Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

AUDITORIA NO 
SETOR PÚBLICO 
Thiago Oliveira da Silva
Controle, fiscalização 
e auditoria pública
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Listar os objetivos do controle e da fiscalização no setor público.
  Reconhecer as características do controle e da fiscalização no setor 
público. 
  Distinguir controle, fiscalização e auditoria pública.
Introdução
A necessidade de se controlar os gastos governamentais, bem como 
de se oferecer maior transparência sobre a gestão pública, é algo que 
vem crescendo cada vez mais em nossa sociedade. Afinal, é natural que 
a sociedade brasileira busque o aumento do controle e da fiscalização 
sobre o emprego dos recursos na Administração Pública. O tamanho 
do Estado brasileiro impõe dois desafios à nossa sociedade. O primeiro 
desafio é enxugar os gastos, fazendo com que menos recursos sejam 
retirados da sociedade na forma de impostos e taxas. O segundo desafio 
é fazer com que os recursos que são destinados ao Estado brasileiro sejam 
empregados com a máxima eficiência e eficácia. 
Neste capítulo, serão apresentados os processos de controle, fiscali-
zação e auditoria na Administração Pública brasileira. Esses processos se 
fazem importantes porque, quando se trata da Administração Pública, 
os recursos que são gerenciados por entes públicos são de propriedade 
de toda a sociedade. Portanto, quando se trata da denominada coisa pú-
blica, toda gestão deve prezar pela máxima transparência e pelo correto 
emprego dos recursos. 
Historicamente, a Constituição Federal de 1988, juntamente com 
várias leis criadas posteriormente com o intuito de regular a adminis-
tração pública no Brasil, possibilitaram a criação de todo um aparato 
institucional capaz de tornar mais transparentes as ações dos gestores 
públicos para toda a população. Hoje, existem diversas instituições de 
origem pública e privada que auxiliam a população a conhecer um pouco 
mais sobre como ocorre a aplicação dos recursos públicos em todas as 
esferas governamentais. 
Ao longo deste capítulo, você vai verificar como tem sido empregado 
o controle, a fiscalização e a auditoria dos recursos públicos no Brasil. 
Você também vai estudar as principais características de cada um desses 
processos, bem como os seus objetivos.
1 Objetivos do controle e da fiscalização
O controle e a fi scalização compartilham entendimentos, pois as normas 
jurídicas responsáveis por regulamentar cada um deles apresentam uma séria 
de similaridades. Para Carvalho Filho (2011, p. 863), o controle da Adminis-
tração Pública é entendido como “[…] o conjunto de mecanismos jurídicos 
e administrativos por meio dos quais se exerce o poder de fi scalização e de 
revisão da atividade administrativa em qualquer das esferas de Poder”. Di Pietro 
(2007, p. 672) afi rma ainda sobre o controle da Administração Pública que 
“[…] ele é o poder de fi scalização e correção que sobre ela exercem os órgãos 
dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, com o objetivo de garantir 
a conformidade de sua atuação com os princípios que lhe são impostos pelo 
ordenamento jurídico”.
A Lei nº. 13.303, de 30 de junho de 2016, apresenta um capítulo específico 
sobre os objetivos da fiscalização no setor público. Porém, segundo Di Pietro 
(2018, p. 612):
[…] muitas das normas são inúteis porque repetem preceitos que já constam 
da Constituição Federal. O controle externo e interno (realizado pelos órgãos 
responsáveis pela fiscalização contábil, financeira e orçamentária, prevista no 
artigo 70 da Constituição) abrange os aspectos de legitimidade, economicidade 
e eficácia da aplicação dos recursos, sob o ponto de vista contábil, financeiro, 
operacional e patrimonial (art. 85).
É garantido em lei que qualquer cidadão possa efetuar o controle e a fiscali-
zação do setor público. Essa atuação pode ocorrer de duas formas: por meio de 
representação em um Tribunal de Contas (TC) ou entrando em contato direto 
com algum órgão integrante do sistema de controle interno. Essa característica 
de atuação do cidadão foi facilitada com a aprovação da Lei nº. 12.527, de 
18 de novembro de 2011, mais conhecida como Lei de Acesso à Informação. 
Controle, fiscalização e auditoria pública2
Segundo essa Lei, é garantida a qualquer cidadão uma série de informações 
que lhe possibilite fiscalizar a atividade pública (BRASIL, 2011); as principais 
informações são apresentadas na Figura 1. 
Figura 1. Informações que o cidadão pode solicitar a partir da Lei de Acesso à Informação.
Fonte: Adaptada de Brasil (2011).
Dados institucionais dos órgaos e entidades
do Poder Executivo Federal
Dados gerais para o acompanhamento de programas
e ações de órgaos e entidades
Inspeções, auditorias, prestações e tomadas de contas
realizadas pelos órgãos de controle interno e externo
Registros de quaisquer repasses ou transferências
de recursos �nanceiros 
Registros das despesas 
Podemos considerar que o controle e a fiscalização no setor público com-
partilham quatro objetivos principais, descritos a seguir. 
1. Avaliação: avaliar o cumprimento de todas as metas que são previstas 
no Plano Plurianual elaborado pela Administração Pública e a execução 
dos programas e dos orçamentos da União.
2. Comprovação: comprovar a legalidade e avaliar todos os seus resultados. 
Essa comprovação deverá considerar ainda a eficácia e a eficiência da 
gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da 
administração federal e a consequente aplicação de recursos públicos 
por entidades de direito privado.
3. Controlar: exercer o controle dos avais e garantias, bem como das 
operações de crédito e dos direitos e haveres da União.
4. Apoiar: apoiar o controle externo em sua missão institucional.
3Controle, fiscalização e auditoria pública
Esses quatro objetivos auxiliam a proporcionar uma maior transparência 
aos atos dos gestores no setor público. A fiscalização deverá ser realizada, 
segundo Di Pietro (2018, p. 612), “[…] por um representante da Administração, 
especialmente designado, sendo permitida a contratação de terceiros para 
assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição”. 
O controle na Administração Pública pode ainda ocorrer de acordo com a 
natureza do controlador, ou seja, ele poderá ocorrer de acordo com uma das 
três formas abaixo: 
Controle administrativo ou executivo: É o controle da própria Administração 
sobre a atuação de seus agentes;
Controle legislativo ou parlamentar: É o controle do Legislativo sobre os atos 
e agentes do Poder Executivo;
Controle judiciário ou judicial: É o realizado pelo Poder Judiciário quando 
verificada a prática de atos ilegais (DIAS, 2018, p. 783).
O momento em que ele ocorre também pode ajudar a definir o tipo de 
controle. Na Figura 2, é possível observar quais são os três momentos em que 
o controle pode ser notado. 
Figura 2. Momentos em que o controle é realizado. 
Fonte: Adaptada de Dias (2018). 
É o que é realizado antes
mesmo da prática do ato,
portanto exercido antes
de consumar-se a
conduta administrativa
É realizado no momento
em que a conduta
administrativa vai se
desenvolvendo
É o controle realizado
após a prática do ato
com o escopo de 
con�rmá-lo ou corrigi-lo
Controle
concomitante
Controle
prévio
Controle
posterior
Controle, fiscalização e auditoria pública4
O controle da Administração Pública se faz necessário para atender, so-
bretudo, aos anseios da sociedade pela minimização do tamanho do Estado 
brasileiro. Sendo assim, o controle é cobrado pela sociedade, por meio da sua 
participação durante as eleições ou, ainda, na forma de participação popular. 
2 Características principais
Segundo o dicionário Houaiss (HOUAISS; VILLAR, 2001), o termo controle 
deriva da palavra francesa contrerole e indica a prática que tem como fi nalidade 
verifi car a ação dos cobradores de tributos do povo. Ou seja, o surgimento do 
termo em si demonstra a função de fi scalizar a ação dos entesque coletam 
os tributos na sociedade. Com a evolução da sociedade e o passar dos anos, o 
termo controle ganhou um escopo ainda maior. Além disso, ele passou a ser 
acompanhado de outros termos, que indicam práticas que visam a contribuir 
para a função de fi scalizar os entes públicos. Dentre esses novos termos, 
podemos citar como principais a fi scalização e a auditoria. 
Um dos grandes problemas quando a gestão pública é abordada é em 
relação à sua atual organização social. Há uma enorme distância entre os 
administradores públicos e a população como um todo; portanto, eventuais 
desvios de conduta acabam sendo encobertos por práticas corporativistas ou 
pela simples falta de cobrança mais enfática por parte da população. Com o 
desenvolvimento da internet e a sua consequente massificação junto à maior 
parte da população, houve um grande avanço no que tange ao controle e à 
fiscalização dos entes públicos no Brasil. 
O controle e a fiscalização são ferramentas fundamentais para que a socie-
dade se aproxime do Estado. Exemplo disso se dá ao se observar a evolução do 
Estado: partindo de uma forma patriarcal, em que as decisões eram tomadas de 
maneira unilateral, ele passou a ser monitorado pelo cidadão, pela necessidade 
e obrigatoriedade em se dar transparência aos atos governamentais. Meirelles 
(1990, p. 450) diz que controle é a “[…] faculdade de vigilância, orientação e 
correção que um Poder, órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional 
de outro”. Portanto, entende-se que o controle é algo indispensável.
A função do controle foi estruturada no Estado Moderno, quando da consoli-
dação do atendimento ao interesse público. Isso propiciou o estabelecimento de 
condições que constatem e imponham o cumprimento da lei para o atendimento 
do interesse público, com a finalidade de ser evitado o abuso de poder. A 
Figura 3 apresenta as diferentes formas de controle na Administração Pública.
5Controle, fiscalização e auditoria pública
Figura 3. Diferentes tipos de controle na Administração Pública.
Controle
Adm. Pública
Vertical
Horizontal
Societal
O controle vertical, segundo Filgueiras (2011), é aquele que cidadãos exer-
cem sobre os representantes por eles eleitos, para a defesa de seus interesses no 
parlamento brasileiro (Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, Câmara 
de Vereadores). O mecanismo de controle dos cidadãos nessa forma de controle 
é o voto. Os cidadãos (eleitores) exercem controle elegendo ou reelegendo seus 
representantes nas funções públicas. O controle vertical ocorre “[…] por meio 
de eleições razoavelmente livres e justas, os cidadãos podem punir ou premiar 
um mandatário votando a seu favor ou contra ele ou os candidatos que apoie 
na eleição seguinte” (O’DONNEL, 1998, documento on-line). Ele é realizado 
pelos eleitores e, portanto, possui a legitimidade das urnas. 
Segundo Lara (2016, documento on-line), “[…] também são mecanismos de 
controle vertical os plebiscitos, referendos e a ação de grupos de interesse para 
acompanhar ou intervir na agenda pública, inclusive por meio de manifestações 
públicas”. Portanto, os cidadãos possuem diversas formas de exercerem o 
controle na gestão pública. Porém, sabe-se que mecanismos como os plebiscitos 
são caros e complexos, por isso, na prática, eles têm sido pouco utilizados.
Controle, fiscalização e auditoria pública6
Em 2005, ocorreu um grande referendo nacional no Brasil, em que a população foi 
convocada a optar pela proibição ou não da venda de armas de fogo e munição. Na 
ocasião, a maioria da população optou por votar não, ou seja, contra a proibição da 
venda de armas de fogo e munição.
Loureiro et al. (2010) explicam que o controle horizontal é considerado 
aquele praticado pelas instituições que fazem parte da estrutura estatal. Dentre 
os órgãos que se destacam nesse tipo de controle, estão os TCs, criados pelo 
Estado para controlar o próprio Estado. Dentre outras atribuições, eles possuem 
a premissa de fiscalizar a salvaguarda da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei 
Complementar nº. 101, de 04 de maio de 2000). 
O controle horizontal é “[…] implementado pelo próprio Estado, ou seja, 
exercido entre instituições estatais, que não estão em relação de subordinação 
diante daqueles a quem controlam e que têm acesso a recursos equivalentes 
de conhecimento e poder, com o intuito de impedir ou limitar arbitrariedades, 
abusos, irregularidades” (LARA, 2016, documento on-line). Para que o controle 
horizontal seja efetivo, é necessário permitir aos agentes maior autonomia, 
proporcionando também independência e fontes de recursos para que eles 
possam cumprir sua missão.
Por fim, o controle societal é descrito como:
Uma categoria mais recentemente incorporada ao conjunto dos instrumentos 
e processos à disposição dos cidadãos, consiste no exercício direto do controle 
mediante participação nos processos de tomada de decisão (elaboração dos 
orçamentos públicos, dos serviços de saúde, educação e assistência social a 
serem executados), do monitoramento da gestão e de seus resultados, mediante 
participação nos Conselhos Gestores e de Controle Social. Atualmente, ele 
pode ser exercido até mesmo utilizando as páginas de transparência dos órgãos 
públicos na internet (LIMA, 2018, documento on-line) 
Ademais, o controle possui outras especificidades, tendo diversas rami-
ficações, podendo ser tanto interno como externo. Ele é auxiliado por outros 
Poderes nas três esferas governamentais (federal, estadual e municipal). A 
Figura 4 a seguir sintetiza a atuação do controle na Administração Pública.
7Controle, fiscalização e auditoria pública
Figura 4. Estrutura de controle na Administração Pública.
Fonte: Adaptada de Lima (2018).
Controle Externo
Controle Interno do
 Poder Executivo
Congresso Nacional 
Auxílio TCU
Controladoria-Geral
da União - CGU
Assembleias Legislativas
Auxílio TCE
Controladorias-Gerais
dos Estados - CGE
Câmaras Municipais
Auxílio TCE/TCM
Controladorias-Gerais
dos Municípios - CGM
Ministérios Públicos, Políciais Federal e Estadual, Poder Judiciário
Controle Institucional na Administração Pública 
União
Estados
Municípios
Observa-se que as formas de controle abrangem toda a estrutura governa-
mental, além de permearem os Três Poderes (Legislativo, Executivo e Judici-
ário), sendo elencadas desde a União até os municípios brasileiros. Cada uma 
das esferas do poder público possui órgãos de controle interno e externo, que 
visam, acima de tudo, a regular suas atividades. Portanto, os agentes públicos 
devem buscar atuar em harmonia com esses órgãos, para que possam realizar 
seu trabalho da melhor forma possível. 
No que concerne à organização dos controles, a CF/1988 elenca também o 
poder de fiscalização. Para a melhor compreensão, faz-se necessário sintetizar o 
que significa fiscalizar (BRASIL, 1988). Segundo Cruz (2012, p. 95), fiscalizar 
significa “[…] recorrer a técnicas de auditoria, testes de observância e demais 
recursos metodológicos para exercer o mandamento constitucional. Por esse 
e outros motivos, há necessidade de contar com o auxílio técnico do Tribunal 
de Contas”. Na CF/1988, o poder de fiscalização está descrito no art. 70:
Art. 70 A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patri-
monial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à 
legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia 
de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, 
e pelo sistema de controle interno de cada Poder.
Controle, fiscalização e auditoria pública8
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública 
ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, 
bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome 
desta, assuma obrigações de natureza pecuniária (BRASIL, 1988, documento 
on-line).
O controle aplicado à Administração Pública diz respeito ao conjunto de 
mecanismos defiscalização, inspeção e registro exercidos sobre diversas 
questões dos Três Poderes. A função primordial é assegurar que os processos 
realizados dentro do âmbito público sejam realizados com planejamento, 
respeitando atos, normas, leis e princípios preestabelecidos.
Há vários tipos de controles. Entretanto, elencaremos para fins de con-
textualização o controle interno e o controle externo. O controle interno está 
embasado no art. 74 da CF/1988, que dispõe da seguinte redação:
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma 
integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:
I — avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução 
dos programas de governo e dos orçamentos da União;
II — comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e 
eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e 
entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos 
públicos por entidades de direito privado;
III — exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem 
como dos direitos e haveres da União;
IV — apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de 
qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de 
Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legí-
tima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante 
o Tribunal de Contas da União (BRASIL, 1988, documento on-line).
Em suma, o controle interno serve para apoiar e auxiliar no aumento da 
transparência das contas públicas, bem como permite criar mecanismos de 
fiscalização de atos e contratos administrativos celebrados pela Administração 
Pública com a iniciativa privada. Já em relação ao controle externo, o mesmo 
pode ser entendido por meio do disposto no art. 71 da CF/1988, tendo como 
principais incisos os seguintes textos:
O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o 
auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
9Controle, fiscalização e auditoria pública
I — apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, 
mediante parecer prévio, que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar 
de seu recebimento;
II — julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinhei-
ros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as 
fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público federal, e 
as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade 
de que resulte prejuízo ao erário público;
IV — realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Sena-
do Federal, de comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de 
natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas 
unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e 
demais entidades referidas no inciso II;
VI — fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, 
mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a 
Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
VII — prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por 
qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas comissões, sobre a 
fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e 
sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII — aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou ir-
regularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre 
outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário (BRASIL, 
1988, documento on-line);
Na Figura 5, é possível observar como as ações de controle devem ser 
encaminhadas aos órgãos responsáveis. É importante considerar que cada 
órgão tem a sua finalidade. 
A fiscalização está expressa na CF/1988, em seu art. 70:
A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial 
da União e das Entidades da Administração Direta e Indireta, quanto a lega-
lidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de 
receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e 
pelo sistema de controle interno (BRASIL, 1988, documento on-line).
Controle, fiscalização e auditoria pública10
Figura 5. Encaminhamento das ações de controle.
Fonte: Adaptada de Lima (2018).
Melhorias
gerenciais e sanções
administrativas internas
Ministérios
gestores
Controle externo
(sanções administrativas)
Poder
Judiciário
Órgãos
tributários
Corregedoria
sanções
administrativas
internas
Ações
penais
CGU
Senado/
Câmara
TCU
PF
MPF e
MPEs
Advocacia-Geral
da União
Ações
civis
Controle
político
3 Diferenças entre controle, fiscalização e 
auditoria pública
Na administração pública, há uma série de termos que, por seu uso maciço, 
acabam gerando alguma confusão no momento de serem estudados. Visando a 
tornar esse assunto mais fácil de ser entendido, o TCU publicou em seu diário 
eletrônico de 25 de outubro de 2017 um glossário de termos que estão relacio-
nados aos entes públicos (BRASIL, 2017). No Quadro 1, temos a defi nição 
dada por esse documento para os termos controle, fi scalização e auditoria. 
11Controle, fiscalização e auditoria pública
 Fonte: Adaptado de Brasil (2017). 
Controle
Processo conduzido pela estrutura de governança, 
pela administração e por outros profissionais da 
entidade, desenvolvido para proporcionar segurança 
razoável quanto à realização dos objetivos relacionados 
a operações, divulgação e conformidade.
Fiscalização
Poder-dever de vigilância, exame ou verificação atribuído 
por lei a órgão, entidade ou agente público. A fiscalização 
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial 
da União é exercida pelo Congresso Nacional, mediante 
controle externo, com o auxílio do TCU, que utiliza os 
instrumentos de fiscalização previstos no seu Regimento 
Interno para dar cumprimento a essa atribuição.
Auditoria
Processo sistemático de obtenção e avaliação objetiva 
de evidência de auditoria para determinar se as 
informações ou as condições reais de um objeto estão 
de acordo com os critérios aplicáveis (ISSAI 100).
Processo sistemático, documentado e independente 
de se avaliar objetivamente uma situação (ou 
condição) para determinar a extensão na qual os 
critérios aplicáveis são atendidos, obter evidências 
quanto ao atendimento e relatar os resultados da 
avaliação a destinatários predeterminados (NAT).
Instrumento de fiscalização utilizado pelo TCU para 
examinar a legalidade e a legitimidade dos atos de gestão 
dos responsáveis sujeitos à sua jurisdição, quanto ao 
aspecto contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial.
 Quadro 1. Conceitos básicos 
É necessário ressaltar, ainda, que os termos controle, fiscalização e auditoria 
possuem uma definição muito ampla, pois esses mesmos termos são emprega-
dos em outras áreas do conhecimento. Sendo assim, a utilização da terminologia 
e a consequente definição proposta pelo TCU auxiliam no entendimento e no 
emprego correto dos três termos quando tratamos do setor público. 
O termo controle ganha diversos desdobramentos e aplicabilidades dentro 
da gestão pública. Ele pode ser empregado e complementado ainda das formas 
elencadas a seguir.
  Controle de qualidade: termo aplicado e relacionado ao conceito de 
auditoria; define o processo realizado durante o trabalho do processo 
Controle, fiscalização e auditoria pública12
de auditoria. Esse termo abrange, ainda, as atividades de supervisão e 
orientação da equipe, bem como as atividades de controle executadas 
pela própria equipe. 
  Controle administrativo: termo aplicado para compreender o plano de 
organização, bem como todos os métodos e procedimentos que repre-
sentam a eficiência operacional esperada da administração pública. Controles compensatórios: termo utilizado para descrever a existência 
de controles que são necessários para compensar a ineficiência de 
outros controles.
  Controles contábeis: termo empregado para descrever os controles 
contábeis que são necessários para contabilizar o patrimônio das enti-
dades, bem como propiciar a divulgação de demonstrações contábeis 
e financeiras confiáveis e fidedignas à realidade. 
  Controles de detecção: termo utilizado para descrever determinados 
procedimentos que visam a identificar fraudes e falhas nos procedi-
mentos da administração pública. 
  Controles preventivos: termo utilizado para descrever os controles 
existentes que visam a reduzir a probabilidade de ocorrência de riscos 
para a administração pública. 
Os termos elencados acima, apesar de possuírem forte ligação com o 
controle, também são utilizados na fiscalização e auditoria. Em relação à 
auditoria, o TCU (BRASIL, 2017, documento on-line) definiu o termo auditoria 
financeira como “[…] processo sistemático de obter e avaliar objetivamente 
evidência para determinar se as demonstrações financeiras foram elaboradas, 
em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de 
relatório financeiro aplicável”. Apesar de esse termo ter sido definido no 
âmbito do setor público, ele guarda similaridade com a definição de auditoria 
financeira empregada na iniciativa privada. Ou seja, cada vez mais a gestão 
pública tem buscado subsídios de controle na sociedade, em busca de oferecer 
maior transparência em relação aos seus números e atos a todos os cidadãos. 
13Controle, fiscalização e auditoria pública
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, 
5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/consti-
tuicao.htm. Acesso em: 13 fev. 2020.
BRASIL. Lei no. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações 
previsto no inciso XXXIII do art. 5º , no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 
da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei 
nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e 
dá outras providências. Diário Oficial da União, 18 nov. 2011. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 13 fev. 2020.
BRASIL. Tribunal de Contas da União. Portaria-SEGECEX no. 27, de 24 de outubro de 2017. 
Atualiza o documento “Glossário de Termos do Controle Externo”. Boletim do Tribunal 
de Contas da União, v. 31, 2017. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/lumis/portal/file/
fileDownload.jsp?fileId=8A8182A25EC59C0F015F58F31F6504A6. Acesso em: 13 fev. 2020.
CARVALHO FILHO, J. S. Manual de direito administrativo. 24. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2011.
CRUZ, F. Auditoria e controladoria. Florianópolis: UFSC; Brasília: CAPES: UAB, 2012.
DI PIETRO, M. S. Z. Direito administrativo. 20. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2007.
DI PIETRO, M. S. Z. Direito administrativo. 31. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2018.
DIAS, L. R. C. Manual de direito administrativo. São Paulo: Editora Saraiva, 2018.
FILGUEIRAS, F. Corrupção, democracia e legitimidade. Belo Horizonte: Editora Ufmg, 2011.
HOUAISS, A.; VILLAR, M. S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: 
Objetiva, 2001.
LARA, G. D. Políticas públicas ao seu alcance: accountability horizontal e vertical no 
parlamento mineiro. Brasília: Senado Federal, 2016. (Orçamento em Discussão, n. 30). 
Disponível em: https://www12.senado.leg.br/orcamento/documentos/estudos/tipos-
-de-estudos/orcamento-em-discussao/30-2016-politicas-publicas-ao-seu-alcance-
-accountability-horizontal-e-vertical-no-parlamento-mineiro. Acesso em: 13 fev. 2020. 
LIMA, E. C. A. Seminário de controle social na saúde: financiamento do SUS. Brasília: 
Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União, 2018. Seminário. Dispo-
nível em: https://www.cgu.gov.br/sobre/institucional/eventos/anos-anteriores/2018/
controle-social-na-saude/arquivos/piaui_seminario-controle-social_12-04-2018_edil-
son-correia-alves-de-lima.pdf. Acesso em: 13 fev. 2020.
LOUREIRO, M. R. et al. Controles democráticos sobre a administração pública no Brasil: 
Legislativo, Tribunais de Contas, Judiciário e Ministério Público. In: LOUREIRO, M. R.; 
Controle, fiscalização e auditoria pública14
ABRUCIO, F. L.; PACHECO, R. S. V. (org.). Burocracia e política no Brasil: desafios para a 
ordem democrática no século XXI. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010. v. 1.
MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. 17. ed. São Paulo: Malheiros, 1990.
O’DONNELL, G. Accountability horizontal e novas poliarquias. Lua Nova: Revista de 
Cultura e Política, n. 44, p. 27-54, 1998. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_abstract&pid=S0102-64451998000200003&lng=en&nrm=iso&tlng
=pt. Acesso em: 13 fev. 2020.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
15Controle, fiscalização e auditoria pública

Mais conteúdos dessa disciplina