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Psicologia no atendimento nutricional Tema 2 – Influências na História da Psicologia 1. Perspectiva e Zeitgeist · Perspectiva: Cada pessoa interpreta o mundo a partir de seu ponto de vista, moldado por sua vivência, crenças, contexto social e histórico. Leonardo Boff lembra que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”. · Zeitgeist: É o “espírito da época” — clima cultural, intelectual e social que influencia as perguntas e respostas da ciência. A Psicologia não surge no vácuo, mas aproveita o conhecimento e a tecnologia de seu tempo. · É necessário evitar julgamentos anacrônicos: compreender ideias antigas no contexto histórico em que surgiram. · Na ciência, não existe o óbvio: hipóteses precisam ser testadas. Erros também são importantes, pois geram avanços. 2. Pseudociências e exemplos históricos · Pseudociência: algo que se apresenta como ciência, mas não segue o método científico. · Exemplo: Frenologia (Franz Joseph Gall, 1796): afirmava medir inteligência e personalidade pelo formato do crânio. Hoje, é desacreditada, mas influenciou estudos posteriores sobre funções cerebrais localizadas. · Avanços científicos permitiram rejeitar ideias como: · Existência de “raça superior”. · Homossexualidade como doença. · Segregação de alunos com dificuldades ou deficiências. · A ciência atual valoriza inclusão, direitos humanos e tratamentos humanizados. 3. Influência da Filosofia · A Psicologia tem raízes na Filosofia desde a Grécia Antiga. · Pensadores importantes: · René Descartes (1596–1650): racionalismo, valorização da razão na busca da verdade. · John Locke (1632–1704): empirismo, mente como “tabula rasa”. · Immanuel Kant (1724–1804): síntese entre racionalismo e empirismo. · Hegel (1770–1831): pensamento dialético (tese, antítese e síntese). · Filosofia contribui para o pensamento crítico, ajudando a identificar falácias e combater o obscurantismo. 4. Influência da Psicofísica e da Fisiologia Experimental · Psicofísica: estuda a relação entre estímulos físicos e respostas conscientes. · Século XIX: avanço do método experimental nas ciências naturais influenciou a Psicologia. · Principais cientistas: · Ernst Weber: limiar de dois pontos (sensibilidade tátil). · Gustav Fechner: relação quantitativa entre mundo físico e mental; paralelismo psicofísico. · Hermann von Helmholtz: medição da velocidade do impulso nervoso. · Wilhelm Wundt (1832–1920): fundador do primeiro laboratório de Psicologia (1879, Leipzig), estudou a consciência por meio da introspecção. · A partir desses estudos, surgiram as primeiras escolas da Psicologia: estruturalismo e funcionalismo. 5. Importância histórica · Conhecer a história da Psicologia ajuda a: · Evitar repetir erros passados. · Entender como conceitos evoluíram. · Integrar ética, inclusão e ciência. · O campo se aplica em áreas como educação, gestão de pessoas, saúde mental, psicoterapia e neuropsicologia. Perguntas e Respostas – Influências na História da Psicologia 1. O que significa “perspectiva” segundo Leonardo Boff? 2. Resposta: É a forma como cada pessoa interpreta o mundo a partir de seu ponto de vista, influenciado por sua vivência, crenças, experiências e contexto social. 3. O que é “Zeitgeist” e qual sua importância para a Psicologia? Resposta: É o “espírito da época” — o clima cultural, social e intelectual de um período, que influencia as perguntas e respostas da ciência. A Psicologia se desenvolve de acordo com o Zeitgeist. 4. Por que não devemos julgar ideias antigas com a mentalidade do século XXI? Resposta: Porque é preciso entender o contexto histórico e científico da época para avaliar corretamente as ideias e teorias passadas, evitando anacronismos. 5. O que é pseudociência? Dê um exemplo histórico citado no texto. Resposta: É algo que se apresenta como ciência, mas não segue o método científico. Exemplo: a Frenologia, que afirmava medir inteligência e personalidade pelo formato do crânio. 6. Quais avanços científicos derrubaram preconceitos e práticas discriminatórias? Resposta: A comprovação de que não existe raça superior, de que a homossexualidade não é doença, e de que não se deve segregar crianças com dificuldades de aprendizagem ou deficiências. 7. Quais filósofos influenciaram o pensamento psicológico? Resposta: René Descartes (racionalismo), John Locke (empirismo e “tabula rasa”), Immanuel Kant (síntese entre razão e experiência) e Hegel (dialética). 8. O que é Psicofísica? Resposta: É o estudo da relação entre estímulos físicos e as respostas conscientes, unindo fisiologia e psicologia por meio do método experimental. 9. Quem é considerado o fundador da Psicologia Científica e por quê? Resposta: Wilhelm Wundt, por criar o primeiro laboratório de Psicologia em 1879 na Universidade de Leipzig, focado no estudo da consciência. 10. Quais foram alguns dos cientistas importantes para a Psicofísica antes de Wundt? Resposta: Ernst Weber (limiar de dois pontos), Gustav Fechner (paralelismo psicofísico) e Hermann von Helmholtz (medição da velocidade do impulso nervoso). 11. Por que estudar a história da Psicologia é importante? Resposta: Para evitar repetir erros do passado, compreender a evolução das ideias e integrar práticas mais éticas, inclusivas e cientificamente embasadas. – Influências na História da Psicologia 1. Perspectiva e Zeitgeist · Perspectiva: Segundo Leonardo Boff, é o modo como cada pessoa interpreta o mundo, moldado por vivências, crenças, experiências e contexto histórico. · Zeitgeist: “Espírito da época” — o conjunto de ideias, valores e clima cultural que influencia a ciência de cada período. A Psicologia, como ciência, se desenvolve de acordo com o Zeitgeist. 2. Respeito ao Contexto Histórico · Não devemos avaliar ideias do passado com a mentalidade atual, pois cada teoria nasce de condições e conhecimentos específicos da época. · Exemplo: teorias racistas e práticas discriminatórias do século XIX, que hoje são cientificamente refutadas. 3. Pseudociência e Superação de Preconceitos · Pseudociência: Ideias que se apresentam como ciência sem seguir o método científico. Exemplo: Frenologia. · Avanços científicos derrubaram preconceitos, como: · inexistência de raças superiores; · reconhecimento de que a homossexualidade não é doença; · valorização da inclusão de pessoas com deficiência ou dificuldades de aprendizagem. 4. Influência da Filosofia · René Descartes: Defendia o racionalismo e a separação entre mente e corpo. · John Locke: Fundador do empirismo, via a mente como “tábula rasa”. · Immanuel Kant: Propôs que o conhecimento é fruto da interação entre experiência sensorial e estruturas mentais inatas. · Hegel: Defendeu a dialética como método de evolução das ideias. 5. Influência da Psicofísica · Área que estuda a relação entre estímulos físicos e respostas conscientes. · Ernst Weber: Investigou a percepção tátil e o limiar de dois pontos. · Gustav Fechner: Fundador da psicofísica, estudou a relação quantitativa entre estímulos e percepção. · Hermann von Helmholtz: Mediu a velocidade do impulso nervoso. 6. Wilhelm Wundt e a Psicologia Científica · Em 1879, fundou o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig. · Objetivo: estudar a consciência humana por meio de métodos experimentais. · Considerado o pai da Psicologia Científica, pois separou a Psicologia da Filosofia. 7. Importância do Estudo Histórico · Compreender a evolução das ideias ajuda a evitar erros do passado. · Permite integrar práticas mais éticas, inclusivas e cientificamente embasadas. · Mostra que a Psicologia é um campo em constante transformação, influenciado por ciência, cultura e sociedade. 1. O que significa “perspectiva” segundo Leonardo Boff? Resposta: É o modo como cada pessoa interpreta o mundo, influenciado por suas vivências, crenças, experiências e contexto histórico. 2. O que é “Zeitgeist” e qual sua importância para a Psicologia? Resposta: É o “espírito da época”, ou seja, o conjunto de ideias e valores dominantes de um período. Ele influencia diretamente o desenvolvimento das teorias e pesquisas em Psicologia.sintomas. 2. Histórico · 1818: Primeira intervenção documentada em hospital nos EUA. · 1930: No Brasil, surgem serviços de higiene mental, incluindo psicólogos. · 1950: Psicólogos começam a atuar em hospitais gerais no Brasil. · 1997: Fundação da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH). · 2019: Conselho Federal de Psicologia formaliza a psicologia hospitalar como campo específico. · 2020-2022: Pandemia da covid-19 reforça a importância da psicologia em hospitais, especialmente para suporte emocional a pacientes, familiares e profissionais. 3. Funções do psicólogo hospitalar · Atendimento direto a pacientes e familiares, visando o bem-estar emocional. · Acompanhamento de intercorrências psíquicas durante tratamentos médicos. · Intervenções na relação entre paciente, família e equipe multiprofissional. · Atuação em diversas especialidades médicas, incluindo psicoterapia, grupos de apoio e atendimentos em UTIs. · Participação nas decisões da equipe multidisciplinar. 4. Psicologia hospitalar na pandemia da covid-19 · Enfrentamento de desafios como risco de contágio e necessidade de protocolos de segurança rígidos. · Acolhimento de famílias enlutadas e suporte emocional para pacientes em UTIs e enfermarias. · Facilitação de visitas virtuais para manter contato dos pacientes com familiares. · Apoio à reabilitação de pacientes, incluindo o tratamento de sequelas emocionais pós-covid. 5. Impactos psicológicos da pandemia · Aumento de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais pela crise social, econômica e isolamento. · Necessidade de atenção contínua à saúde mental na rede pública, especialmente nas UBS. 6. Perspectivas futuras até 2030 · Crescimento da telepsicologia, ampliando o acesso a tratamentos on-line. · Uso crescente de inteligência artificial e ferramentas digitais para diagnóstico e intervenções personalizadas. · Fortalecimento de intervenções baseadas em evidências, com programas de prevenção e promoção da saúde mental, como mindfulness e resiliência.3. Por que não devemos julgar ideias do passado com a mentalidade atual? Resposta: Porque cada teoria foi criada de acordo com o contexto e conhecimento disponíveis na época, e não podemos aplicar padrões atuais para avaliar seu valor histórico. 4. O que é pseudociência? Resposta: É um conjunto de ideias que se apresentam como científicas, mas que não seguem o método científico. Exemplo: Frenologia. 5. Cite dois preconceitos superados pela ciência. Resposta: A crença em raças superiores e a classificação da homossexualidade como doença. 6. Qual foi a principal contribuição de René Descartes para a Psicologia? Resposta: A defesa do racionalismo e a separação entre mente e corpo. 7. O que John Locke queria dizer com a expressão “tábula rasa”? Resposta: Que a mente humana é como uma folha em branco ao nascer, sendo preenchida pelas experiências. 8. Quem foi o fundador da Psicofísica e o que ela estuda? Resposta: Gustav Fechner; ela estuda a relação entre estímulos físicos e a percepção consciente. 9. Qual foi a grande realização de Wilhelm Wundt em 1879? Resposta: Criar o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig, marcando o início da Psicologia Científica. 10. Por que estudar a história da Psicologia é importante? Resposta: Para compreender a evolução das ideias, evitar erros do passado e adotar práticas éticas e cientificamente embasadas. Psicologia Cognitiva: Psicologia do senso comum x Psicologia científica · O senso comum muitas vezes entende “é psicológico” como algo frágil, inventado ou que depende só de força de vontade, o que é uma visão equivocada. · A Psicologia Cognitiva científica entende que tudo é psicológico no sentido de que tudo envolve processos mentais e cognitivos. O que é a Psicologia Cognitiva? · Estuda os processos internos que explicam como as pessoas percebem, interpretam e decidem suas ações diante do ambiente interno (fisiológico) e externo (cultural). · Analisa funções do cérebro ligadas à cognição e comportamento humano. Processos cognitivos estudados · Atenção · Percepção · Aprendizagem · Memória · Motivação · Linguagem · Resolução de problemas · Raciocínio · Pensamento (o “ponto alto” da Psicologia Cognitiva) Reestruturação cognitiva · Processo psicoterapêutico que ajuda a pessoa a reinterpretar eventos, pensamentos e crenças para promover comportamentos mais adaptativos e maior bem-estar. · Trabalha a tríade cognitiva de Aaron Beck: pensamentos sobre si mesmo, o mundo e o futuro. Ontogenia e desenvolvimento cognitivo · A forma como interpretamos o mundo e reagimos depende do desenvolvimento do organismo (ontogenia), que é influenciado por fatores hereditários, ambientais e experiências de vida. · Vulnerabilidades cognitivas (inatas ou adquiridas) podem predispor ao desenvolvimento de transtornos psicológicos, especialmente em situações de estresse (paradigma diátese-estresse). Necessidades psicológicas básicas · Incluem necessidades fisiológicas (fome, sede, sexo), psicológicas (autonomia, relacionamento, competência) e sociais (afiliação, intimidade, poder). · Quando não atendidas na infância, podem gerar esquemas cognitivos disfuncionais que influenciam comportamentos e emoções. Visão integrada mente-corpo · Psicologia Cognitiva não separa mente e corpo; ambos são aspectos do mesmo fenômeno. · Tanto medicação quanto psicoterapia atuam no cérebro, promovendo mudanças (plasticidade neural) que se refletem em comportamento e cognição. Plasticidade neural · Capacidade do sistema nervoso de mudar estrutural e funcionalmente com base em experiências e comportamentos, permitindo aprendizado e adaptação. Abordagem biopsicossocial didática · A Psicologia Cognitiva analisa aspectos físicos (neurológicos), psicológicos (cognição, emoção) e ambientais (culturais, socioeconômicos). · Essa divisão é didática para facilitar o entendimento, mas o ser humano é um todo indivisível. Influências externas e internas · Fatores como condições durante a gestação, clima, ambiente cultural e social influenciam nosso funcionamento cognitivo, personalidade e comportamento. Marcos Históricos da Psicologia Cognitiva 1. Origem e Fundamentos · A Psicologia Cognitiva busca entender como a mente e o cérebro funcionam, focando no que motiva o comportamento. · Tem raízes na Filosofia e nas Ciências, não dependendo de um único autor. · Divide-se didaticamente em: · Ciência básica: busca teorias, construtos e compreensão dos processos cognitivos. · Ciência aplicada: usa esses conhecimentos para aplicações práticas, como terapias clínicas. 2. Perguntas Fundamentais da Psicologia Cognitiva Básica · Quais são os processos cognitivos? · Como eles funcionam? · Quais variáveis influenciam esses processos? 3. Marcos Relevantes · Ano de 1956: · Conferência no MIT considerada marco da revolução cognitiva. · Noam Chomsky apresentou teoria da linguagem, revolucionando a área. · George Miller apresentou o "mágico número 7" para memória de curto prazo. · Newell e Simon criaram o modelo de solução de problemas (General Problem Solver), precursor da inteligência artificial. · Fim dos anos 1950 e década de 1960: · Desenvolvimento das terapias cognitivas (ciência aplicada). · Wilhelm Wundt estabeleceu o primeiro laboratório de Psicologia experimental, focando na introspecção e no estudo de processos elementares como percepção e velocidade mental. 4. Revolução Cognitiva e Comportamentalismo · O cognitivismo buscou superar o behaviorismo, que focava só na relação estímulo-resposta sem considerar processos mentais internos. · Edward Chace Tolman (1886-1959): behaviorista que já afirmava que aprendizagem envolve cognição, não só mudança de comportamento. · Behaviorismo: descreve reforço e punição como modificadores da probabilidade de comportamentos, sem considerar cognição interna. · Cognitivismo: entende o cérebro como ativo, mediando comportamentos e processos mentais internos (variáveis intervenientes). · Na prática, behaviorismo e cognitivismo são modelos complementares. 5. Exemplos e Conceitos Importantes · Reforço negativo: exemplo dado da luz solar incomodando (estímulo) e o uso de óculos escuros (resposta), que retira o incômodo e aumenta a probabilidade futura da resposta. · O cognitivismo foca em entender as causas internas dos comportamentos, como criatividade, motivação, e processos mentais complexos. Principais Nomes da Psicologia Cognitiva e Suas Contribuições · Noam Chomsky: teoria da linguagem, base da linguística cognitiva. · George Miller: estudo da memória de curto prazo, mágico número 7. · Newell e Simon: modelos computacionais para solução de problemas, base da inteligência artificial. · Wilhelm Wundt: fundador do primeiro laboratório de Psicologia experimental, método da introspecção. · Edward Chace Tolman: behaviorista cognitivo, precursor do cognitivismo ao enfatizar processos internos. Comparação dos Métodos de Pesquisa na Psicologia Cognitiva 1. Ciência Cognitiva x Psicologia Cognitiva · Ciência Cognitiva é um campo interdisciplinar que inclui Psicologia Cognitiva, Neurociências, Neuropsicologia, Ciência Computacional, entre outros. · Psicologia Cognitiva é uma parte da Ciência Cognitiva, focada nos processos mentais internos (atenção, percepção, memória, pensamento, etc.). 2. Método das Neurociências · Foco: entender como áreas e circuitos do cérebro se relacionam com processos cognitivos. · Uso de tecnologias avançadas como neuroimagem (fMRI, PET, EEG) para mapear atividade cerebral durante tarefas cognitivas e comportamentais. · Estudo das atividades excitatórias (ativação) e inibitórias (inibição) no cérebro. · Exemplos de sistemas: · Sistema dorsal: regulação dos estados afetivos, memória, atenção. · Sistema ventral: processamento emocional, identificação de estímulos emocionalmente significativos. · Amígdala: respostas automáticas a ameaças, ativação do sistema nervoso simpático. · Evidências relacionam sistemas cerebrais a traços de personalidade como neuroticismo (inibição) e extroversão (ativação). · Plasticidade neural indica que temperamento e característicasnão são totalmente fixos, podendo mudar com a experiência. 3. Método da Psicologia Cognitiva Básica · Utiliza métodos de baixo custo para estudar etapas do processamento da informação. · Cronometria mental: medir o tempo que o cérebro leva para processar informações e responder a estímulos. · Exemplos de tarefas: · Efeito Stroop: conflito entre leitura da palavra e nome da cor, demonstra processamento automático versus controlado. · Efeito Simon: influência da posição espacial dos estímulos na resposta. · Objetivo: entender se o processamento da informação é serial (uma etapa de cada vez) ou paralelo (várias etapas simultâneas). · Construção de modelos do processamento cognitivo. 4. Método da Psicologia Cognitiva Aplicada · Aplicado em práticas clínicas, especialmente na terapia cognitivo-comportamental (TCC). · Foco: correlação entre pensamento, emoção e comportamento. · Identificação e modificação de pensamentos automáticos disfuncionais e distorções cognitivas que contribuem para transtornos psicológicos. · Promove a reestruturação cognitiva para interpretar eventos de forma mais funcional, melhorando a qualidade de vida. · Também utiliza técnicas comportamentais como treinamento em habilidades sociais. 5. Neuropsicologia · Reconhecida como especialidade da Psicologia que avalia a relação entre funcionamento cerebral e cognição, emoções, personalidade e comportamento. · Atua no diagnóstico, tratamento, acompanhamento e reabilitação cognitiva. · Baseada em conhecimentos teóricos das Neurociências e métodos experimentais e clínicos. 6. Premissas Fundamentais da Psicologia Cognitiva · O pensamento é central para entender motivação, vontade, criatividade, autoestima, planejamento, entre outros. · O comportamento motivado não é explicado por “força de vontade” (senso comum), mas por processos cognitivos complexos desenvolvidos com base em evolução e experiências. · Constructos psicológicos são conceitos científicos criados para explicar fenômenos mentais e comportamentais. · Exemplo prático: em reabilitação de dependentes químicos, não se trabalha com “força de vontade”, mas com mudanças na tríade cognitiva e sistema de crenças. 7. Importante Conceito sobre Emoções na Psicologia Cognitiva · Emoções surgem da interpretação cognitiva dos eventos, não do evento em si. · Exemplo prático: duas pessoas num ambiente de trabalho agressivo têm emoções e produtividade diferentes, pois interpretam e reagem de formas distintas, influenciando seu humor e comportamento. Psicologia Positiva Contexto Histórico da Psicologia · Psicologia evoluiu desde a Grécia Antiga, passando pela Filosofia medieval, períodos moderno e contemporâneo, até o século XXI. · Desenvolvimento impulsionado pelo avanço tecnológico e pelo acúmulo histórico do conhecimento. · Exemplo de evolução tecnológica: domínio do fogo, agricultura, smartphones, robôs. · No século XIX, a Psicologia se consolidou como ciência com métodos científicos, mudando o foco da consciência (introspecção) para o comportamento (observação), e depois para processos cognitivos (Psicologia Cognitiva). Movimentos Psicológicos Relevantes · Psicanálise: focada no sofrimento psíquico e processos inconscientes. · Humanismo (década de 1960): valorizava o potencial criativo e o ego presente, em oposição à Psicanálise e behaviorismo. · Gestalt e testagens psicológicas: outros movimentos relevantes ainda atuais. Psicologia Positiva · Surgiu na transição do século XX para o XXI, influenciada pelo humanismo, mas com uma abordagem mais científica. · Pergunta central: O que as pessoas felizes têm que as outras não têm? Diferente de focar em doenças mentais. · Liderada por Martin Seligman (presidente da APA em 1997), que, junto com Christopher Peterson, publicou Character, Strengths and Virtues, contrapondo o DSM ao focar nas forças e virtudes pessoais. Inovações da Psicologia Positiva · Sistematizou as forças de caráter e virtudes, assim como os manuais sistematizam doenças. · Valoriza pessoas e instituições positivas, entendendo que indivíduos positivos criam ambientes positivos. · Não rejeita as Neurociências, mas trabalha também com a consciência e a experiência subjetiva. Forças de Caráter na Psicologia Positiva (segundo Seligman) 1. Sabedoria e conhecimento: criatividade, pensamento crítico, curiosidade. 2. Coragem: honestidade, perseverança, vontade para alcançar metas. 3. Humanidade: amor, bondade, habilidades sociais. 4. Justiça: liderança, cidadania, integridade. 5. Temperança: equilíbrio, humildade, autorregulação. 6. Transcendência: gratidão, espiritualidade, bom humor. Aplicações e Cuidados · Psicologia Positiva deve ser aplicada junto com avaliação completa da saúde mental, cognitiva e personalidade. · Cuida para evitar práticas comerciais superficiais (ex: coaching sem base científica). · Psicólogos qualificados têm a técnica e ciência para desenvolver projetos de desenvolvimento pessoal sustentáveis. Psicologia e Sociedade Atual · Vivemos a Quarta Revolução Industrial (Indústria 4.0) com avanços em inteligência artificial, automação e robótica. · O perfil das gerações e suas características impactam o desenvolvimento das forças de caráter. · Psicologia como profissão do futuro: combina ciência, tecnologia, ética e desenvolvimento humano para preparar pessoas para os desafios atuais e futuros. Tema 3 Psicossomática e o Problema Mente-Corpo A psicossomática é uma área da psicologia que estuda a relação entre a mente e o corpo, considerando o ser humano como um todo biopsicossocial. Seu estudo abrange três fases históricas principais: psicanalítica, behaviorista e multidisciplinar, e vai além das doenças psicossomáticas, integrando práticas interdisciplinares na saúde. O problema mente-corpo, central na psicossomática, está fundamentado em duas grandes concepções filosóficas: Dualismo: Defende que mente e corpo são substâncias diferentes e separadas. Para os dualistas, como Platão e Descartes, a mente (ou alma) é imaterial e pode existir independentemente do corpo físico. Platão, por meio do mito da caverna, explica que o corpo pertence ao mundo material dos sentidos, enquanto a mente acessa o mundo das ideias, eterno e perfeito. Descartes reforça essa separação, afirmando que a mente é uma "coisa pensante" sem extensão física, diferente do corpo, que é uma "coisa extensa" ocupando espaço. Para ele, a interação mente-corpo ocorre pela glândula pineal. Monismo: Defende que mente e corpo não são substâncias distintas, mas partes integradas de um único princípio. Essa visão, defendida por filósofos como Spinoza e Hegel, entende o ser humano como um todo indivisível, onde mente e corpo estão intrinsecamente relacionados. A psicologia moderna tende a adotar o monismo para justificar o estudo científico da mente, uma vez que não é possível medir a mente separadamente do corpo por métodos experimentais. Historicamente, para que a psicologia se consolidasse como ciência experimental, tornou-se necessário focar no estudo do comportamento e dos processos mentais integrados ao corpo, aproximando-se do monismo. Assim, a psicossomática fundamenta-se no entendimento dessa relação complexa entre mente e corpo, buscando ampliar as práticas clínicas e de saúde que considerem o indivíduo em sua totalidade física e mental. O Curioso Caso de Phineas Gage e a Dicotomia Mente-Corpo O caso de Phineas Gage é um marco importante para compreender a relação entre mente e corpo, especialmente na perspectiva do monismo, que defende que ambos formam uma única substância integrada. Phineas Gage, operário ferroviário dos EUA, sofreu um grave acidente em 1848, quando uma barra de ferro atravessou seu crânio e atingiu seu cérebro. Apesar do trauma severo, Gage sobreviveu e manteve suas capacidades intelectuais básicas. No entanto, houve uma mudança drástica em sua personalidade: tornou-se irresponsável, rude e agressivo, diferente do trabalhador exemplar que era antes. Pesquisas modernas mostraram que o dano cerebral principal ocorreu no córtex pré-frontal, região responsável por funçõesavançadas do pensamento, controle emocional e regulação do “self”. Esse caso demonstra que alterações físicas no cérebro podem impactar diretamente aspectos da mente, como a personalidade e o comportamento. Assim, o exemplo de Gage reforça a visão monista — mente e corpo não são entidades separadas, mas partes de um sistema único, onde mudanças em um refletem no outro. A psicossomática atual adota essa visão ao considerar que fatores psicológicos podem provocar doenças físicas, e que condições corporais podem gerar impactos psicológicos, numa relação contínua entre mente-corpo. A visão monista é útil para os profissionais de saúde, pois promove uma abordagem integral do paciente, considerando aspectos biológicos, psicológicos e sociais para melhor diagnóstico e tratamento. Por outro lado, o dualismo, embora reconheça uma relação entre mente e corpo, defende que a mente é independente do corpo e pode existir após sua morte, posição menos aceita atualmente pela ciência. Exemplos clínicos reforçam a importância da visão integrada: um médico que considera apenas a doença física pode negligenciar o impacto emocional no paciente; uma psicóloga que ignora aspectos físicos pode demorar a identificar causas orgânicas de sintomas psicológicos, como no caso da hipotireoidismo que mimetiza depressão. Portanto, a psicossomática e o caso de Phineas Gage ilustram a importância de compreender mente e corpo como um sistema interligado, fundamental para um cuidado de saúde eficaz Evolução Histórica da Psicossomática No século XIX e início do século XX, a psicossomática começou a se desenvolver a partir da observação de casos de pessoas, principalmente mulheres, que apresentavam sintomas físicos diversos — como cegueira, dores, desmaios e paralisias — sem que exames médicos identificassem qualquer lesão ou causa orgânica. Esses casos ficaram conhecidos como “histeria”. O termo “histeria” tem origem grega e relacionava-se ao útero, pois na época acreditava-se que a doença acometia principalmente mulheres. Os sintomas da histeria eram manifestações reais para quem as apresentava, mas sem base física detectável. Médicos e pesquisadores importantes, como Jean-Martin Charcot, Pierre Janet, Josef Breuer e Sigmund Freud, estudaram esses casos. Freud, fundador da psicanálise, propôs que conflitos psíquicos inconscientes se expressavam no corpo por meio de sintomas físicos, abrindo caminho para a compreensão da relação entre mente e corpo. Inicialmente, muitos médicos recusavam tratar as histéricas, achando que os sintomas eram “teatrais” e não verdadeiras doenças. Outros médicos reconheciam a existência dos sintomas, mas se sentiam impotentes por não poderem comprovar ou tratar algo sem lesão física. Com o tempo, a visão médica evoluiu para um entendimento mais integrado, considerando o ser humano como biopsicossocial — ou seja, um ser composto por dimensões biológicas, psicológicas e sociais que interagem constantemente. Essa visão integrada propiciou o desenvolvimento da psicossomática, que hoje busca compreender e tratar doenças levando em conta essa complexidade, evitando reducionismos que desconsiderem aspectos emocionais ou sociais. Ainda assim, transtornos psicológicos como a depressão podem ser subestimados socialmente pela falta de evidência física em exames, gerando preconceitos que dificultam o tratamento e a aceitação dessas condições. Portanto, a evolução da psicossomática está ligada ao reconhecimento da importância de um diagnóstico e tratamento que levem em conta o indivíduo em sua totalidade — corpo, mente e contexto social. Conceito de Psicossomática: A palavra psicossomática é formada por dois termos gregos: psykhé (alma, mente) e sôma (corpo). Ela estuda a relação entre mente e corpo, especialmente como os conflitos psíquicos podem influenciar o surgimento ou a evolução de doenças físicas. Segundo Julio de Melo Filho, a psicossomática se dedica a compreender essa interação mente-corpo, investigando principalmente os mecanismos que levam à produção de enfermidades, como os efeitos do estresse. A American Psychological Association (APA) define a psicossomática como uma abordagem que reconhece o papel da mente em todas as doenças que afetam os sistemas corporais. Historicamente, a psicossomática tem suas raízes na Grécia Antiga, com Hipócrates, que já entendia a relação entre corpo e espírito (mente). Embora Hipócrates tenha praticado essa medicina integrada, foi Heinroth quem criou formalmente o termo “psicossomática”, além de cunhar o conceito de “somatopsíquico”. O conceito somatopsíquico refere-se ao impacto psicológico que uma doença ou condição física pode causar na mente da pessoa. É importante destacar que condições psicossomáticas e somatopsíquicas podem coexistir. Por exemplo, na fibromialgia, o sofrimento mental pode agravar a dor e a doença (aspecto psicossomático), enquanto a própria doença pode desencadear ansiedade ou sofrimento psicológico (aspecto somatopsíquico). Essa compreensão reforça que mente e corpo não são entidades separadas, mas interligadas, interagindo constantemente, rejeitando a ideia de dualidade mente-corpo. As Três Fases da Psicossomática: A psicossomática surgiu como uma resposta à visão dualista cartesiana, que separava mente e corpo. Ela propõe um olhar integrado e holístico, considerando mente, corpo e ambiente como partes inseparáveis para compreender a saúde e a doença. O termo “psicossomático” foi usado pela primeira vez em 1818 pelo psiquiatra J.C.A. Heinroth, que descreveu a influência das emoções em doenças físicas. No século XX, a psicossomática foi estruturada em três fases principais: 1. Fase Psicanalítica · Fundada por Freud, essa fase atribui a origem das doenças psicossomáticas a conflitos psíquicos inconscientes. · A histeria, por exemplo, manifestava sintomas físicos sem lesões orgânicas, explicados pela “conversão” — um mecanismo inconsciente que transforma emoções reprimidas em sintomas físicos. · Para Freud, as doenças psicossomáticas têm origem no inconsciente e expressam-se no corpo. 2. Fase Behaviorista · Essa fase, influenciada pelo positivismo, buscava uma psicologia científica focada no comportamento observável e no ambiente, e não nos processos mentais internos. · Os behavioristas admitiam a existência da mente, mas rejeitavam estudá-la, pois ela não poderia ser medida ou observada diretamente. · Para eles, sintomas psicossomáticos surgem a partir do condicionamento: o ambiente gera estresse e outras contingências que provocam respostas físicas, como dores ou tensões musculares. · A mudança do ambiente para reduzir estímulos negativos é vista como essencial para melhorar a saúde do paciente. 3. Fase Multidisciplinar · Esta é a fase atual, que reconhece a complexidade do ser humano como biopsicossocial — integrando aspectos biológicos, psicológicos e sociais. · A psicossomática multidisciplinar envolve a colaboração de profissionais de diferentes áreas (medicina, psicologia, nutrição, etc.) para atender o paciente integralmente. · Não basta apenas a presença de vários profissionais; é fundamental que todos compreendam e atuem considerando o ser humano em sua totalidade. · O foco passa a ser o cuidado do doente como um todo, não só da doença isoladamente. DSM e Psicossomática: A psicossomática estuda como fatores psicológicos podem desencadear ou agravar doenças físicas, gerando sintomas como dores, alterações gastrointestinais, tremores, manchas na pele e falta de ar, que pioram em situações de estresse. O diagnóstico é complexo, feito geralmente por exclusão, pois não há uma causa física clara, mas fatores como estresse, trauma, ansiedade e dificuldade de expressar sofrimento psicológico são comuns. O DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), da Associação Americana de Psiquiatria, é a referência para diagnóstico de transtornos mentais, incluindo transtornos com sintomas somáticos. Esses transtornos envolvem sintomas físicos acompanhados por pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados à saúde,como preocupação exagerada e alto gasto de tempo e energia com sintomas. No DSM-V, destacam-se três transtornos principais relacionados a sintomas somáticos: 1. Transtorno de Ansiedade de Doença: 2. Antigo “hipocondria”, caracteriza-se por ansiedade intensa sobre estar doente, mesmo sem sintomas físicos claros. 3. Transtorno Factício: O indivíduo finge ou produz sintomas físicos ou psicológicos sem benefício externo claro, buscando assumir o papel de doente. Não é considerado adoecimento psicossomático. 4. Transtorno Conversivo (ou Histeria de Conversão): O paciente apresenta sintomas de perda motora ou sensorial, sem lesão orgânica comprovada. Os sintomas são reais para quem sofre, mas não têm causa física identificável. Além disso, o DSM inclui a categoria Fatores Psicológicos que Afetam Outras Condições Médicas, que reconhece que aspectos psicológicos podem piorar outras doenças clínicas, interferindo negativamente no estado de saúde. Assim, a psicossomática no contexto do DSM envolve compreender a interação entre mente e corpo, considerando sintomas físicos influenciados por processos psicológicos, e destacando a importância do tratamento que aborde tanto o aspecto físico quanto o emocional do paciente. Fundamentos da Psicossomática e Práticas Atuais: Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar Psicossomática: A psicossomática revela a influência recíproca entre mente e corpo, considerando que as perturbações físicas podem ter origem ou ser agravadas por fatores psicológicos. Ela destaca que o ser humano deve ser visto como um ser biopsicossocial — integrando aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Psicologia da Saúde: É uma área da psicologia que tem como foco a promoção e manutenção da saúde, prevenção e tratamento de doenças, além da análise dos sistemas de saúde e políticas públicas. A Psicologia da Saúde considera como cada indivíduo experimenta saúde e doença, incluindo suas relações pessoais e contexto cultural e socioeconômico. · Marco histórico: A psicologia da saúde começou a se estruturar formalmente com grupos de trabalho da APA (Associação Americana de Psicologia) e sua divisão 38. · No Brasil: A psicologia da saúde atua no sistema de saúde, principalmente no SUS, apoiando a visão de saúde ampliada prevista nas Leis nº 8080/90 e nº 8142/90, que reconhecem a saúde como direito universal e compreendem o indivíduo em múltiplas dimensões — física, social, econômica e cultural. · Atenção básica e primária: · Atenção básica: ações focadas na promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. · Atenção primária: primeiro contato da população com o sistema de saúde, abrangendo cuidado integral e continuidade. Psicologia Hospitalar: Especialidade da Psicologia da Saúde, atuando dentro do ambiente hospitalar para cuidar dos aspectos psicológicos associados ao adoecimento. O psicólogo hospitalar atende pacientes, familiares, equipe multidisciplinar e demais envolvidos, buscando o bem-estar físico e emocional. · Foco: Toda doença tem aspectos psicológicos que influenciam a experiência do adoecimento; a psicologia hospitalar busca abordar esses aspectos subjetivos, considerando o paciente como um todo. · Exemplos: Dois pacientes com o mesmo diagnóstico (HIV) podem reagir de formas muito diferentes, dependendo do suporte emocional, história de vida e rede social. · Carlos André, médico, apresenta maior ansiedade e medo, temendo repercussões pessoais e sociais. · Henrique, jovem, recebe apoio familiar e lida melhor com a doença. Diferenças entre Psicologia Clínica, Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar: · Psicologia Clínica: Atua em todos os níveis de atenção (primário, secundário e terciário), focando na saúde mental geral. · Psicologia da Saúde: Atua nos mesmos níveis, mas enfatiza os aspectos psicológicos relacionados à saúde física e doenças. · Psicologia Hospitalar: Subcampo da Psicologia da Saúde, atuando principalmente em ambientes hospitalares (níveis secundário e terciário). Tema 4 – O Estresse: Causas, Implicações, Prevenção e Tratamento 1. Conceito de Estresse O estresse é uma resposta natural do corpo diante de situações que ameaçam o equilíbrio físico, emocional ou social. Ele prepara o organismo para agir, mas quando se mantém por muito tempo, pode provocar sérios problemas de saúde. 2. Tipos de Estresse · Estresse Agudo – Curta duração, causado por eventos específicos e inesperados. Normalmente, não deixa sequelas. · Estresse Crônico – Prolongado, associado a situações persistentes. Aumenta a produção de cortisol, prejudicando o sistema imunológico e elevando o risco de doenças. 3. Modelo das Fases do Estresse Baseado em Hans Selye e ampliado por Marilda Lipp: 1. Estado de Alerta – Preparação do corpo para enfrentar o desafio. 2. Resistência – Gasto elevado de energia para manter o equilíbrio, com sinais de cansaço físico e mental. 3. Quase Exaustão – Surgimento de doenças leves, ainda reversível. 4. Exaustão – Quadro grave, com risco de doenças sérias. 4. Causas do Estresse · Psicológicas e emocionais: ansiedade, baixa autoestima, medo da crítica. · Sociais: competitividade, instabilidade econômica e política, trânsito, excesso de compromissos. · Físicas: doenças crônicas, dores persistentes. · Culturais e tecnológicas: excesso de redes sociais e dificuldade de separar real do virtual. 5. Consequências · Físicas: enfraquecimento da imunidade, alterações hormonais, problemas cardiovasculares. · Mentais: ansiedade, depressão, irritabilidade. · Comportamentais: isolamento, abuso de álcool e drogas. 6. Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) Surge após eventos traumáticos intensos (guerras, desastres, violência). Sintomas incluem: · Flashbacks, sonhos recorrentes, sofrimento diante de gatilhos. · Evitação de lembranças e lugares relacionados. · Hipervigilância, sensação de distanciamento. Sem tratamento, pode se tornar crônico e afetar gravemente a vida da pessoa. 7. Formas de Cuidado, Prevenção e Tratamento O cuidado com o estresse deve considerar que o ser humano é biopsicossocial, ou seja, corpo, mente e relações sociais precisam de atenção. Principais abordagens: · Apoio profissional: médicos, psicólogos e terapeutas. · Práticas integrativas e complementares (reconhecidas pelo SUS): acupuntura, meditação, yoga, entre outras. · Técnicas educativas: compreender o que é estresse, reconhecer sintomas e identificar gatilhos. · Ressignificação: aceitar e reinterpretar de forma positiva os estressores inevitáveis. · Socialização e apoio emocional: compartilhar sentimentos e buscar ajuda. · Planejamento de vida: estabelecer novos propósitos e rotinas saudáveis. 8. Estudo de Caso – Almir Almir, após 30 anos de rotina fixa no trabalho, se aposentou e sentiu perda de propósito, desenvolvendo irritabilidade, insônia e isolamento. · O médico utilizou técnica educativa para explicar o estresse e sugeriu mudanças de rotina. · Encaminhou para acupuntura e yoga em grupo, promovendo saúde física, mental e social. · A intervenção precoce impediu que Almir chegasse às fases mais graves do estresse · – Transtornos de Ansiedade O DSM-5 descreve os transtornos de ansiedade como condições marcadas por medo e ansiedade excessivos, que causam prejuízos comportamentais. 1. Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS) · O que é: Ansiedade excessiva e desproporcional ao ser separado das figuras de apego (pais, cuidadores). · Sintomas: · Medo intenso de ficar longe de casa ou de pessoas importantes. · Preocupação constante com segurança dos entes queridos. · Dificuldade em ficar sozinho. · Pesadelos e sintomas físicos (dores de estômago, dor de cabeça) antes da separação. · Comportamentos como recusa escolar, raiva, isolamento. · Impacto: Pode gerar dependência emocional na vida adulta. 2. Mutismo Seletivo · O que é: Dificuldade persistente em falar em certos contextos sociais, apesar de conseguir falar normalmente com a família. · Características: · Ansiedade social predominante. · Prejuízo no desenvolvimento acadêmico, social e profissional. · Comunicação preferencialmentenão verbal. · Prevalência: 0,3% a 1%, início geralmente antes dos 5 anos, muitas vezes percebido apenas ao ingressar na escola. 3. Fobias Específicas · Definição: Medo e ansiedade intensos e desproporcionais diante de um objeto ou situação específica. · Critérios: Sintomas ocorrem apenas na presença do estímulo fóbico, por pelo menos 6 meses. · Tipos comuns: · Situacional: elevadores, ambientes fechados. · Animal: cães, insetos. · Ambiental: altura, mar. · Sangue-injeção-ferimentos: procedimentos médicos. · Impacto: Pode levar à esquiva e prejuízo funcional. 4. Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social) · O que é: Medo desproporcional de avaliação negativa em situações sociais. · Sintomas: · Humilhação, rejeição, isolamento. · Postura rígida, pouco contato visual, fala baixa. · Prejuízo na vida acadêmica, profissional e pessoal. · Fatores atuais: Uso excessivo de tecnologia pode reforçar isolamento, afetando autoestima e saúde mental. 5. Agorafobia · O que é: Medo intenso de estar em locais ou situações de difícil fuga ou sem possibilidade de ajuda. · Situações comuns: · Locais abertos ou fechados, transporte público, filas, multidões. · Consequências: · Pode evoluir para isolamento extremo e dependência de terceiros. · Muitas vezes associada ao transtorno ou ataque de pânico. · Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é caracterizado por preocupação excessiva e constante, acompanhada de sintomas como irritabilidade, tensão muscular, fadiga, insônia e dificuldade de concentração, prejudicando a vida pessoal, social e profissional. É mais prevalente em mulheres e pode se associar a depressão e problemas físicos. Outros transtornos de ansiedade incluem o induzido por substâncias/medicamentos, causado por interação medicamentosa, e o relacionado a outra condição médica, quando sintomas decorrem de doenças como hipertireoidismo ou distúrbios cardiovasculares. O diagnóstico exige diferenciação cuidadosa, e fatores emocionais, como a comunicação de más notícias, podem agravar o quadro. · Síndrome do pânico A síndrome do pânico (ou transtorno do pânico) é um transtorno de ansiedade caracterizado por ataques recorrentes e inesperados de medo intenso, que atingem pico em poucos minutos e vêm acompanhados de sintomas físicos como palpitações, sudorese, tremores, falta de ar, sensação de sufocamento, dor no peito, náusea e tontura. Esses episódios podem gerar preocupação persistente com novos ataques e mudanças de comportamento, como evitar lugares onde já ocorreram crises. O ataque de pânico é um episódio isolado, de curta duração (5 a 30 minutos), que pode ocorrer em diferentes transtornos, inclusive no transtorno do pânico. Ele não é classificado como transtorno mental no DSM-5, mas pode prejudicar a autoestima e favorecer isolamento social. A prevalência do transtorno do pânico é o dobro em mulheres, surgindo geralmente no fim da adolescência ou início da vida adulta. É comum apresentar comorbidades, como agorafobia, fobia específica, ansiedade social, TAG ou ansiedade de separação. Os fatores de risco envolvem genética (familiares de primeiro grau) e aspectos ambientais (traumas, estresse). O diagnóstico é clínico, exige escuta empática e exclusão de outras doenças por exames. O tratamento deve ser interdisciplinar, envolvendo: · Psiquiatria (medicação para restaurar equilíbrio e permitir acesso a outras intervenções) · Psicologia (identificação de gatilhos e fortalecimento da rede de apoio) · Educação física (atividade física para benefícios físicos e mentais) · Nutrição (alimentação que favoreça bem-estar) · Práticas integrativas (yoga, meditação, acupuntura) A prevenção e promoção de saúde mental incluem fortalecer vínculos familiares e sociais, estimular habilidades socioemocionais e criar redes de apoio saudáveis, permitindo que a pessoa seja protagonista do seu cuidado. Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): O TOC é um transtorno mental caracterizado pela presença de obsessões (pensamentos, ideias ou imagens intrusivas e angustiantes) e/ou compulsões (comportamentos repetitivos ou atos mentais realizados para aliviar a ansiedade). Essas manifestações comprometem de forma significativa a vida pessoal, social, acadêmica e profissional do indivíduo. A prevalência varia entre 1,1% e 1,8%, sendo mais comum em mulheres. Os sintomas geralmente começam na adolescência ou início da fase adulta, mas podem surgir antes dos 14 anos. O curso é crônico, podendo haver períodos de melhora e recaída. O diagnóstico costuma ser tardio devido à resistência em buscar ajuda, piorando o prognóstico. O TOC antes era classificado como transtorno de ansiedade (DSM-4), mas no DSM-5 ganhou categoria própria, junto com outros transtornos de compulsão/obsessão (ex.: tricotilomania, transtorno dismórfico corporal). As causas envolvem fatores neurobiológicos, genéticos e ambientais, havendo maior risco em quem tem familiares de primeiro grau com o transtorno ou histórico de traumas. Principais tipos de obsessões: · Contaminação (medo de sujeira, vírus, substâncias nocivas) · Simetria/perfeccionismo (necessidade de alinhamento e ordem) · Prevenção de danos (medo de ferir a si ou aos outros) · Acumulação (guardar objetos inúteis) · Pensamentos de cunho sexual, religioso ou “mágico” As compulsões podem ser visíveis (lavar as mãos repetidamente, verificar portas) ou mentais (rezar, contar mentalmente), e se tornam rígidas e excessivas, interferindo nas atividades diárias. O tratamento de primeira linha combina medicação (antidepressivos, eventualmente ansiolíticos ou antipsicóticos) e terapia cognitivo-comportamental (especialmente a técnica de exposição e prevenção de resposta). A rede de apoio familiar é essencial, mas sem reforçar o comportamento compulsivo. Casos graves podem necessitar de tratamento intensivo. A pandemia de COVID-19 exemplificou o agravamento de quadros relacionados a contaminação, pois a prevenção real entrou em conflito com as estratégias de controle obsessivo, intensificando a ansiedade. É fundamental diferenciar compulsão de “mania” e evitar validar os rituais. O apoio deve ser acolhedor e reflexivo, ajudando a pessoa a reconhecer o impacto dos sintomas e buscar tratamento, evitando o isolamento e possíveis desfechos graves, como tentativas de suicídio. Tema 5 Habilidades Sociais e Desenvolvimento Humano 1. Dimensões do Desenvolvimento Humano O desenvolvimento humano ocorre a partir de três dimensões: · Física: mudanças no corpo. · Cognitiva: capacidade de aprender. · Psicossocial: comportamento, emoções e relações sociais. O contexto de vida, especialmente na infância, influencia fortemente a forma como percebemos o mundo e interagimos nele. Experiências positivas ou adversas moldam nossa visão de mundo e nossas habilidades sociais. 2. Formação da Realidade Psíquica A percepção de cada pessoa é única e resulta de: 1. Estímulo – informações do ambiente. 2. Sentidos – visão, audição, tato, olfato e paladar. 3. Funções cognitivas – atenção, pensamento, memória, emoção, motivação, linguagem. 4. Significação – interpretação individual que constrói a realidade interna. Mesmo gêmeos idênticos desenvolvem percepções diferentes, pois temperamento (biológico) e meio (família, cultura, escola, valores) interagem de forma singular. 3. Fatores que Influenciam as Habilidades Sociais · Exemplo de Maria: cresceu em ambiente afetivo, diverso e estimulante → desenvolveu comunicação empática e habilidades sociais sólidas. · Exemplo de João: criado em ambiente conflituoso e fechado → dificuldades para conviver, tendência à agressividade e reatividade. Conclusão: a infância e o ambiente cultural, social e familiar influenciam fortemente a competência social ao longo da vida. 4. Conceito de Habilidades Sociais (HS) Segundo Almir e Zilda Del Prette: Classes específicas de comportamento que permitem lidar de forma competente com demandas interpessoais, mantendo relações saudáveis e produtivas. Essas habilidades se constroem por meio das interações sociais desde ainfância, com estímulos como orientações, limites, apoio emocional e exemplos de comportamento. 5. Competência Social no Contexto Profissional Para responder adequadamente a demandas sociais no trabalho, é necessário: · Interpretar corretamente o ambiente. · Evitar crenças errôneas e ansiedade que distorcem a percepção. · Ampliar o repertório comportamental para ter estratégias variadas. Exemplo negativo: funcionário atrasado, interrompendo falas, usando palavrões e não reconhecendo erros → incompetência social. 6. Principais Habilidades Sociais Valorizadas · Comunicação clara, objetiva e também escuta ativa. · Assertividade – expressar opiniões de forma calma e focada. · Empatia – estar disponível para compreender o outro. · Resiliência – adaptar-se diante de imprevistos. · Receber críticas como oportunidade de crescimento. · Receber elogios de forma equilibrada. · Evitar comparações prejudiciais – usar potencialidades a favor. 7. Desenvolvimento Contínuo Mesmo que alguém não tenha desenvolvido habilidades sociais na infância, é possível aprimorá-las ao longo da vida por meio da auto-observação, do autoconhecimento e da prática em diferentes contextos sociais. Paradigmas do Trabalho em Equipe O trabalho em equipe ganhou destaque a partir do final da década de 1970, impulsionado pela globalização e avanços tecnológicos, que exigiram das organizações maior agilidade, autonomia e eficácia. Apesar de parecerem semelhantes, grupos e equipes de trabalho têm diferenças importantes: grupos reúnem pessoas que trabalham juntas, mas sem necessariamente ter habilidades complementares ou engajamento coletivo; equipes, por outro lado, são formadas por membros com habilidades complementares e alto comprometimento com objetivos comuns. Uma equipe eficaz costuma ter entre cinco e nove integrantes para evitar sobrecarga ou dificuldades na gestão. Os membros precisam estar motivados e dispostos a assumir responsabilidades individuais e coletivas. A liderança é essencial para reconhecer potencialidades, harmonizar o trabalho e promover o desenvolvimento do grupo. O desenvolvimento das equipes segue estágios: formação (integração e conhecimento mútuo), tormenta (conflitos e definição de papéis), normatização (confiança e consolidação da identidade), desempenho (alta produtividade) e interrupção (fim do projeto). A liderança pode assumir diferentes estilos: autoritária (controle e medo), democrática (diálogo e participação), orientada para tarefas ou para pessoas, sendo esta última a mais eficaz atualmente por valorizar relações interpessoais. Existem vários tipos de equipes, como multifuncionais, de melhoria de processos, solução de problemas, autogerenciadas, força-tarefa e virtuais, cada uma adequada a diferentes necessidades organizacionais. Equipes eficazes administram bem recursos, contam com liderança capaz de gerenciar diferenças, possuem confiança mútua e mecanismos de reconhecimento. Por fim, embora o trabalho em equipe traga benefícios, ele exige maior tempo de gestão, comunicação clara e coordenação. Nem sempre o coletivo é a melhor escolha; deve-se avaliar a complexidade do projeto para decidir entre atuação individual ou em equipe. Multidisciplinaridade e Interdisciplinaridade na Saúde Estrutura da área da saúde A organização da saúde no Brasil é orientada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que se baseia em três princípios fundamentais: · Integralidade: Entender o sujeito em todas as suas dimensões — física, cognitiva e psicossocial. · Equidade: Garantir que todas as pessoas tenham acesso igualitário aos serviços de saúde. · Universalidade: Assegurar que toda a população tenha direito ao acesso aos serviços públicos de saúde. A rede de saúde do SUS é dividida em três níveis de atenção: 1. Baixa complexidade: Atenção básica, porta de entrada da população, como as clínicas da família, focadas em procedimentos ambulatoriais. 2. Média complexidade: Clínicas especializadas para exames e consultas mais específicas. 3. Alta complexidade: Hospitais para tratamentos mais complexos. Para facilitar o diálogo entre esses níveis, utiliza-se o prontuário eletrônico, que permite compartilhar a história clínica e informações do paciente, ampliando a visão integral do atendimento. A complexidade no adoecer Historicamente, mente e corpo foram vistos separadamente, levando a uma busca imediata por diagnóstico físico e medicamentoso. Porém, o adoecimento é multifatorial, envolvendo aspectos físicos, psicológicos e sociais, como proposto pelo modelo biopsicossocial, que entende o ser humano em três dimensões: · Física (corpo) · Psicológica (mente) · Social (relações e vínculos) Esse olhar integral é essencial para um diagnóstico e tratamento eficazes, reconhecendo que a pessoa é mais que um corpo físico. Multidisciplinaridade na saúde Refere-se à reunião de profissionais de diferentes áreas para trabalhar em prol de um objetivo comum, mas cada um atua de forma isolada, sem comunicação direta entre si. Por exemplo, uma equipe formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais, onde cada profissional cuida da sua especialidade, mas sem integração no planejamento. A multidisciplinaridade reconhece a complexidade do cuidado e a necessidade de múltiplos saberes, mas ainda mantém os limites das áreas. Exemplo: Um paciente idoso com queixas visuais pode ser atendido por diferentes profissionais, cada um avaliando um aspecto: o médico, o psicólogo, o assistente social, etc. Interdisciplinaridade na saúde Vai além da multidisciplinaridade, pois envolve comunicação ativa e integração entre os profissionais. Eles se reúnem para discutir o caso, compartilhar conhecimentos e planejar conjuntamente o cuidado, respeitando os limites de cada saber. Esse modelo promove um cuidado integral, mais coordenado e eficaz, alinhado aos princípios do SUS. No entanto, exige compromisso, logística e disponibilidade dos profissionais para que funcione plenamente. Exemplo: Um atleta que sofre uma lesão recebe atendimento interdisciplinar com psiquiatra, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, que trocam informações e coordenam o tratamento para o paciente. Desafios da interdisciplinaridade incluem emoções e atitudes pessoais como medo, ansiedade, orgulho e resistência, que podem dificultar o trabalho em equipe. Transdisciplinaridade na saúde Abordagem emergente que rompe barreiras entre disciplinas, criando um conhecimento novo e integrado que transcende as áreas específicas. O trabalho é totalmente colaborativo, com criação conjunta de soluções e saberes. Exemplo: Equipe composta por psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e educador físico que trabalham em conjunto para cuidar de um paciente com transtorno de ansiedade social, desenvolvendo um novo entendimento conjunto do caso. Essa abordagem ainda está em desenvolvimento e exige mais estudo, mas tem potencial para promover um cuidado mais holístico e inovador. Considerações finais · A formação profissional tradicional ainda tem pouco foco nessas abordagens integradas, o que dificulta a troca entre saberes. · O objetivo principal da multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade é garantir o atendimento integral do paciente, respeitando suas múltiplas dimensões. · O cuidado colaborativo também contribui para o desenvolvimento profissional das equipes de saúde. · O protagonismo do paciente deve ser respeitado em todo o processo. Evolução e Impacto da Psicologia da Saúde na Sociedade Origem e evolução histórica A psicologia da saúde é um campo relativamente novo, que tem evoluído constantemente sob influências científicas, políticas e contextuais (como a pandemia da covid-19). · 1879: Fundação do primeiro laboratório de psicologia por Wilhelm Wundt, marco inicial da psicologia como ciência. · 1950: Críticas aos manicômios e surgimento da psicologia clínica. · 1962: Regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil. · 1980: Movimentos sociais resultam na criação do SUS e do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). ·1981: Fundação da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO). · 1990: Consolidação do SUS, que se torna o maior empregador de psicólogos no país. · 2001: Reforma manicomial brasileira. · 2006: Pacto pela Saúde, que ampliou a atenção básica. · 2016: Psicologia da saúde é reconhecida oficialmente como especialidade. · 2019: Regulamentação da psicologia escolar. Desenvolvimento e transformação Inicialmente, a psicologia focava no comportamento normal e atendia principalmente classes altas. A partir dos anos 1980, com a abertura política e os movimentos sociais, houve uma mudança importante, com a psicologia voltando-se para populações vulneráveis e atuando em políticas públicas, principalmente no SUS. A criação do SUS foi crucial para ampliar o campo de atuação dos psicólogos, especialmente em saúde coletiva e comunitária. Importância da psicologia da saúde atualmente Definida como área que atua na prevenção, promoção, manutenção da saúde, diagnóstico e tratamento do processo saúde-doença, a psicologia da saúde trabalha em equipes multiprofissionais. Suas principais atribuições incluem: · Atuação interdisciplinar nos processos de saúde e doença. · Intervenção em contextos sociais e culturais diversos. · Promoção e prevenção em saúde mental e física. · Gestão de serviços e formação de trabalhadores de saúde. Exemplo prático: No Programa Saúde da Família (PSF) do SUS, psicólogos realizam intervenções preventivas, grupos terapêuticos e educação em saúde para problemas como depressão, ansiedade e violência doméstica, fortalecendo a coesão social. Desafios contemporâneos A psicologia da saúde enfrenta desafios como: · Garantir acesso e equidade nos serviços, independentemente da classe social. · Melhorar a formação dos psicólogos para atuar em contextos variados e vulneráveis. · Trabalhar de forma interdisciplinar para um cuidado integral. · Incorporar tecnologias, como a telepsicologia, que ganhou destaque na pandemia para ampliar o atendimento. Iniciativas inovadoras incluem programas em escolas para saúde mental, grupos de apoio comunitário e o uso de ferramentas digitais. Competências do psicólogo da saúde atual e futuro O perfil do psicólogo da saúde envolve competências como: · Liderança e gestão de equipes e projetos. · Trabalho colaborativo em equipes multidisciplinares. · Comunicação eficaz com diferentes públicos. · Empreendedorismo para criar novos projetos. · Administração de recursos humanos e materiais. · Desenvolvimento de ações preventivas, promocionais e de reabilitação da saúde psicológica. Além disso, é fundamental a adesão a princípios éticos, basear práticas em evidências científicas e manter aprimoramento contínuo. Produção de conhecimento e políticas públicas O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop) apoia psicólogos que atuam em políticas públicas, sistematizando conhecimento e orientando profissionais, estudantes e gestores. O processo de produção de referências pelo Crepop envolve: · Pesquisa qualitativa e quantitativa. · Participação ativa dos profissionais. · Produção de relatórios regionais e nacionais. · Consulta aberta para revisão. · Publicação de materiais acessíveis. Temas abordados incluem saúde do trabalhador, violência, atenção básica, diversidade, entre outros. Conclusão A psicologia da saúde é um campo dinâmico, que evolui com a sociedade e se adapta às demandas contemporâneas. Seu impacto se reflete na ampliação do cuidado psicológico para além do atendimento individual, envolvendo ações preventivas, educativas e integradas em equipes multiprofissionais. A formação contínua e a incorporação de tecnologias são essenciais para preparar psicólogos capazes de atuar eficazmente no presente e no futuro. Claro! Aqui está um resumo detalhado sobre Determinantes Sociais da Saúde e Vulnerabilidade Social baseado no conteúdo que você enviou: Resumo: Determinantes Sociais da Saúde e Vulnerabilidade Social 1. Conceitos básicos e evolução · Nos anos 1990, o conceito de vulnerabilidade social substituiu o de exclusão social, pois este último focava apenas na pobreza e marginalidade, sem abordar as causas estruturais e políticas das desigualdades. · Vulnerabilidade social considera que a maioria das pessoas enfrenta graus variados de risco social, que dependem das fragilidades econômicas, sociais e das oportunidades de mobilidade. · A saúde é influenciada por determinantes sociais — fatores relacionados a como vivemos, trabalhamos, moramos e nos alimentamos. 2. Determinantes Sociais da Saúde (DSS) · São fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos, psicológicos e comportamentais que impactam a saúde da população. · Exemplos: condições de moradia, educação, emprego, acesso a serviços públicos, discriminação e políticas públicas. · Objetivo dos estudos de DSS: identificar hierarquias e relações entre esses fatores para orientar intervenções eficazes na saúde pública. 3. Modelos dos DSS · Modelo 1: Fatores sociais e econômicos (renda, trabalho, educação, habitação). · Modelo 2: Influências políticas e culturais (políticas públicas, discriminação, valores culturais). 4. Intervenções e políticas públicas eficazes · Políticas que combatem desigualdades sociais focando mercado de trabalho, educação, seguridade social, habitação e alimentação são fundamentais para reduzir riscos à saúde. · Exemplo no Brasil: o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que dá um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência, reduz vulnerabilidades. 5. Exemplo prático: habitação e saúde · Casas inadequadas, sem ventilação ou saneamento, como no caso de Maria e seus filhos que adoecem frequentemente, mostram como vulnerabilidade social afeta a saúde diretamente. · Melhorias em habitação e saneamento básico são essenciais para prevenir doenças. 6. Racismo e gênero como determinantes da saúde · Pesquisas e políticas têm ampliado o reconhecimento dos impactos do racismo estrutural e das desigualdades de gênero na saúde. · Estudos decoloniais ganham espaço na psicologia da saúde para enfrentar essas desigualdades. 7. Educação e empregabilidade · Maior escolaridade está associada a melhores condições de saúde, por proporcionar conhecimentos sobre práticas saudáveis e maior acesso a emprego e serviços. · Exemplo: o Bolsa Família incentiva frequência escolar e vacinação, melhorando saúde e educação em um ciclo positivo. 8. Acesso a serviços de saúde · Acesso equitativo a serviços médicos é essencial, mas muitas áreas, especialmente rurais, ainda são carentes. · Estratégias como a Estratégia Saúde da Família (ESF) levam atendimento básico diretamente às comunidades vulneráveis, melhorando a saúde pública. 9. Atividade prática sobre moradia adequada · Políticas que ampliem moradia segura e digna são fundamentais para reduzir riscos de saúde relacionados às condições de vida. Diferenças entre Psicologia da Saúde e Psicologia Tradicional 1. Contexto e abordagem · A psicologia tradicional (clínica) foca no indivíduo, seus conflitos internos e histórico familiar, geralmente em consultórios privados. · A psicologia da saúde considera o contexto social, econômico e cultural do indivíduo, atuando em saúde coletiva e políticas públicas. 2. Problemas da transposição da clínica tradicional para saúde pública · Conflito entre a visão do psicólogo e do paciente, que muitas vezes vive vulnerabilidades socioeconômicas não consideradas no tratamento. · Alta taxa de abandono terapêutico e baixa eficácia devido à abordagem individualista e falta de contextualização. · Seleção de clientela e resistência a avaliações institucionais dificultam a inclusão e a efetividade. 3. Paradigma individualista e suas limitações · A psicologia tradicional enfatiza a autonomia individual e responsabilidade pessoal, sem considerar determinantes sociais e culturais. · Isso é insuficiente para populações em vulnerabilidade social. 4. Influência da psicanálise · A psicanálise trouxe conceitos de sujeito psicológico, desejo inconsciente, e foco na família nuclear, sexualidade e autoconhecimento.· Porém, tende a minimizar as dimensões políticas e sociais, esvaziando o debate sobre desigualdades estruturais. 5. Críticas e desafios segundo Lo Bianco (1994) · Psicologia tradicional é influenciada por valores da classe média, podendo reforçar relações de dominação social, racial, de gênero e sexualidade. · Modelo clínico é privado, normatizador e pouco eficaz para populações vulneráveis. 6. Consequências práticas · Atendimento inadequado em saúde pública, seleção de pacientes conforme visão do terapeuta, aumento da medicalização do sofrimento. 7. Propostas e soluções · Adaptação cultural das intervenções. · Programas comunitários que promovam o bem-estar coletivo. · Políticas públicas que enfrentem desigualdades sociais e econômicas. · Educação em saúde mental inclusiva. · Apoio interdisciplinar integrando psicologia, medicina, assistência social e educação. Escuta na Saúde e Escuta Psicológica 1. Diferença entre ouvir e escutar · Ouvir é captar sons ao redor, uma função passiva. · Escutar envolve atenção, compreensão profunda e empatia, uma ação ativa e intencional. 2. Importância da escuta na saúde · Essencial para a comunicação eficaz entre profissionais de saúde, pacientes e familiares. · Promove o entendimento das necessidades, sentimentos e contexto do paciente, melhorando o cuidado. 3. Tipos de escuta na saúde Tipo de Escuta Definição Exemplo Prático Escuta clínica Coleta informações para diagnóstico Médico ouvindo sintomas do paciente Escuta qualificada Formação específica para acolher o paciente Psicólogo em atendimento clínico Escuta transformativa Promove mudanças no pensamento e comportamento Terapia focada em mudança comportamental Escuta ativa Atenção plena e envolvimento total Entrevistas motivacionais Escuta integral Considera todos os aspectos da vida do paciente Atendimento holístico em saúde mental Escuta atenta Observa palavras e emoções com detalhes Aconselhamento em crises Escuta reflexiva Promove autorreflexão por meio do diálogo Psicoterapia analítica Escuta compreensiva Analisa contexto, emoções e experiências Atendimento a vítimas de trauma Escuta terapêutica Uso da escuta como ferramenta central do tratamento Sessões de psicoterapia 4. Escuta psicológica: particularidades · Não é só obter dados, mas o próprio meio e fim do tratamento. · Processo prolongado, com atenção profunda ao paciente e seu contexto de vida. · Promove autorreflexão, ressignificação de sentidos e transformação pessoal. Exemplos práticos: · Maria percebe padrões em seus pensamentos e aprende a lidar com emoções. · João encontra acolhimento e segurança para explorar sua depressão. 5. Escuta e acolhimento no SUS · A Política Nacional de Humanização (PNH) reconhece a escuta como parte fundamental do cuidado. · Visa integrar o adoecimento à história de vida do paciente, envolvendo também a família. · Princípios: acolhimento, sensibilidade, respeito às diferenças, promoção da autonomia e valorização da vida. 6. Trabalho em grupo na saúde · Grupos terapêuticos ampliam o atendimento sem perder a ética e o cuidado individual. · Promovem autovalorização, reconhecimento das diferenças, diálogo e resolução de conflitos. · A experiência grupal pode ressignificar afetos e desejos, impactando também fora do grupo. 7. Programas e temáticas de atendimento em grupos no SUS Programa Objetivo Localização Ações Principais Exemplo Prático Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) Reduzir doenças relacionadas ao tabaco Atenção básica, ambulatórios Ações educativas, grupos de suporte João participa de grupo para parar de fumar Tratamento ao Abuso de Substâncias Psicoativas Lidar com problemas de uso de drogas CAPS, atenção primária Rodas de conversa, planos de ação Maria frequenta rodas no CAPSad Grupos de Manejo de Estresse Suporte para estresse e ansiedade UBS, Clínicas da Família Terapias em grupo, técnicas de relaxamento Pedro aprende estratégias para lidar com estresse Grupos com Pacientes Crônicos Aumentar adesão ao tratamento e acolhimento Serviços hospitalares Compartilhamento e suporte entre pacientes Ana participa de grupo sobre diabetes Grupos sobre Sexualidade na Adolescência Prevenir gravidez e ISTs Atenção básica Reflexão e esclarecimento Carla discute sexualidade em grupo adolescente Grupo da Terceira Idade Melhorar saúde e autoestima dos idosos Atenção básica Atividades físicas e sociais Dona Maria frequenta aulas e discussões Roda de Terapia Comunitária Compartilhar experiências e criar redes solidárias Atenção básica Compartilhamento e busca de soluções José participa para discutir desemprego Saúde e Psicologia no SUS: Garantindo Acesso e Qualidade 1. O Sistema Único de Saúde (SUS) · O SUS é o maior sistema público de saúde gratuito do mundo, presente em todo o Brasil. · Saúde é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal (1988), e dever do Estado. · O SUS busca garantir acesso universal, igualitário e integral aos serviços de saúde. 2. Organização do SUS · Rede de saúde: conjunto de instituições e profissionais interligados, garantindo encaminhamento e atendimento em diferentes níveis (atenção primária, secundária e terciária). · Região de saúde: espaço geográfico com características comuns, dividido para facilitar o acesso local aos serviços. 3. Princípios doutrinários do SUS · Universalidade: saúde gratuita para todos, sem discriminação. · Integralidade: atenção completa, incluindo prevenção, tratamento e reabilitação. · Equidade: prioriza populações vulneráveis para garantir justiça no acesso. 4. Princípios organizacionais do SUS · Hierarquização: serviços organizados em níveis crescentes de complexidade (UBS → hospitais especializados). · Descentralização: gestão compartilhada entre União, estados e municípios, com serviços próximos à população. · Controle social: participação ativa da comunidade na gestão por meio de conselhos e reuniões. 5. Clínica ampliada e Política Nacional de Humanização (PNH) · A clínica ampliada considera o paciente integralmente, valorizando aspectos biológicos, psicológicos e sociais. · A PNH promove a humanização, acolhimento e corresponsabilidade entre usuários e profissionais, fortalecendo vínculos e adesão ao tratamento. 6. Projeto Terapêutico Singular (PTS) · Plano de cuidado personalizado, interdisciplinar, que integra tratamento médico, psicológico e social. · Elaborado com participação ativa do paciente e família para atender suas necessidades específicas. 7. Estratégia Saúde da Família (ESF) e Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) · ESF: atuação comunitária para promoção e prevenção, com equipes multidisciplinares e agentes comunitários de saúde que acompanham a população local. · NASF: suporte especializado às equipes ESF, incluindo psicólogos que auxiliam no cuidado integral e elaboração de projetos terapêuticos. 8. Psicologia na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) · Modelo comunitário de atenção à saúde mental, focado na recuperação e reintegração social. · Inclui serviços como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de acolhimento e residências terapêuticas. · CAPS oferecem atendimento aberto, terapias, oficinas e visitas domiciliares, promovendo cuidado humanizado e integrado. · Gestão de crises busca intervenção sem isolamento, considerando fatores psicossociais. 9. Consultório de Rua · Estratégia para atender pessoas em situação de rua, com equipes multiprofissionais que atuam diretamente no território. · Psicólogos participam auxiliando no acompanhamento psicológico, estruturação de projetos e integração social. Psicologia no Contexto Hospitalar 1. O que é psicologia hospitalar? · Área da psicologia que atua em hospitais de média e alta complexidade, atendendo pacientes internados, familiares e equipes de saúde. · Tem foco no entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos ligados ao adoecimento que leva à internação hospitalar. · Valoriza a abordagem biopsicossocial, cuidando do paciente como um todo, não apenas dos