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Brasília - DF 2025 MINISTÉRIO DA SAÚDE CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ATUAÇÃO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL E INTERPROFISSIONALIDADE MINISTÉRIO DA SAÚDE CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Brasília - DF 2025 ATUAÇÃO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL E INTERPROFISSIONALIDADE Tiragem: 2ª edição – 2025 – versão eletrônica 2025 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. A coleção institucional do Programa Mais Saúde com Agente pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde Coordenação-Geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde Esplanada dos Ministérios Bloco O, 9º andar CEP: 70052-900 – Brasília/DF Tel.: (61) 3315-2596 E-mail: sgtes@saude.gov.br Secretaria de Atenção Primária à Saúde Departamento de Saúde da Família Esplanada dos Ministérios Bloco G, 7º andar CEP: 70058-90 – Brasília/DF Tel.: (61) 3315-9044/9096 E-mail: aps@saude.gov.br Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) SRTVN 701, Via W5 Norte, lote D, Edifício PO 700, 7º andar CEP: 70719-040 – Brasília/DF Tel.: (61) 3315.3874 E-mail: svsa@saude.gov.br CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE – CONASEMS Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo CEP: 70058-900 – Brasília/DF Tel.: (61) 3022-8900 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Av. Paulo Gama, 110 - Bairro Farroupilha CEP: 90040-060 – Porto Alegre/RS Tel.: (51) 3308-6000 Designer educacional: Alexandra Gusmão – CONASEMS Gustavo Henrique Faria Barra – CONASEMS Colaboração: Daniela Riva Knauth – UFRGS Darwin Renne Florencio Cardoso – SVSA/MS Diego Gnatta – UFRGS Eliane Ignotti – SVSA/MS kauara Brito Campos – SVSA/MS Lanusa Gomes Ferreira – SGTES/MS Marcela Alvarenga de Moraes – CONASEMS Rejane Teles Bastos – SGTES/MS Rosângela Treichel S. Surita – CONASEMS Assessoria executiva: Conexões Consultoria em Saúde Ltda. Coordenação de desenvolvimento gráfico: Cristina Perrone – CONASEMS Diagramação e projeto gráfico: Aidan Bruno - CONASEMS Alexandre Itabayana - CONASEMS Caroline Boaventura - CONASEMS Icaro Duarte - CONASEMS Lucas Mendonça - CONASEMS Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS Wellington Tadeu Aparecido Silva – CONASEMS Fotografias e ilustrações: Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems Imagens: Flaticon Freepik Revisão linguística: Keylla Manfili Fioravante - CONASEMS Roberta Ker Elias - CONASEMS Normalização: Luciana Cerqueira Brito – Editora MS/CGDI Valéria Gameleira da Mota – Editora MS Coordenação-geral: Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS Érika Rodrigues de Almeida – SGTES/MS Felipe Proenço de Oliveira – SGTES/MS Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS Lívia Milena Barbosa de Deus e Méllo – SGTES/MS Luciana Barcellos Teixeira – UFRGS Organização: Núcleo Pedagógico do Conasems Coordenação técnica e pedagógica: Andréa Fachel Leal - UFRGS Carmen Lucia Mottin Duro - UFRGS Diogo Pilger - UFRGS Diego Gnatta – UFRGS Fabiana Schneider Pires - UFRGS Kelly Cristina Santana - CONASEMS Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira -SGTES/ MS Marta de Sousa Lima - CONASEMS Marilise Oliveira Mesquita - UFRGS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Valdívia França Marçal - CONASEMS Elaboração de conteúdo - 1ª edição: Erica Lima Costa de Menezes Lígia Lopes Ribeiro Revisão de conteúdo - 2ª edição: Sally Cristina Moutinho Monteiro Revisão técnica: Andréa Fachel Leal – UFRGS Diogo Pilger – UFRGS Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira – SGTES/MS Michelle Leite da Silva – SAPS/MS Patricia da Silva Campos – CONASEMS Ranieri Flávio Viana de Sousa – SVSA-MS Ficha Catalográfica Brasil. Ministério da Saúde. Atuação em equipe multiprofissional e intersetorialidade [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. – Brasília: Ministério da Saúde, 2025. xxxx p. : il. – (Programa Mais Saúde com Agente; E-book 17). Modo de acesso: World Wide Web: Incluir link ISBN xxxxxxxxxxxx CDU xxx I. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. II. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. III. Título. Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS xxxxxxxxx Título para indexação: Healthcare agent workers' Fundamentals 4 COMO NAVEGAR NESTE E-BOOK QR CODE Sempre que surgir o QR CODE, aponte a câmera do seu celular para acessar o conteúdo. Você também pode clicar sobre ele, com o botão direito do mouse, para abrir em uma nova aba ou navegador. Antes de iniciar a leitura do material, veja, aqui, algumas dicas para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. SUMÁRIO: uma forma rápida e fácil de acessar os capítulos. Quer retornar à lista do sumário? Basta clicar no ícone no canto superior da página. BEM-VINDA (O)!BEM-VINDO (A)! Este é o seu e-book da disciplina Atuação em Equipe Multiprofissional e Interprofissionalidade. O presente material foi elaborado para auxiliá-lo(a) na compreensão do trabalho multiprofissional e da interprofissionalidade, destacando a importância da articulação do processo de trabalho em saúde entre diversos setores e serviços (intersetorialidade) para promover um cuidado em saúde mais efetivo e resolutivo. A Interprofissionalidade será abordada na perspectiva da busca pela integralidade do cuidado do indivíduo, da família e da comunidade, bem como das ferramentas de qualificação para a equipe em saúde. Espera-se que, ao final desta disciplina, você, Agente de Saúde, reflita sobre o importância do trabalho em equipe multiprofissional, considerando-a como princípio e diretriz para a organização da Atenção Primária à Saúde (APS), e se reconheça nesse grandioso processo de cuidado em saúde. Estude este e-book com atenção e consulte-o sempre que necessário! Lembre-se de acompanhar, também, a teleaula, a aula interativa e de realizar as atividades propostas para consolidar e enriquecer seu processo de aprendizagem. Vamos para mais uma jornada de aprendizagem? Bons estudos! LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ACE | Agentes de Combate às Endemias ACP | Atenção Centrada no Paciente ACS | Agentes Comunitários de Saúde APS | Atenção Primária à Saúde CAPS | Centro de Atenção Psicossocial CRAS | Centro de Referência de Assistência Social CREAS | Centro de Referência Especializado em Assistência Social DESF | Departamento de Saúde da Família eMulti | equipes Multiprofissionais ESF | Estratégia Saúde da Família GM/MS | Gabinete do Ministro do Ministério da Saúde MS | Ministério da Saúde NASF-AB | Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica OMS | Organização Mundial da Saúde LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ONGs | Organizações não Governamentais PNAB | Política Nacional de Atenção Básica em Saúde PST | Projeto de Saúde no Território PTS | Projeto Terapêutico Singular RAS | Rede de Atenção à Saúde REIP | Rede de Educação Interprofissional e Prática Colaborativa em Saúde na América Latina e Caribe SAPS | Secretária de Atenção Primária à Saúde SUS | Sistema Único de Saúde UBS | Unidade Básica de Saúde USF | Unidade de Saúde da Família LISTA DE FIGURAS A INTERSETORIALIDADE DOS SERVIÇOS FIGURA 1 49 PROJETO DE SAÚDE NO TERRITÓRIO FIGURA 2 62 SU M ÁR IO INTERPROFISSIONALIDADE 02 27 O TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE 01 9 INTERSETORIALIDADE EM SAÚDE 03 45 REFERÊNCIAS 0674 RETROSPECTIVA 05 72 FERRAMENTAS E ESTRATÉGIAS QUE FAVORECEM O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL E A INTERPROFISSIONALIDADE 04 59 01 O TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE 10 Por isso, a Política Nacional de Atenção Básica em Saúde (PNAB) estimula a formação de equipes multiprofissionais e interprofissionais para desenvolver ações de promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos, além da vigilância em saúde. O trabalho multiprofissional em saúde pode ser descrito como uma articulação de processos de trabalho entre diferentes categorias profissionais em que a atuação ocorre paralelamente e/ou em conjunto, preservando as especificidades de cada profissão, ou seja, é uma modalidade de trabalho coletivo que se configura na relação recíproca entre as múltiplas intervenções técnicas e a interação dos agentes de diferentes áreas profissionais (Cardoso; Hennington, 2011; Peduzzi, 2001). Um dos grandes desafios para a Atenção Primária em Saúde (APS) é, sem dúvidas, assegurar a integralidade da assistência, de modo que não haja descontinuidade no processo de cuidado em saúde. É um trabalho que deve propiciar o cuidado em todos os âmbitos necessários, sendo mais assertivo e seguro. Assim, uma Equipe Multiprofissional de Saúde é um grupo de profissionais de diferentes áreas que atuam em conjunto e bem coordenados para realizar o atendimento do usuário. Indica profissionais de duas ou mais carreiras que estejam aprendendo ou trabalhando juntos, mas não necessariamente interagindo uns com os outros. Os papéis e as competências são independentes. Multiprofissional 11 Nesse contexto, a equipe Multiprofissional (médicos, enfermeiros, ACE, ACS, cirurgiões dentistas, nutricionistas, entre outros) pode se reunir para planejar e desenvolver atividades de prevenção e de controle da Dengue e de outros agravos à saúde. Teoria na prática Vamos imaginar uma comunidade em que há um número significativo de casos de Dengue nos últimos três meses, elevando, assim, o adoecimento da população e as demandas da Unidade de Saúde. 12 Além disso, a equipe multiprofissional pode trabalhar na perspectiva da Educação Popular em Saúde, buscando minimizar/combater os problemas identificados, dialogando com a comunidade e respeitando seus saberes. Ressalta-se que os(as) ACS e ACEs são membros importantes da equipe, pois possuem uma atuação mais próxima da comunidade, oportunizando a criação de vínculos, bem como a detecção de oportunidades de mudanças ou de melhorias nos fatores determinantes e condicionantes da saúde da comunidade. #FICA A DICA 13 Teoria na prática A equipe Multiprofissional na saúde é enfatizada como importante e necessária por diversos autores, os quais a justificam de diferentes formas e em contextos variados. Para Colomé, Lima e Davis (2008), o trabalho em equipe Multiprofissional deve estar pautado em um trabalho conjunto, no qual todos os profissionais se envolvam, em algum momento, na assistência, de acordo com seu nível de competência específico, e possam atender às complexidades dos problemas de saúde da atualidade. A Portaria GM/MS Nº 635, de 22 de maio de 2023, que institui, define e cria incentivo financeiro federal de implantação, custeio e desempenho para as modalidades de equipes Multiprofissionais (eMulti) na Atenção Primária em Saúde, descreve que equipe Multiprofissional é aquela composta por profissionais de saúde de diferentes áreas de conhecimento que atuam de maneira complementar e integrada às demais equipes da Atenção Primária em Saúde, com atuação corresponsável pela população e pelo território, em articulação intersetorial e com a Rede de Atenção à Saúde (RAS). 14 Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code, a seguir, para acessar a Portaria GM/MS Nº 635, de 22 de maio de 2023. Esse documento institui, define e estabelece o incentivo financeiro federal para implantação, custeio e desempenho das equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde. #SAIBA MAIS Esse artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa que visou apreender como os trabalhadores vivenciam as relações interprofissionais no contexto das práticas de Atenção à Saúde em doenças infecciosas no setor de internação hospitalar de um Instituto de Pesquisa. Para aprofundar seus conhecimentos, clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code e leia o artigo "Trabalho em equipe e reuniões multiprofissionais de saúde: uma construção à espera pelos sujeitos da mudança", de Cardoso, C. G. e Hennington E. A. 15 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/prt0635_22_05_2023.html https://www.scielo.br/j/tes/a/YS6JT5hmc8YtsgGhfFYzN5S/ https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/prt0635_22_05_2023.html https://www.scielo.br/j/tes/a/YS6JT5hmc8YtsgGhfFYzN5S/ As ações planejadas pela equipe Multiprofissional e Interprofissional contemplam a identificação das necessidades dos indivíduos, bem como o tratamento mais adequado e o desenvolvimento de ações de promoção e prevenção em saúde (Cardoso; Hennington, 2011). A importância da atuação dessa equipe tem se fundamentado devido ao impacto positivo de suas ações sobre os diferentes fatores que interferem no processo de saúde-doença da população, pois visam a uma abordagem mais completa (integral) do indivíduo, representando, dessa forma, uma possibilidade maior de resolutividade dos problemas da população. 16 Com distintas funções e qualificações, que se complementam, a equipe multiprofissional assegura a participação de diferentes profissionais, por meio de ações que propiciam uma assistência mais adequada e humana ao indivíduo, trabalhando de maneira cooperativa, e não competitiva, desenvolvendo um trabalho em que todos se comprometem com o cuidado, no qual cada um utiliza os seus conhecimentos em prol da saúde do usuário. Essa atuação conjunta eleva o aproveitamento da capacidade de cada profissional pela provável coesão do trabalho desenvolvido, fortalecendo as relações entre os profissionais. O trabalho multiprofissional tem como foco desconstruir o olhar biomédico (centrado no tratamento da doença) e a assistência individual e medicalizadora, os quais geram baixa resolutividade e um trabalho centrado no profissional. Assim, o trabalho em equipe Multiprofissional pode produzir melhores resultados em saúde, aprimorando a resolutividade e resultando em menores custos em saúde, além de poder elevar a satisfação no trabalho por parte dos profissionais (Peduzzi et al., 2020), quando o trabalho é realizado em conjunto. 17 Para aprofundar sua compreensão sobre o conceito de integralidade em saúde, explore os conteúdos a seguir. Eles apresentam abordagens teóricas e práticas que ajudam a refletir sobre a importância da atenção integral no cuidado à saúde. #SAIBA MAIS Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code a seguir para visualizar o conceito de Integralidade no PenseSUS. Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code a seguir para assistir ao vídeo sobre os princípios do SUS. Porém, o trabalho multiprofissional não garante a integralidade do cuidado quando o atendimento é fragmentado (não observando os riscos e o território e sendo voltado somente para as doenças observadas no momento) devido à falta de comunicação e integração das ações realizadas pelos profissionais. É importante que o trabalho seja bem coordenado, com interação dos membros da equipe, buscando a resolutividade. PARA REFLETIR! 18 https://pensesus.fiocruz.br/integralidade https://youtu.be/t9fLYCy9OB8?si=ZgtkG6sLhxmRh6UV https://youtu.be/t9fLYCy9OB8?si=ZgtkG6sLhxmRh6UV https://pensesus.fiocruz.br/integralidade A integralidade do cuidado em saúdeé a garantia ao usuário de uma assistência à saúde que transcenda a prática curativa, contemplando o indivíduo em todos os níveis de atenção e considerando o sujeito inserido em um contexto social, familiar e cultural. Assim, a integralidade é a priorização de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde nos diferentes níveis de Atenção à Saúde, articulando ações para o alcance das necessidades de cuidado, centradas no indivíduo, estabelecendo vínculos, acolhimento e proporcionando autonomia. É responsabilidade da equipe de saúde a coordenação do cuidado ao usuário, articulando a resolução de problemas e ações de saúde entre os diferentes serviços da Rede de Saúde, voltada para o alcance do objetivo comum. Isso deve ser realizado de maneira longitudinal, isto é, presumindo a existência contínua do cuidado por longos períodos, independentemente da presença de problemas específicos relacionados ao processo saúde-doença do indivíduo, ainda que esse esteja sob o cuidado de outros níveis de atenção especializados. Afinal, o que é a integralidade do cuidado? 19 Ressalta-se que a eMulti valoriza o cuidado multidisciplinar e objetiva o atendimento e as ações em conjunto com as demais equipes de saúde que atuam na APS, além de ampliar o leque de práticas em saúde no território e ofertar um cuidado para a comunidade, melhorando o acompanhamento em saúde dos usuários e a resolubilidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, recomenda-se que haja uma integração entre as ações de Atenção Primária em Saúde e Vigilância em Saúde em que o(a) Agente Comunitário(a) de Saúde (ACS) trabalhe em conjunto com o(a) Agente de Combate às Endemias (ACE) e os demais membros da equipe Multiprofissional para a adequada identificação das necessidades de saúde da população e o planejamento das possíveis intervenções e ações de saúde para o indivíduo e a comunidade. 20 Veja, a seguir, quais são as diretrizes e os objetivos das equipes Multiprofissionais: Facilitar o acesso. Valorizar a Multiprofissionalidade e a Interprofissionalidade. Propiciar a integridade. Superar a fragmentação do cuidado. Ampliar o escopo de práticas de cuidado. Longitudinalidade do cuidado. Aprimorar a resolutividade da APS. Assistência, prevenção, promoção, vigilância e formação. 21 ➢ Você já parou para pensar sobre a importância de sua atuação para o trabalho dos demais integrantes de sua equipe? ➢ Como você poderia ampliar o potencial da sua equipe? ➢ Quais saberes você poderia compartilhar com os membros da sua equipe? PARA REFLETIR! Equipe Saúde da Família: deve ser composta minimamente por médico(a) (preferencialmente, da especialidade Medicina de Família e Comunidade), enfermeiro(a) (preferencialmente, especialista em Saúde da Família), técnicos/auxiliares de enfermagem e Agente Comunitário de Saúde. Outros profissionais, como Agente de Combate às Endemias e Equipe de Saúde Bucal, podem agregar essa equipe. A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) apresenta alguns exemplos de equipes que podem ser formadas objetivando o impacto positivo na saúde da população, dentre as quais pode-se citar: 22 Equipe da Atenção Básica: deve ser composta minimamente por médico(a) (preferencialmente, da especialidade Medicina de Família e Comunidade), enfermeiro(a) (preferencialmente, especialista em Saúde da Família), técnicos/auxiliares de enfermagem. Outros profissionais, como dentistas, técnicos/auxiliares de Saúde Bucal, Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias, podem agregar essa equipe. Equipe de Saúde Bucal: cirurgiões-dentistas e técnicos/auxiliares em Saúde Bucal. Equipe de Consultório na Rua: equipe Multiprofissional com categorias variadas. Equipe de Atenção Básica Prisional: equipe Multiprofissional com categorias variadas. Equipe de Saúde Ribeirinha: equipe Multiprofissional com categorias variadas. Equipe de Unidade Básica de Saúde Fluvial: equipe Multiprofissional com categorias variadas. 23 O Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) foi revogado pela Nota Técnica nº 3/2020 DESF/SAPS/MS, de 27 de janeiro de 2020, e a Portaria GM/MS Nº 635, de 22 de maio de 2023, instituiu a modalidade de equipe Multiprofissional (eMulti) na Atenção Primária à Saúde, as quais são equipes de profissionais de saúde de diferentes áreas de conhecimento que atuam de maneira complementar e integrada à APS, sendo que sua atuação é corresponsável pela população e pelo território, em articulação intersetorial e com a Rede de Atenção à Saúde (RAS). As eMultis podem se vincular a todas as modalidades de equipes de APS, assim, cada equipe Multiprofissional pode estar integrada a uma ou mais equipes: ❖ equipe de Saúde da Família; ❖ equipe de Saúde da Família Ribeirinha; ❖ equipe de Consultório na Rua; ❖ equipe de Atenção Primária; ❖ equipe de Unidade Básica de Saúde Fluvial. Por sua vez, as equipes de APS só podem estar vinculadas a uma equipe Multiprofissional. 24 Veja como você, ACS ou ACE, pode atuar nas equipes Multiprofissionais: Participando de reuniões da equipe, com trocas de saberes focadas na discussão de casos, na construção de projetos terapêuticos singulares e no planejamento de orientações de prevenção de agravos e promoção da saúde. Compartilhando intervenções com usuários e suas famílias, respeitando a sua diversidade cultural, religiosa e os seus saberes, levando em consideração o território e a história de vida de cada um, de forma que o atendimento responda às necessidades de saúde da população. 25 Estimulando e desenvolvendo projetos de saúde no território, como: apoio a grupos diversos, ações de inclusão social, enfrentamento da violência e do racismo, impulso da equidade, entre outros. Atuando na Educação Popular em Saúde, participando da organização do trabalho coletivo, incluindo o planejamento e a execução das ações interprofissionais e do Programa Saúde na Escola. ➢ Após ler as descrições acima, você consegue visualizar atividades em que esteja inserido(a) nas ações eMulti? ➢ Como têm acontecido as ações da eMulti no seu território? Pense em outras formas de atuar na eMulti. PARA REFLETIR! Desenvolvendo ações comuns nos territórios de sua responsabilidade de forma articulada com as equipes de outros setores e/ou serviços. 26 02 INTERPROFISSIONALIDADE No Brasil, o trabalho em equipe é uma estratégia de cuidado que permeia o Sistema Único de Saúde (SUS), em especial na Atenção Primária em Saúde (APS). Ele é multidimensional e engloba aspectos biológicos, psicológicos, sociais, políticos, econômicos e culturais. Na APS, a Estratégia Saúde da Família (ESF) busca o desenvolvimento de ações, em que o usuário, a família e a comunidade são o centro do processo de cuidado, exigindo, assim, uma intrínseca interação entre as diferentes categorias profissionais que compõem as equipes de saúde. Ao revisitar o conceito de trabalho em equipe Multiprofissional, percebe-se que há a necessidade de uma interação e uma integração mais abrangente entre os profissionais à medida em que se trabalha na perspectiva de um trabalho coletivo com interações e foco na resolutividade em saúde (Peduzzi et al., 2020). 28 29 Assim, entende-se que os trabalhos em equipe Multiprofissional e Interprofissional, possuem definições distintas. No trabalho multiprofissional, a equipe é constituída por diferentes categorias profissionais, com atuação paralela e conjunta e com interação mínima entre os seus membros. Por sua vez, o trabalho interprofissional também é constituído por diferentes categorias profissionais, mas, aqui, há o compartilhamento de objetivos, o desenvolvimento de identidade de equipe e a busca constante pela intrínseca interação entre os seus membros, considerando o caráter complexo e dinâmico das necessidadesde saúde do indivíduo, da família e da comunidade, sendo a comunicação um exercício contínuo na consolidação das atividades planejadas (Agreli; Peduzzi; Silva, 2017; D'amour, 2005). A Interprofissionalidade propõe a colaboração como um potente diferencial no trabalho em equipe. Um(a) médico(a), um(a) enfermeiro(a) e um(a) Agente Comunitário(a) de Saúde planejando a medicação e os cuidados de um paciente com Diabetes Mellitus e com uma Úlcera no pé esquerdo, com um objetivo em comum, colaboração e comunicação. EXEMPLO 1 Assim, a Interprofissionalidade pode ser definida como: profissionais de duas ou mais profissões que estejam aprendendo ou trabalhando juntos e interagindo entre si. Os papéis e as competências, com frequência, se sobrepõem. Um(a) sanitarista, um(a) enfermeiro(a), um(a) médico(a) veterinário(a) e um(a) Agente de Combate às Endemias atuando de forma interativa e colaborativa com o propósito explícito de planejar ações de Educação Popular em Saúde em um território sem saneamento básico. EXEMPLO 2 30 A PNAB estimula a formação de equipes Multiprofissionais, mas o trabalho em saúde (atual e futuro) é extremamente desafiador, uma vez que o avanço do envelhecimento populacional e a complexidade dos problemas de saúde carecem de ações de grande efetividade e resolutividade. Devido a essa crescente complexidade dos problemas de saúde e das necessidades da sociedade, faz-se necessário o desenvolvimento de um trabalho mais articulado e integrado (interprofissional), ampliando a perspectiva do cuidado em saúde (Barros; Spadacio; Costa, 2018). Assim, o trabalho multiprofissional pode evoluir para um trabalho interprofissional, em que ocorre uma verdadeira interação e colaboração entre os membros da equipe em busca de um objetivo comum. Há de se integrar ações de prevenção de agravos em saúde, promoção, recuperação e reabilitação da saúde, respeitando e contemplando as articulações interprofissionais e intersetoriais na Rede de Atenção à Saúde, incluindo o usuário e sua família nas decisões em saúde. 31 Teoria na prática Dona Joana (aposentada, 70 anos de idade, mora com um sobrinho de 30 anos de idade há 01 ano e possui Diabetes Mellitus Tipo 2 e cinco gatos) foi na UBS (por indicação do seu ACS e ACE) em uma tarde ensolarada de segunda-feira para uma reavaliação do tratamento para Asma e o diagnóstico de uma possível Desnutrição. Nessa tarde, ela foi, primeiramente, atendida pelo enfermeiro, em seguida, pelo médico, depois, pelo nutricionista e, por último, foi até o farmacêutico para pegar suas medicações. Esse tipo de atendimento pode ser considerado multiprofissional, uma vez que diferentes categorias profissionais foram responsáveis pelo atendimento, pela avaliação e pela orientação de saúde para a Dona Joana, certo? O trabalho multiprofissional é um princípio para a organização e o trabalho da APS/Vigilância em Saúde no Brasil. 32 Teoria na prática Porém, quando a equipe (o(a) enfermeiro(a), o(a) médico(a), o(a) nutricionista, o(a) farmacêutico(a), o(a) ACS e o(a) ACE) analisa o “caso” e define objetivos comuns, a partir do conhecimento que a equipe tem do perfil da Dona Joana, da sua família e da comunidade em que vive; quando compartilham responsabilidades e reconhecem o trabalho uns dos outros; quando constroem um ambiente/clima de trabalho de confiança, respeito e corresponsabilização; tem-se o trabalho em equipe Interprofissional, em que o cuidado em saúde é construído de forma responsável e participativa, levando em conta os aspectos biopsicossociais do usuário. PARA REFLETIR! Como você, ACS e/ou ACE, poderia contribuir na discussão do “caso” de Dona Joana? 33 De acordo com Reeves e Cols (2010), o trabalho interprofissional considera a articulação das ações e requer o reconhecimento da interdependência, bem como a interação dos profissionais envolvidos - o que pode ser expressado pelo nível de compartilhamento de valores, objetivos e identidade entre eles. O trabalho interprofissional é um modo de potencializar a capacidade de cada profissional e dos Sistemas para o desenvolvimento de um cuidado em saúde integrado e de forma coordenada, com uma prática colaborativa, dirigida à melhoria da qualidade e dos resultados em saúde (Barr, 2000). Além disso, o trabalho em equipe Interprofissional estimula mudanças no processo de trabalho da própria equipe por demandar a interação entre os profissionais envolvidos e por contribuir para ações intersetoriais. 34 A Interprofissionalidade tem mobilizado instituições de vários setores e vem crescendo constantemente, e a criação da Rede Regional de Educação Interprofissional das Américas (REIP) tem contribuído para essa expansão. A REIP é uma estratégia de articulação e cooperação técnica entre instituições de ensino, organizações profissionais, Ministério da Saúde e Ministério da Educação com o objetivo de promover a educação interprofissional e a prática colaborativa na Atenção à Saúde na região das Américas. VOCÊ SABIA? 35 Agora que você compreende melhor a atuação multiprofissional e a Interprofissionalidade, é fundamental destacar que todos os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) possuem atribuições tanto comuns quanto específicas, de acordo com suas qualificações. Para você, ACS ou ACE, é essencial conhecer suas responsabilidades. Por isso, com base na Lei nº 11.350/2006 e suas alterações (Lei nº 13.595/2018 e Emenda Constitucional nº 120/2022), além do que foi discutido em Políticas de Saúde, confira, a seguir, suas principais atribuições. 36 Atribuições comuns dos(as) ACS e ACEs: Realizar diagnóstico demográfico, social, cultural, ambiental, epidemiológico e sanitário do território em que atuam, contribuindo para o processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe. Desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção de doenças e agravos, em especial aqueles mais prevalentes no território, e de vigilância em saúde, por meio de visitas domiciliares regulares e de ações educativas individuais e coletivas na UBS, no domicílio e em outros espaços da comunidade, incluindo a investigação epidemiológica de casos suspeitos de doenças e agravos, junto a outros profissionais da equipe, quando necessário. 37 Realizar visitas domiciliares com periodicidade estabelecida no planejamento da equipe e conforme as necessidades de saúde da população para o monitoramento da situação das famílias e dos indivíduos do território, com especial atenção às pessoas com agravos e condições que necessitem de maior número de visitas domiciliares. Identificar e registrar situações que interfiram no curso das doenças ou que tenham importância epidemiológica relacionada aos fatores ambientais, realizando, quando necessário, bloqueio de transmissão de doenças infecciosas e agravos. Orientar a comunidade sobre sintomas, riscos e agentes transmissores de doenças e medidas de prevenção individual e coletiva. Identificar casos suspeitos de doenças e agravos, encaminhar os usuários para a Unidade de Saúde de referência e registrar e comunicar o fato à autoridade de saúde responsável pelo território. Informar e mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental e outras formas de intervenção no ambiente para o controle de vetores. Conhecer o funcionamento das ações e dos serviços do seu território e orientar as pessoas quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis. 38 Estimular a participação da comunidade nas políticas públicas voltadas para a área da saúde. Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar ações intersetoriais de relevância para a promoção da qualidade de vida da população, como ações e Programas de Educação, Esporte e Lazer, Assistência Social, entre outros. Exercer outrasfunções que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria ou outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal. 39 Executar ações de campo para pesquisa entomológica, malacológica ou coleta de reservatórios de doenças. Realizar cadastramento e atualização da base de imóveis, para planejamento e definição de estratégias de prevenção, intervenção e controle de doenças, incluindo, dentre outros, o recenseamento de animais e o levantamento de índice amostral tecnicamente indicado. Atribuições dos(as) ACEs: Executar ações de controle de doenças utilizando as medidas de controle químico, biológico, manejo ambiental e outras ações de manejo integrado de vetores. 40 Realizar e manter atualizados os mapas, os croquis e o reconhecimento geográfico de seu território. Executar ações de campo em projetos que visem avaliar novas metodologias de intervenção para prevenção e controle de doenças. Exercer outras funções que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria ou outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal, conforme já mencionado. 41 Trabalhar com a adscrição de indivíduos e famílias em base geográfica definida e cadastrar todas as pessoas de sua área, mantendo os dados atualizados no Sistema de Informação da Atenção Básica vigente, utilizando-os de forma sistemática, com o apoio da equipe, para a análise da situação de saúde, considerando as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e epidemiológicas do território e priorizando as situações a serem acompanhadas no planejamento local. Utilizar instrumentos para a coleta de informações que apoiem o diagnóstico demográfico e sociocultural da comunidade. Atribuições dos(as) ACS: 42 Registrar, para fins de planejamento e acompanhamento das ações de saúde, os dados de nascimentos, óbitos, doenças e outros agravos à saúde, garantido o sigilo ético. Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população adscrita à UBS considerando as características e as finalidades do trabalho de acompanhamento de indivíduos e grupos sociais ou coletividades. Informar os usuários sobre as datas e os horários de consultas e exames agendados. Participar dos processos de regulação, a partir da Atenção Básica, para o acompanhamento das necessidades dos usuários no que diz respeito a agendamentos ou desistências de consultas e exames solicitados. Exercer outras funções que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria ou outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal, conforme já mencionado. 43 #SAIBA MAIS Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code para saber mais sobre as atribuições dos demais membros da equipe, se aprofundar e conhecer, na íntegra, essa temática tão importante que é a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). Por fim, consulte a Lei nº 13.595, de 05/01/2018. Compreender seus detalhes é muito importante para sua atuação profissional. Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code. 44 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13595.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13595.htm INTERSETORIALIDADE EM SAÚDE 03 A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade. Assim, para que a saúde seja alcançada, faz-se necessário um trabalho árduo, de forma articulada, com diferentes órgãos e setores. A essa interação, bem-sucedida, chamamos de Intersetorialidade. A Intersetorialidade é um dos princípios da Política Nacional de Promoção da Saúde e pode ser entendida como uma articulação entre diferentes setores responsáveis por ações necessárias ao indivíduo/coletividade, unindo forças, construindo parcerias e somando recursos (financeiros e humanos), para se alcançar um objetivo comum. É uma estratégia primordial para a sustentação das políticas públicas, a qual se responsabiliza pela proposição e pelo fortalecimento de ações, planos, programas e projetos, uma vez que possibilita as melhorias nas condições de vida da população, indicando a necessidade de articulação intersetorial. A atuação em equipe está intimamente ligada ao trabalho intersetorial, proporcionando a integração e a efetivação do cuidado em saúde da população. Para que a rede de cuidados seja integral, é necessário que as ações sejam intersetoriais. 46 A Intersetorialidade deve ser instrumentalizada a partir da criação e/ou ampliação de Redes que convergem para um mesmo propósito e compromisso social, por meio das quais profissionais de saúde, órgãos e instituições públicas/privadas e organizações não governamentais (ONGs) interajam para a resolução de questões relacionadas à comunidade de um território e, juntos, planejem ações, avaliem resultados e reorientem as condutas, de forma dinâmica e integrada, dividindo a corresponsabilidade por todas as ações, que, por sua vez, pressupõem a realização de parcerias e a produção de impactos positivos nas condições de vida dos indivíduos, das famílias e da comunidade. Essa área da saúde é concebida como articuladora dos diferentes setores para a concretização da promoção, da prevenção e da recuperação da saúde, estando ligada ao princípio da integralidade. A Intersetorialidade, nesse contexto, tem se revestido, também, como estratégia profissional para a efetivação do cuidado em saúde (Figura 1, página 49, a seguir). 47 Para a resolução dos problemas presentes na comunidade, cada um deve integrar o seu saber ao saber do outro, organizando e articulando, cada um com sua contribuição e com sua função, para formar um plano e montar estratégias para que todos possam alcançar um resultado esperado. É renunciar àquilo que eu planejo sozinho para planejar junto. É a contribuição de cada setor articulado com a qualidade de vida do indivíduo e da comunidade, em um panorama do conceito ampliado de saúde. Para auxiliar no entendimento da Intersetorialidade, clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code para assistir ao vídeo sobre Políticas Públicas Intersetoriais. 48 https://www.youtube.com/watch?v=-CaptGhEbXA https://www.youtube.com/watch?v=-CaptGhEbXA Fonte: adaptado de GESUAS, 2024. Disponível em: https://blog.gesuas.com.br/intersetorialidade-suas/. Acesso em: 24 fev. 2025. Figura 1 A Intersetorialidade dos Serviços Serviços de Saúde Centros Comunitários Ação Social ONGs Educação Conselhos Delegacias / Poder Judiciário Secretarias: Meio Ambiente; Urbanismo; Educação; Planejamento; entre outras Redes de Proteção 49 Cidadão / Comunidade Teoria na prática Durante uma visita domiciliar a uma gestante faltante em sua consulta de Pré-natal, a ACS Gerusa visualizou marcas vermelhas e roxas no rosto e no corpo dela, identificando se tratarem de Hematomas e Equimoses. Ao ser perguntada, a mulher responde que realmente apanhou do marido, por isso, faltou à consulta, mas não quer que ninguém saiba, argumentando que ele tem problemas com alcoolismo, mas que é uma boa pessoa e que já está tudo bem entre eles. Também há crianças na casa, mas Gerusa já se certificou que elas não apresentam nenhuma marca. Você, ACS, é o elo entre a UBS e a comunidade, da mesma forma que você e sua equipe de saúde são o elo entre a comunidade e os demais setores necessários para a resolução de algum problema. 50 Teoria na prática Dessa forma, o caso deve ser levado, imediatamente, para sua equipe para, juntos, abordarem e discutirem sobre ele. Essa situaçãoextrapola a atuação de sua equipe, podendo ser necessário o envolvimento de outros setores e órgãos, como: Rede de Proteção à Mulher em Situação de Violência, Rede de Proteção à Criança, Conselho Tutelar, Juizado da Infância e Juventude, Delegacia da Mulher, Centro de Referência Especializado em Assistência Social - CREAS, Centro de Atenção Psicossocial - CAPS, Grupos de Alcoólicos Anônimos, entre outros parceiros que possam vir a auxiliar na resolução dessa situação e garantir a proteção e os direitos dessa mulher e das crianças, mas, também, o auxílio a esse marido, que pode não estar conseguindo se controlar com relação ao uso de álcool e à sua agressividade com sua família. 51 Teoria na prática Que tal outro exemplo? O ACS Tião e a ACE Camila foram realizar algumas visitas pelo território para orientar a comunidade sobre a importância de não deixar água parada em utensílios, a fim de prevenir a proliferação do vetor da Dengue (mosquito fêmea Aedes aegypti). Ao avistar o portão aberto de uma residência na qual eles nunca conseguiam falar com ninguém, Tião correu para lá, junto com Camila, para aproveitar a oportunidade. Quando eles entraram no local, ficaram chocados com a quantidade de lixo que havia no quintal. Havia muito lixo (parecia uma montanha de tanto lixo), lixo reciclável e orgânico, além de muitas fezes de animais e um cheiro horrível. 52 Teoria na prática Para agravar ainda mais a situação, havia 2 crianças brincando em meio àquela quantidade enorme de lixo. Camila começou a conversar com os integrantes da casa e orientar sobre condições de higiene e a importância de um ambiente limpo para a saúde. Conversou, também, sobre as zoonoses (doenças que se transmitem dos animais para as pessoas) e o quanto situações semelhantes a essa atraem a presença de outros insetos e animais. Nessas condições, outras doenças e surtos podem surgir e se propagar, inclusive, por todo o território ao redor. Tião orientou, ainda, sobre a necessidade de autocuidado e de prevenção de doenças e argumentou sobre como as condições encontradas/visualizadas (acúmulo de lixo, além de diferentes objetos/animais) poderiam impactar no adoecimento das próprias crianças que ali viviam. Explicaram a necessidade de mais uma visita, juntamente com outros integrantes da equipe de saúde. Naquele mesmo dia, ao saírem da residência, Tião conversou com a enfermeira da Unidade Básica de Saúde, que convocou uma reunião extraordinária e, juntos, programaram uma nova visita ao domicílio, só que, agora, com toda equipe Multiprofissional da Estratégia Saúde da Família e da Vigilância em Saúde. Esse caso evidencia os riscos à saúde, à segurança, ao meio ambiente, à sociedade, entre outros, que essa família está causando. 53 Teoria na prática As pessoas desse domicílio, os felinos que lá vivem, as famílias moradoras no entorno da residência, assim como toda comunidade ao redor, ficam vulneráveis devido a essa situação insalubre. Aqui também se extrapolará a atuação da equipe local de saúde e da Vigilância em Saúde, podendo ser necessário o envolvimento de outros setores e órgãos, como: Rede de Proteção de Animais, Rede de Proteção à Criança, Conselho Tutelar, Juizado da Infância e Juventude, Delegacia e/ou Secretaria do Meio Ambiente, Assistência Social (CREAS/CRAS), Centro de Atenção Psicossocial - CAPS, entre outros. PARA REFLETIR! Quando se trabalha a Intersetorialidade, busca-se uma maior capacidade de resoluções às necessidades do indivíduo, da família e da comunidade, bem como a adoção de uma perspectiva ampliada de saúde. Não há como falar de cuidado integral em saúde sem mencionar o envolvimento de diferentes atores e o quanto cada um deles é importante na construção da totalidade da assistência. Não há como falar em trabalho em equipe na busca da efetividade e da resolutividade em saúde sem pensar em Intersetorialidade. 54 Teoria na prática Lembra-se do caso da Dona Joana? Dona Joana (aposentada, 70 anos de idade, mora com um sobrinho de 30 anos de idade há 01 ano e possui Diabetes Mellitus Tipo 2 e cinco gatos), que foi na UBS (instruída pelo seu ACS e ACE) em uma tarde ensolarada de segunda-feira para uma reavaliação do tratamento para Asma e o diagnóstico de uma possível Desnutrição. O ACE e o ACS relataram para a Equipe que, em visita domiciliar e conversa com vizinhos, detectaram que Dona Joana mora em uma rua sem esgoto, com alta taxa de lixo na rua e que está apresentando dificuldades para se alimentar, pois não consegue acesso à sua aposentadoria há, aproximadamente, 10 meses. Além disso, o vizinho reclamou do odor forte que vem do quintal de Dona Joana, assim como uma crescente circulação de gatos pelo local. 55 Teoria na prática Assim, para que o cuidado em saúde de Dona Joana seja realizado de forma interprofissional, é preciso que a equipe se reúna para debater o caso, para, em conjunto, definir objetivos comuns, a partir do conhecimento que a equipe tem do perfil dela, da família e do território, além de compartilhar responsabilidades, com foco na atenção às necessidades da Dona Joana, e não no serviço ou nas profissões – postura essa reconhecida como Atenção Centrada no Paciente (ACP). ➢ Nesse cenário, você consegue identificar que apenas o atendimento na UBS não será suficiente para cuidar da saúde de Dona Joana? ➢ Você identifica a necessidade da interação e integração entre a saúde, a vigilância em saúde e o setor social? ➢ Você percebe que é importante a ação interprofissional e intersetorial? ➢ Você percebe a importância do seu trabalho como ACE ou ACE no cuidado da saúde de Dona Joana? 56 Quando se trabalha a Intersetorialidade, busca-se uma maior capacidade de resoluções às necessidades da comunidade. É imprescindível para os determinantes sociais do processo saúde-doença que tenhamos a ciência de que ninguém faz saúde sozinho, de que a adoção de uma perspectiva ampliada de saúde é necessária para a qualidade das ações, além da consciência de que tudo passará por outros setores, por outros olhares e outras qualificações profissionais, visto que muitos problemas não podem ser resolvidos exclusivamente no âmbito da Atenção Primária, e, dessa forma, concretizar a visão que enxerga o indivíduo como um todo. Além da inter-relação entre diferentes órgãos para a integralidade da assistência, é indispensável elencar a participação das equipes que realizam esse trabalho. Não há como falar de cuidado integral em saúde sem mencionar o envolvimento de diferentes atores e o quanto cada um é importante na construção da totalidade da assistência. 57 PARA REFLETIR! Você, enquanto ACS ou ACE, possui um papel importante nas ações intersetoriais para a promoção da saúde e prevenção de agravos. Você consegue lembrar/identificar situações que envolveram a Intersetorialidade na sua prática de trabalho? Discuta com um(a) colega sobre a importância da Intersetorialidade no cuidado em saúde. Você já percebeu a necessidade de relação entre diferentes setores para a resolução de um determinado problema no território e o quanto isso busca atingir a integralidade do cuidado? Isto é INTERSETORIALIDADE. 58 04 FERRAMENTAS E ESTRATÉGIAS QUE FAVORECEM O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL E A INTERPROFISSIONALIDADE Agora que você já entendeu a importância do trabalho multiprofissional, da Interprofissionalidade e da Intersetorialidade para a garantia da integralidade do cuidado, que tal conhecer algumas estratégias/ferramentas que apoiam e orientam a organização do trabalho das equipes de saúde, favorecendo a construção compartilhada das ações e o trabalho coletivo? 60 O Projeto de Saúde no Território (PST) é realizado por meio de uma discussão coletiva das equipes de saúde com a comunidade, as lideranças locais e outros sujeitos estratégicos.Essa é uma discussão sobre as prioridades e as necessidades em saúde do território, bem como sobre seus determinantes sociais. A discussão também envolve refletir sobre as ações e as formas de intervir nos problemas (BRASIL, 2010). Veja o infográfico a seguir e conheça um pouco mais sobre o Projeto de Saúde no Território e seus momentos: Projeto de Saúde no Território (PST) Vamos começar com o Projeto de Saúde no Território (PST)! ▪ Você já ouviu falar ou já utilizou o PST em seu trabalho na Atenção Primária em Saúde? O PST tem como objetivo desenvolver ações para qualificação do cuidado, produção de saúde nos territórios, qualidade de vida e autonomia de sujeitos e comunidades. 61 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde, 2009, 160 p. Figura 2 – Projeto de Saúde no Território 62 Enquanto no Projeto de Saúde no Território o foco é um problema identificado no território, no Projeto Terapêutico Singular, a equipe vai trabalhar com um problema de saúde de uma pessoa. Exemplificando: um surto de Dengue em uma determinada região de um bairro é um problema de território. Aqui, utilizaremos o PST - Projeto Saúde no Território. Agora, um paciente que recebeu alta após ter sido internado no hospital e retornou ao seu domicílio acamado, com dispositivos, como sonda nasogástrica para se alimentar, sonda vesical de demora para poder urinar, colostomia para poder evacuar, úlcera por pressão em sua pele, entre outros, e seus familiares não têm ideia de como lidar com tudo isso. Nesse caso, utilizaremos o PTS - Projeto Terapêutico Singular para tratar dos problemas específicos deste usuário. Projeto Terapêutico Singular (PTS) O Projeto Terapêutico Singular (PTS) se assemelha ao Projeto de Saúde no Território (PST) e é elaborado a partir de uma reunião para a discussão e construção coletiva de um conjunto de propostas de ações e condutas terapêuticas a serem realizadas por uma equipe multiprofissional que atue de forma interprofissional, incluindo, nesse processo, o usuário ou a família que será objeto do PTS. 63 O PTS é utilizado, geralmente, para aqueles casos mais difíceis de serem resolvidos, aqueles em que a equipe já tentou, de diferentes formas, encontrar alguma solução, mas não conseguiu. O projeto considera a singularidade e as diferenças, por meio da participação de cada pessoa e coletivo envolvidos no PTS, por isso, é chamado de singular. Ele tem como etapas: Etapa diagnóstica: quando toda a equipe se reúne e troca informações sobre aspectos orgânicos, físicos, psicológicos e sociais que possibilitem identificar riscos, vulnerabilidades, recursos e alternativas do usuário. Deve conter uma avaliação holística do sujeito, compreendendo o conceito ampliado de saúde e respeitando a singularidade de cada um. Definição de metas: definição de metas com propostas de ações de curto, médio e longo prazo e que devem ser negociadas e pactuadas com a pessoa para a qual o projeto está sendo pensado, a fim de estimular uma corresponsabilidade e melhor adesão. Nesse momento, é importante identificar quem na equipe possui maior vinculação com o usuário para que seja ela a fazer o contato. Definição de responsabilidades: de forma clara, simples e objetiva, é imprescindível definir as tarefas que cada membro, ou pequenos grupos, realizará. Avaliação: é o momento de rediscutir o caso e reavaliar todas as ações desenvolvidas, se houve o alcance de cada objetivo, o êxito no desenvolvimento do planejamento, se continuarão realizando os mesmos processos ou se deve haver correções de rumo ou mudança das ações e tarefas. 1 3 2 4 64 Para saber mais sobre o Projeto Terapêutico Singular, leia o material elaborado pelo Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização: Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular. #SAIBA MAIS Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o QR Code para acessar o material. 65 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/clinica_ampliada_2ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/clinica_ampliada_2ed.pdf Essas reuniões devem ser utilizadas como um momento de planejamento coletivo, de avaliação das ações, de discussão de casos e de espaço de educação permanente para a elaboração do Projeto Terapêutico Singular ou do Projeto de Saúde do Território, como vimos no exemplo da equipe de Gerusa e de Camila com Tião. Da mesma forma, elas devem servir para discussão e resolução de questões relacionadas ao processo de trabalho e aos problemas/questões administrativas da Unidade de Saúde, para ações que devem ser coordenadas e/ou planejadas intersetorialmente, entre outros aspectos. Reunião de equipe A reunião de equipe é um importante espaço de encontro entre os trabalhadores da equipe de saúde e das equipes de saúde que atuam em uma Unidade. Nela, é possível compartilhar ideias, conhecimentos, problemas e soluções para as necessidades de saúde das pessoas, das famílias e da comunidade. A frequência das reuniões deve ser pactuada entre as equipes e a gestão da Unidade e do município, podendo ocorrer de forma semanal, quinzenal ou mensal, a depender da organização da equipe, do tempo de atuação, do período e das necessidades. 66 A equipe que está realizando a visita deve aproveitar o momento para identificar outros agravos ou suspeitas de doenças; identificar situações de importância epidemiológica e realizar ações de educação em saúde para a promoção da saúde e prevenção de doenças (Brasil, 2018). Visita domiciliar A visita domiciliar é uma importante ferramenta para o trabalho da APS, para a integração com a Vigilância em Saúde, para o trabalho do(a) ACS e do(a) ACE e desses com os demais trabalhadores da equipe. Além das visitas regulares, realizadas pelos(as) ACS e/ou ACE, aquelas que demandam a presença de outro(s) trabalhador(es) devem ser realizadas de acordo com a necessidade de saúde das pessoas e podem ter como objetivo o monitoramento da situação das famílias e dos indivíduos do território, com especial atenção às pessoas com agravos e condições que necessitem de maior cuidado (Brasil, 2018). 67 É por meio da visita domiciliar que se pode entender melhor a dinâmica familiar, conhecer o exato contexto de vida do indivíduo, reconhecer as vulnerabilidades, além de outros fatores importantes e relevantes que podem ser identificados nesse momento. A visita domiciliar facilita, também, o processo de planejamento da assistência, pois permite ao profissional observar e analisar as condições e os recursos disponíveis na residência e no meio ambiente em que vive (ex.: saneamento básico, coleta de lixo, presença de domicílio próximo de rios ou lagos, entre outros). Portanto, a visita domiciliar deve compreender um conjunto de ações sistematizadas, que se iniciam antes da ida ao domicílio e continuam após esse ato, e requer o uso de técnicas de entrevista e observação, além da adequada compreensão da sequência de planejamento, execução, registro de dados e avaliação do processo. 68 Planejamento da visita domiciliar: inicia-se com a seleção das visitas e serem realizadas, considerando o itinerário, o tempo aproximado disponível a ser gasto na residência e o horário disponível dos membros da equipe e do usuário. Sempre que possível, iniciar as visitas por aqueles domicílios em que será demandado um maior tempo da equipe de saúde. Em seguida, deve-se realizar a compreensão da realidade de vida do usuário, por meio da consulta em seu prontuário multiprofissional, além da troca de informação com outros profissionais que já tiveram contato com algum membro da família. Em seguida, é preciso estabelecer os objetos da visita, que irão orientar a revisão de conhecimentos necessários para embasar os procedimentos a serem executados nela, com ênfase na entrevista e naobservação em domicílio. Execução da visita domiciliar: alguns cuidados devem ser observados pela equipe de profissionais durante a visita a fim de evitar o desvio de finalidade, como adaptar um plano de visita domiciliar no caso de intercorrências durante o processo para evitar que os objetivos não sejam alcançados; ao chegar ao domicílio, todos os membros da equipe Multiprofissional devem se identificar (com nome e função) e verbalizar, de maneira clara, os objetivos da visita; destacar o caráter sigiloso dos registros realizados na residência; realizar a observação sistemática da dinâmica familiar e, ao término da visita, resgatar os objetivos predefinidos, fazendo uma síntese do que foi realizado, se houve alguma intervenção, orientação ou procedimento para o usuário/família. Observe as etapas da visita domiciliar: 69 Relatório da visita domiciliar: o relatório é essencial para que as informações coletadas, por meio da entrevista e observação, sejam compartilhadas com os demais membros da equipe Multidisciplinar, subsidiando a continuidade da assistência. Esse relatório deve ser claro, objetivo, ter uma sequência lógica, conter todas as informações que foram coletadas e a justificativa das informações que não foi possível conseguir e conter as observações e as intervenções realizadas. É importante, também, que se anote os aspectos que precisarão ser mais bem explorados nas próximas visitas. Avaliação do processo de visita: a avaliação da visita domiciliar poderá ser feita por meio de questionamentos em relação aos procedimentos realizados após o término. Exemplo: os objetivos propostos foram alcançados? O preparo para a realização da atividade foi adequado? O tempo estimado foi cumprido? Fomos efetivos na resolução de intercorrências? É importante que essa avaliação seja anotada para que seja o ponto de partida das próximas visitas. 70 Deve-se ter atenção para evitar a repetição de temas e de assuntos ao se realizar grupos específicos para um agravo, como grupos de pessoas com Hipertensão ou grupos de gestantes, tornando, assim, a escuta para as necessidades, os desejos e as curiosidades das pessoas que estão participando uma etapa essencial para a vinculação e continuidade dos grupos. A participação de todos os trabalhadores da Unidade de Saúde, em algum momento, é importante e estratégica para a ampliação do olhar sobre as situações que serão discutidas, e todos devem se envolver no planejamento, na realização e na avaliação da atividade. Atividades em grupo na Unidade e/ou na comunidade As atividades em grupo para ações de educação em saúde podem ser realizadas para a discussão de diferentes temas, com uma composição também diversa, e têm, entre seus objetivos, a qualificação, a troca de saberes, o compartilhamento de experiências, a formação de redes de apoio, a construção compartilhada de conhecimento e de resoluções para problemas de saúde e a ampliação da participação popular e da autonomia das pessoas em seu processo de cuidar e vivenciar o processo saúde-doença. 71 05 RETROSPECTIVA Percorremos mais essa etapa em seu percurso formativo com sucesso. Esperamos que você, Agente de Saúde, prossiga ainda mais capacitado(a) para o desenvolvimento de suas atribuições em seu território de atuação, tomando como base os conhecimentos adquiridos e aprimorados acerca da necessidade da atuação multiprofissional, do trabalho em equipe interprofissional e das ações intersetoriais, para a integralidade do cuidado, com qualidade, efetividade e segurança. Que a temática apreendida aqui seja parte rotineira do seu processo de trabalho e que você continue construindo novos conhecimentos, multiplicando saberes e favorecendo a promoção da saúde em sua comunidade de atuação. Tenha sempre em mente que: “Quando trabalhamos juntos, vamos mais longe” Até breve! 73 06 REFERÊNCIAS Referências bibliográficas AGRELI, H. F.; PEDUZZI, M.; SILVA, M. C. Atenção centrada no paciente na prática interprofissional colaborativa. Inter. Com. Saúde. Edu. São Paulo, 2017 maio 20(59):905-916. Disponível em: https://www.scielo.br/j/icse/a/sXhwQWKsZGzrQqT4tDryCXC/. 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Acesso em: 19 mar. 2025. BRASIL. Lei n. 13.595, de 5 de janeiro de 2018. Altera a Lei n. 11350, de 5 de outubro de 2006, que dispõe sobre as atividades de Agente Comunitário de Saúde e de Agente de Combate às Endemias. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 155, n. 5, p. 1-2, 8 jan. 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13595.htm. Acesso em: 19 mar. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Política Nacional de Atenção Básica - Módulo 1: Integração Atenção Básica e Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. 68 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_politica_nacional_atenc ao_basica_integracao_atencao_basica_vigilancia_saude_modulo_1.pdf. Acesso em: 19 mar. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.ht ml. 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