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ABDÔMEN Disciplina: Anatomia Topográfica e Descritiva DATA – Prof. Sheila MEDICINA 115 EQUIPE: ● ANIE ● ARTHUR ● DAIANE ● EDUARDO ● EMERSON ● GABI ● GUILHERME ● IZADORA ● JOYCE ● LEONARDO ● LUCAS F ● LUCAS Q ● MARCOS ● MARIA JUCINARIA ● MARÍLIA ● PIETRO ● RAFAEL G. ● TÁCITO ● TARCILA ● THALES ● THIAGO ● ZAYAN Página 1 de 38 PAREDE ABDOMINAL A delimitação da cavidade abdominal se dá superiormente por um limite móvel, o músculo diafragma (inserção em T12, costelas flutuantes e na parte condral das costelas inferiores até o processo xifóide), e inferiormente pela abertura superior da pelve verdadeira, delimitada anteriormente pela sínfise púbica, latero-lateralmente pelas linhas ilíacas e posteriormente pelo promontório sacral. PAREDE ABDOMINAL POSTERIOR Na imagem abaixo, é possível visualizar a parede abdominal posterior. Veja que o abdome está aberto e foram retiradas as paredes laterais e anterior. Superiormente, observa-se o músculo diafragma e seus pilares direito e esquerdo. No ponto em que se encerra a inserção do diafragma posteriormente, começam, nas costelas inferiores, as origens dos músculos da parede posterior do abdome, os quais são: ● Psoas maior: Origina-se nos processos transversos e corpos das vértebras lombares e junta-se com o músculo ilíaco (forra a asa do ilíaco), formando o m. iliopsoas, principal músculo flexor da coxa. ● Quadrado lombar: Origina-se nas costelas flutuantes e insere-se na crista ilíaca posterior. É lateral ao m. psoas, com o qual reforça a musculatura da parede abdominal posterior. Já na imagem seguinte, é possível visualizar novamente a parede abdominal posterior, mas dessa vez de dentro para Página 2 de 38 fora. No lado direito, são mantidos o peritônio, uma membrana brilhosa, e no lado esquerdo, a fáscia transversal, por fora do peritônio, que é encontrada antes dos músculos abdominais, no sentido de dentro para fora. CORRELAÇÃO CLÍNICA Abcessos podem surgir no músculo psoas (abcessos de psoas) por algum comprometimento ou presença de superfície de continuidade com a pele do dorso. O quadro clínico é caracterizado por dor lombar e meio séptico. É difícil chegar a esse diagnóstico, tendo em vista que o músculo psoas fica na parede posterior, no retroperitônio. MÚSCULOS DA PAREDE ABDOMINAL Existem 4 músculos principais na parede abdominal, mais anteriormente com origem na parte condral das costelas mais inferiores e no processo xifóide existe o reto abdominal, que se insere na sínfise púbica. Quando fletido bilateralmente causa a flexão anterior do tronco (é o músculo mais potente para essa função). Lateralmente, completando a parede anterior com a parede posterior existem 3 músculos: o oblíquo externo, o qual possui o mesmo sentido das fibras dos mm. intercostais externos; o oblíquo interno, que possui o mesmo sentido das fibras dos mm. intercostais internos; o m. transverso do abdome, cujas fibras são transversais e está profundo ao oblíquo interno. Página 3 de 38 O oblíquo externo tem suas fibras de cima para baixo, como se estivesse colocando a mão em um bolso oblíquo, no mesmo sentido das fibras dos intercostais externos. Sua origem se dá na parte óssea das costelas inferiores anteriormente e na crista ilíaca e na fáscia toracolombar posteriormente. Essas fibras se encontram na linha mediana (linha alba). A musculatura do oblíquo externo termina mais ou menos na linha hemiclavicular e após o fim das fibras existe a sua aponeurose que é a mais extensa dos 3 músculos da parede abdominal. A contração unilateral desse músculo promove uma flexão do tronco e uma rotação para o mesmo lado. A contração bilateral promove a flexão do tronco. OBS.: Profundo ao oblíquo externo existe um músculo com fibras no sentido oposto, que realizam, portanto, o movimento oposto. Sendo assim, o movimento que o oblíquo externo esquerdo faz é o mesmo movimento que o oblíquo interno do lado direito faz. O m. oblíquo interno se origina posteriormente na fáscia toracolombar, cujas fibras se direcionam anteriormente no sentido de inferior para superior. A musculatura quando acaba também continua como aponeurose até a linha mediana. Essa musculatura acaba depois do oblíquo externo, possuindo uma maior porção muscular e realiza um movimento semelhante ao oblíquo externo do lado oposto. Sua contração flete mais o corpo para frente e roda mais para o lado contraído. Página 4 de 38 O m. transverso do abdome está posteriormente ao oblíquo interno. Tem origem posterior na fáscia toracolombar e se inserem nas costelas inferiores e na crista ilíaca anterior indo até a linha média e depois a linha alba. OBS: O m. reto abdominal apresenta digitações tendíneas (cerca de 4 ou 5) que dividem o músculo. OBS: A bainha do músculo reto abdominal é formada pelas aponeuroses dos músculos: oblíquo externo (passa anteriormente ao m. reto), interno (ao chegar a borda lateral do m. reto se bifurca indo anteriormente e posteriormente) e transverso (passa posteriormente ao m. reto) que envolvem o m. reto indo até à linha média. FÁSCIAS DA PAREDE ABDOMINAL: Abaixo da pele e anteriormente aos músculos da parede abdominal há a presença de duas fáscias que compõem o tecido subcutâneo: Página 5 de 38 ● Fáscia de Camper: voltada para o tecido adiposo da pele. ● Fáscia de Scarpa: voltada para a aponeurose dos músculos abdominais. Nesse tecido há duas veias superficiais:circunflexa superficial do ílio (mais lateralmente) e a epigástrica superficial que desembocam na crossa da veia safena. Essas veias ficam mais evidentes em pessoas magras ou no desenvolvimento de circulação colateral em algumas patologias abdominais. BAINHA DO RETO ABDOMINAL A aponeurose do músculo transverso abdominal, acima da linha arqueada, passa abaixo (posteriormente) do reto abdominal. Enquanto isso, a aponeurose do mesmo músculo, abaixo da linha arqueada, passa acima (anteriormente) ao músculo reto abdominal. A aponeurose do músculo oblíquo interno, acima da linha arqueada, se bifurca e uma parte dela passa abaixo (posteriormente) ao reto abdominal e a outra passa acima (anteriormente) ao mesmo músculo. Abaixo da linha arqueada, toda a aponeurose do oblíquo interno passa anteriormente ao reto abdominal. OBS: A linha arqueada fica cerca de 2 a 3 cm abaixo da cicatriz umbilical. A aponeurose do músculo oblíquo externo passa acima (anteriormente) ao reto em toda a sua extensão. Abaixo da linha arqueada, a única estrutura que compõe a lâmina posterior da bainha do reto é a fáscia transversal, a qual passa posteriormente ao reto do abdome em toda a sua extensão. TRIÂNGULO DE HESSELBACH OU TRÍGONO INGUINAL Trata-se de uma região localizada na porção inferior da parede abdominal formada pelos vasos epigástricos inferiores (superolateralmente), pelo ligamento inguinal (inferiormente) e borda lateral do músculo reto abdominal (medialmente), os quais delimitam uma região triangular, que, por sua vez, é um ponto de fragilidade da parede abdominal, visto que as aponeuroses dos músculos não passam posteriormente neste local, havendo apenas a fáscia transversal. Dessa forma, essa região é mais suscetível a ser projetada pelas estruturas peritoneais, sendo local de ocorrência das hérnias diretas. Página 6 de 38 Na imagem abaixo, tem-se dois cortes da parede abdominal em pontos distintos, ocorrendo, no primeiro, a passagem das aponeuroses posteriormente e anteriormente e, no segundo, apenas anteriormente. VÍDEO RESUMO Na imagem abaixo, o músculo reto abdominal é evidenciado pela pinça. Posteriormente, tem-se a porção posterior da bainha do M. reto, formada pela aponeurose do músculo transverso abdominal e uma porção da aponeurose do M. oblíquo interno. Na foto acima, é possível perceber, nessa seção feita na bainha do m. reto, o quanto essa aponeurose é fixa nas digitações tendíneas do m. reto do abdome. Isso faz com que o m. reto do abdome se transforme em “vários pedacinhos musculares” compartimentalizados. Na imagem abaixo, observa-se o rebatimento do m. reto para a exposiçãoda lâmina posterior de sua bainha. Quanto à região mais inferior da parede abdominal, chama-se atenção do canal inguinal, uma abertura achatada, em posição oblíqua, com uma abertura mais anterior e outra mais profunda, que dá acesso ao peritônio, atravessando a aponeurose do m. oblíquo externo. A fim de se entender a organização do canal inguinal, fala-se de 4 estruturas ligamentares. O primeiro deles é o ligamento inguinal, que separa o abdome da raiz da coxa e se trata de um espessamento da aponeurose do m. oblíquo externo. Página 7 de 38 Na imagem acima, marcado com a seta azul, vê-se o ligamento inguinal, inserindo-se na sínfise púbica. Esse ligamento manda, ainda, fibras oblíquas (seta verde), que forma o ligamento lacunar (ou foice inguinal), inserido na sínfise púbica. O ligamento lacunar se insere no periósteo, em um espessamento, o qual acaba sendo chamado de ligamento pectíneo. Por fim, a quarta e última estrutura é o tendão conjunto (seta verde abaixo), formado a partir do final inferior dos mm. oblíquos interno e transverso. Na imagem acima está destacado o canal inguinal. Ele possui uma abertura anterior na aponeurose do músculo oblíquo externo, que é o anel inguinal superficial. Já a abertura interna, na fáscia transversal, é o anel inguinal profundo, por onde entram os vasos. O assoalho do canal inguinal é o ligamento inguinal e lacunar; o teto é formado por fibras do músculo oblíquo interno e músculo transverso; a parede anterior é formada pela aponeurose do músculo oblíquo externo. O conteúdo do canal inguinal é constituído de ducto deferente e funículo espermático; possuindo ainda um ponto de fragilidade que é o triângulo de Hesselbach ou triângulo inguinal. Página 8 de 38 Na imagem acima é possível observar o ligamento inguinal que corresponde a um espessamento no final da aponeurose do músculo oblíquo externo. Quando o ligamento inguinal chega em um certo ponto ele preenche uma lacuna, rebate-se medialmente para se inserir no osso, formando o ligamento lacunar, em formato de rede. No momento em que o ligamento lacunar se insere no periósteo é chamado de ligamento pectíneo O apontador está sendo colocado anel inguinal superficial, que é formado pela aponeurose do oblíquo externo, retiramos essa aponeurose e fica somente o canal. De forma superior temos os músculos oblíquos interno e transverso, como assoalho temos o ligamento inguinal e de forma mais medial o ligamento lacunar. A entrada é dada pela fáscia transversal e anel inguinal profundo (este último fica na fáscia cervical profunda). Lembrar que na dissecação do canal inguinal as aponeuroses somem, já que são retiradas e talvez esse fato dificulta a prática. Não esquecer que o que tem dentro do canal inguinal é o funículo espermático que ao desembocar nos testículos dará origem a toda a rede de veias, capilares, artérias testiculares e o ducto deferente. Além do funículo espermático, também conhecido como plexo pampiniforme, temos o nervo que é ramo genital do nervo genitofemoral que será melhor descrito em abdome. O funículo espermático tem camadas: espermática interna, espermática média ou fáscia cremastérica e espermática externa. A formação delas é feita pela aponeurose do oblíquo externo, a fáscia média é formada pelas fibras do músculo oblíquo interno e a fáscia externa é formada por uma parte da fáscia transversal. Dentro desse funículo temos a artéria testicular (1), saindo também a veia testicular (2), o ducto deferente (3) entre no anel inguinal profundo. Como visto na imagem abaixo, eles entram separados e começam a ganhar no canal inguinal os revestimentos: o primeiro é a fáscia espermática interna, que tem origem na fáscia transversal. Por baixo do músculo oblíquo interno recebe o segundo revestimento pelo músculo cremaster e é chamada de fáscia cremastérica. Saindo pelo anel inguinal superficial, que é uma abertura na aponeurose do músculo oblíquo interno recebendo o terceiro revestimento chamado de fáscia externa. Página 9 de 38 Como relação clínica temos na imagem abaixo um ponto de fragilidade que é quando o tendão conjunto une-se, já que não se tem mais a aponeurose do oblíquo externo e nem do interno vemos que as fáscias ficam desprotegidas. O ponto é denominado de triângulo inguinal que é formado pela borda lateral do reto, vasos epigástricos inferiores e ligamento inguinal O triângulo inguinal é formado pela borda lateral do reto, vasos epigástricos inferiores e ligamento inguinal. Ele constitui um ponto de fragilidade, onde se formam as hérnias diretas. As hérnias inguinais podem ser diretas ou indiretas. “As diretas passam diretamente na parede, enquanto as indiretas percorrem todo o interior do canal inguinal”, ou seja, devem entrar pelo anel inguinal profundo e sair pelo superficial, enquanto as diretas saem diretamente no anel superficial, uma vez que, se nesse ponto de fragilidade (triângulo inguinal) há, por exemplo, uma alça intestinal, exercendo pressão de dentro para fora da cavidade, a abertura encontrada será o anel inguinal superficial, apesar de não se ter percorrido pelo interior do canal inguinal. De forma geral, pode-se dizer que as hérnias são uma localização indevida de uma estrutura anatômica, sejam alças ou órgãos sólidos, que atravessam uma abertura na parede, o anel herniário. O estreitamento deste anel pode fazer com que a hérnia se torne estrangulada ou encarcerada. As encarceradas não sofrem sofrimento vascular, diferente da estrangulada, que sofre também com necrose. Hérnia inguinal indireta As hérnias inguinais indiretas percorrem por todo o trajeto do funículo espermático. O saco herniário estará dentro do funículo espermático. Sendo assim, o conteúdo herniário também estará dentro desse funículo. Em casos de hérnias indiretas, é possível, ao empurrar a hérnia com o dedo, que essas sejam introduzidas pelo anel inguinal superficial e cheguem até o profundo, juntas ao dedo, seguindo o trajeto do canal inguinal. Página 10 de 38 A imagem inferior mostra uma hérnia indireta, pois as fibras musculares evidenciam o músculo cremaster, ou seja, o conteúdo está dentro do canal inguinal. Hérnia inguinal direta Nas diretas, a fragilidade da parede, no triângulo inguinal, faz com que uma alça, ao pressionar a parede, encontre o anel inguinal superficial como saída. Assim, o funículo espermático e o saco herniário são separados, ainda que saiam pelo mesmo anel. Nesse caso, ao reduzir essa hérnia com o dedo, ela some imediatamente. Na imagem inferior, tem-se uma hérnia inguinal direta. Nela, o funículo espermático, contornado por um cadarço azul, está bem separado do conteúdo herniário. Em suma, o problema causado pelas indiretas é o alargamento do anel inguinal profundo, com tratamento se relacionando ao seu estreitamento e reforço. Atualmente, o padrão cirúrgico é utilizar-se de uma tela de titânio de propileno, causando, a posteriori, uma fibrose, atuando como reforço da parede abdominal. Existem ainda técnicas de suturas entre os ligamentos citados, como a técnica de Bassini. Nessa sutura, o tendão conjunto é ligado ao anel inguinal, num processo de anastomose, como se reforçasse a parede abdominal posterior do canal inguinal. Para a compreensão de essas e outras técnicas é necessário estudar as 4 estruturas ligamentares citadas: ligamento inguinal, ligamento lacunar, pectíneo e tendão do conjunto. Hérnia Femoral Outro tipo de hérnia que existe abaixo do ligamento inguinal, que são mais comuns em mulheres. Página 11 de 38 Hérnias diversas Uma falha anatômica da cicatriz umbilical, ou até mesmo um aumento da pressão intra-abdominal, pode gerar uma hérnia umbilical; qualquer incisão feita na parede abdominal que não seja efetivamente fechada pode gerar hérnias pós-incisionais. Pontos importantes de parede abdominal: formação da bainha do reto, canal inguinal, pontos de fragilidade, circulação colateral, etc. PERITÔNIO DEFINIÇÃO E CONCEITOS LIGADOS Definição: Assim como a pleura, é uma membrana serosa que envolve a parede abdominal internamente(peritônio parietal) e se reflete sobre vários, porém não todos, órgãos abdominais (peritônio visceral). Alguns órgãos são totalmente envolvidos, outros parcialmente, e outros são extra-peritoneais. Conceitos ligados: ● Pregas: quando o peritônio recobre uma estrutura ligamentar ou de vasos — semelhante a um “lençol cobrindo alguma estrutura sólida” formando um pregueamento. ● Ligamentos: termo que, diferentemente do sentido nas articulações, diz respeito a um espessamento peritoneal que liga um órgão ao outro ou um órgão à parede abdominal por meio de peritônio. ● Mesentérios: estrutura que manterá órgãos, como o intestino delgado, no lugar, garantindo também a ligação com as artérias e veias localizadas no retroperitônio, cita-se a aorta abdominal e a veia cava. Página 12 de 38 ● Recessos: espaços menores que as fossas dentro da cavidade abdominal e entre um órgão e outro. ● Fossas: cavidades entre um órgão e outro. ● Cavidades: dentro da cavidade abdominal há a cavidade peritoneal e, dentro da mesma, há a cavidade omental. FORMAÇÃO PERITONEAL A partir da embriologia, imagina-se uma cavidade abdominal toda recoberta por uma membrana (peritônio) e apenas um tubo oco denominado intestino primitivo, que formará vísceras sólidas e ocas. À medida em que se prossegue o desenvolvimento, órgãos começam a crescer e juntamente deles a membrana peritoneal. Nos casos em que o crescimento intraperitoneal não é acompanhado de crescimento do peritônio visceral, Perceber que o fígado, por exemplo, cresce tão rápido que uma área fica desnuda. Diferentemente do baço e do intestino delgado, cujos ritmos de crescimento lhes permitiram permanecer envolvidos pelo peritônio visceral. À medida que o fígado foi crescendo, formou-se a cavidade peritoneal. A cavidade peritoneal está localizada na cavidade abdominal até a cavidade pélvica, podendo ser entendida como um espaço potencial encontrado entre as camadas parietal e visceral do peritônio.A cavidade é preenchida por uma pequena quantidade de fluido peritoneal seroso secretado pelas células mesoteliais, que revestem o peritônio. O líquido peritoneal permite que as camadas do peritônio deslizem uma sobre a outra com pequeno atrito, enquanto se movimentam junto com os órgãos abdominopélvicos. Em situação de normalidade, a cavidade não contém gases e, durante um evento inflamatório, a quantidade de líquido pode aumentar para ajudar na defesa do organismo. Vista superior da cavidade peritoneal destacada em azul, a partir de um corte transversal. Fonte: Standring (2011) Com o crescimento das vísceras , como o fígado e o baço, numa velocidade maior que o crescimento peritoneal, ocorre a formação de outra cavidade: a bolsa omental. Há também regiões que não são recobertas pelo peritônio, sendo chamadas de “área nua”. A cavidade omental origina uma sobra de peritônio denominado de omento maior, localizado abaixo do estômago. representa a maior prega peritoneal existente, consistindo numa membrana dupla, onde cada membrana é formada por duas camadas de peritônio (totalizando quatro Página 13 de 38 camadas de peritônio) firmemente aderidas uma a outra, separadas por uma quantidade escassa de tecido conjuntivo. Tem-se também o omento menor que parte da curvatura menor do estômago e da parte proximal do duodeno, dirigindo-se até o fígado. Suas camadas se dividem e envolvem o estômago, cobrindo as superfícies anterior e posterior do órgão. Omento menor destacado em verde. Vista anterior. Fonte: Kenhub. ATENÇÃO: Órgãos intraperitoneais: São órgãos que são completamente ou quase revestidos por peritônio visceral, tais como o estômago, o fígado e o baço. O termo “intraperitoneal” não significa estar dentro da cavidade peritoneal, mas sim que os órgãos referidos estão cobertos quase que completamente por peritônio visceral e, isso ocorre devido à invaginações de tais órgãos para dentro do saco fechado durante o período de desenvolvimento. Órgãos retroperitoneais: Os retroperitoneais são parcialmente revestidos, usualmente em apenas uma face, e estão localizados entre o peritônio parietal e a parede posterior do abdome. Alguns órgãos retroperitoneais já se desenvolvem fora do peritônio, a exemplo dos rins, enquanto outros iniciam seu desenvolvimento dentro e, ao longo do desenvolvimento,movem-se posteriormente ao peritônio, como é o caso do pâncreas, duodeno distal e dos colos ascendente e descendente. PREGAS UMBILICAIS Observando a imagem abaixo, denota-se que peritônio parietal anterior infraumbilical apresenta a prega umbilical mediana, ímpar e as pregas umbilicais mediais e laterais, pares. Todas elas são produzidas pela presença de estruturas no tecido extraperitoneal: ● ligamento umbilical mediano, resultante do úraco (estrutura embrionária que vai da bexiga ao umbigo) fibrosado, produz a prega umbilical mediana ● as a.a. umbilicais obliteradas produzem as pregas umbilicais mediais, uma de cada lado ● as a.a. epigástricas inferiores produzem as pregas umbilicais laterais, uma de cada lado Página 14 de 38 FOSSAS INGUINAIS Entre as pregas umbilicais, há as fossas inguinal medial e inguinal lateral, uma de cada lado. LIGAMENTO FALCIFORME Acima da cicatriz umbilical, há o Ligamento falciforme. É formado pela união do peritônio do lado esquerdo e direito que se inserem na linha alba até a linha mediana. Ao lado direito do ligamento falciforme, localiza-se o fígado. Na borda livre do ligamento falciforme, há as veias umbilicais obliteradas, denominadas ligamento redondo. Na imagem abaixo, vendo o fígado de cima para baixo, percebe-se que o ligamento falciforme é bem estreito. O fígado é quase todo intraperitoneal e tem uma área extraperitonial. Quando o peritônio chega no hilo hepático, o próximo órgão é o estômago (imagem abaixo), que é todo intraperitoneal. FORAME OMENTAL A região posterior ao estômago faz a bolsa omental, que não é totalmente fechada, pois há uma abertura na transição do estômago com duodeno, chamada forame de Winslow ou forame omental (imagem abaixo). Na borda livre do omento menor, no ligamento hepatoduodenal, passam três estruturas: veia porta, ducto hepático comum, artéria hepática principal. Página 15 de 38 Em lesões hepáticas graves, em uma cirurgia, coloca-se os dois dedos no forame a fim de pinçar (manobra de Pringle) o ligamento hepatoduodenal, para promover hemostasia e permitir a visualização do foco da hemorragia. Observa-se, na pinça, o omento menor. LIGAMENTOS DO FÍGADO Na imagem abaixo, com a retirada do fígado e do omento menor, percebe-se os ligamentos coronário direito e esquerdo e ligamento triangular direito e esquerdo (prendem o fígado à parede abdominal posterior). A imagem abaixo apresenta o fígado coberto pela cápsula hepática (peritônio visceral e não uma cápsula verdadeira) e uma parte desnuda. Ligamentos que ligam o fígado à parede posterior do abdomen: ligamentos coronários direito e esquerdo. As angulações desses ligamentos formam os ligamentos triangulares. Na curva maior do estômago, o peritônio, em sua formação, cresceu e formou o omento maior, o qual passa a anterior e posteriormente ao cólon transverso. Posteriormente temos o mesocólon transverso, o qual liga o cólon transverso a parede posterior do abdômen O intestino delgado , parte final do duodeno , jejuno e íleo são intraperitoniais e detém um mesentério intestinal que os ligam a parede abdominal posterior. Além deles , na maioria das vezes , o ceco e o apêndice também são intraperitoniais , bem como o cólon transverso , o cólon sigmoide e o Reto . Resta os cólons ascendente e o descendente e as porções 2° e 3° do duodeno , os quais são órgão retroperitoniais . Saber disso é importante para diagnóstico diferencial de abdome agudo perfurativo , dado que vísceras intraperitoniais , quando perfuradas , provocam : peritonite parietal e pneumotórax , mas a perfuração de órgão retroperitoniais não . Página 16 de 38 Todo mesentério e mesocólon(transverso , sigmoide) são formados por um rebatimento do peritônio parietalque forma o peritônio visceral nas margens dos órgãos ocos intraperitoneais . São importantes para a irrigação arterial e drenagem venosa dessas vísceras . Órgão retroperitôniais tem sua vascularização facilitada pela falta do revestimento de peritônio. Exame do Abdome , mais especificamente dos 7 metros de intestino , para encontrar uma lesão (como uma perfuração por arma de fogo) é feita por meio da tomada da raiz do mesentério intestinal como referêncial anatômico ( no final do duodeno , próximo ao ângulo de treitz e ao ligamento suspensor do duodeno) e posterior inspeção por corrimento das alças intestinais a partir do ponto anatômico de referência. Isso pode ocorrer em um trauma abdominal seja ele perfurante , seja ele fechado. O duodeno tem um detalhe importante : a primeira e a última porção do duodeno são intraperitoneais , mas a secunda e a terceira são retroperitoniais . Isso é importante para diagnósticos diferenciais de dor abdominal , pois uma perfuração de víscera intraperitonial gera uma peritonite (sinal de Blumberg positivo em toda região afetada ) , mas a perfuração de víscera Página 17 de 38 retroperitoneal não provoca um quadro sindrômico como a peritonite e se configura como uma dor abdominal de difícil diagnóstico . Órgãos intraperitoneais : Estômago , fígado , vesícula biliar , ampola e parte ascendente do duodeno , jejuno , íleo , ceco , apêndice , cólon transverso , sigmoide . Órgãos retroperitoniais : pâncreas , 2° e 3° parte do duodeno , cólon ascendente e descendente . Normalmente , o apêndice é um órgão intraperitonial e a clínica da apendicite cursa com peritonite parietal localizada , principalmente em fossa ilíaca direita , com Blumberg positivo . Porém , a posição anatômica do apêndice pode sofrer com algumas variações anatômicas , como ser um apêndice retroperitoneal , não tem peritonite , e um apêndice intraperitoneal , porém localizado na região do hipocôndrio direito , o que pode positivar o sinal de Murphy e passar por uma colecistite aguda. O ponto de melhor palpação para uma apendicite aguda avançada é o ponto de McBurney. Esse ponto fica localizado a ⅔ de distância da cicatriz umbilical em direção a crista ilíaca anterior direita, como apontado na imagem a seguir. É válido ressaltar que o sinal de Blumberg no ponto de Mcburney só é positivo para apendicites agudas mais tardias. É possível ainda que o apêndice se apresente com inúmeras variações anatômicas, uma delas sendo a apresentação retosecal - com o apêndice por trás do seco - nesse caso a clínica de uma apendicite avançada não se faz presente, com o sinal de Blumberg negativo para o ponto de McBurney. Quando se remove os órgãos do abdômen é possível visualizar os órgãos retroperitoneais (pâncreas, segunda e terceira porção do duodeno e os rins). Além dos órgãos retroperitoneais é possível identificar outras estruturas como a área desnuda do fígado, vasos como a veia cava inferior, aorta abdominal e seus ramos e o reto ( que só é coberto pelo peritônio na parte anterior). Abaixo há uma representação do retroperitônio in situ: Página 18 de 38 Em caso de lesão dessas estruturas retroperitoneais, como no caso de lesão dos grandes vasos por lesão de arma branca, foram criadas manobras para acessar essa região, como a parietocolíco esquerda e direita onde há uma abordagem entre a parede abdominal e a lateral do cólon ascendente ou descendente, a depender do lado abordado. Dessa forma, o acesso é complicado e em caso de lesão desses vasos forma-se um hematoma de grandes proporções na região retroperitoneal, sem acesso a cavidade peritoneal, de difícil acesso para intervenção cirúrgica. As reflexões peritoneais geram impressões no retroperitôneo após a retirada dos órgãos abdominais, por exemplo, no local do cólon ascendente e descendente ( visualizar local na figura anterior e seguinte). Além disso, geram também recessos que são espaços entre uma região do órgão e o peritônio. Esses recessos recebem o nome da região que o formam, como o caso do recesso íleosecal que está localizado na junção entre o íleo e o seco. RECESSOS No peritônio existem recessos, que são escavações entre órgãos. Considerando uma classificação geral, existem espaços, fossas (espaços menores) e recessos (espaços maiores). Um exemplo é o recesso parieto-cólico (chamado no dia a dia cirúrgico de “goteira parieto-cólica”) na cavidade abdominal, onde abrimos o peritônio. Existe também o recesso subhepático e o subfrênico. ASCITE Algumas patologias podem gerar formação de líquido (distensão abdominal) na cavidade peritoneal, como desnutrição, hipertensão portal, tumores, carcinomatose peritoneal. Ex: Uma mulher pode ter um câncer de ovário que vai comprometer o peritônio, gerando um espessamento tumoral nele. O peritônio vai começar a fabricar um transudato tumoral, gerando líquido. Em caso de obstrução de veia porta, a pressão das vênulas de qualquer órgão intraperitoneal pode começar a subir, Página 19 de 38 jogando líquido para o “terceiro espaço”, a cavidade peritoneal. Outro exemplo de terceiro espaço (espaço morto, que não é absorvido) é a cavidade pleural. PNEUMOPERITÔNIO É o acúmulo de ar na cavidade peritoneal. Abaixo temos uma tomografia: vértebra posteriormente, 4 (fígado) e 3 é um ar que não existe fisiologicamente. O jejuno é um exemplo de alça que se perfurada pode gerar pneumoperitônio, uma vez que é intraperitoneal. O local mais frequente de ter úlcera perfurada no duodeno é a 2ª porção. Normalmente ela não gera um pneumoperitônio, sendo mais comum ela jogar ar na cavidade retroperitoneal. A seguir uma radiografia evidenciando um pneumoperitônio. Em vermelho está indicado o diafragma, inteiro. Em seguida uma imagem de perfil de outro pneumoperitônio extenso. Abaixo visualizamos uma tomografia de um caso de apendicite em estágio tardio. Em vermelho está o apêndice e as setas verdes apontam a formação de líquido comprometendo o peritônio parietal. O peritônio parietal é inervado de forma localizatória sensitivamente (pelos n. Página 20 de 38 intercostais), igualmente à pleura (no caso dela, pelos n. intercostais ou pelo n. frênico), o que gera uma dor pleurítica localizatória. Já na pleura visceral não se tem inervação localizatória, então se houver injúria dela, sente-se um desconforto. É por esse motivo que em uma apendicite mais tardia, temos uma descompressão brusca positiva. No caso de apendicite inicial, sem transudato/pus comprometendo peritônio parietal, tem-se a injúria apenas do mesoapêndice. A dor da apendicite inicial acontece na região epigástrica e mesogástrica. Isso acontece porque a origem da inervação visceral vai para a medula espinal no nível de T6, T7 e T8, que compreende a região destacada acima. Portanto, o acometimento do peritônio visceral gera uma dor não localizada Apêndice inflamado retirado cirurgicamente. É possível observar o peritônio visceral repleto de placas e irritado. Acima, encontramos um cólon transverso. Apontado pela seta em azul, temos o peritônio completamente comprometido por tumor. Carcinomatose peritoneal. Essa doença gera um exsudato (líquido com alto teor de proteínas séricas e leucócitos, produzido como reação a danos nos tecidos e vasos sanguíneos) na cavidade peritoneal. O paciente sofre de ascite por repetição, podendo ir diariamente ao hospital para a realização de uma paracentese, procedimento para a retirada do líquido. A intervenção é realizada no lado contralateral ao ponto de McBurney, por conta da chance reduzida de perfurar vísceras. Hérnia interna: algum órgão ou estrutura adentra uma falha no peritônio (cirúrgica ou congênita). Caso interrompa o trânsito intestinal, o paciente faz um quadro de abdome agudo obstrutivo. Se tiver isquemia, caracteriza-se como abdome agudo isquêmico. A manipulação das alças intestinais em procedimentos cirúrgicos faz com que haja a criação de processos cicatriciais e as alças podem desenvolver aderências. Página 21 de 38 Intestino delgado “colado” por aderências. Sobre as aderênciascitadas anteriormente, mais conhecidas como “bridas”: qualquer cirurgia que lesione o peritônio possibilita sua formação, levando ao abdome agudo obstrutivo. Assim, o paciente irá apresentar constipação, principalmente, resultante do retardo do fluxo intestinal. Desse modo, faz-se necessária a retirada daquele segmento intestinal, com a anastomose dos segmentos restantes. Na imagem a seguir, vemos um caso de obstrução intestinal pós cólon descendente por massa tumoral, sendo notado pelo amplo volume do cólon descendente (marcado em roxo) e do cólon transverso (marcado de verde). Além disso, a mão direita do cirurgião aponta para as alças intestinais (delgado). Nesse tipo de manipulação cirúrgica, todas as vísceras são retiradas, por meio de uma incisão na linha alba, de modo a procurar problemas abdominais “ocultos” ao exame clínico e complementares. Na imagem seguinte, as mãos do cirurgião apontam para um segmento do cólon transverso com ausência de peritônio, decorrente de sua aderência ao tumor, que está mais posterior. Tal fato possibilita a ocorrência de cada vez mais aderências. Página 22 de 38 Após a ressecção do segmento intestinal, com sua retirada, é possível observar a massa tumoral inferiormente (em verde) e o cólon transverso superiormente (em azul), o qual encontra-se com aparência isquemiada, ao comparar com os segmentos do intestino delgado na imagem acima, por exemplo. INERVAÇÃO No estudo da inervação abdominal, é importante saber a delimitação dos dermátomos do abdome e dorso, bem como das regiões anatômicas utilizadas na semiologia para a localização de massas palpáveis, abaulamentos, retrações e outros achados clínicos. Nas imagens abaixo, é possível visualizar essas regiões. A inervação cutânea e muscular do abdome é realizada pelos nervos intercostais, de T6, localizado no nível de processo xifóide) a T12 (a nível de região suprapúbica). Página 23 de 38 Abaixo do dermátomo T12, temos os dois segmentos lombares L1 e L2. Isso é importante para determinar a altura da lesão medular e a consequência em órgãos abdominais (distensão abdominal, bexiga neurogênica). Os dermátomos principais não podem ser esquecidos: T6 é o parâmetro, T10 na cicatriz umbilical e T12 no nível supra-púbico. Acerca da inervação presente na parede abdominal, nem sempre os nervos que passam pelo abdômen inervam essa região, pois alguns nervos vão para os membros inferiores. O último nervo intercostal também pode ser denominado subcostal. Abaixo desse nervo existem dois nervos que possuem os mesmos componentes e direcionamentos dos nervos intercostais. Ramos de L1 se bifurcam e formam o nervo ílio-hipogástrico e o n. ilioinguinal. Ramos de L1 e L2 originam um nervo denominado genito-femoral. Esse nervo se bifurca em um ramo genital mais medial e um ramo femoral mais lateral. O ramo genital entra no funículo espermático, no anel inguinal profundo e o ramo femoral inerva sensitivamente a parte do trígono femoral (abaixo do ligamento inguinal e será estudado em MMII). Página 24 de 38 Ramos que estão presentes no abdome mas se destinam à inervação do membro inferior: n. femoral, n. cutâneo-lateral da coxa e n. obturatório. OBS.: o nervo ilio-hipogástrico se localiza acima do n. ilioinguinal. Lateralmente e repousando no músculo ilíaco encontra-se o n. cutâneo lateral da coxa, que inerva sensitivamente a pele lateral da coxa e também será estudado em MMII. INERVAÇÃO DA PAREDE ABDOMINAL A parede abdominal é inervada pela continuação dos nervos intercostais até T12. Responsável pela motricidade do m. oblíquo interno e externo, transverso e reto abdominal. Os nervos intercostais também emitem ramos anteriores e laterais responsáveis pela sensibilidade da parede abdominal. Abaixo de T12, região hipogástrica, há inervação por meio do ílio-hipogástrico (passa superiormente ao teto do canal inguinal) e ílio-inguinal (passam dentro do canal inguinal). Nas hernioplastias, deve-se ter cuidado ao abrir a aponeurose do m. oblíquo externo, pois o n. ílio inguinal pode ser lesionado resultando em perda de sensibilidade ou dor referida. Esses nervos são responsáveis pela dor localizada. RESUMINDO: Os nervos descritos são responsáveis pela sensibilidade da pele e do peritônio parietal, além da motricidade da parede abdominal. Motivo pelo qual o peritônio parietal apresenta dor localizada e o visceral não. INERVAÇÃO SIMPÁTICA Os segmentos T6-T12 emitem fibras simpáticas que fazem sinapses no primeiro gânglio (tronco simpático torácico). Fibras pós-ganglionares do tronco simpático vão para os segundos gânglios: Gânglio celíaco (superior) - recebe de T6-T12. Gânglio mesentérico superior (intermediário) - recebe de T6-T12 Gânglio mesentérico inferior (inferior) - recebe de T12-L2. As fibras aferentes das vísceras chegam até os segundos gânglios e depois vão para o tronco simpático e posteriormente à medula. No entanto, não chegam em segmentos medulares correspondentes à localização da víscera. Logo, a dor atribuída a essas vísceras é denominada de dor difusa/ visceral (não é localizada). Ex: peritônio visceral - fibras aferentes não vão para segmentos medulares correspondentes a sua localização específica ao contrário do que ocorre com o peritônio parietal. OBS: O nome do nervo que inerva determinado órgão recebe o mesmo nome daquele vaso que o irriga. Ex: órgãos irrigados pela a. mesentérica superior serão inervados pelo gânglio mesentérico superior. Página 25 de 38 INERVAÇÃO PARASSIMPÁTICA A inervação parassimpática é bem mais simples do que a simpática. O nervo vago (X) é responsável pela inervação parassimpática dos mesmos órgãos intraperitoneais que são irrigados pelo tronco celíaco e pela artéria mesentérica superior. Enquanto isso, todos os órgãos que são irrigados pela artéria mesentérica inferior são, do ponto de vista parassimpático, inervados pelos nervos esplânicos pélvicos (fibras parassimpáticas que saem dos segmentos S2, S3 e S4). Os nervos vagos esquerdo e direito se juntam para formar o plexo esofágico e, sem seguida, as fibras desse plexo formam dois troncos: o tronco vagal anterior e o tronco vagal posterior. O tronco vagal anterior é mais formado por fibras do nervo vago esquerdo, enquanto o tronco vagal posterior é mais formado por fibras do vago direito. Antigamente, era comum o atendimento de pacientes com úlceras pépticas no pronto-socorro e, na ausência dos bloqueadores de bomba para o tratamento, o manejo do caso era cirúrgico, sendo realizada uma vagotomiatroncular, que consistia na secção do tronco vagal anterior e posterior. Vale salientar que o tronco vagal posterior emite fibras para parede e fundo gástrico, atuando na peristalse do intestino delgado e contratura do piloro, bem como para região hepática, sendo responsável pela peristalse da vesícula biliar. Desse modo, ao realizar tal procedimento, os pacientes apresentavam uma evolução com os seguintes sintomas: estase biliar, tendo em vista a parada da bile, a qual culmina na colelitíase, assim como "empachamento” devido a perda da motilidade gástrica e contração do piloro, o que retarda o esvaziamento gástrico. Sendo assim, com o tempo, essa cirurgia foi modernizada e passou a ser denominada de cirurgia seletiva. Nesse procedimento, o cirurgião esperava o ramo hepático anterior e posterior saírem para realizar a secção do nervo vago, no entanto, os sintomas de estase gástrica aumentada permaneciam. Página 26 de 38 De tal forma, a cirurgia foi novamente inovada e nomeada de vagotomia superseletiva. Nesta, procurava-se realizar apenas a secção dos ramos vagais para o corpo e o antro, sendo considerada o padrão ouro para o tratamento de úlcera péptica. Depois surgiram os bloqueadores de bomba, e o procedimento passou a ser apenas a rafia da úlcera e prossegue-se com tratamento clínico. Na imagem abaixo, em preto, há a aferência simpática que chega, no caso do pâncreas, nos segmentos de T6-T9 bilateralmente. Tais fibras caminham com o tronco simpático e chegam nos segmentos medulares. A dor nãochega na medula em um único segmento, mas sim em um espaço, por exemplo de T6-T9 bilateralmente, e o cérebro interpreta a informação como uma injúria nesta região. Assim, nesse exemplo, a dor ocorre no epigástrio e se caracteriza em tipo faixa, pois atinge a cabeça, o corpo e a cauda do pâncreas, irradiando para as costas/dorso, sendo típica da dor da pancreatite. A dor da pancreatite, portanto, é na região epigástrica irradiando para o dorso em faixa. A palpação do pâncreas, semiologicamente, não é utilizada para a busca de injúrias pois não há um acometimento do peritônio parietal -- quando haveria dor localizada. A menos que, associado ao problema pancreático, houvesse abscessos e/ou outras repercussões que atingissem o peritônio parietal. Quanto à inervação do apêndice, do cólon ascendente e de todo intestino delgado, corresponde aos segmentos de T10 a T12, em região meso umbilical, passando pelo gânglio mesentérico superior (mesmo nome da artéria que irriga essas vísceras). Dessa forma, uma infecção dessas vísceras pode decorrer em dor na altura desses segmentos, porém não localizada. Página 27 de 38 Já no intestino grosso, nas regiões irrigadas pela artéria mesentérica inferior, a cólica, numa infecção por exemplo, é diferente. As fibras que inervam essas regiões seguem, do gânglio mesentérico inferior, para os segmentos de T12 a L1/L2. Daí, a dor, não localizável, fica na região do hipogástrio. No que se refere ao parassimpático, histologicamente, as fibras estão contidas no plexo mioentérico ao longo de todo intestino. Uma correlação clínica a se salientar sobre isso é a ausência congênita de plexo mioentérico, mais frequentemente ocorrendo no intestino grosso. Nesses casos, a peristalse é reduzida e há acúmulo de bolo fecal. A estase desses corpos no interior do intestino, por sua vez, causam megacólon. A doença de Chagas, por sua vez, é uma manifestação adquirida em que há a destruição desse plexo e a ocorrência de megacólon. Esses casos de megacólon, em que crescem paulatinamente o cólon transverso, sigmóide e seus mesos, podem decorrer em volvos, quando esse meso crescido torce no seu próprio eixo. INERVAÇÃO DOS RINS O rim tem uma inervação diferente no ureter proximal e no ureter distal. No ureter proximal, as fibras chegam no segmento T10, T11 e T12. No ureter distal, as fibras chegam no segmento L1 e L2. Um paciente que apresenta uma cólica nefrética, pela migração de um cálculo no ureter, apresenta uma dor na região lombar do ureter proximal, com o sinal clínico de Giordano, que é uma percussão na região lombar, onde o paciente sente a dor por injúria do ureter proximal. À medida que o cálculo migra, chega em território de inervação L1 e L2 (região íleo-hipogástrica e ílio-inguinal), caracterizando uma dor lombar que se estende para a virilha. Então a dor da cólica nefrética depende da localização do cálculo renal. DOR DE APENDICITE Em uma apendicite inicial, o paciente apresenta uma dor em região epigástrica, mesogástrica, com náuseas, vômitos e não consegue definir de onde vem a dor. Isso porque o peritônio visceral do apêndice chega em segmento de gânglios celíacos (T8-T11). Depois que o peritônio parietal do apêndice começa a ser injuriado (apresentando pus, abcesso), o paciente tem uma dor localizatória no ponto de McBurney, na fossa ilíaca direita. Página 28 de 38 VASCULARIZAÇÃO Joyce: 0min// 4min30s (VASC) A irrigação é feita de forma simples: superiormente os ramos da torácica interna, que são divididos em epigástrica superior (que vem penetrar e perfurar na bainha do reto e na musculatura abdominal) já de forma mais lateral temos a artéria musculofrênica (lembrar que seus ramos finais ficam entre o transverso e o oblíquo interno, nutrindo assim a pele e musculatura da parede lateral do abdome). Inferiormente temos a epigástrica inferior, a circunflexa profunda do ílio inferior que são ramos da ilíaca externa. Não podemos esquecer: depois que a aorta atravessa o hiato aórtico até chegar na pelve, onde há uma bifurcação em ilíacas comuns direita e esquerda. Neste trajeto a aorta vai emitir ramos anteriores, laterais e dois ramos que ficam na zona intermediária. Em um resumo mais esquemático temos que de cima para baixo temos ramos que vão para o retroperitônio e para a parede abdominal e são eles as artérias frênicas inferiores, artérias supra renais médias, artérias renais e quatro artérias lombares. Essas estruturas vão para órgãos do retroperitônio. Já as anteriores vão para órgãos do intra peritônio: tronco celíaco, mesentérica superior e mesentérica inferior. Ainda de acordo com a imagem, a aorta se bifurca e emite um ramo denominado de ramo sacral mediano. Lembrar que logo Página 29 de 38 abaixo das artérias renais será emitido artérias ováricas (no caso das mulheres) ou artérias testiculares (no caso dos homens). Leonardo: 4min30s// 9min(VASC) De forma resumida, pensa-se na aorta considerando que existem ramos que vão pro retroperitônio, destinando-se aos sítios ou órgãos dessa região, e 3 principais troncos de intra-peritonio (tronco celíaco, mesentérica superior e inferior). O primeiro ramo a partir do hiato aórtico são as artérias frênicas inferiores. Assim como essas, ramos de retroperitônio, existem também as suprarrenais médias, renais (direita e esquerda) e lombares, geralmente 4, que nutrem a musculatura da parede posterior do abdome (psoas e quadrado lombar), inclusive auxiliando na nutrição da musculatura intrínseca do dorso. A a. sacral mediana é um ramo que nutre as fáscias e a parte sacral da coluna. TRONCO CELÍACO: Primeiro dentre os principais 3 ramos da aorta abdominal. É chamado de tronco por originar 3 artérias principais. O tronco celíaco será responsável pela nutrição do andar superior do abdome, no qual tem-se estômago, fígado e baço (vísceras). Para se chegar no tronco celíaco, é necessário remover o omento menor, entrar na bolsa omental, remover o peritônio da parede posterior do omento. Nessa porção do retroperitônio é possível identificar o ligamento hepatoduodenal e o corpo do pâncreas. Página 30 de 38 Os ramos do tronco celíaco são condizentes com as vísceras que esse nutre: a. gástrica esquerda, a. esplênica, e a. hepática comum. Observa-se que existe a a. hepática comum e a a. hepática própria, a qual vai propriamente apenas para o fígado, enquanto a comum emite outros ramos. Detalhe: as. Gástricas (direita ou esquerda) estão localizadas na curvatura menor do estômago. As. Gastro-omentais estão na curvatura maior, na qual começa a formação do omento maior. A hepática comum emite a hepática própria, uma das estruturas que é pressionada na manobra de Pringle A artéria hepática própria se bifurca formando as artérias hepáticas direita e esquerda. Da hepática direita parte a artéria cística, que não tem uma correspondência em veia cística (a drenagem da vesícula se faz por veias sem nome para a superfície do fígado) Após emitir a hepática própria, a artéria hepática comum também nutre estômago, duodeno e pâncreas, emitindo: Artéria gástrica direita: se anastomosa, na curvatura menor do estômago, com a artéria gástrica esquerda (ramo direto do tronco celíaco. Artéria gastroduodenal: que nutre o duodeno a partir da artéria retroduodenal, nutre a curvatura maior do estômago com a artéria gastomental direita e, seu fim, se dá como artéria pancreática superior irrigando a cabeça do pâncreas. O terceiro ramo do tronco celíaco é a artéria esplênica: vaso de aspecto tortuoso que percorre a borda superior do pâncreas em um trajeto direcionado ao hilo esplênico, emitindo durante seu percurso: Artéria pancreática dorsal; Artéria pancreática principal → ambas nutrindo o corpo e a cauda do pâncreas; Gastromental esquerda: que, na curvatura maior do estômago se anastomosa com a gastromental direita; Vasos curtos do estômago: irrigam o fundo gástrico. CORRELAÇÃO CLÍNICA: ÚLCERA PÉPTICA Apesar de hoje em dia menos frequentes, dada a criação dos bloqueadores de bomba de prótons,ainda há casos de úlceras pépticas acometendo o estômago. Quando acontecem no duodeno, elas geralmente erodem a parede posterior da transição entre primeira e segunda porção do duodeno, onde passa a artéria duodenal posterior (o mesmo que retroduodenal). Assim, esse tipo de úlcera péptica duodenal é bastante hemorrágica, podendo se evidenciar o vaso em pleno Página 31 de 38 sangramento durante a endoscopia. Na imagem abaixo iremos identificar algumas estruturas responsáveis pela nutrição do pâncreas. Na curvatura maior do estômago é possível observar as artérias gastro-omental; sendo que a artéria gastro-omental direita tem origem na artéria pancreático duodenal e a artéria gastro-omental esquerda tem origem na artéria esplênica. O pâncreas recebe seu fornecimento sanguíneo de várias fontes. A cabeça do pâncreas é vascularizada pelas artérias pancreaticoduodenais superior e inferior, que são ramos das artérias gastroduodenal e mesentérica superior. O corpo e a cauda do pâncreas são vascularizados pelas artérias pancreáticas que se ramificam a partir das artérias esplênica, gastroduodenal e mesentérica superior. A. MESENTÉRICA SUPERIOR A A. mesentérica superior tem o formato de "J" e possui os ramos: ● O primeiro ramo é a A. Pancreático-duodenal inferior (nutre cabeça do pâncreas); ● Da parte convexa saem as aa para o jejuno e íleo pelo mesentério; ● Da parte côncava saem as A. cólica média (nutre colo transverso), A. cólica direita (colo ascendente), A. ileocólica ou ileocecocólica (íleo, ceco, colo ascendente); ● Por último, da íleocólica, parte a A. apendicular (apêndice), onde é feita ligadura na apendicectomia. A obstrução da A. mesentérica superior pode ocorrer em pacientes com arritmia cardíaca, como a fibrilação atrial, que não é muito sintomática, mas o sangue fica estagnado no átrio, favorecendo a formação de trombos, os quais podem sair do átrio, formando um êmbolo. A embolia pode gerar um AVC isquêmico ou desce para aorta torácica e abdominal, onde há Página 32 de 38 maior probabilidade de obstruir a A. mesentérica superior. A imagem abaixo, uma angiografia com reconstrução, evidencia a região da mesentérica superior em que para um trombo. Na imagem de TC abaixo, a seta aponta para metade de um lúmen preenchido por um trombo (A. mesentérica superior). Isso pode gerar uma isquemia mesentérica, o que pode levar à síndrome do intestino curto. Geralmente, esse diagnóstico é dado de forma tardia, portanto, na grande maioria dos casos, isso leva à morte. Porque é mais fácil do êmbolo obstruir a mesentérica superior? Essa facilidade vem do fato de a artéria renal passar posteriormente a essa artéria, além da terceira parte do duodeno, o que gera um estreitamento anatômico e uma facilidade maior do êmbolo parar. Depois que temos , saindo da aorta abdominal , a mesentérica superior , a qual nutre até metade do cólon transverso ,têm-se a a.cólica média que vai para a metade distal do cólon transverso . Existe na borda interna de todo intestino grosso uma anastomose entre as artérias cólicas ( A.cólica direita , cólica média e cólica esquerda) . Então a a.mesentérica superior nutriu o intestino delgado até a metade proximal do cólon transverso e quem nutre o resto é a a. mesentérica inferior , que nutre a metade distal do cólon transverso , o cólon descendente , o sigmoide e o reto. Página 33 de 38 Tronco celíaco , a. mesentérica superior e inferior são os 3 principais vasos de irrigação de órgãos abdominais. falta a a. de saídas oblíqua que são ou a. testiculares ou ováricas . Dessas artérias , a ováricas vai entrar no ligamento suspensor do ovário na pelve e a testicular vai para o canal inguinal , mais especificamente no anel inguinal profundo. no retroperitônio tem um detalhe da glândula adrenal . Ela tem 3 nutrições : a superior , a média e a inferior . A a. suprarrenal superior vem da a.frênica inferior, a qual é o primeiro ramo da aorta abdominal . A a. suprarrenal média é um ramo direto da aorta abdominal . A artéria suprarrenal inferior vem da a. renal ipsilateral. A drenagem da parede no lado direito profundo é idêntica a irrigação arterial .Superiormente tem a veia epigástrica superior e a músculo-frênica que drenam para torácica interna e inferiormente tem a veia epigástrica inferior e uma circunflexa Página 34 de 38 profunda do íleo que ambas são tributárias da veia ilíaca externa. Na parte de subcutâneo, a parte mais baixa é drenada para a veia femoral onde se encontram a veia epigástrica superficial e a veia cincunflexa ilíaca superficial, além de veias paraumbilicais. Mais internamente, no retroperitôneo, a drenagem é extremamente semelhante à irrigação. A substituta da aorta é a veia cava inferior que recebe a drenagem da região abdominal. Há dois detalhes sobre a drenagem venosa no retroperitôneo. O primeiro é com relação à drenagem venosa das glândulas suprarrenais, essas têm as três veias, superior, média e inferior se juntando em um tronco único que desemboca na veia renal ipsilateral. O segundo detalhe é com relação à drenagem das veias ováricas ou testiculares. Há uma diferença entre o lado direito e esquerdo, enquanto a veia testicular direita (ou ovárica) desembocam diretamente na veia cava inferior, formando um ângulo de 45 graus, a veia testicular esquerda (ou ovárica) esquerda desemboca na veia renal esquerda, formando um ângulo de 90 graus. Devido a essa relação anatômica da veia testicular esquerda com a veia renal esquerda (formação de um ângulo de 90 graus) há uma dificuldade de drenagem devido ao fluxo sanguíneo transversal da veia renal. Dessa forma, há uma maior probabilidade de varizes testiculares ou ováricas do lado esquerdo (varicocele). Chegando na parte interna do abdômen, é importante recordar as três principais artérias que são o Tronco Celíaco, Mesentérica Superior e Inferior. Dessa forma, existem as veias mesentéricas superior e inferior, mas quando se trata do tronco celíaco não há uma veia correspondente. Sendo assim, há veias separadas correspondentes aos ramos do tronco celíaco. Sendo assim, existem as veias gástricas esquerda e direita e gastromentais esquerda e direita. As veias gástricas desembocam diretamente na veia porta do fígado A v. mesentérica superior recebe a v. gastromental direita. As pancreáticas inferiores também chegam na mesentérica superior. Quando o estômago é removido, visualizamos melhor: a v. gástrica esquerda e direita chegam diretamente na v. porta. Página 35 de 38 A veia porta é formada pelo encontro da v. mesentérica superior com a v. esplênica. Ela é larga, curta, com 1,5 cm de espessura em média. Ela é tão curta e o fluxo é tão intenso que pesquisas já mostraram que existe uma pequena mistura de sangue na mesma. A v. mesentérica inferior desemboca na v. esplênica, não participando diretamente da formação da v. porta. A v. esplênica drena: o fundo gástrico com as veias curtas; o baço; o pâncreas (principalmente corpo e cauda). OBS: Hipertensão portal Aumento na pressão intraluminal da veia porta. Isso acontece quando há uma obstrução intra-hepática ou sinusoidal, nos sinusoides hepáticos; extra-hepática/pré-hepática ou pré-sinusoidal; ou pós-hepática ou pós-sinusoidal, nas veias hepáticas superiores. Qualquer uma dessas obstruções gera um regurgitamento do sangue, o que aumenta a pressão na v. porta, causando sua dilatação. O sangue estagnado começa a refluir pelas vv. gástricas, pela v. mesentérica superior e inferior e pela v. esplênica. Esse quadro gera a sintomatologia da hipertensão portal. Se tenho, por ex., uma obstrução na v. mesentérica superior, há um aumento da pressão intraluminal dos vasos da mesentérica superior, o que leva ao aparecimento da ascite, quando esse líquido sai para a cavidade peritoneal. Se esse sangue regurgita para o baço, teremos um aumento gradativo deste, ou seja, uma esplenomegalia. A esplenomegalia pode gerar um aumento da função do órgão, chamado de hiperesplenismo. Com a hipertensão e interrupção da drenagem venosa na v. gástricaesquerda, temos um direcionamento do sangue para as vv. esofágicas inferiores. A dilatação dessas veias vai gerar as varizes esofágicas. Na v. mesentérica inferior (drena o sigmóide, cólon e reto), o efeito da hipertensão é visto na v. retal superior (tributária da v. mesentérica inferior). A v. retal superior fica sobrecarregada, dificultando a drenagem das veias retais inferiores. A dilatação dessas veias gera as varizes retais (hemorróidas) ANASTOMOSES PORTO-CAVA Além disso, na borda livre do ligamento falciforme do fígado estão alojadas as veias umbilicais, as quais estão obliteradas na fase adulta. Porém, com um aumento da pressão na veia porta há o preenchimento de tais vasos, com refluxo à cicatriz umbilical e parede abdominal, onde faz anastomose com as veias toracoepigástrica, epigástrica superficial e circunflexa superficial do ílio. Com isso, há o aparecimento de circulação colateral do tipo porta. Página 36 de 38 Na imagem acima é possível observar a localização das veias umbilicais, além da “cabeça de medusa” presente em alguns casos de circulação colateral do tipo porta. Já na imagem abaixo, vemos a aparência de tal circulação colateral no paciente: Além disso, pela hipertensão portal há aumento da pressão nas vênulas do intestino delgado, gerando fuga de líquido para o espaço intersticial, o que levará à ASCITE. A hipertensão portal também pode levar à VARIZES ESOFÁGICAS, possibilitando o sangramento e até hemorragia digestiva alta. Nas imagens abaixo é possível ver a mucosa esofagiana obtida por imagem endoscópica e a dissecação de um cadáver com a presença de tais varizes. Por último, as veias lombares entram em anastomose com algumas veias (não se sabe ainda quais são) com ramos intestinais, ajudando na drenagem do peritônio. Página 37 de 38 DRENAGEM LINFÁTICA Em todo o abdome, principalmente no contorno dos principais vasos encontram-se grandes grupamentos de linfonodos que realizam a drenagem linfática da região e desembocam em uma dilatação localizada ao lado do tronco celíaco, denominada cisterna do quilo. Essa dilatação recebe toda a drenagem linfática do abdome, pelve e membros inferiores, de modo que segue superiormente como ducto torácico, atravessando o hiato aórtico. Nas imagens abaixo, a cisterna do quilo foi destacada em vermelho e o ducto torácico, em azul. Vale ressaltar que esses grupamentos estão presentes em todo o abdome, juntamente aos vasos e órgãos e são de grande importância em cirurgias oncológicas, pois, podem ser sítio de metástase. Além disso, em caso de ressecção oncológica, faz-se necessário a retirada do órgão juntamente com o grupamento de linfonodos. Na imagem abaixo é possível observar que um tumor no cólon, por exemplo, pode levar à metástase, por meio dos linfonodos, ao peritônio, possibilitando a carcinomatose peritoneal. Página 38 de 38