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Relatório Técnico-Científico: Sistemas Distribuídos e Computação em Nuvem
Resumo
Este relatório analisa princípios fundamentais, arquiteturas e desafios contemporâneos em sistemas distribuídos aplicados à computação em nuvem. Aborda aspectos de consistência, tolerância a falhas, orquestração de recursos, modelos de serviço e implicações de segurança, com enfoque em soluções escaláveis e mensuráveis para ambientes de grande escala.
Introdução
Sistemas distribuídos consistem em múltiplos nós autônomos que cooperam para apresentar comportamento unificado. A computação em nuvem aplica conceitos de distribuição para prover recursos elásticos sob demanda. A convergência entre os dois domínios exige rigor na modelagem de comunicação, sincronização e administração de estados, bem como métricas robustas para desempenho e disponibilidade.
Arquitetura e modelos de implantação
Arquiteturas em nuvem variam do monolito migrado para VMs até microsserviços em containers orquestrados por plataformas como Kubernetes. Key-value stores, sistemas de arquivos distribuídos (ex.: HDFS) e message brokers (ex.: Kafka) são componentes recorrentes. Modelos de implantação (pública, privada, híbrida e multi-cloud) impõem requisitos distintos de latência, throughput e políticas de governança, influenciando decisões arquiteturais relativas à localização de dados e replicação.
Consistência, sincronização e controle de estado
A escolha entre consistência forte e eventual é crítica. Consistência forte simplifica raciocínio sobre estado, mas reduz disponibilidade e aumenta latência em redes particionadas (teorema CAP). Protocolos de consenso (Paxos, Raft) são fundamentais para metadados críticos, enquanto CRDTs e replicação eventual suportam escalabilidade para dados menos sensíveis. Sistemas modernos frequentemente hibridizam modelos, aplicando consistência adaptativa por classe de dados.
Tolerância a falhas e resiliência
Falhas são a norma em escalas cloud; portanto, estratégias de redundância, failover automatizado, retries idempotentes e circuit breakers são obrigatórias. Observabilidade (logs distribuídos, tracing, métricas) permite detecção precoce de degradações. Testes de caos (chaos engineering) validam hipóteses de resiliência ao simular falhas reais. A engenharia deve considerar falhas bizantinas quando a confiança entre componentes é limitada.
Escalabilidade e elasticidade
Escalabilidade horizontal é preferível para cargas elásticas; contudo, escalonamento eficiente exige desacoplamento de componentes, balanceamento de carga e sharding de dados. Autoscaling baseado em métricas (CPU, latência de fila, uso de memória) precisa complementar políticas preditivas para evitar oscillations. Custos e desempenho entram em conflito: provisionamento excessivo aumenta custos, sub-provisionamento degrada SLA.
Segurança, privacidade e conformidade
Em nuvem, segurança não é apenas criptografia em trânsito e repouso; inclui isolamento de multi-tenant, gestão de identidade e acesso (IAM), rotação de credenciais, e detecção de anomalias. Modelos de confiança zero (zero trust) têm se consolidado. Para dados sensíveis, técnicas como criptografia homomórfica e multipartitioning ajudam, mas trazem sobrecarga computacional. Conformidade regulatória (LGPD, GDPR) exige controles de localização de dados e auditabilidade.
Orquestração, automação e infra como código
Infraestrutura como código e pipelines CI/CD são pilares para consistência operacional. Orquestradores gerenciam ciclo de vida de containers, políticas de rede e políticas de escalonamento. Automação reduz tempo de recuperação e erro humano, mas requer testes extensivos e práticas de versionamento para infra e configurações.
Métricas e avaliação científica
Avaliar sistemas distribuídos em nuvem requer métricas como throughput, latência p99/p95, tempo médio entre falhas (MTBF), tempo médio de recuperação (MTTR) e custos por operação. Abordagens experimentais devem controlar variáveis de rede, carga e configuração para replicabilidade. Estudos científicos combinam simulações, bench-tests e experimentos em produção para validar modelos de desempenho e resiliência.
Desafios emergentes e tendências
Tendências incluem computação na borda (edge computing) para reduzir latência, arquiteturas serverless para granularidade de execução, e uso de inteligência artificial para otimização de alocação de recursos. Desafios persistentes envolvem orquestração entre múltiplas nuvens, garantia de consistência em ambientes geo-distribuídos e balanceamento entre eficiência energética e desempenho.
Conclusão
Sistemas distribuídos na computação em nuvem exigem integração entre teoria (consistência, consenso, tolerância a falhas) e práticas de engenharia (orquestração, automação, observabilidade). Soluções eficazes combinam modelos formais para criticidade de dados com práticas pragmáticas de engenharia para escalabilidade e segurança. A pesquisa contínua e a validação experimental são essenciais para enfrentar limitações de latência, custo e conformidade em ambientes heterogêneos.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1) Qual é o trade-off central do teorema CAP?
Resposta: O teorema CAP afirma que numa partição de rede não se pode garantir simultaneamente Consistência, Disponibilidade e Particionamento; deve-se escolher prioridades.
2) Quando usar consenso (Raft/Paxos) versus replicação eventual?
Resposta: Use consenso para metadados críticos que exigem ordem e linearizabilidade; replicação eventual quando tolerância a latência e alta disponibilidade são prioritárias.
3) Como testar resiliência em ambientes cloud?
Resposta: Aplicando chaos engineering, simulações de rede, injeção de falhas em serviços e avaliação de MTTR/MTBF com observabilidade integrada.
4) Quais são desafios de segurança multi-tenant?
Resposta: Isolamento de dados, gestão de identidade e acesso, prevenção de escalonamento de privilégio, e auditoria contínua para conformidade.
5) O que serverless altera no design distribuído?
Resposta: Serverless aumenta granularidade e elasticidade, mas impõe novos desafios: cold starts, limites de execução, e dificuldades em observar e depurar transações distribuídas.
5) O que serverless altera no design distribuído?
Resposta: Serverless aumenta granularidade e elasticidade, mas impõe novos desafios: cold starts, limites de execução, e dificuldades em observar e depurar transações distribuídas.

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