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Fundamentos do Paisagismo Professora Mestre Nadyeska Copat Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação à Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Geovane Vinícius da Broi Maciel Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira 2022 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2022 Os autores Copyright C Edição 2022 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Per- mitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP C781f Copat, Nadyeska Fundamentos do paisagismo / Nadyeska Copat. Paranavaí: EduFatecie, 2022. 83 p. : il. Color. 1. Arquitetura paisagística. 2. Arquitetura. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD : 23 ed. 712 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333 Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Cândido Bertier Fortes, 2178, Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rodovia BR - 376, KM 102, nº 1000 - Chácara Jaraguá , Paranavaí, PR (44) 3045-9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. AUTOR Professora Me. Nadyeska Bruna Copat da Silva ● Mestre em Engenharia Urbana pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) ● Formada em Arquitetura e Urbanismo pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) ● Docente no curso de Arquitetura e Urbanismo – UniFamma. Tenho experiência tanto no ensino presencial, como no modelo EAD. Sou especialista na área de conforto ambiental, principalmente na parte acústica. Atuo como arquiteta por uma construtora na cidade de Maringá - PR, além dos projetos, acompanho as obras desenvolvidas pelos parceiros. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/5388560741994377 http://lattes.cnpq.br/5388560741994377 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Seja muito bem-vindo (a)! Prezado (a) aluno (a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, junto com você construir nosso conhecimento sobre os conceitos fundamentais sobre os elementos constituintes dos espaços livres urbanos e os processos que atuam sobre eles. Além de conhecer seus principais conceitos e definições vamos conhecer os principais projetos e o seu contexto histórico. Desta forma, depois de desenvolver um repertório com exemplos referenciais, será possível expressar as suas ideias graficamente. Na unidade I começaremos a nossa jornada pela conceituação de arquitetura paisagística e paisagismo, suas diferentes escalas e abordagens. A partir daí, identificar as áreas de atuação profissional, uma vez que cada escala demanda um perfil profissional diferente. Já na unidade II, vamos ampliar nossos repertórios de projetos de paisagismo bem sucedidos, que ficaram registrado na história. Assim como qualquer obra de arte, a compreensão do contexto histórico de cada localidade e essencial para a sua correta análise e interpretação. Veremos o paisagismo na antiguidade, no período clássico, no período romântico, além do paisagismo moderno e contemporâneo. Depois, na unidade III, veremos os chamados sistemas de espaços livres urbanos, verdadeiros panos de fundo da totalidade dos projetos paisagístico. Nele, incluem-se tanto os espaços particulares como os públicos. Assim, podermos incluir a compreensão da importância de termos como sustentabilidade e natureza. Finalmente, na unidade IV, estudaremos a vegetação como elemento paisagístico. Cada planta terá sua função no projeto, e alguns conhecimentos básicos de botânica, além da compreensão da sua nomenclatura científica, facilitarão a sua seleção e especificação. Aproveito para reforçar este convite a você, num momento em que o país e o mundo necessitam tanto de profissionais que dominem este campo profissional. Esperamos, desta forma, contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. Muito obrigado e bom estudo! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 3 Introdução à Arquitetura Paisagística UNIDADE II ................................................................................................... 23 Evolução Histórica do Paisagismo UNIDADE III .................................................................................................. 44 Criando Paisagens UNIDADE IV .................................................................................................. 62 Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo 3 Plano de Estudo: ● Conceituação de arquitetura paisagística; ● Espaços livres e lazer; ● Desenho universal e o paisagismo; ● Jardim universal: relação do desenho universal e o paisagismo Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a arquitetura paisagística; ● Compreender os tipos de paisagismo ao longo da história; ● Estabelecer a importância da atuação profissional nessa área. UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística Professora Mestre Nadyeska Copat 4UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística INTRODUÇÃO Ao longo do tempo, o paisagismo está presente como representante de riqueza e religiosidade de alguns povos. A palavra paisagismo vem derivada de paisagem. Além disso, podemos tratar esse assunto como uma área de conhecimento interdisciplinar, ou seja, baseia-se nas ciências naturais até exatas. O paisagismo trata da organização do espaço externo, buscando a harmonia entre as construções e a natureza. Está baseado em critérios estéticos e na relevância que assumem os elementos naturais, em especial a vegetação. Sendo assim, como podemos alinhar arquitetura com a organização de elementos naturais? Qual a importância de estudar esta área? Essas respostas serão apresentadas nesse módulo. Vamos nessa? 5UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 1. CONCEITUAÇÃO DE ARQUITETURA PAISAGÍSTICA Ao longo da sua evolução, a atividade humana sempre interferiu na natureza conforme a sua necessidade e interesse. Conforme esses interesses modificam, também transformam a forma de interferência nesse ambiente natural, sendo assim, a principal forma da construção de uma paisagem é o resultado de transformação da ação humana (CARLOS, 1992). Até o momento que o homem convive no ambiente natural sem gerar consequência, sua intervenção era “saudável”. A partir do momento em que o homem passa da posição de coletor, para a produção em larga escala dos alimentos, iniciou o processo de dominação. A partir da fase em que os povos deixam de ser nômades e cria-se os campos, teve a intensa exploração dos recursos naturais.Segundo Singer (1973) o campo pode ser definido como um local que o homem tem contato direto com a natureza. Agora, falando em cidade, esta surge quando a sociedade atinge o estágio de civilização. Para Carlos (1992, p. 38), “a paisagem não só é produto da história como também reproduz a história, a concepção que o homem tem e teve do morar, do habitar, do trabalhar, do comer e do beber, enfim, do viver”. No período da Revolução Industrial, modificou-se a relação do homem com a natureza, gerando assim, problemas ambientais. Ao atrair pessoas do campo para a cidade, houve o intenso crescimento demográfico, gerando o caos urbano, caracterizado principalmente pela poluição, falta de saneamento básico, entre outros. Em resumo, com o passar dos anos, cada vez mais houve a exploração da natureza e consequentemente a necessidade de preservá-la. 6UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística Já no século XIX, com a falta de condições mínimas de moradia, houve a chamada “Revolução do Urbanismo”. Buscou-se o retorno ao campo e aos espaços verdes para equilibrar com o crescimento econômico e os problemas associados à paisagem urbana. As primeiras cidades-jardins surgiram na Inglaterra, neste mesmo século. FIGURA 1 – CIDADE JARDIM DE LETCHWORTH O século XX marcou-se por surgimento de novas organizações urbanas. Com o crescimento urbano, principalmente dos Estados Unidos, criou o chamado “Novo Urbanismo” ou “Urbanismo Sustentável”. Em resumo, era uma saída para oferecer serviços e atividades necessárias as comunidades menores. Isso resultou em segregação social e espacial. Um exemplo que se pode citar no Brasil é o bairro residencial Alphaville, em São Paulo. Diversos condomínios fechados exercem o papel de uma cidade independente inserido dentro de uma cidade. Isso interfere na paisagem tanto urbana como a natural. Um dos exemplos a serem citados de uma paisagem urbana nociva à natural é o Aterro da Baia Norte em Florianópolis (Figura 2). 7UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística FIGURA 2- BEIRA MAR NORTE EM FLORIANÓPOLIS Fonte: BelaSantaCatarina. Disponível em: www.belasantacatarina.com.br. Acesso em: 19 ago. 2022. Finalmente, pode-se afirmar que a paisagem se constrói constantemente, paralelamente ao dinâmico processo de formação das cidades. 1.1 Paisagismo A paisagem é constituída por espaços livres, relevos, construções, estradas e o comportamento dos seres humanos. Macedo (1999, p. 24) define o paisagismo como um termo que: costuma ser utilizado para designar as diversas escalas e formas de ação e estudo sobre a paisagem, que podem variar do simples procedimento de plantio de um jardim até o processo de concepção de projetos completos de arquitetura paisagística como parques ou praças. Sendo assim, uma das principais funções do paisagismo é promover a retomada dos espaços de áreas verdes urbanas, dando identidade ou até requalificando-os. A presença da vegetação é fundamental não só para promover o bem-estar, mas também para criar diferentes percepções de paisagem, provocando variadas sensações nos usuários. 8UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística FIGURA 3 – PRAÇA COM PAISAGISMO E ÁREA ABERTA FIGURA 4 – PRAÇA COM FONTE Observando o exemplo das duas figuras apresentadas, percebe-se uma diferença na estética de ambas. Na figura 3, por exemplo, é possível aproveitar o espaço para recreação, realizar shows, feiras, etc. Na figura 4, pode dar a entender uma praça mais local, próxima de um vilarejo, ou até focado no turismo com a fonte e os santos, dando um ar de religiosidade. 9UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística SAIBA MAIS No canal arquitetura em movimento, a autora do vídeo aborda os primeiros conceitos de paisagismo. Para isso, ela traz definições, como utilizar tais conceitos, em que é feito o paisagismo e a estética dessa etapa. Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=bv0t47undGo REFLITA “O QUE É PAISAGISMO E QUAIS SÃO SEUS OBJETIVOS? Podemos definir o paisagismo como uma técnica voltada para a criação de áreas que podem recuperar determinado espaço ou ecossistema que foi destruído pela desordenada ação humana. Para que isso seja possível, o paisagista recompõe espaços afetados com diferentes tipos plantas, se adaptando às necessidades de cada projeto. Um dos principais objetivos do paisagismo é a recuperação de áreas deterioradas através da combinação de plantas de diferentes cores e formatos. O trabalho visa buscar um ambiente harmonioso e muito mais prazeroso para o convívio das pessoas. Muitas vezes, o paisagismo é confundido com a jardinagem. No entanto, enquanto o paisagismo tem a função de planejar espaços verdes, a jardinagem é a responsável por executar aquilo que está no projeto. São distintas, mas precisam estar alinhadas para um resultado satisfatório. https://www.youtube.com/watch?v=bv0t47undGo 10UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística COMO O PAISAGISMO PODE SER APLICADO EM PROJETOS DE ARQUITETURA? Enganam-se aqueles que acreditam que o paisagismo pode estar presente somente de forma tradicional. Atualmente, contamos com diferentes tipos de paisagismo e cada um deles cumpre funções específicas. Existe, por exemplo, o paisagismo rural, voltado para o campo, e o paisagismo urbano, que tem como objetivo criar espaços de convívio através da integração da natureza com a arquitetura das cidades”. Fonte: Ecotelhado. 2019. Disponível em: https://ecotelhado.com/o-que-e-paisagismo-e-quais-os- beneficios-para-os-ambientes/. Acesso em: 19 ago. 2022. Após essa pequena explicação das perguntas, como você definiria o paisagismo, caro (a) aluno (a)? https://ecotelhado.com/o-que-e-paisagismo-e-quais-os-beneficios-para-os-ambientes/ https://ecotelhado.com/o-que-e-paisagismo-e-quais-os-beneficios-para-os-ambientes/ 11UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 2. ESPAÇOS LIVRES E LAZER Conforme abordado por Souza (2003), o foco principal do paisagismo são os espaços livres. Algumas vezes, ainda nos referimos aos arquitetos paisagistas como aqueles que cuidam apenas de espaços verdes livres, porém esse conceito está equivocado. Os espaços livres, podem ser verdes ou não edificados, ou seja, que não se situam dentro da edificação. Tem-se como exemplo as ruas, os pátios, os largos, praças, etc. Esses espaços são configurados pelo seu entorno ou por vias ou ainda edificações adjacentes. Espaços livres, nada mais são, do que espaços sem edificações, mas não de ocupações. Podemos aderir vários usos, valorizar o lugar e ainda apropriá-lo (2003, SOUZA apud MACEDO, 1999). Na figura 5, temos como exemplo o Rinku Park. Localizado no Japão, é um ótimo exemplo de espaço livre público. FIGURA 5- RINKU PARK 12UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística A arquibancada e a faixa de areia circundam essa pequena baía no qual as pessoas utilizam como contemplação. Apesar de não ser um espaço verde, essa área é classificada como um espaço livre. Segundo o sociólogo francês Joffre Dumazedier (1976, p. 34), lazer significa: um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais. Assim, atualmente, o conceito de lazer está diretamente ligado ao de cidadania, que exige espaços públicos no qual as pessoas possam acessar e usufruir do lazer. Essas áreas são de extrema importância que sejam adaptadas a todos os tipos de pessoas, com acessibilidade e segurança. FIGURA 6 – PARQUE LINEAR DO GRANDE CANAL Fonte: Archdaily (2022) Acesso em 10 de julho de 2022 Na figura 6, temos um exemplo de área livre verde, cujo principal elemento é a composição da vegetação. Além disso, criaram espaços para os cidadãos usufruírem do espaço. 13UNIDADEI Introdução à Arquitetura Paisagística SAIBA MAIS A professora Karin S. Meneguetti tem como foco de estudo em sua jornada os espaços livres. Nesse simpósio, em que você pode acessar por meio do link https://www. youtube.com/watch?v=cTh8SxQe74c, a professora demonstra os principais conceitos relacionados a toda essa estrutura urbana, a paisagem e a natureza. REFLITA “O sistema dos espaços livres urbanos constitui um complexo em inter-relação com outros sistemas de drenagem, de transportes, de proteção cujas funções podem com as dele coincidir ou apenas justapor-se, tecendo relações de conectividade e complementaridade com a preservação, a conservação e a requalificação ambientais, a circulação e a drenagem urbanas, as atividades de lazer, o imaginário, a memória e o convívio social públicos. Inserido no contexto da cidade e integrado ao entorno, tal sistema tem como elemento organizador a ideia de um viver urbano denso, variado e imprevisível, tão ao gosto do modelo urbanístico português que nos empresta suas características” (QUEIROGA, 2009, p.94). Fonte: QUEIROGA, E. F. Os espaços livres e a esfera pública contemporânea no Brasil: por uma conceituação considerando propriedades e apropriações. In: TÂNGARI, V. et al. (Org.) Sistema de espaços livres. Rio de Janeiro: Proarq, UFRJ, 2009. Sendo assim, após análise do conceito na unidade e com base na definição de Queiroga, existe algum tipo de espaço público na sua cidade? Se sim, qual? Caso seja negativa a resposta, acredita que se existisse, a sua qualidade de vida urbana seria melhor? https://www.youtube.com/watch?v=cTh8SxQe74c https://www.youtube.com/watch?v=cTh8SxQe74c 14UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 3. DESENHO UNIVERSAL E O PAISAGISMO O desenho universal foi utilizado a primeira vez por volta de 1985, por Ron Mace, em que designa a considerar a diversidade humana, suas diferentes capacidades e habilidades. A utilização dessa tipologia de desenho viabiliza a independência na realização de atividades de uma grande parte de pessoas, considerando ainda suas limitações. Para compreender melhor, posso dar o exemplo da figura 7, no qual o passeio em um espaço livre público apresenta a diferença no piso. O contraste das cores é escolha do projetista, porém é uma estratégia para facilitar o deslocamento dos usuários. FIGURA 7 – ESTRATÉGIA DE DESLOCAMENTO Fonte: Engenharia 360 (2022) Acesso em 10 de julho de 2022. 15UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística SAIBA MAIS Os conceitos mais utilizados podem ser divididos em (THE CENTER FOR UNIVERSALDESIGN, 1997): 1) Uso Equitativo O desenho dos espaços deve ser compreendido por todos, ou seja, impedindo a sua segregação. Como exemplo, podemos citar o espaço para um cadeirante e uma pessoa idosa com dificuldade de locomoção, ambas não tendo dificuldades de usufruir do espaço. 2) Flexibilidade de uso. Quando existir a necessidade de transpor um nível, todo tipo de usuário deve conseguir superar o obstáculo. Exemplo: uso de rampa ou escada como alternativa. 3) Uso simples e intuitivo Os espaços devem possuir fácil compreensão, tanto do ambiente, como de locomoção. Por exemplo, quando possui uma faixa larga de piso regular, os usuários com cadeiras de rodas podem usufruir ou ainda aqueles que não precisam de ajuda para se locomover. 4) Informação de fácil percepção O desenho deve comunicar o que é necessário para o usuário, independentemente das condições ambientais ou das habilidades. Como exemplo podemos colocar mapas informativos, além de possuírem a linguagem em braile para quem tem dificuldades na visão. Cada um desses princípios apresenta uma grande importância ao conceber o ambiente. Sendo assim, o projeto acaba se tornando mais universal, principalmente em áreas paisagísticas ou áreas verdes, no qual todas as pessoas devem usufruir do espaço, sem distinção. 16UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística REFLITA Imagine um lugar em que qualquer pessoa consiga sair e entrar pela porta da frente. Agora pense nesse lugar, mas em espaço público. Como seria o processo de projeto? No vídeo disponibilizado pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=VXRB7wlsY_s aborda a resposta dessa questão. https://www.youtube.com/watch?v=VXRB7wlsY_s 17UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 4. JARDIM UNIVERSAL: RELAÇÃO DO DESENHO UNIVERSAL E O PAISAGISMO A sociedade hoje é marcada pelas diferenças, que podem ser sociais, econômicas, culturais, étnicas ou etc. Para elaborar um espaço livre, o projeto deve contemplar todas essas diferenças. Na busca de um espaço que interaja com o indivíduo, surgiu o conceito de jardim sensorial, em que a característica principal é estimular os sistemas sensoriais dos indivíduos. Dessa maneira, há uma utilização de espécies vegetais com variados odores, texturas, cores e formas. Os sistemas sensoriais são formados por: sistema básico de orientação, auditivo, háptico, paladar, olfato, visual. Então vamos a um exemplo prático: se um deficiente visual estiver presente em um jardim sensorial, ele pode perceber a presença da vegetação pelo olfato através do perfume das flores, percebe pelo sistema háptico a textura dessas flores, e por aí vai. FIGURA 8- JARDIM SENSORIAL 18UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística Na imagem 9, é possível verificar a placa com as informações das tipologias de vegetação, além de indicar outras características das mesmas. Nas próximas unidades, vamos visualizar como montar um quadro dessa maneira. Muitas vezes, a sensação é associada ao saber. Entretanto, ela não se constitui como um dado imediato da consciência. Apesar de estreitamente ligada à percepção, a sensação é a captação do estímulo, enquanto a percepção trata basicamente da interpretação da sensação. Segundo Chaui (2000, p. 120) “cada sensação é independente das outras e cabe à percepção unificá-las e organizá-las numa síntese”. No Brasil, o principal exemplo é o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Porém, a maioria dos projetos dessa tipologia favorece apenas uma parcela da população. FIGURA 9– JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Sendo assim, o jardim universal abrange soluções, não apenas para os deficientes visuais, por exemplo. Mas para todas as tipologias de deficiências. Isso só é possível unindo o paisagismo e o desenho universal. 19UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística SAIBA MAIS Nesse vídeo gravado pela psicóloga Taís analisa um tipo de jardim sensorial para mostrar quais são os conceitos desse elemento. A autora também explica as definições desses conceitos e como são capazes de estimular o nosso corpo. Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=9TwQPum_0FQ REFLITA A jardinagem é uma prática tão antiga quanto a existência da civilização e a sua origem está fortemente ligada à agricultura. De acordo com os relatos históricos, os jardins possuíam diversas peculiaridades culturais e regionais, propagando-se rapidamente e levando consigo as características de cada povo e de sua evolução (BRAGA, 2010). O jardim é um local que permite uma grande experiência sensorial, em que a visão é despertada pelas diferentes cores e formas das plantas, o olfato é aguçado pelos cheiros de flores e frutos, o paladar através da degustação dos alimentos, a audição pelo barulho do vento nas folhas e o tato pelas diferentes texturas encontradas com auxílio, seja das mãos ou dos pés (LEÃO, 2007). Nesta parte temos duas citações, cujo podemos entender o conceito do jardim sensorial. Se um cliente fosse ao seu escritório, como você definiria o conceito do jardim sensorial depois de tudo que estudamos? https://www.youtube.com/watch?v=9TwQPum_0FQ 20UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo desta unidade, o paisagismo foi definido aliado ao conceito de espaço público e ao jardim. O paisagismo é a organização do espaço externo, buscando harmonia entre a construçãoe a natureza. O espaço público é o lugar aberto a toda sociedade. Já o conceito de jardim é o terreno no qual se cultivam flores e plantas ornamentais. Sendo assim, todo o conteúdo foi baseado em estética e a relevância dos espaços com a relação ao ser humano. Então, como podemos alinhar arquitetura com a organização de elementos naturais? Por meio do desenho universal. Esse conceito de desenho abrande todos os seres para usufruírem do projeto que o possui. Enfim, a melhor maneira de criar um jardim, por exemplo, seria unindo os dois conceitos, resultando no jardim universal. 21UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística LEITURA COMPLEMENTAR Nos últimos 30 anos, as cidades brasileiras de médio e grande porte registraram significativas transformações, rompendo com padrões de forma e de uso que prevaleceram no século XX. No artigo da Christina Queiroz, ela aborda um pequeno estudo relacionando a busca por espaços livres. O acesso ao artigo se dá pelo link a seguir: Link: https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2018/09/076_Espa%- C3%A7os-livres_271.pdf https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2018/09/076_Espa%C3%A7os-livres_271.pdf https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2018/09/076_Espa%C3%A7os-livres_271.pdf 22UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Criando Paisagens. Autor: Benedito Abbud. Editora: Senac São Paulo. Sinopse: A arquitetura de paisagens possibilita a criação planejada de ambientes construídos com elementos vivos, de modo que promovam o bem-estar das pessoas que por eles transitam. Nesse livro, são apontados diversos recursos (cor, forma, aroma, sons, textura, sabor) que essa disciplina nos oferece para projetar espaços vivos e mutáveis, os quais nos convidam a com eles interagir de maneira sensível, e não apenas pragmática. FILME/VÍDEO Título: The Social Life Of Small Urban Spaces. Ano: 1988. Sinopse: Se você está com pouco tempo, este pequeno documentário de William H. Whyte não leva muito tempo para assistir, embora revele a resposta para a pergunta de um milhão de dólares: por que certos espaços são populares e outros nem tanto? Se este filme soa familiar é porque foi lançado ao público há mais de 25 anos. Mas isso é o quão potente é a mensagem do filme. Mesmo agora, todos esses anos depois, ainda é relevante. 23 Plano de Estudo: ● A história do Paisagismo; ● Paisagismo chinês e Idade Média; ● Paisagismo no Renascimento; ● Paisagismo no Brasil. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a história do paisagismo; ● Compreender os tipos de jardins durante o decorrer da história; ● Estabelecer a importância da influência do passado até o paisagismo presente. UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo Professora Mestre Nadyeska Copat 24UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 24UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo INTRODUÇÃO Nos últimos anos, o paisagismo deixou de ser uma figura simples na arquitetura. Atualmente, essa atividade está presente para afirmar o seu lugar junto à essência do desenho e do pensamento. Podemos citar o período modernista, mas a pioneira Bauhaus não tinha uma escola de paisagismo e de desenho arquitetônico produzido poucas vezes referiu-se ao plantio natural. Já na arquitetura pós-moderna, estão presentes conceitos que no período anterior eram proibidos, como o ecletismo, a fragmentação, a estratificação de sistemas desconexos de ordenação, o historicismo, a ironia e a metáfora. Com esses elementos em mãos, os paisagistas passaram a assumir atitudes radicais que podiam ou não ter relação com as posturas dominantes da arquitetura e que, às vezes, surgiam com autoridade estética superior à do desenho arquitetônico. 25UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 25UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo 1. A HISTÓRIA DO PAISAGISMO Referenciando o tempo mais remoto, desde Adão e Eva, as árvores eram consideradas símbolos de fertilidade, vitalidade e alimento. A partir disso, relatos das civilizações antigas contribuíram para a evolução de arte e ciência, sendo assim, o paisagismo evoluiu como expressão artística. 1.1 Mesopotâmia De acordo com os registros históricos, os assírios dominavam a irrigação e a drenagem, o que foi capaz de construir pomares por onde eles passavam. Os textos mais antigos relacionados ao assunto, referem-se como a Babilônia como uma obra importante para época, o que foi considerado até uma das maravilhas do mundo: os jardins suspensos da Babilônia (Figura 1) (MACEDO, 1999). FIGURA 1 - JARDINS SUSPENSOS DA BABILÔNIA Fonte: Abra (Academia Brasileira de Arte). São Paulo, 2022. Disponível em: https://abra.com.br/artigos/jardins-suspensos-da-babilonia/. Acesso em: 14 set. 2022. 26UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 26UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo Entre as características estavam: a utilização de jasmim, rosas, tulipas, pinos e tamareira, além do emprego religioso, pois acreditavam que os jardins dependiam das vontades dos deuses. 1.2 Egito Já os povos egípcios seguiam a topografia do rio Nilo, em que são constituídos de grandes planos horizontais, e seus monumentos com uma certa rigidez retilínea e geometria, tanto que os jardins também possuíam simetria. As plantas mais utilizadas foram: palmeiras, sicômoros, figueiras, videiras e plantas aquáticas (MACEDO, 1982). FIGURA 2 - JARDIM NO CAIRO COM VISTA DAS PIRÂMIDES DE GIZÉ A sua religiosidade era baseada no monoteísmo e para eles, Osíris era o Deus da vegetação. 1.3 Grécia Os jardins gregos foram influenciados diretamente pelos egípcios, mas a questão da topografia havia diferença. As plantas mais utilizadas nessa tipologia foram as maçãs, as peras, figos, romãs, azeitonas, uva e desenvolveram o uso das hortas. A marca da entrada e saída de um jardim grego eram os pórticos, as vezes também, as colunas. Nesse tipo, também possuíam esculturas humanas e de animais (Figura 3) (MACEDO, 1982). 27UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 27UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo FIGURA 3 - RUÍNAS DE UM JARDIM EM AFRODISÍAS Afrodísias foi capital da antiga Cária, distrito helenístico do sudoeste da Anatólia. Foi um importante sítio arqueológico greco-romano, cuja origem remonta à Idade do Bronze, cerca de 3.000 anos a.C. 1.4 Roma Os jardins romanos não possuíam uma origem única. Eram sim jardins com uma grandiosidade de composição, perspectivas e decoração exagerada, porém era tudo para uso recreativo. Além disso, os jardins podem dizer que eram santuários sociais. Ao saquear a Grécia, os romanos importaram os monumentos e estátuas, e como não sabiam onde colocar, distribuíram nos jardins (MACEDO, 1982). FIGURA 4 - JARDIM VILLA BORGHESE EM ROMA, ITÁLIA As plantas mais utilizadas eram frutíferas, coníferas e plátanos. Devido às guerras, existem alguns jardins que foram destruídos. 28UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 28UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo SAIBA MAIS Sobre os jardins suspensos da Babilônia, além de serem considerados uma das maravilhas do mundo, temos algumas curiosidades sobre a forma dele. “Alguns documentos antigos dizem que os jardins davam acesso ao palácio do rei Nabucodonosor, que havia mandado construí-lo para satisfazer as vontades de sua esposa preferida Amitis. Ela dizia que sentia saudades dos campos e florestas de sua terra natal, Média. Sua localização próxima ao rio Eufrates possibilitou que amplos sistemas de irrigação fluvial atingissem a superfície, através de poços gigantes em formas de arcos que chegavam a medir 23 metros de altura. Como as pedras eram muito raras no território da Babilônia, grande parte da construção dos Jardins Suspensos eram sustentadas por tijolos, revestidos de betume e chumbo para mantê-los secos da água irrigada. Por mais que se imagine a estonteante beleza dos Jardins Suspensos,muito pouco se sabe de como ele era realmente mantido e qual foi sua finalidade ou o motivo de sua total destruição. Em nenhum dos documentos encontrados na Babilônia no período de Nabucodonosor encontra-se registro da existência dessa gigantesca obra arquitetônica. Fonte: SILVA, T. F. da. S. Jardins Suspensos da Babilônia. Infoescola. 2022. Disponível em: https://www. infoescola.com/historia/jardins-suspensos-da-babilonia/. Acesso em: 06 jul. 2022. https://www.infoescola.com/historia/jardins-suspensos-da-babilonia/ https://www.infoescola.com/historia/jardins-suspensos-da-babilonia/ 29UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 29UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo REFLITA “A história do paisagismo não começa com um lápis ou uma mangueira, mas sim com o fogo. Os “planejadores” pré-históricos utilizavam chamas para limpar o espaço, prevenir incêndios florestais e estimular o crescimento de plantas”. Fonte: REDAÇÃO. Descubra 4000 anos de evolução dos Jardins. Casa Abril. 2022. Disponível em: https:// casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins. Acesso em: 05 maio. 2022. https://casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins https://casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins 30UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 30UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo 2. PAISAGISMO CHINÊS E IDADE MÉDIA 2.1 China e Japão O paisagismo chinês tem sua origem com uma flora riquíssima. A arte consiste em concentrar o padrão, ou seja, apenas o que for essencial. Todas as plantas têm seu local e são extremamente valorizadas, geralmente as mais utilizadas são plantas perenes (Figura 5) (MACEDO, 1982). FIGURA 5 - EXEMPLO DE JARDIM CHINÊS 31UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 31UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo 2.2 Idade média A idade média, como todos já estudaram algum dia na vida, é considerado o período entre a antiguidade clássica e o Renascimento. Nessa época, o verde foi praticamente banido nos centros. Os maiores plantios nessa época são árvores frutíferas, hortaliças e flores para os altares das igrejas/mosteiros (MACEDO, 1982). FIGURA 6 - JARDIM NA IDADE MÉDIA A Idade Média pode-se dividir em duas características: Monacais e mouriscos. Os monacais são aqueles que podem ser caracterizados em: pomar, horta, jardim medicinal e flores. Os mouriscos, já partiam para a ideia de jardim da sensibilidade, ou seja, combinavam água, a cor e o perfume da vegetação (CULLEN, 1974). 32UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 32UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo SAIBA MAIS “À medida que a cidade medieval se desenvolvia, ainda havia espaço para os moradores da cidade cultivarem um jardim. A insegurança alimentar contínua tornou as “hortas domésticas” comuns. Enquanto isso, os médicos prescreviam o perfume das flores para afastar a praga e recomendaram passeios no jardim para a saúde mental. Por isso, os jardins ornamentais floresceram apenas em hospitais e casas ricas. Outra diferença fundamental entre os jardins regulares da cidade e os dos ricos era o recinto. Enquanto os jardins mais pobres eram muitas vezes ao lado da rua, os jardins mais ricos eram fechados com segurança – seguindo o exemplo dos jardins do mosteiro e do castelo de onde eles se inspiraram”. Fonte: Casa Abril. Descubra 4000 anos de evolução dos jardins! 2022. Disponível em: https://casa.abril. com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins. Acesso em: 05 maio. 2022. REFLITA “A construção de labirintos nos jardins de castelos são relatadas neste período, assim como a arte de dobrar ramos para formar alamedas. As pinturas, não testemunharam grande desenvolvimento na arte dos jardins existentes naquela época, fato que segundo historiadores comprometeram a descrição dos mesmos” (DEMATTE, 2006, p. 30). Fonte: DEMATTÊ, M. E. S. P. Princípios de Paisagismo. FUNEP: Jaboticabal. 2006, 144. https://casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins. https://casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins. 33UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 33UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo 3. PAISAGISMO NO RENASCIMENTO O Renascimento teve uma renovação no pensamento, com isso, houve mudança no campo do paisagismo. 3.1 Itália Na Itália, a inspiração veio de Roma, o qual colocou estátuas e monumentos. Para aproveitar a irregularidade do terreno, a alternativa encontrada foi a produção de escadas e terraços. Os jardins italianos eram tidos como centro de retiro intelectual, local o qual sábios e os artistas podiam discutir ao ar livre e longe do calor, devido à vegetação. As plantas mais utilizadas são: louro, cipreste, pinheiro e azinheiro. O buxo também era muito utilizado como formas recortadas (Figura 7) (MACEDO, 1982). FIGURA 7 - JARDIM ITALIANO 34UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 34UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo 3.2 França O estilo francês se baseou nos jardins medievais, o qual eram caracterizados com os canteiros de flores e plantas medicinais, além da horta. Temos a utilização da simetria, perspectivas, a topiaria, além das formas geométricas que eram representados pelos caminhos e passeios. O mais marcante é o jardim do Palácio de Versalhes (Figura 8) (MACEDO, 1982). FIGURA 8 - JARDIM DE VERSALHES 3.3 Inglaterra Com a influência dos orientais, os jardins ingleses ficaram conhecidos como “jardins paisagísticos” e possuíam características como falta de simetria e irregularidade. Essas características eram empregadas nos caminhos, pois preservam a natureza e seu traçado livre. Com essa tipologia, os ingleses acabaram dando origem aos parques públicos e aos jardins, no qual eram responsáveis por refrescar as áreas urbanas (Figura 9) (MACEDO, 1982). FIGURA 9 - JARDIM INGLÊS 35UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 35UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo SAIBA MAIS “Este estilo paisagístico incluía gramados extensos e bem cuidados. O jardim seguia uma orientação assimétrica, o que permitia aos usuários o efeito de descoberta e surpresa. O projeto era definido pelo grupo de árvores, sendo comum o emprego de árvores nativas, que podiam incluídas ou removidas da paisagem, conforme a intenção projetual e a vista a ser alcançada” Fonte: Oliveira (2008, p. 95). REFLITA “Versaille e seus contemporâneos foram feitos hortícolas de ponta que exigiam um enorme esforço de trabalho. A própria árvore Versaille continua precisando ser replantada uma vez a cada século. Mas tudo isso não coloca o estilo fora do alcance do jardineiro médio do século XXI. Versalhes é uma expansão da unidade de jardim conhecida como parterre: um jardim formal dividido em padrões por cascalho, cobertura e canteiros de flores”. Fonte: Casa Abril. Descubra 4000 anos de evolução dos jardins! 2022. Disponível em: https://casa.abril. com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins. Acesso em: 05 maio. 2022. https://casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins. https://casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/4000-anos-evolucao-jardins. 36UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 36UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo 4. PAISAGISMO NO BRASIL Maurício de Nassau foi o responsável pela primeira implantação do paisagismo no Brasil. Mas o início teve com a chegada de Dom João VI, em que o jardim botânico recebeu espécies como: Albizzi lebeck, Eucalyptus gigantea, Cinamomo Anadenanthera pavonia. Anos mais tarde, o jardim virou uma espécie de horto, a pedido de Dom João. Com isso, outras espécies surgiram como: Caneleira do Ceilão, falsa murta, gardênia, Jasmim, etc (MACEDO, 1999). Esse efeito no Rio de Janeiro, até então a capital do Brasil, espalhou-se por outros estados, porém faltava gente especializada para cuidar de tal feito. Assim, outra época que podemos comentar sobre o paisagismo no Brasil é o da décadade 1950 a 1970. FIGURA 10 - JARDIM BOTÂNICO 37UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 37UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo As décadas que sucederam à 2ª Guerra Mundial apresentam condições para que os pontos distantes do planeta, aparentemente ilhados e desconexos, surgissem expoentes da arquitetura paisagística, tais como: Roberto Burle Marx no Brasil, Luíz Barragán no México, Sylvia Crowe no Reino Unido, Jane Jacobs nos Estados Unidos, entre outros (RIZZO, 1992). Essas figuras vêm compensar a primeira metade do século XX, quando a arquitetura paisagística teve pouca expressão, em virtude da prevalência de modelos herdados dos séculos XVIII e XIX. Em parte, isso ocorreu em decorrência de as escolas e centros de pesquisa da época estarem pouco interessados nas transformações que o modelo moderno impunha às paisagens, quer elas fossem urbanas, agrícolas ou naturais. Embora modernista, Roberto Burle Marx não se submeteu à ortodoxia implacável daquele movimento, a respeito do despojamento das relações complexas entre formas e cores. O elo fortíssimo que o artista estabeleceu entre o seu processo criativo e o entendimento da natureza pela botânica revelou-se de forma inconfundível e explosiva em toda sua obra. Inspirado pela natureza tropical, Burle Marx mostra em seu trabalho propostas plásticas imprevisíveis e de inegável originalidade, às quais, soube passar ao universo cultural não só por meio do desenho da paisagem, mas também pela pintura e por meio da escultura (TABACOW, 2004). FIGURA 11 - HOTEL NACIONAL DO RIO DE JANEIRO COM PROJETO PAISAGISTA POR BURLE MARX Embora amante da natureza desde a infância, ele só tomou conhecimento da riqueza da flora brasileira em viagem que fez à Alemanha ao findar a década de 1920. Só então ele pode apreciar os filodendros e vitórias-régias. Dessa forma, ao retornar ao Brasil, surge um propósito de reconhecer e valorizar a flora nativa. 38UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 38UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo A contribuição maior da obra de Burle Marx ao paisagismo está na criação de padrões de desenho que incorporam as formações naturais sem imitá-las, como fazia no jardim inglês, nem submeter a vegetação à ordem racionalista da topiaria, como os franceses. Nesse sentido, vale a pena citar os trabalhos de escala urbana: Calçadão de Copacabana (Figura 12) e o Aterro do Flamengo, ambos de 1950 (Figura 13) (MINDLIN, 2000). FIGURA 12 - CALÇADÃO DE COPACABANA FIGURA 13 - JARDIM DESENHADO POR BURLE MARX NO ATERRO DO FLAMENGO 39UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 39UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo SAIBA MAIS A maior parte do trabalho de Burle Marx está nos estados brasileiros do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Sua obra também existe em Goiás, Acre e Pernambuco. Enquanto suas obras variam em escala, elas são sempre marcadas pelo caráter escultural e pela transição da experiência humana pelo espaço. Há aproximação entre pedestre e paisagem. Além dos já citado, Calçadão de Copacabana, entre os projetos de paisagismo de Burle Marx estão: ● Aterro do Flamengo – Patrimônio Mundial da Humanidade na categoria “Paisagem Cultural Urbana”, título concedido pela UNESCO em 2012; ● Fazenda Marambaia, 1948 (Petrópolis, Rio de Janeiro); ● Fazenda Tacaruna, 1954 (Pedro do Rio, Rio de Janeiro); ● Paço Municipal de Santo André, 1965 (Santo André, São Paulo); ● Fazenda Vargem Grande, 1979 (Areias, São Paulo); ● Biscayne Boulevard, 1991 (Miami). Se você não pode ter na sala de sua casa, um pedaço do Calçadão de Copacabana ou um trecho de um dos jardins criados por Roberto Burle Marx, é possível acessar seu acervo de gravuras em tela. Acesse o acervo de Roberto Burle Marx (https://laart.art.br/categoria-produto/roberto-burle- marx/) na galeria de arte online, Laart, especializada na venda de gravuras originais, assinadas e de série de tiragem limitada, de importantes artistas brasileiros e latino americanos. https://laart.art.br/categoria-produto/roberto-burle-marx/ https://laart.art.br/categoria-produto/roberto-burle-marx/ 40UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 40UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo REFLITA “Embora o seu interesse por plantas nativas venha dos dias na Alemanha, foi a sua colaboração com o botânico e colecionador de plantas Henrique Lahmeyer de Mello Barreto que o fez crescer como arquiteto paisagista. Como Mello Barreto se interessava pelo estudo das plantas em seu habitat, ele foi o parceiro ideal. Burle Marx não pensava nas plantas apenas para trabalho, mas estudava as relações das espécies entre si e com o meio ambiente. Os dois participaram de muitas expedições de caça a plantas no interior do Brasil, principalmente na década de 1940”. Fonte: Archtrends. Roberto Burle Marx: principal referência do paisagismo brasileiro.2020. Disponível em: https://blog.archtrends.com/burle-marx/. Acesso em: 14 set. 2022. https://blog.archtrends.com/burle-marx/ 41UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 41UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa unidade, vimos o surgimento do paisagismo e os períodos caracterizados. De várias maneiras, conhecemos as definições em cada uma das suas etapas, mas com o mesmo objetivo: trazer a natureza para ao nosso redor. Em alguns povos utilizaram flores, outras quedas de água, outros ainda deixaram como contemplação com estátuas. O paisagismo ajuda a manter o contato com a natureza na cidade e ainda é possível unir a criatividade, a variedade de plantas e a disposição. Cada povo com sua mania, alguns até copiando outros. Além disso, já foi comprovado que o paisagismo traz mais qualidade de vida, e ainda contribui com a preservação da natureza. 42UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 42UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo LEITURA COMPLEMENTAR No artigo “Paisagismo além da estética: uma concepção ambiental” escrito por Alex Vieira e Andréa Oliveira, podemos entender um pouco mais sobre o paisagismo. Acesse o link para leitura do material: http://seer.pucgoias.edu.br/files/journals/3/articles/3748/submission/review/3748- 10889-1-RV.pdf RESUMO: O paisagismo é uma ferramenta utilizada na recuperação e conservação de espaços urbanos e rurais. Uma técnica plástica que auxilia na reinserção da natureza nas áreas antropizadas. Através de levantamentos bibliográficos foram abordados metodologias, manejo e funcionalidades do paisagismo e sua elaboração, analisado sob uma perspectiva do meio ambiente e sustentabilidade, observando a importância do elemento vegetal para sua consolidação. http://seer.pucgoias.edu.br/files/journals/3/articles/3748/submission/review/3748-10889-1-RV.pdf http://seer.pucgoias.edu.br/files/journals/3/articles/3748/submission/review/3748-10889-1-RV.pdf 43UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística 43UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Desenho Ambiental: Uma introdução à arquitetura da paisagem com o paradigma econômico Autor: Maria de Assunção Ribeiro de Franco. Editora: FAPESP. Sinopse: Desenho ambiental é um instrumento da arquitetura e do planejamento territorial que implica na compreensão ecossistê- mica dos processos vivos e num novo posicionamento do homem frente à dimensão espaço-temporal. Sua visão interativa com diversas áreas do conhecimento representa uma mudança radical na arte de projetar, onde o conceito de espaço é absorvido pelo conceito de ambiente e o projeto deixa de ser uma obra acabada - com características estáticas - para se tornar o fator indutor de um processo. FILME/VÍDEO Título: Paisagem. Ano: 2018. Sinopse: Passeando pela arte e personalidade do paisagista, pintor e escultor brasileiro Roberto Burle Marx,o documentário apresenta suas ideias em forma de homenagem, com uma suces- são de paisagens sensoriais. 44 Plano de Estudo: ● Composição de espaços; ● Estudo de planos de massa; ● Escolha da vegetação para o projeto; ● Elementos de composição da paisagem. Objetivos da Aprendizagem: ● Apresentar a aplicabilidade dos conceitos teóricos na manipulação da paisagem; ● Identificar e analisar as etapas na criação de um projeto paisagístico; ● Investigar como compor um espaço usando princípios do paisagismo. UNIDADE III Criando Paisagens Professora Mestre Nadyeska Copat 45UNIDADE III Criando Paisagens INTRODUÇÃO Caro (a) estudante Seja bem-vindo (a) à terceira unidade de nossa disciplina! Como começamos um projeto paisagístico? Até agora discutimos diversos dos parâmetros que devem ser considerados em uma proposta projetual, mas afinal, como projetar? Embora não exista uma “fórmula mágica” de como conceber uma paisagem, há diversas técnicas e estratégias que podem ser empregadas neste sentido. Deste modo, nesta terceira unidade, iremos compreender como podemos compor espaços e quais etapas devemos seguir durante este processo. Iremos discutir sobre as peças gráficas criadas em um projeto paisagístico, sobretudo o plano de massas. Este desenho tem uma função especial dentro do projeto pois, além de atuar como representação para transmissão de ideias, ele também se comporta como uma ferramenta projetual para a criação de conceitos. O projeto paisagístico não é uma simples ideia, mas sim o resultado de um processo construído gradativamente no qual o paisagista precisa conciliar função, estética e qualidade visual. Para isso, o profissional estará constantemente manipulando elementos naturais, como as plantas e artificiais, como a arquitetura. Desta forma, em nossa unidade, também iremos analisar as estratégias empregadas durante a escolha de vegetação para o projeto, uma das etapas mais complexas. Finalizamos nossa discussão apresentando elementos, para além da vegetação, que também atuam na composição da paisagem e podem complementar o seu projeto paisagístico. Bons estudos! 46UNIDADE III Criando Paisagens 1. COMPOSIÇÃO DE ESPAÇOS Quando estamos iniciando um projeto é comum ficarmos perdidos sem saber como iniciar, por qual caminho seguir. No projeto paisagístico, estaremos lidando com uma série de condicionantes e muitas vezes iremos nos perguntar, por onde começar? Para lidarmos com a complexidade das informações com as quais trabalhamos no paisagismo, é fundamental termos uma metodologia de projeto clara e bem delineada. De acordo com Kowaltowski et al. (2016), o processo de projeto não tem um método rígido entre os profissionais, como os métodos utilizados na pesquisa científica, por exemplo. Isso ocorre pelo fato de os projetos ficarem no meio termo entre arte e ciência, o que permite múltiplas abordagens para este objeto. No paisagismo, iremos utilizar as etapas de projeto para orientar a nossa produção. Neste sentido, é importante destacar que etapa de projeto não é composto apenas pelas fases nas quais estamos produzindo peças gráficas, como as plantas baixas e perspectivas. Desde o primeiro contato com o cliente e o local da obra já estamos, de certa forma, projetando e tomando decisões. 47UNIDADE III Criando Paisagens A seguir, listamos as principais etapas de um projeto paisagístico. ● Conhecendo o cliente: uma das primeiras etapas em um projeto paisagístico é identificar e conhecer o nosso cliente. Lembre-se que o cliente muitas vezes não é necessariamente o contratante. Para projetar uma praça, por exemplo, devemos levar em consideração quais são os potenciais usuários daquele local. Deste modo, entenderemos seus anseios e suas demandas para elaborar o programa de necessidades. Segundo Abbud (2010), o cliente residencial normalmente traz mais dúvidas e inseguranças do que o empreendedor ou o contratante público. Assim, cabe ao profissional esclarecer todas as dúvidas para que o processo de projeto seja o mais transparente possível. ● Levantamento das áreas: embora existam recursos que permitam o levantamento das condicionantes do terreno de forma remota, é fundamental que o projetista visite o local do projeto. Nesta visita, além de levantar e conferir as condicionantes físicas, é possível observar as características mais abstratas do local, como as vistas e o entorno imediato. ● Análise das condições do solo: Segundo Barbosa (2010), esta etapa engloba a avaliação de condicionantes biológicas e morfológicas do solo, verificando índice de pH, quantidade de micro e macro nutrientes minerais, teor de matéria orgânica e consistência do solo. Em algumas situações, será necessário promover a recuperação do solo antes do plantio das espécies vegetais indicadas em projeto. ● Estudo preliminar: as peças gráficas desta etapa retratam “a essência” do projeto, como formas, cores e texturas que irão compor a paisagem. Segundo Abbud (2010), neste estudo apontamos o zoneamento e plano de massas, ainda não há a necessidade de especificar as espécies. ● Anteprojeto: nesta etapa, é registrado o amadurecimento do estudo preliminar. Desta forma, as soluções são refinadas e o projeto começa a tomar forma. Os fluxos, acessos e circulações aparecem de modo definido, assim como as espécies vegetais e os materiais utilizados. ● Seleção de espécies: além dos aspectos plásticos e compositivos devemos levar em consideração se a espécie selecionada é indicada para as condições do local no qual ela será cultivada. 48UNIDADE III Criando Paisagens ● Projeto executivo: no paisagismo é possível dividir o projeto executivo em duas frentes, o projeto executivo de elementos construtivos e o projeto executivo de plantio. O executivo de elementos construtivos se assemelha ao projeto arquitetônico, no qual representamos pisos, caminhos, muretas e demais elementos construtivos. Já o executivo de plantio fornece a localização de cada espécie, assim como a quantidade de mudas. ● Orçamento: esta etapa, mais técnica, é fundamental para que não existam surpresas no momento da execução do projeto. Além das mudas e adubos, o orçamento deve contemplar também a mão de obra, fretes e eventuais cortes e aterros no terreno. No paisagismo, na grande maioria das vezes, estaremos trabalhando com ambientes externos. Neste contexto, a arquitetura e paisagismo afetam e são afetadas pelo seu entorno. O projetista pode tanto integrar estes elementos quanto negá-los, criando um espaço fechado. A interface entre os ambientes internos e externos deve ser considerada no momento da composição da paisagem, assim podemos compreender quais as relações visuais e físicas serão estabelecidas pelo usuário. Abbud (2010) aponta que ao projetar é importante observarmos as relações de proporção e escala do lugar. Enquanto a proporção trata da relação entre as partes e os elementos que compõem o projeto, a escala diz respeito à relação entre o tamanho dos espaços e as pessoas. Embora não exista uma fórmula para projetar paisagens, Abbud (2010) relaciona uma série de procedimentos e ferramentas que auxiliam no projeto de composição: ● Pontos focais: criar pontos de interesse, como uma estátua ou uma vegetação, ao final de um caminho ou de uma perspectiva ajuda a criar uma paisagem de destaque. ● Caminhos: ao passar entre elementos é uma experiência que pode ser valorizada no projeto, produzindo estímulos e despertando sensações no usuário. ● Hierarquia espacial: barreiras vegetais de até 1,30 m de altura ajudam a setorizar o projeto sem comprometer a visibilidade. Já os planos verticais com mais de 1,70 m de altura delimitam o espaço tanto fisicamente quanto visualmente. ● Aberturas estratégicas: aberturas nos maciços de vegetação podem ser empregados para criar “molduras” na paisagem, direcionando o olhar do observador. ● Espaços pontuados: para projetos de grandes dimensõesé recomendado criar referências visuais para diminuir a sensação opressiva do espaço vasto. ● Como condicionantes do solo podemos apontar: pH, quantidade de nutrientes e matéria orgânica e sua consistência. Fatores como ventos dominantes, entorno imediato, vistas do terreno e orientação solar não dizem respeito ao solo. 49UNIDADE III Criando Paisagens SAIBA MAIS Caro (a) estudante, no projeto paisagístico, é necessário trabalharmos com metodologias claras para a composição do espaço. Embora não exista uma regra de como criar composições com qualidade estética e visual, alguns princípios podem ser utilizados para alcançar resultados satisfatórios. Na leitura indicada, você poderá identificar como trabalhar com planos, clareiras e árvores dentro de um projeto. ● Título do texto: Elementos chave de paisagismo: planos, clareiras e disposição de árvores. ● Nome do autor: Matheus Pereira ● Ano de publicação: 2018 Link de acesso: https://www.archdaily.com.br/br/889576/elementos-chave-de-paisagismo-planos- clareiras-e-disposicao-de-arvores?ad_medium=widget&ad_name=recommendation Você sabia? Assim como no projeto arquitetônico, no projeto paisagístico é necessário atender as demandas do cliente. Neste sentido, cabe destacar que, neste caso, como cliente devemos entender todos os potenciais usuários do projeto a ser criado. Ao identificarmos quem é o usuário do espaço projetado, é preciso identificar também quais seus anseios e expectativas para o local. Assim é possível esboçar o programa de necessidades que irá orientar o projeto. É preciso pontuar qual o tipo de uso o cliente terá do espaço projetado, dentro do paisagismo existem diversas possibilidades de uso. https://www.archdaily.com.br/br/889576/elementos-chave-de-paisagismo-planos-clareiras-e-disposicao-de-arvores?ad_medium=widget&ad_name=recommendation https://www.archdaily.com.br/br/889576/elementos-chave-de-paisagismo-planos-clareiras-e-disposicao-de-arvores?ad_medium=widget&ad_name=recommendation 50UNIDADE III Criando Paisagens 2. ESTUDO DE PLANOS DE MASSA O plano de massas é uma das primeiras peças gráficas que produzimos dentro de um projeto paisagístico. Embora ele tenha um caráter preliminar, este desenho é um dos mais importantes para elaboração da proposta. É através dele que iremos estabelecer quais serão as relações e sensações despertadas no observador. Um erro bastante comum é confundirmos plano de massas com organograma. Segundo Abbud (2010), enquanto o organograma se limita na representação de hierarquias de usos e funções dos espaços, o plano de massas além de distribuir e setorizar as funções também prevê o caráter dos espaços criados. Para isso, é importante que no plano de massas os elementos arquitetônicos também sejam representados, mesmo que de forma esquemática. Assim é possível prever a continuidade espacial e visual do paisagismo para o interior da edificação. Embora no plano de massas a vegetação seja representada de forma esquemática, em manchas e formas fluidas, ainda assim é importante que tais formas sejam construídas em escala, seguindo um dimensionamento estimado. O ponto de partida para criar esta peça gráfica é a delimitação da área de projeto e estabelecimento de áreas com vegetação e sem vegetação. Ao determinarmos os cheios e vazios, é necessário também levar em consideração a transição entre os espaços utilitários e as áreas de contemplação. 51UNIDADE III Criando Paisagens O plano de massas é uma ferramenta de projeto. Por este motivo, além da representação das manchas de vegetação usualmente representamos também as relações estabelecidas no projeto. Neste sentido, relações de espaço e função, fluxos, direções visuais, ventos dominantes, insolação, podem aparecer neste primeiro estudo para facilitar a compreensão da paisagem que estamos criando. Segundo Macedo (1989), embora nesta etapa não seja necessário indicar as espécies vegetais que serão utilizadas, o projetista deve verificar os volumes vegetais básicos. Por exemplo, as árvores devem apresentar configuração a partir de sua copa, seja ela globular, irregular, em leque, entre outros. O mesmo se aplica às espécies arbustivas, que podem apresentar diversos formatos e portes. As cores e texturas também devem ser registradas em um plano de massas para compreendermos qual a configuração que a paisagem irá assumir. Um detalhe que muitas vezes passa despercebido ao projetista é a transparência dos maciços vegetais. As espécies vegetais contam com grande variedade de densidade e quantidade de folhas. Deste modo enquanto algumas espécies geram maciços densos (que devem ser representados de forma mais opaca) que criam barreiras visuais, outras espécies proporcionam maciços com vegetação mais esparsa (que devem ser representados de modo menos opaco). Nesta peça gráfica, podemos prever a unidade da composição. Um projeto paisagístico deve encontrar o equilíbrio entre variedade e repetição. Tanto o excesso quanto a falta de variedade são situações não desejadas dentro de um projeto. Para que a composição visual não fique “confusa”, recomenda-se a criação de um elemento dominante, que ajude a criar uma hierarquia dentro do projeto. Esta dominância não precisa ser necessariamente de tamanho, a cor, a forma ou a textura pode ser a característica que destaque um elemento de outro. Outra técnica para assegurar a clareza e unidade na composição é o uso das forrações. A forração pode ser utilizada para conectar elementos como, por exemplo, arbustos que estão localizados de forma próxima, porém sem criar um renque. Os princípios de ordem podem ser utilizados para auxiliar na composição visual dos projetos paisagísticos. Segundo Ching (2013), os principais conceitos são: ● Eixo: através de uma reta os espaços são distribuídos. Esta reta pode tanto ser um elemento físico, como um caminho, quanto uma linha imaginária que ordena o espaço. ● Simetria: a partir de um eixo os elementos são dispostos de forma simétrica. Além da simetria bilateral, que ordena os espaços através de um eixo, há também a simetria radial, que trabalha com arranjos a partir de vários eixos com um ponto central em comum. 52UNIDADE III Criando Paisagens ● Hierarquia: o grau de relevância dos espaços deve ser evidente. Embora seja possível trabalhar com mais de uma região dominante não se aconselha que todos os espaços tenham o mesmo valor e peso na composição. ● Dado: a partir de um elemento compositivo são ordenados todos os demais. ● Ritmo: a recorrência de elementos caracteriza a sensação de movimento na composição. ● Repetição: a repetição de elementos idênticos ou com características semelhantes, como cor, porte, textura, é uma das técnicas compositivas. ● Transformação: a partir de um modelo inicial a forma é manipulada até chegar ao modelo mais adequado para cada situação. 53UNIDADE III Criando Paisagens SAIBA MAIS Silvio Soares Macedo, arquiteto e urbanista, é um dos grandes teóricos brasileiros dentro dos campos do paisagismo, áreas livres e meio urbano. Caro (a) estudante, na leitura indicada você terá a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos sobre como criar um plano de massas, além de identificar algumas das principais estratégias de composição visual aplicadas no paisagismo. ● Título do texto: Plano de massas- um instrumento para o desenho da paisagem ● Nome do autor: Silvio Soares Macedo. ● Ano de publicação: 1989. Link de acesso: http://www.revistas.usp.br/paam/article/view/133630 Você sabia? No projeto paisagístico as espécies vegetais, como forrações, arbustos, árvores e gramas são usados como elementos compositivos. Enquanto os arbustos altos criam uma barreira física e visual, podendo inclusive compor cercas vivas, os arbustos baixos são aplicados para compor caminhos, indicar desníveis e delimitar espaços, mas sem obstruir a visão do usuário. Ao empregarmos arbustos, explorando a sua variedadede altura, é possível também definir as escalas do lugar. http://www.revistas.usp.br/paam/article/view/133630 54UNIDADE III Criando Paisagens 3. ESCOLHA DA VEGETAÇÃO PARA O PROJETO Para a seleção da vegetação em um projeto paisagístico, devemos levar em consideração tanto os aspectos técnicos de cultivo quanto as características plásticas de cada espécie. Sendo assim, é necessário verificar a forma de cultivo de cada espécie e se ela é compatível com as condicionantes do local no qual iremos inseri-la. Um dos critérios a serem observados neste sentido é a temperatura média do ambiente. Embora algumas plantas se adaptem a variações térmicas, o recomendado é selecionar espécies compatíveis com a média da temperatura local. Contrariar os limites tolerados pela planta pode resultar em sua morte (BARBOSA, 2010). Da mesma forma, parâmetros de luminosidade, umidade do solo e umidade do ar, são aspectos que também precisam ser avaliados na hora de especificação de espécies. Do ponto de vista de composição plástica, iremos avaliar parâmetros de forma, proporção, cor e tipo de folhagem de cada espécie. É importante destacar que nesta análise não são avaliados apenas as flores e frutos das plantas, mas também seu caule, raiz e folhas, que podem atuar como elementos compositivos. Ao mesclarmos espécies de diferentes portes, algumas mais altas, outras mais baixas; algumas mais verticais e outras que se espalham mais no sentido horizontal, conseguimos criar uma variedade plástica na composição. 55UNIDADE III Criando Paisagens No paisagismo, é possível “brincar” com as composições, aplicando as espécies das mais variadas formas. No entanto, é necessário lembrar que não devemos contrariar a estrutura da espécie. Por exemplo, cultivar uma trepadeira sem o seu devido suporte não é uma estratégia criativa, mas sim um modo irresponsável de aplicar a vegetação no paisagismo. Um dos atributos da vegetação que certamente mais chama a atenção dos observadores é a cor da planta. Segundo Castro (2014), as cores das plantas mudam conforme as estações, característica que deve ser levada em consideração na hora do projeto. Do mesmo modo, a intensidade da luz influencia na maneira como percebemos as cores. Assim, se observamos um mesmo jardim pela manhã, ao meio dia e à tarde teremos percepções diferentes sobre o espaço. Para obtermos o efeito visual desejado, é necessário estarmos atentos à extensão das superfícies. Por exemplo, se aplicarmos a Tradescantia pallida purpúrea (trapoeraba roxa) de forma pontual em um projeto certamente ela não será tão expressiva como quando aplicada em grandes maciços, no qual a cor roxa será evidenciada na paisagem. A variedade de cores e texturas de arbustos e forrações faz com que estes tipos de vegetação sejam amplamente empregados no paisagismo. Enquanto os arbustos altos podem ser aplicados para criar barreiras físicas e visuais, os arbustos baixos são utilizados para compor caminhos, indicar desníveis e até mesmo restringir acessos. De modo geral, os arbustos, além de configurarem espaços no projeto, ajudam também a definir as escalas do lugar. As forrações, por sua vez, são aplicadas em grandes extensões, podendo atuar como plano de fundo ou como elemento principal do projeto. Para a delimitação de áreas com as forrações, Abbud (2010) aponta que é indicado utilizar contenções, seja em forma de mureta ou então de divisores plásticos (limitadores de grama). As árvores, que muitas vezes são tidas como as protagonistas no paisagismo, também demandam alguns cuidados específicos para a sua aplicação em projeto. O tipo de copa e o tipo de raiz da espécie selecionada devem ser analisados para verificar se são compatíveis com o local no qual a árvore será cultivada. Segundo Abbud (2010), as copas das árvores podem ser classificadas em dois principais tipos: copas horizontais, com diâmetro maior que altura e copas verticais, com altura maior do que diâmetro. Enquanto a copa horizontal garante a ideia de fechamento, a copa vertical gera um ponto focal na paisagem. Os caules e galhos das árvores são expressivos na composição da paisagem, podendo sugerir a dramaticidade de uma escultura. 56UNIDADE III Criando Paisagens De modo geral, as raízes das árvores seguem um desenvolvimento semelhante ao da copa. Assim, as árvores de copa vertical, salvo exceções, apresentam raiz pivotante. Já as árvores de copa horizontal contam com raiz que tende a aflorar no solo. Em um projeto paisagístico árvores, arbustos e forrações devem atuar em conjunto na composição plástica. O plano de massas será nossa ferramenta para avaliar se o arranjo criado é coerente ou não. SAIBA MAIS Caro (a) estudante, o planejamento e ocupação de sítios é uma tarefa complexa na qual o arquiteto e urbanista terá que realizar diversas análises e tomar várias decisões. Na leitura indicada você irá aprofundar os seus conhecimentos sobre como empregar a vegetação no paisagismo e como trabalhar os fluxos no projeto, dois conceitos primordiais para o sucesso de toda proposta. ● Título do texto: Fundamentos de paisagismo ● Nome das autoras: Tim Waterman. ● Ano de publicação: 2010. ● Indicação de trecho para leitura: Cap. 3 A ocupação da paisagem, o uso da vegetação no paisagismo e Fluxo: circulação e acesso, p. 96 a p.103. Link de acesso: https://www.indicalivros.com/livros/fundamentos-de-paisagismo-tim-waterman As árvores podem ser classificadas através de diversas de suas características. Uma destas classificações diz respeito ao tipo de copa da árvore. As copas podem ser classificadas como horizontais: diâmetro maior que altura e raiz que tende a aflorar no solo. Verticais: altura maior do que diâmetro e raiz pivotante. https://www.indicalivros.com/livros/fundamentos-de-paisagismo-tim-waterman 57UNIDADE III Criando Paisagens 4. ELEMENTOS DE COMPOSIÇÃO DA PAISAGEM Quando pensamos em projeto paisagístico logo o associamos a indicação de espécies vegetais. Certamente as plantas são as protagonistas neste tipo de projeto, no entanto, a paisagem é composta não apenas por vegetação, mas também por uma série de elementos compositivos. Estes elementos, sejam eles naturais ou não, são fundamentais para obtermos sucesso em nosso projeto paisagístico. Desta forma, iremos agora analisar como empregar pedras, madeiras, água e materiais de origem industrializada na composição da paisagem. No paisagismo, as pedras são utilizadas de duas principais formas: em seu estado natural, reproduzindo o seu comportamento na paisagem, ou forrando superfícies. O matacão é um exemplo de pedra em seu estado natural. Esta rocha, de grandes dimensões, é aplicada no paisagismo criando um marco visual. Já as pedras de menor porte pode ser usadas criando caminhos, decorando vasos e até mesmo delimitando espaços. Segundo Abbud (2010), as pedras cortadas podem assumir diversas configurações e tratamentos. Entre as formas mais tradicionais de se trabalhar as pedras no paisagismo encontramos os paralelepípedos, os filetes e o petit-pavê. Além da aplicação da pedra cortada em sua forma bruta, também é possível trabalharmos com pedras polidas, jateadas, levigadas, cristalizadas ou resinadas. As pedras como ardósia, quartzito, goiás, basalto, mármore e granito são utilizadas em calçadas, caminhos e mosaicos. Já os seixos naturais como brita, pedriscos, dolomita branca e argila expandida são usados para cobrir superfícies. 58UNIDADE III Criando Paisagens A madeira é um material natural que pode ser aplicado de diversas formas no paisagismo. As peças brutas, como toras roliças ou mourões, podem ser utilizadas para criar pergolados ou decks. Já as peças de madeira cortada são aplicadas em degraus, decks, brinquedos, pergolados, caramanchões, treliças, bancos e demais tipos de mobiliário. O uso de madeira em áreas externas requer alguns cuidados. Neste sentido, é necessário prever o tratamento adequadopara que as peças estejam protegidas da ação das chuvas, sol direto e ventos, além de possíveis ataques de cupins. A aplicação de verniz ou de stain ajuda neste tipo de prevenção. Enquanto o verniz cria uma película sobre a madeira, o stain é uma resina de acabamento de poro aberto. As cascas e lascas de madeira também podem ser empregadas no paisagismo. Estes materiais são usualmente aplicados para compor vasos ou como forrações. No entanto, este uso deve ser restrito a pequenas áreas, uma vez que a casca de pinus usada na jardinagem serve de abrigo para o escorpião amarelo, animal peçonhento comum na área urbana. A água é um dos elementos mais importantes no paisagismo. Segundo Barbosa (2010), além de valorizar a composição visual, a água ajuda a trazer movimento e sons para o projeto, estimulando vários sentidos no usuário. Embora as fontes e chafarizes tenham caído em desuso no paisagismo, é possível empregar a água de diversas formas. Lagos, cascatas e espelhos d´água podem ser utilizados em projetos dos mais diversos portes e estilos. Finalizando a nossa análise de elementos compositivos, iremos agora verificar os elementos criados a partir de materiais artificiais. Peças em concreto como o ladrilho hidráulico, o paver e o cobogó, são utilizados no paisagismo de pequena e de grande escala. Enquanto o ladrilho hidráulico e o paver são aplicados na criação de calçadas, o cobogó é empregado para criar muros e muretas vazadas. No paisagismo também é possível utilizar cerâmicas e porcelanatos para revestir as calçadas e caminhos. No entanto, é importante observar as características destes materiais. Recomenda-se que eles sejam antiderrapantes e de PEI mínimo igual a 4, para evitar acidentes e garantir a segurança do usuário. Elementos metálicos também podem ser utilizados no paisagismo. Aço comum, aço inoxidável e alumínio são aplicados na criação de gazebos, pergolados, gradis e telas. Seja para obter uma composição plástica mais interessante, ou então para atribuir usos ou delimitar acessos, no paisagismo iremos empregar diversos materiais, naturais ou não. Em nossas propostas, é fundamental sabermos conciliar tais elementos com as espécies vegetais para que o efeito final seja satisfatório. 59UNIDADE III Criando Paisagens SAIBA MAIS Caro (a) estudante, o projeto paisagístico não se resume “simplesmente” a especificação de espécies vegetais. Além das plantas a paisagem é composta por diversos elementos, sejam eles naturais ou artificiais. Na leitura indicada, você irá aprofundar os seus conhecimentos sobre os elementos decorativos que fazem parte do paisagismo. Link de acesso: https://respostas.sebrae.com.br/cultivo-de-flores-e-plantas-ornamentais/ https://respostas.sebrae.com.br/cultivo-de-flores-e-plantas-ornamentais/ 60UNIDADE III Criando Paisagens CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) estudante, chegamos ao fim de nossa terceira unidade! O processo de projeto é tema de diversos debates e estudos. Como aprendemos a projetar? Como começamos um projeto? Ao decorrer da vida acadêmica muitas vezes nos deparamos com uma lista de condicionantes que devemos atender no projeto, mas poucas vezes paramos para refletir como construir nossa proposta. Para a concepção de um projeto paisagístico, existem técnicas e estratégias que nos orientam para a elaboração da proposta. Assim, nesta terceira unidade, analisamos às etapas em um projeto paisagístico. Conhecer o cliente, levantar as condicionantes do local do projeto, selecionar espécies e produzir estudos preliminares, anteprojetos e projetos executivos, assim como o orçamento desta execução, são algumas das fases fundamentais de projeto que não podem ser “puladas” ou realizadas de modo inconsistente. Discutimos, também, sobre o papel do plano de massas no projeto, assim como as técnicas empregadas em sua construção. Para isso, retomamos os princípios de ordem utilizados não apenas no paisagismo, mas em diversos projetos que se fundamentam na linguagem visual. O paisagismo é concebido através de elementos compositivos. A vegetação é um destes elementos. Em nossas análises, percebemos que além das características plásticas é necessário observar também aspectos de cultivo e manutenção da cultura que iremos aplicar ao projeto. Do mesmo modo, elementos naturais, como água, madeira e pedra, e industrializados, como cerâmicas e porcelanatos, também são usados na composição da paisagem e demandam a nossa atenção. 61UNIDADE III Criando Paisagens MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Quadro do Paisagismo no Brasil Autor: Silvio Soares Macedo Editora: EDUSP. Sinopse: Este livro foi o primeiro produto do Projeto Quapá Quadro do Paisagismo no Brasil, cujo objetivo é o de documentar, analisar e divulgar a arquitetura paisagística brasileira. O volume apresenta a visão do autor sobre o significado dos jardins no Brasil, um estudo histórico desde o século XVIII até os dias de hoje, suas transformações, seus estilos e seus autores. Silvio Soares Macedo discorre sobre a trajetória do paisagismo nacional, começando pelo Passeio Público do Rio de Janeiro, datado do século XVIII, explicitando o desenvolvimento da paisagem urbana e do paisagismo no século XIX, chegando aos paisagistas modernistas e da cidade moderna, e ao começo da ruptura no início dos anos de 1990. No livro, estão representadas as três principais correntes do paisagismo brasileiro a eclética, a modernista e a contemporânea acompanhadas de um quadro cronológico sucinto, e de inúmeras imagens e croquis que complementam a análise. FILME/VÍDEO Título: PERDIDO EM MARTE Ano: 2015. Sinopse: O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade ele é dado como morto, abandonado pelos colegas e acorda sozinho no misterioso planeta com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra. 62 Plano de Estudo: ● Representação gráfica em projetos paisagísticos; ● Iluminação; ● Acessibilidade; ● O paisagismo utilitário. Objetivos da Aprendizagem: ● Compreender a forma de representação gráfica no paisagismo; ● Analisar conceitos de iluminação e acessibilidade dentro de projetos paisagístico; ● Investigar os tipos de projetos paisagísticos com função utilitária. UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo Professora Mestre Nadyeska Copat 63UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo INTRODUÇÃO Caro (a) estudante, seja bem-vindo (a) à quarta unidade de nossa disciplina! Em nossas discussões, trabalhamos diversos aspectos teóricos que dizem respeito à concepção e manipulação da paisagem. Nesta última unidade, iremos focar os nossos estudos em princípios básicos que são fundamentais para a criação de um projeto paisagístico. Alguns dos princípios que iremos analisar aqui são também pertinentes aos projetos das mais variadas naturezas, como o projeto arquitetônico e o projeto de interiores. Iniciamos esta unidade trabalhando a representação gráfica dentro dos projetos paisagísticos. A representação gráfica é uma das ferramentas que acompanha o profissional de projeto em praticamente toda a sua jornada. É através dela que expressamos nossas ideias e construímos o nosso pensar. Deste modo, uma boa representação gráfica é essencial para o sucesso do projeto paisagístico. Analisaremos, também, como a iluminação pode influenciar o resultado final da paisagem. É um erro pensarmos que o projeto luminotécnico se resume a espaços fechados. Mesmo em ambientes abertos, a iluminação deve ser tratada com atenção. Do mesmo modo, a acessibilidade, que é tema recorrente em projetos arquitetônicos e de interiores, também deve ser observada na criação de projetos paisagísticos. Desta forma, iremos investigar quais os principais critérios a serem atendidos quando o assunto é acessibilidade à paisagem. Finalizamos a nossa unidade, e consequentemente nossa disciplina, apresentandoalgumas das formas utilitárias assumidas pelo paisagismo. Neste sentido, iremos analisar a criação de jardins sensoriais e o uso de espécies medicinais e hortaliças no projeto. Bons estudos! 64UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo 1. REPRESENTAÇÃO GRÁFICA EM PROJETOS PAISAGÍSTICOS Assim como em um projeto arquitetônico, as representações gráficas também variam conforme a etapa dentro do projeto paisagístico. Etapas mais preliminares aceitam representações esquemáticas, enquanto as etapas mais próximas à execução do projeto demandam peças gráficas com rigor técnico e precisão nas informações. Entre as principais peças gráficas do desenho técnico podemos destacar a planta de situação, planta baixa, corte e elevação. A construção destes desenhos segue os mesmos princípios daqueles adotados no desenho arquitetônico, no entanto, alguns cuidados específicos devem ser tomados. Na planta baixa do paisagismo, por exemplo, é importante representarmos, tanto os elementos do paisagismo, quanto as construções do lote, assim como suas aberturas (portas e janelas). Deste modo, é possível identificarmos as relações estabelecidas entre a arquitetura e a paisagem, analisando fluxos, acessos e linhas visuais. No corte, um dos principais pontos a ser observado é a relação dos diversos níveis e alturas dentro do projeto. Com o corte conseguimos estudar o perfil do terreno (original e modificado), assim como os volumes criados a partir da vegetação. Em um projeto paisagístico, as representações manuais são largamente empregadas com o objetivo de transmitir a plasticidade e a variedade de texturas e cores da proposta. É importante lembrarmos que mesmo no desenho manual, ainda que na criação de um croqui, escalas e proporções devem ser mantidas, assim como as dimensões gerais do projeto e a posição de cada elemento compositivo. 65UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo A representação da vegetação, de modo manual, varia o seu grau de detalhamento de acordo com a intenção projetual. Para representar uma árvore em planta baixa, por exemplo, podemos adotar tanto um desenho rápido, com um círculo e o seu centro, quanto um desenho mais detalhado com a representação de galho e folhas. Observe o exemplo na figura a seguir. FIGURA 1 – REPRESENTAÇÕES DE ÁRVORES EM ESTILO SIMPLES E MAIS DETALHADO (À DIREITA) Fonte: A autora (2022). Para a criação de árvores mais detalhadas, é possível adicionarmos texturas a sua copa. Neste sentido, pontos, estrelas e até mesmo quadrados podem ser utilizados para compor o volume dos maciços em planta baixa. Observe o exemplo na figura a seguir. FIGURA 2 – TRIÂNGULOS E QUADRADOS USADOS PARA REPRESENTAR ÁRVORE EM PLANTA BAIXA Fonte: A autora (2022). O mesmo ocorre na representação de espécies arbustivas em planta baixa. Elas podem ser representadas, tanto de modo simples com seu contorno, quanto de modo mais trabalhado e com texturas. Para a representação de forrações de solo e trepadeiras, indica-se ainda o uso de legendas para que seja possível identificar quais espécies admitem pisoteio e quais não são resistentes a este uso. Se por um lado, em planta baixa, tanto árvores quanto arbustos podem assumir representações semelhantes, em corte é importante cuidarmos das alturas e configurações de cada espécie. Deste modo, uma palmeira será representada de forma diferente de um arbusto, que por sua vez é distinto de uma árvore. No corte, não podemos desconsiderar a altura na qual as copas se iniciam, assim como o seu formato e dimensão aproximados. 66UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo Para tornarmos tais representações gráficas mais atrativas e explicativas, recomenda- se inserir a escala humana nos cortes. Através da inserção da figura humana é possível compreendermos como será a relação homem-paisagem dentro do contexto projetado. Além das técnicas manuais, é possível também representarmos os projetos paisagísticos por meio de técnicas digitais. O uso de softwares é uma realidade consolidada na criação de projetos arquitetônicos, de interiores e de design. Cabe lembrarmos que as técnicas digitais trazem inúmeros benefícios, como a agilidade e precisão nos desenhos. Existem diversos softwares que podem ser empregados para a representação gráfica de projetos. O AutoCAD, o SketchUp, o CorelDRAW e o Adobe Photoshop são alguns dos mais lembrados quando o assunto é projeto. Existem também programas específicos para a criação de projetos paisagísticos. Alguns destes softwares são capazes de gerar maquetes eletrônicas da proposta nas quatro estações do ano, outros, criam automaticamente uma lista de quantitativo de plantas para a execução do projeto. O AueE AutoLandscape, o PhotoLandscape, o DynaSCAPE, o AuE VisualPLAN, o Edificius-LAND e o Garden Composer 3D são alguns dos exemplos que temos atualmente disponíveis no mercado. SAIBA MAIS Caro (a) estudante, a representação gráfica dentro do paisagismo apresenta algumas particularidades que não são encontradas no projeto arquitetônico ou de interiores. Existem diversas técnicas e materiais para construir esta representação, na leitura indicada, você irá aprofundar os seus conhecimentos sobre como transmitir sua proposta de modo claro e preciso. ● Título do texto: Fundamentos do Paisagismo ● Nome do autor: Tim Waterman. ● Ano de publicação: 2011 ● Indicação de trecho para leitura: Capítulo 4- A representação, p. 112 a p. 139. 67UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo Você sabia? O croqui é uma das primeiras representações gráficas dentro da construção de um projeto paisagístico. Este tipo de desenho pode ser elaborado de modo rápido para capturar a essência de um conceito ou uma ideia. O croqui de observação tem como objetivo registrar determinada vista que o projetista deseja representar, como se, por exemplo, ele “tirasse uma foto” de determinada parte do projeto. O croqui de observação é o registro de um momento, um modo de documentar o sítio. Já o croqui de conceito tem forma de esquema ou diagrama e apresenta como objetivo transmitir e explorar uma ideia do projetista. Através deste tipo de desenho também é possível demonstrar conexões e fluxos. 68UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo 2. ILUMINAÇÃO Um bom projeto luminotécnico é capaz de transformar qualquer ambiente. Isso se aplica não apenas aos locais fechados, mas também às áreas abertas. Deste modo, a iluminação se torna um elemento fundamental dentro do projeto paisagístico. É importante destacarmos as múltiplas funções que a iluminação pode apresentar no paisagismo. Além do seu evidente caráter utilitário, de tornar o espaço visível durante os períodos de baixa luminosidade natural, a iluminação artificial também torna os locais mais seguros e atua ainda como elemento compositivo valorizando formas e texturas do projeto. O projeto luminotécnico deve ser pensado em conjunto com o paisagismo, e nunca como se fosse uma etapa a parte realizada após a execução do projeto paisagístico. Segundo Viana e Ribeiro (2014), a iluminação para tais projetos deve ser sutil e abranger toda a área. Lembre-se que tanto o excesso quanto a falta de iluminação podem ser prejudiciais. Áreas com muita iluminação artificial podem causar ofuscamento além de prejudicar o desenvolvimento da fauna e da flora, já as regiões com pouca iluminação dificultam a visibilidade podendo até mesmo causar acidentes. No contexto do paisagismo, a iluminação pode assumir diversas configurações. A seguir, relacionamos cinco das principais técnicas que podem ser empregadas no paisagismo de diversas escalas: ● Downlighting: a iluminação é feita de cima para baixo. Em áreas externas, muitas vezes não contamos com superfícies de teto para fixar as fontes de luz. Deste modo, estruturas de pérgolas e caramanchões podem ser usadas para inserir a iluminação. Postese refletores também são utilizados neste tipo de iluminação. 69UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo ● Uplighting: a iluminação é feita de baixo para cima. Neste caso, a fonte de luz é posicionada ao nível do solo, o facho de luz cria nuances e possibilita efeito dramático na iluminação, valorizando o desenho e a textura da espécie vegetal. ● Frontlighting: a iluminação é feita na frente da espécie que se deseja destacar. A fonte de luz ilumina a vegetação da base até o seu topo, evidenciando a textura e o volume do maciço vegetal. ● Backlighting: a iluminação é feita atrás da espécie que se deseja destacar. Esta técnica valoriza o contorno da vegetação e cria um efeito dramático mesclando pontos iluminados com regiões de sombra. ● Sidelighting: a iluminação é feita de modo lateral à espécie que se deseja destacar. Nesta técnica a textura da vegetação fica em evidência. Além destas técnicas, existem outros efeitos que podem ser trabalhados com a iluminação no paisagismo. Para obter a sensação de profundidade, o paisagista pode utilizar três planos de iluminação em um mesmo volume. No plano de fundo, aplica-se uma luz mais clara, enquanto em primeiro plano é aplicada uma luz mais baixa. No plano intermediário, por sua vez, emprega-se uma luz suave. A combinação desta mescla de intensidade ajuda a evidenciar os volumes dos maciços vegetais. Outro procedimento que pode ser utilizado é a suavização, que consiste em suavizar a luz na espécie que está sendo iluminada. Assim, as sombras geradas a partir da iluminação serão mais sutis e naturais. Segundo Viana e Ribeiro (2014), para o paisagismo são indicadas as lâmpadas coloridas de baixa potência, como a PAR 20, 30 e 38, as multivapor metálico ou de sódio, as dicroicas e dichro blue. É importante que o profissional esteja atento à especificação de modelos de lâmpadas e luminárias, que devem ser resistentes às variações climáticas como por exemplo, sol, chuva e ventos. No paisagismo, entre os modelos mais tradicionais de luminárias, iremos encontrar os postes, refletores, arandelas, balizadores e spots. Ao contrário dos postes utilizados na iluminação urbana, os postes decorativos usados no paisagismo de interiores contam com pequenas dimensões, raramente ultrapassando dois metros de altura. Já os refletores, por sua vez, são modelos que iluminam de modo direcionado, focalizando uma região específica. Estas peças são ideais para criar efeitos com as técnicas de uplighting. As arandelas, que são fixadas em paredes e muros, podem ser utilizadas para iluminar de forma difusa ou direta. Os balizadores ou espetos, são modelos de luminárias instaladas diretamente no nível do solo. Através destas luminárias é possível criar delimitações de espaços e indicar caminhos. Por fim, os spots estão presentes em uma grande variedade de modelos no mercado. Estas luminárias podem ser embutidas, de sobrepor, fixos ou com foco dirigível. 70UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo SAIBA MAIS Caro (a) estudante, o projeto luminotécnico é fundamental não apenas no projeto de interiores, mas também na concepção de um projeto paisagístico. Na leitura indicada, você irá aprofundar os seus conhecimentos sobre as técnicas de iluminação artificial, assim como as fontes de iluminação de uma proposta. ● Título do texto: Iluminação no paisagismo. Link de acesso: https://inlucce.com.br/iluminacao-no-paisagismo-dicas-e-fotos-de-projeto-para- iluminacao-de-jardim/ VOCÊ SABIA? O projeto de iluminação não se restringe apenas às áreas internas da edificação. No paisagismo, a iluminação apresenta tanto uma função utilitária, ao promover visibilidade e segurança a usuário, quanto decorativa, ao criar cenários e valorizar a vegetação. Uma das principais etapas de um projeto, seja de interiores ou de paisagismo, é a concepção do projeto luminotécnico. Neste sentido, o projetista deve estar atento tanto às questões da iluminação natural quanto a iluminação artificial necessárias para atender as demandas do espaço projetado. ● Iluminação geral: este sistema de iluminação tem como função fornecer a iluminância mínima para os ambientes. ● Iluminação de destaque: tem como objetivo enfatizar elementos. ● Iluminação suplementar de tarefa: complementa a iluminação geral para execução de tarefas no plano de trabalho. ● Iluminação decorativa: atribui ambiência ao espaço. ● Iluminação de orientação: indica o sentido ou caminho através de sinalização. https://inlucce.com.br/iluminacao-no-paisagismo-dicas-e-fotos-de-projeto-para-iluminacao-de-jardim/ https://inlucce.com.br/iluminacao-no-paisagismo-dicas-e-fotos-de-projeto-para-iluminacao-de-jardim/ 71UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo 3. ACESSIBILIDADE A acessibilidade é uma temática recorrente nas discussões atuais. Ela é pré- requisito não apenas dos projetos paisagísticos, mas também uma condicionante presente em projetos arquitetônicos, de interiores e urbanísticos. A NBR 9050/2015 - Acessibilidade a edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos é a normativa que versa sobre a acessibilidade em projetos. Se por um lado para a criação de projeto arquitetônico esta norma orienta com relação ao projeto de sanitários, escadas e rampas, para o paisagismo a NBR 9050 será fundamental na criação de rotas acessíveis, bem como para o projeto de mobiliário urbano e disposição de informações e sinalizações. Um dos pontos fundamentais para assegurar a acessibilidade ao projeto é o tratamento aplicado aos acessos e circulações. Neste sentido, para as circulações horizontais a NBR 9050/2015 determina que a inclinação transversal seja de no máximo 3% em ambientes externos, enquanto a inclinação longitudinal deve ser inferior a 5%. Os caminhos e circulações que apresentarem inclinação igual ou superior a 5% se configuram como rampa e demandam tratamento especial. Outro importante cuidado com relação às circulações é o tipo de revestimento empregado, que deve ser regular, firme, estável antiderrapante e não trepidante. No paisagismo, a vegetação não pode interferir na circulação do usuário. Assim, a vegetação cultivada próximo às áreas de rota acessível não devem apresentar espinhos ou raízes que prejudiquem a locomoção. 72UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo Para as portas e portões de acesso, às áreas externas determina-se que estas apresentem vão livre de no mínimo 0,80 m de largura quando abertos. Para realizar esta abertura, recomenda-se que os mecanismos de acionamento demandem força igual ou inferior a 36 N. Com relação ao mobiliário urbano, a NBR 9050 apresenta parâmetros mínimos para a instalação de diversos tipos de equipamentos. Os bebedouros de bica devem contar com unidades em duas alturas, uma de 0,90 m e outra entre 1,00 m e 1,10 m a partir do nível do piso. A unidade de menor altura é acessível à pessoa em cadeira de rodas e, por isso, deve apresentar altura livre inferior de no mínimo 0,73 m e um módulo de referência (0,80 m de largura e 1,20 m de profundidade) frontal assegurando que o usuário consiga se aproximar do bebedouro. Para o projeto de bancos em locais de uso coletivo recomenda-se altura entre 0,40 m e 0,45 m a partir do piso e largura individual (largura para cada ocupante) entre 0,45 m e 0,50 m, a profundidade dos assentos deve ser entre 0,40 m e 0,50. A NBR 9050 destaca, ainda, que é necessário prever uma área equivalente a um módulo de referência ao lado dos bancos, permitindo que uma pessoa em cadeira de rodas também usufrua do espaço. Com relação às informações e sinalizações, a NBR 9050/2015 determina que estas sejam realizadas de modo completo, preciso e claro. Neste ponto cabe destacarmos que a acessibilidade trata não apenas do acesso para pessoas em cadeira de rodas ou de mobilidade reduzida, mas sim o acesso integral, autônomo e seguro para todas as pessoas, independentemente de suas característicasfísicas, psicológicas e motoras. Diante disso, a norma solicita que as informações disponíveis nos espaços de uso coletivo sigam o princípio dos dois sentidos. De acordo com tal princípio, todas as informações devem ser disponibilizadas empregando no mínimo dois sentidos: visual e tátil ou visual e sonoro. Esta sinalização deve empregar contrastes, deste modo, a sinalização visual deve apresentar contraste de cores na composição, a sinalização tátil precisa apresentar contraste na altura das superfícies em relevo e a sinalização sonora deve contar com contraste de intensidade. Desta forma, é possível facilitar a legibilidade e identificação das informações. Segundo a NBR 9050, elementos como degraus, rampas, elevadores e plataformas elevatórias devem ser sinalizados para o usuário. Além disso, a sinalização visual e tátil de pisos deve estar presente para indicar as rotas acessíveis. 73UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo Este tipo de sinalização é dividido em alerta e direcional. Enquanto a sinalização tátil e visual de alerta apresenta um conjunto de relevos tronco-cônicos, que indicam situações que demandam atenção do usuário (como presença de desníveis ou obstáculos), a sinalização tátil e visual direcional conta com relevos lineares e sua função é indicar o sentido de deslocamento dentro de uma rota. Lembre-se, caro (a) estudante, que a acessibilidade não é um diferencial de projeto, mas sim uma condicionante que devemos atender, inclusive quando trabalhamos com paisagismo de áreas de uso coletivo! SAIBA MAIS As premissas de acessibilidade são fundamentais para a criação de um projeto, seja ele arquitetônico, de interiores ou de paisagismo. Uma das orientações da NBR 9050/2015 trata da sinalização visual e tátil de pisos. A sinalização tátil e visual de alerta apresenta um conjunto de relevos tronco-cônicos. Ela é utilizada em situações que demandam atenção do usuário (como presença de desníveis ou obstáculos). A sinalização tátil e visual direcional conta com relevos lineares e sua função é indicar o sentido de deslocamento dentro de uma rota. 74UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo VOCÊ SABIA? Caro (a) estudante, a acessibilidade é um direito do cidadão garantido pela legislação. No entanto, apesar de existirem normativas neste sentido, a questão do desenho universal muitas vezes não é contemplada nas propostas projetuais. Na leitura indicada, a autora nos convida a refletir sobre as condições de frequentação da paisagem criada, sobretudo a partir do ponto de vista da qualidade e da igualdade. ● Título do texto: Acessibilidade à Paisagem. ● Nome da autora: Daniela Vaz. ● Ano de publicação: 2008. Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16135/tde-19012010-093415/publico/Acessibili- dadeaPaisagem.pdf ● Indicação de trecho para leitura: Cap. 1.1- Acessibilidade à Paisagem, p. 22 a p. 29. https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16135/tde-19012010-093415/publico/AcessibilidadeaPaisagem.pdf https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16135/tde-19012010-093415/publico/AcessibilidadeaPaisagem.pdf 75UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo 4. O PAISAGISMO UTILITÁRIO Utilizados diretamente na alimentação, além do valor terapêutico e alimentício, o uso de plantas medicinais, hortaliças e condimentos no paisagismo ajuda a despertar os sentidos, como o olfato e o paladar. Outra importante vantagem percebida no emprego de tais espécies está relacionada ao enriquecimento da experiência de frequentar o jardim. De acordo com Viana e Ribeiro (2014), o uso destas espécies contribuiu para que o usuário frequente o jardim, aprenda e reconheça as espécies e suas propriedades, estimulando também a alimentação saudável. É possível perceber que no atual contexto, existe um movimento de resgate da natureza para o lote urbano. Ainda que em apartamentos ou em terrenos de pequenas dimensões, o jardim em vasos pode ser utilizado neste processo. Ao fazer uso de espécies medicinais, hortaliças e condimentos, o paisagismo atua no equilíbrio psicológico, uma vez que permite o contato direto do usuário com a natureza. Apesar destes inúmeros benefícios, cabe destacar que mesmo as plantas medicinais devem ser consumidas com moderação. Embora estas plantas tenham uma origem natural, elas podem causar reações adversas como qualquer medicamento. Algumas espécies, quando consumidas em excesso podem causar intoxicações e prejudicar o funcionamento do fígado. O jardim sensorial é uma aplicação que vem se tornando recorrente dentro do paisagismo. O paisagismo sensorial é aquele que estimula vários canais sensoriais do usuário, e não apenas a sua visão e seu olfato. O seu papel é bastante abrangente. 76UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo Diante da demanda por espaços mais inclusivos, o jardim sensorial é uma resposta para que todos possam usufruir do espaço, independentemente de suas características físicas, psicológicas e motoras. O paisagismo sensorial normalmente é associado à inclusão de pessoas com deficiência, no entanto, ele também é utilizado como prática pedagógica. Os jardins sensoriais são empregados no currículo escolar para abordar temas como educação ambiental e botânica em um espaço não formal de ensino. Para compor um jardim sensorial, o projetista deve estar atento aos cinco sentidos: ● Visão: segundo Abbud (2010), a visão é um sentido dinâmico e complexo. O modo como apreendemos a paisagem varia de acordo com a iluminação, fator que deve ser levado em consideração nas propostas. ● Tato: é comum associarmos o tato unicamente ao que sentimos com as mãos, no entanto, a pele em toda a sua extensão permite que os estímulos possam ser percebidos. Áreas de descanso com seixos ou com aspersão de água permitem que o usuário experimente o tato para além das mãos. ● Audição: a água corrente, a ação dos ventos sobre folhas e galhos e a criação de caminhos sobre a madeira ou pedriscos criam estímulos sonoros que enriquecem a experiência de jardim sensorial. ● Olfato: Abbud (2010) destaca que não são apenas as flores que exalam odores que podem ser explorados no paisagismo. As folhas e troncos de algumas espécies possuem odor característico e convidativo que podem ser trabalhados dentro do projeto. A intensidade com o qual o cheiro é emanado varia de espécie para espécie ao longo do dia. ● Paladar: este sentido está fortemente ligado ao olfato, espécies condimentares, por exemplo, possuem sabor e cheiro característicos. Espécies frutíferas, ou que produzem flores comestíveis, temperos, hortaliças e especiarias podem ser cultivadas para estimular este sentido. O paisagismo sensorial apresenta algumas particularidades e por isso demanda atenção especial do projetista. Plantas com espinhos ou folhas cortantes devem ser evitadas, assim como espécies que possam causar alergias através do contato direto. Espécies frutíferas são bem-vindas, uma vez que estimulam o olfato e o paladar. No entanto, elas devem ser alocadas de tal modo que a eventual queda de frutos não cause acidentes. 77UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo É importante observar, ainda, se a espécie em questão atrai insetos ou animais peçonhentos que podem oferecer risco para pessoas cegas ou com baixa visibilidade e que eventualmente não conseguem identificar tais ameaças em um primeiro momento. Outra particularidade no paisagismo sensorial se relaciona a escala humana. Um jardim sensorial, enquanto espaço terapêutico, deve acolher o visitante. Criar um espaço amplo e descampado pode gerar um efeito negativo sobre o usuário, uma vez que tal configuração proporciona a sensação de desconforto e não pertencimento. SAIBA MAIS Caro (a) estudante, o paisagismo sensorial além de promover a acessibilidade à paisagem, contribui também para a aprendizagem enquanto ambiente não formalde ensino. No entanto, para atender tais expectativas, o projeto paisagístico deve contemplar diversos aspectos. Na leitura indicada, você irá aprofundar os seus conhecimentos sobre os requisitos a serem atendidos em um jardim sensorial. ● Título do texto: O jardim sensorial como instrumento para educação ambiental, inclusão e formação humana. ● Nome da autora: Maria Gabriela Waiszczyk Osório ● Ano de publicação: 2018 Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/192871/TCC%20-%20Maria%20 Gabriela%20W..pdf?sequence=1&isAllowed=y ● Indicação de trecho para leitura: Capítulo 4- Premissas norteadoras da criação de um jardim sensorial, p. 33 a p. 39. https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/192871/TCC%20-%20Maria%20Gabriela%20W..pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/192871/TCC%20-%20Maria%20Gabriela%20W..pdf?sequence=1&isAllowed=y 78UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo VOCÊ SABIA? 1) O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, criado em 1808, é um Patrimônio Histórico Nacional do Brasil. Em abril de 2019, foi lançado o documentário “Templo Verde” dirigido por Luiz Eduardo Lerina, que conta a história e o papel ambiental e social desempenhados pelo Jardim Botânico. Logo na entrada do Jardim Botânico, é possível encontrar o Jardim Sensorial que conta com monitores que orientam o visitante. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/04/album/1554366052_082178.html#foto_gal_3 https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/04/album/1554366052_082178.html#foto_gal_3 79UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) estudante, chegamos ao final de nossa quarta unidade! Nela, tivemos a oportunidade de identificar alguns conceitos aplicados ao projeto paisagístico. Quando pensamos em projeto, logo nos vem em mente a ideia de representação gráfica. Desenho e projeto são praticamente dois conceitos indissociáveis. Deste modo, nesta unidade exploramos como realizar corretamente a representação gráfica dentro de um projeto paisagístico. Embora as peças gráficas construídas apresentem similaridade com as peças gráficas de projetos arquitetônicos e de interiores, no paisagismo nos deparamos com uma série de especificidades no desenho das vegetações. Foi sobre esta ótica que analisamos a representação gráfica em projetos paisagísticos. Discutimos, também, sobre conceitos de iluminação aplicados ao paisagismo. Cabe destacar que a função da iluminação no paisagismo não é apenas utilitária. Através dela conseguimos criar uma ambientação para a paisagem, valorizando os maciços vegetais, as formas, volumes, cores e texturas das espécies indicadas em projeto. Ainda nesta unidade, trabalhamos conceitos de acessibilidade à paisagem. A NBR 9050/2015, norma brasileira que versa sobre acessibilidade, apresenta parâmetros que devem ser levados em consideração não apenas na criação de edificações, mas também na composição da paisagem. Finalizamos nossa conversa apresentando exemplos de paisagismo com função utilitária. Neste sentido, abordamos o uso de ervas medicinais, hortaliças e temperos nos projetos paisagísticos, assim como a criação dos jardins sensoriais. 80UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Paisagismo, Jardinagem, Plantas Ornamentais Autor: Antonio Carlos da Silva Barbosa. Editora: IGLU. Sinopse: O autor reuniu nesta obra um referencial técnico sobre o paisagismo, jardinagem e plantas ornamentais, constituindo-se num verdadeiro curso de paisagismo para o aprendizado de leigos e profissionais. FILME/VÍDEO Título: Uma Beleza Fantástica Ano: 2017. Sinopse: Sonhando em um dia ser uma respeita escritora de contos infantis, a jovem Bella Brown (Jessica Brown Findlay) vai cruzar com alguém que representa o oposto do que pretende ser: um velho rabugento, viúvo e de poucos amigos. Incrivelmente, ela vai criar um forte laço de amizade com ele, iniciando uma relação curiosa e inspiradora. Link do vídeo: Disponível no Prime Vídeo. 81 REFERÊNCIAS ABBUD, Benedito. Criando paisagens: guia de trabalho em arquitetura paisagística. 4. ed. São Paulo: Editora Senac, 2010. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015. BARBOSA, Antonio Carlos da Silva. Paisagismo, jardinagem & plantas ornamentais. 7. ed. São Paulo: Iglu, 2010. BRAGA, M. A. Evolução dos jardins através dos tempos. In: SHIRAKI et al. Curso Muni- cipal de Jardinagem. Departamento de Educação Ambiental e Cultura de Paz – Umapaz. São Paulo, 2010. cap.14. p. 144-154. CARLOS, A. F. A. A cidade. Contexto: São Paulo, 1992. CASTRO, Anselmo Augusto. Características Plásticas e Botânicas das Plantas Ornamen- tais. 1. ed. São Paulo: Érica, 2014. Chaui, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ed. Ática. 2000. CHING, F. D. K. Arquitetura: forma, espaço e ordem. São Paulo: Martins Fontes, 2013. CULLEN, Gordon. 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Espero que por meio do livro, você tenha a capacidade de entendero quão fundamental é o paisagismo. Que por meio destas páginas, caro leitor (a), você tenha adquirido novas expressões e conceitos sobre esse nosso universo. Fico na expectativa de ter feito você compreender a importância de espaços livres arborizados, com vegetação ou apenas com o paisagismo. Além disso, quero que depois de todo o conhecimento adquirido, ao observar a paisagem e construções, note a influência desses aspectos. Espero que você, aluno (a), tenha compreendido a importância dessas áreas para a formação do arquiteto e urbanista e que tenha despertado o pesquisador que existe dentro de você. +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br UNIDADE I Introdução à Arquitetura Paisagística UNIDADE II Evolução Histórica do Paisagismo UNIDADE III Criando Paisagens UNIDADE IV Estudo da Vegetação Como Elemento Paisagismo