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Introdução Autoria: Dra. Symara Rodrigues Antunes Revisão técnica: Ma. Lisiane da Silva Vaz ANALISES TOXICOLÓGICAS E AMBIENTAIS ALIMENTO E TRABALHO 09/12/2022 16:18 Página 1 de 31 Introdução Nesta unidade, você será apresentado ao universo das toxicologias de alimentos e ocupacional. Aliás, saberia explica qual é a diferença entre as duas? A primeira trata de analisar os alimentos com os quais temos contato cotidianamente, sendo essencial para a nossa sobrevivência a monitorização da segurança toxicológica daquilo que ingerimos. No entanto, também é importante a análise do alimento em si, do processo de cadeia de produção e armazenagem. Além disso, com este material, será possível compreender como aplicar os diferentes conceitos da toxicologia nas duas áreas. Entenderemos como analisar um alimento e quais são os malefícios que um contaminante pode trazer ao consumidor, caso não seja previamente identiEcado. Diante desse contexto, qual é a motivação de retirar lotes inteiros de leite dos mercados sob a acusação de contaminação por substância de limpeza de máquinas, por exemplo? Qual é a motivação de, atualmente, na indústria de plástico, as empresas informarem quanto a serem BPA-free? Vamos, então, descobrir as respostas para esses questionamentos e, ainda, entender o porquê de os trabalhadores de determinadas áreas realizarem exames diferentes de um checkup comum. Curioso, não? Bons estudos! Tempo estimado de leitura: 56 minutos. A toxicologia dos alimentos se preocupa em estudar substâncias tóxicas que estejam presentes em alimentos, não importando se sua origem é natural ou sintética, sendo inerentes ou adicionadas. Diante desse cenário, há uma importante contribuição dos estudos de toxicologia do alimento: determinar quais as condições em que os alimentos podem vir a ser ingeridos, sem ocasionar danos ou desconfortos ao organismo dos indivíduos que os consomem. De acordo com o art. 2 do Decreto n. 986/1969, alimento seria “[…] toda substância ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outra forma adequada, destinada a fornecer ao organismo humano os elementos normais, essenciais à sua formação, manutenção e desenvolvimento” (BRASIL, 1969, on-line). Dessa forma, a designação de alimento inclui bebidas, produtos alimentícios e todas as substâncias ou misturas que são ingeridas por hábito, costumes ou como aditivos, tenham ou não valor nutritivo. 3.1 Fundamentos da toxicologia de alimentos 09/12/2022 16:18 Página 2 de 31 Figura 1 - Alimentos variados, enfatizando os de origem vegetal Fonte: Natalia Lisovskaya, Shutterstock, 2021. #PraCegoVer Na figura, temos a fotografia de uma seleção de alimentos de origem vegetal, com variedade de frutas, legumes e hortaliças de diferentes cores, incluindo toranja, abacate, brócolis, maçã, mirtilos, romã, entre outros. Temos, assim, que os alimentos têm uma variedade de substâncias químicas, podendo ser divididas em nutritivas ou tóxicas. Olson (2013) nos explica que a saúde humana pode ser posta em risco quando os alimentos não fornecem nutrientes ou há a presença excessiva no alimento de substâncias tóxicas. Devido a isso, desde 1940, estudos demonstram uma preocupação do meio acadêmico com os químicos que poderiam estar presentes no dia a dia da população. Em 1954, foi estabelecido pelo US Food and Drug Administration (FDA), nos EUA, as bases da ingestão diária aceitável (IDA) de algumas substâncias a que temos contato diariamente. A IDA é utilizada para estabelecer qual quantidade de um agente químico presente em alimentos pode ser ingerido diariamente, considerando o tempo de vida do indivíduo, sem risco de intoxicação. Ela é expressa de acordo com o peso corpóreo: por exemplo, 10 mg/kg de peso Entre as substâncias químicas dos alimentos consideradas nutritivas e que participam da manutenção da vida, temos as vitaminas, os minerais, os carboidratos, as gorduras e as proteínas. Entre as substâncias tóxicas que podemos encontrar nos alimentos, temos as micotoxinas, os resíduos de pesticidas, os aditivos e os metais pesados. Nutritiva s Tóxicas 09/12/2022 16:18 Página 3 de 31 corpóreo/dia (KLAASSEN; WATKINS III, 2012). A IDA é importante para termos uma referência de quanto uma substância pode ser ingerida, sem oferecer risco ao ser humano e aos animais. Assim, todos os alimentos passam por uma avaliação de risco, determinada por uma diretriz dos processos de bases de avaliação e do gerenciamento desse risco. Em geral, são quatro etapas para a realização do processo: Essa avaliação de risco é parte da chamada análise do risco, que busca, além das etapas de avaliação do risco, seu gerenciamento e sua comunicação. Tais ações buscam prever como um organismo-alvo, um sistema biológico ou uma população de indivíduos serão afetados pela exposição a um agente em particular e como irão se comportar de acordo com suas características inerentes. A avaliação da exposição humana a substâncias químicas na dieta é amplamente reconhecida como um processo fundamental no desenvolvimento de padrões alimentares seguros para a saúde da população (OLSON, 2013). Figura 2 - Análise de qualidade dos alimentos Fonte: Alexander Raths, Shutterstock, 2021. #PraCegoVer Na figura, temos a fotografia de um profissional de pesquisa realizando estudos com alguns alimentos, incluindo ovo, carne e frango. O indivíduo veste jaleco e identiEcação do dano ou perigo; relação da dose resposta; avaliação da exposição; caracterização do risco. 09/12/2022 16:18 Página 4 de 31 luvas brancos. Está segurando com a mão esquerda um recipiente transparente com alguns pedaços de frango. Já com a mão direita, o pesquisador segura uma pinça. Na mesa à sua frente, os alimentos estão em recipientes iguais, contando, ainda, com uma tesoura ao lado. Os governos se incubem de conduzir as avaliações que podem resultar em registro de aditivos alimentares ou substâncias relacionadas ao manejo agropecuário. Essas avaliações têm por Enalidade averiguar se há risco para a saúde humana e/ou animal. No Brasil, a Agência Nacional da Vigilância Sanitária (ANVISA) é o órgão responsável por realizar esse processo de registro. Relacionado ao tema, também podemos contar com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que assume a responsabilidade do gerenciamento de resíduos e contaminantes para que os alimentos de origem animal sejam seguros para o consumo. Internacionalmente, temos a Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), as quais, por meio de comitês cientíEcos, fazem uma avaliação em conjunto. Os dois comitês cientíEcos internacionais são: Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA), que analisa questões de risco relativas a aditivos alimentares contaminantes e drogas veterinárias; Joint FAO/WHO Meeting on Pesticide Residues (JMPR), que analisa exclusivamente questões com resíduos de pesticidas. O Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC/Animal) elabora os processos e o planejamento do controle de riscos para alimentos, como leite, ovos e mel, além de animais para abate, garantindo a segurança alimentar. São feitas análises laboratoriais rigorosas, seguindo normativas constantemente revisadas. Para saber mais a respeito do assunto e se aprofundar, acesse o link: https://www.gov.br/agricultura/pt- br/assuntos/inspecao/produtos-animal/plano-de-nacional-de-controle-de-residuos-e- contaminantes (https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inspecao/produtos- animal/plano-de-nacional-de-controle-de-residuos-e-contaminantes). VOCÊ SABIA? 09/12/2022 16:18 Página 5 de 31 Há alguns fatores que inuuenciam na toxicidade de uma substância ou um alimento. Existem, pelo menos, cinco desses fatores: natureza e concentração do agente no alimento, frequência de ingestão pela população, tempo no qual o alimento vem sendo ingerido, via de introdução e suscetibilidade (SACHAN; HENDRICH, 2018). exclusivamente questões com resíduos de pesticidas. A naturezaquímica do tóxico no alimento e sua concentração irão determinar se a reação será aguda ou não, aEnal, quanto melhor for absorvida a substância ou em maior concentração em relação ao tamanho corpóreo do afetado, mais danos ela poderá causar. A frequência e o tempo de consumo do alimento contaminado podem determinar uma intoxicação crônica, mesmo em doses baixas, levando ao surgimento de sintomas indesejáveis. A via de introdução também é um fator importante a ser avaliado. Mesmo que estejamos falando de contaminação de alimentos, alguns produtos podem ser vaporizados durante o preparo, logo, não só a via digestória deve ser observada, mas, também, a via respiratória. A suscetibilidade pode variar de indivíduo para indivíduo. Por exemplo, intoxicações por micotoxinas são mais graves em pessoas mais jovens ou Natureza e concentração do agente no alimento Frequência e tempo de ingestão pela população Via de introdução Suscetibilidade 09/12/2022 16:18 Página 6 de 31 Essa avaliação de toxicidade é feita a partir de testes laboratoriais com o uso de animais, testes in vitro para triagem e classiEcação de substâncias de acordo com a sua toxicidade. Também são utilizados marcadores moleculares, estudos genômicos e proteômicos com o auxílio da bioinformática, tudo obedecendo às rigorosas normas regulamentadoras preconizadas pelos órgãos reguladores do país e internacionalmente. Com os riscos potenciais identiEcados, é preciso estabelecer a relação quantitativa entre a exposição e o surgimento de uma resposta sintomatológica no indivíduo exposto. Desse modo, são feitos testes de avaliação da dose-resposta, que nada mais é que a expressão de quanto do tóxico (dose) deve ser exposto para a avaliação do número de indivíduos que desenvolverão o mesmo tipo de resposta a essa exposição. Nessa etapa de avaliação, também é determinada a dose letal ou DL , que visa avaliar a dose que, em uma população de estudo de modelos animais com ambiente deEnido, causa a morte de 50% das cobaias. Assim, são determinados os índices de toxicidade das substâncias, os quais podem estar em contato com o alimento ou inseridas nele. A partir de então, devem ser estabelecidos índices para a avaliação da toxicidade. O primeiro índice já foi comentado, que é a IDA, o qual estabelece quanto se pode ingerir determinado agente químico por dia. O segundo índice é a IDE, que diz respeito à ingestão diária estimada. Ele é baseado no cálculo feito entre a concentração, vezes a quantidade ingerida durante 24 horas de um alimento. A IDA e IDE são índices utilizados para direcionar a regulamentação de aditivos alimentares, agrotóxicos e medicamentos veterinários. Outros índices utilizados são NOEL ou NOAEL (non observable adverse effect level /nível de efeito não observável), a quantidade de uma substância que, quando entramos em contato diariamente, não causa efeitos tóxicos aparentes. Temos, também, a LOEL ou LOAEL (lowest observed adverse effect level/a menor dose na qual o efeito adverso foi observado), que visa avaliar a partir de que dose passa a aparecer efeitos adversos (KLAASSEN; WATKINS III, 2012). 50 O artigo Problemas Relacionados ao Consumo de Alimentos Contaminados com Di-etil- hexil-ftalato: uma Revisão Sistemática, de Juliana Cruz Avelar, Hélio Almeida Nascimento, Danniela Baraúna Bruce e Rodrigo Queiroz de Lima, traz uma revisão sistemática acerca da contaminação de alimentos por di-etil-hexil-ftalato (DEHP), que é incorporado ao PVC em sua fabricação. O PVC é utilizado na fabricação de embalagens alimentícias. Dessa forma, o artigo buscou analisar relações apresentadas na literatura sobre a exposição prolongada à essa substância, bem como alterações orgânicas nos indivíduos. Clique no botão abaixo para conferir! VOCÊ QUER LER? intoxicações por micotoxinas são mais graves em pessoas mais jovens ou que tenham uma predisposição genética a manifestações graves a determinados tóxicos. 09/12/2022 16:18 Página 7 de 31 Olson (2013) menciona que o limite máximo (LM) de um aditivo contaminante ou contaminante é determinado no processo de registro do produto nos órgãos reguladores, sugeridos pelo fabricante para se obter um efeito tecnológico desejado. Normalmente, eles estão descritos nas embalagens e são utilizados como parâmetro da exposição. Já o limite máximo de resíduos (LMR) é especialmente importante quando se avaliam produtos que podem ter resíduos de agrotóxicos ou pesticidas. Ele reuete a quantidade máxima de resíduos de um pesticida ou uma droga que pode ser encontrada em um alimento, estabelecida por meio de estudos e que acabam por orientar os órgãos regulamentadores no estabelecimento de índices aceitáveis. A dose de referência aguda (DRFA), por sua vez, é a quantidade de determinada substância, em alimento ou na água, que pode ser ingerida pelos seres humanos em um espaço de tempo de 24 horas, sem que haja o surgimento de riscos para a saúde (OLSON, 2013). De possa de todas essas informações e conceitos, podemos avançar nossos estudos para aprender sobre os principais contaminantes alimentares. Os alimentos, como vimos, são compostos de substâncias químicas complexas, nutritivas ou não. Além disso, sua apresentação pode ser in natura ou processado. As substâncias nutritivas se dividem em macro e micronutrientes. 3.1.1 Principais contaminantes alimentares Macronutrientes 1 Os macronutrientes incluem os carboidratos, as proteínas e os lipídios. Micronutrientes 2 Os micronutrientes incluem os minerais, as vitaminas, entre outros. para conferir! Acesse (https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/22336) 09/12/2022 16:18 Página 8 de 31 As substâncias nutritivas podem estar naturalmente presentes nos alimentos ou serem adicionadas neles. Entre aquelas que já estão presentes, podemos dividi-las em antinutrientes e substâncias naturais toxicas. Os antinutrientes não têm valor nutritivo, mas exercem função no funcionamento ou na manutenção da vida da planta ou do animal produtor de alimentos. Exemplos disso são os inibidores de tripsina presentes nos feijões e na soja, enquanto a antitiamina está presente em peixes. Quanto às substâncias naturais tóxicas, estas estão presentes naturalmente no alimento, normalmente em plantas, como os glicoalcaloides das batatas ou glicosídeos cianogênicos da mandioca-brava (OLSON, 2013). Figura 3 - Substâncias presentes nos alimentos Fonte: Alex_Traksel, Shutterstock, 2021. #PraCegoVer Na figura, temos a fotografia de um laboratório, com foco em alguns alimentos, como pimentão e tomate. Podemos observar, ainda, recipientes transparentes com conteúdo diferentes na parte inferior da foto. Ao fundo, há um microscópio desfocado. Há, entretanto, outras substâncias que são adicionadas ao alimento, as quais podem se dar pela contaminação durante o processamento, a conservação e o armazenamento. Os testes de toxicidade se voltam principalmente para elas. Os contaminantes químicos podem ser diretos ou indiretos. A inserção desses contaminantes de forma direta pode ocorrer devido à manipulação dos alimentos desde a sua matéria-prima até o produto Enal. Já a adição indireta pode ser feita pelo uso de praguicidas ou remédios de 09/12/2022 16:18 Página 9 de 31 até o produto Enal. Já a adição indireta pode ser feita pelo uso de praguicidas ou remédios de aplicação veterinária. Ainda pode ocorrer contaminação pela embalagem de acondicionamento dos produtos alimentícios. Um exemplo de caso bem conhecido é do bisfenol A, que pode estar presente em produtos plásticos (SACHAN; HENDRICH, 2018). A contaminação direta pode ser incontrolável ou inevitável, considerando a produção de toxinas por microrganismos, geração de compostos tóxicos nos alimentos e incorporação de metais pesados. No entanto, ela também pode ser controlável, especialmente nos casos de praguicidas e remédios de tratamentos veterinários, que devem ser utilizados dentro dos limites legais e saudáveis. O abuso desses limites pode contaminar o produto Enal e causar intoxicação aos consumidores.Klaassen e Watkins III (2012) nos explicam que a geração de compostos tóxicos de alimentos pode ocorrer, por exemplo, devido ao contato deles com o ambiente ácido do estômago, durante a digestão, resultando em um processo chamado de nitrosação. Um conhecido exemplo disso é a formação de compostos n-nitrosos. Eles podem ser de origem sintética ou natural e são de duas classes: nitrosamidas e nitrosaminas. Para que a nitrosação ocorra, há a necessidade de haver um agente nitrosante, que pode estar Em janeiro de 2020, pacientes começaram a dar entrada em hospitais de Belo Horizonte com sintomas de síndrome nefro-neural. O número de casos chamou a atenção, fazendo com que a vigilância sanitária fosse acionada. Os pacientes apresentavam dores abdominais, náuseas e vômitos, problemas renais que chegaram à insuEciência renal, assim como problemas neurológicos, com alguns perdendo a visão e tendo paralisia facial. As investigações apontaram que o consumo de uma marca de cerveja local seria a origem das intoxicações. As análises indicaram a contaminação com dietilenoglicol. Esta substância é utilizada nos sistemas de resfriamento, e não faz parte do sistema de produção de cerveja. O dietilenoglicol tem um histórico de cerca de 700 mortes no mundo, normalmente associado à indústria farmacêutica. É de rápida absorção e distribuição pelo corpo, não apresenta cheiro e tem gosto adocicado. É hidrofílico, o que o torna fácil de promover contaminação. O MAPA também passou a integrar as investigações. Diversos lotes da cerveja apresentaram contaminação pela substância, causando os casos e, em algumas situações, evoluindo ao óbito. Os lotes da cerveja foram retirados do mercado, bem como a fábrica foi interditada. Os pacientes intoxicados passaram por tratamentos de suporte, hemodiálise e alguns necessitaram de transplante renal. Muitos sobreviventes ainda têm sequelas neurológicas, que podem se tornar permanentes (RODRIGUES, 2020). ESTUDO DE CASO 09/12/2022 16:18 Página 10 de 31 Para que a nitrosação ocorra, há a necessidade de haver um agente nitrosante, que pode estar no ar, na forma de óxido de nitrogênio; no organismo, como nitrito endógeno; nos aditivos intencionais, em alimentos usados para evitar a proliferação de Clostridium botulinum oxidação do alimento; adjuvante do processamento em alimentos, como os nitratos e nitritos aplicados nos processos de defumação de carnes e peixes; e na ação de microrganismos presentes nos alimentos. Produtos de origem animal curados, como carnes e queijos, são fontes de nitritos e nitratos. Os níveis de nitrito e nitrato permitidos pela legislação brasileira são, respectivamente, 0,015 g/100 g e 0,03 g/100 g para carnes e produtos derivados, utilizados como conservantes (SACHAN; HENDRICH, 2018). O grande risco desses compostos, conforme alerta Olson (2013), é que eles são cancerígenos para diferentes modelos experimentais, incluindo o ser humano. Já são feitas associações fortes de surgimento de câncer devido a esses compostos no estômago, no fígado, nos rins, na bexiga, no esôfago e na língua. Entre alguns exemplos de contaminantes incontroláveis, temos os metais tóxicos. De maneira geral, são provenientes de contaminação ambiental. Os principais metais tóxicos identiEcados são o chumbo, mercúrio e cadmio, que têm sua origem associada às atividades industriais. Figura 4 - A indústria é a principal fonte de contaminação por metais pesados Fonte: TR STOK, Shutterstock, 2021. #PraCegoVer Na figura, temos uma grande indústria liberando fumaça tóxica no ar, contaminando-o. Pode-se observar algumas construções em meio à fumaça, bem como um pôr do sol alaranjado. O chumbo é o metal pesado mais abundante do mundo e aquele com o qual o ser humano tem mais contato. Ele é encontrado em pigmentos de tintas, materiais elétricos, ligas metálicas, indústria do vidro, cosméticos, agrotóxicos, entre outros. No entanto, vale mencionar que a 09/12/2022 16:18 Página 11 de 31 indústria do vidro, cosméticos, agrotóxicos, entre outros. No entanto, vale mencionar que a contaminação por chumbo se dá, principalmente, pelos euuentes, ou seja, pelo derramamento de água de origem industrial contendo o chumbo (KLAASSEN; WATKINS III, 2012). O chumbo tem uma ocorrência natural em alimentos na ordem de 0,3 mg/kg. Os alimentos contaminados são, normalmente, os vegetais produzidos em áreas industriais devido aos euuentes contaminados. Os produtos de origem animal que podem estar contaminados por chumbo são os ovos e o leite (especialmente in natura), assim como o pescado. Essa contaminação dos animais pode ocorrer por ingestão de água contaminada ou alimentação de baixa qualidade ofertada (SACHAN; HENDRICH, 2018). A consequência da exposição ao chumbo é diferente para adultos e crianças. O cadmio é outro metal pesado que causa intoxicação alimentar. Está presente em pigmentos, materiais elétricos, ligas metálicas, indústria do plástico e fertilizantes. Pode ocorrer naturalmente em alimentos até uma concentração de 0,05 mg/kg. Os alimentos associados à intoxicação de cadmio para humanos são os mariscos, os caranguejos, as carnes processadas e a soja. O limite de tolerância no Brasil de ingestão de cadmio, anualmente, é de 0,20 mg/kg a 1,0 mg/kg, deEnidos pelo Decreto n. 55.871, de 26 de março de 1965, revogado recentemente pelo Decreto n. 9.917, de 18 de julho de 2019. O cadmio se acumula no tecido ósseo, causa desequilíbrio no metabolismo de cálcio e fósforo, Em crianças com menos de seis anos de idade, a intoxicação pode até ser fatal, gerando problemas comportamentais, baixo QI, perda auditiva, diEculdade de aprendizado, diminuição de crescimento e prejuízo do desenvolvimento ósseo muscular, além de anemia, danos severos ao sistema nervoso, comprometimento da função e dano renal. Já os adultos podem ter perda de memória por intoxicação por chumbo, falta de concentração, dores de cabeça, irritabilidade e depressão. Podem manifestar, ainda, fadiga, dor muscular e nas articulações, além de entorpecimento das extremidades. Entre as manifestações gastrointestinais, pode-se citar prisão de ventre, náusea e falta de apetite. Pode haver, também, hipertensão arterial, dano renal e no sistema reprodutivo. Nos homens, pode haver diminuição do desejo sexual e contagem de espermatozoides, além de anomalias nessas células. Os abortos podem ocorrer devido à exposição ao chumbo. 09/12/2022 16:18 Página 12 de 31 O cadmio se acumula no tecido ósseo, causa desequilíbrio no metabolismo de cálcio e fósforo, lesão glomerular, nefrite e hepatite tóxica, osteomalácia, teratogenicidade e carcinogenicidade (KLAASSEN; WATKINS III, 2012). Já o mercúrio é um metal pesado que contamina os rios e auuentes que estejam em área de garimpo. Também é encontrado na indústria química, em tintas, materiais elétricos e indústria de plástico. Os principais alimentos implicados com a intoxicação por mercúrio são os pescados, tanto os de água doce quanto os de água salgada. A origem dessa contaminação pode ser a própria água ou a ração dos peixes, principalmente aquelas com farinha de peixe, pois o mercúrio se acumula nos tecidos dos animais. O limite de tolerância para o pescado no Brasil é de 0,5 mg/kg e, para outros alimentos, 0,01 mg/kg (SACHAN; HENDRICH, 2018). As formas orgânicas de mercúrio são mais tóxicas. O mercúrio forma um complexo com a hemoglobina, as lesões renais, gastrointestinais e neurológicas. O indivíduo pode apresentar distúrbios visuais, ataxia, diEculdade para andar, tremores e distúrbios mentais, além de ser teratogênico. Figura 5 - O mercúrio é um metal pesado tóxico Fonte: MarcelClemens, Shutterstock, 2021. #PraCegoVer Na figura, temos a fotografia de uma pipeta derramando mercúrio em uma superfície espelhada. O elemento é prateado. A intoxicação por aditivos pode ocorrer devido ao emprego de doses excessivas. Essas substâncias são usadas com os seguintes propósitos e benefícios: conferir ou intensiEcar as propriedades organolépticas; 09/12/2022 16:18 Página 13 de 31 Os aditivospodem ser classiEcados como reconhecidamente seguros (sal, açúcar, condimentos, vitaminas, ferro, magnésio, entre outros), ou seja, que não têm limitação de dosagem, mas conferem baixa possibilidade de intoxicação; e não reconhecidamente seguros os quais necessitam de estipulação dos índices de toxicidade anteriormente discutidos. Valores acima desses índices estipulados causam intoxicação direta. Já as micotoxinas são contaminantes diretos de forma incontrolável. Elas são originárias do metabolismo de multiplicação fúngica. Nem todos os fungos têm a capacidade de produção de toxinas, sendo que somente 50% dos Aspergillus uavus são produtores de auatoxinas. O grande risco está no fato de que várias delas são termorresistentes, gerando um grande desaEo para a indústria alimentícia. A gravidade de intoxicação às micotoxinas depende de vários fatores, como susceptibilidade do indivíduo, dose ingerida, idade, frequência de exposição e condição nutricional. Os cereais, as frutas secas e os produtos com o uso dessas matérias-primas são as principais fontes de contaminação. Os efeitos das micotoxinas incluem mutagenicidade, ação imunossupressora, carcinogenicidade e teratogenicidade (SACHAN; HENDRICH, 2018). As embalagens podem representar uma fonte de contaminação indireta dos alimentos. A escolha de como acondicioná-los pode ser determinante para a produção ou não de micotoxinas, por exemplo, ou de haver transferência de compostos tóxicos para os alimentos. As contaminações por metais pesados podem ocorrer por contaminação da própria embalagem em que o alimento foi acondicionado, devido às características físico-químicas dos alimentos. As embalagens plásticas entraram na mira das avaliações toxicológicas dos alimentos. modiEcar aspectos para favorecer a comercialização; prevenir alterações indesejáveis; suprir necessidades nutricionais (adição de vitaminas, minerais e enzimas); reduzir custos no processamento. O mundo, já há alguns anos, descobriu que, nas vasilhas plásticas, tão presentes em nossas cozinhas, residia um potente tóxico: o bisfenol A. Pensando nisso, os pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveram um sensor capaz de detectar a presenta de BPA, o que auxilia no processo de prevenção do consumo de alimentos contaminados. Para se aprofundar no tema, assista ao vídeo Bisfenol A na íntegra clicando no botão abaixo! VOCÊ QUER VER? 09/12/2022 16:18 Página 14 de 31 A presença do bisfenol A, um componente que fornece maleabilidade aos plásticos, tornou-se um desaEo a ser superado pela indústria de embalagens de alimentos para o substituir. Ocorre que o BPA é uma substância correlacionada a diversos impactos na saúde humana. Estudos sugerem que a substância está associada à obesidade, ao diabetes, às alterações no sistema endócrino, bem como ao surgimento de câncer de mama e ovário. O BPA passa com maior facilidade para o alimento quando aquecido, mas não se pode conEar que alimentos frios ou não aquecidos estejam seguros quanto à substância. Diante desses riscos, desde 2012 há normativas sendo promulgadas para a retirada do BPA dos produtos plásticos que revestem os alimentos. Temos, ainda, que os agrotóxicos são contaminantes indiretos dos alimentos e de água de consumo humano e animal. Eles podem ser toxicantes residuais nas amostras e representam um perigo à saúde humana se ultrapassarem os níveis considerados seguros. Além disso, podem ser classiEcados como herbicidas, fungicidas, acaricidas, inseticidas e rodenticidas. O princípio ativo e o momento de aplicação em relação à cadeia de produção e plantio são determinantes para entender se haverá resíduos que podem afetar a saúde do consumidor. Os principais agrotóxicos amplamente utilizados pertencem a quatro classes: organoclorados, organofosforados, carbamatos e piretroides. Os alimentos que podem mais comumente ter resíduos desses tóxicos são grãos e cereais, frutas, verduras e hortaliças. Contudo, também podemos encontrar em produtos de origem animal, como leite e derivados; e frutos do mar. Figura 6 - A aplicação de agrotóxicos em plantações oferece risco à saúde Fonte: Fotokostic, Shutterstock, 2021. #PraCegoVer íntegra clicando no botão abaixo! Acesse (https://www.youtube.com/watch?v=286JR77feX8) 09/12/2022 16:18 Página 15 de 31 #PraCegoVer Na figura, temos a fotografia de uma plantação recebendo aplicação de agrotóxico a partir de um trator. Este se localiza à direita, mais ao fundo. Em segundo plano, pode- se observar um pôr do sol. Nesse contexto, os organofosforados e carbamatos são substâncias químicas inibidoras de colinesterases, utilizados como inseticidas, provocando um aumento de acetilcolina nas fendas sinápticas. Eles não são cumulativos, mas seus efeitos sim. Os organosfosforados ocasionam efeitos nefrotóxicos retardados. Além disso, os dois toxicantes causam aumento da sudorese e produção de saliva, visão turva ou embaçada, náuseas e vômitos, contração das pupilas, fraqueza e tonturas, dores e cólicas abdominais, tremores musculares e até convulsões. Entre os organoclorados, o DDT (diclorodifeniltricloroetano) é o mais conhecido representante. Ele é utilizado para o controle de ectoparasitoses em bovinos e, por serem lipossolúveis, podem ser encontrados contaminando o leite. Têm uma degradação lenta e, portanto, a capacidade de se acumular no ambiente. Os seres vivos podem se contaminar diretamente ou pelo consumo de outro ser vivo já contaminado. Para humanos, a principal via de contaminação é a ingestão de alimentos contaminados. Em estudos com animais de laboratório, observou-se um potencial efeito cancerígeno dessa classe de agrotóxicos. Eles têm como sintomatologia o surgimento de reuexos exacerbados, tremores, convulsões, estado de excitação, mutagenicidade, carcinogenicidade e teratogenicidade. Já os piretroides, como a deltametrina, podem causar dores epigástricas, náuseas e vômitos, cefaleia, fadiga, dores no peito e distúrbios de consciência (SACHAN; HENDRICH, 2018). Dessa forma, podemos perceber que a toxicologia dos alimentos é bastante abrangente, em especial porque inúmeros contaminantes que podem oferecer risco à saúde humana são encontrados nos alimentos. Os agrotóxicos são substâncias usadas para o controle de pragas em plantações e controle de parasitas em animais. Oferecem riscos à saúde humana e são muito pesquisados para descobrir quais são os níveis seguros para seu consumo proveniente de contaminação dos alimentos. Uma alternativa que tem crescido ao longo dos últimos anos é o consumo de alimentos orgânicos. Na produção destes, são VAMOS PRATICAR? 09/12/2022 16:18 Página 16 de 31 As análises bromatológicas consistem em avaliar os alimentos, sendo conhecidas como bromatologia. Nessa veriEcação, pode ser analisada a bioquímica dos alimentos, as particularidades físico-químicas e microbiológicas, as químicas e a toxicologia. Também é possível estudar todas as etapas relacionadas ao processo de obtenção do alimento, desde a produção, passando pela coleta e pelo transporte da matéria-prima, até a chegada aos consumidores, in natura ou industrializado. As análises executadas visam identiEcar se o alimento que será consumido se enquadra na legislação vigente, se há adulterantes ou aditivos que sejam prejudiciais à saúde, além de processos de esterilização, estocagem correta e eventual contaminação pela embalagem. Essas testagens buscam determinar e/ou identiEcar componentes especíEcos de alimentos e a segurança alimentar. Figura 7 - Análise bromatológica de alimentos em laboratório Fonte: Gorodenkoff, Shutterstock, 2021. 3.1.2 Análise bromatológica e controle de qualidade consumo de alimentos orgânicos. Na produção destes, são utilizadas alternativas menos tóxicas para o controle de pragas. Pensando nisso, formule um texto que traga uma praga comum na produção de alimentos, o agrotóxico que comumente é utilizado e sua via de ação, quais são seus efeitos tóxicos e qual seria uma alternativa para a produção orgânica, além da sua forma de atuação, tornando-amenos tóxica. Caso a alternativa apresente alguma toxicidade, descreva-a também. Depois, compartilhe com seus colegas! 09/12/2022 16:18 Página 17 de 31 #PraCegoVer Na figura, temos a fotografia de um pesquisador realizando análise bromatológica em um laboratório. Ele veste jaleco branco, luvas azuis e óculos de proteção. Está segurando um tablet e o observando. À sua frente, à esquerda, encontramos uma bancada com alguns alimentos e recipientes transparentes de diferentes formados e tamanhos. Os alimentos podem ser analisados por metodologias qualitativas, que focam na identiEcação dos componentes constitutivos do alimento; por metodologias quantitativas, que têm por Enalidade quantiEcar determinado componente; ou considerando uma combinação dos dois métodos (MSAGATI, 2017). As categorias de classiEcação dos alimentos são: Avalia-se a composição do alimento para fazer sua rotulagem. Determinam-se os contaminantes. IdentiEca-se a presença de bactérias, fungos, vírus, protozoários etc. IdentiEca-se a presença de insetos, partículas de sujidades, pelos de ratos etc. Analisa-se cor, sabor, odor, textura etc. Físico- química s Química s Microbio lógicas Microscó picas Sensoria is 09/12/2022 16:18 Página 18 de 31 Todos essas categorias de testes precisam ter especiEcidade, acurácia ou exatidão, precisão e sensibilidade. Isso signiEca que precisam ser especíEcos ao que se deseja buscar, tendo exatidão nos resultados obtidos, os quais devem ser precisos e não aproximados, sensíveis a pequenas quantidades da substância que se está buscando. É algo necessário e almejado para que sejam minimizados erros nas análises e resultados falseados. Devemos pensar, assim, que no controle de qualidade e análise dos alimentos, há alguns pontos críticos, como a coleta e o preparo das amostras, a escolha dos métodos de análises, os acúmulos de erros no processo e a capacidade do analista. A coleta e o preparo das amostras é o primeiro ponto crítico, condicionando a conEabilidade dos resultados. Deve-se determinar um tamanho amostral que possa ser realmente uma amostragem representativa do todo, para que os resultados possam ser extrapolados à população inicial. Portanto, a amostra deve ser representativa do lote ou estoque e representar a composição média dos materiais em estudo. No processo de coleta, deve-se prever a quantidade necessária para realização de todos os testes, além de ser feito o correto acondicionamento até o momento da análise, a Em de não haver alteração. O processamento envolve tratamentos que a amostra precisa sofrer para que possa ser analisada, como moagem de sólidos, preparo de extratos ou Eltragem e eliminação de interferentes. Ademais, o método de análise pode ser convencional, quando não há uso de equipamentos soEsticados (métodos volumétricos e gravimétricos); ou instrumentais, quando se faz uso de equipamentos soEsticados (métodos ópticos, eletroquímicos e cromatográEcos). Msagati (2017) cita que os métodos convencionais são utilizados em análises de componentes maiores, enquanto os métodos instrumentais são aplicados em análises menores, que busquem quantidades micro ou traços de substâncias. Agora, antes de seguirmos com nosso material, vamos realizar uma atividade? Acompanhe a proposta na sequência e responda à questão corretamente! VeriEca-se o tempo de prateleira, a funcionalidade de ingredientes no desenvolvimento de produtos e sua textura. Reológic as (ATIVIDADE NÃO PONTUADA) TESTE SEUS CONHECIMENTOS 09/12/2022 16:18 Página 19 de 31 A análise toxicológica dos alimentos deve ser feita regularmente em uma linha de produção, em conjunto com outras análises de controle de qualidade, a Em de assegurar a segurança no consumo do produto pelos consumidores. Essas avaliações são pré-requisitos para que os consumidores não entrem em contato com substâncias potencialmente prejudiciais à saúde. Nesse sentido, considerando nossos estudos e com base no contexto apresentado, analise as aErmativas a seguir e a relação proposta entre elas. I. A análise de alimentos por contaminação de um elemento traço, como o bisfenol A, que pode ser transferido das embalagens para o alimento, deve ser feito por métodos convencionais. PORQUE II. Esses métodos têm a capacidade de dosar pequenas partículas nos alimentos, fornecendo resultados quantitativos. Agora, assinale a alternativa correta. a. As aErmativas I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justiEcativa da I. b. As aErmativas I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justiEcativa da I. c. A aErmativa I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. A aErmativa I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. As aErmativas I e II são proposições falsas. VERIFICAR 09/12/2022 16:18 Página 20 de 31 A escolha do método deve levar em consideração o tipo de produto que será analisado (sua composição), a quantidade relativa do componente a ser veriEcado dentro da amostra, o custo das análises, os reagentes disponíveis e a presença de pessoal especializado para a execução. A atenção a esses quesitos permite que sejam minimizados erros nas análises dos alimentos e, com isso, os resultados sejam considerados Ededignos e próprios para uso de controle de qualidade. Além disso, as análises devem ser feitas em laboratórios oEciais, credenciados para realizar as avaliações de inspeção periódicas exigidas pelos órgãos competentes (MSAGATI, 2017). A toxicidade de um produto ou uma substância é conceituada como uma propriedade 3.2 Fundamentos da toxicologia ocupacional O leite é um alimento largamente consumido pela sociedade, independentemente de ser in natura ou como base para outros alimentos, como queijo e manteiga. Contudo, oferece um ambiente propício para a presença de contaminantes, inerentes ao método de obtenção do alimento ou por adição fraudulenta. Assim sendo, para que possa se aprofundar, pesquise quais são as análises obrigatórias a serem feitas no leite e em seus derivados. Depois, elabore um relatório explicando seus achados e compartilhe com seus colegas! VAMOS PRATICAR? 09/12/2022 16:18 Página 21 de 31 A toxicidade de um produto ou uma substância é conceituada como uma propriedade intrínseca, em maior ou menor grau, de exercer um efeito nocivo. De maneira geral, todas as substâncias químicas oferecem risco, por isso, o que precisamos garantir é que elas sejam utilizadas de maneira segura, com condições de exposição controladas. Tais condições dependem da dose ou concentração, assim como das vias de introdução, das propriedades físico-químicas das substâncias, do tempo, da frequência de exposição e da susceptibilidade do indivíduo. Por exemplo, procura-se conhecer o máximo possível das características da substância em que determinado grupo de trabalhadores irá entrar em contato para que se possa pensar em como minimizar os riscos e quais são os equipamentos de proteção individual (EPI) mais adequados e efetivos. A toxicologia ocupacional, portanto, visa monitorizar aspectos de exposição a tóxicos a que os trabalhadores estejam expostos em seus ambientes de trabalho. Ela tem ação eminentemente preventiva, instruindo e realizando ações educacionais preventivas. Vamos, então, entender melhor sobre o tema? A toxicologia ocupacional utiliza conhecimentos adquiridos em outras áreas da toxicologia e busca estabelecer um limite de tolerância para as substâncias a que os trabalhadores estão expostos. Frisa-se, aqui, que é preciso considerar o fato de que os trabalhadores entrarão em contato com aquele tóxico dia após dia, possivelmente durante muitas horas, por muito tempo de sua vida. Diante disso, para essas análises, deve-se pensar se o sistema de produção é ou não enclausurado e se a produção é contínua ou descontínua (processo em batelada). Ainda temos que considerar nas análises o momento de produção do tóxico: se na abertura das máquinas de produção de determinado produto industrial ou se quando se abrem as válvulas de escape em processos de produção com liberaçãode vapores (KLAASSEN; WATKINS III, 2012). Frente a essa variedade de possibilidades, são propostos diferentes tipos de limites: média ponderada pelo tempo (jornada diária e/ou semanal), exposição de curta duração e valor teto. 3.2.1 Exposição ocupacional: controle do risco e limites de exposição A média ponderada pelo tempo (TLV-TWA) entende que todos os trabalhadores estarão repetidamente expostos ao tóxico, por oito horas diárias e 40 horas semanais, sendo adultos normais e sadios. Já o limite de exposição de curta duração (TLV-STEL) avalia uma exposição média ponderada de 15 minutos a determinado tóxico, sem causar efeito. O valor teto, por sua vez, é um valor que, em nenhuma hipótese, pode ser ultrapassado durante a atuação ocupacional. 09/12/2022 16:18 Página 22 de 31 O chamado indicador biológico de exposição (IBE) corresponde à observação do tóxico ou de seu metabólico no organismo do trabalhador, indicando a intensidade da exposição ocupacional. Pode ser um indicador de efeitos, em que se analisa as alterações bioquímicas que o corpo sofre frente à exposição ao tóxico. O controle biológico, então, deve ser feito periodicamente para avaliar o trabalhador e as eventuais exposições que possam trazer malefícios à sua saúde. Não devem, contudo, ser confundidos com os procedimentos de diagnóstico de doenças. Por outro lado, o índice biológico máximo permitido (IBMP) é deEnido como sendo um valor de indicador biológico máximo, em que a maioria das pessoas expostas não apresentarão danos em sua saúde. Observe o quadro a seguir. Quadro 1 - Índice biológico máximo permitido (IBPM) de algumas substâncias Fonte: Elaborado pela autora, baseado em BRASIL, [2020]. #PraCegoVer No quadro, temos sete linhas e quatro colunas apresentando o IBPM de algumas substâncias, a amostra biológica analisada e o indicador biológico analisado. Na primeira coluna, encontramos os agentes químicos (arsênico; chumbo e inorgânico; ésteres, organofosforados e carbamatos; etil-benzeno; tolueno; e xileno). Na segunda coluna, temos os materiais biológicos de análise (urina; sangue, urina e sangue; sangue; urina; urina; e urina). Já a terceira linha indica os biológicos analisados (arsênico; chumbo e ácido delta amino, levulínico ou zincoprotoporfirina; ácido mandélico; ácido hipúrico; e ácído metil-hipúrico). Por fim, na quarta coluna, temos o IBPM (50 ug/g creatinina; 60 ug/100 ml, 10 mg/g creatinina e 100 ug/100 ml; 30% de depressão da atividade inicial, 50% de depressão da atividade inicial e 25% de depressão da atividade inicial; 1,5 g/g creatinina; 2,5 g/g creatinine; e 1,5 g/g creatinina). 09/12/2022 16:18 Página 23 de 31 Os indicadores biológicos que devem ser escolhidos para a monitorização do trabalhador devem ter relação, principalmente, com a concentração ambiental a que o trabalhador é exposto. Stanley (2015) nos explica que várias são as substâncias que podem ser analisadas como um risco de intoxicação a trabalhadores. A maioria, infelizmente, ainda não tem IBPM ou indicadores biológicos deEnidos. O xileno e tolueno, por exemplo, são largamente utilizados na indústria de tintas e vernizes, tendo como marcadores biológicos o ácido metil-hipúrico e ácido hipúrico. A dosagem dessas substâncias indica se houve ultrapassagem do limite de tolerância, sendo que a amostra deve ser colhida após o Em da jornada (KLAASSEN; WATKINS III, 2012). O benzeno é um derivado do petróleo, metabolizado em cerca de 60% do total em vários metabólitos, como fenol, ácido fenil-mecaptúrico, ácido trans-trans mucônico, hidroquinona, catecol, benzoquinona, entre outros que podem ser usados como marcadores biológicos em trabalhadores que entram em contato com o petróleo e seu derivados (frentistas de postos de gasolina, por exemplo). Normalmente, o monitoramento é feito por dosagem do ácido trans- trans mucônico e ácido fenil mercaptúrico urinários, os quais discriminam exposições excessivas. A exposição a metais pesados, como chumbo e mercúrio, ocorre pela inalação de fumos metálicos gerados por aquecimento a altas temperaturas ou por abrasão enérgica da superfície metálica. Isso se dá, principalmente, com trabalhadores que utilizam solda, por exemplo. Trabalhadores rurais, por sua vez, podem ser expostos a agrotóxicos. Os organosfosforatos 3.2.2 Principais toxicantes ocupacionais A exposição ao benzeno é uma das principais preocupações em trabalhadores de postos de gasolina. No artigo Concentração de Benzeno: Modelo de Monitorização em Medicina do Trabalho, escrito por Cristiane Figueiredo Reis Maiorquin, avalia os níveis de intoxicação por benzeno em trabalhadores de postos de gasolina que utilizam equipamentos de proteção individual, a Em de veriEcar o efeitovo grau de proteção. Para ler na íntegra, clique no botão abaixo! Acesse (https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/3031/1605) VOCÊ QUER LER? 09/12/2022 16:18 Página 24 de 31 carbamatos têm a diEculdade de não possuírem um marcador biológico conEável para seu monitoramento na saúde dos trabalhadores, sendo dosadas as acetilcolinestesases para tal Enalidade (STANLEY, 2015). Figura 8 - Trabalhador rural exposto a agrotóxicos Fonte: David Moreno Hernandez, Shutterstock, 2021. #PraCegoVer Na figura, temos a fotografia de um trabalhador rural aplicando agrotóxicos nas plantas. Ele veste um macacão branco, óculos de proteção, luvas e máscara. Ao redor, pode-se observar o plantio. Os solventes clorados, por sua vez, como o clorofórmio, são muito utilizados tanto em indústrias quanto em laboratórios (tricloroetileno, tetracloroetileno, tetracloroetano e diclorometano). Sofrem pouca biotransformação, podendo ser eliminados de forma inalterada na urina e no ar exalado. No caso do clorofórmio, é usada a dosagem de elevação das transaminases, indicando efeito potencial de lesão no fígado, com formação de esteatose e/ou Ebrose hepática (OLSON, 2013). E por falar em consequências, vamos conhecer quais são as doenças e os agravos de origem ocupacional relacionados à exposição aos tóxicos? Vejamos! A exposição aos diferentes tóxicos pode causar manifestações corpóreas das mais variadas. O benzeno, previamente citado, tem ação mielotoxica, com potencial de hipoplasia (pouca produção de células sanguíneas) que pode ou não levar a alterações no hemograma, dependendo da gravidade da exposição. 3.2.3 Doenças e agravos de origem ocupacional 09/12/2022 16:18 Página 25 de 31 dependendo da gravidade da exposição. Essa substância é considerada carcinogênica, com potencial para estímulo de linfomas e leucemias, mesmo nas dosagens consideradas aceitáveis de 1 pmm. Sua intoxicação aguda por inalação causa tontura, dor de cabeça, perda de consciência, morte por parada respiratória e colapso circulatório decorrentes de ação central. No contato mais prolongado com a pele, causa dermatites. A ingestão causa irritação local (OLSON, 2013). No caso do tolueno e xileno, a biotransformação é feita no grupo metila, fora do anel aromático. Por conta disso, não se observam efeitos mielotóxicos e cancerígenos do benzeno, mas são considerados hepatos e nefrotóxicos. Além disso, também são considerados ototóxicos, podendo, inclusive, ocasionar ou agravar a perda auditiva (SILVA et al., 2018). Agora, antes de Enalizarmos, vamos realizar mais uma atividade? Acompanhe! Os derivados de petróleo estão presentes em nossas vidas de diversas formas, como solventes de tintas, componentes de produtos domésticos e A exposição ao benzeno se revelou como sendo um importante agravo na saúde do trabalho, em especial dos frentistas, que entram em contato diariamente com essa substância. No vídeo Pesquisadora Fala sobre Benzeno e a Saúde dos Trabalhadores - Lia Giraldo, a pesquisadora titular aposentada da Fiocruz, Lia Giraldo, explica sobre essa exposição ocupacional e seus riscos. Clique no botão abaixo para conferir a produção na íntegra. Acesse (https://www.youtube.com/watch?v=xFq8FMOuDFw) VOCÊ QUER VER? (ATIVIDADE NÃO PONTUADA) TESTE SEUS CONHECIMENTOS 09/12/2022 16:18 Página 26 de 31Por Em, como já pudemos estudar, as manifestações de doenças por exposição a agrotóxicos e metais pesados causam doenças e manifestações clínicas similares às descritas por exposição alimentar. formas, como solventes de tintas, componentes de produtos domésticos e até em alguns ambientes de trabalho. Desse modo, a monitorização de trabalhadores expostos a essas substâncias é essencial para resguardar sua saúde e assegurar níveis seguros de toxicidade. Acerca do tema, considerando o que estudamos sobre a exposição dos trabalhadores a substâncias tóxicas, analise as aErmativas a seguir e a relação proposta entre elas. I. O benzeno é uma substância derivada do petróleo, sendo que os trabalhadores de postos de gasolina devem estar atentos a sintomas como alterações do hemograma e diminuições das quantidades de células. PORQUE II. O benzeno é um agente mielotóxico que causa hipoplasia medular e pode levar, inclusive, à formação de leucemias e linfomas. Agora, assinale a alternativa correta. a. As aErmativas I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justiEcativa da I. b. As aErmativas I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justiEcativa da I. c. A aErmativa I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. A aErmativa I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. As aErmativas I e II são proposições falsas. VERIFICAR 09/12/2022 16:18 Página 27 de 31 Chegamos ao Em do material. Como vimos, os seres humanos podem estar expostos a tóxicos desde a sua alimentação até o seu ambiente de trabalho. Por isso, é importante que haja o cumprimento das leis e normas para que seja assegurada a segurança ao consumidor e aos trabalhadores. Nesta unidade, você teve a oportunidade de: CONCLUSÃO entender o que é a toxicologia ocupacional e para que ela serve; aprender sobre as bases de análises de alimentos; identiEcar como ocorre a intoxicação por alimentos; compreender quanto à exposição tóxica ocupacional; analisar as manifestações nos casos de exposição a determinados tóxicos. A monitorização de trabalhadores devido à exposição ocupacional deve ser feita de forma rigorosa e contínua. Desse modo, pesquise e liste as normas regulamentadoras vigentes que regulamentam as exposições a tóxicos de trabalhadores da área de petróleo e metalurgia. Depois, compartilhe seus achados! VAMOS PRATICAR? 09/12/2022 16:18 Página 28 de 31 Clique para baixar conteúdo deste tema. AVELAR, J. C. et al. Problemas relacionados ao consumo de alimentos contaminados com di-etil-hexil-ftalato: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Development, [s. l.], v. 6, n. 12, 2020. 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Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019- 2022/2019/Decreto/D9917.htm#art1 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019- 2022/2019/Decreto/D9917.htm#art1). Acesso em: 28 jun. 2021. BRASIL. Decreto n. 55.871, de 26 de março de 1965. ModiEca o Decreto n. 50.040, de 24 de janeiro de 1961, referente a normas reguladoras do Referências 09/12/2022 16:18 Página 29 de 31 50.040, de 24 de janeiro de 1961, referente a normas reguladoras do emprego de aditivos para alimentos, alterado pelo Decreto n. 691, de 13 de março de 1962. Brasília: Presidência da República, 1965. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D55871.htm (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D55871.htm). Acesso em: 28 jun. 2021. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-7 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, [2020]. 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