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MINHAS METAS SITUAÇÃO POLÍTICA, SOCIAL E DE SAÚDE DA CRIANÇA NO BRASIL E NO MUNDO Conhecer as políticas públicas voltadas à saúde da criança. Identificar as ações que as políticas públicas na saúde da criança realizam na sociedade. Conhecer os aspectos sociais e vulnerabilidades que emergem na política de atenção à criança. Compreender o papel da enfermagem como protagonista do cuidar da criança. Abordar as principais problemáticas psicossociais evidenciadas na saúde da criança. Analisar o processo do cuidar e sua interligação com as políticas de saúde da criança. Aplicar na prática clínica o conhecimento sobre o cuidar integral à saúde da criança. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 8 DESENVOLVA SEU POTENCIAL POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA (PNAISC) E SEUS ASPECTOS NORTEADORES Na atenção integral à saúde da criança, nem tudo está em nossas mãos, preci- samos da ação governamental como força de mudança nas disparidades que ocorrem na saúde pública. As políticas públicas têm como foco orientar ações que fundamentam a prá- tica dos profissionais de saúde. Com relação à saúde da criança, temos órgãos que lutam pela saúde da criança, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 A Unicef tem realizado, ao longo dos anos, o monitoramento da condição sociop- sicossocial de crianças e adolescentes. Evidencia-se que vem ocorrendo redução significativa na taxa de mortalidade infantil, e isso se deve ao alcance de metas do Ministério da Saúde quanto à promoção e prevenção em saúde desde o pré-natal até a fase pediátrica em diante. Observa-se ainda que as desigualdades sociais se encontram elevadas, muito relacionadas a diversos fatores, como déficit financeiro familiar, no qual muitas famílias não possuem recursos financeiros suficientes para manter as necessida- des básicas, como adquirir alimento, vestimentas, saneamento e moradia digna. E é nesse olhar em que se observa que esses fatores repercutem na criança, pois são os fatores sociais, psicológico e de saúde que promovem o bem-estar da criança e de suas famílias. As políticas públicas de saúde são essenciais para o processo norteador do cuidado centrado no indivíduo, família e sociedade, sendo uma delas a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), fomentada pela Portaria do Ministério da Saúde de nº 1.130, de 5 de agosto de 2015, que tem como foco a atenção integral à saúde da família, especialmente a da criança, como ser único e singular. 1 1 Essa política aborda diversas ações capazes de promover mudanças signifi- cativas na forma de abordagem por parte dos gestores e profissionais de saúde que assistem a criança onde ela reside. São temáticas de relevância da PNAISC: proteção dos direitos inerentes à saúde, cidadania e moradia digna; prevenção e assistência em situações de vul- nerabilidades sociais; e redução da morbimortalidade infantil por fatores in- trínsecos e extrínsecos, podendo citar a malformações fetais severas e violência respectivamente. A PNAISC tem como objetivo proporcionar um cuidado centrado na criança e implica em alguns conceitos de faixa etária. A fase criança é considerada ao nascer até os nove anos. Já a primeira infância tem como característica a idade entre 0 e 5 anos de vida. Segue um quadro comparativo de faixas etárias preconizadas por diversas literaturas sobre faixa etária pediátrica para facilitar seus estudos! FONTE DEFINIDORA DEFINIÇÃO 1 Estatuto da criança e do adolescente (ECA) A pessoa até 12 anos incompletos 2 Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) 0 a 20 anos 3 Política nacional de atenção à saúde da criança (PNAISC) 0 a 20 anos Quadro 1 - Faixa etária pediátrica / Fonte: a autora. Em seu aprendizado, irá se deparar com diferentes interpretações e é necessário conhecê-las de forma sólida. Em unidades a frente, detalharemos o cuidado ofer- tado de acordo com cada faixa etária. Isso repercute no atendimento à criança nos serviços, pois a avaliação de enfermagem de crescimento e desenvolvimento está intimamente relacionada com a idade da criança. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Essa política, ainda, apresenta nove diretrizes, que, em suma, refere-se à união dos gestores no processo de gestão da política; definição das ações a serem rea- lizadas pelos gestores e profissionais de saúde; organização das redes de atenção à saúde, desde a primária até a secundária, conforme o caso clínico apresentado pela criança; reforço do protagonismo da família como promotora primária do cuidar da criança; e qualificação dos profissionais que assistem a criança, a exem- plo dos médicos, enfermeiros e demais membros da equipe de saúde. A PNAISC apresenta como princípios norteadores: direito à vida e à saúde, que reflete no pilar existencial humano; prioridade absoluta da criança, com um cuidado centrado; acesso universal à saúde, o que implica sem descriminação étnica e racial; integralidade do cuidado, enfoque em cuidado resolutivo e direcionado; equidade em saúde com justiça; ambiente facilitador à vida, salubre e digno; humanização da atenção com base na política nacional de humanização (PNH); gestão participativa e controle social das esferas de atenção em saúde, especialmente os do ministério da saúde (MS), em que se norteiam as políticas públicas de saúde implementando-a no dia a dia. Veja, a seguir, o documento da política nacional de atenção integral à saúde da criança como recurso para complementar seus estudos sobre esse tema. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2015/prt1130_05_08_2015.html. EU INDICO A PNAISC tem eixos estratégicos com enfoque de nortear os profissionais de saúde no cuidado à criança. Esses eixos estão definidos em sete ações: 1. Atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido, sendo o enfoque, a cada fase, o nascimento e desen- volvimento infantil. 2. Aleitamento materno e alimentação complementar saudável, exclusivo até os seis meses e complementado com papas de frutas e salgadas no decorrer do dia. 1 4 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2015/prt1130_05_08_2015.html 3. Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral, como exemplo, a medição do perímetro cefálico, torácico, ab- dominal e comprimento. Juntamento com o exame físico, tendo em vista avaliar os marcos neurológicos. 4. Atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas, como evidenciado no protocolo AIDPI. 5. Atenção integral à criança em situação de violências, prevenção de aci- dentes e promoção da cultura de paz. 6. Atenção à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas e de vulnerabilidade com acesso igualitário e resolutivo aos servos de saúde. 7. Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno evidenciado, com clareza, na política da rede cegonha. Rede Cegonha — Política associada à PNAISC A rede cegonha surgiu como forma de ampliação de cuidados na saúde infantil. A criança é observada ainda em seu processo de geração (estágio embriológico e fetal) e perpassa desde a fase neonatal até a fase pediátrica (último estágio da infância). Essa política norteia o acompanhamento dos profissionais de saúde na rede de atenção primária, secundária e terciária, baseado em um cuidado huma- nizado e com embasamento científico à criança assistida pelas equipes de saúde. APROFUNDANDO A PNAISC é, de certa forma, uma norteadora das ações na saúde da criança. Porém um dos protagonistas para que essas ações saiam da política são os profis- sionais de saúde, que estão na ponta da atenção prestando a assistência necessária. Em especial, pode-se citar a enfermagem, que lida,O neonato tem especificidades e requer do profissional qualificação, sensibilidade e destreza. Cuidar de neonato requer muito do profissional, e é nessa visão que devemos buscar rotineiramente ser capaz de prestar assistência com maestria à criança sobre nossos cuidados. Devemos buscar nos desenvolver e aperfeiçoar na área constantemente. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você sobre esse tema. Vamos lá?! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 NOVOS DESAFIOS A área neonatal requer do profissional de enfermagem devoção, zelo e cuidado centrado e direcionado, sendo isso obtido pelo estudo constante da área. O maior desafio, em relação ao cuidado neonatal em sala de parto, é a falta de conhecimento e atualização constante dos profissionais de saúde. Sabe-se que a ciência está em constante evolução, por isso, faz-se necessária a busca contínua pelo conhecimento. A neonatologia apresenta, na atualidade, inúmeras tecnologias específicas que requerem aprendizado contínuo, principalmente quando se fala em salas de parto e na assistência em reanimação neonatal. A equipe deve estar preparada para tal evento. Isso somente é possível pelo constante treinamento dos profissio- nais que trabalham ou desejam ingressar nessa área, por meio da implementação de práticas baseada em evidências científicas. Alguns profissionais entram no mercado de trabalho sem saber como ma- nusear um ventilador mecânico neonatal, realizar aspiração de secreções oro e nasofaríngeas, administrar medicações ao recém-nascido e identificar alterações clínicas no RN. Cuidar requer responsabilidade e isso deve ser feito em toda a assistência de trabalho. As empresas hospitalares, em seus processos seletivos, observam esses deta- lhes, e é isso que faz a diferença para uma possível contratação. O conhecimento e o preparo profissional o levarão ao êxito da admissão. Portanto, capacite-se e esteja preparado para as oportunidades que surgirem para você na profissão, pois isso o diferenciará no mercado de trabalho. 1 8 MINHAS METAS CONSULTA DE ENFERMAGEM EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA Conhecer a consulta de enfermagem. Identificar os fatores éticos que compõem a consulta de enfermagem. Conhecer o processo de enfermagem e a sistematização da assistência de enfermagem. Abordar as principais avaliações que poderão ser feitas na consulta de enfermagem. Conhecer os diagnósticos que poderão ser implementados em serviços de pediatria e neonatologia. Prestar cuidado humanizado e acolhedor à criança. Identificar fatores interferentes no processo saúde-doença na criança. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CONSULTA DE ENFERMAGEM PEDIÁTRICA E NEONATAL A enfermagem deve tecer sua consulta com base no teor científico, buscando informações sobre o crescimento e desenvolvimento pediátrico, visando uma assistência de qualidade, cuja prioridade é o bem estar da criança, em função das condições de vida de sua família e da sociedade onde está inserida. Segundo Oliveira et al. (2013), a Estratégia Saúde da Família (ESF) é o modelo pilar da atenção primária em saúde (APS). Ela é responsável pelas ações de promoção, prevenção, proteção e recuperação em saúde de indiví- duos, famílias e comunidades, sendo a consulta de puericultura (consulta pediátrica) uma de suas ações em saúde. 1 8 A consulta de enfermagem em puericultura é centrada em acompanhar a criança desde a fase neonatal, e seu seguimento é realizado a toda a infância. Deve-se sempre fazer busca ativa dos faltosos, ampliar a cobertura vacinal e evi- tar doenças oportunistas por meio da promoção em saúde (VIEIRA et., 2018). Sobre a consulta de enfermagem à criança, Campos et al. (2011, p. 567) descrevem que: “ A consulta de enfermagem à criança tem como objetivo prestar assistência sistematizada de enfermagem, de forma global e indivi- dualizada, identificando problemas de saúde-doença, executando e avaliando cuidados que contribuam para a promoção, proteção, recuperação e reabilitação de sua saúde. Em sua consulta, o enfermeiro deverá implementar o processo de enfermagem como método norteador de sua assistência em saúde. O processo de enfermagem está presente na Resolução COFEN nº 358/2009, que dispõe sobre a Sistematiza- ção da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enferma- gem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, mas que foi atualizado em janeiro de 2024, com a Resolução COFEN de nº 736, de 17 de janeiro de 2024. A Sistematização da Assistência de Enfermagem organiza o trabalho profis- sional quanto ao método (processo de enfermagem), pessoal (equipe de enfer- magem) e instrumentos — normas, rotinas, procedimentos operacionais padrão (POPs) —, tornando possível a operacionalização do processo de Enfermagem. Segundo a resolução COFEN nº 736/2024, em seu Art. 4º, o Processo de En- fermagem (PE) organiza-se em cinco etapas, de modo deliberado e sistemático, em todo contexto socioambiental, em que ocorre o cuidado de Enfermagem, sendo elas: avaliação, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação de enfermagem. Assista ao vídeo super didático relacionado à consulta de enfermagem ao re- cém-nascido e à criança para o auxiliar em seu conhecimento sobre essa área. https://youtu.be/KSjoHXodRhU?si=hG5EgmWFSSp8IRcw EU INDICO UNIASSELVI 1 9 https://youtu.be/KSjoHXodRhU?si=hG5EgmWFSSp8IRcw TEMA DE APRENDIZAGEM 4 IMPLEMENTAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM NA CONSULTA PEDIÁTRICA E NEONATAL O PE em pediatria é um excelente modelo a ser implementado na Atenção Pri- mária como modo de identificação de possíveis alterações na criança e oferta de cuidado de forma direcionada. Segue os tópicos de cada etapa do PE para a consulta de enfermagem. Avaliação de Enfermagem Nessa etapa inicial, são realizados a anamnese e o exame físico. Em público pediátrico será necessário a presença do acompanhante da criança, que, muitas vezes, são seus genitores. Estes informarão ao profissional de saúde, por meio da observação, os sinais e sintomas que a criança apresenta. Baseado no relato, o profissional terá um norte sobre o estado de saúde da criança, poderá realizar o exame físico conforme o caso e tomará a conduta clínica. ■ Exame físico do enfermeiro na neonatologia Para realizar avaliações de enfermagem, pode-se usar escalas para compor a consulta de enfermagem. Existem inúmeras escalas de avaliação em neona- tologia, sendo uma delas a escala, ou método de capurro e new Ballard, que indica a idade gestacional aproximada da criança e a avaliação neurológica, respectivamente. Essas escalas poderão ser implementadas em serviços de neonatologia ou na atenção primária em saúde. O Score de Capurro, ou Método Capurro, é aplicável a recém-nascidos de 29 semanas ou mais. Ele avalia o desenvolvimento de fatores físicos (somáticos) e neurológicos. O método de New Ballard é uma alternativa mais indicada para fazer a classificação de recém-nascidos prematuros e avalia as características neurológicas do neonato por meio do método propedêutico de inspeção. 8 1 M at u ri d ad e n eu ro m u sc u la r P on tu aç ão -1 0 1 2 3 4 5 P os tu ra  n gu lo do pu n h o R ec ol hi m en to do b ra ço  n gu lo po pl ít eo S in al do x al e C al ca n h ar à or el h a >9 0 º 90 º 6 0 ° 4 5° 30 ° 0 ° 18 0 ° 14 0 a 1 8 0 ° 11 0 -1 4 0 ° 90 a 1 10 ° en ta nd o um b eb ê em d iv er so s po si ci on am en to s an at ôm ic os , t en do e m v is ta id en ti fi ca r al te ra çã o ne ur om us cu la r. Fi m d a de sc ri çã o. UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Pe le Pe ga jo sa , t riá ve l, tra ns pa re nt e ge la tin os a, ve rm el ha , tr an sl uc en te m ac ia ro sa , ve ia s de sc am aç ão su pe rfi ci al e / ou e xa nt em a, po uc as v ei as ra ch ad ur a, ár ea s pá lid as , ra ra s ve ia s ap er ga m in ha - da , r ac ha du ra pr of un da , ne nh um v as o en du re ci da , ra ch ad a, e nr u- ga da La nu go Au se nt e es pa rç o ab un da nt e ad el ga ça m en to re gi õe s se m pe lo pr in ci pa lm en te se m p el os Su pe rfí ci e pl an ta r C al ca nh ar , de do d o pé , 4 0 a 50 m m - 1 50 m m s em ru ga M ar ca s ve rm e- lh a pá lid a So m en te ru ga tr an sv er sa l Ru ga s an te rio r 2/ 3 Ru ga s po r t od a a so la M am a Im pe rc ep tív el Q ua se im pe r- ce pt ív el Ar éo la p la na , se m b ot ão m am ár io A ré ol a po nt i- lh ad a, b ot ão d e 1 a 2 m m Ar éo la e le va da , bo tã o de 3 a 4 m m Ar éo la p la - na ,b ot ão d e 5 a 10 m m O lh o/ O re lh a Pá lp eb ra s fu nd id as fr ou - xa m en te : - 1, rig id am en te : - 2 Pá lp eb ra s ab er - ta s; a ur íc ul a pl an a; p er m a- ne ce d ob ra da Au ríc ul a lig ei ra - m en te c ur va da ; lis a, re to rn o le nt o Au ríc ul a be m cu rv ad a; li sa , m as re to rn a ra pi da m en te Fo rm ad a e fir m e, re to rn o in st an tâ ne o C ar til ag em e s- pe ss ad a, ri gi de z au ric ul ar G en ita is (h o- m en s) Es cr ot o pl an o e lis o Bo ls a es cr ot al va zi a e po uc as ru ga s Te st íc ul o no ca na l s up er io r e ra ra s ru ga s Te st íc ul o de sc en de nt e, al gu m as ru ga s Te st íc ul o na bo ls a, ru ga s be m v is ív ei s Te st íc ul o em pê nd ul o, ru ga s pr of un da s G en ita is (m ul he r) C lít or is p ro m i- ne nt e, lá bi os pl an os Cl íto ris p ro m i- ne nt e, m en or es pe qu en os lá bi os Cl íto ris p ro m i- ne nt e, a um en to pe qu en os lá bi os G ra nd es lá bi os ig ua lm en te pr om in en te s G ra nd es lá bi os m ai or es e p e- qu en os lá bi os m en or es G ra nd es lá bi os re co br em o cl íto ris Q ua dr o 2 - M ét od o de C ap ur ro / F on te : a da pt ad o de B ra si l ( 2 0 1 4 ). 8 1 Esses métodos são implementados em unidades neonatais como forma de ava- liação da criança, como o grau de maturidade ao nascer, devendo constar em seu prontuário para continuidade do acompanhamento do bebê. Diagnóstico de Enfermagem em pediatria e neonatologia Os diagnósticos de enfermagem norteiam o profissional enfermeiro para seguir no seu plano de cuidados. Esse diagnóstico baseia-se em sinais e sintomas apre- sentados pelo paciente, evidenciados na etapa de histórico de enfermagem do PE. A literatura mais adotada pelos enfermeiros em âmbito nacional e internacional é a NANDA-I. Esta, atualmente, encontra-se em sua edição 2021-2023 vigente. Segue a tabela de diagnósticos da NANDA-I relacionada a possíveis casos clínicos que o enfermeiro poderá se deparar em sua consulta de enfermagem. ORDEM DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM TÍTULO DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM DA NANDA-I PÁGINA DOMÍNIO DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM NANDA-I COMENTÁRIO SOBRE A IMPLE- MENTAÇÃO DESSE DIAGNÓSTICO 1 Prontidão para nu- trição aprimorada 215 Nutrição Utilizado como uma busca constante de meta de nutrição ideal à criança. 2 Amamentação interrompida 219 Nutrição Sua implemen- tação é comum em situações de mastite na genitora do recém-nascido, entre outras causas. 3 Hiperbilirrubine- mia neonatal 238 Nutrição A pele ictérica é um dos sinais sugestivos dessa condição comum na fase neonatal. 4 Risco de volume de fluido deficiente 245 Nutrição Em crianças em processo de desi- dratação, pode-se implementar esse diagnóstico de enfermagem. UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 5 Constipação percebida 260 Eliminação e troca Problemas de má degradação de bolo fecal e, também, de reabsorção hídrica acentuada no in- testino, ocasionan- do, muitas vezes, fezes endurecidas. 6 Diarreia 267 Eliminação e troca Relacionado ao processo infeccio- so intestinal. Por exemplo: intoxica- ção alimentar. 7 Troca gasosa prejudicada 270 Eliminação e troca Comum em casos de dispneia. 8 Comunicação ver- bal prejudicada 336 Percepção/Cog- nição Alteração no mar- co do desenvolvi- mento. 9 Interação social prejudicada 384 Relação de função Alteração no mar- co do desenvolvi- mento. 10 Comportamento infantil desorganizado 443 Enfrentamento/ Tolerância ao estresse Alteração no mar- co do desenvolvi- mento. 11 Risco de infecção 466 Segurança e proteção Comum em am- bientes comunitá- rios e hospitalares, sendo de suma relevância a vaci- nação da criança. 12 Risco de criança cair 478 Segurança e proteção O Cuidado em relação ao berço e não o deixar dormir em cama sem apoio. 8 4 13 Risco de morte infantil súbita 512 Segurança e proteção A posição supina previne sufoca- mento do lactente e deverá ser ado- tada pelo respon- sável na dormida do bebê. 14 Hipertermia 539 Segurança e proteção Atenção quanto à temperatura igual ou superior a 37,3°C da criança. 15 Hipotermia neonatal 542 Termorregulação A hipotermia (qua- dropara melhorar a condição clínica da criança? Isso se chama processo de enfermagem. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2021-2023 O livro de diagnósticos de enfermagem da NANDA-I é a literatura mais usada para compor os diagnósticos de enfermagem no Bra- sil e no mundo. É utilizado na 2ª etapa do processo de enferma- gem. Ele o auxiliará a compor diagnósticos, realizar intervenções e buscar resultados esperados no processo de cuidar da criança. INDICAÇÃO DE LIVRO 8 1 Veja a importância de conhecer os aspectos que norteiam a condição da criança e como isso determina o êxito da ação profissional. O enfermeiro tem total auto- nomia em manejar a sistematização da assistência de enfermagem nos serviços de saúde- SAE. Isso solidifica uma assistência de enfermagem baseada em evidên- cias, tendo em vista a recuperação da saúde da criança que é assistida pela equipe. NIC: classificação das intervenções de enfermagem Uma ferramenta para a documentação das intervenções de en- fermagem é a literatura mais usada para compor as ações inter- ventivas dos enfermeiros na 3ª etapa do processo de enferma- gem. NIC: classificação das intervenções de enfermagem padroniza a linguagem para a documentação das intervenções de enferma- gem e auxilia o profissional na seleção das intervenções apropria- das. Contém centenas de intervenções de enfermagem baseadas em pesquisa que abrangem ampla gama de aplicações. INDICAÇÃO DE LIVRO Triagem neonatal na consulta de enfermagem A triagem neonatal são testes que tem por finalidade identificar alterações que podem ser melhor resolvidas na infância. Esses testes são realizados, em sua maior parte, na atenção primária em saúde (APS) ou hospitalar, sendo eles: triagem biológica, triagem cardiológica, triagem de frênulo lingual, triagem auditiva e triagem oftálmica. A triagem biológica, também conhecida como o “teste do pezinho”, é um conjunto de ações preventivas, responsável por identificar precocemente indiví- duos com doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas, para que eles possam ser tratados em tempo hábil. O teste do pezinho é feito na criança logo após o seu nascimento entre o 3º e o 5º dias de vida, conforme estabelece o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). O teste é feito por meio da punção com lanceta na região lateral do calcâneo do recém-nascido para coleta do sangue, que servirá de amostra para o teste em questão. UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Para dar início à coleta da amostra de cada criança, o profissional deve lavar as mãos antes de calçar as luvas de procedimento. O acompanhante deverá estar com a criança em posição ortostática, “ficar de pé”, para que a circulação sanguínea do pé do neonato seja facilitada para a coleta. O profissional que executará a coleta deve estar sentado de frente para o adulto que está segurando o recém-nascido. Deve ser assegurado conforto em todo o procedimento e, antes de ser pun- cionado o pé, realiza-se a assepsia do calcanhar com algodão ou gaze esteriliza- da, levemente umedecida com álcool 70%. Após usado o álcool 70% no local, o profissional deve massagear bem o local da punção, ativando a circulação. Deve certificar-se de que o calcanhar esteja avermelhado, sinal de que há sangue su- ficiente no local a ser puncionado. Aguardar-se a secagem completa do álcool. N à O SIM S IM Figura 1 - Local da punção no tes te do pezinho Descrição da Imagem: na figura, observa-se os pés de um recém-nascido, em que, na sola, há uma demar- cação de onde pode ser realizada a punção para o teste do pezinho. Ambas as laterais da região plantar do calcanhar estão com a indicação SIM, pois é onde pode ser feita a punção, e o centro do pé (meio do pé) está com o dizer NÃO. Fim da descrição 8 8 Nunca utilizar álcool iodado, porque eles interferem nos resultados de algu- mas das análises que serão realizadas. A punção deve ser realizada com lancetas apropriadas e estéreis para a coleta de sangue periférico. A escolha do local ade- quado para a punção é de suma relevância, em uma das laterais da região plantar do calcanhar, local com pouca possibilidade de atingir o osso do calcâneo. O profissional deve segurar o pé e o tornozelo da criança, firme e de forma delica- da, envolvendo com o dedo indicador e o polegar todo o calcanhar, de forma a imobilizar, mas não estagnar a circulação. Figura 2 - Punção para teste do pezinho Descrição da Imagem: a figura apresenta punção com lanceta em região de calcâneo direito da criança para coleta de amostra de sangue usada no teste do pezinho. Fim da descrição. Após a punção, deve-se apertar a área e observar a formação de uma grande gota de sangue, indicativo de punção e massagem realizada com sucesso. Retira-se, com algodão seco ou gaze esterilizada, a primeira gota que se formou, devido a possível presença de fluidos teciduais que podem interferir nos resultados dos testes. UNIASSELVI 8 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Diante disso, o próximo passo será encostar, no verso do papel-filtro especí- fico desse teste, a gota captada. A região demarcada para a coleta é definida no papel filtro que deverá ser preenchido de forma adequada. O cartão deverá ser preenchido em todo o círculo, deixando o sangue fluir naturalmente e de maneira homogênea pelo papel-filtro, evitando concentração de sangue. Deve-se ter cui- dado para não permitir que ele coagule nem no papel-filtro, nem no pé do bebê. Só desencoste o papel-filtro do pé quando o círculo estiver todo preenchido. Figura 3 - Preenchimento de papel filtro no teste do pezinho Descrição da Imagem: a figura apresenta o teste do pezinho em que está ocorrendo coleta da amostra de san- gue em calcâneo do recém-nascido. A amostra é colocada em folha de papel filtro, o qual apresenta círculos que deverão estar preenchidos do sangue do neonato. Fim da descrição. Na consulta de enfermagem, deve-se avaliar o resultado desse teste se há presença ou ausência de processos patológicos. Caso o indicativo seja positivo, deve-se encaminhar a criança à avaliação médica para melhor resolução do caso. 9 1 Avaliação da dor na criança na avaliação de enfermagem Poderá ser acrescida a Escala Visual Analógica (EVA) para análise da dor na criança, sendo o método facial o mais usado na pediatria. A EVA consiste no escore de aferição da intensidade de dor observada no paciente. Trata-se de uma escala de zero (0) a dez (10), no qual 0 significa ausência total, e 10, o nível de dor máxima suportável pelo paciente. A face feliz, por sua vez, significan zero (0) sem dor, e a triste significa dez (10) dor intensa. NOC: classificação dos resultados de enfermagem NOC: classificação dos resultados de enfermagem, de modo di- dático e objetivo, padroniza a terminologia e os critérios neces- sários para identificar e avaliar os resultados das intervenções de enfermagem e os cuidados antes do procedimento. É a li- teratura mais usada para analisar as observações evidenciadas nos resultados esperados do paciente em relação às interven- ções de enfermagem realizadas pelos enfermeiros na 3ª etapa do processo de enfermagem. INDICAÇÃO DE LIVRO LEVE MODERADA INTENSA ESCALA VISUAL ANALÓGICA - EVA Figura 4 - Escala EVA / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: na figura, observa-se a escala visual analógica - EVA. Na classificação LEVE, temos a pontuação 0, 1 e 2. Na classificação MODERADA, temos as pontuações 3, 4, 5, 6 e 7. Na classificação INTENSA, temos as pontuações 8, 9 e 10. Em cada classificação, há o desenho de uma face que vai se modificando — de feliz a triste —, conforme aumenta a intensidade da dor. Fim da descrição. UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Essa escala é uma avaliação subjetiva do estado de dor. O profissional enfermeiro precisa ser sensível para interpretar, com clareza, o estado da criança e tomar a melhor conduta clínica para o caso. A consulta de enfermagem requer raciocínio clínico, sensibilidadena escuta e avaliação clínica, com base nos conhecimentos de ciências, como anatomia, fisiologia, microbiologia, patologia, e nas bases fundamentais da enfermagem. Sem esses conhecimentos, fica inviável o profissional chegar a uma conclusão clínica e montar diagnósticos e planos de cuidados de enfermagem. A consulta de enfermagem independe da consulta médica, pois interrela- cionam os dados coletados para chegar ao plano de cuidados. Para isso, utiliza o processo de enfermagem como embasamento técnico-científico. Ainda se percebe a falta de conhecimento, por parte dos profissionais de enfermagem, sobre o seu papel na assistência em saúde, em especial atenção à consulta em neopediatria. Imerge dúvidas quanto à parte de prescrição medica- mentosa e conduta clínica em relação à criança sob seus cuidados. É necessária a busca constante pelo conhecimento, para que se possa prestar uma consulta de enfermagem baseada na promoção, prevenção e reabilitação em saúde da criança. 9 1 NOVOS DESAFIOS O cuidado neonatal e pediátrico é uma das áreas da enfermagem mais exigentes, pois apresenta peculiaridades. Em uma entrevista de emprego ou mesmo em um teste prático para a admissão dos profissionais de enfermagem nos serviços de saúde, exige-se o conhecimento aprofundado sobre esse público. A pergunta que emerge é: todos os profissionais de enfermagem estão aptos e detêm habilidade, competência e conhecimento para lidar com crianças? A resposta é simplesmente não! Nem todas as universidades dão enfoque à essa área e se quer embasam as práticas aprofundadas quanto à ciência neonatal e pediátrica, deixando seus acadêmicos sem fundamentação teórico-prática do cuidar pediátrico. Nosso intuito é proporcionar uma visão ampla sobre o cuidar do neonato e lac- tente, por exemplo, a você acadêmico e futuro enfermeiro. Almejamos que você saia pronto da universidade para prestar uma assistência de enfermagem de qualidade, implemente a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e o processo de enfermagem de modo eficaz, direcionado e centrado no cuidar da criança. O mercado de trabalho está cada vez mais exigente e requer de você muito mais na atualidade do que nos tempos passados em que a tecnologia não era tão comum. Seja diferenciado! estude, amplie seus horizontes! Realize capacitações nessa área, participe de palestras, cursos, workshops e congressos. Seja um pro- fissional em que as empresas buscam e retêm em seu quadro de colaboradores, principalmente especialistas na área infantil, em que o número é menor e tem bastante carência de profissional! Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gos- taríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Essa aula contribuirá para aprofundar, ainda mais, o seu conhecimento sobre o tema. Não perca! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 9 1 MINHAS METAS CONSULTA DE ENFERMAGEM NA PUERICULTURA Compreender o conceito de puericultura. Conhecer as avaliações a serem feitas na puericultura pelo enfermeiro. Analisar os cuidados de enfermagem à criança enferma. Avaliar o crescimento e desenvolvimento infantil. Identificar vulnerabilidades sociais da criança no contexto familiar. Abordar os fatores interferentes do cuidar da criança na puericultura. Verificar como ocorre a realização de vacinas na infância e vitamina A. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 9 8 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CONSULTA DE PUERICULTURA A consulta de puericultura é uma das estratégias de atenção em saúde, sendo ela relacionada à criança. Médicos e enfermeiros da estratégia de saúde da família ava- liam o estado de saúde da criança e a acompanham rotineiramente nesse serviço. Ao adentrar na unidade básica de saúde, a criança é recepcionada primeira- mente e encaminhada ao acolhimento da unidade de atenção primária (APS), em que o profissional técnico de enfermagem realizará as medidas antropométricas e sinais vitais, como dados para compor as informações fundamentais da consulta de enfermagem realizada pelo enfermeiro (PEDRAZA, 2023). Assista ao podcast sobre a importância da enfermagem na puericultura para apri- morar seus conhecimentos de forma abrangente. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Convido você a assistir essa webpalestra que retrata os principais conceitos a serem avaliados pelo enfermeiro na consulta de puericultura. https://youtu.be/YAWfMqItOYg?si=h5dpbuGqnJuc55q9. Os cuidados clínicos à saúde, por meio da consulta de puericultura de famílias assistidas pelas Equipes de Saúde da Família (ESF), são de suma relevância na assistência à criança quanto ao seu crescimento e desenvolvimento. 1 1 1 https://youtu.be/YAWfMqItOYg?si=h5dpbuGqnJuc55q9 Serão realizados os seguintes procedimentos para a consulta de puericultura: me- didas antropométricas — medição de perímetro cefálico, verificação de estatura e peso —; avaliação do crescimento e desenvolvimento; exame físico pediátrico; avaliação de sinais vitais — saturação de oxigênio (SPO2), frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e pressão arterial —; avaliação vacinal; oferta de vitamina A; e avaliação global em saúde (BRASIL, 2012). Sinais vitais e antropometria na consulta de puericultura A Antropometria nos indica o crescimento infantil em relação ao perímetro cefálico, torácico e abdominal e à estatura. Tendo em vista acompanhar o desen- volvimento osteoarticular da criança, o hormônio do crescimento (GH) está inti- mamente relacionado ao aumento corpóreo, sendo esse produzido pela hipófise. A deficiência de hormônio de crescimento tipicamente resulta em crescimento anormalmente lento e baixa estatura. Outros fatores podem influenciar o cres- cimento, tal como fatores genéticos. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Técnica de medição de antropometria A medida da criança poderá ser realizada por meio de fita métrica inelástica e/ ou antropômetro. Esses instrumentos mensuram a estatura baseada em centí- metros (cm). A medição com antropômetro é mensurada por meio de colocação da criança em maca, em decúbito dorsal (posição supina). Coloca-se a parte fixa do antropômetro na região cefálica da criança e os pés na parte móvel do instru- mento. Estica-se cautelosamente as pernas para não ocorrer falsa mensuração de resultado, devido à flexão de membros inferiores da criança. Anote o resultado para avaliações posteriores do crescimento. Figura 1 – Nanismo — condição clínica que afeta o crescimento, relacionado a fator genético Descrição da Imagem: a figura apresenta um rapaz com nanismo andando em uma estrada de areia. É possível visualizar o mar ao fundo. Fim da descrição. 1 1 1 É importante que o profissional de enfermagem tenha conhecimento de como utilizar o antropômetro infantil para que sua medição seja verossímil. Segue uma orientação básica sobre este instrumento. Parte fixa Parte móvel Figura 2 - Medição de estatura do recém-nascido e lactentes Fonte: adaptada de Higarashi, Shibukawa e Piran ([202?], on-line). Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança em decúbito dorsal em maca sendo avaliada sua estatura por um profissional de enfermagem por meio do instrumento denominado antropômetro, “régua antropométrica”, ficando a parte fixa do instrumento na região cefálica e a parte móvel em região podal. Fim da descrição. Parte fixa Escala numérica Parte móvel Ponto para leitura da medida Figura 3 - Instruções de uso do antropômetro infantil Fonte: adaptada de Barros (2005 apud BARROS; FELIPE; SILVA, 2007). Descrição da Imagem: a figura apresenta um instrumento denominado antropômetro, “régua antropométrica”. Ele apresenta parte fixa, onde ficará a região cefálica do bebê, e parte móvel, onde ficará a região podal do neonato. Mostra ainda a escala numérica e oponto para leitura da medida. Fim da descrição. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Para medir a estatura de um recém-nascido, ele deve ser colocado deitado de costas em uma superfície plana e horizontal, estendendo-se completamente. Uma régua ou fita métrica é, então, colocada na cabeça do bebê, alinhada com a parte superior da cabeça até o calcanhar. A medida é registrada em centímetros e é importante realizar a medição com cuidado para obter um resultado preciso. Figura 4 - Medida de estatura na criança Descrição da Imagem: a figura apresenta um bebê, sendo avaliada, por meio de fita métrica em centímetro (cm), sua estatura. Fim da descrição. A medida de perímetro cefálico deverá abranger desde a protuberância occipital até a glabela como mensuração correta. 1 1 4 Todos esses dados são de suma relevância para que a criança tenha um acompa- nhamento adequado de seu crescimento. Os perímetros na antropometria são indicadores dos marcos fisiológicos na infância e deverão constar na caderneta da criança, em todas as avaliações da puericultura, e eles deverão ser colocados nos gráficos para continuidade avaliativa. Figura 5 - Medida de perímetro cefálico Descrição da Imagem: a figura apresenta um bebê em balança digital sendo verificado o tamanho em centímetro (cm) do perímetro cefálico. Fim da descrição. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 A escolha da braçadeira dependerá da medida da circunferência do braço e não se deve avaliar especificamente a faixa etária do paciente. Em serviços pediátricos, deve-se ter disponibilidade de manguitos de tamanhos variáveis, devido à popu- lação que é assistida desde recém-nascidos (neonatos), lactentes, pré-escolares, escolares e adolescentes. Figura 6 - Aferição de pressão arterial pediátrica Descrição da Imagem: a figura apresenta um médico e uma criança trocando olhares, sendo realizado o procedi- mento de verificação de pressão arterial. A criança está com a braçadeira do esfigmomanômetro no braço direito e sentada em um banco. Fim da descrição. Avaliação de pressão arterial pediátrica Quanto à avaliação da pressão arterial (PA) na criança, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) orienta que todas as crianças maiores de três anos devem ter a sua pressão arterial medida pelo menos uma vez por ano. Para as crianças menores de três anos, a avaliação da PA está indicada em condições especiais, tal como na cardiopatia congênita (SBC, 2019). A medida da PA na criança segue as mesmas recomendações da medida em adultos, como o esvaziamento de bexiga e descruzamento de membros inferiores. 1 1 1 A técnica preferencial de medida é a auscultatória e, após a aferição da pressão arterial, o profissional interpreta os dados na tabela de percentil, disponível no manual de diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Vale ressaltar que a tabela contém, em sua estrutura, as seguintes informações a serem coletadas na anamnese: o público-alvo (tabela de meninos e meninas), a idade da criança, a estatura e a pressão arterial verificada. Sua interpretação procede da seguinte forma: passo 1: reúna as informações citadas anteriormente e recorra à tabela; passo 2: procure a tabela do público-alvo da criança consultada, exemplo: tabela dos meninos; passo 3: procure a idade da criança, exemplo: idade de três anos; passo 4: após isso, você deverá achar a coluna de pressão sistólica e de pressão diastólica em que terá dois dados importantes: a estatura da criança e o valor de pressão encontrados. Direcione, em cada coluna, a estatura da criança e o valor verificado da pressão exata ou aproximada. Passo 5: após encontrar, em cada coluna, os valores, siga para a avaliação de percentis , em que terá as seguintes possibilidades de achados na tabela: P 50, P 90, P 95 e P 95 + 12mmHg. Segue a interpretação desses dados no Quadro 1. FAIXA ETÁRIA LARGURA (CM) COMPRIMENTO (CM) CIRCUNFERÊNCIA DO BRAÇO (CM) Recém-nascido 4 8 10 Lactente 6 12 15 Criança 22 18 22 Adulto pequeno 10 24 26 Adulto 13 30 34 Adulto grande 16 38 44 Coxa 20 42 52 Tabela 1 - Dimensões do manguito de acordo com a circunferência do membro da criança Fonte: adaptada de Sociedade Brasileira de Pediatria (2019). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 CRIANÇAS DE 1 A 13 ANOS CRIANÇAS COM IDADE > 13 ANOS Normotensão PA P90 para sexo, idade e altura ou PA 120/80 mmHg, mas P95 para sexo, idade e altura até > P95 + 12mmHg ou PA entre 130/80 o até 139/89 (o que for menor) hipertensão estágio 1 PA 130/ P95 + 12mmHg para sexo, idade e altura ou PA > entre 140/em que você poderá acompanhar o crescimento e desenvolvimento infantil. Baixe-a e estude-a para complementar o seu conhecimento. https://edisciplinas. usp.br/pluginfile.php/7677568/mod_resource/content/2/caderneta_crianca_ menina_2ed.pdf. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 1 https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7677568/mod_resource/content/2/caderneta_crianca_menina_2 https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7677568/mod_resource/content/2/caderneta_crianca_menina_2 https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7677568/mod_resource/content/2/caderneta_crianca_menina_2 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 REFLEXO NEUROLÓGICO CONCEITUAÇÃO Sucção. A sucção reflexa manifesta-se quando os lábios da criança são to- cados por algum objeto, desencadeando-se movimentos de sucção dos lábios e da língua. Somente após 32 a 34 semanas de gestação é que o bebê desenvolve sincronia entre respiração, sucção e degluti- ção, tornando a alimentação por via oral difícil em RN pré-termo. Voracidade. O reflexo da voracidade ou de procura manifesta-se quando é tocada a bo- checha perto da boca, fazendo com que a criança desloque a face e a boca para o lado do estímulo. Este reflexo não deve ser procurado logo após a amamentação, pois a resposta ao estímulo pode ser débil ou não ocorrer. Está presente no bebê até os 3 meses de idade. Preensão A preensão palmoplantar se obtém com leve pressão do dedo do examinador na palma das mãos da criança e abaixo dos dedos do pé Marcha A marcha reflexa e o apoio plantar podem ser pesquisados seguran- do-se a criança pelas axilas em posição ortostática. Ao contato das plantas do pé com a superfície, a criança es- tende as pernas até então fletidas. Se a criança for inclinada para a frente, inicia a marcha reflexa. Cutâneo-plantar O reflexo cutâneo-plantar em extensão é obtido fazendo-se estímulo contínuo da planta do pé a partir do calcâneo no sentido dos artelhos. Os dedos adquirem postura em extensão. Fuga à asfixia. O reflexo de fuga à asfixia é avaliado colocando-se a criança em decúbito ventral no leito, com a face voltada para o colchão. Em alguns segundos o RN deverá virar o rosto liberando o nariz para respirar adequadamente. Moro. O reflexo de Moro é um dos mais importantes a serem avaliados, devido à grande quantidade de informações que pode trazer. É desencadeado por algum estímulo brusco como bater palmas, estirar bruscamente o lençol onde a criança está deitada ou soltar os braços semiesticados quando se faz a avaliação da preensão palmar. O reflexo consiste em uma resposta de extensão-abdução dos mem- bros superiores (eventualmente dos inferio- res), ou seja, na primeira fase os braços ficam estendidos e abertos, com abertura dos dedos da mão, e em seguida de flexão-adução dos braços, com retorno à posição original. Tem início a partir de 28 semanas de gestação e costuma desaparecer por volta dos 6 meses de idade. A assimetria ou a ausência do reflexo pode indicar lesões nervosas, musculares ou ósseas, que devem ser avaliadas. Tabela 2 - Reflexo neurológicos na criança / Fonte: Brasil (2014, p. 80). 1 1 1 Cada reflexo reflete em marcos do desenvolvimento na criança. O profissional deve deixar a criança em decúbito dorsal na maca de procedimentos para que possa avaliar com mais cautela. Além disso, deve colocar no prontuário o que foi observado na consulta. Figura 8 - Reflexos neurológicos de sucção Descrição da Imagem: a figura apresenta um bebê sugando o seio direito materno em prática de aleitamento, utilizando o reflexo neurológico de sucção. Fim da descrição. Fim da descrição. Os reflexos neurológicos deverão ser avaliados a cada consulta de puericultura, de acordo com sua faixa etária. Na caderneta de saúde da criança, encontra-se cada marco para a avaliação profissional, de forma organizada e pautada no co- nhecimento técnico-científico. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 A avaliação dos reflexos neurológicos em crianças é crucial para identificar o de- senvolvimento do sistema nervoso, pois oferecem informações importantes sobre a saúde do sistema nervoso central e periférico, permitindo aos profissionais de saúde diagnosticar condições neurológicas, planejar intervenções precoces e oferecer suporte adequado a crianças com necessidades especiais, promovendo, assim, um desenvolvimento saudável e bem-estar geral. Exame físico pediátrico O exame físico é uma das avaliações que o enfermeiro realiza na consulta de en- fermagem. Na criança, o exame físico deverá ser completo, de forma céfalo podal. Na primeira consulta de puericultura, o exame físico deve englobar os métodos propedêuticos: inspeção, palpação, percussão e ausculta. Alguns achados podem ser evidenciados na avaliação, como: displasia evolutiva do quadril, criptorquidia, manchas mongólicas, lanugo, milium sebáceo, eritema tóxico, hemangiomas, entre outros (BRASIL, 2014). Figura 9 - Reflexo neurológico cutâneo-plantar (babinski). Descrição da Imagem: a figura apresenta um recém-nascido que se encontra nos braços de sua genitora. Ela está fazendo estímulo no pé de seu neonato. O recém-nascido encontra-se mexendo os artelhos “dedos”, devido ao estímulo sensorial no pé, conhecido como reflexo de babinski. Fim da descrição. 1 1 4 A avaliação de enfermagem deve ser ampla, e o profissional deve realizar orien- tações de promoção, proteção e recuperação da saúde da criança direcionadas ao cuidador. Achados patológicos severos deverão ser encaminhados ao profissional médico para uma conduta mais assertiva, tendo em vista buscar soluções para o retorno à saúde da criança. Figura 10 - Avaliação de ausculta cardíaca pediátrica Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança sentada em cadeira de cor verde, sorrindo. Ela está sendo avaliada por um profissional de saúde por meio do método de ausculta cardíaca. Fim da descrição. Para maior detalhamento sobre a conceituação dos achados evidenciados no exame físico neonatal, leia o manual do Ministério da Saúde de Atenção à saúde do recém-nascido : guia para os profissionais de saúde, nas páginas 55 a 80, para ampliar seu conhecimento. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/aten- cao_saude_recem_nascido_v1.pdf. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 5 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_v1.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_v1.pdf TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Avaliação vacinal As vacinas na infância têm como finalidade a prevenção de doenças oportunistas. Nessa fase, o sistema imunológico está em desenvolvimento e precisa de reforço para reconhecer agentes patogênicos externos. Deve-se aproveitar a oportunida- de da presença da criança na puericultura para realizar a vacinação, deixando-a em dia (atualizada). Veja, a seguir, a tabela do calendário vacinal vigente. FAIXA ETÁRIA VACINA VIA DE ADMINISTRAÇÃO 0 MESES (AO NASCER) Hepatite B e Bacilo Calmette Guérin (BCG) Vasto lateral da coxa (Intramuscular) e inserção inferior do deltoide (intra- dérmica), respectivamente 2 E 4 MESES Vacina Inativada da Poliomielite (VIP); Pentavalente (Hepatite B, HiB, DTP); Rotavírus humano, pneumocócica 10 Vacinas em vasto lateral da coxa (intramuscular), exceto rotavírus humano, que é oral. 3 E 5 MESES Meningocócica C Vacina em vasto lateral da coxa (intramuscular) 6 MESES Vacina Inativada da Poliomielite (VIP); Pentavalente (Hepatite B, HiB, DTP) Vacinas em vasto lateral da coxa (intramuscular) 9 MESES Febre amarela Subcutâneo (face externa do braço) 12 MESES Triviral (sarampo, caxumba e rubéo- la) e os reforços das vacinas pneu- mocócica 10 e meningocócica C A primeira em região subcutâ- nea (face externa do braço) e as demais vacinas em vasto lateral da coxa (intramuscular) 15 MESES Tetra Viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), hepatite A, vacina oral da poliomielite (VOP)* e difteria, tétano e pertussis (DTP) Tetraviral em subcutâneo (face externa do braço); DTP e hepatite emvastolateral da coxa segre- gados (em cada vasto) e VOP em cavidade oral 4 ANOS Varicela; febre amarela; vacina oral da poliomielite (VOP)* e difteria, tétano e pertussis (DTP) Varicela e febre amarela em cada face externa do braço (subcutâneo) DTP em vasto lateral da coxa) e VOP em cavidade oral Quadro 2 - Calendário vacinal 2023 do Ministério da Saúde do Brasil, de 0 a 4 anos de vida Fonte: adaptado de Brasil (2024). 1 1 1 *A vacina VOP poderá ser substituída em 2024 pela vacina VIP, ficando apenas um reforço após um ano de vida com a VIP aos 15 meses e 4 anos. Acompanhe os calendários anuais de vacinação. As vacinas são aplicadas pela equipe técnica de enfermagem nas Unidades Básicas de Saúde sob supervisão do enfermeiro, o qual deverá realizar o apra- zamento das doses conforme a faixa etária, seguindo as recomendações do Mi- nistério da Saúde. As secretarias de saúde devem fornecer insumos, impressos e materiais adequados para que ocorra a operacionalização do trabalho. Figura 11 - Aplicação de vacina na criança Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança com urso na mão esquerda, recebendo vacina em região de deltoide direito. O profissional de saúde está usando luva azul, jaleco, e segurando, com uma das mãos, o braço da criança. A outra mão está segurando uma seringa com agulha. Fim da descrição. A criança deverá estar acompanhada de um responsável e seu estado de saúde deverá ser avaliado antes da aplicação do imunobiológico, a exemplo se apresenta estado febril no momento da análise de estado de saúde, nesses casos, deverá ser avaliada e adiada para outra oportunidade. Isso garante segurança ao profissional e à criança que receberá a vacina em seu organismo. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Vitamina A na infância O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, tem como objetivo reduzir e controlar a deficiência nutricional em crianças de 6 a 59 meses de idade. A vitamina A é encontrada, também, em ali- mentos do dia a dia de origem animal e vegetal, como: cenoura, couve; espinafre; repolho; acelga; gemas de ovos; e vísceras, como o fígado. É na puericultura que há a oportunidade de captação dessas crianças, como forma de prevenção da xeroftalmia pediátrica, nos serviços de saúde do SUS. Segundo o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, a conduta de administração via oral da megadose de vitamina A para crianças de 6 meses a 11 meses de idade: 1 megadose de vitamina A, na concentração de 100.000 UI (cápsula amarela); e para crianças de 12 a 59 meses de idade: 1 megadose de vi- tamina A, na concentração de 200.000 UI, a cada seis meses (cápsula vermelha). Figura 12 - Vitamina A nos alimentos Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança, próximo à mesa, e um prato de legumes. Ela está segurando uma cenoura na mão direita. Fim da descrição. 1 1 8 De modo geral, a consulta de puericultura é um desafio para o enfermeiro, pois seu maior informante de estado de saúde é o genitor e/ou responsável pela criança, que contará a sintomatologia e sinais apresentados pela criança em seu ambiente familiar. É necessário sensibilidade, conhecimento prévio de fisiopatologia para chegar ao consenso clínico. É necessário manter a caderneta de vacinação em dia, acompanhar o crescimento e desenvolvimento e, se ocorrer alterações, encami- nhá-la ao profissional médico. O enfermeiro poderá conduzir a puericultura com maestria promovendo e criando vínculos duradouros entre a criança, a família e o profissional que a assiste, garantindo que ocorra melhor cuidar da saúde. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você sobre esse tema, vamos lá?! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem. EM FOCO UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 NOVOS DESAFIOS O processo de cuidar na puericultura reflete questões mais profiláticas do que curativa. A visão da equipe deve ser abrangente. Você, como futuro enfermei- ro, pode usar inúmeros recursos no seu processo de trabalho para que ocorra menor incidência de doenças em sua área de atuação em saúde, como exemplo pode-se citar o vínculo da equipe estratégia saúde da família (ESF) e a escola, denominado PSE (programa saúde na escola). A ação do PSE visa à saída extra muro dos profissionais de saúde indo de encontro onde a criança se encontra. A estratégia PSE tem como objetivo promover saúde no ambiente escolar, e isso reflete no comportamento adotado da criança na escola ou em sua residên- cia. As ações que poderão ser realizadas nas crianças são: educação em saúde sobre alimentação saudável, cuidado bucal, primeiros socorros, entre outros. Vale ressaltar que é comum o déficit de captação de crianças na puericultura, sendo um desafio para o enfermeiro e sua equipe (técnicos de enfermagem e, também, os agentes comunitários de saúde) na ESF. Sem essa parceria e conscien- tização da equipe aos responsáveis da criança sobre a importância da puericultu- ra fica inviável ter êxito nas ações de promoção e proteção em saúde da criança. Estudante, seja ativo em suas ações em saúde. Promova estratégias que visem abordar crianças em diversos contextos. Reflita sobre isso e busque formas de proteger a saúde das crianças que estão sob seus cuidados! 1 1 1 MINHAS METAS ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM FRENTE ÀS DOENÇAS E INTERCORRÊNCIAS PREVALENTES DO RECÉM-NASCIDO E DA CRIANÇA Tecer sobre a importância do AIDPI na saúde pública brasileira. Conhecer a estratégia AIDPI na neonatologia e pediatria. Identificar as principais doenças prevalentes na infância. Abordar os fatores etiológicos das doenças que ocorrem na criança. Conhecer o modo de abordagem e cuidado à criança no AIDPI. Analisar as condutas realizadas pela equipe de saúde à criança enferma. Conhecer a estratégia do AIDPI na diarreia, anemia, entre outros. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 DESENVOLVA SEU POTENCIAL ATENÇÃO INTEGRADA ÀS DOENÇAS PREVALENTES NA INFÂNCIA A estratégia AIDPI, que significa Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, tem como premissa assistir a criança no processo de enfermidade direcionado aos profissionais para uma conduta clínica organizada. Vários prota- gonistas estiveram inseridos no surgimento do AIDPI conforme descrito a seguir: Sobre os aspectos históricos, a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) criaram, em 1994, a Estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI). A estratégia no Brasil foi introduzida oficialmente em 1996, para ser aplicada por médicos e enfermeiros das unidades de saúde da família (SANTOS; SANTOS, 2021). Essa estratégia do Ministério da Saúde apresenta duas subdivisões: AIDPI neonatal e AIDPI criança: dois meses a cinco anos. Ambas especificam condu- tas a serem implementadas em cada público, em que é adotada a estratégia que engloba ações preventivas e curativas na saúde da criança (SANTOS; SANTOS, 2021). A estratégia AIDPI apresenta objetivos, conforme descrito a seguir por Higuchi et al. (2011). VAMOS RECORDAR? Deixo para você um breve artigo científico que acrescentará e proporcionará bases para o seguimento de seus estudos sobre essa temática. O artigo tem como tema A importância da estratégia de atenção integrada às doenças prevalentes na infância- AIDPI na consulta de enfermagem em crianças de dois a cinco anos. Aproveite a leitura e reforce seu conhecimento sobre essa temática: https://www.ufopa.edu.br/anaisdajornada/6/resumo/1228/a-importancia-da- estrategia-de-atencao-integrada-as-doencas-prevalentes-na-infancia-aidpi-na- consulta-de-enfermagem-em-criancas-de-dois-meses-a-cinco-anos. 1 1 8 https://www.ufopa.edu.br/anaisdajornada/6/resumo/1228/a-importancia-da-estrategia-de-atencao-integra https://www.ufopa.edu.br/anaisdajornada/6/resumo/1228/a-importancia-da-estrategia-de-atencao-integrahttps://www.ufopa.edu.br/anaisdajornada/6/resumo/1228/a-importancia-da-estrategia-de-atencao-integra A estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde, pela Organização Panameri- cana da Saúde e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, visa diminuir a morbimortalidade infantil mediante sistematização do atendimento das doenças prevalentes de forma integrada e simultânea (HIGUCHI et al., 2011) A recorrência de doenças descritas no AIDPI é um compilado das mais prevalentes no Brasil, sendo de grande relevância clínica, como sinais de febre, problemas respiratórios, distúrbio gastrointestinal, distúrbio glicêmico, icterícia neonatal, reanimação neonatal, problemas nutricionais, entre outros (SANTOS; GAÍVA; SALGE, 2018). A estratificação de risco está presente nos manuais do AIDPI para direcionar os profissionais de saúde de acordo com os sinais e sintomas apresentados pela crian- ça. É definido por cores, em que o vermelho é indicativo de gravidade; o amarelo significa estado de alerta; e o verde indica sem anormalidade (BRASIL, 2017). Neste tema, trataremos sobre a conduta clínica em relação a ser necessário assistir a criança, seja na atenção primária, seja nos demais níveis de atenção. Observe bem cada conduta e formas de identificação. Isso o auxiliará a tomar a melhor decisão clínica quanto à recuperação da criança. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Problemas respiratórios As doenças respiratórias são as mais incidentes no quesito de internações na in- fância. Uma de suas causas está relacionada a processos alérgicos, como o ácaro, o pólen e a poeira, e, também, a microrganismos, como as bactérias oportunistas. Uma das estratégias primordiais do Ministério da Saúde é a prevenção, po- dendo citar a vacinação na infância, que cursa em estimular o sistema imunológi- co pouco desenvolvido da criança, para que não ocorra agravamento no processo de enfermidade. Uma das vacinas usuais na prevenção de problemas respiratórios é a vacina Bacilo Calmette Guérri, também conhecida como vacina BCG. Essa vacina está inserida no calendário vacinal para prevenção de tuberculose dos tipos miliar e meníngea. A criança deverá recebê-la ao nascer até 4 anos, 11 meses e 29 dias, em região intradérmica no deltoide direito. Figura 1 - Vacinação com BCG Descrição da Imagem: a figura apresenta um profissional de enfermagem aplicando a vacina BCG, em via intra- dérmica, no braço esquerdo de uma criança. Fim da descrição. 1 1 1 Na estratégia AIDPI, as doenças respiratórias são de atenção relevante. De- ve-se observar sinais de presença de tiragem subcostal, estridor ou sibilância. Deve-se observar se ocorre, em crianças de dois meses a menor de 12 meses, incursões respiratórias acima de 50 e, em crianças de um ano a menor de cinco anos, 40 ou mais incursões respiratórias por minuto. Isso significa sinais de alerta de problemas respiratórios. Na sibilância, especificamente, deve-se atentar a sinais de letargia ou agitação na criança, presença de estridor em repouso, falar frases incompletas (palavras isoladas). No lactente, atentar-se ao choro curto ou sem sinais de choro, tiragem subcostal, saturação de O2 ≤ 90% em ar ambiente. A conduta clínica em sinais graves de sibilância é de ofertar oxigênio; fazer uso de corticoide e Beta-2 agonista por via inalatória, como maneira de auxiliar a expansão pulmonar; uso de antibiótico (sinais de infecção bacteriana); e mo- nitorização dos sinais vitais da criança. Figura 2 - Oxigenioterapia nas doenças respiratórias Descrição da Imagem: a figura mostra uma criança em internamento hospita- lar utilizando um cateter de oxigenote- rapia. Ela está segurando um urso de pelúcia. Fim da descrição. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A identificação dos sinais e sintomas é de fundamental relevância, pois, com base nessas avaliações, o enfermeiro poderá tomar uma decisão mais concreta sobre o cuidado a ser prestado à criança. Veja um artigo da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que retrata sobre a far- macologia da classe dos corticoides em situações de asma na infância. Essa li- teratura acrescentará em seu conhecimento. https://www.sbp.com.br/fileadmin/ user_upload/img/cursos/asma/asma_pediatrica02.pdf. EU INDICO Febre A febre é um dos sinais flogísticos de processo infeccioso em curso. Seu meca- nismo é influenciado pela presença de microrganismos patogênicos. Na criança, deve-se atentar aos sinais de febre, sendo eles: pele quente ao toque, podendo apresentar as extremidades frias; ausência de sudorese; sensação de frio e, even- tualmente, tremores; taquicardia; e taquipneia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (2021), a febre é definida quando a temperatura axilar ultrapassa 37,3ºC. 1 1 1 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/img/cursos/asma/asma_pediatrica02.pdf https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/img/cursos/asma/asma_pediatrica02.pdf Para o controle da febre na criança, temos três fármacos de indicação clínica no AIDPI: a dipirona, o ibuprofeno e o paracetamol, também conhecido como acetaminofen. O paracetamol é o único antitérmico recomendado para febre em menores de um mês. A dose segue ajustada de acordo com o peso da criança. Figura 3 - Termômetro clínico na pediatria Descrição da Imagem: a figura mostra uma criança observando os valores de temperatura no visor do termômetro que está em suas mãos. Fim da descrição. PESO (KG) 100 MG/ML 200 MG/ML 300 MG/ML FREQUÊNCIA 2 4 2 2 8/8 horas 3 6 3 2 6/6 horas 4 8 4 3 6/6 horas 5 10 5 4 6/6 horas 6 12 6 4 6/6 horas 7 14 7 5 6/6 horas Tabela 1 - Posologia do acetominofen a neonatos em casos febris/ Fonte: adaptada de Brasil (2014). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Deverá ser evitado na criança o uso de ácido acetil salicílico (AAs), devido à possibilidade de Síndrome de Reye, doença rara e grave que pode ocasionar confusão mental, edema cerebral e danos hepáticos. Segue tabela do AIDPI pediátrico referente ao controle térmico e à analgesia em situações, como de febre, dor de garganta e dor de ouvido PESO (KG) PARACETAMOL 200 MG/ML 1 GOTA/KG/DOSE DE 6 EM 6 HORAS, SE NECESSÁRIO DIPIRONA 500 MG/ML 1 GO- TA/2KG/DOSE DE 6 EM 6 HORAS, SE NECESSÁRIO IBUPROFENO 50 MG/ML* 2 GO- TAS/KG/DOSE DE 8 EM 8 HORAS, SE NECESSÁRIO 4 a 7 4 a 7 gotas 2 a 4 gotas 8 a 14 gotas 8 a 11 8 a 11 gotas 4 a 6 gotas 16 a 22 gotas 12 a 15 12 a 15 gotas 6 a 8 gotas 24 a 30 gotas 16 a 19 16 a 19 gotas 8 a 10 gotas 32 a 38 gotas 20 a 24 20 a 24 gotas 10 a 12 gotas 40 gotas Tabela 2 - Posologia de antitérmicos e analgésicos na pediatria / Fonte: adaptada de Brasil (2017). Deve-se atentar para a administração de medicamentos na criança de forma racional. Sempre que ocorrer febre, a administração medicamentosa deve seguir a posologia recomendada, e a criança deve permanecer em monitorização por meio de um termômetro clínico. Diarreia A diarreia é um distúrbio hidroeletrolítico gastrointestinal, desencadeado, na maioria das vezes, por agentes patogênicos, como vírus, bactérias, fungos ou protozoários. Essa condição clínica, também, está ligada a fatores externos, como precariedade de saneamento básico e, também, alimentos sem cozimento ou preparo adequado. 1 1 4 A diarreia pode ser definida pela ocorrência de três ou mais evacuações amo- lecidas ou líquidas nas últimas 24 horas. A criança com diarreia pode apresentar desidratação, devido à perda hídrica pelas fezes ou pelo vômito que possa apre- sentar. Ao exame físico, é possível a observação de sinais de letargia ou incons- ciência, olhos bilateralmente fundos, dificuldade de ingesta hídrica oral e turgor cutâneo lento. Como medida de ação terapêutica, a estratégia AIDPI descreve os planos de tratamento A, B e C. Afinal, o que seriam os planos de tratamento A, B e C no AIDPI pediátrico? PLANO A: tratar a diarreia em casa O tratamento domiciliardeve se ater a medidas de prevenção ou recuperação, como o uso de reposição volêmica com água potável, com soro de reposição oral, e incentivar o aleitamento materno. PLANO B: tratar a desidratação soro de reidratação oral (SRO) Essa parte do AIDIPI descreve o volume a ser administrado nas crianças com desidratação. Em casos de vômitos, deve-se usar ondansetrona e, se ocorrer diar- reia acentuada, deve-se usar soro de reidratação oral (SRO). IDADE ONDANSETRONA DOSE: 0,2MG/KG/DOSE, ATÉ TRÊS VEZES AO DIA; APRESENTAÇÃO: COMPRIMIDO DISPERSÍVEL DE 4 MG 6 meses a 2 anos 2 mg > 2 anos 4 mg Tabela 3 - Posologia da ondansetrona na pediatria / Fonte: adaptada de Brasil (2017). Outra substância indicada no controle da diarreia é o zinco. O zinco apresenta capacidade de auxiliar na absorção intestinal de água e eletrólitos, restabelecendo a volemia corporal. Na criança, deve-se ofertar uma vez ao dia por dez dias; em crianças de até 6 meses, 10 mg/dia; e, em crianças com idade superior a 6 meses, a dose é de 20 mg/dia. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 PLANO C: tratar rapidamente a desidratação grave Deve-se realizar a aplicação imediata de líquidos por via intravenosa (IV). Se a criança não estiver classificada como grave, deve-se iniciar terapia endovenosa, Plano C do AIDPI na atenção primária. Porém, se a criança, também, enquadrar-se em classificação grave, é necessário referir urgentemente ao hospital de referência, com mãe e o profissional de saúde administrando o soro de reposição oral (SRO) durante o trajeto. Deve-se realizar a monitorização dos sinais vitais e reavaliar cons- tantemente a criança. Nesse plano, é possível a passagem de sonda nasogástrica/ orogástrica para complementar a terapêutica de reposição de líquidos. Figura 4 - Criança em internamento hospitalar Descrição da Imagem: a figura mostra um profissional de enfermagem, com uso de equipamento de pro- teção individual, ao lado do genitor da criança, para realizar acesso venoso periférico no membro superior esquerdo. Fim da descrição. 1 1 1 As três estratégias do AIDPI de diarreia visam evitar e recuperar a criança de quadros que culminam em desidratação grave. Alguns sinais podem ser evi- denciados, como fontanela deprimida, olhos fundos e rebaixamento sensório de consciência. Os profissionais da estratégia de saúde da família (ESF) devem se atentar a esses sinais e proporcionar uma rápida resolução do caso para que não necessite de intervenções em âmbito hospitalar. Caso isso aconteça, deve-se referenciar urgentemente esse serviço. Desnutrição e anemia A desnutrição infantil é causada por fatores intrínsecos e ex- trínsecos. Os fatores intrínsecos estão relacionados a fatores genéticos, e extrínsecos, a fatores sociais, como a fome na infância. Alguns nutrientes poderão encontrar-se em dé- ficit na criança, necessitando de reposição por meio de apresentações farmacêuticas, como vitaminas, carboi- dratos e minerais. Segue tabela do AIDPI pediátrico para avaliação da criança nos serviços de saúde: Quer um melhor aprofundamento sobre essa temática? Veja o protocolo de assistên- cia em casos de diarreia aguda da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Desfrute dessa leitura e aprenda mais como intervir nessa condição clínica. https://www.sbp. com.br/fileadmin/user_upload/2017/03/Guia-Pratico-Diarreia-Aguda.pdf. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 1 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2017/03/Guia-Pratico-Diarreia-Aguda.pdf https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2017/03/Guia-Pratico-Diarreia-Aguda.pdf TEMA DE APRENDIZAGEM 6 AVALIAR CLASSIFICAR TRATAR Emagrecimento acentuado visível ou edema em ambos os pés. DESNUTRIÇÃO GRAVE • Prevenir, controlar e, se necessário, tratar a hipoglicemia. • Prevenir a hipotermia (manter a criança agasalhada). • Dar megadose de vitamina A, se a criança não tiver tomado nos últimos 30 dias. • Referir URGENTEMENTE ao hospital Peso para a idade +2 escores z. PESO ELEVADO • Avaliar a alimentação da criança e as possíveis causas do peso elevado. • Orientar a alimentação adequada. • Verificar e estimular a prática de ativida- de física. • Uso profilático de ferro em menores de 24 meses. • Marcar o retorno com duas semanas. • Orientar sinais de retorno realizando o diagnóstico do estado nutricional. Peso para a idade ≤+2 e ≥-2 escore z. PESO ADEQUADO • Elogiar a mãe/o pai/o(a) acompanhante pelo crescimento de seu filho. • Reforçar as recomendações para alimen- tação saudável, de acordo com o quadro de recomendações a respeito da alimen- tação da criança. • Uso profilático de ferro em menores de 24 meses. Tabela 4 - Avaliação do estado nutricional pediátrico / Fonte: adaptada de Brasil (2017). 1 1 8 Para desnutrição grave ou peso muito baixo, o Ministério da Saúde recomenda administrar a vitamina A, sendo que à criança de 6 a 11 meses deverá ser ofer- tada dose única de 100.000 UI e à criança de de 12 a 59 meses deverá ser ofertada uma dose de 200.000 UI, a cada seis meses. A anemia é uma das faltas nutricionais mais recorrentes na infância, sendo necessária a administração profilática de sulfato ferroso à criança. Os sinais dessa deficiência estão relacionados à palidez cutânea, principalmente em região pal- mar. Ao ser administrada, deve-se atentar à mudança de coloração das fezes da criança para uma cor mais escura e sempre limpar a dentição da criança, para evitar escurecimento. Segue a tabela referente à posologia de administração do sulfato ferroso na infância: IDADE OU PESO (KG) SULFATO FERROSO 3 MG/KG/DIA 1 ML=25 MG DE FERRO ELEMENTAR 2 a 3 meses 4 a 2 anos 5 ml 10 ml Tabela 6 - Posologia dos anti-helmínticos relacionada à anemia na infância / Fonte: adaptada de Brasil (2017). UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A atenção na administração medicamentosa deve ser feita de forma criteriosa. A decisão terapêutica deve ser apropriada e as doses devem ser baseadas no peso da criança. O profissional deve certificar-se de que a criança não é alérgica ao medicamento prescrito e orientar a mãe sobre a justificativa da indicação do medicamento à criança. Deve ser feita a orientação da mãe quanto à dose a ser administrada à criança. Explicar que todas as medicações devem ser usadas até que o esquema de trata- mento finalize, ainda que a criança melhore. Certifique-se que ela compreendeu as explicações feitas na consulta. Distúrbio glicêmico O distúrbio glicêmico é uma alteraçãometabólica dos carboidratos, ocorre prin- cipalmente em crianças de genitoras diabéticas. Em crianças que apresentam tal condição, deve-se realizar a monitorização glicêmica, que deve ocorrer perife- ricamente com 1, 3, 6, 12, 18 e 24 horas de vida na maternidade. Se a glicemia periférica estiver inferior a 45 mg/dL, deve-se dar seguimento ao esquema de tratamento da hipoglicemia pediátrica. A maneira sem custos de elevar a glicemia do neonato é ofertando o leite materno. O aleitamento materno apresenta, em sua composição, glicose, imunoglobulinas, proteína e demais nutrientes essenciais à manutenção orgânica do bebê. 1 4 1 A genitora deve ser orientada e estimulada a ofertar o aleitamento a livre deman- da, pois, além da oferta de nutrientes, ocorre o aumento de peso da criança. Se a criança não pode sugar o peito em sua residência, mas pode deglutir, a genitora pode ordenhar e ofertar em um copinho (por exemplo) ou outro leite, como a fórmula. Se isso ainda não for possível, deve-se ofertar à criança de 30 a 50 mL de água com açúcar antes de ser transferida a uma unidade de saúde. Figura 5 - Aleitamento materno como prevenção na hipoglicemia Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança em aleitamento materno em mama direita da genitora. Fim da descrição. Para preparar a água com açúcar, deve-se dissolver quatro colheres de chá de açúcar (20 g) em um copo com 200 mL de água. UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Se a criança não pode deglutir nem sugar o peito materno, na unidade de saúde, deverão ser ofertados 50 mL de leite ou água com açúcar por uma sonda orogás- trica. Se for possível, administrar solução intravenosa (IV) com soro glicosado a 10% (80–100 mL/kg/dia). Poderá ocorrer melhor reposição glicêmica e estabi- lização do metabolismo do carboidrato em déficit. A observação clínica é o ponto-chave para que ocorra uma melhor ação es- tratégica do caso da criança. Para que se identifique o que a criança apresenta, é necessário sensibilidade e raciocínio clínico. Eis o desafio dos profissionais de saúde, aprender a identificar por meio dos sinais e sintomas e chegar a um diagnóstico do que a criança apresenta. Por meio de intervenções direcionadas e monitoramento contínuo, os profissio- nais de enfermagem contribuem significativamente para a recuperação e prevenção de complicações, promovendo, assim, o desenvolvimento saudável desses pacientes vulneráveis. Além disso, desempenham papel educativo, orientando os pais sobre cuidados domiciliares, prevenção de doenças e sinais de alerta. Essa abordagem ho- lística contribui para a recuperação e o bem-estar geral do paciente pediátrico. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você sobre esse tema, vamos lá?! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem. EM FOCO NOVOS DESAFIOS É preciso uma formação acadêmica eficaz, com aprimoramentos constantes, para que o profissional saiba realizar sua assistência em saúde de forma direcionada. Estudar anatomia, fisiologia, patologia, microbiologia, farmacologia, semiologia e fundamentos da profissão é essencial para exercer um excelente trabalho. 1 4 1 Mesmo com uma formação sólida, não se descarta a necessidade de o profis- sional manter-se sempre atualizado, buscar meios de conhecer as melhores es- tratégias clínicas para o atendimento às crianças enfermas, estar sempre atento aos estudos teóricos e empíricos que oferecem possibilidades mais eficazes para o devido atendimento às crianças. Fica esse desafio para você, para que possa revisar todos os conceitos discipli- nares e as boas práticas clínicas, buscando aperfeiçoar-se para que possa prestar cuidado com qualidade, principalmente quando se fala na enfermagem, que lida com vidas em seu dia a dia. Isso porque ser enfermeiro vai além do título acadêmico, tem que realmente amar o que faz e realizar, com maestria, aquilo que se propuser a fazer, em especial na pediatria, que é um público que precisa de nossa sensibilidade e olhar. UNIASSELVI 1 4 1 MINHAS METAS PREVENÇÃO DE AGRAVOS DE SAÚDE PREVALENTES NA INFÂNCIA Conhecer os aspectos desencadeadores de doença na infância. Compreender as principais doenças que ocorrem na infância. Conhecer os métodos preventivos das doenças na criança. Identificar a importância da tecnologia das vacinas na prevenção de patologias. Analisar as principais vacinas aplicadas na infância. Abordar a importância da prevenção de doenças por meio da alimentação saudável infantil e os nutrientes que a englobam. Entender sobre as causas das doenças causadas pelo saneamento básico e os modos de prevenção. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 DESENVOLVA SEU POTENCIAL AS VACINAS COMO ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO NA SAÚDE DA CRIANÇA As vacinas são modos de prevenção contra doenças oportunistas tanto em adultos quanto em crianças. Elas promovem resposta imunológica ao adentra- rem no organismo ocasionando efeito estimulató- rio das células de defesa, culminando em proteção corporal contra patógenos. O programa nacional de imunizações (PNI) surgiu com o intuito de pre- venir a mortalidade infantil que era muito incidente antes da criação do SUS, em 1988. Uma das doenças que mais afetava as crianças nesse período era a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. As vacinas são modos de prevenção contra doenças oportunistas 1 5 1 O PNI conta com um rol de vacinas, sendo a grande maioria aplicada na infân- cia, pois, nesse período, o sistema imunológico está em desenvolvimento e necessita de estímulo para conter invasão de microrganismo oportunista. Atualmente, estão disponíveis imunobiológicos, imunoglobulinas e soros, de forma gratuita, pelo Sis- tema Único de Saúde (SUS). As vacinas protegem inúmeras doenças, sendo a grande maioria desses imunobiológicos administrados na infância, como forma preventiva. As vacinas apresentam tecnologias de resposta imunológica, como as inativadas ou atenuadas. Nas vacinas atenuadas, o microrganismo está “vivo”, mas com carac- terística de enfraquecido, justamente para não desencadear a doença. Já as vacinas inativadas o microrganismo está “morto”, mas seus fragmentos contidos na vacina ocasionam resposta imunológica e menos reações se comparado a vacinas atenuadas. Neste tema, teceremos cada uma das vacinas e doenças que elas previnem. Vacina Bacilo Calmette Guérri (BCG) A vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin) é indicada para prevenir as formas graves de Tuberculose (Miliar e Meníngea). As doenças respiratórias são uma das preocupações dos profissionais de saúde quanto à criança, pois sua maior incidência é nessa faixa etária. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 A vacina BCG é aplicada o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade. Existem algumas recomendações a serem seguidas, tal como: peso superior a 2 kg; caso a criança não tenha atingido esse valor, deverá ser adiada até atingir o peso preconizado. Na rotina dos serviços de saúde, a vacina é disponibilizada para crianças de até quatro anos, 11 meses e 29 dias, ainda não vacinadas (BRASIL, 2024). Sua administração deve ser realizada em via intradérmica. O volume da dose e a via de administração dependerão do laboratório produtor. O Laboratório Sérum Institute of India preconiza a aplicação de 0,05 mL em crianças recém-nascidas até 11 meses e 29 dias e 0,1 mL para pessoas a partir de um ano de idade, via intradér- mica. Já o laboratório FAP: 0,1 mL via intradérmica (BRASIL, 2024). Vacina da Poliomielite (VIP e *VOP) A paralisia infantil é causada pelo poliovírus, que ocasiona paralisia muscular, sendo comum em membros inferiores. Esse vírus é transmitido por contato di- reto entre pessoas e objetos contaminados. No calendário vacinal, há disponíveis duas vacinas para essa doença, a vacina inativada da poliomielite (VIP) e ano seu dia a dia, com esse público, identificando as problemáticas de saúde e as vulnerabilidades sociais que ocorrem a esse público. É necessária a sensibilização dos órgãos governamentais para que a política seja praticada em sua totalidade e o papel dos envolvidos seja reforçado para que as disparidades sociais possam reduzir na saúde da criança. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 ATENÇÃO DA SAÚDE NA CRIANÇA E PREVENÇÃO DE VULNERABILIDADES SOCIAIS A infância não obtinha atenção por parte da sociedade, antes do século XX, principalmente a de sua própria família. Ao decorrer do tempo, com inúmeros estudos de diversos profissionais de saúde, a visão sobre a infância modificou-se, abrangendo a atenção à saúde no contexto multifocal. Com o olhar desses profissionais de saúde, a citar médicos e enfermeiros, houve uma repercussão e mudança na atenção à criança. As unidades de saúde propuseram assistir o público pediátrico em seus serviços de saúde reduzindo o índice de mortalidade infantil que outrora era negligenciada. E é nesse viés que as políticas públicas de saúde da criança emergiram com o propósito de fortalecer a causa e alicerçar o compromisso nas esferas governa- mentais sobre o cuidar na infância. Na atualidade, a PNAISC tem sido utilizada como norteadora do cuidar e tem se observado mudanças significativas, como a implementação de outras políti- cas alinhadas à saúde da criança, tal como a Rede de Atenção à Saúde Materna, Neonatal e Infantil (Rede Cegonha), que fortalece o vínculo da díade mãe e bebê nos serviços de saúde, e o Programa Intersetorial Brasil Carinhoso, que mantém o desenvolvimento da educação e segurança alimentar e nutricional infantil. 1 1 As vulnerabilidades fazem parte da realidade brasileira, como a desnutrição infantil, e isso tem sido alvo das políticas públicas do Brasil. A desnutrição está relacionada a fatores intrínsecos e extrínsecos, como fator metabólico ou défi- cit de alimento no lar da criança, respectivamente. Esse último é o mais incidente, ocasionando inúmeras problemáticas de saúde na infância, tais como raquitismo e beribéri, que são doenças de déficit vitamínico corporal. Sem esses nutrientes, a criança apresenta perda da mineralização óssea, evi- denciada no raquitismo, sendo ocasionada pela deficiência de vitamina D. Em contrapartida, no beribéri, ocorre a deficiência de vitamina B1, que é responsável pela função energética do corpo. Em sua insuficiência, a criança apresenta fra- queza e dificuldades respiratórias. Outro exemplo de vulnerabilidade evidenciada é a falta de moradia. A Uni- cef tem se mostrado em alerta quanto a esses fatores sociais, pois repercute na saúde da criança. A falta de moradia e saneamento ocasiona a disseminação de doenças oportunistas, tais como esquistossomose, malária, hepatite e cólera. Essas doenças são ocasionadas pela exposição da criança a ambientes inóspitos, sem saneamento básico ou sem água tratada. A esquistossomose, ou popularmente conhecida como “barriga d’água”, por exemplo, é uma doença parasitária, diretamente relacionada ao saneamento precário, causada pelo agente etiológico Schistosoma mansoni. Seu vetor são caramujos que liberam as larvas na água de rios e lagos sendo propício a crian- ças no banho inadvertido ou a ingestão dela, adquirindo, assim, essa condição clínica. Essa doença pode ocasionar na criança sinais de febre, cefaleia, sudorese, inapetência e mialgia, necessitando, assim, de assistência das equipes de saúde. A cólera é causada pela ação da toxina liberada por dois sorogrupos específicos da bactéria Vibrio cholerae, que age nas paredes intestinais provocando diarreia aquosa, desidratação e perda de eletrólitos. Na infância, é considerada grave, pois provoca choque hipovolêmico (diminuição da quantidade de sangue circulante no corpo), fraqueza corporal e hipoglicemia (perda de glicose), com convulsões e coma em crianças. A doença está ligada diretamente ao saneamento básico e à higiene. A criança que se encontra exposta a essas doenças oportunistas propicia, muitas vezes, a hospitalização, sendo que ações governamentais em saneamento básico e ação intersetorial entre os entes federados mudariam a condição. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Sobre a questão de violência doméstica à criança, em estudos relacionados ao pe- ríodo Colonial brasileiro, o histórico evidenciado era de crianças amedrontadas e castigadas fisicamente, sendo submetidas à ordem dos genitores sem direitos assegurados à época. A criança não tinha voz e era tratada como um ser sem muita significância para a sociedade da época. No Brasil, ainda nos dias atuais do século XXI, ocorre agressão a crianças. A agressão é subdividida de acordo com a circunstância física, psicológica, sexual e negligência. A maioria dos casos de violência acontecem no contexto familiar, mas pode acontecer fora a ele, como em escolas ou na sociedade em geral. A criança po- derá apresentar os sinais de que sofre a violência, como medo excessivo, choro constante, repulsa ao toque corporal e automutilação, como é evidenciado em casos de violência sexual. Para melhor compreensão sobre o tema, segue um quadro explicativo sobre os tipos de violência contra a criança e sua característica definidora. TIPO DE VIOLÊNCIA À CRIANÇA CARACTERÍSTICA QUE A DEFINE FÍSICA Caracterizada por ato violento com uso da força física intencional, a exemplo: agredir a criança com o uso de instrumentos, como sandálias, cintos e cigarro na pele da criança. PSICOLÓGICA Toda ação que coloca em risco ou causa dano à autoestima, a exemplo de palavras para denegrir, como burro e imprestável. SEXUAL Todo ato sexual com intenção de estimular a criança e, com isso, obter satisfação sexual, a exemplo: tocar em genitália sem con- sentimento e/ou uso da força física do agressor. NEGLIGÊNCIA Omissão dos adultos responsáveis pela criança, não provendo as necessidades básicas: físico, emocional e social, tal como: não banhar a criança, não ofertar alimentação e não inserir a criança na escola sem justificativa plausível. Quadro 2 - Tipos de violência contra criança e adolescente / Fonte: a autora. 1 8 Esses tipos de violência culminam em traumas psicológicos à criança, e esta poderá se tornar um adulto adoecido que necessitará de assistência em saúde como recurso de cuidado em saúde. No Brasil, já existem leis que protegem a criança contra violência. Elas são fundamental importância para punir os responsáveis por tais atos criminosos que infringem direitos primordiais da criança, que são a vida e a proteção. A Lei nº 14.344, de 24 de maio de 2022, batizada de Lei Henry Borel, es- tabelece medidas protetivas específicas para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar e considera crime hediondo o assassinato de me- nores de 14 anos. Também, pode-se citar a Lei nº 13.010, de 26 de junho de 2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, que estabelece o direito de crianças e adolescentes serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tra- tamento cruel ou degradante, o que reforça a proteção da criança aos agressores sob olhar jurídico. Ao identificar a violência, o profissional de saúde deverá notificar as auto- ridades competentes sobre o ocorrido. A criança deverá ser acompanhada pela equipe de assistência social e psicologia, sendo protegida pelas autoridades ju- diciais contra seus agressores. As equipes das demais redes de atenção em saúde, também, deverão prestar assistência à criança vítima de violência, promovendo o cuidado e protegendo-a. Deverá ainda realizar a notificação compulsória, disponível pelo Ministério da Saúde, sobre esse agravo e informada no sistema de infor- mação de agravos de notificação (SINAN) para monitoramento das esferas municipal, estadual e, principalmente, federal. Acesse o link referente à ficha de notificação, investigação individual, violência doméstica sexual e outras violências interpessoais.vacina oral da poliomielite (VOP) com esquema predefinido. O profissional deve realizar o esquema vacinal da vacina VIP da seguinte forma: administrar trê doses aos dois, quatro e seis meses de idade, com inter- valo de 60 dias entre as doses. O intervalo mínimo é de 30 dias entre as doses. Volume da dose e via de administração: 0,5 mL, via intramuscular. Particulari- dades: crianças até quatro anos, 11 meses e 29 dias: sem comprovação vacinal: administrar três doses da VIP, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias (BRASIL, 2024). 1 5 4 Vacina meningocócica A vacina meningocócica C previne a meningite causada pela Neisseria Menin- gitidis do sorogrupo C. Sua transmissão acontece por contato direto, de pessoa a pessoa, por meio de secreções respiratórias de pessoas infectadas. Segundo Brasil (2024), o esquema da vacina meningocócica C é administrar duas doses aos três e cinco meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias. O volume da dose equivale a 0,5 mL, via intramuscular (BRASIL, 2024). Vacina triviral e tetraviral As vacinas tri e tetra viral tem algo em comum, a presença dos componentes sarampo, caxumba e rubéola. Porém a vacina tetra apresenta um quarto com- ponente, chamado varicela, sendo esse responsável pela prevenção da doença chamada catapora. UNIASSELVI 1 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Segundo Brasil (2024), o esquema para administrar a primeira dose é aos 12 meses de idade. Deve-se completar o esquema de vacinação contra o sarampo, a caxumba e a rubéola com a vacina tetraviral aos 15 meses de idade (correspon- de à segunda dose da vacina tríplice viral e à primeira dose da vacina varicela). Volume da dose e via de administração: 0,5 mL, via subcutânea. Vacina das hepatites B e A A hepatite viral B é causada por um vírus pertencente à família Hepadnaviridae, a forma de transmissão do vírus da hepatite B (HBV) está relacionada a relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada ou mãe infectada para o filho, durante a gestação e o parto. SARAMPO É uma doença infectocontagiosa causada por um vírus chamado Morbillivirus. CAXUMBA É uma infecção viral aguda e contagiosa, causada por um vírus RNA da família Paramyxoviridae. RUBÉOLA É uma doença viral que causa erupção cutânea na criança, vírus do gênero Rubivirus, da família Togaviridae. VARICELA Presente na vacina tetraviral, protege contra o vírus Varicela-Zoster, o qual ocasiona lesões de pele (como as vesículas) e, também, prurido tegumentar. Sendo mais recor- rente em crianças. Vamos tecer cada doença presente nessas vacinas: 1 5 1 A hepatite A é uma infecção causada pelo vírus A (HAV). Na hepatite, a transmis- são é fecal-oral (contato de fezes com a boca). A doença tem grande relação com ali- mentos ou água inseguros, saneamento básico precário e déficit de higiene pessoal. A vacina da hepatite B deverá ser administrada uma dose ao nascer, o mais precocemente possível, nas primeiras 24 horas, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade. As demais são aplicadas na vacina pentavalente, no esquema 2, 4 e 6 meses de vida da criança. O volume da dose é de 0,5 ml ( 20anos), a depender do laboratório produtor e/ou da idade que será administrada, e a via de administração é intra- muscular (BRASIL, 2024). A vacina da hepatite A deverá ser administrada aos 15 meses, com dose única de 0,5 ml por via intramuscular, em vasto lateral da coxa (BRASIL, 2024). Vacina Influenza A gripe é uma infecção aguda que atinge o sistema respiratório, ocasionando sintomas, como coriza e, possivelmente, quadro febril. A vacina para essa doença é denominada influenza e está disponível nas unidades básicas de saúde do SUS. Na rotina, essa vacina é aplicada em crianças e adultos para melhor proteção, devido ao quadro respiratório grave que possa causar, reduzindo o número de internações hospitalares. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Veja, a seguir, o esquema vacinal influenza na pediatria: IDADE NÚMERO DE DOSES VOLUME POR DOSE OBSERVAÇÕES Crianças de 6 meses a 2 anos de idade 1 ou 2 doses* 0,25 ml Intervalo mínimo de quatro semanas. Operacionalmente 30 dias após receber a 1ª dose. Deverão ser aplicadas duas doses para crianças vacinadas pela primeira vez. Crianças de 3 a 8 anos de idade 1 ou 2 doses* 0,5 ml Intervalo mínimo de quatro semanas. Operacionalmente 30 dias após receber a 1ª dose. Deverão ser aplicadas duas doses para crianças vacinadas pela primeira vez. Pessoas a partir de 9 anos de idade Dose única 0,5 ml Quadro 1 - Esquema vacinal da vacina influenza na infância / Fonte: adaptado de Brasil (2023). Esse esquema vacinal contempla crianças a partir dos 6 meses de vida e segue as demais faixas etárias. Vacina rotavírus humano A vacina rotavírus humana previne contra as gastroenterites na infância, causa mais comum de diarreia grave em lactentes e pré-escolares. As infecções por rotavírus, ainda, são responsáveis pela mortalidade infantil, principalmente em países onde a nutrição e os cuidados com a saúde, ainda, não são satisfatórios. A vacina é do tipo oral, e o esquema segue da seguinte forma: administrar duas doses, aos dois e quatro meses de idade. Volume da dose e via de adminis- tração: 1,5 mL (administrar todo o conteúdo da bisnaga), exclusivamente por via oral (BRASIL, 2024). 1 5 8 A primeira dose pode ser antecipada para um mês e 15 dias até três meses e 15 dias. A segunda dose pode ser administrada a partir de três meses e 15 dias até sete meses e 29 dias (BRASIL, 2024). Vacina pentavalente A vacina pentavalente oferece proteção contra difteria, tétano, coqueluche, Hae- mophilus influenzae B e hepatite B. A difteria é uma doença transmissível causada por bactéria (Corynebacte- rium diphtheriae) que atinge as amígdalas, a faringe, a laringe, o nariz e, ocasio- nalmente, outras partes do corpo, como pele e mucosas. O tétano é uma doença grave, não contagiosa, causada por uma bactéria (clostridium tetani) que é en- contrada na natureza. Pode causar rigidez muscular. Coqueluche é uma infecção respiratória, transmissível, causada pela bactéria Bordetella pertussis, que causa crises incontroláveis de tosse seca, sendo severa em crianças. Haemoplhilus influenzae B é uma bactéria de doença grave em menores de cinco anos. A bactéria reside na faringe do portador, podendo ser transmitida por via respiratória (gotículas de saliva e secreções), por meio de tos- se e espirros. Seu esquema consiste em administrar três doses, aos dois, quatro e seis meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias. A terceira dose não deverá ser administrada antes dos seis meses de idade. Volume da dose e via de administração: 0,5 mL, por via intramuscular (BRASIL, 2024). Vacina difteria, tétano e Pertussis (DTP) A vacina DTP é um reforço da vacina pentavalente. O primeiro reforço deverá ser administrado aos 15 meses de idade, e o segundo, aos quatro anos de idade. O volu- me da dose e via de administração: 0,5 mL, por via intramuscular (BRASIL, 2024). Vacina febre amarela A faixa etária contemplada da vacina febre amarela em crianças é entre nove meses e quatro anos de idade. O profissional de enfermagem deve administrar uma dose em cada idade preconizada. O volume da dose é de 0,5 mL e a via de administração é a região subcutânea. A agulha a ser utilizada é a 13x4,5. UNIASSELVI 1 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 A NUTRIÇÃO INFANTIL E PREVENÇÃO DE DOENÇAS OPORTUNISTAS A nutrição é um dos fatores em discussão quanto ao cuidado à criança, pois influencia em seu bem-estar e em sua disposição diária. Vitaminas, sais minerais e nutrientes fornecem energia para a vida. Sabemos das problemáticas vivenciadas na saúde pú- blica, como a falta de alimento nas famílias em vulnerabilidade, e isso repercute na saúde da criança e, consequentemente, nos seus crescimento e desenvolvimento. Todas essasvacinas foram inseridas no calendário de vacinas, devido a estudos epidemiológicos de incidência de casos e à recorrência nas regiões de saúde do Brasil. Todas previnem as doenças para as quais foram feitas. Os insumos necessários para administrar as vacinas são: algodão, seringa de 3 mL, descartex (caixa para descarte de perfuro-cortante) e impressos para anotação das vacinas aplicadas. As agulhas de tamanhos diferenciados para cada público, como 25x7mm (intramuscular no adulto), 20x5,5mm (intramuscular na criança) e 13x4,5mm (subcutânea em ambos os públicos). 1 1 1 Vamos compreender os nutrientes na formação da criança: Vitaminas As vitaminas auxiliam no metabolismo corporal. A vitamina B12 tem participa- ção direta na produção de energia para o corpo. A vitamina D auxilia o cálcio no fortalecimento dos ossos e dentes, como no crescimento infantil. Já a vitamina A, ainda, desempenha uma função de renovação celular e auxilia na imunidade do corpo, encontrado, por exemplo, na cenoura. Quando se fala do complexo B, como B1, B6, B7, B9 e B12, essas vitaminas participam na produção de energia, estando presente em cereais e folhas verdes, tal como: alface, couve etc. A vitamina E é uma das principais responsáveis pela ação de renovação tegumentar e, ainda, conta com efeito antioxidante e ajuda a combater os radicais livres. Está presente em vegetais folhosos e na banana. A vitamina C está ligada ao processo de defesa do organismo. Uma aliada na pre- venção de doenças oportunistas. Essa vitamina está presente em frutas cítricas, como a laranja, o limão e a acerola. Também, encontra-se no morango e kiwi. Mineral Ferro Um elemento fundamental no carreamento do oxigênio na hemoglobina das hemácias. Sua ausência ou déficit ocasiona a anemia ferropriva. Encontra-se na natureza nas carnes vermelhas; nos peixes; na carne de frango; no feijão e na lentilha; no brócolis; nos ovos; e na beterraba. Zinco É um elemento fundamental para o cérebro, pois auxilia na memória, na cogni- ção e no aprendizado. Está presente em leguminosas em geral, como no feijão, nos cereais e nos ovos. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 SANEAMENTO BÁSICO E PREVENÇÃO DE DOENÇAS NA INFÂNCIA As doenças endêmicas são parte de um amplo estudo da epidemiologia na saúde pública. São feitas avaliações de fatores que podem ocasionar doenças na co- munidade e que, muitas vezes, estão relacionados à falta de saneamento básico ou sua precariedade. Pode-se citar algumas doenças que fazem parte da falta de cuidados simples, como: dengue, esquistossomose, influenza e gastroenterites. Sendo de relevância pública medidas profiláticas para o combate de seu surgi- mento. Vamos estudar cada uma delas de forma abrangente: Dengue A dengue é uma doença viral, em que se pode apresentar assintomática ou pode desencadear febre. O vírus da dengue pertence à família dos flavivírus e são co- nhecidos quatro sorotipos: 1, 2, 3 e 4. O seu vetor transmissor da doença é o mos- quito Aedes aegypti. Sinais de alarme na dengue são manchas vermelhas na pele, sangramentos nasal ou gengival; dor abdominal intensa; e vômitos persistentes. Isso pode sugerir uma possível dengue hemorrágica. A medida profilática deve-se concentrar em ingesta hídrica abundante e repouso. A medicação é apenas nos casos sintomáticos de febre ou dor, como os analgésicos e antitérmicos (parace- tamol e dipirona). Deve ser evitado os salicilatos, como o ácido acetilsalicílico (AAS), devido ao risco de hemorragia. Esquistossomose A esquistossomose, também conhecida como doença do caramujo, ou “barriga d’água”, é de causa parasitária, diretamente relacionada ao saneamento precário, causada pelo Schistosoma mansoni. As crianças são suscetíveis de adquirir essa doença pelo fato de brincarem em zonas que contenham água abundante, como rios e lagos. O caramujo é o vetor transmissor dessa doença, que pode acontecer em crianças com maior frequência. Os principais sintomas na fase aguda da doença são: 1 1 1 ■ Quadro febril. ■ Cefaleia. ■ Calafrios. ■ Sudorese. ■ Fraqueza. ■ Inapetência. ■ Mialgia. ■ Diarreia. Os cuidados referentes à essa temática é a oferta de água potável tratada e, tam- bém, uso da medicação praziquantel, ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Gripe Doença sazonal que afeta a população e tem maior grau de disseminação por via inalatória. A criança pode apresentar sintomas mais expressivos, como dispneia, dor de garganta, tosse, cefaleia e mialgia. A gripe é uma doença viral que regride com cuidados simples, tais como: ingesta hídrica, descanso e medicações para sintomas. A família da criança deve, além desses cuidados, realizar o uso de máscara e limpeza asséptica das mãos para evitar a propagação. Gastroenterites As doenças diarreicas foram fatores etiológicos de morbimortalidade infantil até antes do século XX. Após a inserção da terapia intravenosa, houve melhora significativa e redução desses indicadores. As doenças gastroentéricas podem ser ocasionadas por microrganismos, como bactérias, vírus e protozoários, sen- do necessário avaliar a clínica sintomatológica. Hoje, há vacinas para esse tipo de vírus causador de gastroenterites, como o rotavírus humano. Essa vacina é aplicada na infância aos dois e quatro meses ou antecipada um mês de 15 dias e após, no mínimo, 30 dias para aplicar a segunda dose. Essa vacina poderá ser aplicada no SUS em até sete meses e 29 dias. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 NOVOS DESAFIOS As doenças oportunistas preveníveis devem ser combatidas em primeiro lugar pela modalidade preventiva, para, depois, seguir a parte curativa. E o grande desafio é esse de iniciar dessa base. Hoje, sabemos que a ciência evoluiu, mas nem todos os profissionais estão preparados para assistir a criança, sendo necessário o estudo constante e direcionado. A prevenção de agravos de saúde prevalentes na infância está intimamente relacionada ao estudo epidemiológico para chegar ao modo profilático. Os profis- sionais devem criar estratégias de alcance de metas contra doenças oportunistas, sendo elas as vacinas e medidas de higiene como as mais evidenciadas na atuali- dade. Os órgãos de saúde devem trabalhar em conjunto com as equipes de saúde para combater as doenças na infância, para que ocorra diminuição da incidência de casos, sendo as doenças respiratórias e gastroentéricas as mais recorrentes. Olá! Agora, quero o convidar a assistir nosso vídeo e enriquecer seus estudos. Nes- te vídeo, falaremos a respeito de temas relevantes para a área. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO Com as estratégias de campanhas de vacinação, limpeza nas comunidades, implementação da política de alimentação saudável, será possível uma real mudança epidemiológica e redução de doenças na infância e nos demais públicos. 1 1 4 MINHAS METAS PROMOÇÃO E PROTEÇÃO DA SAÚDE INFANTIL Conhecer os conceitos de promoção e proteção em saúde. Analisar as medidas de proteção e promoção na saúde da criança. Identificar a importância da IHAC na promoção da saúde da criança em maternidades. Abordar a importância do aleitamento materno na saúde do neonato e lactente. Abordar a importância da estratégia método canguru na promoção da saúde de prematuros de baixo peso. Conhecer a importância da rede cegonha no cuidado neonatal em maternidades e na atenção básica. Conhecer o papel da enfermagem na promoção e proteção da saúde de neonatos e lactentes. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 DESENVOLVA SEU POTENCIAL ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO E PROTEÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE A promoção e proteção em saúde estão presentes na Constituição Federal (CF) e faz parte do alicerce do SUS, segundo o Art. 196, da CF/1988, o qual refere que saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visemà redução do risco de doença e de outros agra- vos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. VAMOS RECORDAR? O aleitamento materno é uma das medidas de suma relevância para a promoção e proteção infantil. Confira um artigo científico com o tema: benefícios do aleitamento materno para a mulher e o recém-nascido. Ele reforçará seu conhecimento do assunto tratado! Leia e amplie seu conhecimento. https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/11208/11055. 1 1 1 https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/11208/11055 Promover e proteger a saúde da criança são algo amplo e necessita do olhar de vários atores, como: entes federados (Ministério da Saúde, estados e municípios), profissionais de saúde e famílias. Existem estratégias implementadas pelo SUS que reforçam a promoção, proteção e recuperação da criança. Estas têm por objetivo assegurar os direitos das crianças em qualquer circunstância. As políticas públicas são fundamentais nesse processo, pode-se citar a Rede Cegonha, que assegura o cuidado à gestante, parturiente, recém-nascido e lactente, seja nas maternidades, seja nas unidades de atenção primária em saúde; a estratégia canguru, que realiza o cuidado ao prematuro, aumentando a taxa de sobrevida em unidades de internação neonatal; e a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), que realiza a promoção do aleitamento materno nas unidades de maternidade como forma de proteção contra infecção oportunista e desnutrição infantil. As políticas públicas de saúde da criança alicerçam estratégias de promoção e proteção da saúde antes do nascimento e segue adiante após o período pós-natal. O Ministério da Saúde apresenta estratégias que asseguram o cuidar da criança, seja na atenção primária, seja na secundária à saúde, como as já citadas: IHAC, Rede Cegonha e Método Canguru. Ambas previnem a desnutrição infantil, alicerçam o vínculo materno infantil e promovem a recuperação em saúde da criança em diversos segmentos. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Política Rede Cegonha no cuidar da criança Figura 1 - Assistência à parturiente e ao recém-nascido na rede cegonha Descrição da Imagem: a figura apresenta parturiente recebendo assistência de uma profissional de saúde com massagens relaxantes na região lombar para alívio de dor no processo de parto. Fim da descrição. A Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011, institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede Cegonha. Essa ação consiste numa rede de cui- dados que visa assegurar à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério bem como à criança o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e ao desenvolvimento ideais. Em seu Art. 3°, encontram-se descritos os objetivos da Rede Cegonha, conforme demonstrado na tabela a seguir: 1 1 4 A neonatologia e a pediatria são uma das áreas abrangidas na rede cegonha, que visam um cuidado integral à criança livre de danos. O profissional de enfermagem é um dos protagonistas nesse processo, pois acompanha todo o processo de desen- volvimento e crescimento da criança. A enfermagem deve orientar os pais quanto aos cuidados neonatais que vi- sam à promoção e proteção da criança em relação a problemas relacionados à falta da homeostase metabólica e térmica, como: uso de gorros e cobertor, para que ocorra o equilíbrio térmico corporal do neonato; banhos em tempo oportuno; higiene perineal adequado, evitando derma- tite de fraldas, ocasionada pela inconti- nência fecal e urinária fisiológica do recém-nascido; vigilância do bebê na residência, evitando asfixia por diversas causas; e orien- tação quanto à importância do aleitamento materno e pega correta da mama. DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS DA REDE CEGONHA I - Fomentar a implementação de novo modelo de atenção à saúde da mulher e à saúde da criança com foco na atenção ao parto, ao nascimento, ao cresci- mento e ao desenvolvimento da criança de zero aos vinte e quatro meses. II - Organizar a Rede de Atenção à Saúde Materna e Infantil para que esta garanta acesso, acolhimento e resolutividade. III - Reduzir a mortalidade materna e infantil com ênfase no componente neonatal. Tabela 1 - Objetivos da Rede Cegonha / Fonte: Brasil (2011, on-line). UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Além de preconizar o cuidado em sala de parto, a rede cegonha, também, preco- niza o cuidado em unidades de atenção primária por meio da consulta de pueri- cultura. Os enfermeiros devem acompanhar o crescimento e desenvolvimento da criança e ensinar aos pais como devem observar qualquer alteração na criança. Na puericultura, deve-se avaliar o estado vacinal das crianças, pois elas evi- tam doenças evitáveis na atualidade, como meningites, pneumonias, doenças causadoras de gastroenterites, entre outras. As vacinas apresentam a capacidade de proteger as crianças e reduzem o número de internações em unidades pediá- tricas. Deve-se sensibilizar genitores e família quanto ao cuidado à criança, pois isso evita diversas circunstâncias geradoras de problemáticas na criança. Figura 2 - Assistência ao recém-nascido pela enfermagem Descrição da Imagem: a figura apresenta um recém-nascido chorando após o nascimento, na sala de parto. Ele está recebendo os cuidados da equipe de enfermagem no pós-nascimento. Fim da descrição. 1 1 1 Norma de Atenção Humanizada do Recém-Nascido de Baixo Peso — Método Canguru O método canguru é um modelo de assistência ao recém-nascido prematuro com baixo peso, internado na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal. Esse méto- do é voltado para o cuidado humanizado, que reúne estratégias de intervenção biopsicossocial a recém-nascidos e genitores (BRASIL, 2017). O método canguru tem como foco a promoção do aleitamento materno como prioridade, o estímulo ao contato pele a pele precoce da criança e seus genitores. O método é denominado dessa maneira devido à posição adotada no manejo de cuidar, que consiste em manter o recém-nascido de baixo peso em contato pele a pele, na posição vertical, junto ao peito dos pais, posição canguru. Figura 3 - Recém-nascido e o método canguru Descrição da Imagem: a figura apresenta um recém-nascido em posição vertical em contato pele a pele ao corpo de sua genitora. Fim da descrição. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 O método canguru apresenta três etapas que deverão ser observadas em sua implementação nas unidades neonatais. ■ Etapa 1: refere-se ao acolhimento dos pais e cuidado ao neonato. ■ Etapa 2: refere-se ao suporte dos profissionais à genitora quanto ao ma- nejo ao recém-nascido e à estabilidade de peso ideal do neonato. ■ Etapa 3: o bebê vai para casa e é acompanhado com sua família, pelo Am- bulatório do Método Canguru, situado em seu hospital de origem. Todos, também, passam a ser acompanhados na Unidade Básica de Saúde, no cuidado compartilhado até atingir o peso de 2,5kg. Figura 4: Cuidado ao recém-nascido pelo método canguru Descrição da Imagem: a figura apresenta um genitor segurando nos braços, em decúbito ventral, seu filho recém-nascido, que se apresenta dormindo. Fim da descrição. A família do neonato deverá ser orientada quanto aos cuidados no pós-alta do método canguru, que se deve procurar manter o peso ideal do recém-nascido, monitorar qualquer sinal de anormalidade e manter o vínculo com a unidade de saúde para monitorização contínua do estado do bebê. 1 1 8 IHAC (Iniciativa Hospital Amigo da Criança) Em 1995, surgiu a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), que vai ao encontro do fortalecimento do parto humanizado, do aleitamento materno e, consequentemente, da redução de doenças por causas evitáveis. O aleitamento é uma das estratégias ouro na assistência em saúde a re- cém-nascidos e lactentes por parte do Ministério da Saúde do Brasil. O leite materno apresenta, em sua composição, inúmeros benefícios para a criança, como nutriçãosem custos, e estimula a imunidade infantil. Sobre os objetivos da IHAC, esta reforça a seguinte conceituação: reduzir a morbimortalidade infantil, capacitar profissionais de saúde para o ensino da amamentação correta e orientar aos genitores quanto a problemáticas que podem ser evidenciadas com o desmame precoce. Para se tornar Amigo da Criança, o hospital deverá cumprir os dez passos do aleitamento de sucesso descritos na Portaria nº 1.153, de 22 de maio de 2014, conforme descritos na tabela a seguir: UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 PASSOS DEFINIÇÃO Passo 1 Ter uma política de aleitamento materno escrita que seja rotineiramen- te transmitida a toda equipe de cuidados de saúde. Passo 2 Capacitar toda a equipe de cuidados de saúde nas práticas necessárias para implementar esta política. Passo 3 Informar todas as gestantes sobre os benefícios e o manejo do aleita- mento materno. Passo 4 Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento; conforme nova interpretação: colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães, imediatamente após o parto, por pelo menos uma hora e orientar a mãe a identificar se o bebê mostra sinais de que está querendo ser amamentado, oferecendo ajuda se necessário. Passo 5 Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação mesmo se vierem a ser separadas dos filhos. Passo 6 Não oferecer a recém-nascidos bebida ou alimento que não seja o lei- te materno, a não ser que haja indicação médica e/ou de nutricionista. Passo 7 Praticar o alojamento conjunto, permitir que mães e recém-nascidos permaneçam juntos 24 (vinte e quatro) horas por dia. Passo 8 Incentivar o aleitamento materno sob livre demanda. Passo 9 Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a recém-nascidos e lactentes. Passo 10 Promover a formação de grupos de apoio à amamentação e encami- nhar as mães a esses grupos quando da alta da maternidade, con- forme nova interpretação, e encaminhar as mães a grupos ou outros serviços de apoio à amamentação, após a alta. Tabela 2 - Dez passos para o sucesso do aleitamento materno / Fonte: Brasil (2014, on-line). 1 8 1 A Portaria nº 1.153, de 22 de maio de 2014, que redefine os critérios de habilitação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), como estratégia de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à saúde integral da criança e da mu- lher, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) em seu Art. 4º, afirma que: “ Os Hospitais Amigos da Criança adotarão ações educativas articu- ladas com a Atenção Básica, de modo a informar à mulher sobre a assistência que lhe é devida, do pré-natal ao puerpério, visando ao estímulo das ‘Boas Práticas de Atenção ao Parto e ao Nascimento’, na forma da Recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Atendimento ao Parto Normal (BRASIL, 2014, on-line). A estratégia IHAC reforça ainda a garantia de livre acesso à mãe e ao pai e per- manência dos genitores, junto ao recém-nascido, durante todo o momento da unidade hospitalar, respeitada pela equipe de saúde, conforme Portaria nº 930, de 10 de maio de 2012. O aleitamento materno na promoção e proteção da saúde do recém-nascido e lactente O Ministério da Saúde do Brasil preconiza o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, excluindo a oferta de chás e outros alimentos a serem ad- ministrados à criança. O bebê deve receber, exclusivamente, o leite materno, pois seu intestino encontra-se imaturo contra infecções oportunistas do meio externo, do tipo alimentar; portanto, essa medida está relacionada a fatores de proteção gastrointestinal e demais sistemas orgânicos. O leite materno pode ser ofertado até os dois anos de idade ou mais, a depen- der do lactente e, também, da genitora. A fórmula láctea é uma situação à parte, devendo ser avaliada, por médicos, sua indicação clínica e orientada quanto às formas de realizá-la na residência do recém-nascido e lactente. UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 A amamentação deve ser prazerosa e sua forma correta deve ser ensinada desde o pré-natal até o pós-parto. Nas maternidades, isso, também, é possível, graças ao ensino dos profissionais de saúde, como a enfermagem. A pega correta deve ser da seguinte forma: o bebê deve estar virado para a mãe, bem junto de seu corpo, bem apoiado e com os braços livres. A cabeça do bebê deve ficar de frente para o peito e o nariz bem na frente do mamilo. O bebê deve ser colocado para sugar quando ele abrir bem a boca. Quando o bebê pega bem o peito, o queixo encosta na mama, os lábios ficam virados para fora, o nariz fica livre e aparece mais aréola (parte escura em volta do mamilo) na parte de cima da boca do que na de baixo. Deve-se respeitar o tempo do bebê em seu ritmo de mamar. Fazendo essas medidas, evitam-se fissuras mamárias e o abandono do aleitamento materno, que é algo recorrente em mães que não têm apoio dos profissionais de saúde e da família de forma ativa. Figura 5 - Aleitamento materno Descrição da Imagem: a fi- gura mostra um lactente com sua genitora em aleitamento materno em mama direita. Fim da descrição. 1 8 1 A tecnologia da informação ocasionou grande impacto na sociedade, pois as informações prestadas na internet podem, ou não, ser úteis a depender de quem a usa, como a prática do aleitamento materno. Ainda hoje, observa-se uma alta taxa de abandono do aleitamento exclusivo, e isso demonstra outras problemá- ticas que a desencadeiam, como crianças com baixo peso pós-nascimento. Uma das causas do abandono está relacionada à falta de orientação no pré-natal da genitora e, consequentemente, isso se refletirá no bem-estar nutricional e sistê- mico do recém-nascido. A NBCAL refere-se à Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lacten- tes e Crianças na Primeira Infância (NBCAL), estando na Lei nº 11.265, de 3 de janeiro de 2006 (veja na íntegra). Ela é um conjunto de regulamentações sobre a promo- ção comercial e a rotulagem de alimentos e produtos destinados a recém-nascidos e crianças de até três anos de idade, como, leites, papinhas, chupetas e mamadeiras. O objetivo da NBCAL é assegurar o uso apropriado desses produtos de forma que não haja interferência na prática do aleitamento materno. https://www.ibfan.org.br/site/nbcal. EU INDICO UNIASSELVI 1 8 1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11265.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11265.htm https://www.ibfan.org.br/site/nbcal TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Estudante, é necessário ter um olhar amplo sobre o papel do enfermeiro na promoção do aleitamento materno. Não se pode deixar de realizar essas orientações de forma precoce, como no pré-natal. Sem essas orientações, tere- mos inúmeros casos de desnutrição infantil, tal como criança com baixo peso ao nascer, e isso demanda custos e inúmeros problemas que poderiam ser evitados. Em suas atividades profissionais, realize práticas de promoção em saúde no aleitamento materno. Incentive suas pacientes a ofertarem o aleitamento mater- no exclusivo até os seis meses. Faça rodas de conversa e implemente estratégias que possam reduzir altos índices de baixa adesão. Você é o protagonista da sua profissão e poderá proteger a saúde da criança seja onde estiver em sua prática profissional! Seja a diferença na Enfermagem! Além da relevância da amamentação materna citada anteriormente, vale destacar, a fim de conclu- são, que programas, como Rede Cegonha, Método Canguru e Iniciativa Hospital Amigo da Criança, desempenham papel crucial na promoção da saú- de materno-infantil . A Rede Cegonha visa garantir assistência humanizada e integral à gestante e ao recém-nascido, desde o pré-natal até o pós-parto, com foco na redução da mortalidade materna e neonatal. O Método Canguru oferece cuidado intensivo e humanizado aos bebês prematuros, promovendo o contato pele a pele com os pais para favorecer seu desenvolvimento e recuperação. Já a IniciativaHospital Amigo da Criança promove práticas de amamentação, cuida- do e acolhimento adequados no ambiente hospitalar, visando melhorar a saúde e o bem-estar da criança e de sua família. Esses programas contribuem significa- tivamente para a redução de complicações relacionadas à gravidez, ao parto e ao pós-parto, além de promoverem um início saudável e feliz para a vida do bebê. Acesse seu ambiente virtual de aprendizagem e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO Desempenham papel crucial na promoção da saúde materno-infantil 1 8 4 NOVOS DESAFIOS É crucial que o enfermeiro tenha conhecimento sobre promoção e proteção da saúde infantil para garantir o bem-estar das crianças e prevenir doenças desde os primeiros anos de vida. Esse conhecimento permite a identificação precoce de problemas de saúde, a promoção de hábitos saudáveis e o fornecimento de orientações aos pais para cuidados adequados. A atuação da enfermagem em programas, como Rede Cegonha, Método Canguru e Iniciativa Hospital Amigo da Criança, é fundamental para garantir uma assistência de qualidade à mãe e ao bebê. Na Rede Cegonha, os enfermeiros desempenham papeis essenciais na promoção do pré-natal de qualidade, no acompanhamento do parto e no cuidado pós-parto, visando reduzir a morta- lidade materna e neonatal. No Método Canguru, os enfermeiros são responsá- veis por implementar e monitorar o cuidado humanizado e baseado no contato pele a pele entre o recém-nascido prematuro e seus pais, contribuindo para sua recuperação e seu desenvolvimento. Já na Iniciativa Hospital Amigo da Criança, os enfermeiros trabalham para promover a amamentação exclusiva, proporcio- nar um ambiente acolhedor e garantir práticas de cuidado adequadas às necessi- dades do bebê e da mãe, promovendo, assim, a saúde e o bem-estar infantil. Em todas essas iniciativas, a enfermagem desempenha papel fundamental na promoção da saúde materno-infantil e na melhoria dos indicadores de saúde relacionados à gestação, ao parto e ao puerpério. No mercado de trabalho, o profissional com esse conhecimento é valorizado por sua capacidade de oferecer cuidados especia- lizados e preventivos às crianças, contri- buindo para a saúde e o desenvolvimento saudável da população infantil, sendo es- senciais em diferentes áreas da saúde in- fantil, como hospitais, clínicas, unidades de saúde da família e escolas. UNIASSELVI 1 8 5 MINHAS METAS ATENÇÃO À CRIANÇA COM NECESSIDADES ESPECIAIS Conhecer o conceito de crianças com necessidades especiais (CRIANES); Analisar os aspectos norteadores das CRIANES. Conhecer a tipologia evidenciada nas CRIANES. Compreender os principais distúrbios do neurodesenvolvimento. Ampliar o conhecimento sobre o transtorno do espectro autista (TEA). Ampliar o conhecimento sobre o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Identificar a importância da equipe multiprofissional e de enfermagem no cuidado a CRIANES. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CRIANES A denominação CRIANES significa Crianças com Necessidades Especiais em Saúde. Essa conceituação é brasileira, mas foi citada, pela primeira vez, em 1998, pelo Maternal and Health Children Bureau, nos EUA, como Children with Special Health Care Needs (CSHCN), por McPherson e colaboradores (CRUZ et al., 2017). As crianças com necessidades especiais apresentam as seguintes caracterís- ticas: quadro clínico complexo com condições crônicas; múltiplas dependências, como problemas cognitivos e/ou de neurodesenvolvimento; e dependência de cuidado de tecnologias e de medicamentos (CRUZ et al., 2017). Sobre a concei- tuação ampla de CRIANES, Figueiredo, Sousa e Gomes (2016, p. 2) afirmam que: “ As crianças e os adolescentes com necessidades especiais de saúde são aqueles que apresentam riscos maiores de possuírem condi- ções físicas, de comportamento, desenvolvimento ou emocional crônicas. Atualmente, essas pessoas representam um novo perfil de clientela com necessidades diversificadas em saúde, sobretudo no que diz respeito a serviços especializados para prover suas deman- das e equipe multiprofissional qualificada, que forneça atendimento interdisciplinar para eles e a suas famílias. VAMOS RECORDAR? Estudante, para iniciar o seu processo de estudo sobre essa temática, indico o artigo com o seguinte tema: Percepção do enfermeiro sobre assistência às crianças com necessidades especiais de saúde na Atenção Primária. Aproveite a leitura e retire o máximo possível de conhecimento para que possa compreender, de forma ampla, este tema de aprendizagem. http://www.revenf.bvs.br/pdf/reme/v24/1415-2762-reme-24-e1277.pdf. 1 9 1 http://www.revenf.bvs.br/pdf/reme/v24/1415-2762-reme-24-e1277.pdf Segundo Barreiros, Gomes e Mendes Junior (2020), as CRIANES apresentam tipologia de cuidados classificada em seis conjuntos, descritos na tabela a seguir. TIPO DEFINIÇÃO CUIDADOS EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO Inclui aquelas que apresentam alguma doença neuro- muscular que necessitam de reabilitação psicomotora e apoio social. CUIDADOS TECNOLÓGICOS Crianças que fazem uso de dispositivos mantenedores da vida, como gastrostomia, traqueostomia, cateter semi-implantado etc. CUIDADOS MEDICAMENTOSOS Estão as farmacodependentes, ou seja, as que fazem uso contínuo de medicações, tais como cardiotônicos, anticonvulsivantes, antirretrovirais etc. CUIDADOS HABITUAIS MODIFICADOS As que precisam de tecnologias adaptativas nos cui- dados cotidianos e nas atividades de vida diária para locomoverem-se, alimentarem-se, arrumarem-se, no uso do toalete etc. CUIDADOS MISTOS Há uma combinação de uma ou mais demandas, ex- cluindo-se a tecnológica. CUIDADOS CLINICAMENTE COMPLEXOS Há uma combinação de todas as anteriores incluindo o manejo de tecnologias de suporte de vida. Tabela 1 - Tipologia de cuidados a crianças com necessidades especiais Fonte: adaptada de Barreiros, Gomes e Mendes Junior (2020). As doenças relacionadas ao neurodesenvolvimento, genético ou motor, estão em maior incidência na infância. Segundo Machado et al. (2022), estudos apontam que 10% das crianças nascem com algum tipo de deficiência (física, mental, auditiva, intelectual ou múltipla), necessitando de cuidados que aten- dam às suas especificidades, e, desse percentual, 3% necessitam de reabilitação nos serviços de saúde. UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 As necessidades físicas, por exemplo, são discutidas não somente no campo saú- de, mas também na área da educação. A inclusão é necessária e deve ser garantida nesses ambientes. Uma das formas de ampliar a inclusão é inserir as políticas de linguagens e códigos nas escolas e unidades de saúde. Para isso, é necessária a implementação da linguagem de libras e braille na ampliação comunicativa entre profissionais e crianças com deficiência auditiva e visual. Deve-se frisar, também, que é necessário observar a parte ambiental no quesito de acessibilidade, em que deve haver rampas de acesso a crianças cadeirantes em todos os ambientes, escolar, unidades de saúde, entre outros. CRIANÇAS COM ALTERAÇÕES NO NEURODESENVOLVIMENTO A alteração do neurodesenvolvimento na infância tem crescido cada vez mais no século XXI, principalmente, pelo amplo estudo na área e no diagnóstico médico precoce. As alterações relacionadas ao neurodesenvolvimento mais recorrentes na criança são: transtorno do espectro autista (TEA) e o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Essas crianças precisam de um acompanha- mento contínuo da equipe multiprofissional, pois repercute em todos os aspectos norteadores, como biológico, psicológico e social de crianças e seus cuidadores. 1 9 4 Transtorno do Espectro Autista (TEA) Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transtorno do espectro autista (TEA) se refere a uma série de condições queafetam áreas relacionadas ao neurodesenvolvimento , como a cognição, a sociali- zação, a comunicação, e, em alguns casos, evidenciam alterações motoras, como movimentos estereotipados. A OMS, ainda, refere que um a cada 160 crianças apresentam a TEA. Essa condição clínica inicia-se na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas tornam-se aparentes durante os primeiros cinco anos de vida. Ainda não se sabe ao certo sua etiologia específica, mas sabe-se que está relacionada a fatores genéticos em sua maioria, mas também a fatores ambientais. Condições que afetam áreas relacionadas ao neurodesenvolvimento Figura 1 - Laço símbolo da TEA Descrição da Imagem: a figura apresenta um laço em formato de quebra-cabeça, símbolo que caracteriza a luta pelos direitos dos pacientes que apresentam o transtorno do espectro autismo (TEA). Fim da descrição. O TEA é extremamente variável acerca das áreas cerebrais que ele atinge, estenden- do-se de comprometimento entre extremos, como déficit intelectual baixo (grau de comprometimento neurocognitivo), até níveis superiores de intelectualidade. UNIASSELVI 1 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Segundo Ribeiro e Marteleto (2023), o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno mentais (DSM- 5) é uma das literaturas que adota uma linguagem padrão para classificar alterações mentais. O transtorno do espectro autista (TEA) é um deles e será classificado segundo as evidências apresentadas: Nível 1- grau leve, em que necessita de pouco suporte; Nível 2- grau moderado, precisando de suporte; e Nível 3 - grau severo, precisam de maior suporte e apoio. São sinais clínicos que podem ser evidenciados na criança com TEA: movi- mentos motores estereotipados (repetitivos); prejuízos na comunicação, como a verbalização; e interação social prejudicada, podendo ocorrer retração do indi- víduo em situações de socialização (FERNANDES; TOMAZELLI; GIRIANELLI, 2020). Indivíduos com o TEA poderão apresentar outras condições concomitan- tes, como: transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), epilepsia, depressão e ansiedade (FERNANDES; TOMAZELLI; GIRIANELLI, 2020). 1 9 1 A descoberta dessa condição é comum nos acompanhamentos da puericultura, em que é observado, além do crescimento da criança, o seu desenvolvimento neurológico, por meio dos marcos do desenvolvimento. Crianças, adolescentes e, também, adultos com diagnóstico concretizado deverão realizar um acompanhamento especializado. No caso de crianças, um neuropediatra é o profissional capacitado a fechar tal diagnóstico e indicar a terapêutica para cada caso. O enfermeiro, também, é protagonista nesse cuidado, pois poderá imple- mentar uma assistência integrativa e poderá identificar precocemente os sinais de alteração na criança por meio da consulta de enfermagem em puericultura, pois os sinais de desordem no “neurodesenvolvimento da criança podem ser percebidos nos primeiros meses de vida” (BRASIL, 2014, p. 17). UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Segue uma tabela sobre os sinais que poderão indicar o TEA na avaliação da puericultura, segundo o Ministério da Saúde Brasileiro: ALTERAÇÃO APRESENTADA NO TEA 1 Atraso anormal na fala. 2 Demonstrar desinteresse pelas pessoas e pelos objetos ao redor. 3 Apresenta dificuldades em participar de atividades e brincadeiras em grupo, preferindo sempre fazer tarefas sozinho. 4 Não conseguir interpretar gestos e expressões faciais. 5 Ter dificuldade para combinar palavras em frases ou repetir a mesma frase ou palavra com frequência. 6 Apresentar falta de filtro social (sinceridade excessiva). 7 Sentir incômodo diante de ambientes e situações sociais. 8 Ter seletividade em relação a cheiro, sabor e textura de alimentos. 9 Apresentar movimentos repetitivos e incomuns, como balançar o corpo para frente e para trás, bater as mãos, coçar algumas partes do corpo (como ouvi- dos, olhos e nariz), girar em torno de si, pular de forma repentina, reorganizar objetos em fileiras ou em cores. 10 Mostrar interesse obsessivo por assuntos considerados incomuns ou excên- tricos, como biologia, paleontologia, tecnologia, datas, números, entre outros. 11 Ter problemas gastrointestinais ocasionados por quadros de ansiedade. Tabela 2 - Alterações clínicas apresentadas pela criança com TEA / Fonte: adaptada de Brasil (2023). 1 9 8 Ao observar esses sinais na criança, o enfermeiro deve dar seguimento à observa- ção dessas alterações. Se persistem nas demais consultas de enfermagem, deverá ser encaminhada ao profissional médico para que ocorra o diagnóstico preciso. Crianças com o TEA deverão ser acompanhadas por outros profissionais da equipe multidisciplinar, como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, entre outros, como forma de ampliação do cuidado em saúde. Esses profis- sionais utilizam atividades lúdicas e recursos de aprendizagem para desenvolver a criança com o transtorno do espectro autista, como: pintar, desenhar, montagem de brinquedos, jogos de memória, quebra*cabeça e contação de história. Figura 2 - A família no cuidado à criança autista Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança autista com sua genitora. A criança está em atividade de estímulo cognitivo, como pegar objetos (carrinho) e montar peças de brinquedo. Fim da descrição. UNIASSELVI 1 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 O diagnóstico não é algo fácil e tão aceitável nas famílias, sendo necessário atenção especial por parte das equipes de saúde em acolher os pais e demais familiares ou responsáveis da criança com TEA, pois eles são os protagonistas do cuidado do- miciliar e necessitam de suporte e orientação quanto à atenção à criança autista. Segue a indicação do artigo científico Abordagem psicofarmacológica no transtor- no do espectro autista: uma revisão narrativa, para ampliar seus estudos sobre a parte medicamentosa do TEA. Aproveite a leitura e se aperfeiçoe! http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cpdd/v19n2/v19n2a04.pdf. EU INDICO A Medida farmacológica é importante no controle de sintomas evidenciados no transtorno, mas somente ela não basta na terapêutica. É necessário, também, o uso de medidas não farmacológicas, como terapias comportamentais, entre outras, para que a criança com TEA apresente melhora em seu quadro clínico. A equipe multiprofissional é importante nesse processo, pois acompanhará todo o processo de cuidado, tendo em vista promover a qualidade de vida dessas crian- ças no contexto onde elas vivem. Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é uma condição neurodesenvolvimental que se manifesta por sintomas, como dificuldade de con- centração em tarefas cotidianas, agitação e impulsividade (SENO, 2010). Esses sin- tomas podem surgir na fase infantil e persistir ao longo da vida do indivíduo. Sua origem está associada tanto a influências genéticas quanto ambientais (SENO, 2010). Segundo Braga et al. (2022), o TDAH na infância pode se apresentar de algumas maneiras, como: criança com sinais de desatenção às atividades diárias; apresentar sinais de hiperatividade, como a falta de quietação, em que se observa movimento motor excessivo. 1 1 1 http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cpdd/v19n2/v19n2a04.pdf O mesmo autor supracitado refere ainda que o TDAH não afeta a capacidade intelectual dos indivíduos, entretanto pode os sinais de inquietação e desaten- ção dificultar o processo de aprendizagem nas crianças (BRAGA et al., 2022). A seguir, vejamos um exemplo de desatenção em uma criança. Figura 3 - Criança e TDAH Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança com sua genitora apresentando desatenção em uma atividade de leitura do alfabeto em um tablet. Fim da descrição. O TDAH deve ser tratado de modo amplo, pela equipe multiprofissional de saúde, combinado com ações farmacológicas e não farmacológicas, tal como: me- dicamentos prescritos pelo profissionalneurologista/neuropediatra, psicoterapia (psicólogos e terapeutas ocupacionais) e fonoaudiologia (quando houver alterações de fala). No diagnóstico de TDAH, a recomendação medicamentosa é o metilfe- nidato, conhecido como ritalina. A atividade farmacológica consiste na ação que engloba a inibição da recaptação de dopamina e noradrenalina, neurotransmissores capazes de transmitir informações entre células (ANDRADE et al., 2018). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 A psicoterapia é uma intervenção indispensável para o tratamento bem-suce- dido de crianças com TDAH, pois promove o amadurecimento neuroinfantil. Aliada com a medida farmacológica, a criança com TDAH pode apresentar me- lhora nos sintomas comuns do transtorno. A exemplo, tem-se a terapia cognitivo comportamental (TCC). Crianças em uso da ritalina podem apresentar como efeito adverso diminuição do apetite e problemas de sono, além de outros sintomas, como: irritabilidade e náuseas. Portanto, deve-se ter atenção a tais sintomas, e o prescritor deve estar ciente do risco- benefício da medicação e da dosagem correta (ANDRADE et al., 2018). Figura 4 - Criança com TDAH em psicoterapia Descrição da Imagem: a figura apresenta uma criança em sessão terapêutica com os braços cruzados em cima de uma mesa, desatenta às peças de montar, coloridas, acompanhada por um profissional de saúde. Fim da descrição. 1 1 1 Além do quesito saúde, é necessário o acompanhamento escolar dessas crianças por meio dos profissionais da educação, pois são eles quem realizam a detecção precoce no ambiente de estudo, como professores e psicopedagogos. Esses pro- fissionais são de suma relevância no processo de cuidar da criança com TDAH, junto à equipe de saúde, formando parcerias para que a criança seja acolhida e tenha melhor qualidade de vida e aprendizagem. De modo geral, sabe-se que existem inúmeras alterações genéticas no mundo, e elas influenciam os aspectos biopsicossociais da criança e de suas famílias. Existem crianças que apresentam necessidades especiais, como crianças surdas e mudas, e isso é um fator a ser analisado pelo profissional de saúde ao atendê-las. A linguagem de sinais, chamada libras e braille, podem auxiliar no processo de comunicação entre profissional e paciente que apresenta essas condições. É necessário realizar o curso específico, pois isso humaniza o cuidar e torna inclu- siva e qualificada a assistência em saúde no processo de trabalho com crianças de necessidades especiais. Sabe-se que a maioria dos profissionais da saúde não apresentam essa habi- lidade, sendo de suma relevância sua inserção em grades curriculares dos cur- sos, seja de graduação, pós-graduação ou demais, pois facilita a compreensão na anamnese da criança para se chegar a um consenso clínico mais assertivo. A educação da linguagem de sinais promove facilidade no processo de cuidar, seja da criança, seja de sua família. A enfermagem, frente ao cuidado de crianças com necessidades especiais, é algo desafiador e, como forma de ampliar seu conhecimento sobre o tema, segue um artigo que trata sobre Assistência de enfermagem a crianças/adolescentes com ne- cessidades especiais de saúde hospitalizadas em unidade pediátrica. A enfermagem no cuidado a CRIANES apresenta inúmeras vertentes de assistência, e, nesse artigo, você verá uma delas, para ampliar sua visão de conhecimento sobre esse tema. https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/13054. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 1 https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/13054 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Em suma, o atendimento da enfermagem na atenção à criança com necessida- des especiais é crucial para garantir que essas crianças recebam cuidados adequados e personalizados. Os enfermeiros desempenham papel fundamental na avaliação das necessidades de saúde dessas crianças, no planejamento e na implementação de cuidados específicos e na promoção do bem-estar geral. Eles trabalham em estreita colaboração com outros profissionais de saúde e famílias para garantir que o ambiente seja favorável e inclusivo, proporcionando o suporte necessário para o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças com necessidades especiais. Estudante, estamos chegando ao fim desta jornada de estudos. Essa temática faz parte do dia a dia do enfermeiro em sua assistência em saúde à criança. Leia bastante livros e demais literaturas para compor seu conhecimento. Cuidar da criança exige aperfeiçoamento contínuo, principalmente, as que demandam cuidados especiais! Use todo o recurso possível disponível nesta obra ao seu favor e de seu futuro paciente! Acesse seu ambiente virtual de aprendizagem e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO NOVOS DESAFIOS É fundamental que o profissional de enfermagem tenha conhecimento sobre o aten- dimento à criança com necessidades especiais, pois isso permite uma prestação de cuidados mais eficaz e personalizada. O conhecimento nessa área capacita o enfermeiro a compreender as necessidades específicas dessas crianças, adaptar os cuidados de acordo com suas condições individuais e oferecer um suporte adequado para elas e suas famílias. Além disso, o enfermeiro pode contribuir para a promoção da inclusão e da qualidade de vida dessas crianças, atuando como agente de apoio e advocacia em suas interações com outros profissionais de saúde e na comunidade em geral. Ter competência nesse campo é essencial para garantir um atendimen- to holístico e humanizado, que leve em consideração as particularidades de cada criança e sua família. Contribuir para a promoção da inclusão e da qualidade de vida 1 1 4 O mercado de trabalho valoriza significativamente os profissionais de enferma- gem que possuem conhecimento sobre a atenção à criança com necessidades especiais. Esses profissionais são vistos como essenciais e altamente qualificados para lidar com situações complexas e desafiadoras, demonstrando uma com- preensão profunda das necessidades específicas dessas crianças e suas famílias. Ter conhecimento nessa área é um diferencial importante, pois permite que o enfermeiro ofereça um atendimento mais abrangente, personalizado e inclusivo, promovendo o bem-estar e a qualidade de vida dessas crianças em diversos con- textos de cuidado, seja em hospitais, clínicas, escolas ou na comunidade em geral. Esses profissionais são reconhecidos por sua capacidade de adaptação, empatia e habilidades de comunicação, tornando-se peças-chave na equipe de saúde que trabalha em prol da saúde e do desenvolvimento dessas crianças. UNIASSELVI 1 1 5 unidade 1 SITUAÇÃO POLÍTICA, SOCIAL E DE SAÚDE DA CRIANÇA NO BRASIL E NO MUNDO HISTÓRIA, CONCEITOS E PRESSUPOSTOS DA ENFERMAGEM NEONATOLÓGICA E PEDIÁTRICA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SALA DE PARTO AO RECÉM-NASCIDO CONSULTA DE ENFERMAGEM EM NEONATOLOGIA E PEDIATRIA CONSULTA DE ENFERMAGEM NA PUERICULTURA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM FRENTE ÀS DOENÇAS E INTERCORRÊNCIAS PREVALENTES DO RECÉM-NASCIDO E DA CRIANÇA PREVENÇÃO DE AGRAVOS DE SAÚDE PREVALENTES NA INFÂNCIA PROMOÇÃO E PROTEÇÃO DA SAÚDE INFANTIL ATENÇÃO À CRIANÇA COM NECESSIDADES ESPECIAIS Button 4: Button 5:https://bvsms.saude.gov.br/ bvs/folder/ficha_notificacao_violencia_domestica.pdf. EU INDICO UNIASSELVI 1 9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13010.htm https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/ficha_notificacao_violencia_domestica.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/ficha_notificacao_violencia_domestica.pdf TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Após todas essas discussões, fica explícito que se faz necessário fortalecer as po- líticas públicas para que elas funcionem. Isso acarreta em mudanças positivas no cuidar da criança e de suas famílias. As políticas de atenção à saúde da criança reforçam o conceito de cuidar por parte das esferas federal, estadual e municipal, tendo em vista a amplitude das ações e dos serviços de saúde direcionada à criança. Essas problemáticas a se- rem vencidas (como a redução da mortalidade infantil, a ampliação da ação das equipes de saúde à criança, especialmente as que se encontram em situação de vulnerabilidade social, o apoio às políticas públicas de proteção aos direitos das crianças e a redução das disparidades sociais) precisam de atenção especial por parte dos órgãos públicos, para que haja melhor qualidade de vida a esse público e, consequentemente, sua resolução. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você sobre esse tema, vamos lá?! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 1 NOVOS DESAFIOS O profissional da saúde tem como objetivo o cuidar, e é nesse foco que as profissões nessa área têm, cada vez mais, ampliado seus conhecimentos ao prestar assistência à saúde da criança. Vale ressaltar que o conhecimento não se esgota, é contínuo e evolutivo , exigindo cada vez mais do profissional a prestação de assistência baseada na ciência e alicerçada nas políticas públicas em saúde. A saúde da criança é uma área que exige do profissional uma visão ampla dos aspectos biológicos, sociais e psíquicos, cabendo ao profissional da saúde maior sensibilidade humanística e técnico-científica ao manejar com esse público. O conhecimento das políticas de atenção à saúde da criança, também, é cru- cial para o profissional de saúde, pois promove intervenções eficazes e favorece a integralidade da assistência, considerando não apenas a cura de doenças, mas também a prevenção e a promoção do bem-estar, alinhadas aos princípios de cuidado centrado na criança e na família. Ainda, esse conhecimento permite que os profissionais se adaptem a mudanças nas diretrizes de saúde e incorpo- rem avanços científicos e tecnológicos em suas práticas, garantindo cuidados atualizados e baseados em evidências. Assim, a integração das políticas de atenção à saúde da criança, na prática profissional, não apenas fortalece a qualidade da assistência, mas também con- tribui para a construção de um sistema de saúde mais eficiente e orientado para resultados positivos no desenvolvimento infantil. Conhecimento não se esgota, é contínuo e evolutivo UNIASSELVI 1 1 MINHAS METAS HISTÓRIA, CONCEITOS E PRESSUPOSTOS DA ENFERMAGEM NEONATOLÓGICA E PEDIÁTRICA Conhecer os aspectos históricos da criança no mundo. Identificar os marcos importantes da pediatria. Analisar os fatores contribuintes para a ciência pediátrica. Conhecer o surgimento da puericultura. Conhecer tecnologias que surgiram por meio da ciência pediátrica. Abranger os conhecimentos sobre pediatria e neonatologia. Proporcionar uma visão crítica sobre os cuidados à criança. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 DESENVOLVA SEU POTENCIAL ASPECTOS HISTÓRICOS DA NEONATOLOGIA E PEDIATRIA Entender os aspectos históricos da neonatologia e pediatria é fundamental para contextualizar a evolução dessas áreas ao longo do tempo. Desde os primeiros registros da medicina até os avanços tecnológicos e científicos contemporâneos, a história dessas especialidades médicas revela não apenas o progresso no cuidado com recém-nascidos e crianças, mas também os desafios enfrentados e supera- dos ao longo dos séculos. Essa compreensão histórica é essencial para orientar as práticas atual e futura, garantindo um atendimento de qualidade e eficaz aos pacientes pediátricos. VAMOS RECORDAR? Estudante, acesse a cartilha do Ministério da Saúde do Brasil sobre os principais pontos dos aspectos históricos das ciências pediátricas para agregar em seu conhecimento. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/70_anos_historia_saude_crianca.pdf. 1 8 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/70_anos_historia_saude_crianca.pdf História da pediatria no mundo A pediatria como especialidade emerge desde os primórdios da humanidade e se desenvolveu ao longo do tempo por meio de inúmeros profissionais que se propuseram a estudar essa ciência. A história do nascimento e assistência ao parto tem como protagonista as parteiras. Essas mulheres exerciam o papel de realizar o cuidado à mulher no momento do parto, mas também realizava os cuidados ao recém-nascido, como o banho, proteção térmica e aleitamento materno, de forma empírica até então. Em estudos paleontológicos, houve um entendimento sobre o estado das crianças do passado. Eles permitiram reconhecer o raquitismo e a hidrocefalia como patologias frequentes. Acreditava-se que as más formações congênitas sig- nificavam maus presságios, ou seja, má sorte a famílias e reinos. Nos estudos da civilização Hebraica, há dois mil anos a.C., consta o registo na bíblia sagrada de algumas patologias neonatais: anemia; plétora, em que se observa um neonato vermelho arroxeado intenso observado no recém-nascido, decorrente de um aumento do hematócrito sanguíneo; e atrésia anal, que é defeito congênito, resultando em fechamento total, parcial do orifício anal ou a existência do canal anal em rota anormal das fezes, como o seu desvio no canal vaginal. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Os hebraicos, também, contribuíram com a primeira descrição histórica da he- mofilia, que é um distúrbio genético e hereditário que afeta a coagulação do sangue. Os hebraicos contraindicavam a circuncisão, que é a retirada do prepúcio dos homens, sendo, nesses casos, normalmente, efetuada no oitavo dia de vida, como descrito no livro bíblico de Gênesis. Desde os antigos textos bíblicos, há dois mil anos a.C., já era feita a reani- mação do recém-nascido por meio de uma diversidade de técnicas, como: a respiração boca-a-boca direta sem nenhum equipamento de barreira de secre- ções. Eles realizavam o balanço e o espancamento; o mergulho alternadamente em tinas de água quente e fria; a insuflação de fumo de tabaco, por meio de um tubo de enema; a injeção subcutânea de whisky irlandês misturada em tintura de beladona; e a ministração de drogas estimulantes, entre outras. Os povos Indianos contribuíram com a ciências pediátricas, por meio dos escritos brâmanes (século 500 a.C.), que relataram sobre a importância da higiene infantil nas avaliações médicas. Os estudos de luxação congênita emergiram da era Hipocrática (460 a.C. a 370 a.C.), o qual descrevia que, quando a luxação é congênita, o osso mais próximo da lesão fica mais curto e interfere nos demais que o ligam. Segundo os aspectos históricos, os papiros de ebers (século XVI a.C.) são es- critas que trazem relatos sobre crianças. Na cultura egípcia, observa-se a prática de aleitamento materno por amas de leite, o qual é contraindicado pelas políticas públicas do Brasil. A doação de leite somente acontece em centros de referência, que captam esse leite, triam-no e o liberam após análise minuciosa. 1 1 No âmbito das doenças comuns em crianças, Rhazès (865–923) e Avicena (980– 1037) contribuíram em seus estudos ao Ocidente relatando sobre os primeiros tratados de patologia infantil. No século II, Sorano de Éfeso (98–117) escreveu um livro de ginecologia que incluía um número considerávelde capítulos dedicados a estudos notáveis sobre os cuidados neonatais e a lactentes, tais como a oferta do aleitamento e a higiene da criança. Em Nuremberg (1331), surgiu o primeiro estabelecimento de acolhimento de mulheres grávidas e órfãos, em que se teve melhor olhar em relação à questão social pediátrica, que era desassistida. Entre os povos pré-Colombianos, em meados do século XV, eram frequen- tes as deformidades intencionais do crânio no sentido de um achatamento lateral com alongamento em altura e a indução artificial de estrabismo como sinal de distinção, algo cultural desses povos, como uma marca registrada. O século XVII caracterizou-se pelo surgimento dos estudos de fisiologia, microscopia, histologia e embriologia e da descrição de patologias clínicas, tais como a difteria, a escarlatina, a rubéola, o sarampo, a varíola e a varicela. Essas ciências contribuíram para o desenvolvimento da medicina e, em seguida, a des- coberta do tratamento. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 O termo puericultura, etimologicamente, significa puer: criança, e cultura: criação. A palavra cultura foi utilizada, pela primeira vez, pelo suíço Jacques Balle- xserd, em 1762, e é utilizada até os dias atuais. A pue- ricultura no Brasil foi abrangida pelo filho de Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo (1871–1944), que tem o mesmo objetivo até os dias atuais de assegurar o melhor crescimento e desenvolvimento infantil . A introdução da vacina por Edward Jenner ocorreu em 1796. Seus estudos culminaram com o surgimento da vacina contra a varíola. A forma liofilizada (formato em pó para diluição) surgiu apenas em 1917. Século XIX: início da evolução científica da pediatria Foi a partir do século XIX que observamos mudanças significativas na história da pediatria, pois foi nesse período em que a ciência evoluiu e transformou a humanidade por meio dos estudos na área infantil. No século XIX, houve melhor qualificação dos profissionais médicos, das parteiras e do desenvolvimento das técnicas de cuidados ao parto, principalmente com o avanço da fisiologia e anatomia. Charles-Michael Billard (1800 –1832) publicou o primeiro texto sistemáti- co clínico patológico sobre o recém-nascido, Traité des Maladies des Enfants Nouveau-Nés et à la Mamelle (1818), sendo considerado um dos pioneiros da medicina neonatal. Florence Nightingale (1820–1910), a precursora da enfermagem mundial, contribui para a ciência pediátrica, Ela descreveu que os cuidados promocionais de saúde são fundamentais para a manutenção do bem-estar da criança, evitando a mortalidade que ela vivenciou em Londres, na Inglaterra. James Blundell (1834) recomendava a insuflação pulmonar por meio da aplicação de um cateter endotraqueal em prata como método de oferta ventilatória a criança. Assegurar o melhor crescimento e desenvolvimento infantil 1 1 https://www.sbp.com.br/academia-brasileira-de-pediatria/institucional/quadro-de-titulares/carlos-arthur-moncorvo-filho/ Pierre Budin (1846–1907) foi considerado o criador da Neonatologia moderna, termo que viria a ser introduzido na nomenclatura médica somente em 1963 por Alexander Schaffer. A neonatologia teve seu marco inicial com o obstetra francês Pierre Budin, que estendeu sua preocupação com os recém-nascidos além das salas de parto. Budin criou um ambulatório de puericultura no Hospital Charité, em Pa- ris, no ano de 1892. Seus métodos passaram a formar a base da medicina neonatal, além de ter sido o autor da primeira publicação sobre a prematuridade, em 1888. Budin e colaboradores (1846–1907), ainda, recomendaram a alimentação do recém-nascido por sonda nasal como forma de realizar a nutrição de recém-nas- cidos. Tarnier (1828–1897) complementou os estudos da nutrição invasiva e fez a apologia do aleitamento materno e da nutrição do prematuro por intubação nasal e oral. A nutrição parenteral emergiu somente na década de 1980. Bouchet (1865–1883) é autor do Tratado prático das doenças dos recém-nas- cidos, lactentes e da segunda infância, e Variot (1900–1908), autor de várias pu- blicações sobre nutrição, higiene e doenças dos lactentes. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 A ciência pediátrica ultrapassou as fronteiras da Europa e se direcionou a outros continentes, como América, citando os Estados Unidos, em 1870, que sofreu a influência alemã, no fim do século XIX, e francesa, no começo do século seguinte, e no Brasil, em 1882, por Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo. Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo (1846–1901) é considerado o pai da Pediatria Brasileira. Esse médico realizou a implantação da pediatria como ciên- cia no país, em 1882. Dr. Arthur iniciou suas práticas na cidade do Rio de Janeiro e era membro da Academia de Medicina de Paris, o qual, por meio de sua vivên- cia, publicou vários estudos sobre a temática, sendo pioneiro na implementação da pediatria como área de abrangência, nos cursos de medicina da sua época. O médico Carlos Arthur Moncorvo observou em sua vivência clínica que a avaliação da criança era desprovida de semiologia específica e de terapêutica adequada. Em 1882, implantou no andar térreo do Arquivo Público, com a pre- sença do Imperador D. Pedro II, o primeiro serviço de moléstias de crianças no Brasil, um marco no cuidado à criança na saúde pública brasileira. A construção do primeiro hospital infantil em Paris, em 1802, também, foi considerada o marco inicial da pediatria no mundo e foi dessa mesma nacio- nalidade que emergiu o conceito de puericultura. Os primeiros médicos pediatras no Brasil, no século XIX, argumentavam que a criança não era um “miniadulto”, observava-se que era necessário um cuidado especializado na assistência em saúde a esse público. Em 1888, Karl Siegmend Credé introduziu, na prática clínica, o nitrato de prata a 2%, na prevenção da conjuntivite neonatal, também conhecido como método crede. Esse método é rotineiro nas maternidades, e ele, hoje em dia, conta com substâncias melhores no cuidado neonatal, como: eritromicina, tetraciclina e a povidona (colírio). No final do século XIX, foram realizadas ações que visavam reduzir a elevada mortalidade infantil de crianças nascidas vivas, tendo como meta a prevenção de óbitos ocasionados por gastroenterites ou distúrbios respiratórios. 1 4 https://www.sbp.com.br/academia-brasileira-de-pediatria/patronos-e-titulares/carlos-arthur-moncorvo-de-figueiredo/ Julius Hesse e Evelyn Lundeen (1922), no Michael Reese Hospital (Chicago), pre- conizou a manipulação mínima do recém-nascido, devido à neuroproteção, e a lavagem frequente das mãos, de forma adequada e específica, na unidade de cui- dados do recém-nascido. Sabe-se que essas medidas reduzem o índice de infec- ções em unidades de internação neonatal. Hoje, sabe-se que a lavagem das mãos reduz a microbiota transitória da pele, evitando infecção cruzada entre pacientes, principalmente na terapia intensiva, onde o risco de doenças oportunistas é maior. Em 1927, o Abrigo-Hospital Artur Bernardes passou a ter a obrigatoriedade de acompanhamento das mães junto a seus filhos em internamento. Isso pro- porcionou a redução de depressão infantil nos hospitais, sendo adotado como cuidado humanizado na assistência à saúde nos dias atuais. No período da II Guerra Mundial (1939–1945), ocorreram descobertas sobre patologias na prematuridade. Os pediatras se dedicaram ao estudo e, em colaboração com patologistas, identificaram a doença da membrana hialina. Essa é uma situação clínica relacionada com a imaturidade pulmonar na síntese do surfactante pulmonar. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Na década de 1950, ocorreu a introdução da fototerapia para o tratamento da hiperbilirrubinemia neonatal, condição clínica ocasionada pela imaturidade hepática, por exemplo,ocasionando icterícia (amarelamento da pele) e, em ex- cesso, podendo ocorrer o aparecimento de Kernicterus. Diamond e colaboradores (1951) descrevem como entidade nosológica única a eritroblastosefetal, que se refere à doença Hemolítica Perinatal (DHPN) e se manifesta quando mãe e bebê possuem sangue incompatível (fator RH). Em complementação a essa informação, houve o surgimento do procedimento de cateterização da veia umbilical para a exsanguíneo transfusão, nessa condição. Diamond e colaboradores (1951), também, contribuíram nos estudos que descrevem os efeitos nocivos da hipotermia como desordem metabólica, necessi- tando de assistência, como no caso de prematuros que precisam usar incubadora. História da avaliação do bem-estar neonatal Em 1953, Virgínia Apgar criou o método de avaliação do estado do recém-nascido do 1º ao 5º minuto de nascimento. Esse método chamado escore de apgar descreve o estado de vitalidade da criança após seu nascimento. A avaliação consiste em analisar cor, frequência cardíaca, respiração, irritabilidade reflexa e tônus muscular. Cada item recebe uma nota de zero a dois, podendo somar até dez pontos. A maioria dos bebês, no escore de apgar, nasce em ótimas condições, com nota geral de oito a dez. Abaixo disso, os índices revelam dificuldades: 7 (leve), de 4 a 6 (moderada) e de 0 a 3 (grave). Bebês com 8–10 pontos, no primeiro e quinto minuto, seguirão a rotina de cuidados gerais. Bebês entre 7 e 4 precisam de suporte avançado de cuidados, como na asfixia, uso de suporte ventilatório de oxigenoterapia. Já escores abaixo de 3 necessitam de reanimação neonatal e cuidados avançados na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN). Surgimento da UTI neonatal em âmbito brasileiro Na década de 1970, assistiu-se ao aparecimento das unidades intensivas neona- tais, com o trabalho de profissionais capacitados a assistir esse público de forma direcionada. Nessas unidades, foram implementados, por exemplo, o tratamento com ventilação invasiva associada à pressão positiva de vias aéreas. 1 1 Nesse mesmo período, também, houve a inserção de avaliação das gasometrias nessas unidades, que consiste em realizar a retirada de sangue, preferencialmente arterial, a fim de identificar o teor de oxigenação sanguínea e o teor de eletrólitos corporais, tal como bicarbonato de sódio como forma de rastrear patologias. Outra conduta adotada a partir da década de 1970, no ramo da assistência neonatal, foi a implementação da ministração de glicocorticóides à parturiente nas primeiras horas antes do parto, ainda na década de 1970. Essa medida tinha como objetivo promover a estimulação da maturidade pulmonar fetal. Também, ocorreu, na década 1990, a introdução do surfactante exógeno, que tinha como finalidade maturar o pulmão do recém-nascido. Na década de 1980, introduziu-se a oxigenação extracorpórea por membra- na nas situações de falência pulmonar. Essa tecnologia proporciona tempo para descanso pulmonar e/ou cardíaco para recuperação em situações de estresse por fatores intrínsecos ou extrínsecos. ASPECTOS HISTÓRICOS DA TECNOLOGIA NA PEDIATRIA A tecnologia é uma aliada na sobrevida de recém-nascidos, especialmente pre- maturos. A evolução da ciência pode influenciar na redução da mortalidade bem evidente antes do século XX. Algumas terapias utilizadas na neonatologia foram inventadas por pesquisadores para revolucionar, sendo presentes em unidades neonatais. Pode-se citar incubadora neonatal, que foi feita com o intuito de ma- nutenção homeotérmica da criança UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Incubadora neonatal Figura 1 - Incubadora Neonatal Descrição da Imagem: bebê recém-nascido com fralda, touca na cabeça e fitas de identificação nos pés. Visivel- mente, ele está em uma incubadora neonatal. Fim da descrição. No final do século XIX, ocorreu evolução na área obstétrica e neonatal, como o surgimento das incubadoras. Os aspectos históricos sobre as incubadoras emer- giram do século XIX, em que um funcionário do zoológico de Paris desenvolveu, a pedido do professor e obstetra parisiense, Stephane Etienne Tarnier, uma incu- badora semelhante a uma chocadeira de ovos de galinha. Em 1880, o professor apresentou essa incubadora, que foi instalada na Maternidade de Paris. As incubadoras estavam sendo utilizadas no tratamento de crianças prema- turas com sucesso por Martin Coney, sendo esse aluno de Budin o denominado criador da neonatologia moderna. Essa tecnologia foi encaminhada aos Estados Unidos, em 1896, onde foi aperfeiçoada e direcionada a oferecer cuidados espe- cializados a crianças prematuras. A função primordial da incubadora neonatal é a manutenção térmica da criança. Além disso, ela proporciona a manutenção metabólica do organismo do recém-nascido. 1 8 Vale ressaltar que a Tarnier coube a idealização da primeira incubadora (1878), mas ela foi aperfeiçoada por Budin em termos de implementação de normativas de cuidados com o instrumento, tal como a realização de limpeza rotineira da incubadora, da higiene e de nutrição do recém-nascido. Ventilação Mecânica na neonatologia A ventilação pulmonar foi descrita, pela primeira vez, por Hoerder (1909), mas foi August Ritter von Reuss que apresentou a descrição da ventilação com pressão positiva contínua, que, atualmente, chamamos de ventilação por pressão positiva (VPP), em que ocorre a oferta de oxigênio ao paciente que apresente seu déficit. A ventilação mecânica é um dos recursos mais evidentes em terapia inten- siva neonatal, pois realiza a manutenção da função pulmonar e, consequente- mente, leva à oxigenação das células. A equipe de enfermagem deve estar atenta se ocorre oferta ventilatória adequada e se o sistema é manuseado de forma asséptica. Isso culmina em menos incidência a infecções e, consequentemente, em uma possível sepse neonatal. Fototerapia no tratamento da hiperbilirrubinemia neonatal A tecnologia de fototerapia é a mais usual nos casos de hiperbilirrubinemia neo- natal. Ela está relacionada ao aumento da bilirrubina no recém-nascido, eviden- ciado pelo surgimento de pele ictérica no neonato. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 A ideia da utilização do aparelho de fototerapia surgiu na década de 1950 pela observação de uma enfermeira, J. Ward, chefe da unidade de prematuros de um hospital na Inglaterra. J. Ward percebeu que as crianças diminuíram o tom ama- relado da pele quando expostas à luz solar, quando dormiam próximas da janela ou tomavam banho de sol no jardim do Rockford General Hospital, na cidade de Essex. A primeira referência escrita sobre a icterícia não patológica data de 1973 e se deve a Bartolomeu Metlinger. A hiperbilirrubinemia acontece devido ao acúmulo de bilirrubina nos tecidos, geralmente por alteração hepática. Ao usar a fototerapia, a criança tende a de- gradar a bilirrubina conjugada ao tegumento, que entra na corrente sanguínea e é eliminada em forma solúvel, no sistema renal. Em modo patológico, pode chegar ao quadro de kernicterus, ocasionando alterações neurológicas ao recém-nascido. Crianças nesse tratamento precisam de cuidados especiais, como cobertura em região ocular, para se proteger da incidência da luz de fototerapia, mudança de decúbito e despido, para que a luz chegue nas áreas ictéricas, ingesta hídrica e aleitamento materno em livre demanda; a luz não pode estar muito próxima para não ocasionar bronzeamento no neonato. Figura 2 - Fototerapia Descrição da Imagem: bebê em berço hospitalar. Ele está com venda nos olhos, com uma forte luz azul acima dele. Fim da descrição. 4 1 ENFERMAGEM PEDIÁTRICA E NEONATAL NA ATUALIDADE A pediatria avançou consideravelmente. A tecnologia proporcionou essa maior abran- gência e auxiliou a salvar inúmeras crianças, principalmente por causas evitáveis, como a hipotermia, que é um dos fatores de alteração homeostática de recém-nascidos pre- maturos que se encontram em incubadoras para manutenção térmica e metabólica. Além das incubadoras, outras tecnologias surgiram como instrumentos de cuidado em saúde. Pode-se citar: os cateteres venosos, que emergiram com a função de repor fluidos no organismo, como o soro fisiológicoa 0,9%; as sondas vesicais e nutricionais, que foram inventadas como métodos de acesso invasivo para realizar ações de cuidado de oferta de nutrientes ao paciente que não consegue deglutir independentemente (sondas nutricionais), e as vesicais como forma de eliminação de diurese e balanço hídrico, que auxilia a identificar anormalidades a nível renal; o tubo endotraqueal, que surgiu com a finalidade de manter, invasivamente, a oxi- genação pulmonar; e a bomba de infusão, equipamento tecnológico para controle de infusão de medicamentos e fluidos em via endovenosa do paciente. Cateteres venosos na pediatria e neonatologia Sobre cateteres venosos, teceremos um dos mais específicos em UTI neonatal, denominado PICC. O cateter central de inserção periférica (PICC) veio contri- buir com a atenção à terapêutica de infusão vascular. Esse cateter evita múltiplas punções venosas no neonato e na criança, proporcionando conforto e proteção neural e orgânica da criança. O PICC tem íntima história de surgimento em unidades neonatais e, hoje, tem como função manter a soroterapia, a nutrição e a administração de medi- camentos em unidades de maternidade e terapia intensiva pediátrica e neonatal. O cateter PICC surgiu com a necessidade de uso nos recém-nascidos e nas crianças hospitalizadas que necessitam de terapia intravenosa por tempo prolon- gado. Sua implementação aconteceu em 1970, em unidades de terapia intensiva neonatal, com a finalidade de administrar dieta parenteral. Porém somente che- gou ao Brasil em 1990, com sua regulamentação de inserção, manejo, manuten- ção e retirada por enfermeiros, na Resolução COFEN nº 258, de 12 de julho de 2001, após ter sido submetido à qualificação e/ou capacitação profissional para tal procedimento, pois requer competência técnico-científica para realizá-lo. UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Por fim, há disponível, nas unidades neonatais, o cateter de inserção umbi- lical. Esse cateter surgiu como opção na terapia de infusão de fluidos e medica- ções. Essa via é exclusiva na neonatologia e somente poderá ser mantida por, no máximo, cinco dias. O dispositivo poderá ser inserido em salas de parto, nos casos de reanimação neonatal, para infusão de fluidos, ou na unidade de terapia intensiva neonatal. A responsabilidade da manutenção e do cuidado é da equi- pe de enfermagem. Sua retirada acontece por meio da indicação do médico ou enfermeiro habilitado nesse procedimento. Leia a resolução de enfermagem COFEN 388, de 18 de outubro de 2011, que normatiza a execução, pelo enfermeiro, do acesso venoso, via cateterismo um- bilical, habilitando-o a realizar esse procedimento na íntegra. Isso lhe proporcio- nará maior conhecimento sobre o que estudamos anteriormente e sobre um dos procedimentos que você poderá realizar. https://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3882011/. EU INDICO De modo geral, é fundamental que os profissionais de enfermagem adquiram co- nhecimentos sólidos sobre a história, os conceitos e os pressupostos da enfermagem neonatológica e pediátrica. Essa compreensão proporciona uma base essencial para o cuidado eficaz e compassivo de bebês e crianças, permitindo que os enfermeiros en- tendam não apenas as necessidades clínicas específicas desses pacientes, mas também as complexidades emocionais e familiares envolvidas. Conhecer a evolução da enfer- magem nessas áreas, seus princípios e suas abordagens terapêuticas ajuda os profissionais a fornecerem um cuidado holístico e centrado no paciente , promoven- do melhores resultados de saúde e bem-estar infantil. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você sobre esse tema, vamos lá?! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem. EM FOCO Um cuidado holístico e centrado no paciente 4 1 https://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3882011/ NOVOS DESAFIOS Conhecer o processo histórico, refletir sobre os acontecimentos passados e pla- nejar o futuro nos faz pensar sobre o presente. A contribuição da história está in- timamente relacionada a mudanças de paradigmas na assistência em saúde. Para a pediatria se tornar o que é hoje, houve inúmeras evoluções, principalmente no aspecto de tecnologia. A tecnologia veio para acrescentar no cuidado à criança, aumentar a sobrevida dos recém-nascidos, a exemplo dos prematuros. No entan- to, ainda, enfrentamos desafios, como a falta de preparo de alguns profissionais e a necessidade contínua de aprimoramento e atualização. Para o futuro profissional da enfermagem, isso significa buscar constante- mente o aperfeiçoamento, utilizar a tecnologia de forma inteligente e aplicar o conhecimento em benefício dos pacientes. Desde o cuidado aos recém-nascidos até o apoio às famílias, é crucial buscar a excelência na assistência em saúde e continuar evoluindo profissionalmente para enfrentar os desafios com eficácia. É primordial que o profissional da enfermagem domine os aspectos fun- damentais da enfermagem neonatologia e pediátrica, pois enfrentará diversas situações práticas em seu campo de atuação. Dominar a história, os conceitos e os pressupostos dessas áreas da enfermagem são essenciais para lidar com destreza e eficiência com os desafios e garantir um cuidado de excelência. UNIASSELVI 4 1 MINHAS METAS ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SALA DE PARTO AO RECÉM-NASCIDO Conhecer a competência da enfermagem em sala de parto. Identificar os cuidados a recém-nascidos em maternidades. Abordar os fatores interferentes do cuidado a neonatos em sala de parto. Analisar cada procedimento realizado ao neonato. Conhecer a intervenção da equipe de saúde em casos de reanimação neonatal em sala de parto. Detectar as avaliações que o enfermeiro realiza em sala de parto, como o apgar e outros de relevância. Compreender a importância do cuidado de enfermagem em salas de parto. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 4 8 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 DESENVOLVA SEU POTENCIAL ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM CENTRO DE PARTO NORMAL (CPN) Segundo Medina et al. (2023), a criação dos Centros de Parto Normal (CPN) em São Paulo, em 1998, foi o marco da mudança no modelo de atenção ao processo de parto no Brasil, sendo esse um local seguro que oferece cuidados centrados na mãe e no bebê, com assistência de qualidade. Santos Filho e Souza (2021) descrevem que a sala de parto é o espaço nas instalações hospitalares dedicado ao momento do nascimento, seja por via na- tural, seja por meio de cesariana, e que entender esse processo de nascimento é único, pois é marcado por uma gama de emoções intensas, tanto por parte da família, que aguarda ansiosamente, quanto pelos profissionais de saúde, que estão presentes para assistir e garantir um parto seguro. A enfermagem, em seu processo de trabalho em sala de parto, promove inú- meros cuidados ao binômio mãe-bebê. A equipe deve estar pronta para prestar um cuidado acolhedor, seguro, humanizado e livre de danos. As maternidades do Brasil encontram-se em alinhamento com a rede cegonha, em que se preconiza tanto o cuidado à parturiente quanto ao recém-nascido (RN). Esses cuidados visam à manutenção de saúde e à estabilidade dos parâmetros fi- siológicos, como o controle de possível hipotermia e prevenção de hipoglicemia ao nascer. Essas condições afetam intimamente o metabolismo do recém-nascido. VAMOS RECORDAR? Para dar seguimento em nossa conversa sobre essa temática, segue um artigo científico, denominado Assistência de enfermagem ao recém-nascido na sala de parto, que resgatará alguns aspectos de conhecimento comum, para darmos os passos rumo ao conteúdo a ser estudado. https://revistaft.com.br/assistencia-de- enfermagem-ao-recem-nascido-na-sala-de-parto/. 5 1 https://revistaft.com.br/assistencia-de-enfermagem-ao-recem-nascido-na-sala-de-parto/ https://revistaft.com.br/assistencia-de-enfermagem-ao-recem-nascido-na-sala-de-parto/ Ao nascer, a criança deverá estar em ambiente termoneutro. Nos manuais do Ministérioda Saúde, é preconizada uma temperatura ambiente na maternidade em média de 25°C. Sendo necessária, também, a implementação de uso de rou- pa e gorro em região de fontanelas, pois, se estiverem sem essa medida, poderá ocorrer perda de calor. Neonatos com hipotermia apresentam cianose de extre- midades, então, poderá ser implementado o contato pele a pele para aquecimento do recém-nascido, de forma natural, no corpo da mãe, e, também, é promovido o alicerçamento de vínculo do binômio. Ainda no CPN, os recém-nascidos recebem cuidados estabelecidos para sua homeostase corporal, e esses cuidados são realizados em sua maioria pela en- fermagem, conforme descrito a seguir por Rezer, Silva e Faustino (2022, s.p.). “ Os cuidados imediatos são aqueles realizados logo após o nascimento da criança, envolve o primeiro contato do RN com a mãe, cuidados com cordão umbilical (clampeamento tardio e corte), estímulo do pri- meiro aleitamento materno, realização do índice de Apgar do primeiro, quinto e décimo minutos e procedimentos assistenciais no exame físico simplificado, aplicação da vacina da Hepatite B, aplicação do nitrato de prata, vitamina K e aspiração da boca e nariz quando necessário. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 O banho do RN deve ser feito nos cuidados mediatos, pois a prioridade deve ser ao controle térmico, aleitamento materno e alicerçamento de vínculo entre o binômio. O banho do neonato deve ser humanizado, a água deve estar em temperatura ideal e sem a retirada total do vérnix caseoso, que é uma substância esbranquiçada que confere proteção térmica e que se encontra aderido à pele do neonato. Figura 1 - Banho do RN e cuidado com o vérnix caseoso Descrição da Imagem: a figura apresenta um recém-nascido em sala de parto recebendo os cuidados imediatos pós-nascimento. Na imagem em questão, está ocorrendo, pelo profissional de enfermagem, a limpeza ocular com gaze estéril. Fim da descrição. A hipoglicemia é uma condição clínica que, também, pode afetar o recém-nasci- do em sala de parto. Os sinais que a indicam são neonatos torporosos ou letárgi- cos. Medida simples de reversão da hipoglicemia no neonato é a implementação da amamentação ao nascer, que deverá ser implementada nos serviços de saúde onde ocorra o cuidado. A amamentação, além de ser protetora com a presença de IgA, também, ocasiona nutrição e elevação dos níveis de glicose, aumentan- do, assim, os índices glicêmicos na corrente sanguínea. Caso essas medidas não proporcionem resolução, deverá ser administrada por via endovenosa, sob forma de soro glicosado, conforme prescrição médica. 5 1 A detecção da hipoglicemia é feita de forma clínica (inspeção), complemen- tado com o uso de glicosímetro. Esse aparelho identifica os níveis endógenos periféricos da glicemia capilar. Sua forma de realização em recém-nascidos é a punção em região lateral do calcâneo com lanceta, após isso, faz-se a leitura do resultado que se encontra em miligramas por decilitro (mg/dl). Resultados de “HI” indicam níveis altos de glicemia, e “LO”, níveis baixos de glicemia. Figura 2 - Local de punção com lanceta para glicemia capilar Descrição da Imagem: na figura, observa-se região plantar de ambos os pés de um recém-nascido, em que, em cada lateralidade de calcâneo, é feita a punção para glicemia capilar periférica. Fim da descrição. O profissional de enfermagem deve estar atento aos sinais de problemas meta- bólicos no recém-nascido, pois poderá ser necessário medidas mais invasivas quando o aleitamento não é suficiente para a mudança do quadro hipoglicêmico, tal como a infusão de soro glicosado em via endovenosa. O soro glicosado repõe a energia da criança, deixando-a estabilizada e mais ativa. A enfermagem deve, em sua rotina na maternidade, monitorizar a glicemia do neonato para que não ocorra intercorrências, como no caso de parada cardiorrespiratória em crianças, em que um dos 6H de causa dessa condição é a hipoglicemia. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 AVALIAÇÕES DE ENFERMAGEM PÓS-NASCIMENTO DA CRIANÇA NA SALA DE PARTO As avaliações de enfermagem são fundamentais para o cuidado neonatal. Ao nascer, a criança é recepcionada pelo enfermeiro e será feita a avaliação geral do estado de saúde da criança. Essa avaliação visa identificar possíveis anormalida- des. Dentre as avaliações de enfermagem, estão escore de apgar, que é usado ao nascimento, e avaliação de capurro, que determina a idade gestacional e o grau de maturidade do recém-nascido. Avaliação do neonato pelo Score de Apgar Ao nascer, a primeira avaliação a ser realizada na criança, na sala de parto, chama-se Escore de apgar. Essa avaliação busca identificar a vitalidade ao nascer do neonato. É realizada pelo médico ou enfermeiro especialista em pediatria/neonatologia. Essa avaliação é realizada com a aplicação de cinco critérios de sinais eviden- ciados, como frequência cardíaca, esforço respiratório, tônus muscular, irritabili- dade reflexa e cor. As pontuações variam de zero a dez, apresentando cada critério três posicionamentos de avaliação que valem de zero a dois pontos. Essa avaliação é realizada no primeiro e quinto minuto de vida, em neonato de boa vitalidade. Caso os scores estejam baixos, deverá ser feita a avaliação de apgar até o 20º minuto. 5 4 SI N AL 0 1 2 1 M IN 5 M IN 10 M IN 15 M IN 20 M IN FR EQ U ÊN C IA CA RD ÍA CA au se nt e 100 bpm; esforço respiratório regular; tônus muscular com boa movimentação; apresenta espirros e choro; corpo e extremidades róseos. Ao realizar essa avaliação, qual o apgar desse recém-nascido? Se você analisou esse caso, visualizou que a criança apresentou dez pontos no escore de apgar e conseguiu compreender como funciona essa avaliação. Esse resultado significa boa vitalidade ao nascimento e é isso que se espera do neona- to, que ele se adapte ao ambiente extrauterino com êxito. APROFUNDANDO IDADE GESTACIONAL (I .G .) DEFINIÇÃO RN PRÉ-TERMO (RNPT) Crianças nascidas até 36 semanas RN A TERMO (RNT) Nascimento entre 37 e 41 semanas e seis dias RN PÓS-TERMO OU PÓS DATISMO Crianças nascidas com 42 semanas ou mais de gestação Quadro 2 - Classificações em neonatologia: idade gestacional / Fonte: adaptado de Brasil (2012). 5 1 Essa avaliação estima, também, a vitalidade da criança e expressa seu desenvol- vimento intrauterino. Outras avaliações que poderão ser usadas para estimara idade gestacional são os métodos de capurro, ballard e Dubovitz. Peso neonatal Sobre o peso ao nascimento, esse é um indicador que deverá ser feito na rotina das maternidades. O primeiro peso é obtido após o nascimento, com a criança totalmente despida, e é anotado em prontuário e na caderneta da criança como indicador para outras avaliações posteriores da saúde da criança, na atenção primária em saúde. A seguir, temos um parâmetro para essa avaliação. PESO ACIMA DO IDEAL (MACROSSOMIA FETAL) RN > 4000 g. PESO IDEALcomo evidenciada na síndrome da aspiração meconial. A reanimação deverá ser realizada por profissionais extremamente capacitados, com um time de resposta de prontidão para realizar a assistência de forma exitosa. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os profissionais responsáveis pela assistência são médicos e enfermeiros especialistas em neonatologia. A SBP conta, também, como referência nessa situação com protocolos da American Heart Association (AHA), que sempre se atualiza para direcionar pro- fissionais de saúde e socorristas a prestar assistência nessas situações. O último protocolo da American Heart Association (AHA), do ano de 2020, define as seguintes recomendações sobre a reanimação neonatal. 1 - A equipe deverá estar treinada e pronta para a assistência direcionada. 2 - A aspiração endotraqueal de rotina para bebês vigorosos e não vigorosos nascidos com líquido amniótico meconial (LAM) não é recomendada, exceto sob suspeita de aspiração traqueal. 3 - As compressões torácicas são realizadas se houver uma resposta de frequência cardíaca ruim à ventilação. 4 - Quando o acesso vascular é necessário em bebês recém-nascidos, a via venosa umbilical é preferida. Quando o acesso IV é inviável, o acesso IO pode ser considerado. 5 - Uma elevação na frequência cardíaca é o indicador mais importante de ventilação e de resposta eficazes às intervenções de ressuscitação. A frequência cardíaca (FC) do RN é em torno de 120–160 bpm e a frequência respiratória (FR) entre 30–60 rpm. 6 - A insuflação e a ventilação dos pulmões são a prioridade em bebês recém- nascidos que precisam de suporte depois do nascimento. 1 1 A reanimação neonatal apresenta o MNEMÔNICO: A-B-C. A letra “A” vem da caracterização inglesa airway, que significa avaliação de vias aéreas. A letra “B” vem de breathing, que significa respiração/ventilação. A letra “C” vem de com- pression, que significa compressão. Para uso do mnemônico na RCP neonatal, inicia-se com a avaliação e realiza-se a abertura de vias aéreas, por meio do uso de coxins em região escapular para que ocorra elevação da cabeça da criança. Em seguida, realiza-se a monitorização de parâmetros vitais, tal como frequência cardiorrespiratória e análise de fatores etiológicos que podem estar desencadeando a assistência de reanimação. Na prática, avaliam-se os parâmetros vitais, sendo a massagem cardíaca ini- ciada se a FC estiver menor que 60 bpm, após 30 segundos de ventilação, por pressão positiva (VPP) com cânula traqueal e técnica adequada. A compressão cardíaca é realizada no terço inferior do esterno, onde se situa a maior parte do ventrículo esquerdo. A técnica baseia-se com o uso de dois polegares ou dos dois dedos na área esternal, da linha intermamilar, poupando o apêndice xifóide. A profundidade da compressão deve englobar 1/3 da dimensão anteroposterior do tórax. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 A ventilação (VPP) e a compressão cardíaca são realizadas de forma sincrô- nica e interligada, mantendo-se uma relação de 3:1, ou seja, três movimentos de massagem cardíaca para um movimento de ventilação, com uma frequência de 120 eventos por minuto (90 movimentos de massagem e 30 ventilações). Existe uma exceção quando a reanimação engloba causa cardíaca, a exemplo de paciente com cardiopatia congênita. O profissional deve realizar, nesse caso específico, a aplicação de 15 compressões cardíacas intercaladas com duas ven- tilações, sempre avaliando a profundidade se estiver adequada e efetiva. O fármaco de escolha na reanimação neonatal é a adrenalina. Esta deverá ser administrada a critério médico, com base no peso (kg) da criança. Quando a Frequência Cardíaca permanecer abaixo dos 60 bpm, com ventilação efetiva, O2 a 100%, acompanhada de massagem cardíaca adequada e sincronizada à ventilação por, no mínimo, 60 segundos, o uso de adrenalina está indicado. Segue a recomendação da medicação na PCR neonatal da Sociedade Brasi- leira de Pediatria (SBP) em sua última atualização. ADRENALINA EN- DOVENOSA ADRENALINA EN- DOTRAQUEAL EXPANSOR DE VOLUME APRESENTAÇÃO COMERCIAL 1 mg/mL SF 0,9% DILUIÇÃO 1 mL da ampola de adrenalina 1 mg/ mL em 9 mL de SF PREPARO Seringa de 1 mL Seringa de 5 mL 2 seringas de 20 mL DOSE 0,2 mL/kg 1,0 mL/kg 10 mL/kg EV 1 4 DOSE 0,1–0,3 mL/kg 0,5 - 1,0 mL/kg 10 mL/kg EV 1 KG 0,2 mL 1,0 mL 10 mL 2 KG 0,4 mL 2,0 mL 20 mL 3 KG 0,6 mL 3,0 mL 30 mL 4 KG 0,8 mL 4,0 mL 40 mL VELOCIDADE E PRECAUÇÕES Infundir rápido, seguido por flush de 3,0 mL de SF Infundir no in- terior da cânula traqueal e ventilar. USO ÚNICO Infundir na veia umbilical lenta- mente, em cinco a dez minutos Quadro 4 - Conduta medicamentosa em reanimação de neonatos em sala de parto Fonte: adaptado de SBP (2021). Na sala de parto, devem estar disponíveis os materiais indispensáveis à assis- tência ao neonato. Os materiais necessários para reanimação neonatal na sala de parto são: mesa de reanimação com acesso por três lados; fonte de oxigênio umidificado com fluxômetro e fonte de ar comprimido; blender para mis- tura oxigênio/ar; aspirador a vácuo com manômetro; relógio de parede com ponteiro de segundos; fonte de calor radiante; termômetro ambiente digital; reanimador manual neonatal (balão autoinflável com volume ao redor de 240 mL, reservatório de O2 e válvula de escape com limite de 30–40 cmH2O e/ou manômetro); ventilador mecânico manual com peça T com circuitos próprios; estetoscópio neonatal; oxímetro de pulso com sensor neonatal; monitor cardíaco de três vias com eletrodos; e bandagem elástica para fixar o sensor do oxímetro e os eletrodos. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 ESTRATÉGIA QUALINEO Também, existe a estratégia Qualineo, criada pelo Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, para reduzir as taxas de mortalidade neonatal (até 28 dias de vida) e qualificar a atenção ao recém-nascido nas maternidades. Veja, a seguir, as dez estratégias descritas pelo Qualineo que devem ser im- plementadas em maternidades. 1 - Siga as normas de reanimação neonatal e previna a hipotermia. 2 - Faça uso criterioso de medicamentos (aminas, analgésicos e sedativos). 3 - Use CPAP, desde a sala de parto, e evite intubar o RN. 4 - Pratique o MC e integre a família e a equipe multiprofissional no cuidado individualizado. 5 - Controle o uso de oxigênio. Evite hiperóxia. 6 - Siga as normas de segurança do paciente no cuidado com o RN. 7 - Alimente o RN o mais precoce possível e, de preferência, com o leite materno. 8 - Utilize, de forma racional, os recursos existentes e pratique o gerenciamento de leitos. 9 - Higienize as mãos e evite antibióticos desnecessários. 10 - Utilize os indicadores de sua unidade neonatal como fonte de melhorias e de aprendizado da equipe. Todas essas estratégias têm como finalidade proporcionar um cuidado centrado na prevenção da mortalidade ao nascer, proporcionando melhor cuidado na área neonatal. Para melhor compreensão do assunto, segue o manual de assistência ao parto normal de 2022. Ele aborda, além do manejo do parto, os cuidados ao recém-nas- cido na sala de parto. Esse manual lhe dará aperfeiçoamento sobre a temática. Realize uma excelente leitura! http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publi- cacoes/diretriz_assistencia_parto_normal.pdf. EU INDICO 1 1 http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/diretriz_assistencia_parto_normal.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/diretriz_assistencia_parto_normal.pdf A assistência neonatal, em sala de parto, é de fundamental importância na assis- tência materno-infantil. Se, hoje, temos o aumento da sobrevida de recém-nas- cidos desde o prematuro até o pós-termo é graças aos estudos científicos na área e, também, aos profissionais que assistem a criança. Avaliar constantemente e acompanhar o processo de adaptação extraute- rina devem ser o olhar da enfermagem, pois isso garante qualidade e cuidado assertivo.