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O planejamento e o desenho da paisagem Apresentação Você sabia que o arquiteto, além de desenvolver o projeto arquitetônico, pode atuar no planejamento urbano e paisagístico das cidades, na restauração e na preservação de prédios tombados? O arquiteto atua no planejamento e no desenho da paisagem como um todo. A paisagem é formada por um conjunto de elementos que contemplam a arquitetura urbana, espaços para vegetação, edificações existentes, construções de apoio, monumentos, entre outros. O projeto paisagístico pode ser denominado pela expressão "desenho da paisagem". Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender as soluções, as funções de ambientes, os dimensionamentos e as normas em relação a esse espaço, que pode ser aberto ao tempo ou fechado, evidenciando a inclusão. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o desenho da paisagem e sua relação com o planejamento urbano.• Explicar as etapas da elaboração do projeto paisagístico.• Identificar o dimensionamento dos passeios e mobiliários urbanos na elaboração do projeto paisagístico. • Desafio Um projeto de arquitetura paisagística é desenvolvido de acordo com uma sequência de etapas, que são importantes para trazer mais solidez ao resultado do projeto. Essas etapas envolvem desde os levantamentos no local, o estabelecimento de premissas, seguindo pelas decisões de projeto e o desenvolvimento do projeto, até seu nível de detalhamento e execução. Nesse sentido, analise a seguinte situação: Você foi procurado por um grupo de empresários para desenvolver e acompanhar a execução da revitalização de uma área verde localizada no centro da cidade, uma região histórica com vários edifícios tombados, alguns totalmente recuperados. Para isso, será necessário realizar um levantamento de modo a coletar todas as informações necessárias sobre a área verde e os condicionantes existentes no local que podem influenciar as decisões de projeto. Diante desse cenário, responda as seguintes questões: a) Como você procederia ao fazer o seu levantamento de campo na área verde a ser revitalizada? Quais são os principais pontos a serem pesquisados e analisados para que o projeto de arquitetura paisagística seja realizado, considerando todas as premissas da área verde e dos condicionantes do local? b) Em relação ao novo passeio a ser construído, que tipo de piso ou material seria adequado ao local? Infográfico A arquitetura paisagística é resultado de um processo projetual que se divide em uma série de etapas, complementares entre si. Cada fase tem um objetivo para colaborar na melhoria do projeto e é importante documentar as etapas para possíveis consultas posteriores. Neste Infográfico, você vai conferir as etapas para o desenvolvimento de um desenho de paisagem, considerando todo o processo envolvido, desde as etapas iniciais de levantamento de informações, passando pelas fases de conceito e desenvolvimento de projeto, até a entrega final da obra. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/f795d397-650e-4c4e-af52-47633b3f7031/2af1648c-3353-430c-bb96-e95c1f37a471.png Conteúdo do livro Ao planejar o ambiente urbano, é preciso pensar o desenho da paisagem, pois não há como pensar as cidades sem discutir o papel dos espaços verdes na estrutura urbana e na qualidade de vida de seus residentes. Para projetar os espaços livres, seja na escala do edifício ou da escala da cidade, é preciso ter conhecimento a respeito da área de intervenção e, para isso, são desenvolvidas etapas para que o projeto paisagístico ofereça uma solução adequada em termos estético-ambientais a partir do dimensionamento de passeios e mobiliários urbanos. No capítulo O planejamento e o desenho da paisagem, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai ver a identificação do desenho da paisagem e sua relação com o planejamento urbano, bem como as etapas da elaboração do projeto paisagístico, e o dimensionamento dos passeios e mobiliários urbanos na elaboração do projeto paisagístico. Boa leitura. PROJETO INTEGRADOR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Reconhecer o desenho da paisagem e sua relação com o planejamento urbano. > Explicar as etapas da elaboração do projeto paisagístico. > Identificar o dimensionamento dos passeios e mobiliários urbanos na elaboração do projeto paisagístico. Introdução As áreas verdes cumprem papéis importantes nas cidades e, por isso, ele- mentos como vegetação, mobiliário urbano e passeios devem ser projetados de forma harmônica e dimensionados de acordo com as atividades e usos de seus usuários. Vemos que o desenho da paisagem se relaciona diretamente com o planejamento urbano, nos âmbitos cultural, estético e funcional, pois os espaços verdes são fundamentais para assegurar à população local interações sociais, recreação e momentos de lazer, além de atuarem potencialmente na resolução de questões ambientais do meio urbano. Neste capítulo, você vai estudar o desenho da paisagem e sua relação com o planejamento urbano, assim como as etapas da elaboração do projeto paisagístico, além do dimensionamento dos passeios e mobiliários urbanos na elaboração desse tipo de projeto. Planejamento e desenho da paisagem Jana Cândida Castro dos Santos O planejamento e o desenho urbano O planejamento urbano pode ser entendido como um processo de elaboração de soluções que visam a urbanização de uma determinada região ou a melhoria de um espaço urbano existente. Enquanto disciplina e campo de atuação, o planejamento urbano trata dos processos de produção, estruturação e apro- priação do espaço urbano, em busca de medidas que assegurem a qualidade de vida de seus habitantes. Nesse sentido, lida com questões de mobilidade e redes viárias, segurança, equipamentos públicos, oportunidade de acesso e acesso a espaços verdes, condicionantes locais, como clima, topografia e suas particularidades, discutindo a própria interação com o meio ambiente natural (Ghisleni, 2022). Para planejar o meio urbano, portanto, é preciso lidar com os problemas atrelados à urbanização, tais como poluição, congestionamentos, desigual- dades sociais, vazios urbanos, falta de moradia, impactos ecológicos, etc. Ademais, no contexto atual, há urgência em se discutir o futuro das cidades e sua sustentabilidade e mobilidade frente às mudanças climáticas. As mu- danças climáticas têm sido cada vez mais discutidas, pois seus efeitos têm se mostrado visíveis tanto nos habitats naturais quanto nos ambientes urbanos (Florian, 2023). Vemos que, ao planejar o ambiente urbano, é preciso pensar o desenho da paisagem, pois não há como conceber as cidades sem “manejo, planejamento e recriação física da paisagem”, ressaltando a qualidade am- biental urbana, assim como a função preservativa do verde nessa estrutura (Niemeyer, 2019, p. 13). Na condição de uma atividade essencialmente multidisciplinar, o plane- jamento urbano conta com uma série de profissionais, incluindo sociólogos, historiadores, economistas, geógrafos, arquitetos, paisagistas e urbanistas, a pensar os espaços da cidade, e principalmente a trabalhar com a infraestrutura existente a partir de “ações compensatórias e mitigadoras de impactos am- bientais resultantes do processo de desenvolvimento humano, aproximando a abordagem projetual da de sustentabilidade ambiental” (Niemeyer, 2019, p. 13). Desse modo, o desenho da paisagem se relaciona diretamente com o planejamento urbano. Ainda de acordo com o Niemeyer (2019, p. 13): Sob o ponto de vista do planejamento ambiental, a atividade paisagística apresenta- -se cada vez mais como instrumento de conciliação das necessidades humanas com a natureza, traduzida em ambientes saudáveis, concebidos na medida dos interesses de uma sociedade que pretenda viver em harmonia com seu habitat. Planejamento e desenho da paisagem2Nota-se que é preciso pensar os espaços verdes no âmbito urbano, uma vez que a estrutura verde nas cidades tem impacto na manutenção de seu microclima, atuando na mitigação de efeitos de aumento de temperatura, além de apresentar relação direta com a melhoria da qualidade da vida cita- dina. Dentro do processo de planejamento urbano, os critérios e formas de intervenção dos espaços livres são estabelecidos a partir de planos diretores de manejo e proteção ambiental, bem como por políticas mais abrangentes de intervenção e preservação da paisagem, aliando as questões funcionais, estéticas e ambientais (Niemeyer, 2019). Definição de paisagem Para compreendermos o desenho da paisagem, precisamos antes discutir o que pode ser definido como paisagem. O termo se refere a um conjunto de elemen- tos morfológicos que combinam espaço físico e seres vivos, apresentando-se em constante mudança. Por isso mesmo, há uma grande variedade de paisa- gens sobre a crosta terrestre, com formas variadas de vida. O conceito ainda abarca uma forte ligação com a geografia, vinculando-se a conceitos como região, espaço, território e lugar, imbuído de valores sociais (Niemeyer, 2019). Etimologicamente, o termo paisagem provém do francês paysage e do italiano paesaggi, definindo o complexo dos elementos bióticos (relações ecológicas de um ecossistema) ou abióticos (relações não ecológicas, mas que atuam em um ecossistema como luz, calor, temperatura, água, etc.) que compõem e configuram um lugar determinado e que estão em constante transformação pela própria natureza ou pela ação do ser humano (ação antrópica) (Niemeyer, 2019). Destaca-se que o conceito de paisagem, para além dos aspectos morfoló- gicos, também está ligado às questões culturais, visto que as transformações das paisagens naturais pelos interesses humanos se dão com linguagens esté- ticas e simbolismos próprios. Assim, podemos compreender a paisagem como uma estrutura complexa, que varia no tempo e no espaço (Niemeyer, 2019). Planejamento e desenho da paisagem 3 Desenho sustentável Para discutir as questões ambientais e climáticas em relação ao meio ur- bano e sobretudo pensar em cidades mais sustentáveis, é preciso pensar em um desenho urbano que dê respostas eficazes para o desenho das ruas e passeios, para a hierarquia viária e para fluxos dentro da cidade, ou seja, um desenho que seja pautado por “traços sustentáveis, como compacidade, conectividade e permeabilidade ao pedestre” (Ching; Shapiro, 2017, p. 39). De acordo com Gondim (2006), o desenho sustentável está associado a alguns requisitos básicos, entre os quais se destacam: � Acessibilidade — a cidade deve assegurar percursos que priorizem as bicicletas e pedestres interligando diferentes bairros, escolas, centros comerciais e de serviços, áreas de lazer e terminais de transporte. A segurança e o conforto para os usuários são fatores significativos e determinantes para estimular o hábito do caminhar ou pedalar no meio urbano. � Negociabilidade — normalmente, o sistema de circulação para pedestres e ciclistas segue paralelo ao de veículos, mas a sobreposição entre ambos acaba resultando numa série de conflitos, entre ele as inter- rupções do trajeto. Para haver fluxo adequado de pedestres e ciclistas, é preciso garantir a continuidade dos percursos e sua prioridade na negociabilidade com o tráfego nas vias. � Eficiência de percurso — para um desenho sustentável, é preciso as- segurar a eficiência dos percursos dos ciclistas e pedestres, que apre- sentam maior maleabilidade em relação aos demais modais. Assim, os obstáculos devem ser retirados e os conflitos resolvidos para ganho de segurança e conforto ao se percorrer a cidade a pé ou de bicicleta. � Segurança — a falta de segurança pública está entre os principais aspectos que mais restringem o percurso dos ciclistas e pedestres. Para que isso seja solucionado, é preciso que os pontos de risco e cruzamentos sejam trabalhados com sinalização reforçada e a rede de circulação de pedestres e ciclistas tenha prioridade nas rondas policiais. � Conforto ambiental — a arborização urbana colabora para a qualidade da paisagem e para o conforto ambiental das ruas, já que traz benefícios para a cidade, em particular para pedestres e ciclistas. A arborização ajuda a reduzir a insolação direta, a velocidade dos ventos, a poluição atmosférica e a poluição sonora, garantindo assim melhorias à saúde física e mental para a população. Planejamento e desenho da paisagem4 � Amenidades — assegurar boas condições de pavimentação, arbori- zação e iluminação dos percursos é fundamental para estimular as caminhadas e o ciclismo na cidade. A colocação de mobiliário urbano e o plantio de árvores ao longo das vias de forma adequada podem contribuir para um tornar os percursos mais atrativos e agradáveis para os habitantes, conforme ilustrado na Figura 1, a seguir. Figura 1. Requalificação urbana da Praça Marechal Deodoro, em Salvador (BA) — projeto Sotero Arquitetos. Fonte: Mascarenhas et al. (2018). Hierarquia viária O desenho das vias tem um impacto relevante na qualidade urbana, pois influencia diretamente “a segurança, o conforto, a atratividade e a opera- cionalidade dos meios de transporte” (Gondim, 2006, p. 28), estimulando ou restringindo a circulação de pedestres e ciclistas no cotidiano. Tanto a padronização das pavimentações quanto a colocação de arborização e mobiliários urbanos beneficiam a paisagem das ruas e a operação dos meios de transporte. As vias urbanas seguem uma hierarquia de acordo com suas funções principais e usos, como vemos na Figura 2, sendo classificadas como principais, secundárias ou locais, ou em expressas, arteriais, coletoras e locais. Planejamento e desenho da paisagem 5 Figura 2. Manual de desenho de ruas do recife, com diretrizes inclusivas e sustentáveis. Fonte: ArchDaily Team (2023a). As vias locais apresentam um caráter basicamente circunscrito, com es- paços para a circulação dos pedestres separados de veículos motorizados, com velocidade baixa, por volta de 30 km/h. As vias locais são voltadas prin- cipalmente para os pedestres, ciclistas e automóveis, exceto ônibus. As vias coletoras, por sua vez, configuram as principais ligações entre vias arteriais e de conexão nos bairros, não sendo voltadas nem totalmente para o tráfego nem totalmente para as pessoas. Servem para o tráfego de passagem e local, com a presença de itinerários de ônibus e presença de comércios e serviços. Já as vias arteriais são voltadas para um tráfego mais pesado, com presença de automóveis, ônibus, caminhões. Por serem vias de passagem, atravessando diferentes bairros, tendem a atrair muitos estabelecimentos de comércio, serviços e pessoas. Por fim, as vias expressas proporcionam um tráfego com velocidades mais altas, sem controle semafórico e geralmente como duplo sentido, separado por canteiros centrais (Gondim, 2006). As vias são constituídas por diversos elementos com funções distintas — calçadas, estacionamentos, pistas de rolamento, canteiros centrais e ilhas, ciclovias, etc. — que juntos devem se adequar aos usos e especificidades de cada modal de transporte predominante. A composição e as dimensões adequadas das vias têm influência sobre sua fluidez, conforto e segurança no fluxo dos modais. Planejamento e desenho da paisagem6 Etapas do projeto paisagístico Para trabalhar os espaços livres em qualquer escala, seja a dos edifícios ou a escala da cidade, é preciso ter conhecimento a respeito da área de inter- venção. Para isso, é preciso cumprir algumas etapas para que o projeto de paisagismo ofereça uma solução adequada em termos estético-ambientais. Levantamentos preliminares: o inventário Na etapa inicial do projeto paisagístico, precisamos reunir o máximo de informações sobre a área de intervenção, sendo então aconselhável a visita até o local. Isso é indicado para que o levantamento das características do espaço seja realizado a partirde uma avaliação mais sensível, em que devem ser considerados os horizontes e visuais mais expressivos, indicando as po- tencialidades do lugar. Nesta etapa, são desenvolvidas em geral as seguintes peças gráficas, de acordo com Niemeyer (2019): � Levantamento planialtimétrico e cadastral do espaço de intervenção, com um inventário de todos os elementos existentes (afloramentos rochosos, cursos d’água, vegetação existente, curva de nível, forma das montanhas, edificações existentes, etc.). Pode ser necessário, a depender da escala envolvida, analisar sua fisiologia topográfica com gradiente de declividade do terreno. � Particularidades da paisagem, tendo em vista os enquadramentos previstos. � Mapeamento das sombras, quando limitado por edificações circunvizinhas. � Restrições legais dos órgãos públicos. � Análise do solo em laboratório (granulométrica, fertilidade, pH) para fins de reconhecimento do substrato e posterior plantio do compo- nente vegetal. � Condições climáticas e zoológicas (no caso de intervenção em áreas naturais), como: temperatura média, regime de chuvas, direção dos ventos dominantes, nevoeiros, presença de fauna, etc. Planejamento e desenho da paisagem 7 � Programa de necessidades (desejos e expectativas do cliente/ usuário). Quando se trata de área públicas, é necessário consultar a população residente, com objetivo de levantar a necessidade de equipamentos de esporte e lazer (quadras esportivas, playgrounds, etc.). � Estudos de potencialidade do espaço e possíveis impactos ambientais envolvidos. Estudo funcional O estudo funcional tem como objetivo interpretar os dados recolhidos no diagnóstico preliminar e a proposição de diretrizes para o projeto de paisa- gismo, sendo então esboçadas as propostas iniciais (planos de massas). Esse estudo consiste em desenvolver um “zoneamento que discrimine as diferentes funções presentes no espaço de intervenção e seus inter-relacionamentos” (Niemeyer, 2019, p. 60). Há diferenças que devem ser levadas em conta em relação aos tipos de espaços livres. Quando contíguos às edificações, por exemplo, é preciso verificar o posicionamento das aberturas, assim como o dos acessos, dos espaços de serviços e privativos, entre outros elementos. Por sua vez, as áreas livres públicas requerem um estudo voltado para as potencialidades do lugar e sua vocação. Nesse sentido, a densidade do setor urbano é significativa para o dimensionamento adequado de equipamentos e mobiliários urbanos nas áreas de intervenção, tais como praças e parques. Nesta etapa, é importante mapear as massas vegetadas e as condições do entorno. Plano de massas O plano de massas (Figura 3), também conhecido como estudo preliminar, é marcado pela estruturação do espaço a partir dos usos e vocações pre- viamente definidos para o local da intervenção. Nesta etapa, que sucede o diagnóstico da paisagem e o estudo funcional, os volumes e planos vão aos poucos estruturando o projeto, com base na capacidade imaginativa do profissional. Aqui deve ser pensada a compatibilização “[...] dos espaços internos com os externos, aproveitamento de vistas, pontos focais, acessos de pedestres e veículos, recintos de permanência, localização dos equipamentos de lazer (ativo e passivo), volumetria vegetal básica”, o que permite esboçar a organização geral do espaço (Niemeyer, 2019, p. 60). Perspectivas simples e planos básicos de manejo do espaço são expressões gráficas utilizadas Planejamento e desenho da paisagem8 nesta etapa para o amadurecimento das ideias, antes de dar início à etapa de anteprojeto, como veremos adiante. Figura 3. Exemplo de plano de massas, etapa que configura os primeiros estudos de organi- zação espacial e de seus enquadramentos. Fonte: Niemeyer (2019, p. 60). Anteprojeto O anteprojeto compreende a primeira definição do projeto paisagístico, ou seja, é uma etapa em que mostramos uma compreensão mais clara da proposta projetual. A partir da aprovação dos estudos anteriores pelo solicitante, no anteprojeto começam a ser detalhadas as soluções imaginadas, com um nível gráfico mais aprofundado. São apresentados “memoriais básicos que constam de fluxogramas e outros diagramas, perspectivas mais bem definidas, maquete física e/ou eletrônica, plantas baixas, vistas e seções, pré-dimensionamentos de revestimentos e equipamentos” (Niemeyer, 2019, p. 61). Nesta etapa, também são apresentadas a topografia final, especificações básicas da massa vegetal, sistemas de irrigação e de drenagem, além do luminotécnico, definindo-se então os volumes vegetais e mobiliários. Neste anteprojeto de paisagismo (Figura 4), nota-se que as diferentes massas vegetais são apontadas tanto por representações gráficas diferentes quanto por legenda, sendo utilizadas diferentes hachuras para representar os tipos de piso, além da representação para o espaço edificado versus espaços livres. Planejamento e desenho da paisagem 9 Figura 4. Exemplo de anteprojeto de paisagismo. Fonte: Niemeyer (2019, p. 61). Projeto executivo O projeto executivo tem início após a aprovação do anteprojeto, pois nele são detalhados graficamente os elementos definidos e as especificações vegetais incorporadas ao projeto paisagístico, de modo a permitir sua adequada leitura. Esta etapa é compreendida por peças gráficas mais detalhadas e informações necessárias para sua execução. De acordo com Niemeyer (2019), nesta etapa é apresentado o seguinte escopo gráfico e documental: � plantas baixas de implantação topográfica e vegetal; � perspectivas definitivas; � detalhamento civil (relativo à paginação de pisos e paredes, elementos arquitetônicos, hidráulica, drenagem, elétrica, luminotécnica e outros); � planilha orçamentária, memoriais de implantação e justificativa; � composição paisagística da área global contendo locação definitiva do componente vegetal; � listagem qualitativa e quantitativa das espécies vegetais com indicação de portes mínimos de plantio e espaçamentos previstos; � especificações gerais para preparo do solo, plantio e manutenção das áreas ajardinadas; Planejamento e desenho da paisagem10 � indicação e detalhamento de todos os elementos construtivos e deco- rativos relacionados ao paisagismo (movimentos de terra e modelagem do terreno, paginações e discriminação de pavimentos, iluminação, drenagem etc.). Vemos que no projeto executivo são definidos e detalhados graficamente os elementos a configurar o desenho da paisagem, incluindo planos e volumes vegetais, espaços de passagem e permanência, visuais e pontos focais, além das especificações de materiais e mobiliário urbano. No projeto executivo de paisagismo, a paginação apresenta uma geometria complexa, a partir de formas orgânicas. Nesse caso, a planta de paginação, a exemplo daquela exibida na Figura 5, apresenta modu- lação axial cotada, de modo a facilitar sua execução. A planta de paginação, de modo geral, deve “conter uma simbologia que represente, por meio de texturas e cromatismos, os diversos tipos de pavimentos a ela associados” (Niemeyer, 2019, p. 62). Além disso, as perspectivas ilustrativas podem ser utilizadas como um suporte à compreensão da proposta de forma mais clara. Figura 5. Projeto executivo de paisagismo — exemplo de paginação adotando um desenho orgânico em pedra portuguesa em cores distintas. O desenho apresenta o recurso da mo- dulação axial para construir as formas curvilíneas. Fonte: Niemeyer (2019, p. 62). Planejamento e desenho da paisagem 11 As diferentes etapas do projeto paisagístico buscam assegurar que ao longo do percurso projetual sejam definidas soluções adequadas para as necessidades dos usuários, quer se destine a espaços públicos ou privados. A partir da sequência apresentada, é possível identificar as características do lugar, reconhecendo as potencialidades e especificidades ao seu redor. Ao final do processo, temos peças gráficas fundamentais para a execução do projeto. Passeios e mobiliáriosurbanos A leitura das cidades pode ser feita a partir de seus espaços públicos, que têm o componente vegetal como um suporte para os valores mais significativos na composição paisagística e nítido reflexo sobre a qualidade ambiental urbana. Assim, o projeto de paisagismo deve considerar como principal usuário a população que habita que o local da intervenção, sendo preciso atender as necessidades específicas deste grupo social, adequando a ele a linguagem de projeto e a escala de intervenção. No processo projetual, para que se estabe- leça uma relação aproximada entre o projeto e seus usuários, é importante, de acordo com Niemeyer (2019), que sejam considerados os seguintes aspectos: � promover resgate da “história” do local, valorizando seus signos ou representações; � alcançar o máximo de fruição no desenho, com uma expressividade artística sensível; � assegurar acessibilidade a todos os usuários do espaço — incluindo usuários com mobilidade reduzida, deficientes e idosos — e segurança à localização de playgrounds, além de conciliar atividades conflitantes (carro versus pedestre); � incluir mobiliários adequados aos diferentes usos, em condições que os abriguem do Sol e dos ventos; � incorporar elementos que possam ser valorizados por grupos específi- cos, como esculturas, brinquedos alternativos e áreas de permanência; � identificar sua tipologia de uso (seja uma área comercial, residencial, industrial, etc.), para não incorrer em super ou subdimensionamentos; � adotar padrões urbanos adequados (largura de calçada, taxa de ocu- pação, acessibilidade, etc.) e promover qualidades funcionais, formais e ambientais; � aproveitar os fatores naturais existentes, como água, vegetação, to- pografia e paisagens; Planejamento e desenho da paisagem12 � valorizar a vegetação, pensando numa proposta de promoção do verde urbano e de conforto climático, com predomínio de espécies vegetais nativas da região, de forma a garantir a continuidade da paisagem e a propagação das espécies; � dar preferência a soluções estruturais simples e funcionais, para evitar recantos perigosos e inseguros, tendo em mente que em áreas livres públicas o fator orçamentário e cronograma de execução têm grande relevância; � valer-se do potencial arquitetônico de componente vegetal, com atenção a elementos como forma, cor, textura e porte das espécies catalogadas, propondo pontos focais em que a vegetação valorize a paisagem urbana. Vemos que, para projetar espaços livres urbanos e intervir em áreas públi- cas, é preciso considerar vários aspectos, sejam eles de ordem morfológica (espécies vegetais, cores, formas e texturas, planos e volumes), de ordem funcional (mobiliários e equipamentos) ou mesmo de ordem cultural (ao resgatar as vocações e história do lugar). Nesse processo, devem ser orques- trados todos esses aspectos para se alcançar o êxito do projeto paisagístico. Em relação ao mobiliário urbano a ser proposto, é recomendável pensar em aspectos que não ameacem a segurança de seus usuários, evitando formas perigosas e/ou agressivas; projetar a partir da ergonomia, para que o mobi- liário seja confortável para as atividades e suas medidas sejam adequadas para a faixa etária a qual se destina; contemplar cores, materiais e texturas diferenciados, que assegurem interação de forma significativa com o meio e que possibilitem o uso concomitante de duas ou mais pessoas; aproveitar as características do terreno (desníveis ou ondulações); e também considerar os custos para sua implantação e manutenção, buscando materiais mais duráveis e resistentes (Niemeyer, 2019). Nesse sentido, o mobiliário urbano tem grande relevância, pois é res- ponsável pela qualificação dos passeios, transformando-os em lugares mais aprazíveis, como vemos na Figura 6. Desse modo, o dimensionamento dos passeios deve assegurar um espaço adequado para a circulação de pedestres e ciclistas, além de espaço para a colocação do mobiliário urbano e arbori- zação, e considerar uma distância apropriada em relação às edificações e à pista de veículos (Gondim, 2006). Planejamento e desenho da paisagem 13 Figura 6. Exemplo de calçada com mobiliário urbano — projeto Zoom Urbanismo Arquitetura e Design + Lao Engenharia & Design. Fonte: Martino (2022). Assim, entendendo que as áreas verdes cumprem uma série de papéis nas cidades, elementos tais como vegetação, mobiliário urbano e passeios devem ser projetados de forma harmônica e dimensionados de acordo com seus usos, como vemos na Figura 7. Os espaços verdes podem configurar um local para as interações sociais e para recreação e momentos de lazer. Também podem prover habitat natural para a vida selvagem e assegurar o aumento da biodiversidade nas cidades, onde a vegetação também ajuda a reduzir ruídos e atua como filtro da poluição, além de auxiliar no gerenciamento das águas pluviais e na regulação da temperatura no meio urbano (Florian, 2022). Planejamento e desenho da paisagem14 Figura 7. Parque linear elevado Hyperlane, em Chengdu, China — projeto Aspect Studios. Fonte: Florian (2022). Ressalta-se que no projeto paisagístico deve ser pensado um dimensiona- mento adequado para as calçadas e ruas urbanas. Afinal, além de conferirem acessibilidade, elas desempenham um papel estratégico para os fluxos de pedestres e carros. Além dessa funcionalidade, os passeios urbanos podem assegurar qualidade e conforto térmico a seus usuários, a partir da sua lar- gura e orientação (pensando na exposição solar e edifícios circundantes), devido a sombreamento e ventilação natural, desempenhando assim um papel fundamental para o microclima urbano. A vegetação arbórea pode ser uma grande aliada para a configuração de passeios atrativos para seus usuários, como pode ser observado na Figura 8. Planejamento e desenho da paisagem 15 Figura 8. Redefinição do Distrito Histórico do Pagode do Pequeno Ganso Selvagem, em Xianyang, China — projeto AECOM. Fonte: Florian (2022). Um exemplo clássico que temos de passeio no Brasil é o calçadão de Copacabana, um dos maiores símbolos cariocas, marco na paisagem do Rio de Janeiro. O calçamento foi inaugurado em 1905, ao longo da Avenida Atlântica, pelo então prefeito Pereira Passos, com o intuito de modernizar a capital, além de prestar uma homenagem à herança cultural dos colonizadores por- tugueses. As pedras presentes no calçadão foram importadas de Portugal, visto que o material necessário para a execução do calçamento ainda não estava disponível em território nacional. Já na década de 1970, a partir do alargamento da Avenida Atlântica, o calçadão de Copacabana passou por uma reforma completa, assinada pelo paisagista Roberto Burle Marx. A nova paginação criada tornou-se o "maior exemplo de obra de arte aplicada existente no mundo", de acordo com o seu tombamento cedido pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural. Destaca- -se ainda que: Planejamento e desenho da paisagem16 Foi nesta intervenção que as ondas ganharam o sentido atual e deixaram de ser perpendiculares ao comprimento da calçada, se tornando paralelas ao mar. Burle Marx também modificou o desenho original, ao alongar suas curvas e integrá-lo a um conjunto gráfico mais amplo — marcado pelo abstracionismo formal do autor —, que dialoga com o projeto paisagístico composto por árvores de grandes copas e palmeiras. Conformando, assim, um dos cenários turísticos mais emblemáticos do mundo (Archdaily Team, 2023b). Nesse calçamento, vemos diferentes elementos a compor seu potencial turístico, a partir da combinação da paginação de piso, a presença das pedras portuguesas e vegetação arbórea, que juntos dialogam com as vocações do lugar e da paisagem carioca, conforme ilustrado na Figura 9. Figura 9. Calçadão de Copacabana, Rio de Janeiro (RJ). Fonte: Archdaily Team (2023b). Um exemplo internacional é a remodelação da zona recreativa junto ao Lago Paprocany, em Tychy, na Polônia (Figura 10). Seu projeto de intervenção buscouexplorar os valores da paisagem e a expansão da oferta recreativa para os residentes da cidade. A remodelação contou com o uso de madeira no passeio, combinando vegetações arbóreas e áreas gramadas com áreas de bicicletários, equipamentos de esporte e recreação, em zonas abertas e Planejamento e desenho da paisagem 17 mobiliário urbano. Após a reforma, o passeio se tornou rapidamente um local bastante frequentado por diferentes públicos, a depender dos turnos do dia. Figura 10. Reurbanização da orla do Lago Paprocany, em Tychy, Polônia — projeto RS+. Fonte: Reurbanização [...] (2014). Esse projeto, que se configura a partir de um desenho sinuoso e linhas orgânicas, permite que a paisagem à beira lago seja contemplada de dife- rentes perspectivas. Segundo os autores da intervenção, “neste passeio há uma abertura com uma rede esticada sobre a água e bancos concebidos especialmente para o local, que podem ser usados como arquibancadas para as competições desportivas de água, organizadas no lago” (Reurbanização [...], 2014). Pelos exemplos citados, nota-se que a relação entre o projeto paisagístico e de intervenção com cada lugar, com sua vocação e seus aspectos visuais é fundamental para que o seu desenho seja adequado ao uso e permanência de seus usuários. Para projetar espaços livres nas cidades, é preciso pensar e analisar diferentes aspectos do projeto, sejam eles funcionais, culturais ou ambientais, aliando qualidade estética ao pertencimento local. Planejamento e desenho da paisagem18 Referências ARCHDAILY TEAM. A história do calçadão de Copacabana: da origem portuguesa ao Burle Marx. ArchDaily Brasil, 5 jun. 2023b. Disponível em: https://www.archdaily.com. br/br/1000106/a-historia-do-calcadao-de-copacabana-da-origem-portuguesa-ao- -burle-marx. Acesso em: 24 ago. 2023. ARCHDAILY TEAM. Manual de desenho de ruas do Recife: diretrizes inclusivas e susten- táveis para todos. ArchDaily Brasil, 18 jun. 2023a. Disponível em: https://www.archdaily. com.br/br/1001880/manual-de-desenho-de-ruas-do-recife-diretrizes-inclusivas-e- -sustentaveis-para-todos. Acesso em: 24 ago. 2023. CHING, F. D. K.; SHAPIRO, I. M. Edificações sustentáveis ilustradas. Porto Alegre: Book- man, 2017. FLORIAN, M.-C. Áreas verdes estratégicas: como aproveitar ao máximo seus efeitos de resfriamento. ArchDaily Brasil, 20 ago. 2022. Disponível em: https://www.archdaily.com. br/br/986308/areas-verdes-estrategicas-como-aproveitar-ao-maximo-seus-efeitos- -de-resfriamento. Acesso em: 24 ago. 2023. FLORIAN, M.-C. Arquitetura e planejamento urbano podem combater as mudanças climáticas?. ArchDaily Brasil, 15 jan. 2023. Disponível em: https://www.archdaily.com. br/br/993900/arquitetura-e-planejamento-urbano-podem-combater-as-mudancas- -climaticas. Acesso em: 24 ago. 2023. GHISLENI, C. O que é planejamento urbano?. ArchDaily Brasil, 19 maio 2022. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/982184/o-que-e-planejamento-urbano. 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Criando paisagens: guia de arquitetura paisagística. São Paulo: SENAC, 2010. BRODKA, C. Por que o paisagismo é mais importante hoje do que nunca. ArchDaily Brasil, 12 ago. 2023. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/1004260/por- -que-o-paisagismo-e-mais-importante-hoje-do-que-nunca. Acesso em: 16 ago. 2023. Planejamento e desenho da paisagem 19 Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os edito- res declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Planejamento e desenho da paisagem20 Dica do professor Alguns projetos de arquitetura paisagística acabam por se tornar pontos turísticos de enorme importância para as cidades, sendo reconhecidos pela sua identidade formal. Esses projetos demonstram como a arquitetura paisagística tem relação direta com o planejamento urbano e como uma obra de qualidade contribui para a vivência da cidade. Você já ouviu falar sobre o Parque Güell? É um clássico da arquitetura conhecido mundialmente. Uma obra de Antoni Gaudí, em Barcelona, o parque é um exemplo de projeto paisagístico que respeita e se integra à natureza. Com sua tamanha importância, tornou-se uma referência turística na cidade. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer os elementos paisagísticos, arquitetônicos e artísticos que o compõem e a forma que foi projetado, resultando em uma sólida integração com os elementos urbanos onde está inserido. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/836e2a02c21551dc94e4c1abb9a0a4c5 Exercícios 1) A elaboração de um projeto de arquitetura paisagística segue etapas distintas, cada uma com seus procedimentos específicos. A fase inicial abrange o contato com o cliente e a percepção dos seus anseios e das suas necessidades. Nessa fase, também é realizada a familiarização com o ambiente a ser trabalhado. Assinale a alternativa que corresponde a um dos procedimentos da fase inicial do projeto de paisagismo. A) Maturação do projeto. B) Detalhamentos executivos. C) Avaliação do tipo de solo e recursos hídricos. D) Orçamento do projeto. E) Plantio das espécies vegetais. 2) As etapas de desenvolvimento de um projeto são fundamentais para a garantia de sucesso deste. Uma etapa é complementar à outra e algumas se interligam. A síntese, uma etapa no desenvolvimento do projeto de arquitetura paisagística, é caracterizada por: A) ser um resumo de toda a pesquisa de campo realizada, seja in loco ou não. B) ser uma conclusão sobre a relação entre a vegetação e o tipo de solo encontrado no local. C) ser um processo que reúne o conceito, o programa de necessidades e o detalhamento do projeto. D) ser um processo em que as informações adquiridas são organizadas e catalogadas. E) ser um processo que reúne o conceito, o programa de necessidades e a análise. Os projetos de arquitetura paisagística nem sempre são elaborados isoladamente. Eles podem estar associados a outros projetos ou ser feitos com a participação de profissionais de outras áreas. 3) Sobre essa relação, assinale a alternativa correta. A) A arquitetura, o urbanismo e o paisagismo são áreas completamente diferentes da arquitetura. B) Apenas os projetos de arquitetura e urbanismo mantêm uma relação, pois podem ser desenvolvidos pelo mesmo profissional. Já os projetos de paisagismo devem ser desenvolvidos à parte por outro profissional especializado. C) Os projetos de arquitetura e paisagismo mantêm um vínculo. Já os projetos de urbanismo são elaborados à parte pelos órgãos municipais. D) Conforme o projeto, engenharia, arquitetura, urbanismo, paisagismo e outras áreas relacionam-se entre si, baseando-se no programa de necessidades da edificaçãodo local ou da região a ser trabalhada. E) Apenas os projetos de urbanismo e paisagismo, por serem áreas abertas e públicas, se relacionam. 4) Na elaboração do projeto de paisagismo, devemos nos atentar à ocupação da área após a conclusão da execução do projeto. Durante o desenvolvimento do projeto, o espaço deve ser voltado para a qualidade de vida dos futuros usuários do local e dos moradores ou trabalhadores da vizinhança. Além dos espaços de diversão, repouso e contemplação do local, deve-se garantir que ele possa ser utilizado por todos, sem distinção. Nesse sentido, o passeio, as calçadas ou a circulação dos pedestres devem ser pensados de maneira inclusiva. Em relação a isso, marque a alternativa correta. A) Nos passeios ou na circulação em geral, o mobiliário urbano deve estar localizado junto a uma rota acessível e fora da faixa livre, local destinado à circulação de pedestres. B) Quando houver sinalização no passeio, ela deve estar em local visível não importando a sua localização, desde que esteja elevada do piso a 1,50m. C) É recomendado que a circulação externa no geral, incluindo as calçadas, deva ser feita de material não reflexivo e antiderrapante e que a inclinação, quando ocorrer, seja de 6%. D) Os jardins nas calçadas devem estar localizados contíguos às edificações. E) As calçadas e as rotas acessíveis são obrigatórias apenas no centro da cidade. 5) O arquiteto paisagista tem um relacionamento íntimo com a vegetação, pois esta faz parte do contexto da arquitetura paisagística, sendo um elemento fundamental em sua composição. Para o arquiteto, durante o processo de reconhecimento da vegetação de um local ou de seleção da vegetação a ser utilizada, é mais importante: A) saber quais plantas são adequadas para determinado local, clima e terreno. B) saber o tipo de flor que a planta produz. C) ter a visão de como essa vegetação ficará na maturação. D) saber o sentido (orientação direcional) do crescimento da vegetação. E) saber o tipo de raiz dessa vegetação. Algumas podem crescer no sentido horizontal, e outras, no sentido vertical. Na prática É possível acompanhar o impacto da urbanidade e da presença de parques urbanos ao analisar situações atuais nas cidades do mundo. Apesar das discussões a respeito de sustentabilidade global e de as relações entre os espaços verdes e o clima serem atuais, temos exemplos de cidades que passaram por essas reflexões ainda em outros séculos. Os questionamentos não surgiam com as informações e métricas atuais. Entretanto, alguns urbanistas já avaliavam as relações entre a extensa urbanização e o impacto da falta de parques urbanos na realidade das cidades. Confira, Na Prática, um caso real sobre o impacto das áreas verdes no planejamento e na dinâmica de uma cidade altamente urbanizada. Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Parque Battery Playscape O projeto do parque Battery Playscape é um exemplo de arquitetura paisagística que envolveu diversas propostas em conjunto, de vegetação, pavimentação, espaços de lazer, recreação para crianças, entre outros. Neste artigo, você vai conferir as soluções encontradas neste projeto, que tem um programa urbano bem completo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Por que o paisagismo é mais importante hoje do que nunca? Com as discussões sobre as relações entre o clima global e a urbanização das cidades, o paisagismo tornou-se um assunto de extrema importância na atualidade. Neste artigo, você vai conferir reflexões sobre o que têm gerado essas discussões, além da crescente pauta nos meios acadêmicos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia Neste livro, você vai conferir ideias de representação gráfica para os projetos de arquitetura e diversas aplicações em arquitetura paisagística. Confira, no segundo capítulo, páginas 22 a 33, orientações sobre tipos básicos de desenhos, com aplicações práticas de como realizar traçados nos projetos de paisagismo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! https://www.archdaily.com.br/br/1002316/parque-battery-playscape-bksk-architects-plus-starr-whitehouse-landscape-architects-and-planners https://www.archdaily.com.br/br/1004260/por-que-o-paisagismo-e-mais-importante-hoje-do-que-nunca?ad_campaign=normal-tag