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ARISTÓTELES Profª. Rogéria Antunes BIBLIOGRAFIA BITTAR, E.C.B. e ALMEIDA, G.A. Curso de Filosofia do Direito. 12ª. ed. São Paulo: Atlas, 2016 Cap. 5. Aristóteles: justiça como virtude Raffaello Sanzio (1483-1520) – “A escola de Atenas” Aristóteles (384-322 a.C.) Algumas divergências de Platão: • Aristóteles não admite que o conhecimento seja alcançado somente a partir da separação entre realidade e aparência (conhecimento inteligível e conhecimento sensível). • O autor discorda do “princípio da contradição” , enquanto base fundamental da filosofia. • A dialética não seria o melhor caminho para a obtenção da verdade (ponto de partida: diferentes opiniões). • Para Aristóteles a filosofia e a ciência devem descobrir a “essência” do objeto investigado a partir da demonstração e verificação do real . “Pode-se dizer que Aristóteles foi o primeiro pensador a teorizar a importância do conhecimento prático para o entendimento da verdade e do mundo. Segundo o filósofo e ao contrário de Platão, o conhecimento da verdade deveria passar, necessariamente, por dois campos de nosso saber: o intelecto puro e os sentidos do corpo. A nossa capacidade sensorial que é possibilitada pelos órgãos dos sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar) é a responsável pelo aprendizado primeiro e mais básico de nosso intelecto. Aqueles dados sensoriais que obtemos por meio dos sentidos, somente depois de coletados, podem ser depurados pelo intelecto e relacionados aos conceitos puros.” (Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/aristoteles.htm, acesso 15/03,2024) • Aristóteles inaugura a lógica analítica a partir da criação do silogismo (premissas válidas e uma conclusão pertinente) “Com origem na palavra grega "syllogismos", que significa "conclusão" ou "inferência", um Silogismo é um tipo de argumento lógico que aplica o raciocínio dedutivo para extrair uma conclusão de duas ou mais proposições, que se supõe sejam verdadeiras. Em sua versão mais antiga, formulada pelo filósofo grego Aristóteles, um silogismo é formado por três proposições: uma afirmação geral, a qual chamamos premissa maior; seguida de uma proposição de afirmação específica, a qual chamamos premissa menor; e uma conclusão, ou consequente, que é deduzida das duas premissas.” (Disponível em https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo, acesso : 15/03/2024) https://www.infoescola.com/filosofia/raciocinio-dedutivo/ https://www.infoescola.com/filosofia/raciocinio-dedutivo/ https://www.infoescola.com/filosofia/aristoteles/ https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo https://www.infoescola.com/filosofia/silogismo Aristóteles separou as ciências em três partes: • Ciência prática: utilização do saber para uma ação, ou para atender um objetivo moral/ético (busca do saber com a finalidade de atingir uma perfeição moral) • Ciências poiéticas (produtivas) : utilização do saber para fabricar ou criar utensílios ; saber para saber (arte, medicina, agricultura, pintura e economia) • Ciência teorética: utilização do saber pelo saber, independente de uma finalidade e de um objetivo prático (metafísica, física, matemática, psicologia e astronomia) * Metafísica: no aristotelismo, subdivisão fundamental da filosofia, caracterizada pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza primacial do ser; filosofia primeira. (Dicionário Oxford Languages ) https://languages.oup.com/google-dictionary-pt https://languages.oup.com/google-dictionary-pt Justiça e Ética para Aristóteles • As questões ligadas ao campo ético foram direcionadas para um saber prático: a justiça está relacionada as questões sociais e políticas. “A síntese operada pelo pensador permitiu, por meio de seus textos, que se congregassem inúmeros elementos doutrinários reunidos ao longo dos séculos, pelos quais se espalharam os conhecimentos gregos anteriores a ele (pré-socráticos, socratismo, sofistas, platonismo…). É da reunião das opiniões dos sábios, da opinião do povo, da experiência prática, avaliados e analisados criticamente, dentro de uma visão de todo do problema (justiça da cidade, justiça doméstica, justiça senhorial…) que surgiu uma concepção propriamente aristotélica.” (BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.142) Justiça e Ética, para Aristóteles, não implicam na concepção de ética “fora” de uma “ação justa”. Não seria o conhecimento ético que leva um indivíduo à virtude, mas, ele é alcançado através de uma ação voltada à Pólis e à coletividade , visando o “bem-comum”. “E esta ciência preocupa-se com os desdobramentos individuais e sociais dos comportamentos humanos. Nesse sentido, pode-se dizer, os conceitos éticos e políticos aparecem condicionados um pelo outro; a imbricação entre ambas as esferas é clara na teoria aristotélica; o Bem que a todos alcança afeta o bem de cada indivíduo, assim como o bem de cada indivíduo acaba convertendo- se no Bem de toda a comunidade quando comungado socialmente.” ( BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.143) Justiça enquanto virtude • Virtude= Areté: na Grécia antiga areté significa a perfeição alcançada através do desenvolvimento de uma capacidade natural. Esse processo se daria por meio da “educação ética”, pois, seria o melhor caminho para o exercício da vida pública, mediante a formação do caráter do aluno. “A justiça, assim definida como virtude, torna-se o foco das atenções de um ramo do conhecimento humano que se dedica ao estudo do próprio comportamento humano; à ciência prática, intitulada ética, cumpre investigar e definir o que é o justo e o injusto, o que é ser temerário e o que é ser corajoso, o que é ser jactante...” . (BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.142) Justo e Injusto/ O “justo total” • Para Aristóteles o conceito de justiça pode ter vários sentidos. Diante disso, ele define o conceito de “justiça total”: a “virtude de observância da lei”, ou seja, o respeito a legitimidade do que caracteriza o “bem da comunidade”. “Se a lei é uma prescrição de caráter genérico e que a todos vincula, então seu fim é a realização do Bem da comunidade, e, como tal, do Bem Comum. A ação que se vincula à legalidade obedece a uma norma que a todos e para o bem de todos é dirigida; como tal, essa ação deve corresponder a um justo legal e a forma de justiça que lhe é por consequência é a aqui chamada justiça legal. Aquele que observa os conteúdos legais pode ser chamado de justo, nesse sentido. O mesmo, a contrariu sensu, a respeito do injusto que lhe corresponde.” (BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.147) *Legalidade / Legitimidade **Obs: O conceito de justiça total tem um sentido amplo da expressão (justiça universal , justiça integral com a maior abrangência possível) • O justo total está vinculado ao atendimento das regras sociais: hábito = lei = justiça. Esta concepção de justiça se estende ao campo da política. “O justo total é a observância do que é regra social de caráter vinculativo. O hábito humano de conformar as ações ao conteúdo da lei é a própria realização da justiça nesta acepção (justiça total); justiça e legalidade são uma e a mesma coisa, nesta acepção do termo. Esse tipo de prática causa efeitos altruístas, de acordo com a virtude total. Esse é o tipo próprio de justiça aplicável para a vida política, organização comunitária organizada pelos ditames emanados pelo legislador. Aqui não reside parte da virtude, mas toda a virtude, pois o respeito à lei corresponde ao respeito de todos. Em certo sentido, confunde-se até com o próprio sentido da virtude integral.” (BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.148)Justo e Injusto/ O “justo particular” Justo particular: é uma parte da virtude. Ela está relacionada às particularidades existentes nas relações entre as partes. O justo particular é dividido em: a) Justo particular distributivo Justo particular distributivo está ligado a distribuição de bens pecuniários: Como são avaliadas as distribuições de bens (rendas, honras, cargos, impostos, responsabilidades, etc. ) • Direito: relação estreita com o conceito de justiça. Segundo Aristóteles “Todo justo é uma forma de igual.” • Exemplo: No Brasil escravocrata, os escravos não tinham acesso aos direitos mínimos . Historicamente, foram prejudicados. Assim, é justo que seus descendentes tenham direito à terra como correção histórica (quilombolas) • Segundo Aristóteles, os bens devem ser distribuídos de maneira proporcional de acordo com os méritos de cada um. “... A distribuição, portanto, atingirá seu justo objetivo se proporcionar a cada qual aquilo que lhe é devido, dentro de uma razão de proporcionalidade participativa, pela sociedade, evitando-se, assim, qualquer um dos extremos que representam o excesso e a falta. De fato, a injustiça na distribuição recai em um dos polos, seja quando pessoas desiguais recebem a mesma quantia de encargos e de benefícios, seja quando pessoas iguais recebem quantias desiguais de benefícios e encargos.” (BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.152) * A liberdade é questão fundamental de análise para uma decisão democrática: a sociedade é equilibrada? A sociedade é equitativa? b) Justo particular corretivo Para Aristóteles é preciso corrigir uma situação de injustiça , através da ideia de igualdade absoluta: • Igualdade absoluta = Ato de justiça • A busca do equilíbrio que possa comprometer a “proporcionalidade na repartição do que a cada qual é devido.” (BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.153). • A justiça corretiva não está relacionada ao mérito de cada indivíduo (igualdade relativa) , mas, sim à análise objetiva das relações de perda e ganho entre os indivíduos. • Aristóteles não concordava com a concepção de reciprocidade enquanto justiça (um mal tem que ser retribuído com o mesmo mal e na mesma proporção). • O autor defendia uma “revisão do conceito de “retribuição em igual medida, pois, não se deve responder com injustiça uma injustiça.” “Segue-se que, contrariamente ao entendimento que tinham os pitagóricos acerca do conceito de justiça, Aristóteles diferenciou-o da noção de reciprocidade. Os filósofos da escola de Pitágoras de Samos tomavam os conceitos do justo e do recíproco como sinônimos, qual em verdadeira aplicação do princípio punitivo de Talião, em que se retribui um mal com o mesmo mal em quantidades equivalentes. A noção de justo associada à noção de recíproco já havia sido amplamente criticada e contestada por Sócrates, responsável pela rearticulação da tradição proveniente de um Estado primitivo e de moralidade restrita, em que prevaleciam as ideias de vindita e de retribuição absoluta. Nesse sentido, consagrou o filósofo o princípio de que não se deve responder com injustiça a uma injustiça, o que equivaleria à reiteração ad infinitum de um conflito, sendo que a justiça deve-se substituir a qualquer outro valor, uma vez que ao cidadão cabe fazer com que esta prevaleça na comunidade.” (BITTAR e ALMEIDA, 2016, p.155) Seção sem Título Slide 1: Aristóteles Slide 2: Bibliografia Slide 3: Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19