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DIMENSÕES BIOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS DA ATIVIDADE MOTORA João Francisco Barbieri Metabolismo aeróbico Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os princípios do metabolismo aeróbico. Caracterizar o metabolismo bioenergético aeróbico glicolítico. Descrever o metabolismo bioenergético aeróbico lipolítico. Introdução A liberação de energia pelo catabolismo oxidativo dos macronutrientes possui uma finalidade essencial, fosforilar o difosfato de adenosina (ADP) para que este volte a ser um composto rico em energia, o trifosfato de adenosina (ATP). Sua ressíntese começa pela alimentação, um processo necessário para a aquisição de compostos orgânicos e, por meio de dife- rentes processos físico-químicos, essas moléculas são capazes de fornecer sua energia para a ressíntese do ATP, o qual se trata de uma importante moeda de troca no organismo. Já a atividade física é um bom exemplo para estudar as diferentes maneiras pelas quais o organismo lida com a oferta de energia para realizar diversas atividades. Neste capítulo, você estudará as diferentes passagens necessárias para que os compostos orgânicos sejam catabolizados na presença de oxigênio (O2), fornecendo energia ao organismo. Seres vivos que respiram A respiração é um processo no qual se utiliza o O2 na geração de energia, tendo como subproduto a liberação de gás carbônico (CO2), e não um fenômeno compartilhado por todos os seres vivos. Na verdade, muitos deles produzem sua energia na ausência de O2 em um processo chamado fermentação anaeróbica, em que a glicose será usada para geração de energia e terá também o CO2 como produto fi nal (LUISI, 2016). Para entender como o organismo desenvolveu uma predileção à utilização do O2 como agente oxidante dos compostos orgânicos, analisa-se a história do metabolismo energético. Durante o processo de evolução dos seres vivos, o O2 foi responsável por uma considerável diminuição na população dos seres unicelulares — evento classificado como o “holocausto do O2” — devido ao elevado potencial dessa molécula em oxidar compostos, tornando-a tóxica em elevadas quantidades. Sua quantidade se elevou muito no planeta Terra primitivo devido à atividade fotossintética dos primeiros organismos vivos, aqueles que sobreviveram, de alguma forma, aprenderam a utilizar o O2, o qual passou a ser usado na oxidação de compostos orgânicos, assim, o que antes era nocivo, tornou-se essencial para a sobrevivência de alguns microrganismos. Nesse contexto, surgiram as mitocôndrias, porém diferentes de como são conhecidas hoje, seus ancestrais eram seres procariontes livres (ou in- dependentes), os primeiros capazes de realizar a respiração e produziam a energia por meio da metabolização de compostos orgânicos na presença de O2. Durante a evolução dos metabolismos, eles se juntaram aos outros tipos de microrganismos, e esse tipo de parceria ficou chamado de simbiose, em que ambos apresentavam benefícios da junção. Já os microrganismos responsáveis pelo englobamento das mitocôndrias primitivas foram, provavelmente, seres fermentadores, que passaram a ter processos de produção de energia a partir da oxidação de glicose, produzindo muito mais energia do que por meio da fermentação (LUISI, 2016). Nota-se que, nos primórdios da história da origem da vida, os primeiros microrganismos já apresentavam metabolismos que permanecem até os dias atuais, como a fermentação anaeróbica (metabolismo da glicose na ausência de O2) e a respiração celular (processo no qual o O2 é utilizado para a redução de compostos orgânicos, gerando energia e CO2). Ambos estão presentes nos seres mais desenvolvidos, como os seres humanos, porém, os processos de obtenção de energia pela oxidação dos alimentos tornaram-se cada vez mais sofisticados. Metabolismo aeróbico2 As mitocôndrias são organelas muito especializadas na utilização de O2 na produção de energia e conferem uma enorme vantagem aos seres respiradores, uma vez que o processo de oxidação dos substratos pelo O2 gera uma quantidade grande de energia. Elas também possuem algumas especificidades, como a divisão por fissão binária, igual a muitas bactérias, distinguindo-se das outras organelas; e o ácido desoxirribo- nucleico (DNA) próprio, o DNA mitocondrial. Todas essas particularidades culminaram na teoria, proposta por Lynn Margulis, em 1981, conhecida como endossimbiose, a qual propõe que elas eram seres procariontes agregados aos eucariontes e viviam de forma simbiótica (MARGULIS, 1981). Costuma-se entender por respiração ou respiração celular o processo de captação de O2 e eliminação de CO2 por meio das vias respiratórias, porém, para bioquímicos e biólogos, é um termo que se restringe aos processos celulares e moleculares nos quais as células utilizam O2 e produzem CO2 como um produto metabólico da oxidação dos compostos orgânicos (NELSON; COX, 2014). Trata-se de um processo mais demorado e complexo do que a glicólise, que talvez tenha surgido mais tardiamente durante a evolução. Para a maioria das células eucariotas (que possuem núcleo) e muitas bactérias, que realizam o processo de respiração, a quebra da glicose é apenas o primeiro passo para a redução desse composto orgânico até CO2 e água (H2O). A maior parte da energia para a fosforilação se origina da oxidação dos macronutrientes provenientes da alimentação. Os processos de oxidação (perda de elétrons) e de redução (ganho de elétrons) serão muito impor- tantes para se entender as diversas transferências de energia realizadas para a criação dos compostos ricos nela. Esses processos mantêm sempre ativo o fluxo de átomos de hidrogênio e elétrons, derivado do catabolismo dos macronutrientes estocados no organismo. As mitocôndrias, que são as verdadeiras usinas de produção de energia nas células, contêm moléculas carreadores que removem elétrons do hidrogênio, o que permitirá que eles sejam utilizados na fabricação dos compostos ricos em energia (McARDLE; KATCH; KATCH, 2016). 3Metabolismo aeróbico Já a respiração obedece a três processos. Primeiro: os elementos orgânicos como carboidratos, gorduras e ami- noácidos são oxidados até os orgânicos que apresentam apenas dois carbonos, na forma do grupo acetil, provenientes da acetilcoenzima A (acetil-CoA). Segundo: este e o grupo anterior entram no ciclo do ácido cítrico, tam- bém conhecido como ciclo de Krebs, que oxidará esses elementos de maneira irreversível até virarem CO2. A energia liberada é armazenada nas coenzimas da forma reduzida da nicotinamida adenina dinucleo- tídeo (NADH) e da forma reduzida da flavina adenina dinucleotídeo (FADH2). Terceiro: as coenzimas NADH e FADH2 se oxidam e doam os prótons de hidrogênio ganhados ao O2, que é seu aceptor final. Na transferência de elétrons por meio das proteínas transportadoras, grandes quantidades de energia são armazenadas como ATP, e esse processo se chama fos- forilação oxidativa devido à participação do O2 que captura os elétrons (NELSON; COX, 2014). Os macronutrientes como carboidratos, lipídeos e proteínas podem ser oxidados e participar da formação de energia na presença de O2, sendo que o carboidrato participa de duas vias de produção, a anaeróbica e a aeróbica. A seguir, você pode observar o destino do piruvato, o substrato final da via metabólica da glicólise, durante sua participação na produção de energia na presença de O2. Glicólise aeróbica O processo de glicólise envolve 10 reações que oxidarão uma molécula de seis carbonos (glicose) a duas de piruvato (três carbonos cada uma). Na maioria das vezes, o piruvato migrará para a mitocôndria a fi m de participar do sistema oxidativo de produção de energia, embora em alguns casos, sobretudo em situações de prática de atividade física intensa, suas moléculas são reduzidas, tornando-se lactato. Todo esse processo de metabolização da glicose até piruvato acontece no citosol celular. A membranada mitocôndria é seletiva aos compostos que entrarão ou sairão, para isso, diversas proteínas regularão o transporte de substâncias pelas suas membranas interna e externa. O piruvato, que foi produzido na matriz Metabolismo aeróbico4 celular, atravessará essa primeira membrana pelos canais de proteínas chamados porina. Uma vez no espaço intermembrana, ele será deslocado para a matriz mitocondrial pela proteína específica piruvato translocase (NELSON; COX, 2014). Dentro da mitocôndria, ele sofrerá as cinco reações mediadas pelas coenzimas e enzimas do complexo piruvato desidrogenase, sendo liberada nas reações CO2, NADH e acetil- CoA. Assim, o piruvato sofrerá uma descarboxilação (processo em que a molé- cula perde carbono) e oxidação para se tornar acetil-CoA e CO2. Para isso, é necessário que ele seja submetido a diferentes reações químicas orquestradas por um complexo de enzimas e coenzimas chamadas de complexo da piruvato desidrogenase, composto de múltiplas cópias de três enzimas e cinco coenzi- mas, entre estas, pirofosfato de tiamina (TPP), flavina adenina dinucleotídeo (FAD), coenzima A (CoA), nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD) e lipoato. Quatro diferentes vitaminas desempenham um importante papel nesse processo, sendo elas tiamina (no TPP), riboflavina (no FAD), niacina (no NAD) e pantotenato (compondo a CoA) (NELSON; COX, 2014). O complexo da piruvato desidrogenase contém três enzimas, E1 piruvato desidrogenase, E2 diidrolipoil transacetilase e E3 diidrolipoil desidrogenase, que se acumulam em vários pares e estão acopladas/ligadas intimamente a cinco coenzimas diferentes. Na Figura 1, você pode ver esse complexo, o qual é responsável pela conversão de piruvato em acetil-CoA, que, por sua vez, dará início ao ciclo do ácido cítrico (NELSON; COX, 2014). Figura 1. Complexo piruvato desidrogenase. Fonte: Nelson e Cox (2014, p. 636). 5Metabolismo aeróbico A oxidação da glicose até acetil-CoA gerará importantes produtos que serão contabilizados na produção de energia final, tem-se como balanço total dessas reações: dois ATP, quatro NADH e duas moléculas de CO2. Já as coenzimas NADH serão fundamentais para a produção de energia no processo de fos- forilação oxidativa. A acetil-CoA é o principal metabólito que dará início ao ciclo do ácido cítrico, sendo que outros compostos orgânicos também podem ser reduzidos até ele, como ácidos graxos e aminoácidos. Beribéri, uma doença metabólica Beribéri é uma doença de cunho carencial, caracterizada por sintomas físicos, como cansaço, cãibras, edemas nos membros, e cognitivos, por exemplo, confusão mental e perda de memória. Ela está relacionada à deficiência da vitamina tiamina, que participa da conversão do piruvato em acetil-CoA, permitindo sua metabolização aerobica- mente, e se associa às dietas monótonas, com elevado consumo de carboidratos simples, como arroz polido, mandioca ou batata. Outros motivos também podem estar associados ao surgimento dessa patologia, por exemplo, o elevado metabolismo no hipertireoidismo, a prática vigorosa de exercícios físicos cronicamente ou, ainda, o alcoolismo, que se mostrou um fator importante para desencadeá-la. Essa doença é facilmente tratada, mas afeta predominantemente pessoas de classe social vulnerável, em locais periféricos afastados, o que dificulta a intervenção de políticas públicas. No Brasil, existem relatos recentes de casos no oeste do estado do Maranhão, um local de população mais carente e difícil acesso (PADILHA et al., 2011). O produto final da transformação do piruvato pelo complexo piruvato desidrogenase, a acetil-CoA, não iniciará imediatamente a produção de energia. Será necessário que a acetil-CoA passe por diversas reações, descritas nas oito etapas que compreendem o ciclo do ácido cítrico, ou ciclo de Krebs, uma homenagem ao seu descobridor. Ciclo do ácido cítrico O ciclo do ácido cítrico se trata de reações que têm como fi nalidade reduzir completamente a molécula de acetil-CoA ao carbono, para que o máximo de Metabolismo aeróbico6 energia possa ser extraído desse combustível. Sua primeira etapa consiste na condensação de acetil-CoA com o oxaloacetato, formando o citrato, que dá nome a via. Oito etapas do ciclo do ácido cítrico A primeira reação do ciclo do ácido cítrico é a condensação de acetil-CoA e oxaloacetato para a formação do citrato, mediada pela enzima citrato sintase. Durante o processo de união entre eles, a molécula citroil-CoA se hidrolisa prontamente, liberando CoA e o citrato. O CoA livre será usado para oxidar outra molécula de piruvato no complexo piruvato desidrogenase, conforme mostra a seguinte fórmula. O próximo passo é a conversão do citrato em isocitrato, mediada pela enzima aconitase. Esse processo implica em desidratar o citrato, criando um intermediário chamado cis-aconitato, e reidratá-lo para formar o isocitrato. As duas reações são mediadas pela enzima aconitase. Nessa etapa, o substrato isocitrato sofrerá uma descarboxilação oxidativa, perderá um carbono e formará o alfa-cetoglutarato, sendo mediada pela enzima isocitrato desidrogenase. Um evento muito importante é a redução da coenzima NAD+ para NADH, o qual se trata da primeira reação de redução de uma coenzima, dando energia a ela e tornando-se fundamental para a geração de energia na cadeia de transporte de elétrons. Já nessa reação, há a segunda descarboxilação, na qual o alfa-cetoglutarato será convertido em succinil-CoA e liberará CO2, sendo viabilizada devido à presença do complexo alfa-cetoglutarato desidrogenase. Durante o processo, outra coenzima de NAD+ é reduzida a NADH. Já seu complexo enzimático é bastante semelhante ao do piruvato desidrogenase, contendo as mesmas coenzimas (TTP, NAD, FAD e CoA). 7Metabolismo aeróbico D Depois, o succinil-CoA será transformado em succinato. Como o grupo CoA libera bastante energia em sua hidrólise, esta ressintetizará a primeira molécula de energia, a qual não é tradicional, e sim de trifosfato de guano- sina (GTP) em vez de uma molécula de ATP. Na molécula de GTP, a única modificação existente se refere à base nitrogenada, que não é a adenosina do ATP, mas uma base nitrogenada guanina. Assim, ela se trata da primeira reação que gera energia direta no ciclo do ácido cítrico, mediada pela enzima succinil-CoA sintetase. O succinato é prontamente oxidado pela enzima succinato desidrogenase, e o FAD participa dessa reação como coenzima, transformando-se em FADH2 após ser reduzido. Essa coenzima reduzida também terá um papel importante na cadeia de transporte de elétrons, gerando energia. Nesta etapa, o fumarato será hidratado, recebendo um grupo hidroxila (OH-) — tal reação é mediada pela enzima fumarase, que converterá o fu- marato em malato. Já nesta etapa, catalisada pela enzima malato desidrogenase, a oxidação do malato gerará oxaloacetato e voltará ao começo do ciclo do ácido cítrico. Nesse processo, outra coenzima de NAD+ é reduzida a NADH. Na Figura 2, você pode observar o ciclo do ácido cítrico em detalhes. Metabolismo aeróbico8 Figura 2. Ciclo do ácido cítrico, também conhecido como ciclo de Krebs. Fonte: Voet, Voet e Pratt (2014, p. 790). Cada molécula de acetil-CoA que passar pelo ciclo do ácido cítrico terá um saldo de produção de uma molécula de GTP, três NADH e um FADH2. Considera-se a criação de um GTP como o saldo energético de um ATP. Já as coenzimas reduzidas necessitarão passar pela cadeia de transporte de elétrons para que possam participar da criação de novas moléculas de ATP. 9Metabolismo aeróbico Exercício aeróbico e enzimas do ciclo do ácido cítrico A prática de exercício aeróbico cronicamente traz diversos benefícios ao organismo, como redução da gordura corporal, diminuição da frequência cardíaca em repouso, controle da pressão arterial e aumento da sensibilidade à insulina. Porém, outros mecanismos relacionados à maneira como a energia é produzida e à preferência dos substratos que serão armazenadose utilizados também se alteram. O exercício aeróbico prolongado, executado de maneira crônica, demonstrou aumentar as concentrações de enzimas participantes do ciclo do ácido cítrico em até duas vezes, bem como o processo de fornecimento de energia de forma aeróbica. Além disso, as mitocôndrias apresentaram aumento do seu tamanho e número, o que confere uma melhor capacidade de gerar energia em suas cristas, nas quais se encontram as proteínas necessárias para a ressíntese do ATP (HOLLOSZY, 1975). O ciclo do ácido cítrico tem na molécula acetil-CoA seu início, sendo que diversos substratos podem ser convertidos nela para que o fornecimento de energia nunca se cesse. Entre os substratos energéticos com maior potencial de fornecimento de acetil-CoA, há os ácidos graxos. Acompanhe a seguir uma descrição dos processos envolvidos no catabolismo dessas macromoléculas. Produção de energia pela gordura Triglicerídeos A maioria das células do corpo utiliza, preferencialmente, a gordura como fonte de energia, que se encontra armazenada sobretudo no tecido adiposo, em células conhecidas como adipócitos ou, ainda, na musculatura estriada. Seus estoques estão presentes em forma de triglicerídeos, constituídos por três ácidos graxos e uma molécula de glicerol. Por exemplo, um adulto jovem pode apresentar aproximadamente 3.000 kcal de triglicerídeos intramusculares. A aproximação dessa fonte de energia com o seu consumidor direto, que é o músculo, facilita a utilização desse substrato, uma vez que, para a gordura do adipócito chegar até a fi bra muscular, ele deve passar pela corrente sanguínea (McARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Já na célula muscular, os principais estoques de lipídios encontram-se nas fibras tipo I, as quais têm a capacidade de oxidar essa molécula com grandes concentrações de O2 e, a partir disso, produzir grandes quantidades de energia Metabolismo aeróbico10 segundo as necessidades musculares, uma vez que apresentam maiores quan- tidades de mitocôndrias, ou maior teor mitocondrial (McARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Para que aconteça a liberação de energia a partir da molécula de trigli- cerídeo, é necessária sua quebra e a ativação da enzima lipase hormônio sensível. Diversos hormônios influenciarão na disponibilização de ácidos graxos na corrente sanguínea, como adrenalina, noradrenalina, glucagon e hormônio do crescimento (GH), os quais aceleram essa reação química. O início e a manutenção da atividade física são importantes estímulos para aumentar a lipólise, e um dos fatores é o aumento das concentrações séricas dos hormônios. A lipólise (processo de quebra da gordura) também ocorre por outros motivos, como o monofosfato cíclico de adenosina 3’5’ (AMP-cíclico), um mediador intracelular que estimula a ativação da lipase, enzima que induz a quebra dos triglicerídeos. A ação dessa enzima é influenciada pelos altos níveis de lactato, cetonas e insulina circulante na corrente sanguínea, sendo todos esses fatores que diminuem a lipólise (McARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Durante o processo de lipólise, os elementos que constituem os triglicerídeos são separados, liberando ácidos graxos e glicerol na corrente sanguínea. Os ácidos participaram ativamente na produção de energia por meio da beta- -oxidação; já o glicerol segue outros caminhos, sendo convertido em glicose no fígado. Glicerol A molécula de glicerol é transformada pela gliceroquinase em um composto de glicerol-3-fosfato, o qual, posteriormente, se reduz por meio de uma molécula de NAD+, gerando um composto de di-hidroxiacetona fosfato. A di-hidroxiacetona entra especifi camente em uma das reações da glicólise anaeróbica e, a partir disso, toma o mesmo caminho que a quebra da gli- cose anaeróbica, sendo convertida em piruvato e acetil-CoA (McARDLE; KATCH; KATCH, 2016). Ácidos graxos Os ácidos graxos são compostos de hidrocarbonetos de grande tamanho, possuindo elevada energia. Devido à sua natureza apolar, eles se ligam às proteínas para poder trafegar na corrente sanguínea, sendo a albu- mina uma das principais. Quando sua molécula chegar à célula muscular, 11Metabolismo aeróbico por exemplo, que esteja em atividade, eles têm que passar por proteínas transportadoras, contidas na membrana dessa célula, entre elas, as fat acid binding protein (FABPpm) e a fat acid translocase (FAT/CD-36). Ao entrar na célula, o ácido graxo sofrerá uma acilação, ganhando um grupo acil-CoA, cujo processo é mediado pela enzima acil-CoA sintetase e dá origem ao composto acil-CoA graxo. Se a molécula de ácido graxo possuir 16 carbonos, o acil-CoA graxo produzido terá o mesmo número de carbonos (NELSON; COX, 2014). Para entrar na mitocôndria, o acil-CoA graxo passará por uma proteína transportadora de membrana, a carnitina palmitoil transferase I (CPT I), perdendo seu grupo acil-CoA. O ácido graxo, já dentro do espaço intermem- branas da mitocôndria, será ligado à carnitina, formando a acilcarnitina. A acilcarnitina passará pelo processo inverso na proteína de membrana interna, a CPT II, em que perderá a ligação com a carnitina, que retorna ao espaço intermembranas. Na membrana interna, já em sua matriz mito- condrial, o ácido graxo sofrerá ação da enzima carnitina-aciltransferase II, recebendo novamente um grupamento CoA, tornando-se acil-CoA graxo. Esse processo se chama ciclo da carnitina, pois ela permanece no meio intermembranas, fazendo a transferência dos ácidos graxos (NELSON; COX, 2014). Beta-oxidação A importância da beta-oxidação é a produção de acetil-CoA, utilizado no ciclo do ácido cítrico. No ácido graxo saturado, ela tem quatro passos básicos, sendo que, no fi nal, se produz uma acetil-CoA, reduzindo o tamanho da célula original em dois carbonos. Por exemplo, um ácido graxo de 16 carbonos, ao fi nal de cada ciclo perderá dois carbonos na forma de acetil-CoA, sendo assim, serão necessárias sete reações para que essa molécula seja completamente oxidada, uma vez que a última gera duas moléculas de acetil-CoA. Na Figura 3, estão ilustrados os passos necessários para a produção de um acetil-CoA por meio de um ácido graxo de 16 carbonos, o palmitoil. Durante cada processo da beta-oxidação, duas coenzimas são reduzidas a cada ciclo (NAD+ e FAD), se no exemplo anterior a molécula de palmitoil passou por sete ciclos até ser reduzida completamente, ela terá gerado oito acetil-CoA e 14 coenzimas reduzidas (7 NADH e 7 FADH2). Metabolismo aeróbico12 Figura 3. Processo de beta-oxidação de ácidos graxos. O metabolismo dos ácidos graxos passa pelo ciclo da beta-oxidação, no qual são necessárias quatro etapas para que uma acetil-CoA seja produzida. Durante cada ciclo, são reduzidas as coenzimas FAD e NAD+, que cederão seus elétrons para a ressíntese de ATP na cadeia de transporte de elétrons. Fonte: Nelson e Cox (2014, p. 673). 13Metabolismo aeróbico Como já observado, o processo de beta-oxidação é muito vantajoso quanto à produção de energia, uma vez que moléculas grandes como os ácidos graxos geram grandes quantidades de acetil-CoA e de coenzimas reduzidas. A acetil- -CoA migra para o ciclo do ácido cítrico, no qual passa por mais processos de redução, gerando outras coenzimas reduzidas e ATP. Essas enzimas reduzidas têm grande importância no processo de geração de energia por meio da cadeia de transporte de elétrons. A prática de atividade física é um excelente exemplo de como se utiliza e se otimiza a maquinaria do metabolismo aeróbico. Já os processos bioquímicos de produção de energia pela oxidação do carboidrato na presença de O2 são um componente importante para atividades de longa duração. É comum encontrar afirmações como “a gordura queima na chama do carboidrato”, o piruvato, um fruto da oxidação da glicose, se converte em um dos principais metabólitos para dar início ao ciclo do ácido cítrico, a acetil-CoA, mas ele pode se converter em outros metabólitos. O piruvato se converte, ainda, em oxaloacetato, que, por sua vez, junta-se à acetil-CoApara formar o citrato, dando continuidade ao ciclo do ácido cítrico, que recebe esse nome devido à formação do citrato. Em condições de privação de carboidratos, como dietas restritivas ou exer- cícios intensos e prolongados, em que há esgotamento dos estoques de carboidratos, o oxaloacetato se converte em piruvato e, em seguida, na glicose, em um processo chamado gliconeogênese, porém, seu desvio faz a formação de citrato por meio da junção com acetil-CoA ser impedida, o que reduz a oferta de energia. Nesse sentido, ter grandes quantidades de acetil-CoA provenientes da beta-oxidação não ajudará na produção de energia, uma vez que o oxaloacetato está sendo desviado do ciclo do ácido cítrico, a quantidade extra estimulará a produção de corpos cetônicos. Assim, “a gordura queima na chama do carboidrato”, porque é necessário um suprimento contínuo de carboidratos para que o oxaloacetato não seja desviado. Cadeia de transporte de elétrons Ao fi nal do percurso sobre a geração de energia de maneira aeróbica, deve-se tratar do importante processo proveniente deste complexo proteico. A cadeia de transporte de elétrons localiza-se na crista interna das mitocôndrias e é composta de quatro proteínas responsáveis pelo fenômeno da fosforilação oxidativa, em que há transferência de elétrons nas coenzimas reduzidas NADH e FADH2, que fi nalmente são passadas ao O2, após oxidarem as proteínas da crista. Tem-se uma quinta proteína, a qual será responsável por utilizar a Metabolismo aeróbico14 diferença gerada entre os gradientes de íons H+ no espaço intermembranas e a matriz mitocondrial para ressintetizar o ADP em ATP, chamada de ATP sintase. Veja uma breve descrição das proteínas que compõem o complexo da cadeia de transporte de elétrons. Complexo I: proteína integral que permitirá a oxidação das moléculas de NADH. O próton de hidrogênio perdido pelo NADH será mandado para o espaço intermembranas da mitocôndria, o que ajuda a gerar a diferença de gradiente. Complexo II: proteína que não atravessa a membrana e não transporta hidrogênios da matriz ao meio intermembrana. Ele reduz a ubiquinona devido à ação do FADH2, a qual tem um papel importante em reduzir a proteína do complexo III. Complexo III: proteína integral que permitirá a oxidação da ubiquinona (molécula responsável por roubar elétrons do complexo I e II [oxidar]). Essa oxidação fará o complexo ser reduzido, ativando-o, o que acarreta no transporte de prótons ao espaço intermembranas da mitocôndria. Complexo IV: proteína integral que oxidará o citocromo C, reduzindo- -se. Sua forma reduzida também bombeia prótons para o espaço in- termembrana. Já o potencial de energia gerado pela transposição de elétrons por meio dos complexos de proteínas I, II, III e IV será pa- rado por uma molécula de O2, que, ao roubar o elétron da cadeia de transporte, se transforma em H2O e permite que novos elétrons ativem novamente as proteínas para que bombeiem mais íons de H+ para o espaço intermembranas. Proteína ATP sintase: a diferença de gradiente entre a quantidade de prótons no espaço intermembrana e a matriz da mitocôndria estimulará a ativação dessa proteína, que é a única que transportará os íons de H+ do espaço intermembrana para dentro da matriz mitocondrial. Na passagem desse íon, o complexo inteiro muda de conformação, fazendo as moléculas de ADP e fosfato inorgânico que estão aderidas a ele se juntarem, formando uma nova molécula de ATP. Neste processo, o elétron possui papel chave na ativação das proteínas de membrana, sendo transportado desde o primeiro complexo proteico até o quarto. Sua passagem pelos complexos proteicos os ativa, fazendo os íons de H+ serem bombeados para o espaço intermembrana. Já a ação da coenzima q (ubiquinona) e da proteína citocromo C também é importante, pois carregam- -no, sendo finalmente utilizado para reduzir o O2 em H2O. 15Metabolismo aeróbico Nota-se, ainda, que o FADH2 entra a partir do segundo complexo proteico, não participando do primeiro, por isso, cada coenzima dele produzirá somente dois ATP, já as coenzimas de NADH farão três ATP por atuarem desde o primeiro complexo. O segundo complexo proteico, por não ser uma proteína integral de membrana, não bombeará íons de H+ para o meio intermembranas, não sendo contabilizado no saldo final de ATP gerados pela enzima ATP sintase. Assista a um vídeo que apresenta uma ilustração de como se comporta a cadeia de transporte de elétrons e todas as suas proteínas envolvidas, disponível no link a seguir (CADEIA..., 2008). https://goo.gl/1A6bEm Saldo final de energia O saldo fi nal de energia leva em consideração não somente a quantidade de ATP (ou GTP no caso do ciclo do ácido cítrico) que é diretamente gerado, como também, devido à cadeia de transporte de elétrons, a de coenzimas reduzidas, para o cálculo fi nal da quantidade de energia criada para a oxidação de cada substrato. Considere o exemplo da oxidação de uma molécula de glicose. Ao longo do processo de transformação da glicose, serão formadas duas moléculas de acetil-CoA, dois ATP e quatro NADH. As duas moléculas de acetil-CoA formarão mais seis NADH, dois FADH2 e dois GTP no ciclo do ácido cítrico, sabendo que cada NADH produz três ATP e cada FADH2 faz dois ATP na cadeia de transporte de elétrons. Assim, tem-se 2 ATP + 10 NADH + 2 FADH2 + 2 GTP. Multiplicando e somando os valores, há a seguinte equação: 2 + (10x3) + (2x2) + 2 = 38 ATP. Logo, a metabolização de uma molécula de glicose de maneira aeróbica gerará 38 ATP. Ao pensar em uma molécula de ácido graxo de 16 carbonos, tem-se a in- formação de que ela gerará oito moléculas de acetil-CoA e passará sete vezes pelo ciclo de reações da beta-oxidação, o que resulta em mais sete NADH e sete FADH2. Elaborando a equação de saldo energético, há: 8 acetil-CoA = Metabolismo aeróbico16 24 NADH + 8 FADH2 + 8 GTP. Já ao somar as coenzimas da beta-oxidação, tem-se: 31 NADH + 15 FADH2 + 8 GTP. Multiplicando-se os valores pela quantidade de ATP que cada coenzima pode gerar, forma-se a seguinte equa- ção: (31x3) + (15x2) + 8 = 131 ATP. Logo, a metabolização completa de uma molécula de ácido graxo de 16 carbonos tem saldo total de 131 ATP. Os exemplos anteriores deixam clara a diferença no balanço energético entre o metabolismo aeróbico de uma molécula de glicose e uma de ácido graxo, mas o processo de beta-oxidação é demorado e complexo, o que confere a ele uma utilização para atividades de baixa intensidade e longas durações. Já o dinamismo na glicólise anaeróbica e sua participação no ciclo do ácido cítrico conferem ao metabolismo da glicose uma maior velocidade de contribuição com o anaeróbico e a contribuição para atividades de longa duração com a glicólise anaeróbica do carboidrato. Um atleta de meia maratona bem treinado consegue terminar o percurso de 21 km em 60 minutos aproximadamente. Durante o início da prova, os sistemas de fornecimento de energia rápida, como ATP intramuscular e fosfocreatina, são prontamente utilizados, assim, o metabolismo dos nutrientes de maneira aeróbica assume a função de ser seu principal fornecedor de energia. O metabolismo de ácidos graxos e carboidrato será a principal fonte de energia para a realização da prova, sendo que o dos ácidos fornecerá a maioria da energia. Aproximando-se do final dos 21 km, as pessoas aumentam a intensidade da corrida, exigindo mais do metabolismo, tanto de forma aeróbica como anaeróbica. Por isso, os atletas que ainda possuírem reservas de carboidrato ao final da prova conseguirão realizar um sprint final, o que pode ser decisivo para a vitória. Assista à palestra do prof. dr. Rômulo Bertuzzi sobre os processos de contribuição dos sistemas energéticos: aspectos conceituais e práticos, disponível no link a seguir (CONTRIBUIÇÃO..., 2018). https://goo.gl/991DKL 17Metabolismo aeróbico O metabolismo aeróbico é certamente o que mais contribui para o forne- cimento de energia ao organismo, participamdele, sobretudo, o carboidrato e os ácidos graxos. Já o metabolismo do carboidrato, em específico da glicose, gera moléculas de piruvato que podem migrar para a mitocôndria, em que se tornam acetil- -CoA e participam do metabolismo aeróbico. Os ácidos graxos também podem migrar para as mitocôndrias na forma de acil-graxo, sendo que sua passagem pelo processo de beta-oxidação resulta em grandes quantidades de acetil-CoA, o que confere ao seu metabolismo muita vantagem de saldo energético sobre o dos carboidratos. Durante o processo de oxidação dos nutrientes, diversas coenzimas (FAD e NAD) são reduzidas. Essas enzimas possuem papel fundamental na geração de energia no processo de fosforilação oxidativa, na cadeia de transporte de elétrons, que é constituída por cinco proteínas, sendo as quatro primeiras responsáveis por criar um gradiente de concentração de íons de H+ elevado no espaço intermembranas da mitocôndria. Essa diferença de gradiente faz a verdadeira usina de fabricação de energia (proteína ATP-ase) converter grandes quantidades de ADP em ATP. 1. Uma molécula de glicose é trans- formada em duas de piruvato, que tomam caminhos diferentes dependendo da intensidade e duração da atividade realizada. Nesse caso, as moléculas de piru- vato migram para a mitocôndria e produzem energia suficiente para a atividade ser desenvolvida a partir da glicólise aeróbica. Quais os processos que ocorrem dentro da mitocôndria responsáveis pela geração de energia? a) Ciclo de Krebs e ciclo de cori. b) Ciclo de Krebs e cadeia respiratória. c) Cadeia respiratória e ciclo da alanina. d) Metabolismo aeróbico glicolítico e lipolítico. e) Ciclo do ácido cítrico e ciclo da alanina. 2. A alimentação é a fonte de todos os substratos energéticos que serão oxi- dados para a produção de energia e a manutenção de outros fatores neces- sários para esse processo, como as co- enzimas. Por exemplo, o metabolismo fermentativo (glicolítico anaeróbico) usa exclusivamente a glicose, prove- niente sobretudo dos carboidratos. Já Metabolismo aeróbico18 no metabolismo aeróbico, quais subs- tratos são utilizados preferencialmente para a produção de energia? a) Glicose tendo os carboidratos como fonte principal. b) Pcr tendo os ácidos graxos como sua fonte principal. c) Ácidos graxos tendo o glicerol como sua fonte principal. d) Glicose tendo as proteinas como sua fonte principal. e) Ácidos graxos tendo os lipídios como sua fonte principal. 3. Diferentes locais da célula serão responsáveis por abrigar processos químicos diversos relacionados à produção de energia. No primeiro local, ocorre a glicólise anaeróbica, a qual passa por aproximadamente 10 reações químicas até chegar ao piruvato. Já no segundo local, acon- tece a glicólise aeróbica, com a quebra da molécula de piruvato em aproxi- madamente oito processos dentro do ciclo do ácido cítrico. Finalmente, os elétrons de hidrogênio entram na ca- deia respiratória para finalizar com essa produção. Indique em quais lugares da célula acontecem esses processos, na ordem em que foram apresentados. a) No citosol, no citoplasma e na matriz celular. b) No citosol, na matriz celular e na crista mitocondrial. c) Na mitocôndria e no citosol. d) Na mitocôndria, no núcleo ce- lular e no meio extracelular. e) No espaço intracelular e no citosol. 4. O ciclo do ácido cítrico compre- ende oito reações que, entre outras coisas, geram energia e reduzem coenzimas utilizadas na fosforilação oxidativa para a produção de mais energia. Com relação ao saldo de substratos passíveis de produzirem energia nesse ciclo, qual a quan- tidade de coenzimas reduzidas e de trifosfato de guanosina (GTP) gerado para cada molécula de acetilcoenzima A (acetil-CoA) meta- bolizada? a) 4 NADH; 2 FADH e 1 GTP. b) 3 NADH; 1 FADH e 1 GTP. c) 3 NADH; 3 FADH e 2 GTP. d) 3 NADH; 1 FADH e 1 GTP. e) 3 NADH; 1 FADH e 2 GTP. 5. A respiração celular é um processo de combustão, no qual é utilizado o oxigênio durante o catabolismo dos nutrientes e que ocorre em específico nas mitocôndrias, conhecidas como as fábricas de energia. Como todo pro- cesso de respiração, existem subpro- dutos da queima de combustíveis (nu- trientes). Com relação ao metabolismo dos ácidos graxos e carboidratos, de maneira aeróbica, quais subprodutos formados no ciclo do ácido cítrico e na cadeia de transporte de elétrons são exalados pela expiração? a) CO2 e H2O. b) CO2 e HCO3. c) HCO3 e H2O. d) O2 e H2O. e) CO2 e O2. 19Metabolismo aeróbico CADEIA transportadora de elétrons. Produção de World Wide Web Instructional Com- mittee. [S. l.]: North Dakota State University, 2008. 1 vídeo (3min50s). Publicado pelo canal Biocistron. Disponível em: . Acesso em: 21 nov. 2018. CONTRIBUIÇÃO dos sistemas energéticos no exercício físico. [S. l.]: Faculdade de Edu- cação Física Unicamp, 2018. 1 vídeo (74min). Palestra ministrada por prof. Dr. Rômulo Bertuzzi. Disponível em: https://goo.gl/991DKL. Acesso em: 21 nov. 2018. HOLLOSZY, J. O. Adaptation of skeletal muscle to endurance exercise. Medicine and science in sports, Philadelphia, v. 7, n. 3, p. 155-164, Oct. 1975. Disponível em: . Acesso em: 21 nov. 2018. LUISI, P. L. The emergence of life: from chemical origins to synthetic biology. 2. ed. United Kingdom: Cambridge University Press, 2016. MARGULIS, L. Symbiosis in cell evolution: life and its environment on the early earth. San Francisco: Freeman, 1981. McARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de Lehninger. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. PADILHA, M. E. et al. Perfil epidemiológico do beribéri notificado de 2006 a 2008 no Estado do Maranhão, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 27, n. 3, p. 449- 459, mar. 2011. Disponível em: . 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