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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO
DISCIPLINA: PATRIMÔNIO CULTURAL EDIFICADO
PROFª.: SOLANGE MARIA DE OLIVEIRA SCHRAMM
MONOGRAFIA SIMPLIFICADA SOBRE
O SÍTIO HISTÓRICO DE OLINDA
FELIPE DE MELO SOUSA
JOÃO PEDRO PEIXOTO SILVA
FORTALEZA - CE
DEZEMBRO/2023
SUMÁRIO
Introdução.................................................................................................................................3
1. Desafios do processo de tombamento................................................................................. 4
2. Gestão do sítio histórico pelos órgãos competentes............................................................ 6
3. Relação entre o cotidiano da cidade e a existência do sítio histórico.................................. 7
4. A participação popular no processo de tombamento e gestão.............................................7
5.Novas intervenções em áreas urbanas tombadas.................................................................8
6.Pedagogia da preservação urbana em sítios históricos...................................................... 10
Referências Bibliográficas...................................................................................................... 11
Introdução
O sítio histórico de Olinda corresponde ao plano de ocupação colonial portguês a
partir do século XVI. A cidade começou a ser ocupada desde que ainda era vila, sob
comando de Duarte Coelho, a quem foi destinada a responsabilidade de administrar a
Capitania de Pernambuco. Um dos fatores que promoveu a ocupação da vila, se deu pelos
seus privilégios naturais, que favoreciam a defesa militar. A proximidade com engenhos de
cana-de-açúcar, próximo às várzeas dos rios, e com o porto, que era o de Recife, no
momento da ocupação, foi reflexo para a ocupação primitiva da Vila de Olinda.
.O sítio histórico de Olinda abrange uma área de 1,2 quilômetros quadrado e cerca
de 1.500 imóveis, os quais testemunham diferentes estilos arquitetônicos: edifícios coloniais
do século XVI harmonizam-se às fachadas de azulejos dos séculos XVIII e XIX e às obras
Neoclássicas, Ecléticas e Art Déco do início do século XX. O traçado urbano é característico
dos povoados portugueses de origem medieval, o que é intensificado pela paisagem e
localização. O perímetro de tombamento do Sítio Histórico de Olinda compreende os bairros
do Varadouro, Carmo, Amparo, Bonsucesso, Amaro Branco e Mont; (PASSOS,2016)
Figura 01 - Bairros que correspondem o perímetro do Sítio Histórico de Olinda
Fonte: Passos, 2016
Figura 02 - Mapa da Notificação n. 1.155/79, que delimita o Polígono de
Preservação de Olinda (em verde) e o Polígono de Tombamento (em vermelho);
Fonte: Acervo SPHAN
1. Desafios do processo de tombamento.
Em relação às dificuldades com relação ao tombamento de Olinda, constata-se que
devido sua diversidade paisagística, seu traçado urbano e edificações monumentais, fizeram
com que a oficialização da cidade como sítio histórico fosse algo premeditado. O principal
motivo para tornar a cidade em patrimônio se deu pelo avanço da Urbanização de Recife,
que ameaçava o estado de conservação de Olinda.
A cidade iniciou seu processo de tombamento, primeiramente, por alguns edifícios
individuais, para em seguida ser denominado como sítio histórico. A partir da implantação do
decreto-lei n°25/1937, o cenário nacional de preservação passou por profundas
transformações com aumento dos tombamentos isolados em Olinda, tendo a legislação
interrompido diversas ações que poderiam comprometer a essência das belezas existentes.
De acordo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Olinda foi a
segunda cidade brasileira a ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade
pela Unesco, em 1982, após Ouro Preto (MG), e seu conjunto arquitetônico, urbanístico e
paisagístico havia sido tombado, em 1968. Destacam-se, na cidade, excepcionais exemplos
de arquitetura religiosa dos séculos XVI e XVII, como o Convento e Igreja de Nossa Senhora
do Carmo (Figura 03) , e o Convento de Nossa Senhora das Neves que integra o conjunto
arquitetônico do Convento de São Francisco (Figura 04)
De acordo com Barreto e Lira (2022), as justificativas apresentadas pelo arquiteto
Augusto de Silva Telles, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Rio de
Janeiro — Iphan RJ, destacavam as qualidades paisagísticas e urbanísticas do sítio:
“A cidade aparece, ainda hoje, imersa e envolvida em densa
arborização que a enfeita e lhe confere graça excepcional. [...] são
poucas as construções irrecuperáveis para um plano geral de
restauração. Existem algumas, mas essas se perdem entre as de
boa origem, não chegando a comprometer o conjunto. Mesmo na
área litorânea, a zona nova, os prédios possuem, no máximo três
pavimentos. Cremos, por isto, que ainda é tempo de salvar-se
Olinda, e urge que isto se faça rápido, antes que a febre imobiliária a
descubra e a desfigure por completo” .
Dessa forma, entende-se que as paisagens ricas, as diversas tipologias
arquitetônicas, com inúmeras períodos históricos somados às festividades e traços
imateriais, fazem com que Olinda seja um dos mais importantes sítios históricos do Brasil.
Figura 03 - Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo,
Fonte: IPHAN, 2023.
Figura 04 - Convento de Nossa Senhora das Neves e Convento de São Francisco.
Fonte: IPHAN, 2023.
2. Gestão do sítio histórico pelos órgãos competentes
Após a gestão passar por diversos órgãos (como o Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, o Sistema Municipal de Preservação e a Fundação Centro de
Preservação dos Sítios Históricos de Olinda) em 1994, suas atribuições foram direcionadas
para a Secretaria do Patrimônio Cultural e Turismo (SEPACTUR). Em 2005 o controle
urbanístico de Olinda foi centralizado na antiga SEPLAMA, passando o disciplinamento do
Sítio Histórico a ficar integrado ao de todo o município. Atualmente, o controle urbanístico é
exercido pela Secretaria de Meio Ambiente Urbano e Natural.
Dentre as atribuições da Secretaria de Patrimônio, Cultura, Turismo de Olinda estão:
● definir, regulamentar e implementar a política municipal da cultura, do patrimônio
material e imaterial, em articulação com os conselhos municipais e entidades
representativas dos diferentes segmentos da sociedade;
● administrar e manter os espaços e equipamentos públicos municipais inseridos no
Polígono de Tombamento dos Sítios Históricos de Olinda;
● exercer a proteção e preservação, fortalecimento e difusão do patrimônio material e
imaterial, através da educação, conscientização e mobilização social;
● apoiar, promover, desenvolver e fomentar, em parceria com o setor público, a
iniciativa privada e o terceiro setor, ações, programas e projetos relacionados à
cultura, ao patrimônio material e imaterial;
● executar o controle e fiscalização do uso e ocupação do solo no perímetro do Sítio
Histórico do Município, segundo as diretrizes do Plano Diretor do Município e os
demais instrumentos legais de proteção;
● administrar e manter os espaços e equipamentos culturais do Município, dentre eles
a Biblioteca Pública Municipal e o Arquivo Público Municipal Antonino Guimarães.
● identificar, organizar, manter e disponibilizar, em parceria com o setor público, a
iniciativa privada e o terceiro setor, informações sobre a cultura e o patrimônio
material e imaterial;
O outro órgão, na esfera municipal, que exerce atribuições de controle na área do
Sítio Histórico, é o Conselho de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda, que possui,
entre outras atribuições, as seguintes de controle urbanístico:
1. analisar casos especiais que apresentem justificativas ou melhores condições que
as estabelecidas pela legislação municipal preservacionista;
2. dar parecer sobre casos omissos da Lei municipal nº 4,849/92;
3. dar parecer nos casos de:
a) acréscimos de áreas para sanitários e serviços no SRR e SCA do Conjunto
Monumental, b) projetos nos Setores Verdes 2 e 3 do ConjuntoMonumental,
c) aberturas nos telhados de imóveis situados no SRA e SRR,
d) parcelamento do solo em ZEPC,
e) oposição a mudanças de uso residencial para outros não residenciais, no
Conjunto Monumental,
f) instalações de atividades comerciais provisórias e equipamentos de prestação de
serviços em logradouros públicos em ZEPC.
3. Relação entre o cotidiano da cidade e a existência do sítio histórico
Como consequência do novo zoneamento, o Sítio Histórico, sob tutela do SPHAN,
ficou estabelecido como zona de proteção rigorosa. Isto estabeleceu critérios de prioridade
para a manutenção e conservação de seus monumentos e casarios e as alterações das
residências estavam sujeitas a aprovação prévia. Isto em toda a área. No Centro Histórico
de Olinda, podemos encontrar edificações de variados estilos arquitetônicos, construídas em
épocas diversas, desde o período colonial. Como relatado, hoje a cidade vê seus antigos
casarios serem transformados para utilização como pousadas, hotéis, lojas, restaurantes e
bares, ao lado dos ateliês e galerias de artistas, em função do crescimento do turismo que a
cidade vivencia.
Os espaços maiores foram reservados aos largos e praças que, definidas pelos
edifícios religiosos, são responsáveis em grande parte pela estruturação da malha urbana.
Apesar da fragilidade geológica do território e consequente dificuldade para sua
conservação, a cidade manteve-se bastante íntegra. O informal e sinuoso traçado urbano, a
riqueza de igrejas e conventos barrocos, como a Igreja da Sé (1537), somam-se ao casario
singelo com fachadas de azulejos e balcões de treliça, os muxarabis. Casas e muros
definem as ruas tortuosas e ladeiras íngremes. As características essenciais do centro
histórico estão expressas na forma e concepção do sítio, nos materiais empregados em
suas edificações, na manutenção do uso residencial como predominante e na maneira de
morar de seus habitantes, ao longo dos séculos, além do artesanato e tradições imbricadas
entre o sagrado e o profano.
Essas características são atestadas no mais antigo documento existente sobre
Olinda, a Carta do Foral que registra o primeiro plano diretor da cidade, e pela cartografia
holandesa e gravuras de Frans Post (século XVII). A despeito de sua monumentalidade, o
Sítio Histórico é uma região predominantemente residencial, mais de 80% de seus imóveis
têm essa finalidade, marcada por espaços exíguos. Seu casario ainda apresenta hoje a
vegetação em seus quintais, com muitas espécies frutíferas trazidas pelos colonizadores. O
Sítio Histórico tem vários imóveis tombados e foi demarcado como polígono protegido pela
união, desde 1937.
As caminhadas se tornam interessantes ao passo que o pedestre seja entretido.
Vê-se que as próprias ruas agradáveis, com suas fachadas, instigam os pedestres a
caminharem. A partir dessa perspectiva, extrai-se que uma cidade caminhável, se torna um
elemento envolvente na experiência turística. O lugar da experiência é construído pelos
caminhos que percorremos, tanto na expectativa como no evento, construindo-se em
memória. Dessa forma, quando o turista se refere à sua memória de Olinda, enquanto
momentos de caminhadas, valida-se que caminho é lugar. Nesse contexto, foi identificada a
concretização de uma tendência no planejamento urbano, na qual diversas cidades estão
reduzindo o uso do automóvel e utilizando deslocamentos a pé em áreas centrais
4. A participação popular no processo de tombamento e gestão
Quanto à participação popular no processo de tombamento, após as revisões
bibliográficas, é possível identificar que as ações quanto a preservação foram iniciadas por
órgãos públicos, não havendo nenhuma menção quanto ao envolvimento da população
neste processo. O processo partiu, quando percebeu-se que o processo de Urbanização de
Recife poderia afetar a integridade das riquezas patrimoniais de Olinda, fazendo com
houvesse ações que pudessem regulamentar o perímetro urbano como sítio histórico
tombado.
Figura 05 - Vista aérea do Centro Histórico de Olinda
Fonte: Prefeitura Municipal de Olinda, 2020.
5. Novas intervenções em áreas urbanas tombadas
As diretrizes gerais da Lei Municipal nº 4.849/92, Legislação Urbanística do Sítio
Histórico de Olinda, estabelecem o Sítio Histórico de Olinda como área predominantemente
residencial. Para proteger essa característica e a qualidade de vida de Olinda , a legislação
determina que deve ser preservado o traçado das ruas e os edifícios de interesse histórico e
arquitetônico e estabelece setores de predominância comercial e de prestação de serviços
de turismo e lazer, em função da localização e tendências dessas áreas, e que nas áreas
predominantemente residenciais, apenas é permitida a instalação de atividades de comércio
vicinal (cotidiano) e serviços domiciliares (Olinda, 1992 apud Moreira, 2006 p.43). Ainda que
a legislação ampare e resguarde o sítio histórico, a falta de manutenção constante e as
construções irregulares comprometem o título de patrimônio cultural.
Nesse sentido, as edificações que não seguem os parâmetros estabelecidos pelo
IPHAN são comumente encontradas no sítio histórico,em vários pontos do Polígono de
Preservação rigorosa, como no acesso ao Convento do Monte. Outro aspecto que afeta
diretamente as características que possibilitaram a classificação de patrimônio cultural, são
as paisagens naturais da cidade. A perda de área da mata verde do Antigo Horto Botânico
(Horto D'el Rey) e dos manguezais que cercavam o Varadouro, é um exemplo. “Há um
processo de adensamento da população, ocupação dos quintais e remoção da vegetação.
As áreas de mangues e rios foram sendo invadidas. Agora só tem um trecho pequeno do
manguezal perto da Avenida Presidente Kennedy”, afirma a arquiteta e urbanista, Vera
Millet.
Além disso, é importante destacar que além das obras irregulares e da perda da
paisagem natural, vale ressaltar o descaso com edifícios que fazem parte da história da
cidade. A falta de manutenção e desrespeito com o passado, são marcas deixadas pela vida
moderna.
Figura 06 - Construções irregulares no sítio histórico de Olinda.
Fonte: Olinda: processo de descaracterização da cidade coloca título de Patrimônio da
Humanidade em risco. Entenda (uol.com.br)
Figura 07 - Cine Olinda tem paredes pichadas , e encontra-se fechado
há 40 anos
Fonte: Cidade patrimônio, Olinda enfrenta desafios para a preservação do Sítio Histórico |
Pernambuco | G1 (globo.com)
6.Pedagogia da preservação urbana em sítios históricos
Considerando que o povo olindense é facilmente reconhecido pela sua trajetória
histórica, política e cultural; que a cidade é composta por um rico Patrimônio material e
imaterial, o que a levou ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela
UNESCO e a ser eleita, em 2006, 1º Capital Brasileira da Cultura; e, sobretudo, por ser
conhecida pelo dinamismo em iniciativas de resgate, valorização e preservação de sua
história e identidade. O município entende como de extrema importância traçar um plano de
Educação Patrimonial com mecanismos que permitam o debate e o aprofundamento da
base conceitual e dos referenciais teóricos, bem como a sistematização e a difusão da
produção bibliográfica e da diversidade de experiências e inovações na área, considerando
a troca entre os diferentes campos do conhecimento tradicional e acadêmico em sua
interdisciplinaridade.
Contudo a educação patrimonial em Olinda tem sido realizada de forma insuficiente,
desarticulada e não vem sendo tratada como prioridade para a preservação do patrimônio
histórico. Verificou-se que o tema é tratado a partir da iniciativa dos professores. Estes
recebem as informações por meio de oficinas, palestras e livros. Geralmente as questões
históricas são tratadas e trabalhadas em datas comemorativas e por meio de visitas a
monumentos históricos. Não há matéria que trabalhe a educação patrimonial na grade
curricular do município. Como causa dessa situação identifica-se o não reconhecimento da
educação patrimonial como indispensável às ações de preservaçãodo patrimônio cultural e
a inexistência de ações articuladas e integradas entre as secretarias envolvidas com a
questão. Essa realidade vem permitindo que as ações sejam realizadas por iniciativas
individuais, por parte de técnicos e professores das secretarias municipais, de forma isolada,
pontual e sem metas preestabelecidas.
A Agenda Cultural da cidade de Olinda (PE) é a principal ferramenta de compilação e
divulgação de programações culturais que ocorrem no município. Tais eventos têm
relevância estratégica para a atividade turística local, principalmente no que tange à
sazonalidade. Observou-se que o engessamento dos procedimentos no setor público pode
ter influência sobre o quadro enfrentado, tanto na entrega da Agenda Cultural como produto
de promoção turística do destino, como também na dificuldade da relação entre a Prefeitura
Municipal de Olinda e os agentes culturais da cidade, importantes patrocinadores do
processo de gestão. A cidade de Olinda está inserida na região História e Mar, considerada
um município indutor de desenvolvimento. De acordo com a Base de Dados do Estado de
Pernambuco (CONDEPE), a cidade conta com uma economia baseada, majoritariamente,
no setor de serviços, junto a uma participação minoritária da indústria e uma percentagem
irrisória da agropecuária.
Referências Bibliográficas
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https://www.brasildefatope.com.br/2019/02/28/sitio-historico-de-olinda-e-parte-da-historia-de-
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