Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Marcio Araujo Oliveira
SOCIEDADE DA 
INFORMAÇÃO E DO 
CONHECIMENTO
Sumário
INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3
DESENVOLVIMENTO �������������������������������������� 4
Os oráculos ��������������������������������������������������������������������������� 4
A sociedade da informação e do conhecimento �������������� 12
As técnicas e o mundo atual ���������������������������������������������� 15
Cibercultura: a nova era digital ������������������������������������������� 19
CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������������� 26
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & 
CONSULTADAS �������������������������������������������� 28
2
INTRODUÇÃO
Olá, estudante! Seja bem-vindo(a)�
Estudaremos aqui o conceito da sociedade da 
informação e do conhecimento – material funda-
mental para entender e analisar o atual momento 
da história� Também discutiremos questões rela-
cionadas ao Marketing Digital e à Comunicação 
em Redes� São eles:
 y Reflexões sobre a economia do conhecimento
 y A globalização e identidade
 y O que é Cibercultura
Agora é com você!
Que este seja o primeiro passo de uma longa jornada 
de descobertas� Leia, estude, busque aprofundar 
seus conhecimentos�
Bons estudos!
3
DESENVOLVIMENTO
OS ORÁCULOS
A todo momento, você busca uma informação 
para algo; a busca por respostas é algo comum 
na história da humanidade� Assim como no Orá-
culo de Delfos, há cerca de 2500 anos, onde os 
gregos consultavam a sacerdotisa Pítia para to-
mada de decisões� Hoje as pessoas e empresas 
também buscam em seus “oráculos” respostas 
para diversas questões que surgem no cotidiano� 
A busca por informações de um produto, sobre o 
melhor caminho para chegar a determinado local, 
orientação para conseguir uma melhor colocação 
profissional, uma resposta para um dilema pessoal, 
um direcionamento espiritual, enfim, a humanidade 
está sempre buscando algo� Desde o nascimen-
to, quando a criança instintivamente procura por 
comida, até os momentos finais da vida onde se 
busca respostas para onde vamos�
4
Figura 1: Ruínas de Delfos�
Fonte: Imagem de Rubén M. i Santos por Pixabay.
5
Se a busca é algo que faz parte da natureza hu-
mana, essa necessidade continua com a mesma 
dinâmica, dos primórdios da humanidade até os dias 
atuais� Porém, as ferramentas que a humanidade 
utiliza na busca por respostas têm se alterado com 
o passar do tempo� Se no passado era comum a 
utilização de oráculos, livros ou outras ferramen-
tas, hoje pode-se afirmar que a internet é a grande 
ferramenta, onde é possível se encontrar quase 
todas as respostas� Atualmente, os buscadores 
são os principais portais de entrada para a Internet� 
E a rede de mundial de computadores, como você 
deve saber, é a porta para uma quantidade cada vez 
maior de informação� Para que você tenha ideia, em 
fevereiro de 2018, 62% das buscas realizadas na 
web utilizaram o Google como ferramenta, sendo 
que 15% das buscas diárias são termos inéditos� O 
estudo A Universe of Opportunities and Challenges, 
feito pela consultoria EMC, em 2015, estima que 
a produção de dados deve chegar em 40 trilhões 
de Gigabytes, em 2020.
Acesse o Podcast 1 em módulos
6
Figura 2: Estimativa de crescimento do volume de dados 
digitais de 2010 a 2020�
Fonte: blog�acaoconsultoria�com�
Agora, imagine como isso impacta o hábito de 
consumo das pessoas que buscam algo na internet� 
Faça outro exercício de reflexão, tente se lembrar do 
planeta há 20 anos� Quais tecnologias a que você 
tem acesso nos dias atuais não existiam naquela 
época? Ou mesmo há 10 anos� Você consegue 
identificar os impactos dessas novas tecnologias 
na maneira como você se relaciona, consume ou 
entende o mundo? Algumas inovações tecnoló-
gicas tiveram grande impacto na organização do 
espaço e do tempo (Thompson, 2008)� Em seu 
livro, A mídia e a modernidade, Thompson faz uma 
retrospectiva de como determinadas tecnologias 
alteraram a percepção da humanidade, tanto na 
maneira como entender as relações humanas, 
como também na interferência do espaço e tempo�
Acesse o Podcast 2 em módulos
7
https://blog.acaoconsultoria.com/a-ciencia-de-dados-aplicada-a-negocios/
É importante lembrar que, quando se fala em tecno-
logia, não estamos falando somente em aparatos 
eletrônicos, como smartphones ou computadores� 
As inovações técnicas acompanham a evolução 
humana há milhares de anos, muito antes da 
invenção da eletricidade ou dos computadores� 
Observe alguns exemplos:
Figura 3: A imprensa de Gutemberg�
Fonte: Wikipedia�
8
https://pt.wikipedia.org/wiki/Prensa_m%C3%B3vel#/media/Ficheiro:Presse_a_bras_en_bois_de_Gutemberg.jpg
Antigamente, o conhecimento era passado de 
geração a geração de forma verbal� Para que se 
pudesse aprender, era preciso estar face a face 
com o emissor para que o conhecimento fosse 
transmitido verbalmente� Com a invenção da es-
crita, por volta de 4000 a�C�, foi possível registrar 
determinados conhecimentos e repassar para outras 
gerações, sem que houvesse a obrigatoriedade de 
que o emissor e o receptor estivessem no mesmo 
espaço e tempo� Avançando na história, temos 
a invenção da imprensa, por Gutenberg� Durante 
muito tempo, a escrita restringia-se a aparatos 
como papiros, tábuas e diversas outras formas 
de reprodução� O conhecimento estava restrito 
aos escribas que, por esse motivo, tinham muito 
poder nas sociedades em que estavam inseridos�
No início do século 12, havia uma regulamenta-
ção que proibia diversos tipos de manifestações 
artísticas� A invenção da imprensa constituiu-se 
uma ameaça para aqueles que detinham o poder 
e o conhecimento, já que trouxe a popularização 
dos livros, mesmo em uma sociedade em que 
a minoria era letrada� Um século depois de sua 
invenção, a imprensa teve um papel fundamental 
na Reforma Protestante� Martinho Lutero utilizou 
a imprensa para imprimir e distribuir de forma 
rápida suas ideias�
9
O sistema de censura mais famoso e difundido do 
período foi o da Igreja católica, com seu “Índice de 
Livros Proibidos”� O Índice era um catálogo – talvez 
seja mais bem descrito como um “anticatálogo” – 
de livros impressos que fiéis estavam proibidos de 
ler [���] Pode-se dizer que o Índice foi uma invenção 
que funcionou como antídoto da Contrarreforma ao 
protestantismo e à impressão gráfica. Tratava-se 
de uma tentativa de lutar contra as publicações 
usando publicações� O Índice-modelo, editado em 
1564, começava com uma série de regras gerais 
proibindo três livros: os heréticos, os imorais e os 
mágicos� (BRIGS; BURKE, 2004, p� 58)
Outro exemplo interessante: entenda como sur-
giu a criação do fuso horário. No final do século 
19, houve um aumento no fluxo de pessoas de 
uma região para outra� Esse aumento foi possi-
bilitado pelo desenvolvimento das ferrovias� E, 
com a invenção do telégrafo, era possível enviar 
informações para outra região ou mesmo para 
outro continente� Porém, cada cidade tinha a sua 
própria hora, já que se orientavam pelo sol e, com 
o desenvolvimento das ferrovias e telégrafos, isso 
começou a gerar confusão�
10
Figura 4: Telégrafo�
Fonte: Shutterstock�
Em 1878, adotou-se um sistema de zonas de tempos 
para todas as regiões do planeta� Perceba que, em 
todos esses exemplos, os aparatos tecnológicos 
impactaram na relação ‘tempo e espaço’� Sendo 
assim, a invenção da Internet, computadores, ta-
blets, smartphones e tantos outros que surgiram 
nos últimos anos também impactam a nossa 
maneira de entendermos o mundo�
A revolução do nosso presente é, com toda certeza, 
mais que a de Gutenberg. Ela não modifica apenas 
a técnica de reprodução do texto, mas também 
as próprias estruturas e formas do suporte que 
o comunica a seus leitores� O livro impresso tem 
sido, até hoje, o herdeiro do manuscrito: quanto à 
organização em cadernos, à hierarquia dos formatos, 
do libro da banco ao libellus; quanto, também, aos 
subsídios à leitura: concordâncias, índices, sumários 
11
etc� Com o monitor, que vem substituir o códice, a 
mudança é maisradical, posto que são os modos 
de organização, de estruturação, de consulta do 
suporte do escrito que se acham modificados. Uma 
revolução desse porte necessita, portanto, outros 
termos de comparação� (CHARTIER, 1994, p�19)
A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E 
DO CONHECIMENTO
Com a quantidade crescente de informação na 
internet em um ritmo acelerado, a organização 
das informações na rede torna-se um grande de-
safio para as empresas do ramo de tecnologia e 
que são proprietárias de ferramentas de busca� O 
uso dessas ferramentas para encontrar e retornar 
informações pertinentes ao usuário torna-se cada 
vez mais crítico� A função de uma ferramenta de 
busca é oferecer ao usuário respostas suposta-
mente relevantes para determinada pesquisa� 
A criação da Internet impactou a maneira como as pes-
soas se comunicam� Mas, você sabe como funciona a 
Internet? Assista ao vídeo abaixo para entender melhor 
seu funcionamento�
https://www.youtube.com/watch?time_continue 
=11&v=KPCfjcyO3fg
SAIBA MAIS
12
https://www.youtube.com/watch?time_continue=11&v=KPCfjcyO3fg
https://www.youtube.com/watch?time_continue=11&v=KPCfjcyO3fg
Como você já deve ter percebido, ao fazer uma 
busca na internet, geralmente o usuário vê uma 
lista de resultados classificados na página – entre 
10 e 20 websites� Os resultados de uma busca 
feito, por exemplo, em uma ferramenta como o 
Google já provou ser uma componente essencial 
na maneira como se navega na internet� Ou seja, 
os resultados que você recebe em uma busca in-
terfere diretamente na maneira como você procura 
a informação na internet�
A primeira página do resultado dá ao usuário uma 
sensação de que ele “está no lugar certo” e que 
aqueles resultados que aparecem na primeira 
página são os mais importantes e interessantes, 
em relação as indicações que estão nas páginas 
posteriores�
13
Figura 5: Buscador do Google�
Fonte: Image de jannoon028 por Freepik�
O Google tornou-se o mais popular motor de busca 
e também o principal alvo de usuários que tentam 
influenciar a classificação de resultados de pesqui-
sas� A ferramenta de busca do Google tornou-se 
extremamente poderosa, decidindo quem deve ser 
visível e quem ficará praticamente invisível na Web, 
de uma maneira completamente discriminatória�
Outro ponto importante, nos dias atuais, é a mo-
bilidade e a ubiquidade que dá a possibilidade de 
levar a informação a qualquer lugar do planeta, 
desde que você tenha um dispositivo móvel com 
conexão à internet, satélite ou operadora de celular.
14
Essa possibilidade de conexão constante dá ao 
usuário a sensação de que ele está sempre bem-
-informado� Porém, em função da grande quanti-
dade de informação produzida, a sociedade vive 
um momento de muita informação e de pouca 
qualidade, o que faz com que o usuário tenha uma 
percepção distorcida da realidade�
AS TÉCNICAS E O MUNDO ATUAL
Pensar em Cibercultura é retornar ao passado 
para resgatar toda uma discussão que começa 
na definição conceitual do termo técnica, pas-
sando por fáusticos e prometeicos, até chegar 
ao neo-luddismo e tecno-utópico, tecnorealismo 
e tecnosurrealismo�
O neo-luddismo é uma referência aos ludistas� Os ludistas 
pertenciam a uma organização secreta de trabalhadores 
têxteis ingleses, do século 19. No ludismo, uma facção 
radical destruiu máquinas têxteis como forma de protesto 
contra a industrialização�
No neo-luddismo, não se acredita na capacidade de 
qualquer nova tecnologia para resolver problemas atuais�
FIQUE ATENTO
15
Esse resgate histórico é importante para compre-
endermos todo o simbolismo sobre a técnica e a 
dimensão que o termo adquiriu na sociedade ao 
longo dos séculos�
Acesse o Podcast 3 em módulos
A origem da técnica se confunde com a origem 
do homem (Lemos, 2008)� A “técnica, na sua 
acepção original e etimológica, vem do grego 
tekhnè, que podemos traduzir por arte” (Lemos, 
2008, p�26)� E, durante séculos, foi assim que o 
termo foi empregado, como sinônimo de arte, a 
imitação da natureza, algo de origem divina� A 
técnica – algo transformador, mágico; mas visto 
também como algo profano, que podia destruir a 
natureza, a criação de Deus� Essa relação entre o 
Sagrado e Profano, de certa maneira, acompanha 
as discussões sobre os benefícios da tecnologia 
até os dias atuais (Lemos, 2008)�
De um lado, temos uma visão fáustica, termo que 
faz referência à lenda do Dr� Fausto, um sábio 
alemão que vende a alma para o diabo em troca 
de sabedoria e poder� De outro, temos a visão pro-
meteica, inspirada no mito grego de Prometeu, que 
entregou as técnicas do fogo para a humanidade 
possibilitando que o homem pudesse controlar a 
natureza�
16
Dentro dessa perspectiva, podemos dividir os autores 
entre utópicos e pessimistas� A primeira corrente 
acredita que a tecnologia favorece o progresso da 
humanidade, é um fator de amadurecimento do ser 
humano� A segunda acredita que o sistema de vida 
tecnológico é um fardo; “sobrevive à custa da per-
manente redução dos seres humanos e de muitos 
outros organismos vivos a produtos resultantes da 
engenharia e a engrenagens da máquina social, 
privando as pessoas de dignidade e autonomia” 
(Unabomber, 1997, pp�45-46, apud Rüdiger, 2007)�
Os sistemas técnicos já nascem nas primeiras 
civilizações e, durante muito tempo, se mostram 
como algo lento e pouco inovador� Essa lentidão 
no desenvolvimento de sistemas técnicos prosse-
guiu até o início da Idade Média, com a instalação 
do Feudalismo, crescimentos das cidades e as 
Cruzadas (Lemos, 2008)�
Em 1777, Johann Beckmann apresenta outra defi-
nição para técnica; propõe “que a mesma designe 
a sistematização disciplinar, ao mesmo tempo 
descritiva e comparativa, do seu ensinamento” 
(Rüdiger, 2007, p�36)� Mas, segundo Rüdiger relata, 
o termo já era empregado meio século antes “para 
referir ainda ao conhecimento científico dessas 
mesmas realidades: então, a técnica se torna 
teórica (tecnologia)” (Philosophia Rationalis Sive 
Logica, 1728, apud Rüdiger, 2007, p� 36)�
17
Esse período coincide com a Revolução Industrial 
e o expansionismo tecnológico que se deu em uma 
época em que as relações do homem, máquina e 
espaço alteraram o significado da palavra técnica.
André Lemos destaca, em seu livro Cibercultura, 
que a primeira Revolução Industrial citada acima 
foi focada na Inglaterra e que, segundo os historia-
dores, “não houve, no século 18, uma revolução no 
sentido de uma ruptura radical, mas a colocação 
de um novo dispositivo simbólico que vai, progres-
sivamente desde a Idade Média, aumentar o poder 
e o alcance do complexo tecnocientífico humano” 
(Lemos, 2008, p�46)� Partindo desse princípio, ve-
rificamos que uma segunda Revolução Industrial 
surge a partir do aparecimento de novas técnicas, 
como a eletricidade�
As discussões sobre o termo técnica continuam 
no século 20 e ganham um novo fôlego com o 
surgimento das tecnologias digitais� No livro Ci-
bercultura, de Pierre Lévy, o autor questiona se é 
correto usar um único sentido para o termo técnica� 
“A ambivalência ou a multiplicidade das signifi-
cações e dos projetos que envolvem as técnicas 
são particularmente evidentes no caso do digital” 
(Lévy, 1999, p.24). “A fim de evitarmos uma história 
basicamente ou unicamente tecnicista, devemos 
colocar em destaque, também, as inter-relações dos 
sistemas técnicos e sociais” (Lemos, 2008� p�39)�
18
Acesse o Podcast 4 em módulos
O professor Milton Santos começa o seu livro A 
Natureza do Espaço comentando como o estudo 
dos processos técnicos é negligenciado por vá-
rios autores, por não citar a questão do espaço� 
Lembra-se de François Sigaud, quando diz que 
“o estudo das técnicas que estão no centro das 
relações sociedade-meio”� Santos considera que 
a técnica é o meio: “As técnicas são um conjunto 
de meios instrumentais e sociais, com os quais 
o homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo 
tempo, cria espaço�” (Santos, 2006, p�16)� Sendo 
assim, a visão que Milton Santos apresenta é que 
os sistemas técnicos estão diretamenteligados 
ao território, ao espaço�
CIBERCULTURA: A NOVA ERA DIGITAL
Como a tecnologia, as mídias tentaram organizar 
os sentidos em uma sociedade� A escrita, por 
exemplo, dar sentido às informações produzidas 
pela sociedade� As grandes religiões se consoli-
dam quando passam a ter uma referência comum 
em texto. A tecnologia, de alguma maneira, toca 
na questão de dar sentidos comuns à sociedade� 
O rádio falando para milhares de pessoas, por 
exemplo, é um meio de comunicação tentando 
dar sentido para muitas pessoas�
19
O livro do Renato Ortiz, A moderna tradição brasi-
leira, mostra como o Brasil se organiza, de alguma 
maneira, de referências fornecidas pela televisão� 
A construção de uma programação nacional com 
objetivo de dar unidade e identidade à nação�
E, como você estudou anteriormente, durante a 
maior parte da história da humanidade, as intera-
ções sociais foram face a face� Tradições eram 
passadas de pai para filho através de histórias. A 
interação face a face tem um caráter dialógico – de 
copresença – em que emissor e receptor partilham 
do mesmo referencial de espaço e tempo, o que 
implica em uma ida e volta no fluxo de informação 
e comunicação� O desenvolvimento de novos meios 
de comunicação afetou os padrões de interação 
social criando novas formas de ação, interação e 
novos tipos de relacionamentos sociais� (Thomp-
son, 2008)
“A cultura contemporânea, associada às tecnolo-
gias digitais (ciberespaço, simulação, tempo real, 
processos de virtualização, etc�), vai criar uma nova 
relação entre a técnica e a vida social” (Lemos, 
2008, p.15). De acordo com Levy, com a ascensão 
da internet, a questão de gerar sentidos comuns 
muda com esse novo meio�
20
A Cibercultura nasce na década de 1950 com a 
informática e a cibernética, mas só vai se tornar 
popular a partir da década de 1970, com o sur-
gimento do microcomputador e se estabelece 
nas décadas de 1980/90, com maior acesso aos 
computadores e o início da internet comercial no 
mundo (Lemos, 2008, p�16)� 
Apesar da existência da tecnologia na década de 
1970, observamos que o grande boom dos compu-
tadores no planeta se dá com o barateamento dos 
preços e o desenvolvimento de sistemas técnicos, 
como as interfaces gráficas, que facilitaram a uti-
lização pela maioria das pessoas que não tinha 
conhecimento para utilização dos computadores 
por meio de códigos de programação. Um exemplo 
da evolução da técnica e da tecnologia�
Resumindo, para entender o que é a Cibercultura, 
adotaremos a seguinte definição: “uma cultura de 
sistemas autorregulatórios com forte base tecno-
lógica para gerar informação, gerar feedback, e 
o feedback regular o sistema” (OLIVERIO, 2012)�
O início do século 21 foi extremamente otimista 
com o surgimento da Internet e de todas as pos-
sibilidades que ela poderia emanar� De acordo 
com Lévy,
A Internet, representando uma abertura para o mundo 
e a liberdade de expressão, constitui igualmente 
21
a infraestrutura da nova economia, cujos altos e 
baixos devem mascarar a tendência de fundo, ine-
gavelmente construtiva (Lévy, 2002, p.70).
Estudiosos afirmavam que estavam entrando em 
uma nova era, na qual as relações com os governos, 
empresas e sociedade seriam impactadas pela 
rede mundial de computadores� A comunicação, 
que antes estava nas mãos da grande mídia, em 
uma relação de um para muitos, mudou com o sur-
gimento da Internet, que trouxe a possibilidade de 
comunicação de muitos para muitos. Pierre Lévy, 
um dos autores que publicou sobre Cibercultura, 
afirma que a diminuição da relação entre espaço 
e tempo, com o retraimento das distâncias, possi-
bilitou que a humanidade voltasse a se reconectar, 
compartilhando das mesmas significações.
A partir dessa origem insondável, desde esse ponto 
de partida unitário quase mítico, a humanidade 
separa-se, dispersa-se: afastamento geográfico, 
divergência de línguas, separação progressiva das 
culturas, invenção de mundos subjetivos e sociais 
cada vez menos comensuráveis. (Lévy, 1999b, p.184)
É fato que a Internet trouxe grandes transforma-
ções em diversos níveis da sociedade, mas, como 
o próprio Lévy afirma, as técnicas não são neutras, 
tampouco boas ou más� As técnicas dependem 
22
do contexto em que são empregadas, já que são 
condicionantes ou restritivas (Rüdiger, 2007)� 
Porém, o autor avança ao afirmar que a Internet 
forma um sistema universal sem totalidade, sendo 
que não há mensagem fora de contexto em uma 
rede onde todas as máquinas estão conectadas�
É um movimento de reconexão do ser humano, 
como foi dito acima, já que, em determinado mo-
mento da história, a humanidade partilhava do 
mesmo espaço e tempo, pois todos viviam em 
uma mesma região� Com o crescimento da popu-
lação e os processos migratórios, essa conexão 
da humanidade se perdeu�
A partir dessa origem insondável, desde esse ponto 
de partida unitário quase mítico, a humanidade 
separa-se, dispersa-se: afastamento geográfico, 
divergência de línguas, separação progressiva das 
culturas, invenção de mundos subjetivos e sociais 
cada vez menos comensuráveis (Lévy, 1999b, p.184).
Na visão do autor, a Cibercultura trouxe essa pos-
sibilidade de reconexão, como se pessoas em 
diferentes regiões do planeta compartilhassem 
das mesmas significações, já que, em algum mo-
mento no passado, essas pessoas compartilharam 
o mesmo espaço e tempo�
23
Um edifício qualquer de uma cidade grande contém 
elementos materiais vindos de todas as partes do 
mundo, concentrando conhecimento, competências, 
processo de cooperação, uma inteligência coletiva 
acumulada ao longo dos séculos, com a participa-
ção, de alguma maneira, dos diversos povos. (Lévy, 
1999b, p�188)
O fato principal que precisa ser entendido e ana-
lisado é que a Cibercultura tenta explicar deman-
das e circunstâncias do homem atual, mas essas 
demandas se iniciam com a informatização e 
maquinização da humanidade�
Se a Revolução Industrial, como o próprio nome 
aponta, foi um ponto de virada na história da huma-
nidade e na sua relação com o próximo, trazendo 
uma nova configuração social, demográfica e 
informacional, a cultura digital, por sua vez, que 
não tem status nem, aparentemente, um destaque 
a ponto de ser considerada uma revolução, traz 
mudanças nas relações sociais no mundo inteiro� 
Como afirma Kotler:
A nova geração de consumidores está muito mais 
antenada com as questões e preocupações sociais� 
As empresas terão de se reinventar e realizar o 
mais rápido possível a transição dos limites antes 
24
seguros do Marketing 1�0 e 2�0 para o novo mundo 
do Marketing 3�0� (Kotler, 2010, p� 206)
O que você irá presenciar nos próximos anos são 
empresas nascendo sob uma nova ordem social 
e mais aberta a ouvir os consumidores; enquanto 
velhas empresas fecham suas portas por não en-
tenderem ou acreditarem que uma grande mudança 
nas relações sociais está em curso�
Acesse o Podcast 5 em módulos
25
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta unidade apresentou uma reflexão sobre o 
impacto das tecnologias nas relações humanas� 
É importante entender que, a cada nova invenção 
adotada pela sociedade, há possibilidade de mo-
dificação na maneira como as pessoas percebem 
e entendem o mundo� Diversas tecnologias im-
pactaram a relação do homem com o espaço e 
tempo. A energia elétrica, por exemplo, teve papel 
importante na aceleração da revolução industrial, 
juntamente com o telégrafo� Isso fez com que 
houvesse um deslocamento de pessoas que tra-
balhavam na zona rural para trabalhar em fábricas 
nas metrópoles� Mesmo em cidades do interior, a 
eletricidade teve impacto na vida dessas pessoas� 
Se antes as pessoas orientavam suas atividades 
diárias pela luz do sol, a luz elétrica possibilitou 
que as pessoas pudessem dormir mais tarde e 
realizar determinadas tarefas no período noturno�
O ponto principal de nossos estudos é entender que 
as tecnologias não são neutras� Também não se 
pode acreditar que uma tecnologia tenha a mesma 
aderência em diferentes regiões de umpaís� Por 
exemplo, a adoção por parte da população de um 
aplicativo para carona pode funcionar muito bem 
em determinado país e ser um fracasso em outro� 
Isso porque as questões regionais e culturais da 
26
população impactam na adoção ou não de deter-
minados objetos técnicos� É importante que, ao 
utilizar a rede, você entenda as especificidades de 
cada região para vender ou comunicar� A solução 
que você utiliza ou oferece pode funcionar muito 
bem na região Sul do Brasil, mas pode não fazer 
nenhum sentido no Sudeste� Entender as caracte-
rísticas e especificidades de cada região é muito 
importante na hora de elaborar o plano estratégico�
27
Referências Bibliográficas 
& Consultadas
BRIGS, A; BURKE, P� Uma história social da 
mídia: de Gutemberg à Internet� São Paulo: 
Zahar, 2004
CHARTIER, Roger� Do códice ao monitor: 
a trajetória do escrito� Estud� av�, São 
Paulo, v� 8, n� 21, p� 185-199, Aug� 1994� 
Disponível em: http://www�scielo�br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
40141994000200012&lng=en&nrm=iso� Acesso 
em: 12 fev� 2019� http://dx.doi.org/10.1590/
S0103-40141994000200012�
GANTZ, J; R� (2012)� David� The Digital Universe 
In 2020: Big Data, Bigger Digital Shadows, 
and Biggest Growth in the Far East� EMC 
Corporation� Acesso em: jul� 2015� Disponível 
em: http://www.emc.com/collateral/analyst-
reports/idc-the-digital-universe-in-2020�pdf� 
Acesso em: KING, G� Ensuring the Data-Rich 
Future of the Social Sciences� Science AAAS: 
Science� Volume 331, 2011�
KOTLER, P�; KARTAJAYA, H�; SETIAWAN, I� 
Marketing 3.0 - As forças que estão definindo 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141994000200012&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141994000200012&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141994000200012&lng=en&nrm=iso
http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141994000200012
http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141994000200012
http://www.emc.com/collateral/analyst-reports/idc-the-digital-universe-in-2020.pdf
http://www.emc.com/collateral/analyst-reports/idc-the-digital-universe-in-2020.pdf
o novo marketing centrado no ser humano� 
Elsevier Editora, 2010�
LAZER, D� et al� Computacional Social Science� 
Science AAAS: Science� Volume 323, 2009�
LEMOS, A� O Imaginário da Cibercultura� Entre 
neo-luddismo, tecno-utopia, tecnorealismo e 
tecnosurrealismo� v� 2010� n� 13 de julho�
LEMOS, A� Cibercultura, tecnologia e vida social 
na cultura contemporânea� 4� ed� Porto Alegre: 
Sulina, 2008�
LÉVY, P� Cibercultura� Tradução de COSTA, C� I� 
D� 2� ed� São Paulo: Editora 34, 1999a� (Coleção 
TRANS)�
LÉVY, P� O universal sem totalidade, essência da 
cibercultura� Cibercultura� São Paulo: Editora 34, 
1999b� pp� 111-121�
LÉVY, P� A revolução contemporânea em matéria 
de comunicação� In: MARTINS, F� M�; SILVA, 
J� M� D� (Ed�)� Para Navegar No Seculo XXI: 
Tecnologias do Imaginário e Cibercultura� Porto 
Alegre: Sulina, 1999c� p� 195-216�
OLIVERIO, Marcio Araujo� Governo aberto: 
transparência, colaboração e participação na 
comunicação entre governo e cidadão� 2012� 
104 f� Dissertação (mestrado em Comunicação 
Social)� Faculdade de Comunicação da 
Universidade Metodista de São Paulo, São 
Bernardo do Campo� Disponível em: http://tede�
metodista�br/jspui/handle/tede/639� Acesso 
em: 23 fev� 2019�
PIGNATARI, D� Semiótica ou Teoria dos Signos� 
Informação, Linguagem, Comunicação� São 
Paulo: Ateliê Editorial, 2002� pp� 22-35�
RECUERO, R� Redes sociais na internet� Porto 
Alegre: Sulina, 2009� (Coleção Cibercultura)�
RÜDIGER, F� R� Introdução às teorias da 
Cibercultura: perspectiva do pensamento 
tecnólogico comtemporâneo� 2� ed� Porto 
Alegre: Sulina, 2007�
SANTOS, M� A aceleração contemporânea: 
tempo-mundo e espaço-mundoTécnica, espaço, 
tempo - Globalização e Meio Técnico-Científico 
Informacional� São Paulo: Editora Hucitec, 1998� 
p� 29-39�
SANTOS, M� A Natureza do Espaço: Técnica 
e Tempo, Razão e Emoção� 4� ed� São Paulo: 
Editora da Universidade de São Paulo, 2006� 
(Coleção Milton Santos 1)�
THOMPSON, J� B� A mídia e a modernidade: uma 
teoria social da mídia� Tradução de BRANDÃO, W� 
D� O� 10� ed� Petrópolis: Vozes, 2008�
http://tede.metodista.br/jspui/handle/tede/639
http://tede.metodista.br/jspui/handle/tede/639
	Introdução
	Desenvolvimento
	Os oráculos
	A sociedade da informação e do conhecimento
	As técnicas e o mundo atual
	Cibercultura: a nova era digital
	Considerações finais
	Referências Bibliográficas & Consultadas

Mais conteúdos dessa disciplina