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Resumo para a Prova: Língua Brasileira de Sinais (Libras)
1. Libras e Surdez: Mitos e Visões
Visões da Surdez
· Visão Clínico-Patológica: Concebe o indivíduo pela condição biológica, comparando-o com a maioria ouvinte e classificando a surdez como uma condição anormal ou patologia que deve ser curada/tratada, muitas vezes, através da fala e leitura orofacial.
· Visão Socioantropológica: Concebe a surdez como uma diferença cultural e linguística. Utiliza o termo "surdo" (que se torna identitário) e vê os surdos como membros de uma comunidade linguística minoritária. Essa visão defende o acesso precoce à Língua de Sinais como um direito.
Libras é Língua
· A sigla
 Libras significa Língua Brasileira de Sinais.
· Libras é uma língua, assim como o Português e o Inglês. A diferença é que as línguas orais são oral-auditivas, e as de sinais são viso-espaciais.
· As línguas de sinais não são universais; cada país tem a sua (ex: ASL nos EUA, LGP em Portugal).
2. História e Abordagens Educacionais
Contexto Histórico da Exclusão
· Na Antiguidade (Grécia e Roma), os surdos eram considerados
 incapazes de serem ensinados e não tinham direitos legais (não podiam casar, ter bens). Prevalecia a ideia de Aristóteles de que "a linguagem é que dá ao indivíduo a condição de humano" (só considerando a linguagem oral).
· No Brasil, o Imperial Instituto de Surdos-Mudos (atual INES) foi fundado em 1857 com a utilização da língua de sinais.
Abordagens Educacionais
A história da educação dos surdos é marcada por três abordagens principais.
A. Oralismo
· Visão: O surdo deve falar e não gesticular, buscando torná-lo o mais próximo do "normal" (ouvinte).
· Proibição: Foi imposto pelo Congresso Internacional de Milão em 1880 , que baniu o uso da língua de sinais nas escolas e expulsou professores surdos.
· Resultado: Foi amplamente difundido por quase 100 anos, mas se mostrou ineficaz, pois a maioria dos surdos não desenvolveu fala socialmente aceita e foi prejudicada em seu desenvolvimento cognitivo e social.
B. Comunicação Total
· Surgimento: Década de 1970, como reação ao fracasso do Oralismo.
· Prática: Uso de todos os recursos de comunicação simultaneamente: sinais, leitura labial, expressão facial/corporal, alfabeto manual e recursos visuais.
· Crítica: Embora tenha sido um progresso por aceitar os sinais, a prática de falar e sinalizar junto (concomitantemente) era linguisticamente prejudicial, pois impedia o aprendizado efetivo de uma língua (oral ou sinalizada).
C. Bilinguismo
· Defesa: A Língua de Sinais é a primeira língua (L1) natural dos surdos e deve ser ensinada na infância. A Língua Portuguesa (modalidade escrita/falada) é ensinada secundariamente como L2.
· Objetivo: Pleno desenvolvimento cognitivo e linguístico, integração em ambas as comunidades (surda e ouvinte) e construção de uma autoimagem positiva.
· Profissionais: Necessita de educadores bilíngues (surdos e ouvintes), professores, interlocutores e intérpretes de Libras.
3. Legislação e Contextos Escolares
Conquistas Políticas da Comunidade Surda
· Lei Federal nº 10.436/2002: Reconhece a Libras como língua nacional.
· Decreto Federal nº 5.626/2005: Regulamenta a Libras, inclui-a como disciplina curricular obrigatória em cursos de formação (Pedagogia, Licenciaturas, Fonoaudiologia) e garante o direito do surdo à educação bilíngue e ao intérprete de Libras em todos os níveis.
· Lei Brasileira de Inclusão (LBI) nº 13.146/2015: Assegura a oferta de educação bilíngue (Libras L1 e Português escrito L2).
Contextos Escolares Atuais
O aluno surdo pode escolher entre diferentes contextos escolares, todos legalmente apoiados:
· Escolas com Salas Comuns (Inclusão): O aluno estuda com ouvintes, com o apoio de tradutores e intérpretes de Libras (Tils).
· Escolas Bilíngues para Surdos: A Libras é a língua prioritária (L1), e as aulas são ministradas em Libras. O Português é ensinado como L2 na modalidade escrita/leitura.
· Escolas-Polo: Mesclam os modelos. Nas séries iniciais, os surdos são separados para o ensino bilíngue em Libras (L1); a partir do Ensino Fundamental II, misturam-se aos ouvintes, com apoio de intérpretes.
· Intérprete de Libras (Tils): Profissional com competência linguística em Libras/Português, que atua mediando a comunicação entre surdos e ouvintes. A responsabilidade pela aprendizagem é do professor da sala, e não do intérprete.
4. Gramática da Língua de Sinais
Libras é uma língua natural e plenamente desenvolvida, equivalente em complexidade e expressividade a qualquer língua oral. Possui estrutura gramatical própria, com níveis fonológico, morfológico e sintático.
Fonologia: Parâmetros do Sinal
Cada sinal é formado pela combinação de cinco parâmetros constituintes:
1. Configuração de Mão (CM): O formato da(s) mão(s). A Libras tem hoje 64 configurações possíveis.
2. Ponto de Articulação (PA): O local do corpo ou no espaço neutro onde o sinal é realizado.
3. Movimento: O tipo, a direção, a maneira e a frequência do movimento das mãos, pulsos e antebraços.
4. Orientação da Palma da Mão: A direção da palma da mão, que pode alterar o significado do sinal.
5. Expressões Não Manuais (ENM): Expressões faciais e corporais que complementam e transmitem a mensagem (ex: sentimentos, perguntas). São essenciais para diferenciar sinais (ex: "carinho" e "ódio") e estabelecer o tipo de frase (afirmativa, interrogativa).
Morfologia e Sintaxe
· Tempo: A Libras não tem marca de tempo nas formas verbais. O tempo (passado, presente, futuro) é marcado por
 itens lexicais ou sinais adverbiais (ex: "ontem", "amanhã"). A linha do tempo é organizada no espaço:
 para trás (passado), no plano do corpo (presente) e para frente (futuro).
· Gênero: Indicado pelo acréscimo do sinal de "mulher" ou "homem" antes do sinal referente à pessoa ou animal.
· Sintaxe (Ordem da Frase): A ordem básica da frase em Libras é, na maioria das vezes, Objeto – Sujeito – Verbo (OSV).
· Datilologia (Alfabeto Manual): É a representação do alfabeto da língua portuguesa através das mãos, usada para nomear pessoas, lugares ou para palavras sem sinal lexical específico.
· Sinais Polissêmicos: O mesmo sinal pode ter vários significados, dependendo do contexto (ex: o sinal de "sábado" e "laranja").

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