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CENTRO UNIVERSITÁRIO NOBRE
BACHARELADO EM PSICOLOGIA
 
Ana Beatriz de Oliveira Gomes
Geovanna Reis Almeida
Maria Clara Patriota de Lima
Natalia de Souza Teixeira Lima
Noemí Abreu de Souza
Rafaela Carvalho Araujo
Raphaela Alves de Oliveira Soto
Taisa Conceição Santos
Relatório Caps
 
 
 
Feira de Santana, BA 
2025 
Ana Beatriz de Oliveira Gomes 
Geovanna Reis Almeida
Maria Clara Patriota de Lima 
Natalia de Souza Teixeira Lima
Noemí Abreu de Souza
Rafaela Carvalho Araujo
Raphaela Alves de Oliveira Soto
Taisa Conceição Santos
 
 
Relatório Caps 
Trabalho discente efetivo apresentado 
como requisito avaliativo para a 
disciplina Psicopatologia Avançada do 
curso de psicologia do Centro 
Universitário Nobre (UNIFAN). 
Docente: Márcio Santana
Feira de Santana, BA 
2025 
3
Caso 1
KM, 45 anos, reside na Cidade Nova, juntamente com a sua irmã, RB. Informações 
sobre a escolaridade, condições médicas não psiquiátricas, fonte de renda e atividade laboral 
não foram relatadas. A paciente não está atualmente inserida em ambiente educacional, mas 
manifestou desejo em retomar os estudos. Dentre as atividades de Lazer, ela relata interesse 
em crochê e pintura. 
 Durante a visita realizada no CAPS no dia 13 de maio de 2025, a paciente KM 
demonstrou estar tranquila e colaborativa. Expressou satisfação com a rotina da instituição, 
mencionando que aprecia a organização dos horários, especialmente os das refeições, que 
descreveu como "certinhos".
Ao longo da escuta, afirmou guardar um segredo (sexo é pecado) e, em seguida, 
passou a relatar crenças relacionadas à religiosidade. Disse ter aversão ao sexo, considerando-
o pecado, e estendeu essa visão a comportamentos de outras pessoas, como ter tatuagens, 
também considerados por ela atos pecaminosos. Apontando ser um valor cultural muito forte, 
no qual ela apresentou uma crença fixa.
 KM também mencionou ter uma filha, embora diga não se lembrar de ter passado por uma 
gravidez.
Por fim, contou que, em determinado momento, quebrou objetos em sua casa, 
afirmando ter "quebrado tudo". Sua fala foi marcada por trechos com pouca conexão temática 
e mudanças abruptas de assunto. Sendo que essa situação a levou a ser internada no CAPS, o 
que motivou ela fazer isso não foi dito por ela. 
1.1 Sintomatologia identificada 
No que diz respeito a alteração da sensopercepção foram observados alguns sintomas. 
Foi identificada a presença de alucinações Extra-Campinas, quando a paciente relata ter sido 
4
tocada em suas partes íntimas pelo médico através de uma ligação telefônica. Esse tipo de 
alucinação se caracteriza por ocorrer fora do campo sensorial possível, como descreve o 
DSM-5 (APA, 2014), ou seja, a percepção se dá em locais onde os sentidos não poderiam 
alcançar, uma manifestação típica de quadros psicóticos. 
Associado a isso, observa-se também uma alucinação tátil, visto que a paciente relata 
uma percepção de toque sem estímulo físico correspondente. A alucinação tátil, segundo 
Dalgalarrondo (2019), é aquela em que o sujeito sente sensações corporais, como toques e 
movimentos, sem que haja um agente externo causando esses estímulos. Com KM, ela 
relatou o abuso pelo telefone com o médico, especificou que ele tinha tocado em suas 
genitálias, o que é compatível com esse tipo de alteração sensoperceptiva. 
Também é observada a presença de alucinações psíquicas, quando a paciente afirma 
que engravidou de um homem que nunca viu. Essa modalidade de alucinação, segundo 
Dalgalarrondo (2019), envolve a percepção direta de conteúdos mentais (como ideias ou 
imagens) sem mediação pelos órgãos sensoriais, muitas vezes com conteúdos impossíveis no 
plano físico. O relato de KM da sua gravidez sem contato com o suposto pai configura essa 
forma de alteração perceptiva.
Ademais, foram referidas alucinações auditivas quando a paciente relata ouvir uma 
voz a chamando de “puta” durante o banho, mesmo estando sozinha. De acordo com o DSM-
5 (APA, 2014), essas são as alucinações mais comuns nos quadros de esquizofrenia, sendo 
caracterizadas por percepções auditivas sem estímulo externo correspondente. 
Foi identificado alterações do pensamento, foi identificado um delírio erotomaníaco, 
evidenciado quando a paciente afirma que um médico manteve relações sexuais com ela em 
“em pensamento”. Esse conteúdo é compatível com o tipo de delírio em que o sujeito 
acredita, sem base real, que outra pessoa está apaixonada por ele ou mantém um vínculo 
íntimo inexistente (APA, 2014).
5
Além disso, é visível a presença do pensamento prolixo, onde ela tem um discurso 
caracterizado por um excesso de detalhes irrelevantes antes de chegar ao ponto principal da 
fala. Ela conseguiu voltar ao assunto, porém demora muito, desviando com informações 
secundárias, sem perceber o objetivo final. Um exemplo disso é quando no início da conversa 
ela falou sobre sexo ser pecado, porém ao tentarmos aprofundar o assunto ela começava com 
outro, mas voltava para a questão do sexo depois. 
Também se observa a presença de delírios persecutórios, ao relatar que os vizinhos desejam 
que ela se mude do bairro e estão conspirando contra ela. A paciente afirma estar sendo 
perseguida, embora não identifique claramente os motivos ou provas, o que é compatível com 
o conceito de delírios persecutórios descrito pelo DSM-5 (APA, 2014), caracterizados por 
ideias delirantes de perseguição e ameaça sem fundamento na realidade.
Além disso, foi identificada a presença de delírio de grandiosidade, quando a paciente 
relata que o mesmo médico que teria a assediado anteriormente faleceu. Inicialmente, ela 
afirma que ele morreu durante uma tentativa de assalto, mas, em outro momento, diz que ele 
tinha um problema cardíaco e faleceu porque ela se recusou a se envolver com ele. Toda essa 
narrativa atribui a KM um poder sobre a vida e a morte de outra pessoa, revelando uma 
percepção grandiosa de sua própria influência. 
Como manifestações das alterações do comportamento foi observado comportamento 
desorganizado e heteroagressivo, conforme o relato da própria paciente de que “quebrou a 
casa toda”. Esse tipo de comportamento se encaixa nos critérios do DSM-5 (APA, 2014) 
como um dos sinais principais de transtornos psicóticos, especialmente nos episódios agudos 
de esquizofrenia. paciente afirma ter "quebrado toda a casa", o que é indicativo de 
comportamento grosseiramente desorganizado. Esse sintoma está entre os critérios 
diagnósticos principais do transtorno esquizofrênico (APA, 2014).
6
 Também foi identificada a presença de comportamento pueril, quando a paciente, ao 
final da interação, questiona se poderia estudar ou morar longe da irmã, perguntando se tinha 
idade para isso. Segundo Dalgalarrondo (2019), o comportamento pueril é caracterizado por 
atitudes infantilizadas ou imaturas fora da faixa etária, representando uma forma de regressão 
do eu diante de contextos de fragilidade. 
1.2 Hipótese Diagnóstica (Impressão Diagnóstica) 
Sendo assim é importante ressaltar que o grupo de estudantes de psicologia, teve 
apenas um contato com a paciente/usuária dos serviços do CAPS, nesse sentido foi solicitado 
um relatório, em que contempla o que foi o observado na paciente/usuária, no momento da 
visita, dentro do quadro da Esquizofrenia paranoide. Mediante ao solicitado segue abaixo os 
critérios que foram observados nesse caso; conforme os critérios diagnósticos estabelecidos 
pelo DSM-5 (APA, 2014), a esquizofrenia requer: 
Critério A: Dois (ou mais) dos seguintes sintomas durante um período de um mês (ou 
menos, se tratados com sucesso), sendo pelo menos um entre: 1) delírios, 2) alucinações, 3) 
discurso desorganizado.Descrição: Critérios: A.1 – Delírios: Presente. A paciente apresentou conteúdo delirante de 
grandeza, ao afirmar que ganharia dinheiro para ajudar os outros por meio de apostas, e 
conteúdo persecutório, ao sustentar que outras pessoas haviam roubado seus bilhetes e 
estavam com seu dinheiro. Essas ideias foram expressas com convicção, sem crítica ou 
questionamento.
 A.3 – Discurso desorganizado: Presente. O discurso da paciente foi marcado por 
tangencialidade, mudanças bruscas de tema e dificuldade de manter a lógica narrativa.
A.5 – Sintomas negativos: Presente. Observado através do embotamento afetivo, com 
diminuição da responsividade emocional diante de relatos impactantes.
7
Critério B: Prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras 
áreas importantes da vida. 
Descrição: Na situação em que ela quebra “tudo” em casa e relata que os vizinhos se 
sentem incomodados com a presença dela e que em sua rotina ela não tem interação social, 
ou seja com outras pessoas, além de sua irmã é possível evidenciar que é um ponto 
significativo no caso. Evidenciado pela internação atual e conflito com vizinhos.
Critério C: Sinais contínuos do distúrbio por pelo menos seis meses.
Descrição: Esta informação não pôde ser confirmada, pois o contato com a paciente 
foi limitado a apenas uma visita e não houve acesso a dados clínicos históricos ou de 
seguimento. A avaliação longitudinal é necessária para determinar a persistência e duração 
dos sintomas.
Critérios D e E: Exclusão de transtorno do humor com sintomas psicóticos e de 
efeitos de substâncias ou condições médicas gerais.
 Descrição: Não foi possível descartar outras causas para os sintomas psicóticos 
apresentados, pois não houve investigação clínica detalhada, exames laboratoriais ou 
histórico médico completo. Também não foram fornecidas informações sobre uso de 
substâncias psicoativas, o que impede a exclusão desses fatores. Portanto, a avaliação 
complementar é imprescindível para confirmação do diagnóstico.
 Critério F: Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da 
comunicação iniciado na infância, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado só, 
ente se delírios ou alucinações proeminentes, além dos demais sintomas exigidos de 
esquizofrenia, estão também presentes por pelo menos um mês (ou menos, se tratados com 
sucesso). 
8
 Descrição: observação necessária para esse critério não foi possível, pelo fato de ter 
sido realizado apenas uma visita, ou seja, é necessário de mais tempo e mais encontros para 
ser analisado esse critério, além da ausência de informações do usuário.
1.3 Considerações finais
Este relatório foi elaborado a partir da observação pontual da paciente KM., 45 anos, 
durante uma visita dos estudantes de Psicologia ao CAPS. Apesar da limitação imposta pelo 
número reduzido de encontros, foram identificados sinais clínicos compatíveis com um 
episódio psicótico agudo, com características sugestivas de esquizofrenia, conforme os 
critérios diagnósticos do DSM-5. A paciente apresentou delírios persecutórios, de 
grandiosidade e erotomaníacos, alucinações auditivas, táteis, psíquicas e extra-campinas, 
além de discurso prolixo, comportamento desorganizado e afetividade infantilidade. Os 
sintomas descritos atendem ao critério A para esquizofrenia, sendo o Critério B sugerido 
devido ao prejuízo funcional observado. No entanto, os critérios C, D, E e F não puderam ser 
avaliados com precisão do tempo disponível. Diante do quadro apresentado, considera-se 
plausível a hipótese diagnóstica de esquizofrenia, embora não seja possível uma conclusão 
definitiva com base apenas nesta observação. Recomenda-se o seguimento clínico contínuo, 
com a avaliação multidisciplinar e manutenção do acompanhamento pelo CAPS, priorizando 
a adesão ao tratamento medicamentoso e psicossocial, bem como o fortalecimento de redes 
de apoio.
1.4 Projeto de Intervenção 
A paciente apresenta sintomas compatíveis com um quadro de esquizofrenia do tipo 
paranoide (DSM-5: 295.90). A presença de delírios persecutórios e erotomaníacos, 
alucinações auditivas e táteis, além de alterações do pensamento e comportamentos 
desorganizados, interfere diretamente em sua qualidade de vida, funcionalidade e vínculos 
interpessoais. Esses sintomas evidenciam um sofrimento psíquico significativo, impactando 
9
negativamente sua autonomia, comunicação e inserção social. O projeto de intervenção tem 
como objetivo a redução do sofrimento psíquico, com maior foco nas alucinações e delírios, 
fazendo com que tenha um desenvolvimento maior sobre sua condição clínica, uma melhoria 
no funcionamento social e da autonomia.
1.5 Objetivo da Intervenção 
O principal objetivo desta intervenção é promover a reestruturação e melhora do 
sofrimento psíquico da entrevistada, reduzindo a intensidade dos sintomas psicóticos para pôr 
fim melhorar sua qualidade de vida e sua autonomia. Pretende-se a criação de um ambiente 
terapêutico seguro e acolhedor que permita o desenvolvimento de estratégias, suporte 
emocional e habilidades funcionais para o indivíduo.
Sendo assim a paciente KM apresenta sintomas de delírio (religiosos, persecutórios e 
erotomaníacos), alucinação auditiva e comportamento desorganizado sendo estes sintomas os 
quais serão alvos terapêuticos e trabalhados no plano de intervenção.
1.6 Metodologia da Intervenção
A intervenção será fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), 
conforme proposta descrita por Lopes, Mota e Silva (2018), sendo estruturada, focal e 
educativa. O trabalho será desenvolvido por meio da conceituação cognitiva do caso, com 
ênfase na identificação de pensamentos automáticos, crenças intermediárias e centrais 
relacionadas aos sintomas psicóticos apresentados pela paciente. As técnicas utilizadas 
incluirão questionamento socrático, seta descendente, descoberta guiada, normalização de 
sintomas e experimentos comportamentais, com o objetivo de promover reestruturação 
cognitiva, redução de estresse e manejo dos sintomas positivos e negativos da esquizofrenia. 
Na intervenção também serão utilizadas estratégias de psicoeducação sobre o transtorno e 
seus sintomas, visando aumentar a compreensão do paciente sobre sua condição. Sempre que 
10
possível, será promovido o envolvimento de familiares e equipe multidisciplinar como 
suporte à adesão ao tratamento e à ampliação da rede de apoio.
1.7 Participantes Envolvidos
A intervenção será construída por uma equipe multiprofissional que inclui, psiquiatra 
que será responsável pelo acompanhamento clínico principalmente relacionada às 
medicações, junto a este psicólogo que irá conduzir psicoterapias individuais focadas no 
manejo de sintomas e construção da realidade. Ademais os enfermeiros que forneceram um 
acompanhamento diário e observação de crises, também será necessário Terapeuta 
Ocupacional para realização de atividades que resgatem funções cognitivas e habilidades 
sociais. Diante do exposto é visto que a rede de apoio familiar também se faz necessário com 
sessões de psicoeducação para compreensão do sofrimento psíquico do indivíduo e criação de 
um vínculo.
1.8 Local da intervenção
Com relação ao local de intervenção, a variação dos locais para intervir é importante 
pois desta forma amplia se consideravelmente seu efeito e êxito e permite que o sujeito 
compreenda de forma mais profunda as diferentes realidades de acordo com o contexto. 
Sendo assim, um dos ambientes será o clínico que condiz com os consultórios para 
realização de consultas, psicoterapia e sessões terapêuticas estruturadas. Junto a este o 
ambiente domiciliar no qual será realizado visitas para avaliar o ambiente familiar e social 
oferecendo suporte e promovendo a reintegração. Além disso, espaços comunitários em que o 
indivíduoparticipa de grupos terapêuticos, realizando oficinas com atividades de pintura e 
crochê, por exemplo, ou atividades comunitárias que estimulem a socialização.
 Logo, conclui-se que este plano precisa ser flexível, respeitando o andamento e as 
características singular do sujeito, valorizando a sua autonomia. Para resultados eficientes e 
benéficos depende do trabalho em coletivo dos integrantes do plano, envolvimento do 
11
paciente e de sua rede de apoio, visto que cada um destes possui sua importância que é 
insubstituível. A criação de um ambiente terapêutico humanizado e acolhedor é, portanto, 
indispensável. 
1.9 Conclusão da hipótese diagnóstica:
A paciente apresenta forte suspeita diagnóstica de esquizofrenia (DSM-5: 295.90). 
Contudo, por ausência de dados sobre duração dos sintomas e exclusão de causas orgânicas 
ou afetivas, trata-se de uma hipótese diagnóstica ainda não conclusiva, exigindo 
acompanhamento e avaliação contínuos
12
Caso 2
A paciente M.L., de 48 anos, é usuária de longo período do Centro de Atenção 
Psicossocial (CAPS), onde realiza acompanhamento contínuo em virtude de um quadro 
psicótico crônico. Atualmente reside com seu esposo. Não foram relatadas informações sobre 
sua escolaridade, histórico laboral, condições médicas não psiquiátricas ou fonte de renda.
De acordo com sua narrativa, casou-se aos 24 anos e iniciou os primeiros sintomas de 
sofrimento psíquico após vivenciar situações traumáticas em sua história familiar, incluindo 
episódios de violência doméstica e a perda de sua tia, eventos que marcaram negativamente 
seu desenvolvimento emocional.
M.L. relata que, após esses eventos, passou a ser internada na Colônia, local onde 
afirma ter vivido os “piores dias” de sua vida. Nesse ambiente, refere ter sido submetida a 
situações de negligência, maus-tratos e violência sexual, incluindo três episódios de estupro 
cometidos por outras usuárias. Os relatos desses traumas são apresentados de maneira 
apática, sem demonstração de sofrimento emocional aparente, sugerindo a presença de 
mecanismos defensivos como a dessensibilização e a dissociação, frequentemente observados 
em indivíduos com histórico de trauma complexo.
Durante a escuta clínica, a paciente narrou repetidas vezes que costumava jogar na 
loteria e que, com o dinheiro que ganharia, utilizaria o dinheiro para ajudar os outros. 
Afirmava com convicção que outras pessoas haviam pegado seus bilhetes e estavam com o 
dinheiro que lhe pertencia. Essas falas foram reiteradas em diversos momentos da entrevista, 
mesmo quando o foco da conversa era outro, e foram acompanhadas por afetividade 
congruente com a convicção da paciente, o que chamou atenção da equipe.
1.2 Sintomatologia Identificada
Durante a escuta clínica realizada no CAPS, foram observadas alterações nos 
processos psíquicos de pensamento, linguagem, afetividade e comportamento. No domínio do 
13
pensamento, M.L. apresentou discurso desorganizado, com respostas tangenciais, mudanças 
abruptas de assunto e perda da linearidade argumentativa, o que prejudicou a compreensão de 
sua narrativa (Dalgalarrondo, 2019).
Também foram observadas alterações no conteúdo do pensamento, com presença de 
delírios de grandeza e delírios persecutórios. A paciente afirmou diversas vezes que jogava na 
loteria e que, ao ganhar, utilizaria o dinheiro para ajudar os outros, demonstrando convicção 
desproporcional à realidade, configurando delírio de grandeza (Dalgalarrondo, 2019). 
Simultaneamente, relatava que seus bilhetes haviam sido furtados por outras pessoas, que 
agora estavam com o dinheiro, o que expressa a presença de ideias persecutórias. Esses 
conteúdos estão de acordo com o DSM-5 (APA, 2022), que descreve delírios como crenças 
fixas e falsas, que não são influenciadas por argumentos lógicos ou explicações alternativas.
No aspecto afetivo, observou-se embotamento afetivo, evidenciado pela ausência de 
expressividade emocional durante o relato de eventos traumáticos, como os episódios de 
abuso na instituição onde foi internada. A paciente demonstrava tom de voz monótono, 
expressão facial neutra e nenhuma reação proporcional ao conteúdo emocional dos relatos.
A linguagem foi marcada por hipernarratividade — fala prolixa, circular e repetitiva 
—, com dificuldade em manter foco no tema abordado. Essa característica pode estar 
associada à tentativa de simbolização psíquica das vivências traumáticas, como discutido por 
Davoine e Gaudillière (2015).
Não foram observadas alucinações nem agitação psicomotora no momento do contato 
clínico.
1.3 Hipótese Diagnóstica (Impressão Diagnóstica)
Com base na escuta clínica e nas manifestações observadas, considera-se plausível a 
hipótese diagnóstica mais plausível é esquizofrenia com sintomas negativos proeminentes 
(APA, 2022; Dalgalarrondo, 2019), os critérios observados foram:
14
Critério A: Dois (ou mais) dos seguintes sintomas durante um período de um mês (ou 
menos, se tratados com sucesso), sendo pelo menos um entre: 1) delírios, 2) alucinações, 3) 
discurso desorganizado. 
Descrição: A.1 – Delírios: Presente. A paciente apresentou conteúdo delirante de 
grandeza, ao afirmar que ganharia dinheiro para ajudar os outros por meio de apostas, e 
conteúdo persecutório, ao sustentar que outras pessoas haviam roubado seus bilhetes e 
estavam com seu dinheiro. Essas ideias foram expressas com convicção, sem crítica ou 
questionamento.
 A.3 – Discurso desorganizado: Presente. O discurso da paciente foi marcado por 
tangencialidade, mudanças bruscas de tema e dificuldade de manter a lógica narrativa.
A.5 – Sintomas negativos: Presente. Observado através do embotamento afetivo, com 
diminuição da responsividade emocional diante de relatos impactantes.
Critério B – Prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras 
áreas importantes da vida. 
Descrição: Prejuízo no funcionamento: Presente. A paciente é acompanhada pelo 
CAPS, sem autonomia funcional plena, e apresenta prejuízos significativos na sua capacidade 
de se relacionar socialmente, de manter atividades ocupacionais e de cuidar de si de maneira 
independente.
Critério C: Sinais contínuos do distúrbio por pelo menos seis meses.
Descrição: Esta informação não pôde ser confirmada, pois o contato com a paciente 
foi limitado a apenas três visitas e não houve acesso a dados clínicos históricos ou de 
seguimento. A avaliação longitudinal é necessária para determinar a persistência e duração 
dos sintomas.
Critérios D e E: Exclusão de transtorno do humor com sintomas psicóticos e de 
efeitos de substâncias ou condições médicas gerais.
15
Descrição: Não foi possível descartar outras causas para os sintomas psicóticos 
apresentados, pois não houve investigação clínica detalhada, exames laboratoriais ou 
histórico médico completo. Também não foram fornecidas informações sobre uso de 
substâncias psicoativas, o que impede a exclusão desses fatores. Portanto, a avaliação 
complementar é imprescindível para confirmação do diagnóstico.
 Critério F: Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da 
comunicação iniciado na infância, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado só, 
ente se delírios ou alucinações proeminentes, além dos demais sintomas exigidos de 
esquizofrenia, estão também presentes por pelo menos um mês (ou menos, se tratados com 
sucesso). 
 Descrição: observação necessária para esse critério não foi possível, pelo fato de ter 
sido realizado somente três visitas, ou seja, é necessário de mais tempo e mais encontros para 
ser analisado esse critério, além da ausência de informações do usuário.
Critérios C, D, E e F: O quadro apresenta duração superior a seis meses. Não há 
indicação de episódio depressivo ou maníaco predominante. Não se observam condições 
médicas gerais ou uso de substâncias que expliquem os sintomas, tampouco histórico de 
transtornos do espectro autista.1.4 Considerações Finais
O presente relatório foi elaborado com base na escuta clínica realizada com a usuária 
M.L. no CAPS. Embora não tenha sido observado alucinações ativas durante o atendimento, 
houve manifestações importantes de alterações no pensamento, discurso desorganizado, 
embotamento afetivo, delírios de grandeza e persecutórios, associadas a prejuízo funcional 
expressivo. Tais manifestações estão compatíveis com os critérios diagnósticos de 
esquizofrenia segundo o DSM-5. Reforça-se a importância da continuidade do 
16
acompanhamento clínico e psicossocial, com foco na promoção de qualidade de vida, no 
fortalecimento de vínculos terapêuticos e na elaboração dos traumas vivenciados.
17
Caso 3
A paciente RM, de 51 anos, é usuária do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), 
onde realiza acompanhamento em virtude de um quadro psicótico. Sua escolaridade, 
ocupação atual e histórico médico prévio não foram informados. Não há registro sobre sua 
situação familiar, embora tenha sido relatado que, no dia da visita, uma mulher a 
acompanhou até o CAPS, deixando-a na recepção e se retirando em seguida, sem prestar 
maiores informações à equipe. Também não há dados disponíveis sobre uso atual ou passado 
de substâncias psicoativas. Em relação aos interesses pessoais, RM relatou gostar de assistir 
televisão e comer pipoca.
Durante a visita realizada em 27 de maio, a paciente se encontrava sedada, com sinais 
visíveis de efeito medicamentoso (lentificação, fala arrastada, diminuição da responsividade), 
o que foi atribuído pela equipe ao uso de fármacos administrados no turno da manhã. 
Segundo informações repassadas, a medicação foi necessária devido a um episódio de intensa 
agitação e agressividade apresentadas no início do dia. Na ocasião, RM caminhava inquieta, 
sem conseguir permanecer sentada, verbalizando que “a duquesa” havia roubado seu marido 
(o qual ela chamava de “Pablo”), afirmando que a via no ambiente e que pretendia agredi-la.
Durante a interação com o grupo de estudantes, a paciente expressou delírios afetivos, 
sugerindo que o professor estaria apaixonado por ela e pedindo-lhe um beijo. Também fez o 
mesmo com uma das alunas. Parte do tempo se deslocava pelo ambiente pedindo a mão de 
alguém para levá-la até “Duca”; ao chegar, dizia que ela estava dormindo, mas precisava 
encontrá-la para bater nela. 
Por fim, embora fizesse associação a nomes de figuras públicas (Pablo, Simaria, 
Duquesa) a seu discurso delirante, demonstrou, ao ver fotos, que reconhecia que essas 
pessoas não eram as mesmas de suas falas, sugerindo certo grau de consciência intermitente 
(insight parcial).
18
1.2 Sintomatologia Identificada
Durante a observação realizada no CAPS, foi visto alterações nos seguintes processos 
psíquicos; pensamento, sensopercepção, afetividade/humor e alterações do comportamento e 
da psicomotricidade, sendo compatíveis com um episódio psicótico agudo.
No que diz respeito à alteração do pensamento, identificou-se pensamento 
confusional, como quando RM relata que seu marido iria bater em sua cabeça, trocando o 
conteúdo anterior de seu discurso, no qual dizia que a duquesa bateria nela. Essa alternância 
revela um raciocínio incoerente, de curso tortuoso, conforme descrito por Dalgalarrondo 
(2019). A paciente apresentou também alteração no conteúdo do pensamento, ao referir 
sentir-se perseguida pela duquesa, afirmando repetidas vezes que ela roubou seu marido e iria 
agredi-la. Esses conteúdos se alinham ao conceito de delírios persecutórios descritos no 
DSM-5 (APA, 2014), caracterizados por crenças infundadas de estar sendo alvo de 
perseguição, ameaça ou conspiração.
No que se refere à forma do pensamento, RM demonstrou discurso desorganizado, 
evidenciado por contradições e mudanças abruptas de assunto — como quando afirmou que 
seu marido era preto, depois branco e, em seguida, moreno. Também foram observadas falas 
desconexas e sem sentido lógico, como: “Simaria chupou pirulito” e “ela vai à colônia 
comigo e me deixa amarrada”. Segundo Dalgalarrondo (2019), essa alteração é típica da 
esquizofrenia e revela uma incapacidade de organização e continuidade do pensamento, 
prejudicando o raciocínio lógico.
Quanto à sensopercepção, foram evidenciadas alucinações auditivas, com a paciente 
relatando ouvir a duquesa a chamando de “cabrunca” e ameaçando “dar porrada nela”; e 
alucinações visuais, afirmando ter visto a duquesa tanto na área de convivência do CAPS 
quanto na casa de “Simaria”. Também relatou ouvir a duquesa chamando por ela. De acordo 
19
com o DSM-5 (APA, 2014), alucinações auditivas são mais frequentes na esquizofrenia, 
enquanto as visuais tendem a ocorrer em quadros mais graves e desorganizados.
Na dimensão da afetividade, observou-se puerilidade emocional, expressa quando RM 
se aproximou de uma das discentes, apalpando-a, pedindo para mamar e ser colocada para 
dormir. Segundo Dalgalarrondo (2019), essa alteração se manifesta por meio de reações 
infantis e desajustadas ao contexto social, e pode ocorrer em estados psicóticos com perda de 
crítica e regressão do comportamento.
Quanto à alteração da psicomotricidade, a paciente se apresentou agitada no período 
da manhã, andando de um lado para o outro, gritando, xingando e demonstrando 
heteroagressividade. Além disso, desenhou figuras abstratas (representando Pablo e a 
duquesa) e escreveu uma carta de forma ilegível e trêmula. Segundo Dalgalarrondo (2019), a 
agitação psicomotora é caracterizada por movimentação excessiva, geralmente acompanhada 
de hostilidade.
O comportamento desorganizado foi outro ponto importante: RM tentava fugir da 
duquesa, dizia que precisava bater nela, gritava e corria, com base em conteúdos delirantes. 
Além disso, apresentou condutas socialmente inapropriadas, como pedir beijos ao professor e 
a uma das discentes. Para Dalgalarrondo (2019), esses comportamentos estão associados a 
quadros de delírios afetivos e perceptivos e revelam a desorganização geral do 
comportamento.
1.3 Hipótese Diagnóstica (Impressão Diagnóstica)
Sendo assim é importante ressaltar que o grupo de estudantes de psicologia, teve 
apenas um contato com a paciente/usuária dos serviços do CAPS, nesse sentido foi solicitado 
um relatório, em que contempla o que foi o observado na paciente/usuária, no momento da 
visita, dentro do quadro da Esquizofrenia. 
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Mediante ao solicitado os critérios que observados nesse caso foram conforme os 
critérios diagnósticos estabelecidos pelo DSM-5 (APA, 2014), pelo qual requer: 
Critério A: Dois (ou mais) dos seguintes sintomas durante um período de um mês (ou menos, 
se tratados com sucesso), sendo pelo menos um entre: 1) delírios, 2) alucinações, 3) discurso 
desorganizado. 
Descrição: A paciente apresentou delírios persecutórios claros, manifestando crenças 
infundadas de perseguição por parte da "duquesa". Também houve relato e demonstração de 
alucinações auditivas — escutava a “duquesa” falando e ameaçando — e visuais, ao afirmar 
ter visto a “duquesa” em diferentes locais. O discurso da paciente foi marcado por 
desorganização, com troca incoerente de informações, repetição de frases e ideias 
desconexas, evidenciando prejuízo na estrutura lógica do pensamento. Esses sintomas estão 
alinhados com o Critério A do DSM-5 e são centrais para o diagnóstico de esquizofrenia. 
Critério B: Prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas 
importantes da vida.
Descrição: B paciente encontra-se internada no CAPS, apresentando comportamentos 
agressivos e necessidade de contenção medicamentosa. Além disso, durante a visita, 
demonstrou dificuldade em manter comportamentos adequados ao ambiente, exibindo 
agitação psicomotora, confusão e impulsividade. Esses fatoresindicam um comprometimento 
grave no funcionamento global, afetando suas relações interpessoais, autocuidado e interação 
social.
Critério C: Sinais contínuos do distúrbio por pelo menos seis meses.
 Descrição: Esta informação não pôde ser confirmada, pois o contato com a paciente 
foi limitado a poucas visitas e não houve acesso a dados clínicos históricos ou de seguimento. 
A avaliação longitudinal é necessária para determinar a persistência e duração dos sintomas.
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Critérios D e E: Exclusão de transtorno do humor com sintomas psicóticos e de 
efeitos de substâncias ou condições médicas gerais.
 Descrição: Não foi possível descartar outras causas para os sintomas psicóticos 
apresentados, pois não houve investigação clínica detalhada, exames laboratoriais ou 
histórico médico completo. Também não foram fornecidas informações sobre uso de 
substâncias psicoativas, o que impede a exclusão desses fatores. Portanto, a avaliação 
complementar é imprescindível para confirmação do diagnóstico.
Critério F: Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da 
comunicação iniciado na infância, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado só, 
ente se delírios ou alucinações proeminentes, além dos demais sintomas exigidos de 
esquizofrenia, estão também presentes por pelo menos um mês (ou menos, se tratados com 
sucesso). 
 Descrição: observação necessária para esse critério não foi possível, pelo fato de ter 
sido realizado apenas uma visita, ou seja, é necessário de mais tempo e mais encontros para 
ser analisado esse critério, além da ausência de informações do usuário.
1.4 Considerações finais
O presente relatório foi elaborado com base na observação pontual da paciente RM, 
de 51 anos, durante visita dos estudantes de Psicologia ao CAPS. Embora o número limitado 
de encontros tenha impedido uma avaliação longitudinal, foram identificadas manifestações 
clínicas compatíveis com episódio psicótico agudo, com características sugestivas de 
esquizofrenia, conforme o DSM-5. A paciente apresentou delírios persecutórios, alucinações 
auditivas e visuais, discurso desorganizado, comportamento agitado e afetividade 
infantilizada. Os sintomas observados atendem ao Critério A, e o Critério B é sugerido 
devido ao prejuízo funcional. No entanto, os Critérios C, D, E e F não puderam ser avaliados 
com precisão. Assim, considera-se plausível a hipótese diagnóstica de esquizofrenia, embora 
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não conclusiva. Recomenda-se seguimento clínico contínuo, avaliação multidisciplinar e 
manutenção do acompanhamento pelo CAPS, com foco em adesão ao tratamento e suporte 
psicossocial.
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Referências
American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos 
mentais: DSM-5 (5ª ed., M. I. C. Nascimento et al., Trads.). Artmed.
American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de 
transtornos mentais – Texto revisado. Artmed.
Dalgalarrondo, P. (2019). Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais (3ª ed.). 
Artmed.
Davoine, F., & Gaudillière, J.-M. (2015). Histórias traumáticas: Da loucura à história. 
Editora 34.
Lopes, C. A., Mota, M. A. S., & Silva, M. R. (2018). Terapia cognitivo-comportamental: Um 
estudo de revisão narrativa. Caderno de Graduação – Ciências Biológicas e da 
Saúde – UNIT/AL, 4(2), 371–382. 
https://periodicosgrupotiradentes.emnuvens.com.br/cdgsaude/article/view/4577
Organização Mundial da Saúde. (1993). CID-10: Classificação estatística internacional de 
doenças e problemas relacionados à saúde.

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