minutos do seu tempo. — Aconteceu alguma coisa? — pergunto. — Sim e não. Tô te esperando, ok? Ashley desliga antes que eu consiga responder. Quando chego na casa dos Jones, Ashley abre a porta e percebo na mesma hora que ela está brava comigo. — O que foi que eu fiz? — Oi, Luke. — Ela me cumprimenta com um beijo no rosto. — Entra. O Tim tá ajudando as crianças com o dever de casa, então poderemos conversar sossegados. Segurando o capacete, vou até a sala de estar e me acomodo em um dos lugares vazios do sofá. Ela faz o mesmo, indo direto ao assunto. — Não me entenda errado — Ashley começa. — Eu adoro você há mais de quinze anos. Sabe disso, não sabe? — Sei. — Ótimo. Então acho que você vai me entender sem se ofender. Por um acaso você é estúpido? Rio, porque eu não estava esperando por essa. — Provavelmente sim, mas preciso entender os motivos desta vez. — Brianna, Luke. Ela é o motivo! Ah, não. Ashley quer mesmo falar justamente sobre Brianna? — Deixe-me adivinhar: ela te contou o que aconteceu ontem — digo, cruzando uma perna sobre a outra. — Sim, claro que ela me contou. Sou a melhor amiga dela. — Certo. Então, como a melhor amiga, suponho que você também se lembre que nossa querida Brianna é uma mulher comprometida? Com um astro de cinema, inclusive. Acho que me utilizei de todo o sarcasmo possível nessa última frase. — É aí que você se engana, meu amigo. Brianna e o tal Chris terminaram há meses. A frase me atinge como um soco no estômago. — O quê? — Sim, senhor. — Mas ele sempre liga para ela! — rebato. — Sim, porque ele é um ridículo que não aceitou o término, só que ela nunca atende. Aliás, depois de hoje, ela o bloqueou. — Você tá de brincadeira comigo? — Me inclino para a frente. — Não, Luke. Não estou. — Eu não sabia disso! Acordei e vi o cara ligando sem parar para ela, pensei que… — Se você tivesse ao menos escutado Brianna quandoela o procurou mais cedo, teria descoberto. Ela queria te contar tudo. Ela estava… esperançosa. Esperançosa? De ficar comigo de novo? De voltar para mim? Nem mesmo sei como processar a informação. — Cacete, Ash… — Passo a mão no cabelo. — Eu fodi com tudo. — Sim, eu sei. — Ela suspira. — Olha só. A Bree não sabe que estou aqui conversando com você. Na verdade, posso estar traindo a confiança dela, mas preciso fazer algo. Amo vocês dois e vejo o quanto sofrem há uma década. Entendo que o passado seja difícil e doloroso, mas poxa… ela está tentando e você continua a afastando por orgulho. — Ashley, eu não sabia. Brianna me contou que tem planos de trabalhar em Las Vegas, como eu deveria adivinhar tudo isso? Não planejamos o que aconteceu ontem. — Compreendo, mas dizer a ela que não significou nada foi um pouco duro, não acha? A culpa me consome, cada fibra do meu ser. Fecho os olhos e passo a mão no rosto, incrédulo com minha própria estupidez. — Ela deve estar magoada comigo. — Está. Na verdade, Bree está cansada. Chamei você aqui porque acho que seu tempo está acabando. Brianna vai aproveitar essa viagem até Las Vegas para olhar para a cidade como um futuro lar. Merda. — Ela disse isso? — Sim. Ela mandou currículos recentemente e não há nada que a prenda em Los Angeles. Dá para entender porque ela não quer ficar aqui, também. Considerando que alguém — ela aponta para mim — tentou expulsá-la da cidade pelos últimos dias e agora se recusa a discutir sobre o que obviamente vocês ainda sentem um pelo outro, nem mesmo tenho argumentos para tentar convencê-la a retornar para Maple River de vez. — Caralho… — Largo o corpo no sofá. — Você está certa. Eu sou um idiota. — Sim, mas o que vai fazer, agora? Eu acho que precisa pensar bem. Se Bree havia lhe aberto uma porta, você conseguiu que ela voltasse a trancá-la com chave desta vez. Penso, ainda perdido em tudo que acabei de ouvir. Se Brianna teve esperança, isso significa que não senti tudo aquilo sozinho quando nos beijamos, ontem. Não imaginei coisas, como pensei que tivesse feito. Nossa conexão ainda existe e aquele beijo foi a prova de que não a esqueci. De que, por todos esses anos, repeti a mesma mentira a mim mesmo apenas porque precisei seguir minha vida sem ela. Agora ela está aqui mais uma vez e tenho outra chance de tê-la de volta. Mas, se Bree está considerando ir embora de novo… não posso mais perder tempo pensando. Está na hora de agir. — Ela vai quando para Las Vegas, exatamente? — pergunto para Ashley. — Em dois dias. Ela me contou que vai alugar um carro. Não posso me dar ao luxo de ficar tantos dias longe de Brianna depois do que aprontei mais cedo. E se ela voltar de Las Vegas já determinada a partir de vez? E se a raiva e a mágoa por mim aumentarem ainda mais? Ashley está certa e preciso deixar de ser um estúpido. Por que continuar negando que ainda a amo e que minutos nos braços dela trouxeram à tona o que passei tanto tempo tentando sufocar? Acho que sou mais esperto do que isso. — Certo. Eu tenho uma ideia. — Fico em pé. — Valeu, Ashley. Pode deixar comigo, agora. Dou um abraço rápido nela e me apresso até a porta. — Ei, Luke! Espera! — Ela vem atrás de mim. — O que vai fazer, seu doido? Encaro minha amiga e respiro fundo, cheio de determinação: — Vou lutar por minha mulher. É isso que vou fazer. Dez minutos depois de me despedir de Ashley, entro na casa dos meus pais e sou recebido por Zoe. — Oi, tio Luke. — Oi, Zoe-cat. — Dou um abraço nela. — Como está minha sobrinha favorita? — Sou sua única sobrinha. — Ela ri. — Mas, ainda assim, é a favorita. — Estou pintando com meu kit novo. — Gostou? — Pisco para ela. Zoe assente e eu bagunço o cabelo dela. — Onde está a vovó? — Na cozinha, preparando o jantar. — Vou falar com ela. Deixo Zoe para trás e passo pelos cômodos da casa em direção à cozinha. O cheiro de comida toma conta do ambiente, a ponto de me dar fome. Avisto meu pai ao longe enquanto ele assiste tv e o cumprimento. — Pai. — Oi, Luke! Minha mãe ouve minha voz e coloca a cabeça na porta da cozinha. — Ah! Oi, querido. Veio jantar hoje? Sorrio para ela e dou um beijo no rosto de Martha Thorn. — Não, por mais que esse cheiro me tente. Na verdade, vim pedir um favor. Ela abre a torneira da pia da cozinha e lava as mãos, dando uma olhadinha nas panelas tampadas no fogão aceso. — Diga. — Por um acaso a senhora tem o contato do John Howard? Minha mãe faz uma careta de espanto. — Lucian Thorn, o que aconteceu com Brianna? Torço o nariz ao ouvir meu nome feio de batismo. — Nada aconteceu. — Eu já mandei você parar de aprontar com essa menina! — Não estou aprontando. — Ergo as mãos na frente do corpo. — Quer dizer, fui burro pra cacete mais cedo, mas… — Tenha modos! — Ela dá um tapa no meu braço. — Mas é verdade, mãe. Fui um cretino, só que estou tentando consertar meu erro e para isso vou precisar falar com John. — O que você quer com ele? — Martha Thorn põe a mão na cintura. — Quero pedir um favor. Não posso revelar nada ainda, mas se der certo… acho que você vai gostar do resultado. Ela me analisa com aquele jeito maternal de que sabe que estou aprontando. — Acho que tenho o número dele, mas é antigo. — Ela pega o celular e procura nos contatos, deslizando o indicador na tela. — Mãe, usa o polegar que é mais fácil. — Seguro uma risada. — É mais fácil nada. Achei, olha. É esse aqui. Dou uma olhada no número que aparece na tela e o anoto no meu celular. — Ótimo. Valeu, mãe. Você é a melhor. — Beijo a testa dela mais uma vez e me mando antes que ela me faça mais perguntas. — Tenha juízo nessa cabeça! — Escuto o conselho de sempre soar em minhas costas e rio. Estou na varanda da frente quando disco o número de John e coloco o aparelho no ouvido, esperando chamar. — Alô? — A voz conhecida atende. Graças a Deus. — Sr. Howard. Oi. Aqui é o Luke Thorn. — Luke? Oi, garoto. Há quanto tempo… — Pois é. — Tá tudo bem por aí? Brianna está bem? O homem se preocupa com ela. John Howard não foi um pai presente na infância de Brianna, mas, desde que a mãe dela morreu, ele tenta se redimir por seus erros. É por isso mesmo que espero que ele se convença com meus argumentos. — Ela está bem, sim. Na verdade, sei que é do nada, mas eu queria te pedir um favor. — Que favor? — Brianna disse que você vai se casar nesse fim de semana. Parabéns, por sinal. — Obrigado, Luke. — Ela alugou um carro para ir para Las Vegas, pelo que fiquei sabendo. Acontece, sr. Howard, que sua filha tem me deixado maluco e estou cansado de fugir. — Hum. — Ele pigarreia. — Continue. — Fiz merda e preciso passar um tempo ao lado de Brianna se quiser ter uma chance de ela me perdoar. — Que tipo de merda? — Sou orgulhoso para caralho e ajo sem pensar. Tenho feito isso há dez anos. — Eu sempre achei que vocês poderiam se entender. Brianna sofreu muito também. Sei que sim. Agora que Ashley me escancarou a verdade, consigo ver tudo de uma forma bem clara. Brianna sofreu e não lutei por ela quando terminamos da primeira vez. Os dois cometemos erros, mas preferi me fechar na raiva e na mágoa do que acertar as coisas entre nós e me fodi. Agora, é minha última chance de tentar consertar minhas cagadas. Tenho que arriscar ou jamais me perdoarei por perdê-la de novo. — Tô ciente de tudo isso. Será que se importaria de me convidar pro casamento? — pergunto de uma vez. — Preciso de uma desculpa para acompanhá-la até Las Vegas. Para sairmos de Maple River, entende? Passar um tempo a sós com ela. John suspira e fica em silêncio, provavelmente pensando no quanto sou atrevido e inconveniente. — Só me responde uma coisa, Luke. Por que, de verdade, você quer se reaproximar da Brianna? Nem mesmo tenho que pensar. A resposta sai dos meus lábios naturalmente, como se eu estivesse aguardando o momento de dizê-las por anos. — Ela é a mulher da minha vida, sr. Howard. Ouço uma risada baixa. — Resposta certa, garoto. Manda seu e-mail para mim por mensagem. Vou te enviar uma cópia do convite. Sorrindo, sinto que finalmente reencontrei meupropósito. E ele se chama Brianna Howard e não vou desistir até que ela seja minha de novo. 17 BRIANNA N�� ��� ������ ������� ���������� �� ������� ��������� ����� � próximo festival se provavelmente estarei em Las Vegas no verão. De qualquer forma, é sempre divertido observar as interações dos habitantes de Maple River. As reuniões acontecem no celeiro e são presididas alternadamente entre os moradores. Hoje, quem assumiu o palanque foi o xerife Elder, que está animadíssimo com os resultados das vendas do “Festival das Flores”. O ponto alto do encontro foi um plot-twist, já que ninguém esperava que Beth soubesse que a limonada de rosas estava com gosto de sabonete o tempo todo. Segundo ela, foi muito divertido observar a gente fazendo careta o dia inteiro. — Vocês poderiam ter sido sinceros. Eu não teria ficado ofendida — ela diz, rindo de todos nós. — Eu joguei a limonada na grama e troquei por cerveja. — Teddy pisca na direção de Beth, que se finge impressionada. — Viram? Esse menino é esperto. — O importante é que o evento foi um sucesso e podemos esperar grandes coisas para o Festival da Ferradura — Elder pigarreia. Ele sempre fica mal-humorado quando o interrompemos, mas o xerife é um ranzinza simpático. — Então resuma logo essa reunião, pois preciso voltar para o escritório — Tim pede, ao lado de Ashley. Minha amiga se inclina e sussurra para mim: — E o Luke, Bree? Somente ouvir o nome dele me deixa agitada. — Sei lá. Não vejo ele desde ontem e nem quero. Ashley ri, de um jeito um tanto suspeito, mas Elder nos olha com cara feia e acho melhor não fofocar durante a reunião. — Quem vai ficar responsável pelas barraquinhas? Lembrando que precisamos levá-las ao Rancho Gordon— ele pergunta, e é Tom Thorn quem ergue a mão. — Posso fazer isso. — Seus garotos continuarão cuidando das cervejas? — Acho que sim. — Tom dá de ombros. — Falando em garotos Thorn, como vai seu embate com Luke, Brianna? A pergunta de Teddy, que agora está com as mãos apoiadas na parte detrás da cabeça, me irrita profundamente. — Estamos bem, Teddy. — Bem, como? — Jo se intromete. — Por que sabemos que você e ele estão vivendo sob o mesmo teto. Os cochichos ficam mais altos e eu reviro os olhos. — Estou alugando um quarto do Weston, galera. Se acalmem em suas suposições. — Mas você voltou para ficar? — Jo cruza os braços. — Tá todo mundo curioso. Ashley aperta os lábios numa linha fina. O que posso responder a todos esses curiosos? — Eu não sei de nada, ainda. — Chega de atormentar a menina — Tom sai em minha defesa. — Encerre isso logo, Elder. O papai Thorn pisca para mim e eu sorrio em agradecimento. Assim que Elder finalmente nos libera, ajudo a recolher as cadeiras e me despeço de Ashley e Tim. Saio do celeiro e olho o relógio, confirmando que já posso retirar da concessionária o carro que aluguei para ir até o casamento. As opções não eram tantas, então escolhi um Chevrolet Blazer para a viagem. Para ser honesta, não estou nem um pouco animada em dirigir por quase doze horas, mas pretendo parar em um hotel para passar a noite e prosseguir a viagem na manhã seguinte. Nunca fiz isso sozinha antes, então considero que será uma aventura e tanto. Aproveito que Luke tinha treino de basquete para almoçar no Thorn’s esta tarde. Procurei evitar encontrá-lo desde que saí do escritório dele ontem e acho que foi a melhor coisa que fiz. Passei horas antes de dormir pesquisando apartamentos bacanas em Las Vegas, além de ter mandado outro currículo para uma vaga que encontrei na internet, similar à sugerida por meu pai. Estou dividida entre ficar triste por meu retorno para Maple River não ter dado certo e feliz por ao menos ter uma segunda opção para deixar Los Angeles. Vivi bons momentos ali, mas nada que me faça ter vontade de ficar. A sensação de lar de verdade só senti em um lugar, nessa cidadezinha charmosa no Colorado. Infelizmente, nem tudo funciona como queremos e nos cabe seguir adiante. Fiz isso, antes. Não é como se fosse uma coisa nova para mim. Termino meu almoço e me despeço de Bob, que hoje estava ocupado com o movimento do bar. Subo as escadas na direção do apartamento e entro sem fazer barulho. Thor não vem me receber, o que me faz supor que Weston o levou para passear. Caminho para meu quarto e tiro uma das malas debaixo da cama, colocando-a aberta sobre o colchão. Tenho um vestido formal para o casamento e prefiro levar apenas o essencial, mas pretendo passear um pouco pela cidade em meu tempo livre. Estive em Las Vegas poucas vezes para visitar papai. Geralmente, era ele e Joyce que iam até Los Angeles quando decidíamos passar um tempo juntos. E teve aquela viagem que fiz na garupa de Luke nas férias da faculdade. Chacoalho a cabeça antes mesmo que as lembranças apareçam. Não quero pensar nele nem em como éramos felizes juntos. Não depois do que ele me disse naquele escritório. Começo a separar minhas roupas e colocá-las na mala. Minutos se passam até eu ouvir a porta da frente se abrir, junto com os passinhos de Thor no carpete de madeira. Me enganei antes, pois quem está com ele é Luke. Finjo que a voz dele não me afeta e continuo concentrada em minha tarefa. — Oi, Bree. Estou surpresa por ele estar parado na minha porta? Claro que sim, mas respondo como se não estivesse. — Oi. Saiu com Thor? — Sim, ele estava agitado. — Achei que estivesse dando aula para os meninos. — Dobro uma camiseta. — Eu estava, mas quando a aula acaba geralmente volto para casa. Isso foi uma piada? Não sei, porque estou me esforçando ao máximo para não olhar para ele. — Entendi. — Vi uma Blazer na rua. Por um acaso é o carro que você alugou para ir a Vegas? — Uhum. — Certo. E você poderia me dar uma carona? Paro com a roupa no ar e finalmente o encaro. Merda, que homem insuportavelmente maravilhoso. Luke está com a barba mais comprida, com o cabelo castanho bagunçado pelo vento e de camiseta branca e justa, as mangas bem coladas nos braços enormes. — Carona? — pergunto, desviando o olhar da tentação. — Sim. Estou indo para Las Vegas, também. Pisco e deixo a camiseta de lado. — O quê? — Sim, vou para Vegas. — Vai fazer o que lá? Luke apoia um braço no batente e sorri. — Fui convidado para o casamento. Seu pai não te contou? Ok, talvez eu esteja entrando em curto-circuito agora. Por um acaso Luke ficou louco? — Meu pai te convidou? Está maluco, Thorn? — Não estou. — Ele tira o celular do bolso e se aproxima, mostrando o convite improvisado que Joyce fez para enviar aos convidados. Eu puxo a tela para perto, porque realmente não consigo acreditar. — Por que meu pai faria isso? Luke dá de ombros e guarda o aparelho de novo. — Não sei, mas achei gentil e estou precisando de um tempo fora da cidade. Já que você também vai, faz sentido que viajemos juntos, não? — Não, não faz! — Eu me afasto dele, minha voz mais aguda do que o normal. — Não quero viajar com você. Não vou! Posso estar muito afetada, mas parece que Luke está se divertindo às minhas custas. O que ele acha que eu sou? O próprio emoji do palhaço? — Saia do meu quarto! — Estendo o braço para ele. — Brianna, eu apenas pedi uma carona. — Você não vai para Las Vegas! — Levanto o rosto. — Não vai! — Vou. — Luke está calmo. Calmo demais, na verdade. — E se você não quiser minha companhia, tudo bem. Vou atrás de você com a moto. — Você não vai! — repito e então o empurro para fora. Era o que faltava, ele voltar a me atormentar a essa altura do campeonato. Com um riso rouco, Luke volta a me encarar, mas sai do quarto. — Vou deixar você processar a informação, mas… eu vou para Vegas, ok? Bufando, bato a porta na cara dele e tenho vontade de socar uma parede. Não vou permitir isso! De jeito nenhum, nem pensar. Luke não vai para Vegas comigo e ponto final. Então… Luke está mesmo indo para Las Vegas. — Mais alguma mala? — ele me pergunta enquanto desço as escadas do apartamento. — Não. Fiz apenas essa. Estou com meu óculos de sol e não pretendo conversar com esse homem durante a viagem. Ele pode ter conseguido o que queria,mas se Luke pensa que serei simpática, está muito enganado. Ainda não me conformo que papai o tenha convidado para a festa. Sim, o casamento é dele e ele pode chamar quem bem entender, mas Luke Thorn? Meu Deus, que traição. Nem liguei para ele pedindo explicações porque estava com a cabeça quente e com certeza teríamos discutido. Seria um tanto egoísta discutir com meu pai no fim de semana do casamento dele, mas depois… John Howard que me aguarde. Ouço Thor latir da sacada e olho para cima, dando tchauzinho para ele. — Tchau, querido! — Mando um beijo para o cachorro. — Até segunda-feira. Luke acha graça e acena também. — Se comporta, garotão! — Ele guarda a última mala no porta-malas. — Thor adora você, Bree. — É claro que sim. Sou muito adorável. — Certo… Quer que eu dirija, princesa adorável? — Luke bate a porta e sorri para mim. O homem está de Ray-ban aviador, jeans e uma camiseta preta do mesmo modelo da de ontem. É como se eu estivesse encarando um dos gostosões do Top Gun. Suspiro, sentindo meu ventre se contrair com a sensualidade desse cara. — Não quero. — Dou a volta no carro até o banco do motorista. — Mas obrigada pela gentileza em oferecer. Luke dá de ombros e entra no banco do passageiro. Colocamos o cinto de segurança, eu ajusto os retrovisores e, menos de dez minutos depois, estamos na estrada a caminho de Las Vegas. Somente eu, ele e o perfume amadeirado delicioso. Um verdadeiro inferno-astral. — Então… animada com o evento? — Luke pergunta, após ficarmos meia hora em silêncio apenas ouvindo minha playlist no rádio do carro. — Sim. — Seu pai parece se dar muito bem com Joyce. — Sim. — Legal. Teve resposta daquele currículo que você enviou em Las Vegas? Reviro os olhos por trás dos óculos. — Não. — Vai me dar respostas monossilábicas pelo caminho inteiro? — Sim. Ele ri. Cretino. — Ok. Se você se cansar do marasmo, posso assumir a direção. Aperto o volante e me seguro para não olhar para ele. — Por que essa disposição em dirigir? Posso saber? Luke sorri. Estou com o olhar fixo na estrada, mas sinto o maldito sorriso bonito dele. — Sei que você não gosta de viagens longas. Suponho que vamos parar no meio do caminho para dormir? — Não fiz reserva, mas pensei em descansar em Richfield. — Hum, é uma boa ideia. Há hotéis confortáveis por lá. — Por isso mesmo que pensei. Luke assente e volta a ficar em silêncio por mais cinco minutos. Até que… — Você está brava comigo? — Ele se vira no banco. — Brava? Por que eu estaria brava? — rebato, cheia de raiva. Minha vontade é parar o carro e mandar ele descer. Quase consigo visualizar esse espécime lindo caminhando sem rumo por aí, como num clipe dos anos 90. — Fui um bruto em nossa última conversa. — Achei que não queria falar sobre isso. — Talvez eu tenha tido tempo para refletir e… — Luke! — Olho para ele rapidamente. — Quem não quer falar sobre isso agora sou eu, ok? Estou cansada de você. — Brianna, eu apenas… — E sim, estou brava! — Não quero ouvi-lo se justificar. — Estou brava porque essa viagem era para ser uma oportunidade de descanso. De fugir de Maple River e dos eventos agitados das últimas semanas. Não entendo porque insistiu em vir, mesmo sabendo que eu ficaria irritada. — Você disse que não quer me ouvir, então estou um pouco confuso se devo ou não me explicar. Ele espera que eu me decida. Levo dois segundos para saber que não desejo ouvir porra de explicação nenhuma. — Não quero conversar. — Estico o braço e aumento o volume do rádio. — Não quero mais nada de você. A resposta para minha última frase é um suspiro profundo. Meu coração muda de compasso, mas me concentro em ignorar o que esse gesto possa significar. Pelas próximas horas, Luke atende ao meu pedido e fica calado. Viagem nenhuma que eu tenha feito antes foi tão longa como esta. 18 BRIANNA — P�� �����, ���� ��� ���� � ��� ����������� �� ��� �����. A recepcionista do hotel me encara com os lábios unidos numa linha fina. — Desculpa, docinho, mas é o que temos. Depois de sete horas de estrada basicamente em completo silêncio, chegamos em Richfield e paramos em um dos hotéis recomendados no Tripadvisor. A cidade é pequena e o movimento de carros está agitado devido a um campeonato de basquete nesse fim de semana, mas jamais imaginei que encontraríamos apenas um quarto disponível para a noite. Sim, pois é. Estou vivendo meu próprio clichê do “só tinha uma cama e precisarei dividi-la com meu ex gostosão”. Luke está parado ao meu lado e assume a conversa, já que estou sem palavras para essa ironia cruel. — Aceitamos o quarto. — Ele entrega o cartão de crédito para ela. — Eu vou pagar metade — digo, mas Luke toca em meu braço gentilmente. — Deixa comigo. Você já alugou o carro. Eu poderia discutir, mas… para quê? Estou exausta e só quero relaxar meus ombros tensos. — Aqui estão seus cartões e a senha do wifi. — A mocinha sorri. — A piscina da cobertura fica aberta até as 22:00h. Podem usá-la à vontade. Sorrio para ela, pois essa sugestão muito me agrada. Ainda bem que tive a ideia de trazer um maiô na mala. Luke insiste em carregar minha bagagem e entramos no elevador a caminho do quarto no terceiro andar. O corredor cheira a limpeza e ar- condicionado. É possível ouvir nossos passos no carpete enquanto caminhamos lado a lado, ainda em silêncio. Abro a porta e a seguro para que Luke entre com as malas. O cômodo é teoricamente pequeno, mas o bastante para um casal — coisa que Luke e eu não somos, mas ok. Há uma cama no centro do espaço, coberta com um edredom branco e engomado. Um suporte de madeira faz a vez das mesinhas laterais e os abajures são embutidos na cabeceira. Há também uma mesa redonda com duas cadeiras pequenas perto da janela e uma televisão enorme na parede oposta ao colchão. O banheiro é minúsculo, sem banheira, mas também está limpinho e organizado. Em geral, não precisamos mais do que isso para dormir. Isso se eu conseguir dormir, dividindo um espaço tão limitado com esse homem enorme. — Que horas são? — pergunto ao Luke, que está encarando o lado de fora pela janela do quarto. — Nove. Por quê? — Como já comemos no caminho, vou aproveitar esse tempo restante para dar um mergulho na piscina. Ele me encara, pensativo. — Ótima ideia. Vou com você. Meu primeiro impulso é questioná-lo, só que desisto no meio do caminho. Pelo jeito Luke está determinado a me atormentar. Resta a mim disfarçar ou essa viagem será um inferno do início ao fim e eu estou realmente cansada. Abro as malas sobre a cama, entro no banheiro e me tranco para colocar o maiô. Assim que saio, Luke já está apenas de calção e chinelos. Minha Nossa Senhora, como ele é gostoso e forte. Já admirei esse corpo vezes sem fim depois que retornei e pareço não me cansar dos músculos desenhados. — Vamos? — Ele está quase sorrindo. Claro que está, afinal, estou comendo-o com os olhos. — Vamos. Pegamos uma toalha cada um, calço meus chinelos e saímos do quarto em direção ao elevador mais uma vez. Quando chegamos na área da piscina, agradeço por não haver ninguém aqui. O ambiente está abafado pelo vapor da água e adoro a sensação de calor no meu corpo. A temperatura da piscina está agradável o bastante para que eu consiga mergulhar de uma vez. Molho o cabelo e respiro fundo ao emergir, agindo como se estivesse sozinha e não soubesse que Luke está logo atrás. Ele também mergulha completamente, mas permanece no mesmo lugar. Enquanto dou braçadas para o outro lado, Luke apoia os braços abertos na borda da piscina e me observa. Consigo sentir o olhar dele em mim, tanto que minha pele fica inteira arrepiada. Luke está calado e parece um pouco tenso quando começo a me aproximar. É como se eu não tivesse controle, como se fosse um imã e todo meu corpo cedesse ao magnetismo que ele emana. Estou pertinho dele ao parar de nadar e apoiar os pés no chão. Não sei se é porque relaxei um pouco, mas a presença de Luke não parece tão perturbadora agora. Ainda mais quando ele está desse jeito, resignado e analítico ao invés de me provocar ou fazer o possívelpara que eu fique longe. Eu só… quero entender o que passa na cabeça desse homem. — O que está fazendo aqui, Luke? Ele não se mexe. Na verdade, mal respira. Apenas continua com os olhos azuis fixos em mim. — Estou indo para o casamento do seu pai. — Por quê? Por que insistiu em vir comigo, depois do que me disse no escritório? O que você quer de mim? Ele finalmente se move. Luke respira fundo ao desencostar da borda e eliminar toda a distância entre nós. Como ele é alto, sou obrigada a olhar para cima. — Quer que eu seja honesto? — Por favor. A mão enorme e úmida faz um carinho em minha bochecha. — Estou aqui porque quero você de volta, Bree. Meu coração para de bater. Pular uma batida é pouco depois do que acabei de ouvir, mas ele prossegue, calmo e contido. — Cometi muitos erros com você. Menti em meu escritório, quando disse que nada havia mudado após nosso beijo. — Por que mentiu? — Porque achei que você estava com aquele cara. Mas então eu descobri que não e… — Espera. Como você sabe? — Não importa. — Sim, importa! — insisto, mas Luke balança a cabeça suavemente. — Tudo que importa é que perdi muito tempo, Brianna. Desde que voltou, fui um babaca tentando lidar com sua presença, tentando manter meu orgulho, quando tudo que deveria ter feito era ter abraçado você. Meus olhos ficam úmidos, mesmo que eu não queira chorar. Contudo, o que Luke está dizendo é muito. É tudo. — Não consigo entender você — digo. — Como consegue me odiar com tanta facilidade e depois me dizer tudo isso? — Nunca odiei você. Sempre odiei… ficar longe de você. Odiei sentir sua falta. Odiei ter tido que aprender a viver sem ter você ao meu lado. Por favor, acredita em mim. — Quero muito acreditar, mas é um pouco difícil depois de tudo que houve nas últimas semanas. Estou cansada de sofrer. Ele não discorda, nem se afasta. Luke envolve minha cintura e me puxa contra o peito forte. Não resisto. Acabo de descobrir que sou uma contradição completa e preciso sentir o toque dele. — Eu entendo. Você tem razão em desconfiar, eu fui um completo idiota. Mas acordei e estou aqui agora, Bree. Tudo que peço é que me dê mais uma chance. — Ele inspira meu perfume. — Apenas mais uma. Então, Luke me beija. Firma a mão livre na lateral do meu rosto e une nossas bocas, num beijo profundo e capaz de tirar meu fôlego. Ele usa a língua e os dentes, me devorando. O cheiro do cloro se mistura ao aroma dele e me sinto bêbada, completamente inebriada de paixão. Os lábios dele são exigentes e carinhosos. Os lábios dele me conhecem e sabem exatamente como me beijar. Quero ficar aqui e aproveitar a sensação maravilhosa, mas Luke me disse muitas coisas e preciso pensar com clareza, pois não serão decisões simples. Toco na altura do peito dele e o afasto, ainda de olhos fechados. — Luke… Ele olha para mim, seus lábios inchados por meus beijos. Meu peito sobe e desce fora de ritmo enquanto retomo o ar. — Eu… — Organizo meus pensamento, ainda que seja difícil. — Tem certeza de tudo que acabou de me dizer? — Amor, você é tudo que eu sempre quis. Amor. Ai, meu Deus. Dê-me forças para não agarrá-lo. — Naquele dia em seu escritório, eu estava determinada a me declarar e você partiu meu coração — continuo firme. — Desculpa. Eu estava equivocado e apenas… — Entendo suas razões, mas preciso pensar em mim. Também sofri nos últimos dez anos. Meu namoro com Chris foi um desastre. As pupilas dele se dilatam e Luke fica tenso. — O que ele fez com você? Muitas coisas. Não quero contá-las agora, porque isso certamente arruinaria minha noite. — Não vou discutir isso hoje. A questão é que preciso de segurança. Quero uma vida tranquila e tudo que não tivemos desde que voltei para Maple River foi tranquilidade. Eu mereço ser feliz, Luke. Você também merece. — Quero fazer você feliz, Brianna. Juro, isso é tudo que mais quero. Acredito nele. Conheço Luke e sei que está sendo honesto. Sem contar que também tenho culpa pelas coisas terem ido por água abaixo no passado. Não quero sofrer, assim como não quero que ele sofra mais uma vez. — Eu também nunca te esqueci — confesso. — Por todos esses anos, sua ausência foi uma dor constante. Ainda assim, precisamos considerar que nossas brigas e conflitos não depõe a nosso favor. — Vamos esquecer tudo isso. Estamos longe de casa agora. Se até segunda-feira você não tiver certeza, prometo lidar com isso. Vamos aproveitar esses dias longe de Maple River. Deixe-me provar o quanto ainda te quero, o quanto ainda somos perfeitos juntos. Deixe-me lutar por você, como deveria ter feito dez anos atrás. Estou derretendo, completamente rendida ao pedido dele. Quero tentar, mas tenho medo. — Podemos passar tempo juntos, mas isso não pode envolver sexo — digo. — Desejo é algo que pode atrapalhar nossas decisões. Luke umedece os lábios e assente. — Ok. Eu farei qualquer coisa. — Mesmo isso? Ele sorri de lado, charmoso. — Não é minha condição preferida, mas… acho que não posso exigir muito depois do que fiz. É claro que ficarei eternamente grato se pudéssemos nos beijar um pouco. Quem está sorrindo agora sou eu. Como direi não para isso? — Alguns beijinhos não devem fazer mal. — Ótimo. — Ele firma mais o toque em minha cintura. — E se isso não der certo, Luke? Ele afasta o cabelo do meu rosto e desce o toque, acariciando minha bochecha e queixo. — E se der? Se der… estarei completa de novo. Não digo nada, pois a necessidade de beijá-lo é maior, então é o que faço. Estou tão atordoada que é difícil entender o turbilhão de coisas no meu peito. Mas consigo identificar felicidade no meio de tudo. Acho que isso é um bom sinal. Espero que sim. Luke e eu subimos para o quarto de mãos dadas. Decidimos tomar banho separados, já que nossa relação nos próximos dias não vai envolver sexo, como combinamos na piscina. Agora estou deitada mexendo no celular e, quando ele sai do banheiro apenas de cueca e os cabelos úmidos, começo a me arrepender de minha sensatez. Eu desejo muito esse homem. É mais do que uma mera atração física, mas ainda acredito que será melhor agirmos com calma antes de nos entregarmos um ao outro de novo. O que não significa que eu não possa tocar nele apenas um pouquinho. — Tem lugar para mim? — ele me pergunta. — Vai se comportar? — Coloco meu celular de lado e me apoio nos antebraços. — Eu disse que vou. Sou um homem de palavra. Estou corada e sorrindo quando aceno com a cabeça e o observo se aproximar. Luke deita ao meu lado no colchão, de barriga para cima, e encara o teto. Faço o mesmo. Cada parte do meu corpo está em alerta, ainda que eu esteja cansada da viagem. Nossos braços estão se roçando e estou ciente da temperatura da pele dele, do desenho dos músculos fortes ainda que ele esteja relaxado. Meu estômago dá uma cambalhota, meu peito sobe e desce devagar, pesado. Olho para Luke em expectativa e ele está sorrindo. — Vem cá. — Ele pisca para mim. Com um suspiro, nem mesmo tento resistir e me acomodo junto ao peito dele, sentindo a pele quente na minha. — Confortável? — Luke pergunta. Assinto, envolvida no cheiro de sabonete. — Senti tanta falta disso… Luke me aperta contra si e mergulha a mão no meu cabelo. — Eu também, Bree. — Você nunca me odiou, mesmo? Ele se mexe e levanta meu queixo para que nossos olhares se encontrem. — Nunca. O que sinto por você sempre teve outro nome. É como se ele estivesse pedindo permissão para falar a palavrinha potente de quatro letras. Mas acho que não estou pronta para ouvi-la, agora. — Ainda não. Na hora certa. — Faço um carinho no maxilar dele. — Preciso de mais tempo. Luke sorri e beija meus lábios suavemente. — Na hora certa — repete, antes de adormecermos nos braços um do outro. 19 BRIANNA N� ��� ��������, �������� �� L�� V���� �� ����� ������ ��� duas. Meu pai e Joyce nos recebem na casa deles, cheios de sorrisos e abraços. Tomamos uma cerveja, eles fizeram um tour rapidinho com Luke pelos cômodos principais e nos mostraram nossos quartos (separados, embora sejam um ao lado do outro). Apesar do esforço em parecer descontraído,conheço John Howard e sei que ele está curioso para saber sobre mim e Luke. Sendo bem honesta, estou praticamente flutuando. Dormimos abraçados e nos beijamos várias vezes; Luke assumiu a direção do carro e entrelaçou nossas mãos pelo resto do caminho. Ashley mandou mensagem e já contei a ela sobre essa novidade, que rendeu milhares de emojis animados em resposta. Ainda não acredito que estamos assim tão próximos. Agora que tive algumas horas para pensar sobre o assunto, sinto-me nervosa com a possibilidade de voltarmos de vez e retornarmos nossa história de onde paramos. A verdade é que tenho medo de sofrer de novo. Não porque penso que Luke vai partir meu coração de propósito, mas porque a vida acontece e nem sempre conseguimos segui-la de acordo com os planos. Não tenho um emprego em Maple River, a casa de vovó está danificada e seria ingênuo da minha parte não considerar todos esses detalhes. Sou uma mulher de 33 anos, não mais uma jovenzinha cheia de sonhos. O jeito é seguir a sugestão de Luke e aproveitar esses dias de folga antes de encarar a realidade. — Filha, tudo bem? — Meu pai aparece na porta do quarto. — Oi, pai. Sim, só vou guardar tudo para deixar organizado pros próximos dias — digo, notando a expressão curiosa do homem. — Você aprontou comigo, senhor. Ele encosta a porta e faz uma careta de culpa. — Cadê o Luke? — Joyce quis mostrar a ele o jardim do terraço. — Estão em paz? Suspiro, fazendo um suspense básico para provocá-lo. — Ainda não acredito que você o convidou para a festa. — Não consegui recusar o pedido dele quando ele me ligou. Abro a boca, chocada. Luke teve essa coragem? — Foi ele quem ligou? — Sim! Luke estava desesperado querendo passar um tempo sozinho com você. Não sabia? — Papai se senta na beira do colchão. — Ele simplesmente me pediu uma carona do nada quando eu estava fazendo as malas. Papai ri. — Ele disse que tinha cometido um erro. — Cometeu, mesmo. Tivemos uma trégua, mas então… as coisas se complicaram. É claro que não vou dizer ao meu pai que me peguei com Luke no sofá da casa dele. — Entendi. Mas vocês parecem bem, agora. — Estamos, eu acho. Ele me disse que quer tentar de novo, decidimos aproveitar esses dias para passar tempo juntos. Meu pai inclina a cabeça para o lado, me analisando. — Diga o que te preocupa. Deixo minha camiseta de lado e sento ao lado dele. — Primeiro, preciso confessar uma coisa: quando fui para Maple River, não foi para vender a casa da vovó. Achei que poderia verificar se ainda me sentia em casa ali, já que pretendia deixar Los Angeles. — Eu desconfiei, filha. Imaginei que fosse considerar vender a casa de verdade depois desses embates com Luke. — Sim, mas mesmo agora que ele se declarou tenho medo, pai. Luke e eu temos tanta história… Já nos machucamos muito. Temo sofrer de novo, de estar apegada ao que fomos no passado. Ele mudou, eu também. E se estivermos vivendo apenas de lembranças de um amor bonito e ingênuo? Ele pega na minha mão. — Posso não ser um especialista em romance, mas sou um homem bem vivido a essa altura da vida. Já reparou no jeito como ele olha para você? Luke parece te amar muito, filha. Reparei, sim. O olhar dele sempre me tira o fôlego. — Amor nunca foi um problema entre nós. Já o resto… Para começar, somos pessoas diferentes depois desse tempo todo. Precisamos nos conhecer outra vez, ter certeza de que não estamos apegados a um passado que não vai se repetir. Depois, há nossas vidas pessoais. Maple River é maravilhosa, mas não tenho nada ali além da casa da vovó. Luke, por outro lado, está com a vida muito estabilizada. — Sorrio, cheia de orgulho do homem que ele se tornou. — Ele tem o bar e está construindo uma casa linda, pai. Fiquei tão feliz por ele. Luke merece tanto… Meu pai toca em minha bochecha. — Olhe para você, toda cintilante de novo. Rio, chacoalhando a cabeça suavemente. — Ele sempre desejou ter um bar, era uma coisa que sonhávamos juntos. O lugar é lindo, todo do jeitinho dele. — E como está a sua vida nesse aspecto? Ergo os ombros. — Do mesmo jeito. Mandei currículos para Las Vegas, estou aguardando as respostas. Minha cabeça está uma bagunça. Antes de Luke conversar comigo, eu estava decidida a vir para cá definitivamente. Ele solta um ruído de alívio. — Que bom, querida. Eu confesso que não queria você ali sozinha com aquele cara em sua espreita. Papai nunca gostou de Chris. No começo, ele se esforçou para aturá-lo, mas assim que eu disse que terminei, John Howard deixou suas opiniões sobre o traste bem claras. — Ele continua atrás de você? — ele pergunta. — Não, porque o bloqueei. — Muito bem. Luke sabe do que aconteceu entre vocês dois? — Não conversamos sobre o passado, ainda. Certas feridas permanecem intocadas e provavelmente abertas. Meu pai assente e fica reflexivo por um breve instante. — Posso lhe dar um conselho não solicitado, Brianna? — Por favor. Acho que preciso ouvir uma voz coerente em meio a tudo isso. — Conversem sobre esse passado doloroso. Vocês não conseguirão planejar um futuro antes que todos esses fantasmas sejam enfrentados. É algo difícil, sei disso, mas necessário. Sorrio e faço um carinho na mão dele. — Esse é um ótimo conselho. Quando ficou tão sábio? Ele estufa o peito, todo metido. — Uma das meninas de Joyce percebeu que eu estava agitado esses tempos atrás e me mandou para a terapia. Gostei do processo. Meu pai fazendo terapia? Quem diria… — Nossa, que novidade! — Estou aprendendo muitas coisas. — Estou muito orgulhosa, pai. Está feliz por se casar com Joyce? Ele sorri de um jeitinho adorável. — Estou, sim. Mais feliz ainda por você estar aqui conosco, sorrindo. Sei que fui um pai falho por muito tempo, Bree, mas tudo que desejo é a sua felicidade. — Eu sei disso. — Eu o abraço forte. — Obrigada por cuidar de mim. Eu te amo muito. Papai retribui meu abraço e eu fungo, emocionada com esse diálogo inesperado. Nosso passado não é perfeito, mas fico muito contente que ele tenha se aproximado e se dedicado mais ao nosso relacionamento, ainda que minha mãe não esteja aqui para nos ver assim. Por muito tempo carreguei mágoa pela distância entre nós, por meu pai ter perdido momentos importantes da minha infância e adolescência. Contudo, consegui perdoá-lo e hoje adoro que ele esteja tão presente em minha vida, que cuide de mim com carinho e atenção. Vovó também ficava feliz em nos ver bem. Ela dizia que as pessoas cometem erros, mas que o perdão é algo precioso, que podia abrir espaço para novos começos. Talvez essa sabedoria também se aplique a mim e a Luke. — Também te amo, querida. — Ele dá um beijo em minha testa. — Converse com Luke, ok? Tenho certeza de que tudo vai se ajeitar. — Vou fazer isso. Deixe comigo, sr. Howard. LUKE Saio do box com uma toalha amarrada na cintura e outra enxugando o cabelo. Nem presto atenção ao me trocar, apenas pensando nela. A casa dos Howards está silenciosa depois que jantamos com os noivos da semana e cada um se recolheu para dormir. Olho para a cama, que parece vazia demais sem Bree agarrada em mim como na noite passada. Foda-se, vou atrás dela, nem que seja para trocarmos apenas uns beijos inocentes e dormirmos abraçados. A não ser… que ela queria ser beijada em outros lugares. Abro a porta sem fazer barulho e caminho na ponta dos pés no corredor. O quarto de Brianna é ao lado do meu. Coloco o ouvido na madeira, mas não consigo ouvir nenhum movimento. Bato suavemente, esperando que ela não esteja dormindo. Para minha sorte, Bree abre a porta alguns instantes depois. Ela usa um roupão e está com o cabelo úmido. Linda pra caralho, a ponto de me fazer perder o ar. — Oi! — Brianna sorri. — Oi. — O que faz nos corredores a uma hora dessas? Rio baixinho. — Tem uma coisa faltando no meu quarto. — Ah é? — Ela levanta a sobrancelha para mim. — O quê? — Uma gostosa que conheci um tempo atrás e ontem me fez companhia outra vez. — Hum. — Ela abre a porta um pouco mais. — Quem será essa “gostosa”? Ela vai acabar comigo e sabe disso. Caralho, Bree continua perfeita. — Deixaeu entrar — peço. — Não vou fazer sexo com você. — Sei disso. Mas beijos ainda estavam no acordo, se lembra? Ontem estávamos cansados demais, mas hoje… ainda estou com energia. Bree ri de um jeito maravilhosamente bonito, fazendo um biquinho ao fingir que está pensando. — Não podemos fazer barulho. Meu pai tem um ouvido e tanto. — Prometo ficar quieto. Ela morde o lábio inferior e me puxa para dentro. Finalmente. Nem perco tempo antes de prensá-la contra a porta fechada e erguê-la pela bunda. — Ui! — Shhh… — Beijo o pescoço dela, bem devagar. O perfume dela deixa meu pau duro imediatamente. — Sem barulho, se lembra? Brianna assente e se agarra em mim, de um jeito tão delicioso que me faz ter pena de ter que resistir a ela esta noite. Mas posso fazer isso, porque sei que ela está ressabiada e que precisa confiar em mim para me dar essa segunda chance. Vou fazer o que estiver ao meu alcance para provar a ela o quanto ainda a amo. — Devo levar você para a cama? — pergunto, encontrando o olhar dela ao colocá-la no chão. — Pode ser. Fico contente que tenha vindo. Eu queria mesmo conversar com você. Faço uma careta. — Estou encrencado? — Não. Eu apenas… acho que deveríamos conversar sobre nós. O tom da voz dela está sério. Sentamos na beirada do colchão e a observo colocar o cabelo atrás da orelha. — Nunca tive a oportunidade de te explicar por que terminei tudo naquela ligação. Posso? Meu peito se comprime e estou repentinamente nervoso. Parece que vamos mesmo enfrentar esses fantasmas, mas ela está certa. É um passo que precisamos dar se quisermos ficar juntos de novo. — Claro que pode. Brianna toma um segundo para respirar. — Eu estava solitária, Luke. Não de um jeito que me fizesse olhar para outra pessoa. Sei que você pensou nisso na época, mas… — Eu fui um canalha — digo, com vergonha de ter insinuado isso em meu desespero. — Foi algo que falei sem pensar, Bree. Desculpa. Ela sorri suavemente e assente. — Minha solidão era por sentir saudades por tempo demais. Depois que decidi aceitar o emprego em LA, me senti culpada por não ficarmos juntos de novo. Mal conseguíamos nos falar, discutíamos de vez em quando… Eu sabia que você estava trabalhando muito e ficava chateado em não conseguir viajar. Não sei. Achei que precisava te libertar de algo que claramente não estava dando certo. Percebo que ela está trêmula e pego na mão dela. Então reparo que estou tremendo também. Ainda me lembro de cada palavra daquela ligação. Do desespero em saber que eu a tinha perdido. Da dor, ao me dar conta de que Brianna tinha razão ao afirmar que não estávamos dando certo. — Eu tinha comprado uma passagem para te ver. — Tinha? — ela sussurra. — Sim. Estava doido de saudades, procurei empregos em LA, mas você nem mesmo permitiu que conversássemos pessoalmente. — Eu sabia que não teria coragem de terminar se estivéssemos frente a frente. Tentei evitar que a dor aumentasse. — Imagino que sim. — Sofri muito nos dias seguintes, Luke — ela continua, com os olhos úmidos. — Chorei lembrando de como sua voz parecia quebrantada, e então percebi que havia cometido um erro e voltei. Saber que você estava transando por aí me machucou muito. Sei que não estávamos mais juntos há dois meses, mas mesmo assim… doeu. Engulo em seco, pois talvez seja a minha hora de falar. — Bree, há algo que você precisa saber sobre isso. Eu nunca saí transando por aí. Uma lágrima escorre na bochecha macia e eu a limpo. — O quê? — É sério. Eu nunca quis ninguém além de você, especialmente naquela época. — Mas as pessoas estavam comentando! Mike me disse… — Mike queria me ajudar a sair por cima da situação. Eu estava devastado pelo nosso término. Fomos a uma festa na cidade vizinha e ele me incentivou a ficar com uma amiga dele, dizendo que eu era um pegador, que estava no meu auge. Não ficamos juntos, mas sabe como as pessoas fofocam por aí. Quando nos encontramos pela primeira vez, perdi a reação. E o jeito como você me olhou, com tanta… raiva. Começamos a discutir e eu soube que não iria adiantar desmentir nada. Estava ferido também, Brianna. Nosso término doeu pra caralho e eu não sabia que você pensava em reatarmos. — Vovó me disse que você tinha seguido em frente — ela explica. — Me senti uma tonta por estar sofrendo enquanto você se divertia. — Nunca foi divertido. Comecei a ir em festas, sim. Fiquei um pouco revoltado e não queria que tivessem pena de mim. Não esperava que você aparecesse de repente, Bree. Você não atendia minhas ligações, eu achei que estávamos acabados. Me arrependi depois. Pedi pro Mike não se meter na minha vida, mesmo que nunca o tenha culpado por nada. Eu deveria ter ido te ver, deveria ter insistido. Fui um estúpido em deixar você partir, mas juro que nunca quis te machucar. Eu apenas queria que parasse de doer, só isso. Demorei anos para me envolver com alguém de novo. Ela ainda parecesse chocada, mas digo a verdade. Depois de Brianna, demorei um bom tempo para sequer ter vontade de sair com outra mulher. E quando aconteceu, bem… não senti nada além do prazer físico. A sensação boa durava pouco e me sentia vazio depois, sempre lembrando dela. Foi quando resolvi deixar isso de lado e focar minhas energias em outras coisas. Não é como se eu fosse um cara frígido, mas sou basicamente celibatário e isso nunca foi um problema para mim. Até ela voltar para a cidade, é claro. Desde que Brianna pisou no meu bar, tenho sonhos eróticos com essa mulher praticamente todas as noites. — Eu também demorei — ela diz. — Na verdade, depois de você eu apenas fiquei com o Chris. Minha mandíbula contrai ao ouvir o nome do sujeito. Desconfio que ele tenha feito muito mal a Brianna, mesmo que ela ainda não tenha me contado detalhes da relação deles. — O que rolou entre vocês? — Acaricio o rosto dela. — Não quero falar sobre ele, hoje. Quero falar sobre nós e… preciso te pedir perdão, Luke. Brianna segura minhas duas mãos e controla o queixo trêmulo. Meu coração se parte por vê-la assim, tão vulnerável, especialmente porque também estou sentindo dor. As memórias difíceis são feridas que jamais cicatrizaram. Até agora. Pela primeira vez em dez anos, temos a oportunidade de finalmente seguir adiante e deixar qualquer mágoa para trás. — Por favor, me perdoa por ter terminado. Eu me arrependo tanto. Se eu pudesse voltar no tempo… — Meu amor, olhe para mim. — Estamos os dois emocionados. — Claro que perdoo você. Errei muito, também. Você estava sozinha há 5 anos, por uma decisão que partiu de mim quando nos formamos. Todos os dias quando sentia sua falta, me perguntei se minha escolha de não ir para a faculdade não havia nos condenado desde o início. — Não tínhamos como saber. — Talvez não, mas aprendemos, Bree. Estou feliz por finalmente falarmos sobre isso, porque cansei de sentir a mesma dor por tanto tempo. Me perdoa, também? Por ser orgulhoso e te perder? — Eu te perdoei há anos, Luke. Nunca quis odiar você. Tudo que sempre quis foi que encontrasse a felicidade, ainda que não fosse ao meu lado. Sorrio e a puxo para mim. Nossos narizes se encostam e as respirações se misturam. — Pois eu descobri que não há felicidade completa sem você. Vou fazer o que me pediu e ir com calma, mas não vou desperdiçar essa chance, Brianna. Sabe por quê? — Por quê? Encaro os olhos azuis cintilantes, para que ela não tenha nenhuma dúvida. — Porque você é minha. Porque sempre foi, e não vou descansar até que tenha certeza de que sou perfeito para você. Quando ela me beija, começo a pensar que estamos no caminho certo. 20 BRIANNA P������� � ������ ������, ��������� ��� L�� V����. Fomos até o centro, tiramos foto no sinal da cidade e, depois do almoço no The Strip, decidimos assistir o show das fontes do Bellagio, o que foi maravilhoso com Luke sussurrando safadezas em meu ouvido e roubando beijos meus sempre que tinha a oportunidade. O relógio marca cinco e meia da tarde quando retornamos para a casa de papai. — Pai? — chamo, assim que entramos. Como não há resposta e a casa está em silêncio, concluo quemeu pai e Joyce estão fora, cuidando dos últimos detalhes do casamento. — Estamos sozinhos, Thorn — digo a ele. — E o que vai fazer? Dou de ombros. — Acho que vou tomar um banho. Luke assente, passando a mão pelo cabelo e bagunçando-o. — Certo. Sorrio, porque sei o que está se passando nessa cabeça dele. É exatamente o que eu estou pensando também. — Quer se juntar a mim? Luke sorri e me puxa pela cintura. — Achei que nunca fosse perguntar. Ele me carrega no colo e me beija com necessidade. Continuo zonza com essa intensidade com que Luke me toca, como se quisesse provar em cada um deles o quanto sentiu minha falta e o quanto me ama. Não dissemos a palavra ainda, mas não sou tonta. É claro que há amor envolvido, além da paixão. Estamos apenas indo com calma antes de fazermos declarações em voz alta, ainda sem saber que rumo essa relação vai seguir. Ele fecha a porta do quarto e começamos a tirar as roupas. Puxo minha camiseta pela cabeça, ele faz o mesmo com a dele e beija minha boca enquanto solta o gancho do sutiã. Nos livramos dos jeans e da lingerie e entramos no banheiro, onde ligo o chuveiro sem prestar atenção à tarefa. A água morna nos atinge, mas Luke não para de me beijar. Meus dedos estão mergulhados nos cabelos dele enquanto nossas línguas dançam juntas. Quero morder esses lábios deliciosos, deixar Luke trêmulo até que ele perca o ar. Começamos a nos banhar nessa posição. Lavo meu cabelo e o dele, sorrindo enquanto Luke continua me acariciando devagar. Enxaguamos o shampoo, terminamos de nos lavar e ele me vira, grudando o corpo forte em minhas costas. A ereção enorme está roçando minha bunda, mas Luke não tem pressa ao me provocar. O homem alcança o sabonete mais uma vez e começa a passar as mãos ensaboadas por meu corpo, dessa vez me seduzindo. Sinto a palma calejada na pele, gemendo baixinho com a sensação maravilhosa e excitante. Está cada vez mais difícil resistir a esse homem, especialmente enquanto ele beija meu pescoço e sussurra sacanagens no meu ouvido. — Eu achei que você tinha removido a tatuagem. — A língua dele agora traça o L atrás da minha orelha. — Pensei nisso, mas nunca consegui. — Viro o rosto de lado para encontrar o olhar dele. — Era como se eu estivesse me livrando da última parte restante de você. Os olhos azuis cintilam e ele sorri. — Eu sentia a mesma coisa. Meu coração bate forte quando o puxo para um beijo intenso. Luke desce as mãos pelo meu corpo até agarrar um peito e brincar com meu mamilo. Espalmo o azulejo frio com a sensação. Preciso de um apoio ou sou capaz de cair. — Essa bocetinha gostosa está molhada para mim? — ele pergunta. — O que você acha? — arfo. Luke ri, rouco. — Acho que eu deveria te chupar. — Mas e nosso combinado? — Meus olhos se fecham quando ele torce o outro mamilo. — Não estaríamos saindo da regra dos beijos, se pensarmos tecnicamente. — Luke me vira e me ergue pela bunda, passando minhas pernas ao redor de sua cintura. — Deixa eu te dar prazer, amor. Assinto, pois não há nada que eu queira mais do que isso. Luke sorri contra os meus lábios e sai do box comigo no colo. Nossos corpos estão úmidos, mas ele me joga na cama assim mesmo. Não é como se esse detalhe fosse atrapalhar esse fogo que nos consome. A sensação do corpo forte contra o meu é maravilhosa. Amo sentir o peso de Luke contra mim. Envolvo o pescoço dele e o puxo para um beijo de língua, sugando a dele enquanto abro as pernas e permito que ele se encaixe entre elas. O pau dele roçando em meu clitóris é uma prova de resistência. Luke deve sentir também, pois se apoia em seus joelhos e desce a cabeça, lambendo meu corpo com vontade. Ele chega ao meus seios e chupa meus mamilos, um de cada vez. A língua traça um caminho certeiro, que faz minha vagina contrair e a necessidade por ele aumentar cada segundo mais. — Vou marcar você. — Ele olha para mim de um jeito travesso. Concordo, com dificuldade de colocar meus pensamentos em ordem sob o toque perfeito. Luke continua as carícias com a boca, sugando minha pele perto do umbigo, deixando mesmo uma marca. Ele olha para o resultado e sorri, como um artista orgulhoso. — Um espetáculo. Abre essas pernas para mim, gostosa. Rio ao obedecer, antecipando a sensação. Luke se masturba um pouco, olhando-me aberta e exposta. Sempre me mantenho depilada, e saber que ele está vendo cada pedacinho meu me deixa ainda com mais tesão. — Que boceta maravilhosa… — Ele se ajoelha no chão e me puxa até que minha bunda esteja na beirada da cama. — Sonhei com esse dia, Brianna. Com o seu gosto na minha língua. Comigo me deliciando com você. — Você ainda fala bastante… — provoco, mordendo o lábio inferior. Luke ri, rouco. Ele sobe uma trilha de beijos pela minha coxa, tão devagar que chego a pensar que vou enlouquecer. Estou tremendo de desejo, rendida quando Luke aproxima o rosto e umedece os próprios lábios. — Pede, Bree. Diz para mim o que você quer. Ele vai me matar de tesão. — Você. Eu quero você, amor. Por favor, me chupa… Mais um sorriso aparece nos lábios dele antes de Luke me abrir e dar a primeira lambida. Fecho os olhos e vejo estrelas, delirando de desejo enquanto ele me devora com vontade. Ele lambe de baixo para cima, suga os lábios e penetra a língua em mim, roçando a ponta do nariz em meu clitóris, deixando-me completamente rendida e perdida no prazer intenso. — Que delícia… — ele murmura. Luke agarra minha bunda, puxando-me para mais perto, e me arreganha mais. Meus joelhos quase encostam nos seios, que também são manipulados pelas mãos dele, em sincronia com a chupada espetacular. Começo a gritar o nome dele e rebolo em sua boca, esfregando-me com vontade enquanto Luke dita o ritmo e me tortura com os lábios. Ele penetra a língua em mim, usa os dedos para espalhar meus fluidos e circula meu orifício, estimulando-o e aumentando meu prazer até que eu comece a sentir os primeiros sinais do orgasmo. Luke percebe e se detém, sorrindo ao voltar a chupar meu clitóris devagar. Ele está prolongando a sensação, deixando-me no limite, a ponto de implorar para que não pare. — Luke, continua… — Agarro os cabelos dele e o mantenho ali. Sinto-o sorrir em minha boceta e explodo sem controle quando ele penetra um dedo em meu cuzinho molhado. Gozo forte, estremecendo sob a boca dele. Ainda bem que estamos sozinhos, pois não faço questão de conter meus gemidos, que ecoam no quarto e me deixam rouca conforme vou voltando para a realidade. Luke para de me chupar, mas suas mãos ainda estão em mim. Ele desliza por meu corpo, lambe meus mamilos sem pressa e sobe até me beijar na boca, todo melado de mim. Ele afasta uma mecha de cabelo da minha testa suada e sorri mais uma vez, cheio de orgulho. — Linda pra caralho… — a voz dele sai grave e rouca. Satisfeita, decido que também quero prová-lo e fazê-lo derreter. Volto a beijá-lo e me coloco sobre ele, esfregando meus seios no peito forte e descendo uma trilho de beijos pela pele dele. Luke fecha os olhos e geme, acariciando meu cabelo e minhas costas, mas não paro de descer até que o pau maravilhoso esteja de frente para mim, me encarando. Ele é grosso e longo, rosado e bonito. E hoje é inteiro meu, pois estou com saudades e com água na boca para chupá-lo. Envolvo a ereção e começo a masturbá-lo lentamente, observando a reação de Luke. Nossos olhares se encontram e meu homem tagarela parece estar sem palavras, como se eu tivesse enfeitiçado. — Gosta disso, lindo? — pergunto. Ele assente, com os lábios entreabertos. — Eu gosto. — Quer que eu chupe seu pau, Thorn? Ele inclina o quadril, numa resposta bem clara. — Me chupa, Bree. Por favor. Adoro vê-lo implorando como ele fez comigo. Me ajoelho entre as pernas dele e dobro o corpo, apenas lambendo a glande a princípio. — Merda… — Luke geme. Continuo lambendo a extensão, desço para as bolas e subo de novo, para apenas então enfiá-lo na boca. Chupo Luke devagar, primeiro a cabeça, depois puxando-o até a garganta. Deixo o pau dele inteiro molhado e me delicio quando ele incentiva meus movimentos, para cimae para baixo enquanto nossos olhares continuam presos um no outro. Adoro o sabor dele, a textura e o cheiro masculino que se mistura com o sabonete que usamos. Alterno chupadas e movimentos de vai e vem com a mão, sugando mais forte ao perceber que Luke está no limite, suado de prazer. — Bree, eu tô muito perto — ele avisa, sem ar. Afasto a boca dele apenas para dizer: — Tudo bem. Quero que goze na minha boca, Luke. Volto a chupá-lo com força, levando a mão entre minhas pernas e me tocando também, pois não consigo me aguentar. — Tem certeza? — ele pergunta ao começar estremecer. Assinto, muito determinada. Ele enfim se entrega, fechando os olhos com força e goza na minha garganta com um grito rouco e eu engulo tudo, saboreando o esperma dele e atingindo outro orgasmo, sem parar de me tocar. Lambo o pênis até que não tenha sobrado nada e, exausta, subo o corpo e desabo ao lado de Luke, que me puxa para perto e me abraça, beijando meus lábios de novo. Um suspiro profundo me faz abrir os olhos. Vejo Luke olhando para mim, parecendo tão apaixonado que tenho vontade de chorar. Ainda não consigo acreditar que estou aqui com ele, que isto é mesmo real. — Eu senti tantas saudades. — Ele acaricia minha bochecha. — Parece que finalmente posso respirar de novo. Emocionada, me aconchego a Luke. Conheço bem a sensação. 21 BRIANNA O ��� �� ��������� ������ � ����� �����. Joyce me convidou para me arrumar no salão com ela e as meninas, mas como não planejava usar nada muito elaborado, agradeci e preferi economizar nesse sentido. Escolhi um vestido vermelho de alças e justo, uma sandália preta de salto alto e deixarei o cabelo solto. Meu pai alugou um dos salões do Plaza e a festa, que começa ao meio dia, deve ter umas setenta pessoas no máximo, apenas os mais próximos foram convidados para a celebração. Estou terminando de colocar um brinco quando velho pelo espelho Luke abrir a porta do meu quarto, devagar. — Bree? — Entra! Estou quase pronta. Ele se aproxima e sou obrigada a me virar para admirar a beleza desse homem. Luke está de camisa branca e com um terno azul escuro que parece ter sido costurado sob medida. O cabelo está penteado para trás e a barba mais cheia completa o visual sexy. Como tenho passado tempo junto a ele de forma mais íntima, é impossível não pensar em despi-lo desse look assim que chegarmos em casa. Estive pensando e talvez possamos transar de uma vez, aproveitar que estamos longe e temos privacidade para isso. Especialmente hoje, que meu pai vai acabar dormindo no hotel e teremos a casa apenas para nós. O olhar azul me analisa de cima a baixo. — Uau. Que linda. — Ele me puxa pela cintura e beija meus lábios pintados de vermelho. — Deu vontade de borrar esse batom todo. Eu também, mas demorei tempo demais nessa maquiagem e preciso me conter. — Depois da festa! — Toco no peito dele. — Agora preciso me segurar ou vai ser difícil chegar na cerimônia no horário. — Hum, que pena. — Luke passa a mão em minhas costas expostas. — Precisa de ajuda com o zíper? — Por favor. Ele sobe o zíper num movimento lento e muito sensual. — Quero fazer o contrário disso também — Luke continua a me provocar. Levanto o olhar para ele e umedeço os lábios. — Talvez possamos aproveitar a casa vazia. Luke levanta uma sobrancelha. — Você está me fazendo promessas que terei que cobrar… Sorrio e fecho os olhos enquanto ele desce uma trilha de beijos no meu pescoço. Minha nossa, sou uma péssima pessoa, mas se Luke me beijar mais uma vez que seja, vou chegar atrasada para o casamento de papai. — Vamos logo! — Eu me afasto e o puxo pela mão. — Bree, Weston ligou e tenho um problema — Luke diz ao caminhar atrás de mim. — Que problema? — Ele vai para Denver visitar um amigo da faculdade, ajudá-lo com os filhos ou algo assim. Ele tinha me avisado, mas o técnico do fogão estará em Maple River amanhã no horário do almoço e Bob teve uma emergência com a mãe dele que caiu no banheiro. Ela fez uma cirurgia no braço e está bem, mas estamos sem funcionário no bar até quarta. — O que vamos fazer? — pergunto. Luke pensa por um instante. — Fiquei de retornar para o Wes, mas pensei em ir embora esta noite. Assim chegamos lá a tempo de eu falar com o técnico e faço um comunicado dizendo que o bar vai fechar às 6 até quarta-feira. Inclino a cabeça para o lado, calculando as horas de viagem. — Acho que funciona. Podemos nos entupir de café e alternar a direção se for o caso. — Tem certeza? — Luke toca meu queixo. — Se quiser ficar até amanhã, eu dou um jeito. — Imagina, sairemos apenas uma noite antes. Vai ser até bom estar lá amanhã, porque Cinthia tinha me dito que a reforma da casa de vovó deve estar no fim. Ele sorri e beija minha têmpora. — Vou avisar o Weston que ele pode ir para Denver tranquilo, então. Fecho a porta da frente e coloco a chave na bolsa clutch que escolhi para o evento. Vamos até o hotel de carro, numa viagem que dura quinze minutos considerando o trânsito tranquilo do domingo. O salão onde a cerimônia vai acontecer foi decorado de forma simples, mas adorável. No corredor, flores em um tom de vermelho indicam o caminho a ser percorrido pelos noivos. Papai já está por ali, conversando com o juiz de paz enquanto os poucos convidados se ajeitam em seus lugares. Dou um tchauzinho para ele, que me indica que há lugares guardados para nós na fileira da frente. — Nervoso? — o cumprimento com um beijo no rosto. Eu o vi há uma hora, antes de ele sair de casa adiantado para conferir se tudo estava sob controle por aqui. — Estou calmo. — Ele sorri. — Vocês dois estão chiques! Luke toca no ombro dele. — Precisávamos estar à altura do evento, sr. Howard. — Sim. Não é todo dia que um solteirão convicto se casa — provoco. Mary e Susan, as filhas de Joyce, chegam alguns minutos depois. Nos sentamos lado a lado e cumprimento as meninas com um abraço, pois faz um tempinho desde que as vi pela última vez. — Que saudade, Bree! — Mary diz. — Você está linda! — Susan sorri para mim. — E quem é o bonitão ao seu lado? Luke leva a mão à nuca, um pouco sem graça. — Este é o Luke Thorn. Ele é meu… — penso. Como eu deveria apresentá-lo? Ele parece se divertir com minha hesitação e fica me encarando em expectativa. — Meu… homem — solto. As duas dizem “uhhh” em uníssono e os olhos dele cintilam. — Prazer, homem da Brianna. — Mary aperta a mão dele. — Acho que estamos todos na mesma mesa — Susan comenta e se inclina para mim para sussurrar: — Teremos perguntas sobre esse deus grego, Bree. Dou um risadinha e nos sentamos para assistir a cerimônia. A música começa a tocar e Joyce aparece no corredor, num lindo vestido azul que valoriza as curvas dela. O cabelo escuro está preso num coque baixo e a pele madura do rosto se encontra perfeitamente maquiada. Em minha frente, vejo uma noiva linda e feliz. Ela sorri assim que seu olhar se cruza com o do meu pai. Embalada na melodia romântica, sinto os olhos umedecerem ao presenciar um momento tão bonito. Luke percebe e entrelaça nossos dedos, beijando meu cabelo com carinho. Uma avalanche de lembranças me atinge. Quando estávamos juntos, falávamos sobre nos casar, sobre construir uma família juntos. Em uma dessas conversas cheguei a sugerir que nosso casamento acontecesse aqui mesmo, em Vegas. Luke riu e disse que adoraria entrar numa dessas capelas que vemos nos filmes para assinar os papeis que me tornariam a esposa dele oficialmente. Depois do término, acabei colocando esses sonhos num baú e o enterrei num buraco bem fundo. Quem diria que estaríamos assim, agora? Tão… perto de retomarmos de onde paramos. Quem diria que eu estaria tão feliz? Pisco, afastando as lágrimas de alegria e me forço a olhar para os noivos. Nos próximos minutos, eles trocam os votos, são declarados casados e se beijam apaixonadamente na frente de todos nós. Meu coração transborda, pois ao contrário do que imaginei, hoje sou de novo aquela mulher que um dia acreditou no amor verdadeiro. E quando Luke acaricia minha mão e sorri para mim, tenho certeza do que quero.Cada pedacinho de mim. Levanto o rosto, meu coração batendo forte e fora de ritmo. Olhando para mim, com aqueles olhos azuis cintilantes, está Luke. Sem piscadinha ou sorrisos, como ele costuma fazer com todos os clientes. Claro que não. Obviamente, ele não está nada feliz em me ver. 2 LUKE P��� ��� �����. Estou mesmo olhando para Brianna? Como um cara com mais de trinta anos, a vida financeira estabilizada e praticamente sem problemas, não tenho muito do que reclamar. Ser um dos irmãos Thorn em Maple River é como um presente do destino. Aqui, nessa comunidade de 31.275 habitantes, todos se ajudam. A rotina é tranquila, temos qualidade de vida e meu cachorro, Thor, me adora. Sou dono de um negócio próprio e me dou bem com todo mundo. Quer dizer… todo mundo, menos ela. Brianna Howard, minha ex. A mulher que um dia eu chamei de “amor da minha vida”. E que não faço a mínima ideia do que está fazendo aqui agora. Os olhos azuis piscam rápido, assustados. O que é outra contradição, já que ela sabe muito bem que sou dono desse lugar. — Oi, Luke. — O que faz aqui? — Voltei — ela diz. Como se fosse uma informação simples de processar. — Voltou? Tipo, de vez? Ela ri, mas não há humor algum no rosto dela. E caralho, ela continua linda como sempre. O cabelo escuro está preso num coque bagunçado e ela usa brincos de argola dourados. A camisa branca está com os dois primeiros botões abertos, o bastante para revelar o decote sedutor. Consigo visualizar a bunda empinada no jeans justo. — Voltei para vender a casa da vovó. — Ela puxa a banqueta e se senta. — Mas, na verdade, eu gostaria de almoçar se a cozinha ainda estiver funcionando. Ela fala comigo como se fôssemos nada. Como se Brianna nunca tivesse segurado meu coração nas mãos, apenas para esmagá-lo na primeira oportunidade. Se tem algo que me deixa louco é esse jeitinho metido com que ela insiste em fingir que não temos uma história. — Certo. Vou pegar o cardápio para você. Enquanto alcanço um dos cardápios embaixo do balcão, tento não pensar em como vender a casa de Abigail deve ser difícil para ela. Não que ela vá demonstrar. Bree é determinada, gosta de agradar as pessoas, é prestativa e paciente, além de ser a garota mais divertida que conheço. Ela sempre tenta disfarçar qualquer emoção negativa que esteja sentindo. Ou tentava, considerando que não aparece por aqui há três anos e não faço ideia de quem é essa mulher em minha frente agora. Terminamos meses depois que ela acabou a faculdade. Brianna percebeu que um namoro à distância não estava dando certo e tomou a decisão difícil de dar um ponto final na relação. Nunca sofri tanto quanto naquela época. Confesso que fiz umas cagadas depois, todas na tentativa de arrancar essa mulher do meu coração. Os anos passaram e nossa vida seguiu em frente. Brianna retornava para Maple River de vez em quando, passava uns dias com a avó e me lembrava o quão patético eu era por ainda perder o ar na presença dela. E então Abigail Moore faleceu e Bree sumiu após o enterro, permanecendo longe esse tempo todo. Não somos mais amigos. Na verdade, não somos nada. Talvez ela esteja certa em me tratar como um conhecido qualquer. — Aqui. — Ofereço o cardápio para ela. Brianna agradece e começa a analisar as opções, seus olhos fixos nas palavras no papel. — Eu achei que não estivesse trabalhando — ela diz, sem olhar para mim. Eu, por outro lado, estou completamente focado nela e nessa ousadia irritante. — No meu bar? Que curioso… — Achei que você estivesse fora. — Ela abaixa o cardápio. — Não vi a moto na frente. Estou morrendo de fome e Jo me disse que aqui era o único lugar para conseguir um prato de comida. Não quero brigar, Luke. Claro. Só quer me atormentar, ressurgindo do nada quando estou tranquilo e sossegado. — E o que vai querer, princesa? — Jogo um pano de prato sobre o ombro direito. Brianna cerra o maxilar ao fixar os olhos nos meus. Entre nós… os diálogos se tornaram difíceis desde o término. A culpa é minha, sei disso. Num lugar pequeno como este, seria impossível nunca mais nos encontrarmos e passei a provocá-la como um mecanismo de defesa. Continuo inventando apelidos ridículos que a deixam vermelha de raiva. — Você não se cansa depois de tantos anos? — Brianna cruza os braços e me encara. Sorrio de lado e apoio meus antebraços no balcão. — Não. Principalmente porque esse é o único jeito que consigo me comunicar com ela. Nunca tive esperanças de conseguir Bree de volta. Nosso passado é como uma farpa na minha pele, inflamado e difícil de arrancar. Ela foi o meu primeiro amor, sim, só que eu nunca a mereci. Demorei alguns anos para entender. Brianna sempre ansiou por mais, enquanto eu… não. Na verdade, depois de perdê-la descobri que tudo que eu queria era ela. Hoje, somos dois estranhos, ela com sua vida grã-fina em Los Angeles, e eu um atendente de bar que mora no mato. — Quero o n. 2 e uma cerveja. — Ela desconversa. Vou até a janela da cozinha e peço ao cozinheiro um prato n. 2. Ela se mantém no básico: um bife com fritas e salada. Volto para o balcão, alcanço uma caneca e começo a enchê-la de cerveja. Não consigo tirar os olhos dela e odeio isso. Agora mais de perto, reparo que ela está com uma bolsa discreta embaixo dos olhos. Me pergunto se andou chorando, se sente falta de Abigail como sentia da mãe dela. A cena é perturbadora e apenas imaginá-la encolhida e sozinha me causa enjoo. Nem faz sentido que tenha voltado para cá. O que restou para ela depois de tudo? — Sua cerveja — falo. — Obrigada. Brianna está tensa, ainda que tente disfarçar. Como se estivesse se esforçando para se sentir à vontade. — O que está fazendo aqui? Talvez eu não devesse tocar no assunto. O que Brianna faz ou deixa de fazer não deveria me afetar, mas afeta. Não é justo. — Eu já expliquei. Vim vender a casa. — Você poderia simplesmente contratar uma imobiliária. Ela dá um gole na cerveja e respira fundo. — Por que se importa tanto? — Porque não faz sentido. Você não pertence mais a este lugar. Pode fingir na frente de todo mundo, mas a mim você não engana. — Cala a boca, Thorn — ela fala entre dentes. — Como se atreve a falar comigo desse jeito? Você perdeu esse direito há muito tempo. — A vida foi generosa com você, Brianna. — Chego perto agora, o bastante para sentir seu perfume de rosas suave. Caralho… eu amo esse cheiro. Sinto falta dele no meu travesseiro. — Nos últimos anos, tudo aconteceu exatamente do jeito que você queria. Por que não faz as malas de uma vez e volta para a cama do seu namorado popstar? Estou sendo um filho da puta, mas não consigo me controlar. A presença dela me enlouquece. Não consigo entender o que ela está fazendo aqui, porque simplesmente não dá o fora de uma vez e me deixa em paz. Brianna cerra a mandíbula, agarra a caneca e então joga a cerveja em mim. A bebida fedendo a cevada escorre pelo meu rosto e eu travo. Sua pele branca fica corada e ela arregala os olhos, como se se desse conta do que fez. Mesmo assim, não se recolhe de novo. — Você é um babaca e eu odeio você. — Ela coloca a caneca sobre o balcão com força, me dá as costas e sai do bar. Os clientes nas mesas do fundo percebem nosso embate. Eles olham para mim, numa pergunta silenciosa sobre o que aconteceu. Estou limpando minha camisa com um guardanapo quando faço um gesto com a mão, indicando que não tem importância. Porque não tem mesmo. — Então, vai me contar o que aconteceu? No meu quarto, viro para trás e encaro a expressão séria de Weston. Subi para o meu apartamento para trocar de camisa, já que a outra estava arruinada depois do episódio da cerveja. — Achei que estaria com os moleques — digo, enquanto procuro uma camiseta na gaveta. — Eu estava, mas cheguei para almoçar e ouvi falar de seu embate com Brianna. — Ele cheira o ar. — Banho de cerveja, pelo jeito. — Ela retornou espirituosa desta vez. — Coloco a camiseta num movimento rápido. Wes fecha ainda mais a expressão naturalmente carrancuda e me olha com reprovação. — Quando ela voltou? — Não sei e não me importo.E o que eu quero é ele. Todinho para mim. O almoço foi servido há três horas e agora todos estão na pista de dança, aproveitando as escolhas do DJ. Luke e eu fomos obrigados a responder várias perguntas empolgadas de Susan e Mary. Sério, esses gen z são engraçados, mas confesso que foi divertido deixar as duas com a curiosidade aguçada — especialmente porque ainda não tenho todas as respostas. As garotas foram dançar e nos deixaram sozinhos, dispensando o pedaço de bolo. Coloco um dos bombons na boca e começo a mastigar quando sinto Luke sussurrar em meu ouvido: — E se a gente fugir? Engulo o bombom e o encaro, intrigada. — Fugir? — Sim, para um dos quartos. Ou podemos nos enfiar em um armário qualquer e trocar umas carícias proibidas. Sob a mesa, a mão dele sobe por minha coxa exposta pela fenda do vestido. — Luke, seu safado… — Seu homem, pelo que estou lembrado. — O hálito quente deixa minha pele arrepiada. — Vamos sair daqui e celebrar esse passo importante. — Que passo? Ele está sorrindo abertamente. — Você me chamando desse jeito possessivo e sensual. Estou duro, sabia? — Luke! — Começo a rir. — Já olhou para você nesse vestido? Porra, Bree. Eu sou apenas um homem fraco rendido por minha mulher. Estou ficando excitada também, pensando no que ele aprontaria se fugíssemos para um canto qualquer. Corada, limpo a garganta e aponto um dedo para ele. — Podemos fugir, mas somente depois que você dançar comigo. — Dançar? — Sim, isso mesmo. Você era um pé de valsa, pelo que me lembro. Ele pisca charmoso e levanta, me estendendo a mão. Aceito o gesto e deixo que Luke me guie até a pista. A música calma é perfeita para uma dança lenta, então passo os braços ao redor do pescoço dele e adoro a sensação das mãos enormes em minha cintura. Levanto o rosto, porque não quero perder um segundo desse olhar. — Posso contar um segredo? — Luke diz, conforme dançamos. — Claro. — Faz onze anos que não danço. Não estava esperando por isso. — Sério? A última vez foi… — Na sua formatura da faculdade. Você usou um vestido azul e prendeu o cabelo. Te dei os brincos de presente. Eu me lembro muito bem. Tenho os brincos até hoje, embora não os use há muito tempo, porque até mesmo uma simples joia me lembrava de Luke. Meu dedos acariciam os cabelos dele. — Por que ficou tanto tempo sem dançar? Ele dá de ombros. — Nunca mais tive vontade de dançar com ninguém. Você sempre foi a única para mim, amor. É como se estivéssemos apenas nós dois aqui, como se o mundo ao nosso redor não existisse. — Você vai ter que me beijar agora, Thorn. Ele sorri e roça o nariz no meu. Luke firma o toque em minhas costas e cola nossas bocas, sem a urgência que compartilhamos antes. É um beijo cheio de promessas e memórias. Diferente. Um que me faz ter certeza de que, não importa o quanto tenha sido difícil, tudo que importa é que estamos aqui agora, juntos e com vontade de fazer funcionar. Meus batimentos cardíacos estão acelerados e há borboletas em meu estômago, como se eu fosse uma jovem boba e apaixonada. Talvez, eu seja, mesmo. Nos braços de Luke, sempre me senti a mais feliz das mulheres. Tudo que quero é dizer a ele o quanto o amo e que não quero ficar longe dele nunca mais. Ele cola nossas testas e respira fundo, ainda guiando meu corpo na melodia da música. Abro os olhos e encontro os dele. — Luke, eu t… Estou prestes a dizer tudo que estou sentindo, quando a figura de alguém conhecido entrando no salão me paralisa. Não pode ser. Estou vendo coisas, pois ele não pode estar aqui de verdade. Luke percebe e olha para trás. — O que foi, Brianna? Engulo em seco, tremendo quando vejo meu ex marchar na nossa direção, seu olhar raivoso fixo em mim. — É o Chris Bell — digo, temendo o que vai acontecer a seguir. 22 LUKE B������ ���� ��� ���� � ��� ����� ���� �����. Hoje foi um dia perfeito. Não apenas acordei nos braços dela, mas o casamento de John foi um evento e tanto, especialmente porque pude ficar com Bree envolvido nesse clima romântico sem medo de parecer empolgado demais. Por mim, já teríamos declarado nossa volta oficial, mas estou firme em meu propósito de esperar que ela esteja pronta. Isso não quer dizer que eu desperdiçaria as chances de beijá-la ou dizer no ouvido dela sacanagens que sei ela gosta de ouvir. Estávamos dançando juntos e me apaixonei por ela mais uma vez, vidrado nesses olhos azuis que tiram meu fôlego e me deixam atordoado. Mas o que eu definitivamente não esperava era ter que encarar o ex de Brianna como estou fazendo agora. E o jeito como Chris Bell olha para ela me faz querer erguê-lo pelo colarinho e arruinar o casamento dos Howards, apenas para que o filho da puta aprenda uma lição. — Finalmente te achei! — ele rosna. Fecho os punhos ao lado do corpo, mas Bree fala primeiro. — O que está fazendo aqui, Chris? — Você me bloqueou? Teve a coragem de fazer isso? O homem está tentando intimidá-la. Ele pode ser um astro da porra de Hollywood e outros caralhos, mas se pensa que vai falar com ela desse jeito está muito enganado. — Eu não quero falar com você. Vai embora. — Não vou embora enquanto não conversarmos. — Ei, idiota. — Me coloco entre os dois. — Ela mandou ir embora. Se manda, Bell. O cara deve ser uns quinze centímetros menor do que eu e precisa olhar para cima para responder: — E quem é você, hein? — Ele é o meu namorado — é Brianna quem responde. Confesso que vê-la falar desse jeito, me chamando de namorado depois de tanto tempo, aumenta ainda mais minha vontade de quebrar a cara do sujeito. Ele faz uma careta inconformada. — Namorado? Você já está com outro? — Sim, ela está — respondo. Brianna ergue o queixo, mas permanece atrás de mim. — Terminamos há meses e você sabe bem o porquê. Vá embora. — Você me bloqueia, para de atender as minhas ligações, e acha que vou ficar calado, sua vadia? Não levo nem um segundo para reagir. Fecho a mão em punho e soco a cara hollywoodiana dele, tão forte que ele cai para trás, no meio da pista de dança. — Luke, cuidado! — Brianna diz atrás de mim, mas não sou eu quem precisa de cuidado. Estou puto, tanto que me esqueço que estamos num casamento cheio de convidados e sou capaz de grudá-lo pelo pescoço se ele permanecer mais cinco segundos na minha frente. — Se falar com minha mulher assim de novo, eu mato você, entendeu? — Aponto para ele, que agora leva a mão ao lábio que está sangrando. As pessoas começam a se acumular ao nosso redor. John chega correndo ao lado de Joyce, assim como um dos seguranças do salão. — O que houve? — ele pergunta, até notar que o tal Chris está no chão. — Como raios você entrou aqui? — Quero falar com Brianna, mas esse marginal… — Ele insultou a Brianna — o interrompo. John fica vermelho e cerra a mandíbula, apontando para ele. — Você tem muita coragem em invadir o meu casamento para insultar a minha filha. Jeff, leve esse cara para fora — ele diz ao segurança. O sujeitinho se levanta, numa postura patética de inconformismo. — Eu deveria prestar queixa! — Pois faça isso, covarde do caralho! — eu o enfrento. — Luke, calma — Brianna fala atrás de mim. Olho para ela e odeio o constrangimento que vejo refletido nas íris azuis. — Chega disso! Fora do meu casamento — John parece um cão bravo. O segurança para ao lado dele, mas Chris ergue as mãos, evitando qualquer toque. Ele encara Brianna uma última vez e aponta o dedo para ela. — Isso não vai ficar assim. Quero quebrar o dedo dele, mas o tremor que sinto dela me impede. Assim que o segurança e o canalha deixam o salão, John avisa a todos que está tudo sob controle e se vira para a filha, enquanto a multidão cochicha pelo salão. — Bree, tudo bem? — ele pergunta. Joyce faz um carinho no braço dela, igualmente preocupada. — Como ele entrou aqui? — a noiva pergunta. — Não sei como ele descobriu sobre o casamento. Desculpa, pai. — Pare com isso. — Sr. Howard, me desculpe — eu falo também. — Perdi a cabeça quando ele disse aquele absurdo para ela. John suspira e balança a cabeça. — Você fez o que tenho vontade de fazer há muito tempo,Luke. Minha preocupação agora é Brianna estar bem. Ela limpa uma lágrima que escorre em sua bochecha e funga. — A festa já está no finalzinho. Você se importa se formos embora? — Ela pede. — Preciso arrumar a mala. Esqueci de te avisar, pai, mas vamos precisar partir esta noite. John sorri, ainda preocupado, mas se esforçando para manter a calma. — Claro que não me importo. — Ele dá um beijo na testa dela. — Por que vão mais cedo? — Eu tive uns problemas no bar — explico. — Quer que ajudemos em algo, Bree? — Joyce quer saber. — Não! Imagina, é a lua-de-mel de vocês. Eu só… não esperava ver o Chris. Vou descansar e digerir o que aconteceu no caminho. Está tudo bem. John troca um olhar comigo, numa pergunta silenciosa. Pisco para ele, garantindo que estarei com Brianna a todo momento. — Vão, então. Cuidado na estrada. Luke, qualquer coisa me liga. Vou estar com o celular a viagem inteira. Bree dá um abraço rápido nos dois e estende a mão para mim. Não a solto de jeito nenhum, durante todo o caminho para casa. Depois que deixamos o salão, Brianna chorou um pouco, mas permaneceu calada durante todo o caminho. Tiro o paletó e o deixo no sofá, observando-a desabotoar as sandálias e descalçá-las. — Linda, desculpa por perder o controle — digo, finalmente. Ela balança a cabeça de um lado para o outro e suspira, antes de se sentar em um dos lugares vazios do estofado. — Você não precisa pedir desculpas por nada, Luke. Chris passou de todos os limites. — Diz para mim o que tá sentindo. — Sento ao lado dela e acaricio seu ombro. — Por favor, estou preocupado. Bree parece cansada, como se tivesse passado a noite em claro. — Estou com raiva dele. O dia estava maravilhoso até ele chegar. Como ele pôde? Pego a mão dela na minha novamente. — Bree, qual é a desse cara? O que aconteceu entre vocês? Ela relaxa a postura e faz um carinho na minha palma. Não quero tocar em uma ferida ou nada disso, mas sei que Brianna teve problemas com o sujeito e preciso saber o que aconteceu de uma vez. Mesmo que isso apenas aumente a vontade de matá-lo. — Depois que minha avó morreu, eu me sentia muito triste — ela começa. — Havia um vazio dentro de mim, que se misturou a estresse no trabalho e várias outras coisinhas que se acumulavam e aumentavam minha solidão. Chris fez a declaração de imposto de renda no escritório e nos conhecemos por causa disso. Achei ele charmoso como um ator de Hollywood deve ser, mas não dei tanta importância. Nos reencontramos em um café e fiquei surpresa quando ele me chamou para sair. Eu já havia finalizado o serviço, não havia impedimentos éticos para não aceitar. Uma amiga ficou empolgada, disse que ele era um galã, que eu deveria dar uma chance ao cara. Ele insistiu tanto que cedi. Não sei exatamente o motivo, mas no começo, Chris pareceu ser um cara bacana. Estou com a mandíbula rígida, imaginando-a jantando com o idiota. Faço o possível para disfarçar o ciúmes, afinal, não é disso que Brianna precisa agora. — Demorou uns meses até ele começar a mostrar sua verdadeira face — Bree prossegue. — Primeiro foi a exposição de nossa relação nas redes. Ele gostava de postar tudo e insistia em fazer isso mesmo que me incomodasse. Alguns fãs começaram a me abordar, paparazzi me faziam perguntas. Eu não queria nada daquilo, Luke. Começamos a discutir com frequência. Chris foi ficando mais agressivo e um dia ele me segurou pelo braço. Doeu muito. Fiquei assustada e com o hematoma dos dedos dele na pele. Estou trincando os dentes de raiva ao perguntar: — Ele bateu em você? — Não. — Brianna levanta o olhar para mim. — Depois disso, tive medo. Não duramos muito tempo, porque eu me sentia amedrontada quando estávamos a sós. Tudo piorou quando minha menstruação atrasou, alguns dias depois, e achei que estivesse grávida. Nunca tínhamos transado sem camisinha, mas sempre há o risco, achei que fosse possível mesmo que já fizesse mais de mês desde a última relação. Fiz a besteira de comentar sobre isso com ele e… — Ela para para respirar. — Minha nossa. Acho que teria sido agredida se não estivéssemos num local público. Foi desesperador pensar que aquele cara poderia ser o pai do meu bebê hipotético. — O que ele fez, Bree? — Disse que eu era uma aproveitadora, que ter um filho com um astro de Hollywood era o sonho de muitas mulheres; que não deixaria vadia nenhuma prejudicar a carreira dele, esse tipo de coisa. Voltei para casa e chorei, sem saber o que fazer. Por sorte, menstruei dois dias depois. Acho que meu ciclo foi prejudicado pelo estresse, pois aqueles quinze dias foram intensos. De qualquer forma, isso serviu como combustível para que eu terminasse aquela loucura. Falei com ele no dia 31 de dezembro, nem esperei o ano virar. É claro que ele não aceitou. Disse que tinha ficado nervoso ao saber da possível gravidez, que se arrependia, chorou… — Ela passa a mão nos olhos. — Eu estava decidida e me mantive firme. Chris continuou atrás de mim, ligando, mandando mensagens. Passei a ignorá-las pois não queria falar com ele, mas relutei para bloqueá-lo porque ele saberia e poderia me procurar pedindo satisfações. Como ele começou a trabalhar num novo filme, tive um tempo de paz. Mas fui demitida do trabalho em seguida e a bola de neve de desilusões aumentou. Eu precisava sair de Los Angeles, ir para algum lugar onde me sentisse segura. A verdade cai sobre minha cabeça como uma bigorna num desenho animado. — E então você voltou para Maple River e fui eu quem tentou tornar sua vida um inferno — concluo. Os olhos úmidos brilham e ela sorri, tristemente. — Você não tinha como saber, amor. A culpa toma conta de cada pedaço de mim quando me aproximo e tomo o rosto dela nas mãos. — Merda, Bree. Por favor, me perdoa. — Não há o que perdoar. Minha relação com Chris estava fadada ao fracasso desde o início, só que fui tonta demais para perceber antes dos danos. — Se eu soubesse que estava sofrendo, jamais teria feito tudo aquilo. Eu deveria ter olhado para você, desde o começo. — Pare. — Ela faz um carinho no meu rosto. — Conheço você e está se comparando com um cretino que nunca se importou comigo. Você, por outro lado, sempre cuidou de mim. Sempre. Sim, meu nome foi escrito na lousa do menu e você foi um pouco exagerado ao ligar para o Mike, mas se arrependeu logo depois. Eu também fiz coisas travessas. Estávamos com raiva, mas foi um jogo inofensivo. — Fui um idiota, Brianna. Achei que sua vida estava feita em Los Angeles. Na minha cabeça, nem mesmo fazia sentido que estivesse de volta. — Você pensou o que eu queria que todos pensassem. Não contei a ninguém sobre o término porque me encheriam de perguntas, e eu queria parar de pensar nele, queria esquecê-lo. Ainda quero, Luke. Hoje ele foi longe demais e vou deixar de ser boazinha e de evitar conflitos. Vou pedir uma ordem judicial de restrição contra ele. Meu peito se enche de alívio. Pego a mão dela e levo aos lábios, dando um beijo na pele morna. — Faça isso. Não quero dizer o que deve fazer ou não, mas ele não merece compreensão. — Sei disso. Hoje foi a gota d’água. Falarei com Ashley e Tim assim que voltarmos. Puxo ela para um abraço. — E eu estarei ali para te proteger. — Beijo o topo da cabeça de Bree. — Não mereço você, meu amor. Acho que nunca mereci, mas garanto que ninguém vai te fazer mal de novo. Brianna olha para mim e sorri. — Você é maravilhoso, Luke. Esses últimos dez anos sem você foram insuportáveis. Ela me beija e eu correspondo, esperando que ela possa sentir que sinto o mesmo. Só que agora, se depender de mim, farei o que for possível para não perdê-la nunca mais. 23 BRIANNA F�� ��� ����� ����� �� �������. Depois daquele desastre com Chris no casamento de papai e a conversa sincera que tive com Luke, confesso que minha vontade era dormir a noite toda. Era o que eu teria feito, não fosse a necessidade de voltarmos para Maple River para que Luke conseguisse receber o técnico no bar. Fizemos as malas e passamos o caminho conversando sobre coisas aleatórias. Cochilei por um tempinho e trocamos delugar em Glenwood Springs, no Colorado. Mesmo que Luke estivesse sob os efeitos do enérgico, ele aproveitou para esticar as pernas um pouco e relaxar no banco do carona. Chegamos em Maple um pouco depois das sete. Hoje é segunda-feira e a avenida principal está agitada. Estou exausta, pensando em tudo que preciso fazer a respeito da reforma. Também quero falar com Ashley sobre a ordem de restrição contra Chris pois ainda estou puta e não vou permitir que ele me atormente desse jeito. Invadir o casamento do meu pai foi demais. Nem mesmo sei como ele descobriu sobre o casamento, o que me faz ficar receosa de que o cara seja mais do que inconveniente. Estou me sentindo culpada por não ter tomado uma atitude mais radical antes. Ele precisa entender que nossa relações acabou, ainda mais quando o babaca nem se importava muito comigo quando estávamos juntos. Contar tudo que aconteceu ao Luke me deixou aliviada. Não somente porque ele merecia saber, mas também por dividir essas memórias horríveis e receber um abraço dele em seguida, a sensação de segurança que os braços dele me trazem. Completamente o oposto do que eu sentia com Chris. Estaciono o carro junto ao meio-fio em frente ao bar e olho para Luke, que acabou adormecendo na última hora. Toco a coxa dele com carinho. — Luke, acorda. Chegamos. Ele abre os olhos com dificuldade. — Cacete… peguei no sono. — Luke esfrega os olhos. — Desculpa. — Acho que você tem esse direito depois de dirigir por oito horas. — Pisco para ele. — Vamos? Acha que consegue tirar uma soneca até às 11? — Vou precisar. A casa vai estar silenciosa, Weston saiu hoje cedo. Saímos do carro e ajudo Luke com as malas. Subimos os degraus devagar e, quando ele abre a porta, Thor vem nos receber todo animado e com o rabo abanando, como se tivéssemos passado um ano fora. — Oi, garoto! — Luke se abaixa e faz carinho nele, deixando que Thor lamba o rosto dele. — Caralho, que animação logo cedo. Sorrio e me abaixo também, acariciando a cabeça dele. — Ai, que saudades! — Dou um beijo rápido nele. — Se comportou, querido? Luke se levanta e olha ao redor, bocejando e esfregando a nuca. — Vem dormir um pouco comigo, Bree? Vou até a cozinha e me sirvo um pouco de água, encarando as malas que preciso desfazer. — Vou, sim. Deixarei para cuidar das pendências do dia só à tarde. — Vai falar com Ash sobre a ordem de restrição? — Vou e também preciso conferir a reforma. O bar vai fechar às seis? — Isso. Vou dispensar o Gabriel mais cedo até Wes voltar porque estou morto, Bob precisa cuidar da mãe dele e acho que conseguimos sobreviver a 3 dias fora da rotina. Luke me puxa para si, beija meu rosto e vamos para o quarto na companhia de Thor, onde acabamos adormecidos em menos de cinco minutos. Quando acordo, algumas horas depois, há uma mensagem de Luke no meu celular: Luke: Precisei atender o técnico e preferi te deixar dormindo. Se quiser, vem almoçar no bar mais tarde e aproveita para me dar um beijo Sorrio, ainda sonolenta, mas encantada com o charme do homem até mesmo por uma mensagem no celular. Espreguiço e noto Thor deitado aos meus pés. Ele levanta a cabeça e abana o rabo, como se estivesse me dando bom-dia, ainda que sejam quase uma da tarde. — Hora de levantar, Thor. Deixo o cachorro após fazer um carinho rápido nele, escovo os dentes e tomo um banho para acordar. Vou até meu quarto e troco de roupa, discando o número de Ash enquanto penteio o cabelo olhando no espelho. — Conta tudo! — É assim que ela me atende. — Olha, são tantas coisas que vou precisar falar pessoalmente — rio, abrindo a gaveta em busca de um par limpo de meias. — Podemos almoçar, se quiser. Estou livre agora. — Adoro. No Thorn’s? — Saindo do escritório em 1 minuto. Mas me adianta: deu certo minha intromissão? — Deu. Quer dizer, estamos no caminho, mas realmente foi um fim de semana e tanto. — Te vejo em breve! Ela desliga e eu também, calçando um tênis rapidamente antes de me despedir de Thor e descer pelas escadas do fundo até o bar. Pela janelinha atrás do balcão, vejo Luke conversando com o técnico na cozinha. Considerando o horário, acho que o problema no fogão é mais grave do que imaginei. Ashley logo entra pela porta da frente e vem até mim, vestida em um traje formal e de salto baixo. Ela me abraça, pedimos dois pratos de comida e começo a contar tudo que aconteceu, nos mínimos detalhes. Temos tempo, enquanto o horário de minha reunião com Cinthia não chega. — Estou chocada — ela me diz, ao final da minha história. — Quer dizer, chocada e feliz, claro. Se você e Luke se acertaram, já me sinto menos mal em ter me intrometido no relacionamento de vocês como fiz. Fiquei com medo de que ficasse brava comigo. Rio, pois a atitude de Ashley em contar a Luke sobre meu término com Chris foi maravilhosa. Minha amiga me deu o maior presente que eu poderia desejar e nunca poderei agradecer a ela o bastante. — Eu jamais ficaria brava, Ash. Estou em dívida com você pela eternidade e, ainda assim, aqui estou eu com mais problemas. — Sua ordem de restrição se tornou necessária, minha amiga. Deixe comigo que cuidarei disso ainda hoje. Tim fez uma para uma cliente de Denver no mês passado, vou trocar uma ideia com ele. Suspiro e meu olhar cruza com o de Luke, que está no balcão. Ele pisca para mim, fazendo meu coração acelerar. Ashley percebe meu sorriso e olha para trás. — Ai, o amor… — ela brinca. — Pois é. Estou sem acreditar ainda, sabia? — O que ficou decidido em relação a vocês? Dou de ombros, pois ainda não tivemos essa conversa. — Nada, na verdade. Estamos juntos, ainda no clima da viagem. Acho que descobrirei em breve o que será de nós. — Desistiu então de ir para Las Vegas? Contorno a borda do copo com o dedo indicador. — Sim, desisti. Não tive resposta sobre os currículos, então nem faz sentido continuar considerando isso. Estou sim, um pouco preocupada em ficar aqui sem conseguir trabalhar, mas tanta coisa aconteceu nesse fim de semana que parece que dei uma pausa nas preocupações da vida adulta e devo voltar a pensar nisso amanhã. — Me inclino e sussurro: — Eu e ele nem transamos, ainda. — Não? — Ash abre a boca. — Como assim, mulher? — Estamos indo com calma. Já fizemos… coisas, mas esse momento ainda não chegou. Estou chegando ao limite, sabia? Minha amiga ri. — Claro que sim. Por que não aproveitam que Weston está fora, boba? Pois pensei exatamente nisso. Quero me declarar para o Luke, sentir ele dentro de mim e me derreter nos braços dele. E então quero discutir com ele sobre nosso futuro. Já está mais do que na hora. — A gente esclareceu muita coisa sobre o passado. Luke foi bem claro em dizer que me quer de volta. Cansei de ter medo, amiga. Preciso me entregar a ele de uma vez. Eu o amo. Ashley sorri e pega em minha mão. — Vocês sempre foram destinados a ficar juntos. Ai, que lindo. Vão se casar, morar na casa recém-construída e ter filhos que serão os melhores amigos dos meus, afinal, seremos vizinhas de novo. Caímos na gargalhada. Esse cenário descrito por ela me parece perfeito. É a vida que sempre quis ao lado dele, desde que nos apaixonamos no colegial. — Vamos dar um passo por vez, Ash. — Ótimo. — Ela olha o relógio no celular. — Bree, adorei te encontrar, mas o escritório me aguarda. Te mando mensagem com os dados que vou precisar para a ordem de restrição, ok? — Ela levanta e pega a bolsa sobre a mesa. — Combinado. Obrigada por vir, amiga. Deixa a conta comigo. — Tem certeza? — Claro, você pagou o último almoço. Vou levar os pratos para o Luke e ir falar com a Cinthia. — Ok, então. Valeu, amiga. — Ela me dá um beijo no rosto e vai embora. Pego os dois pratos sujos e caminho em direção ao bar. Luke está com um guardanapo limpo sobre um ombro, todo largo e sólido em sua camiseta básica que nele parece ser a peça de roupa mais sensual do Universo. Ele apoia os antebraços musculosos na madeira e me observa, me comendo com os olhos. — Oi, gostosão. — Coloco as porcelanas no balcão e sorrio para ele. — Oi, linda. Como estava o almoço? — Ótimo comosempre. Mande meus cumprimentos para o chef. — Valeu, Bree! — Simon coloca a cabeça na janela que dá para a cozinha rapidamente. Rio. — Quanto lhe devo, Thorn? Luke franze as sobrancelhas. — Deixe disso, mulher. Hoje é por conta da casa. — Mais uma piscadinha. — Tem certeza? Ele revira os olhos de um jeito divertido. Umedeço os lábios e me inclino para roubar um beijo dele. — O que acha de aproveitarmos esta noite sozinhos? — pergunto. Luke engole em seco e suas pupilas se dilatam. — Você diz, para… Concordo com um aceno de cabeça. — Estarei em casa às seis — ele diz. — Te esperarei pronta. — Me afasto e solto o ar, tentando lidar com o desejo que sinto só de olhar para esse homem. — Vou falar com Cinthia sobre a reforma. — Certo. Não se atrase, princesa. Viro em direção à porta e faço questão de rebolar, pois sei que Luke está secando minha bunda. 24 BRIANNA E���� ������� �� ���� �� ���� �� ��������, ��� T��� �� ��� colo, enquanto Luke toma um banho. Fiz isso meia hora atrás, depois de passar a tarde procurando por vagas em escritórios contábeis na região. Meu dia acabou não saindo do jeito que imaginei. Cinthia teve um contratempo e mudou a nossa reunião para amanhã. Acabei passando na casa de vovó e achei a reforma… diferente do que me foi prometido. Desconfio que precisarei ficar aqui por mais tempo até a obra ficar pronta. Acho que Luke não vai se importar, mas não desejo incomodar o Weston. O homem já fez muito por mim ao me ajudar antes, o apartamento é dele e sei que Wes sente falta de privacidade. Ao menos agora o festival já passou e terei outras opções, caso ficar aqui seja abusar da hospitalidade deles. Vou deixar para me preocupar com isso amanhã, quando Cinthia me confirmar o que realmente está acontecendo naquela casa. — O que eu vou fazer, Thor? — Fazer sobre o quê? Olho para cima e nem tenho tempo de responder antes que Luke roube um beijo meu. Ele está nu, com apenas uma toalha amarrada na cintura, o torso bronzeado exposto e ainda um pouco úmido. Ele morde meu lábio inferior devagar, me seduzindo. — Sobre o que estava falando? — Luke me pergunta. — Nada importante. — Me viro um pouco, e Thor salta do meu colo. — Acho que podemos conversar outra hora, já que espero ocupar meu tempo com você a noite toda. Luke ergue uma sobrancelha pra mim. — A noite toda? — Todinha. Ele fixa os olhos nos meus, muito sério. Luke faz um carinho do meu pescoço ao meu rosto, deslizando a ponta do indicador em minha pele. — Tem certeza? Não precisamos apressar nada. Amo a maneira como ele se preocupa comigo e como teve paciência ao esperar que eu estivesse pronta para esse passo. Luke não mudou em nada mesmo. Ele pode ter envelhecido (muito bem, por sinal), mas continua o mesmo rapaz cuidadoso por quem me apaixonei. Passo os braços ao redor do pescoço dele e chego mais perto. — Luke, eu desejo você com desespero. Pare de pensar tanto, me leva para cama e faça amor comigo. Ele sorri, faz uma manobra no sofá e me pega no colo. — Isso é tudo que eu mais quero — ele sussurra, antes de me beijar profundamente e me carregar para o quarto dele. Me seguro no corpo forte e firmo as pernas ao redor da cintura dele. Luke me põe sentada na cama e acho lindo como cintila ao olhar para mim. De repente, não me importo com nosso passado e com o quanto senti a falta dele na última década. O que importa é que estamos aqui, juntos e envolvidos, e pretendo aproveitar cada segundo ao lado dele. — Eu te amo — digo, ao encontrar o olhar dele. É como se algo se libertasse. Como se o sentimento guardado há muito tempo finalmente tivesse a liberdade de voar, como se o mundo fizesse sentido de novo. Luke firma a mão na lateral do meu rosto. Estamos muito próximos, a ponto de nossas respirações se misturarem. — Porra, Bree… Diz de novo. — Amo você. — Sorrio, emocionada. — E eu amo você. Eu sempre te amei, Brianna. Sempre. Ele volta a me beijar e eu retribuo, sentindo esse amor em cada pedaço de mim. Preciso senti-lo por inteiro, me entregar completamente, matar as saudades que parecem ser intermináveis desde que ficamos juntos de novo. Luke ainda está em pé quando me afasto, ajoelho sobre o colchão e puxo a toalha branca, liberando o pau imenso. Ele também me deixa nua, tirando minha camisola e sorrindo ao perceber que estou sem calcinha. Ele passa o polegar por meus lábios e eu o chupo, enquanto começo a masturbá-lo devagar. Nossos olhares estão conectados e ele não o desvia nem quando coloco o pênis dele na boca, sugando forte. Luke mergulha os dedos no meu cabelo, acaricia meu couro cabeludo e ajuda a ditar o ritmo do sexo oral. Sinto-o no fundo da garganta e recuo, de novo e de novo, até deixá-lo bem molhado. Depois lambo a extensão, desço para o saco pesado e acaricio as bolas dele, adorando as pupilas dilatas que continuam muito concentradas em mim. — Abre as pernas e se masturba — ele ordena. Adoro esse jeitinho mandão, especialmente quando estou tão necessitada. Sem parar de chupá-lo, afasto as coxas para os lados e desço a mão sensualmente por meu corpo, passando pelo seio direito e a barriga até chegar em minha vagina excitada. Fecho os olhos rapidamente ao sentir o choque de prazer em meu clitóris. Acaricio-o devagar e desço o dedo entre minhas dobras. — Devagar, amor — Luke indica. Estou muito molhada, mas assinto e contenho a urgência, tomando meu tempo. Continuo chupando o pau dele e me tocando, percebendo pelos espasmos que tomam meu corpo que estou mais perto do que nunca do orgasmo. — Calma… — Luke sai delicadamente da minha boca. — Não quero que isso termine ainda. Limpo meus lábios e o observo se curvar, apoiando os braços ao lado do meu corpo, um de cada lado. — Deixa eu te provar. Ergo a mão melada de mim e ofereço meus dedos para ele, hipnotizada. Luke suga o indicador e dedo médio como se eu fosse a melhor sobremesa que existe. — Deliciosa — ele sussurra antes de me virar de bruços na cama. Luke me guia até que meus joelhos estejam apoiados no colchão e acaricia minha bunda empinada. A mão calejada desliza por uma coxa e volta, e eu preciso conter um grito quando ele chega ao meio das minhas pernas. A cama afunda com o peso dele quando Luke se ajoelha atrás de mim. Ele me deixa na expectativa, fervendo, até que sinto a língua em minha fenda, subindo e descendo de um jeito tão animalesco e faminto que preciso me agarrar nos lençóis ou é capaz que desfaça de prazer. — Sua boceta é minha perdição… — o ouço dizer. — Eu amo o seu gosto, Brianna. Ele lambe meu cuzinho, chupa meu clitóris e me penetra com a língua, tudo enquanto me mantem bem firme nessa posição. Estou prestes a gozar de novo quando Luke para. Perdida e zonza, olho para trás e o encontro subindo uma trilha de beijos pelas minhas costas. Minha pele se arrepia inteira, porque Luke não tem pressa. Ele quer mesmo me provocar. Ele afasta o cabelo da minha nuca e contorna a tatuagem com sua inicial com a ponta da língua. — Você sempre foi minha, não foi, Bree? — Sempre. — Quer que te foda devagar? Ou prefere forte? — Apenas me fode — como se eu pudesse escolher. Ele ri, rouco. O som reverbera dentro de mim, me atinge em todos os lugares. Luke se inclina até a mesinha lateral para pegar a camisinha e eu me viro, pois quero vê-lo. Ele abre a embalagem, se cobre com o preservativo e eu abro bem as pernas, num convite nada sutil. Ele se curva sobre meu corpo, leva a mão entre nós e acaricia minha vagina outra vez. — Eu te amo — ele diz, ao esfregar o pau contra minhas dobras. — Eu também te amo. — Acaricio o rosto dele, repentinamente emocionada por estarmos aqui. Ele impulsiona o quadril e eu me perco. Senti-lo dentro de mim transcende qualquer descrição. Estou voando e sonhando, completamente arrebatada. Estou em casa de novo. Finalmente nos braços dele, onde sempre pertenci. — Você está chorando… — Ele enxuga uma lágrima que escorreu em meu rosto. — Estou feliz. — Agarro a bunda musculosa e o incentivo a continuar. — Por favor, não para… — Não vou parar. E aí ele me beija. Luke me devoracom a boca e com o pau, penetra meu corpo num ritmo contínuo a ponto de eu ouvir o barulho de nossos corpos colidindo. Ele alcança lugares desconhecidos dentro de mim, lugares que somente ele soube desbravar. Porque o que temos é mais do que uma atração sexual. Nossas almas se conectam, nossos corações retumbam em sintonia. Fazer amor com Luke é a prova do porque acredito em destino, ainda que para muitos isso possa parecer uma bobagem. Gemo alto ao senti-lo deslizar a boca em minha pele, chupando meu pescoço, meus mamilos duros de desejo. Seu ritmo é incansável e ele está determinado a me matar de prazer. Luke ergue o corpo, firmando os joelhos na cama e colocando minhas pernas esticadas em seu ombro direito. Recua e avança, uma das mãos percorre meu corpo, apertando e tocando nos lugares certos até chegar ao clitóris. Ele lambe o polegar e começa a me masturbar. — Ai, Luke… — Diz para mim o que tá sentindo. — Tudo… — estou perdida na massa de sensações, atordoada. — Sim, isso mesmo. Vamos gozar juntos. Olha para mim, Brianna. Abro os olhos e encontro as íris azuis. Luke sorri, ainda que esteja tenso, segura firme em meus tornozelos e investe mais forte. Começo a gozar e a tremer, convulsionando entre as estocadas. Meu ventre se contrai e ele me segue, fechando os olhos com força e arfando, chamando meu nome enquanto atinge o ápice. Luke cai sobre mim, relaxando. Estamos suados e ainda um pouco trêmulos, mas eu o abraço apertado, com medo de que tudo isso tenha sido um sonho. Mas é real. As batidas aceleradas no peito dele, assim como as minhas, são muito reais. Beijo o ombro dele e acaricio o cabelo úmido. Luke vira o rosto e também beija minha pele. — Estou completo de novo — ele me diz. Concordo, pois é essa a sensação. — Eu também, meu amor. Ele sai de dentro de mim e olha para baixo. Noto a expressão de alerta no mesmo instante. — O que foi? — pergunto. — A camisinha estourou. Apoio os antebraços no colchão e olho entre minhas pernas, sem acreditar. — Sério? — Eu não sei como… Desculpa, talvez tenha sido intenso demais. Bem, disso eu não tenho dúvida. — Prometo que estou limpo, Bree. Meus exames estão em ordem e… — Luke, se acalma. Também estou com tudo em ordem e meu período fértil já passou. Acho que vai ficar tudo bem. Ele assente e solta o ar. Não é que eu não me preocupe com isso, mas o que podemos fazer agora? — Vem cá. — Eu chamo ele para mim. — Não vamos estragar a noite pensando nisso. — Não é isso. Fiquei apenas surpreso. Quer dizer, se você voltou para mim, quero ter filhos um dia de qualquer jeito, mas… O comentário atrapalhado me faz sorrir. — Você fala sério? — Claro. Isto é oficial, certo? — Nós? — Sim! Brianna Howard, por favor diga que voltou para mim de vez e vai se casar comigo? Abro a boca com tamanho atrevimento. — Isso é um pedido, Thorn? — Não o oficial, mas quero que minhas intenções fiquem bem claras. Nossa, ele é mesmo perfeito. Me coloco sobre ele e acaricio a barba por fazer. — Sim, Luke. Estamos juntos de novo, oficialmente. Ele sorri e envolve minha cintura. — Nunca mais vou te deixar escapar. Está me ouvindo bem? — Estou. Luke me beija outra vez e eu me derreto. É bom ele cumprir essa promessa, porque também não pretendo deixá- lo nunca mais. 25 LUKE A������ �� ���� �� B������ � � ������ ����� �� �����. Pode ser que eu ainda esteja sob os efeitos dos vários orgasmos que tivemos ontem, ou simplesmente seja um idiota apaixonado que ainda não acredita que a tem de volta, mas deixá-la sozinha em minha cama é mais difícil do que parece. Quero passar as mãos pelo corpo dela e despertá-la com beijos no pescoço. Quero Brianna olhando para mim com essas safiras cintilantes que me fazem perder o fôlego. Quero tudo com ela, o pacote completo: casamento, filhos, contas para pagar. Não imaginei que, depois de tudo que passamos, pudéssemos ser felizes de novo. Pois aqui estamos nós e eu estou pronto para aproveitar cada instante ao lado dela. Assim que desperto e olho ao redor, noto Thor dormindo em uma das poltronas do quarto. Ele deve ter aproveitado quando deixei a porta aberta ao ir ao banheiro de madrugada. Dou um beijo na nuca de Bree e a solto devagar, tomando cuidado para não acordá-la. Sento na cama, passo a mão nos olhos sonolentos e me lembro que, assim como ontem, preciso lidar com a porra do conserto do fogão e marquei com o técnico agora no fim da manhã. Alcanço meu celular na mesinha lateral e são oito e meia. Levanto e vou para o banheiro, bocejando no caminho e aproveitando a liberdade de estarmos apenas nós dois para andar pelado no apartamento. Escovo os dentes e tomo um banho morno sem pressa. Volto para o quarto e Brianna se encontra na mesma posição em que a deixei, nua e de bruços, com os cabelos escuros esparramados nos lençóis brancos. E pensar que essa mulher maravilhosa me ama, ainda que eu não seja merecedor. Thor espreguiça sobre a poltrona e abana o rabo para mim. — Shh… não faça barulho, amigão. Ele sai porta afora e eu termino de me trocar. Meu celular vibra assim que coloco a camiseta e saio do quarto para atender. Quem liga é o Weston. Claro que sim. Meu irmão tem uma alma de oitenta anos de idade e sempre prefere ligar a mandar mensagem. — Oi, Wes. — Coloco o telefone no ouvido. — Oi, Luke. Como estão as coisas por aí? Bocejo enquanto caminho até a cozinha para ligar a cafeteira. — Tranquilas. Como está o Austin? — Está bem. Devo ficar aqui até amanhã, mesmo. E o bar? — Fechei no período da noite enquanto o Bob está com a mãe dele. O movimento até quarta é de boa. — Sim. — O técnico do fogão vem hoje de novo, mas não sei, não… Acho que vamos ter que investir num novo. Weston solta um palavrão do outro lado da linha. — Caralho, essas coisas custam uma fortuna. — Eu sei, mas não temos o que fazer. Vou dar uma olhada nas contas depois, pensei em pedir a ajuda de Bree. — Vocês se acertaram? Weston é sempre muito direto, o que me faz rir. — Sim, estamos juntos. Eu te disse que a viagem era uma boa ideia. Ele ri também. — Que bom, Luke. Vê se não a deixa escapar dessa vez. — Nunca mais, irmão. Já aprendi a lição. — Beleza. Preciso ir, mas qualquer coisa me liga. — Qualquer coisa, mandarei mensagem como um bom millennial. Você deveria seguir sua própria geração. — Vai à merda, antes que eu me esqueça. — Ele ri e desliga. Sorrio enquanto aperto o botão da cafeteira. Meu celular vibra outra vez, agora com mensagens no grupo da família. Ethan: Então é oficial que Luke e Brianna voltaram? Finn: Já estava na hora! Franzo a testa, porque não é possível que Weston já tenho feito uma fofoca nesse um minuto desde que desligamos. Eu: Como vocês sabem? Weston: Eu contei. Minha mãe manda um gif florido de bom dia, cheio de borboletas e glitter. Mãe: Que novidade maravilhosa! Pai: Kate: Eu sabia que isso iria acontecer! Norah: Precisamos incluir a Brianna no grupo. “BRIANNA FOI ADICIONADA NO GRUPO ‘FAMÍLIA THORN’” Eu: Vocês são inacreditáveis. Mãe: Mas você está feliz, não está? Digito a resposta com um sorriso no rosto. Eu: Estou feliz pra caralho. Antes que minha mãe repreenda meu palavrão, coloco o celular no bolso, me sirvo um pouco de café e relaxo na sala por dez minutos. Depois, volto para o quarto para me despedir de Brianna. Thor me segue e suas patas fazem barulho contra o piso de madeira. — Veja quem acordou! — digo ao me aproximar, ao encontrá-la enrolada nos lençóis com o celular na mão. Ela olha para mim, ainda sonolenta, e sorri levemente. — Acordei há uns minutos. Fui mesmo colocada no grupo da família? As notícias correm rápido. Curvo o corpo e dou um beijo nos lábios dela. — Weston é um velho fofoqueiro — rio. — Mas sim, você está no grupo agora. — E você está “feliz pra caralho”? Assinto ao sentar na beirada da cama. — Pra caralho! Bree suspira, mas de um jeito mais triste do que o esperado. — O que foi, amor? Ela hesita um instante antes de dizer. — Recebi o e-mail da empresa de Las Vegas. Eles querem me contratar, Luke. A informação me pega de surpresa, pois porum momento eu tinha me esquecido dessa pendência. — Aquela empresa foda? — Sim, a do cargo para gerente. — Mas isso é ótimo! Por que está triste? — Pego na mão dela. — Essa vaga é encrenca. Acabamos de voltar, tivemos uma noite maravilhosa ontem e de novo, preciso tomar esse tipo de decisão? Ir ou ficar? Demoro apenas um segundo para entender. Dez anos atrás, Brianna se formou e também precisou se decidir entre aceitar a vaga ou retornar para Maple River. Mas esse não foi o motivo que nos separou e acho que preciso lembrá-la disso. Faço um carinho na bochecha macia. — Você precisa parar de se culpar por suas vitórias, Bree. Os olhos dela ficam úmidos. — Como, se preciso escolher entre minha carreira e a gente em cada uma delas? — Pare de pensar assim! Nossa separação não teve a ver com seu sucesso. Tudo que conquistou foi resultado de seu esforço e dedicação. — Eu poderia ter voltado para Maple River, Luke. Não voltei e te perdi. — Assim como eu poderia ter ido para a faculdade. Por que está certo que você apoie meus sonhos e não o contrário, Brianna? — Pego o rosto dela nas mãos. — Pare de se culpar! Você estudou, seguiu os sonhos que tinha planejado com sua mãe. Sempre tive tanto orgulho de você, linda. Mesmo nos piores dias, quando sentia sua falta a ponto de doer. Nunca pensei que seu emprego foi o culpado por termos nos separado. Abigail de vez em quando me contava que estava bem e eu sempre tive orgulho de você. Ela pisca e mergulha o rosto no meu peito. Abraço Brianna apertado. — O que eu faço? — ela pergunta. — Calma, você acabou de receber o e-mail. Não precisa decidir nada agora, mas recusar de imediato também me parece uma má ideia. — O que vamos fazer se eu aceitar? — Ela volta a olhar para mim. Compreendo a aflição dela, porque estamos mesmo diante de um dilema conhecido. Mas, diferentemente de anos atrás, aprendi algumas lições que me deixaram mais sábio. — Se você quiser aceitar o emprego, nos mudamos para Las Vegas — digo. Brianna não parece acreditar. — O quê? — Vou com você para lá. Eu te disse que quero fazer isso funcionar e cumprirei minha palavra. — Mas…, e o bar? Sua casa? — O bar também é do Weston, conseguiremos contratar alguém para ocupar meu lugar. Uma casa nunca é perdida. Podemos alugá-la, conseguir uma grana extra que complemente nossa renda. Posso arranjar um emprego em alguma oficina em Las Vegas, meu currículo melhorou muito. — Não é justo! Deixar tudo isso para trás e… — Tudo que preciso é você ao meu lado. Sim, o bar é uma conquista e tanto, assim como a casa, mas sei o que é ficar sem você e não farei isso de novo. Se quiser ficar com esse emprego, nada mais justo que o aceite, Brianna. Falarei com Wes, tenho uma poupança para conseguirmos um lugar em Vegas e Maple River sempre estará aqui para visitarmos a família e nossos amigos. Tenho certeza de que Thor adoraria passear pelas ruas de Vegas. Não é, Thor? Ele abana o rabo ao perceber que falo com ele. — Viu? — Volto a encarar Brianna. — Você é maravilhoso. — Ela me abraça de novo. — Eu te amo tanto. Sorrio contra o cabelo dela e a aperto contra mim. — Eu te amo, também. — Não tomei decisão alguma. Ainda estou processando a informação, porque eu já tinha descartado essa vaga na minha mente. — Tire a manhã para pensar. Vai falar com Cinthia hoje, certo? — Ela assente. — Ótimo, faça isso. Eu estarei ocupado com o técnico mas o bar fecha as seis e podemos conversar com calma durante o jantar. Só vou subir um pouco mais tarde porque preciso cuidar de uns documentos. Promete que não vai ficar triste? — Prometo. Dou um beijo nos lábios dela e a abraço outra vez. Nem fodendo vou deixar um emprego nos afastar de novo. Se for preciso, sigo essa mulher até o fim do mundo. 26 BRIANNA A ��������� �� C������ ��� ����� �� ���� �� ����� preocupação. — Quão grave é? — pergunto. Estamos na imobiliária, pois ela finalmente conseguiu me receber para falar sobre a reforma da casa de vovó. Ela suspira e estende uma folha de papel para mim. — Eles erraram, antes. Acontece que o mofo é mesmo estrutural e você vai ter que tomar algumas decisões. — Quais? Cinthia morde a ponta de um lápis. — Quanto de apego você tem à casa? Penso, porque por mais que eu ame aquele lugar, não sou uma pessoa exatamente apegada a bens materiais. Já vivi em mais de cinco lugares diferentes, mas a casa de vovó vai sempre ser o lugar onde nasci. — Adoro a casa, mas entendo se precisarmos reformá-la. — É mais do que isso, Bree. Com a estrutura antiga e o mofo, a casa de Abigail está praticamente condenada. Eu aconselharia você a vendê-la. Era o que eu temia, embora faça sentido. Ainda assim, tomar a decisão de vender a casa de vovó não é fácil. Mas, ultimamente, nenhuma das minhas escolhas parece ser, considerando o e-mail que recebi esta manhã. Luke me disse todas aquelas coisas lindas e altruístas, mas agora, algumas horas depois de falar com ele, não vejo sentido em ir para Vegas. Sim, a vaga é ótima, mas apenas me candidatei porque achei que a vida em Maple River jamais fosse funcionar. Agora que Luke e eu reatamos, é diferente. Posso arranjar um emprego aqui perto, continuar seguindo carreira em contabilidade ainda que com um salário mais modesto. Já tive o tal do emprego dos sonhos antes e eles me dispensaram na primeira oportunidade, após dez anos de trabalho. Estou finalmente feliz depois de passar muito tempo perdida, e pretendo contar isso ao Luke ainda hoje. Mas isso não elimina a necessidade de tomar uma decisão sobre vender a casa que herdei de minha avó ou reformá-la. — Preciso pensar. Pode me dar uma noite? — Claro, Brianna. Analise as opções e tome seu tempo. Nesse relatório há uma média dos gastos que serão necessários. Acho que, ao verificar tudo, você entenderá porque eu venderia ao invés de reformar. — Vou analisar tudo, sim. Muito obrigada. Deixo a imobiliária e dou uma olhada no bar do outro lado da rua. A moto dele está na calçada e acho que Luke tem treino de basquete agora à tarde. Consigo ver que o movimento está agitado, então decido não incomodá-lo. Quando meu olhar encontra a fachada da floricultura de Beth, tenho uma ideia. Vou visitar o túmulo de vovó e tentar conversar com ela e mamãe sobre o que devo fazer a respeito da casa. Atravesso a rua tomando cuidado com uma bicicleta e entro no espaço pequeno e que cheira a rosas. — Oi, Beth! — digo ao me aproximar do balcão. — Brianna! Como vai? — Bem, obrigada. Você? — Melhor agora que você apareceu. Passei a manhã inteira entediada. — Você anda mais travessa, hein? — Pisco para ela, que ri. — Você diz isso porque bebeu dois copos de minha limonada de flores. Nem me fale. O pior é que gostei daquela porcaria — não que eu vá admitir. — Vim buscar um buquê rapidinho porque quero visitar minhas queridas. — Começo a olhar em volta, à procura do que comprar. — Tenho rosas fresquinhas e lírios ali do outro lado — ela indica. Dou alguns passos em direção aos lírios, mas me detenho ao ver o buquê de margaridas na prateleira debaixo. O mesmo que sempre encontro no túmulo, nos aniversários da minha mãe. Pego o buquê e vou até Beth. — Vou levar esse. Só um, pois vovó não gostava da ideia de receber flores. Beth sorri com ternura. Elas eram amigas desde que consigo me lembrar. — Me lembro disso. E que escolha delicada a sua. Margaridinhas. — Gosto delas. Minha mãe também gostava. Beth para de embrulhar o buquê na folha de jornal e me encara, reflexiva. — O que foi? — Franzo a testa. — Nada. É so que… como anda seu embate com o menino Thorn? — Com Luke? — Apoio meu cotovelo no balcão. — Estamos bem, agora. — Bem, mesmo? Tipo… amigos? Meu rosto esquenta e não consigo evitar de sorrir. — Um pouco mais do que isso. Beth bate palmas de alegria. — Ah, graças a Deus. Então poderei lhe contar isso sem qualquer remorso. — Contar o quê? Ela volta para a tarefa de embrulhar as flores. — Durante os últimos anos, minha querida, eu tive apenas um cliente que comprou margaridas para levar ao cemitério. Sabe quem foi? Ao perceber o que ela diz,meu coração para. — Foi… — Luke — ela suspira. — Todo santo ano esse menino veio até aqui no aniversário de sua mãe e levou um buquêzinho para ela. Abigail sabia, mas ele pedia segredo pois não queria que você descobrisse. E, quando você estava na cidade, ele acordava cedo para deixar o buquê lá antes de sua visita. Mal consigo acreditar no que ouço. Ele era o sujeito misterioso que deixava flores para minha mãe? — Luke fez isso? Ela estende a mão e toca na minha. — Todo ano, meu bem. Sabe, quando vi vocês brigando, tive esperança de que se acertassem. Luke pode ser um rapaz um tanto irritado, mas ele sempre sentiu algo forte por você. Martha me disse várias vezes, em nosso café semanal, o quanto ficava triste ao vê-lo desanimado. E então você voltou e ele reagiu! De um jeito errado no começo, admito, mas vi como ele te olhou no Festival das Flores. Estou muito contente por saber que se entenderam, Brianna. Assinto e enxugo uma lágrima, sem saber o que dizer. Beth sai detrás do balcão e me abraça. — Você está emocionada… — Sim, estou… — Olho para ela. — Eu não fazia ideia. Luke é maravilhoso, Beth. Eu o amo muito. — É, sim. — Obrigada por me contar. Significou muito para mim. — Imagina, querida. Já estava mais do que na hora de você saber. Apoio o rosto no ombro dela e concordo completamente. LUKE Fechei o Thorn’s há quinze minutos e estou debruçado sobre o balcão, tentando lidar com os números do livro-caixa, quando ouço a porta se abrir. Levanto o rosto, alarmado. — Estamos fechados! — Mesmo para mim? — A figura de Brianna surge das sombras. O bar está na penumbra, pois fechei todas as cortinas e apaguei as luzes, para que fique bem claro que não estamos atendendo hoje. — Para você, não. — Deixo o lápis de lado. — Como conseguiu entrar? — Você esqueceu na fechadura. — Ela me estende a chave. — Eu tranquei a porta. Rio, porque estou mesmo com a cabeça na lua, hoje. — Passei a tarde toda com o técnico e estou distraído. — Pego a chave e guardo no meu bolso. — Vamos ter que trocar o fogão, mesmo. — Sério? — Brianna senta em uma das banquetas, de frente para mim. Ela se inclina e me dá um beijo rápido. — Sério. Isso vai nos custar, mas não tem jeito. Gabriel tem se virado desde que o problema começou. To aqui fazendo umas contas. Brianna analisa o caderno em minha frente. — Me diga que você usa o computador também. Rio. — Claro que sim. Eu apenas prefiro rabiscar os números antes, é meio que um vício. — Posso ajudar a organizar sua planilha com as fórmulas. — Aceitarei a ajuda com prazer. E você? Como foi o dia? — Pego nas mãos dela. — A casa de vovó está com mofo estrutural. Cinthia me recomendou vendê-la. — Merda, Bree. Não vai ter jeito? Ela dá de ombros. — Eu poderia reformá-la, mas vai ficar uma fortuna. Fui até o cemitério e conversei com vovó e mamãe. O canto dos meus lábios se curva. Eu poderia apostar que Brianna visitaria a lápide de Abigail para discutir um assunto assim. Ela sempre fez isso, desde a morte de Alice. — E o que sentiu? — Paz. Acho que vender a casa é a decisão correta. — Contanto que você esteja feliz, Bree… — Faço um carinho na bochecha dela. Os olhos azuis cintilam e ela suspira. — Antes de ir para o cemitério, passei na floricultura. Beth me contou algo que eu jamais esperava ouvir. — O quê? Ela brinca com a ponta dos dedos em minha palma. — As margaridas, Luke. Levo um momento para entender. Mas que merda. Beth prometeu não revelar esse segredo. — Ela te contou? Brianna assente. — Sim, ela contou. Que lindo o que você fez, amor. Estou sem graça agora, pois nunca levei flores para Alice com a intenção de ser reconhecido. Na verdade, nunca sequer planejei fazer isso. — Por que fez isso por tanto tempo? — ela me pergunta. Só há uma resposta adequada. — Por você, Brianna. Eu sabia que não conseguiria voltar todos os anos e, quando o dia chegava, ficava pensando em sua tristeza. Fiz isso na primeira vez e avisei a Abigail. Ela ficou emocionada, disse que queria te contar, mas não deixei. Se tornou algo importante para mim, também. Bree me chama e eu dou a volta no balcão, até que estejamos frente a frente. Seguro a cintura dela enquanto ela acaricia meu cabelo. — Eu te amo, sabia? — ela diz. — Eu também, linda. — Obrigada por levar flores para ela. Não imagina o quanto significou para mim. — Sempre fiz isso com prazer. Brianna desce o toque até meu peito, numa carícia lenta. — E eu estive pensando e… não quero aceitar o emprego em Las Vegas. Analiso o rosto dela, e tudo que vejo é sinceridade. Confesso que nem pensei muito nisso considerando o dia corrido que tive, mas havíamos combinado de discutir o tópico esta noite. — Tem certeza? É uma vaga e tanto. — Tenho, sim. Sei que o salário e o cargo são ótimos, mas não é o que desejo. Quando me formei, tinha uma ideia de carreira e hoje vejo as coisas diferentes. Quero ficar aqui em Maple River, com você e Thor. Não desejo que renuncie a tudo isso, a todas as coisas lindas que conquistou, embora o ame por considerar fazer isso por mim. Vou dar um jeito e procurar uma vaga por perto… Não sei, vou analisar minhas opções, mas farei isso aqui. — Isso vai te fazer feliz? — Firmo a mão na lateral do pescoço dela. Brianna sorri, praticamente brilhando. — Estou finalmente em casa, de novo. Você é o meu lar, Luke. Com o coração disparado, eu a beijo. Provo o gosto doce com urgência e necessidade, querendo que Brianna sinta o quanto a amo e o quanto minha vida é mais bonita quando ela está ao meu lado. — Você sempre foi a porra do meu mundo inteiro, Bree — murmuro nos lábios dela. Brianna responde passando as mãos por meu corpo, me puxando para perto. O bar está fechado e estamos somente nós dois aqui, então não pensamos em nada quando começo a tirar as roupas dela, buscando contato. Deixo-a nua da cintura para cima e ela curva as costas, deitando-se sob o balcão. Meu pau fica duro com a visão dos seios empinados e dos mamilos duros, que parecem chamar por mim. Chupo um peito redondo, contorno a aréola com a língua e sinto os tremores dela, a pele se arrepiando em minhas mãos. Sigo pela extensão de pele até ficar de joelhos e abrir o jeans justo e despi-la. Brianna não tira os olhos de mim, e não dizemos nada quando arreganho a boceta meladinha e a lambo. Ela geme alto e respira com dificuldade enquanto me delicio com seus líquidos e dobras, chupando e tomando tudo que Brianna derrama para mim. Quando brinco com a ponta da língua no clitóris exposto, ela praticamente uiva. Continuo até sentir os primeiros tremores do orgasmo e levanto, lambuzado dela. Preciso fodê-la com desespero, senti-la gemendo meu nome e arranhando minhas costas. Preciso dela por inteiro, cada pedaço dessa mulher. Ela parece ouvir meus pensamentos, pois arranca minha camiseta. Abro minha calça, liberando meu pau ansioso por senti-la. Me atrapalho ao procurar a carteira no bolso e tirar a camisinha de dentro. Quando rasgo a embalagem com os dentes, Brianna sorri para mim. — Essa camisinha está aí há quanto tempo? Rio, cobrindo meu pau com o preservativo. — É nova. Sou um homem prevenido. Passo as pernas ao redor de minha cintura e a mantenho perto. A bunda de Brianna ainda está apoiada na banqueta e ela se equilibra com os braços apoiados para trás. — Vou te comer com força, amor — digo. — Quero você gozando no meu pau, bem gostoso. Ela assente e morde o lábio quando penetro a entrada inchada por minhas chupadas em uma única investida. Sinto meu pau pulsar e eu gemo alto, perdido na sensação maravilhosa que é estar dentro dela. Invisto e sinto a boceta deliciosa me apertar, adorando como Brianna me beija e me cavalga. Volto a chupar os peitos dela, marco a pele suada com mordidas, não para machucá-la, mas para que se lembre de mim amanhã, assim como as unhas dela fazem em meus ombros. Não demora muito até gozarmos juntos, completamente arrebatados. Rimos e eu encontro o olhar dela, lindo e honesto. Algo aqui fica bem claro. Brianna Howard também é o meu lar. 27 LUKE D�� ���� �� ��������, ��� � ���� �� B����������� ������� partido. O jantar hoje é na casa dos meus pais. Ethan e Weston estão na cozinha, enquanto o resto de nós se reune na sala de estar. Dessa vez, minha mulher está ao meu lado, no sofá novo que foi comprado depois que a família começou a crescer. E, ao contrário de mim, ela não se importa nenhum pouco em responder às inúmeras perguntas desses curiosos. — Eu sabia que vocês iam voltar! Eu sabia! — Minha mãe aponta para ela. — Luke nunca esqueceu você, Bree. Brianna olha para mim e entrelaça nossos dedos. — Bem, eu nunca o esqueci também. Pisco para ela, pois isso é algo que não me canso de ouvir. — O tio Luke tá muito apaixonado, Bree — Zoe também me denuncia. — E eu também estou apaixonada por ele. Na verdade, eu sou apaixonada por ele a minha vida toda — Brianna sussurra para ela, que dá uma risadinha. — Vocês vão se casar? — meu pai pergunta ao meu lado. Ele está sorrindo e com uma expressão conhecida, que expressa tranquilidade. Acho que eles sempre souberam o que Brianna significa para mim. Anos atrás, eu era um moleque revoltado que acabou dando muita dor de cabeça para esses dois. Nunca foi a intenção, mas aprontei o suficiente para saber que meus filhos serão um tanto travessos se a porra da lei do retorno for mesmo real. Eles me aconselharam o que puderam nos últimos anos. Minha mãe chegou a me apresentar outras mulheres, filhas de amigas dela, mas nunca quis me envolver com ninguém. Brianna sempre foi a única com quem vislumbrei um futuro. Era ela ou nenhuma outra, ainda que eu evitasse pensar no assunto. — Eu quero me casar — digo. — Eu também, mas Luke não fez pedido algum, ainda. — Brianna coloca o cabelo atrás da orelha. — Vou fazer, só preciso criar um suspense. — Me inclino e roubo um beijo rápido dela. Finn dá um tapa na minha nuca. — Suspense do quê? Vocês deveriam ter se casado há séculos. — Concordo. — Ethan acaba de voltar da cozinha. Ele põe a mão no ombro de Norah e me encara com a expressão debochada. E eles estão certos. A sensação de que perdemos tempo ainda está comigo, mas procuro não pensar tanto nisso. Mesmo assim, não precisamos ter pressa. É claro que estou maluco para colocar uma aliança no dedo dela, só que Brianna está lidando com muita coisa agora. A venda da casa, a busca por um novo emprego, toda a mudança definitiva de Los Angeles para cá. Meu foco está nela e em sua felicidade. Brianna me aceitou de volta e estou disposto a fazer todas as vontades dela. Não me importaria de fugirmos para Vegas, mas se ela quiser uma festa grande com direito a trezentos convidados, Bree só tem que estalar os dedos. Sou mesmo um cara rendido pra caralho, não sou? — Vou planejar um pedido romântico, Finnick — provoco meu irmão, me levantando do sofá. — Eu e Brianna somos para sempre e fim. — Somos — ela concorda. — Isso é muito romântico — Kate comenta. — O jantar tá quase pronto. — Weston surge no cômodo e avisa. Me sinto na obrigação de provocar meu irmão ranzinza e o último solteiro dos Thorns. — Agora só falta você, Wes. Estão aqui enchendo a porra do meu saco com o casamento, mas vocês esquecem que o filho mais velho continua um lobo solitário. Ele rosna e vira as costas antes que consigamos prosseguir nas provocações. — Amor, vou no banheiro e já volto — digo para Bree. — Vai sobreviver a esses coiotes? Minha família ri e revira os olhos. Brianna está feliz, quase reluzente. — Vou sobreviver, sim, senhor. Passo a mão no cabelo e vou ao banheiro, ainda desacreditado que as coisas estejam tão bem. Na volta, encontro meu pai no corredor. O homem parece estar esperando por mim. — Pai? O que está fazendo aqui? Ele me analisa com a expressão séria. Acho que vou levar uma bronca. — Minha pergunta na sala foi de verdade, Lucian Thorn. — Cacete… me chamou pelo nome completo, sei que estou fodido. — Por favor, não deixe essa garota escapar de novo. Rio, porque não há a mínima possibilidade disso acontecer. Contudo, eu entendo a preocupação do velho Thomas. — Eu não vou deixar — garanto a ele. — Quero o pacote completo, pai. Casamento, filhos, netos… Brianna é a mulher da minha vida. Ele curva os lábios e toca no meu ombro. — Sua mãe tem sorrido muito mais ultimamente. Ela diz que Kate, Norah e agora Brianna foram anjos enviados para vocês moleques. — O cupido fez um bom trabalho com a família nos últimos meses. — Sim, ele fez. Mas de verdade, filho. Não seja tão orgulhoso desta vez. — Aprendi minha lição, sr. Thorn. — Pisco para ele. — Não se preocupe comigo. O homem suspira e concorda com um aceno de cabeça. Nos despedimos e ele entra no banheiro enquanto sigo para a sala. Minha família está conversando, mas a ausência de Brianna me chama atenção. — Onde está a Bree? — Ela foi atender o telefone lá fora — Norah avisa. Lá fora? Por que ela faria isso? Intrigado, decido verificar e caminho até a varanda. Brianna está com o telefone junto ao ouvido e conheço bem essa expressão preocupada. — Eu já pedi para parar de me ligar! A fala dela me faz cerrar os pulsos, pois na mesma hora lembro-me do ex namorado filho da puta que costumava persegui-la até semanas atrás. — É ele? — pergunto e ela assente. — Você precisa me deixar em paz, Chris! — o tom dela se eleva. Estendo a mão, pedindo para que ela me entregue o aparelho. Bree faz isso no mesmo instante e eu coloco no viva-voz. — … a gente deveria estar junto, Brianna. Você sabe que sim. Apenas ouvir a voz desse cara me faz querer matá-lo. — Bell, você está brincando com fogo, cara. — Meus dentes estão cerrados. — É melhor você aceitar a realidade e deixar minha mulher em paz. — Vai se foder, Thorn! Você vai se arrepender de ter se metido comigo, seu merda! — Não vou avisar de novo. — Desligo o telefone com raiva. Com cada músculo rígido e o rosto quente, encontro o olhar de Brianna. — Ele mudou de número, Luke. Achei que tinha me livrado desse cara. — Calma. — Puxo ela para um abraço. — Fica tranquila, amor. A Ash fez a ordem de restrição, não fez? — Sim, ela fez. Isso deveria me deixar mais sossegado, mas não é o que acontece. Esse mané pode ser perigoso e estou preocupado que ele volte a nos incomodar. Ainda assim, não quero ver a noite de Brianna arruinada por um sujeito como Bell. — Eu detesto ter que sugerir isso, mas já pensou em trocar o número de telefone? Brianna levanta o olhar para mim. — Vou trocar. Tenho esse número há anos, mas estou farta desse idiota e tomarei uma atitude radical. Beijo a testa dela e acaricio o rosto bonito. — Esquece ele, agora. Você está a salvo comigo, ok? Com uma risadinha, Brianna ri e me abraça. Não digo nada a ela, mas a insistência do babaca me deixou ressabiado pra cacete. Amanhã falarei com Tim e me manterei atento caso ele decida vir atrás dela de novo. Para incomodá-la outra vez, Bell vai ter que passar por cima de mim. 28 1 MÊS DEPOIS LUKE O� ���� ������ ������ �� ���� �� B������ � �� ����� ���� difícil acreditar que finalmente estamos vivendo juntos e felizes depois de uma década separados. Não paro de pensar nisso um minuto, nem mesmo agora que estou na garagem dos fundos do bar, trabalhando na manutenção da moto pois já havia passado da hora de cuidar disso. Digamos que passei o último mês bem ocupado. Primeiro, definitivamente não sou mais um celibatário. Depois, corri atrás de comprar um fogão novo para o bar, mas a entrega atrasou e tivemos que lidar com alguns contratempos. Isso sem contar a fase final da construção, que agora está pronta para receber a pintura, e já falei com o eletricista para instarmos a fiação o quanto antes. Brianna trocou o número de celular e Bell não a incomodou mais, para o meu alívio. Como a casa de Abigail está praticamente condenada, Bree conversou com Cinthia e elas colocaram a propriedade à venda. Alguns interessados apareceram, mas nenhum negócio foi fechado ainda, considerando que o valor para se livrar do problema do mofo é um tanto significativo. Brianna continua morando comigo e com Weston, planejamos mudar até o fim do verão, no máximo. Meu irmão até que tem sido paciente,considerando o quanto gosta de sua liberdade, o que não o impede de resmungar de vez em quando, aqui e ali. Com Thor me observando, alcanço o lubrificante para aplicar na correia dentada. Hoje troquei de turno com Weston e vou assumir o bar apenas depois das seis, o que me deu o dia livre para cuidar de outros assuntos, já que não tenho treino de basquete com os meninos. Meu cachorro me encara ansioso, pois prometi que sairíamos para passear e acabei me perdendo na tarefa ao ver a moto estacionada na rua. — Calma, garoto. Deixa só eu terminar aqui e prometo que andamos o quarteirão inteiro. Ele mexe as orelhas e deita a cabeça entre as patas. Que figura… — Luke? — A voz de Brianna soa ao longe. Estranho, pois ela deveria estar em Denver hoje, numa entrevista de emprego num escritório de contabilidade. — Aqui na garagem! — aviso. Ela aparece em minha visão um minuto depois. O cabelo escuro está preso num rabo de cavalo e ela está com roupas de se exercitar. — Se escondeu, hein? — Ela se aproxima de mim e me dá um beijo rápido. — Me enrolei todo com a moto. Thor ficou decepcionado, mas eu estava adiando isso por tempo demais. Brianna assente e cruza os braços ao encostar o quadril na mesinha de madeira da garagem. — Você fica sexy sujo de graxa. Já pensou em fazer isso sem camiseta? Olho para ela e seu sorriso sensual. — Se eu tirar a camiseta com a mão suja desse jeito, perderei a peça. — Eu te compro uma nova. — Ela pisca para mim. Faço logo o que ela pede, pois como vou recusar um pedido simples para minha mulher? Brianna corre o olhar por mim como se estivesse com fome. Confesso que adoro o sentimento e, como não sou nada modesto, aproveito para contrair um pouco os músculos, numa provocação divertida. — Thorn… vou atrapalhar seu serviço mecânico — ela avisa. — Pode vir que estou preparado… — retruco, mas ela balança a cabeça e suspira. — Termine isso logo e vamos caminhar com Thor juntos. Preciso me mexer. Volto a atenção para a moto de novo. — Você não deveria estar em Denver a essa hora? — pergunto, sem olhar para ela. — Eu deveria, mas eles ligaram e disseram que contrataram alguém para a vaga. Tive uma epifania hoje que pode me ajudar. — Conta. — Termino de lidar com a correia e me levanto. — E se eu falar com o sr. James? Wilson James é o contador oficial de Maple River desde… bem, desde sempre, eu acho. Ele cuida dos impostos de renda de basicamente todos os moradores daqui, incluindo o meu. — Quer abrir uma concorrência? — Não, Luke. Quero trabalhar para ele. Estava fofocando com Ashley esses dias atrás e ela me disse que Sarah não quer assumir o escritório do pai. Sarah é a filha dele, também formada em contabilidade. — Sério? Mas crescemos sabendo que ela daria continuidade ao legado dele. — Faço um gesto pedindo para que Brianna me passe um trapo limpo sobre a mesa. Ela me entrega o pano e continua: — Pois é, mas a Sarah tem planos de se mudar para Nova York. E se, de repente, o sr. James estiver precisando de ajuda? Ele ama a filha, duvido que vá dificultar a vida dela apenas porque era esperado que ela assumisse o escritório. — Acho uma boa perguntar. Meu pai e ele bebem cerveja de vez em quando e já ouvi rumores de que Wilson quer se aposentar. — Exato. Eu não abriria uma concorrência contra ele. Imagine, o homem cuidava dos impostos da minha avó. Contudo, ser uma funcionária… muito me agrada. Minhas mãos ainda estão sujas, então preciso me controlar para não tocá-la. Apenas dou um passo em frente e fico perto de Brianna. — Amor, tem certeza de que isso vai ser o bastante? O salário num escritório como o de Wilson seria modesto. — Luke, seria o bastante para termos uma vida boa aqui. Ela tem razão no que diz, embora eu ainda me pergunte se Brianna não está sacrificando coisas demais. É um sentimento complicado, na verdade. Por um lado, é claro que sei que ela está feliz por ficar aqui. Por outro, nosso padrão de vida em Maple River é confortável, mas muito diferente do que ela estava acostumada em LA. Tenho uma vida financeira estável na maior parte do tempo, mas com a construção e o investimento do bar, não é como se os boletos não me preocupassem. Ela deve estar lendo todos esses pensamentos, pois toca em minha pele nua e suspira. — Pare de pensar que estou sacrificando minha carreira. Touché. A mulher não deixa escapar uma. — Odeio que me conheça tão bem. — Não odeia, não. — Ela sorri. — Estou realmente feliz em ficar aqui. Acredite em mim. — Eu acredito, linda. É só que… você se esforçou pra caralho a vida inteira, sabe? — Sim e é por isso que estou à procura de um emprego. Eu teria que fazer isso de qualquer jeito, Luke. E também não estou desesperada. Os rendimentos do valor que tenho investido seguram as pontas por um tempo. Assim que Cinthia conseguir vender a casa, também planejo aplicar. Além de ajudar nessa reta final da construção, é claro. Franzo a testa. — Você diz, da nossa casa? — Sim, senhor. Weston me pediu ajuda com um detalhe do livro-caixa do bar e percebi que os gastos de última hora deixaram alguns valores bagunçados. — Bree, não quero você preocupada com isso. — Luke, se vamos construir uma vida juntos, esse tipo de situação será normal. Vamos ter que trabalhar em conjunto. — Acho que você deixar aquele salário para trás foi o bastante por ora. Ela fecha a cara. — Não seja teimoso, homem. Você me disse que quer o pacote completo. — Ela cutuca meu peito. — E quero, mas não se preocupa com isso ainda, ok? Percebi que você está agitada com essa busca por emprego e a casa da sua avó nem foi vendida. O bar teve uns gastos inesperados, mas vamos dar um jeito. Eu me planejei para a fase final da construção. — E quanto aos móveis? — Ela levanta uma sobrancelha para mim. — Havíamos conversado sobre a meia-quadra de basquete nos fundos, também. Isso vai ultrapassar o orçamento inicial. — Ok, não tinha chegado nessa parte, mas… — Ótimo — Brianna sorri. — Vamos poder decorar a casa juntos, então. Vovó iria ficar feliz da vida se soubesse que estamos usando o dinheiro da casa no nosso próprio lar. Não adianta discutir com ela, mas, honestamente? Nem sei se quero. A verdade é que estou feliz pra caralho por estar tendo esse tipo de discussão com Brianna, sobre como vamos organizar nossas vidas, casamentos e divisão de despesas. Mal posso esperar para pedir a mão dela de uma vez. Ela não sabe de nada, mas vou para Denver no fim da semana para comprar um anel, pois estou planejando algo romântico e grandioso, digno de nós dois. Nem sei se será aqui, na cidade. Estive pensando e considero sugerir uma viagem de moto para as montanhas, para ficarmos a sós e termos liberdade de fazer barulho ao transar (algo que se tornou difícil, já que Weston faz questão de socar a parede quando extrapolo meu entusiasmo). — Você é quem manda, princesa. — Roubo um beijo dela e encerro a discussão. — Agora só me deixa lavar essas mãos e colocar uma camiseta limpa, e podemos sair para uma volta com Thor. — Vai subir para o apartamento? — ela me pergunta. Quando concordo, Brianna diz que vai me acompanhar e pega a coleira de Thor, que não parece muito satisfeito com nossas escolhas. — Me dá cinco minutos, amor — peço, ao deixá-los sozinhos na sala. Vou para o banheiro do meu quarto, limpo toda a graxa das mãos e visto uma camiseta limpa. Ao voltar pelo corredor, cruzo com Weston saindo do próprio dormitório. — Não sabia que estava em casa — comento. — Esqueci o carregador do celular. Onde vai agora? — Eu ia sair com Thor, mas acabei cuidando da moto na garagem — começo a falar baixo para que Brianna não me escute. — Ei, estive pensando e acho que vou chamar a Bree para uma viagem rápida para aquela cabana nas montanhas. Vou para Denver comprar um anel na sexta- feira e quero fazer um pedido especial. Você sabe, além de transar sem ninguém socando a parede ao lado. — Quer dizer que terei meu apartamento de volta por dois dias inteiros? Que milagre. Vão de uma vez. Rio. — Sabe se Bob pode assumir meus turnos por dois dias? — Acho quesim. A mãe dele está bem, agora. — E tudo bem para você? — Claro. — Weston dá de ombros. — Show! Valeu, irmão. Apenas segura essa língua e não conta para ninguém da família. — Não vou contar. Fique tranquilo. Andamos lado a lado no corredor em direção à sala. Encontro Brianna sentada no sofá, com a testa franzida como se estivesse preocupada. — Tudo bem, Bree? — pergunto. Ela levanta o rosto para nós. — Ah, sim. Oi, Wes. — Oi. Você parece alarmada. — Eu tava lendo as fofocas do dia numa página no Instagram. Uma patinadora que eu sigo passou por uma reabilitação e estão acusando ela de abusar de substâncias durante a competição. — Brianna me mostra o celular. Não entendo porra nenhuma de patinação, mas reconheço o nome escrito na manchete. — Wes, Britney Montgomery não é a filha do seu amigo? — pergunto ao meu irmão. Weston se aproxima de nós, igualmente intrigado. — O nome é esse mesmo. — Ele encara a tela do aparelho. — Não dá pra ver nada nessa foto. A imagem é uma típica das fofocas envolvendo gente famosa. Uma moça irreconhecível de capuz na cabeça, tentando fugir dos paparazzi. — Que amigo é esse? — Bree pergunta. — O Austin. Aquele que vive em Denver e tem seis filhos. — Vou ligar para ele e perguntar, mas farei isso do bar. Luke, te espero lá às seis. Weston some porta afora e Brianna guarda o celular no bolso da calça. — Espero que ela fique bem. Eu adoro assisti-la no gelo. A menina é um arraso e esses paparazi são terríveis. Fui perseguida por um uma vez, sabia? — Por causa do otário do seu ex? — Bato na perna e chamo Thor, que vem correndo em nossa direção. — Chris era um exibido. Não adiantava pedir para ele parar de postar, o homem insistia em me expor. Não gosto nem de pensar nesse cara. Ainda não digeri o que ele fez no casamento de John Howard, nem o que fiquei sabendo que ele aprontou com Brianna. — Deixa ele pra lá, linda. Agora você se ajeitou com um cara mais bacana, anônimo pra cacete, mas que tem uma moto legal. Brianna sorri enquanto fecha a porta do apartamento e então se pendura no meu pescoço. — Eu ainda estou fantasiando com você sem camisa lá na garagem, Thorn. O tom da voz dela é tão sensual que tenho vontade de levá-la para dentro e tornar essas fantasias realidade. Mas então Thor puxa a coleira escadas abaixo e vence a batalha. Considerando que ele esperou tanto tempo, desta vez — e apenas desta — , aceito minha derrota sem reclamar. 29 BRIANNA A�������� ��� L��� ��� ���� D����� ���� ������ �� ������ pendências pessoais. Quer dizer, mal sei por onde começar, considerando que vou falar com o sr. James sobre trabalhar no escritório e com Cinthia, que parece ter arranjado um comprador para a casa de vovó. Isso sem contar que preciso de uma bagagem modesta para levar para as montanhas. Luke me convidou para um passeio de moto com ele no fim de semana na região de Telluride e parece que vamos dormir em alguma cabana que ele reservou por lá. Confesso que estou bem animada para essa escapadinha rápida e romântica. Eu e Luke mal conseguimos tirar as mãos um do outro desde que voltamos, mas o último mês foi agitado. Fiz uma busca incansável por empregos, Luke teve o serviço no bar e tiramos a maior parte do tempo livre para tomar decisões e trabalhar na construção. Queremos nos mudar até julho, no máximo. Tudo é muito empolgantes, mas estou mentalmente exausta e até sentindo enjoos de manhã, então acho que um descanso de dois dias nos fará muito bem. Depois de me despedir de Thor e fechar o apartamento, desço as escadas e saio a caminho do escritório de contabilidade do Sr. James, que fica duas ruas paralelas ao Thorn’s. A caminhada é de menos de 10 minutos e, quando chego na porta pintada de tinta branca com uma janela de vidro, o sr. James acena do lado de dentro e me manda entrar. Estou nervosa com os possíveis resultados desta conversa, mas não pretendo deixar meu (com sorte) futuro chefe ciente disso. — Bem-vinda, Brianna! — Ele estende a mão para mim, simpático como sempre. — Fiquei surpreso quando você ligou. — Boa tarde, sr. James. Primeiramente, obrigada por falar comigo sobre isto. — Sorrio para ele e puxo a cadeira indicada pelo contador. — Conta essa sua situação para mim, por favor. Você retornou de vez para Maple River? É isso? Com calma, narro a ele minhas últimas desventuras profissionais. Desde meu emprego em Los Angeles, de como fui demitida e da minha decisão de ficar aqui na cidade com Luke, além da busca incessante por alguma vaga na região. — Eu imaginei que haveria mais possibilidades, mas temo estar enganada. Ele assente e suspira. — Na verdade, há muitos escritórios em Denver, só que não faço ideia de como estão as oportunidades de trabalho por ali. Você ficou sabendo sobre Sarah? Ela recebeu uma proposta irrecusável em Nova York. Assinto, pois Ashley me contou sobre isso. A filha dele, Sarah James, também estudou contabilidade na Califórnia, dois anos depois de mim. — Eu ouvi falar. Por isso pensei em conversar com o senhor, o contador oficial de Maple River. Ele sorri, dobrando uma perna sobra a outra. — Ando cansado, minha filha. Ainda não decidi o que vou fazer agora que Sarinha não vai assumir o escritório, mas acho que poderia sim, aceitar uma ajuda por enquanto. Não posso fazer grandes promessas, mas… — Não precisa fazer! — digo a ele. — Sério! Podemos fazer um teste, ver se o senhor gosta do meu serviço e… — Eu vou gostar. Seu currículo é impressionante, menina. Na verdade, tem certeza de que se contentaria em trabalhar num lugar como este? Somos um escritório modesto, Brianna. Não adiantaria afirmar que o James Contabilidade não é um lugar simples considerando grandes empresas nas metrópoles, mas isso não diminui a importância que o legado dele tem por aqui. O homem cuida dos impostos dos moradores de Maple River há uns trinta anos. — O escritório é renomado e, principalmente, estou em casa. Eu ficaria imensamente feliz em trabalhar aqui, sr. James. O senhor de quase sessenta anos pensa por uns instantes. — Pois bem. Pode começar na terça-feira? Eu e Harriet vamos para Nova York este fim de semana e retornarei na segunda. — Terça-feira será perfeito! — Sorrio abertamente. Ele parece satisfeito com a reação. — Vou fazer uma proposta de trabalho e salário para você e mando em seu e-mail. — Combinado. — Aperto a mão dele. — Muito obrigada, sr. James. Saio do lugar praticamente flutuando. Trabalhei em uma empresa gigante quando me formei, mas nunca senti tamanha felicidade em conseguir uma vaga como estou sentindo agora. Viro a esquina a caminho da imobiliária e pego o celular para mandar uma mensagem para Luke. Que mensagem que nada, eu quero mesmo é ligar para contar a ele que tenho um emprego. Disco o número rapidamente e coloco o aparelho no ouvido. — Oi, amor — ele me atende do outro lado da linha. — Consegui o emprego! — O quê? Sério? Assinto como se Luke pudesse me ver e atravesso a rua. — Sim, o sr. James me disse que posso começar na terça-feira. — Isso! Parabéns, princesa. Vamos comemorar esse fim de semana. — Estou animadíssima para essas mini-férias. Enquanto caminho, passo em frente ao escritório de Ashley e espio do lado de dentro. Minha amiga está concentrada em uma pilha de papeis e ergue o rosto quando bato no vidro. Ela sorri e me chama para entrar. — Chego em casa no fim da tarde, ok? — Luke diz. — Está bem. Te amo, gostoso. — Eu também. Desligo e abro a porta, sentindo o frescor do ar-condicionado do escritório. — Oi, amiga! — Ashley se levanta e vem até mim, me abraçando. — Oi! Como vocês estão? — me refiro a ela e ao bebê. — Estamos bem, eu acho. Tenho tido dores nas costas. — Ela apoia a mão na lombar. — Eita. Mas não está abusando, está? — Que nada. É normal no terceiro trimestre da gestação. E você? O que tá aprontando? — Passei para dar um oi e contar que sou a mais nova contadora do James Contabilidade. — Ai, caramba! — Ela sorri. — Verdade? — Sim, senhora. Vamos trabalhar pertinho uma da outra agora. Ashley me abraça e comemora, mas somos interrompidas— O que você falou para ela? — A verdade. O que ela precisa ouvir para dar o fora de vez e me deixar em paz. Wes balança a cabeça. — Porra, Luke. — Brianna não precisa estar aqui. Ela disse que voltou para vender a casa de Abigail e o Thorn’s é sua primeira parada? Por favor… Ela retornou para me atormentar. — Você está sendo um idiota. Nem tudo é sobre você e ela tem direito de estar aqui. Ela nasceu aqui. Dou de ombros, pois isso não quer dizer nada considerando que ela partiu há dez anos e seguiu em frente em Los Angeles. — Faz quanto tempo que não transa, Luke? — Wes cruza os braços. Penso em silêncio. Tempo demais para colocar em palavras. Anos. — Isso não te interessa. — Interessa, porque sou eu que tenho que aguentar seu mau-humor. Tínhamos clientes lá embaixo. Bree não é o tipo de garota que perde a linha com facilidade. — Primeiramente, ela é uma mulher. Pare de falar como se tivesse oitenta anos, meu senhor. — Passo por ele. — Depois, talvez eu tenha sido um tanto desagradável, mas não se preocupe. A próxima fofoca vai surgir logo, logo e ninguém vai lembrar do caralho do banho de cerveja. Desço as escadas de volta para o bar e escuto os passos de Weston atrás de mim. Minha vontade é fumar um cigarro para relaxar, mas abandonei esse hábito nos últimos meses. Na boa? Não quero discutir sobre Brianna. Estou ligeiramente arrependido por tê-la provocado e não é como se levar uma cervejada na cara fizesse o dia de alguém. — Por que não tentam se acertar de uma vez, cara? — Eu e ela não temos o que conversar — respondo. — E, quando tentamos, ela perde a linha a ponto de jogar uma caneca de cerveja em mim. —Porque você é um estúpido! — Wes! — Eu me viro e o encaro de frente. — Esquece essa história, ok? Eu e Brianna acabamos há muito tempo. O que eu deveria fazer? Admitir que nunca a esqueci e sinto como se minha vida estivesse congelada no tempo desde que a deixei escapar? Weston suspira. — Acho que você acabou de se contradizer. — Supondo que eu ainda a amasse, o que não é o caso — tento me corrigir. — Wes, sério. Deixa essa história para lá. Preciso trabalhar. — Beleza, mas acho que está sendo idiota. Sim, ele já disse isso. Não preciso de nenhum maldito papagaio no meu ouvido repetindo as mesmas coisas. Antes de partir, ele dá um tapa na minha nuca. — Não venha chorar para mim quando Brianna partir mesmo e você se arrepender por desperdiçar essa chance. Observo ele subir para o apartamento novamente e respiro fundo. Weston está errado. Meu irmão é um cara prático demais e não consegue enxergar claramente minha situação. Me envolver com alguém não é uma opção. Tenho um milhão de coisas na cabeça e zero vontade de incluir qualquer mulher que seja na minha vida. Nem mesmo ela. Principalmente ela. 3 BRIANNA A��� � ����� ����� ��� ���� �� ������� �� �������. — Chegou chegando, hein? Só se fala no novo embate de “Brianna Howard vs. Luke Thorn” na cidade. Mandaram até no grupo dos moradores. Sei disso. Estou no maldito grupo e, pelas 200 mensagens não lidas, imaginei que estivessem falando sobre nós. Deixo isso para lá e dou um gritinho animado ao abraçar Ashley Jones, minha melhor amiga de infância e a única que poderia me entender depois do momento constrangedor que vivi no Thorn’s, mais cedo. — Ai, que saudades! — Olho para ela e fecho a porta. A sala está iluminada pelo lindo sol de fim de tarde. — Como você está? — Estou ótima! Olha essa barriguinha! Corro os olhos por ela e não há dúvidas quanto a isso. Ashley está vestindo uma jardineira azul-claro que contrasta com a pele negra e deixa a barriga saliente em evidência, uma graça. O cabelo cacheado está um pouco mais curto do que da última vez que a vi, mas o sorriso radiante é definitivamente minha parte preferida nesse look. Por todos esses anos, eu e Ash jamais perdemos o contato. Nos falamos por telefone sempre que possível, além de trocarmos mensagens com regularidade. Nos conhecemos na terceira série e nunca mais nos desgrudamos. — Você está maravilhosa, mesmo! — Dou mais um abraço nela. — Já decidiram o nome do meninão? — Ainda não. Tim tem algumas sugestões, mas sabe como é. No terceiro filho, ficamos mais indecisos. Teremos até o fim de junho para decidir. Nós todos crescemos juntos aqui em Maple River. Tim e Ash eram namorados do colégio e se casaram ao terminarem a faculdade de Direito. Ambos têm carreiras estáveis num escritório de advocacia, dois filhos lindos, outro a caminho e uma casa adorável com um balanço no quintal. Ah, e Tim também é o melhor amigo de Luke. — Tenho certeza que a escolha será perfeita — digo, indicando o caminho até a sala de estar. — Sim, sim, mas agora chega de me enrolar. — Ashley se ajeita em um dos lugares vazios. — Que história é essa de banho de cerveja, Bree? Assim que me sento ao lado dela, alcanço uma das almofadas de crochê de vovó e a aperto contra o corpo. Apenas lembrar de meu encontro com Luke horas atrás me deixa louca. Não gosto de sentir raiva, de brigar. Ainda assim, parece ser inevitável. Sempre que nos encontramos, sinto muita raiva de Luke Thorn. O que não significa que sou imune àquele espécime de 1,92 e com voz grave “molha calcinha”. — Ele foi um babaca, Ash. Eu queria mesmo era ter socado a cara dele. — Ainda bem que não socou, ou estaríamos na delegacia. E claro que ele foi um babaca. Luke nunca superou o término de vocês. — Pois eu acho que isso é história inventada. Se ele tivesse ficado assim tão arrasado, não teria comido metade das mulheres da cidade logo depois. Ashley revira os olhos castanhos. — Lá vamos nós de novo. — Ele basicamente me disse que não tenho o direito de estar aqui. Acredita? Minha amiga levanta uma sobrancelha para mim. — Bem… acredito. Luke é nervosinho, você o conhece. Acontece que esse é o problema. Eu não o conheço. Não mais. Luke sempre teve um jeito rebelde de ser, sempre foi ousado e atrevido, mas ele me amava e nunca escondeu isso quando estávamos juntos. O jovem carinhoso por quem me apaixonei jamais me trataria como Luke tratou, hoje. Essa versão que tenho na memória: de um homem bom, generoso e deliciosamente travesso é apenas uma lembrança. Dez anos se passaram e ele mudou. A vida nos distanciou e, desde então, a única coisa que sei sobre ele é que Luke me odeia. O que é recíproco, por mais que deteste admitir. — Tudo que eu sei é que Luke não vai falar o que bem entender para mim, não. Se ele pensa que vou aceitar que me provoque sem retrucar, está enganado! Minha amiga inclina o pescoço ao me encarar. — Bree, posso apenas perguntar o que estava fazendo lá no Thorn’s? Ele pode ter pensado que você estava provocando, e com razão. — Eu estava com fome! O restaurante do Sr. Johnson está em reforma e Jo me disse que, àquela hora, o Thorn’s era minha única opção. — Você pode cozinhar, amiga. — Ashley ri, como se já não me conhecesse. — Eu sei, mas não tinha passado no mercado e a moto dele não estava lá na frente. Achei que Luke estivesse fora. Jo me contou que ele está treinando o time de basquete. — Ele mora em cima do bar, Bree. A moto agora fica na rua detrás. Luke mora no bar? Desde quando? — Espera. Achei que Wes vivesse no apartamento do segundo andar. — Sim, eles moram juntos. Vai querer saber detalhes? Ashley me pergunta isso porque nunca falamos de Luke. Desde que terminamos, pedi a ela que jamais me dissesse nada, pois isso apenas aumentaria o sofrimento do término e não é como se eu tivesse sofrido pouco. Basicamente passei anos sendo uma mistura de Elle Woods com Bridget Jones. Abraço a almofada com mais força. O que sei sobre Luke atualmente é o básico. Sei que ele recebeu uma herança de valor significativo do avô, há seis anos. O homem morreu velhinho e com Alzheimer avançado. Com o dinheiro, ele e Weston decidiram abrir o bar. — Conta tudo — peço. — Pois bem. Luke está construindo uma casa na rua Daisy, num terreno que ele comprou há alguns anos. Para economizar no aluguel, ele decidiu morar com Weston. Eles têm até um cachorro juntos. O nome dele é Thor. Prendopelo toque do meu celular. É a Cinthia quem liga. — Peraí, Ash. Deixa eu só verificar o que a Cinthia quer. Alô? — Oi, Bree. Tudo bem? — a voz dela soa um pouco abafada. — Tudo! Eu estava indo para a imobiliária daqui a pouco. — Não vá! — Ela ri. — Foi por isso que liguei. Estou fora da cidade e me atrasei, mas não se preocupe porque tenho a proposta do comprador prontinha e posso te mandar por e-mail no fim do dia. — Jura? O cara quer mesmo a casa? — Quer e acho que é um bom negócio. Podemos conversar na segunda? — Claro, fica tranquila. Ela agradece e desliga e eu volto a olhar para Ashley. — Acho que Cinthia vendeu a casa — comento. — Minha nossa, quanta coisa boa acontecendo! Concordo, embora eu esteja zonza com as informações. Jamais imaginaria, meses atrás, que minha vida voltaria para os trilhos de um jeito tão maravilhoso. Imaginem, eu estava perdida em Los Angeles, com um ex lixo na minha cola, sem emprego e completamente solitária. Hoje, tenho o homem que sempre amei ao meu lado, meus amigos por perto e até mesmo um cachorro fofo que adora brincar comigo quando chego em casa. — Nem me fale. Sabe que estou até atordoada ainda? Mal consigo comer de manhã, de tanta emoção. Ashley franze a testa. — Emoção? Tem certeza de que é só isso? — E o que mais seria, Ash? — Não sei. — Ela passa a mão na própria barriga. — Talvez o resultado de transarem igual coelhos por aí. Ela ri e sei que está brincando, mas então me lembro de um detalhe importante e sinto o baque. — Ai, meu Deus. Ashley para de rir. — Espera, tem chance mesmo? Faço uma conta rápida de cabeça. Quando transamos pela primeira vez, a camisinha de Luke estourou. Faz mais de um mês e eu… não menstruei desde então. — Cacete, será? A gente se empolgou um pouco na primeira vez e a camisinha não aguentou. — Menina! Claro que tem chance. Sua menstruação tá atrasada? — Deixa eu conferir no aplicativo. Sou péssima para essas coisas e faz anos que deixo tudo anotado num aplicativo. A informação na tela não deixa dúvidas. — Tô três dias atrasada. Não deve ser nada, isso já aconteceu antes. — Sim, tá meio cedo ainda. — Vou mandar uma mensagem para a minha médica, de qualquer forma. — Isso. Qualquer coisa me avisa, hein? — Pode deixar. Me despeço de Ashley e caminho de volta para o apartamento, agora com mais isso na cabeça. Mando uma mensagem sucinta para minha ginecologista, que também é uma amiga querida que fiz em Los Angeles. Segundo ela, eu até poderia fazer um teste, ainda é cedo e o resultado pode ser um falso negativo. Aproveito para perguntar se ela vê problema com nossa viagem de moto do fim de semana e sou liberada para fazê-la sem problemas, afinal, não cometeremos nenhuma loucura. Chego em casa, deixo o celular de lado e procuro me distrair com Thor. Deitamos juntos no sofá e eu ligo a TV, deixando-a ligada em um episódio de The White Lotus. A série é ótima e eu adoro, mas minha mente volta ao assunto a cada segundo, e me pergunto o que aconteceria se a possibilidade de eu estar grávida realmente se concretizar. Sempre quis ser mãe. Quando me sentia solitária e sentia a falta de Luke, imaginava o que teria sido se nunca tivéssemos terminado. Se estaríamos casados e com filhos e, se sim, quantos deles. Um sorriso surge em meu rosto quando me imagino com uma mini versão de Thorn nos braços. Minha nossa, Brianna. Seja um pouco menos emocionada, penso em silêncio, enquanto acaricio meu cachorro. 30 LUKE O ��� ���� ��������� � �� ��� ������� ����� ��� ���� ����. Sinto os braços de Brianna ao redor de minha cintura enquanto piloto pelas estradas do Colorado. Nessa época do ano, o céu está azul e a temperatura é perfeita para conseguirmos usar um agasalho leve. Tenho grandes planos para o fim de semana e pretendo retornar para casa com novidades. O anel de noivado está em meu bolso e eu estou doido para fazer o pedido de casamento logo. Sei lá, talvez por termos ficado separados tantos anos, oficializar as coisas de uma vez com Brianna é uma necessidade, ainda que ela tenha se mudado definitivamente para o apartamento após vender a casa que pertencia a Abigail. Cinthia fez um ótimo negócio com um cara de Denver, que planeja demoli-la e construir uma nova no lugar. Brianna alugou um depósito para deixar as coisas que eram da avó ali por ora, e vamos empacotar tudo nos próximos dias. Agora, só preciso finalizar a construção, o que deve acontecer nos próximos dois meses. Bree aponta para a entrada de Estes Park, onde vamos parar para almoçar antes de ir para a cabana que aluguei de um amigo para passarmos os próximos dois dias. Ela fica aqui por perto, a alguns minutos de caminhada. Nossa bagagem é uma mochila modesta, pois decidimos vir na moto para aproveitar o tempo de sol. — Está com fome? — Brianna me pergunta, assim que estaciono a moto em uma das vagas livres da rua principal e tiramos os capacetes. — Estou, sim. O que quer comer? Ela olha em volta, analisando nossas opções. — Há hambúrgueres ali, ou pizza daquele lado. Me viro para onde ela indica, mas nenhuma das opções me satisfaz. — E se eu cozinhar pra gente? — sugiro. — Podemos passar no supermercado e eu preparo alguma coisa. Um filé com batatas e vinho. — Hum, gosto muito dessa opção. Mas você não quer dar uma volta por aqui? Como vamos levar tudo na moto? — Quero passear, mas podemos fazer isso amanhã. Eu não me importaria nem um pouco em passar o dia todo com você na hidromassagem. E a cabana é aqui perto. Posso carregar as sacolas sem problemas. Brianna sorri de lado e concorda. — Ok. Vamos ao supermercado? — Vamos. Nossa ida ao supermercado é um pouco mais demorada, pois vou aproveitar a oportunidade para cozinhar um menu caprichado e romântico. Aproveito e também compro um buquê de rosas na floricultura charmosa na esquina, o que faz com que Brianna se surpreenda. — Luke. O que é isso? — São flores para minha mulher, é claro. — É claro! — Ela aceita as rosas e andamos lado a lado a caminho da cabana. — Esse buquê deve pesar uns três quilos! Deve ter custado uma fortuna. — Bree, sem preocupações hoje, ok? Estamos aqui porque quero te mimar e aproveitar um tempo longe da cidade. — Vou ficar mal-acostumada. — É bom mesmo. — Pisco para ela. Quando chegamos na cabana, abro a porta e sinto o cheiro de pinho do lugar. O piso de madeira está gasto e coberto por tapetes felpudos, e há uma janela ampla para o jardim, que nessa época está florido e cheio de cores. Há também dois sofás de couro envelhecido e uma mesa de centro pequena em frente à lareira. Com o ar-condicionado ligado, Brianna leva a mochila que trouxemos para o quarto e eu vou para a cozinha, onde começo a organizar os alimentos na bancada. Ela retorna logo, com o cabelo preso em um coque e sem sapatos. — No que posso ajudar, gostosão? Pela próxima quase uma hora, eu e ela cozinhamos juntos. Bem, Brianna dispensa o fogão e assume as tarefas de cortar cebolas e lavar a louça, mas não deixa de ser divertido. Ela também enche um vaso de água e coloca o buquê de flores ali, enfeitando o centro da mesa de vidro. A comida fica pronta e faço o melhor que posso na preparação dos pratos. Gabriel de vez em quando me ensina uns truques de apresentação, que estou colocando em prática todos de uma vez nesse momento. — Aqui, linda. — Sirvo nossos pratos e noto que ela ainda não serviu o vinho. — Não quer beber? — Agora, não. — Brianna puxa a cadeira para se sentar. — Pode beber se quiser, mas quero comer sem nada hoje. Deixo o vinho para lá, decidido a acompanhá-la. Sento e encaro a comida que, modéstia à parte, cheira muito bem. Então sinto o toque de Brianna em minha mão, olhando para ela. — Eu te amo, sabia? — ela diz, parecendo emocionada. — Eu também te amo. O que aconteceu? Ela ergue os ombros suavemente e sorri. — Nós acontecemos. Sei que parece bobo, mas hoje está sendo um dia perfeito. Viajamos de moto, cozinhamos juntos e essa cabana é linda e muito romântica. Eu apenas… ainda acho difícil acreditar que tenho você de volta. As palavras dela acabam comigo, deum jeito muito bom. Eu estava em dúvida de quando exatamente fazer o pedido, mas… parece que agora é o momento. Sorrindo, me inclino até que esteja mais próximo dela. — Sei bem a sensação, mas estou bem aqui, Brianna. Ela acaricia meu rosto. — Não me considero o maior dos românticos, mas acho que nasci para te amar. Faz sentido? — Luke… — Sem você, minha vida ficou em suspenso. Esses últimos anos foram vazios e tristes, mas não quero pensar no passado nunca mais. Tudo que quero é amar você. — Afasto minha cadeira e apoio um joelho no chão. Minha mão trêmula alcança o anel em meu bolso e eu o estendo para ela. Assim que vê a joia, Brianna arregala os olhos. — Ai, Senhor… — Brianna Howard, você se casa comigo? — pergunto, e percebo que estou trêmulo. Ela abre a boca, mas as palavras não saem imediatamente. — Luke, eu preciso te contar uma coisa. Ok. Não era exatamente o que eu esperava ouvir. — Agora? — Sim, agora. Eu… Estou mais confuso do que nunca, e minha expressão deve demonstrar isso, pois Brianna se sobressalta. — Espera, não é o que você tá pensando! Eu vou dizer sim, claro que vou, mas antes, preciso te contar uma coisa. — Contar o que, Bree? Ela respira fundo antes de dizer: — Recebi o resultado do exame agora há pouco. — Exame? Que exame? Ela toca no meu rosto. — Suspeitei que podia ser isso e não aguentei esperar. Eu estou grávida, Luke. Vamos ter um bebê. Enquanto o cérebro atribui sentido às palavras, meu coração para de bater por um instante. — Você tá grávida? Os olhos azuis ficam úmidos. — Sim. Eu ia te contar depois do almoço, mas como você fez o pedido… não achei justo dizer sim sem você saber. — Vamos mesmo ter um bebê? — Sim, vamos. Fiz um exame de sangue ontem. Demoro mais um segundo antes de puxá-la para mim, ainda sem acreditar. — Caralho, amor… — Beijo-a na boca uma, duas, muitas vezes. — Eu te amo tanto. Isso é perfeito. — Mesmo? — Mesmo! Porra, claro que sim. — Volto a mostrar o anel para ela. — Mas ainda quero sua resposta. — Sim! — Brianna chora de alegria enquanto deslizo o anel no dedo dela. — Nossa, que anel lindo. — Não mais do que você. Esqueço o almoço e a puxo para mim, beijando a boca macia com vontade. Brianna se entrega e passa os braços ao redor do meu pescoço, murmurando para que eu a leve para o quarto. Obedeço e a coloco sobre a cama e não somos delicados ao tirar nossas roupas. Pele com pele, continuo beijando-a como se minha vida dependesse disso. BRIANNA Eu amo esse homem de um jeito inexplicável, que me transcende. Inebriada com os beijos intensos, deixo que Luke dite o ritmo e me lanço de cabeça nesse mar de prazer. Ele me lambe, suga pontos específicos do meu pescoço aos seios. Choques deliciosos despertam minha pele, arrepiando-a inteira. Cada pedaço reage ao toque dele como se fosse a primeira vez, mas também, como se eu sentisse saudade. A sensação de falta nunca acaba, a necessidade que tenho de compensar o tempo que perdemos separados. Os lábios dele traçam um mapa pela minha barriga, a ponta do nariz desenha a superfície lisa. Determinado, Luke deita sobre meu corpo e eu abro as pernas, deslizando minha mão pelas costas fortes até a bunda musculosa. Ele é firme e sólido, musculoso e grande. O corpo de Luke me cobre todinha, mas não me sinto frágil sob o peso dele. Eu me sinto salva. Completa e feliz. Vou me casar com esse homem como sempre quis, desde que nos apaixonamos há uma década. Ele é meu e apenas meu, e nada no mundo vai mudar isso. Não vou permitir que Luke se afaste nunca mais. A ponta do pau duro roça em minha entrada e eu gemo com a sensação maravilhosa. Devagar, ele me penetra e eu sou dele. Inteirinha dele, da cabeça aos pés, de corpo, alma e coração. — Eu te amo tanto… — As palavras me escapam. Luke fixa o olhar no meu e sorri, seu quadril se movimentando e alcançando lugares profundos dentro de mim. — Você é maravilhosa. Porra, Bree… Nossos dentes se encostam quando ele me beija de novo, quando praticamente nos engolimos. Fazemos amor assim, e estamos com os dedos entrelaçados ao terminarmos, completamente entregues e arfantes. Demora alguns segundos até que eu consiga raciocinar de novo. Apoio a cabeça no peito dele e ergo a mão, admirando o anel lindo e azul como meus olhos. — Você escolheu direitinho… — Não consigo parar de sorrir. Luke beija meu cabelo e acaricia minhas costas nuas. — Gostou mesmo? — Eu amei. — Ergo o olhar para ele. — E eu amo você, Luke Thorn. Ele beija a ponta do meu nariz. — E vamos ter um filho, agora. Sim, vamos. Se fosse possível, eu acho que poderia explodir de amor. 31 BRIANNA O �������� �� ���������� ���� ���������. O sr. James me ligou perguntando se eu me importaria se ele estendesse sua estadia em Nova York nesta semana. Obviamente disse que estava tudo bem e, há dois dias, estou tentando organizar o serviço seguindo parte das instruções que ele me deu e parte da minha própria intuição e experiência. A verdade é que ando nas nuvens e trabalhar tem sido bom para retomar o foco. Depois de nosso fim de semana romântico, eu e Luke decidimos não contar a ninguém ainda sobre a gravidez. Mencionei apenas para Ash e ao sr. James, pois ele é meu patrão e acho que preciso ser transparente desde o começo. O relógio marca cinco da tarde e termino de lidar com um dos relatórios, deixando de lado. Apago as luzes e tranco a porta da frente e, caminhando, me dirijo até a casa de vovó, onde Luke me espera. Temos aproveitado algumas horas depois do expediente para lidar com a mudança. Cinthia conseguiu alguns dias com o comprador, mas o imóvel deve estar vazio até a próxima segunda-feira, então achamos melhor não perder tempo. Fiquei com muita coisa pelo valor sentimental, mas boa parte dos pertences que um dia pertenceram à minha avó foram para a doação. Acredito que no máximo amanhã conseguiremos terminar tudo e então posso encerrar essa pendência com o coração tranquilo, por mais que me sinta um tantinho saudosista ao me despedir da casa de vez. Assim que abro a porta, sou recebida por Thor. Ele tem sido um companheiro fiel, especialmente em farejar as caixas empoeiradas e soltar um espirro charmoso em seguida. — E aí, querido? Achou muitas relíquias hoje? Ele abana o rabo e faço um carinho na orelha dele, antes de deixar minha bolsa sobre o balcão e subir para o quarto no primeiro andar. — Luke? — Aqui, meu amor. Sigo o som da voz grave e o encontro sentado sobre o carpete, com dezenas de fotos arrumadas no chão, uma ao lado da outra. Eu estava ansiosa por essa parte da mudança. Sempre adorei pegar fotos antigas e reviver momentos alegres, mas acabei parando de fazer isso quando mamãe morreu, pois a tarefa parecia muito melancólica. — Me perdi depois que abri essa caixa. Olha tudo isso. Me aproximo dele e sento ao seu lado. Os retratos em nossa frente são lembranças de muitos períodos: minha avó e meu avô jovens, mamãe em seus tempos de faculdade, eu e ela brincando no quintal quando eu tinha oito anos. Um nó se forma em minha garganta, pois é como se as imagens tivessem cheiro e cor. — Ela era linda, não era? — Pego uma das fotos. — Eu sempre achei vocês parecidas — Luke comenta. — Você acha que nossa filha ou filho vai ter essa cara bonita também? Rio, pois já passei alguns bons minutos me perguntando se o bebê se parecerá com o pai. — Eu queria que elas estivessem aqui, agora. Será que minha mãe sabe que tudo deu certo? Luke faz um carinho no meu joelho. — Tenho certeza que ela sabe, Bree. E Abigail também. Meu coração aquece, quase como uma confirmação de que ele diz a verdade. Gosto de pensar que Luke está certo. Que mamãe e vovó estão sentadas juntas e olhando pra mim agora, sorrindo por me ver feliz. Apesar dos últimos meses difíceis, voltar para Maple River foi a melhor decisão que tomei. Esta casa pode estar sendo vendida, mas meu lar sempre foi essa cidadezinha charmosa, ainda que eu tenha muito orgulho de tudo que conquistei profissionalmente. Na verdade, meu lar sempre foi nos braços de Luke. — Eu quero revelar fotos nossas. — Olhopara ele. — A gente nunca teve esse costume, mas um dia quero que nossos filhos riam da nossa cara olhando essas relíquias. Ele ri, charmoso. — Eu tenho umas duas fotos suas de quando a gente namorava. Ergo uma sobrancelha para ele. — Tem? Quais? — Uma da formatura e aquela na moto, quando eu me mudei. Lembra desse dia? Se lembro. Tiramos a foto ao pôr do sol, e o cabelo de Luke estava um pouco mais longo e bagunçado enquanto ele me abraçava por trás. Ele usava uma jaqueta de couro e camiseta branca e estava lindo, todo atrevido. O jeito rebelde dele foi um dos motivos que me fizeram ficar rendida rapidinho. Ele fez uma tatuagem antes dos dezoito, escondido, e comprou uma moto mesmo contra a vontade dos pais. Martha se preocupava dia sim, dia também, e isso apenas piorou quando ele decidiu não ir para a faculdade. Ele não fazia por mal. Luke nunca quis magoar ninguém, ele apenas não desejava seguir uma lista perfeita de conquistas para se ver realizado. — Passou um filme na minha cabeça agora — digo. — Eu me lembro do perfume que você usava quando tiramos aquela foto. Ele escorrega e cola o corpo ao meu. — Eu adoro ela. Faz muitos anos que não a tiro do fundo da gaveta, mas sei exatamente onde ela está. — No fundo da gaveta? Luke tira uma mecha de cabelo do meu rosto. Seus olhos estão brilhantes e parecem nostálgicos. — Olhar pra gente daquele jeito sem ter você era difícil pra caralho, amor. — Você podia ter se livrado dela. — Eu sei, mas não quis. Queimou alguma foto minha quando terminamos? — Pensei nisso, mas não tive coragem. Tenho uma da gente, de quando viajamos para Los Angeles. Ele sorri e eu me derreto. É muito reconfortante que consigamos falar sobre o passado sem sentir dor. — O que você está pensando, Thorn? Luke se inclina e rouba um beijo meu. — Estou pensando que amo você. E quero deixar essa bagunça pra lá e te foder bem gostoso. Olho ao redor e está tudo realmente uma bagunça, mas a proposta é tentadora demais. — Terminaremos depois, certo? — Mordo o lábio inferior numa provocação. — Prometo ficar até tarde se for preciso. Vem para casa comigo? E eu vou. Deixar a bagunça para trás valeu muito a pena. 32 BRIANNA A� ������� �� ����� �� ������ �� ������� �� ��������. D����� alguns segundos para abrir os olhos e percebo Thor agitado. Agarro o celular na mesinha de cabeceira e é uma da manhã. Fui dormir cedo depois de um dia cheio e me despedi de Luke quando ele desceu para assumir o turno da noite no Thorn’s. Levanto e caminho até a sala de estar, encontrando Weston no meio do caminho. — Que porra é essa? — ele reclama, com a cara de sono, e abre a porta num puxão nada delicado. Quem bate é o Elder, o xerife. — O que aconteceu, cara? — Weston pergunta. — Boa noite a vocês dois. Preciso que venham comigo. Luke está na clínica sendo atendido. Todo o meu sono vai embora no mesmo instante. Meu coração para e caminho na direção dele. — Como assim, na clínica? Luke e Weston trocaram de turno hoje e ele deveria estar no bar. Ele comentou comigo que tinha uma papelada para preencher e subiria mais tarde. — Ele foi atacado nos fundos do bar, uma hora atrás. Recebemos uma ligação na delegacia e vim conferir o que houve. Parece ter sido um assalto. — Atacado? — Minha cabeça gira e estou tremendo. Isso não acontece com frequência em Maple River. Não faz sentido.— Preciso vê-lo! — Ele está bem, mas machucado — Elder percebe meu nervosismo. — Só preciso que alguém assine os papeis da clínica, pois já colhi o depoimento dele. — Mas quem o atacou? — A voz de Weston soa grave. — Não sabemos. O cara estava com o rosto coberto pelo que vi nas câmeras de segurança. — Vou trocar de roupa e podemos ir — digo, deixando-os para trás. Como se soubesse o que está acontecendo, Thor me segue e fica ao meu lado enquanto agarro um casaco qualquer e enfio os tênis mesmo sem meias. Estou trêmula e preocupada, me perguntando o quanto Luke se machucou. Quando retorno para a sala, vejo que Weston também se trocou e está com a chave da caminhonete na mão. — Você vai também? — pergunto. Assentindo, me despeço rapidamente de Thor e seguimos para a clínica. Duas horas depois, ajudo Luke a se deitar em nossa cama. Ele tomou um banho e está usando uma tipóia, pois deslocou o ombro esquerdo. Isso além dos vários hematomas no rosto, que vão piorar nos próximos dias. Mal conseguimos conversar desde que saímos da clínica. Luke contou a mim e a Weston que foi retirar o lixo e o atacaram por trás. Ele sentiu o baque, tentou reagir, mas o golpe foi baixo. Luke foi deixado machucado perto da lixeira e não conseguiu ver o rosto do bandido. O mais estranho é que não levaram nada. Elder comentou que suspeita de uma tentativa de assalto, mas acredito que ele tenha dito isso para me tranquilizar. Minha mente ainda está processando tudo que aconteceu e preciso de mais informações. Há algo estranho aqui. Luke geme ao se acomodar entre os travesseiros e olha para mim, como se conseguisse me ler. — Você tem perguntas, não tem? Amo como esse homem me conhece tão bem. Eu o amo. Tanto que meu coração está partido por vê-lo nesse estado. Sem conseguir controlar meu queixo trêmulo, sento ao lado dele. — Não me conformo que isso tenha acontecido, Luke. Ele suspira, igualmente preocupado. — Elder me disse que algumas ocorrências aconteceram nos últimos tempos, mas eu… — ele hesita. Mas Luke não precisa concluir seu raciocínio, pois sei bem o que ele está pensando. — Chris? — pergunto, e ele busca minha mão. — Ele me ameaçou na última ligação. Moro há 33 anos nessa cidade e nunca passei por isso. Acho que precisamos tomar cuidado daqui pra frente, Bree. O polegar dele sobe e desce em minha palma. Sei que Luke está certo. Que, embora não tenhamos provas, isso faz sentido. Meu lado racional me manda ter calma, mas não posso evitar de me sentir culpada. — Desculpa… — peço, com os olhos úmidos. Maravilhoso como é, Luke me ampara junto a ele. — Por favor, não faça isso. Parte meu coração que esteja assim tão nervosa. Pense no bebê. — Eu penso, mas o que vamos fazer agora? E se Chris voltar? Os olhos azuis se fixam em mim. Conheço essa expressão e sei que Luke está tenso. Suas pupilas estão dilatadas e ele parece estar pensando bem antes de soltar as palavras. — Se Bell voltar, não me pegará desprevenido. Não podemos parar nossas vidas, mas promete para mim que vai ficar atenta? — Sim, claro. Não ficarei sozinha na rua, ao menos até sabermos o que fazer. Luke respira fundo, mas sei que não está mais tranquilo. Com cuidado, toco no rosto dele, na parte que não está machucada. — Eu amo você. — E eu, você. Sorrio levemente e dou um beijo nos lábios dele. Nos deitamos juntos e Thor se junta a nós em seguida, como se quisesse nos proteger. Penso em nosso filho e no futuro que temos pela frente. Isso me deixa ainda mais inconformada, pois Chris passou de todos os limites e agora, pela primeira vez desde que terminamos, estou realmente com medo. — Ele não vai nos deixar em paz, Luke — digo, fazendo um carinho no tecido do peito nu. — Ele tem muito a perder, e não hesitarei em confrontá-lo. Levanto o rosto e analiso a expressão do homem que amo. Luke nunca foi um sujeito covarde, mas perder a cabeça com Bell não me parece uma boa ideia. Não depois de hoje, pelo menos. Vai saber há quanto tempo ele tem nos observado? Quem foi o contratado pelo ataque, e como saber se ele não vai voltar assim que as coisas esfriarem? — Por favor, seja sábio — peço. — Serei. Falarei com Finn amanhã, perguntarei o que ele acha disso tudo. Preciso que você tome cuidado, Bree. — Vou tomar. Fará o mesmo? Luke concorda e me beija suavemente. — Vamos ficar bem, amor. Confio nele, então deixo o medo para lá e o abraço forte. Só espero que Luke esteja certo. LUKE Porra. Não há uma parte de mim que não doa. Brianna está no escritório trabalhando e Bob vai cobrir meu turno hoje, já que as dores estão piores desde que fui atacado ontem. Apenas me levantar do sofá para atender Finn é uma tarefa complicada. Estou puto coma situação, pois Chris Bell passou dos limites e preciso me lembrar a cada segundo de que perder meu réu-primário com um sujeito como ele não vale a pena. Consegui me manter livre do crime quando era mais jovem e tinha merda na cabeça. Um filho da puta como ele não vai me fazer perder a razão agora. Mudo de posição no sofá e ajeito Thor melhor em meu colo. Na tv está passando uma série policial que não estou prestando atenção, pois a cada minuto minha mente volta para o ataque da outra noite. Para ser honesto, estou humilhado. Me pergunto se fui idiota por ignorar a ameaça de Bell, mas, ao mesmo tempo, como eu poderia prever que o cara seria maluco a ponto de me atacar? — Luke? A voz de Finn soa no corredor externo junto as duas batidas na madeira. Chamei meu irmão aqui porque se tem alguém que pode me ajudar com esse problema, é ele. Levanto devagar e faço uma careta enquanto caminho até a porta. Assim que vê, ele corre os olhos por mim. — Mas que merda, Lucian. Você está destruído. Resmungo e volto na velocidade de uma lesma para o sofá. — Vai piorar — digo, sentando de novo. — O cara acabou comigo, me pegou pelas costas. — Weston comentou. Nossos pais estão preocupados. — Eles não precisam se preocupar comigo agora. Mas eu preciso falar com você sobre o ex de Brianna. Meu irmão trabalha com crimes há tempo o bastante para entender que estou fodido sem grandes explicações. Confio nele de olhos fechados para me ajudar. — Você acha que foi o ator? — Ele senta na poltrona em frente a mim. Finn usa uma camiseta escura e calças jeans, além das botas de sempre. — Tenho certeza que foi. O babaca me ameaçou quando ligou para ela e eu e você sabemos que coisas como esta não acontecem em Maple River. Ele concorda e pensa, desviando o olhar. — Sem provas isso se torna complicado. A pessoa que o atacou parecia saber o que fazia. — Sei que sim. Ele não deixou qualquer rastro, Finn. Acho que Bell está me mandando um aviso, mas qual seria o próximo passo? — Câmeras no bar, para podermos vigiar o lugar de perto. Se ele mandar alguém de novo, teremos mais chance de apanhar o bandido. — Posso mandar instalar câmeras, sim. As imagens que Elder conseguiu não serviram pra nada. — Você também poderia ser mais cuidadoso a partir de agora. Ao menos à noite, evite tirar o lixo sozinho ou ir para cantos escuros desacompanhado. — Vou fazer tudo isso, Finn, mas minha preocupação é Brianna. Como posso protegê-la? Ele pode vir atrás dela. Finn suspira e cruza os braços na altura do peito. — Bell tem uma reputação a zelar. Se ele pisar na bola, a mídia ficará sabendo e isso pode ser prejudicial para a carreira dele. Acho que isso é bom, pois duvido muito que ele tente se aproximar de Brianna em plena luz do dia. — E se tentar? — Temos que orientá-la a agir com cuidado por um tempo, irmão. Eu entendo completamente sua preocupação, mas estamos trabalhando com suposições. Frustrado, passo a mão boa no cabelo. — Merda. Estou puto com tudo isso. Não quero que Brianna fique nervosa. Ele dá de ombros. — Acho que ela consegue lidar com a situação. — Não, é só que… — Paro de falar. Caralho, acho que revelei coisas demais. Esperto como é, Finnick me encara. — O que foi, Luke? Não adianta mentir, agora. Talvez seja melhor contar a Finn toda a verdade. Ao menos ele poderá entender que estou me preocupando em dobro. — A Brianna tá grávida. Finn curva os lábios num sorriso e relaxa os braços. — Você vai ser pai, cara? Sorrio também. — Sim, eu vou. — Cacete, o rebeldezinho tomou jeito. — Nos levantamos para que ele me dê um abraço. — Parabéns, irmão! — Valeu. Se puder guardar segredo, eu e Bree havíamos decidido esperar algumas semanas antes de contar para todo mundo. — Fica tranquilo, eu sei guardar segredos. Vou contar para a Kate, mas ela é mais confiável do que eu. — Sei bem. — Suspiro. — Só quero manter minha família a salvo, Finn. — Vamos fazer isso. Por ora, se recupere bem e vou pensar em como podemos lidar com essa situação da melhor maneira. Posso ajudar com as câmeras, se quiser. — Aceito. Ele sorri para mim de um jeito que me lembra nosso pai. — Fico feliz que estejam bem, apesar dos últimos eventos. Sabemos o quanto você e Brianna sofreram, antes. — Ainda é difícil de acreditar, ainda mais sabendo o que ela passou na mão do cara. Quero acabar com ele do meu jeito. Não tem ideia do quanto estou me segurando. — Calma, Lucian. Se depender de nós, esse idiota não vai aprontar de novo. A mim, só resta esperar que ele esteja certo. 33 BRIANNA — L���! D���� ���� ����� �� ����, ��� �����. Meu noivo revira os olhos com a reclamação. Cinco dias se passaram desde o ataque que ele sofreu, mas, apesar de ainda estar com a tipoia e o rosto cheio de hematomas, o homem já retornou às atividades normais como se nada tivesse acontecido. Não importa o quanto eu peça para ele pegar leve, Luke é mais teimoso do que uma mula. — Amor, relaxa. Consigo carregar a caixa com uma mão. — Ele ainda me provoca. — Sou um homem de mais de 1,90 e 90 quilos, tenho meu mérito. Como se eu não soubesse desse detalhe. — Ok, gostosão, mas pega leve ou vai ter que ficar de tipoia mais um tempo. — Estou bem, Bree. Por pouco não joguei basquete com os moleques, ontem. Eles estão animados para o mini-campeonato. Sorrio e passo a fita adesiva na ultima caixa. Hoje é sábado e estamos terminando a mudança para finalmente entregar a chave para Cinthia. Mais tarde, temos o jogo de basquete das crianças de Maplewood Academy contra o time de Fort Collins. Luke parece animado e confiante com a vitória dos meninos e o evento me traz um tanto de nostalgia, já que me lembro de quando ele era o astro do time quando éramos mais jovens. Me pergunto se nosso bebê vai puxá-lo em relação a isso ou preferirá as arquibancadas como eu. — Essa é a última? — Luke aponta para a caixa. — Sim, é. Vamos deixar tudo em casa, certo? Por “em casa”, me refiro ao nosso futuro lar. Luke não trabalhou na construção nos últimos dias, mas pretendemos passar mais tempo dedicados a isso agora que essa pendência com Cinthia terminou. Isso tudo ajuda a distrair minha mente preocupada. Desde o ataque, tive alguns picos de ansiedade pensando que Chris pode estar a nossa espreita. Não quero pensar que estou num episódio de “You” ou me sentir perseguida de um jeito neurótico, mas ainda não me conformo que Luke, tendo o tamanho que tem, tenha sido ferido daquele jeito. Chris Bell conhece pessoas e sabia muito bem o que estava fazendo quando mandou que o atacassem. Eu queria ao menos entender o que se passa na cabeça daquele cara. Ele nunca demonstrou se preocupar comigo quando estávamos juntos. Tudo, na verdade, era sobre ele e sua necessidade sem fim de chamar atenção. Foi apenas eu tomar a decisão de terminar para ele de repente assumir outro personagem, o do homem apaixonado e injustiçado que estava sendo abandonado sem motivos. Nunca pensei, contudo, que ele seria perigoso desse jeito. Estou com medo, na verdade. Mesmo com as câmeras de segurança recém-instaladas, procuro ir de casa para o trabalho e Luke tem me acompanhado na volta do escritório, pois ele também está preocupado. — Sim, deixarei tudo lá e depois vou correr no apartamento tomar um banho antes do jogo. — Luke se abaixa e pega a caixa em uma mão só. Ele tem tanta facilidade com a tarefa que chega a ser sexy. — Vamos? Olho ao redor da sala vazia e suspiro. — Pode me dar um minutinho? Vou me despedir da casa propriamente. Luke sorri e se aproxima, dando um beijo na minha têmpora. — Leve o tempo que precisar. Te espero no carro. Ele me deixa sozinha e meu peito inunda em nostalgia. Espanto as preocupações e me concentro apenas aqui, nesse lugar que tanto amo. Essas paredes presenciaram muitas coisas, boas e ruins. Agora, sem os móveis ao redor e a decoração de um gosto muito peculiar de vovó, é quase como se o imóvel estivesse irreconhecível. Mas ainda há aquela marca na parede deixada pela mesa de jantar. No colégio, eu, minha mãe e vovó costumávamos nos sentar ali todos os diasàs seis e meia para jantar. Me lembro da primeira vez que mencionei Luke a elas. Ele é o rebelde sem causa da Martha?, vovó perguntou. E aí ela sorriu, dizendo que o achava bonito e que eu tinha um excelente gosto. Uma lágrima escorre em meu rosto e eu fungo. Enquanto analiso cada detalhe do espaço amplo, o filme que passa em minha mente agora é um tanto agridoce. Quase como se eu conseguisse ouvir a voz delas, como uma confirmação de que tomei a decisão correta e de que, mesmo que esta casa não seja mais minha, elas duas sempre estarão comigo. Apoio a mão na barriga e penso em meu bebê. — Prometo ser feliz, queridas — digo. E então eu sorrio, num último adeus à casa onde cresci. Mais tarde, assim que chegamos em Maplewood Academy, Luke acena para um dos pais e para em frente à entrada do ginásio. — Eu vou comprar um carro — ele diz. Ergo o rosto até encontrar o dele. — Por favor, me dê contexto. — Viemos caminhando e está quente. Podíamos ter aproveitado o ar- condicionado. — Foram dez minutos de caminhada, Luke. — Rio, porque conversamos o caminho inteiro e eu mal senti o tempo passar. — Eu sei, mas estou suado e o jogo nem começou. Essa tipoia não ajuda. — Ele indica com o braço imobilizado. — Estive pensando no carro há um tempo. — Mas você não vai vender sua moto, vai? — Lógico que não, só que com o nosso… — Ele olho para os lados e confere se estamos sozinhos. Não estamos, mas as pessoas estão de passagem em direção à quadra e como já deixamos de ser novidade, não é como se os habitantes de Maple River prestassem atenção a nós. Luke prossegue, sussurrando: — bebê chegando, precisaremos de um veículo mais apropriado. Olha só para ele, todo maduro. Se não fosse indelicado, eu o agarraria pela nuca e o puxaria para um beijo. Meus hormônios estão com tudo ultimamente e cada palavra dita por Luke parece o mais poderoso dos afrodisíacos. — Você é um fofo, sabia? — provoco. Luke faz uma careta. — Fofo? Essa é nova. — Eu acho que comprar um carro é uma ótima ideia. Só não entendi porque tocou no assunto justo agora. Ele entrelaça nossos dedos e me puxa em direção à quadra. — Sei lá, vi os pais chegando com seus filhos e estou com um calor do caralho. Os assuntos se misturaram na minha cabeça. — Shhh, tá cheio de crianças aqui! — Eu o repreendo pelo palavrão. — Você vai ter que aprender a maneirar essa boca suja. — Ah, mas já estamos entrando pro time de Martha Thorn assim tão cedo, Brianna? — Ele não parece abalado. — Agora estou fodido com a patrulha do palavrão. — Luke! — Um dos alunos vem correndo até ele. — Fala, Michael. O que tá rolando? O menino está afoito e respira de um jeito ofegante. — O Calvin não quer deixar Marcus jogar, disse que ele vai ficar no banco! Diante da indignação do garoto, Luke olha para mim. — Amor, vou atender os moleques porque essa novela dos reservas e titulares está rolando há um tempo. Acho adorável como ele se preocupa com os alunos. Confesso que nunca visualizei Luke como um bom professor, pois… bem, a paciência dele é um tantinho curta. Eu estava errada, é claro. Os alunos o adoram e ele é um voluntário dedicado a ensinar a eles os passes e lances de basquete. Já conversamos sobre isso várias vezes e Luke se diverte muito treinando o time. — Vai lá, treinador. Boa sorte no jogo. — Dou um beijo em sua bochecha. Ele pisca de um jeito charmoso e segue Michael, que continua inconformado com a escalação do time. Olho para a arquibancada cheia e encontro o olhar da minha sogra, que acena para mim. Me aproximo dela e a cumprimento com um beijo no rosto. — Oi, Martha. — Senta aqui, querida. Guardei seu lugar. — Onde está o Tom? — Disse que chega mais tarde. Ele e Finn estavam trabalhando na loja de ferramentas, sabe como é? Continuamos conversando enquanto o ginásio vai ficando lotado. Norah e Zoe aparecem em seguida e se sentam ao nosso lado. Ethan também está aqui, assim como Weston, mas os dois permanecem perto de Luke, que agora está com uma prancheta dando as coordenadas para os jogadores. Assim que relógio marca cinco da tarde, o apito soa alto no salão e o jogo começa. É muito divertido bater palmas e torcer pelos meninos em meio ao ruído dos tênis em atrito com o piso de madeira. Vez ou outra desvio o olhar para Luke, observando-o concentrado. Os pontos se alternam entre o time de Maple River e o de Fort Collins e, apesar de ser um jogo sério, é nítido que todos estão se divertindo. Kate, Finn e meu sogro chegam perto do fim do segundo tempo e nos cumprimentam. Ela senta ao lado de Martha enquanto os dois permanecem em pé, observando a partida com bom-humor. Na metade do terceiro período, minha bexiga reclama e a vontade de ir ao banheiro aperta. — Vou escapar rapidinho — digo para a Kate. — Será que o banheiro do corredor está aberto? — Vai naquele ao lado da biblioteca — Zoe fala. — Eu e Norah fomos quando chegamos. — Obrigada, querida. — Pisco para ela antes de me afastar. O barulho do ginásio vai ficando mais baixo à distância. Ao chegar no corredor dos armários, não sei porque olho para trás, com a impressão de que há alguém atrás de mim. Minha nossa, preciso marcar umas sessões de terapia para lidar com as sequelas dos últimos eventos. Ignoro o arrepio em minha espinha e continuo caminhando em direção ao banheiro feminino. Sim, é normal que estejamos ressabiados, mas estou em um evento da escola cercada de pessoas por todos os lados. Nada vai acontecer, assim como não faz sentido que eu me sinta observada nesse contexto. Conversei com Ashley e ela achou uma boa ideia falar com uma psicóloga sobre o assunto. Ainda mais agora, que eu e Luke fizemos o que estava ao nosso alcance para afastar Chris de nossas vidas. No banheiro, entro em uma das cabines vazias. Depois, estou lavando as mãos e levanto o olhar para o espelho. É quando tudo para e eu travo. Pelo reflexo, parado atrás de mim, está o Chris. E os olhos dele me fulminam a ponto de me fazer perder o ar. 34 LUKE A���� �� ��� ��� ������ �� C�����, ��������-� �� �������, quando procuro Brianna na arquibancada e não a encontro. O jogo está agitado, com os times alternando o placar e acabei me concentrando tanto nos moleques que me esqueci de todo o resto. Minha mãe, Kate, Norah e Zoe estão sentadas no primeiro banco, enquanto meu pai e Finn conversam um com outro em pé no canto da quadra. Brianna, contudo, não está ali. Imediatamente sou inundado de preocupação. — Que foi? — Ethan me cutuca. O apito soa e confiro o que houve no jogo. Nada de mais. Apenas uma falta inofensiva do time adversário em cima de um dos meninos. — Cadê a Bree? — pergunto ao meu irmão. Ele olha na mesma direção e para mim de novo. — Não faço ideia. Talvez tenha ido ao banheiro? Pode ser, mas isso não me deixa mais tranquilo. Estou paranoico desde o ataque atrás do bar e procurei não tirar os olhos dela nos últimos dias. O ginásio está lotado, cheio de gente em tudo quanto é canto. Não há motivo para me preocupar tanto assim. — Luke, o que eu preciso fazer? — um dos meninos me pergunta no último intervalo. Desvio o olhar e encaro o rosto ansioso do garoto. — Vamos pensar, Harry — estendo a mão livre, pedindo que Ethan me entregue a prancheta. Enquanto dou as instruções ao time, tento tirar a ausência da cabeça. Ainda que meu olhar se desvie para a porta do ginásio de segundo em segundo. O jogo recomeça assim que o apito soa. Sei que deveria prestar atenção aos moleques, mas Brianna não volta e meu peito se comprime. É quase difícil de respirar. Foda-se, vou atrás dela. Posso estar exagerando, mas não posso evitar. — Ethan, eu já volto. Meu irmão franze a testa. — Vai aonde agora? — Preciso ver onde a Brianna está. Ele fala algo, mas não o escuto, pois me afasto a passos largos em direção ao corredor. BRIANNA Me viro e apoio as mãos ainda úmidas na pia atrás de mim. — Chris — a voz sai trêmula. Ele continua me encarando intensamente, mais ameaçador do que nunca. — Olá, Brianna. Finalmente te encontro a sós. O homem é mesmo um louco. Louco por me perseguir dessejeito, por me encurralar no banheiro feminino em pleno campeonato de basquete. Se eu pudesse, voltaria no tempo e jamais teria me envolvido com ele. Como pude ser tão estúpida de me render a esse charme? — Eu vou gritar — eu o aviso. Estou com muito medo, aterrorizada, mas tento não demonstrar. — Não vai gritar porra nenhuma. — Ele dá um passo a frente. — Se gritar, vai se arrepender. — O que vai fazer? Me atacar? Estamos cercados de pessoas, seu imbecil. Chris Bell não gosta de ser desafiado. Do tempo que o conheço, ou o mundo se curva aos pés dele ou o cretino faz um verdadeiro escândalo. — Você não tinha o direito de me tratar desse jeito! — Chris aponta um dedo para mim. Me retraio, pois por um instante acho que ele vai me bater. — Uma ordem de restrição, Brianna? Quem você pensa que é? — Uma ordem que você está desobedecendo agora. Acha que não sei quem foi o responsável por atacar o Luke? O maxilar dele se enrijece. Como é possível que ele esteja aqui de novo? Quando esse pesadelo vai terminar? — Aquele filho da puta estava te comendo enquanto estávamos juntos? Sei que vocês namoraram antes. Eu sei de tudo, sua vadia. Abro a boca, chocada. Quero responder, bater na cara dele, chutá-lo no saco. Não faço nada disso, pois a voz grave de Luke ecoa no ambiente e me faz sobressaltar. — Repete o que você disse. Chris olha para trás e o alívio percorre meu corpo. Estou zonza e poderia desmaiar, mas estou salva, agora. — Eu deveria ter mandado matar você — o cretino rosna. — Deveria mesmo, seu puto. Com essas duas palavras simples, Luke puxa a tipoia com força e a deixa cair no chão. Ele parece ter o dobro de altura e fica ainda mais largo ao pegar Chris pela camiseta e erguê-lo no alto. Meu noivo tem o cuidado de se afastar de mim antes de grudar Chris na parede. Os pés dele parecem pêndulos, balançando de um lado para o outro enquanto os olhos demonstram apenas medo. Luke o mantém no lugar e, com o punho direito, o atinge com um golpe certeiro no queixo e outro na altura das costelas. Então o deixa cair no chão, como se Chris fosse um saco de batatas. — Isso é por insultar a minha mulher. — Ele o chuta, agora. — E isso é por ter se metido comigo, covarde do caralho. — Outro golpe. Luke está perdendo a cabeça e preciso pará-lo antes que ele faça uma besteira. — Luke, espera! Ele não me ouve e bate em Chris de novo. Estou sem ar quando Ethan aparece na porta do banheiro na companhia de Finnick. Troco um olhar com os dois e eles entendem meu desespero. — Se acalma, cara! — Ethan o puxa para longe de Chris. O covarde geme no chão, mas Luke aponta o dedo para ele, ofegante. — Seu jogo acaba aqui, entendeu? Não tenho medo de você! — Luke! — Finn o puxa para longe. Ethan se abaixa para conferir o estado de Chris e não é como se ele conseguisse se mexer muito. Ele geme baixo e está completamente acabado. — Liga pro xerife, Finn. Assentindo, ele enfia a mão no celular e eu guio Luke para fora do banheiro. Pessoas estão chegando perto, curiosas pelo que está havendo. Só percebo que estou trêmula e chorando quando ele toma meu rosto entre as mãos grandes e me obriga a encará-lo. — Ele machucou você? — Não. — Analiso o rosto dele e toco em seu peito. — Seu ombro… precisamos cuidar… Ele me beija. Com desespero e necessidade, com todo o amor que tem dentro de si. E eu o sinto. O mundo ao nosso redor deixa de existir e estamos apenas os dois aqui. Me sinto a salvo, agora. Nos braços de Luke, sei que não tenho nada a temer. 35 LUKE F���� �� ����� � ������� ����� ����� ��� � ������ ������ ��� ombro no lugar. — Pronto — Norman diz. Encaro o rosto do meu antigo colega de sala e tento sorrir. — Valeu, Norm. — Está com dor? A resposta é um resmungo. — O sangue esfriou e agora dói pra caralho. Ele ri e coloca uma nova tipoia em mim; tira as luvas de látex e as joga no lixo. — Se quiser ir ver a Brianna, está liberado. Ela está na sala de ultrassom. Levanto, pois só consigo pensar nela e não ficarei sossegado até saber que está tudo bem. As últimas horas foram intensas. Não fosse Ethan me puxar para longe, eu teria matado Bell naquele banheiro. O cara é um louco e se atreveu a insultar e ameaçar a Brianna. Posso ter sido pego pelas costas atrás do bar, mas hoje ao vê-lo encurralando-a perdi a cabeça. Weston me aguarda no corredor da clínica, sério como sempre. Paro para falar com ele, sentindo os nós dos dedos arderem. Elder foi até a escola e disse que cuidaria do idiota, mas como agi em legítima defesa e Bell estava descumprindo a medida de restrição, ele deve ficar retido por ora. A situação vai piorar, pois farei questão de que ele pague por cada um dos absurdos que cometeu. Tim também já falou comigo e, como meu advogado, vamos para cima dele sem medo. O ataque covarde que sofri não sairá impune. — Como está? — meu irmão pergunta. — Com dor, mas preciso ver a Brianna. Achei que já tinha ido embora. Weston está conosco desde o momento da confusão e eu não poderia ser mais grato. Ele não foi o único que ajudou. Ethan cuidou do time dos moleques e Finn lidou com as merdas legais com o xerife. Ainda bem, pois não estou com cabeça para nada disso. — Ok. Prometi a nossa mãe que ficaria apenas para confirmar que estão bem. Elder está com Bell, recebi uma mensagem. Assinto, um pouco mais aliviado. — Espero que essa porra de pesadelo tenha terminado. — Idem. Vá ver sua noiva. Esperarei por vocês em casa. Me despeço de Wes e sigo meu caminho. Estou quase chegando na sala do ultrassom quando Margaret, a recepcionista, me para. — Luke, há alguns jornalistas querendo falar com você lá fora. Estou morto e muito frustrado. Mal consigo atribuir sentido ao que ela me diz. — Por quê? — Eles estão sabendo do traste de Hollywood. Um deles é da coluna do Leon Days. Passo a mão no cabelo e suspiro. Claro que eles estão. Nosso conflito durante o jogo com certeza já viralizou nas redes sociais. Eu estava zonzo mais cedo, mas reparei nos celulares apontados para nós. Não vou lidar com essa merda nem que me paguem. — Margaret, não falarei com ninguém. Preciso ver como a Bree e o bebê estão e, se estivermos liberados, sairei pelos fundos. A mulher pisca para mim e assente. — Beleza, vou dar um jeito neles. Acho que não preciso contar que essa confusão também trouxe a gravidez de Brianna à tona. Minha família já mandou mensagens, contudo não respondi ninguém ainda. Comemoraremos esse momento propriamente assim que eu me certificar de que ela e o bebê estão bem. Sigo até a porta da sala de ultrassom e bato na porta. — É o Luke. — Pode entrar! Empurro a madeira e Brianna curva os lábios quando me vê, ainda que eu perceba seu olhar alarmado. Patty, a enfermeira atrás dela, também sorri. Minha noiva está deitada e coberta da cintura para baixo, pronta para realizar o exame. — Como está, amor? — ela pergunta. — Bem. — Encosto a porta atrás de mim. — De tipoia de novo, mas dessa vez valeu a pena. Weston disse que Elder está com tudo sob controle na delegacia. Decido não contar a ela que a dor está intensa. Isso apenas a deixaria preocupada. — Vamos começar aqui, Luke. No exame físico, tudo certo — Patty nos diz. — Eu disse para a Bree que estamos fazendo o ultrassom apenas por precaução, para ficarmos tranquilos depois dos eventos de hoje. Puxo uma cadeira e sento ao lado de Bree, segurando a mão dela. A pele está fria e isso é um sinal de que ela ainda está nervosa. Levo-a até meus lábios e beijo o dorso. — Você tá bem? Brianna concorda com um movimento de cabeça. — Estou cansada. — É normal que se sinta assim depois do estresse — Patty fala, começando o exame. — Confirma para mim quantas semanas de gravidez? — Seis. Quase sete. A enfermeira assente e se concentra no monitor. Esse é o segundo ultrassom que Brianna faz, mas minha garganta embarga de novo quando ouvimos os batimentos acelerados, o tamborzinho frenético do coração do bebê. — Batimentos normais… — Patty prossegue. Ela então franze as sobrancelhas e aperta os olhos. — O quê? Está tudo bem? — pergunto. Brianna se inclinapara frente. — Por que está com essa cara? Patty parece querer sorrir, antes de explicar: — Bem… como eu disse antes, tudo parece normal. Não se preocupem, os bebês estão bem. Cacete. Um alívio toma conta de mim e eu solto o ar. Os bebês estão bem e… Espera. O que ela disse? — Os bebês? — Brianna gagueja. — No plural? O sorriso de Patty finalmente aparece e ela termina o exame. — Sim, Bree. Vocês serão papais de gêmeos. Minha boca está aberta quando encontro o olhar úmido de Brianna. — Vou deixá-los sozinhos um pouco. — Patty toca no ombro de Brianna. — Parabéns, querida. Ela deixa a sala e eu ainda estou recuperando o ar. Com o coração acelerado, quase no mesmo ritmo dos batimentos que escutamos há pouco, encaro a mulher da minha vida, emocionado. — Gêmeos. Como isso aconteceu? — Mamãe era gêmea. — Caralho, amor… Ela começa a chorar, ainda que esteja sorrindo. — Meu Deus, dois filhos! Levanto e sento na mesa ginecológica, abraçando-a junto a mim. O corpo dela está trêmulo e me emociono também. Penso no futuro, em quando estaremos segurando dois bebezinhos em nossos braços, na bagunça maravilhosa que nossa vida vai se tornar. Porra, que dia intenso. — Eu te amo tanto — Brianna murmura ao olhar para mim. — Sabia? — Eu sei, sim. Eu te amo demais, Bree. — Acaricio a bochecha macia. Dentro de mim, há muito. Deixo de lado o medo e a situação que vivemos mais cedo e me concentro apenas nela, nos traços delicados, na ponta do nariz avermelhada e na sinceridade desse olhos azuis. Não quero mais esperar para que Brianna seja minha de vez. Eu quero tudo e quero agora. — Casa comigo — peço. Ela ri. — Eu já disse que caso. — Não, casa comigo agora. Vamos para casa, fazer uma mala e ir pra Las Vegas. Brianna pisca, espantada. — Agora? — Amanhã. — Envolvo o rosto dela e limpo o rastro úmido. — Vou comprar duas passagens e a gente se manda. — Luke, isso vai custar uma fortuna! — Não me importo. Falávamos sobre isso quando éramos jovens, lembra? — Claro que lembro, mas e nossas famílias? — Podemos fazer algo com eles depois, uma festa por aqui. Não posso mais esperar, Brianna. Quero você, para sempre. Sempre quis. Bree funga e um sorriso largo toma conta do rosto dela. — Luke Thorn… você sempre foi um rebelde. — E você sempre adorou isso. Ela me puxa para um beijo apaixonado. — Eu me caso — Bree diz contra os meus lábios. — Vamos fugir para Las Vegas, meu amor. Já está mais do que na hora de eu me tornar a sra. Thorn de uma vez. 36 BREAKING NEWS Chris Bell tenta agredir ex-namorada e é preso. O príncipe virou sapo: Chris Bell é detido em Maple River por infringir ordem de restrição. A queda de Chris Bell, o queridinho de Hollywood. LUKE D����� B������ �������� �� ���� � ��� ��� � ��������� ������ quero ter uma conversa com Chris Bell ainda de manhã. O cara provavelmente será liberado logo e não há chance alguma de ele partir sem antes ouvir o que tenho a dizer. O remédio para dor fez efeito, mas isso não diminui a raiva que estou sentindo do canalha. Acabo de descobrir que serei pai de gêmeos e minha mulher aceitou fugir comigo para Vegas. Ou seja, eu deveria estar apenas feliz pra cacete. E estou, não se enganem, mas prometi que ela estaria segura ao meu lado e vou cumprir minha palavra. Assim que apareço na recepção, Elder levanta o rosto para mim. — E aí, Luke? Como vai o ombro? — Vou sobreviver. Ele sorri e cruza os braços. — No que posso ajudar? — Tim falou com você? — Sim, e já estamos com tudo encaminhado em relação ao ataque. Seu amiguinho de Hollywood estava nervoso e acabou falando umas besteiras, acho que você não tem com o que se preocupar. Ele está errado, mas Elder é um cara legal e vou deixar para vomitar as verdades para o próprio atorzinho de merda. — Eu gostaria de falar com ele, se você me permitir. Elder morde a ponta da caneta e aperta os olhos para mim. — Se perder a cabeça desta vez, você pode se encrencar, Luke. — Não vou perder nada. Só quero falar com o imbecil e deixar um recado a ele. O xerife pensa, mas cede. — Ok, mas é melhor se controlar, certo? — Deixa comigo, Elder. Ele levanta e caminhamos em direção à cela minúscula. Bell está sentado sozinho em um dos bancos de concreto, com a cabeça baixa e as pernas inquietas. — Você tem visita! — Elder bate na grade, o que o assusta. O engomado arregala os olhos ao perceber que sou eu aqui. O xerife nos deixa sozinhos sem que eu precise pedir e eu não desvio o olhar do astro agora em decadência. Minha visita será breve, pois não aguento nem ouvir o nome desse filho da puta. — O que você quer? — ele pergunta. Sorrio com o canto da boca, fazendo questão de encarar cada machucado dele. Fiz um bom trabalho, ontem. — Você está fodido — eu digo. — Queria olhar bem no teu olho e te dizer isso. Sua história com Brianna acaba aqui. — Por que não me deixa em paz, Thorn? Parece que ele teve tempo para refletir durante a noite. Ótimo, porque não estou com paciência. — Porque você mexeu com a mulher errada. Porque Brianna é preciosa, e vou fazer questão de que você pague por cada vez que a destratou. Porque quero que você saia daqui e volte para Los Angeles com o rabo entre as pernas. Esteja preparado, Bell. A mídia já descobriu quem é o lixo por trás dessa cara de playboy. É só mencionar a carreira dele para que os olhos claros se encham de horror. — O que estão dizendo? — A verdade. Não entendo porra nenhuma de relações públicas, mas seu time certamente vai ter um trabalho duro pela frente pra limpar tua barra. Se vai dar certo ou não, foda-se. Estou aqui porque quero você fora da nossa vida, me ouviu? Brianna é minha e é melhor você aceitar isso. Fique longe dela. — Ou o quê? — Ele ergue o queixo. Não vou cair nessa pilha. Eu poderia brigar com ele de novo, socar esse nariz idiota outra vez, mas não farei isso. É isso que ele quer, mas estou calmo, hoje. Cheio de ódio, sim, mas calmo. — Estamos conversados, Bell. Agora se manda. Ele murmura algum palavrão, mas não fico para ouvir. Afinal, eu tenho uma noiva linda me esperando em casa e uma mala para arrumar. 37 BRIANNA — P��, ��� ����� �� ����! L��� ������� ��� ��������. Estou terminando de guardar as roupas na mala quando Luke olha para mim, curioso pelo diálogo com o sr. Howard. Por isso mesmo, coloco a ligação no viva-voz. Nossa fuga para Las Vegas não está sendo tão glamurosa como nos filmes. Digamos que é uma fuga modesta, pois decidimos avisar a todos sobre nossa decisão de casar amanhã, afinal, tanto meu pai quando os Thorns ainda estão preocupados com o ocorrido com Chris no jogo de ontem. Meu chefe me liberou sem problemas e Weston disse que cobrirá os turnos de Luke, o que significa que podemos ir tranquilos. Se você está se perguntando o que houve com meu ex, pelo que Elder nos disse, ele foi liberado por um de seus advogados e foi embora. A mídia não demorou nada para descobrir o que ele tinha aprontado e, desde então, as chamadas nas redes sociais não param de sair sobre o quanto o galã de Hollywood era, na verdade, um traste longe das telas. Não sei o que vai acontecer daqui para frente, mas acredito que ele vai pensar melhor antes de vir atrás de mim de novo. Estaremos atentos e Luke e Tim vão seguir com o processo sobre o ataque no bar, o que também deve contribuir para a queda completa do idiota. Nem vou pensar nisso agora, pois tenho um casamento para comparecer e um futuro marido deliciosamente atraente para aproveitar. Martha disse que iria puxar a orelha de Luke quando nós voltássemos e que reunirá amigos e familiares para uma festinha no fim de semana. Ashley e Tim amaram a ideia, assim como os irmãos de Luke e nossas cunhadas. — Você tem dois bebês nessa barriga, menina. Tem que ter juízo! — meu pai volta a me repreender. Rio, porque sei o quanto ele está feliz com a notícia de que vai ser avô. Tom e Martha agiram do mesmo jeito, e Zoe ficou animadíssima com a ideia de ter dois priminhos mais novos. — Sim, senhor. Vamos de avião e nos casaremos amanhã, mas já voltamos no dia seguinte. — Não vai nem passaraqui em casa, sua desnaturada? Luke se aproxima e para ao meu lado. — Sr. Howard, com todo o respeito, essa nossa decisão espontânea está ameaçada por visitas familiares.Vocês vêm pra festa no sábado, certo? — Vamos, claro! — John, deixa os meninos se casarem com emoção, homem — a voz de Joyce soa do outro lado da linha. — Muito obrigada, Joy! — respondo, enquanto fecho a mala sobre a cama. Meu pai murmura mais alguma coisa e finalmente cede. — Ok, ok. Como vocês dois estão nessa enrolação há uma década, vou tentar não ficar ofendido por não levar minha filha ao altar. — A gente pode fazer uma simulação aqui depois — Luke diz, sorrindo para mim. — Mas fica tranquilo que vou cuidar dela, sr. Howard. Eu amo essa mulher. Meu coração transborda e eu suspiro. E pensar que ficarei com esse homem maravilhoso pelo resto de meus dias. Vinte e quatro horas depois, eu e Luke estamos em uma das inúmeras capelas em Las Vegas Strip. Ele fez questão de pagar uma das mais luxuosas, com decoração de flores frescas e um lustre de cristal desbundante no centro do espaço. Estamos aguardando o chamado no lobby quando corro os olhos por ele. Luke está com o cabelo bagunçado como sempre, um terno azul escuro e camisa branca, sem gravata e com uma astromélia lilás na lapela. Ele ainda usa a tipoia, mas está um gostoso sem discussão. Já eu, optei por um vestido branco simples e salto alto. Arrumei o cabelo num penteado semi-preso e o enfeitei com flores, além da maquiagem leve. Comprei um buque de rosas pequeno e delicado. Sei que tudo parece singelo, mas estou me sentindo linda, cintilando. Luke olha para mim e pega em minha mão. — Eu tenho uma proposta — ele diz. — Conta. — Depois que nossos filhos nascerem, vamos esperar alguns meses e deixá-los aos cuidados de dona Martha e vir para cá de novo, dessa vez na Harley. A gente pode refazer toda aquela viagem do seu aniversário de 21. Dou um passo em frente e faço um carinho no peito dele. — Hum, gostei. Como não teremos uma lua-de-mel, acho uma boa ideia. Luke sorri e se inclina para me beijar, mas somos chamados para a cerimônia pela recepcionista. — Pronta? — Luke olha para mim. Meu estômago está agitado, cheio de borboletas, mas concordo e sigo ao lado dele até que estejamos em frente ao cerimonialista. O homem diz algumas palavras bonitas e nos libera para os votos. Eu começo, e a tarefa se torna um tanto difícil com minha garganta embargada. Olho para ele e é como se estivéssemos na quadra de basquete, quando ele me beijou para primeira vez. Fungando, controlo a emoção e começo: — Você sempre foi o amor da minha vida. Sempre. O tempo em que ficamos separados foi difícil, mas eu quero que saiba que hoje sou a mulher mais feliz do mundo. Você me faz flutuar, Luke. Amo como me abraça e como a vida é mais bonita ao seu lado. Eu amo você. Ele morde o interior da bochecha e solta o ar. Os olhos azuis estão úmidos e quero tirar uma foto mental desse momento perfeito. — O senhor, agora — o cerimonialista diz. — Eu te amo pra caralho, Brianna — a voz dele está trêmula. — Te amei a vida inteira e vou fazer isso pelo resto dos meus dias. Era você ou nenhuma outra, eu sempre soube. Prometo que farei o que estiver ao meu alcance para que seja feliz, para que nunca se arrependa em ter nos dado outra chance e ter voltado para mim. — Eu nunca vou me arrepender — afirmo sem qualquer dúvida. — Pelo poder investido a mim pelo estado de Nevada, eu vos declaro casados. Pode beijar a noiva. Luke elimina a distância entre nós, me toma nos braços e me gira em direção ao chão. Quando ele me beija, vejo fogos de artifício. Acho que nunca, em toda a minha vida, estive tão feliz. Estamos finalmente casados e temos um lindo futuro pela frente. Meu coração bate forte, em sintonia com o dele. Apenas mais uma confirmação de que Luke Thorn sempre foi perfeito para mim. EPÍLOGO 3 ANOS DEPOIS LUKE — T����, ��� ����� ����� �����! Meu filho de dois anos e três meses me encara e inclina a cabeça para mim. Seus olhos azuis cintilam divertimento, mas, apesar de adorável, o moleque gosta de me desafiar. — Caixa! — Ele aponta para uma das caixas de papelão no canto da sala. Brianna comprou uma estante nova e desempacotamos tudo ontem. Isso se transformou num parque de diversões para as crianças. Travesso, Tyler dá mais um passo, desobedecendo meu comando. — Tyler! E então ele sorri e corre, basicamente pulando na caixa e gargalhando ao perceber que é grande demais para ela. — Mas que menino teimoso! — Eu o alcanço e o pego no colo, colocando-o sobre meus ombros. — Quem será que ele puxou? — Brianna surge na sala com um prato cheio de biscoitos caseiros na mão. Rose, minha filha, está logo atrás dela e sorri quando encara o irmão- gêmeo. Como eu imaginava, ela é uma princesinha, praticamente uma cópia de Brianna. Tyler puxou mais a mim, e fica ainda mais parecido quando usa a jaqueta de couro ecológico minúscula que minha mãe lhe deu de presente há dois meses. — Ty! Vem bincar! — Rose o chama. Olho para cima e encontro o olhar do garotinho. — Vai se comportar, seu rebelde? — Sim! Sorrio e coloco-o no chão, desistindo de corrigi-los quando os dois voltam a se entreter com as caixas amassadas. — Talvez nossos filhos sejam gatos — comento com Bree. Ela ri e senta no sofá, oferecendo um biscoito para mim. — Deixa as crianças se divertirem, Thorn. Mais tarde a gente coloca as caixas no lixo. Thor surge no cômodo abanando o rabo e se junta aos dois pequenos, enquanto eu sento ao lado de minha esposa. Loki, nosso segundo bicho de estimação com guarda compartilhada com Wes, permanece no quintal. Mordo um biscoito e Brianna suspira e encosta a cabeça no meu ombro. — Estou cansada, amor — ela diz. — Eu percebi que essa semana foi puxada. — E como. Preciso urgentemente contratar mais alguém para me ajudar. No ano passado, o sr. James se aposentou e ofereceu que Brianna assumisse o escritório de vez. Ela manteve o nome, pela tradição, mas comprou o prédio e tem total autonomia sobre o negócio. Fico orgulhoso pra caralho quando penso no quanto minha mulher é brilhante em tudo que faz. O bar também vai bem. Como Weston não trabalha mais comigo o tempo todo, também precisei contratar mais funcionários, mas eu e Bree equilibramos bem nossos horários profissionais para que possamos passar o maior tempo possível com as crianças. E esses dois estão crescendo rápido demais. Piscamos e eles já falam pelos cotovelos e estão cada dia mais espertos. — Eu acho que finalmente podemos começar a pensar naquela viagem de moto — falo para ela. — Não tivemos coragem de deixar os bebês antes, mas agora eles estão mais tranquilos e minha mãe já se ofereceu para ser babá. — Sua mãe adora aquela casa cheia dos netos — Brianna sorri. — Mas eu me sinto mais pronta, agora. Me viro no sofá e encontro o olhar dela. — Não precisamos tirar muitos dias, linda. Me dê um final de semana e consigo fazer você relaxar e esquecer aquelas declarações todas. Brianna alcança um biscoito e abre a boca para responder, mas é interrompida por Rose. — Bicoito! Tyler para o que está fazendo, nos encara e então os dois disparam em nossa direção. Rimos e os pegamos no colo, ouvindo os latidos empolgados de Thor. Meu coração transborda assim, cercado pela família que amo, na casa que construí do zero pensando que fosse morar sozinho. Cheio de gratidão, não tenho dúvidas de que estou exatamente onde deveria estar. Fim L���� 1: E�������� ��� ���� RIVAIS A AMANTES FAKE MARRIAGE ELA GRUMPY, ELE SUNSHINE CIDADE PEQUENA Kate Santiago é uma agente altamente competente, especializada em segurança particular. Quando surge a oportunidade de vigiar a filha de um bilionário em uma cidadezinha do interior, ela agarra a chance sem pensar duas vezes. A missão parece simples, o lugar é isolado e alguns dias longe de Chicago são tudo o que ela precisa no momento. O que poderia dar errado? Bem… o erro mede 1,93, tem um histórico de quebrar regras (e corações) e foi designado para acompanhá-la. Finnick Thorn,ex-SEAL da Marinha, está acostumado a situações complicadas, mas nenhuma tão delicada quanto dividir o mesmo teto com a mulher que magoou um ano atrás. Agora, de volta à cidade onde cresceu, os dois são forçados a dividir a casa e fingir que não se odeiam — tudo isso https://amzn.to/3GvYKmv enquanto se apresentam como recém-casados. A missão exige não só que morem juntos, mas que andem de mãos dadas pela cidade e não desmintam a farsa para a família de Finn, onde Kate, que nunca teve ninguém, é aceita de braços abertos e cercada de atenção. Tudo isso é exatamente o tipo de problema que Kate jurou evitar. Agora, ela precisa sobreviver ao trabalho, à rotina doméstica e ao bom humor da família Thorn, e o que deveria ser uma simples operação se transforma em uma lição diária de autocontrole… especialmente porque Finn parece determinado a provar que não é quem ela pensa — e que talvez, apenas talvez, mereça a segunda chance que Kate nunca conseguiu dar. L���� 2: O����� ��� ���� ENEMIES TO LOVERS * RIVAIS NO TRABALHO * PAI SOLO * OPOSTOS SE ATRAEM Norah Ellison é a definição de competência. Executiva de um dos maiores grupos educacionais do país, ela não enxerga limites para a palavra sucesso. Com postura firme, raciocínio afiado e um temperamento implacável, não há desafio grande o bastante para detê-la. Quando um dos projetos mais importantes da empresa corre risco, Norah recebe uma missão inusitada: passar um mês em uma cidadezinha remota nas montanhas do Colorado — no meio do inverno. Longe de sua ensolarada Califórnia, das lojas caras e do café gourmet, ela terá que lidar com neve, tradições interioranas… e um certo rancheiro irritantemente arrogante. Ethan Thorn é a obstinação em forma de homem. Dono de uma beleza rústica e pai solo de uma garotinha encantadora, ele é um dos moradores mais queridos — e cobiçados — da cidade. Conservador em seus valores e protetor com quem ama, Ethan está disposto a tudo para manter sua rotina intacta. Quando uma executiva metida e controladora aparece decidida a “consertar” o que não está quebrado, Ethan não pensa duas vezes antes de transformar a estadia dela em um verdadeiro inferno. Tudo se complica quando, em meio à guerra, surge algo inesperado: uma atração intensa, explosiva e impossível de ignorar. Com todas as https://alsoby.me/r/amazon/B0FGY1T9DL?fc=br&ds=1 certezas postas à prova e as barreiras começando a ruir, ambos percebem que nada será como antes. Principalmente eles mesmos. L���� 4 - E����� ���� ���� AGE GAP GRUMPY X SUNSHINE FILHA DO MELHOR AMIGO PROXIMIDADE FORÇADA Britney Montgomery nasceu para brilhar. Patinadora artística desde os doze anos, ela estava prestes a se tornar a próxima medalhista olímpica — até que uma lesão, cirurgias e um período difícil de reabilitação colocaram tudo em pausa. Agora, pronta para retomar sua carreira, Britney vê seu nome envolvido em um escândalo quando um segredo é vazado para a mídia. Para fugir da exposição, ela se esconde em Maple River, uma cidadezinha tranquila onde aluga um quarto na casa do melhor amigo de seu pai - um ex-jogador de hóquei com o passado parecido com o dela. Weston Thorn viu seus sonhos desmoronarem quando uma queda o afastou da NHL. Vinte anos depois, Weston comanda um bar com seu irmão mais novo e se conformou com uma vida pacata em Maple River, sua cidade natal, de onde acredita que nunca deveria ter saído. Mas a chegada da filha do seu melhor amigo provoca um revés em sua paz. Weston se vê obrigado a proteger Britney Montgomery e ajudá-la a se manter em forma para as competições enquanto a garota se recupera de um cancelamento. O problema? Britney é linda, não tem um pingo de juízo e não, definitivamente, uma menina. Em meio à calmaria de Maple River, Britney e Weston descobrem que às vezes o proibido é exatamente o que o coração mais deseja. https://a.co/d/fHyod9n AGRADECIMENTOS E� ����� ���� ���� ������ ���� ��������� � K�����, L�� � Tatiana pela parceria e amizade nessa série linda que se tornou Maple River. Muito obrigada Lorena, pela preparação de texto; e Andriela, por toda a ajuda e paciência para que “Perfeito para você” chegasse ao mundo. E um obrigada especial a cada leitora que chegou até aqui, seja você já parte de Stefland ou não. Espero que Luke e Brianna tenham feito vocês sorrirem. Obrigada SOBRE A AUTORA Stefany Nunes é sorocabana, nascida em 1992, formada em Letras e Direito e apaixonada pela leitura desde que se entende por gente. Grande amante dos romances de época, sempre criou histórias na sua cabeça, sem colocá-las no papel. Após se mudar para Londres, inspirada pela vibração da cidade, finalmente tomou coragem de realizar seu sonho de escrever. https://www.instagram.com/stefanynunes_ https://www.instagram.com/stefanynunes_ LEIA TAMBÉM Romances Contemporâneos 04 semanas com ela 03 dias para se apaixonar Cancelados Perfeito para você Julie Chloe Dave Aaron Ringo L��� T��������� Um duque do passado Um lutador do passado Romances de época S���� “A��� � A����” A aposta de um cavalheiro - I A proposta de um cavalheiro - Conto Um erro inevitável - Spinoff Um amor para Clarice - Conto Uma dama impensável - II O interesse do barão - Spinoff A estratégia perfeita - III A ideia contrária - Spinoff Um visconde apaixonado - Conto S���� “U�� N��� C�����” A promessa do capitão - I Um amor inusitado - II Desde que me lembro -III O pedido do duque - IV Uma fuga para se casar - Spinoff S���� “A����� E�����������” Um cretino na Austrália - I Um libertino em Boston - II Um lorde no Canadá - III Um contato em Deli - IV Um amor para Mariana - Spinoff O� S������� A paixão do visconde - I O encanto de uma dama - II O desejo de um lorde - III Muito mais do que desejo. - Spinoff A missão de um devasso - IV O amor de um libertino - V O coração do duque - VI D������ L��� O lorde do meu coração - I O cretino espião - II O cavalheiro apaixonado - III O visconde atrevido - IV O devasso romântico - V O duque libertino - VI O� L�������� Lorde Lovebird precisa se casar O plano perfeito da Senhorita Lovebird O Duque e Lady Lovebird L����� Ú����� O triunfo do duque L��������� �� B����� Uma impostora não foge à luta Perfeito para você Sumário Copyright Nota da autora Sinopse Playlist Ilustração Dedicatória Prólogo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 Epílogo Série Maple River Agradecimentos Sobre a autora Leia tambémuma risada. É bastante informação, mas batizar o cachorro de Thor definitivamente foi uma ideia de Luke. — Thor Thorn? É esse o nome do cachorro? — Sim, isso. — E por que Luke está construindo? Pensei que ele estava feliz onde estava. Minha amiga dá de ombros. — Ele achava ali muito pequeno. Havia o barulho do estúdio de tatuagem e Mike começou a levar companhias femininas para lá com frequência. Mike também estudou conosco e fazia parte de nosso círculo de amizade. Assim como Luke, ele decidiu não ir para a faculdade e abriu um estúdio de tatuagem que, uma década atrás, foi um verdadeiro escândalo entre os mais velhos de Maple River. Foi Mike que tatuou o “L” delicado que tenho atrás da minha orelha, quando retornei da Califórnia para as férias de verão. Luke e eu decidimos por essa bobagem romântica na época. Ele escolheu colocar um “B” no lado esquerdo do peito, com a minha caligrafia. Hoje em dia, ignoro ter sido tão tonta a ponto de marcar meu corpo permanentemente por algo que acabou não sendo o que pensávamos. Prefiro esconder a tatuagem com corretivo como se fosse uma cicatriz qualquer, já que nunca tive coragem de removê-la de vez. — Mas Luke está… namorando? — tomo a coragem de perguntar. E sim, estou com medo da resposta, a ponto de prender a respiração. Imaginar Luke com outra mulher nunca foi um cenário natural para mim. Como se eu tivesse uma sensação de posse, mesmo tendo perdido esse direito há muito tempo. Sei que parece um pouco hipócrita considerando que fiquei um ano com Chris, mas a verdade é que nunca nos encaixamos, não importa o quanto eu tenha tentado fazer funcionar. E Luke cumpriu o que disse naquela ligação e me esqueceu completamente, aproveitando a vida de solteiro ao máximo. Toda vez que me recordo que cogitei implorar pelo perdão dele, me sinto uma grande tola. — Ele não está namorando, Bree — Ash me responde. — Luke não namora. Ao menos Tim jamais comentou nada comigo. Eu rio. Não é possível que ela esteja falando sério. Depois que terminamos, a fama do homem como pegador cresceu na cidade. Por que Luke agiria diferente agora, se continua solteiro? — Luke deve ter seus casinhos por aí. — Juro que não sei de nada. Ele pode ter transado com algumas depois do término de vocês como ouvimos falar, mas, tirando esse escândalo, nunca mais soube de nada envolvendo o cara nesse sentido. Ele é tranquilo. — Luke Thorn, tranquilo? — Eu realmente deveria parar de fazer perguntas sobre Luke, mas parece que a caixa de Pandora foi aberta. — Ele é um homem maduro! Juro por Deus, aquele garoto terrível que você namorou tomou jeito na vida. — Ele está passando por algum problema? — Acho que não. Acho que ele apenas cresceu, mesmo. Não somos mais jovenzinhos. Nesse sentido, conheço Luke e, para mim, ele nunca foi um sujeito irresponsável. Um pouco teimoso e determinado demais, mas ele nunca desejou decepcionar ninguém. Foi assim quando ele percebeu que não queria ir para a faculdade como havíamos combinado. Luke era um cara que se recusava a se colocar numa caixa. Ele prezava pela liberdade e sonhava grande, sem medo. Duas semanas intensas de tensão até que conversamos e ele finalmente admitiu que queria tomar outro rumo na vida. Foi um baque, considerando que planejávamos morar juntos em Los Angeles. O sr. Thorn não gostou nem um pouco, os irmãos dele também protestaram. Como a mulher que o amava, por mais que eu estivesse devastada e praticamente pressentindo que aquele era o início de nosso fim, optei por apoiá-lo em tudo. Fizemos funcionar a princípio, mas… depois que me formei, recebi uma oferta de emprego irrecusável e precisei permanecer ali mais tempo, mesmo que desejasse com todas as minhas forças retornar para cá. Luke estava sem dinheiro, trabalhando feito um louco na mecânica e também não conseguiu se mudar. Continuávamos separados mesmo com todos os planos e, com o tempo, a relação se desgastou e nos perdemos de vez. — Que coisa — digo, me levantando. Preciso fingir que não fiquei interessada em saber tudo sobre Luke. Preciso afastar esse homem dos meus pensamentos e ficar longe dele e daquela grosseria que experimentei mais cedo. — Quer uma água? — Não, mas obrigada. — Ela se levanta e vem atrás de mim. — Bree, você tá bem? Foi muita informação de uma vez só? — Um pouco, mas nem é por isso. É só que… Luke e eu não somos mais nada. Quando estou longe, meu cérebro entende isso rapidinho. Mas aqui, onde cada canto e lugar me traz alguma lembrança de nós, é um pouco mais difícil. Ashley sorri e me puxa para um abraço. — Estou sendo atrevida e sei disso, mas acho que seu cérebro não é o problema nessa dinâmica, amiga. Sei que não. Mas, se voltar para cá de vez é uma opção, preciso tornar tudo sobre Luke Thorn racional e tirar meu coração estúpido da jogada. É uma questão de sobrevivência ou estarei completamente perdida. 4 BRIANNA O ��� �� �� ����� �� ��� ������ ������� � ��� ����� ������ sozinha depois do anoitecer, sem me preocupar em ser assaltada como acontece em Los Angeles. Assim que Ashley foi embora após nossa conversa sobre Luke, passei no mercadinho para colocar ao menos um pouco de comida dentro de casa. Tentei me distrair enquanto preparava uma omelete rápida para o jantar, bebi um pouco de vinho e nem isso foi capaz de me ajudar. Então calcei meus tênis e saí para correr, pois sempre me sinto melhor após uma boa dose de endorfina. Dispensei a música e estou ouvindo apenas o som das minhas pisadas ao pensar em Thorn de novo. Agora que a raiva passou, me sinto um tanto arrependida por ter tomado uma atitude tão drástica quanto ter jogado a cerveja na cara dele. Não gosto de brigar e me sinto péssima quando me vejo envolvida em qualquer tipo de conflito. Ele mereceu, é claro. Luke não tinha qualquer direito de falar assim comigo. Mesmo se eu ainda estivesse com Chris, o que não é o caso, Luke não pode sair me ofendendo como bem entender. Me pergunto se esse tipo de atitude é porque ele tem ciúmes, mas logo me corrijo. O homem me odeia com a força radioativa de uma usina nuclear. É claro que ele não sente ciúmes nenhum. Acabo de me dar conta de que não contei sobre o término a ninguém além de papai e Ashley, e ela prometeu não contar nem mesmo a Tim porque não quero que essa notícia se espalhe. Isso apenas me renderia inúmeras perguntas. Começo a perder o fôlego assim que me aproximo da quadra de basquete da cidade. Paro e analiso o espaço vazio, que continua o mesmo desde que me entendo por gente. O nosso lugar. Meu e de Luke. Foi aqui que percebi que estava apaixonada por ele. Foi aqui que ele me beijou pela primeira vez. Eu to muito na sua, Bree. Sorrio levemente e levo a mão ao coração acelerado com a lembrança. Éramos tão jovens. Tão felizes e esperançosos. Isso apenas torna nossa situação atual ainda mais triste. Aproveito a solidão e sento no concreto gasto, apoiando as costas na grade da quadra. Ainda não sei se tomei a decisão certa em voltar, mas ela também não me parece errada. Por um lado, muita coisa parece faltar. Estou com saudades da minha avó, um tanto perdida vivendo sozinha naquela casa enorme e ficar sem trabalhar depois de tanto tempo numa rotina intensa também parece estranho. Pelo outro, sinto que finalmente consigo respirar depois de muito tempo mantendo a cabeça embaixo d’água. Foi um primeiro dia intenso, cheio de surpresas. Ainda assim, parece que nunca parti. Nunca me senti assim quando estava em LA. Lá sempre foi uma segunda opção, o lugar onde permaneci porque ficar em Maple River era simplesmente doloroso demais na época. Estou de olhos fechados quando o som da bola quicando chama a minha atenção. Abro-os e… Merda. O que diabos eu fiz para merecer um carma desses? Parado na grade da quadra está Luke, olhando para mim com o mesmo inconformismo que acredito demonstrar. — Tá de brincadeira, né? — Ele começa a se aproximar. Tenho vontade de levantar, mas me contenho. — Eu cheguei primeiro — digo. Luke fecha a expressão e continua caminhando até o outro lado do espaço. E então ele tirao moletom, ficando apenas de regata e eu… perco o ar. Meu Deus, como ele está forte. Luke sempre foi alto e musculoso, mas o desenho desses bíceps perfeitos merecem uma pintura na Galeria Nacional. Isso sem contar o charme das tatuagens, que parecem serem mais do que estou lembrada da época em que namorávamos. — Se você acha que vou embora, sinto muito te decepcionar, princesa — a voz dele soa grave enquanto Luke começa a bater a bola sozinho. Paro de encarar o corpo musculoso e suspiro. — Bem, eu também não vou embora, então… Ele está puto. Consigo ver pela expressão de desgosto e pela mandíbula contraída. Apenas porque não quero deixá-lo vencer, pego meu celular do bolso e começo a mexer nas redes sociais, ignorando a presença dele. Há mais duas chamadas perdidas de Chris e uma mensagem do meu pai, perguntando como foi o primeiro dia. Ligarei para ele depois. Mesmo que não seja exatamente justo, talvez eu devesse ir embora. O que estou fazendo aqui numa quadra vazia e cheia de lembranças agridoces quando poderia estar em casa, tomando um confortável banho de banheira e sem ter que encarar meu ex ressentido? — Você está me atrapalhando. — Luke coloca a bola de basquete embaixo do braço e me encara. — Preciso desse espaço para treinar. Olho para baixo, para o espaço minimamente pequeno que estou ocupando. — Você é ridículo. — Eu? Claro… — Cheguei aqui primeiro! Ao contrário do que pensa ultimamente, você não é o dono da cidade. — Não quero ser a porra do dono da cidade, Brianna, mas venho para esta quadra treinar desde que era um moleque. — Sei disso! — Fico em pé. — Nasci aqui também, ou você se esqueceu? Os olhos azuis estão fixados em mim, hipnotizantes. Estamos próximos agora, o bastante para que eu consiga sentir o cheiro amadeirado e familiar. Vejo a mandíbula dele se contrair como se estivesse contendo as palavras. Todo meu corpo está em alerta, acordado. Se ficarmos em silêncio, tenho certeza de que Luke conseguiria ouvir as batidas desenfreadas do meu coração. Os olhos dele correm pelo meu rosto e se concentram em meus lábios por uma fração de segundos. Sou quase transportada para o passado, quando nos beijamos pela primeira vez nesse exato local. Mas então ele quebra meu devaneio, sem pena alguma: — Seu lugar não é mais aqui, Brianna. É como se eu levasse um soco no estômago. Minhas têmporas pulsam e eu ergo o queixo, nem um pouco disposta a permitir que ele perceba o quanto me afetou. — Maple River é o meu lar. — Era. Há muito tempo. Dez anos atrás. — Eu não vou me desculpar por retornar, Luke. Vou vender a casa de vovó e ficar aqui enquanto cuido de tudo e você vai ter que lidar com isso. Ele ri com escárnio e passa a mão no cabelo, como se estivesse sem paciência. Como se quisesse fugir de mim. — Você não tem esse direito! Não pode voltar quando bem entender e achar que as coisas não mudaram. — Não estou fazendo nada disso! — Aponto um dedo para ele, cada célula do meu corpo fervendo. — Por que está sendo tão babaca? — Esse é o meu lar! Esta é a minha quadra, meu lugar de paz e você sabe disso. Não quero ver você, Brianna. — Isso não precisaria ser assim se você… — Você partiu e nunca olhou para trás! O quê? Ele está brincando, não está? — Nunca olhei para trás? Eu voltei por você, Luke. Dez anos atrás, voltei arrependida para ver se nos acertávamos e você havia seguido em frente rapidinho, ou se esqueceu disso? — Porque você me destroçou! Por um acaso se esqueceu disso? — ele praticamente rosna. Deixo meus braços caírem nas laterais do corpo, sentindo-me exausta. Nunca vou me acostumar com essa raiva que nos consome quando estamos de frente um para o outro. — Temos algo em comum, então — digo. — Você me destroçou também, mas eu não sou mais aquela menina ingênua que conheceu um dia. Luke suspira profundamente. Poderia partir meu coração, se ele já não estivesse em um estado lamentável. A tela do meu celular acende e adivinhem: é o Chris. Vejo Luke baixar o olhar e ficar ainda mais tenso ao ler o nome iluminado. Coloco o aparelho no bolso, antes de ouvi-lo dizer: — Não entendo o que quer com tudo isso ao invés de voltar para sua vida perfeita em Los Angeles, mas não serei um peão nesse seu jogo, Brianna. Ele me dá as costas e agarra o moletom que deixou no canto da quadra, vestindo-o. — Um peão no meu jogo? — Vou atrás dele, sem entender. — Do que você está falando? — Estou dizendo que se quiser ficar aqui, ok, não posso impedi-la. Mas certamente posso dificultar sua vida. Ele está me ameaçando? Luke desceria tão baixo? — O que isso quer dizer, Luke Thorn? — Quero dizer que se você vai insistir em me atormentar, prepare-se para ser atormentada em retorno. — Um sorriso sarcástico se forma nos lábios dele. — Está declarando guerra contra mim? — Eu ergo meu rosto e o encaro. — É isso? — Chame como quiser. — O tom dele nunca foi tão cortante. — Também não sou o idiota que você costumava conhecer. Com a boca aberta, prefiro não responder quando ele some quadra afora, deixando o rastro perfumado no ar. Nem me importo com a partinha de mim que fica triste por vê-lo amargo desse jeito. O que me domina é a raiva, pois se ele pensa que me assusta, está muito enganado. Se é guerra que Luke deseja, ele que se prepare. Estou de roupão e com uma toalha enrolada no cabelo quando a mensagem de Ashley chega. Ashley: Bree, o que você aprontou depois que fui embora? Não entendo porque ela fez essa pergunta, então me deito na cama de casal ainda arrumada e digito a resposta: Eu: O quê? Por quê? Não é possível que Luke já tenha tornado nosso embate na quadra público. Saí de lá há meia hora, nem isso. Ashley: Olha o grupo dos moradores. Eu: Nem pensar. Já deve ter mil mensagens. Ashley: OLHA AGORA. Bufo, contrariada, mas abro o maldito grupo, correndo meus olhos pelas mensagens acumuladas. Ao que parece, eu e Luke fomos mesmo o tópico de conversa desta tarde. Não estou vendo nada além de perguntas curiosas até que o nome do meu ex aparece, com o seguinte recado: Luke Thorn: Boa noite a todos. Não quis responder as trezentas mensagens acima sobre minha pessoa, mas gostaria de esclarecer algumas coisas. 1) Não, eu não morri após um banho de cerveja. 2) Ao que parece, Brianna Howard retornou à cidade e anda ocupando os lugares que bem entende. Tomem cuidado. 3) A partir de hoje, o Thorn’s não tolerará tratamentos abusivos e violentos em relação a nossos funcionários. Quem tiver tal comportamento será banido do bar. Espero que entendam o recado. Tenham uma noite agradável . Ao terminar de ler, ainda estou processando a mensagem. Banida? Luke realmente teve a coragem de mandar um negócio desse no grupo da cidade, para todo mundo que conhecemos? Ao invés de digitar uma mensagem atrapalhada, decido ligar para Ashley de uma vez. — Oi. — Ela atende no primeiro toque. — Ele tá falando sério? Luke vai mesmo me banir de um lugar público? — Tecnicamente, você cruzou alguns limites que permitiriam que ele te expulsasse. Considerando o conceito de propriedade privada e tal. — Mas ele me provocou! — retruco. — Luke não pode me banir do único bar da cidade. Isso é ridículo! — Eu acho que ele está levando esse seu retorno a sério demais — Ashley comenta. Deixo a cabeça cair no travesseiro e encaro o teto. — Ele vai conhecer uma rival à altura, Ash. Posso contar com minha advogada? Ela ri, mas não estou brincando. Se Luke vai envolver a cidade inteira em nossa rivalidade pessoal, estarei pronta. Agora mais do que nunca, decido que é em Maple River que vou ficar. E ele vai ter que me engolir. 5 LUKE Todos são bem-vindos aqui. Menos Brianna Howard. As palavras estão claras e grandes, na lousa que fica atrás do balcão do bar. E sim, talvez eu tenha descido a um nível do qual não me orgulho, mas se Brianna pensa que vai retornar para a cidade e bagunçar a minha vida, é bom ela estar preparada. Bato as mãos uma na outra para me livrar da poeira do giz. — Isso não é sério, é? Me viro para Weston, que está apoiado na madeira me olhando com reprovação.Ao lado dele, meus irmãos Finn e Ethan também encaram a lousa com curiosidade. — Isso é muito sério — respondo para os três. — Não quero saber dessa mulher aqui no bar. — Coloco um pano de prato sobre o ombro e volto a trabalhar no livro-caixa. — Pelo amor de Deus, Luke. Quantos anos você tem? — Finn pergunta, tirando o palito da boca. Tentando esquecê-la? Um terço da minha vida, basicamente. Ouço a campainha soar, indicando que as marmitas de Finn estão prontas. Estendo a mão e alcanço a embalagem morna, colocando-a sobre o balcão na direção dele. — Brianna Howard destratou um funcionário — finalmente respondo. — Ela tem sorte de eu não fazer denúncia na delegacia. — Brianna jogou a cerveja em você, idiota! — Ethan está rindo. — E, pelo que eu soube, ela teve seus motivos. — Foi essa a informação que chegou para mim também — a frase vem de Weston. Respiro fundo tentando manter a paciência enquanto encaro os números complicados rabiscados no caderno. Estou muito puto. Fiquei puto quando a vi no bar, fiquei puto quando ela me deixou fedendo a cerveja e fiquei mais puto ainda quando tentei descontar minhas frustrações no basquete e lá estava ela de novo. No nosso lugar, se é que Brianna sequer se lembra do que aconteceu naquela quadra. Nas outras vezes em que ela retornou, fui paciente e mantive a boa educação em respeito a Abigail. A boa velhinha sentia a falta da neta e adorava as temporadas (curtíssimas) em que Brianna ficava na cidade. Mas agora Abigail descansa em paz e eu não estou nem um pouco disposto a voltar a conviver com aquele tormento em forma de mulher. — Luke, vamos falar sério, agora. — Ethan puxa uma banqueta e se acomoda na minha frente. — Você está exagerando. — Ele sabe que está. — Finn o cutuca com o cotovelo e agarra a embalagem de alumínio. — Tenho que ir porque minha esposa me espera, mas antes vou dizer o que você precisa escutar de uma vez: isso tem nome e se chama tesão recolhido. O grandalhão me oferece um sorriso sarcástico e dá as costas em direção à porta do bar. Idiota… — Admite que está exagerando — Ethan insiste no tópico. — Estou? — Levanto o rosto para ele. — Que engraçado. Não lembro de você achar exagero quando estava odiando Norah em público uns meses atrás. O comentário não é capaz de fazer meu irmão perder o bom-humor. Quase nada é, na verdade. A única que conseguiu essa façanha foi Norah Ellison. Agora eles estão noivos e moram juntos. — Pois é, cara. E veja só como as coisas terminaram? — Ethan levanta uma sobrancelha para mim. — Não é mais fácil vocês tentarem conversar? Deixo o lápis sobre o balcão. — Não temos o que conversar e já vou encerrar esse assunto e sair para o treino dos moleques. Só espera um pouco que tenho algo para você entregar pra Zoe. Caminho até o quarto dos fundos do bar e pego o pacote de presente colorido que encomendei para minha sobrinha de nove anos. A menina ama desenhar e eu, como o tio favorito, faço minha parte em enchê-la de kits de pintura sempre que um anúncio aparece para mim na internet. — Aqui. — Volto para o balcão e entrego o pacote para Ethan. — Tem umas tintas metálicas que parecem legais. — Ela vai amar. Obrigado. — Meu irmão agarra o embrulho e me olha mais uma vez. — Vai mesmo insistir nessa merda? — Ele aponta para a lousa atrás de mim. — Sim, vou. Mandei no grupo de moradores e perderia completamente minha autoridade como dono deste estabelecimento se… — Pelo amor de Deus. Haja paciência que eu não tenho. — Weston bufa feito um touro bravo e se afasta. Ethan gargalha e se despede. Olho no relógio e percebo que tenho apenas dez minutos para chegar ao treino de basquete. Decido ir de moto hoje, ainda que a viagem dure cinco minutos até a escola. Saio do bar e confiro se estou com a carteira no meu bolso antes de partir. Coloco o capacete, subo na moto, uma Harley Davidson Fat Boy, e cumprimento a Beth da floricultura com um aceno no ar. Enquanto piloto a caminho da escola, começo a pensar no resto do meu dia. Depois do treino, ainda preciso passar na construção para ver o quanto avançamos com a obra nesse último fim de semana. Tomar a decisão de construir uma casa sendo um cara sozinho me levou alguns anos. Como decidi não fazer faculdade, a vida nem sempre foi glamourosa. Todos os meus irmãos deixaram Maple River depois do colégio. Finn entrou na Marinha aos 18; Ethan se formou em administração e retornou para criar Zoe na cidade; e Weston teve a carreira no hóquei interrompida aos 20, mas conseguiu um diploma em fisiologia do esporte. Já eu, percebi na época dos exames e vestibulares que não tinha sido feito para esse destino. Mesmo contra a vontade dos meus pais, saí de casa poucos meses depois de Brianna ter partido para Los Angeles e arranjei um emprego na mecânica do Carl. Era para ser temporário, mas ser impulsivo custou um preço alto e a vida me fodeu. Enquanto Bree estudava, eu guardaria uma grana e então me juntaria a ela em LA, construiríamos uma vida juntos ali. É claro que não deu certo. Depois que terminamos, precisei fazer novos planos. Continuei morando com meu amigo, Mike, que abriu um estúdio de tatuagens no porão do apartamento e lá fiquei por quase uma década, até que percebi que estava ficando velho e precisava tomar algumas decisões. Não havia mais espaço para o garoto inconsequente dos Thorns. Eu precisava me tornar um homem adulto. A herança do meu avô ajudou a realizar um sonho antigo, que era abrir um bar na cidade. Weston estava cansado de trabalhar com nosso pai e topou investir num negócio comigo. Considero que conseguimos alcançar o sucesso. O bar é um local querido entre os moradores; hoje em dia também servimos refeições e moradores de cidades vizinhas nos visitam com frequência para conhecer nossos serviços e participar das noites de karaokê. Com o dinheiro que juntei trabalhando, comprei um terreno na rua Daisy e esqueci dele por um tempo, até que, um ano atrás, entendi que precisava sair do apartamento de Mike e ter um espaço somente meu. Weston sugeriu que eu morasse com ele, para economizar no aluguel e porque fazia sentido já que alternamos os turnos do bar. Comecei a lidar com a obra e isso distraiu a rotina pacata, mas de repente me vi dominado por uma solidão intrigante. Não lido bem com essas porras todas. Sou um cara que prefere fazer piada das situações mais complicadas e apenas seguir em frente. Num belo domingo de sol, me voluntariei para trabalhar em uma das feiras de adoção do abrigo de animais e conheci Thor, meu cachorro. Ele apenas era uma bolinha de pelos adorável que me encarou com aqueles olhos enormes e persuasivos. Não consegui resistir e o levei para casa. Wes detestou a ideia, mas no segundo dia já estava conversando com nosso amigão como se se conhecessem há anos. Hoje, temos uma guarda compartilhada do bichinho, que deve vir morar comigo para aproveitar o quintal enorme quando minha casa ficar pronta. Ainda assim, mesmo que Thor seja o melhor doberman do mundo, não consigo me livrar dessa solidão do caralho. E agora, com a volta de Brianna na cidade… tudo isso é apenas um lembrete do que poderia ter sido e nunca aconteceu. Onde estaríamos se ela não tivesse me ligado naquela noite? Ou se eu não fosse um estúpido completo e orgulhoso, deixando-a pensar que a havia superado quando Brianna retornou para se desculpar? Talvez estivéssemos casados, com filhos. Talvez, minha casa já estivesse construída há muito tempo e vivêssemos ali, juntos. Ou talvez nunca foi nosso destino acabarmos nos braços um do outro e teríamos terminado de qualquer jeito. Bree sempre pareceu feliz ao ter ficado em Los Angeles. Ela conseguiu um bom emprego, um padrão de vida elevado e, mais recentemente, a porcaria de um namorado celebridade. Brianna conseguiu tudo, o pacote completo de todas as realizações pessoais que uma pessoa pode ter. E é por isso que ela não tem o direito de voltar para cá e me atormentar. Chego em frente à Maplewood Academy e deixo a moto estacionada numa das vagas vazias. Tiro o capacete e passo a mão nocabelo a caminho do vestiário masculino. O relógio na parede do ginásio aponta que cheguei no horário. — Boa tarde — cumprimento os moleques, sorrindo para eles. — Já aqueceram? — Estávamos esperando o senhor, treinador — um dos alunos me responde. — Pois então chega de descanso. Quero todos correndo ao redor da quadra, duas voltas completas. Os meninos de doze anos assentem e me obedecem, e eu deixo o capacete de lado e aceito o apito que Calvin, meu assistente de quadra, me entrega. — Achei que fosse se atrasar de novo — ele comenta. — Eu estava no bar e acabei perdendo a hora. — Cruzo os braços e observo os alunos se mexendo. — Levou mais um banho de cerveja? — Ele me cutuca com o cotovelo. Era o que faltava. Aguentar insultos de um pirralho de dezessete anos. — Como soube disso? — Meus pais comentaram no jantar. — Ele ri. — Sua ex voltou, né? Não há uma alma sequer que viva nesta cidade e não saiba que Brianna e eu namoramos há mil anos. — Que gente fofoqueira para o meu gosto… — resmungo, antes de apitar para os meninos. — Mais uma volta! — Qual é, chefe? Ao menos o retorno da srta. Howard é algo emocionante. Não aguento mais ouvir falar no Festival das Flores. Eu nem gosto de flores. E tem mais essa. A primavera começou e, nos próximos dias, teremos em Maple River o “Festival das Flores”. O evento é, como o nome sugere, florido e encantador, e também é um ótimo negócio para o comércio local. Recebemos visitas dos moradores da região e até mesmo os Inn’s ficam lotados no fim de semana, já que o comitê organiza atividades diversas desde as nove da manhã até as oito da noite. — O festival dura dois dias, Calvin. Deixe de fazer drama — comento, com minha melhor expressão séria. — É feio pegar a vida dos outros e usá- la como um entretenimento pessoal. — Vai fazer o quê? Me banir do bar também? Eu nem tenho 21 ainda — ele continua me provocando. — Quer saber? Cansei de ser bonzinho. Vai correr com os moleques. Calvin franze a testa para mim. — Mas, Luke… — Agora! Ele passa a mão no cabelo ruivo e, frustrado, se junta aos garotos no aquecimento. Faz dois dias desde que a mulher retornou e já virei o motivo de chacota para a cidade inteira, o assunto no jantar dos cidadãos de Maple River. — Você me paga, Brianna — murmuro para mim, me sentindo um verdadeiro idiota. 6 BRIANNA — E�� �������� �� ����� �� ���, ���! Enquanto lavo a louça, deixo o celular apoiado na janela da cozinha e, na chamada de vídeo, respondo às inúmeras perguntas do meu pai sobre meus encontros recentes com Luke. Agarro o detergente e encho a esponja do líquido vermelho que cheira a maçã. Estou com raiva, pois já fiquei sabendo que o ridículo escreveu meu nome atrás do balcão do bar, bem ao lado do menu do dia. — Brianna, vocês precisam superar essa história — meu pai está quase rindo, porque eu o conheço. — Superar como, se o cara acha que virou o prefeito da cidade? Paro de esfregar a panela, pensativa. Será que ele virou o prefeito nos últimos três anos e não fiquei sabendo? — Eu sei, mas você também jogou cerveja na cara dele, filha. — Olha, pai. Se for para ficar do lado dele, eu vou desligar essa chamada. A espuma resultado da quantidade exacerbada de detergente começa a se acumular na pia da cozinha. Abro a torneira e repasso tudo, desviando o olhar da tela. — Não vou ficar do lado dele. É que eu gosto do Luke. Sempre achei que vocês pudessem se acertar. Reviro os olhos, porque hoje não estou para essa conversa. A verdade é que meu pai e Luke sempre se deram bem mesmo, pois ambos compartilham uma paixão por motos, um assunto que nunca tive muita paciência para tentar entender. Aliás, está para nascer quem não goste dele. Minha mãe o adorava; vovó era amiga dele, pois Luke fazia questão de ajudá-la a carregar as compras do supermercado para dentro de casa todos os sábados. Isso sem contar que ele é filho da Martha, a mulher mais doce de Maple River, e olha que por essas bandas temos muitas com o perfil. Sobrou para mim odiá-lo com a força dos dragões da Daynerys de “Game of Thrones”. Eu queria muito ter um dragão hoje para assustá-lo. — Pois saiba, papai, que vou responder à altura. — Fecho a torneira e alcanço um guardanapo. — Se ele pensa que vai me privar de boa cerveja em plena primavera, vai morder a língua. — Você deveria estar lidando com a imobiliária. Falou com eles hoje? Encaro o homem de cabelo grisalho e bigode largo pela tela. — Vou lá daqui a pouco, falar com a Cinthia. Ela assumiu a imobiliária da mãe. — Certo. E vai querer vender mesmo? Ou alugar? — Não sei. Verei com ela a melhor opção. — Termino de enxugar as mãos e pego o celular, caminhando para a sala. — Beleza. Já que mudamos de assunto, preciso discutir dois tópicos com você. O tom de voz dele fica um pouco mais grave. Oh, oh. Vem bomba por aí. — Ok. Deixa eu me sentar que pelo jeito to perdida… Meu pai ri enquanto me acomodo no sofá. — Não é nada nesse sentido. O que quer primeiro? O que diz respeito a mim ou o que diz respeito a você? — A mim, por favor. — Recebi um e-mail interessante, Brianna. Uma oportunidade de emprego para você. Presto atenção enquanto meu pai me detalha sobre uma vaga como contadora na empresa de uma amiga, em Las Vegas. É uma posição interessante mesmo, de gerente do setor de contabilidade, com um salário anual de 120 mil dólares — mais do que ganhei quando trabalhava em Los Angeles. — É generoso. — O prédio fica aqui perto, Bree. Ao menos você estaria próxima da família. Me preocupo com você sozinha com aquele cara em LA, sendo perseguida pelos fãs. Ele está exagerando, embora eu já tenha mesmo sido perseguida por fãs. Chris é uma celebridade nova de Hollywood. Meu ex-namorado é ator, que fez sua fama num filme que caiu no gosto do público e hoje vive de publicidades e contratos nesse sentido, além de ser presente nas redes sociais. Ele trabalha muito e tem carisma, o que completamente justifica seus milhões de seguidores e pessoas que o admiram. Como ator… ele tenta, mas nada no mundo abala a confiança de um homem hétero. Conheci Chris ao ser contratada para cuidar da declaração de imposto de renda dele. Uma vez que o trabalho estava terminado, ele me procurou e me chamou para sair e, talvez por eu estar entristecida pelo falecimento recente da minha avó, aceitei o convite para jantar. Ficamos juntos pouco mais de um ano depois disso. Chris acabava postando tudo sobre nosso relacionamento online, o que acabou me incomodando como uma bola de neve que apenas cresceu. Não sou nem desejo ser uma pessoa pública. Ainda assim, demorei bons meses para encontrar minha voz e dar um ponto final no que, ao fim, percebi que jamais deveria ter começado. Ele pode ser um ótimo profissional, mas como homem… boy-lixo, nível de radioatividade altíssimo. — Pode me encaminhar a proposta? — peço ao meu pai, esperando que ele não perceba que não quero falar sobre Chris. — Posso dar uma olhada com calma mais tarde. Preciso ver se meu LinkedIn tá atualizado. — Claro, filha. Te encaminhando agora… — E o segundo assunto? — Enrolo uma mecha do meu cabelo no dedo indicador. — Vou me casar! — Meu pai sorri. Sou pega de surpresa, mas espelho o gesto dele. — Ah, vai? — Sim, Joyce e eu decidimos. Depois de dez anos, chegou a hora. Realmente… já estava na hora desse homem assinar os benditos papeis. — Me conta, você se ajoelhou para ela? Papai faz uma careta, demonstrando que não é nem de longe o último dos românticos. — Tomamos a decisão no jantar, mas vamos fazer uma festa no mês que vem e quero você aqui. Assinto, pois é claro que vou para Las Vegas prestigiá-los. Joyce é uma mulher bacana, da idade de papai e que sempre se esforçou em ter uma relação amigável comigo. Ela tem duas filhas que estão na faculdade e também é divorciada. Eles se conheceram na empresa. Joyce trabalha no RH e ele é um dos engenheiros plenos. — Pois conte comigo, sr. Howard. — Ótimo. Então olhe o e-mail da vaga com calma e me avise se decidir se candidatar. — Sim, senhor. — E agora vá logo na imobiliária antes que esqueçade novo. Eu e minha memória de Dory já estávamos esquecendo, mas guardo o comentário para mim. Me despeço do meu pai e desligo o telefone, trocando de roupa rapidamente antes de enfrentar o sol das duas em Maple River. A imobiliária fica em frente ao Thorn’s, mas estou disposta a ignorar a fachada do lugar, pois sei que Luke consegue ver o movimento da rua quando está no balcão e não quero de jeito nenhum que ele perceba que estou espiando lá dentro. Ainda que eu esteja morrendo de vontade de verificar aquela lousa estúpida com meus próprios olhos. Saio de casa e caminho pela calçada, com a sensação de que nunca parti. A cidade está ficando mais movimentada agora que estamos a poucos dias do “Festival das Flores”. Confesso que estou animada, já que não participo de um evento assim desde… nossa, faz tempo. Ashley me disse que posso ficar com ela na barraquinha de tortas de Jo durante a tarde. Assim que chego em frente à imobiliária, abro a porta e sinto a temperatura baixa do ar-condicionado. — Brianna! Seja bem-vinda! — Cinthia Suarez, a proprietária, se levanta e vem até mim. — Como vai? — Estou bem, querida. Obrigada por arranjar um tempinho para mim, hoje. — Esta cidade está meio paradinha desde que os terrenos da rua Daisy foram vendidos. Vou adorar cuidar da venda da casa de nossa saudosa Abigail. Ou você só pensa em alugar? — Na verdade — puxo a cadeira indicada por ela e me acomodo —, eu queria discutir opções com você. Não sei se quero me desfazer de vez da casa de vovó. Pelos próximos minutos, escuto Cinthia me apontar as vantagens e desvantagens em vender uma casa antiga como a da minha avó. — O certo seria fazermos uma inspeção, antes de começar qualquer processo burocrático. — Quando você consegue arranjar isso? Cinthia apoia um dedo no queixo. — Hum. Acho que consigo antes do festival. O que acha de nos receber na terça-feira? — Acho ótimo. Estou sem trabalhar e meus horários estão flexíveis. Apertamos as mãos e deixo a inspeção agendada para a semana que vem. No fim, nosso papo levou meia hora e agora estou livre para maratonar minhas séries pelo resto do dia. No caminho de volta, reparo na moto de Luke em frente ao bar e a curiosidade pela lousa do exílio volta com tudo. Ninguém mandou foto nenhuma no grupo dos moradores, mas, se estão dizendo que Luke escreveu meu nome ali, por que eu não acreditaria que ele teve essa coragem? Sei que a situação é ridícula, mas isso me faz pensar no que aconteceria se eu fosse ousada e entrasse no bar para questioná-lo. O que ele vai fazer ao me ver ali? Chamar a polícia? Duvido muito que Elder, o xerife, deixaria a delegacia para atender uma ocorrência como essa. Pois somente porque estou inspirada, resolvo arriscar. Arrumo o cabelo sobre os ombros igual a Glinda de Wicked e coloco meu melhor sorriso de cara de pau no rosto. Passo pela entrada do bar e então… Vejam só! Ninguém virou pó ou derreteu com a minha presença no solo sagrado. — Ei! — Luke, que está enxugando um copo no balcão, me chama assim que me vê. — Você não pode entrar aqui! Droga. Ele está lindo como sempre. Não há ninguém com ele fora Simon Gabriel, o cozinheiro e também nosso antigo colega de colégio. — Oi, Gabs! Como vai? O homem sorri para mim, todo simpático. — Oi, Bree! — Cara, não seja um traidor! — Luke briga com ele. — E você, sua atrevida. Não sabe ler, não? — Ele aponta para a lousa. Encaro a caligrafia em giz e é verdade mesmo. Lá está meu nome, banido deste lugar. — Apague isso aí — digo a ele. — Você está passando vergonha. — Você é que está! Fora, Brianna. — Não vou sair daqui — Empino o queixo para ele, odiando esse tom de desprezo. O problema é que Luke esquece que consigo ser bem irritante quando quero. E hoje, eu quero muito irritá-lo. — Se quiser se livrar de mim, vai ter que me arrancar daqui. — Não brinque com fogo, princesa. — Estou falando muito sério. O que vai fazer, Luke? Me carregar para fora? Os olhos azuis cintilam e ele deixa o copo de lado. — Ok. Como um predador, ele sai detrás do balcão, avança em minha direção e me pega como se eu não pesasse nada. Luke me joga por cima do ombro e fico com o corpo dobrado, encarando o traseiro dele como se fossemos um casal do tempo das cavernas. — Me solta! — Me debato e consigo ouvi-lo rir, como se achasse a cena divertida. — Estou apenas cumprindo seus desejos, docinho. — Ele se atreve a dar um tapa na minha bunda. E então Luke me leva para fora e o espetáculo começa a chamar atenção de quem está passando por ali. Ele me põe no chão e estou toda descabelada e ofegante. Desculpa, Glinda. Nenhuma jogada de cabelo vai me ajudar agora. — Este é o meu lugar, Brianna. Vê se aprende a não me desafiar. — Ele esfrega as mãos uma na outra como se tivesse colocado o lixo para fora. — Da próxima vez, chamarei a polícia. — Isso não vai ficar assim, Luke! Mas, antes que eu termine a frase, o insuportável bate a porta na minha cara. 7 BRIANNA A���� ����� �������� �� ������ �� H�������� G������� � apontar para Ted Wade, meu antigo parceiro de laboratório. — Teddy! — Eu corro até o balcão do pequeno estabelecimento que fica a cinco minutos do Thorn’s. — Como vai? — Oi. Bree. — Ted está mascando chiclete e com os pés sobre a mesa completamente desorganizada. Ele perdeu uma quantidade significativa de cabelo desde que o vi pela última vez, mas, de resto, continua com a mesma expressão travessa de sempre. — Eu soube mesmo que tinha voltado. — Voltei e estou com raiva! Ele ri, apoiando as mãos atrás da cabeça. — Deixe-me adivinhar: mais um capítulo de seu duelo com Luke? Preciso admitir que isto está divertido, especialmente quando as mulheres só querem falar no “Festival das Flores”. Ser o assunto da cidade não me agrada nem um pouco, mas como posso culpar os fofoqueiros de Maple River depois do que Luke andou aprontando? Não, eu preciso ser mais sábia do que ele e aquela mente bruta e masculina. — Que bom que você está se divertindo. Já que é assim, vou te fazer um pedido. — Manda. — Ted tira os pés da mesa. — Está lembrado daquele favor que me deve desde o colégio? Da “prova” em que te ajudei a passar? Os olhos dele se arregalam e a pele pálida de Ted cora. — Cacete, Bree. Ainda se lembra disso? Ah, eu me lembro muito bem. — Você poderia ter reprovado no laboratório se não fosse minha colinha, lembra? — Isso é sacanagem! O que eu vou ter que fazer? — Se quero atacar Luke com um golpe à altura, preciso mirar no bebê dele, Teddy. — Em Thor? Nem vem, Bree. Eu não vou matar nenhum animal inocente. Meu Deus, o que esse homem pensa que eu sou? Eu jamais faria algo ao cachorro de Luke, ainda que eu o imagine como aquele cão de três cabeças que guarda a porta do inferno, considerando o dono do bichinho. — Não estou falando do cão, Teddy. Eu quero que você guinche a moto dele. Ted abre a boca como se tivesse entendido meu plano, mas uma careta se forma em seu rosto logo em seguida. — Hum. Não sei, Bree. Justo a Harley… — Por favor! Pela prova de química! — Eu poderia me meter em encrenca se o Luke me denunciar para a polícia. — Dê alguma desculpa para o xerife! — argumento. — Sei lá, inventa que ele estava em local proibido, coloca uma placa nova ali na frente do Thorn’s. Ele coça a nuca. — Nada disso seria o bastante. A não ser que… — Ted fica reflexivo pelo tempo suficiente para eu me sentir animada. — A moto estava na calçada como sempre? — Sim! Estava… com uma das rodas na calçada, se não estou enganada. Eu estava ocupada sendo expulsa do bar como se fosse uma mulher das cavernas. — Ele fez isso? — Percebo que ele está tentando não rir. — Sim e foi muito baixo! — Aponto o dedo para ele. — Sim, sim, foi. Vou pagar esse favor de uma vez. — Ted pisca para mim e alisa a camiseta cinza. — Só me diz: devo cobrar pra ele retirar a moto do pátio ou posso poupá-lo disso? Penso um pouco, considerando a questão. — Quanto seria a brincadeira? — 300 dólares. Caramba, acho que isso seria um pouco desproporcional. Mas seria bom que o castigo de Luke envolvesse ao menos a