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Marcio Araujo Oliveira SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 DESENVOLVIMENTO �������������������������������������� 4 Os oráculos ��������������������������������������������������������������������������� 4 A sociedade da informação e do conhecimento �������������� 12 As técnicas e o mundo atual ���������������������������������������������� 15 Cibercultura: a nova era digital ������������������������������������������� 19 CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������������� 26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS �������������������������������������������� 28 2 INTRODUÇÃO Olá, estudante! Seja bem-vindo(a)� Estudaremos aqui o conceito da sociedade da informação e do conhecimento – material funda- mental para entender e analisar o atual momento da história� Também discutiremos questões rela- cionadas ao Marketing Digital e à Comunicação em Redes� São eles: y Reflexões sobre a economia do conhecimento y A globalização e identidade y O que é Cibercultura Agora é com você! Que este seja o primeiro passo de uma longa jornada de descobertas� Leia, estude, busque aprofundar seus conhecimentos� Bons estudos! 3 DESENVOLVIMENTO OS ORÁCULOS A todo momento, você busca uma informação para algo; a busca por respostas é algo comum na história da humanidade� Assim como no Orá- culo de Delfos, há cerca de 2500 anos, onde os gregos consultavam a sacerdotisa Pítia para to- mada de decisões� Hoje as pessoas e empresas também buscam em seus “oráculos” respostas para diversas questões que surgem no cotidiano� A busca por informações de um produto, sobre o melhor caminho para chegar a determinado local, orientação para conseguir uma melhor colocação profissional, uma resposta para um dilema pessoal, um direcionamento espiritual, enfim, a humanidade está sempre buscando algo� Desde o nascimen- to, quando a criança instintivamente procura por comida, até os momentos finais da vida onde se busca respostas para onde vamos� 4 Figura 1: Ruínas de Delfos� Fonte: Imagem de Rubén M. i Santos por Pixabay. 5 Se a busca é algo que faz parte da natureza hu- mana, essa necessidade continua com a mesma dinâmica, dos primórdios da humanidade até os dias atuais� Porém, as ferramentas que a humanidade utiliza na busca por respostas têm se alterado com o passar do tempo� Se no passado era comum a utilização de oráculos, livros ou outras ferramen- tas, hoje pode-se afirmar que a internet é a grande ferramenta, onde é possível se encontrar quase todas as respostas� Atualmente, os buscadores são os principais portais de entrada para a Internet� E a rede de mundial de computadores, como você deve saber, é a porta para uma quantidade cada vez maior de informação� Para que você tenha ideia, em fevereiro de 2018, 62% das buscas realizadas na web utilizaram o Google como ferramenta, sendo que 15% das buscas diárias são termos inéditos� O estudo A Universe of Opportunities and Challenges, feito pela consultoria EMC, em 2015, estima que a produção de dados deve chegar em 40 trilhões de Gigabytes, em 2020. Acesse o Podcast 1 em módulos 6 Figura 2: Estimativa de crescimento do volume de dados digitais de 2010 a 2020� Fonte: blog�acaoconsultoria�com� Agora, imagine como isso impacta o hábito de consumo das pessoas que buscam algo na internet� Faça outro exercício de reflexão, tente se lembrar do planeta há 20 anos� Quais tecnologias a que você tem acesso nos dias atuais não existiam naquela época? Ou mesmo há 10 anos� Você consegue identificar os impactos dessas novas tecnologias na maneira como você se relaciona, consume ou entende o mundo? Algumas inovações tecnoló- gicas tiveram grande impacto na organização do espaço e do tempo (Thompson, 2008)� Em seu livro, A mídia e a modernidade, Thompson faz uma retrospectiva de como determinadas tecnologias alteraram a percepção da humanidade, tanto na maneira como entender as relações humanas, como também na interferência do espaço e tempo� Acesse o Podcast 2 em módulos 7 https://blog.acaoconsultoria.com/a-ciencia-de-dados-aplicada-a-negocios/ É importante lembrar que, quando se fala em tecno- logia, não estamos falando somente em aparatos eletrônicos, como smartphones ou computadores� As inovações técnicas acompanham a evolução humana há milhares de anos, muito antes da invenção da eletricidade ou dos computadores� Observe alguns exemplos: Figura 3: A imprensa de Gutemberg� Fonte: Wikipedia� 8 https://pt.wikipedia.org/wiki/Prensa_m%C3%B3vel#/media/Ficheiro:Presse_a_bras_en_bois_de_Gutemberg.jpg Antigamente, o conhecimento era passado de geração a geração de forma verbal� Para que se pudesse aprender, era preciso estar face a face com o emissor para que o conhecimento fosse transmitido verbalmente� Com a invenção da es- crita, por volta de 4000 a�C�, foi possível registrar determinados conhecimentos e repassar para outras gerações, sem que houvesse a obrigatoriedade de que o emissor e o receptor estivessem no mesmo espaço e tempo� Avançando na história, temos a invenção da imprensa, por Gutenberg� Durante muito tempo, a escrita restringia-se a aparatos como papiros, tábuas e diversas outras formas de reprodução� O conhecimento estava restrito aos escribas que, por esse motivo, tinham muito poder nas sociedades em que estavam inseridos� No início do século 12, havia uma regulamenta- ção que proibia diversos tipos de manifestações artísticas� A invenção da imprensa constituiu-se uma ameaça para aqueles que detinham o poder e o conhecimento, já que trouxe a popularização dos livros, mesmo em uma sociedade em que a minoria era letrada� Um século depois de sua invenção, a imprensa teve um papel fundamental na Reforma Protestante� Martinho Lutero utilizou a imprensa para imprimir e distribuir de forma rápida suas ideias� 9 O sistema de censura mais famoso e difundido do período foi o da Igreja católica, com seu “Índice de Livros Proibidos”� O Índice era um catálogo – talvez seja mais bem descrito como um “anticatálogo” – de livros impressos que fiéis estavam proibidos de ler [���] Pode-se dizer que o Índice foi uma invenção que funcionou como antídoto da Contrarreforma ao protestantismo e à impressão gráfica. Tratava-se de uma tentativa de lutar contra as publicações usando publicações� O Índice-modelo, editado em 1564, começava com uma série de regras gerais proibindo três livros: os heréticos, os imorais e os mágicos� (BRIGS; BURKE, 2004, p� 58) Outro exemplo interessante: entenda como sur- giu a criação do fuso horário. No final do século 19, houve um aumento no fluxo de pessoas de uma região para outra� Esse aumento foi possi- bilitado pelo desenvolvimento das ferrovias� E, com a invenção do telégrafo, era possível enviar informações para outra região ou mesmo para outro continente� Porém, cada cidade tinha a sua própria hora, já que se orientavam pelo sol e, com o desenvolvimento das ferrovias e telégrafos, isso começou a gerar confusão� 10 Figura 4: Telégrafo� Fonte: Shutterstock� Em 1878, adotou-se um sistema de zonas de tempos para todas as regiões do planeta� Perceba que, em todos esses exemplos, os aparatos tecnológicos impactaram na relação ‘tempo e espaço’� Sendo assim, a invenção da Internet, computadores, ta- blets, smartphones e tantos outros que surgiram nos últimos anos também impactam a nossa maneira de entendermos o mundo� A revolução do nosso presente é, com toda certeza, mais que a de Gutenberg. Ela não modifica apenas a técnica de reprodução do texto, mas também as próprias estruturas e formas do suporte que o comunica a seus leitores� O livro impresso tem sido, até hoje, o herdeiro do manuscrito: quanto à organização em cadernos, à hierarquia dos formatos, do libro da banco ao libellus; quanto, também, aos subsídios à leitura: concordâncias, índices, sumários 11 etc� Com o monitor, que vem substituir o códice, a mudança é maisradical, posto que são os modos de organização, de estruturação, de consulta do suporte do escrito que se acham modificados. Uma revolução desse porte necessita, portanto, outros termos de comparação� (CHARTIER, 1994, p�19) A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO Com a quantidade crescente de informação na internet em um ritmo acelerado, a organização das informações na rede torna-se um grande de- safio para as empresas do ramo de tecnologia e que são proprietárias de ferramentas de busca� O uso dessas ferramentas para encontrar e retornar informações pertinentes ao usuário torna-se cada vez mais crítico� A função de uma ferramenta de busca é oferecer ao usuário respostas suposta- mente relevantes para determinada pesquisa� A criação da Internet impactou a maneira como as pes- soas se comunicam� Mas, você sabe como funciona a Internet? Assista ao vídeo abaixo para entender melhor seu funcionamento� https://www.youtube.com/watch?time_continue =11&v=KPCfjcyO3fg SAIBA MAIS 12 https://www.youtube.com/watch?time_continue=11&v=KPCfjcyO3fg https://www.youtube.com/watch?time_continue=11&v=KPCfjcyO3fg Como você já deve ter percebido, ao fazer uma busca na internet, geralmente o usuário vê uma lista de resultados classificados na página – entre 10 e 20 websites� Os resultados de uma busca feito, por exemplo, em uma ferramenta como o Google já provou ser uma componente essencial na maneira como se navega na internet� Ou seja, os resultados que você recebe em uma busca in- terfere diretamente na maneira como você procura a informação na internet� A primeira página do resultado dá ao usuário uma sensação de que ele “está no lugar certo” e que aqueles resultados que aparecem na primeira página são os mais importantes e interessantes, em relação as indicações que estão nas páginas posteriores� 13 Figura 5: Buscador do Google� Fonte: Image de jannoon028 por Freepik� O Google tornou-se o mais popular motor de busca e também o principal alvo de usuários que tentam influenciar a classificação de resultados de pesqui- sas� A ferramenta de busca do Google tornou-se extremamente poderosa, decidindo quem deve ser visível e quem ficará praticamente invisível na Web, de uma maneira completamente discriminatória� Outro ponto importante, nos dias atuais, é a mo- bilidade e a ubiquidade que dá a possibilidade de levar a informação a qualquer lugar do planeta, desde que você tenha um dispositivo móvel com conexão à internet, satélite ou operadora de celular. 14 Essa possibilidade de conexão constante dá ao usuário a sensação de que ele está sempre bem- -informado� Porém, em função da grande quanti- dade de informação produzida, a sociedade vive um momento de muita informação e de pouca qualidade, o que faz com que o usuário tenha uma percepção distorcida da realidade� AS TÉCNICAS E O MUNDO ATUAL Pensar em Cibercultura é retornar ao passado para resgatar toda uma discussão que começa na definição conceitual do termo técnica, pas- sando por fáusticos e prometeicos, até chegar ao neo-luddismo e tecno-utópico, tecnorealismo e tecnosurrealismo� O neo-luddismo é uma referência aos ludistas� Os ludistas pertenciam a uma organização secreta de trabalhadores têxteis ingleses, do século 19. No ludismo, uma facção radical destruiu máquinas têxteis como forma de protesto contra a industrialização� No neo-luddismo, não se acredita na capacidade de qualquer nova tecnologia para resolver problemas atuais� FIQUE ATENTO 15 Esse resgate histórico é importante para compre- endermos todo o simbolismo sobre a técnica e a dimensão que o termo adquiriu na sociedade ao longo dos séculos� Acesse o Podcast 3 em módulos A origem da técnica se confunde com a origem do homem (Lemos, 2008)� A “técnica, na sua acepção original e etimológica, vem do grego tekhnè, que podemos traduzir por arte” (Lemos, 2008, p�26)� E, durante séculos, foi assim que o termo foi empregado, como sinônimo de arte, a imitação da natureza, algo de origem divina� A técnica – algo transformador, mágico; mas visto também como algo profano, que podia destruir a natureza, a criação de Deus� Essa relação entre o Sagrado e Profano, de certa maneira, acompanha as discussões sobre os benefícios da tecnologia até os dias atuais (Lemos, 2008)� De um lado, temos uma visão fáustica, termo que faz referência à lenda do Dr� Fausto, um sábio alemão que vende a alma para o diabo em troca de sabedoria e poder� De outro, temos a visão pro- meteica, inspirada no mito grego de Prometeu, que entregou as técnicas do fogo para a humanidade possibilitando que o homem pudesse controlar a natureza� 16 Dentro dessa perspectiva, podemos dividir os autores entre utópicos e pessimistas� A primeira corrente acredita que a tecnologia favorece o progresso da humanidade, é um fator de amadurecimento do ser humano� A segunda acredita que o sistema de vida tecnológico é um fardo; “sobrevive à custa da per- manente redução dos seres humanos e de muitos outros organismos vivos a produtos resultantes da engenharia e a engrenagens da máquina social, privando as pessoas de dignidade e autonomia” (Unabomber, 1997, pp�45-46, apud Rüdiger, 2007)� Os sistemas técnicos já nascem nas primeiras civilizações e, durante muito tempo, se mostram como algo lento e pouco inovador� Essa lentidão no desenvolvimento de sistemas técnicos prosse- guiu até o início da Idade Média, com a instalação do Feudalismo, crescimentos das cidades e as Cruzadas (Lemos, 2008)� Em 1777, Johann Beckmann apresenta outra defi- nição para técnica; propõe “que a mesma designe a sistematização disciplinar, ao mesmo tempo descritiva e comparativa, do seu ensinamento” (Rüdiger, 2007, p�36)� Mas, segundo Rüdiger relata, o termo já era empregado meio século antes “para referir ainda ao conhecimento científico dessas mesmas realidades: então, a técnica se torna teórica (tecnologia)” (Philosophia Rationalis Sive Logica, 1728, apud Rüdiger, 2007, p� 36)� 17 Esse período coincide com a Revolução Industrial e o expansionismo tecnológico que se deu em uma época em que as relações do homem, máquina e espaço alteraram o significado da palavra técnica. André Lemos destaca, em seu livro Cibercultura, que a primeira Revolução Industrial citada acima foi focada na Inglaterra e que, segundo os historia- dores, “não houve, no século 18, uma revolução no sentido de uma ruptura radical, mas a colocação de um novo dispositivo simbólico que vai, progres- sivamente desde a Idade Média, aumentar o poder e o alcance do complexo tecnocientífico humano” (Lemos, 2008, p�46)� Partindo desse princípio, ve- rificamos que uma segunda Revolução Industrial surge a partir do aparecimento de novas técnicas, como a eletricidade� As discussões sobre o termo técnica continuam no século 20 e ganham um novo fôlego com o surgimento das tecnologias digitais� No livro Ci- bercultura, de Pierre Lévy, o autor questiona se é correto usar um único sentido para o termo técnica� “A ambivalência ou a multiplicidade das signifi- cações e dos projetos que envolvem as técnicas são particularmente evidentes no caso do digital” (Lévy, 1999, p.24). “A fim de evitarmos uma história basicamente ou unicamente tecnicista, devemos colocar em destaque, também, as inter-relações dos sistemas técnicos e sociais” (Lemos, 2008� p�39)� 18 Acesse o Podcast 4 em módulos O professor Milton Santos começa o seu livro A Natureza do Espaço comentando como o estudo dos processos técnicos é negligenciado por vá- rios autores, por não citar a questão do espaço� Lembra-se de François Sigaud, quando diz que “o estudo das técnicas que estão no centro das relações sociedade-meio”� Santos considera que a técnica é o meio: “As técnicas são um conjunto de meios instrumentais e sociais, com os quais o homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço�” (Santos, 2006, p�16)� Sendo assim, a visão que Milton Santos apresenta é que os sistemas técnicos estão diretamenteligados ao território, ao espaço� CIBERCULTURA: A NOVA ERA DIGITAL Como a tecnologia, as mídias tentaram organizar os sentidos em uma sociedade� A escrita, por exemplo, dar sentido às informações produzidas pela sociedade� As grandes religiões se consoli- dam quando passam a ter uma referência comum em texto. A tecnologia, de alguma maneira, toca na questão de dar sentidos comuns à sociedade� O rádio falando para milhares de pessoas, por exemplo, é um meio de comunicação tentando dar sentido para muitas pessoas� 19 O livro do Renato Ortiz, A moderna tradição brasi- leira, mostra como o Brasil se organiza, de alguma maneira, de referências fornecidas pela televisão� A construção de uma programação nacional com objetivo de dar unidade e identidade à nação� E, como você estudou anteriormente, durante a maior parte da história da humanidade, as intera- ções sociais foram face a face� Tradições eram passadas de pai para filho através de histórias. A interação face a face tem um caráter dialógico – de copresença – em que emissor e receptor partilham do mesmo referencial de espaço e tempo, o que implica em uma ida e volta no fluxo de informação e comunicação� O desenvolvimento de novos meios de comunicação afetou os padrões de interação social criando novas formas de ação, interação e novos tipos de relacionamentos sociais� (Thomp- son, 2008) “A cultura contemporânea, associada às tecnolo- gias digitais (ciberespaço, simulação, tempo real, processos de virtualização, etc�), vai criar uma nova relação entre a técnica e a vida social” (Lemos, 2008, p.15). De acordo com Levy, com a ascensão da internet, a questão de gerar sentidos comuns muda com esse novo meio� 20 A Cibercultura nasce na década de 1950 com a informática e a cibernética, mas só vai se tornar popular a partir da década de 1970, com o sur- gimento do microcomputador e se estabelece nas décadas de 1980/90, com maior acesso aos computadores e o início da internet comercial no mundo (Lemos, 2008, p�16)� Apesar da existência da tecnologia na década de 1970, observamos que o grande boom dos compu- tadores no planeta se dá com o barateamento dos preços e o desenvolvimento de sistemas técnicos, como as interfaces gráficas, que facilitaram a uti- lização pela maioria das pessoas que não tinha conhecimento para utilização dos computadores por meio de códigos de programação. Um exemplo da evolução da técnica e da tecnologia� Resumindo, para entender o que é a Cibercultura, adotaremos a seguinte definição: “uma cultura de sistemas autorregulatórios com forte base tecno- lógica para gerar informação, gerar feedback, e o feedback regular o sistema” (OLIVERIO, 2012)� O início do século 21 foi extremamente otimista com o surgimento da Internet e de todas as pos- sibilidades que ela poderia emanar� De acordo com Lévy, A Internet, representando uma abertura para o mundo e a liberdade de expressão, constitui igualmente 21 a infraestrutura da nova economia, cujos altos e baixos devem mascarar a tendência de fundo, ine- gavelmente construtiva (Lévy, 2002, p.70). Estudiosos afirmavam que estavam entrando em uma nova era, na qual as relações com os governos, empresas e sociedade seriam impactadas pela rede mundial de computadores� A comunicação, que antes estava nas mãos da grande mídia, em uma relação de um para muitos, mudou com o sur- gimento da Internet, que trouxe a possibilidade de comunicação de muitos para muitos. Pierre Lévy, um dos autores que publicou sobre Cibercultura, afirma que a diminuição da relação entre espaço e tempo, com o retraimento das distâncias, possi- bilitou que a humanidade voltasse a se reconectar, compartilhando das mesmas significações. A partir dessa origem insondável, desde esse ponto de partida unitário quase mítico, a humanidade separa-se, dispersa-se: afastamento geográfico, divergência de línguas, separação progressiva das culturas, invenção de mundos subjetivos e sociais cada vez menos comensuráveis. (Lévy, 1999b, p.184) É fato que a Internet trouxe grandes transforma- ções em diversos níveis da sociedade, mas, como o próprio Lévy afirma, as técnicas não são neutras, tampouco boas ou más� As técnicas dependem 22 do contexto em que são empregadas, já que são condicionantes ou restritivas (Rüdiger, 2007)� Porém, o autor avança ao afirmar que a Internet forma um sistema universal sem totalidade, sendo que não há mensagem fora de contexto em uma rede onde todas as máquinas estão conectadas� É um movimento de reconexão do ser humano, como foi dito acima, já que, em determinado mo- mento da história, a humanidade partilhava do mesmo espaço e tempo, pois todos viviam em uma mesma região� Com o crescimento da popu- lação e os processos migratórios, essa conexão da humanidade se perdeu� A partir dessa origem insondável, desde esse ponto de partida unitário quase mítico, a humanidade separa-se, dispersa-se: afastamento geográfico, divergência de línguas, separação progressiva das culturas, invenção de mundos subjetivos e sociais cada vez menos comensuráveis (Lévy, 1999b, p.184). Na visão do autor, a Cibercultura trouxe essa pos- sibilidade de reconexão, como se pessoas em diferentes regiões do planeta compartilhassem das mesmas significações, já que, em algum mo- mento no passado, essas pessoas compartilharam o mesmo espaço e tempo� 23 Um edifício qualquer de uma cidade grande contém elementos materiais vindos de todas as partes do mundo, concentrando conhecimento, competências, processo de cooperação, uma inteligência coletiva acumulada ao longo dos séculos, com a participa- ção, de alguma maneira, dos diversos povos. (Lévy, 1999b, p�188) O fato principal que precisa ser entendido e ana- lisado é que a Cibercultura tenta explicar deman- das e circunstâncias do homem atual, mas essas demandas se iniciam com a informatização e maquinização da humanidade� Se a Revolução Industrial, como o próprio nome aponta, foi um ponto de virada na história da huma- nidade e na sua relação com o próximo, trazendo uma nova configuração social, demográfica e informacional, a cultura digital, por sua vez, que não tem status nem, aparentemente, um destaque a ponto de ser considerada uma revolução, traz mudanças nas relações sociais no mundo inteiro� Como afirma Kotler: A nova geração de consumidores está muito mais antenada com as questões e preocupações sociais� As empresas terão de se reinventar e realizar o mais rápido possível a transição dos limites antes 24 seguros do Marketing 1�0 e 2�0 para o novo mundo do Marketing 3�0� (Kotler, 2010, p� 206) O que você irá presenciar nos próximos anos são empresas nascendo sob uma nova ordem social e mais aberta a ouvir os consumidores; enquanto velhas empresas fecham suas portas por não en- tenderem ou acreditarem que uma grande mudança nas relações sociais está em curso� Acesse o Podcast 5 em módulos 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta unidade apresentou uma reflexão sobre o impacto das tecnologias nas relações humanas� É importante entender que, a cada nova invenção adotada pela sociedade, há possibilidade de mo- dificação na maneira como as pessoas percebem e entendem o mundo� Diversas tecnologias im- pactaram a relação do homem com o espaço e tempo. A energia elétrica, por exemplo, teve papel importante na aceleração da revolução industrial, juntamente com o telégrafo� Isso fez com que houvesse um deslocamento de pessoas que tra- balhavam na zona rural para trabalhar em fábricas nas metrópoles� Mesmo em cidades do interior, a eletricidade teve impacto na vida dessas pessoas� Se antes as pessoas orientavam suas atividades diárias pela luz do sol, a luz elétrica possibilitou que as pessoas pudessem dormir mais tarde e realizar determinadas tarefas no período noturno� O ponto principal de nossos estudos é entender que as tecnologias não são neutras� Também não se pode acreditar que uma tecnologia tenha a mesma aderência em diferentes regiões de umpaís� Por exemplo, a adoção por parte da população de um aplicativo para carona pode funcionar muito bem em determinado país e ser um fracasso em outro� Isso porque as questões regionais e culturais da 26 população impactam na adoção ou não de deter- minados objetos técnicos� É importante que, ao utilizar a rede, você entenda as especificidades de cada região para vender ou comunicar� A solução que você utiliza ou oferece pode funcionar muito bem na região Sul do Brasil, mas pode não fazer nenhum sentido no Sudeste� Entender as caracte- rísticas e especificidades de cada região é muito importante na hora de elaborar o plano estratégico� 27 Referências Bibliográficas & Consultadas BRIGS, A; 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