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CENTRO UNIVERSITÁRIO NOBRE
BACHARELADO EM PSICOLOGIA
 
Ana Beatriz de Oliveira Gomes
Geovanna Reis Almeida
Maria Clara Patriota de Lima
Natalia de Souza Teixeira Lima
Noemí Abreu de Souza
Rafaela Carvalho Araujo
Raphaela Alves de Oliveira Soto
Taisa Conceição Santos
Relatório Caps
 
 
 
Feira de Santana, BA 
2025 
Ana Beatriz de Oliveira Gomes 
Geovanna Reis Almeida
Maria Clara Patriota de Lima 
Natalia de Souza Teixeira Lima
Noemí Abreu de Souza
Rafaela Carvalho Araujo
Raphaela Alves de Oliveira Soto
Taisa Conceição Santos
 
 
Relatório Caps 
Trabalho discente efetivo apresentado como requisito avaliativo para a disciplina Psicopatologia Avançada do curso de psicologia do Centro Universitário Nobre (UNIFAN). Docente: Márcio Santana
Feira de Santana, BA 
2025 
Caso 1
KM, 45 anos, reside na Cidade Nova, juntamente com a sua irmã, RB. Informações sobre a escolaridade, condições médicas não psiquiátricas, fonte de renda e atividade laboral não foram relatadas. A paciente não está atualmente inserida em ambiente educacional, mas manifestou desejo em retomar os estudos. Dentre as atividades de Lazer, ela relata interesse em crochê e pintura. 
	 Durante a visita realizada no CAPS no dia 13 de maio de 2025, a paciente KM demonstrou estar tranquila e colaborativa. Expressou satisfação com a rotina da instituição, mencionando que aprecia a organização dos horários, especialmente os das refeições, que descreveu como "certinhos".
Ao longo da escuta, afirmou guardar um segredo (sexo é pecado) e, em seguida, passou a relatar crenças relacionadas à religiosidade. Disse ter aversão ao sexo, considerando-o pecado, e estendeu essa visão a comportamentos de outras pessoas, como ter tatuagens, também considerados por ela atos pecaminosos. Apontando ser um valor cultural muito forte, no qual ela apresentou uma crença fixa.
 KM também mencionou ter uma filha, embora diga não se lembrar de ter passado por uma gravidez.
Por fim, contou que, em determinado momento, quebrou objetos em sua casa, afirmando ter "quebrado tudo". Sua fala foi marcada por trechos com pouca conexão temática e mudanças abruptas de assunto. Sendo que essa situação a levou a ser internada no CAPS, o que motivou ela fazer isso não foi dito por ela. 
1.1 Sintomatologia identificada 
No que diz respeito a alteração da sensopercepção foram observados alguns sintomas. Foi identificada a presença de alucinações Extra-Campinas, quando a paciente relata ter sido tocada em suas partes íntimas pelo médico através de uma ligação telefônica. Esse tipo de alucinação se caracteriza por ocorrer fora do campo sensorial possível, como descreve o DSM-5 (APA, 2014), ou seja, a percepção se dá em locais onde os sentidos não poderiam alcançar, uma manifestação típica de quadros psicóticos. 
Associado a isso, observa-se também uma alucinação tátil, visto que a paciente relata uma percepção de toque sem estímulo físico correspondente. A alucinação tátil, segundo Dalgalarrondo (2019), é aquela em que o sujeito sente sensações corporais, como toques e movimentos, sem que haja um agente externo causando esses estímulos. Com KM, ela relatou o abuso pelo telefone com o médico, especificou que ele tinha tocado em suas genitálias, o que é compatível com esse tipo de alteração sensoperceptiva. 
Também é observada a presença de alucinações psíquicas, quando a paciente afirma que engravidou de um homem que nunca viu. Essa modalidade de alucinação, segundo Dalgalarrondo (2019), envolve a percepção direta de conteúdos mentais (como ideias ou imagens) sem mediação pelos órgãos sensoriais, muitas vezes com conteúdos impossíveis no plano físico. O relato de KM da sua gravidez sem contato com o suposto pai configura essa forma de alteração perceptiva.
Ademais, foram referidas alucinações auditivas quando a paciente relata ouvir uma voz a chamando de “puta” durante o banho, mesmo estando sozinha. De acordo com o DSM-5 (APA, 2014), essas são as alucinações mais comuns nos quadros de esquizofrenia, sendo caracterizadas por percepções auditivas sem estímulo externo correspondente. Foi identificado alterações do pensamento, foi identificado um delírio erotomaníaco, evidenciado quando a paciente afirma que um médico manteve relações sexuais com ela em “em pensamento”. Esse conteúdo é compatível com o tipo de delírio em que o sujeito acredita, sem base real, que outra pessoa está apaixonada por ele ou mantém um vínculo íntimo inexistente (APA, 2014).
Além disso, é visível a presença do pensamento prolixo, onde ela tem um discurso caracterizado por um excesso de detalhes irrelevantes antes de chegar ao ponto principal da fala. Ela conseguiu voltar ao assunto, porém demora muito, desviando com informações secundárias, sem perceber o objetivo final. Um exemplo disso é quando no início da conversa ela falou sobre sexo ser pecado, porém ao tentarmos aprofundar o assunto ela começava com outro, mas voltava para a questão do sexo depois. Também se observa a presença de delírios persecutórios, ao relatar que os vizinhos desejam que ela se mude do bairro e estão conspirando contra ela. A paciente afirma estar sendo perseguida, embora não identifique claramente os motivos ou provas, o que é compatível com o conceito de delírios persecutórios descrito pelo DSM-5 (APA, 2014), caracterizados por ideias delirantes de perseguição e ameaça sem fundamento na realidade.
Além disso, foi identificada a presença de delírio de grandiosidade, quando a paciente relata que o mesmo médico que teria a assediado anteriormente faleceu. Inicialmente, ela afirma que ele morreu durante uma tentativa de assalto, mas, em outro momento, diz que ele tinha um problema cardíaco e faleceu porque ela se recusou a se envolver com ele. Toda essa narrativa atribui a KM um poder sobre a vida e a morte de outra pessoa, revelando uma percepção grandiosa de sua própria influência. 
Como manifestações das alterações do comportamento foi observado comportamento desorganizado e heteroagressivo, conforme o relato da própria paciente de que “quebrou a casa toda”. Esse tipo de comportamento se encaixa nos critérios do DSM-5 (APA, 2014) como um dos sinais principais de transtornos psicóticos, especialmente nos episódios agudos de esquizofrenia. paciente afirma ter "quebrado toda a casa", o que é indicativo de comportamento grosseiramente desorganizado. Esse sintoma está entre os critérios diagnósticos principais do transtorno esquizofrênico (APA, 2014).
 Também foi identificada a presença de comportamento pueril, quando a paciente, ao final da interação, questiona se poderia estudar ou morar longe da irmã, perguntando se tinha idade para isso. Segundo Dalgalarrondo (2019), o comportamento pueril é caracterizado por atitudes infantilizadas ou imaturas fora da faixa etária, representando uma forma de regressão do eu diante de contextos de fragilidade. 
1.2 Hipótese Diagnóstica (Impressão Diagnóstica) 
Sendo assim é importante ressaltar que o grupo de estudantes de psicologia, teve apenas um contato com a paciente/usuária dos serviços do CAPS, nesse sentido foi solicitado um relatório, em que contempla o que foi o observado na paciente/usuária, no momento da visita, dentro do quadro da Esquizofrenia paranoide. Mediante ao solicitado segue abaixo os critérios que foram observados nesse caso; conforme os critérios diagnósticos estabelecidos pelo DSM-5 (APA, 2014), a esquizofrenia requer: 
Critério A: Dois (ou mais) dos seguintes sintomas durante um período de um mês (ou menos, se tratados com sucesso), sendo pelo menos um entre: 1) delírios, 2) alucinações, 3) discurso desorganizado. Descrição: Critérios: A.1 – Delírios: Presente. A paciente apresentou conteúdo delirante de grandeza, ao afirmar que ganhariadinheiro para ajudar os outros por meio de apostas, e conteúdo persecutório, ao sustentar que outras pessoas haviam roubado seus bilhetes e estavam com seu dinheiro. Essas ideias foram expressas com convicção, sem crítica ou questionamento.
 A.3 – Discurso desorganizado: Presente. O discurso da paciente foi marcado por tangencialidade, mudanças bruscas de tema e dificuldade de manter a lógica narrativa.
A.5 – Sintomas negativos: Presente. Observado através do embotamento afetivo, com diminuição da responsividade emocional diante de relatos impactantes.
Critério B: Prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida. 
Descrição: Na situação em que ela quebra “tudo” em casa e relata que os vizinhos se sentem incomodados com a presença dela e que em sua rotina ela não tem interação social, ou seja com outras pessoas, além de sua irmã é possível evidenciar que é um ponto significativo no caso. Evidenciado pela internação atual e conflito com vizinhos.
Critério C: Sinais contínuos do distúrbio por pelo menos seis meses.
Descrição: Esta informação não pôde ser confirmada, pois o contato com a paciente foi limitado a apenas uma visita e não houve acesso a dados clínicos históricos ou de seguimento. A avaliação longitudinal é necessária para determinar a persistência e duração dos sintomas.
Critérios D e E: Exclusão de transtorno do humor com sintomas psicóticos e de efeitos de substâncias ou condições médicas gerais.
 Descrição: Não foi possível descartar outras causas para os sintomas psicóticos apresentados, pois não houve investigação clínica detalhada, exames laboratoriais ou histórico médico completo. Também não foram fornecidas informações sobre uso de substâncias psicoativas, o que impede a exclusão desses fatores. Portanto, a avaliação complementar é imprescindível para confirmação do diagnóstico.
 Critério F: Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da comunicação iniciado na infância, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado só, ente se delírios ou alucinações proeminentes, além dos demais sintomas exigidos de esquizofrenia, estão também presentes por pelo menos um mês (ou menos, se tratados com sucesso). 
 Descrição: observação necessária para esse critério não foi possível, pelo fato de ter sido realizado apenas uma visita, ou seja, é necessário de mais tempo e mais encontros para ser analisado esse critério, além da ausência de informações do usuário.
1.3 Considerações finais
Este relatório foi elaborado a partir da observação pontual da paciente KM., 45 anos, durante uma visita dos estudantes de Psicologia ao CAPS. Apesar da limitação imposta pelo número reduzido de encontros, foram identificados sinais clínicos compatíveis com um episódio psicótico agudo, com características sugestivas de esquizofrenia, conforme os critérios diagnósticos do DSM-5. A paciente apresentou delírios persecutórios, de grandiosidade e erotomaníacos, alucinações auditivas, táteis, psíquicas e extra-campinas, além de discurso prolixo, comportamento desorganizado e afetividade infantilidade. Os sintomas descritos atendem ao critério A para esquizofrenia, sendo o Critério B sugerido devido ao prejuízo funcional observado. No entanto, os critérios C, D, E e F não puderam ser avaliados com precisão do tempo disponível. Diante do quadro apresentado, considera-se plausível a hipótese diagnóstica de esquizofrenia, embora não seja possível uma conclusão definitiva com base apenas nesta observação. Recomenda-se o seguimento clínico contínuo, com a avaliação multidisciplinar e manutenção do acompanhamento pelo CAPS, priorizando a adesão ao tratamento medicamentoso e psicossocial, bem como o fortalecimento de redes de apoio.
1.4 Projeto de Intervenção 
A paciente apresenta sintomas compatíveis com um quadro de esquizofrenia do tipo paranoide (DSM-5: 295.90). A presença de delírios persecutórios e erotomaníacos, alucinações auditivas e táteis, além de alterações do pensamento e comportamentos desorganizados, interfere diretamente em sua qualidade de vida, funcionalidade e vínculos interpessoais. Esses sintomas evidenciam um sofrimento psíquico significativo, impactando negativamente sua autonomia, comunicação e inserção social. O projeto de intervenção tem como objetivo a redução do sofrimento psíquico, com maior foco nas alucinações e delírios, fazendo com que tenha um desenvolvimento maior sobre sua condição clínica, uma melhoria no funcionamento social e da autonomia.
1.5 Objetivo da Intervenção 
O principal objetivo desta intervenção é promover a reestruturação e melhora do sofrimento psíquico da entrevistada, reduzindo a intensidade dos sintomas psicóticos para pôr fim melhorar sua qualidade de vida e sua autonomia. Pretende-se a criação de um ambiente terapêutico seguro e acolhedor que permita o desenvolvimento de estratégias, suporte emocional e habilidades funcionais para o indivíduo.
Sendo assim a paciente KM apresenta sintomas de delírio (religiosos, persecutórios e erotomaníacos), alucinação auditiva e comportamento desorganizado sendo estes sintomas os quais serão alvos terapêuticos e trabalhados no plano de intervenção.
1.6 Metodologia da Intervenção
A intervenção será fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), conforme proposta descrita por Lopes, Mota e Silva (2018), sendo estruturada, focal e educativa. O trabalho será desenvolvido por meio da conceituação cognitiva do caso, com ênfase na identificação de pensamentos automáticos, crenças intermediárias e centrais relacionadas aos sintomas psicóticos apresentados pela paciente. As técnicas utilizadas incluirão questionamento socrático, seta descendente, descoberta guiada, normalização de sintomas e experimentos comportamentais, com o objetivo de promover reestruturação cognitiva, redução de estresse e manejo dos sintomas positivos e negativos da esquizofrenia. Na intervenção também serão utilizadas estratégias de psicoeducação sobre o transtorno e seus sintomas, visando aumentar a compreensão do paciente sobre sua condição. Sempre que possível, será promovido o envolvimento de familiares e equipe multidisciplinar como suporte à adesão ao tratamento e à ampliação da rede de apoio.
1.7 Participantes Envolvidos
A intervenção será construída por uma equipe multiprofissional que inclui, psiquiatra que será responsável pelo acompanhamento clínico principalmente relacionada às medicações, junto a este psicólogo que irá conduzir psicoterapias individuais focadas no manejo de sintomas e construção da realidade. Ademais os enfermeiros que forneceram um acompanhamento diário e observação de crises, também será necessário Terapeuta Ocupacional para realização de atividades que resgatem funções cognitivas e habilidades sociais. Diante do exposto é visto que a rede de apoio familiar também se faz necessário com sessões de psicoeducação para compreensão do sofrimento psíquico do indivíduo e criação de um vínculo.
1.8 Local da intervenção
Com relação ao local de intervenção, a variação dos locais para intervir é importante pois desta forma amplia se consideravelmente seu efeito e êxito e permite que o sujeito compreenda de forma mais profunda as diferentes realidades de acordo com o contexto. 
Sendo assim, um dos ambientes será o clínico que condiz com os consultórios para realização de consultas, psicoterapia e sessões terapêuticas estruturadas. Junto a este o ambiente domiciliar no qual será realizado visitas para avaliar o ambiente familiar e social oferecendo suporte e promovendo a reintegração. Além disso, espaços comunitários em que o indivíduo participa de grupos terapêuticos, realizando oficinas com atividades de pintura e crochê, por exemplo, ou atividades comunitárias que estimulem a socialização.
 Logo, conclui-se que este plano precisa ser flexível, respeitando o andamento e as características singular do sujeito, valorizando a sua autonomia. Para resultadoseficientes e benéficos depende do trabalho em coletivo dos integrantes do plano, envolvimento do paciente e de sua rede de apoio, visto que cada um destes possui sua importância que é insubstituível. A criação de um ambiente terapêutico humanizado e acolhedor é, portanto, indispensável. 	
1.9 Conclusão da hipótese diagnóstica:
A paciente apresenta forte suspeita diagnóstica de esquizofrenia (DSM-5: 295.90). Contudo, por ausência de dados sobre duração dos sintomas e exclusão de causas orgânicas ou afetivas, trata-se de uma hipótese diagnóstica ainda não conclusiva, exigindo acompanhamento e avaliação contínuos
Caso 2
A paciente M.L., de 48 anos, é usuária de longo período do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde realiza acompanhamento contínuo em virtude de um quadro psicótico crônico. Atualmente reside com seu esposo. Não foram relatadas informações sobre sua escolaridade, histórico laboral, condições médicas não psiquiátricas ou fonte de renda.
De acordo com sua narrativa, casou-se aos 24 anos e iniciou os primeiros sintomas de sofrimento psíquico após vivenciar situações traumáticas em sua história familiar, incluindo episódios de violência doméstica e a perda de sua tia, eventos que marcaram negativamente seu desenvolvimento emocional.
M.L. relata que, após esses eventos, passou a ser internada na Colônia, local onde afirma ter vivido os “piores dias” de sua vida. Nesse ambiente, refere ter sido submetida a situações de negligência, maus-tratos e violência sexual, incluindo três episódios de estupro cometidos por outras usuárias. Os relatos desses traumas são apresentados de maneira apática, sem demonstração de sofrimento emocional aparente, sugerindo a presença de mecanismos defensivos como a dessensibilização e a dissociação, frequentemente observados em indivíduos com histórico de trauma complexo.
Durante a escuta clínica, a paciente narrou repetidas vezes que costumava jogar na loteria e que, com o dinheiro que ganharia, utilizaria o dinheiro para ajudar os outros. Afirmava com convicção que outras pessoas haviam pegado seus bilhetes e estavam com o dinheiro que lhe pertencia. Essas falas foram reiteradas em diversos momentos da entrevista, mesmo quando o foco da conversa era outro, e foram acompanhadas por afetividade congruente com a convicção da paciente, o que chamou atenção da equipe.
1.2 Sintomatologia Identificada
Durante a escuta clínica realizada no CAPS, foram observadas alterações nos processos psíquicos de pensamento, linguagem, afetividade e comportamento. No domínio do pensamento, M.L. apresentou discurso desorganizado, com respostas tangenciais, mudanças abruptas de assunto e perda da linearidade argumentativa, o que prejudicou a compreensão de sua narrativa (Dalgalarrondo, 2019).
Também foram observadas alterações no conteúdo do pensamento, com presença de delírios de grandeza e delírios persecutórios. A paciente afirmou diversas vezes que jogava na loteria e que, ao ganhar, utilizaria o dinheiro para ajudar os outros, demonstrando convicção desproporcional à realidade, configurando delírio de grandeza (Dalgalarrondo, 2019). Simultaneamente, relatava que seus bilhetes haviam sido furtados por outras pessoas, que agora estavam com o dinheiro, o que expressa a presença de ideias persecutórias. Esses conteúdos estão de acordo com o DSM-5 (APA, 2022), que descreve delírios como crenças fixas e falsas, que não são influenciadas por argumentos lógicos ou explicações alternativas.
No aspecto afetivo, observou-se embotamento afetivo, evidenciado pela ausência de expressividade emocional durante o relato de eventos traumáticos, como os episódios de abuso na instituição onde foi internada. A paciente demonstrava tom de voz monótono, expressão facial neutra e nenhuma reação proporcional ao conteúdo emocional dos relatos.
A linguagem foi marcada por hipernarratividade — fala prolixa, circular e repetitiva —, com dificuldade em manter foco no tema abordado. Essa característica pode estar associada à tentativa de simbolização psíquica das vivências traumáticas, como discutido por Davoine e Gaudillière (2015).
Não foram observadas alucinações nem agitação psicomotora no momento do contato clínico.
1.3 Hipótese Diagnóstica (Impressão Diagnóstica)
Com base na escuta clínica e nas manifestações observadas, considera-se plausível a hipótese diagnóstica mais plausível é esquizofrenia com sintomas negativos proeminentes (APA, 2022; Dalgalarrondo, 2019), os critérios observados foram:
Critério A: Dois (ou mais) dos seguintes sintomas durante um período de um mês (ou menos, se tratados com sucesso), sendo pelo menos um entre: 1) delírios, 2) alucinações, 3) discurso desorganizado. 
Descrição: A.1 – Delírios: Presente. A paciente apresentou conteúdo delirante de grandeza, ao afirmar que ganharia dinheiro para ajudar os outros por meio de apostas, e conteúdo persecutório, ao sustentar que outras pessoas haviam roubado seus bilhetes e estavam com seu dinheiro. Essas ideias foram expressas com convicção, sem crítica ou questionamento.
 A.3 – Discurso desorganizado: Presente. O discurso da paciente foi marcado por tangencialidade, mudanças bruscas de tema e dificuldade de manter a lógica narrativa.
A.5 – Sintomas negativos: Presente. Observado através do embotamento afetivo, com diminuição da responsividade emocional diante de relatos impactantes.
Critério B – Prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida. 
Descrição: Prejuízo no funcionamento: Presente. A paciente é acompanhada pelo CAPS, sem autonomia funcional plena, e apresenta prejuízos significativos na sua capacidade de se relacionar socialmente, de manter atividades ocupacionais e de cuidar de si de maneira independente.
Critério C: Sinais contínuos do distúrbio por pelo menos seis meses.
Descrição: Esta informação não pôde ser confirmada, pois o contato com a paciente foi limitado a apenas três visitas e não houve acesso a dados clínicos históricos ou de seguimento. A avaliação longitudinal é necessária para determinar a persistência e duração dos sintomas.
Critérios D e E: Exclusão de transtorno do humor com sintomas psicóticos e de efeitos de substâncias ou condições médicas gerais.
Descrição: Não foi possível descartar outras causas para os sintomas psicóticos apresentados, pois não houve investigação clínica detalhada, exames laboratoriais ou histórico médico completo. Também não foram fornecidas informações sobre uso de substâncias psicoativas, o que impede a exclusão desses fatores. Portanto, a avaliação complementar é imprescindível para confirmação do diagnóstico.
 Critério F: Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da comunicação iniciado na infância, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado só, ente se delírios ou alucinações proeminentes, além dos demais sintomas exigidos de esquizofrenia, estão também presentes por pelo menos um mês (ou menos, se tratados com sucesso). 
 Descrição: observação necessária para esse critério não foi possível, pelo fato de ter sido realizado somente três visitas, ou seja, é necessário de mais tempo e mais encontros para ser analisado esse critério, além da ausência de informações do usuário.
Critérios C, D, E e F: O quadro apresenta duração superior a seis meses. Não há indicação de episódio depressivo ou maníaco predominante. Não se observam condições médicas gerais ou uso de substâncias que expliquem os sintomas, tampouco histórico de transtornos do espectro autista.
1.4 Considerações Finais
O presente relatório foi elaborado com base na escuta clínica realizada com a usuária M.L. no CAPS. Embora não tenha sido observado alucinações ativas durante o atendimento, houve manifestações importantes de alterações no pensamento, discurso desorganizado, embotamento afetivo, delírios de grandeza e persecutórios, associadas a prejuízo funcional expressivo. Tais manifestações estão compatíveis com os critérios diagnósticos de esquizofrenia segundo o DSM-5. Reforça-se a importância da continuidadedo acompanhamento clínico e psicossocial, com foco na promoção de qualidade de vida, no fortalecimento de vínculos terapêuticos e na elaboração dos traumas vivenciados.
Caso 3
A paciente RM, de 51 anos, é usuária do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde realiza acompanhamento em virtude de um quadro psicótico. Sua escolaridade, ocupação atual e histórico médico prévio não foram informados. Não há registro sobre sua situação familiar, embora tenha sido relatado que, no dia da visita, uma mulher a acompanhou até o CAPS, deixando-a na recepção e se retirando em seguida, sem prestar maiores informações à equipe. Também não há dados disponíveis sobre uso atual ou passado de substâncias psicoativas. Em relação aos interesses pessoais, RM relatou gostar de assistir televisão e comer pipoca.
Durante a visita realizada em 27 de maio, a paciente se encontrava sedada, com sinais visíveis de efeito medicamentoso (lentificação, fala arrastada, diminuição da responsividade), o que foi atribuído pela equipe ao uso de fármacos administrados no turno da manhã. Segundo informações repassadas, a medicação foi necessária devido a um episódio de intensa agitação e agressividade apresentadas no início do dia. Na ocasião, RM caminhava inquieta, sem conseguir permanecer sentada, verbalizando que “a duquesa” havia roubado seu marido (o qual ela chamava de “Pablo”), afirmando que a via no ambiente e que pretendia agredi-la.
Durante a interação com o grupo de estudantes, a paciente expressou delírios afetivos, sugerindo que o professor estaria apaixonado por ela e pedindo-lhe um beijo. Também fez o mesmo com uma das alunas. Parte do tempo se deslocava pelo ambiente pedindo a mão de alguém para levá-la até “Duca”; ao chegar, dizia que ela estava dormindo, mas precisava encontrá-la para bater nela. 
Por fim, embora fizesse associação a nomes de figuras públicas (Pablo, Simaria, Duquesa) a seu discurso delirante, demonstrou, ao ver fotos, que reconhecia que essas pessoas não eram as mesmas de suas falas, sugerindo certo grau de consciência intermitente (insight parcial).
1.2 Sintomatologia Identificada
Durante a observação realizada no CAPS, foi visto alterações nos seguintes processos psíquicos; pensamento, sensopercepção, afetividade/humor e alterações do comportamento e da psicomotricidade, sendo compatíveis com um episódio psicótico agudo.
No que diz respeito à alteração do pensamento, identificou-se pensamento confusional, como quando RM relata que seu marido iria bater em sua cabeça, trocando o conteúdo anterior de seu discurso, no qual dizia que a duquesa bateria nela. Essa alternância revela um raciocínio incoerente, de curso tortuoso, conforme descrito por Dalgalarrondo (2019). A paciente apresentou também alteração no conteúdo do pensamento, ao referir sentir-se perseguida pela duquesa, afirmando repetidas vezes que ela roubou seu marido e iria agredi-la. Esses conteúdos se alinham ao conceito de delírios persecutórios descritos no DSM-5 (APA, 2014), caracterizados por crenças infundadas de estar sendo alvo de perseguição, ameaça ou conspiração.
No que se refere à forma do pensamento, RM demonstrou discurso desorganizado, evidenciado por contradições e mudanças abruptas de assunto — como quando afirmou que seu marido era preto, depois branco e, em seguida, moreno. Também foram observadas falas desconexas e sem sentido lógico, como: “Simaria chupou pirulito” e “ela vai à colônia comigo e me deixa amarrada”. Segundo Dalgalarrondo (2019), essa alteração é típica da esquizofrenia e revela uma incapacidade de organização e continuidade do pensamento, prejudicando o raciocínio lógico.
Quanto à sensopercepção, foram evidenciadas alucinações auditivas, com a paciente relatando ouvir a duquesa a chamando de “cabrunca” e ameaçando “dar porrada nela”; e alucinações visuais, afirmando ter visto a duquesa tanto na área de convivência do CAPS quanto na casa de “Simaria”. Também relatou ouvir a duquesa chamando por ela. De acordo com o DSM-5 (APA, 2014), alucinações auditivas são mais frequentes na esquizofrenia, enquanto as visuais tendem a ocorrer em quadros mais graves e desorganizados.
Na dimensão da afetividade, observou-se puerilidade emocional, expressa quando RM se aproximou de uma das discentes, apalpando-a, pedindo para mamar e ser colocada para dormir. Segundo Dalgalarrondo (2019), essa alteração se manifesta por meio de reações infantis e desajustadas ao contexto social, e pode ocorrer em estados psicóticos com perda de crítica e regressão do comportamento.
Quanto à alteração da psicomotricidade, a paciente se apresentou agitada no período da manhã, andando de um lado para o outro, gritando, xingando e demonstrando heteroagressividade. Além disso, desenhou figuras abstratas (representando Pablo e a duquesa) e escreveu uma carta de forma ilegível e trêmula. Segundo Dalgalarrondo (2019), a agitação psicomotora é caracterizada por movimentação excessiva, geralmente acompanhada de hostilidade.
O comportamento desorganizado foi outro ponto importante: RM tentava fugir da duquesa, dizia que precisava bater nela, gritava e corria, com base em conteúdos delirantes. Além disso, apresentou condutas socialmente inapropriadas, como pedir beijos ao professor e a uma das discentes. Para Dalgalarrondo (2019), esses comportamentos estão associados a quadros de delírios afetivos e perceptivos e revelam a desorganização geral do comportamento.
1.3 Hipótese Diagnóstica (Impressão Diagnóstica)
Sendo assim é importante ressaltar que o grupo de estudantes de psicologia, teve apenas um contato com a paciente/usuária dos serviços do CAPS, nesse sentido foi solicitado um relatório, em que contempla o que foi o observado na paciente/usuária, no momento da visita, dentro do quadro da Esquizofrenia. 
Mediante ao solicitado os critérios que observados nesse caso foram conforme os critérios diagnósticos estabelecidos pelo DSM-5 (APA, 2014), pelo qual requer: Critério A: Dois (ou mais) dos seguintes sintomas durante um período de um mês (ou menos, se tratados com sucesso), sendo pelo menos um entre: 1) delírios, 2) alucinações, 3) discurso desorganizado. Descrição: A paciente apresentou delírios persecutórios claros, manifestando crenças infundadas de perseguição por parte da "duquesa". Também houve relato e demonstração de alucinações auditivas — escutava a “duquesa” falando e ameaçando — e visuais, ao afirmar ter visto a “duquesa” em diferentes locais. O discurso da paciente foi marcado por desorganização, com troca incoerente de informações, repetição de frases e ideias desconexas, evidenciando prejuízo na estrutura lógica do pensamento. Esses sintomas estão alinhados com o Critério A do DSM-5 e são centrais para o diagnóstico de esquizofrenia. Critério B: Prejuízo significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida.
Descrição: B paciente encontra-se internada no CAPS, apresentando comportamentos agressivos e necessidade de contenção medicamentosa. Além disso, durante a visita, demonstrou dificuldade em manter comportamentos adequados ao ambiente, exibindo agitação psicomotora, confusão e impulsividade. Esses fatores indicam um comprometimento grave no funcionamento global, afetando suas relações interpessoais, autocuidado e interação social.
Critério C: Sinais contínuos do distúrbio por pelo menos seis meses.
 Descrição: Esta informação não pôde ser confirmada, pois o contato com a paciente foi limitado a poucas visitas e não houve acesso a dados clínicos históricos ou de seguimento. A avaliação longitudinal é necessária para determinar a persistência e duração dos sintomas.
Critérios D e E: Exclusão de transtorno do humor com sintomas psicóticos e de efeitos de substâncias ou condiçõesmédicas gerais.
 Descrição: Não foi possível descartar outras causas para os sintomas psicóticos apresentados, pois não houve investigação clínica detalhada, exames laboratoriais ou histórico médico completo. Também não foram fornecidas informações sobre uso de substâncias psicoativas, o que impede a exclusão desses fatores. Portanto, a avaliação complementar é imprescindível para confirmação do diagnóstico.
Critério F: Se há história de transtorno do espectro autista ou de um transtorno da comunicação iniciado na infância, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é realizado só, ente se delírios ou alucinações proeminentes, além dos demais sintomas exigidos de esquizofrenia, estão também presentes por pelo menos um mês (ou menos, se tratados com sucesso). 
 Descrição: observação necessária para esse critério não foi possível, pelo fato de ter sido realizado apenas uma visita, ou seja, é necessário de mais tempo e mais encontros para ser analisado esse critério, além da ausência de informações do usuário.
1.4 Considerações finais
O presente relatório foi elaborado com base na observação pontual da paciente RM, de 51 anos, durante visita dos estudantes de Psicologia ao CAPS. Embora o número limitado de encontros tenha impedido uma avaliação longitudinal, foram identificadas manifestações clínicas compatíveis com episódio psicótico agudo, com características sugestivas de esquizofrenia, conforme o DSM-5. A paciente apresentou delírios persecutórios, alucinações auditivas e visuais, discurso desorganizado, comportamento agitado e afetividade infantilizada. Os sintomas observados atendem ao Critério A, e o Critério B é sugerido devido ao prejuízo funcional. No entanto, os Critérios C, D, E e F não puderam ser avaliados com precisão. Assim, considera-se plausível a hipótese diagnóstica de esquizofrenia, embora não conclusiva. Recomenda-se seguimento clínico contínuo, avaliação multidisciplinar e manutenção do acompanhamento pelo CAPS, com foco em adesão ao tratamento e suporte psicossocial.
Referências
American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 (5ª ed., M. I. C. Nascimento et al., Trads.). Artmed.
American Psychiatric Association. (2022). DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – Texto revisado. Artmed.
Dalgalarrondo, P. (2019). Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais (3ª ed.). Artmed.
Davoine, F., & Gaudillière, J.-M. (2015). Histórias traumáticas: Da loucura à história. Editora 34.
Lopes, C. A., Mota, M. A. S., & Silva, M. R. (2018). Terapia cognitivo-comportamental: Um estudo de revisão narrativa. Caderno de Graduação – Ciências Biológicas e da Saúde – UNIT/AL, 4(2), 371–382. https://periodicosgrupotiradentes.emnuvens.com.br/cdgsaude/article/view/4577
Organização Mundial da Saúde. (1993). CID-10: Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde.
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