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SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 2 Olá! Sou Andersom Bontorim, autor deste curso de Perito Judicial. Sou corretor de imóveis, inscrito no CNAI - Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários, graduação em Processamento de Dados e em Marketing e Vendas, com mestrado em Administração, tendo ministrado mais de 180 palestras no CRECISP, por todo o Estado de São Paulo, com experiência em perícias para determinação de valor mercadológico de bens imóveis. Parabéns por ter tomado a decisão de participar deste curso de Perito Judicial. Espero que você possa desenvolver esta atividade de forma plena e que tenha muito sucesso com isso. Este curso de Perito Judicial foi estruturado para que você saiba como interagir na esfera do Judiciário, evitando problemas, minimizando os riscos e ampliando suas possibilidades de novas oportunidades. O conteúdo desta apostila está formatado de modo que sejam apresentados os assuntos na mesma sequência que são apresentados nas aulas, para que você possa acompanhar as aulas com a apostila. Espero que você, verdadeiramente, auxilie a justiça com suas perícias. Aproveite este conteúdo! Ser Perito Judicial para Corretores de Imóveis AUTOR Andersom Bontorim DIRETOR PRESIDENTE Arnaldo Manoel Alves DIRETORA DE OPERAÇÕES Jaqueline Araújo COORDENAÇÃO DE CURSOS Lisamar Delazeri Castro COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO DE CURSOS Rosa Maria Simone PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Marcos Tadeu Cecone Direitos Autorais INSTITUTO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO Informamos que é de inteira responsabilidade do(s) autor(es) a emissão dos conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem prévia autorização do IBRESP. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei 9.610/98 e punido de acordo com o Art. 184 do Código Penal. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Bontorim, Andersom Ser perito judicial para corretores de imóveis [livro eletrônico] / Andersom Bontorim. –- São Paulo: IBRESP, 2021. 14.7 mb Formato: PDF ISBN: 978-65-88399-24-8 1. Perícia Judicial 2. Mercado imobiliário - Avaliação I. Título CDD-346.04 Sueli Costa - Bibliotecária - CRB-8/5213 (SC Assessoria Editorial, SP, Brasil) Índices para catálogo sistemático: 1. Direito imobiliário 346.04 SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 4 CONTEXTUALIZANDO A PERÍCIA JUDICIAL O PERITO JUDICIAL RESPONSABILIDADE, RISCOS E CUIDADOS NA PERÍCIA JUDICIAL LAUDO PERICIAL DE AVALIAÇÃO MERCADOLÓGICA DE IMÓVEIS O que é Perícia Judicial........................................................................................................................... Caracterização da Perícia...................................................................................................................... Quando a Perícia é requerida................................................................................................................ Perícia judicial, extrajudicial e arbitral.............................................................................................. Princípios processuais Fundamentais na atividade da PERÍCIA.................................................. Os elementos em um Processo Judicial............................................................................................... Fases principais de um Processo Judicial........................................................................................... Quem é o Perito Judicial?...................................................................................................................... Quem PODE ser Perito Judicial?.......................................................................................................... Perito Arbitral e Extrajudicial.............................................................................................................. Diferença entre Perito Judicial e Assistente Técnico...................................................................... Habilidades do Perito............................................................................................................................. Laudo Pericial com informações não verdadeiras.......................................................................... Falsa Perícia............................................................................................................................................. Substituição do perito............................................................................................................................ Impedimento e Suspeição do Perito Judicial.................................................................................... Prazos e obrigações do Perito.............................................................................................................. Avaliação estrutural versus Avaliação Mercadológica de imóveis.............................................. Laudo Pericial.......................................................................................................................................... PTAM – Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica.................................................................. Apresentação do Laudo Pericial.......................................................................................................... 06 06 08 09 09 09 11 13 17 17 18 20 20 23 26 26 27 28 29 34 40 40 41 43 45 SUMÁRIO SENDO UM PERITO JUDICIAL Ser Legalmente Habilitado................................................................................................................... Cadastro no Tribunal............................................................................................................................. Honorários do Perito Judicial .............................................................................................................. Adiantamento e redução de honorários............................................................................................ Peticionando o juiz................................................................................................................................ Aceitação da nomeação de Perito Judicial......................................................................................... Escusa de nomeação de Perito Judicial.............................................................................................. Apresentação de proposta de honorários periciais......................................................................... Solicitação de uso de outros meios necessários............................................................................... Intimação de morador de imóvel para acesso ao interior do imóvel........................................... Solicitação de auxiliar técnico.............................................................................................................. Apresentação de laudo e pedido de liberação dos honorários....................................................... Pedido de prorrogação de prazo para entrega do laudo................................................................. Indicação do dia e da hora para início da diligência........................................................................ Comunicando fato ocorrido durante a diligência............................................................................. 47 47 47 48 49 50 50 51 51 52 52 53 53 54 54 55 SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 6 AULA 1 Nesta aula contextualizaremos a perícia, a partir da sua definição, das suas características e da sua utilidade na esfera do judiciário. Também serão abordados alguns aspectos sobre os processos judiciais para que seja possível entender a relação entre perícia e judiciário. O que é Perícia Judicial? PE-RÍ-CI-A [substantivo feminino] Etimologia: do latim peritia, queetc.); Número de matrícula e cartório de registro imobiliário; Áreas (do terreno, de construção, real privativa, de uso comum, real total, fração ideal, etc.) e dimensões do imóvel; Características e infraestrutura disponível no logradouro e na região onde se encontra o imóvel; Descrição detalhada do imóvel e acessórios (construções, benfeitorias, instalações, etc.); Relatório fotográfico, da data da vistoria realizada no imóvel; Identificação dos imóveis escolhidos para compor a amostra, explicitando as respectivas fontes; Homogeneização dos itens da amostra; Conclusão do PTAM; Data e assinatura do C.I. emissor do PTAM; Aposição do Selo Certificador ao lado da assinatura Laudo Pericial de Avaliação Mercadológica de Imóveis4 A U LA O artigo 477 do CPC - Código de Processo Civil, estabelece que o Perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e julgamento. Normalmente, o juiz estabelece a data ou a quantidade de dias (prazo) para a finalização do PTAM. A entrega é feita conforme os procedimentos do Tribunal. Existem tribunais que recebem o material impresso e existem tribunais que o recebem na forma digital. Portanto, é preciso se inteirar no Cartório da vara do tribunal em que for nomeado perito judicial como deve ser feita a entrega. 7. Anexos: Relatório fotográfico (quando não incluído na Caracterização do Imóvel) Plantas de situação e localização, mapas, etc. Certidão atualizada da matrícula no Cartório do Registro de Imóveis; Documentos diversos (outras certidões, recibos de impostos, CCIR, etc.) Currículo do C.I. avaliador Apresentação do Laudo Pericial SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 46 QUESTÃO 1 Assinale a alternativa que NÃO apresenta algo que o Laudo Pericial deva conter. A) A exposição do objeto da perícia. B) A análise técnica ou científica realizada pelo perito. C) A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou. D) Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. E) Os honorários arbitrados pelo perito. QUESTÃO 2 Quando um Corretor de Imóveis é nomeado perito judicial, o que deverá entregar ao juiz? A) Um Parecer Judicial. B) Uma carta de recomendação. C) Um Laudo Médico. D) Um Parecer Técnico de Avaliação Municipal. E) Um Laudo Pericial. EXERCÍCIOS Sendo um Perito Judicial5 A U LA AULA 5 Nesta última aula, enfim, discorremos sobre o que fazer para efetivamente ser nomeado um perito judicial e apresentamos algumas sugestões de textos para as principais petições a serem, eventualmente, usadas para comunicação com o juiz. No caso de corretores de imóveis, o que determina isso é o seu registro profissional no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Região onde o corretor atua (CRECISP para o Estado de São Paulo, CRECI-RJ para o Estado do Rio de Janeiro, CRECI-PE para o Estado de Pernambuco etc.). Então, o CIRP – Cartão de Identidade e Regularidade Profissional, emitido pelo CRECI é documento suficiente para tal comprovação. Contudo, pode ser interessante ter uma certidão de regularidade, ainda que isso não seja obrigatório. A inscrição no CNAI – Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários é opcional, mas, ainda assim, é extremamente importante, pois pode legitimar a especialização do corretor de imóveis no assunto sobre avaliação mercadológica de bens imóveis. Lembrando: Perito Judicial é Auxiliar da Justiça! Os Tribunais, normalmente, mantêm o cadastro de todos os auxiliares da justiça e, na ficha cadastral, a pessoa indica que tipo de auxiliar pretende ser: perito, tradutor, mediador etc. Para informações adequadas sobre o processo de inclusão no cadastro mantido pelo Tribunal, é indicado entrar em contato com o Tribunal e questionar sobre como realizar o Cadastro de Perito Judicial ou como realizar o cadastro de Auxiliar da Justiça. Ser Legalmente Habilitado Cadastro no Tribunal ! SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 48 Atuação na Defensoria Pública: Existe uma tabela fixada de valores. Neste caso, o Perito é que deve decidir se aceita trabalhar pelo valor já determinado. Atuação em demais esferas: Existem, basicamente, 2 formas de cálculo de honorários: • Usando a tabela do CRECI: Cada CRECI, em sua Região, emitiu uma portaria, contendo uma lista de sugestões de preços para cada atividade do corretor de imóveis, incluindo a avaliação imobiliária. A portaria apresenta uma sugestão e não uma determinação. Portanto, é totalmente permitido cobrar mais ou cobrar menos daquilo que esteja estabelecido na tabela. A tabela do CRECI indica a cobrança de um percentual do valor do imóvel avaliando. Como o valor do imóvel avaliando é o resultado final do serviço de avaliação imobiliária, torna-se complicado apresentar um valor antes do início dos trabalhos. Neste caso, alguns profissionais acabam supondo mentalmente, por experiência, um valor aproximado do imóvel que irão avaliar, para que, com isso, calculem, conforme a tabela do CRECI, o percentual e, consequentemente, o preço deste trabalho. Neste caso, fica fácil de justificar o valor, pois está estabelecido como orientação pela autarquia federal de registro e fiscalização profissional. • Usando os cálculos por hora de trabalho: Tratam-se de honorários calculados com base na quantidade de horas que demandarão em cada tipo de tarefa que vai compor a atividade da perícia. Por exemplo: Para vistoria, define-se um valor por hora, que será diferente do valor por hora para busca de referenciais, que será diferente do valor por hora das análises que devem ser feitas, e assim sucessivamente (conforme complexidade de cada tarefa), até completar todas as atividades. Basta analisar onde se localiza o imóvel para calcular os custos de vistoria, e qual seria a dificuldade de encontrar imóveis referenciais para essa avaliação, de modo a poder-se calcular o tempo demandado para isso. Com base nisso, é possível estimar a quantidade de horas para cada tarefa, multiplicar pelos respectivos preços por hora (definido pelo perito) e somar tudo para compor o total final dos honorários. Neste caso, fica fácil apresentar a composição do preço, demonstrando o esforço para cada tarefa a ser desempenhada. Honorários do Perito Judicial IMPORTANTE! A proposta de honorários que o perito vai apresentar deve ter como ser justificada, pois, pode acontecer de o juiz pedir esclarecimentos quanto ao valor proposto e, por isso, o perito deve conseguir explicar. Sendo um Perito Judicial5 A U LA Mas, atenção! Veja o que estabelece o parágrafo 5º deste mesmo artigo: ADIANTAMENTO: Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. § 2º Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cinco) dias: I - proposta de honorários; II - currículo, com comprovação de especialização; III - contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as intimações pessoais. § 3º As partes serão intimadas da proposta de honorários para, querendo, manifestar-se no prazo comum de 5 (cinco) dias, após o que o juiz arbitrará o valor, intimando-se as partes para os fins do art. 95 . § 4º O juiz poderá autorizar o pagamento de até CINQUENTA POR CENTO DOS HONORÁRIOS ARBITRADOS A FAVOR DO PERITO NO INÍCIO DOS TRABALHOS, devendo o remanescente ser pago apenas ao final, depois de entregue o laudo e prestados todos os esclarecimentos necessários. § 5º Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho. Adiantamento eredução de honorários SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 50 Peticionando o juiz Aceitação da nomeação de Perito Judicial PE-TI-ÇÃO (Etm. do latim: petitio.onis) s.f. Requerimento; pedido efetuado de modo escrito. Ação ou consequência de pedir. Jurídico. Solicitação feita por escrito para pedir um favor. A comunicação enviada ao juiz é uma petição. Uma petição deve possuir a descrição dos fatos e os fundamentos legais nos quais se baseia o pedido. A transformação digital tem permeado os tribunais e, a grande maioria já conta com petições eletrônicas. Seguem alguns textos exemplos de petição, os quais podem ser usados como modelos em petições futuras. (nome do perito), (nacionalidade), (estado civil), RG n°. (número do documento), CPF nº. (número do documento), inscrito no CRECISP (ou CRECI-RN ou CRECI-DF etc.), sob o nº (colocar o número de inscrição) com escritório profissional nesta cidade na rua (nome da rua) nº (número da casa ou apto), bairro (nome do bairro), na cidade de (nome da cidade), Estado (nome do estado), vem, respeitosamente, informar a Vossa Excelência, em conformidade com os artigos 156, § 1º, e 465, § 2º, ambos do Código de Processo Civil, que aceita o encargo para o qual foi nomeado e que apresentará a proposta de honorários judiciais após a juntada dos quesitos pelas partes. Desta forma, requer a juntada desta aos autos para tornar ciente todas as partes interessadas e devidos fins de direito. É o que requer. Pede Deferimento. Sendo um Perito Judicial5 A U LA Escusa de nomeação de Perito Judicial Apresentação de proposta de honorários periciais (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe vem, respeitosamente, informar a Vossa Excelência, que por motivos alheios à vontade, encontra-se impossibilitado de exercer o encargo (Se for por motivo de impedimento ou suspeição deve explicar a situação colocando: “, devido a...”). Dessa forma, apresenta sinceras escusas e fica à disposição deste Juízo para prestar maiores esclarecimentos, bem como para atuar em processos futuros, quando for solicitado. Isto posto, requer a sua dispensa do encargo e a juntada desta aos autos para tornar ciente as partes interessadas e para os devidos fins de direito. É o que requer, Pede deferimento. (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, requerer a Vossa Excelência a fixação dos honorários periciais em R$ (valor em números e depois, entre parênteses, o valor por extenso). Diante do exposto, requer a intimação (do autor/réu, responsável pelo pagamento) para que efetue o depósito da quantia fixada a título de verba honorária, no montante arbitrado por Vossa Excelência, a título de adiantamento, objetivando, assim, dar início às diligências periciais. É o que requer, Pede deferimento. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 52 Solicitação de uso de outros meios necessários Intimação de morador de imóvel para acesso ao interior do imóvel (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, requerer a Vossa Excelência autorização para (descrever o que precisa – exemplo: questionar alguma pessoa, fazer busca de documentos em algum órgão, ter acesso ao interior de imóvel trancado e desabitado etc.) Desta forma, requer a Vossa Excelência, (fazer o requerimento de acordo com o pedido acima, caso haja necessidade de intimações, notificações, dilação de prazo etc). É o que requer, Pede deferimento. (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, requerer a Vossa Excelência, a expedição de mandado para intimação do morador do imóvel no qual deve realizar a perícia, Sr. (nome do morador), residente e domiciliado nesta cidade, (nome da rua, nº da casa), para que permita o ingresso deste Perito no imóvel, para realizar as diligências periciais necessárias, visto que não logrou êxito nas tentativas anteriores, uma vez que o Sr. (nome do morador) não autorizou o ingresso no imóvel. Diante dos fatos, requer a Vossa Excelência a intimação do Sr. (nome do morador), bem como fazer constar no mandado que o seu descumprimento acarretará em crime de desobediência, autorizando o Perito a recorrer, se necessário, às forças policiais para o cumprimento do encargo que lhe foi incumbido. É o que requer, Pede deferimento. Sendo um Perito Judicial5 A U LA Solicitação de auxiliar técnico Apresentação de laudo e pedido de liberação dos honorários (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos processuais vem, respeitosamente, requerer a Vossa Excelência, a designação de auxiliar técnico. Isto posto, requer a Vossa Excelência, que comece a correr o prazo para entrega do laudo somente após o auxiliar técnico ser designado e todas as partes estarem cientes, pelo fato da necessidade das diligências serem realizadas conjuntamente. É o que requer, Pede deferimento. (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos processuais, vem, respeitosamente, apresentar a Vossa Excelência, dentro do prazo legal, o Laudo Pericial em Anexo. Requer a liberação de seus honorários Isto posto, requer a expedição de mandado de pagamento em favor do ora Requerente. É o que requer, Pede deferimento. ATENÇÃO! O perito judicial poderá ter auxiliares técnicos. Não confunda o auxiliar técnico do perito judicial com o assistente técnico da parte. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 54 Pedido de prorrogação de prazo para entrega do laudo Indicação do dia e da hora para início da diligência (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos processuais, vem, elucidar e requer a Vossa Excelência: Como observável nos autos, pela grande quantidade de quesitos apresentados e a necessidade de apuração fática criteriosa da matéria (ou outro motivo razoável), o prazo deferido por Vossa Excelência se tornou escasso, pelo fato de pretender, este Perito, obter as melhores colocações de ordem técnica, com o aprimoramento das diligências concernentes; É fato que a matéria em análise, no entender deste Perito, não apresenta problemática de perigo e/ou urgência. Desse modo, não é possível gerar aos interessados danos irreparáveis ou de difícil solução, bem como a complexidade técnica para justificar alteração de rito. Assim, requer a Vossa Excelência, apresentando suas desculpas, a prorrogação do prazo pelo período de (dizer o tempo necessário). Ainda, requer que o prazo comece a correr a partir da ciência deste Perito, dando-se ciência imediata aos interessados, para os devidos fins de direito. É o que requer Pede deferimento. (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos processuais, vem, requerer a Vossa Excelência que sejam intimadas as partes e demais interessados para início da diligência da prova pericial no (citar o dia, a hora e o local exatos), ficando este Perito à disposição para informações complementares, se necessário e solicitado. É o que requer. Pede deferimento. Sendo um Perito Judicial5 A U LA Comunicando fato ocorrido durante a diligência (nome do perito), Perito deste Juízo, devidamente qualificado nos autos processuais, vem, respeitosamente, elucidar e requerer a Vossa Excelência: Na forma legal, este Perito deu início às diligências periciais. Entretanto, ocorreu (transcrever o que ocorreu); Em decorrência dos fatos supramencionados este Perito entendeu que é devido suspender todos os atos periciais, objetivando levar ao conhecimento de Vossa Excelência e dos demais interessados o ora esposado. Este Perito sugere a Vossa Excelência que tome providências no sentido de (colocar o que acha cabível para a hipótese); (discorrer sobre outras hipóteses, o que mais for relevante para o caso concreto, se de interesse) Dessa forma,aguarda a solução do Juízo para fins de dar prosseguimento nas diligências periciais, requerendo a suspensão do prazo para entrega do Laudo. É o que requer. Pede deferimento. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 56 QUESTÃO 1 O que demonstra que um corretor de imóveis é legalmente habilitado? A) O registro no Ministério do Trabalho. B) O registro na Prefeitura. C) O registro no CRECI de sua Região. D) O registro no Tribunal Eleitoral. E) O registro no Tribunal de Justiça. QUESTÃO 2 Qual é o percentual máximo que pode ser adiantado ao perito judicial? A) 50% B) 25% C) 5% D) 20% E) 15% QUESTÃO 3 É possível que haja redução da remuneração do Perito? A) Não, pois, uma vez aceito, não pode ser alterado. B) Sim, quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho. EXERCÍCIOS Sendo um Perito Judicial5 A U LA QUESTÃO 4 Assinale a alternativa que completa a afirmação: A comunicação enviada ao juiz é uma... A) Pretensão. B) Prestação. C) Petição. D) Presunção. E) Preleção. REFERÊNCIAS: BRASIL. Código de Processo Civil. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Disponível em . FIKER, José. Manual de avaliações e perícias em imóveis urbanos. Oficina de Textos, 2001. MELLO, Luiz Fernando de; MELLO, Carlos Henrique Neves de. Modelos de Petições de Avaliações de Perícias. Leud, 2018. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 58 Depois de todo o curso, realmente esperamos que você possa ingressar neste mundo das perícias judiciais e consiga ter sucesso nesta atividade. Sugerimos que utilize este material para consultas futuras, de modo que sempre possa responder às responsabilidades adequadamente, principalmente respeitando os prazos estabelecidos pelo Código de Processo Civil. Enfim, além de esperarmos que tenha desenvolvido o entendimento para ser competente nesta área, desejamos boa sorte, já que sorte é um ingrediente muito bem-vindo para ampliar o potencial de realizações. Sucesso!!! Gabarito GABARITO - AULA 1 Questão 1 Qual é a definição de perícia? A) Discussão que resulta de uma análise comprovável sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. B) Conclusão que não resulta de uma análise comprovável sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. C) Conclusão que resulta de uma análise comprovável sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. D) Conclusão que resulta de uma análise não possível de ser comprovada sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. E) Conclusão que resulta de uma análise comprovável sobre algo que seja genérico e nem um pouco específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. Resposta correta: Alternativa C. Comentário: A perícia é a conclusão, assim como periciar é o mesmo que buscar a conclusão. Esse resultado é obtido a partir de uma análise com objetivo de comprovar e, portanto, que apresente provas sobre algo específico (aquilo que se esteja analisando). Quem realiza a perícia deve conhecer do assunto e deve aplicar métodos que possam ser reproduzidos. Questão 2 Analise se a seguinte afirmação é verdadeira ou falsa: “O fato jurídico pode ser provado mediante perícia.” A) Verdadeiro. B) Falso. Resposta correta: Alternativa A. Comentário: Estabelecido pelo Art. 212 do Código Civil Brasileiro. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 60 Questão 3 Quando a perícia é requerida? A) Quando a determinação do fato não depender de conhecimento técnico especializado. B) Quando a prova do fato depender de opinião pessoal amadora. C) Quando a determinação do valor dos honorários depender de conhecimento técnico especializado. D) Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico especializado. E) Quando o juiz necessitar ajuizar ação contra o réu. Resposta correta: Alternativa D. Comentário: Art. 156 do CPC. “O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico”. Questão 4 Analise se a seguinte afirmação é verdadeira ou falsa: “A Perícia Arbitral é uma perícia realizada ao judiciário, determinada diretamente pelo juiz.” A) Verdadeiro. B) Falso. Resposta correta: Alternativa B. Comentário: A perícia arbitral é aquela que é realizada no juízo arbitral, conforme Lei Federal 9.307/96. GABARITO - AULA 2 Questão 1 Assinale a alternativa CORRETA: A) Perito Judicial é um cargo. B) Perito Judicial é um posto de trabalho. C) Perito Judicial é uma profissão. D) Perito Judicial é um juiz. E) Perito Judicial não é uma profissão. Gabarito Resposta correta: Alternativa E. Comentário: O Perito Judicial é nomeado pelo juiz dentro de um processo específico. Dessa forma, quando se encerra o processo, encerra a função do Perito Judicial. Portanto, uma pessoa tem uma profissão e graças à sua especialização nessa profissão, poderá auxiliar a justiça, momentaneamente, num ou outro processo, realizando perícias. Questão 2 Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz poderá ser assistido por quem? A) Perito. B) Assistente Técnico. C) Assistente da Justiça. D) Mediador. E) Tradutor. Resposta correta: Alternativa A. Comentário: Estabelecido no Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, Art. 156. Questão 3 Analise se a seguinte afirmação é verdadeira ou falsa: “O Assistente Técnico nunca, em hipótese alguma, poderá acompanhar o Perito Judicial durante a diligência da perícia.” A) Verdadeiro. B) Falso. Resposta correta: Alternativa B. Comentário: Segundo o Art. 466, § 2º. “O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias”. Dessa forma, fica a critério do assistente técnico acompanhar ou não o perito durante a diligência da perícia. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 62 GABARITO - AULA 3 Questão 1 Assinale a situação que poderá fazer com que o perito fique inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. A) Se, por dolo ou culpa, prestar informações absolutamente verdadeiras. B) Se, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas. C) Se, por dolo ou culpa, prestar serviço adequado. D) Se, por dolo ou culpa, prestar informações verídicas. E) Se, por dolo ou culpa, não prestar informações inverídicas. Resposta correta: Alternativa B. Comentário: Estabelecido no artigo 158 do Código de Processo Civil. Questão 2 Segundo o Código Penal brasileiro, o que pode acontecer se o Perito fizer afirmação falsa? A) Reclusão, de 12 (doze) a 14 (quatorze) anos, e multa. B) Reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta) anos, e multa. C) Apenas multa. D) Apenas reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) meses. E) Reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Resposta correta: Alternativa E. Comentário: Estabelecido no artigo 342 do Código. Questão 3 O Perito pode ser substituído? A) Não, pois após nomeado, nada pode demovê-lo de seu posto. B) Sim, pois as partes podem solicitar a substituição, a qualquer tempo, mediante qualquer motivo. C) Não, pois a função do Perito é atribuída a partir de Concurso Público. D) Sim, caso faltar-lhe conhecimento técnico ou científico ou caso, sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazoque lhe foi assinado. E) Sim, caso fizer afirmação verídica e, mesmo assim, falar a verdade. Resposta correta: Alternativa D. Comentário: Estabelecido pelo artigo 468 do Código de Processo Civil Gabarito Questão 4 Assinale a alternativa que NÃO contenha situação que haja impedimento do Perito, sendo-lhe vedado exercer suas funções. A) Quando for parte no processo seu cônjuge. B) Quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo. C) Quando promover ação contra a parte ou seu advogado. D) Quando for herdeiro de qualquer das partes. E) Quando estiver inadimplente nas suas obrigações perante o seu Conselho Profissional. Resposta correta: Alternativa E. Comentário: Inadimplência, não é um item listado no CPC que determine o impedimento do Perito Judicial. É totalmente possível um profissional liberal estar inadimplente nas suas obrigações perante o seu Conselho Profissional e, ainda assim, estar ativo. Questão 5 Qual é o prazo para a realização da perícia? A) 15 dias. B) 30 dias. C) Prazo determinado pelo juiz. D) Prazo determinado pelas partes. E) 25 dias. Resposta correta: Alternativa C. Comentário: Estabelecido no Art. 157 do CPC. GABARITO - AULA 4 Questão 1 Assinale a alternativa que NÃO apresenta algo que o Laudo Pericial deva conter. A) A exposição do objeto da perícia. B) A análise técnica ou científica realizada pelo perito. C) A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou. D) Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. E) Os honorários arbitrados pelo perito. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 64 Resposta correta: Alternativa E. Comentário: Honorários do Perito Judicial são peticionados pelo Perito Judicial e arbitrados pelo juiz, antes do início da perícia. No Laudo pericial deve constar, obrigatoriamente, o que lista o Art. 473 do CPC. Questão 2 Quando um Corretor de Imóveis é nomeado perito judicial, o que deverá entregar ao juiz? A) Um Parecer Judicial. B) Uma carta de recomendação. C) Um Laudo Médico. D) Um Parecer Técnico de Avaliação Municipal. E) Um Laudo Pericial. Resposta correta: Alternativa E. Comentário: Perito Judicial entrega Laudo Pericial ao juiz, seja corretor de imóveis ou outro profissional. Questão 1 O que demonstra que um corretor de imóveis é legalmente habilitado? A) O registro no Ministério do Trabalho. B) O registro na Prefeitura. C) O registro no CRECI de sua Região. D) O registro no Tribunal Eleitoral. E) O registro no Tribunal de Justiça. Resposta correta: Alternativa C. Comentário: Para ser corretor de imóveis é preciso ter registro no CRECI de sua Região, assim como para ser Advogado é preciso ter inscrição na OAB e, para ser médico é preciso ter registro no CRM. GABARITO - AULA 5 Gabarito Questão 2 Qual é o percentual máximo que pode ser adiantado ao perito judicial? A) 50% B) 25% C) 5% D) 20% E) 15% Resposta correta: Alternativa A. Comentário: Segundo o Art. 465, § 4º “O juiz poderá autorizar o pagamento de até cinquenta por cento dos honorários arbitrados a favor do perito no início dos trabalhos, devendo o remanescente ser pago apenas ao final, depois de entregue o laudo e prestados todos os esclarecimentos necessários”. Questão 3 É possível que haja redução da remuneração do Perito? A) Não, pois, uma vez aceito, não pode ser alterado. B) Sim, quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho. Resposta correta: Alternativa B. Comentário: Estabelecido pelo artigo 465, § 5º, do CPC – Código de Processo Civil. Questão 4 Assinale a alternativa que completa a afirmação: A comunicação enviada ao juiz é uma... A) Pretensão. B) Prestação. C) Petição. D) Presunção. E) Preleção. Resposta correta: Alternativa C. Comentário: Petição é o documento que se encaminha ao juiz estabelecendo a comunicação.significa habilidade, saber (SILVA, De Plácido e, Vocabulário Jurídico – atualizadores: Nagib Slaib Filho e Gláucia Carvalho - 23ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 1.029) • Avaliação minuciosa e, geralmente, feita por especialista. (In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2021. Disponível em: https://www.dicio.com.br/pericia/. Acesso em: 22/04/2021). • Instrumento técnico-científico de constatação, prova ou demonstração, quanto à veracidade de situações, coisas ou fatos oriundos das relações, efeitos e haveres que fluem do patrimônio de quaisquer entidades. (ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia Contábil – 3º Ed. – São Paulo: Atlas, 2002, p.48) • Consiste em exame, vistoria ou avaliação. (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - CPC – Código de Processo Civil, Art. 464) • Compreende todo um conjunto de aplicação de técnicas e conhecimentos tecnológicos investigativos que produz um trabalho, laudo ou Parecer pericial, a fim de auxiliar uma decisão. (LIMA, Jairo Silva. O mercado de trabalho da perícia contábil. Revista Razão Contábil & Finanças, v. 4, n. 1, 2013.) • Meio de prova, consistente no parecer técnico, de pessoa habilitada. (extraído do website JusBrasil - http://www.jusbrasil.com.br/topicos/295152/pericia/definicoes https://www.jusbrasil.com.br/busca?q=pericia Contextualizando a Perícia Judicial1 A U LA DEFINIÇÃO DE PERÍCIA: Conclusão que resulta de uma análise comprovável sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. Entendendo cada trecho desta definição: “consiste numa conclusão”: a perícia conclui um assunto, ou seja, apresenta uma prova de um entendimento definitivo. Isso significa que, se a perícia não for contestada (não for rejeitada), ela encerra uma dúvida e determina aquilo que se buscava quando pedida a perícia. No caso de uma avaliação mercadológica de um imóvel, a perícia determina o valor de mercado do imóvel que foi avaliado, não restando mais discussões sobre esse assunto. Mas, a perícia pode ser contestada! Em outras palavras, é possível que uma das partes possa questionar e, até mesmo, apresentar ao juiz alguma comprovação de que a perícia esteja incorreta. Neste caso, o juiz decidirá o que fazer. “resulta de uma análise comprovável sobre algo específico”: a conclusão, mencionada anteriormente, é fruto de uma análise que foi feita sobre algo específico. No nosso caso, tratando- se de perícia feita por corretores de imóveis, trata-se de um imóvel específico, cuja análise objetiva determinar seu valor de mercado. Mas, essa análise deve ser comprovável, ou seja, tudo o que for apresentado como fruto dessa perícia deve poder ser confirmado. Em outras palavras, todos os dados usados na perícia e os resultados obtidos pela perícia devem poder ter a existência demonstrada de forma clara e evidente. Nada pode ser falso. Enfim, se outra pessoa pegar os mesmos dados apresentados nessa perícia deve conseguir chegar nos mesmos resultados se aplicar o mesmo método. “realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto”: Pessoa especializada é aquela que se especializou, ou seja, trata-se de sujeito com formação específica e que se dedica ao estudo e prática de um conhecimento e atividade específicos. Já habilitada trata-se, neste contexto, da pessoa que tenha uma habilitação, ou seja, uma permissão necessária para usufruir de um direito. Portanto, a perícia deve ser realizada por alguém que tenha conhecimentos profundos no assunto objeto da perícia e que tenha capacidade legal para essa atividade. No caso dos corretores de imóveis, o registro no CRECI da sua região é o documento que apresenta a habilitação legal. Já a especialização, ainda que não obrigada por lei, é demonstrável pela inscrição no CNAI – Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários. Voltaremos a abordar este assunto quando tratarmos sobre quem pode ser perito. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 8 “obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos”: A conclusão da perícia não é algo que se baseia em pontos de vista pessoais e particulares, muito menos baseada em expectativa nem mera opinião especulativa. A conclusão da perícia deve ser obtida pelo uso de um processo de pesquisa organizado lógica e sistematicamente. Esse processo deve ter validação a partir de critérios técnicos ou científicos, ou seja, trata-se de métodos apresentados em artigos científicos, em normas técnicas ou em algum instituto legal (lei, decreto, resolução etc.). A perícia é caracterizada pela sua declaração de caráter técnico-científico sobre um elemento específico, resultante de AVALIAÇÃO, VISTORIA ou EXAME metodológico. ATENÇÃO! A PERÍCIA VERIFICA E CERTIFICA Verifica, pois realiza VISTORIA da coisa periciada, para defini-la adequadamente; EXAMINA a coisa periciada, para delimitá-la e contextualizá-la adequadamente; e AVALIA a coisa periciada, para estimar seu valor. Certifica, pois, após verificação, é usada como meio de prova demonstrando e dando como certo o que se determinou, de modo a assegurar como verdadeiro e atestar o que foi determinado. É prova de um fato jurídico: Art. 212 do Código Civil Brasileiro: [...] o fato jurídico pode ser provado mediante: I -confissão; II-documento; III-testemunha; IV-presunção; V–perícia. Caracterização da Perícia Quando a Perícia é requerida Perícia judicial, extrajudicial e arbitral PRINCÍPIOS PROCESSUAIS Fundamentais na atividade da PERÍCIA Quando a determinação do fato depender de conhecimento técnico especializado. A perícia tem o objetivo de auxiliar o juiz com um conhecimento especializado que ele não possui. “Princípio”: o que fundamenta algo, ou pode ser usado para embasar algo, ou ainda como sinônimo de regra ou norma moral. • Princípios da Imparcialidade – Ao realizar uma perícia, deve-se atuar de forma imparcial, ou seja, não apresentar conclusões tendenciosas que possam beneficiar uma das partes de propósito. A perícia deve apresentar a conclusão que os dados nos permitirem chegar. A Perícia Judicial é uma perícia que é realizada ao judiciário, ou seja, ela é determinada diretamente pelo juiz, seja pelo seu entendimento de necessidade, seja por requerimento das partes litigantes. A Perícia Extrajudicial é aquela que é contratada livremente por qualquer pessoa. Estas perícias são chamadas de extrajudiciais, pois são realizadas fora do âmbito do judiciário. A Perícia Arbitral é aquela realizada ao juízo arbitral, conforme Lei nº 9.307 de 1996, que dispõe sobre a arbitragem. Contextualizando a Perícia Judicial1 A U LA SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 10 • Princípio da Igualdade (Art. 5º da Constituição Federal) – Aquele que for realizar a perícia, deve tratar igualmente ambas as partes. • Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa (Art. 5º da Constituição Federal, inciso LV) – Na realização da perícia todos os dados devem ser disponibilizados, bem como elencados os métodos, de modo que os envolvidos possam tomar conhecimento dos seus componentes e possam manifestar respectivas opiniões. Dessa forma, é possível que a perícia seja questionada e, se isso ocorrer, os questionamentos devem ser recebidos com respeito e devem ser respondidos, assim como as dúvidas devem ser dirimidas. • Princípio da Ação – O Poder Judiciário não se move sozinho, mas depende da provocação. Isso significa que, se houver necessidade de que o juiz realize algo ou resolva algo, deve-se peticioná- lo. Peticionar é fazer uma solicitação por meio de um requerimento escrito (veremos futuramente mais a este respeito). • Princípio da exigência de motivação das decisões judiciais – O magistrado deve, por obrigação, prestar explicações sobre o porquê de sua decisão, fundamentando suas conclusões. Espera-se, com este princípio, que não restem dúvidas sobre a linha de raciocínio utilizada. Portanto, comoo Perito Judicial auxilia o juiz pela produção de uma prova pericial, é essencial que o laudo pericial apresente de forma clara e indubitável como se fez para chegar à conclusão apresentada. • Princípio da lealdade processual – Todos os envolvidos num processo judicial, seja juiz, promotor de justiça, escrivão, auxiliares da justiça (perito judicial, tradutor, mediador), devem se comportar de acordo com a boa-fé e com a lealdade conduzindo o comportamento. • Princípio da Economia e da instrumentalidade das formas – Para obter um equilíbrio adequado entre custo e benefício, o processo, como instrumento, deve ser realizado da maneira menos onerosa possível para as partes, guardando qualidade esperada. É neste contexto que a perícia deve ser realizada da maneira mais eficaz (alcançar o objetivo), com a máxima eficiência de recursos (menor custo). Contextualizando a Perícia Judicial1 A U LA Os ELEMENTOS em um Processo Judicial • Autor – Uma das partes do processo judicial, que move a ação. Muitas vezes, o autor é chamado de requerente. Temos que lembrar que o juiz não vai fazer nada se não for provocado, ou seja, se alguém não empurrar sua ação. Então, quem faz isso é o autor do processo, ou seja, é quem deu início ao processo. • Réu – A outra parte do processo judicial. Esta é a parte que é acusada pelo autor. Também é chamada de requerido, já que o autor é o requerente. Não confunda o termo réu com aquele que, supomos, ter feito algo errado. Por exemplo, num processo de divórcio de um casal, podemos ter uma mulher dando início à ação, ou seja, a autora do processo judicial e, portanto, teremos o seu cônjuge, sendo a outra parte. O cônjuge, neste exemplo, é o réu. Mas, perceba que, neste exemplo, não necessariamente alguém tenha feito algo errado. Na verdade, nem é isso que se está discutindo. Neste exemplo, apenas se discute a divisão dos bens. • Litígio – As divergências entre as partes (Autor e Réu) compõem um processo judicial. Na verdade, ainda que as partes possam ter algum conflito de interesses, dá-se o nome de litígio quando esta controvérsia existir a partir da contestação da demanda. Primeiramente a parte autora apresenta uma demanda (requer algo). Daí, a outra parte (réu) é convocada. Se o réu não contesta essa demanda, significa que o pedido será realizado e que, então, não existe controvérsia. Veja que, neste caso, não houve contestação da demanda. Então, não existe, aqui, o litígio. Mas, suponhamos que o réu, ao invés de concordar, discorde e apresente uma contestação (uma oposição ao que foi requerido). Então, neste outro caso, houve uma contestação da demanda. A esta controvérsia judicial iniciada com a contestação da demanda, dá-se o nome de litígio. • Juiz – Aquele que tem atribuição de autoridade pública para exercer a atividade jurisdicional, ou seja, para julgar o processo judicial (os conflitos de interesse que são submetidos à sua apreciação). Quando se deseja mencionar tanto o autor quanto o réu, conjuntamente, diz-se “as partes” do processo judicial. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 12 • Tribunal – Dá-se este nome ao local onde se encontram os juízes, assim como também pode significar o conjunto de juízes que estejam julgando um processo conjuntamente. Portanto, é possível dizer que o tribunal (conjunto de juízes) está reunido no tribunal (local, órgão com a finalidade de exercer a jurisdição). Um tribunal tem o objetivo de resolver os litígios a partir de processos heterocompositivos, ou seja, quem delibera é uma ou mais pessoas (juízes) que não estão envolvidas na controvérsia. É neste local que o pretendente a realizar a perícia deve se cadastrar para poder exercer essa atividade. É no Tribunal que, após realizada a perícia, o laudo pericial é entregue. • Vara – Uma vara é uma jurisdição específica que também pode ser chamada de juízo, de julgado ou ainda de juizado. • Cartório – Local da Vara, onde se encontra toda espécie de ofício judicial. • Escrivão – Profissional responsável por dirigir os trabalhos do ofício (do cartório), praticar atos jurídicos e executar tarefas inerentes ao ofício do foro judicial. Perceba que o escrivão pratica os atos jurídicos. Não confunda ato jurídico com fato jurídico: ATO JURÍDICO É aquilo que decorre da vontade, que tenha sido devidamente manifestada por uma pessoa, num processo judicial, propondo uma ação. FATO JURÍDICO São as ocorrências naturais ou mesmo humanas que, quando realizadas, geram alguma consequência jurídica qualquer. Por exemplo, cortar o cabelo é um fato qualquer; mas, cortar o cabelo de outra pessoa à força é um fato jurídico, pois isso gera consequências jurídicas, uma vez que o Art. 129 do Código Penal estabelece que “ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem”, pode resultar em pena de detenção de três meses a um ano. Contextualizando a Perícia Judicial1 A U LA FASES principais de um Processo Judicial 1) FASE POSTULATÓRIA: Esta fase é dividida em 3 atos jurídicos principais. Tudo começa com a Petição inicial, após o que ocorre a citação, seguida da contestação: • Petição inicial: Pedido formal, por escrito, redigido pelo Autor (na verdade, pelo seu advogado), apresentando os respectivos fatos e fundamentos jurídicos. • Citação: Ato jurídico processual (do processo) para dar conhecimento à outra parte (réu) do processo que foi aberto e lhe permitir apresentar sua contestação. Caso não haja contestação, significa que não há litígio e o pedido inicial provavelmente será atendido. • Contestação: Após o réu tomar conhecimento do processo, pela citação, o Código de Processo Civil ainda prevê, obrigatoriamente, a realização de uma audiência de conciliação. Se as partes não se conciliarem, o réu terá um prazo para poder apresentar sua defesa (redigida e apresentada pelo seu advogado) contestando a petição inicial. 2) FASE INSTRUTÓRIA: Nesta fase, tanto o autor, quanto o réu já apresentaram fatos e fundamentos jurídicos, dentre os quais, foram juntados documentos, os quais são objetos de prova. Mas, nesta fase, novas provas podem ser produzidas, como relatos de testemunhas. É aqui que entra, dependendo do caso, a realização de uma perícia judicial. 3) FASE DECISÓRIA: Depois de que todas as provas tenham sido juntadas e produzidas, o juiz deverá deliberar a respeito, ou seja, serão feitas análises, julgamentos e será proferida a sentença (a conclusão) para resolver o mérito do processo. 4) FASE RECURSAL: Qualquer uma das partes que tenha se sentido prejudicada com a sentença poderá apresentar uma contestação da sentença judicial. A isso dá-se o nome de recurso. No processo comum, a este recurso dá-se o nome de apelação. O recurso não será mais analisado pelo juiz que proferiu a sentença, porque a sentença já havia tido sua decisão final. Então, o caso será analisado por outros juízes, neste grau chamados de Desembargadores. Também é possível haver recurso da conclusão destes Desembargadores. A cada recurso, sobe-se o grau até que nenhuma parte apresente outro SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 14 recurso ou até não haver outro grau para subir. Com isso, o processo chega ao final em termos de julgamento e, por isso, é chamado de “trânsito em julgado”. Isso significa que não se pode mais interpor recursos, de modo que a última (a mais recente) decisão é a que prevalece. 5) Fase EXECUTÓRIA: Esta fase também é conhecida por “fase de cumprimento de sentença”, pois, uma vez que se tenha alcançado uma decisão final, basta, então, realizá-la, ou seja, torná-la real. Para isso, deve-se executar o que tenha sido sentenciado. IMPORTANTE: A PERÍCIA É REALIZADA NA FASE INSTRUTÓRIA (OU FASE DE INSTRUÇÃO). O Judiciário se estrutura em 3 instâncias, ou seja, 3 graus, sendo: • 1ª Instância (1º grau) – Essa é a porta de entrada do Judiciário brasileiro. As decisões são tomadas apenas por um Juiz de Direito em Tribunais Estaduais. Caso haja um recurso,o processo seguirá para a 2ª instância. • 2ª Instância (2º grau) – Esta é uma camada jurisdicional mais robusta, pois os processos são analisados por um conjunto de juízes, os quais são chamados de Desembargadores. A decisão final é chamada de acórdão. É possível pedir revisão da decisão em segunda instância, o que fará com que o processo seja julgado nos Tribunais Superiores (3º grau). • 3ª Instância (3º grau) – Os juízes que atuam nesses tribunais são chamados de ministros, e são nomeados pelo Presidente da República com aprovação prévia do Senado Federal. ATENÇÃO! O Perito Judicial auxilia o Juiz, de modo que a perícia judicial apenas é realizada na 1ª Instância, na Fase Instrutória. Nas outras instâncias não existe produção de provas, apenas análises e julgamentos. ! Contextualizando a Perícia Judicial1 A U LA QUESTÃO 1 Qual é a definição de perícia? A) Discussão que resulta de uma análise comprovável sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. B) Conclusão que não resulta de uma análise comprovável sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. C) Conclusão que resulta de uma análise comprovável sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. D) Conclusão que resulta de uma análise não possível de ser comprovada sobre algo específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. E) Conclusão que resulta de uma análise comprovável sobre algo que seja genérico e nem um pouco específico, realizada por uma pessoa especializada e habilitada no assunto, obtida a partir do uso e aplicação de métodos técnico-científicos. QUESTÃO 2 Analise se a seguinte afirmação é verdadeira ou falsa: “O fato jurídico pode ser provado mediante perícia.” A) Verdadeiro. B) Falso. EXERCÍCIOS SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 16 QUESTÃO 3 Quando a perícia é requerida? A) Quando a determinação do fato não depender de conhecimento técnico especializado. B) Quando a prova do fato depender de opinião pessoal amadora. C) Quando a determinação do valor dos honorários depender de conhecimento técnico especializado. D) Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico especializado. E) Quando o juiz necessitar ajuizar ação contra o réu. QUESTÃO 4 Analise se a seguinte afirmação é verdadeira ou falsa: “A Perícia Arbitral é uma perícia realizada ao judiciário, determinada diretamente pelo juiz.” A) Verdadeiro. B) Falso. O Perito Judicial2 A U LA AULA 2 Esta aula contém explicações referentes à figura do perito judicial, incluindo quem pode exercer essa atividade e a diferença entre Perito Judicial e Assistente Técnico. Também serão apresentadas as habilidades essenciais do Perito Judicial. Primeiro uma pessoa tem uma profissão, depois tem uma especialização (ou um conhecimento profundo sobre algo), e somente depois disso, poderá ser nomeada para realizar uma Perícia Judicial. Quem é o Perito Judicial? ATENÇÃO! Perito Judicial é um Auxiliar da Justiça! O Perito Judicial tem como propósito a produção de uma prova do fato que se esteja analisando, a partir dos seus conhecimentos técnicos ou científicos. Isso é feito para auxiliar o juiz. Portanto, o Perito Judicial é um Auxiliar da Justiça. Então, todas as regras que se apliquem aos Auxiliares da Justiça, consequentemente se aplicará aos Peritos Judiciais. ISSO SIGNIFICA QUE: • Perito Judicial não é um cargo; • Perito Judicial não é um posto de trabalho; • Perito Judicial não é uma profissão. Perito Judicial é um estado situacional de que foi investido da responsabilidade de realizar uma Perícia num Processo Judicial. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 18 O Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, estabelece em seu Art. 156 quem pode ser Perito Judicial: Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. § 1º Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado. § 2º Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta pública, por meio de divulgação na rede mundial de computadores ou em jornais de grande circulação, além de consulta direta a universidades, a conselhos de classe, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados do Brasil, para a indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados. § 3º Os tribunais realizarão avaliações e reavaliações periódicas para manutenção do cadastro, considerando a formação profissional, a atualização do conhecimento e a experiência dos peritos interessados. § 4º Para verificação de eventual impedimento ou motivo de suspeição, nos termos dos arts. 148 e 467 , o órgão técnico ou científico nomeado para realização da perícia informará ao juiz os nomes e os dados de qualificação dos profissionais que participarão da atividade. § 5º Na localidade onde não houver inscrito no cadastro disponibilizado pelo tribunal, a nomeação do perito é de livre escolha pelo juiz e deverá recair sobre profissional ou órgão técnico ou científico comprovadamente detentor do conhecimento necessário à realização da perícia. Quem PODE ser Perito Judicial? O Perito Judicial2 A U LA Portanto... • “O juiz será assistido por perito”: de modo que o perito lhe presta assistência (remunerada) e, para isso, deve saber algo que o juiz não sabe, daí a que o perito deve ter uma profissão fora do judiciário. • “quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico”: que nos faz concluir que a perícia deva exigir que sejam usados métodos técnicos ou científicos, para a produção da prova do fato. • “Os peritos serão nomeados”: ou seja, é uma incumbência obtida em função de reputação, já que o juiz, certamente, escolherá (para nomear) alguém que acredite possa realmente lhe prestar a assistência necessária. • “entre os profissionais legalmente habilitados”: para ser nomeado, o interessado deve ser profissional, ou seja, ter alguma formação específica, e ser legalmente habilitado, ou seja, deve ter o direito de realizar a atividade da sua profissão. No caso de corretores de imóveis, por exemplo, esse direito é concedido a partir do registro profissional no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) da Região onde for atuar (CRECISP em São Paulo, CRECI-MG em Minas Gerais, CRECI-AM/RR em Roraima ou Amazonas etc.), ou seja, deve ter um número de CRECI e este registro deve estar ativo. • “e os órgãos técnicos ou científicos”: o juiz, ao invés de nomear um indivíduo como perito judicial, poderá obter assistência de órgãos técnicos ou científicos, normalmente acionados em casos específicos e altamente criteriosos. No entanto, é muito comum que sejam nomeadas pessoas físicas para realização das perícias judiciais. • “devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado”: cada tribunal criou seu próprio cadastro, conforme orientações no CNJ – Conselho Nacional de Justiça, de modo que igualmente apresentam regras próprias para a realização desse cadastro. Portanto, deve-se obter maiores informações sobre o cadastro de perito no Tribunal que se pretende atuar. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 20 Perito Arbitral e Extrajudicial Diferença entre Perito Judicial e Assistente Técnico O Perito Arbitral é aquele que realiza a Perícia Arbitral, ou seja, a perícia que é realizada ao juízo arbitral. O Perito Extrajudicial é aquele que realiza a Perícia Extrajudicial, ou seja, que é contratadolivremente por qualquer pessoa para realizar perícias fora do âmbito do judiciário. Assistente técnico: Advogado do autor Advogado do réu Assitente técnico Assitente técnico AUTOR RÉU Perito Judicial Juíz O Perito Judicial2 A U LA Num Processo Judicial, temos a figura do Juiz, que poderá ser assistido por um Perito Judicial por si nomeado. Temos também, de um lado, o Autor e do outro lado o Réu. É comum chamarmos apenas de “As Partes”. Tanto o Autor, quanto o Réu, são representados por seus respectivos Advogados. Tanto o Autor, quanto o Réu, poderão, se desejar, contratar profissionais que atuarão como seus respectivos Assistentes Técnicos. Essa contratação é opcional. Qualquer Parte poderá, ou não, contratar Assistentes Técnicos. O Perito Judicial é de confiança do Juiz, o Assistente Técnico é de confiança da Parte que o contratou. DIFERENÇA ENTRE O PERITO JUDICIAL E O ASSISTENTE TÉCNICO: Ambos realizarão o mesmo trabalho (a perícia), mas enquanto o Perito Judicial é nomeado pelo Juiz, o Assistente Técnico é contratado por uma das partes. Portanto, o Perito Judicial receberá seus honorários do Tribunal e os Assistentes Técnicos recebem seus honorários das respectivas partes. E NO CASO DE CORRETORES DE IMÓVEIS? Corretores de Imóveis, ao realizar a Avaliação Imobiliária emite um PTAM - Parecer Técnico de Avaliação Imobiliária. Quando nomeado Perito Judicial: emitirá o PTAM e o renomeará de LAUDO PERICIAL. Quando contratado como Assistente Técnico: emitirá o PTAM e o renomeará de PARECER TÉCNICO. Alguns corretores de imóveis preferem, ao invés de renomear o PTAM, incluir uma capa nesse documento com o nome conforme a função que esteja exercendo. Dessa forma, quando for Perito Judicial, haverá uma capa com o título “Laudo Pericial” e na sequência conterá o PTAM. Quando for Assistente Técnico, haverá uma capa com o título “Parecer Técnico” e na sequência conterá o PTAM. Isso também é possível. O Perito Judicial entrega um Laudo Pericial. O Assistente Técnico entrega um Parecer Técnico. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 22 ATENÇÃO! Assistente Técnico não é Auxiliar da Justiça Disposição Legal (CPC – Código de Processo Civil): Então, cada uma das partes, se quiser, poderá indicar quem será seu assistente técnico. Mas isso deve ser feito no prazo de 15 dias. ENTÃO NUM PROCESSO JUDICIAL PODEMOS TER QUANTOS PROFISSIONAIS REALIZANDO PERÍCIAS? Alternativas: A) 0 (nenhum), B) 1 (um), C) 2 (dois), D) 3 (três). Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. Art. 471. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicando-o mediante requerimento, desde que: I - sejam plenamente capazes; II - a causa possa ser resolvida por autocomposição. § 1º As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os respectivos assistentes técnicos para acompanhar a realização da perícia, que se realizará em data e local previamente anunciados. § 2º O perito e os assistentes técnicos devem entregar, respectivamente, laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz. § 3º A perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a que seria realizada por perito nomeado pelo juiz. O Perito Judicial2 A U LA Na verdade, todas as alternativas estão corretas. Entendamos: A) 0 (NENHUM): Mesmo que exista um imóvel no processo judicial, é possível que nenhum Perito Judicial seja nomeado. Isso pode acontecer quando as partes não apresentem discordância com relação ao que entendam ser o valor imóvel. B) 1 (UM): No entanto, caso não haja concordância, então, o juiz deverá nomear um perito judicial para produzir a prova desse fato. Havendo a nomeação do Perito Judicial, sem que as Partes indiquem Assistentes Técnicos, teremos uma situação em que apenas 1 (um) profissional estará realizando a perícia (produzindo um laudo pericial, neste caso). C) 2 (DOIS): Por outro lado, é possível que apenas uma das partes tenha indicado um Assistente Técnico (independentemente de ter sido o réu ou o autor), tendo, portanto, 2 profissionais realizando perícias (produzindo um laudo pericial e um parecer técnico). D) 3 (TRÊS): Por fim, temos o último caso em que o Perito Judicial foi nomeado pelo juiz e ambas as partes (autor e réu) indicaram seus respectivos Assistentes Técnicos, sendo 3 profissionais realizando perícias (produzindo um laudo pericial e dois pareceres técnicos). • CONHECIMENTO DA ÁREA – Esta característica nem precisaria estar listada aqui, pois isso é pré-requisito técnico. • RESPONSABILIDADE – O próprio Código de Processo Civil exigirá a responsabilidade do Perito Judicial. Mas, vale a pena ressaltar que além daquilo que é exigido, o Perito Judicial deve ir além e ser responsável pelos dados coletados, em termos de ser organizado em armazená-los. • EXPERIÊNCIA – Experiência é algo que vai ser desenvolvida, queira ou não, pois, com o tempo, podemos acumular em nossa memória tudo pelo que passamos. No entanto, mais do que isso, a sugestão é de acumular, também, as experiências dos outros, ou seja, converse com os colegas que têm feito perícias, troque vivências nesta atividade, para multiplicar suas experiências junto com as experiências dos outros. • BOA APARÊNCIA PESSOAL – Ainda que o que se espera do Perito Judicial é a sua tecnicidade e/ou metodologia científica para produzir adequadamente a prova do fato, uma boa aparência, a higiene pessoal e uma postura calma e harmônica, ajudam a transmitir uma imagem de um profissional zeloso com o que faz. Isso pode contribuir para a construção da sua reputação. Lembre-se que quanto mais reputação, maior serão, potencialmente, as oportunidades de ser nomeado perito judicial. Habilidades do Perito SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 24 ORGANIZAÇÃO E ARQUIVAMENTO DOS DADOS DA PERÍCIA Uma das habilidades do Perito Judicial que merece destaque é a ORGANIZAÇÃO, devido à sua tamanha importância. É fundamental que o Perito Judicial mantenha registro de todas as suas perícias, principalmente porque após a entrega do Laudo Pericial, as partes podem apresentar novas quesitações e, para respondê-las, muitas vezes, o Perito deverá recorrer ao histórico de dados e de cálculos. Mas, também é interessante manter o histórico de suas realizações, já que, no futuro, pode acontecer a necessidade de realizar uma perícia relativamente similar. Imagine uma perícia muito criteriosa, na qual foi necessária aplicação de técnicas e/ou métodos bem específicos. Pois bem, no futuro, essa perícia pode servir de modelo. Ainda que o Perito Judicial se envolve no processo judicial, apenas na primeira instância, sabemos que um processo pode se alongar, no judiciário, e consumir muitos anos para chegar ao final. Num desses momentos, muita coisa pode acontecer. Caso o Laudo Pericial tenha sido extraviado, você terá uma cópia em seu arquivo pessoal. Caso seja necessário atualizar os dados, você terá todos os dados e cálculos, de modo que bastará obter novos e trocá-los no laudo pericial. Neste caso, considerando as perícias de corretores de imóveis, atualizar os dados seria obter novos imóveis referenciais (imóveis cujos preços serão usados para compor a média do mercado para determinar o valor do imóvel avaliando) e trocar esses dados na lista presente no Laudo Pericial e trocar os preços na planilha de cálculos, mas não precisará fazer a avaliação inteira novamente. E POR QUANTO TEMPO DEVE-SE MANTER ESSE ARQUIVO? Não existe uma regra imposta por lei, mas sugerimos guardar por, no mínimo, 10 anos. O Perito Judicial2 A U LA QUESTÃO 1 Assinale a alternativa CORRETA: A) Perito Judicial é um cargo. B) Perito Judicial é um posto de trabalho. C) Perito Judicial é uma profissão.D) Perito Judicial é um juiz. E) Perito Judicial não é uma profissão. QUESTÃO 2 Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz poderá ser assistido por quem? A) Perito. B) Assistente Técnico. C) Assistente da Justiça. D) Mediador. E) Tradutor. QUESTÃO 3 Analise se a seguinte afirmação é verdadeira ou falsa: “O Assistente Técnico nunca, em hipótese alguma, poderá acompanhar o Perito Judicial durante a diligência da perícia.” A) Verdadeiro. B) Falso. EXERCÍCIOS SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 26 AULA 3 Esta é uma aula dedicada às responsabilidades do Perito Judicial. Serão apresentadas as situações de risco e suas consequências, bem como as situações em que uma pessoa não possa ser nomeada perito judicial. O Código de Processo Civil prevê penalidade para o Perito Judicial que mentir no seu Laudo Pericial: Por dolo quer-se dizer de caso pensado, de propósito. Por culpa, quer-se dizer sem querer, mas, ainda assim, tendo feito. A culpa, neste caso, na maioria das vezes, é resultante de falta de atenção, desmazelo, pressa ou falta de cuidado com os dados. Ficar inabilitado significa que não poderá ser nomeado como perito judicial. Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis. Laudo Pericial com informações não verdadeiras ATENÇÃO! Assistente Técnico não é nomeado pelo juiz. Assistente Técnico não é auxiliar da justiça. O Assistente Técnico é contratado pela parte. Por isso, o juiz não pode aplicar sanções aos Assistentes Técnicos. Caso a parte se sentir prejudicada pelo Parecer Técnico do Assistente Técnico, poderá ajuizar ação de ressarcimento por perdas e danos (indenização). Responsabilidade, riscos e cuidados na Perícia Judicial3 A U LA Mentir numa perícia, apresentar dados falsos ou não verdadeiros, além de implicar nas sanções que já vimos, ainda poderá ser enquadrado no Código Penal Brasileiro, quanto ao item “falso testemunho ou falsa perícia”: Mesmo depois de submeter seu Laudo Pericial, reveja tudo mais uma vez. Caso encontrar algum erro, corrija o erro e faça imediatamente uma petição ao juiz remetendo a nova versão do Laudo Pericial, justificando o erro. Faça isso antes que qualquer outra pessoa se manifeste a tal respeito. Desta forma, segundo o § 2º do artigo 342 do CPC, este erro deixará de ser punível. Falsa Perícia Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º As penas aumentam de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. § 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. ATENÇÃO! Ao receber a nomeação para realizar uma Perícia Judicial, sua postura deve ser absolutamente imparcial em relação às partes e totalmente alinhada com a verdade. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 28 Se o perito deixar de cumprir com suas incumbências o juiz determinará a sua substituição, conforme determina o artigo 468 do Código de Processo Civil: Antes de atrasar, percebendo que não haverá condições de fazer o que deve ser feito, o perito deve avisar o juiz, por petição, pedindo alongamento do prazo. Substituição do perito Art. 468. O perito pode ser substituído quando: I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico; II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. § 1º No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente do atraso no processo. Responsabilidade, riscos e cuidados na Perícia Judicial3 A U LA Não se pode nomear aqueles que estejam impedidos ou suspeitos para serem peritos judiciais. Artigos do Código de Processo Civil sobre isso: Impedimento e Suspeição do Perito Judicial POR IMPEDIMENTO, quer-se dizer a proibição de exercer a atividade. POR SUSPEIÇÃO quer-se dizer a suspeita de que a atividade possa ser exercida sem imparcialidade e, por isso, possa comprometer o resultado final. Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo: I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha; II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo; VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes; VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; ATENÇÃO! O artigo 148 do CPC estabelece que “Aplicam-se os motivos de impedimento e de suspeição: (II) aos auxiliares da justiça” (lembrando: perito judicial é um auxiliar da justiça). SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 30 ENTENDENDO CADA ITEM DO ARTIGO 144: VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório; IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. Art. 145. Há suspeição do juiz: I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio; III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive; IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes. § 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões. § 2º Será ilegítima a alegação de suspeição quando: I - houver sido provocada por quem a alega; II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta aceitação do arguido. I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha; Portanto, aquele que é (ou foi) testemunha não poderá ser Perito Judicial. Assim como não poderá ser Perito que tenha recebido de uma das partes os direitos de a representar. II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; Este item não se aplica ao Perito Judicial, já que somente o juiz é quem pode proferir decisão. Mas, se um juiz proferiu uma decisão em outro grau de jurisdição para uma das partes deste processo, além de não poder ser o juiz deste processo, também não poderá ser nomeadocomo qualquer outro auxiliar da justiça neste processo. Responsabilidade, riscos e cuidados na Perícia Judicial3 A U LA III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; Vamos analisar este item junto com o seguinte. Parece que fica claro que não é possível nomear como Perito Judicial uma das partes ou o advogado ou o juiz, ou ainda o membro do Ministério Público, que estejam envolvidos neste processo judicial. Assim como tampouco poderia ser nomeado como Perito Judicial um parente de um desses. Mas o que define alguém ser parente? Esses itens especificam tratar-se, neste caso, de cônjuge ou companheiro (a pessoa com quem vive, seja em relação matrimonial ou não, independentemente do sexo), os consanguíneos (aqueles que compartilham carga genética como pai, mãe, irmão, irmã, filho, filha, neto, neta etc.), ou afim (cunhada, cunhado, genro, nora etc.), em linha reta (ascendentes ou descendentes) ou colateral (primo, prima, tio, tia etc.), até o 3º grau. Mas, como se calcula o grau de parentesco? Vejamos a imagem abaixo: Esta imagem apresenta os parentes consanguíneos. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 32 O grau de parentesco é calculado conforme quantas vezes passamos por uma geração. Dessa forma, os únicos parentes de 1º grau de uma pessoa são seus pais e filhos. Perceba que os pais é que geraram este indivíduo que, por sua vez, gerou os filhos. Portanto, os irmãos deste indivíduo não são sua geração nem são seus geradores. Neste caso, deve-se buscar a linha de geração. A mesma lógica é adotada para definir que o tio e a tia são parentes de 3º grau deste indivíduo, sendo estes o limite estabelecido no terceiro item da lista de casos que provocam o impedimento do Perito Judicial. Isso significa que, se o primo é seu 4º grau de parentesco, caso este seja uma das partes num processo, este indivíduo poderá ser nomeado Perito Judicial. E os cônjuges e companheiros? Sabemos que são parentes, mas em que grau? E o cônjuge da sobrinha?... Cônjuges são aqueles com relação matrimonial, enquanto companheiros são os que mantêm relação estável. Todos estes são considerados aliados aos parentes pelo vínculo da afinidade e recebem o mesmo grau de parentesco daquele com quem estejam aliados. Por exemplo, a esposa do filho não é parente consanguínea, mas está alinhada ao filho que é parente em 1º grau. Esta nora, portanto, é igualmente parente de 1º grau. O mesmo ocorre, por exemplo, ao cunhado que, aliado à irmã, torna-se parente em 2º grau. Enfim, respondendo à pergunta acima, o cônjuge da sobrinha é igualmente parente de 3º grau, já que a sobrinha é parente consanguíneo de 3º grau. Assim como a existência de relação familiar com alguém que esteja envolvido no processo judicial torna o indivíduo impedido de ser nomeado Perito Judicial, a relação estabelecida num contrato civil também. Em outras palavras, não pode ser nomeado o sócio em uma empresa cujo o outro sócio seja uma das partes no processo judicial, mesmo que a empresa não esteja no processo. Isso se estende, também, para os que respondem administrativamente pela empresa. Este item apresenta 3 condições. Empregador, aparentemente, é um termo que a grande maioria das pessoas conhece. Empregador é a pessoa física ou jurídica que contrata um indivíduo, obtendo a prestação de um trabalho que é retribuído em contrapartida por uma remuneração. Já as duas outras condições não parecem tão óbvias. Herdeiro é aquele que a lei atribui a capacidade de suceder a pessoa que faleceu, ficando com seus bens, direitos e obrigações. Já o herdeiro presuntivo é a pessoa provisoriamente tida como herdeira de uma herança, mas que pode perder tal posição com o nascimento de um herdeiro aparente ou V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo; VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes; Responsabilidade, riscos e cuidados na Perícia Judicial3 A U LA de um novo herdeiro presuntivo com mais direito a esta. Presuntivo significa presumível ou provável. Portanto, na ausência de parente mais próximo, atribui-se a herança a ele. Enfim, o importante aqui é entender que não se pode nomear o herdeiro de uma das partes como Perito Judicial. Por fim, o donatário é aquele para quem se faz uma doação. Não se pode nomear Perito Judicial o indivíduo que tenha sido favorecido por doação de uma das partes. Também não poderá ser Perito Judicial aquele que seja empregado ou que esteja prestando serviço a uma instituição de ensino que, coincidentemente, seja uma das partes no processo judicial. Caso uma das partes seja cliente (consumidor ou contratantes) de um escritório de advocacia que seja de um parente de um indivíduo (nas mesmas condições já comentadas anteriormente), então esse indivíduo não poderá ser nomeado Perito Judicial. Por fim, aquele que estiver processando uma das partes ou um dos advogados, não poderá ser nomeado Perito Judicial. Ser amigo ou inimigo de uma das partes ou um de seus advogados é algo que levanta suspeitas a respeito da imparcialidade daquele que realizará a perícia e, por isso, é melhor que não seja nomeado Perito Judicial. VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório; IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. Diferente do impedimento, como já dito, existe a suspeição que, na prática, fará com que uma pessoa não possa ser nomeada Perita Judicial. I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio; ENTENDENDO CADA ITEM DO ARTIGO 145: SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 34 Se você recebeu presente de uma das partes, mesmo que tenha sido antes de ter iniciado o processo judicial, ou, diferente disso, você presta algum tipo de assessoramento ou orientação a uma das partes, ou ainda, se você fornecer, deliberadamente a qualquer uma das partes, os recursos necessários (dinheiro) para quitação das despesas dos atos processuais, então, em qualquer um destes caso, não poderá ser nomeado Perito Judicial. Não poderá ser nomeado Perito Judicial aquele para quem uma das partes deva dinheiro, ou mesmo que deve dinheiro a uma das partes, seja diretamente à parte ou a seus parentes, até terceiro grau (mesmas condições de parentescos de outros itens). Obviamente quem tem qualquer tipo de interesse no julgamento não poderá ser nomeado Perito Judicial. III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive; IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes. Prazos e obrigações do Perito ATENÇÃO! O artigo 219 do CPC estabelece que, na contagem de prazo em dias, sejam os estabelecidos por lei ou estabelecidos pelo juiz, somente serão considerados e computados os DIAS ÚTEIS. Responsabilidade, riscos e cuidados na Perícia Judicial3 A U LA SITUAÇÃO Impedimento e de suspeição dos auxiliares da Justiça Escusa do Perito Realização da Perícia Resposta a quesito de esclarecimentonas audiências de provas orais Impedimento ou suspeição do perito Indicação de assistente técnico Apresentação de quesitos, quando da nomeação do Perito Apresentação, pelo Perito, de proposta de honorários, currículo e contatos Manifestação das Partes quanto aos honorários do Perito (após juiz arbitrar valor) Restituição de valores pelo Perito substituído Entrega do Laudo Pericial pelo Perito Entrega do Parecer Técnico pelo Assistente Técnico Manifestação das Partes sobre o Laudo Pericial Apresentação de Parecer pelo Assistente Técnico Esclarecimentos do Perito PRAZO 15 (quinze) dias 15 (quinze) dias Prazo determinado pelo juiz 15 (quinze) dias 15 (quinze) dias 15 (quinze) dias 15 (quinze) dias 5 (cinco) dias 5 (cinco) dias 15 (quinze) dias Fixado pelo juiz Fixado pelo juiz 15 (quinze) dias 15 (quinze) dias 15 (quinze) dias • Impedimento e de suspeição dos auxiliares da Justiça: Art. 148, § 2º do CPC: O juiz mandará processar o incidente em separado e sem suspensão do processo, ouvindo o arguido no prazo de 15 (quinze) dias e facultando a produção de prova, quando necessária. • Escusa do Perito: Art. 157, § 1º do CPC: A escusa será apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação, da suspeição ou do impedimento supervenientes, sob pena de renúncia ao direito a alegá-la. •Realização da Perícia: Art. 157 do CPC: O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe designar o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do encargo alegando motivo legítimo. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 36 • Resposta a quesito de esclarecimento nas audiências de provas orais: Art. 361 do CPC: o perito e os assistentes técnicos, que responderão aos quesitos de esclarecimentos requeridos no prazo e na forma do art. 477 , caso não respondidos anteriormente por escrito. Art. 477 § 2º do CPC: O perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze) dias, esclarecer ponto sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das partes, do juiz ou do órgão do Ministério Público; divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte. • Impedimento ou suspeição do perito: Art. 465, § 1º do CPC: Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. • Indicação de assistente técnico: Art. 465, § 1º do CPC: Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. • Apresentação de quesitos, quando da nomeação do Perito: Art. 465, § 1º do CPC: Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. • Apresentação, pelo Perito, de proposta de honorários, currículo e contatos: Art. 465, § 2º do CPC: Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cinco) dias: I - proposta de honorários; II - currículo, com comprovação de especialização; III - contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as intimações pessoais. • Manifestação das Partes quanto aos honorários do Perito (após juiz arbitrar valor): Art. 465, § 3º do CPC: As partes serão intimadas da proposta de honorários para, querendo, manifestar-se no prazo comum de 5 (cinco) dias, após o que o juiz arbitrará o valor, intimando-se as partes para os fins do art. 95. Responsabilidade, riscos e cuidados na Perícia Judicial3 A U LA • Restituição de valores pelo Perito substituído: Art. 468, § 2º do CPC: O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os valores recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial pelo prazo de 5 (cinco) anos. • Entrega do Laudo Pericial pelo Perito: Art. 471, § 2º do CPC: O perito e os assistentes técnicos devem entregar, respectivamente, laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz. • Entrega do Parecer Técnico pelo Assistente Técnico: Art. 471, § 2º do CPC: O perito e os assistentes técnicos devem entregar, respectivamente, laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz. • Manifestação das Partes sobre o Laudo Pericial: Art. 477, § 1º do CPC: As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respectivo parecer. • Apresentação de Parecer pelo Assistente Técnico: Art. 477, § 1º do CPC: As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respectivo parecer. • Esclarecimentos do Perito: Art. 477, § 2º do CPC: O perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze) dias, esclarecer ponto: I - sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das partes, do juiz ou do órgão do Ministério Público; II - divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte. ! CUIDADO COM OS PRAZOS!!! Art. 468. O perito pode ser substituído quando: I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico; II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 38 QUESTÃO 1 Assinale a situação que poderá fazer com que o perito fique inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. A) Se, por dolo ou culpa, prestar informações absolutamente verdadeiras. B) Se, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas. C) Se, por dolo ou culpa, prestar serviço adequado. D) Se, por dolo ou culpa, prestar informações verídicas. E) Se, por dolo ou culpa, não prestar informações inverídicas. QUESTÃO 2 Segundo o Código Penal Brasileiro, o que pode acontecer se o Perito fizer afirmação falsa? A) Reclusão, de 12 (doze) a 14 (quatorze) anos, e multa. B) Reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta) anos, e multa. C) Apenas multa. D) Apenas reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) meses. E) Reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. QUESTÃO 3 O Perito pode ser substituído? A) Não, pois após nomeado, nada pode demovê-lo de seu posto. B) Sim, pois as partes podem solicitar a substituição, a qualquer tempo, mediante qualquer motivo. C) Não, pois a função do Perito é atribuída a partir de Concurso Público. D) Sim, caso faltar-lhe conhecimento técnico ou científico ou caso, sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. E) Sim, caso fizer afirmação verídica e, mesmo assim, falar a verdade. EXERCÍCIOS Responsabilidade, riscos e cuidados na Perícia Judicial3 A U LA QUESTÃO 4 Assinale a alternativa que NÃO contenha situação que haja impedimento do Perito, sendo-lhe vedado exercer suas funções. A) Quando for parte no processo seu cônjuge. B) Quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo. C) Quando promover ação contra a parte ou seu advogado. D) Quando for herdeiro de qualquer das partes. E) Quando estiver inadimplente nas suas obrigações perante o seu Conselho Profissional. QUESTÃO 5 Qual é o prazo para a realização da perícia? A) 15 dias. B) 30 dias. C) Prazo determinado pelo juiz. D) Prazo determinado pelas partes. E) 25 dias. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 40 AULA 4 Esta é uma aula dirigida aos Corretores de Imóveis, na qual são comparados os requisitos mínimos de um PTAM – Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica com os requisitos mínimos de um Laudo Pericial conforme descrito no CPC – Código de Processo Civil. AVALIAÇÃO MERCADOLÓGICA: Mercadológico:que tem relação com o mercado. Portanto, uma Avaliação Mercadológica de algo se trata de avaliar como este algo se relaciona com o mercado. É no mercado que transacionamos os bens. Consequentemente, essa análise da relação desse bem no mercado é definida pelo seu valor, ou seja, por quanto, em dinheiro, esse bem poderia ser transacionado no mercado. Existem bens que podem ter um custo estrutural pequeno para serem produzidos, mas devido algumas características únicas tornam-se mais valiosos. O contrário também é válido. Podem existir bens que custaram muito para serem produzidos, mas que por outras características, acabam tendo um valor pequeno se fossem transacionados. Trata-se da Lei da Oferta e Procura. Imagine uma casa de alto padrão no bairro mais caro da cidade. Ela, certamente tem um alto valor. Agora imagine que esta mesma casa esteja localizada no meio de uma comunidade de menor poder aquisitivo e com alto índice de criminalidade. Certamente o valor dessa casa será bem menor. Ainda que o seu valor estrutural seja o mesmo, há uma grande variação de preço entre estas duas situações. Valor mercadológico de um bem tem relação com a demanda (procura por este bem). Quanto mais pessoas queiram comprar, maior é o valor e quanto menos pessoas quiserem comprar, menor será o valor. Avaliação estrutural versus Avaliação Mercadológica de imóveis Laudo Pericial de Avaliação Mercadológica de Imóveis4 A U LA 1- Avaliação Mercadológica do imóvel: avaliação do valor de mercado do imóvel existente, no local onde está, nas condições que estiver, no mercado que estiver inserido. 2- Avaliação Mercadológica do projeto do Imóvel: avaliação de um imóvel paradigma, ou seja, um imóvel que não existe, mas que se pretenda existir. Trata-se da avaliação do valor de mercado de um imóvel conforme um projeto específico, num local indicado no projeto. O Laudo Pericial emitido pelo Corretor de Imóveis nomeado Perito é um PTAM - Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica. Conteúdo do Laudo Pericial, segundo o artigo 473 do CPC - Código de Processo Civil – Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015: Laudo Pericial Art. 473. O laudo pericial deverá conter: I - a exposição do objeto da perícia; II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito; III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou; IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. § 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões. § 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia. § 3º Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 42 • A exposição do objeto da perícia: Deve-se identificar claramente e pormenorizadamente o elemento que se esteja periciando. No caso da perícia ser a respeito de um imóvel, ainda que seja para uma avaliação mercadológica, deve-se identificar o imóvel, descrever suas características, as benfeitorias, o tipo do terreno, a idade da edificação, o estado de conservação, enfim, tudo o que se possa incluir para que o leitor (o juiz) possa ter uma clara percepção do imóvel, mesmo sem o ter visto presencialmente. Por isso, torna-se essencial incluir registro fotográfico do imóvel, por completo (tal qual numa vistoria imobiliária). • A análise técnica ou científica realizada pelo perito: Deve-se descrever a análise realizada, incluindo cada dado que tenha sido coletado, cada comparação e cada referência usada. É fundamental que se explique os fundamentos da análise e demonstre, em texto e imagens, a sua realização. • A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou: Deve-se definir o método utilizado e apresentar o referencial teórico que fundamente sua utilização, de modo a garantir a validade da análise. Sem isso, não se pode ter certeza da qualidade da análise realizada, tampouco de seu embasamento técnico ou científico. O referencial teórico pode ser estudos científicos revisados, normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, ainda normas publicadas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas ou por outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. • Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público: A primeira resposta que, de fato, deve estar em destaque no Laudo Pericial é a determinação do propósito fundamental para o qual o juiz tenha nomeado um Perito Judicial. Por exemplo, no caso de uma perícia mercadológica de um imóvel, a resposta conclusiva mais desejada é a determinação do seu valor de mercado. No entanto, além disso, tanto o juiz, quanto as partes, podem ter apresentado outros quesitos, ou seja, outras questões (ou uma lista de informações que desejam saber). Caso o Ministério Público esteja envolvido no processo, então, este também poderá apresentar uma lista de quesitos. Enfim, o Laudo Pericial deverá apresentar as respostas para cada um desses quesitos. Laudo Pericial de Avaliação Mercadológica de Imóveis4 A U LA Resolução COFECI nº 1066/2007, artigo 5º: Art. 5º - O Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica, para determinação do valor de mercado, deve conter os seguintes requisitos mínimos: I) identificação do solicitante; II) objetivo do parecer técnico; III) identificação e caracterização do imóvel; IV) indicação da metodologia utilizada; V) valor resultante e sua data de referência; VI) identificação, breve currículo e assinatura do Corretor de Imóveis Avaliador. § 1º - São requisitos para caracterização do imóvel a identificação de seu proprietário, o número da matrícula no Cartório do Registro de Imóveis e o endereço completo ou a descrição detalhada de sua localização. § 2º - A descrição do imóvel deve conter, no mínimo: I) medidas perimétricas, medida de superfície (área), localização e confrontações; II) descrição individualizada dos acessórios e benfeitorias, se houver; III) contextualização do imóvel na vizinhança e infraestrutura disponível; IV) aproveitamento econômico do imóvel; V) data da vistoria. § 3º - Ao Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica recomenda-se estarem anexados: I) mapa de localização; II) certidão atualizada da matrícula no Cartório do Registro de Imóveis; III) relatório fotográfico. O artigo 13 estabelece que “o Presidente do COFECI Conselho Federal de Corretores de Imóveis regrará, através de Ato Normativo de observância obrigatória”. PTAM – Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica SER PERITO JUDICIAL para Corretores de Imóveis 44 No Ato Normativo nº 001/2011 emitido pelo COFECI é estabelecido no parágrafo único do artigo 7º que: O PTAM deverá conter, no mínimo, os requisitos listados no modelo contido no Anexo IV. Ato Normativo COFECI nº 001/2011 ANEXO IV PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO MERCADOLÓGICA Requisitos Mínimos 1. Identificação do solicitante; 2. Finalidade do PTAM; 3. Identificação e caracterização do imóvel: 4. Pesquisa de imóveis comparandos, para aplicação do Método Comparativo Direto de Dados de Mercado: 5. Determinação do Valor de Mercado do imóvel avaliando; 6. Encerramento: Situação e localização (Estado, Município, logradouro, número,