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Glaziele Yumi – 9° período – AB 
 
SAÚDE DO HOMEM 
(págs. 2259-2279) 
INTRODUÇÃO 
• Homens brasileiros morrem 7x mais cedo que as 
mulheres, na maior parte dos casos, por causas 
externas 
• Médicos de família devem desenvolver habilidades de 
comunicação especificas para o atendimento aos 
homens 
• A inclusão de homens nos serviços de saúde tem 
ocorrido de uma forma medicalizada e 
potencialmente iatrogênica, focada no tratamento da 
disfunção erétil e no rastreamento do CA de próstata 
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do 
Homem (PNAISH) - 2009 
• Visa indivíduos entre 20 e 59 anos de idade 
• Essa política nacional ressalta a cidadania e o 
autocuidado 
• Um dos principais objetivos está em reconhecer os 
diversos contextos socioculturais e político 
econômicos para a compreensão da realidade 
singular masculina nas ações de promoção de saúde 
• Cinco eixos: 
→ Acesso e acolhimento 
→ Saúde sexual e reprodutiva 
→ Paternidade e cuidado 
→ Doenças prevalentes na população masculina 
→ Prevenção de violências e acidentes 
ÓTICA DE GÊNERO 
• Essa categoria de analise pretende superar a 
diferenciação entre homens e mulheres baseada 
apenas em suas características biológicas e se 
fundamenta pelas marcas do socialmente construído, 
do caráter relacional e da dimensão do poder 
• Homens construíram sua masculinidade apoiada na 
crença da invulnerabilidade, o que repercute no seu 
envolvimento com práticas der isco à saúde tanto no 
trabalho como no lazer 
PERFIL DE MORBIDADE 
• Homens representam em torno de 40 por cento das 
internações 
Causas de internação 
• 1°: causas externas (16%) – a maioria relacionada a 
quedas seguidas por acidentes de trânsito 
• 2°: patologias do aparelho circulatório, lideradas por 
acidentes coronarianos (40%) e HAS (19%) 
O perfil de morbidade masculina também revela a 
necessidade de estabelecer estratégias em relação ao 
tabagismo e ao abuso de álcool 
PERFIL DE MORTALIDADE 
• 1°: causas externas entre os adultos jovens, sendo 
superadas pelas doenças do aparelho circulatório e 
pelos tumores a partir dos 50 anos de idade 
• As neoplasias que mais matam no Brasil são as de 
traqueia, brônquio ou pulmões, seguidas das de 
próstata e de estômago 
• Em relação as doenças do aparelho digestório, 
destacam-se as do fígado, boa parte relacionadas à 
doença alcoólica 
PROFISSIONAIS DE SAÚDE 
• É necessário rever as prescrições e práticas sociais 
atribuídas e reproduzidas por homens e mulheres – 
como, por exemplo, evitar pensar em termos do que é 
“coisa de mulher” ou de que “homem é assim” 
• Nesse sentido, é necessário romper com o modelo 
binário e fixo de masculino e feminino, que também 
são reproduzidos também em nível institucional 
• Essa reflexão não visa a excluir a responsabilidade 
que o homem precisa ter sobre suas escolhas e seus 
comportamentos nem patologizar o “ser homem”, 
mas propor o debate sobre como levá-lo a se 
perceber como autor e, muitas vezes, como se torna 
alvo de seus atos – os quais, em várias ocasiões, 
envolvem amigos e familiares, direta ou 
indiretamente, como nos acidentes automobilísticos 
ou episódios de violência 
ACESSO E USO DOS SERVIÇOS DE AP 
• O acesso aos serviços, na atenção primária à saúde 
(APS) envolve a percepção de necessidade de 
cuidado, a conversão desta em demanda e o 
comparecimento dos homens ao serviço de saúde 
• Esse processo é assistido por profissionais 
assoberbados pelas diversas demandas, prioridades, 
urgências, programas e metas de produção 
Barreiras socioculturais 
• O estereótipo do homem invulnerável já foi descrito 
por vários pesquisadores, em oposição à fraqueza 
denunciada pela procura ao serviço de saúde, que o 
aproximaria da representação ainda prevalente da 
mulher como pessoa frágil 
• Homens de todas as idades têm maior probabilidade 
em relação às mulheres de se engajar em mais de 30 
tipos de comportamentos que aumentam o risco de 
doenças, lesões e mortes 
• Concomitantemente, o setor saúde como um todo 
pratica uma estreita lógica biomédica, visando à 
detecção de doenças, em vez da promoção da saúde 
ou da atenção às demandas trazidas 
→ Nessa lógica, as crianças são quase que 
desligadas dos serviços de saúde aos 2 anos de 
idade, período em que é reforçado o estereótipo 
da invulnerabilidade (“menino não chora”) 
→ A partir daí, as consultas tornam-se esporádicas, 
até que a menina retorne na adolescência, para 
ter seu corpo reprodutivo controlado e 
medicalizado, sendo ainda hoje considerada, em 
última análise, a única responsável por uma 
gravidez não planejada, ao passo que o 
adolescente forja sua masculinidade e vivencia 
rituais como o abuso de álcool e de outras drogas 
e o início da vida sexual como troféus a serem 
conquistados 
• Os homens, em geral, não contam com uma 
adequada rede de apoio, e quando a possuem, têm 
dificuldade de acioná-la, quando necessário 
Glaziele Yumi – 9° período – AB 
 
• Nesse sentido, prevalece a dicotomia da unidade de 
saúde como um espaço feminino (não só pela maioria 
de profissionais mulheres, como também por sua 
decoração frequentemente feminilizada ou 
infantilizada), ao passo que o bar é refúgio de 
socialização masculina 
Barreiras institucionais 
Comunicação 
• Quanto à inadequação dos serviços de saúde, 
percebe-se que a forma de comunicação com os 
homens ainda é pobre ou desconsidera suas 
peculiaridades dentro de uma perspectiva de gênero 
→ Isso se dá tanto nas unidades de saúde 
tradicionalmente repletas de pôsteres e convites 
sobre ações voltadas para mulheres, crianças e, 
mais recentemente, idosos, quanto em nível mais 
amplo, nas campanhas na mídia 
• Da mesma forma, dentro do consultório, é preciso 
aprimorar a abordagem clínica, considerando que 
homens expressam seus problemas diferentemente 
das mulheres, o que pode dificultar o oferecimento de 
assistência adequada ou envolvê-los em cascatas 
diagnósticas e terapêuticas desnecessárias 
• Nesse sentido, é preciso considerar que muitos 
homens comparecem aos serviços de saúde em 
busca de check-up, ou com queixas vagas ocultam 
outros problemas ou preocupações 
→ Como exemplo, homens que pedem exame de 
próstata, solicitam prescrição de vitaminas ou se 
queixam de fraqueza ou desânimo muitas vezes 
ocultam um problema de saúde específico, em 
especial de sexualidade, como disfunção erétil – 
que depende, entre outros fatores, do vínculo e da 
abertura profissional para surgir 
• Além de promover encontros mais proveitosos e 
resolutivos, a atenção às demandas ocultas pode 
proteger os homens de medicalização ou excesso de 
exames 
Inadequações do serviço de saúde 
• Horário de funcionamento pode colidir com horário de 
trabalho dos homens 
• Sem uma estratégia efetiva ou uma mudança de 
postura para abordar os homens, é difícil reverter 
essa situação, criando um ciclo de invisibilidade: os 
homens vêm pouco ao serviço de saúde, os 
profissionais de saúde não aprendem como abordá-
los, o sistema de saúde não os percebe como 
usuários e, finalmente, os homens continuam 
percebendo o serviço de saúde como um “não lugar” 
e continuam não vindo a consultas 
• Adicionalmente, homens homossexuais, bissexuais e 
transexuais/transgênero podem evitar o serviço de 
saúde por medo de preconceito por parte dos 
profissionais 
Profissionais mulheres, médica mulher realizando o 
exame físico de partes intimas 
• Mais importante parece ser reconhecer as diferenças 
de gênero, construir uma relação de confiança e 
oferecer a opção do exame por um médico homem, 
quando disponível (ou vice-versa) 
• A qualidade e a duração da relação terapêutica são 
fatores importantes para que os homens se sintam à 
vontade para trazer certas demandas e na realização 
de certos exames – mais ainda, para que legitimem o 
serviço como destinatário de suas demandas mais 
íntimas 
ESTRATÉGIAS DE APROXIMAÇÃO 
• A aproximação com os homens exige mudanças na 
atitude e nas ações do serviço 
• Um autor descreve a experiênciaem um centro de 
saúde onde se realizaram tanto atividades em sala de 
espera quanto atividades extramuros, em que a 
equipe se aproxima dos locais da comunidade onde 
os homens estão 
→ Eles podem incluir bares, padarias, oficinas 
mecânicas, canteiros de obra etc. 
→ Além da promoção de grupos de homens, sugere-
se a participação em eventos já existentes, como 
festas, feiras ou atividades esportivas 
Novembro azul 
• O câncer de próstata é a neoplasia mais comum 
entre homens, excetuando-se CA de pele não 
melanomas, e é a segunda causa de mortalidade por 
neoplasia nessa população. 
• O Novembro azul busca popularizar a doença e seu 
rastreamento por meio da dosagem de antígeno 
prostático especifico e toque retal 
• No entanto, ao considerarem a controvérsia a 
respeito do rastreamento do câncer de próstata 
(tendo pouco ou nenhum impacto sobre a mortalidade 
pela neoplasia e nenhum impacto sobre a 
mortalidade geral dos homens que a realizam, mas 
está associada a tratamentos que tem como sequelas 
a disfunção erétil e a incontinência urinaria), esses 
profissionais se perguntam o que fazer dessa 
campanha 
• De qualquer forma, é preciso garantir acesso aos 
homens, reconhecer suas demandas e ser legitimado 
por essa população, de maneira a articular ações de 
tratamento e de prevenção, como indica o método 
clínico centrado na pessoa 
• Sugere-se rastrear tabagismo (A), uso de álcool (B), 
abuso de substâncias e realizar medida anual de 
pressão arterial (PA) em adultos (A), oferecer 
sorologias a homens que fizeram sexo sem 
camisinha e discutir medidas de proteção individual 
(na moto, no carro, no trabalho) 
• Ademais, é importante lembrar-se da 
interseccionalidade: as diferenças entre homens 
negros e brancos, homens pobres e ricos, homens cis 
e trans 
RETENÇÃO URINÁRIA, ENCURTAMENTO 
DO JATO E PROBLEMAS PROSTÁTICOS 
(págs. 3614-3643) 
INTRODUÇÃO 
• Queixas relacionadas à próstata constituem, 
frequentemente, a única razão para consulta dos 
homens e, por isso, o médico de família e 
comunidade deve estar atento à oportunidade de 
fazer promoção e prevenção, especialmente sobre 
Glaziele Yumi – 9° período – AB 
 
hábitos deletérios, como tabagismo e alcoolismo e 
hipertensão arterial 
• O rastreamento para o câncer de próstata na 
população masculina, em geral, ainda é um assunto 
controverso e tende a trazer mais dano do que 
benefício para os pacientes 
• É um desafio para o médico de família e comunidade 
comunicar os riscos e os benefícios desse 
procedimento, para que o paciente possa fazer a sua 
opção de maneira consciente 
• O médico de família e comunidade tem de estar 
sempre alerta, já que a prevenção traz bons 
resultados, mas algumas medidas trazidas como 
preventivas não trazem benefício para a pessoa e 
podem até gerar procedimentos desnecessários e 
causar dano 
SINTOMAS DO TRATO URINÁRIO INFERIOR – STUI 
• Queixa mais frequente: dificuldade para urinar 
→ Estima-se que cerca de um terço dos homens com 
mais de 70 anos apresentem algum grau de 
retenção urinária 
• Quanto a apresentação clínica, estes sintomas 
podem ser de dois tipos: 
→ Armazenamento: 
o Urgência 
o Tenesmo 
o Retenção urinaria 
→ De micção 
o Disúria 
o Polaciúria 
o Noctúria 
• A causa mais frequente dos STUIs na APS é o 
aumento benigno do volume prostático, mas deve-se 
lembrar das outras causas comuns: prostatite, cistite, 
uretrite, uso de medicações anticolinérgicas e alfa 
adrenérgicas e lesões neurológicas 
Causas de obstrução urinária 
Mecanismo Causa 
Obstrução ABP (aumento benigno da próstata) 
Câncer de próstata 
Estenose de meato 
Fimose 
Calculo vesical 
Impactação fecal 
Massas retroperitoneais 
Massas gastrintestinais 
Estenose de uretra 
Cancer vesical 
Edema no trato urinário 
Infecciosa ou 
inflamatória 
Prostatite 
Balanopostite 
Abcesso prostático 
Cistite 
SGB (Sindrome de Guillan Barré) 
Mielite transversa 
TB do trato urinário 
Infecções raras (equinococose, 
HSV, doença de Lyme, VZV) 
Farmacológica Anticolinérgicos (antidepressivos 
tricíclicos, atropina, oxibutinina, 
hioscina) 
Anti-histaminicos 
(dexclorfeniramina, ciproeptadina, 
hidroxizine) 
Antiarritmicos (quinidina, 
procainamida) 
Anticonvulsivantes (carbamazepina) 
Anti-hipertensivos (nifedipina, 
hidralazina) AINEs 
 Antiparkinsonianos (amantadina, 
bromocriptina, levodopa) 
Antipsicóticos (clorpromazina, 
flufenazina, haloperidol, tioridazina) 
Hormônio (testosterona) 
Opioides 
Relaxantes musculares (baclofeno, 
ciclobenzaprina, diazepam) 
Alfa-simpaticomiméticos 
(descongestionantes orais, efedrina, 
fenilefrina, paseudoefedrina) 
Beta-simpaticomiméticos 
(terbutalina, isoproterenol) 
Outras Trauma peniano 
Lesão na parte posterior da uretra 
em trauma pélvico 
Complicações de pós-operatório 
Psicogênica 
 
• Em torno de 40% dos homens com mais de 50 anos 
de idade e 90% daqueles com amis de 80 anos têm 
evidencias histológicas de ABP, tornando um dos 
problemas mais prevalentes em homens idosos 
• Mais de 70% das pessoas portadoras de ABP podem 
ser manejadas apenas com tratamento clinico 
ANAMNESE 
Retenção urinária aguda 
• Dor importante 
• Potencialmente inflamatória: disúria pronunciada, 
acompanhada de dor pélvica ou perineal, dor à 
evacuação e urgência urinária. História clinica 
Glaziele Yumi – 9° período – AB 
 
costuma ser suficiente para o diagnóstico e o toque 
retal tem papel muito importante 
• Potencialmente obstrutiva: Obstrução do trato urinário 
no colo vesical ou distalmente a ele, encurtamento do 
jato, hesitação, urina entrecortada e esforço para 
iniciar a micção, que progrediram para obstrução 
aguda, sensação e micção incompleta, noctúria e 
infecção urinária de repetição, IUEV (incontinência 
urinaria por extravasamento, hematúria ou eliminação 
de coágulos 
• Fatores externos situacionais: Uso de opioides 
potentes ou outros medicamentos, trauma ou 
instrumentação peniana eleva a possibilidade de 
lesões uretrais, devendo-se avaliar em serviço de 
referência com urgência, já que a cateterização pode 
piorar o quadro 
• Doenças ou disfunções neurológicas: Associação 
com outros déficits neurológicos focais, síndrome da 
cauda equina, parkinsonismo, déficit visual 
(considerando esclerose múltipla), demência e 
história de AVC 
Retenção urinária crônica 
• Indolor 
• Gera complicações como infecção de repetição e IR 
 
• A retenção urinária, nesses casos, acontece tanto 
pela compressão, devida ao aumento do volume da 
próstata, como do tônus adrenérgico aumentado na 
parte estromal da glândula. Além disso, o aumento do 
volume da próstata leva a uma hiperatividade do 
músculo detrusor, que tem uma parte importante, 
senão predominante, dos sintomas, o que tem 
impulsionado a escolha de novos regimes 
terapêuticos, como os antimuscarínicos 
• A USG pode ajudar a guiar as decisões a respeito do 
tratamento, uma vez que determina o volume 
prostático e pode avaliar o resíduo urinário, mas não 
precisa ser realizada rotineiramente, sendo reservada 
a casos que não estão apresentando boa evolução 
• Quando a retenção urinária é associada a sintomas 
inflamatórios, como disúria, polaciúria e noctúria, 
deve-se conduzir a investigação clínica para a 
identificação da causa 
Uretrite 
• Pacientes com história de relação sexual sem 
preservativo 
• Na descarga purulenta pela uretra, deve-se 
prontamente considerar gonorreia 
• A inspeção do pênis pode evidenciar balanopostite 
que justifique os sintomas 
Prostatite 
• Próstata quente, amolecida ou dolorosa 
• Pode se apresentar de 4 maneiras: aguda bacteriana, 
crônica bacteriana, crônica com dor pélvica crônica e 
assintomática 
• A invasão da próstata por bactéria pode ocorrer por 
refluxo urinário ou por ascensão a partir da uretra, 
logo, as bactérias mais comumente envolvidas são 
aquelas envolvidas em infecções do trato urinário: E. 
coli, Proteus sp e Providenciasp. 
• A prostatite crônica não bacteriana ainda não tem 
mecanismo esclarecido, mas está relacionada à 
hiperuricemia 
• O exame tradicional para diferenciar as prostatites é o 
teste de Stamey-Meares em quatro frascos, que 
avalia a urina e a secreção prostática 
→ Tem um exame mais simples e com igual 
rendimento, consiste em coletar a urina 
normalmente, a seguir fazer um toque retal, 
massagear a próstata vigorosamente da periferia 
para o centro e coletar outra amostra de urina 
• As prostatites são causa de aumento de PSA e 
devem ser consideradas nos pacientes eu tenham 
feito essa pesquisa 
 
CONDUTA 
Retenção urinária aguda 
• Cateterização imediata da bexiga para 
descompressão 
• Pessoas com ABP confirmada ou suspeita devem 
receber medicação alfa-adrenérgica ou antagonistas 
da 5alfa-redutase, antes ou concomitante a 
cateterização 
• Quando tiver forte suspeita de condição neurológica 
associada, vai precisar de avaliação e um 
neurologista 
Sintomas do trato urinário inferior de causa não 
inflamatória – obstrutiva 
Glaziele Yumi – 9° período – AB 
 
• Antes de instituir a medicação, deve-se quantificar os 
sintomas para avaliar a resposta ao tratamento ou 
evolução dos sintomas 
• Para isso, usa-se o score IPSS. Um score maior que 
8 indica a instituição do tratamento 
 
Farmacológico 
• Alfabloqueadores: 1ª escolha de tratamento 
→ A próstata apresenta tanto receptores alfa 1 
quanto alfa 2sendo que o primeiro é responsável 
pela contração da próstata e o que mais corrobora 
para os sintomas 
→ Espera-se resposta dentro de 48h 
→ Se houver falha, necessitará de tratamentos 
complementares 
→ Embora seja considerada como 1ª escolha, a 
tansulosina não se mostrou mais eficaz que 
alfabloqueadores não seletivos 
→ Alfabloqueadores mais utilizados: Doxazosina (1-
2mg/dia para dose inicial e 8mg/dia para 
manutenção), Terazosina (1mg/dia e 5-10mg/dia) 
e Tansulosina (0,4 mg/dia e 0,8 mg/dia) 
• Inibidores da 5-alfa-redutase: 
→ Podem ser usados em pacientes com próstata de 
volume aumentado, apresentando melhor 
resultado no fluxo urinário do que os 
alfabloqueadores nesse grupo de pacientes 
→ Entretanto, podem estar associados a um 
aumento na mortalidade por câncer de próstata 
neste grupo, devido ao aumento no número de 
tumores pouco diferenciados, possivelmente por 
atrasarem o diagnóstico 
→ Demoram até 6 meses para dar uma resposta 
clínica e podem reduzir o volume prostático em 
até 40 por cento 
→ Estão especialmente indicados para pessoas que 
apresentem alto risco d e progressão para 
retenção urinária aguda 
→ Os fatores de risco são: 
o Idade >70 anos 
o Escore de sintomas >7 
o Volume prostático >30 Ml 
o PSA>1,4ng/Ml 
o Fluxo urinário máximo 100ml 
 
A associação de um alfabloqueador com um inibidor da 
5-alfa-redutase apresenta melhor controle dos sintomas 
do que qualquer deles em monoterapia 
Em pacientes refratários ao tratamento com essa 
combinação duplas pode-se associar um 
antimuscarinico, como a oxibutinina 
Cirúrgico 
• O método tradicional (ressecção transuretral da 
próstata) apresenta desfechos semelhantes às novas 
técnicas de ablação com laser, podendo permanecer 
como o procedimento de escolha 
Outras medidas 
• O uso crônico de sonda vesical pode ter 
complicações como ITU, sepse, trauma, cálculos, 
estenose uretral e erosões 
• Pacientes que necessitem de auxílio permanente 
para micção devem dar preferência por fazer 
autocateterização intermitente, o que reduz 
complicações 
Sintomas do trato urinário inferior de causa 
inflamatória 
Prostatite aguda 
• Acontece mais frequentemente entre a 5° e a 7° 
década de vida 
• Início súbito e intenso 
• Estão mais suscetíveis aqueles que passaram por 
dilatação da uretra, cateterização, cistoscopia, biopsia 
da próstata e ressecção transuretral da próstata 
• Pode ser considerada um tipo de ITU e geralmente se 
inicia com febre, calafrios, mialgias e dor pélvica, que 
pode ser a principal queixa na maioria das vezes 
• Toque retal revela próstata quente e dolorosa com 
consistência firme e contornos irregulares 
• Bactérias mais encontradas nesse sítio: 
→ E.coli 
→ Klebsiella 
→ Serratia 
→ Proteus 
→ Enterococos 
→ Pseudomonas 
→ Outros: S. aureus, Streptococcus faecalis, 
Chlamydia e anaeróbios. 
• Diagnóstico: geralmente não precisa de nenhum 
exame confirmatório, mas urocultura com 
antibiograma deve ser coletada antes do início com 
antibiótico sempre que possível. 
• Tratamento (antibioticoterapia por um período de seis 
semanas, mas geralmente é usado apenas 2 
semanas, deixando o tratamento mais longo para 
pacientes toxêmicos ou com resposta lenta): 
→ Sulfametoxazol com trimetropim 
→ Quinolona 
→ Tetraciclina 
→ Tratamento sintomático com analgésicos, 
antitérmicos e agentes para reduzir a consistência 
do bolo fecal 
o Se houver obstrução do canal urinário, pode 
ser necessário colocar um cateter suprapúbico 
• Casos de toxemia pode ser que seja necessário 
internação para antibioticoterapia venosa geralmente 
Glaziele Yumi – 9° período – AB 
 
com a associação de uma cefalosporina de amplo 
espectro e um aminoglicosídeo 
• Complicação: 
→ Abcesso prostático, que tem seu diagnóstico 
firmado pela USG ou TC e a conduta é cirúrgica 
Prostatite crônica bacteriana 
• Causa mais comum de ITU recorrente em homens 
• Manifestação clínica: 
→ ITU de repetição 
→ Disúria persistente 
→ Dor à ejaculação 
→ Hemospermia 
→ Dor irradiada para o pênis, testículos ou dorso 
→ Febre baixa 
→ Artralgias e mialgias 
• Apresenta-se com urocultura negativa e exame de 
liquido prostático com contagem de leucócitos acima 
de 20 e bacteriúria ou cultura positiva após a 
massagem prostática 
• Agentes etiológicos mais comuns: 
→ Chlamydia trachomatis 
→ Ureaplasma urealyticum 
→ E.coli 
• Toque retal com próstata endurecida, dolorosa e 
aumentada de volume 
• Tratamento: 
→ Tratamento é difícil devido a pouca penetração do 
antibiótico na próstata não inflamada 
→ Como a próstata é revestida por camada lipídica, 
antibióticos lipossolúveis como a clindamicina e o 
trimetropim seriam boa escolha, mas a 
clindamicina tem ação fraca contra germe gram-
negativos. 
→ Fluoroquinolonas tem melhores índices de cura 
histológica quando comparadas a sulfa e 
semelhante entre elas 
• Primeira escolha: sulfametoxazol com trimetropim de 
4 a 12 semanas 
• Segunda escolha fluoroquinolonas 
• Pode-se associar um alfabloqueador ao antibiótico 
para melhorar os sintomas e reduzir a taxa de 
recorrências 
Prostatite crônica não bacteriana / síndrome da dor 
pélvica crônica 
• Etiologia ainda não esclarecida 
• Em alguns casos pode ser que exista uma infecção 
oculta principalmente por contagem de leucócitos 
acima do normal no liquido prostático 
→ Além disso, a causa autoimune também vem 
sendo estudada 
• Foi observado aumento de ácido úrico nesses 
pacientes, ainda não muito estudado 
• Manifestação clínica: 
→ Sintomas compatíveis com prostatite como 
lombalgia, dor à ejaculação, perineal, na parte 
interna das coxas, no pênis, nos testículos ou na 
bolsa escrotal 
→ Sintomas discretos de irritação do canal urinário 
ou de obstrução 
→ Como regra, não apresentam ITU de repetição 
• Associa-se frequentemente a outros distúrbios 
funcionas e dolorosos como fibromialgia e síndrome 
da fadiga crônica, como também depressão e 
ansiedade 
• São pacientes que chegam a consulta tendo recebido 
muitos testes e realizado diferentes tratamentos sem 
sucesso 
• SM4 pode ajudar a diferenciar a prostatite crônica 
não bacteriana das outras formas de prostatite, já que 
apresentará culturas negativas e leucócitos com 
contagem superior a 10 a 20 na avaliação da 
secreção prostática 
• Tratamento ainda é controverso. 
• Devido a possibilidade de infecção oculta, um curso 
de antibiótico empírico parece uma boa conduta 
inicial 
• As melhorespossibilidades seriam doxiciclina 100mg 
12/12h ou eritromicina 500mg 6/6h por 14 dias. 
• Persistir no uso de antibióticos é desaconselhado 
• Alfabloqueadores podem ajudar no alivio sintomático, 
principalmente nos casos com sintomas obstrutivos 
• Alopurinol, massagem prostática periódica e 
termoterapia transuretral com micro-ondas têm sido 
usadas, porém ainda se desconhece sua efetividade 
CA DE PRÓSTATA 
• Mais de 95 por cento dos cânceres de próstata são 
adenocarcinomas 
• Fatores de risco: idade, raça negra e história familiar 
• Complicações mais comuns 
→ Metástases ósseas, linfonodos, pulmão e 
hepáticas 
→ Sintomas obstrutivos 
→ Hematúria 
→ Insuficiência renal 
→ Paraplegia 
→ Manifestações neurológicas 
• Pode cursar com sintomas obstrutivos, mas é comum 
a primeira manifestação ser dor em região óssea, em 
especial pelve e coluna, raramente hematúria ou 
hemospermia 
• Ao exame físico, podem-se encontrar linfonodos 
palpáveis e no toque retal pode-se encontrar uma 
próstata endurecida ou nódulo palpável 
Diagnóstico 
• É feito pela biópsia, que deve ser realizada em 
pessoas com PSA ou toque retal alterado que não 
tinham queixas (rastreamento) ou em pessoas com 
queixas (investigação) 
Paciente sintomático 
• A principal razão dos homens procurarem o médico é 
o medo de ter câncer 
• Médico de família deve levar em consideração a 
probabilidade de câncer bem como os riscos e 
benefícios do tratamento 
• A maioria dos casos de STUIs será devido a ABP 
• Realizar toque retal e dosagem de PSA em busca de 
câncer de próstata leva a um aumento no número de 
falso-positivos e ansiedade, sem redução na 
mortalidade 
• Pessoas com STUI devido a câncer costumam ter 
tumores mais diferenciados, reforçando a ideia de 
que os sintomas não são nem indicativos de câncer, 
nem de tumores com pior prognóstico 
Glaziele Yumi – 9° período – AB 
 
• Deve-se considerar que, ao investigar o câncer em 
um paciente com STUI, está-se lidando com duas 
situações preocupantes: a possibilidade grande de 
encontrar resultados falso-positivos no PSA, o que 
acarreta investigação adicional desnecessária e 
potencialmente danosa; e a possibilidade de não 
conseguir prolongar a vida, ainda que se faça o 
diagnóstico do câncer 
• Caso opte-se pela dosagem de PSA e toque retal, a 
pessoa deve estar consciente de que investigações 
alteradas devem ser seguidas de exames 
complementares, o que deve incluir imagem da 
próstata (US ou ressonância) e biópsias 
→ A confirmação de um câncer exigirá tratamentos 
como prostatectomia, quimioterapia e/ou 
radioterapia, e que esses tratamentos podem 
deixar sequelas, como dor pélvica, incontinência 
urinária (IU), estenose da uretra, impotência 
sexual, ejaculação retrógrada, entre outras. 
• Vale ressaltar que a interpretação do resultado do 
PSA precisa ser modificada em pacientes com STUI 
de característica inflamatória, considerando biópsia 
para os pacientes que apresentem um PSA maior do 
que 20 ng/mL, o que daria um valor preditivo positivo 
de 34% 
• Muitos homens fazem esses exames sem essa 
consciência e desistem de dar seguimento após um 
PSA alterado ou um toque retal duvidoso ou suspeito 
• Nunca é demais lembrar que, se um resultado de 
exame não mudará uma conduta, tal exame não 
deverá ser solicitado 
Paciente assintomático 
• A velocidade de aumento do PSA foi proposta como 
uma forma de melhorar a precisão do rastreamento, 
mas atualmente mostra valor apenas em pacientes 
em tratamento 
• Recomenda-se repetir a dosagem do PSA para 
confirmação, antes de se indicar biópsia, pois seu 
valor pode ter flutuação ao longo do tempo 
Investigação complementar: 
• Após rastreamento ou suspeita clínica, havendo 
indício de câncer de próstata (exame físico alterado 
e/ou PSA aumentado), devem-se solicitar PSA total e 
livre e US da próstata, preferencialmente transretal 
• A seguir, deve-se fazer uma biópsia da próstata (seis 
ou mais fragmentados) guiada, em caso de 
identificação de nódulo suspeito à US, ou aleatória, 
em caso de PSA> 4ng/ml ou PSA livre 2ng/ml/ano 
→ Intervalo curto de duplicação na concentração do 
PSA 
Seguimento 
• A velocidade de aumento no PSA pode ser um 
marcador de evolução da doença, como visto 
• Assim, aumento maior do que 0,75 ng/mL/ano deve 
ser considerado para investigação adicional e 
principalmente se for maior do que 2 ng/mL/ano 
• Após prostatectomia radical ou terapia 
antiandrogênica, espera-se que o PSA fique 
suprimido, e valores maiores do que 0,2 ng/mL 
também devem ser considerados suspeitos 
• Há evidências de que, para um indivíduo com PSA 
normal em exame de rotina, a repetição do exame a 
cada ano ou a cada 3 ou 4 anos não apresenta 
diferença nos desfechos 
Quando referenciar 
Para a emergência: 
• Episódio de obstrução urinaria aguda em paciente 
com ABP que não consiga cateterizar no serviço de 
APS 
Para urologista: 
• DRC crônica associada a obstrução prostática 
• ABP com obstrução urinaria aguda após avaliação na 
emergência 
• ABP e infecção urinaria recorrente 
• STUIs refratário ao tratamento clinico otimizado e, 
nos casos de próstata maior que 40g ou PSA total 
maior do que 1,4ng/ml, uso concomitante de inibidor 
de 5 alfa redutase (finasterida 5mg/dia) por pelo 
menos seis meses 
• Neoplasia em biopsia prostática 
• Suspeita clínica (toque retal suspeito com nódulo, 
endurecimento ou assimetria) 
• Pacientes com STUIs e PSA total elevado para sua 
idade – excluir aumento por infecção urinaria ou 
prostatite 
• Pacientes assintomáticos com idade inferior ou igual 
a 75 anos e PSA total maior ou igual a 10 ng/mL 
• Pacientes assintomáticos com idade inferior ou igual 
a 75 anos e PSA total menor do que 10 ng/mL 
persistentemente elevado para sua idade (repetir PSA 
total após 1 mês)

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