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1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Administrativo 
Prof.ª Franciele Kühl 
Prof.ª Maria Valentina de Moraes 
Prof. Matheus De Gregori 
 
1° FASE 36° EXAME 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
2 
 
 
1ª FASE OAB | 36° EXAME DA OAB 
 Direito Administrativo 
 
 
Sumário 
 
1. Organização Administrativa ..................................................................................................... 3 
2. Paraestatais ........................................................................................................................... 12 
3. Princípios da Administração Pública ...................................................................................... 14 
4. Poderes da Administração Pública ........................................................................................ 19 
5. Bens Públicos ........................................................................................................................ 23 
6. Atos Administrativos............................................................................................................... 27 
7. Processo Administrativo ......................................................................................................... 33 
8. Agentes Públicos ................................................................................................................... 38 
9. Improbidade Administrativa .................................................................................................... 51 
10. Lei Anticorrupção ................................................................................................................. 60 
11. Controle da Administração Pública ...................................................................................... 64 
12. Serviços Públicos ................................................................................................................. 69 
13. Responsabilidade Civil do Estado ........................................................................................ 78 
14. Licitações ............................................................................................................................. 84 
15. Contratos Administrativos .................................................................................................. 102 
16. Intervenção do Estado na Ordem Econômica .................................................................... 118 
 
 
 
 
 
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para 
a 1ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, 
recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. 
 
Bons estudos, Equipe Ceisc. 
Atualizado em junho de 2022. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
3 
 
1. Organização Administrativa 
1.1 Organização da Administração Pública 
 
O Estado, uno, indivisível e indelegável, desdobra-se em três funções: legislativa, administrativa 
(ou executiva) e jurisdicional. Essa separação de três Poderes, concebidas por Montesquieu, é 
adotada pela Constituição Federal, mas de forma flexível, isto é, cada um dos Poderes não está 
limitado a exercer as funções que lhe sejam típicas, exercendo também atividades atípicas. A 
Administração Pública é o conjunto de órgãos, agentes e entidades, de qualquer dos três 
poderes, que cumpre a função administrativa. Para isso ela usará de duas técnicas: a 
desconcentração e a descentralização. 
A concentração é o exercício de competência por meio de órgãos públicos, quando não há 
divisões internas. Já na desconcentração existe essa distribuição de tarefas entre mais órgãos 
despersonalizados da administração pública, todos pertencentes a mesma pessoa jurídica. 
Perceba que a transferência ocorre dentro da própria pessoa jurídica, que pressupõe a 
vinculação hierárquica. Exemplos de desconcentração: Delegacias de Polícia, Ministérios da 
União, Secretarias de estado e município, postos de atendimento da Receita Federal, as Casas 
Legislativas, os Tribunais de Justiça, as Subprefeituras e as escolas públicas. 
Órgão são criados e extintos por lei (art. 61, § 1º, inciso II, alínea e, da CF), cuja lei é de 
iniciativa do Presidente da República (na esfera federal). A criação ou extinção não ocorre 
mediante ato administrativo (decreto), que apenas pode ser utilizado para organizar a 
administração pública (art. 84, VI, a, da CF). 
A soma de todos os órgãos e agentes que compõe a entidade federativa (ou pessoa política) 
recebe o nome de Administração Pública Direta OU Centralizada. O ente federado é uma 
pessoa jurídica de direito público interno, segundo o artigo 41, do Código Civil. Quando o Estado 
exerce diretamente suas tarefas, isso quer dizer, por meio de seus órgãos e agentes, 
pertencentes à administração direta, ele está exercendo de forma centralizada. Quando o 
Estado desempenha suas atribuições por meio de outras pessoas com personalidade jurídica, 
pessoas jurídicas autônomas, como por meio de entidade administrativas pertencentes à 
administração indireta, ele exerce suas atividades de forma descentralizada. 
Essa pessoa jurídica autônoma responde judicialmente pelos prejuízos causados pelos seus 
agentes públicos, justamente pelo fato de que ela tem autonomia e não está subordinada 
hierarquicamente à pessoa jurídica da Administração Indireta. Apesar de não estar subordinada 
hierarquicamente, sofre controle externo. 
A Lei nº 9.784/1999, em seu artigo 1º, § 2º, inciso II, conceitua a entidade como unidade de 
atuação dotada de personalidade jurídica própria. O Decreto-lei nº 200/1967, no artigo 6º, refere 
que a descentralização tem natureza jurídica de princípio fundamental da organização 
administrativa. 
Esse conjunto de pessoas jurídicas autônoma recebe o nome de Administração Pública 
Indireta ou Descentralizada. Essa descentralização pode ocorrer de duas formas: 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
4 
 
Outorga (ou descentralização por serviços): ocorre através da criação ou autorização da criação 
de entidades da administração indireta que vão prestar o serviço (geralmente) por prazo 
indeterminado. Aqui ocorre a transferência da titularidade e execução. 
Delegação (ou descentralização por colaboração, ou delegação negocial): transferência por 
contrato (concessão ou permissão de serviço público) ou ato unilateral (autorização) para que 
uma pessoa delegada possa exercer a execução do serviço, sob fiscalização do Estado. Quando 
realizada por contrato, é sempre por tempo determinado. Na delegação, só transfere a execução, 
através da concessão ou da permissão (artigo 11 e 12, do Decreto-lei nº 200/1967). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.2 Criação de entidades administrativas 
 
O artigo 37, inciso XIX, da Constituição Federal explica como será a criação de cada uma dessas 
entidades administrativas da administração indireta, ele refere: “somente por lei específica 
poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de 
economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas 
de sua atuação”. 
1.3 Autarquias 
 
A autarquia desempenha atividade típica de Estado, por tal razão possui as mesmas 
prerrogativas que o Estado. São, portanto, pessoa jurídica de direito público, com autonomia, 
com patrimônio e receita próprios, criada por lei para executar atividades típicas da 
Administração Pública, para seu melhor funcionamento (princípio da especialidade), tem 
gestão administrativa e financeira descentralizada. 
Mesmo não estando expresso na legislação a doutrina e a jurisprudência apresentam espécies 
de autarquia: 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativode que 
decorram efeitos favoráveis para os destinatários DECAI EM CINCO ANOS, contados da data 
em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. 
 
§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida (inclusive instauração 
de processo administrativo) de autoridade administrativa que importe impugnação à 
validade do ato. 
LINDB, art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, 
decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá 
indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas. 
LINDB, art. 22, § 1º. Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, 
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, serão consideradas as circunstâncias 
práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente. 
 
EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
ANULAÇÃO REVOGAÇÃO CASSAÇÃO CADUCIDADE 
 
controle de 
legalidade 
 
controle de mérito 
(conveniência e 
oportunidade) 
beneficiário deixa de 
cumprir os requisitos 
Ato perde 
fundamento legal 
 
administração ou 
judiciário 
 
própria administração mudança nos fatos 
 
mudança na 
legislação 
(ilegalidade 
superveniente) 
ato inválido 
(nulo ou anulável) 
ato válido Causa superveniente 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
33 
 
Retroage 
(ex tunc) 
Não retroage 
(ex nunc) 
Não ocorre automaticamente 
 
7. Processo Administrativo
Inicialmente é importante destacar que a Lei aqui estudada é a Lei nº 9.784/1999 e sua previsão 
diz respeito a esfera federal, portanto é aplicável à administração pública direta e indireta, 
independente dos 3 poderes, na esfera federal, não obrigando, assim, os estados, municípios ou 
Distrito Federal, os quais podem ter lei própria para tratar sobre o tema, caso não tenham lei 
própria, podem utilizar a Lei nº 9.784/1999. 
 
Ainda, havendo lei específica federal que trata sobre processo administrativo, a Lei 9.784/1999 
será aplicada subsidiariamente (especialmente ao que se refere o prazo decadencial, conforme 
Súmula 633, STJ). É o caso, por exemplo, do PAD, cuja lei 8.112/1990 disciplina seu 
processamento na esfera federal, a lei nº 9.784/99 será aplicada apenas naquilo que a lei 
específica for omissa. 
 
7.1 Princípios e objetivos
 
Os princípios aplicados ao processo administrativo já foram estudados em capítulo próprio que 
trata sobre princípios da Administração Pública, na Lei 9.784/1999 podemos encontrar grande 
parte desses no caput artigo 2º: “A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos 
princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, 
ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. Todavia, é 
importante estudar agora os critérios que devem ser observados nos processos administrativos 
(art. 2º, parágrafo único): 
 
I - atuação conforme a lei e o Direito; 
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou 
competências, salvo autorização em lei; 
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de 
agentes ou autoridades; 
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; 
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas 
na Constituição; 
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e 
sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do 
interesse público; 
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; 
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos 
administrados; 
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, 
segurança e respeito aos direitos dos administrados; 
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Direito Administrativo 
 
34 
 
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à 
produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam 
resultar sanções e nas situações de litígio; 
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em 
lei; 
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos 
interessados; 
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o 
atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova 
interpretação. 
 
7.2 Dos direitos e deveres dos administrados 
 
Os deveres dos administrados, cujo rol é exemplificativo, está no artigo 3º: 
I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício 
de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; 
II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de 
interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer 
as decisões proferidas; 
III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto 
de consideração pelo órgão competente; 
IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a 
representação, por força de lei. 
 
Destacamos aqui dois dos direitos, dos incisos III e IV, o primeiro refere ao direito de formular 
alegações e o segundo trata da facultatividade em ser assistido por advogado. O fato de ser 
facultativo estar assistido por advogado em processo administrativo advém do próprio 
princípio do informalismo, a Súmula Vinculante nº 5 refere: “A falta de defesa técnica por 
advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a constituição”, mesmo que o 
processo resulte em aplicação de penalidade para o administrado. Contudo, cuidado, a lei poderá 
exigir, trazendo expressamente a obrigatoriedade de defesa por advogado. 
Além de direitos, a lei também traz os deveres dos administrados dentro do processo 
administrativo (art. 4º): 
I - expor os fatos conforme a verdade; 
II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé; 
III - não agir de modo temerário; 
IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento 
dos fatos. 
 
Por fim, para fecharmos esse ponto, o artigo 69-A, que traz expresso outros direitos dos 
administrados, trata-se da prioridade de tramitação, em qualquer instância ou em qualquer órgão, 
para os processos em que a parte for: pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos; 
pessoa portadora de deficiência, física ou mental; pessoa portadora de tuberculose ativa, 
esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, 
cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, 
hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação 
por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave, com base em 
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conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após o início 
do processo. 
7.3 Processo administrativo
 
O processo administrativo terá início de ofício, ou seja, a própria administração pública poderá 
dar iniciar o procedimento, ou a pedido, ocasião em que será formulado requerimento por escrito 
o pedido do interessado, salvo situações em que seja permitido a solicitação via oral (Arts. 5º e 
6º). O requerimento por escrito deve ser formulado contendo as seguintes informações: I- órgão 
ou autoridade administrativa a que se dirige; II - identificação do interessado ou de quem o 
represente; III - domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; IV - 
formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; V - data e assinatura 
do requerente ou de seu representante. 
A recusa do recebimento do requerimento pela falta de um desses elementos afronta o direito 
constitucional de petição (art. 5º, XXXIV,“a”), assim, deve ser dada oportunidade ao requerente 
de suprir eventuais falhas, orientando o interessado. 
Se houver pluralidade de interessados o requerimento poderá ser um só, salvo se houver 
previsão legal ao contrário (art. 8º). Mas quem são os legitimados para requerer? De acordo 
com o artigo 9º, podem ser legitimidades no processo administrativo: I - pessoas físicas ou 
jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do 
direito de representação; (maiores de 18 anos, segundo o artigo 10); II - aqueles que, sem terem 
iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser 
adotada; III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses 
coletivos; IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou 
interesses difusos. 
A competência do processo administrativo é irrenunciável, contudo ela pode ser delegada e 
avocada nos casos legalmente admitidos (art. 11). Quanto a delegação muito importante o 
disposto no artigo 13, pois ele trata da impossibilidade de ser objeto de delegação: I- a edição 
de atos de caráter normativo; a II- decisão de recursos administrativos; III - as matérias de 
competência exclusiva do órgão ou autoridade. 
O ato de delegação ou da sua revogação deve ser publicado no meio oficial, ele deve 
especificar as matérias e poderes transferidos, os limites da atuação do delegado, a duração e 
os objetivos da delegação e o recurso cabível, esse ato é revogável a qualquer tempo (Art. 13 e 
14). Cabe aqui lembrar o teor da súmula 510 do STF: “Praticado o ato por autoridade, no 
exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida 
judicial”, ou seja, o MS é contra quem praticou o ato, não importa se a competência era de 
outrem. 
Os servidores públicos que atuarão no processo administrativo devem observar as regras de 
impedimento e suspeição. O artigo 18 traz que estão impedidos de atuar em processo 
administrativo o servidor que: I - tenha interesse direto ou indireto na matéria; II - tenha 
participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações 
ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; III - esteja 
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Direito Administrativo 
 
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litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou 
companheiro. A omissão de comunicação de impedimento da autoridade ou servidores 
públicos (que alude o artigo 19) constituí falta grave para efeitos disciplinares. 
O artigo 20 refere as hipóteses de suspeição de autoridade ou de servidor público, que são os 
casos de: amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os 
respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau. 
O processo administrativo não depende de forma determinado, a não ser que esteja 
expressamente previsto em lei, isso se dá em razão do princípio da informalismo. Os atos 
devem ocorrer em dias úteis, no horário normal de funcionamento e, não havendo disposição 
específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que 
dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias (art. 24). 
O interessado será intimado para ciência ou a efetivação de diligência, essa intimação deve 
observar a antecedência mínima de 3 dias úteis quanto à data de comparecimento (art. 
26,§2º). A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de 
recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado (art. 
26, §3º). 
É possível que seja estabelecida consulta pública para manifestação de terceiros (pessoas não 
elencadas no artigo 9º) quando a matéria do processo for assunto de interesse geral, desde que 
a decisão seja motivada e não haja prejuízo para a parte interessada, é o que dispõe o artigo 31. 
Bem como, além da consulta pública, poderá realizar audiência pública para debates sobre a 
matéria do processo (art. 32). Oportunizando a participação de administrados, diretamente ou 
por meio de organizações e associações legalmente reconhecidas (art. 33). 
São direitos de defesa do interessado (art. 38): juntar documentos e pareceres, requerer 
diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. E 
somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos 
interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias (art. 38, §2º). 
Encerrada a instrução o interessado poderá se manifestar no prazo de 10 dias, salvo outro 
prazo legalmente previsto (art. 44). Em caso de risco iminente, a Administração Pública poderá 
motivadamente adotar providências acauteladoras sem a prévia manifestação do interessado 
(art. 45). 
O processo administrativo pode ser extinto, o interessado, de forma escrita, pode desistir total 
ou parcialmente do pedido formulado no requerimento, bem como, renunciar a direitos 
disponíveis (Art. 51). Contudo, essa desistência não prejudica o prosseguimento do processo 
se a Administração Pública entender que o interesse público exige o prosseguimento. 
7.4 Recursos
Das decisões administrativas cabe recurso, podemos aqui dizer que há segunda instância 
administrativa. Os recursos na Lei nº 9.784/1999 são possíveis nos casos de legalidade ou 
mérito. Trata-se de recurso hierárquico, isso porque ele dirigido a autoridade que proferiu a 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
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decisão e, se não reconsiderar no prazo de cinco dias, deve encaminhá-lo para autoridade 
superior (art. 56, §1º). 
O artigo 57 estabelece o limite de três instâncias administrativas aos recursos. Não confunda, 
recurso, revisão e reconsideração. Recurso administrativo é endereçado para a autoridade 
hierarquicamente superior àquela que proferiu a decisão. Pedido de reconsideração pode ser 
feito uma única vez para a própria autoridade que proferiu a decisão. O recurso e pedido de 
reconsideração são feitos no próprio processo administrativo em andamento. Já o pedido de 
revisão ocorre quando o processo administrativo já foi encerrado, mas surgem fatos novos ou 
circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a abertura de processo administrativo 
novamente, para tratar sobre a inadequação da sanção aplicada. Cuidado, o reformatio in pejus 
(art. 65) só pode ocorrer no recurso, não pode ocorrer na revisão. 
O artigo 56, §2º refere que “salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo 
independe de caução”, todavia esse dispositivo deve ser lido junto com a Súmula Vinculante n. 
21: “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens 
para admissibilidade de recurso administrativo”, praticamente mesma redação se encontra na 
súmula 373, do STF. Assim, não cabe tal exigência de depósito. 
Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, 
caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de 
encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da 
súmula, conforme o caso, lembrando que nessas situações de violação de súmula vinculante 
cabe Reclamação Constitucional! 
São legítimos para interpor recurso: 
Lei nº 9.784/1999, Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: 
I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; 
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão 
recorrida; 
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses 
coletivos; 
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos. 
 
O prazo para o recurso é de dez dias, contados a partir da ciência ou divulgação oficial dadecisão recorrida (art. 59). A regra é que ele seja decidido no prazo máximo de 30 dias. A 
princípio o recurso não possui efeito suspensivo (art. 61), mas pode ser concedido se houver 
justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução. O órgão 
competente, ao decidir o recurso, pode: confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou 
parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Inclusive é possível 
agravar a decisão, todavia, nessa situação deve ser dado oportunidade para o recorrente 
formular alegações! 
7.5 Decisão coordenada
Uma novidade que trouxe a Lei nº 14.210/2021 à Lei nº 8.784/1999 é a decisão coordenada, diz 
respeito ao regramento às situações em que a decisão administrativa deve ser tomada por três 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
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ou mais setores, órgãos ou entidades. Assim, o capítulo XI-A, acrescentado pela referida lei, visa 
explicar em quais condições isso será necessário e como será o procedimento para tal decisão, 
vale a leitura completa do capítulo. 
8. Agentes Públicos
8.1 Conceito 
 
Diferentes são as classificações doutrinárias sobre o conceito de agente público, caracterizando-
se, de forma ampla, como todo aquele particular que desempenha alguma atividade estatal e 
possui um vínculo jurídico (estável ou não, a depender do caso, como será analisado) com a 
Administração Pública. 
Quatro categorias de agentes públicos se desdobram das classificações constitucionais e legais, 
sendo elas: agentes políticos, agentes militares, particulares em colaboração e agentes 
administrativos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agentes públicos 
Agentes políticos 
Agentes 
militares 
Particulares em 
colaboração 
Agentes 
administrativo
s 
Mandato eletivo + 
secretários/ 
ministros + alto 
escalão PJ. MP. TC. 
Forças Armadas + 
polícias militares + 
bombeiros militares 
Em algum momento 
exercem função + 
particulares serviço 
público 
Empregados públicos 
(celetistas) 
Lei n.º 9962 + CLT 
Servidores públicos 
(Estatutários) 
Lei n.º 8.112/90 
Servidores temporários 
(contrato prazo determinado) 
art. 37, IX, CF + Lei n.º 8745. 
Cargo 
Público 
Cargo em 
Comissão 
Emprego 
Público 
Função 
Pública 
 
Prazo: até 2 anos, 
 prorrogáveis por igual período 
Não é possível adquirir estabilidade 
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Direito Administrativo 
 
39 
 
8.2 Agentes Políticos: art. 38/CF 
São os agentes investidos para o exercício de atribuições determinadas constitucionalmente, 
com mandato eletivo (políticos), e os chefes dos altos escalões do governo, secretarias e 
ministérios, e, também, os membros dos altos escalões do Poder Judiciário, Ministério Público e 
Tribunais de Contas. 
 
8.3 Agentes Militares 
Os agentes militares possuem dispositivos que regulam suas atividades e direitos, como os 
artigos 42 e 142 da Constituição Federal e são aqueles que atuam nas: Forças Armadas 
(Marinha, Exército e Aeronáutica); Polícias Militares; Corpos de Bombeiros Militares; Polícia 
Federal; Polícia Rodoviária Federal; Polícia Ferroviária; Polícia Ferroviária Federal; Polícias civis 
e polícias penais federal, federais, estaduais e distritais. 
 
8.4. Particulares em colaboração com a Administração Pública 
 
Nessa categoria, enquadram-se os particulares que, mediante remuneração ou não, prestam 
serviços ao Poder Público. Podem estar nessa função em razão de delegação do Poder Público, 
no caso de empregados de permissionárias e concessionárias de serviços públicos; por meio de 
requisição, nomeação ou designação para o exercício de funções públicas de relevância social 
como, por exemplo, jurados e mesários; ou, ainda, gestores de negócios que assumam função 
pública, de forma voluntária, em situações de emergência (epidemias, enchentes...) (DI PIETRO, 
2021). 
 
8.5 Agentes Administrativos 
 
8.5.1 Servidores temporários 
São aqueles contratados, na forma da lei n.º 8.475/1993, por tempo determinado, a fim de 
atender alguma necessidade de natureza temporária e excepcional, como disciplina o artigo 37, 
inciso IX, da Constituição Federal: 
 
8.5.2 Servidores Públicos e Empregados Públicos 
Os servidores públicos são regidos por regime jurídico próprio (a Lei n.º 8.112/1990), sendo 
aqueles servidores que desenvolvem funções/atribuições dentro da Administração Direta, suas 
autarquias e fundações, as quais se constituem como pessoas jurídicas de direito público. Os 
empregados públicos, do contrário, compõem os quadros da pessoas jurídicas com 
personalidade de direito privados: Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e 
fundações de direitos público com personalidade de direito privado. São regidos, por tal 
característica de direito privado, pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), motivo 
pelo qual são, portanto, identificados como empregados públicos. 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: Há uma exceção no que se refere à regra de divisão em razão da natureza de direitos 
público ou privado: a Lei 11.107/2005 define, em seu art. 6º, § 2º, que os Consórcios Públicos, 
mesmo quando tiverem personalidade jurídica de direito público (associações públicas), o 
regime jurídico é o da CLT. 
 
8.5.3 Servidores públicos 
Os servidores públicos são, portanto, aqueles servidores investidos em cargo público na 
Administração Direta, autárquica ou fundacional, regidos por regime jurídico próprio (Lei n.º 
8.112/1990), como definem os artigos 2º e 3º da Lei. 
 
O servidor público pode, então, ocupar um cargo público efetivo, com ingresso mediante 
concurso público, como pode ocupar um cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração. 
O cargo em comissão não é cargo efetivo e não garante estabilidade ao servidor, sendo de 
nomeação e exoneração por parte do chefe do Poder Executivo, destinada a cargos de chefia, 
direção e assessoramento. Assim disciplina o artigo 37, V, da Constituição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Servidores públicos 
Lei n.º 8.112/90 (Estatutários) 
 
Empregados públicos 
Lei n.º 9962/00 + CLT (celetistas) 
Administração Direta 
Autarquias 
Fundações 
Art. 39/CF: Regime jurídico 
próprio (estatuto) 
Pessoas de direito público 
Empresas públicas 
Sociedade Economia Mista 
Art. 173, §1º, II, CF 
*Fundações de direito público, com 
personalidade de direito privado 
Pessoas de direito privado 
Servidores públicos 
(Estatutários) Lei n.º 8.112/90 
Cargo em 
Comissão 
Cargo 
Público 
Chefia, direção e 
assessoramento 
Efetivo 
Função de 
confiança 
Apenas para 
servidor efetivo 
Chefia, direção e 
assessoramento 
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Direito Administrativo 
 
41 
 
8.6 Cumulação de cargos 
 
Acumular cargos públicos é, em regra, vedado pela Constituição Federal, o que é válido para 
cargos, empregos e funções. Porém, tanto o artigo 37, inciso XVI, da Constituição Federal, como 
o artigo 118 da Lei n.º 8.118/1990, apresentam exceções e regulamentações sobre o tema. 
 
Podem ser cumulados, com compatibilidade de horários: 
 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões 
regulamentadas; 
 
ATENÇÃO: Para além das hipóteses previstas no artigo 37, inciso XVI, é possível a cumulação 
do mandato de vereador, com outro cargo, emprego ou função pública, desde que existente 
compatibilidade de horários, como indica o artigo 38, inciso III, da Constituição Federal: “III - 
investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as 
vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, 
não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior”. 
 
8.6 Cargos Públicos
Os requisitos para a investiduraem cargos públicos estão disciplinados no art 5º. da Lei n.º 
8.112/1990 e são: I - a nacionalidade brasileira; II - o gozo dos direitos políticos; III - a quitação 
com as obrigações militares e eleitorais; IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do 
cargo; V - a idade mínima de dezoito anos; VI - aptidão física e mental. 
Súmula 266/STJ: O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser 
exigido na posse e não na inscrição para o concurso público. 
 
Súmula 686/STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de 
candidato a cargo público. 
 
Em resumo, os cargos públicos: 
 
• São acessíveis a brasileiros e estrangeiros (estrangeiros no caso de professores em 
Universidades como traz a Lei 8.112/1990); 
• Devem ser criados por lei; 
• Investidura por concurso público (ressalvados os cargos em comissão); 
• Devem possuir denominação própria; 
• Ter vencimentos custeados pelos cofres públicos. 
 
 
 
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Direito Administrativo 
 
42 
 
8.7 Concurso Público 
 
O concurso público é a forma de acesso aos cargos de provimento efetivo e possui requisitos 
próprios, podendo ser de provas ou de provas e títulos. 
 
A validade de um Concurso Público é de até 2 (dois) anos, renováveis por igual período (artigos 
12 da Lei n.º 8.112/1990 e 37, III, da CF). Mas a lei 8.112/1990 é mais restritiva do que a 
Constituição Federal, proibindo a abertura de novos concursos públicos enquanto não chamados 
todos os candidatos aprovados em concurso em aberto, ao passo que a Constituição apenas 
prevê uma ordem de preferência aos já aprovados. 
 
Assim, tratando-se de concurso público de agentes administrativos, que se submetem ao 
regime jurídico da lei n.º 8.112/1990 (servidores públicos civis da União, das autarquias e das 
fundações públicas federais), é vedada a abertura de novo concurso público enquanto ainda 
existirem candidatos aprovados em concurso com prazo não expirado. Em se tratando de 
agentes públicos não submetidos a essa lei (os agentes militares, por exemplo), válido é o 
dispositivo constitucional, cabendo a abertura de novo concurso. 
 
Importante o destaque a outros artigos aplicáveis aos concursos públicos: o artigo 5º, §2º, da Lei 
n.º 8.112/1990, e a Lei n.º 12.990/2014 dispõem sobre as reservas de vagas em concursos 
públicos, disciplinando as porcentagens de vagas destinadas a pessoas com deficiência (até 
20%), em atribuições compatíveis, e a pessoas negras (20%). 
 
Súmula 377/STJ: O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso 
público, às vagas reservadas aos deficientes. 
 
Súmula 552/STJ: O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com 
deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos. 
 
8.8 Formas de provimento 
 
Provimento é o ato pelo qual o particular vincula-se à Administração Pública ou a um novo cargo 
desta, é investido no exercício de cargo, emprego ou função. 
 
Formas: 
 
1. NOMEAÇÃO, 
2. PROMOÇÃO, 
3. APROVEITAMENTO, 
4. READAPTAÇÃO, 
5. REVERSÃO, 
6. REINTEGRAÇÃO, 
7. RECONDUÇÃO. 
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43 
 
Atenção: ascenção e transferência não existem mais; 
 
Súmula vinculante 43/STF: É inconstitucional toda modalidade de provimento que 
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao 
seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido. 
 
Nomeação: A nomeação é a forma originária de provimento, podendo ser em comissão (Cargo 
em Comissão) ou em caráter efetivo (com aprovação em concurso público). A súmula 15 do 
Supremo Tribunal Federal garante a nomeação quando não observada a classificação no 
concurso público: Súmula 15/STF - Dentro do prazo de validade do concurso, o candidato 
aprovado tem direito à nomeação, quando o cargo for preenchido sem observância da 
classificação.Tese de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal: dentro do número de 
vagas, há direito subjetivo à nomeação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Posse: art. 13 e 14, Lei n.º 8.112/1990 - Ocorrida a nomeação (ato de provimento), após 
30 dias da publicação do ato, ocorrerá a posse, que pode ser por procuração. A investidura 
no cargo público ocorre com a posse – assinatura do termo de posse, no qual constam 
os direitos, deveres e atribuições do cargo – e não com a nomeação, existindo um direito 
subjetivo à posse, como disciplina a súmula 16 do Supremo Tribunal Federal. 
 
• Exercício: art. 15, Lei n.º 8.112/1990 - O exercício é efetivo desempenho das atribuições 
do cargo público ou da função, como disciplina o artigo 15 da Lei n.º 8.112/1990, 
ocorrendo 15 dias contados da posse, sob pena de o servidor público ser exonerado de 
ofício. 
 
• Estágio probatório: art. 20, Lei n.º 8.112/1990 - Tendo o servidos público entrado em 
exercício, o estágio probatório representa o período definido legalmente durante o qual, 
como define o artigo 20 da Lei n.º 8.112/90, “a sua aptidão e capacidade serão objeto de 
avaliação para o desempenho do cargo”. Caso não aprovado no estágio probatório, o 
servidor será exonerado. Se já estável (por conta de outro cargo) será reconduzido ao 
cargo anteriormente ocupado. 
 
Nomeação Posse 
Exercício 
Concurso 
Estabilidade 
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44 
 
ATENÇÃO: prazo do artigo 20 da Lei n.º 8.112/1990 foi declarado INCONSTITUCIONAL → é de 
3 (três) anos, conforme o art. 41 da Constituição Federal, que trata da estabilidade. 
 
Posicionamento jurisprudencial: É possível que ainda no período de estágio probatório o servidor 
público possa fazer pedido de recondução a cargo anteriormente ocupado. Ainda, é possível 
que, durante o período de estágio, o servidor adquira uma função de confiança ou mesmo um 
cargo em comissão. 
 
Estabilidade: art. 41, CF - Para adquirir estabilidade, o servidor público necessita preencher, 
então, como requisitos: 
 
• Aprovação em um concurso público; 
• Nomeação para cargo público efetivo; 
• Realização de três anos de efetivo exercício; 
• Aprovação em avaliação especial de desempenho (finaliza o estágio probatório). 
 
8.9 Perda do Cargo 
Como disciplinado no artigo 22 da Lei nº 8.112/1990 e no § 1º do artigo 41 da Constituição 
Federal, a perda do cargo do servidor estável ocorrerá por meio: 
 
I - de sentença judicial transitada em julgado; 
II - processo administrativo disciplinar; 
III - procedimento de avaliação periódica de desempenho. 
 
Outra forma de perda do cargo de servidor estável está indicada no artigo §4º do 169 da 
Constituição Federal, que, por força da Lei complementar n.º 101/2000 (Lei de Responsabilidade 
Fiscal), disciplina a perda do cargo por despesa de pessoal acima dos limites legais, atingindo 
também os servidores estáveis se necessário. 
 
Vacância do cargo: “o fato administrativo-funcional que indica que determinado cargo público 
não está provido, ou, em outras palavras, está sem titular” e decorrerá de exoneração, demissão, 
readaptação, aposentadoria, posse em outro cargo inacumulável ou falecimento. 
 
A exoneração, disciplinada nos artigos 34 e 35 da lei n.º 8112/1990, pode ocorrer a pedido do 
servidor ou de ofício. De ofício: em decorrência da não satisfação das condições do estágio 
probatório ou quando, já tomada a posse, não é iniciado o exercício por parte do servidor. 
 
➔ Readaptação: art. 37, §13º/CF e art. 24, Lei n.º 8.112/1990. 
A readaptação ocorre quando o servidor público, estável, passa a ter alguma limitação, verificada 
em inspeção médica, que o impede de cumprir as atividades e atribuições do cargo que ocupava. 
 
Três são as possibilidades envolvidas na readaptação: 
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Direito Administrativo 
 
45 
 
- Recolocação do servidor em outra função, se disponível; 
- Exercer as atribuições como excedente até o surgimento davaga, caso não haja vaga para 
que o servidor público seja readaptado para outra atividade; 
- Aposentadoria por incapacidade permanente, se julgado incapaz; 
 
➔ Reversão: art. 25, Lei n.º 8.112/90. 
A reversão trata do retorno (da volta) do servidos aposentado à atividade, que poderá ser: 
 
I – De ofício, no caso de aposentadoria por invalidez quando não existirem mais os motivos da 
aposentadoria; (ato vinculado) 
II – a pedido, no interesse da Administração, desde que: 
 
a) Solicitado pelo aposentado (ato discricionário); 
b) Aposentadoria tenha sido voluntária 
c) Haja estabilidade na atividade; 
d) Aposentadoria tenha ocorrido e nos 5 anos anteriores ao pedido; 
e) Haja cargo vago. 
 
ATENÇÃO: Art. 27. Não poderá reverter o aposentado que já tiver completado 70 (setenta) anos 
de idade. 
 
➔ Reintegração: artigo 28, Lei n.º 8.112/1990 e 41, §2º da CF 
Servidor foi demitido ilegalmente e há a anulação do ato de demissão; 
• Será ressarcido de todas as vantagens do período afastado; 
• Se o cargo tiver sido extinto, ficará em disponibilidade (art. 41, §3º,CF); 
• Ocupante será reconduzido. 
 
➔ Recondução: artigo 29, Lei n.º 8.112/1990 
A recondução, disciplinada no artigo 29 da Lei n.º 8.112/1990, dá-se quando ocorrido o retorno 
do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado, podendo ocorrer quando há a 
inabilitação em estágio probatório – por não cumprimento dos requisitos deste –, ou quando 
houver reintegração (já analisada) do ocupante anterior. Não há direito à indenização para 
aquele que for reconduzido ao cargo anterior. 
 
➔ Aproveitamento: artigo 29, p. ú., 30 e 32 da Lei n.º 8.112/1990 
O aproveitamento ocorre quando há o retorno do servidor posto em disponibilidade diante da 
extinção do cargo ou declaração de sua desnecessidade. 
 
Súmula 39/STF: À falta de lei, funcionário em disponibilidade não pode exigir, judicialmente, o 
seu aproveitamento, que fica subordinado ao critério de conveniência da administração. 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
46 
 
➔ Promoção: 
É o progresso do servidor, dentro da mesma carreira. Só poderá ocorrer em cargos com plano 
de carreira, apresentando o artigo 39, §2º da Constituição, como requisito para promoção, a 
participação em cursos de formação e aperfeiçoamento. Os critérios para a promoção são 
merecimento e antiguidade. 
 
➔ Remoção: artigo 36 da Lei n.º 8.112/1990 
Inicialmente, cabe enfatizar que a remoção não é uma forma de provimento e sim o 
deslocamento do servidor, no mesmo quadro, de ofício ou a pedido do próprio servidor, como 
dispõe o artigo 36 da lei n°. 8.112/1990. Entre as três modalidades de remoção, as dispostas nos 
incisos I e III tratam-se de atos vinculados, existindo obrigatoriedade na realização do 
deslocamento do servidor, enquanto a modalidade disposta no inciso II permite que a 
Administração Pública analise se há conveniência e oportunidade para o deslocamento, sendo, 
portanto, discricionário. 
➔ Teto Remuneratório 
Conceitos importantes, que se extraem tanto da Constituição Federal quanto da Lei n.º 
8.112/1990: 
• Vencimento: É o valor básico recebido. Art. 40 da Lei n.º 8.112/1990: “Vencimento é a 
retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei”. 
 
• Remuneração: Vencimento básico mais as vantagens pecuniárias de natureza 
permanente. Art. 41 da Lei n.º 8.112/1990. “Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, 
acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei”. “§ 3o O vencimento 
do cargo efetivo, acrescido das vantagens de caráter permanente, é irredutível”. 
 
• Subsídio: parcela única, sem qualquer outra verba remuneratória, recebida pelos 
elencados no artigo 39, §4º, da Constituição Federal, sendo uma possibilidade para os 
servidores públicos organizados em carreira, como traz o §8º do mesmo artigo, e para os 
policiais indicados no artigo 144 da Constituição Federal. 
 
• Provento: Pagamento do servidor em inatividade, aposentado ou em disponibilidade. 
 
ATENÇÃO: A fixação ou alteração da remuneração ocorrerá apenas por lei específica, 
assegurada revisão geral anual, consoante o inciso X do artigo 37 da Constituição Federal. 
 
Art. 37, XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos 
públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de 
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou 
de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
47 
 
subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador 
no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito 
do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado 
a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, 
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este 
limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos. 
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso 
XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei. 
 
O teto é valido: (1) Agentes sob regime remuneratório ou subsídio; (2) Servidores da 
Administração direta, autárquica e fundacional; (3) Agentes públicos vinculados às sociedades 
de economia mista e empresas públicas que recebam recursos da Fazenda Pública – art. 37, 
§9º; (4) Parlamentares de estados e municípios – leitura conjunta com os arts. 27, §2 e 29, VI/CF; 
(5) Proventos dos aposentados e pensões dos dependentes do servidor falecido. 
 
ATENÇÃO: Na Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º 3854 (Relator Ministro Gilmar Mendes, 
julgada pelo Plenário em 07 de dezembro de 2020) , foi dada interpretação conforme ao artigo 
37, inciso XI, da Constituição Federal, sendo considerado que os magistrados estaduais se 
limitam ao teto dos Ministros do Supremo Tribunal Federal e não 90,25% do teto como indicado 
no artigo. 
 
A tese firmada no RE 663696 (Relator Ministro Luiz Fux, julgado pelo Plenário em 28 de fevereiro 
de 2019) foi no sentido de que a expressão procuradores se refere também aos procuradores 
municipais e, assim, os procuradores do Município submetem-se ao teto remuneratório dos 
Ministros do STF e não ao subteto do prefeito. 
 
Súmula Vinculante n.º 37: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem 
função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o 
fundamento de isonomia. 
 
Súmula Vinculante n.º 15: O cálculo de gratificações e outras 
vantagens do servidor público não incide sobre o abono utilizado para se 
atingir o salário mínimo. 
 
Súmula Vinculante 42, STF: É inconstitucional a vinculação do reajuste 
de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais 
de correção monetária. 
 
Súmula Vinculante n.º 16: Os artigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC 
19/98), da Constituição, referem-se ao total da remuneração percebida pelo 
servidor público. 
Teto – Ministros do Supremo Tribunal Federal 
Quem Âmbito Subteto 
Agentes municipais Geral – menos o Procurador Prefeito 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
48 
 
Agentes estaduais e DF Poder Executivo Governador 
 
Poder Legislativo Deputado estadual e distrital 
 
Poder Judiciário Desembargadores do TJ 
 
Outros dispositivos importantes: art. 37, incisos XII, XIII, XIV, XV e art. 169. 
 
O Teto remuneratório, por entendimento do Supremo Tribunal Federal, vale para cada cargo de 
formaisolada e não em relação ao montante final das duas remunerações. É válido também 
para agentes públicos vinculados a sociedades de economia mista e empresas públicas que 
recebam recursos da Fazenda Pública. 
 
8.10 Regime Previdenciário 
No que se refere ao regime de previdência social, os servidores da Administração Direta, 
autárquica e fundacional, contribuirão para Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) 
consoante artigo 40 e ss. da Constituição Federal. Por força do §13 do mesmo dispositivo, os 
ocupantes de cargo em comissão, cargo temporário, mandato eletivo e emprego público 
contribuirão para o Regime Geral da Previdência Social: 
Em síntese: 
 
• Regime Próprio de Previdência Social: Servidores públicos estáveis da Administração 
Direta, autarquias e fundações. 
• Regime Geral de Previdência Social: - ocupantes de cargos em comissão; - agentes 
políticos; - empregados públicos. 
 
A aposentadoria compulsória de que trata o artigo 40, estende-se também para empregados dos 
consórcios públicos, empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias: Art. 
201/CF, § 16. 
 
Ver também: Lei Complementar 152/2015 – aposentadoria compulsória aos 75 anos. 
 
➔ Importante: a aposentadoria dos professores possui idades próprias, dispondo a súmula 726 
do STF que: “Para efeito de aposentadoria especial de professores, não se computa o tempo de 
serviço prestado fora da sala de aula”. Contudo, tese de repercussão geral do Supremo Tribunal 
federal firmou entendimento de que os tempos de direção e coordenação pedagógica serão 
computados. 
 
8.11 Direito à Greve E Associação Sindical 
O artigo 37, em seu inciso VI, dispõe sobre a possibilidade de que o servidor público tenha 
garantido seu direito de livre associação sindical. A exceção refere-se aos militares, por força do 
artigo 142, inciso IV, estes estão proibidos de sindicalizar-se, bem como de entrarem em greve. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
49 
 
Em relação à greve, traz o inciso VII, do artigo 37, que “o direito de greve será exercido nos 
termos e nos limites definidos em lei específica”. Diante da ausência de lei que o regulamente, o 
Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que, em razão da omissão legislativa 
existente, aplicam-se aos servidores da Administração Pública as disposições da Lei n.º 
7.783/1989, que é a lei de greves aplicada aos trabalhadores em geral. A competência para 
análise da abusividade das greves de servidores será da justiça comum, federal ou estadual e 
não da justiça do trabalho. 
 
8.12 Penalidades 
 
Os agentes administrativos, em razão do conjunto de atribuições e responsabilidades que 
possuem, estão sujeitos, pelo Poder Disciplinar, a sofrerem a aplicação de penalidades 
disciplinares quando cometidos ilícitos administrativos, que serão apurados por meio de 
sindicância ou processo administrativo disciplinar. Estão elencadas no artigo 127 da Lei n.º 
8.112/1990 e podem ser: I - advertência; II - suspensão; III - demissão; IV - cassação de 
aposentadoria ou disponibilidade; V - destituição de cargo em comissão; VI - destituição de 
função comissionada. 
O cancelamento dos registros das penalidades ocorrerá em 3 (três) anos quando tratar-se de 
advertência e em 5 anos quando for o caso de suspensão, desde que o servidor não tenha 
praticado outras infrações neste período, como disciplina o artigo 131 da lei n.º 8.112/1990. 
 
Atenção: O artigo 141 da lei nos indica as competências específicas para a aplicação das 
penalidades determinadas. 
 
8.13 Prescrição das penalidades impostas 
 
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: 
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de 
aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; 
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; 
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência. 
 
Súmula 635/STJ - Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei n. 8.112/1990 iniciam-
se na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento administrativo 
toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido - 
sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar - e voltam a fluir por inteiro, após 
decorridos 140 dias desde a interrupção. 
 
8.14 Demissão 
 
A demissão configura-se como um ato administrativo que finaliza o vínculo do agente público 
com a Administração Pública em razão da prática de uma infração funcional de natureza grave, 
ou seja, trata-se de um ato com caráter punitivo. 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
50 
 
As condutas que acarretam a demissão do servidor, enquanto penalidades a ele impostas, estão 
disciplinadas no artigo 132 da Lei n.º 8.112/1990. São três as modalidades de penalidades, 
havendo penalidades leves, que não acarretam a impossibilidade de retorno ao serviço público; 
moderadas, que impedem o provimento em cargo público pelo período de 5 (cinco) anos; e 
aquelas gravosas, que impedem em definitivo novo provimento, como indica o artigo 137 e seu 
parágrafo único, da lei n.º 8.112/1990. 
 
O Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade 2975, pronunciou-se sobre 
a vedação de retorno ao serviço público disciplinada no parágrafo único do artigo 137 da Lei n.º 
8.112/1990, entendendo que há uma inconstitucionalidade material em razão da proibição de 
penas perpétuas no Brasil, comunicando o Congresso Nacional para que delibere sobre um 
prazo. 
 
Assim: Em razão da inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade, o disposto no 
parágrafo único do artigo 137 segue vigente até que haja a alteração legislativa. Assim, as 
causas de demissão constantes no artigo 132, incisos I, IV, VIII, X e XI acarretam a 
impossibilidade de novo provimento em cargo público. 
 
Não há discricionariedade na atuação da autoridade que tiver ciência de alguma irregularidade 
em relação à apuração ou não das condutas, devendo esta promover sua apuração imediata, 
consoante artigo 143 – o que é reforçado também pela súmula 650 do STJ. 
 
Súmula 650/STJ: A autoridade administrativa não dispõe de discricionariedade para 
aplicar ao servidor pena diversa de demissão quando caracterizadas as hipóteses 
previstas no art. 132 da Lei nº 8.112/1990. 
 
Outro ponto importante sobre a apuração de eventuais irregularidades se refere às denúncias 
que as reportam à autoridade, disciplinando o artigo 144 da mesma lei que devem ser 
devidamente identificadas. Contudo, a súmula 611 do STJ firmou entendimento no sentido de 
que, quando devidamente motivadas e com amparo em investigação ou sindicância, há a 
possibilidade de que haja denúncia anônima e dessa decorra um processo administrativo 
disciplinar. 
8.15 Sindicância: art. 145 e ss., Lei. n.º 8.112/1990
A sindicância é ferramenta pela qual a Administração Pública realiza a apuração de 
irregularidades que, se confirmadas, podem acarretar a responsabilização do servidor público 
(advertência ou suspensão) ou fornecer elementos para a abertura de um processo 
administrativo disciplinar. Por seu caráter inquisitório, não possui ampla defesa e contraditório. 
Como medida cautelar, cabe afastamento do servidor. 
Art. 145. Da sindicância poderá resultar: I - arquivamento do processo; II - aplicação de 
penalidade de advertência ou suspensão de até 30 (trinta) dias; III - instauração de 
processo disciplinar. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
51 
 
Parágrafo único. O prazo para conclusão da sindicância não excederá 30 (trinta) dias, 
podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior. 
 
➔ Pode haver PAD sem sindicância prévia? Sim. A sindicância não é um requisito obrigatório 
para a instauração de um processo administrativo disciplinar (PAD). 
 
8.16 Processo Administrativo Disciplinar 
 
O processo administrativo disciplinar, como disciplina o artigo 148da lei n.º 8.112/1990, “é o 
instrumento destinado a apurar responsabilidade de servidor por infração praticada no exercício 
de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre 
investido” e será conduzido por uma comissão composta por três servidores estáveis, que serão 
designados pela autoridade competente, que indicará dentre eles o seu presidente. 
 
O PAD possui três fases: Instauração: arts. 149 e 150; Inquérito: arts. 153 a 166; e Julgamento: 
arts. 167 a 171. 
 
Como preceitua o artigo 152 da Lei n.º 8.112/1990, o prazo para a conclusão do processo 
administrativo disciplinar não poderá exceder 60 (sessenta) dias, contados da publicação do ato 
que constitui a comissão, podendo ser prorrogável por igual prazo quando existentes razões para 
tanto. 
Súmula 592/STJ: O excesso de prazo para a conclusão do processo 
administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de 
prejuízo à defesa. 
Comunicabilidade de esferas: Decisões judiciais apenas vinculam a 
Administração Pública quando houver absolvição por questões de autoria 
e existência do fato. Existindo absolvição por falta de provas, pode a 
conclusão administrativa ser diversa da esfera penal. 
 
Outros pontos importantes: art. 167, 171, 174, 175, 176, 181 e 182 da Lei n.º 8.112/1990. 
9. Improbidade Administrativa 
9.1 Natureza. Incidência sujeitos e responsabilização
 
A Lei nº 8.429/1992, Lei de Improbidade Administrativa (LIA), traz as sanções que devem ser 
aplicadas quando ocorre lesão à moralidade nos moldes do artigo 37, §4º, da Constituição 
Federal. As hipóteses estão definidas nos artigos 9º, 10 e 11, que tratam respectivamente: do 
enriquecimento ilícito, atos que causam prejuízo ao erário e atos que atentam contra os 
princípios da Administração Pública. 
Nos termos do art. 85, V, da Constituição Federal, em se tratando de ato que atente contra a 
probidade na Administração, o Presidente da República responderá por crime de 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
52 
 
responsabilidade, mas ele, único agente público, não responde pela Lei de Improbidade 
Administrativa, é o entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
A matéria de improbidade é de competência privativa da União, não podendo os Estados ou 
Municípios legislarem ou aplicarem sanção dessa natureza nos termos do artigo 22, I, da 
Constituição Federal. 
9.2 Responsabilidade nas três esferas e agentes públicos envolvidos 
 
Importante saber que um ato de improbidade poderá também corresponder a um crime definido 
em lei, assim, não prejudica a ação penal cabível, que será concomitante com a ação civil de 
improbidade. Além disso, um ato de improbidade praticado por um servidor público também 
corresponde a um ilícito administrativo, o que ocasiona a instauração de procedimento para 
apuração de responsabilidade administrativa, de acordo com o estatuto dos servidores. 
Elementos necessários para aplicação das sanções previstas no art. 37, §4º, da CF: 
1) Sujeito prejudicado: o artigo 1º, da Lei nº 8.429/1992 estabelece: qualquer órgão dos 
três poderes ou entidade da administração pública direta ou indireta, bem como, outras 
entidades controladas pela Administração Pública ou entidade privada que receba 
subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou 
governamentais. 
2) Sujeito que cometeu o ato de improbidade: agente político, servidor, ou qualquer 
um que exerça, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, 
nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, 
mandato, cargo, emprego ou função nas entidades descritas no sujeito prejudicado, 
bem como, o terceiro que induza ou concorra para a prática de ato de improbidade, 
ou, então, que dele se beneficie de forma direta ou indireta, segundo o artigo 1º e 3º, 
da Lei nº 8.429/1992. 
Atenção: Atenção: STJ decidiu que não possível ajuizar ação de improbidade somente contra o 
particular, sem haver litisconsórcio com o agente público no polo passivo da demanda. 
3) Ato tenha sido doloso: a nova redação da Lei nº 8.429/1992 só permite a 
responsabilização da conduta dolosa, não há mais possibilidades de modalidade 
culposa (previstas anteriormente em casos de prejuízo ao erário público). Considera-
se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 
9º, 10 e 11, não bastando a voluntariedade do agente. Inclusive o mero exercício da 
função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso 
com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa. 
A ação ou omissão decorrente de divergência interpretativa da lei, baseada em 
jurisprudência, ainda que não pacificada, mesmo que não venha a ser posteriormente 
prevalecente nas decisões dos órgãos de controle ou dos tribunais do Poder Judiciário, não é 
ato de improbidade (art. 1º, §8º)! 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
53 
 
O enquadramento NÃO poderá ser cumulativo: “Para cada ato de improbidade administrativa, 
deverá necessariamente ser indicado apenas um tipo dentre aqueles previstos nos arts. 9º, 10 e 
11 desta Lei” (art. 17, §10-D). 
Quando um ato de improbidade administrativa é praticado e o agente venha a falecer, os 
sucessores ou herdeiros deste estarão sujeitos à obrigação de reparar até o limite do valor 
da herança ou do patrimônio transferido (art. 8º). Essa previsão já existia, embora tenha recebido 
nova redação. O que é total novidade é o artigo 8º-A, que estende a responsabilidade sucessória 
também na hipótese de alteração contratual, de transformação, de incorporação, de fusão ou de 
cisão societária. 
9.3 Condutas que configuram ato de Improbidade Administrativa 
É bem importante que você faça a leitura completa dos artigos 9, 10, 11 e 12. Os três primeiros 
artigos mencionados vão tratar sobre as condutas, podendo a banca trazer uma questão com a 
descrição exata dos seus incisos. Já o artigo 12 refere-se à possibilidade de aplicar sanção 
conforme a conduta enquadrada. 
Observações importantes: As sanções de que trata o artigo 12 só poderão ser executadas 
após o trânsito em julgado da sentença condenatória (art.12, §9º). E a multa pode ser aumentada 
até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, o valor calculado 
na forma dos incisos I, II e III do caput do artigo 12 é ineficaz para reprovação e prevenção do 
ato de improbidade. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
54 
 
Em um breve resumo de pontos principais desses artigos temos: 
9.4 Procedimento administrativo e judicial 
Qualquer pessoa poderá representar para que seja instaurada investigação destinada a apurar 
a prática de ato de improbidade. No §1º, do artigo 14, da lei de improbidade, está a exigência de 
representação escrita ou reduzida a termo e assinada, contendo a qualificação do 
representante, as informações do fato, a autoria e a indicação de provas de que tenha 
conhecimento. Se não atendido os requisitos a autoridade administrativa rejeitará a 
representação, em despacho fundamentado, mas isso não impede a representação ao Ministério 
Público, nos termos do artigo 22. 
Para apurar qualquer ilícito previsto nesta Lei, o Ministério Público, de ofício, a requerimento de 
autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no 
artigo 14 desta Lei, poderá instaurar inquérito civil ou procedimento investigativo assemelhado e 
requisitar a instauração de inquérito policial. Já na apuração dos ilícitos será garantido ao 
investigado a oportunidade de manifestação por escrito e de juntada de documentos que 
comprovem suas alegações e auxiliem na elucidação dos fatos (art. 22, da Lei nº 8.429/1992). 
A
to
s
 d
e
 i
m
p
ro
b
id
a
d
e
Art. 9º - Que importam 
enriquecimento ilícito 
em razão do exercício 
de cargo, mandato, 
função,emprego ou 
atividade pública.
Perda dos bens ou valores acrescidos 
ilicitamente ao patrimônio, perda da 
função pública, suspensão dos direitos 
políticos até 14 (catorze) anos, 
pagamento de multa civil equivalente ao 
valor do acréscimo patrimonial e 
proibição de contratar com o poder 
público ou de receber benefícios ou 
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou 
indiretamente, ainda que por intermédio 
de pessoa jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo não superior a 14 
(catorze) anos.
Art. 10 – Causam 
prejuízo ao erário. 
Ação ou omissão que enseje efetiva e 
comprovadamente perda patrimonial, 
desvio, apropriação, malbaratamento ou 
dilapidação.
Perda dos bens ou valores 
acrescidos ilicitamente ao 
patrimônio, se concorrer 
esta circunstância, perda 
da função pública, 
suspensão dos direitos 
políticos até 12 (doze) 
anos, pagamento de multa 
civil equivalente ao valor do 
dano e proibição de 
contratar com o poder 
público ou de receber 
benefícios ou incentivos 
fiscais ou creditícios, direta 
ou indiretamente, ainda 
que por intermédio de 
pessoa jurídica da qual 
seja sócio majoritário, pelo 
prazo não superior a 12 
(doze) anos.
Art. 11 – Atos que 
atentem contra 
princípios da 
administração pública.
Pagamento de multa civil de até 24 (vinte 
e quatro) vezes o valor da remuneração 
percebida pelo agente e proibição de 
contratar com o poder público ou de 
receber benefícios ou incentivos fiscais 
ou creditícios, direta ou indiretamente, 
ainda que por intermédio de pessoa 
jurídica da qual seja sócio majoritário, 
pelo prazo não superior a 4 (quatro) 
anos.
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
55 
 
Na ação de improbidade administrativa é possível o pedido de indisponibilidade de bens (art. 
16), ele pode ocorrer de forma antecedente ou incidental, nos moldes da tutela provisória de 
urgência do Código de Processo Civil. O pedido serve para garantir a integral recomposição do 
erário ou do acréscimo patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. Poderá, até mesmo, ser 
decretada sem a oitiva do réu. Da decisão frente ao pedido de indisponibilidade de bens caberá 
agravo de instrumento. 
A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, 
bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de sociedades simples 
e empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência desses, o bloqueio de contas 
bancárias, de forma a garantir a subsistência do acusado e a manutenção da atividade 
empresária ao longo do processo. 
Mas cuidado, é vedada a decretação de indisponibilidade (art. 16, §§ 13 e 14): 
• Da quantia até 40 salários-mínimos depositados em poupança, em outras aplicações 
financeiras ou contracorrente. 
• Bem de família, salvo se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem patrimonial 
indevida. 
Outra atenção que devemos ter é que agora o Ministério Público seria o único responsável pelo 
ajuizamento da ação (art. 17), conforme a redação nova da LIA, todavia, o ministro Alexandre 
de Moraes, do STF concedeu liminar que derruba a exclusividade do Ministério Público para 
propor ações de improbidade administrativa (ADIN 7043), podendo também a pessoa jurídica 
prejudicada demandar. 
A propositura da ação a que se refere o caput do artigo 17 prevenirá a competência do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo 
objeto. Se a inicial preencher os requisitos estabelecidos na lei (segue o procedimento comum 
do CPC), o juiz mandará notificar o requerido para oferecer contestação no prazo de 30 dias. 
Cabe no processo de improbidade administrativa pedido de tutela provisória, nos moldes do 
CPC. 
É nula a decisão de mérito total ou parcial da ação de improbidade que (art. 17, §10-F): 
I- Condenar por tipo diverso daquele definido na petição inicial. 
II- Condenar sem produção das provas por ele tempestivamente especificadas. 
 
Cuidado, em que pese seja aplicado o procedimento comum do Código de Processo Civil, há 
regras do CPC que não são aplicadas na ação de improbidade por vedação expressa no artigo 
17, §19: 
I - A presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia; 
II - A imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 do CPC; 
III - O ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, 
competindo ao Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições 
entre membros de Ministérios Públicos distintos; 
IV - O reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de extinção sem resolução 
de mérito. 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
56 
 
9.5 Solução consensual 
Havendo a possibilidade de solução consensual, poderão as partes requerer ao juiz a 
interrupção do prazo para a contestação, por prazo não superior a 90 (noventa) dias, o artigo 17-
B trata traz os resultados que devem ser alcançados com o acordo: I - o integral ressarcimento 
do dano; II - a reversão. Assim, como os requisitos para ocorrer o acordo: I - da oitiva do ente 
federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação; II - de aprovação, no 
prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério Público competente para apreciar as 
promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; III - de 
homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento 
da ação de improbidade administrativa. 
9.6 Outras observações importantes sobre a LIA
A ação de improbidade administrativa é repressiva, não constitui ação civil, as suas sanções tem 
caráter pessoal. É vedada o uso da referida ação para controle de legalidade de políticas públicas 
e para proteção de patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos, 
coletivos e individuais homogêneos (art. 17-D), visto que há ações apropriadas para isso, como 
a ação civil pública, mandado de segurança, ação popular, ação direta de constitucionalidade, 
etc. 
Em caso de continuidade de ilícito, após a sentença, o juiz promoverá a maior sanção aplicada, 
aumentada de 1/3 ou a soma das penas, o que for mais benéfico ao réu. Já no caso de prática 
de novos atos ilícitos pelo mesmo sujeito, o juiz somará as sanções. Sendo que neste caso as 
sanções de suspensão de direitos políticos e de proibição de contratar ou de receber incentivos 
fiscais ou creditícios do poder público deve ser observado o limite máximo legal de 20 anos (art. 
18-A). 
 
9.7 Prescrição da pretensão punitiva
Tema sensível e que sofreu diversas alterações com as Lei nº 14.230/2021. Se antes o prazo de 
prescrição era (basicamente) de cinco anos, agora o prazo é de 8 anos para prescrição. O 
objetivo da prescrição é dar estabilidade às relações jurídicas. 
Nos parágrafos do artigo 23 da LIA há previsões de suspensão e interrupção de prazo 
prescricional. Uma novidade na nova redação da LIA é que, agora, haverá possibilidade da 
chamada prescrição intercorrente no prazo de 4 anos, ou seja, prescrição que ocorre no 
decorrer do processo judicial: “§ 5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia 
da interrupção, pela metade do prazo previsto no caput deste artigo”. 
9.8 Disposições penais importantes
Por fim, concluindo nosso estudo da LIA, o artigo 19, embora sofra muitas críticas, estabelece 
como crime a representação de improbidade quando o representante tem conhecimento de que 
o suposto transgressor era inocente e isso terá que ser comprovado para uma eventual 
responsabilização penal. Tipificação que evitaria representações pautadas na má-fé. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
57 
 
A previsão do caput do artigo 20 já estava prevista na redação original, embora ela nem fosse 
mais necessária, pois o artigo 12 e seu novo parágrafo §9º refere que todas assanções previstas 
no dispositivo somente podem ser executadas após o trânsito em julgado da sentença 
condenatória de improbidade. Agora, os §§1º e 2º deram nova redação ao antigo parágrafo único, 
atribuindo prazo para afastamento cautelar em 90 dias, prorrogáveis uma única vez. Prazo 
diferente do estudado na Lei nº 8.112/1990. 
Chamamos a atenção do estudante ao §3º do artigo 22, no mesmo sentido que já se estuda no 
tópico de agentes públicos, a sentença absolutória especificamente por inexistência da 
conduta ou pela negativa da autoria (art. 386, I e IV, do CPP) produzem efeito na ação de 
improbidade, levando a improcedência da ação. Veja que não é qualquer sentença penal que 
absolver o réu. 
Ademais, as sanções aplicadas, pelos mesmos fatos, em outras esferas (como em ação pela lei 
anticorrupção) deverão ser compensadas com as sanções previstas no artigo 12 da Lei de 
Improbidade Administrativa. Necessariamente estamos aqui diante da observação do princípio 
constitucional do nom bis in idem. 
Quadro resumo: 
 
Improbidade administrativa 
• Previsão no artigo 37, caput e §4º, da Constituição 
Federal, bem como na Lei 8.429/1992 (chamada 
LIA). 
• Não se confunde com crime de responsabilidade. 
• Agentes políticos podem ser responsabilizados 
pela LIA, como também pela lei de crimes de 
responsabilidade, EXCETO o presidente da 
república, que de acordo com a jurisprudência não 
responde pela LIA. 
Responsabilidade em 3 esferas 
Uma conduta ilícita praticada pelo agente público pode 
levar a responsabilização em três esferas diferentes: civil, 
administrativa e penal. Embora as sanções em outras 
ações possam ser compensadas com as sanções da LIA. 
Elementos necessários para 
configuração da LIA 
Sujeito prejudicado 
Administração Pública 
direta ou indireta, de 
qualquer dos poderes e 
entes federados, bem 
como sujeitos que 
recebam subvenção, 
benefício ou incentivo 
fiscal ou creditício, ou, 
então, pessoas cujo erário 
concorra para a criação ou 
custeio. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
58 
 
Sujeito que cometeu o ato 
Agente público em 
sentindo amplo e o 
terceiro beneficiado. 
Ato doloso 
Não há mais a 
possibilidade de conduta 
culposa, somente ação ou 
omissão dolosa. 
Sucessores 
Podem responder no limite do valor da herança ou do 
patrimônio transferido nos casos de improbidade por 
danos ao erário ou enriquecimento ilícito. Essa 
responsabilidade atinge também alterações contratuais. 
Condutas e sanções 
Art. 9º - Que importam 
enriquecimento ilícito em 
razão do exercício de cargo, 
mandato, função, emprego 
ou atividade pública. 
Perda dos bens ou valores 
acrescidos ilicitamente ao 
patrimônio, perda da 
função pública, 
suspensão dos direitos 
políticos até 14 (catorze) 
anos, pagamento de multa 
civil equivalente ao valor 
do acréscimo patrimonial 
e proibição de contratar 
com o poder público ou de 
receber benefícios ou 
incentivos fiscais ou 
creditícios, direta ou 
indiretamente, ainda que 
por intermédio de pessoa 
jurídica da qual seja sócio 
majoritário, pelo prazo não 
superior a 14 (catorze) 
anos 
Art. 10 – Causam prejuízo 
ao erário. 
Perda dos bens ou valores 
acrescidos ilicitamente ao 
patrimônio, se concorrer 
esta circunstância, perda 
da função pública, 
suspensão dos direitos 
políticos até 12 (doze) 
anos, pagamento de multa 
civil equivalente ao valor 
do dano e proibição de 
contratar com o poder 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
59 
 
público ou de receber 
benefícios ou incentivos 
fiscais ou creditícios, 
direta ou indiretamente, 
ainda que por intermédio 
de pessoa jurídica da qual 
seja sócio majoritário, pelo 
prazo não superior a 12 
(doze) anos; 
Art. 11 – Atos que atentem 
contra princípios da 
administração pública. 
Pagamento de multa civil 
de até 24 (vinte e quatro) 
vezes o valor da 
remuneração percebida 
pelo agente e proibição de 
contratar com o poder 
público ou de receber 
benefícios ou incentivos 
fiscais ou creditícios, 
direta ou indiretamente, 
ainda que por intermédio 
de pessoa jurídica da qual 
seja sócio majoritário, pelo 
prazo não superior a 4 
(quatro) anos; 
Procedimento judicial, notas 
importantes 
• Qualquer pessoa pode representar; 
• No processo administrativo a comissão deve dar 
conhecimento ao MP ao TC ou Conselho de Contas; 
• Ação deve ser ajuizada pelo MP; 
• De forma antecedente ou incidental é possível o pedido 
de indisponibilidade de bens; 
• A ação de improbidade segue o procedimento comum 
do CPC; 
• A contestação tem prazo de 30 dias; 
Indisponibilidade de bens 
• Nos moldes da tutela provisória de urgência do CPC; 
• Pode ocorrer sem oitiva prévia do réu; 
• Da decisão cabe agravo de instrumento; 
• Na ordem de indisponibilidade deverá ser priorizado: 
veículos de via terrestre, bens imóveis, bens móveis em 
geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas 
de sociedades simples e empresárias, pedras e metais 
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preciosos e, apenas na inexistência desses, o bloqueio 
de contas bancárias; 
• Vedada a decretação: Da quantia até 40 S.M 
depositados em poupança, em outras aplicações 
financeiras ou conta corrente; Do bem de família, salvo 
se comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem 
patrimonial indevida. 
É nula a decisão de mérito total 
ou parcial 
• Condenar por tipo diverso daquele definido na petição 
inicial. 
• Condenar sem produção das provas por ele 
tempestivamente especificadas. 
Regras do CPC que NÃO podem 
ser aplicadas na ação de 
improbidade: 
• A presunção de veracidade dos fatos alegados pelo 
autor em caso de revelia; 
• A imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 
1º e 2º do art. 373 do CPC; 
• O ajuizamento de mais de uma ação de improbidade 
administrativa pelo mesmo fato, competindo ao 
Conselho Nacional do Ministério Público dirimir 
conflitos de atribuições entre membros de Ministérios 
Públicos distintos; 
• O reexame obrigatório da sentença de improcedência 
ou de extinção sem resolução de mérito. 
Solução consensual 
• Interrompe em 90 dias o prazo da contestação; 
• Desde que haja integral ressarcimento do dano e à 
pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, 
ainda que oriunda de agentes privados. 
Prescrição 
Em 8 anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no 
caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a 
permanência. Bem como, 4 anos, no caso de prescrição 
intercorrente. 
 
10. Lei Anticorrupção 
10.1 Sujeitos e responsabilização
A responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas por atos corruptivos está 
disciplinada na Lei nº 12.846/2013, chamada Lei Anticorrupção; Legislação de compliance; Lei 
de Improbidade da Pessoa Jurídica; Lei Anticorrupção Empresarial; Lei Empresa Limpa; A qual 
é regulamentada pelo Decreto nº 8.420/2015. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
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61 
 
A lei anticorrupção afeta as empresas e alcança também os respectivos dirigentes, inclusive com 
previsão expressa da desconsideração da personalidade jurídica (art. 3º e 14). A 
responsabilização acontece na esfera civil e administrativa, portanto, sua natureza não é penal. 
“Possuem natureza de direito coletivo lato sensu, na modalidade de direito difuso, dado o 
interesse tutelado”. (HEINEN, 2021, p. 515). 
O ato lesivo pode ser praticado tanto contra patrimônio público nacional ou estrangeiro, 
contra princípios da Administração Pública ou contra os compromissos internacionais 
firmados pelo Brasil (art. 5º, vale a leitura completa). Conforme dispõe o artigo 28, a Lei aplica-
se aos atos lesivos praticados por pessoa jurídica brasileira contra a administração pública 
estrangeira, ainda que cometidos no exterior. 
O sujeito ativo do ato, ou seja, aquele que pratica atos punidos por esta lei são: pessoas 
jurídicasnacionais ou estrangeiras, inclusive as estatais (art. 94, da Lei nº 13.303/2016). Já o 
sujeito passivo do ato, ou seja, aquele que sofre o ato, poderá ser: entes da administração 
pública direta, entidades da administração pública indireta, administração pública estrangeira. 
10.2 Responsabilidade
A responsabilidade aplicada é objetiva da pessoa jurídica, sendo assim, é necessária a 
comprovação da conduta (ativa ou omissiva), o nexo causal e o resultado (o dano), conforme 
estabelece o artigo 1º e 2º, da Lei. Já a responsabilidade dos dirigentes ou administradores 
depende da comprovação da sua culpabilidade (art. 3º). 
10.3 Sanção administrativa e judicial
A lei abrande duas possibilidades de sanção, cuidado a sanção administrativa não afasta a 
possibilidade de sanção judicial (art. 18), inclusive, caso a Administração Pública tenha sido 
omissa em promover a responsabilização administrativa, o Ministério Público também poder 
buscar judicialmente a aplicação das sanções previstas no artigo 6º da lei. A ação segue o rito 
da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985). Sanções aplicáveis: 
1) Na esfera administrativa (art. 6º): I - com aplicação de multa, no valor de 0,1% a 
20% do faturamento bruto do último exercício anterior ao da instauração do processo 
administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca será inferior à vantagem auferida, 
quando for possível sua estimação; e II - publicação extraordinária da decisão 
condenatória. 
2) Na esfera judicial (art. 19): I - perdimento dos bens, direitos ou valores que 
representem vantagem ou proveito direta ou indiretamente obtidos da infração, 
ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé; II - suspensão ou interdição 
parcial de suas atividades; III - dissolução compulsória da pessoa jurídica; IV - 
proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos 
de órgãos ou entidades públicas e de instituições financeiras públicas ou controladas 
pelo poder público, pelo prazo mínimo de 1 (um) e máximo de 5 (cinco) anos. 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
62 
 
O processo administrativo pode ser iniciado por qualquer órgão ou entidade do Poder Legislativo, 
Executivo e Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, o §2º, do artigo 8º, da lei, refere que 
também cabe à Controladoria Geral da União (CGU) avocar processos instaurados por outras 
autoridades, a CGU trabalha como órgão controlador, sendo hierarquicamente superior aos 
demais. Também é órgão responsável por instaurar o processo quando os atos forem praticados 
contra Administração Pública estrangeira. 
No Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) deve ser observado a designação 
da comissão (art. 8º, caput e 10, §3º) formada por 2 ou mais servidores estáveis; a 
Manifestação prévia da Advocacia Pública (art. 6º, §2º); Conhecimento ao MP (art. 15); e 
inscrição em dívida ativa da Fazenda Pública (art. 13). 
10.4 Da prescrição
A prescrição para apuração do ato lesivo, tanto na esfera administrativa, quanto na judicial, é 
de 5 anos, contados da ciência ou do dia que tiver cessado, caso seja um ato lesivo de caráter 
contínuo ou permanente, de acordo com o artigo 25 da lei. Atenção: a instauração do processo 
de responsabilização provoca a interrupção do prazo prescricional. 
10.5 Acordo de leniência 
O acordo de leniência trata-se da cooperação da pessoa jurídica para a apuração das infrações, 
de acordo com o previsto no artigo 7º, inciso VII, da Lei Anticorrupção. É ato discricionário e 
bilateral. Os artigos 16 e 17 também tratam sobre tema, regulando a competência da autoridade 
máxima de cada órgão ou entidade pública como autorizado para celebrar o acordo de leniência, 
observado o disposto no §10, do artigo 16, que reserva competência para a CGU quando se 
tratar de acordo firmado no âmbito do Poder Executivo. 
O acordo de leniência é celebrado desde que a colaboração resulte (art. 16): I - a identificação 
dos demais envolvidos na infração, quando couber; e II - a obtenção célere de informações e 
documentos que comprovem o ilícito sob apuração. Ademais, é necessário o preenchimento de 
alguns requisitos para que haja o acordo: 
I - A pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar sobre seu interesse em cooperar para 
a apuração do ato ilícito; 
II - A pessoa jurídica cesse completamente seu envolvimento na infração investigada a 
partir da data de propositura do acordo; 
III - a pessoa jurídica admita sua participação no ilícito e coopere plena e 
permanentemente com as investigações e o processo administrativo, comparecendo, sob 
suas expensas, sempre que solicitada, a todos os atos processuais, até seu encerramento. 
A celebração do acordo de leniência isentará a pessoa jurídica da publicação extraordinária e da 
proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos de órgãos ou 
entidades públicas e de instituições financeiras públicas ou controladas pelo poder público, pelo 
prazo mínimo de 1 e máximo de 5 anos, bem como, reduzirá em até 2/3 (dois terços) o valor da 
multa aplicável. Todavia o acordo de leniência não exime a pessoa jurídica da obrigação de 
reparar integralmente o dano causado (§§ 2º e 3º, do art. 16) 
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Direito Administrativo 
 
63 
 
 
Quadro resumo 
 
 
Nome 
Lei Anticorrupção; Legislação de 
compliance; Lei de Improbidade da Pessoa 
Jurídica; Lei Anticorrupção Empresarial; 
Lei Empresa Limpa; 
Responsabilização Civil e administrativa 
 
Responsabilidade 
• Da pessoa jurídica: objetiva 
• Do dirigente ou administrador: subjetiva 
Atos Internos ou externos que que atentem contra: 
• patrimônio público nacional ou 
estrangeiro 
• contra princípios da administração 
• compromissos internacionais assumidos 
pelo Brasil. 
Sujeito ativo do ato Pessoa jurídica estrangeira ou nacional, 
inclusive as estatais. 
Sujeito passivo do ato Administração direta, administração indireta e 
administração pública estrangeira. 
Sanções Na esfera administrativa e/ou judicia. 
Procedimento judicial Aplica-se a lei da Ação Civil Pública 
 
 
Acordo de leniência 
Cooperação do infrator com a instrução, 
recebendo sanções para brandas, 
 
Colaboração deve resultar em: art. 16, I e II: 
I - a identificação dos demais envolvidos na 
infração, quando couber; e 
II - a obtenção célere de informações e 
documentos que comprovem o ilícito sob 
apuração. 
 
 
Requisitos do acordo 
I - A pessoa jurídica seja a primeira a se 
manifestar sobre seu interesse em cooperar 
para a apuração do ato ilícito; 
II - A pessoa jurídica cesse completamente seu 
envolvimento na infração investigada a partir 
da data de propositura do acordo; 
III - a pessoa jurídica admita sua participação 
no ilícito e coopere plena e permanentemente 
com as investigações e o processo 
administrativo, comparecendo, sob suas 
expensas, sempre que solicitada, a todos os 
atos processuais, até seu encerramento. 
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Direito Administrativo 
 
64 
 
 
Prescrição 
5 anos contados da data da infração ou de 
quando tiver cessado (se infração permanente 
ou contínua). 
 
Interrompe a prescrição: instauração do 
processo administrativo ou judicial 
 
11. Controle da Administração Pública 
11.1 Conceito
A Administração Pública tem o dever-poder de controle de seus atos. Ela pode exercer ela 
mesma o controle (princípio da autotutela) chamado controle interno quando exercido pelo 
próprio Poder que praticou o ato, assim como, também está sujeita ao controle externo, quando 
um poder realiza controle do outro. Esse controle não recai apenas sobre os órgãos do Poder 
Executivo, mas também a qualquer entidade administrativa da administração indireta, qualquer 
órgão, de qualquer dos Poderes, da administração direta no exercício da função administrativa. 
O controle pode ser exercido de forma popular também, a Constituição Federal traz em seu artigo5 
 
 
a) Comuns ou ordinárias: são as autarquias administrativas ou de serviço, como o 
INSS e o Ibama. 
b) Especiais: pois possuem peculiaridades no regime jurídico (quando comparado ao 
geral, do Decreto 200/1967), como mais autonomia dos que as autarquias comuns. 
Agências Reguladoras são exemplos de autarquias especiais. Exemplo de 
autarquia especial: Anatel, Anvisa e Banco Central. 
c) Corporativas: Conselhos Profissionais. Por não receberam orçamento da União, 
não estão submetidas às regras constitucionais de finanças públicas (art. 163 a 
169, da CF), ou seja, regras de precatório não são aplicadas às autarquias 
corporativas, segundo o RE 938.837, de 2017, julgado pelo Supremo Tribunal 
Federal. Exemplos: Conselho Regional de Medicina (CRM). 
d) Fundacionais: chamadas pela jurisprudência de Fundações Autárquicas ou 
Autarquias Fundacionais, são na verdade são Fundações Públicas, mas criadas 
por lei sob regime do Direito Público. A diferença entre a Autarquia e Fundação 
Pública de Direito Público é apenas conceitual, “autarquias são definidas como um 
serviço público personificado, em regra, típico de Estado, enquanto fundações 
públicas de direito público, são, por definição, um patrimônio personalizado 
destinado a uma finalidade determinada” (ALEXANDRINO; PAULO, 2017, p. 45). 
Exemplos: Procon, Funasa e FUNAI. 
e) Associações Públicas: que são os Consórcios Públicos de Direito Público, 
inclusive assim está defino no artigo 41, do Código Civil. Sendo de direito público 
esse consórcio integrará a administração indireta. Também são chamados de 
autarquias interfederativas, multifederativa, multifederada, autarquias associativas 
ou contratuais. 
Atenção: O STF retirou da Ordem dos Advogados do Brasil o status de autarquia (ADIn 
3.026/06) referindo-se a ela como entidade sui generis. Para a doutrina clássica a OAB nunca 
deixou de ser Conselho de Classe, logo uma autarquia. 
 
1.4 Agência reguladora
 
As agências reguladoras autarquias de regime especial, responsáveis pela regulamentação, 
controle e fiscalização de serviços públicos transferidos ao setor privado. O entendimento de 
quais entidades são agências reguladoras não é pacífico entre a doutrina. Em 2019, a Lei nº 
13.848/2019 trouxe no seu artigo 2º as onze entidades federais que considera agências 
reguladoras: I - a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); II - a Agência Nacional do 
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); III - a Agência Nacional de Telecomunicações 
(Anatel); IV - a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); V - a Agência Nacional de 
Saúde Suplementar (ANS); VI - a Agência Nacional de Águas (ANA); VII - a Agência Nacional 
de Transportes Aquaviários (Antaq); VIII - a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); 
IX - a Agência Nacional do Cinema (Ancine); X - a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); XI 
- a Agência Nacional de Mineração (ANM). 
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Direito Administrativo 
 
6 
 
As agências reguladoras possuem as características de uma autarquia comum, mas também 
possuem peculiaridades, que tornam elas diferenciadas. São entidades autônomas, editam 
normas, fiscalizam, aplicam sanções, resolvem disputas entre empresas e regulam o mercado 
no setor em que atuam. 
As leis nº 9.986/2000 e a lei nº 13.848/2019, regulam, em caráter geral, a gestão e organização 
das agências reguladoras, nelas está previsto que os dirigentes serão escolhidos pelo Chefe do 
Executivo, dependendo da aprovação pelo Senado Federal (Art. 52, III, f, da CF). Assim, trata-
se de ato complexo, já que são necessárias duas vontades distintas. 
São dirigidas por um colegiado formado por 4 conselheiros ou diretores e 1 presidente, 
diretor-presidente ou diretor-geral (Art. 4º, da Lei nº 9.986/2000). Os requisitos para ser 
presidente, diretor-presidente ou diretor-geral e demais conselheiros, estão elencados no artigo 
5º, da Lei nº 9.986/2000. Seu mandado será de 5 anos (a partir da Lei nº 13.848/2019). Nessas 
autarquias seus dirigentes possuem um mandato fixo, do qual só perderão nas hipóteses 
previstas em lei (sentença transitada em julgado, processo administrativo ou renúncia). 
Quando um dirigente deixa o seu cargo, passa por um período chamado de “quarentena” ou 
“geladeira”, onde o ex-dirigente fica proibido de exercer atividades ou prestar qualquer serviço 
no setor regulado pela respectiva agência por um período de seis meses (art. 8º, da Lei nº 
9.986/2000), contados da exoneração ou do término do mandato. Durante esse período o 
dirigente continua vinculado à Agência, fazendo jus à remuneração compensatória equivalente 
ao cargo de direção que exercia. 
Agência reguladoras não são a mesma coisa que a agência executiva, as agências executivas 
são autarquias ou fundações que receberam denominação, são entidades preexistentes que 
recebem a qualificação de agência executiva. Prevista na Constituição Federal, no artigo 37, § 
8º, Agência Executiva é apenas um título dado pelo governo federal para uma autarquia, 
fundação pública ou órgão que celebre contrato de desempenho, buscando a ampliação de 
autonomia e fixando metas de desempenho. A previsão das agências executivas está na Lei 
9.649/1998. 
 
1.5 Fundações públicas 
 
As fundações são divididas em duas espécies: fundações públicas de direito público 
(possuem personalidade jurídica de direito público) e as fundações públicas de direito privado 
(possuem personalidade jurídica de direito privado). Trata-se da afetação de um acervo 
patrimonial do Estado a uma determinada finalidade pública. 
Para o doutrinador José dos Santos Carvalho Filho, a fundação pública de direito privado “se 
caracteriza pela circunstância de ser atribuída personalidade jurídica a um patrimônio 
preordenado a certo fim social. Trata-se de uma das categorias das pessoas jurídicas de direito 
privado, estando reguladas nos arts. 62 e 69 do Código Civil” (2019, p. 562). Segundo o mesmo 
doutrinador, são características básicas da fundação: a figura do instituidor; o fim social da 
entidade; ausência de fins lucrativos. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
7 
 
Veja que a fundação é uma inspiração para dotação de bens à um objetivo social, isso é, não 
em caráter econômico, visando lucros, ou empresarial. A entidade administrativa instituída como 
fundação deve beneficiar de forma desinteressadas pessoas, ou seja, sem fins lucrativos. 
1.6 Comparando fundações e autarquias 
 
Características Autarquias Fundações 
Públicas de 
Direito 
Público 
Fundações Públicas de 
Direito Privado 
Exemplos Banco Central 
do Brasil 
(BACEN); 
Instituto 
Nacional de 
Seguro Social 
(INSS); Instituto 
Nacional de 
Colonização e 
Reforma 
Agrária 
(INCRA); 
Instituto 
Brasileiro de 
Meio Ambiente 
e dos Recursos 
Naturais 
Renováveis 
(IBAMA); 
Conselho 
Federal e 
Regionais de 
Medicina 
(CRM); 
Conselho 
Federal de 
Odontologia 
(CRO); 
FUNAI; IBGE; 
Procon; 
FUNPRESP (Fundação de 
previdência complementar 
para servidores públicos 
federais – Veja que a fundação 
pública privada sobrevive com 
o dinheiro do terceiro, não do 
ente federativo. Também 
podemos citar a Fundação 
Padre Anchieta. 
Criação e extinção 
 
Criada e extinta por lei específica. 
 
Lei autoriza a criação, mas o 
Poder Executivo deve 
providenciar a sua criação no 
registro público (art. 45, do CC 
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Direito Administrativo 
 
8 
 
e art. 5º, § 3º, do Decreto-lei 
200/1967). A extinção ocorre 
com a baixa em cartório. 
Iniciativa da lei – Art. 
61, § 1º, inciso II, alínea 
“e”, da CF 
Chefe do Executivo (salvo se for entidade vinculada ao Poder 
Legislativo ou Judiciário). 
Patrimônio Bens Públicos (art. 98, do CC) Bens privados. Exceto se a lei 
que autorizou a criação da 
fundação prever restrições e 
impedimentos quanto a gestão 
desses bens. 
Natureza jurídica Pessoa jurídica37, §3º da CF: 
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta 
e indireta, regulando especialmente: 
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a 
manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e 
interna, da qualidade dos serviços; 
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de 
governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; 
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, 
emprego ou função na administração pública. 
O inciso II foi parcialmente disciplinado pela Lei nº 12.527/2011, regulamentada pelo Decreto nº 
7.724/2012, chamada Lei de Acesso à Informação (LAI). 
O controle da Administração Pública também é uma tarefa do Ministério Público (art. 129, da 
CF), a principal ferramenta de controle judicial do órgão é a Ação Civil Pública. 
11.2 Controle administrativo
O controle administrativo é o poder de fiscalização e correção que a Administração Pública tem 
sobre os atos. Esse controle pode se dar em razão da legalidade, onde atos ilegais devem ser 
anulados, ou pode ser controle de mérito, no qual a Administração Pública tem a possibilidade 
de revogar atos, quando não são mais convenientes e oportunos. No Decreto-lei 200/1967 ele 
é denominado como supervisão ministerial. Esse poder é reconhecido pelo judiciário nas 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
65 
 
súmulas 346 e 473, do Supremo Tribunal Federal e pelo legislador no artigo 53, da Lei nº 
9.784/1999. 
O controle pode ser por própria iniciativa da Administração Pública, ou seja, de ofício, como 
também por provocação. Importante destacar que controle de mérito somente a própria 
administração pode realizar, o Poder Judiciário (no controle externo) só pode, quando provocado, 
analisar a legalidade dos atos, buscando a sua anulação. Decorre do direito de apreciação pelo 
Poder Judiciário quando houver lesão ou ameaça a direito, segundo o artigo 5º, inciso XXXV, 
assim como assegura que todos tem direito de petição nos Poderes Públicos (art. 5º, inciso 
XXXIV). Outra forma de controle é a possibilidade legal de recursos administrativos. 
11.3 Recurso hierárquico próprio e impróprio
O recurso próprio é o recurso endereçado à autoridade imediatamente superior à que praticou o 
ato recorrido, pode ser interposto sem necessidade de previsão legal. Já o recurso impróprio é 
aquele dirigido à uma autoridade que não ocupa posição de superioridade hierárquica em relação 
a quem praticou o ato recorrido. Nesta forma só poderá ocorrer o recurso se houver previsão 
legal. Exemplo: recurso contra decisão tomada por autarquia endereçado ao Ministro da pasta à 
qual a entidade recorrida está vinculada (DI PIETRO, 2022, p. 938). 
11.4 Prescrição administrativa
A prescrição administrativa deve ser vista sob três aspectos: a possibilidade da Administração 
Pública rever seus atos; A perda do prazo para que possa aplicar penalidades administrativas; 
E a prescrição do administrado de recorrer de decisão administrativa. 
Caso a lei específica não preveja o prazo para a Administração Pública rever seus atos, será 
aplicado de forma subsidiária, na esfera federal, a Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo 
administrativo no âmbito federal. O artigo 54 estabelece o prazo decadencial de 5 anos para o 
direito da Administração de anular atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis aos 
destinatários, salvo situação de má-fé, ocasião em que não será aplicado prazo decadencial. 
Outro dispositivo importante sobre prescrição é o artigo 142, da Lei nº 8.112/1990, estatuto dos 
servidores federais, ele traz a prescrição de 5 anos para a administração pública aplicar a 
demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; A 
prescrição de 180 dias para a pena de advertência; E 2 anos a prescrição para aplicação da 
pena de suspensão. 
Ao que tange o Poder Polícia, a prescrição para punição é de 5 anos para ação punitiva da 
Administração Pública Federal, Direta ou Indireta, contados da data da prática do ato ou, no caso 
de infração permanente ou continuada, no dia em que tiver cessado, de acordo com o artigo 1º, 
da Lei nº 9.873/1999. Cuidado: essa lei só se aplica na esfera federal. 
11.5 Controle legislativo
Trata-se do controle que é exercido pelo Poder Legislativo sobre a Administração Pública. São 
hipóteses previstas na Constituição Federal de intervenção entre poderes. O controle legislativo 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
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implica na possibilidade de interferência no Poder Judiciário (quando executa função 
administrativa) e no Poder Executivo, neste último, abrange a Administração Direita e Indireta. 
Essa possibilidade de controle constitui uma exceção ao princípio da separação de Poderes, 
previsto no artigo 2º, da Constituição Federal (DI PIETRO, 2022, p. 942). 
Segundo a doutrinadora Di Pietro, esse controle pode ocorrer de duas formas: 
1) Controle político: que ser de legalidade e de mérito, pois vai apreciar as decisões 
administrativas sob o aspecto inclusive da discricionariedade. Exemplos: 
 
a) Segundo o artigo 49, da CF, incisos I, II, III, IV, XII, XIV, XVI, XVII, bem como, o artigo 52, 
da CF, incisos III, IV, V, XI, tratam sobre a competência do Congresso Nacional e do Senado 
para apreciar a priori ou a posteriori os atos do Poder Executivo. 
b) Convocação de Ministro de Estado pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado para 
prestar informações, sob pena de crime de responsabilidade no caso de ausência (art. 50, da 
CF). 
c) Apuração de irregularidades pelas Comissões Parlamentares de Inquérito, as quais tem 
poder de investigação (não de sanção) próprios das autoridades judiciais, suas conclusões são 
encaminhadas ao Ministério Público para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos 
infratores (Art. 58, §3º, da CF). 
d) Competência do Senado Federal para processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente 
da República nos crimes de responsabilidade (art. 52, da CF). 
e) A competência do Senado para fixar, por proposta do Presidente da República, limites 
globais para o montante da dívida consolidada da União, estados, Distrito Federal e dos 
Municípios; para dispor sobre o limite e condições para operação de crédito externo e dispor 
sobre o limite e condição de concessão de garantia da União em operação de crédito externo e 
interno (art. 52, incisos VI, VII e VIII, da CF). 
f) Competência do Congresso Nacional para sustar os atos normativos do Poder Executivo 
que exorbitam o poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa (art. 49, V, CF). 
g) Controle financeiro com o auxílio do Tribunal de Contas. 
 
2) Controle financeiro: disciplinado entre os artigos 70 e 75, da Constituição Federal, se 
refere a fiscalização contábil, financeira e orçamentária. Trazendo normas básicas como: 
 
a) A fiscalização abrange a contábil, a financeira, a orçamentária, operacional e a 
patrimonial. 
b) Os aspectos controlados são: 
i. Legalidade de ato; 
ii. Controle de legitimidade; 
iii. Controle de economicidade; 
iv. Controle de fidelidade funcional; 
v. Controle de resultados de cumprimento de programas de trabalho e meta. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
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c) As pessoas controladas são: União, estados, municípios (art. 31, CF), Distrito Federal e 
entidades da Administração Direta e Indireta, bem como, qualquer pessoa física ou entidade 
pública, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos. 
d) A fiscalização compreende em controle externo, realizado pelo Poder Legislativo, com 
auxílio do Tribunal de Contas, ou controle interno, feito por cada um dos Poderes. O controle 
externo compreende (art. 71, da CF): 
i. Fiscalizaçãofinanceira 
ii. Consulta (quando emite parecer prévio sobre as contas prestadas). 
iii. Informação ao Congresso Nacional, as casas legislativas, ou às comissões. 
iv. Julgamento de contas. 
v. Aplicação de sanção nos casos de ilegalidade ou irregularidade. 
vi. Correção, quando assina prazo para o órgão ou entidades adotar providências 
necessárias para o cumprimento da lei; ou quando susta a execução de ato impugnado; 
vii. Ouvidor, quando recebe denúncia de irregularidades. 
De acordo com o artigo 74, §1º e §2º, da Constituição Federal, os responsáveis pelo controle 
interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, darão ciência ao 
Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. Inclusive, qualquer 
cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar 
irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. 
Cabe ao Tribunal de Contas da União sustar a execução do ato impugnado, se não atendido, 
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Essa atribuição também 
cabe ao Congresso Nacional, o artigo 49, inciso V, da CF que trata sobre a competência do 
Congresso: “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder 
regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”. 
Sobre o Tribunal de Contas, ainda cumpre ressaltar o teor da Súmula vinculante 3: “Nos 
processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa 
quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o 
interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, 
reforma e pensão”. 
11.6 Controle judicial
O controle judicial é aquele exercido pelo Poder Judiciário, realizado mediante provocação. Para 
o controle judicial temos as principais ações: Mandado de Segurança; Habeas corpus; Ação Civil 
Pública; Ação popular; Mandado de Injunção; Habeas Data e Ação de improbidade 
administrativa. 
Essas são as principais, mas isso não impede outras ações, como por exemplo a Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (artigo 102, inciso I, alínea “a” e artigo 103, ambos das Constituição Federal 
e previsto na Lei nº 9.868/1999). 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
68 
 
Quadro resumo: 
 
O que é: Instrumento jurídico de fiscalização sobre a atuação dos agentes, 
órgãos e entidades da Administração Pública. 
Natureza Natureza jurídica de princípio fundamental da administração pública. 
 
 
 
 
Órgão 
controlador 
Administrativo: Legislativo ou Parlamentar Judicial 
Pode ocorrer de 
ofício ou mediante 
provocação. 
 
Fundado no poder 
da autotutela; 
 
Pode ser pela 
supervisão 
ministerial/ 
secretarial. 
Pode ser político, exemplo: 
quando o Congresso susta 
um ato normativo do 
Executivo, por exorbitar o 
Poder Regulamentador; 
 
Pode ser financeiro: como 
a fiscalização contábil, 
financeira e orçamentária 
exercida com auxílio do 
Tribunal de Contas. 
Somente se for 
provocado quando 
se tratar de 
controle externo. 
 
 
 
Momento de 
controle 
Prévio, exemplo: 
parecer da 
advocacia pública 
orientando gestor. 
Concomitante, exemplo: 
fiscalização/auditoria de 
obras em execução. 
Posterior, 
exemplo: 
julgamento de 
contas pelo 
Tribunal de 
Contas. 
 
Origem do 
controle ou a 
extensão: 
Interno: dentro do 
mesmo Poder, 
exemplo controle 
exercido pelas 
chefias sobre seus 
subordinados, 
dentro do mesmo 
órgão. 
Externo: um Poder sobre o 
outro, exemplo, quando o 
judiciário anula ato ilegal 
do Executivo. 
Popular (ou 
social): realizado 
pelo povo, como 
pela denúncia de 
irregularidade 
perante o Tribunal 
de Contas da 
União. 
Quanto ao 
aspecto: 
Legalidade (ou 
legitimidade): 
realizado pela 
própria 
Administração, em 
razão do princípio 
da autotutela, ou 
pelo judiciário. 
Mérito: praticado apenas 
pela Administração, 
podendo revogar atos por 
inconveniência e 
inoportunidade. Exemplo: 
revogação de férias de 
servidor por situação de 
calamidade pública. 
Obs.: O Poder 
Judiciário pode 
revogar atos em 
razão do mérito 
quando se tratar 
de seus próprios 
atos, no exercício 
da função atípica 
administrativa. 
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Direito Administrativo 
 
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Ações de 
controle: 
Mandado de Segurança; Habeas Corpus; Ação Civil Pública; Ação 
Popular; Mandado de Injunção; Habeas Data; Ação de Improbidade 
Administrativa; 
Prescrição Prazo decadencial - regra é de 5 anos – art. 54, Lei 9.784/1999 
Recurso Hierárquico 
próprio: para a 
autoridade superior 
àquela que 
praticou o ato 
recorrido. 
Hierárquico impróprio: para 
outra autoridade não é 
superior àquela que 
praticou o ato recorrido. 
Exige previsão legal. 
Obs.: No Brasil 
não é exigido 
esgotamento da 
via administrativa 
para acesso ao 
Poder Judiciário 
(art. 5º, XXXV, da 
CF). 
Artigo 
importantes 
Artigos 31; 49, V; 70; 71 e 74, ambos da Constituição Federal. 
 
12. Serviços Públicos 
12.1. Conceito de Serviço Público 
Define Hely Lopes Meirelles (2003, p. 319) serviço público como “todo aquele prestado pela 
Administração ou por seus delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer 
necessidades essenciais ou secundárias da coletividade, ou simples conveniências do 
Estado”. O conceito de serviço público pode ser compreendido, assim, como toda a atividade 
prestada pela Administração Pública (Estado), visando o interesse coletivo, que obedeça a um 
regime de direito público, com procedimento e princípios próprios que o regem. 
 
Os serviços públicos podem serem prestados pelo Estado, por meio da Admininstração Indireta, 
ou, ainda, por particulares. No primeiro caso, há a outorga ou descentralização por serviço da 
Administração Direta para a Admininstração Indireta; no segundo, fala-se em delegação, 
descentralização por colaboração ou delegação negocial da atividade para particulares. 
 
 
 
➔ No caso de outorga/descentralização por serviço: 
• Há a transferência da titularidade e da execução do serviço; 
Administração Indireta Administração Direta Particulares 
Delegação/ descentralização por 
colaboração ou delegação negocial 
Outorga/descentralização por 
serviço 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
70 
 
• Ocorre apenas por lei; 
• Se dá por prazo indeterminado. 
 
➔ No caso de delegação/descentralização por colaboração ou delegação negocial: 
• Há a transferência apenas da execução do serviço público e não da sua titularidade; 
• Ocorre por contrato (nos casos de concessão e permissão) ou por ato administrativo 
(quando se trata de autorização); 
• Se dá por prazo determinado. 
 
12.2 Competências 
A Constituição Federal tratou de regular 
competências específicas para cada ente da federação e não é diferente quando falamos de 
serviço público. Os artigos 21 e 22 tratam das competências – administrativas e legislativas, 
respectivamente –, da União, enquanto o artigo 23 trata das competências comuns 
(administrativas) e o artigo 24 das concorrentes (legislativas), à União, estados e Distrito Federal. 
O artigo 25 define as competências estatais, o artigo 30 as municipais e, por fim, o artigo 32 as 
distritais. 
Competências serviços públicos: 
União: art. 21/CF, incisos X, XI, XII; 
Estados: art. 25/CF, § 2º; 
Distrito Federal: art. 32/CF, §1º; 
Municípios: art. 30/CF, V, VI, VII; 
 
12.3. Princípios do Serviço Público 
Além de serem regidos por um regime de direito público, os serviços públicos são orientados por 
princípios inerentes a esse regime próprio, dispostos no §1º do artigo 6º, da Lei n.º 8.987/1995. 
→ Princípio da continuidade do serviço público: Já analisado especificamente no 
conteúdo de princípios, o Princípio da Continuidade do Serviço Público é extremamente 
relevante! Vale conferir mais uma vezno material. 
 
→ Princípio da Igualdade dos usuários: Por conta desse princípio não são admitidas 
distinções de caráter pessoal que não aquelas definidas em lei – como, por exemplo, a utilização 
de tarifas diferenciadas para idosos. O tratamento deve ser, portanto, igualitário. 
 
→ Princípio da Regularidade: Serviços públicos devem ser prestados com exatidão, 
pontualidade, periodicidade, de forma a atender as demandas, garantindo, também, seu 
adequado funcionamento. 
 
→ Princípio da Eficiência: O Princípio da eficiência rege o Direito Administrativo como um 
todo, aplicando-se também aos serviços públicos, que devem ser prestados de forma eficiente, 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
71 
 
suficiente, considerando-se a otimização de recursos, de pessoal e melhor atendimento às 
demandas da sociedade. 
 
→ Princípio da Segurança: Contempla tanto a segurança dos usuários do serviço púbico 
quanto a dos não usuários, os quais não devem ser expostos a riscos. Por exemplo: a adequada 
prestação do serviço de transporte, com motoristas habilitados e veículos adequados; o serviço 
de educação básica prestado em locais estruturados e seguros... 
 
→ Princípio da Contemporaneidade/atualidade: A lei n.º 8.987/1995, no §2º do artigo 6º 
tratou de definir o princípio da atualidade. Indica que “A atualidade compreende a modernidade 
das técnicas, do equipamento e das instalações e a sua conservação, bem como a melhoria e 
expansão do serviço”. O serviço público, desta maneira, deve ser prestado visando sempre a 
melhoria e a expansão do serviço. 
 
→ Princípio da Generalidade/universalidade: O Princípio da generalidade ou 
universalidade, assim como o princípio da igualdade (isonomia) preconiza o tratamento 
igualitário, sem distinções, dos usuários, bem como o atendimento ao maior número possível de 
usuários, garantindo a universalidade dos serviços públicos. 
 
→ Princípio da Cortesia: O atendimento destinado aos usuários dos serviços públicos, por 
tal princípio, deve se dar de forma cortês, garantindo-se, ainda, de forma indireta a existência de 
centrais de atendimento aos usuários nos casos de serviços de massa, como energia elétrica e 
telefonia, por exemplo (MAFINNI, 2013). 
 
→ Princípio da Modicidade das Tarifas: Este princípio preconiza que as tarifas dos 
serviços públicos, quando existentes, possuam um valor adequado e não visem lucro desmedido. 
Assim, é possível, quando autorizadas no edital da licitação, nos casos definidos em lei, a 
utilização de outras receitas alternativas que favoreçam a modicidade das tarifas, como 
disciplinam os artigos 11 e 17 da Lei n.º 8.987/1995: 
 
→ Princípio da transparência e participação do usuário: A classificação da transparência 
e participação dos usuários como princípio não é pacífica na doutrina. Destaca Carvalho Filho 
(2021) a proteção constitucional destinada à participação do usuário e a necessidade de lei para 
regulamentar as reclamações dos usuários, acesso a registros e informações, bem como o 
regime de representação contra atuações abusivas dos agentes públicos. A lei n.º 13.460, 
editada em 2017, tratou dessa tarefa. 
 
→ Princípio da mutabilidade do regime jurídico: Visando a estar sempre em consonância 
com o interesse público, o princípio da mutabilidade do regime jurídico autoriza que ocorram 
mudanças no regime de execução de serviços públicos, não havendo, assim, um direito adquirido 
a manutenção deum regime jurídico específico quando envolvida a prestação de serviços 
públicos (DI PIETRO, 2021). 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
72 
 
 
12.4. Classificações dos Serviços Públicos 
Algumas classificações são necessárias para melhor compreendermos os serviços públicos. São 
elas a respeito dos destinatários, titularidade, objeto, essencialidade, titularidade estatal e 
criação. 
➔ Destinatários: 
Gerais/coletivos/uti universi - Cobrados por impostos ou contribuições: São aqueles 
"inquantificáveis e que tem usuários inqualificáveis [...], aqueles em que não se pode mensurar 
a quantidade de serviço prestado, bem como seu próprio usuário (ex.: segurança pública)" 
(MAFINNI, 2013). 
 
Individuais/uti singuli - Cobrados por taxa, tarifa ou preço público: Ao contrário dos gerais, 
são serviços públicos em que é possível identificar a utilização pelo usuário, como o serviço de 
energia elétrica residencial, sendo possível a cobrança de um valor determinado pelo consumo. 
 
➔ Titularidade: 
A titularidade relaciona-se com a competência para a prestação. Assim, basta questionar: 
Quem é o ente titular dessa prestação? 
 
Podem ser: * Federais (União); * Estaduais (estados); * Distritais (DF); * Municipais 
(município); * Comuns (todos os entes podem ser titulares) 
 
➔ Objeto: 
Administrativos: atividades que atendam necessidades internas: São aqueles executados 
pela Administração Pública para o atendimento de necessidades internas desta, ou, ainda, que 
refiram-se a preparação de outros serviços prestados ao público, como o de imprensa oficial 
(MEIRELLES, 2003). 
Industriais/comerciais: dão lucro/renda – podem ser delegados a particulares 
 
Sociais: visam atender a prestação de direitos fundamentais sociais – podem ser delegados 
a particulares: São aqueles que o Estado, diretamente ou por delegação, executa para atender 
demandas básicas e relevantes, bem como serviços assistenciais, tendo por finalidade a 
concretização de direitos fundamentais sociais previstos constitucionalmente. 
 
➔ Essencialidade: 
Essenciais – indispensáveis, necessidade pública – Execução privativa da Administração 
Pública (exceção: art. 30, V, CF). Os serviços essenciais caracterizam-se como aqueles que 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
73 
 
atendem interesses essenciais e possuem como sujeitos da prestação apenas as entidades 
públicas. Prestados, portanto, exclusivamente pelo Estado. 
 
ATENÇÃO: exceção: art. 30, V, CF – possibilidade de concessão ou permissão para execução 
do serviço público de transporte coletivo nos municípios. 
 
Não essenciais – de utilidade pública – Podem ser prestados por particulares (ex. serviço 
funerário). Atendem a interesses não essenciais da coletividade, mas possuem utilidade pública, 
podendo ser prestados pelo Estado ou por entidades de direito privado. 
 
➔ Titularidade estatal: 
Próprios – de titularidade exclusiva do Estado – execução pode ser delegada por concessão 
ou permissão: Trata-se dos serviços públicos propriamente ditos, de titularidade da 
Administração Pública, que são por ela executados diretamente ou por meio de delegação. 
Impróprios ou virtuais – atividades com relevância pública, nas quais os titulares são 
particulares – se submetem aos princípios do serviço público e ao Poder de Polícia; Exemplo: 
compensação bancária – por estar elencada no art. 10, XI, da Lei n.º 7.783/1989, que traz 
serviços de natureza essencial, não é cabível greve. 
 
➔ Criação: 
Opção legislativa – serviços públicos elencados pelo Legislador, ou seja, descritos em lei ou na 
Constituição Federal; 
Inerente – aqueles serviços que, mesmo sem estarem expressos em lei, são serviços públicos 
por suas características, ainda que não estejam assim identificados. 
 
12.5 Concessão, Permissão e Autorização 
Concessão, permissão e autorização são formas de delegação da execução de serviços 
públlicos pela Admininstração Pública Direta a particulares. Vejamos cada uma delas, iniciando 
pela concessão: 
 
 
 
 
 
 
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Direito Administrativo 
 
74 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11.5.1 Concessão Comum 
 
Dentre as formas de concessão (comum e especial) a concessão comum trata-se se uma 
modalidade de delegação de serviço público a particulares por parte da Administração Pública, 
regulamentada na Lei n.º 8.987/1995 – referente aos regimes de concessãoe permissão. 
 
A concessão comum está disciplinada no artigo 2º da Lei, nos incisos II e III, que dispõem, 
respectivamente, que “concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo 
poder concedente, mediante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo competitivo, a 
pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, 
por sua conta e risco e por prazo determinado” e “concessão de serviço público precedida da 
execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou 
Concessão 
Comum 
Lei n.º 8.987 
Especial 
Lei n.º 11.079 
Parceria Público Privada 
Administrativa 
Contraprestação apenas 
pública 
Patrocinada 
Contraprestação pública + 
tarifa usuário 
Por contrato + exigência de licitação 
(concorrência/diálogo competitivo) 
Permissão Lei n.º 8.987/1995 Por contrato + 
exigência de licitação 
Autorização Por ato administrativo 
sem exigência de licitação 
Art. 21, XI e XII/CF 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
75 
 
melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegados pelo poder concedente, 
mediante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo competitivo, a pessoa jurídica ou 
consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, 
de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a 
exploração do serviço ou da obra por prazo determinado”. 
 
Em resumo, são características da concessão comum: 
 
• Por contrato, com tarifa fixada no contrato; 
• Executada em nome próprio; 
• Poder concedente fiscaliza (cabe ocupação temporária) e pode aplicar penalidades (previstas 
no contrato – Poder disciplinar); 
• Cabe intervenção: quando a Administração Pública se utiliza de bens e recursos humanos da 
concessionária para a realização da finalidade pública de prestação do serviço (art. 32 e ss., 
Lei n.º 8.987/1995). 
• Poder concedente segue como titular (transfere apenas a execução); 
• Possível a subconcessão (art. 26, Lei n. 8.987/1995, com prévia licitação e autorização do 
concedente); 
• Responsabilidade objetiva e direta (Poder concedente responde apenas de forma 
subsidiária); 
• Terceirização da atividade meio (art. 25, § 1º e 2º, Lei n. 8.987/1995) 
• Administração Pública não responde por débitos trabalhistas da concessionária; 
• Art. 16, Lei 8987/1995: “A outorga de concessão ou permissão não terá caráter de 
exclusividade, salvo no caso de inviabilidade técnica ou econômica justificada no ato a que se 
refere o art. 5o desta Lei”. 
 
12.5.2 Concessão Especial: 
 
Envolve uma Parceria Público-Privada (PPP) e subdivide-se em Patrocinada e Administrativa, 
reguladas na Lei n.º 110.79/2004. Aplicação subsidiária da Lei n.º 8.987/1995. A 
responsabilidade, no caso das concessões especiais, é solidária, com a repartição das 
responsabilidades definida no contrato. 
 
Concessão Patrocinada: Disciplinada no §1º do artigo 2º da Lei n.º 11.079/2004, a concessão 
patrocinada pode ser tanto de serviços públicos quanto de obras públicas, envolvendo a 
cobrança de tarifa dos usuários aliada a uma contraprestação da Administração Pública ao 
concessionário. 
 
Concessão Administrativa: Diferentemente da concessão patrocinada, na concessão 
administrativa não há a cobrança de tarifa do usuário, sendo a Administração Pública a usuária 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
76 
 
direta ou indireta do serviço. Pode, ainda, envolver a execução de obra ou instalação de bens, 
estando disciplinada também no artigo 2º da Lei n.º 11.079/2004, em seu §2º. 
 
Pontos importantes: Lei 11079/2004 
 
Art. 2º § 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada: 
I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais); 
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos; ou 
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e 
instalação de equipamentos ou a execução de obra pública. 
 
Art. 6º: A contraprestação da Administração Pública nos contratos de parceria público-
privada poderá ser feita por: I – ordem bancária; II – cessão de créditos não tributários; III 
– outorga de direitos em face da Administração Pública; IV – outorga de direitos sobre 
bens públicos dominicais; V – outros meios admitidos em lei. 
 
Art. 7º A contraprestação da Administração Pública será obrigatoriamente precedida da 
disponibilização do serviço objeto do contrato de parceria público-privada. 
§ 1º É facultado à administração pública, nos termos do contrato, efetuar o pagamento da 
contraprestação relativa a parcela fruível do serviço objeto do contrato de parceria público-
privada. 
§ 2º O aporte de recursos de que trata o § 2º do art. 6º, quando realizado durante a fase 
dos investimentos a cargo do parceiro privado, deverá guardar proporcionalidade com as 
etapas efetivamente executadas. 
 
Art. 9º Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída sociedade de propósito 
específico, incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. 
 
Art. 10. § 3º As concessões patrocinadas em que mais de 70% (setenta por cento) da 
remuneração do parceiro privado for paga pela Administração Pública dependerão de 
autorização legislativa específica. 
 
12.5.3 Permissão 
 
Em sua origem a permissão constitui-se como uma forma de delegação efetivada por ato 
administrativo unilateral, precário e passível de revogação unilateral, atribuindo-se ao instituto, 
posteriormente, sobretudo com a Lei n.º 8.987/1995, um caráter contratual (MAFINNI, 2013). 
 
Os artigos 2º, inciso IV, e 40 da Lei n.º 8.987/1995 apresentam importantes elementos das 
permissões, sendo rasa a sua fundamentação legal, gerando críticas doutrinárias sobre sua 
confusa definição. A diferença da concessão, qualquer modalidade licitatória pode ser utilizada, 
existindo-se apenas a existência de licitação prévia ao contrato de permissão. 
 
Sobre a permissão: 
 
→ Disciplinada nos artigos 2º e 40 da Lei n.º 8.987/1995; Por contrato; 
→ Apenas para serviço público e não obra pública; 
→ Sem prazo – caso fixado, cabe indenização se revogado antes; 
→ Precária (pode ser revogada ou alterada a qualquer tempo); 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
77 
 
→ Poder concedente fiscaliza; 
→ Responsabilidade objetiva e direta (Poder concedente responde de forma subsidiária); 
 
Diferenciações importantes 
Concessão Permissão 
A título não precário - Mais segura A título precário 
Licitação apenas nas modalidades 
concorrência ou diálogo competitivo 
Licitação em qualquer modalidade 
Concessão ocorre apenas para pessoa 
jurídica ou consórcio de empresas 
Permissão ocorre para pessoa física ou 
jurídica (autorização também) 
Prazo pode variar de acordo com o serviço, 
sendo vedada a renovação automática. Prazo 
máximo: 35 anos. 
Sem prazo (doutrina aceita), caso haja e tenha 
rescisão anterior, cabe indenização 
Pode envolver obra pública Não pode envolver obra pública 
 
12.5.4 Autorização
O reconhecimento da autorização como uma forma de delegação não é unânime na doutrina, 
embora conste nos incisos XI e XII do artigo 21 da Constituição Federal. Tem como 
características: Ato unilateral da Administração Pública; Discricionário; Precário; Sem exigência 
de licitação; Formalizada por decreto ou portaria. 
 
12.6 Extinção da Concessão 
A Concessão, ainda que possua prazo determinado, possui outras possibilidades de extinção: 
Termo final do prazo, rescisão, anulação, caducidade, encampação e falência ou extinção da 
concessionária. Cabe tratar um pouco sobre cada uma delas, elencadas no artigo 35 da lei n.º 
8.987/1995. 
 
➔ Advento do termo contratual: É o fim do contrato em razão da chegada do prazo 
determinado, desvinculando-se o concessionário da prestação do serviço público, embora ainda 
responsável pelosatos praticados quando vigente o contrato. 
 
➔ Rescisão: Como traz o artigo 39 da Lei n.º 8.987/1995 “o contrato de concessão poderá 
ser rescindido por iniciativa da concessionária, no caso de descumprimento das normas 
contratuais pelo poder concedente, mediante ação judicial especialmente intentada para esse 
fim”, destacando o parágrafo único desse dispositivo a impossibilidade de que a prestação dos 
serviços públicos seja interrompida até sentença judicial transitada em julgado. 
 
➔ Anulação: Podendo ocorrer pela via administrativa ou judicial, a anulação se dá quando 
existente vício de legalidade no contrato). Assim, “Presente o vício, há presumida lesão ao 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
78 
 
patrimônio público, o que permite o ajuizamento de ação popular para postular-se a anulação do 
ajuste” (CARVALHO FILHO, 2021, p. 443). 
 
➔ Caducidade: De forma inversa à rescisão, a caducidade ocorre quando há a “rescisão” 
unilateral da Administração por descumprimento das cláusulas contratuais por parte da 
concessionária, podendo ser ato vinculado (artigo 27, Lei n.º 8.987/1995) ou discricionário 
(artigo 38, Lei n.º 8.987/1995). Deve-se observar, como procedimento: (1) Comunicação à 
concessionária sobre o descumprimento e determinação de prazo para correção; (2) Instauração 
de procedimento administrativo para apuração, com garantia da ampla defesa e contraditório; (3) 
Apurada a inadimplência da concessionária, será declarada a caducidade da concessão por 
meio de decreto expedido pelo Chefe do Poder Executivo (CARVALHO FILHO, 2021); 
 
➔ Encampação: Como definido no artigo 37 da Lei n.º 8.987/1995, a encampação refere-
se à retomada, por parte da Administração Pública, da prestação do serviço público. Faz-se 
necessária autorização legislativa e indenização prévia; 
 
➔ Extinção da concessionária: A extinção da concessionária por falência ou extinção da 
empresa ou, ainda, falecimento ou incapacidade do titular, ocorre, como pontua Carvalho Filho 
(2021, p. 447) “pela singela razão de que fica inviável a execução do serviço público objeto do 
ajuste”, retornando a prestação do serviço público o concedente, até nova concessão. 
 
12.7 Direitos dos Usuários do Serviço Público 
A definição dos direitos dos usuários do Serviço Público se dá pela Lei n.º 13.460, de 2017, que 
elenca direitos e deveres básicos, a possibilidade de apresentação de manifestações, 
regulamenta ouvidorias e conselhos de usuários, bem como define a avaliação continuada dos 
serviços públicos pelos órgãos e entidades públicos determinados na lei. 
13. Responsabilidade Civil do Estado 
13.1 Requisitos 
Inicialmente cabe entendermos o que é a Responsabilidade Civil do Estado, trata-se de uma 
obrigação imposta ao Poder Público de ressarcir danos causados aos terceiros em razão da 
função administrativa, sejam usuário ou não do serviço público, ainda que não se possa 
identificar o agente responsável. 
Os requisitos para que buscar reparação de um prejuízo causado pelo Poder Público são: 
configuração de dano, causado por agentes público nessa qualidade. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
79 
 
Atenção: Agente de fato (decorre do princípio da segurança jurídica), se o agente está 
aparentemente investido da função/cargo, seus atos praticados geram dever de indenização, 
ainda que haja vícios na sua investidura. 
Terá que demonstrar que mesmo o agente estando de folga identificou-se como policial em 
investigação, portanto, agiu na condição de agente público, assim, ensejando responsabilidade 
direta do Estado, no mínimo pela má escolha do agente público, chamada culpa in vigilando. 
13.2 Teoria do risco administrativo
Na teoria do risco administrativo, variante moderada da responsabilidade objetiva, o Poder 
Público responde pelos prejuízos causados a terceiro sem que haja a necessidade de 
demonstração da culpa, contudo há excludentes ou atenuantes de responsabilidade que podem 
ser alegadas pelo Estado: eventos da natureza ou pelo homem (caso fortuito ou força maior), 
por culpa exclusiva da vítima ou de terceiros. 
Com a Constituição Federal de 1988 inaugurou-se no Brasil a fase da responsabilidade objetiva 
do Estado e responsabilidade subjetiva do servidor público. A matéria encontra-se no artigo 37, 
§6º, mas também está prevista em legislação infraconstitucionais. 
Conforme a redação constitucional, as pessoas jurídicas de direito público e as de direito 
privado prestadoras de serviço público serão responsabilizadas pelos danos que seus 
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. A redação do §6º engloba pessoas jurídicas da 
iniciativa privada que não fazem parte da Administração Pública direta e indireta. Contudo, 
limitando aquelas que prestam serviço público. 
A partir da análise do §6º podemos concluir que as concessionárias, permissionárias ou 
autorizatários que prestem serviço público também estão abrangidos pelo dispositivo 
constitucional. O Supremo Tribunal Federal já pacificou entendimento nesse sentido, no Recurso 
Extraordinário 591.874 (Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 26 de agosto de 2009), no 
qual reconheceu a responsabilidade objetiva em relação aos danos causados a não usuários do 
serviço público prestado por concessionária (o que também podemos encontrar no artigo 25, da 
Lei 8.987/1995). 
13.3 Ação regressiva
Vimos que um prejuízo causado pelo agente público, nessa qualidade, a um terceiro, resulta no 
dever de reparação do dano pelo Estado. Mas esse prejuízo os cofres públicos devem arcar 
sozinhos? Claro que não, tanto é que o próprio artigo 37, §6º, da Constituição Federal traz uma 
relação jurídica de responsabilidade subjetiva entre o Estado e o agente que cometeu o dano ao 
terceiro. 
Quando ocorre um dano a ação que deve ser ajuizada pela vítima contra a pessoa jurídica 
prestadora de serviço público, trata-se de uma ação indenizatória ou de responsabilidade civil do 
Estado, cuja responsabilidade é objetiva como regra, já a relação entre o Estado e o Agente 
Público é de uma ação regressiva, cuja responsabilidade requer a demonstração do dolo ou 
culpa do agente. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
80 
 
13.4 Responsabilidade subjetiva
A responsabilidade civil do Estado, também chamada de EXTRACONTRATUAL, tem como regra 
a aplicação da responsabilidade objetiva (que se divide em teoria do risco administrativo e teoria 
do risco integral), mas há possibilidades de aplicação da responsabilidade subjetiva, onde deverá 
ser comprovado o dolo ou culpa para que haja o dever de reparação de danos. É o caso: 
a) Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista que explora atividade - Artigo 173, 
§1º, inciso II, da Constituição Federal. 
b) Responsabilidade no caso de omissão: A responsabilidade em caso de omissão é 
subjetiva como regra, devendo ser comprovada a negligência/ omissão da atuação 
estatal, o dano e o nexo de causalidade, contudo há decisões importantes, tanto do 
Superior Tribunal de Justiça, quanto do Supremo Tribunal Federal que trazem a 
possibilidade de responsabilidade objetiva no caso de omissão específica 
(dano ambiental em rompimento de barragem; dever de custódia; manutenção de rodovia; 
erro médio)4 
13.5 O Estado na posição de garantidor de integridade de coisas e pessoas sob sua 
custódia 
Aqui encontramos um caso de responsabilidade objetiva no caso de omissão da Administração 
Pública, pois quando o Estado está na posição de garantidor da integridade física de pessoas ou 
coisas sob sua custódia, será aplicada a responsabilidade objetiva em regra, respondendo por 
uma omissão específica: 
• Suicídio de preso – Art. 5, XLIX, da CF, art. 948, CC. 
• Aluno esfaqueado, ferido ou baleado dentro da escola. 
• Paciente agredido ou morto por um terceiro dentro do hospital público. 
• Tratamento desumano e degradante e a falta de requisitos básicos de saúde e higienenos presídios – Art. 5º, III, X, XLIX, da CF e art. 1º, da Lei de Execuções Penais (Lei 
7210/1984). 
• Bem privado danificado no galpão da Receita Federal. 
Bem, mas e nos casos de ilícitos praticados por foragidos? O entendimento do Superior 
Tribunal de Justiça é que o Estado não responde, salvo quando o dano decorre direta ou 
indiretamente da fuga do preso foragido (AREsp. 173.291/PR, Rel. Min. Castro Meira, decisão 
monocrática, julgado em 17 de maio de 2012; REsp. 980.844/RS, Rel. Min. Luiz Fux, primeiro 
turma, julgado 19 de março de 2009; REsp. 719.738/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, primeira 
turma, julgado em 16 de setembro de 2008). 
 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
81 
 
13.6 Responsabilização por atos judiciais, legislativos e regulamentares: 
1) Atos judiciais: Existem divergência quanto ao tema, a regra é que não acarreta 
responsabilidade civil atividades típicas de juízes, desembargadores e ministros. Até 
mesmo para que estes agentes possam agir sem temer que suas decisões poderão 
ensejar em responsabilidade do Estado. Contudo, há exceção, no caso do artigo 5º, 
inciso LXXV, CF – prisão por erro do judiciário ou preso além do tempo da sentença. 
Atenção: Não há possibilidade de buscar responsabilidade civil se foi absolvido no final e durante 
o processo houve prisão cautelar ou preventiva. Neste caso, o Juiz responde civilmente e 
regressivamente por perdas e danos se agiu de forma dolosa ou fraudulenta (Art. 143, I, CPC). 
2) Atos legislativos e regulamentares: o STF, no julgamento do RE 153.464 (Rel. Min. 
Celso de Mello, julgado em 02 de setembro de 1992), posicionou-se pela 
admissibilidade de responsabilização no caso de leis inconstitucionais, desde que a 
vítima demonstre que o prejuízo é anormal ou especial, decorrente da norma inválida. 
Mesmo raciocínio se faz para os atos regulamentares ou normativos do Poder 
Executivo. 
13.7 Responsabilização decorrente de obra:
1) Má execução da obra: obra efetuada diretamente pelo Poder Público – 
Responsabilidade objetiva. Se foram empreiteiros contratados pelo estado (particular 
contratado pelo estado – não é serviço público, mas execução de obra) a responsabilidade 
é regida pelo direito privado (Art. 70, da Lei 8.666/1993, resp. subjetiva, e artigo 120 da 
Lei 14.133/2021, resp. objetiva). 
2) Responsabilidade pelo simples fato da obra: a obra é executada normalmente, 
conforme o projeto, todavia a existência dela por si só é causa o dano, neste caso a 
responsabilidade é objetiva. 
• Independentemente de quem estiver executando a obra. 
• Não precisa haver irregularidade nela. 
• A parte não precisa sofrer o ônus, mesmo que seja uma obra que beneficia o 
coletivo. 
Contudo, será necessário demonstrar que existe um dano anormal, extraordinário ou específico. 
13.8 Responsabilidade dos notários e registradores
Os notários (tabeliões) e registradores, por exercerem serviço público por delegação (art. 236, 
CF), por não terem personalidade jurídica própria, não respondem diretamente pelos danos 
casados. A Jurisprudência já divergiu sobre o tema, mas atualmente o entendimento do Supremo 
Tribunal Federal é de que o Estado responde objetivamente pelos danos causados por tabeliões 
ou registradores (RE 175.739-SP (Rel. Min. Marco Aurélio, segunda turma, julgado em 26 de 
fevereiro de 1998), RE 209.354/PR (Rel. Min. Ellen Gracie, segunda turma, julgado em 10 de 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
82 
 
março de 2009) e RE 842.846/SC (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27 de fevereiro de 2019) – 
este com tese de repercussão geral), admitindo o direito de regresso contra o notário nos casos 
de dolo ou culpa. 
13.9 Teoria do Risco Integral
Na teoria do Risco Integral (resp. objetiva) o Estado responderá por qualquer prejuízo que for 
causado ao terceiro, ele não poderá alegar nenhuma excludente de ilicitude, ou qualquer 
atenuante de responsabilidade, surgem situações que nem mesmo caso de força maior, caso 
fortuito, culpa exclusiva da vítima são capazes de afastar o dever de responsabilidade do Estado. 
Confronta com a teoria do risco administrativo, pois não comporta excludentes, são os casos 
de: 
1) Dano ambiental: art. 14, §1º, da Lei 6.938/81, art. 225, §2º e §3º, da CF e entendimento 
do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial 1373788/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso 
Sanseverino, terceira turma, julgado em 06 de maio de 2014), todos os poluidores 
responderão objetivamente. Entretanto, há divergências no sentindo de que seria teoria 
do risco administrativo. No que tange ao dano ambiental, interesse destacar a Súmula 
652, do STJ: “A responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio 
ambiente, decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas 
de execução subsidiária”. 
2) Atividade nuclear: Art. 4º e 8º, da Lei 6.453/1977, art. 21, XXIII, “d”, CF e entendimento 
do Superior Tribunal de Justiça. Neste caso, se ocorrer um dano provocado por atividades 
que exploram serviços e instalações nucleares de qualquer natureza, a industrialização e 
o comércio de minérios nucleares e seus derivados, a responsabilidade será objetiva, sem 
a possibilidade de nenhuma das excludentes vistas anteriormente. Entretanto, há 
administrativistas que entendem que na verdade trata-se de teoria do risco administrativo. 
3) Queda de aeronaves por ataque terrorista ou por guerra: Lei 10.744/2003 e D. 
5.035/2004, nestes casos a União assume a responsabilidade, de atos terroristas ou de 
guerra, ocorridos em aeronaves de tenham matrícula brasileiras e operada por empresa 
brasileiras. O ato pode ocorrer no Brasil ou no Exterior. Excluída as empresas de taxi 
aéreo. 
4) Indenização coberta pelo seguro obrigatório para automóveis (DPVAT): segundo o 
artigo 5º, da Lei 6.194/1974, o pagamento ocorrerá independente de culpa, haja ou não 
resseguro, desde que mediante simples prova. 
13.10 Prescrição
O Decreto nº 20.910/32 traz em seu artigo 1º a prescrição quinquenal aplicada para qualquer 
direito ou ação em face da Fazenda Pública. Essa redação é reafirmada no Decreto-lei nº 
4.597/42, que também trouxe em seu artigo 2º a mesma prescrição quinquenal para autarquias, 
entidades e órgãos paraestatais criados por lei e mantidos por impostos, taxas ou outras 
contribuições. Não diferente a Lei nº 9.494/1997 que ratificou o prazo de cinco anos no artigo 1º-
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
83 
 
C, prazo para obter indenização por danos causados pelos agentes públicos de pessoas jurídicas 
de direito público e pessoas jurídicas de direito privado que prestam serviço público. 
Quadro resumo:
Assunto Observação Norma em destaque 
Responsabilidade Objetiva Teoria do Risco Administrativo Art. 37, §6º, da CF 
 Teoria do 
Risco 
Integral 
Dano ambiental Art. 225, §§2º e 3º, 
CF e STJ 
Atividade nuclear Art. 4º e 8º, da Lei 
6.453/1977; art. 21, 
XXIII, “d”, CF 
Queda de 
aeronaves por 
atentado 
terrorista ou 
guerra 
Lei 10.744/2003 
DPVAT Art. 5º, da Lei 
6.194/1974 
Fundamentos no Código 
Civil 
Responsabilidade da pessoa 
jurídica de direito público 
Art. 43, do CC 
Atos ilícitos Art. 186-188, do CC 
Perdas e danos Art. 402-405, do CC 
Enriquecimento sem causa Art. 884-886, do CC 
Responsabilidade civil Art. 927-943, do CC 
Indenização Art. 944-954, do CC 
Prescrição Direito público – 5 anos D 20.910/1932: Art. 
1º; DL 4.597/1942: 
Art. 2º; Lei 
9.494/1997: Art. 1º-C 
Direito privado – 3 anos Art. 206, §3º, V, do 
CC 
Dever de ressarcir o erário por 
ato de improbidade - 
imprescritível 
Art. 37, §5º, CF 
Responsabilidade subjetiva Estatais Art. 173, §1º, II, CF 
Omissão genérica STF 
Má execução da obra Lei antiga de licitações e 
contratos – Responsabilidade 
subjetiva 
Art. 70, Lei 
8.666/1993 
Lei nova de licitações e 
contratos – Responsabilidade 
objetiva 
Art. 120, Lei 
14.133/2021 
Concessionária Responsabilidadeobjetiva – 
subsidiária do poder 
concedente 
Art. 25, Lei 
8.987/1995 
Responsabilidade objetiva - 
solidária do poder concedente 
Art. 4º, VI, Lei 
11.079/2004 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
84 
 
 
14. Licitações 
Licitação é um procedimento administrativo mediante o qual a Administração Pública, seguindo 
os princípios do direito administrativo, seleciona a proposta mais vantajosa para contratar 
serviços, obras e bens. Tem como pressupostos a competição e o interesse público. 
Competência Para Legislar sobre: União (normas gerais), Estados, DF e Municípios podem 
complementar. 
Fundamento Constitucional: 
Art. 37, XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, 
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que 
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que 
estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos 
termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica 
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. 
 
Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de 
concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. 
 
Ou seja, a regra é a licitação. 
14.1 Lei 14.133, de 1º de abril de 2021 
A “Nova Lei de Licitações e Contratos” define normais gerais de licitação e contratação para 
administrações públicas diretas, autárquicas e funcionais da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios. 
ALTERA: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil); Lei nº 8.987/1995 (Concessões 
públicas); Lei nº 11.079/2004 (PPP’s); Decreto-Lei nº 2.848/1940 (Código Penal). 
 
REVOGA (em 01.04.23) 
• Lei nº 8.666/1993 (LGLC); 
• Lei nº 10.520/2002 (Pregão); 
• Lei nº 12.462/2011 (RDC). 
 
APLICA-SE A QUEM? 
 
Administrações Públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e abrange Executivo, Legislativo e Judiciário; Ministério 
Público, Tribunais de Contas; fundos especiais e as demais entidades controladas direta ou 
indiretamente pela Administração Pública; 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
85 
 
NÃO SE APLICA: Às empresas públicas, as sociedades de economia mista e as suas 
subsidiárias, regidas pela Lei 13.303/2016, ressalvado o disposto no art. 178 (crimes em 
licitações); 
Contratações realizadas no âmbito das repartições públicas sediadas no exterior: obedecerão 
às peculiaridades locais e aos princípios básicos estabelecidos na Lei; 
SEGUE-SE APLICANDO: 42 a 49 da LC 123/2006 (benefícios à ME e EPP); 
Art. 191 (Lei 14.133/2021): Até o decurso do prazo de [02 anos] a Administração poderá 
OPTAR por licitar ou contratar diretamente de acordo com esta Lei OU de acordo com às 
[Leis nº 8.666/1993, 10.520/2002 (Pregão) e Lei nº 12.462/2011 (RDC)], e a opção 
escolhida deverá ser indicada expressamente no edital ou no aviso ou instrumento de 
contratação direta, VEDADA A APLICAÇÃO COMBINADA desta Lei com as citadas no 
referido inciso. 
Parágrafo único. Na hipótese do caput deste artigo, se a Administração optar por licitar de 
acordo com as leis citadas no inciso II do caput do art. 193 desta Lei, o contrato 
respectivo será regido pelas regras nelas previstas durante toda a sua vigência. 
No comparativo quanto aos PRINCÍPIOS, pode-se ver uma ampliação significativa do rol na nova 
legislação: 
Lei 14.133/2021 (art. 5º) Lei 8.666/1993 (art. 3º) 
 Isonomia 
 Seleção da proposta mais vantajosa 
Desenvolvimento nacional sustentável Promoção do desenvolvimento nacional 
sustentável 
Legalidade Legalidade 
Impessoalidade Impessoalidade 
Moralidade Moralidade 
Igualdade Igualdade 
Publicidade Publicidade 
Probidade administrativa Probidade administrativa 
Vinculação ao edital Vinculação ao instrumento convocatório 
Julgamento objetivo Julgamento objetivo 
Eficiência 
Interesse público 
Planejamento 
Transparência 
Eficácia 
Segregação de funções 
Motivação 
Segurança jurídica 
Razoabilidade 
Competitividade 
Proporcionalidade 
Celeridade 
Economicidades 
Assim como as disposições do Decreto-lei 
4.657/1942 (LINDB) 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
86 
 
Art. 14. Não podem disputar licitação: 
• autor do anteprojeto, do projeto básico ou do projeto executivo; 
• pessoa física ou jurídica que se encontre, ao tempo da licitação, impossibilitada de 
participar da licitação em decorrência de sanção que lhe foi imposta; 
• aquele que mantenha vínculo de natureza técnica, comercial, econômica, financeira, 
trabalhista ou civil com dirigente do órgão ou entidade contratante ou com agente 
público que desempenhe função na licitação ou atue na fiscalização ou na gestão 
do contrato, ou que deles seja cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, 
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau; 
• empresas controladoras, controladas ou coligadas, concorrendo entre si; 
• pessoa física ou jurídica que, nos 5 (cinco) anos anteriores à divulgação do edital, 
tenha sido condenada judicialmente, com trânsito em julgado, por exploração de 
trabalho infantil, por submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo 
ou por contratação de adolescentes nos casos vedados pela legislação trabalhista. 
É permitida: 
● Art. 15 – participação de empresas em consórcio; 
● Art. 16 – participação de cooperativas. 
Fases da Licitação: A lei 14.133/2021 adotou como regra a “inversão de fases” do pregão, que 
também é adotada na Lei 13.303/2016 (Estatais). Em suma: a habilitação é após o julgamento, 
e a fase recursal é única. 
Lei 14.133/2021 Lei 8.666/1993 
Preparatória Preparatória 
Divulgação do edital Divulgação do instrumento convocatório 
Apresentação de propostas e lances 
Julgamento Habilitação 
Habilitação Julgamento 
Recursal Homologação 
Homologação Adjudicação 
 
Art. 51. As licitações de que trata esta Lei observarão a seguinte sequência de fases: 
I - preparação; 
II - divulgação; 
III - apresentação de lances ou propostas, conforme o modo de disputa adotado; 
IV - julgamento; 
V - verificação de efetividade dos lances ou propostas; 
VI - negociação; 
VII - habilitação; 
VIII - interposição de recursos; 
IX - adjudicação do objeto; 
X - homologação do resultado ou revogação do procedimento. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
87 
 
§ 1º A fase de que trata o inciso VII do caput poderá, excepcionalmente, anteceder as 
referidas nos incisos III a VI do caput , desde que expressamente previsto no instrumento 
convocatório. 
 
Art. 21 ao 26: 
• Audiência pública e consulta pública; 
• Matriz de alocação de riscos entre o contratante e o contratado; 
• Valor estimado da contratação deverá ser compatível com os valores de mercado; 
• O ORÇAMENTO ESTIMADO da contratação poderá ter CARÁTER SIGILOSO (salvo 
para os órgãos de controle interno e externo); 
• EDITAL PODERÁ exigir que percentual mínimo da mão de obra responsável pela 
execução do objeto da contratação seja constituído por: 
o I - mulheres vítimas de violência doméstica; 
o II - oriundos ou egressos do sistema prisional. 
• MARGEM DE PREFERÊNCIA para: 
• I - bens manufaturados e serviços nacionais que atendam a normas técnicas 
brasileiras; 
• II - bens reciclados, recicláveis ou biodegradáveis, conforme regulamento. 
 
Modalidades: 
Art. 28. São modalidades de licitação: 
I - PREGÃO; 
II - CONCORRÊNCIA; 
III - CONCURSO; 
IV - LEILÃO; 
V - DIÁLOGO COMPETITIVO. 
§ 1º Além das modalidades referidas no caput deste artigo, a Administração pode servir-
se dos procedimentos auxiliares previstos no art. 78 desta Lei. 
§ 2º É VEDADA a criação de outras modalidades de licitação ou, ainda, a combinação 
daquelas referidas no caput deste artigo. 
 
Comparativo das modalidades de licitação: 
Lei 14.133/2021 (art. 28) Lei 8.666/1993(art. 22) 
Concorrência Concorrência 
 Tomada de preço 
 Convite 
Concurso Concurso 
Leilão Leilão 
Pregão 
Diálogo competitivo 
 
Art. 29. A CONCORRÊNCIA e o PREGÃO seguem o rito procedimental comum a que 
se refere o art. 17 desta Lei, adotando-se o pregão sempre que o objeto possuir padrões 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
88 
 
de desempenho e qualidade que possam ser objetivamente definidos pelo edital, por 
meio de especificações usuais de mercado. 
Parágrafo único. O pregão não se aplica às contratações de serviços técnicos 
especializados de natureza predominantemente intelectual e de obras e serviços de 
engenharia, exceto os serviços de engenharia [comuns]. 
 
Compreenda quando se usa cada modalidade de licitação: 
Lei 14.133/2021 
 
 
 
 
Concorrência 
Bens e serviços 
especiais 
Aqueles que não são comuns 
Alta heterogeneidade ou 
complexidade 
Não há como descrevê-los 
objetivamente 
 
Obras 
Privativas de arquiteto ou engenheiro 
Inova o espaço físico da natureza 
Ou acarreta alteração substancial do 
imóvel 
Serviços de engenharia Comum e especial 
Rito Comum 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pregão 
Obrigatório para Bens e serviços comuns 
Objetos que possam ser definidos 
objetivamente 
Aplica-se também Serviços comuns de engenharia 
(também admitem a concorrência) 
 
 
 
 
Não se aplica 
Bens e serviços especiais 
Obras 
Serviços especiais de engenharia 
Serviços técnicos especializados de 
natureza predominantemente 
intelectual 
Locações imobiliárias 
Alienações 
Rito Comum 
 
 
 
 
 
 
 
Concurso 
Serve para escolha de 
trabalho 
Técnico 
Científico 
Artístico 
 
Entrega 
Prêmio 
Remuneração 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
89 
 
 
Critério de julgamento 
 
 
Melhor técnica ou conteúdo artístico 
Divulgação Mínimo 35 dias úteis 
Rito Especial 
 
 
Leilão 
Alienação Bens imóveis 
Bens móveis 
Rito Especial 
 
 
 
 
 
 
Diálogo competitivo 
 
Condições da 
contratação 
Inovação tecnológica ou técnica 
Impossibilidade de utilizar as 
soluções disponíveis, exceto se 
adaptadas 
Impossibilidade de definir as 
especificações técnicas 
adequadamente 
 
Verificar a necessidade 
de identificar as 
alternativas, definindo 
 
A solução técnica mais adequada 
Os requisitos técnicos para 
concretizar a solução 
 
A estrutura jurídica e financeira do 
contrato 
Rito Especial 
 
Comparativo quanto a critério de julgamento das propostas: 
Lei 14.133/2021 (art. 33) Lei 8.666/1993 (art. 45, §1º) 
Menor preço Menor preço 
 Melhor técnica 
Técnica e preço Técnica e preço 
Maior lance, no caso de leilão Maior lance ou oferta 
Maior desconto 
Melhor técnica ou conteúdo artístico 
Maior retorno econômico 
 
 
 
 
Pode Indicação de Marca Ou Modelo? (art. 41): 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
90 
 
 
 
Obras e Serviços de Engenharia: 
Art. 46. Na execução indireta de obras e serviços de engenharia, são admitidos os 
seguintes regimes: 
I - empreitada por preço unitário; 
II - empreitada por preço global; 
III - empreitada integral; 
IV - contratação por tarefa; 
V - contratação integrada; 
VI - contratação semi-integrada; 
VII - fornecimento e prestação de serviço associado. 
§ 1º É vedada a realização de obras e serviços de engenharia sem projeto executivo, 
ressalvada a hipótese prevista no § 3º do art. 18 desta Lei. 
§ 2º A Administração é dispensada da elaboração de projeto básico nos casos de 
contratação integrada, hipótese em que deverá ser elaborado anteprojeto de acordo com 
metodologia definida em ato do órgão competente, observados os requisitos estabelecidos 
no inciso XXIV do art. 6º desta Lei. 
Definições e conceitos (art. 6º): 
XXVIII - empreitada por preço unitário: contratação da execução da obra ou do serviço por 
preço certo de unidades determinadas; 
XXIX - empreitada por preço global: contratação da execução da obra ou do serviço por 
preço certo e total; 
XXX - empreitada integral: contratação de empreendimento em sua integralidade, 
compreendida a totalidade das etapas de obras, serviços e instalações necessárias, sob 
inteira responsabilidade do contratado até sua entrega ao contratante em condições de 
entrada em operação, com características adequadas às finalidades para as quais foi 
contratado e atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização com segurança 
estrutural e operacional; 
XXXI - contratação por tarefa: regime de contratação de mão de obra para pequenos 
trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais; 
XXXII - contratação integrada: regime de contratação de obras e serviços de engenharia 
em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver os projetos básico e 
executivo, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços 
especiais e realizar montagem, teste, pré-operação e as demais operações necessárias e 
suficientes para a entrega final do objeto; 
 
EXCEPCIONALMENTE 
 
 
Para padronização do objeto 
 
 
Compatibilidade com plataformas e 
padrões já adotados 
 
 
Únicos capazes de atender às 
necessidades do contratante 
 
 
Descrição do objeto a ser licitado puder 
ser mais bem compreendida (referência) 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
91 
 
XXXIII - contratação semi-integrada: regime de contratação de obras e serviços de 
engenharia em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver o projeto 
executivo, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços 
especiais e realizar montagem, teste, pré-operação e as demais operações necessárias e 
suficientes para a entrega final do objeto; 
● É vedada a realização de obras e serviços de engenharia sem projeto executivo; 
● A Administração é dispensada da elaboração de projeto básico nos casos de 
contratação integrada; 
● Na contratação integrada e semi-integrada, o edital e o contrato, sempre que for o 
caso, deverão prever as providências necessárias para a efetivação de desapropriação 
autorizada pelo poder público; 
● Execução de cada etapa será obrigatoriamente precedida da conclusão e da 
aprovação dos trabalhos relativos às etapas anteriores. 
Serviços em Geral: 
 
Serviços Terceirizados: 
 
Art. 48. Poderão ser objeto de execução por terceiros as atividades materiais acessórias, 
instrumentais ou complementares aos assuntos que constituam área de competência 
legal do órgão ou da entidade, VEDADO à Administração ou a seus agentes, na 
contratação do serviço terceirizado: 
I. indicar pessoas expressamente nominadas para executar direta ou indiretamente o 
objeto contratado; 
II. fixar salário inferior ao definido em lei ou em ato normativo a ser pago pelo contratado; 
III. estabelecer vínculo de subordinação com funcionário de empresa prestadora de 
serviço terceirizado; 
IV. definir forma de pagamento mediante exclusivo reembolso dos salários pagos; 
V. demandar a funcionário de empresa prestadora de serviço terceirizado a execução de 
tarefas fora do escopo do objeto da contratação; 
VI. prever em edital exigências que constituam intervenção indevida da Administração na 
gestão interna do contratado. 
Parágrafo único: vedado ao contratado contratar [parentes] até o terceiro grau, de 
dirigente do órgão ou entidade contratante ou de agente público que desempenhe função 
na licitação ou atue na fiscalização ou na gestão do contrato. 
 PRINCÍPIOS 
 PADRONIZAÇÃO 
compatibilidade de 
especificações 
estéticas, técnicas ou 
de desempenho 
 PARCELAMENTO 
quando tecnicamente 
viável e 
economicamente 
vantajoso 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
92 
 
Locação de Imóveis: 
Regra: 
 
Exceção: Imóvel “sui generis” inexigibilidade (art. 74). 
Apresentação de Propostas e Lances:
PRAZOS MÍNIMOS para apresentação de propostas e lances (a partir da data de divulgação do 
edital): 
Aquisição de bens: 
• 8 dias úteis (se menor preço ou maior desconto) ou 15 dias úteis(demais casos). 
Serviços e obras: 
• dias úteis (se menor preço ou maior desconto), em serviços comuns e de obras e 
serviços comuns de engenharia; 
• 25 dias úteis (se menor preço ou maior desconto), em serviços especiais e de obras 
e serviços especiais de engenharia; 
• 60 dias úteis (regime de execução contratação integrada); 
• 35 dias úteis (regime de execução contratação semi-integrada); 
• critério maior lance, 15 dias úteis; 
• critério técnica e preço ou melhor técnica ou conteúdo artístico, 35 dias úteis. 
Prazos podem ser reduzidos até a metade nas licitações para o SUS. 
Modos de disputa: 
Art. 56. O modo de disputa poderá ser isolada ou conjuntamente: 
I - aberto, hipótese em que os licitantes apresentarão suas propostas por meio de lances 
públicos e sucessivos, crescentes ou decrescentes; 
II - fechado, hipótese em que as propostas permanecerão em sigilo até a data e hora 
designadas para sua divulgação. 
 
Art. 58. Poderá ser exigida, no momento da apresentação da proposta, a comprovação do 
recolhimento de quantia a título de garantia de proposta, como requisito de pré-habilitação. 
§ 1º A garantia de proposta não poderá ser superior a 1% (um por cento) do valor 
estimado para a contratação. 
 
Julgamento: 
Art. 59. Serão desclassificadas as propostas que: 
I - contiverem vícios insanáveis; 
II - não obedecerem às especificações técnicas pormenorizadas no edital; 
III - apresentarem preços inexequíveis ou permanecerem acima do orçamento estimado 
para a contratação; 
 
 LICITAÇÃO 
avaliação 
prévia do 
bem 
 estado de 
conservação 
 
custos de 
adaptações 
 
prazo de 
amortização 
dos 
investimentos 
necessários. 
 
LOCAÇÃO 
DE BEM 
IMÓVEL 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
93 
 
IV - não tiverem sua exequibilidade demonstrada, quando exigido pela Administração; 
V - apresentarem desconformidade com quaisquer outras exigências do edital, desde que 
insanável. 
 
Critérios de Desempate: 
Lei 14.133/2021 (art. 33) Lei 8.666/1993 (art. 45, §1º) 
Art. 60. Em caso de empate entre duas 
ou mais propostas, serão utilizados os 
seguintes critérios de desempate, nesta 
ordem: 
Art. 3º, § 2º - Em igualdade de condições, 
como critério de desempate, será 
assegurada preferência, sucessivamente, 
aos bens e serviços: 
I - disputa final, hipótese em que os 
licitantes empatados poderão apresentar 
nova proposta em ato contínuo à 
classificação; 
II - produzidos no País; 
 
II - avaliação do desempenho contratual 
prévio dos licitantes, para a qual deverão 
preferencialmente ser utilizados 
registros cadastrais para efeito de atesto 
de cumprimento de obrigações previstos 
nesta Lei; 
III - produzidos ou prestados por empresas 
brasileiras. 
 
III - desenvolvimento pelo licitante de 
ações de equidade entre homens e 
mulheres no ambiente de trabalho, 
conforme regulamento; 
IV - produzidos ou prestados por empresas 
que invistam em pesquisa e no 
desenvolvimento de tecnologia no País. 
IV - desenvolvimento pelo licitante de 
programa de integridade, conforme 
orientações dos órgãos de controle. 
V - produzidos ou prestados por empresas 
que comprovem cumprimento de reserva de 
cargos prevista em lei para pessoa com 
deficiência ou para reabilitado da Previdência 
Social e que atendam às regras de 
acessibilidade previstas na legislação. 
§ 1º Em igualdade de condições, se não 
houver desempate, será assegurada 
preferência, sucessivamente, aos bens e 
serviços produzidos ou prestados por: 
 
I - empresas estabelecidas no território 
do Estado ou do Distrito Federal do 
órgão ou entidade da Administração 
Pública estadual ou distrital licitante ou, 
no caso de licitação realizada por órgão 
ou entidade de Município, no território do 
Estado em que este se localize; 
 
II - empresas brasileiras; Art. 3º, § 2º, III – produzidos ou prestados por 
empresas brasileiras. 
III - empresas que invistam em pesquisa 
e no desenvolvimento de tecnologia no 
País; 
Art. 3º, § 2º, IV - produzidos ou prestados por 
empresas que invistam em pesquisa e no 
desenvolvimento de tecnologia no País. 
(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
94 
 
IV - empresas que comprovem a prática 
de mitigação, nos termos da Lei nº 
12.187, de 29 de dezembro de 2009. 
 
§ 2º As regras previstas no caput deste 
artigo não prejudicarão a aplicação do 
disposto no art. 44 da Lei Complementar 
nº 123, de 14 de dezembro de 2006. 
 
 
Foi adotado o já previsto na Lei 12.462/2011 (RDC): 
 
Art. 25: Em caso de empate entre 2 (duas) ou mais propostas, serão utilizados os 
seguintes critérios de desempate, nesta ordem: 
I - disputa final, em que os licitantes empatados poderão apresentar nova proposta fechada 
em ato contínuo à classificação;II - a avaliação do desempenho contratual prévio dos 
licitantes, desde que exista sistema objetivo de avaliação instituído; 
III - os critérios estabelecidos no art. 3º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, e no § 
2º do art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; e 
IV - sorteio. 
Margem de preferência: 
Art. 60, § 1º. Em igualdade de condições, SE NÃO HOUVER DESEMPATE, será 
assegurada PREFERÊNCIA, sucessivamente, aos bens e serviços produzidos ou 
prestados por: 
I- empresas estabelecidas no território do Estado ou do Distrito Federal do órgão; 
II- empresas brasileiras; 
III-empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País; 
IV- empresas que comprovem a prática de mitigação (CO² - PNMC); 
 
§ 2º Sem prejuízo do art. 44 da LC 123/06: Preferência de contratação para ME e EPP 
Empate “ficto”: Proposta da ME ou EPP seja até 10% superiores à proposta mais bem 
classificada (no pregão é 5%). 
Habilitação: 
Habilitação: capacidade do licitante de realizar o objeto da licitação. 
 
 
 
Encerramento: 
 
Art. 71. Encerramento (após recursos): a autoridade superior pode: 
 
 HABILITAÇÃO 
 JURÍDICA TÉCNICA FISCAL, SOCIAL 
E TRABALHISTA ECONÔMICO-
FINANCEIRA 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8248.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8666cons.htm#art3%C2%A72
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8666cons.htm#art3%C2%A72
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
95 
 
 
§ 1º Ao pronunciar a nulidade, a autoridade indicará expressamente os atos com vícios 
insanáveis, tornando sem efeito todos os subsequentes que deles dependam, e dará 
ensejo à apuração de responsabilidade de quem lhes tenha dado causa. 
§ 2º O motivo determinante para a revogação do processo licitatório deverá ser resultante 
de fato superveniente devidamente comprovado. 
(prévia manifestação dos interessados) 
 
Observe: 
 
Nas Estatais (Lei 13.303/2016): 
Art. 59. Salvo no caso de inversão de fases, o procedimento licitatório terá fase recursal 
única. 
§ 1º Os recursos serão apresentados no prazo de 5 (cinco) dias úteis após a habilitação e 
contemplarão, além dos atos praticados nessa fase, aqueles praticados em decorrência 
do disposto nos incisos IV e V do caput do art. 51 desta Lei. 
Art. 60. A homologação do resultado implica a constituição de direito relativo à celebração 
do contrato em favor do licitante vencedor. 
Art. 61. A empresa pública e a sociedade de economia mista não poderão celebrar 
contrato com preterição da ordem de classificação das propostas ou com terceiros 
estranhos à licitação. 
 
 
 
determinar o 
retorno dos 
autos para 
saneamento de 
irregularidades 
 
revogar a 
licitação 
(conveniência e 
oportunidade); 
 
anular a 
licitação 
(ilegalidade 
insanável) 
 
adjudicar o 
objeto e 
homologar a 
licitação 
 
 REVOGAÇÃO 
 
Fato superveniente; 
Interesse público; 
Total apenas; 
Vedada após assinatura do 
contrato; 
 ANULAÇÃO 
 
Vício insanável; 
Ilegalidade; 
Total ou parcial; 
Possível mesmo após 
contrato; 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
96 
 
Contratação Direta:Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de: 
I - aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de serviços com 
[FORNECEDOR] EXCLUSIVO; 
II - contratação de PROFISSIONAL DO SETOR ARTÍSTICO, diretamente ou por meio de 
empresário exclusivo, desde que CONSAGRADO pela crítica especializada ou pela 
opinião pública; 
III - contratação dos seguintes SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS de natureza 
predominantemente intelectual com profissionais ou empresas de NOTÓRIA 
ESPECIALIZAÇÃO, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação: 
a) estudos técnicos, planejamentos, projetos básicos ou projetos executivos; 
b) pareceres, perícias e avaliações em geral; 
c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias; 
d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços; 
e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas; 
f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal; 
g) restauração de obras de arte e de bens de valor histórico; 
h) controles de qualidade e tecnológico, análises, testes e ensaios de campo e 
laboratoriais, instrumentação e monitoramento de parâmetros específicos de obras e do 
meio ambiente e demais serviços de engenharia que se enquadrem no disposto neste 
inciso; 
IV - objetos que devam ou possam ser contratados por meio de CREDENCIAMENTO; 
V - aquisição ou locação de IMÓVEL cujas características de instalações e de localização 
tornem necessária sua escolha. 
 
Art. 75. É dispensável a licitação: 
I - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil reais), no 
caso de obras e serviços de engenharia ou de serviços de manutenção de veículos 
automotores; 
II - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), 
no caso de outros serviços e compras; 
III - para contratação que mantenha todas as condições definidas em edital de licitação 
realizada há menos de 1 (um) ano, quando se verificar que naquela licitação: 
a) não surgiram licitantes interessados ou não foram apresentadas propostas válidas 
(DESERTA); 
b) as propostas apresentadas consignaram preços manifestamente superiores aos 
praticados no mercado ou incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais competentes 
(FRACASSADA); 
IV - para contratação que tenha por objeto: [...] 
e) hortifrutigranjeiros, pães e outros gêneros perecíveis, no período necessário para a 
realização dos processos licitatórios correspondentes, hipótese em que a contratação será 
realizada diretamente com base no preço do dia; 
 
INEXIGIBILIDADE 
 Inviabilidade de competição 
 Licitação é “impossível” 
 Rol exemplificativo 
 
DISPENSA 
 É possível licitar 
 Lei autoriza não licitar 
 Discricionária 
 Rol taxativo 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
97 
 
f) bens ou serviços produzidos ou prestados no País que envolvam, cumulativamente, alta 
complexidade tecnológica e defesa nacional; 
g) materiais de uso das Forças Armadas, [...] 
j) coleta, processamento e comercialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou 
reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo, realizados por associações 
ou cooperativas formadas exclusivamente de pessoas físicas de baixa renda reconhecidas 
pelo poder público como catadores de materiais recicláveis, com o uso de equipamentos 
compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública; 
k) aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos, de autenticidade 
certificada, desde que inerente às finalidades do órgão ou com elas compatível; 
m) aquisição de medicamentos destinados exclusivamente ao tratamento de doenças 
raras definidas pelo Ministério da Saúde; 
VII - nos casos de guerra, estado de defesa, estado de sítio, intervenção federal ou de 
grave perturbação da ordem; 
VIII - nos CASOS DE EMERGÊNCIA OU DE CALAMIDADE PÚBLICA, quando 
caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou 
comprometer a continuidade dos serviços públicos ou a segurança de pessoas, obras, 
serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para aquisição 
dos bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as 
parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 1 (um) ano, 
contado da data de ocorrência da emergência ou da calamidade, vedadas a prorrogação 
dos respectivos contratos e a recontratação de empresa já contratada com base no 
disposto neste inciso; 
§ 6º [...] considera-se emergencial a contratação por dispensa com objetivo de manter a 
continuidade do serviço público, e deverão ser observados os valores praticados pelo 
mercado e adotadas as providências necessárias para a conclusão do processo licitatório, 
sem prejuízo de apuração de responsabilidade dos agentes públicos que deram causa à 
situação emergencial. 
IX - para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos 
ou serviços prestados por órgão ou entidade que integrem a Administração Pública 
e que tenham sido criados para esse fim específico, desde que o preço contratado seja 
compatível com o praticado no mercado. 
 
Alienações: 
A alienação de bens públicos (móveis ou imóveis), como regra, deve ser licitada, sempre na 
modalidade LEILÃO. 
 
 ALIENAÇÃO DE 
BENS 
 IMÓVEIS 
 
AUTORIZAÇÃO 
LEGISLATIVA 
(exceto origem judicial 
ou dação) 
 LICITAÇÃO 
LEILÃO 
 
DISPENSADA: 
- Dação; 
- Doação ou venda para 
outra administração; 
-Permuta outro imóvel; Etc. 
 MÓVEIS 
 
Interesse 
público + 
avaliação 
 LICITAÇÃO 
LEILÃO 
DISPENSADA: 
- Doação social; 
- Permuta administrativa; 
-Venda ações e títulos; 
Etc. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
98 
 
Procedimentos Auxiliares: 
 
Art. 78. São procedimentos auxiliares das licitações e das contratações regidas por esta 
Lei: 
I - credenciamento; 
II - pré-qualificação; 
III - procedimento de manifestação de interesse; 
IV - sistema de registro de preços; 
V - registro cadastral. 
 
Sistema de Registro de Preços: 
Para compras recorrentes e sucessivas, as quais não se sabe o quantitativo exato que irá se 
necessitar ao longo do tempo. Administração registra os melhores preços, gerando uma Ata de 
Registro de Preços, mas sem compromisso de contratar. 
Exemplos: materiais de escritório, papelaria, peças, pneus. 
Conceito legal: Art. 6º, XLV - sistema de registro de preços: conjunto de procedimentos para 
realização, mediante contratação direta ou licitação nas modalidades pregão ou concorrência, 
de registro formal de preços relativos a prestação de serviços, a obras e a aquisição e locação 
de bens para contratações futuras; 
Art. 82, §5º O sistema de registro de preços poderá ser usado para a contratação de bens 
e serviços, inclusive de obras e serviços de engenharia, observadas as seguintes 
condições: 
I. realização prévia de ampla pesquisa de mercado; 
II. seleção de acordo com os procedimentos previstos em regulamento; 
III. desenvolvimento obrigatório de rotina de controle; 
IV. atualização periódica dos preços registrados; 
V. definição do período de validade do registro de preços; 
VI. inclusão, em ata de registro de preços, do licitante que aceitar cotar os bens ou serviços 
em preços iguais aos do licitante vencedor na sequência de classificação da licitação e 
inclusão do licitante que mantiver sua proposta original. 
 
Atenção! A existência de preços registrados implica compromisso de fornecimento (pela 
empresa) nas condições estabelecidas, mas não obriga a Administração a contratar, sendo 
permitida a realização de licitação específica para a aquisição de itens com preços registrados, 
desde que devidamente motivada (art. 83); 
 
O art. 86 prevê a chamada licitação “carona”: possibilidade de adesão à Ata por outros órgãos 
ou entidades, mas é vedada a adesão de órgão federal à ata estadual, distrital ou municipal (o 
inverso é permitido).de direito público Pessoa jurídica de direito 
privado com caráter híbrido. 
Responsabilidade Civil Direta e objetiva, art. 37, § 6º, da CF. 
Regime de pessoal Regime único1 (exceto para as 
Associações Públicas, que será 
celetista obrigatoriamente, art. 6º, 
§ 2º, da Lei 11.107/2005). 
Celetista 
Licitações Estão obrigadas a realizar. 
Atos e contratos Direito público Atos são de direito privado, em 
regra (exceto aqueles 
praticados no exercício de 
função delegada). Já os 
contratos são regidos pela lei 
14.133/2021 (art. 1º). 
Competência Autarquia Federal: Justiça 
Federal, art. 109, inciso I e VIII, da 
CF. Autarquia Estadual e 
Municipal: Justiça Estadual. 
Regra: Justiça Estadual. 
Ações trabalhistas: Justiça do 
Trabalho. 
Privilégios 
processuais 
Prazo em dobro, art. 183, do CPC; 
Isenção de custas judiciais, art. 4º, 
Lei 9.289/1996; Dispensa de 
preparo e depósito prévio em 
recurso, art. 1007, § 1º, CPC; 
Sujeitas a duplo grau de 
jurisdição, art. 496, CPC; 
Pagamento por precatórios, art. 
100, CF. 
 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
9 
 
Prescrição Quinquenal, art. 1º, Decreto 20.910/1932 e Decreto 4.597/1942). 
Poderá haver interrupção e suspensão do prazo nos moldes do 
CPC, mas com a ressalva de volta da contagem pela metade no 
caso de interrupção, art. 8º e 9º, Decreto 20.910/1932 e art. 3º, do 
Decreto 4.597/1942. Vide S. 383, do STF. 
Imunidade tributária Gozam de imunidade tributária recíproca2 (art. 150, VI, a, e § 2º da 
Constituição Federal). 
 
1.7 Empresa pública e sociedade de economia mista
Apesar de serem entidades distintas, podem ser estudadas em conjunto para facilitar o 
conhecimento. Pertencem à estrutura da Administração Pública Indireta. As empresas públicas 
e sociedade de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, inclusive suas 
subsidiárias, entretanto algumas características são aplicadas a elas, por serem estatais da 
Administração Pública Indireta: 
 
Características Empresas Públicas Sociedade de 
Economia Mista 
Exemplos Caixa Econômica Federal; 
Correios; Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico 
(BNDES); Empresa Brasileira 
de Pesquisa Agropecuária 
(Embrapa) e a Empresa 
Brasileira de Infraestrutura 
Aeroportuária (Infraero) 
Petrobras, o Banco do 
Brasil, o Banco do 
Nordeste, Telebras, 
Furnas e a Eletrobras. 
Características Pessoa jurídica de direito privado; entidade 
administrativa pertencente a administração indireta. 
É possível a criação de subsidiária das estatais. Não 
será necessária lei autorizadora no caso da lei que 
instituiu a matriz tenha previsto essa autorização 
(entendimento do STF). Exemplos de subsidiárias: 
Petrobras (matriz), suas subsidiárias são a Transpetro, 
Petrobras Distribuidora, Petroquisa, Petrobras 
Biocombustível e Gaspetro. 
É composta por capital 
exclusivamente público, sob 
qualquer modalidade 
empresarial. 
É criada com capital 
misto e na 
modalidade S/A. 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
10 
 
Criação e extinção 
 
A lei autoriza a criação, mas ela por si só não é suficiente 
para o nascimento da entidade, o Estado deverá 
providenciar a elaboração do ato que traduza seu 
estatuto ou do ato constitutivo, para a inscrição no 
registro próprio. A autorização será necessária para 
serem extintas. Essa regra para criação se aplica 
também às subsidiárias, entretanto, não é necessária 
autorização legislativa para à venda das subsidiárias e 
controladas, nem precisa de licitação, exceto para a 
matriz (STF, ADI nº 5.624). 
Objeto Havia discussões, pois o Decreto-lei 200/1967 traz que 
essas entidades se destinam à exploração de atividade 
econômica (Art. 5º, II e III), mas a CF, em seu art. 173, § 
1º, alude também a prestação de serviços, assim 
pacificou o entendimento das duas possibilidades pela 
doutrina. 
Patrimônio Se prestam serviço público, os bens são privados, mas 
com algumas prerrogativas de públicos. Agora, se 
exploram atividade econômica, os bens são privados. 
Natureza jurídica Personalidade jurídica de direito privado. 
Responsabilidade Civil Se presta serviço público, a responsabilidade é objetiva; 
O Estado responde subsidiariamente. Mas se explora 
atividade econômica, a responsabilidade é subjetiva. 
Regime de pessoal Celetista, não possuem estabilidade os empregados 
públicos, devendo a demissão apenas ser motivada 
(Tema - 131 do STF). 
Licitações Subordinam-se as regras do estatuto jurídicas das 
empresas estatais, Lei 13.303/16. 
Competência Se for empresa pública federal, o foro é na Justiça 
Federal, art. 109, I, CF/88. 
Privilégios processuais Se for empresa pública ou sociedade de economia mista 
prestadora de serviço público não concorrencial está 
sujeita ao regime de precatórios (art. 100, da CF), 
segundo posicionamento do STF (informativo nº 812). 
Imunidade tributária Se presta serviço público, possui imunidade sobre os 
bens, rendas e serviços necessários ao serviço público, 
conforme o entendimento do Superior Tribunal de 
Justiça; Mas se explora atividade econômica, aí não 
possui imunidade. 
Outras observações Sofrem controle do TCU; Não se sujeitam à falência ou 
à recuperação de empresa; 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
11 
 
1.8 Consórcio público
A lei que regula os Consórcios Públicos é a Lei nº 11.107/2005, regulamentada pelo Decreto nº 
6.017/2007, alterada pelas leis nº 13.822/2019 e nº 13.821/2019. Antes da lei de 2005, os 
consórcios públicos não adquiriam personalidade jurídica, não tendo assim capacidade para 
assumir direitos e obrigações em nome próprio, segundo Hely Lopes Meirelles (2003, p. 388). 
Todavia, a partir da lei 11.107/2005 o consórcio passou a ser considerado pessoa jurídica. 
O consórcio público é uma gestão associada entre entes federados para a consecução de fins 
de interesse comum, normalmente com matérias elencadas no artigo 23, que trata sobre 
competências comuns, da Constituição Federal. Assim sendo, trata-se da união de dois ou mais 
entes para a prestação de um serviço público. A natureza do consórcio público vai variar 
conforme sua criação, no artigo 6º da Lei nº 11.107/2005, estabelece que os consórcios poderão 
ser de natureza pública ou privada. 
A lei deu alguns privilégios aos consórcios: 
a) Poder de promover desapropriação (atos executórios, não decreto expropriatório) e instituir 
servidões (art. 2º, § 1º, inciso II); 
b) O dobro do limite para contratação direta por dispensa de licitação em razão do valor (art. 24, 
I e II, Lei nº 8.666/1993 e art. 75, § 2º, da Lei nº 14.133/2021); 
c) Poder de dispensar licitação na celebração de contrato com ente da federação ou com 
entidade da Administração Indireta, para prestação de serviços públicos de forma associadas 
(art. 24, inciso XXVI, Lei nº 8.666/1993 e art. 75, XI, da Lei nº 14.133/2021); 
Consórcio público de direito público – associação pública, espécie de autarquia, pertencem 
a administração indireta dos entes consorciados. 
• Atividade típica estatal; 
• Natureza de autarquia; 
Consórcio público de direito privado – não faz parte da administração indireta. 
• Atividade típica de fomento; 
• Natureza de associação. 
Os consórcios sofrem controle pelo Tribunal de Contas (art. 9º, parágrafo único da Lei 
11.107/2005) e, também, sofrem controle dos entes federativos do qual façam parte da 
Administração Indireta deles. 
As associações públicas são constituídas na forma de autarquias interfederativas, pois 
enquadram-se no gênero autarquia e regem-se por consequência pelo direito público e não pelo 
Código Civil. Já os consórcios públicos de direito privado são criados mediante autorização 
legislativa, para a gestão associada de serviço público. 
O artigo 3º da Lei nº 11.107/2005 traz que o consórcio é constituído por contrato, mas na verdade 
são várias fases necessárias até sua constituição: 
1ª1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
99 
 
Novidades: 
• Possibilidade de registrar preços inclusive através de inexigibilidade e de dispensa de 
licitação, para a aquisição de bens ou para a contratação de serviços por mais de um 
órgão ou entidade (art. 82, §6º); 
• Prazo de vigência da ata: 1 (um) ano e poderá ser prorrogado, por igual período, desde 
que comprovado o preço vantajoso (art. 84). 
 
Infrações e Sanções Administrativas: 
Exemplos de infrações: 
• Dar causa à inexecução parcial ou total do contrato; 
• Descumprir proposta (salvo justificativa); 
• Documentação (não entregar); 
• Atraso sem motivo; 
• Fraudes; 
• Praticar ato lesivo previsto no art. 5º da Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção). 
 
Sanções: 
I - advertência; 
II – multa (0,5% > 30% do valor do contrato); 
III - impedimento de licitar e contratar (>3 anos); 
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar (3>6 anos); 
§ 1º Na aplicação das sanções serão considerados: 
I - a natureza e a gravidade da infração cometida; 
II - as peculiaridades do caso concreto; 
III - as circunstâncias agravantes ou atenuantes; 
IV - os danos que dela provierem para a Administração Pública; 
V - a implantação ou o aperfeiçoamento de programa de integridade, conforme normas e 
orientações dos órgãos de controle. 
 
Prescrição: 5 (cinco) anos, contados da ciência da infração. 
• Interrompe instauração do processo administrativo; 
• Suspende pela celebração de acordo de leniência (Lei 12.846/2013); 
• Suspende por decisão judicial que inviabilize a conclusão da apuração administrativa. 
Impugnações, dos pedidos de esclarecimento e recursos: 
 
Redação comparativa 
Lei 14.133/2021 Lei 8.666/1993 
CAPÍTULO II - DAS IMPUGNAÇÕES, 
DOS PEDIDOS DE ESCLARECIMENTO 
E DOS RECURSOS 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
100 
 
Art. 164. Qualquer pessoa é parte 
legítima para impugnar edital de 
licitação por irregularidade na 
aplicação desta Lei ou para solicitar 
esclarecimento sobre os seus termos, 
devendo protocolar o pedido até 3 
(três) dias úteis antes da data de 
abertura do certame. 
Art. 41, § 1º - Qualquer cidadão é parte legítima para 
impugnar edital de licitação por irregularidade na 
aplicação desta Lei, devendo protocolar o pedido até 
5 (cinco) dias úteis antes da data fixada para a 
abertura dos envelopes de habilitação, devendo a 
Administração julgar e responder à impugnação em 
até 3 (três) dias úteis, sem prejuízo da faculdade 
prevista no § 1o do art. 113. 
Parágrafo único. A resposta à 
impugnação ou ao pedido de 
esclarecimento será divulgada em 
sítio eletrônico oficial no prazo de até 
3 (três) dias úteis, limitado ao último 
dia útil anterior à data da abertura do 
certame. 
 
Art. 165. Dos atos da Administração 
decorrentes da aplicação desta Lei 
cabem: 
Art. 109 - Dos atos da Administração decorrentes da 
aplicação desta Lei cabem: 
I - recurso, no prazo de 3 (três) dias 
úteis, contado da data de intimação ou 
de lavratura da ata, em face de: 
Art. 109, I - recurso, no prazo de 5 (cinco) dias úteis 
a contar da intimação do ato ou da lavratura da ata, 
nos casos de: 
a) ato que defira ou indefira pedido de 
pré-qualificação de interessado ou de 
inscrição em registro cadastral, sua 
alteração ou cancelamento; 
Art. 109, I, d) indeferimento do pedido de inscrição 
em registro cadastral, sua alteração ou 
cancelamento; 
b) julgamento das propostas; Art. 109, I, b) julgamento das propostas; 
c) ato de habilitação ou inabilitação de 
licitante; 
Art. 109, I, a) habilitação ou inabilitação do licitante; 
d) anulação ou revogação da licitação; Art. 109, I, c) anulação ou revogação da licitação; 
e) extinção do contrato, quando 
determinada por ato unilateral e 
escrito da Administração; 
Art. 109, I, e) rescisão do contrato, a que se refere o 
inciso I do art. 79 desta Lei; (Redação dada pela Lei 
nº 8.883, de 1994) 
II - pedido de reconsideração, no 
prazo de 3 (três) dias úteis, contado da 
data de intimação, relativamente a ato 
do qual não caiba recurso hierárquico. 
Art. 109, II - representação, no prazo de 5 (cinco) 
dias úteis da intimação da decisão relacionada com 
o objeto da licitação ou do contrato, de que não caiba 
recurso hierárquico; 
§ 1º Quanto ao recurso apresentado 
em virtude do disposto nas alíneas 
“b” e “c” do inciso I do caput deste 
artigo, serão observadas as seguintes 
disposições: 
 
I - a intenção de recorrer deverá ser 
manifestada imediatamente, sob pena 
de preclusão, e o prazo para 
apresentação das razões recursais 
previsto no inciso I do caput deste 
artigo será iniciado na data de 
intimação ou de lavratura da ata de 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
101 
 
habilitação ou inabilitação ou, na 
hipótese de adoção da inversão de 
fases prevista no § 1º do art. 17 desta 
Lei, da ata de julgamento; 
II - a apreciação dar-se-á em fase 
única. 
 
§ 2º O recurso de que trata o inciso I 
do caput deste artigo será dirigido à 
autoridade que tiver editado o ato ou 
proferido a decisão recorrida, que, se 
não reconsiderar o ato ou a decisão no 
prazo de 3 (três) dias úteis, 
encaminhará o recurso com a sua 
motivação à autoridade superior, a 
qual deverá proferir sua decisão no 
prazo máximo de 10 (dez) dias úteis, 
contado do recebimento dos autos. 
Art. 109, § 4º - O recurso será dirigido à autoridade 
superior, por intermédio da que praticou o ato 
recorrido, a qual poderá reconsiderar sua decisão, 
no prazo de 5 (cinco) dias úteis, ou, nesse mesmo 
prazo, fazê-lo subir, devidamente informado, 
devendo, neste caso, a decisão ser proferida dentro 
do prazo de 5 (cinco) dias úteis, contado do 
recebimento do recurso, sob pena de 
responsabilidade. 
§ 3º O acolhimento do recurso 
implicará invalidação apenas de ato 
insuscetível de aproveitamento. 
 
§ 4º O prazo para apresentação de 
contrarrazões será o mesmo do 
recurso e terá início na data de 
intimação pessoal ou de divulgação 
da interposição do recurso. 
Art. 109, § 3º - Interposto, o recurso será comunicado 
aos demais licitantes, que poderão impugná-lo no 
prazo de 5 (cinco) dias úteis. 
§ 5º Será assegurado ao licitante vista 
dos elementos indispensáveis à 
defesa de seus interesses. 
Art. 109, § 5º - Nenhum prazo de recurso, 
representação ou pedido de reconsideração se inicia 
ou corre sem que os autos do processo estejam com 
vista franqueada ao interessado. 
Art. 166. Da aplicação das sanções 
previstas nos incisos I, II e III do caput 
do art. 156 desta Lei caberá recurso no 
prazo de 15 (quinze) dias úteis, 
contado da data da intimação. 
 
Parágrafo único. O recurso de que 
trata o caput deste artigo será dirigido 
à autoridade que tiver proferido a 
decisão recorrida, que, se não a 
reconsiderar no prazo de 5 (cinco) 
dias úteis, encaminhará o recurso 
com sua motivação à autoridade 
superior, a qual deverá proferir sua 
decisão no prazo máximo de 20 (vinte) 
dias úteis, contado do recebimento 
dos autos. 
 
Art. 167. Da aplicação da sanção 
prevista no inciso IV do caput do art. 
156 desta Lei caberá apenas pedido de 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
102 
 
reconsideração, que deverá ser 
apresentado no prazo de 15 (quinze) 
dias úteis, contado da data da 
intimação, e decidido no prazo 
máximo de 20 (vinte) dias úteis, 
contado do seu recebimento. 
Art. 168. O recurso e o pedido de 
reconsideração terão efeito 
suspensivo do ato ou da decisão 
recorrida até que sobrevenha decisão 
final da autoridade competente. 
Art. 109, § 2º - O recurso previsto nas alíneas "a" e 
"b" do inciso I deste artigo terá efeito suspensivo, 
podendo a autoridade competente, motivadamente e 
presentes razões de interesse público, atribuir ao 
recurso interposto eficácia suspensiva aos demais 
recursos. 
 
15. Contratos Administrativos 
Aplica-se a Lei 14.133/2021, no que couber e na ausência de norma específica, aos 
convênios, acordos, ajustes e outros instrumentoscongêneres celebrados por órgãos e 
entidades da Administração Pública. 
Cuidado! Há vários contratos e instrumentos congêneres na legislação esparsa: 
• Lei 8.987/1995 (Concessão comum); 
• Lei 11.079/2004 (Concessão especial – PPP); 
• Lei 11.107/2005 (Consórcios Públicos); 
• Lei 13019/2014 (OSC – Termo de colaboração, Termo de Fomento, Acordo de 
cooperação); 
• Convênios, Contratos de gestão, etc. 
 
Art. 89. Os contratos de que trata esta Lei regular-se-ão pelas suas cláusulas e pelos 
preceitos de direito público, e a eles serão aplicados, supletivamente, os princípios da 
teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado. 
Repare a diferença: Contratos nas Estatais: Lei 13.303/2016, Art. 68. Os contratos de que trata 
esta Lei regulam-se pelas suas cláusulas, pelo disposto nesta Lei e pelos preceitos de direito 
privado. 
Administração convoca licitante vencedor para assinar o termo de contrato ou equivalente, 
dentro do prazo e nas condições estabelecidas no edital de licitação, sob pena de decair o direito 
à contratação. Observação: recusa injustificada do adjudicatário caracteriza descumprimento 
total da obrigação assumida e o sujeita às penalidades e imediata perda da garantia de proposta. 
• Lista de cláusulas necessárias (art. 92); 
• O instrumento de contrato é obrigatório, salvo nas seguintes hipóteses (exemplo: carta-
contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
103 
 
serviço): 
● dispensa de licitação em razão de valor; 
● compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais não resultem 
obrigações futuras, inclusive quanto a assistência técnica, independentemente de seu 
valor. 
• É nulo e de nenhum efeito o CONTRATO VERBAL com a Administração, salvo o de 
pequenas compras ou o de prestação de serviços de pronto pagamento (até R$ 
10mil). 
 
Lei 14.133/2021 – Garantias – art. 96 
 
Poderá ser exigida (no edital) PRESTAÇÃO DE GARANTIA nas contratações de obras, 
serviços e fornecimentos. Deve estar prevista no Edital (instrumento convocatório). 
Caberá ao contratado optar por uma das seguintes modalidades de garantia: caução em dinheiro; 
seguro-garantia; ou fiança-bancária (art. 96, §1º). 
Lei 14.133/2021 – Prerrogativas da Administração – art. 104 
Essas são as cláusulas exorbitantes. Há vantagens da administração em relação ao 
contratados, com fundamento na supremacia do interesse público sobre o privado. 
O regime jurídico dos contratos instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a 
eles, as prerrogativas de: 
 
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de interesse público, 
respeitados os direitos do contratado; 
II - extingui-los, unilateralmente, nos casos especificados nesta Lei; 
III - fiscalizar sua execução; 
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste; 
V - ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e utilizar pessoal e serviços vinculados 
ao objeto do contrato nas hipóteses de: 
 
a) risco à prestação de serviços essenciais; 
b) necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, 
inclusive após extinção do contrato. 
 
§ 1º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos não poderão ser 
alteradas sem prévia concordância do contratado. 
§ 2º Na hipótese prevista no inciso I do caput deste artigo, as cláusulas econômico-financeiras 
do contrato deverão ser revistas para que se mantenha o equilíbrio contratual. 
Observação: Nos Contratos das Estatais, não existem essas prerrogativas (Lei 13303/2016). 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
104 
 
Duração dos contratos: 
 
Redação comparativa 
Lei 14.133/2021 Lei 8.666/1993 
CAPÍTULO V - DA DURAÇÃO DOS 
CONTRATOS 
 
Art. 105. A duração dos contratos regidos 
por esta Lei será a prevista em edital, e 
deverão ser observadas, no momento da 
contratação e a cada exercício financeiro, 
a disponibilidade de créditos 
orçamentários, bem como a previsão no 
plano plurianual, quando ultrapassar 1 
(um) exercício financeiro. 
Art. 57. A duração dos contratos regidos por 
esta Lei ficará adstrita à vigência dos 
respectivos créditos orçamentários, exceto 
quanto aos relativos: 
Art. 106. A Administração poderá celebrar 
contratos com prazo de até 5 (cinco) anos 
nas hipóteses de serviços e fornecimentos 
contínuos, observadas as seguintes 
diretrizes: 
 
I - a autoridade competente do órgão ou 
entidade contratante deverá atestar a 
maior vantagem econômica vislumbrada 
em razão da contratação plurianual; 
Art. 57, I - aos projetos cujos produtos estejam 
contemplados nas metas estabelecidas no 
Plano Plurianual, os quais poderão ser 
prorrogados se houver interesse da 
Administração e desde que isso tenha sido 
previsto no ato convocatório; 
II - a Administração deverá atestar, no 
início da contratação e de cada exercício, a 
existência de créditos orçamentários 
vinculados à contratação e a vantagem em 
sua manutenção; 
 
III - a Administração terá a opção de 
extinguir o contrato, sem ônus, quando 
não dispuser de créditos orçamentários 
para sua continuidade ou quando entender 
que o contrato não mais lhe oferece 
vantagem. 
 
§ 1º A extinção mencionada no inciso III do 
caput deste artigo ocorrerá apenas na 
próxima data de aniversário do contrato e 
não poderá ocorrer em prazo inferior a 2 
(dois) meses, contado da referida data. 
 
§ 2º Aplica-se o disposto neste artigo ao 
aluguel de equipamentos e à utilização de 
programas de informática. 
Art. 57, IV - ao aluguel de equipamentos e à 
utilização de programas de informática, 
podendo a duração estender-se pelo prazo de 
até 48 (quarenta e oito) meses após o início 
da vigência do contrato. 
Art. 107. Os contratos de serviços e 
fornecimentos contínuos poderão ser 
Art. 57, II - à prestação de serviços a serem 
executados de forma contínua, que poderão 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
105 
 
prorrogados sucessivamente, respeitada a 
vigência máxima decenal, desde que haja 
previsão em edital e que a autoridade 
competente ateste que as condições e os 
preços permanecem vantajosos para a 
Administração, permitida a negociação 
com o contratado ou a extinção contratual 
sem ônus para qualquer das partes. 
ter a sua duração prorrogada por iguais e 
sucessivos períodos com vistas à obtenção de 
preços e condições mais vantajosas para a 
administração, limitada a sessenta meses; 
(Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998) 
Art. 108. A Administração poderá celebrar 
contratos com prazo de até 10 (dez) anos 
nas hipóteses previstas nas alíneas “f” e 
“g” do inciso IV e nos incisos V, VI, XII e 
XVI do caput do art. 75 desta Lei. 
Art. 57, V - às hipóteses previstas nos incisos 
IX, XIX, XXVIII e XXXI do art. 24, cujos 
contratos poderão ter vigência por até 120 
(cento e vinte) meses, caso haja interesse da 
administração. (Incluído pela Lei nº 12.349, de 
2010) 
Art. 109. A Administração poderá 
estabelecer a vigência por prazo 
indeterminado nos contratos em que seja 
usuária de serviço público oferecido em 
regime de monopólio, desde que 
comprovada, a cada exercício financeiro, a 
existência de créditos orçamentários 
vinculados à contratação. 
 
Art. 110. Na contratação que gere receita e 
no contrato de eficiência que gere 
economia para a Administração, os prazos 
serão de: 
 
I - até 10 (dez) anos, nos contratos sem 
investimento; 
 
II - até 35 (trinta e cinco) anos, nos 
contratos com investimento, assim 
considerados aqueles que impliquem a 
elaboração de benfeitorias permanentes, 
realizadas exclusivamente a expensas do 
contratado, que serão revertidas ao 
patrimônio da Administração Pública ao 
término do contrato. 
 
Art. 111. Na contratação que previr a 
conclusão de escopo predefinido, o prazo 
de vigência será automaticamente 
prorrogado quando seu objeto nãofor 
concluído no período firmado no contrato. 
 
Parágrafo único. Quando a não conclusão 
decorrer de culpa do contratado: 
 
I - o contratado será constituído em mora, 
aplicáveis a ele as respectivas sanções 
administrativas; 
 
II - a Administração poderá optar pela 
extinção do contrato e, nesse caso, 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
106 
 
adotará as medidas admitidas em lei para a 
continuidade da execução contratual. 
Art. 112. Os prazos contratuais previstos 
nesta Lei não excluem nem revogam os 
prazos contratuais previstos em lei 
especial. 
 
Art. 113. O contrato firmado sob o regime 
de fornecimento e prestação de serviço 
associado terá sua vigência máxima 
definida pela soma do prazo relativo ao 
fornecimento inicial ou à entrega da obra 
com o prazo relativo ao serviço de 
operação e manutenção, este limitado a 5 
(cinco) anos contados da data de 
recebimento do objeto inicial, autorizada a 
prorrogação na forma do art. 107 desta Lei. 
 
Art. 114. O contrato que previr a operação 
continuada de sistemas estruturantes de 
tecnologia da informação poderá ter 
vigência máxima de 15 (quinze) anos. 
 
 
Lei 14.133/2021 – Execução dos Contratos 
 
Observe a REGRA: 
 
Art. 121. Somente o contratado será responsável pelos encargos trabalhistas, 
previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. 
§ 1º A inadimplência do contratado em relação aos encargos trabalhistas, fiscais e 
comerciais não transferirá à Administração a responsabilidade pelo seu pagamento e não 
poderá onerar o objeto do contrato nem restringir a regularização e o uso das obras e das 
edificações, inclusive perante o registro de imóveis [...] 
EXCEÇÃO: (Art. 121, § 2º) Em contratações de SERVIÇOS CONTÍNUOS com REGIME DE 
DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DE MÃO DE OBRA, a Administração responderá: 
• SOLIDARIAMENTE pelos encargos PREVIDENCIÁRIOS; 
• SUBSIDIARIAMENTE pelos encargos TRABALHISTAS. 
• Se comprovada falha na fiscalização do cumprimento das obrigações do contratado 
(culpa in vigilando). 
 
Lei 14.133/2021 – Alteração dos Contratos – art. 124
A alteração dos contratos pode ser feita de forma unilateral, pela administração, visando 
alterações no projeto e especificações, ou no valor contratual, por acréscimo ou redução dos 
quantitativos contratados. O limite para acréscimos ou reduções é de 25%, e para reformas, o 
acréscimo é de até 50%, conforme art. 125. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
107 
 
 
 
Repare a diferença: As Empresas Estatais não têm a prerrogativa de alterar de forma 
unilateral nesses casos: 
Lei 13303/2016. Art. 81. Os contratos celebrados nos regimes previstos nos incisos I a V do art. 
43 contarão com cláusula que estabeleça a possibilidade de alteração, POR ACORDO ENTRE 
AS PARTES, nos seguintes casos: 
I - quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor 
adequação técnica aos seus objetivos; 
(...) §1º. O CONTRATADO PODERÁ ACEITAR, nas mesmas condições contratuais, os 
acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% do 
valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou de 
equipamento, até o limite de 50% para os seus acréscimos. 
Lei 14.133/2021 – Teoria da Imprevisão 
Por outro lado, é possível a alteração por acordo (bilateral), nas situações previstas no art. 124, 
II, em que se destaca a aplicação da teoria da imprevisão, justificando a modificação contratual. 
 
Art. 124. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas 
justificativas, 
II - POR ACORDO entre as partes: 
d) para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em caso de 
força maior, caso fortuito ou fato do príncipe ou em decorrência de fatos imprevisíveis ou 
previsíveis de consequências incalculáveis, que inviabilizem a execução do contrato tal 
como pactuado, respeitada, em qualquer caso, a repartição objetiva de risco estabelecida 
no contrato. 
 
 
UNILATERAL 
(pela 
Administração) 
 
VALOR 
CONTRATUAL 
 
+ 25% 
+50% 
(reforma) 
 
 - 25% 
 
PROJETO OU 
ESPECIFICAÇÕES 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
108 
 
§ 2º Será aplicado o disposto na alínea "d" do inciso II do caput deste artigo às 
contratações de obras e serviços de engenharia, quando a execução for obstada pelo 
atraso na conclusão de procedimentos de desapropriação, desocupação, servidão 
administrativa ou licenciamento ambiental, por circunstâncias alheias ao contratado. 
 
Art. 129. Nas alterações contratuais para supressão de obras, bens ou serviços, se o 
contratado já houver adquirido os materiais e os colocado no local dos trabalhos, 
estes deverão ser pagos pela Administração pelos custos de aquisição regularmente 
comprovados e monetariamente reajustados, podendo caber indenização por outros 
danos eventualmente decorrentes da supressão, desde que regularmente comprovados. 
 
Art. 130. Caso haja alteração unilateral do contrato que aumente ou diminua os 
encargos do contratado, a Administração deverá restabelecer, no mesmo termo 
aditivo, o equilíbrio econômico-financeiro inicial. 
 
Lei 14.133/2021 – Extinção dos Contratos 
 
Hipóteses em que a Administração Pública pode extinguir o contrato, unilateralmente 
(após motivação + contraditório) – art. 137, caput: 
• Descumprir edital e contrato; 
• Desatender determinações; 
• Alterar empresa (afetando contrato); 
• Falência, insolvência, dissolução da sociedade ou falecimento do contratado; 
• caso fortuito ou força maior, regularmente comprovados; 
• Atraso na obtenção da licença ambiental, desapropriação, a desocupação ou a 
servidão; 
• Interesse público, justificadas pela autoridade máxima do contratante; 
• Descumprir reserva de cargos (PcD, reabilitado e aprendiz); 
 
 
 BILATERAL 
 
SUBSTITUIÇÃO 
DA GARANTIA 
DA EXECUÇÃO REGIME DE 
EXECUÇÃO FORMA DE 
PAGAMENTO 
REEQUILÍBRIO 
Teoria da 
Imprevisão 
 
FORÇA 
MAIOR ou 
CASO 
FORTUITO 
 FATO DO 
PRÍNCIPE 
 
FATOS 
IMPREVISÍVEIS 
ou de 
consquências. 
incalculáveis. 
 
ATRASO em 
desapropriação 
desocupação 
licenc. 
(sem culpa) 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
109 
 
Hipóteses em que O CONTRATADO TERÁ DIREITO à extinção – art. 137, §2º: 
I. Supressão além do limite do art. 125; 
II. Suspensão de execução acima de 3 (três) meses; 
III. Repetidas suspensões que totalizem 90 dias úteis; 
IV. Atraso superior a 2 (dois) meses no pagamento; 
V. Não liberação de área, local ou objeto, para execução de obra, serviço ou fornecimento, 
e de fontes de materiais naturais especificadas no projeto, inclusive devido a atraso ou a 
descumprimento das obrigações atribuídas pelo contrato à Administração relacionadas à 
desapropriação, à desocupação de áreas públicas ou a licenciamento ambiental. 
 
 
Lei 14.133/2021 – Meios Alternativos de Resolução das Controvérsias – art. 151 
 
Art. 151. Nas contratações regidas por esta Lei, poderão ser utilizados meios alternativos 
de prevenção e resolução de controvérsias, notadamente a conciliação, a mediação, o 
comitê de resolução de disputas e a arbitragem. 
 
Atenção! A arbitragem é permitida na administração pública, com autorização expressa no art. 
1º, §1º da Lei 9307/96, mas apenas para direitos patrimoniais disponíveis (exemplo: disputa 
envolvendo reequilíbrio econômico-financeiro do contrato). Uma questão que envolva ofensa à 
moralidade administrativa, por exemplo, não pode ser objeto de arbitragem. 
 
A arbitragem na administração pública deve observar o princípio da publicidade e será sempre 
de direito (não “de equidade”): ou seja, o árbitro deve decidir com base no ordenamento jurídico, 
e não por critérios próprios de julgamento. 
 
Lei 14.133/2021 – Nulidade dos Contratos – art. 147 
 
Declaração de nulidade opera retroativamente, impedindo os efeitos jurídicos que o contrato 
deveria produzir ordinariamente e desconstituindoos já produzidos; 
Se não for possível o retorno à situação fática anterior, a nulidade será resolvida pela indenização 
por perdas e danos; 
 
 EXTINÇÃO 
dos contratos 
 
UNILATERAL 
(Adm) 
 
 motivado por 
escrito 
 
BILATERAL 
(consensual) 
 
 Conciliação 
ou mediação 
 
 
Comitê de 
resolução de 
disputas 
 DETERMINADA 
(terceiro) 
 
 Judicial 
 
 Arbitral 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
110 
 
Ao declarar a nulidade do contrato, a autoridade, com vistas à continuidade da atividade 
administrativa, poderá decidir que ela só tenha eficácia em momento futuro, suficiente para 
efetuar nova contratação, por prazo de até 6 (seis) meses, prorrogável uma única vez. 
OBS: A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizar o contratado. 
Lei 14.133/2021 – Do controle das contratações 
Art. 170, § 4º. Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá 
representar aos órgãos de controle interno ou ao tribunal de contas competente 
contra irregularidades na aplicação desta Lei. 
Tribunais de Contas podem suspender cautelarmente o processo licitatório. 
Intervenção do Estado na Propriedade: 
O Estado intervém legitimamente na propriedade privada a partir do fundamento constitucional 
da função social da propriedade (CF/1988, Art. 5º, XXIII), que limita o exercício desse direito dos 
particulares, visando a preservação do interesse público. 
Modalidades: 
Supressiva (retira a propriedade do titular): 
1. Desapropriação 
Restritiva (mantém a propriedade com o titular, mas com restrições): 
1. Servidão Administrativa; 
2. Requisição; 
3. Ocupação Temporária; 
4. Limitações Administrativas; 
5. Tombamento. 
I - Servidão Administrativa 
Exemplos: instalação de redes elétricas (postes, torres e ganchos), gasodutos e oleodutos no 
subterrâneo, placas com nome de ruas etc. Enseja indenização ao proprietário, mas apenas se 
houver prejuízo. Nesse caso, a indenização deve ser prévia à instituição da servidão. 
• Direito real público (ônus real); 
• Execução de obras e serviços de interesse coletivo; 
• Sobre bens imóveis; 
• Definitividade; 
• Mediante acordo ou decisão judicial; 
• Segue mesmas regras e procedimento da desapropriação (DL 3365/1941); 
• Indenização prévia e condicionada (se houver prejuízo). 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
111 
 
II - Requisição
CF/1988, Art. 5º, XXV: no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar 
de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; 
 
Lei 8080/1990 (SUS): art. 15, XIII - para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e 
transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção 
de epidemias, a autoridade competente da esfera administrativa correspondente poderá 
requisitar bens e serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes assegurada 
justa indenização. 
 
• Direito pessoal da Administração; 
• Perigo público iminente; 
• Sobre bens móveis, imóveis e serviços; 
• Transitoriedade; 
• Autoexecutória; 
• Indenização ulterior (se houver prejuízo). 
III - Ocupação temporária 
• Direito pessoal da Administração; 
• Necessidade de obras e serviços (sem urgência); 
• Sobre bens imóveis; 
• Transitoriedade; 
• Autoexecutória (exceto se vinculada à desapropriação); 
• Gratuita ou remuneração/indenização. 
IV - Limitações administrativas 
• Atos normativos de caráter geral; 
• Derivam do poder de polícia; 
• Destinatários indeterminados; 
• Interesse público abstrato; 
• Sobre bens móveis ou imóveis; 
• Definitividade; 
• Sem indenização. 
V - Tombamento 
CF/1988, 216, §1º: O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá 
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e 
desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. 
 
Decreto-Lei n. 25/1937: Art. 19. O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos 
para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao 
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conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a necessidade das 
mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for 
avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. 
Os proprietários não podem destruir, demolir ou mutilar o bem imóvel e somente poderão 
restaurá-lo, repará-lo ou pintá-lo após a obtenção de autorização especial do órgão 
administrativo competente. 
O artigo 1.072, I do novo CPC revogou o art. 22 do DL 25/1937, que conferia o direito de 
preferência aos entes públicos, caso o proprietário alienasse o imóvel. 
• Proteção do patrimônio cultural; 
• Voluntário ou compulsório; 
• Provisório ou definitivo; 
• Bem móveis, imóveis, bairros e cidades; 
• Bens públicos (“reciprocamente”); 
• Processo administrativo prévio; 
• Regime especial de propriedade (várias restrições); 
• Autorização para reformar, reparar, etc. 
• Proibido demolir. 
Desapropriação: 
 
1. Desapropriação Ordinária – art. 5º, XXIV 
Todos os entes podem. Indenização prévia em R$. 
Fundamento: utilidade/necessidade pública e interesse social. 
CF/1988, art. 5º, XXIV: A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade 
ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, 
ressalvados os casos previstos nesta Constituição. 
• Utilidade ou necessidade pública: DL nº 3.365/1941. 
• Interesse social: Lei 4132/1962. 
• Competência para legislar: privativa da União; 
• Competência declaratória ou “para desapropriar” (declara a utilidade pública ou 
interesse social, dando início ao procedimento expropriatório): comum (União, Estados, 
DF e Municípios) + DNIT, ANTT e ANEEL (autarquias); 
• Decreto caduca em 05 (cinco) anos; interesse social = 02 (dois) anos. 
• Competência executória: ente que declarou E concessionários/delegatários de 
serviços públicos (mediante autorização em lei ou contrato); 
 
 
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2. Desapropriação urbanística – art. 182, §4º. 
Só Município. Indenização em Títulos da dívida pública. 
Fundamento: descumprimento da função social. Política urbana. 
CF/88, art. 182, § 4º: É facultado ao PODER PÚBLICO MUNICIPAL, mediante lei 
específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do 
proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu 
adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: 
 
I - parcelamento ou edificação compulsórios; 
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; 
III - DESAPROPRIAÇÃO com pagamento mediante TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA de 
emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez 
anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e 
os juros legais. 
Fundamento legal: Lei 10257/2001 (Estatuto da Cidade) – art. 8º 
Portanto, não pode ser feita diretamente, sendo requisitos: 
1) Plano diretor; 
2) Lei específica para definir área; 
3) Notificação para parcelamento ou edificação compulsórios; 
4) IPTU progressivo por 05 (cinco) anos; 
5) DESAPROPRIAÇÃO, caso ainda não cumprida a função social; 
Atenção: não confunda essa desapropriação urbanística especial (punitiva) com a 
desapropriação comum para fins urbanísticos (não-punitiva): 
3. Desapropriação rural para reforma agrária– art. 184 
Só União. Indenização em Títulos da dívida agrária. Benfeitorias em dinheiro. 
Fundamento: imóvel improdutivo. Cuidar pequena e média propriedade. 
CF/88, art. 184.: Compete à UNIÃO DESAPROPRIAR POR INTERESSE SOCIAL, para 
fins de REFORMA AGRÁRIA, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função 
social, mediante PRÉVIA E JUSTA INDENIZAÇÃOEM TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA, 
com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir 
do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. 
§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro. 
§ 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, 
autoriza a União a propor a ação de desapropriação. 
§ 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito 
sumário, para o processo judicial de desapropriação. 
 
Fundamento legal: 
Lei 8629/1993 (dispõe sobre vários aspectos desse tipo de desapropriação, como o sentido da 
propriedade produtiva, a distinção entre o solo e as benfeitorias para fins indenizatórios, a 
distribuição dos imóveis rurais e outros da mesma natureza); 
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LC 76/1993 (dispõe sobre o procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo 
de desapropriação de imóvel rural por interesse social para fins de reforma agrária) 
O decreto federal caduca em 02 (dois) anos (art. 3º da LC 76/1993), ou seja, publicado o 
decreto, a ação de desapropriação deve ser proposta nesse prazo. 
Observação: É possível que Estados e municípios desapropriem área rural por interesse social, 
mas nesse caso a indenização será prévia, justa e em dinheiro, visto que será uma 
desapropriação ordinária. 
Não podem ser desapropriados para fins de reforma agrária: 
1. pequena e média propriedade rural, desde que seu proprietário não possua outra; 
2. propriedade produtiva. 
Portanto, só podem ser desapropriadas grandes propriedades (acima de 15 módulos fiscais) 
e que sejam improdutivas, de acordo com critérios da Lei 8629/1993, ou que não cumpra sua 
função social. 
 
4. Desapropriação “Confiscatória” – art. 243 
Só União. Sem indenização. Chamada de “expropriação”. 
Fundamento: plantio ilegal ou trabalho escravo. 
CF/88, art. 243: As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem 
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho 
escravo na forma da lei SERÃO EXPROPRIADAS e destinadas à reforma agrária e a 
programas de habitação popular, SEM QUALQUER INDENIZAÇÃO ao proprietário e sem 
prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 
5º. 
Disposições gerais e procedimento de desapropriação 
Objeto – Bens desapropriáveis:
Em regra, todos os bens, móveis e imóveis, ações, títulos, cotas sociais etc. 
Excetuam-se: moeda corrente, corpo humano, bens de ente “maior”; direitos da personalidade; 
Imóveis só podem ser desapropriados pelo ente onde estão situados; 
Desapropriação de Bens públicos: 
• Só pelo ente de maior abrangência (preponderância do interesse); 
• Autorização por lei (ou acordo); 
Procedimento de Desapropriação:
Duas fases: na fase declaratória, o Poder Público manifesta sua vontade na futura 
desapropriação; na fase executória, adotam-se as providências para consumar a transferência 
do bem. 
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1. Fase declaratória 
Inicia-se com a publicação do decreto expropriatório, dando-se início do prazo caducidade de 
05 anos (interesse social é dois anos); 
Deve ter a definição do bem a ser expropriado, bem como o motivo de interesse público que 
fundamenta e a destinação que será dada ao bem. 
Observação: Pode ser feita pelo legislativo, mas será lei de efeitos concretos (materialmente é 
ato administrativo). 
Efeitos: 
• Início do prazo de caducidade do ato declaratório; 
• direito de penetrar no bem; 
• fazer medições, inspeções etc. (pode requisitar força policial); 
• indica o estado do bem para fins de indenização (benfeitorias necessárias posteriores serão 
indenizadas, úteis apenas se forem autorizadas, e voluptuárias não serão indenizadas). 
Se ocorrer caducidade do ato, só pode novo decreto, para o mesmo bem, após 01 (um) ano. 
Ademais, pode haver ação anulatória do ato expropriatório, no prazo prescricional quinquenal. 
2. Fase executória 
a) Inicia-se com instauração de Processo administrativo, notificando-se o proprietário, com 
indicação do valor de indenização oferecido, para que este aceite, no prazo de 15 dias. O silêncio 
é considerado rejeição (Art. 10-A, DL 3365/1941). 
Sendo aceito, feito o pagamento, será lavrado acordo, o qual será título hábil para a transcrição 
no registro de imóveis. Estará finalizada a desapropriação, de forma amigável. 
Pode ser utilizada a mediação ou arbitragem (Art. 10-B, DL 3365/1941). 
Não havendo acordo, passa-se para a via contenciosa judicial, chamada de “ação de 
desapropriação direta”. 
b) Feito o ajuizamento da Ação de Desapropriação pelo poder público, o réu será citado para 
contestar. A discussão (mérito) só poderá versar sobre o valor da indenização. 
Ou seja, no bojo desta ação, só se discute o quantum indenizatório e questões processuais 
(prescrição, ilegitimidade de parte, nulidades, etc.), como disposto no art. 20 do DL 3365/1941. 
Se o interessado quiser discutir em juízo outras questões (o motivo da desapropriação, vícios do 
decreto, por exemplo), deverá propor ação própria, em autos apartados. Poderá ser feito controle 
de legalidade apenas, não de mérito. Com efeito, o ato declaratório (decreto expropriatório) 
é de natureza discricionária, não sendo possível ao Judiciário examinar o ato da 
Administração sob os critérios de oportunidade, necessidade e conveniência da 
desapropriação. 
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Recebida a inicial, o Juiz determina a realização de perícia do bem. 
b.1) Imissão provisória na posse: será possível, mesmo antes da citação, mediante alegação 
de urgência pelo poder público + depósito de valor arbitrado pelo Juiz; 
Mesmo discordando do valor, o proprietário pode levantar até 80% desse depósito. 
b.2) Sentença e Indenização: O juiz, com base no laudo pericial, fixará na sentença o valor da 
justa indenização. 
A sentença que julga a desapropriação autoriza a imissão definitiva na posse e constitui título 
hábil para o registro da propriedade do bem no Registro de Imóveis. Vale ressaltar que o 
momento da aquisição da propriedade é a data em que se efetiva o pagamento do preço. 
Sendo caso de desapropriação ordinária, a indenização será justa e em dinheiro. O pagamento 
se dará por precatório ou RPV. Sendo empresa estatal ou concessionária a expropriante, não se 
submete a regra do precatório. 
O art. 26 do DL 3365/1941 determina que o valor da indenização será calculado com base no 
preço do imóvel no momento da perícia (avaliação), não se incluindo no valor os direitos de 
terceiros contra o expropriado. Jurisprudência admite que eventual locatário ou 
arrendatário também tenha direito à indenização pelos prejuízos sofridos. 
b.3) Juros compensatórios: Caso ocorrida imissão provisória na posse e o valor depositado 
for menor que o fixado em sentença, surge o direito aos juros compensatórios. Visa-se a 
“compensar” a perda antecipada do bem por um valor provisório “injusto”. 
Os juros compensatórios são contados desde a data de imissão na posse. 
Súmula 69, STJ: Na desapropriação direta, os juros compensatórios são devidos desde a 
antecipada imissão na posse e, na desapropriação indireta, a partir da efetiva ocupação do 
imóvel. 
Esses juros incidem sobre a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo e o valor do 
bem fixado na sentença. 
DL 3365/1941, Art. 15-A: No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por 
necessidade ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária, 
havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na sentença, 
expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o 
valor da diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo dejuros compostos. 
 
§ 1o Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda 
comprovadamente sofrida pelo proprietário. 
§ 2o Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da 
terra e de eficiência na exploração iguais a zero. 
§ 3o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por 
apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a 
http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADI&documento=&s1=2332&numProcesso=2332
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indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles 
destinados à proteção ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença. 
b.4) Juros moratórios: DL 3365/1941, Art. 15-B. Nas ações a que se refere o art. 15-A, os juros 
moratórios destinam-se a recompor a perda decorrente do atraso no efetivo pagamento 
da indenização fixada na decisão final de mérito, e somente serão devidos à razão de até 
seis por cento ao ano, a partir de 1o de janeiro do exercício seguinte àquele em que o 
pagamento deveria ser feito, nos termos do art. 100 da Constituição. 
 
Súmula 12, STJ: Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e moratórios. 
 
Súmula 102, STJ: A incidência de juros moratórios sobre os compensatórios, nas ações 
expropriatórias, não constitui anatocismo vedado em lei. 
b.5) Honorários: O DL 3365/1941, no art. 27, § 1o, prevê que a sentença que fixar o valor da 
indenização quando este for superior ao preço oferecido condenará o desapropriante a pagar 
honorários do advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença. 
• Tredestinação 
Situação em que o imóvel desapropriado é utilizado para fim diverso daquele indicado no ato 
declaratório (decreto expropriatório). 
Será tredestinação lícita, caso o bem seja usado para outro fim, mas igualmente de interesse 
público. Exemplo: desapropriação para construir hospital, mas acaba construindo uma escola. 
Será tredestinação ilícita, por outro lado, caso o bem não seja utilizado para finalidade de 
interesse público. Caso não seja utilizado de forma alguma, restando “abandonado”, tem-se o 
caso de adestinação. Nesses casos, exsurge ao antigo proprietário o direito subjetivo à 
retrocessão. 
• Retrocessão 
CC/2002, Art. 519: Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou 
serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. 
 
O interessado poderá propor uma ação visando exercer o direito de retrocessão, fundado na 
tredestinação ilícita. A tredestinação lícita não confere esse direito. 
 
• Direito de extensão 
Direito que surge ao expropriado no caso de desapropriação parcial de imóvel em que o restante 
que “sobrou” é economicamente inviável. Ou seja, o direito de extensão é o que assiste ao 
proprietário de exigir que na desapropriação se inclua a parte restante do bem expropriado, 
que se tornou inútil ou de difícil utilização. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao37.htm#art100
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• Desapropriação por Zona 
É aquela desapropriação que abrange as áreas contíguas necessárias ao desenvolvimento 
da obra realizada pelo Poder Público e as zonas que vierem a sofrer valorização 
extraordinária em decorrência da mesma obra, estando prevista no art. 4o do Decreto-lei 
no 3.365/1941. 
▪ Desapropriação indireta 
Constitui fundamento da desapropriação indireta o art. 35 do Decreto-lei no 3.365/1941, que 
dispõe: “Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto 
de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer 
ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos.” 
Esse dispositivo cuida da hipótese do denominado fato consumado, haja vista a incorporação do 
bem ao patrimônio público, mesmo sendo irregular (nulo) o processo de desapropriação, o 
proprietário não pode pretender o retorno do bem a seu patrimônio. Resta-lhe, portanto, apenas 
a busca pela indenização, via “ação de desapropriação indireta”. 
Súmula 114, STJ: Os juros compensatórios, na desapropriação indireta, incidem a partir da 
ocupação, calculados sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente. 
 
Súmula 119, STJ: A ação de desapropriação indireta prescreve em vinte anos. (SUPERADA 
pelo Art. 1238, § único do CC/02, em que o prazo foi reduzido para 10 anos). 
 
16. Intervenção do Estado na Ordem Econômica 
16.1 Princípios da intervenção do Estado no domínio econômico
O Estado regulamenta, fiscaliza e cria estratégias de restrições e condicionamento, a fim de que 
seja atingida a justiça social e evitado o abuso de poder econômico. Nos termos do artigo 170 
da Constituição Federal dois são os fundamentos que servem de pilares para o sistema 
econômico: a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. 
16.2 Formas de intervenção no domínio econômico 
O Estado pode atuar de quatro formas diferentes na ordem econômica: 
a) Agente regulador (art. 174); 
b) Agente executor de atividade econômica (art. 173); 
c) Agente executor de atividade monopolística (art. 177); 
d) Como prestador de serviço público (art. 175). 
 
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16.3 Abuso do poder econômico
A Constituição Federal trabalha com três formas de abuso do poder econômico (art. 173, §4º, da 
CF): “lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à 
eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros”. 
O abuso do poder econômico deve ser reprimido pelo Estado através de um conjunto de 
estratégias e mediante sua intervenção, objetivando neutralizar comportamentos que tenham 
como intuito distorcer as leis do mercado, desfavorecer a população de consumo e obter acúmulo 
ilegal de riquezas como resultado. 
16.4 Repressão ao abuso do poder econômico 
Diversas são as legislações que tratam sobre abuso do poder econômico, mais importante é a 
Lei n. 12.529/2011, a qual instituiu o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência - SBDC, no 
qual encontramos o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), entidade 
judicante, uma autarquia vinculada ao Ministério da Justiça, com sede no Distrito Federal, 
formado pelos seguintes órgãos: 
 
1) O Tribunal Administrativo de Defesa Econômica é órgão judicante, que tem como 
membro um presidente e seis conselheiros, os quais são escolhidos entre cidadãos 
com mais de 30 anos, notório saber jurídico ou econômico e reputação ilibada, são 
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovados pelo Senado Federal. 
Seu mandato é de 4 anos, sendo vedada a recondução (art. 6º). Cabe ao tribunal, 
principalmente, decidir sobre a existência ou não de infrações e aplicar as penalidades 
previstas na lei, após um processo administrativo. 
2) A Superintendência-Geral: tem função investigativa, de caráter preparatório e 
preventivo, ligadas ao inquérito administrativo, bem como, funções instrutórias e 
executivas em relação ao processo administrativo (art. 13). 
3) Já o Departamento de Estudos Econômicos tem função de elaborar estudos e 
pareceres econômicos (art. 17). 
 
Além desses órgãos ligados à autarquia do Cade, também está ligado ao seu trabalho a 
Procuradoria Federal Especializada com função de prestar assessoramento jurídico ao Cade, 
representá-la judicialmente e extrajudicialmente, promover a execução judicial, entre outras 
atribuições elencadas no artigo 15, da Lei 12.529/2011. 
O Ministério Público Federal também atua perante o Cade, mas com atribuição para emitir 
parecer, nos processos administrativos deimposição de sanções administrativa por infrações 
contra à ordem econômica. A atuação do Ministério Público Federal poderá ser de ofício ou por 
requerimento do Conselheiro-Relator do Tribunal Administrativo de Defesa Econômica (art. 20). 
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As sanções podem ser aplicadas independentemente da culpa, aos atos cometidos que tenham 
por objeto ou que possam produzir os seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados (art. 
36, é bem importante a leitura completa do artigo na lei 12.529/2011): 
I - limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa; 
II - dominar mercado relevante de bens ou serviços; 
III - aumentar arbitrariamente os lucros; e 
IV - exercer de forma abusiva posição dominante. 
As penas que podem ser aplicadas estão previstas a partir do artigo 37 e 38 da Lei n. 
12.529/2011, elas serão aplicadas levando em consideração a gravidade da infração; a boa-fé 
do infrator; a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator; a consumação ou não da infração; 
o grau de lesão, ou perigo de lesão, à livre concorrência, à economia nacional, aos 
consumidores, ou a terceiros; os efeitos econômicos negativos produzidos no mercado; a 
situação econômica do infrator e a reincidência. 
A sanção mais comum é a multa (sanção pecuniária), mas outras também estão previstas: as 
obrigações de fazer ou não fazer, como a publicação da condenação (em meia página e a 
expensas do infrator, em jornal indicado na decisão), a proibição de contratar e participar de 
licitação com entidades oficiais (por prazo não inferior a cinco anos), a cisão da sociedade, 
transferência de controle acionário, a cessação parcial da atividade, a proibição de exercer o 
comércio pelo prazo de cinco anos e inscrição no Cadastro Nacional de Defesa do Consumidor. 
O rol de penalidade não é taxativo, tanto é que no artigo 38, inciso VII, o legislador deixou aberta 
a possibilidade de aplicação de qualquer outro ato ou providência que seja necessário para 
eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica. Quando a penalidade for multa será inscrita 
em Dívida Ativa e cobrada por execução fiscal pelo Cade, nos moldes da Lei 6.830/1980 (Lei de 
Execução Fiscal), admitindo-se a inclusão do dever no CADIN (Cadastro Informativo de créditos 
não quitados do setor público federal). 
Para compelir o infrator a cessar com a infração, o Tribunal Administrativo pode aplicar multa 
diária afim de compelir a continuidade de atos ou situações que configurem infração da ordem 
econômica, caso o infrator não siga as determinações, ainda que em medida preventiva ou pelo 
termo de compromisso, será sujeitado a multa diária fixada em valor de R$ 5.000,00 (cinco mil 
reais), podendo ser aumentada em até 50 (cinquenta) vezes, se assim recomendar a situação 
econômica do infrator e a gravidade da infração (art. 39). 
A decisão condenatória do Cade, seja ela cominando multa ou impondo obrigação de fazer ou 
não fazer, constitui título executivo extrajudicial (art. 93). A decisão do Tribunal Administrativo 
de Defesa Econômica tem caráter definitivo no âmbito administrativo, não podendo ser revista 
pelo Poder Executivo por meio de recurso hierárquico impróprio, vedação imposta pelo artigo 9º, 
§2º, da Lei 12.529/2011. 
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16.5 Prescrição
A prescrição das ações punitivas ocorrerá em cinco anos, prazo contado da data da prática do 
ato ilícito ou do dia em que tiver cessado o ato, se for o caso de infração permanente ou 
continuada (art. 46). O prazo prescricional poderá ser interrompido caso haja a instauração da 
apuração da infração, tanto no âmbito judicial, quanto administrativo, segundo o artigo 46, §1º 
da lei. E suspende o prazo prescricional enquanto houver a vigência do compromisso de 
cessação ou acordo em controle de concentrações. Ainda, prescreve em 3 anos, se pendente 
de julgamento ou despacho e o procedimento administrativo fica paralisado, é a chamada 
prescrição intercorrente. Contudo, se a ação corresponder a crime, se aplica o prazo 
prescricional da lei penal (art. 46) e não da Lei 12.529/2011. 
16.6 Processo administrativo na Lei 12.529/2011
A apuração de ato atentatório a ordem econômica se dá a partir do inquérito administrativo, 
que pode ser iniciado por ofício ou por provocação, trata-se de procedimento investigatório de 
natureza inquisitorial e será instaurado pela Superintendência-Geral (Art. 66). Se for necessário, 
poderá solicitar o concurso da autoridade policial ou do Ministério Público nas investigações. 
Encerrado o inquérito administrativo, a Superintendência-Geral tem o prazo de 10 dias para 
decidir sobre a instauração do processo administrativo ou, então, pelo arquivamento do 
inquérito (Art. 67). Observe que apenas durante o processo administrativo é que será garantido 
o direito de ampla defesa e contraditório, assim, da decisão que instaura o processo 
administrativo será determinado a notificação do representado para, no prazo de 30 dias 
(podendo prorrogar por mais 10 dias, mediante requisição), apresentar a defesa, podendo 
indicar até 3 testemunhas (Art. 70). Caso não apresente a defesa será considerado revel, 
incorrendo em confissão quanto a matéria de fato, correndo os demais prazos, independente de 
notificação (Art. 71), todavia, podendo interver a qualquer momento no processo, mesmo sendo 
revel, mas neste caso sem direito à repetição de atos já praticados. 
Após o prazo de defesa, em 30 dias a Superintendência-Geral deverá, em despacho 
fundamentado, determinar a produção de provas (art. 72); notificará o representado a apresentar 
novas alegações (art. 73); Apresentada as alegações, a Superintendência-Geral remeterá os 
autos do processo ao Presidente do Tribunal, opinando pelo arquivamento do processo 
administrativo ou pela configuração da infração. Recebido o processo, o Presidente do Tribunal 
distribuirá, por sorteio, ao Conselheiro-Relator, o qual poderá determinar diligências à 
Superintendência-Geral, após as diligências que eventualmente solicite, deverá abrir prazo de 
15 dias para o representado apresentar alegações finais. Recebida as alegações finais, o 
Conselheiro-Relator solicitará a inclusão do processo em pauta para julgamento pelo colegiado 
do Tribunal (art. 77). 
 
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16.7 Programa de Leniência
É possível, por intermédio da Superintendência-Geral, celebrar acordo de leniência, que 
resultará na extinção do processo punitivo da administração pública ou da redução de 1 a 2/3 da 
penalidade aplicável. O Acordo pode ser firmado com pessoa física e jurídica que forem autoras 
de infração à ordem econômica, desde que colaborem efetivamente com as investigações e o 
processo administrativo e dessa colaboração resulte (art. 86): Na identificação dos demais 
envolvidos na infração e na obtenção de informações e documentos que comprovem a infração 
noticiada ou sob investigação. 
Todavia, para que o acordo seja celebrado, alguns requisitos devem ser preenchidos: 
I - a empresa seja a primeira a se qualificar com respeito à infração noticiada ou sob investigação; 
II - a empresa cesse completamente seu envolvimento na infração noticiada ou sob investigação 
a partir da data de propositura do acordo; 
III - a Superintendência-Geral não disponha de provas suficientes para assegurar a condenação 
da empresa ou pessoa física por ocasião da propositura do acordo; e 
IV - a empresa confesse sua participação no ilícito e coopere plena e permanentemente com as 
investigações e o processo administrativo, comparecendo, sob suas expensas, sempre que 
solicitada, a todos os atos processuais, até seu encerramento. 
 
Em caso de descumprimento do acordo de leniência, o beneficiário ficará impedido de celebrar 
novo acordo de leniência pelo prazo de 3 (três) anos, contado da data deseu julgamento, 
segundo o art. 86, §12, da Lei 12.529/2011. 
Quadro resumo: 
 
Assunto Observação Norma em destaque 
Princípios Rol Art. 170, CF 
Livre concorrência Súm. Vinculante 49 
Formas de intervenção Agente regulador Art. 174, CF 
Agente executor de atividade 
econômica 
Art. 173, CF 
Agente executor de atividade 
monopolística 
Art. 177, CF 
Como prestador de serviço 
público 
Art. 174-175, CF 
Abuso do poder econômico Previsão constitucional Art. 173, §4º, CF 
Previsão infraconstitucional Art. 36, Lei 
12.529/2011 
Composição do CADE Tribunal Administrativo de 
Defesa Econômica 
Art. 6º-9º, Lei 
12.529/2011 
Superintendência-Geral Art. 13, Lei 
12.529/2011 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
123 
 
Departamento de Estudos 
Econômicos 
Art. 17, Lei 
12.529/2011 
Responsabilidade Objetiva e solidária Art. 32 e 33, Lei 
12.529/2011 
Penas Rol Art. 37-38, Lei 
12.529/2011 
Prescrição Geral – 5 anos Art. 46, Lei 
12.529/2011 
Intercorrente – 3 anos Art. 46, §3º, Lei 
12.529/2011 
Penal Art. 46, §4º, Lei 
12.529/2011 
Procedimento Processo administrativo Art. 66-85, Lei 
12.529/2011 
Acordo de leniência Possibilidade Art. 86, Lei 
12.529/2011 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
124Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
12 
 
a) Subscrição de protocolo de intenções (art. 3º); 
b) Publicação do protocolo de intenções na imprensa oficial (art. 4º, § 5º); 
c) Lei promulgada por cada um dos entes participantes, ratificando, total ou parcialmente, o 
protocolo de intenções (art. 5º). 
d) Celebração do contrato (art. 3º) 
e) Atendimento das disposições da legislação civil, quando se tratar de consórcio com 
personalidade de direito privado (art. 6º, II). 
No caso da associação pública os chefes do executivo vão assinar o protocolo de intenções que 
será submetido a ratificação por lei. A partir da ratificação da lei cria-se uma entidade com 
personalidade jurídica. Exemplo: Consórcio intermunicipal de saúde e saneamento básico. 
De acordo com as alterações que trouxe a lei nº 13.822/2019, os agentes públicos dos 
consórcios, seja de direito público ou de direito privado, serão celetistas, ou seja, empregados 
públicos. 
A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os 
Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados! 
Quadro resumo: 
 
Assunto Observação Norma em destaque 
 
 
 
Órgãos públicos 
Não tem personalidade 
própria 
Art. 1º, § 2º, da Lei 
9.784/99 
São criados e extintos por 
lei 
Art. 61, § 1º, II, “e” e 84, 
VI, “a”, da CF 
Conceito Art. 1º, § 2º, da Lei 
9.784/1999 
 
 
 
Entidade administrativas da 
Administração indireta 
Criação Art. 37, XIX, CF 
Conceito DL 200/1967 
Agências reguladoras Lei 9.986/2000 e Lei 
13.848/2019 
Agência executiva Art. 37, § 8º, CF e art. 51-
52 da Lei 9.649/1998 
Consórcios públicos Lei 11.107/2005 
Estatais Lei 13.303/2016 
Natureza jurídica de direito 
público 
Art. 41 do CC 
 
2. Paraestatais 
São definidas como paraestatais, além dos serviços sociais autônomos (inicialmente abordado 
por Hely Lopes Meirelles), as Entidades de Apoio, as chamadas Organizações Sociais, as 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
13 
 
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público e as Organizações da Sociedade Civil 
também são entidades paraestatais. Suas principais características e observações são: 
Entidade: Lei Forma de 
convênio ou 
parceria: 
Principal 
observação: 
Observações 
gerais: 
OS 
(Organização 
Social) 
Lei 
9.637/1998 
Contrato de 
gestão 
Entidades de 
iniciativa 
privada; sem 
fins lucrativos e 
que prestam 
serviço de 
interesse 
público. A 
grande 
diferença é que 
as OS 
absorveram 
serviços do 
Estado e as 
OSCIP são 
entidades que 
buscam 
fomento e se 
enquadram 
nos requisitos 
da lei. 
• Sem fins 
lucrativos; 
 
• Não faz parte da 
Administração 
Pública direta ou 
indireta; 
 
• Recebe fomento 
(incentivo) do 
Estado; 
 
• Presta atividade 
de interesse 
social; 
 
• Sujeito a 
controle da 
Administração 
Pública; 
 
• Serviço não 
exclusivo do 
Estado; 
 
 
OSCIP 
(Organização da 
Sociedade Civil 
de Interesse 
Público) 
Lei 
9.790/1999 
Termo de 
parceria 
 
SSA (Serviços 
Sociais 
Autônomos) 
Lei específica 
para cada 
entidade. 
Lei específica 
para cada 
entidade. 
Entidades 
como: do Sesi, 
Senai, Senac, 
Sesc, etc. 
OSC 
(Organizações 
da Sociedade 
Civil) 
Lei 
13.019/2014 e 
13.243/2016 
Termo de 
colaboração 
ou termo de 
fomento ou 
acordo de 
cooperação; 
São as demais 
entidades que 
buscam 
parceria com o 
Estado para 
conseguir 
fomento. 
Entidade de 
apoio 
Lei 
8.958/1994 
Convênio FIPE; FAPEX; 
FUSP; 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
14 
 
3. Princípios da Administração Pública 
3. Princípios da Administração Pública 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.1 Princípio da Supremacia do Interesse Público: 
 
O princípio da Supremacia do Interesse Público é basilar na construção do Direito Administrativo, 
sendo fundamento para os atos do Poder Público, configurando-se, de forma resumida, como a 
atribuição de “primazia às necessidades de uma maioria frente aos interesses de cunho 
individuais, diluídos ou não em uma determinada sociedade” (MEIRELES, 2017, p. 97). 
 
Assim, o interesse coletivo, público, sobrepõe-se a interesses meramente individuais, possuindo 
a Administração possui especiais em relação aos particulares. Decorre da noção de supremacia 
do interesse público a existência legítima de instrumentos e institutos administrativos como o 
Poder de Polícia, a desapropriação, intervenção, encampação, edição de medidas restritivas à 
direitos, dentre outros. Norteia, portanto, toda a lógica administrativa. 
 
3.1.2 Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público 
Também implícito no ordenamento jurídico, indica o princípio da supremacia do Interesse 
Público, que não cabe aos agentes públicos dispor desse interesse em nome de interesses 
particulares, uma vez que a atuação da Administração deve ser guiada com base na lei e não 
em interesses próprios dos agentes. Em razão de sua natureza de interesses próprios da 
coletividade, não é possível que órgãos administrativos que representam esses interesses 
possam dispor dos mesmos (MELLO, 2004), motivo pelo qual os poderes da Administração 
Pública possuem como característica serem “poderes-deveres”, a respeito dos quais a 
Administração, sob pena de responder por sua omissão, não pode deixar de exercê-los (DI 
PIETRO, 2021). É vedada, assim, a renúncia aos poderes legalmente conferidos aos agentes 
públicos. 
 
Princípio da Supremacia do Interesse Público 
 
Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público 
 
 
 
Supra princípios da 
Administração Pública 
Princípio da Legalidade 
Princípio da Impessoalidade 
Princípio da Moralidade 
Princípio da Publicidade 
Princípio da Eficiência 
 
Princípios Básicos → Artigo 37, caput, CF 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
15 
 
3.1.3 Princípio da Legalidade 
Indica que a vontade da Administração será aquilo que a lei determinar. Ou seja, os agentes 
públicos devem, no cumprimento de seus deveres, observarem a lei, não podendo agirem senão 
em virtude da lei. A Administração Pública, portanto, só pode atuar (criando obrigações, definindo 
impostos, realizando pagamentos...) quando existe lei que permita sua atuação. Em resumo, só 
pode fazer aquilo que a lei determine ou autorize. 
 
3.1.4. Princípio da Impessoalidade 
Também expresso no artigo 37, caput, da Constituição Federal, o Princípio da Impessoalidade 
apresenta-se a partir de duas perspectivas: configura-se como a finalidade de toda atuação 
administrativa e garante a vedação de obtenção de benefícios ou promoção pessoal aos agentes 
públicos. 
 
Enquanto finalidade da atuação administrativa, não permite a criação de benefícios ou prejuízos 
para pessoas determinadas, devendo a atuação administrativa visar o interesse público. A 
vedação de obtenção de benefícios preceitua que todo ato é da Administração Pública por tal 
razão, é vedada a utilização de nomes, símbolos, imagens ou cores que afastem a característica 
de impessoalidade que deve reger a atuação pública. 
 
3.1.5 Princípio da Moralidade: 
O Princípio da Moralidade sustenta a busca por uma boa administração, devendo ser observado 
de forma obrigatória, preceituando, nas palavras de Saddy (2018, p. 121), que, “ao realizar 
atividade discricional ou apreciativa, além de observar a norma jurídica, o administrador não pode 
se distanciar de valores éticos não protegidos diretamente pela norma jurídica, mas suscetíveis 
de proteção porque são subjacentes em determinada sociedade”. 
 
Relaciona-se com: Ética, honestidade, boa-fé e probidade, licitude e honestidade. Exemplos 
são as Leis n.º 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa) e n.º 14.230/2021 (alteração). 
Ato contrário a moral é nulo, não apenas inconveniente ou inoportuno. 
 
3.1.6 Princípio da Publicidade 
Do Princípio da Publicidade é possível extrair duas perspectivas:de exigência de publicações no 
Diário Oficial e de transparência da atuação administrativa. 
 
O Princípio da publicidade relaciona-se, assim, com a noção de visibilidade, transparência, das 
opções eleitas pelos agentes públicos, com a prestação de informações por parte da 
Administração Pública, que permitam o seu controle (SADDY, 2018). Exemplos: incisos XIV, 
XXXIII e LX do artigo 5º da Constituição Federal, a Lei n.º 12.527/2011 (Lei de Acesso à 
informação – LAI), remédios constitucionais como o Habeas Data, a possibilidade de sigilo. Não 
é absoluto, podendo ser flexibilizado frente à segurança nacional, intimidade e privacidade, por 
exemplo. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
16 
 
3.1.7 Princípio da Eficiência 
 
Também disposto no artigo 37, caput, da Constituição Federal, fundamenta a noção de boa 
prestação de serviços, de forma mais simples, menos custosa (econômica), rápida, buscando a 
concretização do interesse público da melhor maneira. Lembre-se: Não é absoluto, pois não 
tem força para afastar outros princípios que regem a administração pública, como o da 
legalidade (pular etapas definidas em lei) e da publicidade (não realizar publicações para 
diminuir custos e tempo). 
 
Exemplo: avaliações periódicas de desempenho do servidor (art. 41, §1º/CF). 
3.1.8 Princípios gerais da Administração Pública 
 
3.1.8.1 Princípio da Ampla Defesa e do Contraditório 
Também utilizado na perspectiva administrativa em processos e procedimentos administrativos, 
como o PAD. 
 
Art. 5º, LV, CF: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral 
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Lei .º 
9.784/1999 – Processo Administrativo Federal; 
 
Súmulas Importantes: Vinculante n.º 5 e Vinculante n.º 21 
 
3.1.8.2 Princípio da Autotutela 
Previsto no Art. 53 da Lei n.º 9.874/1999, indica que a Administração Pública pode rever os seus 
atos, sem necessitar do Poder Judiciário para tanto. Prazo da lei n.º 9.784/1999: direito de anular 
decai em 5 (cinco) anos. 
 
Súmulas importantes: n.º 346/STF e n.º 473/STF 
 
3.1.8.3 Princípio do controle ou tutela: 
O Princípio do controle ou tutela, como o próprio nome indica, trata da possibilidade de que a 
Administração Pública controle seus entes e entidades, assegurando que estejam atuando de 
acordo com a legalidade (DI PIETRO, 2021). Refere-se, portanto, à possibilidade de que os entes 
administrativos controlem as entidades da Administração Indireta. 
 
3.1.8.4 Princípio da Continuidade/permanência do Serviço Público 
O serviço público não pode ser interrompido, deve ser prestado de forma continuada. Em razão 
desse princípio, há a imposição de prazos rigorosos aos contraentes e o reconhecimento de 
privilégios à Administração, como o da encampação – quando a Administração assume a 
prestação do serviço, utilizando-se dos recursos humanos e materiais da empresa que o 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
17 
 
prestava, a fim de garantir sua continuidade – por exemplo (DI PIETRO, 2021). - Art. 6º, Lei n. 
8.987/1995. 
 
§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, 
eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das 
tarifas. 
§ 3o Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação 
de emergência ou após prévio aviso, quando: 
 I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, 
 II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade 
§ 4º A interrupção do serviço na hipótese prevista no inciso II do § 3º deste artigo não 
poderá iniciar-se na sexta-feira, no sábado ou no domingo, nem em feriado ou no dia anterior a 
feriado. (Importante: atualização legislativa de 2020) 
 
ATENÇÃO: O Superior Tribunal de Justiça proíbe a interrupção de serviço essencial: 
• Mesmo quando há falta de pagamento, mas é necessário para a sobrevivência da pessoa; 
• Quando a Administração Pública não pagar a conta de serviço essencial prestado. 
 
3.1.8.5 Princípio da continuidade 
O Princípio da continuidade informa sobre regularidade, utilizando-se da mesma lógica que 
preceitua a continuidade/permanência do serviço público: a Administração pública não pode 
parar. 
 
3.1.8.6 Princípio da Razoabilidade e da Proporcionalidade 
Configuram-se como princípios implícitos na Constituição Federal. Embora apresentados de 
forma separada, “o segundo constitui um dos aspectos contidos no primeiro. Isso porque o 
princípio da razoabilidade, entre outras coisas, exige proporcionalidade entre os meios de que 
se utiliza a Administração e os fins que ela tem que alcançar” (DI PIETRO, 2021, p. 123). Estão 
expressos no art. 2º da Lei n.º 9.784/1999. Envolve, portanto, a ideia de coerência, equilíbrio, na 
tomada de decisões e realização das atribuições, mesmo em atos discricionários. Exemplos: 
Tatuagem como impeditivo para aprovação em concurso público; definição de altura e peso em 
editais de concursos públicos. 
 
3.1.8.7 Princípio da presunção de legitimidade ou veracidade 
Conhecido também como Princípio da presunção de legalidade, refere-se tanto à certeza dos 
fatos quanto à referida presunção de legalidade. Assim, as decisões da Administração Pública 
são de execução imediata e podem criar obrigações para os particulares. 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
18 
 
3.1.8.8 Princípio da Especialidade 
Refere-se à especialização de funções e atuações própria da Administração Pública, que garante 
a existência de competências e finalidades determinadas para cada ente, agente ou órgão 
público. Noção de descentralização. 
 
3.1.8.9 Princípios da Hierarquia, responsabilidade e disciplinário: 
O Princípio da hierarquia indica a relação se subordinação e coordenação entre os órgãos da 
Administração Pública, com disciplina própria. Envolve hierarquia, disciplina e responsabilidade, 
literalmente. 
 
3.1.8.10 Princípio da motivação 
Consolidado pela doutrina e pela jurisprudência, o princípio da motivação traz a exigência de que 
todos os atos da Administração sejam motivados, com fundamentos de fato e de direito. Mais do 
que um princípio, é requisito para a viabilidade do controle da Administração Pública, como indica 
o artigo 50 da Lei nº 9.784/1999. 
 
3.1.8.11 Princípio da Segurança Jurídica, proteção à confiança e boa-fé 
Referem-se à ideia de manutenção de decisões e atos da Administração Pública, realizados de 
boa-fé, garantindo a confiança dos cidadãos que esperam a licitude da Administração e também 
a segurança jurídica de que uma nova interpretação não altere prerrogativas já asseguradas em 
um ato realizado dentro da legalidade e boa-fé. 
 
3.1.8.12 Princípio da máxima objetividade 
Visa à definição de critérios objetivos para a atuação administrativa, mesmo quando envolvidos 
atos discricionários, a fim de evitar mudanças constantes em critérios definidores dessas 
escolhas públicas. 
 
3.1.8.13 Princípio monocrático e da atuação colegial 
Enquanto o Princípio monocrático limita a discricionariedade decisional em decisões não 
aplicadas por agentes competentes, ao referir a concentração de responsabilidade em um 
agente estatal, o princípio da atuação colegial informa a prevalência da decisão de maiorias, da 
composição de vontade de diferentes agentes quando não respeitadas regras de competência, 
consenso ou maioria (SADDY, 2018). 
 
3.1.8.14 Princípio do planejamento 
Busca identificar os objetivos e metas prioritários e definir modos operacionais que garante, no 
tempo adequado, a estrutura e os recursos necessários para a execução de ações considerando 
o interesse público. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
19 
 
3.1.8.15 Princípios da precaução e prevenção 
O princípio da precaução respalda a adoção de medidasquando não existentes dados concretos 
e científicos sobre as consequências de uma ação específica, permitindo uma apreciação política 
dos níveis de proteção almejados, enquanto o Princípio da prevenção informa sobre a tomada 
de medidas necessárias para prevenir prejuízos decorrentes de uma ação ou mesmo minimizar 
os efeitos desta (SADDY, 2018). A medida em que no primeiro se desconhecem os eventuais 
riscos da decisão administrativo, no segundo os mesmos são conhecidos e se visa sua redução. 
4. Poderes da Administração Pública
4.1 Poderes e Deveres 
Os Poderes da Administração Pública indicam prerrogativas – poderes no sentido literal do 
termo–, que possui o poder público. São eles, assim: 
 
 
 
 
 
 
4.1.1 Poder Vinculado 
Também classificados doutrinariamente como regras de atribuição de competência à 
Administração Pública (MAFFINI, 2013), o Poder Vinculado envolve a prerrogativa conferida à 
Administração para praticar atos que sejam de sua competência, mas com limitado espaço de 
atuação – a liberdade do agente é mínima, sem espaço para escolhas. É também chamado de 
regrado, estando o agente limitado no que se refere aos elementos do ato administrativo 
(finalidade, competência, forma, motivo, objeto); Trata-se da atuação do poder público quando 
há uma conduta obrigatória, vinculada, determinada, para seu agir. 
 
O artigo 36 da Lei n.º 8.112/1990 apresenta exemplo da referida vinculação em seu inciso III, ao 
passo que, como será visto, o inciso II permite um espaço decisório, sendo, portanto, 
discricionário. 
 
4.1.2. Poder Discricionário 
Ao contrário do poder vinculado, O Poder Discricionário concede maior espaço de atuação e 
liberdade de escolha ao Administrador, o qual deve decidir com base na conveniência e 
Administração 
Pública 
Vinculado 
Discricionário 
Regulamentar 
Hierárquico Disciplinar 
Polícia 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
20 
 
oportunidade, havendo, assim, possibilidade de escolha, devendo sempre ser observado o 
melhor atendimento do interesse público; 
 
Assim, dentro dos limites definidos em lei, observados direitos fundamentais e princípios da 
Administração Pública, há um espaço de escolha do poder público. A lei (legalidade) funciona 
como uma moldura, dentro da qual há espaço para que os agentes públicos decidam. 
 
Exemplo do Poder Discricionário da Administração Pública: art. 36 da Lei 8.112/1990, que trata 
do regime jurídico dos servidores públicos federais, que, em seu inciso II, disciplina a remoção 
de servidor a pedido do mesmo, ficando a critério da Administração Pública, decidir sobre. 
 
4.1.3. Poder Regulamentar (normativo) 
É o poder de editar decretos e regulamentos que visem possibilitar a complementação de leis 
para que sejam mais bem implementadas, conferido aos chefes do Executivo e outras 
autoridades e entidades com competência definida (em todas as esferas – Princípio da Simetria). 
A produção de normas técnicas tem sido, também, uma forma de exercício do poder 
regulamentar especial. 
 
Importante destacar que os decretos e regulamentos não podem, no entanto, alterar, contrariar 
ou modificar disposições legais – cabe, todavia, a criação de obrigações subsidiárias, condutas 
impostas aos administrados (CARVALHO FILHO, 2021). Limitam-se, apenas, a complementá-
los. Um exemplo de Poder Normativo é o artigo 84 da Constituição Federal, em seu inciso IV, 
relativo à competência do Presidente da República para expedir decretos e regulamentos. 
 
4.1.4. Poder Hierárquico 
O Poder hierárquico tem como objetivo ordenar, controlar, coordenar e corrigir atividades 
administrativas na esfera interna da Administração Pública. Refere-se a relação de subordinação 
e coordenação que existe dentro da Administração Pública, diante da determinação de 
competências específicas a unidades e agentes públicos. 
 
Há vínculo de subordinação entre os agentes públicos e os cargos públicos, devendo os 
subordinados cumprirem as determinações dos superiores – salvo quando manifestamente 
ilegais. Decorrem do poder hierárquico os poderes de chefia, de fiscalização e coordenação, de 
revisão de atos, de transferência administrativa de competências (delegação e avocação) e de 
iniciativa disciplinar (que não se confunde com o poder disciplinar). 
 
ATENÇÃO: Não há hierarquia entre membros dos Poderes Legislativo (parlamentares) e 
Judiciário (magistratura), em suas funções típicas, bem como entre a Administração Direta e 
Indireta. Poderá haver, contudo, quando desempenhadas funções administrativas (atípicas) em 
cada um deles. 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
21 
 
4.1.5 Poder Disciplinar 
O Poder Disciplinar se relaciona com o poder hierárquico e é voltado para a estrutura interna da 
Administração Pública. É, em resumo, o poder exercido com a finalidade de apurar infrações e 
também aplicar penalidades, quando necessário, impondo as sanções previstas. Não há 
liberdade de escolha para a Administração Pública entre punir ou não algum agente, cabendo 
sempre a abertura de procedimento cabível para a apuração e, sendo o caso, aplicação de 
penalidades (DI PIETRO, 2021). A competência para instauração de Processo Administrativo 
Disciplinar, indicada no artigo 143 da Lei n.º 8.112/1990 é um exemplo deste poder. 
 
Mas aplicar penalidade em quem? Servidores da própria Administração Pública e também 
particulares que estejam sujeitas a mesma disciplina administrativa, como, por exemplo, alunos 
de uma escola pública, empregados de empresas privadas à serviço da Administração... 
4.1.6. Poder de Polícia 
Dentre os poderes da Administração Pública o Poder de Polícia merece mais atenção por sua 
complexidade e particularidades. É necessário distinguir a polícia judiciária (atividade mais 
repressiva, que atua na esfera dos ilícitos penais e é realizada por órgãos de segurança) da 
polícia administrativa (atividade mais preventiva (pode ser repressiva), que atua na esfera 
individual em nome da coletividade, executada por órgãos administrativos). 
 
O que é o Poder de Polícia? O artigo 78 do Código de Trânsito Nacional traz o seu conceito: 
 
Art. 78 do Código de Trânsito Nacional: Considera-se poder de polícia atividade 
da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou 
liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse 
público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina 
da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes 
de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao 
respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. 
 
Em síntese, o Poder de Polícia é um poder administrativo com a prerrogativa de limitar ou 
disciplinar direitos de natureza individual em razão do interesse público, seja por meio da 
exigência de atuação ou de abstenção, remunerado por meio de taxa. É atividade que em tem 
em conflito, de um lado, a autoridade inerente à Administração Pública e, de outro, os interesses 
de natureza individual. 
 
Pode envolver tanto a criação de atos normativos em geral, que gerem limitações de natureza 
administrativa aos direitos individuais, quanto a execução de atos administrativos e materiais, 
como fiscalizações, vistorias, notificações, interdições, dissoluções de reuniões, dentre outros 
(DI PIETRO, 2021). Tanto o Poder Legislativo como o Poder Executivo são competentes, no que 
lhes couber constitucionalmente. 
 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
22 
 
Quais são as características/atributos do Poder de Polícia? 
 
• Discricionariedade – trata-se da oportunidade ou conveniência ao aplicar (na maior parte 
dos casos). Cabe a Administração Pública compreender qual o melhor momento para 
atuar e, ainda, quais os meios mais adequados. 
• Autoexecutoriedade – execução direta de suas decisões, sem necessidadede recorrer 
ao Poder Judiciário. 
• Coercibilidade – é dotado de força coercitiva, sendo possível a imposição das medidas, 
o que garante também a executoriedade dos atos de polícia. 
 
Sanções Administrativas: 
 
• Sanções administrativas, impostas em procedimentos administrativos, como multas, 
apreensões de objetos, interdições de locais... 
• Poder de Polícia é delegável? Em regra não, a exceção é no que se refere a atos 
materiais: 
 
Normatizar e sancionar – não cabe X Consentir (licença, alvará, autorização) e fiscalizar – cabe. 
 
Tese de repercussão geral STF: É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de 
lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital 
social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria 
do Estado e em regime não concorrencial. 
 
Prazo prescricional das sanções: regulamentado na Lei n.º 9873/1999. 
 
Art. 1º -prescrição da ação punitiva = 5 anos; 
§ 1º - prescrição intercorrente = 3 anos; 
§ 2º - prescrição quando for ilícito penal = prazo da lei penal; 
 
4.1.7 Abuso de poder: 
O abuso de Poder pode ocorrer em duas modalidades: 
 
• Excesso de Poder: quando o agente “excede os limites de sua competência; por 
exemplo, quando a autoridade, competente para aplicar a pena de suspensão, impõe 
penalidade mais grave, que não é de sua atribuição; ou quando a autoridade policial se 
excede no uso da força para praticar ato de sua competência” (Di Pietro) 
• Desvio de Poder (ou desvio de finalidade): quando o agente público “pratica o ato com 
finalidade diversa da que decorre implícita ou explicitamente da lei” (DI PIETRO, 2021). 
 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
23 
 
O abuso de autoridade pode ser configurado em qualquer uma das modalidades, desde que 
definido em lei, ou seja, abuso de autoridade se refere aos crimes previstos na Lei n.º 
13.869/2019., que exigem dolo + finalidade específica de prejudicar, beneficiar ou por 
capricho ou satisfação pessoal; 
5. Bens Públicos
5.1 O que são bens públicos?
A partir do artigo 98, do Código Civil, podemos identificar que os bens públicos são aqueles 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno (art. 41, CC). Os demais bens, 
das pessoas jurídicas de direito privado serão bens privados (ou particulares). 
5.2 Classificação dos bens 
 
1) Quanto à titularidade: podem ser bens federais, estaduais, distritais ou municipais. 
 
2) Quanto à destinação (art. 99, CC): 
a) Bens de uso comum do povo: são aqueles destinados ao uso geral pelos indivíduos, 
bens que podem ser usados em condição de igualdade por todos, como praça, rios, 
ruas, etc. 
b) Bens de uso especial: São todos os bens que visam à execução do serviço público 
e dos serviços administrativos do Poder Público. Estão afetados a uma destinação 
específica. Esses bens só podem ser alienados após a desafetação. Exemplos: 
edifício da prefeitura, escola pública, as mesas e cadeiras da escola, os veículos da 
polícia civil, etc. 
c) Bens dominicais: não possuem uma afetação específica, são, portanto, 
desafetados. Como exemplo podemos citar as terras devolutas ou um bem móvel 
desafetado como uma ambulância estragada, prédios desativados, etc. No caso de 
terras devolutas (terras sem destinação específica) cabe destacar a Súmula 477, STF: 
“As concessões de terras devolutas situadas na faixa de fronteira, feitas pelos Estados, 
autorizam, apenas, o uso, permanecendo o domínio com a União, ainda que se 
mantenha inerte ou tolerante, em relação aos possuidores”. 
3) Quanto à disponibilidade: 
a) Bens indisponíveis por natureza: os bens de uso comum do povo, como regra, pois 
são insuscetíveis de alienação. São bens que não possuem natureza patrimonial. 
b) Bens patrimoniais indisponíveis: estes são bens que possuem natureza patrimonial, 
mas que o Poder Público não pode dispor em razão de estarem afetados a uma 
destinação específica. Os bens de uso especial e os de uso comum que sejam 
1ª Fase | 36° Exame da OAB 
Direito Administrativo 
 
24 
 
susceptíveis de avaliação, por exemplo, os imóveis, veículos, escolas públicas, 
universidades públicas, hospitais, etc. 
c) Bens patrimoniais disponíveis: são os bens que possuem natureza patrimonial e por 
não estarem afetados a uma finalidade pública podem ser alienados, claro, desde que 
respeitada a lei. Os bens patrimoniais são, por exemplo, a ambulância que não 
funciona mais e foi desafetada para ser leiloada. 
 
4) Quanto a forma de uso: 
a) Uso comum: bem que é aberto ao uso da coletividade, como as praças e parques, 
que não exige uma autorização estatal para seu uso. Esse uso pode ser gratuito ou 
remunerado (art. 103, do CC). 
b) Uso especial: a utilização depende de submissão às regras e consentimento. 
Também pode ser gratuito ou oneroso. Exemplo: rodovia com pedágio. 
c) Uso compartilhado: quando uma pessoa jurídica de direito público ou de direito 
privado utiliza o bem público de outra. Por exemplo: dutos com fios elétricos da pessoa 
jurídica de direito público estadual responsável pelo serviço que utiliza área público 
municipal para instalação de tais dutos. 
d) Uso privativo: bem outorgado para uso de uma determinada pessoa, por exemplo, 
uma autorização dada pelo município para uma feira de artesanatos na praça pública. 
 
5.3. Características, garantias ou atributos 
 
1) Inalienabilidade: significa que bens públicos não podem ser vendidos livremente, essa regra 
não é absoluta (art. 100 e 101, CC). Os bens de uso especial e os bens de uso comum são 
inalienáveis (bens fora do comércio), já os bens dominicais podem ser alienados, se atendidos 
os requisitos estampados na lei (art. 76, da Lei 14.133/2021). 
 
2) Impenhorabilidade: os bens públicos não podem ser objeto de uma constrição judicial, de 
uma execução contra a fazenda pública, por exemplo. A característica se justifica pelo fato de 
que as dívidas da Fazenda Pública são pagas em forma de precatórios e RPV (Requerimento 
de Pequeno Valor), segundo o artigo 100, da Constituição Federal. 
 
Atenção: De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal ( Ag. Reg. nos Emb. Decl. de 
Recurso Extraordinário 851.711, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 de dezembro de 2017), 
os bens das empresas públicas, sociedade de economia mista e concessionárias que estejam 
afetados à prestação de serviço público também são impenhoráveis. 
3) Imprescritibilidade: trata-se da prescrição aquisitiva, ou seja, não possibilidade de usucapião 
(art. 183, §3º e 191, parágrafo únicos, da CF/1988; art. 102, do CC e Súmula 340 do STF). 
Importante salientar que a imprescritibilidade atinge inclusive os bens não afetados. Conforme a 
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Súmula 619, STJ: “A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza 
precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias”. 
 
4) Não onerabilidade: os bens públicos não podem ser objetos de direito real de garantia, ou 
seja, um determinado bem público não fica sujeito à instituição de penhor, anticrese ou 
hipoteca para garantir débitos do ente estatal. 
5.4 Formas de alienação
Para que um bem público seja alienado, em razão da sua característica de inalienabilidade, deve 
ser primeiro desafetado. Quando um bem está afetado, significa dizer que o bem possui uma 
finalidade pública específica, ao contrário, quando o bem foi desafetado (desconsagração) é 
porque ele não está sendo utilizado para um determinado fim público. 
Bens públicos podem ser alienados, desde que atendidos os requisitos estampados no artigo 17 
da Lei 8666/93 ou artigo 76 da Lei 14.133/2021: 
a) A demonstração do interesse público na alienação 
b) A avaliação prévia 
c) A realização de regular procedimento licitatório, prévio à alienação (exceto quando a 
lei trouxer a desnecessidadeexpressa). 
d) Autorização legislativa nos casos de bem imóveis. 
Desafetado o bem público, poderá ser alienado das seguintes formas: 
a) Venda: como regra exige licitação prévia, na modalidade leilão. 
b) Doação: doação de bens públicos é admitida excepcionalmente, nos moldes do art.76, 
da Lei 14.133/2021, sem a necessidade de realização de procedimento licitatório. 
c) Dação: é a entrega de um bem para equacionar dívida, se o credor consentir, nessa 
situação também é necessário lei autorizadora e prévia avaliação, sendo 
desnecessária a licitação. 
d) Permuta: ou troca, é o ajuste no qual ocorre transferência mútua de patrimônio. Trata-
se de situações de licitação dispensada, ou seja, a contratação é realizada 
diretamente, exige-se nessa modalidade lei autorizadora e prévia avaliação. 
e) Investidura: incorporação de área pública inapropriável, também ocorre mediante 
licitação dispensada, é regulamentada pelo art. 76, da Lei 14.133/21. 
f) Concessão de domínio: alienação que recai sobre terras devolutas dos entes 
federados, conforme a redação do artigo 188, §1º, da Constituição Federal. 
5.5 Concessão, permissão e autorização de uso
Bens públicos, tanto os de uso comum, especial ou dominical, podem ter seu uso privativo 
outorgado para determinados particulares. Os principais instrumentos para essa outorga são: 
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Direito Administrativo 
 
26 
 
a) Autorização de uso de bem público: ato administrativo discricionário, unilateral, 
precário e que não depende de licitação, é por prazo indeterminado como regra. 
Exemplo: autorização de uso da rua para festa junina do bairro; autorização para o 
particular colocar mesas do bar na calçada pública. 
b) Permissão de uso de bem público: também é ato unilateral, discricionário e precário, 
exige licitação, é por prazo indeterminado como regra (permissão comum), mas pode 
ser por prazo determinado (permissão anômala). Exemplo: a utilização de uma área 
pública para eventos de curta duração, de natureza recreativa, esportiva, cultural, 
religiosa ou educacional, como o circo que instala em um parque público. 
c) Concessão de uso de bem público: é contrato administrativo bilateral, mediante 
prévia licitação, uso privativo e obrigatório do bem público pelo particular, que pode ser 
gratuita ou remunerada por parte do particular (concessionário). Exemplo: concessão 
de jazida, segundo o artigo 176, da Constituição Federal. 
d) Concessão de direito real de uso: prevista no Decreto-lei 271/1967, diz respeito a 
utilização de terrenos públicos ou espaço aéreo. 
e) Concessão de uso especial para fins de moradia: prevista na Medida Provisória n. 
2.220/2001. 
f) Cessão de uso: normalmente ocorre por meio de convênio ou termo de cooperação, 
nada mais é quando um ente federativo permite outro ente federativo usar o seu bem 
público para o interesse da coletividade. 
 
Quadro resumo: 
 
Assunto importante Observação Norma em destaque 
Conceito Bens das pessoas jurídicas de 
direito público 
Art. 98 do CC 
Espécies Uso comum Art. 99, I, CC 
Uso especial Art. 99, II, CC 
Dominicais Art. 99, III, CC 
Alienabilidade Impossibilidade para bens de 
uso comum e uso especial 
Art. 100, CC 
Possibilidade para bens 
desafetados (dominicais) 
Art. 101, CC 
Usucapião Impossibilidade para qualquer 
espécie de bem 
Art. 102, CC e art. 183, 
§3º, CF e 191, p.u., CF 
Características Inalienabilidade Art. 100 e 101 do CC, 
art. 76, da Lei 
14.133/2021 
Impenhorabilidade (STF 
estendeu para às pessoas 
jurídicas de direito privado 
prestadoras de serviço público) 
Art. 100, CF 
Imprescritibilidade Art. 102, CC e art. 183, 
§3º, CF e 191, p.u., CF 
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Direito Administrativo 
 
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Não onerabilidade 
 
6. Atos Administrativos
6.1 Elementos do Ato Administrativo 
 
Também chamados de requisitos de validade do ato administrativo. É a partir do art. 2º da Lei 
4717/1965 (Lei da Ação Popular) que a doutrina administrativista elenca os cinco elementos dos 
atos administrativos, e se popularizou o mnemônico: “COFIFOMOBI” (COmpetência; FInalidade; 
FOrma; Motivo; e OBjeto). 
I. Competência 
 
Trata-se de elemento vinculado e diretamente ligado à legalidade. 
Delegação da competência: possível se não houver vedação legal. Não pode haver delegação 
“total” das atribuições, sob pena de desvirtuamento da função administrativa atribuída ao órgão 
ou cargo. Pode ser “vertical” (para subordinado) ou “horizontal’ (para órgão ou agente de mesma 
hierarquia). 
 
Atenção é vedada a delegação: 
 
 
 
Avocação da competência: é o inverso da delegação, e só pode ocorrer de forma vertical (o 
superior avoca competência de subordinados). É excepcional e sempre temporária. Demanda 
motivos relevantes devidamente justificados. 
II. Finalidade 
 
Tratada como a razão genérica do ato, que, de forma mediata, em sentido amplo, será sempre 
o interesse público. Trata-se de elemento sempre vinculado. 
 
Vício: abuso na modalidade desvio de poder. 
III. Forma 
 
A forma ou elemento formal é o modo como a vontade do ato se exterioriza na realidade. 
Constitui requisito vinculado e necessário para sua perfeição. Por outro lado, quando o erro na 
forma atinge a essência do ato, torna-se imperiosa a sua anulação, uma vez que será vício 
 Atos normativos 
Decisão de 
recursos 
Matérias de 
competência 
exclusiva 
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insanável. Tem-se, assim, o chamado princípio do formalismo moderado ou da 
“instrumentalidade das formas”, visto que a forma é o meio e não um fim em si mesma. 
 
Atenção: Lei 9784/1999, art. 22 - Os atos do processo administrativo não dependem de forma 
determinada senão quando a lei expressamente a exigir. 
IV. Motivo 
 
São os pressupostos no mundo dos fatos e do direito que fundamentam a prática do ato. Motivo 
é o suporte fático abstrato (previsão na lei) e o suporte fático concreto (no mundo real), que 
determinam ou autorizam que o ato seja praticado. É o elemento em que identificamos o princípio 
da subsunção no direito administrativo. 
● Será um elemento vinculado nas hipóteses em que a lei determina que, configurada 
certa situação fática, deve o agente público praticar o ato. 
● Será um elemento discricionário nas hipóteses em que a lei autoriza que, configurada 
certa situação fática, o agente público pratique o ato, segundo critérios de conveniência e 
oportunidade. 
Atenção: não confunda motivo com motivação! 
A motivação é a fundamentação do ato administrativo, constituindo parte do elemento forma. Ela 
é a descrição do motivo, mas não se confunde com este. A motivação, quando obrigatória, é a 
exteriorização formal do elemento motivo, de modo que sua ausência nesse caso representa 
vício formal. 
A motivação pode ocorrer no próprio corpo do ato, chamada de motivação contextual, ou pode 
se reportar a outros documentos (como um parecer jurídico), chamada nesse caso de motivação 
aliunde (§1º do art. 50 da Lei 9784/1999). 
A motivação é imprescindível para o controle dos atos administrativos pelo interessado. 
Teoria dos motivos determinantes: teoria preconizada por Gaston Jèze a partir da jurisprudência 
do Conselho de Estado francês, que trata do controle do motivo do ato administrativo. A partir 
dessa teoria, entende-se que os fundamentos fáticos e legais declarados pela administração 
como determinantes para a prática do ato podem ser objeto de controle judicial ou pela própria 
administração. Ou seja, a motivação deve ser verdadeira. Deve corresponder ao real motivo 
(fático e jurídico), e, mesmo quando não for obrigatória, caso seja realizada, a motivação 
expressa deve ser idônea. Se for falsa, o ato tem vício de legalidade. 
V. Objeto 
 
O objeto é o conteúdo material do ato, é o “ato em si”. Esse elemento está intimamente ligado 
ao elemento motivo. Sendo assim, quando o motivo for vinculado, caberá apenas um objeto a 
ser realizado,por determinação legal. Quando houver discricionariedade, haverá liberdade de 
apreciação, dentro das margens legais, a respeito da conveniência e oportunidade em torno do 
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motivo, resultando a escolha pela prática do ato a materialização do objeto, entre os possíveis 
em lei. 
Portanto, os elementos motivo e objeto consistem, nos atos discricionários, o chamado 
“mérito administrativo”, pois é neles que reside a discricionariedade dos atos 
discricionários. 
Mérito administrativo: quando se fala em poderes da administração, vê-se que o poder 
discricionário é aquela margem de liberdade, conferida pelo legislador, para que o agente público 
avalie a conveniência e a oportunidade para prática do ato, desde que preenchidos os requisitos 
e nos limites da lei. Ou seja, é uma autorização para prática do ato. 
Essa “margem de liberdade” é chamada de mérito administrativo, e só existe nos atos 
discricionários. Nos atos vinculados, nos quais não há essa liberdade, todos os elementos são 
vinculados. Nos atos discricionários, contudo, apesar de os elementos competência, finalidade 
e forma serem vinculados, os elementos motivo e objeto serão discricionários. 
O controle de mérito, então, será o controle de conveniência e oportunidade do ato, e 
poderá resultar (entendendo-se pela inconveniência ou inoportunidade) na revogação do ato. 
Veja que não há vício nesse caso (o que ensejaria a anulação). Assim, só podem ser revogados 
atos discricionários, porque apenas neles há o referido mérito administrativo. 
Por outro lado, o controle judicial do ato jamais poderá adentrar nesse mérito, para avaliar 
conveniência e oportunidade. Um juiz não pode revogar um ato administrativo de outra 
autoridade, mas apenas anulá-lo por vício de legalidade. 
Em suma: existe controle judicial dos atos discricionários, mas apenas quanto aos critérios de 
legalidade. 
Portanto, não esqueça: o Poder Judiciário pode sempre controlar (anular) atos administrativos 
discricionários, quanto à análise dos seus elementos vinculados (competência, finalidade e 
forma). Quanto ao mérito do ato (elementos motivo e objeto), poderá realizar o controle de 
“razoabilidade e proporcionalidade”, aferindo se o exercício de escolha pelo agente público 
(conveniência e oportunidade) se deu dentro dos limites legais. 
Trata-se, portanto, de controle de legalidade do mérito. 
 
6.2 Atributos Do Ato Administrativo 
 
I. Presunção De Legalidade
Está presente em todos os atos administrativos. Trata-se de presunção relativa (juris tantum), 
ou seja, cabe prova em contrário, mas o ônus dessa prova é do administrado. 
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II. Imperatividade 
 
Trata-se da característica oriunda do aspecto imperativo dos atos administrativos, que se 
manifesta na possibilidade de criar obrigações aos administrados unilateralmente, sem a 
prévia concordância deles. 
 
Decorre do Jus Imperii (poder de império) estatal ou PODER EXTROVERSO. Não está 
presente em todos os atos. Está presente apenas nos atos em que não há necessidade de 
anuência do administrado para que sejam realizados (exemplo: poder de polícia ou atos 
punitivos). 
III. Autoexecutoriedade 
 
Trata-se da característica que permite a administração colocar em prática (ou seja, executar), 
diretamente, inclusive mediante o uso da força, o ato administrativo, sem necessidade de 
autorização judicial prévia. Não está presente em todos os atos, mas apenas nos casos de: 
• Previsão legal expressa; 
• Urgência. 
 
IV. Tipicidade 
Trata-se de desdobramento do princípio da legalidade da administração pública. 
Todo ato administrativo dever ter previsão legal, ou seja, deve ser um “ato típico”, 
fundamentado. 
 
6.3 Classificações Dos Atos Administrativos 
 
São diversas as classificações dos atos, e cabe destacar algumas: 
 
• Ato simples: é o que decorre de uma única manifestação de vontade, seja de um único 
órgão ou agente (ato simples singular) ou de vários agentes em conjunto como órgão 
colegiado (ato simples colegiado). 
• Ato complexo: é o que decorre de duas ou mais manifestações de vontade de 
diferentes órgãos ou autoridades para que sua formação esteja completa. Trata-se de um 
único ato que se compõe de mais de uma manifestação de vontade. 
• Ato composto: trata-se de ato que necessita de uma manifestação de vontade 
principal, quanto ao conteúdo, e outra manifestação de vontade que autorize ou 
aprove essa manifestação. Nesse caso, tem-se dois atos: um principal (conteúdo do 
ato) e outro acessório ou instrumental (tais como ratificação, homologação, aprovação). 
 
Ato válido, nulo, anulável e inexistente: 
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Direito Administrativo 
 
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• Ato válido: é o que está de acordo com a legislação, respeitou todos os requisitos de 
formação e não contém vícios em seus elementos; 
• Ato nulo: está em desacordo com o ordenamento, é ato ilegal ou ilegítimo, possui vício 
insanável em algum dos seus elementos; deve ser anulado, produzindo efeitos ex tunc 
(retroativos) à anulação, declarando inválidos todos os efeitos eventualmente produzidos 
(contraditório no caso de terceiros interessados de boa-fé); 
• Ato anulável: está em desacordo com o ordenamento, é ato ilegal ou ilegítimo, mas 
possui vício sanável em algum dos seus elementos, podendo ser convalidado pela 
administração OU anulado (convalidar ou anular é decisão discricionária); 
• Ato inexistente: possui apenas aparência de ato administrativo, mas não se originou 
de agente público; é o caso dos atos realizados pelo “usurpador de função”, que se faz 
passar por agente público diante de um cidadão. Não há prazo para que se desconstituam 
os efeitos do ato inexistente, mas é possível a responsabilidade civil da administração por 
culpa in vigilando, por danos causados pelo usurpador (Exemplo: médico fake em hospital 
público). 
 
6.4 Espécies de Atos Administrativos 
• Atos normativos: são atos com generalidade e abstração, sem destinatários 
determinados (exemplo: decretos, resoluções, instruções normativas); 
• Atos ordinatórios: decorrentes do poder hierárquico (exemplo: memorandos, ofícios, 
portarias); 
• Atos negociais: mediante solicitação do particular. Observação: Não são contratos. 
podem ser: 
vinculados e definitivos (exemplo: licença) ou 
discricionários e precários (exemplo: autorizações); 
• Atos enunciativos: não contêm manifestação de vontade da administração. Podem ser 
declaratórios (exemplo: certidões e atestados) ou opinativos (ex: pareceres); 
• Atos punitivos: imposição de sanções. Fundados no: 
poder disciplinar (servidores ou particulares com vínculo específico com a adm.) ou 
poder de polícia (particulares em geral). 
 
6.5 Extinção dos Atos Administrativos 
A compreensão da extinção dos Atos Administrativos requer a leitura da seguinte súmula: 
STF, Súmula 473: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios 
que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de 
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os 
casos, a apreciação judicial. 
 
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ANULAÇÃO: É controle de legalidade, pela administração ou judiciário. Ocorre em atos 
nulos (vícios insanáveis) ou anuláveis (vícios sanáveis). Se tiver efeitos favoráveis ao 
administrado, deve ser dado contraditório. 
 
REVOGAÇÃO: É controle de mérito, pela própria administração, jamais pelo judiciário. Não 
se trata de ato viciado. É ato válido, que por conveniência e oportunidade, será revogado pela 
autoridade competente. NÃO podem ser revogados: Atos consumados; Atos vinculados; Atos 
c/ direitos adquiridos; Atos preclusos no proc. Adm. 
 
Atenção: 
Lei nº 9.784/1999, art. 54: O direito da Administração de anular os atos administrativos

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