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AUDITORIA NO SETOR PÚBLICO Thiago Oliveira da Silva Controle, fiscalização e auditoria pública Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Listar os objetivos do controle e da fiscalização no setor público. Reconhecer as características do controle e da fiscalização no setor público. Distinguir controle, fiscalização e auditoria pública. Introdução A necessidade de se controlar os gastos governamentais, bem como de se oferecer maior transparência sobre a gestão pública, é algo que vem crescendo cada vez mais em nossa sociedade. Afinal, é natural que a sociedade brasileira busque o aumento do controle e da fiscalização sobre o emprego dos recursos na Administração Pública. O tamanho do Estado brasileiro impõe dois desafios à nossa sociedade. O primeiro desafio é enxugar os gastos, fazendo com que menos recursos sejam retirados da sociedade na forma de impostos e taxas. O segundo desafio é fazer com que os recursos que são destinados ao Estado brasileiro sejam empregados com a máxima eficiência e eficácia. Neste capítulo, serão apresentados os processos de controle, fiscali- zação e auditoria na Administração Pública brasileira. Esses processos se fazem importantes porque, quando se trata da Administração Pública, os recursos que são gerenciados por entes públicos são de propriedade de toda a sociedade. Portanto, quando se trata da denominada coisa pú- blica, toda gestão deve prezar pela máxima transparência e pelo correto emprego dos recursos. Historicamente, a Constituição Federal de 1988, juntamente com várias leis criadas posteriormente com o intuito de regular a adminis- tração pública no Brasil, possibilitaram a criação de todo um aparato institucional capaz de tornar mais transparentes as ações dos gestores públicos para toda a população. Hoje, existem diversas instituições de origem pública e privada que auxiliam a população a conhecer um pouco mais sobre como ocorre a aplicação dos recursos públicos em todas as esferas governamentais. Ao longo deste capítulo, você vai verificar como tem sido empregado o controle, a fiscalização e a auditoria dos recursos públicos no Brasil. Você também vai estudar as principais características de cada um desses processos, bem como os seus objetivos. 1 Objetivos do controle e da fiscalização O controle e a fi scalização compartilham entendimentos, pois as normas jurídicas responsáveis por regulamentar cada um deles apresentam uma séria de similaridades. Para Carvalho Filho (2011, p. 863), o controle da Adminis- tração Pública é entendido como “[…] o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos por meio dos quais se exerce o poder de fi scalização e de revisão da atividade administrativa em qualquer das esferas de Poder”. Di Pietro (2007, p. 672) afi rma ainda sobre o controle da Administração Pública que “[…] ele é o poder de fi scalização e correção que sobre ela exercem os órgãos dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, com o objetivo de garantir a conformidade de sua atuação com os princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico”. A Lei nº. 13.303, de 30 de junho de 2016, apresenta um capítulo específico sobre os objetivos da fiscalização no setor público. Porém, segundo Di Pietro (2018, p. 612): […] muitas das normas são inúteis porque repetem preceitos que já constam da Constituição Federal. O controle externo e interno (realizado pelos órgãos responsáveis pela fiscalização contábil, financeira e orçamentária, prevista no artigo 70 da Constituição) abrange os aspectos de legitimidade, economicidade e eficácia da aplicação dos recursos, sob o ponto de vista contábil, financeiro, operacional e patrimonial (art. 85). É garantido em lei que qualquer cidadão possa efetuar o controle e a fiscali- zação do setor público. Essa atuação pode ocorrer de duas formas: por meio de representação em um Tribunal de Contas (TC) ou entrando em contato direto com algum órgão integrante do sistema de controle interno. Essa característica de atuação do cidadão foi facilitada com a aprovação da Lei nº. 12.527, de 18 de novembro de 2011, mais conhecida como Lei de Acesso à Informação. Controle, fiscalização e auditoria pública2 Segundo essa Lei, é garantida a qualquer cidadão uma série de informações que lhe possibilite fiscalizar a atividade pública (BRASIL, 2011); as principais informações são apresentadas na Figura 1. Figura 1. Informações que o cidadão pode solicitar a partir da Lei de Acesso à Informação. Fonte: Adaptada de Brasil (2011). Dados institucionais dos órgaos e entidades do Poder Executivo Federal Dados gerais para o acompanhamento de programas e ações de órgaos e entidades Inspeções, auditorias, prestações e tomadas de contas realizadas pelos órgãos de controle interno e externo Registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos �nanceiros Registros das despesas Podemos considerar que o controle e a fiscalização no setor público com- partilham quatro objetivos principais, descritos a seguir. 1. Avaliação: avaliar o cumprimento de todas as metas que são previstas no Plano Plurianual elaborado pela Administração Pública e a execução dos programas e dos orçamentos da União. 2. Comprovação: comprovar a legalidade e avaliar todos os seus resultados. Essa comprovação deverá considerar ainda a eficácia e a eficiência da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal e a consequente aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. 3. Controlar: exercer o controle dos avais e garantias, bem como das operações de crédito e dos direitos e haveres da União. 4. Apoiar: apoiar o controle externo em sua missão institucional. 3Controle, fiscalização e auditoria pública Esses quatro objetivos auxiliam a proporcionar uma maior transparência aos atos dos gestores no setor público. A fiscalização deverá ser realizada, segundo Di Pietro (2018, p. 612), “[…] por um representante da Administração, especialmente designado, sendo permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição”. O controle na Administração Pública pode ainda ocorrer de acordo com a natureza do controlador, ou seja, ele poderá ocorrer de acordo com uma das três formas abaixo: Controle administrativo ou executivo: É o controle da própria Administração sobre a atuação de seus agentes; Controle legislativo ou parlamentar: É o controle do Legislativo sobre os atos e agentes do Poder Executivo; Controle judiciário ou judicial: É o realizado pelo Poder Judiciário quando verificada a prática de atos ilegais (DIAS, 2018, p. 783). O momento em que ele ocorre também pode ajudar a definir o tipo de controle. Na Figura 2, é possível observar quais são os três momentos em que o controle pode ser notado. Figura 2. Momentos em que o controle é realizado. Fonte: Adaptada de Dias (2018). É o que é realizado antes mesmo da prática do ato, portanto exercido antes de consumar-se a conduta administrativa É realizado no momento em que a conduta administrativa vai se desenvolvendo É o controle realizado após a prática do ato com o escopo de con�rmá-lo ou corrigi-lo Controle concomitante Controle prévio Controle posterior Controle, fiscalização e auditoria pública4 O controle da Administração Pública se faz necessário para atender, so- bretudo, aos anseios da sociedade pela minimização do tamanho do Estado brasileiro. Sendo assim, o controle é cobrado pela sociedade, por meio da sua participação durante as eleições ou, ainda, na forma de participação popular. 2 Características principais Segundo o dicionário Houaiss (HOUAISS; VILLAR, 2001), o termo controle deriva da palavra francesa contrerole e indica a prática que tem como fi nalidade verifi car a ação dos cobradores de tributos do povo. Ou seja, o surgimento do termo em si demonstra a função de fi scalizar a ação dos entesque coletam os tributos na sociedade. Com a evolução da sociedade e o passar dos anos, o termo controle ganhou um escopo ainda maior. Além disso, ele passou a ser acompanhado de outros termos, que indicam práticas que visam a contribuir para a função de fi scalizar os entes públicos. Dentre esses novos termos, podemos citar como principais a fi scalização e a auditoria. Um dos grandes problemas quando a gestão pública é abordada é em relação à sua atual organização social. Há uma enorme distância entre os administradores públicos e a população como um todo; portanto, eventuais desvios de conduta acabam sendo encobertos por práticas corporativistas ou pela simples falta de cobrança mais enfática por parte da população. Com o desenvolvimento da internet e a sua consequente massificação junto à maior parte da população, houve um grande avanço no que tange ao controle e à fiscalização dos entes públicos no Brasil. O controle e a fiscalização são ferramentas fundamentais para que a socie- dade se aproxime do Estado. Exemplo disso se dá ao se observar a evolução do Estado: partindo de uma forma patriarcal, em que as decisões eram tomadas de maneira unilateral, ele passou a ser monitorado pelo cidadão, pela necessidade e obrigatoriedade em se dar transparência aos atos governamentais. Meirelles (1990, p. 450) diz que controle é a “[…] faculdade de vigilância, orientação e correção que um Poder, órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro”. Portanto, entende-se que o controle é algo indispensável. A função do controle foi estruturada no Estado Moderno, quando da consoli- dação do atendimento ao interesse público. Isso propiciou o estabelecimento de condições que constatem e imponham o cumprimento da lei para o atendimento do interesse público, com a finalidade de ser evitado o abuso de poder. A Figura 3 apresenta as diferentes formas de controle na Administração Pública. 5Controle, fiscalização e auditoria pública Figura 3. Diferentes tipos de controle na Administração Pública. Controle Adm. Pública Vertical Horizontal Societal O controle vertical, segundo Filgueiras (2011), é aquele que cidadãos exer- cem sobre os representantes por eles eleitos, para a defesa de seus interesses no parlamento brasileiro (Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, Câmara de Vereadores). O mecanismo de controle dos cidadãos nessa forma de controle é o voto. Os cidadãos (eleitores) exercem controle elegendo ou reelegendo seus representantes nas funções públicas. O controle vertical ocorre “[…] por meio de eleições razoavelmente livres e justas, os cidadãos podem punir ou premiar um mandatário votando a seu favor ou contra ele ou os candidatos que apoie na eleição seguinte” (O’DONNEL, 1998, documento on-line). Ele é realizado pelos eleitores e, portanto, possui a legitimidade das urnas. Segundo Lara (2016, documento on-line), “[…] também são mecanismos de controle vertical os plebiscitos, referendos e a ação de grupos de interesse para acompanhar ou intervir na agenda pública, inclusive por meio de manifestações públicas”. Portanto, os cidadãos possuem diversas formas de exercerem o controle na gestão pública. Porém, sabe-se que mecanismos como os plebiscitos são caros e complexos, por isso, na prática, eles têm sido pouco utilizados. Controle, fiscalização e auditoria pública6 Em 2005, ocorreu um grande referendo nacional no Brasil, em que a população foi convocada a optar pela proibição ou não da venda de armas de fogo e munição. Na ocasião, a maioria da população optou por votar não, ou seja, contra a proibição da venda de armas de fogo e munição. Loureiro et al. (2010) explicam que o controle horizontal é considerado aquele praticado pelas instituições que fazem parte da estrutura estatal. Dentre os órgãos que se destacam nesse tipo de controle, estão os TCs, criados pelo Estado para controlar o próprio Estado. Dentre outras atribuições, eles possuem a premissa de fiscalizar a salvaguarda da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº. 101, de 04 de maio de 2000). O controle horizontal é “[…] implementado pelo próprio Estado, ou seja, exercido entre instituições estatais, que não estão em relação de subordinação diante daqueles a quem controlam e que têm acesso a recursos equivalentes de conhecimento e poder, com o intuito de impedir ou limitar arbitrariedades, abusos, irregularidades” (LARA, 2016, documento on-line). Para que o controle horizontal seja efetivo, é necessário permitir aos agentes maior autonomia, proporcionando também independência e fontes de recursos para que eles possam cumprir sua missão. Por fim, o controle societal é descrito como: Uma categoria mais recentemente incorporada ao conjunto dos instrumentos e processos à disposição dos cidadãos, consiste no exercício direto do controle mediante participação nos processos de tomada de decisão (elaboração dos orçamentos públicos, dos serviços de saúde, educação e assistência social a serem executados), do monitoramento da gestão e de seus resultados, mediante participação nos Conselhos Gestores e de Controle Social. Atualmente, ele pode ser exercido até mesmo utilizando as páginas de transparência dos órgãos públicos na internet (LIMA, 2018, documento on-line) Ademais, o controle possui outras especificidades, tendo diversas rami- ficações, podendo ser tanto interno como externo. Ele é auxiliado por outros Poderes nas três esferas governamentais (federal, estadual e municipal). A Figura 4 a seguir sintetiza a atuação do controle na Administração Pública. 7Controle, fiscalização e auditoria pública Figura 4. Estrutura de controle na Administração Pública. Fonte: Adaptada de Lima (2018). Controle Externo Controle Interno do Poder Executivo Congresso Nacional Auxílio TCU Controladoria-Geral da União - CGU Assembleias Legislativas Auxílio TCE Controladorias-Gerais dos Estados - CGE Câmaras Municipais Auxílio TCE/TCM Controladorias-Gerais dos Municípios - CGM Ministérios Públicos, Políciais Federal e Estadual, Poder Judiciário Controle Institucional na Administração Pública União Estados Municípios Observa-se que as formas de controle abrangem toda a estrutura governa- mental, além de permearem os Três Poderes (Legislativo, Executivo e Judici- ário), sendo elencadas desde a União até os municípios brasileiros. Cada uma das esferas do poder público possui órgãos de controle interno e externo, que visam, acima de tudo, a regular suas atividades. Portanto, os agentes públicos devem buscar atuar em harmonia com esses órgãos, para que possam realizar seu trabalho da melhor forma possível. No que concerne à organização dos controles, a CF/1988 elenca também o poder de fiscalização. Para a melhor compreensão, faz-se necessário sintetizar o que significa fiscalizar (BRASIL, 1988). Segundo Cruz (2012, p. 95), fiscalizar significa “[…] recorrer a técnicas de auditoria, testes de observância e demais recursos metodológicos para exercer o mandamento constitucional. Por esse e outros motivos, há necessidade de contar com o auxílio técnico do Tribunal de Contas”. Na CF/1988, o poder de fiscalização está descrito no art. 70: Art. 70 A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patri- monial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Controle, fiscalização e auditoria pública8 Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária (BRASIL, 1988, documento on-line). O controle aplicado à Administração Pública diz respeito ao conjunto de mecanismos defiscalização, inspeção e registro exercidos sobre diversas questões dos Três Poderes. A função primordial é assegurar que os processos realizados dentro do âmbito público sejam realizados com planejamento, respeitando atos, normas, leis e princípios preestabelecidos. Há vários tipos de controles. Entretanto, elencaremos para fins de con- textualização o controle interno e o controle externo. O controle interno está embasado no art. 74 da CF/1988, que dispõe da seguinte redação: Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de: I — avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; II — comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; III — exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União; IV — apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. § 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. § 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legí- tima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União (BRASIL, 1988, documento on-line). Em suma, o controle interno serve para apoiar e auxiliar no aumento da transparência das contas públicas, bem como permite criar mecanismos de fiscalização de atos e contratos administrativos celebrados pela Administração Pública com a iniciativa privada. Já em relação ao controle externo, o mesmo pode ser entendido por meio do disposto no art. 71 da CF/1988, tendo como principais incisos os seguintes textos: O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: 9Controle, fiscalização e auditoria pública I — apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio, que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; II — julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinhei- ros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; IV — realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Sena- do Federal, de comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; VI — fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; VII — prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; VIII — aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou ir- regularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário (BRASIL, 1988, documento on-line); Na Figura 5, é possível observar como as ações de controle devem ser encaminhadas aos órgãos responsáveis. É importante considerar que cada órgão tem a sua finalidade. A fiscalização está expressa na CF/1988, em seu art. 70: A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das Entidades da Administração Direta e Indireta, quanto a lega- lidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno (BRASIL, 1988, documento on-line). Controle, fiscalização e auditoria pública10 Figura 5. Encaminhamento das ações de controle. Fonte: Adaptada de Lima (2018). Melhorias gerenciais e sanções administrativas internas Ministérios gestores Controle externo (sanções administrativas) Poder Judiciário Órgãos tributários Corregedoria sanções administrativas internas Ações penais CGU Senado/ Câmara TCU PF MPF e MPEs Advocacia-Geral da União Ações civis Controle político 3 Diferenças entre controle, fiscalização e auditoria pública Na administração pública, há uma série de termos que, por seu uso maciço, acabam gerando alguma confusão no momento de serem estudados. Visando a tornar esse assunto mais fácil de ser entendido, o TCU publicou em seu diário eletrônico de 25 de outubro de 2017 um glossário de termos que estão relacio- nados aos entes públicos (BRASIL, 2017). No Quadro 1, temos a defi nição dada por esse documento para os termos controle, fi scalização e auditoria. 11Controle, fiscalização e auditoria pública Fonte: Adaptado de Brasil (2017). Controle Processo conduzido pela estrutura de governança, pela administração e por outros profissionais da entidade, desenvolvido para proporcionar segurança razoável quanto à realização dos objetivos relacionados a operações, divulgação e conformidade. Fiscalização Poder-dever de vigilância, exame ou verificação atribuído por lei a órgão, entidade ou agente público. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União é exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, com o auxílio do TCU, que utiliza os instrumentos de fiscalização previstos no seu Regimento Interno para dar cumprimento a essa atribuição. Auditoria Processo sistemático de obtenção e avaliação objetiva de evidência de auditoria para determinar se as informações ou as condições reais de um objeto estão de acordo com os critérios aplicáveis (ISSAI 100). Processo sistemático, documentado e independente de se avaliar objetivamente uma situação (ou condição) para determinar a extensão na qual os critérios aplicáveis são atendidos, obter evidências quanto ao atendimento e relatar os resultados da avaliação a destinatários predeterminados (NAT). Instrumento de fiscalização utilizado pelo TCU para examinar a legalidade e a legitimidade dos atos de gestão dos responsáveis sujeitos à sua jurisdição, quanto ao aspecto contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial. Quadro 1. Conceitos básicos É necessário ressaltar, ainda, que os termos controle, fiscalização e auditoria possuem uma definição muito ampla, pois esses mesmos termos são emprega- dos em outras áreas do conhecimento. Sendo assim, a utilização da terminologia e a consequente definição proposta pelo TCU auxiliam no entendimento e no emprego correto dos três termos quando tratamos do setor público. O termo controle ganha diversos desdobramentos e aplicabilidades dentro da gestão pública. Ele pode ser empregado e complementado ainda das formas elencadas a seguir. Controle de qualidade: termo aplicado e relacionado ao conceito de auditoria; define o processo realizado durante o trabalho do processo Controle, fiscalização e auditoria pública12 de auditoria. Esse termo abrange, ainda, as atividades de supervisão e orientação da equipe, bem como as atividades de controle executadas pela própria equipe. Controle administrativo: termo aplicado para compreender o plano de organização, bem como todos os métodos e procedimentos que repre- sentam a eficiência operacional esperada da administração pública. Controles compensatórios: termo utilizado para descrever a existência de controles que são necessários para compensar a ineficiência de outros controles. Controles contábeis: termo empregado para descrever os controles contábeis que são necessários para contabilizar o patrimônio das enti- dades, bem como propiciar a divulgação de demonstrações contábeis e financeiras confiáveis e fidedignas à realidade. Controles de detecção: termo utilizado para descrever determinados procedimentos que visam a identificar fraudes e falhas nos procedi- mentos da administração pública. Controles preventivos: termo utilizado para descrever os controles existentes que visam a reduzir a probabilidade de ocorrência de riscos para a administração pública. Os termos elencados acima, apesar de possuírem forte ligação com o controle, também são utilizados na fiscalização e auditoria. Em relação à auditoria, o TCU (BRASIL, 2017, documento on-line) definiu o termo auditoria financeira como “[…] processo sistemático de obter e avaliar objetivamente evidência para determinar se as demonstrações financeiras foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável”. Apesar de esse termo ter sido definido no âmbito do setor público, ele guarda similaridade com a definição de auditoria financeira empregada na iniciativa privada. Ou seja, cada vez mais a gestão pública tem buscado subsídios de controle na sociedade, em busca de oferecer maior transparência em relação aos seus números e atos a todos os cidadãos. 13Controle, fiscalização e auditoria pública BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/consti- tuicao.htm. Acesso em: 13 fev. 2020. BRASIL. Lei no. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º , no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Diário Oficial da União, 18 nov. 2011. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 13 fev. 2020. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Portaria-SEGECEX no. 27, de 24 de outubro de 2017. Atualiza o documento “Glossário de Termos do Controle Externo”. Boletim do Tribunal de Contas da União, v. 31, 2017. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/lumis/portal/file/ fileDownload.jsp?fileId=8A8182A25EC59C0F015F58F31F6504A6. Acesso em: 13 fev. 2020. CARVALHO FILHO, J. S. Manual de direito administrativo. 24. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011. CRUZ, F. 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