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Profa. Vanessa Silva CONCEITOS EM PATOLOGIA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DE BACABAL CURSO DE NUTRIÇÃO DISCIPLINA: PATOLOGIA GERAL Ementa: Alterações macro e microscópicas dos tecidos e órgãos. Lesão e morte celular. Distúrbios do metabolismo celular. Distúrbios circulatórios: edema, isquemia, hiperemia, hemorragia, trombose, embolia, enfarte, choque. Mecanismos de defesa do organismo: inflamações aguda e crônica, granulomatosa, regeneração, reparo e cicatrização. Distúrbios do movimento e da diferenciação celulares: hipertrofia, hipotrofia, hiperplasia, hipoplasia, metaplasia, displasia e neoplasias benigna e maligna, carcinogênese. Processos patológicos dos sistemas: cardiovascular, respiratório, endócrino, ósteo-músculo-articular, imunológico, tegumentar, neurológico. Plano de curso ABBAS, A.K. et. al. Patologia: bases patológicas das doenças. 8. ed. São Paulo: Elsevier, 2010. BRASILEIRO FILHO, G. Bogliolo – Patologia. 8. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2011. HANSEL, D. E. ; DINTZIS, R. Z. Fundamentos de Rubin: patologia. 1. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2007. CAMARGO, J. L. V.; OLIVEIRA, D. E. Patologia Geral: Abordagem Multidisciplinar. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. Bibliografia Básica DAMJANOV, I. Segredos em patologia. Porto Alegre: Artmed, 2005. FARIA, J. L. Patologia especial com aplicações clínicas. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. RUBIN, E. Patologia: bases clínico patológicas da Medicina. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. STEVENS, A. Patologia. 2. ed. São Paulo: Manole, 2002. Bibliografia Complementar Definição PATOLOGIA - É o estudo dos mecanismos de doença - Pato : doença, sofrimento - Logia: estudo Divisão da Patologia GERAL: estuda os mecanismos gerais de doenças células tecidos órgãos ESPECIAL ou SISTÊMICA: estuda as enfermidades que afetam determinados sistemas Ex: Sistema respiratório ASPECTOS CONSTITUINTES DAS DOENÇAS Etiologia Patogenia Alterações morfológicas Desordens funcionais Manifestações clínicas Aspectos Básicos da Patologia CAUSA ou ETIOLOGIA: 1.1- Genética ou Primária: o indivíduo já nasce com determinada doença Ex: Síndrome de Down 1.2- Adquirida ou Secundária: é quando a doença é adquirida ao longo da vida Ex: Tuberculose Patogênese É a instalação da causa ou etiologia até a manifestação dos sinais e sintomas clínicos Mecanismo de formação das lesões Alterações moleculares Alterações bioquímicas Alterações metabólicas Alterações fisiológicas Alterações Estruturais Macroscópicas Microscópicas “Toda vez que ocorre uma alteração isso se reflete na morfologia celular” Patologia DOENÇA ETIOLOGIA PATOGÊNESE ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DISTÚRBIOS FUNCIONAIS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS CAUSAS MECANISMOS LESÕES FISIOPATOLOGIA SINAIS E SINTOMAS Curso da Enfermidade (fator cronológico) AGUDA: início rápido, curta duração Ex: Resfriado CRÔNICA: evolução da enfermidade, longa duração Ex: Tuberculose Curso da Enfermidade (Topografia) LOCAL: bem delimitada, isolada Ex: Rinite alérgica DIFUSA: não é delimitada, espalhada Ex: Icterícia DISSEMINADA: dispersa em inúmeros e pequenos focos Ex: Sarampo SISTÊMICA: acomete os sistemas do organismo Ex: Tuberculose, HIV GENERALIZADA: é difundida por todo o organismo Ex: Infecção microbiana generalizada (Septicemia) PATOLOGIA CELULAR As células estão constantemente expostas a alterações em seu ambiente: - Como resultado de processos fisiológicos normais; - Alterações no ambiente externo, incluindo os efeitos decorrentes de tratamento medicamentoso. Ex: alterações no padrão de absorção alimentar, nos níveis hormonais e à terapia medicamentosa. Adaptação celular Elas se adaptam a alterações aceitáveis em seu ambiente modificando o metabolismo ou padrão de crescimento. Muitas dessas modificações são adaptações metabólicas fisiológicas e representam um controle ótimo da função metabólica no nível bioquímico, não refletido em alterações funcionais facilmente detectáveis. Ex: jejum – ácidos graxos do tecido adiposo são mobilizados para suprir energia. Se os limites da resposta a um estímulo são excedidos, ou em determinadas circunstâncias, quando a célula é exposta a um agente lesivo ou estresse, ocorre um sequência de eventos que é chamado de lesão celular. A adaptação, lesão reversível e morte celular podem ser considerados estágios de um dano progressivo das funções e estruturas celulares normais. Ex: cargas hemodinâmicas crescente, o coração se alarga (adaptação). Não suficiente, o músculo sofre lesão e morte celular. CÉLULA NORMAL (Homeostasia) ADAPTAÇÃO LESÃO CELULAR Morte Celular Estresse Aumento da demanda Estímulo nocivo As células respondem ao aumento da demanda e ao estímulo externo por meio da hiperplasia (número) ou da hipertrofia (tamanho). Respondem à redução de nutrientes e de fatores de crescimento pela atrofia (redução tamanho). Quando em algumas situações mudam de um tipo para outro, o processo é conhecido como metaplasia. ADAPTAÇÃO AO CRESCIMENTO E À DIFERENCIAÇÃO ADAPTAÇÃO CELULAR Alteração do volume celular Hipertrofia Hipotrofia Alteração da taxa de divisão celular Hiperplasia Hipoplasia Alteração da diferenciação Metaplasia Alteração do crescimento e diferenciação celular Neoplasia HIPOTROFIA Redução quantitativa dos componentes estruturais e das funções celulares com diminuição do volume das células e dos órgãos atingidos Mecanismo: redução do anabolismo celular Tipos: fisiológicas e patológicas Fisiológicas – Ex: sensibilidade Patológicas: inanição, desuso, compressão, obstrução vascular, substâncias tóxicas, hormonal, inervação HIPOTROFIA Normal D. Alzheimer HIPOTROFIA HIPERTROFIA (hiper = excesso; trofia = nutrição) Aumento do volume celular provocado pelo aumento individual do tamanho da célula, sem alteração do seu número. Podem ser fisiológicos e patológicos Fisiológicos: útero na gravidez Patológicos: hipertrofia miocárdica (hipertensão e estenose valvar), hipertrofia de musculatura esquelética (atletas), hipertrofia de musculatura lisa de órgãos ocos (bexiga – hipertrofia prostática), hipertrofia de neurônios do plexo mioentérico na estenose intestinal. Consequências: Reversível, levar a lesão celular HIPERTROFIA MIOCÁRDICA HIPERTROFIA DO MIOCÁRDIO Normal Hipertrofia Redução no tamanho da célula devido à perda de substância celular. Ela representa uma forma de resposta de adaptação e pode culminar em morte celular. Pode ser fisiológica ou patologia: - Fisiológica: comum durante as fases iniciais do desenvolvimento. Algumas estruturas embrionárias e o útero que diminui de tamanho após o parto, representado atrofia fisiológica. ATROFIA - Patológica: depende da causa e pode ser localizada ou generalizada. Ex: - Diminuição da carga (atrofia do desuso); - Perda de inervação; - Diminuição do suprimento sanguíneo; - Nutrição inadequada; - Perda da estimulação endócrina; - Envelhecimento (atrofia senil); - Pressão. HIPOPLASIA (hipo = escassez; plasia = formação) Diminuição do número de células devido redução da taxa de divisão celular. Causas: embriogênese (hipoplasia pulmonar, renal, etc.) Podem ser Fisiológicas e patológicas Fisiológicas: involução do timo e das gônadas no climatério Patológicas: hipoplasia da medula óssea por agentes tóxicos ou infecções (AIDS, febre amarela, etc.) Consequências: reversíveis, salvo ascongênitas HIPERPLASIA (hiper = excesso; plasia= formação) Aumento do número de células que mantêm seu tamanho e função normais. Porém, o tecido ou órgão hiperplásico tem seu volume aumentado, bem como sua função. Podem ser Fisiológicos e Patológicos Fisiológicos: compensadores (nefrectomia), secundários a estímulo hormonal (útero na gravidez, mama na lactação) Patológicos: estimulação hormonal – estrógeno com hiperplasia endometrial. TSH- hiperplasia tireoidiana METAPLASIA (meta = mudança; plasia = formação) Mudança de um tipo de célula adulta e madura em outro da mesma linhagem Tipos: Transformação de epitélio pavimentoso não ceratinizado em epitélio ceratinizado Transformação de epitélio glandular endocervical em epitélio escamoso Transformação de epitélio foveolar gástrico em epitélio instestinal METAPLASIA DISPLASIA (dis = diferente; plasia = formação) Proliferação celular excessiva, acompanhada de ausência ou escassez de diferenciação. Pode regredir se retirada a causa irritante. Exemplos: displasias epiteliais (ocorrem com graus variados de aumento da proliferação celular com distúrbio de maturação e atipias) Nem sempre progridem para câncer Mais frequentemente originam-se de epitélios metaplásicos. Neoplasia (neo = novo; plasia = formação) Crescimento progressivo, sem propósito, indiferente aos tecidos vizinhos, de forma autônoma, não relacionado às necessidades do organismo Competindo com as células e tecidos normais (parasita), dependendo do organismo. A lesão ocorre quando as células são submetidas a um estresse tão severo que não são mais capazes de se adaptar ou quando são expostas a agentes perniciosos, podendo progredir para um estágio irreversível e culminar na morte celular. LESÃO E MORTE CELULAR TIPOS DE LESÃO Reversível - caracterizada, por alterações funcionais e morfológicas que podem ser reversíveis caso a fonte nociva seja retirada. Irreversível - quadro causado pela progressão do dano, em que a lesão se torna irreversível e a célula não apresenta mais meios de se recuperar MORTE CELULAR Necrose Apoptose Existem também dois tipos de morte celular, necrose e apoptose, que diferem quanto a sua morfologia, mecanismos e papéis que desempenham nas doenças e fisiologia. Enquanto a necrose é sempre um processo patológico, apoptose ocorre em várias funções normais e não está necessariamente associada a lesão celular. MORTE CELULAR A apoptose é a via de morte celular que é induzida por um programa intracelular altamente regulado, no qual as células destinadas a morrer ativam enzimas que degradam seu DNA e as proteínas citoplasmáticas. A membrana plasmática da célula permanece intacta, mas sua estrutura é alterada de forma que a célula apoptótica se torna um alvo primário da fagocitose. A célula morta é eliminada rapidamente, antes que seu conteúdo possa extravasar e, dessa forma, esse tipo de morte não desencadeia uma reação inflamatória pelo hospedeiro APOPTOSE As causas das lesões celulares variam de grande violência física externa, de um acidente de automóvel a causas endógenas. A maioria dos estímulos nocivos podem ser agrupados nas seguintes categorias: - Ausência de oxigênio (hipóxia); - Agentes físicos (queimaduras e frio intenso); - Agente infecciosos (bactérias e fungos); CAUSAS DAS LESÕES CELULARES - Agentes químicos e drogas: 1 – Agentes químicos: glicose, sal em concentrações hipertônicas e oxigênio em altas concentrações. 2 – Drogas: arsênio e cianeto ou sais de mercúrio. Outras substância, poluentes do meio ambiente e ar, inseticidas e herbicidas. - Reações imunológicas (reação anafilática); - Distúrbios genéticos (síndrome de Down); - Desequilíbrios nutricionais (deficiência protéico- calóricas / vitaminas). A lesão celular resulta de anormalidades funcionais e bioquímicas em um ou mais componentes celulares essenciais. A seguir os mecanismos bioquímicos que são responsáveis pela lesão celular induzida por diversos estímulos: MECANISMOS DAS LESÕES CELULARES - Diminuição do ATP: esses mecanismos estão freqüentemente associadas a lesões hipóxias e químicas (tóxicas); - Dano mitocondrial: alvo importante para virtualmente todos os tipos de estímulos nocivos, incluindo a hipóxia e toxinas e, frequentemente é acompanhada de alterações morfológicas. - Fluxo intracelular de cálcio e perda da homeostasia do cálcio: o aumento dos níveis intracelulares de Ca, além de aumentar a permeabilidade da membrana, causa o aumento da permeabilidade mitocondrial e induz a apoptose. - Acúmulo de radicais livres derivados do oxigênio (estresse oxidativo): as células geram energia reduzindo o oxigênio molecular em água. Durante esse processos, pequenas quantidades de oxigênio parcialmente reduzidas são produzidas com um produto indesejável da respiração mitocondrial. Defeitos na permeabilidade da membrana: o dano à membrana pode afetar a mitocôndria, a membrana plasmática e outras membranas celulares. Pode ser danificada por determinadas toxinas bacterianas, proteínas viróticas e por uma grande variedade de agentes físicos e químicos. As células sofrem alterações bioquímicas e morfológicas sequenciais conforme a lesão progride e finalmente sofrem necrose. MORFOLOGIA DO DANO CELULAR E DA NECROSE Necrose: refere-se ao espectro de alterações morfológicas que ocorrem após a morte celular em um tecido vivo resultando, em grande parte, da ação progressiva de enzimas nas células que sofreram a lesão letal. Lesões isquêmicas e hipóxia: a isquemia ocorre devido uma redução no fluxo de sangue, geralmente por consequência de uma obstrução mecânica no sistema arterial, mas as vezes por uma queda da pressão arterial ou da perda de sangue. A hipóxia se refere a qualquer estado em que existe uma redução do oxigênio disponível. EXEMPLO DE LESÃO CELULAR E NECROSE Lesão química: as substâncias químicas induzem a lesão celular através de alguns mecanismos gerais: - Agindo diretamente combinando com algum componente molecular crítico ou organela celular. Ex: no envelhecimento pelo cloreto de mercúrio (trato gastrointestinal e rins). - Agindo nas células-alvo, pelo conversão em metabólitos tóxicos reativos, onde as substâncias químicas não são biologicamente ativas. Ex: tetracloreto de carbono, usado na indústria de lavagem a seco. O envelhecimento celular é o resultado de um declínio progressivo na capacidade proliferativa, e no tempo de vida das células, e o efeito da exposição continuada a influências que resultam no acúmulo progressivo de danos celular e molecular. ENVELHECIMENTO CELULAR Mecanismos do envelhecimento celular. Fatores genéticos e ambientais se combinam para produzir as anormalidades celulares características do envelhecimento. Por hoje chega!