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Doença cárie: evolução e tratamento A cárie dentária é uma doença dinâmica, biofilme-dependente, modulada pela dieta, de caráter não transmissível, resultante da perda mineral dos tecidos duros dentais. A lesão cariosa, por sua vez, é o sinal clínico da cárie. Pode ser caracterizados de acordo com: ● Localização: superfície da coroa ou raiz; ● Gravidade: cavitada ou não-cavitada; ● Profundidade: esmalte, dentina, polpa ● Status de atividade: ativo ou inativo. Parâmetros envolvidos no processo da doença: ● Fatores etiológicos primários: Microrganismos: Streptococcus mutans e Lactobacillus spp. Hospedeiro: dente (anatomia + posição), saliva (fluxo, cap. tampão). Dieta: carboidratos, sacarose + frequência. ● Fatores etiológicos modeladores: Tempo, saúde geral, idade, grau de instrução, nível socioeconômico e comportamental. RISCO A CÁRIE: O dente recém-rompido pode estar em infra-oclusão e apresentar uma superfície oclusal bastante irregular, tornando-se mais suscetível à retenção de placa bacteriana. ● Fator social e comportamental ○ Tipo de atividade e nível de estresse → diminuição do fluxo salivar ● Uso do flúor: ○ Acesso à água fluoretada e enxaguantes; ○ Dentifrício fluoretado. ● Características clínicas: ○ Presença de placa bacteriana; ○ Condições da mucosa; ○ Experiências anteriores de cárie. ● Dieta: consumo de açúcar, tipo de alimento, consistência, frequência de ingestão. ● Características da saliva: ○ Constituída em sua maioria por água, componentes inorgânicos (Ca+, fosfato (PO₄³⁻), F-) e orgânicos; ○ Presença de anticorpos Ig que age sobre bactérias. EVOLUÇÃO: ● Estrutura do esmalte: orgânica (2%), água (3%), mineral (95%). ● Estrutura da dentina: orgânica (20%), mineral (75%), água (5%). CARIOLOGIA: ● Processo DES-RE: → Desmineralização: É a remoção de minerais como Ca, Mg e PO₄³⁻ dos dentes. Os ácidos produzidos por bactérias removem os minerais do esmalte, enfraquecendo os dentes e levando à cárie. A primeira manifestação clínica da cárie é uma área esbranquiçada não cavitada, conhecida como mancha branca. Resumo por Jhennifer Gonçalves Viana | Graduanda de Odontologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) 2025 | Jequié — Ba → Remineralização: processo de repor minerais perdidos nos dentes, fortalecendo o esmalte e prevenindo cáries. Estágios progressivos de perda mineral: PROGRESSÃO DA CÁRIE: Superfícies lisas: ocorre no sentido da dentina, formando um triângulo com a base voltada para a superfície do esmalte e o ápice direcionado para a dentina. ● Progressão lenta → superfície é mais acessível à escovação e ao flúor. Cicatrículas e fissuras: o ápice está na superfície do esmalte, e a base se expande na dentina. ● Áreas de difícil acesso para a escovação → acumulando placa. ● Progressão rápida → bactérias penetram nas fissuras antes mesmo de sinais visíveis na superfície. ● Avanço silencioso para a dentina antes da detecção clínica da lesão. PROGRESSÃO DA CÁRIE EM DENTINA: 1. Zona da cavidade ● Coloração contrasta com as estruturas normais; ● Bordas irregulares; ● Intensa atividade bacteriana; ● Material. 2. Dentina cariada superficial ● Desmineralizada e sem estrutura de colágeno; ● Presença de bactérias; ● Comprometimento irreversível da dentina. 3. Dentina cariada profunda ● Rara presença de microrganismos; ● Tecido desorganizado pela ação de ácidos; ● Apresenta sensibilidade; ● Passível de recuperação. 4. Dentina esclerosada ● Aumento da deposição mineral em dentina pré-existente; ● Agressão ou envelhecimento da estrutura dentária; ● Menor permeabilidade de íons e bactérias. 5. Dentina terciária Resumo por Jhennifer Gonçalves Viana | Graduanda de Odontologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) 2025 | Jequié — Ba ● Nova dentina que se forma no teto da câmara pulpar na região correspondente nos odontoblastos agredidos por estímulos externos. ● Reacional ou reparadora Reacional: ★ Sem danos irreversíveis aos odontoblastos pré-existentes; ★ Preparos cavitários raros ou lesões cariosas incipientes. Reparadora: ★ Ocorrem injúrias irreversíveis aos odontoblastos; ★ Proliferação, migração e diferenciação de células odontoblástoides; ★ Exposições pulpares, lesões profundas de preparos cavitários sem refrigeração. DIAGNÓSTICO: ● Lesão cariosa x Hipocalcificação ○ Anamnese, aspecto clínico, localização. ● Ativa ou Inativa ○ Ativa: brancas, opacas, rugosas. ○ Inativa: Coloração branca ou escurecida, lisa, brilhante, sem halo de mancha branca. ● Afetada ou esclerosada: ○ Afetada: Sai em lascas, coloração escurecida e fosca. ○ Esclerosada: Rígida, coloração escurecida, mas brilhante. MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO: ● Exame visual: Dentes limpos e secos, iluminação adequada. Instrumental: espelho. Face livre: aspecto opaco, superfície rugosa, cor branca (podendo ser pigmentada). Com a progressão se torna branco-amarelada, amarelo parda ou enegrecida. Face proximal: dificuldade de observação direta, fazendo o uso de afastadores interproximais mediatos (mecânicos) ou imediatos (elásticos). Cicatrículas e fissuras: perda da translucidez normal, sendo mais difíceis de serem detectadas em estágio precoce. ● Exame tátil: Dentes limpos e secos, adequada iluminação. Instrumentais: Sonda OMS e espelho, e fio dentais em lesões proximais. Contraindicações: Pode causar danos irreversíveis, impossibilitando a remineralização. Seu uso deve-se limitar a superfícies radiculares, onde não há risco de fratura no esmalte desmineralizado. ● Exame radiográfico: exame complementar, sendo interproximal e bite-wing os mais indicados. ● Transiluminação por fibra óptica: feixe de lux capaz de penetrar mais profundamente na estrutura dental. ● Fluorescência a laser; ● Condutibilidade elétrica; ● Testes microbiológicos. TRATAMENTO: Determinação do risco a cárie: probabilidade do aparecimento e progressão de lesões cariosas em condições favoráveis por um determinado período. O risco a cárie é uma previsão de novas lesões ou progressão cariosa. ● Instruções de higiene: orientação de escovação e uso do fio dental. ● Instruções de dieta: diminuição da frequência de ingestão de açúcar e consumo controlado. Resumo por Jhennifer Gonçalves Viana | Graduanda de Odontologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) 2025 | Jequié — Ba ● Adequação do meio: profilaxia, restaurações provisórias, raspagem periodontal, extração de restos radiculares, remoção de excessos das restaurações. ● Aplicação de antimicrobianos: ○ Flúor: ○ Dentifrício fluoretado; ○ Colutórios ○ Gel ou verniz fluoretado. ● Digluconato ou clorexidina: ○ Colutórios TRATAMENTO DE LESÕES INCIPIENTES: Superfícies lisas: 1. Remineralização: ● Aplicação do flúor ● Paciente de médio e alto risco OU presença de lesões de mancha branca ativas. ● Soluções: fluoreto de sódio, flúor fosfato acidulado. ● Vernizes. 2. Infiltrantes: ● Tratamento microinvasivo, utilizado em superfícies lisas, monômero resinoso de baixa viscosidade. ● Penetrar em toda a extensão da lesão. ● Estabilizar mecanicamente a estrutura frágil do esmalte poroso. ● Isolar a microbiota de sua fonte nutritiva. Cicatrículas: 1. Selantes: ● Selar microrganismos, cicatrículas e fissuras; ● Anular o habitat de microrganismos cariogênicos; ● Facilitar a limpeza das regiões oclusais. ○ Resinosos: retenção, resistência ao desgaste, técnica sensível; ○ Ionômero modificado por resina: alto custo; ○ Ionoméricos: adesão química, liberação de flúor. 2. Restauração: ● Direta e indireta: extensão da cárie, resistência mecânica do remanescente,custo, habilidade do profissional etc. ● Podendo ser realizada com cimento de ionômero de vidro, amálgama, resina composta, cerâmicas (livres de metal) ou metalocerâmicas. Resumo por Jhennifer Gonçalves Viana | Graduanda de Odontologia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) 2025 | Jequié — Ba Doença cárie: evolução e tratamento