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REDE – Revista Diálogos em Educação 
ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, julho-dezembro 2023 
 
A REFORMA DO ENSINO MÉDIO NO CONTEXTO DO INSTITUTO FEDERAL 
CATARINENSE-CAMPUS CAMBORIÚ 
 
THE REFORM OF HIGH SCHOOL IN THE CONTEXT ON THE CATARINENSE 
FEDERAL INSTITUTE-CAMBORIÚ CAMPUS 
 
LA REFORMA DE LA EDUCACIÓN SECUNDARIA EM EL CONTEXTO DEL 
INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE-CAMPUS CAMBORIÚ 
 
Erton Marotta1 
Marcus Vinicius Araújo Vieira2 
Júlio César de Souza3 
 
Recebido em: 25 jul. 2023 
Aceito em: 04 ago. 2023 
 
Resumo: O presente trabalho traz uma análise do panorama do Ensino Profissional e Tecnológico de 
Nível Médio no Instituto Federal Catarinense observando a atual situação do campus Camboriú, sua 
expansão recente, sua potencialidade diante das alterações demográficas em curso e em termos de 
aprendizagem significativa. Através de uma análise documental exploratória de caráter qualitativo, 
trazendo resultados de pesquisas produzidas no Brasil e parâmetros de diversos autores, pretende-se 
provocar e manifestar uma ideia de que a sociedade brasileira obtenha no futuro melhores classificações 
educacionais e que a educação profissional deve aproveitar a janela de oportunidades aberta com as 
recentes alterações no Ensino Médio brasileiro. Para este trabalho obteve-se a conclusão que o Instituto 
Federal Catarinense não aderiu ao novo Ensino Médio, haja vista que de forma evidente em seus projetos 
pedagógicos, nos cursos ofertados, a formação entregue pela instituição vai além do que está sendo 
proposto na reforma do Ensino Médio. 
 
Palavras-chaves: Instituto Federal Catarinense. Educação Profissional e Tecnológica. Reforma do 
Ensino Médio. 
 
Abstract: The text discuss about the new high school curriculum analyzing the professional and 
technologic education on the Catarinense Federal Institute in special Camboriú Campus. The article 
was write based on qualitative and exploratory document analysis, through search results made in Brazil 
and writed for some authors. Intends to bring to the reader the idea of what Brazilian society to get better 
education ranking in the future, enjoying or not the opportunity bring for recently modification in the 
High School. For this text the conclusion was the Catarinense Federal Institute do not used the new law 
about High School Reform, because this institute already uses in it is pedagogical proposals a better 
project the the new Law. 
 
 
1 Especialista em Docência EPT, Especialista em Gestão Pública na EPT pelo Instituto de Federal de Santa 
Catarina (IFSC). Licenciado em Educação, Bacharel em Administração. E-mail: ertonmarotta@yahoo.com.br 
2 Mestrando em Engenharia Nuclear pelo Instituto Militar de Engenharia (IME/EXE/Brasil). Especialista em 
Gestão Pública na EPT pela IFSC. Bacharel em Engenharia Mecânica pela Universidade Tecnológica Federal do 
Paraná (UTFPR). E-mail: araujovmarcus@gmail.com 
3 Doutorando em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestre em História pela 
Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Licenciado em Pedagogia e História (UNIUBE) e pedagogo no 
IFMG, campus Ipatinga. E-mail: julio.souza@ifmg.edu.br 
mailto:ertonmarotta@yahoo.com.br
mailto:araujovmarcus@gmail.com
mailto:julio.souza@ifmg.edu.br
REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 
 
Keywords: Catarinense Federal Institute. Professional and Technologic Education. High School 
Reform. 
 
Resumen: El presente trabajo aporta um análisis del panorama de la Educación Professional y 
Tecnológica de Nivel Medio em el Insituto Federal Catarinense observando la actual situación del 
campus Camboriú, su reciente expansión, su potencialidad ante los câmbios demográficos em curso y 
em términos de aprendizaje significativo. A través de un análisis documental exploratório de carácter 
cualitativo, trayendo resultados de investigaciones producidas en Brasil y parámetros de diversos 
autores, se pretende provocar y manifestar una idea de que la sociedad brasileña obtenga en el futuro 
mejores clasificaciones educativas y que la educación profesional debe aprovechar la ventana de 
oportunidades aberta com los recientes cambios en la Enseñanza Media brasileña. Para este trabajo se 
obtuvo la conclusión de que el Instituto Federal Catarinense no se ha adherido a la nueva Educación 
Secundaria, habiendo visto que de forma evidente en sus proyectos pedagógicos, en los cursos ofrecidos, 
la formación entregada por la institución va más allá de lo que está siendo propuesto en la reforma de la 
educación secundaria. 
 
Palabras clave: Instituto Federal Catarinense. Educación Profesional y Tecnológica. Reforma de la 
Educación Secundaria. 
 
1. Introdução 
No Brasil, o ensino profissional se desenvolveu com o passar dos anos, de acordo com 
as necessidades de ampliação da mão de obra especializada, crescimento econômico entre 
outros fatores. De acordo com Moraes e Albuquerque (2019), Educação Profissional e 
Tecnológica (EPT) teve início em 1909, com as Escolas de Aprendizes Artífices de Nilo 
Peçanha, que tinha como objetivo a especialização de trabalhadores. 
 A EPT teve mudanças ao longo dos anos. Em 1942, passou a outro desenvolvimento 
com a regulamentação do ensino industrial por Getúlio Vargas e Gustavo Capanema. Entre os 
anos de 1950 e 1970 foram editadas inúmeras leis e decretos para pôr fim ser fixada a Lei de 
diretrizes e bases da educação (LDB), que apresentou uma filosofia educacional de caráter mais 
tecnicista/produtivista. Com o governo militar, a partir do ano de 1978, vieram as reformas 
educacionais e criação dos Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) (SILVA; 
ARANTES, 2022). 
No ano de 1996 foi promulgada uma nova LDB (Lei 9.394), fruto de intensos debates e 
criação de novas políticas educacionais. Em relação à EPT, tivemos tanto a fragmentação da 
formação geral e da formação profissional com o decreto 2.208/97, quanto o retorno da 
integração do Ensino Médio à educação profissional, instituindo o Ensino Médio Integrado 
(EMI) pelo Decreto 5.154/2004. Posteriormente, tivemos a criação dos Institutos Federais de 
Educação, Ciência e Tecnologia (IFs), por meio da Lei 11.892/2008. E por fim, com a 
promulgação da Lei 13.415 de 2017, tem-se um novo projeto de Reforma de Ensino Médio 
(Silva; Arantes, 2022). 
REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 
 
O Instituto Federal Catarinense - IFC é um dos trinta e oito institutos federais criados 
pela Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008. O IFC foi constituído a partir da integração das 
Escolas Agrotécnicas Federais de Concórdia, Rio do Sul, Sombrio e dos Colégios Agrícolas de 
Camboriú e Araquari. Atualmente o IFC conta com 15 campi espalhados pelo estado de Santa 
Catarina e sua sede administrativa (Reitoria) está localizada na cidade de Blumenau (IFC, 
2022). 
O presente artigo pretende investigar como a reforma do Ensino Médio, concebida pela 
Lei 13.415 de 2017, aparece nos documentos institucionais do IFC. Tem-se como objetivos 
específicos observar os documentos de diretrizes para a educação profissional e técnica, analisar 
as reuniões realizadas pelo IFC, bem como outras reuniões que se façam necessárias para o 
entendimento da Lei do Novo Ensino Médio e por fim analisar a proposta pedagógica dos 
cursos ofertados pelo IFC. Para isso realizou-se uma pesquisa nos sites institucionais do IFC e 
buscou-se as reuniões feitas por especialistas, bem como os projetos pedagógicos dos cursos de 
Ensino Médio Integrado ofertados pelo IFC. Por fim, comparou-se os currículos ofertados dos 
cursos técnicos integrados ao Ensino Médio com as características descritas na lei específica 
que reformulou o Ensino Médio nacional. 
A criação dos cursos de Ensino Médio integrado passou pela demanda por qualificação 
da mão de obra e escolarização da população (IFC,2017). Segundo a legislação vigente (Lei 
n°. 11.892/2008), os institutos federais deverão ofertar 50% de suas matrículas para os cursos 
de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional (IFC, 2017). Tendo como diretrizes 
indutoras a alteração para no mínimo 55% das vagas sejam relativas a matrícula em cursos de 
Ensino Médio Integrado (CONIF, 2018). Vale ressaltar que os Institutos Federais, tem como 
concepção a reunião de trabalho-ciência-tecnologia-cultura na busca de soluções para os 
problemas atuais, e esses aspectos estão em movimento juntamente com a mudança histórica 
da sociedade (IFC, 2017). 
Cabe salientar que as expressões de cursos integrados, cursos técnicos integrados ou 
Ensino Médio Integrado referem-se ao que a LDB denomina de educação profissional técnica 
de nível médio na forma articulada ao Ensino Médio (CONIF, 2018). 
A elaboração deste escrito ocorreu a partir das discussões, das leituras e dos estudos 
coletivos realizados nas aulas da disciplina de Juventudes e reforma do Ensino Médio, do curso 
de mestrado em Educação, do Instituto Federal Catarinense (IFC/CAMPUS CAMBORIÚ), 
juntamente do curso de especialização na área de Gestão Pública na Educação Profissional e 
Tecnológica (EPT), do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC/CERFEAD–PROEN), 
ampliando a reflexão crítica e a proatividade por meio da relação entre teoria e prática na área. 
REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 
 
Com base nas pesquisas bibliográficas, refletimos acerca das influências políticas e 
econômicas na criação da Lei, assim como também abordamos algumas justificativas que 
levaram à aprovação da mesma e as mudanças que os sistemas de ensino estão sofrendo devido 
a sua implementação para o ano de 2022, apontando os principais aspectos da efetivação da 
reforma e a necessidade da remodelação do ensino. A leitura do artigo poderá proporcionar um 
maior esclarecimento aos professores acerca do novo Ensino Médio e suas implicações no 
sistema educacional brasileiro, especialmente no cotidiano escolar do Ensino Médio integrado 
do IFC de Camboriú. 
 
2. Fundamentação Teórica 
O Conforme aponta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), pode-se 
verificar que a educação promove qualidade de vida. A importância desse índice se deve ao 
fato de ele agregar na condução da política pública em favor da qualidade da educação (IDEB, 
2022). O IDEB reúne em um indicador os resultados do fluxo escolar e das médias de 
desempenhos em avaliações, isso torna esse indicador importante já que mede a qualidade da 
educação (MEC, 2022). 
Pode-se observar que os institutos federais são casos de sucesso, com isso sendo um dos 
melhores lugares para se cursar o Ensino Médio. De acordo com o Ministério da Educação 
(MEC), os institutos federais são órgãos que oferecem conhecimento associado a uma educação 
tecnológica e profissional. Ou seja, além de aprender as disciplinas das áreas de conhecimento 
que fazem parte do currículo do Ensino Médio, o aluno tem contato com outras áreas de 
conhecimento, sejam essas profissionalizantes ou tecnológicas, que o aprimorem para o 
mercado de trabalho. 
Tradicionalmente, um instituto federal é visto com bons olhos, tanto por alunos quanto 
por professores e comunidade, de forma geral. Para se ter uma dimensão da qualidade do ensino 
aplicada, os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), em 2015, 
colocaram os institutos federais no mesmo patamar dos países desenvolvidos. Trata-se, 
portanto, de instituições com receitas de excelência em educação. 
O Instituto Federal Catarinense oferece à sociedade uma formação a partir de Cursos 
Técnicos Integrados ao Ensino Médio, esta habilitação profissional técnica é destinada a 
pessoas que tenham concluído o Ensino Fundamental, desde que não tenham concluído o 
Ensino Médio e não estejam na faixa etária da Educação de Jovens e Adultos (EJA) (IFC, 2017). 
O IFC campus Camboriú oferece à sociedade brasileira, os cursos de Ensino Médio 
Integrado com Agropecuária, Controle Ambiental, Hospedagem e Informática. Esse ingresso 
REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 
 
se dá por meio de realização de prova objetiva de conhecimentos gerais, conforme definido em 
edital prévio (IFC, 2022). 
De acordo com Monica Ribeiro da Silva, merece destaque a concepção do Decreto n° 
5.154/2004, este decreto permitiu a criação do Ensino Médio Integrado, ofertando assim uma 
educação profissional juntamente ao Ensino Médio, demonstrando a busca pela educação de 
qualidade. A viabilidade de oferecer o Ensino Médio Integrado para a sociedade somente pode 
ser concretizada com a criação dos Institutos Federais, devido a sua razão conceitual, ampliando 
assim a rede federal de educação, ao qual posteriormente traria também a oferta de cursos de 
licenciatura e cursos à distância (Da Silva, 2017). 
Aprovada pela Lei Federal nº 13.415 de 2017, a Reforma do Ensino Médio traz 
mudanças na estrutura do Ensino Médio no Brasil. Esta Lei Federal tem por objetivo alterar a 
Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional (LDB 9.394 de 1996), nela foi estabelecida 
mudanças na estruturação do Ensino Médio brasileiro, uma dessas mudanças está disposta no 
Artigo 1° da nova lei federal, que versa sobre a ampliação do tempo mínimo do estudante na 
escola passando dos atuais 800 horas para 1000 horas anuais, além de ofertar as matérias 
curriculares de várias possibilidades, fazendo com que o estudante faça a sua matrícula nas 
matérias que ele mais tem vocação (Portal MEC, 2022). 
Conforme as diretrizes da Lei Federal no artigo 3° e seus parágrafos, versam sobre a 
Base Nacional Comum Curricular, definindo direitos e objetivos de aprendizagem do Ensino 
Médio, esses objetivos serão dados conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Educação 
(Portal MEC, 2022). 
Há teóricos renomados como Saviani (2017) que, em entrevista concedida ao site Brasil 
de Fato, questionou a forma como a reforma foi aprovada, afirmando que "é uma reforma que 
na verdade implica um retorno ao 1990." Porque essa reforma não atende às reais necessidades 
que o sistema educacional brasileiro precisa, pois não foi implantada democraticamente, como 
é divulgada pela mídia (Saviani, 2017). 
Além disso, gestores educacionais levantam o questionamento acerca da autonomia 
pedagógica dos institutos federais, que foi conquistada a partir da Lei n°11.892, de 29 de 
dezembro de 2008, e foi reescrita pela redação da Lei n° 12.677, de 2012, que versa: 
 
Parágrafo único. As instituições mencionadas nos incisos I, II, III e V do caput 
possuem natureza jurídica de autarquia, detentoras de autonomia 
administrativa, patrimonial, financeira, didático-pedagógica e disciplinar 
 
§ 3o Os Institutos Federais terão autonomia para criar e extinguir cursos, nos 
limites de sua área de atuação territorial, bem como para registrar diplomas 
REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 
 
dos cursos por eles oferecidos, mediante autorização do seu Conselho 
Superior, aplicando-se, no caso da oferta de cursos a distância, a legislação 
específica 
 
Diante desse antagonismo de opiniões, surgiu o interesse de nossa equipe do Programa 
de Pós-Graduação em Administração Pública da EPT em desenvolver este artigo intitulado 
Reforma do Ensino Médio no contexto do Instituto Federal de Santa Catarina - Campus 
Camboriú, com o objetivo de refletir sobre o atual Ensino Médio e sua realidade educacional 
dos jovens que frequentam o IFC. 
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), faz 
um levantamento que é comumente chamado de censo da educação básica, este levantamento 
revelou que a EPT de nível médio vem apresentando um aumento nos alunos inscritos, este 
cenário pode ser observado na figura 1 (Moraes; Albuquerque, 2019). 
 
Figura 1-Gráfico Matrículasna EPT de nível médio (2007-2018) 
 
Fonte: Fonte: Moraes e Albuquerque (2019) 
 
Nota-se a partir da figura 1, que não houve crescimento nas matrículas de alunos em 
curso técnico apenas no período de 2014 até 2016. Essa queda teve motivação por conta de um 
menor número de matriculados no ensino fundamental, além de um período onde houve uma 
elevada evasão do Ensino Médio (Censo Escolar, 2019). 
A estratégia educacional brasileira, vai contrária a utilizada nos países desenvolvidos 
que são membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico 
(OCDE), tal como pode-se observar na figura 2 (Moraes; Albuquerque, 2019). 
 
REDE – Revista Diálogos em Educação, ISSN 2675-5742, v. 4, n. 2, 2023 
 
Figura 2- Gráfico de Percentual de estudantes matriculados em cursos técnicos nos países da OCDE, 
por faixa de idade (2017). 
 
Fonte: Moraes e Albuquerque (2019) 
 
Pode-se inferir da figura 2 que a educação brasileira está contrária a tendência 
internacional, e quando comparada com a média dos membros da OCDE, o Brasil está muito 
atrás nos números de alunos matriculados em Ensino Médio profissionalizante. Quando se 
observa os números de adultos com idade superior a 25 anos, as matrículas de estudantes 
brasileiros são em torno de 14%, quando comparado com a mesma faixa etária da média da 
OCDE esse número fica muito atrás dos 71% de estudantes matriculados em curso 
profissionalizante. 
Conforme observado por Castioni, Moraes e Passades (2019, p. 123), nenhuma das 
ações do PRONATEC superou a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, 
Científica e Técnica (Rede Federal), iniciada em 2005: 
 
Dentre o conjunto de ações contidas no Pronatec (Lei nº 12.513/2011), 
nenhuma terá maior impacto e perspectiva mais duradoura do que a Expansão 
da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, com especial 
destaque para a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e 
Tecnologia. Enquanto ações de grande evidência, como a instituição da Bolsa-
Formação/Pronatec, perderam fôlego após o fim do governo do Partido dos 
Trabalhadores, os Institutos Federais fugiram à perspectiva efêmera dos 
Programas de Governo, consolidando suas institucionalidades no Estado 
brasileiro e assumindo posição central no desenvolvimento da EPT nacional. 
 
O aumento do número de estudantes em Ensino Médio profissionalizante não está 
diretamente relacionado a certeza da inserção no mercado de trabalho, bem como sua devida 
remuneração. Para que a melhora na vida desses estudantes aconteça, deve-se ter adequadas 
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políticas de emprego, para que assim esses estudantes tenham a devida incorporação no 
mercado de trabalho, com isso pode-se inferir que os cursos profissionalizantes podem 
favorecer uma melhora significativa na vida, mas não garante que essa melhora aconteça 
(Borges; Campos; Silva, 2015). 
 
3. Procedimentos metodológicos 
A metodologia é tida como a inclusão de concepções teóricas de abordagem, sendo um 
conjunto de técnicas que possibilitaram assimilar a realidade e também o potencial criativo do 
pesquisador (Silva; Almeida; Guindani, 2009). 
Na escrita do projeto os autores deste trabalho optaram apenas por uma análise 
documental que se assemelha com a pesquisa bibliográfica. Entende-se a partir de Gil (2002) 
que a definição de pesquisa bibliográfica, como sendo a leitura, a análise e a interpretação do 
material impresso. Entre esses materiais impressos, pode-se citar livros, periódicos, imagens, 
entre outros. 
O desenvolvimento da análise documental segue os passos da definição da pesquisa 
bibliográfica, mas vale ressaltar que na pesquisa bibliográfica as fontes são constituídas, 
sobretudo por material impresso localizado em bibliotecas. Já na pesquisa documental, as fontes 
são primárias mais diversificadas e dispersas, isto é, dados e informações que ainda não foram 
tratados científica ou analiticamente. Além de diversos autores sobre determinado assunto, a 
pesquisa documental recebe um tratamento examinador dos materiais existentes, ou materiais 
que podem ser reelaborados (Gil, 2002). 
Para Gil (2002, p. 37), há dificuldade na diferenciação de ambas devido às semelhanças, 
“nem sempre fica clara a distinção entre a pesquisa bibliográfica e a documental, já que, a rigor, 
as fontes bibliográficas nada mais são do que documentos impressos para determinado público” 
(Gil, 2002). Para a análise documental é proposto que se produza ou reelabore conhecimentos, 
de forma que se crie novas formas para a compreensão dos fenômenos (Silva; Almeida; 
Guindani, 2009). 
Na pesquisa documental tem-se o intuito de um processo de investigação, nela são 
descritos os instrumentos e meios realizados na análise de conteúdo, e de acordo com o período 
de análise documental aponta-se o percurso das decisões que são tomadas quanto a técnica de 
manuseio dos documentos, sendo explorado desde a organização até a categorização da análise 
(Silva; Almeida; Guindani, 2009). 
Neste artigo utilizou-se de documentos encontrados na plataforma de ensino do IFC, 
buscou-se em sites as diretrizes do Ensino Médio, além de utilizar como forma de leitura 
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complementar alguns artigos sobre o assunto Reforma do Ensino Médio que foram encontrados 
na plataforma do Google Acadêmico. 
Em análise documental é de grande importância que seja feita uma avaliação sobre o 
contexto histórico no qual o documento foi produzido, deve-se observar também o contexto 
sócio-político do autor e a quem o documento foi destinado. Deve-se compreender as 
particularidades de como foi organizado o texto, e o conteúdo do documento (Silva; Almeida; 
Guindani, 2009). 
Para este trabalho optou-se por utilizar da estratégia de fontes documentais, com isso 
não foi feito nenhuma pesquisa de campo, ficou-se restrito apenas a análise de documentos 
(Silva; Almeida; Guindani, 2009). 
No quesito confiabilidade é importante que seja assegurada a qualidade da informação 
transmitida, deve-se verificar a procedência do documento. É importante atentar à relação 
existente entre o autor e aquilo que ele descreve no texto (Silva; Almeida; Guindani, 2009). 
Observado todos os pontos de investigação ressaltam-se que a análise de documento é 
uma dentre as diferentes formas de interpretar o conteúdo de um texto, adota-se formas 
metodológicas de extrair os significados temáticos, ou seja, relacionar o tema de frequência nas 
citações, palavras ou ideias medindo o peso relativo atribuído a um determinado assunto (Silva; 
Almeida; Guindani, 2009). 
Portanto, tem-se que a pesquisa documental, tem como objetivo proposto a produção de 
novos conhecimentos, criando assim formas novas de compreender os fenômenos apresentados 
e como esses fatos ocorrem (Silva; Almeida; Guindani, 2009). 
 
3. Resultados e Discussão 
Integrando o Ensino Médio com o currículo técnico: explorando a “janela de 
oportunidade” No contexto das recentes reformas do Ensino Médio, o discurso educacional 
aponta para a necessidade de oferecer aos alunos diversas rotas de formação, com muitos 
argumentando que o Brasil é um dos países que oferecem Ensino Médio padrão. 
A análise das formas pelas quais o trabalho pedagógico se organiza na educação 
profissional pode fornecer caminhos explicativos da maior proficiência alcançada pelos 
estudantes do curso técnico integrado comparada à do Ensino Médio propedêutico, 
demonstrada no estudo (Silva Filho; Moraes, 2017). 
 Essa dimensão de expertise, contextualização e contexto escolar enriquece e fortalece 
os processos de construção do conhecimento dos alunos. Outro objeto de consenso na 
organização do trabalho instrucional na educação tecnológica do Ensino Médio é a integração 
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curricular.A consolidação, como princípio da EPT para as escolas do ensino secundário 
superior, tem por base a Resolução n.º 6/2012 (artigo 6.º), conforme abaixo exposto: 
 
I - relação e articulação entre a formação desenvolvida no Ensino Médio e a 
preparação para o exercício das profissões técnicas, visando à formação 
integral do estudante; [...] 
III - trabalho assumido como princípio educativo, tendo sua integração com a 
ciência, a tecnologia e a cultura como base da proposta político-pedagógica e 
do desenvolvimento curricular; 
IV - articulação da Educação Básica com a Educação Profissional e 
Tecnológica, na perspectiva da integração entre saberes específicos para a 
produção do conhecimento e a intervenção social, assumindo a pesquisa como 
princípio pedagógico; 
V - Indissociabilidade entre educação e prática social, considerando-se a 
historicidade dos conhecimentos e dos sujeitos da aprendizagem; 
VI - indissociabilidade entre teoria e prática no processo de ensino-
aprendizagem; 
VII - interdisciplinaridade assegurada no currículo e na prática pedagógica, 
visando à superação da fragmentação de conhecimentos e de segmentação da 
organização curricular; [...] 
IX - articulação com o desenvolvimento socioeconômico-ambiental dos 
territórios onde os cursos ocorrem, devendo observar os arranjos 
socioprodutivos e suas demandas locais, tanto no meio urbano quanto no 
campo; [...] (BRASIL, 2012b, p. 2-3). 
 
O Parecer nº 11/2012 também apoia a priorização da integração entre educação 
básica e EPT: 
 
A escolha por um determinado fazer deve ser intencionalmente orientada pelo 
conhecimento científico e tecnológico. Este, por sua vez, não deve ser 
ensinado de forma desconectada da realidade do mundo do trabalho. Este 
ensino integrado é a melhor ferramenta que a instituição educacional ofertante 
de cursos técnicos de nível médio pode colocar à disposição dos trabalhadores 
para enfrentar os desafios cada vez mais complexos do dia a dia de sua vida 
profissional e social [...]. (BRASIL, 2012a, p. 11). 
 
Essas pré-condições, indispensáveis à EPT, organizam situações de aprendizagens nas 
quais os objetos de conhecimento estão sempre associados e, portanto, aprendidos com 
conteúdo de outra natureza, produzindo uma forma "relacionável (ou incorporável) à estrutura 
cognitiva do aprendiz, de maneira não arbitrária e não literal” (Moreira, 2011, p. 164). 
Essa forma de organizar as situações de aprendizagem, propondo atividades de ensino 
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que permitam a máxima inter-relação entre diferentes objetos de conhecimento, buscando 
integrar ao máximo os conteúdos, acaba por incrementar a sua significância, atribuindo mais 
significado à aprendizagem. Nesses termos, como as atividades de “ensino tem que ajudar a 
estabelecer tantos vínculos essenciais e não-arbitrários entre os novos conteúdos e os 
conhecimentos prévios quanto permita a situação” (Zabala, 1998, p. 38), as condições 
específicas da educação profissional são as potencialmente ideais para que a aprendizagem 
significativa se realize. 
De acordo com a Constituição federal de 1988, Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
(LDB 9.394/1996) e Lei de criação dos Institutos Federais (11.892/2008), as instituições de 
ensino têm autonomia institucional na construção dos projetos pedagógicos de cursos (IFSC, 
2022). 
 Na data de 01 de abril de 2019, protocolou-se a resolução n° 16/2019-CONSUPER 
(11.01.18.67), nesta resolução pode-se constatar a aprovação das Diretrizes para a Educação 
Profissional Técnica Integrada ao Ensino Médio do Instituto Federal Catarinense. Esta 
resolução é o que tem de mais atual das diretrizes curriculares do IFC, nela pode-se constatar 
que o instituto não será incluído na lista de instituições que aderiram ao “novo Ensino Médio”, 
haja vista que as diretrizes curriculares são contrárias ao disposto na Lei 13.415/2017 
(Consuper, 2019). 
No V Seminário da Educação Profissional Técnica Integrada ao Ensino Médio do 
Instituto Federal Catarinense (IFC), a Professora Sônia Regina de Souza Fernandes que à 
época exercia o cargo de Pró-reitora, externou aos participantes que o IFC quando se trata de 
reforma do ensino médio, não apenas já contemplava como ia além das premissas dessa 
legislação, e portanto, não estaria sendo incluído nos parâmetros da reforma, essa foi a 
justificativa para que o instituto federal não tenha observado a necessidade em aderir ao novo 
ensino médio já que sua documentação estava em conformidade com o que estabeleceu a lei. 
A tabela 1 nos mostra informações relevantes quanto às diferenças da carga horária do 
Ensino Médio Integrado do IFC e da Lei Federal n° 13.415/2017 (Novo Ensino Médio). As 
informações da tabela 1 foram retiradas dos planos pedagógicos dos cursos que o IFC oferece, 
e as informações do novo ensino médio foram retirados da sua própria lei. 
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Fonte: PPC Agropecuária (2020); PPC Controle Ambiental (2019); PPC Hospedagem (2019); PPC 
Informática (2019) e Portal MEC (2022). 
 
Observa-se que no Ensino Médio Integrado do campus Camboriú do IFC, que a 
instituição tem uma carga horária dos cursos de Ensino Médio integrado maior do que a que 
será praticada pela legislação do “novo Ensino Médio”, e isto corrobora o que foi dito pela 
Professora Sônia Regina. O IFC tem uma carga horária mínima de 3300 horas podendo chegar 
a 3790 horas, essa diferença é devido ao curso técnico escolhido pelo aluno (IFC, 2022). No 
novo ensino médio pode haver também um acréscimo de até 5% no valor final da carga horária, 
mas mesmo com esse acréscimo nota-se que o Ensino Médio Integrado ainda assim tem maior 
carga horária de estudo (MEC, 2022). 
 Quando observado a tabela 1, consegue-se notar que o Ensino Médio Integrado tem 
mais divisões percentuais do que o novo Ensino Médio, isso é devido ao fato de que no Ensino 
Médio Integrado o estudante irá ter juntamente com o Ensino Médio regular, uma formação 
profissional e para essa formação o estudante necessita de horas técnicas. 
Quando observado as disciplinas, o IFC oferta as seguintes disciplinas: Artes, Biologia, 
Educação Física, Filosofia, Física, Geografia, História, Matemática, Língua Portuguesa, 
Línguas Adicionais, Química, Sociologia e específicas de cada curso. Sendo que das disciplinas 
ofertadas, Português e Matemática se fazem presente em todos os períodos letivos do curso 
(IFC, 2022). 
Já o novo ensino médio é basicamente dividido em 60% da carga horária como 
disciplinas base e 40% como disciplinas do itinerário formativo que é dividido em grupos, 
sendo eles: Linguagens e suas tecnologias, Matemática e suas tecnologias, Ciências da natureza 
e suas tecnologias, Ciências humanas e sociais aplicadas, formação técnica e profissional. O 
itinerário formativo é um caminho que o estudante escolhe traçar a partir do seu perfil de estudo, 
Tabela 1- Integrado e Novo ensino Médio 
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ou o perfil da profissão ao qual ele quer trilhar. No quesito liberdade de escolha do aluno os 
sistemas se equivalem (Lei n° 13.415/2017). 
Com isso quando observamos os conteúdos estabelecidos na Lei do Novo Ensino Médio 
e os Conteúdos dos PPCs, observa-se que somente a obrigatoriedade da Língua Inglesa teria 
algum impacto, haja vista que na região da fronteira a Língua Espanhola é tida como obrigatória 
(CONIF,2018). 
No Ensino Médio Integrado no IFC faz-se necessário o aluno cursar um estágio 
obrigatório, isso é benéfico para o aluno já que o mesmo irá vivenciar na prática aquilo que foi 
estudado (IFC, 2022). Já para o Novo Ensino Médio, não há esta obrigatoriedade de estágio, 
caso o aluno assim desejar poderá cumprir um estágio (MEC, 2022). 
Nota-se com base nas informações da tabela 1 que o Ensino Médio Integradodo IFC é 
mais amplo, quando se trata do quesito carga horária, do que o “novo ensino médio”. Essa 
amplitude se dá devido ao fato do ensino médio integrado ter um ensino voltado para a 
especialização do aluno, com isso o aluno consegue obter ao final do curso o grau de titulação 
técnica, diferente do aluno do novo ensino médio que apenas terá a titulação de conclusão do 
ensino médio. 
Os pontos apresentados tanto por especialistas como os números demonstrados no plano 
pedagógico, bem como o fato da lei não ser citada nos planos pedagógicos fortalecem o fato de 
não aplicação da nova lei do ensino médio para os alunos do Ensino Médio Integrado do IFC, 
observa-se que não seria uma aceitação a Lei mas sim o fato de que o instituto já contempla em 
suas diretrizes o que é sugerido pela Lei. O fato do aluno do novo Ensino Médio escolher sua 
trilha de estudos, não justifica que isso será um fator determinante para a diminuição da evasão 
escolar. 
Notou-se que o ensino profissionalizante pode corroborar para essa diminuição, mas 
para isso necessitaria de um estudo amplo e este estudo não foi o escopo deste trabalho. Desta 
forma finaliza-se os resultados e discussões que os autores obtiveram neste trabalho. 
 
3. Considerações finais 
As reformas também incluem espaços curriculares para o desenvolvimento do programa 
de vida estudantil, que será um momento desencadeador para refletir sobre as expectativas e 
entender as possibilidades dentro de um currículo flexível. Perante a situação atual do ensino 
secundário nacional, deve-se analisar quais os fatores preponderantes para o aumento da evasão 
e com isso uma possível solução para a diminuição desse problema. 
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Nota-se no presente trabalho que a educação brasileira tem cases de sucesso, tal como 
o Instituto Federal Catarinense. O fato de colocar à disposição da sociedade brasileira 
estudantes altamente capacitados para o mercado de trabalho, faz com que a educação brasileira 
tenha um salto qualitativo. Sabe-se que atualmente os estudantes vivenciam períodos de 
dificuldade com a atenção, bem como trazem com eles diferentes perfis e que muitas vezes 
esses perfis trazem consigo dificuldades emocionais como ansiedade e depressão. Um ensino 
dinâmico como o ensino integrado pode ser a solução para a diminuição da evasão escolar. 
Outro ponto importante apontado nas pesquisas desse artigo é que o novo Ensino Médio 
tem dificuldade quanto a sua implantação, e que já há no atual sistema educacional soluções 
melhores e mais bem apresentadas, essas soluções poderiam ter sido aproveitadas pelos 
elaboradores da Lei Federal n° 13.415/2017. Notou-se também que não houve uma participação 
abrangente de especialistas, e isso fez com que pontos importantes não fossem escritos na lei. 
Conclui-se com este trabalho que o IFC já em seus documentos contempla o que é 
sugerido em Lei no quesito carga horária mínima anual, por isso, não houve então a necessidade 
de alteração no documento. Foram elucidados por meio de apontamentos de especialistas a não 
necessidade de adesão dessa lei, haja vista o instituto fazer uso de um programa de ensino mais 
abrangente. Como sugestão dos autores deste trabalho, as diretrizes do IFC poderiam ser 
replicadas em outras escolas para que assim pudesse em um futuro trabalho notar qual o impacto 
do Ensino Médio Integrado/Profissionalizante na evasão escolar. 
 Com base nas evidências, espera-se que a sociedade brasileira obtenha no futuro 
melhores classificações educacionais, mas para isso vemos que há uma necessidade de diálogo 
entre diferentes especialistas educacionais, para então obter pontos comuns de uma reforma que 
satisfaça a sociedade e os educadores. E principalmente que além de satisfazer esses grupos, 
que a educação brasileira nos traga estudantes mais capacitados e motivados para gerar a 
mudança necessária em nosso país. 
 
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