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Glaziele Yumi – 9° período – AB SAÚDE DO HOMEM (págs. 2259-2279) INTRODUÇÃO • Homens brasileiros morrem 7x mais cedo que as mulheres, na maior parte dos casos, por causas externas • Médicos de família devem desenvolver habilidades de comunicação especificas para o atendimento aos homens • A inclusão de homens nos serviços de saúde tem ocorrido de uma forma medicalizada e potencialmente iatrogênica, focada no tratamento da disfunção erétil e no rastreamento do CA de próstata Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) - 2009 • Visa indivíduos entre 20 e 59 anos de idade • Essa política nacional ressalta a cidadania e o autocuidado • Um dos principais objetivos está em reconhecer os diversos contextos socioculturais e político econômicos para a compreensão da realidade singular masculina nas ações de promoção de saúde • Cinco eixos: → Acesso e acolhimento → Saúde sexual e reprodutiva → Paternidade e cuidado → Doenças prevalentes na população masculina → Prevenção de violências e acidentes ÓTICA DE GÊNERO • Essa categoria de analise pretende superar a diferenciação entre homens e mulheres baseada apenas em suas características biológicas e se fundamenta pelas marcas do socialmente construído, do caráter relacional e da dimensão do poder • Homens construíram sua masculinidade apoiada na crença da invulnerabilidade, o que repercute no seu envolvimento com práticas der isco à saúde tanto no trabalho como no lazer PERFIL DE MORBIDADE • Homens representam em torno de 40 por cento das internações Causas de internação • 1°: causas externas (16%) – a maioria relacionada a quedas seguidas por acidentes de trânsito • 2°: patologias do aparelho circulatório, lideradas por acidentes coronarianos (40%) e HAS (19%) O perfil de morbidade masculina também revela a necessidade de estabelecer estratégias em relação ao tabagismo e ao abuso de álcool PERFIL DE MORTALIDADE • 1°: causas externas entre os adultos jovens, sendo superadas pelas doenças do aparelho circulatório e pelos tumores a partir dos 50 anos de idade • As neoplasias que mais matam no Brasil são as de traqueia, brônquio ou pulmões, seguidas das de próstata e de estômago • Em relação as doenças do aparelho digestório, destacam-se as do fígado, boa parte relacionadas à doença alcoólica PROFISSIONAIS DE SAÚDE • É necessário rever as prescrições e práticas sociais atribuídas e reproduzidas por homens e mulheres – como, por exemplo, evitar pensar em termos do que é “coisa de mulher” ou de que “homem é assim” • Nesse sentido, é necessário romper com o modelo binário e fixo de masculino e feminino, que também são reproduzidos também em nível institucional • Essa reflexão não visa a excluir a responsabilidade que o homem precisa ter sobre suas escolhas e seus comportamentos nem patologizar o “ser homem”, mas propor o debate sobre como levá-lo a se perceber como autor e, muitas vezes, como se torna alvo de seus atos – os quais, em várias ocasiões, envolvem amigos e familiares, direta ou indiretamente, como nos acidentes automobilísticos ou episódios de violência ACESSO E USO DOS SERVIÇOS DE AP • O acesso aos serviços, na atenção primária à saúde (APS) envolve a percepção de necessidade de cuidado, a conversão desta em demanda e o comparecimento dos homens ao serviço de saúde • Esse processo é assistido por profissionais assoberbados pelas diversas demandas, prioridades, urgências, programas e metas de produção Barreiras socioculturais • O estereótipo do homem invulnerável já foi descrito por vários pesquisadores, em oposição à fraqueza denunciada pela procura ao serviço de saúde, que o aproximaria da representação ainda prevalente da mulher como pessoa frágil • Homens de todas as idades têm maior probabilidade em relação às mulheres de se engajar em mais de 30 tipos de comportamentos que aumentam o risco de doenças, lesões e mortes • Concomitantemente, o setor saúde como um todo pratica uma estreita lógica biomédica, visando à detecção de doenças, em vez da promoção da saúde ou da atenção às demandas trazidas → Nessa lógica, as crianças são quase que desligadas dos serviços de saúde aos 2 anos de idade, período em que é reforçado o estereótipo da invulnerabilidade (“menino não chora”) → A partir daí, as consultas tornam-se esporádicas, até que a menina retorne na adolescência, para ter seu corpo reprodutivo controlado e medicalizado, sendo ainda hoje considerada, em última análise, a única responsável por uma gravidez não planejada, ao passo que o adolescente forja sua masculinidade e vivencia rituais como o abuso de álcool e de outras drogas e o início da vida sexual como troféus a serem conquistados • Os homens, em geral, não contam com uma adequada rede de apoio, e quando a possuem, têm dificuldade de acioná-la, quando necessário Glaziele Yumi – 9° período – AB • Nesse sentido, prevalece a dicotomia da unidade de saúde como um espaço feminino (não só pela maioria de profissionais mulheres, como também por sua decoração frequentemente feminilizada ou infantilizada), ao passo que o bar é refúgio de socialização masculina Barreiras institucionais Comunicação • Quanto à inadequação dos serviços de saúde, percebe-se que a forma de comunicação com os homens ainda é pobre ou desconsidera suas peculiaridades dentro de uma perspectiva de gênero → Isso se dá tanto nas unidades de saúde tradicionalmente repletas de pôsteres e convites sobre ações voltadas para mulheres, crianças e, mais recentemente, idosos, quanto em nível mais amplo, nas campanhas na mídia • Da mesma forma, dentro do consultório, é preciso aprimorar a abordagem clínica, considerando que homens expressam seus problemas diferentemente das mulheres, o que pode dificultar o oferecimento de assistência adequada ou envolvê-los em cascatas diagnósticas e terapêuticas desnecessárias • Nesse sentido, é preciso considerar que muitos homens comparecem aos serviços de saúde em busca de check-up, ou com queixas vagas ocultam outros problemas ou preocupações → Como exemplo, homens que pedem exame de próstata, solicitam prescrição de vitaminas ou se queixam de fraqueza ou desânimo muitas vezes ocultam um problema de saúde específico, em especial de sexualidade, como disfunção erétil – que depende, entre outros fatores, do vínculo e da abertura profissional para surgir • Além de promover encontros mais proveitosos e resolutivos, a atenção às demandas ocultas pode proteger os homens de medicalização ou excesso de exames Inadequações do serviço de saúde • Horário de funcionamento pode colidir com horário de trabalho dos homens • Sem uma estratégia efetiva ou uma mudança de postura para abordar os homens, é difícil reverter essa situação, criando um ciclo de invisibilidade: os homens vêm pouco ao serviço de saúde, os profissionais de saúde não aprendem como abordá- los, o sistema de saúde não os percebe como usuários e, finalmente, os homens continuam percebendo o serviço de saúde como um “não lugar” e continuam não vindo a consultas • Adicionalmente, homens homossexuais, bissexuais e transexuais/transgênero podem evitar o serviço de saúde por medo de preconceito por parte dos profissionais Profissionais mulheres, médica mulher realizando o exame físico de partes intimas • Mais importante parece ser reconhecer as diferenças de gênero, construir uma relação de confiança e oferecer a opção do exame por um médico homem, quando disponível (ou vice-versa) • A qualidade e a duração da relação terapêutica são fatores importantes para que os homens se sintam à vontade para trazer certas demandas e na realização de certos exames – mais ainda, para que legitimem o serviço como destinatário de suas demandas mais íntimas ESTRATÉGIAS DE APROXIMAÇÃO • A aproximação com os homens exige mudanças na atitude e nas ações do serviço • Um autor descreve a experiênciaem um centro de saúde onde se realizaram tanto atividades em sala de espera quanto atividades extramuros, em que a equipe se aproxima dos locais da comunidade onde os homens estão → Eles podem incluir bares, padarias, oficinas mecânicas, canteiros de obra etc. → Além da promoção de grupos de homens, sugere- se a participação em eventos já existentes, como festas, feiras ou atividades esportivas Novembro azul • O câncer de próstata é a neoplasia mais comum entre homens, excetuando-se CA de pele não melanomas, e é a segunda causa de mortalidade por neoplasia nessa população. • O Novembro azul busca popularizar a doença e seu rastreamento por meio da dosagem de antígeno prostático especifico e toque retal • No entanto, ao considerarem a controvérsia a respeito do rastreamento do câncer de próstata (tendo pouco ou nenhum impacto sobre a mortalidade pela neoplasia e nenhum impacto sobre a mortalidade geral dos homens que a realizam, mas está associada a tratamentos que tem como sequelas a disfunção erétil e a incontinência urinaria), esses profissionais se perguntam o que fazer dessa campanha • De qualquer forma, é preciso garantir acesso aos homens, reconhecer suas demandas e ser legitimado por essa população, de maneira a articular ações de tratamento e de prevenção, como indica o método clínico centrado na pessoa • Sugere-se rastrear tabagismo (A), uso de álcool (B), abuso de substâncias e realizar medida anual de pressão arterial (PA) em adultos (A), oferecer sorologias a homens que fizeram sexo sem camisinha e discutir medidas de proteção individual (na moto, no carro, no trabalho) • Ademais, é importante lembrar-se da interseccionalidade: as diferenças entre homens negros e brancos, homens pobres e ricos, homens cis e trans RETENÇÃO URINÁRIA, ENCURTAMENTO DO JATO E PROBLEMAS PROSTÁTICOS (págs. 3614-3643) INTRODUÇÃO • Queixas relacionadas à próstata constituem, frequentemente, a única razão para consulta dos homens e, por isso, o médico de família e comunidade deve estar atento à oportunidade de fazer promoção e prevenção, especialmente sobre Glaziele Yumi – 9° período – AB hábitos deletérios, como tabagismo e alcoolismo e hipertensão arterial • O rastreamento para o câncer de próstata na população masculina, em geral, ainda é um assunto controverso e tende a trazer mais dano do que benefício para os pacientes • É um desafio para o médico de família e comunidade comunicar os riscos e os benefícios desse procedimento, para que o paciente possa fazer a sua opção de maneira consciente • O médico de família e comunidade tem de estar sempre alerta, já que a prevenção traz bons resultados, mas algumas medidas trazidas como preventivas não trazem benefício para a pessoa e podem até gerar procedimentos desnecessários e causar dano SINTOMAS DO TRATO URINÁRIO INFERIOR – STUI • Queixa mais frequente: dificuldade para urinar → Estima-se que cerca de um terço dos homens com mais de 70 anos apresentem algum grau de retenção urinária • Quanto a apresentação clínica, estes sintomas podem ser de dois tipos: → Armazenamento: o Urgência o Tenesmo o Retenção urinaria → De micção o Disúria o Polaciúria o Noctúria • A causa mais frequente dos STUIs na APS é o aumento benigno do volume prostático, mas deve-se lembrar das outras causas comuns: prostatite, cistite, uretrite, uso de medicações anticolinérgicas e alfa adrenérgicas e lesões neurológicas Causas de obstrução urinária Mecanismo Causa Obstrução ABP (aumento benigno da próstata) Câncer de próstata Estenose de meato Fimose Calculo vesical Impactação fecal Massas retroperitoneais Massas gastrintestinais Estenose de uretra Cancer vesical Edema no trato urinário Infecciosa ou inflamatória Prostatite Balanopostite Abcesso prostático Cistite SGB (Sindrome de Guillan Barré) Mielite transversa TB do trato urinário Infecções raras (equinococose, HSV, doença de Lyme, VZV) Farmacológica Anticolinérgicos (antidepressivos tricíclicos, atropina, oxibutinina, hioscina) Anti-histaminicos (dexclorfeniramina, ciproeptadina, hidroxizine) Antiarritmicos (quinidina, procainamida) Anticonvulsivantes (carbamazepina) Anti-hipertensivos (nifedipina, hidralazina) AINEs Antiparkinsonianos (amantadina, bromocriptina, levodopa) Antipsicóticos (clorpromazina, flufenazina, haloperidol, tioridazina) Hormônio (testosterona) Opioides Relaxantes musculares (baclofeno, ciclobenzaprina, diazepam) Alfa-simpaticomiméticos (descongestionantes orais, efedrina, fenilefrina, paseudoefedrina) Beta-simpaticomiméticos (terbutalina, isoproterenol) Outras Trauma peniano Lesão na parte posterior da uretra em trauma pélvico Complicações de pós-operatório Psicogênica • Em torno de 40% dos homens com mais de 50 anos de idade e 90% daqueles com amis de 80 anos têm evidencias histológicas de ABP, tornando um dos problemas mais prevalentes em homens idosos • Mais de 70% das pessoas portadoras de ABP podem ser manejadas apenas com tratamento clinico ANAMNESE Retenção urinária aguda • Dor importante • Potencialmente inflamatória: disúria pronunciada, acompanhada de dor pélvica ou perineal, dor à evacuação e urgência urinária. História clinica Glaziele Yumi – 9° período – AB costuma ser suficiente para o diagnóstico e o toque retal tem papel muito importante • Potencialmente obstrutiva: Obstrução do trato urinário no colo vesical ou distalmente a ele, encurtamento do jato, hesitação, urina entrecortada e esforço para iniciar a micção, que progrediram para obstrução aguda, sensação e micção incompleta, noctúria e infecção urinária de repetição, IUEV (incontinência urinaria por extravasamento, hematúria ou eliminação de coágulos • Fatores externos situacionais: Uso de opioides potentes ou outros medicamentos, trauma ou instrumentação peniana eleva a possibilidade de lesões uretrais, devendo-se avaliar em serviço de referência com urgência, já que a cateterização pode piorar o quadro • Doenças ou disfunções neurológicas: Associação com outros déficits neurológicos focais, síndrome da cauda equina, parkinsonismo, déficit visual (considerando esclerose múltipla), demência e história de AVC Retenção urinária crônica • Indolor • Gera complicações como infecção de repetição e IR • A retenção urinária, nesses casos, acontece tanto pela compressão, devida ao aumento do volume da próstata, como do tônus adrenérgico aumentado na parte estromal da glândula. Além disso, o aumento do volume da próstata leva a uma hiperatividade do músculo detrusor, que tem uma parte importante, senão predominante, dos sintomas, o que tem impulsionado a escolha de novos regimes terapêuticos, como os antimuscarínicos • A USG pode ajudar a guiar as decisões a respeito do tratamento, uma vez que determina o volume prostático e pode avaliar o resíduo urinário, mas não precisa ser realizada rotineiramente, sendo reservada a casos que não estão apresentando boa evolução • Quando a retenção urinária é associada a sintomas inflamatórios, como disúria, polaciúria e noctúria, deve-se conduzir a investigação clínica para a identificação da causa Uretrite • Pacientes com história de relação sexual sem preservativo • Na descarga purulenta pela uretra, deve-se prontamente considerar gonorreia • A inspeção do pênis pode evidenciar balanopostite que justifique os sintomas Prostatite • Próstata quente, amolecida ou dolorosa • Pode se apresentar de 4 maneiras: aguda bacteriana, crônica bacteriana, crônica com dor pélvica crônica e assintomática • A invasão da próstata por bactéria pode ocorrer por refluxo urinário ou por ascensão a partir da uretra, logo, as bactérias mais comumente envolvidas são aquelas envolvidas em infecções do trato urinário: E. coli, Proteus sp e Providenciasp. • A prostatite crônica não bacteriana ainda não tem mecanismo esclarecido, mas está relacionada à hiperuricemia • O exame tradicional para diferenciar as prostatites é o teste de Stamey-Meares em quatro frascos, que avalia a urina e a secreção prostática → Tem um exame mais simples e com igual rendimento, consiste em coletar a urina normalmente, a seguir fazer um toque retal, massagear a próstata vigorosamente da periferia para o centro e coletar outra amostra de urina • As prostatites são causa de aumento de PSA e devem ser consideradas nos pacientes eu tenham feito essa pesquisa CONDUTA Retenção urinária aguda • Cateterização imediata da bexiga para descompressão • Pessoas com ABP confirmada ou suspeita devem receber medicação alfa-adrenérgica ou antagonistas da 5alfa-redutase, antes ou concomitante a cateterização • Quando tiver forte suspeita de condição neurológica associada, vai precisar de avaliação e um neurologista Sintomas do trato urinário inferior de causa não inflamatória – obstrutiva Glaziele Yumi – 9° período – AB • Antes de instituir a medicação, deve-se quantificar os sintomas para avaliar a resposta ao tratamento ou evolução dos sintomas • Para isso, usa-se o score IPSS. Um score maior que 8 indica a instituição do tratamento Farmacológico • Alfabloqueadores: 1ª escolha de tratamento → A próstata apresenta tanto receptores alfa 1 quanto alfa 2sendo que o primeiro é responsável pela contração da próstata e o que mais corrobora para os sintomas → Espera-se resposta dentro de 48h → Se houver falha, necessitará de tratamentos complementares → Embora seja considerada como 1ª escolha, a tansulosina não se mostrou mais eficaz que alfabloqueadores não seletivos → Alfabloqueadores mais utilizados: Doxazosina (1- 2mg/dia para dose inicial e 8mg/dia para manutenção), Terazosina (1mg/dia e 5-10mg/dia) e Tansulosina (0,4 mg/dia e 0,8 mg/dia) • Inibidores da 5-alfa-redutase: → Podem ser usados em pacientes com próstata de volume aumentado, apresentando melhor resultado no fluxo urinário do que os alfabloqueadores nesse grupo de pacientes → Entretanto, podem estar associados a um aumento na mortalidade por câncer de próstata neste grupo, devido ao aumento no número de tumores pouco diferenciados, possivelmente por atrasarem o diagnóstico → Demoram até 6 meses para dar uma resposta clínica e podem reduzir o volume prostático em até 40 por cento → Estão especialmente indicados para pessoas que apresentem alto risco d e progressão para retenção urinária aguda → Os fatores de risco são: o Idade >70 anos o Escore de sintomas >7 o Volume prostático >30 Ml o PSA>1,4ng/Ml o Fluxo urinário máximo 100ml A associação de um alfabloqueador com um inibidor da 5-alfa-redutase apresenta melhor controle dos sintomas do que qualquer deles em monoterapia Em pacientes refratários ao tratamento com essa combinação duplas pode-se associar um antimuscarinico, como a oxibutinina Cirúrgico • O método tradicional (ressecção transuretral da próstata) apresenta desfechos semelhantes às novas técnicas de ablação com laser, podendo permanecer como o procedimento de escolha Outras medidas • O uso crônico de sonda vesical pode ter complicações como ITU, sepse, trauma, cálculos, estenose uretral e erosões • Pacientes que necessitem de auxílio permanente para micção devem dar preferência por fazer autocateterização intermitente, o que reduz complicações Sintomas do trato urinário inferior de causa inflamatória Prostatite aguda • Acontece mais frequentemente entre a 5° e a 7° década de vida • Início súbito e intenso • Estão mais suscetíveis aqueles que passaram por dilatação da uretra, cateterização, cistoscopia, biopsia da próstata e ressecção transuretral da próstata • Pode ser considerada um tipo de ITU e geralmente se inicia com febre, calafrios, mialgias e dor pélvica, que pode ser a principal queixa na maioria das vezes • Toque retal revela próstata quente e dolorosa com consistência firme e contornos irregulares • Bactérias mais encontradas nesse sítio: → E.coli → Klebsiella → Serratia → Proteus → Enterococos → Pseudomonas → Outros: S. aureus, Streptococcus faecalis, Chlamydia e anaeróbios. • Diagnóstico: geralmente não precisa de nenhum exame confirmatório, mas urocultura com antibiograma deve ser coletada antes do início com antibiótico sempre que possível. • Tratamento (antibioticoterapia por um período de seis semanas, mas geralmente é usado apenas 2 semanas, deixando o tratamento mais longo para pacientes toxêmicos ou com resposta lenta): → Sulfametoxazol com trimetropim → Quinolona → Tetraciclina → Tratamento sintomático com analgésicos, antitérmicos e agentes para reduzir a consistência do bolo fecal o Se houver obstrução do canal urinário, pode ser necessário colocar um cateter suprapúbico • Casos de toxemia pode ser que seja necessário internação para antibioticoterapia venosa geralmente Glaziele Yumi – 9° período – AB com a associação de uma cefalosporina de amplo espectro e um aminoglicosídeo • Complicação: → Abcesso prostático, que tem seu diagnóstico firmado pela USG ou TC e a conduta é cirúrgica Prostatite crônica bacteriana • Causa mais comum de ITU recorrente em homens • Manifestação clínica: → ITU de repetição → Disúria persistente → Dor à ejaculação → Hemospermia → Dor irradiada para o pênis, testículos ou dorso → Febre baixa → Artralgias e mialgias • Apresenta-se com urocultura negativa e exame de liquido prostático com contagem de leucócitos acima de 20 e bacteriúria ou cultura positiva após a massagem prostática • Agentes etiológicos mais comuns: → Chlamydia trachomatis → Ureaplasma urealyticum → E.coli • Toque retal com próstata endurecida, dolorosa e aumentada de volume • Tratamento: → Tratamento é difícil devido a pouca penetração do antibiótico na próstata não inflamada → Como a próstata é revestida por camada lipídica, antibióticos lipossolúveis como a clindamicina e o trimetropim seriam boa escolha, mas a clindamicina tem ação fraca contra germe gram- negativos. → Fluoroquinolonas tem melhores índices de cura histológica quando comparadas a sulfa e semelhante entre elas • Primeira escolha: sulfametoxazol com trimetropim de 4 a 12 semanas • Segunda escolha fluoroquinolonas • Pode-se associar um alfabloqueador ao antibiótico para melhorar os sintomas e reduzir a taxa de recorrências Prostatite crônica não bacteriana / síndrome da dor pélvica crônica • Etiologia ainda não esclarecida • Em alguns casos pode ser que exista uma infecção oculta principalmente por contagem de leucócitos acima do normal no liquido prostático → Além disso, a causa autoimune também vem sendo estudada • Foi observado aumento de ácido úrico nesses pacientes, ainda não muito estudado • Manifestação clínica: → Sintomas compatíveis com prostatite como lombalgia, dor à ejaculação, perineal, na parte interna das coxas, no pênis, nos testículos ou na bolsa escrotal → Sintomas discretos de irritação do canal urinário ou de obstrução → Como regra, não apresentam ITU de repetição • Associa-se frequentemente a outros distúrbios funcionas e dolorosos como fibromialgia e síndrome da fadiga crônica, como também depressão e ansiedade • São pacientes que chegam a consulta tendo recebido muitos testes e realizado diferentes tratamentos sem sucesso • SM4 pode ajudar a diferenciar a prostatite crônica não bacteriana das outras formas de prostatite, já que apresentará culturas negativas e leucócitos com contagem superior a 10 a 20 na avaliação da secreção prostática • Tratamento ainda é controverso. • Devido a possibilidade de infecção oculta, um curso de antibiótico empírico parece uma boa conduta inicial • As melhorespossibilidades seriam doxiciclina 100mg 12/12h ou eritromicina 500mg 6/6h por 14 dias. • Persistir no uso de antibióticos é desaconselhado • Alfabloqueadores podem ajudar no alivio sintomático, principalmente nos casos com sintomas obstrutivos • Alopurinol, massagem prostática periódica e termoterapia transuretral com micro-ondas têm sido usadas, porém ainda se desconhece sua efetividade CA DE PRÓSTATA • Mais de 95 por cento dos cânceres de próstata são adenocarcinomas • Fatores de risco: idade, raça negra e história familiar • Complicações mais comuns → Metástases ósseas, linfonodos, pulmão e hepáticas → Sintomas obstrutivos → Hematúria → Insuficiência renal → Paraplegia → Manifestações neurológicas • Pode cursar com sintomas obstrutivos, mas é comum a primeira manifestação ser dor em região óssea, em especial pelve e coluna, raramente hematúria ou hemospermia • Ao exame físico, podem-se encontrar linfonodos palpáveis e no toque retal pode-se encontrar uma próstata endurecida ou nódulo palpável Diagnóstico • É feito pela biópsia, que deve ser realizada em pessoas com PSA ou toque retal alterado que não tinham queixas (rastreamento) ou em pessoas com queixas (investigação) Paciente sintomático • A principal razão dos homens procurarem o médico é o medo de ter câncer • Médico de família deve levar em consideração a probabilidade de câncer bem como os riscos e benefícios do tratamento • A maioria dos casos de STUIs será devido a ABP • Realizar toque retal e dosagem de PSA em busca de câncer de próstata leva a um aumento no número de falso-positivos e ansiedade, sem redução na mortalidade • Pessoas com STUI devido a câncer costumam ter tumores mais diferenciados, reforçando a ideia de que os sintomas não são nem indicativos de câncer, nem de tumores com pior prognóstico Glaziele Yumi – 9° período – AB • Deve-se considerar que, ao investigar o câncer em um paciente com STUI, está-se lidando com duas situações preocupantes: a possibilidade grande de encontrar resultados falso-positivos no PSA, o que acarreta investigação adicional desnecessária e potencialmente danosa; e a possibilidade de não conseguir prolongar a vida, ainda que se faça o diagnóstico do câncer • Caso opte-se pela dosagem de PSA e toque retal, a pessoa deve estar consciente de que investigações alteradas devem ser seguidas de exames complementares, o que deve incluir imagem da próstata (US ou ressonância) e biópsias → A confirmação de um câncer exigirá tratamentos como prostatectomia, quimioterapia e/ou radioterapia, e que esses tratamentos podem deixar sequelas, como dor pélvica, incontinência urinária (IU), estenose da uretra, impotência sexual, ejaculação retrógrada, entre outras. • Vale ressaltar que a interpretação do resultado do PSA precisa ser modificada em pacientes com STUI de característica inflamatória, considerando biópsia para os pacientes que apresentem um PSA maior do que 20 ng/mL, o que daria um valor preditivo positivo de 34% • Muitos homens fazem esses exames sem essa consciência e desistem de dar seguimento após um PSA alterado ou um toque retal duvidoso ou suspeito • Nunca é demais lembrar que, se um resultado de exame não mudará uma conduta, tal exame não deverá ser solicitado Paciente assintomático • A velocidade de aumento do PSA foi proposta como uma forma de melhorar a precisão do rastreamento, mas atualmente mostra valor apenas em pacientes em tratamento • Recomenda-se repetir a dosagem do PSA para confirmação, antes de se indicar biópsia, pois seu valor pode ter flutuação ao longo do tempo Investigação complementar: • Após rastreamento ou suspeita clínica, havendo indício de câncer de próstata (exame físico alterado e/ou PSA aumentado), devem-se solicitar PSA total e livre e US da próstata, preferencialmente transretal • A seguir, deve-se fazer uma biópsia da próstata (seis ou mais fragmentados) guiada, em caso de identificação de nódulo suspeito à US, ou aleatória, em caso de PSA> 4ng/ml ou PSA livre 2ng/ml/ano → Intervalo curto de duplicação na concentração do PSA Seguimento • A velocidade de aumento no PSA pode ser um marcador de evolução da doença, como visto • Assim, aumento maior do que 0,75 ng/mL/ano deve ser considerado para investigação adicional e principalmente se for maior do que 2 ng/mL/ano • Após prostatectomia radical ou terapia antiandrogênica, espera-se que o PSA fique suprimido, e valores maiores do que 0,2 ng/mL também devem ser considerados suspeitos • Há evidências de que, para um indivíduo com PSA normal em exame de rotina, a repetição do exame a cada ano ou a cada 3 ou 4 anos não apresenta diferença nos desfechos Quando referenciar Para a emergência: • Episódio de obstrução urinaria aguda em paciente com ABP que não consiga cateterizar no serviço de APS Para urologista: • DRC crônica associada a obstrução prostática • ABP com obstrução urinaria aguda após avaliação na emergência • ABP e infecção urinaria recorrente • STUIs refratário ao tratamento clinico otimizado e, nos casos de próstata maior que 40g ou PSA total maior do que 1,4ng/ml, uso concomitante de inibidor de 5 alfa redutase (finasterida 5mg/dia) por pelo menos seis meses • Neoplasia em biopsia prostática • Suspeita clínica (toque retal suspeito com nódulo, endurecimento ou assimetria) • Pacientes com STUIs e PSA total elevado para sua idade – excluir aumento por infecção urinaria ou prostatite • Pacientes assintomáticos com idade inferior ou igual a 75 anos e PSA total maior ou igual a 10 ng/mL • Pacientes assintomáticos com idade inferior ou igual a 75 anos e PSA total menor do que 10 ng/mL persistentemente elevado para sua idade (repetir PSA total após 1 mês)