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REDE – Revista Diálogos em Educação ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, julho-dezembro 2023 A REFORMA DO ENSINO MÉDIO NO CONTEXTO DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE-CAMPUS CAMBORIÚ THE REFORM OF HIGH SCHOOL IN THE CONTEXT ON THE CATARINENSE FEDERAL INSTITUTE-CAMBORIÚ CAMPUS LA REFORMA DE LA EDUCACIÓN SECUNDARIA EM EL CONTEXTO DEL INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE-CAMPUS CAMBORIÚ Erton Marotta1 Marcus Vinicius Araújo Vieira2 Júlio César de Souza3 Recebido em: 25 jul. 2023 Aceito em: 04 ago. 2023 Resumo: O presente trabalho traz uma análise do panorama do Ensino Profissional e Tecnológico de Nível Médio no Instituto Federal Catarinense observando a atual situação do campus Camboriú, sua expansão recente, sua potencialidade diante das alterações demográficas em curso e em termos de aprendizagem significativa. Através de uma análise documental exploratória de caráter qualitativo, trazendo resultados de pesquisas produzidas no Brasil e parâmetros de diversos autores, pretende-se provocar e manifestar uma ideia de que a sociedade brasileira obtenha no futuro melhores classificações educacionais e que a educação profissional deve aproveitar a janela de oportunidades aberta com as recentes alterações no Ensino Médio brasileiro. Para este trabalho obteve-se a conclusão que o Instituto Federal Catarinense não aderiu ao novo Ensino Médio, haja vista que de forma evidente em seus projetos pedagógicos, nos cursos ofertados, a formação entregue pela instituição vai além do que está sendo proposto na reforma do Ensino Médio. Palavras-chaves: Instituto Federal Catarinense. Educação Profissional e Tecnológica. Reforma do Ensino Médio. Abstract: The text discuss about the new high school curriculum analyzing the professional and technologic education on the Catarinense Federal Institute in special Camboriú Campus. The article was write based on qualitative and exploratory document analysis, through search results made in Brazil and writed for some authors. Intends to bring to the reader the idea of what Brazilian society to get better education ranking in the future, enjoying or not the opportunity bring for recently modification in the High School. For this text the conclusion was the Catarinense Federal Institute do not used the new law about High School Reform, because this institute already uses in it is pedagogical proposals a better project the the new Law. 1 Especialista em Docência EPT, Especialista em Gestão Pública na EPT pelo Instituto de Federal de Santa Catarina (IFSC). Licenciado em Educação, Bacharel em Administração. E-mail: ertonmarotta@yahoo.com.br 2 Mestrando em Engenharia Nuclear pelo Instituto Militar de Engenharia (IME/EXE/Brasil). Especialista em Gestão Pública na EPT pela IFSC. Bacharel em Engenharia Mecânica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). E-mail: araujovmarcus@gmail.com 3 Doutorando em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestre em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Licenciado em Pedagogia e História (UNIUBE) e pedagogo no IFMG, campus Ipatinga. E-mail: julio.souza@ifmg.edu.br mailto:ertonmarotta@yahoo.com.br mailto:araujovmarcus@gmail.com mailto:julio.souza@ifmg.edu.br REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 Keywords: Catarinense Federal Institute. Professional and Technologic Education. High School Reform. Resumen: El presente trabajo aporta um análisis del panorama de la Educación Professional y Tecnológica de Nivel Medio em el Insituto Federal Catarinense observando la actual situación del campus Camboriú, su reciente expansión, su potencialidad ante los câmbios demográficos em curso y em términos de aprendizaje significativo. A través de un análisis documental exploratório de carácter cualitativo, trayendo resultados de investigaciones producidas en Brasil y parámetros de diversos autores, se pretende provocar y manifestar una idea de que la sociedad brasileña obtenga en el futuro mejores clasificaciones educativas y que la educación profesional debe aprovechar la ventana de oportunidades aberta com los recientes cambios en la Enseñanza Media brasileña. Para este trabajo se obtuvo la conclusión de que el Instituto Federal Catarinense no se ha adherido a la nueva Educación Secundaria, habiendo visto que de forma evidente en sus proyectos pedagógicos, en los cursos ofrecidos, la formación entregada por la institución va más allá de lo que está siendo propuesto en la reforma de la educación secundaria. Palabras clave: Instituto Federal Catarinense. Educación Profesional y Tecnológica. Reforma de la Educación Secundaria. 1. Introdução No Brasil, o ensino profissional se desenvolveu com o passar dos anos, de acordo com as necessidades de ampliação da mão de obra especializada, crescimento econômico entre outros fatores. De acordo com Moraes e Albuquerque (2019), Educação Profissional e Tecnológica (EPT) teve início em 1909, com as Escolas de Aprendizes Artífices de Nilo Peçanha, que tinha como objetivo a especialização de trabalhadores. A EPT teve mudanças ao longo dos anos. Em 1942, passou a outro desenvolvimento com a regulamentação do ensino industrial por Getúlio Vargas e Gustavo Capanema. Entre os anos de 1950 e 1970 foram editadas inúmeras leis e decretos para pôr fim ser fixada a Lei de diretrizes e bases da educação (LDB), que apresentou uma filosofia educacional de caráter mais tecnicista/produtivista. Com o governo militar, a partir do ano de 1978, vieram as reformas educacionais e criação dos Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) (SILVA; ARANTES, 2022). No ano de 1996 foi promulgada uma nova LDB (Lei 9.394), fruto de intensos debates e criação de novas políticas educacionais. Em relação à EPT, tivemos tanto a fragmentação da formação geral e da formação profissional com o decreto 2.208/97, quanto o retorno da integração do Ensino Médio à educação profissional, instituindo o Ensino Médio Integrado (EMI) pelo Decreto 5.154/2004. Posteriormente, tivemos a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs), por meio da Lei 11.892/2008. E por fim, com a promulgação da Lei 13.415 de 2017, tem-se um novo projeto de Reforma de Ensino Médio (Silva; Arantes, 2022). REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 O Instituto Federal Catarinense - IFC é um dos trinta e oito institutos federais criados pela Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008. O IFC foi constituído a partir da integração das Escolas Agrotécnicas Federais de Concórdia, Rio do Sul, Sombrio e dos Colégios Agrícolas de Camboriú e Araquari. Atualmente o IFC conta com 15 campi espalhados pelo estado de Santa Catarina e sua sede administrativa (Reitoria) está localizada na cidade de Blumenau (IFC, 2022). O presente artigo pretende investigar como a reforma do Ensino Médio, concebida pela Lei 13.415 de 2017, aparece nos documentos institucionais do IFC. Tem-se como objetivos específicos observar os documentos de diretrizes para a educação profissional e técnica, analisar as reuniões realizadas pelo IFC, bem como outras reuniões que se façam necessárias para o entendimento da Lei do Novo Ensino Médio e por fim analisar a proposta pedagógica dos cursos ofertados pelo IFC. Para isso realizou-se uma pesquisa nos sites institucionais do IFC e buscou-se as reuniões feitas por especialistas, bem como os projetos pedagógicos dos cursos de Ensino Médio Integrado ofertados pelo IFC. Por fim, comparou-se os currículos ofertados dos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio com as características descritas na lei específica que reformulou o Ensino Médio nacional. A criação dos cursos de Ensino Médio integrado passou pela demanda por qualificação da mão de obra e escolarização da população (IFC,2017). Segundo a legislação vigente (Lei n°. 11.892/2008), os institutos federais deverão ofertar 50% de suas matrículas para os cursos de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional (IFC, 2017). Tendo como diretrizes indutoras a alteração para no mínimo 55% das vagas sejam relativas a matrícula em cursos de Ensino Médio Integrado (CONIF, 2018). Vale ressaltar que os Institutos Federais, tem como concepção a reunião de trabalho-ciência-tecnologia-cultura na busca de soluções para os problemas atuais, e esses aspectos estão em movimento juntamente com a mudança histórica da sociedade (IFC, 2017). Cabe salientar que as expressões de cursos integrados, cursos técnicos integrados ou Ensino Médio Integrado referem-se ao que a LDB denomina de educação profissional técnica de nível médio na forma articulada ao Ensino Médio (CONIF, 2018). A elaboração deste escrito ocorreu a partir das discussões, das leituras e dos estudos coletivos realizados nas aulas da disciplina de Juventudes e reforma do Ensino Médio, do curso de mestrado em Educação, do Instituto Federal Catarinense (IFC/CAMPUS CAMBORIÚ), juntamente do curso de especialização na área de Gestão Pública na Educação Profissional e Tecnológica (EPT), do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC/CERFEAD–PROEN), ampliando a reflexão crítica e a proatividade por meio da relação entre teoria e prática na área. REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 Com base nas pesquisas bibliográficas, refletimos acerca das influências políticas e econômicas na criação da Lei, assim como também abordamos algumas justificativas que levaram à aprovação da mesma e as mudanças que os sistemas de ensino estão sofrendo devido a sua implementação para o ano de 2022, apontando os principais aspectos da efetivação da reforma e a necessidade da remodelação do ensino. A leitura do artigo poderá proporcionar um maior esclarecimento aos professores acerca do novo Ensino Médio e suas implicações no sistema educacional brasileiro, especialmente no cotidiano escolar do Ensino Médio integrado do IFC de Camboriú. 2. Fundamentação Teórica O Conforme aponta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), pode-se verificar que a educação promove qualidade de vida. A importância desse índice se deve ao fato de ele agregar na condução da política pública em favor da qualidade da educação (IDEB, 2022). O IDEB reúne em um indicador os resultados do fluxo escolar e das médias de desempenhos em avaliações, isso torna esse indicador importante já que mede a qualidade da educação (MEC, 2022). Pode-se observar que os institutos federais são casos de sucesso, com isso sendo um dos melhores lugares para se cursar o Ensino Médio. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os institutos federais são órgãos que oferecem conhecimento associado a uma educação tecnológica e profissional. Ou seja, além de aprender as disciplinas das áreas de conhecimento que fazem parte do currículo do Ensino Médio, o aluno tem contato com outras áreas de conhecimento, sejam essas profissionalizantes ou tecnológicas, que o aprimorem para o mercado de trabalho. Tradicionalmente, um instituto federal é visto com bons olhos, tanto por alunos quanto por professores e comunidade, de forma geral. Para se ter uma dimensão da qualidade do ensino aplicada, os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), em 2015, colocaram os institutos federais no mesmo patamar dos países desenvolvidos. Trata-se, portanto, de instituições com receitas de excelência em educação. O Instituto Federal Catarinense oferece à sociedade uma formação a partir de Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio, esta habilitação profissional técnica é destinada a pessoas que tenham concluído o Ensino Fundamental, desde que não tenham concluído o Ensino Médio e não estejam na faixa etária da Educação de Jovens e Adultos (EJA) (IFC, 2017). O IFC campus Camboriú oferece à sociedade brasileira, os cursos de Ensino Médio Integrado com Agropecuária, Controle Ambiental, Hospedagem e Informática. Esse ingresso REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 se dá por meio de realização de prova objetiva de conhecimentos gerais, conforme definido em edital prévio (IFC, 2022). De acordo com Monica Ribeiro da Silva, merece destaque a concepção do Decreto n° 5.154/2004, este decreto permitiu a criação do Ensino Médio Integrado, ofertando assim uma educação profissional juntamente ao Ensino Médio, demonstrando a busca pela educação de qualidade. A viabilidade de oferecer o Ensino Médio Integrado para a sociedade somente pode ser concretizada com a criação dos Institutos Federais, devido a sua razão conceitual, ampliando assim a rede federal de educação, ao qual posteriormente traria também a oferta de cursos de licenciatura e cursos à distância (Da Silva, 2017). Aprovada pela Lei Federal nº 13.415 de 2017, a Reforma do Ensino Médio traz mudanças na estrutura do Ensino Médio no Brasil. Esta Lei Federal tem por objetivo alterar a Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional (LDB 9.394 de 1996), nela foi estabelecida mudanças na estruturação do Ensino Médio brasileiro, uma dessas mudanças está disposta no Artigo 1° da nova lei federal, que versa sobre a ampliação do tempo mínimo do estudante na escola passando dos atuais 800 horas para 1000 horas anuais, além de ofertar as matérias curriculares de várias possibilidades, fazendo com que o estudante faça a sua matrícula nas matérias que ele mais tem vocação (Portal MEC, 2022). Conforme as diretrizes da Lei Federal no artigo 3° e seus parágrafos, versam sobre a Base Nacional Comum Curricular, definindo direitos e objetivos de aprendizagem do Ensino Médio, esses objetivos serão dados conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Educação (Portal MEC, 2022). Há teóricos renomados como Saviani (2017) que, em entrevista concedida ao site Brasil de Fato, questionou a forma como a reforma foi aprovada, afirmando que "é uma reforma que na verdade implica um retorno ao 1990." Porque essa reforma não atende às reais necessidades que o sistema educacional brasileiro precisa, pois não foi implantada democraticamente, como é divulgada pela mídia (Saviani, 2017). Além disso, gestores educacionais levantam o questionamento acerca da autonomia pedagógica dos institutos federais, que foi conquistada a partir da Lei n°11.892, de 29 de dezembro de 2008, e foi reescrita pela redação da Lei n° 12.677, de 2012, que versa: Parágrafo único. As instituições mencionadas nos incisos I, II, III e V do caput possuem natureza jurídica de autarquia, detentoras de autonomia administrativa, patrimonial, financeira, didático-pedagógica e disciplinar § 3o Os Institutos Federais terão autonomia para criar e extinguir cursos, nos limites de sua área de atuação territorial, bem como para registrar diplomas REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 dos cursos por eles oferecidos, mediante autorização do seu Conselho Superior, aplicando-se, no caso da oferta de cursos a distância, a legislação específica Diante desse antagonismo de opiniões, surgiu o interesse de nossa equipe do Programa de Pós-Graduação em Administração Pública da EPT em desenvolver este artigo intitulado Reforma do Ensino Médio no contexto do Instituto Federal de Santa Catarina - Campus Camboriú, com o objetivo de refletir sobre o atual Ensino Médio e sua realidade educacional dos jovens que frequentam o IFC. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), faz um levantamento que é comumente chamado de censo da educação básica, este levantamento revelou que a EPT de nível médio vem apresentando um aumento nos alunos inscritos, este cenário pode ser observado na figura 1 (Moraes; Albuquerque, 2019). Figura 1-Gráfico Matrículasna EPT de nível médio (2007-2018) Fonte: Fonte: Moraes e Albuquerque (2019) Nota-se a partir da figura 1, que não houve crescimento nas matrículas de alunos em curso técnico apenas no período de 2014 até 2016. Essa queda teve motivação por conta de um menor número de matriculados no ensino fundamental, além de um período onde houve uma elevada evasão do Ensino Médio (Censo Escolar, 2019). A estratégia educacional brasileira, vai contrária a utilizada nos países desenvolvidos que são membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), tal como pode-se observar na figura 2 (Moraes; Albuquerque, 2019). REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 Figura 2- Gráfico de Percentual de estudantes matriculados em cursos técnicos nos países da OCDE, por faixa de idade (2017). Fonte: Moraes e Albuquerque (2019) Pode-se inferir da figura 2 que a educação brasileira está contrária a tendência internacional, e quando comparada com a média dos membros da OCDE, o Brasil está muito atrás nos números de alunos matriculados em Ensino Médio profissionalizante. Quando se observa os números de adultos com idade superior a 25 anos, as matrículas de estudantes brasileiros são em torno de 14%, quando comparado com a mesma faixa etária da média da OCDE esse número fica muito atrás dos 71% de estudantes matriculados em curso profissionalizante. Conforme observado por Castioni, Moraes e Passades (2019, p. 123), nenhuma das ações do PRONATEC superou a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Técnica (Rede Federal), iniciada em 2005: Dentre o conjunto de ações contidas no Pronatec (Lei nº 12.513/2011), nenhuma terá maior impacto e perspectiva mais duradoura do que a Expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, com especial destaque para a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Enquanto ações de grande evidência, como a instituição da Bolsa- Formação/Pronatec, perderam fôlego após o fim do governo do Partido dos Trabalhadores, os Institutos Federais fugiram à perspectiva efêmera dos Programas de Governo, consolidando suas institucionalidades no Estado brasileiro e assumindo posição central no desenvolvimento da EPT nacional. O aumento do número de estudantes em Ensino Médio profissionalizante não está diretamente relacionado a certeza da inserção no mercado de trabalho, bem como sua devida remuneração. Para que a melhora na vida desses estudantes aconteça, deve-se ter adequadas REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 políticas de emprego, para que assim esses estudantes tenham a devida incorporação no mercado de trabalho, com isso pode-se inferir que os cursos profissionalizantes podem favorecer uma melhora significativa na vida, mas não garante que essa melhora aconteça (Borges; Campos; Silva, 2015). 3. Procedimentos metodológicos A metodologia é tida como a inclusão de concepções teóricas de abordagem, sendo um conjunto de técnicas que possibilitaram assimilar a realidade e também o potencial criativo do pesquisador (Silva; Almeida; Guindani, 2009). Na escrita do projeto os autores deste trabalho optaram apenas por uma análise documental que se assemelha com a pesquisa bibliográfica. Entende-se a partir de Gil (2002) que a definição de pesquisa bibliográfica, como sendo a leitura, a análise e a interpretação do material impresso. Entre esses materiais impressos, pode-se citar livros, periódicos, imagens, entre outros. O desenvolvimento da análise documental segue os passos da definição da pesquisa bibliográfica, mas vale ressaltar que na pesquisa bibliográfica as fontes são constituídas, sobretudo por material impresso localizado em bibliotecas. Já na pesquisa documental, as fontes são primárias mais diversificadas e dispersas, isto é, dados e informações que ainda não foram tratados científica ou analiticamente. Além de diversos autores sobre determinado assunto, a pesquisa documental recebe um tratamento examinador dos materiais existentes, ou materiais que podem ser reelaborados (Gil, 2002). Para Gil (2002, p. 37), há dificuldade na diferenciação de ambas devido às semelhanças, “nem sempre fica clara a distinção entre a pesquisa bibliográfica e a documental, já que, a rigor, as fontes bibliográficas nada mais são do que documentos impressos para determinado público” (Gil, 2002). Para a análise documental é proposto que se produza ou reelabore conhecimentos, de forma que se crie novas formas para a compreensão dos fenômenos (Silva; Almeida; Guindani, 2009). Na pesquisa documental tem-se o intuito de um processo de investigação, nela são descritos os instrumentos e meios realizados na análise de conteúdo, e de acordo com o período de análise documental aponta-se o percurso das decisões que são tomadas quanto a técnica de manuseio dos documentos, sendo explorado desde a organização até a categorização da análise (Silva; Almeida; Guindani, 2009). Neste artigo utilizou-se de documentos encontrados na plataforma de ensino do IFC, buscou-se em sites as diretrizes do Ensino Médio, além de utilizar como forma de leitura REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 complementar alguns artigos sobre o assunto Reforma do Ensino Médio que foram encontrados na plataforma do Google Acadêmico. Em análise documental é de grande importância que seja feita uma avaliação sobre o contexto histórico no qual o documento foi produzido, deve-se observar também o contexto sócio-político do autor e a quem o documento foi destinado. Deve-se compreender as particularidades de como foi organizado o texto, e o conteúdo do documento (Silva; Almeida; Guindani, 2009). Para este trabalho optou-se por utilizar da estratégia de fontes documentais, com isso não foi feito nenhuma pesquisa de campo, ficou-se restrito apenas a análise de documentos (Silva; Almeida; Guindani, 2009). No quesito confiabilidade é importante que seja assegurada a qualidade da informação transmitida, deve-se verificar a procedência do documento. É importante atentar à relação existente entre o autor e aquilo que ele descreve no texto (Silva; Almeida; Guindani, 2009). Observado todos os pontos de investigação ressaltam-se que a análise de documento é uma dentre as diferentes formas de interpretar o conteúdo de um texto, adota-se formas metodológicas de extrair os significados temáticos, ou seja, relacionar o tema de frequência nas citações, palavras ou ideias medindo o peso relativo atribuído a um determinado assunto (Silva; Almeida; Guindani, 2009). Portanto, tem-se que a pesquisa documental, tem como objetivo proposto a produção de novos conhecimentos, criando assim formas novas de compreender os fenômenos apresentados e como esses fatos ocorrem (Silva; Almeida; Guindani, 2009). 3. Resultados e Discussão Integrando o Ensino Médio com o currículo técnico: explorando a “janela de oportunidade” No contexto das recentes reformas do Ensino Médio, o discurso educacional aponta para a necessidade de oferecer aos alunos diversas rotas de formação, com muitos argumentando que o Brasil é um dos países que oferecem Ensino Médio padrão. A análise das formas pelas quais o trabalho pedagógico se organiza na educação profissional pode fornecer caminhos explicativos da maior proficiência alcançada pelos estudantes do curso técnico integrado comparada à do Ensino Médio propedêutico, demonstrada no estudo (Silva Filho; Moraes, 2017). Essa dimensão de expertise, contextualização e contexto escolar enriquece e fortalece os processos de construção do conhecimento dos alunos. Outro objeto de consenso na organização do trabalho instrucional na educação tecnológica do Ensino Médio é a integração REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 curricular.A consolidação, como princípio da EPT para as escolas do ensino secundário superior, tem por base a Resolução n.º 6/2012 (artigo 6.º), conforme abaixo exposto: I - relação e articulação entre a formação desenvolvida no Ensino Médio e a preparação para o exercício das profissões técnicas, visando à formação integral do estudante; [...] III - trabalho assumido como princípio educativo, tendo sua integração com a ciência, a tecnologia e a cultura como base da proposta político-pedagógica e do desenvolvimento curricular; IV - articulação da Educação Básica com a Educação Profissional e Tecnológica, na perspectiva da integração entre saberes específicos para a produção do conhecimento e a intervenção social, assumindo a pesquisa como princípio pedagógico; V - Indissociabilidade entre educação e prática social, considerando-se a historicidade dos conhecimentos e dos sujeitos da aprendizagem; VI - indissociabilidade entre teoria e prática no processo de ensino- aprendizagem; VII - interdisciplinaridade assegurada no currículo e na prática pedagógica, visando à superação da fragmentação de conhecimentos e de segmentação da organização curricular; [...] IX - articulação com o desenvolvimento socioeconômico-ambiental dos territórios onde os cursos ocorrem, devendo observar os arranjos socioprodutivos e suas demandas locais, tanto no meio urbano quanto no campo; [...] (BRASIL, 2012b, p. 2-3). O Parecer nº 11/2012 também apoia a priorização da integração entre educação básica e EPT: A escolha por um determinado fazer deve ser intencionalmente orientada pelo conhecimento científico e tecnológico. Este, por sua vez, não deve ser ensinado de forma desconectada da realidade do mundo do trabalho. Este ensino integrado é a melhor ferramenta que a instituição educacional ofertante de cursos técnicos de nível médio pode colocar à disposição dos trabalhadores para enfrentar os desafios cada vez mais complexos do dia a dia de sua vida profissional e social [...]. (BRASIL, 2012a, p. 11). Essas pré-condições, indispensáveis à EPT, organizam situações de aprendizagens nas quais os objetos de conhecimento estão sempre associados e, portanto, aprendidos com conteúdo de outra natureza, produzindo uma forma "relacionável (ou incorporável) à estrutura cognitiva do aprendiz, de maneira não arbitrária e não literal” (Moreira, 2011, p. 164). Essa forma de organizar as situações de aprendizagem, propondo atividades de ensino REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 que permitam a máxima inter-relação entre diferentes objetos de conhecimento, buscando integrar ao máximo os conteúdos, acaba por incrementar a sua significância, atribuindo mais significado à aprendizagem. Nesses termos, como as atividades de “ensino tem que ajudar a estabelecer tantos vínculos essenciais e não-arbitrários entre os novos conteúdos e os conhecimentos prévios quanto permita a situação” (Zabala, 1998, p. 38), as condições específicas da educação profissional são as potencialmente ideais para que a aprendizagem significativa se realize. De acordo com a Constituição federal de 1988, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9.394/1996) e Lei de criação dos Institutos Federais (11.892/2008), as instituições de ensino têm autonomia institucional na construção dos projetos pedagógicos de cursos (IFSC, 2022). Na data de 01 de abril de 2019, protocolou-se a resolução n° 16/2019-CONSUPER (11.01.18.67), nesta resolução pode-se constatar a aprovação das Diretrizes para a Educação Profissional Técnica Integrada ao Ensino Médio do Instituto Federal Catarinense. Esta resolução é o que tem de mais atual das diretrizes curriculares do IFC, nela pode-se constatar que o instituto não será incluído na lista de instituições que aderiram ao “novo Ensino Médio”, haja vista que as diretrizes curriculares são contrárias ao disposto na Lei 13.415/2017 (Consuper, 2019). No V Seminário da Educação Profissional Técnica Integrada ao Ensino Médio do Instituto Federal Catarinense (IFC), a Professora Sônia Regina de Souza Fernandes que à época exercia o cargo de Pró-reitora, externou aos participantes que o IFC quando se trata de reforma do ensino médio, não apenas já contemplava como ia além das premissas dessa legislação, e portanto, não estaria sendo incluído nos parâmetros da reforma, essa foi a justificativa para que o instituto federal não tenha observado a necessidade em aderir ao novo ensino médio já que sua documentação estava em conformidade com o que estabeleceu a lei. A tabela 1 nos mostra informações relevantes quanto às diferenças da carga horária do Ensino Médio Integrado do IFC e da Lei Federal n° 13.415/2017 (Novo Ensino Médio). As informações da tabela 1 foram retiradas dos planos pedagógicos dos cursos que o IFC oferece, e as informações do novo ensino médio foram retirados da sua própria lei. REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 Fonte: PPC Agropecuária (2020); PPC Controle Ambiental (2019); PPC Hospedagem (2019); PPC Informática (2019) e Portal MEC (2022). Observa-se que no Ensino Médio Integrado do campus Camboriú do IFC, que a instituição tem uma carga horária dos cursos de Ensino Médio integrado maior do que a que será praticada pela legislação do “novo Ensino Médio”, e isto corrobora o que foi dito pela Professora Sônia Regina. O IFC tem uma carga horária mínima de 3300 horas podendo chegar a 3790 horas, essa diferença é devido ao curso técnico escolhido pelo aluno (IFC, 2022). No novo ensino médio pode haver também um acréscimo de até 5% no valor final da carga horária, mas mesmo com esse acréscimo nota-se que o Ensino Médio Integrado ainda assim tem maior carga horária de estudo (MEC, 2022). Quando observado a tabela 1, consegue-se notar que o Ensino Médio Integrado tem mais divisões percentuais do que o novo Ensino Médio, isso é devido ao fato de que no Ensino Médio Integrado o estudante irá ter juntamente com o Ensino Médio regular, uma formação profissional e para essa formação o estudante necessita de horas técnicas. Quando observado as disciplinas, o IFC oferta as seguintes disciplinas: Artes, Biologia, Educação Física, Filosofia, Física, Geografia, História, Matemática, Língua Portuguesa, Línguas Adicionais, Química, Sociologia e específicas de cada curso. Sendo que das disciplinas ofertadas, Português e Matemática se fazem presente em todos os períodos letivos do curso (IFC, 2022). Já o novo ensino médio é basicamente dividido em 60% da carga horária como disciplinas base e 40% como disciplinas do itinerário formativo que é dividido em grupos, sendo eles: Linguagens e suas tecnologias, Matemática e suas tecnologias, Ciências da natureza e suas tecnologias, Ciências humanas e sociais aplicadas, formação técnica e profissional. O itinerário formativo é um caminho que o estudante escolhe traçar a partir do seu perfil de estudo, Tabela 1- Integrado e Novo ensino Médio REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 ou o perfil da profissão ao qual ele quer trilhar. No quesito liberdade de escolha do aluno os sistemas se equivalem (Lei n° 13.415/2017). Com isso quando observamos os conteúdos estabelecidos na Lei do Novo Ensino Médio e os Conteúdos dos PPCs, observa-se que somente a obrigatoriedade da Língua Inglesa teria algum impacto, haja vista que na região da fronteira a Língua Espanhola é tida como obrigatória (CONIF,2018). No Ensino Médio Integrado no IFC faz-se necessário o aluno cursar um estágio obrigatório, isso é benéfico para o aluno já que o mesmo irá vivenciar na prática aquilo que foi estudado (IFC, 2022). Já para o Novo Ensino Médio, não há esta obrigatoriedade de estágio, caso o aluno assim desejar poderá cumprir um estágio (MEC, 2022). Nota-se com base nas informações da tabela 1 que o Ensino Médio Integradodo IFC é mais amplo, quando se trata do quesito carga horária, do que o “novo ensino médio”. Essa amplitude se dá devido ao fato do ensino médio integrado ter um ensino voltado para a especialização do aluno, com isso o aluno consegue obter ao final do curso o grau de titulação técnica, diferente do aluno do novo ensino médio que apenas terá a titulação de conclusão do ensino médio. Os pontos apresentados tanto por especialistas como os números demonstrados no plano pedagógico, bem como o fato da lei não ser citada nos planos pedagógicos fortalecem o fato de não aplicação da nova lei do ensino médio para os alunos do Ensino Médio Integrado do IFC, observa-se que não seria uma aceitação a Lei mas sim o fato de que o instituto já contempla em suas diretrizes o que é sugerido pela Lei. O fato do aluno do novo Ensino Médio escolher sua trilha de estudos, não justifica que isso será um fator determinante para a diminuição da evasão escolar. Notou-se que o ensino profissionalizante pode corroborar para essa diminuição, mas para isso necessitaria de um estudo amplo e este estudo não foi o escopo deste trabalho. Desta forma finaliza-se os resultados e discussões que os autores obtiveram neste trabalho. 3. Considerações finais As reformas também incluem espaços curriculares para o desenvolvimento do programa de vida estudantil, que será um momento desencadeador para refletir sobre as expectativas e entender as possibilidades dentro de um currículo flexível. Perante a situação atual do ensino secundário nacional, deve-se analisar quais os fatores preponderantes para o aumento da evasão e com isso uma possível solução para a diminuição desse problema. REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 Nota-se no presente trabalho que a educação brasileira tem cases de sucesso, tal como o Instituto Federal Catarinense. O fato de colocar à disposição da sociedade brasileira estudantes altamente capacitados para o mercado de trabalho, faz com que a educação brasileira tenha um salto qualitativo. Sabe-se que atualmente os estudantes vivenciam períodos de dificuldade com a atenção, bem como trazem com eles diferentes perfis e que muitas vezes esses perfis trazem consigo dificuldades emocionais como ansiedade e depressão. Um ensino dinâmico como o ensino integrado pode ser a solução para a diminuição da evasão escolar. Outro ponto importante apontado nas pesquisas desse artigo é que o novo Ensino Médio tem dificuldade quanto a sua implantação, e que já há no atual sistema educacional soluções melhores e mais bem apresentadas, essas soluções poderiam ter sido aproveitadas pelos elaboradores da Lei Federal n° 13.415/2017. Notou-se também que não houve uma participação abrangente de especialistas, e isso fez com que pontos importantes não fossem escritos na lei. Conclui-se com este trabalho que o IFC já em seus documentos contempla o que é sugerido em Lei no quesito carga horária mínima anual, por isso, não houve então a necessidade de alteração no documento. Foram elucidados por meio de apontamentos de especialistas a não necessidade de adesão dessa lei, haja vista o instituto fazer uso de um programa de ensino mais abrangente. Como sugestão dos autores deste trabalho, as diretrizes do IFC poderiam ser replicadas em outras escolas para que assim pudesse em um futuro trabalho notar qual o impacto do Ensino Médio Integrado/Profissionalizante na evasão escolar. Com base nas evidências, espera-se que a sociedade brasileira obtenha no futuro melhores classificações educacionais, mas para isso vemos que há uma necessidade de diálogo entre diferentes especialistas educacionais, para então obter pontos comuns de uma reforma que satisfaça a sociedade e os educadores. E principalmente que além de satisfazer esses grupos, que a educação brasileira nos traga estudantes mais capacitados e motivados para gerar a mudança necessária em nosso país. Referências BAPTAGLIN, Leila. 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