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Dinâmicas, Escalas e Processos: 
Novos e Velhos Desafios para o Século XXI
VIII Workshop Internacional 
Sobre Planejamento e Desenvolvimento 
Sustentável em Bacias Hidrográficas
Caderno de Resumos Expandidos
Cegraf UFG
Comissão Científica: 
Adalto Moreira Braz Guilherme Marques de Lima 
Adriano Luis Heck Simon Ingrid Graziele R. do Nascimento
Aichely Rodrigues da Silva Jaqueline Gomes Batista
Alecio Perini Martins Jefferson Castilho 
Ana Caroline Rodrigues C. de Sousa Juliana Felipe Farias
Ana Karolyna Nunes Amaral dos Santos Kalyna Ynanhia Silva de Faria
Ana Paula Novais Pires Koga Kamila Almeida dos Santos 
Antônio Cezar Leal Karla Maria Silva de Faria
Daniel Araújo Ramos dos Santos Kássio Samay Ribeiro Tavares
Denilson Teixeira Marcio H. Campos Zancopé
Denise Oliveira Dias Mariana Nascimento Siqueira
Elizon Dias Nunes Maxmiliano Bayer
Flávia Darre Barbosa Mirtes Tatiane Neisse Boldrin 
Franciele Fath Rafael Rodrigues 
Gervásio Soares Barbosa Neto Rodrigo Lima Santos
Silas Pereira Trindade
Universidade Federal de Goiás
Reitor 
Edward Madureira Brasil
Vice-Reitora 
Sandramara Matias Chaves
Pró-Reitor de Pesquisa e Inovação
Jesiel Freitas Carvalho 
Diretora do Cegraf UFG 
Maria Lucia Kons
Coordenação Editorial do Caderno 
de Resumos Expandidos
Karla Maria Silva de Faria
Silas Pereira Trindade 
Rodrigo Lima Santos
Jaqueline Gomes Batista 
Realização:
Apoio: 
VIII Workshop Internacional 
Sobre Planejamento e Desenvolvimento 
Sustentável em Bacias Hidrográficas
Dinâmicas, Escalas e Processos: 
Novos e Velhos Desafios para o Século XXI
Caderno de Resumos Expandidos
Karla Maria Silva de Faria
Silas Pereira Trindade 
Rodrigo Lima Santos
Jaqueline Gomes Batista
(Organizadores)
Cegraf UFG
2021
Revisão 
Matheus Caldeira Alves Mendes
Angélica Silvério Freires
Ana Karolyna Nunes Amaral
Marcos Antônio Bonifácio da Silva
Mychelle Priscila de Melo
Karla Maria Silva de Faria
Silas Pereira Trindade
© Cegraf UFG, 2021
© Karla Maria Silva de Faria, Silas Pereira Trindade, Rodrigo Lima Santos, 
Jaqueline Gomes Batista, 2021
Capa e editoração eletrônica
Julyana Aleixo Fragoso
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
GPT/BC/UFG
Bibliotecária responsável: Adriana Pereira de Aguiar / CRB1: 3172
W926 Workshop Internacional sobre Planejamento e Desenvolvimento Sustentável
em Bacias Hidrográficas (8. : 2021 : Goiânia, GO).
Caderno de resumos expandidos [do] VIII Workshop Internacional sobre 
Planejamento e Desenvolvimento Sustentável em Bacias Hidrográficas -
dinâmicas, escalas e processos: novos e velhos desafios para o Século XXI 
[E-book] / organizadores, karla Maria Silva de Faria ... [et al.]. – Goiânia : 
Cegraf UFG, 2021.
219 p. : il.
ISBN (E-book):
1. Bacias hidrográficas. 2. Desenvolvimento sustentável. 3.Meio ambiente.
4. Ciências ambientais. 5. Geografia. I. Faria, Karla Maria Silva de.
CDU: 556
978-85-495-0449-4
APRESENTAÇÃO
O Laboratório de Geomorfologia, Pedologia e Geografia Física, junto 
com os programas de pós-graduação em Ciências Ambientais e de Geo-
grafia, responsabilizaram-se pela organização do VIII Workshop Inter-
nacional Sobre Planejamento e Desenvolvimento Sustentável em Bacias 
Hidrográficas, com o objetivo principal de levar a discussão de temas rela-
cionados a planejamento, manejo, preservação, conservação e desenvol-
vimento sustentável de bacias hidrográficas. 
O evento almejou criar um espaço de troca de experiências entre os 
pesquisadores, gestores e docentes que atuam na área de planejamento 
e gestão de bacias hidrográficas, com intuito de contribuir para o avanço 
dos estudos na área e o aprimoramento de métodos e técnicas de pesqui-
sa e de gestão.
Os trabalhos de pesquisa aprovados nesse evento confirmam a quão 
rica é o campo de atuação dos pesquisadores que se dedicam a estudar, 
avaliar as bacias hidrográficas. Agradecemos a todos(as) os pesquisado-
res(as) nacionais e internacionais, que compartilham seus trabalhos com 
o comum interesse de divulgar a pesquisas. 
Karla M S Faria
Coordenação Geral do Evento
Sumário
Eixo Temático: 
Planejamento e Gestão de Bacias
Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia Hidrográfica do 
Alto Taquari (MS) ...........................................................................................................11
Rafael Martins Brito, Eduardo Salinas Chávez, Patrícia Helena Mirandola Garcia,Adalto Moreira Braz 
Complexo Hídrico Maceió/Papicu como Refúgio Silvestre de 
Fortaleza/CE ...................................................................................................................18
José Eduardo de Melo Soeiro, Luís Gonzaga Sales Junior, Giovanna Azevedo de Moura Venâncio, 
Edson Vicente da Silva
Dinâmica dos Regimes Pluviométricos e da Temperatura na Bacia 
Hidrográfica do Rio Amapari - Amapá (2001 - 2020) ................................... 25
 Joabi Luiz Lima de Lima, Alan Nunes Araújo, Iury Matheus Araujo Serra, Amintas Nazareth Rossete 
Enfoques geoecológicos como fundamentos para o planejamento 
ambiental em bacias hidrográficas ......................................................................32
Fábio Soares Guerra; Camila Esmeraldo Bezerra; Joelma Pereira da Silva; Edson Vicente da Silva 
Calibração e validação dos modelos tank model e hymod para 
condições diário-diário e diário-mensal ............................................................39
Mirtes Tatiane Neisse Boldrin, Sarah Haysa Mota Benício, Andriane de Melo Rodrigues, Klebber 
Teodomiro Martins Formiga 
Sistema de Informação Geográfica e Análise em Bacias Hidrográficas: 
O Caso da Sub-Bacia Hidrográfica do Riacho Santa Rosa – Ceará ...... 47
Kaline Da Silva Moreira, Luis Ricardo Fernandes da Costa, Ricardo Henrique Palhares 
Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas como Fomento 
de Suporte para a Gestão dos Recursos Hídricos ........................................55
Camila Esmeraldo Bezerra, Fábio Soares Guerra, Isadora Macedo Martins, Edson Vicente da Silva
Zoneamento Ambiental em Balneários do Rio de Ondas – Barreiras 
Bahia - Brasil ...................................................................................................................61
Evanildo Santos Cardoso, Lucas Pazzini de Oliveira, Eduarda de Sena Mendonça 
Eixo Temático: 
Impactos do Agronegócio para as Bacias Hidrográficas
Impactos causados pelo agronegócio nas bacias hidrográficas no 
Brasil ................................................................................................................................. 67
Joana Paula de Souza Cornélio 
Eixo Temático: 
Bacias hidrográficas urbanas: Gestão e problemáticas
A Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro: 
o caso da contaminação por hexaclorociclohexano e os impactos 
para os recursos hídricos e à saúde humana ................................................. 73
Alessandra Moraes da Rocha, Bruna Pires dos Santos, Claudia Hamacher
Desenvolvimento regional e os aspectos hidroambientais da 
microbacia do rio Batateiras, Crato - Ceará .....................................................80
João Victor Mariano da Silva, Rubens Oliveira da Cunha Júnior 
Saneamento básico e direito à cidade: Um estudo sobre a micro bacia 
do Rio São Joaquim .................................................................................................... 87
Antônio de Pádua de Mesquita dos Santos Brasil, Pedro Ygor Monteiro e Monteiro, Amanda Tabita 
Barbosa Carvalho, Irlan Richard dos Santos Pinheiro
Eixo Temático: 
Educação ambiental na gestão das Bacias Hidrográficas
A Importância da Divulgação Científica no Processo de Implementação 
de Outorga e Gestão Participativa da Sociedade Civil ...............................92
Bruna Pires dos Santos, Renatta Santos Serafim, Daniela Nogueira Soares 
A importância da educação ambiental para uma conscientização da 
conservação dos recursos hídricos .....................................................................99
Bruna Piresnatureza. Sem embargo, 
durante as fases de proposição do planejamento, o enfoque integrativo 
da estabilidade e sustentabilidade funciona como norte para o modelo de 
desenvolvimento mais adequado para o território (RODRIGUEZ; SILVA; 
CAVALCANTI, 2017).
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Enfoques geoecológicos como fundamentos para o planejamento ambiental em bacias hidrográficas
Sumário
Considerações Finais
Fomentar a discussão acerca das bases epistemológicas que orientam 
os trabalhos técnicos-científicos relacionados às bacias hidrográficas é 
de fundamental importância, uma vez que tal tendência contribui para 
sustentabilidade ambiental, social, econômica, cultural e paisagística do 
território drenado e/ou correlacionado.
Todavia, os enfoques geoecológicos, que embasam os pressupostos teó-
ricos e metodológicos da Geoecologia das Paisagens, são úteis para o esta-
belecimento de estratégias de manejo, conservação e preservação dos re-
cursos e sistemas hídricos. Assim, são aplicáveis em trabalhos que visam 
o planejamento e a gestão ambiental em bacias hidrográficas.
Nesse ínterim, estudos significativos foram desenvolvidos e reconheci-
dos por atestarem a aplicabilidade dos enfoques geoecológicos como fun-
damentos para o planejamento ambiental em bacias hidrográficas, en-
tre eles, cita-se: Farias (2015), De Paula (2017), Lopes (2020), apenas para 
mencionar alguns.
Referências
BERTALANFFY, L. V. Teoria Geral dos Sistemas: fundamentos, desenvolvimento e aplica-
ções. Petrópolis: Vozes, 1977.
DE PAULA, Eder Mileno Silva. Paisagem Fluvial Amazônica: Geoecologia do Tabuleiro do 
Embaubal - Baixo Rio Xingu. 2017. 154 f. Tese (Doutorado em Geografia), Universidade Federal 
do Ceará, Fortaleza, 2017.
FARIAS, Juliana Felipe. Aplicabilidade da Geoecologia das Paisagens no Planejamento 
Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Palmeira-Ceará, Brasil. 2015. 222 f. Tese (Douto-
rado em Geografia) Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2015.
GUERRA, F. S. Geoecologia das Paisagens Aplicada ao Planejamento e Gestão Ambiental em 
Regiões Semiáridas. Revista Homem, Espaço e Tempo, v. 1, p. 79-86, 2020.
LOPES, Déborah Maria Passos. Zoneamento Geoambiental da Bacia de Captação do Açude 
Banabuiú (CE): contribuições ao planejamento municipal. 2020. 123 f. Dissertação (Mestra-
do em Desenvolvimento e Meio Ambiente) Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2020.
MORIN, E. Introdução ao Pensamento Complexo. 5. ed. Lisboa: Instituto Piaget, 2008.
RODRIGUEZ, J. M. M; SILVA, E. V. da. Planejamento e gestão ambiental: subsídios da geoe-
cologia das paisagens e da teoria geossistêmica. Fortaleza: Edições UFC, 2018.
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Enfoques geoecológicos como fundamentos para o planejamento ambiental em bacias hidrográficas
Sumário
RODRIGUEZ, J. M. M; SILVA, E. V. da.; CAVALCANTI, A. P. B. Geoecologias das Paisagens: 
uma visão geossistêmica da análise ambiental. Fortaleza: Edições UFC, 2017. 
SILVA, E. V. da.; RODRIGUEZ, J. M. M.; LEAL, A. C. Planejamento Ambiental em Bacias Hi-
drográficas. In: SILVA, E. V. da.; RODRIGUEZ, J. M. M.; MEIRELES, A. J. de A. Planejamento 
ambiental e bacias hidrográficas. Tomo 1. Fortaleza: Edições UFC, 2011.
SOTCHAVA, V. B. Por uma teoria de classificação de geossistemas de vida terrestre. Biogeo-
grafia. São Paulo, n. 14, 1978.
TEIXEIRA, N. F. F.; SILVA, E. V.; MOURA, P. E. F.; SILVA, G. C. Contribuições teóri-
cas e metodológicas da geoecologia das paisagens no planejamento ambiental em ba-
cias hidrográficas do semiárido. In: ALBUQUERQUE, F. N. B.; MONTEIRO, J. B.; LIMA, 
A. M. M (org.). Bacias Hidrográficas e Planejamento: Teoria e Práticas no Ambiente Semiá-
rido. 1. ed. Sobral: PROEX/ UVA, 2020. p. 84- 92.
Calibração e validação dos modelos tank model e 
hymod para condições diário-diário e diário-mensal
Mirtes Tatiane Neisse Boldrin1 
Sarah Haysa Mota Benício2 
Andriane de Melo Rodrigues3 
Klebber Teodomiro Martins Formiga4 
Resumo: O objetivo deste trabalho consiste em aplicar e comparar os modelos hi-
drológicos conceituais de chuva-vazão, Tank Model e HyMOD, utilizando algoritmos 
da ferramenta Solver do Excel para otimizar os parâmetros dos modelos, calibrar e 
validar, no intuito de simular a vazão (escoamento) na bacia hidrográfica do Rio das 
Almas, sub-bacia do Rio Tocantins. O conjunto de dados utilizados abrangeu uma série 
de 32 anos de dados hidrológicos diários que foram obtidos através dos registros his-
tóricos das estações fluviométricas e pluviométricas inseridas na área da bacia. Para a 
análise de desempenho dos ajustes dos modelos utilizou-se o coeficiente de eficiência 
Nash-Sutcliffe (NSE). O Tank Model apresentou valores de NSE classificados como sa-
tisfatório para a escala diário-diário e bom para a escala diário-mensal. Já o HyMOD 
apresentou valores de NSE classificados como bons para a escala diário-diário e muito 
bons para a escala diário-mensal. Considerando os resultados do coeficiente de NSE e 
a análise gráfica das vazões observadas e calculadas evidencia-se que o HyMOD apre-
sentou melhor desempenho na modelagem do escoamento na bacia hidrográfica do 
Rio das Almas. A calibração dos modelos realizadas neste trabalho podem auxiliar nos 
processos de tomada de decisão relacionados a gestão da bacia do Rio das Almas e sua 
disponibilidade hídrica quando dados reais de vazão não estiverem disponíveis.
Palavras-chave: Modelagem hidrológica; HyMOD; Tank Model; chuva-vazão.
Abstract: The objective of this work is to apply and compare the conceptual rain-ru-
noff, Tank Model and HyMOD hydrological models, using algorithms from the Excel 
Solver tool to optimize the model parameters, calibrate and validate, to simulate the 
flow (runoff) in the Rio das Almas watershed, sub-basin of Rio Tocantins. The dataset 
used covered a series of 32 years of daily hydrological data that were obtained through 
1 Universidade Federal de Goiás – mirtesboldrin@discente.ufg.br.
2 Universidade Federal de Goiás – sarahhaysa@discente.ufg.br.
3 Universidade Federal de Goiás – andriane.melo@discente.ufg.br.
4 Universidade Federal de Goiás – klebber.formiga@gmail.com.
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Calibração e validação dos modelos tank model e hymod para condições diário-diário e diário-mensal
Sumário
the historical records of fluviometric and pluviometric stations inserted in the basin 
area. The Nash-Sutcliffe Efficiency Coefficient (NSE) was used to analyze the perfor-
mance of the fits of the models. The Tank Model presented NSE values classified as 
satisfactory for the daily-daily scale and good for the daily-monthly scale. The HyMOD 
presented NSE values classified as good for the daily-daily scale and very good for the 
daily-monthly scale. Considering the results of the NSE coefficient and the graphic 
analysis of the observed and calculated flows, it is evident that the HyMOD presented 
better performance in modeling the flow in the Rio das Almas watershed. The cali-
bration of the models performed in this work can help in decision-making processes 
related to the management of the Rio das Almas watershed and its water availability 
when real flow data are not available.
Keywords: Hydrological modeling; HyMOD; Tank Model; rain-runoff.
Introdução
Os recursos hídricos são diretamente afetados pelas mudanças climá-
ticas e oconhecimento das previsões de resposta dos regimes de vazão 
à variabilidade climática contribuem para o entendimento da distribui-
ção espaço-temporal de futuras secas e conhecimento dos riscos de en-
chentes em áreas urbanas (BROUZIYNE et al., 2021). No entanto, as limita-
ções de dados hidrológicos monitorados no território brasileiro têm sido 
uma realidade e dificultam o processo de análise dos dados hidrológicos 
(MORAES, 2016). 
Como alternativa, os modelos hidrológicos são frequentemente utiliza-
dos na estimativa das vazões, de modo a alcançar valores próximos aos da-
dos reais (AL-ASADI; ABBAS; HAMDAN, 2020; ZHANG; AL-ASADI, 2019)
the relationship between model performance and the properties of nu-
merical schemes remains unclear. In this study, we employed two types 
of numerical schemes (i.e., explicit Runge-Kutta schemes with different 
orders of accuracy and partially implicit Euler schemes with different 
implicit factors. Neste contexto estão inseridos os modelos conceituais 
Tank Model e HyMOD, utilizados para estimar a vazão de corpos hídricos 
por meio da relação chuva-vazão. 
O Tank Model foi desenvolvido por Sugawara e Funiyuki em 1956 e re-
presenta o fluxo de água ao longo de uma bacia hidrográfica por meio da 
representação de dois tanques, um superior e um inferior, e depende 
principalmente de um conjunto de oito parâmetros para simular os com-
ponentes do fluxo diário da precipitação diária, considerando os efeitos 
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Calibração e validação dos modelos tank model e hymod para condições diário-diário e diário-mensal
Sumário
da evapotranspiração diária, a altura do armazenamento de água e a taxa 
de infiltração (SUGAWARA, 1979). 
Já o HyMOD compreende um modelo hidrológico simples que foi pro-
posto inicialmente na tese de Wagener (1998). Ele utiliza cinco parâme-
tros, sendo eles: o armazenamento máximo do tanque de umidade do 
solo, a proporção do fluxo rápido para o fluxo total, o número de tanques 
lineares com fluxo rápido, o coeficiente de fluxo rápido e o coeficiente do 
fluxo lento além do parâmetro de forma (ZHANG; AL-ASADI, 2019).
Na aplicação de modelos hidrológicos é comum que se utilize alguma 
métrica para avaliar a implementação dos modelos, tais como, o coefi-
ciente de eficiência Nash-Sutcliffe (NSE) (NASH; SUTCLIFFE, 1970). Em 
trabalho de Al-Asadi et al. (2020) foi obtido para o modelo de Tank Mo-
del uma correlação considerável entre a vazão observada e a vazão simu-
lada, atingindo NSE de 0,812 na calibração. Já o estudo de Kagabu et al. 
(2020) intensity, and probable mechanism of water level rise observed 
in Kumamoto where a comprehensive observation-well network exists. 
A tank model was applied to verify 16 wells in the study field. In the mo-
del groundwater levels were first calibrated for the periods in ca. 2 years 
before the main shock using several hydrological parameters including 
precipitation, evapotranspiration, water recharge and discharge, and 
artificial recharge by irrigation. Water levels were then simulated by ex-
trapolating this law of water fluctuating patterns for ca. 2.5 years after 
the main shock of the earthquake, without considering hydrogeological 
changes due to the earthquake. A difference in groundwater levels bet-
ween observation and simulation results yields a degree of coseismic wa-
ter level rises for each well. The coseismic abnormal water level increase 
was calculated to be ~11 m in 4–5 month after the main shock and was 
most significantly on the western slope of the Aso caldera rim mountains. 
The spatial distribution of the coseismic water increases clarified that 
the most dominate increasing anomalies prevail at mountain feet surrou-
nding the plains, suggesting the occurrence of coseismic mountain water 
release resulting in the rise of water levels in downslope aquifers. Iden-
tified coseismic water level increases still continue up to 2.5 years after 
the earthquake, probably because changes in hydrogeological properties 
in mountain aquifers, i.e., permeability, are still sustained. Our forecas-
ting water recovering trends require ca. 3.5–5 year after the earthquake 
for complete recovery to the original conditions. We demonstrated that 
our approaches are capable of describing coseismic water level changes 
and could potentially be applied to other fields.”, ”author”:[{“dropping-
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Sumário
-particle”:””, ”family”:”Kagabu”, ”given”:”Makoto”, ”non-dropping-parti-
cle”:””, ”parse-names”: false, ”suffix”:””}, {“dropping-particle”:””, ”family”: 
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pping-particle”: ””, ”family”: ”Nakagawa”, ”given”: ”Kei”, ”non-dropping-
-particle”: ””, ”parse-names”: false, ”suffix”: ””}, {“dropping-particle”: ””, 
”family”: ”Shimada”, ”given”: ”Jun”, ”non-dropping-particle”: ””, ”parse-
-names”: false, ”suffix”: ””}], ”container-title”: ”Journal of Hydrology”, ”id”: 
”ITEM-1”, ”issue”: ”December 2019”, ”issued”: {“date-parts”: [[“2020”]]}, 
”page”: ”124464”, ”publisher”: ”Elsevier”, ”title”: ”Describing coseismic 
groundwater level rise using tank model in volcanic aquifers, Kumamoto, 
southern Japan”, ”type”: ”article-journal”, ”volume”: ”582”}, ”suppress-au-
thor”: 1, ”uris”: [“http://www.mendeley.com/documents/?uuid=a9b4bf-
88-8aa3-4529-8992-64cf58d49ef0”]}],”mendeley”: {“formattedCitation”: 
”(2020 empregou o Tank Model a fim de demonstrar a presença, intensi-
dade e o mecanismo da flutuação da água subterrânea dentro da estrutu-
ra de um aquífero, após um terremoto na região da cidade de Kumamoto. 
Boyle et al. (2000) verificaram que o HyMOD se ajusta bem com a obser-
vação in situ, no entanto reforça a importância de dados mais robustos para 
uma melhor simulação. Como no trabalho de Zhang et al. (2019) que avaliou 
os efeitos de conjuntos numéricos sobre o modelo hidrológico HyMOD e 
observaram que as previsões do modelo podem ser melhoradas controlan-
do o erro numérico através da manipulação de algoritmos específicos.
Este trabalho tem o objetivo de aplicar e comparar os modelos hidro-
lógicos conceituais de chuva-vazão, Tank Model e HyMOD, utilizando al-
goritmos da ferramenta Solver do Excel para otimizar os parâmetros dos 
modelos, calibrar e validar, no intuito de simular a vazão (escoamento) na 
bacia hidrográfica do Rio das Almas, sub-bacia do Rio Tocantins.
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Calibração e validação dos modelos tank model e hymod para condições diário-diário e diário-mensal
Sumário
Metodologia
Caracterização da área de estudo
A área de estudo deste trabalho é a bacia hidrográfica do Rio das Almas, 
que está localizada na unidade hidrográfica da Bacia Tocantins-Araguaia 
(15º43’11” N e 49º19’44” W). A delimitação da bacia foi realizada consi-
derando como exutório a estação fluviométrica 20100000 operada pela 
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM.
As séries temporais com dados de vazão e precipitação foram obtidas 
através da estação fluviométrica e pluviométricas disponíveis na área da 
bacia (HIDROWEB,2020). Os dados de evaporação foram obtidos junto ao 
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, 2020).
Calibração e validação dos modelos
Os modelos foram implementados em planilha Excel e a otimização dos 
parâmetros foi realizada por meio dos métodos de Programação não-li-
near do Gradiente Reduzido Generalizado (GRG) e Evolutionary do mó-
dulo solver.
Para a rodagem dos modelos os primeiros cinco anos das séries tem-
porais foram repetidos para aquecimento do modelo. O período de dados 
utilizados para calibrar o modelo foi de 1º de agosto de 1982 a 31 de julho 
de 1994. Para a validação utilizou-se o período de 1º de agosto de 1998 a 31 
de julho de 2017. A análise de desempenho foi calculada por meio do coe-
ficiente de eficiência Nash-Sutcliffe (NSE) (NASH; SUTCLIFFE, 1970), de 
acordo com recomendações de Moriasi et al. (2007), Krause et al. (2005). 
Resultados e Discussão
Os modelos foram implementados utilizando como parâmetros iniciais 
dados atribuídos aleatoriamente levando em consideração as restrições 
de cada um dos reservatórios dos modelos. Em seguida foram calculadas 
as vazões de saída e o coeficiente de eficiência de Nash-Sutcliffe (NSE). 
Então, aplicou-se a ferramenta solver com objetivo de otimizar o valor de 
NSE através dos métodos GRG e Evolutionary. Após repetidas aplicações 
da ferramenta solver obteve-se os valores otimizados de NSE, que repre-
sentam os melhores ajustes possíveis para os modelos analisados. A im-
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Sumário
plementação ocorreu para escalas de dados diário-diário e diário-men-
sal e os melhores coeficientes de NSE encontrados para cada modelo são 
apresentados na Tabela 1.
Tabela 1 - Coeficientes de NSE obtidos para cada modelo
NSE Calibração NSE Calibração
NSE Validação NSE Validação
0,57 0,74 0,67 0,73
0,63 0,76 0,72 0,82
Tank Model Hymod
Diário-Diário Diário-Mensal Diário-Diário Diário-Mensal
Fonte: autoria.
A Figura 1 apresenta as vazões calculadas (Qcal) e as vazões observadas 
(Qobs) para a Bacia Hidrográfica do Rio das Almas e permite analisar o 
ajuste dos modelos para as vazões mínimas e máximas na escala Diário-
-Mensal para o período de validação dos modelos.
Figura 1 - Ajuste dos dados reais e calculados para o período de validação.
Fonte: Galeria dos autores.
Através desta análise é possível verificar que ambos os modelos apre-
sentaram valores de NSE próximos. Sendo que o Tank Model apresentou 
valores de NSE classificados como satisfatório para a escala diário-diário 
e bom para a escala diário-mensal e o HyMOD apresentou valores de NSE 
classificados como bons para a escala diário-diário e muito bons para a 
escala diário-mensal, de acordo com as definições de Moriasi et al. (2007) 
para interpretação dos valores de NSE.
Tanto na implementação do Tank Model como do HyMOD pode-se afir-
mar que os modelos foram capazes de simular as vazões de maneira satis-
fatória nas escalas diário-diário e diário-mensal. Percebe-se que as vazões 
calculadas pelo HyMOD apresentam melhor ajuste em relação às vazões 
calculadas pelo Tank Model. 
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Sumário
Considerações Finais
A implementação do Tank Model e do HyMOD foram capazes de simu-
lar os dados de vazões da Bacia Hidrográfica do Rio das Almas a partir dos 
dados utilizados. Ao considerarmos os resultados do coeficiente de NSE e 
a análise gráfica das vazões observadas e calculadas, temos que o HyMOD 
apresentou melhor desempenho na modelagem do escoamento na bacia 
hidrográfica do Rio das Almas. 
A calibração dos modelos realizadas neste trabalho podem auxiliar nos 
processos de tomada de decisão relacionados a gestão da bacia do Rio das 
Almas e sua disponibilidade hídrica quando dados reais de vazão não es-
tiverem disponíveis.
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Sumário
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Sistema de Informação Geográfica e Análise em Bacias 
Hidrográficas: O Caso da Sub-Bacia Hidrográfica do 
Riacho Santa Rosa – Ceará
Kaline Da Silva Moreira1 
Luis Ricardo Fernandes Da Costa2 
Ricardo Henrique Palhares3 
Resumo: A bacia hidrográfica como recorte espacial vem tomando cada vez mais es-
paço nos estudos integrados. O fato de esta possibilitar ao pesquisador uma gama de 
possiblidades de análise e discussão acerca do uso e ocupação do solo vem crescendo 
na última década. A questão ambiental por sua vez insere-se e ganha força no debate 
geográfico atual, estimulando cada vez mais alternativas que visem o estudo integrado 
como base para o conhecimento na natureza. O presente trabalho tem como objetivo 
proporcionar uma reflexão acerca do uso da bacia hidrográfica como recorte espacial 
e o uso de imagens do satélite Landsat 8/ETM + (Enhaced Thematic Mapper Plus), 
tomando como exemplo a sub-bacia hidrográfica do riacho Santa Rosa. A partir dessa 
análise buscou-se a visualização de elementos que contribuam para o fortalecimento 
dos estudos integrados em Geografia, o que venha a gerar subsídios para a elaboraçãode mapas temáticos com o objetivo de intervir no espaço geográfico, promovendo des-
sa forma o ordenamento territorial.
Palavras-chave: bacia hidrográfica, geoprocessamento, imagem de satélite.
Abstract: The watershed as spatial selection is taking more and more space in inte-
grated studies. The fact this allow the researcher to a range of possibilities for analysis 
and discussion about the use and occupation of land has increased in the last decade. 
The environmental issue in turn falls and gained strength in current geographical de-
bate, increasingly stimulating alternatives aimed at integrated study as a basis for kno-
wledge in nature. This paper aims to provide a reflection on the use of the watershed 
as a spatial area and the use of Landsat images 8/ETM + (enhaced Thematic Mapper 
Plus), taking as an example the sub-basin of the creek Santa Rosa. From this analysis 
we sought to display elements that contribute to the strengthening of Integrated Stu-
1 Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES - kalynemoreira@hotmail.com.
2 Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES.
3 Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES.
mailto:kalynemoreira@hotmail.com
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Sumário
dies in Geography, which will generate support for the preparation of thematic maps 
in order to intervene in the geographic space, thus promoting land use planning.
Keywords: watershed, GIS, satellite image.
Introdução
Os estudos integrados vêm se tornando a cada dia essências para os es-
tudos referentes ao ambiente. Esses estudos derivam do fato da utilização 
dos recursos naturais estarem cada vez mais sendo usados de forma in-
discriminada, ou seja, retiramentos na natureza sem muitas vezes prever 
os prováveis impactos causados.
As bacias hidrográficas dessa forma tornam-se elementos importantes 
na análise ambiental, o que o vem a promover subsídios para intervenções 
nestas áreas, proporcionando melhoria na qualidade ambiental e conse-
quentemente das comunidades que dependem direta e indiretamente 
dos fluxos de matéria e energia por que passa estes ambientes.
As intervenções de natureza científica em bacias hidrográficas perfa-
zem caminhos divergentes, acentuando o próprio ecletismo na maneira 
de compreender como esses processos interagem em tais sistemas.
A análise geoambiental é uma dessas formas de compreender os ele-
mentos da natureza, onde pode ser interpretada como uma concepção in-
tegrativa que deriva do estudo unificado das condições naturais que con-
duz a uma percepção do meio em que vive o homem e onde se adaptam os 
demais seres vivos (SOUZA, 2007).
O Geoprocessamento é uma ferramenta importante que subsidia o tra-
balho do pesquisador, lhe oferecendo várias formas de compreender e 
organizar a Paisagem. O sensoriamento remoto, com a utilização de ima-
gens de satélite reforça os estudos dessa natureza, oferecendo suporte 
para a interpretação da superfície terrestre.
Assim, esse trabalho tem como objetivo analisar a bacia hidrográfica do 
Riacho Santa Rosa, no que se refere a sua localização e no potencial para 
análise espacial a partir das imagens de satélite.
Material e método
A metodologia pela qual o trabalho está atrelado percorre a concepção 
holística, ou seja, a inter-relação de todos os componentes da natureza. 
Dessa forma pretende-se com esse referencial metodológico de base para 
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Sumário
a grande parte dos trabalhos que envolvem a esfera ambiental, tentar es-
tabelecer a visão sistêmica ao qual temos como referencial teórico autores 
como Bertrand (1971), Sotchava (1977), Tricart (1977), Souza (2007) e Souza 
e Oliveira (2011), tratando principalmente das bases da hierarquização da 
Paisagem e dessa forma discutir a importância dos sistemas ambientais 
como ferramenta de intervenção na natureza.
Não obstante a concepção sistêmica a qual o trabalho está atrelado uti-
lizou-se o geoprocessamento como ferramenta de análise da bacia hidro-
gráfica, a compreender esse aparato metodológico não apenas como fim, 
mas como uma ferramenta disponível aos estudos integrados.
Foram utilizadas duas imagens de satélite Landsat 8/ETM + (Enhaced 
Thematic Mapper Plus) datadas respectivamente dos dias 23 de maio de 
2013 e 8 de junho de 2013, com o objetivo de contemplar toda a sub-bacia 
hidrográfica do riacho Santa Rosa com a área de 676 km². 
Para a realização do trabalho foram utilizados alguns instrumentos em 
que se destaca: Software ArcGis 10 para a produção dos mapas; imagens 
de satélite Landsat 8, com a utilização das bandas 6,5 e 4, combinação ne-
cessária para a visualização dos diferentes tons de verde, corpos d’água 
e bancos de sedimento, aspecto importante para análise dos componen-
tes ambientais das imagens; dados da Shuttle Radar Topography Mission 
(SRTM) da National Aeronautics and Space Administration (NASA), obti-
das através da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) 
além de computadores para o processamento dos dados.
Foram utilizadas ainda as cartas da SUDENE, mais precisamente as fo-
lhas Banabuiú e Jaguaretama, assim como dados do IPECE e FUNCEME.
Resultados e discussões
Caracterização da Área
Dentre os domínios morfoclimáticos o domínio das caatingas brasilei-
ras vem ganhando espaço dentre as discussões acerca do uso e ocupação 
do solo, assim como os estudos para a melhor compreensão da dinâmica 
do semiárido.
Frente a esse contexto inicial observa-se o Nordeste brasileiro, e mais 
precisamente o Estado do Ceará, inserido nessa realidade geoambiental, 
onde o fator preponderante será a condição climática, caracterizada pela 
semiaridez e determinante nas tipologias de paisagem que compõem as 
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Sumário
terras secas do Estado do Ceará, características ressaltadas por Souza e 
Oliveira, 2002, quando afirmam que:
Dentre os grandes domínios de paisagens ou de condições mor-
foclimáticas da área intertropical, praticamente todos eles ocor-
rem nessa região. Mas o que a singulariza em relação às demais 
regiões é a grande parcela de terras submetidas ao semi-árido. O 
Nordeste contém a totalidade do semi-árido brasileiro (SOUZA e 
OLIVEIRA, 2002).
Dentre as características mais marcantes a qual o Nordeste está inseri-
do podemos citar o clima semiárido, aonde as condições de temperatura 
chegam a manter certa regularidade, ficando em torno do 26°C.
Outro fator relevante que marca as caatingas é o regime pluviométri-
co irregular. De forma geral, os totais pluviométricos variam entre 500 e 
750 mm. A irregularidade das chuvas, aliada às taxas de evaporação, justi-
ficam elevados déficits no balanço hídrico e configuram insuficiência de 
água para as atividades agropecuárias (OLIVEIRA, 2006).
No estado do Ceará as condições de semiaridez são expressas de dife-
rentes formas. Uma delas é registrada na tipologia das paisagens, repre-
sentada em sua grande parcela pelasDepressões Sertanejas.
Souza (1988) estabelece as seguintes unidades morfo-estruturais para o 
Estado do Ceará: 1) Domínio dos depósitos sedimentares Cenozóicos: pla-
nícies e terraços fluviais; Formas litorâneas e Tabuleiros. 2) Domínio das 
bacias sedimentares paleo-mesozóicas: Chapada do Araripe; Chapada do 
Apodi e Planalto da Ibiapaba/Serra Grande. 3) Domínio dos escudos e dos 
maciços antigos: Planaltos residuais e Depressões sertanejas. 
A problemática do uso indiscriminado dos recursos naturais tem se 
mostrado como um grande desafio para os pesquisadores dedicados à te-
mática ambiental, tão bem como sua atenuação presente das mais diver-
sas formas e intensidades na natureza.
A sub-bacia hidrográfica do riacho Santa Rosa (figura 1) está localiza-
da entre os municípios de Jaguaretama e Morada Nova, possui área de 
676 km², o que vem a ocupar parcelas das bacias hidrográficas do Bana-
buiú e Médio Jaguaribe.
A geologia da área é caracterizada pelo Complexo Jaguaretama (CPRM, 
2003), constituído de ortognaisses migmatizados, composição entre gra-
nito e tonalito, como paragnaisses, anfibolitos, quartzitos, metaultramá-
ficas e rochas calcissilicáticas.
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Sumário
Figura 1 - Localização da sub-bacia hidrográfica do riacho Santa Rosa
Fonte: COSTA e LIRA (2013).
De forma mais específica temos nos municípios de Morada Nova e Ja-
guaretama, o qual compõem a sub-bacia do Riacho Santa Rosa a ocorrên-
cia de rochas de grau metamórfico mais brando (fácies xisto verde a an-
fibolito), conhecidas na literatura científica como Grupo Orós. (SOUZA, 
OLIVEIRA; GRANGEIRO, 2002).
Geomorfologicamente a área é caracterizada pela ocorrência de pe-
dimentos (feições aplainadas que convergem através de declives suaves 
para os fundos de vales), influência principalmente da morfogênese me-
cânica (intemperismo físico), que trunca indistintamente as litologias do 
embasamento cristalino, elaborando a assim a Depressão Sertaneja. 
Dessa forma pode-se afirmar que a área em estudo está inserida na de-
pressão periférica oriental do Ceará, posicionada a oeste da bacia meso-
zóica potiguar. (SOUZA, OLIVEIRA; GRANGEIRO, 2002).
O clima regional, predominantemente semiárido, apresenta irregula-
ridades pluviométricas temporo-espaciais. O regime pluviométrico é do 
tipo tropical com um curto período chuvoso e um prolongado período de 
estiagem. 
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Sumário
A marcada irregularidade pluviométrica atinge máximos de estiagem, 
ocorrendo secas calamitosas e chuvas excepcionais que provocam cheias, 
primordialmente nas áreas adjacentes aos grandes vales fluviais, como por 
exemplo, o caso do rio Jaguaribe (SOUZA, OLIVEIRA; GRANGEIRO, 2002).
Os solos da área são caracterizados pela ocorrência da Associação de 
Planossolos Solódicos, Neossolos Flúvicos e Neossolos Litólicos. Os solos 
da sub-bacia da Santa Rosa têm essas características devido a sua relação 
com a Depressão Sertaneja, impulsionados pela escassez de recursos hí-
dricos, provocando assim o baixo desenvolvimento dos perfis de solo. A 
vegetação é caracterizada pela ocorrência da caatinga arbustiva.
A utilização das imagens Landsat 8 para o estudo da sub-bacia 
hidrográfica do riacho santa rosa
Para a melhor análise da dinâmica da sub-bacia estudada, optou-se 
pela utilização de imagens de satélite (figura 2) Landsat 8/ETM + (Enha-
ced Thematic Mapper Plus) datadas respectivamente dos dias 23 de maio 
de 2013 e 8 de junho de 2013.
As bandas que melhor ajudaram na visualização dos aspectos referen-
tes a cobertura vegetal como, corpos hídricos e sedimentos (aluvião), foi a 
combinação das bandas 6,5 e 4, com resolução espacial de 30 metros, que 
supriu as necessidades de análise da bacia, levando em consideração sua 
área, que corresponde a 676 km².
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Sumário
Figura 2 - Localização da sub-bacia do riacho Santa Rosa com utilização da imagem Landsat 8
A imagem acima representa o limite da bacia em acordo com a imagem 
Landsat 8. Nota-se uma grande área representada por solo exposto à les-
ta da bacia, área em que o predomínio da agricultura de subsistência e a 
pecuária extensiva são intensos, promovendo grandes pressões ao meio 
ambiente.
A sub-bacia é composta por 56 comunidades, que em sua maioria vivem 
da agricultura de subsistência e planos assistencialistas do governo.
Considerações finais
A bacia hidrográfica do riacho Santa Rosa sofre com a pressão do uso 
indiscriminado dos recursos naturais, tendo como agente marcante o uso 
e ocupação do solo que é caracterizado majoritariamente pela pecuária 
extensiva e agricultura de subsistência.
Diante desses elementos que fazem parte do contexto da desertifi- 
cação, configurando não apenas os elementos climáticos, mas a interfe-
rência não apenas das atividades atuais do homem, mas levando em con-
sideração o processo histórico de ocupação da área. Deve-se pensar um 
planejamento ambiental para as áreas semiáridas que almeje técnicas de 
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Sumário
convivência com esses ambientes, para que possamos extrair o máximo 
das potencialidades sem assim exaurir os recursos naturais.
O presente trabalho por mais que tenha um caráter preliminar acerca 
dessa problemática, procura dar início a discussão do homem e o semiá-
rido, procurando refletir sobre as práticas e assim conhecer os sistemas 
ambientais que compõem os sertões cearenses, para que dessa forma 
possamos aprofundar o conhecimento sobre o processo de degradação e 
a própria resiliência da área pesquisada.
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Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas 
como Fomento de Suporte para a Gestão dos Recursos 
Hídricos
Camila Esmeraldo Bezerra1 
Fábio Soares Guerra2 
Isadora Macedo Martins3 
Edson Vicente da Silva4 
Resumo: A água é um recurso de grande importância em diversos aspectos, em res-
sonância a isso é de grande importância elaborar estudos adequados para bacias hi-
drográficas. Portanto, o objetivo desse trabalho é adentrar na gestão dos recursos hí-
dricos, destacando o planejamento ambiental a fim de expor medidas que venham a 
melhorar a administração, promovendo meios, que auxiliem no desenvolvimento da 
gestão. Para a realização dessa pesquisa, foi realizado um estudo bibliográfico, com 
o intuito de observar as ideias de vários autores em relação ao tema. Infere- se que 
o planejamento ambiental voltado às bacias hidrográficas pode contribuir de forma 
determinante como fomento para a gestão de recursos hídricos.
Palavras-chaves: Planejamento Ambiental; Bacias Hidrográficas; Recursos 
Hídricos.
Abstract: Water is a resource of great importance in several aspects, in response to 
this it is of great importance to carry out adequate studies in the hydrographic ba-
sins. Therefore, the objective of this work is to enter into the management of water 
resources, highlighting environmental planning in order to expose measures that will 
improve administration, promoting means that help in the development of manage-
ment. In order to carry out this research, a bibliographical study was carried out, in 
order to observe the ideas of several authors regarding the topic. It is inferred that en-
vironmental planning aimed at hydrographic basins can make a decisive contribution 
to fostering the management of water resources.
Keywords: Environmental planning; Watersheds; Water resources.
1 Universidade Federal do Ceará, camila.esmeraldo23@gmail.com.
2 Universidade Federal do Ceará, fabiosoaresguerra@hotmail.com.
3 Universidade Federal do Ceará, isadoramacedomartins@gmail.com.
4 Universidade Federal do Ceará, cacauceara@gmail.com.
mailto:camila.esmeraldo23@gmail.com
mailto:fabiosoaresguerra@hotmail.com
mailto:isadoramacedomartins@gmail.com
mailto:cacauceara@gmail.com
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Sumário
Introdução
A capacidade dos países de buscarem crescimento econômico aliado a 
proteção ao meio ambiente depende da incorporação da sustentabilidade 
ambiental como paradigma a ser observado pelos governantes durante o 
processo de tomada de decisão. Porém, o que se observa é que esta tarefa 
tem sido um grande desafio, considerando os conflitos de natureza eco-
nômica, social e ambiental envolvidos. 
No âmbito do gerenciamento de recursos hídricos, os planos acerca 
destes recursos assumem função importante na gestão integrada da água, 
ao determinar a detecção e a mediação de possíveis conflitos no planeja-
mento. Nesse sentido, os planos integram a gestão de recursos hídricos 
com a gestão territorial, uma potencialidade do instrumento de planeja-
mento ambiental (MONTAÑO; SOUZA, 2016).
A necessidade de abordar qualidade de corpos hídricos por meio do 
planejamento do uso da terra é cada vez mais clara, uma vez que a ob-
tenção da qualidade de muitos destes recursos torna-se dificultosa, dadas 
as múltiplas fontes difusas de poluição com base no uso do solo. Para a 
resolução desta problemática, pensa-se exatamente nos processos de pla-
nejamento aplicados em bacias hidrográficas (DYCKMAN, 2018). Planeja-
mento este que deve ter caráter ambiental, a fim de recuperar, preservar, 
controlar e conservar o meio ambiente. 
Nesse contexto, busca-se com a discussão deste estudo dar suporte para 
a gestão dos recursos hídricos, por meio do aprofundamento da temáti-
ca de planejamento ambiental voltado as bacias hidrográficas. Os focos 
da discussão são: destacar o planejamento ambiental como instrumen-
to para trabalhos em bacias hidrográficas, gerando assim subsídio para 
ações de educação ambiental. 
Metodologia
A prática científica incide na escolha de problemas passíveis de críti-
cas, bem como de permanentes tentativas experimentais e provisórias de 
solucioná-los (POPPER, 1975). Isso pode ocorrer tanto no campo do deba-
te teórico, como no âmbito das experimentações empíricas. Neste caso, 
optou-se pelo debate teórico através da análise bibliográfica como recur-
so metodológico.
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Sumário
A pesquisa bibliográfica baseia-se em estudos elaborados por outros 
autores, com o mesmo objetivo. Para a realização da pesquisa foi utilizado 
pesquisas no Periódicos Capes; Livros; Capítulos de Livros; Teses; Scien-
tific Electronic Library Online (SciELO).
Resultados e Discussão
A Importância do Planejamento Ambiental em Bacias Hidrográficas
O conceito de planejamento aplicado ao meio ambiente auxilia na or-
ganização, administração, controle e manejo na estruturação e reestrutu-
ração de ordens naturais, contribuindo de forma positiva na relação ho-
mem e natureza (ARANA et al, 2018). 
De acordo com Guerra (2019), um planejamento ambiental dentro das 
responsabilidades legais precisa avaliar aspectos físicos e sociais do ter-
ritório a fim de explorar suas limitações e potencialidades, através de um 
diagnóstico ambiental. Com isso, as intervenções a serem realizadas em 
determinado ambiente irão cumprir os limites da capacidade de suporte e 
recursos necessários, sejam eles naturais ou humanos. Uma das perspec-
tivas que o planejamento pode ser aplicado é buscar limitar as atividades 
antrópicas e assim definir medidas que visem conciliar o uso com a pre-
servação, além de fomentar subsídios de educação ambiental. No entanto, 
existem outras finalidades, como manutenção dos ecossistemas, reduzir 
os riscos de impactos ambientais, evitar degradação dos recursos hídri-
cos, aporte para o desenvolvimento de programas econômicos e sociais e 
nortear políticas públicas, tornando assim, o planejamento ambiental im-
prescindível e que justificam a sua presença em Bacias Hidrográficas. 
Segundo Teixeira et al. (2020), existem alguns fatores como a expansão 
da densidade populacional, aumento de demanda por água, a escassez hí-
drica, os conflitos pelo uso e degradação dos recursos do meio ambiente, 
que resultam na necessidade de estudos integrados, que visam contribuir 
com o planejamento ambiental utilizando a bacia hidrográfica como uni-
dade de análise. Dessa forma, para auxiliar nesse planejamento e na ges-
tão, existem estudos e metodologias que possibilitam averiguar o estado 
das bacias hidrográficas, alguns deles são: técnicas de mapeamento geo-técnico para bacias hidrográficas, análise geossistêmica, simulação hidro-
lógica, zoneamento hidrogeoecológico, aspectos geoambientais dos recur-
sos hídricos, método Amorim & Cordeiro, além de contar com o uso dos 
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Sumário
Sistemas de Informações Geográficas (SIG), que veio dar suporte nos mais 
diversos estudos e no planejamento, através das observações dos dados es-
paciais. Algumas dessas tecnologias da geoinformação, as quais podem ser 
citadas, o sensoriamento remoto, fotogrametria, imagens de satélites e fo-
tografia digital. Todos esses estudos e métodos auxiliam de alguma forma 
a verificar o estado da bacia hidrográfica em termos qualitativos e quanti-
tativos e a partir daí dependendo dos resultados tomar medidas que visem 
evitar danos. A Política Nacional de Recursos Hídricos, versa um ponto 
muito importante a fim de viabilizar esse controle das atividades, que pos-
sam comprometer a qualidade dos recursos hídricos.
Sendo assim, a bacia hidrográfica, segundo a Política Nacional de Re-
cursos Hídricos nº 9.433/ 97, é a unidade territorial adotada com o propó-
sito de viabilizar o planejamento da gestão hídrica do Brasil. Ela também é 
passível de conflitos sócio- econômicos e de impactos advindos das ações 
antrópicas, que por muitas vezes causam a degradação de seus sistemas e 
serviços, podendo resultar em alterações na quantidade e qualidade dos 
recursos hídricos. Carvalho (2020), salienta que as bacias hidrográficas 
são consideradas na esfera do planejamento ambiental como a unidade 
básica de estudo para o desenvolvimento de práticas e medidas estrutu-
rais e não estruturais como forma de agregar a gestão dos recursos hídri-
cos com a gestão ambiental. 
Ao adotar a bacia hidrográfica como unidade territorial de planeja-
mento, admite-se que é nesta área que a degradação das ações antrópicas 
reflete seus efeitos. A utilização do planejamento ambiental na gestão de 
bacias hidrográficas permite, então, a inclusão de novas alternativas na 
gestão e avaliação do uso e ocupação do solo. Tendo em vista, que ativida-
des agropecuárias, utilizadas no cenário econômico, e processos de urba-
nização inadequados crescem em larga escala e que isso acarreta deterio-
ração de corpos hídricos, por meio de fenômenos de erosão, é urgente que 
haja uma modificação no processo de planejamento territorial (CECONI 
et. al, 2018).
Com isso, o planejamento de recursos hídricos se apresenta como um 
meio essencial para o gerenciamento da água em bacias hidrográficas, 
tendo em vista que pode permitir ou restringir o uso e ocupação do solo e 
o estabelecimento de planos de desenvolvimento econômico em sua área 
de abrangência, pela regulação e controle do acesso a água. Sendo assim, 
gerenciar águas e bacias hidrográficas requer diversos aspectos naturais 
e sociais conectados, com abordagem holística e tomando medidas, que 
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Sumário
visem garantir a oferta de água para atender a sustentabilidade do desen-
volvimento econômico, social e ambiental (LEAL, 2012). 
Considerações Finais
O planejamento ambiental voltado às bacias hidrográficas pode con-
tribuir de forma determinante como fomento para a gestão de recursos 
hídricos, em especial para a elaboração de planos, estabelecimento de po-
líticas públicas e de atividades de educação ambiental que visem a gestão 
e a proteção dos corpos hídricos, assim como sua quantidade e qualidade 
para as gerações atual e futura, bem como para os ciclos naturais em to-
das as suas configurações. 
Sabendo dos desafios pertinentes a gestão de recursos hídricos no país, 
o aumento do debate sobre a implementação da ferramenta de planeja-
mento ambiental tem um cunho enriquecedor, que pode nortear ações e 
decisões e evidenciar uma melhoria na gestão das águas no Brasil. 
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Sumário
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UVA, 2020. p. 84- 92.
https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/entre-lugar/article/view/2447Zoneamento Ambiental em Balneários do Rio de Ondas 
– Barreiras Bahia - Brasil
Evanildo Santos Cardoso1 
Lucas Pazzini de Oliveira2 
Eduarda de Sena Mendonça3 
Resumo: Os sistemas envolvidos na bacia hidrográfica do rio de Ondas representam 
um todo organizado que se ajusta permanentemente aos fluxos de matéria, energia 
e informação (EMI) e respondem às ações antrópicas que culminam numa alteração 
desse conjunto paisagístico. A dinâmica natural existente em ambientes fluviais re-
quer atenção redobrada pois qualquer intervenção pode gerar proporções impactan-
tes na paisagem e em seu aproveitamento socioeconômico. Nesse sentido, a integrali-
dade desse sistema somente pode ser plenamente compreendida se houver propostas 
de uso e ocupação compatíveis com as unidades ambientais presentes. Com isso apre-
sentamos uma investigação sobre a atual ocupação e seus usos no baixo curso do rio 
de Ondas, Barreiras, BA, evidenciadas pelos seus balneários. Na presente pesquisa 
adotamos como metodologia, inicialmente, um compromisso em investigar o senti-
do de natureza na contemporaneidade a partir de revisões bibliográficas que auxi-
liaram na compreensão dessa relação dialética homem/sociedade/natureza e da ne-
cessidade de bem-estar e de reencontro espiritual com a natureza, o que se aproxima 
do termo naturofilia. Foram elaborados mapas de localização e de zoneamento am-
biental com setores que permitem vislumbrar ações de readequação desses espaços 
de recreação e lazer com propostas de melhor infraestrutura e urbanização.
Palavras-chave: naturofilia; recreação; paisagem. 
Introdução
Este texto é resultado da investigação geográfica realizada no baixo cur-
so do rio de Ondas, Barreiras, BA, fruto da pesquisa em Iniciação Científica 
(PIBIC) realizada na Universidade Federal do Oeste da Bahia. Trata-se de 
uma área de estudo importante para a ciência geográfica e áreas correlatas 
quando aborda o uso e ocupação das margens do rio por diversas catego-
1 Universidade Federal do Oeste da Bahia - evanildo@ufob.edu.br.
2 Universidade Federal do Oeste da Bahia - lucas.o3043@ufob.edu.br.
3 Universidade Federal do Oeste da Bahia - eduarda.m8653@ufob.edu.br.
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Sumário
rias de estabelecimentos voltados ao lazer e recreação (Figura 01). Porém, 
essa situação, vem gerando conflitos característicos de paisagens naturais 
dotadas de um certo grau de conservação de seus atributos físicos. 
O desejo de experienciar paisagens que se julga ainda naturais em sua 
totalidade faz com que o homem procure cada vez mais a fantasia, o simu-
lacro, o exotismo, a nostalgia, o novo, o diferente (DEVAILLY E FLAMENT, 
1993, apud ALMEIDA, 2008b).
Conforme percepção desses autores citados, o lugar só adquire valor 
turístico quando responde a uma demanda existente ou latente e quando 
se confunde com as aspirações, os gostos e mitos de uma época. A Natu-
rofilia expressão de Béteille (2000), não só satisfaz a mitologia dos eco-
turistas, mas também as preocupações dos ecologistas e ambientalistas, 
bem como as fantasias daqueles que idealizam a natureza como sagrada 
e, paradoxalmente, dos interesses econômicos das pessoas que conver-
tem natureza em produtos comercializáveis. São vários os estímulos que 
ajudam a encontrar o ambiente natural, tais como: vegetação exuberante, 
animais silvestres, rios e cachoeiras, trilhas de montanha, enfim, a con-
templação da natureza pode levar à degradação desses mesmos cenários, 
em busca de cenários reais (RIBEIRO e BARROS, 1997). 
Figura 01: Localização da área de estudo.
Fonte: Organizado por Mendonça, 2021.
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Sumário
A Naturofilia e o rio de Ondas
O baixo curso do rio de Ondas possui ocupações que se renovam rapi-
damente, em especial, nas últimas três décadas. São moradias, bairros 
planejados, loteamentos, chácaras, fachadas, novos chalés que surgem na 
medida em que o uso para recreação e lazer se dissemina na paisagem. 
Parte desse cenário procuramos demonstrar na pesquisa como também 
revelar o imaginário social sobre a concepção de natureza na cidade e no 
município por meio de um recorte espacial (balneários do baixo curso) 
e temporal (30 anos). Todavia, é nessa construção de rugosidades que a 
natureza é alterada imprimindo historicamente na paisagem significados 
simbólicos e materiais. 
Na contemporaneidade tem havido uma demanda por novos ambien-
tes criando consumidores de lugares turísticos, bem retratado por Almei-
da (2008a;2008b) em artigos e projetos de extensão no norte goiano e na 
chapada dos veadeiros.
O turismo é uma atividade capitalista e cultural do pós-guerra e uma 
generalização do fenômeno urbano e da massificação da indústria do la-
zer. Para Nogué (1989) é um conjunto complexo de relações e fenômenos a 
partir do deslocamento de pessoas em busca de lazer (e negócios).
Segundo estudo do IBGE (2010), mais de 90% de sua população vive na 
zona urbana. Esse fluxo de visitantes está causando problemas ambien-
tais induzidos pela ação antrópica acelerada pelas dinâmicas socioeco-
nômicas. Tais problemas justificam e impulsionam o desejo de uma fuga 
esporádica que leva às pessoas da cidade para lugares considerados “pa-
radisíacos” em busca da contemplação e do relaxamento, um exemplo 
clássico de naturofilia.
Nesse sentido, para uma reflexão maior e melhor sobre sociedade/na-
tureza é necessária a execução de projetos de reordenação territorial em 
espaços públicos e privados com participação da comunidade local, agen-
tes públicos e privados para que os balneários possam receber infraestru-
tura adequada e contemplados nos planos de gestão municipal. 
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Zoneamento Ambiental em Balneários do Rio de Ondas – Barreiras Bahia - Brasil
Sumário
Metodologia
Optamos por delimitar área de estudo do Balneário da Prainha ao Cou-
ntry Club localizado mais a montante do rio. Nessa visão, podemos ter 
um panorama do grau de ocupação tanto por bares, hotéis e loteamen-
tos, bem como identificar pressão antrópica sobre esse ambiente fluvial. 
Mosaicos extraidos do Google Earh serviram como auxilio e utilizou-se 
também dois softwares para produção de mapas e croquis QGIS 3.16.2 e 
Arcgis 10.5. Os shapes e informações ambientais foram extraidos do site 
do IBGE (2019).
Essa etapa foi essencial para localizar e espacializar os principais com-
ponentes geoambientais e definição dos balneários e propor zonas que 
destinem seus usos de maneira equilibrada e sem pressão elevada sobre 
as margens do rio e todo a paisagem que é formada pelo conjunto de atra-
tivos cênicos. 
Complementando esse estudo, houve pesquisas em sites, publicações 
digitais, panfletos, propagandas em outdoors, sobre o rio de Ondas que 
configura um potencial publicitário e que merece uma ressignificação em 
ordenamento adequado. Quanto às técnicas e equipamentos, utilizou-se 
de GPS e máquinas fotográficas para delimitar e registrar as feições e in-
fraestrutura presentes.
Resultados e Discussão
Nos balneários da Prainha e do Três Bocas o público que frequenta é 
pertencente a uma classe socioeconômica com menor poder aquisitivo. É 
possivel ser percebido emcampo que a Zona de Recreação Popular I (ZR-
POI), em especial o balneário da Prainha, possui apenas como infraestru-
tura quiosques com banheiros quimicos. No zoneamento proposto esses 
dois balneários estão classificados como balneários populares (ZRPOI e 
ZRPOII), porém, com nitidas diferenças quanto à infraestrutura e condi-
ções sanitárias (Figura 02). Estão presentes logo mais a montante desses 
balneários, restaurantes, pousadas, clubes privados (Cargil) o que corres-
ponde à Zona de Recreação Privada (ZRPI e ZRPII) incluindo o Country 
Clube. Nesse balneário encontram-se um público que possui titulo e paga 
mensalidade para usufruir da infraestrutura dsiponibilizada embora 
também gere um elevado impacto às margens do rio de Ondas. 
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Zoneamento Ambiental em Balneários do Rio de Ondas – Barreiras Bahia - Brasil
Sumário
Figura 02: Zoneamento Ambiental dos balneários do rio de Ondas.
Fonte: Organizado por Mendonça, 2021.
Considerações Finais
O zoneamento foi uma das possibilidades de propostas de intervenção 
que permite concluir que existem espaços com pouca ou nenhuma in-
fraestrutura de lazer para parcela dos visitantes e usuários, como é o caso 
do balneário da Prainha, enquanto outros balneários são privados para 
pessoas com maior poder aquisitivo, levando à conclusão de que o acesso 
ao rio de Ondas varia de acordo com a situação social. 
Apesar de todas as zonas estarem em Área de Preservação Permanente 
(APP) é importante ressaltar que algumas oferecem mais serviços ao pú-
blico, o que muitas vezes, quando o governo não toma medidas efetivas 
para garantir a qualidade, esconde a chamada realidade harmoniosa en-
tre classes, lazer e sociedade. Como propostas, recomenda-se a disponi-
bilização de parques infantis, quiosques, espaços verdes, equipamentos 
fitness, jogos desportivos (caiaques e bóias) para os balneários populares 
(ZRPO I e ZRPO II). 
No tocante ao atendimento à legislação Florestal, que sejam realizadas 
operações de força tarefa para identificar construções inadequadas com 
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Zoneamento Ambiental em Balneários do Rio de Ondas – Barreiras Bahia - Brasil
Sumário
materiais que impactam as margens e sua mata ciliar bem como de insta-
lações sanitárias que podem produzir contaminação e poluição hídrica. 
Seria importante a garantia da infiltração da água da chuva e redução de 
concreto e alvenaria ou similares para uso livremente do espaço e de cam-
panha para reflorestamento das margens com mudas de cerrado nativo.
Espera-se que a pesquisa possa contribuir no reordenamento territo-
rial e paisagístico dos balneários do rio de Ondas - Barreiras - BA auxilian-
do, inclusive, na revisão do plano diretor da bacia e da cidade de Barreiras 
para uma maior valorização de suas potencialidades naturais com vistas 
a uma oferta maior de qualidade ambiental a seus visitantes. 
Referências
ALMEIDA, M. G. de. Naturofilia e turismo: consumo e conservação da natureza e do ambien-
te.: Revista Sociedade e Território, v. 20, p. 365-380, 2008a. 
ALMEIDA, M. G. de. Ambiguidades e contradições no discurso e naturofilia e nas práticas tu-
risticas. Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba: Editora UFPR, n. 18, p. 77-86. 
jul/dez. 2008b. 
DEVAILLY, J. M.; FLAMENT, E. Géogrphie du tourisme et des loisirs. Paris: Sedes, 1993.
BÉTEILLE, R. Le tourisme vert. Paris: Collection Que sais-je?. Paris: PUF, 2000.
IBGE, Censos Demográficos e Contagem da População, resultados preliminares, 2010. 
NOGUÉ, J. Paysage y turismo. Barcelona: Estudios Turisticos, n. 103, p. 35-45, 1989.
RIBEIRO, G. L.; BARROS, F. L. A corrida por paisagens autênticas: Turismo, Meio Ambiente 
e subjetividade no mundo contemporâneo. In: BRUNHS, H. T.; SERRANO, C. M. de T. (org.). 
Viagens à Natureza – Turismo, Cultura e Ambiente. Campinas: Papirus, 1997.
Eixo Temático: Impactos do Agronegócio para as Bacias 
Hidrográficas
Impactos causados pelo agronegócio nas bacias 
hidrográficas no Brasil 
Joana Paula de Souza Cornélio1 
Resumo: A expansão do agronegócio em áreas que demandam o uso intensivo da 
água aumenta a possibilidade de impactos ambientais e sociais além do surgimento 
de conflitos entre os usuários dos recursos hídricos. Assim, o objetivo deste trabalho 
foi verificar os impactos causados pelas atividades que compõem o agronegócio nas 
bacias hidrográficas no Brasil. Para isto foi realizado um panorama mediante revisão 
bibliográfica, com buscas nas bases de dados Periódicos Capes Scielo e Google Acadê-
mico, utilizando as palavras-chave “agricultura”, “impactos hidrológicos”, “mitigação”, 
“projeção”. Os resultados apontam que o agronegócio se apresenta como uma ativida-
de que afeta diretamente as bacias hidrográficas e seu entorno, alterando as variáveis 
hidrológicas, como vazão, precipitação, redução da vegetação nativa e exposição do 
solo. São necessárias medidas mitigadoras como aplicação de manejo sustentável na 
bacia hidrográfica como todo, para fins de manutenção dos aspectos bióticos e abióti-
cos existentes. 
Palavras-chave: Agricultura; Impactos hidrológicos; Mitigação; Projeção.
Abstract: The expansion of agribusiness in areas that demand intensive use of water 
increases the possibility of environmental and social impacts, in addition to the emer-
gence of conflicts between users of water resources. Thus, the objective of this work 
was to verify the impacts caused by the activities that make up agribusiness in hydro-
graphic basins in Brazil. For this, an overview was carried out through a bibliographic 
review, with searches in the Capes Scielo and Academic Google Journals databases, 
using the keywords “agriculture”, “hydrological impacts”, “mitigation”, “projection”. 
The results showed that agribusiness is an activity that directly affects watersheds 
and their surroundings, changing the hydrological variables: flow, precipitation, re-
duction of native vegetation and soil exposure. Mitigation measures are needed, such 
as the application of sustainable management in the watershed as a whole, to main-
tain the existing biotic and abiotic aspects. 
Keywords: Agriculture; Hydrological impacts; Mitigation; Projection. 
1 Universidade de Brasília, UNB - joanapaula_aqui@hotmail.com.
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Impactos causados pelo agronegócio nas bacias hidrográficas no Brasil 
Sumário
Introdução
As atividades antrópicas, principalmente relacionadas às atividades 
agrícolas, são o principal motor das mudanças no uso e cobertura do 
solo, afetando substancialmente 75% da superfície da Terra (GUERRERO 
et al.,2020), com isso, é crescente a perda associada à disponibilidade de 
água o que gera conflitos pela mesma (CRUZ et al., 2020). 
Entre os diversos elementos que os conflitos por água explicitam estão 
os impactos gerados pelo agronegócio no ciclo da água a nível local e mes-
mo regional (CARVALHO, 2019). A construção de sistemas de irrigação 
gera modificações importantes no ambiente como a construção de reser-
vatórios para armazenamento de água, canais, adutoras e drenos. Depen-
dendo do tamanho dos reservatórios e canais e de condições climáticas, 
há significativo aumento da evaporação. E o represamento e consumo ex-
cessivo de água podem gerar a redução da vazão em áreas à jusante dos 
empreendimentos, com potencialde impacto não só local como regional 
(BRITO et al., 2010). 
Impactos mais severos, como a superexploração, também podem ser 
desencadeados pelo consumo excessivo de água. Mehta et al. (2012) afir-
mam, os impactos sofridos por corpos hídricos, e pelo ciclo da água de 
maneira geral, muitas vezes são de difícil e lenta identificação, devido à 
complexidade do ciclo hidrológico, que envolve diversas interações.
Deste modo, o objetivo desse estudo foi avaliar o estado da arte das 
pesquisas que avaliam os cenários das bacias hidrográficas no Brasil em 
áreas de expansão do agronegócio, identificando os impactos causados e 
possíveis estratégias de mitigação. As informações poderão proporcionar 
uma atualização do panorama dos últimos anos de como o agronegócio 
pode afetar as variáveis hidrológicas das bacias hidrológicas brasileiras.
Metodologia
Visando verificar as pesquisas que abordavam o tema nos últimos cin-
cos anos foi realizado um levantamento bibliográfico dos principais traba-
lhos sobre a expansão do agronegócio em relação às bacias hidrográficas 
no Brasil, que foi efetivado com buscas em 15 revistas nacionais nas bases 
de dados Periódicos Capes Scielo e Google Acadêmico, utilizando as pala-
vras-chave “agricultura”, “impactos hidrológicos”, “mitigação”, “projeção”. 
Entre os periódicos da área, selecionamos penas aqueles relacionados aos 
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Impactos causados pelo agronegócio nas bacias hidrográficas no Brasil 
Sumário
impactos causados pelo agronegócio nas bacias hidrográficas brasileiras, 
publicados nos últimos 6 anos (n=9).
Resultados e Discussão
A partir do levantamento bibliográfico foram avaliados 9 artigos cientí-
ficos elencados a seguir:
Teixeira e Hespanhol (2016) ao verificarem os efeitos da expansão das 
lavouras canavieiras na área da bacia hidrográfica do rio Ivinhema, em 
Mato Grosso do Sul constataram que área de matas naturais não sofreram 
muitas alterações ao longo de doze anos, com o percentual de ocupação 
oscilando entre 21% e 23%. Tal fato poderia indicar que não houve grandes 
desmatamentos na área da bacia, nesse período. Contudo, os solos expos-
tos aparecem em todos os anos analisados, porém não ultrapassando os 
3% do total. Esses solos expostos são as áreas preparadas para o plantio de 
lavouras, incluindo a cana-de-açúcar.
Jati e Silva (2017), ao caracterizarem geo-hidrologicamente a bacia hi-
drográfica do rio Curuá-Una, localizado na região de Santarém, estado do 
Pará, verificaram que a influência das alterações no uso e ocupação do 
solo ocorrido entre 1985 e 2015, via modelagem hidrológica, no regime de 
vazão da bacia não influenciaram significativamente no comportamento 
hidrológico na escala da bacia. 
Por outro lado França et al. (2018) ao avaliarem a mudança da cober-
tura vegetal na bacia hidrográfica do rio Uruçuí-Preto, Piauí entre 1984 
a 2015, pela expansão do agronegócio, integrando a fronteira agrícola do 
MATOPIBA, composta por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia., atesta-
ram intensa antropização na área analisada, onde em 1984, a classe solo 
exposto correspondia a 390,3 km² do total da área da bacia, com aumento 
em 2015 para 1.498,20 km². Em 1984 existiam 7.743,2 km² de cobertura 
vegetal original, reduzida em 2015, para 3.487,40 km², com redução de 
45,03% da classe de vegetação densa.
De acordo com Marques et al. (2018), ao fazerem uma avaliação dos 
desafios da sustentabilidade da atividade econômica da piscicultura na 
Bacia Hidrográfica do São Francisco constataram lançamento de quanti-
dades substanciais de rações, fertilizantes e medicamentos veterinários 
que podem resultar em eutrofização como consequência do aumento de 
nutrientes e alta produtividade de algas, mortalidade de peixes devido à 
abertura dos vertedouros dos reservatórios, escassez de água relacionada 
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Impactos causados pelo agronegócio nas bacias hidrográficas no Brasil 
Sumário
a uma severa seca que afetou a região desde 2012 foram relacionados à 
Bacia do Rio São Francisco.
Em outro estudo Santos et al. (2019) analisaram a dinâmica do desma-
tamento na bacia hidrográfica do rio Marapanim localizada na região nor-
deste do estado do Pará, a partir dos usos da terra, e a aplicabilidade das 
Áreas Prioritárias para Conservação (APC) nas políticas de gestão terri-
torial do estado como o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) tiveram 
como resultados dados que mostraram um quadro grave de supressão 
da cobertura vegetal, que resultou em 80% da área da bacia desmatada. 
Esse quadro é acompanhado pela fragmentação da floresta o que ocasiona 
fragmentação de habitats e perda de biodiversidade.
Na pesquisa realizada por Fiorese e Nascimento (2019) onde analisaram 
o uso de solo da sub-bacia hidrográfica do ribeirão Santo Amaro, no Sul 
do estado do Espírito Santo, bem como a distribuição das classes ao longo 
da área foi verificado que a fragmentação da floresta nativa, bem como 
a presença da classe macega próxima a esses fragmentos, indicam que a 
bacia hidrográfica enfrenta problemas quanto ao manejo e melhor utili-
zação de suas terras, além de sofrer prejuízos quanto à biodiversidade e 
qualidade do meio natural, requerendo, assim, ações de mitigação e ate-
nuação dos impactos ambientais advindos da agropecuária e silvicultura 
do eucalipto nesta sub-bacia.
Silva et al. (2020) observaram que as modificações ocorridas na paisa-
gem, como também o possível impacto ambiental atrelado ao solo na Ba-
cia Hidrográfica do Rio Piranhas-Açú e no seu perímetro irrigado, ambos 
localizados no estado do Rio Grande do Norte, utilizando sensoriamento 
remoto. Os autores afirmam que de acordo com análises com imagens de 
SAVI foi possível inferir que ocorreram modificações no Perímetro Irriga-
do Baixo Açu/RN tem interligação com o regime de chuva na localidade, fa-
zendo com que ocorra um maior adensamento da vegetação nos períodos 
de maior precipitação, porém, os dados obtidos não se podem destacar os 
impactos ambientais relacionados ao agronegócio pela área estudada.
No estudo realizado por Oliveira e Aquino (2020) onde analisaram a di-
nâmica temporal do uso e cobertura da terra na sub-bacia hidrográfica do 
rio Gurguéia entre os anos de 1987 e 2017, visando identificar os principais 
impactos ambientais provenientes da expansão do agronegócio, verifica-
ram que a dinâmica das formas de uso e ocupação da terra na BRHG en-
tre os anos de 1987 e 2017 tem comprometido a manutenção dos recursos 
naturais e provocado severas alterações na paisagem, principalmente em 
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Impactos causados pelo agronegócio nas bacias hidrográficas no Brasil 
Sumário
função do desmatamento para a monocultura de grãos, que refletem na 
alteração do comportamento hidrológico, na exposição do solo e desen-
cadeamento de processos erosivos, no assoreamento dos corpos hídricos, 
na redução da vazão do rio Gurguéia.
Egger et al. (2021) caracterizaram o Ecocídio dos Cerrados, onde mais de 
110 milhões de hectares do bioma estão ocupados pelo agronegócio – com 
área plantada para produzir 75% das commodities soja-cana-milho-algo-
dão cultivadas no Brasil e as áreas de pastagem destinadas à produção de 
carne bovina. Eles constataram que isso implica na destruição de 52% da 
vegetação nativa e no consumo de 91,8%dos Santos, Camila Fregni Lins, Juliana Arraes de Aragão Villar, Carlos José Saldanha 
Machado
Museu de Ciências Ambientais Mundo Livre: Estratégias de 
Educação Ambiental Aplicadas as Bacias Hidrográficas ........................ 106
Giovanna Azevedo de Moura Venâncio, Luis Henrique da Silva Uchôa, Larissa de Pinho Aragão, Edson 
Vicente da Silva
Eixo Temático: 
Bacia Hidrográfica no Ensino de Geografia
Material didático para conservação ambiental a partir do ensino de 
bacia hidrográfica no Estado de Goiás ............................................................ 113
Laís Rorigues Campos, Helci Ferreira Ramos 
Eixo Temático: 
Pesquisas aplicadas em Bacias Hidrográficas 
Análise temporal do uso e cobertura da terra na sub-bacia 
hidrográfica do Córrego Taquaral, Município de Goiânia - GO, 
entre os anos de 1985 e 2020 ................................................................................ 119
Marcelo Torres Borges, Flávia Gomes de Souza, Waisten Resende Carrijo
Análise da pluviosidade na bacia hidrográfica do Rio Coreaú, 
Noroeste do Ceará .................................................................................................... 126
Fernando José Mendes de Alencar Júnior, Daniel dos Reis Cavalcante, Frederico de Holanda Bastos, 
Abner Monteiro Nunes Cordeiro 
Análise da vulnerabilidade à perda de solos da bacia hidrográfica 
do Rio Tocantinzinho (BHRT) ............................................................................... 133
Gustavo Santana de Souza, Daniele Rosa da Silva, Benedito Marciano de Moura Neto, Karla Maria Silva de 
Faria
Avaliação físico-ambiental em nascentes do Município de 
Branquinha e Murici, Alagoas .............................................................................. 139
Geovânia Ricardo dos Santos, Lucas Costa de Souza Cavalcanti 
Dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do 
Ribeirão Santa Bárbara (GO): uma análise comparativa entre os 
anos de 2000 e 2019 ............................................................................................... 146
Lorena de Castro Rodrigues, Maximiliano Bayer 
Erosividade mensal da chuva na bacia do Tarumã-Açu 
(Manaus-AM), com base em dados do satélite TRMM ............................. 152
Liange de Sousa Rodrigues, Jamerson Souza da Costa, Maria da Glória Gonçalves de Melo, Maria Astrid 
Rocha Liberato 
Mapeamento dos pontos de risco a erosão em estradas rurais 
na bacia hidrográfica Ribeirão João Leite – GO ........................................... 158
Kamilla Oliveira Carvalho, Rherison Tyrone Silva Almeida
Previsão de nascentes a partir de modelo digital de elevação e 
potencial hídrico, no Município De Branquinha E Murici, Alagoas ..... 164
Geovânia Ricardo dos Santos, Lucas Costa de Souza Cavalcanti 
Segmentação fluvial e unidades geomórficas do Rio Miranda-MS: 
instrumentos para a gestão .................................................................................... 171
Rafael Bartimann, Aguinaldo Silva, Sidney Kuerten, Hudson de Azevedo Macedo 
Dinâmica Temporal de Uso, Ocupação e Transição do Solo na Bacia 
Hidrográfica do Rio das Pedras, Goiás, Brasil – 1990 e 2020 ................ 178
Nelton Nattan Amaral Nunes , José Carlos de Souza
Eixo Temático: 
Segurança hídrica e legislação ambiental
A questão da segurança hídrica na Vila Restauração ................................187
Sheila Mena Barreto Silveira, Marcelly Olivia Fernandes Amorim
Aspectos jurídicos sobre o pagamento por serviços ambientais (PSA) 
de recuperação na área rural do Município de Extrema, Minas Gerais 193
Tiago Borges Santiago, Bruna Pires dos Santos, Juliana Arraes de Aragão Villar
Eixo temático: 
Conflitos pelo Uso das Águas
Disputas por Água na Sub-Bacia do Rio Utinga .......................................... 201
Alane Kelly Nunes de Oliveira, Luiz Antônio Ferraro Junior, Taíse Bomfim de Jesus 
Gestão dos Recursos Hídrico no Brasil e Uruguai .................................... 208
Maria Gabriela de Souza Damaceno 
Eixo Temático: 
Mudanças Climáticas, Crises Hídricas e 
Gestão das Águas
Análise de série histórica do regime hidrológico do Rio Tietê 
pertencente a Bacia Hidrográfica Rio Tietê UGRHI 18 no período 
de 1953 à 1997 .............................................................................................................. 214
Ariane Aparecida Santos da Silva
Eixo Temático: Planejamento e Gestão de Bacias
Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia 
Hidrográfica do Alto Taquari (MS)
Rafael Martins Brito1
Eduardo Salinas Chávez2 
Patrícia Helena Mirandola Garcia3
Adalto Moreira Braz4 
Resumo: A rápida transformação do uso e cobertura da terra, assim como a intensi-
ficação da degradação e exploração dos recursos naturais, tem demandado respostas 
integradoras e abrangentes no diagnóstico e proposição de soluções ambientais. Em-
bora a Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (BHAT), esteja localizada em um importante 
corredor para a conservação da biodiversidade, também é penalizada por tais dinâ-
micas de modificação. Assim, o objetivo do presente trabalho foi propor uma clas-
sificação e representação cartográfica das Unidades de Paisagens (UP) da BHAT. Os 
procedimentos baseiam-se nos pressupostos contidos em Ramón Puebla et al. (2009), 
Salinas Chávez e Rámon Puebla (2013), por meio da utilização de Sistemas de Informa-
ções Geográficas (SIG). Os resultados apontam cinco principais UP e 28 subunidades, 
das quais as principais atividades desenvolvidas estão a pecuária e agricultura, ob-
servando-se reduzidas áreas destinadas às formações de vegetação natural. As carac-
terísticas das UP detêm a capacidade de servir como base para obtenção de variados 
indicadores com a finalidade de formular proposições destinadas a conservação dos 
recursos naturais.
Palavras-chave: Cartografia de Síntese; Geossistemas; Geoinformação.
Abstract: The rapid transformation of land use land cover, as well as the intensifi-
cation of degradation and exploitation of natural resources, has demanded com-
prehensive and integrative responses in the diagnosis and proposal of environmental 
solutions. Although the Alto Taquari Hydrographic Basin, is located in an important 
corridor for the conservation of biodiversity, it is also penalized by such modification 
1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - rafaelgeografiaufms@gmail.com.
2 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - esalinasc@yahoo.com.
3 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) - patriciaufmsgeografia@gmail.com.
4 Grupo de Pesquisas Geossistemas e Paisagem (PAISAGEO) - adaltobraz.geografia@gmail.com.
mailto:patriciaufmsgeografia@gmail.com
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Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (MS)
Sumário
dynamics. Thus, the objective of the present work was to propose a classification and 
cartographic representation of the Landscape Units of the BHAT. The procedures are 
based on the assumptions contained in Ramón Puebla et al. (2009), Salinas Chávez 
and Rámon Puebla (2013), through the use of Geographic Information Systems (GIS). 
The results indicate five main landscapes units and 28 sub-units, of which the main 
activities are livestock and agriculture, observing reduced areas destined to the for-
mation of natural vegetation. The characteristics of the landscapes units have the abi-
lity to serve as a basis for obtaining various indicators with the aim of formulating 
proposals for the conservation of natural resources. 
Keywords: Synthesis Cartography; Geosystems; Geoinformation.
Introdução
A demanda por recursos naturais relacionada ao progresso técnico-
-cientifico e informacional no último século, tem avançado de forma rá-
pida e significativa,das águas superficiais e subter-
râneas usadas na irrigação por pivôs centrais, resultando na migração de 
nascentes, na interrupção dos fluxos dos rios e na redução dos volumes 
dos aquíferos, como se aprofunda na análise dos conflitos em curso no 
oeste da Bahia e na bacia dos rios Formoso e Javaés/TO.
Considerações Finais
De acordo com os fatos mencionados, constatou-se que o agronegócio 
afeta diretamente a dinâmica das bacias hidrográficas e seu entorno pro-
vocando alterações nas variáveis hidrológicas principalmente vazão, pre-
cipitação, assim como redução da vegetação nativa e exposição do solo. 
São necessárias medidas mitigadoras como aplicação de manejo susten-
tável na bacia hidrográfica como todo, para fins de manutenção dos as-
pectos bióticos e abióticos existentes. 
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Eixo Temático: Bacias hidrográficas urbanas: 
Gestão e Problemáticas
A Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, 
Rio de Janeiro: o caso da contaminação por 
hexaclorociclohexano e os impactos para os recursos 
hídricos e à saúde humana
Alessandra Moraes da Rocha1 
Bruna Pires dos Santos2 
Claudia Hamacher3
Resumo: O presente estudo visa realizar uma compilação das conclusões dos prin-
cipais estudos sobre o caso de contaminação ambiental e humana ocorrida na Cida-
de dos Meninos, no município de Duque de Caxias, Região Metropolitana do Rio de 
Janeiro. Em 1946, houve a instalação no local de um complexo de assistência social 
e educacional para crianças e adolescentes, a Fundação Abrigo do Cristo Redentor 
(FACR)/da Legião Brasileira de Assistência (LBA). Nessa mesma região, também foi 
instalada uma fábrica de inseticidas organoclorados destinados ao combate da ma-
lária, em 1951. Após o fechamento da fábrica, em 1961, ficaram no local cerca de 350 
toneladas de resíduos tóxicos, entre eles o hexaclorociclohexano (HCH) e outros com-
postos organoclorados, como o diclorodifeniltricloroetano (DDT)., abandonadas a 
céu aberto. O caso do abandono dos produtos tóxicos somente veio a público em 1989, 
após denúncias feitas nos jornais. O hexaclorociclohexano (HCH) é popularmente 
conhecido como pó de broca, pois era amplamente empregado no combate à broca 
do café no século passado. Os pesticidas organoclorados são contaminantes ambien-
tais persistentes, presentes em todos os ecossistemas globais. Os estudos realizados 
pela FIOCRUZ, FEEMA e Ministério da Saúde indicaram que o solo, a vegetação e a 
população da localidade estavam altamente contaminados por HCH. O trabalho ve-
rificou a partir de estudos pretéritos, que a contaminação ainda estava presente no 
1 Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestrado Profissional Profagua- alessandra.
rocha@profagua.uerj.br. 
2 Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestrado Profissional Profagua - bruna.san-
tos@profagua.uerj.br.
3 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Departamento de Geologia- claudia.hamacher@
ufrj.br.
mailto:alessandra.rocha@profagua.uerj.br
mailto:alessandra.rocha@profagua.uerj.br
mailto:bruna.santos@profagua.uerj.br
mailto:bruna.santos@profagua.uerj.br
mailto:claudia.hamacher@ufrj.br
mailto:claudia.hamacher@ufrj.br
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A Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro: o caso da contaminação por hexaclorociclohexano e os impactos 
para os recursos hídricos e à saúde humana
Sumário
solo em 1998, com concentrações da mesma ordem de grandeza (até milhares de mg 
Kg-1) dos isômeros do HCH no solo da área foco da Cidade dos Meninos, após tentativa 
de remediação com cal em 1995. Essa tentativa de descontaminação efetuada na área 
mostrou-se ineficaz para a remoção dos isômeros do HCH e foi responsável pela am-
pliação da área contaminada, através do transporte mecânico e do carreamento do 
material pelas chuvas. Em função do espalhamento da contaminação, portanto, não 
se recomenda a perfuração de poços artesianos, mesmo a localidade não contando 
com saneamento básico adequado.
Palavras-chave: Cidade dos Meninos, Contaminação, Hexaclorociclohexano, Poço ar-
tesiano e Saneamento básico.
Abstract: This abstract aims to present the main conclusions of the studies on the 
case of environmental and human contamination that occurred in Cidade dos Me-
ninos, an area in Duque de Caxias, Metropolitan Region of Rio de Janeiro. In 1946, a 
complex of social and educational assistance for children and teenagers of Fundação 
Abrigo do Cristo Redentor (FACR) of theBrazilian Assistance Legion (LBA) was instal-
led at the site. In the same region, a factory of organochlorine insecticides destined 
to combat malaria was also installed, in 1951. After the factory closure in 1961, About 
350 tons of toxic waste remained at the site, including hexachlorocyclohexane (HCH) 
e other organochlorine compounds such as dichlorodiphenyltrichloroethane (DDT), 
abandoned in the open air. TThe case became public in 1989, after complaints made 
in the newspapers. Organochlorine pesticides are persistent environmental contami-
nants present in all global ecosystems. Studies carried out by FIOCRUZ, FEEMA and 
the Ministry of Health indicate that the soil, vegetation, and population of the region 
have high levels of contamination. This study verified, from previous studies, that the 
contamination was still present in the soil in 1998, with concentrations of the same 
order of magnitude (up to thousands of mg / Kg) of the HCH isomers in the soil of the 
focus area of Cidade dos Meninos, after treatment with lime in 1995. This decontami-
nation attempt proved ineffective for the removal of existing HCH isomers in the area 
and was responsible for the expansion of the contaminated area, through mechanical 
transport and the transport of material by rains. Due to the spread of contamination, 
therefore, the drilling of artesian wells is not recommended, even if the location does 
not have adequate basic sanitation.
Keywords: Cidade dos Meninos, Contamination, Hexachlorocyclohexane, Artesian 
Well and Basic sanitation.
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para os recursos hídricos e à saúde humana
Sumário
Introdução
O Brasil já foi palco de diversos acidentes ambientais. O descarte in-
devido de material radioativo, no caso do Césio 137, no ano de 1987 em 
Goiânia; a contaminação de rios e mares por derramamento de óleo que 
atingiu especialmente a costa do nordeste, em 2020 e os acidentes nas 
barragens de rejeitos minerais, em Minas Gerais, são exemplos dos gra-
ves danos causados ao meio ambiente e de como os seres humanos estão 
expostos a esses eventos.
A poluição ambiental que ocorreu na localidade conhecida como Cida-
de dos Meninos em Duque de Caxias, chama a atenção pelo conjunto de 
negligências e erros que desde a década de 1940 produzem efeitos nocivos 
à população, aos animais e às plantas daquela localidade.
A Cidade dos Meninos é uma área de cerca de 20 hectares, de proprie-
dade da União, que em 1946 passou a abrigar as instalações de um com-
plexo de assistência social e educacional para crianças e adolescentes, a 
Fundação Abrigo do Cristo Redentor (FACR) da Legião Brasileira de Assis-
tência (LBA). Por volta de 1950, foi implantado no mesmo local o Instituto 
de Malariologia (IM), ligado, à época, ao Ministério da Educação e Saúde, 
que em 1951 ali instalou uma fábrica de inseticidas que funcionou até iní-
cio de 1960 (MS, 2002).
No local, reside atualmente uma população de cerca de 2 mil pessoas, 
pertencentes a cerca de 400 famílias, que são remanescentes de antigos 
funcionários da FACR/ LBA e do IM que não contam com saneamento bá-
sico adequado e ainda continuam sob permanente risco de contamina-
ção, mesmo não residindo no epicentro do problema. A água dos córregos 
e rios da região são utilizados para irrigação e, portanto, é uma forma de 
propagação da contaminação para fora dos limites dos locais contamina-
dos. Esses locais são inclusive acessíveis para o cultivo de vegetais, a cria-
ção de animais e para a circulação de pessoas, o que pode contribuir para o 
aumento da área de influência da contaminação (FERNANDES et al, 2015).
O principal objetivo do trabalho foi fazer uma revisão dos principais es-
tudos sobre a contaminação ambiental por hexaclorociclohexano (HCH) 
na Cidade dos Meninos e suas consequências para o meio ambiente e à 
saúde humana. Como objetivo secundário, deseja-se explanar o risco de 
contaminação do lençol freático pela contaminação de HCH na Cidade 
dos Meninos e o abandono da localidade em relação às políticas de sanea-
mento básico.
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para os recursos hídricos e à saúde humana
Sumário
Metodologia
Foi utilizado para elaboração deste trabalho uma análise bibliográfica 
e documental a fim de se fazer um levantamento de dados e informações 
relacionadas à contaminação de HCH e à falta de saneamento básico na 
região da Cidade dos Meninos no município de Duque de Caxias. Para 
isso, estudos e relatórios como os da Fiocruz e de autores que já traba-
lham na região foram utilizados como base para executar um panorama 
do problema a fim de identificar a problemática envolvida na contamina-
ção da Cidade dos Meninos, a distribuição do contaminante e potenciais 
impactos para a população que vive na região.
O presente trabalho apresenta estudos do caso da contaminação am-
biental e humana na Cidade dos Meninos ilustrada na Figura 01, bairro 
localizado no Distrito de Xerém, Município de Duque de Caxias no estado 
do Rio de Janeiro, com aproximadamente 19.000.000 m², cuja população 
é de pouco mais de 2000 indivíduos voltados predominantemente para 
atividade rural.
Resultados e Discussão
O hexaclorociclohexano (HCH), também chamado, de pó de broca, é 
um composto organoclorado, constituído por uma cadeia de 6 átomos de 
carbonos interligados por íons de cloro e hidrogênio, e é reconhecido pela 
sua alta toxicidade. A contaminação na Cidade dos Meninos foi tanto am-
biental como da população local (Braga apud Herculano, 1996), e indica-
va uma disseminação dos contaminantes na área como um todo. Sendo a 
contaminação da população possivelmente ocasionada por meio de vias 
dérmicas, respiratórias e por consumo de alimentos cultivados na área, 
além disso, animais pastam livremente na área contaminada.
O trabalho de Bastos (2002) determinou que os isômeros -HCH, -HCH, 
-HCH e - HCH foram detectados nas amostras de solo oriundas da área 
foco, em concentrações da ordem de mg/Kg (ppm), mesmo após a tentati-
va de remediação com a adição de cal.
De acordo com análises realizadas, o β-HCH é o isômero que se encontra 
em maior concentração residual em toda a área da Cidade dos Meninos. 
O isômero d-HCH apresentou concentração aparentemente mais elevada 
do que o g-HCH. Na maioria das amostras os isômeros encontravam-se 
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para os recursos hídricos e à saúde humana
Sumário
na seguinte ordem de concentração: b-HCH > a-HCH > g-HCH > d-HCH, 
dados que confirmam os descritos anteriormente por Oliveira (1994).
As concentrações residuais mais elevadas para o isômero b-HCH eram 
esperadas, já que este isômero é o que apresenta maior estabilidade de-
vido à sua simetria. Assim sendo, podepermanecer por períodos mais 
extensos no meio ambiente. As concentrações residuais elevadas para o 
isômero a-HCH também eram esperadas, já que este era o que se encon-
trava em maior percentual na mistura técnica produzida na Cidade dos 
Meninos (70 %), já o isômero g-HCH era produzido em percentual este-
quiométrico menor que os de a-HCH e b-HCH, separado da mistura técni-
ca e comercializado como inseticida segundo Bastos (2002).
Os estudos analisados mostraram que, embora a empresa não tenha 
citado as concentrações iniciais de g-HCH, que foi o único isômero mo-
nitorado por esta no solo antes do tratamento com cal, e que garantiu um 
percentual médio de redução desse isômero g-HCH nas quatro amostras 
analisadas, após o tratamento realizado, em 99,18% (Nortox S.A., 1995, 
apud Bastos, 1999). Contudo, há o transporte mecânico, podendo levar 
a contaminação para as residências mais próximas à área tratada, e há 
o transporte de HCH a partir do foco a partir da lixiviação em períodos 
chuvosos. Em períodos como esses a área foco, situada em cota ligeira-
mente superior às das residências, é inundada devido às características 
topográficas e geológicas da região, facilitando o seu carreamento pelas 
águas (OLIVEIRA, 1994).
Mais recentemente, no ano de 2005, após um processo de amplo des-
gaste dos moradores, o Ministério da Saúde veiculou a avaliação feita no 
ano de 2000 que apresentava grande risco de contaminação no solo, água, 
ar, alimentos e no sangue da população da Cidade dos Meninos. Num re-
lato de SILVA de 2017, o autor do texto diz que a população está “desacon-
selhada” a realizar perfuração de poços artesianos por conta do risco de 
contaminação do lençol freático, e ainda expõe a realidade de que o esgoto 
da região é lançado in natura nos rios que abastecem a localidade. Aponta 
que a área, por todo processo que vem sofrendo há mais de 60 anos, não é 
abarcada pelo Comitê Guandu e nem pela CEDAE, a fim de que a popula-
ção tenha saneamento básico adequado.
Segundo o Instituto Trata Brasil, em 2019, Duque de Caxias foi conside-
rada uma das cinco piores cidades do Rio de Janeiro em saneamento bási-
co, com a colocação de 91ª. A CEDAE seria a companhia responsável pelos 
cuidados com água e com o esgoto dos municípios da Baixada Fluminense.
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Sumário
Considerações finais
Pode-se concluir através do levantamento bibliográfico dos estudos ci-
tados neste trabalho, que é possível verificar que a concentração residual 
dos isômeros do HCH, após tentativa de remediação, ainda são as mesmas 
dos estudos iniciais. Portanto, a descontaminação efetuada na área, por 
meio da adição de cal, no ano de 1995 pela empresa Nortox Agroindústria 
do Paraná, contratada pelo Ministério da Saúde não foi eficaz para a re-
moção dos isômeros do HCH existentes no local e agravou a contamina-
ção, aumentando a extensão da área contaminada.
É preciso determinar o uso futuro da área, a fim de que seja realizado 
um tratamento, de fato eficaz, objetivando a eliminação ou remoção dos 
contaminantes a concentrações ambientais exigidas. Após a constatação 
da ineficácia do tratamento executado na área, medidas emergenciais fo-
ram adotadas por parte das autoridades responsáveis pela mesma. As me-
didas emergenciais tomadas para evitar o avanço da contaminação, como 
os estudos apontaram, ajudaram a conter o agravamento da situação. No 
entanto, ainda não foi determinada uma alternativa para a descontami-
nação. A carência de ações governamentais efetivas, especialmente, no 
que tange ao saneamento básico, promove ainda mais situações de risco e 
conflito, longe de mostrarem um fim próximo.
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https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/4563/2/ve_Rosalia_Oliveira_ENSP_2008.pdf.
SILVA, José Miguel da. Relato sobre o Abastecimento de água na Cidade dos Meninos. Blog 
Lurdinha, 2017. Disponível em: https://lurdinha.org/site/abastecimento-de-agua-na-cidade-
dos-meninos/. Acesso em: 26 ago. 2021.
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/4563/2/ve_Rosalia_Oliveira_ENSP_2008.pdf
Desenvolvimento regional e os aspectos 
hidroambientais da microbacia do rio Batateiras, 
Crato - Ceará
João Victor Mariano da Silva1
Rubens Oliveira da Cunha Júnior2 
Resumo: A gestão integrada e o uso racional dos recursos hídricos são fundamentais 
para o desenvolvimento sustentável, sobretudo em regiões semiáridas. No estado do 
Ceará, Brasil, as características físico-climáticas das áreas mais úmidas merecem des-
taque por proporcionarem condições propícias para atividades socioeconômicas. Em 
especial, a microbacia do rio Batateiras, no município de Crato, é uma área de rele-
vante interesse para a região. Esse trabalho buscou abordar os aspectos hidrográficos 
e hidrogeológicos da microbacia do rio Batateiras que condicionaram o desenvolvi-
mento da região. Para isto, foram realizadas pesquisas bibliográficas acerca do tema. 
Como resultados, destaca-se a contribuição dos fatores hidroclimatológicos da Cha-
pada do Araripe e das reservas de águas subterrâneas da bacia sedimentar do Ara-
ripe tanto no contexto histórico da ocupação da região quanto no desenvolvimento 
regional atual. 
Palavras-chave:Desenvolvimento sustentável; Bacia hidrográfica; Região Metropoli-
tana do Cariri; Semiárido.
Abstract: Integrated management and rational use of water resource are fundamen-
tal for the sustainable development, mainly in semiarid regions. In Ceará state Brazil, 
physical and climate characteristics of wetter areas stand out by providing right con-
ditions for socio-economic activities. In particular, the rio Batateiras micro-basin, in 
the municipality of Crato, is an area with relevant interest for the Cariri region. This 
paper aims to address hydrographical and hydrogeology aspects of rio Batateiras mi-
cro-basin which conditioned the region’s development. For this purpose, bibliogra-
phic research regarding the subject was performed. As a result, it was highlighted the 
contribution of Chapada do Araripe’s hydroclimatology and groundwater reserves of 
Araripe sedimentary basin in both the historical background and the current regio-
nal development.
1 Universidade Federal do Cariri, UFCA – joaovictormarianods@gmail.com.
2 Universidade Federal do Cariri, UFCA – cunhajunior.rubens@gmail.com.
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Sumário
Keyword: Sustainable development; Watershed; Metropolitan Region of Cariri; Se-
miarid.
Introdução
A água é essencial para o desenvolvimento sustentável, devido seu va-
lor social, econômico e ambiental. Na região Semiárida do Brasil, especi-
ficamente no Nordeste brasileiro, as condições físico-climáticas impõem 
desafios para a gestão de recursos hídricos e historicamente dificulta-
ram a ocupação do seu território. No estado do Ceará, são exceção a esse 
processo as áreas mais úmidas, como o litoral e algumas serras úmidas. 
Dentre elas, ao sul do estado, na região do Cariri, destaca-se a Chapada 
do Araripe, que teve um importante papel no processo de povoamento e 
emancipação política do Ceará. Ainda nos dias atuais, a chapada forne-
ce condições naturais ideais para diversas atividades socioeconômicas, 
em conjunto ao contexto hidrogeológico da bacia sedimentar do Araripe, 
cujo potencial em águas subterrâneas abastece a rede hidrográfica da re-
gião (REBOUÇAS, 1997; MOURA-FÉ, 2018).
Nesse cenário, a gestão de bacias hidrográficas na região do Cariri ga-
rante a solução de conflitos pelo uso da água e assegura os seus múltiplos 
usos consuntivos e não consuntivos (COGERH, 2019). Destaca-se na re-
gião a microbacia do rio Batateiras, que surge no município de Crato e res-
guarda características relevantes que impulsionam o desenvolvimento da 
região, sendo ainda importante no abastecimento de diversas cidades no 
Ceará. Apesar da sua importância, a microbacia tem sofrido impactos da 
ação antrópica, o que, por sua vez, justificam a necessidade de se desen-
volver estudos na região (SILVA; LIMA, 2019).
Desta forma, este trabalho visa fazer uma discussão teórica dos aspec-
tos hidrogeológicos e hidrográficos da microbacia do rio Batateiras, loca-
lizada no município de Crato/CE, associando estes aspectos ao contexto 
social e histórico da região.
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Sumário
Metodologia
A microbacia do rio Batateiras situa-se no município de Crato – Ceará, 
Brasil, onde localizam-se as suas principais nascentes. Este, por sua vez, 
compõe a mesorregião do Cariri, integrando ainda a Região Metropolita-
na do Cariri (RMCariri), e com uma área territorial de 1.138,2 km² (IPE-
CE, 2017). Para o estudo do recorte espacial supracitado, a pesquisa foi 
realizada pelo método de revisão bibliográfica. Após o levantamento de 
dados sobre o tema, foram analisados artigos, livros, teses e dissertações 
disponíveis em repositórios acadêmicos online, onde buscou-se investi-
gar e correlacionar os aspectos físicos, hidrográficos, hidrogeológicos e 
sociais associados ao rio Batateiras. 
Resultados e Discussão
Contexto hidrogeológico
Na hidrogeologia do estado do Ceará, predomina-se o embasamento 
cristalino, com formações rochosas de baixa permeabilidade. No entanto, 
no litoral norte e no extremo sul cearense, encontram-se formações sedi-
mentares com potencial em recursos hídricos subterrâneos (REBOUÇAS, 
1997). Na região do Cariri, no sul do estado, localiza-se a Bacia sedimentar 
do Araripe, a maior reserva de água subterrânea do Ceará, que se destaca 
pelo potencial de qualidade e quantidade das águas. Esta é uma das prin-
cipais bacias intercratônicas da região Nordeste, tendo em sua complexa 
litoestratigrafia a ocorrência de aquíferos, aquitardos e aquicludes, e sen-
do composta por rochas sedimentares, tais como arenitos, siltitos, calcá-
rios e folhelhos, estruturadas de forma alternada, com variabilidade es-
pacial e descontinuidades (COGERH, 2009; CORDEIRO; BASTOS, 2014).
Aspectos hidrográficos
Situa-se sobre a bacia do Araripe uma das principais serras úmidas do 
estado do Ceará, a Chapada do Araripe. Em decorrência do mesoclima de 
altitude proporcionado pela chapada, a região possui características am-
bientais e climáticas que se destacam das predominantes no semiárido 
brasileiro (MOURA-FÉ, 2018). As chuvas na região possuem variabilidade 
e irregularidade interanual, com precipitação média anual de 700 mm. A 
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Sumário
estação chuvosa (dezembro a maio) concentra a maior parte das chuvas, 
mas nos meses de dezembro a janeiro ocorrem as chuvas de pré-estação 
(SILVA et al. 2021).
Nesse contexto hidrogeológico afloram as nascentes dos principais rios 
da região, que integram a sub-bacia do rio Salgado. Esta, por sua vez, per-
tence ao alto curso da bacia hidrográfica do rio Jaguaribe e possui uma 
área de drenagem que equivale a 8,25% do território cearense (12.865 km2). 
Seu principal rio, o Salgado, abrange 23 municípios, dentre eles o Crato 
(COGERH, 2019). No território cratense, a microbacia do rio Batateiras 
tem grande importância para a sub-bacia do rio Salgado, sendo uma das 
principais fontes de água para os ecossistemas, abastecimento humano e 
de áreas de lazer no município.
O rio Batateiras no desenvolvimento regional
As principais nascentes do rio Batateiras são as fontes da Batateira e 
Luanda, que surgem na escarpa superior da chapada do Araripe (MAGA-
LHÃES; OLIVEIRA, 2009). Em seu contexto morfoestrutural, o rio Bata-
teiras corre paralelamente às microbacias localizadas em áreas adjacen-
tes: a microbacia do rio Granjeiro (o seu principal afluente) e a microbacia 
do rio Saco-Lobo. Ambas seguem um curso de drenagem semiparalela 
originando dois interflúvios em Crato. A confluência desses três rios, em 
junção com o rio Salamanca no município de Barbalha/CE, formam a rede 
de drenagem do Rio Salgado (RIBEIRO, 2004).
A drenagem da microbacia no município de Crato segue um curso que 
surge nas partes mais elevadas, entre 600 e 750 metros, até cotas de 300 
metros de altitude. Isso indica que as suas nascentes se situam predomi-
nantemente nas encostas da chapada do Araripe, e o seu curso segue até 
adentrar no vale do Cariri. Devido a essa direção da drenagem, observa-
-se a origem de um grande anfiteatro,identificado pelo recuo da encosta 
onde estão os seus exutórios. Isso, por sua vez, revela o poder de erosão do 
rio sobre as encostas, que esculpiu a paisagem do vale do Cariri (RIBEIRO, 
2004; MAGALHÃES, OLIVEIRA, 2009).
Historicamente, o rio da Batateiras é tido como um dos principais con-
dicionantes da ocupação territorial do município de Crato. O uso de suas 
nascentes impulsionou o desenvolvimento econômico do município du-
rante o século XIX, onde a agricultura de cana-de-açúcar para produção 
de rapadura era a base de renda da população cratense. As suas águas 
usadas na irrigação eram essenciais na dinâmica socioeconômica, e a sua 
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Sumário
captação se dava diretamente das nascentes, dentre elas as do rio Bata-
teiras. Contudo, devido a ampliação da produção ao longo dos anos, as lo-
calidades mais próximas às nascentes usufruíam cada vez mais da água, 
enquanto a população residente em áreas mais distantes sofria com a fal-
ta do recurso, resultando em conflitos pelo uso da água na região. Esse 
panorama resultou nas leis de partilha da água naquele período (SILVA; 
LIMA, 2019; SILVA, 2019).
Outro fato histórico marcante na microbacia em questão foi a constru-
ção da primeira usina hidrelétrica do Ceará às margens do rio Batateiras, 
em 1938. Conhecida como Casa de Força da Nascente, a usina situa-se no 
balneário Nascente (SILVA, 2019). O seu funcionamento se dava devido à 
abundância das águas que corriam no rio, e hoje têm valor patrimonial 
importante. A usina representou um marco na identidade da região e con-
tribuiu para o desenvolvimento do município. Assim, a microbacia é um 
elemento hidrográfico do que guarda vestígios importantes da história da 
região (CAVALCANTI, 2019).
Atualmente, as águas do rio Batateiras esculpem dois grandes patri-
mônios naturais em Crato: a Cascata do Lameiro e o Microcânyon do rio 
Batateiras. Situada na unidade de conservação Parque Estadual Sítio Fun-
dão, a Cascata do Lameiro é uma queda d’água que brota dos afloramen-
tos formados pela resistência aos processos intempéricos e erosivos das 
rochas calcárias e areníticas e de seus de folhelhos betuminosos. Por sua 
vez, o Microcânyon do rio Batateiras, inserido no Geossítio Batateiras do 
GeoPark Araripe, é uma geoforma esculpida pela ação da água na rocha. 
Ambos são importantes pontos turístico que realçam o valor de destaque 
do rio Batateiras (SILVA; NASCIMENTO; MOURA-FÉ, 2019).
Considerações Finais
O presente trabalho abordou os principais aspectos hidrogeológicos e 
hidrográficos da microbacia do rio Batateiras – Crato/CE, que condicio-
naram o desenvolvimento da região. As condições climáticas da região, o 
contexto hidrogeológico da bacia do Araripe, associado a geomorfologia 
da chapada do Araripe impulsionaram historicamente o desenvolvimen-
to socioeconômico de Crato e da região do Cariri. Dotada de valor histó-
rico e cultural, a microbacia do rio Batateiras reúne ainda elementos na-
turais importantes para o desenvolvimento regional sustentável. Nesse 
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Desenvolvimento regional e os aspectos hidroambientais da microbacia do rio Batateiras, Crato - Ceará 
Sumário
sentido, a gestão integrada dos recursos na bacia e ações de preservação 
ambiental desempenham um papel essencial.
Referências
CAVALCANTI, R. M. M. Geossítio batateira – memórias em movimento: tramas territoriais 
e ambientais no cariri cearense. Tese (Doutorado em História) - Universidade Federal Flumi-
nense, Niterói, 2019.
COGERH. Plano de Monitoramento e Gestão dos Aquíferos da Bacia do Araripe: Estado do 
Ceará. Fortaleza: Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos - COGERH, CE, 2009.
COGERH. Comitês de Bacias Hidrográficas. Fortaleza: Companhia de Gestão dos Recursos 
Hídricos – COGERH, CE, 2019.
CORDEIRO, A. M. N.; BASTOS, F. H. Potencial geoturístico do estado do Ceará, Brasil. Revista 
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IPECE, Instituto de Pesquisa e Estratégica Econômica do Ceará. Perfil Básico Municipal de 
Crato. Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará – IPECE: Fortaleza, 2017. Dispo-
nível em: https://www.ipece.ce.gov.br/perfil-municipal. Acesso em: 25 out. 2021.
MAGALHÃES, A. O.; OLIVEIRA, V. P. V. Uso e ocupação da terra no alto curso do Rio da Batatei-
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BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA, v. 13, 2009.
MOURA-FÉ, M. M. As serras úmidas na ocupação do território cearense. Revista da Casa da 
Geografia de Sobral (RCGS), v. 20, n. 2, p. 19-29, 2018.
SILVA, M. I.; GONÇALVES, A. M. L.; LOPES, W. A.; LIMA, M. T. V.; COSTA, C. T. F.; PARIS, M.; 
FIRMINO, P. R. A.; DE PAULA FILHO, F. J. Assessment of groundwater quality in a Brazilian 
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REBOUÇAS, A. C. Água na região Nordeste: desperdício e escassez. Estudos avançados, v. 11, 
n. 29, p. 127-154, 1997.
RIBEIRO, S. C. Susceptibilidade aos Processos Erosivos Superficiais com Base na Dinâmi-
ca Geomorfológica na Microbacia do Rio Grangeiro, Crato/CE. Dissertação (Mestrado em 
Geografia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
SILVA, D. P. Análise geoambiental da sub–bacia hidrográfica do rio Batateiras no 
município de Crato – Ceará. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade 
Estadual do Vale do Acaraú, Sobral, 2019.
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Desenvolvimento regional e os aspectos hidroambientais da microbacia do rio Batateiras, Crato - Ceará 
Sumário
SILVA, D. P.; LIMA, E. C. Impactos ambientais no alto curso da sub-bacia hidrográfica do rio 
batateiras na região sul do estado do Ceará. Revista da Casa da Geografia de Sobral (RCGS), 
v. 21, n. 2, p. 1091-1103, 2019.
SILVA, J. V. M.; NASCIMENTO, R. L.; MOURA-FÉ, M. M. Inventário da geodiversidade da Re-
gião Metropolitana do Cariri (RMC): uma estratégia geoconservacionista. Revista da Casa da 
Geografia de Sobral (RCGS), v. 21, n. 2, p. 62-80, 2019.
Saneamento básico e direito à cidade: Um estudo sobre 
a micro bacia do Rio São Joaquim
Antônio de Pádua de Mesquita dos Santos Brasil1 
Pedro Ygor Monteiro e Monteiro2 
Amanda Tabita Barbosa Carvalho3 
Irlan Richard dos Santos Pinheiro4 
Resumo: Pretendeu-se neste trabalho estudar a relação entre saneamento básico e 
direito à cidade – no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientí-
fica (PIBIC) – com foco na área da microbacia hidrográfica do rio São Joaquim, locali-
zada em área densamente povoada da cidade de Belém do Pará. Teve-se como norte 
as seguintes questões: as políticas de governo têm conseguido atender às demandas 
de saneamento básico dos cidadãos que ocupam a área estudada? Que fatores dificul-
tam a gestão do saneamento básico na área de estudo? E se educação ambiental é um 
instrumento eficiente para minimizar os problemas de saneamento na microbacia? 
Quanto ao objetivo geral, buscou-se analisar a gestão do saneamento básico na área 
da microbacia, procurando estabelecer relações entre política púbica e política de go-
verno no cumprimento do direito ater direito dos cidadãos. Foi utilizada revisão bi-
bliográfica de assuntos relacionados ao tema estudado e visitação de campo, além de 
desenvolvimento de atividades. Foi averiguado a discordância entre a política pública 
e gestão do governo com relação a população local, bem como a falta de instrução por 
parte da população local sobre a forma correta de descarte de resíduos.
Palavras-chave: Saneamento Básico; Direito à Cidade; Projeto Una.
Abstract: This work intended to study the relation between basic sanitation and 
the right to the city –within the Institucional Program of Scientific Initiation Grants 
(PIBIC) - Focusing on the São Joaquim River watershed area, located in a densely pop-
ulated area of the city of Belém do Pará. The following questions were taken as a gui-
deline: have government policies been able to meet the demands of basic sanitation 
of citizens occupying the area studied? What factors hinder the management of basic 
sanitation in the study area? What if environmental education is an efficient tool to 
1 UEPA – antoniobrasil@uepa.br. 
2 UEPA – pedropedroygor@gmail.com.
3 UEPA – amandatabita1998@gmail.com.
4 UEPA – irlanrichard@gmail.com.
mailto:antoniobrasil@uepa.br
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Saneamento básico e direito à cidade: Um estudo sobre a micro bacia do Rio São Joaquim
Sumário
minimize sanitation problems in the watershed? Regarding the general objective, we 
sought to analyze the management of basic sanitation in the area of the micro basin, 
seeking to establish relations between public policy and government policy in the ful-
fillment of the right to have citizens’ right. A literature review of subjects related to 
the theme studied and field visitation was used, as well as the development of acti-
vities. It was investigated the disagreement between public policy and government 
management with respect to the local population, as well as the lack of education by 
the local population on the correct way of disposing of waste.
Keywords: Basic Sanitation, Right to the City; UNA project.
Introdução
O Ranking do saneamento das 100 maiores cidades do Brasil, com da-
dos do Ministério das Cidades disponível em seu Sistema Nacional de In-
formações sobre Saneamento (SNIS), ano base 2016, mostram que os nú-
meros nacionais avançaram, mas pouco. Os indicadores assinalavam que 
35 milhões de brasileiros (17% da população naquele ano) ainda não era 
abastecida com água potável, e que mais de 100 milhões (48% da popu-
lação) não tinha coleta de esgotos, além de que somente 45% dos esgotos 
gerados no país eram tratados. 
Em relação ao indicador de coleta de esgoto, que também avalia quanto 
da população tem acesso ao serviço, Belém (PA) figura entre os 10 muni-
cípios com maior deficiência: 12,62%; só ficando à frente em termos posi-
tivos de Manaus (AM): 10,18%; Macapá (AP): 8,91%; Santarém (PA): 4,29%; 
Porto Velho (RO): 3,39%; e Ananindeua (PA): em último lugar com 0,75%. 
(TRATA BRASIL, 2018)
No espaço urbano de Belém, os dados do saneamento apresentados são 
ainda mais preocupantes quando se considera que seu sítio é formado por 
muitas micro bacias hidrográficas, as quais acabam absorvendo a rede de 
esgoto sem tratamento e a disposição de resíduos sólidos e entulhos, se 
transformando em ambientes propícios à doenças e alagamentos. 
Metodologia
A pesquisa teve como objetivo analisar a gestão do saneamento básico 
na área da sub bacia do rio São Joaquim, procurando estabelecer relações 
entre política púbica e política de governo no cumprimento do direito a 
ter direito dos cidadãos. Para isso, a parte inicial da pesquisa trilhou pela 
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Saneamento básico e direito à cidade: Um estudo sobre a micro bacia do Rio São Joaquim
Sumário
revisão bibliográfica de estudos relacionados aos processos de formação 
da cidade de Belém, que ensejaram a problemática do saneamento básico 
na periferia da capital paraense. Em sentido mais técnico fez-se pesquisas 
em manuais de gestão de recursos hídricos, de resíduos sólidos e de tra-
tamento de esgoto. Também foram feitos levantamentos das políticas pú-
blicas voltadas para o saneamento em âmbito federal, estadual e munici-
pal; complementando-se com a história, princípios, diretrizes, objetivos, 
conceitos, e abordagens da educação ambiental. A produção de dados para 
análise ocorreu através da observação direta na área de estudo, bem como 
pela estratégia de diálogos em ambientes virtuais tais como: WhatsApp e 
google Meet, nos quais participaram representantes de catadores de resí-
duos sólidos, professores, e outros representantes da sociedade civil. 
Resultados e discussões 
Com esta pesquisa chegou-se à constatação de que o saneamento bá-
sico e o direito à cidade, no recorte estudado, estão em desacordo no que 
diz respeito à relação entre política pública e política de governo, muito 
embora a micro bacia do rio São Joaquim tenha sido contemplada pelo 
projeto de macro e micro drenagem da bacia do Una. 
O Projeto Una teve início na década de 1980, com a elaboração de estu-
dos básicos; assinatura do convênio entre o Governo do Estado do Pará 
(GEP) e a Prefeitura Municipal de Belém (PMB); e, assinatura do contrato 
de financiamento do GEP e do Banco Interamericano de Desenvolvimen-
to (BID) no início da década de 1990. Sendo que as obras e os serviços co-
meçaram a ser materializadas no primeiro semestre de 1993, e concluídas 
em 2005. 
Consta nas informações gerais, publicadas pela Companhia de Sanea-
mento do Pará – COSANPA (2006), que através das obras e serviços do Pro-
jeto Una ocorreu significativa melhoria das condições socioambientais 
dessa área, com enorme benefício para a população ali residente. Por outro 
lado, também chama-se a atenção no documento, que as melhorias aduzi-
das pelo Projeto e os benefícios delas decorrentes constituem como que 
apenas a plataforma a partir da qual aquela população poderia conquistar 
dali em diante melhores condições de vida. Observando-se com isso, que 
os objetivos do empreendimento não se encerrariam com a conclusão das 
obras de engenharia e dos serviços, pois se concebia o projeto em seu pro-
longamento no tempo a partir de sua etapa de operação e manutenção. 
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Saneamento básico e direito à cidade: Um estudo sobre a micro bacia do Rio São Joaquim
Sumário
Decorridos aproximadamente dezesseis anos de sua conclusão, a sus-
tentabilidade do Projeto Una ainda não se efetivou por completo em ter-
mos de saneamento, senão vejamos: 
As duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas, ainda não 
foram concluídas. Fato que sobrecarrega o leito do rio São Joaquim com 
despejos de dejetos, provocando forte odor e textura muito escura da água 
(ver figura 1);
Não se verifica a eficiência desejada na coleta dos resíduos sólidos, 
quando se observa nas margens do rio são Joaquim muitos pontos inade-
quados de descartes de lixo, bem como de despejos diretamente no leito. 
Figura 1 - O rio também se encontra bastante assoreado, o que denuncia falta regular de 
dragagem.
Imagens: Amanda Carvalho e Antônio Brasil
As ações comunitárias de educação ambiental não tiveram continuida-
de depois da conclusão do Projeto Una.
Todas essas constatações foram sendo evidenciadas pela comparação 
entre documentos, falas de pessoas e observações in locu. Também foi 
promovido através do PIBIC um evento on line intitulado: “Educação am-
biental e gestão de resíduos sólidos urbanos: reflexões necessárias para 
a preservação do rio São Joaquim”, no qual participarama presidente da 
Associação de Catadores de Coleta Seletiva de Belém (ACCSB); a pedagoga 
Gessiria Leão; o Prof. Dr. Antônio de Pádua Brasil, e o bolsista do PIBIC 
Ygor Monteiro. Nas reflexões dos debatedores revelou-se a falta de manu-
tenção do Projeto Una, expressas nos impactos negativos que vem sofren-
do o rio São Joaquim, bem como pela falta de consciência ambiental de 
grande parte dos moradores.
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Saneamento básico e direito à cidade: Um estudo sobre a micro bacia do Rio São Joaquim
Sumário
Considerações finais
Os resultados desta pesquisa revelam descompasso entre a política de 
saneamento brasileira (Lei nº 11.445) e as políticas de governos munici-
pais que se sucederam em mandatos a partir da conclusão do Projeto Una 
(2005). Nesse contexto, o direito à cidade como promotor, renovador e 
transformador da vida urbana (Lefebvre, 2001) não tem se mantido, tra-
zendo à tona a questão da relação entre o tipo de cidade que queremos 
com o tipo de pessoa que queremos ser (HARVEY, 2012, p. 3-4). Aqui, tanto 
governo como sociedade civil precisam caminhar juntos na formação de 
cidadãos capacitados para exercerem o direito de preservar o meio am-
biente conforme consta na Constituição Federal. 
Referências 
ABRELP. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2014. São Paulo, 2014. 
BRASIL. SENADO FEDERAL. Constituição da República Federativa do Brasil. Texto Consoli-
dado até a Emenda Constitucional nº 93 de 08 de setembro de 2016. Brasília, 2016.
BRASIL, Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Política nacional de resíduos sólidos [recurso 
eletrônico]. 2. ed. – Brasília: Câmara dos Deputados, edições Câmara, 2012. 
BRASIL. Lei 11.445, de 5 de janeiro de 2007 – Estabelece diretrizes para o saneamento básico 
e dá outras providências. 
BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Po-
lítica Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. 
HARVEY, David. Rebel cities: from the right to the city to the urban revolution. London, New 
York: VERSO, 2012.
LEVEBVRE, Henri. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001.
Eixo Temático: Educação ambiental na gestão das 
bacias hidrográficas
A Importância da Divulgação Científica no Processo de 
Implementação de Outorga e Gestão Participativa da 
Sociedade Civil
Bruna Pires dos Santos1 
Renatta Santos Serafim2 
Daniela Nogueira Soares3 
Resumo: O presente resumo visa abordar como a divulgação científica vem sendo 
cada vez mais uma ferramenta na desmistificação de muitos assuntos, podendo ser 
um forte aliado na gestão participativa dos recursos hídricos. No caso da implementa-
ção da outorga de uso de recursos hídricos, a divulgação científica pode elucidar mui-
tas dúvidas não apenas sobre os procedimentos que os usuários devem adotar para 
um melhor aproveitamento dos recursos hídricos como também sobre a importância 
da gestão desses recursos, que se mostram aparentemente em abundância, mas que 
já apresentam sinais de escassez. O trabalho foi dividido em duas etapas, na primeira 
foi realizada uma análise bibliográfica das informações quanto à divulgação científica 
sobre a água e, a partir disto, a segunda etapa elencou as possíveis contribuições ge-
radas pela divulgação científica para o público leigo, ou seja, a população que faz uso 
dos recursos hídricos. Com esse recorte, foi possível analisar o impacto da divulgação 
científica mediante os projetos analisados e assim verificar que a associação entre a 
divulgação científica e projetos de ações pode melhorar a gestão participativa no pro-
cesso de outorga.
Palavras-chave: Divulgação Científica, Outorga, Recursos Hídricos, Gestão Participa-
tiva e Sociedade Civil.
1 Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestrado Profissional Profagua - 
bruna.santos@profagua.uerj.br.
2 Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestrado Profissional Profagua - 
renatta.serafim@profagua.uerj.br.
3 Universidade de Brasília (UnB) - Professora do Mestrado Profissional Profagua - Brasília, DF 
danielanogueiracds@gmail.com.
mailto:bruna.santos@profagua.uerj.br
mailto:renatta.serafim@profagua.uerj.br
mailto:danielanogueiracds@gmail.com
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A Importância da Divulgação Científica no Processo de Implementação de Outorga e Gestão Participativa da Sociedade Civil
Sumário
Abstract: This summary aims to address how scientific dissemination has increasin-
gly been an ally in the demystification of many issues, and can be a strong ally in the 
participatory management of water resources. In the case of the implementation of 
the water resources use permit, scientific dissemination can clarify many doubts not 
only about the procedures that users should adopt for a better use of water resources, 
but also about the importance of managing these resources, which are apparently in 
abundance. , but that already shows signs of scarcity. The work was divided into two 
stages, the first was a bibliographic analysis of information regarding scientific disse-
mination about water and, from this, the second step was to list the possible contri-
butions generated by scientific dissemination to the lay public, that is, the population 
that uses water resources. With this cut, it was possible to analyze the impact of scien-
tific dissemination through the analyzed projects and thus verify that the association 
between scientific dissemination and action projects is possible to improve participa-
tory management in the granting process.
Keywords: Scientific Dissemination, Grant, Water Resources, Participatory Manage-
ment and Civil Society.
Introdução
A divulgação científica consiste em um conjunto de atividades/ações 
que objetivam difundir o conhecimento científico para públicos não es-
pecializados. Busca-se por meio da popularização da ciência aproximar 
a sociedade da academia, possibilitando construir uma sociedade mais 
consciente de seus deveres e direitos. Nesse aspecto, a outorga de uso de 
recursos hídricos, apresenta-se como um instrumento de gestão estabe-
lecido no art. X, inciso XX da Lei Federal n° 9433/1997. 
A gestão participativa dos recursos hídricos é essencial no processo de 
outorga. Essa corresponde a um importante instrumento da Política Na-
cional de Recursos Hídricos (PNRH) instituído pela Lei nº9.433 de 1997, 
possui o objetivo de garantir o controle quantitativo e qualitativo dos usos 
da água e o exercício dos direitos ao acesso à mesma. É importante que a 
população participe ativamente das tomadas de decisão para que ela con-
siga compreender seus direitos ao uso hídrico, mas isso é apenas possível 
através do conhecimento científico difundido, sem o qual fica complexo 
a sociedade civil se posicionar frente a uma problemática de gestão dos 
recursos hídricos.
Para Saldanha (2003), a água doce no Brasil está ameaçada pelo aumen-
to da população e da ocupação desenfreada do solo, do desenvolvimento 
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A Importância da Divulgação Científica no Processo de Implementação de Outorga e Gestão Participativa da Sociedade Civil
Sumário
tecnológico e industrial, que são acompanhados de erosão, desertifica-
ção, poluição e contaminação do lençol freático. Isso gera uma sobrecarga 
dos recursos hídricos provocada pela ação antrópica como, por exemplo,a agricultura, atividades industriais e uso doméstico. Logo, a gestão par-
ticipativa dos recursos hídricos baseadas no uso consciente e sustentá-
vel da bacia hidrográfica ou um conjunto de microbacias a fim de evitar 
a sua deterioração e melhorando o processo de outorga e gerenciamento 
dos recursos hídricos de forma a conceder responsabilidades e direitos 
para cada cidadão da sociedade civil é essencial. É necessário a defesa da 
prevalência dos interesses da coletividade em detrimento dos interesses 
particulares. 
Isso só ocorre quando a população tem capacidade para opinar e exigir 
que seus direitos sejam respeitados. A partir do momento que isso ocor-
re, é possível debater e determinar os usos preponderantes para uma de-
terminada bacia hidrográfica, gerenciar melhor os recursos financeiros 
advindo com a cobrança do uso dos recursos hídricos e das taxas admi-
nistrativas de outorga.
Apesar da concessão da outorga ser um ato administrativo emitido pelo 
poder público competente (Poder Executivo Federal, dos Estados ou do 
Distrito Federal), a participação dos usuários na tomada de decisão atra-
vés dos Conselhos de Recursos Hídricos (CRH) é de fundamental impor-
tância no estabelecimento da outorga, seja na delimitação das vazões de 
referência, seja nos procedimentos para a emissão da outorga, uma vez 
que as normas aplicadas são discutidas no âmbito dos CRHs. Sendo o obje-
tivo deste trabalho o levantamento das implicações da divulgação científi-
ca para implementação da outorga de recursos hídricos e a relevância para 
a gestão participativa dos usuários da sociedade civil. Tendo isso em vista, 
serão abordadas neste trabalho três projetos sobre a divulgação científica 
dos recursos hídricos e sua relevância para implantação da outorga. 
Metodologia 
Por meio de levantamento bibliográfico utilizando informações de arti-
gos científicos e documentos sobre o instrumento outorga, foi verificado a 
relevância da divulgação científica através de projetos, atividades e ações 
os impactos da divulgação científica como forma de alcançar uma gestão 
participativa e, consequentemente, avanço no processo de outorga. O pro-
cesso de outorga se dá de forma voluntária, nele o usuário procura o órgão 
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Sumário
gestor para regularizar seu uso. No entanto, a maioria dos usuários não 
têm ciência da necessidade dessa regularização devido a inúmeros fato-
res, dentre eles a falta de informações acessíveis ou mesmo informações 
incorretas. 
Foram estudados três projetos, sendo dois que trabalham a divulgação 
científica aliado aos recursos hídricos e um que visa divulgar e chamar os 
usuários de recursos hídricos para se regularizarem junto ao órgão gestor.
O primeiro projeto estudado foi o Conexões Rios do Departamento de 
Geografia no Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de 
Janeiro, o projeto atualmente atua no Colégio Estadual Carmen de Luca 
Andreiolo no município de Miguel Pereira. 
Esse projeto, coordenado pela Professora Doutora Mônica dos Santos 
Marçal, visa ações de educação e sensibilização socioambientais para a 
gestão sustentável e consciente dos rios. É voltado para a comunidade es-
colar, principalmente alunos do 6º ao 9º ano, de escolas públicas, profes-
sores e alunos funcionários. Para o processo de compreensão da impor-
tância dos recursos hídricos cria-se atividades lúdicas como, por exemplo, 
a gamificação (Figura 01) que auxilia no processo de aprendizagem dos 
alunos. Sendo esses conhecimentos adquiridos, passados para além dos 
alunos, tendo seus familiares como possíveis impactados com o projeto, 
além dos professores e funcionários envolvidos.
Figura 1: Jogo lúdico para alunos. Fonte: Conexões Rios.
O segundo projeto analisado como divulgação científica foi o projeto 
Conservador das Águas, que já possui mais de quinze anos de existên-
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Sumário
cia. Ele é desenvolvido no município de Extrema, na divisa dos Estados 
de Minas Gerais e São Paulo, inserida na bacia do Rio Piracicaba, tem 
como principal rio o Jaguari. O projeto Conservador das Águas segue a 
premissa de proteção e conservação dos recursos hídricos e do solo, sua 
implementação só foi possível devido ao apoio da Prefeitura de Extrema. 
Seus objetivos incluem o aumento da cobertura florestal nas sub-bacias 
hidrográficas e a difusão do conceito de água na bacia hidrográfica do Rio 
Jaguari. Sendo o projeto referência para todo o país e recebeu o prêmio da 
ONU/Habitat.
O terceiro projeto é o Projeto de Regularização do Uso dos Recursos 
Hídricos no Estado do Amapá: LEGAL É SE REGULARIZAR! cujo objeti-
vo é potencializar a regularização do uso da água no Estado por meio da 
difusão de informação aos usuários e envolvimento deles no comprome-
timento do uso adequado da água e a regularização do uso. O projeto é 
voltado para todos os usuários, pessoas físicas e jurídicas, que realizam 
intervenção em recursos hídricos, sejam águas superficiais ou subterrâ-
neas, como captação de água, seja lançamento de efluentes tratados para 
diluição em corpos hídricos, sejam demais formas de uso da água, como 
os usos não consuntivos. O projeto está sendo desenvolvido pelos técnicos 
da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá - SEMA/AP, tendo 
sua duração de agosto/2021 a agosto/2022. 
Resultados e Discussão
Com a análise dos projetos foi possível verificar que é de crucial impor-
tância a gestão participativa dos recursos hídricos para garantir maior efi-
ciência e eficácia do uso da água. O primeiro projeto, Conexões Rios, im-
pacta positivamente a relação da sociedade com os rios, principalmente 
na bacia do Rio Guandu, onde é seu enfoque, como é um projeto de exten-
são recente (2020) ainda não possui muitos resultados a serem discutidos. 
Já o segundo projeto Conservador das Águas, mais antigo e conhecido, 
tem como resultados recuperação de áreas degradadas e conservação dos 
recursos hídricos através do pagamento pelo serviço ambiental (PSA) aos 
proprietários de terras onde às nascentes surgem. Além da conservação 
das nascentes, há a participação ativa da população rural nas tomadas de 
decisão dos recursos hídricos e outorga, assim como educação ambiental 
nas escolas através da divulgação científica que é realizada para os mora-
dores da região.
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Sumário
Por fim, o terceiro projeto, ainda em andamento, não apresentou re-
sultados concretos, o que foi possível verificar é que os usuários, em sua 
maioria, não sabem o que é a outorga nem que há a necessidade de regu-
larização junto ao órgão gestor. A equipe da SEMA/AP, também visitou 
as prefeituras e as secretarias municipais de meio ambiente, onde teve 
várias recepções, desde positivas e negativas, com isso foi possível perce-
ber que entre os gestores municipais a temática sobre gestão dos recursos 
hídricos e outorga ainda é desconhecida ou pouco debatida.
Considerações finais
Foi constatadoa relevância dos projetos para o desenvolvimento am-
biental local e avanço na sustentabilidade e conservação dos recursos hí-
dricos. Com a divulgação científica associada às atividades e ações como 
os projetos citados é possível melhorar a gestão participativa das águas. 
No tocante ao terceiro projeto, está claro que a falta de informação sobre 
o processo de outorga é um entrave na gestão dos recursos hídricos, de-
monstrando, com os primeiros resultados, o quanto é fundamental a di-
vulgação científica para que haja avanço na sensibilização da importân-
cia da outorga de uso de recursos hídricos como instrumento de gestão 
e, consequentemente, um melhor uso desses recursos, garantindo assim, 
sua conservação para esta e gerações futuras.
Referências
ABRAPEC - Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC). 
Disponível em: http://www.abrapecnet.org.br/enpec/xi-enpec/anais/resumos/R0538-1.pdf. 
Acesso em: 15 set. 2021. 
BRASIL, Lei n° 9433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, 
cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do 
art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que 
modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.
Gestão da água e saneamento básico: reflexões sobre a participação social. Disponível em: ht-
tps://www.scielo.br/j/sausoc/a/Zc4kmfSTHx9FTTnHVdWpPXQ/?lang=pt.
Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Disponível em: http://www.inea.rj.gov.br/ar-agua-e-
solo/cerhi-rj/projetos/aguas-do-rio/. Acesso em: 20 set. 2021.
http://www.abrapecnet.org.br/enpec/xi-enpec/anais/resumos/R0538-1.pdf
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A Importância da Divulgação Científica no Processo de Implementação de Outorga e Gestão Participativa da Sociedade Civil
Sumário
Livro Projeto Conservador das Águas. Disponível em: http://www.dokuwiki.lcf.esalq.usp.br/
pedro/lib/exe/fetch.php?media=ensino:graduacao:livro_projeto_conservador_das_aguas_
web_1_.pdf . Acesso em: 20 set. 2021.
MACHADO, Carlos. J.S. Recursos Hídricos e Cidadania no Brasil: Recursos Hídricos e 
Cidadania no Brasil: Recursos Hídricos e Cidadania no Brasil: Limites, Alternativas e Desafios. 
Projeto Conexões Rios: Diálogos e Vivências entre rios e sociedade. Disponível em: http://
www.geografia.ufrj.br/conexoes-rios-dialogos-e-vivencias-entre-rios-e-sociedade/. Acesso 
em: 26 set. 2021.
Projeto Conservador de Águas. Disponível em: http://www.abc.org.br/2017/05/03/o-
conservador-das-aguas-um-projeto-a-ser-seguido/. Acesso em: 20 set. 2021.
http://www.geografia.ufrj.br/conexoes-rios-dialogos-e-vivencias-entre-rios-e-sociedade/
http://www.geografia.ufrj.br/conexoes-rios-dialogos-e-vivencias-entre-rios-e-sociedade/
http://www.abc.org.br/2017/05/03/o-conservador-das-aguas-um-projeto-a-ser-seguido/
http://www.abc.org.br/2017/05/03/o-conservador-das-aguas-um-projeto-a-ser-seguido/
A importância da educação ambiental para uma 
conscientização da conservação dos recursos hídricos
Bruna Pires dos Santos1 
 Camila Fregni Lins2 
Juliana Arraes de Aragão Villar3 
Carlos José Saldanha Machado4 
Resumo: Ao longo da história, a relação do ser humano com a água doce foi de depen-
dência porque não há vida sem o consumo desse bem que enfrenta problemas de es-
cassez de qualidade e de quantidade. Estamos, portanto, diante de um duplo desafio: 
valorizar e adotar medidas de conservação da água doce com ampliação do acesso aos 
serviços básicos de água tratada e saneamento. A necessidade de politizar e proble-
matizar a questão da água enquanto um bem econômico, isto é, um recurso hídrico, se 
faz urgente numa sociedade capitalista que defende a mercantilização desse recurso, 
evidenciando ainda mais a desigualdade presente no seu uso e consumo. Nesse con-
texto, a Educação Ambiental é essencial como abordagem voltada à conscientização 
da população acerca da importância do uso da água, dos direitos no acesso à água e 
saneamento, e como a sociedade civil organizada pode ajudar na gestão dos recursos 
hídricos. Aqui, foram analisados dois projetos de Educação Ambiental com o objetivo 
de conscientizar jovens e adultos sobre uso e conservação dos recursos hídricos, atra-
vés de um processo contínuo e integrado a outros atores da sociedade, como comitês 
de bacia, ONGs, e com parceria de órgãos municipais e estaduais. Os resultados apre-
sentados com os projetos evidenciam a importância da Educação Ambiental como 
ferramenta de mudança e divulgação de informações sobre os recursos hídricos.
Palavras-chave: Educação Ambiental; Recursos Hídricos; Conscientização e Conser-
vação.
Abstract: Throughout history, the relationship between human beings and water has 
been of dependence since there is no life without the use of this resource, which faces 
1 Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestrado Profissional Profagua bruna.san-
tos@profagua.uerj.br.
2 Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - Mestrado Profissional Profagua camila.freg-
ni@profagua.uerj.br.
3 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Departamento de Geologia julianarraes97@ufrj.br.
4 Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - Orientador do Mestrado Profissional Profagua 
carlos.saldanha@profagua.uerj.br .
mailto:brunapiresqwe@hotmail.com
mailto:brunapiresqwe@hotmail.com
mailto:brunapiresqwe@hotmail.com
mailto:brunapiresqwe@hotmail.com
mailto:brunapiresqwe@hotmail.com
mailto:julianarraes97@gmail.com
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A importância da educação ambiental para uma conscientização da conservação dos recursos hídricos
Sumário
problems of lack of quality and quantity. Therefore, we are facing a double challenge: 
valuing and adopting fresh water conservation measures with increased access to ba-
sic treated water and sanitation services. The need to politicize and problematize the 
water issue as an economic resource, is urgent in a capitalist society that defends this 
commodification, further highlighting the inequality present in its use and consump-
tion. In this context, Environmental Education is essential as an approach aimed at 
raising awareness among the population about the importance of responsible water 
use, rights to access water and sanitation, and how citizens can help in the manage-
ment of water resources. Here, two Environmental Education projects were analyzed 
with the aim of raising awareness among young people and adults about the use and 
conservation of water resources, through a continuous process integrated with other 
actors in society, such as watershed committees, ONGs, and partnership with muni-
cipal and state agencies. The results presented in the projects show the importance 
of Environmental Education as a tool for change and dissemination of information 
about water resources.
Keywords: Environmental education; Water resources; Awareness and Conservation.
Introdução
A Educação Ambiental5 (EA) consiste no processo de aprendizado e co-
municação sobre problemáticas ambientais decorrente de ações antrópi-
cas, ou não, buscando a conservação dos recursos naturais e condições de 
vida mais sustentáveis para a sociedade. A partir do que ficou conhecido 
como a “Conferência de Belgrado”, foram formulados os princípios e as 
orientações para o “Programa Internacional de Educação Ambiental”, no 
qual se estabelecem princípios para uma educação ambiental contínua, 
multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada aos interes-
ses nacionais (LORENZETTI, 2008).
A água como recurso natural essencialà vida esteve ligada ao desenvol-
vimento das civilizações com suas produções agrícolas e dessedentação 
de animais domesticados. Além da relação da água como fonte de depen-
dência fisiológica, para sobrevivência, Anderson et al. (2019) discute os 
regimes de fluxos hídricos como sistemas “sócio-ecológicos” nos quais os 
rios seriam constituídos de forma histórica, social e política.
5 A expressão environmental education foi utilizada pela primeira vez em 1965, durante uma conferência em Educação na 
universidade de Keele, na Inglaterra (LORENZETTI, 2008). A partir de então, pesquisadores da conferência concordaram 
que a Educação Ambiental deveria se tornar parte essencial da educação de todos e deixar de ser vista como essencial-
mente voltada à conservação ou à Ecologia Aplicada (DIAS, 2000).
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Sumário
O avanço da civilização industrial, com o uso extensivo das águas, tem 
expandido a poluição e a degradação dos recursos hídricos, resultando em 
escassez desse recurso em quantidade e qualidade em diversas regiões do 
mundo, com conflitos políticos e socioeconômicos associados. No Brasil, 
país dotado de uma riqueza hídrica singular, observa-se, em diversas lo-
calidades, os corpos hídricos como, por exemplo, os rios sofrendo intenso 
processo de poluição e de secas, permeado de dificuldades de gestão hí-
drica, acentuadamente no Nordeste. 
Diante dessa situação, a EA é primordial em um trabalho de conscien-
tização dos usuários e consumidores sobre a conservação dos recursos 
hídricos para a manutenção da qualidade da água para consumo humano, 
objetivando garantir o seu uso pelos presentes e futuras gerações, con-
forme previsto na Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei n° 9433, 
aprovada em 8 de janeiro de 1997), bem como no Art. 225 da Constituição 
Federal de 1988.
Para Reigota (2009), o ser humano contemporâneo dificilmente consi-
dera-se como elemento da natureza, mas separado dela, como um obser-
vador ou explorador. A Educação Ambiental, como ferramenta de estimu-
lar uma visão crítica, visa aproximar e responsabilizar o homem como 
parte integrada e atuante da natureza e, para isso, a divulgação dos sa-
beres e conceitos, assim como a aproximação das comunidades com sua 
realidade ambiental local, é necessária para garantir a defesa da proteção 
e uso consciente dos recursos hídricos.
Objetivos do trabalho 
Apresentar formas de desenvolvimento da conscientização da popu-
lação através da EA, ressaltando suas possibilidades – que são múltiplas 
– expressa na perspectiva crítica porque engloba as correntes “popu-
lar”, “emancipatória”, “transformadora” e do “Processo de Gestão Am-
biental”, além de considerar que a questão ambiental não encontra res-
postas sustentáveis em soluções reducionistas e puramente técnicas. 
Trata-se aqui de “contextualizar e politizar o debate ambiental e proble-
matizar as contradições dos modelos de desenvolvimento e de sociedade” 
(LAYRARGUES, LIMA, 2014, p. 33), enfatizando as dimensões sociais e po-
líticas como meio essencial para a (re)construção da relação do ser huma-
no com a natureza.
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Sumário
Metodologia
A Educação Ambiental pode ser feita através de palestras e dinâmicas 
educativas para jovens e adultos, objetivando compartilhar conhecimen-
tos e informações, principalmente, para moradores de regiões onde a 
água e o saneamento se apresentam como desafio político e socioambien-
tal. Num primeiro momento, o uso de questionários é utilizado como for-
ma de caracterizar o perfil dos participantes e elucidar o que significa a 
EA para cada um deles. A partir do questionário, sugerimos o uso do pro-
cedimento técnico metodológico denominado “Metodologia participativa 
de Educação Ambiental”. Dessa forma, “as premissas metodológicas, no 
processo participativo da educação ambiental, são para valorizar o indiví-
duo na sua estrutura social-natural existente, abrindo espaço para a cons-
trução de uma vida digna” (THOMAS, 2013).
Após identificado o tipo, a qualidade e a quantidade de informação que 
jovens têm de sua realidade ambiental e política local, pode-se propor a 
criação de livretos com linguagem acessível para a faixa etária. Esses li-
vretos podem contar com uma seção de jogos lúdicos e pequenos textos 
de fácil compreensão para a divulgação científica dos recursos hídricos e 
sua relevância para a realidade socioambiental local. Dois projetos de EA 
são tomados como exemplo, o Projeto do Geoparque Costões e Lagunas e 
o Projeto UÇÁ, ambos realizados no Estado do Rio de Janeiro. No primei-
ro caso, usa-se uma imagem da Hidrosfera criada pelo ilustrador Carlos 
Esquível em parceria com a professora Gisele Ferolla e a professora Kátia 
Mansur, no livreto “Os Super Feras”. A Superfera em questão representa 
a esfera da água no planeta (Figura 01), que com outros Superferas fazem 
parte da EA do Projeto do Geoparque Costões e Lagunas. A mascote em 
questão, representando a água no planeta, chama a atenção do público 
infanto-juvenil fomentando a conscientização e participação dos mesmos 
na defesa e proteção da água.
O projeto UÇÁ, que atua na região da baía de Guanabara e aborda ques-
tões sobre consumo e uso da água, trabalhou com a população a relação 
entre a qualidade e o uso da água e qualidade da população de caranguejo. 
O projeto intitulado “Formação de Multiplicadores”, capacitou monitores 
de museus que receberam a exposição “Do Mangue ao mar”, e educadores 
e pescadores, com o objetivo de capacitar os visitantes disseminando o 
conhecimento sobre o Mangue e sua importância socioecológica.
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A importância da educação ambiental para uma conscientização da conservação dos recursos hídricos
Sumário
Figura 01: Hidrosfera. Fonte: Projeto Geoparque Costões e Lagunas. Abril, 2021.
Por fim, a ação “Mundo Mangue nas escolas” surgiu a partir da preo-
cupação de evitar ações pulverizadas de EA, garantido uma ação conti-
nuada, explorando a temática socioambiental e contando com a formação 
de professores e gestores escolares, destacando as oficinas com os alu-
nos (sessão de filme, oficina de disseminação de informações ecológicas e 
oficinas de contação de histórias, oficinas de pintura, oficinas de vídeo e 
stopmotion).
Resultados Esperados
O retorno esperado com o uso do recurso metodológico livreto é posi-
tivo, uma vez que, ao analisar a repercussão de como o público-alvo reage 
a materiais lúdicos e atraentes traz uma perspectiva boa para investir em 
capacitação dos educadores e profissionais qualificados para disseminar 
o conhecimento como visto no Projeto de Geoparque Costões e Lagunas.
Já a partir das ações de Educação Ambiental apresentadas no projeto 
UÇÁ, é possível planejar diversas ações e oficinas a partir da realidade 
local das comunidades que dependem do ecossistema alvo das ações. As 
ações, então, possibilitam a integração de conceitos e conhecimentos de 
sustentabilidade à reflexão e ação cotidiana, onde será possível estimular 
o sentimento de pertencimento e evidenciar a importância da gestão par-
ticipativa na gestão de recursos hídricosocasionando mudanças no uso e cobertura da terra, e 
por consequência, pressionando os sistemas ambientais e acentuando a 
degradação e fragmentação da paisagem, refletindo diretamente na bio-
diversidade e no equilíbrio socioambiental em escala global, regional e 
local (MATEO RODRIGUEZ et al., 2017; GICHUKI et al., 2019). 
A Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (BHAT) é uma das principais 
formadoras do Pantanal brasileiro, fundamental para sua dinâmica de 
inundações. Por isso, a bacia apresenta alguns pontos elencados como 
urgentes quanto a conservação, principalmente pelo desenvolvimento de 
processos erosivos, a supressão continua da vegetação nativa (em espe-
cial após a década de 1970) e sua substituição por pastagens cultivadas e 
sua localização em um corredor ecológico (Emas-Taquari-Pantanal) im-
portante para a biodiversidade (GALDINO, 2006; FERREIRA et al., 2007). 
Desta forma, visando o diagnóstico por meio da análise integrada de seus 
aspectos físico-geográficos, o presente trabalho tem como objetivo deli-
mitar, classificar e cartografar as Unidades de Paisagem (UP) da BHAT, 
com vistas a realização do diagnostico geoecológico utilizando-se indica-
dores como: singularidade, naturalidade, diversidade, fragilidade, valores 
culturais e acessibilidade, potencialidades e possíveis restrições das ativi-
dades humanas com o enfoque racional e diversificado sobre a utilização 
dos recursos naturais e sua conservação. 
 
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Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (MS)
Sumário
Metodologia
O mapa de paisagens foi realizado seguindo os pressupostos observados 
em Ramón Puebla et al. (2009), Salinas Chávez e Rámon Puebla (2013), que 
são: 1) aquisição e organização das variáveis a utilizar (hipsometria, decli-
vidade, clima, litologia, solos e uso e cobertura da terra); 2) identificação 
e classificação das unidades morfológicas e decisão de agrupamento, di-
visão ou exclusão de determinadas unidades; 3) sobreposição dos atribu-
tos mencionados e agrupamento hierárquico em Sistema de informações 
Geográficas (SIG) ArcMap 10.3 e suas ferramentas Tabulate Area, Union 
e Field Calculator; 4) Aplicação do método de área mínima cartografada 
segundo Priego-Santander, (2008) e correção manual de inconsistências 
nos limites das unidades; 5) confecção da legenda detalhada.
Resultados e discussão
Foram delimitadas cinco UP de primeiro nível e 28 unidades de segun-
do e terceiro nível. A UP 1, relaciona-se com a “planície fluvial baixa”, na 
desembocadura para a planície do pantanal, com ocupações prioritaria-
mente ligadas às pastagens. A UP 2, “Planície erosivo-acumulativa ondu-
lada alta” ocupa grande parte da área central da bacia, ao longo do rio do 
Peixe e médio curso do Alto Taquari ao norte, médio curso do rio Jauru 
e Figueirão ao centro e médio curso do rio Coxim ao sul. Assim como a 
anterior, estão ocupadas por pastagens e ocasionalmente fragmentos for-
mações de florestal, savãnica e campestre, especialmente ao longo dos 
cursos d’água. Em UP menos abrangentes e localizadas ao Norte e Sul da 
bacia hidrográfica, como a UP 3 “Escarpe erosivo-denudativo”, nota-se a 
presença de culturas como soja, cana e floresta plantada, usos muito se-
melhantes com a UP 4 “Planalto médio erosivo-denudativo” e 5 “Planalto 
alto denudativo”, relacionando-se com o relevo pouco inclinado dos cha-
padões das Emas-Taquari e de São Gabriel do Oeste. Os resultados deta-
lhados do mapeamento das UP da BHAT estão representados pela Figura 
1 e Quadro 1.
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Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (MS)
Sumário
Figura 1: Mapa de paisagens da Bacia Hidrográfica do Alto Taquari. 
Fonte: Brito (2021).
Primeiro nível Segundo nível Terceiro nível
1 - Planície fluvial baixa (menos 
de 300 metros de altitude), com 
clima quente (temperatura média 
anual de 18º em todos os meses) 
úmido (de 1 a 2 meses secos) e 
precipitações anuais entre 1.200 e 
1.500 mm
1.1 - Parte baixa plana (0-3% de 
declividade) e menos de 200 
metros de altura, sobre depósitos 
aluvionares e arenitos, com 
neossolo quartzarênico
1.1-a com floresta estacional 
semidecidual aluvial 
1.1-b com pastagem
1.2 - Canal e plano de inundação 
em forma de U entre 200 e 300 
metros e 3-8% de declividade, 
sobre arenitos e folhelos, com 
argissolo vermelho-amarelo e 
latossolo vermelho
1.2-a com pastagem e 
formação savânica 
1.2-b com formação florestal 
e floresta estacional 
semidecidual aluvial 
1.3 - Superficie plana a muito pouco 
inclinada 3-20% de declividade, 
acumulativa de 200-300 metros 
de altura, sobre arenitos e 
folhelos, com latossolo vermelho, 
neossolo quartzarênico e argissolo 
vermelho-amarelo
1.3-a com pastagem e 
formação savânica 
1.3.b com formação florestal 
e floresta estacional 
semidecidual aluvial e 
algumas áreas de floresta 
plantada 
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Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (MS)
Sumário
Primeiro nível Segundo nível Terceiro nível
2 - Planície erosivo-acumulativa 
ondulada alta (entre 300 e 500 
metros de altitude) com clima 
quente e subquente (temperatura 
entre 15 e 18º em pelo menos 1 mês) 
úmido (de 1 a 2 meses secos) e 
precipitações anuais entre 1.300 e 
1.600 mm
2.1 - Canais e plano de inundação 
em forma de U de 3-20% de 
declividade, sobre arenitos, com 
neossolo quartzarênico e argissolo 
vermelho-amarelo
2.1-a com formação florestal 
e floresta estacional 
semidecidual aluvial e 
submontana, pastagem e 
formação savânica 
2.2 - Bañados 200-300 metros 
e declividade de 3-20%, sobre 
arenitos y depósitos aluvionares, 
com neossolo quartzarênico
2.2-a com floresta estacional 
semidecidual aluvial e 
formação florestal
2.2-b com pastagem e 
formação savânica 
2.3 - Encostas muito pouco 
inclinadas a inclinadas de 3-45% 
de declividade, sobre arenitos 
e folhelhos, com neossolo 
quartzarênico e argissolo 
vermelho-amarelo
2.3-a com pastagem (soja) 
2.3-b com formação 
florestal, floresta estacional 
semidecidual aluvial e 
submontana e formação 
savânica (soja) 
2.4 - Interflúvios planos a muito 
pouco inclinados 3-20%, sobre 
arenitos e folhelhos, com neossolo 
quartzarênico, latossolo vermelho 
e argissolo vermelho-amarelo.
2.4-a com pastagem 
2.4-b com formação savânica 
e florestal e floresta 
estacional semidecidual 
aluvial 
2.4-c com soja e em ocasiões 
de cana-de-açúcar
3 - Escarpe erosivo-denudativo 
(entre 500 e 600 metros de 
altitude) com clima quente e 
subquente (temperatura entre 15 e 
18º em pelo menos 1 mês) úmido (de 
1 a 2 meses secos), e precipitações 
anuais entre 1.300 e 1.600 mm
3.1 - Canais em forma de V de 3-45% 
de declividade, sobre arenitos 
e afloramentos ocasionais de 
basaltos, com argissolo vermelho-
amarelo e neossolo quartzarênico
3.1-a com pastagem, 
formação savânica e florestal 
e em ocasiões de soja 
3.2 - Encostas medianamente 
inclinadas (3-20% de declividade), 
sobre arenitos, folhelhos 
e afloramentos ocasionais 
de basaltos, com neossolo 
quartzarênico, latossolo vermelho 
e argissolo vermelho-amarelo
3.2-a com pastagem e em 
ocasiões floresta plantada 
e floresta estacional 
semidecidual 
3.2-b com formação savânica 
e florestal 
3.2-c com soja e cana-de-
açúcare conservação de recursos natu-
rais e ecossistemas. 
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A importância da educação ambiental para uma conscientização da conservação dos recursos hídricos
Sumário
A Educação Ambiental continuada é essencial para garantir tanto a 
autonomia das comunidades quanto a divulgação do conhecimento e as 
ações de intervenção, contribuindo para que as atividades sejam alinha-
das sempre à realidade e necessidade local das comunidades que depen-
dem do ecossistema e os recursos hídricos presentes nele.
Considerações finais 
Para uma EA como fator conscientizador sobre recursos hídricos, é es-
sencial a capacitação de professores, gestores educacionais e outros in-
divíduos envolvidos no processo educativo, em parceria com a academia 
e demais esferas, como comitês de bacias, ONGs, e órgãos municipais e 
estaduais, que se comprometem com a qualidade da água e o direito ao 
saneamento para toda sociedade.
Posto que a água deve ser um direito de todos, o investimento na educa-
ção ambiental para a conscientização das pessoas é uma alternativa viável 
e interessante para disseminar o conhecimento científico e estimular o 
senso de responsabilidade de toda sociedade, assim como enfatizar a im-
portância de uma gestão participativa, como forma de garantir o acesso 
universal aos recursos hídricos. Dessa forma, as ações de EA apresenta-
das, através da análise dos dois projetos escolhidos, estão voltadas para 
que o conhecimento e as informações ecológicas e sociais sejam compar-
tilhadas, visando o bem-estar de comunidades, como agentes protetores 
dos recursos naturais do planeta, e a conservação da natureza.
Referências
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Wiley Interdisciplinary Reviews: Water, v. 6, n. 6, p. e1381, 2019.
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Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Lei nº 9.433/1997. Instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos. Diário Oficial 
da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 09 jan. 1997. 
DEMOLY, K. R. do A; SANTOS, J. S. B. dos. Aprendizagem, educação ambiental e escola: Mo-
dos de En-agir na experiência de estudantes e professores. Ambiente & Sociedade, São 
Paulo , v. 21, e00872, 2018.
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A importância da educação ambiental para uma conscientização da conservação dos recursos hídricos
Sumário
DIAS, G. F. Educação Ambiental, princípios e práticas. São Paulo: Gaia. 1992 Geoparque 
Costões e Lagunas do Rio de Janeiro. c2021. Página Inicial. Disponível em: 
LAYRARGUES P. P.; LIMA, G. F. C. As macrotendências político-pedagógicas da Educação 
Ambiental brasileira. Ambiente & Sociedade, [S.l.], p. 23-40, 2014.
LORENZETTI, L. et al. Estilos de pensamento em Educação Ambiental: uma análise a par-
tir das dissertações e teses. 2008. Tese de Doutorado em Educação Científica e Tecnológica, 
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.
NUVOLARI, Ariovaldo. Dicionário de Saneamento Ambiental. Oficina de Textos. 2013
Projeto UÇÁ. c2021. Página Inicial. Disponível em: http://projetouca.org.br.
THOMAS, S. Metodologia Participativa Em Educação Ambiental: impactos sobre as comu-
nidades urbanas. Terceira Margem Amazônia, v. 1, n. 3, 2013.
http://projetouca.org.br/
Museu de Ciências Ambientais Mundo Livre: 
Estratégias de Educação Ambiental Aplicadas as Bacias 
Hidrográficas
Giovanna Azevedo de Moura Venâncio1 
Luis Henrique da Silva Uchôa2 
Larissa de Pinho Aragão3 
Edson Vicente da Silva4 
Resumo: O Projeto de Extensão Museu de Ciências Ambientais Mundo Livre do La-
boratório de Geoecologia da Paisagem e Planejamento Ambiental, vinculado ao De-
partamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, desenvolve atividades de 
Educação Ambiental (EA) e divulgação científica voltados para a educação formal e 
informal desde sua criação em 2002. Mesmo no atual contexto da pandemia, o proje-
to vem realizando suas atividades de forma remota e, quando necessário, presencial, 
com foco na revitalização do acervo museológico do projeto para posterior uso em ati-
vidades de EA, e fomentar debates sobre a preservação, conservação e uso consciente 
dos recursos naturais e desenvolvimento sustentável, especialmente em regiões hi-
drográficas, e incentivar o pensamento crítico sobre essas temáticas. As atividades 
das ações extensionistas são preparadas com o propósito de incentivar a curiosidade 
do público pelo conteúdo, e para isso são produzidos materiais de divulgação cientí-
fica, como slides, videoaulas objetivas e jogos educativos, de forma a fugir do sistema 
educacional sistematizado, conectando áreas diversas do conhecimento científico. 
No contexto da pandemia de COVID-19, nunca foi tão imperativo a discussão acerca 
das temáticas ambientais e da importância de sua preservação, especialmente das ba-
cias hidrográficas, que são ecossistemas complexos e importantes para o equilíbrio 
biológico, químico e geológico, assim como para fins econômicos, e que os educadores 
ambientais sejam multiplicadores no que tange a geração de conhecimento sobre o 
papel da comunidade na gestão sobre os recursos naturais.
Palavras-chave: divulgação científica; gestão de recursos hídricos; museu de ciên-
cias; sustentabilidade.
1 Universidade Federal do Ceará - gioamvenancio@gmail.com.
2 Universidade Federal do Ceará - silva.uchoa@alu.ufc.br.
3 Universidade Federal do Ceará - larissaaragao@gmail.com.
4 Universidade Federal do Ceará - cacauceara@gmail.com.
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Sumário
Abstract: Mundo Livre Environmental Science Museum Extension Project of the 
Laboratory of Landscape Geoecology and Environmental Planning, linked to the De-
partment of Geography of the Federal University of Ceará, activities of Environmental 
Education (EA) and scientific dissemination aimed at conventional and non-conven-
tional education since its creation in 2002. Even in the current context of the pande-
mic, the project has been carrying out its activities remotely and, when necessary, in 
person, with a focus on revitalizing the project’s museum collection for later use in 
environmental education activities, and fostering debates on the preservation, con-
servation and conscientious use of natural resources and sustainable development, 
especially in hydrographic regions, and to encourage thinking about these themes. 
The activities of extension actions are prepared with the purpose of encouraging the 
public’s curiosity for the content, and for this they are scientific dissemination mate-
rials, such as slides, objective video classes and educational games, in order to esca-
pe the systematized educational system, connecting different areas of the scientific 
knowledge. In the context of the COVID-19 pandemic, the discussion about environ-
mental issues and the importance of their preservation has never been so imperative, 
especially of river basins, which are complex and important ecosystems for the bio-
logical, chemical and geologicalbalance, as well as for purposes economic, and that 
environmental educators be multipliers with regard to the generation of knowledge 
about the role of the community in the management of natural resources.
Keywords: scientific divulgation; science museum; sustainability; water resources 
management.
Introdução
Com o aumento da população mundial, também aumenta a demanda 
por matéria prima para a produção de diversos tipos de produto, desde 
produtos eletrônicos até alimentícios, o que vai contra a biocapacidade de 
suporte e renovação do nosso planeta, que necessita de muito mais tem-
po do que nós fornecemos para que ele se renove e possamos novamente 
explorar seus recursos. A biocapacidade, segundo a WWF (World Wide 
Fund for Nature), é a capacidade que os ecossistemas possuem de produ-
zir ou prover matéria, orgânica ou inorgânica, para utilização humana, e 
absorverem os resíduos – gerados direta ou indiretamente – pela huma-
nidade, usando as atuais formas de manejo do solo e tecnologias de ex-
tração. Nossos ecossistemas não são capazes de acompanhar a ocupação 
desenfreada de seus espaços por conta da crescente urbanização, e uma 
das regiões que mais sofre com isso são as regiões hidrográficas. 
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Sumário
Segundo a Divisão Hidrográfica Nacional, instituída pelo Conselho Na-
cional de Recursos Hídricos (CNRH), temos doze Regiões Hidrográficas 
em nosso país, tendo como definição para o termo “bacias, grupo de ba-
cias ou sub-bacias hidrográficas próximas, com características naturais, 
socais e econômicas similares”, e tal critério é usado afim de orientar o 
planejamento dos recursos hídricos em todo o nosso país. Quando fala-
mos de bacia hidrográfica, associamos à noção da existência de nascen-
tes, divisores de águas e características dos cursos de água, principais e 
secundários (REDE DAS ÁGUAS, 2010).
As bacias hidrográficas são unidades de estudo em muitas áreas do 
conhecimento e nos permitem identificar aspectos físicos, como tipo e 
uso do solo, relevo e geologia, vegetação e fauna, assim como a ocupação 
humana, dando margem para que se realize um diagnóstico da situação 
ambiental local e subsidiando ações adequadas para a gestão dos recur-
sos hídricos. As bacias também nos permitem ter acesso ao histórico am-
biental do local, propiciando uma visão holística dos fatores naturais e 
antrópicos que são causadores de transformação ambiental. A influência 
antrópica nos ecossistemas é mais evidente quando realizamos uma aná-
lise a nível local, negligenciando uma visão holística da atual situação das 
bacias hidrográficas e não transparecendo o real impacto e responsabi-
lidade do indivíduo ao nível de sua comunidade, de seu país e de nosso 
planeta. (CARLETTO & OLIVEIRA, 2017)
A relação entre o homem e os rios é milenar, desde a origem das civi-
lizações. Após o desenvolvimento da agricultura, a humanidade buscou 
abrigo próximos de rios e lagos na busca de água potável e terras mais 
férteis (FABER, 2011).  Mas muito antes do surgimento da agricultura, os 
ancestrais do homem moderno já preferiam habitar as regiões costeiras 
e próximas a mananciais de água doce, e acredita-se que os primeiros 
agrupamentos humanos tenham sido formados por pescadores. Há um 
benéfico unilateral da parte da humanidade em habitar regiões próximas 
à água, pois além de ser vital para nossa sobrevivência e de toda a vida 
orgânica do planeta, possui também um valor sociocultural, ao qual es-
tão atrelados crenças, costumes e tradições de milhares de povos, mui-
tos já extintos, mas que possuem seus ensinamentos sendo transmitidos 
até hoje por meios culturais. Com o advento da tecnologia, a necessida-
de de viver próximo as fontes d’água não é mais a realidade grande parte 
da população, e os rios e lagos que outrora foram fontes de prosperidade 
passou a ser depredado de modo corriqueiro no dia a dia moderno, o que 
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Sumário
aumenta o estado de degradação dos mesmos, prejudicando tanto as co-
munidades de seu entorno, como a fauna e flora que dele dependem.
A Educação Ambiental (EA) possui uma larga trajetória no território 
nacional, e sua história foi traçada por educadores de outras épocas, que 
exigiam políticas educacionais voltadas para o meio ambiente, como Ge-
nebaldo Freire Dias em suas primeiras edições em 1989, transitando pela 
Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA, Lei nº. 9795, de abril de 
1999) e pelas primeiras mudas, com as primeiras demandas por formu-
lação de metodologias e disseminação de ideias que chegariam em solos 
férteis e, hodiernamente, já enraizadas, necessitariam de podas; em ou-
tras palavras, adequações às modernidades, e no atual contexto de gestão 
das bacias hidrográfica, se faz mais do que necessário a integração de ati-
vidades de EA atreladas ao uso consciente dos recursos hídricos.
Metodologia
Segundo Aretio (1994), o ensino a distância (EaD) funciona como um 
sistema tecnológico de comunicação bidirecional e que pode ser massivo 
e substituir a interação pessoal que ocorreria em sala de aula de profes-
sor-aluno, que é o meio preferencial de ensino nas instituições de ensino 
de todo o mundo, pela ação sistemática de diversos recursos tecnológi-
cos didáticos, com o auxílio de um sistema organizacional e de tutoria que 
propiciem a aprendizagem dos alunos de forma independente e flexível.
O Museu de Ciências Ambientais Mundo Livre (MML) dispõe de cinco 
exposições permanentes de matrizes do manguezal, indígena, africana, 
fósseis, rochas e minerais, além de outras peças e artefatos. Os passeios 
de visitação ao espaço físico do museu estão suspensos desde 2020 por 
conta da pandemia de COVID-19, porém as atividades extensionistas 
continuaram. São desenvolvidos jogos, videoaulas, cartilhas e diversos 
outros conteúdos para as redes sociais com o objetivo de realizar divul-
gação científica.
Primeiro, são escolhidos quais temas serão o foco das ações de exten-
são, no caso do MML, foram a fauna e flora do Estado do Ceará e suas re-
lações com o meio natural e antrópico. Após o tema ser selecionado, são 
produzidos roteiros a serem seguidos para a produção de slides, jogos ou 
cartilhas, utilizando o software Microsoft PowerPoint, da Microsoft Offi-
ce®, e o Adobe Photoshop e Adobe Illustrator, ambos da Adobe. Todos os 
materiais produzidos serão, posteriormente, disponibilizados nos sites 
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Sumário
institucionais ligados ao projeto e nas plataformas de vídeo online para 
acesso por toda a comunidade.
Resultados e Discussão
A crise ambiental que enfrentamos na atualidade coloca em pauta a ne-
cessidade de darmos bases sustentáveis ao processo econômico, visando 
controlar e reverter os custos ecológicos dos padrões de produção e con-
sumo e seus efeitos na deterioração ambiental e na qualidade de vida das 
maiorias (LEFF, 2006).
O foco de um projeto educativo deve ser a EA mesmo quando a proble-
mática tratada não for relacionadaaos problemas ambientais, propician-
do que a educação e a gestão ambiental caminhem juntas, visando o de-
senvolvimento socioambiental (VALENTI, 2018). Assim, os esforços que 
os educadores que trabalham com EA devem se concentrar em fomen-
tar o desenvolvimento crítico acerca das problemáticas socioambientais, 
e em conjunto devem ser aplicados os novos métodos de ensino que fa-
zem uso das novas tecnologias de informação para facilitar e estimular a 
busca por tal conhecimento. Entretanto, para que possamos dizer que tal 
método é realmente efetivo, precisaríamos ignorar a ideologia científica e 
tecnológica a qual permeia a educação, e também desconsiderar a relação 
pedagógica que é o cerne acadêmico (PINHO JÚNIOR, 2014).
Atrelado a isso, há a falta de estrutura e de preparo nos casos de ins-
tituições que adotaram de forma repentina o sistema de EAD por conta 
das normas de distanciamento. Partindo do objetivo do encurtamento da 
distância entre o conhecimento e os que o almejam, o sistema de aprendi-
zado móvel se torna uma ferramenta muito útil, porém não ideal para ser 
utilizado em tempo integral para a formação acadêmica em nenhum dos 
campos da ciência por conta da sua falta de aplicabilidade e eficiência.
Considerações Finais
No contexto da atual pandemia de COVID-19, as atividades extensio-
nistas estão restritas, em sua grande maioria, ao meio remoto e virtual, 
o que impossibilita temporariamente a visita de escolas e outros grupos 
ao local físico do museu, assim como a ida dos bolsistas de extensão a ins-
tituições de ensino para aplicar as atividades de EA planejadas. Porém, 
isso não força o fim ou paralização da produção de materiais educativos, 
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Sumário
mas sim uma adaptação do sistema educacional, formal e informal, para 
o atual período de distanciamento. Também devemos entender que o ato 
de ensinar não é sinônimo de transferir conhecimento do educador para 
o educando, mas sim uma forma de propiciar a busca por respostas de 
questionamentos que surgem a partir do surgimento de um pensamen-
to crítico, criando possibilidades para a produção e construção de seu 
próprio conhecimento (FREIRE, 1996), e que é partir desse pensamento 
que devem ser pautadas as discussões sobre as temáticas ambientais e da 
importância da preservação e boa gestão dos recursos naturais, especial-
mente no que tange as bacias hidrográficas, que abrigam ecossistemas 
complexos e que alterações mínimas já teriam consequências negativas 
no âmbito social, econômico e, principalmente, no ambiental, com a per-
da de características da fauna e flora nativa. Logo, o que se espera é que os 
educadores ambientais sejam multiplicadores no que tange a geração de 
conhecimento sobre o papel da comunidade na gestão sobre os recursos 
naturais, fazendo com que a população seja ativa e contribua nas tomadas 
de decisões que interferem no meio em que vivem.
Referências
ARETIO, L. G. Investigar para Mejorar la Calidad de la Universidad. Madri: UNED, pp. 607, 
1997.
CARLETTO, D. L.; OLIVEIRA, T. M. N. Educação ambiental e sustentabilidade: a Pegada 
Ecológica na Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira, Joinville, SC. Acta Biológica Catarinen-
se, Joinville -SC, v. 4, n. 3, p. 136-144, out./dez. 2017.
FABER, M. A importância dos rios para as primeiras civilizações. História Ilustrada, v. 2, 
2011.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25 ed. São Pau-
lo: Paz e Terra, 1996.
LEFF, H. Racionalidade ambiental: a reapropriação social da natureza. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira; 2006. 555 p.7
BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a 
Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Programa Nacional de 
Educação Ambiental. Brasília/DF: Ministério do Meio Ambiente, 1999. BRASIL.
PINHO JÚNIOR, S. R.; ASSIS, P. S.; LACERDA, F. K. D.; OLIVEIRA, A. N. A extensão universi-
tária em um polo de educação a distância: o caso de Nova Friburgo/RJ. EaD em Foco, v. 4, 
n. 1, 25 maio 2014.
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Sumário
Rede das Águas. Disponível em: http://www.rededasaguas.org.br/. Acesso em: 20 maio 2010.
VALENTI, M. Diferença entre educação e gestão ambiental. FubáZine, 2018. Disponível em: 
https://www.fubaea.com.br/post/educa%C3%A7%C3%A3o-e-gest%C3%A3o-ambiental. Aces-
so em: 19 set. 2021.
World Wide Fund for Nature. WWF Brasil. Pegada Ecológica Global. Disponível em: https://
www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_ecologica_global/. 
Acesso em: 29 set. 2021.
Eixo Temático: Bacia Hidrográfica no Ensino de Geografia
Material didático para conservação ambiental a partir do 
ensino de bacia hidrográfica no Estado de Goiás 
Laís Rorigues Campos1 
Helci Ferreira Ramos2 
Resumo: Este trabalho tem por objetivo apresentar e discutir sobre produção de um 
material didático para a conservação ambiental a partir do ensino de bacia hidrográ-
fica no estado de Goiás. Nesse contexto apresentaremos o processo de elaboração de 
uma cartilha sobre o recurso natural água e as bacias hidrográficas do estado de Goiás 
para trabalhar com alunos de escolas particulares e públicas. No percurso metodoló-
gico realizamos um estudo de natureza qualitativa com levantamento bibliográfico e 
de dados sobre recursos hídricos. Como resultados destacamos, a divulgação e uso do 
material por professores de várias escolas que atuam com ensino fundamental I. 
Palavras-chave: material didático; bacia hidrográfica; recursos hídricos; ensino; 
Abstract: this work aims to present and discuss the production of educational ma-
terial for environmental conservation from the teaching of watershed in the state of 
Goiás. State of Goiás to work with students from private and public schools. In the 
methodological path, we carried out a study of a qualitative nature with a bibliogra-
phic and data survey on water resources. As a result, we highlight the dissemination 
and use of the material by teachers from several schools that work with elementary 
education I.
Keywords: courseware; hydrographic basin; water resources; teaching.
Introdução
Atualmente dentre os objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Or-
ganização das Nações Unidas (ONU) está a preocupação com a água no pla-
neta Terra. Por isso, tornou-se cada vez mais relevante abordar a temática 
dos recursos hídricos na escola. Nesse aspecto, iremos apresentar a elabo-
1 CEPAE-UFG, laisrodrigues@ufg.br. 
2 PPGEO- UFG, helciifg@gmail.com. 
mailto:laisrodrigues@ufg.br
mailto:helciifg@gmail.com
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Sumário
ração e aplicação da cartilha “Água: Patrimônio da Humanidade” enquanto 
um material didático desenvolvido no âmbito do projeto interdisciplinar 
“projeto de pesquisa e extensão vinculado aos Planos de Bacias dos Afluen-
tes do Paranaíba do Estado de Goiás (PBAP-GO), da Universidade Federal 
de Goiás em parceria com Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desen-
volvimentoSustentável (SEMAD Goiás) e com apoio das Secretarias Muni-
cipal de Goiânia e Estadual de Goiás, com objetivo de apresentar e discutir 
sobre a produção desse material didático para a conservação ambiental a 
partir do ensino de bacia hidrográfica no estado de Goiás.
Para tanto, foram realizadas algumas etapas metodológicas de constru-
ção desse material para atender o público de alunos de seis a dozes anos 
de idade de escolas particulares e públicas do estado de Goiás. Nesse caso, 
tivemos como elemento central de abordagem a bacia hidrográfica vista 
como recorte físico-territorial para trabalhar a temática Água no ensino 
fundamental I, em acordo com as atuais orientações curriculares para 
essa etapa. 
Portanto, este texto apresenta, no primeiro momento o processo de ela-
boração da cartilha e seus objetivos didáticos, no segundo momento a me-
todologia desse trabalho educativo desenvolvido, no terceiro momento os 
resultados e discussões referentes ao uso e divulgação do material e por úl-
timo as considerações finais acerca dos principais resultados alcançados. 
A Cartilha “Água: Patrimônio da Humanidade”: material didático para o 
trabalho educativo com bacia hidrográfica
A produção de materiais didáticos para o ensino na Educação Básica 
tem papel fundamental para alcançar objetivos de aprendizagem com os 
alunos sobre diferentes temáticas. Desse modo, o professor tem função 
essencial no processo de mediação didática de conteúdos escolares. Por 
isso, destacamos que a escola possui uma cultura material que faz uso de 
diferentes saberes, significados e representações de diversos campos dis-
ciplinares. Assim, 
Cultura material, então, não é algo para ser contemplado nos-
talgicamente, mas indício de práticas humanas e suas variações, 
entre a prescrição e as apropriações. No caso aqui abordado a 
cultura material escolar interessa na medida em que ali estão 
inscritas as possibilidades de práticas, de usos dos objetos, com 
fins educativos, o que permite averiguar os conteúdos discipli-
nares ministrados, a metodologia empregada, as atividades rea-
lizadas etc. (MUNAKATA, p. 134, 2016)
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Sumário
Nesse contexto, surge a importância da elaboração de materiais didáti-
cos que contemplem o ensino de componentes físico-naturais do espaço 
geográfico, como hidrografia, no sentido de ampliar o trabalho com práti-
ca de ensino que articule conceitos e conteúdos geográficos. Nessa pers-
pectiva, reforçamos, 
[...]concepção de que não há separação entre Geografia Física e 
Geografia Humana na Educação Básica, mas Geografia, defen-
demos que os componentes físico-naturais são constituintes do 
espaço geográfico, portanto, trabalhá-los nessa perspectiva evi-
dencia que há interação, interdependência, indissociabilidade 
entre os diversos componentes. Significa considerar ainda que 
o relevo, as rochas, a hidrografia, o clima, dentre tantos outros, 
como componentes físico-naturais do espaço geográfico, trazem 
consigo a ideia de que a análise que propomos é a da espacialida-
de de um fenômeno, e não o estudo isolado de um componente 
espacial. Portanto, a análise geográfica deve ser conduzida con-
siderando a relação sociedade-natureza. (MORAIS; ASCENÇÃO, 
p. 18, 2021)
Diante dessa realidade, foi elaborada uma cartilha intitulada “Água: 
Patrimônio da Humanidade” (figura 01) para professores atuarem com 
alunos de seis a dozes anos de idade, do ensino fundamental I de esco-
las particulares e públicas do estado de Goiás, com o objetivo de discutir 
a importância do recurso natural água para a conservação ambiental a 
partir do estudo de bacia hidrográfica. Assim, “buscou-se, com a bacia hi-
drográfica, uma possibilidade de alcançar um ensino e aprendizagem que 
integre os elementos sociais e naturais” (BORGES, 2018, p.50)
Esse material foi construído com linguagem lúdica e com reflexões so-
bre a conservação de recursos hídricos e informações sobre informações 
sobre a distribuição da água no planeta e no corpo humano, sobre os es-
tados e ciclos da água, os elementos das bacias hidrográficas e os rios do 
estado de Goiás.
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Sumário
Figura 01: capa da cartilha
Fonte: autores
Desse modo, buscamos com figuras, mapas e outros tipos de represen-
tações auxiliar professores com orientações metodológicas do conteúdo 
de hidrografia conforme aponta o documento curricular Base Nacional 
Comum Curricular sobre as orientações dos atuais objetos de aprendiza-
gem para os Anos Iniciais do Fundamental.
Metodologia
O rumo desse trabalho está expresso nos referenciais de orientação 
teórico-metodológico que fundamentam as etapas de elaboração de uma 
pesquisa educativa. Desse modo, “a metodologia inclui simultaneamente 
a teoria da abordagem (o método), os instrumentos de operacionalização 
do conhecimento (as técnicas) e a criatividade do pesquisador (sua expe-
riência, sua capacidade pessoal e sua sensibilidade)” (MINAYO, p. 14, 2012).
Nesse caso, o problema formulado e o objeto investigado fazem parte de 
um nível de realidade que não pode ser quantificada, o que acaba por re-
velar uma abordagem qualitativa de investigação, visto que, “o objeto não 
é um dado inerte e neutro, está possuído de significados e relações que os 
sujeitos concretos criam em suas ações” (CHIZZOTTI, p. 79, 2010).
Na pesquisa de natureza qualitativa, como o pesquisador emerge nos fa-
tos e fenômenos pesquisados são necessários um conjunto de etapas que 
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Sumário
auxiliam o processo investigativo. Assim, foram realizados estudos biblio-
gráficos e levantamentos sobre a temática da água e de referenciais sobre 
bacia hidrográfica, além da coleta de dados em site específicos construin-
do uma base de dados para construção de produto cartográfico. 
Alguns pilotos foram realizados para fazer ajustes no material didático 
produzido, reuniões e estudos com pesquisadores da área para melhor 
aprofundamento sobre a temática investigada e abordada na cartilha. 
Após, essas etapas foi realizado o registro e catalogação pela Biblioteca da 
Universidade Federal de Goiás. 
Resultados e Discussão
Os principais resultados dessa produção estão relacionados ao alcance 
do processo de ensino, pesquisa e extensão. Verificamos que após as téc-
nicas de elaboração e o processo de divulgação, o material didático digital 
elaborado (cartilha) chegou nas escolas da rede municipal de Goiânia e 
estaduais de Goiás para uso dos professores com os alunos dos Anos Ini-
ciais do Ensino Fundamental I. Desse modo, alcançamos esse objetivo a 
partir da parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia e 
com a Secretaria Estadual de Educação de Goiás. 
Considerações Finais
Diante dos dados coletados após a produção do material, dos contatos 
com mais de cem professores que participaram da ação do projeto em ge-
ral e com a divulgação nas redes sociais, nos jornais e programas de TV, 
concluímos que toda essa proposta elaborada para proporcionar umadis-
cussão educativa sobre o uso da água a partir do ensino de bacia hidrográ-
fica, obteve impacto positivo quando alcançou os espaços escolares e os 
meios de comunicação da sociedade. 
Referências
BORGES, Mavistelma T. C. A Construção de Conceitos no Ensino de Geografia por meio do 
trabalho de Campo em Bacia Hidrográfica. (Dissertação de Mestrado) Programa de Pós-gra-
duação em Geografia. Universidade Federal de Goiás, 2018.
CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, 2010.
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Material didático para conservação ambiental a partir do ensino de bacia hidrográfica no Estado de Goiás 
Sumário
MORAIS, Eliana. M B. ASCENÇÃO, Valéria Roque. Uma questão além da semânti-
ca: investigando e demarcando concepções sobre os componentes físico-naturais no 
Ensino de Geografia. Boletim Goiano de Geografia. 2021. 
MINAYO, M. C. de L. (org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 
2012.
MUNAKATA, kazumi. O livro didático como indicio da cultura escolar. Hist. Educ. 
(online) Porto Alegre v. 20, n. 50, Set./dez., 2016.
Eixo Temático: Pesquisas aplicadas em bacias 
hidrográficas 
Análise temporal do uso e cobertura da terra na 
sub-bacia hidrográfica do Córrego Taquaral, Município 
de Goiânia - GO, entre os anos de 1985 e 2020
Marcelo Torres Borges1 
Flávia Gomes de Souza2 
Waisten Resende Carrijo3 
Resumo: A determinação do uso e cobertura da terra em bacias hidrográficas é cons-
tituído numa importante ferramenta e subsídio à orientação e tomada de decisão por 
parte do poder público. O objetivo desta pesquisa foi analisar a dinâmica temporal 
do uso e ocupação da terra na Sub-Bacia Hidrográfica do Córrego Taquaral, Goiânia 
- GO, a partir de dados da coleção v.6.0 do Projeto MapBiomas Brasil, entre os anos 
de 1985 e 2020. Os dados adquiridos foram introduzidos no software de Sistema de 
Informações Geográficas (SIG) chamado de QGIS (versão estável 3.16.11), para serem 
analisados quantitativamente, valendo-se dos seus algoritmos. Observou-se que as 
áreas ocupadas com a classe temática área urbanizada apresentaram uma elevada ex-
pansão dando um salto de 7,14 km², em 1985, para 21,25 km², em 2020, representando 
um aumento de 197,64 %, em relação a área da sub-bacia. Enquanto áreas da classe 
pastagem sofreu grande diminuição, pois no ano de 1985, tinha representatividade de 
15,35 km², e em 2020, teve um decréscimo para 2,05 km², uma supressão de 86,64%. 
O aumento expressivo da classe de área urbanizada em detrimento da supressão de 
outras classes, explica mesmo que de maneira preliminar que nos últimos 35 anos 
houve um aumento da expansão urbana e consequente maior grau de antropização 
da sub-bacia.
Palavras-chave: Análise Temporal; Sistema de Informações Geográficas; Uso e 
Cobertura da Terra.
1 Programa de Pós-Graduação em Engenharias, Universidade Federal de Goiás, marcelotb22@
gmail.com.
2 Programa de Pós-Graduação em Geologia, Universidade de Brasília, flaviasouza@ufg.br.
3 Graduação em Ciências Ambientais, Universidade Federal de Goiás, waistenrc@gmail.com.
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Análise temporal do uso e cobertura da terra na sub-bacia hidrográfica do Córrego Taquaral, Município de Goiânia - GO, 
entre os anos de 1985 e 2020
Sumário
Abstract: The determination of land use and coverage in hydrographic basins is an 
important tool and subsidy for guidance and decision-making by the government. 
The objective of this research was to analyze the temporal dynamics of land use and 
occupation in the Taquaral river Sub-Basin, Goinia - GO, based on data from the v.6.0 
collection of the MapBiomas Brasil Project, between 1985 and 2020. The acquired data 
were introduced in the Geographic Information System (GIS) software called QGIS 
(stable version 3.16.11), to be analyzed quantitatively, using its algorithms. It was ob-
served that the areas occupied with the urbanized area thematic class presented a 
high expansion, increasing from 7.14 km², in 1985, to 21.25 km², in 2020, representing 
an increase of 197.64%, in relation to sub-basin area. While areas of the pasture class 
suffered a great decrease, since in 1985, it had a representativeness of 15.35 km², and in 
2020, it had a decrease to 2.05 km², a suppression of 86.64%. The expressive increase 
in the urbanized area class, to the detriment of the suppression of other classes, ex-
plains even in a preliminary way that in the last 35 years there has been an increase in 
urban expansion and a consequent greater degree of anthropization in the sub-basin.
Keywords: Temporal Analysis; Geographic Information System; Land Use and 
Coverage.
Introdução
Com o passar do tempo, o ser humano foi notando o quão importante 
é entender através da realização de pesquisas, o grau da interferência an-
trópica nos ciclos hidrológicos que ocorrem em bacias hidrográficas mun-
do a fora. Por isso, sua classificação como unidade hidrológica e ponto de 
partida para diversas análises é fundamental, pois todo o desenvolvimen-
to seja ele urbano ou rural, está calcado em alguma área correspondente 
a uma bacia, sub-bacia ou microbacia hidrográfica. Portanto, conhecer e 
monitorar o uso e ocupação da terra, valendo-se de uma abordagem tem-
poral é imprescindível para a compreensão dos padrões organizacionais 
do espaço, já que consiste na busca pelo entendimento da sua dinâmica 
natural ou, antrópica, procurando apontar os aumentos, supressões e re-
siliências bem como suas respectivas localizações para os diversos usos e 
coberturas (Rosa, 2007).
Desse modo, a utilização de técnicas relacionadas ao geoprocessamento, 
como é o caso do Sensoriamento Remoto e sua relação de integração com 
os softwares de Sistema de Informações Geográficas (SIG), é fundamental, 
por proporcionar a manipulação e análise da informação espacial em um 
ambiente digital flexível, rápido e objetivo (Pareta e Pareta, 2011).
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Análise temporal do uso e cobertura da terra na sub-bacia hidrográfica do Córrego Taquaral, Município de Goiânia - GO, 
entre os anos de 1985 e 2020
Sumário
Assim, o objetivo do estudo foi analisar quantitativamente mesmo que 
de forma preliminar, como ocorreu a variação temporal do uso e ocupa-
ção da terra, entre 1985 e 2020, referente ao intervalo de 35 anos, na área 
da Sub-Bacia Hidrográfica do Córrego Taquaral-Goiânia-GO. Valendo-se 
das ferramentas disponibilizadas pelos softwares de SIG e dos dados pú-
blicos disponibilizados pelo Projeto MapBiomas Brasil.
Área de Estudo
O recorte espacial adotado como área de estudo foi a Sub-Bacia Hidro-
gráfica do Córrego Taquaral, localizada na porção sudoeste do município 
de Goiânia - GO. Possui área drenada de 28,62 km², considerada uma sub-
-bacia de grande porte, já que apresenta valor acima de 26km², de acor-
do com Wisler e Brater (1964). Inserida na Macrozona Construída (MzC), 
sendo parte integrante da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Anicuns, já que 
o Córrego Taquaral é um dos principais afluentes do Ribeirão Anicuns 
(ZoneamentoEcológico Econômico (ZEE) do Município de Goiânia, Pre-
feitura de Goiânia; 2008).
Metodologia
A primeira etapa do desenvolvimento do trabalho, consistiu nas aquisi-
ções do Modelo Digital de Elevação (MDE) Alos Palsar (JAXA/METI) com 
Resolução Espacial de 12,5 m x 12,5 m (valores do pixel), disponibilizado 
gratuitamente no sítio da ASF. E das imagens matriciais, contendo a clas-
sificação do uso e cobertura da terra, referentes aos anos de 1985 e 2020, 
provenientes do satélite LandSat 5 com Resolução Espacial de 30 m x 30 m 
(devido ao sensor Thematic Mapper (TM)), disponíveis de forma gratuita 
no sítio do MapBiomas, através da sua Coleção v. 6.0, via plataforma do 
Google Earth Engine (GEE). Na segunda etapa, esses dados foram inseri-
dos no software gratuito de (SIG) conhecido como QGIS (na sua versão es-
tável - 3.16.11), no qual serviu de ferramenta para a delimitação da área de 
estudo, valendo-se da integração com os algoritmos do provedor TauDEM 
(versão 5.3.7, disponível no sítio da USU). Já as imagens tiveram os seus 
valores de áreas quantificados com o auxílio dos algoritmos r.report (do 
provedor Grass) e raster calculator (nativa do QGIS).
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entre os anos de 1985 e 2020
Sumário
Resultados e Discussão
Após a realização dos cálculos, foi possível observar de maneira vi-
sual, de acordo com a geração do mapa temático (figura 1) e quantitativa 
(tabela 1) que ocorreram variações na dinâmica temporal dos usos e cober-
tura da terra.
Figura 1: Comparação entre os anos de 1985 e 2020, em relação ao Uso e Ocupação da Terra da área de 
estudo.
Fonte: Autor.
Tabela 1: Comparação entres os anos de 1985 e 2020 das áreas referentes às classes de Uso e 
Cobertura da Terra
Classes de Uso e 
Cobertura da Terra
Intervalo 
de tempo
Diferença entre o 
intervalo de tempo
1985 2020 1985-2020
(km²) (%) (km²) (%) (km²) (%)
Formação Florestal 2,64 9,22 2,06 7,18 -0,58 -22,10
Formação Savânica 0,45 1,59 0,05 0,18 -0,40 -88,66
Campo Alagado 0,14 0,50 0,01 0,05 -0,13 -89,88
Formação 
Campestre
0,03 0,09 0,04 0,14 0,01 50
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entre os anos de 1985 e 2020
Sumário
Classes de Uso e 
Cobertura da Terra
Intervalo 
de tempo
Diferença entre o 
intervalo de tempo
1985 2020 1985-2020
(km²) (%) (km²) (%) (km²) (%)
Pastagem 15,35 53,67 2,05 7,17 -13,30 -86,64
Cana * * 0,01 0,04 * *
Mosaico de 
Agricultura e 
Pastagem
2,56 8,95 3,08 10,77 0,52 20,40
Área Urbanizada 7,14 24,96 21,25 74,28 14,11 197,64
Outras Áreas Não 
Vegetadas
0,21 0,72 0,02 0,08 -0,18 -89,12
Rio, Lago 0,05 0,17 0,03 0,11 -0,02 -37,93
Outras Lavouras 
Temporárias
0,04 0,14 * * * *
Fonte: Classificação das Classes de Uso e Cobertura da Terra de acordo com o MapBiomas Brasil, 
Coleção, v.6.0. Os sinais: (-) representa a supressão da classe e (*) não teve dado referente a classe. 
Elaboração da tabela realizada pelos autores.
De posse dos dados apresentados, foi possível aferir dentre às classes 
que o processo de expansão urbana nesses 35 anos, ocorreu de forma 
acentuada já que o aumento (figura 2), em relação à área total da sub-ba-
cia foi de 197,64 % dando um salto de 7,14 km² para 21,25 km² (aumento de 
14,11 km²). Esse aumento marcante vai de encontro com a supressão das 
áreas de outros usos, como, por exemplo, a pastagem que sofreu grande 
diminuição (figura 2), cerca de 86,64 %, pois no ano de 1985, tinha repre-
sentatividade de 15,35 km² da área total e teve um decréscimo para 2,05 
km² (supressão de 13,30 km²). Isso explica mesmo que preliminarmente 
a conversão das áreas referentes a esses usos em infraestrutura urbana.
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entre os anos de 1985 e 2020
Sumário
Figura 2: Variação de expansão e supressão entre os anos de 1985 e 2020, em relação ao Uso e 
Ocupação da Terra da área de estudo.
Fonte: Autores.
Esse crescimento acelerado pode originar uma série de problemas am-
bientais à sub-bacia, pois como mencionado por Faria et al. (2008), tanto 
o Córrego Taquaral quanto seus afluentes, são destinos dos lançamentos 
de águas pluviais dos setores adjacentes as suas áreas, porém apresentam 
estruturas de dissipação inadequadas. Haja visto que Tucci (2003) enfati-
za que é corriqueiro aos países em processo de desenvolvimento, como é 
o caso do Brasil, apresentarem mal planejamento na realização dos pro-
cessos de urbanização e de obras de drenagem urbanas, gerando inten-
sas modificações no ciclo hidrológico, em detrimento da canalização dos 
cursos d’água; impermeabilização da superfície acarretando o aumento 
do escoamento superficial; supressão das matas ciliares, dentre outros 
fatores. O elevado grau de antropização da sub-bacia deve acender uma 
alerta ao poder público, já que será necessário realizar monitoramento e 
desenvolver planos com o objetivo de prevenir a degradação da mesma.
Considerações Finais
Às análises realizadas mediante a utilização dos dados elaborados pelo 
MapBiomas foram de grande valia, já que estes são disponibilizados de ma-
neira gratuita, sendo possível adquirir uma série temporal de até 35 anos, 
para diferentes recortes espaciais de interesse, sem se preocupar com a 
confiabilidade, pois todos os procedimentos metodológicos são demons-
trados nas documentações, atestando a validade de como são produzidos.
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Análise temporal do uso e cobertura da terra na sub-bacia hidrográfica do Córrego Taquaral, Município de Goiânia - GO, 
entre os anos de 1985 e 2020
Sumário
Espera-se que os resultados obtidos a partir das análises dos dados, 
possam servir de auxílio, mesmo que de maneira preliminar, para estu-
dos que busquem observar a dinâmica do uso e cobertura da terra com 
uma perspectiva de mapear e monitorar os possíveis impactos em bacias, 
sub-bacias ou microbacias.
Referências
Alaska Satellite Facility (ASF 2015). Alos Palsar Radiometric Terrain Corrected Low Res; 
Includes Material; JAXA/METI 2007. Disponível em: www.asf.alaska.edu. Acesso em: 10 de 
setembro, 2021.
FARIA, K, M. S de.; NUNES, A. P. P.; SILVA, L.; RIBEIRO, M. G. N.; NARDINNI, M. J. F. M. A. 
Diagnóstico Ambiental da Sub-Bacia do Córrego Taquaral, Goiânia/GO. In: XIII Simpósio 
Brasileiro de Geografia FísicaAplicada, 2008, Viçosa. Anais. Viçosa, 2008.
TARBOTON, D.G. 2014. Terrain Analysis Using Digital Elevation Models (TauDEM), Utah 
Water Research Laboratory, Utah State University. Disponível em: http://hydrology.usu.edu/
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Projeto MapBiomas - é uma iniciativa multi-institucional para gerar mapas anuais de uso e 
cobertura da terra a partir de processos de classificação automática aplicada a imagens de 
satélite. Disponível em: http://mapbiomas.org. Acesso em: 10 set. 2021. 
ROSA, R. Introdução ao sensoriamento remoto. Uberlândia: Ed. UFU, p. 248, 2007.
Secretaria Municipal De Desenvolvimento Urbano Sustentável SEPLAM. Zoneamento 
Ecológico Econômico Do Município De Goiânia. Prefeitura de Goiânia; Fundo Municipal 
de Desenvolvimento Urbano (FMDU); Instituto de Desenvolvimento Tecnológico do Centro 
Oeste (ITCO), Relatório Técnico, 2008. Disponível em: www.goiania.go.gov/shtml/seplam/
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TUCCI, C. E. M. Drenagem Urbana. Ciência & Cultura, v. 55; n. 4, São Paulo, 2003.
WISLER, C.O.; BRATER, E.F. Hidrologia. Tradução e publicação de: Missão Norte Americana 
pela Cooperação Econômica e Técnica no Brasil. Ao Livro Técnico S. A Rio de Janeiro, 1964.
Análise da pluviosidade na bacia hidrográfica do Rio 
Coreaú, Noroeste do Ceará
Fernando José Mendes de Alencar Júnior1 
Daniel dos Reis Cavalcante2 
Frederico de Holanda Bastos3 
Abner Monteiro Nunes Cordeiro4 
Resumo: A análise do ciclo hidrológicos e faz necessária para o planejamento e a gestão 
ambiental de uma bacia hidrográfica. Sendo assim, o presente trabalho tem por objeti-
vo analisar os aspectos hidroclimáticos da bacia hidrográfica do rio Coreaú, Nordeste 
do Brasil. A metodologia foi dividida em levantamento bibliográfico, processamento 
de dados, levantamentos de campo em áreas pré-selecionadas, elaboração de mapas, 
gráficos e análise dos dados. Nessa bacia hidrográfica a irregularidade espacial 
e temporal das precipitações, mesmo durante a estação chuvosa, traz reflexos 
marcantes no escoamento superficial e os três principais sistemas atmosféricos 
produtores de chuvas, em grande escala, são: Zona de Convergência Intertropical; 
Frentes Frias; e os Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis. Dessa forma, fica evidente que 
a principal marca da precipitação na bacia do Coreaú não é o total pluviométrico, mas 
sim sua distribuição temporal e espacial, sobretudo pela concentração ao longo de 
determinado período do ano.
Palavras-chave: Precipitação; Gestão Ambiental; Rio Coreaú; Semiárido Brasileiro.
Abstract: The analysis of the hydrological cycle is necessary for the planning and en-
vironmental management of a hydrographic basin. Thus, this work aims to analyze 
the hydroclimatic aspects of the hydrographic basin of the Coreaú River, Northeastern 
Brazil. The methodology was divided into bibliographic survey, data processing, field 
surveys in pre-selected areas, preparation of maps, graphics and data analysis. In this 
hydrographic basin, the spatial and temporal irregularity of rainfall, even during the 
rainy season, has marked effects on surface runoff and the three main atmospheric 
rain-producing systems, on a large scale, are: Intertropical Convergence Zone; Cold 
Fronts; and the High-Level Cyclonic Vortexes. Thus, it is evident that the main feature 
1 Universidade Estadual do Ceará – fernandojosemendes4@gmail.com.
2 Universidade Estadual do Ceará – daniel_reisc1@hotmail.com.
3 Universidade Estadual do Ceará – fred.holanda@uece.br.
4 Universidade Estadual do Ceará – abnermncordeiro@gmail.com.
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Sumário
of precipitation in the Coreaú basin is not the total rainfall, but its temporal and spa-
tial distribution, especially due to its concentration over a certain period of the year.
Keywords: Precipitation; Environmental management; Coreaú river; Brazilian 
semi-arid.
Introdução
A expressividade dos recursos hídricos no Brasil se deve, sobretudo, à 
distribuição da pluviosidade em todo o território, onde são registrados 
notáveis valores, superiores a 1.500 mm anuais. No entanto, algumas re-
giões do Nordeste brasileiro recebem menos de 1.000 mm anuais, tendo 
alguns locais valores abaixo de 500 mm de precipitação (CUNHA, 2011).
No semiárido nordestino documentam-se elevadas taxas de insolação, 
elevadas temperaturas, bem como totais pluviométricos baixos com alta 
variabilidade no tempo e no espaço e elevadas taxas de evapotranspiração, 
que acabam refletindo num significativo déficit hídrico anual (ZANELLA, 
2014). Para Lima (2006), os rios possuem importância econômica, social e 
política e, além disso, a drenagem pode propiciar relevantes informações 
sobre o meio físico, dessa forma, sua análise fornece subsídios sobre as 
melhores maneiras de intervenções sobre os recursos naturais.
Dessa forma, o entendimento do ciclo hidrológico, bem como de suas 
variáveis, tais como evapotranspiração e precipitação, se fazem necessá-
rio numa possível intervenção dentro de uma bacia hidrográfica (SOUSA, 
2012). Dentre as formas de entendimento do ciclo hidrológico destaca-se 
a quantidade de chuva que entra numa bacia hidrográfica, bem como o 
que se perde por diferentes fatores (SOUSA, 2012).
Tais elementos têm papel importante em relação ao planejamento am-
biental, sobretudo, para zoneamentos agroclimáticos, estudos de deman-
da hídrica para culturas irrigadas, para o conhecimento do regime hidro-
lógico, entre outros (CORDEIRO, 2013) sempre no intuito de racionalizar o 
uso dos recursos hídricos. Face ao exposto, este trabalho tem por objetivo 
analisar os aspectos hidroclimáticos da bacia hidrográfica do rio Coreaú.
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Análise da pluviosidade na bacia hidrográfica do Rio Coreaú, Noroeste do Ceará
Sumário
Metodologia
As etapas metodológicas do presente trabalho incluíram levantamento 
bibliográfico, trabalhos de gabinete, onde constaram o processamento de 
dados pluviométricos, elaboração de gráficos e mapas, além de levanta-
mentos de campo em áreas pré-selecionadas e a análise dos dados. Para 
se gerar os gráficos de precipitação da bacia hidrográfica em questão, uti-
lizou-se os dados de precipitação para o período de 1988 a 2018, forneci-
dos pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos-FUN-
CEME. Para tal, lançou mão do software HIDROCEL desenvolvido em 
planilhas eletrônicas do Excel por Costa e Sales (2007).
Foram realizadas também diversas visitas de campo visando compreen-
der e verificar a veracidade das informações geradas nas outras etapas de 
trabalho, dessa forma, foram percorridos os setores do alto, médio e bai-
xo curso da bacia hidrográfica do rio Coreaú. Na última etapa do trabalho, 
foram organizados, interpretados e integrados os dados e as informações 
obtidas nas etapas anteriores, realizando-se uma discussão sobre balanço 
hídrico da área de estudo, sobretudo no que diz respeito aos principais 
parâmetros analisados.
Resultados e Discussão
A bacia hidrográfica do rio Coreaú (Figura 1) localiza-se no setor NW do 
Estado do Ceará, apresenta uma área aproximada de 4.430 km², abran-
gendo integralmente os municípios de Moraújo, Coreaú, Frecheirinha e 
Alcântaras, e parte de outros 13 municípios com destaque para Camocim, 
Granja, Sobral, Tianguá, Ubajara e Viçosa do Ceará.
Através da hierarquização da rede de drenagem da bacia do rio Coreaú, 
pode-se afirmar que esta é uma bacia de 6ª ordem, onde o Coreaú é o prin-
cipal rio, tendo suasprincipais nascentes localizadas no planalto da Ibia-
paba e nas serras da Meruoca e Carnutim, sendo os principais afluentes 
os rios Itaquatiara, Itacolomi, Juazeiro e Sairi.
As condições hidroclimáticas da bacia hidrográfica do rio Coreaú vão 
influenciar nos processos físicos e químicos da pedogênese, na morfogê-
nese e na disponibilidade de água de superfície e subsuperfície, recurso 
indispensável para satisfazer as necessidades vitais da humanidade e 
suas atividades socioeconômicas.
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Figura 1: Localização da área de estudo.
Na bacia em questão, a irregularidade das precipitações e a concentra-
ção no tempo, trazem reflexos marcantes no escoamento superficial. As 
variações climáticas registradas estão associadas ao regime pluviométri-
co, que é dependente da proximidade do litoral, onde a pluviosidade apre-
senta um aumento substancial e as temperaturas são mais estáveis. Já no 
Planalto da Ibiapaba, os totais pluviométricos são maiores e as chuvas são 
mais regularmente distribuídas, além da altitude contribuir para atenuar 
as condições térmicas locais, estando as temperaturas médias anuais va-
riando entre 22 a 26ºC (IPECE, 2017).
Em toda a bacia do rio Coreaú, as condições refletem nuances decorren-
tes do modo de combinação entre os fatos mais significativos do quadro 
natural. A insuficiência de chuvas decorre mais da irregularidade anual 
do que de seus totais pluviométricos padrões (Figura 2). A maior concen-
tração pluviométrica para os 30 anos (1988-2018) analisados, de dados da 
FUNCEME, dos postos pluviométricos dos municípios de Alcântras, Camo-
cim, Coreaú, Frecheirinha, Granja, Tianguá e Viçosa do Ceará, ocorre no 
primeiro semestre, onde se tem aproximadamente 94,15% do total anual, 
sendo o mês de março e abril os mais chuvosos com 531,97 mm (48,24%). 
O trimestre menos chuvoso abrange o período agosto-setembro-outubro, 
com mínimas registradas em agosto-setembro (Figura 3).
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A pré-estação é compreendida pelos meses de dezembro e janeiro, apre-
sentando uma média mensal de 34,37 mm e 143,25 mm, respectivamente. 
Neste período as chuvas são produzidas, principalmente, pelos Vórtices 
Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN) e pelas Frentes Frias (MOURA FÉ, 2015). 
Figura 2: Precipitação média anual dos principais postos pluviométricos inseridos na bacia do rio 
Coreaú (1988-2018), Ceará, Brasil.
Fonte: Elaborado pelos autores, baseado em FUCEME (1988-2018).
Figura 3: Média mensal pluviométrica no período de 1988 a 2018 para a bacia hidrográfica do rio 
Coreaú, Ceará, Brasil.
Fonte: Elaborado pelos autores, baseado em FUCEME (1988-2018).
O período de fevereiro a maio, que corresponde à quadra chuvosa, repre-
senta 77,42% (853,65 mm) da média pluviométrica anual de 1.102,58 mm. A 
Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é o principal sistema sinótico 
provocador da quadra chuvosa, atuando de modo mais expressivo a partir 
de meados do verão, e atingindo sua maior frequência no outono (março-
-abril), quando alcança sua posição mais meridional (~2-4ºS) (NIMER, 1979). 
O mês de maio é caracterizado pelo início do afastamento da ZCIT.
A estação seca inicia-se em meados de junho e julho, indo até novem-
bro. O período de estiagem, que ocorre nos meses de inverno-primavera, 
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coincide com a chegada dos ventos alísios de SE, vinculados ao Anticiclo-
ne Semifixo do Atlântico Sul, produtor da Massa Equatorial Atlântica, res-
ponsável pela estabilidade do tempo no segundo semestre.
A partir do exposto fica evidente que a principal marca da precipitação 
na bacia do Coreaú não é o total pluviométrico, mas sim sua distribuição 
temporal e espacial, sobretudo pela concentração ao longo de determina-
do período do ano. Como se pode observar o regime de chuvas da área em 
apreço, como em toda a região semiárida do Nordeste do Brasil, é bastan-
te regular, uma vez que, embora sejam muito irregulares os totais pluvio-
métricos da estação chuvosa, esta se dá como vimos, quase sempre nos 
meses de verão-outono, mesmo nos anos cuja estação chuvosa se consti-
tui numa simples força de expressão.
Considerações Finais
O presente estudo realizou uma análise dos aspectos hidroclimáticos, 
dos anos de 1988 a 2018, da bacia hidrográfica do rio Coreaú, onde os me-
ses de janeiro a maio há maior incidência de chuvas o que acaba gerando 
recarga de água, tanto superficial quanto subsuperfial, e os períodos de 
estiagem, que vai de junho a dezembro, há déficit hídrico.
Tais dados podem servir para estudos futuros no âmbito do planeja-
mento e gestão ambiental em áreas de bacias hidrográficas, zoneamentos 
ecológico-econômico, zoneamentos agroclimáticos, estudos prévios de 
demanda hídrica para culturas irrigadas, para o conhecimento do regime 
hidrológico.
Referências
CORDEIRO, A. M. N. Análise socioambiental da sub-bacia hidrográfica do rio Pirapora-
-Maranguape/Ceará, como subsídio ao planejamento territorial e à gestão ambiental. 165 
f. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universi-
dade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2013.
CUNHA, S. B. Bacias Hidrográficas. In: CUNHA, S. B.; GUERRA, A. J. T. (org.) Geomorfologia 
do Brasil. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. p. 229-271.
COSTA, F. G. R.; SALES, M. C. L. HIDROCEL: cálculo do balanço hídrico climatológico através 
de planilhas eletrônicas de cálculo. In: VII Encontro Nacional da ANPEGE, Niterói, 2007.
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Sumário
FUNDAÇÃO CEARENSE DE METEOROLOGIA E RECURSOS HÍDRICOS. Base de dados 
pluviométricos. Fortaleza: FUNCEME, 2019. Disponível em: http://www.funceme.br/?page_
id=2694. Acesso em: 28 de fevereiro de 2019.
INSTITUTO DE PESQUISA E ESTRATÉGIA ECONÔMICA DO CEARÁ. Perfil municipal. 
Fortaleza: IPCE, 2017. Disponível em: https://www.ipece.ce.gov.br/perfil-municipal/. Acesso: 
2 fev. 2019.
LIMA, M. I. C. Análise de drenagem e seu significado geológico-geomorfológico. Belém: 
UFPA, 2006.
MOURA FÉ, M. M. Evolução geomorfológica da Ibiapaba Setentrional, Ceará: gênese, 
modelagem e conservação. 307 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Curso de Doutorado em 
Geografia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2015.
NIMER, E. Climatologia do Brasil. Rio de janeiro: IBGE, 1979. 480p.
SOUSA, E. S. Balanço hídrico uma ferramenta para gestão ambiental da cidade de Palmas - TO. 
In: III Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental, 2012, Goiânia. Anais... Goiânia: IBEAS, 2012. 
p. 1-4. 
ZANELLA, M. E. Considerações sobre o clima e os recursos hídricos do semiárido nordesti-
no. Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, v. 36 (v. Especial), p. 126-142. 
2014.
Análise da vulnerabilidade à perda de solos da bacia 
hidrográficado Rio Tocantinzinho (BHRT)
Gustavo Santana de Souza1 
Daniele Rosa da Silva2 
Benedito Marciano de Moura Neto3 
Karla Maria Silva de Faria4 
Resumo: Com uma localidade que tem como um dos principais pilares econômicos, 
o ecoturismo, a região nordeste do estado de Goiás possui uma disponibilidade paisa-
gística e hídrica que atraem muitos turistas devido sua proximidade com o Parque Na-
cional da Chapada dos Veadeiros, sendo assim a Bacia do Tocantinzinho possui eleva-
da importância no seguimento e diversas outras formas de utilização da água, fazendo 
com que seja necessária uma análise da vulnerabilidade da bacia em questão. Já para 
a análise da vulnerabilidade de solos da Bacia do Rio Tocantinzinho foi adotado a me-
todologia de Crepani et al (2001), com os fatores de geomorfologia, geologia, precipita-
ção, solos e com a declividade. Em relação aos índices de vulnerabilidade presente na 
bacia do Rio Tocantinzinho, grande parte dos valores foi de nível muito baixo (1 à 1,4), 
baixo (1,4 à 1,6) e médio (1,6 à 1,7), Representando discrepâncias entre certos pontos 
dentro da BHRT, se torna necessário maior vigilância tanto a sucateamentos in loco e 
desmantelamento de regulamento, fruto de interesse econômico e político. 
Palavras-chave: Vulnerabilidade; perda de solos; ecoturismo; represa, bacia hidro-
gráfica.
Abstract: With a location that has ecotourism as one of its main economic pillars, 
the northeast region of the state of Goiás has a landscape and water availability that 
attract many tourists due to its proximity to the Chapada dos Veadeiros National Park, 
thus the Tocantinzinho Basin it has a high importance in monitoring and various 
other forms of water use, making it necessary to analyze the vulnerability of the basin 
in question. For the analysis of soil vulnerability in the Tocantinzinho River Basin, the 
methodology of Crepani et al (2001) was adopted, with factors such as geomorphology, 
geology, precipitation, soils, and slope. Regarding the vulnerability indices present in 
1 Universidade Federal de Goiás - gustavosantan13@gmail.com.
2 Universidade Federal de Goiás - nrosa@discente.ufg.br.
3 Universidade Federal de Goiás - biditu@discente.ufg.br.
4 Universidade Federal de Goiás - karla_faria@ufg.br.
mailto:gustavosatan13@gmail.com
mailto:nrosa@discente.ufg.br
mailto:biditu@discente.ufg.br
mailto:karla_faria@ufg.br
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the Tocantinzinho River basin, most of the values were very low (1 to 1.4), low (1.4 to 
1.6) and medium (1.6 to 1.7), Representing discrepancies between certain points wi-
thin the BHRT, greater vigilance is needed both to on-site scrapping and regulation 
dismantling, which are the result of economic and political interest.
Introdução
Com uma localidade que tem como um dos principais pilares econômi-
cos, o ecoturismo, a região nordeste do estado de Goiás possui uma dis-
ponibilidade paisagística e hídrica que atraem muitos turistas devido sua 
próxima com o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, sendo assim 
a Bacia do Tocantinzinho possui elevada importância no seguimento e di-
versas outras formas de utilização da água, fazendo com que seja necessá-
ria uma análise da vulnerabilidade da bacia em questão.
Segundo Crepani et al. (2001), para a realização da análise da paisagem 
é essencial considerar a sua constituição, forma, aspectos físicos e seus 
estágios de evolução ou modificação, não se esquecendo de identificar 
a tipologia e estado, que se encontra a cobertura vegetal que a recobre. 
Desta forma, para a integralização de informações comportamentais da 
paisagem e importante a obtenção de planilhas e shapes de Geologia, Geo-
morfologia, Pedologia, Fitogeografia e os fatores auxiliares da Climatolo-
gia, para se obter um preciso diagnostico comportamental frente aos ní-
veis de ocupação, do ambiente.
A cerca da realização do mapeamento da vulnerabilidade á perda de 
solo Becker e Egler (1997), aponta que a viabilidade analítica dos meios 
físico e biótico é essencial para o uso sustentável e ocupação responsável, 
dos recursos naturais. Assim Lu et al. (2004), indica que a vulnerabilidade 
somada a potencialidade morfodinâmica pelos fatores sociais, políticos, 
econômicos e cultuais.
A temática ambiental se faz muito importante no nordeste do estado de 
Goiás, devido sua forte ligação com as práticas turísticas, recebendo visi-
tantes de todas as regiões brasileiras e de estrangeiros. A região em momen-
to atual mostra-se em conflitos pelos setores econômicos, principalmente 
pelo ramo turístico e do agronegócio, causando diversas discussões sociais, 
ambientais e políticas nos três níveis de poder, municipal, estadual e até 
nacional. Algo em comum entre estes dois setores citados anteriormente, é 
o seu interesse acerca dos corpos hídricos, sendo sua principal ‘ferramen-
ta’ para o desenvolvimento dos seus setores de grande relevância. 
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Sumário
Análise de vulnerabilidade para essa área objetiva-se devido a proximi-
dade de grandes empreendimentos econômicos presentes na região, que 
utiliza de maneira direta e indiretamente os recursos da bacia hidrográ-
fica do rio Tocantinzinho, podendo ser que haja discrepância de dados 
entre determinados pontos dentro da bacia hidrográfica. 
Metodologia
Localização
A Bacia do Tocantinzinho se localiza nos municípios de Alto Paraíso de 
Goiás e São João D`Aliança, ambos na região nordeste de Goiás, havendo 
em seu percurso áreas prioritárias para a conservação, a reserva ResBio 
do Cerrado e pelo um dos principais pontos turísticos do estado, o Parque 
Nacional da Chapada dos Veadeiros (Figura 1).
Figura 1: Localização da Bacia Hidrográfica do Rio Tocantinzinho-GO
Fonte: IBGE, TerraBrasilis, SEMA, SUGAT, COINFA.
Foram realizados levantamentos bibliográficos acerca de análises de 
vulnerabilidade das bacias hidrográficas brasileiras, posteriormente de 
maneira ampla com enfoque na Bacia do Tocantinzinho. Em segunda eta-
pa obteve-se em bases de dados cartográficas, como o bancos de dados 
SIEG, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Brasi-
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Sumário
leiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Agência Nacional de Águas e 
Saneamento Básico (ANA), informações temáticas relacionadas a áreas 
prioritárias para conservação, zoneamento do Pouso Alto, cursos hídri-
cos, entre outros em escalas entre 1:200 000 e 1:250 000.
Para a análise da vulnerabilidade ambiental considerou-se os aporta-
mentos de Tricart (1977), sobre as interações desenvolvidas pelas estru-
turas naturais e ações antrópicas, classificadas por meios estáveis, inter-
mediários (Integrades) e fortemente instáveis. Assim, para entender-se a 
condição encontrada no recorte da mencionada bacia hidrográfica, ado-
tou a metodologia de Crepani et al (2001), para o parecer da vulnerabilida-
de á perda de solos.
Resultados e Discussão
Vulnerabilidade à perda de solos
Em relação aos índices de vulnerabilidade presente na bacia do Rio To-cantinzinho, grande parte dos valores foi de nível muito baixo (1 à 1,4), 
baixo (1,4 à 1,6) e médio (1,6 à 1,7) (Figura 2). 
Com os dados obtidos pode-se inferir que a bacia do Rio Tocantinzinho 
se encontra em estado de vulnerabilidade estável, podendo ser atribuí-
da a diversos fatores como por exemplo as ações e leis voltadas para con-
servação ambiental, e prática do ecoturismo com a presença de educação 
ambiental. 
O trecho com os maiores índices de vulnerabilidade do rio Tocantin-
zinho se encontra próximo às partes da represa Serra da Mesa, que é o 
quinto maior lago dentro do território nacional, tendo também presença 
de empreendimentos turísticos e com a prática de pesca esportiva. A re-
presa conta ainda com uma usina hidrelétrica subterrânea, para a viabili-
zação foi necessário ter uma área inundada de 1784 km².
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Figura 2: Vulnerabilidade a Perda de Solo do Rio Tocantinzinho-GO
Fonte: IBGE, ANA. 
Comparando os índices de vulnerabilidade encontradas e a dinâmica 
de ocupação obtidos por Oliveira (2019), na região do região do Vão do Pa-
ranã a relação entre a apropriação do uso da terra e os aspectos geoam-
bientais, determinam que a variação do relevo sobre o território determi-
nam e se correlacionam com as áreas remanescente, a perca de material 
pedológico (BATISTA et al. 2021).
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Análise da vulnerabilidade à perda de solos da bacia hidrográfica do Rio Tocantinzinho (BHRT)
Sumário
Considerações Finais
Como apresentado inicialmente um dos objetivos ao realizar o levanta-
mento de vulnerabilidade do rio Tocantinzinho era de mostrar a discre-
pância entre certas localidades dentro da bacia, isto pode se dizer cum-
prido pois como verificado na base cartográfica de vulnerabilidade, há 
pontos com altos índices e outros em sua maior parte com vulnerabilida-
de baixa, assim mostrando uma certa estabilidade ambiental da área mas 
há de se tomar cuidado pois há empreendimentos de grande impacto am-
biental próximos como a represa Serra da Mesa e sua usina hidrelétrica, 
também tem os transmites de leis nacionais pode influenciar na redução 
da estabilidade ambiental do Tocantinzinho. 
Futuramente pode ser realizada uma pesquisa de maior aprofunda-
mento com visita in loco, assim podendo apresentar outros fatores que in-
fluenciam na vulnerabilidade da bacia hidrográfica do rio Tocantinzinho.
Referências
BATISTA, Jaqueline Gomes; SOUSA, Ana Caroline Rodrigues Cassiano; BERNARDO, Caroline 
Silva; FARIA, Karla Maria de. ANÁLISE DA VULNERABILIDADE À PERDA DE SOLOS NA MI-
CRORREGIÃO DO VÃO DO PARANÃ. TERRA-Vulnerabilidades e Riscos Ecológicos / Giovanni 
Seabra (Organizador). Ituiutaba: Barlavento, p. 1127-1138,2021.
FURNAS. Usina de Serra da Mesa - 1.275 MW. Disponível em: www.furnas.com.br. Acesso 
em: 8 out. 2021.
DAAE. Bacias Hidrográficas de Araraquara. Disponível em: www.daaeararaquara.com.br. 
Acesso em: 24 mar. 2021.
GBUREK, W.J.; SHARPLEY, A.N. Hydrologic controls on phosphorus loss from upland ag-
ricultural watersheds. J. Environ. Qual., n. 27, p. 267-277, 1997.
LIMA, M. M. P; SILVA, L. da. Análise de Vulnerabilidade Natural da Bacia Hidrográfica do Rio 
Banabuiú, com Apoio de Geotecnologia. Revista Brasileira de Geografia Física. v. 11, n. 4 
(2018) 1442-1457.
LIMA, W.P. Princípios de manejo de bacias hidrográficas. Piracicaba: ESALQ. USP, 1976.
OLIVEIRA, Rosane Borges de. Geoecologia das paisagens do cerrado: análise das relações 
socioambientais na bacia hidrográfica do rio Tocantinzinho – GO. 2019. 144 f. Dissertação 
(Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.
RUZ, R.C.A. Introdução à geografia do turismo. 2. ed. São Paulo: Roca, 2001.
http://www.furnas.com.br/
http://www.daaeararaquara.com.br/
Avaliação físico-ambiental em nascentes do Município 
de Branquinha e Murici, Alagoas
Geovânia Ricardo dos Santos 1
Lucas Costa de Souza Cavalcanti2 
Resumo: As nascentes são ambientes importantes pois são o início dos rios e mere-
cem estudo holísticos. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi realizar avaliação e 
caracterização físico-ambiental em oito nascentes, nos municípios de Branquinha e 
Murici, Estado de Alagoas. Para a avaliação físico-ambiental das nascentes foi utiliza-
da uma matriz bidimensional, adaptada ao estudo, na qual foi realizada uma análise 
macroscópica de fatores ambientais na área das nascentes. As nascentes foram iden-
tificadas e fotografadas em campo. O entorno das nascentes avaliadas encontra-se 
em constante alteração, pelo uso e cobertura da terra na região, predominantemen-
te: pastagem e misto entre pastagem, plantio e vegetação nativa. Os diferentes usos 
e cobertura da terra não aparentam influenciar na disponibilidade de água para as 
nascentes, já que mesmo nas nascentes que apresentam cobertura no entono por pas-
tagem, há disponibilidade de água, cabe ressaltar que o monitoramento da vazão ao 
longo do tempo é indispensável para se compreender os padrões de interferências nas 
nascentes. Das nascentes avaliadas a maior parte, apresenta exfiltração nas fraturas 
da rocha, sendo que o padrão ocorre na base da vertente, podendo ocorrer em outros 
padrões geomorfológicos.
Palavras-chave: Nascentes de água; Ponto de exfiltração; Condição ambiental; Área 
de preservação. 
Abstract: Springs are important environments as they are the beginnings of rivers 
and deserve holistic study. In this sense, the objective of this work was to carry out an 
evaluation and physical-environmental characterization in eight springs, in the city of 
Branquinha and Murici, State of Alagoas. For the physical-environmental evaluation 
of the springs, a two-dimensional matrix, adapted to the study, was used, in which a 
macroscopic analysis of environmental factors in the area of the springs was perfor-
med. The springs were identified and photographed in the field. The surroundings of 
the evaluated springs are in constant change, due to the use and coverage of the soil in 
the region, predominantly: pasture and mixed between pasture, plantation and native 
1 UFPE/PPGeo – geovaniaricardos@gmail.com. 
2 UFPE/PPGeo – lucascavalcanti3@gmail.com. 
mailto:geovaniaricardos@gmail.com
mailto:lucascavalcanti3@gmail.com
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Avaliação físico-ambiental em nascentes do Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
vegetation; The different uses and land cover do not seem to influence the availability 
of water for the springs, since even in the springs that have pasture coverage in the 
surrounding area, there is water availability, it should be noted that monitoring the 
flow over time is essential if you understand the interference patterns in the springs; 
Most of the evaluated springs present exfiltration in rock fractures, and the pattern 
occurs at the base of the slope, and may occur in other geomorphological patterns.
Keywords: Water springs; Exfiltration point; Environmental condition; Preservation 
area.
Introdução
As áreas onde minam as nascentes de água necessitam de estudos ho-
lísticos, pela importância na recarga hídrica das bacias hidrográficas, por 
isso, o manejo e conservação devem ser considerados; são também neces-
sários3.3 - Encostas de média a 
fortemente inclinadas (8-75% 
de declividade), sobre arenitos 
e afloramentos ocasionais 
de basaltos, com neossolo 
quartzarênico, argissolo vermelho-
amarelo e ocasiões de plintossolo
3.3-a com pastagem 
3.3-b com formação savânica 
e florestal e em ocasiões 
de floresta estacional 
semidecidual 
3.3-c com soja e cana-de-
açúcar 
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Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (MS)
Sumário
Primeiro nível Segundo nível Terceiro nível
4 - Planalto médio erosivo-
denudativo (entre 600 e 800 
metros de altitude), clima quente e 
subquente (temperatura entre 15 e 
18º em pelo menos 1 mês) úmido (de 
1 a 2 meses secos) e precipitações 
anuais entre 1.300 e 1.600 mm
4.1 - Cauces em forma de V de 3-8% 
de declividade, sobre cobertura 
detrito-lateríticas, com latossolo 
vermelho.
4.1-a com formação 
florestal, floresta estacional 
semidecidual aluvial e em 
ocasiões de pastagem e soja 
4.2 - Topos planos a pouco 
inclinados (3-8% de declividade), 
sobre cobertura detrito-lateríticas 
e arenitos, com latossolo vermelho 
e neossolo quartzarênico
4.2-a com soja e em algumas 
ocasiões de cana-de-açúcar 
4.2-b com pastagem, 
formação savânica e 
florestal e floresta estacional 
semidecidual aluvial e 
submontana 
5 - Planalto alto denudativo com 
mais de 800 metros de altitude, 
clima quente e subquente 
(temperatura entre 15 e 18º em pelo 
menos 1 mês) úmido (de 1 a 2 meses 
secos) e precipitações anuais entre 
1.500 e 1.600 mm
5.1 - Canais em forma de V de 3-20 
% de declividade, sobre cobertura 
detrito-lateríticas e em ocasiões 
afloramentos de basaltos, com 
latossolo vermelho
5.1-a com soja e cana 
5.1-b com formação florestal e 
savânica e pastagem 
5.2 - Topos planos a pouco 
inclinados (3-8% de declividade), 
sobre cobertura detrito-
lateríticas, arenitos e em ocasiões 
afloramentos de basaltos, com 
latossolo vermelho
5.2-a com soja e cana 
5.2-b com pastagem, 
formação savânica e florestal 
Quadro 1: Legenda detalhada das unidades de paisagem mapeadas na BHAT.
Fonte: Os autores.
Considerações Finais
As informações integradas no mapa de paisagens de forma sintetizada, 
agregam características basilares das diferentes UP da BHAT, oferecendo 
a possibilidade de um entendimento integral e sistêmico sobre os aspec-
tos mais relevantes para a identificação de potencialidades e limitações 
quanto a utilização dos recursos naturais voltados a conservação, dos 
quais serão apontados posteriormente de maneira detalhada a partir de 
indicadores específicos, apoiado por avaliações em campo. 
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Cartografia de Paisagens para Gestão na Bacia Hidrográfica do Alto Taquari (MS)
Sumário
Referências 
FERREIRA, J.; SILVA, M. H. S.; BACANI, V. M. Considerações sobre a movimentação e a dis-
posição de sedimentos na bacia do Taquari. Revista Pantaneira, Aquidauana, MS, v. 9, 2007, 
p. 21-32.
GALDINO, S.; VIEIRA, L. M.; PELLEGRIN, L. A. Impactos Ambientais e Socioeconômicos na 
Bacia do Rio Taquari – Pantanal. Embrapa Pantanal Corumbá/MS, 2006.
MATEO RODRÍGUEZ, J. M.; SILVA, E. V.; CAVALCANTI, A. P. B. Geoecologia das Paisagens: 
uma visão geossistêmica da análise ambiental. Fortaleza: UFC edições, 2007. 222p. 
PRIEGO-SANTANDER, A.; BOCCO, G.; MENDOZA, M.; GARRIDO, A. Propuesta para la genera-
ción semi automatizada de unidades de paisajes, Fundamentos y métodos. México: Instituto 
Nacional de Ecología, 2008, 98 p.
RAMÓN PUEBLA, A. M.; SALINAS CHÁVEZ, E.; NOA, R. R. Diseño Metodológico para la ela-
boración de mapas de paisajes con el uso de los SIG: aplicación a la cuenca alta del río Cauto, 
Cuba. Geografía y Sistemas de Información Geográfica (GeoSIG), 1(1), 2009, 95-108.
SALINAS CHÁVEZ, E.; RAMÓN PUEBLA, A. M. Propuesta metodológica de la delimitación se-
miautomátizada de unidades de paisaje de nível local. Revista do Departamento de Geografia, 
25, 2013, 1-19.
Complexo Hídrico Maceió/Papicu como Refúgio 
Silvestre de Fortaleza/CE
José Eduardo de Melo Soeiro1
Luís Gonzaga Sales Junior2
Giovanna Azevedo de Moura Venâncio3
Edson Vicente da Silva4
Resumo: O riacho Maceió, localizado na capital do estado do Ceará, cuja foz desembo-
ca no oceano cruzando um parque urbano em seu estuário, fazendo parte do Comple-
xo Hídrico Papicu/Maceió. Este sistema vem sofrendo diversos impactos antrópicos, 
que são responsáveis por minar parte de sua qualidade ambiental. Com a finalidade 
de demonstrar a importância ecológica desse refúgio silvestre em meio ao ambiente 
urbano, foram levantadas as espécies da avifauna através de 3 pontos de coleta com 
busca ativa com transectos de 200m e identificação das aves, resultando no achado de 
72 espécies, divididas em 16 ordens. Dentre as quais, podem ser ressaltados o guara-
cava-de-barriga-amarela, Elaenia flavogaster, originário do sul do México e o suiriri, 
Tyrannus melancholicus, ocorrente também nos Estados Unidos, mostrando a impor-
tância do espaço como refúgio para espécies locais como a jaçanã, Jacana jacana, e 
até aves não migratórias, como a garça-branca-grande, Ardea alba. Apesar de sua im-
portância ecológica, vem sendo degradado constantemente pelo despejo de efluentes, 
desmatamento das margens e deposição de lixo, além da canalização de sua foz. Com 
forte influência da construção civil no local, a degradação atinge tanto a fauna e seu 
ecossistema, como a comunidade local, por ser um importante corpo hídrico de água 
doce destinado a recreação das comunidades aquáticas e produção de pescado. As-
sim, o ambiente se tornará inóspito para espécies frágeis, afastando aves migratórias 
e perdendo seu status como parque urbano para espécies nativas, estudos focados nos 
impactos antrópicos na fauna devem ser tomados para promover estratégias de miti-
gação de seus efeitos.
Palavras-chave: aves migratórias; parque urbano; complexo hídrico Papicu/ 
Maceió.
1 Universidade Federal do Ceará – edumsoeiro@gmail.com.
2 Universidade Estadual do Ceará – lgsjce@yahoo.com.br.
3 Universidade Federal do Ceará – gioamvenancio@gmail.com.
4 Universidade Federal do Ceará – cacauceara@gmail.com.
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Complexo Hídrico Maceió/Papicu como Refúgio Silvestre de Fortaleza/CE
Sumário
Abstract: The Maceió stream, located in the capital of the state of Ceará, whose 
mouth flows into the ocean, crossing an urban park in its estuary, forming part of the 
Papicu/Maceió Water Complex. This system has been suffering several anthropoge-
nic impacts, which are responsible for undermining part of its environmental quality. 
With the demonstration demonstration of the ecological importance of this wild re-
fuge in the urban environment, raised as avifauna through 3 collection points with ac-
tive search with 200m transects and identification of birds, found 72 species, divided 
into 16 orders. Among which, we can highlight the yellow-bellied guaracava, Elaenia 
flavogaster, originating in southern Mexico and the suiriri, Tyrannus melancholicus, 
also occurring in the United States, presenting an importance of space as a refuge for 
species for places such as jaçanã, Jacana jacana, and even non-migratory birds such 
as the Great Egret, Ardea alba. Despite its ecological importance, it has been cons-
tantly degraded by the dumping of effluents, deforestationque se levantem informações relevantes, dando assim subsídios à 
tomada de decisões no sentido de promover o seu uso racional e sem pre-
juízos às atividades antrópicas (OLIVEIRA et al., 2018). A conservação da 
qualidade das águas é uma necessidade universal que exige séria atenção 
por parte de todos os segmentos da sociedade, particularmente em re-
lação aos mananciais e águas destinadas aos diversos usos pelo homem 
(FERNANDES et al., 2017). 
As nascentes são Áreas de Preservação Permanente, determinada pela 
Lei n° 12.727, de 2012 e há diversas diretrizes que salvaguarda esses am-
bientes; em áreas rurais consolidadas, é obrigatória a recomposição do 
raio mínimo de 15 (quinze) metros. Enquanto nas demais áreas públicas/
particulares, obrigatoriamente, as áreas de nascentes são de proteção 
integral, devendo recompor a vegetação nativa um raio de 50 metros 
(BRASIL, 2012). A recomposição da vegetação nativa nesses ambientes 
é preocupante, uma vez que a paisagem é constantemente alterada. A 
pesquisa é um estudo preliminar, sendo parte da tese de doutoramento 
da primeira autora. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi realizar 
avaliação e caracterização físico-ambiental em oito nascentes, nos muni-
cípios de Branquinha e Murici, Estado de Alagoas.
Área de Estudo
O estudo foi realizado nos municípios de Branquinha e Murici, Estado 
de Alagoas (Figura 1). O clima da área de estudo é Tropical Chuvoso com 
Verão Seco (As’), segundo a classificação de Köppen (KÖPPEN e GEIGER, 
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Sumário
1928); com precipitação pluvial média de 1.550,9 mm/ano e temperatura 
do ar média anual de 24,3 °C (JACOMINE et al., 1975). A vegetação nativa da 
região é a Floresta Subperenefólia e a Floresta Subcaducifólia (EMBRAPA, 
2012). Ambos estão inseridos na Bacia Hidrográfica do Rio Mundaú (Figu-
ra 1). As nascentes avaliadas pertencentes ao município de Branquinha 
estão inseridas numa porção final da unidade geomorfológica do Tabulei-
ros Costeiros do Brasil Centro-Oriental, já em Murici estão inseridas nas 
Encostas Orientais do Planalto da Borborema (Figura 1) (IBGE, 2009).
Figura 1: Mapa de localização das nascentes avaliadas, em Branquinha e Murici, Alagoas, com ênfase 
para as unidades geomorfológicas.
Fontes: os autores.
Metodologia
Para a avaliação físico-ambiental das nascentes foi utilizada uma ma-
triz bidimensional Leopold et al. (1971), adaptada ao estudo, na qual foi 
realizada uma análise macroscópica de fatores ambientais na área das 
nascentes, ou seja, consiste reconhecer com trabalhos de campo, correla-
cionando informações das principais atividades impactantes com o meio 
físico antrópico e biótico da área de nascentes identificadas. Foram con-
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Avaliação físico-ambiental em nascentes do Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
siderados: as características do relevo (Blocos rochosos no entorno e/ou 
no ponto de exfiltração e Exfiltração), uso da terra (Cobertura vegetal no 
entorno), cercamento das nascentes (arrame e concreto/tijolo). As nas-
centes foram identificadas com código para melhor discussão dos dados, 
bem como fotografadas.
Resultados e Discussão
Foram identificadas em campo 8 nascentes, sendo 4 em Branquinha 
(10, 11, 12 e 13BQ) e 4 em Murici (14, 15, 16, 17MU) (Figura 2), as mesmas 
foram fotografadas e analisado o contexto ambiental na região, com exce-
ção da nascente 17MU, por questões de acesso restrito. 
As nascentes avaliadas encontram-se em constante alteração, devido 
ao uso e cobertura da terra na região. Nota-se pequenas obras de captação 
de água para consumo humano, irrigação de pequenas lavouras, abaste-
cimento de animais de médio a pequeno porte e algumas obras de cerca-
mento em torno das nascentes, quando o entorno deveria estar protegido 
num raio de 50 metros de vegetação nativa da região. Segundo o código 
florestal 12.651/12, Brasil (2012), as áreas de nascentes são consideradas 
áreas de preservação permanente (APPs), e nos locais de sus localizações, 
tanto público como áreas rurais particulares devem ser empregadas prá-
ticas de conservação de solo e água, o que não foi observado nas áreas 
avaliadas. O cercamento com arrame ou concreto/tijolo, ao invés da vege-
tação nativa, minimiza alguns impactos, mas não garantem o total equilí-
brio do sistema hídrico.
Das oito nascentes avaliadas, em relação a característica do relevo, cin-
co nascentes (10, 11BQ, 14, 15, 16 e 17MU) apresentaram blocos rochosos no 
entorno e/ou exfiltração na fratura da rocha (Tabela 1). Quanto à exfiltra-
ção no relevo, as nascentes 10, 11BQ, 14 e 16MU, apresentaram padrão de 
exfiltração numa base de vertente, já as nascentes 12 e 13BQ, exfiltram em 
pontos de segmento médio de uma vertente, sendo que a nascente 12, o 
declive é pouco inclinado no terreno (Tabela 1), demostrando os diversos 
padrões que ocorrem no ponto exfiltração para a superfície.
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Sumário
A B C
D E F
G G I
Figura 1: Nascentes 10BQ (A), 11BQ (B), 12BQ (C), 13BQ (D), no assentamento “sem terra” em 
Branquinha (E) e nascentes 14MU (F), 15MU (G), 16MU (H), na região de Murici (I). Setas indicam a 
direção da inclinação do relevo. 
Fonte: os autores.
No que diz respeito ao uso e cobertura da terra, quatro nascentes apre-
sentam predominância de cobertura no entorno por pastagem, as 10, 11, 
12 e 13BQ (Tabela 1), enquanto três nascentes apresentam cobertura de 
um misto, entre pastagem, plantio e vegetação (14, 15 e 16MU) (Tabela 1), 
já a 17MU, é predominante coberta por vegetação nativa (Tabela 1). No 
cercamento das nascentes, nota-se que uma apresenta no seu entorno ar-
rame (15MU) e três apresentam estrutura de concreto/tijolo (11, 12BQ e 
14MU) (Tabela 1).
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Avaliação físico-ambiental em nascentes do Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
Tabela 1: Características do relevo, uso da terra e cercamento das nascentes, nas nascentes 
localizadas em Branquinha e Murici.
Nascentes
Características do relevo Uso da terra Cercamento das nascentes
Blocos rochosos 
no entorno e/
ou no ponto de 
exfiltração
Exfiltração
Cobertura 
vegetal no 
entorno
Arrame Concreto/Tijolos
10BQ x BV P - -
11BQ
x
BV
P - x
12BQ -
SM -Declive 
pouco inclinado
P - x
13BQ - SM P - -
14MU x BV PPVN - x
15MU x BV PPVN x -
16MU x BV PPVN - -
17MU - - VN - -
Legenda: x – presente; BV - Base da vertente; SM - Segmento médio da vertente; P – Pastagem; PPVN – 
Pastagem, Plantio e Vegetação nativa; VN - Vegetação nativa. 
Fonte: os autores.
Considerações Finais
O entorno das nascentes avaliadas encontra-se em constante alteração, 
pelo uso e cobertura da terra na região, predominantemente: pastagem e 
misto entre pastagem, plantio e vegetação nativa;
Os diferentes usos e cobertura da terra não aparentam influenciar na 
disponibilidade de água para as nascentes, já que mesmo nas nascentesque apresentam cobertura no entono por pastagem, há disponibilidade 
de água, cabe ressaltar que o monitoramento da vazão ao longo do tem-
po é indispensável para se compreender os padrões de interferências nas 
nascentes;
Das nascentes avaliadas a maior parte, apresenta exfiltração nas fra-
turas da rocha, sendo que o padrão ocorre na base da vertente, podendo 
ocorrer em outros padrões geomorfológicos.
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Avaliação físico-ambiental em nascentes do Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
Referências
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n. 102, 28 maio 2012. Seção 1, p.1. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm. Acesso em: 20 out. 2021.
EMBRAPA-Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Zoneamento agroecológico de 
Alagoas: levantamento de reconhecimento de baixa e média intensidade dos solos do Estado 
de Alagoas. 1. ed. Recife: EMBRAPA, 2012. 238 p.
FERNANDES, A. J. D. et al. Avaliação de parâmetros físico-químicos da água dos maceiós do 
Bessa e Intermares/PB. Revista Principia, João Pessoa, v. 36, p. 29-41, jan/jun. 2017.
IBGE – Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico. Manual técnico de geomorfologia. 2. ed. 
- Rio de Janeiro: IBGE, 2009. 182 p.
JACOMINE, P. K. T.; CAVALCANTI, A. C.; PESSÔA, S. C. P.; SILVEIRA, C. O. da. Levantamento 
exploratório-reconhecimento de solos do Estado de Alagoas. 1. ed. Recife: EMBRAPA, 1975, 
532 p.
KÖPPEN, W.; GEIGER, R. Klimate der Erde. 1.ed. Gotha: Verlag Justus Perthes. 1928. 379 p.
LEOPOLD, L. B. et al. A procedure for evaluating environmental impact. U.S. Geological 
Survey Circular, v. 645, Washington, 1971.
OLIVEIRA, A. S. de; SILVA, A. M. da; MELLO, C. R. de. Dinâmica da água em áreas de recarga 
de nascentes em dois ambientes na Região Alto Rio Grande, Minas Gerais. Engenharia Sani-
taria e Ambiental, Rio de Janeiro, v. 25, n. 1, p. 59-67, jan/fev. 2018.
TUCCI. C. E. M.; SILVEIRA, A. L. L. da. Hidrologia: Ciência e aplicação. 4. ed. Porto Alegre: 
Editora da UFRGS. 2009. 943 p.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=1413-4152&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=1413-4152&lng=en&nrm=iso
Dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia 
hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara (GO): 
uma análise comparativa entre os anos de 2000 e 2019 
Lorena de Castro Rodrigues 1
Maximiliano Bayer2 
Resumo: A Bacia do Ribeirão Santa Bárbara é importante fonte de água pois abastece 
o núcleo urbano de Orizona e atende as demandas por água de diversas atividades 
econômicas de propriedades rurais em todo o munícipio. A análise do uso e ocupa-
ção do solo são imprescindíveis no monitoramento e prevenção de possíveis impac-
tos ambientais e na manutenção dos corpos hídricos. Dessa forma, este estudo tem 
como objetivo o mapeamento e a análise comparativa do uso e ocupação do solo da 
Bacia do Ribeirão Santa Bárbara dos anos de 2000 e 2019 utilizando a base de dados 
do MapBiomas (coleção 5). Observa-se que a bacia possui extensas áreas de pastagens 
e agricultura que somam mais de 70% de sua área total e uma diminuição de cerca de 
1,6 há de vegetação nativa, o que pode influenciar diretamente na qualidade da água 
da rede de drenagem, a partir de descarga inadequada de efluentes e por escoamento 
superficial.
Palavras-chave: bacia hidrográfica; uso e ocupação; mapeamento.
Abstract: The Ribeirão Santa Bárbara Basin is an important source of water as it su-
pplies the urban center of Orizona and meets the demands for water of various eco-
nomic activities on rural properties throughout the county. The analysis of land use 
and occupation are essential in monitoring and preventing possible environmental 
impacts and in maintaining water bodies. Thus, this study aims to map and compa-
ratively analyze the use and occupation of land in the Ribeirão Santa Bárbara Basin 
from 2000 and 2019 using the MapBiomas database (collection 5). It is observed that 
the basin has extensive areas of pasture and agriculture that add up to more than 70% 
of its total area and a decrease of about 1.6 ha of native vegetation, which can directly 
influence the water quality of the drainage network, from inadequate discharge of ef-
fluents and surface runoff.
Keywords: hydrographic basin; use and occupation; mapping.
1 Universidade Federal de Goiás - rodrigues.lorenac@gmail.com.
2 Universidade Federal de Goiás – maxibayer@yahoo.com.br.
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Dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara (GO): uma análise comparativa 
entre os anos de 2000 e 2019 
Sumário
Introdução
Segundo Santos (2000), a bacia hidrográfica é a melhor unidade terri-
torial de estudo, pesquisa e planejamento, devido à possibilidade de ob-
servação de fenômenos naturais ou antrópicos que refletem seus resul-
tados diretamente em determinado limite observável da paisagem, esta, 
que está em constante transformação. 
Dessa forma, Santos (2003, citado por Santos e Rizzi, 2010, p. 336) en-
fatiza o estudo evolutivo/comparativo da paisagem através de um mode-
lo sistêmico “demonstrando a dinâmica espaço-temporal da paisagem, 
através de mapas de uso do solo de tempos pretéritos. Esses mapas são 
obtidos através da interpretação de fotografias aéreas de datas diferentes, 
sendo analisados de acordo com os aspectos evolutivos da paisagem”.
É crescente o número de pesquisas que comprovam e exemplificam a 
relação entre a degradação ambiental e o uso e ocupação das terras, rea-
ção esta da ausência de planejamento ou mesmo de um planejamento que 
não considera as potencialidades e fragilidades ambientais relacionadas 
a expansão dos centros urbanos e ocupação do solo em zonas rurais (SAN-
TOS; RIZZI, 2010).
Ademais, a complexidade das questões ambientais que geralmente 
são encontradas in loco dificulta a visualização e a interpretação das in-
terações dos atores sociais com a natureza. Por isso, torna-se altamente 
relevante o uso das representações cartográficas na visualização e inter-
pretação dos aspectos necessários ao planejamento ambiental, pois elas 
mostram a realidade sintetizada de um modo visual. Segundo Nogueira et 
al (2015), “o mapeamento das informações é um recurso muito utilizado 
para tornar mais evidentes os padrões de uso e ocupação dos espaços. A 
visualização dos fatos no espaço, melhora a compreensão das interações 
existentes e aponta as ações necessárias.”
Dessa forma, o objetivo deste trabalho é apresentar o mapeamento do 
uso e ocupação do solo na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara e 
quantificar as alterações de cada uso entre os anos de 2000 e 2019.
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Dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara (GO): uma análise comparativa 
entre os anos de 2000 e 2019 
Sumário
Metodologia
Área de Estudo
A bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara possui 318,25 km² e está 
localizada na região Sudeste de Goiás (figura 1), sendo o Rio Santa Bárbara 
o principal canal de drenagem o qual deságua no Rio Piracanjuba que dre-
na para o Rio Corumbá. O Ribeirão Santa Bárbara é um manancial vital 
para o abastecimento do município de Orizona e atividades socioeconô-
micas realizadasem áreas rurais ao longo do seu curso.
Segundo o Censo do IBGE (2010), o município de Orizona possui 14.300 
habitantes e está localizado na região do Sudeste Goiano também deno-
minada região da Estrada de Ferro (IMB, 2018), e distante a 135 km da ca-
pital do estado, Goiânia.
Figura 1: Localização da área de estudo
Além de extensas áreas de pastagens (70.071 há), o município de Orizo-
na abriga importante produção de grãos de milho e soja e criação de suí-
nos. Possui a maior produção de leite do Estado de Goiás, sendo a sétima 
maior do Brasil, com uma média de 293,3 mil litros de leite por dia, além 
de ser o maior produtor estadual de mel, com aproximadamente 60 mil 
quilogramas anuais (IMB, 2018). 
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Dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara (GO): uma análise comparativa 
entre os anos de 2000 e 2019 
Sumário
Materiais e Técnicas
Para a realização da pesquisa foram levantadas informações bibliográ-
ficas sobre a bacia do Ribeirão Santa Bárbara, suas características am-
bientais, socioeconômicas e físicas. 
A construção dos mapas foi realizada no software Arcgis e utilizados 
dados da iniciativa MapBiomas - coleção 5, projeto este que consiste em 
mapeamentos temporal do uso do solo do Brasil desde 1985. Os anos de 
estudos foram 2000 e 2019, a fim de realizar-se uma análise comparativa 
sobre o crescimento econômico do município e a relação de mudança de 
uso e de fragmentação e mudança de paisagens. Os dados de hidrografia 
foram delimitados manualmente por meio da plataforma Google Earth 
Pro, para garantir maior nível de detalhe. 
Resultados e Discussão
O diagnóstico do uso e ocupação do solo da Bacia do Ribeirão Santa Bár-
bara identificou 5 usos e ocupação, sendo eles: agricultura, pastagem, ve-
getação nativa, infraestrutura urbana e silvicultura, além da hidrografia 
(corpo hídrico) que também foi identificado para melhor compreensão da 
análise.
Figura 2: Mapa do uso do solo da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara dos anos de 2000 e 2019
Para fazer uma comparação da evolução da mudança do uso e ocupação 
da área, foram utilizados mapas dos anos de 2000 e 2019. De modo geral, 
as áreas de pastagem diminuíram em detrimento das áreas de agricultu-
ra. Juntas, as áreas de agricultura e pastagem somam mais que 70% da 
área total da bacia em ambos os anos.
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Dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara (GO): uma análise comparativa 
entre os anos de 2000 e 2019 
Sumário
As áreas de agricultura são longas extensões de áreas cultivadas, sem a 
presença de vegetação nativa, podendo elas serem de sequeiro e/ou irri-
gada. Nas imagens de satélites, essas áreas são caracterizadas por formas 
geométricas uniformes, como círculos para os pivôs, retângulos para agri-
cultura de sequeiro e outras. No ano de 2000 foram identificados 4.096,3 
hectares de agricultura e no ano de 2019 foram identificados 10.510,3 hec-
tares, ou seja, um aumento de 20% de área ocupada pela agricultura na 
área total da Bacia do Ribeirão Santo Inácio, conforme observamos nas 
tabelas I e II.
Tabela 1: Estatísticas de Uso e Cobertura do Solo em 2000
Classe de uso Área (ha) %
Agricultura 4.096,3 12,9
Pastagem
Vegetação Nativa
Silvicultura
Área Urbana
19.016,3
8.344,6
220,2
140,8
59,8
26,2
0,7
0,4
Total 31.812,5 100
Fonte: autoria. 
As áreas de pastagens são caracterizadas por largas áreas desmatadas 
com presença de árvores isoladas. Por imagens de satélites, essas áreas são 
caracterizadas por homogeneidade sem a presença de formas geométricas 
e alguns sulcos característicos de caminhos de passagem de gado. Entre os 
anos 2000 e 2019 houve uma diminuição nas áreas de pastagens de quase 5 
mil hectares, ocupando de 59,8% da área total da bacia para 44,6%. 
Tabela 2: Estatística de Uso e Cobertura do Solo em 2019
Classe de uso Área (ha) %
Agricultura 10.510,3 33
Pastagem
Vegetação Nativa
Silvicultura
Área Urbana
14.197,2
6.731,8
98
275,2
44,6
21,2
0,3
0,9
Total 31.812,5 100
Fonte: autoria. 
A economia do município de Orizona é baseada principalmente na pe-
cuária leiteira, agricultura e produção de mel e cachaça. O município re-
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Dinâmica do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Bárbara (GO): uma análise comparativa 
entre os anos de 2000 e 2019 
Sumário
presenta uma das maiores bacias leiteiras do Estado de Goiás ocupando 
atualmente o 1º lugar e o 7º do Brasil (IMB, 2018). Porém, conforme os da-
dos apresentados, as áreas de pastagem diminuíram e a produtividade lei-
teira aumentou de forma significante. A justificativa diante do exposto é a 
implementação de um recente sistema de confinamento, o Compost Barn, 
que surgiu como alternativa para aumentar a produtividade e diminuir 
os impactos ambientais causados pelos dejetos orgânicos (fezes e urina) 
provenientes da atividade leiteira.
Considerações Finais
Os dados mais recentes de uso e ocupação do solo na Bacia do Ribeirão 
Santa Bárbara mostram que cerca de 78% da sua área é coberta por usos 
antrópicos, sendo a pastagem o uso predominante, com 44% seguido da 
agricultura com 33%, sendo um reflexo das atividades socioeconômicas 
da região. A vegetação nativa teve uma redução de cerca de 1,6 hectares 
para ocupação de áreas agrícolas, o que pode refletir em possíveis alte- 
rações da qualidade da água por escoamento superficial.
Referências
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2010. Disponível 
em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/go/orizona/panorama. Acesso em: 5 out. 2020. 
IMB – Instituto Mauro Borges de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Regiões de 
Planejamento do Estado de Goiás, 2018. Disponível em: http://www.imb.go.gov.br/index.
php?option=com_content&view=article&id=14:perfil-socioeconomico-dos-municipios-
goianos&catid=30&Itemid=218. Acesso em: 1 set. 2021.
NOGUEIRA, F. F., COSTA, I. A., PEREIRA, U. A. Análise de parâmetros físico-químicos da 
água e do uso e ocupação do solo na sub-bacia do Córrego da Água Branca no município 
de Nerópolis – Goiás. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Engenharia Ambiental 
e Sanitária) – Escola de Engenharia Civil e Ambiental, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 
2015.
SANTOS, J. S. RIZZI, N. E. Dinâmica de uso do solo da bacia hidrográfica do rio Luís Alves, 
sub-bacia do rio Itajaí, Santa Catarina, Brasil. Revista Floresta, Curitiba, PR, v. 40, n. 2, 2010. 
SANTOS, C. D. T. Microbacia do Rio Vila Formosa, Curitiba - PR: Diagnóstico e Zoneamen-
to Ambiental como Subsídio ao Planejamento. Curitiba: UFPR. Dissertação (mestrado em 
Geografia). Universidade Federal do Paraná. 2000. 154 p.
Erosividade mensal da chuva na baciado Tarumã-Açu 
(Manaus-AM), com base em dados do satélite TRMM
Liange de Sousa Rodrigues1 
Jamerson Souza da Costa2 
Maria da Glória Gonçalves de Melo3 
Maria Astrid Rocha Liberato4 
Resumo: A erosividade da chuva expressa a capacidade da chuva esperada em dada 
localidade de causar erosão hídrica, sendo dessa forma possível estimar em quais pe-
ríodos do ano ocorre mais perda pelo processo erosivo. Quando relacionado à região 
amazônica ressalta-se a importância do uso do sensoriamento remoto na obtenção 
de dados pluviométricos, uma vez que estações pluviométricas são escassas. Nesse 
sentido, o estudo tem como objetivo estimar a erosividade mensal na Bacia Hidrográ-
fica do Tarumã-Açu, localizada no município de Manaus-AM, com base em dados plu-
viométricos do satélite TRMM. Os resultados mostraram que os meses de dezembro 
à março correspondem aos de maiores índices pluviométricos, acarretando na classe 
de erosividade muita alta, enquanto os meses de junho a outubro tiveram como clas-
sificação a classe de erosividade baixa, dessa forma acompanhando o regime pluvio-
métrico da região.
Palavras-chave: erosão hídrica; sensoriamento remoto; Amazônia.
Abstract: The erosivity of the rain expresses the capacity of the expected rainfall in 
a given locality to cause water erosion, thus being possible to estimate in which peri-
ods of the year there is more loss by the erosive process. When related to the Amazon 
region, the importance of using remote sensing in obtaining rainfall data is empha-
sized, since rainfall stations are scarce. In this sense, the study aims to estimate the 
monthly erosivity in the Tarumã-Açu Hydrographic Basin, located in the municipality 
of Manaus-AM, based on rainfall data from the TRMM satellite. The results showed 
that the months from December to March correspond to those with higher rainfall 
indices, resulting in the very high erosivity class, while the months from June to Oc-
1 UEA - li_rodriguess212@hotmail.com.
2 UEFS - jamersonjsc@yahoo.com.br.
3 UEA - mgmelo@uea.edu.br.
4 UEA - astrid.liberato@gmail.com.
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Erosividade mensal da chuva na bacia do Tarumã-Açu (Manaus-AM), com base em dados do satélite TRMM
Sumário
tober had as classification the low erosivity class, thus following the rainfall regime of 
the region.
Keywords: water erosion; remote sensing; Amazon.
Introdução
A erosividade da chuva, consiste em um fator que compõe a Equação 
Universal de Perdas do Solo (USLE), e expressa a capacidade da chuva es-
perada em dada localidade de causar erosão hídrica, em uma área sem 
proteção. Através desse índice, é possível estabelecer em quais períodos 
do ano são prováveis maiores perdas de solo pelo processo erosivo na ba-
cia (BERTONI; LOMBARDI NETO, 1993).
Estudos sobre a variabilidade espacial e a distribuição da erosividade 
da chuva têm sido realizados em algumas regiões do Brasil, com a fina-
lidade de identificar os períodos mais críticos em razão da precipitação 
elevada, e neste cenário, propor medidas para reduzir a força cisalhante 
das gotas de chuva e do escoamento superficial, visando prevenir, além do 
empobrecimento dos solos, também o assoreamento dos cursos hídricos 
(PEREIRA; RODRIGUES, 2018).
Quanto a disponibilização de informações, a região amazônica apresen-
ta baixa densidade de pluviômetros, com dados representando somen-
te uma pequena área localizada no entorno do dispositivo. O monitora-
mento detalhado sobre extensas áreas, exige a existência de uma rede de 
pluviômetros, com fornecimento de dados consistentes, o que em certos 
casos, é inviabilizado em áreas de densa vegetação (LEIVAS et al., 2009). 
Como alternativa para preencher esta lacuna, o sensoriamento remoto 
representa ferramenta essencial para estimar a precipitação de bacias 
hidrográficas, em situação de escassez de dados pluviométricos.
Os dados provenientes de satélite como o Tropical Rainfall Measuring 
Mission (TRMM), se apresentam como uma alternativa de sanar a carên-
cia de dados de precipitação mais consistentes e espacialmente distribuí-
dos, tendo em vista que os pluviômetros geram apenas representações 
pontuais, sendo necessário o uso de métodos de interpolação para obter 
dados de localidade distantes de estações pluviométricas (RIBEIRO; NO-
BREGA; FARIA, 2019). As estimativas de precipitação do produto 3B43, 
do satélite TRMM são uma boa fonte alternativa de dados para a região 
Amazônica, auxiliando em estudos pluviométricos de regiões com baixa 
densidade de informações de superfície (Almeida et al., 2015).
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Erosividade mensal da chuva na bacia do Tarumã-Açu (Manaus-AM), com base em dados do satélite TRMM
Sumário
Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo estimar a erosi-
vidade mensal na Bacia Hidrográfica do Tarumã-Açu (BHTA), localizada 
no município de Manaus, com base em dados pluviométricos do satélite 
TRMM.
Metodologia
Área de estudo 
A bacia hidrográfica do Rio Tarumã - Açu possui uma área de 1372,78km², 
perímetro de 229 km, comprimento do canal principal da ordem de 42 
km, e largura aproximada de 1.200m na sua foz (COSTA; SILVA; SILVA, 
2013). O clima da região se caracteriza como equatorial quente e úmido, 
enquadrado no tipo “Afi” segundo a classificação de Köppen, correspon-
dendo ao clima tropical, praticamente sem inverno, com temperatura 
média para o mês mais frio sempre superior a 18ºC, e ocorrência de chu-
vas durante todo o ano (AGUIAR, 2012). 
As unidades geológicas que ocorrem na área do estudo fazem parte da 
Bacia do Amazonas e compreendem os depósitos sedimentares da Se-
quência Terciária, Formação Alter do Chão (CARDOSO, 2008). Na BHTA 
predomina o Latossolo Amarelo variando entre ácrico e distrófico e Gleis-
solo (IBGE, 2015). Com principal unidade vegetacional, na área da bacia 
há predominância de Floresta Ombrófila Densa em Terras Baixas, antro-
pizada principalmente quando associadas ao entorno das rodovias BR-174 
(Manaus-Presidente Figueiredo) e AM-010 (Manaus-Itacoatiara), além da 
porção sudeste da bacia onde parte da zona urbana de Manaus está situa-
da (WACHHOLZ et al., 2020).
Erosividade Mensal da Chuva
Para a erosividade mensal da chuva, foram utilizados dados de precipi-
tação obtidas gratuitamente através do site Series View (http://www.dsr.
inpe.br/laf/series/), do Laboratório de Sensoriamento Remoto Aplicado à 
Agricultura e Floresta (LAF), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais 
(INPE), que consiste em uma ferramenta desenvolvida dentro do conceito 
de um Laboratório Virtual de Sensoriamento Remoto (Freitas et al., 2011).
Para a área da bacia foram selecionados dezessete (17) pontos, onde foi 
obtida a série histórica de precipitação (mensal) correspondente ao perío-
http://www.dsr.inpe.br/laf/series/
http://www.dsr.inpe.br/laf/series/
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Erosividade mensal da chuva na bacia do Tarumã-Açu (Manaus-AM), com base em dados do satélite TRMM
Sumário
do de 2000-2016, disponível em planilha no formato CSV. A série de pre-
cipitação pluviométrica (mm/mês) utiliza o produto 3B43 V6 do TRMM 
(Tropical Rainfall Measuring Mission), disponibilizado pela NASA. Os to-
tais pluviométricos mensais para o período foram compilados e organiza-
dos em planilha do Excel. A erosividade mensal foi determinada confor-me equação proposta por Lombardi Neto e Moldenhauer (1992): 
EI = 67,355 * 0,85
Onde: EI = média mensal do índice de erosividade, em MJ/ha.mm; r = 
média mensal de precipitação, em mm; P = média anual de precipitação, 
em mm.
Após determinação da erosividade mensal, foi realizada a classifi- 
cação dos níveis de erosividade mensal: muito baixa, baixa, média, alta 
e muito alta.
Resultados e Discussão
No período de 2000 e 2016, a precipitação pluvial média anual, na BHTA, 
foi de 2.325,3 mm. O ano de 2008 foi o de maior pluviosidade, com total 
de chuvas de 3.006,7 mm, enquanto o ano de menor pluviosidade foi 2015 
com (1.500 mm) de chuva. 
A média de precipitação obtida através dos dados do TRMM, se apro-
xima aos de valores obtidos em trabalhos realizados na região. D’Ávila 
Junior e Vieira (2019), ao investigarem padrões pluviométricos da cidade 
de Manaus, para o período de 1986 a 2015, obtiveram média geral de pre-
cipitação de 2.339,3 mm. Fernandes (2017), ao analisar eventos extremos 
e erosividade de chuvas para Manaus, verificou média pluviométrica de 
2.329,4 mm para o período de 1986 a 2015. O período de maior incidência 
de chuvas é de dezembro a maio, quando ocorre 71,08%, do índice pluvio-
métrico anual na BHTA. Os meses com os menores índices são agosto e 
setembro (6,53%).
A distribuição da erosividade mensal, conforme o esperado, acompa-
nhou os meses de maiores precipitações da região onde os meses de de-
zembro a maio, concentram 81,41% da erosividade, com destaque para o 
mês de março com erosividade de 1881,9 MJ mm ha-¹ h¹ mês-¹ (18,40%), e 
abril com 1680,9 MJ mm ha-¹h¹mês (16,44%). Em relação ao nível de ero-
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Erosividade mensal da chuva na bacia do Tarumã-Açu (Manaus-AM), com base em dados do satélite TRMM
Sumário
sividade, na BHTA foi observada erosividade muito alta nos meses de de-
zembro a maio. O mês de novembro, indicou erosividade média e para o 
período de junho a outubro, onde ocorreram precipitações mínimas, fo-
ram obtidas erosividade baixa. 
A erosividade mensal acompanha o regime pluviométrico da região 
(FISCH; MARENGO; NOBRE 1998). De acordo com Galdino (2015), os me-
ses que concentram maior erosividade, merecem especial atenção o uso e 
o manejo agrícolas e a seleção das práticas conservacionistas, de modo a 
prevenir ou minimizar a erosão hídrica na região.
Considerações Finais
Através da obtenção da erosividade mensal na bacia verificou-se que os 
meses de dezembro à março correspondem aos de maiores índices plu-
viométricos, acarretando na classe de erosividade muita alta, enquanto 
os meses de junho a outubro tiveram como classificação a classe de ero-
sividade baixa, dessa forma acompanhando o regime pluviométrico da 
região. Nesse sentido, dados de precipitação oriundos de satélite são de 
grande valia em regiões com baixa densidade de dados pluviométricos, 
uma vez oferecem suporte às análises direcionadas a minimização de ero-
são, especialmente aos meses de maior erosividade.
Referências
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nas. In: Companhia de Pesquisa de Recursos Mineiras (CPRM). Coleção de Relatórios-Diag-
nósticos dos Aquíferos Sedimentares do Brasil. v.6. Belo Horizonte: CPRM- Serviço Geoló-
gico do Brasil, 2012. 
BERTONI, J. & LOMBARDI NETO, F. Conservação do solo. São Paulo, Ícone, 1993. 355p.
CARDOSO, M.J.S. Cartografia das atividades de extração de minerais utilizados na cons-
trução civil e qualificação do grau de degradação ambiental da região de Manaus-AM. 
2008. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade de Brasília, Brasília, 2008.
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2013.
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1986 a 2015. Boletim Paulista de Geografia, [S.l.], v. 1, n. 102, p. 1-31, 2019. 
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Erosividade mensal da chuva na bacia do Tarumã-Açu (Manaus-AM), com base em dados do satélite TRMM
Sumário
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https://doi.org/10.1590/1809-43921998282126
http://www.epacis.net/jcis
https://doi.org/10.1590/S0006-87051992000200009
https://doi.org/10.14393/RCG196813
Mapeamento dos pontos de risco a erosão em estradas 
rurais na bacia hidrográfica Ribeirão João Leite – GO
 Kamilla Oliveira Carvalho5 
Rherison Tyrone Silva Almeida6 
Resumo: O objetivo deste estudo foi realizar o mapeamento das estradas não pavi-
mentadas e seus possíveis pontos de riscos erosivos na bacia hidrográfica do ribeirão 
João Leite, Goiás. Realizou-se o mapeamento das estradas rurais e dos pontos de risco 
pelo método FlowAccRoad. Com isso, foi observado que Campo Limpo de Goiás e Aná-
polis são os municípios com a maior quantidade de pontos de risco e que Teresópolis 
e Nerópolis possuem a maior quantidade de pontos por quilômetro de estrada. 
Palavras-chave: Geoprocessamento; gestão; hidrossedimentologia; solo. 
Abstract: The objective of this study was to carry out the mapping of unpaved roads 
and their possible erosive risk points in the João Leite river basin, Goiás. Rural roads 
and risk points were mapped by the FlowAccRoad method. Thus,it was observed that 
Campo Limpo de Goiás and Anápolis are the municipalities with the highest number 
of risk points and that Teresópolis and Nerópolis have the highest number of points 
per kilometer of road. 
Keywords: Geoprocessing; management; hydrosedimentology; soil.
Introdução
Geralmente, a influência dos dados de uso e cobertura da terra, com ên-
fase na classe de agropecuária são os mais observados em pesquisas que 
utilizam métodos preditivos e de vulnerabilidade à perda de solo. No en-
tanto, estudos revelam que as estradas não pavimentadas podem ser con-
sideradas como as principais fontes de sedimentos em bacias hidrográ-
ficas (RAMOS-SCHARRÓN; LAFEVOR, 2016; THOMAZ; PERETTO, 2016).
No Brasil, as estradas não pavimentadas constituem cerca de 78,5% 
(1.349.938 km) da malha viária total (CNT, 2019). A construção de estradas 
rurais em regiões inadequadas do relevo associada à ausência/ineficiên-
5 Graduanda em ciência ambientais (Universidade Federal de Goiás- kamillaoliveiracavalho@dis-
cente.ufg.br.
6 Docente, Cientista ambiental (Universidade Federal de Goiás - rherison_almeida@ufg.br.
mailto:rherison_almeida@ufg.br
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Mapeamento dos pontos de risco a erosão em estradas rurais na bacia hidrográfica Ribeirão João Leite – GO
Sumário
cia de sistemas de drenagem capazes de controlar e prevenir a erosão do 
solo tendem a favorecer a concentração de água, ocasionando perdas de 
solo, formação de sulcos e transporte de sedimentos para pontos de me-
nor cota do relevo.
Na Região Metropolitana de Goiânia (Goiás), a bacia hidrográfica do ri-
beirão João Leite (BHRJL) possui grande importância ambiental e socioe-
conômica. Estima-se que 50% da população da RMG, cerca de 3 milhões 
de pessoas, é abastecida com a água dessa bacia hidrográfica (SANEAGO 
apud. MARTINS, 2021). E aproximadamente 35% da oferta e comerciali-
zação de produtos no CEASA são provenientes dos municípios que com-
põem a bacia, sendo Goianápolis e Anápolis, respectivamente, os princi-
pais fornecedores do estado (SOUSA, 2013).
A lei 9.433, de 08 de janeiro de 1997, estabelece que a gestão da água 
deve ocorrer a nível de bacia hidrográfica. A gestão adequada desses re-
cursos permite que usos como abastecimento humano, irrigação, preser-
vação ambiental, dentre outros, sejam possíveis atualmente e no futuro 
(GONÇALVES et al., 2019).
Tendo em vista a importância ambiental e socioeconômica, esse traba-
lho tem como objetivo realizar o mapeamento das estradas não pavimen-
tadas e identificar os possíveis pontos de risco erosivo para os municípios 
da bacia hidrográfica do ribeirão João Leite. 
Metodologia
A BHRJL é uma sub-bacia do Rio Meia Ponte, considerada bacia mais 
importante de Goiás, a qual 34% das vazões outorgadas são destinadas 
ao abastecimento público, 55% para agropecuária e 11% para indústria e 
mineração (GOIÁS, 2018). Essa bacia é tão demandada que, em agosto de 
2021, o Rio Meia Ponte atingiu o nível crítico 2, após a vazão do rio chegar 
a 3.987 litros/s devido a estiagem prolongada (SEMAD, 2021). 
A BHRJL está localizada na região centro-sul de Goiás abrangendo par-
te dos territórios dos municípios Ouro Verde de Goiás, Campo Limpo de 
Goiás, Anápolis, Terezópolis de Goiás, Nerópolis, Goianápolis e Goiânia. 
A bacia é ocupada principalmente por pastagem, sendo 58,3% do territó-
rio dela destinado para tal, a vegetação densa, representa 22,2%, a agri-
cultura, 7,4%, a área urbana, 4,5%, o florestamento, 2,8%, a área úmida, 
2,7%, a massa d’água, 1,9%, as edificações, 0,07%, a mineração, 0,04%, o 
solo exposto 0,05% (ALMEIDA et al., 2018). 
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Mapeamento dos pontos de risco a erosão em estradas rurais na bacia hidrográfica Ribeirão João Leite – GO
Sumário
As estradas não pavimentadas foram vetorizadas manualmente no pe-
ríodo de setembro de 2021, utilizando imagens de sensoriamento remoto 
de alta resolução espacial disponibilizada pelo Google Satellite por meio 
do plugin QuickMapServices, presente no software QGIS. Esse dado per-
mitiu que as estradas fossem vetorizadas em escala de visualização no 
software QGIS de 1:500. O sistema de referência de coordenadas utilizado 
foi UTM SIRGAS 2000 zona 22S. 
Os pontos de risco foram gerados de forma automatizada a partir do 
método FlowAccRoad (ALMEIDA et al., 2019). O raster de relevo empre-
gado neste método foi o ALOS/Palsar recortado para área de estudo, rea-
mostrado para 12,5 metros de resolução espacial. O valor do parâmetro no 
método FlowAccRoad para identificação de pontos de risco foi o condicio-
nal de área de contribuição maior igual a 100 mil m². 
 Resultados e Discussão
Dentre os municípios da bacia, Campo Limpo de Goiás e Anápolis são 
os que lideram os maiores quantitativos de pontos de risco e quilômetros 
de extensão de estradas não pavimentadas construídas na BHRJL. Tho-
maz e Peretto (2016) destacam que, numa bacia hidrográfica, esse tipo de 
estrada afeta os caminhos naturais da água e sedimentos, mudando a di-
nâmica do fluxo e impactando o ecossistema aquático. Em contrapartida, 
os municípios com maiores estimativas de pontos de risco por quilômetro 
de estrada são Terezópolis e Nerópolis, requerendo também atenção dos 
gestores públicos.
Tabela 1: Atributos da bacia hidrográfica do ribeirão João Leite
Município N° do município Estradas ( km ) Pontos de Risco Pontos/km
Anápolis 1 307,8 338 1,1
Campo Limpo de Goiás 2 309,3 283 0,9
Goianápolis 3 199,1 220 1,1
Goiânia 4 112,7 100 0,9
Nerópolis 5 101,6 123 1,2
Ouro Verde de Goiás 6 26,0 20 0,8
Terezópolis de Goiás 7 187,0 237 1,3
Total - 1243,5 1321 -
Fonte: Kamilla O. Carvalho. 
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Mapeamento dos pontos de risco a erosão em estradas rurais na bacia hidrográfica Ribeirão João Leite – GO
Sumário
A figura 1 apresenta a localização dos municípios e a localização das es-
tradas não pavimentadas e dos pontos de risco identificados. Nota-se que 
as estradas estão presentes em todas as dimensões da BHRJL, havendo 
maior concentração em municípios da porção Norte. No centro e Sul da 
bacia, é evidenciado menor quantitativo, o que pode ser explicado devido 
à presença do reservatório de abastecimento hídrico público do ribeirão 
João Leite e da APA do Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco.
Figura 1 - Mapa de pontos de risco e estradas não pavimentadas da bacia do ribeirão João Leite.
Fonte: Kamilla O. Carvalho.
Na Figura 2a pode-se observar dois pontos de risco indicando a presen-
ça de terraceamento em nível e, inclusive a sequência de 3 barragens de 
captação, possivelmente implantadas com o intuito de reduzir a veloci-
dade da água pluvial e armazenar sedimentos provenientes das estradas.
Na Figura 2b são observados sulcos erosivos em área de lavoura agro-
pecuária nas adjacências de uma estrada. Enquanto, na figura 2c eviden-
cia-se um trecho de estrada que intersecta o curso d’água do ribeirão João 
Leite, possibilitando a descarga de sedimentos em períodos chuvosos, e 
consequentemente provocar assoreamento. 
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Mapeamento dospontos de risco a erosão em estradas rurais na bacia hidrográfica Ribeirão João Leite – GO
Sumário
Figura 2 - Pontos de risco . 
Fonte: Kamilla O. Carvalho.
Conclusões 
O mapeamento das estradas e pontos de risco pelo método FlowAc-
cRoad permite a detecção de problemas causados pela intersecção entre 
estradas não pavimentadas e fluxo acumulado. Campo Limpo e Anápolis 
possuem maior quantidade de pontos de risco, no entanto Teresópolis e 
Nerópolis possuem maior quantidade de pontos de risco por quilômetro 
de estrada. Esse trabalho pode agilizar o processo de planejamento da ba-
cia, uma vez que mapeados os pontos de riscos, basta decidir quais áreas 
necessitam atenção e propor ações nesse sentido. 
Referências
ALMEIDA, R. T. S.; GRIEBELER, N. P.; OLIVEIRA, M. W. R.; BOTELHO, T. H. A.; MOREIRA, A. 
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Sumário
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Previsão de nascentes a partir de modelo digital 
de elevação e potencial hídrico, no Município de 
Branquinha e Murici, Alagoas
Geovânia Ricardo dos Santos7 
Lucas Costa de Souza Cavalcanti8 
Resumo: A utilização de MDE demostra ser significante no mapeamento e espacia-
lização de nascentes e rede de drenagem. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi 
realizar avaliação de áreas de ocorrência de nascentes a partir de modelo digital de 
elevação e potencial hídrico de quatro nascentes selecionadas, nos municípios de 
Branquinha e Murici, Estado de Alagoas. Para a construção da rede de drenagem e 
previsão das nascentes foram utilizadas imagens rasters de MDE Alos palsar, reso-
lução espacial 12,5m. Para a medição do potencial hídrico em quatro nascentes foi 
utilizado o método volumétrico direto. A utilização de MDE demostra-se eficiente na 
identificação de áreas de nascentes, embora seja um método simples, a fase de campo 
é imprescindível para validação de dados. Os maiores volumes de vazão ocorreram 
nas nascentes 10BQ, com 11.994 Litros por dia, em Branquinha e na 14MU, com 11.134 
Litros por dia, em Murici.
Palavras-chave: Cabeças de canal; Vazão das nascentes; MDE; Geoprocessamento.
Abstract: The use of DEM proves to be significant in the mapping and spatialization 
of springs and drainage network. In this sense, the objective of this work was to carry 
out an evaluation of areas of occurrence of springs from a digital model of elevation 
and water potential of four selected springs, in the city of Branquinha and Murici, 
State of Alagoas. For the construction of the drainage network and prediction of the 
springs, raster images of MDE Alos palsar, spatial resolution 12.5m were used. To mea-
sure the water potential in four springs, the direct volumetric method was used. The 
use of DEM is efficient in identifying spring areas, although it is a simple method, the 
field phase is essential for data validation; The largest flow volumes occurred in the 
10BQ springs, with 11.994 liters per day, in Branquinha and in the 14MU, with 11.134 
liters per day, in Murici.
Keywords: Channel heads; Flow of springs; DEM; Geoprocessing.
7 UFPE/PPGeo – geovaniaricardos@gmail.com.
8 UFPE/PPGeo – lucascavalcanti3@gmail.com.
mailto:geovaniaricardos@gmail.com
mailto:lucascavalcanti3@gmail.com
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Previsão de nascentes a partir de modelo digital de elevação e potencial hídrico, no Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
Introdução
As nascentes ou as cabeças de canal são o início das redes de fluxo, que 
fornecem uma ligação direta da paisagem terrestre com os sistemas flu-
viais e, assim, ditam as áreas de origem hidrológica, densidade de drena-
gem e tempos de viagem de água para a bacia hidrográfica (JULIAN, 2018). 
O entendimento da formação e do comportamento das nascentes pode 
ser compreendido por classificações, sendo elas: quanto à sua origem 
(nascentes de encosta, de depressão, difusa, lençois artesianos, falhas 
geológicas e rochas cársticas) e quanto à vazão dos seus fluxos (perenes, 
intermitentes, temporárias e efêmeras) (VALENTE e GOMES, 2005).
Os sistemas de informações geográficas (SIG) e o sensoriamento remo-
to são mecanismos que auxiliam de modo satisfatório na interpretação e 
representação dos fenômenos que ocorrem na superfície terrestre, sen-
do ferramentas essenciais no ordenamento territorial, análise e moni-
toramento com cunho ambiental, pelo fato da sua capacidade de análise 
temporal, quantificação, identificação e localização de ações (AQUINO E 
VALLADARES, 2013). Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi realizar 
avaliação de áreas de ocorrência de nascentes a partir de modelo digital 
de elevação e potencial hídrico de quatro nascentes selecionadas, nos mu-
nicípios de Branquinha e Murici, Estado de Alagoas.
Área de Estudo
O estudo foi realizado nos municípios de Branquinha e Murici, Estado 
de Alagoas (Figura 1), inserido na Região Geográfica Intermediária de Ma-
ceió e Região Geográfica Imediata de União dos Palmares (IBGE, 2017). O 
clima da área de estudo é Tropical Chuvoso com Verão Seco (As’), segun-
do a classificação de Köppen (KÖPPEN e GEIGER, 1928); com precipita-
ção pluvial média de 1.550,9 mm/ano e temperatura do ar média anual de 
24,3 °C (JACOMINE et al., 1975). Ambos municípios estão inseridos na Ba-
cia Hidrográfica do Rio Mundaú (Figura 1).
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Previsão de nascentes a partir de modelo digital de elevação e potencial hídrico, no Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
Figura 1: Mapa de localização de Branquinha e Murici, Alagoas.
Fonte: os autores.
Metodologia
A geração dos mapas foi empregada com as bases cartográficas, veto-
riais e rasters, tratadas em ambiente SIG Qgis 3.16.2 , acesso em Outubro de 2021. Foram obtidos arquivos vetoriais 
das malhas municipais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-
-IBGE e criados dados vetores de nascentes, rede de drenagem e delimita-
ção da bacia hidrográfica do rio Mundaú, a partir de imagens rasters MDE 
Alos palsar, resolução espacial 12,5m, disponíveis no ASF Data Search - 
Nasa , acesso em Outubro de 2021. Para 
gerar os dados vetoriais de linhas de drenagens e nascentes, foi utilizado 
a partir do MDE, o algoritmo Channel network and drainage basins, dispo-
nível no Saga aliado ao Qgis, na caixa de processamento.
Para a mensuração da vazão de água foi utilizado o método volumétrico 
direto, para medição de pequenas vazões, que se baseia no tempo gasto 
que um determinado fluxo leva para ocupar um recipiente de volume co-
nhecido (TUCCI e SILVEIRA, 2009). Foram mensuradas 4 (quatro) nascen-
https://www.qgis.org/pt_BR
https://www.qgis.org/pt_BR
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Previsão de nascentes a partir de modelo digital de elevação e potencial hídrico, no Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
tes, utilizadas pela comunidade local, onde há uma estrutura de captação 
de água. Com um balde de 12 litros (0,012 m3) e com um cronômetro em 
mãos, o tempo foi registrado. Foram realizadas 6 medidas. Então a vazão 
foi dada por: Q = (v/t)⅀Q/n, em que: Q é a vazão média; v é o volume do 
testemunho ; t é o tempo e n é o número de repetições das medidas. As 
nascentes de vazão mensurada foram obtidas as coordenadas com GPS 
Map Garmin 64x e, posteriormente plotadas no mapa, com exceção da 
nascente 17MU, devido ao difícil acesso.
O dado de precipitação para município de Murici foi obtido da Secreta-
ria do Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (Se-
marh-AL), no período de: 08/10/2021 até 17/10/2021.
Resultados e Discussão
Por meio da extração com MDE Alos palsar 12,5 m, a rede de drenagem 
e locais prováveis de nascentes foram extraídos (Figura 2A). Estima-se um 
total de 1.461 nascentes no munícipio de Branquinha e 2.679 em Murici. 
Cabe ressaltar que esses valores são estimados para mais ou menos. A uti-
lização de MDE no mapeamento e espacialização de nascentes é alterna-
tiva, embora haja algumas limitações quanto a grandes resoluções, a fase 
de campo deve ser empregada e é importante na complementação e veri-
ficação do mapeamento. Observa-se que algumas nascentes acabam por 
não serem computadas pelos algoritmos (Figura 2B). A localização das 
cabeças de canal, segundo Clubb et al., (2014) é essencial para a previsão 
de enchentes, mitigação da poluição, previsão do funcionamento do 
ecossistema e paisagem evolução.
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Sumário
 A
 B
Figura 2: Locais de prováveis nascentes, extraídos em MDE Alos palsar 12, 5 m (A) e Pontos de 
nascentes marcados de GPS em campo, em amarelo (B).
Fonte: os autores
Foram realizadas medições de vazão em quatro nascentes, nos muni-
cípios de Branquinha e Murici, no mês de Outubro de 2021. Das quatro 
nascentes mensuradas, foi obtido valores de vazão da água em L/s, L/h 
L/d, m3/d, m3/h e m3/d (Tabela 1). As nascentes que apresentaram maior 
vazão por dia foram a 10BQ (11.994 L/d) e a 14MU, com 11.134 L/d (Tabela 1). 
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Previsão de nascentes a partir de modelo digital de elevação e potencial hídrico, no Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
A vazão das nascentes depende de fluxos de subsuperfície e de superfície, 
de acordo com Kampf e Mirus (2013) e são causas reconhecidas para ini-
ciação de canal, que ocorre onde a concentração de fluxo é suficiente para 
desenvolver uma cabeça de canal.
As demais, 13BQ e 17MU apresentaram menores valores de vazão, com 
valores de 534,04 L/d e 4.996 L/d, respectivamente (Tabela 1). Para o mês 
avaliado (08 a 17 de outubro) a precipitação pluvial acumulada para o mu-
nicípio de Murici foi de 12.2 mm (Tabela 1); no município de Branquinha 
não há dados climatológicos disponíveis no órgão competente. 
Tabela 1: Média de vazão das quatro nascentes para o mês de outubro de 2021.
Municípios
Nascentes
Médias
precipitação 
pluvial
L/s L/h L/d m3/s m3/h m3/d mm
Branquinha
10BQ 0,1388 499,75 11.994 0,00014 0,50 12,10
-
13BQ 0,0062 22,25 534,04 0,00001 0,04 0,86
Murici
14MU 0,1289 463,94 11.134 0,00013 0,47 11,23
12.2
17MU 0,0575 206,90 4.966 0,00006 0,22 5,18
Fonte: autores
Considerações Finais
A utilização de MDE demostra-se eficiente na identificação de áreas de 
nascentes, embora seja um método simples, a fase de campo é imprescin-
dível para validação de dados;
Os maiores volumes de vazão ocorreram nas nascentes 10BQ, com 
11.994 Litros por dia, em Branquinha e na 14MU, com 11.134 Litros por dia, 
em Murici.
Referências
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Previsão de nascentes a partir de modelo digital de elevação e potencial hídrico, no Município de Branquinha e Murici, Alagoas
Sumário
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Segmentação fluvial e unidades geomórficas do Rio 
Miranda-MS: instrumentos para a gestão
Rafael Bartimann1 
Aguinaldo Silva2 
Sidney Kuerten3 
Hudson de Azevedo Macedo4 
Resumo: Este estudo descreve resultados preliminares de uma pesquisa em anda-
mento que visa apresentar uma segmentação do rio Miranda – MS com base nas carac-
terísticas físicas da bacia hidrográfica e no reconhecimento de unidades geomórficas. 
Foram identificados seis segmentos com distinções significativas, principalmente 
com relação aos aspectos geológicos e geomorfológicos. Isso pode ser evidenciado por 
meio de parâmetros morfométricos e pela ausência/presença de unidades geomór-
ficas no canal e na planície de inundação, o que traduz processos fluviais específicos 
para cada segmento do rio Miranda e auxilia a compreensão da dinâmica do sistema 
fluvial. Entender o comportamento destes sistemas é de suma importância para pro-
cessos de gerenciamento e gestão dos recursos hídricos.
Palavras-chave: geomorfologia; segmentação; unidades geomórficas; gestão.
Abstract: This study describes preliminary results of an ongoing research that aims 
to present a segmentation of the Miranda River – MS based on the physical charac-
teristics of the hydrographic basin and the recognition of geomorphic units. Six seg-
ments with significant distinctions were identified, mainly regarding with the geolo-
gical and geomorphological aspects. This can be evidenced through morphometric 
parameters and by the absence/presence of the geomorphic units in the channel and 
in the floodplain, which translates specific fluvial processes for each segment of the 
Miranda River and helps to understand the dynamics of the fluvial system. Unders-
tanding the behavior of these systems is of utmost importance for management pro-
cesses and water resources management.
Keywords: geomorphology; segmentation; geomorphic units; management.
1 PPGGEO/UFMS – Três Lagoas, MS – rafael_barthimann@hotmail.com.
2 PGGEO/UFMS – Três Lagoas, MS – aguinaldo.silva@ufms.br.
3 UEMS – Jardim, MS – sid.kuerten@gmail.com.
4 SED/SP, São Carlos, SP- hud_azevedo@hotmail.com.
mailto:rafael_barthimann@hotmail.com_
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Segmentação fluvial e unidades geomórficas do Rio Miranda-MS: instrumentos para a gestão
Sumário
Introdução
A dinâmica dos sistemas fluviais é resultado de fatores diversos (geolo-
gia, geomorfologia, vegetação, etc.) e por isso, suas formas e seus proces-
sos devem ser entendidos de forma integrada. Estudos em geomorfologia 
fluvial têm reforçado o papel da geologia na dinâmica do sistema fluvial. 
Ao estudar o alto rio Paraná, Fujita (2014) indicou que a configuração do 
sistema fluvial, bem como sua evolução geomorfológica podem refletir 
influências geológicas. Morais (2015) mencionou que mensurações na 
largura da planície de inundação demonstraram que descontinuidades 
fluviais indicam variações litológicas, e não necessariamente obedecem a 
uma perspectiva de continuum (VANNOTE et al. 1980). Pupim (2014) indi-
cou que o intemperismo químico e o grau de resistência das rochas repre-
sentam fatores dominantes no controle das taxas de erosão em ambientes 
tectonicamente estáveis, e acusou maior correlação entre as taxas de ero-
são e a variação geológica do que com variações nos parâmetros morfo-
métricos. Diante do exposto, neste estudo apresenta-se uma proposta de 
segmentação do rio Miranda com base nas características físicas da bacia 
(geologia, geomorfologia e vegetação) e no reconhecimento de unidades 
geomórficas. Estas características são fundamentais para delimitação de 
projetos de gestão da bacia hidrográfica, visto que a presença/ausência de 
unidades geomórficas podem traduzir os processos fluviais que ocorrem 
no canal e na planície de inundação.
Metodologia
Para realizar a segmentação do rio Miranda, utilizou-se da Carta Geo-
lógica do Brasil ao Milionésimo, folha Campo Grande - SF-21 (LACERDA-
-FILHO et al., 2004) e os produtos do Mapeamento dos Recursos Naturais 
– MRN (IBGE, 2020), que representam produções cartográficas em forma-
to vetorial e matricial, com informações de Geologia, Geomorfologia, Pe-
dologia e Vegetação, na escala 1:250.000. O banco de dados foi organizado 
no software ArcGis 10.4, o que permitiu o cruzamento das informações 
sempre que necessário. A segmentação foi consolidada com base no reco-
nhecimento de unidades geomórficas (BRIERLEY; FRYIRS, 2005) e no ma-
peamento de zonas homólogas (SILVA, 2010). Foram analisadas imagens 
Landsat 8 (cenas 225/075, 226/075 e 226/076), adquiridas no sítio eletrôni-
co do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE. As imagens foram 
tratadas a partir de dois procedimentos. O primeiro consistiu na fusão 
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Segmentação fluvial e unidades geomórficas do Rio Miranda-MS: instrumentos para a gestão
Sumário
da banda 8, pancromática, resolução de 15 metros com as demais bandas 
da imagem, melhorando a resolução espacial. Posteriormente foram fei-
tas composições coloridas de cor natural (R4G3B2) e falsa-cor (R7G5B3 e 
R6G5B4). A análise do terreno foi feita com modelos digitais de elevação 
(MDE) gerados a partir de imagens SRTM (Shuttle Radar Topography Mis-
sion) e do sensor PRISM (Panchromatic Remote-Sensing Instrument for 
Stereo Mapping) do satélite ALOS (Daichi). Por fim, foram calculados pa-
râmetros morfométricos, como comprimento do segmento, declividade e 
índice de sinuosidade (SOUZA et al. 2017).
Resultados e Discussão
Considerando as características morfológicas do canal e da planície de 
inundação, bem como os elementos da paisagem (geologia, geomorfologia 
e vegetação), foram identificados seis segmentos distintos no rio Miranda 
(Tabela 1 e Figura 1-A).
Tabela 1: Síntese dos resultados para cada compartimento mapeado.
Segmento Comprimento (km) Declividade (m/km) Índice de Sinuosidade
1 105,75 0,32 1,86
2 67,88 2,99 0,57
3 2,19 1,37 0,99
4 24,22 0,08 1,69
5 157,4 0,15 2,91
6 83,61 0,11 2,58
Fonte: Adaptado pelo autor.
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Figura 1: Segmentos mapeados e imagens representativas das unidades geomórficas.
Fonte: Galeria do autor. Google Earth, 2021.
O segmento 1 está embutido em planície aluvial parcialmente confi-
nada com presença de dique marginal de largura relativamente estreita. 
O segmento é circundado por arenitos das formações Botucatu e Aqui-
dauana, mas pode apresentar influências da formação Serra Geral, loca-
lizada à montante. Há predomínio de unidades geomórficas anexadas às 
margens, como barras laterais e de feições típicas de meio de canal, como 
barras centrais (figura 1-B), indicando processos de acreção lateral e/ou 
diminuição da capacidade de transporte.
No segmento 2, bastante estreito, o rio Miranda percorre uma estreita 
planície confinada em rochas do grupo Cuiabá e apresenta-se como um 
típico canal de leito rochoso. Este segmento limita-se à oeste com o Pla-
nalto da Bodoquena e à leste com os Planaltos e Patamares da Borda Oci-
dental da Bacia do Paraná, e é marcado pela presença de barras laterais 
alternadas e por feições de meio de canal, como barras centraise ilhas 
(figura 1-C). Além disso, nota-se vários trechos com corredeiras, eviden-
ciando o leito rochoso (figura 1-D).
O rio Miranda, no segmento 3, fica confinado em um vale aluvial com 
influências diretas da confluência com o rio Nioaque, o que resulta na 
presença de uma extensa planície de inundação. Neste segmento, o rio 
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Miranda flui sobre aluviões holocênicos tendo seus limites bem defini-
dos por rochas do grupo Cuiabá e por arenitos da formação Aquidaua-
na. No centro do canal existe um knickpoint (figura 1-E), indicando o re-
baixamento de um bloco de relevo em relação ao outro (MERINO, 2011). 
Esta unidade geomórfica vai influenciar a transição entre os padrões 
fluviais aproximadamente 25 km a jusante (já no segmento 5), onde o rio 
Miranda deixa de ser um canal de leito rochoso e caracteriza-se como 
um canal aluvial.
No segmento 4, o rio Miranda flui por rochas do grupo Cuiabá e caracte-
riza-se como um típico rio meandrante de leito rochoso. Este segmento é 
semelhante ao segmento 2, sendo marcado por poucas unidades geomór-
ficas de planície de inundação, limitando-se à isolados meandros abando-
nados. Isso demonstra mais estabilidade do canal em relação ao processo 
de migração lateral. As unidades geomórficas de canal, tanto de centro 
como aquelas anexadas às margens aparecem com maior frequência, com 
destaque para as barras laterais e centrais
O segmento 5 é o maior trecho identificado e suas características são 
típicas de rio aluvial, incluindo as unidades geomórficas de planície de 
inundação, como meandros abandonados, cortes de meandros (figura 
1-F), lagos, lagoas e pântanos (figura 1-G). Neste segmento, o rio Miranda 
flui por um vale aluvial encaixado em rochas do grupo Cuiabá, com um 
cinturão de meandros que se formou ao longo de todo o trecho. Neste seg-
mento, ocorrem unidades geomórficas anexadas às margens em peque-
nos trechos retilíneos, como barras alternadas, e em trechos mais sinuo-
sos, como as barras em pontal 
Por fim, no segmento 6, o rio Miranda flui sobre planície aluvial agra-
dacional com embasamento na Formação Pantanal, tendo como limites, 
a planície do rio Salobra (figura 1-H) e a Planície do Miranda-Aquidauana, 
áreas típicas de acumulação. Neste segmento, a planície de inundação se 
torna mais larga e suas unidades geomórficas são mais abundantes do que 
aquelas predominantes no canal. Nota-se grande quantidade de cicatri-
zes de meandros, de espiras de meandros (figura 1-I), de meandros aban-
donados e de paleocanais. Estas feições adentram a planície pantaneira 
e são relevantes para a manutenção da fauna e flora local, visto que este 
conjunto de unidades geomórficas constitui habitats aquáticos perma-
nentes ou periodicamente inundados e base ecológica para a diversida-
de de espécies (JUNK, et al., 2006). Em geral, estão associadas à cortes de 
meandros, que representam o encurtamento dos comprimentos de fluxo, 
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ao ajuste do canal ao fluxo sinuoso, e também, à migração lateral do canal 
quando em condições alto fluxo, a margem côncava é corroída pelo fluxo 
helicoidal e os sedimentos são transferidos para unidades geomórficas, 
principalmente, barras em pontal.
Considerações Finais
Os resultados indicaram que, apesar de haver pequenos trechos retilí-
neos, de modo geral, o rio Miranda apresenta um padrão meandrante, cujo 
índice de sinuosidade varia entre os seis segmentos mapeados. Nos qua-
tro primeiros segmentos, distinguem-se várias unidades geomórficas de 
canal, como barras laterais alternadas, barras centrais e ilhas, indicando 
predomínio dos processos de erosão e transporte de sedimentos em está-
gios de alta vazão. Nos segmentos 5 e 6, prevalecem unidades geomórficas 
típicas de planície de inundação, indicando predomínio dos processos 
deposicionais e maior interação do canal com as áreas adjacentes. Conhe-
cer as características e o comportamento dos rios é essencial para traçar 
cenários futuros. Por isso, a metodologia aplicada com base no reconhe-
cimento das unidades geomórficas apresenta-se eficiente para a gestão da 
bacia hidrográfica, na medida que permite inferir sobre os processos que 
atuam na escala do trecho e da bacia como um todo.
Referências
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River Styles Framework. Oxford, UK: Blackwell Publications, 2005. p. 398.
FUJITA, R. H. Geomorfologia e evolução quaternária da calha do alto rio Paraná, no seg-
mento livre de barramentos, entre os reservatórios de Porto Primavera e Itaipu. (Tese de 
Doutorado) Universidade Estadual Paulista. Rio Claro. 2014.
IBGE. Mapeamento dos Recursos Naturais do Brasil: Geologia, Pedologia, Vege- 
tação. [Shapefile]. (1:250.000). Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
JUNK, W. J. CUNHA, C. N. WANTZEN, K. M. PETERMANN, P. STRÜSSMANN, C. MARQUES, 
M. I. ADIS, J. Biodiversity and its conservation in the Pantanal of Mato Grosso, Brazil. 
Aquatic Sciences, Dübendorf, n. 68, p. 278-309, 2006.
LACERDA-FILHO, J.V. VALENTE, C.R. RIZZOTO, G.J. BAHIA, R.B.C. QUADROS. L.E.S. LOPES, 
R.C. OLIVEIRA, I.W.D. Carta geológica do Brasil ao milionésimo. Sistemas de Informação 
Geográfica – SIG. Programa de Geologia do Brasil. CPRM: Brasília, 2004.
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Sumário
MERINO, E. R. Caracterização geomorfológica do sistema deposicional do rio Miranda 
(Borda Sul do Pantanal Mato-Grossense, MS) com base em dados orbitais. (Dissertação de 
Mestrado) Universidade Estadual Paulista - UNESP. Rio Claro, p. 79. 2011.
MORAIS, E. S. D. Formas, processos e evolução no padrão de canal meandrante em dife-
rentes escalas geomorfológicas: o Rio do Peixe, SP. (Tese de Doutorado) Universidade Esta-
dual Paulista - UNESP. Presidente Prudente-SP. 2015.
PUPIM, F. D. N. Geomorfologia e paleo-hidrologia dos megaleques dos rios Cuiabá e São 
Lourenço, Quaternário da Bacia do Pantanal. (Tese de Doutorado) UNIVERSIDADE ESTA-
DUAL PAULISTA. Rio Claro. 2014.
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togrossense, Centro-Oeste do Brasil. (Tese de Doutorado) Universidade Estadual Paulista, 
UNESP. Rio Claro. 2010.
SOUZA, C. F. PERTILLE, C. T. CORRÊA, B. VIEIRA, F. S. Caracterização morfométrica da bacia 
hidrográfica do rio Ivaí – Paraná. Geoambiente – on-line. n. 29, 2017.
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er continuum concept. Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Sciences. ed. 37., 1980. 
p. 130-137.
Dinâmica Temporal de Uso, Ocupação e Transição do 
Solo na Bacia Hidrográfica do Rio das Pedras, Goiás, 
Brasil – 1990 e 2020 
Nelton Nattan Amaral Nunes1 
 José Carlos de Souza2 
Resumo: O presente trabalho apresenta uma abordagem de estudo de uso, ocupação e 
transição do solo na bacia hidrográfica do Rio das Pedras, cujo bioma é o Cerrado, onde 
aplicou-se técnicas de geoprocessamento para o mapeamento de classes de uso e ocu-
pação do solo. A análise foi feita numa perspectiva temporal,of the banks and garbage 
disposal, in addition to the channeling of its mouth. With a strong influence from civil 
construction in the place, the degradation affects the fauna and its ecosystem, as well 
as the local community, as it is an important water body of fresh water destined for 
the recreation of aquatic communities and fish production. Thus, the environment 
will become inhospitable to fragile species, driving away migratory birds and losing 
its status as an urban park for native species, studies focused on anthropic impacts on 
fauna should be undertaken to promote a strategy to mitigate the effects.
Keywords: migratory birds; urban park; Papicu/Maceió water complex.
Introdução
A Bacia Hidrográfica do Riacho Maceió, está localizada integralmente 
no território da capital do estado do Ceará, cujo estuário constitui um 
parque urbano de mesmo nome, estando compreendido dentro do Com-
plexo Hídrico Papicu/Maceió. Faz parte também de um dos incontáveis 
de sistemas de lagunas e lagoas costeiras que desenhavam Fortaleza no 
passado não tão distante, e que serviam à comunidade para pesca, agri-
cultura de vazante, consumo doméstico de água para fins de alimentação, 
higiene e recreação o tornando um valioso recurso para a subsistência e 
para o cotidiano urbano da população local (GIRÃO, 1959).
Ao longo dos anos esse importante sistema hídrico, representado pelo 
riacho Maceió, vem sofrendo impactos antrópicos devido ao lançamento 
de efluentes domésticos, deposição de lixo de diversas naturezas e des-
matamento das margens, além da crescente especulação imobiliária, res-
ponsável por eliminar uma parcela desse recurso natural causando a con-
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taminação das águas associados aos processos de erosão e assoreamento 
(SILVA; MEIRELES; PEREIRA, 2011). Apesar da enorme pressão antrópica, 
o local não abriga apenas a comunidade, servindo como habitat, tempo-
rário ou fixo, de muitos constituintes da fauna local, que resistem mesmo 
devido a constante degradação ao longo dos anos, e que usufruem dire-
tamente ou indiretamente de suas terras de silte e areia muito fina, que 
devido à baixa intensidade hidrodinâmica, comporta altos teores de car-
bonato de cálcio e matéria orgânica (PEREIRA; PIMENTA; SOUSA, 2019).
Utilizando do ambiente e integrados a ele, a avifauna compõem parte de 
uma biodiversidade que constitui um complexo sistema ecológico (geos-
sistema ou ecossistema). Afetadas diretamente pela presença antrópica 
em seu habitat, a avifauna utiliza do ambiente para o repouso durante a 
migração, na criação de ninhos, na busca pela alimentação e até mesmo 
como habitat para aves residentes que dependem inteiramente do local 
(CHAMBERLAIN, 2007; MARZLUFF, 2001). 
As espécies da avifauna, além de sua interação espécie-área demonstrar 
diferentes patamares dependendo do nível de urbanização, de forma in-
versamente proporcional (DI PIETRO, 2020), também constitui parte da 
diversa e complexa rede trófica marinha e terrestre Dessa forma, caracte-
riza-se por ser um importante grupo faunístico, onde há possíveis indica-
dores biológicos de distúrbios (antrópicos ou não), além de possuírem ne-
cessidades específicas de estado de preservação do ambiente, garantindo 
que a presença ou ausência de determinada espécie pode caracterizar o 
ambiente como mais ou menos degradado (SCHERER et al., 2010).
Em seu conteúdo, o presente artigo tem por objetivo principal demons-
trar resultados de pesquisas realizadas, que mensuraram a abundância e 
riqueza, além de listar a composição das espécies encontradas no ambien-
te fluvio-lacustre do estuário e da Bacia Hidrográfica do Riacho Maceió, 
que deverá ainda ser utilizada como base para estudos futuros, inclusive 
na caracterização e mensuração de impactos antrópicos sobre a avifauna 
local, envolvendo sua intensidade, causas e consequências. 
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Metodologia
A amostragem das espécies fora realizada em três pontos localizados 
no curso do rio Maceió/Papicú e realizadas 114 coletas, com uma coleta 
mensal em cada um dos pontos, totalizando três coletas por mês. 
A partir de pontos predeterminados foram definidos buffers de 200m, 
onde foram percorridas trilhas e através de espera, as espécies avistadas 
e escutadas foram registradas ao longo de 10 minutos (com 6 repetições 
para cada coleta). Além das espécies identificadas pela visualização e au-
dição, a abundância (número de indivíduos de uma determinada espécie) 
e riqueza (número de indivíduos de uma determinada espécie no local) 
também foi contabilizada ao longo da caminhada. 
Resultados e Discussão
Cinco espécies apresentaram-se mais significativas ao longo das 114 
amostragens: Columbina talpacoti (Temminck, 1810) (121 indivíduos, re-
presentando 3,8% do total de 3183 indivíduos encontrados); Fluvicola nen-
geta (Linnaeus, 1766) (130 indivíduos, com 4,08%); Pitangus sulphuratus 
(Linnaeus, 1766) (141 indivíduos, com 4,43%); Columba livia (Gmelin, 1789) 
(521 indivíduos, com 16,37%) e Passer domesticus (Linnaeus, 1758) (674 in-
divíduos, com 21,17%).
Há que destacar que com o meio alterado, também se modifica o habi-
tat de cada espécie, em decorrência se reduz a disponibilidade de alimen-
to, possibilidades de locais para nidificação, ampliação na diversidade de 
predadores, crescimento da competição pelos mais variados recursos e 
surgimento de novas doenças, tais fatores afetando de forma significa-
tiva a estrutura e composição de aves urbanas (CHAMBERLAIN, 2007; 
MARZLUFF, 2001). Observa-se ainda, que quando se trata ambientes de 
água doce, a pressão de caça é maior para aves nesses locais se compa-
radas as demais aves aquáticas (ACCORDI, 2010). Foi observado entre os 
dados coletados uma alta densidade populacional, porém com baixa va-
riedade específica, constatando efeitos diretos e indiretos na avifauna, 
uma vez que quanto mais se expande as áreas urbanas e antropizadas os 
ecossistemas naturais vão sendo espacialmente reduzidos e modificados 
(CHAMBERLAIN, 2007).
A urbanização favorece aves sinantrópicas, onde o convívio com a es-
pécie humana garante alimentação em abundância e locais para criação 
de ninho de forma mais acessível. Sendo essas aves encontradas mais fa-
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Sumário
cilmente em áreas suburbanas com alta densidade urbana, e áreas com 
baixa densidade ou áreas rurais são evitadas. 
Em razão do que foi explicitado, pode-se destacar a relevante impor-
tância ecológica para a sobrevivência da avifauna, que representam os 
parques urbanos, uma vez que áreas verdes contínuas se tornaram es-
cassas e não mais suficientemente propiciam refúgio, as aves procuram 
pelos parques urbanos como fonte de abrigo, alimentação e de local para 
postura dos ovos (CHOUDHARY, 2020).
Considerações Finais
Cabe ser ressaltado, a importância do ambiente do estuário do riacho 
Maceió, como parque urbano, uma vez que esse oferece refúgio para di-
versas espécies da avifauna, e muitos outros demais vertebrados e inver-
tebrados, sem esquecer de mencionar sua importância cultural e históri-
caconsiderando os anos de 
1990 e 2020 e, categorizando o uso e possíveis influências de perda de vegetação nativa 
do Cerrado e os consequentes impactos gerados. A bacia hidrográfica é uma unidade 
básica de gerenciamento territorial, retratando a suma importância de se conhecer 
as características físicas que compõem a sua paisagem. Os resultados indicaram que 
no ano de 1990, a bacia já apresentava uma crítica condição de perda de cobertura de 
Cerrado, contando naquele período com mais de 70% de áreas antropizadas, principal-
mente por pastagens. Em 2020, há importantes mudanças na configuração da paisa-
gem, com redução das áreas de pastagens e acréscimos em áreas agrícolas. 
Palavras-chave: Agricultura; Pastagem; Vegetação; Solos.
Abstract: The present work presents an approach to the study of land use, occupa-
tion and transition, in the Rio das Pedras hydrographic basin, whose biome is the 
Cerrado, where geoprocessing techniques were applied for the mapping of land use 
and occupation classes. The analysis was carried out in a temporal perspective, con-
sidering the years 1990 and 2020, categorizing the use and possible influences of loss 
of native Cerrado vegetation and, consequently, the impacts generated. The hydro-
graphic basin is a basic unit of territorial management, portraying the paramount 
importance of knowing the physical characteristics that make up its landscape. The 
results indicated that in 1990 the basin already presented a critical condition of loss 
of Cerrado cover, counting in that period already with more than 70% of anthropized 
areas, mainly by pastures. In 2020, there are important changes in the configuration 
of the landscape, with a reduction in pasture areas and additions to agricultural areas.
Keywords: Agriculture; Pasture; Vegetation; Soils.
1 Mestrando PPGEO – UEG, neltonnattan@hotmail.com. 
2 Docente no curso de Geografia - UEG e no PPGEOUEG, jose.souza@ueg.br.
mailto:neltonnattan@hotmail.com
mailto:jose.souza@ueg.br
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Dinâmica Temporal de Uso, Ocupação e Transição do Solo na Bacia Hidrográfica do Rio das Pedras, Goiás, Brasil – 1990 e 2020 
Sumário
Introdução
As bacias hidrográficas são recortes espaciais de análise geográfica e 
células básicas de estudos geoambientais com vistas ao planejamento e 
manejo integrado dos seus recursos naturais. As bacias possuem carac-
terísticas sistêmicas que possibilitam avaliar de forma integrada seus 
componentes, processos e interações, facilitando assim, a compreensão 
das causas e consequências das atividades humanas neste sistema (BO-
TELHO; SILVA, 2010; BERTONI; LOMBARDI NETO, 2014). 
A bacia hidrográfica do Rio das Pedras, objeto de análise deste traba-
lho, está localizada predominantemente no município de Itaberaí – Goiás 
- Brasil, abrange áreas compostas originalmente pelo domínio morfocli-
mático e fitogeográfico do cerrado. Segundo Silva e Sano (2016), o Cerrado 
pode ser considerado um ecossistema de savanas, que ocorre na região 
Central do Brasil sob influência de sazonalidade climática, apresentan-
do fitofisionomias florestais, arbustivas e gramíneo lenhosas e, de acor-
do com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Cerrado 
ocupa uma área de 2.036.448 Km² e corresponde a 23,92% do território 
brasileiro (IBGE, 2004).
A partir de 1970, o Bioma Cerrado passou a ser palco de uma acelera-
da e intensa ocupação econômica, tendo o agronegócio como carro-che-
fe (DIAS, 2008). Nesse sentido, a ocupação e uso do solo na Bacia Hidro-
gráfica do Rio das Pedras não difere do contexto descrito, haja vista que 
historicamente a região vem sendo ocupada por áreas de pastagens e de 
atividades agrícolas, dada a condição da região com forte vocação para o 
agronegócio, sobretudo, pela característica do relevo levemente ondula-
do e plano. 
Considerando-se as características econômicas da região, calcadas 
principalmente nas atividades rurais, leia-se cultivo de lavouras irriga-
das, na pecuária leiteira e de corte e, ademais, considerando o processo 
de industrialização do município iniciado a partir dos anos 90 com a fun-
dação de um abatedouro de aves, que atualmente monopoliza toda a ca-
deia produtiva desse setor, verifica-se que os impactos dessas atividades 
na paisagem natural são significativos e tem transformado áreas original-
mente ocupadas pela vegetação do Cerrado em áreas antropizadas. 
De acordo com dados obtidos através do Instituto Mauro Borges de Es-
tatística e Estudos Socioeconômicos, referentes ao desenvolvimento da 
agropecuária na Bacia Hidrográfica do Rio das Pedras, é possível identifi-
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Sumário
car significativo crescimento em cultivos agrícolas específicos, bem como 
o da cana-de-açúcar, milho, tomate e, especialmente, a soja. Em relação à 
pecuária, os galináceos e o rebanho bovino são predominantes. 
Associado aos impactos sobre o Cerrado provocados pela agropecuária, 
há que se considerar a expansão urbana. Atualmente, Itaberaí é uma cidade 
com significativo crescimento demográfico, fomentado pelo crescimento 
industrial, cuja busca pelo trabalho tem atraído pessoas de todo o país.
As consequências são perdas significativas de cobertura vegetal natu-
ral, as quais interferem diretamente nos recursos hídricos. Neste caso, 
os impactos vão desde o desaparecimento de nascentes ocasionado pela 
retirada da cobertura vegetal, à diminuição da vazão dos cursos de água, 
situação provocada substancialmente pelo uso da água na irrigação por 
pivôs centrais. 
Diante do descrito, o objetivo do presente trabalho é descrever a dinâ-
mica temporal do uso do solo na Bacia hidrográfica do Rio das Pedras em 
Itaberaí – Goiás, Brasil e avaliar as consequências da perda de cobertura 
de Cerrado, no período de 1990 a 2020.
Metodologia
A BHRP (Bacia hidrográfica do Rio das Pedras) localiza-se na porção cen-
tral território goiano, entre as coordenadas planas 7610146mE/634681mE 
e 8202846mS/8232035mS (Figura 1). A BHRP compõe o sistema de drena-
gem da alta bacia hidrográfica do rio Uru que, por usa vez, drenam suas 
águas para o rio Tocantins. A bacia tem uma área de 369 Km² e sua totali-
dade está dentro dos limites do município de Itaberaí.
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Dinâmica Temporal de Uso, Ocupação e Transição do Solo na Bacia Hidrográfica do Rio das Pedras, Goiás, Brasil – 1990 e 2020 
Sumário
 
Figura 1: Mapa de Localização da Bacia Hidrográfica do Rio das Pedras (Goiás).
Fonte: Elaborado pelo autor.
Com a finalidade de mapear o uso e cobertura do solo na Bacia do Rio 
das Pedras, foi efetuada uma coleta de dados para a composição de uma 
base cartográfica e assim a realização da análise categórica. Para a delimi-
tação da bacia hidrográfica foram adquiridas gratuitamente duas cenas 
do site ALOS PALSAR (ASF), que se sucedeu através do Modelo Digital de 
Elevação (MDE). Essa delimitação é sugerida por Schmitt e Moreira (2015) 
e conforme Araújo et al. (2009), delimitar a área da bacia hidrográfica é 
uma das primeiras metodologias para se iniciar os estudos relacionados 
aos recursos hídricos, manejo e cobertura do solo.
Para o mapeamento e análises do uso, cobertura do solo e elaboraçãopara a cidade de Fortaleza. O trabalho desenvolvido possui ainda como 
um de seus objetivos secundários, deixar transparecer a importância de 
locais ainda conservados, mas que sofrem o risco eminente.
Os parques urbanos são a comprovação de que as espécies da fauna lo-
cal ainda estão vivas, contudo, as espécies presentes no riacho Maceió são 
alvos constantes da ação antrópica, influenciando diretamente seu nicho, 
assim, a presente pesquisa servirá como base para futuros estudos apro-
fundados dos impactos antrópicos nas populações da avifauna residente 
nesse corpo d’água.
O crescimento urbano sem devido planejamento e ordenamento ter-
ritorial, tem levado à degradação progressiva dos últimos resquícios e 
fragmentos de ecossistemas ainda presentes na cidade, como é o caso de 
Fortaleza. Apesar dos esforços em se estabelecerem unidades de conser-
vação e parques urbanos na região metropolitana, torna-se necessária a 
tomada de decisões mais efetivas. Há que fazer cumprir as normas de es-
tabelecimento legal das APP – Áreas de Preservação Permanente ao longo 
dos cursos d’água.
As pesquisas científicas promovidas por professores e alunos das uni-
versidades públicas (Universidade Estadual do Ceará e Universidade 
Federal do Ceará), dos seus cursos de Biologia e Geografia, são de suma 
relevância por mostrar que a cidade ainda tem uma elevada biodiversi-
dade, no caso a avifauna. A informação científica é o nosso instrumento 
de reivindicação por novas reservas ambientais, estamos mostrando que 
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Complexo Hídrico Maceió/Papicu como Refúgio Silvestre de Fortaleza/CE
Sumário
é possível viver de forma harmônica nas relações cidade e fauna, que não 
vivemos só no planeta, e que mesmo na cidade convivemos com outras 
espécies que devemos respeitar.
Referências
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Complexo Hídrico Maceió/Papicu como Refúgio Silvestre de Fortaleza/CE
Sumário
SILVA, P. R. F. G. da; MEIRELES, A. J. de A.; PEREIRA, J. S. Diagnóstico da qualidade da água 
do sistema Hídrico Papicu/Maceió, Fortaleza, Ceará, Brasil. Arquivos de Ciências do Mar. 
Fortaleza, v. 44, n. 3, p. 81-86, 2011.
PEREIRA, R. L. F.; PIMENTA, M. de N. C. B.; SOUZA, L. DE P. Contribuição do rio Cocó e ria-
cho Maceió na sedimentação da plataforma interna de Fortaleza-CE. Revista de Geociên-
cias do Nordeste, v. 5, p. 105-115, 1 nov. 2019.
Dinâmica dos Regimes Pluviométricos e da Temperatura 
na Bacia Hidrográfica do Rio Amapari - Amapá 
(2001 - 2020)
 Joabi Luiz Lima de Lima1 
Alan Nunes Araújo2 
Iury Matheus Araujo Serra3 
Amintas Nazareth Rossete4 
Resumo: À medida que a frente agrícola se expande, a mudança no uso e ocupação 
do solo leva a alterações nos ecossistemas da Amazônia. O desmatamento e a subse-
quente queima de biomassa resultam na injeção de grandes volumes de gases de efeito 
estufa e aerossóis e podem exacerbar as mudanças já produzidas pela variação climá-
tica natural. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo analisar a dinâmi-
ca pluvial e de temperatura da Bacia Hidrográfica do Rio Amapari, Amapá, visando 
compreender as variações ao longo deste período bem como relacionar as principais 
transformações espaciais. Para levantamento das informações de precipitação e tem-
peratura de 2001 a 2020 foi utilizado o software Google Earth Engine (GEE) e o Goo-
gle Colab (GC) na elaboração dos produtos para este trabalho. Como resultados foram 
percebidos uma grande variação do regime de pluviometria e também da temperatura 
no período estudado, com redução do período de chuva ao longo do ano, concomitante 
ao aumento da temperatura. 
Palavras-chave: Bacia Hidrográfica do Rio Amapari; Amapá; Pluviometria; Tempera-
tura. 
Abstract: As the agricultural front expands, the change in land use and occupation 
leads to changes in Amazonian ecosystems. Deforestation and subsequent burning of 
biomass result in the injection of large volumes of greenhouse gases and aerosols and 
can exacerbate changes already produced by natural climate variation. In this sense, 
1 Graduando em Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal do Pará. Bolsista PRODOU-
TOR/PIBIC 2021 - joabi.lima@ifch.ufpa.br.
2 Graduando em Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal do Pará - iury.serra@ifch.
ufpa.br.
3 Graduando em Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal do Pará - iury.serra@ifch.
ufpa.br.
4 Professor Dr. da Faculdade de Ciências Agrárias, Biológicas e Social Aplicada da Universidade 
Estadual do Mato Grosso - amintas@unemat.br.
mailto:joabi.lima@ifch.ufpa.br
mailto:iury.serra@ifch.ufpa.br
mailto:iury.serra@ifch.ufpa.br
mailto:iury.serra@ifch.ufpa.br
mailto:iury.serra@ifch.ufpa.br
mailto:amintas@unemat.br
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Dinâmica dos Regimes Pluviométricos e da Temperatura na Bacia Hidrográfica do Rio Amapari - Amapá (2001 - 2020) 
Sumário
this work aims to analyze the dynamics of rainfall and temperature in the Amapari 
River Basin, Amapá, in order to understand the variations over this period as well as 
relate the main spatial transformations. To survey the precipitation and temperatureinformation from 2001 to 2020, the software Google Earth Engine (GEE) and Google 
Colab (GC) were used in the elaboration of the products for this work. As a result, a 
great variation in the rainfall regime and also in the temperature during the studied 
period were noticed, with a reduction in the rainy season throughout the year, conco-
mitant with the increase in temperature.
Keywords: Bacia Hidrográfica do Rio Amapari; Amapá; rainfall; temperature.
Introdução 
A Amazônia, compreendida por muito tempo como uma área inacessí-
vel, insalubre e que apresenta grandes dificuldades para exploração eco-
nômica, é uma das áreas mais despovoadas do globo, considerada como 
um “deserto verde” (BUENO, 2012). Apesar dessa concepção a milhares 
de anos, a Amazônia já possuía a presença do Homem. Esses povos ocu-
param a região amazônica sem qualquer interferência em sua cultura, até 
a chegada dos europeus. Esse período foi marcado pela ocupação pré-co-
lonial, onde acredita-se que os padrões de organização dos grupos indíge-
nas amazônicos do presente seriam os mesmos dos grupos encontrados a 
séculos na região. (COSTA, 2009). 
Os recursos naturais são fontes de insumos para os seres humanos des-
de os primórdios, e na Amazônia especificamente são explorados desde o 
século XIX e XX com uma rapidez que não permite a regeneração destes 
recursos, e para alguns chegando à exaustão. Como exemplo destes pro-
dutos utilizados podemos aqui citar a exploração madeireira, utilização 
da floresta para produção de fármacos, celulose, cortiça, frutos, geração 
de energia hídrica, entre outros. Esses serviços ambientais são de imensa 
importância por serem benefícios que o meio ambiente presta ao homem, 
porém quando impactados podem interferir na regulação do clima local e 
regional (AMAZONAS, 2009).
Recentemente, as discussões acerca da deterioração dos ecossistemas 
têm provocado grandes discussões sobre os efeitos da degradação am-
biental, surgindo dúvidas sobre até que ponto os efeitos da ocupação hu-
mana sobre os territórios influenciam sobre a degradação dos ecossiste-
mas locais (SOARES et al., 2006).
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Sumário
 Durante várias discussões sobre as consequências das mudanças cli-
máticas, foi criado em 1988 o Painel Intergovernamental sobre Mudanças 
Climáticas (IPCC) onde foi concebido por iniciativa da Organização Me-
teorológica Mundial (OMM) e o Programa das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente (PNUMA). O IPCC busca avaliar em uma base abrangente, objeti-
va, aberta e transparente o que as últimas literaturas científicas, técnicas 
e socioeconômicas estão produzindo, revelando para o mundo o enten-
dimento sobre as alterações climáticas induzidas pelos seres humanos 
(BRASIL, 2008).
No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sugere 
modelos que, ao alterar o ciclo hidrológico na Amazônia, o desmatamen-
to em grande escala pode produzir um clima mais quente e um tanto mais 
seco. Os resultados dessas simulações sugerem que, quando o desmata-
mento atingir mais de 40% da extensão original da Floresta Amazônica, 
a precipitação pluviométrica diminui em até 40% nos períodos de julho a 
novembro (MARENGO et al., 2011).
À medida que a frente agrícola se expande, a mudança no uso e ocupação 
do solo leva a alterações nos ecossistemas da Amazônia. O desmatamento 
e a subsequente queima de biomassa resultam na injeção de grandes volu-
mes de gases de efeito estufa e aerossóis e podem exacerbar as mudanças 
já produzidas pela variação climática natural. Além disso, diante da pers-
pectiva de aumento do desmatamento, há também as seguintes ameaças: 
extinção e/ou redução da diversidade de espécies de peixes em uma área 
considerada de grande importância para o setor pesqueiro; acúmulo de 
sedimentos e níveis tóxicos de mercúrio nos reservatórios; impactos nas 
populações ribeirinhas, nos povos indígenas e nas comunidades urbanas 
(MARENGO et al, 2011).
A Bacia Hidrográfica do Rio Amapari (Figura 01), localizado na Ama-
zônia Amapaense experimenta estas mudanças por se inserir em meio a 
uma província metalogenética, que potencializa a exploração de seus re-
cursos minerais sendo está a principal atividade econômica desenvolvida 
nesta região e a que mais interfere na mudança da paisagem. Por outro 
lado, apresenta também um grande percentual de áreas protegidas tanto 
de uso sustentável ou de proteção integral, além de territórios indígenas 
e de populações tradicionais. 
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Sumário
Figura 01 -Mapa de Localização da Bacia Hidrográfica do Rio Amapari 
Fonte: Lima, 2021.
Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo analisar a di-
nâmica pluvial e de temperatura da Bacia Hidrográfica do Rio Amapari, 
Amapá, visando compreender as variações ao longo deste período bem 
como relacionar as principais transformações espaciais. 
Metodologia
Os Dados para a precipitação são proveniente do sensor MODIS, e para 
tanto foram utilizadas as bandas: banda 1 (620mn/ vermelho) banda 2 
(841nm – 876nm/infravermelho próximo) as duas com 250 metros de 
resolução espacial e a banda 6 (1628nm – 1657nm/ infravermelho mé-
dio) com 500 metros de resolução espacial, reamostrada para 250 metros. 
Para a temperatura foi utilizada a banda LAST Day 1 km também do sen-
sor MODIS.
Na figura abaixo (Figura 02), pode-se observar o fluxo metodológico 
para a elaboração dos produtos.
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Sumário
Figura 02 - Fluxograma metodológico
Fonte: Elaborado pelos autores, 2021.
Como pode-se ver acima, foi utilizado o software Google Earth Engine 
(GEE) e o Google Colab (GC) na elaboração dos produtos para este trabalho. 
Para o período de anos a serem mapeados, foram selecionados os seguin-
tes períodos: Uma análise de 2001 a 2020, e outra somente com o ano de 
2001 e outra 2020, separadamente, para comparação entre os dois anos, 
ambas contemplam a análise de temperatura média mensal e pluviome-
tria média mensal. No GC foram realizados os gráficos de temperatura e 
pluviometria, já no GEE somente o mapa de pluviometria. 
Resultados e Discussão
Ao analisar separadamente a precipitação média mensal do ano de 
2001 e 2020 (Figura 03) e sua temperatura média mensal respectivamen-
te, é possível perceber que a bacia hidrográfica do rio Amapari, no Amapá, 
teve nos anos estudados uma variação grande em relação a estas variáveis 
climáticas. 
No ano de 2001 houve uma concentração dos meses de janeiro até junho 
com elevado índice pluviométrico, com amplitude média superior a 350 
mm/mês com um decréscimo gradual nos meses mantendo-se com um 
regime pluviométrico variando entre 50 a 100 mm/mês. Essa dinâmica é 
diferente do ano de 2020, com um decréscimo considerável nos meses ini-
ciais com pluviometria inferior a 150 mm/mês, mantendo apenas o mês de 
abril com número superior a 350 mm/mês, como em 2001. Outubro apre-
sentou também uma pluviometria bem menor, abaixo de 50 mm/mês. 
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Sumário
Quanto à temperatura, ela também variou mesmo mantendo-se sem-
pre com temperaturas mais elevadas. No ano de 2001 a temperatura apre-
sentou uma constância de 30º nos meses mais chuvosos aumentando na 
segunda metade do ano, justamente nos meses menos chuvosos. Esta di-
nâmica se alterou mantendo as temperaturas mais elevadas no mês de 
maio, período ainda com elevada pluviometria, atingindo 35º C. 
Figura 03 - Variação Pluviométrica e de Temperatura do ano de 2001 e 2020
Fonte: Sensor MODIS-06. Elaborado pelos autores, 2021.
A série temporal (2001 a 2020) presente na Figura 04 ressalta ainda 
mais esta mudança na dinâmica climática ao longo destas últimas déca-
das na bacia com elevação da temperatura média ao longo do ano, supe-
rior a 30º C atingindo quase 40º e uma redução na precipitação da bacia 
hidrográfica, elevando seu período de estiagem. 
Figura 04 - Séries de precipitação e temperatura plotadas para o período de estudo 
(2001 – 2020)
Fonte: Sensor MODIS-06. Elaborado pelos autores, 2021.
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Dinâmica dos Regimes Pluviométricos e da Temperatura na Bacia Hidrográfica do Rio Amapari - Amapá (2001 - 2020) 
Sumário
Considerações Finais
A Bacia Hidrográfica do Rio Amapari, no Amapá, apresenta uma mu-
dança na dinâmica climática ao longo dos últimos 19 anos, muito em ra-
zão não somente dos fatores climáticos globais, mas também pelas diver-
sas mudanças relacionadas à região. Criação de Hidrelétricas, aumento 
de atividades de garimpo e mineração e desmatamento são alguns dos 
fatores que interferem nessa dinâmica. É necessário um estudo aprofun-
dado para melhor entendimento dos fatores que de fato são diretamente 
responsáveis e seus reais impactos ambientais. 
Referências
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continental. Brasil: FLACSO. Junho, 2009.
AMAZONAS. Governo do Estado. A floresta amazônica e seu papel nas mudanças climá-
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SOARES, T. S.; CARVALHO, R. M. A.; VIANA, E. C.; ANTUNES, F. C. B. Impactos ambientais 
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sil: análise conjunta Brasil-Reino Unido sobre os impactos das mudanças climáticas e do 
desmatamento na Amazônia.CCT/INPE/MOHC, 2011.
Enfoques geoecológicos como fundamentos para o 
planejamento ambiental em bacias hidrográficas
Fábio Soares Guerra1 
Camila Esmeraldo Bezerra2 
Joelma Pereira da Silva3 
Edson Vicente da Silva4 
Resumo: A água é um recurso indispensável para o equilíbrio ecodinâmico do plane-
ta e para sobrevivência das mais variadas formas de vida. Assim sendo, trabalhos de 
conservação, preservação e manejo dos recursos hídricos são de fundamental impor-
tância para o desenvolvimento socioambiental. Em vista disso, o presente estudo tem 
por objetivo contribuir em termos epistemológicos para o planejamento ambiental 
em bacias hidrográficas. Como metodologia foi utilizada a pesquisa bibliográfica de 
caráter exploratório, sob a abordagem qualitativa. Como resultados e discussões fo-
ram evidenciadas as bases da Geoecologia das Paisagens como essências para o plane-
jamento ambiental em bacias hidrográficas. Como conclusão, percebe-se a possibili-
dade de aplicação dos enfoques geoecológicos nos estudos que contemplam as bacias 
hidrográficas como unidades de planejamento.
Palavras-chave: Geoecologia das Paisagens. Planejamento Ambiental. Bacias Hidro-
gráficas.
Abstract: Water is an indispensable resource for the ecodynamic balance of the pla-
net and for the survival of the most varied forms of life. Therefore, conservation, pre-
servation and water resources management works are of fundamental importance for 
social and environmental development. In view of this, this study aims to contribute 
in epistemological terms to environmental planning in watersheds. As a methodo-
logy, exploratory bibliographic research was used, under a qualitative approach. As 
results and discussions, the bases of Landscape Geoecology were highlighted as es-
sences for environmental planning in hydrographic basins. As a conclusion, one can 
see the possibility of applying geoecological approaches in studies that contemplate 
hydrographic basins as planning units.
Keywords: Landscape Geoecology. Environmental Planning. Watersheds.
1 Universidade Federal do Ceará-fabiosoaresguerra@hotmail.com.
2 Universidade Federal do Ceará, camila.esmeraldo23@gmail.com.
3 Faculdade de Tecnologia do Cariri - joelmapereira1618@gmail.com.
4 Universidade Federal do Ceará, cacauceara@gmail.com.
mailto:camila.esmeraldo23@gmail.com
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Enfoques geoecológicos como fundamentos para o planejamento ambiental em bacias hidrográficas
Sumário
Introdução
A água é um bem primordial na vida de todos os seres vivos, sem ela não 
existe vida na terra, sendo assim, deve-se preservar esse bem tão valioso. 
Por conseguinte, é necessário ter um cuidado especial em relação a qua-
lidade desse recurso natural, pois nota-se que há muitas atividades que 
contribuem para sua poluição e contaminação.
Há diversos fatores que afetam a qualidade dos recursos hídricos, entre 
eles, pode-se destacar as atividades industriais que afetam rigorosamente 
os mananciais por meio de poluentes químicos, esgotos domésticos que 
são lançados diretamente nos rios sem nenhum tratamento, entre outras 
formas de degradação.
Diante do exposto, é notório ressaltar a importância da preservação e 
conservação dos recursos hídricos, com o intuito de garantir a qualidade, 
a disponibilidade e o acesso à água. Para tanto, é relevante se estabelecer 
estratégias de uso, conservação e preservação para os múltiplos e diversi-
ficados mananciais. Portanto, o presente estudo objetiva contribuir para 
consubstanciação teórica e metodológica, visando a melhoria do planeja-
mento ambiental em bacias hidrográficas. 
Metodologia
A investigação teve como recurso metodológico a pesquisa bibliográfi-
ca que se fundamentou no uso de dados secundários, utilizando-se como 
fonte de pesquisa trabalhos já publicados e com crédito científico, sendo 
reconhecidos pela sua validade e aplicabilidade. Assim, o estudo foi pau-
tado em livros, capítulos de livros e artigos em periódicos que foram sele-
cionados segundo o objetivo traçado.
A abordagem utilizada foi a qualitativa em que os aspectos objetivos e 
subjetivos do objeto e das fontes de estudo são entrelaçadas pela percep-
ção e crivo analítico dos autores. Sem, no entanto, ter a necessidade de 
explicações numéricas ou estatísticas para a compreensão do contexto 
avaliado. A pesquisa bibliográficasob a abordagem qualitativa teve caráter 
investigativo exploratório, resultando na explanação apresentada a seguir.
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Sumário
Resultados e Discussão
Geoecologia das Paisagens: fundamentos e perspectivas para o 
planejamento ambiental em bacias hidrográficas
A Geoecologia das Paisagens (GEP) apresenta-se como abordagem teó-
rica e metodológica de caráter sistêmico e integrativo, uma ciência am-
biental que por meio do estudo da paisagem natural revela as dinâmicas 
estabelecidas entre a sociedade e a natureza como produtoras de outras 
tipologias paisagísticas, a saber: a paisagem social e a paisagem cultural. 
Ambas, juntamente com a paisagem natural, entrelaçam-se dialetica-
mente formando as condições necessárias para o desenvolvimento social 
(GUERRA, 2020). 
Desta forma, a Geoecologia das Paisagens contribui para o planejamen-
to e a gestão ambiental dos mais variados territórios, por oferecer novos 
procedimentos técnicos e metodológicos de investigação, com amplo con-
junto de conceitos e bases teóricas, tendo o desenvolvimento sustentável 
como horizonte a ser impresso nas práticas socioambientais (RODRIGUEZ; 
SILVA, 2018). Como vertente científica (trans/inter) multidisciplinar que 
valoriza a questão ambiental, a GEP agrega conhecimentos de várias áreas 
do conhecimento, notadamente da Geografia, Biologia e Ecologia. Para a 
análise socioambiental, a Geoecologia das Paisagens determina o conceito 
de paisagem natural como seu objeto de investigação dentro de uma con-
textualização socioespacial de caráter eco-relacional, inserindo o compo-
nente social no estudo do meio natural (GUERRA, 2020). 
Nesse ínterim, a paisagem natural, que é a base material e objetiva da 
existência e do desenvolvimento das práticas da sociedade, pode ser en-
tendida como: “[...] uma realidade, cujos elementos estão dispostos de ma-
neira tal que subsistem desde o todo e o todo subsiste desde os elementos, 
não como se estivessem caoticamente mesclados, mas sim como conexões 
harmônicas de estrutura e função” (RODRIGUEZ; SILVA; CAVALCANTI, 
2017, p. 7). De tal maneira compreende-se que “a paisagem é, assim, um 
aspecto físico e um sistema de recursos naturais aos quais integram-se as 
sociedades em um binômio inseparável Sociedade/Natureza” (Idem).
Por esse viés, o estudo do meio natural ganha significativo avanço epis-
temológico: o componente social como produtor de formações e sistemas 
antroponaturais, avanço indispensável para a compreensão da configu-
ração socioambiental do espaço geográfico. Progredindo nessa perspec-
tiva, Sotchava (1978), fundamentado na Teoria Geral dos Sistemas de Ber-
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Enfoques geoecológicos como fundamentos para o planejamento ambiental em bacias hidrográficas
Sumário
talanffy (1977) e na Teoria da Complexidade de Morin (2008), desenvolve 
a Teoria dos Geossistemas em que o geossistema define-se como: [...] o 
espaço terrestre de todas as dimensões, onde os componentes da nature-
za encontram-se em relação sistêmica uns com os outros, e como integri-
dade definida interatuando com a esfera cósmica e a sociedade humana 
(RODRIGUEZ; SILVA; CAVALCANTI, 2017, p. 8).
Deste modo, tendo a paisagem (como uma totalidade) e o geossistema 
(sistemas ambientais dotados de integralidade, multiplicidade e contradi-
ções) como conceitos operativos, contextualizados dialética e sistemica-
mente em termos metodológicos, a Geoecologia das Paisagens oferece as 
bases para o planejamento e a gestão ambiental de bacias hidrográficas, 
considerando-as como unidade territorial em que o ambiental e o social 
se intercruzam (TEIXEIRA, et al, 2020).
O planejamento e a gestão ambiental de bacias hidrográficas, por meio 
do enfoque geoecológico, possibilita analisar a função social e natural do 
território drenado, propicia condições para o diagnóstico e prognóstico 
socioeconômico e ambiental do entorno. Além do que, a GEP fornece ele-
mentos para aproximar gestores, pesquisadores e população para a ela-
boração de estratégias de preservação, conservação e manejo dos recur-
sos com vistas à segurança hídrica, em diferentes escalas (RODRIGUEZ; 
SILVA; LEAL, 2011).
Enfoques Geoecológicos: bases para o planejamento ambiental em 
bacias hidrográficas
Como elementos teórico-metodológicos em contribuição para a con-
solidação epistemológica da Geoecologia das Paisagens, para fins de pla-
nejamento e desenvolvimento do território, Rodriguez, Silva e Cavalcanti 
(2017) explanam cinco enfoques para a análise da paisagem. Tais enfoques 
geoecológicos constituem um conjunto de ideias, conceitos e métodos 
passíveis de aplicação em estudos relacionados às bacias hidrográficas, 
sendo eles: o enfoque estrutural, o enfoque funcional, o enfoque evoluti-
vo-dinâmico, o enfoque histórico-antropogênico, o enfoque integrativo da 
estabilidade e sustentabilidade da paisagem.
O enfoque estrutural na análise da paisagem aborda a combinação e as 
interrelações dos componentes paisagísticos com a finalidade de conhe-
cer as bases de sua integralidade e essência. Assim é possível determinar 
a organização do sistema paisagístico-territorial, diferenciando as uni-
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Enfoques geoecológicos como fundamentos para o planejamento ambiental em bacias hidrográficas
Sumário
dades de paisagens de categoria inferior dentro do contexto taxonômico 
hierárquico (RODRIGUEZ; SILVA; CAVALCANTI, 2017).
O enfoque funcional na análise da paisagem determina que cada compo-
nente paisagístico possui funções intrínsecas e inerentes a sua estrutura-
ção, que permitem o entendimento das relações genéticas ou causais, bem 
como as funções naturais e sociais. De tal forma, as relações funcionais 
evidenciadas possibilitam conhecer as causas e os motivos de determina-
da estruturação paisagística (RODRIGUEZ; SILVA; CAVALCANTI, 2017).
O enfoque evolutivo-dinâmico evidencia que a paisagem é uma base 
material mutável (regressiva ou progressiva), seja por fatores internos ou 
externos a sua estruturação funcional. Por conseguinte, é possível esta-
belecer as leis, processos, fluxos e regularidades que determinam as mo-
dificações do sistema geopaisagístico analisado. Logo, o enfoque evolu-
tivo-dinâmico é importantíssimo para subsidiar a projeção de cenários 
(RODRIGUEZ; SILVA; CAVALCANTI, 2017).
O enfoque histórico-antropogênico tem por objetivo esclarecer as im-
plicações resultantes da relação sociedade e natureza, relação esta que 
provoca intensas modificações no sistema paisagístico socioambiental. 
Destarte, o enfoque histórico-antropogênico constitui elemento indispen-
sável para se compreender e propor soluções para os impactos geoecoló-
gicos que alteram a dinâmica evolutiva da paisagem, sendo fundamental 
para o prognóstico geográfico (RODRIGUEZ; SILVA; CAVALCANTI, 2017).
O enfoque integrativo da estabilidade e sustentabilidade da paisagem 
pressupõe as premissas de solidez/concretude e de manutenção/repro-
dução dos recursos e sistemas ecopaisagísticos, possibilitando que as pai-
sagens cumpram diversas funções sociais. O referido enfoque geoecoló-
gico é fundamental para se estabelecer os limites de carga e regeneração 
do meio natural, orientando o uso racional da

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