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1 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
CCCOOONNNTTTEEEÚÚÚDDDOOO 
 
 
CONTEÚDO ..................................................................................................................................... 1 
I - PRINCÍPIOS GERAIS DA TÉCNICA CIRÚRGICA ............................................................................. 4 
1. DEFINIÇÃO .................................................................................................................................. 4 
2. OBJETIVOS .................................................................................................................................. 4 
3. CLASSIFICAÇÃO ........................................................................................................................... 4 
4. TÉCNICA CIRÚRGICA ................................................................................................................... 5 
5. FINALIDADE ................................................................................................................................ 5 
6. PRÉ, TRANS E PÓS-OPERATÓRIO ................................................................................................ 5 
7. TERMINOLOGIA .......................................................................................................................... 5 
8. PRINCÍPIOS DA TÉCNICA CIRÚRGICA ATRAUMÁTICA E ASSÉPTICA ............................................ 6 
II - ASSEPSIA E ANTISSEPSIA: TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO ........................................................... 7 
1. CONCEITOS GERAIS .................................................................................................................... 7 
2. HISTÓRICO .................................................................................................................................. 7 
3. DEFINIÇÕES................................................................................................................................. 7 
4. ESTERILIZAÇÃO ........................................................................................................................... 8 
5. ANTISSÉPTICOS ......................................................................................................................... 10 
III - DIÉRESE .................................................................................................................................. 12 
1. DEFINIÇÃO ................................................................................................................................ 12 
2. DIÉRESE DE PELE ....................................................................................................................... 13 
4. DIÉRESE DO TECIDO SUBCUTÂNEO .......................................................................................... 14 
6. DIÉRESE DA APONEUROSE ....................................................................................................... 14 
7. DIÉRESE MUSCULAR ................................................................................................................. 14 
IV - INSTRUMENTAL CIRÚRGICO................................................................................................... 16 
1. BISTURI ..................................................................................................................................... 16 
2. PINÇA DE DISSECÇÃO OU ANATÔMICA .................................................................................... 17 
3. TESOURAS ................................................................................................................................. 18 
4. PINÇAS HEMOSTÁTICAS, DE TECIDOS E AUXILIARES ................................................................ 19 
5. RETRATORES OU AFASTADORES .............................................................................................. 23 
6. APARELHO DE ASPIRAÇÃO ....................................................................................................... 24 
7. PORTA-AGULHAS ...................................................................................................................... 24 
7. AGULHAS DE SUTURA ............................................................................................................... 25 
V - FIOS CIRÚRGICOS .................................................................................................................... 26 
1. CONCEITO ................................................................................................................................. 26 
2. NORMAS PARA UMA BOA SUTURA .......................................................................................... 26 
2 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
3. CARACTERÍSTICAS DE UM MATERIAL DE SUTURA IDEAL ......................................................... 26 
4. CLASSIFICAÇÃO DOS FIOS ......................................................................................................... 26 
5. FIOS DE SUTURA ABSORVÍVEIS NATURAIS ............................................................................... 27 
6. FIOS DE SUTURA ABSORVÍVEIS SINTÉTICOS ............................................................................. 28 
7. FIOS DE SUTURA NÃO ABSORVÍVEIS NATURAIS ....................................................................... 29 
8. FIOS DE SUTURA NÃO ABSORVÍVEIS SINTÉTICOS ..................................................................... 30 
9. TABELAS RESUMIVAS ................................................................................................................ 32 
10. ADESIVOS ................................................................................................................................ 32 
11. SUTURAS STERI-STRIP™ .......................................................................................................... 33 
12. PRINCÍPIOS A SEREM OBSERVADOS NA ESCOLHA DO MATERIAL DE SUTURA ...................... 33 
13. SELEÇÃO DA ESPESSURA DE SUTURA APROPRIADA ............................................................... 34 
14. RETIRADA DA SUTURA CUTÂNEA ........................................................................................... 34 
VI - NÓS CIRÚRGICOS.................................................................................................................... 36 
1. TIPOS ........................................................................................................................................ 36 
2. TENSÃO ..................................................................................................................................... 37 
3. LIGADURAS ............................................................................................................................... 38 
VII - SUTURAS ............................................................................................................................... 39 
1. INTERROMPIDAS ...................................................................................................................... 39 
2. CONTÍNUAS .............................................................................................................................. 39 
3. CLASSIFICAÇÃO ......................................................................................................................... 39 
4. COLOCAÇÃO DAS SUTURAS ...................................................................................................... 39 
5. SUTURANDO UMA LACERAÇÃO ............................................................................................... 40 
6. SELEÇÃO DA SUTURA ................................................................................................................ 41 
VIII - PREPARAÇÃO PARA O ATO CIRÚRGICO ...............................................................................50 
1. LIMPEZA GERAL DA SALA CIRÚRGICA ....................................................................................... 50 
2. PREPARAÇÃO DO VESTUÁRIO .................................................................................................. 50 
3. PREPARAÇÃO DA SALA DE PRÉ-OPERATÓRIO .......................................................................... 50 
4. PREPARAÇÃO DA EQUIPE CIRÚRGICA ...................................................................................... 50 
5. PREPARAÇÃO DO PACIENTE ..................................................................................................... 54 
6. PREPARAÇÃO DA MESA DE INSTRUMENTAÇÃO ...................................................................... 55 
7. PROCEDIMENTOS DENTRO DA SALA CIRÚRGICA ..................................................................... 55 
8. EQUIPE CIRÚRGICA ................................................................................................................... 56 
9. GESTOS CIRÚRGICOS ................................................................................................................ 56 
10. COLOCAÇÃO DE CAMPOS OPERATÓRIOS ............................................................................... 57 
11. MOVIMENTAÇÃO DENTRO DA SALA DE CIRURGIA ................................................................ 57 
IX - SONDAS, DRENOS E CATETERES ............................................................................................. 58 
1. DEFINIÇÕES............................................................................................................................... 58 
2. CLASSIFICAÇÃO ......................................................................................................................... 58 
3 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
3. MODELOS ................................................................................................................................. 59 
4. INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL .................................................................................................. 64 
5. DRENAGEM TORÁCICA ............................................................................................................. 65 
6. SONDAGEM DO TRATO GASTRINTESTINAL .............................................................................. 65 
7. SONDAGEM DO TRATO URINÁRIO ........................................................................................... 67 
8. CATETERIZAÇÃO VENOSA ......................................................................................................... 69 
9. MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA INVASIVA – CATETER DE SWAN-GANZ ............................ 75 
10. INFECÇÕES HOSPITALARES RELACIONADAS COMO USO DE DRENOS, SONDAS E CATETERES
 .................................................................................................................................................................... 78 
X - DRENAGEM TORÁCICA ............................................................................................................ 79 
1. PATOLOGIAS ............................................................................................................................. 79 
2. SISTEMAS DE DRENAGEM UNIDIRECIONAL .............................................................................. 80 
3. DESCRIÇÃO DA TÉCNICA ........................................................................................................... 82 
4. CUIDADOS COM O SISTEMA DE DRENAGEM ........................................................................... 84 
XI - VENTILAÇÃO MECÂNICA E INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL ..................................................... 85 
1. REVISÃO DA ANATOMIA ........................................................................................................... 85 
2. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 86 
3. EQUIPAMENTOS ....................................................................................................................... 87 
4. VENTILAÇÃO MECÂNICA .......................................................................................................... 90 
5. INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL .................................................................................................. 98 
AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA ..................................................................................................... 106 
MEDICAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA.................................................................................................... 111 
MONITORIZAÇÃO EM ANESTESIA .............................................................................................. 115 
CHOQUE ..................................................................................................................................... 120 
INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO: MEDIDAS DE PREVENÇÃO E ANTIBIOTICOPROFILAXIA.......... 131 
ANESTÉSICOS LOCAIS ................................................................................................................. 143 
CIRURGIA AMBULATORIAL ......................................................................................................... 156 
 
- Fundamentos de Anestesia Local e Regional 
- Fundamentos de Anestesia Geral 
- Noções Básicas da Cirurgia Videolaparoscópica. 
- Noções Básicas da Cirurgia Cardiovascular 
- Noções Básicas de Cirurgia Plástica (conceitos, enxertos e retalhos). 
Histórico da cirurgia plástica. Princípios gerais: Conhecimentos técnicos e artísticos. Incisões. Síntese. 
Zetaplastias. Enxertos e retalhos: conceito, fisiologia, Classificação. Avaliação de casos clínicos. Cirurgias 
Estéticas: face, pálpebra, nariz, orelha, mama, abdome e Contorno corporal. 
- Queimaduras: 
Conceito. Classificação etiológica e de intensidade. Fisiopatologia. Prevenção. Atendimento inicial. Cálculo 
da superfície corporal queimada. Reposição volêmica. Tratamento local. Escarotomias. Fasciotomias. 
Excisão tangencial precoce. Tratamento das seqüelas. 
4 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
III --- PPPRRRIIINNNCCCÍÍÍPPPIIIOOOSSS GGGEEERRRAAAIIISSS DDDAAA TTTÉÉÉCCCNNNIIICCCAAA 
CCCIIIRRRÚÚÚRRRGGGIIICCCAAA 
 
1. DEFINIÇÃO 
O termo cirurgia tem sido definido de várias maneiras, porém do ponto de 
vista da cirurgia moderna, uma definição simples é difícil. Consiste em uma 
disciplina separada da medicina, porém não pode ser isolada dessa e das ciências 
básicas, como a anatomia, fisiologia, microbiologia e patologia. 
Entende-se por cirurgia ao uso de interferência manipulatória para o 
diagnóstico específico no tratamento de doenças, modificar a função fisiológica ou 
estrutura anatômica e para um propósito específico. 
2. OBJETIVOS 
� Diagnóstico de doenças através de cirurgias exploratórias para visualização 
direta de um processo patológico ou da introdução de catéteres ou agulhas para 
coleta de amostras, injeção de contrastes e drogas, ou para medida direta de 
parâmetros fisiológicos como a pressão sanguínea; 
� Tratamento de doenças como a reparação de ossos fraturados (aplicação 
direta da cirurgia) ou como numa neurectomia, para aliviar a dor secundária a um 
processo patológico (aplicação indireta da cirurgia); 
� Corrigir defeitos físicos através de cirurgia reparadora ou reconstrutiva, e 
melhorar a estética através de cirurgia cosmética ou plástica. 
3. CLASSIFICAÇÃO 
Existem vários tipos ou enfoques: 
3.1. De acordo com a atividade 
Reparadora de feridas - parte fundamental de todo procedimento 
cirúrgico; 
Cirurgia extirpativa - remoção de órgãos ou tecidos doentes; 
Cirurgia reconstrutiva - reconstrói órgãos ou tecidos, como na ortopedia e 
cirurgia plástica; 
Cirurgia fisiológica - ondese inclui a remoção de órgãos com a finalidade 
de se excluir sua função endócrina. 
3.2. Quanto ao tipo de cirurgia 
Leve - sem perigo de vida; 
Grave - com perigo de vida; 
Simples - rápida, envolve uma estrutura ou tecido; 
Composta - envolve várias estruturas; 
Cruenta - com a presença de muito sangue; 
Regular - segue normas estabelecidas, planejada; 
Irregular - sem plano, complicada; 
Urgente - apresentação grave; 
Eletiva ou não urgente - apresentação não grave; 
Paliativa - melhora as condições de vida, mas não cura. 
5 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
3.3. De acordo com a especialidade, geralmente baseadas em 
sistemas 
Cirurgia cardiovascular; 
Cirurgia torácica; 
Cirurgia abdominal; 
Neurocirurgia, etc. 
4. TÉCNICA CIRÚRGICA 
Estuda a execução das operações e das manobras cirúrgicas de forma 
regular e sincrônica, visando maior eficiência. A Técnica Cirúrgica Geral estuda as 
manobras cirúrgicas básicas, como a ligadura de vasos, empunhadura de 
instrumentos, etc. A Técnica Cirúrgica Especial estuda os tempos operatórios de 
acordo com uma intervenção em particular. Tempos Operatórios ou Cirúrgicos, 
resultam da reunião de muitas manobras gerais ordenadas e executadas em uma 
determinada região anatômica, com finalidade didática, descritiva e de estudo. 
5. FINALIDADE 
A finalidade da cirurgia humana é salvar a vida dos pacientes, mesmo com 
mutilações. 
6. PRÉ, TRANS E PÓS-OPERATÓRIO 
O período pré-operatório envolve desde as manobras gerais, como a 
preparação do local da cirurgia, esterilização dos instrumentos, coleta de material 
para exames laboratoriais, banho do paciente, jejum, preparação do campo 
operatório, aplicação de soro, antibiótico profilático, contenção do paciente, pré-
anestesia, tricotomia, posicionamento na mesa e antissepsia. 
O período trans-operatório compreende manobras como a diérese, 
hemostasia, procedimentos especiais e síntese. 
O período pós-operatório, que passa pela remoção das suturas, inclui a 
limpeza da ferida, colocação de bandagens, administração de medicamentos e 
procedimentos de monitoração sistêmica, no mínimo diário. O período do pós-
operatório imediato vai até a recuperação do paciente da anestesia. 
7. TERMINOLOGIA 
Algumas cirurgias são nomeadas por um ou por combinação dos seguintes 
métodos: 
a) Nome de uma pessoa credenciada após ter desenvolvido ou modificado 
um procedimento cirúrgico; 
b) Nomes descritivos, formados por uma combinação de sufixos gregos ou 
latinos com termos anatômicos. O radical ou prefixo indica o órgão em referência e 
o sufixo indica o procedimento cirúrgico. 
Segundo a etimologia, os seguintes prefixos e sufixos são mais usados: 
7.1. Prefixos e seus respectivos órgãos 
Adeno - glândula 
Angio - vaso sanguíneo 
Bléfaro - pálpebra 
Cisto - bexiga 
Cole - vesícula biliar 
Colo - cólon 
Colpo - vagina 
Entero - intestino 
Espleno - baço 
Flebo - veia 
Gastro - estômago 
Hepato - fígado 
Histero - útero 
Laparo - parede abdominal 
Mio - músculo 
Nefro - rim 
6 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Neuro - nervo 
Oftalmo - olho 
Oofor - ovário 
Orqui - testículo 
Osteo - osso 
Oto - ouvido 
Pielo - pelve renal 
Pneumo - pulmão 
Procto - reto 
Rino - nariz 
Salpingo - tuba uterina 
Teno - tendão 
Traqueo - traquéia 
Veno - veia 
7.2. Sufixos e seus respectivos significados 
Da junção dos prefixos com os sufixos é que resultam as várias palavras em 
cirurgias, com diferentes significados, como: 
Tomia - secção, abertura; 
Ectomia - retirada, remoção; 
Ostomia - ligação, abertura de boca, comunicação com o meio externo; 
Rafia - sutura; 
Pexia - fixação; 
Plastia - plástica, dar nova forma; 
Punctura - perfuração; 
Centese - punção; 
Cele - hérnia. 
8. PRINCÍPIOS DA TÉCNICA CIRÚRGICA ATRAUMÁTICA E 
ASSÉPTICA 
Doutrina de Halstead. Baseada no conceito histológico em que os tecidos 
vivos são formados por células unidas por tecido elástico fino e com fibrilas nervosas, 
capilares, vasos linfáticos e sanguíneos. O rompimento destas células pelo trauma 
cirúrgico propicia a liberação de enzimas que retardam a cicatrização. Por este motivo 
deve-se minimizar o traumatismo cirúrgico. A prevenção do trauma faz-se através de 
um bom planejamento da cirurgia, trabalho em conjunto, boa iluminação, controle da 
força, conhecimento da anatomia topográfica, controle dos movimentos e gestos, 
busca de um ponto de apoio para diminuir o tremor e da diminuição do tempo de 
cirurgia. 
As regras básicas que norteiam a doutrina da técnica cirúrgica atraumática são: 
� Cirurgião sem tensão; 
� Movimentos mínimos e precisos; 
� Dissecar somente o indispensável; 
� Reduzir a exposição de tecidos ao mínimo; 
� Manipulação suave; 
� Uso de instrumentos e técnicas corretas; 
� Uso de compressas embebidas em solução fisiológica morna. 
 
7 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
IIIIII --- AAASSSSSSEEEPPPSSSIIIAAA EEE AAANNNTTTIIISSSSSSEEEPPPSSSIIIAAA::: TTTÉÉÉCCCNNNIIICCCAAASSS DDDEEE 
EEESSSTTTEEERRRIIILLLIIIZZZAAAÇÇÇÃÃÃOOO 
 
1. CONCEITOS GERAIS 
Dois fatores inter-relacionados – trauma e infecção – são responsáveis pelo 
sucesso ou falha das cirurgias. Praticamente, o objetivo de todas as intervenções, seja 
direta ou indiretamente, é limitar o trauma e diminuir o risco de infecção cirúrgica. 
As grandes possibilidades da cirurgia moderna têm se desenvolvido 
paralelamente com o grande aumento das responsabilidades do cirurgião. Ele é o 
principal responsável pelo bem estar e saúde do paciente antes, durante e após a 
cirurgia. 
Os dois maiores fatores que contribuíram para o desenvolvimento da cirurgia 
moderna foram o descobrimento da anestesia e a aplicação dos princípios da 
antissepsia e da assepsia. 
2. HISTÓRICO 
Alguns grandes cientistas contribuíram para que isso acontecesse: 
Louis Pasteur (1822 - 1895), com a descoberta do microscópio, pôde estudar 
e identificar bactérias responsáveis pela putrefação, carbúnculo e raiva nos animais, 
proporcionando os fundamentos das técnicas da antissepsia. 
Joseph Lister (1827 - 1912), cirurgião inglês, descobriu que o pus não se 
formava em feridas cuja contaminação era evitada. Usou ácido carbólico para lavar as 
feridas e evitar a contaminação, dando início à doutrina da antissepsia. 
Ignácio P. Sammelweis (1818 - 1865), obstetra austríaco, reconheceu a 
importância da lavagem das mãos antes das manobras obstétricas como método para 
diminuir a incidência da febre puerperal. 
Oliver Holmes (1809 - 1894) advogou a mudança das roupas e lavagem das 
mãos após sair das salas de necropsia. 
Ernest Von Bergmann (1836 - 1907) usou cloreto de mercúrio ao invés do 
ácido carbólico para antissepsia e em 1886 introduziu a esterilização a vapor. Este 
método foi estudado por Merke (1880) em Berlin e aperfeiçoado por Koch em 1881. 
Robert Koch (1843 - 1910), bacteriologista alemão, demonstrou pela primeira 
vez a especificidade de diferentes tipos de bactérias para produzir infecções cirúrgicas. 
William S. Halstead (1852 - 1922), entre outras técnicas cirúrgicas, como a 
ligadura delicada dos vasos, introduziu o uso das luvas de borracha para praticar 
cirurgias. As primeiras luvas de borracha foram feitas pela Goodyear e usadas em 
1891 para prevenir dermatite em uma enfermeira. 
3. DEFINIÇÕES 
Para melhor entendimento dessa doutrina, torna-se necessário conceituar os 
seguintes termos: 
Assepsia: é o conjunto de medidas que utilizamos para impedir a penetração 
de microorganismos num ambiente que logicamente não os tem, logo um ambiente 
asséptico é aquele que está livre de infecção. 
Antissepsia: é o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de 
microorganismos ou removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não 
destruí-los e para talfim utilizamos antissépticos ou desinfetantes. 
8 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Degermação: vem do inglês degermation, ou desinquimação, e significa a 
diminuição do número de microorganismos patogênicos ou não, após a escovação da 
pele com água e sabão. 
Desinfecção: é o processo pelo qual se destroem particularmente os germes 
patogênicos e/ou se inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimento. Os esporos 
não são necessariamente destruídos. 
Esterilização: é processo de destruição de todas as formas de vida microbiana 
(bactérias nas formas vegetativas e esporuladas, fungos e vírus) mediante a aplicação 
de agentes físicos e ou químicos. Toda esterilização deve ser precedida de lavagem e 
enxaguadura do artigo para remoção de detritos. O conceito de esterilização é 
absoluto. O material é esterilizado ou é contaminado, não existe meio termo. 
Na rotina, os termos antissépticos e desinfetantes são empregados como 
sinônimos, fazendo que não haja diferenças absolutas entre desinfetantes e 
antissépticos. Entretanto, caracterizamos como antisséptico quando a empregamos em 
tecidos vivo e desinfetante quando a utilizamos em objetos inanimados. 
4. ESTERILIZAÇÃO 
A esterilização pode ser feita por métodos físicos e métodos químicos. Nos 
métodos físicos tem-se a filtração, a energia radiante e a energia térmica. Nos 
métodos químicos incluem-se os desinfetantes de 1º, 2º e 3º graus na forma líquida e 
gasosa. 
4.1. Métodos físicos 
4.1.1. Filtração 
É a separação de material em partículas de líquidos ou gases e feita através de 
filtros. Nos filtros são removidos os microorganismos e outras partículas do material 
filtrado, pois as partículas maiores ficam retidas na superfície do filtro. Existem filtros 
de membrana e de profundidade, com uma espessura de aproximadamente 150 m. 
4.1.2. Radiação 
É usada naqueles materiais que não podem ser esterilizados pelo calor ou por 
íons químicos. 
Existem dois tipos de radiações aplicáveis, a eletromagnética e a de partículas. 
Ambas produzem efeitos líticos pela produção de ionização dentro ou próximos ao 
organismo. Geralmente é chamada de esterilização fria, pois não ocorre elevação de 
temperatura. Ex: radiação ionizante: raios alfa, raios gama e raios X. 
4.1.3. Energia Térmica 
a) Calor Seco: 
o Flambagem: pode ser usada em emergências e não produz uma 
esterilização eficiente, além de encurtar a vida útil do instrumental. 
o Forno de Pasteur: promove uma esterilização boa, sendo demorada e 
pode ser usada a 1800ºC por 30 minutos ou 2000ºC por 20 minutos. O 
forno deve ser aberto quando a temperatura estiver inferior a 400ºC. 
o Incineração: é um método efetivo de esterilização pelo calor seco, 
porém é altamente destrutivo, sendo usado mais para exterminação de 
material contaminado. 
O aparelho mais comum para a esterilização pelo calor seco é a estufa. A 
temperatura interior é controlada por um termostato. A esterilização acontece quando 
a temperatura no interior da estufa atinge de 160ºC a 170ºC, durante 2 horas, 
ocorrendo destruição de microorganismos, inclusive os esporos. 
b) Calor Úmido: 
o Fervura: em condições normais não deve ser considerado um agente 
esterilizador e sim desinfetante, pois sabemos que os esporos, e alguns 
9 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
vírus, como o da hepatite, resistem a essa temperatura, alguns até por 
45 h. O tempo requerido para esterilização é de 30 minutos em nível do 
mar. Este tempo pode ser reduzido em 50% pela adição de hidróxido de 
sódio (0,1g/100ml) ou carbonato de sódio (2g/10ml). 
o Autoclave: baseia-se no princípio de que o vapor retido sob pressão 
alcança altas temperaturas sem entrar em ebulição (mecanismos da 
panela de pressão). Funciona a 135ºC por 3 minutos, 125ºC por 10 
minutos ou 120ºC por 15 minutos. O material deve ser muito limpo e 
exposto ao vapor para assegurar um bom aquecimento. O instrumental 
deve ser enrolado em material permeável ao calor e a autoclave deve 
ser apropriadamente manuseada. Dentre as vantagens tem-se o ciclo 
rápido, permitindo vários processamentos por dia, menor dano ao 
instrumental e a menor exposição ao calor. A autoclave a vácuo funciona 
como a de vapor. 
4.2. Métodos químicos 
O termo esterilização química implica no uso de líquidos ou gases para se obter 
a esterilização. O efeito deste tipo de esterilização sobre os microorganismos é através 
de mudanças na estrutura química na célula. Dentre os agentes que promovem a 
esterilização gasosa tem-se o formaldeído e o óxido de etileno como principais. 
As indicações para seu uso são as fumigações de grandes espaços, como 
ambientes hospitalares ou barracas e a esterilização de materiais sensíveis ao calor e 
que não suportam muita umidade, como plásticos, instrumentos ópticos e borrachas. 
4.2.1. Desinfetantes de lº grau 
Usado para esterilizar itens críticos, ou seja, todo material usado em 
intervenções cirúrgicas. Os desinfetantes desta categoria devem ter capacidade de 
destruir formas vegetativas, esporos, bacilo da tuberculose e vírus. 
Capazes de esterilização são o formaldeído, glutaraldeído, iodo e o óxido de 
etileno, cujo mecanismo de esterilização é o de alquilação (átomos de hidrogênio são 
repostos por grupos de hidróxido etílico bloqueando assim os grupos reativos para que 
se realizem as reações metabólicas). 
O formaldeído (CH2O) é um sólido branco que sublima em temperatura 
ambiente. 
Em fumigações de salas ou outros espaços 0,5 a 1,0 ml de formalina por 30 
cm³ de espaço a ser vaporizado. A temperatura ambiente deve ser ao redor de 20°C e 
a umidade relativa do ar de 100%. 
As bactérias vegetativas são mortas em 2 horas. Os esporos necessitam 12 
horas para serem mortos. Após a esterilização com formaldeído, a aeração é 
necessária. Os gases são muito irritantes e a alta umidade requerida é corrosiva. 
O óxido de etileno é o agente gasoso mais popular para esterilização existente, 
por ter uma dissipação mais rápida que o formaldeído sendo, porém, mais inflamável e 
explosivo. Difunde-se e penetra rapidamente no material a ser esterilizado, sendo por 
isto indicado para esterilizar objetos longos e tubulares. Possui propriedade bactericida 
em todos os microorganismos e sua ação é por alquilação. 
4.2.2. Desinfetantes de 2º grau 
Desinfetantes que atuam pela desnaturação das proteínas. São os compostos 
fenólicos, clorinas, álcool e iodo. 
4.2.3. Desinfetantes de 3º grau 
Desinfetantes que não têm poder virucida, esporocida e tuberculocida. Incluem 
os compostos mercuriais e compostos de amônio quaternário, cuja ação é mais 
bacteriostática. 
10 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
5. ANTISSÉPTICOS 
Muitos dos desinfetantes que são usados em objetos inanimados são também 
usados na pele e em feridas. Quando são usadas com este propósito são chamados de 
antissépticos. Eles são usados para reduzir a flora bacteriana da pele dos braços e 
mãos da equipe cirúrgica e o campo operatório do paciente. 
Este é o ponto fraco da técnica cirúrgica asséptica, pois é impossível esterilizar 
a pele sem destruí-la. 
Um antisséptico adequado deve exercer a atividade germicida sobre a flora 
cutâneo-mucosa em presença de sangue, soro, muco ou pus, sem irritar a pele ou as 
mucosas. Além da atividade antimicrobiana, os antissépticos devem ser atóxicos, não 
irritantes quando aplicados e devem reter suas propriedades “in vivo”. 
Muitos agentes que têm propriedades antimicrobianas “in vitro” são ineficazes 
quando usadas como antissépticos, pois são inativados por materiais orgânicos. 
Os agentes que melhor satisfazem as exigências para aplicação em tecidos 
vivos são os iodos, a clorexidina, o álcool e o hexaclorofeno. 
5.1. Indicações 
5.1.1. Pele 
A superfície epidérmica é muito irregular, composta de placas de queratina e 
células mortas, sendo queas bactérias estão presentes sobre e sob estas células 
mortas. 
As bactérias presentes na pele são divididas em dois grupos: bactérias 
transitórias e residentes. 
As bactérias transitórias são as adquiridas do meio ambiente pelo contato diário 
com material contaminado. São de vários tipos e número, aumentando quando 
protegidas por dobras de pele ou outras estruturas anatômicas como a cabeça, unhas, 
umbigo e região perineal. 
As bactérias residentes formam uma população estável que vive e se multiplica 
na pele. Dentro desta categoria estão os estafilococos de baixa patogenicidade e 
outros agentes. O tamanho e o tipo variam muito entre indivíduos. 
5.1.2. Membranas mucosas 
O ambiente morno e úmido destas áreas é ideal para crescimento de 
microorganismos, mas normalmente as membranas mucosas formam uma barreira 
efetiva contra a invasão para tecidos mais profundos. 
É mais fácil remover microorganismos de superfície das mucosas do que da 
pele. 
Uma lavagem gentil geralmente remove a contaminação mais grosseira, sendo 
complementada com uma lavagem com antisséptico para remoção de bactérias 
residuais. 
5.2. Agentes antissépticos 
5.2.1. Sabões 
São antissépticos fracos e não são muito bons para pele. Seu valor está 
associado ao fato de serem agentes não irritantes, quanto usados com fricção 
mecânica, sendo usado para lavar as mãos antes de procedimentos cirúrgicos. 
Preconiza-se o uso de sabão líquido no hospital e unidades de saúde. 
Em resumo: Os sabões têm ação detergente ou degermante. 
5.2.2. Bifenol 
Este grupo contém um grande número de compostos usados como antissépticos 
e desodorantes. O hexaclorofeno é muito importante em cirurgia por seu efeito 
residual, porém é vendido somente por prescrição por ser carcinogênico. 
11 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
5.2.3. Álcool 
O álcool etílico é o mais comum dos antissépticos para a pele e geralmente 
superior aos outros álcoois para este fim. Álcool etílico a 70% tem uma efetividade 
igual ao etílico de 92%. 
Exerce ação germicida quase imediata, porém sem nenhuma ação residual e 
ressecam a pele em repetidas aplicações, o que pode ser evitado adicionando se 
glicerina a 2%. 
5.2.4. Iodo 
É muito popular na antissepsia, por ser efetivo e barato. Sua ação germicida é 
devido ao elemento iodo, em ambas as formas, aquosa e alcoólica (tintura). A tintura 
de iodo tem sido recomendada para aplicação na pele de pacientes antes das cirurgias. 
A solução de iodo também tem sido recomendada como antisséptico. 
5.2.5. Iodóforos 
Possuem perto de 1% de iodo disponível. São excelentes agentes para limpeza 
e não são irritantes. São chamados de iodóforos e liberam o iodo lentamente, 
permitindo uma estabilidade maior para a solução. Os compostos de iodo têm ação 
residual, entretanto sua atividade é diminuída em virtude da presença de substâncias 
alcalinas em matérias orgânicas. 
O iodóforo mais usado para a antissepsia das mãos é a solução degermante, de 
PVPI a 10% (1% de iodo ativo), em solução etérica, que é bactericida, tuberculicida, 
fungicida, virucida e tricomonicida. Essa solução tem a seu favor, o fato de não ser 
irritante, ser facilmente removível pela água e reagir com metais. 
Para as feridas abertas ou mucosas, (sondagem vesical), usamos o complexo 
dissolvido em solução aquosa (tópico). 
Para a antissepsia da pele íntegra antes do ato cirúrgico usamos o complexo 
dissolvido em solução alcóolica. 
Em resumo: Os iodóforos têm ação bactericida, fungicida, virucida e ação 
residual. 
5.2.6. Clorexidina 
A clorexedina é um germicida do grupo das biguanidas, apresenta maior 
efetividade com um pH de 5 a 8, e age melhor contra bactérias Gram-positivas do que 
Gram-negativas e fungos. Atua aumentando a permeabilidade da membrana celular, 
causando perda de conteúdo citoplasmático. Tem ação imediata e tem efeito residual. 
Apresenta baixo potencial de toxicidade e de fotossensibilidade ao contato, sendo 
pouco absorvida pela pele íntegra. 
Para casos de alergia ao iodo, pode-se fazer a degermação prévia com solução 
detergente de clorexidina a 4%. 
Soluções aquosas de clorexedina em concentrações inferiores a 4% de álcool 
são mais facilmente contamináveis sendo considerados inadequados para uso 
hospitalar. 
Em resumo: a ação da clorexedina é germicida, melhor contra Gram-positivo e 
tem ação residual. Superior ao hexaclorofeno e PVPI, porém é mais caro. 
 
Obs.: a mistura de iodo/iodóforos com clorexidina inativa ambos os compostos, 
tornando-os ineficazes quanto a sua ação germicida. 
 
 
12 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
IIIIIIIII --- DDDIIIÉÉÉRRREEESSSEEE 
 
1. DEFINIÇÃO 
Entende-se por diérese a separação dos tecidos, realizada por meio de 
intervenções manuais. Tem-se diferentes tipos de diérese, de acordo com o tecido a 
ser separado, ou seja, diérese da pele, de aponeurose, de músculo e de órgãos 
específicos. 
1.1. Acesso cirúrgico 
A via de acesso é definida pelo cirurgião de acordo com o diagnóstico mais 
provável, que permita fácil acesso ao órgão a ser operado, a exploração adequada da 
cavidade abdominal, e possíveis procedimentos complementares eventualmente 
necessários. 
As incisões devem ser planejadas para preservar ao máximo a musculatura e a 
inervação e permitir um fechamento seguro. As incisões abdominais (laparotomia) 
mais usadas e algumas clássicas usadas em condições especiais estão sistematizadas 
nos desenhos abaixo. 
 
 
 
 
Curiosidade: Tentacânula é um instrumento próprio para guiar a ponta do bisturi 
durante a incisão. 
 
Incisões laparotômicas: (1) mediana supra-umbilical, (2) mediana infra-umbilical, (3) oblíqua E (Heaney-Humphrey), 
(4) pararretal medial E, (5) pararretal lateral E, (6) oblíqua inguinal D, (7) subcostal oblíqua E, (8) McArthur 
(McBurney), (9) Babcock, (10) transretal bilateral, (11) transretal supraumbilical (Meyer), (12) Pfannenstiel, (13) 
Leclerc, (14) Drüner, (15) inguinal transversa D (Felizet), (16) Kocher (2-3 cm abaixo do RCD), (17) paramediana 
pararretal medial médio-umbilical D (Lennander), (18) Pimbrane-Mirizzi (sobre o RCD), (19) Auvert, (20) Dijon, (21) 
subcostal bilateral (Chevron) com extensão mediana. 
13 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
2. DIÉRESE DE PELE 
A pele pode ser considerada um sistema, pois possui, além da epiderme e a 
derme, um aporte vascular e nervoso próprios, e seus anexos como as glândulas 
sebáceas e sudoríparas e os folículos pilosos. 
Desempenha também funções altamente especializadas, como parte dos 
mecanismos de defesa, regulação da pressão sanguínea, receptores dolorosos 
(nociceptores) e sensitivos, além de servir de "membrana" que proporciona a 
individualidade dos seres. 
Instrumental: a separação da pele pode ser feita com o bisturi, tesoura e 
bisturi elétrico. Recentemente o raio laser tem sido usado para abordagens de tecidos 
e pode ser, de acordo com alguns autores, enquadrado como instrumento de diérese. 
Técnica: desenvolve-se a partir de vários tempos: 
2.1. Traçado da incisão 
o Ligeira escarificação com a ponta do bisturi; 
o Com o auxílio do azul de metileno; 
o Com agulhas hipodérmicas; 
o Compressão com fio e escarificação, em áreas arredondadas ou 
convexas; 
o Com lápis dermatológico (por exemplo para cirurgias plásticas). 
2.2. Secção de pele 
O cirurgião destro fixa e distende a pele com a mão esquerda (pode ser 
auxiliado pelo assistente) e empunha o bisturi com a mão direita, fazendo com que a 
lâmina deslize com a superfície cortante em ângulo reto sobre a pele. O cirurgião 
canhoto usa as posições inversas. A fixação da pele pode ser feita com as mãos, pinças 
ou agulhas de injeção. Na secção da pele deve ser observado o sentido da incisão, que 
deve ser realizada na direção crânio caudal, respeitando as linhas de tensão, quando ocirurgião destro tiver a cabeça do paciente colocada do seu lado esquerdo. Deve ser 
também no sentido distal-proximal com relação ao cirurgião e de cima para baixo. 
Idealmente, a incisão é feita com um só movimento (magistral). 
2.3. Tipos de secção de pele 
Magistral: A incisão é feita com um só movimento ou traço, sem levantar o 
bisturi, movendo-se o pulso ao mesmo tempo que se traciona o braço. O bisturi deve 
ser empunhado como um lápis ou faca. 
Secção magistral breve: Consta de uma incisão rápida, onde é feito somente 
o movimento de pulso – indicada para pequenas incisões (5 ou 6 centímetros). 
Serrilhada: Usada quando o bisturi não tem fio e os movimentos são como 
quando se usa uma serra ou faca de pão. 
Punção: É feita uma pequena incisão, introduzindo o bisturi pela ponta, em 
uma posição quase que vertical. 
Transfixação: O bisturi penetra com a parte cortante voltada para cima e 
secciona desde a profundidade para a superfície, a medida que o vai sendo removido. 
Secção circular: Aconselha-se marcar a linha de incisão, que pode ser feita em 
um ou dois tempos. 
Secção com bisturi ampliada com tesoura: Onde a epiderme é seccionada 
com o bisturi e a derme com a tesoura. 
Secção com tesoura: Quando usada é devido à ausência do bisturi ou em 
casos de recortes em cirurgia reparadora. 
2.4. Despregamento cutâneo 
Usado quando é necessário desprender a pele do tecido subcutâneo, onde as 
bordas de pele são pinçadas e o tecido subcutâneo é seccionado com bisturi ou 
afastado com tesoura (introduzida fechada e aberta no interior dos tecidos). 
14 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Este despregamento pode ser em 3 planos: subdérmico, subcutâneo e supra-
aponeurótico. 
4. DIÉRESE DO TECIDO SUBCUTÂNEO 
Quando o paciente é magro, o tecido subcutâneo é escasso, sendo seccionado 
pelo bisturi com a pele. Se o indivíduo for obeso, é necessário seccionar várias vezes 
antes de ser transposta esta camada de gordura. 
4.1. Métodos de diérese subcutânea 
o Secção com bisturi: às cegas, isto é, junto com a pele; 
o Secção magistral: com prévia diérese de pele; 
o Secção por planos: onde são feitas tantas incisões quantas necessárias 
para se atingir o tecido aponeurótico; 
o Secção com bisturi e tesoura: incisão com o bisturi, dissecação romba 
com tesoura (tesoura na posição vertical); 
o Secção com tesoura: onde, com o auxílio de pinças, eleva-se o tecido 
subcutâneo e secciona-se. 
4.2. Despregamento do tecido subcutâneo 
A secção é feita com o bisturi e o afastamento ou despregamento do tecido 
subcutâneo é feito com a tesoura, cabo do bisturi ou com as mãos. 
6. DIÉRESE DA APONEUROSE 
Geralmente a linha de secção da aponeurose superficial é a mesma da incisão 
cutânea. Esta secção é uma etapa importante da diérese, pois na reconstrução por 
planos, na síntese, é a aponeurose que fornece o suporte necessário para uma 
adequada sutura muscular. 
6.1. Exposição da aponeurose 
Antes de ser incisada, a aponeurose deve ser preparada ou limpa (afastamento 
do tecido subcutâneo ou adiposo do local onde será feita a incisão), por meio de 
movimentos laterais com a lâmina do bisturi. 
6.2. Secção da aponeurose 
O sentido da incisão pode ser distal-proximal, proximal-distal, ou por incisões 
divergentes, se feitas com o bisturi ou tesoura respectivamente. 
6.3. Tipos de secção 
o Com bisturi: da esquerda para a direita (pessoas destras); 
o Com tesoura: mediante prévio orifício feito com o bisturi ou tesoura; 
o Com tesoura: mediante prévia dissecação; 
o Sobre tentacânula: com prévia introdução deste instrumento. 
6.4. Desprendimento da aponeurose 
Quando necessário, faz-se uma tração suave com uma pinça anatômica e 
separa-se o tecido com tesoura. 
7. DIÉRESE MUSCULAR 
Os músculos são estruturas importantes, pois são através deles que se tem 
acesso a estruturas mais profundas, como ocorre na maioria das intervenções. Às 
vezes não é necessário incisar um músculo, e sim dissecá-lo. Uma correta dissecação e 
diérese muscular permitem uma boa abordagem cirúrgica, assim como uma perfeita 
reconstrução da ferida cirúrgica, com o que se previne eventual deiscência. 
15 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Os músculos pacientes de dissecação ou diérese sofrem uma reação cicatricial 
que limita seu funcionamento em maior ou menor grau. 
7.1. Instrumental 
Para a diérese aguda, usar o bisturi e para a romba usar a tesoura ou as mãos 
ou os dedos. 
7.2. Técnica de dissecação 
Dissecar um músculo significa desprendê-lo parcial ou totalmente dos tecidos 
que o rodeiam (aponeuroses e músculos vizinhos), respeitando os nervos e vasos. 
Primeiro expõe-se a face superficial, após as laterais e por último a profunda. 
7.3. Técnica de diérese muscular 
o Simples: Quando todos os planos são incisados na mesma direção da 
incisão da pele. 
o Complexa: quando os planos musculares são atravessados no sentido 
de suas fibras, sem se levar em conta a direção da incisão de pele. 
7.4. Tipos de diérese 
o Secção magistral: sempre com bisturi, onde pode ser usada o auxílio 
de duas pinças de tecidos para elevação do músculo; 
o Secção com tesoura: constrói-se um túnel com a tesoura em posição 
horizontal e secciona-se com a tesoura na posição vertical. 
o Secção com os dedos: a partir de um orifício feito com o bisturi ou 
tesoura, e sempre no sentido ou na direção das fibras musculares. 
 
 
16 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
IIIVVV --- IIINNNSSSTTTRRRUUUMMMEEENNNTTTAAALLL CCCIIIRRRÚÚÚRRRGGGIIICCCOOO 
 
1. BISTURI 
Bisturi é um instrumento cirúrgico, usado para fazer incisões, caracterizado por 
possuir uma lâmina muito afiada. Há diversos tamanhos de cabo e tipos de lâminas, 
para funções específicas. Há também o bisturi elétrico (função de corte e coagulação). 
Os bisturis podem ser totalmente descartáveis (cabo e lâmina são eliminados 
após o uso) ou somente as lâminas são removíveis e descartáveis. 
Vale dizer que é necessário fazer uso do porta-agulhas para a colocação e a 
remoção das lâminas removíveis. 
1.1. Empunhadura 
Existem alguns métodos para segurar um bisturi, dependendo muito onde e 
como vai ser usado: 
a) Como uma faca ou “arco de violino”, onde o dedo indicador posiciona-se 
sobre a porção dorsal posterior da lâmina, com a finalidade de controlar a pressão 
dessa sobre o tecido a ser enfocado. Usar esta posição para as incisões de pele e de 
tecidos mais duros. 
b) Como um lápis, podendo dessa maneira ser manipulado pelos dedos sem 
movimentar o pulso. Usado para dissecação e incisões delicadas, onde não há 
necessidade de pressão sobre o tecido a ser incisado. 
c) Para limpeza ou afastamento do tecido gorduroso ou aponeurose, ou ainda 
dissecação sobre estruturas, o bisturi é manipulado em ângulo oblíquo em relação aos 
tecidos. 
 
Formas de empunhar o bisturi. Da esquerda para direita: empunhadura a), b) e c). 
1.2. Cabos 
Os tipos mais comumente utilizados na diérese incisional são os de número 3 e 
4, sendo o 3 mais fino. São preparados para receber uma variedade de tipos de 
lâminas por meio de encaixe em sua fenda receptora (ranhuras laterais). 
Existem variantes desses cabos, mas permanecendo os mesmos tipos de 
ranhuras. Por exemplo, variantes do cabo 3 são o 3L e o 7, e do cabo 4 tem o 4L. 
 
 
Cabos de bisturi. Detalhe das ranhuras dos cabos 3 e 4. 
17 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
1.3. Lâminas 
As lâminas para bisturi são produzidas em aço inoxidável e com diferentes 
formatos dependendo de seus usos específicos. 
Para cabos de bisturi nº 3, utilizamos as seguintes 
lâminas: 
o nº 10; 
o nº 11; 
o nº 12; 
o nº 15. 
Para cabos de bisturi nº 4, utilizamos as seguintes 
lâminas: 
o nº 20; 
o nº 21; 
o nº 22; 
o nº 23; 
o nº 24; 
o nº 25. 
 
1.4.Maneira correta de trocar a lâmina do bisturi 
Para conectar a lâmina ao cabo é necessária a utilização de um porta-agulha de 
modo a evitar cortes ao manuseá-la. Com o auxílio do porta-agulha, segura-se a 
lâmina em sua extremidade superior proximal. O cabo é segurado pelo corpo de modo 
que a extremidade com a lâmina fique voltada para frente. A lâmina é deslizada 
anteroposteriormente pelo cabo até que haja um estalido. A remoção obedece aos 
mesmos procedimentos, entretanto o porta-agulha deverá segurar a lâmina em sua 
porção mais distal e superior levantando-a para desconectá-la e deslizando-a em 
sentido oposto ao anterior. 
 
 
À esquerda vemos a maneira correta de retirar de sua embalagem a lâmina de bisturi. À direita vemos a forma 
adequada de remover a lâmina, sendo que, para conectá-la, o porta-agulha a segura em sua extremidade proximal. 
2. PINÇA DE DISSECÇÃO OU ANATÔMICA 
São instrumentos de preensão muito 
úteis como auxiliares em qualquer tempo 
cirúrgico. Estas pinças são seguras entre o 
polegar e os 2º e 3° dedos. Existem muitos 
tipos dessas pinças, e elas devem ser usadas 
nos tecidos para os quais foram feitas. Como 
exemplo, a pinça de dissecação com ponta 
delicada não deve ser usada na pele. 
Tipos básicos: 
o Anatômica sem dente-de-rato (atraum.); 
o Anatômica com dente-de-rato (traum.); 
o Adson com ou sem dente-de-rato. 
18 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
3. TESOURAS 
Têm como função principal efetuar a secção ou a divulsão de tecidos orgânicos, 
além de seccionar materiais cirúrgicos, como gaze, fios, borracha, entre outros. As 
tesouras variam no tamanho (longas, médias ou curtas), no formato da ponta (finas, 
rombas ou mistas) e na curvatura (retas ou curvas), cada uma com uma finalidade 
específica, adequada a cada fase do ato operatório e à especialidade cirúrgica. 
As tesouras são destruídas rapidamente quando usadas para outros fins que 
não os aconselhados. 
As tesouras para cortar fios cirúrgicos geralmente são tesouras retas com ponta 
romba, e devem ser usadas para fios que não arames ou metálicos. As tesouras para 
cortar fios metálicos são especiais e menores que as cirúrgicas (melhor são os alicates 
para tal finalidade). Para cortar fios cirúrgicos, abrem-se pouco as lâminas, que 
deslizam sobre as pontas a serem cortadas e viradas levemente antes das lâminas 
cortarem o fio. O tamanho do fio cortado vai depender do grau de rotação da tesoura. 
Tesouras para tecidos (usualmente curvas) podem ser usadas sempre que se 
possa ver o tecido entre suas lâminas. 
Tesouras de ponta romba para dissecação: inserir as lâminas fechadas e abri-
las, separando os tecidos. 
 
 
 
 
Tesouras. De cima para baixo, da esquerda para direita: Tesoura de Mayo (reta – cortar fios), tesoura de Metzenbaum 
(curva – cortar tecidos), tesoura de Íris (reta), tesoura de Spencer (cortar/remover pontos de suturas) e tesoura de 
Potts-Smith (vascular). No canto inferior direito: detalhe de como as pontas das tesouras podem se apresentar. 
Função: diérese. 
19 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
4. PINÇAS HEMOSTÁTICAS, DE TECIDOS E AUXILIARES 
Partes da pinça: alça, cremalheira, cabo, articulação e mandíbula. Se as alças 
forem douradas significa que a pinça ou porta-agulha possui em sua mandíbula wídia, 
uma liga de carboneto de tungstênio que confere excelentes propriedades de dureza e 
resistência ao desgaste desse material, melhorando seu manuseio. 
 
 
Pinça de Crile reta. 
 
4.1. Pinças hemostáticas tradicionais 
Hemostasia é toda manobra destinada a evitar ou estancar hemorragia, 
visando impedir perda sanguínea que comprometa a volemia, mantendo limpo o 
campo operatório e evitando formação de coleções sanguíneas e de coágulos que 
favoreçam as infecções. Pinças hemostáticas devem abranger somente o vaso 
sangrante e incluir o mínimo possível de tecido adicional. O assistente deve segurar a 
pinça com a ponta voltada em direção ao cirurgião, de maneira que o vaso possa ser 
facilmente ligado. Após o primeiro nó ser feito e estar sendo apertado, a pinça 
hemostática é removida de maneira a permitir que o nó seja apertado por completo e 
possa ser feito o 2º nó. Principais representantes: Kelly, Crile e Halstead (mosquito). 
 
 
Pinças hemostáticas tradicionais. Pinças de Kelly, Crile e Halstead. 
Observar: Kelly só possui ranhuras nos 2/3 distais da mandíbula, ao contrário da Crile que possui ranhuras em toda a 
mandíbula; a Halstead (mosquito) é semelhante à Crile, porém de tamanho reduzido quase pela metade. 
Função: hemostasia. 
Mandíbula (se for tesoura: lâmina) 
Articulação 
Cabo ou ramo 
Cremalheira ou catraca (ausente nas tesouras) 
Alça ou empunhadura 
20 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
4.2. Pinças hemostáticas especiais 
Este tipo de pinça é usado para ocluir a circulação em grandes vasos. O vaso 
deve ser pinçado o suficiente para oclusão do fluxo sanguíneo, de maneira a minimizar 
o trauma vascular. Principais representantes: Rochester, Mixter, DeBakey, Satinsky, 
Cooley, Bulldog, Moyniham, Crafoord, ... 
 
 
 
 
 
Pinças hemostáticas especiais. De cima para baixo, da esquerda para direita: pinças de Mixter, Moyniham (reta) e 
Crafoord (curva), Rochester, Cooley, Satinsky, DeBakey (reta) e clamp Bulldog (reto e curvo). 
Função: hemostasia. 
4.3. Pinças de tecidos 
Devem ser usadas nos tecidos para os quais foram planejadas de maneira a 
minimizar o trauma. Por exemplo, a pele não deve ser pinçada com pinças de Allis, 
que devem ser usadas em tecidos mais moles. Incluem: Allis (preensão intestinal), 
Nelson, Kocher (preensão aponeurótica), Faure (pinça uterina), Museaux, Pozzi (tração 
do colo uterino), Pean-Murphy, Foerster, Duval (hemostasia ou preensão intestinal), 
coprostase (clamp intestinal), ... → Ver figura: pinças de tecidos. 
4.4. Pinças auxiliares 
De função específica ou que não participam do transoperatório. → Ver figura: 
pinças auxiliares. 
 
21 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pinças de tecidos. De cima para baixo, da esquerda para direita: pinças de Nelson, Allis, Kocher, Faure, Babcock, 
Foerster, Collin coração, Duval, Museaux, Pozzi, válvula mitral e clamp intestinal (coprostase). 
Funções: variadas (maioria é preensão – traumática ou atraumática). 
22 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
 
 
 
 
 
Pinças auxiliares. De cima para baixo, da esquerda para direita: Backhaus (fixar campos cirúrgicos), Cheron (montar gase 
para antissepsia do local da cirurgia), Pean-Murphy (utilisada para romper saco amniótico ou para montar gase), Collin 
(para assepsia) e Magill (auxiliar na intubação nasotraqueal e remover corpo estranho de via aérea). 
Funções: variadas (maioria é preensão – traumática ou atraumática). 
 
 
 
 
 
Todos os instrumentos 
com alças são empunhados da 
mesma maneira. O dedo 
polegar e o 4º dedo são 
colocados e ajustados nas 
alças, o 2º dedo (indicador) é 
usado perto ou acima da 
articulação e serve, junto com o 
3º dedo, para estabilizar e 
direcionar o instrumento. → Ver 
imagem ao lado. 
23 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
5. RETRATORES OU AFASTADORES 
São instrumentos para afastamento das bordas da incisão, usados para se abrir 
as cavidades de acesso à manipulação cirúrgica (exposição cirúrgica). Podem causar 
lesões muito grandes nos tecidos, se usados inapropriadamente. 
 
 
 
 
 
 
 
Afastadores dinâmicos. Da esquerda para direita: espátula maleável, afastador de Farabeuf, valva suprapúbica, 
afastador de Doyen, afastador de Volkmann, afastador de Israel e afastador de Langenbeck. 
Função: exposição – afastadordinâmico (manual). 
Afastadores autoestáticos. Da esquerda para direita: afastador de Finochietto, afastador de Balfour acoplado à valva 
suprapúbica, afastador de Gelpi, afastador de Gosset, afastador de Weitlaner e afastador de Dennis-Browne. 
Função: exposição – afastador autoestático. 
24 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Uma compressa embebida em solução salina morna deve ser usada entre o 
retrator e os tecidos, de maneira a proteger as bordas de uma incisão abdominal ou 
torácica. 
 
 
Maneira correta de proteger as bordas para colocação do afastador. 
6. APARELHO DE ASPIRAÇÃO 
Geralmente usados para aspirar o sangue do campo cirúrgico, sendo um 
problema comum a presença de coágulos em sua ponta. Isto é prevenido irrigando-se 
o campo operatório com solução salina e aspirando-a no início da cirurgia e 
periodicamente durante a mesma. 
É usado para aspirar a solução fisiológica usada para a lavagem final da ferida 
cirúrgica, drenagem de líquido fisiológico ou patológico em cavidades. Para tal 
finalidade utilizam-se as cânulas, sendo as de Cooley e de Yankauer mais utilizadas. 
7. PORTA-AGULHAS 
As agulhas curvas devem ser colocadas na ponta do porta-agulha, a uma 
distância de um quarto do fundo da agulha. Não se usam porta-agulhas com agulhas 
retas. Quando são usados para fazer os pontos ou para atar os nós cirúrgicos, devem 
ser seguros com tesouras ou na palma da mão, sem os dedos nas alças. 
Partes: alça ou empunhadura, catraca ou cremalheira, articulação, garra preensora e 
ponta. 
 
 
 
 
Porta-agulhas. Da esquerda para direita: porta-agulha de Castroviejo (com wídia), de Mathieu, de Olsen-Hegar (porta-
agulha e tesoura) e de Mayo-Hegar. À direita: forma correta de empunhar o porta-agulha de alças. 
Função: síntese. 
25 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
7. AGULHAS DE SUTURA 
As agulhas têm por função promover a passagem do fio pelo tecido com o 
menor trauma possível. 
As agulhas para sutura geralmente são semicírculos delgados de aço que 
contêm, em uma extremidade, uma ponta ativa (que pode ter secção cilíndrica ou de 
“meia-lua”) e, em outra extremidade, um olhal (fundo) para a fixação da linha de 
sutura. Os tamanhos variam, assim como o formato do olhal. 
São classificadas quanto ao trauma que produzem (traumáticas e 
atraumáticas), quanto ao seu formato (circulares ou retas). Quanto ao trauma a 
classificação é vaga. Aceita-se como agulha atraumática aquela que possui sua ponta 
cilíndrica e traumática a de ponta cortante ou triangular. 
No entanto, as que já vêm montadas com o fio, são denominadas agulhas 
atraumáticas, proporcionando orifícios de entrada e saída menos traumáticos que 
aquelas que possuem fundo aberto para inserção manual do fio. 
7.1. Seleção de agulhas 
Os fatores importantes a serem considerados na seleção das agulhas são as 
características dos tecidos a serem suturados, a ferida e as agulhas propriamente 
ditas. 
O diâmetro das agulhas é um fator importante a ser considerado: 
o Deve ser comprida o suficiente para abranger os dois lados da incisão; 
o Diâmetro muito grande resulta em maior trauma tecidual; 
o As agulhas que tiverem proporção entre o diâmetro e comprimento 
superior a 1:8, tendem a quebrar ou entortar facilmente; 
o Formato varia de acordo com o tecido a ser suturado. 
Existem as formas mais comuns de agulhas que são as retas, meia curva e 
partes de círculo (3/8, 1/2, 5/8, 3/4, etc.). 
As agulhas mais retas são usadas em tecidos próximos a superfície e nos 
intestinos. As agulhas curvas são mais convenientes para feridas pequenas ou 
profundas ou em cavidades. 
O tipo da ponta também deve ser considerado na escolha das agulhas: 
o As agulhas não traumáticas são arredondadas e sem bordas e 
geralmente são usadas para órgãos parenquimatosos, tecido adiposo e 
músculo. 
o As agulhas traumáticas são cortantes e indicadas para tecidos com maior 
resistência como tecido fibroso e pele. 
o As agulhas devem fazer um orifício grande o suficiente para permitir 
somente a passagem do material de sutura e serem grandes o suficiente 
e com formato adequado para permitir a execução das suturas de 
maneira rápida e precisa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
VVV --- FFFIIIOOOSSS CCCIIIRRRÚÚÚRRRGGGIIICCCOOOSSS 
 
1. CONCEITO 
Entende-se por síntese o conjunto de manobras manuais e instrumentais, 
destinadas a unir os tecidos separados, restituindo sua continuidade anatômica e 
funcional. 
Definição de memória: capacidade inerente de um material para retornar à 
sua conformação original depois de manuseado e deformado. Quanto maior a memória 
de um fio, maior a rigidez, mais difícil o manuseio e menor a segurança do nó 
realizado com ele. 
Existem fios cirúrgicos nas cores verde, lilás, azul e preta que podem ser mais 
facilmente visualizados do que os incolores. 
2. NORMAS PARA UMA BOA SUTURA 
o Antissepsia e assepsia corretas; 
o União de tecidos de mesma natureza, de acordo com os diferentes 
planos; 
o Hemostasia adequada; 
o Abolição dos espaços mortos; 
o Lábios ou bordas da ferida limpos e sem anfractuosidades; 
o Ausência de corpos estranhos ou de tecidos desvitalizados; 
o Emprego de suturas e fios adequados, realizados com técnica apropriada 
(nós). 
Se houvesse um material de sutura ideal, teria que se escolher somente o 
tamanho apropriado. Não existe um material de sutura ideal, porém os que existem 
disponíveis possuem excelentes propriedades. 
3. CARACTERÍSTICAS DE UM MATERIAL DE SUTURA IDEAL 
a) Deve manter a tensão de estiramento até servir ao seu propósito; 
b) Ser flexível, mas não ter elasticidade; 
c) Não ser eletrolítico; 
d) Não capilar e monofilamentoso; 
e) Não propiciar crescimento bacteriano; 
f) Não provocar reações alérgicas, e não ser carcinogênico; 
g) Ser confortável ao usar, ter boa segurança nos nós; 
h) Provocar mínimas reações teciduais; 
i) Se for absorvível, ter sua absorção previsível; 
j) Se for não absorvível, ser encapsulado sem complicações; 
k) Passível de ser esterilizado e ser barato. 
4. CLASSIFICAÇÃO DOS FIOS 
Os fios são geralmente classificados em dois grandes grupos: absorvíveis e não 
absorvíveis. 
o Fios absorvíveis: são aqueles que sofrem degradação e rapidamente 
perdem sua tensão de estiramento em 60 dias. 
o Fios não absorvíveis: são aqueles que retêm a força de tensão por 
mais de 60 dias. 
27 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Os fios ainda podem ser classificados como naturais e sintéticos. Dentro dos 
materiais naturais absorvíveis tem-se o catgut cirúrgico e o colágeno. 
Material sintético absorvível é o ácido poliglicólico (Dexon), poliglactina 910 (Vycril) e 
Maxon. 
Nas fibras naturais não absorvíveis (incluindo os metais), tem-se a seda, 
algodão e o tântalo. Materiais sintéticos não absorvíveis incluem: poliamidas 
(náilon, caprolactam polimerizado), poliéster, plásticos poliolefino (polipropileno e 
polietileno) e polibutéster (Novafil). 
5. FIOS DE SUTURA ABSORVÍVEIS NATURAIS 
5.1. Catgut 
O catgut cirúrgico ainda é o fio mais usado em suturas até agora. 
É preparado tanto da submucosa do intestino delgado de ovinos ou da camada 
serosa do intestino delgado de bovinos. 
É um material capilar, multifilamentoso, composto de muitas tiras que são 
torcidas em máquinas, polidas de maneira a ter uma superfície regular e macia que 
parecem ser de fio monofilamentoso. É tratado com formaldeído e esterilizado por 
radiação ionizável. Não pode ser autoclavado, pois o calor desnatura as proteínas e 
causa perda de tensão. 
A absorção do catgut após seu implante obedece a um mecanismo de duas 
partes (biodigestão proteolítica): 
o Primeiro a perda da tensão de estiramento resulta na separação 
molecular por ação de ácidos hidrolíticos e atividades colagenolítica;o Segundo, a digestão e absorção são feitos por enzimas proteolíticas que 
ocorre tardiamente. 
Devido a sua composição de colágeno, o catgut estimula uma significante 
reação tipo corpo estranho nos tecidos. O catgut possui uma grande variação na 
absorção e na perda da tensão superficial, o que o coloca em posição de inferioridade 
quando comparado com os fios sintéticos absorvíveis. 
Uma absorção prematura acontece quando o catgut é exposto às secreções 
ácidas (pepsina) do estômago, ambiente infectado, ou tecidos muito vascularizados. 
Sua absorção também é acelerada em pacientes com deficiência protéica. A diferença 
em diâmetro tem pouca influência no tempo de absorção. 
O catgut médio perde ao redor de 33% de sua tensão original após 7 dias de 
implantado e cerca de 67% após 28 dias. 
O catgut cirúrgico está disponível na forma simples e cromado. O tratamento 
com sais de cromo resulta em um aumento das ligações intermoleculares, tendo como 
consequência o aumento da tensão superficial e a resistência à digestão, com 
decréscimo da reatividade tecidual. 
A graduação do catgut cromado é: 
o Cromado fraco (tipo B) - perda da tensão ao redor de 10 dias; 
o Cromado médio (tipo C) - perda da tensão ao redor de 20 dias; 
o Cromado extra (tipo D) - perda da tensão ao redor de 40 dias. 
Os calibres do catgut variam do 5-0 ao 2. 
Vantagens: muito bom manuseio, porém quando molhado, escorrega e 
enfraquece. 
Desvantagens: reação inflamatória que provoca ocasionando a irregularidade 
na absorção; dentre todos os fios de sutura, catgut é o que mais apresenta 
antigenicidade e alergenicidade. 
Indicação: aproximação de tecidos, bom em suturas no peritônio. 
Contraindicação: não deve ser utilizado no plano aponeurótico devido ao 
maior tempo de cicatrização 
28 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
5.2. Colágeno 
O colágeno é composto de material multifilamentoso e foi introduzido em 1964. 
É feito de tendão flexor de bovino, tratado com formaldeído ou sais de cromo, ou 
ambos. Sua natureza não asséptica e simplicidade no processamento são algumas 
vantagens, se comparado ao catgut cirúrgico. 
As suturas de colágeno são feitas atualmente em diâmetros finos e são usadas 
quase que exclusivamente em cirurgia oftálmica. 
6. FIOS DE SUTURA ABSORVÍVEIS SINTÉTICOS 
Esses tipos de suturas foram introduzidos para reduzir a variação na absorção e 
consequente perda de tensão superficial associada aos produtos naturais. 
Mecanismo de absorção dos fios sintéticos absorvíveis: hidrólise. 
6.1. Ácido poliglicólico (PGA) - DEXON 
É um polímero multifilamentoso do ácido glicólico (ácido hidroxiacético) que foi 
descrito pela primeira vez em 1970. Seu nome comercial é Dexon, nos tamanhos 7-0 a 
3. 
O método de absorção de Dexon difere do catgut. 
O Dexon é absorvido por hidrólise não por fagocitose, possivelmente através de 
esterases. Existe a hipótese suspeita que os produtos de degradação do PGA são 
potentes agentes antibacterianos. A absorção está associada com uma grande redução 
do processo inflamatório se comparado com o catgut. A absorção completa ocorre 
usualmente em 100 a 120 dias. 
A hidrólise do PGA se processa mais rápida em presença de ambiente alcalino. 
O Dexon é relativamente forte e similar a poliglactina 910 e ao náilon 
monofilamentoso. Tem maior tensão de estiramento que o catgut, seda e algodão. 
A perda da tensão é ao redor de 37% nos primeiros sete dias após o implante e 
80% em nove dias. Nenhuma tensão está presente aos 28 dias. 
Devido a sua rápida perda da tensão de estiramento, o PGA é inferior aos materiais 
não absorvíveis quando usados em tecidos com cicatrização vagarosa como 
ligamentos, tendões e cápsulas articulares. 
Deve-se considerar que o Dexon tem uma tensão de estiramento superior ao 
catgut durante a fase mais crítica da reparação das feridas. 
O Dexon pode ser usado em grande variedade de procedimentos cirúrgicos é 
bem tolerado não só em feridas limpas, mas também em situações de infecção. 
As desvantagens do PGA incluem a tendência de cortar os tecidos, 
principalmente os friáveis, e menor segurança nos nós que o catgut. 
A fricção pode ser reduzida umedecendo o fio antes do uso. A segurança dos 
nós pode ser aumentada apertando individualmente cada nó. 
Indicação: pode ser utilizado nos mais variados tecidos, incluindo feridas 
contaminadas. 
Contraindicação: não deve ser utilizado em aponeuroses, ligamentos, 
tendões, cápsulas articulares e outros tecidos de cicatrização vagarosa. 
 
6.2. Poliglactina 910 - VICRYL 
É uma fibra sintética, trançada (multifilamentar), composta de ácido glicólico e 
láctico, em uma proporção de 9:1. Esta sutura é trançada para melhorar o manuseio. 
Seu nome comercial é Vicryl. 
O Vicryl é mais hidrofóbico e mais resistente à hidrólise que o Dexon. 
O mecanismo de absorção é o mesmo do Dexon (hidrólise), e ocorre entre 60 e 
90 dias após o implante. É mais forte que o PGA em todo tempo do implante, 
principalmente de 0 a 35 dias. Esta sutura perde 50% de sua tensão depois de 14 dias 
e 80% após 21 dias. 
29 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Sua absorção não depende do diâmetro da sutura. É mais forte que o catgut, e 
é bem tolerado em muitas condições diferentes em feridas. 
Não promove nenhuma manifestação vascular aguda após o implante. As 
reações celulares são predominantemente mononucleares e na vizinhança à área do 
implante. 
Indicação: pode ser utilizado nos mais variados tecidos, incluindo feridas 
contaminadas. Fechamento de pele com ponto intradérmico nº 5-0. 
Contraindicação: não deve ser utilizado na camada aponeurótica. 
 
6.3- Polidiaxonona - PDS 
Esta sutura sintética monofilamentosa é um polímero da paradioxanona. Possui 
grande flexibilidade, maior que o Dexon, Vicryl ou polipropileno. 
Sua degradação é através da hidrólise, que ocorre em velocidade regular e de 
uma maneira previsível nos tecidos. A perda da tensão de estiramento é menor que do 
Dexon ou do Vycril. Perde 26% de sua tensão após duas semanas, 42% após 4 
semanas e 86% após 8 semanas. 
A absorção é mais lenta que o Dexon e o Vicryl. Existe ainda evidência aos 91 
dias e fica totalmente absorvida em 182 dias após o implante. Os produtos de 
degradação são excretados primariamente pela urina. 
O PDS II é um produto novo que possui todas as características do "velho" PDS 
exceto que o tempo de retenção da tensão do estiramento foi aumentado. Os 
macrófagos e os fibroblastos são as células mais observadas na absorção. 
Indicação: pode ser utilizado nos mais variados tecidos, inclusive nas 
anastomoses pancreáticas. 
Contraindicação: não deve ser utilizado na camada aponeurótica. 
 
6.4. Poligliconato - MAXON 
Esse é um fio de sutura recente, produzido a partir de um copolímero do 
carbonato de glicolídeo e trimetilene (GTMC). Seu nome comercial é Maxon. Esta 
sutura monofilamentosa foi feita para ter o desempenho previsível de uma sutura 
sintética absorvível "in vivo". 
O Maxon tem uma tensão de estiramento inicial superior a do Dexon, Vicryl e 
polidiaxanona (é o fio que apresenta a melhor e mais duradoura força tênsil de todos 
os fios absorvíveis). 
É degradado por hidrólise. Retém a tensão de estiramento em 81% aos 14 dias, 
59% em 28 dias e 30% em 42 dias. 
Como inconveniente está o fato de ser o fio de mais alto custo. 
Indicação: todos os tipos de tecidos, inclusive para os planos aponeuróticos, 
exceto para reparo de hérnias e desaconselhável na ligadura de vasos. 
7. FIOS DE SUTURA NÃO ABSORVÍVEIS NATURAIS 
7.1. Seda 
A seda é obtida da larva do bicho da seda. Está disponível na forma torcida ou 
trançada (ambas multifilamentares). Pode ser tratada por imersão em óleo vegetal, 
cera ou silicone, a fim de diminuir a capilaridade. Apesar de ser classificada como uma 
sutura não absorvível, ela pode ser absorvidaa longo prazo. A seda perde 30% de sua 
tensão de estiramento em duas semanas, 50% em um ano e praticamente toda tensão 
ao redor de dois anos. 
Vantagens: barata, excelente manuseio, e boa segurança nos nós. 
Desvantagens: maior reação tecidual que outros materiais não absorvíveis. 
Pode servir de "nidus" no sistema urinário, ou promover úlceras quando na luz de 
órgãos do sistema gastrintestinal. A cera ou o silicone diminuem a segurança dos nós, 
e ela fica mais fraca quando molhada. 
30 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Indicação: hemostasia (ligadura) de vasos nº 0 ou 2-0. Também é 
recomendada para unir tecidos em presença da contaminação. 
7.2. Linho 
É um fio multifilamentar, capilar, proveniente da planta do linho (Linum 
usitatissimum). Sua reação inflamatória é mínima (encapsulação). Usado em tecidos 
gerais, sobretudo no trato gastrointestinal. 
7.3. Algodão 
O algodão possui fibras naturalmente torcidas, multifilamentar. Foi introduzido 
no final da década de 1930. 
Vantagens: aumenta sua tensão de estiramento quando molhado. Outras 
vantagens incluem uma melhor segurança nos nós que a seda, perda lenta da tensão 
de estiramento (50% em 6 meses e 70% em dois anos). 
Desvantagens: provoca uma reação tecidual semelhante à da seda, 
potencializa infecções, é muito capilar e seu manuseio não é muito bom. 
7.4. Suturas metálicas 
Tem sido usado por séculos. O aço inoxidável é atualmente a única sutura 
metálica com alguma aceitação. Disponível do tipo autêntico contendo ferro, cromo, 
níquel e molibdênio. Está disponível nas formas monofilamentosa ou torcida. Nome 
comercial: Aciflex. 
Vantagens: não promove reação inflamatória nos tecidos, possui maior tensão 
de estiramento de todos os materiais quando implantado nos tecidos, possui a maior 
segurança nos nós de todos os materiais, pode ser autoclavado, e é recomendado para 
tecidos com cicatrização lenta. A forma monofilamentosa pode ser usada em feridas 
contaminadas e infectadas. 
Desvantagens: tendência a cortar os tecidos, manuseio pobre (principalmente 
para atar os nós), quebra quando torcido muitas vezes no mesmo ponto e promove 
necrose tecidual pelo movimento dos tecidos contra as pontas não flexíveis. 
Indicação: quase exclusivamente em síntese óssea. 
Outras Suturas Metálicas: O tântalo, o alumínio e a prata têm sido usados 
como material de sutura, porém sem grande aceitação em cirurgia. O tântalo por ser 
um metal puro, tem sido usado como sutura e como malha para reparação de hérnias. 
Atualmente, o alumínio, prata e ouro são usados para próteses. 
8. FIOS DE SUTURA NÃO ABSORVÍVEIS SINTÉTICOS 
8.1. Poliamidas 
8.1.1. Náilon (Nylon) 
O náilon ou nylon é um termoplástico que contém aminas e é derivado do ácido 
adípico. Encontra-se disponível na forma de sutura mono e multifilamentosa. Após sua 
implantação, perde ao redor de 30% de sua tensão de estiramento em dois anos (o 
monofilamentoso). O náilon multifilamentoso perde toda sua tensão ao redor de 6 
meses. A perda desta tensão está associada a degradação química do náilon, e há 
suspeita que os produtos de degradação são agentes antibacterianos potentes. 
Vantagens: é biologicamente inerte, não capilar na forma monofilamentosa e 
possui uma tensão de estiramento similar a do polipropileno. Possui grande aplicação 
como material de sutura. A incidência de infecção em tecidos contaminados contendo 
náilon monofilamentoso é mais baixa do que qualquer outro material de sutura não 
absorvível, com exceção do prolipropileno. Possui mínima diferença microscópica 
quanto a reação tecidual se comparado ao aço inoxidável. Pode ser usado em qualquer 
tecido, porém não é recomendado para cavidade serosa ou sinovial, devido a irritação 
pela fricção de suas pontas. 
31 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Desvantagens: pobre manuseio e pouca segurança nos nós. Possui memória 
que é a tendência de reverter a sua configuração original. A segurança dos nós pode 
ser melhorada, dando-se 4 ou 5 nós, o que prolonga o tempo de realização da sutura. 
Indicação: fio praticamente inerte e, por isso, usado em todos os tecidos. 
Fechamento de pele nº 3-0. 
8.1.2. Caprolactam 
É uma sutura de poliamida multifilamentosa, torcida, da família do náilon. Pode 
ser esterilizado por autoclave. A esterilização química não é suficiente. 
Quando comparado ao náilon, o caprolactam tem uma tensão de estiramento maior, 
porém quando molhado perde ao redor de 20% da tensão. Promove mais reação 
inflamatória quando usado em suturas de pele, que a de um grampo de aço inoxidável. 
8.1.3. Poliéster – MERSILENE 
É uma sutura multifilamentosa, disponível em forma simples e coberta, com 
polibutilato, teflon e silicone. Foi introduzida no final da década de 50. 
Vantagens: é muito forte (a sutura não metálica mais forte que existe). As de 
pequeno diâmetro promovem grande tensão de estiramento inicial, com pequena 
perda após a implantação. Oferece um bom suporte para tecidos de lenta cicatrização 
(como aponeurose, ligamentos, tendões, etc). 
Desvantagens: manuseio limitado, grande coeficiente de fricção (a cobertura 
geralmente diminui este coeficiente), pobre segurança dos nós (recomenda-se 5 nós 
apertados), é a mais reativa das suturas sintéticas (reação comparável à do catgut). 
Seu uso em feridas contaminadas tem sido associada com infecção local persistente e 
reação tecidual exagerada. 
8.1.4. Poliolefina 
Este material induz pequena reação nos tecidos e é hidrofóbica. Seus dois 
representantes disponíveis são o polipropileno e o polietileno. 
a) Polipropileno - PROLENE 
Sutura monofilamentar introduzida em 1961 e é um polímero do propileno, um 
derivado do gás propano. Nome comercial é o Prolene. Disponível na cor azul e 
natural. 
Vantagens: grande segurança nos nós (melhor do que qualquer outro material 
monofilamentoso, não sintético não metálico), retém sua tensão de estiramento após a 
implantação nos tecidos, não é enfraquecido pelas enzimas teciduais e é por isso 
usado em sutura cardiovascular. Devido a sua grande flexibilidade, é recomendado 
para uso em tecidos que tenham capacidade de elongação, como pele e músculo 
cardíaco. Possui também o menor efeito potencial de transformar uma ferida 
contaminada em infectada (grande resistência à infecção bacteriana). 
Desvantagens: o fio torna-se escorregadio. 
Indicação: fechamento de aponeurose nº 0. 
b) Polietileno – GORETEX 
É uma sutura monofilamentosa com excelente tensão de estiramento, porém 
com muito pouca tensão nos nós. Pode ser autoclavado sem perda considerável de 
tensão. O polietileno é semelhante ao polipropileno com relação à mínima reatividade 
tecidual e sua resistência a contaminação bacteriana. 
A maior desvantagem é a pouca segurança dos nós. 
8.1.5. Polibutéster – NOVAFIL 
É o único copolímero que é flexível. É monofilamentoso e possui o nome 
comercial de Novafil. Seu manuseio é considerado melhor que o náilon e polipropileno, 
enquanto sua tensão e segurança dos nós são semelhantes. 
32 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
9. TABELAS RESUMIVAS 
 
 
 
10. ADESIVOS 
O grupo de material que tem sido usado mais comumente como adesivos 
teciduais é os cianoacrilatos. Os monômeros do cianoacrilato são convertidos do 
estado líquido ao sólido por polimerização, um processo que é catalisado por pequenas 
quantidades de água presente na superfície dos tecidos. Esta operação leva cerca de 
60 segundos, dependendo da espessura dos tecidos, do filme e da umidade presente. 
A toxicidade tecidual tem sido um problema com os cianoacrilatos, 
principalmente com o metil e propil cianoacrilato. 
O isobutil Noctil e os análogos fluorados parecem ter um potencial clínico maior. 
33 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Outro problema que tem sido associado com o uso de cianocrilato é o 
aparecimento de granulomase grande potencial de contaminação quando usados em 
feridas infectadas, retardamento na cicatrização e fraca aderência aos tecidos. 
Os adesivos teciduais têm sido usados efetivamente em situações 
experimentais e clínicas, como em cirurgia oral, anastomose intestinal, úlceras de 
córnea, controle de hemorragia na superfície de órgãos parenquimatosos, anastomose 
microvascular e transplantes de pele. 
11. SUTURAS STERI-STRIP™ 
O Steri-Strip é um curativo estéril 
de Micropore com filamentos de 
poliéster, que promove o fechamento de 
pele de maneira fácil e rápida. Sensível a 
pressão, apresenta boa adesão inicial, 
proporcionando grande economia de 
tempo em relação as suturas 
convencionais. 
Por ser um fechamento não 
invasivo, reduz a chance de trauma no 
tecido e a consequente formação de 
edema cutâneo. Proporciona uma 
cicatrização mais rápida e diminui os 
riscos de infecções causadas por suturas 
invasivas. 
Proporciona melhor resultado 
estético, pois não deixa as marcas 
causadas pelos fios e pontos das suturas 
tradicionais. 
Indicações de uso: 
o Fechamento de incisões cirúrgicas; 
o Aproximação de bordas de feridas não infectadas; 
o Suporte para suturas convencionais, diminuindo o risco de deiscências. 
Melhor resultado estético, pois não deixa as marcas causadas pelos fios e 
pontos das suturas tradicionais. 
12. PRINCÍPIOS A SEREM OBSERVADOS NA ESCOLHA DO 
MATERIAL DE SUTURA 
Quando tantos tipos de suturas estão disponíveis, a seleção apropriada pode ser 
difícil. Observe estes princípios práticos: 
 
a) As suturas devem ser tão ou mais fortes do que os tecidos normais 
através dos quais são colocadas; 
b) A pele e a fáscia são os tecidos mais fortes, sendo que o estômago, 
intestino e bexiga urinária são os mais fracos; 
c) As suturas não são necessárias após a ferida ter cicatrizado; 
d) As feridas viscerais cicatrizam rapidamente, mantendo a tensão entre 14 
e 21 dias, sendo as suturas absorvíveis mais adequadas para estes 
tecidos; 
e) A fáscia e a pele cicatrizam mais devagar, sendo as suturas não 
absorvíveis as mais indicadas; 
f) Suturas monofilamentosas são mais resistentes à contaminação do que 
as suturas multifilamentosas; 
g) Suturas sintéticas são superiores às suturas naturais; 
34 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
h) Ácido poliglicólico, poliglactina 910, polidioxanona, náilon 
monofilamentoso e polipropileno têm a menor incidência de infecção 
quando usado em tecidos contaminados; 
i) As condições mecânicas das suturas devem ser similares a dos tecidos a 
serem unidos. 
 
Conclusão: O material de sutura deve ser escolhido na base de suas 
propriedades biológicas conhecidas e da situação clínica presente no momento. 
Deve-se considerar também que determinado material é superior a outros em 
diferentes tipos e ambientes de feridas. Sendo assim, a escolha do material de sutura 
deve levar em consideração os seguintes critérios: 
o Tempo que deve permanecer na ferida; 
o Tempo de absorção pelo organismo; 
o Estado nutricional do paciente; 
o Idade, Obesidade; 
o Presença de doenças ou infecções. 
13. SELEÇÃO DA ESPESSURA DE SUTURA APROPRIADA 
A seleção da sutura apropriada envolve a escolha do tipo e tamanho certos. Os 
fios de sutura são encontrados em comprimentos padronizados que variam de 8 a 
90cm. 
As suturas são medidas em sistema métrico ou USP. Deve ser lembrado que 
dentro da classificação dos fios de sutura o número de zeros que vem escrito na 
embalagem informa o calibre do fio e também sua força tênsil. Assim, quanto maior o 
número de zeros na classificação dos fios, menos calibroso ele será e terá menor força 
tênsil também, porém será mais delicado. O contrário também é verdadeiro. Por 
exemplo, um fio dois zeros (2-0) é mais calibroso que um fio de mesmo material, 
porém três zeros (3-0). 
 
Menor diâmetro, Menor força tênsil Maior diâmetro, Maior força tênsil 
12-0 11-0 10-0 9-0 8-0 7-0 6-0 5-0 4-0 3-0 2-0 0 1 2 3 
 
 
Os fios de aço inoxidável são classificados de acordo com a recomendação de 
Brown e Sharp (B&S), sendo que a medida 41 equivale a 7-0 e a medida 18 equivale a 
7. 
14. RETIRADA DA SUTURA CUTÂNEA 
 
Os fios são retirados no momento em que percebemos que a tensão na pele 
não necessita mais da presença do fio. 
Sugestões: 
o Face e pescoço: 5-8 dias. 
o Couro cabeludo e nuca: 14 dias. 
o Dorso da mão e do pé: 14 dias. 
o Tronco: 21 dias. 
o Região glútea: 14 dias. 
o Ombro e dorso: 28 dias. 
o Braço e coxas: 14-18 dias. 
o Antebraço e pernas: 14-21 dias. 
o Planta e palmas: 10-14 dias. 
35 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
 
 
Faça isto: 
 
o Limpe a cicatriz do ferimento com gaze embebida em clorexidina. 
o Com uma pinça pegue numa ponta solta do ponto. 
o Levante a ponta para que o nó se eleve da superfície da pele. 
o Com a tesoura (Spencer) corte a linha por baixo do nó e retire-a. 
 
 
 
 
 
36 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
VVVIII --- NNNÓÓÓSSS CCCIIIRRRÚÚÚRRRGGGIIICCCOOOSSS 
 
Um item essencial de qualquer ato cirúrgico é amarrar o nó de maneira rápida e 
eficiente. Somente a prática permite a execução de nós corretos e eficientes. 
Para exercício deve ser usado o nó mais simples e também com o menor tamanho 
possível – evidente que sem comprometer a segurança e durabilidade do fechamento – 
produzindo o maior laço. Isto permite que o organismo tenha menor grau de rejeição, 
menos material a digerir, encapsular ou expulsar. 
O nó deve ser realizado de maneira segura, evitando assim problemas como 
hemorragia dos vasos principais, hérnia, evisceração e mesmo a morte. As 
extremidades dos fios devem ser cortadas curtas, exceção feita ao catgut que pode 
dilatar e mesmo afrouxar, devendo ser deixada pontas maiores. 
1. TIPOS 
1.1. Nó “cego” 
A fricção de um componente contra o outro é que faz 
com que o nó permaneça atado, sendo necessárias três laçadas 
para que o nó tenha uma boa fricção. 
Os fios monofilamentares - NÁILON, POLIPROPILENO – 
e os sintéticos trançados (especialmente aqueles revestidos 
com TEFLON), têm um nó com segurança precária devido à 
memória, o que exige especial atenção quando usado, podendo 
afrouxar mesmo antes de ser dada a segunda laçada. 
Para uma boa segurança recomendam-se quatro laçadas 
para fios sintéticos, todas “cegos”, ou cinco laçadas, duas 
deslizantes e três quadradas. 
 
1.2. Nó de cirurgião 
É basicamente igual ao “cego”, exceto que a 
primeira sutura consiste em duas laçadas, podendo 
também ser reforçado pôr nós adicionais. Usado na 
maioria dos procedimentos e suturas. 
A maioria dos nós é realizada com o porta-agulhas: 
duas laçadas para frente (contenção), uma para trás 
(fixação) e mais uma para frente (segurança). 
O seu uso é recomendado devido a sua 
adaptabilidade e são econômicos quando comparados com 
os nós feitos com as duas mãos. Pode-se usar pedaços 
curtos de material e mesmo assim obter uma sutura firme. 
1.2.1. Tempos 
 
 
a) Faz-se dois laços com a parte longa do fio, na 
ponta do porta-agulhas. 
 
 
 
37 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
b) A extremidade curta é presa pelo porta-agulhas e puxado por dentro do laço 
fixando o nó de modo seguro - ver o sentido do nó. 
 
 
 
c) A tração deve ser aplicada no mesmo plano do nó, sem apertar demais. 
 
 
 
d) Dar outra laçada com a parte longa do fio ao redor do instrumento, mas em 
direção oposta. 
 
 
 
e) Prende-se a parte curta do fio fazendo-o passar através do laço. Depois 
repete-se o passo d) e e) mas com laçada na mesma direção da primeira (a). 
 
 
 
f) Repete-se o passo d) e e) mas com laçada na mesma direção da primeira 
(a). Depois aperta-se bem os nós (e verifica-os) e cortam-se as pontas comtesoura. 
2. TENSÃO 
A tensão deve ser adequada, nem pouca e nem excessos, pois podemos 
estrangular os tecidos, provocando necrose e mesmo retardando a cicatrização. 
38 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Para que possamos avaliar a tensão nas suturas individuais, o número de 
suturas aplicadas para fechar a incisão deve ser aumentado. Isto é justificado pelo fato 
que quando as suturas estão espaçadas uniformemente a tensão estará igualmente 
distribuída entre as suturas. 
3. LIGADURAS 
A ligadura é uma alça de sutura 
usada para ocluir um vaso sanguíneo, 
tanto antes como depois dele ser lesado. 
Para prevenir o escorregamento a 
ligadura pode ser convertida em ligadura 
de transfixação fazendo com que ela 
atravesse a luz do vaso. Ela é amarrada 
ao redor de uma metade do vaso, e 
depois em volta de todo o vaso, abaixo 
do orifício feito pela agulha. 
Ligaduras de transfixação podem ser aplicadas para ligar diversos vasos 
sanguíneos. Deve-se deixar a menor quantidade possível de tecido na parte distal da 
ligadura, pois o coto que foi criado se tornará necrótico e terá de ser absorvido pelo 
organismo. Não se deve deixar um coto muito curto, evitando-se que a ligadura deslize 
para além da extremidade, ocasionando perda de fixação. 
Os laços duplos são mais firmes que os individuais devido à distribuição da 
fricção e forças de tensão. Soma-se a isto que a força de ruptura do laço é 
inversamente proporcional ao volume que ele encerra. Portanto, a ligadura de massas 
de tecidos é mais propensa a se romper do que ligaduras em pequenos vasos 
sanguíneos ou do que em vasos isolados. Além disso, os vasos podem recanalizar no 
interior de uma grande massa de tecidos. 
Quando houver necessidade de se usar ligaduras em grandes massas de tecidos 
ou pedículos, deve-se usar o método das três pinças. Conforme demonstrado na figura 
abaixo a pinça é colocada no pedículo. 
 
 
 
39 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
VVVIIIIII --- SSSUUUTTTUUURRRAAASSS 
 
1. INTERROMPIDAS 
Os nós são atados e os fios cortados após uma ou duas passagens através dos 
tecidos. 
Nas suturas interrompidas, cada nó é uma entidade separada, e o rompimento 
de um ponto não envolve a estrutura dos outros. 
Desvantagens: 
o Incluem o tempo maior de atarem os nós, aumento de volume de 
material deixado nas feridas ou de material sepultado; 
o Menor controle da tensão e a possibilidade de rompimento. 
2. CONTÍNUAS 
Possui um nó inicial, o fio não é cortado, estendendo-se do ponto de origem 
após várias passagens pelos tecidos, onde o fio é cortado após o nó final. 
As suturas contínuas usam menos material, o que minimiza a quantidade de 
material de sutura nos nós e diminui o tempo de cirurgia. As suturas contínuas 
também fazem um melhor selamento ao ar e água. 
São fáceis de serem colocadas e possuem a capacidade de ajustar-se a tensão 
em cada sutura, de acordo com a tensão nas margens. 
Desvantagens: 
o O rompimento de um ponto leva a destruição de toda a linha de sutura. 
3. CLASSIFICAÇÃO 
De acordo com a aparência de suas bordas, as suturas podem ser classificadas 
em: 
o Aposição: as bordas se encostam, no mesmo plano; 
o Eversão: maior contato das bordas, que se voltam para fora, formando 
uma crista evertida; 
o Inversão: a borda das feridas volta-se para o interior, causando uma 
invaginação. 
o Sobreposição: uma borda sobre a outra. 
A habilidade de uma sutura inverter ou everter as bordas pode não ser 
indicada, dependendo da região anatômica. A inversão pode ser desejável no 
fechamento de uma víscera oca, porém, não é aconselhável para o fechamento da 
pele. 
4. COLOCAÇÃO DAS SUTURAS 
Após o fechamento de uma ferida, as 
bordas tornam-se enfraquecidas pela colagenólise 
e o suporte das suturas está enfraquecido. 
As suturas colocadas a uma distância de 
mais de 0,5 cm das margens da ferida, 
aparentemente não são afetadas pela 
colagenólise. 
A inflamação também contribui para 
diminuir a tensão, é aconselhável colocar as 
40 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
suturas mais de 0,5 cm afastadas das bordas 
em feridas muito traumatizadas. 
A tensão máxima junto aos tecidos é 
também obtida quando as suturas são 
colocadas a uma distância de 0,5 cm uma das 
outras (Máx: 1 cm). Quando colocadas mais 
próximas que 0,5 cm, causam retardamento 
da cicatrização devido a reação tecidual e 
comprometimento da circulação sanguínea nas 
bordas da ferida. 
 
 
 
5. SUTURANDO UMA LACERAÇÃO 
Feridas não devem ser suturadas se já tiverem passado mais de 6h, exceto face 
e couro cabeludo que podem ser suturados em até 24h. Quanto mais precoce for a 
sutura menor o risco de infecção. 
Não fechar caso haja suspeita de lesão em nervos, vasos e tendões. 
Etapas iniciais: 
o Lavar as mãos, calçar luvas estéreis examinar a ferida. 
o Explicar ao paciente o procedimento. 
o Lavar a ferida com água corrente. 
o Posicionar o paciente de forma a deixar a ferida bem exposta, com 
iluminação adequada. 
o Aplicar clorexidina ou PVPI tópico na pele em volta da ferida, usando 
uma gaze, com movimentos circulares, em espiral. 
o Não usar soluções antissépticas dentro da ferida – apenas soro. 
o Em feridas contaminadas: risco de tétano, terra, fezes de animais, 
metais enferrujados... Fazer uma limpeza minuciosa com irrigação 
profusa com SF 0,9% e escovação, com desbridamento das bordas e 
retirada de tecido necrosado e corpos estranhos. 
Anestesia local: 
o A anestesia para sutura de ferimentos cutâneos, desde que não 
infectados, pode ser feita pela infiltração subcutânea direta das suas 
bordas, evitando-se assim a punção da pele, que é dolorosa. 
o Anestesiar com infiltração local de lidocaína 1% com adrenalina (sem 
vasoconstritor em gestantes, em extremidades, ponta de nariz e orelha). 
o Antes de qualquer injeção de anestésico local, recomenda-se aspiração 
prévia mediante retração do êmbolo da seringa para ser constatada 
eventual lesão vascular. 
o Infiltrar o subcutâneo com agulha de insulina, injetando anestésico em 
todo o trajeto da agulha. O trajeto da infiltração pode ser linear, em 
angulações variadas (30-45º) ou em leque. 
o Repetir o procedimento em 
toda a volta da lesão. 
o Verifique se o local está 
anestesiado picando, 
cuidadosamente, com a 
agulha. 
 
41 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
 
 
Após a anestesia: 
o Lavar bem a ferida após a anestesia: soro fisiológico (SF) 0,9%. 
o Trocar as luvas (estéreis). 
o Colocar campos estéreis em volta da ferida ou, de preferência, usar 
campo fenestrado. 
o Iniciar a sutura (tópico 6). 
Geralmente as bordas a serem suturadas são manipuladas com pinça sem 
dente; cada borda é elevada e apresentada separadamente, para facilitar a passagem 
da agulha corretamente de um lado e depois do outro. 
A agulha é presa com sua ponta virada para esquerda com a ponta virada para 
cima, apreendida em sua parte médio-distal, em ângulo reto com o porta-agulhas. 
Usualmente o ponto é passado da direita para esquerda ou da borda distal para 
proximal. 
Evitar colocar os dedos para segurar a agulha (risco de se furar), preferir 
segurar o fio. 
Etapas finais: 
o Retirar o campo estéril. 
o Limpar a pele em torno e sobre a ferida com gaze + SF 0,9%. 
o Secá-la com gaze e cobri-la com curativo estéril não aderente em sua 
parte central (gaze + esparadrapo/crepon). 
Cuidados após a sutura: 
o Considerar a necessidade de profilaxia antitetânica. 
o Antibiótico profilático apenas em casos selecionados. 
o Orientar para manter a ferida seca por 24h e depois mantê-la sem 
curativo e lavá-la com água e sabão. 
o Esclarecer sobre sinais de infecção secundária, a necessidade de retornar 
para reavaliação e a precocidade da mobilização. 
6. SELEÇÃO DA SUTURA 
A escolha do tipo de sutura é muitoimportante. Devido a forma helicoidal, as 
suturas contínuas têm uma tendência de reduzir a microcirculação das bordas das 
feridas. Este fato prolonga a fase destrutiva da cicatrização aumentando a formação de 
edema. 
Um ganho mais rápido em força de tensão é obtido com as suturas simples 
interrompidas. Estatisticamente, elas são mais fortes que as contínuas. 
De maneira geral, as suturas interrompidas são preferidas quando se quer mais 
tensão, mobilidade dos tecidos e distensibilidade. 
42 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
6.1. Suturas interrompidas 
6.1.1. Sutura interrompida simples 
É a mais usada de todas as suturas e também a mais versátil. 
Quando colocada de maneira apropriada, mantém uma boa aposição, tem ação 
independente das outras na linha de sutura e permite mobilidade tecidual entre as 
suturas. A técnica é fácil e rápida. 
A sutura é colocada direcionando a agulha através do tecido a mais de 0,5 cm 
da borda incisada. 
A sutura é inserida perpendicularmente através do tecido de um lado, passando 
através de igual quantidade de tecido no lado oposto e o nó é amarrado. Os nós 
devem ser colocados fora da linha de incisão. 
 
 
 
As pontas dos fios devem ser deixadas longas (0,5 a 1,0 cm), ou curtas se o nó 
ficar escondido. O próximo ponto interrompido deve ser colocado a uma distância de 
0,5 a 1 cm. O sentido da colocação dos pontos deve ser da direita para a esquerda em 
43 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
incisões horizontais, se destro, ou da esquerda para a direita, se canhoto. Se a incisão 
for vertical, usualmente se inicia a sutura da porção distal para a proximal da incisão. 
A colocação apropriada dos pontos mais uma tração moderada nos nós, permite 
um resultado bem satisfatório. Quando internos, os nós podem ser palpáveis por 
algum tempo. 
Usada em suturas internas (vísceras) e externas (pele). 
6.1.2. Sutura Horizontal em “U”, de Wolff 
É uma sutura que promove uma leve eversão se colocada de maneira 
apropriada. Ela forma um quadrado perfeito, com ambas as extremidades de sutura 
saindo pelo mesmo lado ou borda da ferida. 
Tem as mesmas propriedades da sutura anterior, porém a sua execução é mais 
rápida: a cada dois pontos, apenas um conjunto de nós e uma só operação de corte de 
fios. Observe-se que interfere menos no processo de cicatrização porque o fio nunca 
passa por sobre as bordas da ferida. 
Vantagens: 
o Uso de menor quantidade de material de sutura; 
o É de execução rápida; 
o Pode ser usada como sutura de tensão quando colocada longe das 
bordas da pele; 
o Pode ser usada para reduzir espaço morto. 
Desvantagens: 
o Dificuldade relativa quando aplicada na pele; 
o Formação de cicatriz excessiva devido a eversão das bordas; 
o Tendência a reduzir o suprimento sanguíneo das bordas da ferida, 
quando os pontos são apertados demais (em função do formato 
geométrico). 
 
 
Sutura 1: Horizontal em "U", de Wolff. 
6.1.3. Sutura Vertical em “U”, de Donatti 
Promove uma aposição completa e precisa das bordas, com leve eversão após a 
confecção dos nós. Útil também quando a pele é muito fina ou em feridas traumáticas 
em lesões biseladas. A sutura de Donatti ou “U” vertical promove bom suporte aos 
tecidos, com mínima redução do suprimento sanguíneo. Está indicada para suturar 
feridas sob tensão moderada. 
 
44 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
A primeira passagem da agulha é feita a uma distância maior do que 0,5 cm da 
borda e a segunda passa de 2 ou 3 mm da borda. 
Vantagens: 
o Mínima alteração do suprimento sanguíneo, se colocado distante da 
borda; 
o Pode ser usada como sutura de tensão como ajuda a uma primeira linha 
de sutura. 
Desvantagem: 
o Realização mais demorada com maior reação inflamatória. 
 
 
Sutura 2: Vertical em “U”, de Donatti. 
6.1.4. Sutura em “X”ou Cruzado (Sultan) 
É uma sutura de aposição, sendo uma modificação do “U” horizontal. 
A agulha penetra de um lado da incisão e passa perpendicularmente através da 
mesma, e uma segunda passagem é feita através dos tecidos, paralela e de 5 a 10 
mm da primeira passagem. 
Vantagens: 
o Não promove alteração do suprimento sanguíneo, mesmo sob tensão; 
o Previne a eversão dos tecidos. 
 
 
Sutura 3: “X”ou Cruzado (Sultan). 
45 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
6.1.5. Tensão moderada e aposição 
É uma combinação de suturas de aposição com sutura de tensão. Faz um 
movimento de espiral. 
Sua principal indicação é quando a pele requer tensão moderada para aposição. 
O componente longe atua como redutor de tensão, ao passo que o perto faz 
aposição. 
A tração excessiva dos fios deve ser evitada, para prevenir a inversão da 
incisão. A força de tensão obtida com esta sutura é maior do que a obtida com sutura 
interrompida simples. 
 
 
Sutura 4: Tensão moderada e aposição: Perto-longe-longe-perto. 
 
 
Sutura 5: Tensão moderada e aposição: (A) Longe-perto-perto-longe e (B) Longe-longe-perto-perto. 
6.1.6. Jaquetão ou Mayo 
Esta sutura promove a imbricação ou sobreposição lateral das bordas da ferida, 
proporcionando uma larga faixa de aderência e, consequentemente, melhor 
cicatrização. Foi desenvolvida para ser empregada no fechamento de anel herniário. 
 
 
Sutura 6: Jaquetão ou Mayo ou Sobreposição. 
A B 
46 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
6.1.7. Suturas de tensão 
São usadas quando existe muita tensão na linha de sutura e for necessária 
alguma força para o fechamento da ferida. Infelizmente isso resulta em isquemia local, 
corte das bordas e deiscência das feridas. Nesses casos, o uso de suturas de tensão é 
altamente benéfico. 
 
Sutura 7: De tensão. 
 
Elas são colocadas longe das bordas da pele, de maneira a não comprometer o 
suprimento sanguíneo. As bordas da pele são suturadas por meio de pontos 
interrompidos simples. 
Como suporte adicional a estas suturas de tensão, podem ser usados botões, 
tubos de borracha, plástico ou silicone colocados nas suturas antes dos nós. 
6.1.8. Outras suturas interrompidas 
 
Sutura 8: Em oito. 
 
 
Sutura 9: (A) Simples invertido e (B) de Gelly. 
 
 
Sutura 10: (A) isolado simples – transfixa todas as camadas desde a mais externa até à camada mucosa – reservado para 
vísceras ocas; (B) sutura de Gambee (é também uma sutura visceral). 
A B 
A 
A B 
47 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
6.2. Suturas contínuas 
As suturas contínuas não têm os fios cortados após a aplicação dos nós. Toda 
sutura contínua inicia-se com um ponto simples (fecha, mas não corta) e prossegue a 
sutura contínua. Termina-se sepultando (fechando) o último ponto com um nó através 
da técnica da “alça oposta” ou no mesmo fio através de “nó de roseta”. 
6.2.1. Sutura contínua (chuleio) simples ou sutura de Kurschner 
Consiste em usar uma série de pontos interrompidos com nós no início e no 
final da sutura. 
A agulha é introduzida através dos tecidos, perpendicularmente à linha de 
incisão. 
A sutura é reintroduzida na mesma direção que a anterior. No final da sutura, 
as pontas do fio são amarradas com, no mínimo quatro camadas de nós (ou seja, duas 
de cirurgião). Desta maneira podem ser executadas com maior facilidade e rapidez. 
São indicadas para o fechamento de tecido subcutâneo e fáscia desde que não 
haja planos de tensão. Os nós são geralmente escondidos (ou sepultados). 
São também usadas em tecidos que requeiram mínima força de segurança, porém 
com aposição máxima. 
 
 
Sutura 11: Chuleio simples 
6.2.2. Sutura Ancorada de Ford, Festonada, Retrógrada, ou de Reverdin 
É uma modificação da sutura contínua simples. A cada passagem através dos 
tecidos, o fio é unido ao ponto passado anteriormente. 
A vantagem desta sutura é a grande estabilidade na eventualidade de falhade 
um nó ou de uma porção de linha de sutura. Quando isto acontece, necessariamente 
não resulta em perda de toda a sutura. 
 
 
Sutura 12: Chuleio ancorado. 
48 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Uma grande estabilidade é obtida devido aos tecidos apresentarem menor 
tendência a movimentarem-se. 
Desvantagem: Maior quantidade de material usado, mais demorada, e pode 
causar necrose na pele quando usada com muita tensão (muito apertadas). 
6.2.3. Sutura de colchoeiro ou “U” contínua ou Barra grega 
Pode ser usada na pele quando houver indicação para sutura contínua e um 
certo grau de eversão. 
A sutura inicia como um ponto isolado simples e avança aproximadamente 1 a 
2 cm, e uma segunda passagem é feita através dos tecidos perpendiculares à incisão. 
Após a saída dos tecidos, a agulha avança de 1 a 2 cm e é inserida 
perpendicularmente à linha de incisão na direção contra-lateral. 
Vantagem: Rapidez no fechamento é a principal vantagem desta sutura. 
 
 
Sutura 13: Barra grega. 
6.2.4. Sutura intradérmica ou subcutânea 
As suturas intradérmicas e subcutâneas são usadas mais frequentemente na 
forma contínua. 
A sutura inicia com nó externo, seguindo em formato de zig-zag internamente, 
com a agulha colocada perpendicularmente à incisão, porém, avançando paralela à 
incisão. Fios de nº 4-0 ou menor calibre podem ser usados, e ao término, o nó é 
novamente sepultado. 
Excelente sutura por propiciar boa aproximação das bordas deixando uma 
cicatriz esteticamente melhor. Com fios inabsorvíveis (Nylon 4-0 ou 5-0) deve-se usar 
um traçado mais aberto para facilitar o deslizamento do fio na hora de retirar o fio. 
Com fio absorvível pode-se usar um traçado mais fechado. 
 
 
Sutura 14: Sutura intradérmica. 
 
49 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
 
 Sutura 15: Sepultamento de sutura intradérmica através de nó de roseta. 
6.2.5. Bolsa de tabaco 
Também denominada “Bolsa de Fumo”. É uma sutura circular empregada nas 
cirurgias do digestório, nas anastomoses, fixação de cânulas e sondas e também 
utilizada no fechamento de pequenos ferimentos circulares. 
 
 
Sutura 16: Bolsa de tabaco. 
6.2.6. Ponto chinês 
É usado para fixar drenos e tubos intracavitários. 
 
 
Sutura 17: Ponto chinês. 
50 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
VVVIIIIIIIII --- PPPRRREEEPPPAAARRRAAAÇÇÇÃÃÃOOO PPPAAARRRAAA OOO AAATTTOOO CCCIIIRRRÚÚÚRRRGGGIIICCCOOO 
 
 
 
 
1. LIMPEZA GERAL DA SALA CIRÚRGICA 
Uma boa manutenção e limpeza da sala operatória são essenciais para a 
manutenção da técnica asséptica. 
A sala cirúrgica deve ser completamente limpa e livre de poeira, por meio de: 
Limpeza semanal com antissépticos: 
o Limpeza e remoção de todo equipamento da sala operatória; 
o Lavagem das paredes, janelas, e suportes de lâmpadas; 
o Limpeza de ar condicionado e ventiladores; 
o Esvaziamento e reposição de estoque dos armários; 
o Esfregar o chão, com pano úmido ou por aspiração, usando 
desinfetantes. 
Limpeza diária com antissépticos: 
o Deve ser feita no final do dia, afim de não acumular pó. 
o Esvaziar e limpar todos os continentes (baldes, etc.); 
o Lavar a mesa de cirurgia; 
o Usar um pano com solução desinfetante para passar em todo 
equipamento e mobília; 
o Lavar o assoalho com solução desinfetante; 
o Encher vidros e suprir o estoque dos armários. 
2. PREPARAÇÃO DO VESTUÁRIO 
o Remover todas as roupas usadas para a lavanderia; 
o Recolocar roupas limpas; 
o Tirar o pó dos móveis; 
o Limpar o assoalho com solução desinfetante. 
3. PREPARAÇÃO DA SALA DE PRÉ-OPERATÓRIO 
o Limpar todos os metais; 
o Esvaziar todos os baldes e aspiradores; 
o Lavar o chão; 
o Tirar o pó e repor todas as soluções. 
 Selecionar o lixo em: cortantes, contaminados e controlados. Todo o instrumental, 
usado e não usado deve ser removido do ambiente cirúrgico após a realização de uma 
cirurgia e a mesa cirúrgica deve ser limpa e desinfetada, assim como o assoalho. 
Outros fatores importantes para manter a antissepsia na sala de cirurgia incluem a 
limitada admissão de pessoas vestindo-se apropriadamente, o limite de movimentos 
de pessoal na sala de cirurgia e o nível de conversa reduzido ao mínimo. 
4. PREPARAÇÃO DA EQUIPE CIRÚRGICA 
4.1. Paramentação cirúrgica 
As roupas são usadas para reduzir a quantidade de sujeira que poderia ser 
trazida para o interior da sala cirúrgica se roupas comuns (de rua) fossem usadas. 
51 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Estas roupas devem ser feitas de algodão, pois este tecido possui a propriedade de 
encorpar quando molhado. 
Uma boa higiene pessoal é importante para a antissepsia cirúrgica. 
Pijama. [Roupa do bloco] Quando usados como uniforme, ou seja, o tempo 
todo, muito pouco contribuem para a técnica asséptica. 
Sapatos. Idealmente, sapatos de rua não devem ser usados descobertos na 
área cirúrgica. Sapatos especiais para esta área devem ser usados e podem ser 
chinelos ou tênis de qualquer espécie, desde que só utilizados ali. Existem alguns 
especialmente idealizados, que fazem aterramento estático, diminuindo assim o risco 
de choques elétricos. 
Pró-pés. Podem ser descartáveis ou não. Os descartáveis são usados para 
cobrir os sapatos de rua. 
Gorros. São usados para cobrir os cabelos. Os tradicionais para homens não 
são feitos para cobrir cabelos longos, que nestes casos devem ser presos antes da 
colocação. Gorro para mulheres existem em maior variedade de tipos, formatos e 
cores. Também existem os descartáveis. 
Toucas. São usadas no lugar dos gorros para quem tem cabelos muito 
compridos ou barba. Se as toucas não tiverem elástico na porção cervical, elas devem 
ser inseridas para dentro do pescoço da camisa cirúrgica. 
Máscaras. O objetivo das máscaras cirúrgicas é filtrar o ar expirado do nariz e 
boca. Se não for usada da forma correta, sem encaixar apropriadamente, perde o 
efeito. Existem modelos descartáveis e não descartáveis. As mascaras são filtros 
efetivos por 30 minutos. A partir desse tempo começam a perder sua eficácia, que é 
acelerada pela conversa. Devem ser trocadas entre as cirurgias e completamente 
removidas após o término, pois estarão muito contaminadas e deverão ser 
manuseadas pelas tiras. 
4.2. Antissepsia (lavagem) das mãos e braços 
A finalidade da antissepsia é remover a sujeira e a gordura, a flora bacteriana 
transitória, e uma porção da flora bacteriana residente das mãos e braços. 
Efeitos mecânicos da antissepsia: 
o A flora transitória das mãos pode ser completamente removida com 5 a 
10 minutos de escovação com sabão desinfetante (PVPI ou clorexidina) e 
água. Estas bactérias podem ser mortas facilmente com desinfetantes. 
o A flora residente das mãos é reduzida em forma logarítmica com 
escovação com sabão e água, isto é, reduzida pela metade a cada 6 
minutos de escovação vigorosa. 
o A flora localizada superficialmente pode ser removida com regularidade, 
porém a localizada profunda na pele não é significativamente afetada a 
não ser após 15 minutos de escovação. 
o A regeneração das bactérias cutâneas inicia imediatamente após a pele 
ser escovada e desinfetada. O crescimento é ao redor de 25% em 24 
horas, 73% em 3 dias e 100% em uma semana. Este crescimento é 
acelerado quando são vestidos aventais e luvas. 
4.2.1. Métodos de escovação 
Antes da escovação iniciar, o cirurgião e equipe devem estar vestidos 
adequadamente (inclusive com máscara) e ter todas as joias removidas dos braços e 
dedos. 
Assim que a escovação iniciar, as mãos e braços não devem tocar nada que não esteja 
estéril. Se isto ocorrer, deve-se repetir as manobras desde o início. 
o Molhar as mãos e braços até o cotovelo e lavar por aproximadamente 
um minuto, com sabão antisséptico (PVPI OU clorexidina); 
o Limpar o espaço embaixo das unhas e as cutículas(região ungueal); 
o Durante a lavagem, as mãos devem ser colocadas em uma posição mais 
alta que os cotovelos, de maneira que a água possa drenar, ou escorrer 
52 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
pelos cotovelos ao invés de pelas mãos (da área mais limpa para a 
menos limpa); 
o Colocar o sabão antisséptico nas mãos, pegar uma escova estéril e 
iniciar a escovação. Considere os dedos, mãos e braços como objetos de 
4 lados e escove cada lado com movimentos unidirecionais e de mesmo 
sentido de escova (movimentos lineares, da distal para proximal). 
Sequência sistemática prática de escovação das mãos: leito subungueal, 
unhas, medial do 5º dedo e da mão, partes internas entre os dedos, 
lateral do polegar e da mão, dorsal dos dedos e da mão, palmar dos 
dedos e da mão, anterior do antebraço (do pulso até dobra do cotovelo), 
medial do antebraço, posterior do antebraço, lateral do antebraço e 
finalmente o cotovelo, fazendo movimentos circulares concêntricos ao 
redor dele. 
o Após uma mão e braço ser escovado, escovar bem a outra mão e braço 
da mesma maneira; 
o Após ambas mãos e braços estarem escovados, lavar em água corrente, 
colocando as mãos acima dos cotovelos para água escorrer pelos 
cotovelos; 
o Repetir a manobra outra vez em ambas as mãos e braços. 
Escovação anatômica: As escovadelas são contadas, isto é, 25 escovadelas 
por superfície das mãos, dedos e braços, nos dão ao redor de 10 minutos. 
4.3. Secagem das mãos 
o As mãos e braços devem ser secas com toalha estéril, que pode ser 
alcançada ou tirada do pacote cirúrgico (onde estão os capotes). 
o Pegar com uma mão por uma das pontas, longe do corpo e desdobrar. 
Usar metade da toalha para secar cada mão. 
o Iniciar pela ponta dos dedos, meio dos dedos, mão e ir secando em 
direção ao cotovelo. 
o Após uma mão e braço estarem secos, colocar a parte não usada da 
toalha na mão seca e secar a outra mão e braço. 
4.4. Colocando o avental (Capote) 
Os aventais cirúrgicos são dobrados de maneira padrão, aparecendo em 
primeiro lugar a parte dos ombros das costas. Ele deve ser pego, levantado e 
desdobrado, longe do corpo, sem contaminá-lo. Sacudir o avental para desdobrar e 
abrir, sem tocar em nada ao redor e colocar os braços pela manga e as mãos devem 
aparecer ou não pelos punhos, dependendo do método de colocação de luvas a ser 
usado. 
O avental é amarrado por um assistente, sem tocar em nada mais que as tiras. 
 
4.5. Luvas 
Existem três métodos para calçar as luvas cirúrgicas: 
4.5.1. Método aberto 
1. Colocar talco nas mãos, e com a mão esquerda segurar a luva direita 
pela parte dobrada do punho, removendo do pacote ou envelope sem 
tocar na parte de fora da luva. 
2. Escorregar a mão direita para dentro da luva e deixar o punho dobrado 
para baixo. 
3. Pegar a luva esquerda com os dedos enluvados da mão direita, por baixo 
do punho dobrado e escorregar a mão esquerda para dentro da luva, 
puxando o punho da mesma sobre o punho do avental. 
4. Com a mão esquerda, finalizar de arrumar o punho da luva direita, 
colocando os dedos enluvados da mão esquerda debaixo da parte 
53 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
dobrada do punho da mão direita e desvirar o punho sobre o punho do 
avental. 
5. Ajustar as luvas de maneira que elas calcem apropriadamente os dedos 
e a mão, limpando após o excesso de talco da parte externa da luva. 
6. Este método tem como desvantagem a facilidade para a contaminação 
das luvas ao desdobrar o punho. 
 
 
Colocação do capote e das luvas estéreis (método aberto). 
4.5.2. Método fechado 
1. As mãos são introduzidas na manga do avental até os punhos, porém 
não através deles. 
2. Nenhuma parte da mão deve ser exposta. 
3. Segurar a luva através do tecido da manga do avental e o punho da luva 
entre o polegar e o indicador, enquanto a enfermeira circulante amarra o 
avental. 
4. Com as mãos ainda dentro do avental, segurar a luva esquerda com a 
mão esquerda. 
5. Deixar a luva com a palma para baixo, sobre a manga esquerda do 
avental, com os dedos apontando em direção ao cotovelo e as bordas do 
punho da luva no punho do avental. 
6. O dedo polegar da luva deve estar sobre e em direção oposta ao dedo 
polegar da mão. Usando a mão direita, ainda dentro da manga do 
avental, introduzir o punho da luva sobre o punho do avental. 
7. Pegar ambos, a luva e o punho (através da manga) com a mão direita e 
puxar a luva da mão esquerda. Repetir o procedimento da luva na mão 
direita. A ordem com que as luvas são colocadas não é importante. 
8. Geralmente é mais fácil colocar uma segunda luva porque se trabalha 
com a mão já enluvada ao invés de ser através da manga. 
4.5.3. Método alternativo - colocação de luvas com o auxílio de assistente 
Após um membro da equipe cirúrgica estar com avental e luvas, é geralmente 
mais rápido ajudar os outros membros a calçarem as luvas. 
54 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
o O assistente pega a luva direita e insere 4 dedos de ambas as mãos 
debaixo do punho. 
o Uma mão deve estar com o polegar de um lado e o dedo mínimo do 
outro, com a palma da mão virada em direção a pessoa que está 
calçando a luva. 
o O assistente segura os punhos abertos, a uma altura média. 
o O cirurgião insere suas mãos na luva, tendo o cuidado de não tocar nas 
mãos do assistente a segurar a luva aberta. 
5. PREPARAÇÃO DO PACIENTE 
Campo operatório é a região do corpo aonde vai se praticar a cirurgia. No 
campo operatório está contido o ponto de eleição, que é onde se fará a incisão. 
Após o paciente ser anestesiado, o local da cirurgia é preparado. 
 
 
Diversos tipos de posicionamento da mesa cirúrgica para acomodação do paciente. 
 
Se os pelos não foram removidos previamente deve ser feito agora (tricotomia). 
A região onde será feita a cirurgia deve ser depilada com lâmina de bisturi ou máquina 
(ideal). A antissepsia final do campo operatório é feita (“pintura do campo” com PVPI): 
o Iniciar a pintura do centro do campo, onde a incisão será feita, em 
direção à periferia, nunca retornando a área central com o mesmo 
conjunto de gaze. 
o Após, deixar secar naturalmente, e iniciar a colocação dos campos 
cirúrgicos. 
55 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
6. PREPARAÇÃO DA MESA DE INSTRUMENTAÇÃO 
 
Disposição da equipe. Na ausência do segundo auxiliar, o instrumentador ocupa sua posição. Arrumação do 
instrumental sobre a mesa começa pelo canto inferior direito (na visão do instrumentador) e segue no sentido horário. 
 
 
Mesa do Instrumentador. 
7. PROCEDIMENTOS DENTRO DA SALA CIRÚRGICA 
Todos os utensílios devem ser considerados esterilizados ou não. Em caso de 
dúvida, considere não esterilizado. 
o Somente a parte de fora dos materiais embalados deve ser tocada por 
mãos sem luvas, e estes pacotes devem ser abertos longe do corpo, sem 
contaminá-los; 
o Materiais esterilizados são manuseados somente com luvas esterilizadas 
ou com instrumentos esterilizados; 
o Uma vez que algum material é removido de um pacote, não deve ser 
retornado; 
o Toda vez que um pacote com material esterilizado for molhado, deve ser 
considerado não esterilizado. 
o Nenhum objeto não esterilizado deve pairar ou deslocar-se sobre 
superfície esterilizada. 
56 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
8. EQUIPE CIRÚRGICA 
Cirurgião: É responsável pela vida do paciente e tem sob sua responsabilidade 
o ato cirúrgico e toda a equipe cirúrgica. 
Assistente: É responsável pela ajuda ao cirurgião e deve ter um grande 
conhecimento da cirurgia a ser executada. Ele deve ser capaz de antecipar os tempos 
cirúrgicos e de substituir o cirurgião em seus impedimentos. O assistente tem certas 
obrigações, como o controle da hemorragia, ajudar na exposição, e fazer as ligaduras, 
sem a solicitação do cirurgião.Instrumentador: Manter o instrumental limpo de sangue, ordenar o 
instrumental na mesa cirúrgica, antecipar os movimentos do cirurgião e assistente, 
alcançando o material sem solicitação, separar o material contaminado, preparar as 
suturas e fazer a limpeza após a cirurgia. 
Anestesista: É de sua responsabilidade promover a analgesia e manter os 
parâmetros fisiológicos do paciente (função cardíaca e respiratória, drogas e 
administração de fluidos intravenosos). 
Circulante: Presta serviços de enfermagem. Faz a preparação do local e do 
material que vai ser usado (calhas, cordas, etc.). Durante a cirurgia deve antecipar os 
acontecimentos e ter o material e instrumental pronto para uso (desfibrilador, etc.). 
Durante a cirurgia não pode se afastar do local. Após a cirurgia terminar, deve ajudar 
na remoção do paciente e na limpeza da mesa e sala de cirurgia. 
9. GESTOS CIRÚRGICOS 
 
Gestos cirúrgicos. 
 
 
3 - TESOURA 
11 - FIO GUIADO 
57 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
10. COLOCAÇÃO DE CAMPOS OPERATÓRIOS 
Os panos de campo podem ser de algodão ou de material descartável. Nunca 
colocar campos esterilizados em uma superfície molhada. Se o antisséptico não secou, 
use esponja de gaze esterilizada e uma pinça para secar a pele. Uma vez colocados os 
panos de campos não devem ser movidos. A única exceção é nas bordas da fenestra 
que podem ser afastadas do local de incisão. Com o uso de campos cirúrgicos grandes, 
deve ser colocado dobrado sobre o paciente, com a fenestra sobre o local da incisão e 
a partir daí o campo é desdobrado, de maneira a cobrir o paciente e a mesa cirúrgica. 
As pinças de campo (Backhaus) uma vez aplicadas, não podem ser removidas. 
11. MOVIMENTAÇÃO DENTRO DA SALA DE CIRURGIA 
Para pessoas com capote e luvas esterilizadas: 
o Nunca ficar de costas para a mesa cirúrgica; 
o Sempre virar de frente quando passar por outra pessoa na sala (ou seja, 
não ir de encontro com as costas do outro – área contaminada); 
o As mãos nunca devem descer a um nível inferior ao da mesa cirúrgica. 
o Reconhecer e dizer se você ou outra pessoa quebrar a técnica asséptica 
(tocar com a luva em objeto não esterilizado, etc.); 
o Falar somente o necessário. 
Para pessoas com pijama, gorro e máscara: 
o Não tocar superfícies contendo material esterilizado; 
o Não se debruçar sobre o campo cirúrgico, a não ser se permitido; 
o Não encostar-se ao campo esterilizado; 
o Caminhar o mínimo possível ao redor. 
 
 
58 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
IIIXXX --- SSSOOONNNDDDAAASSS,,, DDDRRREEENNNOOOSSS EEE CCCAAATTTEEETTTEEERRREEESSS 
 
 
 
 
Os drenos, cateteres ou tubos são utilizados de forma rotineira tanto no pré, no 
pós ou no transoperatório. Muitas vezes esses termos (tubo, dreno, cateter e sonda), 
se confundem e são tomados como sinônimos. Outras vezes, um substitui o outro, 
como uma sonda vesical de alívio passa a ser utilizado como dreno, por exemplo. Isso 
se deve, parte a criatividade do profissional, parte à carência de recursos em alguns 
serviços públicos, além da ocasional falta de oferta de determinado equipamento pela 
indústria médico-hospitalar. 
Os tamanhos padronizados dos diâmetros externos desses tubos e da maioria 
dos instrumentos endoscópicos são fornecidos de acordo com a escala francesa de 
Charriére (unidades de 0,33 mm = 1 French [F] ou 1 Charriére [Ch]). Assim, 3F é 
igual a 1 mm de diâmetro (forma crescente). Os cateteres, principalmente para uso 
intravenoso, tem sua medida em Gauge (G), sendo que quanto maior a numeração, 
menor será o calibre do cateter (forma decrescente). 
1. DEFINIÇÕES 
Sonda: tubo flexível ou rígido introduzido num canal, natural ou não, com a 
finalidade de extrair ou introduzir algum tipo de matéria – urina, alimentos, 
medicamentos. 
Dreno: material que procura manter a saída de fluidos ou ar de uma ferida ou 
cavidade interior para o meio externo ou ainda de um meio interno para outro interno. 
Frequentemente, sua utilização destina-se à evacuação de secreções como seromas, 
hematomas, secreções do trato digestivo, linfa, pus e material necrótico de regiões 
onde não seja possível a exposição e limpeza repetidas. 
Cateter: instrumento tubular introduzido no organismo com fins de 
monitorização de funções vitais, remoção de líquidos, infusão de medicamentos e 
sangue, soros... 
Resumindo: sonda é o tubo para o interior de órgãos ocos (estômago, 
intestinos, bexiga), dreno é o tubo para interior de feridas, vísceras maciças, cavidades 
corpóreas e canais (abdômen, peritônio, pleura, mediastino, vias urinárias e biliares...) 
e cateter é o utilizado no interior de ductos e vasos sanguíneos (usualmente). 
2. CLASSIFICAÇÃO 
Os drenos podem ser classificados quanto à estrutura, quanto ao material, 
forma de ação e pelo tipo de sistema de drenagem. 
2.1. Quanto à estrutura 
Laminar – em forma de duas lâminas finas e flexíveis unidas entre si, tipo 
dedo de luva. Exemplo: Penrose. 
Tubular – tubo cilíndrico, com comprimento e diâmetro variável, amplamente 
utilizado. Exemplo: dreno de tórax, Foley, Malecot, Nelaton. 
Tubulolaminar – variação feita através da utilização de um dreno laminar 
(Penrose) com um dreno tubular no seu interior. Exemplo: Waterman. 
59 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
2.2. Quanto ao material 
Borracha – são macios e maleáveis, porem são mais propensos a colonização 
bacteriana (superfície irregular de sua parede) e depósito de fibrina. Ex.: sonda foley, 
drenos de Malecot, dreno de Nelaton. 
Cloreto de polivinil (PVC) – rígido, tende a endurecer com o tempo de uso, 
pode ocasionar traumas mecânicos, irritação e necrose, seu uso como cateter venoso 
não está indicado, devido risco de trombose e flebite; para drenagem gástrica, 
descompresssão, lavagem deverá ser usado por curto período de tempo. Ex.: sonda 
Levine. 
Polietileno – material plástico (polímero) pouco irritante, extremidade 
multifenestrado, geralmente radiopacos. Ex.: pericardiocentese (“pig tail”), 
marcapasso (ponta em J) e Malecot. 
Politetrafluoretileno (Teflon®) – utilizado em alguns tipos de cateter venoso, 
superfície lisa e hidrofóbica, baixa adesividade e resistente a enzimas, porem não 
indicado para uso prolongado, pois sua rigidez pode levar a lesão da íntima e formação 
de trombos. 
Silicone e poliuretano (Vialon®) – flexíveis, biocompatíveis, radiopacos, 
menos rígidos do que o polietileno e menos relacionado à contaminação bacteriana em 
relação ao látex. Muito utilizado em cateter venoso de longa permanência, cateter 
enteral e de gastrostomia, Foley e Malecot. 
2.3. Quanto à forma de ação 
Capilaridade – saída da secreção através da superfície adjacente ao dreno. 
Ex.: Penrose 
Gravitacional – é posicionado o frasco coletor abaixo do nível a que se deseja 
evacuar, o líquido tende a fluir para o ponto mais baixo pela força da gravidade. Ex.: 
drenagem do cateter Levine, torácica, biliar. 
Aspiração – drenagem através de pressão negativa por sucção ou dreno com 
sistema de vácuo; importante que o dreno tenha múltiplas fenestrações ou suspiro. 
Ex.: sonda de Salem, dreno de tórax com pressão negativa, sistema de drenagem 
Portovac. 
OBS.: Algumas literaturas referem ao sistema de drenagem como ativo 
(presença de sucção) e passivo (ausência de sucção). 
2.4. Quanto ao sistema de drenagem 
Aberto – é aquele que possui interação com o meio, ou seja, necessário 
entrada de ar para bom funcionamento do sistema; risco aumentado de infecção 
dependendo da cavidade a que se destina drenar. 
Fechado – é aquele na qual não há interação com o meio, ou seja, não requer 
elementos externos adicionais para seu perfeito funcionamento, como, por exemplo, o 
ar, evitando infecções por microorganismos; utiliza-se um sistema vedado, estéril, 
conectado a extremidade do dreno, pode ser um frasco,uma bolsa ou um bulbo. Ex.: 
sistema coletor para cateter vesical, dreno de Kehr, dreno de tórax. Vantagens: 
mínimo trauma tecidual, acurácia na drenagem e reduzido risco infecção. 
3. MODELOS 
3.1. Sondas de vias aéreas: chamadas de cânulas 
- Cânula de Guedel: usada em pacientes com rebaixamento do GCS, sem 
reflexo de deglutição. Indicada em pacientes em IOT para evitar a mordedura da 
cânula. 
- Cânula nasofaríngea: contraindicada em pacientes com fraturas da base do 
crânio e outras fraturas graves da face; indicada em pacientes com rebaixamento do 
GCS e reflexo de deglutição preservado. 
60 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
- Aspirador rígido e flexível: utilizado para aspiração de vias aéreas 
(geralmente, usa-se o Nelaton para esta finalidade). 
- Cânula endotraqueal (ou de IOT): indicada em pacientes em coma, com 
necessidade de ventilação mecânica e com risco de aspiração e obstrução de vias 
aéreas. Sua posição deve sempre ser reavaliada com RX de tórax em PA. Sua fixação 
ocorre pelo cuff (balonete). 
- Cânula de traqueostomia: utilizada também na cricotireoidostomia; deve ser 
bem fixada e aspirada, podendo ser de plástico ou metálica. 
3.2. Drenos 
- Nelaton: de Auguste Nélaton (1807-1873), dreno tubular, semirrígido, 
multiperfurado. Induz a intensa reação tecidual. Na drenagem torácica, é acoplado a 
um sistema fechado em forma de selo d´água. Indicado para descompressão do 
espaço pleural por hidrotórax, hemotórax, pneumotórax, empiema... Também utilizado 
para aspiração traqueal (calibre 10-12F), como tubo retal no caso de diarréia (calibre 
32-38F) e gastrostomia cirúrgica (calibre 18-26F), sofrem degradação com suco 
gástrico. 
- Malecot: o material poderá ser borracha ou silicone, apresenta um bulbo em 
sua extremidade a ser colocada internamente a cavidade a ser drenada, que impede a 
migração do tubo para o meio externo; 
- Pezzer: instalado através de cirurgia ou percutâneo, geralmente de látex, 
também utilizado em nefrostomias, cistostomias e gastrostomias (menos comum). 
Sua extremidade interna possui um dispositivo em forma de cogumelo; 
 
 
Drenos de Nelaton, Malecot e Pezzer (detalhes de suas extremidades). 
 
- Blake: são brancos, de silicone radiopaco, com quatro canais ao longo dos 
lados com um centro sólido. Os drenos estão disponíveis com ou sem um trocarte. 
Conectado a um sistema de drenagem fechada. 
 
Dreno de Blake. Detalhe das extremidades e componentes para montagem. 
 
- Jackson-Pratt: geralmente utilizado em drenagem abdominal, feito de Teflon, 
não irritante, com extremidade interna multifenestrada, conectado externamente a um 
bulbo ou pêra, o qual geralmente permanece colapsado para criar constante pressão 
de sucção (negativa). 
 
 
Jackson-Pratt (JP). Da esquerda para direita: bulbo JP, drenos JP e sistema JP montado. 
61 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
- Penrose: dreno laminar que funciona por capilaridade, indicado para coleta de 
secreções bem fluidas e de pouco volume na cavidade abdominal (sistema drenagem 
aberto). Apresentando-se em três diferentes larguras: o numero 1 é o mais estreito, o 
número 2 é intermediário, e o número 3 é o mais largo. O número 1 geralmente é 
utilizado na drenagem de pequenas lojas e o número 3 quando existe previsão de 
extravasamento de grande quantidade de secreções. Fixado a pele por ponto, tendo 
seu coletor, esvaziado diariamente. 
 
 
Drenos de Penrose: calibres 1, 2 e 3. 
 
- Waterman: dreno tubulolaminar, variação feita através da utilização de um 
dreno laminar (Penrose) com um dreno tubular no seu interior, funciona por 
capilaridade, parece aumentar a eficácia da drenagem pela retificação do trajeto e 
oferecer maior segurança de proteção às vísceras e vasos; indicado para coleta de 
secreções mais espessas (pús, fístulas entéricas, etc). Fixado a pele por ponto, tendo 
seu coletor esvaziado diariamente. 
- Kehr: dreno tubular em forma de “T”, utilizado para drenagem externa de vias 
biliares extra-hepáticas, descompressão, ou como próteses modeladoras após 
anastomose biliar. Sua extremidade é acoplada a um sistema de drenagem fechada. 
Fixação à pele com ponto. Coletor do dreno (travessão do T) deve ficar no colédoco. 
Tenta-se fechar o dreno quando seu débito for menor que 0,5L/dia. Faz-se 
colangiografia pelo dreno no pós-operatório; retira-se o dreno na 3ª semana. 
 
 
Dreno de Kehr. 
 
- Aspiração por vácuo (Portovac®, Hemovac®): dreno tubular, multifenestrado e 
aspirativo (sistema de drenagem fechado). Indicado em diversas situações: 
descolamento do subcutâneo, coleções intracavitárias, neurocirurgias... Fixado à pele 
por pontos. 
 
 
Portovac (reservatório sanfonado) e Hemovac (molas no interior do reservatório). 
 
3.3. Sondas digestivas 
3.3.1. Sonda nasogástrica, orogástrica e nasoenteral 
Enfatizaremos as mais utilizadas que são as sondas nasogástricas, sendo as 
mais utilizadas para descompressão, aspiração e irrigação (lavagem): Levine, gástrica 
simples de Salem, Miller-Abbott e outras; para administração de alimentos e 
62 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
medicamentos: Levine, Nutriflex, Dobbhoff; e para controle de sangramento de varizes 
esofágicas: Sengstaken-Blakemore. 
Sonda de Levine: possui uma luz única, manufaturada com plástico (PVC) ou 
borracha, com extremidade multifenestrada; as marcas circulares contidas em pontos 
específicos da sonda servem como guia para sua inserção (demarcam intervalos de 10 
cm). Geralmente utilizada para descompressão gástrica e lavagem, em cirurgias 
abdominais. É a mais utilizada, variando para adultos do número de 14F a 18F. 
 
 
Sonda de Levine 
 
Sonda gástrica simples de Salem: é uma sonda nasogástrica radiopaca de 
plástico claro, dotada de duas luzes, usada para descomprimir o estômago e mantê-lo 
vazio. 
 
Sonda de Salem 
 
Sonda de Miller-Abbott: é de duas luzes, sendo uma para introdução de 
mercúrio ou ar no balão do final da sonda e a outra para aspiração. 
 
 
Sonda de Miller-Abott 
 
Sonda de Dobbhoff: sonda nasoenteral utilizada com frequência para 
alimentação enteral, sendo que como característica possui uma ponta metálica, pesada 
e flexível, que tem função de infusão de dieta enteral. Ponta locada no duodeno 
(guiada por raio-X). Contraindicada em refluxo gastroesofágico – risco de 
broncoaspiração. Sempre lavar a sonda com SF após infusão da dieta. 
 
 
Sonda de Dobbhoff 
 
63 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Sonda Nutriflex: sonda nasoenteral que possui 76 cm de comprimento e uma 
ponta pesada de mercúrio para facilitar a inserção; nutrição enteral. 
Sonda de Sengstaken-Blakemore: é uma sonda utilizada especificamente 
para o tratamento de sangramentos de varizes esofágicas, hemorragias de fundo 
varicoso, e combinação de hemorragias de varizes do esôfago e do fundo varicoso. 
Possui três luzes com dois balões, sendo uma luz para insuflar o balão gástrico e outra 
para o balão esofágico. Se após 12 horas não ocorrer hemorragia, o balão para 
esôfago deverá ser esvaziado para evitar danos na mucosa causados pela pressão. 
Após, esvaziar o balão gástrico retirando a sonda cuidadosamente. 
 
Sonda de Sengstaken-Blakemore 
 
3.4. Sondas urinárias 
- Sonda vesical de demora: sonda de Foley (duas vias). Passada com cuidados 
de antissepsia. O balonete é insuflado com água destilada para teste, antes da 
introdução no paciente. Recomenda-se trocar a sonda mensalmente. Também há 
sonda vesical de demora de três vias (para lavagem vesical). 
 
 
Para as sondagens de demora temos as sondas de duas vias, como a de Foley ou a de três vias para lavagem vesical. 
 
- Sonda vesical de alívio: dreno de Nelaton. Utilizada para coleta de urina em 
paciente sem micção espontânea e para esvaziamento vesical nos casos deretenção 
urinária. Exige cuidados de antissepsia para sua passagem; deve ser removida após o 
procedimento. 
 
 
Sonda uretral vesical de alívio (Nelaton). 
 
- Cateter duplo J: utilizado para livre drenagem de urina do rim até a bexiga, 
em condições adversas. Uma extremidade do J ancora-se na pelve renal e a outra 
extremidade curva-se no interior da bexiga. Também chamado de “rabo de porco” 
(pig-tail em inglês). Posteriormente este cateter é removido através de cistoscopia ou 
através da tração do fio ligado à sua extremidade quando existente. 
 
Cateter duplo J 
3.5. Cateteres de acessos venosos 
- Scalp (ou butterfly - borboleta): dispositivo intravenoso do tipo agulha de aço 
para acesso venoso periférico com base de plástico e forma de borboleta. É indicado 
64 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
nas terapias intravenosas periféricas, para infusões de curta duração, com 
permanência de até 24 horas na veia e procedimentos de coleta de sangue. Este tipo 
de dispositivo favorece a transfixação da veia pelo cateter, bem como apresenta maior 
risco de infiltração no espaço extravascular, além de acarretar em maior tempo de 
infusão, em função de seu calibre limitado. Fixado com fita adesiva, ou removido após 
o término do procedimento. Seu calibre segue a seguinte numeração: 19G (maior 
calibre), 21G, 23G, 25G e 27G (menor calibre). 
 
 
Scalp 
 
- Jelco (ou Abocath): dispositivo intravenoso do tipo cateter plástico “sobre 
agulha” para acesso venoso periférico, fixado com fita adesiva. A agulha é retirada 
após o cateterismo venoso, permanecendo no espaço intraluminal apenas o invólucro 
maleável (cateter), o que impede a perda do cateter por transfixação e também 
favorece a movimentação do membro. É indicado nas terapias intravenosas periféricas, 
para infusões de média duração, com permanência de até 72 horas na veia. Indicado 
também na paracentese, toracocentese e punção pericárdica. Seu calibre segue a 
seguinte numeração: 14G (maior calibre), 16G, 18G, 20G, 22G e 24G (menor calibre). 
 
 
Jelco 
 
- Intracath: cateter para acesso venoso central do tipo “por dentro da agulha”, 
passado por punção jugular, subclávia ou periférica. Orifício feito na parede vascular é 
maior do que o calibre do cateter, o que facilita vazamentos em torno do mesmo. Sua 
extremidade fica na transição átrio-cava. Confirmar sua posição por RX de tórax. 
Fixado externamente com pontos na pele. Deve ser trocado a cada 2 semanas pelo 
risco de infecção. 
 
 
Intracath 
 
- Cateter de Swan-Ganz: cateter flexível e fabricado em poliuretano que, 
introduzido atravpes de uma veia central de adequado calibre, chega às estruturas 
cardíacas e pulmonares. Destina-se a pacientes com indicação de monitorização de 
dados hemodinâmicos e de oxigenação invasivos. (Ver tópico 9) 
4. INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL 
Ver Capítulo XI. 
65 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
5. DRENAGEM TORÁCICA 
Ver Capítulo X. 
6. SONDAGEM DO TRATO GASTRINTESTINAL 
A passagem de sonda gastrointestinal é a inserção de uma sonda de plástico ou 
de borracha, flexível, pela boca ou pelo nariz, cujos objetivos são: 
o Descomprimir o estômago 
o Remover gás e/ou resíduos sólidos e líquidos. 
o Diagnosticar a motilidade intestinal 
o Administrar medicamentos e alimentos 
o Tratar uma obstrução ou um local com sangramento 
o Obter conteúdo gástrico para análise 
6.1. Esôfago e estômago 
Hoje, a utilização da tubagem nasogástrica se restringe a casos selecionados, 
principalmente com o objetivo de descompressão gástrica e remoção de resíduos 
gástricos e esofágicos no pré-operatório de pacientes com obstrução parcial ou total 
desses órgãos. 
Procedimento: 
a) Orientação ao paciente sobre o procedimento; 
b) Lavagem das mãos e colocar luvas; 
c) Reunir o material; 
d) Posicionar o paciente em fowler ou decúbito dorsal; 
e) Medir o comprimento da sonda: da ponta do nariz até a base da orelha e 
descendo até o final do esterno, marcando-se; 
f) Aplicar spray anestésico na orofaringe para facilitar a passagem e 
reprimir o reflexo do vômito; 
g) Lubrificar cerca dos 10 cm iniciais da sonda com vaselina, introduzir por 
uma narina, e após a introdução da parte lubrificada, flexionar o pescoço 
de tal forma que o queixo se aproxime do tórax. Solicitar para o paciente 
que faça movimentos de deglutição, durante a passagem da sonda pelo 
esôfago, observando se a mesma não está na cavidade bucal. 
h) Introduzir a sonda até a marca feita; 
i) Fixar a sonda com fita adesiva, após a confirmação do seu 
posicionamento (insuflar ar e auscultar estômago; aspirar conteúdo; 
teste do borbulhamento – colocar a extremidade da sonda em um copo 
com água, sendo que se ocorrer borbulha, é sinal que está na traqueia). 
6.1.1. Gastrostomia 
A gastrostomia é um procedimento cirúrgico sobre o estômago com o objetivo 
de administrar líquidos ou alimentos. É indicada quando o doente necessita de nutrição 
enteral por mais de 6 semanas, ou quando a nasoenteral não pode ser utilizada devido 
à obstrução do esôfago, trauma de face ou da cavidade oral. Os cuidados com relação 
à administração de dietas são iguais aos com as sondas gástricas e enterais, e seu 
início deve ser tão logo se constate a presença de peristalse. O preparo da pele antes 
da introdução do tubo deverá ser rigoroso. Após a colocação, deve ser feito curativo, 
mantido por 24 a 48h. Após esse período, a área deverá ser limpa com água e sabão. 
A remoção do tubo, quando indicada, é feita com a desinsuflacao do balonete e tração 
leve do tubo. A fístula formada entre apele e o estômago fecha-se em poucos dias. 
Atentar aos sinais e sintomas das possíveis complicações. A presença de 
eritema, edema, drenagem purulenta, odor forte e dor no local de inserção do tubo, 
associada à presença de febre, são indicativos de infecção. 
66 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
6.2. Intestino delgado 
São usados para descompressão do delgado proximal em presença de uma 
obstrução, para alimentação enteral ou administração de medicamentos. Podem ser 
inseridos durante a cirurgia e posicionados pelo cirurgião. 
Para introdução dos tubos entéricos, aplicam-se os mesmos passos 
determinados na introdução dos tubos gástricos, observando-se algumas 
particularidades. O tubo enteral, por ser posicionado no intestino delgado, deve ser 
medido como o gástrico e, de acordo com algumas literaturas, somado a 10 ou 15 cm. 
Os tubos enterais ainda possuem uma ponta de tungstênio ou uma bolsa cheia 
de mercúrio, que ajuda na sua introdução e progressão. 
Para evitar a obstrução da sonda, deve-se lavá-la com SF após a administração 
da dieta enteral. Esse procedimento estará, ao mesmo tempo, contribuindo para a 
hidratação do doente. 
6.2.1. Jejunostomia 
Pode ser utilizada para drenagem de secreções entéricas, para descompressão 
e para administração de alimentos, quando impedida por problemas gástricos (fístulas, 
traumas, tumores, refluxo gastroesofágico). 
Os cuidados com a jejunostomia assemelha-se, em muito, aos cuidados com as 
gastrostomias. Devem ser utilizados cateteres de Levine 12F ou 14F, porque podem 
causar obstrução intestinal. A administração da dieta deve ser lenta, para evitar 
diarréia. Os mesmos cuidados com a pele tomados com a gastrostomia devem ser 
observados com a jejunostomia. 
6.3. Vias biliares 
Os drenos de Kehr, ou drenos em T, que podem ser de material plástico ou de 
borracha, são colocados nas vias biliares extra-hepáticas para drenagem externa, 
descompressão e, às vezes, como prótese modeladora após uma anastomose biliar. 
Deve ser fixado através de pontos na parede duodenal lateral ao dreno, tanto quanto 
na pele, impedindo sua saída espontânea. 
6.4. Reto e sigmóide 
Tubos de polietileno são utilizados para evacuação de conteúdo líquido ou gases 
da porção distal do cólon,em presença de obstrução parcial ou total, e para a 
introdução de diversas substâncias, como líquidos para lavagem (clister), contraste e 
medicamentos. 
 
 
Sonda retal 
 
Procedimento: 
a) Orientar o paciente; 
b) Preparo do material; 
c) Lavar as mãos e utilizar luvas de procedimento; 
d) Adaptar a sonda retal à solução prescrita e ao equipo de soro; 
e) Colocar o paciente na posição de Sims; 
f) Lubrificar cerca de 10 cm da sonda com vaselina; 
g) Afastar os glúteos e introduzir a sonda; 
h) No caso de lavagem intestinal, abrir o equipo, deixar escoar o líquido, 
fechar o equipo após e término, retirar a sonda e encaminhar o paciente 
ao banheiro ou colocá-lo em uma “comadre”. 
67 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
7. SONDAGEM DO TRATO URINÁRIO 
7.1. Sondagem vesical 
A sondagem vesical é a introdução de uma sonda ou cateter na bexiga, que 
pode ser realizada através da uretra ou por via supra-púbica, e tem por finalidade a 
remoção da urina. 
As sondas urinárias são de dois tipos: as de alívio (sonda uretral – Nelaton) e 
as de demora (sonda de Foley). A primeira tem seu uso somente indicado em casos de 
retenção urinária aguda, quando se prevê seu uso apenas para retirada de urina 
acumulada. Por sua vez a sonda de Foley é indicada nos casos em que há necessidade 
de observação continuada do fluxo urinário, ou quando há necessidade da 
permanência dos músculos vesicais em repouso. Esse cateter de borracha macia tem 
em sua extremidade um balonete, que é inflado para garantir sua permanência dentro 
da bexiga, sendo aí removido quando o balão é desinsuflado. 
Podem causar infecção urinária e lesão na uretra e bexiga. Os cateteres 
geralmente são feitos de látex, silicone ou polietileno. Após sua introdução, que deve 
ser de forma asséptica, alguns cuidados devem ser observados: o meato urinário deve 
ser limpo com água e sabão. Deve-se observar a urina em relação ao aspecto e 
quantidade. Se for detectada diminuição do volume urinário ou drenagem de urina 
pelo lado de fora do cateter, pode estar ocorrendo obstrução do cateter. 
O risco de infecção é inerente ao procedimento; a colonização bacteriana ocorre 
na metade dos pacientes com sonda de demora por duas semanas e praticamente em 
todos os pacientes após seis semanas de sondagem. Sabe-se que as infecções do trato 
urinário são responsáveis por um terço de todas as infecções hospitalares, e que na 
grande maioria das vezes existiu um procedimento invasivo do trato urinário, pois 
nesses procedimentos os microorganismos podem ter acesso ao trato urinário através 
da uretra no momento da sondagem, através da delgada camada de líquido uretral 
externo à sonda e através da luz interna da sonda após contaminação. Este índice de 
infecção acontece mesmo com a obediência de todos os preceitos de uma boa técnica 
de sondagem vesical. 
7.1. Sondagem vesical suprapúbica 
É realizada através da introdução de uma sonda após uma incisão ou punção na 
região suprapúbica, a qual é preparada cirurgicamente, sendo que a sonda é 
posteriormente conectado à um sistema de drenagem fechado. Suas indicações 
principais são pacientes com retenção urinária por obstrução uretral sem possibilidades 
de cateterização, em pacientes com neoplasia de próstata ou em pacientes com 
plegias, ou seja, quando há necessidade de uso crônico da sonda. São várias as 
vantagens da sondagem suprapúbica: os pacientes são capazes de urinar mais 
precocemente, é mais confortável do que uma sonda de demora transuretral, 
possibilita maior mobilidade ao paciente, maior facilidade de troca da sonda e 
principalmente apresenta um menor risco de infecção urinária. Como desvantagem é 
ser um método cirúrgico. 
 
 
Esquema de drenagem vesical suprapúbica e imagem de bolsa ou saco coletor de urina. 
68 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
7.2. Procedimentos 
De início devemos ao paciente uma orientação sobre as necessidades e 
técnicas. Após lavagem adequada das mãos, deve-se reunir todo o material necessário 
para o procedimento. O isolamento do paciente nos quartos comunitários é humano. 
Quanto à melhor posição, é para as mulheres a ginecológica e para os homens o 
decúbito dorsal com as pernas afastadas. Após a abertura do pacote de cateterismo, 
calçar luvas estéreis. 
Nas mulheres, realizar antissepsia da região pubiana, grandes lábios e colocar 
campo fenestrado; afastar os pequenos lábios com o polegar e o indicador da mão 
esquerda e com a mão direita fazer antissepsia no períneo com as bolas de algodão 
embebidas na solução antisséptica, usando a pinça Pean; a antissepsia deverá ser no 
sentido uretra-ânus; na sequência: grandes lábios, pequenos lábios, vestíbulo; usar a 
bola de algodão uma vez e despreza-la, levando em consideração de que a mão em 
contato com esta região é contaminada e não deve voltar para o campo ou sonda. 
Continuar a manter, com a mão esquerda, exposto o vestíbulo e, com a mão direita, 
introduzir a sonda até a verificação da saída de urina. Se for uma sonda de Foley (8F a 
24F), insuflar o balão de segurança com água destilada, obedecendo ao volume 
identificado na sonda, conectar ao saco coletor, fixar a sonda com uma tira de 
esparadrapo na coxa da paciente e reunir o material utilizado. Se for uma sonda de 
alívio (Nelaton, 8F a 12F), colocar a outra extremidade na cuba-rim para receber a 
urina drenada, aguardar esvaziar a bexiga e remover imediatamente a sonda. 
Nos homens, repetir a técnica do cateterismo feminino com as seguintes 
diferenças: colocar o paciente em decúbito dorsal e com as pernas afastadas; após 
enluvar as mãos colocar 8 ml de gel anestésico na seringa com auxílio de outra 
pessoa; segurar o pênis com uma gaze (mão esquerda), mantendo-o perpendicular ao 
abdome (tracionando-o para cima); fazer a antissepsia, afastando o prepúcio com o 
polegar e o indicador da mão esquerda, e, com a pinça montada, fazer a antissepsia 
do meato uretral para a periferia; injetar o gel anestésico na uretra com a seringa 
esterilizada, pressionar a glande por 2 a 3 minutos, a fim de evitar refluxo do gel; 
introduzir a sonda até a sua extremidade (18-20 cm) com movimentos lentos e 
graduais para baixo, com o pênis elevado perpendicularmente e baixar o pênis 
lentamente para facilitar a passagem na uretra bulbar; recobrir a glande com o 
prepúcio, a fim de evitar edema da glande; fixar a sonda na coxa ou na região 
hipogástrica (profilaxia de fístulas uretrais). 
Nas sondagens vesicais de demora, com o sistema de drenagem fechado, deve-
se observar algumas regras para diminuição do risco de infecção do trato urinário: 
nunca elevar a bolsa coletora acima do nível vesical; limpeza completa duas vezes ao 
dia ao redor do meato uretral; nunca desconectar o sistema de drenagem fechado, e a 
troca do sistema deve ser realizado a cada sete dias na mulher e a cada 15 dias no 
homem, ou na vigência de sinais inflamatórios. 
7.2. Cateter duplo J 
Após qualquer manipulação do ureter, este pode apresentar um grau de edema 
secundário à reação inflamatória, que por si só pode obstruir a passagem de urina e de 
restos de cálculos que ainda possam permanecer. Por isso, costuma-se inserir um 
cateter chamado de duplo J, ou rabo de porco (pig-tail, em inglês), para garantir a 
permeabilidade da via manipulada. 
O cateter apresenta as duas extremidades em forma parecida com a letra J, daí 
o seu nome. O duplo J apresenta furos em seu trajeto que permitem o escoamento da 
urina. 
Uma ponta fica dentro do rim e a outra dentro da bexiga. Portanto, mesmo que 
haja obstrução em algum ponto do ureter, independente da causa, o duplo J garante a 
permeabilidade da via urinária. Este cateter pode permanecer por várias semanas até 
que o urologista ache seguro retirá-lo. 
O cateter pode produzir graus variáveis de desconforto, incluindo polaciúria, 
urgência urinária, urge-incontinência, hematúria,lombalgia, dor em hipogástrio. Se 
69 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
houver febre, dor excruciante ou sangramento exuberante com coágulos, deve-se 
contatar o urologista para uma reavaliação. 
A retirada do cateter é um procedimento simples e feito por via endoscópica 
com um cistoscópio. Entra-se pela uretra com esse endoscópio e puxa-se o cateter 
para fora. Se não houver complicações como aderências ou deslocamentos do duplo J, 
a retirada é um procedimento rápido, e na maioria das vezes, indolor. 
8. CATETERIZAÇÃO VENOSA 
A determinação do acesso venoso periférico ou central é feita considerando-se, 
entre outros fatores, o estado clínico do paciente, a finalidade do acesso, os recursos 
materiais, os recursos humanos (habilidade para realizar a punção) e tempo de 
permanência do acesso. 
A infusão de drogas e soluções por via endovenosa traz inúmeras vantagens, 
mas também está associada a vários riscos e complicações. 
Não esquecer – importante: 1 gota = 3 microgotas / 1 ml = 20 gts ou 60 
mcgts / 500 ml = 10.000 gts. 
Para correr 500 ml em 1h (3.600 seg), então: 10.000/3.600 = 2.7, ou seja, 
aproximadamente 3 gotas/seg. 
 
8.1. Acesso venoso central 
Define-se por canulação venosa central o posicionamento de um dispositivo 
apropriado de acesso vascular cuja extremidade atinja a veia cava superior ou inferior 
(ou mesmo no átrio direito), independentemente do local da inserção periférica. 
O acesso venoso central é de extrema importância para o intensivista. 
Avaliadas as possibilidades de complicações, deve ser decisão baseada no benefício. 
Para grandes infusões volumétricas, o ideal ainda é o acesso venoso periférico, 
preferencialmente a veia cubital e com Jelco 14. Na UTI a manutenção do acesso 
periférico torna-se muitas vezes inviável em virtude das hipotensões graves que 
ocasionam o calapso da circulação periférica, dificultando punção, e a permanência por 
períodos maiores de três dias do acesso, que muitas vezes não é permitida. 
8.1.1. Indicações 
o Hipovolemia refratária; 
o Monitorização hemodinâmica invasiva (pressão venosa central [PVC], 
pressão de artéria pulmonar – Swan-Ganz, débito cardíaco por 
termodiluição); 
o Acesso vascular para a infusão de drogas vasoativas ou de soluções 
cáusticas, irritantes ou hiperosmóticas; 
o Terapêutica substitutiva renal de urgência (hemofiltração, hemodiálise); 
o Acesso vascular de longo prazo para nutrição parenteral prolongada ou 
quimioterapia; 
o Reposição rápida de fluidos ou sangue no trauma ou cirurgia (hipotensão 
grave); 
o Terapia de ressincronização cardíaca (TRC) através do uso de 
marcapasso (MPC); 
o Acesso periférico difícil. 
8.1.2. Locais de inserção 
O acesso pode ser realizado de três formas: 
o Veia Jugular Interna (VJI); 
o Veia Subclávia (VSC); 
o Dissecção de veia periférica (ex.: VF, VJE). 
 
70 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
 
Locais de punção venosa central preferidos. (A) Veia Jugular Interna: punção homolateral com inclinação de 30º em 
direção ao mamilo no ápice do triângulo formado pelas duas cabeças do músculo esternocleidomastoideo, tendo a 
clavícula como base [identificar visualmente, ou por palpação, a posição da veia jugular externa, para evitar sua punção 
acidental]; (B) Veia Subclávia: pressionar com polegar o local da punção e direcioná-la para o manúbrio esternal com 
indicador, punção no ponto médio do terço médio da clavícula [triângulo deltopeitoral] em direção ao manúbrio 
esternal (dedo indicador). 
 
O acesso jugular direito é o mais indicado, sobretudo em pacientes acima de 60 
anos com deformidades torácicas ou em ventilação mecânica (VM) com alta 
dependência de PEEP ou pressões inspiratórias. Justificativas: do lado direito a cúpula 
pleural é mais baixa (menor risco de pneumotórax, especialmente na punção de VSC), 
o trajeto até o átrio direito é mais retilíneo (menor possibilidade de mau 
posicionamento do cateter, especialmente pela VJI). 
A punção esquerda deve ser evitada por ter a passagem do ducto torácico 
(menor risco de quilotórax). Na VM, ao puncionar, deve-se desconectar o ventilador 
por não mais que 15 segundos. 
8.1.3. Contraindicações 
Seu uso é de contraindicação absoluta em pacientes com discrasias sanguíneas. 
As contraindicações relativas incluem pneumopatias graves para acesso subclávio, 
deformidades anatômicas localizadas, pós uso de trombolítico ou em uso de 
heparinização. Na necessidade, avaliando riscos, as punções devem ser realizadas na 
região cervical a qual permite compressão mecânica local. Antes de punção eletiva, 
faz-se necessário a contagem de plaquetas: inferior a 20.000 contraindica a punção, e 
solicitar coagulograma com medidas de TP e TTPA. 
8.1.4. Técnica 
A técnica de punção mais utilizada e mais segura é a de Seldinger, com 
complicações que variam de 0,5 a 10%. Sabe-se que quanto maior o número de 
punções do profissional, menor a possibilidade de complicações. 
 
 
Cateter mono-lúmen, Portocath, catéter duas e três vias, cateter dupla via para hemodiálise. 
 
Há dois tipos de dispositivos, o Intracath e o cateter de mono e duplo lúmen 
(do tipo Broviac-Hickman), ambos com fio-guia. O custo é de 3-4 vezes quando 
comparados nas opções, o que deve ser justificado a necessidade de duplo-lúmen com 
previsão de infusão múltipla de drogas, sedação contínua, bomba de diurético ou dieta 
A B 
71 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
parenteral. O Intracath é o mais rotineiramente utilizado, mas seu uso vem sendo 
substituído por cateteres, contudo não há benefício teórico com equipe treinada. 
Independentemente do local selecionado para a punção, é importante que se 
explique ao paciente consciente toda a sequencia dos procedimentos a que ele será 
submetido, como parte das normas éticas de boa prática clínica e também com a 
finalidade de se ganhar o máximo de cooperação por parte do mesmo. 
Em situações de agitação psicomotora pode ser necessária sedação mínima, 
fração decimal (2cc) de midazolam diluído em 10 ml de AD. 
A antissepsia deve ser extensa na região, com trocas de luvas após o término 
da mesma. O uso de máscara deve ser realizado já neste momento. O bloqueio deve 
ser feito vagarosamente com introdução de agulha IM e já servindo como “punção de 
prova” para localização que deve ser avaliada a possibilidade de abandoná-lo após três 
tentativas. Na punção jugular a localização da artéria carótida é fundamental, 
protegendo-a de punção acidental, que caso ocorra, mantenha compressão local por 
tempo maior de três minutos intermitentes, com cautela no idoso. A falha do 
cateterização se dá entre 5 a 10%. A dor é importante sintoma pós-punção, 
ocorrendo entre 35 a 40% dos casos, portanto avaliar a necessidade de analgesia 
endovenosa prévia e/ou posterior. 
Procedimento de punção da VJI pela Técnica de Seldinger: 
a. Realizar a antissepsia da pele e colocação de campos cirúrgicos, 
deixando expostos para visualização e palpação a mastóide, carótida, 
clavícula, fúrcula esternal e borda lateral do músculo 
esternocleidomastoideo (ECM). 
b. Posição: Trendelenburg, e face voltada para o lado oposto ao da punção. 
c. Infiltrar a pele com solução anestésica (lidocaína a 2% s/ vasoconst.). 
d. Com uma agulha fina (22G) adaptada a uma seringa contendo solução 
salina fisiológica, sempre se aplicando uma leve força de aspiração, 
avançar, num ângulo inclinado de 30º em relação à pele, apontando-a 
para o mamilo ipsilateral. A VJI é relativamente superficial em relação à 
pele (2-3 cm de profundidade). Para evitar punção da carótida, deve-se 
localizá-la por palpação e introduzir a agulha sempre lateral à mesma. 
e. Uma vez tendo sido localizada a VJI, remover a agulha fina, e, com uma 
agulha 18G adaptada à seringa, puncionar a veia obedecendo sempre 
aos mesmos ângulo e direção utilizadospara localizá-la. No momento 
em que se punciona a veia um fluxo rápido e intenso é obtido (o sangue 
deve fluir fácil e livremente para dentro da seringa). 
f. Reduzir o ângulo de inclinação da agulha em relação à pele para mantê-
la mais alinhada com a veia. Desconectar a seringa e observar se não há 
fluxo sanguíneo pulsátil (arterial) pela agulha (o sangue venoso flui de 
maneira contínua). Deve-se manter o orifício externo da agulha ocluído 
com o dedo para evitar o risco potencial de embolia aérea 
(especialmente em pacientes hiperpneicos e em respiração espontânea, 
que podem gerar altos valores de pressão negativa intrapleural). 
 
 
Técnica de Seldinger. Passos e) e f). 
g. Inserir o fio-guia suavemente para dentro do vaso, que deve progredir 
sem nenhuma resistência; se presente, não forçar a progressão e 
providenciar uma outra punção. Ao final da progressão do fio-guia, 
retirar a agulha segurando e mantendo firme o fio-guia no lugar. 
72 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
 
Técnica de Seldinger. Passo g). 
 
h. Com o fio-guia em posição, fazer uma pequena incisão (± 3 mm de 
extensão), com uma lâmina de bisturi, junto à sua entrada na pele, para 
facilitar a passagem do dilatador venoso. 
i. Vestir o fio-guia com o dilatador e empurrar o conjunto todo para dentro 
da veia. Em seguida, remover o dilatador, mantendo o fio-guia em 
posição. Comprimir o orifício de entrada na pele para evitar 
sangramentos desnecessários. 
 
 
Técnica de Seldinger. Passos h) e i). 
 
j. Vestir o fio-guia com o cateter e introduzir o conjunto todo para dentro 
do vaso. Em seguida, retirar o fio-guia. 
 
 
Técnica de Seldinger. Passo j). 
 
k. Finalmente, realizar o teste do refluxo de sangue através dos lúmens do 
cateter, que deve ser livre e fácil (teste: conectar SF 0.9%, abaixando o 
frasco para permitir refluxo). 
l. Fixar cateter com fio de náilon nº 3-0 na pele; 
73 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
m. Efetuar curativo oclusivo e etiquetar o cateter com as seguintes 
informações: o tipo e calibre do cateter (Gauge), a hora e data que foi 
realizado o procedimento, e nome de quem o realizou; 
n. Auscultar pulmão; 
o. Solicitar RX de tórax para verificar posição da extremidade do cateter. 
8.1.5. Tempo de permanência do cateter venoso central 
O tempo de permanência do cateter venoso central é variável e deverá levar 
em consideração a necessidade de infusão por veia central. Com cuidados rigorosos, a 
permanência pode ser de 30 dias, o que implica o aumento da frequência das 
complicações tardias. 
Portanto, o cateter venoso central deverá ser retirado assim que terminar sua 
indicação médica. 
Alguns cateteres semi-implantáveis ou implantáveis tipo Portocath ou Permcath 
podem ter seu tempo de permanência muito longo (meses ou anos) dependendo dos 
cuidados com seu manuseio. 
8.1.6. Complicações 
o Infecção* 
o Secção do cateter 
o Flebite 
o Pneumotórax* 
o Trombose 
o Punção carotídea* 
o Embolia 
o Hematoma localizado 
o Infusão mediastinal 
* mais comuns 
As infecções ocorrem por germes Gram negativos ou estafilococos, sendo 
preocupante os germes multirresistentes. Não há definição para o tempo de 
permanência do cateter, não devendo ultrapassar três semanas, como consenso, 
permanece até apresentar sinais localizados ou sistêmicos que possam indicar 
infecção, como febre sem foco aparente. Retira-se e encaminha para cultura. A 
utilização de cateteres com bactericidas tem-se demonstrado promissora, ainda em 
avaliação custo-benefício. 
A infusão mediastinal pode ocorrer, portanto somente infundir no primeiro 
momento SF a 0,9%. A secção do cateter pode ser evitada quando ao introduzi-lo, 
retirar a agulha lentamente e concomitante. 
A fisioterapia torácica deve ser evitada nas primeiras duas horas, aguardando a 
radiologia de controle para localização do cateter e descartar punções pleurais com 
pneumotórax. 
8.1.7. Retirada do cateter venoso central 
Alguns cuidados devem ser observados na retirada do cateter venoso central, 
devendo ser de responsabilidade médica ou da enfermagem: 
o O paciente deve estar posicionado em decúbito dorsal; 
o Retirar cuidadosamente o curativo; 
o Realizar a antissepsia; 
o Cortar os pontos cirúrgicos; 
o As vias de infusão deverão estar totalmente pinçadas; 
o Retirar o cateter venoso central; 
o O orifício da inserção do cateter venoso central deve ser rapidamente 
fechado, com curativo oclusivo para evitar sangramento local. 
8.2. Acesso venoso periférico 
O acesso venoso periférico constitui-se em uma alternativa rápida e segura, 
indispensável nas situações de emergência. Através de dispositivos endovenosos, 
permite à equipe uma via de acesso capaz de promover a infusão de grandes volumes 
ao paciente, sendo também utilizada para a infusão de drogas de efeitos diversos e de 
rápida resposta. 
74 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
O acesso vascular através da inserção de um dispositivo intravenoso não é um 
procedimento inócuo. Pelo contrário, está associado a um significativo risco de 
ocorrência de infecções, se manifestando, geralmente, nos locais de inserção dos 
dispositivos intravenosos, também podendo na pior das hipóteses, levar a 
manifestações sistêmicas – sepse. 
As falhas de infusão são consideradas sequelas iatrogênicas da terapia 
intravenosa e as mais observadas são a flebite e o extravasamento ou infiltração. Se 
considerarmos que as falhas da infusão são aquelas que resultam na interrupção da 
mesma, enquanto ela ainda é necessária, a obstrução e a saída acidental do 
dispositivo intravenoso, também constituem falhas da infusão. 
O material do dispositivo intravenoso escolhido tem sido associado à ocorrência 
das duas principais falhas, a flebite e o extravasamento. 
A falha do tipo extravasamento ou infiltração no subcutâneo está 
significativamente associada ao dispositivo intravenoso do tipo agulha de aço (butterfly 
ou Scalp). Desta forma, estes dispositivos, de fácil inserção, como regra, devem ser 
usados apenas para infusões de curta duração e em crianças e idosos, cujas veias são 
de difícil acesso. 
O extravasamento ou infiltração é caracterizado por dor ou ligeiro desconforto 
no local da inserção, edema e diminuição ou parada no gotejamento da solução 
infundida. Estão relacionadas ao deslocamento do cateter ou da agulha, perfurando a 
veia, decorrente de fixações inadequadas ou ainda de movimentos efetuados pelo 
próprio paciente ou da equipe de saúde que lhe presta assistência. 
O dispositivo intravenoso do tipo cateter plástico sobre agulha (Abocath ou 
Jelco) está mais associado a uma maior incidência de flebite, que é a mais importante 
complicação destes dispositivos, devendo-se ao fato destes dispositivos permanecerem 
por maior tempo em uma inserção e ser a flebite, uma complicação ligada ao tempo de 
permanência de um cateter numa inserção. 
A flebite também está relacionada com a contaminação do local de inserção, 
contaminação das linhas de infusão, manipulação inadequada dos materiais e soluções 
a serem infundidos e, ainda, uso de drogas tóxicas, hipertônicas ou muito ácidas que 
levam a uma irritação química da veia. 
A escolha do dispositivo de acesso periférico, a ser utilizado, dependerá 
principalmente da indicação e da veia a ser puncionada. 
O Scalp é indicado nas terapias intravenosas periféricas, para infusões de curta 
duração, com permanência de até 24 horas na veia e procedimentos de coleta de 
sangue. Calibre 19G a 27G. 
O Jelco é indicado nas terapias intravenosas periféricas, para infusões de média 
duração, com permanência de até 72 horas na veia. Vantagem destes dispositivos é a 
possibilidade de retirada da agulha, permanecendo apenas o cateter no intravascular. 
Calibre 14G a 24G. 
O manuseio destes dispositivos não requer paramentação cirúrgica, contudo 
exigetécnica asséptica, preservando a esterilidade na porção distal que entrará em 
contato com o paciente. 
Os locais de inserção preferencialmente devem seguir a linha de uma veia 
tronco do antebraço (veias mediana do antebraço e cotovelo, basílica e cefálica), 
sendo que, quanto mais distal a fossa cubital melhor – recomendam-se as veias do 
dorso da mão e, se necessário, progredir nas tentativas proximais do membro. 
As veias basílica e cefálica são formadas no arco venoso superficial do dorso da 
mão, e se prolongam nas bordas medial e lateral do antebraço, respectivamente. Ao 
nível da fossa antecubital recebem a drenagem das veias medianas do cotovelo. A veia 
cefálica continua na borda lateral do braço, atingindo o sulco deltopeitoral, indo 
desembocar na veia axilar. A veia basílica continua na face medial do braço, indo 
desembocar através do sulco braquial, ao nível do terço médio na veia braquial. 
As veias das extremidades inferiores, somente são usadas em casos de extrema 
necessidade, devido aos riscos de tromboembolismo. 
Em pacientes pediátricos e neonatais a parte distal da veia safena pode ser 
utilizada, assim como as veias da região cefálica (p/ neonanatos). Outra opção para 
75 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
esses pacientes é a veia jugular externa, entretanto, a realização deste procedimento 
devido a localização dos vasos, exige boa habilidade técnica e conhecimento de 
anatomia. 
8.2.1. Procedimento 
1. Informe prévio ao cliente, sobre o procedimento a ser realizado. 
2. Escolha do vaso a ser puncionado e do dispositivo intravenoso a ser 
utilizado. 
3. Lavagem das mãos e calçamento de luvas de procedimento. 
4. Colocação do torniquete (garrote) a 15 ou 20 cm acima do local a ser 
puncionado, evitando pressão excessiva que possa interromper o pulso 
radial. Dar preferência ao garroteamento acima do cotovelo. 
5. Promover dilatação das veias, incentivando o cliente a abrir e fechar a 
mão. 
6. Providenciar a antissepsia rigorosa do local de punção. Controvérsias 
existem em relação aos antissépticos, no entanto, os mais utilizados 
ainda são álcool iodado, álcool 70% e clorexidina 2%. 
7. Com o cateter angulado 30º rente à pele e paralelo a veia, efetua-se a 
punção. Dirige-se a ponta do cateter à veia, com o bisel voltado para 
cima, desta forma minimizando a mobilidade da veia, favorecendo-se a 
sua cateterização. A seguir, progredir o cateter paralelamente à pele (e 
retirar agulha se Jelco). 
8. Liberação do torniquete, logo após a punção. 
9. Observar o refluxo do sangue pela conexão. 
10. Efetuar a conexão do equipo de soro, previamente montado, observando 
o fluxo, com o livre escoamento do volume infundido, e refluxo, com o 
retorno de sangue pelo equipo. 
11. Estabilizar e fixar o cateter à pele com micropore (idosos e crianças) ou 
esparadrapo (adultos). 
12. Registrar o procedimento que deverá constar os seguintes dados: data e 
horário, local de inserção e tipo do dispositivo, solução de infusão e 
reações do cliente. 
Dica: Identificar no acesso venoso o calibre do dispositivo utilizado, a data 
que foi realizado o procedimento e quem realizou. Infusão contínua com 
solução medicamentosa também deverá ser devidamente identificada. 
9. MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA INVASIVA – CATETER DE 
SWAN-GANZ 
O cateter de Swan-Ganz foi um grande avanço na avaliação hemodinâmica dos 
pacientes com choque. Trata-se de um cateter introduzido por uma veia profunda até 
uma das artérias pulmonares. O tratamento do paciente crítico envolve a 
monitorização e a avaliação hemodinâmica. O cateter de Swan-Ganz, ou cateter de 
artéria pulmonar, foi desenvolvido na década de 1960 por Swan e Ganz. Por volta dos 
anos de 1970, com o avanço da tecnologia, foi adicionado um termistor permitindo um 
rápido acesso ao débito cardíaco e a outras informações consideradas importantes 
para o diagnóstico e tratamento de tais pacientes. 
9.1. Tipos de cateter de Swan-Ganz 
O cateter existe nos tamanhos neonatal (3F), pediátrico (5F) e adulto (7F). Os 
cateteres adultos existem em dois comprimentos: 85 e 110 cm. O corpo do cateter 
contém quatro vias, além do balão em sua extremidade distal. 
Nestes últimos anos, ocorreram sofisticações nos sistemas de monitorização e 
no próprio cateter e, como resultado, temos a mais segura e relativamente fácil 
assistência hemodinâmica à beira do leito do paciente. Neste contexto, foram 
desenvolvidos alguns modelos de cateteres de Swan-Ganz: 
76 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
o de dupla-via (a forma original e mais simples do cateter); 
o com quatro vias (o mais utilizado); 
o de termodiluição com via extra para medicação (permite a infusão de 
drogas por vias acessórias que se localizam no átrio); 
o de termodiluição com quatro vias e " indicador de posição" (a via 
proximal encontra-se a 10 cm da ponta do cateter, ou seja, no ventrículo 
direito. Através da visualização da curva de ventrículo direito é possível 
verificar a posição correta do cateter ou quando ocorre a migração do 
mesmo); 
o de artéria pulmonar com fibra óptica (uma via a mais que contém no seu 
interior duas linhas de fibra óptica para realizar a medida da saturação 
venosa mista); 
o de artéria pulmonar com marcapasso (pode ser usado como marcapasso 
sequencial atrial, ventricular e atrioventricular; possui cinco eletrodos, 
sendo 2 intraventricular e 3 intra-atrial); 
o com fração de ejeção por termodiluição (permite obter os cálculos dos 
volumes diastólico e sistólico finais do ventrículo direito); 
o com medida de débito cardíaco contínuo (possui um filamento térmico 
que, quando aquecido, a variação da temperatura é detectada pelo 
termistor, localizado próximo a ponta do cateter, onde será reproduzida 
a curva de termodiluição do débito cardíaco). 
 
 
Cateter de Swan-Ganz com via extra para medicação. Via distal (AP) - amarela: seu orifício situa-se na ponta do cateter, 
permitindo a medida da pressão da artéria pulmonar (PAP) e da pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP). Pode 
ser coletado sangue venoso misto desta via, já que a ponta do cateter está na artéria pulmonar. Drogas ou soluções 
hiperosmóticas não devem ser administradas nesta via, pois podem causar lesão vascular local ou reação tecidual. Via 
do balão - vermelha: via para insuflar o balão; auxilia na migração do cateter pela flutuação dirigida pelo fluxo, 
permitindo o encunhamento do cateter e a medida da pressão capilar pulmonar (PCP), quando inflado em um ramo da 
artéria pulmonar. Via proximal (AD) - azul: seu orifício localiza-se a 30 cm da ponta do cateter, no átrio direito e 
transmite a pressão do mesmo (PVC). Pode-se administrar drogas, fluídos e eletrólitos. A solução para a realização da 
medida do débito cardíaco é injetada nesta via. Via do termistor: consiste em dois finos fios isolados, estendendo-se 
pelo comprimento do cateter e terminando em um termistor embutido na parede do cateter, situado de 4 a 6 cm da 
ponta na superfície do cateter, que mede a temperatura sanguínea na artéria pulmonar, continuamente, sendo que, 
através da termodiluição, realiza as medidas hemodinâmicas (como o débito cardíaco) com o uso de um computador. 
9.2. Indicações 
Atualmente, não há ainda um consenso dentre as indicações de uso do cateter 
de Swan-Ganz. As principais indicações são as seguintes: 
- Diagnóstico complementar ou diferencial. 
77 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
- Pacientes cirúrgicos de alto risco (cir. cardíaca, cir. vasculares e abdominais 
de grande porte, politraumatizados graves). 
- Necessidade de avaliação das variáveis hemodinâmicas através das medidas 
seriadas e da monitorização da pressão atrial direita, pressão arterial pulmonar e/ou 
pressão capilar pulmonar, no paciente crítico. 
- Determinação do débito cardíaco pelo método determodiluição. 
- Colheita de sangue venoso misto e infusão de soluções. 
Contraindicações: 
- Uso de heparina para a manutenção da permeabilidade do cateter em 
pacientes com conhecida hipersensibilidade à heparina. 
- Pacientes com sepse recorrente, ou estados de hipercoagulabilidade, onde a 
presença do cateter serve como ponto para a manutenção da sepse ou formação de 
trombos. 
- Pacientes com alterações do ritmo cardíaco, sendo obrigatória a monitorização 
eletrocardiográfica. 
9.3. Controle hemodinâmico 
O controle hemodinâmico inclui parâmetros determinados diretamente, tais 
como as pressões intravasculares e o débito cardíaco. Outros parâmetros são 
calculados indiretamente por meio de fórmulas, tais como a resistência vascular 
sistêmica e a força de ejeção do ventrículo esquerdo. Assim, apenas com a 
cateterização à beira do leito, de maneira rápida e segura, do lado direito da circulação 
sanguínea, obtém-se o perfil hemodinâmico do paciente em estado crítico, o que, por 
sua vez, permite intervenções terapêuticas mais precoces e precisas. 
Variáveis diretas: frequência cardíaca (FC), pressão arterial sanguínea (PAS), 
pressão de artéria pulmonar (PAP), pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP), 
pressão venosa central (PVC) e débito cardíaco (DC). 
Variáveis indiretas: pressão arterial média (PAM), índice cardíaco (IC), 
volume sistólico (VS), índice sistólico (IS), resistência vascular sistêmica (RVS), 
resistência vascular pulmonar (RVP) e trabalho sistólico do ventrículo esquerdo (TSVE). 
Todos os dados podem ser conferidos pelo computador. 
O procedimento é de responsabilidade médica. Após a instalação do cateter, é 
responsabilidade da equipe de enfermagem proceder à verificação das medidas. Todos 
esses dados devem ser anotados no prontuário do paciente e quaisquer alterações 
devem ser comunicadas à equipe médica imediatamente. 
9.4. Funcionamento 
Normalmente, o cateter de Swan-Ganz é usado via acesso venoso central (VJI, 
VSC, VF, etc). A ponta do cateter chega ao átrio direito. Neste momento, insuflando o 
balonete, a corrente sanguínea leva o cateter como se fosse uma bolha de ar. Ele 
atravessa a valva tricúspide e entra no ventrículo direto, então atravessa a valva 
pulmonar e entra na artéria pulmonar e vai parar num de seus ramos. Então, 
chegando aí, tem a possibilidade de medir a pressão capilar pulmonar (PCP - em 
cmH2O, e não mmHg). 
Então, quando está em posição, o cateter Swan-Ganz mede diretamente: 
a) PAP (na ponta do cateter com o balonete desinsuflado); 
b) PVC -> pressão do átrio direto (o segundo orifício, situado a 30 cm da 
ponta); 
c) PCP, no momento que o balonete está insuflado (sendo que a inflação 
deste obstrui temporariamente o lúmen da artéria pulmonar = POAP). 
De fato, a POAP reflete as pressões de enchimento do “coração 
esquerdo” (pré-carga), enquanto que a PVC reflete as pressões de 
enchimento do “coração direito” (pós-carga). 
 
78 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
 
À medida que é introduzida no sistema venoso, a extremidade distal do cateter atinge primeiramente a veia cava 
superior e, em seguida, o átrio direito, o ventrículo direito e, finalmente, a artéria pulmonar. O médico responsável pelo 
procedimento pode saber exatamente em que posição está o cateter, de acordo com o padrão da curva de pressão 
apresentado na tela do monitor. 
9.5. Complicações 
Hemorragia, formação de hematoma e embolização de placas ateroscleróticas 
são raras, mas passíveis de seguir-se à inadvertida punção arterial. 
Foram descritas lesões de estruturas adjacentes à rede vascular, tais como 
trauma de duto torácico, normalmente quando se utiliza a veia jugular interna 
esquerda, síndrome de Horner, e lesão de plexo braquial e nervo frênico. 
Arritmias são frequentes na inserção e na remoção, sobretudo durante a 
passagem do balonete pelo ventrículo direito. 
Dificuldades na progressão do cateter podem ocorrer sobretudo em estados de 
baixo fluxo, podendo determinar eventuais posições aberrantes, com subsequente 
lesão valvar, de músculos papilares e/ou cordas tendíneas. O auxílio da radioscopia 
pode ser solicitado. 
A cateterização além de 72 horas e manipulações múltiplas aumentam a chance 
de colonização e a taxa de infecção relacionada ao cateter. 
A complicação mais dramática talvez seja a perfuração da artéria pulmonar, 
cuja manifestação clínica é a hemoptise. O risco aumenta com idade avançada, 
hipertensão pulmonar, hipotermia e desvios na técnica de inserção. A manutenção do 
cateter em posição proximal, por meio de confirmação radiológica, e a insuflação lenta 
e cuidadosa do balão durante a leitura da PCP são medidas que podem evitar tão 
temida complicação. 
10. INFECÇÕES HOSPITALARES RELACIONADAS COMO USO DE 
DRENOS, SONDAS E CATETERES 
Drenagem de longa permanência propicia a colonização bacteriana e infecção 
ascendente. Quando dois drenos se mostram necessários, o índice de infecção saltou 
em uma diferença muito significativa. Os cateteres vasculares, os vesicais e as 
aspirações orotraqueais, são, sem dúvida, as maiores causadoras de infecções em 
unidades hospitalares. Assim, esses procedimentos devem ser evitados ao máximo, 
porém quando necessários, devem ser observadas as técnicas de antissepsia rigorosa 
quando de sua inserção, assim como no seu manuseio. O uso de paramentação deve 
ser levado a sério e o controle, através de exames laboratoriais, seguidos à risca. 
79 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
XXX --- DDDRRREEENNNAAAGGGEEEMMM TTTOOORRRÁÁÁCCCIIICCCAAA 
 
 
 
 
 O sistema coletor de drenagem pleural ou mediastinal é um 
equipamento médico-hospitalar usado nos procedimentos cirúrgicos 
torácicos e/ou cardíacos e destina-se à evacuação de conteúdo líquido e 
ou gasoso da cavidade torácica (derrame pleural, derrame pericárdico, 
empiema pleural, hemotórax, pneumotórax, etc.). 
A drenagem pleural ou mediastinal é definida como um 
procedimento cirúrgico para introdução de um dreno através de parede 
torácica na cavidade pleural ou mediastinal. 
1. PATOLOGIAS 
Alguns distúrbios pleurais, pericárdicos e mediastinais necessitam de drenagem 
torácica, que vem a ser a evacuação de ar e/ou líquidos da cavidade torácica. Tal 
drenagem utiliza o princípio de válvulas unidirecionais para impedir a fuga e/ou 
entrada de gases do local. Como exemplo, temos: 
1.1. Derrame pleural 
Normalmente somente uma pequena quantidade de líquido separa as duas 
membranas da pleura (cavidade pleural é um espaço virtual nas situações normais). O 
derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural. Pode ocorrer este 
acúmulo por diversas razões, como: insuficiência cardíaca, cirrose hepática e 
pneumonia. Outros tipos de líquidos que podem acumular-se no espaço pleural 
incluem sangue (hemotórax), pus (empiema ou piotórax), líquido leitoso e líquido rico 
em colesterol. 
Os sintomas mais comuns, independentes do tipo de líquido presente no espaço 
pleural ou de sua causa, são a dificuldade respiratória e a dor torácica. 
Os derrames pleurais pequenos podem necessitar apenas do tratamento da 
causa subjacente. 
Os derrames maiores, especialmente aqueles que produzem dificuldade 
respiratória, podem exigir a retirada do líquido (drenagem). Quando devem ser 
removidos volumes maiores de líquido, um tubo pode ser inserido na parede torácica. 
Depois de anestesiar a área com um anestésico local, insere-se um tubo plástico na 
parede torácica, entre duas costelas. Em seguida, ele conecta o tubo a um sistema de 
drenagem com selo de água, impedindo que o ar entre no espaço pleural. 
1.2. Pneumotórax 
O pneumotórax é o acúmulo de ar entre as duas membranas pleurais. O 
pneumotórax pode ocorrer sem uma razão identificável, sendo então denominado 
pneumotórax espontâneo. O pneumotórax também pode ocorrer em decorrênciade 
uma lesão/trauma ou de um procedimento que permita a introdução de ar no espaço 
pleural, como no caso da toracocentese. 
Normalmente, a pressão no espaço pleural é menor que a pressão 
intrapulmonar. No entanto, quando o ar penetra no espaço pleural, a pressão local 
torna-se maior que a pressão intrapulmonar e o órgão colapsa de forma parcial ou 
completa. 
Os sintomas variam muito e dependem do volume de ar que penetrou no 
espaço pleural e do tamanho da área pulmonar colapsada. 
80 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Um pneumotórax pequeno não exige tratamento. Normalmente, ele não causa 
problemas respiratórios graves e o ar é absorvido em poucos dias. 
Quando o pneumotórax é suficientemente grande a ponto de comprometer a 
respiração, é necessária a instalação de um tubo torácico. Este é conectado a um 
sistema de drenagem com selo de água ou a uma válvula unidirecional, que permite a 
saída do ar sem permitir que haja qualquer retorno. 
2. SISTEMAS DE DRENAGEM UNIDIRECIONAL 
Além de destinar-se a evacuação dos fluidos, esses sistemas possibilitam o 
controle com mensuração da quantidade e do tipo de secreção drenada dos derrames 
pleurais ou pericárdicos, empiemas, hemotórax, pneumotórax, etc. 
2.1. Componentes do selo d’água 
� Frasco coletor (1) 
� Etiqueta volumétrica graduada (2) 
� Tampa (3) 
� Alça de transporte (4) 
� Tubo de drenagem (5) 
� Conector cônico (6) 
� Tubo selo d’água (7) 
� Presilha (8) 
� Respiro da saída de gases (9) 
� Dreno torácico. 
2.2. Princípio hidrodinâmico de funcionamento 
Dever-se-á impedir a entrada de ar no tórax, através do 
emprego de sistemas fechados. Os tipos de mecanismos 
unidirecionais mais usados nos sistemas coletores de drenagem 
pleural ou mediastinal são: 
o Sifonagem subaquática por sifão; 
o Válvula de Heimlich (mais utilizada em pneumotórax). 
Os sistemas coletores de drenagem pleural ou mediastinal utilizam mais 
comumente o princípio da sifonagem subaquática que funciona como uma válvula 
unidirecional, também denominada drenagem pleural fechada ou drenagem em selo 
d’água. 
A sifonagem subaquática evita que ocorra o pneumotórax aberto, mantendo o 
equilíbrio da pressão intratorácica, que é negativa em relação à atmosférica. O sistema 
básico de drenagem consta de um tubo de borracha que deverá ser mergulhado em 
um frasco com selo d’água (no mínimo 2 
cm de água destilada), em cuja tampa 
haverá um respiro para o meio externo 
que não será conectado com a água. 
Esse sistema será ligado ao tubo de 
drenagem por meio de um conector, a 
qual deverá ser hermética e jamais 
estenosar o sistema de drenagem. 
Assim, o selo d’água definirá uma 
válvula unidirecional, tendo o ar 
condições de sair para o meio externo 
borbulhando no frasco, mas não terá 
condições de entrar no sistema. 
Com esse sistema simples, 
conseguimos resolver a maior parte das 
indicações de drenagem torácica. Em 
situações especiais como o hemotórax, 
pus espesso ou fístula de parênquima 
81 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
pulmonar, que impede a adequada expansão pulmonar, pode-se utilizar um sistema 
com dois frascos para aspiração contínua (figura ao lado), sendo o segundo frasco com 
três aberturas para conexões, uma será conectada ao aspirador contínuo, outra será 
conectada ao respiro do primeiro frasco de drenagem, e a terceira a qual se encontra 
mergulhada na água será mantida aberta para o meio externo. Esse segundo frasco 
serve para graduar-se o nível de aspiração, a qual será dependente não da força do 
aspirador, mas do quanto o respiro encontra-se mergulhado na água. Assim, quanto 
mais mergulhado, maior será a força de aspiração, desde que por esse respiro 
mantenha-se constantemente a entrada de ar. O nível de aspiração para crianças deve 
ser de 8 - 12 cm mergulhado na água, e nos adultos deve ser de 15 - 20 cm. 
Quando utilizamos a aspiração contínua em casos de fístula aérea do 
parênquima pulmonar, devemos ponderar entre as vantagens de manutenção de uma 
pressão negativa constante e o inconveniente de maior roubo de ar pela fístula com 
sua possível manutenção aberta. 
2.3. Tipos de dreno e local de drenagem 
Para drenagem pleural, dois tipos básicos de dreno podem ser utilizados: os 
tubulares multiperfurados e os drenos com um furo em uma expansão distal. Os 
drenos multiperfurados poderão ser de material com características de borracha 
(Nelaton) ou de materiais plásticos e siliconados, atualmente mais usados. Os drenos 
com furos apenas em uma expansão distal ou “cabeça” são de materiais com 
características de borracha (Pezzer ou Malecot). 
Os modelos de dreno tubular torácico (pleurais ou mediastinais) adquiriram o 
epônimo do idealizador (ver figura a seguir). 
 
 
 
Drenos tubulares, detalhes de suas extremidades. Da esquerda pra direita de cima pra baixo: drenos de Nelaton 
(multiperfurado); dreno de Malecot; dreno de Pezzer; e drenos de Blake. 
 
O dreno de maior utilização em drenagem pleural é o tubular, o qual será 
indicado em todas as drenagens de líquidos e nos pós-operatórios de cirurgia torácica, 
sendo também o dreno indicado nos casos de pneumotórax traumático, inclusive por 
barotrauma, visto que os traumas predispõem ao aparecimento de hemotórax 
subsequente. O calibre do dreno variará de acordo com o tamanho do paciente, sendo 
que, poderemos usar desde drenos tubulares calibrosos até extremamente finos como 
sondas nº 8F em recém-nascidos prematuros. Os tamanhos mais utilizados em 
adultos são 24F para drenar ar ou coleções líquidas pouco viscosas e 28F para drenar 
sangue e pús. 
82 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Sempre que colocarmos drenos 
tubulares, devemos utilizar uma localização 
inferior, sendo o local mais indicado o 5º ou 
6º espaço intercostal por incisão entre a linha 
axilar média e a posterior, sempre na 
margem superior da costela. Nos casos de 
coleções pleurais septadas, introduzimos o 
dreno no local em que estiver a maior loja, 
sempre na margem superior do espaço 
intercostal mais inferior. 
Os drenos com furos na sua expansão 
distal (Pezzer ou Malecot) tem sua única 
indicação, como opção, nos casos de pneumotórax espontâneo, onde a chance de 
sangramento associado é muito baixa. O local de drenagem desses casos é o segundo 
espaço intercostal na linha hemiclavicular. Após a colocação da pequena “cabeça” do 
dreno na cavidade pleural, o mesmo será tracionado, deixando-o colado à pleura 
parietal. Há uma tendência atual de mesmo nos casos de pneumotórax espontâneo, 
utilizar-se drenos tubulares. 
3. DESCRIÇÃO DA TÉCNICA 
A introdução do dreno de tórax pode ser realizada por introdução do cateter 
(dreno) torácico por punção da parede torácica ou no decorrer da cirurgia torácica. 
O local de inserção varia de acordo com o produto a ser removido (ar, sangue, 
pus ou linfa) e a sua localização. As vias mais comuns são: 
o 2º ou 3º espaço intercostal anterior, na linha hemiclavicular (para drenar 
pneumotórax) – podendo o paciente permanecer em decúbito dorsal; 
o 4º a 6º espaço intercostal, na linha axilar média (para drenar líquidos); 
o região infraesternal (abaixo do apêndice xifoide), nos casos de cirurgia 
cardíaca. (Neste local, o dreno recebe o nome de dreno de mediastino). 
A realização de drenagem nos intercostos mais inferiores (abaixo do sétimo), 
além do risco de lesão do diafragma e vísceras abdominais, possui também o 
inconveniente de obstruir mais facilmente o dreno no seio costofrênico. Após a 
introdução, faz-se necessário controle radiológico. 
3.1. Procedimento 
- Explicar o procedimento ao paciente. 
- Posicionamento do paciente (decúbito dorsal ou lateral à E ou D – depende do 
local a ser drenado). Cabeceira elevada de 30º a 45º ou sentado. 
- Inicia-se o procedimento com uma rigorosa antissepsia com solução iodada 
(PVPI),em toda a extensão do hemitórax. 
- Colocam-se campos esterilizados. 
- Anestesia local com solução de lidocaína a 1% infiltrando-se o espaço 
intercostal previamente escolhido para a drenagem. 
- Faz-se a punção pleural penetrando-se com a agulha, junto à borda superior 
da costela inferior direcionando-a superiormente, visando minimizar o risco de lesão 
dos vasos intercostais, do parênquima pulmonar e da cúpula diafragmática. 
Obrigatoriamente deve ser feita punção antes da drenagem e, caso não venha ar ou 
líquido, a drenagem não deve ser realizada neste local. 
- O líquido aspirado será colocado em tubo esterilizado e mandado para exame. 
- Incisão na pele de 1,0 a 1,5 cm com bisturi; divulsão dos planos subcutâneos 
e muscular com pinça hemostática curva com penetração na cavidade pleural, rente à 
borda superior da costela inferior. Com a pinça na cavidade pleural, o dedo indicador 
deve estar próximo da extremidade da pinça hemostática (“breque de dedo”) 
evitando-se assim, lesões de parênquima, por uma entrada súbita e violenta. 
- Após a introdução da pinça ela será aberta para ter-se um espaço adequado. 
Nos casos de dúvida o dedo indicador poderá ser introduzido para uma exploração 
83 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
digital da cavidade; em seguida o dreno será introduzido estando adaptado e esticado 
(observar se todos os orifícios estão dentro da cavidade pleural) em outra pinça 
hemostática curva (em recém-nascidos ou crianças pequenas, o dreno pode ser 
introduzido, após abertura do espaço, sem o auxílio da pinça hemostática). 
- Adaptação entre o dreno e o tubo conectado ao frasco sob selo d’água com a 
utilização de um conector calibroso – fixar a conexão com esparadrapo. 
- Fixação do dreno à pele do paciente através de sutura com fio de algodão nº 0 
(ponto chinês). 
- O nível líquido do frasco será marcado com uma fita adesiva, para possibilitar 
o controle do débito da drenagem. 
- Curativo no local da inserção do dreno (compressa de gazes estéreis + 
esparadrapo). 
- Prescrição de analgésico, o qual normalmente é necessário após cessar o 
efeito do anestésico local. 
- Controle radiográfico do tórax, o qual deverá ser realizado e avaliado logo 
após a drenagem. 
 
 
Controle radiográfico pós-drenagem. 
 
Após a drenagem pleural nos casos de pneumotórax, ao conectar-se o dreno 
com o sistema de selo d’água, haverá um borbulhamento do ar no líquido do frasco de 
drenagem, representando a saída de ar da cavidade pleural. Após essa saída inicial do 
ar poderá haver expansão total do pulmão e parada de saída de ar ou, poderá cada 
vez que o paciente tiver movimentos respiratórios, haver borbulhamento pelo dreno. 
Nessa situação definimos a presença de uma fístula aérea entre o parênquima 
pulmonar e a cavidade pleural. 
É primordial para o médico a identificação da presença de fístula aérea do 
parênquima pulmonar, visto que, nessa situação devemos tomar um cuidado especial 
com o sistema de drenagem. Cuidado esse, representado pela contraindicação de 
pinçamento do dreno. Caso esse pinçamento seja realizado com presença de fístula 
aérea, teremos novamente pneumotórax, colocando o doente em risco de vida, além 
de dificultarmos o fechamento da fístula (que ocorre também por aderência entre as 
pleuras) e predispormos o doente à formação de enfisema subcutâneo, que ocorre por 
vazamento do ar ao redor do dreno, saindo (sob pressão) da cavidade pleural para o 
subcutâneo. 
Assim, na presença de fístula aérea do parênquima pulmonar, o dreno só deve 
ser pinçado para troca do frasco, o qual deve durar um período mínimo, pedindo-se 
84 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
nesse momento, para o paciente parar de respirar e quando em ventilação mecânica, 
desligando-se o aparelho durante esse pequeno período de troca. 
4. CUIDADOS COM O SISTEMA DE DRENAGEM 
- Não fixar ao leito o tubo de borracha que conecta o dreno ao frasco de 
drenagem pelo risco de saída com a mobilização do paciente. Manter este tubo 
suficientemente longo, mas não deixando a borracha excessivamente longa, pois 
dificulta a drenagem de líquidos. 
- Trocar diariamente o frasco, medindo-se o seu débito. 
- Trocar diariamente o curativo em torno do dreno. 
- Verificar se a coluna líquida permanece oscilando e se persiste o débito. 
- Verificar diariamente as conexões. 
- Manter o frasco de drenagem em nível inferior ao do tórax do paciente. 
 
data: ____/____/____ hora: ______:______ 
volume drenado a cada hora: _______________ 
volume drenado a cada 24 horas: ____________ 
coloração do líquido drenado: □ seroso citrino □ seroso fibrinoso □ seroso purulento 
. □ seroso hemático □ hemático □ outros: ___________ 
Controles com a drenagem no frasco coletor, de acordo com as orientações médicas. 
 
4.1. Quando retirar o dreno? 
Nos casos de drenagem por líquidos, o dreno será retirado quando não estiver 
mais cumprindo as funções pelas quais foi colocado, isto é, quando cessar o débito de 
drenagem (frasco limpo ou com mínimo débito em 24 horas), tendo ainda havido 
melhora do quadro clínico e da ausculta pulmonar, comprovada radiologicamente. Não 
havendo essa correspondência entre o quadro clínico, radiológico e o débito pelo 
dreno, o mesmo poderá estar obstruído, devendo ser trocado ou outro procedimento 
cirúrgico realizado. 
Nos casos de pneumotórax, o dreno só será retirado quando estiver fechada a 
fístula aérea do parênquima pulmonar, isto é, não houver borbulhamento pelo dreno, 
mesmo forçando-se a tosse, a fala ou o choro, com a correspondência de expansão 
pulmonar confirmada pelos exames físico e radiográfico do tórax. Nesses casos, para 
uma maior segurança na retirada, após o fechamento da fístula, podemos realizar o 
pinçamento do dreno por um período de 6 a 12 horas, fazendo uma radiografia em 
seguida, e se não houver pneumotórax retirar o dreno. 
Lembrar que a oscilação do nível líquido no sistema de drenagem significa 
apenas que o mesmo encontra-se pérvio e introduzido na cavidade pleural 
(transmitindo a variação de pressões), não tendo relação com a indicação de retirada 
do dreno. Como existe grande dúvida sobre esse assunto, gostaríamos de deixar claro 
que a oscilação do nível no dreno não contraindica a sua retirada se os demais 
princípios, já descritos, indicarem esse procedimento. 
oscilação da coluna líquida: sim □ não □ 
borbulhamento (fístula aérea): sim □ não □ 
85 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
XXXIII --- VVVEEENNNTTTIIILLLAAAÇÇÇÃÃÃOOO MMMEEECCCÂÂÂNNNIIICCCAAA EEE IIINNNTTTUUUBBBAAAÇÇÇÃÃÃOOO 
EEENNNDDDOOOTTTRRRAAAQQQUUUEEEAAALLL 
 
 
 
 
1. REVISÃO DA ANATOMIA 
A manutenção de uma via aérea pérvia e a oxigenação adequada dos tecidos 
são as primeiras preocupações nas emergências. Para tanto é necessário 
conhecimento anatômico da via aérea e os principais métodos para a manutenção da 
mesma. 
Vamos recordar alguns elementos anatômicos fundamentais para a 
compreensão deste ato médico. 
Cavidade nasal – é uma via de acesso de suma importância, sendo que se 
comunica através das coanas à nasofaringe e em seguida à laringe. 
 
Cavidade oral – é a via de acesso mais utilizada devido ao seu diâmetro e fácil 
manipulação. 
 
Língua – é um órgão predominantemente muscular, fixa à mandíbula, ao osso 
hioide, ao processo estiloide e à parede da faringe. Com frequência pode ser a causa 
de obstrução das vias aéreas especialmente no paciente inconsciente, pois nesta 
situação há uma perda do tônus dos músculos submandibulares que suportam tanto a 
língua como a epiglote. 
Faringe – é definida como a passagem musculomembranosa entre as coanas e 
boca e a laringe e o esôfago. 
86 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
 
Laringe – é umaestrutura em forma de caixa contendo cartilagens e 
músculos; é um esfíncter poderoso e o órgão da fala. Está ligada superiormente à 
faringe e ao osso hioide e inferiormente à traqueia. É formada por nove cartilagens, 
sendo uma delas, a epiglote, importante referência uma vez que age como “tampa” e 
seus processos inflamatórios podem levar a uma obstrução da via aérea com risco de 
vida. A tireoide é uma cartilagem em forma de escudo que protege as cordas vocais, 
sendo que se articula inferiormente com a cartilagem crinoide que possui uma forma 
de anel. 
 
Traqueia – está compreendida entre a cartilagem crinoide a bifurcação 
brônquica. É uma estrutura tubular de 10 a 15 cm de comprimento e de diâmetro ao 
redor de 20 mm. Possui de 16 a 20 cartilagens em forma da letra “C”, fixas por tecido 
fibro-elástico. Posteriormente e firmemente aderida à traqueia encontra-se o esôfago. 
 
2. INTRODUÇÃO 
A ventilação mecânica (VM) ou, como seria mais adequado chamarmos, o 
suporte ventilatório, consiste em um método de suporte para o tratamento de 
pacientes com insuficiência respiratória aguda ou crônica agudizada. 
Tem por objetivos, além da manutenção das trocas gasosas, ou seja, correção 
da hipoxemia e da acidose respiratória associada à hipercapnia: aliviar o trabalho da 
musculatura respiratória que, em situações agudas de alta demanda metabólica, está 
elevado; reverter ou evitar a fadiga da musculatura respiratória; diminuir o consumo 
de oxigênio, dessa forma reduzindo o desconforto respiratório; e permitir a aplicação 
de terapêuticas específicas. 
Atualmente, classifica-se o suporte ventilatório em dois grandes grupos: 
87 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
o Ventilação mecânica invasiva (VMI); 
o Ventilação não invasiva (VMNI). 
Via aérea definitiva é a obtenção de uma via artificial de ventilação definitiva 
(inclui-se na VMI), como a intubação orotraqueal, nasotraqueal ou as vias cirúrgicas 
como a traqueostomia ou a cricotireoidostomia, que devem ser consideradas caso a 
intubação endotraqueal seja impossível. 
A intubação endotraqueal permite a assistência ventilatória em pacientes 
anestesiados ou sob VM, podendo ser de curta ou longa duração. Está indicada em 
qualquer situação que requeira um controle definitivo da via aérea (obstrução das vias 
aéreas, insuficiência respiratória). Também é realizada como parte do cuidado de 
pacientes criticamente doentes com doença multissistêmica ou ferimentos. 
A obstrução das vias aéreas deve ser considerada quando um indivíduo para 
repentinamente de respirar, torna-se cianótico e perde a consciência sem causa 
aparente. A obstrução completa impede a fala, a respiração e a tosse; o paciente 
normalmente aperta o seu pescoço, sendo a parada cardíaca possivelmente o evento 
seguinte. 
São muitos os procedimentos para a manutenção da permeabilidade da via 
aérea, alguns simples, outros mais complexos, dependendo da doença e da situação 
do paciente. A inspeção cuidadosa da cavidade oral e faringe à procura de corpos 
estranhos, como pedaços de dentes, dentaduras, pedaços de roupa, sangue é de suma 
importância, lembrando que a simples queda da língua pode ser causa de obstrução da 
via aérea. 
Feito o diagnóstico, a simples hiperextensão da cabeça e o levantamento do 
queixo, aproximando os dentes incisivos inferiores dos superiores, provocará melhora 
imediata. Uma cânula de Guedel poderá ter o mesmo efeito. Na situação de 
politraumatismos onde a suspeita de um traumatismo raquimedular cervical não pode 
ser afastado, a manipulação da cabeça deve ser evitada, sendo que nesta situação o 
médico deverá tracionar a mandíbula, através do seu corpo e ângulo, contra a maxila, 
o que também elevará a língua. 
3. EQUIPAMENTOS 
Máscaras faciais – são máscaras de formato piramidal, adaptadas à face para 
conter o nariz e a boca. Possuem uma borda que veda a saída de ar, 
um corpo e conector para um AMBU ou aparelhos anestésicos, permitindo assim 
introduzir ar, oxigênio ou gases anestésicos. Apresentam tamanhos variáveis. 
 
 
Máscaras faciais 
 
AMBU – “Airway Maintenance Breathing Unit” é uma balão auto-inflável dotado 
de válvula unidirecional permitindo criar um fluxo contínuo através de sua compressão. 
 
 
Ressuscitador manual = AMBU 
88 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Cânulas de Guedel – ou cânulas orofaríngeas são objetos que tem como 
função manter a língua distante da parede posterior da faringe ou para proteger o tubo 
endotraqueal da compressão dos dentes. Possuem tamanhos variados, sendo o 
adequado aquele que vai da rima bucal até o ângulo da mandíbula; se a cânula for 
muito longa ela poderá empurrar a epiglote e causar obstrução completa; se muito 
curta poderá desviar a língua posteriormente e piorar a obstrução. Para a introdução 
da cânula, poderemos abaixar a língua com uma espátula e inserir cuidadosamente 
seguindo a curvatura da língua e do palato; outra maneira é a introdução da cânula 
pelo lado convexo contra a língua e rodar 180 graus dentro da cavidade oral. A cânula 
só deverá ser utilizada em pacientes inconscientes ou anestesiados, pois caso contrário 
provocará tosse, vômito ou laringoespasmo. 
PS.: existem também cânulas nasofaríngeas. 
 
 
Cânulas orofaríngeas (de Guedel). (A) Quatro modelos de cânulas de Guedel; (B) uma cânula inserida. 
 
Laringoscópio – é um instrumento para a visibilização direta da laringe, sendo 
dividido em alça ou corpo e lâmina. No corpo está reservado para a colocação de 
pilhas para a iluminação. A lâmina, normalmente se articula com o corpo em ângulo de 
90 graus. Ela divide-se em base que é a região de articulação e da 
lâmpada, espátula e flange, útil para o afastamento lateral da língua. As lâminas 
podem ser curvas como nos modelos Mackintosh ou retas no modelo Muller, mais 
utilizados para crianças. 
 
 
Laringoscópio. Esquerda: evidencia os cabos (infantil e adulto) no centro e as diversas lâminas curvas (de Macintosh) e 
retas (de Miller) nas laterais. Direita: laringoscópio montado (ou conjunto de laringoscópio). 
 
Tubos endotraqueais – são tubos de borracha, silicone ou materiais afins, 
com diâmetros variados, dotados ou não de balonetes (cuff), que tem como função a 
proteção da via aérea de aspiração, por exemplo, de vômito ou sangue, e também de 
formar um selo entre o tubo e a mucosa traqueal permitindo ventilação positiva. Os 
tubos pediátricos não possuem balonete devido às particularidades da traqueia da 
criança. 
89 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
 
Tubos endotraqueais sem e com balonete (seta). Funções do cuff: evitar aspiração de secreções e evitar o refluxo de ar. 
 
Fio-guia – conhecido por Mandril, é um instrumento de metal resistente, que 
pode ser moldado facilmente, sendo que uma vez introduzido dentro do tubo 
endotraqueal lhe confere formato e resistência adequados para facilitar a intubação. 
Pinça de Magill – auxilia na intubação nasotraqueal. Pode ser ocasionalmente 
utilizada também em situações de emergência, para remover corpos estranhos da 
faringe e da laringe, à volta da área das cordas vocais 
 
 
Mandril (fio-guia) para auxiliar na intubação orotraqueal; e Pinça de Magill para auxiliar na intubação nasotraqueal. 
 
Máscara laríngea – é um tubo semicurvo, que se inicia em um conector 
padrão de 15 mm e termina em uma pequena máscara com um suporte periférico 
inflável, que forma uma vedação à volta da entrada laríngea. 
 
 
Máscara laríngea 
 
Baraka e KT-5 – promove a ventilação artificial, administrando gases 
anestésicos manualmente para o pulmão do paciente, durante o procedimento de 
anestesia. 
 
 
Sistema de anestesia infantil (Baraka) e Conjunto unidirecional de anestesia adulto (KT-5). Detalhe para a válvula 
unidirecional que compõe o conjuntoKT-5. A válvula unidirecional define a inspiração e a expiração do paciente, através 
de um diafragma interno. 
90 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
 
 
Princípio de funcionamento da válvula unidirecional. O Conjunto para Ventilação Manual KT-5 opera segundo as 
diferenças de pressões geradas pelo próprio paciente, ou por uma operação manual. O fluxo contínuo de gases frescos 
provenientes da saída comum de gases do aparelho de anestesia (ou de um fluxômetro de oxigênio) entra no conjunto 
KT-5 através de uma válvula de segurança acoplada no fundo do balão, e enchendo esta. 
Pressionando-se o balão com as mãos, o ar em seu interior é empurrado até a válvula unidirecional, por onde se dirige 
até o paciente para realizar a inspiração. A própria pressão do ar encarrega-se de fechar o ramo expiratório da válvula 
unidirecional. Durante a expiração do paciente, o diafragma da válvula unidirecional muda de posição para permitir o 
escape dos gases expirados para o ambiente, enquanto a bolsa é preenchida com gases novos. 
 
Ventilador mecânico – é um aparelho capaz de administrar oxigênio em 
pacientes impossibilitados de respirar ou quando essa atividade é realizada de forma 
exaustiva pelo mesmo. Composto de válvula inspiratória e expiratória e respectivos 
circuitos, apresenta gráfico de leitura (manômetro de pressão) para leitura e controle 
das pressões inspiratórias, sistema este independente do monitor de ventilação. A 
umidificação pode ser feita em sistema convencional (aquecida) ou através de filtros 
específicos trocados a cada 24 horas. 
Aparelho de anestesia – composto de vários itens integrados entre si com 
função básica de administrar gases durante a anestesia inalatória. É conceituado como 
um equipamento destinado à administração de gases anestésicos ao paciente, sendo 
constituído basicamente de três componentes, a saber: a secção de fluxo contínuo, 
sistema respiratório e ventilador mecânico. 
 
 
Ventilador mecânico de pressão positiva; e Aparelho de anestesia inalatória com ventilador mecânico. 
4. VENTILAÇÃO MECÂNICA 
A ventilação mecânica (VM) é um método usual em unidade de terapia intensiva 
(UTI) sendo utilizada em pacientes com insuficiência respiratória de qualquer etiologia, 
91 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
dando suporte ao tratamento da patologia-base pelo tempo que for necessário para 
reversão do quadro, portanto não constitui um procedimento curativo. 
A atenção aos pacientes sob uso de ventilação mecânica torna-se 
responsabilidade dos profissionais de enfermagem. A assistência ventilatória exige 
monitorização constante das funções vitais e de cuidados intensivos ao paciente 
crítico. 
Em geral, a insuficiência respiratória leva à necessidade da ventilação 
mecânica, seja devido a uma DPOC, trauma múltiplo (principalmente TCE grave e/ou 
trauma raquimedular), anestesia geral e outras condições como: cirurgias cardíacas e 
toracopulmonares, em pacientes com aumento acentuado da pressão intracraniana 
(PIC), ou ainda, em pacientes com disfunções cardíacas, quando há uma exigência 
funcional da assistência ventilatória. 
A finalidade da ventilação mecânica consiste em otimizar alguns aspectos 
fisiológicos e clínicos dos pacientes (tabela a seguir): 
 
Objetivos fisiológicos Objetivos clínicos 
1) Sustentar as trocas gasosas; 
2) Pulmonares 
a. Normalizar a ventilação alveolar 
(PaCO2, pH) 
b. Obter um nível aceitável de 
oxigenação arterial (PaO2 > 60 
mmHg, SaO2 > 90%) 
3) Aumentar o volume pulmonar; 
4) Reduzir o trabalho muscular 
respiratório. 
1) Reverter a hipoxemia: ↑ a ventilação 
alveolar e o volume pulmonar, ↓ o 
consumo de O2 e ↑ a oferta de O2; 
2) Tratar a acidose respiratória; 
3) Aliviar o desconforto respiratório; 
4) Prevenir e tratar atelectasias; 
5) Reverter a fadiga dos músculos 
respiratórios; 
6) Permitir a sedação ou o bloqueio 
neuromuscular; 
7) Diminuir o consumo de O2 sistêmico 
e miocárdico; 
8) Reduzir a pressão intracraniana; 
9) Estabilizar a parede torácica. 
4.1. Tipos de ventiladores mecânicos 
Os ventiladores mecânicos são classificados em ventiladores por pressão 
negativa e por pressão positiva, sendo este último o mais utilizado. 
4.1.1. Ventiladores por pressão negativa 
Sustentam a ventilação semelhante à espontânea. Agem exercendo uma 
pressão negativa externamente no tórax; essa modalidade permite que o ar inspirado 
preencha o volume torácico. Estes ventiladores estão indicados em pacientes com 
insuficiência respiratória crônica associada à patologias neuromusculares. 
O pulmão de ferro, envoltório corporal e couraça torácica, são exemplos de 
ventiladores mecânicos que funcionam por pressão positiva. 
4.1.2. Ventilação por pressão positiva 
Em virtude da pressão positiva exercida pelo ventilador nas vias aéreas do 
paciente, os alvéolos ampliam-se no momento da inspiração. Uma das maiores 
vantagens da vantagens da ventilação mecânica por pressão positiva, além da 
substituição da atividade mecânica da respiração espontânea é a possibilidade de 
permitir uma oxigenioterapia com frações de O2 variáveis. A mistura de gases inalados 
pode ser composta da forma que mais atenda às necessidades do paciente e que mais 
se adeque as condições terapêuticas. 
Os ventiladores ciclados por pressão, tempo, volume e fluxo são os tipos de 
ventiladores por pressão positiva. Eles diferem um do outro pela forma como finalizam 
a etapa inspiratória da respiração. 
92 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
4.2. Classificação 
A ventilação por pressão positiva pode ser invasiva e não-invasiva. A escolha 
dependerá das necessidades do paciente. 
A ventilação invasiva fornece oxigênio através de intubação endotraqueal, 
traqueostomia ou cricotireoidostomia. Destina-se a pacientes graves, quando a 
ventilação não-invasiva é insuficiente para manter uma boa oxigenação. Ocorre 
principalmente em pacientes que tiveram ou que correm risco de uma lesão 
neurológica. 
A ventilação não-invaisva pode ser aplicada por máscaras faciais, nasais ou 
por formas que proporcionem a ventilação, sem que haja algum procedimento 
invasivo. Ela é indicada para pacientes que não precisem de uma assistência 
ventilatória intermitente ou por um período superior a vinte horas. Esta indicada 
principalmente na insuficiência respiratória aguda ou crônica, hipoventilação devido 
uma obesidade extrema, DPOC e distúrbios respiratórios associados ao sono. 
A ventilação não-invasiva além de excluir a necessidade de uma traqueostomia 
ou intubação, evita a sedação, os riscos de infecção, reduz o tempo da ventilação 
artificial, confere mais conforto ao paciente e melhora as trocas gasosas. 
4.3. Modalidades de ventilação mecânica e parâmetros ventilatórios 
A escolha de uma modalidade de ventilação mecânica determina como o 
ventilador e o paciente vão interagir. Inicialmente e durante períodos de instabilidade, 
o modo de ventilação deve permitir o controle máximo da ventilação. As modalidades 
com pressão positiva mais usadas são VMA (invasiva) e CPAP (não-invasiva). 
Ventilação mecânica assistida/controlada (VMA): a FR é controlada pelo 
paciente (o ciclo respiratório é iniciado quando o paciente gera uma pressão negativa 
alcançando um valor imposto pelo mecanismo de sensibilidade do ventilador). O 
volume corrente e o fluxo são predeterminados. Se não houver o esforço do paciente, 
o ventilador fornece ciclos controlados na FR mínima determinada. 
Pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP - continuous positive 
airway pression): o paciente respira espontaneamente dentro do circuito 
pressurizado após ventilador mecânico. Uma pressão positiva predeterminada é 
mantida praticamente constante durante o ciclo respiratório. 
Os parâmetros respiratórios devem ser frequentemente avaliados de acordo 
com a resposta do paciente (dados nomonitor). As complicações iatrogenicamente 
induzidas compreendem a ventilação excessiva (que provoca alcalose respiratória) e a 
hipoventilação (que causa a acidose respiratória ou hipoxemia). Os exames 
gasométricos determinam a eficácia da ventilação mecânica. Os pacientes com 
doenças pulmonares crônicas, no entanto, deverão ser ventilados para permanecer 
relativamente próximos de seus valores gasométricos normais. Usualmente, isso 
significa aceitar níveis de dióxido de carbono relativamente altos, oxigenação abaixo 
da média ou ambos. 
Os parâmetros básicos são: volume corrente (VC), frequência respiratória (FR), 
volume minuto (Vm), fração de O2 inspirado (FiO2), relação inspiração/expiração, fluxo 
máximo, limite de pressão, sensibilidade e PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva). 
4.4. Ventilação mecânica invasiva 
A insuficiência respiratória não se caracteriza por ser um achado clínico 
exclusivo. A dispnéia pode ser o principal sintoma apresentado, cuja intensidade, 
rapidez de aparecimento e evolução fornecem dados importantes para o diagnóstico e 
a terapêutica. Outros sinais e sintomas devem ser analisados com cautela. A cianose, 
considerada um dos grandes sinais da hipoxemia, tem o seu aparecimento dependente 
da presença de 5g/dL de hemoglobina reduzida no sangue arterial. Portanto, em caso 
de anemia, mesmo discreta (hemoglobina = 10g/dL), o grau de hipoxemia grave 
deverá ser relativamente acentuado para que este sinal seja aparente (SaO2 e PaO2 
capilar, respectivamente, de 50% e 25mmHg). Sendo assim, a cianose, quando 
93 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
presente, constitui um importante sinal de hipoxemia, porém, a sua ausência não 
exclui a possibilidade de uma situação clínica grave. 
Apesar desses fatores, na maioria das vezes, o diagnóstico de insuficiência 
respiratória aguda é fácil em virtude da intensidade dos sinais e sintomas. O quadro 
clínico pode ser alarmante e não deixar dúvidas em relação às condutas que devem ser 
assumidas. Outras vezes, porém, necessita-se de um alto índice de suspeição e um 
cuidado extremo no acompanhamento destas manifestações clínicas, pois, mesmo na 
vigência de hipoxemia importante, elas podem ser mínimas ou até ausentes (tabela a 
seguir). 
 
 
 
O diagnóstico laboratorial e definitivo da IResA é realizado através da 
gasometria arterial. Aceita-se que a PaO2 < 55-60mmHg e a SaO2 < 90% ou a PaCO2 
> 45-50mmHg com pH < 7,35 expressam a disfunção respiratória que permite o 
diagnóstico de insuficiência respiratória aguda. 
O gradiente alvéolo-arterial de oxigênio [P(A-a)O2] e outros indicadores da 
eficiência das trocas [como a relação PaO2/FiO2] permitem diferenciar os tipos de 
hipoxemia. Os valores do P(A-a)O2 aumentam com a idade do paciente e são 
considerados os indicadores mais sensíveis e simples na avaliação do 
comprometimento da hematose. Hipoxemia com gradiente aumentado indica defeito 
nas trocas alvéolo-capilares (insuficiência respiratória hipoxêmica). Hipoxemia com 
gradiente normal é compatível com hipoxemia por hipoventilação alveolar 
(insuficiência respiratória ventilatória). 
Hipoxemia, hipercapnia e gradiente elevado são compatíveis com o mecanismo 
combinado de hipoxemia e de insuficiência ventilatória (insuficiência respiratória 
combinada). O cálculo do gradiente é útil na abordagem inicial do paciente com IResA 
e no seu seguimento pré-oxigenoterapia. A oferta de concentrações elevadas de 
oxigênio aumenta paralelamente o gradiente, tornando menos fidedigna a avaliação de 
seu resultado, em face de concentrações inaladas diferentes. 
Assim, sob oxigenoterapia, outros indicadores da eficiência da transferência de 
oxigênio e da evolução dos mecanismos responsáveis pela IResA têm sido usados, 
destacando-se a relação PaO2/FiO2; seu valor normal, em ar ambiente (FiO2 = 0,21), é 
acima de 400 e, sob oxigênio puro, é superior a 500. Esta relação é útil na 
quantificação da gravidade da lesão pulmonar, na comparação evolutiva e na predição 
dos câmbios na PaO2 se a FiO2 for elevada. Valores abaixo de 300 indicam deterioração 
de trocas e, abaixo de 200, sugerem a extrema gravidade do quadro respiratório. 
A decisão em iniciar a ventilação mecânica depende do julgamento clínico. 
Frente a um quadro de insuficiência respiratória aguda, as indicações incluem a 
presença de importantes alterações gasométricas, inadequada resposta ao tratamento 
clínico e o excessivo trabalho respiratório com evidência de fadiga da musculatura 
respiratória. Excetuando-se os casos de falência cardiorrespiratória, proteção de vias 
aéreas e/ou apnéia, nos quais a indicação de suporte ventilatório é indiscutível, não 
existem outras situações em que a indicação de ventilação mecânica não mereça uma 
94 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
avaliação crítica pelo médico. Qualquer outro critério de indicação do suporte 
ventilatório não deve ser considerado absoluto ou infalível. Porém, alguns parâmetros 
objetivos podem auxiliar na decisão da indicação de ventilação mecânica (Tabela 1). 
 
 
4.4.1. Intubação endotraqueal 
Ver tópico 5 neste capítulo. 
4.4.2. Controle do paciente em ventilação mecânica 
O controle do paciente em ventilação mecânica, ou seja, a monitorização 
respiratória à beira do leito, é fundamental para um adequado tratamento do paciente 
grave ventilado artificialmente. Assim, podemos definir monitorização como sendo: “o 
conjunto de métodos que objetiva a demonstração das alterações funcionais, de uma 
maneira idealmente contínua e precoce, assegurando que os objetivos da ventilação 
mecânica estão sendo atendidos, fornecendo parâmetros para o seu reajuste e 
prevenindo complicações”. 
Monitorização da troca gasosa. A troca gasosa consiste na principal função 
dos pulmões, e sendo a hipoxemia o evento de maior gravidade por comprometer 
diretamente a oferta de O2 aos tecidos, a sua monitorização é fundamental. 
o Índices de oxigenação: Pressão parcial do oxigênio no sangue arterial 
(PaO2), oximetria de pulso (SpO2). 
o Índices de ventilação: Pressão parcial do gás carbônico no sangue 
arterial (PaCO2), capnografia. 
Monitorização da mecânica respiratória. Permitem o cálculo das 
propriedades fisiológicas básicas do sistema respiratório, como complacência, 
resistência e trabalho respiratório, que facilitam a monitorização e o manejo do doente 
grave. 
o Curvas de pressão nas vias aéreas (Pva), fluxo inspiratório (V’) e volume 
corrente (VT). → Demonstradas na tela (monitor) do ventilador 
mecânico. 
o Complacência; 
o Resistência; 
o Trabalhos respiratórios. 
Gasometria arterial. medida direta da PaO2 é o método padrão de avaliação 
da oxigenação sanguínea. Para sua melhor caracterização, o dado mais simples e 
rápido consiste na relação PaO2/FiO2. Número de gasometrias necessárias depende das 
condições de cada paciente e das manipulações no respirador que forem feitas, não 
existindo qualquer rotina recomendada. Entretanto, opina-se que ao menos uma 
gasometria por dia deva ser realizada. 
95 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Radiografia. Todo paciente sob VMI deve ser submetido à radiografia de tórax 
diariamente. 
Fisioterapia. Constitui um recurso terapêutico eficiente para tratamento e 
manejo dos pacientes submetidos à assistência ventilatória mecânica invasiva e, em 
especial, aqueles portadores de complicações provenientes da restrição prolongada no 
leito. 
4.4.3. Complicações da VMI 
A VMI como o próprio nome diz, trata-se de um procedimento invasivo que traz 
significativas repercussões sobre os vários órgãos e sistemas do paciente submetido à 
mesma, bem como está diretamente relacionada a complicações frequentes, algumas 
podendo ser potencialmente fatais. 
As complicações mais comumente relacionadas à VMI são: 
 
1. Relacionada à infecção: 
a) Sinusite; 
b) Traqueobronquite; 
c) Pneumonia. 
2.Na Via aérea artificial: 
a) Trauma: No ato da intubação 
e/ou pela pressão exercida pelo 
balonete; 
b) Dobra; 
c) Estenose; 
d) Paralisia das cordas vocais; 
e) Traqueomalácia: flacidez no 
tecido cartilaginoso traqueal, 
distensão da parede 
membranosa posterior, e 
redução do calibre 
anteroposterior das vias aéreas; 
f) Extubação acidental; 
g) Intubação seletiva; 
h) Edema de glote; 
i) Hemorragia; 
j) Pneumotórax. 
3. Relacionado com o ventilador e/ou 
ajustes inadequados: 
a) Umidificação inadequada; 
b) Superaquecimento; 
c) Hipoventilação; 
d) Hiperventilação; 
e) PEEP intrínseco; 
f) Trabalho respiratório excessivo. 
4. Complicações pulmonares: 
a) Barotrauma; 
b) Edema pulmonar; 
c) Atelectasia; 
d) Fístula broncopleural; 
e) Lesão por toxicidade de 
oxigênio; 
f) Cânula traqueal e 
traqueostomia. 
5. Complicações cardiovasculares: 
a) Diminuição do débito cardíaco; 
b) Hipotensão; 
c) Arritmias; 
d) Elevação da PIC; 
e) Isquemia cerebral (alcalose 
respiratória acentuada) 
6. Alterações da função renal e 
hepática: 
a) Retenção de sódio e água. 
7. Complicações gastrintestinais: 
a) Distensão gástrica; 
b) Hipomotilidade gastrintestinal; 
c) Úlceras; 
d) Hemorragias. 
8. Dependência do ventilador. 
4.4.4. Extubação e desmame 
Desmame deve ser iniciado quando atendidas as exigências de estabilidade 
clínica, hemodinâmica, funcional respiratória e gasométrica: 
o Respirar espontaneamente 
o Reflexos protetores de vias aéreas presentes (tosse) 
o Obedecer a ordens simples 
o Estabilidade hemodinâmica 
o SpO2 > 90% com FiO2 = 0,21 
o Sem manifestações de bloqueio neuromuscular residual verificada pelo 
estimulador de nervo periférico ou prova de sustentação da cabeça > 5s 
o Força inspiratória máxima < –25cmH2O 
o Volume corrente > 7ml/kg 
o Capacidade vital > 10mL/kg 
o Índice de FR/VT < 80 
96 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
o Relação PaO2/FiO2 > 200 
o PaCO2 < 40mmHg 
4.5. Ventilação mecânica não-invasiva 
A ventilação mecânica não invasiva (VMNI) consiste num método de assistência 
ventilatória aplicada à via aérea do paciente através de máscaras (faciais/nasais) ou 
bocais, que funcionam como interface paciente/ventilador, em substituição às cânulas 
endotraqueais. 
Objetivos: 
o Manutenção das trocas gasosas (evitar hipoxemia e hipercapnia); 
o Facilitar a ventilação alveolar; 
o Diminuir o trabalho respiratório; 
o Diminuir a dispneia (desconforto respiratório); 
o Evitar a necessidade de intubação; 
o Reduzir a mortalidade e pneumonia associado a ventilação mecânica; 
o Reduzir tempo de permanência no hospital. 
4.5.1. Indicações e contraindicações 
Indicações: 
o Agudização da DPOC; 
o Edema Agudo de Pulmão cardiogênico; 
o Insuficiência respiratória hipoxêmica: pneumonia, Síndrome do 
Desconforto Respiratório Agudo ou lesão pulmonar aguda; 
o Agudização da asma; 
o Como estratégia de desmame. O uso da VMNI como estratégia para 
facilitar o desmame da VM invasiva apresenta evidências altamente 
encorajadoras, principalmente em se tratando de pacientes portadores 
de DPOC. 
É indicada em pacientes com sinais clínicos e funcionais de insuficiência 
respiratória, em particular: 
o Troca gasosa alveolar pobre (PaO2/FiO2 < 200); 
o Hipercapnia ou acidose respiratória (PaCO2 > 55 mmHg and pH < 7,35); 
o Dispnéia severa acompanhada de uso de musculatura acessória; 
o Taquipnéia (FR > 24 rpm). 
Nestas condições a VMNI deve ser iniciada o mais rápido possível. 
Contraindicações (são indicações para VMI): 
o Parada cardíaca ou respiratória; 
o Rebaixamento do nível de consciência e incapacidade para proteger as 
vias aéreas, GCS < 11, e/ou alto risco de aspiração (distensão 
abdominal, vômitos); 
o Obstrução de vias aéreas superiores; 
o Cirurgia, trauma ou queimadura facial, ou lesão facial que impeça a 
adaptação da interface da VMNI; 
o Incapacidade de eliminar secreções ou produção copiosa de secreção 
pulmonar com necessidade de aspirações frequentes; 
o Sangramento digestivo alto ou sangramento via aérea superior; 
o Instabilidade hemodinâmica e necessidade de doses elevadas (Nor > 0,2 
mcg/kg/min) ou doses crescentes (>50% dose inicial nas primeiras 2 
horas após inicio VMNI); 
o Arritmias cardíacas com repercussão hemodinâmica ou sinais 
eletrocardiograficos de isquemia cardíaca; 
o Acidose grave – pH < 7,1; 
o Hipoxemia grave (relação PaO2/FiO2 < 100). 
97 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
4.5.2. Interfaces 
As máscaras nasais ou oronasais são as interfaces mais frequentemente 
utilizadas para a aplicação da VMNI no ambiente hospitalar. A máscara nasal é, 
provavelmente, a interface mais confortável, porém a resistência das narinas ao fluxo 
de ar e a presença do vazamento de ar pela boca podem limitar o seu uso em alguns 
pacientes. A máscara oronasal, também conhecida como facial, é a interface mais 
utilizada para pacientes com insuficiência respiratória aguda, permitindo maior volume 
corrente quando comparada com a máscara nasal e, consequentemente, correção mais 
rápida das trocas gasosas. 
Na tentativa de melhorar o conforto e a tolerância dos pacientes durante a 
VMNI, dispomos hoje de novas interfaces, como, por exemplo, a máscara facial total e 
o capacete. A máscara facial total tem a vantagem de diminuir o vazamento e 
possibilitar o uso de maiores pressões inspiratórias. Os capacetes têm a vantagem de 
eliminar o contato da interface com a face do paciente, evitando assim a complicação 
mais frequente da VMNI, que é a lesão de pele. 
4.5.3. Modos ventilatórios 
Os novos ventiladores de UTI estão sendo adaptados para funcionarem tanto 
durante a ventilação invasiva quanto não invasiva. 
Para pacientes com DPOC agudizada, pressão de suporte (PS ou IPAP – 
inspiratory positive airway pressure) + PEEP é o modo ventilatório recomendado pela 
maioria dos autores. 
CPAP (continuous positive airway pressure) é um modo ventilatório empregado 
com frequência para o suporte ventilatório não invasivo de pacientes com edema 
agudo de pulmão (EAP) cardiogênico. A CPAP não é capaz de aumentar a ventilação 
alveolar, motivo pelo qual, na presença de hipercapnia, é dada preferência ao uso da 
ventilação não invasiva com dois níveis de pressão (IPAP + PEEP). 
 
Fluxograma para terapêutica com VMNI: 
 
 
 
 DPOC EAP IRpA-
Hipoxêmica 
Desmame 
da VM 
Asma Neuro/musc Apneia/sono 
Central 
Modo BIPAP BIPAP 
CPAP 
BIPAP BIPAP BIPAP BIPAP BIPAP 
CPAP 
Ciclagem Spont/Time Spont 
Spont/Time 
Spont 
Spont/Time 
Spont/Time Spont 
Spont/Time 
Spont 
Spont/Time 
Spont 
Spont/Time 
FR < 28 < 28 < 28 < 28 < 28 < 28 < 28 
IPAP 14 – 25 14 – 20 14 – 20 14 – 25 20 10 – 18 - 
PEEP 5-10 8-10 10 – 14 5-10 5 – 8 5 – 8 8 – 14 
VC > 350 > 350 > 350 > 350 > 350 > 350 
FiO2 SpO2 > 95% SpO2 > 95% SpO2 > 95% SpO2 > 95% SpO2 > 95% SpO2 > 95% SpO2 > 95% 
Obs.: BIPAP = Bi Level Positive Airway Pressure ou dois níveis de pressão positiva nas vias aéreas. Equivale à IPAP + PEEP. 
� Troca gasosa alveolar pobre (PaO2/FiO2 < 200), e/ou 
� Hipercapnia ou acidose respiratória (PaCO2 > 55 mmHg and pH < 7,35), e/ou 
� Dispnéia severa acompanhada de uso de musculatura acessória, e/ou 
� Taquipnéia (FR maior que 24 rpm). 
 
98 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
4.5.4. Limitações para o uso da ventilação não invasiva 
A adequada seleção dos candidatos ao uso da ventilação não invasiva é o 
primeiro passo para o sucesso da técnica (ver contraindicações). Como a VMNI é uma 
modalidade de suporte ventilatório parcial e sujeita a interrupções, essa técnica não 
deve ser utilizada em pacientes totalmente dependentes da ventilação mecânica para 
se manterem vivos. A cooperação do paciente é importante para o sucesso da VMNI, 
tornando o seu uso limitado nos pacientes comrebaixamento do estado de consciência 
ou com agitação. Da mesma forma, pela inexistência de uma prótese traqueal a VMNI 
só deve ser utilizada naqueles pacientes capazes de manter a permeabilidade da via 
aérea superior, assim como a integridade dos mecanismos de deglutição e a 
capacidade de mobilizar secreções. Instabilidade hemodinâmica grave, caracterizada 
pelo uso de aminas vasopressoras, e arritmias complexas são consideradas 
contraindicações para o uso da VMNI pela maioria dos autores. Pacientes com 
distensão abdominal ou vômitos não devem utilizar VMNI pelo risco de aspiração. Pós-
operatório imediato de cirurgia do esôfago é contraindicação para VMNI, entretanto 
dúvidas persistem acerca da segurança do seu uso no pós-operatório de cirurgias 
gástricas. Trauma de face, lesão aguda e/ou sangramento de via aérea são também 
consideradas limitações para o uso da VMNI. 
4.5.5. Falência da VMNI 
o Necessidade de FiO2 > 60%; 
o Queda do pH e/ou aumento da PaCO2; 
o Aumento da FR ou persistência acima de 35 irpm; 
o Diminuição do nível de consciência ou agitação; 
o Instabilidade hemodinâmica; 
o Arritmias graves; 
o Isquemia miocárdica; 
o Distenção abdominal severa; 
o Intolerância à máscara. 
5. INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL 
A instituição de uma via aérea artificial visa fundamentalmente evitar a 
morbidade e a mortalidade de pacientes críticos. Independente da forma de 
comprometimento sistêmico, as condutas básicas de manutenção da homeostase 
orgânica devem priorizar a adequação da oxigenação e da ventilação. 
Principais responsáveis durante intubação: ventilação inadequada (38%), 
intubação esofágica (18%) e intubação difícil (17%). 
5.1. Avaliação da via aérea 
A avaliação deve ser realizada sempre que possível, pois a falha na identificação 
de uma via aérea potencialmente difícil pode levar a situações em que não se pode 
nem intubar, nem ventilar, um paciente. A utilização de escalas auxilia a detecção da 
via aérea difícil. A escala de Mallampati baseia-se no grau de visibilização das 
estruturas da orofaringe, sustentando que a dificuldade de intubação está relacionada 
à largura da base da língua. Recomenda-se aplicar a escala de Mallampati na avaliação 
pré-operatória de todos os pacientes e, quando possível, nos pacientes internados nas 
UTIs. Outro método simples, prático, não invasivo, e com boa correlação com o grau 
de visibilização das cordas vocais à laringoscopia, é a escala de Cormack. 
Técnicas definitivas de manutenção das vias aéreas devem ser implementadas 
quando manobras simples de desobstrução (p.ex: cateter nasal e a máscara de 
Venturi) falharem na adequação da ventilação e/ou oxigenação. 
99 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
 
Avaliação da via aérea. (a) Classificação de Mallampati modificado por Samsoon e Young: Classe 1 - visualização do 
palato mole, úvula e pilares; Classe 2 - visualização do palato mole e da úvula; Classe 3 - visualização do palato mole e 
apenas base da úvula; Classe 4 - somente o palado duro é visualizado. 
(b) Laringoscopia de acordo com a classificação de Cormack e Lehane: Grau 1 - todo o orifício glótico é visualizado; Grau 
2 - somente a parte posterior do orifício glótico é visualizado; Grau 3 - somente epiglote visível; Grau 4 - visualização 
parcial ou nula da epiglote. 
5.2. Equipamento para intubação traqueal 
Todo o material básico de acesso à via aérea, bem como recursos alternativos 
para o caso de via aérea difícil, deve estar prontamente disponíveis nas unidades de 
terapia intensiva, unidades de emergência e salas de cirurgia. 
Instrumental básico necessário: laringoscópios, tubos endotraqueais com 
balonete e fio-guia para intubação. 
5.3. Técnicas de obtenção e manutenção da via aérea 
5.3.1. Intubação orotraqueal (IOT) ou intubação nasotraqueal (INT) 
Indicações 
� Apneia. 
� Impossibilidade de manter uma via aérea permeável por outros 
métodos. 
� Proteção das vias aéreas inferiores contra aspiração de sangue ou 
vômito (pacientes com Glasgow ≤ 8). 
� Comprometimento iminente ou potencial das vias aéreas, como por 
exemplo, lesão por inalação, fraturas faciais, convulsões persistentes. 
� Trauma crânio encefálico (TCE) necessitando de auxílio ventilatório. 
� Incapacidade de manter oxigenação adequada com uso de máscara de 
oxigênio. 
� Parada cardiorrespiratória (PCR). 
� Em alguns procedimentos anestésicos. 
Recomendações: 
� Devem ser utilizados tubos menores para a INT. 
� Deve ser preferida a INT às cegas em todo paciente com alterações 
anatômicas que impeçam uma adequada laringoscopia direta, ou quando 
se desejar evitar a manipulação da coluna cervical. 
100 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
� Devem ser respeitadas as seguintes contraindicações para a INT: fratura 
de base de crânio ou nariz, epistaxe, coagulopatia, desvio acentuado do 
septo nasal, polipose nasal. 
� Em pacientes na unidade de terapia intensiva, deve ser evitada a 
permanência de um tubo nasotraqueal por mais de 48 horas. 
� Deve ser estimulado o emprego das técnicas de intubação traqueal com o 
paciente acordado em caso de estômago cheio ou, ainda, naquelas 
situações de via aérea difícil prevista ou conhecida. 
5.3.2. Ventilação com sistema máscara facial-bolsa reservatório-oxigênio 
Indicações: 
� Pré-oxigenação do paciente antes das manobras de acesso à via aérea; 
� Assistência ventilatória inicial de ressuscitação cardiopulmonar; 
� Assistência ventilatória na anestesia inalatória em procedimentos de curta 
duração. 
Limitações: 
� Pacientes com estômago cheio; 
� Doenças ou situações que retardem o esvaziamento gástrico; 
� Traumatismos extensos de face. 
5.3.3. Máscara laríngea 
Indicações: 
� Em pacientes com intubação difícil, podendo ser utilizada como primeira 
manobra de manutenção da via aérea, enquanto se planeja a intubação 
traqueal; 
� Intubação traqueal às cegas através do tubo da ML; 
� Intubação traqueal por fibrobroncoscopia utilizandoa como guia; 
� Situações de emergência, nas quais não se tem acesso à via aérea, devido 
à situação física do paciente (pacientes acidentados, presos dentro de 
veículos, por exemplo); 
� Manutenção da via aérea durante a realização de traqueostomia ou 
cricotireoidostomia; 
� Procedimentos diagnósticos ou cirúrgicos sob anestesia, de curta ou média 
duração. 
Limitações: 
� Doenças ou situações de obstrução supraglótica; 
� Não protege a via aérea contra aspiração em caso de regurgitação; 
� Pacientes com estômago cheio ou em situações em que haja 
retardamento do esvaziamento gástrico; 
� Situações de baixa complacência pulmonar ou resistência aumentada da 
via aérea; 
� Inadequada para o uso de ventilação controlada com pressões 
inspiratórias maiores do que 20 cmH2O. 
5.3.4. Combitube 
Indicação: 
� Em casos de intubação difícil, podendo ser utilizado como manobra inicial 
de manutenção da via aérea enquanto se planeja a intubação traqueal. 
Limitações: 
� Não pode ser utilizado em pacientes com reflexo de vômito intacto 
� Não pode ser usado em pacientes com menos de 16 anos ou com altura < 
1,5m; 
� Não previne a aspiração pulmonar em caso de regurgitação de conteúdo 
gástrico, embora seja mais seguro quanto a isso quando comparado com 
a máscara facial e laríngea. 
101 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
5.3.5. Cricotireoidostomia 
� Deve ser realizada nos casos em que houver necessidade de acesso rápido 
à via aérea, não sendo possível a realização da intubação traqueal, e 
quando outras técnicas alternativas conservadoras não forem efetivas ou 
não estiverem disponíveis; 
� Deve ser indicada como recurso inicial no caso de insuficiência respiratória 
devida à obstrução supraglótica da via aérea; 
� Deve preferencialmente ser realizada com material disponível em kits 
específicos para isso; 
� Contraindicada em crianças com idade inferiora 6 anos. 
5.3.6. Traqueostomia 
� Deve ser indicada quando houver necessidade de manutenção de via 
aérea por tempo prolongado; 
� Deve ser realizada em caráter eletivo e com todos os rigores da técnica; 
� Não houve consenso quanto ao momento ideal para realização da 
traqueostomia no paciente na unidade de terapia intensiva em ventilação 
mecânica. Em relação a isto devem ser considerados: condição clínica do 
paciente, tempo de intubação traqueal, grau de dependência e previsão 
de uso de ventilação mecânica. 
 
 
À esquerda, intubação orotraqueal (IOT). À direita, traqueostomia, mostrando no detalhe o local de incisão. 
 
5.4. Confirmação da correta intubação 
� Aspectos clínicos: visualização direta, ausculta de ruídos respiratórios, 
ausência de ruídos ventilatórios no epigástrio, movimento simétrico do 
tórax durantea ventilação, ausência de distensão do abdome com a 
ventilação, melhora de uma hipoxemia porventura existente com a 
instituição da ventilação, presença de condensação de ar no tubo durante 
a expiração. 
� Métodos auxiliares: capnografia e capnometria, RX de tórax, 
fibrobroncoscopia, ... 
102 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
5.4.1. Capnografia 
Através de um analisador contínuo de CO2 adaptado à cânula de intubação do 
paciente, é possível obter o valor da PCO2 no ar exalado ao final da expiração 
(PetCO2). É possível, ainda, o registro gráfico da curva de CO2 em função do tempo 
(durante todo o ciclo respiratório), chamado capnograma. Este define graficamente as 
fases do ciclo. Assim, na inspiração, a concentração de CO2 no ar é zero, em seguida, 
quando o paciente começa a expirar, inicialmente a taxa de CO2 não se eleva (fase I 
da curva), pois o ar que está saindo representa o gás das vias aéreas de condução 
(parte do espaço morto anatômico). Na sequência, notamos uma elevação progressiva 
na concentração do CO2, representada graficamente por uma elevação do traçado em 
forma de S (fase II) e, a seguir, uma fase de equilíbrio, platô, que representa a saída 
do gás alveolar (fase III). O valor de pico atingido, ao final da fase III, é chamado de 
PetCO2. Este valor representa, com uma boa aproximação, o CO2 alveolar. 
Normalmente, a diferença entre a PaCO2 e o PetCO2 é mínima (< 4 mmHg). Em 
pacientes portadores de doença pulmonar que apresentam uma distribuição desigual 
da ventilação, a capnografia apresenta um aumento progressivo e constante no sinal 
de CO2, que não atinge um platô. Nestes, o gradiente PaCO2 – PetCO2 aumenta de 
forma imprevisível 10 a 20 mmHg ou mais, fazendo com que a PetCO2 possa não 
refletir de forma confiável a PaCO2. Para condições clínicas que promovem a retenção 
de CO2 (hipoventilação alveolar), a acurácia da medida da PetCO2 é menor. 
5.5. Complicações da intubação endotraqueal 
� Incapacidade para intubar, resultando em hipóxia e morte. 
� Intubação endoesofágica: verificar correta intubação (tópico 5.4). 
� Intubação seletiva: é uma situação comum, na qual há introdução do tubo 
endotraqueal em apenas um dos brônquios principais, particularmente no 
direito, pois este apresenta-se em ângulo mais agudo com a traquéia. 
Para a correção da situação, que é confirmada pela expansão de um só 
dos pulmões, basta retroceder um pouco o tubo. 
� Indução ao vômito, levando a aspiração. 
� Luxação da mandíbula. 
� Laceração de partes moles das vias aéreas, faringe posterior, epiglote 
e/ou laringe. 
� Trauma sobre a via aérea resultando em hemorragia e possível aspiração. 
� Fratura ou arrancamento de dentes (causados por movimento de 
alavanca). 
� Ruptura ou vazamento do balonete do tubo, resultando em perda da 
vedação durante a ventilação. 
� Lesão da coluna cervical por movimentação da cabeça durante o 
procedimento, convertendo uma possível lesão sem déficit neurológico em 
uma lesão com déficit neurológico. 
5.6. Controle do desconforto 
Os agentes farmacológicos possuem 
papel importante no manejo da via aérea, 
sendo indicados para facilitar e diminuir o 
desconforto nas manobras de obtenção da 
mesma, atenuar os efeitos fisiopatológicos e 
sedar e promover analgesia de pacientes 
que necessitam ser mantidos intubados e/ou 
sob ventilação artificial. Várias classes de 
drogas podem ser utilizadas, como 
anestésicos locais, hipnóticos, analgésicos, 
benzodiazepínicos, relaxan-tes musculares, 
drogas cardio/vasoativas, e suas doses 
devem ser tituladas pelo efeito. 
103 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
Droga e dose Vantagens Desvantagens Cuidado 
Etomidato 
0,3 mg/kg EV 
Efeito rápido e curto; 
Mínimo efeito 
hemodinâmico; 
Pode causar 
mioclonias e diminuir 
o limiar 
epileptogênico 
Pode causar náuseas 
e vômitos; uso 
crônico pode levar a 
insuficiência adrenal; 
Midazolam 
0,1-0,4 mg/kg EV 
Início de ação mais 
lento (3-5 min). É de 
curta ação (30-60). 
Não aumenta a PIC. 
Depressão 
respiratória e 
cardiovascular 
Não é uma boa 
medicação para 
pacientes em choque 
ou hipotensão 
Propofol 
2-2,5 mg/kg EV na 
indução 
Rápido início de ação 
(10 seg) e 
recuperação (10-15 
min). 
Não é uma boa 
escolha na 
hipovolemia ou 
hipotensão. 
Pode causar 
hipotensão profunda 
Cetamina 
1,5 mg/kg 
Usa-se em paciente 
em hipotensão ou 
choque; bom p/ 
asma. 
Pode causar 
disforia/alucinações 
(“bad trip”), pois é 
um anestésico 
dissociativo. 
Má escolha, se houver 
HIC, TCE ou 
cardiopatia. 
Hipnóticos. Vantagens, desvantagens, e as doses de cada um dos hipnóticos. 
 
Droga e dose Características Contraindicações 
Succinilcolina 
1-1,5 mg/kg EV 
Início rápido e duração de ação curta; causa 
fasciculações, hipertermia maligna, trismo, 
paralisia prolongada; é um agente que se 
liga aos receptores nicotínicos e causa 
despolarização da junção neuromuscular. 
Em situações de 
rabdomiólise, 
hipercalemia, 
insuficiência renal e PIC e 
intraocular elevadas. 
Rocurônio 
0,6-1,2 mg/kg/dia 
Início de ação em 1-3 min, dura 30-45 min; 
não há fasciculações; liga-se aos receptores 
nicotínicos de maneira competitiva, s/ 
estimulação; pode causar taquicardia; 
Sua longa ação pode ser 
problemática se a 
tentativa de intubação 
não obtiver sucesso. 
Bloqueadores neuromusculares. Características das drogas para bloqueio neuromuscular. 
 
5.7. Intubação orotraqueal em sequência rápida 
A IOT em sequência rápida consiste na indução de um estado de 
inconsciência com paralisia neuromuscular completa, com objetivo de alcançar 
uma intubação mais fácil, menos traumática e minimizar os riscos de aspiração 
de conteúdo gástrico. 
Há um mnemônico bastante conhecido para descrever a conduta na IOT em 
sequência rápida: 6 "P's". 
Prepararação (t= -10 min): com posicionamento do paciente; 
Pré-oxigenação (t= -5 min): 02 a 100% por 5 minutos c/ 5 respirações com a 
capacidade vital podem, em teoria, permitir 3-5 minutos de apnéia antes que a SaO2 
caia abaixo de 90%; 
Pré-medicação (t= -3 min): diversas medicações podem ser usadas: 
lidocaína, opióides (fentanil e morfina), atropina, sedativos (etomidato, midazolam ou 
propofol). 
Quanto aos opióides, o uso de fentanil na dose de 2-10 mcg/kg EV é preferível, 
devido a sua altamente previsível associação dose-resposta, sua reversibilidade com o 
uso de naloxona, sua rápida ação (menor que 1 min), sua duração de 30 min, e à sua 
capacidade de combater a hipertensão/taquicardia causada pelo estímulo álgico da 
intubação. Seus problemas são sua associação com convulsões e com a síndrome do 
tórax rígido, uma reação idiossincrática e imprevisível. 
As vantagens/desvantagens e as doses de cada um dos hipnóticos são vistas na 
tabela de hipnóticos, vista anteriormente. 
Paralisia (t= 0 min): uso de bloqueadores neuromusculares, como a 
succinilcolina e o rocurônio. A única contraindicação é a via aéreadifícil antecipada, 
com índices de Mallampati (veja figura no tópico 5.1) e distância tireomento 
desfavoráveis. Usa-se conforme a tabela. 
104 
BASES TÉCNICAS DA CIRURGIA 
Posicionamento do tubo (t= +45 seg): a intubação per se inclui a manobra 
de Sellick para a proteção das vias aéreas, até que o cuff esteja inflado, e a 
confirmação da posição correta do tubo (confirmar que não houve intubação seletiva 
ou que o tubo não esteja no esôfago com ausculta do estômago e do tórax). 
Pós-intubação (t= +2 min): garantir a segurança do posicionamento do tubo, 
realizar oximetria de pulso contínua, reavaliar os sinais vitais frequentemente, obter 
radiografia de tórax, considerar a sedação de longo prazo, se necessária. 
Maior detalhamento do procedimento da IOT propriamente dita a seguir. 
5.7.1. Procedimento para realizar IOT 
1) Posicionamento do paciente preferencialmente em decúbito dorsal 
horizontal. 
2) Hiperextensão da cabeça e elevação da mesma por um coxim. 
3) Ventilação do paciente com máscara facial e AMBU para não expor o 
paciente à hipóxia. 
4) Laringoscopia: o laringoscópio é inserido pelo lado direito da boca, sendo 
que a lâmina deslizará pela língua e se posicionará na valécula, com 
conseqüente desvio total da língua para a esquerda; deve-se neste 
momento tomar o cuidado de não pressionar o lábio inferior contra os 
dentes incisivos. 
5) Bascular o laringoscópio cerca de 45º em relação ao plano da mesa e 
levantá-lo. Tal movimento irá expor a laringe e permitir a entubação. 
6) Inserção do tubo, com seu balonete (cuff) previamente testado. Obs.: 
tamanho do tubo= (idade em anos / 4) + 4. 
7) Insuflar o balonete do tubo com volume de ar suficiente para conseguir 
uma vedação adequada. Não hiperinsufle o balonete. 
8) Verificação quanto ao posicionamento e seletividade. 
9) Fixação do tubo. 
 
 
Correta orientação no movimento de exposição das cordas vocais, e inserção do tubo endotraqueal. 
 
 
 
 
 
105 
Fernando Álison Morais Diniz Felix 
 
 
 
REFERÊNCIAS CONSULTADAS: 
· http://200.18.38.50/www/teccir/apoptcv/indexpt.html 
· http://namesadecirurgia.blogspot.com/ 
· http://www.fo.usp.br/lido/acs/ 
· http://www.instrumentador.com.br/ 
· http://www.unifesp.br/denf/NIEn/hemodinamica/ 
· http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=13 
· http://www.cirurgicadmg.com.br/?tag=tecnica-de-seldinger 
· http://www.mdsaude.com/2008/11/tratamento-de-clculos-e-duplo-j.html 
· http://www.ecatalog.ethicon.com/sutures-absorbable 
· http://www.ong-cic.org/mm/file/publicacions/Monografia%208%20Dre%20toracica.pdf 
· http://www.unimes.br/aulas/MEDICINA/Aulas2005/1ano/Procedimentos_basicos_em_medicina/abo
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Fernando Álison M. D. Felix

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